‘CORINGA’, POLANSKI e NETFLIX na SELEÇÃO do FESTIVAL DE VENEZA

Joaquin Phoenix como protagonista de ‘Coringa’

PRESIDENTE ALBERTO BARBERA RESPONDEU ÀS POLÊMICAS

O festival de cinema mais antigo da história revelou os filmes selecionados desta edição na última quinta-feira. O júri, presidido pela estupenda diretora argentina Lucrecia Martel, contará com produções bem diversificadas para distribuir seus prêmios.

Entre nomes consagrados, já começamos com o filme de abertura: ‘The Truth’, primeiro longa do diretor japonês Hirokazu Koreeda em língua estrangeira. Vencedor da Palma de Ouro em 2018, ele pôde contar com atores do calibre de Catherine Deneuve, Juliette Binoche e Ethan Hawke.

O festival também terá os franceses Olivier Assayas e Robert Guediguian, o chileno Pablo Larraín, o colombiano Ciro Guerra, o sueco Roy Andersson e o chinês Lou Ye. O cinema norte-americano está dividido entre filmes de grande estúdio como ‘Ad Astra’ (da Fox), ‘Coringa’ (sim, o filme solo do vilão do Batman, da Warner), e de produtoras de streaming service. ‘Marriage Story’, novo filme de Noah Baumbach, ‘The Laundromat’, de Steven Soderbergh, representando a Netflix, que ano passado levou o Leão de Ouro com ‘Roma’.

Meryl Streep em cena de ‘The Laundromat’

O presidente do evento, Alberto Barbera, ao responder algumas perguntas sobre a baixa presença de diretoras mulheres, foi bastante categórico. “Este ano, em todas as seleções, tivemos 24% de diretoras mulheres. Ano passado foram 20%. Recebemos 1.860 inscrições este ano. Dessas inscrições, contabilizamos menos de 24% de diretoras. O que nunca vou fazer é pegar um filme dirigido por uma mulher só pra aumentar a proporção”. Ele acredita que a presença de mulheres em filmes de estúdio ainda levará mais tempo, e realmente vai. Toda grande mudança leva um tempo considerável, e o que muitos não se dão conta é que os festivais e premiações não deveriam ser responsabilizados por essa disparidade. Entre os indicados ao Leão de Ouro, temos duas diretoras: a saudita Haifaa Al-Mansour com ‘The Perfect Candidate’ e a australiana Shannon Murphy com ‘Babyteeth’.

Outra polêmica deste ano é a seleção do novo filme de Roman Polanski, intitulado ‘An Officer and a Spy’, que tem Jean Dujardin como o oficial francês e discute anti-semitismo. Segundo Barbera, a qualidade do filme se equivale a ‘O Pianista’ (2002). Ele defende que o artista deveria ser visto separado do homem. Polanski foi condenado por estupro em 1977 e foi recentemente expulso da Academia. “Quando você vê uma pintura de Caravaggio, você está vendo o trabalho de um assassino que, depois de matar um homem, teve que fugir para Palermo. É ridículo. Se você não consegue fazer uma distinção entre a culpabilidade de uma pessoa e o valor de uma pessoa como artista, você não vai chegar a lugar algum. Os problemas de Polanski com a justiça de Los Angeles e sua consciência são problemas pessoais dele, além do fato de pensar assim, depois de quarenta anos de tribulações, ele pagou pelo que fez. Mas como diretor de um festival, o que conta para mim é que ele fez um grande filme”.

Jean Dujardin em cena de ‘An Officer and a Spy’

Nessa mesma entrevista, o presidente faz uma observação pertinente sobre o cinema americano. Ele acredita que a redução se deve às compras de estúdios por outros como a Disney que comprou a Fox, e a forte possibilidade da Lionsgate ser comprada. Realmente, nesse cenário, o cinema perde muito em diversidade de filmes. Como forma de Arte, deveria contar com inúmeras filosofias e diferentes padrões para sobreviver ao marasmo. Por isso, não tem como não defender a Netflix. Ela permite que os diretores ou autores que perderam suas vozes nos estúdios continuem seus trabalhos em outra plataforma, inclusive mais acessível ao grande público.

A atriz britânica Julie Andrews e o diretor espanhol Pedro Almodóvar serão homenageados com o Leão de Ouro Honorário.

A 76a edição do Festival de Veneza tem início em 28 de Agosto e termina em 07 de Setembro.

COMPETIÇÃO OFICIAL

“The Truth,” Kore-eda Hirokazu – Filme de Abertura

“The Perfect Candidate,” Haifaa Al-Mansour

“About Endlessness,” Roy Andersson

“Wasp Network,” Olivier Assayas

“Marriage Story,” Noah Baumbach

“Guest of Honor,” Atom Egoyan

“Ad Astra,” James Gray

“A Herdade,” Tiago Guedes

“Gloria Mundi,” Robert Guediguian

“Waiting for the Barbarians,” Ciro Guerra

“Ema,” Pablo Larrain

“Saturday Fiction,” Lou Ye

“Martin Eden,” Pietro Marcello

“La Mafia non è più quella di Una Volta,” Franco Maresco

“The Painted Bird,” Vaclav Marhoul

“The Mayor of Rione Sanità,” Mario Martone

“Babyteeth,” Shannon Murphy

“Joker,” Todd Philips

“An Officer and a Spy,” Roman Polanski

“The Laundromat,” Steven Soderbergh

“No. 7 Cherry Lane,” Yonfan

FORA DE COMPETIÇÃO – Ficção

“The Burnt Orange Heresy,” Giuseppe Capotondi

“Seberg,” Benedict Andrews

“Vivere,” Francesca Archibugi

“Mosul,” Matthew Michael Carnahan

“Adults in the Room,” Costa-Gavras

“The King,” David Michod

“Tutto il mio folle amore,” Gabriele Salvatores

FORA DE COMPETIÇÃO – Não-Ficção

“Woman,” Yann Arthus-Bertrand, Anastasia Mikova

“Roger Waters: Us + Them,” Roger Waters

“I Diari di Angela – Noi Due Cineasti. Capitolo Secondo. Yervant Gianikian, Angela Ricci Lucchi

“Citizen K,” Alex Gibney

“Citizen Rosi,” Didi Gnocchi, Carolina Rosi

“The Kingmaker,” Lauren Greenfield

“State Funeral,” Sergei Loznitsa

“Collective,” Alexander Nanau

“45 Seconds of Laughter,” Tim Robbins

“Il pianeta in mare,” Daniele Segre

FORA DE COMPETIÇÃO – Exibições Especiais

“No One Left Behind,” Guillermo Arriaga

“Electric Swan,” Konstantina Kotzamani

“Irreversible – Inversion Integrale,” Gaspar Noe

“ZeroZeroZero,” (Episodes 1 and 2) Stefano Sollima

“The New Pope” (Episodes 2 and 7) Paolo Sorrentino

“Never Just a Dream: Stanley Kubrick And Eyes Wide Shut,” Matt Wells

“Eyes Wide Shut,” Stanley Kubrick

MOSTRA HORIZONTES

“Pelican Blood,” Katrin Gebbe

“Zumiriki,” Oskar Alegria

“Bik Eneich – Un Fils,” Mehdi M. Barsaoui

“Blanco en Blanco,” Theo Court

“Mes Jours de Gloire,” Antoine De Bary

“Nevia,” Nunzia De Stefano

“Moffie,” Oliver Hermanus

“Hava, Maryam, Ayesha,” Sahara Karimi

“Rialto,” Peter Mackie Burns

“The Criminal Man,” Dmitry Mamuliya

“Revenir,” Jessica Palud

“Giants Being Lonely,” Great Patterson

“Balloon,” Pema Tseden

“Verdict,” Raymund Ribas Gutierrez

“Just 6.5,” Saeed Roustaee

“Shadow of Water,” Sasidharan Sanal Kumar

“Sole,” Carlo Sironi

“Madre,” Rodrigo Sorogoyen

“Atlantis,” Valentyn Vasyanovych

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‘VINGADORES: ULTIMATO’ CONQUISTA 3 MTV MOVIE AWARDS

O mega sucesso da Marvel Studios continua em alta quase 2 meses após sua estréia e prestes a alcançar o recorde de ‘Avatar’

Diretor Anthony Russo recebe o prêmio de Melhor Filme por ‘Vingadores: Ultimato’

O prêmio da MTV, que começou de forma extraordinária nos anos 90 ao premiar gemas do cinema que não tinham espaço no Oscar de Melhor Filme como ‘O Exterminador do Futuro 2’, ‘Pulp Fiction’ e ‘Se7en’, tem buscado formas de continuar relevante nos dias de hoje. Para isso, tem feito alterações nas categorias constantemente como mesclar atores e atrizes como performance unisex, incluído os trabalhos da TV e Streaming (que estão mais em alta do que nunca) e colocando na roda os filmes e séries de maiores sucessos para votação: ‘Vingadores: Ultimato’ que levou Melhor Filme e ‘Game of Thrones’ que levou Melhor Série.

Apesar de não concordar com uma série de decisões e votações nos últimos anos, temos que considerar duas coisas. Primeiro: é um prêmio (supostamente) concedido pelo voto popular (afinal, cinema também é entretenimento), e segundo: um prêmio como o da MTV é mais uma forma inteligente de reconhecer essa indústria e fazer propaganda internacional.

Sandra Bullock vai ao MTV pra discursar como se fosse Oscar

Dito isso, confesso que não assisti à cerimônia, mas assisti à maioria dos discursos de agradecimento em compilações do YouTube (coloquei o link abaixo). Achei meio forçação de barra a Sandra Bullock fazer discurso sério ao receber o prêmio de Melhor Performance Assustada (?!). Esqueceram de avisar que não é o Oscar. E depois daquele lance da Jada Pinkett Smith boicotar o Oscar 2016 porque o maridinho dela (Will Smith) não foi indicado, peguei um bode feio do casal, então vê-la recebendo o prêmio de Trailblazer (pioneira) desvalorizou ainda mais o MTV Movie. Até o Chris Rock tirou sarro da atitude dela na época… Sobre a categoria de documentário, acho um ponto fora da curva na premiação, mas ao mesmo tempo acho válido os jovens se interessarem mais por não-ficção.

link: https://youtu.be/qYQUq31fIXE

Jada Pinkett Smith é mais uma vencedora do prêmio Trailblazer, que até agora parece sem propósito

A respeito dos resultados, nada de fato foi surpreendente. ‘Vingadores: Ultimato’ levou 3 baldinhos de pipoca dourada por Filme, Herói (Robert Downey Jr.) e Vilão (Josh Brolin). Não aprovo a premiação de Brie Larson como Melhor Luta em ‘Capitã Marvel’, mas achei legal da parte dela levar ao palco suas dublês.

Brie Larson entre suas duas dublês em ‘Capitã Marvel’

E fechando o primeiro parágrafo, apesar de ter gostado de ver a animação ‘Homem-Aranha no Aranha-Verso’ e ‘Nós’ entre os indicados a Melhor Filme, gostaria de ver outros títulos que não tiveram espaço no Oscar como ‘Missão: Impossível – Efeito Fallout’, ‘Hereditário’ e ‘Oitava Série’, e espero que ‘Fora de Série’ (Booksmart) esteja indicado ano que vem.

Seguem os vencedores do MTV Movie & TV Awards 2019:

MELHOR FILME

Vingadores: Ultimato (Avengers: Endgame)

Infiltrado na Klan (BlacKkKlansman)

Homem-Aranha no Aranha-Verso (Spider-Man: Into the Spider-Verse)

Para Todos os Garotos que Já Amei (To All the Boys I’ve Loved Before)

Nós (Us)

MELHOR SHOW

Big Mouth

Game of Thrones

Riverdale

Schitt’s Creek

A Maldição da Residência Hill

MELHOR PERFORMANCE EM FILME

Amandla Stenberg (O Ódio que Você Semeia)

Lady Gaga (Nasce uma Estrela)

Lupita Nyong’o (Nós)

Rami Malek (Bohemian Rhapsody)

Sandra Bullock (Bird Box)

MELHOR PERFORMANCE EM SHOW

Elisabeth Moss (The Handmaid’s Tale)

Emilia Clarke (Game of Thrones)

Gina Rodriguez (Jane the Virgin)

Jason Mitchell (The Chi)

Kiernan Shipka (Chilling Adventures of Sabrina)

MELHOR HERÓI 

Brie Larson (Capitã Marvel)

John David Washington (Infiltrado na Klan)

Maisie Williams (Game of Thrones)

Robert Downey Jr. (Vingadores: Ultimato)

Zachary Levi (Shazam!)

MELHOR VILÃO

Jodie Comer (Killing Eve)

Joseph Fiennes (The Handmaid’s Tale)

Josh Brolin (Vingadores: Ultimato)

Lupita Nyong’o (Nós)

Penn Badgley (You)

MELHOR BEIJO 

Camila Mendes & Charles Melton (Riverdale)

Jason Momoa & Amber Heard (Aquaman)

Ncuti Gatwa & Connor Swindells (Sex Education)

Noah Centineo & Lana Condor (Para Todos os Garotos que Já Amei)

Tom Hardy & Michelle Williams (Venom)

REALEZA DE REALITY SHOW

Jersey Shore: Family Vacation

Love & Hip Hop: Atlanta

The Bachelor

The Challenge

Vanderpump Rules

MELHOR PERFORMANCE CÔMICA 

Awkwafina (Podres de Ricos)

Dan Levy (Schitt’s Creek)

John Mulaney (Big Mouth)

Marsai Martin (Little)

Zachary Levi (Shazam!)

PERFORMANCE REVELAÇÃO 

Awkwafina (Podres de Ricos)

Haley Lu Richardson (A Cinco Passos de Você)

Mj Rodriguez (Pose)

Ncuti Gatwa (Sex Education)

Noah Centineo (Para Todos os Garotos que Já Amei)

MELHOR LUTA

Vingadores: Ultimato  – Capitão América vs. Thanos

Capitã Marvel – Capitã Marvel vs. Minn-Erva

Game of Thrones – Arya Stark vs. the White Walkers

RBG – Ruth Bader Ginsburg vs. Inequality

WWE Wrestlemania – Becky Lynch vs. Ronda Rousey vs. Charlotte Flair

MELHOR HERÓI DA VIDA REAL

Alex Honnold (Free Solo)

Hannah Gadsby (Nanette)

Roman Reigns (WWE SmackDown)

Ruth Bader Ginsburg (RBG)

Serena Williams (Being Serena)

MELHOR PERFORMANCE ASSUSTADA

Alex Wolff (Hereditáriao)

Linda Cardellini (A Maldição da Chorona)

Rhian Rees (Halloween)

Sandra Bullock (Bird Box)

Victoria Pedretti (A Maldição da Residência Hill)

MELHOR DOCUMENTÁRIO 

At the Heart of Gold: Inside the USA Gymnastics Scandal

McQueen

Minding the Gap

RBG

Surviving R. Kelly

MELHOR HOST

Gayle King (CBS This Morning)

Nick Cannon (Wild ‘n Out)

Nick Cannon (The Masked Singer)

RuPaul (RuPaul’s Drag Race)

Trevor Noah (The Daily Show with Trevor Noah)

MOMENTO MAIS MEME-ÁVEL

“Lindsay Lohan’s Beach Club” – The Lilo Dance

“Love & Hip Hop: Hollywood” – Ray J’s Hat

“RBG” – The Notorious RBG

“RuPaul’s Drag Race” – Asia O’Hara’s butterfly finale fail

“The Bachelor” – Colton Underwood pula a cerca

SUL-COREANO BONG JOON-HO LEVA A PALMA DE OURO EM CANNES POR ‘PARASITE’

O diretor Bong Joon-ho recebe a Palma de Ouro da atriz Catherine Deneuve

CINEMA ASIÁTICO SAI FORTALECIDO PARA A PRÓXIMA TEMPORADA DE PREMIAÇÕES

Apesar de todo o foco em cima do novo filme de Quentin Tarantino, Era Uma Vez em Hollywood, que ingressou na competição na segunda chamada e trouxe os astros Leonardo DiCaprio, Brad Pitt e Margot Robbie, o júri presidido pelo mexicano Alejandro González Iñárritu concedeu a Palma de Ouro para Parasite, a primeira Palma de Ouro para o cinema da Coréia do Sul.

O novo trabalho do diretor de instigantes filmes como Memórias de um Assassino (2003), O Hospedeiro (2006), Mother (2009) e O Expresso do Amanhã (2014) contém elementos de crítica social. Uma família coreana de baixa classe toda desempregada tenta melhorar seu status ao se infiltrar numa casa de ricos. Após a sessão no festival, foi reportado uma salva de palmas de pé por mais de cinco minutos, e sua consagração teria sido decidida de forma unânime.

Cenas de uma família em Parasite.

Esse reconhecimento acaba colocando no mapa não apenas o diretor, mas toda a filmografia do cinema sul-coreano recente, que vem pedindo passagem desde o início dos anos 2000, com diretores aclamados como Park Chan-wook, Lee Chang-dong, Kim Ki-duk e Kim Ji-woon. Oldboy (2003), Em Chamas (2018), Casa Vazia (2004) e Eu Vi o Diabo (2010) são alguns exemplos desse cinema asiático recente, que nunca recebeu uma mísera indicação ao Oscar, provavelmente pelo contexto violento e/ou sexual, mas que com essa Palma de Ouro, pode finalmente entrar na categoria de Filme em Língua Estrangeira da Academia.

O cinema brasileiro também saiu vitorioso do evento. Na verdade, duplamente vitorioso. Além do prêmio Un Certain Regard para A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, de Karim Aïnouz, Bacurau saiu com o prêmio do júri, compartilhado com Les Misérables. Em sua segunda competição oficial, o diretor pernambucano Kléber Mendonça Filho conquista uma espécie de terceiro lugar do festival. Agora a seleção do Brasil para o Oscar ficou difícil, hein? Vamos ver qual consegue melhor campanha até o mês de outubro, quando deve haver a votação da comissão.

O diretor Kléber Mendonça Filho discursa com seu prêmio do Júri por Bacurau. Pic by G1 Globo

O Grande Prêmio do Júri ficou com Atlantique, filme da diretora franco-senegalesa estreante Mati Diop. Ela narra a história de uma jovem prometida para casamento que se apaixona por um homem que sonha migrar ilegalmente para a Europa. Diop já havia quebrado o tabu ao ser a primeira negra na competição, e agora a primeira premiada.

Bastante emocionada, Mati Diop recebe o Grande Prêmio do Júri

Outra cineasta mulher premiada foi a francesa Céline Sciamma por seu roteiro de Portrait of a Lady on Fire. A história da relação entre uma pintora e a modelo de seu retrato foi bastante elogiada em Cannes, mas acabou ficando apenas com o prêmio de Roteiro.

Já premiados duas vezes com a Palma de Ouro nas décadas passadas, os irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne marcaram presença na premiação ao levarem Melhor Direção por O Jovem Ahmed, sobre um jovem árabe que ingressa a radicalização islâmica, e planeja matar seu professor.

Jean-Pierre e Luc Dardenne vencem Melhor Direção por O Jovem Ahmed (pic by Yahoo)

Os prêmios de atuação ficaram com a britânica Emily Beecham por Little Joe, uma espécie de ficção científica com atmosfera de thriller, e com o espanhol Antonio Banderas por interpretar o alter-ego do diretor Pedro Almodóvar em Dor e Glória.

Emily Beecham vence por Little Joe (pic by Yahoo)

Antonio Banderas segura seu prêmio de atuação com Alejandro González Iñárritu (pic by AFP by El Universal)

Iñárritu foi o primeiro latino a presidir o júri de Cannes. Nesta edição, ele contou com a colaboração dos diretores franceses Enki Bilal e Robin Campillo, a atriz americana Elle Fanning, a atriz e diretora senegalesa Maimouna N’Diaye, o diretor grego Yorgos Lanthimos, diretor polonês Paweł Pawlikowski (ambos indicados ao Oscar deste ano), a diretora americana Kelly Reichardt, e a diretora italiana Alice Rohrwacher.

Segue lista completa dos vencedores desta 72a edição:

COMPETIÇÃO

Palma de Ouro: “Parasite,” de Bong Joon-ho

Grande Prêmio do Júri: “Atlantics,” Mati Diop

Direção: Jean-Pierre e Luc Dardenne, “Young Ahmed”

Ator: Antonio Banderas, “Pain and Glory”

Atriz: Emily Beecham, “Little Joe”

Prêmio do Júri — EMPATE: “Les Misérables,” Ladj Ly; “Bacurau,” Kléber Mendonça Filho

Roteiro: Céline Sciamma, “Portrait of a Lady on Fire”

Menção Especial: Elia Suleiman, “It Must Be Heaven”

OUTROS PRÊMIOS

Camera d’Or: “Our Mothers,” Cesar Diaz

Palma de Ouro de Melhor Curta: “The Distance Between the Sky and Us,” Vasilis Kekatos

Menção Especial para Curta: “Monster God,” Agustina San Martin

Prêmio Golden Eye de Documentário: “For Sama”

Prêmio do Júri Ecumênico: “Hidden Life,” Terrence Malick

Queer Palm: “Portrait of a Lady on Fire,”  Céline Sciamma

UN CERTAIN REGARD

Un Certain Regard Award: “The Invisible Life of Eurídice Gusmão,” Karim Aïnouz

Prêmio do Júri: “Fire Will Come,” Oliver Laxe

Direção: Kantemir Balagov, “Beanpole”

Atuação: Chiara Mastroianni, “On a Magical Night”

Roteiro: Meryem Benm’Barek, “Sofia”

Prêmio Especial do Júri: Albert Serra, “Liberté”

Menção Especial do Júri: “Joan of Arc,” Bruno Dumont

Coup de Coeur Award: “A Brother’s Love,” Monia Chokri; “The Climb,” Michael Angelo Covino

DIRECTORS’ FORTNIGHT

Society of Dramatic Authors and Composers Prize: “An Easy Girl,” Rebecca Zlotowski

Europa Cinemas Label: “Alice and the Mayor,” Nicolas Parisier

Illy Short Film Award: “Skip Day” (Patrick Bresnan, Ivete Lucas)

CRITICS’ WEEK

Nespresso Grand Prize: “I Lost My Body,” Jérémy Clapin

Society of Dramatic Authors and Composers Prize: César Díaz, “Our Mothers”

GAN Foundation Award for Distribution: The Jokers Films, French distributor for “Vivarium” by Lorcan Finnegan

Louis Roederer Foundation Rising Star Award: Ingvar E. Sigurðsson, “A White, White Day”

Leitz Cine Discovery Prize for Short Film: “She Runs,” Qiu Yang

Canal Plus Award for Short Film: “Ikki Illa Meint,” Andrias Høgenni

FIPRESCI

Competition: “It Must Be Heaven” (Elia Suleiman)

Un Certain Regard: “Beanpole” (Kantemir Balagov)

Directors’ Fortnight/Critics’ Week: “The Lighthouse” (Robert Eggers)

CINÉFONDATION

First Prize: “Mano a Mano,” Louise Courvoisier

Second Prize: “Hiéu,” Richard Van

Third Prize — TIE: “Ambience,” Wisam Al Jafari; “Duszyczka” (The Little Soul), Barbara Rupik

Sucessos de público, ‘VINGADORES: ULTIMATO’ e ‘GAME OF THRONES’, lideram o MTV MOVIE & TV Awards

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Atualmente em primeiro lugar nas bilheterias, Vingadores: Ultimato também conquista espaço no MTV Movie Awards

PRÊMIO POPULAR APROVEITA A ONDA GLOBAL

Após uma temporada de premiações permeada por blockbusters como Pantera Negra, e sucessos comerciais como Nasce uma Estrela e Bohemian Rhapsody, logo deduziríamos que se trata de um prato cheio para o MTV Movie Awards, certo? Não necessariamente.

A verdade é que o calendário do prêmio é diferente do Oscar e Globo de Ouro. Por exemplo, Pantera Negra que ganhou 3 Oscars este ano, já havia ganhado o prêmio de Melhor Filme na edição anterior do MTV Movie Awards.

Mas mesmo assim, resgataram bons títulos de 2018 como a visualmente fantástica animação Homem-Aranha no Aranha-Verso, Hereditário e os bons documentários Minding the Gap e RBG

Já da safra 2019, reconhecimento mais do que merecido para o novo filme de Jordan Peele, Nós, e para a a protagonista Lupita Nyong’o, que está excepcional em papel duplo. E um reconhecimento não tão merecido para outros como Aquaman, Venom e Para Todos os Garotos que Já Amei, provando que o gênero da Comédia Romântica nunca sai de moda.

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Lupita Nyong’o, Shahadi Wright Joseph e Evan Alex em cena de Nós

Em extrema ascensão no momento, Vingadores: Ultimato (cuja bilheteria mundial já ultrapassou a barreira dos 2 bilhões de dólares e a marca de Titanic – restando apenas o recorde de Avatar) e a série da HBO Game of Thrones preencheram boa parte das indicações. Por se tratar de um prêmio baseado no voto popular, seria estupidez não aproveitar esse hype todo e promover seu próprio evento em cima.

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A oitava e última temporada de Game of Thrones está atraindo um público global

O MTV Movie Awards procura estar sempre antenado com o público jovem, por isso todo ano, eles promovem mudanças nas categorias. Nesta edição, criaram três novas categorias: Melhor Herói da Vida Real (retratados em documentários), Melhor Host (de programas televisivos) e Momento Mais Meme-ável que coroa as cenas que originam os melhores memes. Nem sempre essas novidades funcionam, como aquela besteira de Melhor Performance Sem Camisa, mas tem aquelas que vieram para ficar como a unificação dos sexos em categorias de atuação.

O prêmio da MTV contará com o ator Zachary Levi, que está indicado em duas categorias por Shazam!, e está agendado para o próximo dia 17 de junho.

Seguem todos os indicados:

MELHOR FILME
Vingadores: Ultimato (Avengers: Endgame)
Infiltrado na Klan (BlacKkKlansman)
Homem-Aranha no Aranha-Verso (Spider-Man: Into the Spider-Verse)
Para Todos os Garotos que Já Amei (To All the Boys I’ve Loved Before)
Nós (Us)

MELHOR SHOW
Big Mouth
Game of Thrones
Riverdale
Schitt’s Creek
A Maldição da Residência Hill

MELHOR PERFORMANCE EM FILME
Amandla Stenberg (O Ódio que Você Semeia)
Lady Gaga (Nasce uma Estrela)
Lupita Nyong’o (Nós)
Rami Malek (Bohemian Rhapsody)
Sandra Bullock (Bird Box)

MELHOR PERFORMANCE EM SHOW
Elisabeth Moss (The Handmaid’s Tale)
Emilia Clarke (Game of Thrones)
Gina Rodriguez (Jane the Virgin)
Jason Mitchell (The Chi)
Kiernan Shipka (Chilling Adventures of Sabrina)

MELHOR HERÓI
Brie Larson (Capitã Marvel)
John David Washington (Infiltrado na Klan)
Maisie Williams (Game of Thrones)
Robert Downey Jr. (Vingadores: Ultimato)
Zachary Levi (Shazam!)

MELHOR VILÃO
Jodie Comer (Killing Eve)
Joseph Fiennes (The Handmaid’s Tale)
Josh Brolin (Vingadores: Ultimato)
Lupita Nyong’o (Nós)
Penn Badgley (You)

MELHOR BEIJO
Camila Mendes & Charles Melton (Riverdale)
Jason Momoa & Amber Heard (Aquaman)
Ncuti Gatwa & Connor Swindells (Sex Education)
Noah Centineo & Lana Condor (Para Todos os Garotos que Já Amei)
Tom Hardy & Michelle Williams (Venom)

REALEZA DE REALITY SHOW
Jersey Shore: Family Vacation
Love & Hip Hop: Atlanta
The Bachelor
The Challenge
Vanderpump Rules

MELHOR PERFORMANCE CÔMICA
Awkwafina (Podres de Ricos)
Dan Levy (Schitt’s Creek)
John Mulaney (Big Mouth)
Marsai Martin (Little)
Zachary Levi (Shazam!)

PERFORMANCE REVELAÇÃO
Awkwafina (Podres de Ricos)
Haley Lu Richardson (A Cinco Passos de Você)
Mj Rodriguez (Pose)
Ncuti Gatwa (Sex Education)
Noah Centineo (Para Todos os Garotos que Já Amei)

MELHOR LUTA
Vingadores: Ultimato  – Capitão América vs. Thanos
Capitã Marvel – Capitã Marvel vs. Minn-Erva
Game of Thrones – Arya Stark vs. the White Walkers
RBG – Ruth Bader Ginsburg vs. Inequality
WWE Wrestlemania – Becky Lynch vs. Ronda Rousey vs. Charlotte Flair

MELHOR HERÓI DA VIDA REAL
Alex Honnold (Free Solo)
Hannah Gadsby (Nanette)
Roman Reigns (WWE SmackDown)
Ruth Bader Ginsburg (RBG)
Serena Williams (Being Serena)

MELHOR PERFORMANCE ASSUSTADA
Alex Wolff (Hereditáriao)
Linda Cardellini (A Maldição da Chorona)
Rhian Rees (Halloween)
Sandra Bullock (Bird Box)
Victoria Pedretti (A Maldição da Residência Hill)

MELHOR DOCUMENTÁRIO
At the Heart of Gold: Inside the USA Gymnastics Scandal
McQueen
Minding the Gap
RBG
Surviving R. Kelly

MELHOR HOST
Gayle King (CBS This Morning)
Nick Cannon (Wild ‘n Out)
Nick Cannon (The Masked Singer)
RuPaul (RuPaul’s Drag Race)
Trevor Noah (The Daily Show with Trevor Noah)

MOMENTO MAIS MEME-ÁVEL
“Lindsay Lohan’s Beach Club” – The Lilo Dance
“Love & Hip Hop: Hollywood” – Ray J’s Hat
“RBG” – The Notorious RBG
“RuPaul’s Drag Race” – Asia O’Hara’s butterfly finale fail
“The Bachelor” – Colton Underwood jumps the fence

 

COM 12 FILMES DIRIGIDOS POR MULHERES, FESTIVAL DE CANNES SE TORNA MAIS INCLUSIVO

Cartaz oficial da 72a edição de Cannes com Agnès Varda na filmagem de seu primeiro longa

THIERRY FREMAUX, PRESIDENTE DO FESTIVAL, OUVIU OS PROTESTOS DE 2018

No ano passado, 82 mulheres, entre elas as atrizes Marion Cotillard, Salma Hayek, Kristen Stewart e Cate Blanchett, caminharam juntas pelo tapete vermelho para protestar contra a baixa representação feminina no evento. “As mulheres não são uma minoria neste mundo, apesar da nossa indústria dizer o contrário. Como mulheres, todas nós encaramos nossos próprios desafios, mas nós nos juntamos aqui nestes degraus como um símbolo de nossa determinação e comprometimento com o progresso”, leram Blanchett e Agnès Varda.

Embora não seja adepto de qualquer cota, os números femininos em Cannes realmente são irrisórios. Em 71 anos de história, foram apenas 82 filmes selecionados para a competição oficial, enquanto masculinos ultrapassam os 1.600. Vale lembrar também que apenas UMA mulher levou a Palma de Ouro, quando Jane Campion conquistou em 1993 com O Piano. Apesar da cadeira de direção ter sido altamente predominada por homens ao longo das décadas, o número de mulheres aumentou consideravelmente desde os anos 90 para cá.

Enfim, o presidente do Festival de Cannes acompanhou o descontentamento feminino e elegeu 4 diretoras para competir pela Palma de Ouro (os filmes estão assinalados com emojis na lista abaixo). Esse número, que representa 21% das 19 produções que estão concorrendo, é o melhor desde 2011. E do total do evento, são 13 diretoras convidadas que representam 12 filmes (um deles é co-dirigido por duas diretoras).

O número feminino pode aumentar caso haja mais mulheres numa pós-seleção que sempre ocorre antes da abertura do festival. Contudo, o filme mais aguardado desta segunda leva talvez seja o novo filme de Quentin Tarantino, Era uma vez em Hollywood, que está em fase final de montagem. Considerando que a carreira de Tarantino deslanchou por causa da Palma de Ouro por Pulp Fiction, ele deve fazer de tudo para conseguir entregar seu novo filme a tempo.

BRASIL DE VOLTA À COMPETIÇÃO OFICIAL

A última vez que o cinema nacional esteve entre os indicados à Palma de Ouro foi há 3 anos, justamente pelo filme anterior de Kléber Mendonça Filho, Aquarius, estrelado por Sônia Braga. Seu novo trabalho , co-dirigido por Juliano Dornelles, Bacurau, ou Nighthawk (título internacional), se passaria no Nordeste onde uma comunidade rural teria desaparecido com a morte de uma nonagenária.

Cena de Bacurau, de Kléber Mendonça Filho (pic by Gazeta Online)

Se antes a equipe do filme protestou contra o impeachment da ex-presidente Dilma Roussef no tapete vermelho (o que acarretou na desclassificação injusta do filme na seleção para o Oscar), imagino que neste ano deva sobrar para Jair Bolsonaro.

Já pela mostra Un Certain Regard, o cineasta Karim Aïnouz volta com A Vida Invisível de Eurídice Gusmão (Invisible Life). O diretor cearense escalou a dama do teatro, Fernanda Montenegro, para viver Eurídice, que lutou contra o machismo dos anos 50 no Rio de Janeiro.

Cena de A Vida Invisível de Eurídice Gusmão

E A NETFLIX, CANNES?

Este ano é o segundo consecutivo que a plataforma de streaming foi banida da competição oficial por causa dos interesses das redes de cinema na França. Apesar do sucesso de Roma, de Alfonso Cuarón, que deveria ter passado em Cannes, o presidente Fremaux ainda resiste às mudanças.

Essa postura conservadora terá consequências desastrosas nos próximos anos, que muitos lançamentos de streaming migrarão automaticamente para outros festivais como Veneza. The Irishman, próximo filme de Martin Scorsese, que reunirá Robert De Niro e Al Pacino, lançamento de peso da Netflix em 2019, deverá estrear em Veneza, pegando carona para a temporada de premiações em setembro.

DA SELEÇÃO OFICIAL

Cannes continua sendo aquela panelinha de sempre, seja do ponto de vista positivo ou negativo. A seleção deles se apóia na credibilidade dos cineastas, tanto que temos os irmãos Dardenne, Ken Loach, Terrence Malick e até o novo de Pedro Almodóvar, que estreou comercialmente na Espanha. Curiosamente, foi o mesmo Almodóvar que expurgou a Netflix 3 anos, defendendo Cannes quando fora presidente do júri. Coincidência ou troca de amenidades?

Claro que a maioria dos filmes deve ser de boa qualidade, mas chega uma hora que não pra depender apenas dos renomados.

Nos bastidores de Dolor y Gloria, Antonio Banderas claramente interpreta o alter ego de Almodóvar (pic by fotogramas.es)

Lembrando que o presidente do júri deste ano é o mexicano vencedor de 2 Oscars, Alejandro González Iñárritu, fato que pode beneficiar produções de língua latina.

INDICADOS À PALMA DE OURO 2019:

THE DEAD DON’T DIE. Dir: Jim Jarmusch (Filme de Abertura)

ATLANTIQUE. Dir: Mati Diop 🙋🏻‍♀️

BACURAU. Dir: Kleber Mendonça Filho & Juliano Dornelles

FRANKIE. Dir: Ira Sachs

A HIDDEN LIFE. Dir: Terrence Malick

IT MUST BE HEAVEN. Dir: Elia Suleiman

LES MISÉRABLES. Dir: Ladj Ly

LITTLE JOE. Dir: Jessica Hausner 🙋🏻‍♀️

MATTHIAS AND MAXIME. Dir: Xavier Dolan

OH MERCY! Dir: Arnaud Desplechin

PAIN & GLORY. Dir: Pedro Almodóvar

PARASITE. Dir: Bong Joon Ho

PORTRAIT OF A LADY ON FIRE. Dir: Céline Sciamma 🙋🏻‍♀️

SIBYL. Dir: Justine Triet 🙋🏻‍♀️

SORRY WE MISSED YOU. Dir: Ken Loach

THE TRAITOR. Dir: Marco Bellocchio

THE WHISTLERS. Dir: Corneliu Porumboiu

THE WILD GOOSE LAKE. Dir: Diao Yi’nan

THE YOUNG AHMED. Dir: Jean-Pierre Dardenne & Luc Dardenne

COMPETIÇÃO UN CERTAIN REGARD

Adam. Dir: Maryam Touzani

Beanpole. Dir: Kantemir Balagov

A Brother’s Love. Dir: Monia Chokri

Bull. Dir: Annie Silverstein

The Climb. Dir: Michael Covino

Evge. Dir: Nariman Aliev

Freedom. Dir: Albert Serra

Vida Invisível. Dir: Karim Aïnouz

Joan of Arc. Dir: Bruno Dumont

Chambre 212. Dir: Christophe Honoré

Papicha. Dir: Mounia Meddour

Port Authority. Dir: Danielle Lessovitz

Summer of Changsha. Dir: Zu Feng

The Swallows of Kabul. Dir: Zabou Breitman & Eléa Gobé Mévellec

A Sun That Never Sets. Dir: Olivier Laxe

Zhuo Ren Mi Mi. Dir: Midi Z

FORA DE COMPETIÇÃO

The Best Years of a Life. Dir: Claude Lelouch

Diego Maradona. Dir: Asif Kapadia

La Belle Époque. Dir: Nicolas Bedos

Rocketman. Dir: Dexter Fletcher

Too Old to Die Young – North of Hollywood, West of Hell. Dir: Nicolas Winding Refn

MIDNIGHT SCREENINGS

The Gangster, the Cop, the Devil. Dir: Lee Won-Tae

SPECIAL SCREENINGS

Family Romance, LLC. Dir: Werner Herzog

For Sama. Dir: Waad Al Kateab, Edward Watts

Que Sea Ley. Dir: Juan Solanas

Share. Dir: Pippa Bianco

To Be Alive and Know It. Dir: Alain Cavalier

Tommaso. Dir: Abel Ferrara

***

O 72o Festival de Cannes começa no dia 14 de Maio e termina no dia 25.

‘GREEN BOOK’ BATE ‘ROMA’ e LEVA o OSCAR DE MELHOR FILME!

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Equipe de Green Book comemora a vitória no Oscar (pic by Variety)

Tinha tudo para ser uma cerimônia extremamente chata e monótona, já que não haveria host ou hostess, e com os resultados aparentemente previsíveis. E realmente foi na primeira metade do show, mas a partir da segunda metade, o Oscar esquentou um pouco, começando com a apresentação da canção “Shallow”. Sério! Antes disso, estava tudo um marasmo.

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Assim que anunciados os nomes, Lady Gaga e Bradley Cooper se levantaram de suas poltronas para cantar “Shallow” num belo dueto (pic by Variety)

Mas vamos começar com o lance do host. Para muitos, o anfitrião não fez falta alguma. E eu digo: “Como assim, gente?”. Ok, teve gente que preferiu aquele showzinho meia-boca do Queen B com Adam Lambert não chegando aos pés de Freddie Mercury. Enfim, gosto não se discute. Mas quando se assiste ao Oscar, não vemos apenas pelos resultados, afinal, se fosse só isso, bastaria acordar no dia seguinte e ver os vencedores no jornal sem as olheiras no rosto, certo? Eu, que particularmente comecei a acompanhar o Oscar com Billy Crystal que cantava e fazia inúmeras piadas ótimas, senti falta de um host, mas um bom.

Porque se for pra ser uma tragédia como aquela chamada James Franco e Anne Hathaway em 2011 preferia que não tivesse hosts, mas peraí: “Vamos aguentar mais de três horas de apresentadores fazendo piadinhas sem graça antes de abrir o envelope?”. Melhor esperar o jornal. Um evento desse tamanho e dessa importância não se sustenta com uma locutora anunciando os apresentadores. Cadê os sketches, as brincadeiras, a interação com as celebridades? Aliás, faço já a campanha para o Oscar 2020 com Ricky Gervais, Sacha Baron Cohen, Jim Carrey… todos que podem entregar boas piadas com pitadas ou toneladas de humor politicamente incorreto, porque o mundo está chato demais. Voltando e resumindo: prefiro o host no lugar do show do Queen B, que mais agradou quem estava na platéia.

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Maya Rudolph, Tina Fey e Amy Poehler apresentaram o primeiro Oscar da noite, mas poderia ter sido o trio de hostess da cerimônia… (pic by People)

A meta de horário de 3 horas do presidente da Academia foi praticamente cumprida. O 91º Oscar teve duração aproximada de 3 horas e 15 minutos com os intervalos. Economizaram no tempo e no entretenimento. Na maioria das vezes eles pegavam no pé sobre a duração do discurso e simplesmente cortavam o microfone e apagavam as luzes, já nas categorias de atuação, eles deixavam rolar o máximo que dava como era previsto.

NÚMEROS DESTA EDIÇÃO

Embora Green Book: O Guia tenha sido eleito o Melhor Filme com 3 estatuetas, incluindo Roteiro Original e Ator Coadjuvante, o filme com maior número de prêmios da noite foi Bohemian Rhapsody, que levou 4 Oscars para casa: Ator, Montagem, Mixagem de Som e Efeitos Sonoros.

Também com 3 estatuetas ficaram: Pantera Negra, que se destacou pelas vitórias históricas de Direção de Arte e Figurino, com as profissionais Hannah Beachler e Ruth E. Carter se tornando as primeiras negras a vencer, respectivamente, além de Trilha Original. E Roma, que apesar de não ter levado Melhor Filme, ficou com os Oscars de Direção, Fotografia e Filme em Língua Estrangeira, denotando que Hollywood ainda vai levar um tempo para digerir melhor essa história de Netflix e filmes em outra língua ganhando prêmio principal do ano.

91st Annual Academy Awards - Show

A primeira figurinista negra a ganhar o Oscar de Figurino pelo filme Pantera Negra (pic by EW.com)

Ainda sobre estatísticas, vale ressaltar que Roma foi a primeira vitória do Oscar de Filme em Língua Estrangeira para o México. Esta era a nona indicação do cinema mexicano na categoria e que se tornou a primeira vitória. Assim como no ano passado, o Oscar premiou um filme latino pela primeira vez, já que Uma Mulher Fantástica coroou o Chile pela primeira vez.

Ainda sobre primeira vez, o Oscar concedido para Homem-Aranha no Aranhaverso foi o primeiro do estúdio Sony, em parceria com a Marvel Studios. Apesar de ser grande fã dos trabalhos da Pixar, é sempre bom quebrar uma hegemonia com animações fora da curva. O visual desta adaptação de Homem-Aranha foi bastante elogiada e com méritos, deixando uma crítica indireta ao visual padrão dos filmes da Pixar.

SURPRESAS DA NOITE

A grande surpresa da noite se chama Olivia Colman. Apesar de ter havido uma pequena chance de vitória, poucos acreditavam que haveria outra vencedora que não fosse Glenn Close em sua sétima indicação sem vitória, ainda mais quando a vimos desfilar no tapete vermelho com aquele vestido dourado Oscar com capa de super-heroína. Dava para perceber que Close estava bem confiante em sua primeira vitória, o que torna ainda mais dolorosa sua derrota.

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Olivia Colman chega a fazer deboche do cronômetro do Oscar em seu discurso bem humorado de Melhor Atriz por A Favorita (pic by UOL Entretenimento)

A coisa só não ficou pior porque Olivia Colman é um doce de pessoa. Além de extremamente humilde, ela tem um carisma britânico singular que se torna impossível de não gostar dela. E para quem assistiu ao filme A Favorita sabe que sua interpretação era digna de um Oscar. Em seu discurso, ela presta homenagens sinceras às colegas indicadas, especialmente Glenn, e por último para Gaga. Todos se levantaram para aplaudi-la. Foi realmente uma surpresa agradável.

Quanto à Glenn Close, é o que eu disse no post do Facebook: independente do resultado, torço para que esta nova indicação lhe traga maior projeção e papéis mais instigantes e profundos. Esta atriz talentosa e carismática tem que ganhar o Oscar dela, sim. Ela só não ganhou hoje porque muitos tinham a opinião de que ela merece ganhar por um filme melhor do que A Esposa, de fato. Estou torcendo para que um diretor de renome e em alta como Damien Chazelle, Martin Scorsese ou Clint Eastwood tenham uma personagem feita sob medida para ela poder brilhar e ganhar seu primeiro Oscar com louvor.

Também se encaixaria aqui a vitória surpreendente de Green Book: O Guia, mesmo com o prêmio do sindicato de produtores (PGA) debaixo do braço. Apesar de estar rodeado de polêmicas externas envolvendo o roteirista Nick Vallelonga e o diretor Peter Farrelly, o sistema de votos preferenciais beneficiou este filme agridoce sobre racismo, afinal, costuma ganhar aquele filme que menos desagradou os membros da Academia em geral. Agora fica a questão: Você alguma vez imaginou que veria o diretor de Debi & Lóide: Dois Idiotas em Apuros e Quem Vai Ficar com Mary? ganhando o Oscar de Melhor Filme? Eu sou suspeito para falar porque gosto do humor politicamente incorreto dele, especialmente em Antes Só que Mal Casado.

CURIOSIDADES

Nos quatro discursos de agradecimento do filme Bohemian Rhapsody, ninguém sequer citou o nome do diretor Bryan Singer, que foi demitido da produção a duas semanas do término das filmagens por motivos investigativos de assédio sexual. Claro que ninguém quer sarna pra se coçar, ainda mais se estragar uma campanha de Oscar, mas honestamente acreditava que John Ottman, colaborador de longa data de Singer, mencionaria pelo menos o nome de seu colega, mas, como se estivessem impedidos por contrato a citar o nome dele, Singer permaneceu como diretor-fantasma no Oscar.

Rami Malek foi o que mais atacou o diretor na campanha para o Oscar, pois teria creditado a si mesmo pela saída benéfica de Singer para o bem do filme. A atitude agressiva do ator só foi deixada de lado graças ao seu belo discurso de agradecimento, que enalteceu suas origens e as origens estrangeiras de Freddie Mercury num momento em que os EUA enfrentam um dilema de xenofobia. “Penso como seria contar ao pequeno Rami que um dia isso aconteceria com ele, e acho que a mente dele explodiria. Aquela criança estava lutando contra sua identidade, tentando se descobrir, e para qualquer um que estiver lutando e tentando descobrir sua voz, ouça isso, nós fizemos um filme sobre um homem gay, um imigrante, que viveu sua vida sem pedir desculpas. E o fato de eu estar celebrando-o e sua história com vocês hoje é a prova que estamos ansiando por histórias como esta.”, falou Malek.

91st Annual Academy Awards - Show

Rami Malek sequer cita o diretor Bryan Singer em seu discurso de Melhor Ator por Bohemian Rhapsody (pic by  Exame Abril)

Sobre a categoria de Melhor Canção Original, que gerou toda a polêmica das duas canções apresentadas na cerimônia, a Academia fez questão que todas as cinco canções fossem apresentadas como manda o figurino, mas de última hora, os músicos Kendrick Lamar e SZA cancelaram suas participações alegando motivos de logística e de tempo curto. Se serve de consolo, eles também não se apresentaram no Grammy deste ano pela canção “All the Stars” de Pantera Negra.

Ainda sobre as canções, Bette Midler cantou “The Place Where Lost Things Go” de O Retorno de Mary Poppins porque Emily Blunt, que canta a música no filme, teria arregado. Falta de confiança ou muitos efeitos na gravação? O fato é que ninguém mais lembra quem é Bette Midler na fila do pão. Por que não convocar uma cantora mais atual com sotaque britânico como Jessie J, por exemplo, sei lá. Não queriam aumentar os números de audiência??

E pensando na estratégia de melhorar a audiência, não entendi a convocação de tantos nomes pouco conhecidos como Diego Luna, Amandla Stenberg e até a tenista Serena Williams (!) ou desconhecidos como o Chef José Andrés e o congressista John Lewis.

Na sessão In Memorian, apresentada pelo presidente da Academia, John Bailey, o clipe com os profissionais e artistas falecidos no último ano incluíram nomes oscarizados como os diretores Bernardo Bertolucci e Milos Forman, mas para quem prestou atenção, a Academia lembrou do diretor brasileiro Nelson Pereira dos Santos, que ficou conhecido por Rio, 40 Graus, e pela adaptação de Vidas Secas. Apesar de nunca ter sido indicado ao Oscar, foi indicado algumas vezes para o Urso de Ouro em Berlim e a Palma de Ouro em Cannes ao longo da carreira.

Nelson Pereira dos Santos

Imagem do diretor brasileiro homenageado pela Academia no In Memorian (pic by The Visuallized)

COMENTÁRIOS EXTRAS

Já que não tinha host e o tempo era curto, por que não surpreender mais nos resultados? Apesar de Mahershala Ali estar bem em Green Book, este foi seu segundo Oscar em três anos depois de Moonlight. Não poderiam ter reconhecido a atuação de Richard E. Grant por Poderia Me Perdoar? Além de uma ótima atuação, seu personagem é muito querido, tem ótimos diálogos e excelente química com a protagonista vivida por Melissa McCarthy.

Foi bacana ver Spike Lee extremamente feliz e realizado ao vencer seu primeiro Oscar competitivo (ele havia sido homenageado com o Oscar Honorário em 2016) por Infiltrado na Klan. A alegria que ele sentiu ao subir o palco e pular sobre o ator Samuel L. Jackson foi um dos melhores momentos da noite. Claro que o diretor aproveitou para dar suas cutucadas ao lembrar que era aniversário de 400 anos da chegada dos escravos africanos nos EUA, e que “A eleição presidencial de 2020 estava logo ali. Vamos todos nos mobilizar. Vamos todos estar do lado certo da história. Fazer a escolha moral entre amor contra ódio.”, declarou Spike Lee, um crítico ferrenho de Donald Trump.

E quando soube que Green Book levou o Oscar de Melhor Filme, alegou que a Academia “fez uma escolha infeliz” e tentou abandonar o Dolby Theater antes do fim do discurso dos produtores, mas teve que voltar. “Toda vez que alguém está dirigindo alguém, eu perco”, comentou em alusão à sua derrota em 1990 para Conduzindo Miss Daisy. Nem ele, nem Jordan Peele aplaudiram para Green Book, que consideram aquela típica história do “branco salvador”.

Spike Lee Oscars

Spike Lee era puro êxtase em sua vitória de Roteiro Adaptado por Infiltrado na Klan (pic by New York Daily News)

VENCEDORES DO 91º OSCAR :

FILME
* Green Book: O Guia (Green Book)

DIREÇÃO
* Alfonso Cuarón (Roma)

ATOR
* Rami Malek (Bohemian Rhapsody)

ATRIZ
* Olivia Colman (A Favorita)

ATOR COADJUVANTE
* Mahershala Ali (Green Book: O Guia)

ATRIZ COADJUVANTE
* Regina King (Se a Rua Beale Falasse)

ROTEIRO ORIGINAL
* Green Book: O Guia, Brian Hayes Currie, Peter Farrelly, Nick Vallelonga

ROTEIRO ADAPTADO
* Infiltrado na Klan, Charlie Wachtel, David Rabinowitz, Kevin Willmott e Spike Lee

FOTOGRAFIA
* Roma, Alfonso Cuarón

MONTAGEM
* Bohemian Rhapsody, John Ottman

DESENHO DE PRODUÇÃO
* Pantera Negra, Hannah Beachler e Jay Hart

FIGURINOS
* Pantera Negra, Ruth E. Carter

MAQUIAGEM
* Vice, Greg Cannom, Kate Biscoe, Patricia Dehaney

TRILHA MUSICAL ORIGINAL
* Pantera Negra, Ludwig Göransson

CANÇÃO ORIGINAL
* “Shallow”, Nasce uma Estrela (escrita por Lady Gaga, Mark Ronson, Anthony Rossomando e Andrew Wyatt)

MIXAGEM DE SOM
* Bohemian Rhapsody

EDIÇÃO DE SOM
* Bohemian Rahpsody

EFEITOS VISUAIS
* O Primeiro Homem

ANIMAÇÃO
* Homem-Aranha no Aranhaverso

DOCUMENTÁRIO
* Free Solo

FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
* Roma (México)

CURTA-METRAGEM
* Skin

CURTA DE ANIMAÇÃO
* Bao

DOCUMENTÁRIO-CURTA
* Absorvendo o Tabu (Period. End of Sentence.)

APOSTAS PARA O OSCAR 2019: O ANO DA DIVERSIDADE

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ACADEMIA TEM ANO ATÍPICO QUE COLOCA EM XEQUE SUA CREDIBILIDADE. SERÁ QUE OS RESULTADOS AJUDAM A RESGATAR?

PERRENGUES DA ACADEMIA

Vamos encarar o fato. A Academia está em crise, ou melhor, em transformação. Diante da abertura para vários novos membros que a presidente anterior Cheryl Boone Isaacs trouxe, o atual John Bailey não soube dar a continuidade de seu trabalho. Além de suas propostas não terem sido bem aceitas, ele não teve pulso firme em nenhuma decisão, voltando atrás em todas elas. Pelo menos, a volta foi benéfica para todos.

John Bailey Oscars

O Presidente da Academia John Bailey (pic Los Angeles Times)

OSCAR DE MELHOR FILME POPULAR?

O que é um filme popular? Qual o parâmetro ou critério para qualificar um filme de popular? É o que todos se questionaram quando a Academia decidiu que iria lançar uma nova categoria. Seriam as bilheterias ou a temática dos filmes? Ou ambos?

Nosso melhor palpite para tamanha aberração seria uma forte pressão por parte da Disney para que o estúdio pudesse ganhar prêmios mais importantes, e não apenas os técnicos. Primeiro: a Academia jamais deveria se curvar diante de interesses próprios de estúdio algum. E segundo: Não é criando uma nova categoria que as coisas se resolvem magicamente.

Os profissionais de cinema ficaram meio divididos, mas a maioria foi contra essa decisão. Assim, a Academia resolveu suspender, pelo menos até o próximo ano o tal Oscar de Filme Popular. De qualquer forma, os candidatos a filmes populares estão entre os indicados a Melhor Filme este ano: Pantera Negra, Nasce uma Estrela e Bohemian Rhapsody, todos sucesso de público. Só faltaram Vingadores: Guerra Infinita e Podres de Ricos.

OSCAR SEM HOST

Há 30 anos o Oscar sempre elegeu um ou dois hosts para a cerimônia de premiação, sejam eles experientes como Billy Crystal ou Ellen DeGeneres, ou sejam apostas terríveis como o casal James Franco e Anne Hathaway. Se a maioria reclama dos hosts do Oscar é porque certamente não viu o último ano sem host de cerimônia. Resolveram colocar um número musical estranhíssimo estrelado pelo ator Rob Lowe e uma atriz desconhecida trajada de Branca de Neve (que a Disney afirma não ter autorizado e que abomina este evento até hoje).

Com atraso, decidiram chamar o ator e comediante Kevin Hart, mas mal sabiam que ele tinha um histórico de tweets homofóbicos. Dois dias depois, a Academia o pressionou para pedir desculpas publicamente, caso contrário, ele não assumiria o cargo. Cansado das ofensas que gerou esse resgate no Twitter, Hart decidiu recusar a proposta e pediu demissão-relâmpago. Aí fica a pergunta: Por que não analisaram o histórico do candidato antes de anunciar?

Kevin Hart Oscars

Kevin Hart foi host do Oscar 2019 por quase 2 dias! 

Com receio de serem crucificados como Kevin Hart, ninguém queria tomar seu lugar, afinal, quem tem um histórico que seja 0% sem polêmica alguma hoje em dia?  Ninguém quer ter a vida vasculhada em busca de polêmicas, ainda mais nos dias de #MeToo. Com isso, a Academia resolveu regredir e cancelou apresentação de um host ou hostess. Não haveria monólogo de abertura. Mas então, o que vai abrir o Oscar 2019? Até agora, esse é o nosso maior receio. Tudo pode desmoronar antes mesmo da abertura do primeiro envelope! Medo…

FAVORITISMO EM CANÇÃO ORIGINAL

Com o intuito de reduzir a duração do evento televisivo, começaram a rodar boatos de que apenas duas das cinco canções indicadas seriam apresentadas ao vivo: “Shallow” e “All the Stars”, que coincidentemente são dos famosos Lady Gaga e Kendrick Lamar. Curioso, não? Isso acabou gerando protestos e o boato sequer saiu do papel. Essa pré-seleção injusta já havia acontecido em duas oportunidades anteriores, quando Adele levou o Oscar por “Skyfall” e Sam Smith levou por “Writings on the Wall”. Ficou ridículo mostrar um breve clipe das canções não apresentadas ao vivo.

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Lady Gaga quando se apresentou com a canção “Til it Happens to You” do documentário The Hunting Ground

4 CATEGORIAS NO PORÃO

Ainda com o objetivo de reduzir a duração da cerimônia para até 3 horas, o presidente da Academia alegou que combinara com os departamentos respectivos que os Oscars de Fotografia, Montagem, Maquiagem e Curta-Metragem seriam apresentados durante o intervalo, e os discursos editados para serem apresentados em seguida. Pra quê?

Todos os profissionais afetados pela decisão botaram a boca no trombone como Alfonso Cuarón e Caleb Deschanel, que concorrem por Fotografia. Eles alegaram que seu ofício é essencial para o cinema. Sim, realmente é essencial, mas outros departamentos também são como Montagem e Maquiagem. Afinal, Cinema é uma Arte colaborativa, não?

Já pensou o Oscar de Fotografia apresentado nos bastidores desde o ano passado? Roger Deakins finalmente receberia seu Oscar depois de 14 indicações no porão do Dolby Theater? Seria trágico.

Roger Deakins Oscar

Roger Deakins recebe seu Oscar de Fotografia por Blade Runner 2049

Diante de tantos protestos, a Academia enfiou o rabo entre as pernas e voltou atrás. Todas as 24 categorias serão apresentadas ao vivo. Porém, eles ressaltaram que cada vencedor terá 90 segundos do momento que se levantar até o término do discurso. Querem apostar que vários vão ultrapassar esse tempo? Vão conceder 3 minutos para Rami Malek e 80 segundos para o maquiador de Vice. Com certeza, vai ter gente reclamando no discurso. Pode escrever aí!

91ª EDIÇÃO: O QUE PODE ACONTECER

O primeiro Oscar para um diretor negro. Curiosamente, o primeiro diretor negro que a Academia considerou uma indicação foi justamente Spike Lee em 1989, mas ele acabou sendo indicado apenas para Roteiro Original pelo marcante Faça a Coisa Certa. Caso Spike Lee ganhe, seria uma feliz e justa coincidência.

As categorias de Direção de Arte e Figurino também podem ter os primeiros profissionais negros premiados por causa de Pantera Negra, especialmente Ruth E. Carter pelos figurinos afro do filme da Marvel. E falando em Pantera Negra, este pode se tornar o primeiro filme de super-heróis ganhando o Oscar de Melhor Filme.

Yalitza Aparicio, uma professora numa cidadezinha do México, pode se tornar a primeira descendente de índios a ganhar um Oscar, por Roma. Depois de sofrer ofensas por não ter a beleza desejada pelos mexicanos, a atriz pode ter ganhado um gás na campanha, mas é pouco provável que ela surpreenda.

E falando em Roma, a produção que já foi a primeira da Netflix a ser indicada a Melhor Filme, pode se tornar a primeira a vencer o Oscar. Seria uma vitória e tanto para a plataforma de streaming, que busca atrair novos projetos com profissionais em alta de Hollywood, e faria frente a qualquer grande estúdio. Contudo, é preciso repensarem as exibições da Netflix em salas de cinema, afinal, Roma merece ser visto numa tela grande e com boas caixas de som.

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Roma pode ser a primeira produção da Netflix a ganhar o Oscar de Melhor Filme

As indicações e as possibilidades denotam uma maior diversidade na Academia. Claro que ainda falta muito para que a adesão de novos membros de outras etnias e outras nacionalidades surta o resultado esperado nas votações, mas certamente estamos diante de mudanças. Mesmo que Roma não leve Melhor Filme, só o fato de vê-lo como favorito significa uma maior abertura para filmes de língua estrangeira na Academia. E o Oscar só tem a ganhar com isso.

MELHOR FILME

  • BOHEMIAN RHAPSODY (Bohemian Rhapsody)
  • A FAVORITA (The Favourite)
  • GREEN BOOK: O GUIA (Green Book)
  • INFILTRADO NA KLAN (BlackKklansman)
  • NASCE UMA ESTRELA (Nasce uma Estrela)
  • PANTERA NEGRA (Black Panther)
  • ROMA (Roma)
  • VICE (Vice)

DEVE GANHAR: Green Book: O Guia
DEVERIA GANHAR: Roma
SE ROLAR, É ZEBRA: Vice

NÃO RECEBEU O CONVITE: Oitava Série (Eighth Grade)

Apesar dos esforços de Roma, o ano de 2018 foi um ano abaixo da média em relação a qualidade dos filmes, tanto que qualquer um dos oito filmes poderia levar o Oscar. Alguns são considerados ruins por vários cinéfilos como Vice, Bohemian Rhapsody e Green Book. Segundo eles, esses filmes jamais poderiam ser indicados a Melhor Filme.

Nenhum dos oito indicados pertence ao cinema independente (se pensarmos que Netflix não é produção independente). Filmes menores mas com coração como Oitava Série e No Coração da Escuridão ficaram faltando na disputa.

Sobre a disputa em si, o favorito permanece Roma, mesmo se tratando de um filme falado em espanhol, preto-e-branco e da Netflix. Aliás, será o primeira da plataforma de streaming a ganhar o Oscar de Melhor Filme caso vença. Como os votantes da Academia estão encarando essa ascensão da Netflix? Devem privilegiar os estúdios ou a maior abundância de empregos gerados pelo streaming? Para nós do blog, esse preconceito deve cair para que o cinema abrace uma nova era, e não corra o risco de ficar ultrapassado.

MELHOR DIREÇÃO

  • Alfonso Cuarón (Roma)
  • Yorgos Lanthimos (A Favorita)
  • Spike Lee (Infiltrado na Klan)
  • Adam McKay (Vice)
  • Pawel Pawlikowski (Guerra Fria)

DEVE GANHAR: Alfonso Cuarón (Roma)
DEVERIA GANHAR: Alfonso Cuarón (Roma)
SE ROLAR, É ZEBRA: Adam McKay (Vice)

NÃO RECEBEU O CONVITE: Chang-dong Lee (Em Chamas)

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Alfonso Cuarón em set de Roma

Alfonso Cuarón levou o DGA de Melhor Diretor. E isso já resulta em suas melhores chances, pois a estatística de acerto é de 95%. Seria o segundo Oscar de Direção para Cuarón, e o quinto dos seis últimos Oscars de Direção para um mexicano!

Ainda assim, nos 5%, Spike Lee pode surpreender o favoritismo do concorrente e ainda entrar para a história como o primeiro diretor negro a vencer nesta categoria.

Quando digo que este ano os melhores diretores foram de filmes em língua estrangeira é a mais pura verdade. Além de Alfonso Cuarón, destacamos o sul-coreano Chang-dong Lee por Em Chamas. Se você gosta de finais previsíveis, esquecíveis e com tudo devidamente respondido, passe longe deste filme.

MELHOR ATRIZ

  • Yalitza Aparicio (Roma)
  • Glenn Close (A Esposa)
  • Olivia Colman (A Favorita)
  • Lady Gaga (Nasce uma Estrela)
  • Melissa McCarthy (Poderia Me Perdoar?)

DEVE GANHAR: Glenn Close (A Esposa)
DEVERIA GANHAR: Olivia Colman (A Favorita)
SE ROLAR, É ZEBRA: Yalitza Aparicio (Roma)

NÃO RECEBEU O CONVITE: Toni Collette (Hereditário), Helena Howard (A Madeline de Madeline), Elsie Fisher (Oitava Série)

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Glenn Close em A Esposa

Em sua sétima indicação sem vitória e muito querida pelos seus colegas de profissão, Glenn Close tem a melhor chance da carreira de finalmente levar seu Oscar para casa. Embora tenha empatado no Critics’ Choice com Lady Gaga, Close venceu o Globo de Ouro de Atriz – Drama, e o SAG Award.

Olivia Colman, que venceu o BAFTA há duas semanas, pode ser a surpresa aqui. Porém, diante de tanto amor por Glenn Close, ela pode se sentir embaraçada caso venha a vencer logo em sua primeira indicação.

MELHOR ATOR

  • Christian Bale (Vice)
  • Bradley Cooper (Nasce uma Estrela)
  • Willem Dafoe (No Portal da Eternidade)
  • Rami Malek (Bohemian Rhapsody)
  • Viggo Mortensen (Green Book: O Guia)

DEVE GANHAR: Rami Malek (Bohemian Rhapsody)
DEVERIA GANHAR: Christian Bale (Vice)
SE ROLAR, É ZEBRA: Willem Dafoe (No Portal da Eternidade)

NÃO RECEBEU O CONVITE: Ethan Hawke (No Coração da Escuridão)

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Rami Malek em Bohemian Rhapsody

A performance de Christian Bale tem todos os elementos necessários para ganhar um Oscar: interpreta uma figura real, engordou para o papel, usou próteses de maquiagem para se transformar e tem prestígio da Academia. Porém, o que pesa contra sua campanha é justamente a figura que ele interpreta: Dick Cheney, um político extremamente odiado pelos democratas (que são maioria em Hollywood). E o filme Vice não consegue mostrar o outro lado do político.

Se falta carisma e amor por Cheney, sobra para Freddie Mercury de Rami Malek. O ator também tem se empenhado bastante em sua campanha, comparecendo a todos os eventos, falando mal do diretor Bryan Singer que abusou de menores e foi expulso da produção, e dos cinco indicados é o único com página oficial no facebook. Rami Malek quer levar o Oscar e ele vai conseguir.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

  • Amy Adams (Vice)
  • Regina King (Se a Rua Beale Falasse)
  • Emma Stone (A Favorita)
  • Marina de Tavira (Roma)
  • Rachel Weisz (A Favorita)

DEVE GANHAR: Regina King (Se a Rua Beale Falasse)
DEVERIA GANHAR: Emma Stone (A Favorita)
SE ROLAR, É ZEBRA: Marina de Tavira (Roma)

NÃO RECEBEU O CONVITE: Thomasin McKenzie (Sem Rastros)

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Regina King em Se a Rua Beale Falasse

De todas as categorias de atuação, Atriz Coadjuvante parece ser a única incoerente na temporada. Regina King, considerada a favorita, levou o Globo de Ouro, mas sequer foi indicada ao SAG e ao BAFTA! Como pode isso? Quando fui ver o filme Se a Rua Beale Falasse, foi possível entender tamanha divisão de votos. O papel de King é limitado e quase raso na trama.

Tem também a dobradinha entre Emma Stone e Rachel Weisz pelo mesmo filme A Favorita. Divisão de votos? Talvez. Mas Weisz levou o BAFTA pra casa. Também vale ressaltar que Marina de Tavira foi a maior surpresa das indicações ao Oscar, e se ganhar, pode ser a primeira a vencer sem indicação em Globo de Ouro, BAFTA e SAG desde Marcia Gay Harden por Pollock.

MELHOR ATOR COADJUVANTE

  • Mahershala Ali (Green Book: O Guia)
  • Adam Driver (Infiltrado na Klan)
  • Sam Elliott (Nasce uma Estrela)
  • Richard E. Grant (Poderia Me Perdoar?)
  • Sam Rockwell (Vice)

DEVE GANHAR: Mahershala Ali (Green Book: O Guia)
DEVERIA GANHAR: Richard E. Grant (Poderia Me Perdoar?)
SE ROLAR, É ZEBRA: Sam Rockwell (Vice)

NÃO RECEBEU O CONVITE: Steven Yeun (Em Chamas)

Mahershala Ali Green Book

Mahershala Ali em Green Book: O Guia

Apesar de ter levado seu primeiro Oscar há dois anos por Moonlight, a campanha do ator Mahershala Ali não parece ter sofrido nenhum revés. Nenhum de seus concorrentes foi unanimidade na temporada, e ele pode se tornar o único Oscar para Green Book: O Guia.

Se ocorrer algum imprevisto, este pode se chamar Richard E. Grant. Para quem acompanha as redes sociais, sabe que ele está se empenhando bastante na campanha, buscando votos e apoio entre colegas. Embora tenha deslanchado apenas agora com Poderia me Perdoar?, o ator já é um veterano na profissão.

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

  • Roma, Alfonso Cuarón
  • A Favorita, Deborah Davis, Tony McNamara
  • No Coração da Escuridão, Paul Schrader
  • Vice, Adam McKay
  • Green Book: O Guia, Brian Hayes Currie, Peter Farrelly, Nick Vallelonga

DEVE GANHAR: Green Book: O Guia
DEVERIA GANHAR: No Coração da Escuridão
SE ROLAR, É ZEBRA: Vice

NÃO RECEBEU O CONVITE: Bo Burnham (Oitava Série)

Honestamente, não entendi a indicação de Roteiro Original para Roma. O filme de Cuarón prima pelo aspecto técnico de fotografia e direção, mas seu roteiro não apresenta lá grande originalidade. Em seu lugar, poderiam ter indicado o jovem Bo Burnham por Oitava Série, considerado um dos melhores sobre a juventude de hoje. Claro que se fôssemos levar em conta a qualidade do roteiro, o de Adam McKay em Vice também não se garantiria nesta categoria…

Repleto de polêmicas externas como o apoio preconceituoso do roteirista Nick Vallelonga a Donald Trump contra muçulmanos e os nudes que o diretor Peter Farrelly mandou para Cameron Diaz na época de Quem Vai Ficar com Mary?, o roteiro Green Book ainda tem ótimas chances de vencer. Porém, A Favorita ficaria sem nenhum prêmio importante…

Se Paul Schrader for anunciado como vencedor, será um dos melhores da cerimônia. Roteirista de clássicos de Martin Scorsese como Taxi Driver e Touro Indomável, Schrader nunca foi indicado anteriormente. Caso vença, a Academia estaria fazendo justiça aos trabalhos anteriores, mas também reconhecendo um grande e maduro roteiro em No Coração da Escuridão.

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

  • A Balada de Buster Scruggs, Joel Coen e Ethan Coen
  • Infiltrado na Klan, Charlie Wachtel, David Rabinowitz, Kevin Willmott e Spike Lee
  • Se a Rua Beale Falasse, Barry Jenkins
  • Poderia Me Perdoar?, Nicole Holofcener e Jeff Whitty
  • Nasce uma Estrela, Eric Roth, Bradley Cooper e Will Fetters

DEVE GANHAR: Infiltrado na Klan
DEVERIA GANHAR: Poderia Me Perdoar?
SE ROLAR, É ZEBRA: A Balada de Buster Scruggs

NÃO RECEBEU O CONVITE: Jungmi Oh e Chang-dong Lee (Em Chamas)

Esta categoria representa a melhor chance de Spike Lee para ganhar seu primeiro Oscar (competitivo, já que venceu o Oscar Honorário há pouco tempo). Ele terá que bater fortes concorrentes como Poderia Me Perdoar? e Nasce uma Estrela, mas ainda assim pode ser considerado o favorito nesta reta final.

O roteiro de Poderia Me Perdoar?, que levou o WGA semana passada, é o melhor aqui. Tem uma ótima trama, apresenta personagens consistentes e diálogos hilários, além de explorar as dificuldades de um artista em decadência.

A melhor adaptação de Haruki Murakami não foi lembrada aqui injustamente, mas fazemos questão de destacá-la aqui. Em Chamas tem um roteiro fabuloso, repleto de dúvidas e incertezas que o fará se questionar por semanas.

MELHOR FOTOGRAFIA

  • Roma, Alfonso Cuarón
  • Nasce uma Estrela, Matthew Libatique
  • A Favorita, Robbie Ryan
  • Nunca Deixe de Lembrar, Caleb Deschanel
  • Guerra Fria, Łukasz ŻAl

DEVE GANHAR: Roma
DEVERIA GANHAR: Roma
SE ROLAR, É ZEBRA: Nasce uma Estrela

NÃO RECEBEU O CONVITE: Benoît Delhomme (No Portal da Eternidade)

Duas fotografias preto-e-branco belíssimas que certamente merecem o Oscar. Mas para qual? Em termos de qualidade de fotografia, Guerra Fria parece ter a melhor, porém a de Cuarón tem os melhores movimentos de câmera. Suas cenas são devidamente coreografadas, explorando com poucos a rotina simples da personagem.

Roma 3

Fotografia de Alfonso Cuarón em Roma

MELHOR MONTAGEM

  • A Favorita, Yorgos Mavropsaridis
  • Green Book: O Guia, Patrick J. Don Vito
  • Vice, Hank Corwin
  • Bohemian Rhapsody, John Ottman
  • Infiltrado na Klan, Barry Alexander Brown

DEVE GANHAR: Bohemian Rhapsody
DEVERIA GANHAR: A Favorita
SE ROLAR, É ZEBRA: Infiltrado na Klan

NÃO RECEBEU O CONVITE: Tom Cross (O Primeiro Homem)

Apesar dos protestos da ordem cronológica dos shows do Queen estarem incorretas, a montagem de John Ottman fez a maioria esquecer disso e se deliciar com as apresentações em Bohemian Rhapsody. E ele fez seu trabalho basicamente sem a presença física do diretor Bryan Singer, que foi demitido a duas semanas do término das filmagens.

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE

  • A Favorita, Fiona Crombie e Alice Felton
  • O Retorno de Mary Poppins, John Myhre e Gordon Sim
  • O Primeiro Homem, Nathan Crowley e Kathy Lucas
  • Pantera Negra, Hannah Beachler e Jay Hart
  • Roma, Eugenio Caballero e Bárbara Enriquez

DEVE GANHAR: Pantera Negra
DEVERIA GANHAR: Pantera Negra
SE ROLAR, É ZEBRA: O Retorno de Mary Poppins

NÃO RECEBEU O CONVITE: Ilha dos Cachorros

Black Panther 025

Palácio de Wakanda em Pantera Negra

Todos sabem que os filmes de época sempre levam vantagem nesta categoria, mas com o forte apelo cultural de Pantera Negra, esse favoritismo pode cair por terra. Só aquele palácio de Wakanda já pode se tornar o motivo principal para uma vitória merecida.

Não fosse o preconceito da Academia, a direção de arte da animação Ilha dos Cachorros deveria estar indicada e possivelmente ganhar aqui. Todos sabem que o diretor Wes Anderson é extremamente perfeccionista e cuidadoso no aspecto do design de produção. Ele recria um Japão inteiro, que vai de cidades até sushis.

MELHOR FIGURINO

  • A Balada de Buster Scruggs, Mary Zophres
  • A Favorita, Sandy Powell
  • Duas Rainhas, Alexandra Byrne
  • Pantera Negra, Ruth E. Carter
  • O Retorno de Mary Poppins, Sandy Powell

DEVE GANHAR: Pantera Negra
DEVERIA GANHAR: Pantera Negra
SE ROLAR, É ZEBRA: A Balada de Buster Scruggs

NÃO RECEBEU O CONVITE: Mary E. Vogt (Podres de Ricos)

Black Panther costume design

Figurinos de Ruth E. Carter para Pantera Negra (pic by IMDb)

Sobre esta categoria, assim como de Direção de Arte, sempre costumo comentar que existe um gosto por parte da Academia muito restrito aos filmes de época, e em segundo caso, dos filmes de fantasia. Assim como nos filmes indicados, os figurinos de Podres de Ricos também são recriações e também têm sua importância para a trama, especialmente as roupas da protagonista Rachel Chu. Então por que não indicar outro sucesso comercial como este?

Apesar de reconhecer o talento nato de Sandy Powell, que teve o “infortúnio” de ser dupla indicada com chances de ser dupla perdedora, os figurinos de Ruth E. Carter (aliás, uma colaboradora de Spike Lee) para Pantera Negra exploram como poucos a cultura africana aliada ao universo dos quadrinhos da Marvel. A terra fictícia de Wakanda não seriam os mesmos sem suas criações.

MELHOR MAQUIAGEM E CABELO

  • Vice, Greg Cannom, Kate Biscoe, Patricia Dehaney
  • Duas Rainhas, Jenny Shircore, Marc Pilcher, Jessica Brooks
  • Border, Göran Lundström, Pamela Goldammer

DEVE GANHAR: Vice
DEVERIA GANHAR: Vice
SE ROLAR, É ZEBRA: Duas Rainhas

NÃO RECEBEU O CONVITE: Pantera Negra

A transformação mais comentada da temporada foi a de Christian Bale no ex-vice presidente norte-americano Dick Cheney em Vice. Claro que os méritos não são apenas dos maquiadores, pois o ator também engordou bastante para o papel, uma vez que o filme retrata um longo período de tempo da vida do político. Mas como a foto de Bale como Cheney foi veiculada pelo mundo todo, e os demais atores estão parecidos com as figuras reais retratadas, o Oscar deve ir para Vice, o que seria um prêmio de consolação caso perca nas demais sete categorias.

A maquiadora Jenny Shircore, indicada por Duas Rainhas, já venceu o Oscar em 1999, quando realizou a transformação de Cate Blanchett na rainha em Elizabeth. Já a dupla do filmes sueco Border vem fazendo prostéticos em blockbusters americanos como X-Men: Primeira Classe e Fúria de Titãs. A transformação dos dois atores centrais em trolls é digna de nota.

MELHOR TRILHA MUSICAL ORIGINAL

  • Se a Rua Beale Falasse, Nicholas Brittel
  • Pantera Negra, Ludwig Göransson
  • Ilha dos Cachorros, Alexandre Desplat
  • O Retorno de Mary Poppins, Marc Shaiman
  • Infiltrado na Klan, Terence Blanchard

DEVE GANHAR: Se a Rua Beale Falasse
DEVERIA GANHAR: Se a Rua Beale Falasse
SE ROLAR, É ZEBRA: Infiltrado na Klan

NÃO RECEBEU O CONVITE: Justin Hurwitz (O Primeiro Homem)

É muito estranho não contarmos aqui com a bela e importante trilha de Justin Hurwitz em O Primeiro Homem. A música consegue pontuar os momentos-chave do filme biográfico de Neil Armstrong. Chegou a ganhar o Globo de Ouro e o Critics’ Choice, mas no Oscar… nem indicação. Vai entender!

Já dentre os indicados, a trilha de Nicholas Brittel consegue ressaltar as imagens plásticas e de câmera lenta de Barry Jenkins em Se a Rua Beale Falasse. Ele já havia conseguido esse feito lírico no filme anterior do diretor, Moonlight, mas desta vez sua música traz uma alma romântica necessária, já que os atores não conseguiram transparecer esse sentimento na tela.

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

  • “When a Cowboy Trades His Spurs for Wings”, A Balada de Buster Scruggs (escrita por David Rawlings e Gillian Welch)
  • “Shallow”, Nasce uma Estrela (escrita por Lady Gaga, Mark Ronson, Anthony Rossomando e Andrew Wyatt)
  • “All the Stars”, Pantera Negra (escrita por Kendrick Lamar, Al Shux, Sounwave e SZA)
  • “The Place Where Lost Things Go”, O Retorno de Mary Poppins (escrita por Marc Shaiman e Scott Wittman)
  • “I’ll Fight”, RBG (escrita por Diane Warren)

DEVE GANHAR: “Shallow” (Nasce uma Estrela)
DEVERIA GANHAR: “Shallow” (Nasce uma Estrela)
SE ROLAR, É ZEBRA: “When a Cowboy Trades His Spurs for Wings” (A Balada de Buster Scruggs)

NÃO RECEBEU O CONVITE: “Girl in the Movies” (Dumplin’)

A Star is Born

Lady Gaga e Bradley Cooper cantam “Shallow” em Nasce uma Estrela (pic by IMDb)

É difícil entender a Academia quando se trata desta categoria. Eles fazem umas escolhas que até hoje é difícil de entender, como ocorreu em 2006, quando resolveram premiar “It’s Hard Out Here for a Pimp” no lugar de “Travellin’ Thru”. E nos últimos anos, estão vindo com essa história de apresentar duas ou três canções, gerando uma injustiça indefensável. Este ano, por pouco, evitam uma nova tragédia. Queriam apresentar Lady Gaga e Kendrick Lamar, e os outros que se explodam. Felizmente, por pressão externa e protestos, o plano não passou de um boato.

De qualquer forma, “Shallow” é a única canção concorrente que tem 100% de garantia de vitória por três motivos: Pelo histórico nas outras premiações, por ser um possível único Oscar para Nasce uma Estrela, e pela importância que a canção tem na trama do filme. Como fã, gostaria que Diane Warren finalmente levasse seu Oscar depois de 10 indicações, mas sua nova canção “I’ll Fight” do documentário RBG não empolgou tanto assim.

MELHOR MIXAGEM DE SOM

  • Nasce uma Estrela
  • Bohemian Rhapsody
  • Roma
  • O Primeiro Homem
  • Pantera Negra

DEVE GANHAR: Bohemian Rhapsody
DEVERIA GANHAR: O Primeiro Homem
SE ROLAR, É ZEBRA: Roma

NÃO RECEBEU O CONVITE: Missão: Impossível – Efeito Fallout

Se reconheceram tantos blockbusters e os chamados “filmes populares” nesta edição do Oscar, por que não finalmente reconhecer o Som da franquia Missão: Impossível? Não se trata de cotas, mas o trabalho de som realmente é impressionante. São tiros, explosões, perseguições e pancadarias com ótima qualidade sonora (para aqueles que viram numa sala IMAX sabem do que estou falando). E seria um ótimo reconhecimento para um dos melhores filmes da franquia e para os esforços descomunais de Tom Cruise, que quase morreu nas filmagens.

Nesta categoria, quando não há filmes de guerra no páreo, os musicais costumam levar vantagem. Foi assim com Dreamgirls, Os Miseráveis e Whiplash. Portanto, não será surpresa se Bohemian Rhapsody levar mais esse Oscar para casa, ainda mais que já ganhou o prêmio do sindicato dos técnicos de som. Não querendo desmerecer as músicas do Queen, o melhor trabalho de som foi de O Primeiro Homem.

MELHORES EFEITOS SONOROS

  • O Primeiro Homem
  • Bohemian Rhapsody
  • Um Lugar Silencioso
  • Pantera Negra
  • Roma

DEVE GANHAR: Um Lugar Silencioso
DEVERIA GANHAR: O Primeiro Homem
SE ROLAR, É ZEBRA: Roma

NÃO RECEBEU O CONVITE: Vingadores: Guerra Infinita

Pra quem não sabe a diferença entre Mixagem de Som e Efeitos Sonoros, os efeitos são aqueles criados em estúdio, normalmente presentes em filmes de ação, ficção científica e, claro, animações. Particularmente, nenhum dos candidatos me impressionou nesse quesito, mas o efeitos sonoros são utilizados com bastante propriedade em Um Lugar Silencioso.

MELHORES EFEITOS VISUAIS

  • Vingadores: Guerra Infinita
  • Christopher Robin: Um Reencontro Inesquecível
  • Jogador Nº 1
  • Solo: Uma História Star Wars
  • O Primeiro Homem

DEVE GANHAR: Vingadores: Guerra Infinita
DEVERIA GANHAR: O Primeiro Homem
SE ROLAR, É ZEBRA: Solo: Uma História Star Wars

NÃO RECEBEU O CONVITE: Pedro Coelho

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Thanos e o efeito motion capture em Vingadores: Guerra Infinita (pic by Marvel)

Se formos pensar em quantidade de efeitos e de diversidade, nossa aposta vai para Vingadores: Guerra Infinita. Sua vitória coroaria a maior bilheteria de 2018 também. Mas se formos pensar em qualidade, os efeitos de O Primeiro Homem estão bem caprichados e quase imperceptíveis, como deveriam ser.

MELHOR DOCUMENTÁRIO

  • RBG
  • Hale County This Morning, This Evening
  • Minding the Gap
  • Free Solo
  • Of Fathers and Sons

DEVE GANHAR: RBG
DEVERIA GANHAR: Free Solo
SE ROLAR, É ZEBRA: Hale County This Morning, This Evening

NÃO RECEBEU O CONVITE: Shirkers

RBG

RBG, sobre a juíza Ruth Bader Ginsburg

A categoria de Documentário também é uma incógnita de vez em quando. Algumas vezes, premiam os favoritos da temporada como Amy e Procurando Sugar Man, às vezes premiam temáticas em filmes mais desconhecidos como Undefeated. Este ano, a zebra já começou dando as caras com a ausência do favorito Won’t You Be My Neighbour?, sobre o apresentador Fred Rogers, que vinha ganhando todos os prêmios.

Com a exclusão deste, o favorito passou a ser Free Solo, o documentário belíssimo da National Geographics e que tem sido o maior sucesso de bilheterias nos EUA. Porém, na última semana, RBG tem ganhado força devido à fama da juíza Ruth Badder Ginsburg, que defende há tempos a igualidade entre homens e mulheres perante a lei. Apesar de ser um documentário mais com cara de televisão, o peso da protagonista e de seu tema pode ser o diferencial no Oscar.

Em relação a Shirkers, disponível no Netflix, trata-se de um ótimo documentário que merecia uma indicação. Ele dialoga com os sonhos de jovens cineastas em Singapura, que foram despedaçados com o sumiço de seu trabalho. Tudo narrado com memórias investigativas e melancólicas.

MELHOR DOCUMENTÁRIO-CURTA

  • Black Sheep
  • Uma Noite no Madison Square Garden (A Night at the Garden)
  • A Partida Final (End Game)
  • Lifeboat
  • Absorvendo o Tabu (Period. End of Sentence.)

DEVE GANHAR: Black Sheep
DEVERIA GANHAR: Black Sheep
SE ROLAR, É ZEBRA: Lifeboat

MELHOR CURTA-METRAGEM

  • Detainment
  • Fauve
  • Madre
  • Marguerite
  • Skin

DEVE GANHAR: Skin
DEVERIA GANHAR: Fauve
SE ROLAR, É ZEBRA: Detainment

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO

  • Comportamento Animal (Animal Behaviour)
  • Bao
  • Fim de Tarde (Late Afternoon)
  • Um Pequeno Passo (One Small Step)
  • Weekends

DEVE GANHAR: Bao
DEVERIA GANHAR: Weekends
SE ROLAR, É ZEBRA: Comportamento Animal

MELHOR LONGA DE ANIMAÇÃO

  • Os Incríveis (Incredibles 2)
  • Ilha dos Cachorros (Isle of Dogs)
  • Mirai (Mirai no Mirai)
  • WiFi Ralph: Quebrando a Internet (Ralph Breaks the Internet)
  • Homem-Aranha no Aranhaverso (Spider-Man Into the Spider-verse)

DEVE GANHAR: Homem-Aranha no Aranhaverso
DEVERIA GANHAR: Mirai
SE ROLAR, É ZEBRA: Mirai

NÃO RECEBEU O CONVITE: O Homem das Cavernas

Spider-Man in Spiderverse

Homem-Aranha no Aranhaverso

Homem-Aranha no Aranhaverso tem sido uma unanimidade na temporada. E se vencer, será o primeiro Oscar da Sony na categoria dominada por Disney e Pixar. Seu aspecto visual é realmente único, e seu humor sarcástico encanta tanto o público infantil quanto o adulto. O único porém seria a trama simples demais: basta plugar um pen drive na máquina que tudo volta ao normal.

A animação de stop motion O Homem das Cavernas pode não ser a melhor do ano, mas se você quer assistir a um bom filme sobre futebol (sim, o nosso futebol, não o americano), não deixe de conferir este novo trabalho de Nick Park, que conta com dublagens fenomenais de Tom Hiddleston e Eddie Redmayne.

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA

  • Cafarnaum (Capharnaum)
  • Guerra Fria (Zimna wojna)
  • Roma (Roma)
  • Nunca Deixe de Lembrar (Werk ohne Autor)
  • Assunto de Família (Manbiki Kazoku)

DEVE GANHAR: Roma
DEVERIA GANHAR: Roma
SE ROLAR, É ZEBRA: Cafarnaum

NÃO RECEBEU O CONVITE: Em Chamas (Coréia do Sul)

Roma

Roma

Normalmente, o filme estrangeiro indicado a Melhor Filme e Melhor Filme em Língua Estrangeira leva o último. Foi assim com A Vida é Bela, O Tigre e o Dragão e Amor, dos mais recentes. Portanto, tudo leva a crer que Roma levará o Oscar da categoria… mas e se também levar Melhor Filme? Pela primeira vez, um filme poderá levar os dois Oscars pra casa.

Nesse cenário, as chances dos demais concorrentes aumentam consideravelmente, principalmente para o polonês Guerra Fria, que também disputa Melhor Direção e Fotografia, e em segundo caso, para o alemão Nunca Deixe de Lembrar, que também concorre por Melhor Fotografia.

Pena que o sul-coreano Em Chamas ficou de fora da disputa. Ele chegou a ser pré-selecionado entre nove filmes, mas acabou sendo esnobado na reta final. Seria a primeira indicação ao Oscar do cinema da Coréia do Sul, que já entregou tantas obras-primas do século XXI como Memórias de um Assassino (2003), Oldboy (2003), O Hospedeiro (2006), Poesia (2010), Invasão Zumbi (2016) e A Criada (2016). Em Chamas foi considerado a melhor adaptação do escritor japonês Haruki Murakami para o cinema.

***

A 91ª cerimônia do Oscar acontece a partir das 22h na TNT e… sei lá quando depois do BBB na Globo.

‘SE A RUA BEALE FALASSE’ é o MELHOR FILME no INDEPENDENT SPIRIT AWARDS

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Vencedores do Spirit: Barry Jenkins, Glenn Close, Regina King e Richard E. Grant (pic by Hollywood Reporter)

PRÊMIO DO CINEMA INDEPENDENTE AMERICANO ELEGE NOVO FILME DE BARRY JENKINS, QUE RECEBEU 3 INDICAÇÕES AO OSCAR

Tradicionalmente, o Independent Spirit Awards ocorre um dia antes do Oscar em Santa Monica. Este ano, ao contrário dos últimos cinco anos, houve algumas divergências em relação ao Oscar, começando com a vitória de Se a Rua Beale Falasse, novo filme de Barry Jenkins, que sequer foi indicado a Melhor Filme no Oscar. Barry Jenkins também levou Melhor Direção, enquanto no Oscar foi reconhecido apenas pelo Roteiro Adaptado.

Apesar de Glenn Close ter levado Melhor Atriz aqui, foi Ethan Hawke, esnobado pela Academia, que levou o prêmio de Melhor Ator por No Coração da Escuridão. Nas categorias de coadjuvante, dois indicados ao Oscar saíram vencedores: Regina King e Richard E. Grant, uma dobradinha que pode acontecer hoje no Oscar.

VENCEDORES DO INDEPENDENT SPIRIT AWARDS:

MELHOR FILME
SE A RUA BEALE FALASSE
(IF BEALE STREET COULD TALK)

MELHOR DIREÇÃO
Barry Jenkins (Se a Rua Beale Falasse)

MELHOR FILME DE ESTRÉIA
SORRY TO BOTHER YOU

MELHOR ATOR
Ethan Hawke (No Coração da Escuridão)

MELHOR ATRIZ
Glenn Close (A Esposa)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Regina King (Se a Rua Beale Falasse)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Richard E. Grant (Poderia Me Perdoar?)

MELHOR FOTOGRAFIA
Sayombhu Mukdeeprom (Suspiria)

MELHOR FOTOGRAFIA
Nicole Holofcener & Jeff Whitty (Poderia Me Perdoar?)

MELHOR ROTEIRO DE ESTREANTE
Bo Burnham (Oitava Série)

MELHOR MONTAGEM
Joe Bini (Você Nunca Esteve Realmente Aqui)

MELHOR DOCUMENTÁRIO
WON’T YOU BE MY NEIGHBOR?

MELHOR FILME INTERNACIONAL
ROMA (México)

The Truer Than Fiction Award
Bing Liu (MINDING THE GAP)

Producers Award
Shrihari Sathe

The Someone to Watch Award
Alex Moratto (Sócrates)

The Bonnie Award
Debra Granik (WINNER)

Robert Altman Award
SUSPIRIA
Diretor: Luca Guadagnino
Diretores de Casting: Avy Kaufman, Stella Savino
Elenco: Malgosia Bela, Ingrid Caven, Lutz Ebersdorf, Elena Fokina, Mia Goth, Jessica Harper, Dakota Johnson, Gala Moody, Chloë Grace Moretz, Renée Soutendijk, Tilda Swinton, Sylvie Testud, Angela Winkler

BOLÃO DO OSCAR 2019!

88th Annual Academy Awards, Arrivals, Los Angeles, America - 28 Feb 2016

Pela primeira vez, o blog e a página do Cinema Oscar e Afins estão promovendo um bolão do Oscar.

Obviamente, ganha aquele ou aquela que acertar o maior número de vencedores das 24 categorias (sim, inclusive os curtas-metragens). Em caso de empate, levará quem postou primeiro as respostas. Ainda não decidimos sobre o brinde, mas deve ser um filme ou talvez livro relacionado a cinema, que enviaremos via Correios.

A cédula de votação está no link abaixo. Basta preencher seus dados e seus votos para quem você acha que vai ganhar a estatueta. Só será aceita uma cédula por usuário e não será possível editar os votos depois do envio, portanto pense com carinho. Por favor, VOTE, CURTA A PÁGINA do FACEBOOK (para receber o prêmio) e COMPARTILHE com seus amigos!

A votação se encerra no próximo dia 24, domingo às 16h. A 91ª cerimônia do Oscar se inicia às 23h (com tapete vermelho às 22h – horário de Brasília) e será transmitida pelo canal TNT e pela Globo (depois do tal BBB), além do canal do Oscar no YouTube.

Boa sorte a todos!

https://goo.gl/forms/be0uG50vV7qtvXF03

#Oscar #Oscar2019 #Bolão #BolãoOscar

‘PODERIA ME PERDOAR?’ e ‘OITAVA SÉRIE’ VENCEM no WGA

2019 Writers Guild Awards L.A. Ceremony - Inside

O jovem diretor e roteirista Bo Burnham vence o WGA de Roteiro Original por Oitava Série (pic by Metrópoles)

ÚLTIMO GRANDE PRÊMIO DE SINDICATOS ANTES DO OSCAR REVELA POSSÍVEL DIVERGÊNCIA

Nesse último domingo, o Sindicato de Roteiristas (Writers Guild of America) divulgou seus vencedores, e revelou uma divergência certa e outra possível com o Oscar.

Pela categoria de Roteiro Original, o vencedor foi Bo Burnham, roteirista e diretor estreante do ainda inédito no Brasil Oitava Série (Eighth Grade), que apesar de ter levado o DGA de Diretor Estreante, sequer foi indicado ao Oscar de Roteiro Original.

“Para os outros indicados da categoria, divirtam-se no Oscar, perdedores!”, abriu Burnham seu discurso de agradecimento. “Não, eu não preparei nada. Isto pertence à Elsie Fisher que interpretou o roteiro. Ninguém ligaria para o roteiro se ela não tivesse feito o filme”, continuou.

O filme sobre a última semana da oitava série bateu os indicados ao Oscar: Roma (Alfonso Cuarón), Vice (Adam McKay) e Green Book: O Guia (Nick Vallelonga, Brian Currie e Peter Farrelly), e o esnobado Um Lugar Silencioso (Bryan Woods, Scott Bleck e John Krasinski). No lugar de Oitava  Série e Um Lugar Silencioso no Oscar, estão Paul Schrader (No Coração da Escuridão) e a dupla Deborah Davis e Tony McNamara (A Favorita).

Apesar das regras rígidas do WGA, Oitava Série é o primeiro roteiro a ganhar o WGA sem sequer ter recebido uma indicação ao Oscar desde Michael Moore em 2003 por Tiros em Columbine.

Já pela categoria de Roteiro Adaptado, deu Poderia Me Perdoar? sobre o então favorito Infiltrado na Klan. Embora o filme tenha se sobressaído na temporada graças aos seus atores Melissa McCarthy e Richard E. Grant, a força do roteiro foi primordial para transmitir as dores artísticas da escritora Lee Israel, falecida em 2014. Para quem trabalha com qualquer forma de Arte, especialmente aqui no Brasil, será fácil se identificar com a trajetória da protagonista.

2019 Writers Guild Awards, Show, The Beverly Hilton, Los Angeles, USA - 17 Feb 2019

Nicole Holofcener e Jeff Whitty vencem o WGA de Roteiro Adaptado por Poderia Me Perdoar? (pic by IndieWire)

“Quero agradecer a Lee,” disse Holofcener. “Ela provavelmente estaria sentada em sua sala julgando todos nós. Ela pensava que era a pessoa mais esperta e provavelmente era.”

As estatísticas do WGA em relação ao Oscar não são das melhores (seis vencedores levaram o Oscar dos últimos dez), mas no ano passado, os dois vencedores aqui se consagraram também no prêmio da Academia. Jordan Peele levou o Oscar de Roteiro Original por Corra!, e James Ivory levou Roteiro Adaptado por Me Chame Pelo Seu Nome. Já este ano, com a não-indicação para Oitava Série, não será possível um novo feito duplo.

VENCEDORES DO 71º WGA AWARDS:

ROTEIRO ORIGINAL
Bo Burnham (Oitava Série)

ROTEIRO ADAPTADO
Nicole Holofcener e Jeff Whitty, Based no livro de Lee Israel (Poderia Me Perdoar?)

ROTEIRO DE DOCUMENTÁRIO
Ozzy Inguanzo e Dava Whisenant (Bathtubs Over Broadway)

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Lukasz Zal em set de filmagem de Guerra Fria. Ele não pôde comparecer ao evento. (pic by Indiewire)

GUERRA FRIA TIRA O ASC DAS MÃOS DE ALFONSO CUARÓN

Aproveitando a deixa do WGA, esqueci de postar o vencedor do ASC (American Society of Cinematographers Awards), prêmio do sindicato de diretores de fotografia que, aliás, sofreram um baque e tanto com o anúncio de que a categoria não seria apresentada ao vivo na transmissão do Oscar, levando vários membros a criticar a Academia até ela voltar atrás em sua decisão.

O diretor de fotografia polonês Łukasz Żal foi o grande vencedor por Guerra Fria. Sua belíssima fotografia em preto-e-branco já havia cativado os colegas de profissão por Ida (2013), já que venceu o Spotlight Award daquela edição de 2014, e recebeu uma indicação ao Oscar. Apesar da qualidade inegável de seu trabalho, essa vitória não deixa de ser surpreendente, já que Alfonso Cuarón estava ganhando todos os prêmios de fotografia da temporada por Roma. Será que ele consegue tirar uma das estatuetas de Cuarón no Oscar?

Já o Spotlight Award deste ano foi para Giorgi Shvelidze pelo singelo filme Namme, da Georgia.

Nos últimos cinco anos, houve apenas uma divergência entre ASC e Oscar, em 2017. Enquanto o sindicato premiou Greg Frasier por Lion: Uma Jornada Para Casa, a Academia preferiu Linus Sandgren por La La Land.

VENCEDORES DO ASC AWARDS:

MELHOR FOTOGRAFIA
Alfonso Cuarón (Roma)
Matthew Libatique (Nasce uma Estrela)
Robbie Ryan (A Favorita)
Linus Sandgren (O Primeiro Homem)
Łukasz Żal (Guerra Fria)

SPOTLIGHT AWARD
Joshua James Richards (Domando o Destino)
Giorgi Shvelidze (Namme)
Frank van den Eeden (Girl)

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A 91ª cerimônia está marcada para o próximo domingo, dia 24.