Com presença de CLOONEY, ARONOFSKY e PAYNE, Festivais de VENEZA e TORONTO se consolidam como REDUTOS PRÉ-OSCAR

Suburbicon

Cena de Suburbicon, novo filme dirigido por George Clooney, com Julianne Moore e Matt Damon (pic by cine.gr)

PRÉ-CANDIDATOS AO OSCAR BUSCAM OS HOLOFOTES INTERNACIONAIS PARA ABRIR A TEMPORADA DE PREMIAÇÕES

Houve um tempo em que os filmes selecionados pelo Festival de Veneza, o mais antigo do mundo, tinham um distância quilométrica do Oscar. Era extremamente raro que um filme presente no evento italiano também estivesse no prêmio da Academia. Claro que todos os grandes festivais hoje tiveram uma aproximação com o Oscar por causa da projeção internacional, mas Veneza se tornou palco do “esquenta”.

Pra isso, Veneza convidou artistas hollywoodianos que certamente atrairão mais olhares para o evento e ao mesmo tempo se beneficiarão com a abertura de temporada de premiações. Assim, teremos os novos trabalhos de George Clooney, Darren Aronofsky, Alexander Payne e Guillermo del Toro. Se vão ganhar prêmios são outros quinhentos, mas somente a presença no festival já os consolida como fortes candidatos ao Oscar. Vale sempre ressaltar que Veneza teve recordistas de indicações ao Oscar nos últimos 4 anos: Gravidade (2013), Birdman (2014) e La La Land (2016).

Particularmente, já dou como certas as indicações para Clooney e Payne, que costumam ter uma forte afinidade com os gostos da Academia. Curiosamente, ambos os filmes foram protagonizados por Matt Damon, que pode ter até dupla indicação na categoria de Ator – Comédia ou Musical no próximo Globo de Ouro.

Já os filmes de Aronofsky e del Toro ainda tenho minhas dúvidas por apresentarem elementos do gênero terror, mas acredito que devem obter sucesso em categorias técnicas. Contudo, ambos podem ter ótimas chances com suas atrizes: Jennifer Lawrence e Sally Hawkins, respectivamente, em Mother! e The Shape of Water.

shape of water

Sally Hawkins interage com um experimento do governo em The Shape of Water, de Guillermo del Toro

Particularmente, tenho boas expectativas em relação a três diretores:

Martin McDonagh
Mais conhecido pelas ótimas comédias Na Mira do Chefe e Sete Psicopatas e um Shih Tzu, o diretor britânico chega com Three Billboards Outside Ebbing, Missouri. Aqui temos a atriz Frances McDormand como uma mãe que desafia o chefe da polícia da cidade depois que sua filha foi assassinada e não houve nenhum preso. É curiosa a capacidade de McDonagh de conseguir extrair humor de temas bastante pesados, algo que apenas os irmãos Coen conseguiam fazer com maestria até alguns anos atrás. E engana-se quem pensa que se trata de apenas uma comédia. O filme critica a baixa eficiência policial (imagina se a personagem vivesse no Brasil…) e a prisão e tortura de negros, que continua recorrente nos EUA. Veja trailer abaixo:

Andrew Haigh
Admito que a trama de Lean on Pete, adaptação homônima do romance, sobre um jovem que busca sua tia perdida acompanhado por um cavalo de corrida não me animou muito, mas pra quem amou seu filme anterior, 45 Anos, é impossível não criar expectativas. No elenco, o diretor conta com os experientes Steve Buscemi e Chloë Sevigny. É esperar pra ver…

Abdellatif Kechiche
Esse diretor tunisiano conquistou Cannes e o mundo com seu filme anterior: Azul é a Cor Mais Quente, mas pra quem conferiu seus outros trabalhos como O Segredo do Grão e Vênus Negra, sabe que estamos diante de um diretor extremamente cuidadoso esteticamente e que não abre mão de seu olhar minucioso do comportamento humano. Ele traz Mektoub, My Love: Canto Uno que aborda a difícil decisão de um roteirista entre seu amor e sua carreira, curiosamente, um tema bastante parecido com o musical La La Land.

FORA DE COMPETIÇÃO

Embora não estejam competindo pelo Leão de Ouro, algumas produções também podem conseguir seu lugar ao sol na temporada de premiações. O novo filme de Stephen Frears, Victoria and Abdul, sobre a história verídica da amizade entre a rainha Victoria e um serviçal indiano, aparentemente se assemelha ao A Rainha (2006), que rendeu o Oscar para Helen Mirren. Honestamente, com exceção do ótimo Philomena (2014), os últimos trabalhos de Frears me desagradam um pouco por apresentarem formato e linguagem de TV, mas o diretor britânico tem seu talento inquestionável na direção de atores. E curiosamente Judi Dench volta a interpretar a rainha Victoria depois de Sua Majestade Mrs. Brown (1997), filme pelo qual foi indicada ao Oscar e perdeu injustamente para Helen Hunt.

Achei interessante o documentário que William Friedkin trouxe a Veneza: The Devil and Father Amorth (em tradução livre: “O Diabo e o Padre Amorth”), que captura imagens do nono exorcismo praticado pelo padre na Itália. Mesmo após mais de quatro décadas do clássico O Exorcista (1973), o diretor americano continua muito vinculado ao exorcismo, portanto, esse documentário pode de alguma forma “exorcizá-lo” dessa ligação e ao mesmo tempo, alimentar a sede de seus incontáveis fãs de como ele tratará desse tema novamente.

DISPUTA POR NOVOS FILMES

Por se tratar de um festival que acontece em setembro, existem desvantagens também, pois as atenções se dividem com o festival canadense de Toronto. Embora não tenha o mesmo prestígio do italiano, tem servido de vitrine para os filmes americanos, os vencedores do People’s Choice Awards costumam ser indicados a Melhor Filme (vide os recentes O Quarto de Jack, O Jogo da Imitação, 12 Anos de Escravidão e O Lado Bom da Vida), sem contar que o país é vizinho dos EUA e o mesmo idioma.

Em entrevista, o diretor do Festival de Veneza, Alberto Barbera, se disse “97% satisfeito” com sua seleção, já que houve apenas dois ou três filmes que ele queria exibir, mas não pôde porque já estavam comprometidos com outros festivais, provavelmente Toronto.

Contudo, se formos analisar os filmes exibidos em Veneza, temos muitos que também estarão presentes em Toronto. A única diferença é que o festival italiano exibirá alguns dias antes. Entre algumas exclusividades estão o novo filme de Angelina Jolie como diretora, First They Killed My Father, um drama pesado sobre o genocídio no Camboja feito para a Netflix; a nova produção de Joe Wright, Darkest Hour, que promete gerar a segunda indicação ao Oscar para Gary Oldman, interpretando um impecável Winston  Churchill; o drama verídico Film Stars Don’t Die in Liverpool sobre um romance da atriz Gloria Grahame com um jovem traz Annette Bening como a protagonista (será que ela ganha o Oscar desta vez?); e Stronger, um drama que recria o atentado da Maratona de Boston e uma vítima que perdeu as pernas com a explosão da bomba. Jake Gyllenhaal promete arrancar lágrimas do público.

Estou bastante curioso pra conferir o novo filme da dupla Jonathan Dayton e Valerie Faris, que se consagraram com Pequena Miss Sunshine (2006): Battle of the Sexes, que recria uma disputa de tênis bastante curiosa ocorrida em 1973 entre Billie Jean King (Emma Stone) e o ex-campeão Bobby Riggs (Steve Carell). Além de toda a caracterização de época (Emma Stone está quase irreconhecível com aqueles óculos fundo de garrafa), será curioso ver o quanto de atual ainda temos sobre essa discussão de igualdade entre gêneros.

battle-of-the-sexes-mit-emma-stone-und-steve-carell

Emma Stone e Steve Carell fazem dupla de tenistas em 1973 em Battle of the Sexes (pic by moviepilot.de)

E também bastante interessado em assistir ao francês 120 Battements par Minute (BPM (Beats per Minute), de Robin Campillo, que foi bem ovacionado em Cannes. Trata-se da luta de um portador de Aids contra a indiferença no início dos anos 90. Embora os filmes representantes para o Oscar de Filme Estrangeiro ainda não tenham sido definidas, muito provavelmente este será o candidato da França e com fortes chances de ganhar a estatueta, que o país não ganha desde 1993 com Indochina.

toronto-international-film-festival-website

SELEÇÃO DO FESTIVAL INTERNACIONAL DE TORONTO

GALAS
Breathe
The Catcher Was A Spy
Darkest Hour
Film Stars Don’t Die in Liverpool
Kings
Long Time Running
Mary Shelley
The Mountain Between Us
Mudbound
Stronger
The Wife
Woman Walks Ahead

APRESENTAÇÕES ESPECIAIS
Battle of the Sexes
BPM (Beats Per Minute)
The Brawler
The Breadwinner
Call Me By Your Name
Catch the Wind
The Current War

The Children Act
Disobedience
Downsizing
A Fantastic Woman
First They Killed My Father
The Guardians
Hostiles
The Hungry
I, Tonya
mother!
Novitiate
Omerta
Plonger
The Price of Success
Professor Marston & the Wonder Women
The Rider
A Season in France
The Shape of Water
Sheikh Jackson
The Square
Submergence
Suburbicon
Thelma
Three Billboards Outside Ebbing, Missouri
Untitled Bryan Cranston/Kevin Hart Film

Victoria and Abdul

 

Festival-de-Cinema-de-Veneza-em-2017

INDICADOS AO LEÃO DE OURO 2017

  • Human Flow
    Dir: Ai Weiwei (Alemanha, EUA)
  • Mother!
    Dir: Darren Aronofsky (EUA)
  • Suburbicon
    Dir: George Clooney (EUA)
  • The Shape Of Water
    Dir: Guillermo Del Toro (EUA)
  • L’Insulte
    Dir: Ziad Doueiri (França, Líbano)
  • La Villa
    Dir: Robert Guediguian (França)
  • Lean on Pete
    Dir: Andrew Haigh (Reino Unido)
  • Mektoub, My Love: Canto Uno
    Dir: Abdellatif Kechiche (França)
  • The Third Murder
    Dir: Hirkazu Koreeda (Japão)
  • Jusqu’a La Garde
    Dir: Xavier Legrand (França)
  • Amore e Malavita
    Dir: Manetto Bros. (Itália)
  • Three Billboards Outside Ebbing, Missouri
    Dir: Martin McDonagh (Reino Unido)
  • Hannah
    Dir: Andrea Pallaoro (Itália, Bélgica, França)
  • Downsizing
    Dir: Alexander Payne (EUA)
  • Angels Wear White
    Dir: Vivian Qu (China, França)
  • Una Famiglia
    Dir: Sebastiano Risio (Itália)
  • First Reformed
    Dir: Paul Schrader (EUA)
  • Sweet Country
    Dir: Warwick Thornton (Austrália)
  • The Leisure Seeker
    Dir: Paolo Virzì (Itália)
  • Ex Libris – The New York Public Library
    Dir: Frederick Wiseman (EUA)

FORA DE COMPETIÇÃO

Eventos Especiais

  • Casa D’Altri
    Dir: Gianni Amelio (Itália)
  • Michael Jackson’s ‘Thriller’ 3D
    Dir: John Landis (EUA)
  • Making of Michael Jackson’s ‘Thriller’
    Dir: Jerry Kramer (EUA)

FICÇÃO

  • Our Souls at Night
    Dir: Ritesh Batra (EUA)
  • Il Signor Rotopeter
    Dir: Antonietta De Lillo (Itália)
  • Victoria and Abdul
    Dir: Stephen Frears (Reino Unido)
  • La Melodie
    Dir: Rachid Hami (França)
  • Outrage Coda
    Dir: Takeshi Kitano (Japão)
  • Loving Pablo
    Dir: Fernando Leon De Aranoa (Espanha)
  • Zama
    Dir: Lucrecia Martel (Argentina, Brasil)
  • Wormwood
    Dir: Errol Morris (EUA)
  • Diva!
    Dir: Francesco Patierno (Itália)
  • La Fidele
    Dir: Michael R. Roskam (Bélgica, França, Holanda)
  • The Private Life of a Modern Woman
    Dir: James Toback (EUA)
  • Brawl in Cell Block 99
    Dir: S. Craig Zahler (EUA)

NÃO-FICÇÃO

  • Cuba and the Cameraman
    Dir: Jon Albert (EUA)
  • My Generation
    Dir: David Batty (Reino Unido)
  • The Devil and Father Amorth
    Dir: William Friedkin (EUA)
  • This Is Congo
    Dir: Daniel McCabe (Congo)
  • Ryuichi Sakamoto: Coda
    Dir: Stephen Nomura Schible (EUA, Japão)
  • Jim & Andy: The Great Beyond. The Story of Jim Carrey, Andy Kaufman, and Tony Clifton
    Dir: Chris Smith (EUA)
  • Happy Winter
    Dir: Giovanni Totaro (Itália)

HORIZONTES

  • Disappearance
    Dir: Ali Asgari (Irã, Catar)
  • Especes Menaces
    Dir: Gilles Bourdos (França, Bélgica)
  • The Rape of Recy Taylor
    Dir: Nancy Buirski (EUA)
  • Caniba
    Dir: Lucian Castaing-Taylor, Verena Paravel (França)
  • Les Bienheureux
    Dir: Sofia Djama (França, Bélgica)
  • Marvin
    Dir: Anne Fontaine (França)
  • Invisibile
    Dir: Pablo Giorgelli (Argentina, Brasil, Uruguai, Alemanha)
  • Brutti e Cattivi
    Dir: Cosimo Gomez (Itália, França)
  • The Cousin
    Dir: Tzahi Grad (Israel)
  • Reparer les vivants
    Dir: Katell Quillevere (França, Bélgica)
  • The Testament
    Dir: Amichai Greenberg (Israel, Áustria)
  • No Date, No Signature
    Dir: Vahid Jalilvand (Irã)
  • Los Versos Del Olvido
    Dir: Alireza Khatami (França, Alemanha, Holanda, Chile)
  • Nico, 1988
    Dir: Susanna Nicchiarelli (Itália)
  • Krieg
    Dir: Rick Ostermann, Barbara Auer (Alemanha)
  • West of Sunshine
    Dir: Jason Raftopoulos (Austrália)
  • Gotta Cenerentola
    Dir: Alessandro Rak, Ivan Cappiello, Marino Guarnieri, Dario Sansone (Itália)
  • Under The Tree
    Dir: Hafsteinn Gunnar Sigurdsson (Islândia, Dinamarca, Polônia, Alemanha)
  • La Vita in Comune
    Dir: Edoardo Winspeare (Itália)

CINEMA IN THE GARDEN

  • Manuel
    Dir: Dario Albertini (Itália)
  • Controfigura
    Dir: Ra Di Martino (Itália, França, Marrocos, Suíça)
  • Woodstock
    Dir: Kate Mulleavy, Laura Mulleavy (EUA)
  • Nato A Casal Di Principe
    Dir: Bruno Oliviero (Itália, Espanha)
  • Suburra — The Series
    Dir: Michele Placido, Andrea Molaioli, Giuseppe Capotondi (Itália)
  • Tuers
    Dir: Francois Truokens, Jean-Francois Hensgens (Bélgica, França)

VENEZA REALIDADE VIRTUAL

  • Melita
    Dir: Nicolas Alcala (EUA)
  • La Camera Insabbiata
    Dir: Laurie Anderson, Huang Sin-Chien (EUA)
  • The Last Goodbye
    Dir: Gabo Arora (EUA)
  • My Name Is Peter Stillman
    Dir: Lysander Ashton, Leo Warner (Reino Unido)
  • Alice, The Virtual Reality Play
    Dir: Mathias Chelebourg (França)
  • Arden’s Wake Expanded
    Dir: Eugene YK Chung (EUA)
  • Greenland Melting
    Dir: Nonny De La Pena (EUA)
  • Bloodless
    Dir: Gina Kim (EUA)
  • Nothing Happens
    Dir: Uri Kranot, Michelle Kranot (Dinamarca, França)
  • The Dream Collector
    Dir: Mi Li (China)
  • Snatch VR Heist Experience
    Dir: Rafael Pavon, Nicolas Alcala (EUA)
  • Nefertiti
    Dir: Richard Mills, Kim-Leigh Pontin (Reino Unido)
  • Proxima
    Dir: Mathieu Pradat (França)
  • In The Pictures
    Dir: Qing Shao (China)
  • Dispatch
    Dir: Edward Robles (EUA, Reino Unido)
  • The Argos File
    Dir: Josema Roig (EUA)
  • Gomorra VR – We Own The Streets
    Dir: Enrico Roast (Itália)
  • Draw Me Close, Chapters 1-2
    Dir: Jordan Tannahill (Canadá, Reino Unido)
  • The Deserted
    Dir: Tsai Ming-Liang (Taiwan)
  • I Saw The Future
    Dir: Francois Vautier (França)
  • Separate Silences
    Dir: David Wedel (Dinamarca)
  • Free Whale
    Dir: Zhang Peibin (China)

***

O Festival de Veneza começa dia 30 de agosto e encerra dia 09 de setembro.

Já o Festival Internacional de Toronto tem início em 07 de setembro e vai até o dia 17.

ACADEMIA CONVIDA NOVO RECORDE DE 774 MEMBROS

new-academy.png

Novos membros da Academia: o diretor de Corra, Jordan Peele, a atriz israelense Gal Gadot e Dwayne Johnson, o The Rock. Pic by Variety

PRESIDENTE ELEVA A INTERNACIONALIDADE DO OSCAR

Pra quem achava que aquele negócio de #OscarsSoWhite seria fogo de palha, a presidente da Academia, Cheryl Boone Isaacs, quer provar o contrário antes que seu mandato termine. Ela e a Academia convidaram 774 novos membros, um número recorde que quebrou o anterior de 683 em 2016.

Embora tenha começado por causa da “falta de diversidade” mais focada em artistas negros, a presidente observou que seria uma oportunidade imperdível de expandir os horizontes de uma instituição mega conservadora, e assim, resolveu aderir à globalização, convidando inúmeros profissionais de vários países.

Nesta nova safra, temos representantes de um total de 57 países, sendo 39% desses novos membros mulheres. Inclusive, sete departamentos convidaram mais mulheres do que homens. São eles: Atores, Diretores de Casting, Figurinistas, Designers, Documentaristas, Executivos e Montadores. São números bastante expressivos para a história da Academia, que tinha como média de membros homens brancos com idade entre 50 e 60 anos. Claro que isso não se muda da noite para o dia, mas estamos assistindo aos esforços colossais de uma presidente empenhada em trazer mais igualdade ao maior prêmio do Cinema.

Preciso sempre ressaltar que sou contra qualquer tipo de cota racial. Acho que essa medida vai contra justamente seus supostos objetivos de fazer justiça. Na minha opinião, quando se dá uma vaga para um artista só pelo fato de ser negro, estamos automaticamente afirmando que ele é incapaz de conseguir a vaga pelos próprios esforços. Pensando aqui no Brasil, para aqueles que pensam que ao conceder uma vaga de faculdade para um negro estamos compensando a época de escravidão, estão redondamente enganados. O passado não pode ser reparado dessa forma, mas ele deve ser usado como lição para que o presente e o futuro não repitam os mesmos erros.

Abordei esse assunto, porque discordo quando dizem que a Academia precisa indicar atores negros todos os anos como se fosse uma obrigação. Fizeram o maior auê em 2015 e 2016 porque dentre os 20 indicados não havia um ator ou atriz negros. A Academia é uma instituição que valoriza as Artes, não um sistema de cotas raciais. E vale lembrar que em 2014, a mesma Academia havia premiado como Melhor Filme o drama 12 Anos de Escravidão, além de premiar seu roteirista e sua atriz (Lupita Nyong’o) negros. Então, estou aqui criticando essa filosofia do politicamente correto que se instaurou de tal forma, que quem contraria é tratado como homem das cavernas ou filho do capeta. A Academia indica as performances que considera melhores, sejam de atores brancos, negros ou amarelos. Aliás, sou amarelo e não fico enchendo o saco porque a Academia não indicou atores asiáticos.

Enfim, a abertura para novos 774 membros não significa necessariamente que a Academia favorecerá artistas e produções feitas por minorias, mas trará maiores chances para que concorram e eventualmente ganhem a estatueta. E claro, reduzir gradativamente o conservadorismo que reina na Academia. Esse conservadorismo que preferiu premiar O Discurso do Rei no lugar de A Rede Social, e Crash – No Limite no lugar de O Segredo de Brokeback Mountain, só pra citar dois.

E torço especialmente para que a inclusão de cineastas internacionais como o diretor japonês Takashi Miike, o britânico Guy Ritchie, o sul-coreano Kim Ki-duk, o filipino Lav Diaz e o visionário chileno Alejandro Jodorowsky possibilite uma revolução na categoria de Filme em Língua Estrangeira, que há décadas premia longas com temática de 2ª Guerra Mundial e Holocausto.

Claro que a Academia não se esqueceu do Cinema Brasileiro e convidou profissionais daqui como o diretor de fotografia Walter Carvalho (Central do Brasil e Lavoura Arcaica), a lenda Nelson Pereira dos Santos, que dirigiu Vidas Secas, o cearense Karim Aïnouz (Madame Satã e O Céu de Suely)e Kléber Mendonça Filho, que recentemente esteve em Cannes com Aquarius. E o único ator brasileiro da lista Rodrigo Santoro.

Se esses novos membros vão votar em suas respectivas nacionalidades ou cores de pele, aí é com o critério e a consciência de cada um. A presidente apenas está abrangendo o número de possibilidades para os Oscars seguintes.

Veja lista completa dos 774 membros (os nomes com asterisco foram convidados por mais de um departamento):

ATORES
Riz Ahmed – “Rogue One: A Star Wars Story,” “Nightcrawler”
Debbie Allen – “Fame,” “Ragtime”
Elena Anaya – “Wonder Woman,” “The Skin I Live In”
Aishwarya Rai Bachchan – “Jodhaa Akbar,” “Devdas”
Amitabh Bachchan – “The Great Gatsby,” “Kabhi Khushi Kabhie Gham…”
Monica Bellucci – “Spectre,” “Bram Stoker’s Dracula”
Gil Birmingham – “Hell or High Water,” “Twilight” series
Nazanin Boniadi – “Ben-Hur,” “Iron Man”
Daniel Brühl – “The Zookeeper’s Wife,” “Inglourious Basterds”
Maggie Cheung – “Hero,” “In the Mood for Love”
John Cho – “Star Trek” series, “Harold & Kumar” series
Priyanka Chopra – “Baywatch,” “Barfi!”
Matt Craven – “X-Men: First Class,” “A Few Good Men”
Terry Crews – “The Expendables” series, “Draft Day”
Warwick Davis – “Rogue One: A Star Wars Story,” “Harry Potter” series
Colman Domingo – “The Birth of a Nation,” “Selma”
Adam Driver – “Silence,” “Star Wars: The Force Awakens”
Joel Edgerton – “It Comes at Night,” “Loving”
Chris Evans – “Captain America” series, “Snowpiercer”
Luke Evans – “Beauty and the Beast,” “The Girl on the Train”
Fan Bingbing – “I Am Not Madame Bovary,” “Cell Phone”
Elle Fanning – “The Beguiled,” “20th Century Women”
Golshifteh Farahani – “Paterson,” “AboutElly”
Anna Faris – “Scary Movie” series, “Brokeback Mountain”
Tom Felton – “A United Kingdom,” “Harry Potter” series
Rebecca Ferguson – “The Girl on the Train,” “Mission: Impossible – Rogue Nation”
Lou Ferrigno – “The Incredible Hulk,” “Hercules”
Gal Gadot – “Wonder Woman,” “Fast & Furious” series
Charlotte Gainsbourg – “Norman: The Moderate Rise and Tragic Fall of a New York Fixer,” “Melancholia”
Jeff Garlin – “Safety Not Guaranteed,” “WALL-E”
Spencer Garrett – “Public Enemies,” “Thank You for Smoking”
Domhnall Gleeson – “Star Wars: The Force Awakens,” “Ex Machina”
Sharon Gless – “The Star Chamber,” “Airport 1975”
Donald Glover – “The Martian,” “Magic Mike XXL”
Judy Greer – “Jurassic World,” “13 Going on 30”
Rupert Grint – “Moonwalkers,” “Harry Potter” series
Noel Gugliemi – “Lowriders,” “The Fast and the Furious”
Jon Hamm – “Baby Driver,” “The Town”
Armie Hammer – “The Birth of a Nation,” “The Social Network”
Naomie Harris – “Moonlight,” “Skyfall”
Leila Hatami – “A Separation,” “Leila”
Anne Heche – “Rampart,” “DonnieBrasco”
Lucas Hedges – “Manchester by the Sea,” “Moonrise Kingdom”
Chris Hemsworth – “Thor” series, “Rush”
Ciarán Hinds – “Silence,” “Munich”
Aldis Hodge – “Hidden Figures,” “Straight Outta Compton”
Bryce Dallas Howard – “Jurassic World,” “The Help”
Bonnie Hunt – “The Green Mile,” “Jerry Maguire”
Jiang Wen – “Rogue One: A Star Wars Story,” “Let the Bullets Fly”
Dwayne Johnson – “Moana,” “Central Intelligence”
Leslie Jones – “Ghostbusters,” “Masterminds”
Keegan-Michael Key – “Don’t Think Twice,” “Keanu”
Aamir Khan – “3 Idiots,” “Lagaan”
Irrfan Khan – “Life of Pi,” “Slumdog Millionaire”
Salman Khan – “Sultan,” “Bajrangi Bhaijaan”
Rinko Kikuchi – “Pacific Rim,” “Babel”
Zoë Kravitz – “Divergent” series, “Mad Max: Fury Road”
Sanaa Lathan – “Out of Time,” “Love and Basketball”
Carina Lau – “Infernal Affairs 2,” “Days of Being Wild”
Tony Leung – “The Grandmaster,” “Lust, Caution”
Rami Malek – “Short Term 12,” “The Master”
Leslie Mann – “Funny People,” “Knocked Up”
Kate McKinnon – “Ghostbusters,” “Office Christmas Party”
Sienna Miller – “The Lost City of Z,” “American Sniper”
Janelle Monáe – “Hidden Figures,” “Moonlight”
Michelle Monaghan – “Patriots Day,” “Gone Baby Gone”
Viggo Mortensen – “Captain Fantastic,” “The Lord of the Rings” series
Ruth Negga – “Loving,” “Warcraft”
Franco Nero – “The Lost City of Z,” “Django”
Elizabeth Olsen – “Avengers: Age of Ultron,” “Martha Marcy May Marlene”
Deepika Padukone – “xXx: Return of Xander Cage,” “Piku”
Sarah Paulson – “Blue Jay,” “12 Years a Slave”
Robert Picardo – “Hail, Caesar!,” “TheMeddler”
Amy Poehler – “Inside Out,”“Sisters”
Chris Pratt – “Guardians of the Galaxy” series, “Jurassic World”
Zachary Quinto – “Star Trek” series, “Snowden”
Édgar Ramírez – “The Girl on the Train,” “Joy”
Phylicia Rashad – “Creed,” “For Colored Girls”
Margot Robbie – “Suicide Squad,” “The Wolf of Wall Street”
Maya Rudolph – “Maggie’s Plan,” “Bridesmaids”
Hiroyuki Sanada – “Life,” “The Twilight Samurai”
Henry G. Sanders – “Selma,” “Whiplash”
Rodrigo Santoro – “300,” “Love Actually”
Rade Šerbedžija – “Harry Potter and the Deathly Hallows Part 1,” “The Quiet American”
Nestor Serrano – “The Insider,” “Lethal Weapon 2”
Amanda Seyfried – “Les Misérables,” “Mean Girls”
Molly Shannon – “Other People,” “Me and Earl and the Dying Girl”
Anna Deavere Smith – “Rachel Getting Married,” “Philadelphia”
Hailee Steinfeld – “The Edge of Seventeen,” “True Grit”
Kristen Stewart – “Café Society,” “Twilight” series
Omar Sy – “Inferno,” “The Intouchables”
Wanda Sykes – “Snatched,” “Evan Almighty”
Channing Tatum – “Hail, Caesar!,” “Foxcatcher”
Aaron Taylor-Johnson – “Nocturnal Animals,” “Kick-Ass”
Lauren Tom – “The Joy Luck Club,” “Cadillac Man”
Jeanne Tripplehorn – “The Firm,” “Basic Instinct”
Paz Vega – “Kill the Messenger,” “Sex and Lucía”
Dee Wallace – “Grand Piano,” “E.T. The Extra-Terrestrial”
Ming-Na Wen – “Mulan,” “The Joy Luck Club”
Betty White – “You Again,” “The Proposal”
Rebel Wilson – “Pitch Perfect” series, “Bridesmaids”
Mary Elizabeth Winstead – “10 Cloverfield Lane,” “Swiss Army Man”
BD Wong – “Mulan,” “Jurassic Park”
Shailene Woodley – “The Spectacular Now,” “The Descendants”
Donnie Yen – “Rogue One: A Star Wars Story,” “Ip Man”

DIRETORES DE CASTING
PoPing AuYeung – “Crouching Tiger, Hidden Dragon: Sword of Destiny,” “Man of Tai Chi”
Yael Aviv – “A Borrowed Identity,” “Miral”
Constance Demontoy – “Elle,” “Monsieur Lazhar”
Corinna Glaus – “Aloys,” “Night Train to Lisbon”
Lindsay Graham – “The Magnificent Seven,” “Suicide Squad”
Kimberly Hardin – “Hustle & Flow,” “Friday”
Richard Hicks – “Hell or High Water,” “Gravity”
Priscilla John – “Logan,” “Captain America: The First Avenger”
Valorie Massalas – “The Wedding Ringer,” “Gods and Monsters”
Reg Poerscout-Edgerton – “Crooked House,” “Kingsman: The Secret Service”
Johanna Ray – “Snowpiercer,” “Inglourious Basterds”
Jamie Sparer Roberts – “Moana,” “Frozen”
Anna Maria Sambucco – “Youth,” “The Great Beauty”
Harika Uygur – “Mustang,” “Three Monkeys”
Francesco Vedovati – “I Am Love,” “The Last Kiss”

DIRETORES DE FOTOGRAFIA
José Luis Alcaine – “The Skin I Live In,” “Volver”
Affonso Beato – “Love in the Time of Cholera,” “The Queen”
Walter Carvalho – “Carandiru,” “Central Station”
Chung-Hoon Chung – “Me and Earl and the Dying Girl,” “Stoker”
Kiko de la Rica – “Blancanieves,” “Sex and Lucía”
Crystel Fournier – “A Place on Earth,” “Tomboy”
Robert Hardy – “Ex Machina,” “Boy A”
Camilla Hjelm Knudsen – “Land of Mine,” “Little Soldier”
Dan Laustsen – “John Wick: Chapter 2,” “Crimson Peak”
James Laxton – “Moonlight,” “Medicine for Melancholy”
Ernesto Pardo – “Tempestad,” “The Naked Room (El Cuarto Desnudo)”
Linus Sandgren – “La La Land,” “Joy”
André Turpin – “Mommy,” “It’s Not Me, I Swear!”
Zhao Xiaoding – “The Flowers of War,” “House of Flying Daggers”

FIGURINISTAS
Renée April – “Arrival,” “The Red Violin”
Erin Benach – “Loving,” “Blue Valentine”
Suzy Benzinger – “Café Society,” “Blue Jasmine”
Arjun Bhasin – “Three Generations,” “Monsoon Wedding”
Diana Cilliers – “The Last Face,” “District 9”
Michele Clapton – “Queen of the Desert,” “Separate Lies”
Bina Daigeler – “The Zookeeper’s Wife,” “Only Lovers Left Alive”
Julian Day – “Inferno,” “Brighton Rock”
Jenny Eagan – “Beasts of No Nation,” “Now You See Me”
Steven Noble – “A Monster Calls,” “Under the Skin”
Karen Patch – “Seven Psychopaths,” “The Royal Tenenbaums”
Monique Prudhomme – “The Imaginarium of Doctor Parnassus,” “Best in Show”
Trish Summerville – “The Hunger Games: Catching Fire,” “The Girl with the Dragon Tattoo”
Melissa Toth – “Manchester by the Sea,” “Eternal Sunshine of the Spotless Mind”

DESIGNERS
Javier Ameijeiras – “Black Nativity,” “Extremely Loud & Incredibly Close”
Toni Barton – “The Big Wedding,” “Sherlock Holmes”
Danielle Berman – “The Fate of the Furious,” “Memento”
Kelly Berry – “Maze Runner: The Scorch Trials,” “Spy”
Stefania Cella – “Black Mass,” “The Great Beauty”
Ellen Christiansen – “The Wolf of Wall Street,” “Across the Universe”
Jim Clay – “Woman in Gold,” “Captain Corelli’s Mandolin”
Beverley Dunn – “Pirates of the Caribbean: Dead Men Tell No Tales,” “The Great Gatsby”
Brad Einhorn – “Hail, Caesar!,” “A Time to Kill”
Antxón Gómez – “Julieta,” “Che”
Regina Graves – “Café Society,” “The Taking of Pelham 123”
Isabelle Guay – “Arrival,” “The Revenant”
Paul Hotte – “Arrival,” “300”
Elston Howard – “Jack Reacher: Never Go Back,” “Ray”
Helen Jarvis – “Monuments Men,” “Rise of the Planet of the Apes”
Tina Jones – “Belle,” “The Last King of Scotland”
Kathy Lucas – “The Divergent Series: Allegiant,” “Foxcatcher”
Naomi Shohan – “Winter’s Tale,” “American Beauty”
Carl Sprague – “Infinitely Polar Bear,” “The Royal Tenenbaums”
Jon Gary Steele – “Burlesque,” “American History X”
Patrick M. Sullivan, Jr. – “J. Edgar,” “Memoirs of a Geisha”
Karen J. TenEyck – “Alice through the Looking Glass,” “The Master”
Shane Andrew Vieau – “Suicide Squad,” “Juno”
David Wasco – “La La Land,” “Pulp Fiction”
Elizabeth Wilcox – “The BFG,” “Rise of the Planet of the Apes”

DIRETORES
Fatih Akin – “In the Fade,” “The Edge of Heaven”
Adolfo Aristarain – “Common Places,” “A Place in the World”
David Ayer – “Suicide Squad,” “Fury”
Nabil Ayouch – “Horses of God,” “Ali Zaoua”
Siddiq Barmak * – “Opium War,” “Osama”
Aida Begić * – “Children of Sarajevo,” “Snow”
Emmanuelle Bercot – “Standing Tall,” “On My Way”
Martin Butler – “Tanna,” “Contact”
Patricia Cardoso – “Real Women Have Curves,” “The Water Carrier”
Peter Ho-Sun Chan – “Dragon,” “Perhaps Love”
Derek Cianfrance – “The Light between Oceans,” “Blue Valentine”
Pedro Costa – “Horse Money,” “Blood”
Garth Davis – “Lion”
Bentley Dean – “Tanna,” “Contact”
Lav Diaz * – “A Lullaby to the Sorrowful Mystery,” “Norte, the End of History”
Carlos Diegues – “Orfeu,” “Bye Bye Brazil”
Nelson Pereira dos Santos * – “How Tasty Was My Little Frenchman,” “Barren Lives”
Nana Dzhordzhadze – “27 Missing Kisses,” “A Chef in Love”
Ildikó Enyedi * – “Simon Magus,” “My Twentieth Century”
Amat Escalante – “The Untamed,” “Heli”
Safi Faye * – “Mossane,” “Lettre Paysanne”
Tom Ford – “Nocturnal Animals,” “A Single Man”
Goutam Ghose * – “Dekha,”“Paar”
Jessica Hausner – “Amour Fou,” “Lourdes”
Joanna Hogg – “Archipelago,” “Exhibition”
Hannes Holm – “A Man Called Ove,” “Behind Blue Skies”
Ann Hui – “A Simple Life,” “Summer Snow”
Christine Jeffs – “Sunshine Cleaning,” “Sylvia”
Barry Jenkins * – “Moonlight,” “Medicine for Melancholy”
Alejandro Jodorowsky * – “The Holy Mountain,” “El Topo”
Kim Ki-duk * – “3-Iron,” “Spring, Summer, Fall, Winter…and Spring”
Zacharias Kunuk – “Searchers,” “The Fast Runner (Atanarjuat)”
Mohammed Lakhdar-Hamina * – “Chronicle of the Years of Embers,” “The Winds of the Aures”
David Mackenzie – “Hell or High Water,” “Starred Up”
Sharon Maguire – “Incendiary,” “Bridget Jones’s Diary”
Theodore Melfi – “Hidden Figures,” “St. Vincent”
Kleber Mendonça Filho – “Aquarius,” “Neighboring Sounds”
Brillante Mendoza – “Thy Womb,” “Kinatay”
Márta Mészáros * – “Diary for My Children,” “Adoption”
Takashi Miike – “13 Assassins,” “Ichi the Killer”
Orlando Montiel – “The Son of No One,” “A Guide to Recognizing Your Saints”
Jocelyn Moorhouse – “The Dressmaker,” “Proof”
Kira Muratova – “The Tuner,” “The Asthenic Syndrome”
Héctor Olivera – “El Mural,” “Funny Dirty Little War”
Idrissa Ouedraogo * – “Tilaï,” “Yaaba”
Jordan Peele * – “Get Out”
Mohammad Rasoulof * – “Manuscripts Don’t Burn,” “Goodbye”
Eran Riklis * – “The Human Resources Manager,” “Lemon Tree”
Arturo Ripstein – “Deep Crimson,” “The Beginning and the End”
Guy Ritchie – “Sherlock Holmes,” “Lock, Stock and Two Smoking Barrels”
Anthony Russo – “Captain America: Civil War,” “Captain America: The Winter Soldier”
Joseph Russo – “Captain America: Civil War,” “Captain America: The Winter Soldier”
Mrinal Sen * – “The Case Is Closed,” “In Search of Famine”
Cate Shortland – “Lore,” “Somersault”
Peter Sollett – “Freeheld,” “Raising Victor Vargas”
Juan Carlos Tabío – “Guantanamera,” “Strawberry and Chocolate”
Rawson Marshall Thurber – “Central Intelligence,” “Dodgeball: A True Underdog Story”
Johnnie To – “Election,” “Exiled”
Tran Anh Hung * – “Norwegian Wood,” “The Scent of Green Papaya”
Pablo Trapero – “The Clan,” “Lion’s Den”
Athina Rachel Tsangari – “Chevalier,” “Attenberg”
Paula van der Oest – “Black Butterflies,” “Zus & Zo”
Susanna White – “Our Kind of Traitor,” “Nanny McPhee Returns”
Martin Zandvliet * – “Land of Mine,” “A Funny Man”

DOCUMENTARISTAS
Ricardo Acosta – “Sembene!,” “Marmato”
John Akomfrah – “The Stuart Hall Project,” “The Nine Muses”
Natalia Almada – “The Night Watchman (El Velador),” “The General”
Mirra Bank – “The Only Real Game,” “LastDance”
Geof Bartz – “A Girl in the River: The Price of Forgiveness,” “Crisis Hotline: Veterans Press 1”
Diane Becker – “We Are X,” “Jujitsu-ing Reality”
Edet Belzberg – “Watchers of the Sky,” “Children Underground”
Don Bernier – “An Inconvenient Sequel: Truth to Power,” “Audrie & Daisy”
Ruby Chen – “Plastic China,” “The Rocking Sky”
S. Leo Chiang – “Out Run,” “Mr. Cao Goes to Washington”
John Davey – “In Jackson Heights,” “National Gallery”
Keiko Deguchi * – “God Knows Where I Am,” “Captivated The Trials of Pamela Smart”
Abigail E. Disney – “The Armor of Light,” “Pray the Devil Back to Hell”
Ezra Edelman – “O.J.: Made in America,” “Cutie and the Boxer”
Bob Eisenhardt – “Meru,” “Shut Up & Sing”
Diana El Jeiroudi – “The Mulberry House,” “Dolls – A Woman from Damascus”
Jihan El-Tahri – “Nasser,” “Cuba: An African Odyssey”
Geeta Gandbhir – “Which Way Is the Front Line from Here? The Life and Time of Tim Hetherington,” “Music by Prudence”
Lina Gopaul – “The Stuart Hall Project,” “The Nine Muses”
Nadia Hallgren – “Motherland,” “Trapped”
Nick Higgins – “The Crash Reel,” “First Position”
John Hoffman – “Rancher, Farmer, Fisherman,” “LaLee’s Kin: The Legacy of Cotton”
Tabitha Jackson – “20,000 Days on Earth,” “The Imposter”
Kristi Jacobson – “Solitary,” “A Place at the Table”
Janus Billeskov Jansen * – “The Act of Killing,” “Burma VJ”
Judy Kibinge – “Wagalla – The Story of a Massacre,” “Headlines in History”
Brian Knappenberger – “Nobody Speak: Trials of the Free Press,” “The Internet’s Own Boy”
Dan Krauss – “Extremis,” “The Death of Kevin Carter: Casualty of the Bang Bang Club”
Penny Lane – “Nuts!,” “Our Nixon”
Grace Lee – “American Revolutionary: The Evolution of Grace Lee Boggs,” “The Grace Lee Project”
Lisa Leeman – “Awake: The Life of Yogananda,” “One Lucky Elephant”
Audrey Marrs – “Inside Job,” “No End in Sight”
Hilla Medalia – “Dancing in Jaffa,” “Web Junkie”
Jonas Mekas – “Reminiscences of a Journey to Lithuania,” “The Brig”
Justine Nagan – “Abacus: Small Enough to Jail,” “Life Itself”
Joanna Natasegara – “The White Helmets,” “Virunga”
Marilyn Ness – “Cameraperson,” “Trapped”
Peter Nicks – “The Force,” “The Waiting Room”
Orwa Nyrabia – “Return to Homs,” “Dolls – A Woman from Damascus”
Alanis Obomsawin – “Hi-Ho Mistahey!,” “Kanehsatake: 270 Years of Resistance”
Eva Orner – “Chasing Asylum,” “Taxi to the Dark Side”
Heloísa Passos – “Manda Bala (Send a Bullet),” “Viva Volta”
Anand Patwardhan – “Jai Bhim Comrade,” “Pitra, Putra Aur Dharamyuddha (Father, Son and Holy War)”
Leanne Pooley – “Beyond the Edge,” “The Topp Twins: Untouchable Girls”
Gianfranco Rosi – “Fire at Sea,” “Sacro Gra”
AJ Schnack – “Speaking Is Difficult,” “We Always Lie to Strangers”
Fisher Stevens – “Before the Flood,” “The Cove”
Jean-Marie Téno – “Lieux Saints (Sacred Places),” “Chef! (Chief!)”
Ben Tsiang – “The Chinese Mayor,” “Go Grandriders”
Orlando von Einsiedel – “The White Helmets,” “Virunga”
Aaron Wickenden – “Best of Enemies,” “Finding Vivian Maier”
Marina Zenovich – “Water & Power: A California Heist,” “Roman Polanski: Wanted and Desired”

EXECUTIVOS
Hussain Amarshi
Robert Bakish
Glen Basner
David Beaubaire
Dori Begley
Jonathan Berg
Gillian E. Bohrer
Jim Burke
Elizabeth Cantillon
Jeff Clanagan
Stuart Ford
Nancy Gerstman
Andrea Giannetti
Kira Goldberg
Julie Goldstein
Peter Goldwyn
Carla Hacken *
Mike Hopkins
Matt Jackson
Zygi Kamasa
Scott Kennedy
Charles D. King
Eda Kowan
Niija Kuykendall
Winnie Lau
Miky Lee
Helen Lee-Kim
Peter Levinsohn
Alison Lima
Laurie May
Tendo Nagenda
DanTram Nguyen
Rachel O’Connor
Hengameh Panahi
Eric Paquette
John Penotti
Abhijay Prakash
Elizabeth Raposo
Shari Redstone
Emily Russo
Erin Siminoff
Alison Thompson
Michael Wright

MONTADORES
Spencer Averick – “13th,” “Selma”
Alexandre de Franceschi – “Lion,” “Bright Star”
Keiko Deguchi * – “God Knows Where I Am,” “Fur: An Imaginary Portrait of Diane Arbus”
Tracy Granger – “Still Life,” “Boys Don’t Cry”
Sabine Hoffman – “Maggie’s Plan,” “Elvis & Nixon”
Edie Ichioka – “The Boxtrolls,” “Toy Story 2”
Janus Billeskov Jansen * – “The Hunt,” “The Act of Killing”
Céline Kélépikis – “The Red Turtle,” “Now or Never”
Melissa Kent – “American Pastoral,” “The Age of Adaline”
Juan Carlos Macías – “Wild Horses,” “The Official Story”
Jim May – “Goosebumps,” “The Chronicles of Narnia: The Lion, the Witch and the Wardrobe”
Fredrik Morheden – “A Man Called Ove,” “The New Country”
Christopher Murrie * – “Kubo and the Two Strings,” “Coraline”
Tania Michel Nehme – “Tanna,” “Charlie’s Country”
Tia Nolan – “Annie,” “Friends with Benefits”
Anne Østerud – “The Hunt,” “The Girl with the Dragon Tattoo”
Gregory Perler – “Sing,” “Despicable Me”
Jacopo Quadri – “Fire at Sea,” “The Dreamers”
Fabienne Rawley – “Zootopia,” “MonsterHouse”
Jake Roberts – “Hell or High Water,”“Brooklyn”
Hayedeh Safiyari – “The Salesman,” “A Separation”
Nat Sanders – “Moonlight,” “Short Term 12”
Per Sandholt – “Land of Mine,” “A Funny Man”
Suzanne Spangler – “Imperial Dreams,” “Smashed”
Molly Malene Stensgaard – “Land of Mine,” “Melancholia”
Alexandra Strauss – “I Am Not Your Negro,” “A Pigeon Sat on a Branch Reflecting on Existence”
Christian Wagner – “The Fate of the Furious,” “Furious Seven”
Monika Willi – “Amour,” “The Piano Teacher”
Kate Williams – “The Whole Truth,” “Frozen River”
Dan Zimmerman – “The Dark Tower,” “The Maze Runner”
Lucia Zucchetti – “Their Finest,” “The Queen”
Eric Zumbrunnen – “Her,” “Adaptation”
Makeup Artists and Hairstylists
Richard Alonzo – “Star Trek Beyond,” “Alice in Wonderland”
Alessandro Bertolazzi – “Suicide Squad,” “Fury”
Christine Beveridge – “The Monuments Men,” “Under the Skin”
Felicity Bowring – “Gold,” “Tinker, Tailor, Soldier, Spy”
Jerry DeCarlo – “Carol,” “Julie & Julia”
Patricia DeHaney – “Sully,” “Interstellar”
Naomi Donne – “Cinderella,” “Philomena”
Linda Dowds – “RoboCop,” “Rampart”
Audrey Doyle – “Legend,” “Mad Max: Fury Road”
Tina Earnshaw – “The Promise,” “Titanic”
Rick Findlater – “L’Odyssée (The Odyssey),” “The Hobbit: An Unexpected Journey”
Paul Gooch – “Miss Peregrine’s Home for Peculiar Children,” “Maleficent”
Fae Hammond – “Fantastic Beasts and Where to Find Them,” “The Legend of Tarzan”
Miia Kovero – “Inherent Vice,” “The Master”
Michael Marino – “American Pastoral,” “The Wrestler”
Frances Mathias – “Saving Mr. Banks,” “Beginners”
Christopher Nelson – “Suicide Squad,” “Frank Miller’s Sin City”
Elaine Offers – “The Kids Are All Right,” “Far from Heaven”
Conor O’Sullivan – “The Dark Knight,” “Saving Private Ryan”
Daniel Phillips – “Florence Foster Jenkins,” “The Queen”
Luigi Rocchetti – “Ben-Hur,” “The Nativity Story”
Morag Ross – “Hugo,” “The Aviator”
Nikoletta Skarlatos – “Free State of Jones,” “The Hunger Games: Mockingjay (Parts 1 & 2)”
Vittorio Sodano – “Il Divo,” “Apocalypto”
Shane Thomas – “The Dressmaker,” “Hacksaw Ridge”
Kenneth Walker – “Loving,” “For Colored Girls”
Kerry Warn – “The Great Gatsby,” “Australia”
Carla White – “Hands of Stone,” “August: Osage County”
Ann Pala Williams – “Live by Night,” “Click”
Jeremy Woodhead – “Doctor Strange,” “Snowpiercer”

TRILHA MUSICAL
Mark Adler – “Merchants of Doubt,” “Food, Inc.”
Edesio Alejandro – “La Pared de las Palabras,” “Suite Habana”
Nancy Allen – “Collateral Beauty,” “Black Swan”
David Amram – “The Manchurian Candidate,” “Splendor in the Grass”
Craig Armstrong – “Snowden,” “The Great Gatsby”
Angelo Badalamenti – “Mulholland Drive,” “Cousins”
Nicholas Britell – “Moonlight,” “The Big Short”
Nick Cave – “Hell or High Water,” “The Road”
Jordan Corngold – “War Dogs,” “Bridge of Spies”
Warren Ellis – “Hell or High Water,” “The Road”
Lisa Gerrard – “Jane Got a Gun,” “Layer Cake”
Justin Hurwitz – “La La Land,” “Whiplash”
Jimmy Jam – “Akeelah and the Bee,” “Poetic Justice”
Todd Kasow – “Miles Ahead,” “Inside Llewyn Davis”
Abel Korzeniowski – “Nocturnal Animals,” “A Single Man”
Mica Levi – “Jackie,” “Under the Skin”
Terry Lewis – “Akeelah and the Bee,” “Poetic Justice”
Lin-Manuel Miranda – “Moana,” “Star Wars: The Force Awakens”
Atli Örvarsson – “The Edge of Seventeen,” “The Mortal Instruments: City of Bones”
Benj Pasek – “La La Land,” “Trolls”
Justin Paul – “La La Land,” “Trolls”
Laurent Perez Del Mar – “The Red Turtle,” “Fear(s) of the Dark”
Jocelyn Pook – “Augustine,” “William Shakespeare’s The Merchant of Venice”
Laura Rossi – “Unfinished Song,” “London to Brighton”
Philip Sheppard – “Love, Marilyn,” “The Tillman Story”
Stephen James Taylor – “Southside with You,” “Why Do Fools Fall in Love”
Justin Timberlake – “The Book of Love,” “Trolls”
Benjamin Wallfisch – “Hidden Figures,” “Lights Out”
Debbie Wiseman – “Middletown,” “Wilde”

PRODUTORES
Khadija Alami – “Insoumise (Rebellious Girl),” “Itar El-Layl (Narrow Frame of Midnight)”
Joshua Astrachan – “Paterson,” “Short Term 12”
Fred Berger – “The Autopsy of Jane Doe,” “La La Land”
Jason Michael Berman – “Burning Sands,” “The Birth of a Nation”
Moritz Borman – “Snowden,” “W.”
Karin Chien – “Circumstance,” “The Exploding Girl”
Michael Costigan – “Ghost in the Shell,” “A Bigger Splash”
Pablo Cruz – “Cesar Chavez,” “Miss Bala”
Mel Eslyn – “Lamb,” “The One I Love”
Howard Gertler – “How to Survive a Plague,” “Shortbus”
Aaron L. Gilbert – “Beatriz at Dinner,” “The Birth of a Nation”
Mindy Goldberg – “Low Down,” “Junebug”
Carla Hacken * – “The Book of Henry,” “Hell or High Water”
Jordan Horowitz – “La La Land,” “The Kids Are All Right”
Lars Knudsen – “American Honey,” “Beginners”
Juan de Dios Larraín – “Jackie,” “No”
Sophia Lin – “Z for Zachariah,” “Take Shelter”
Michel Merkt – “Elle,” “Toni Erdmann”
Bertha Navarro – “Pan’s Labyrinth,” “The Devil’s Backbone”
Alex Orlovsky – “The Place beyond the Pines,” “Blue Valentine”
Adele Romanski – “Moonlight,” “Morris from America”
Robert Salerno – “Nocturnal Animals,” “We Need to Talk about Kevin”
Jeffrey Sharp – “The Yellow Birds,” “You Can Count on Me”
Nansun Shi – “Flying Swords of Dragon Gate,” “A Simple Life”
Gabrielle Tana – “Philomena,” “The Invisible Woman”
Jenno Topping – “Hidden Figures,” “Miss Peregrine’s Home for Peculiar Children”
Frida Torresblanco – “Rudo y Cursi,” “Pan’s Labyrinth”
Jay Van Hoy – “Complete Unknown,” “Ain’t Them Bodies Saints”
Julie Yorn – “Hell or High Water,” “The Other Woman”
Public Relations
Clive Baillie
Michael Brown
Matt Cowal
Tomy Drissi
Sonya Y. Ede-Williams
Lynne Frank
Jonathan Garson
Peter Giannascoli
Marvin Gray
Simon Hewlett
Melissa Holloway
Angela Johnson
Wellington Love
Michelle Marks
Bill Neil
Douglas Neil
Angela Paura
Heather Johnson Phillips
Tom Piechura
Pamela Rodi
Ivette Rodriguez
Jeff Sanderson
Jerry Schmitz
Lauren Schwartz
Carol Sewell
Michael Singer
Afrat Spalding
Kristin Stark
Maggie Todd
Norman Wang
Bumble Ward
Joe Whitmore
Lea Yardum
Kevin Allen Yoder

LONGAS E CURTAS DE ANIMAÇÃO
Sélim Azzazi – “Ennemis Intérieurs,” “Enterrez Nos Chiens (Bury Our Dogs)”
Matt Baer – “The Croods,” “How to Train Your Dragon”
Kyle Balda – “Despicable Me 3,” “Minions”
Aske Bang – “Silent Nights,” “The Stranger”
Jacquie Barnbrook – “Live Music,” “The ChubbChubbs!”
Claude Barras – “My Life as a Zucchini,” “Banquise (Icefloe)”
Eric Beckman – “When Marnie Was There,” “Song of the Sea”
Jared Bush * – “Zootopia,” “Moana”
Carlos E. Cabral – “Big Hero 6,” “Frozen”
Giacun Caduff – “La Femme et le TGV,” “2B or Not 2B”
John K. Carr – “How to Train Your Dragon 2,” “Over the Hedge”
Jeeyun Sung Chisholm – “Ice Age: Collision Course,” “The Peanuts Movie”
Jericca Cleland – “Ratchet & Clank,” “Arthur Christmas”
Andrew Coats – “Smash and Grab,” “Borrowed Time”
John Cohen – “The Angry Birds Movie,” “Despicable Me”
Lindsey Collins – “Finding Dory,” “WALL-E”
Devin Crane – “Megamind,” “Monsters vs Aliens”
Ricardo Curtis – “The Book of Life,” “Dr. Seuss’ Horton Hears a Who”
Richard Daskas – “Turbo,” “Sinbad: Legend of the Seven Seas”
Kristof Deák – “Sing,” “Losing It”
Jason Deamer – “Piper,” “Monsters University”
David DeVan – “Finding Dory,” “Brave”
Walt Dohrn – “Trolls,” “Mr. Peabody & Sherman”
Rob Dressel – “Moana,” “Big Hero 6”
Stefan Eichenberger – “Heimatland (Wonderland),” “Parvaneh”
David Eisenmann – “Pearl,” “Toy Story 3”
Patrik Eklund – “Seeds of the Fall,” “Instead of Abracadabra”
Steve Emerson * – “Kubo and the Two Strings,” “The Boxtrolls”
Lise Fearnley – “Me and My Moulton,” “The Danish Poet”
Mathias Fjellström – “Seeds of the Fall,” “Instead of Abracadabra”
Arish Fyzee – “The Pirate Fairy,”“Planes”
Juanjo Giménez – “Timecode,” “Maximum Penalty”
Andrew Gordon – “Monsters University,” “Presto”
Jinko Gotoh – “The Little Prince,” “9”
Eric Guillon – “Sing,” “The Secret Life of Pets”
Lou Hamou-Lhadj – “Borrowed Time,” “Day & Night”
John Hill – “Turbo,” “Shrek Forever After”
Steven “Shaggy” Hornby – “How to Train Your Dragon 2,” “Rise of the Guardians”
Steven Clay Hunter – “Brave,” “The Incredibles”
Alessandro Jacomini – “Big Hero 6,” “Tangled”
Christopher Jenkins – “Home,” “Surf’s Up”
Sean D. Jenkins – “Wreck-It Ralph,” “Bolt”
Phil Johnston * – “Zootopia,” “Wreck-ItRalph”
Oliver Jones * – “Kubo and the Two Strings,” “ParaNorman”
Mohit Kallianpur – “Frozen,” “Tangled”
Max Karli – “My Life as a Zucchini,” “Victoria”
Michael Kaschalk – “Big Hero 6,” “Paperman”
Karsten Kiilerich – “Albert,” “When Life Departs”
Timothy Lamb – “Trolls,” “Mr. Peabody & Sherman”
Gina Warr Lawes – “Zootopia,” “Kung Fu Panda 2”
Sang Jun Lee – “Rio 2,” “Epic”
Meg LeFauve – “The Good Dinosaur,” “Inside Out”
Jenny Lerew – “Mr. Peabody & Sherman,” “Flushed Away”
Brad Lewis – “Storks,” “Ratatouille”
Carl Ludwig – “Rio,” “Ice Age”
Andrew Okpeaha MacLean – “Feels Good,” “Sikumi (On the Ice)”
MaryAnn Malcomb – “Free Birds,” “Spirit: Stallion of the Cimarron”
Anders Mastrup – “Albert,” “When Life Departs”
Moon Molson – “The Bravest, the Boldest,” “Crazy Beats Strong Every Time”
Dave Mullins – “Cars 2,” “Up”
Michelle Murdocca – “Hotel Transylvania,” “Open Season”
Christopher Murrie * – “Kubo and the Two Strings,” “Coraline”
Ramsey Naito – “The Boss Baby,” “The SpongeBob SquarePants Movie”
Damon O’Beirne – “Kung Fu Panda 3,” “Rise of the Guardians”
Hyrum Virl Osmond – “Moana,” “Frozen”
Greg Pak – “Happy Fun Room,” “Super Power Blues”
James Palumbo – “Ice Age: Collision Course,” “Ice Age: Continental Drift”
Christine Panushka – “The Content of Clouds,” “The Sum of Them”
Pierre Perifel – “Rise of the Guardians,” “Kung Fu Panda 2”
Jeffrey Jon Pidgeon – “Monsters University,” “Up”
David Pimentel – “Moana,” “Big Hero 6”
Elvira Pinkhas – “Ice Age: Collision Course,” “Rio 2”
Kori Rae – “Monsters University,” “Tokyo Mater”
Mahesh Ramasubramanian – “Home,” “Madagascar 3: Europe’s Most Wanted”
Ferenc Rofusz – “Gravitáció (Gravitation),” “The Fly”
Vicki Saulls – “The Peanuts Movie,” “Ice Age: Continental Drift”
Brad Schiff * – “Kubo and the Two Strings,” “The Boxtrolls”
William Schwab – “Frozen,” “Wreck-It Ralph”
Gina Shay – “Trolls,” “Shrek Forever After”
Jeff Snow – “Over the Hedge,” “The Road to El Dorado”
Peter Sohn – “The Good Dinosaur,” “Partly Cloudy”
Debra Solomon – “My Kingdom,” “Getting Over Him in 8 Songs or Less”
David Soren – “Captain Underpants: The First Epic Movie,” “Turbo”
Cara Speller – “Pear Cider and Cigarettes,” “Pearl”
Peggy Stern – “Chuck Jones: Memories of Childhood,” “The Moon and the Son: An Imagined Conversation”
Michael Stocker – “Finding Dory,” “Toy Story 3”
Arianne Sutner – “Kubo and the Two Strings,”“ParaNorman”
Ennio Torresan – “Turbo,” “Till Sbornia Takes Us Apart”
Géza M. Toth – “Mama,” “Maestro”
Anna Udvardy – “Sing,” “Deep Breath”
Wayne Unten – “Frozen,” “Tick Tock Tale”
Theodore Ushev – “Blind Vaysha,” “Gloria Victoria”
Robert Valley – “Pear Cider and Cigarettes,” “Shinjuku”
Timo von Gunten – “La Femme et le TGV,” “Mosquito”
Gil Zimmerman – “How to Train Your Dragon 2,” “Puss in Boots”
Marilyn Zornado – “Old-Time Film,” “Mona Lisa Descending a Staircase”

SOM
Peter Albrechtsen – “The Happiest Day in the Life of Olli Mäki,” “The Girl with the Dragon Tattoo”
Christopher Assells – “John Wick: Chapter 2,” “Spectre”
David Bach – “13 Hours: The Secret Soldiers of Benghazi,” “Suicide Squad”
Sylvain Bellemare – “Arrival,” “Incendies”
Miriam Biderman – “Don’t Call Me Son,” “The Second Mother”
Charlotte Buys – “Call Me Thief,” “White Wedding”
Charlie Campagna – “Blade Runner 2049,” “Nocturnal Animals”
Harry Cohen – “The Fate of the Furious,” “The Hateful Eight”
Mohammad Reza Delpak – “The Salesman,” “A Separation”
Yann Delpuech – “The Founder,” “Saving Mr. Banks”
José Luis Díaz – “Wild Tales,” “The Secret in Their Eyes”
Jesse K-D. Dodd – “The Fate of the Furious,” “Jurassic World”
Amrit Pritam Dutta – “Kochadaiiyaan,” “Slumdog Millionaire”
Ezra Dweck – “Black Mass,” “Metallica Through the Never”
William Files – “Deadpool,” “Star Wars: The Force Awakens”
Bernard Gariépy Strobl – “Arrival,” “War Witch”
Mariusz Glabinski – “The Wall,” “The Fifth Estate”
Peter Grace – “Hacksaw Ridge,” “The Square”
Gu Changning – “Monk Comes Down the Mountain,” “Caught in the Web”
Robert Hein – “Café Society,” “Blue Jasmine”
Douglas Jackson – “Logan,” “Schindler’s List”
Jonathan Klein – “Live by Night,” “Argo”
Claude La Haye – “Arrival,” “The Red Violin”
Robert Mackenzie – “Hacksaw Ridge,” “The Grandmaster”
Tony Martinez – “Carol,” “Revolutionary Road”
Steve A. Morrow – “La La Land,” “Up in the Air”
Jean-Paul Mugel – “Jackie,” “Paris, Texas”
Cheryl Nardi – “Captain America: Civil War,” “Brave”
Al Nelson – “Alice through the Looking Glass,” “Jurassic World”
Marc Orts – “A Monster Calls,” “Che”
Daniel Pagan – “All Eyez on Me,” “Frost/Nixon”
Geoffrey Patterson – “Transformers: Revenge of the Fallen,” “Twister”
Margit Pfeiffer – “Batman v Superman: Dawn of Justice,” “Warrior”
Becki Ponting – “Philomena,” “Atonement”
Andy Potvin – “The Hunger Games: Catching Fire,” “Life of Pi”
Richard Quinn – “Rogue One: A Star Wars Story,” “Gone Girl”
Jacob Ribicoff – “Manchester by the Sea,” “The Wrestler”
Robert L. Sephton – “Smurfs: The Lost Village,” “Remember the Titans”
Guntis Sics – “Kong: Skull Island,” “Moulin Rouge”
Jane Tattersall – “Barney’s Version,” “American Psycho”
Steven Ticknor – “Spider-Man: Homecoming,” “The Lincoln Lawyer”
Derek Vanderhorst – “Hidden Figures,” “The Ides of March”
Bryon E. Williams – “Kubo and the Two Strings,” “The Hunger Games: Mockingjay (Parts 1 & 2)”
Katy Wood – “Guardians of the Galaxy Vol. 2,” “True Grit”
Andy Wright – “Hacksaw Ridge,” “Ponyo”

EFEITOS VISUAIS
Arundi Asregadoo – “The Legend of Tarzan,” “The Revenant”
Steve Begg – “Spectre,” “Casino Royale”
Félix Bergés – “A Monster Calls,” “The Impossible”
Angus Bickerton – “Victor Frankenstein,” “Dark Shadows”
Jason Billington – “Deepwater Horizon,”“Avatar”
Nafees Bin Zafar – “Kung Fu Panda 3,” “How to Train Your Dragon 2”
Rod Bogart – “John Carter,” “Brave”
Cosmas Paul Bolger, Jr. – “Frozen,” “The Day the Earth Stood Still”
Pierre Buffin – “The Divergent Series: Allegiant,” “Life of Pi”
Sonja Burchard – “Rise of the Guardians,” “The Curious Case of Benjamin Button”
Mark Byers – “Hidden Figures,” “The Sea of Trees”
Mike Chambers – “Alice through the Looking Glass,” “Inception”
Vincent Cirelli – “Doctor Strange,” “Captain America: Civil War”
Brian Cox – “The Wolverine,” “The Chronicles of Narnia: The Voyage of the Dawn Treader”
Joyce Cox * – “The Jungle Book,” “Avatar”
Jan Philip Cramer – “Independence Day: Resurgence,” “Deadpool”
Janelle Croshaw – “Tron: Legacy,” “The Curious Case of Benjamin Button”
Denise Davis – “Pixels,” “X-Men: FirstClass”
Brennan Doyle – “Marvel’s The Avengers,” “Transformers: Dark of the Moon”
Pauline Duvall – “Deadpool,” “Star Trek Beyond”
Christopher D. Edwards * – “Guardians of the Galaxy Vol. 2,” “Doctor Strange”
Steve Emerson * – “Kubo and the Two Strings,” “The Boxtrolls”
Doug Epps – “Mars Needs Moms,” “Disney’s A Christmas Carol”
Conny Fauser – “Tomorrowland,” “Iron Man”
Paul Giacoppo – “Rogue One: A Star Wars Story,” “Pacific Rim”
Joachim Grüninger – “The Impossible,” “John Rabe”
Rhonda C. Gunner – “The Amazing Spider-Man 2,” “Wrath of the Titans”
Craig Hammack – “Deepwater Horizon,” “Tomorrowland”
Jonathan Harb – “The Hunger Games: Mockingjay – Part 1,” “Elysium”
Darren Hendler – “Furious Seven,” “Maleficent”
Erik Henry – “Dead Man Down,” “The Expendables 2”
David Hodgins – “Transformers: Dark of the Moon,” “2012”
Matt Johnson – “Into the Woods,” “X-Men: First Class”
Oliver Jones * – “Kubo and the Two Strings,”“ParaNorman”
Nikos Kalaitzidis – “The Fate of the Furious,” “X-Men: Days of Future Past”
Daniel Kramer – “Ghostbusters,” “Edge of Tomorrow”
Francois Lambert – “Ant-Man,” “Pirates of the Caribbean: Dead Man’s Chest”
Mohen Leo – “Rogue One: A Star Wars Story,” “Deepwater Horizon”
John M. Levin – “Jurassic World,” “Lucy”
Jacqui Lopez – “Elysium,” “The Great Gatsby”
Fumi Mashimo – “Avengers: Age of Ultron,” “The Mummy: Tomb of the Dragon Emperor”
Glen McIntosh – “The Mummy,” “Jurassic World”
Keith Francis Miller – “Wonder Woman,” “Batman v Superman: Dawn of Justice”
Mohsen Mousavi – “Independence Day: Resurgence,” “The Amazing Spider-Man”
Colette Mullenhoff – “Doctor Strange,” “Captain America: The Winter Soldier”
Peter Muyzers – “Elysium,” “District 9”
Kenneth Nakada – “Fantastic Four,” “Life of Pi”
Steve Nichols – “Suicide Squad,” “Guardians of the Galaxy”
David Niednagel – “X-Men: Days of Future Past,” “Transformers: Dark of the Moon”
Brett Northcutt – “Lucy,” “Pirates of the Caribbean: On Stranger Tides”
Danielle Plantec – “Immortals,” “Hereafter”
Darren Michael Poe – “The Hateful Eight,” “Godzilla”
Nordin Rahhali – “Fantastic Beasts and Where to Find Them,” “Iron Man 3”
Philippe Rebours – “Avengers: Age of Ultron,” “Avatar”
Jay Redd – “Alice through the Looking Glass,” “Men in Black 3”
Jonathan Rothbart – “Deadpool,” “Avatar”
Brad Schiff * – “Kubo and the Two Strings,” “ParaNorman”
J.D. Schwalm – “The Fate of the Furious,” “The Jungle Book”
Thomas J. Smith – “Argo,” “Contagion”
Jason Snell – “Deepwater Horizon,” “Now You See Me”
Robert Stadd – “War Dogs,” “Public Enemies”
Paul Story – “The Jungle Book,” “Dawn of the Planet of the Apes”
Ryan Tudhope – “Deadpool,” “Looper”
Robert Weaver – “Teenage Mutant Ninja Turtles: Out of the Shadows,” “Star Trek Into Darkness”
Louis Zutavern – “The Dictator,” “Elf”

ESCRITORES
Karim Aïnouz – “Love for Sale,” “Madame Satã”
Rakhshan Bani-Etemad – “Under the Skin of the City,” “The May Lady”
Siddiq Barmak * – “Opium War,” “Osama”
Aida Begić * – “Children of Sarajevo,” “Snow”
Jeremy Brock – “True Crimes,” “The Last King of Scotland”
Jared Bush * – “Zootopia,” “Moana”
John Collee – “Tanna,” “Master and Commander: The Far Side of the World”
Buddhadeb Dasgupta – “The Wrestlers,” “The Red Door”
Kenneth Angelo Daurio, Jr. – “The Secret Life of Pets,” “Despicable Me”
Luke Davies – “Lion,” “Life”
Mohamed Diab – “Clash,” “Cairo 678”
Lav Diaz * – “A Lullaby to the Sorrowful Mystery,” “Norte, the End of History”
Katie Dippold – “Snatched,” “Ghostbusters”
Nelson Pereira dos Santos * – “How Tasty Was My Little Frenchman,” “Barren Lives”
Ildikó Enyedi * – “Simon Magus,” “My Twentieth Century”
Safi Faye * – “Mossane,” “Lettre Paysanne”
Feng Xiaogang – “If You Are the One,” “A World without Thieves”
Paz Alicia Garciadiego – “Bleak Street,” “Deep Crimson”
Bahman Ghobadi – “Turtles Can Fly,” “A Time for Drunken Horses”
Goutam Ghose * – “Shankhachil,” “Paar”
Eric Heisserer – “Arrival,” “Lights Out”
Barry Jenkins * – “Moonlight,” “Medicine for Melancholy”
Alejandro Jodorowsky * – “The Holy Mountain,” “El Topo”
Phil Johnston * – “Zootopia,” “Wreck-It Ralph”
Kim Ki-duk * – “3-Iron,” “Spring, Summer, Fall, Winter…and Spring”
Mohammed Lakhdar-Hamina * – “Chronicle of the Years of Embers,” “The Winds of the Aures”
Brit Marling – “The East,” “Another Earth”
Márta Mészáros * – “Diary for My Children,” “Adoption”
Mike Mills – “20th Century Women,” “Beginners”
Idrissa Ouedraogo * – “Tilaï,” “Yaaba”
Éva Pataki – “The Seventh Room,” “Diary for My Loves”
Cinco Paul – “The Secret Life of Pets,” “DespicableMe”
Jordan Peele * – “Get Out,” “Keanu”
Simon Pegg – “Run Fat Boy Run,” “Shaun of the Dead”
Mohammad Rasoulof * – “Manuscripts Don’t Burn,” “Goodbye”
Eran Riklis * – “Lemon Tree,” “The Syrian Bride”
Céline Sciamma – “My Life as a Zucchini,” “Tomboy”
Mrinal Sen * – “The Case Is Closed,” “In Search of Famine”
Taylor Sheridan – “Hell or High Water,” “Sicario”
Sooni Taraporevala – “Mississippi Masala,” “Salaam Bombay!”
Tran Anh Hung * – “Norwegian Wood,” “The Scent of Green Papaya”
Joss Whedon – “Marvel’s The Avengers,” “The Cabin in the Woods”
William Wheeler – “Queen of Katwe,” “The Reluctant Fundamentalist”
Yau Nai-hoi – “Three,” “Election”
Mauricio Zacharias – “Little Men,” “Love Is Strange”
Martin Zandvliet * – “Land of Mine,” “A Funny Man”
Members-at-Large
Pippa Anderson
Margaret Bodde
Dan Bradley
Brooke Breton
Chris Brigham
Jill Brooks
Stephen Broussard
Stephen Campanelli
Joyce Cox *
Charles Croughwell
Andrew Z. Davis
Steve M. Davison
Bill Draper
Mitch Dubin
Christopher D. Edwards *
Mickey Giacomazzi
Richard Glasser
Jeffrey W. Harlacker
Thomas R. Harper
Jill Hopper
Craig Hosking
Gary Hymes
Andrea Kalas
Jeanie King
Natasha Léonnet
Todd London
Erika McKee
Mary McLaglen
Ujwal Narayan Nirgudkar
Cyndi Ochs
Howard Paar
Darwyn Peachey
Louis Phillips
Susan Pickett
Thomas Poole
Darrin Prescott
Bérénice Robinson
Lee Rosenthal
Rebekah Rudd
P. Scott Sakamoto
Dana Sano
William O. Schultz
Ellen H. Schwartz
William Sherak
Brian Smrz
John Stoneham, Jr.
David Taritero
Garrett Warren
Raymond Yeung
Associates
Rowena Arguelles
Peter Benedek
Jim Berkus
George Freeman
Harry Gold
Scott Greenberg
Brandt Joel
Keya Khayatian
Richard Klubeck
Jessica Lacy
Jon Levin
Rhonda Price
Hylda Queally
Philip Raskind
Stephanie Ritz
Rajendra Roy
Mick Sullivan

***

Com a adição, a Academia conta atualmente com 7.461 membros votantes.

‘THE SQUARE’, do sueco Ruben Östlund, vence a Palma de Ouro em Cannes 2017. NETFLIX sai de mãos abanando.

170528-cannes-312p-rs_8471f0095981e1aaf0639c5a54ae25dd.nbcnews-ux-2880-1000.jpg

No centro, o diretor Ruben Ostlund comemora sua vitória como se fosse um gol de final de campeonato. Ao fundo, o presidente do júri Pedro Almodóvar. Pic by NBC News

NO ANIVERSÁRIO DE 70 ANOS, CANNES PREMIA JOVEM DIRETOR QUE JÁ HAVIA SE DESTACADO POR FORÇA MAIOR

Após uma forte expectativa de que o festival iria conceder sua segunda Palma de Ouro para uma mulher, o prêmio máximo ficou com o diretor sueco Ruben Östlund, mantendo a neozelandesa Jane Campion como a única vencedora feminina da história do festival.

Apesar de não ter sido o filme da competição mais elogiado pela imprensa estrangeira, The Square ganhou pontos com os membros do júri ao apresentar uma sátira do mundo das Artes, em que o protagonista é um diretor de um museu, que está desesperado para fazer sucesso e pra isso, recebe uma nova instalação chamada “The Square” para promovê-lo.

170521123541-the-square-film-still-5-exlarge-169.jpg

Cena de The Square, de Ruben Ostlund.

O presidente do júri Almodóvar explicou sua escolha após a entrega dos prêmios: “É contemporâneo, é sobre a ditadura de ser politicamente correto. Eles vivem num inferno paranormal por causa disso.” Essa justificativa me atiçou um pouco a curiosidade para conferir o filme, já que sou crítico desses tempos politicamente corretos em que vivemos. Mas independente de ter sido premiado ou não, a voz do diretor Robert Östlund é uma das mais originais dos últimos tempos. Quem viu seu último filme, Força Maior, sobre uma tragédia natural que afeta uma família, sabe do que estou falando. Ele tem um humor bastante peculiar.

As fortes concorrentes femininas, a americana Sofia Coppola e a escocesa Lynne Ramsay, ficaram com os prêmios de Direção e Roteiro, respectivamente. Coppola se torna a segunda diretora a vencer esse prêmio depois da russa Yuliya Solntseva com A Epopéia dos Anos de Fogo, de 1961. “Agradeço ao júri por esta honra… Agradeço ao meu pai, que me ensinou a escrever e dirigir e por compartilhar seu amor por cinema, e para minha mãe por me encorajar a ser uma artista,” agradeceu Coppola através de nota lida pela diretora Maren Ade, já que não estava presente na cerimônia de premiação. Ade, que é membro do júri, aproveitou para “agradecer a Jane Campion por ser uma modelo e por apoiar as cineastas mulheres.”

PRÊMIOS DE INTERPRETAÇÃO

Ao contrário de Sofia, os atores Diane Kruger e Joaquin Phoenix, que ganharam os prêmios de interpretação, estiveram na cerimônia de apresentação e foram bastante aplaudidos. Em In the Fade, a atriz alemã interpreta uma mulher que, depois de ter seu marido e filho mortos num ataque de bomba terrorista, planeja uma vingança. Muito comovida, a atriz alemã subiu ao palco e fez seu discurso: “Fatih [Akin], meu irmão, obrigada por me dar essa chance… você me deu a força que eu não sabia que tinha em mim. Eu não posso aceitar este prêmio sem pensar em ninguém que já foi impactado por um ato de terrorismo, pessoas que estão tentando colher os cacos e continuar suas vidas. Por favor, saibam que vocês não estão esquecidos. Obrigada.”

Diane Kruger gettyimages-689411410.jpg

Diane Kruger agradece pelo prêmio de interpretação feminina em ‘In the Fade’ (pic by Alberto Pizzoli/ Getty Images)

Já pelo prêmio de interpretação masculina, o sempre controverso Joaquin Phoenix veio até Cannes para receber a honraria. Nada contra o ator, que aliás sou fã de seu trabalho, mas ele deveria se decidir de vez se gosta ou não de premiações. Ou ele vai para sorrir e ser agradecido, ou fica em casa com a cara emburrada, e não o contrário! Desse jeito, fica a impressão de que ele atua como ‘bad boy’ para impulsionar sua imagem de durão e psicótico.

DA7pv-QV0AABrSi

Mas enfim, no filme You Were Never Really Here, ele faz uma espécie veterano de guerra à la Taxi Driver, que tenta a todo custo salvar uma menina do tráfico de sexo. À princípio, parece um papel de alguém bastante perturbado, o que se encaixa perfeitamente no rótulo que Hollywood adora botar nos atores. Tem seu lado positivo, já que o ator domina o tipo de personagem e pode elevá-lo ainda mais, porém tem seu lado negativo, pois existe uma iminente ameaça do ator ficar limitado demais.

You Were Never Really Here.jpg

Joaquin Phoenix com a jovem Ekaterina Samsonov em cena de You Were Never Really Here, de Lynne Ramsay (pic by cine.gr)

Em relação ao Oscar, vale lembrar que desde 2007, 22 performances que tiveram sua estréia em Cannes acabaram sendo indicadas ou premiadas pela Academia no ano seguinte. Dando maior precisão aos dados estatísticos, desses 22 atores, treze foram mulheres e nove foram homens, contudo, apenas Rooney Mara (por Carol) transformou seu prêmio de atriz em indicação ao Oscar, enquanto 4 vencedores de Ator em Cannes foram ao Oscar: Christoph Waltz (Bastardos Inglórios), Javier Bardem (Biutiful), Jean Dujardin (O Artista), e Bruce Dern (Nebraska).

PRÊMIO DE 70º ANIVERSÁRIO

A cada década, o festival tem a liberdade de criar um prêmio especial. Este ano, eles prestigiaram a atriz Nicole Kidman, já que ela participa de quatro projetos distintos em Cannes: os filmes O Estranho que Nós Amamos, The Killing of a Sacred Deer, How to Talk to Girls at Parties e a série Top of the Lake, que está na segunda temporada, reconhecendo assim sua versatilidade.

SURPRESAS E DECEPÇÕES

Dentre os nomes mais citados pela imprensa estrangeira e pela crítica que mereceria o prêmio de ator estava o de Robert Pattison. Sim, aquele rapaz que já foi um vampiro que brilhava no sol naquela saga politicamente correta de Stephenie Meyer. Parece que ele está buscando novos desafios depois de ter trabalhado com o diretor David Cronenberg em Cosmópolis em 2012. Sua atuação foi bastante elogiada no drama sobre roubo de bancos intitulado Good Time. Acabou perdendo o prêmio para Joaquin Phoenix, mas pode se tornar um nome forte para a próxima temporada de premiações.

good-time-mit-robert-pattinson

Robert Pattison em Good Time, dos irmãos Safdie (pic by moviepilot.de)

Outro que está tentando (com bem menos afinco) mudar sua imagem é Adam Sandler. Esse comediante americano que estrela trocentos filmes do Netflix está em The Meyerowitz Stories: New and Selected, do diretor Noah Baumbach, que inclusive já tentou fazer um filme mais sério com o comediante Ben Stiller em O Solteirão (2010). Este novo trabalho é uma comédia de família disfuncional, mas com nomes de peso como Dustin Hoffman e Emma Thompson. A atuação deles foi elogiada, mas a de Sandler acabou sendo mais comentada e por isso mesmo, estava entre os candidatos ao prêmio. Pode soar radical demais, mas a única performance interessante que vi de Sandler foi em Embriagados de Amor (2002), quando foi dirigido por Paul Thomas Anderson. Naquele papel, ele apresentava uns tiques nervosos de uma pessoa extremamente perturbada pelas irmãs mais velhas. Mas depois ele fez apenas comédias do tipo besteirol que deixavam de explorar esse seu lado. De qualquer forma, acredito na redenção de qualquer ator, contanto que ele ou ela busquem se desafiar. E se diretores do calibre de Cronenberg e P.T. Anderson viram algo de bom nesses atores, significa que devemos olhar com mais atenção.

No campo das surpresas, a própria Palma de Ouro não deixa de ser uma. The Square estava entre os mais elogiados, mas estava meio longe de ser uma unanimidade. Entre os mais bem cotados estavam Happy End, de Michael Haneke; Loveless, de Andrey Zvyagintsev; The Killing of a Sacred Deer, de Yorgos Lanthimos; 120 battements par minute, de Robin Campillo; e You Were Never Really Here, de Lynne Ramsay. Excetuando o primeiro, todos os demais foram reconhecidos com prêmios, o que mostra certa sintonia do júri em relação à crítica.

NETFLIX E A DIFICULDADE DE ACEITAÇÃO

Após receber inúmeras vaias nas sessões de Okja e Wonderstruck, ambas produções da Netflix, era esperado que a plataforma de streaming mais conhecida no mundo fosse sair sem nenhum prêmio do evento. O próprio presidente do júri, Pedro Almodóvar, havia afirmado que “não premiaria um filme que não vai ser exibido na tela grande”. O Festival de Cannes completou 70 anos de existência, e com isso, há muita tradição envolvida que não se muda da noite para o dia. Inicialmente surpresa pelo convite, a Netflix sofreu um um cerco ferrenho por parte dos exibidores franceses, já que perderiam dinheiro com a não-exibição dos filmes em salas de cinema. Essa discussão está apenas no começo e deve ser assunto para as próximas edições, não só de Cannes, mas de outros grandes festivais, que terão que lidar com a produção de conteúdo da Netflix.

Adam-Sandler.jpg

À direita, o diretor Noah Baumbach com os atores Adam Sandler e Dustin Hoffman no set de The Meyerowitz Stories

VITÓRIA BRASILEIRA EM CANNES

Embora o Brasil não tivesse representantes na competição oficial, por outro lado, participou da mostra da Semana da Crítica e saiu com dois prêmios. Gabriel e a Montanha, do jovem Fellipe Gamarano Barbosa, levou o Prêmio Visionário e o Gan Foundation que fornecerá um apoio enorme para a distribuição na França. O prêmio foi concedido pelo presidente do júri da Semana da Crítica, o conterrâneo Kléber Mendonça Filho. Parabéns à equipe do filme!

Gabriel e a Montanha.jpg

Os atores Caroline Abras e João Pedro Zappa em cena de Gabriel e a Montanha, de Fellipe Gamarano Barbosa. Pic by cineuropa.org

NOTAS PESSOAIS

Fiquei bastante feliz que Taylor Sheridan, que ficou conhecido por roteirizar o western moderno A Qualquer Custo (Hell or High Water), foi premiado como Melhor Diretor da mostra Un Certain Regard logo em sua primeira investida na cadeira de diretor em Wind River. O filme centra num assassinato que ocorreu numa reserva indígena, e é estrelado por Jeremy Renner e Elisabeth Olsen.

Também dos filmes premiados em Cannes, estou ansioso pra conferir os novos trabalhos de Andrey Zvyagintsev (ele tem uma visão bastante dura, porém realista, vide O Retorno e Leviatã), Lynne Ramsay (é uma diretora extremamente detalhista, e que consegue enxergar poesia onde não há) e Yorgos Lanthimos (seu nome vem sendo atrelado a um cinema de conteúdo criativo que vem desde Dente Canino e que se consagrou com O Lagosta).

VENCEDORES DO 70º FESTIVAL DE CANNES

PALMA DE OURO
Ruben Östlund – The Square

GRANDE PRÊMIO DO JÚRI
Robin Campillo – 120 Beats Per Minute

PRÊMIO DO JÚRI
Andrey Zvyagintsev – Loveless

DIRETOR
Sofia Coppola – O Estranho que Nós Amamos

ATOR
Joaquin Phoenix – You Were Never Really Here

ATRIZ
Diane Kruger – In the Fade

ROTEIRO
Yorgos Lanthimos – The Killing of a Sacred Deer
Lynne Ramsay – You Were Never Really Here

CAMERA D’OR
Léonor Sérraille – Jeune Femme

PALMA DE OURO PARA CURTA-METRAGEM
Qiu Yang – A Gentle Night

PRÊMIO ESPECIAL DE 70º ANIVERSÁRIO
Nicole Kidman

MOSTRA UN CERTAIN REGARD

UN CERTAIN REGARD
Mohammad Rasoulof – A Man of Integrity

ATRIZ
Jasmine Trinca – Fortunata

NARRATIVA POÉTICA
Mathieu Amalric – Barbara

DIRETOR
Taylor Sheridan – Wind River

PRÊMIO DO JÚRI
Michel Franco – April’s Daughter

MOSTRA SEMANA DA CRÍTICA

GRANDE PRÊMIO: Emmanuel Gras – Makala
PRÊMIO VISIONÁRIO: Fellipe Gamarano Barbosa – Gabriel and the Mountain
Leica Cine Discovery Prize for Short Film: Laura Ferrés – Los Desheredados
Gan Foundation Support for Distribution Award: Fellipe Gamarano Barbosa – Gabriel and the Mountain

SACD Award: Léa Mysius – Ava
Canal+ Award: Aleksandra Terpińska – The Best Fireworks

DIRECTOR’S FORTNIGHT

Art Cinema Award: Chloé Zhao – The Rider
SACD Award: Claire Denis – Let the Sunshine In, Philippe Garrel – Lover for a Day
Europa Cinemas Label Award: Jonas Carpignano – A Ciambra
Illy Prize for Short Film: Benoit Grimalt – Back to Genoa City

Cannes & Almodóvar vs. Netflix & TILDA SWINTON!

okja cannes

Equipe do filme Okja, da Netflix, no Festival de Cannes. No centro, o diretor Bong Joon-ho ao lado da atriz Tilda Swinton e Jake Gyllenhaal. Pic by AFP.com

EM SEGUNDO DIA DO FESTIVAL, NETFLIX CAUSA GRANDE ALVOROÇO

Sim, tá rolando uma treta em Cannes! E a musa Tilda Swinton calou a boca do povo! Por isso venho aqui pra compartilhar com vocês não apenas a treta, mas toda uma discussão sobre o futuro do cinema como o conhecemos hoje.

Vamos pela cronologia dos fatos:

1 – NETFLIX NA SELEÇÃO OFICIAL DE CANNES

Dentre os indicados à Palma de Ouro, havia duas produções de streaming da Netflix competindo pela primeira vez na história do evento: The Meyerowitz Stories, de Noah Baumbach; e Okja, do sul-coreano Bong Joon-ho.

OKJA

Cena do filme Okja, de Bong Joon-ho. Pic by cine.gr

2 – INCÔMODO ENTRE OS DISTRIBUIDORES DE CINEMA NA FRANÇA

Como se trata de um festival bastante tradicional, obviamente que os inúmeros distribuidores de cinema não gostaram nem um pouco do início da invasão da Netflix em Cannes, já que as produções não serão exibidas nas salas de cinema comercialmente, apenas pela plataforma da própria Netflix. Mais do que deixar de lucrar, os distribuidores estão enfurecidos com a possibilidade da profissão se tornar obsoleta num futuro não muito distante.

3 – OS ORGANIZADORES TOMAM PROVIDÊNCIAS

Com a insatisfação dos distribuidores no ouvido, os organizadores se viram obrigados a tomar providências para agradar gregos e troianos. Assim, passou a exigir que os filmes de streaming sejam exibidos em salas de cinema para que possam competir a partir de 2018.

4 – NETFLIX REAGE COM SENSATEZ

Depois de sofrer retaliações, a Netflix poderia reclamar ou se espernear, mas tem ciência do ótimo impacto de ter produções selecionadas e por isso, anunciou que está estudando a possibilidade de lançar seus filmes em algumas salas selecionadas.

5 – ALMODÓVAR USUFRUI DE SUA AUTORIDADE

Como presidente do júri deste ano, o cineasta Pedro Almodóvar, resolveu fazer declaração sobre o assunto, mas de forma intimidatória: “Não concederei não apenas a Palma de Ouro, mas qualquer outro prêmio para um filme que não poderei ver na tela grande”. Embora o júri seja formado por outros artistas como os atores Will Smith, Jessica Chastain, Fan Bingbing, e os cineastas Paolo Sorrentino, Park Chan-wook, Maren Ade e Agnès Jaoui, além do compositor Gabriel Yared, o presidente sempre tem a palavra final, portanto, existe forte possibilidade desses dois filmes da Netflix saírem de mãos abanando apenas por causa de seu formato.

Jury Press Conference - The 70th Annual Cannes Film Festival

À direita, o presidente do júri Pedro Almodóvar em coletiva de imprensa. Pic by The Upcoming

6 – TILDA SWINTON CALA A BOCA DE ALMODÓVAR

Durante a conferência do filme em Cannes, a atriz do filme Okja, a britânica Tilda Swinton, rebateu a declaração do presidente do júri Pedro Almodóvar: “NÃO VIEMOS AQUI PELOS PRÊMIOS”. Cadê aquela musiquinha do “Turn down for what” com os óculos escuros pra Tilda Swinton???

tilda-jake.jpg.size.custom.crop.1086x724

Tilda Swinton responde às perguntas dos jornalistas em coletiva de Okja em Cannes. Ao fundo, Jake Gyllenhaal. (pic by thestar.com)

ADENDO: A EXIBIÇÃO DE ‘OKJA’ EM CANNES

Depois de toda essa discussão, até parece que sabotaram a exibição do longa Okja! Após alguns minutos de exibição, o filme foi interrompido por problemas técnicos. Alguns membros da imprensa estrangeira aproveitaram para vaiar, mas o diretor Bong Joon-ho soube ter jogo de cintura após o término da sessão, quando disse: “Fiquei feliz pelos problemas técnicos. Assim vocês tiveram a oportunidade de ver duas vezes a sequência de abertura!”.

ANÁLISE PERTINENTE EM RELAÇÃO AO FUTURO DO CINEMA

Bom, mas tirando a sarrafada da Tilda Swinton, o que é necessário entender aqui é que a Netflix é o FUTURO. Simples. Para quem acompanha cinema, sabe que houve uma queda significativa de conteúdo nas salas de exibição. Os estúdios não querem mais arriscar em novas idéias, e preferem ficar limitados a adaptações de quadrinhos, refilmagens e sequências, pois as chances de prejuízo são praticamente inexistentes. Claro que não estou criticando esses filmes de estúdio (eu mesmo sou fã dos filmes da Marvel), mas cinema não deve ficar restrito a essas produções. Cinema é uma arte que precisa sempre se reinventar para poder sobreviver.

E a Netflix está providenciando isso. Há pouco tempo, eles deixaram de ser uma mera plataforma de exibição para produzir conteúdo. Começaram com as séries de TV , que logo conquistaram o grande público como as pioneiras House of Cards e Orange is the New Black, e agora estão fazendo grandes contratos com diretores renomados e renegados do cinema como os já citados Bong Joon-ho e Noah Baumbach. Esses mesmos diretores sabem que estão perdendo espaço nas salas de cinema e por isso, estão buscando alternativas para produzirem seus filmes. Vale lembrar que recentemente o diretor David Lynch anunciou sua aposentadoria de filmes, concentrando seus esforços na série Twin Peaks. Quem sabe ele não consegue retornar com a ajuda da Netflix também?

netflix screen-shot-2013-11-13-at-8-05-16-am

Tela da Netflix com destaque para a série House of Cards, sucesso absoluto de crítica e público. 

Quando o Festival de Cannes impõe restrições à Netflix, ele está adiando o futuro. Mesmo sendo cinéfilo que gosta de frequentar salas de cinema, não dá pra simplesmente ignorar uma plataforma tão promissora. Logo de cara, já desbancou as locadoras do mundo todo, e agora a tendência é aposentar as salas de cinema.

ÉPOCA DE TRANSIÇÃO

Embora a Netflix seja o futuro, ele não vem da noite para o dia. É necessário um período de adaptação do público e até mesmo da crítica. Acredito que o ideal nesse caso seja que a Netflix inicialmente disponibilize seus filmes em salas selecionadas de cinema, e que retire suas produções dos cinemas gradativamente. Hoje, podem lançar um filme para 200 salas nos EUA. Daqui a 6 meses, 150 salas, e assim sucessivamente. E o público que vai decidir isso. Se hoje pagam bem pra assistir mega-produções da Disney nos cinemas, eles podem elevar os números positivos das produções de streaming.

Voltando ao discurso do Almodóvar, ele lança sua opinião para que possamos refletir sobre essas mudanças. “Plataformas digitais são um novo meio de oferecer trabalho, o que é interessante e positivo. Mas elas não devem tomar o lugar de formatos existentes. Elas não deveriam mudar os hábitos dos espectadores. Essa é a grande questão do debate.”, declarou o diretor.

Realmente, assistir a um filme na tela grande do cinema é uma experiência de outro nível. A tela grande consegue aprimorar a experiência de ver um filme, e até mesmo melhorar a qualidade daquele filme meio capenga. É verdade. E tem uma questão primordial nesse modo de assistir a um filme: a concentração do espectador. Na sala de cinema, além da imagem e áudio de qualidades, existe o foco. Não há interrupções de telefone, barulho ou mesmo de distrações dentro da sala de cinema, que certamente existem em casa. Então, nesse sentido, o Almodóvar tem razão.

Mas pra ele, que já é um cineasta de renome que frequenta os festivais e sempre tem público nos cinemas, é mais fácil condenar a Netflix. Mas e praquele diretor em começo de carreira? Ou mesmo praquele que foi esquecido pelos grandes estúdios como o já citado David Lynch? Hoje, eles têm duas alternativas: Ou imploram por financiamento por leis de incentivo ou eles cedem para o streaming que vai produzir os filmes e vão oferecer para milhões de espectadores via plataforma.

O próprio diretor Bong Joon-ho ressaltou sua experiência de ter trabalhado com a Netflix: “Eu amei ter trabalhado com a Netflix. Eles me deram muito apoio. O orçamento para este filme foi considerável. Dar esse tipo de orçamento para um diretor não é muito comum.” A Netflix concedeu 50 milhões de dólares para a produção de Okja. Uma boa grana para quem teve astros como Tilda Swinton, Jake Gyllenhaal, Lily Collins e Paul Dano, sem contar com os efeitos especiais.

Enfim, fechando a discussão, nada desse debate todo justifica Pedro Almodóvar fechar as portas para as duas produções por causa da plataforma! Por isso, adorei Tilda Swinton, que ressaltou o privilégio de estar em Cannes, e de lembrar que o real intuito do filme é ser visto e passar sua mensagem. Os prêmios são mera consequência.

***

A 70ª edição do Festival de Cannes termina dia 28 de maio, quando serão anunciados os vencedores.

‘A BELA E A FERA’ leva Melhor Filme e ‘STRANGER THINGS’ Melhor Show de TV no MTV Movie & TV Awards 2017

Emma Watson, Josh Gad e o diretor Bill Condon aceitam o prêmio de Melhor Filme do Ano (pic by yahoo!)

MTV MOVIE AWARDS PASSA POR ALTERAÇÕES EM BUSCA DE SOBREVIVÊNCIA

Sim, você não leu errado. A MTV passou a premiar programas de TV e streaming como Netflix a partir deste ano. Mas inovou ao misturar tudo, ao invés de criar inúmeras categorias como faz a “Bolha Assassina” do Critics’ Choice Awards com seus 487 prêmios. Dessa forma, indicados de cinema concorriam com indicados de TV nas mesmas categorias. Como todos sabem, a premiação da MTV vinha sofrendo uma decadência sem fim desde meados dos anos 2000, então interpreto essa mudança como estratégia de sobrevivência. Portanto, nada melhor do que contar também com celebridades de TV e séries para atrair mais a atenção do público.

A série mais premiada foi Stranger Things, que foi um sucesso de crítica e público da Netflix. Levou Melhor Série e Melhor Atuação em Série para a garota prodígio Millie Bobby Brown.

stranger-things-staffel-1-mit-millie-bobby-brown-caleb-mclaughlin-gaten-matarazzo-und-finn-wolfhard

Os atores mirins Millie Bobby Brown, Gaten Matarazzo, Finn Wolfhard e Caleb McLaughlin em cena de Stranger Things (pic by moviepilot.de)

Outra mudança bastante positiva e exclusiva foi nas categorias de atuação. Agora existe apenas UMA, que abrange atores, atrizes e futuramente, transgêneros. Talvez essa inspiração tenha vindo do Oscar do ano passado, quando o host Chris Rock havia feito o seguinte comentário: “Prêmio de atuação é o único que não precisa ser dividido entre homens e mulheres”. Realmente, qual a diferença entre sexos em atuações? A primeira vencedora deste prêmio foi Emma Watson por A Bela e a Fera, que enalteceu a importância do reconhecimento neutro da MTV.

Emma Watson recebe o primeiro prêmio de atuação sem gênero do MTV Movie and TV Awards pelas mãos de Asia Kate Dillon, uma atriz sem gênero (pic by Digital Spy)

Sempre fui fã do prêmio da MTV desde minha adolescência por causa dessa essência despojada. Como todos os outros prêmios são levados muito à sério, esse cativa pelo humor e por que não reconhecer qualidades em filmes bem comerciais? Se tem alguma coisa que não pode ser falado do prêmio é que ele não é flexível. A cada ano, eles criam novas categorias, assim como retiram de acordo com a safra anual de conteúdo.

Por mim, deveriam trazer de volta os prêmios de Most Desirable Female e Male, porque sensualidade na tela deveria ser reconhecido sempre! Mas acredito que ele tenha sido extinto pelos tempos politicamente corretos demais… E falando em politicamente correto, achei que os prêmios de Melhor História Americana e Melhor Luta Contra o Sistema foi um pouco “forçação de barra”, e o prêmio de Documentário ficou meio deslocado pra ser MTV…

A respeito dos vencedores: em relação aos indicados de TV e streaming, sou Glória Pires (“não posso opinar”), mas em relação a cinema, honestamente, achei que Logan e Quase 18 seriam mais bem votados. O primeiro dialoga bem com os meninos (mais crescidos) e os nerds de quadrinhos como moi. E o segundo é uma espécie de bela homenagem ao universo de John Hughes e seus personagens adolescentes perdidos em seus questionamentos da própria existência.

the-edge-of-seventeen-mit-hailee-steinfeld

Hailee Steinfeld como a protagonista problemática em Quase 18 (pic by moviepilot.de)

Mas enfim, o grande vencedor da noite foi a refilmagem de A Bela e a Fera. Boa parte da crítica e pessoal entendido costuma dizer “versão live-action” de A Bela e a Fera. Eu digo “refilmagem” mesmo, porque trata-se do mesmo material, mas filmado com atores de carne e osso. A meu entender, esgotou-se a criatividade da Disney e agora eles só querem fazer refilmagens de animações (preparem-se que estão por vir os “live-actions de O Rei LeãoMulan e A Pequena Sereia) e continuações, seja do universo Marvel, seja do universo Star Wars ou seja do universo Piratas do Caribe.

emma-watson beauty and the beast

A cena da dança entre Bela e Fera, um momento que foi brilhantemente capturado na animação de 1991, agora versão “live-action”. Pic by moviepilot.de

Eu absolutamente entendo os motivos: 1º Querem mergulhar em dinheiro. 2º Não querem se arriscar com material novo. 3º Querem refilmar para contar a mesma história para o público jovem que não conhece o original. MAS PORRA! Se for pra revisitar o universo pré-existente, por que não fazem como o Malévola? Eles trouxeram a história de A Bela Adormecida, que já tinha a animação de 1959, mas recontaram sob a perspectiva da vilã da história. Aliás, essa onda de live-action começou com o sucesso desse filme estrelado pela Angelina Jolie.

Sei lá, não sei se sou crítico demais com essa preguiça de material novo, mas já que estamos nessa era de ruminar, por que não trazer novas perspectivas para a história conhecida? Nesse A Bela e a Fera, contrataram até um ator idêntico ao personagem animado Gaston! Por isso que o MTV Movie Awards está cedendo espaço para a TV: é onde está a criatividade.

VENCEDORES DO MTV MOVIE & TV AWARDS 2017:

FILME DO ANO:
* A Bela e a Fera (Beauty and the Beast)
Corra (Get Out)
Logan (Logan)
Rogue One: Uma História Star Wars (Rogue One: A Star Wars Story)
Quase 18 (The Edge of Seventeen)

MELHOR ATUAÇÃO EM FILME:
* Emma Watson (A Bela e a Fera)
Daniel Kaluuya (Corra)
Hailee Steinfeld (Quase 18)
Hugh Jackman (Logan)
James McAvoy (Frgamentado)
Taraji P. Henson (Estrelas Além do Tempo)

SÉRIE DO ANO:
* Stranger Things
Atlanta
Game of Thrones
Insecure
Pretty Little Liars
This Is Us

MELHOR ATUAÇÃO EM SÉRIE:
Millie Bobby Brown (Stranger Things)
Donald Glover (Atlanta)
Emilia Clarke (Game of Thrones)
Gina Rodriguez (Jane the Virgin)
Jeffrey Dean Morgan (The Walking Dead)
Mandy Moore (This Is Us)

MELHOR BEIJO:
Ashton Sanders e Jharrel Jerome (Moonlight: Sob a Luz do Luar)
Emma Stone and Ryan Gosling (La La Land: Cantando Estações)
Emma Watson and Dan Stevens (A Bela e a Fera)
Taraji P. Henson and Terrence Howard (Empire)
Zac Efron and Anna Kendrick (Mike & Dave Need Wedding Dates)

MELHOR VILÃO:
Jeffrey Dean Morgan (The Walking Dead)

Allison Williams (Corra)
Demogorgon (Stranger Things)
Jared Leto (Esquadrão Suicida)
Wes Bentley (American Horror Story)

MELHOR HOST:
Trevor Noah (The Daily Show)
Ellen DeGeneres (The Ellen DeGeneres Show)
John Oliver (Last Week Tonight with John Oliver)
RuPaul (RuPaul’s Drag Race)
Samantha Bee (Full Frontal with Samantha Bee)

MELHOR DOCUMENTÁRIO:  
A 13ª Emenda (13th)
Eu Não Sou Seu Negro (I Am Not Your Negro)
O.J.: Made in America
This is Everything: Gigi Gorgeous
TIME: The Kalief Browder Story

MELHOR REALITY SHOW:
RuPaul’s Drag Race
America’s Got Talent
MasterChef Junior
The Bachelor
The Voice

MELHOR COMEDIANTE:
Lil Rel Howery (Corra)
Adam Devine (Workaholics)
Ilana Glazer e Abbi Jacobson (Broad City)
Seth MacFarlane (Uma Família da Pesada)
Seth Rogen (Festa da Salsicha)
Will Arnett (LEGO Batman: O Filme)

MELHOR HERÓI:
Taraji P. Henson (Estrelas Além do Tempo)
Felicity Jones (Rogue One: Uma História Star Wars)
Grant Gustin (The Flash)
Mike Colter (Luke Cage)
Millie Bobby Brown (Stranger Things)
Stephen Amell (Arrow)

MELHOR CHORORÔ:
This Is Us – Jack (Milo Ventimiglia) e Randall (Lonnie Chavis) no caratê
Game of Thrones – A morte de Hodor (Kristian Nairn)
Grey’s Anatomy – Meredith conta aos filhos sobre a morte de Derek (Ellen Pompeo)
Como Eu Era Antes de Você – Will (Sam Claflin) conta a Louisa (Emilia Clarke) que ele não pode ficar com ela
Moonlight: Sob a Luz do Luar – Paula (Naomie Harris) conta a Chiron (Trevante Rhodes) que o ama

PRÓXIMA GERAÇÃO:
Daniel Kaluuya
Chrissy Metz
Issa Rae
Riz Ahmed
Yara Shahidi

MELHOR DUPLA:     
Hugh Jackman e Dafne Keen (Logan)
Adam Levine and Blake Shelton (The Voice)
Daniel Kaluuya and Lil Rel Howery (Corra)
Brian Tyree Henry and Lakeith Stanfield (Atlanta)
Josh Gad and Luke Evans (A Bela e a Fera)
Martha Stewart and Snoop Dogg (Martha & Snoop’s Potluck Dinner Party)

hugh-jackman1.jpg

Hugh Jackman e Dafne Keen reinterpretando seus personagens de Logan no palco (pic by People.com)

MELHOR HISTÓRIA AMERICANA:
Blackish
Fresh Off the Boat
Jane the Virgin
Moonlight
Transparent

MELHOR LUTA CONTRA O SISTEMA:
Estrelas Além do Tempo
Corra
Loving
Luke Cage
Mr. Robot

TRENDING:
“Run The World (Girls)” Channing Tatum and Beyonce – “Lip Sync Battle”
“Sean Spicer Press Conference” feat. Melissa McCarthy – “Saturday Night Live”
“Lady Gaga Carpool Karaoke” – “The Late Late Show with James Corden”
“Cash Me Outside How Bout Dat” – “Dr. Phil”
“Wheel of Musical Impressions with Demi Lovato” – “The Tonight Show Starring Jimmy Fallon”
Winona Ryder’s Winning SAG Awards Reaction – 23rd Annual SAG Awards

MELHOR MOMENTO MUSICAL:
“You’re the One That I Want” – Ensemble (Grease: Live)
“Beauty and the Beast” – Ariana Grande and John Legend (A Bela e a Fera)
“Can’t Stop the Feeling” – Justin Timberlake (Trolls)
“How Far I’ll Go” – Auli’i Cravalho (Moana: Um Mar de Aventuras)
“City of Stars” – Ryan Gosling and Emma Stone (La La Land: Cantando Estações)
“You Can’t Stop” The Beat – Ensemble – (Hairspray Live!)
“Be That As It May” – Herizen Guardiola (The Get Down)

CANNES: Indicados à Palma de Ouro 2017

CANNES POSTER 2017

Pôster oficial do Festival de Cannes 2017 com a bela Claudia Cardinale

FESTIVAL MAIS IMPORTANTE DE CINEMA CHEGA À SUA 70ª EDIÇÃO

Bom, infelizmente, o festival de Cannes deste ano já começou com uma polêmica. Assim que o pôster oficial do evento (foto acima), estrelado pela atriz italiana e musa Claudia Cardinale, foi divulgado, a revista Elle do Reino Unido fez uma comparação com a foto original e revelou o uso do photoshop, acarretando numa onda de protestos pela internet. Eu não costumo dar bola para as críticas politicamente corretas, mas nesse caso, realmente não entendi o porquê da alteração. Considerada um dos maiores símbolos sexuais da década de 60 e 70, Cardinale já estava irretocável na foto original. E além disso, não se trata de uma capa de revista masculina (onde a prática é comum), mas estamos diante de um pôster de um evento de cinema no qual a atriz será homenageada! Mas enfim, parece que a própria Claudia Cardinale não se ofendeu, então bola pra frente.

Comparação do pôster com a foto original: cintura e pernas afinadas por edição.
pic by Bellica/Twitter

Este ano, o presidente do júri será o cineasta espanhol Pedro Almodóvar, que é conhecido por conceber personagens femininas (e transsexuais) singulares e tridimensionais em filmes como Tudo Sobre Minha Mãe, Fale com Ela e A Pele que Habito. “Estou muito feliz em comemorar o 70º aniversário do Festival de Cinema de Cannes nesta função tão privilegiada. Sou grato e honrado, e estou nervoso! Ser Presidente do Júri é uma grande responsabilidade e espero fazer jus às circunstâncias. Posso dizer que vou me dedicar de corpo e alma a esta tarefa, que é ao mesmo tempo um prazer e um privilégio”, declarou o diretor em entrevista. Curiosamente, Almodóvar nunca ganhou o prêmio máximo de Cannes, mas ganhou de Diretor e Roteiro.

PEDRO ALMODÓVAR CANNES

O presidente do júri de Cannes este ano: o diretor espanhol Pedro Almodóvar (pic by jornalcruzeiro.com.br)

Estariam preparando terreno para uma segunda Palma de Ouro para uma diretora? A primeira e única foi concedida à neozelandesa Jane Campion pelo poético O Piano, de 1993. Além das pistas do cartaz estrelado por Cardinale, e o júri presidido por um diretor que entende do universo feminino, temos uma boa seleção com obras dirigidas por mulheres. Das 49 produções selecionadas pelo festival, 12 têm diretoras femininas. Parece pouco, mas é um avanço bastante considerável. Claro que apoio maior participação feminina nas Artes, MAS não defendo cotas de qualquer tipo. Acho que os filmes e artistas devem ser reconhecidos de acordo com a qualidade de seus trabalhos, sejam feitos por homens, mulheres, transgêneros, negros, asiáticos, cristãos, judeus, muçulmanos etc. Enfim, acredito que o festival esteja encaminhando uma vitória importante feminina, mas torço para que a qualidade fílmica esteja acima de qualquer atitude politicamente correta.

Outra curiosidade que existe nesta edição é a ausência total de filmes produzidos por estúdios Hollywoodianos. Embora as celebridades estejam confirmadas no tapete vermelho como Nicole Kidman (que participa em 4 produções), Julianne Moore e Adam Sandler, não existem filmes de estúdio na seleção do festival como há muito não se via. Talvez seja alguma retaliação francesa, já que as produções hollywoodianas migraram para os festivais de Veneza e de Toronto no segundo semestre.

Contudo, a seleção americana apresenta fortes nomes para a competição: Sofia Coppola (The Beguiled), Noah Baumbach (The Meyerowitz Stories) e Todd Haynes (Wonderstruck). Já internacionalmente falando, temos o russo Andrey Zvyagintsev, o francês Michel Hazanavicius (sim, aquele mesmo de O Artista), os sul-coreanos Hong Sangsoo (que vem com dois filmes em mostras distintas) e o bastante versátil Bong Joon-ho (que volta a trabalhar com elenco internacional), o grego Yorgos Lanthimos (que concorreu ao Oscar de Roteiro Original com O Lagosta este ano) e o sempre polêmico alemão Michael Haneke (que pode vencer sua terceira Palma de Ouro com um filme bem pertinente sobre imigração).

Tilda Swinton em mais uma transformação no filme coreano Okja (pic by tomandlorenzo.com)

Destacando a presença feminina em Cannes, temos a japonesa Naomi Kawase (que muitos críticos acreditavam que merecia a Palma de Ouro em 2014 com O Segredo das Águas), a escocesa Lynne Ramsay (que marcou muito com sua direção em Ratcatcher) e a já citada americana Sofia Coppola, que faz uma releitura feminina do filme dirigido por Don Siegel e estrelado por Clint Eastwood: O Estranho que Nós Amamos (1971).

the beguiled nicole kidman

Nicole Kidman em cena de O Enganado (The Beguiled), de Sofia Coppola (pic by cine.gr)

Particularmente, estou de olho em dois nomes da mostra Un Certain Regard: o mexicano Michel Franco e o japonês Kiyoshi Kurosawa. Após assistir a três filmes do jovem Franco, passei a apreciar sua visão muito contemporânea do comportamento humano, que tende sempre à violência e à isolação. E quanto a Kurosawa, ele sabe explorar os problemas do mundo atual com uma atmosfera meio filosófica que tinha o antigo cinema nipônico. São dois cineastas que prevejo um amadurecimento inevitável e iminente, e por isso, são fortes candidatos a levar o prêmio da mostra.
.
DOIS ESTRANHOS NO NINHO
.
Nesta edição do festival, o diretor Thierry Frémaux decidiu acolher duas séries de televisão. Muito questionado pela imprensa por incluir um novo formato, ele se justificou da seguinte maneira: “Não vamos começar a discutir aqui o fato de que até as séries televisivas, a menos que provem o contrário, estão usando a forma clássica de filmagem e narração cinematográfica… Por estas duas séries (Top of the Lake e Twin Peaks) serem assinadas por Jane Campion e David Lynch (respectivamente), que são cineastas e amigos do festival de Cannes, que vamos exibir seus trabalhos.” – Olha, até a parte em que ele defende que as séries estão se apoderando da linguagem cinematográfica, Frémaux estava mandando bem, mas depois que defendeu um coleguismo, ele derrapou.

A diretora Jane Campion dá instruções para a atriz Elizabeth Moss na série Top of the Lake (pic by Tribeca Film Festival)

Não vejo problema algum em exibirem séries de TV bem conceituadas num festival de cinema, até mesmo porque as séries estão mais em alta hoje e agregando cineastas de peso como Lynch e Campion, que não têm mais credibilidade em grandes estúdios. Inclusive, existe uma tendência entre os festivais como Toronto, Sundance e Berlim de apresentarem uma seção específica para séries.

Ainda sobre novidades em Cannes, este ano teremos uma sessão mega especial de Realidade Virtual. Trata-se de uma nova linguagem que pode ou não ser o formato do futuro. O negócio é tão sério que chamaram o vencedor de dois Oscars Alejandro González Iñárritu para apresentar um curta de seis minutos intitulado Carne y Arena nesse formato virtual. Será que vinga? Não foram divulgadas maiores informações, mas pelo pôster dá pra deduzir que se trata de uma crítica social às imposições migratórias de Donald Trump. E não poderíamos esperar outra coisa do melhor diretor mexicano da atualidade.

Pôster do curta de realidade virtual de Alejandro González Iñárritu (pic by indiewire.com)

SELEÇÃO DO FESTIVAL DE CANNES 2017

FILME DE ABERTURA

Ismael’s Ghosts
Dir: Arnaud Desplechin

COMPETIÇÃO OFICIAL

  • 120 Beats per Minute
    Dir: Robin Campillo
  • O Estranho que Nós Amamos (The Beguiled)
    Dir: Sofia Coppola
  • The Day After
    Dir: Hong Sangsoo
  • A Gentle Creature
    Dir: Sergei Loznitsa
  • Good Time
    Dir: Benny Safdie & Josh Safdie
  • Happy End
    Dir: Michael Haneke
  • In the Fade
    Dir: Fatih Akin
  • Jupiter’s Moon
    Dir: Kornél Mundruczó
  • The Killing of a Sacred Deer
    Dir: Yorgos Lanthimos
  • L’amant double
    Dir: François Ozon
  • Le redoubtable
    Dir: Michel Hazanvicius
  • Loveless
    Dir: Andrey Zvyagintsev
  • The Meyerowitz Stories
    Dir: Noah Baumbach
  • Okja
    Dir: Bong Joon-Ho
  • Radiance
    Dir: Naomi Kawase
  • Rodin
    Dir: Jacques Doillon
  • Sem Fôlego (Wonderstruck)
    Dir: Todd Haynes
  • You Were Never Really Here
    Dir: Lynne Ramsay

MOSTRA UN CERTAIN REGARD

  • After the War
    Dir: Annarita Zambrano
  • April’s Daughter
    Dir: Michel Franco
  • Barbara
    Dir: Mathieu Amalric OPENER
  • Beauty and the Dogs
    Dir: Kaouther Ben Hania
  • Before We Vanish
    Dir: Kiyoshi Kurosawa
  • Closeness
    Dir: Kantemir Balagov
  • The Desert Bride
    Dir: Cecilia Atan & Valeria Pivato
  • Directions
    Dir: Stephan Komandarev
  • Dregs
    Dir: Mohammad Rasoulof
  • Jeune femme
    Dir: Léonor Serraille
  • L’Atelier
    Dir: Laurent Cantet
  • Lucky
    Dir: Sergio Castellitto
  • The Nature of Time
    Dir: Karim Moussaoui
  • Out
    Dir: Gyorgy Kristof
  • Western
    Dir: Valeska Grisebach
  • Wind River
    Dir: Taylor Sheridan

FORA DE COMPETIÇÃO

  • Blade of the Immortal
    Dir: Takashi Miike
  • How to Talk to Girls at Parties
    Dir: John Cameron Mitchell
  • Visages, Villages
    Dir: Agnès Varda & JR

EXIBIÇÕES DA MEIA-NOITE

  • Prayer Before Dawn
    Dir: Jean-Stéphane Sauvaire
  • The Merciless
    Dir: Byun Sung-Hyun
  • The Villainess
    Dir: Jung Byung-Gil

EXIBIÇÕES ESPECIAIS

  • 12 Jours
    Dir: Raymond Depardon
  • An Inconvenient Sequel
    Dir: Bonni Cohen & Jon Shenk
  • Claire’s Camera
    Dir: Hong Sangsoo
  • Demons in Paradise
    Dir: Jude Ratman
  • Napalm
    Dir: Claude Lanzmann
  • Promised Land
    Dir: Eugene Jarecki
  • Sea Sorrow
    Dir: Vanessa Redgrave
  • They
    Dir: Anahita Ghazvinizadeh

EVENTOS DO 70º ANIVERSÁRIO

  • 24 Frames
    Dir: Abbas Kiarostami
  • Come Swim
    Dir: Kristen Stewart
  • Top of the Lake
    Dir: Jane Campion
  • Twin Peaks
    Dir: David Lynch

REALIDADE VIRTUAL

  • Carne y arena
    Dir: Alejandro G. Iñárritu

***

A 70ª edição do Festival de Cannes acontece do dia 17 a 28 de maio de 2017.

ACADEMIA BUSCA SE RECOMPOR APÓS GAFE HISTÓRICA DO OSCAR 2017

PWC 1

O indivíduo vai distribuir apenas envelopes no Oscar e resolve tweetar… (pic by Andrew Walker/REX/ Shutterstock)

PWC brian-cullinan-tweet

… posta foto da Emma Stone pra ficar bem na fita com a galera… (pic by Brian Cullinan)

Fred Berger

… e depois vê a cagada que cometeu (pic by Chris Pizzello/Invision/AP)

ACADEMIA ANUNCIA ALGUMAS MEDIDAS POUCO EFICIENTES

Bom, nessa altura do campeonato, o mundo inteiro já sabe o que realmente aconteceu nos bastidores do Oscar e o anúncio de Melhor Filme: o responsável pela entrega dos envelopes, Brian Cullinan (nas fotos acima), estava tão distraído com o Twitter e tirando foto com Emma Stone, que acabou entregando o envelope errado. O tempo pode passar, mas a vergonha por esse erro crasso (não me venham com “Errar é humano”!) perdurará por toda a eternidade. Obviamente, a esperança da Academia é que esse acontecimento seja esquecido o mais breve possível, mas se depender das providências anunciadas…

Recentemente, os organizadores da Academia detalharam novos protocolos que evitariam uma nova catástrofe. Na teoria. Eles vão contratar um terceiro contador para checar os votos e entregar os envelopes. Esse novo contador saberá com antecedência os vencedores e poderá alertar o diretor da cerimônia em caso de falha. Além, claro, de dispensar Brian Cullinan e Martha Ruiz, os dois responsáveis do Oscar desse ano, e também vai proibir o uso de celulares nos bastidores.

Olha, são medidas válidas, mas não tem uma real efetividade para coibir erros. Pra mim, basicamente houve uma falha do funcionário que estava mais preocupado com sua popularidade no Twitter do que checar se o envelope estava correto. Não precisa ter mais uma pessoa pra checar envelopes. Isso até uma criança conseguiria fazer sozinha.

Contando com uma parceria que dura décadas, a empresa responsável pela contagem de votos e confecção dos envelopes, Pricewaterhouse Coopers, não foi punida pelo erro. Apenas seus dois funcionários foram demitidos. Com certeza, alguém tem costas quentes com a Academia.

Enfim, a maior gafe dos últimos anos foi concretizada, a Academia e a Pricewaterhouse pediram desculpas, mas uma das piores consequências foi sobre a relação entre Faye Dunaway e Warren Beatty, que apresentaram e anunciaram o Oscar de Melhor Filme para La La Land. Segundo relatos, já havia um certo tom de inimizade desde os tempos de Bonnie & Clyde – Uma Rajada de Balas (1967), que certamente se agravaram depois que Beatty inocentemente cedeu o envelope errado para Dunaway ler sem qualquer tipo de aviso. É triste que um acontecimento desse possa causar esse trauma a duas estrelas hollywoodianas que passaram dos 70 anos. Correm sério risco de morrerem brigados…

CATEGORIA DE ANIMAÇÃO PARA QUEM PAGAR MAIS

E agora a pior notícia até o momento: a Academia anunciou uma mudança que pode e deve distanciar produções menores da categoria de Longa de Animação. Abriu a votação de indicados para todos os membros da Academia, ao invés de ficar restrita ao comitê de Animação. Não querendo generalizar, mas convenhamos que a maioria dos membros da Academia não tem conhecimento mais profundo sobre animação, e deve ficar limitada a assistir apenas às grandes animações.

A razão dessa mudança certamente partiu de reclamações de grandes estúdios como Dreamworks, Disney e Pixar, que costumam gastar milhões, faturar alto nas bilheterias, mas que estão insatisfeitos e indignados que suas produções perdem vaga no Oscar para animações independentes pequenas até de outros países como A Tartaruga Vermelha, Minha Vida de Abobrinha e no ano passado, o brasileiro O Menino e o Mundo.

84th Academy Awards Nominations Announcement

Indicados ao Oscar de Longa de Animação do Oscar 2012. Competição sadia entre grandes e pequenos (pic by Just Jared)

Esse povo insatisfeito com a “injustiça” no Oscar, resolveu mexer os pauzinhos e a Academia está acatando. É realmente uma lástima essa alteração, pois de todas as categorias do Oscar, esta era a mais internacional (tirando, obviamente a de Melhor Filme Estrangeiro) e diversificada em termos de artistas, histórias e tamanho de produção. Se mais pessoas votarem, as chances dos menores ficarem de fora são maiores, pois quem não trabalha na área de animação, fica mais suscetível ao gosto popular e da publicidade dos grandes estúdios.

Particularmente, eu já estava indignado que a última animação estrangeira a vencer o Oscar foi A Viagem de Chihiro em 2002! Imagina agora com menos estrangeiros competindo? Enfim, é um passo dado para trás pela Academia, que se rende mais aos interesses econômicos do que artísticos.

Também vale ressaltar que a Academia passou a proibir que documentários extensos como o vencedor deste ano, O.J.: Made in America, sejam elegíveis nos próximos anos. Para quem não sabe, o documentário vencedor tinha mais de oito horas de duração, ou seja, tinha um formato original para televisão (em episódios).

CALENDÁRIO DO OSCAR ATÉ 2020

A Academia também anunciou o calendário de seus eventos para os próximos quatro anos.

OSCAR 2018: 04/03/18

OSCAR 2019: 24/02/19

OSCAR 2020: 23/02/20

OSCAR 2021: 28/02/21

A cerimônia de 2018 foi a única movida para o mês de março para que não coincida com os jogos olímpicos de inverno da Coréia do Sul, que encerram no dia 25 de fevereiro.

Apesar da gafe desse ano, os produtores do evento, Michael De Luca e Jennifer Todd, estão bem cotados para retornar em 2018, e com isso, existem grandes chances de Jimmy Kimmel voltar como host. Para a próxima edição, a Academia já divulgou as principais datas:

Os produtores do Oscar 2017: Jennifer Todd e Michael De Luca devem retornar em 2018. Pic by The New York Times

11/11/2017 (sábado)
Governors Awards

05/01/2018 (sexta)
Início da votação de indicados

12/01/2018 (sexta)
Término de votação de indicados

23/01/2018 (terça)
Anúncio dos Indicados ao Oscar

05/02/2018 (segunda)
Almoço dos Indicados ao Oscar (Oscar Luncheon)

10/02/2018 (sábado)
Scientific and Technical Awards

20/02/2018 (terça)
Início da votação final

27/02/2018 (terça)
Término da votação final

28/02/2018 (quarta)
The Oscar Concert

04/03/2018 (domingo)
90ª cerimônia do Oscar

Em noite de lambança histórica, ‘MOONLIGHT’ tira o Oscar de ‘LA LA LAND’

moonlight-mistake-la-la-land-oscars-2017-4c9f107a-c74f-4680-91fd-44a0df7cd59c

O produtor de La La Land, Jordan Horowitz, revela o real conteúdo do envelope: “Moonlight”. Warren Beatty e Jimmy Kimmel com sorrisos amarelos e já com dor de cabeça…

GAFE HISTÓRICA TERIA SE ORIGINADO EM TROCA DE ENVELOPES

Em 89 anos de história e há 20 anos que acompanho o Oscar, nunca vi uma lambança que nem essa que aconteceu na entrega de Melhor Filme. No final da cerimônia, o casal Faye Dunaway e Warren Beatty, que estava celebrando 50 anos do clássico Bonnie & Clyde (1967), revelou La La Land como o grande vencedor da noite, mas alguém do evento avisou que o resultado era outro, e o próprio produtor de La La Land corrigiu o erro ao vivo, repassando o Oscar para Moonlight. Logo em seguida, Warren Beatty contou que seu envelope estava escrito “Emma Stone (La La Land)”, que Dunaway leu sem restrição alguma. Jamais esperei esse erro por parte da Academia… Foi Momento Miss Universo no Oscar! Tanto que Jimmy Kimmel até brinca: “Eu particularmente culpo Steve Harvey por isso!”

oscar-moonlight-4000

Os produtores Jeremy Kleiner, Adele Romanski e Barry Jenkins posam com as estatuetas por Moonlight (pic by theguardian.com.uk)

Enfim, parabéns pela humildade do produtor Jordan Horowitz e para a equipe de Moonlight. Ainda estou chocado com a gafe e acredito que ela ainda vai render por vários anos até teorias conspiratórias… Não concordo com esse prêmio, mas entendo as pessoas que gostaram e se emocionaram com o filme de Barry Jenkins, assim como entendo o recado que a Academia quis dar em relação às críticas racistas e ao próprio presidente Donald Trump e sua política extremista. Moonlight também levou os Oscars de Roteiro Adaptado e Ator Coadjuvante para Mahershala Ali.

Pra quem quiser ver ou rever a cena:

Faye Dunaway e Warren Beatty lêem errado e Moonlight leva Melhor Filme

De uma forma geral, felizmente, os vencedores foram mais imprevisíveis. Além da já citada categoria de Melhor Filme, dá pra citar Montagem e Som para Até o Último Homem, Maquiagem para Esquadrão Suicida, Figurino para Animais Fantásticos e Filme em Língua Estrangeira para o iraniano O Apartamento. O campeão de indicações desta edição, La La Land, ficou com seis estatuetas. Por mais que eu tenha gostado de um filme, acho mais bacana quando a Academia pulveriza seus prêmios com mais filmes do que acumular um monte para apenas um filme, pois além de reconhecer mais trabalhos, dá a chance de eles serem mais vistos pelo simples fato de terem ganhado um Oscar.

Desse modo, a premiação de Efeitos Sonoros para A Chegada foi excepcional. Por se tratar de uma ficção científica moderna, precisava ser reconhecida pela Academia de alguma forma. Embora tenha sido premiado apenas numa categoria menor, o filme de Denis Villeneuve pode render mais projeção.

A CERIMÔNIA

Host pela primeira vez, Jimmy Kimmel procurou ser autêntico, mas acredito que ele buscou referências bem-sucedidas como Ellen DeGeneres. Os organizadores trouxeram um grupo de excursão para dentro do Dolby Theater durante a cerimônia do Oscar para gerar uma surpresa. Foi uma idéia diferente, mas ficou bem borocoxô. Quem sabe se fossem crianças ou estudantes de cinema… cinéfilos, sei lá. Kimmel não parecia ter roteiro algum pra situação e por isso, a atração não teve o impacto desejado. E ficou mais com cara de que pareciam atores encenando surpresa, então perdeu a autenticidade do negócio. Tentaram reproduzir aquele momento do entregador de pizzas de 2014 com a Ellen DeGeneres, mas sem o mesmo brilho da apresentadora.

oscar-excursion-3161

Excursão para o Oscar: não funcionou na prática

Engraçado que eles gastaram um baita tempão para esse quadro, cerca de uns 4 minutos?, mas não podiam gastar 30 segundos para trazer os homenageados do Oscar Honorário para o palco e receber uma salva de palmas. Eles tiveram que se contentar com o camarote na lateral.

Jimmy Kimmel também pecou no excesso de piadas com o ator Matt Damon, com quem tem uma relação de humor há onze anos, iniciada em seu próprio programa televisivo. Nesse dia, após um programa com uma série de erros, o host teria pedido desculpas ao final para Matt Damon. “Ele foi o primeiro nome que me veio à cabeça. Procurei pensar numa estrela de primeira grandeza, daquelas que nunca recusaríamos num programa…”, revelou Kimmel. Contudo, acertou ao postar ao vivo tweets para o presidente Donald Trump como: “Hey, Trump. U up? (Ei, Trump. Está acordado?) e, claro, suas tiradas no monólogo como “Não sei se é algo popular a se dizer, mas eu quero agradecer o presidente Trump. Quero dizer, vocês se lembram do ano passado em que o Oscar parecia ser racista?” e “Foi um ano excepcional para os filmes. Os negros salvaram a NASA e os brancos salvaram o jazz”.

Já a melhor coisa da noite foram as homenagens antes das apresentações. Começou com um videoclipe da atriz Charlize Theron reassistindo Se Meu Apartamento Falasse num cinema e falando bem do filme de Billy Wilder e principalmente de Shirley MacLaine, para logo em seguida, as duas surgirem no palco para apresentar uma categoria. Como Hollywood é feito por gerações de artistas, nada mais apropriado do que unir essas gerações no próprio Oscar.

As outras duas homenagens foram: de Seth Rogen para Michael J. Fox em De Volta Para o Futuro, e de Javier Bardem para Meryl Streep em As Pontes de Madison. Sou super a favor de fazerem isso mais vezes nos próximos anos, porque assim é possível saber o que um ator ou atriz tem a dizer sobre um filme ou performance cultuada e vê-lo(la) interagir com o artista em si.

seth rogen e michael j fox4745.jpg

Seth Rogen chega de DeLorean com Michael J. Fox no palco do Oscar

Também vale ressaltar outro videoclipe intitulado “Movies Around the World” (Filmes ao redor do mundo), no qual vemos vários estrangeiros falando sobre o papel dos filmes e o que eles significam para cada um, para depois citar favoritos. Acho bastante válido a Academia buscar essa interação com o resto do mundo, porque cinema sempre foi e sempre será uma linguagem universal. Só acho que deveriam também espalhar esse amor pelo resto do mundo ao expandir para 10 indicados o Oscar de Filme em Língua Estrangeira!! Nesse clipe, houve as participações do ator Lázaro Ramos (ue falou bem de O Poderoso Chefão e Faça a Coisa Certa) e de Seu Jorge, mas houve uma falha técnica e o TNT ficou fora do ar por quase 2 minutos.

IMPRESSÕES PESSOAIS

Já que Mahershala Ali praticamente ganhou o Oscar por causa de seu discurso de orgulho por ter raízes muçulmanas no SAG Awards, eu estava esperando um baita discurso nessa linha e que ele lançasse o primeiro ataque a Trump por bloquear a entrada de civis de países muçulmanos. Mas não foi isso que vimos…

Felizmente, Viola Davis salvou a noite com um belíssimo discurso. Não apenas pelas palavras, mas a mulher sabe dizê-las com poder! Ela dedica o prêmio ao dramaturgo August Wilson, autor de “Fences”, e agradece por trabalhar numa profissão que exalta a vida de pessoas comuns, com seus sonhos não-concretizados e paixões perdidas.

Pela categoria de Filme em Língua Estrangeira, com o anúncio de que o diretor Asghar Farhadi não compareceria ao Oscar por causa de Trump, muitos especialistas no assunto passaram a acreditar que ele ganharia, batendo o favorito alemão Toni Erdmann. Não sei quanto ao resultado, porque honestamente não vi o filme iraniano, mas independente da qualidade, o discurso do ausente Asghar Farhadi lido no palco foi fenomenal! Nele, Farhadi acredita que quando se divide o mundo entre nós e o inimigo, cria-se o medo. E, realmente, não é assim que se resolve o problema do terrorismo, Trump.

Em relação aos prêmios de música, John Legend cantou as duas canções de La La Land numa espécie de mix no lugar dos astros Ryan Gosling e Emma Stone, que tiveram receio de falhar ao vivo, já que não são cantores profissionais. Pra sorte deles, as canções já estavam praticamente com as mãos no prêmio, então a apresentação em si não iria interferir no resultado. Dentre as canções apresentadas, muito ponto positivo para Justin Timberlake que já entrou com tudo no teatro e colocou todo mundo pra dançar com sua performance de “Can’t Stop the Feeling”. Foi um jeito bem despojado de começar o Oscar! Já pela qualidade de canto, destaque para Auli’i Cravalho por sua linda voz ao cantar “How Far I’ll Go” de Moana.

Dos demais prêmios, embora preferia o roteiro de A Qualquer Custo, gostei da vitória de Kenneth Lonergan por Manchester à Beira-Mar, assim como a vitória de Casey Affleck como Melhor Ator. Pra mim, só faltou Isabelle Huppert ter levado Melhor Atriz, mas enfim era o ano de Emma Stone…

Actors Oscar 2017.jpg

Vencedores nas categorias de atuação: Mahershala Ali, Emma Stone, Viola Davis e Casey Affleck.

DETALHES DE ÚLTIMA HORA

Bom, como virei a noite pra poder finalizar o post sobre o Oscar, algumas coisas ficaram de fora, mas acho importante relatar aqui.

Primeiramente, sobre o incidente do envelope de Melhor Filme, foi uma pena. É nessas horas que a gente vê como um erro bobo pode arruinar toda uma cerimônia meticulosamente bem planejada. Ao pessoal de La La Land ficou uma sensação de ridículo, de humilhação pública, mas que foi muito bem contornada pelo produtor Jordan Horowitz que assumiu as rédeas num momento delicado para fazer justiça. Sim, o negócio poderia ficar bem mais feio. E mesmo com a vitória, o pessoal de Moonlight ficou com um peso estranho nas costas que acaba roubando o brilho do momento. O mesmo pode se dizer sobre a vitória de Emma Stone, porque na sala de imprensa, ela mais respondia perguntas sobre o paradeiro do envelope de Melhor Atriz (que foi indevidamente lido por Warren Beatty e Faye Dunaway) do que sobre sua gloriosa vitória.

Ainda sobre erros, a 89ª cerimônia do Oscar cometeu outra gafe, menos gritante que a da troca de envelope, mas não menos grave. Na costumeira homenagem In Memoriam aos artistas falecidos, quando o nome da figurinista Janet Patterson surge, a foto não é dela, mas de uma amiga e colaboradora chamada Jan Chapman, com quem trabalhou nos figurinos de O Piano (1993). Imaginem a reação da confundida! “Fiquei devastada com o uso de minha imagem no lugar de minha grande amiga e colaboradora de longa data Janet Patterson. Cobrei à agência uma foto dela que pudesse ser usada, mas fui informada de que a Academia já havia conseguido. Janet era muito bonita e foi indicada quatro vezes ao Oscar, então é muito frustrante que o erro não foi consertado a tempo. Estou viva, bem, e sou uma produtora em atividade.”

janet-patterson-obit-mistake

Trecho de videoclipe In Memoriam, em que a foto da produtora Jan Chapman aparece como sendo a figurinista Janet Patterson. GAFE!

Sobre as coisas que esqueci, faltou mencionar a primeira vitória do sound mixer Kevin O’Connell, que era considerado até ontem o maior perdedor do Oscar com 20 indicações sem nenhuma vitória. Ele venceu por sua 21ª indicação pelo filme Até o Último Homem, de Mel Gibson. Assim, ele finalmente passa a tocha de “loser” para outro artista, provavelmente, seu colega de área Greg P. Russell, que havia conquistado sua 17ª indicação, mas que foi revogada pela presidente da Academia por ter feito lobby. Entre outros recordistas de indicações sem vitória estão o compositor Thomas Newman (14 indicações) e o diretor de fotografia Roger Deakins (13 indicações).

kevin-oconnell-academy_awards_ap_2017

À esquerda, Kevin O’Connell ficou tão feliz com sua primeira vitória após 21 indicações que dominou o microfone, mesmo com três colaboradores ao lado

A vitória de Colleen Atwood por Animais Fantásticos e Onde Habitam na categoria de Figurino foi considerada uma surpresa, já que as apostas indicavam La La Land ou Jackie, portanto, os votos podem ter se dividido e dado espaço para Atwood. Com essa vitória, ela conquistou sua 4ª estatueta do Oscar, igualando-se à Milena Canonero como vice-campeã de vitórias no Oscar. A maior recordista de todos os tempos permanece a eterna Edith Head, que venceu oito vezes.

VENCEDORES DO 89th ACADEMY AWARDS:

MELHOR FILME
Moonlight: Sob a Luz do Luar (Moonlight)

MELHOR DIRETOR
Damien Chazelle (La La Land)

MELHOR ATOR
Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar)

MELHOR ATRIZ
Emma Stone (La La Land)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Mahershala Ali (Moonlight)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Viola Davis (Um Limite Entre Nós)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Kenneth Lonergan (Manchester à Beira-Mar)

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Barry Jenkins (Moonlight)

MELHOR FOTOGRAFIA
Linus Sandgren (La La Land)

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
David Wasco, Sandy Reynolds-Wasco (La La Land)

MELHOR MONTAGEM
John Gilbert (Até o Último Homem)

MELHOR FIGURINO
Colleen Atwood (Animais Fantásticos e Onde Habitam)

MELHOR MAQUIAGEM E CABELO
Alessandro Bertolazzi, Giorgio Gregorini, Christopher Allen Nelson (Esquadrão Suicida)

MELHOR TRILHA MUSICAL ORIGINAL
Justin Hurwitz (La La Land)

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“City of Stars”, de Justin Hurwitz, Benj Pasek, Justin Paul (La La Land)

MELHOR SOM
Kevin O’Connell, Andy Wright, Robert Mackenzie, Peter Grace (Até o Último Homem)

MELHORES EFEITOS SONOROS
Sylvain Bellemare (A Chegada)

MELHORES EFEITOS VISUAIS
Robert Legato, Adam Valdez, Andrew R. Jones, Dan Lemmon (Mogli: O Menino Lobo)

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
O Apartamento, de Asghar Farhadi (IRÃ)

MELHOR ANIMAÇÃO
Zootopia, de Byron Howard e Ron Clements

MELHOR DOCUMENTÁRIO
O.J.: Made in America, de Ezra Edelman

MELHOR DOCUMENTÁRIO-CURTA
The White Helmets

MELHOR CURTA-METRAGEM
Mindenki

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO
Piper

 

APOSTAS PARA O OSCAR 2017: O Ano de ‘LA LA LAND’

Pôster oficial do Oscar 2017, com o host Jimmy Kimmel

Pôster oficial do Oscar 2017, com o host Jimmy Kimmel

EM SUA 89ª EDIÇÃO, O OSCAR PODE VOLTAR A PREMIAR UM MUSICAL APÓS 14 ANOS

Yes, it’s Oscar time! Infelizmente, este ano coincidiu com o Carnaval, este evento anual que é responsável por ruas públicas urinadas, e com isso, a Globo, que é detentora dos direitos de transmissão, não deve passar ao vivo porque o Carnaval é mais importante, né gente? Primeiro vem o Carnaval, em segundo o Big Brother e se sobrar tempo, vem o Oscar. Aí eu pergunto: Por que não deixar outra emissora aberta transmitir? Porque a Globo não gosta de concorrência.

Enfim, felizmente, o Oscar pode contar com a TNT, que aliás, iniciará sua transmissão a partir das 21h, horário de Brasília, quando teremos o famoso tapete vermelho e as entrevistas. Para quem ouve a faixa de áudio com tradução simultânea, poderá contar com os comentários de Rubens Ewald Filho e Domingas Person. Como a tradução mais atrapalha do que ajuda, prefiro sempre ouvir em áudio original em inglês.

HOST: JIMMY KIMMEL

É difícil prevermos se um host mandará bem ou não no Oscar, por isso, os produtores do evento costumam fazer apostas mais seguras, convidando profissionais que lidam com humor de stand up como Chris Rock ou que tenham os próprios talk shows como David Letterman. Das poucas vezes que arriscaram, os resultados foram desastrosos: em 2010, a dupla Steve Martin e Alec Baldwin; e em 2011, a dupla mais sem química de todas Anne Hathaway e James Franco. Honestamente, até hoje não entendo quem teve a brilhante idéia de fazer essa combinação.

Os produtores desta 89ª cerimônia, Michael de Luca e Jennifer Todd, foram no safe bet (aposta segura) com Jimmy Kimmel. Seu talk show, o Jimmy Kimmel Live!, trabalha bem com sátiras de filmes e assim como o Oscar, é transmitido ao vivo, o que lhe garante experiência nos possíveis imprevistos. Além disso, Kimmel já foi host do Emmy Awards duas vezes. Espero que ele faça uma ótima apresentação, porque 3 horas de show tem que saber não deixar a peteca cair! Mas se dependesse de mim, pediria o retorno de Jon Stewart (ele seria perfeito nesse momento de turbulências políticas de Trump!), ou se fosse pra “estrear” alguém, chamaria Jim Carrey, que sempre foi muito bem nas apresentações de prêmios do Oscar e Globo de Ouro.

A 89ª EDIÇÃO DO OSCAR

Após conferir todos os nove filmes indicados a Melhor Filme, consegui chegar a um veredito pessoal. Claro que alguns vão concordar e outros podem discordar, afinal, estamos falando de Arte, que pode ser interpretada de acordo com cada espectador. De todos os nove, se eu fosse membro da Academia, votaria no western moderno A Qualquer Custo. Trata-se de um filme bem realizado, com uma direção segura e minimalista de David Mackenzie (que infelizmente não foi indicado), todo o elenco apresenta performances acima da média, inclusive os quase figurantes em cena, os personagens são ricos e complexos, e gera reflexão enquanto expõe o país do pós-crise econômica e nos diverte com suas piadas politicamente incorretas proferidas pelo personagem Marcus Hamilton (Jeff Bridges). Não entendi como Ben Foster não estava entre os indicados a Ator Coadjuvante.

hell-or-high-water-mit-chris-pine-und-ben-foster

A Qualquer Custo (Hell or High Water)

Mas ao mesmo tempo, entendo o hype em torno de La La Land, que concorre a 14 Oscars. Primeiramente, é um dos bons exemplares do gênero musical, que predominava na Hollywood dos anos 50 e 60. Fazer um musical bem feito hoje em dia é para poucos. Não contamos mais com Fred Astaire, Ginger Rogers e Gene Kelly pra ajudar o musical a brilhar. Mas acima da qualidade fílmica em si, o filme de Damien Chazelle merece os láureos da temporada por saber dialogar sobre o sonho artístico. E não precisa ter feito faculdade ou trabalhado com Artes pra ser pego por La La Land, afinal, quem nunca teve o sonho de viver de Arte? Fazer um filme, pintar quadros, fazer exposições com suas fotos, ser cantor! Depois de conferirmos La La Land, é possível entender um pouco melhor os percalços de cada aspirante a artista, seja em Hollywood, seja na Índia.

la-la-land-mit-ryan-gosling-und-emma-stone

La La Land: Cantando Estações (La La Land)

Se A Chegada vencesse o Oscar de Melhor Filme, não seria nada injusto. Primeiramente, porque o gênero da ficção científica sempre foi considerado como Filme B pela Academia, tanto que nunca foi premiado como Melhor Filme em 88 anos de história. E em segundo lugar, o filme de Denis Villeneuve é mais do que um mero sci-fi. Aproveitando-se de uma história de invasão alienígena, ele cria uma análise do poder da comunicação entre povos como antítese da guerra. Em tempos de extrema direita de Donald Trump, em que imigrantes estão sendo deportados por pertencerem à religião muçulmana e de sete países do Oriente Médio, percebe-se claramente que está havendo uma falta de comunicação entre as nações. Embora tenha seu diretor indicado, a campanha do filme perdeu um pouco de sua força quando sua protagonista vivida por Amy Adams foi excluída da categoria de Melhor Atriz.

arrival-mit-amy-adams

A Chegada (Arrival)

Entre os filmes indies, o novo filme de Kenneth Lonergan, Manchester à Beira-Mar, foi um dos grandes destaques da temporada. Favorito nas categorias de Roteiro Original e Ator, o longa realmente tem seus maiores méritos justamente nesses dois campos. Com ampla experiência em peças, Lonergan consegue tecer uma história poderosa sobre perdas e traumas familiares, sem cair nos chavões dramáticos do subgênero. Mesmo numa história sobre luto, ele consegue criar momentos de ótimo humor negro, elemento esse que casou muito bem com a performance introspectiva de Casey Affleck. Na verdade, o elenco todo está bem equilibrado, já que Lucas Hedges se contrapõe a Affleck com sua energia, e Michelle Williams consegue extrair um pouco do passado tenebroso com sua sensibilidade.

manchesterbythesea_affleckhedgescropped_0

Manchester à Beira-Mar (Manchester by the Sea)

 

Quanto ao filme de guerra Até o Último Homem, acredito que a indicação em si teve dois propósitos. Primeiramente, a Academia sempre gosta de preencher uma cota de filme de mocinho. A história verídica do soldado que nunca pegou numa arma, mas salvou várias vidas tinha de ser contada. E em segundo, a Academia gosta de perdoar artistas numa tentativa de causar uma redenção. Foi assim com problemáticos como Robert Downey Jr. e Sean Penn. Aqui é Mel Gibson, que nos últimos anos, soltou declarações polêmicas anti-semitas em situações constrangedoras, como quando foi pego bêbado pela polícia. Acho um bom filme, consistente, bem filmado por Gibson, mas peca pelo excesso nítido de Cristianismo. Daria pra dizer que é um filme patrocinado pela Igreja Cristã de tantas menções bíblicas e a forte inclinação do protagonista vivido por Andrew Garfield.

hacksaw-ridge-mit-andrew-garfield

Até o Último Homem (Hacksaw Ridge)

Em relação a Lion: Uma Jornada Para Casa e Um Limite Entre Nós, vejo um problema grave de adaptação. Vamos partir do princípio fundamental de que Cinema, Literatura e Teatro são formas de Arte distintas entre si. Cada meio de comunicação tem suas características muito próprias que precisam ser respeitadas para que funcionem. Nem tudo o que funcionou no livro vai funcionar no filme, assim como tudo o que funcionou numa peça vai funcionar no filme. Embora sejam duas histórias que precisavam ser contadas (Lion é sobre um rapaz indiano que encontra sua mãe biológica depois de vários anos, e Um Limite Entre Nós faz um belo estudo sobre a vida suburbana num bairro negro nos anos 60), faltou alguém que lapidasse as coisas que não funcionam em cinema.

lion-mit-nicole-kidman-rooney-mara-david-wenham-dev-patel-und-divian-ladwa

Lion: Uma Jornada Para Casa (Lion)

Em Lion, o segundo ato é totalmente ineficiente. Temos um ótimo começo e um ótimo final, mas o desenvolvimento da trama simplesmente nos faz engolir alguns acontecimentos por serem verídicos. Além disso, a personagem de Rooney Mara, apesar de ser real também, poderia ter sido cortada por completo, pois além de um papel mal escrito, não ajuda em nada a avançar a trama. Já em Um Limite Entre Nós, não tem como assistir ao filme sem pensar na peça de teatro. Eu mesmo ficava imaginando a história toda encenada num palco. Claro que não se trata apenas de um cenário confinando os personagens, mas a história toda se baseia em texto (diálogos bem defendidos pelos atores, especialmente Viola Davis, que tem dois monólogos), e Cinema é texto transformado em ação. Até movimentos de câmera foram economizados e a adaptação ficou essa coisa pobre. O texto original de August Wilson merecia um tratamento melhor pras telas. Honestamente, não entendi alguns críticos defendendo reconhecimento de Denzel Washington como diretor…

fences-2

Um Limite Para Nós (Fences)

Falando em coisas que não entendi foi o alto reconhecimento para Moonlight: Sob a Luz do Luar, começando pelo roteiro de Barry Jenkins. Ele reúne temas fortes e polêmicos como homossexualidade e drogas, mas os trata de forma superficial, quase estereotipada. Temos uma mãe viciada que maltrata seu filho, que passa a ser cuidado por um ex-traficante, e ao amadurecer, descobre-se homossexual e sofre bullying por sua opção sexual. Essa reunião de elementos me pareceu muito didática com soluções muito simples, algo comum para diretores em processo de formação. Obviamente, há méritos isolados como a atuação de Mahershala Ali, que merecia mais tempo de filme, e a trilha musical de Nicholas Britell, mas no geral considero uma produção superestimada, e muito provavelmente só está em alta por pegar carona com a polêmica do #OscarSoWhite. A Academia precisava eleger um filme que pudesse responder às críticas que sofreu ano passado e optou por este. Contudo, quero deixar bem claro que não estou criticando Moonlight por seus temas (antes que venham comentários politicamente corretos), mas a forma como os temas foram trabalhados. Já vi e gostei de inúmeros filmes que abordam o mesmo universo, porém de um jeito mais maduro e consistente como o Querelle, do Fassbinder, por exemplo, ou os mais recentes como Mistérios da Carne, Direito de AmarWeekend. Pode ser que lá pra frente Barry Jenkins se torne um bom diretor, pois tem potencial, mas por enquanto é cedo demais para tanto.

moonlight-mit-mahershala-ali-und-alex-r-hibbert

Moonlight: Sob a Luz do Luar (Moonlight)

E por último, apesar de ser mega convencional, Estrelas Além do Tempo funciona. De todos os filmes de temática negra é o que mais sabe valorizar a raça com personagens fortes e uma história sensacional e verídica de moças negras que ajudaram a NASA a levar John Glenn ao espaço com seus conhecimentos técnicos.É uma fórmula batida? Sim, mas está bem aplicada. Não sei se merecia o posto de indicado a Oscar de Melhor Filme, mas pelo menos é honesto. Não entendi bem a indicação isolada para Octavia Spencer, já que todas as atrizes estão bem, embora Taraji P. Henson tenha o papel mais tridimensional por ser a protagonista de fato. Enfim, é uma história edificante que a Academia adora reconhecer, mesmo sendo quadrado.

hidden-figures-unerkannte-heldinnen-mit-octavia-spencer-taraji-p-henson-und-janelle-monae-1

Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures)

MELHOR FILME

  • A Chegada (Arrival)
  • Um Limite Entre Nós (Fences)
  • Até o Último Homem (Hacksaw Ridge)
  • A Qualquer Custo (Hell or High Water)
  • Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures)
  • La La Land: Cantando Estações (La La Land)
  • Lion: Uma Jornada Para Casa (Lion)
  • Manchester à Beira-Mar (Manchester by the Sea)
  • Moonlight: Sob a Luz do Luar (Moonlight)
La La Land: A Última Estação (La La Land)

La La Land: Cantando Estações (La La Land), de Damien Chazelle

DEVE GANHAR: La La Land
DEVERIA GANHAR: La La Land
ZEBRA: A Qualquer Custo

ESNOBADO: Animais Noturnos

Este ano, a Academia decidiu praticamente reproduzir a lista de indicados do PGA (sindicato de produtores), com a única exceção de Deadpool, injustamente excluído. Embora o filme do personagem da Marvel tenha se saído bem na temporada, com participações no Critics’ Choice, Globo de Ouro e no próprio PGA, não conseguiu furar o bloqueio do conservadorismo dos votantes da Academia. Eles ainda têm aversão a adaptações de quadrinhos, mesmo depois de ser severamente criticada com a não-indicação de Batman: O Cavaleiro das Trevas em 2009.

Se Histórias em Quadrinhos ainda é um subgênero que não merece o respeito da Academia, por que não indicar Animais Noturnos? Apesar de se tratar apenas do segundo longa de Tom Ford (que merecia uma indicação de Roteiro Adaptado), o filme é marcante pela tensão das cenas. Teria sido tenso demais para os corações dos votantes mais idosos?

Quanto aos resultados, de acordo com o histórico da temporada, o musical La La Land deve ganhar sem maiores sustos, já que levou o Globo de Ouro, o PGA e o BAFTA. Como a Academia adora premiar filmes que tem como tema Hollywood (O Artista, por exemplo) e o universo dos atores (Birdman), o musical é nada mais, nada menos do que a junção das duas coisas. A única ameaça atende pelo nome de Moonlight, que pode surpreender no caso dos quase 7 mil membros decidirem responder às críticas racistas do ano passado.

MELHOR DIRETOR

  • Damien Chazelle (La La Land)
  • Mel Gibson (Até o Último Homem)
  • Barry Jenkins (Moonlight)
  • Kenneth Lonergan (Manchester à Beira-Mar)
  • Denis Villeneuve (A Chegada)

la-la-land-mit-emma-stone-und-damien-chazelle

DEVE GANHAR: Damien Chazelle (La La Land)
DEVERIA GANHAR: Denis Villeneuve (A Chegada)
ZEBRA: Mel Gibson (Até o Último Homem)

ESNOBADO: David Mackenzie (A Qualquer Custo)

Após as vitórias no Critics’ Choice, Globo de Ouro e no próprio sindicato de diretores (DGA), fica praticamente impossível Damien Chazelle não levar seu primeiro Oscar aos 32 anos, e se tornar o mais jovem profissional a ganhar nesta categoria. “Ah, mas ele não é muito jovem para ganhar?” – alguns podem se questionar. Sim, ele pode ter a idade de um artista em formação, mas para quem viu La La Land, sabe que estava diante de um trabalho altamente profissional e excepcional. Como um bom discípulo de Quentin Tarantino, ele se apoiou em inúmeras referências que vão desde Amor Sublime Amor até Os Guarda-Chuvas do Amor, já que apostar no gênero consagrado por ícones do cinema, tinha altas probabilidades de ser um projeto fracassado.

A zebra ficou com Mel Gibson, porque ele foi o elemento surpresa da categoria e também porque foi o único da lista que fora indicado previamente (e ganhou por Coração Valente em 1996). Sua indicação já foi vista por muitos como um perdão aceito pela Academia em relação às declarações anti-semitas dele. A respeito da direção dele, acho que ele pecou em dois aspectos: o excesso de Cristianismo (o filme parece patrocinado pela Igreja), e a questão da unidade, já que a primeira e a segunda metade são filmes bem diferentes.

hell-or-high-water-mit-david-mackenzie

David Mackenzie

Apesar dos diretores ausentes mais comentados serem Tom Ford (Animais Noturnos) e Garth Davis (Lion), meu voto de maior ausência aqui vai para a direção mais minimalista e eficiente de David Mackenzie. Bastante conciso, ele consegue contar uma boa história, dirigir muito bem todos os seus atores (desde os protagonistas até os quase-figurantes) e ainda construir um poderoso reflexo da crise econômica que desolou os EUA sem soar piegas. Responsável por bons dramas independentes desde os anos 90, uma indicação aqui não apenas reconheceria sua filmografia, mas poderia proporcionar projetos ainda mais ambiciosos e até lhe dar carta branca com o estúdio.

MELHOR ATOR

  • Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar)
  • Andrew Garfield (Até o Último Homem)
  • Ryan Gosling (La La Land)
  • Viggo Mortensen (Capitão Fantástico)
  • Denzel Washington (Um Limite Entre Nós)
Segundo críticos, Casey Affleck entrega a performance de sua vida em Manchester à Beira-Mar (photo by moviepilot.de)

Segundo críticos, Casey Affleck entrega a performance de sua vida em Manchester à Beira-Mar (photo by moviepilot.de)

DEVE GANHAR: Denzel Washington (Um Limite Entre Nós)
DEVERIA GANHAR: Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar)
ZEBRA: Viggo Mortensen (Capitão Fantástico)

ESNOBADO: Adam Driver (Paterson)

Quando a temporada começou, Casey Affleck ganhou importantes prêmios de Ator como o National Board of Review, o NYFCC e o Globo de Ouro, mas nas últimas semanas, teve seu reinado ameaçado com a vitória de Denzel Washington no SAG Awards. Como todos sabem, uma vitória no sindicato de atores é meio Oscar ganho, pois boa parte dos votantes do sindicato também votam na Academia. O único porém nessa história é que Denzel nunca havia vencido o SAG em 22 anos de existência, fato que teria colaborado com sua primeira vitória.

Já no Oscar, vale lembrar que o ator já conquistou duas estatuetas: Coadjuvante por Tempo de Glória em 1990 e Ator por Dia de Treinamento em 2002, e se ganhar a terceira, juntar-se-á um seleto grupo de atores que inclui Jack Nicholson e Meryl Streep. Particularmente, não acho que ele mereça tudo isso, pois vejo que ele tem algumas limitações como ator, começando com suas escolhas restritas de papéis, normalmente de personagens arrogantes e rebeldes. E para quem conferiu Manchester à Beira-Mar, sabe que estava diante de uma performance contida e repleta de nuances, que apenas o cinema poderia proporcionar. Infelizmente, levantaram um suposto incidente envolvendo atitudes machistas de Casey Affleck em set de filmagens, que podem prejudicar seu favoritismo. E, honestamente, ele poderia se ajudar nas premiações, sendo mais alegre e grato. Já que ele é ator, poderia pelo menos fingir que realmente gostou de ser reconhecido!

MELHOR ATRIZ

  • Isabelle Huppert (Elle)
  • Ruth Negga (Loving)
  • Natalie Portman (Jackie)
  • Emma Stone (La La Land)
  • Meryl Streep (Florence: Quem é Essa Mulher?)
Emma Stone em cena do musical La La Land: Cantando Estações (photo by tumblr.com)

Emma Stone em cena do musical La La Land: Cantando Estações (photo by tumblr.com)

DEVE GANHAR: Emma Stone (La La Land: Cantando Estações)
DEVERIA GANHAR: Isabelle Huppert (Elle)
ZEBRA: Meryl Streep (Florence: Quem é Essa Mulher?)

ESNOBADA: Amy Adams (A Chegada)

Após ganhar o Globo de Ouro, o SAG e o BAFTA, Emma Stone só perde seu primeiro Oscar em caso de tragédia surpreendente, que particularmente, gostaria que ocorresse. Obviamente, ela merece uma série de elogios em relação à sua performance, sua voz cantada e principalmente seu carisma, tanto que se tornou a nova America’s sweetheart. Definitivamente, sua melhor cena é aquela em que canta “Audition (The Fools Who Dream)”, pois ao mesmo tempo em que canta, ela expõe a última chama do sonho dela de atuar.

Além do carisma, Emma tem vantagem em dois campos: o papel e a nacionalidade. Sim, ela interpreta uma atriz que tenta alcançar seu objetivo, e sim, ela é americana. Com essas armas, ela deverá bater a melhor atriz em competição: Isabelle Huppert, que além de ser francesa, interpreta uma personagem bastante complexa que não espera a identificação do público em Elle. Embora seja a melhor atuação feminina, ganhando vários prêmios da crítica, inclusive americana, quando se trata de Oscar, parece que o patriotismo fala mais alto. Em 89 anos de história, a Academia premiou apenas três atores que atuaram em língua estrangeira: os italianos Sophia Loren e Roberto Benigni, e a francesa Marion Cotillard. Em caso de vitória de Huppert, o Oscar ganharia muito em credibilidade.

E a ausência mais comentada do Oscar 2017 foi a de Amy Adams. Esta seria sua sexta indicação ao Oscar, mas talvez por questão de timing, resolveram substitui-la com Meryl Streep após aquele grandioso discurso de agradecimento no Globo de Ouro contra Trump. Considero Adams uma boa atriz, mas torço para que ela busque se desafiar mais em papéis que nada se assemelham à figura dela, e ela possa mostrar ao público um tom de voz, um jeito de caminhar, uns trejeitos mais diferentes ou até apelar pra uma maquiagem mais forte para alguém dizer “aquela é a Amy Adams”? Pode soar como uma estratégia barata e superficial, mas funciona e esse pode ser o caminho para o primeiro Oscar dela.

MELHOR ATOR COADJUVANTE

  • Mahershala Ali (Moonlight)
  • Jeff Bridges (A Qualquer Custo)
  • Lucas Hedges (Manchester à Beira-Mar)
  • Dev Patel (Lion)
  • Michael Shannon (Animais Noturnos)
Mahershala Ali em cena de Moonlight (photo by moviepilot.de)

Mahershala Ali em cena de Moonlight (photo by moviepilot.de)

DEVE GANHAR: Mahershala Ali (Moonlight)
DEVERIA GANHAR: Jeff Bridges (A Qualquer Custo)
ZEBRA: Lucas Hedges (Manchester à Beira-Mar)

ESNOBADO: John Goodman (Rua Cloverfield, 10) e Ben Foster (A Qualquer Custo)

Nessa categoria, nunca houve um favorito de fato, tanto que o que mais teve relevância  na temporada, Aaron Taylor-Johnson, sequer foi indicado ao Oscar por Animais Noturnos. Na indecisão, Mahershala Ali se tornou um favorito depois que ganhou o SAG e fez um belo e propício discurso sobre ter origens muçulmanas perante a decisão xenófoba do presidente Donald Trump.

Embora muitos falem que Jeff Bridges foi Jeff Bridges em A Qualquer Custo, gosto da atuação dele. Claro que ele não se transforma, e seu tom de voz é aquele mesmo de Coração Louco, mas ele assume tão bem a personalidade politicamente incorreta do Texas Ranger Marcus que suas falas são memoráveis. E a atuação dele cresce com minúcias como a pausa silenciosa dele após ser atendido por uma garçonete arrogante, ou ele soltar uma comemoração tímida após acertar um tiro.

10-cloverfield-lane-mit-john-goodman

John Goodman

Além dos indicados, dois nomes não poderiam ter ficado de fora dessa lista: John Goodman e Ben Foster. O primeiro, mais conhecido por personagens bonzinhos como Fred Flinstone e até na dublagem de Sully na animação Monstros S.A., jogou tudo para o alto ao assumir o papel do sinistro Howard, que mantém a ordem em seu abrigo subterrâneo. E não se trata apenas de uma mudança radical de tipos de papéis, mas ele consegue segurar o filme todo nas costas mesmo sob a pele de um ser desprezível em Rua Cloverfield, 10. Acreditava que a Academia não perderia essa oportunidade de reconhecê-lo pela primeira vez, mas creio que seu papel bem pesado acabou o tirando da disputa. Uma pena.

E quanto a Ben Foster, alguns anos atrás, fiz uma matéria sobre atores promissores e o incluí nessa lista: https://cinemaoscareafins.wordpress.com/2012/07/19/nova-geracao-de-atores/. Apesar de pegar uns papéis de seres meio estranhos e

Ben Foster

Ben Foster

violentos, ele consegue se transformar sem deixar rastros como faz grandes atores como Daniel Day-Lewis. Aqui no western moderno de A Qualquer Custo, ele atua como o irmão que foi preso e largou a família na mão em tempos difíceis. Um personagem complexo e anti-herói, mas que Foster oferece uma empatia tão grande que fica difícil não torcer por ele até o final. Também seria sua primeira indicação, mas… é mera questão de tempo para Ben Foster pisar o tapete vermelho.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

  • Viola Davis (Um Limite Entre Nós)
  • Naomie Harris (Moonlight)
  • Nicole Kidman (Lion)
  • Octavia Spencer (Estrelas Além do Tempo)
  • Michelle Williams (Manchester à Beira-Mar)
Viola Davis em cena de Um Limite Entre Nós (pic by moviepilot.de)

Viola Davis em cena de Um Limite Entre Nós (pic by moviepilot.de)

DEVE GANHAR: Viola Davis (Um Limite Entre Nós)
DEVERIA GANHAR: Viola Davis (Um Limite Entre Nós)
ZEBRA: Octavia Spencer (Estrelas Além do Tempo)

ESNOBADAS: Laura Linney (Animais Noturnos)

Viola Davis está simplesmente imbatível em Um Limite Entre Nós. Além de expôr suas entranhas em dois monólogos, ela consegue dobrar Denzel Washington no meio e a única que consegue fazer aquele personagem chato calar a boca. Na internet, muitos pediam a indicação de Viola como Melhor Atriz, mas infelizmente, como ela mesma defendeu, sua personagem é secundária no filme. Talvez na peça, pelo qual ela ganhou o Tony Award, tenha sido mais protagonista, mas no filme ela fica em segundo plano. Mas para quem conhece o talento da atriz sabe que um Oscar como Melhor Atriz não tardará em sua carreira. Ela sim, ao contrário de Denzel, merece estar no mesmo panteão de atores que ganharam 3 Oscars…

As demais concorrentes da categoria também têm pouco tempo de tela, principalmente Michelle Williams que está em três cenas curtas em Manchester à Beira-Mar. Claro que uma atuação boa pode durar dois minutos como aconteceu com Laura Linney em Animais Noturnos, mas para vencer esta estatueta, a personagem tem de apresentar uma profundidade e relevância um pouco maior, algo que faltou para Octavia Spencer em Estrelas Além do Tempo.

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

  • Taylor Sheridan (A Qualquer Custo)
  • Damien Chazelle (La La Land)
  • Yorgos Lanthimos e Efthymis Filippou (O Lagosta)
  • Kenneth Lonergan (Manchester à Beira-Mar)
  • Mike Mills (Mulheres do Século 20)
manchester-by-the-sea-michelle-williams-casey-affleck

Michelle Williams discute com Casey Affleck em uma das cenas mais fortes do drama escrito por Kenneth Lonergan (pic by moviepilot.de)

DEVE GANHAR: Kenneth Lonergan (Manchester à Beira-Mar)
DEVERIA GANHAR: Taylor Sheridan (A Qualquer Custo)
ZEBRA: Mike Mills (Mulheres do Século 20)

ESNOBADO: Shane Black e Anthony Bagarozzi (Dois Caras Legais)

O dramaturgo Kenneth Lonergan criou um roteiro que poderia servir como base para uma ótima peça de teatro, com personagens tridimensionais e cenas poderosas. Soube adaptar para o cinema com atuações minuciosas e flashbacks que guardam o segredo da trama. Com isso, levou boa parte dos prêmios de roteiro e pode ser o único Oscar do filme Manchester à Beira-Mar.

Contudo, a categoria de Roteiro Original é uma das mais fortes do ano e temos competidores de respeito que poderiam facilmente sair vitoriosos. Se formos levar em conta a originalidade, O Lagosta seria o melhor sem sombra de dúvidas. Tendo como cenário um clima futurista, a dupla Yorgos Lanthimos e Efthymis Filippou cria todo um sistema que pune o ser humano solteiro transformando-no em um animal de sua escolha. Além da criatividade, o roteiro permite um questionamento mais profundo do amor como sentimento mais humano ou se seria apenas uma convenção da sociedade.

Embora a seleção esteja em alto nível aqui, ainda defendo o roteiro de Taylor Sheridan de A Qualquer Custo, no qual temos uma trama simples, com personagens ricos, diálogos memoráveis e algo que aprecio bastante: a crítica social e econômica. Os personagens centrais são irmãos que assaltam o mesmo banco que lhes rouba dinheiro em hipotecas. Vemos uma Texas devastada pela crise econômica preenchida por casas à venda e outdoors anunciando empréstimos. E é o único dos concorrentes que eu assistiria várias vezes.

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

  • Eric Heisserer (A Chegada)
  • August Wilson (Um Limite Entre Nós)
  • Allison Schroeder e Theodore Melfi (Estrelas Além do Tempo)
  • Luke Davis (Lion)
  • Barry Jenkins (Moonlight)

arrival-mit-amy-adams-1

DEVE GANHAR: Barry Jenkins (Moonlight)
DEVERIA GANHAR: Eric Heisserer (A Chegada)
ZEBRA: August Wilson (Um Limite Entre Nós)

ESNOBADO: Tom Ford (Animais Noturnos)

Ao contrário da categoria vizinha Original, aqui os concorrentes deixam a desejar e assim, abre caminho para Barry Jenkins provavelmente levar seu Oscar de consolação por não conseguir levar Melhor Filme e Diretor por Moonlight. Ok, acho bacana o Jenkins ser reconhecido pela dupla função roteirista/diretor, provando que Hollywood tem lugar para todas as raças, religiões e nacionalidades, MAS se for pra premiar o melhor mesmo aqui, o ideal seria entregar o Oscar para Eric Heisserer por A Chegada.

Por seu vasto e extenso histórico, o gênero da ficção científica sempre buscou fazer críticas sociais num cenário de invasão alienígena, desde os filmes de Roger Corman, portanto, o roteiro de A Chegada mantém essa tradição ao apontar a falha de comunicação entre os povos que gera conflitos intermináveis. Como ressalta a personagem central de Amy Adams, “a linguagem é a fundação da civilização”. Eric Heisserer nos introduz a esse cenário de interação com seres de outro espaço para nos contar um pouco mais sobre nós mesmos.

Só lembrando que caso August Wilson vença por seu roteiro de Um Limite Sobre Nós, será um Oscar póstumo, já que ele faleceu em 2005. E mais um adendo: Cadê Tom Ford nessa categoria?? O homem sabe escrever roteiro e costurar um terno impecável. Quer mais o quê, Academia?

MELHOR FOTOGRAFIA

  • Bradford Young (A Chegada)
  • Linus Sandgren (La La Land)
  • Greig Fraser (Lion)
  • James Laxton (Moonlight)
  • Rodrigo Prieto (Silêncio)
lion-mit-sunny-pawar

A fotografia de Greig Fraser em Lion (pic by moviepilot.de)

DEVE GANHAR: Linus Sandgren (La La Land)
DEVERIA GANHAR: Greig Fraser (Lion: Uma Jornada Para Casa)
ZEBRA: Rodrigo Prieto (Silêncio)

ESNOBADO: Seamus McGarvey (Animais Noturnos)

Embora a fotografia de Linus Sandgren seja a mais chamativa pela sua paleta de cores, acredito que a composição de luzes foi melhor trabalhada por Greig Fraser no drama Lion. Na verdade, tudo é tão belamente fotografado que até nos esquecemos que se trata de um filme triste de perdas. Existem cenas naturais como as montanhas com borboletas e cenas com luz artificial como as das estações de trem, que torna a fotografia de Fraser mais eclética.

Não ficaria nem um pouco chateado se Rodrigo Prieto levasse o Oscar, porque vale já pelos enquadramentos. E também porque seria um ótimo consolo para o filme de Martin Scorsese, Silêncio, que recebeu apenas essa indicação.

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE

  • Patrice Vermette, Paul Hotte (A Chegada)
  • Stuart Craig, Anna Pinnock (Animais Fantásticos e Onde Habitam)
  • Jess Gonchor, Nancy Haigh (Ave, César!)
  • David Wasco, Sandy Reynolds-Wasco (La La Land)
  • Guy Hendrix Dyaz, Gene Sardena (Passageiros)
passengers.jpg

Direção de Arte de Passageiros (pic by cine.gr)

DEVE GANHAR: La La Land
DEVERIA GANHAR: Passageiros
ZEBRA: Ave, César!

ESNOBADO: Seong-hie Ryu (A Criada)

Em se tratando de design de criação, as duas ficções científicas, Passageiros e A Chegada, estão à frente das demais. Particularmente, a direção de arte de Passageiros se mostra mais relevante pelo fato do filme todo se passar dentro de uma espaçonave. Embora seja composta por referências espaciais de outros filmes, como as câmaras criogênicas da franquia Alien, a arte conceitual futurista da nave merece elogios.

Agora, em termos de reprodução, a arte de La La Land nos remete aos anos dourados de Hollywood ao exibir os ambientes de sets de filmagem, e cria cenários bem feitos como o jazz club.

Contudo, nenhum trabalho foi mais majestoso do que o filme sul-coreano A Criada, que reproduz as várias construções da Coréia dos anos 30. Por apresentar uma trama repleta de sexo e violência, não imaginava que passaria pelo crivo conservador da Academia, mas acreditava que poderia ser indicado nas categorias técnicas como Arte e Figurino. Ponto negativo para a Academia, já que preferiu reconhecer trabalhos menos competentes por serem americanos e britânicos.

MELHOR MONTAGEM

  • Joe Walker (A Chegada)
  • John Gilbert (Até o Último Homem)
  • Jake Roberts (A Qualquer Custo)
  • Tom Cross (La La Land)
  • Joi McMillon, Nat Sanders (Moonlight)
arrival-mit-jeremy-renner-und-amy-adams

Amy Adams e Jeremy Renner em cena de A Chegada (pic by moviepilot.de)

DEVE GANHAR: Tom Cross (La La Land)
DEVERIA GANHAR: Joe Walker (A Chegada)
ZEBRA: Jake Roberts (A Qualquer Custo)

ESNOBADO: Jae-Bum Kim e Sang-Beong Kim (A Criada)

Qual foi a montagem mais trabalhosa de todos os indicados? Respondo na lata: La La Land. Os cortes tinham que ser precisos para que a música não parasse, e ditasse o ritmo do filme. Embora haja ótimos planos-sequência (quando não há cortes), o trabalho de Tom Cross merece respeito pela complexidade de sua edição. Talvez por ter vencido um Oscar há dois anos por Whiplash: Em Busca da Perfeição, ele pode ser preterido, e aí poderia entrar Joe Walker em cena por A Chegada.

Por utilizar flash-forwards (adiantamento de trechos que se passam depois na linha do tempo), a montagem de Joe Walker se mostra mais fresca que as demais. Ele soube casar muito bem os trechos que precisava adiantar no momento certo da trama para que o público pudesse entender o que estava havendo sem subestimá-lo. De uma forma geral também, a edição acompanha a tensão na sequência final, em que uma guerra está iminente. Walker foi indicado por 12 Anos de Escravidão, mas não levou o Oscar, e deveria ter sido indicado por Sicario no ano passado.

Lembrei também da montagem de A Criada, pois cria três linhas narrativas (devido aos três personagens) que fazem a trama avançar com surpreendentes revelações. A edição me fez lembrar de Rashomon, de Akira Kurosawa, que cria três sequências diferentes para um mesmo ato.

MELHOR FIGURINO

  • Joanna Johnston (Aliados)
  • Colleen Atwood (Animais Fantásticos e Onde Habitam)
  • Consolata Boyle (Florence: Quem é Essa Mulher?)
  • Madeline Fontaine (Jackie)
  • Mary Zophres (La La Land)
jackie-mit-natalie-portman-1

Figurino ensanguentado de Jackie (pic by moviepilot.de)

DEVE GANHAR: Mary Zophres (La La Land)
DEVERIA GANHAR: Madeline Fontaine (Jackie)
ZEBRA: Joanna Johnston (Aliados)

ESNOBADO: Sang-gyeong Jo (A Criada)

Toda vez que eu via o trailer de Jackie, eu já imaginava: “Esse filme vai ganhar o Oscar de Figurino!”, porque aquelas roupas da ex-primeira dama Jacqueline Kennedy eram muito chamativas. Normalmente, prefiro mais criações do que recriações, mas aqui houve uma pesquisa tão ampla que os figurinos passaram a ser parte fundamental da trama. Quando as roupas apresentam uma importância na história e não apenas algo ilustrativo, elas costumam render um Oscar como Memórias de uma Gueixa ou Maria Antonieta.

Mas acredito que este ano, a quantidade de figurinos pode ser mais crucial para a vitória de Mary Zophres. Ela foi responsável pelas roupas coloridas de La La Land. Embora o foco sejam os vestidos da personagem de Emma Stone, é evidente o trabalho de cores nos figurinos de personagens secundários e figurantes. Aliado à direção de arte e fotografia, o figurino ajuda Damien Chazelle a contar sua história de sonhos Hollywoodianos.

MELHOR MAQUIAGEM E CABELO

  • Um Homem Chamado Ove
  • Star Trek: Sem Fronteiras
  • Esquadrão Suicida
star-trek-beyond-mit-sofia-boutella.jpg

Sofia Boutella sob forte maquiagem em Star Trek: Sem Fronteiras (pic by moviepilot.de)

DEVE GANHAR: Star Trek: Sem Fronteiras
DEVERIA GANHAR: Star Trek: Sem Fronteiras
ZEBRA: Um Homem Chamado Ove

ESNOBADO: Invocação do Mal 2, A Bruxa e qualquer filme de gênero com maquiagem

Honestamente? Depois que o mestre Rick Baker se aposentou, a categoria de Maquiagem ficou meio chocha. É como assistir à Fórmula 1 depois de perder Ayrton Senna. Pra mim, maquiagem de cinema não é um pózinho na cara, um bigode mal colado ou uma peruca. Maquiagem é prótese e transformação criativa! É atores dormindo na cadeira depois de oito horas de maquiagem! E nesse quesito, o único que se encaixa é a maquiagem de Star Trek: Sem Fronteiras. Temos personagens com cara de gremlins for christ sake!

E mais uma coisa: a categoria de Maquiagem tem um papel fundamental no Oscar, porque se tornou o único refúgio dos filmes de terror e ficção científica, que nunca encontram lugar nas categorias principais. Se for pra premiar uma monocelha da Frida Kahlo ou uns bigodes de Os Miseráveis, melhor extinguir a categoria…

MELHOR TRILHA MUSICAL ORIGINAL

  • Mica Levi (Jackie)
  • Justin Hurwitz (La La Land)
  • Dustin O’Halloran, Hauschka (Lion)
  • Nicholas Britell (Moonlight)
  • Thomas Newman (Passageiros)
LLL d 04 _0756.NEF

O compositor Justin Hurwitz dá uns toques para Ryan Gosling no piano em La La Land

DEVE GANHAR: Justin Hurwitz (La La Land)
DEVERIA GANHAR: Justin Hurwitz (La La Land)
ZEBRA: Thomas Newman (Passageiros)

ESNOBADO: Abel Korzeniowski (Animais Noturnos)

Primeiramente, fiquei feliz com a indicação de Mica Levi. Embora esteja em início de carreira no cinema (esta é sua segunda trilha), ela já demonstra bastante personalidade em suas composições. Como vivemos há décadas com trilhas que buscam apenas evocar emoção no espectador, Mica traz novos ares ao trazer experimentalismo nas notas musicais. Não deve levar o prêmio por causa da excelência de Justin Hurwitz que traz a alma de La La Land, mas sua indicação certamente representa uma porta aberta para seu trabalho.

Gente, estou com pena do Thomas Newman. Esta é a sua 14ª indicação ao Oscar sem nenhuma vitória! Claro que a indicação já é uma honra e tal, mas daqui a pouco o homem nem vai mais pra cerimônia! Olha, Thomas, vai na fé que logo seu dia chega! Assim como chegou para Randy Newman, que levou 16 indicações pra ganhar a primeira.

E sinceramente, não entendi por que preteriram a rica trilha de Abel Korzeniowski em Animais Noturnos. As composições conseguem acentuar a estranheza do filme de Tom Ford do início ao fim. Algumas faixas como a “Wayward Sisters” me lembraram o glamour aliado à tensão das trilhas de Pino Donaggio, costumeiro colaborador dos filmes do Brian De Palma. Uma lástima sequer concorrer ao Oscar…

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

  • “Audition (The Fools Who Dream)”, de Justin Hurwitz, Benj Pasek, Justin Paul (La La Land)
  • “Can’t Stop the Feeling”, de Justin Timberlake, Max Martin, Shellback (Trolls)
  • “City of Stars”, de Justin Hurwitz, Benj Pasek, Justin Paul (La La Land)
  • “The Empty Chair”, de J. Ralph, Sting (Jim: The James Foley Story)
  • “How Far I’ll Go”, de Lin-Manuel Miranda (Moana: Um Mar de Aventuras)
lalalandaudition

Emma Stone em cena de Audition (The Fools Who Dream)

DEVE GANHAR: “City of Stars”
DEVERIA GANHAR: “Audition (The Fools Who Dream)”
ZEBRA: “The Empty Chair”

ESNOBADO: “Drive it Like You Stole it” (Sing Street)

Como se avalia se uma canção merece um Oscar? Muita gente apenas avalia a canção em si, e muitas vezes votam apenas pelo artista/intérprete, mas o que faz uma canção vencedora é capturar a alma do filme, ajustar o tom certo. Servem como uma extensão do filme que perdura mesmo dias depois que você assistiu ao filme. Foi assim como “Glory” de Selma: Uma Luta Pela Igualdade, por exemplo, ou “Falling Slowly” de Apenas Uma Vez.

As canções de La La Land preenchem esses requisitos. Embora “City of Stars” tenha sido eleita a mais queridinha, fico com a “Audition (The Fools Who Dream)” porque só toca uma vez no filme e ela, aliada à interpretação de Emma Stone, permanece na sua cabeça, martelando a alma do musical que homenageia todos os sonhadores.

Não entendi o porquê da canção pop de Sing Street ter ficado de fora. É uma espécie de “That Thing You Do” de adolescentes. Teria Justin Timberlake preenchido a cota de canções pop do ano?

MELHOR SOM

  • A Chegada
  • Até o Último Homem
  • La La Land
  • Rogue One: Uma História Star Wars
  • 13 Horas: Os Soldados Secretos de Benghazi
la-la-land-mit-ryan-gosling

Ryan Gosling ao piano em La La Land (pic by moviepilot.de)

DEVE GANHAR: La La Land
DEVERIA GANHAR: La La Land
ZEBRA: 13 Horas: Os Soldados Secretos de Benghazi

Musicais sempre levam vantagem nessa categoria. Basta olhar as premiações de Chicago, DreamGirls e até Whiplash, que envolve música. Os demais parecem estar fazendo mais figuração.

Uma notícia de última hora: a indicação para Greg P. Russell por 13 Horas: Os Soldados Secretos de Benghazi foi revogada. A Academia identificou que ele fazia lobby entre companheiros e colegas no departamento de Som. O filme em si continua concorrendo, mas o profissional não.

MELHORES EFEITOS SONOROS

  • A Chegada
  • Horizonte Profundo: Desastre no Golfo
  • Até o Último Homem
  • La La Land
  • Sully: O Herói do Rio Hudson
arrival-mit-amy-adams-1

Comunicação visual e sonora em A Chegada (pic by moviepilot.de)

DEVE GANHAR: A Chegada
DEVERIA GANHAR: A Chegada 
ZEBRA: Sully: O Herói do Rio Hudson

Para quem não conhece essa categoria, os efeitos sonoros são aqueles criados em estúdio, e que não foram captados nas filmagens. Então filmes que tenham elementos de explosão e tiros costumam levar esse prêmio. Casos clássicos são de Pearl Harbor, Os Incríveis, King Kong e Cartas de Iwo Jima. Contudo, A Chegada pode ser um diferencial devido aos sons alienígenas, que são essenciais no filme.

MELHORES EFEITOS VISUAIS

  • Horizonte Profundo: Desastre no Golfo
  • Doutor Estranho
  • Mogli: O Menino Lobo
  • Kubo e as Cordas Mágicas
  • Rogue One: Uma História Star Wars
the-jungle-book-mit-neel-sethi.jpg

O menino Neel Sethi em cena de Mogli: O Menino Lobo (pic by moviepilot.de)

DEVE GANHAR: Mogli: O Menino Lobo
DEVERIA GANHAR: Mogli: O Menino Lobo
ZEBRA: Horizonte Profundo: Desastre no Golfo

Os efeitos de Doutor Estranho e Kubo e as Cordas Mágicas são merecedores desse prêmio, mas os efeitos de Mogli: O Menino Lobo são mais vistosos e cruciais para o bom funcionamento do filme de Jon Favreau. Sem eles, o filme realmente não existiria e eles revolucionam a técnica de animais falantes que vão desde Dr. Dolittle (1967) até Babe – O Porquinho Atrapalhado (1995).

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA

  • Terra de Minas, de Martin Zandvliet (DINAMARCA)
  • Um Homem Chamado Ove, de Hannes Holm (SUÉCIA)
  • O Apartamento, de Asghar Farhadi (IRÃ)
  • Tanna, de Martin Butler, Bentley Dean (AUSTRÁLIA)
  • Toni Erdmann, de Mare Ade (ALEMANHA)
toni-erdmann_-4

Cena estranha de Toni Erdmann, representante alemão no Oscar. (photo by critic.de)

DEVE GANHAR: Toni Erdmann
ZEBRA: Tanna

ESNOBADO: Elle, de Paul Verhoeven (FRANÇA)

Depois que o favorito Elle foi desqualificado ainda em dezembro, o caminho para o Oscar ficou bem mais fácil para o alemão Toni Erdmann. Sua história de relacionamento complicado entre pai e filha certamente tocou o coração dos votantes e tem tudo para levar a estatueta. O sucesso do filme de Maren Ade vai se expandir com o recente anúncio de que Toni Erdmann será refilmado e estrelado por Jack Nicholson, que não faz um filme desde Os Infiltrados (2006).

O único concorrente que poderia dar trabalho a Toni Erdmann seria o filme iraniano O Apartamento. Embora tenha participado ativamente da temporada de premiações, o filme não ganhou nenhum prêmio de destaque e, além disso seu diretor levou o Oscar há cinco anos com o ótimo A Separação, porém, com a recente nota de que o diretor Asghar Farhadi não comparecerá ao evento por causa do bloqueio do presidente americano Donald Trump aos países do Oriente Médio, alguns especialistas passaram a defender uma possível segunda vitória para o Irã na categoria.

Sei lá, acho que cansei de falar sobre essa categoria que parece congelada num conservadorismo eterno. Quando Elle foi desqualificado, não tive ânimo para ver os indicados. Americanos têm aversão a ver filmes legendados em pleno século XXI, então fica difícil a maioria provar que viu os cinco filmes indicados, aí acaba prevalecendo o gosto dos idosos pra filmes de Segunda Guerra Mundial e água com açúcar.

MELHOR ANIMAÇÃO

  • Kubo e as Cordas Mágicas (Kubo and the Two Strings)
  • Moana: Um Mar de Aventuras (Moana)
  • Minha Vida de Abobrinha (Ma vie de Courgette)
  • A Tartaruga Vermelha (Le Tortue Rouge)
  • Zootopia (Zootopia)
kubo-06

Cena da animação Kubo e as Cordas Mágicas, de Travis Knight (photo by moviepilot.de)

DEVE GANHAR: Zootopia
DEVERIA GANHAR: Kubo e as Cordas Mágicas
ZEBRA: A Tartaruga Vermelha

ESNOBADO: Your Name (Kimi no na wa.)

Desde que foi criada em 2002, a categoria de Animação é a mais internacional e globalizada de todas, pois não fica limitada às produções americanas. Como o gênero é trabalhoso demais (algumas levam mais de cinco anos para ficar prontas), não há inúmeros lançamentos por ano, e por isso, a Academia recorre às animações estrangeiras para preencher as vagas. Embora essa estratégia soe muito cômoda, é graças a ela que os trabalhos dos animadores mundo afora pode ganhar muito mais atenção e ter seus devidos reconhecimentos.

Apesar da democracia globalizada nas indicações, em termos de vitórias, a coisa muda de figura. Nesses 14 anos de existência, a Academia premiou apenas UMA animação estrangeira: a japonesa A Viagem de Chihiro (2001), de Hayao Miyazaki.

Da competição, torço para os dois estrangeiros Minha Vida de Abobrinha que tem ótima técnica de stop motion, e A Tartaruga Vermelha, que dispensa diálogos para contar uma bela história de sobrevivência. Acho bacana a trama de conspirações de Zootopia, mas prefiro o visual de Kubo, cujo estúdio, Laika Entertainment, vem merecendo o primeiro Oscar há tempos, vide: Coraline e o Mundo Secreto, ParaNorman e Os Boxtrolls.

MELHOR DOCUMENTÁRIO

  • Fogo no Mar (Fire at Sea)
  • Eu Não Sou seu Negro (I Am Not Your Negro)
  • Life, Animated
  • O.J.: Made in America
  • A 13ª Emenda (The 13th)

DEVE GANHAR: O.J.: Made in America
ZEBRA: Life, Animated

ESNOBADOS: The Eagle Huntress, Weiner

Eu juro que queria ver O.J.: Made in America, mas depois que vi a duração de mais de sete horas, deixei pra depois. Bom, a Academia tem três ótimos indicados sobre a temática negra: O.J.: Made in America, Eu Não Sou Seu Negro e A 13ª Emenda. Acredito que em caso de vitória de qualquer um desses, promete ser um dos melhores discursos da noite.

O documentário A 13ª Emenda, dirigido por Ava DuVernay de Selma, busca as respostas de hoje em séculos atrás no escravismo. Por que os negros formam a maior parte da população carcerária? E por que o sistema carcerário não funciona? Assim como fez Michael Moore no vencedor do Oscar Tiros em Columbine, ela destrincha o passado para explicar o presente. Seria um belo prêmio para compensá-la da ausência por Selma em 2015.

MELHOR DOCUMENTÁRIO-CURTA

  • Extremis
  • 4.1 Miles
  • Joe’s Violin
  • Watani: My Homeland
  • The White Helmets

MELHOR CURTA-METRAGEM

  • Ennemis Intérieurs
  • La Femme et le TGV
  • Mindenki
  • Timecode
  • Silent Nights

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO

  • Blind Vaysha
  • Borrowed Time
  • Pear Cider and Cigarettes
  • Pearl
  • Piper

***

COMEMORAÇÃO

Pra mim, se Isabelle Huppert ganhar como Melhor Atriz, esse Oscar já valeu. Até esqueço das injustiças! E em segundo lugar, se A Qualquer Custo ou O Lagosta vencerem como Roteiro Original, já posso entrar em feliz hibernação até o Oscar 2018.

Bom, independente dos resultados, que todos tenham uma ótima noite de Oscar!

***

A 89ª cerimônia do Oscar terá transmissão ao vivo pela TNT a partir das 21h, horário de Brasília.

‘MOONLIGHT’ e ‘A CHEGADA’conquistam o WGA Awards

barry-jenkins-wga

O diretor e roteirista Barry Jenkins recebe o WGA de Roteiro Original por Moonlight (pic by Mirror)

BARRY JENKINS BATE FAVORITOS DA CATEGORIA VIZINHA

Estamos chegando na reta final para o Oscar! Sim, após várias noites viradas no blog desde novembro, vou conseguir um break! Depois de acompanharmos os vencedores dos prêmios dos sindicatos de Diretores e Atores, chegou a vez dos Roteiristas. Moonlight e A Chegada, que concorrem a oito Oscars cada, foram os vencedores de Roteiro Original e Adaptado, respectivamente.

Para quem não conhece, de todos os sindicatos, o mais chatinho é dos roteiristas, porque impõe uma série de regras para seu roteiro ser elegível, começando com a sua carteirinha de membro. Se não tiver esse documento, você é automaticamente desqualificado. Quentin Tarantino, que é um dos mais relevantes excluídos desse clube (talvez porque o povo de lá seja quadrado demais ou talvez porque queira economizar seu dinheirinho não pagando taxas de membros), consegue ganhar Oscars mesmo assim, então isso acaba enfraquecendo o próprio sindicato.

Entre outras disparidades do WGA (Writers Guild of America), está as classificações do material: se é original ou adaptação. Por exemplo, em 2015, o roteiro de Whiplash: Em Busca da Perfeição foi classificado como original pelo WGA, enquanto no Oscar concorria como adaptado, uma vez que entendiam que se tratava de uma adaptação do próprio curta-metragem homônimo de Damien Chazelle.

Este ano, o roteiro de Moonlight passou pela mesma indecisão. No WGA, concorria como original, enquanto no Oscar concorre como adaptado. A polêmica aqui reside no fato do roteiro ter como base uma peça não-produzida de Tarell Alvin McCraney intitulada “In Moonlight Black Boys Look Blue”. Mesmo assim, a Academia considera como um material prévio existente, que serviu de inspiração para o roteiro de Barry Jenkins.

O QUE OS RESULTADOS DIZEM

O fato de Barry Jenkins ter conquistado o WGA significa muito para o filme, já que bateu os favoritos ao Oscar La La Land e Manchester à Beira-Mar. E o que muda na corrida para o Oscar? Bom, a concorrência muda. Com Moonlight migrando para a categoria de Roteiro Adaptado, o caminho ficou mais fácil. Deixará de concorrer o Oscar com pesos-pesados como La La Land, Manchester à Beira-Mar e A Qualquer Custo, que ganharam diversos prêmios na temporada, para pegar filmes menos expressivos como Estrelas Além do Tempo e Lion. Em resumo: se Moonlight já bateu os favoritos da categoria mais forte que é Original, o que dirá da categoria de Roteiro Adaptado? Com isso, acredito que Moonlight deva sair da 89ª cerimônia do Oscar com duas estatuetas: Roteiro Adaptado e Ator Coadjuvante (Mahershala Ali).

Já a vitória de Eric Heisserer por A Chegada como Roteiro Adaptado pode significar um dos últimos respiros da ótima ficção científica na temporada. Apesar de ter sido indicado em oito categorias no Oscar, o fato de sua atriz principal (Amy Adams) ter ficado de fora, já havia enfraquecido a campanha do filme, portanto, se sobrar estatuetas para A Chegada, acredito que será nas categorias de Som e Efeitos Sonoros. Torcerei até o final para que conquiste o Oscar de Montagem para Joe Walker, que consegue se utilizar muito bem de flash-forwards para contar a história de Heisserer.

eric-heisserer-arrival-wga

Eric Heisserer aceita o prêmio de Roteiro Adaptado por A Chegada (pic by YouTube)

Felizmente, mesmo com a rigidez das regras do sindicato, as estatísticas do WGA não são ruins em relação ao Oscar. São 16 acertos em 22 anos na categoria de Roteiro Adaptado, e 14 na categoria de Roteiro Original. No ano passado, os vencedores do WGA, Spotlight e A Grande Aposta, saíram com as estatuetas de Roteiro Original e Adaptado, respectivamente, no Oscar.

SOBRE A CERIMÔNIA

Os vencedores foram anunciados em cerimônias simultâneas realizadas em Nova York e em Beverly Hills, já que são sindicatos da costa leste e da costa oeste. O ator e comediante Patton Oswalt foi o host do evento de Beverly Hills e obviamente, não poupou o presidente eleito Donald Trump com tiradas do tipo: “I feel bad for Trump…his life before this was golf and hookers and jets.” (Sinto-me mal por Trump… a vida dele antes disso era golfe, prostitutas e jatinhos).

Além do anúncio dos vencedores, houve prêmios especiais para Aaron Sorkin, que foi homenageado com o prêmio Paddy Chayefsky Laurel Award for Television Writing Achievement, já que escreveu séries imponentes como The West Wing e The Newsroom, e também para Oliver Stone, que recebeu o WGA’s Screen Laurel Award.

No tapete vermelho, Barry Jenkins fez um breve relato importante: “Todos esses filmes foram feitos sob uma administração muito diferente da atual. Havia um espaço seguro, então espero que agora que esse espaço não mais seguro, façamos histórias ainda mais passionais e verdadeiras.”

VENCEDORES DO 69º WGA AWARDS:

ROTEIRO ORIGINAL
Barry Jenkins, história de Tarell McCraney (Moonlight)

ROTEIRO ADAPTADO
Eric Heisserer; Baseado na história de “Story of Your Life” de Ted Chiang (A Chegada)

ROTEIRO DE DOCUMENTÁRIO
Robert Kenner e Eric Schlosser, história de Brian Pearle e Kim Roberts; Baseado no livro ‘Command and Control’ de Eric Schlosser (Command and Control)

***

A 89ª cerimônia do Oscar está marcada para o próximo domingo, dia 26 de fevereiro. Não, não dependa da Globo e seu Carnaval. Veja na TNT (e não, não estou ganhando nada da TNT).