Onde e quando acompanhar os Indicados ao Oscar 2012

Cinema do Shopping Bourbon Pompéia, SP: Sim, tem uma pessoa dormindo na 2ª fileira

A cerimônia do Oscar 2012 está marcada para o dia 26 de fevereiro. Para aqueles que pretendem se lançar numa maratona para ver o maior número de indicados, atropelando todo mundo nas ruas e furando filas, acalmem-se! Ainda dá tempo de conferir muitos filmes que vão concorrer ao Oscar.

Felizmente, este ano, há muitos deles já disponíveis em DVD e Blu-ray. Vale a pena locar Meia-Noite em Paris e A Árvore da Vida, pelo número de indicações e por concorrerem a Melhor Filme. Da lista, recomendo a animação Rango que, pela cratividade, pelo roteiro repleto de referências do universo western e pelo carisma de Johnny Depp, merece ganhar o prêmio. Além dele, vale a pena olhar o Planeta dos Macacos: A Origem pela qualidade impressionante dos efeitos do motion capture para criar o macaco Cesar.

JÁ DISPONÍVEIS EM DVD E BLU-RAY:

Meia-Noite em Paris em Blu-Ray

A ÁRVORE DA VIDA – 3 indicações

GUERREIRO – 1 indicação

HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE: PARTE 2 – 3 indicações

KUNG FU PANDA 2 – 1 indicação

MEIA-NOITE EM PARIS – 4 indicações

MISSÃO MADRINHA DE CASAMENTO – 2 indicações

PLANETA DOS MACACOS: A ORIGEM – 1 indicação

RANGO – 1 indicação

RIO – 1 indicação

TODA FORMA DE AMOR – 1 indicação

TRANSFORMERS: O LADO OCULTO DA LUA – 3 indicações

AGUARDANDO LANÇAMENTO EM DVD/BLU-RAY:

GIGANTES DE AÇO – 1 indicação

MARGIN CALL – O DIA ANTES DO FIM – 1 indicação

OS MUPPETS – 1 indicação

Apesar do Oscar abrir muitas portas e facilitar bastante uma estréia aqui no Brasil, sempre ficam alguns filmes esquecidos que só chegam nas salas de cinema meses e até anos depois. É uma pena para o cinéfilo que sai perdendo, porque fica incapacitado de conferir todos os trabalhos e fazer seu próprio julgamento antes da entrega dos prêmios. Mas não há muito o que reclamar, pois, devido à temporada de premiações, esta época do ano apresenta uma das melhores safras de filmes em cartaz.

Particularmente, são os dois meses que mais vou ao cinema e tento ignorar ao máximo o público que frequenta as salas de cinema para conversar, atender o celular, aguentar piadinhas de mau gosto e dar uma de Galvão Bueno e narrar o filme, sem contar aqueles casais que fazem economia e transformam a sala de cinema em motel de 5ª categoria. Pra não dizer que sou chato e intolerante, os ruídos de embalagens de doces e pipocas eu aguento, contanto que mastigue de boca fechada!

Seguem mais listas sobre os filmes que estão e estarão nas salas de cinema. Para facilitar, as datas e previsões estão de acordo com a programação da cidade de São Paulo, podendo sofrer alterações de última hora.

FILMES EM CARTAZ:

AS AVENTURAS DE TINTIM – 1 indicação (Atualmente na sala IMAX do shopping Bourbon)

Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres em cartaz

CAVALO DE GUERRA – 6 indicações

OS DESCENDENTES – 5 indicações

O ESPIÃO QUE SABIA DEMAIS – 3 indicações

GATO DE BOTAS – 1 indicação

MILLENNIUM – OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES  – 5 indicações

A SEPARAÇÃO – 2 indicações

TUDO PELO PODER – 1 indicação

PRÓXIMOS LANÇAMENTOS (De acordo com São Paulo):

03/02:

HISTÓRIAS CRUZADAS (THE HELP) – 4 indicações

O HOMEM QUE MUDOU O JOGO (MONEYBALL) – 7 indicações

10/02:

O ARTISTA (THE ARTIST) – 11 indicações

17/02:

A INVENÇÃO DE HUGO CABRET (HUGO) – 10 indicações

A DAMA DE FERRO (THE IRON LADY) – 2 indicações

ANÔNIMO (ANONYMOUS) – 1 indicação

Drive: Apesar de ter apenas 1 indicação, vale a pena ver antes do Oscar

24/02:

DRIVE (idem) – 1 indicação

SETE DIAS COM MARYLIN (MY WEEK WITH MARYLIN) – 2 indicações

02/03:

TÃO FORTE E TÃO PERTO (EXTREMELY LOUD AND INCREDIBLY CLOSE) – 2 indicações

30/03:

W.E. – O ROMANCE DO SÉCULO (W.E.) – 1 indicação

Tirando Albert Nobbs, a maioria dos filmes sem data de estréia são os concorrentes na categoria de Filme Estrangeiro, sem mencionar todos os indicados a Melhor Documentário. OK, filmes europeus e documentários nunca foram uma unanimidade aqui a ponto dos distribuidores correrem para lançar nas salas. Não que seja justificável, mas é compreensível. Para aqueles que buscam esses títulos que, se estrearem no Brasil, devem demorar muito, recomendo que os procurem em sites de importados como a Amazon.com. Tire seu cartão de crédito internacional e manda ver!

SEM PREVISÃO DE ESTRÉIA:

ALBERT NOBBS – 3 indicações

O filme belga Bullhead, que não tem previsão de estréia

A BETTER LIFE – 1 indicação

BULLHEAD – 1 indicação

CHICO & RITA – 1 indicação (Participou do Anima Mundi 2011)

UM GATO EM PARIS – 1 indicação (Participou do Festival de Cinema Francês 2011)

FOOTNOTE – 1 indicação

IN DARKNESS – 1 indicação

JANE EYRE – 1 indicação

MONSIEUR LAZHAR – 1 indicação

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Surpresas no SAG Awards

Melhor Elenco: Histórias Cruzadas (by Kevin Winter/ Getty Images)

Para quem acompanhou o SAG Awards no TNT como eu, certamente (deve estar com olheiras) se surpreendeu com o resultado. Alguns fortes favoritos caíram e nessa reta final do Oscar, a dúvida aumenta sobre quem vai levar os benditos prêmios de atuação. Ao contrário do DGA, que acerta quase todos os vencedores do Oscar, o SAG sempre tem seleções distintas. Eu sei, ano passado foi tudo igualzinho: Colin Firth, Natalie Portman, Christian Bale e Melissa Leo. Sim, e em 2010 também: Jeff Bridges, Sandra Bullock, Christoph Waltz e Mo’Nique. Mas, acredite: na dança das cadeiras, alguém vai cair fora!

 

OS VENCEDORES DO SAG AWARDS 2012:

Jean Dujardin bate George Clooney (by Kevin Winter/ Getty Images)

MELHOR ATOR: Jean Dujardin (O Artista)

MELHOR ATRIZ: Viola Davis (Histórias Cruzadas)

MELHOR ATOR COADJUVANTE: Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Octavia Spencer (Histórias Cruzadas)

MELHOR ELENCO: Histórias Cruzadas (The Help)

 

Ok, as surpresas ficaram por conta das categorias de Melhor Ator e Melhor Atriz. Apesar de bastante aplaudido, George Clooney, considerado mais favorito ainda depois do Globo de Ouro, perdeu para o ator francês Jean Dujardin pelo filme O Artista. A platéia reagiu de forma natural, pois sabia que a competição entre os atores estava bastante acirrada, principalmente entre Clooney, Dujardin e Brad Pitt. Sendo que no Oscar, a competição deve ficar mais acirrada ainda, pois o veterano Gary Oldman também concorre.

Já com Melhor Atriz, a favorita que caiu foi Meryl Streep. Quando Dujardin bateu Clooney alguns minutos antes, cheguei a prever que Viola Davis poderia repetir o feito e foi exatamente isso que aconteceu. São duas atrizes extremamente talentosas, que inclusive já trabalharam juntas em Dúvida (2008), mas seus papéis pesaram bastante na votação. Enquanto Meryl Streep dividiu a crítica e o público por causa da figura polêmica da ex-primeira ministra, Viola Davis faz uma empregada doméstica que sofre os horrores do racismo em Mississippi nos anos 60. Por mais carisma que Streep possa ter empregado em seu personagem, a História americana prevalece nas mentes dos votantes que, certamente, não se esqueceram da Dama de Ferro.

Viola Davis e seu discurso inspirado (by Kevin Winter/ Getty Images)

Viola Davis deu o discurso mais belo da noite. Ela abre desta forma: “Eu tinha 8 anos quando decidi ser uma atriz. E é uma honra receber este prêmio olhando para o rosto da mulher que me inspirou a ser atriz: Cicely Tyson. E outra atriz que acompanhei bastante nos anos 80: Meryl Streep” Assim como no filme, Viola Davis prega intolerância contra qualquer forma de racismo.”Não apenas para negros e mulheres, mas para todas as pessoas que sofrem”. Depois desse discurso, tenho minhas sérias dúvidas sobre esse 3º Oscar para a Meryl Streep… Acho que ela vai ter que intepretar a Hillary Clinton, a Madre Teresa ou ela mesma (!) para conseguir garantir essa estatueta que nunca vem.

A vitória do elenco de Histórias Cruzadas também não deixa de ser uma das surpresas, afinal bons elencos disputavam o prêmio mais cobiçado da noite. Se fosse pra qualquer filme (talvez exceto Missão Madrinha de Casamento), o SAG teria sido bem dado. Confirmem: Os Descendentes, O Artista e Meia-Noite em Paris. Aliás, achei que o filme de Woody Allen levaria…

Michel Hazanavicius ganha o DGA Award

Michel Hazanavicius recebe a honraria das mãos de Tom Hooper, vencedor do ano anterior

 

Ao que parece, já temos um diretor com uma mão no Oscar de Melhor Diretor! Michel Hazanavicius pode não ter levado o Globo de Ouro da categoria, mas o DGA Award já o encaminha para a estaueta do Oscar. Como já dito num post anterior, apenas em 6 ocasiões o vencedor do DGA não saiu com o Oscar. Não sei se é mau agouro, mas dessas 6 diferenças, 2 aconteceram ns últimos 11 anos. Em 2001, Ang Lee perdeu para Steven Soderbergh, e em 2003, Rob Marshal cedeu seu lugar para Roman Polanski.

Se há alguma chance disso acontecer este ano? Claro que existe! Vamos relembrar os concorrentes do Sr. Hazanavicius:

– Alexander Payne (Os Descendentes)

– Martin Scorsese (A Invenção de Hugo Cabret)

– Woody Allen (Meia-Noite em Paris)

– Terrence Malick (A Árvore da Vida)
Desses quatro, 2 diretores já ganharam o Oscar: Woody Allen em 1978, por Noivo Neurótico Noiva Nervosa, e mais recentemente, Martin Scorsese por Os Infiltrados em 2007. Já Alexander Payne e Terrence Malick conquistaram suas segundas indicações nessa categoria. Seria uma competição bem árdua para Hazanavicius em sua primeira indicação, mas ele tem a seu favor os diversos prêmios da crítica americana e internacional, como a de Cannes. Além disso, como O Artista não foi selecionado para representar a França na categoria de Filme Estrangeiro, suas chances aumentam.

Infelizmente O Artista só deve estrear por aqui no dia 10 de fevereiro, mas trata-se de um trabalho muito bem realizado técnica e artisticamente (repare na fotografia PB e na direção de arte que homenageia Hollywood na década de 20). Em entrevistas, Michel Hazanavicius admite que estudou bastante os filmes dessa época e a importância de uma iluminação, trilha musical e atuação para compensar a falta de som como forma de expressão. E convenhamos: precisa ter muita coragem para ir na contramão dos filmes em 3D de hoje ao realizar um filme preto-e-branco e mudo. Resta saber se o Oscar vai se render à essa coragem.

Cavalo de Guerra (War Horse), de Steven Spielberg (2011)

Cavalo de Guerra

Steven Spielberg prova que ainda entende de catarse

Finalmente posso parar de dizer: “Não vejo um bom filme do Spielberg desde Munique (2005)”. Não que Cavalo de Guerra possa se equiparar à época de ouro do diretor (assim como o próprio Munique), mas se pegarmos os últimos trabalhos do diretor, como O Terminal, Guerra dos Mundos, Prenda-me se for Capaz e Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, parece que Spielberg está voltando a ficar inspirado.

Mas ainda falta muito para se recuperar. Na minha opinião, ele perdeu muita credibilidade quando alterou seu filme E.T. – O Extraterrestre. Pra quem não se recorda, no aniversário de 20 anos do filme, em 2002, o diretor relançou o filme e digitalmente tirou das mãos dos policiais suas armas e as trocou por walkie talkies por achar que foi um exagero. Isso se chama Síndrome George Lucas. Ficar remexendo no trabalho (leia-se Star Wars) é coisa de retardado e sem criatividade. Se em 1982 ele achou que os policiais deveriam estar armados, então eles devem permanecer armados. Querer apagar o passado, literalmente, só por ser politicamente correto 20 anos depois é patético. É quase como a Xuxa querer comprar todas as fitas do seu filme soft pornô, Amor Estranho Amor (1982), do mercado por ter vergonha dele.

E.T. Remix – Spielberg dando uma de George Lucas

Além disso, como Peter Pan, personagem que ele trabalhou em Hook – A Volta do Capitão Gancho, Spielberg parece não querer crescer às vezes. Depois de O Resgate do Soldado Ryan, parece que só quer fazer filmes que seus filhos podem ver. Ele pode não ter perdido a mão de diretor, mas certamente perdeu muita da coragem que tinha quando fez Tubarão e os filmes do Indiana Jones. O próprio reconhece essa teoria num depoimento de making of e ainda acrescenta que hoje também mudaria o final de Contatos Imediatos do Terceiro Grau. (Quem não viu o filme, pule essa próxima sentença) Ele não deixaria o protagonista entrar na nave! Uma das melhores coisas no filme e ele também quer mudar…

Mas apesar de todas as minhas críticas, Spielberg tem crédito na casa. E muito. Não se fazem mais cineastas como ele, e não é à toa que seu nome virou sinônimo de qualidade. Ele tem o chamado “toque de Midas”: tudo que toca se transforma em ouro. E nesse Cavalo de Guerra, seu grande mérito vem de sua decisão de prestar uma bela homenagem a outro grande diretor americano por excelência: John Ford. Especialmente nas cenas que se passam na fazenda, há elementos clássicos “fordianos” como aquele belo plano do pôr-do-sol, aquelas nuvens feito pinturas impressionistas, a porteira aberta e personagens no contra-luz. Obviamente o crédito técnico pertence ao diretor de fotografia, Janusz Kaminski, mas a intenção de engrandecer uma sequência e tornar o filme em épico é de Spielberg, que com isso me fez queimar a língua ao dizer que a idéia de um filme sobre cavalo na guerra era estúpida. Curiosamente, ele já prestou uma homenagem mais explícita a Ford em E.T. – O Extraterrestre ao incluir a cena que John Wayne puxa Maureen O’Hara no filme Depois do Vendaval.

Homenagem a John Ford

Se por um lado ele acerta com John Ford, por outro, erra num detalhe importante. Na guerra de Spielberg, todos os personagens falam um bom Inglês. Não sou contra personagens de outras nacionalidades falarem outro idioma. O espectador pode muito bem aceitar e quebrar essa barreira da língua. Entretanto, nessa hipótese, gostaria que o filme assumisse essa licença poética por completo e evitasse essa terrível mania de transfigurar os diálogos em Inglês com sotaque carregado. A intenção de facilitar para o público que fala Inglês acaba indo por água abaixo ao desviar a atenção para esse sotaque. Faltou bom senso.

A narrativa é pontuada pela troca de dono do cavalo Joey. A cada troca, novos personagens surgem e um novo ambiente é desmistificado, atingindo o objetivo maior do roteiro de fazer com que o espectador visse todos os ângulos de uma guerra e concluísse que não há necessidade de ela existir. O cavalo passa entre os britânicos, os alemães e os inocentes (franceses e os que querem fugir da guerra), resgatando valores básicos e essenciais da vida. O filme levanta a bandeira branca do início ao fim.

Joey encanta a todos que conhece

Aliás, a cena mais comentada do filme é quando o cavalo consegue uma pausa na guerra. Como o cavalo sofre muito fisicamente nessa sequência (fica todo enroscado em arame farpado), e para manter o bom e velho “Nenhum animal foi maltratado durante as filmagens”, a produção providenciou um cavalo animatronic, uma técnica antiga que utiliza robôs para reproduzir criaturas vivas como a rainha em Aliens, o Resgate (1986). O resultado impressiona pela combinação de iluminação, a lama e os efeitos sonoros.

Cavalo-robô: Quase um transformer

Outro fato curioso nessa produção foi a entrada de Spielberg na era digital. Após décadas montando seus filmes na moviola (mesa-trambolho usada para cortar as películas), finalmente parte para o software de edição. Apesar do salto tecnológico, talvez tenha trazido má sorte, pois o veterano montador Michael Khan não conseguiu uma indicação ao Oscar, mas o filme conquistou 6 indicações, incluindo Melhor Filme. E se está longe dos anos dourados de um Spielberg corajoso, Cavalo de Guerra é um belo filme que consegue demonstrar a maturidade de um diretor que entende da boa e velha catarse. O público comprova ao levar os lenços aos olhos lacrimejantes no final da sessão.

Votação Online no Oscar 2013

Todas as despesas com correio devem ser direcionadas à anti-vírus

Um representante da Academia anunciou para a revista americana Entertainment Weekly que a partir de 2013 a votação para seleção de indicados e vencedores será toda online.

À princípio, tal mudança não seria tão relevante, afinal mandar as cédulas de votação pelo correio hoje pode ser considerado muito ultrapassado, mas para o conservadorismo da Academia, certamente é um salto importante. Praticamente corresponde à criação de uma nova categoria!

Agora, a preocupação fica por conta da segurança de uma votação tão importante ser violada por hackers. Para este cinéfilo, esse fato um dia certamente ocorrerá. Só espera que o hacker tenha bom gosto para alterar os resultados.

Mas a intenção da Academia não se restringe à reformar o sistema arcaico de votação. Com a agilidade do processo, a Academia concretizaria um sonho antigo de adiantar a cerimônia para o fim do mês de Janeiro (e não mais Fevereiro ou Março), pois desta forma deixaria de apresentar resultados previsíveis devido aos demais prêmios que antecedem o Oscar. Mas mesmo assim fica essa questão: Se o Oscar for para final de janeiro, todos os demais prêmios não acompanhariam e mudariam seu calendário para o começo de janeiro? Imagina o Globo de Ouro, BAFTA, SAG, DGA, PGA, WGA, NYFCC, LAFCA todos em janeiro! Cada dia sairia uma lista de vencedores…

Indicações ao Oscar 2012!

Jennifer Lawrence e Tom Sherak anunciam os Indicados

As indicações ao Oscar foram anunciadas esta manhã, com um ligeiro atraso. Aqui no Brasil, o anúncio foi transmitido pelo canal Globo News. Mas para quem piscou e perdeu, confira no youtube pelo canal oficial da Academia:

http://www.youtube.com/watch?v=ODy4Z2Lp_jE&feature=g-all-u&context=G22f03c4FAAAAAAAAAAA

Infelizmente, Jennifer Lawrence não contribuiu muito para os americanos acordarem melhor. Sua roupa não favoreceu muito… E o presidente da Academia, Tom Sherak, se enrolou na pronúncia do nome de Michel Hazanavicius.

MELHOR FILME (Best Motion Picture of the Year)

– O Artista (The Artist)

– Os Descendentes (The Descendants)

– Tão Forte e Tão Perto (Extremely Loud & Incredibly Close)

– Histórias Cruzadas (The Help)

– A Invenção de Hugo Cabret (Hugo)

– Meia-Noite em Paris (Midnight in Paris)

– O Homem que Mudou o Jogo (Moneyball)

– A Árvore da Vida (The Tree of Life)

– Cavalo de Guerra (War Horse)

MELHOR DIRETOR (Achievement in Directing)

– Michel Hazanavicius (O Artista)

– Alexander Payne (Os Descendentes)

– Martin Scorsese (A Invenção de Hugo Cabret)

– Woody Allen (Meia-Noite em Paris)

– Terrence Malick (A Árvore da Vida)

MELHOR ATOR (Performance by an Actor in a Leading Role)

– Demián Bichir (A Better Life)

– George Clooney (Os Descendentes)

– Jean Dujardin (O Artista)

– Gary Oldman (O Espião que Sabia Demais)

– Brad Pitt (O Homem que Mudou o Jogo)

MELHOR ATRIZ (Performance by an Actress in a Leading Role)

Glenn Close (Albert Nobbs)

– Viola Davis (Histórias Cruzadas)

– Rooney Mara (Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres)

– Meryl Streep (A Dama de Ferro)

– Michelle Williams (Sete Dias com Marilyn)

MELHOR ATOR COADJUVANTE (Performance by an Actor in a Supporting Role)

Kenneth Branagh (Sete Dias com Marilyn)

– Jonah Hill (O Homem que Mudou o Jogo)

– Nick Nolte (Guerreiro)

– Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)

– Max Von Sydow (Tão Forte e Tão Perto)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE (Performance by an Actress in a Supporting Role)

– Bérénice Bejo (O Artista)

– Jessica Chastain (Histórias Cruzadas)

– Melissa McCarthy (Missão Madrinha de Casamento)

– Janet McTeer (Albert Nobbs)

– Octavia Spencer (Histórias Cruzadas)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL (Screenplay Written Directly for the Screen)

– Michel Hazanavicius (O Artista)

– Kristen Wiig, Annie Mumolo (Missão Madrinha de Casamento)

– J. C. Chandor (Margin Call – O Dia Antes do Fim)

– Woody Allen (Meia-Noite em Paris)

– Asghar Farhadi (A Separação)

ROTEIRO ADAPTADO (Screenplay Based on Material Previously Produced or Published)

– Alexander Payne, Nat Faxon, Jim Rash (Os Descendentes)

– John Logan (A Invenção de Hugo Cabret)

– George Clooney, Grant Heslov, Beau Willimon (Tudo Pelo Poder)

– Steven Zaillian, Aaron Sorkin, Stan Chervin (O Homem que Mudou o Jogo)

– Bridget O’Connor, Peter Straughan (O Espião que Sabia Demais)

MELHOR LONGA DE ANIMAÇÃO (Best Animated Feature Film of the Year)
– Um Gato em Paris, de Alain Gagnol e Jean-Loup Felicioli
– Chico & Rita, de Fernando Trueba, Javier Mariscal
– Kung Fu Panda 2, de Jennifer Yuh
– Gato de Botas, de Chris Miller
– Rango, de Gore Verbinski
MELHOR FILME ESTRANGEIRO (Best Foreign Language Film of the Year)
– Bullhead, de Michael R. Roskan (Bélgica)
– Footnote, de Joseph Cedar (Israel)
– In Darkness, de Agnieszka Holland (Polônia)
– Monsieur Lazhar, de Philippe Falardeau (Canadá)
– A Separação, de Asghar Farhadi (Irã)
MELHOR FOTOGRAFIA (Best Achievement in Cinematography) 
– Guillaume Schiffman (O Artista)
– Jeff Cronenweth (Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres)
– Robert Richardson (A Invenção de Hugo Cabret)
– Emmanuel Lubezki (A Árvore da Vida)
– Janusz Kaminski (Cavalo de Guerra)
MELHOR MONTAGEM (Best Achievement in Editing)
– Anne-Sophie Bion, Michel Hazanavicius (O Artista)
– Kevin Tent (Os Descendentes)
– Angus Wall, Kirk Baxter (Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres)
– Thelma Schoonmaker (A Invenção de Hugo Cabret)
– Christopher Tellefsen (O Homem que Mudou o Jogo)
MELHOR DIREÇÃO DE ARTE (Best Achievement in Art Direction)
– Laurence Bennett, Robert Gould (O Artista)
– Stuart Craig, Stephenie McMillan (Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2)
– Dante Ferretti, Francesca LoSchiavo (A Invenção de Hugo Cabret)
– Anne Seibel, Hélène Dubreuil (Meia-Noite em Paris)
– Rick Carter, Lee Sandales (Cavalo de Guerra)
MELHOR FIGURINO (Best Achievement in Costume Design)
– Lisy Christl (Anonymous)
– Mark Bridges (O Artista)
– Sandy Powell (A Invenção de Hugo Cabret)
– Michael O’Connor (Jane Eyre)
– Arianne Phillips (W.E. – O Romance do Século)
MELHOR MAQUIAGEM (Best Achievement in Makeup)
– Martial Corneville, Lynn Johnson, Matthew W. Mungle (Albert Nobbs)
– Nick Dudman, Amanda Knight, Lisa Tomblin (Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2)
– Mark Coulier, J. Roy Helland (A Dama de Ferro)
MELHOR TRILHA MUSICAL (Best Achievement in Music Written for Motion Pictures, Original Score)
– John Williams (As Aventuras de Tintim)
– Ludovic Bource (O Artista)
– Howard Shore (A Invenção de Hugo Cabret)
– Alberto Iglesias (O Espião que Sabia Demais)
– John Williams (Cavalo de Guerra)
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL (Best Achievement in Music Written for Motion Pictures, Original Song)
– “Man or Muppet”, de Bret McKenzie (Os Muppets)
– “Real in Rio”, de Sergio Mendes, Carlinhos Brown, Siedah Garrett (Rio)
MELHOR SOM (Best Achievement in Sound Mixing)
– David Parker, Michael Semanick, Ren Klyce, Bo Persson (Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres)
– Tom Fleischman, John Midgley (A Invenção de Hugo Cabret)
– Deb Adair, Ron Bochar, David Giammarco, Ed Novick (O Homem que Mudou o Jogo)
– Greg P. Russell, Gary Summers, Jeffrey J. Haboush, Peter J. Devlin (Transformers: O Lado Oculto da Lua)
– Gary Rydstrom, Andy Nelson, Tom Johnson, Stuart Wilson (Cavalo de Guerra)
MELHORES EFEITOS SONOROS (Best Achievement in Sound Editing)
– Lon Bender, Victor Ray Ennis (Drive)
– Ren Klyce (Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres)
– Philip Stockton, Eugene Gearty (A Invenção de Hugo Cabret)
– Ethan Van der Ryn, Erik Aadahl (Transformers: O Lado Oculto da Lua)
– Richard Hymns, Gary Rydstrom (Cavalo de Guerra)
MELHORES EFEITOS VISUAIS (Best Achievement in Visual Effects)
– Tim Burke, David Vickery, Greg Butler, John Richardson (Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2)
– Robert Legato, Joss Williams, Ben Grossmann, Alex Henning (A Invenção de Hugo Cabret)
– Erik Nash, John Rosengrant, Danny Gordon Taylor, Swen Gillberg (Gigantes de Aço)
– Joe Letteri, Dan Lemmon, R. Christopher White, Daniel Barrett (Planeta dos Macacos: A Origem)
– Scott Farrar, Scott Benza, Matthew E. Butler, John Frazier (Transformers: O Lado Oculto da Lua)
MELHOR DOCUMENTÁRIO (Best Documentary, Features)
– Hell and Back Again, de Danfung Dennis, Mike Lerner
– If a Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front, de Marshall Curry, Sam Cullman
– Paradise Lost 3: Purgatory, de Joe Berlinger, Bruce Sinofsky
– Pina, de Wim Wenders, Gian-Piero Ringel
– Undefeated, de Daniel Lindsay, T. J. Martin, Rich Middlemas
MELHOR DOCUMENTÁRIO-CURTA (Best Documentary, Short Subjects)
– The Barber of Birmingham: Foot Soldier of the Civil Rights Movement, de Robin Fryday, Gail Dolgin
– God is the Bigger Elvis, de Rebecca Cammisa, Julie Anderson
– Incident in New Baghdad, de James Spione
– Saving Face, de Daniel Junge, Sharmeen Obaid-Chinoy
– The Tsunami and the Cherry Blossom, de Lucy Walker, Kira Cartensen
MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO (Best Short Film, Animated)
– Dimanche, de Patrick Doyon
– The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore, de William Joyce, Brandon Oldenburg
– La Luna, de Enrico Casarosa
– A Morning Stroll, de Grant Orchard, Sue Goffe
– Wild Life, de Amanda Forbis, Wendy Tilby
MELHOR CURTA-METRAGEM (Best Short Film, Live Action)
– Pentecost, de Peter McDonald
– Raju, de MaxZähle, Stefan Gieren
– The Shore, de Terry George, Oorlagh George
– Time Freak, de Andrew Bowler, Gigi Causey
– Tuba Atlantic, de Hallvar Witzø
Nove para Melhor Filme? No post anterior, comentei a forte possibilidade de indicarem um número incomum como 7 ou 9. Dito e feito. Foram nove filmes que passaram da nova nota de corte do Oscar. O filme de Stephen Daldry, Tão Forte e Tão Perto conseguiu uma vaga e só mais uma outra indicação: ator coadjuvante. Curiosamente, no anúncio dos indicados, o filme foi deixado propositadamente por último, realçando que se tratava do nono filme.
Agora, se a Academia resolvesse arredondar para 10 filmes, provavelmente a comédia Missão Madrinha de Casamento teria entrado na briga.

Tão Forte e Tão Perto: O nono filme

Recordista de Indicações: Como previsto, o filme de Martin Scorsese, A Invenção de Hugo Cabret, levou 11 indicações e foi o recordista, o que aumenta muito suas chances de ganhar Melhor Filme. Logo em seguida, vem O Artista com 10 indicações. Nesse quesito de número de indicações, Os Descendentes sai um pouco atrás porque levou apenas 5.
Atores na Lista e Outros Esquecidos: Nunca é possível agradar a todos nas categorias de atuação. Sempre fica faltando alguém que acaba se juntando ao grupo “Os injustiçados do Oscar”.  Talvez a maior surpresa tenha ficado por conta do veterano Max von Sydow, que foi indicado para ator coadjuvante, batendo nomes como Albert Brooks, Viggo Mortensen e Armie Hammer. Sydow ficou mundialmente conhecido pelo papel de Padre Merrin em O Exorcista e foi parceiro fiel do diretor Ingmar Bergman nas produções suecas. O mexicano Démian Bichir também pode ser considerado uma surpresa na categoria de Melhor Ator, mesmo tendo sido indicado pelo SAG Awards.

Max von Sydow: já era idoso desde 1973 em O Exorcista

A ausência que mais senti foi do ator Michael Fassbender pelo drama Shame. O ator alemão vem conquistando público e crítica desde seu trabalho no filme independente Hunger e mais recentemente em Um Método Perigoso e no blockbuster X-Men: Primeira Classe. Merecia uma indicação, mas talvez o fato de seu filme apresentar cenas de nudez frontal tenha assustado os membros mais reservados da Academia. Uma pena…
Pelo lado feminino, senti a falta da Tilda Swinton pelo drama Precisamos Falar Sobre o Kevin. Sua atuação foi bastante elogiada e vem conquistando alguns prêmios importantes, mas provavelmente pelo fato do filme tratar de um tema forte (Kevin é um jovem que matou colegas na escola), Swinton tenha perdido sua chance mais pelo conservadorismo. Outro erro da Academia…
Dos nomes mais frequentes em premiações, a jovem Shailene Woodley pelo filme Os Descendentes também ficou de fora na disputa de atriz coadjuvante. Melissa McCarthy roubou a cena na comédia Missão Madrinha de Casamento e sua vaga, aparentemente. Mas Shailene é um rosto jovem e novo no mercado e acredito que terá muitas oportunidades. Só espero que ela não desande em refilmagens de terror teenagers.

Shailene Woodley: Que seu talento não seja desperdiçado em tranqueiras

Ryan Gosling foi outro nome que apareceu bastante nas listas, mas não conseguiu chegar à final. Apesar de ter feito 3 trabalhos em 2011: Drive, Tudo Pelo Poder e Amor à Toda Prova, Gosling fica de mãos abanando. Mas se ele apresentar um bom trabalho em 2012, certamente ele voltará ao Oscar no ano que vem.
Pra não dizerem que só reclamo, gostei da indicação de Gary Oldman. O ator britânico já tem uma extensa filmagrafia e com essa nova ascensão, merecia um reconhecimento por parte da Academia. Espero que sua carreira decole ainda mais e papéis mais interessantes cheguem mais à sua mesa.
Dois Robôs nos Efeitos: Não botava fé que o terceiro filme do Transformers fosse conseguir uma vaga na categoria de efeitos visuais. OK, votei no quarto filme do Piratas do Caribe, mas pelo menos os efeitos sempre apresentam algo diferente, tipo criaturas feitas de vegetais ou com tentáculos como barba. E fizeram uma campanha tão forte para que o último filme do Harry Potter vingasse em categorias principais, mas não deu certo. Tiveram que se contentar com direção de arte, efeitos visuais e maquiagem. E deve ganhar pela maquiagem, mais como conjunto da obra dos 8 filmes.
Filmes Estrangeiros Estranhos: Cadê a França, Itália, Japão, Alemanha e Espanha? O representante alemão, Pina, de Wim Wenders foi compensando da eliminação pela indicação na categoria de documentário (sim, veja como a mágica do planejamento do Oscar funciona). Se em edições anteriores, o Oscar de Filme Estrangeiro foi uma surpresa, este ano não deve escapar do favorito: o iraniano A Separação.
Animações Estranhas: Lembram-se dos filmes franceses e espanhóis que faltaram na categoria de Filme Estrangeiro? Mudaram-se para a categoria de Melhor Animação! Um Gato em Paris e Chico & Rita. Conhecem? Prazer! Fiquei com a mesma cara de dúvida no anúncio dos indicados. “Que raio de animações são essas?” Mas não sei se é porque a categoria de animação é nova, mas o Oscar tem mantido uma tradição boa de trazer alguns trabalhos meio desconhecidos para o holofote e revelar novos talentos.

Chico & Rita: Trabalho mais da linha adulta

Um Gato em Paris: produção francesa com traços fortes

Indicações ao Oscar 2012 amanhã!

Em 2011, Mo’Nique divide a tarefa de anunciar os indicados

Todo ano o anúncio das indicações ocorre numa terça de manhã. Lá em Los Angeles às 5h30 e aqui, em São Paulo, em horário de verão, às 11h30. Já tive algumas oportunidades de assistir ao vivo pela TV pelos canais Telecine e CNN, mas hoje em dia, pela internet, é possível acompanhar em tempo real (streaming).

Parece idiotice eu dizer que, apesar de todo ano se repetir esse ritual do Oscar, ainda sinto um friozinho na barriga. Por mais que eu reclame dos filmes atuais, das porcarias que são lançadas nos cinemas e da covardia dos produtores de Hollywood, gosto de acompanhar o Cinema, porque sempre surgem novos talentos em todos os campos, em todos os países e em todos os gêneros de filme. Nem sempre aquele que a mídia lança como um novo talento realmente se mostra tão promissor, mas o que seria da Arte se apenas os bons trabalhassem? (Eu sei, eu sei… tem gente com a resposta na ponta da língua!)

E com o anúncio das indicações amanhã, talvez o mais importante seja que a vida de muita gente pode mudar para melhor. Uma indicação ao Oscar representa um reconhecimento internacional do trabalho de um artista, seja ele um ator ou um sound mixer. Uma indicação significa um upgrade na carreira de qualquer um e automaticamente no salário! E, se o indicado (e talvez futuro vencedor) do Oscar for inteligente, ele aproveitará as várias oportunidades que lhe serão oferecidas para buscar um desafio ainda maior, afinal, um Oscar (e sua indicação) pode muito bem acabar se tornando uma maldição e enterrar a carreira também.

Mas, no geral, o Oscar melhora e muito a vida do artista. E por isso, que muitos deles estarão acordados às 5h30 para acompanhar o anúncio (ou se estiverem dormindo, certamente seus agentes estarão com os olhos grudados na TV para já contabilizar a fortuna que vem adiante). Eu mesmo adoraria assistir ao anúncio, mas pelo horário deve ficar difícil. Quem sabe não passo na frente de uma TV pra pelo menos ver como a Jennifer Lawrence vai estar vestida?

Bom, quanto às probabilidades, dá pra adiantar que tem muita gente com o nome praticamente garantido na lista amanhã. Quem não apostaria que o George Clooney e a Meryl Streep não estarão entre os nomes indicados? Seria loucura total! Vamos analisar algumas categorias e medir as chances de alguns atores, diretores, roteiristas…

MELHOR FILME

Ah sim, este ano a coisa muda. Sim, de novo! Se a partir de 2010, 10 filmes foram indicados, agora é assim: 5 filmes no mínimo e 10 no máximo. O que isso quer dizer? Que 5 filmes estão garantidos, mas pode figurar um número não-convencional de filmes indicados como 7 ou 9. Nove filmes indicados a Melhor Filme? Sim. Dependendo da porcentagem que um filme consegue, ele pode não conseguir ultrapassar essa espécie de nota de corte do Oscar e sequer competir porque suas chances seriam ínfimas.

Quais os 5 que estão praticamente garantidos? Vejamos:

1. Os Descendentes

2. A Invenção de Hugo Cabret

3. Meia-Noite em Paris

4. Histórias Cruzadas

5. O Artista

São filmes que praticamente apareceram em todas as listas e têm chances reais de ganhar Melhor Filme. Além disso, todos devem colecionar um bom número de indicações, principalmente A Invenção de Hugo Cabret, que apresenta uma ótima direção de arte, um esplêndido trabalho de efeitos visuais e fotografia, sem contar as categorias de som e efeitos sonoros.

Aliás, também sempre fica essa questão no ar: Qual filme será o recordista de indicações? Todo ano tem um campeão. Nos últimos 20 anos, 15 recordistas do ano levaram Melhor Filme. Ano passado, O Discurso do Rei foi o recordista com 12 indicações.

Algumas apostas correm por fora como Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres, O Homem que Mudou o Jogo, Cavalo de Guerra, Missão Madrinha de Casamento e A Árvore da Vida. Sendo que este último tem perdido muito de seu fôlego para esta reta final do Oscar, pois nem figurou entre os indicados ao Globo de Ouro, nem no SAG Awards.

Gary Oldman em O Espião que Sabia Demais

CATEGORIAS DE ATUAÇÃO

Na ala masculina, George Clooney, Brad Pitt, Jean Dujardin e até mesmo Michael Fassbender têm chances bastante concretas de indicação. A briga ficaria mais acirrada pela quinta e última vaga. Muitos especialistas estão apostando nessa briga entre Leonardo DiCaprio (por J. Edgar) e Gary Oldman (por O Espião que Sabia Demais). Particularmente, acredito que DiCaprio tem conseguido mudar sua imagem de bom mocinho e queridinho das meninas do então Jack de Titanic e até de Diário de um Adolescente, mas sinceramente, ainda tem que comer muito arroz e feijão para chegar ao nível de Gary Oldman. Ao contrário do jovem, Oldman sempre buscou se entregar ao máximo em cada papel, não se limitando às transformações físicas e de maquiagem, tanto que seus personagens não apresentam semelhança. O Drácula de Drácula de Bram Stoker, o Comissário Gordon dos filmes do Batman, o assassino frio Stansfield de O Profissional, o vilão engraçado de O Quinto Elemento e como Sid Vicious em Sid & Nancy. Gary Oldman sempre foi um coringa, nunca sendo maior do que o papel. E nesse trabalho como espião, seu trabalho merece ser coroado pela Academia pela primeira vez! Leonardo DiCaprio já foi indicado 3 vezes e nunca teve chances reais de ganhar.

Rooney Mara em Millennium

Já na ala feminina, fica a dúvida se a jovem Rooney Mara conseguirá uma vaga como Melhor Atriz. Há 2 questões em se tratando de Mara. Primeiro: Ela vai concorrer como atriz ou como atriz coadjuvante? Se para as associações de críticos, ela foi coadjuvante, para o Globo de Ouro e o BAFTA, Rooney foi considerada para atriz principal. Pelo histórico de confusões desse tipo, acredito que se forem indicá-la, será como coadjuvante pois suas chances serão concretas. Olha só o nível de competição na categoria principal: Meryl Streep, Viola Davis, Tilda Swinton, Michelle Williams e Glenn Close. Pense a respeito.

Outra dúvida que muitos aguardam uma resposta positiva é uma possível indicação para Andy Serkis. Em 2011, apesar de ter trabalhado na animação de As Aventuras de Tintim, Serkis brilhou ao dar vida ao macaco Cesar em Planeta dos Macacos: A Origem. Nenhum ator já conquistou o que Serkis conseguiu no campo do motion capture. Ele foi descoberto na pele do atormentado Gollum em O Senhor dos Anéis – As Duas Torres, criando o novo Kong em King Kong, voltando sua parceria de sucesso com Peter Jackson. Muito se especula sobre uma indicação como coadjuvante, mas a Academia sempre teve essa barreira de conservadorismo que a impede de dar passos largos. Acho pouco provável, mas não impossível, afinal a mesma Academia criou novas categorias ao longo dos anos como Melhor Maquiagem na década de 80 e Melhor Animação em 2001.

MELHOR DIRETOR

Martin Scorsese, Alexander Payne e Michel Hazanavicius podem passar. As poltronas já estão reservadas. Woody Allen pode aparecer na lista e deve causar um frisson em muita gente se isso se confirmar. Talvez o único porém seja o lado anti-social do diretor, que prefere tocar seu clarinete no pub. Mas suas chances são melhores este ano do que com Vicky Cristina Barcelona. Fica a última vaga aberta, disputada a tapa entre David Fincher (Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres), Nicolas Winding Refn (Drive), George Clooney (Tudo Pelo Poder) e até Tate Taylor (Histórias Cruzadas), sendo que Fincher teve leve vantagem por ter sido indicado ao DGA – Directors Guild of America. O veterano Terrence Malick corre ainda, mas muito por fora por A Árvore da Vida, que agora parece com mais cara de filme de festival do que competição.

MELHORES EFEITOS VISUAIS

Saiu a lista de 10 finalistas. Os títulos que escaparam do risco são minha aposta para as 5 indicações.

Capitão América – O Primeiro Vingador

– Harry Potter e as Relíquias Macabras – Parte 2

– A Invenção de Hugo Cabret

Missão: Impossível 4 – Protocolo Fantasma

– Piratas do Caribe – Navegando em Águas Misteriosas

– Gigantes de Aço

– Planeta dos Macacos: A Origem

Transformers – O Lado Oculto da Lua

A Árvore da Vida

X-Men: Primeira Classe

Fiquei na dúvida se eliminaria o Transformers, mas como não acredito que a categoria terá 2 filmes com robôs, aposto mais em Gigantes de Aço, que parece saber mesclar melhor efeitos digitais de computação com efeitos especiais no estúdio. Além disso, quem quer ver mais filmes de Transformers? Pra mim já poderia ter parado no primeiro…

MELHOR FILME ESTRANGEIRO

Assim como efeitos visuais, a categoria passa por peneiras. Quatro finalistas cairão amanhã.

Bullhead, de Michael R. Roskam (Bélgica)

Footnote, de Joseph Cedar (Israel)

Pina, de Wim Wenders

In Darkness, de Agnieszka Holland (Polônia)

Monsieur Lazhar, de Philippe Falardeau (Canadá)

Omar Killed Me, de Roschdy Zem (Marrocos)

Pina, de Wim Wenders (Alemanha)

A Separação, de Asghar Farhadi (Irã)

Superclásico, de Ole Christian Madsen (Dinamarca)

Warriors of the Rainbow: Seediq Bale, de Te-Sheng Wei (Taiwan)

Explico. O filme polonês é sobre resgate de refugiados judeus. Ponto. Já os representantes israelense e iraniano apresentam temática de conflitos familiares que a Academia adora, além disso, o primeiro ganhou Melhor Roteiro em Cannes, enquanto o segundo tem sido um papa-prêmio e levou o Urso de Ouro em Berlim. Enquanto o alemão Wim Wenders já é um cineasta consagrado que nunca levou o Oscar, mas já foi indicado para Melhor Documentário pela fabuloso Buena Vista Social Club. E, sempre rola uma mega produção asiática e este ano, esse filme taiwanês tem tudo para ocupar a vaga.

Ryan Gosling em Drive

No geral, apesar do Oscar ficar cada vez mais previsível devido ao grande número de prêmios que o antecedem, sempre apreciei uma surpresa. De repente, um indicado que não estava figurando nas listas anteriores, mas que muitos se esqueceram de incluir nos Melhores do Ano é sempre bem-vindo. Normalmente, a “surpresa” não ganha o Oscar, mas por outro lado, constrói uma boa imagem inesperada que pode criar um sucesso como num passe de mágica. Um exemplo disso foi a indicação do jovem Ryan Goslin pelo filme Half Nelson em 2007. Ele concorreu com nomes de peso como Peter O’Toole e perdeu para Forest Whitaker, mas hoje está aproveitando ótimas oportunidades e estrelou pelo menos 3 filmes de sucesso em 2011: Drive, Amor à Toda Prova e Tudo Pelo Poder.

Tropa de Elite 2 está fora e o sonho do Oscar chega ao fim para o Brasil

Tropa de Elite 2: Oficialmente fora do Oscar 2012

Para aqueles que aguardavam ansiosamente uma indicação para Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro, sinto em informar que a Academia apagou a luz no fim desse túnel. Foi divulgada a lista com os 9 finalistas (feito conquistado pelo drama O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, de Cao Hamburger em 2007) que se tornarão apenas 5 no dia 24 de janeiro, dia do anúncio das indicações ao Oscar. Segue a lista:

Bullhead, de Michael R. Roskam (Bélgica)

Footnote, de Joseph Cedar (Israel)

In Darkness, de Agnieszka Holland (Polônia)

Monsieur Lazhar, de Philippe Falardeau (Canadá)

Omar Killed Me, de Roschdy Zem (Marrocos)

Pina, de Wim Wenders (Alemanha)

A Separação, de Asghar Farhadi (Irã)

Superclásico, de Ole Christian Madsen (Dinamarca)

Warriors of the Rainbow: Seediq Bale, de Te-Sheng Wei (Taiwan)

Mas o tom negativo do post não se limita apenas à exclusão do filme de José Padilha. Infelizmente, a categoria de Melhor Filme Estrangeiro ainda apresenta algumas regras muito arcaicas que impossibilitam muitos filmes de qualidade de sequer competir.

O Tigre e o Dragão, de Ang Lee. Melhor Filme Estrangeiro de 2000.

Se tais regras fossem quebradas, certamente mais filmes poderiam competir e conquistar o público internacional como fizeram o taiwanês O Tigre e o Dragão e o alemão A Vida dos Outros, ambos vencedores do Oscar de Filme Estrangeiro e donos de uma arrecadação que ultrapassa os 100 milhões de dólares.

A Vida dos Outros, de Florian Henckel. Melhor Filme Estrangeiro de 2006.

Existe uma regra da Academia que obriga cada país participante a escolher apenas UM filme. Então, assim como é feito no Brasil, membros de uma comissão como o MinC (Ministério da Cultura) votam entre os filmes lançados em cada ano, o que nem sempre corresponde ao melhor filme do ano. Em 2002, por exemplo, Fale com Ela, de Pedro Almodóvar não foi selecionado pela comissão de seu país e a Espanha sequer figurou entre os indicados. Felizmente, como muitos artistas em Hollywood apreciam a obra do diretor, ele levou o Oscar de Roteiro Original naquela edição. Este ano, o esnobado pelo próprio país foi o francês O Artista, filme que já levou o Globo de Ouro e vários prêmios da crítica americana. Por esse motivo, não poderá concorrer a Melhor Filme Estrangeiro.

Outra regra ultrapassada que não corresponde ao cinema globalizado de hoje consiste na obrigação de empregar atores nascidos no país da origem do filme em papéis-chaves na trama (além de ter que falar o idioma local). Pela Albânia, o filme de Joshua Marston (diretor de Maria Cheia de Graça, 2004), Forgiveness foi desqualificado por não cumprir essa regra. Enquanto que o filme de Angelina Jolie, In the Land of Blood and Honey, não pôde concorrer por se tratar de uma produção americana, mesmo tendo empregrado atores da hoje extinta Iugoslávia.

Ainda falta outro grande absurdo. Ok, foram selecionados os 63 filmes do mundo este ano para tentar conquistar uma famigerada vaga na categoria. E agora? Quem vai poder votar nesses filmes e eliminar 58 trabalhos? Existe algo chamado Academy’s foreign-language selection committee (Comitê de Seleção de Filme Estrangeiro da Academia), composta por membros preparados para ficar com o traseiro quadrado de tanto assistir filmes. Eles são divididos em grupos de 4 cores e cada membro deve ver pelo menos 80% dos filmes de seu grupo. Mas, como todos sabem, quem consegue tempo pra assistir a tantos filmes? Sim, chamem membros já no conforto da aposentadoria que não querem mais ficar em casa vendo a mulher reclamar! A lotação dessas sessões de filmes estrangeiros deve se assemelhar àquelas que ocorrem em asilos em que as enfermeiras ligam pra sossegar os agitados. Cerca de 300 (heróicos) membros conseguem assistir a todos os filmes e votar numa escala de 7 a 10, criando uma média para a seleção, o que significa que se 10 ou 100 pessoas virem um filme, é a média desses 300 membros que conta.

“Hooray! Vou eliminar 58 filmes!”. Perdoem-me se imagino 300 Srs. Fredericksens na sala de cinema.

Resultado? Os finalistas sempre têm temas mais antigos. Eles adoram filmes que se passam na 2ª Guerra Mundial, com judeus sofrendo e nazistas cumprindo seus papéis de malvados, sem esquecer dos soldados americanos que sempre chegam pra salvar o dia. O segundo tema mais querido pelos membros velhinhos de Hollywood é a questão do racismo. Se seu filme tem conflitos raciais e se passa na Segunda Guerra, coloca pra competir! Mas lembre-se que não pode haver violência excessiva. Isso assusta os membros e pode causar uma taquicardia. Você acha que foi fácil um pobre membro assistir a Tropa de Elite 2? E Cidade de Deus com aquele lance de “você prefere um tiro no pé ou na mão?”? Cinema violento não tem lugar na categoria de Filme Estrangeiro. Por isso mesmo que o cinema sul-coreano nunca teve uma chance sequer, pois tem como característica muito marcante a violência e o sexo. Ah sim, o sexo é algo obsceno demais. Os membros cobrem seus olhos nas cenas mais picantes.

Mas voltando ao processo de eliminação de filmes, as 6 obras mais votadas pelos membros que assistiram aos filmes passam para uma shortlist, que inclui ainda mais 3 filmes selecionados por um comitê executivo de 20 pessoas. Atualmente, nesse super-comitê constam nomes consagrados do Cinema como o diretor alemão Florian Henckel von Donnersmarck, diretor de fotografia polonês do Spielberg, Janusz Kaminski, e o roteirista de O Jogador (1992), Michael Tolkin. Esse comitê pode não desfazer todas as injustiças da seleção dos membros idosos, mas evita maiores catástrofes.

Divulgada a lista de 9 finalistas, os filmes são projetados num final de semana para 20 votantes de Los Angeles e 10 de Nova York. Esses votantes são escolhidos pelo presidente do super-comitê, que visa uma votação mais completa pois procura por membros veteranos em diversas áreas do Cinema. No final, eles cortam 4 filmes, elegendo então os 5 indicados. E, para completar a burocracia: Só membros que comprovem que viram os 5 indicados no cinema (não, não pode ser em DVD e Blu-ray – tem que mostrar o ingresso!) podem votar no vencedor, ou seja, voltam os membros idosos que selecionaram anteriormente com suas escolhas arcaicas.

O Segredo de seus Olhos, de J.J. Campanella. Segundo e Merecido Oscar para Argentina.

Contudo, apesar de todos os problemas e a falta dessa reforma na legislação da Academia, não dá pra sair reclamando de tudo. Por incrível que pareça, o Oscar foi para alguns ótimos filmes nessa última década que me surpreenderam muito positivamente. Foram os casos das vitórias do belo argentino O Segredo de Seus Olhos, de Juan José Campanella, do instigante alemão A Vida dos Outros, de Florian Henckel von Donnersmarck, e do tocante japonês A Partida, de Yôjirô Takita.

Quanto ao Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro, houve alguns contratempos que atrapalharam um alcance maior na temporada de premiações, sendo uma delas a ausência no Globo de Ouro. Como o filme estreou no Brasil em outubro de 2011, não pôde concorrer porque as regras da Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood exige que o filme tenha sua estréia a partir de novembro. Mas mesmo sem os grandes prêmios, o filme de José Padilha confirma o amadurecimento do nosso Cinema. A sequência apresenta um roteiro muito mais consistente e personagens mais fortes. A trama em si é muito corajosa por bater de frente com o velho problema da política no Brasil. Quem não queria estar na pele do Capitão Nascimento ao esbofetear um político corrupto?

Agora, com José Padilha assumindo o projeto de refilmagem do filme RoboCop, o Brasil fica órfão de mais um diretor competente pra tentar buscar a cobiçada estatueta do Oscar. Gostaria que Walter Salles e Fernando Meirelles, cujas carreiras internacionais não conseguiram deslanchar de vez, voltassem e fizessem um filme aqui pra manter essa frequência de qualidade anual.

No dia 8 de dezembro de 2011, Tropa de Elite 2 se tornou o filme mais visto da História do Cinema Brasileiro, quando atingiu a marca de 10.736.995 espectadores após nove semanas de exibição, ultrapassando a marca histórica de 1976, de Dona Flor e seus dois maridos, de Bruno Barreto.

Vencedores do 69th Golden Globes

Ricky Gervais amordaçado

Eu sei, eu sei. I SUCK! Das 14 indicações para Cinema, acertei apenas 9! Que vergonha! Mesmo assim, devemos nos manter humildes. Em se tratando de premiações, que podem ser bem imprevisíveis às vezes, digo que em alguns casos seria melhor saber menos porque você acaba acertando mais nas apostas. Sim, eu já perdi no bolão pra gente que nem sabia quem era Roman Polanski…

No geral, os resultados foram bastante democráticos, tanto que o filme que mais ganhou, O Artista, levou apenas 3 Globos de Ouro, comprovando que não há grandes favoritos na corrida para o Oscar. Em 2º lugar, Os Descendentes levou Melhor Filme – Drama e Ator – Drama para George Clooney. Na briga por diretor, Martin Scorsese, que já havia vencido 2 vezes por Os InfiltradosGangues de Nova York, surpreendeu ao bater Michel Hazanavicius e Alexander Payne (talvez pelos votos terem se dividido entre ambos, Scorsese tenha vencido).

Enfim, a coisa que mais aguardei ansioso foi o host Ricky Gervais. Mas onde ele estava? Parecia que haviam colocado uma mordaça em sua boca (como no pôster da premiação)! Ele não estava tão diabólico como no ano passado, disparando os podres das celebridades e jogando m**** no ventilador. Ficou nítido que o senso de humor de Gervais não era mais o mesmo… parecia que tinha voltado de uma lobotomia! Ele pegou mais leve dessa vez e fica essa questão se ele realmente foi ou não pressionado pela Associação de Imprensa Estrangeira a tirar o pé do acelerador, provavelmente a pedido das celebridades, que suavam frio toda vez que ele abria a boca.

Curiosamente, ele comenta e até faz piada sobre o assunto quando retira de seu bolso uma lista das ofensas que ele estaria proibido de falar. “Sem profanidade, tudo bem, eu tenho um amplo vocabulário”, ele diz. “E não mencione nada de Mel Gibson, e especialmente o Beaver (castor) da Jodie Foster” – fazendo alusão ao filme dirigido por Foster intitulado The Beaver, e traduzido aqui como Um Novo Despertar. As piadas sobre Mel Gibson eram as melhores, pois como anti-semita assumido, Ricky adorava cutucar.

Apesar do humor ácido ter reduzido drasticamente, Gervais conseguiu algumas pérolas como essa: “O Globo de Ouro está para o Oscar como Kim Kardashian está para Kate Middleton, mas um pouco mais escandalosa, um pouco mais trash e mais facilmente subornável”. Ou no começo da cerimônia, quando ele introduz Johnny Depp e pergunta ao ator: “Johnny, você viu O Turista?”, deixando Depp numa saia curta. Achei que ele estava apenas esquentando, mas ficou meio morno a cerimônia toda, tendo picos leves como quando introduziu a Madonna:

“Nossa próxima apresentadora é a Rainha do Pop – senta aí, Elton (John), não você. Ela é quase como uma virgem (fazendo referência ao sucesso da música dela Like a Virgin): Madonna!” 

Madonna, que não é flor que se cheire retrucou ao alcançar o microfone: “Se eu ainda sou como uma virgem, Ricky, por que você não vem aqui e  faz algo a respeito? Eu não beijo uma garota há anos… na TV!” – Em seguida, ao fundo, Ricky Gervais corre de um lado para o outro do palco, arrancando risadas da platéia.

A parte mais chata de assistir a essas premiações são as propagandas da TNT. Como a maioria dos blocos só cabia 2 prêmios, então havia muitos intervalos e já no segundo, você já cansa de ver as chamadas dos filmes Entre Irmãos, Operação Babá, Sex and the City – O Filme,  o trailer do Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres. E sem contar que tava quase comprando o carro novo da Fiat, o Bravo.

Quanto aos resultados, o Estado de S. Paulo deu o título de Divisão Amigável, pois os prêmios foram tão bem-divididos que dá a impressão de que foi tudo planejado, e não votado.

Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)

ATOR COADJUVANTE: Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)

A briga estava entre Plummer e Albert Brooks, uma vez que ambos ganharam boa parte dos prêmios da crítica, mas o veterano saiu vitorioso. Fiquei com a pulga atrás da orelha se foi um prêmio pela carreira ou pela performance e loquei o filme. Como eu disse um post anterior, o papel dele nesse filme tem todo o jeito de prêmio. Acompanhe: idoso, recém-viúvo, assume homossexualidade aos 75 anos e em seguida, descobre ter câncer. Chamam um ator de renome e pronto! Aí está a receita do Oscar. Não obstante, Plummer consegue humanizar bastante seu personagem e tenta fugir a todo custo do rótulo do gay idoso. Ele consegue cativar seu filho (Ewan McGregor) e o público sem grande esforço. Se está melhor que Albert Brooks? Quando estrear o Drive por aqui, eu confirmo em seguida, mas até lá, Plummer tem o direito de ficar com seu Globo de Ouro.

TRILHA MUSICAL: Ludovic Bource (The Artist)

Como descrevi no post anterior, quando se trata de um filme mudo, a trilha musical ganha importância desproporcional. A música passa a ocupar um espaço de um personagem. E acredito que as chances de Ludovic no Oscar só aumentaram com esse Globo de Ouro.

CANÇÃO: Masterpiece, de Madonna (W.E. – O Romance do Século)

Talvez tenha sido a maior surpresa da noite. Não que Madonna não seja um nome de peso numa categoria de canção, mas como seu filme não foi tão bem divulgado e provavelmente já deve ter sido criticado, um prêmio estaria fora de cogitação, ainda mais com concorrentes de renome como Elton John e Mary J. Blige. Aliás, esta última era considerada a favorita pela tocante canção de Histórias Cruzadas. No Oscar, como os últimos vencedores não foram favoritos, a corrida está bem aberta.

Michelle Williams (Sete Dias com Marylin)

ATRIZ – COMÉDIA/MUSICAL: Michelle Willams (Sete Dias com Marylin)

Desde que vi a primeira foto de Michelle Williams como a diva Marylin Monroe, eu sabia que ela estaria nessa temporada de prêmios. Além de ela ter ficado bem parecida (sim, isso inclui artefatos no bumbum), Michelle está em plena ascensão na carreira e deixou de ser a ex-esposa de Heath Ledger. Nesse Sete Dias com Marylin, não deve ter sido uma tarefa fácil copiar o jeito meigo da loira de O Pecado Mora ao Lado.

ANIMAÇÃO: As Aventuras de Tintim, de Steven Spielberg

Por mais que não tenha visto o filme ainda, confesso que na hora fiquei um pouco indignado que Rango perdeu. Quero dizer, parece que a Associação de Imprensa Estrangeira queria apenas agradar o Sr. Spielberg e não deixá-lo sair de mãos abanando. Sei que As Aventuras de Tintim deve ser praticamente perfeito tecnicamente, mas fiquei decepcionado que Rango não foi reconhecido porque merecia. Enfim, só me resta torcer para que esse prêmio tenha sido justo.

ROTEIRO: Woody Allen (Meia-Noite em Paris)

Sim, Woody Allen ainda sabe escrever muito bem. O que ele ainda não sabe é receber prêmios! Ele não compareceu à festa e perdeu a oportunidade de agradecer o reconhecimento. Meia-Noite em Paris merecia pelo menos um prêmio e acho que roteiro seria o mais justo de fato. O trabalho novo de Allen é maduro, mas sem esquecer suas raízes lúdicas e humorísticas. Todos na sala sabiam disso, tanto que aplaudiram fervorosamente.

FILME ESTRANGEIRO: A Separação, de Asghar Farhadi (Irã)

O filme iraniano conseguiu um grande feito de bater Almodóvar e Angelina Jolie que, por mais que não tenha prestígio como diretora, é muito querida pela imprensa. Pelos comentários de alguns críticos, o filme consegue sintetizar a História do próprio Irã

Octavia Spencer (Histórias Cruzadas)

numa trama sobre relacionamentos e família. Talvez por isso também concorra a Melhor Roteiro Original no Oscar.

ATRIZ COADJUVANTE: Octavia Spencer (Histórias Cruzadas)

Octavia Spencer bate a colega Chastain. Seu papel em Histórias Cruzadas já vinha sendo comentado antes mesmo da temporada de premiação. Na hora de seu discurso, ela me lembrou a Hattie McDaniel, por ser negra e também por interpretar uma doméstica em …E o Vento Levou.

DIRETOR: Martin Scorsese (A Invenção de Hugo Cabret)

Uma surpresa, mas uma grata surpresa. Martin é um grande diretor e grande amante do Cinema. Ele restaura e cuida de filmes antigos, preservando a História do Cinema. Além disso, é muito querido de atores, cineastas e equipes. Seu novo filme parece carregar toda essa paixão que Scorsese tem pelo Cinema, escalando ninguém menos que Georges Méliès, o inventor de efeitos especiais no Cinema. Michel Hazanavicius era forte candidato ao prêmio, mas como seu filme The Artist levou Melhor Filme – Comédia ou Musical, ficou tudo certo. Outra fato que é importante comentar aqui é que a vitória de Scorsese e Spielberg (animação), reconhece a qualidade do trabalho desses veteranos do Cinema em sua primeira experiência no formato 3D.

ATOR – COMÉDIA/MUSICAL: Jean Dujardin (The Artist)

Jean Dujardin (The Artist)


Os trejeitos e expressões de Jean Dujardin me lembram Gene Kelly em Cantando na Chuva. Aliás, The Artist lembra bastante a história de Cantando na Chuva ao falar sobre cinema mudo. Com essa vitória, Dujardin está garantido na categoria do Oscar.

ATRIZ – DRAMA: Meryl Streep (A Dama de Ferro)

Meryl Streep ou Viola Davis? O Globo de Ouro escolheu a veterana atriz que, este ano, apostou num papel inconvencional e difícil, pois Margaret Thatcher foi uma figura política bastante controversa na base do “ame ou odeie”. Pelo que li, A Dama de Ferro foca mais nos últimos anos da vida dela, quando ela luta contra a demência, tentando dessa forma cativar mais o público ao transformá-la numa mulher comum e frágil. A atuação de Streep tem sido bastante elogiada por ela conseguir reproduzir o sorriso, a entonação e as posturas de Thatcher. Vem aí seu 3º Oscar?

FILME – COMÉDIA/MUSICAL: The Artist, de Michel Hazanavicius

Prêmio merecido. Quem faria um filme preto-e-branco, mudo, sobre Hollywoodland nos anos 20 com elenco desconhecido e francês? Uma vitória pela ousadia acima de tudo. Quando o filme estrear, veremos sua consistência.

George Clooney (Os Descendentes)

ATOR – DRAMA: George Clooney (Os Descendentes)

Quem não gosta do George? Ele é carismático, charmoso, bem-humorado e defende causas nobres. Ok, eu sei, o prêmio não reconhece características pessoais. Eu vi alguns trailers de Os Descendentes e estou bastante ansioso pra ver. Muitos estão dizendo que se trata do melhor trabalho de Clooney como ator. Deve ser mesmo, porque Alexander Payne é um diretor que sabe explorar seu elenco até o máximo. Jack Nicholson (As Confissões de Schmidt), Reese Witherspoon (Eleição) e Paul Giamatti (Sideways) que o digam. Admito que Clooney nunca teve um grande desafio como ator, mas se ele aceitou fazer esse filme com Payne e foi elogiado significa que ele reconhece suas limitações e está procurando melhorar. Ah, se todos os atores medíocres fizessem o mesmo…

FILME – DRAMA: Os Descendentes, de Alexander Payne

Se não ganhou Melhor Diretor e Melhor Roteiro, tem que ganhar Melhor Filme! Mas numa temporada sem grandes favoritos, Os Descendentes não tem nada garantido no Oscar. Será indicado? Sem sombra de dúvida. Ganhará um Oscar? Certeza 99%. Ganhará Melhor Filme? Putz, me pergunte daqui a um mês.

Dos demais resultados referentes a TV, desconheço muitas das séries indicadas e premiadas, mas fiquei feliz com a premiação da Laura Dern (que estava com a mãe Diane Ladd na platéia!), Kate Winslet pelo Mildred Pierce (parece bom, considerando também o diretor Todd Haynes) e Jessica Lange, como coadjuvante na nova série American Horror Story. Em seu discurso, ela agradece os roteiristas por criaram bom material para atores buscarem inspiração todo dia.

Apostas para o Globo de Ouro

Antes de prosseguir com o texto, uma errata: A cerimônia do Globo de Ouro será transmitida pelo canal TNT este ano, e não pela Sony. E, de acordo com o anúncio no Guia da Folha de S. Paulo, a TNT também se encarregará da transmissão dos seguintes prêmios:

15/01: GLOBO DE OURO. Pré-show a partir das 22h. Comentários de Rubens Ewald Filho.

29/01: SAG Awards. A partir das 23h.

12/02: GRAMMY. A partir das 23h.

26/02: OSCAR. Pré-show a partir das 20h30.

Ricky Gervais, único host que bebe enquanto apresenta

Bom, dito isso, estou ansioso pela entrega dos Globos de Ouro neste domingo. Mas confesso que estou um pouco mais ansioso para ouvir as piadas ácidas do anfitrião da noite, o ator britânico Ricky Gervais (mais conhecido pela série original do The Office), do que os próprios resultados. Explico: Gervais deixou quase todos indignados com seu humor nas últimas 2 edições do prêmio. Ele foge daquelas piadinhas prontas de teleprompter que os apresentadores recitam como se fossem T. S. Elliott. Nessas circunstâncias, torna-se um deleite observar esse improviso todo num evento tão bem preparado e programado para ser perfeito. Além disso, vemos como alguns alvos de piadas reagem (quando a câmera os pegam) e/ou rebatem os insultos. Tem gente que encara de boa, mas outros levam a sério e mostram aquele sorrisão amarelo.

Eis algumas pérolas que ele soltou no palco:

* Comentando sobre o filme O Turista: “Foi um grande ano para os filmes em 3-D… Parece que tudo este ano foi tridimensional. Exceto pelos personagens de O Turista!”

* Sobre os shows de Cher: “Você quer ir e ver a Cher? Não! Por que não? Porque não é 1975.”

* Aconselhando Crystal Harris (de 24 anos), noiva de Hugh Hefner (de 85): “Apenas não olhe quando você tocar!” – fazendo gestos de masturbação e ânsia ao mesmo tempo.

* Introduzindo Bruce Willis: “Por favor, dêem boas-vindas ao pai de Ashton Kutcher!”

* Introduzindo o presidente da Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood, Philip Berk: “Eu o ajudei no banheiro a encaixar seus dentes!” – Quando Berk alcança o microfone, ele retruca: “Ricky, da próxima vez que você quiser ajuda para classificar seu filme, procure outra pessoa!”

Pode soar cruel demais, mas acredite: espanta o sono quando começa a ficar chato!

Ok, ok… vamos aos prêmios! Mas antes de continuar, já aviso que não é possível fazer uma análise completa, porque infelizmente as distribuidoras dos filmes querem aguardar as indicações ao Oscar para poder aproveitar a publicidade no lançamento. Tudo bem, atitude compreensível. Mas quem sai perdendo é o público que muitas vezes assiste ao Oscar sem ter conferido várias produções indicadas.

Bom, vou tentar simplificar, dividindo por categorias. Lembrando que o Globo de Ouro divide as categorias de filme, ator e atriz em duas sub-divisões: Drama e Comédia/Musical com o intuito de promover mais trabalhos.

 MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Jessica Chastain (que está a cara da Jessica Lange em Céu Azul)

Quem deve vencer: Jessica Chastain (A Árvore da Vida)

Meu voto: Shailene Woodley (Os Descendentes)

Pela quantidade de filmes que fez em 2011, Jessica Chastain já teria vitória garantida e isolada.  Apesar de seu reconhecimento ser maior pelo filme A Árvore da Vida, ela foi indicada pela dramédia Histórias Cruzadas. Seu trabalho no filme de Terrence Malick se resume à naturalidade de seus gestos. Ela compõe uma mãe submissa de família, que se vê dividida entre o amor do marido e de seus filhos. Apesar de seu papel ser menor, seu modo de atuação é conciso, semelhante ao de Benicio del Toro em Traffic. Mas enfim, Histórias Cruzadas só estréia por aqui no dia 3 de fevereiro. Meu voto vai para a jovem Shailene Woodley que, sob a firme direção de Alexander Payne, parece ter encontrado um ótimo ponto de equilíbrio com George Clooney. 

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Christopher Plummer: prêmio por puro mérito ou conjunto da obra?

Quem deve vencer: Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)

Quem deveria vencer: Albert Brooks (Drive)

Não menosprezando o trabalho de Plummer, mas quando se tem um papel de idoso com doença terminal e se descobre homossexual, parece mais fácil causar uma catarse no público e esconder mais a atuação. Além disso, Plummer já é uma figura conhecida e querida desde que interpretou o Capitão Von Trapp em A Noviça Rebelde e nunca levou o prêmio. Pelo trailer de Drive, é possível notar que o personagem de Brooks é mais contido e as nuances ficam mais em evidência. 

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

The Living Proof, de Mary J. Blige

Quem deve vencer: The Living Proof (Histórias Cruzadas)

Quem deveria vencer: The Living Proof (Histórias Cruzadas)

Como este ano não tem nenhum favorito como um My Heart Will Go On, provavelmente o prêmio deve ir para Histórias Cruzadas pelo tema de racismo e pela credibilidade de Mary J. Blige. A música apresenta uma letra bonita que ostenta a liberdade individual e coletiva.

 

MELHOR TRILHA MUSICAL

Quem deve vencer: Ludovic Bource (The Artist)

Quem deveria vencer: Howard Shore (A Invenção de Hugo Cabret)

Ludovic Bource (The Artist)

Por se tratar de um filme mudo, a trilha de Ludovic Bource certamente fica mais em evidência do que qualquer outro trabalho. A música carrega mais o filme do que complementa como em outros casos, pois influi diretamente nas atuações do elenco. Mas não se deve deixar de lado o trabalho de Howard Shore, que é colaborador assíduo de David Cronenberg e Martin Scorsese. Já levou 3 Globos de Ouro e Oscars, sendo a maioria pela trilogia de O Senhor dos Anéis. Talvez por isso, não deve ganhar mais uma vez. 

MELHOR ROTEIRO

Alexander Payne, Jim Rash e Nat Faxon (Os Descendentes)

Quem deve vencer: Alexander Payne, Jim Rash e Nat Faxon (Os Descendentes)

Quem deveria vencer: Alexander Payne, Jim Rash e Nat Faxon (Os Descendentes)

Como no Globo de Ouro, a categoria de Roteiro não se divide em Original e Adaptado, a competição fica bem mais acirrada. E pela primeira vez, Alexander Payne está indicado como produtor, ou seja, está com 3 indicações este ano e não deve sair de mãos abanando, já que é muito bem reconhecido pela Associação de Imprensa Estrangeira (venceu por As Confissões de Schmidt e Sideways – Entre Umas e Outras). Sim, e eu sei que Woody Allen está competindo e tem grandes chances, mas por mais fantasioso e lúdico que seja seu Meia-Noite em Paris, ainda considerado um trabalho inferior à sua era de ouro da década de 70.

MELHOR FILME ESTRANGEIRO

O filme iraniano A Separação

Quem deve ganhar: A Separação, de Asghar Farhadi (Irã)

Quem deveria ganhar: A Pele que Habito, de Pedro Almodóvar (Espanha)

Se nos basearmos apenas nos prêmios da crítica, o filme iraniano já estaria com a mão na taça, mas como premiação às vezes é imprevisível, tudo pode acontecer. Estou apostando no iraniano pelo histórico do Globo de Ouro, que já premiou o cinema do oriente médio, do palestino Paradise Now ao afegão Osama. Já o cinema do espanhol Almodóvar sempre tem a sua cara, aderindo uma universalidade que conquista facilmente o público internacional.

MELHOR ANIMAÇÃO

Rango, de Gore Verbinski.

Quem deve ganhar: Rango, de Gore Verbinski

Quem deveria ganhar: Rango, de Gore Verbinski

Sou fã do personagem Tintim, mas tenho minhas dúvidas da adaptação feita por Spielberg e Peter Jackson. Visualmente, o motion capture parece muito bem feito, mas como fica preso à referência de Hergé, pode desapontar, e muito. Já Rango é uma história muito bem contada que se passa no deserto, protagonizada por um camaleão com todos os trejeitos de Johnny Depp. O diretor, Gore Verbinski, conhecido pela trilogia de Piratas do Caribe, teve a credibilidade de convencer Depp e criar essa ótima salada de referências do western, que vai dos filmes western spaghetti de Sergio Leone até a aparição do mito Clint Eastwood.

 MELHOR ATOR – COMÉDIA OU MUSICAL

Jean Dujardin (The Artist): sósia do Gene Kelly

Quem deve ganhar: Jean Dujardin (The Artist)

Quem deveria ganhar: Jean Dujardin (The Artist)

Confesso que nunca vi um filme com Jean Dujardin, uma vez que sua carreira sempre ficou limitada a produções francesas. Mas depois desse The Artist, certamente as opções de roteiro devem melhorar consideravelmente. Dujardin foi reconhecido em círculos de críticos americanos e lembra um pouco Gene Kelly em Cantando na Chuva, por isso, não deve ter grandes problemas para levar o ouro pra casa.

MELHOR ATRIZ – COMÉDIA OU MUSICAL

Seria Michelle Williams (Sete Dias com Marylin) ou Miss Monroe?

Quem deve vencer: Michelle Williams (Sete Dias com Marylin)

Quem deveria vencer: Michelle Williams (Sete Dias com Marylin)

Assim como na ala masculina, a atriz Michelle Williams não tem uma competição tão acirrada na categoria. Ok, temos nomes de peso como Jodie Foster, Kate Winslet e Charlize Theron, mas os filmes pelos quais estas foram indicadas não foram tão bem recebidas pela crítica. Já Williams vem recebendo elogios pela semelhança que conseguiu alcançar com a diva Marylin Monroe. E dizem as más línguas que ela teria usado um acessório para aumentar o bumbum.

MELHOR ATOR – DRAMA

Geroge Clooney (Os Descendentes) em seu melhor papel?

Quem deve ganhar: George Clooney (Os Descendentes)

Quem deveria ganhar: Michael Fassbender (Shame)

Eu gosto do George. Mas por mais que falem que neste papel ele faz seu melhor trabalho, ainda o considero um pouco limitado. Por isso, meu voto vai para Fassbender, que já provou ser ótimo ator através do filme independente Fish Tank, de Andrea Arnold, e Hunger, de Steve McQueen. Também leva a sério produções de Hollywood como X-Men: Primeira Classe. Neste drama sobre vida sexual ativa, Shame, Fassbender conquistou a crítica de vez. Tem um futuro brilhante pela frente. 

MELHOR ATRIZ – DRAMA

Meryl Streep como A Dama de Ferro

Quem deve vencer: Meryl Streep (A Dama de Ferro)

Quem deveria vencer: Viola Davis (Histórias Cruzadas)

O fight da categoria deve ficar entre as duas atrizes acima. Meryl Streep dispensa qualquer apresentação. Esta é “apenas” sua 26ª indicação ao Globo de Ouro, sendo 25 em Cinema e 1 em TV, pela série Angels in America. Deve ganhar seu 8º Globo de Ouro e deixar pra Academia decidir se finalmente Streep leva seu terceiro Oscar, que está demorando quase 30 anos pra sair! Pra quem viu o trailer ou mesmo foto, percebeu que a atriz passou por um processo de maquiagem e pronúncia britânica característica da então primeira-ministra Margaret Thatcher. Mas não devemos esquecer que Viola Davis, que se destacou no filme Dúvida (2008), é uma grande atriz em ascensão. Ela pode roubar a cena por sua performance em Histórias Cruzadas

MELHOR DIRETOR

Michel Hazanavicius: primeira indicação e grandes chances por The Artist

Quem deve vencer: Michel Hazanavicius (The Artist)

Quem deveria vencer: Michel Hazanavicius (The Artist)

Não sei quanto à direção em si de Hazanavicius, mas ele deve ganhar só pela coragem de fazer um filme PB , mudo, sobre o cinema de Hollywood dos anos 20. Scorsese seria um excelente concorrente pela fábula metalinguística de A Invenção de Hugo Cabret, mas como ele ganhou recentemente por Os Infiltrados, o diretor francês deve levar a melhor.

 

MELHOR FILME – COMÉDIA OU MUSICAL

The Artist, de Michel Hazanavicius

Quem deve vencer: The Artist, de Michel Hazanavicius

Quem deveria vencer: Meia-Noite em Paris, de Woody Allen

Se minhas previsões estão certas, The Artist deve sair da festa com 4 Globos de Ouro com este Melhor Filme – Comédia ou Musical. Mas seria muito interessante se o filme de Woody Allen levasse como prêmio de consolação (se é que “Melhor Filme” é consolação). Há muito tempo, o diretor nova-iorquino não acertava tão bem uma comédia inteligente com ótimos atores. Até de Owen Wilson ele conseguiu extrair uma boa atuação! Mas o que mais me chamou a atenção é a forma fantasiosa que Allen demonstra sua paixão pela Arte. Ele tira uma licença poética para criar viagens no tempo para analisar as gerações de autores, pintores, cineastas que já brilharam e deixaram sua marca eternamente. E levanta uma questão importantíssima: “Quando a Arte está em decadência, uma nova Arte está para surgir?”. Espero MUITO que sim. 

MELHOR FILME – DRAMA

Os Descendentes, de Alexander Payne

Quem deve vencer: Os Descendentes, de Alexander Payne

Quem deveria vencer:  Os Descendentes, de Alexander Payne

O filme de Martin Scorsese parece ser muito bom pelo conjunto. Tem um ótimo elenco, com nomes consagrados como Ben Kingsley e Jude Law, ótima direção de arte de Dante Ferretti, fotografia de Robert Richardson e mexe com um tema muito forte do Cinema: os efeitos especiais ainda na época do pioneiro Georges Méliès. Mas o filme de Alexander Payne tem conquistado muitos prêmios e não deve sair sem esse prêmio. Apesar do diretor ter levado 7 anos para dirigir outro filme depois do sucesso de Sideways – Entre Umas e Outras, suas escolhas de projetos são feitas a dedo. Ele busca algum tema que aborde a natureza humana, expondo seus personagens a momentos embaraçosos, deixando-os vulneráveis, e ainda conseguindo a proeza de extrair um humor refinado. Na minha opinião, esse é um dos fortes motivos do sucesso de Payne e seu Os Descendentes.