Vencedores do Oscar 2012

Turma de O Artista: virada no Oscar

Ok, confesso. Não fui tão bem nas minhas previsões do Oscar este ano. Mas pelo menos ganhei o bolão da minha turma! Das 20 categorias que postei aqui, acertei apenas 9. Como iria adivinhar que o filme A Invenção de Hugo Cabret iria morrer na praia? Começou ganhando tudo e depois foi entregar tudo de mão beijada para O Artista! Pena que não postei minhas apostas para os curtas. Acertei todos os 3: curta, curta-documentário e curta de animação!

Billy Crystal: Talvez esteja na hora de se aposentar do Oscar?

Bom, antes de começar a comentar os resultados, não curti tanto o Billy Crystal. Ele está meio enferrujado nas músicas e na língua, que era mais afiada antes. Não acreditei que ele fosse cantar “It’s aaaaa wonderful night for Oscar! Oscar! Oscar! Who will win?” com 9 (nove!) filmes indicados a Melhor Filme, mas no fim nem fez tanta diferença porque foi tudo muito rápido. Não é de hoje que defendo a volta de Jon Stewart (do Daily Show), que apresentou muito bem em 2006 e 2008. Também gostaria de ver a Ellen DeGeneres pelo menos mais uma vez. Mas dá pra dar um desconto para o Billy Crystal porque ele foi chamado às pressas para substituir Eddie Murphy, que teve que pular fora do barco por causa do cabeça-oca do Brett Ratner, ex-produtor do Oscar que andou falando mais do que devia em programas de entrevistas.

Mas minha maior crítica talvez seja a produção do Oscar em si. Achei que o produtor Brian Grazer estava tão preocupado em respeitar o horário do show que esqueceu dos demais atrativos. Sabe aquela expressão “by the book”? A cerimônia em si ficou quadrada e fraquinha. Nem sequer teve bons clipes (aquele da opinião de O Mágico de Oz tinha boa intenção, mas parou por aí), os diálogos dos apresentadores estavam batidos e aquele número do Cirque du Soleil estava parecendo um repeteco genérico de 2002. Poxa, custava fazer algo mais inovador? Ah sim, tinha as moças jeitosas (cigarette girls) servindo saquinhos de pipocas nos corredores! Aliás, vou repassar essa ótima idéia para a Rede Cinemark (que é “muito mais que cinema”).

Ok, vamos aos resultados. O balanço final ficou assim:

O Artista e A Invenção de Hugo Cabret empataram com 5 Oscars, sendo que o primeiro ficou com os principais prêmios da noite.

Direção de Arte esplendorosa de Hugo: recriação e criação

A Dama de Ferro com 2 Oscars.

Os Descendentes, Histórias Cruzadas, Meia-Noite em Paris, Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres, Toda Forma de Amor, Rango, A Separação e Os Muppets todos levaram uma estatueta para casa, confirmando assim uma espécie de distribuição democrática de prêmios.

Talvez os maiores perdedores da noite foram o filme de beisebol, O Homem que Mudou o Jogo, e o drama bélico, Cavalo de Guerra, que saíram de mãos vazias da cerimônia. As duas produções são boas e não mereciam ficar de fora do Oscar democrático. Enquanto o filme de Brad Pitt tinha um roteiro forte com diálogos rápidos e bons atores, o filme de Spielberg tem um classicismo à la John Ford que ressalta a boa e velha catarse com uma bela fotografia e enquadramento do pôr-do-sol. Porém, em ambos os casos, acabaram não ganhando porque tiveram fortes concorrentes em suas categorias.

A fotografia intimista de A Árvore da Vida

Apesar de ter gostado de A Invenção de Hugo Cabret, não concordo em tanto reconhecimento técnico. Por exemplo, gosto da fotografia, mas não dava para esnobar o trabalho de Emmanuel Lubezki em A Árvore da Vida. Não somente pelo aspecto National Geographic das cenas da Natureza, mas pela forma intimista que Lubezki trata a família, como uma espécie de entidade divina, que faz com que o filme de Malick seja interpretado desta maneira. Além disso, os efeitos visuais de Planeta dos Macacos: A Origem mereciam o prêmio pelo ótimo realismo dos personagens símios (e seria uma excelente forma de compensar toda a série e o trabalho excepcional de maquiagem). E para finalizar, o Oscar de som poderia ter ido para Cavalo de Guerra, que trabalha minuciosamente os sons dos armamentos da Primeira Guerra Mundial.

Já a direção de arte de A Invenção de Hugo Cabret é um trabalho primoroso de Dante Ferretti e Francesca LoSchiavo, pois consegue recriar os sets de filmagens de Georges Méliès de forma majestosa e cria toda uma estação de trem da Paris dos anos 30. Esse Oscar ninguém tirava…

Meryl Streep e o Oscar: feitos um para o outro.

Se a cerimônia em si foi meio previsível, pelo menos duas surpresas me agradaram bastante. Quer dizer, não dá pra classificar exatamente como “surpresa”, mas acho que a vitória de Woody Allen e Meryl Streep me agradaram bastante. Até pouco antes de começar o Oscar, achava que a Viola Davis roubaria a 3ª estatueta de Meryl Streep, mas felizmente eu estava errado. Até a Meryl Streep estava mais confiante desta vez, usando um vestido todo dourado! Mas parabéns a ela, pois trata-se de uma das maiores e melhores atrizes em atividade no mundo. Espero que ela consiga ganhar um quarto ou quinto Oscar, pois a longevidade de sua carreira muito se assemelha à recordista do Oscar de atriz: a grande Katharine Hepburn, vencedora 4 vezes como melhor atriz.

E Woody Allen sempre é uma boa surpresa. Mesmo que seja um outsider e não goste de marcar presença em premiações (apesar que ele estava presente no último Festival de Cannes), o cineasta é muito querido pelo seu público e com este filme, Meia-Noite em Paris, ele consegue atingir uma gama ainda maior de espectadores com a sua inatingível paixão por Paris e por seus escritores. Gostaria muito de ter visto Woody recebendo o prêmio, sendo aplaudido de pé por todos e dando um discurso belíssimo e bem-humorado. Mas seu filme já faz isso por ele e nós, cinéfilos, só temos que agradecer à Academia por premiá-lo depois de tanto tempo.

Asghar Farhadi recebendo o 1º Oscar do Irã das mãos da poliglota Sandra Bullock

Jean Dujardin, Octavia Spencer e Christopher Plummer confirmaram seus favoritismos, assim como o diretor Michel Hazanavicius. Rango e o iraniano A Separação também ganharam em suas categorias e merecidamente. Aliás, foi a primeira produção iraniana a ganhar um Oscar! Quem diria? O cinema iraniano pode não ter grandes recursos, estrelas e nem trabalho de direção de arte (pois segue a escola neo-realista italiana), mas tem bons atores e um intenso roteiro. Pode soar banal dizer isso, mas são justamente os problemas do cinema brasileiro. Ok, temos um ótimo Tropa de Elite 2, Cidade de Deus, Central do Brasil e outros filmes bons, mas ainda há muito a progredir. Como muitos filmes ainda dependem demais da captação de recursos de leis de incentivo e de empresas, o cinema fica restrito à opinião de terceiros para que saia do papel. Então, materiais mais alternativos como filmes de terror, suspense, fantasia, épicos são poucos ou quase inexistentes no cenário nacional. Espero e torço para que filmes mais ousados consigam recursos e que criem escolas de atuação PARA CINEMA, pois o que me incomoda são atores “globais” atuando no cinema como se estivessem fazendo novela, com caras e bocas! Isso precisa parar. São dois meios de comunicação completamente diferentes.

Jim Henson e seus filhos

E fazendo um adendo, infelizmente, a canção de Rio não ganhou. Perdemos para os Muppets! A canção deles não era tão boa, mas entendo que a Academia queria premiar o legendário e falecido criador dos Muppets, Jim Henson, que foi o pioneiro em produções envolvendo bonecos como Labirinto – A Magia do Tempo.

Bom, mas voltando aos vencedores, gostei que a Academia premiou 2 ótimos filmes que tratam justamente do Cinema em seus primórdios. Enquanto A Invenção de Hugo Cabret presta uma bela homenagem ao pioneiro dos efeitos visuais, Georges Méliès, através de um filme em 3D, o filme francês O Artista discute os efeitos da chegada do som no cinema mudo, sempre valorizando um cinema de qualidade independente dos recursos técnicos, deixando nítido uma crítica em relação ao cinema atual, repleto de pirotecnias, efeitos de computador e estrelas, mas vazios de conteúdo. A Academia pode ser considerada muito conservadora, mas nesse aspecto de apoiar filmes que têm essa perspectiva sai ganhando pontos valiosos de nós, cinéfilos e espectadores de Cinema.

E fechando, os vestidos do tapete vermelho do Oscar:

Jessica Chastain: acertou em tudo...

Jessica Chastain não acertou só no vestido. Acertou nos cabelos um pouco presos (valorizando seu belo cabelo ruivo) e seus brincos. A cor preta do vestido valoriza sua pele bastante alva e os bordados em dourado dão o tom de festa. Não sou especialista em moda, mas da minha opinião masculina, a atriz foi a mais bela do tapete vermelho. Um essshpetáculo!!!

... e errou tudo: Viola Davis

E por outro lado, quem errou completamente em tudo foi a atriz Viola Davis. Não entendi até agora seu traje. Seu vestido a deixou com um ar meio vulgar por deixar seus seios muito… (caham!) cheios e à mostra. E seu cabelo curtinho e tingido de uma cor que não combina com nada ficou muito bizarro… Ok, eu cheguei a cogitar uma defesa para Viola. Quem sabe ela não está filmando uma produção em que a personagem dela tem esse cabelo? Sim, é possível, mas mesmo assim, acho que cabia uma peruquinha ou aplique, não? Sinto muito, Viola Davis. Você é uma excelente atriz, mas está precisando de uma consultora de moda urgente!

Lista dos vencedores do Oscar 2012:

Christopher Plummer é como vinho: Melhora com o tempo

Melhor Filme: O Artista (The Artist)

Melhor Atriz: Meryl Streep (A Dama de Ferro)

Melhor Ator: Jean Dujardin (O Artista)

Melhor Atriz Coadjuvante: Octavia Spencer (Histórias Cruzadas)

Ator Coadjuvante: Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)

Melhor Diretor: Michel Hazanavicius (O Artista)

Melhor Edição: Millennium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres

Melhor Documentário: Undefeated, de Daniel Lindsay, T.J. Martin e Rich Middlemas

Melhor Animação: Rango, de Gore Verbinski

Melhor Trilha Musical: O Artista, Ludovic Bource

Melhor Canção Original: Man or Muppet, Os Muppets (Bret McKenzie)

Melhor Roteiro Original: Woody Allen (Meia-Noite em Paris)

Melhor Roteiro Adaptado: Alexander Payne, Nat Faxon e Jim Rash (Os Descendentes)

Melhor Som: A Invenção de Hugo Cabret

Melhor Efeitos Sonoros: A Invenção de Hugo Cabret

Melhores Efeitos Visuais: A Invenção de Hugo Cabret

Melhor Documentário-Curta: Saving Face

Melhor Curta-Metragem: The Shore, de Terry George e Oorlagh George

Melhor Curta-Metragem de Animação: The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore, de William Joyce, Brandon Oldenburg

Melhor Filme Estrangeiro: A Separação, de Asghar Farhadi (Irã)

Melhor Maquiagem: A Dama de Ferro

Melhor Figurino: O Artista, Mark Bridges

Melhor Direção de Arte: A Invenção de Hugo Cabret, Dante Ferretti e Francesco LoSchiavo

Melhor Fotografia: A Invenção de Hugo Cabret, Robert Richardson

Alexander Payne saiu com o Oscar de Roteiro Adaptado: mericidíssimo!

Anúncios
Post seguinte
Deixe um comentário

1 comentário

  1. Bia-chan

     /  março 4, 2012

    Pe! Gostei bastante do post viu! Como nao vi o oscar esse ano, o seu post me ajudou sobre como foi a premiacao. E eu tenho certeza de que nao iria acertar nada sobre os vencedores! Hahahha Ainda mais pq nao vi quase nenhum filme indicado.
    Parabens pelo wordpress, vc tem feito um trabalho bem legal aqui.
    Bjao.

    Responder

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: