Tony Scott (1944 – 2012)

Tony Scott

Nesse último domingo, dia 19 de agosto, o diretor britânico Tony Scott cometeu suicídio ao pular de uma ponte em Los Angeles. A suspeita se confirmou quando encontraram um bilhete de suicídio em seu escritório. Testemunhas reportaram que ele saiu de seu carro por volta do meio-dia e meia, escalou uma grade do lado sul da construção e pulou sem hesitar.

O diretor Duncan Jones, discípulo de Scott

No dia seguinte, as notícias confirmavam a existência de um diagnóstico que acusava um câncer cerebral, que teria desencadeado a tragédia. Embora exista um motivo, a ocorrência chocou a comunidade hollywoodiana por envolver duas questões delicadas: suicídio e eutanásia. Um de seus discípulos, o diretor Duncan Jones (Lunar e Contra o Tempo) comentou no Twitter: “Acabei de ficar sabendo do Tony. Horrível… Tony foi um homem verdadeiramente amável que me colocou debaixo de sua asa e acendeu minha paixão para fazer filmes. Oh, Tony… Queria que você tivesse sentido que havia um jeito de continuar. Que triste desperdício. Meus pensamentos ficam com sua mulher e seus lindos filhos”.

Tony Scott ao lado de seu irmão mais velho Ridley Scott (a esquerda).

Outras incontáveis mensagens de condolências de amigos e colegas de trabalho choveram pela internet . Tony Scott, 68 anos, deixa a esposa, a atriz Donna Scott (conheceram-se no set de filmagens de Dias de Trovão, quando ainda era Donna Wilson), dois filhos gêmeos Frank e Max, e o irmão mais velho, Ridley Scott, consagrado diretor de Alien – O Oitavo Passageiro, Blade Runner – O Caçador de Andróides e mais recentemente Prometheus. Os irmãos eram sócios na Scott Free Production, que além de colaborar na produção dos filmes de ambos, atuava nas séries televisivas Numb3rs e The Good Wife.

Todas as notícias chamam Tony Scott de “o diretor de Top Gun – Ases Indomáveis” por se tratar de um de seus maiores sucessos comerciais, que alavancou a carreira do jovem Tom Cruise na década de 80, mas na opinião deste humilde blogueiro, seu melhor filme foi Fome de Viver (1983). Na época, vampiros eram vampiros, aquela perfeita mistura de charme, crueldade e erotismo. Não essa baboseira de hoje de vampiros andróginos e capados (sem querer ofender a determinados filmes de hoje). O filme cult ofuscava a platéia com uma plasticidade de encher os olhos, contava com uma química avassaladora de David Bowie e das ninfas Susan Sarandon e Catherine Deneuve (numa antológica cena de amor lésbico). O trabalho primoroso de Stephen Goldblatt muito deve à influência visual do filme do irmão Ridley, Blade Runner, lançado no ano anterior.

Cena caliente entre David Bowie e Catherine Deneuve no cult Fome de Viver (1983)

Nos anos 80 e 90, Tony passou a ganhar notoriedade em Hollywood ao encontrar um equilíbrio fundamental entre ação, romance e comédia. O sucesso nas bilheterias de Top Gun – Ases Indomáveis (1986), Um Tira da Pesada II (1987), Dias de Trovão (1990), Revenge – A Vingança (1990), Amor à Queima Roupa (1993) e Maré Vermelha (1995). Consequentemente, muitos atores tiveram seus contratos com cifras maiores depois da parceria com Scott; dentre eles: Eddie Murphy, Nicole Kidman, Kevin Costner, Christian Slater, Patricia Arquette, Denzel Washington e Bruce Willis.

Amor bandido: Patricia Arquette e Christian Slater têm química em Amor à Queima Roupa (1993)

Contudo, nos últimos anos, Tony Scott passou a se dedicar a filmes mais policiais com tramas de reviravoltas previsíveis e com visual padrão de fotografia, especialmente Chamas da Vingança (2004), Domino – A Caçadora de Recompensa (2005) e Déjà vu (2006). O diretor ainda faria a refilmagem O Sequestro do Metrô 123 (2009) e seu último filme, Incontrolável (2010), sobre um trem carregado de material químico tóxico prestes a colidir e dizimar a população de uma cidade. Estava desenvolvendo uma sequência para Top Gun, que contaria com o retorno do astro Tom Cruise ao papel do piloto de caça Maverick.

O sucesso Top Gun – Ases Indomáveis, estrelado pelo casal Kelly McGillis e Tom Cruise, quem diria! teria uma sequência! Fala sério…

Top Gun – Ases Indomáveis foi o único filme de Tony Scott a ganhar um Oscar: o de melhor canção para Take My Breath Away, pela voz de Berlin. Quem não comprou a fita cassete naquela época? O diretor nunca foi indicado ao prêmio da Academia, mas levou o Emmy pela direção da série de TV The Gathering Storm em 2003.

Segue o clipe da música vencedora do Oscar, que deixou muitos casais enamorados e menininhas sonhando acordadas com Tom Cruise:

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