APOSTAS PARA O OSCAR 2014

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OSCAR 2014 FICA DIVIDIDO ENTRE CINEMA DE AUTOR E COMERCIAL

Primeiramente, gostaria de agradecer a Naiane Sano (http://www.naisano.blogger.com.br/) por ter feito um excelente trabalho na cédula de votação do Oscar mesmo com falta de tempo na agenda! Eu levaria mais de um mês pra fazer e mesmo assim, não sairia com o mesmo capricho. Obrigado!

Bom, para aqueles que gostam de organizar bolões com amigos, fiquem à vontade para baixar e usar a cédula. Eu chamo meus amigos mais chegados desde 2002 para acompanhar a cerimônia e se divertir com essa competição de quem acerta mais vencedores. Espero que essa tradição continue por vários anos e que este blog possa criar novas tradições em outros círculos de amizade!

COMPETIÇÃO ACIRRADA

A 86ª cerimônia do Oscar denota uma competição particular entre 12 Anos de Escravidão e Gravidade. Enquanto o primeiro é uma produção de baixo orçamento com apenas uma câmera, o segundo é uma mega produção responsável por avanços tecnológicos que arrecadou mais de 700 milhões de dólares. O primeiro conquistou uma unanimidade quase imbatível entre os críticos como filme do ano (mas também há aqueles americanos que acreditam que existe uma espécie de sentimento de culpa pelos tempos escravistas), e o segundo foi abraçado pelo público e parte da crítica que elegeu seu diretor como o melhor do ano.

Além deles, a competição ganha em qualidade com a presença de O Lobo de Wall Street. Depois de ganhar o Oscar em 2007 por Os Infiltrados, Martin Scorsese tirou um peso enorme das costas e passou a se dedicar a projetos mais pessoais como A Invenção de Hugo Cabret e esta adaptação sobre a jornada econômica de Jordan Belfort. Como a produção foi financiada independentemente de um grande estúdio, Scorsese não ficou à mercê da opinião de executivos. Pela coragem do filme, parece até que se trata de um trabalho de novato repleto de energia pulsante. Embora seja quase impossível uma vitória por causa do conservadorismo da Academia, torço para que esta coragem seja recompensada.

Com menos chance, mas que deve sair com um Oscar, está o romance futurista de Ela. Formado na escola de videoclipes, o diretor Spike Jonze ficou conhecido por sua ousadia em Quero Ser John Malkovich (1999) e Adaptação (2002), voltando a se desafiar nesta história não-convencional sobre um homem que se apaixona pela voz de seu novo sistema operacional. Embora haja todo um conceito futurista mínimo que cria todo um universo, o roteiro de Jonze faz questão de nos lembrar que o ser humano terá sempre dificuldades para se relacionar com outros, independente do tempo e da tecnologia disponível.

Embora não tenha muito cara de Oscar, o drama familiar Nebraska nos dá esperança de que o cinema americano ainda pode nos oferecer entretenimento sem abrir mão da qualidade e da inteligência. Por mais que não ganhe nada, fico feliz que Alexander Payne tenha sido lembrado, pois entregou um belo e singelo filme com personagens sólidos que está cada vez mais raro de se ver. Até a fotografia preto-e-branco tem um propósito diferente do convencional ilustrativo!

A SEGUNDA VEZ É MELHOR

Ellen DeGeneres se tornou a nova rainha da TV americana depois da aposentadoria de Oprah Winfrey. Quando apresentou o Oscar pela primeira vez em 2007, digamos que ela estava se auto-afirmando nesse posto de rainha, então nada mais natural do que precisar de maior projeção na mídia. Depois de 7 anos, ela retorna por pura vontade de se desafiar, já que o cachê para ser hostess não é dos melhores. Da primeira vez, Ellen confessou que tinha sonho de ser hostess, o que aliviou a tensão. Já este ano, ela deve vir bem mais relaxada e, por isso, esperamos que ela se solte mais e alfinete mais nas piadas.

Pôster oficial do Oscar 2014 ressalta a importância da hostess Ellen DeGeneres

Pôster oficial do Oscar 2014 ressalta a importância da hostess Ellen DeGeneres

MELHOR FILME

INDICADOS:
– 12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave)
– Capitão Phillips (Captain Phillips)
– Clube de Compras Dallas (Dallas Buyers Club)
– Ela (Her)
– Gravidade (Gravity)
– O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street)
– Nebraska (Nebraska)
– Philomena (Philomena)
– Trapaça (American Hustle)

Twelve Years a Slave

12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave)

QUEM DEVE GANHAR: 12 Anos de Escravidão
DEVERIA GANHAR: O Lobo de Wall Street
ZEBRA: Capitão Phillips

ESNOBADOS: Os Suspeitos (Prisoners)

Numa safra boa de filmes, é de se estranhar que a Academia tenha deixado uma das dez vagas inutilizada. Por que não reconhecer mais um filme de 2013? Talvez o que mais tenha se aproximado da indicação tenha sido Blue Jasmine, cujas atrizes e roteiro foram indicados. Embora não seja dos melhores trabalhos do diretor e roteirista Woody Allen, podiam tê-lo disponibilizado para votação. Já outros filmes como Antes da Meia-Noite e Até o Fim, que só foram indicados para roteiro original e efeitos sonoros, respectivamente, e Frances Ha e Rush: No Limite da Emoção, que foram totalmente esquecidos, não teriam qualquer chance pelo número de indicações. Se não me engano, o último filme indicado em apenas mais uma categoria além de Melhor Filme foi Um Sonho Possível em 2010. Vencedor do Oscar de Melhor Atriz para Sandra Bullock, o filme se beneficiou do primeiro ano em que houve essa mudança de 10 indicados a Melhor Filme.

Quanto aos 9 indicados, trata-se de uma boa seleção de filmes. Embora a briga esteja mais acirrada entre Gravidade e 12 Anos de Escravidão, os demais filmes têm chances de saírem vitoriosos. Particularmente, acreditava que Trapaça poderia ser a grande surpresa no caso de divisão de votos entre os favoritos, mas o filme de David O. Russell foi perdendo gás na reta final da premiação. Agora, apesar das cenas de sexo e drogas, passo a dar mais credibilidade ao novo filme de Martin Scorsese, afinal O Lobo de Wall Street está concorrendo nas principais categorias: Filme, Diretor, Ator e Roteiro Adaptado. Em caso de uma vitória nessas categorias, o filme pode embalar e surpreender.

Se a briga ficar entre os favoritos, 12 Anos de Escravidão sai na frente porque tem mais cara de Melhor Filme. Dá até pra visualizar um breve trecho dele naquele clipe tradicional dos vencedores do Oscar de Melhor Filme. Seu forte tema da escravidão é um soco no estômago na História americana e agrada até mesmo os mais chatos como Spike Lee, que ano passado criticou Quentin Tarantino por ter usado o termo ‘nigger’ (crioulo) em Django Livre. Além disso, trata-se de um filme bem acadêmico de Steve McQueen, desde sua estética dos enquadramentos até a dramaticidade mais contida das cenas.

Gravidade pode ter seus avanços tecnológicos que marcam a História do cinema, mas não tem a profundidade filosófica de um 2001: Uma Odisséia no Espaço. Fico com essa impressão de que apenas o visual e a tecnologia serão lembrados daqui a uma década. Claro que se analisarmos as chances do filme por sua bilheteria, Gravidade seria o grande campeão com mais de 700 milhões de dólares arrecadados pelo mundo, sem contar mais alguns milhões após vencer algumas estatuetas do Oscar e seu lançamento em mídia digital. Porém, sua grande chance de vitória como Melhor Filme reside no nome Alfonso Cuarón. Vencedor do DGA, ele pode puxar seu filme a também ganhar Melhor Filme, ainda mais que também levou o PGA empatado com 12 Anos de Escravidão.

Com 10 indicações, Trapaça corre sério risco de sair de mãos abanando. Suas melhores chances estão nas categorias de Atriz Coadjuvante e Roteiro Original, mas como Lupita Nyong’o e Spike Jonze são franco-favoritos, respectivamente, o filme de David O. Russell pode ficar apenas observando e dar aquele sorriso amarelo. Curiosamente, os últimos filmes com 10 indicações, Gangues de Nova York e Bravura Indômita, não ganharam nada. Será uma maldição?

Como a Academia jamais elegeria Ninfomaníaca como Melhor Filme, fico com Os Suspeitos como um esnobado de 2013. O suspense de tensão crescente de Denis Villeneuve é um dos poucos que merecem ser revistos pela estranheza de suas imagens, personagens e trama.

MELHOR DIRETOR

INDICADOS:
– Alfonso Cuarón (Gravidade)
– Steve McQueen (12 Anos de Escravidão)
– Alexander Payne (Nebraska)
– David O. Russell (Trapaça)
– Martin Scorsese (O Lobo de Wall Street)

Alfonso Cuarón (Gravidade)

Alfonso Cuarón (Gravidade)

QUEM DEVE GANHAR: Alfonso Cuarón (Gravidade)
DEVERIA GANHAR: Martin Scorsese (O Lobo de Wall Street)
ZEBRA: Alexander Payne (Nebraska)

ESNOBADOS: Spike Jonze (Ela)

Alfonso Cuarón ganhou o DGA (Directors Guild), o que praticamente garante sua vitória no Oscar, já que houve apenas sete ocasiões em que o vencedor não coincidiu. Em sua campanha, dois triunfos pesam bastante: 1º A bilheteria ultrapassou os 600 milhões de dólares e 2º Marco no campo tecnológico do cinema. Com o auxílio de seu diretor de fotografia, Emmanuel Lubezki, o diretor entrega um visual magnífico com filmagens totalmente feitas no green screen. Ao confirmar seu favoritismo, Cuarón tornar-se-á o primeiro diretor latino a ganhar na categoria.

O único que pode atrapalhar Cuarón de forma mais incisiva é Steve McQueen. Esse diretor e artista plástico britânico já vinha chamando atenção por seu apuro técnico em Fome (2008) e Shame (2011). Mesmo se tratando de projeto com tema sobre escravidão que facilmente poderia se tornar um melodrama, ele observa a crueza do período de forma distante e prefere as emoções de forma mais contida nos atores, especialmente em Chiwetel Ejiofor. Alguns questionam se a Academia separará filme e diretor pela segunda vez consecutiva, mas neste caso considero inevitável. Mas Oscar às vezes prega algumas peças, e se ele for eleito, pode se tornar o primeiro diretor negro a vencer o Oscar de direção.

Seria uma ótima surpresa se Martin Scorsese subisse ao palco para receber sua segunda estatueta, mas seu O Lobo de Wall Street não é o tipo de trabalho que costuma agradar os mais conservadores pelo “excesso” de drogas e sexo. Já David O. Russell conquista sua terceira indicação como diretor ao tentar ser Martin Scorsese. Em Trapaça, ele abusa de câmera lenta com músicas rock/pop e com um narrativa em off.

MELHOR ATOR

INDICADOS:
– Christian Bale (Trapaça)
– Bruce Dern (Nebraska)
– Leonardo DiCaprio (O Lobo de Wall Street)
– Chiwetel Ejiofor (12 Anos de Escravidão)
– Matthew McConaughey (Clube de Compras Dallas)

Matthew McConaughey em Clube de Compras Dallas (photo by outnow.ch)

Matthew McConaughey em Clube de Compras Dallas (photo by outnow.ch)

QUEM DEVE GANHAR: Matthew McConaughey (Clube de Compras Dallas)
DEVERIA GANHAR: Chiwetel Ejiofor (12 Anos de Escravidão)
ZEBRA: Christian Bale (Trapaça)

ESNOBADOS: Robert Redford (Até o Fim), Michael B. Jordan (Fruitvale Station: A Última Parada)

Entre as categorias de atuação, esta deve ser a mais suscetível a uma surpresa devido ao alto nível dos competidores. Com exceção de Christian Bale, todos os demais têm chances reais de sair com o Oscar nas mãos, mas com leve vantagem para Matthew McConaughey. Embora seja mais conhecido por seu carisma em comédias românticas chochas como Armações do Amor e Minhas Adoráveis Ex-Namoradas, o ator mostrou que finalmente quis dar uma guinada na vida profissional ao atuar em produções mais contundentes como Killer Joe – Matador de Aluguel, Magic Mike e Amor Bandido entre 2011 e 2012. Em Clube de Compras Dallas, ele apostou na fórmula da vitória: passou por transformação radical ao emagrecer 18 quilos. Esta é sua primeira indicação e vale lembrar que também reconhece sua participação breve em O Lobo de Wall Street como Mark Hanna, o mentor de Jordan Belfort. Até agora, venceu o Globo de Ouro, SAG e Critics’ Choice.

Do outro lado do glamour, Chiwetel Ejiofor demonstrou muita coragem ao interpretar Solomon Northup. Foi preciso o apoio do diretor Steve McQueen para convencê-lo a agarrar o papel da vida. Trata-se de uma performance contida, muito trabalhada nas expressões faciais e nos olhos nervosos de um personagem perdido numa nova realidade. Seu Solomon não busca compaixão ou sequer a torcida do público, mas apenas sobreviver para rever sua família. Seu silêncio fala muito mais do que aqueles que disparam gritos pelos cotovelos. Por seu trabalho, faturou merecidamente o BAFTA.

Ao lado de Ejiofor, o veterano Bruce Dern também vai na linha do contido. Seu Woody Grant demonstra ser menos deslocado do que aparenta com aquele olhar taciturno e de poucas falas. Não é o tipo de papel que costuma ganhar o Oscar, mas a vitória de Dern serviria como ótima consagração de Nebraska e por que não um prêmio pelo conjunto da obra? Já Christian Bale, por mais que tenha passado por um transformação de engorda e calvice, perde chances de vitória por seu recente Oscar de coadjuvante por O Vencedor.

E se existe a possibilidade de um Oscar para O Lobo de Wall Street, esta é a vitória de Leonardo DiCaprio, que está em sua 4ª indicação sem nenhum prêmio. O pessoal da internet está apoiando incansavelmente a campanha do ator: “Se DiCaprio não ganhar, nunca mais vai ganhar”. Nunca fui admirador do trabalho dele, mas assim como McConaughey, vejo mudanças na postura como profissional. Sempre considerei que DiCaprio peca pelo excesso, mas desta vez, esse excesso contribuiu para seu papel de vigarista. E aquela cena em que ele está dopado com Quaaludes demonstrou um talento físico cômico que desconhecia. Pode ser a grande surpresa das categorias principais.

MELHOR ATRIZ

INDICADAS:
– Amy Adams (Trapaça)
– Cate Blanchett (Blue Jasmine)
– Sandra Bullock (Gravidade)
– Judi Dench (Philomena)
– Meryl Streep (Álbum de Família)

Cate Blanchett em Blue Jasmine (photo by cine.gr)

Cate Blanchett em Blue Jasmine (photo by cine.gr)

QUEM DEVE GANHAR: Cate Blanchett (Blue Jasmine)
DEVERIA GANHAR: Judi Dench (Philomena)
ZEBRA: Meryl Streep (Álbum de Família)

ESNOBADA: Paulina Garcia (Gloria) e Greta Gerwig (Frances Ha)

A australiana Cate Blanchett tem se tornado uma das atrizes mais versáteis do cinema. Já interpretou a rainha Elizabeth, a atriz Katharine Hepburn, uma elfa e até o cantor Bob Dylan! Apesar de já ter ganhado um Oscar em 2005 como coadjuvante, a Academia se sente na obrigação de premiá-la como atriz principal pelo papel de uma socialite em parafuso que resgata a peça clássica de Tennesse Williams, Um Bonde Chamado Desejo, em Blue Jasmine. Blanchett ganhou praticamente todos os prêmios importantes da temporada: Globo de Ouro, SAG e Critics’ Choice. Alguns especialistas chegaram a discutir a possiblidade da atriz perder votos devido ao escândalo recente de denúncia de abuso sexual do diretor Woody Allen. Ciente disso, a atriz foi esperta no discurso do BAFTA ao dedicar seu prêmio ao recém-falecido Phillip Seymour Hoffman.

Na mesma situação de vencedora de um Oscar de coadjuvante, Dame Judi Dench também merecia mais atenção por parte da Academia. Seu trabalho em Philomena captura o lado humano do roteiro de Steve Coogan e Jeff Pope sem tornar o filme num dramalhão piegas. Dench pode não precisar de transformações físicas para viver uma senhora britânica ou mesmo mudar o sotaque característico, mas ela sabe perfeitamente o tom de equilíbrio de Philomena e vive de forma tão honesta, que fica difícil de não simpatizar com sua causa nobre de encontrar seu filho perdido.

Agora, se considerarmos que apenas Amy Adams não venceu o Oscar entre as candidatas, ela tem as melhores chances. A última vez em que isso aconteceu, Adrien Brody bateu os oscarizados Nicolas Cage, Michael Caine, Daniel Day-Lewis e Jack Nicholson. Sempre indicada como coadjuvante, Adams finalmente teve a oportunidade de demonstrar seu talento num papel mais significativo. Como a vigarista Sydney, ela entrega a performance da performance já que sua personagem passa de uma stripper americana para uma nobre britânica a fim de ganhar dinheiro à custa dos otários. Se ela não ganhar desta vez, certamente terá grandes chances em 2015 pelo filme Big Eyes, de Tim Burton.

Nunca fui muito fã da Sandra Bullock, mas se não fosse sua performance afetiva em Gravidade, o filme não passaria de marcos históricos no campo da tecnologia. Ela reforça a necessidade de sobrevivência diante do desastre espacial mesmo com um papel meio supérfluo. E quem diria que Meryl Streep seria uma zebra? Em sua 18ª indicação, a rainha do Oscar já se sente feliz por ter sido lembrada por uma interpretação obscura na qual prima seu humor negro e ácido. Certamente não se trata de um personagem querido por todos, mas sem sombra de dúvida, ali está o talento de uma grande atriz.

MELHOR ATOR COADJUVANTE

INDICADOS:
– Barkhad Abdi (Capitão Phillips)
– Bradley Cooper (Trapaça)
– Michael Fassbender (12 Anos de Escravidão)
– Jonah Hill (O Lobo de Wall Street)
– Jared Leto (Clube de Compras Dallas)

Jared Leto (photo by outnow.ch)

Jared Leto (photo by outnow.ch)

QUEM DEVE GANHAR: Jared Leto (Clube de Compras Dallas)
DEVERIA GANHAR: Barkhad Abdi (Capitão Phillips)
ZEBRA: Jonah Hill (O Lobo de Wall Street)

ESNOBADO: Daniel Brühl (Rush: No Limite da Emoção)

Vencedor do Globo de Ouro e SAG, Jared Leto está com a mão na estatueta. Embora esta seja sua primeira indicação, o ator foi na mesma fórmula de sucesso do colega Matthew McConaughey e sofreu uma transformação ao emagrecer 13 quilos. Além desse esforço muito bem recompensado pela Academia, seu papel representa um arquétipo do transexual que agrada a todos com sua voz aveludada e carisma. O tipo de papel de Leto me lembra o do vencedor do Oscar Christopher Plummer em Toda Forma de Amor: idoso, gay e doente terminal. Além disso tudo, Jared Leto tem um plus a mais para ganhar o Oscar: sua popularidade com sua banda 30 Seconds to Mars.

Embora eu seja contra premiar estreantes, acho que Barkhad Abdi teve a melhor performance aqui. Seu personagem carrega nos olhos uma aura de mistério. Não sabemos o que ele está pensando enquanto toma posse do navio até os momentos finais no bote. Ele representa a expressão do terceiro mundo esquecido, que busca sobrevivência num ataque suicida a uma embarcação de primeiro mundo. Desde sua frase famosa “I’m the Captain now” até sua compaixão por Phillips, Abdi consegue desenvolver seu personagem sem soar óbvio demais como vilão. Na ausência de Jared Leto, ele levou o BAFTA de ator coadjuvante. Se premiado no Oscar, espero que lhe sirva como ótima inspiração a projetos igualmente instigantes.

Não entendi o motivo da total exclusão do filme de Fórmula 1 de Ron Howard, Rush: No Limite da Emoção, do Oscar. No Globo de Ouro, chegou até a ser indicado como Melhor Filme – Drama… Além da qualidade das imagens que reproduzem as corridas nos anos 70 e da montagem dinâmica, o ator alemão Daniel Brühl merecia uma indicação aqui. Baseado na lenda viva do automobilismo, Nikki Lauda, seu personagem passa de “vilão” a herói improvável depois de passar por sério acidente que desfigurou seu rosto. A performance do ator é o grande ponto de equilíbrio do filme, que tem a rivalidade como foco central.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

INDICADAS:
– Sally Hawkins (Blue Jasmine)
– Jennifer Lawrence (Trapaça)
– Lupita Nyong’o (12 Anos de Escravidão)
– Julia Roberts (Álbum de Família)
– June Squibb (Nebraska)

Lupita Nyong'o em 12 Anos de Escravidão (photo by cine.gr)

Lupita Nyong’o em 12 Anos de Escravidão (photo by cine.gr)

QUEM DEVE GANHAR: Lupita Nyong’o (12 Anos de Escravidão)
DEVERIA GANHAR: June Squibb (Nebraska)
ZEBRA: Sally Hawkins (Blue Jasmine)

ESNOBADA: Uma Thurman (Ninfomaníaca)

Jennifer Lawrence ganhou o Globo de Ouro e o BAFTA. É uma das atrizes e celebridades mais em alta no momento devido ao sucesso comercial de Jogos Vorazes. Tem um carisma de humildade que espanta. Nesse cenário, fica clara a chance de ganhar seu segundo Oscar aos 23 anos, tornando-se a mais jovem a ter duas estatuetas. MAS é justamente a primeira eatueta que ganhou ano passado que deve prejudicar sua campanha este ano. São raríssimos os casos em que o ator ou atriz ganha de forma consecutiva. Aconteceu apenas duas vezes com Spencer Tracy na década de 30 e Tom Hanks nos anos 90.

Com esse calcanhar de Aquiles, a estreante Lupita Nyong’o, formada em Yale, tem as melhores chances. Como a escrava Patsey, ela é tratada como capacho e objeto de desejo do senhor Edwin Epps (Michael Fassbender). Apesar de ter feito ‘A’ cena do Oscar quando ela rouba um sabonete para tomar banho e leva chibatadas, sua personagem fica meio deslocada em boa parte do filme.

Embora já tenha sido previamente indicada ao Oscar por seu papel em Pulp Fiction em 1995, Uma Thurman representa um pesadelo aos votantes acadêmicos: 1) Está num filme sobre sexo (com cenas explícitas) de protagonista ninfomaníaca e 2) O diretor Lars von Trier “entende” Hitler. Aí afasta qualquer votante judeu… Mas Thurman está brilhante na sequência da Mrs. H de Ninfomaníaca. A forma como ela lida com emoções diante da traição e abandono do marido são inéditas pelo humor do absurdo. Seu escândalo perante a situação constrangedora rouba a cena e me faz lembrar da ótima Judy Davis em Maridos e Esposas (1992).

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

INDICADOS:
– Eric Warren Singer, David O. Russell (Trapaça)
– Woody Allen (Blue Jasmine)
– Craig Borten, Melisa Wallack (Clube de Compras Dallas)
– Spike Jonze (Ela)
– Bob Nelson (Nebraska)

Joaquin Phoenix no futurista Ela, de Spike Jonze, que faturou o National Board of Review (photo by www.cine.gr)

Joaquin Phoenix no futurista Ela, de Spike Jonze, que faturou o National Board of Review (photo by http://www.cine.gr)

QUEM DEVE GANHAR: Spike Jonze (Ela)
DEVERIA GANHAR: Spike Jonze (Ela)
ZEBRA: Craig Borten, Melisa Wallack (Clube de Compras Dallas)

A melhor qualidade de Ela é seu roteiro original. Spike Jonze cria um universo de um futuro não muito distante, onde as relações humanas dividem atenção com os sistemas operacionais. Também apresenta a mesma genialidade nos diálogos, desde os mais filosóficos como: “I think anybody who falls in love is a freak. It’s a crazy thing to do. It’s kind of like a form of socially acceptable insanity” até as mais engraçadas proferidas por um menino alienígena: I did not know you were a little pussy. Is that why you don’t have a girlfriend? I’m going out on that date and fuck her brains out and show you how its done. You can watch and cry”. Jonze busca discutir a essência de um relacionamento com todas as suas alegrias e suas tristezas ao expôr o protagonista a uma candidata perfeita (feita pela voz de Scarlett Johansson).

Após muitas tentativas frustradas de tentar levar o roteiro de Borten e Wallack às telas (Marc Forster e Brad Pitt foram os últimos a tentar), o diretor francês Jean-Marc Vallée assumiu o projeto e acertou nas escolhas dos atores. Serve como bom retrato do início da epidemia da AIDS nos anos 80 e o comportamento defensivo do governo americano. No mais, lembra a velha fórmula de Davi e Golias já explorada em Erin Brockovich – Uma Mulher de Talento (2000).

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

INDICADOS:
– Richard Linklater, Julie Delpy, Ethan Hawke (Antes da Meia-Noite)
– Billy Ray (Capitão Phillips)
– Steve Coogan, Jeff Pope (Philomena)
– John Ridley (12 Anos de Escravidão)
– Terence Winter (O Lobo de Wall Street)

Lupita Nyong'o (Twelve Years a Slave)

Michael Fassbender, Lupita Nyong’o e Chiwetel Ejiofor em 12 Anos de Escravidão

QUEM DEVE GANHAR: John Ridley (12 Anos de Escravidão)
DEVERIA GANHAR: Richard Linklater, Julie Delpy e Ethan Hawke (Antes da Meia-Noite)
ZEBRA: Richard Linklater, Julie Delpy e Ethan Hawke (Antes da Meia-Noite)

No Writers Guild (WGA), apesar da vitória ter sido de Billy Ray por Capitão Phillips, o fato mais relevante foi a ausência de John Ridley (12 Anos de Escravidão) entre os indicados por motivos de regulamento. Felizmente, no prêmio da Academia, muitos que foram deixados de lado pelo WGA acabam compensados pelo Oscar como aconteceu ano passado com Quentin Tarantino e seu Django Livre. A adaptação dos escritos do verdadeiro Solomon Northup de 1853 se destaca pelo retrato seco da vivência do cotidiano cruel escravista, algo que foi pouco explorado no cinema, mas bem feito na minissérie de 1977, Raízes, que o canal SBT cansou de passar nos anos 90. E verdade seja dita, nos últimos anos, as categorias de roteiros têm tido a importante função de definir o Melhor Filme do Ano. Foi assim com Argo e O Discurso do Rei. Se 12 Anos vencer, tem ótimas chances de se sagrar Melhor Filme.

Pena que o roteiro e o próprio filme Antes da Meia-Noite caia no esquecimento após a cerimônia do Oscar. A terceira parte da trilogia do casal Jesse e Celine aborda uma nova porém triste fase de um relacionamento: o felizes para sempre. Uma discussão que não agrada a maioria dos casais, mas que é essencial para a convivência. Richard Linklater recentemente ganhou o Urso de Prata de Direção por seu Boyhood, projeto em que aguardou 12 anos para terminar as filmagens com o mesmo ator-mirim já crescido. Um Oscar para o trio de roteiristas seria a melhor surpresa da noite.

MELHOR FOTOGRAFIA

INDICADOS:
– Philippe Le Sourd (O Grande Mestre)
– Emmanuel Lubezki (Gravidade)
– Bruno Delbonnel (Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum)
– Phedon Papamichael (Nebraska)
– Roger Deakins (Os Suspeitos)

Cena belíssima de filmada com perfeição por Emmanuel Lubezki em Gravidade

Cena belíssima de filmada com perfeição por Emmanuel Lubezki em Gravidade

QUEM DEVE GANHAR: Emmanuel Lubezki (Gravidade)
DEVERIA GANHAR: Emmanuel Lubezki (Gravidade)
ZEBRA: Philippe Le Sourd (O Grande Mestre)

Em vários anos, a categoria Fotografia me decepcionou profundamente. Alguns dos nitidamente melhores trabalhos perderam para outros mais convencionais. Foi assim em 2004 quando Eduardo Serra (Moça com Brinco de Pérola) perdeu para Russell Boyd (Mestre dos Mares – O Lado Mais Distante do Mundo), em 2007, quando Emmanuel Lubezki (Filhos da Esperança) perdeu para Guillermo Navarro (O Labirinto do Fauno), e em 2012, quando o mesmo Lubezki (A Árvore da Vida) inacreditavelmente perdeu para Robert Richardson (A Invenção de Hugo Cabret).

Mas desta vez, Lubezki finalmente é o franco-favorito da categoria. Venceu o ASC (American Society of Cinematographers) e esta é sua sexta indicação ao Oscar sem nenhuma vitória. Trata-se de um prêmio 99,9% certo para Gravidade, uma vez que é uma das melhores qualidades do filme de Cuarón e que avança tecnicamente no campo de 3D, cada vez mais em ascensão em Hollywood.

Apesar do visual artístico da película asiática de O Grande Mestre, Philippe Le Sourd deve ter poucas chances por esta ser sua primeira indicação e primeiro trabalho de destaque. Ele havia feito a fotografia de Sete Vidas (2008) e Um Bom Ano (2006).

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE

INDICADOS:
– Judy Becker, Heather Loeffler (Trapaça)
– Andy Nicholson, Rosie Goodwin (Gravidade)
– Catherine Martin, Beverley Dunn (O Grande Gatsby)
– K.K. Barrett, Gene Serdena (Ela)
– Adam Stockhausen, Alice Baker (12 Anos de Escravidão)

Meticuloso trabalho de direção de arte de Catherine Martin em O Grande Gatsby (photo by www.beyondhollywood.com)

Meticuloso trabalho de direção de arte de Catherine Martin em O Grande Gatsby (photo by http://www.beyondhollywood.com)

QUEM DEVE GANHAR: Gravidade
DEVERIA GANHAR: O Grande Gatsby
ZEBRA: 12 Anos de Escravidão

De todos os indicados, apenas Catherine Martin já foi previamente indicada e vencedora do Oscar por Moulin Rouge – Amor em Vermelho, o que a torna favorita ao prêmio, ainda mais depois que levou o BAFTA. Inspirada pelos anos 20, a designer se esbalda com o alto orçamento da Warner Bros, mas engana-se aquele que pensa que houve algum tipo de desperdício. Cada centavo está bem aplicado nas decorações, móveis, carros e figurinos. E como a Academia cai de amores por filmes de época, O Grande Gatsby deve sair com pelo menos um Oscar.

MELHOR FIGURINO

INDICADOS:
– Michael Wilkinson (Trapaça)
– William Chang Suk Ping (O Grande Mestre)
– Catherine Martin (O Grande Gatsby)
– Michael O’Connor (The Invisible Woman)
– Patricia Norris (12 Anos de Escravidão)

Figurino de O Grande Gatsby (photo by outnow.ch)

Figurino de O Grande Gatsby (photo by outnow.ch)

QUEM DEVE GANHAR: Catherine Martin (O Grande Gatsby)
DEVERIA GANHAR: Catherine Martin (O Grande Gatsby)
ZEBRA: Michael O’Connor (The Invisible Woman)

Continuando o espetáculo de Catherine Martin, o figurino também salta aos olhos do público. Normalmente, o figurino premiado com o Oscar deve ter um peso maior e se possível até na trama. Foi assim com Anna Karenina, Maria Antonieta e Memórias de uma Gueixa. O único empecilho de Catherine Martin não sair com as estatuetas de Direção de Arte e Figurino é o baixo desempenho do filme nas bilheterias americanas e as críticas que o tacharam de espetáculo vazio. E caso isso vingue, o figurino de Michael Wilkinson (Trapaça) pode surgir como vencedor, já que as roupas usadas por Amy Adams têm sua importância na trama.

MELHOR MAQUIAGEM

INDICADOS:
– Adruitha Lee, Robin Mathews (Clube de Compras Dallas)
– Steve Prouty (Jackass Apresenta: Vovô Sem Vergonha)
– Joel Harlow, Gloria Pasqua Casny (O Cavaleiro Solitário)

Maquiagem literalmente de Clube de Compras Dallas (photo by outnow.ch)

Maquiagem literalmente de Clube de Compras Dallas (photo by outnow.ch)

QUEM DEVE GANHAR: Clube de Compras Dallas
DEVERIA GANHAR: Jackass Apresenta: Vovô Sem Vergonha
ZEBRA: O Caveleiro Solitário

Assim que Jackass Apresenta: Vovô Sem Vergonha foi anunciado como indicado, choveram comentários maldosos que criticavam a presença de um filme considerado vulgar na festa do Oscar. Claro que não é sempre que um filme de humor mais escrachado é lembrado pela Academia (em 2008, Norbit sofreu o mesmo bullying), mas vale ressaltar que se trata de um reconhecimento aos profissionais da maquiagem. E do ponto de vista técnico, o trabalho de Steve Prouty é notadamente o mais chamativo, afinal, transforma o jovem Johnny Knoxville num idoso mau humorado de 86 anos.

Como não dá pra depender do bom senso dos votantes, acredito que vão na aposta segura: Clube de Compras Dallas, um candidato a Melhor Filme que acumularia mais uma estatueta. Porém, o que talvez eles não se dêem conta é que a maquiagem aqui é mínima. O real trabalho de “maquiagem” vem da dieta radical dos atores. Como a Academia já premiou a monocelha de Frida em 2003 no lugar da maquiagem de efeito bem superior de A Máquina do Tempo, o feito pode se repetir este ano.

MELHOR TRILHA MUSICAL ORIGINAL

INDICADOS:
– John Williams (A Menina que Roubava Livros)
Steven Price (Gravidade)
– William Butler e Owen Pallett (Ela)
– Thomas Newman (Walt nos Bastidores de Mary Poppins)
– Alexandre Desplat (Philomena)

Steven Price (Gravidade)

Steven Price (Gravidade) – photo by schmoesknow.com

QUEM DEVE GANHAR: Steven Price (Gravidade)
DEVERIA GANHAR: Steven Price (Gravidade)
ZEBRA: Thomas Newman (Walt nos Bastidores de Mary Poppins)

ESNOBADO: Hans Zimmer (12 Anos de Escravidão) e Alex Ebert (Até o Fim)

Em 2001: Uma Odisséia no Espaço, o diretor Stanley Kubrick usufruiu das músicas clássicas como de Richard Strauss para preencher o silêncio do espaço sideral. Mesmo ciente da importância da música em tal cenário, o diretor Alfonso Cuarón resolveu apostar no novato Steven Price. Felizmente, a colaboração funcionou muito bem. O compositor abusa de tons eletrônicos para não apenas ilustrar as cenas (como a maioria das trilhas atuais), mas para se tornar um personagem à parte que acompanha a evolução emotiva da protagonista. Embora compita com veteranos como John Williams e Thomas Newman, o trabalho musical de Steven Price merece esse reconhecimento dada sua relevância para o filme.

De forma mais experimental, aprecio a trilha pop meio futurista de Ela. William Butler (da banda Arcade Fire) desenvolveu a música mais discreta entre os indicados, mas que tem papel fundamental para acompanhar as emoções melancólicas e passionais de Theodore (Joaquin Phoenix). Seria uma surpresa agradável na ausência das trilhas de Até o Fim e 12 Anos de Escravidão.

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

INDICADOS:
“Happy” – Pharrell Williams (Meu Malvado Favorito 2)
– “Let It Go” – Robert Lopez, Kristen Anderson-Lopez (Frozen: Uma Aventura Congelante)
– “Ordinary Love” – Bono, Adam Clayton, The Edge, Larry Mullen Jr. (Mandela: Long Walk to Freedom)
– “The Moon Song” – Karen O, Spike Jonze (Ela)

QUEM DEVE GANHAR: “Let it Go” (Frozen: Uma Aventura Congelante)
DEVERIA GANHAR: “Let it go” (Frozen: Uma Aventura Congelante)
ZEBRA: “Happy” (Meu Malvado Favorito 2)

No começo, com a vitória de “Ordinary Love” no Globo de Ouro, pensei que o Oscar para a banda U2 seria inevitável. Tratava-se de uma oportunidade de ouro para premiar uma das mais prestigiadas bandas de rock/pop da atualidade depois da derrota em 2003 pela canção “The Hands That Built America” de Gangues de Nova York. Mas ao ouvir a canção, é impossível não perceber que a musicalidade em si não cresce. Se ganhar, será meramente pelo casamento entre U2 e o recém-falecido Mandela.

Embora não tenha o mesmo lirismo de um Alan Menken da Disney, a canção de Frozen: Uma Aventura Congelante, “Let it Go” tem uma boa pegada e melodia que também ajuda no desenvolvimento da personagem Elsa, que passa a aceitar suas diferenças e poderes. Confirmada para se apresentar ao vivo, a atriz que dublou a personagem, Idina Menzel cantará “Let it Go”, o que deve aumentar as chances de Oscar.

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA

INDICADOS:
– Alabama Monroe (The Broken Circle Breakdown), de Felix Van Groeningen – BÉLGICA
– A Grande Beleza (La Grande Bellezza), de Paolo Sorrentino – ITÁLIA
– A Caça (Jagten), de Thomas Vinterberg – DINAMARCA
– A Imagem que Falta (L’image Manquante), de Rithy Panh – CAMBOJA
– Omar (Omar), de Hany Abu-Assad – PALESTINA

Cena de La Grande Bellezza, de Paolo Sorrentino (photo by www.outnow.ch)

Cena de La Grande Bellezza, de Paolo Sorrentino (photo by http://www.outnow.ch)

QUEM DEVE GANHAR: A Grande Beleza (Itália)
DEVERIA GANHAR: A Caça, de Thomas Vinterberg (Dinamarca)
ZEBRA: Omar, de Hany Abu-Assad (Palestina)

ESNOBADOS: Azul é a Cor Mais Quente, de Abdellatif Kechiche (França) e O Passado, de Asghar Farhadi (Irã)

Paolo Sorrentino é um dos cineastas italianos mais elogiados dos últimos anos e é um dos responsáveis por tentar trazer o cinema italiano de volta ao primeiro patamar. Seu consagrado A Grande Beleza, que já ganhou o Globo de Ouro e vários prêmios da crítica, cria imagens de extrema beleza com um teor felliniano de absurdo como em La Nave Va. Sua trama sobre escritor de 65 anos em crise certamente gerou identificação da maioria esmagadora dos votantes da Academia.

Apesar de não apresentar o mesmo apuro técnico do italiano, o dinamarquês A Caça tem a coragem de abordar o complicado tema de abuso sexual infantil. Acusado de forma precipitada por uma menina, o professor da escola (Mads Mikkelsen em atuação inspirada) vai do céu ao inferno ao encarar os preconceitos de uma pequena cidade. As analogias com a relação caça e caçador são um pouco óbvias, mas não tira o brilho do filme por seu terror psicológico.

Muito elogiado, o representante iraniano O Passado acabou ficando de fora na pré-seleção. Trata-se do primeiro filme de Asghar Farhadi depois do contundente A Separação. Já o romance baseado na HQ de Julie Maroh, Azul é a Cor Mais Quente, acabou eliminado pelo regulamento arcaico da Academia. Precisava ter estreado na França até setembro, mas foi lançado no início de outubro. A cerimônia do Oscar perde com a ausência do vencedor da Palma de Ouro de 2013 e sua poderosa história de amor entre Adèle e Emma.

MELHOR ANIMAÇÃO

INDICADOS:
– Os Croods (The Croods)
– Meu Malvado Favorito 2 (Despicable Me 2)
– Ernést & Celestine (Ernést et Celestine)
– Frozen: Uma Aventura Congelante (Frozen)
– Vidas ao Vento (Kaze tachinu)

Frozen: Uma Aventura Congelante conquistou 2 prêmios e parte rumo ao Oscar (photo by www.outnow.ch)

Frozen: Uma Aventura Congelante (photo by http://www.outnow.ch)

QUEM DEVE GANHAR: Frozen: Uma Aventura Congelante (Frozen)
DEVERIA GANHAR: Vidas ao Vento (The Wind Rises)
ZEBRA: Meu Malvado Favorito 2 (Despicable Me 2)

Enquanto comemorava a indicação de duas produções estrangeiras (a francesa Ernést & Celestine e a japonesa Vidas ao Vento), fui acompanhando a ascensão da Disney com Frozen: Uma Aventura Congelante. Não entendi o auê em torno dessa animação convencional na temporada de premiação. Claro que é um trabalho simpático, mas que já estaria muito bem reconhecido com uma indicação. Fico com a impressão de que o favoritismo aqui gira em torna do poderio da Disney e sua bilheteria esmagadora que teve início no Natal de 2013.

Em entrevista concedida na época do último Festival de Veneza, o diretor Hayao Miyazaki declarou que Vidas ao Vento seria sua última animação. Se for verdade, esta pode ser a última oportunidade de premiar um dos melhores (ou o melhor?) animadores do cinema. Aquele Oscar de A Viagem de Chihiro é muito pouco para um artista que inspirou tantos outros trabalhos como Up – Altas Aventuras. Embora não seja tão fantasioso como seus filmes anteriores, Vidas ao Vento se mostra um trabalho mais adulto, que disseca a crueldade da guerra diante de sonhos humanos.

MELHOR SOM

INDICADOS:
– Gravidade
– O Hobbit: A Desolação de Smaug
– Capitão Phillips
– Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum
– O Grande Herói

O som de Gravidade faz parte dos avanços técnicos (photo by beyondhollywood.com)

O som de Gravidade faz parte dos avanços técnicos (photo by beyondhollywood.com)

QUEM DEVE GANHAR: Gravidade
DEVERIA GANHAR: Gravidade
ZEBRA: Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum

Pensou em categoria mais técnica, pensou em Gravidade. Normalmente a regra aqui é “o filme mais barulhento ganha”, o que premiaria a segunda parte da trilogia O Hobbit, mas a repercussão dos avanços técnicos da obra de Alfonso Cuarón foi tão grande que não conceder este Oscar e o de Efeitos Sonoros seria uma desfeita diante do sucesso e popularidade do filme.

MELHORES EFEITOS SONOROS

INDICADOS:
– Até o Fim
– Capitão Phillips
– Gravidade
– O Hobbit: A Desolação de Smaug
– O Grande Herói

QUEM DEVE GANHAR: Gravidade
DEVERIA GANHAR: Gravidade
ZEBRA: Até o Fim

Estilhaços de um satélite fazem muito barulho. Ainda mais em IMAX. Só aquela sequência do acidente espacial já vale o prêmio. Não existe competição para Gravidade em termos de som.

MELHORES EFEITOS VISUAIS

INDICADOS:
– Gravidade
– O Hobbit: A Desolação de Smaug
– Homem de Ferro 3
– O Cavaleiro Solitário
– Além da Escuridão: Star Trek

A magia do cinema no set de Gravidade (photo by filmmakeriq.com)

A magia do cinema no set de Gravidade (photo by filmmakeriq.com)

QUEM DEVE GANHAR: Gravidade
DEVERIA GANHAR: Gravidade
ZEBRA: O Cavaleiro Solitário

Provavelmente o Oscar mais garantido desta edição: efeitos visuais para Gravidade. Aliando perfeitamente efeitos digitais com os atores, o filme espacial tem seu potencial explorado ao máximo numa sala de IMAX em 3D. Se até o ditador James Cameron aplaudiu, estamos diante de um novo patamar dos efeitos visuais da indústria hollywoodiana.

MELHOR DOCUMENTÁRIO

INDICADOS:
– O Ato de Matar
– Cutie and the Boxer
– Guerras Sujas
– The Square
– A Um Passo do Estrelato

O Ato de Matar, de Joshua Oppenheimer (photo by outnow.ch)

O Ato de Matar, de Joshua Oppenheimer (photo by elfilm.com)

QUEM DEVE GANHAR: O Ato de Matar
DEVERIA GANHAR: The Square
ZEBRA: Cutie and the Boxer

ESNOBADO: Histórias que Contamos

Só a idéia de reencenação do massacre na Indonésia através de gêneros cinematográficos já garantiria uma indicação ao Oscar, mas O Ato de Matar já ganhou mais de 30 prêmios, incluindo o BAFTA. Muito se falou sobre A Um Passo do Estrelato, documentário sobre os back-vocals, mas acredito que The Square, sobre revolucionários egípcios, pode surpreender por se tratar de uma produção da ascendente Netflix e por ter vencido o DGA.

MELHOR DOCUMENTÁRIO-CURTA

INDICADOS:
– CaveDigger
– Facing Fear
– Karama Has no Walls
– The Lady In Number 6
– Prison Terminal: The Last Days of Private Jack Hall

Facing Fear (photo by huffingtonpost.com)

Facing Fear (photo by huffingtonpost.com)

QUEM DEVE GANHAR: Facing Fear
DEVERIA GANHAR: CaveDigger
ZEBRA: Prison Terminal: The Last Days of Private Jack Hall

Como todos os candidatos estão bem parelhos, acredito que o tema social que envolve um neo-nazista e um gay pode despertar mais atenção.

MELHOR CURTA-METRAGEM

INDICADOS:
– Aquel no era Yo
– Just Before Losing Everything
– Helium
– Do I Have to Take Care of Everything?
– The Voorman Problem

The Voorman Problem (photo by coolconnections.ru)

The Voorman Problem (photo by coolconnections.ru)

QUEM DEVE GANHAR: The Voorman Problem
DEVERIA GANHAR: Just Before Losing Everything
ZEBRA: Do I Have to Take Care of Everything?

Um médico trata de um paciente que diz que é deus. O médico é Martin Freeman da trilogia O Hobbit.

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO

INDICADOS:
– Feral
– É Hora de Viajar
– Mr. Hublot
– Possessions (Tsukumo)
– Room on the Broom

Mr Hublot (photo by animationsfilme.ch)

Mr Hublot (photo by animationsfilme.ch)

QUEM DEVE GANHAR: Mr Hublot
DEVERIA GANHAR: Mr Hublot
ZEBRA: Possessions

Mr Hublot se assemelha a uma animação da Pixar mas com elementos franceses como o humor de Jacques Tati. Por mais que haja Mickey Mouse na competição com É Hora de Viajar, a animação francesa deve levar a melhor.

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