‘Carol’ leva 4 prêmios e domina o New York Film Critics Circle 2015

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À esquerda, Todd Haynes dirige Cate Blanchett em cena de Carol (photo by http://www.cineimage.ch)

CÍRCULO DE CRÍTICOS NOVA-IORQUINOS SAÚDAM SUA CIDADE NAS TELAS

Não sei se é questão de “patriotada”, mas o crítico Kristopher Tapley da Variety notou um fato curioso na lista de premiados este ano pelo círculo de críticos de Nova York. A maioria dos filmes premiados se passa na cidade norte-americana: Melhor Filme, Diretor (Todd Haynes), Roteiro e Fotografia para Carol; Melhor Documentário para In Jackson Heights; Melhor Ator Coadjuvante (Mark Rylance) para Ponte dos Espiões; e Melhor Atriz (Saoirse Ronan) para Brooklyn. Apesar de soar como a tradicional puxada de sardinha, existe uma feliz coincidência de produções em destaque que se passam em Nova York. Afinal, quem não gosta de assistir a um filme realizado na sua própria cidade?

Com a vitória predominante do drama Carol, Todd Haynes praticamente garante sua primeira indicação ao Oscar de Diretor. Entre seus filmes mais reconhecidos estão Velvet Goldmine e Longe do Paraíso, pelo qual foi indicado para Roteiro Original em 2003. Curiosamente, as protagonistas interpretadas por Cate Blanchett e Rooney Mara ficaram de fora no NYFCC. Recentemente, ambas foram indicadas a Melhor Atriz no Independent Spirit Awards, e a tendência para o Oscar é que Blanchett concorra como Atriz e Mara como Coadjuvante. A premiação pelos críticos nova-iorquinos impulsiona Carol e obriga os votantes da Academia a conferirem o trabalho, e de quebra, pode render a segunda indicação a um dos melhores diretores de fotografia da atualidade, Edward Lachman.

Outro forte concorrente para o Oscar, o drama jornalístico Spotlight, não ficou de fora da lista. Michael Keaton, que este ano teve seu retorno triunfal com Birdman, consegue se manter no topo com outra performance premiada. Contudo, existe uma discussão pra saber se seu personagem é principal ou secundário, o que poderia fortalecê-lo em caso de campanha para a categoria de coadjuvante no Oscar.

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Michael Keaton ao lado de Rachel McAdams em cena de Spotlight, de Tom McCarthy (photo by cine.gr)

Já Saoirse Ronan consegue feito incrível ao bater as atrizes de Carol e também Brie Larson (O Quarto de Jack). Aos 21 anos, ela vive uma personagem dividida entre o amor de dois homens na Brooklyn dos anos 50 e também entre aceitar ou não suas raízes irlandesas. Americana (nova-iorquina!), a atriz consegue chamar atenção também pelo seu Inglês com sotaque irlandês.

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Doomhnall Gleeson com Saoirse Ronan em Brooklyn (photo by cine.gr)

Assim como os atores principais conseguiram um novo fôlego na corrida com os prêmios do NYFCC, os coadjuvantes também deram passos largos num ano bem competitivo. Mark Rylance, que entregou uma atuação que deu alma ao novo filme de Steven Spielberg, certamente mereceu pelo menos um prêmio significativo na temporada. O que gosto bastante de Ponte dos Espiões é o paralelo que Spielberg constrói entre os anos 60 da Guerra Fria com a atual situação imigratória global, levantando a questão: “Não somos todos imigrantes?”.

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Mark Rylance à esquerda com Tom Hanks em cena de Ponte dos Espiões (photo by outnow.ch)

No caso de Kristen Stewart, sua vitória impressiona ainda mais por se tratar de uma jovem estrela hollywoodiana (da saga Crepúsculo) e pelo fato do drama Acima das Nuvens, de Olivier Assayas, ter sido lançado em 2014, ou seja, houve um longo percurso até chegar a essa lista. Vale lembrar aqui que Stewart é a primeira atriz americana a ganhar o prestigiado César Award na França. Se ela estiver na lista do Globo de Ouro ou SAG, ela estará na categoria no Oscar.

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Kristen Stewart em Acima das Nuvens, de Olivier Assayas (photo by cine.gr)

A animação Divertida Mente coleciona mais um importante prêmio e caminha sem maiores dificuldades para conquistar o oitavo Oscar para a Pixar. Havia uma alta aposta de que a animação de Charlie Kaufman e Duke Johnson, Anomalisa, iria bater seu franco-favoritismo, mas não se concretizou.

Já o filme húngaro, O Filho de Saul, embora tenha perdido como filme estrangeiro para Timbuktu (que foi indicado ao Oscar este ano pela Mauritânia), ainda conseguiu o prêmio de Filme de Estréia para o diretor László Nemes. De tabela também foi o prêmio especial para o compositor italiano Ennio Morricone, que pode conquistar sua sexta indicação. Ele recebeu o Oscar Honorário em 2007 pelo conjunto da obra.

Pela categoria de Não-Ficção, In Jackson Heights foi reconhecido como melhor documentário ao dissecar o distrito do Queens, NY. Entretanto, não foi classificado para a lista de 15 semi-finalistas no Oscar.

Seguem os vencedores do NYFCC 2015:

MELHOR FILME: Carol, de Todd Haynes

MELHOR DIRETOR: Todd Haynes (Carol)

MELHOR ATOR: Michael Keaton (Spotlight)

MELHOR ATRIZ: Saoirse Ronan (Brooklyn)

MELHOR ATOR COADJUVANTE: Mark Rylance (Ponte dos Espiões)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Kristen Stewart (Acima das Nuvens)

MELHOR ROTEIRO: Phyllis Nagy (Carol)

MELHOR FOTOGRAFIA: Edward Lachman (Carol)

MELHOR ANIMAÇÃO: Divertida Mente, de Pete Docter

MELHOR FILME ESTRANGEIRO: Timbuktu, de Abderrahmane Sissako

MELHOR FILME DE NÃO-FICÇÃO: In Jackson Heights, de Frederick Wiseman

MELHOR FILME DE ESTRÉIA: O Filho de Saul, de László Nemes

PRÊMIO ESPECIAL: William Becker e Janus Films

 

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2 Comentários

  1. Hugo

     /  dezembro 3, 2015

    Ainda não conferi a maioria das produções, mas à princípio fui mais com a cara dos premiados pelo NYFCC do que pelo NBR.

    Quando vi os premiados pelo NBR pensei: “Nossa, o ano foi mt fraco!” Hahaha… “Mad Max” é legal, tem marca autoral, mas n tem roteiro e isso me incomoda. Me deixou com a mesma sensação de qd assisti ao “Gravidade”: mt técnica, mas pouca coisa pra contar. Fora a escolha de melhor filme, somou-se o fato de considerar Matt Damon e Stallone os melhores atores do ano!

    Seria legal se Kristen Stewart conseguisse crescer na corrida de premiações. Acho que mais uma vez, assim como nos últimos 3/4 anos, a categoria de atriz coadjuvante vai ser super fraca. Isso talvez até dê chance dela sair vencedora em alguma premiação (se a Rooney Mara não levar todas). Não sou um fã de Kristen, mas sua interpretação no filme realmente é um destaque, merece o reconhecimento.

    Parece que “Birdman” realmente ressuscitou a carreira do Michael Keaton, né?

    Muito bom ficar informado das premiações por meio das suas publicações. O trabalho, como sempre, está ótimo!

    Responder
    • Olá, Hugo! Prazer em ler mais um comentário seu aqui! Obrigado por seus elogios aos posts! Sua opinião é muito importante.

      Desde o ano passado, percebi que temos algo muito em comum: a valorização imprescindível do roteiro! Também não dei nota máxima para “Mad Max: Estrada da Fúria” por causa do roteiro, que prefiro mais do segundo filme sobre um pequeno grupo que defende uma pequena reserva de combustível no deserto. Claro que valorizo, e muito, experiências cinematográficas como essa recente de George Miller, o próprio “Gravidade” que vc citou e o belíssimo “Sob a Pele”, de Jonathan Glazer, mas falta aquele roteiro excepcional. Enfim, torço para que “Mad Max” esteja entre os indicados a Melhor Filme como forma de protesto e também para dar aquela sacudida de pó na Academia… rs

      Como postei, Matt Damon segura bem as mais de duas horas de “Perdido em Marte” praticamente sozinho, mas seu carisma teve participação mais ativa do que propriamente sua interpretação. Já Tom Hanks no “Náufrago” apresentou um bom equilíbrio das duas qualidades… só pra fazer uma comparação. Quanto ao Stallone, sabendo seu perfil de filmes e personagens, não dá pra esperar muita coisa. Concordo! Mas (estou preparado para ser achincalhado aqui!rs) acho que no primeiro “Rambo” e “Rocky”, ele consegue uma performance consistente. E acredito que os críticos de NY realmente viram algo inédito nele em “Creed: Nascido Para Lutar”. Espero ser surpreendido positivamente, mas não posso criar expectativas!

      Sua dedução é corretíssima sobre a possibilidade de Kristen Stewart ser indicada ao Oscar pela baixa concorrência na categoria de coadjuvante. Aliás, quando foi a última vez que vimos uma competição acirrada para Melhor Atriz Coadjuvante com pelo menos 3 indicadas assumindo a ponta? Sempre torço para que as categorias de atriz de atriz coadjuvante melhorem, mas como muitas das atrizes dizem, está cada vez mais difícil conseguir bons papéis para mulheres maduras no cinema…

      Vamos aguardar a seleção dos críticos de Los Angeles, que sai dia 06. Deve reservar boas surpresas! Forte abraço, Hugo!

      Responder

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