Nove filmes seguem em busca do Oscar de Filme em Língua Estrangeira 2016. Brasil fica de fora mais uma vez…

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Cena do representante da França, Cinco Graças, um dos filmes classificados para a próxima fase (photo by cine.gr)

ACADEMIA LIMA 72 PRODUÇÕES DA COMPETIÇÃO. O FAVORITO O FILHO DE SAUL PERMANECE NO PÁREO.

Toda vez que vou postar algo relacionado à categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira, a expressão: “Vira o disco” me vem à mente. Desde que fundei esse blog, é a categoria que mais reclamo, pois é a que mais necessita de uma reforma.

Primeiramente, vamos às notícias. Saiu a lista dos 9 filmes pré-selecionados dos 81 filmes internacionais inscritos. As 72 produções não-selecionadas podem dar adeus às chances de ganhar o Oscar, inclusive o filme brasileiro Que Horas Ela Volta?.

A War (photo by cine.gr)

A War, de Tobias Lindholm (photo by cine.gr)

Segue a lista:

The Brand New Testament (Le Tout Nouveau Testament), de Jaco Van Dormael – BÉLGICA
O Abraço da Serpente (El Abrazo de la Serpiente), de Ciro Guerra – COLÔMBIA
A War (Krigen), de Tobias Lindholm – DINAMARCA
O Esgrimista (Miekkailija), de Klaus Härö – FINLÂNDIA
Cinco Graças (Mustang), de Deniz Gamze Ergüven – FRANÇA
Labirinto de Mentiras (Im Labyrinth des Schweigens), de Giulio Ricciarelli – ALEMANHA
O Filho de Saul (Saul fia), de László Nemes – HUNGRIA
Viva, de Paddy Breathnach – IRLANDA
Theeb, de Naji Abu Nowar – JORDÂNIA

Claro que é difícil você criticar ou mesmo elogiar filmes sem ter visto, e alguns desses selecionados acima podem ser até de ótima qualidade, mas havia alguns títulos que sequer passaram dessa primeira triagem e eram considerados fortes candidatos como o taiwanês A Assassina, o sueco Um Pombo Pousou num Galho Refletindo Sobre a Existência, o austríaco Boa Noite, Mamãe e o brasileiro Que Horas Ela Volta?, que vinha conquistando seu espaço na temporada, principalmente depois da indicação ao Critics’ Choice Awards. Apesar de ter declarado que não acreditava em indicação, nas últimas semanas, confesso que estava mais confiante na passagem do Brasil, pelo menos nessa primeira peneira. Infelizmente, Central do Brasil continuará sendo nosso último representante indicado por mais um ano.

O Esgrimista (photo by cine.gr)

O Esgrimista, de Klaus Härö  (photo by cine.gr)

Aí você vai perguntar: “Mas não existe o Comitê de Filme em Língua Estrangeira justamente pra evitar essas ausências?”. Sim, existe, mas dessa lista de 9, o comitê seleciona apenas 3 com base em méritos artísticos e grau de importância em premiações e festivais. Os outros 6 são resultado dos votantes idosos que comparecem às sessões vespertinas para poder votar com base em suas taras obsessivas por filmes de temática bélica e Holocausto.

Uns dois anos atrás, fiz essa análise para tentar deduzir de onde vinham os votos desses 9 filmes. Vamos dar uma olhada no que temos este ano:

The Brand New Testament, de (photo by outnow.ch)

The Brand New Testament, de Jaco Van Dormael (photo by outnow.ch)

1. The Brand New Testament
Comédia sobre uma nova versão da bíblia, onde Deus estaria vivo e vivendo em Bruxelas com a filha. Apesar do tema religioso, tem Catherine Deneuve no elenco, e recentemente foi indicado ao Globo de Ouro. COMITÊ

2. O Abraço da Serpente
Drama em preto-e-branco sobre relação entre shaman amazônico e dois cientistas que buscam uma planta milagrosa. Foi indicado ao Independent Spirit Awards. VOTANTES

3. A War
Drama sobre a Guerra do Afeganistão e os crimes de guerra cometidos pelo comandante dinamarquês. COMITÊ

4. O Esgrimista
Fugindo da polícia secreta russa, jovem esgrimista estoniano é forçado a voltar para seu país, onde se torna professor de educação física numa escola local. VOTANTES

5. Cinco Graças
Cinco irmãs adolescentes amantes da liberdade são mantidas aprisionadas em casa pelos pais, depois que uma brincadeira inocente com meninos vai à tona. Casamentos passam a ser arranjados em seguida. Indicado ao Globo de Ouro e Independent Spirit Awards. VOTANTES

6. Labirinto de Mentiras
15 anos após a Segunda Guerra Mundial, os nazistas estão esquecidos até o dia em que um promotor público reconhece um comandante de Auschwitz dando aulas livremente. VOTANTES

7. O Filho de Saul
Saul trabalha no campo de concentração queimando corpos. Quando reconhece o corpo de seu filho, ele se arrisca para poder enterrá-lo. VOTANTES

8. Viva
Ao fazer uma performance como drag queen, jovem é surpreendido pelo pai, que estava ausente há 15 anos. Na volta da convivência, eles precisam acertar suas diferenças.  COMITÊ

9. Theeb
Theeb é um menino que tem a missão de guiar um oficial britânico pelo deserto durante a Primeira Guerra Mundial. VOTANTES

Viva (photo by cine.gr)

Viva, de Paddy Breathach (photo by cine.gr)

Como postei anteriormente, o ideal seria se a categoria estendesse o número de seus indicados para dez. Garimpar 10 produções americanas boas no ano pode ser difícil às vezes, mas 10 filmes mundo afora? Mais fácil do que indicar Meryl Streep! Mas aí vem a outra questão: chega de filmes só de guerra e nazismo! Vamos diversificar! Para isso, as regras precisam mudar. Por que não formar um comitê com profissionais internacionais e um americano? Como se fosse um júri de festival, que mudaria anualmente.

Theeb (photo by cine.gr)

Theeb, de Naji Abu Nowar (photo by cine.gr)

Por exemplo: Este ano, o comitê selecionado pela Academia será composto por David Lynch (diretor americano) e os internacionais: Pedro Almodóvar (Espanha), Zhangke Jia (China), Guillermo Del Toro (México), Jacques Audiard (França) e Walter Salles (Brasil). Eles se comprometeriam a assistir aos 81 filmes e selecionar os 5 finalistas, que aí poderiam ser votados pelos membros da Academia.

O Abraço da Serpente, de Ciro Guerra (photo by cine.gr)

O Abraço da Serpente, de Ciro Guerra (photo by cine.gr)

Enfim, todo ano faço sugestões na vã esperança de que algum dia um membro da Academia receba essa informação e cause alguma mudança. Acho uma categoria muitas vezes tratada como secundária, até mesmo pelos apresentadores do prêmio que chegam ao palco com aquela cara de “por que não me colocaram para apresentar Melhor Filme ou Diretor?”, mas que deveria ser mais valorizada pela instituição, cuja cerimônia depende dos números de audiência além da fronteira americana.

Labyrinth of Lies

Labirinto de Mentiras, de Giulio Ricciarelli (photo by cine.gr)

Contudo, acho que até o público já se habituou a ver filmes de Segunda Guerra Mundial e campos de concentração ganharem nessa categoria. E nesse quesito, nenhum outro representante melhor do que o húngaro O Filho de Saul, que deve ter passado para a segunda fase com sobras. Vi o filme de László Nemes na Mostra Internacional de Cinema, e pode ser que minha opinião crítica tenha sido afetada por todas essas questões que citei, mas o filme não me impressionou. Basicamente é a mesma história de sempre, mas com o diferencial de que a história toda do pai que quer enterrar o filho é filmada com “câmera na mão” (steadycam) e colada no protagonista o filme todo, deixando boa parte do fundo desfocada.

O Filho de Saul, de László Nemes (photo by cine.gr)

O Filho de Saul, de László Nemes (photo by cine.gr)

A lista dos 9 filmes não me agrada à princípio, porque gosto de ver coisas diferentes, ainda mais nessa categoria super manjada. Por isso estava na torcida pelo austríaco Boa Noite, Mamãe, que tem um terror psicológico que há muito não vejo por aqui… Gostaria muito que o chileno O Clube estivesse concorrendo, pois achei um dos melhores do ano por sua coragem em abordar o tema dos padres que cometeram abuso sexual, ao mesmo tempo em que deixa um forte desconforto no espectador. Daria uma ótima combinação para acompanhar um dos favoritos ao Oscar, Spotlight – Segredos Revelados, que trata do mesmo tema.

Na atual conjuntura, torço pelos The Brand New Testament e A War, porque parecem apresentar algo mais inusitado, e coincidentemente ou não, dois filmes que acredito que foram selecionados pelo Comitê. E claro, torço para que os selecionados apresentem algo a mais além da temática.

O anúncio dos 5 indicados a Melhor Filme em Língua Estrangeira será no dia 14 de janeiro.

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