CANNES: Indicados à Palma de Ouro 2017

CANNES POSTER 2017

Pôster oficial do Festival de Cannes 2017 com a bela Claudia Cardinale

FESTIVAL MAIS IMPORTANTE DE CINEMA CHEGA À SUA 70ª EDIÇÃO

Bom, infelizmente, o festival de Cannes deste ano já começou com uma polêmica. Assim que o pôster oficial do evento (foto acima), estrelado pela atriz italiana e musa Claudia Cardinale, foi divulgado, a revista Elle do Reino Unido fez uma comparação com a foto original e revelou o uso do photoshop, acarretando numa onda de protestos pela internet. Eu não costumo dar bola para as críticas politicamente corretas, mas nesse caso, realmente não entendi o porquê da alteração. Considerada um dos maiores símbolos sexuais da década de 60 e 70, Cardinale já estava irretocável na foto original. E além disso, não se trata de uma capa de revista masculina (onde a prática é comum), mas estamos diante de um pôster de um evento de cinema no qual a atriz será homenageada! Mas enfim, parece que a própria Claudia Cardinale não se ofendeu, então bola pra frente.

Comparação do pôster com a foto original: cintura e pernas afinadas por edição.
pic by Bellica/Twitter

Este ano, o presidente do júri será o cineasta espanhol Pedro Almodóvar, que é conhecido por conceber personagens femininas (e transsexuais) singulares e tridimensionais em filmes como Tudo Sobre Minha Mãe, Fale com Ela e A Pele que Habito. “Estou muito feliz em comemorar o 70º aniversário do Festival de Cinema de Cannes nesta função tão privilegiada. Sou grato e honrado, e estou nervoso! Ser Presidente do Júri é uma grande responsabilidade e espero fazer jus às circunstâncias. Posso dizer que vou me dedicar de corpo e alma a esta tarefa, que é ao mesmo tempo um prazer e um privilégio”, declarou o diretor em entrevista. Curiosamente, Almodóvar nunca ganhou o prêmio máximo de Cannes, mas ganhou de Diretor e Roteiro.

PEDRO ALMODÓVAR CANNES

O presidente do júri de Cannes este ano: o diretor espanhol Pedro Almodóvar (pic by jornalcruzeiro.com.br)

Estariam preparando terreno para uma segunda Palma de Ouro para uma diretora? A primeira e única foi concedida à neozelandesa Jane Campion pelo poético O Piano, de 1993. Além das pistas do cartaz estrelado por Cardinale, e o júri presidido por um diretor que entende do universo feminino, temos uma boa seleção com obras dirigidas por mulheres. Das 49 produções selecionadas pelo festival, 12 têm diretoras femininas. Parece pouco, mas é um avanço bastante considerável. Claro que apoio maior participação feminina nas Artes, MAS não defendo cotas de qualquer tipo. Acho que os filmes e artistas devem ser reconhecidos de acordo com a qualidade de seus trabalhos, sejam feitos por homens, mulheres, transgêneros, negros, asiáticos, cristãos, judeus, muçulmanos etc. Enfim, acredito que o festival esteja encaminhando uma vitória importante feminina, mas torço para que a qualidade fílmica esteja acima de qualquer atitude politicamente correta.

Outra curiosidade que existe nesta edição é a ausência total de filmes produzidos por estúdios Hollywoodianos. Embora as celebridades estejam confirmadas no tapete vermelho como Nicole Kidman (que participa em 4 produções), Julianne Moore e Adam Sandler, não existem filmes de estúdio na seleção do festival como há muito não se via. Talvez seja alguma retaliação francesa, já que as produções hollywoodianas migraram para os festivais de Veneza e de Toronto no segundo semestre.

Contudo, a seleção americana apresenta fortes nomes para a competição: Sofia Coppola (The Beguiled), Noah Baumbach (The Meyerowitz Stories) e Todd Haynes (Wonderstruck). Já internacionalmente falando, temos o russo Andrey Zvyagintsev, o francês Michel Hazanavicius (sim, aquele mesmo de O Artista), os sul-coreanos Hong Sangsoo (que vem com dois filmes em mostras distintas) e o bastante versátil Bong Joon-ho (que volta a trabalhar com elenco internacional), o grego Yorgos Lanthimos (que concorreu ao Oscar de Roteiro Original com O Lagosta este ano) e o sempre polêmico alemão Michael Haneke (que pode vencer sua terceira Palma de Ouro com um filme bem pertinente sobre imigração).

Tilda Swinton em mais uma transformação no filme coreano Okja (pic by tomandlorenzo.com)

Destacando a presença feminina em Cannes, temos a japonesa Naomi Kawase (que muitos críticos acreditavam que merecia a Palma de Ouro em 2014 com O Segredo das Águas), a escocesa Lynne Ramsay (que marcou muito com sua direção em Ratcatcher) e a já citada americana Sofia Coppola, que faz uma releitura feminina do filme dirigido por Don Siegel e estrelado por Clint Eastwood: O Estranho que Nós Amamos (1971).

the beguiled nicole kidman

Nicole Kidman em cena de O Enganado (The Beguiled), de Sofia Coppola (pic by cine.gr)

Particularmente, estou de olho em dois nomes da mostra Un Certain Regard: o mexicano Michel Franco e o japonês Kiyoshi Kurosawa. Após assistir a três filmes do jovem Franco, passei a apreciar sua visão muito contemporânea do comportamento humano, que tende sempre à violência e à isolação. E quanto a Kurosawa, ele sabe explorar os problemas do mundo atual com uma atmosfera meio filosófica que tinha o antigo cinema nipônico. São dois cineastas que prevejo um amadurecimento inevitável e iminente, e por isso, são fortes candidatos a levar o prêmio da mostra.
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DOIS ESTRANHOS NO NINHO
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Nesta edição do festival, o diretor Thierry Frémaux decidiu acolher duas séries de televisão. Muito questionado pela imprensa por incluir um novo formato, ele se justificou da seguinte maneira: “Não vamos começar a discutir aqui o fato de que até as séries televisivas, a menos que provem o contrário, estão usando a forma clássica de filmagem e narração cinematográfica… Por estas duas séries (Top of the Lake e Twin Peaks) serem assinadas por Jane Campion e David Lynch (respectivamente), que são cineastas e amigos do festival de Cannes, que vamos exibir seus trabalhos.” – Olha, até a parte em que ele defende que as séries estão se apoderando da linguagem cinematográfica, Frémaux estava mandando bem, mas depois que defendeu um coleguismo, ele derrapou.

A diretora Jane Campion dá instruções para a atriz Elizabeth Moss na série Top of the Lake (pic by Tribeca Film Festival)

Não vejo problema algum em exibirem séries de TV bem conceituadas num festival de cinema, até mesmo porque as séries estão mais em alta hoje e agregando cineastas de peso como Lynch e Campion, que não têm mais credibilidade em grandes estúdios. Inclusive, existe uma tendência entre os festivais como Toronto, Sundance e Berlim de apresentarem uma seção específica para séries.

Ainda sobre novidades em Cannes, este ano teremos uma sessão mega especial de Realidade Virtual. Trata-se de uma nova linguagem que pode ou não ser o formato do futuro. O negócio é tão sério que chamaram o vencedor de dois Oscars Alejandro González Iñárritu para apresentar um curta de seis minutos intitulado Carne y Arena nesse formato virtual. Será que vinga? Não foram divulgadas maiores informações, mas pelo pôster dá pra deduzir que se trata de uma crítica social às imposições migratórias de Donald Trump. E não poderíamos esperar outra coisa do melhor diretor mexicano da atualidade.

Pôster do curta de realidade virtual de Alejandro González Iñárritu (pic by indiewire.com)

SELEÇÃO DO FESTIVAL DE CANNES 2017

FILME DE ABERTURA

Ismael’s Ghosts
Dir: Arnaud Desplechin

COMPETIÇÃO OFICIAL

  • 120 Beats per Minute
    Dir: Robin Campillo
  • O Estranho que Nós Amamos (The Beguiled)
    Dir: Sofia Coppola
  • The Day After
    Dir: Hong Sangsoo
  • A Gentle Creature
    Dir: Sergei Loznitsa
  • Good Time
    Dir: Benny Safdie & Josh Safdie
  • Happy End
    Dir: Michael Haneke
  • In the Fade
    Dir: Fatih Akin
  • Jupiter’s Moon
    Dir: Kornél Mundruczó
  • The Killing of a Sacred Deer
    Dir: Yorgos Lanthimos
  • L’amant double
    Dir: François Ozon
  • Le redoubtable
    Dir: Michel Hazanvicius
  • Loveless
    Dir: Andrey Zvyagintsev
  • The Meyerowitz Stories
    Dir: Noah Baumbach
  • Okja
    Dir: Bong Joon-Ho
  • Radiance
    Dir: Naomi Kawase
  • Rodin
    Dir: Jacques Doillon
  • Sem Fôlego (Wonderstruck)
    Dir: Todd Haynes
  • You Were Never Really Here
    Dir: Lynne Ramsay

MOSTRA UN CERTAIN REGARD

  • After the War
    Dir: Annarita Zambrano
  • April’s Daughter
    Dir: Michel Franco
  • Barbara
    Dir: Mathieu Amalric OPENER
  • Beauty and the Dogs
    Dir: Kaouther Ben Hania
  • Before We Vanish
    Dir: Kiyoshi Kurosawa
  • Closeness
    Dir: Kantemir Balagov
  • The Desert Bride
    Dir: Cecilia Atan & Valeria Pivato
  • Directions
    Dir: Stephan Komandarev
  • Dregs
    Dir: Mohammad Rasoulof
  • Jeune femme
    Dir: Léonor Serraille
  • L’Atelier
    Dir: Laurent Cantet
  • Lucky
    Dir: Sergio Castellitto
  • The Nature of Time
    Dir: Karim Moussaoui
  • Out
    Dir: Gyorgy Kristof
  • Western
    Dir: Valeska Grisebach
  • Wind River
    Dir: Taylor Sheridan

FORA DE COMPETIÇÃO

  • Blade of the Immortal
    Dir: Takashi Miike
  • How to Talk to Girls at Parties
    Dir: John Cameron Mitchell
  • Visages, Villages
    Dir: Agnès Varda & JR

EXIBIÇÕES DA MEIA-NOITE

  • Prayer Before Dawn
    Dir: Jean-Stéphane Sauvaire
  • The Merciless
    Dir: Byun Sung-Hyun
  • The Villainess
    Dir: Jung Byung-Gil

EXIBIÇÕES ESPECIAIS

  • 12 Jours
    Dir: Raymond Depardon
  • An Inconvenient Sequel
    Dir: Bonni Cohen & Jon Shenk
  • Claire’s Camera
    Dir: Hong Sangsoo
  • Demons in Paradise
    Dir: Jude Ratman
  • Napalm
    Dir: Claude Lanzmann
  • Promised Land
    Dir: Eugene Jarecki
  • Sea Sorrow
    Dir: Vanessa Redgrave
  • They
    Dir: Anahita Ghazvinizadeh

EVENTOS DO 70º ANIVERSÁRIO

  • 24 Frames
    Dir: Abbas Kiarostami
  • Come Swim
    Dir: Kristen Stewart
  • Top of the Lake
    Dir: Jane Campion
  • Twin Peaks
    Dir: David Lynch

REALIDADE VIRTUAL

  • Carne y arena
    Dir: Alejandro G. Iñárritu

***

A 70ª edição do Festival de Cannes acontece do dia 17 a 28 de maio de 2017.

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2 Comentários

  1. “Acho que os filmes e artistas devem ser reconhecidos de acordo com a qualidade de seus trabalhos, sejam feitos por homens, mulheres, transgêneros, negros, asiáticos, cristãos, judeus, muçulmanos etc.”
    Vejam só que coisa curiosa: O que falta aqui para que a anotação do crítico tenha sua acertiva?

    Responder

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