O CINEMA PÓS-CORONAVÍRUS: Um Breve Panorama

sala-de-cinema-uci

Sala de cinema da rede UCI vazia (pic by Revista Veja)

DISTRIBUIÇÃO DE FILMES É AFETADA DIRETAMENTE. QUAIS AS MEDIDAS A TOMAR AGORA?

Desde que o Coronavírus causou uma paralisação na China, que inclusive cancelou o seu Ano Novo Chinês, as salas de cinemas passaram a fechar gradativamente, barrando os filmes de todos os lugares, especialmente de Hollywood, que depende cada vez mais do mercado chinês.

Os lançamentos de filmes como Sonic, Jojo Rabbit e Dolittle foram adiados indefinidamente por lá. E agora? Se forem lançados depois de algumas semanas, a pirataria certamente já terá prejudicado as bilheterias, restando a opção de disponibilizar esses filmes diretamente para plataformas de streaming como Netflix e Amazon Prime. Independente da escolha, apenas uma margem do lucro será afetada, já que se tratam de produções já lançadas anteriormente.

Em se tratando de futuros lançamentos, os grandes estúdios como a Disney, que tem a possibilidade de adiar os lançamentos, não pensaram muito e logo adiaram estréias grandiosas e promissoras como o live action de Mulan, que estava previsto para o final de Março, e agora segue sem data definida. Em seguida, a MGM e a Universal adiaram o 25º filme de James Bond, 007 Sem Tempo Para Morrer, de Abril para Novembro. Embora a justificativa oficial dos estúdios tenha sido a preocupação com a saúde pública, todos sabemos que o verdadeiro motivo são as prováveis perdas nas bilheterias ao redor do mundo. Inclusive, no caso do filme de Bond, alguns chegaram a especular uma teoria da conspiração de que o filme teria sido mal recebido em sessões testes com público, e por isso teriam que refazer ou até mesmo refilmar algumas cenas.

Mulan

Mulan: antes previsto para 27 de Março, agora adiado indefinidamente pela Disney (pic by IMDb)

Recentemente, enquanto a Paramount adiou o lançamento de Um Lugar Silencioso: Parte II, e a Disney e a Marvel Studios adiaram indefinidamente o lançamento de Viúva Negra, que estava previsto para 1º de Maio, a Universal quebrará a janela de lançamentos e disponibilizará a animação Trolls 2 diretamente para locação on demand. Embora a sequência de Trolls não seja um filme super aguardado, esta decisão pode causar atritos com as redes de cinema.

Trolls 2

Universal Studios: Trolls 2 ficará disponível para Video on Demand Premium (pic by IMDb)

Falando em salas de cinema, elas foram fechando em efeito dominó em inúmeros países, pois a transmissão do vírus seria mais fácil em aglomerações e em recintos fechados. Na verdade, a cultura mundial foi bastante abalada, pois as peças de teatro também foram canceladas ou adiadas, encontros literários, eventos como o SXSW (South by Southwest) nos EUA, campeonatos esportivos de todos os tipos e tamanhos, chegando a reuniões de negócios e podendo ainda afetar o Festival de Cannes, que ainda segue com a data prevista para Maio. Embora cause prejuízos aos filmes e ao mercado francês, estamos quase certos de que o festival também será adiado. Imaginamos que o presidente do júri deste ano, Spike Lee, já esteja mexendo os pauzinhos pra que isso aconteça.

E o que fazer diante desse cenário pós-apocalíptico? Seguindo as orientações da OMS (Organização Mundial da Saúde), as pessoas estão ficando em casa, fazendo home office, evitando transporte público, ou em caso de sintomas, de quarentena. Embora compreendamos a real necessidade dessas mudanças drásticas em nossas rotinas, ficamos aqui preocupadíssimos com os impactos globais nas economias, como já vimos nas bolsas e a alta do dólar, até o comércio em geral. Vai chegar um momento em que o comerciante precisará fechar seu estabelecimento, não apenas por motivos de saúde, mas pela falta de consumidores como em shoppings e em ruas do centro. Contudo, as contas nunca param de chegar: aluguel, condomínio, energia elétrica, água, gás, internet, o salário do seu funcionário, alimentação! Quem vai cobrir esse rombo enorme sem entrada de renda?

Por enquanto, a previsão de retorno à “normalidade” está prevista para daqui a duas semanas a um mês, mas e se a pandemia durar mais tempo do que o previsto? Enfim, apesar de noticiarmos matérias relacionadas a Cinema e cultura em geral, ficamos extremamente apreensivos com o aumento de casos no Brasil, enquanto nosso presidente mantém seu discurso alinhado com Donald Trump de que tudo não passa de exagero da mídia. Se até os próprios colegas políticos de Bolsonaro estão contaminados com o vírus, como o General Mourão, que choque de realidade seria necessário para mudar o discurso e providenciar medidas de contenção pelo país?

Voltando ao Cinema, alguns estúdios já estão remediando a situação para evitar perdas maiores. Então filmes como O Homem InvisívelThe Hunt, que já haviam sido lançados nos cinemas, passaram a ficar disponíveis em VOD (Video on Demand) nos EUA por aproximadamente 20 dólares em plataformas de streaming. Obviamente, essas medidas alternativas revoltaram alguns exibidores, mas ao mesmo tempo, eles entendem que foram necessárias. Aqui, de mãos atadas, a rede Cinemark já anunciou uma política de demissão voluntária, por exemplo.

Invisible Man

O Homem Invisível já disponível para locação online por 20 dólares (pic by IMDb)

O curioso desse cenário é que o streaming, tão odiado por vários conservadores no ramo, está se tornando a salvação dos lançamentos de cinema. Tudo bem, à princípio, não acreditamos que o Mulan ou o filme do 007 serão lançados diretamente via streaming, mas não sabemos como a contenção do vírus estará daqui a alguns meses.

Se o Cinema já vinha lutando para atrair o público às salas de exibição, agora vai ficar cada vez mais difícil. Essa mudança obrigatória na distribuição de filmes deve acelerar a conversa sobre o tabu que é streaming. A tão criticada Netflix por puristas pode ser uma salvação para quem quiser assistir aos lançamentos nessas primeiras semanas, mas se a pandemia persistir por mais tempo, o comportamento cultural pode se tornar rotina e as salas de cinema podem se tornar um nicho para amantes do cinema, assim como prevíamos que aconteceria, mas daqui a uma década ou mais.

A boa notícia é de que supostamente a primeira sala de cinema na China foi reaberta nesta semana. Na Coréia do Sul, onde foi reportado o maior número de casos confirmados, os recuperados da doença estariam ultrapassando o número de novos casos. Se a Ásia está começando a melhorar a situação, tudo indica que a Europa deve acompanhar a redução de casos em breve, e depois as Américas. Tudo vai depender da política de contenção dos países e claro, da colaboração das pessoas ao lavar bem as mãos, alimentar-se bem para elevar a imunidade, e evitar aglomerações.

E uma curiosidade extra é que filmes com temática apocalíptica voltaram ao topo das listas, sendo encabeçadas por Contágio (2011), de Steven Soderbergh, que vem sendo chamado de profeta! No filme, uma mulher retorna de viagem de Hong Kong com uma doença semelhante a uma gripe e morre. No mesmo dia, seu filho também morre. E em pouco tempo, o vírus se espalha pelo mundo e causa uma pandemia, exatamente como está acontecendo agora. Nove anos depois de ser lançado, o filme de Soderbergh foi o mais baixado no iTunes.

Contagion

Gwyneth Paltrow em Contágio, onde interpreta a primeira vítima do novo vírus de Hong Kong (pic by IMDb)

Entre outros filmes mais procurados no momento estão Epidemia (1995), O Enigma de Andrômeda (1971), O Iluminado (1980), Os 12 Macacos (1995), Filhos da Esperança (2006), Eu Sou a Lenda (2007), O Nevoeiro (2007), Ensaio Sobre a Cegueira (2008), Vírus (2009), Sentidos do Amor (2011), e inúmeros de temática zumbi como Extermínio (2002), Extermínio 2 (2007), Madrugada dos Mortos (2004). Quase todos são ótimos filmes que revelam a verdadeira natureza humana diante de uma situação de calamidade pública. Recomendamos também Pânico nas Ruas (1950), de Elia Kazan, que foi todo filmado em locação em New Orleans para conferir uma estética documental.

Além da curiosidade de analisarmos as previsões certeiras dos filmes, podemos esperar que esta fase virulenta e altamente contagiosa inspirará inúmeros novos filmes. Por enquanto, estamos aqui na torcida para que tudo volte ao normal o mais breve possível para que não haja mais mortes. Cuidem-se bem e respeite a saúde do próximo!

‘CATS’ VENCE 6 FRAMBOESAS DE OURO

Cats Razzie

Montagem de Taylor Swift em Cats com o prêmio Framboesa de Ouro (pic by razzies.com)

SEM SURPRESAS, O MUSICAL DE DIRETOR VENCEDOR DO OSCAR DOMINOU O PRÊMIO

No último sábado, dia 14, aconteceu a 40ª edição do Framboesa de Ouro, ou como os americanos gostam de chamar, Razzie Awards. Neste ano, houve duas mudanças na tradição do prêmio: a data, que costumava ser no dia anterior ao Oscar, passou para mais de um mês depois; e a transmissão do evento, que foi exibido via streaming nos EUA.

Diante do péssimo resultado nas bilheterias, não foi nenhuma surpresa a adaptação do musical Cats ter levado quase todos os prêmios. E como a organização e seus membros votantes adoram alfinetar profissionais que já conquistaram a crítica e o Oscar outrora, Cats sempre foi um filme perfeito para o Razzie destacar. Honestamente, não vimos o filme e nem nos animamos para ver nos cinemas, mas pelo trailer era possível antecipar que seria um filme ame ou odeie. E apesar de ter no elenco nomes consagrados como Judi Dench e Ian McKellen, ficamos desesperançosos com nomes como Rebel Wilson, Taylor Swift, James Corden e Jason Derulo. Claro que eles podem surpreender, mas as chances são bem pequenas. Para um filme que já era uma aposta arriscada, trazer nomes de reputação duvidosa só aumentaria as chances de fracasso de público e crítica.

Rebel Wilson

Rebel Wilson como a gata Jennyanydots em Cats (pic by IMDb)

E é impossível não perceber uma espécie de vingança contra Tom Hooper ao elegê-lo como Pior Diretor também. Como muitos cinéfilos, também ficamos revoltados com a vitória dele em 2011 por O Discurso do Rei, sendo que David Fincher claramente havia feito um trabalho infinitamente melhor em A Rede Social. E o que conta bastante no Framboesa é a mensagem que o prêmio quer passar. No caso, eles praticamente disseram: “Tá vendo? Esse Tom Hooper é uma FARSA! Iludiu todos vocês!”.

Já no caso da vitória de Rambo: Até o Fim na categoria Pior Remake ou Sequência é dizer diretamente para o Stallone que já deu! Rambo 5 pode ter atraído alguns fãs e amantes do cinema de ação dos anos 80 (como meu pai!), mas é um filme ultrapassado, que não dialoga com nossos tempos de menos racismo e mais respeito ao ser humano. Pra falar a verdade, até achamos injusta sua premiação porque o filme foi feito para o público que curte esse tipo de filme, e acreditamos que boa parte que foi ao cinema saiu satisfeita, mas ao mesmo tempo, entendemos completamente a mensagem do Razzie. Dá um tempo, Stallone!

Sylvester Stallone

Sylvester Stallone reprisando o papel de John Rambo pela quinta vez em Rambo: Até o Fim (pic by IMDb)

Sobre a premiação de John Travolta, encaramos como uma lástima. Um ator super marcado nos anos 70 por Embalos de Sábado à Noite e Grease, e que depois ressurge das cinzas com Pulp Fiction e O Nome do Jogo, não deveria ficar sujeito a projetos de qualidade duvidosa. Quer dizer, o ator não precisa se arriscar tanto, já que tem um nome a zelar. Mas enfim, não sabemos como Travolta se porta pessoalmente, o que pode ter causado um distanciamento de alguns diretores, e seu gosto peculiar para projetos. Alguém aí se lembra de A Reconquista (2000)? Em 2020, John Travolta conquistou sua 14ª indicação ao Framboesa de Ouro e levou seu segundo prêmio de Pior Ator.

John Travolta Fanatic

John Travolta como o obcecado por um autógrafo em The Fanatic (pic by IMDb)

Ainda sobre atores, estamos surpresos não com a vitória de Hilary Duff como Pior Atriz, mas por ela ter aceitado participar de um projeto tão obscuro tendo um passado Disney. E em relação ao prêmio de Redenção, foi bacana Eddie Murphy levar o prêmio por Meu Nome é Dolemite. Adam Sandler poderia ter levado também, mas como Murphy não levou nada na temporada (Sandler levou o Independent Spirit pelo menos), foi uma boa jogada do Framboesa.

Hilary Duff Sharon Tate

Hilary Duff como a versão genérica de Sharon Tate em A Maldição de Sharon Tate (pic by IMDb)

E como sempre dissemos em posts sobre o Framboesa, trata-se de uma brincadeira sadia. A chamada crítica construtiva. Os americanos levam na esportiva (alguns chegam a comparecer ao evento), porque sabem que se trata de uma má publicidade. Faz parte do trabalho. Agora se fosse no Brasil, acreditamos que isso seria motivo para guerra e tumultos nas ruas.

INDICADOS AO 40º FRAMBOESA DE OURO:

PIOR FILME
Cats (Cats)
Um Funeral em Família (A Madea Family Funeral)
A Maldição de Sharon Tate (The Haunting of Sharon Tate)
Rambo: Até o fim (Rambo: Last Blood)
The Fanatic

PIOR ATOR
Sylvester Stallone (Rambo: Até o fim)
John Travolta (The Fanatic) (Trading Paint)
James Franco (Zeroville)
David Harbour (Hellboy)
Matthew McConaughey (Calmaria)

PIOR ATRIZ
Anne Hathaway (As Trapaceiras) (Calmaria)
Francesca Hayward (Cats)
Hilary Duff (A Maldição de Sharon Tate)
Tyler Perry – como Medea (Um Funeral em Família)
Rebel Wilson (As Trapaceiras)

PIOR ATOR COADJUVANTE
James Corden (Cats)
Tyler Perry – como Joe (Um Funeral em Família)
Tyler Perry – como Uncle Heathrow (Um Funeral em Família)
Seth Rogen (Zeroville)
Bruce Willis (Vidro)

PIOR ATRIZ COADJUVANTE
Jessica Chastain (X-Men: Fênix Negra)
Cassie Davis (Um Funeral em Família)
Judi Dench (Cats)
Fenessa Pineda (Rambo: Até o fim)
Rebel Wilson (Cats)

PIOR DIRETOR
Adrian Grünberg (Rambo: Até o fim)
Fred Durst (The Fanatic)
Neil Marshall (Hellboy)
James Franco (Zeroville)
Tom Hooper (Cats)

PIOR ROTEIRO
Cats
The Haunting of the Sharon Tate
Um Funeral em Família
Rambo: Até o fim
Hellboy

PIOR REMAKE OU SEQUÊNCIA
Godzilla: Rei dos monstros
X-Men: Fênix Negra
Um Funeral em Família
Rambo: Até o fim
Hellboy

PIOR DUETO EM CENA
Qualquer Metade Felino Metade Humano (Cats)
Jason Derulo e sua protuberância castrada (Cats)
Tyler Perry e Tyler Perry (ou Tyler Perry) (Um Funeral em Família)
Sylvester Stallone e sua raiva impotente (Rambo: Até o Fim)
John Travolta e qualquer roteiro que ele aceita

PIOR DESRESPEITO À VIDA HUMANA OU PROPRIEDADE PÚBLICA
Dragged Across Concrete
A Maldição de Sharon Tate
Hellboy
Coringa
Rambo: Até o Fim

PRÊMIO DE REDENTOR DO ANO
Eddie Murphy (Meu Nome é Dolemite)
Keanu Reeves (John Wick 3) (Toy Story 4)
Adam Sandler (Joias Brutas)
Jennifer Lopez (As Golpistas)
Will Smith (Aladdin)

IRANIANO ‘THERE IS NO EVIL’ GANHA o URSO DE OURO em BERLIM

golden berlin bear

Equipe de There is No Evil segura coletivamente o Urso de Ouro em homenagem ao diretor Mohammad Rasoulof, impossibilitado de comparecer ao festival (pic by Teller Report)

FILME QUE CRITICA A PENA DE MORTE NO IRÃ É O GRANDE VENCEDOR

Neste sábado, dia 29/02, o presidente do júri Jeremy Irons revelou os vencedores da 70ª edição do festival alemão, anunciando a vitória do longa iraniano. There is no Evil, que apresenta quatro histórias, busca questionar a morte como forma de punição no país da Ásia. Curiosamente, o diretor Mohammad Rasoulof não pôde comparecer ao festival, pois seu passaporte fora confiscado pelas autoridades iranianas, que alega que o cineasta fazia propaganda contra o atual governo. Em 2017, seu filme A Man of Integrity (Um Homem de Integridade), que venceu o prêmio Un Certain Regard, criticava o sistema corrupto e injusto do Irã, já havia ocasionado um ano de detenção para o diretor.

Assim, a equipe e os atores do filme, incluindo a filha do diretor, Baran Rasoulof, subiram ao palco para receber o prêmio. “Obviamente estou muito feliz, mas ao mesmo tempo estou muito triste, porque este prêmio é para um diretor que não pôde estar aqui. E em nome da equipe, digo que isso (o prêmio) é dele”, disse a emocionada filha do diretor, que logo depois fez uma breve live com o pai pelo celular para que ele pudesse testemunhar à distância o público aplaudindo sua vitória.

Pra quem não conhece muito a história do festival alemão, Berlim tem uma tradição de premiar filmes mais controversos de cunho sócio-político. E nesse aspecto, podemos dizer que o júri acertou em cheio. Além do filme polêmico iraniano, o Grande Prêmio do Júri foi para o filme americano sobre aborto Never Rarely Sometimes Always. Com uma passagem marcante pelo último Festival de Sundance, o filme acompanha duas jovens amigas que juntam uma grana pra viajar para Nova York e realizar o aborto de uma delas. No palco, a diretora Eliza Hittman agradeceu aos médicos e às clínicas de aborto legalizadas nos EUA, que possibilitam essa liberdade feminina.

Para Direção, o júri selecionou o sul-coreano Hong Sang Soo por The Woman Who Ran. Pra quem conhece seus filmes, Soo costuma filmar suas personagens conversando sobre vários temas enquanto caminham, passando do trivial ao filosófico e ético. Mais uma vez, ele contou com sua atriz favorita Min-Hee Kim, que interpreta uma mulher casada há 5 anos que tem uma rara oportunidade de ficar desacompanhada e poder fazer uma avaliação de seu relacionamento com amigas.

Hong-Sangsoo-Eldiario.es

O diretor Hong Sang-Soo que venceu por The Woman Who Ran (pic by eldiario.es)

Pelas categorias de atuação, o italiano Elio Germano conquistou o prêmio de Melhor Ator por interpretar o pintor suíço Antonio Ligabue, que mesmo tendo passado boa parte da vida na Itália, sofrendo com problemas físicos e mentais, e internado em manicômios, almejava uma vida mais normal. A transformação do ator no filme Hidden Away (Volevo Nascondermi) conquistou o júri de forma unânime. Já a alemã Paula Beer levou Melhor Atriz por Undine, no qual sua personagem passional tem uma interação com uma entidade mitológica vingativa chamada Ondina.

1

Elio Germano no papel e recebendo o Urso de Prata

2

Paula Beer no filme Undine e com o Urso de Prata

Para Roteiro, os vencedores foram os irmãos italianos Fabio e Damiano D’Innocenzo, que em Favolacce, acompanham famílias dos subúrbios de Roma com uma pegada de fábula. Talvez tenha sido o prêmio mais questionado pela mídia internacional.

Este ano, o prêmio Alfred Bauer, que costuma reconhecer trabalhos mais inovadores, teve seu nome alterado para Prêmio da 70ª Edição de Berlim, pois recentemente descobriram que Bauer era um cineasta afiliado ao partido nazista! Sob o novo nome, o filme vencedor foi a comédia francesa Delete History, sobre uma família que busca se desvencilhar do vício das mídias sociais.

E o prêmio de contribuição artística foi para o diretor de fotografia Jürgen Jürges por DAU. Natasha, que é um projeto ousado que recria a União Soviética na era de Stalin em estúdio para que atores encenem a vida daquela época. Embora tenha sido premiado pela fotografia, o filme chama a atenção pelo sexo explícito e pela violência não-encenada. A mensagem do filme seria justamente criticar o excesso de autoridade de um diretor em um set de filmagem. Hello, Abdelatif Kechiche?

Embora o filme brasileiro Todos os Mortos não tenha levado nenhum prêmio, o Brasil esteve representado em co-produções vitoriosas como o colombiano Los Conductos, de Camilo Restrepo, que venceu o prêmio de Melhor Filme de Estreante.

Dentre as produções que saíram de mãos vazias está o novo trabalho de Kelly Reichardt, First Cow, assim como do ditetor malaio Tsai Ming-Liang, Days, que chegou a figurar como um dos favoritos a levar o Urso de Ouro até a reta final do festival.

Seguem os vencedores da 70ª edição do Festival de Berlim:

URSO DE OURO
There Is No Evil 
Dir: Mohammad Rasoulof

URSO DE PRATA GRANDE PRÊMIO DO JÚRI
Never Rarely Sometimes Always

Dir: Eliza Hittman

URSO DE PRATA DE MELHOR DIRETOR
Hong Sang Soo (The Woman Who Ran)

URSO DE PRATA DE MELHOR ATRIZ
Paula Beer (Undine)

URSO DE PRATA DE MELHOR ATOR
Elio Germano (Hidden Away)

URSO DE PRATA DE MELHOR ROTEIRO
Bad Tales (Favolacce)
Dir: irmãos D’Innocenzo

URSO DE PRATA DA 70ª BERLINALE
Delete History

Dir: Benoît Delépine e Gustave Kervern

URSO DE PRATA DE CONTRIBUIÇÃO ARTÍSTICA, FIGURINO OU DESIGN DE PRODUÇÃO
Jürgen Jürges (DAU. Natasha)

PRÊMIO DE DOCUMENTÁRIO
Irradiated

Dir: Rithy Panh

MELHOR FILME DE ESTREANTE
Los Conductos
Dir: Camilo Restrepo

URSO DE OURO DE MELHOR CURTA
T
Dir: Keisha Rae Witherspoon

URSO DE PRATA DE MELHOR CURTA PRÊMIO DO JÚRI
Filipiñana

Dir: Rafael Manuel

PRÊMIO AUDI DE CURTA
Genius Loci

Dir: Adrien Mérigeau

%d blogueiros gostam disto: