ACADEMIA MUDA as REGRAS DE ELEGIBILIDADE para MELHOR FILME

Novos padrões de inclusão da Academia

Ainda em resposta à polêmica do #OscarsSoWhite, que apontava a ausência total de atores negros, latinos ou asiáticos nas 20 vagas das 4 categorias de atuação em 2015, a Academia anunciou nesta terça-feira, dia 08, uma mudança um pouco mais radical na tentativa de proporcionar mais discussão sobre a diversidade no cinema.

Pelas cerimônias de 2022 e 2023, as produções que estiverem dispostas a competir como Melhor Filme terão que enviar um formulário confidencial de padrões de inclusão da Academia, mas somente a partir de 2024, os filmes terão que preencher DOIS de QUATRO dos novos requisitos:

PADRÃO A: REPRESENTAÇÃO, TEMAS E NARRATIVAS
Para atingir este padrão, o filme precisa se adequar a um dos seguintes critérios:

A1. Atores principais ou coadjuvantes
Pelo menos um dos atores principais ou coadjuvantes significativos pertencer a um grupo de etnia ou raça sub-representados:
• Asiático
• Hispânico / latino
• Negro / Afro-americano
• Indígena / Nativo Americano / Nativo do Alasca
• Oriente Médio / Norte da África
• Havaiano nativo ou outro ilhéu do Pacífico
• Outra raça ou etnia sub-representada

A2. Elenco geral
Pelo menos 30% de todos os atores em papéis secundários e menores pertencerem a pelo menos dois dos seguintes grupos:
• Mulheres
• Grupo racial ou étnico
• LGBTQ +
• Pessoas com deficiências cognitivas ou físicas, ou surdas ou com deficiência auditiva

A3. Enredo principal / assunto
O(s) enredo(s) principal(is), tema ou narrativa do filme serem centrados em um(s) grupo(s) sub-representado(s).
• Mulheres
• Grupo racial ou étnico
• LGBTQ +
• Pessoas com deficiências cognitivas ou físicas, ou surdas ou com deficiência auditiva

PADRÃO B: LIDERANÇA CRIATIVA E EQUIPE DE PROJETO
Para atingir o Padrão B, o filme deve atender a UM dos critérios abaixo:

B1. Liderança criativa e chefes de departamento
Pelo menos duas das seguintes posições de liderança criativa e chefes de departamento – diretor de casting, diretor de fotografia, compositor, figurinista, diretor, montador, cabeleireiro, maquiador, produtor, desenhista de produção, decorador de set, som, supervisor de efeitos visuais, escritor – serem dos seguintes grupos sub-representados:
• Mulheres
• Grupo racial ou étnico
• LGBTQ +
• Pessoas com deficiências cognitivas ou físicas, ou surdas ou com deficiência auditiva

Pelo menos uma dessas posições deve pertencer ao seguinte grupo racial ou étnico sub-representado:
• Asiático 
• Hispânico / latino
• Negro / Afro-americano
• Indígena / Nativo Americano / Nativo do Alasca
• Oriente Médio / Norte da África
• Havaiano nativo ou outro ilhéu do Pacífico
• Outra raça ou etnia sub-representada

B2. Outras funções importantes
Pelo menos seis outros membros/ equipes e cargos técnicos (excluindo Assistentes de Produção) serem de um grupo racial ou étnico sub-representado. Essas posições incluem, mas não estão limitadas a Primeiro Assistente de Direção, Gaffer, Supervisor de Roteiro etc.

B3. Composição geral da equipe
Pelo menos 30% da equipe do filme ser dos seguintes grupos sub-representados:
• Mulheres
• Grupo racial ou étnico
• LGBTQ +
• Pessoas com deficiências cognitivas ou físicas, ou surdas ou com deficiência auditiva

PADRÃO C: ACESSO E OPORTUNIDADES DA INDÚSTRIA
Para atingir o Padrão C, o filme deve atender AMBOS os critérios abaixo:

C1. Aprendizagem remunerada e oportunidades de estágio
A distribuidora ou financiadora do filme pagou aprendizagens ou estágios para grupos dos seguintes grupos sub-representados e atenderem aos critérios abaixo:
• Mulheres
• Grupo racial ou étnico
• LGBTQ +
• Pessoas com deficiências cognitivas ou físicas, ou surdas ou com deficiência auditiva

Os principais estúdios/distribuidores são obrigados a ter aprendizagens/estágios remunerados e contínuos, incluindo grupos sub-representados (também deve incluir grupos raciais ou étnicos) na maioria dos seguintes departamentos: produção/desenvolvimento, produção física, pós-produção, música, efeitos visuais , aquisições, negócios, distribuição, marketing e publicidade.

Os mini-grandes estúdios/distribuidores independentes devem ter um mínimo de dois aprendizes/estagiários dos grupos sub-representados acima (pelo menos um de um grupo racial ou étnico sub-representado) em pelo menos um dos seguintes departamentos: produção/desenvolvimento, produção física , pós-produção, música, efeitos visuais, aquisições, negócios, distribuição, marketing e publicidade.

C2. Oportunidades de treinamento e desenvolvimento de habilidades (equipe)
A companhia de produção, distribuição e/ou financiamento do filme deve oferecer oportunidades de treinamento e/ou trabalho para o desenvolvimento de habilidades abaixo da linha para pessoas dos seguintes grupos sub-representados:
• Mulheres
• Grupo racial ou étnico
• LGBTQ +
• Pessoas com deficiências cognitivas ou físicas, ou surdas ou com deficiência auditiva

PADRÃO D: DESENVOLVIMENTO DE PÚBLICO
Para atingir este padrão, o filme deve atender aos critérios abaixo:

D1. Representação em marketing, publicidade e distribuição
O estúdio e/ou empresa de cinema terem vários executivos seniores internos dentre os seguintes grupos sub-representados (deve incluir indivíduos de grupos raciais ou étnicos sub-representados) em suas equipes de marketing, publicidade e/ou distribuição.
• Mulheres
• Grupo racial ou étnico
• Asiática
• Hispânico / latino
• Negro / afro-americano
• Indígena / Nativa americana / Nativa do Alasca
• Oriente Médio / Norte da África
• Havaiano nativo ou outro ilhéu do Pacífico
• Outra raça ou etnia sub-representada
• LGBTQ +
• Pessoas com deficiências cognitivas ou físicas, ou surdas ou com deficiência auditiva

Todas as categorias, exceto Melhor Filme, serão mantidas de acordo com seus requisitos de elegibilidade atuais. Os filmes nas categorias de longa-metragem de animação, documentário, filme internacional) inscritos para Melhor Filme serão tratados separadamente.

O Academy Aperture 2025 é a próxima fase da iniciativa de equidade e inclusão da Academy, promovendo os esforços contínuos da organização para promover a inclusão na indústria do entretenimento e aumentar a representação de seus membros e da comunidade cinematográfica em geral.

O Presidente da Academia David Rubin ao lado da CEO Dawn Hudson. Photo by Jordan Strauss/Invision/AP/Shutterstock (10552613bo)

Segundo a Academia, esses novos padrões foram criados para encorajar uma representação mais justa na tela e fora dela para melhor refletir a diversidade do público que frequenta as salas de cinema. As regras foram inspiradas nos padrões de diversidade da British Film Institute (BFI) usados para conceder verbas para as produções e também para algumas categorias do prêmio BAFTA. O sindicato de produtores (PGA) também foi consultado antes do anúncio das novas regras. “Acreditamos que a inclusão desses novos padrões será um catalisador para uma mudança duradoura e essencial em nossa indústria”, defendeu a CEO da Academia Dawn Hudson.

Essas exigências só serão obrigatórias a partir de 2024 (filmes de 2023) para que haja tempo para as produções se prepararem para preencher os requisitos necessários.

DA DISCUSSÃO

Por se tratar de uma mudança que diverge pensamentos, lemos vários comentários de reação de cinéfilos a respeitos dos novos padrões. 

Felizmente, boa parte acredita que essas mudanças serão muito benéficas para a indústria e refletirão nos filmes. Já aqueles que discordaram, em sua maioria, defendem que o Oscar deveria exigir apenas qualidade, independente de qual etnia ou grupo social trabalhou no filme.

De fato, a Academia jamais deveria ser responsabilizada por não haver atores negros indicados, por exemplo, pois a instituição apenas avalia os filmes lançados, nunca participando das produções dos mesmos. Contudo, por ter um papel importante na indústria cinematográfica, está fazendo o possível para estimular maior participação de grupos étnicos, de orientação sexual ou mesmo de mulheres. Com esta nova exigência, a Academia espera dar aquele empurrãozinho para que os profissionais envolvidos numa produção repensem na hora de contratar um artista ou profissional para sua equipe, sem, claro, abrir mão de qualidade.

Claro que tais mudanças não impedem necessariamente um novo Oscar de Melhor Filme para um ‘Crash’ ou ‘Green Book’ como muitos esperam, pois dependem da votação dos membros, mas dificultam novas edições sem atores não-brancos indicados, e de quebra, ajudam o Cinema a se tornar uma arte mais universal.

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