‘MOONLIGHT’ e ‘A CHEGADA’conquistam o WGA Awards

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O diretor e roteirista Barry Jenkins recebe o WGA de Roteiro Original por Moonlight (pic by Mirror)

BARRY JENKINS BATE FAVORITOS DA CATEGORIA VIZINHA

Estamos chegando na reta final para o Oscar! Sim, após várias noites viradas no blog desde novembro, vou conseguir um break! Depois de acompanharmos os vencedores dos prêmios dos sindicatos de Diretores e Atores, chegou a vez dos Roteiristas. Moonlight e A Chegada, que concorrem a oito Oscars cada, foram os vencedores de Roteiro Original e Adaptado, respectivamente.

Para quem não conhece, de todos os sindicatos, o mais chatinho é dos roteiristas, porque impõe uma série de regras para seu roteiro ser elegível, começando com a sua carteirinha de membro. Se não tiver esse documento, você é automaticamente desqualificado. Quentin Tarantino, que é um dos mais relevantes excluídos desse clube (talvez porque o povo de lá seja quadrado demais ou talvez porque queira economizar seu dinheirinho não pagando taxas de membros), consegue ganhar Oscars mesmo assim, então isso acaba enfraquecendo o próprio sindicato.

Entre outras disparidades do WGA (Writers Guild of America), está as classificações do material: se é original ou adaptação. Por exemplo, em 2015, o roteiro de Whiplash: Em Busca da Perfeição foi classificado como original pelo WGA, enquanto no Oscar concorria como adaptado, uma vez que entendiam que se tratava de uma adaptação do próprio curta-metragem homônimo de Damien Chazelle.

Este ano, o roteiro de Moonlight passou pela mesma indecisão. No WGA, concorria como original, enquanto no Oscar concorre como adaptado. A polêmica aqui reside no fato do roteiro ter como base uma peça não-produzida de Tarell Alvin McCraney intitulada “In Moonlight Black Boys Look Blue”. Mesmo assim, a Academia considera como um material prévio existente, que serviu de inspiração para o roteiro de Barry Jenkins.

O QUE OS RESULTADOS DIZEM

O fato de Barry Jenkins ter conquistado o WGA significa muito para o filme, já que bateu os favoritos ao Oscar La La Land e Manchester à Beira-Mar. E o que muda na corrida para o Oscar? Bom, a concorrência muda. Com Moonlight migrando para a categoria de Roteiro Adaptado, o caminho ficou mais fácil. Deixará de concorrer o Oscar com pesos-pesados como La La Land, Manchester à Beira-Mar e A Qualquer Custo, que ganharam diversos prêmios na temporada, para pegar filmes menos expressivos como Estrelas Além do Tempo e Lion. Em resumo: se Moonlight já bateu os favoritos da categoria mais forte que é Original, o que dirá da categoria de Roteiro Adaptado? Com isso, acredito que Moonlight deva sair da 89ª cerimônia do Oscar com duas estatuetas: Roteiro Adaptado e Ator Coadjuvante (Mahershala Ali).

Já a vitória de Eric Heisserer por A Chegada como Roteiro Adaptado pode significar um dos últimos respiros da ótima ficção científica na temporada. Apesar de ter sido indicado em oito categorias no Oscar, o fato de sua atriz principal (Amy Adams) ter ficado de fora, já havia enfraquecido a campanha do filme, portanto, se sobrar estatuetas para A Chegada, acredito que será nas categorias de Som e Efeitos Sonoros. Torcerei até o final para que conquiste o Oscar de Montagem para Joe Walker, que consegue se utilizar muito bem de flash-forwards para contar a história de Heisserer.

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Eric Heisserer aceita o prêmio de Roteiro Adaptado por A Chegada (pic by YouTube)

Felizmente, mesmo com a rigidez das regras do sindicato, as estatísticas do WGA não são ruins em relação ao Oscar. São 16 acertos em 22 anos na categoria de Roteiro Adaptado, e 14 na categoria de Roteiro Original. No ano passado, os vencedores do WGA, Spotlight e A Grande Aposta, saíram com as estatuetas de Roteiro Original e Adaptado, respectivamente, no Oscar.

SOBRE A CERIMÔNIA

Os vencedores foram anunciados em cerimônias simultâneas realizadas em Nova York e em Beverly Hills, já que são sindicatos da costa leste e da costa oeste. O ator e comediante Patton Oswalt foi o host do evento de Beverly Hills e obviamente, não poupou o presidente eleito Donald Trump com tiradas do tipo: “I feel bad for Trump…his life before this was golf and hookers and jets.” (Sinto-me mal por Trump… a vida dele antes disso era golfe, prostitutas e jatinhos).

Além do anúncio dos vencedores, houve prêmios especiais para Aaron Sorkin, que foi homenageado com o prêmio Paddy Chayefsky Laurel Award for Television Writing Achievement, já que escreveu séries imponentes como The West Wing e The Newsroom, e também para Oliver Stone, que recebeu o WGA’s Screen Laurel Award.

No tapete vermelho, Barry Jenkins fez um breve relato importante: “Todos esses filmes foram feitos sob uma administração muito diferente da atual. Havia um espaço seguro, então espero que agora que esse espaço não mais seguro, façamos histórias ainda mais passionais e verdadeiras.”

VENCEDORES DO 69º WGA AWARDS:

ROTEIRO ORIGINAL
Barry Jenkins, história de Tarell McCraney (Moonlight)

ROTEIRO ADAPTADO
Eric Heisserer; Baseado na história de “Story of Your Life” de Ted Chiang (A Chegada)

ROTEIRO DE DOCUMENTÁRIO
Robert Kenner e Eric Schlosser, história de Brian Pearle e Kim Roberts; Baseado no livro ‘Command and Control’ de Eric Schlosser (Command and Control)

***

A 89ª cerimônia do Oscar está marcada para o próximo domingo, dia 26 de fevereiro. Não, não dependa da Globo e seu Carnaval. Veja na TNT (e não, não estou ganhando nada da TNT).

 

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‘LA LA LAND’ tem mais uma conquista no PRODUCERS GUILD

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Abertura do musical La La Land, de Damien Chazelle (pic by moviepilot.de)

SINDICATO DE PRODUTORES ELEGE ‘LA LA LAND’

No dia 28 de janeiro, foi a vez do sindicato dos produtores revelarem seus votos. Adivinha qual filme ganhou? La La Land deixou de ser um musical moderno para se tornar uma sensação do momento. Suas 14 indicações ao Oscar, igualando-se aos recordistas A Malvada e Titanic, elevaram ainda mais seu status na temporada de premiações.

Com tamanha atenção, criaram-se altas expectativas em torno do filme. Nas redes sociais, já é possível ver diversas opiniões amenizando esse hype, e buscando outros candidatos superiores para o Oscar de Melhor Filme.

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Produtores de La La Land recebem o prêmio de Melhor Produção no PGA Awards (pic by Los Angeles Times)

Vale sempre ressaltar que o prêmio do PGA (Producers Guild of America) tem boas estatísticas em relação ao Oscar. Embora tenham divergido no ano passado com o PGA premiando A Grande Aposta e o Oscar, Spotlight, nos últimos oito anos, o vencedor do sindicato acabou com o Oscar de Melhor Filme também.

Assim como no Eddie Awards, os vencedores nas categorias de Animação e Documentário foram Zootopia e O.J.: Made in America, respectivamente, consolidando seus favoritismos.

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Cena da animação Zootopia com a protagonista Judy Hopps (pic by moviepilot.de)

A cerimônia de premiação ocorreu no hotel Beverly Hilton, palco do Globo de Ouro, e foi permeada por discursos de agradecimento com protestos da medida anti-imigração do presidente Donald Trump contra cidadãos dos países Síria, Iraque, Irã, Sudão, Líbia, Somália, e Iêmen. Um dos protestos veio do homenageado da noite, Irwin Winkler: “Todos nós somos refugiados; nenhum de nós está excluído.”

Os presidentes do PGA também se manifestaram sobre o que estava acontecendo a partir daquele dia. Enquanto Gary Lucchesi ressaltou: “A liberdade de religião foi um dos princípios fundamentais da nossa democracia.”, Lori McCreary lembrou: “Agora, mais do que nunca, precisamos lembrar as palavras na Estátua da Liberdade: ‘Dê-me seus cansados, seus pobres, suas massas encolhidas ansiando para libertar'”.

PGA header

VENCEDORES DO 28º PRODUCERS GUILD OF AMERICA:

The Darryl F. Zanuck Award for Outstanding Producer of Theatrical Motion Pictures:
• La La Land
Producers: Fred Berger, Jordan Horowitz, Marc Platt
The Award for Outstanding Producer of Animated Theatrical Motion Pictures:
• Zootopia
Producer: Clark Spencer

The Award for Outstanding Producer of Documentary Theatrical Motion Pictures:
• O.J.: Made in America
Producers: Ezra Edelman, Caroline Waterlow
The David L. Wolper Award for Outstanding Producer of Long-Form Television:
• The People v. O.J. Simpson: American Crime Story
Producers: Scott Alexander, Larry Karaszewski, Ryan Murphy, Brad Falchuk, Nina Jacobson, Brad Simpson, D.V. DeVincentis, Anthony Hemingway, Alexis Martin Woodall, John Travolta, Chip Vucelich

The Award for Outstanding Sports Program:
• VICE World of Sports (Season 1)
• Real Sports with Bryant Gumbel (Season 22)

The Award for Outstanding Digital Series:
• Comedians in Cars Getting Coffee (Season 7, Season 8)

The Norman Felton Award for Outstanding Producer of Episodic Television, Drama:
• Stranger Things (Season 1)
Producers: Matt Duffer, Ross Duffer, Shawn Levy, Dan Cohen, Iain Paterson

The Danny Thomas Award for Outstanding Producer of Episodic Television, Comedy:
• Atlanta (Season 1)
Producers: Donald Glover, Dianne McGunigle, Paul Simms, Hiro Murai, Alex Orr

The Award for Outstanding Producer of Non-Fiction Television:
• Making a Murderer (Season 1)
Producers: Laura Ricciardi, Moira Demos

The Award for Outstanding Producer of Competition Television:
• The Voice (Season 9-11)
Producers: Audrey Morrissey, Jay Bienstock, Mark Burnett, John de Mol, Chad Hines, Lee Metzger, Kyra Thompson, Mike Yurchuk, Amanda Zucker, Carson Daly

The Award for Outstanding Producer of Live Entertainment & Talk Television:
• Last Week Tonight with John Oliver (Season 3)
Producers: Tim Carvell, John Oliver, Liz Stanton

The Award for Outstanding Children’s Program:
• Sesame Street (Season 46)

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O Oscar 2017 acontece no dia 26 de fevereiro.

‘Deadpool’ compete no PGA com ‘La La Land’, ‘Moonlight’ e ‘A Qualquer Custo’

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Ben Foster e Chris Pine em cena de A Qualquer Custo, de David Mackenzie. Pic by moviepilot.de

SELECIONADOS DEMONSTRAM DIVERSIDADE DE GÊNEROS: SCI-FI, QUADRINHOS, DRAMAS, GUERRA E MUSICAL

Nesta terça, dia 10, o sindicato dos produtores, Producers Guild of America (PGA), elegeu seus 10 melhores do ano. Os selecionados certamente tiveram suas chances ampliadas para o Oscar. Os excluídos praticamente são cartas fora do baralho.

  • ATÉ O ÚLTIMO HOMEM (Hacksaw Ridge)
  • CERCAS (Fences)
  • A CHEGADA (Arrival)
  • DEADPOOL (Deadpool)
  • ESTRELAS ALÉM DO TEMPO (Hidden Figures)
  • LA LA LAND: CANTANDO ESTAÇÕES (La La Land)
  • LION: UMA JORNADA PARA CASA (Lion)
  • MANCHESTER À BEIRA-MAR (Manchester by the Sea)
  • MOONLIGHT: SOB A LUZ DO LUAR (Moonlight)
  • A QUALQUER CUSTO (Hell or High Water)

Logo após conquistar todos os sete Globos de Ouros a que estava indicado, o musical de Damien Chazelle, La La Land, continua sua trajetória vitoriosa ao garantir vaga no PGA. Se o vencedor do Globo de Ouro de Melhor Filme – Comédia ou Musical está dentro, o vencedor de Filme – Drama, Moonlight, também está na lista, tornando-se uma possível pedra no sapato de La La Land.

E particularmente, gostei da indicação de A Qualquer Custo.Trata-se de uma produção modesta, mas que tem muito a dizer. Sua trama sobre roubos a banco tem um fundo político que reflete bastante a realidade atual, e seus personagens são muito bem defendidos por todos os atores: dos principais como Ben Foster, Chris Pine e Jeff Bridges até as garçonetes que tem uma cena e os quase figurantes. Há sequências e diálogos que me lembram dos filmes dos irmãos Coen como Fargo e Onde os Fracos Não Têm Vez, que são excelentes referências para qualquer cineasta.

Embora tenha sido indicado ao Globo de Ouro de Melhor Filme – Comédia ou Musical, a entrada de Deadpool aqui não deixa de ser uma surpresa, afinal quando se trata de premiações sérias, as adaptações de quadrinhos só costumam ser lembradas nas categorias de efeitos visuais, efeitos sonoros e som. O filme estrelado por Ryan Reynolds é a primeira baseada em HQs a ser indicada ao PGA desde Batman – O Cavaleiro das Trevas em 2009. Resta saber se Deadpool terá mais êxito ao ser indicado para o Oscar de Melhor Filme, já que o longa de Christopher Nolan morreu na praia. Quer dizer, levou duas estatuetas (Ator Coadjuvante para Heath Ledger e Efeitos Sonoros), mas não estava entre os cinco indicados a Filme. Aliás, foi graças ao filme de Nolan que a Academia passou a indicar dez filmes no ano seguinte.

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WAAAIT! Cena de ação de Deadpool: a piada das calças marrons. Pic by cinemagia.ro

A lista de excluídos inclui alguns títulos que podem surpreender na lista da Academia como o esquecido Silêncio, de Martin Scorsese, ou Animais Noturnos (que se deu bem no BAFTA – veja matéria a seguir) ou até mesmo Florence: Quem é Essa Mulher? que pode muito bem ser impulsionado pela força do elenco e até de categorias como Direção de Arte e Figurino. Mas, por enquanto, para eles fica a torcida para que haja reviravoltas que eles possam aproveitar até o dia 24 de janeiro, quando as indicações ao Oscar serão anunciadas.

Já outras produções como 20th Century Women, Capitão Fantástico e Sully: O Herói do Rio Hudson podemos considerar praticamente cartas fora do baralho, tendo como base seu histórico nas premiações anteriores como Critics’ Choice e Globo de Ouro. Aliás, o filme de Clint Eastwood foi uma das maiores decepções até o momento, pois o mais relevante que conseguiu até agora foi a indicação de Tom Hanks no Critics’. Sendo otimista, diria que Sully consegue no máximo uma indicação para Melhor Montagem.

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Da esquerda para direita: Janelle Monáe, Taraji P. Henson e Octavia Spencer em cena de Estrelas Além do Tempo, de Theodore Melfi. Pic by moviepilot.de

As estatísticas do PGA em relação ao Oscar não é tão boa como do DGA (sindicato dos diretores), mas 19 acertos nos 27 anos é considerável. Inclusive, vinha de uma ótima sequência de oito acertos: Birdman, 12 Anos de Escravidão, Argo, O Artista, O Discurso do Rei, Guerra ao Terror, Quem Quer Ser um Milionário? e Onde os Fracos Não Têm Vez, até o ano passado, quando o PGA optou por premiar A Grande Aposta e o Oscar, Spotlight – Segredos Revelados. Mas vamos dar um desconto porque 2016 foi um ano bem dividido entre esses dois filmes e O Regresso, além de Mad Max: Estrada da Fúria.

***

Os vencedores do PGA serão anunciados no dia 28 de janeiro.

RETROSPECTIVA 2016: Um ano tenebroso

O host do Oscar 2017, Jimmy Kimmel, faz um pequeno quiz com habitante de Brooklyn

ANO FICA ASSOCIADO ÀS TRAGÉDIAS

Saudações aos cinéfilos que ficaram em casa neste fim de ano ou que conseguiram uma boa conexão de internet na praia! Primeiramente, gostaria de agradecer a todos que acompanharam aqui o blog ou pela página do Facebook, pois seu apoio significa muito pra mim, que continuo esse trabalho sem ganhar um único centavo!

Bom, acho que esse ano foi extremamente tenebroso a ponto de agradecer que estamos vivos ainda! Teve muita gente bacana partindo, muitas tragédias como a da queda do avião da Chapecoense, e para aqueles que ficaram, sobrou a crise econômica, um corrupto por dia preso pela Lava Jato (incrivelmente o Lula permanece ileso), desemprego, aumento da violência, inflação dos alimentos e agora esse calor dos infernos!

Bom, este ano foi meio atípico pra mim também, porque mudei de apartamento e acabei ocupando alguns meses para preparar e me ajeitar. Nessas horas que vejo que tinha tanta tralha em casa e deveria ter me livrado daquela coleção de VHS do James Bond! Com esses contratempos da mudança, tive bem menos tempo para assistir aos filmes, chegando num satisfatório número de 97. Não sei nem como consegui ver sete filmes na Mostra de Cinema! E não sei quanto a vocês, mas a cada ano que passa, parece que tenho mais vontade de rever os filmes que gosto do que ver filmes novos… Será que é crise de meia-idade?

Nesse post, vou tentar comentar alguns fatos relevantes de 2016. Fiquem à vontade para compartilhar seus pensamentos ou mesmo sua própria retrospectiva no final do post!

OSCAR 2016

Como há muito tempo não via, houve uma briga acirradíssima entre três filmes para ganhar o Oscar de Melhor Filme: O Regresso, A Grande Aposta e Spotlight: Segredos Revelados. Dos três, o vencedor Spotlight é o que menos gosto, porque tem menos cara de filme, e mais de televisão. Além disso, faltou um clima maior de tensão, afinal os jornalistas estavam mexendo com gente poderosa da Igreja. Cadê as ameaças? Havia uma cena que tinha um potencial enorme nesse sentido. Nela, o personagem de Mark Ruffalo está em casa falando sobre a matéria pelo telefone e a campainha toca. Seria excelente se houvesse ali uma ameaça ou iminente perigo, mas o clima simplesmente esfriou.

Enfim, a Academia foi pelo mais óbvio e se apoiou sobre um tema polêmico (pedofilia na Igreja) para justificar sua escolha. Acredito que seria mais justo premiar a ousadia da linguagem de A Grande Aposta, que além de apresentar uma montagem versátil com inserts cômicos, teve o grande mérito de saber abordar um tema chato (a crise imobiliária) num filme leve. Ou até o épico visual de Alejandro González Iñárritu, O Regresso, seria uma escolha mais sensata, porque tem cara de filme, aliás, filme de IMAX! Mas seria infinitamente mais surpreendente a vitória de Mad Max: Estrada da Fúria, porque foi o filme mais ousado de 2015, tanto que foi um sucesso entre crítica e público, além de ser um tapa na cara de todos esses produtores antiquados que só pensam em lucro. Mas enfim, a produção de George Miller ficou limitada aos prêmios técnicos.

Quanto aos prêmios de interpretação, o Oscar de Coadjuvante para Mark Rylance foi justo. Apesar de ter torcido por Stallone, todos sabíamos que seria mais pelo lado emotivo, afinal ele é uma estrela de ação extremamente carismática, reinterpretando um personagem adorado pela sétima vez. Gostaria muito de ter visto seu discurso de agradecimento, mas ainda não foi desta vez…

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Mark Rylance posa com seu Oscar por Ponte dos Espiões

Ainda não entendi o prêmio para Brie Larson como Atriz principal. Quem viu O Quarto de Jack, sabe que sua personagem é praticamente coadjuvante diante do próprio menino Jack (o ótimo Jacob Tremblay). E de qualquer forma, na minha opinião, Larson estava muito atrás de Charlotte Rampling (45 Anos) e Saoirse Ronan (Brooklyn).

E vale lembrar aqui a primeira indicação para uma animação brasileira. Só espero que O Menino e o Mundo, de Ale Abreu, consiga estimular novos animadores e, acima de tudo, o Ministério da Cultura a investir mais em cinema nacional de outros gêneros. Vejo incontáveis filmes brasileiros sendo lançados no cinema, mas que não conseguem durar mais de 2 semanas em cartaz aqui em São Paulo. Imagina em outros estados…

DESTAQUES PESSOAIS

Gostaria de citar alguns filmes que considero relevantes, mesmo não constando nas minhas listas de melhores.

RUA CLOVERFIELD, 10 (10 CLOVERFIELD LANE)
Dir: Dan Trachtenberg

Há muito tempo não via uma boa ficção científica americana com poucos recursos. Talvez a última tenha sido Gattaca – A Experiência Genética (1997). Coincidência ou não, as duas conseguiram extrair o melhor da criatividade com orçamento baixo. Rua Cloverfield, 10 se mostra minimalista ao mesmo tempo em que segura o espectador sob muita tensão no bunker. Muito se deve também à excelente performance de John Goodman como o paranóico Howard – aliás, acho a melhor interpretação de sua carreira. Pena que no final, o produtor J.J. Abrams resolveu abrir o bolso e estragou o ótimo clima.

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Mary Elisabeth Winstead em cativeiro com John Goodman em Rua Cloverfield, 10, de Dan Trachtenberg (pic by cine.gr)

DEADPOOL (DEADPOOL)
Dir: Tim Miller

Depois de tantos filmes sobre super-heróis, você acaba parando de gerar expectativas para o próximo lançamento, e foi aí que Deadpool se deu melhor. Ciente de que esse universo precisava de uma chacoalhada, os roteiristas e o diretor decidiram ousar: botaram muita violência, piadas de humor negro e sexuais, e claro, sexo. Sem esses ingredientes, Deadpool seria um fracasso monumental. A química entre Ryan Reynolds e Morena Baccarin faz com que o público simpatize com os personagens. Essa coragem foi muito bem recompensada pela bilheteria, mesmo com censura para maiores de 16 anos. E agora o filme participa de premiações importantes como o Critics’ Choice e Globo de Ouro.

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Ryan Reynolds e Morena Baccarin: o melhor casal no universo dos quadrinhos

INVOCAÇÃO DO MAL 2 (THE CONJURING 2)
Dir: James Wan

James Wan continua sendo um dos raros pólos de terror da atualidade. Seus filmes podem ter uma certa fórmula, mesmo para assustar, mas todas funcionam. São coisas básicas como uma sugestão de presença no escuro ou uma simples mudança de foco num plano fixo, mas Wan manda bem como ninguém. Nesse filme, sua ambientação dos anos 80 é muito caprichada, e ele cria uma forte empatia com o casal central vivido por Patrick Wilson e Vera Farmiga numa belíssima e tocante cena em que ele toca a música “Can’t Help Falling in Love” de Elvis Presley para as crianças da casa assombrada. Por que não ter uma cena dessas num filme de terror?

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Vera Farmiga com a freira em cena de Invocação do Mal 2 (pic by moviepilot.de)

CRÍTICAS

Vamos às listas do ano, começando com os melhores vistos nos cinemas.

TOP 5 MELHORES DO ANO NO CINEMA

5. Animais Noturnos (Nocturnal Animals/ 2016)
Dir: Tom Ford

4. A Garota Dinamarquesa (The Danish Girl/ 2015)
Dir: Tom Hooper

3. Brooklyn (Brooklyn/ 2015)
Dir: John Crowley

2. Elle (Elle/ 2016)
Dir: Paul Verhoeven

1. A Criada (Ah-ga-ssi/ 2016)
Dir: Park Chan-wook

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Elenco principal de A Criada, de Park Chan-wook (pic by moviepilot.de)

Definitivamente, a melhor produção que vi nos cinemas pela sua excelência no campo da fotografia, direção de arte e figurino.O diretor Park Chan-wook recria o início do século XX na Coréia, constrói personagens bem tridimensionais e uma estrutura narrativa que relembra o clássico de Akira Kurosawa, Rashomon. Foi uma lástima que o comitê coreano não o selecionou como representante para o Oscar, pois perdeu uma ótima chance de conseguir sua primeira indicação.

TOP 5 MELHORES EM MÍDIA DIGITAL

5. General (The General/ 1926)
Dir: Buster Keaton e Clyde Bruckman

4. O Barco: Inferno no Mar (Das Boot/ 1981)
Dir: Wolfgang Petersen

3. Um Condenado à Morte Escapou (Un condamné à mort s’est échappé ou Le vent souffle où il veut / 1956)
Dir: Robert Bresson

2. Vinhas da Ira (Grapes of Wrath/ 1940)
Dir: John Ford

1. 45 Anos (45 Years/ 2015)
Dir: Andrew Haigh

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Tom Courtenay e Charlotte Rampling em 45 Anos, de Andrew Haigh (photo by cinemagia.ro)

Não consigo parar de elogiar esse filme para todos os meus amigos. 45 Anos tem uma premissa bastante simples: Enquanto casal planeja festa de 45 anos de casamento, descobrem o corpo da ex-mulher do marido, causando um abalo sísmico no relacionamento. O filme de Andrew Haigh faz um levantamento sobre ser a segunda opção de seu parceiro. Teria sua vida valido a pena? Sua narrativa é bastante eficiente e objetiva, nunca se rendendo aos clichês que poderia facilmente cair. Atuação primorosa de Charlotte Rampling.

IN MEMORIAN

Não me recordo de um ano tão repleto de mortes como este de 2016. Logo de cara, fomos surpreendidos com a morte do ícone pop David Bowie e, mais recentemente, perdemos a nobreza intergaláctica Carrie Fisher e a estrela da era de ouro de Hollywood, Debbie Reynolds.

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O camaleão David Bowie, que também atuou em cults como Labirinto e Fome de Viver

Além de Bowie, perdemos os músicos George Michael, Prince (que venceu o Oscar de Trilha por Purple Rain – disponível no Netflix) e Leonard Cohen. Grandes escritores como Harper Lee (autora de O Sol é Para Todos) e Umberto Eco (autor de O Nome da Rosa).

Figuras emblemáticas como Gene Wilder, o eterno Willy Wonka de A Fantástica Fábrica de Chocolate; e Alan Rickman, que ficou eternizado como Hans Gruber de Duro de Matar e o professor Snape da saga Harry Potter. Vencedores do Oscar também nos deixaram: Patty Duke (Atriz Coadjuvante por O Milagre de Anne Sullivan), George Kennedy (Ator Coadjuvante por O Indomável), o diretor polonês Andrzej Wajda (Oscar Honorário), Curtis Hanson (diretor que venceu o Oscar de Roteiro Adaptado por Los Angeles – Cidade Proibida), Michael Cimino (Diretor por O Franco-Atirador) e Vilmos Szigmond (Fotografia por Contatos Imediatos do Terceiro Grau).

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Alan Rickman como Professor Snape

Grandes profissionais como Arthur Hiller (produtor de Love Story), Abbas Kiarostami (diretor responsável pelo nascimento do cinema iraniano), Robin Hardy (diretor do cult O Homem-Palha), um dos grandes diretores italianos do Neo-realismo Ettore Scola, Garry Marshall (diretor de Uma Linda Mulher), Douglas Slocombe (diretor de fotografia da trilogia Indiana Jones), o diretor de arte Gil Parrondo (responsável por Patton – Rebelde ou Herói e Nicholas e Alexandra), o jovem ator de Star Trek Anton Yelchin (que teve uma morte boba demais), o diretor dos clássicos de James Bond como 007 Contra Goldfinger, Guy Hamilton; e nossos diretores brasileiros Hector Babenco e Andrea Tonacci.

FELIZ ANO NOVO!

Depois de passar por um ano tenebroso como esse, a esperança para que 2017 seja um ano infinitamente superior cresce a cada dia. Se a economia vai estar melhor ou não, se a política brasileira vai tomar vergonha na cara ou não, se vamos ter mais “diversidade” no Oscar ou não isso eu não sei. A única coisa que quero é que cenas como essa (foto abaixo) não se repitam. Quando vi essa imagem nos jornais, fiquei estarrecido. Toda vez que olhava pra esse menino de Alepo, na Síria, que acabara de ter sua casa destruída por um bombardeio, tinha vontade de chorar. A que ponto chegamos? O menino não sabia nem o que tinha acontecido, enquanto sangrava pelo rosto todo! Esse tipo de acontecimento faz a gente perder a fé na humanidade. Por isso, meus votos para 2017 são de paz e de responsabilidade para essas pessoas e governos que muitas vidas dependem. Sejam mais conscientes de seus atos. É isso… Feliz Ano Novo para todos!

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Desnorteado, menino de Alepo sendo socorrido por uma ambulância. De cortar o coração.

‘Star Wars’ domina as indicações ao MTV Movie Awards 2016

MTV Movie Awards 2016

MTV Movie Awards 2016 (photo by hfmagazineonline.com)

PREMIAÇÃO DE VOTO PÚBLICO SE RENDE AOS BLOCKBUSTERS

Depois do Oscar, nada melhor do que o MTV Movie Awards pra dar aquela relaxada! Nada de filmes sérios ou que exijam neurônios demais predominam pelas 14 categorias. Se bem que neste ano, eles resolveram acrescentar três categorias com cara de prêmio dos críticos: True Story (Baseado em fatos verídicos), Documentário e Ensemble Cast (Elenco). E felizmente, excluíram outras categorias bem inúteis como o Shirtless Performance e o WTF Moment.

E imitando a “bolha assassina” do Critics’ Choice Awards, agora todas as categorias têm 6 indicados cada, e com isso, mais filmes são reconhecidos e com maior número de indicações. Campeão de bilheteria, Star Wars: O Despertar da Força foi o recordista desta edição com 11 indicações, puxando a tendência na qual os filmes mais vistos pelo público conseguem maior visibilidade na premiação, vide a presença de Vingadores: Era de Ultron, Jurassic World e o recente Deadpool, que se tornou o filme com censura Rated R mais visto das últimas décadas.

Cena do recordista de indicações Star Wars: O Despertar da Força (photo by cinemagia.ro)

Cena do recordista de indicações Star Wars: O Despertar da Força (photo by cinemagia.ro)

Eu gosto da indicação de Deadpool, não apenas por se de uma boa adaptação de quadrinhos, mas que também prova para os produtores caretas de Hollywood, que é possível fazer um filme de super-herói para um público adulto, com qualidades e ainda sair lucrando! Só pela ousadia de sair do arquétipo, já deveria ganhar todos os prêmios. Mas deve sair pelo menos com o de Melhor Beijo pela ótima química de Ryan Reynolds e a belíssima Morena Baccarin.

Altas químicas rolam entre Ryan Reynolds e Morena Baccarin em Deadpool (photo by cinemagia.ro)

Altas químicas rolam entre Ryan Reynolds e Morena Baccarin em Deadpool (photo by cinemagia.ro)

Igualmente pela ousadia, outro filme que merece todos os prêmios é Mad Max: Estrada da Fúria. Infelizmente e curiosamente, o filme de George Miller, que acaba de conquistar 6 Oscars, sequer foi indicado a Melhor Filme. Acho muito estranha essa ausência, já que foi um filme bem idolatrado pelo público jovem e internauta. Acredito que deve levar o prêmio de Female Performance para Charlize Theron.

Trocaria facilmente a vaga de Vingadores: Era de Ultron por Mad Max. Apesar dos números expressivos de bilheteria, é uma sequência muito fraca, com um roteiro ralo (cadê as belas tiradas do nível do primeiro filme, Joss Whedon?) e sequências de ação pouco empolgantes. Parecia que o filme todo estava ligado no piloto automático! Como fã da Marvel Comics, achei uma grande pena que o filme, que tinha tudo para ser um dos melhores, não correspondeu às expectativas.

E não poderia deixar de destacar que todos aqueles “excluídos” do #OscarSoWhite ganharam abrigo e compaixão do MTV Movie Awards como Straight Outta Compton, que foi indicado a Melhor Filme, e o chorão do boicotador Will Smith. Não sei quanto a vocês, mas peguei um bode do Will Smith! Na categoria de Melhor Ator, temos também o merecido reconhecimento de Michael B. Jordan por Creed: Nascido Para Lutar. Curiosamente, teve apenas duas indicações: Melhor Filme e Ator.

Isso merece uma comemoração: Will Smith conseguiu um indicação! E pode levar seu baldinho de pipoca dourada! (photo by cinemagia.ro)

Isso merece uma comemoração: Will Smith conseguiu um indicação! E pode levar seu baldinho de pipoca dourada! (photo by cinemagia.ro)

A ausência mais sentida na minha opinião foi do pequeno talento Jacob Tremblay, que no mínimo, merecia uma indicação de Melhor Revelação por O Quarto de Jack, e não sua companheira de tela, Brie Larson, que já é conhecida há alguns anos. Outra importante mancada do MTV Movie Awards foi deixar de lado Spotlight – Segredos Revelados na categoria séria do True Story.

Ao contrário do ano passado, não consegui votar para os meus favoritos nesta edição. O site da MTV acusa que não está disponível para a minha localização. Cinéfilos do Terceiro Mundo não têm vez! De qualquer forma, para quem estiver interessado na cerimônia, ela acontece no dia 10 de abril, com a apresentação dos hosts Dwayne Johnson (o The Rock) e Kevin Hart (não sei de onde acham tanta graça nele), e deve ser transmitido ao vivo pelo canal da MTV Brasil.

Assinalei meus “votos” na cor laranja na lista de indicados, que segue abaixo:

MOVIE OF THE YEAR (Filme do Ano)
· Vingadores: Era de Ultron (Avengers: Age of Ultron)
· Creed: Nascido Para Lutar (Creed)
· Deadpool (Deadpool)
· Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros (Jurassic World)
· Star Wars: O Despertar da Força (Star Wars: The Force Awakens)
· Straight Outta Compton: A História do N.W.A. (Straight Outta Compton)

TRUE STORY (História Verídica)
· Um Homem Entre Gigantes (Concussion)
· Joy: O Nome do Sucesso (Joy)
· Steve Jobs (Steve Jobs)
· Straight Outta Compton: A História do N.W.A. (Straight Outta Compton)
· A Grande Aposta (The Big Short)
· O Regresso (The Revenant)

DOCUMENTÁRIO
· Amy
· Cartel Land
· He Named Me Malala
· The Hunting Ground
· The Wolfpack
· What Happened, Miss Simone?

BEST FEMALE PERFORMANCE (Performance Feminina)
· Alicia Vikander (Ex-Machina: Instinto Artificial)
· Anna Kendrick (A Escolha Perfeita 2)
· Charlize Theron (Mad Max: Estrada da Fúria)
· Daisy Ridley (Star Wars: O Despertar da Força)
· Jennifer Lawrence (Joy: O Nome do Sucesso)
· Morena Baccarin (Deadpool)

BEST MALE PERFORMANCE (Performance Masculina)
· Chris Pratt (Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros)
· Leonardo DiCaprio (O Regresso)
· Matt Damon (Perdido em Marte)
· Michael B. Jordan (Creed: Nascido Pra Lutar)
· Ryan Reynolds (Deadpool)
· Will Smith (Um Homem Entre Gigantes)

BREAKTHROUGH PERFORMANCE (Revelação)
· Amy Schumer (Descompensada)
· Brie Larson (O Quarto de Jack)
· Daisy Ridley (Star Wars: O Despertar da Força)
· Dakota Johnson (Cinquenta Tons de Cinza)
· John Boyega (Star Wars: O Despertar da Força)
· O’Shea Jackson Jr. (Straight Outta Compton: A História do N.W.A.)

BEST COMEDIC PERFORMANCE (Performance cômica)
· Amy Schumer (Descompensada)
· Kevin Hart (Policial em Apuros 2)
· Melissa McCarthy (A Espiã que Sabia de Menos)
· Rebel Wilson (A Escolha Perfeita 2)
· Ryan Reynolds (Deadpool)
· Will Ferrell (O Durão)

BEST ACTION PERFORMANCE (Performance de Ação)
· Chris Pratt (Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros)
· Dwayne Johnson (Terremoto: A Falha de San Andreas)
· Jennifer Lawrence (Jogos Vorazes: A Esperança – O Final)
· John Boyega (Star Wars: O Despertar da Força)
· Ryan Reynolds (Deadpool)
· Vin Diesel (Velozes & Furiosos 7)

BEST HERO (Herói)
· Charlize Theron (Mad Max: Estrada da Fúria)
· Chris Evans (Vingadores: Era de Ultron)
· Daisy Ridley (Star Wars: O Despertar da Força)
· Dwayne Johnson (Terremoto: A Falha de San Andreas)
· Jennifer Lawrence (Jogos Vorazes: A Esperança – O Final)
· Paul Rudd (Homem-Formiga)

BEST VILLAIN (Vilão)
· Adam Driver (Star Wars: O Despertar da Força)
· Ed Skrein (Deadpool)
· Hugh Keays-Byrne (Mad Max: Estrada da Fúria)
· James Spader (Vingadores: Era de Ultron)
· Samuel L. Jackson (Kingsman: Serviço Secreto)
· Tom Hardy (O Regresso)

BEST VIRTUAL PERFORMANCE (Performance Virtual)
· Amy Poehler (Divertida Mente)
· Andy Serkis (Star Wars: O Despertar da Força)
· Jack Black (Kung Fu Panda 3)
· James Spader (Vingadores: Era de Ultron)
· Lupita Nyong’o (Star Wars: O Despertar da Força)
· Seth MacFarlane (Ted 2)

ENSEMBLE CAST (Elenco)
· Vingadores: Era de Ultron
· Velozes & Furiosos 7
· A Escolha Perfeita 2
· Star Wars: O Despertar da Força
· Jogos Vorazes: A Esperança – O Final
· Descompensada

BEST KISS (Beijo)
· Amy Schumer & Bill Hader (Descompensada)
· Dakota Johnson & Jamie Dornan (Cinquenta Tons de Cinza)
· Leslie Mann & Chris Hemsworth (Férias Frustradas)
· Margot Robbie & Will Smith (Golpe Duplo)
· Morena Baccarin & Ryan Reynolds (Deadpool)
· Rebel Wilson & Adam DeVine (A Escolha Perfeita 2)

BEST FIGHT (Luta)
· Deadpool (Ryan Reynolds) vs. Ajax (Ed Skrein) – Deadpool
· Hugh Glass (Leonardo DiCaprio) vs. A Ursa – O Regresso
· Imperator Furiosa (Charlize Theron) vs. Max Rockatansky (Tom Hardy) – Mad Max: Estrada da Fúria
· Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) vs. Hulk (Mark Ruffalo) – Vingadores: Era de Ultron
· Rey (Daisy Ridley) vs. Kylo Ren (Adam Driver) – Star Wars: O Despertar da Força
· Susan Cooper (Melissa McCarthy) vs. Lia (Nargis Fakhri) – A Espiã que Sabia de Menos)

Mesmo abaixo da média, Vingadores: Era de Ultron conseguiu conquistar X indicações (photo by outnow.ch)

Mesmo abaixo da média, Vingadores: Era de Ultron conseguiu conquistar 6 indicações (photo by outnow.ch)

‘Spotlight’ leva o Oscar de Melhor Filme e de Roteiro Original

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O produtor Michael Sugar discursa pela vitória de Spotlight – Segredos Revelados ao lado de equipe e elenco. (photo by g1.globo.com)

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Actors photo, da esquerda para direita: Mark Rylance, Brie Larson, Leonardo DiCaprio e Alicia Vikander (photo by telegraph.co.uk)

COMO HÁ MUITO NÃO SE VIA, ‘SPOTLIGHT’ FOI O GRANDE VENCEDOR COM APENAS DUAS ESTATUETAS DO OSCAR

Embora tenha sido um dos favoritos a ganhar Melhor Filme, a vitória de Spotlight – Segredos Revelados surpreendeu a todos porque até pouco antes do anúncio só tinha levado Roteiro Original. Literalmente, levou o primeiro e o último prêmio da noite! Trata-se da primeira  produção a vencer apenas com duas estatuetas depois de O Melhor Espetáculo da Terra, de Cecil B. DeMille, no longínquo ano de 1953.

Spotlight se consagrou por sua temática de denúncia de abusos sexuais cometidos por padres católicos, revelados pelo Boston Globe. É um filme sério, com um bom elenco, mas à parte de seu tema, convencional e com cara de telefilme. Acho que o prêmio de Roteiro Original já estava de bom tamanho para o filme de Tom McCarthy. Indo além, teria indicado Liev Schreiber como Ator Coadjuvante e premiado o ator, pra dar aquela “incrementada” nessa campanha! Será que foi uma boa escolha? Só o tempo dirá, mas está com cara daquelas futuras injustiças do tipo “Nossa, deveria ter perdido para Mad Max!”

E falando nele, o maior vencedor da noite foi Mad Max: Estrada da Fúria, com 6 estatuetas: Montagem, Direção de Arte, Figurino, Maquiagem, Som e Efeitos Sonoros. Foi engraçado porque o filme de George Miller estava ganhando tudo desde o início! Como muitos sabem, essa alegria dura pouco no Oscar. Eu previa que Mad Max teria o mesmo destino de A Invenção de Hugo Cabret, que no final, perdeu para O Artista, que no caso seria O Regresso. Mas foi Spotlight que roubou a cena! Se George Miller não foi coroado como Melhor Diretor, pelo menos, ele viu sua esposa, Margaret Sixel, levar o Oscar de Montagem.

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Margaret Sixel leva o Oscar de Montagem para Mad Max: Estrada da Fúria, dirigido por seu marido George Miller. O filme levou seis estatuetas de categorias técnicas. (photo by Getty through businessinsider.com.au)

O Regresso tinha tudo para ser o grande vencedor da noite: havia ganhado Melhor Fotografia, Diretor (aliás, o segundo consecutivo de Alejandro G. Iñárritu, e o terceiro consecutivo para um mexicano!) e Ator. Talvez a experiência transcendental não tenha sido comprada pela maioria dos votantes, e querendo ou não, a falta de uma indicação a Roteiro fez falta.

De qualquer forma, é o filme que finalmente trouxe o Oscar para Leonardo DiCaprio. Sim, agora chega desses memes, viu povo da internet? No clipe que mostram antes do anúncio, colocaram um trecho em que DiCaprio fala a língua indígena como se quisessem dizer: “Tá vendo? Estamos dando o Oscar para ele porque ele também fala outro idioma, e não só porque foi mordido pela ursa!”. DiCaprio foi ovacionado pela platéia, denotando que se trata de um ator muito querido por seus colegas de trabalho. Kate Winslet foi uma das mais exaltadas com a vitória dele, já que são amigos de longa data, desde Titanic!

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Não, não é uma montagem! Leonardo DiCaprio finalmente ganha seu Oscar e põe fim a jejum e aos memes da internet. (photo by indiatvnews.com)

E quanto às surpresas da noite? Acho que a maior foi a vitória de Mark Rylance sobre Sylvester Stallone. Não que o primeiro não merecesse ganhar (que por sinal, rouba todas as cenas em que aparece em Ponte dos Espiões), mas depois de toda a torcida desde o Globo de Ouro, todos esperavam uma vitória bastante emotiva. Quando ele perdeu, na hora, pensei: “Depois dessa, nunca mais vai haver outra chance de premiar Stallone!”.

Esta foi a surpresa negativa, na minha opinião. Já a surpresa positiva foi a derrota de Lady Gaga na categoria de Melhor Canção Original. Não sei quem acompanhou, mas a cantora estava com um excesso de exposição na mídia que, sinceramente, cansei. No ano passado, ela já fez aquela homenagem desnecessária cantando as trocentas músicas de A Noviça Rebelde, aí este ano, ela ganha aquele Globo de Ouro duvidoso de American Horror Story: Hotel. Desde o início do ano, ela vinha fazendo uma campanha ferrenha pela canção “Til It Happens to You” e do documentário The Hunting Ground, que acabou gerando até uma controvérsia no Twitter, quando uma colaboradora revelou que Lady Gaga não teria contribuído de fato na composição da canção, entrando de gaiato ao lado de Diane Warren. Pena que Gaga perdeu para uma canção meia-boca de James Bond.

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Lady Gaga canta sua canção “Til it Happens to You” na cerimônia do Oscar (photo by sandiegouniontribune.com)

Gostei da premiação de Ex-Machina: Instinto Artificial como Melhores Efeitos Visuais. Com tantas produções repletas de efeitos de computação megalomaníacos e em peso, é interessante ver que a Academia conseguiu enxergar o trabalho minucioso e conciso de efeitos digitais nesta modesta ficção científica. Acho que independente da época, os efeitos são bons quando bem utilizados e realmente necessários.

Para o hall dos meus likes, adorei ver o mestre Ennio Morricone premiado com um Oscar competitivo. Tudo bem que ele já havia sido honrado com o Oscar Honorário em 2007, mas convenhamos que ganhar numa categoria é infinitamente melhor! Quando seu nome foi anunciado, ele foi aplaudido de pé por todos os presentes, e entregou um discurso em italiano, passado para o inglês por um tradutor que o acompanhou. Foi bacana ver que Morricone ganhou seu Oscar graças a Quentin Tarantino, um fã obecado por western spaghettis, cujas trilhas foram compostas pelo mesmo Ennio Morricone.

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Mestre Ennio Morricone discursa em italiano, traduzido para o inglês pelo tradutor ao lado (photo by panorama.it)

A grande surpresa que estava aguardando não aconteceu. Saoirse Ronan batendo Brie Larson! Ela interpretou Eilis de forma tão cativante que gostaria muito que ela ganhasse. Mas Larson foi mais esperta e fez uma campanha impecável. Ela literalmente esteve lá, em tudo quanto é festival, cerimônias e entrevistas. Pela dedicação, ganhou status de queridinha do cinema americano. Só espero que ela aproveite esse Oscar e possa fazer escolhas sábias para futuros projetos, já que ela é uma vencedora do Oscar agora.

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Brie Larson recebe seu Oscar das mãos de Eddie Redmayne por O Quarto de Jack (photo by theverge.com)

Embora tenha achado super estranho, não desaprovo a idéia de botar aqueles letreiros correndo na parte de baixo da tela para adiantar os agradecimentos dos vencedores na tentativa de reduzir os discursos longos e chatos. A idéia teve boas intenções, mas acho que não funcionou de fato, especialmente com Alejandro González Iñárritu, que queria uns 3 minutos de agradecimento. Fico imaginando a cena de todos os indicados tentando lembrar todas as pessoas que o indivíduo quer agradecer caso vença para um estagiário anotando tudo num iPad. Só em Hollywood mesmo!

Mas todo ano faço a mesma reclamação: se estão tentando reduzir tanto tempo asssim, por que insistem em manter essas piadinhas de apresentadores que parecem intermináveis? Só porque está escrito num teleprompter? A pior de todas foi a Sarah Silverman, que falou, falou e falou, e não conseguia arrancar nem sorrisos amarelos da platéia. Por favor, Academia, vamos rever essas introduções e escolher melhores apresentadores!

Quanto à cerimônia em si, apesar dos esforços, acho que Chris Rock pegou leve nas críticas. Na verdade, ele falou algumas verdades que precisavam ser ditas após a polêmica envolvendo atores negros não terem sido indicados. “Nos anos 50 e 60, também houve Oscars sem nenhum ator negro indicado, mas ninguém protestava. E você sabe por quê? Porque tínhamos coisas reais para se protestar na época. Estávamos ocupados demais sendo estuprados e linchados para nos importar com quem iria ganhar Melhor Fotografia! Quando sua avó está enforcada na árvore, é difícil se importar com curta-documentário estrangeiro”  – e isso reflete bastante o que vivemos hoje, com essa vigilância politicamente correta constante que enxerga tudo como uma ofensa. Ele cutucou também o boicote: “Jada Pinkett Smith boicotando o Oscar é como eu boicotar a calcinha da Rihanna. Eu não fui convidado!” – se eu estivesse lá, aplaudiria de pé esse comentário. Foi bom que Chris Rock foi o host da noite, pois por ser negro, permitiu falar abertamente sobre essa tal polêmica com propriedade. Imaginem um branco falando essas coisas… seria crucificado e queimado vivo!

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Chris Rock faz seu monólogo de abertura com piadas sobre as controvérsias do Oscar “racista”. (Photo by Chris Pizzello/Invision/AP)

Chris Rock e outros artistas negros fizeram uma boa paródia ao estilo de Billy Crystal, inserindo-se em cenas de filmes protagonizados por atores brancos. A melhor foi do próprio Rock, substituindo Matt Damon em cena de Perdido em Marte. Na central de comando da Nasa, os personagens de Jeff Daniels e Kristen Wiig discutem o resgate do astronauta em Marte: “Vamos gastar 25 milhões de dólares para trazer um astronauta negro de volta?”. Definitivamente, um jeito criativo de cutucar sem soar racista ou quadrado.

Ele fez uma encenação com as supostas filhas dele, vendendo biscoitos de escoteiras para as celebridades. Embora tenha ficado bom, Ellen DeGeneres fez algo semelhante há dois anos, mas de forma muito mais inusitada e despretensiosa, quando pediu pizza e foi coletar dinheiro para pagar a conta. “Onde está Harvey Weinstein? Sem pressão! Apenas um bilhão de pessoas assistindo”.

A homenagem In Memoriam aos falecidos ficou bonita, ainda mais com a interpretação de “Blackbird” (escolha bastante coerente) por Dave Grohl ao vivo. Grandes perdas relembradas ficaram mais emocionantes.

No final, acho que os resultados condisseram com o inesperado. Spotlight levando dois Oscars, Mark Rylance batendo Stallone, 007 Contra Spectre batendo o circo em volta de Lady Gaga e os efeitos simples de Ex-Machina batendo os peixes grandes como Star Wars e Mad Max. Uma premiação atípica para um ano atípico.

Seguem todos os vencedores do Oscar 2016:

MELHOR FILME
* Spotlight – Segredos Revelados (Spotlight)

MELHOR DIRETOR
* Alejandro González Iñárritu (O Regresso)

MELHOR ATOR
* Leornardo DiCaprio (O Regresso)

MELHOR ATRIZ
* Brie Larson (O Quarto de Jack)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
* Mark Rylance (Ponte dos Espiões)

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Mark Rylance levou Ator Coadjuvante por Ponte dos Espiões, batendo Sylvester Stallone. (photo by themalaimailonline.com)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
* Alicia Vikander (A Garota Dinamarquesa)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
* Josh Singer, Tom McCarthy (Spotlight – Segredos Revelados)

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
* Charles Randolph, Adam McKay (A Grande Aposta)

MELHOR FOTOGRAFIA
* Emmanuel Lubezki (O Regresso)

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
* Colin Gibson, Katie Sharrock, Lisa Thompson (Mad Max: Estrada da Fúria)

MELHOR MONTAGEM
* Margaret Sixel (Mad Max: Estrada da Fúria)

MELHOR FIGURINO
* Jenny Beavan (Mad Max: Estrada da Fúria)

MELHOR MAQUIAGEM E CABELO
* Mad Max: Estrada da Fúria

MELHOR TRILHA MUSICAL ORIGINAL
* Ennio Morricone (Os 8 Odiados)

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
* “Writing’s on the Wall”, de Jimmy Napes e Sam Smith (007 Contra Spectre)

MELHOR SOM
* Mad Max

MELHORES EFEITOS SONOROS
* Mad Max: Estrada da Fúria

MELHORES EFEITOS VISUAIS
* Ex-Machina: Instinto Artificial

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
* Filho de Saul, de László Nemes (HUNGRIA)

MELHOR ANIMAÇÃO
* Divertida Mente

MELHOR DOCUMENTÁRIO
* Amy

MELHOR DOCUMENTÁRIO-CURTA
* A Girl in the River: The Price of Forgiveness

MELHOR CURTA-METRAGEM
* Stutterer

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO
* Bear Story

E pra fechar com chave de ouro, a mais belamente vestida da noite: Saoirse Ronan.

88th Annual Academy Awards - Arrivals

Saoirse Ronan no tapete vermelho num belo vestido esmeralda da Calvin Klein Collection. (Photo by Jason Merritt/Getty Images through Just Jared)

88th Annual Academy Awards - Arrivals

Saoirse Ronan e sua fenda nas costas ousada. (Photo by Jason Merritt/Getty Images through Just Jared)

Apostas para o Oscar 2016

Pôster do Oscar 2016 com o host da noite, Chris Rock (art by oscar.go)

Pôster do Oscar 2016 com o host da noite, Chris Rock (art by oscar.go)

TRÊS TÍTULOS DISPUTAM O COBIÇADO PRÊMIO DA ACADEMIA EM ANO BEM ATÍPICO

OK! It’s Oscar time!  Quem você quer que ganhe o Oscar? Ah é? Esqueça, que não vai acontecer! haha Talvez Leonardo DiCaprio, o rei dos memes, seja a aposta mais certa do ano! Quem diria! Num ano repleto de incertezas como não vejo há muito tempo, prever um vencedor se tornou uma tarefa bastante ingrata, principalmente a categoria de Melhor Filme, que praticamente se divide entre A Grande Aposta, O Regresso e Spotlight. Existe gente ainda na internet já dizendo que O Quarto de Jack teria boas chances por haver essa indecisão.

Acredito que pode haver terceiros beneficiados em uma ou outra categoria, porque muitos votos estão indecisos, mesmo naquelas categorias em que há um favorito, como na de Ator Coadjuvante. Sylvester Stallone definitivamente corre na frente pelos votos mais guiados pela emoção, mas vale lembrar que ele não concorreu no BAFTA e no SAG Awards, vencidos por Mark Rylance e Idris Elba, respectivamente.

Falando em Idris Elba, espere muuuuuitas piadas do host Chris Rock envolvendo a tal “falta de diversidade” do Oscar branco. Depois do anúncio dos 20 atores brancos indicados nas 4 categorias, houve boicotes declarados pelo diretor Spike Lee (que deveria comparecer à cerimônia, já que foi homenageado pelo Governos Awards em novembro), e pelos atores Jada Pinkett Smith e Will Smith. Particularmente, acho que a Academia não deveria nunca mais indicar esses boicotadores, já que não é obrigada a reconhecer ninguém, muito menos por cor, raça, religião ou opção sexual.

Há poucos dias, o primeiro transsexual indicado ao Oscar (sim, ele existe!), o compositor Antony Hegarty (conhecido como Anohni), decidiu não comparecer ao evento. Mas no caso dele, não se trata de uma baboseira de protesto racial, mas por que a canção pelo qual foi indicado “Manta Ray” do documentário Racing Extinction não será apresentada no palco. A Academia errou feio ao convidar apenas os “famosos” para cantar no palco: Sam Smith, Lady Gaga e o The Weeknd. A outra exclusão ficou por conta da canção “Simple Song # 3” de Juventude. Curiosamente, não é a primeira vez que a Academia comete essa gafe. Em 2013, quando a canção “Skyfall” de Adele venceu, dois indicados sequer se apresentaram porque não foram convidados. Aí eu concordo plenamente em boicote, e sem qualquer punição! Se não for pra apresentar, pra que indicar?

Antony Hegart (Anohni) não vai ao Oscar 2016 (photo by musictimes.com)

Antony Hegart (Anohni) não vai ao Oscar 2016 por sua canção “Manta Ray” de Racing Extinction (photo by musictimes.com)

Vendo a lista de apresentadores, estou vendo que a Academia está preocupada em abafar o caso da polêmica racial. Convidou artistas diversificados como Chadwick Boseman, Abraham Attah, Michael B. Jordan (atores negros), Priyanka Chopra (indiana), Byung-hun Lee (sul-coreano) e Sofía Vergara (colombiana), então acredito que pode haver vencedores influenciados por essa controvérsia. Acho bastante desagradável essa coisa imposta por uma polêmica que não existe, pois prejudica aqueles que estão indicados e os próximos atores negros indicados, pois levantará a seguinte questão: “Será que foi indicado por merecimento ou por cota racial?”.

Em relação ao indicados, temos bons filmes presentes nas categorias como Mad Max: Estrada da Fúria, que deve competir diretamente com O Regresso pelos prêmios mais técnicos. Dentre os indicados a Melhor Filme, tenho admiração por Brooklyn e Ponte dos Espiões. Não são filmes inovadores, mas são tão bem feitos que é impossível não se encantar.

Sim, tenho torcida pessoal por alguns indicados esta noite como as atrizes Charlotte Rampling (mesmo depois de seu comentário mal interpretado), Saoirse Ronan, Alicia Vikander (quero me casar com a personagem dela), Eddie Redmayne, George Miller, Roger Deakins (sempre perde, mas sempre estou torcendo por ele!), Anomalisa e Shaun: O Carneiro. Como sempre faço, coloquei meus votos na seção “Deveria Ganhar”, então sem mais delongas, vamos às categorias:

MELHOR FILME

* A Grande Aposta (The Big Short)
* Ponte dos Espiões (Bridge of Spies)
* Brooklyn (Brooklyn)
* Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road)
* Perdido em Marte (The Martian)
* O Regresso (The Revenant)
* O Quarto de Jack (Room)
* Spotlight – Segredos Revelados (Spotlight)

DEVE GANHAR: A Grande Aposta ou O Regresso ou Spotlight
DEVERIA GANHAR: Ponte dos Espiões
ZEBRA: Brooklyn

ESNOBADO: 45 Anos

Existia uma teoria de que este ano poderíamos ter 5 ou 10 indicados, pois o sistema de votação exige que o filme deve ter pelo menos 5% de votos de 1º lugar do ano. E já que tivemos muitas boas produções, havia essa disputa que poderia proporcionar esse cenário. No final, oito filmes foram indicados a Melhor Filme. Alguns críticos, incluindo eu, levantaram a questão: Por que não preencher as demais 2 vagas?

Desde 2010, a Academia passou a oferecer 10 vagas na principal categoria, basicamente porque Batman – O Cavaleiro das Trevas foi excluído em 2009, ou seja, eles queriam indicar mais filmes de outros gêneros justamente para trazer o público mais jovem à frente da tv no dia da cerimônia. Este ano, Mad Max parece suprir essa demanda, mas seguindo essa lógica, por que não indicar também Star Wars: O Despertar da Força? Particularmente não gosto tanto do novo filme dos jedis, mas ei! É a maior bilheteria dos últimos tempos.

Enfim… Oito filmes. O que mais tem cara de Melhor Filme é Spotlight. Um drama jornalístico que cutuca a Igreja Católica por abusos de seus padres em Boston. Possui uma história verídica por trás, o que lhe confere maior credibilidade como Melhor Filme do ano, e que lembra um pouco outro filme sobre jornalistas: Todos os Homens do Presidente. É claro que o filme de Alan J. Pakula é superior ao de Tom McCarthy, mas muitos críticos levantaram essa comparação. Considero Spotlight um bom filme para conferirmos a engenharia da notícia, mas como filme (parece telefilme) e como crítica à Igreja, ficou aquém de suas pretensões.

O Regresso parece ter as maiores chances como Melhor Filme por ter praticamente garantido o Oscar de Ator para DiCaprio e Fotografia. Ao contrário da maioria dos indicados, é um filme de enormes proporções e pretensões, mas com roteiro simples. Se ganhar, será o primeiro filme a levar Melhor Filme sem ter sido indicado a Roteiro desde Titanic (1997), e o primeiríssimo a ganhar Melhor Filme do mesmo diretor (Alejandro G. Iñárritu) consecutivamente.

E A Grande Aposta é um filme que tem a leveza a seu favor mesmo abordando um assunto extremamente sério e chato: a crise econômica que assolou o mundo em 2008. Como tem grandes chances de levar Roteiro Adaptado e possivelmente Montagem, o filme de Adam McKay pode surpreender nesta categoria, ainda mais depois que levou o PGA Awards, que costuma acertar no Oscar com uma frequência assustadora.

MELHOR DIRETOR

* Adam McKay (A Grande Aposta)
* Alejandro González Iñárritu (O Regresso)
* George Miller (Mad Max: Estrada da Fúria)
* Lenny Abrahamson (O Quarto de Jack)
* Tom McCarthy (Spotlight – Segredos Revelados)

George Miller ao lado de Tom Hardy em set de Mad Max: Estrada da Fúria (photo by collider.com)

George Miller ao lado de Tom Hardy em set de Mad Max: Estrada da Fúria (photo by collider.com)

DEVE GANHAR: Alejandro G. Iñárritu (O Regresso)
DEVERIA GANHAR: George Miller (Mad Max: Estrada da Fúria)
ZEBRA: Lenny Abrahamson (O Quarto de Jack)

ESNOBADO: Steven Spielberg (Ponte dos Espiões)

Três questões podem tirar o Oscar de George Miller: 1) O lançamento de Mad Max: Estrada da Fúria em maio. Como muitos sabem, os votantes têm memória curta, por isso os candidatos ao Oscar costumam ficar entre outubro e dezembro. 2) Com a repercussão da polêmica de “falta de diversidade” de Spike Lee e Jada Pinkett Smith, a Academia pode se sentir obrigada a compensar a falta de atores negros competindo com a premiação de um latino (Alejandro G. Iñárritu). E 3) O próprio Alejandro ganhou o DGA award, que costuma ter alta porcentagem de acerto no Oscar.

É uma pena que Alejandro G. Iñárritu entrou no caminho de George Miller. Seria uma premiação bastante louvada por todos. Tirando o diretor australiano de Mad Max, o diretor mexicano Iñárritu não tem uma competição tão forte assim, o que reforça o pensamento dos votantes de não haver problemas de eleger o mesmo diretor duas vezes seguidas. Além disso, vamos convir de que seu trabalho em O Regresso tem inúmeras qualidades, especialmente nesse âmbito mais sensorial, que lembra os filmes de Terrence Malick.

Sim, pode acontecer aqui a divisão de votos e beneficiar Tom McCarthy, Adam McKay ou mesmo Lenny Abrahamson, mas acho pouco provável.

MELHOR ATOR

* Bryan Cranston (Trumbo – Lista Negra)
* Matt Damon (Perdido em Marte)
* Leonardo DiCaprio (O Regresso)
* Michael Fassbender (Steve Jobs)
* Eddie Redmayne (A Garota Dinamarquesa)

Leonardo DiCaprio em O Regresso (photo by telegraph.co.uk)

Leonardo DiCaprio em O Regresso (photo by telegraph.co.uk)

DEVE GANHAR: Leonardo DiCaprio (O Regresso)
DEVERIA GANHAR: Eddie Redmayne (A Garota Dinamarquesa)
ZEBRA: Matt Damon (Perdido em Marte)

ESNOBADO:

Se Peter O’Toole e Richard Burton pudessem ter contado com o apoio dos fãs da internet como o DiCaprio com seus trocentos memes, quem sabe eles teriam vencido em suas épocas? Leo tem incontáveis fãs ao redor do mundo, que reconhecem seu esforço para ganhar essa estatueta. Este ano, foi até visitar o Papa Francisco! Particularmente, acho que ele merecia mais pela performance em O Lobo de Wall Street, mas acredito que o ator está progredindo nessa parte do exagero que mais critico a seu respeito. O papel de Hugh Glass também ajuda, já que seu personagem é de poucas palavras.

Honestamente falando, não vi nenhum ator este ano que eu defendesse ferrenhamente. Mas acredito que o que mais se aproximou disso foi Eddie Redmayne. E não me refiro apenas à sua transformação para transsexual em A Garota Dinamarquesa, uma vez que ele também já havia impressionado em A Teoria de Tudo, mas pela atuação mesmo. Ele consegue demonstrar de forma sensível o quanto Lili está perdida, indecisa e dividida entre sua mulher e quem realmente é. Nas mãos de um ator menos qualificado, provavelmente teríamos uma performance mais caricata, pois o papel permite muito isso, mas com Redmayne, o filme ganha força e motivação do início ao fim sem soar piegas.

Em segundo lugar, ficaria com Bryan Cranston em Trumbo – Lista Negra. Ele incorpora o roteirista Dalton Trumbo ao peitar o sistema hollywoodiano que caça os comunistas. Trata-se de um grande papel para um grande ator. E com essa interpretação, Cranston consegue comprovar que é muito mais do que Walter White de Breaking Bad.

MELHOR ATRIZ

* Cate Blanchett (Carol)
* Brie Larson (O Quarto de Jack)
* Jennifer Lawrence (Joy: O Nome do Sucesso)
* Charlotte Rampling (45 Anos)
* Saoirse Ronan (Brooklyn)

Charlotte Rampling em 45 Anos (photo by outnow.ch)

Charlotte Rampling em 45 Anos (photo by outnow.ch)

DEVE GANHAR: Brie Larson (O Quarto de Jack)
DEVERIA GANHAR: Charlotte Rampling (45 Anos) ou Saoirse Ronan (Brooklyn)
ZEBRA: Jennifer Lawrence (Joy: O Nome do Sucesso)

É difícil ir contra a maioria dos prêmios quando eles focam na mesma atriz. Globo de Ouro, Critics’ Choice, SAG e o Independent Spirit Awards reconheceram Brie Larson, praticamente uma unanimidade. Contudo, não considero sua atuação a melhor do ano. Larson é uma atriz empenhada, sim, mas seu papel é secundário na trama e poderia ser bem mais tridimensional, concedendo momentos mais profundos para a personagem Ma. Se ganhar, será uma forma de premiar o filme como um todo, ainda mais que o pequeno Jacob Tremblay, a jóia do filme, sequer foi indicado.

Charlotte Rampling e Saoirse Ronan nitidamente são as melhores da categoria. Aliás, se não houvesse as manobras marqueteiras, e Alicia Vikander e Rooney Mara estivessem concorrendo como Melhor Atriz (e não Coadjuvante), teríamos a melhor disputa de Atriz em décadas! Infelizmente, já existem justificativas para Rampling e Ronan perderem: a primeira teve suas chances reduzidas drasticamente depois que declarou numa rádio que o “boicote ao Oscar é racismo contra os brancos”. Sua interpretação dos fatos não é errada, mas veio em momento errado. E isso não deve passar desapercebido pelos votantes da Academia… uma pena! E quanto a Ronan, bem… aposto que muitas pensaram: “Ela é nova demais para ganhar um prêmio desses”. Ela tem 21 anos de idade, mas em Brooklyn, ela provou que tem talento de veterana! Ela foi previamente indicada como Coadjuvante por Desejo em Reparação em 2008, então, poderiam lhe conceder o Oscar nesta segunda indicação… Caso não vença, anotem o que digo: Ela ainda vai ganhar sua estatueta.

MELHOR ATOR COADJUVANTE

* Christian Bale (A Grande Aposta)
* Tom Hardy (O Regresso)
* Mark Ruffalo (Spotlight – Segredos Revelados)
* Mark Rylance (Ponte dos Espiões)
* Sylvester Stallone (Creed: Nascido Para Lutar)

Sylvester Stallone em Creed: Nascido Para Lutar (photo by cinemagia.ro)

Sylvester Stallone em Creed: Nascido Para Lutar (photo by cinemagia.ro)

DEVE GANHAR: Sylvester Stallone (Creed: Nascido Para Lutar)
DEVERIA GANHAR: Tom Hardy (O Regresso)
ZEBRA: Christian Bale (A Grande Aposta)

ESNOBADO: Jacob Tremblay (O Quarto de Jack)

É difícil não premiar um ator que concorreu pelo mesmo papel há 40 anos e agora retorna como Ator Coadjuvante. A Academia reconhece essa trajetória como a de um vencedor. Além disso, o nome de Sylvester Stallone foi o mais ovacionado no Globo e Ouro e no anúncio dos indicados ao Oscar, o que é garantia de voto popular. Aí você vai pensar: “Quando vão ter outra oportunidade de premiar Stallone com um Oscar? Nunca mais!”

Sou fã de Stallone desde criança, principalmente depois das três conchas do banheiro de O Demolidor, mas acho que a melhor performance este ano é de Tom Hardy. Só o olhar de psico dele bate muitas performances, e seu personagem ganancioso Fitzgerald que faz o filme ir pra frente.

Alguns estão apostando em Mark Ruffalo como válvula de escape caso Spotlight venha a ganhar Melhor Filme, mas sua atuação destoa dos demais. E eu, particularmente, estava aguardando uma revelação dele no final, dizendo que teria sido vítima de abuso quando criança, o que não aconteceu.

E quanto à ausência de Jacob Tremblay, muitos profissionais e críticos elogiaram a Academia por não indicar sua performance, porque tiraria o peso da responsabilidade das costas do menino. Alan Arkin fez o mesmo comentário sobre a derrota de Abigail Breslin em 2007 por Pequena Miss Sunshine. Todos temem que haja novos Macaulay Culkins ou Hayley Joel Osments.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

* Jennifer Jason Leigh (Os 8 Odiados)
* Rooney Mara (Carol)
* Rachel McAdams (Spotlight – Segredos Revelados)
* Alicia Vikander (A Garota Dinamarquesa)
* Kate Winslet (Steve Jobs)

Alicia Vikander em A Garota Dinamarquesa (photo by cine.gr)

Alicia Vikander em A Garota Dinamarquesa (photo by cine.gr)

DEVE GANHAR: Alicia Vikander (A Garota Dinamarquesa)
DEVERIA GANHAR: Alicia Vikander (A Garota Dinamarquesa)
ZEBRA: Rachel McAdams (Spotlight – Segredos Revelados)

ESNOBADAS: Kristen Stewart (Acima das Nuvens) e Marion Cotillard (Macbeth)

Não existe personagem mais adorável do que Alicia Vikander este ano em A Garota Dinamarquesa. Ok, talvez Saoirse Ronan em Brooklyn. Sua Gerda Wegener é tão compreensiva diante da transformação e perda de seu marido que leva qualquer um às lágrimas. Infelizmente, por ser um rosto novo em Hollywood (ela veio da Suécia), rebaixaram-na para a categoria de coadjuvante, sendo que seu personagem claramente é principal. Mas os fãs mais ardorosos como eu, até que não se incomodaram tanto pelo fato de ela ter maiores chances de vitória como Coadjuvante.

Em segundo lugar, ficaria com Rooney Mara (outro caso de manobra para outra categoria) e Jennifer Jason Leigh. As duas conseguem extrair o melhor das personagens com detalhes e pequenos gestos como um olhar.

E a indicação de Rachel McAdams pra mim foi a mais preguiçosa do ano, do tipo “vamos inclui-la para agradar Spotlight“. Acho que Kristen Stewart e Marion Cotillard poderiam ficar com essa vaga para haver maior competitividade na categoria, pois são trabalhos infinitamente mais consistentes.

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

* Matt Charman, Ethan Coen, Joel Coen (Ponte dos Espiões)
* Alex Garland (Ex-Machina: Instinto Artificial)
* Pete Docter, Meg LeFauve, Josh Cooley, Ronnie Del Carmen (Divertida Mente)
* Josh Singer, Tom McCarthy (Spotlight – Segredos Revelados)
* Andrea Berloff, Jonathan Herman, S. Leigh Savidge, Alan Wenkus (Straight Outta Compton: A História do N.W.A.)

Elenco de Spotlight (photo by Open Road)

Elenco de Spotlight – Segredos Revelados (photo by Open Road)

DEVE GANHAR: Spotlight – Segredos Revelados ou Straight Outta Compton: A História do N.W.A.
DEVERIA GANHAR: Ponte dos Espiões
ZEBRA: Divertida Mente

ESNOBADO: Joel Edgerton (O Presente) e Woody Allen (O Homem Irracional)

De todas as vezes que os roteiros da Pixar foram indicados na categoria (Procurando Nemo, Os Incríveis, Ratatouille e Toy Story 3), todos ganharam o Oscar de Animação, mas sempre perderam Roteiro, por isso Divertida Mente se torna a zebra aqui. Além disso, perdoem-me fãs da Pixar, considero a história fraca para sustentar um longa-metragem, assim como foi em Monstros S.A.

Embora todos elogiem bastante o roteiro de Spotlight – Segredos Revelados, vejo o possível Oscar como uma forma de reconhecer a coragem dos jornalistas por trás das denúncias de abusos sexuais, e não como qualidade de trama, construção de personagens e diálogos. De qualquer forma, é um jeito de premiar o diretor Tom McCarthy caso ele perca na categoria de Direção, já que é um co-roteirista ao lado de Josh Singer.

Votei como o melhor roteiro aqui o de Ponte dos Espiões. Além da reconstrução de uma época extremamente paranóica da Guerra Fria, ele apresenta bons diálogos entre o advogado (Tom Hanks), líderes como o juiz e os comunistas, e o espião (Mark Rylance) que se torna seu cliente. Mas acima de tudo, a característica que mais se destaca nesse roteiro é a capacidade de refletir o momento atual xenófobo numa história que se passa nos anos 50/60, passando-nos a mensagem de que pouca coisa mudou de lá pra cá, mas que a Constituição deve ser nossa base para uma sociedade melhor.

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

* Charles Randolph, Adam McKay (A Grande Aposta)
* Nick Hornby (Brooklyn)
* Phyllis Nagy (Carol)
* Drew Goddard (Perdido em Marte)
* Emma Donoghue (O Quarto de Jack)

Cena de vários personagens em A Grande Aposta (photo by cinemagia.ro)

Cena de A Grande Aposta (photo by cinemagia.ro)

 

DEVE GANHAR: A Grande Aposta
DEVERIA GANHAR: A Grande Aposta
ZEBRA: Brooklyn

ESNOBADO: Andrew Haigh (45 Anos), Aaron Sorkin (Steve Jobs) e Charlie Kaufman (Anomalisa)

Qual o grande mérito de um bom roteiro que se baseia num livro ou peça existentes? Fazer funcionar no filme. Manter a essência da história original e saber moldá-la no formato de cinema é basicamente a melhor qualidade para eleger o melhor desta categoria. E, na minha opinião, nenhum trabalho foi melhor do que o da dupla Charles Randolph e Adam McKay em A Grande Aposta. Além do mérito de adaptar, eles souberam “traduzir” a chatice de um livro sobre economia num filme divertido para uma grande massa. Apesar de ter seu lado didático com as inserções de celebridades explicando termos técnicos, o filme procura não subestimar a inteligência do espectador.

Embora Brooklyn tenha recebido uma indicação de Melhor Filme, a grande base do filme é a atuação de Saoirse Ronan, e em segunda instância, seu roteiro. Por mais que seja a segunda indicação do célebre escritor Nick Hornby (a primeira foi em 2010 por Educação), ainda não deve ser a vez dele no Oscar.

Não sou fã dos mais calorosos do roteiro de Aaron Sorkin, mas certamente ele tem suas qualidades e é a grande base do filme Steve Jobs ao lado de seus atores.

MELHOR FOTOGRAFIA

* Ed Lachman (Carol)
* Robert Richardson (Os 8 Odiados)
* John Seale (Mad Max: Estrada da Fúria)
* Emmanuel Lubezki (O Regresso)
* Roger Deakins (Sicario: Terra de Ninguém)

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Fotografia de Emmanuel Lubezki (O Regresso)
photo by Twentieth Century Fox Film Corporation/Regency Entertainment/ Inc. and Monarchy Enterprises S.a.r.l.

DEVE GANHAR: Emmanuel Lubezki (O Regresso)
DEVERIA GANHAR: Emmanuel Lubezki (O Regresso)
ZEBRA: Ed Lachamn (Carol)

ESNOBADO: Janusz Kaminski (Ponte dos Espiões)

Definitivamente, a categoria mais nivelada desta edição, tanto que é impossível dizer qual não tem chances de ganhar. Elegi Ed Lachamn, porque se trata de sua segunda indicação, e ele concorre com monstros como Lubezki e Deakins, e porque Carol sofreu um “rebaixamento” depois que não foi indicado a Melhor Filme e Diretor. Mas certamente é um belíssimo trabalho de fotografia em 16mm que visa destacar o lado poético do romance das protagonistas, e que adoraria ver premiado.

A fotografia de O Regresso foi uma das mais comentadas pelo preciosismo. Dois motivos, ou melhor, duas maluquices: 1) a fotografia não utiliza luzes artificiais, usufruindo apenas a luz natural. 2) aí você vai pensar: “Então vamos para um lugar onde tenha muita luz do sol!” – Não. A equipe se deslocou para lugares exóticos em que a luz era extremamente escassa. Há boatos de que havia dias em que a luz durava uma hora e meia! Se o mexicano Emmanuel Lubezki ganhar, esta será sua terceira vitória consecutiva depois de Gravidade e Birdman. É possível? Sim. Já aconteceu antes 3 vitórias consecutivas? NUNCA!

Como fã assíduo do conjunto da obra de Roger Deakins, sempre torço por ele. Acho que ele já merecia o Oscar em pelo menos 3 ocasiões: Fargo, O Homem que Não Estava Lá e 007: Operação Skyfall. O homem já tem 13 indicações sem nenhuma vitória. Até quando teremos que esperar, Academia? Place your bets.

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE

* Adam Stockhausen, Rena DeAngelo, Bernhard Henrich (Ponte dos Espiões)
* Colin Gibson, Katie Sharrock, Lisa Thompson (Mad Max: Estrada da Fúria)
* Arthur Max, Celia Bobak, Zoltán Horváth (Perdido em Marte)
* Jack Fisk, Hamish Purdy (O Regresso)
* Eve Stewart, Michael Standish (A Garota Dinamarquesa)

Direção de arte de Colin Gibson de Mad Max: Estrada da Fúria (photo by elfilm.com)

Direção de arte de Colin Gibson de Mad Max: Estrada da Fúria (photo by elfilm.com)

DEVE GANHAR: Mad Max
DEVERIA GANHAR: Mad Max
ZEBRA: A Garota Dinamarquesa

ESNOBADO: Thomas E. Sanders (A Colina Escarlate)

Primeiro, deixe eu fazer um comentário nessa categoria. Onde está a direção de arte de O Regresso? Claro, tem um forte que aparece pouco e um barquinho, mas concorrer ao Oscar? Não me levem a mal, gosto do trabalho de Jack Fisk em Sangue Negro, mas acho que aqui ele preencheu uma cota, que poderia ter ido para o caprichado cenário de A Colina Escarlate, de Guillermo del Toro. Só aquelas mansões já poderiam render o Oscar da categoria.

Os trabalhos de Ponte dos Espiões e A Garota Dinamarquesa são bons, mas são de recriações das décadas de 50 e 20, respectivamente. Ambos merecem suas indicações. Contudo, não existe melhor trabalho de design de produção do que de Mad Max: Estrada da Fúria. Ok, a maioria do filme se passa no deserto, mas todos aqueles carros e caminhões já mereciam um prêmio. A cidade desértica do vilão Immortan Joe apresenta características importantes desse universo pós-apocalíptico como as gaiolas de prisioneiros, o cativeiro das grávidas e a queda d’água que abastece a população sedenta. Se esse Oscar não for para Colin Gibson, aí eu não entendo mais nada de Oscar.

MELHOR MONTAGEM

* Hank Corwin (A Grande Aposta)
* Margaret Sixel (Mad Max: Estrada da Fúria)
* Stephen Mirrione (O Regresso)
* Tom McArdle (Spotlight – Segredos Revelados)
* MaryAnn Brandon, Mary Jo Markey (Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força)

Cena de Mad Max: Estrada da Fúria (photo by cine.gr)

Cena de Mad Max: Estrada da Fúria (photo by cine.gr)

DEVE GANHAR: Mad Max: Estrada da Fúria
DEVERIA GANHAR: A Grande Aposta
ZEBRA: Star Wars: O Despertar da Força

ESNOBADO: Joe Walker (Sicario: Terra de Ninguém)

Normalmente, os vencedores desta categoria tem uma montagem rápida, típica dos filmes de ação como Bullitt, Rocky – Um Lutador e mais recentemente, O Ultimato Bourne, então é garantido dizer que a montagem de Mad Max corre na frente. Vale lembrar que a montadora é ninguém menos do que Margaret Sixel, esposa do diretor George Miller. Então, caso ele não ganhe, pode servir também como bom prêmio de consolação. O mesmo já ocorreu em 2002, quando Baz Luhrmann ficou sentado a cerimônia inteira, enquanto sua esposa Catherine Martin levou dois Oscars por Moulin Rouge – Amor em Vermelho.

É claro que o caminho de Mad Max nesta categoria não está tão fácil assim. Se existe algo de destaque no outro grande favorito ao Oscar, A Grande Aposta, que não seja seu roteiro, é a montagem. Além da estrutura não-linear, aquelas inserções de celebridades explicando os termos econômicos para o espectador são dignas de um Oscar.

A montagem de Stephen Mirrione em O Regresso fica em terceiro, podendo sobrar votos em caso de divisão. E gostaria que a montagem de Joe Walker fosse reconhecida com uma indicação por Sicario: Terra de Ninguém. Só aquelas sequência final nos túneis subterrâneos já considero bem melhor do que Star Wars ou mesmo Spotlight.

MELHOR FIGURINO

* Sandy Powell (Carol)
* Sandy Powell (Cinderela)
* Paco Delgado (A Garota Dinamarquesa)
* Jenny Beavan (Mad Max: Estrada da Fúria)
* Jacqueline West (O Regresso)

Cena de Carol com figurino de Sandy Powell (photo by cinemagia.ro)

Cena de Carol com figurino de Sandy Powell (photo by cinemagia.ro)

DEVE GANHAR: Mad Max: Estrada da Fúria
DEVERIA GANHAR: Carol
ZEBRA: Cinderela

ESNOBADO: Kate Hawley (A Colina Escarlate)

Embora Sandy Powell seja uma das melhores figurinistas da atualidade, sua dupla indicação reduz suas chances de vitória (com a divisão de votos) e ainda tira a oportunidade de reconhecer o trabalho de outra talentosa figurinista: Kate Hawley de A Colina Escarlate, que baseou seus figurinos em pinturas. Enfim, em sua ausência, prefiro o trabalho de Powell em Carol.

Premiado pelo sindicato de figurinistas, o trabalho de Jenny Beavan por Mad Max pode ser coroado aqui. Esta é sua 10ª indicação como figurinista e pode ser seu segundo Oscar depois de vencer por Uma Janela Para o Amor em 1987. Gosto daquela espécie de armadura de Immortan Joe, mas os demais personagens apresentam figurinos mais fracos como as grávidas, que usam uns trapos.

MELHOR MAQUIAGEM E CABELO

* Mad Max: Estrada da Fúria
* The 100 Year-Old Man Who Climbed Out a Window and Disappeared
* O Regresso

Personagens maquiados de Mad Max: Estrada da Fúria (photo by cinemagia.ro)

Personagens maquiados de Mad Max: Estrada da Fúria (photo by cinemagia.ro)

DEVE GANHAR: Mad Max: Estrada da Fúria
DEVERIA GANHAR: Mad Max: Estrada da Fúria
ZEBRA: The 100 Year-Old Man Who Climbed Out a Window and Disappeared

ESNOBADO: Sr. Sherlock Holmes

Como se trata de uma explosão visual, é complicado enxergarmos onde necessariamente termina o trabalho de direção de arte, onde começa os figurinos e a maquiagem de Mad Max. Existem personagens como os lacaios de Immortan Joe que têm a maquiagem em seus corpos como figurinos. Mas certamente é o melhor trabalho de maquiagem e cabelo do ano.

Acho bacana que a Academia resolveu indicar este pequeno filme da Suécia: The 100 Year-Old Man Who Climbed Out a Window and Disappeared. E engana-se aquele que pensa que a maquiagem de envelhecimento é a única razão de estar concorrendo ao Oscar. O personagem é uma espécie de Forrest Gump velhinho, que passou por grandes momentos da História, conhecendo figuras emblemáticas como Stalin e Gorbachev, ou seja, existe maquiagem para recriar essas figuras na tela.

MELHOR TRILHA MUSICAL ORIGINAL

* Thomas Newman (Ponte dos Espiões)
* Carter Burwell (Carol)
* Jóhann Jóhannsson (Sicario: Terra de Ninguém)
* Ennio Morricone (Os 8 Odiados)
* John Williams (Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força)

KURT RUSSELL and SAMUEL L. JACKSON star in THE HATEFUL EIGHT

Kurt Russell e Samuel L. Jackson em cena de Os 8 Odiados (photo by cine.gr)

DEVE GANHAR: Ennio Morricone (Os 8 Odiados)
DEVERIA GANHAR: Jóhann Jóhannsson (Sicario: Terra de Ninguém)
ZEBRA: Thomas Newman (Ponte dos Espiões)

ESNOBADO: Alexandre Desplat (A Garota Dinamarquesa) e Ryuichi Sakamoto (O Regresso)

Até alguns anos atrás, Ennio Morricone estava naquela temida lista de artistas que foram indicados ao Oscar e nunca ganharam na vida. É uma lista que a Academia vem tentando reduzir. Infelizmente, eles não podem ressuscitar Alfred Hitchcock, Stanley Kubrick ou Orson Welles, então Morricone está aqui, em sua sexta indicação. Ele concorreu com obras-primas como a trilha de A Missão e Os Intocáveis, mas nada de Oscar. Em 2007, foi agraciado com um Oscar Honorário concedido por Clint Eastwood, mas como todos sabem, não é a meeeesma coisa. Sua trilha em Os Oito Odiados teria sido uma das trilhas descartadas por John Carpenter para o clássico O Enigma do Outro Mundo (1982), mas que caiu como uma luva neste novo filme de Quentin Tarantino. É uma música-tema que levanta um ar de mistério, perfeita para o clima do western.

Os demais trabalhos são bons, especialmente o de Jóhann Jóhannsson em Sicario: Terra de Ninguém, mas acredito que ninguém bate Morricone. Thomas Newman está em sua 13ª indicação sem vitórias e deve se manter assim por pelo menos mais um ano. E o mestre John Williams, com sua trilha clássica de Star Wars, pode sequer comparecer ao evento já que já está com seus 84 aninhos.

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

* “Earned It”, de Abel Tesfaye, Ahmad Balshe, Jason Daheala Quenneville, Stephan Moccio (Cinquenta Tons de Cinza)
* “Manta Ray”, de J. Ralph, Antony Hegarty (Racing Extinction)
* “Simple Song #3”, de David Lang (Juventude)
* “Til it Happens to You”, de Diane Warren, Lady Gaga (The Hunting Ground)
* “Writing’s on the Wall”, de Jimmy Napes e Sam Smith (007 Contra Spectre)

Stephanie Sigman e Daniel Craig em cena inicial de 007 Contra Spectre (photo by cinemagia.ro)

Stephanie Sigman e Daniel Craig em cena inicial de 007 Contra Spectre (photo by cinemagia.ro)

DEVE GANHAR: “Writing’s on the Wall” ou “Til it Happens to You”
DEVERIA GANHAR: “Manta Ray”
ZEBRA: “Manta Ray”

ESNOBADO: “See You Again” (Velozes & Furiosos 7) e “Love me Like You do” (Cinquenta Tons de Cinza)

A categoria de Canção Original tem se tornado uma das mais difíceis de se prever o resultado, principalmente depois daquele ano de 2006, quando aquele funk horroroso “It’s Hard Out Here for a Pimp”, de Ritmo de um Sonho, levou o Oscar. Antigamente, bastava ter um artista famoso como Celine Dion ou ser da Disney, que já era favorito ao Oscar. Este ano, a categoria sofreu duas quedas inesperadas com a ausência de “Love me Like You” e “See You Again”, que vinham competindo em todas as listas. Mas no Globo de Ouro, a canção-tema de 007 Contra Spectre acabou ganhando. Sua concorrência mais forte vem do documentário The Hunting Ground, sobre estudantes universitárias vítimas de abuso sexual nos campus. A canção “Til it Happens to You” tem o pedigree de Lady Gaga e da grande compositora Diane Warren.

Acho que o prêmio deveria ir para “Manta Ray”. O protesto de seu compositor, Antony Hegarty, faz todo o sentido e deveria ser compensado pela injustiça de ficar de fora das apresentações.

MELHOR SOM

* Ponte dos Espiões
* Mad Max
* Perdido em Marte
* O Regresso
* Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força

Stormtroopers em ação em Star Wars: O Despertar da Força (photo by cinemagia.ro)

Stormtroopers em ação em Star Wars: O Despertar da Força (photo by cinemagia.ro)

DEVE GANHAR: Mad Max
DEVERIA GANHAR: Mad Max
ZEBRA: Ponte dos Espiões

Provavelmente um técnico de som saberia avaliar melhor o som dos filmes. São tantas minúcias que muitas vezes nem percebemos o bom trabalho de captação e edição desses sons. Normalmente, como a cartilha leiga diz, o filme mais barulhento costuma levar o Oscar. Este ano, acho que não houve filme que balançasse mais as caixas de som do que Mad Max, com aquele monte de carros se batendo, tiros e explosões. Em seguida, viria O Regresso, com tiros, cavalos trotando e flechadas.

MELHORES EFEITOS SONOROS

* Perdido em Marte
* Mad Max: Estrada da Fúria
* O Regresso
* Sicario: Terra de Ninguém
* Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força

Tempestade no início de Perdido em Marte (photo by cinemagia.ro)

Tempestade no início de Perdido em Marte (photo by cinemagia.ro)

DEVE GANHAR: O Regresso
DEVERIA GANHAR: Mad Max: Estrada da Fúria
ZEBRA: Sicario: Terra de Ninguém

Aqui o prêmio vai para o som feito nos estúdios, como a tempestade de areia em Perdido em Marte (foto) e em Mad Max. Se o Oscar for para um desses filmes ou O Regresso, será um prêmio merecido.

MELHORES EFEITOS VISUAIS

* Ex-Machina: Instinto Artificial
* Mad Max: Estrada da Fúria
* Perdido em Marte
* O Regresso
* Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força

Cena de Ex-Machina: Instinto Artificial (photo by cinemagia.ro)

Cena de Ex-Machina: Instinto Artificial (photo by cinemagia.ro)

DEVE GANHAR: Star Wars: O Despertar da Força
DEVERIA GANHAR: Mad Max: Estrada da Fúria
ZEBRA: Perdido em Marte

O novo filme de Star Wars não apresenta nenhum efeito inovador. Sabres de luz, espaçonaves e personagens feitos em computação gráfica, tudo o que já vimos na trilogia anterior. Mas o filme tem a seu favor a maior bilheteria de todos os tempos. E isso a Academia deve reconhecer com pelo menos uma estatueta. Das 5 categorias em que o filme de J.J. Abrams concorre, esta parece ser a mais viável para uma vitória. Será?

Caso não aconteça o Oscar compensatório para Star Wars, ele deve ir para Mad Max. No campo da computação gráfica, o maior feito é a tempestade de areia, mas sua grande qualidade são os efeitos práticos no set de filmagem, incluindo o trabalho árduo de dublês.

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA

* O Abraço da Serpente, de Ciro Guerra (COLÔMBIA)
* Cinco Graças, de Deniz GamzeErgüven (FRANÇA)
* Filho de Saul, de László Nemes (HUNGRIA)
* O Lobo do Deserto, de Naji Abu Nowar (JORDÂNIA)
* A War, de Tobias Lindholm (DINAMARCA)

Cena de O Filho de Saul, ainda sem previsão de estréia no Brasil (photo by cine.gr)

Cena de Filho de Saul (photo by cine.gr)

DEVE GANHAR: Filho de Saul
DEVERIA GANHAR: O Lobo do Deserto
ZEBRA: O Lobo do Deserto

ESNOBADO: A Assassina, de Hou Hsiao-Hsien (TAIWAN)

Esse prêmio é a maior mamata deste ano ao lado de Melhor Animação. O filme húngaro Filho de Saul levou todos os prêmios possíveis como Filme em Língua Estrangeira. Além disso, tem a seu favor, a grande comunidade judia votante no Oscar. Como estou saturadíssimo de filmes de temática do Holocausto, considero um filme regular, com destaque para a câmera colada no protagonista, que parece mais uma solução para driblar o baixo orçamento do que uma opção estética.

MELHOR ANIMAÇÃO

* Anomalisa (Anomalisa)
* Divertida Mente (Inside Out)
* Shaun: O Carneiro (Shaun the Sheep Movie)
* Quando Estou com Marnie (Omoide no Mânî)
* O Menino e o Mundo

Cena de Shaun: O Carneiro (photo by cine.gr)

Cena de Shaun: O Carneiro, de Mike Burton e Richard Starzak (photo by cine.gr)

DEVE GANHAR: Divertida Mente
DEVERIA GANHAR: Anomalisa ou Shaun: O Carneiro
ZEBRA: O Menino e o Mundo

ESNOBADO: Hotel Transilvânia 2

Por sua qualidade e forte personalidade visual, jamais a animação brasileira O Menino e o Mundo seria a zebra, mas por se tratar do menor concorrente aqui, ele tem as menores chances. As técnicas de desenho aplicadas lembram um pouco o belíssimo trabalho manual de O Conto da Princesa Kaguya, que disputou o mesmo Oscar ano passado, porém o diretor Alê Abreu se utiliza de colagens também, já que critica com veemência a publicidade e a sociedade consumista. A indicação para esta pequena gema da animação pode não lhe render o prêmio, mas já proporciona acréscimo de público nas salas, maior atenção do governo em relação às animações nacionais e, principalmente, gerar inspiração para futuros animadores brasileiros.

Apesar de todo o hype em volta do filme da Pixar, sendo até elogiado como um dos melhores trabalhos do estúdio, considero sua trama mais específica para um média ou curta-metragem. Alguns roteiros da Pixar têm uma criatividade incrível para bolar tramas e universos, mas peca pelo desenvolvimento da história.

Felizmente, consegui conferir todos os trabalhos indicados aqui e posso afirmar que ficaria tremendamente feliz se o Oscar fosse para Anomalisa ou Shaun: O Carneiro. O primeiro possui uma trama bastante adulta e o segundo, mais infantil, porém ambos universais. Mas o que me chama a atenção nesses dois trabalhos é a atenção minuciosa nos detalhes da própria animação. Em Anomalisa, a cena de Lisa cantando “Girls Just Wanna Have Fun” e a cena de sexo são tão excepcionais que se tornam sublimes. Em Shaun: O Carneiro, a dupla de diretores demonstra controle absoluto na expressividade de todos os personagens sem precisar de um diálogo sequer, e no caso do fazendeiro, nem mesmo olhos! Aliás, ele lembra o personagem francês de Jacques Tati, Monsieur Hulot.

MELHOR DOCUMENTÁRIO

* Amy
* Cartel Land
* O Peso do Silêncio
* What Happened, Miss Simone?
* Winter on Fire: Ukraine’s Fight for Freedom

DEVE GANHAR: Amy
DEVERIA GANHAR: O Peso do Silêncio
ZEBRA: Winter on Fire

ESNOBADO: Going Clear: Scientology and the Prison of Belief

Cena do documentário sobre a cantora Amy Winehouse, morta em 2011. (photo by cine.gr)

Cena do documentário sobre a cantora Amy Winehouse, morta em 2011. (photo by cine.gr)

O documentário Amy se deu bem em todos esses prêmios de cerimônia como o Critics’ Choice Awards e o BAFTA, enquanto O Peso do Silêncio foi o preferido dos críticos. Acho Amy um bom documentário convencional, e a popularidade da cantora falecida Amy Winehouse não deve prevalecer aqui como uma vantagem. Por O Peso do Silêncio, Joshua Oppenheimer, pode conquistar o prêmio, mas seu tema do genocídio na Indonésia não ajuda muito. Talvez o documentário da Netflix, What Happened Miss Simone? seja uma alternativa provável, ainda mais no #OscarSoWhite.

MELHOR DOCUMENTÁRIO-CURTA

* Body Team 12
* Claude Lanzmann: Spectres of the Shoah
* A Girl in the River: The Price of Forgiveness
* War Within the Walls
* Last Day of Freedom

MELHOR CURTA-METRAGEM

* Ave Maria
* Day One
* Everything Will be OK (Alles Wird Gut)
* Shok
* Stutterer

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO

* Bear Story
* We Can’t Live Without Cosmos
* Prologue
* Sanjay’s Super Team
* World of Tomorrow

Esses curtas-metragens são muitas vezes inacessíveis para o grande público. Os curtas de animação da Pixar ainda passam antes do longa nos cinemas pelo menos. Acho que a Academia poderia impôr a exibição dos indicados no YouTube por um mês.

A 88ª cerimônia do Oscar acontece hoje, dia 28 de fevereiro, e será transmitida pelo canal pago TNT. Por favor, não dêem audiência para a Globo, que prefere passar aquele lixo de Big Brother.

‘O Regresso’ conquista os prêmios principais no BAFTA 2016

Da esquerda para direita: O diretor Alejandro González Iñárritu, Tom Cruise e Leonardo DiCaprio posam com seus BAFTAs por O Regresso (photo by usatoday.com)

Da esquerda para direita: O diretor Alejandro González Iñárritu, Tom Cruise e Leonardo DiCaprio posam com seus BAFTAs por O Regresso (photo by usatoday.com)

FILME DE ALEJANDRO G. IÑÁRRITU LEVA 5 PRÊMIOS, INCLUINDO FILME E DIRETOR

Houve um tempo em que o BAFTA, o prêmio da Academia Britânica, era uma ótima alternativa para os demais prêmios da temporada até o Oscar. Nos anos 90, premiou Os Bons Companheiros, Quatro Casamentos e um Funeral, Razão e Sensibilidade e Ou Tudo ou Nada como Melhores Filmes do ano, enquanto no Oscar, ganharam prêmios menos expressivos ou foram apenas indicados. Tudo isso mudou em 2001, quando a cerimônia passou de abril para fevereiro, com o intuito de ser mais “contundente” na temporada. Acho que em termos de números, o BAFTA conseguiu seu objetivo, mas perdeu sua personalidade, ficando com mais cara de prévia do Oscar.

Portanto, nesse cenário, os resultados aqui são relevantes para quem quer ganhar no bolão da empresa! Vale lembrar, contudo, que a vitória de O Regresso e seu diretor Alejandro González Iñárritu não significa necessariamente uma garantia, já que no ano passado, a Academia Britânica preteriu Birdman para premiar Boyhood: Da Infância à Juventude. Então este BAFTA poderia ser interpretado como uma espécie de compensação pelo trabalho anterior. O mesmo aconteceu no Globo de Ouro. E o Oscar? Vai premiar dois filmes do mesmo diretor consecutivamente? Seria um marco inédito na história do prêmio.

Nesta 69ª edição, o épico de vingança levou 5 prêmios: Filme, Diretor, Fotografia, Som e Ator para Leonardo DiCaprio. Ao que tudo indica, deste ano não passa o Oscar dele e será o fim dos memes na internet! Como todo os prêmios estão reconhecendo DiCaprio, inclusive este é seu primeiro BAFTA após 4 indicações, seria um movimento errado da Academia se não fizer o mesmo. Indo no mesmo caminho, Brie Larson coleciona mais uma importante estatueta e deve seguir como única consagração de O Quarto de Jack.

Já nas categorias de coadjuvantes, Mark Rylance e Kate Winslet deram uma mudada no padrão da temporada, porém, suas vitórias podem ser consideradas “parciais”, já que não concorreram com os favoritos Sylvester Stallone e Alicia Vikander, respectivamente. Stallone não estava entre os indicados por um atraso no lançamento de Creed: Nascido Para Lutar em terras londrinas, enquanto Vikander estava disputando aqui como atriz principal por A Garota Dinamarquesa. Num ano extremamente competitivo, a atuação de Rylance foi uma das que merecia um reconhecimento desse calibre; seu papel e interpretação é fundamental para Ponte dos Espiões funcionar. Na ala feminina, prefiro o trabalho de Jennifer Jason Leigh (Os 8 Odiados) ou Rooney Mara (Carol) no lugar de Winslet por terem personagens mais profundos e tridimensionais.

Eddie Redmayne posa ao lado da vencedora de Atriz Coadjuvante Kate Winslet (Photo by Dave J Hogan/Dave J Hogan/Getty Images)

Eddie Redmayne posa ao lado da vencedora de Atriz Coadjuvante Kate Winslet (Photo by Dave J Hogan/Dave J Hogan/Getty Images)

Nas categorias mais técnicas, Mad Max: Estrada da Fúria dominou com 4 prêmios: Direção de Arte, Figurino, Maquiagem e Montagem, o que pode indicar que o filme de George Miller fique restrito a essas categorias “menores”, concretizando um possível pesadelo que os fãs previam. E o que dizer de Carol? Foi recordista de indicações ao BAFTA com nove, mas não levou nenhum! Ficou com jeitão de encheção de linguiça, ou melhor, de vaga! E é uma pena porque é um dos filmes mais belos de 2015… O outro recordista com nove foi Ponte dos Espiões, mas pelo menos levou Ator Coadjuvante. Outras produções que não levaram nada: Perdido em Marte, A Garota Dinamarquesa e Ex-Machina: Instinto Artificial.

DA CERIMÔNIA

Leonardo DiCaprio recebeu o prêmio das mãos de Tom Cruise, e agradeceu seu colega de set, Tom Hardy, pela lealdade nas filmagens e como colaborador do projeto. Também citou sua mãe por sempre encorajá-lo a seguir na carreira de ator.

Brie Larson não estava presente, então o diretor de O Quarto de Jack, Lenny Abrahamson, aceitou o prêmio em seu nome, dizendo que se trata de uma das melhores atrizes de sua geração. Ela está filmando o prequel de King Kong na Austrália, Kong: Skull Island.

Também ausente, Mark Rylance teve seu prêmio recebido por seu diretor, Steven Spielberg. Ele está atualmente em cartaz em peça da Broadway. Já Kate Winslet, que ganhou seu terceiro BAFTA, agradeceu seu companheiro de tela, Michael Fassbender: “Você nos guiou. Não sei como você fez isso.  Eu poderia assisti-lo todos os dias e ficar completamente estupefata.”

O ator Sidney Poitier foi homenageado com o BAFTA Fellowship, o maior título da Academia Britânica, mas infelizmente não pôde comparecer devido à questões de saúde. “Desculpem-me por não estar presente em Londres para esta ocasião especial, mas tenho um lugar muito especial no meu coração por sua grande cidade. Obrigad por sua calorosa recepção.” Ele foi indicado seis vezes como Melhor Ator Estrangeiro, e ganhou uma vez em 1959 por Acorrentados, um ótimo drama racial de Stanley Kramer.

Um prêmio que gostei bastante foi Melhor Filme Britânico para o encantador Brooklyn. O filme sobre a trajetória da imigrante irlandesa Eilis Lacey  para os EUA é um drama/romance tão bem feito que emociona, especialmente pela performance inspiradora de Saoirse Ronan. Pena que ela não levou o prêmio de atriz; seria um deleite.

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Melhor Filme Britânico para Brooklyn. Os apresentadores do prêmio nas pontas (Kate Winslet e Idris Elba) com (da esq para dir): Juie Walters, Domhnall Gleeson, Saoirse Ronan, John Crowley, Finola Dwyer, Amanda Posey, Nick Hornby e Eileen O’Higgins (photo by Dave Bennett/Getty Images through dailymail.co.uk)

E quanto ao vencedor do EE Rising Star, John Boyega, estrela do novo filme do Star Wars, não dá pra pôr na conta da polêmica do #OscarSoWhite, pois (teoricamente) o prêmio é votado pelo público.

Na página do BAFTA, gostei das brochuras que o artista Levente Szabó ilustrou pela Human Afert All, e resolvi postar e compartilhar por aqui:

O REGRESSO

O REGRESSO (art by Levente Szabó – BAFTA)

A GRANDE APOSTA

A GRANDE APOSTA (Art by Levente Szabó – BAFTA)

CAROL

CAROL (Art by Levente Szabó – BAFTA)

PONTE DOS ESPIÕES

PONTE DOS ESPIÕES (Art by Levente Szabó – BAFTA)

SPOTLIGHT

SPOTLIGHT (Art by Levente Szabó – BAFTA)

VENCEDORES DO 69º BAFTA AWARDS:

MELHOR FILME
O Regresso (The Revenant)

DIRETOR
Alejandro G. Iñárritu (O Regresso)

ATOR
Leonardo DiCaprio (O Regresso)

ATRIZ
Brie Larson (O Quarto de Jack)

ATOR COADJUVANTE
Mark Rylance (Ponte dos Espiões)

ATRIZ COADJUVANTE
Kate Winslet (Steve Jobs)

ROTEIRO ORIGINAL
Tom McCarthy, Josh Singer (Spotlight – Segredos Revelados)

ROTEIRO ADAPTADO
Adam McKay, Charles Randolph (A Grande Aposta)

TRILHA MUSICAL ORIGINAL
Ennio Morricone (Os 8 Odiados)

FOTOGRAFIA
Emmanuel Lubezki (O Regresso)

MONTAGEM
Margaret Sixel (Mad Max: Estrada da Fúria)

DIREÇÃO DE ARTE
Colin Gibson, Lisa Thompson (Mad Max: Estrada da Fúria)

FIGURINO
Jenny Beavan (Mad Max: Estrada da Fúria)

MAQUIAGEM
Lesley Vanderwalt, Damian Martin (Mad Max: Estrada da Fúria)

SOM
Lon Bender, Chris Duesterdiek, Martin Hernandez, Frank A. Montano, Jon Taylor, Randy Thom (O Regresso)

EFEITOS VISUAIS
Chris Corbould, Roger Guyett, Paul Kavanagh, Neal Scanlan (Star Wars: O Despertar da Força)

FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
Relatos Selvagens (Relatos Salvajes), de Damian Szifrón (Argentina)

DOCUMENTÁRIO
Amy (Amy), de Asif Kapadia, James Gay-Rees

ANIMAÇÃO
Divertida Mente, de Pete Docter

MELHOR FILME BRITÂNICO
Brooklyn (Brooklyn), de John Crowley, Finola Dwyer, Amanda Posey, Nick Hornby

MELHOR ESTRÉIA DE ROTEIRISTA, DIRETOR OU PRODUTOR BRITÂNICO
Rupert Lloyd (O Lobo do Deserto)

CURTA DE ANIMAÇÃO BRITÂNICO
Edmond, de Nina Gantz, Emilie Jouffroy

CURTA BRITÂNICO
Operator, de Caroline Bartleet, Rebecca Morgan

THE EE RISING STAR AWARD (VOTADO PELO PÚBLICO)
John Boyega

‘Spotlight’ e ‘A Grande Aposta’ vencem o WGA 2016

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Cena de Spotlight – Segredos Revelados (photo by cinemagia.ro)

FAVORITOS BATEM METADE DE SEUS CONCORRENTES AO OSCAR

Dentre os inúmeros prêmios de sindicatos, o Writers Guild of America (sindicato dos roteiristas) é o que costuma viver num universo paralelo ao Oscar. Não que seja independente ou cínico, mas por ter as regras mais rígidas, acaba excluindo vários trabalhos considerados elegíveis por outros.

Entre várias regras do regulamento está a obrigação do roteirista ser membro ou afiliado ao sindicato para concorrer, e isso elimina um dos maiores roteiristas da atualidade: Quentin Tarantino, que mesmo não sendo membro do WGA, é indicado e vence na categoria de Roteiro Original no Oscar. Como nenhum dos lados se mostra desconfortável com esse quadro, o WGA permanece firme e forte com suas convicções. Talvez por essa desunião que a categoria seja uma das mais frequentes grevistas dos últimos anos.

Nesta 68ª edição, no entanto, os favoritos nas categorias do Oscar não só eram elegíveis, como também venceram: Spotlight – Segredos Revelados e A Grande Aposta ganharam como Roteiro Original e Roteiro Adaptado, respectivamente. Os vencedores, votados por mais de 12 mil membros, foram anunciados em cerimônia que ocorreu nesse último dia 13 de fevereiro.

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Josh Singer aceita o prêmio de Roteiro Original do WGA por Spotlight – Segredos Revelados (photo by latimes.com)

O drama jornalístico Spotlight bateu seus concorrentes ao Oscar: Ponte dos Espiões e Straight Outta Compton: A História do N.W.A., além de Sicario: Terra de Ninguém e a comédia Descompensada. Já a comédia sobre a crise financeira de 2008, A Grande Aposta, venceu os indicados ao Oscar Carol e Perdido em Marte, além de Steve Jobs e Trumbo – Lista Negra.

Em discurso, Adam McCarthy agradeceu a produtora Open Road “por nos deixar fazer o filme que queríamos” e citou a tragédia de “milhares que perderam suas casas e milhares que perderam seus empregos”, enquanto Josh Singer agradeceu à colunista do jornal Boston Globe, Ellen McNamara, por ser a primeira a escrever sobre os escândalos de abuso e do sobrevivente dos abusos Phil Saviano, que estava presente no evento.

68th Annual Writers Guild Awards, show, West Coast Ceremony, Los Angeles, America - 13 Feb 2016

Adam McKay posa com seu WGA award por Roteiro Adaptado por A Grande Aposta. (photo by Rob Latour/Variety/REX/Shutterstock)

 

Mesmo com essas exclusões devido ao regulamento, o WGA ainda consegue ser um bom parâmetro em relação ao Oscar. Nos últimos 21 anos, foram 15 acertos na categoria de Roteiro Adaptado, e 13 de Roteiro Original. No ano passado, O Jogo da Imitação venceu o WGA de Roteiro Adaptado e o Oscar, enquanto O Grande Hotel Budapeste ficou apenas com o WGA de Roteiro Original, sendo derrotado em seguida no Oscar por Birdman, cujo roteiro não era elegível pela Academia por seus roteiristas não serem afiliados ao WGA.

Pela categoria de Roteiro de Documentário, Alex Gibney levou o prêmio por Going Clear: Scientology and the Prison of Belief. Ele dedicou o prêmio “às pessoas dispostas a se pronunciar contra os abusos dos direitos humanos”, incluindo Paul Haggis (diretor de Crash – No Limite), membro do WGA e ex-cientologista. A vitória de Gibney, infelizmente, nada significa para a corrida ao Oscar, já que sequer foi indicado.

Pelos trabalhos televisivos, Mad Men, Veep e Mr. Robot foram os grandes vencedores, além da aclamada minissérie Fargo. E o prêmio Screen Laurel pelo conjunto da obra foi para Elaine May, conhecida pelos roteiros de O Céu Pode Esperar (1987), Tootsie (1982) e Segredos do Poder (1998).

Seguem os vencedores do 68º Writers Guild of America:

CINEMA

ROTEIRO ORIGINAL
• “Spotlight,” Written by Josh Singer & Tom McCarthy; Open Road Films

ROTERIO ADAPTADO
• “The Big Short,” Screenplay by Charles Randolph and Adam McKay; Based on the Book by Michael Lewis; Paramount Pictures

ROTEIRO DE DOCUMENTÁRIO
“Going Clear: Scientology and the Prison of Belief,” Written by Alex Gibney; HBO Documentary Films 

TELEVISÃO E NOVAS MÍDIAS

SÉRIE DE DRAMA
• “Mad Men,” Written by Lisa Albert, Semi Chellas, Jonathan Igla, Janet Leahy, Erin Levy, Tom Smuts, Robert Towne, Matthew Weiner, Carly Wray; AMC 

SÉRIE DE COMÉDIA
• “Veep,” Written by Simon Blackwell, Jon Brown, Kevin Cecil, Roger Drew, Peter Fellows, Neil Gibbons, Rob Gibbons, Sean Gray, Callie Hersheway, Armando Iannucci, Sean Love, Ian Martin, Georgia Pritchett, David Quantick, Andy Riley, Tony Roche, Will Smith; HBO

NOVA SÉRIE
• “Mr. Robot,” Written by Kyle Bradstreet, Kate Erickson, Sam Esmail, David Iserson, Randolph Leon, Adam Penn, Matt Pyken; USA 

LONG FORM ORIGINAL
• “Saints & Strangers,” Written by Seth Fisher, Walon Green, Chip Johannessen, Eric Overmyer; National Geographic Channel 

LONG FORM ADAPTED
• “Fargo,” Written by Steve Blackman, Bob DeLaurentis, Noah Hawley, Ben Nedivi, Matt Wolpert, Based on the film Fargo; FX 

SHORT FORM NEW MEDIA – ORIGINAL
• “Back to Reality” (Weight), Written by Daryn Strauss; weighttheseries.com

SHORT FORM NEW MEDIA – ADAPTED
• “Chapter Two: Phoebe” (Heroes Reborn: Dark Matters), Written by Zach Craley; nbc.com

ANIMAÇÃO
• “Housetrap” (Bob’s Burgers), Written by Dan Fybel; Fox 

EPISODIC DRAMA
• “Uno” (Better Call Saul), Written by Vince Gilligan & Peter Gould; AMC

EPISODIC COMEDY
“Sand Hill Shuffle” (Silicon Valley), Written by Clay Tarver; HBO

COMEDY / VARIETY (INCLUDING TALK) – SERIES
• “Real Time with Bill Maher,” Writers: Scott Carter, Adam Felber, Matt Gunn, Brian Jacobsmeyer, Jay Jaroch, Chris Kelly, Bill Maher, Billy Martin, Danny Vermont; HBO  

COMEDY / VARIETY – SKETCH SERIES
• “Inside Amy Schumer,” Head Writer: Jessi Klein Writers: Hallie Cantor, Kim Caramele, Kyle Dunnigan, Jon Glaser, Kurt Metzger, Christine Nangle, Dan Powell, Tami Sagher, Amy Schumer; Comedy Central 

COMEDY / VARIETY – MUSIC, AWARDS, TRIBUTES – SPECIALS
• Jimmy Kimmel Live: 10th Annual After The Oscars Special, Written by Jack Allison, Tony Barbieri, Jonathan Bines, Joelle Boucai, Greg Dorris, Gary Greenberg, Josh Halloway, Sal Iacono, Eric Immerman, Jimmy Kimmel, Bess Kalb, Jeff Loveness, Molly McNearney, Danny Ricker, Joe Strazzullo, Bridger Winegar; ABC  

QUIZ AND AUDIENCE PARTICIPATION
• “Hollywood Game Night,” Head Writer: Grant Taylor; Writers: Michael Agbabian, Alex Chauvin, Ann Slichter, Dwight D. Smith; NBC 

DAYTIME DRAMA
• “General Hospital,” Writers: Ron Carlivati, Anna Theresa Cascio, Andrea Archer Compton, Suzanne Flynn, Kate Hall, Elizabeth Korte, Daniel James O’Connor, Elizabeth Page, Jean Passanante, Katherine Schock, Scott Sickles, Chris Van Etten; ABC

CHILDREN’S SCRIPT – EPISODIC AND SPECIALS
“Gortimer, Ranger and Mel vs. The Endless Night” (Gortimer Gibbon’s Life on Normal Street), Written by Gretchen Enders & Aminta Goyel; Amazon Studios  

CHILDREN’S SCRIPT – LONG FORM OR SPECIAL
“Descendants,” Written by Josann McGibbon & Sara Parriott; Disney Channel  

DOCUMENTARY SCRIPT – CURRENT EVENTS
• “American Terrorist” (Frontline), Written by Thomas Jennings; PBS  

DOCUMENTARY SCRIPT – OTHER THAN CURRENT EVENTS
• “The Great Math Mystery” (Nova), Written by Daniel McCabe; PBS  

TV NEWS SCRIPT – REGULARLY SCHEDULED, BULLETIN, OR BREAKING REPORT
  “Cuba” (60 Minutes), Written by Scott Pelley, Nicole Young, Oriana Zill de Granados, Andy Court and Robert Anderson; CBS News  WINNER

TV NEWS SCRIPT – ANALYSIS, FEATURE, OR COMMENTARY
• “The Storm After the Storm” (60 Minutes), Written by Sharyn Alfonsi, Michael Rey and Oriana Zill de Granados; CBS News 

RÁDIO

RADIO DOCUMENTARY
• “Marking the End of Vietnam: 40 Years Later,” Written by Andrew Evans; ABC News Radio

RADIO NEWS SCRIPT—REGULARLY SCHEDULED, BULLETIN, OR BREAKING REPORT
• “Remembering New York Icons,” Written by Thomas A. Sabella; CBS Radio News

RADIO NEWS SCRIPT – ANALYSIS, FEATURE, OR COMMENTARY
• “Passages,” Written by Gail Lee; CBS Radio News

PROMOCIONAIS

ON-AIR PROMOTION (TELEVISION, NEW MEDIA OR RADIO)
• “The McCarthys and Under the Dome Promos,” Written by Erial Tompkins; CBS

VIDEOGAME

OUTSTANDING ACHIEVEMENT IN VIDEOGAME WRITING
• Rise of the Tomb Raider, Lead Narrative Designer John Stafford; Narrative Designer Cameron Suey; Lead Writer Rhianna Pratchett; Additional Writer Philip Gelatt; Microsoft

Alejandro G. Iñárritu conquista seu segundo DGA consecutivo por ‘O Regresso’

Alejandro G. Iñárritu (centro) recebe seu segundo DGA award das mãos de Tom Hooper (direita) e o presidente do DGA Paris Barclay (esquerda). Photo by dga.com

Alejandro G. Iñárritu (centro) recebe seu segundo DGA award das mãos de Tom Hooper (direita) e o presidente do DGA Paris Barclay (esquerda). Photo by dga.org

É O PRIMEIRO CASO DE VITÓRIAS CONSECUTIVAS EM 68 ANOS DO PRÊMIO

Apesar de todo o hype sobre George Miller, foi o mexicano Alejandro G. Iñárritu que acabou levando o prestigioso prêmio do sindicato de diretores, o que o coloca como front-runner na corrida pelo Oscar. Ele bateu os também indicados ao Oscar: Tom McCarthy, Adam McKay e George Miller; além de Ridley Scott, que ficou de fora do prêmio da Academia.

Como em 67 anos, apenas em 7 ocasiões o vencedor do DGA não ganhou o Oscar, tudo indica que Alejandro G. Iñárritu repetirá o feito. E caso isso se confirme, ele será apenas o terceiro diretor a vencer o Oscar de direção por dois anos consecutivos, após Joseph L. Mankiewicz (em 1949 por Quem é o Infiel? e 1950 por A Malvada) e o mestre John Ford (em 1941 por As Vinhas da Ira e 1942 por Como Era Verde o Meu Vale). Além disso, ele entra no seleto grupo de diretores com dois DGAs: Ang Lee, Francis Ford Coppola, Clint Eastwood, George Stevens, David Lean, Ron Howard  e o já citado Joseph Mankiewicz. Steven Spielberg é o único com três DGAs.

Bastante emocionado, Iñárritu chorou ao discursar: “Nunca esperei ganhar este prêmio, de verdade. Estou paralisado. Homens durões não choram, foi o que Ridley Scott disse hoje.” – Ele citou o pai, falecido há dois anos, que acreditava que o prêmio reconhecia sua terra natal, o México, e aproveitou para cutucar o candidato republicano à presidência dos EUA, Donald Trump: “O poder deste país é a diversidade. Construir um muro (entre os EUA e o México) seria trair isso.” – Realmente, o que seriam dos EUA se não fossem os mexicanos e os zilhões de estrangeiros? O mesmo ocorre aqui no Brasil, cuja população é a miscigenação.

Leonardo DiCaprio recebe direções de Alejandro G. Iñárritu em set de O Regresso (photo by variety.com)

Leonardo DiCaprio recebe direções de Alejandro G. Iñárritu em set de O Regresso (photo by variety.com)

Assim como ocorre em Mad Max: Estrada da Fúria, a direção de Iñárritu busca proporcionar uma experiência sensorial acima de qualquer coisa, algo que deve se tornar uma tendência nos próximos anos. Esse tipo de experiência foi bem explorada pelo cineasta Terrence Malick em filmes como A Árvore da Vida, no qual o espectador se afunda numa maré de imagens belíssimas. Curiosamente, O Regresso tem em sua equipe o mesmo diretor de fotografia de Malick, Emmanuel Lubezki.

Por isso, em minha humilde opinião, acredito que por questão de detalhes, Alejandro González Iñárritu venceu George Miller, como por exemplo o fato de O Regresso ter estreado bem no final do ano, deixando o filme bem vivo na memória dos votantes, do que em relação a Mad Max: Estrada da Fúria, que esteve em cartaz no primeiro semestre de 2015.

E, alguns podem até me criticar por isso, mas o fato de Iñárritu ser latino pode ter lhe favorecido em tempos de pós-críticas racistas de falta de diversidade, o que pode se repetir no Oscar, onde, afinal, não há atores negros indicados. O fato da Academia estar sob pressão pode resultar em compensações em outras categorias. Enfim, independente da polêmica, é um prêmio merecido, que poderia também ter ido para George Miller.

Com essa vitória, O Regresso definitivamente entra na disputa por Melhor Filme no Oscar ao lado de A Grande Aposta (que levou o PGA Award) e Spotlight – Segredos Revelados (que levou o SAG e o Critics’ Choice). Outro fato curioso que é a primeira vez na história que esses prêmios de sindicatos (DGA, PGA e SAG) reconhecem três filmes distintos. Quem sabe o BAFTA, que acontece no próximo dia 14 de fevereiro, não consegue desequilibrar um pouco essa briga?

Pela categoria inédita de Diretor Estreante, Alex Garland levou o primeiro prêmio por Ex-Machina: Instinto Artificial, batendo o brasileiro Fernando Coimbra por O Lobo Atrás da Porta. Embora considere Ex-Machina um pouco maçante e óbvio, vejo bons conceitos de ficção científica e uma ótimo apuro visual minimalista.

Alex Garland com seu DGA de diretor estreante por Ex-Machina: Instinto Artificial (photo by smp.se)

VENCEDORES DO 68º DGA:

CINEMA

DIRETOR
Alejandro Gonzalez Inarritu – O Regresso

DOCUMENTÁRIO
Matthew Heineman – Cartel Land 

DIRETOR ESTREANTE
Alex Garland – Ex-Machina: Instinto Artificial

 

TELEVISÃO

SÉRIE DRAMÁTICA
David Nutter – Game of Thrones, Mother’s Mercy 

SÉRIE DE COMÉDIA
Chris Addison – Veep, Election Night

TELEFILME E MINISSÉRIES
Dee Rees – Bessie

VARIEDADE/TALK-SHOW/NOTÍCIAS/ESPORTES – REGULARES
Dave Diomedi – The Tonight Show Starring Jimmy Fallon, episode #325

VARIEDADE/TALK-SHOW/NOTÍCIAS/ESPORTES – ESPECIAIS
Don Roy King – Saturday Night Live 40th Anniversary Special  

REALITY SHOWS
Adam Vetri – Steve Austin’s Broken Skull challenge, Gods of War

PROGRAMAS INFANTIS
Kenny Ortega – Descendants

COMERCIAIS
Andreas Nilsson, Biscuit Filmworks