Depois de Lúcia (Después de Lucía), de Michel Franco (2012)

Pôster original de Depois de Lúcia, de Michel Franco

Pôster original de Depois de Lúcia, de Michel Franco

Segundo filme de Michel Franco descrê na Educação

Qual seria a função do cinema? Muitos responderiam “entretenimento” e não estariam de todo errados. O cinema de hoje é fruto do boom blockbusteriano originado em 1975 com o sucesso de Tubarão, de Steven Spielberg. Antes disso, cinema era visto (apenas) como Sétima Arte, permeado por cineastas consagrados como Jean-Luc Godard, Michelangelo Antonioni, Federico Fellini e Jean Renoir. Nesses tempos, os filmes eram um dos melhores meios de analisarmos a sociedade e este é o motivo desses mesmos filmes continuarem sendo atemporais.

Hoje, a regra virou exceção. Quando encontramos um filme em cartaz que esteja disposto a colocar uma luz sobre os problemas da sociedade, deveria ser um convite irrecusável em meio a tantas produções vazias. Contudo, o mercado cinematográfico nacional, tendo em mãos as estatísticas e estudos da preferência do público brasileiro, parece não se importar com o poder crítico do cinema, uma vez que o filme mexicano Depois de Lúcia estreou nesse dia 22 de março em apenas três (três!) salas em São Paulo, o maior pólo cultural do país: Cine Sabesp, Espaço Itaú de Cinema – Frei Caneca e Reserva Cultural.

Claro que o segundo longa de Michel Franco não se encaixa nos moldes de sucesso, mesmo que alternativos, pois sequer tem nomes famosos. A única publicidade que poderia atrair mais espectadores seria o prêmio Un Certain Regard (Um Certo Olhar) recebido no último Festival de Cannes. Mas para quem resolver dar uma chance ao filme, descobrirá qualidades de observação da sociedade mexicana e os problemas educacionais enfrentados em escolas de todo o mundo.

Da esquerda para a direita: Os atores Hernan Mendoza e Tessa Ia ao lado do diretor Michel Franco no Festival de Cannes (photo by www.cinemagia.ro)

Da esquerda para a direita: Os atores Hernan Mendoza e Tessa Ia ao lado do diretor Michel Franco no Festival de Cannes (photo by http://www.cinemagia.ro)

Depois de Lúcia começa com a mudança de cidade, da costa do Pacífico (Puerto) para a Cidade do México, do chef de cozinha Roberto e sua filha adolescente Alejandra. Apesar de haver poucas explanações, a Lúcia do título é a mãe da família, morta recentemente em um acidente automobilístico, e isso basta para situar o espectador da situação de luto dos personagens. A jovem Alejandra mantém um relacionamento de cumplicidade com o pai, mas não há diálogo suficiente sobre como lidar com problemas da nova vida. Inicialmente aceita por um grupo de amigos da escola, ela acaba cometendo um deslize comum nessa idade. Porém, sem querer importunar o pai nesse momento delicado, ela resolve enfrentar calada a tortura física e psicológica que seus colegas de classe impõem nesse julgamento moral.

Obviamente, não há nada muito novo nesse tema tão na moda como o bullying, mas a abordagem de Franco deixa o público atônito com a realidade cruel do universo de filhos e alunos de hoje enquanto o mantém de mãos atadas sem qualquer poder de reação diante das imagens. Sem poder contar com o amparo das forças policiais e da política, o diretor faz com que o espectador se sinta inútil e ausente perante a decadência dos jovens de hoje. Já na tela, o pai de Alejandra, Roberto, até clama por justiça, mas não vê outro meio de fazer algo de concreto pela filha a não ser se despir dos pudores morais.

A atriz Tessa Ia dá vida à personagem Alejandra numa jornada de martírio silencioso (photo by OutNow.CH)

A atriz Tessa Ia dá vida à personagem Alejandra numa jornada de martírio silencioso (photo by OutNow.CH)

Apesar do cinema fazer algumas alterações ou mesmo exagerar em algumas situações para comprovar seu ponto de vista, este filme busca ser apenas um retrato fiel da sociedade mexicana atual. Num artigo do escritor David Toscana, publicado no Estado de S. Paulo no dia 11 de março de 2013, intitulado “O México parou de ler”, temos um relato chocante sobre a ineficiência do sistema educacional mexicano. Toscana afirma que, embora haja mais crianças matriculadas hoje, elas aprendem menos. Cita também a recente pesquisa de avaliação de hábitos de leitura feita pela Unesco com 108 países, na qual o México caiu para a vergonhosa penúltima colocação. As crianças mexicanas estão saindo das escolas praticamente como analfabetas.

Infelizmente, muito desse estudo se reflete no Brasil. Nessa semana, o MEC proibiu a criação de novos cursos de Direito simplesmente porque o nível de aprovação no exame da Ordem de Advogados do Brasil (OAB) era baixíssimo. O índice de reprovação foi de 93%! E o que dizer do último ENEM? Dois candidatos resolveram brincar na redação sobre imigração ao inserirem uma receita de miojo e trecho do hino do clube de futebol Palmeiras, conseguindo ainda pontuação média. Apesar da atitude ridícula dos estudantes, impressiona o método de avaliação aplicado. Vale ainda lembrar que há mais de um ano vemos nos noticiários mortes e acidentes graves causados por erros gritantes de enfermeiros e auxiliares de enfermagem nos hospitais públicos.

O colunista da Folha de S. Paulo, José Simão, até brincou com a situação degradante do ensino. “… enquanto aluno do Enem dá receita de Miojo, (Aloizio Mercadante – Ministro da Educação) se regala com macarronada em Roma (paparicando o novo Papa ao lado da Dilma)”. Enquanto não houver “A” reforma educacional, o Brasil permanecerá sendo mero candidato a país do futuro.

Atitudes infantis no ENEM desmascaram sistema de avaliação falho (foto por castrodigital.com.br)

Atitudes infantis no ENEM desmascaram sistema de avaliação falho (foto por castrodigital.com.br)

Claro que não se trata apenas da educação como formação acadêmica. Depois de Lúcia procura resgatar a educação politicamente incorreta que havia algumas décadas atrás, quando pais e professores aplicavam disciplina com rigor. Havia uma espécie de permissão dos pais para que castigos físicos pudessem fazer parte do método de ensino. Hoje, esse mesmo método é visto com maus olhos porque a sociedade acredita que punições físicas são coisas ultrapassadas e inadequadas, porém, tinha um objetivo muito definido: dignidade e respeito ao próximo. Muitos professores brasileiros que atuam no sistema público votariam a favor da volta da palmatória. Provavelmente, se a boa e velha palmatória permanecesse nos manuais escolares, hoje haveria menos Alejandras.

Depois de Lúcia, ou como os americanos dizem After Lucia, foi nomeado o representante do México na disputa pelo Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, mas como o número de indicados permanece cinco, e o longa apresenta sequências violentas, acabou ficando de fora. Felizmente estreou por aqui, mas corra esta semana para assistir antes que saia de cartaz para dar lugar a um filme vazio. E recomendo também o filme A Caça, de Thomas Vinterberg, outro tapa na cara do politicamente correto. Estreou apenas na sala Espaço Itaú de Cinema- Augusta.

AVALIAÇÃO: BOM

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Oscar 2013: Recorde de 71 filmes estrangeiros inscritos

Federico Fellini recebendo Oscar Honorário em 1993. O diretor levou quatro vezes Melhor Filme Estrangeiro para a Itália, além de doze indicações.

Uma nova marca é adicionada à história do Oscar. Setenta e um países inscreveram filmes para representá-los na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. É claro que o fato de concorrer oficialmente ao prêmio já seria um prestígio enorme, mas talvez esse aumento de participantes se deva à vitória de A Separação, de Asghar Farhadi, um filme iraniano pequeno que não pertence ao círculo de países de primeiro mundo que costuma ganhar nessa categoria.

Desde que a Academia criou a categoria internacional em 1957 (de 1948 a 1956, os filmes estrangeiros eram reconhecidos com Oscars Honorários), Itália e França são os maiores vencedores com dez e nove vitórias respectivamente. Contudo, ambos não ganham há um bom tempo. A última produção francesa a ganhar foi Indochina, de Régis Wargnier, em 1993, enquanto a Itália tem um jejum de treze anos desde que A Vida é Bela, de Roberto Benigni levou três prêmios naquele ano de 1999.

César Deve Morrer, dos irmãos Taviani: vencedor do Urso de Ouro em Berlim, representando a Itália no Oscar

E se depender do burburinho, a Itália pode voltar ao páreo com o César Deve Morrer, dos irmãos Vittorio e Paolo Taviani (sem previsão de estréia aqui). O docu-drama que mostra presidiários reais encenando a peça Júlio César, de Shakespeare, levantou polêmica e levou o Urso de Ouro no Festival de Berlim desse ano. Não tem tanta cara de Oscar pelo lado polêmico, mas seria uma excelente oportunidade da Academia resgatar grandes nomes do cinema italiano.

Intocáveis, de Olivier Nakache e Eric Toledano: sucesso comercial e boas atuações garantem uma indicação ao Oscar

Maiores chances tem a França, pois conta com o sucesso comercial Intocáveis, de Olivier Nakache e Eric Toledano, que já consolidou a segunda melhor posição da bilheteria francesa de todos os tempos, faturando mais de US$ 300 milhões ao redor do mundo. A comédia dramática, ainda em cartaz nos cinemas de São Paulo, conta a história verídica de um aristocrata que ficou quadriplégico e contratou um jovem incomum para seus cuidados. Seu sucesso de público se deve à química dos atores principais, François Cluzet e Omar Sy, e pelo roteiro que explora muito bem as diferenças culturais dos dois personagens.

Amour, de Michael Haneke: diretor austríaco (à esq) dirige os veteranos Emmanuelle Riva e Jean-Louis Trintignant. A Palma de Ouro lhe deu a merecida notoriedade.

Entretanto, os franceses têm dura competição com o representante da Áustria: o drama Amour, de Michael Haneke, uma vez que arrebatou a última Palma de Ouro em Cannes e conta ainda com uma ótima dupla de atores, o casal Jean-Louis Trintignant e Emmanuelle Riva, ambos cotados para indicações nas categorias de atuação. Conta a favor também o fato de Michael Haneke ter a segunda chance na categoria depois que perdeu em 2010 pelo forte drama A Fita Branca, quando concorria pela Alemanha.

Em termos de favoritismo, parece claro que os três filmes citados acima estão com maiores chances. Porém, como se trata de uma categoria bastante imprevisível às vezes, vale a pena ressaltar alguns trabalhos bem comentados até o momento pela mídia e que não são necessariamente do mainstream, como é o caso do romeno Beyond the Hills, de Cristian Mungiu. Foi graças ao diretor que o cinema da Romênia voltou ao cenário internacional em 2007, quando seu filme anterior, o drama 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias foi reconhecido pela Palma de Ouro. O fato de Beyond the Hills ter saído com dois prêmios de Cannes esse ano: Melhor Atriz (recebido pela dupla de protagonistas Cosmina Stratan e Cristina Flutur) e Melhor Roteiro (Cristian Mungiu) certamente colabora na campanha, mas por se tratar de temática religiosa e sobrenatural envolvendo exorcismo verídico, os votantes velhinhos podem molhar suas fraldas geriátricas e nem terminar de ver o filme até o fim.

Beyond the Hills, de Cristian Mungiu: exorcismo na Academia? Só se for pra compensar O Exorcista (1973).

O mesmo asco deve acontecer entre os votantes ao ver o filme sul-coreano Pietá, de Kim Ki-duk, pois contém violência (apenas alguns membros decepados) e cenas de incesto (coisa mais light hoje em dia). Apesar de ter levado o Leão de Ouro em Veneza, as chances do filme ficar entre os cinco finalistas são as mesmas do mundo acabar em 2012.

Outros concorrentes apresentam alguns elementos que podem facilitar a indicação. No caso do israelense Fill the Void, o prêmio Volpi Cup de Melhor Atriz para Hadas Yaron seria um bom adendo, mas convenhamos que a maioria vontante judia também dá uma forcinha. Já o dinamarquês A Royal Affair, de Nikolaj Arcel, que ganhou Melhor Ator e Melhor Roteiro em Berlim, ganha pontos pela produção caprichada de filme de época, com figurinos e direção de arte vistosos, contando com Mads Mikkelsen, ator em ascensão internacional.

A Suécia pode conseguir grande ajuda pelo peso do nome Lasse Hallström. O diretor chegou a ser indicado ao Oscar de Melhor Diretor e Melhor Roteiro Adaptado pelo drama sueco Minha Vida de Cachorro em 1988 e novamente como Melhor Diretor pelo meloso Regras da Vida em 2000. Lasse Hallström conseguiu comandar bons projetos em Hollywood, resultando em Gilbert Grape – Aprendiz de um Sonhador (1993), Chocolate (2000), Chegadas e Partidas (2001), Sempre ao seu Lado (2009) e mais recentemente o drama baseado no best-seller de Nicholas Sparks, Querido John (2010). Ele pode voltar a competir com The Hypnotist, adaptação literária homônima da obra de Lars Kepler.

The Hypnotist, de Lasse Hallström. O diretor retorna à gélida Suécia e volta a ter boas chances no Oscar.

Se forçar um pouco a barra, dá pra incluir na briga o musical no melhor estilo Bollywood, Barfi!. A última indicação da Índia aconteceu em 2002 com outro musical Lagaan – Era Uma Vez na Índia, de Ashutosh Gowariker. Quem sabe não sai uma dobradinha musical com uma possível vitória de Les Miserábles, de Tom Hooper? OK, já seria muita ilusão de minha parte…

E o que dizer da primeira participação da Quênia no Oscar? Eles selecionaram o drama Nairobi Half Life, de David ‘Tosh’ Gitonga. Obviamente, trata-se de uma produção de baixo orçamento que acompanha a trajetória de um jovem aspirante a ator que se muda para a cidade grande (Nairobi) a fim de tentar a sorte na carreira. Talvez o filme tenha baixa qualidade técnica pelas dificuldades do país, mas se mandaram bem no lado emotivo da história, por que não teria chances reais? Se uma coisa eu aprendi nesses anos acompanhando o Oscar foi que a categoria de Filme Estrangeiro privilegia a boa e velha catarse. Histórias que mexem com elementos de superação são os favoritos.

Nairobi Half Life, de David ‘Tosh’ Gitonga: Primeiríssima participação do Quênia no Oscar. Motivo de orgulho e torcida.

E o Brasil? Quando vem o bendito primeiro Oscar para o nosso país? Teria O Palhaço, de Selton Mello, boas chances de ficar entre os finalistas? Particularmente, gostei da escolha entre os filmes nacionais, pois mostra um Brasil diferente dos últimos retratos de Cidade de Deus (2002) e Tropa de Elite (2007). Como já afirmei antes, a categoria diverge das demais em termos de votação. Já tentamos ganhar com Walter Salles (Central do Brasil) e Fernando Meirelles (Cidade de Deus) pelo prestígio internacional. Já apelamos pelos gostos dos votantes com Olga (2004), de Jayme Monjardim, e O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias (2006), de Cao Hamburger. Nada. Então, mesmo que O Palhaço sequer figure entre os finalistas, pelo menos estamos tentando com novas perspectivas. O filme possui temática universal do circo, boas atuações e qualidades técnicas como fotografia e trilha. Quem sabe?

Vale lembrar que lista dos 71 filmes que participam da maratona do Oscar poderia ser de 72 filmes. O governo (patético) do Irã resolveu chamar a atenção da mídia ao cancelar a participação do país no Oscar como forma de protesto pelo vídeo (ainda mais patético) Inocência dos Muçulmanos, que o Youtube foi obrigado a retirar do ar por ordem do governo brasileiro (muito mais patético) que mesmo tendo mais de vinte anos de ditadura na História, ainda não aprendeu que censura é uma atitude desprezível que vai contra a liberdade que foi conquistada com muito suor e sangue. Azar também do pobre filme iraniano A Cube of Sugar, de Seyyed Reza Mir-Karimi, que teve que pagar o pato com essa história ridícula de boicote…
Segue lista completa em ordem alfabética:

Afeganistão: The Patience Stone, de Atiq Rahimi

África do Sul: Little One, de Darrell James Roodt
Albânia: Pharmakon, de Joni Shanaj

Alemanha: Barbara, de Christian Petzold
Argélia: Zabana!, de Said Ould Khelifa
Argentina: Clandestine Childhood, de Benjamín Ávila
Armênia: If Only Everyone, de Natalia Belyauskene
Austrália: Lore, de Cate Shortland
Áustria: Amour, de Michael Haneke
Azerbaijão: Buta, de Ilgar Najaf
Bangladesh: Pleasure Boy Komola, de Humayun Ahmed
Bélgica: Our Children, de Joachim Lafosse
Bósnia e Herzegovina: Children of Sarajevo, de Aida Begic
Brasil: O Palhaço, de Selton Mello
Bulgária: Sneakers, de Valeri Yordanov e Ivan Vladimirov
Camboja: Lost Loves, de Chhay Bora
Canadá: War Witch, de Kim Nguyen

Cazaquistão: Myn Bala: Warriors of the Steppe, de Akan Satayev
Chile: No, de Pablo Larraín;
China: Caught in the Web, de Chen Kaige
Colômbia: The Snitch Cartel, de Carlos Moreno

Coréia do Sul: Pieta, de Kim Ki-duk
Croácia: Vegetarian Cannibal, de Branko Schmidt
Dinamarca: A Royal Affair, de Nikolaj Arcel

Eslováquia: Made in Ash, de Iveta Grófová
Eslovênia: A Trip, de Nejc Gazvoda
Espanha: Blancanieves, de Pablo Berger
Estônia: Mushrooming, de Toomas Hussar

Filipinas: Bwakaw, de Jun Robles Lana
Finlândia: Purge, de Antti J. Jokinen
França: Intocáveis, de Olivier Nakache e Eric Toledano
Georgia: Keep Smiling, de Rusudan Chkonia
Grécia: Unfair World, de Filippos Tsitos
Greenland: Inuk, de Mike Magidson

Holanda: Kauwboy, de Boudewijn Koole
Hong Kong: Life without Principle, de Johnnie To
Hungria: Just the Wind, de Bence Fliegauf
Índia: Barfi!, de Anurag Basu
Indonésia: The Dancer, de Ifa Isfansyah

Islândia: The Deep, de Baltasar Kormákur
Israel: Fill the Void, de Rama Burshtein
Itália: Caesar Must Die, de Paolo Taviani e Vittorio Taviani
Japão: Our Homeland, de Yang Yonghi
Letônia: Gulf Stream under the Iceberg, de Yevgeny Pashkevich
Lituânia: Ramin, de Audrius Stonys
Macedônia: The Third Half, de Darko Mitrevski
Malásia: Bunohan, de Dain Iskandar Said

Marrocos: Death for Sale, de Faouzi Bensaïdi
México: After Lucia, de Michel Franco
Noruega: Kon-Tiki, de Joachim Rønning e Espen Sandberg
Palestina: When I Saw You, de Annemarie Jacir
Peru: The Bad Intentions, de Rosario García-Montero
Polônia: 80 Million, de Waldemar Krzystek
Portugal: Blood of My Blood, de João Canijo

Quênia: Nairobi Half Life, de David ‘Tosh’ Gitonga

Quirguistão: The Empty Home, de Nurbek Egen

República Dominicana: Jaque Mate, de José María Cabral

República Tcheca: In the Shadow, de David Ondrícek
Romênia: Beyond the Hills, de Cristian Mungiu
Rússia: White Tiger, de Karen Shakhnazarov
Sérvia: When Day Breaks, de Goran Paskaljevic

Singapura: Already Famous, de Michelle Chong
Suécia: The Hypnotist, de Lasse Hallström
Suíça: Sister, de Ursula Meier
Tailândia: Headshot, de Pen-ek Ratanaruang

Taiwan: Touch of the Light, de Chang Jung-Chi
Turquia: Where the Fire Burns, de Ismail Gunes
Ucrânia: The Firecrosser, de Mykhailo Illienko
Uruguai: The Delay, de Rodrigo Plá
Venezuela: Rock, Paper, Scissors, de Hernán Jabes
Vietnã: The Scent of Burning Grass, de Nguyen Huu Muoi