‘O Som ao Redor’ representará o Brasil no Oscar 2014! Confira representantes de outros países

Cena de O Som ao Redor, de Kleber Mendonça Filho

Cena de O Som ao Redor, de Kleber Mendonça Filho

Nesta sexta-feira, dia 20 de setembro, o Ministério da Cultura anunciou a escolha de O Som ao Redor, Kleber Mendonça Filho como representante do Brasil para concorrer a uma das 5 cobiçadas vagas do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

A seleção do filme representa mais do que uma vitória para o diretor, uma vez que, no início do ano, ele abriu uma discussão contra o diretor-executivo da Globo Filmes, Cadu Rodrigues, com a seguinte declaração: “A Globo Filmes faz mal à idéia de cultura no Brasil, atrofia o conceito de diversidade no cinema brasileiro e adestra um público cada vez mais dopado para reagir a um cinema institucional e morto”. Entre os 13 derrotados, estavam três produções da Globo Filmes: Faroeste Caboclo, Gonzaga: De Pai para Filho e O Tempo e o Vento.

Confira os 14 filmes que participaram da votação:

Faroeste Caboclo, de Rene Sampaio: a melhor aposta da Globo Filmes perdeu

Faroeste Caboclo, de René Sampaio: a melhor aposta da Globo Filmes perdeu

1) Cine Holliúdy
2) Colegas
3) Cores
4) Elena
5) Faroeste Caboclo
6) Gonzaga: De Pai para Filho
7) Meu Pé de Laranja Lima
8) O Dia que Durou 21 Anos
9) O Que se Move
10) O Som ao Redor
11) O Tempo e o Vento
12) Porto dos Mortos
13) Uma História de Amor e Fúria
14) Xico Stokinger

Existe uma espécie de abismo entre produções caras da Globo Filmes e as várias independentes, que costumam ficar em cartaz de uma a duas semanas em São Paulo, tanto em relação ao orçamento e divulgação, quanto à qualidade fílmica. Apesar da declaração de Kléber, um crítico de cinema que estreou como diretor, ser um pouco radical, tem sua pertinência no cenário cultural do país. Como boa parte dos filmes da Globo se assemelham a telefilmes ou até novelas (tecnicamente inferior e roteiros ralos), ele quis fazer um apelo para que haja mais diversidade.

Embora não tenha uma bilheteria de sucesso, O Som ao Redor (ou Neighbouring Sounds, como é conhecido fora do país) tinha um trunfo na manga: a crítica internacional. Foi premiado na Mostra Internacional de São Paulo de 2012, no Festival de Nova York 2013, no Festival de Roterdã de 2012 e foi considerado um dos 10 melhores filmes de 2012 pelo jornal The New York Times.

Pôster internacional de O Som ao Redor (photo by www.diversita.blog.br)

Pôster internacional de O Som ao Redor (photo by http://www.diversita.blog.br)

Segundo a distribuidora, Vitrine Filmes, o longa foi lançado em onze países até o momento. No Brasil, entrou em cartaz no dia 4 de janeiro deste ano e foi assistido por 100 mil pessoas nos cinemas, número que pode se multiplicar se resolverem relançar o filme.

Além disso, trata-se de uma produção pernambucana que foge da ponte Rio-São Paulo e discute a questão da insegurança numa comunidade em Recife com a contratação de uma empresa de segurança privada. Vale a pena dar uma olhada e ver que o Cinema nacional pode surpreender com uma perspectiva diferenciada sem perder seu poder de crítica social. Confira o trailer abaixo:

“Essa indicação sempre traz mais visibilidade ao filme. É muito cedo para dizer se vai ganhar ou se chegará a ser escolhido [como um dos finalistas da categoria de melhor filme de língua estrangeira]. Eu nunca fico esperando um prêmio, mas muita coisa boa aconteceu com esse filme. Eu não descartaria essa possibilidade [de vencer o Oscar]”, disse Kleber Mendonça Filho ao jornal Folha de S. Paulo.

“Acho que ‘O Som ao Redor’ é um filme muito pessoal, relativamente pequeno, que teve uma repercussão muito grande aqui e também fora do Brasil, então eu fico tranquilo. Se acontecer, beleza. Eu achava que fosse um filme quase paroquial, local, mas foi a partir de Roterdã [o filme ganhou o prêmio da crítica internacional no festival, em 2012] que entendi que o filme parecia ter um caráter universal.”

O diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho (photo by www.posfacio.com.br)

O diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho (photo by http://www.posfacio.com.br)

Se O Som ao Redor se tornar um dos 5 finalistas, esta será a quinta indicação do Brasil na categoria de Filme Estrangeiro. As outras quatro foram em: 1999 com Central do Brasil, 1998 com O Que é Isso, Companheiro?, 1996 com O Quatrilho e em 1963 com O Pagador de Promessas.

O Brasil esteve entre os indicados também quando Cidade de Deus conquistou 4 nomeações: Melhor Diretor, Roteiro Adaptado, Montagem e Fotografia em 2004. Mesmo não se tratando de produções brasileiras, vale lembrar também o Oscar de Canção Original para Diários de Motocicleta, de Walter Salles, e Oscar de Melhor Ator para William Hurt por O Beijo da Mulher Aranha em 1986, do diretor argentino radicado no Brasil Hector Babenco.

Mas quais as chances de O Som ao Redor conquistar essa vaga? Claro que isso não dependerá apenas da qualidade do filme, mas da divulgação e da promoção em solo americano. Como já ganhou alguns prêmios, pode haver um pouco mais de facilidade para atrair o público e os votantes da Academia. Porém, vale a pena ressaltar que a concorrência está crescendo e se formando.

O representante romeno, Child’s Pose, venceu o Urso de Ouro, e o chileno Gloria foi reconhecido por alguns prêmios no último Festival de Berlim e sua atriz, Paulina García recebeu o prêmio de performance feminina. Já o mexicano Heli, rendeu o prêmio de Direção para Amat Escalante no Festival de Cannes, que também indicou o holandês Borgman para a Palma de Ouro. Aliás, uma pena: Blue is the Warmest Color, de Abdellatif Kechiche, que ganhou a Palma de Ouro esse ano não poderá representar a França por uma bobagem de data de estréia permitida no regulamento da Academia…

Outro país que perde muito devido ao regulamento arcaico da Academia de escolher apenas um representante por nação é a Espanha. Tudo bem que a comédia Amantes Passageiros teria poucas chances de figurar na lista de indicados, mas por Almodóvar ter muito prestígio na Academia (ele venceu dois Oscars), alguns consideraram sua ausência um ultraje. Além disso, ele já foi preterido na seleção pelo ótimo A Pele que Habito em 2011.

Nomes consagrados do Cinema merecem destaque: o chinês Wong Kar-Wai representará Taiwan por The Grandmaster, que abriu o Festival de Berlim. Trata-se de uma excelente oportunidade da Academia poder premiar um dos maiores diretores da atualidade (claro que levando em consideração que o filme seja bom também, e não apenas pela “grife”); o mestre polonês Andrzej Wajda volta a concorrer o prêmio por Walesa (lembrando que os votantes judeus adoram filmes poloneses); Vencedor do Oscar de Filme Estrangeiro por Terra de Ninguém em 2002, Danis Tanovic pode voltar ao tapete vermelho por An Episode in the Life of an Iron Picker; Outro diretor que tem grandes chances de retornar é o iraniano Asghar Farhadi (vencedor do Oscar por A Separação) com o filme The Past, que rendeu o prêmio de atriz para a bela Bérénice Bejo.

Meu favorito da lista até o momento é o representante da Dinamarca: A Caça (Jagten), de Thomas Vinterberg. A trama gira em torno de um professor de uma creche, que se torna vítima de uma acusação de abuso sexual infantil e tem sua vida destruída. A produção já possui um dos melhores históricos em premiações: foi indicado ao BAFTA de Melhor Filme em Língua Estrangeira, à Palma de Ouro em Cannes, de onde saiu com o prêmio de melhor ator para Mads Mikkelsen (em ótima performance).

Confira os representantes do países:

AFEGANISTÃO: Wajma (An Afghan Love Story), de Barmak Akram
ÁFRICA DO SUL: Four Corners, de Ian Gabriel
ALBÂNIA: Agon, de Robert Budina
ALEMANHA: Two Lives, de Georg Maas
ARÁBIA SAUDITA: O Sonho de Wadjda, de Haifaa Al Mansour
ARGENTINA: Wakolda, de Lucía Puenzo
AUSTRÁLIA: The Rocket, de Kim Mordaunt
ÁUSTRIA: The Wall, de Julian Polsler
AZERBAIJÃO: Steppe Man, de Shamil Aliyev
BANGLADESH: Television, de Mostofa Sarwar Farooki
BÉLGICA: Broken Circle Breakdown, de Felix Van Groeningen
BÓSNIA E HERZEGOVINA: An Episode in the Life of an Iron Picker, de Danis Tanovic
BRASIL: O Som ao Redor, de Kleber Mendonça Filho
BULGÁRIA: The Colour of the Chameleon, de Emil Hristov
CAMBOJA: The Missing Picture, de Rithy Panh
CANADÁ: Gabrielle, de Louise Archambault
CAZAQUISTÃO: The Old Man, de Ermek Tursunov
CHADE: GriGris, de Mahamat-Saleh Haroun
CHILE: Gloria, de Sebastián Lelio
CHINA: Back to 1942, de Feng Xiaogang
COLÔMBIA: La Playa DC, de Juan Andrés Arango Garcia
CORÉIA DO SUL: Juvenile Offender, de Kang Yi-kwan
CROÁCIA: Halima’s Path, de Arsen A. Ostojic
DINAMARCA: A Caça (Jagten), de Thomas Vinterberg
EGITO: Winter of Discontent, de Ibrahim El-Batout
EQUADOR: Porcelain Horse, Javier Andrade
ESLOVÁQUIA: My Dog Killer, de Mira Fornay
ESLOVÊNIA: Class Enemy, de Rok Biček
ESPANHA: 15 Years Plus a Day, de Gracia Querejeta
ESTÔNIA: Free Range, de Veiko Õunpuu
FRANÇA: Renoir, de Gilles Bourdos
FILIPINAS: Transit, de Hannah Espia
FINLÂNDIA: Disciple, de Ulrika Bengts
GEÓRGIA: In Bloom, de Nana Ekvtimishvili e Simon Gros
GRÃ-BRETANHA: Metro Manila, de Sean Ellis
GRÉCIA: Boy Eating the Bird’s Food, de Ektoras Lygizos
HOLANDA: Borgman, de Alex van Warmerdam
HONG KONG: The Grandmaster, de Wong Kar-wai
HUNGÁRIA: The Notebook, de Janosz Szasz
ÍNDIA: The Good Road, de Gyan Correa
INDONÉSIA: Sang Kiai, de Rako Prijanto
IRÃ: The Past, de Asghar Farhadi
ISLÂNDIA: Of Horses and Men, de Benedikt Erlingsson
ISRAEL: Bethlehem, de Yuval Adler
ITÁLIA: The Great Beauty, de Paolo Sorrentino
JAPÃO: The Great Passage, de Ishii Yûya
LETÔNIA: Mother I Love You, de Janis Nords
LÍBANO: Ghadi, de Amin Dora
LITUÂNIA: Conversations on Serious Topics, de Giedre Beinoriute
LUXEMBURGO: Blind Spot, de Christophe Wagner
MARROCOS: God’s Horses, de Nabil Ayouch
MÉXICO: Heli, de Amat Escalante
MOLDÁVIA: All God’s Children, de Adrian Popovici
MONTENEGRO: Bad Destiny, de Draska Djurovic
NEPAL: Soongava: Dance of the Orchids, de Subarna Thapa
NORUEGA: I Am Yours, de Iram Haq
NOVA ZELÂNDIA: White Lies, de Dana Rotberg
PALESTINA: Omar, de Hany Abu-Assad
PAQUISTÃO: Zinda Bhaag, de Meenu Gaur e Farjad Nabi
PERU: The Cleaner, de Adrian Saba
POLÔNIA: Walesa, de Andrzej Wajda
PORTUGAL: Lines of Wellington, de Valeria Sarmiento
REINO UNIDO: Metro Manila, de Sean Ellis
REPÚBLICA DOMINICANA: Who’s the Boss?, de Ronni Castillo
REPÚBLICA TCHECA: Burning Bush, de Agnieszka Holland
ROMÊNIA: Child’s Pose, de Calin Peter Netzer
RÚSSIA: Stalingrad, de Fedor Bondarchuk
SÉRVIA: Circles, de Srdan Golubovic
SINGAPURA: Ilo Ilo, de Anthony Chen
SUÉCIA: Eat Sleep Die, de Gabriela Pichler
SUÍÇA: More Than Honey, de Markus Imhoof
TAILÂNDIA: Countdown, de Nattawut Poonpiriya
TAIWAN: Soul, de Chung Mong-Hong
TURQUIA: The Butterfly’s Dream, de Yilmaz Erdogan
UCRÂNIA: Paradjanov, de Serge Avedikian e Olena Fetisova
URUGUAI: Anina, de Alfredo Soderguit
VENEZUELA: Breach in the Silence, de Luis Rodríguez e Andrés Rodríguez

O vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2013 foi o austríaco Amor, de Michael Haneke. As indicações ao Oscar 2014 serão divulgadas no dia 16 de janeiro.

Cena do representante holandês Borgman (photo by www.OutNow.CH)

Cena do representante holandês Borgman (photo by http://www.OutNow.CH)

Anúncios

Indicações ao Oscar 2012!

Jennifer Lawrence e Tom Sherak anunciam os Indicados

As indicações ao Oscar foram anunciadas esta manhã, com um ligeiro atraso. Aqui no Brasil, o anúncio foi transmitido pelo canal Globo News. Mas para quem piscou e perdeu, confira no youtube pelo canal oficial da Academia:

http://www.youtube.com/watch?v=ODy4Z2Lp_jE&feature=g-all-u&context=G22f03c4FAAAAAAAAAAA

Infelizmente, Jennifer Lawrence não contribuiu muito para os americanos acordarem melhor. Sua roupa não favoreceu muito… E o presidente da Academia, Tom Sherak, se enrolou na pronúncia do nome de Michel Hazanavicius.

MELHOR FILME (Best Motion Picture of the Year)

– O Artista (The Artist)

– Os Descendentes (The Descendants)

– Tão Forte e Tão Perto (Extremely Loud & Incredibly Close)

– Histórias Cruzadas (The Help)

– A Invenção de Hugo Cabret (Hugo)

– Meia-Noite em Paris (Midnight in Paris)

– O Homem que Mudou o Jogo (Moneyball)

– A Árvore da Vida (The Tree of Life)

– Cavalo de Guerra (War Horse)

MELHOR DIRETOR (Achievement in Directing)

– Michel Hazanavicius (O Artista)

– Alexander Payne (Os Descendentes)

– Martin Scorsese (A Invenção de Hugo Cabret)

– Woody Allen (Meia-Noite em Paris)

– Terrence Malick (A Árvore da Vida)

MELHOR ATOR (Performance by an Actor in a Leading Role)

– Demián Bichir (A Better Life)

– George Clooney (Os Descendentes)

– Jean Dujardin (O Artista)

– Gary Oldman (O Espião que Sabia Demais)

– Brad Pitt (O Homem que Mudou o Jogo)

MELHOR ATRIZ (Performance by an Actress in a Leading Role)

Glenn Close (Albert Nobbs)

– Viola Davis (Histórias Cruzadas)

– Rooney Mara (Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres)

– Meryl Streep (A Dama de Ferro)

– Michelle Williams (Sete Dias com Marilyn)

MELHOR ATOR COADJUVANTE (Performance by an Actor in a Supporting Role)

Kenneth Branagh (Sete Dias com Marilyn)

– Jonah Hill (O Homem que Mudou o Jogo)

– Nick Nolte (Guerreiro)

– Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)

– Max Von Sydow (Tão Forte e Tão Perto)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE (Performance by an Actress in a Supporting Role)

– Bérénice Bejo (O Artista)

– Jessica Chastain (Histórias Cruzadas)

– Melissa McCarthy (Missão Madrinha de Casamento)

– Janet McTeer (Albert Nobbs)

– Octavia Spencer (Histórias Cruzadas)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL (Screenplay Written Directly for the Screen)

– Michel Hazanavicius (O Artista)

– Kristen Wiig, Annie Mumolo (Missão Madrinha de Casamento)

– J. C. Chandor (Margin Call – O Dia Antes do Fim)

– Woody Allen (Meia-Noite em Paris)

– Asghar Farhadi (A Separação)

ROTEIRO ADAPTADO (Screenplay Based on Material Previously Produced or Published)

– Alexander Payne, Nat Faxon, Jim Rash (Os Descendentes)

– John Logan (A Invenção de Hugo Cabret)

– George Clooney, Grant Heslov, Beau Willimon (Tudo Pelo Poder)

– Steven Zaillian, Aaron Sorkin, Stan Chervin (O Homem que Mudou o Jogo)

– Bridget O’Connor, Peter Straughan (O Espião que Sabia Demais)

MELHOR LONGA DE ANIMAÇÃO (Best Animated Feature Film of the Year)
– Um Gato em Paris, de Alain Gagnol e Jean-Loup Felicioli
– Chico & Rita, de Fernando Trueba, Javier Mariscal
– Kung Fu Panda 2, de Jennifer Yuh
– Gato de Botas, de Chris Miller
– Rango, de Gore Verbinski
MELHOR FILME ESTRANGEIRO (Best Foreign Language Film of the Year)
– Bullhead, de Michael R. Roskan (Bélgica)
– Footnote, de Joseph Cedar (Israel)
– In Darkness, de Agnieszka Holland (Polônia)
– Monsieur Lazhar, de Philippe Falardeau (Canadá)
– A Separação, de Asghar Farhadi (Irã)
MELHOR FOTOGRAFIA (Best Achievement in Cinematography) 
– Guillaume Schiffman (O Artista)
– Jeff Cronenweth (Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres)
– Robert Richardson (A Invenção de Hugo Cabret)
– Emmanuel Lubezki (A Árvore da Vida)
– Janusz Kaminski (Cavalo de Guerra)
MELHOR MONTAGEM (Best Achievement in Editing)
– Anne-Sophie Bion, Michel Hazanavicius (O Artista)
– Kevin Tent (Os Descendentes)
– Angus Wall, Kirk Baxter (Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres)
– Thelma Schoonmaker (A Invenção de Hugo Cabret)
– Christopher Tellefsen (O Homem que Mudou o Jogo)
MELHOR DIREÇÃO DE ARTE (Best Achievement in Art Direction)
– Laurence Bennett, Robert Gould (O Artista)
– Stuart Craig, Stephenie McMillan (Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2)
– Dante Ferretti, Francesca LoSchiavo (A Invenção de Hugo Cabret)
– Anne Seibel, Hélène Dubreuil (Meia-Noite em Paris)
– Rick Carter, Lee Sandales (Cavalo de Guerra)
MELHOR FIGURINO (Best Achievement in Costume Design)
– Lisy Christl (Anonymous)
– Mark Bridges (O Artista)
– Sandy Powell (A Invenção de Hugo Cabret)
– Michael O’Connor (Jane Eyre)
– Arianne Phillips (W.E. – O Romance do Século)
MELHOR MAQUIAGEM (Best Achievement in Makeup)
– Martial Corneville, Lynn Johnson, Matthew W. Mungle (Albert Nobbs)
– Nick Dudman, Amanda Knight, Lisa Tomblin (Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2)
– Mark Coulier, J. Roy Helland (A Dama de Ferro)
MELHOR TRILHA MUSICAL (Best Achievement in Music Written for Motion Pictures, Original Score)
– John Williams (As Aventuras de Tintim)
– Ludovic Bource (O Artista)
– Howard Shore (A Invenção de Hugo Cabret)
– Alberto Iglesias (O Espião que Sabia Demais)
– John Williams (Cavalo de Guerra)
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL (Best Achievement in Music Written for Motion Pictures, Original Song)
– “Man or Muppet”, de Bret McKenzie (Os Muppets)
– “Real in Rio”, de Sergio Mendes, Carlinhos Brown, Siedah Garrett (Rio)
MELHOR SOM (Best Achievement in Sound Mixing)
– David Parker, Michael Semanick, Ren Klyce, Bo Persson (Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres)
– Tom Fleischman, John Midgley (A Invenção de Hugo Cabret)
– Deb Adair, Ron Bochar, David Giammarco, Ed Novick (O Homem que Mudou o Jogo)
– Greg P. Russell, Gary Summers, Jeffrey J. Haboush, Peter J. Devlin (Transformers: O Lado Oculto da Lua)
– Gary Rydstrom, Andy Nelson, Tom Johnson, Stuart Wilson (Cavalo de Guerra)
MELHORES EFEITOS SONOROS (Best Achievement in Sound Editing)
– Lon Bender, Victor Ray Ennis (Drive)
– Ren Klyce (Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres)
– Philip Stockton, Eugene Gearty (A Invenção de Hugo Cabret)
– Ethan Van der Ryn, Erik Aadahl (Transformers: O Lado Oculto da Lua)
– Richard Hymns, Gary Rydstrom (Cavalo de Guerra)
MELHORES EFEITOS VISUAIS (Best Achievement in Visual Effects)
– Tim Burke, David Vickery, Greg Butler, John Richardson (Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2)
– Robert Legato, Joss Williams, Ben Grossmann, Alex Henning (A Invenção de Hugo Cabret)
– Erik Nash, John Rosengrant, Danny Gordon Taylor, Swen Gillberg (Gigantes de Aço)
– Joe Letteri, Dan Lemmon, R. Christopher White, Daniel Barrett (Planeta dos Macacos: A Origem)
– Scott Farrar, Scott Benza, Matthew E. Butler, John Frazier (Transformers: O Lado Oculto da Lua)
MELHOR DOCUMENTÁRIO (Best Documentary, Features)
– Hell and Back Again, de Danfung Dennis, Mike Lerner
– If a Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front, de Marshall Curry, Sam Cullman
– Paradise Lost 3: Purgatory, de Joe Berlinger, Bruce Sinofsky
– Pina, de Wim Wenders, Gian-Piero Ringel
– Undefeated, de Daniel Lindsay, T. J. Martin, Rich Middlemas
MELHOR DOCUMENTÁRIO-CURTA (Best Documentary, Short Subjects)
– The Barber of Birmingham: Foot Soldier of the Civil Rights Movement, de Robin Fryday, Gail Dolgin
– God is the Bigger Elvis, de Rebecca Cammisa, Julie Anderson
– Incident in New Baghdad, de James Spione
– Saving Face, de Daniel Junge, Sharmeen Obaid-Chinoy
– The Tsunami and the Cherry Blossom, de Lucy Walker, Kira Cartensen
MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO (Best Short Film, Animated)
– Dimanche, de Patrick Doyon
– The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore, de William Joyce, Brandon Oldenburg
– La Luna, de Enrico Casarosa
– A Morning Stroll, de Grant Orchard, Sue Goffe
– Wild Life, de Amanda Forbis, Wendy Tilby
MELHOR CURTA-METRAGEM (Best Short Film, Live Action)
– Pentecost, de Peter McDonald
– Raju, de MaxZähle, Stefan Gieren
– The Shore, de Terry George, Oorlagh George
– Time Freak, de Andrew Bowler, Gigi Causey
– Tuba Atlantic, de Hallvar Witzø
Nove para Melhor Filme? No post anterior, comentei a forte possibilidade de indicarem um número incomum como 7 ou 9. Dito e feito. Foram nove filmes que passaram da nova nota de corte do Oscar. O filme de Stephen Daldry, Tão Forte e Tão Perto conseguiu uma vaga e só mais uma outra indicação: ator coadjuvante. Curiosamente, no anúncio dos indicados, o filme foi deixado propositadamente por último, realçando que se tratava do nono filme.
Agora, se a Academia resolvesse arredondar para 10 filmes, provavelmente a comédia Missão Madrinha de Casamento teria entrado na briga.

Tão Forte e Tão Perto: O nono filme

Recordista de Indicações: Como previsto, o filme de Martin Scorsese, A Invenção de Hugo Cabret, levou 11 indicações e foi o recordista, o que aumenta muito suas chances de ganhar Melhor Filme. Logo em seguida, vem O Artista com 10 indicações. Nesse quesito de número de indicações, Os Descendentes sai um pouco atrás porque levou apenas 5.
Atores na Lista e Outros Esquecidos: Nunca é possível agradar a todos nas categorias de atuação. Sempre fica faltando alguém que acaba se juntando ao grupo “Os injustiçados do Oscar”.  Talvez a maior surpresa tenha ficado por conta do veterano Max von Sydow, que foi indicado para ator coadjuvante, batendo nomes como Albert Brooks, Viggo Mortensen e Armie Hammer. Sydow ficou mundialmente conhecido pelo papel de Padre Merrin em O Exorcista e foi parceiro fiel do diretor Ingmar Bergman nas produções suecas. O mexicano Démian Bichir também pode ser considerado uma surpresa na categoria de Melhor Ator, mesmo tendo sido indicado pelo SAG Awards.

Max von Sydow: já era idoso desde 1973 em O Exorcista

A ausência que mais senti foi do ator Michael Fassbender pelo drama Shame. O ator alemão vem conquistando público e crítica desde seu trabalho no filme independente Hunger e mais recentemente em Um Método Perigoso e no blockbuster X-Men: Primeira Classe. Merecia uma indicação, mas talvez o fato de seu filme apresentar cenas de nudez frontal tenha assustado os membros mais reservados da Academia. Uma pena…
Pelo lado feminino, senti a falta da Tilda Swinton pelo drama Precisamos Falar Sobre o Kevin. Sua atuação foi bastante elogiada e vem conquistando alguns prêmios importantes, mas provavelmente pelo fato do filme tratar de um tema forte (Kevin é um jovem que matou colegas na escola), Swinton tenha perdido sua chance mais pelo conservadorismo. Outro erro da Academia…
Dos nomes mais frequentes em premiações, a jovem Shailene Woodley pelo filme Os Descendentes também ficou de fora na disputa de atriz coadjuvante. Melissa McCarthy roubou a cena na comédia Missão Madrinha de Casamento e sua vaga, aparentemente. Mas Shailene é um rosto jovem e novo no mercado e acredito que terá muitas oportunidades. Só espero que ela não desande em refilmagens de terror teenagers.

Shailene Woodley: Que seu talento não seja desperdiçado em tranqueiras

Ryan Gosling foi outro nome que apareceu bastante nas listas, mas não conseguiu chegar à final. Apesar de ter feito 3 trabalhos em 2011: Drive, Tudo Pelo Poder e Amor à Toda Prova, Gosling fica de mãos abanando. Mas se ele apresentar um bom trabalho em 2012, certamente ele voltará ao Oscar no ano que vem.
Pra não dizerem que só reclamo, gostei da indicação de Gary Oldman. O ator britânico já tem uma extensa filmagrafia e com essa nova ascensão, merecia um reconhecimento por parte da Academia. Espero que sua carreira decole ainda mais e papéis mais interessantes cheguem mais à sua mesa.
Dois Robôs nos Efeitos: Não botava fé que o terceiro filme do Transformers fosse conseguir uma vaga na categoria de efeitos visuais. OK, votei no quarto filme do Piratas do Caribe, mas pelo menos os efeitos sempre apresentam algo diferente, tipo criaturas feitas de vegetais ou com tentáculos como barba. E fizeram uma campanha tão forte para que o último filme do Harry Potter vingasse em categorias principais, mas não deu certo. Tiveram que se contentar com direção de arte, efeitos visuais e maquiagem. E deve ganhar pela maquiagem, mais como conjunto da obra dos 8 filmes.
Filmes Estrangeiros Estranhos: Cadê a França, Itália, Japão, Alemanha e Espanha? O representante alemão, Pina, de Wim Wenders foi compensando da eliminação pela indicação na categoria de documentário (sim, veja como a mágica do planejamento do Oscar funciona). Se em edições anteriores, o Oscar de Filme Estrangeiro foi uma surpresa, este ano não deve escapar do favorito: o iraniano A Separação.
Animações Estranhas: Lembram-se dos filmes franceses e espanhóis que faltaram na categoria de Filme Estrangeiro? Mudaram-se para a categoria de Melhor Animação! Um Gato em Paris e Chico & Rita. Conhecem? Prazer! Fiquei com a mesma cara de dúvida no anúncio dos indicados. “Que raio de animações são essas?” Mas não sei se é porque a categoria de animação é nova, mas o Oscar tem mantido uma tradição boa de trazer alguns trabalhos meio desconhecidos para o holofote e revelar novos talentos.

Chico & Rita: Trabalho mais da linha adulta

Um Gato em Paris: produção francesa com traços fortes

Indicações ao Oscar 2012 amanhã!

Em 2011, Mo’Nique divide a tarefa de anunciar os indicados

Todo ano o anúncio das indicações ocorre numa terça de manhã. Lá em Los Angeles às 5h30 e aqui, em São Paulo, em horário de verão, às 11h30. Já tive algumas oportunidades de assistir ao vivo pela TV pelos canais Telecine e CNN, mas hoje em dia, pela internet, é possível acompanhar em tempo real (streaming).

Parece idiotice eu dizer que, apesar de todo ano se repetir esse ritual do Oscar, ainda sinto um friozinho na barriga. Por mais que eu reclame dos filmes atuais, das porcarias que são lançadas nos cinemas e da covardia dos produtores de Hollywood, gosto de acompanhar o Cinema, porque sempre surgem novos talentos em todos os campos, em todos os países e em todos os gêneros de filme. Nem sempre aquele que a mídia lança como um novo talento realmente se mostra tão promissor, mas o que seria da Arte se apenas os bons trabalhassem? (Eu sei, eu sei… tem gente com a resposta na ponta da língua!)

E com o anúncio das indicações amanhã, talvez o mais importante seja que a vida de muita gente pode mudar para melhor. Uma indicação ao Oscar representa um reconhecimento internacional do trabalho de um artista, seja ele um ator ou um sound mixer. Uma indicação significa um upgrade na carreira de qualquer um e automaticamente no salário! E, se o indicado (e talvez futuro vencedor) do Oscar for inteligente, ele aproveitará as várias oportunidades que lhe serão oferecidas para buscar um desafio ainda maior, afinal, um Oscar (e sua indicação) pode muito bem acabar se tornando uma maldição e enterrar a carreira também.

Mas, no geral, o Oscar melhora e muito a vida do artista. E por isso, que muitos deles estarão acordados às 5h30 para acompanhar o anúncio (ou se estiverem dormindo, certamente seus agentes estarão com os olhos grudados na TV para já contabilizar a fortuna que vem adiante). Eu mesmo adoraria assistir ao anúncio, mas pelo horário deve ficar difícil. Quem sabe não passo na frente de uma TV pra pelo menos ver como a Jennifer Lawrence vai estar vestida?

Bom, quanto às probabilidades, dá pra adiantar que tem muita gente com o nome praticamente garantido na lista amanhã. Quem não apostaria que o George Clooney e a Meryl Streep não estarão entre os nomes indicados? Seria loucura total! Vamos analisar algumas categorias e medir as chances de alguns atores, diretores, roteiristas…

MELHOR FILME

Ah sim, este ano a coisa muda. Sim, de novo! Se a partir de 2010, 10 filmes foram indicados, agora é assim: 5 filmes no mínimo e 10 no máximo. O que isso quer dizer? Que 5 filmes estão garantidos, mas pode figurar um número não-convencional de filmes indicados como 7 ou 9. Nove filmes indicados a Melhor Filme? Sim. Dependendo da porcentagem que um filme consegue, ele pode não conseguir ultrapassar essa espécie de nota de corte do Oscar e sequer competir porque suas chances seriam ínfimas.

Quais os 5 que estão praticamente garantidos? Vejamos:

1. Os Descendentes

2. A Invenção de Hugo Cabret

3. Meia-Noite em Paris

4. Histórias Cruzadas

5. O Artista

São filmes que praticamente apareceram em todas as listas e têm chances reais de ganhar Melhor Filme. Além disso, todos devem colecionar um bom número de indicações, principalmente A Invenção de Hugo Cabret, que apresenta uma ótima direção de arte, um esplêndido trabalho de efeitos visuais e fotografia, sem contar as categorias de som e efeitos sonoros.

Aliás, também sempre fica essa questão no ar: Qual filme será o recordista de indicações? Todo ano tem um campeão. Nos últimos 20 anos, 15 recordistas do ano levaram Melhor Filme. Ano passado, O Discurso do Rei foi o recordista com 12 indicações.

Algumas apostas correm por fora como Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres, O Homem que Mudou o Jogo, Cavalo de Guerra, Missão Madrinha de Casamento e A Árvore da Vida. Sendo que este último tem perdido muito de seu fôlego para esta reta final do Oscar, pois nem figurou entre os indicados ao Globo de Ouro, nem no SAG Awards.

Gary Oldman em O Espião que Sabia Demais

CATEGORIAS DE ATUAÇÃO

Na ala masculina, George Clooney, Brad Pitt, Jean Dujardin e até mesmo Michael Fassbender têm chances bastante concretas de indicação. A briga ficaria mais acirrada pela quinta e última vaga. Muitos especialistas estão apostando nessa briga entre Leonardo DiCaprio (por J. Edgar) e Gary Oldman (por O Espião que Sabia Demais). Particularmente, acredito que DiCaprio tem conseguido mudar sua imagem de bom mocinho e queridinho das meninas do então Jack de Titanic e até de Diário de um Adolescente, mas sinceramente, ainda tem que comer muito arroz e feijão para chegar ao nível de Gary Oldman. Ao contrário do jovem, Oldman sempre buscou se entregar ao máximo em cada papel, não se limitando às transformações físicas e de maquiagem, tanto que seus personagens não apresentam semelhança. O Drácula de Drácula de Bram Stoker, o Comissário Gordon dos filmes do Batman, o assassino frio Stansfield de O Profissional, o vilão engraçado de O Quinto Elemento e como Sid Vicious em Sid & Nancy. Gary Oldman sempre foi um coringa, nunca sendo maior do que o papel. E nesse trabalho como espião, seu trabalho merece ser coroado pela Academia pela primeira vez! Leonardo DiCaprio já foi indicado 3 vezes e nunca teve chances reais de ganhar.

Rooney Mara em Millennium

Já na ala feminina, fica a dúvida se a jovem Rooney Mara conseguirá uma vaga como Melhor Atriz. Há 2 questões em se tratando de Mara. Primeiro: Ela vai concorrer como atriz ou como atriz coadjuvante? Se para as associações de críticos, ela foi coadjuvante, para o Globo de Ouro e o BAFTA, Rooney foi considerada para atriz principal. Pelo histórico de confusões desse tipo, acredito que se forem indicá-la, será como coadjuvante pois suas chances serão concretas. Olha só o nível de competição na categoria principal: Meryl Streep, Viola Davis, Tilda Swinton, Michelle Williams e Glenn Close. Pense a respeito.

Outra dúvida que muitos aguardam uma resposta positiva é uma possível indicação para Andy Serkis. Em 2011, apesar de ter trabalhado na animação de As Aventuras de Tintim, Serkis brilhou ao dar vida ao macaco Cesar em Planeta dos Macacos: A Origem. Nenhum ator já conquistou o que Serkis conseguiu no campo do motion capture. Ele foi descoberto na pele do atormentado Gollum em O Senhor dos Anéis – As Duas Torres, criando o novo Kong em King Kong, voltando sua parceria de sucesso com Peter Jackson. Muito se especula sobre uma indicação como coadjuvante, mas a Academia sempre teve essa barreira de conservadorismo que a impede de dar passos largos. Acho pouco provável, mas não impossível, afinal a mesma Academia criou novas categorias ao longo dos anos como Melhor Maquiagem na década de 80 e Melhor Animação em 2001.

MELHOR DIRETOR

Martin Scorsese, Alexander Payne e Michel Hazanavicius podem passar. As poltronas já estão reservadas. Woody Allen pode aparecer na lista e deve causar um frisson em muita gente se isso se confirmar. Talvez o único porém seja o lado anti-social do diretor, que prefere tocar seu clarinete no pub. Mas suas chances são melhores este ano do que com Vicky Cristina Barcelona. Fica a última vaga aberta, disputada a tapa entre David Fincher (Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres), Nicolas Winding Refn (Drive), George Clooney (Tudo Pelo Poder) e até Tate Taylor (Histórias Cruzadas), sendo que Fincher teve leve vantagem por ter sido indicado ao DGA – Directors Guild of America. O veterano Terrence Malick corre ainda, mas muito por fora por A Árvore da Vida, que agora parece com mais cara de filme de festival do que competição.

MELHORES EFEITOS VISUAIS

Saiu a lista de 10 finalistas. Os títulos que escaparam do risco são minha aposta para as 5 indicações.

Capitão América – O Primeiro Vingador

– Harry Potter e as Relíquias Macabras – Parte 2

– A Invenção de Hugo Cabret

Missão: Impossível 4 – Protocolo Fantasma

– Piratas do Caribe – Navegando em Águas Misteriosas

– Gigantes de Aço

– Planeta dos Macacos: A Origem

Transformers – O Lado Oculto da Lua

A Árvore da Vida

X-Men: Primeira Classe

Fiquei na dúvida se eliminaria o Transformers, mas como não acredito que a categoria terá 2 filmes com robôs, aposto mais em Gigantes de Aço, que parece saber mesclar melhor efeitos digitais de computação com efeitos especiais no estúdio. Além disso, quem quer ver mais filmes de Transformers? Pra mim já poderia ter parado no primeiro…

MELHOR FILME ESTRANGEIRO

Assim como efeitos visuais, a categoria passa por peneiras. Quatro finalistas cairão amanhã.

Bullhead, de Michael R. Roskam (Bélgica)

Footnote, de Joseph Cedar (Israel)

Pina, de Wim Wenders

In Darkness, de Agnieszka Holland (Polônia)

Monsieur Lazhar, de Philippe Falardeau (Canadá)

Omar Killed Me, de Roschdy Zem (Marrocos)

Pina, de Wim Wenders (Alemanha)

A Separação, de Asghar Farhadi (Irã)

Superclásico, de Ole Christian Madsen (Dinamarca)

Warriors of the Rainbow: Seediq Bale, de Te-Sheng Wei (Taiwan)

Explico. O filme polonês é sobre resgate de refugiados judeus. Ponto. Já os representantes israelense e iraniano apresentam temática de conflitos familiares que a Academia adora, além disso, o primeiro ganhou Melhor Roteiro em Cannes, enquanto o segundo tem sido um papa-prêmio e levou o Urso de Ouro em Berlim. Enquanto o alemão Wim Wenders já é um cineasta consagrado que nunca levou o Oscar, mas já foi indicado para Melhor Documentário pela fabuloso Buena Vista Social Club. E, sempre rola uma mega produção asiática e este ano, esse filme taiwanês tem tudo para ocupar a vaga.

Ryan Gosling em Drive

No geral, apesar do Oscar ficar cada vez mais previsível devido ao grande número de prêmios que o antecedem, sempre apreciei uma surpresa. De repente, um indicado que não estava figurando nas listas anteriores, mas que muitos se esqueceram de incluir nos Melhores do Ano é sempre bem-vindo. Normalmente, a “surpresa” não ganha o Oscar, mas por outro lado, constrói uma boa imagem inesperada que pode criar um sucesso como num passe de mágica. Um exemplo disso foi a indicação do jovem Ryan Goslin pelo filme Half Nelson em 2007. Ele concorreu com nomes de peso como Peter O’Toole e perdeu para Forest Whitaker, mas hoje está aproveitando ótimas oportunidades e estrelou pelo menos 3 filmes de sucesso em 2011: Drive, Amor à Toda Prova e Tudo Pelo Poder.

Tropa de Elite 2 está fora e o sonho do Oscar chega ao fim para o Brasil

Tropa de Elite 2: Oficialmente fora do Oscar 2012

Para aqueles que aguardavam ansiosamente uma indicação para Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro, sinto em informar que a Academia apagou a luz no fim desse túnel. Foi divulgada a lista com os 9 finalistas (feito conquistado pelo drama O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, de Cao Hamburger em 2007) que se tornarão apenas 5 no dia 24 de janeiro, dia do anúncio das indicações ao Oscar. Segue a lista:

Bullhead, de Michael R. Roskam (Bélgica)

Footnote, de Joseph Cedar (Israel)

In Darkness, de Agnieszka Holland (Polônia)

Monsieur Lazhar, de Philippe Falardeau (Canadá)

Omar Killed Me, de Roschdy Zem (Marrocos)

Pina, de Wim Wenders (Alemanha)

A Separação, de Asghar Farhadi (Irã)

Superclásico, de Ole Christian Madsen (Dinamarca)

Warriors of the Rainbow: Seediq Bale, de Te-Sheng Wei (Taiwan)

Mas o tom negativo do post não se limita apenas à exclusão do filme de José Padilha. Infelizmente, a categoria de Melhor Filme Estrangeiro ainda apresenta algumas regras muito arcaicas que impossibilitam muitos filmes de qualidade de sequer competir.

O Tigre e o Dragão, de Ang Lee. Melhor Filme Estrangeiro de 2000.

Se tais regras fossem quebradas, certamente mais filmes poderiam competir e conquistar o público internacional como fizeram o taiwanês O Tigre e o Dragão e o alemão A Vida dos Outros, ambos vencedores do Oscar de Filme Estrangeiro e donos de uma arrecadação que ultrapassa os 100 milhões de dólares.

A Vida dos Outros, de Florian Henckel. Melhor Filme Estrangeiro de 2006.

Existe uma regra da Academia que obriga cada país participante a escolher apenas UM filme. Então, assim como é feito no Brasil, membros de uma comissão como o MinC (Ministério da Cultura) votam entre os filmes lançados em cada ano, o que nem sempre corresponde ao melhor filme do ano. Em 2002, por exemplo, Fale com Ela, de Pedro Almodóvar não foi selecionado pela comissão de seu país e a Espanha sequer figurou entre os indicados. Felizmente, como muitos artistas em Hollywood apreciam a obra do diretor, ele levou o Oscar de Roteiro Original naquela edição. Este ano, o esnobado pelo próprio país foi o francês O Artista, filme que já levou o Globo de Ouro e vários prêmios da crítica americana. Por esse motivo, não poderá concorrer a Melhor Filme Estrangeiro.

Outra regra ultrapassada que não corresponde ao cinema globalizado de hoje consiste na obrigação de empregar atores nascidos no país da origem do filme em papéis-chaves na trama (além de ter que falar o idioma local). Pela Albânia, o filme de Joshua Marston (diretor de Maria Cheia de Graça, 2004), Forgiveness foi desqualificado por não cumprir essa regra. Enquanto que o filme de Angelina Jolie, In the Land of Blood and Honey, não pôde concorrer por se tratar de uma produção americana, mesmo tendo empregrado atores da hoje extinta Iugoslávia.

Ainda falta outro grande absurdo. Ok, foram selecionados os 63 filmes do mundo este ano para tentar conquistar uma famigerada vaga na categoria. E agora? Quem vai poder votar nesses filmes e eliminar 58 trabalhos? Existe algo chamado Academy’s foreign-language selection committee (Comitê de Seleção de Filme Estrangeiro da Academia), composta por membros preparados para ficar com o traseiro quadrado de tanto assistir filmes. Eles são divididos em grupos de 4 cores e cada membro deve ver pelo menos 80% dos filmes de seu grupo. Mas, como todos sabem, quem consegue tempo pra assistir a tantos filmes? Sim, chamem membros já no conforto da aposentadoria que não querem mais ficar em casa vendo a mulher reclamar! A lotação dessas sessões de filmes estrangeiros deve se assemelhar àquelas que ocorrem em asilos em que as enfermeiras ligam pra sossegar os agitados. Cerca de 300 (heróicos) membros conseguem assistir a todos os filmes e votar numa escala de 7 a 10, criando uma média para a seleção, o que significa que se 10 ou 100 pessoas virem um filme, é a média desses 300 membros que conta.

“Hooray! Vou eliminar 58 filmes!”. Perdoem-me se imagino 300 Srs. Fredericksens na sala de cinema.

Resultado? Os finalistas sempre têm temas mais antigos. Eles adoram filmes que se passam na 2ª Guerra Mundial, com judeus sofrendo e nazistas cumprindo seus papéis de malvados, sem esquecer dos soldados americanos que sempre chegam pra salvar o dia. O segundo tema mais querido pelos membros velhinhos de Hollywood é a questão do racismo. Se seu filme tem conflitos raciais e se passa na Segunda Guerra, coloca pra competir! Mas lembre-se que não pode haver violência excessiva. Isso assusta os membros e pode causar uma taquicardia. Você acha que foi fácil um pobre membro assistir a Tropa de Elite 2? E Cidade de Deus com aquele lance de “você prefere um tiro no pé ou na mão?”? Cinema violento não tem lugar na categoria de Filme Estrangeiro. Por isso mesmo que o cinema sul-coreano nunca teve uma chance sequer, pois tem como característica muito marcante a violência e o sexo. Ah sim, o sexo é algo obsceno demais. Os membros cobrem seus olhos nas cenas mais picantes.

Mas voltando ao processo de eliminação de filmes, as 6 obras mais votadas pelos membros que assistiram aos filmes passam para uma shortlist, que inclui ainda mais 3 filmes selecionados por um comitê executivo de 20 pessoas. Atualmente, nesse super-comitê constam nomes consagrados do Cinema como o diretor alemão Florian Henckel von Donnersmarck, diretor de fotografia polonês do Spielberg, Janusz Kaminski, e o roteirista de O Jogador (1992), Michael Tolkin. Esse comitê pode não desfazer todas as injustiças da seleção dos membros idosos, mas evita maiores catástrofes.

Divulgada a lista de 9 finalistas, os filmes são projetados num final de semana para 20 votantes de Los Angeles e 10 de Nova York. Esses votantes são escolhidos pelo presidente do super-comitê, que visa uma votação mais completa pois procura por membros veteranos em diversas áreas do Cinema. No final, eles cortam 4 filmes, elegendo então os 5 indicados. E, para completar a burocracia: Só membros que comprovem que viram os 5 indicados no cinema (não, não pode ser em DVD e Blu-ray – tem que mostrar o ingresso!) podem votar no vencedor, ou seja, voltam os membros idosos que selecionaram anteriormente com suas escolhas arcaicas.

O Segredo de seus Olhos, de J.J. Campanella. Segundo e Merecido Oscar para Argentina.

Contudo, apesar de todos os problemas e a falta dessa reforma na legislação da Academia, não dá pra sair reclamando de tudo. Por incrível que pareça, o Oscar foi para alguns ótimos filmes nessa última década que me surpreenderam muito positivamente. Foram os casos das vitórias do belo argentino O Segredo de Seus Olhos, de Juan José Campanella, do instigante alemão A Vida dos Outros, de Florian Henckel von Donnersmarck, e do tocante japonês A Partida, de Yôjirô Takita.

Quanto ao Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro, houve alguns contratempos que atrapalharam um alcance maior na temporada de premiações, sendo uma delas a ausência no Globo de Ouro. Como o filme estreou no Brasil em outubro de 2011, não pôde concorrer porque as regras da Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood exige que o filme tenha sua estréia a partir de novembro. Mas mesmo sem os grandes prêmios, o filme de José Padilha confirma o amadurecimento do nosso Cinema. A sequência apresenta um roteiro muito mais consistente e personagens mais fortes. A trama em si é muito corajosa por bater de frente com o velho problema da política no Brasil. Quem não queria estar na pele do Capitão Nascimento ao esbofetear um político corrupto?

Agora, com José Padilha assumindo o projeto de refilmagem do filme RoboCop, o Brasil fica órfão de mais um diretor competente pra tentar buscar a cobiçada estatueta do Oscar. Gostaria que Walter Salles e Fernando Meirelles, cujas carreiras internacionais não conseguiram deslanchar de vez, voltassem e fizessem um filme aqui pra manter essa frequência de qualidade anual.

No dia 8 de dezembro de 2011, Tropa de Elite 2 se tornou o filme mais visto da História do Cinema Brasileiro, quando atingiu a marca de 10.736.995 espectadores após nove semanas de exibição, ultrapassando a marca histórica de 1976, de Dona Flor e seus dois maridos, de Bruno Barreto.