‘ATAQUE DOS CÃES’ LIDERA INDICAÇÕES ao OSCAR REPLETO de SURPRESAS

PELA PRIMEIRA VEZ, FILME DA NETFLIX É O RECORDISTA DE INDICAÇÕES DE UMA EDIÇÃO

Há poucos anos atrás, a reclamação mais recorrente em relação ao Oscar era a previsibilidade, principalmente nas categorias principais e de atuação. Em 2020, os quatro atores que ganharam o Oscar: Joaquin Phoenix, Renée Zellweger, Brad Pitt e Laura Dern levaram todos os prêmios de destaque da temporada, impossibilitando qualquer tipo de surpresa para a cerimônia. Este ano, parece que a Academia tomou as devidas providências, reconheceu profissionais que não estavam necessariamente bem cotados, e o resultado foi uma lista de surpresas e ausências.

Dentre as surpresas, as duas maiores foram na categoria de Melhor Atriz: Lady Gaga, que estava praticamente garantida após as indicações ao SAG e BAFTA, foi esnobada por Casa Gucci, para a entrada da quase esquecida Kristen Stewart por Spencer. Ao contrário de Gaga, Stewart passou longe dos prêmios anteriores e perdeu o Globo de Ouro para Nicole Kidman. Existem chances de Stewart levar o Oscar? Improvável, mas não impossível. Basta lembrarmos de casos recentes porém raros semelhantes ao dela como Marcia Gay Harden por Pollock.

Ainda em Melhor Atriz, Penélope Cruz entrou na reta final por Mães Paralelas, comprovando o alto prestígio que Pedro Almodóvar tem junto à Academia. Esta é a quarta indicação dela, e a segunda sob a direção do diretor espanhol. Havia a possibilidade da norueguesa Renate Reinsve conseguir o mesmo feito por A Pior Pessoa do Mundo, mas acho que a cota para estrangeiras parou com Cruz, que aliás foi indicada na mesma edição com seu marido, Javier Bardem, que foi indicado por Apresentando os Ricardos. Honestamente, não considero uma atuação digna de Oscar (seria mais uma questão de carisma), mas é sempre bom ter Bardem lembrado. Na mesma toada, J.K. Simmons é um ótimo ator, mas uma indicação por esta performance parece um pouco exagerada. Na categoria de Coadjuvante, acreditava que não apenas Bradley Cooper seria indicado por Licorice Pizza, mas também ganharia… principalmente sem Alana Haim no páreo.

Falando em casais indicados, outro reconhecido neste ano foi Jesse Plemons e Kirsten Dunst, que inclusive formam um casal em Ataque dos Cães. É a primeira vez que ambos são indicados ao Oscar, mas ambos têm poucas chances de vitória. Ele por dividir votos com Kodi Smit-McPhee, e ela por estar distante do favoritismo de Ariana DeBose como Coadjuvante. Aliás, muito me surpreendeu a ausência de Caitriona Balfe por Belfast, já que ela vinha sendo lembrada em todos os prêmios da temporada. Embora não tenha muitas cenas memoráveis, Balfe está bem no filme de Branagh, mas ela cedeu sua vaga para sua colega de filme, Judi Dench, que tem menos cenas ainda, mas foi lembrada por seu prestígio. É a 8ª indicação da atriz britânica.

Talvez a maior surpresa (mesmo que esperada) tenha sido a indicação de Melhor Filme para um filme japonês de 3 horas de duração: Drive My Car. A adaptação de Haruki Murakami ganhou inúmeros prêmios na temporada, inclusive Melhor Filme nos grupos de críticos de Los Angeles e Nova York, mas mesmo assim, havia dúvidas se os membros da Academia abraçariam um longa estrangeiro tão sutil. Considero a indicação de Direção para Ryûsuke Hamaguchi fenomenal, pois comprova que a categoria de Diretor tem se firmado cada vez mais como uma disputa que preza a ousadia (ao contrário do conservadorismo frequente de Melhor Filme). E nesse quesito, segundo a Academia, faltou ousadia para Denis Villeneuve por sua primeira parte de Duna.

Em termos históricos, vale destacar a tripla indicação inédita de Melhor Filme Internacional, Longa de Animação e Documentário para o dinamarquês Flee (Fuga). É uma pena que esse tipo de situação costuma desfavorecer o filme, que perde votos por se dividirem. Merecia ganhar como Longa de Animação no lugar de algum filme mais batido da Disney ou Pixar, mas por mais que não ganhe nada, merece ser visto e admirado. E claro, vale lembrar aqui a 1ª indicação para o Butão na categoria de Filme Internacional. Lunana: A Yak in the Classroom é aquela típica produção milagrosa que rendeu um filme apesar do baixíssimo orçamento e condições precárias. Deve perder a estatueta para o japonês Drive My Car, mas espero que atraia maiores investimentos para o cinema de lá.

Sobre a categoria de Canção Original, fiquei desapontado por não terem indicado a canção “Beyond the Shore” de No Ritmo do Coração. Além de uma canção bonita, é cantada pela própria atriz Emilia Jones, e tem muito a ver com a história da filha de pais surdos-mudos. Eu amo a compositora Diane Warren, que passa a acumular 13 indicações sem vitória agora, mas essa indicação da canção “Somehow You Do” parece destinada a perder mais uma vez. Apesar da presença icônica de Beyoncé na categoria pela canção de King Richard, acredito em mais uma vitória de uma canção da franquia 007, ainda mais aproveitando a fama global de Billie Eilish.

Tem outras coisas que vale citar aqui referente a Casa Gucci como a exclusão do filme na categoria de Figurino (parecia ser uma indicação mais do que garantida por se tratar de um filme envolvendo moda) e de Jared Leto como Ator Coadjuvante, que aliás foi indicado para o Framboesa de Ouro como Pior Coadjuvante por uma performance carregada pela maquiagem exagerada. Outra ausência bastante comemorada por cinéfilos foi a de Aaron Sorkin (Apresentando os Ricardos) nas categorias de Filme e Roteiro Original. O roteiro de Sorkin consegue ser mais politicamente correto e quadrado do que seu anterior Os 7 de Chicago, e a Academia fez bem em esnobá-lo, senão o homem começa a achar que tudo que ele faz é genial. E o mais legal de Sorkin fora é que ele cedeu lugar para um roteiro filosófico, divertido e despojado: o roteiro do filme norueguês A Pior Pessoa do Mundo, que é lembra as comédias românticas de Truffaut e até Godard.

Ah! Temos a 2ª diretora de fotografia mulher indicada ao Oscar de Melhor Fotografia! Depois de Rachel Morrison ter aberto as portas em 2018 com Mudbound, a australiana Ari Wegner é reconhecida por Ataque dos Cães, muito embora também merecesse pelo independente Zola. Falando em marcas históricas, a diretora Jane Campion se tornou a 1ª diretora a ser indicada duas vezes ao Oscar de Direção. Pra quem não se lembra, ela foi indicada em 1994 por O Piano, e perdeu para Steven Spielberg por A Lista de Schindler. Aliás, Spielberg atinge uma marca impressionante por ter sido o único diretor indicado em todas as últimas décadas desde os anos 70 pra cá. Coincidentemente, parece que Campion deve retribuir a derrota justamente contra Spielberg este ano.

E sobre a liderança de Ataque dos Cães com 12 indicações, é preciso ressaltar o belo trabalho que a Netflix vem fazendo nos últimos anos. Tem investido massivamente em produções de pedigree com diretores-autores, mas sempre tem batido na trave na hora de ganhar o Oscar de Melhor Filme como foi com Roma, O Irlandês e Mank. Será que finalmente chegou a vez da plataforma de streaming se consagrar? Aproveitando, seguem os números dos filmes no Oscar 2022:

12 (Ataque dos Cães); 10 (Duna); 7 (Belfast) (Amor, Sublime Amor); 6 (King Richard); 4 (Drive My Car/ Não Olhe Para Cima/ O Beco do Pesadelo); 3 (Licorice Pizza/ No Ritmo do Coração/ A Tragédia de Macbeth/ Apresentando os Ricardos/ A Filha Perdida/ Encanto/ Flee/ 007 Sem Tempo Para Morrer).

Confira todos os indicados ao Oscar 2022:

MELHOR FILME

  • Belfast (Belfast)
  • No Ritmo do Coração (CODA)
  • Não Olhe Para Cima (Don’t Look Up)
  • Drive My Car
  • Duna (Dune)
  • King Richard: Criando Campeãs (King Richard)
  • Licorice Pizza (Licorice Pizza)
  • O Beco do Pesadelo (Nightmare Alley)
  • Ataque dos Cães (The Power of the Dog)
  • Amor, Sublime Amor (West Side Story)

MELHOR DIREÇÃO

  • Kenneth Branagh (Belfast)
  • Ryûsuke Hamaguchi (Drive My Car)
  • Paul Thomas Anderson (Licorice Pizza)
  • Jane Campion (Ataque dos Cães)
  • Steven Spielberg (Amor, Sublime Amor)

MELHOR ATOR

  • Javier Bardem (Apresentando os Ricardos)
  • Benedict Cumberbatch (Ataque dos Cães)
  • Andrew Garfield (Tick, Tick… Boom!)
  • Will Smith (King Richard)
  • Denzel Washington (A Tragédia de MacBeth)

MELHOR ATRIZ

  • Jessica Chastain (Os Olhos de Tammy Faye)
  • Olivia Colman (A Filha Perdida)
  • Kristen Stewart (Spencer)
  • Penélope Cruz (Madres Paralelas)
  • Nicole Kidman (Apresentando os Ricardos)

MELHOR ATOR COADJUVANTE

  • Ciarán Hinds (Belfast)
  • Troy Kotsur (No Ritmo do Coração)
  • Jesse Plemons (Ataque dos Cães)
  • J.K. Simmons (Apresentando os Ricardos)
  • Kodi Smit-McPhee (Ataque dos Cães)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

  • Jessie Buckley (A Filha Perdida)
  • Ariana Debose (Amor, Sublime Amor)
  • Judi Dench (Belfast)
  • Kirsten Dunst (Ataque dos Cães)
  • Aunjanue Ellis (King Richard)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

  • Belfast
  • Não Olhe para Cima
  • King Richard
  • Licorice Pizza
  • A Pior Pessoa do Mundo

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

  • No Ritmo do Coração
  • Drive My Car
  • Duna
  • A Filha Perdida
  • Ataque dos Cães

MELHOR FOTOGRAFIA

  • Greig Fraser (Duna)
  • Dan Lautsen (O Beco do Pesadelo)
  • Ari Wegner (Ataque dos Cães)
  • Bruno Delbonnel (A Tragédia de Macbeth)
  • Janusz Kominski (Amor, Sublime Amor)

MELHOR TRILHA MUSICAL ORIGINAL

  • Não Olhe para Cima
  • Duna
  • Encanto
  • Madres Paralelas
  • Ataque dos Cães

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

  • “Be Alive” (King Richard)
  • “Dos Oruguitas” (Encanto)
  • “Down To Joy” (Belfast)
  • “No Time To Die” (007 – Sem Tempo para Morrer)
  • “Somehow You Do” (Four Good Days)

MELHOR MONTAGEM

  • Não Olhe para Cima
  • Duna
  • King Richard
  • Ataque dos Cães
  • Tick, Tick… Boom!

MELHOR FIGURINO

  • Cruella
  • Cyrano
  • Duna
  • O Beco do Pesadelo
  • Amor, Sublime Amor

MELHOR MAQUIAGEM E PENTEADO

  • Um Príncipe em Nova York 2
  • Cruella
  • Duna
  • Os Olhos de Tammy Faye
  • Casa Gucci

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO

  • Duna
  • Ataque dos Cães
  • O Beco do Pesadelo
  • A Tragédia de MacBeth
  • Amor, Sublime Amor

MELHOR SOM

  • Belfast
  • Duna
  • 007 – Sem Tempo para Morrer
  • Ataque dos Cães
  • Amor, Sublime Amor

MELHORES EFEITOS VISUAIS

  • Duna
  • Free Guy: Assumindo o Controle
  • 007 – Sem Tempo para Morrer
  • Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis
  • Homem-Aranha: Sem Volta para Casa

MELHOR FILME INTERNACIONAL

  • Drive My Car (Japão)
  • Flee (Dinamarca)
  • A Mão de Deus (Itália)
  • Lunana (Butão)
  • A Pior Pessoa do Mundo (Noruega)

MELHOR DOCUMENTÁRIO

  • Ascension
  • Attica
  • Flee
  • Summer of Soul
  • Writing with Fire

MELHOR DOCUMENTÁRIO-CURTA

  • Audible
  • Lead Me Home
  • The Queen of Basketball
  • Three Songs for Ben Azir
  • When We Were Bullies

MELHOR LONGA DE ANIMAÇÃO

  • Encanto
  • Luca
  • Flee
  • A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas
  • Raya e o Último Dragão

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO

  • Affairs of the Art
  • Bestia
  • Robin Robin
  • Boxballet
  • The Windshield Wiper

MELHOR CURTA-METRAGEM

  • Ala Kachuu – Take and Run
  • The Dress
  • The Long Goodbye
  • On My Mind
  • Please Hold

JENNIFER HUDSON, CATE BLANCHETT e BRADLEY COOPER SÃO INDICADOS ao SAG AWARDS. SÉRIE ‘ROUND 6’ FAZ HISTÓRIA.

PRÊMIO DO SINDICATO DOS ATORES SUBSTITUI NOMES CERTOS DA TEMPORADA

Ao meio-dia, horário de Brasília, desta quarta-feira (12), as atrizes Rosario Dawson e Vanessa Hudgens se juntaram numa live do Instagram para fazer o anúncio dos indicados ao SAG Awards. Esta mesma live foi gravada e está disponível em forma de post no Instagram.

Pra quem gosta de confirmações que elevem os patamares dos favoritos, o SAG esquentou a cabeça de muitos que seguem a temporada de premiações, pois tirou do páreo nomes que até então eram quase certos para uma indicação ao Oscar. Já para aqueles que preferem a imprevisibilidade e um reconhecimento mais diversificado, o SAG reservou algumas surpresas (não necessariamente) agradáveis.

Primeiramente, vamos às confirmações Benedict Cumberbatch, Andrew Garfield, Will Smith e Denzel Washington na categoria de Ator; Jessica Chastain, Lady Gaga, Olivia Colman, Nicole Kidman na categoria de Atriz; Troy Kotsur, Kodi Smit-McPhee e Jared Leto na de Ator Coadjuvante; Caitríona Balfe, Ariana DeBose e Kirsten Dunst em Atriz Coadjuvante. Em sua grande maioria, são nomes que estiveram mais presentes em listas anteriores de críticos e no Globo de Ouro.

Já as surpresas são Javier Bardem tomando um possível lugar de Peter Dinklage (por Cyrano); Jennifer Hudson tomando o lugar de Kristen Stewart (Spencer) – que até pouco tempo atrás era uma franco-favorita; Bradley Cooper e Ben Affleck tomando os lugares de Jamie Dornan e Ciarán Hinds (ambos de Belfast); e Cate Blanchett e Ruth Negga nos lugares de Anjanue Ellis e Marlee Matlin (ou Ann Dowd). Quem estava contando com Kristen Stewart certamente se decepcionou com a entrada de Hudson (cujo filme sobre Aretha Franklin não foi bem recebido por público ou crítica), mas esse tipo de abertura gera uma temporada de premiações menos fechada e possibilita um reconhecimento mais abrangente de performances e filmes diferentes.

Falando em possibilidades, a categoria principal do SAG, que coroa o Melhor Elenco, costuma ser equiparada ao Oscar de Melhor Filme. Algumas vezes, o filme vencedor desse prêmio realmente acaba levando o Oscar principal da noite como no caso de Parasita, mas as estatísticas não estão muito favoráveis nos últimos cinco anos, pois em quatro deles, o vencedor do SAG não levou o Oscar: Os 7 de Chicago, Pantera Negra, Três Anúncios Para um Crime e Estrelas Além do Tempo. Se levarmos isso em consideração, a não-indicação de Ataque dos Cães e Amor, Sublime Amor (ambos favoritos ao Oscar) não interfere demais numa possível campanha vencedora, assim como não eleva tanto para os indicados Casa Gucci ou King Richard.

Apesar do elenco estelar de Não Olhe Para Cima, composto por Leonardo DiCaprio, Jennifer Lawrence, Jonah Hill, Timothée Chalamet e Meryl Streep, o SAG deve ficar com Belfast ou No Ritmo do Coração, que curiosamente são elencos de famílias, e o SAG adora esse senso de unidade familiar e as atuações em conjunto para selecionar o vencedor de Elenco. O filme de Kenneth Branagh sobre a cidade irlandesa leva uma ligeira vantagem pois a participação dos atores está mais bem distribuída e alinhada. Particularmente, concordo com a não-indicação de Dornan e Hinds como Coadjuvantes, pois são atuações menos significantes. Já pelo drama da família surda, Marlee Matlin está bem, mas é realmente Troy Kotsur que rouba a cena como o pai Frank.

Sem querer dar uma de bola de cristal (até mesmo porque a cerimônia só será no dia 27 de Fevereiro), seguem meus palpites dos vencedores para as categorias de cinema:
ELENCO: Belfast
ATOR: Will Smith (King Richard)
ATRIZ: Jessica Chastain (Os Olhos de Tammy Faye)
ATOR COADJUVANTE: Bradley Cooper (Licorice Pizza)
ATRIZ COADJUVANTE: Ariana DeBose (Amor, Sublime Amor)
DUBLÊS: Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis

Nas categorias televisivas, o destaque ficou por conta de Round 6 (ou Squid Game), que se tornou a primeira série em língua-estrangeira indicada ao SAG na história de 28 anos. A série sul-coreana foi líder de views na plataforma da Netflix em mais de 90 países e foi a mais assistida na história da plataforma de streaming, praticamente obrigando os prêmios a quebrarem seus paradigmas de ficarem isolados em séries domésticas. Na semana passada, a série ganhou o Globo de Ouro de Ator Coadjuvante para Oh Yeong-su (o velhinho participante Nº 001), mas ele não foi reconhecido com uma indicação individual no SAG, que preferiu indicar o protagonista Lee Jung-jae como Ator de Série Dramática, e a jovem Jung Heyon como Melhor Atriz de Série Dramática.

Confira todos os indicados do SAG Awards:

CINEMA

MELHOR ELENCO – FILME

Belfast (Focus Features)  
No Ritmo do Coração (Apple Original Films) 
Não Olhe Para Cima (Netflix)  
Casa Gucci (MGM/United Artists Releasing)  
King Richard: Criando Campeãs (Warner Bros) 

MELHOR ATOR

Javier Bardem (Apresentando os Ricardos)  
Benedict Cumberbatch (Ataque dos Cães) 
Andrew Garfield (Tick, Tick … Boom!) 
Will Smith (King Richard: Criando Campeãs)  
Denzel Washington (The Tragedy of Macbeth) 

MELHOR ATRIZ

Jessica Chastain (Os Olhos de Tammy Faye)  
Olivia Colman (A Filha Perdida)  
Lady Gaga (Casa Gucci) 
Jennifer Hudson (Respect: A História de Aretha Franklin)  
Nicole Kidman (Apresentando os Ricardos) 

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Ben Affleck (Bar Doce Lar)  
Bradley Cooper (Licorice Pizza)  
Troy Kotsur (No Ritmo do Coração)  
Jared Leto (Casa Gucci)  
Kodi Smit-McPhee (Ataque dos Cães)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Caitríona Balfe (Belfast)
Cate Blanchett (O Beco do Pesadelo)
Ariana DeBose (Amor, Sublime Amor)
Kirsten Dunst (Ataque dos Cães)
Ruth Negga (Identidade)

MELHOR EQUIPE DE DUBLÊS – FILME

Viúva Negra
Duna
Matrix Resurrections
007 Sem Tempo Para Morrer
Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis

TV OU STREAMING

MELHOR ELENCO – SÉRIE DRAMÁTICA

The Handmaid’s Tale (Hulu) 
The Morning Show (Apple TV Plus) 
Round 6 (Netflix) 
Succession (HBO) 
Yellowstone (Paramount Network) 

MELHOR ATOR – SÉRIE DRAMÁTICA

Brian Cox (Succession) 
Billy Crudup (The Morning Show) 
Kieran Culkin (Succession)  
Lee Jung-Jae (Round 6)  
Jeremy Strong (Succession)

MELHOR ATRIZ – SÉRIE DRAMÁTICA

Jennifer Aniston (The Morning Show) 
Jung Ho-yeon (Round 6)
Elizabeth Moss (The Handmaid’s Tale)  
Sarah Snook (Succession) 
Reese Witherspoon (The Morning Show)

MELHOR ELENCO – SÉRIE DE COMÉDIA

The Great (Hulu)  
Hacks (HBO Max)  
The Kominsky Method (Netflix)
Only Murders in the Building (Hulu)  
Ted Lasso (Apple TV Plus)

MELHOR ATOR – SÉRIE DE COMÉDIA

Michael Douglas (The Kominsky Method)  
Brett Goldstein (Ted Lasso) 
Steve Martin (Only Murders in the Building)  
Martin Short (Only Murders in the Building)  
Jason Sudeikis (Ted Lasso)  

MELHOR ATRIZ – SÉRIE DE COMÉDIA

Elle Fanning (The Great)
Sandra Oh (The Chair)
Jean Smart (Hacks)
Juno Temple (Ted Lasso)
Hannah Waddingham (Ted Lasso)

MELHOR ATOR – MINISSÉRIE OU FILME PARA TV

Murray Bartlett (The White Lotus)  
Oscar Isaac (Scenes From a Marriage)  
Michael Keaton (Dopesick) 
Ewan McGregor (Halston)  
Evan Peters (Mare of Easttown) 

MELHOR ATRIZ – MINISSÉRIE OU FILME PARA TV

Jennifer Coolidge (The White Lotus)  
Cynthia Erivo (Genius: Aretha)  
Margaret Qualley (Maid)  
Jean Smart (Mare of Easttown)  
Kate Winslet (Mare of Easttown)  

MELHOR EQUIPE DE DUBLÊS – SÉRIE

Cobra Kai
Falcão Negro e o Soldado Invernal
Loki
Mare of Easttown
Round 6

‘ATAQUE DOS CÃES’ VENCE COMO MELHOR FILME – DRAMA em GLOBO DE OURO SEM CERIMÔNIA

HFPA ANUNCIOU VENCEDORES ATRAVÉS DO SITE OFICIAL E REDES SOCIAIS

Não é que no final das contas, o Globo de Ouro saiu beneficiado? Com o aumento de casos de Covid nos EUA, a cerimônia do Critics’ Choice Awards, marcada para o mesmo horário, foi adiada indefinidamente. E mesmo sem poder contar cerimônia televisionada e com celebridades para anunciar os vencedores, o Globo de Ouro assumiu certo protagonismo, já que não havia competição.

Particularmente, consideramos tudo uma grande hipocrisia, pois todos já sabiam que o grupo da HFPA era pequeno e possivelmente não tinha diversidade alguma e que alguns membros aceitavam “propinas” para votar, então tudo não passa de um circo montado. Certamente impedidos por seus agentes, as celebridades foram obrigadas a boicotar o evento (pra “não manchar suas reputações”), mas com certeza serão beneficiadas por seus nomes serem lidos como vencedores. Duvidamos que alguém pose com o prêmio esta semana em sua conta de Instagram, mas eles serão agradecidos a HFPA. Muitos deles devem ter pensado: “Nossa, quando finalmente ganho um Globo de Ouro, não tem a festa! É muito azar!”

A partir das 23h, horário de Brasília, o site oficial da HFPA passou a atualizar os vencedores em sua página inicial, com foto dos premiados e pequenos textos como se fossem tweets. Na ausência de celebridades, poderiam ter reunido os próprios membros do grupo para ler os vencedores da categoria num vídeo de meia hora, mas preferiram se esconder ainda mais numa divulgação tosca e barata no site.

NÚMEROS DO GLOBO DE OURO

Embora Ataque dos Cães e Amor, Sublime Amor tenham sido os recordistas de vitórias (cada um com três estatuetas), os prêmios foram bem pulverizados entre os filmes. Belfast, Duna, King Richard, Tick, Tick… BOOM!, Apresentando os Ricardos, 007 Sem Tempo Para Morrer, Encanto e Drive My Car ficaram todos com apenas um prêmio cada.

Já na ala das séries, Succession acumulou três prêmios, incluindo Melhor Série Dramática, enquanto Hacks levou Melhor Série de Comédia e Atriz para Jean Smart. Vale destacar a primeira vitória de uma atriz trans no Globo de Ouro que foi para Michael Jaé (MJ) Rodriguez pela série Pose. Ela já havia sido indicada no Emmy, mas não ganhou o prêmio. E a vitória do sul-coreano Oh Yeong-su, o personagem idoso que veste o uniforme nº 1 na série Round 6, da Netflix.

SURPRESAS

Honestamente, não houve muitas surpresas no anúncio dos vencedores. Dá pra destacar duas: a vitória de Nicole Kidman como Melhor Atriz – Drama por Apresentando os Ricardos, por interpretar a comediante Lucille Ball, batendo as favoritas Kristen Stewart (Spencer) e Olivia Colman (A Filha Perdida). Como todos sabem, a HFPA ama Nicole Kidman desde os anos 90 e este foi seu 5º Globo de Ouro na carreira, mas pode ter havido uma divisão de votos entre as favoritas que beneficiou Kidman. E a vitória de Belfast na categoria de Roteiro, já que havia uma forte expectativa de que Paul Thomas Anderson levaria esse prêmio de consolação por seu Licorice Pizza, que saiu do evento de mãos abanando.

DESDOBRAMENTOS DO GLOBO DE OURO

Como os estúdios também boicotaram suas campanhas publicitárias, as vitórias anunciadas hoje não devem repercutir tanto quanto nos últimos anos, pois não devem incluir em pôsteres e anúncios publicitários o famosos “Vencedor do Globo de Ouro” para atrair a atenção do público, mas ainda assim é um dos prêmios mais reconhecidos da indústria do Cinema e TV… Bom, na verdade, já me desmentiram aqui:

Boicotam o Globo de Ouro, mas não deixam de colher os frutos, né? Ah Hollywood…

É possível que o musical de Steven Spielberg melhore seus números nas bilheterias. Em sua 5ª semana em cartaz nos EUA, Amor, Sublime Amor rendeu apenas 32 milhões de dólares. Já Rachel Zegler e Ariana DeBose, que conquistaram os prêmios de Atriz e Atriz Coadjuvante, respectivamente, certamente alavancaram suas campanhas para a temporada de premiações. Caso confirmem indicações ao SAG Awards, que serão anunciadas na próxima quarta-feira (12), estarão no próximo Oscar.

Na ala masculina, Will Smith (King Richard), Andrew Garfield (Tick, tick… BOOM!) e Kodi Smit-McPhee (Ataque dos Cães) já eram nomes bem cotados para o Oscar pela quantidade de indicações e prêmios que vêm acumulando até o momento, resta saber se vão manter o alto nível de favoritismos até as indicações ao Oscar, que acontecem no dia 08 de Fevereiro.

A briga lá em cima entre Kenneth Branagh, Jane Campion e Steven Spielberg ficou ainda mais acirrada, já que seus três filmes foram premiados nesta edição, com Ataque dos Cães e Amor, Sublime Amor um pouco mais à frente de Belfast, que ficou apenas com o prêmio de Roteiro. Apesar da vitória, ainda é um pouco difícil acreditar numa possível primeira vitória da Netflix para Melhor Filme com Ataque dos Cães.

Embora tenha a forte concorrência do dinamarquês Flee, a vitória de Encanto, da Disney, era esperada, principalmente para quem viu Carros bater A Casa Monstro em 2007. A HFPA adora puxar uma sardinha para a Disney ou Pixar… quer dizer, até a Academia. E nas categorias musicais, Hans Zimmer ganha um gás ao vencer Melhor Trilha Musical por Duna (será que finalmente vai ganhar seu 2º Oscar depois de O Rei Leão em 1995?), assim como Billie Eilish e sua canção-tema de James Bond, “No Time to Die”, em 007 Sem Tempo Para Morrer, que tem tudo para se tornar a 3ª canção da franquia a ganhar um Oscar consecutivamente após “Skyfall” e “Writings on the Wall”.

VENCEDORES DO 79º GLOBO DE OURO (vencedores em negrito):

CINEMA

MELHOR FILME – DRAMA
Belfast (Focus Features)
No Ritmo do Coração (CODA) (Apple)
Duna (Dune) (Warner Bros.)
King Richard: Criando Campeãs (King Richard) (Warner Bros.)
Ataque dos Cães (The Power of the Dog) (Netflix)

MELHOR ATRIZ – DRAMA
Jessica Chastain (The Eyes of Tammy Faye)
Olivia Colman (A Filha Perdida)
Nicole Kidman (Apresentando os Ricardos)
Lady Gaga (Casa Gucci)
Kristen Stewart (Spencer)

MELHOR ATOR – DRAMA
Mahershala Ali (Swan Song)
Javier Bardem (Apresentando os Ricardos)
Benedict Cumberbatch (Ataque dos Cães)
Will Smith (King Richard: Criando Campeãs)
Denzel Washington (The Tragedy of Macbeth)

MELHOR FILME – COMÉDIA OU MUSICAL
Cyrano (MGM)
Não Olhe Para Cima (Don’t Look Up)
Licorice Pizza (MGM/United Artists Releasing)
tick, tick… BOOM! (Netflix)
Amor, Sublime Amor (West Side Story) (20th Century Studios)

MELHOR ATRIZ – COMÉDIA OU MUSICAL
Marion Cotillard (Annette)
Alana Haim (Licorice Pizza)
Jennifer Lawrence (Não Olhe Para Cima)
Emma Stone (Cruella)
Rachel Zegler (Amor, Sublime Amor)

MELHOR ATOR – COMÉDIA OU MUSICAL
Leonardo DiCaprio (Não Olhe Para Cima)
Peter Dinklage (Cyrano)
Andrew Garfield (Tick, tick… Boom!)
Cooper Hoffman (Licorice Pizza)
Anthony Ramos (Em um Bairro de Nova York)

MELHOR LONGA DE ANIMAÇÃO
Encanto (Walt Disney Pictures)
Flee (Neon)
Luca (Pixar)
My Sunny Maad
Raya e o Último Dragão (Raya and the Last Dragon) (Walt Disney Pictures)

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
Compartment No.6 – FINLÂNDIA
Drive My Car – JAPÃO
A Mão de Deus – ITÁLIA
A Hero – IRÃ
Parallel Mothers – ESPANHA

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Caitríona Balfe (Belfast)
Ariana DeBose (Amor, Sublime Amor)
Kirsten Dunst (Ataque dos Cães)
Aunjanue Ellis (King Richard: Criando Campeãs)
Ruth Negga (Identidade)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Ben Affleck (The Tender Bar)
Jamie Dornan (Belfast)
Ciarán Hinds (Belfast)
Troy Kotsur (No Ritmo do Coração)
Kodi Smit-McPhee (Ataque dos Cães)

MELHOR DIREÇÃO
Kenneth Branagh (Belfast)
Jane Campion (Ataque dos Cães)
Maggie Gyllenhaal (A Filha Perdida)
Steven Spielberg (Amor, Sublime Amor)
Denis Villeneuve (Duna)

MELHOR ROTEIRO
Paul Thomas Anderson (Licorice Pizza)
Kenneth Branagh (Belfast)
Jane Campion (Ataque dos Cães)
Adam McKay (Não Olhe Para Cima)
Aaron Sorkin (Being the Ricardos)

MELHOR TRILHA MUSICAL
Alexandre Desplat (A Crônica Francesa)
Germaine Franco (Encanto)
Jonny Greenwood (Ataque dos Cães)
Alberto Iglesias (Parallel Mothers)
Hans Zimmer (Duna)

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“Be Alive” – Beyoncé Knowles-Carter, Dixson (King Richard: Criando Campeãs)
“Dos Orugitas” – Lin-Manuel Miranda (Encanto)
“Down to Joy” – Van Morrison (Belfast)
“Here I Am (Singing My Way Home)” – Jamie Alexander Hartman, Jennifer Hudson, Carole King (Respect)
“No Time to Die” – Billie Eilish, Finneas O’Connell (007 – Sem Tempo Para Morrer)


TELEVISÃO/STREAMING

MELHOR SÉRIE – DRAMA
Lupin
The Morning Show
PostM
Squid Game
Succession

MELHOR ATRIZ DE SÉRIE – DRAMA
Uzo Aduba (In Treatment)
Jennifer Aniston (The Morning Show)
Christine Baranski (The Good Fight)
Elisabeth Moss (The Handmaid’s Tale)
Michaela Jaé (MJ) Rodriguez (Pose)

MELHOR ATOR DE SÉRIE – DRAMA
Brian Cox (Succession)
Lee Jung-jae (Squid Game)
Billy Porter (Pose)
Jeremy Strong (Succession)
Omar Sy (Lupin)

MELHOR SÉRIE – COMÉDIA OU MUSICAL
The Great (Hulu)
Hacks (HBO Max)
Only Murders in the Building (Hulu)
Reservation Dogs (FX on Hulu)
Ted Lasso (Apple TV Plus)

MELHOR ATRIZ DE SÉRIE – COMÉDIA OU MUSICAL
Hannah Einbinder (Hacks)
Elle Fanning (The Great)
Issa Rae (Insecure)
Tracee Ellis Ross (Black-ish)
Jean Smart (Hacks)

MELHOR ATOR DE SÉRIE – COMÉDIA OU MUSICAL
Anthony Anderson (Black-ish)
Nicholas Hoult (The Great)
Steve Martin (Only Murders in the Building)
Martin Short (Only Murders in the Building)
Jason Sudeikis (Ted Lasso)

MELHOR MINISSÉRIE OU FILME PARA TV
Dopesick (Hulu)
Impeachment: American Crime Story (FX)
Maid (Netflix)
Mare of Easttown (HBO)
The Underground Railroad (Amazon Prime Video)

MELHOR ATRIZ DE MINISSÉRIE OU FILME PARA TV
Jessica Chastain (Scenes From a Marriage)
Cynthia Erivo (Genius: Aretha)
Elizabeth Olsen (WandaVision)
Margaret Qualley (Maid)
Kate Winslet (Mare of Easttown)

MELHOR ATOR DE MINISSÉRIE OU FILME PARA TV
Paul Bettany (WandaVision)
Oscar Isaac (Scenes From a Marriage)
Michael Keaton (Dopesick)
Ewan McGregor (Halston)
Tahar Rahim (The Serpent)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE DE SÉRIE, MINISSÉRIE OU FILME PARA TV
Jennifer Coolidge (White Lotus)
Kaitlyn Dever (Dopesick)
Andie MacDowell (Maid)
Sarah Snook (Succession)
Hannah Waddingham (Ted Lasso)

MELHOR ATOR COADJUVANTE DE SÉRIE, MINISSÉRIE OU FILME PARA TV
Billy Crudup (The Morning Show)
Kieran Culkin (Succession)
Mark Duplass (The Morning Show)
Brett Goldstein (Ted Lasso)
Oh Yeong-su (Squid Game)

‘BELFAST’ e ‘AMOR, SUBLIME AMOR’ LIDERAM INDICAÇÕES ao CRITICS’ CHOICE AWARDS

NO MESMO DIA, DRAMA ‘BELFAST’ LIDEROU GLOBO DE OURO

Neste mesmo dia 13 de Dezembro, o Critics’ Choice Awards anunciou sua lista de indicados poucas horas depois da fragilizada HFPA anunciar os indicados ao Globo de Ouro. Em comum, Belfast foi o recordista de indicações e, desta forma, o drama autobiográfico do britânico Kenneth Branagh vem conquistando seu favoritismo até o Oscar com 11 indicações, incluindo Melhor Filme, Direção, Roteiro Original, Fotografia, além de 4 indicações nas categorias de atuação.

Já o outro filme com 11 indicações foi o remake do musical Amor, Sublime Amor, de Steven Spielberg, que estreou recentemente nos EUA com uma bilheteria bem abaixo do esperado apesar das boas críticas. Vale lembrar que o filme tinha previsão inicial para lançamento em 2020, mas devido ao escândalo sexual envolvendo o nome do protagonista Ansel Elgort, houve um adiamento de um ano. Em entrevistas, o diretor tem defendido o filme como uma mensagem de amor e união, ambos muito necessários em tempos de polarização. Recentemente, a novata Rachel Zegler recebeu o prêmio de Melhor Atriz no National Board of Review e aqui, foi indicada na categoria de Ator/Atriz Jovem, com grandes chances de vitória. E vale ressaltar a indicação de Rita Moreno, que recentemente completou 90 anos, e pode ser novamente reconhecida pela Academia 50 anos depois do original de Robert Wise e Jerome Robbins.

Logo em seguida, com 10 indicações, Ataque dos Cães e Duna se mostram protagonistas desta temporada, enquanto Licorice Pizza e O Beco do Pesadelo acumularam 8 indicações cada. O novo filme de Guillermo del Toro finalmente tem um reconhecimento à altura de suas ambições e tem boas chances de premiação nas categorias de Design de Produção e Figurino. Já King Richard: Criando Campeãs e Não Olhe Para Cima coletaram 6 indicações cada.

A indicação que mais surpreendeu foi a de Nicolas Cage na categoria de Melhor Ator por um filme mega independente chamado Pig. Alguns certamente já viram o trailer e outros já viram o filme e a reação da maioria foi unânime: “Por que Nicolas Cage não faz mais filmes assim?”. Depois de tanta porcaria que o ator participou nos últimos anos (certamente pra pagar as contas), foi bom ver que Cage continua um bom ator se lhe derem um bom papel. Em Pig, ele vive isolado numa floresta com uma porca que caça trufas até o dia em que ela é sequestrada. Parece a sinopse de um filme à la Liam Neeson, mas o filme subverte as expectativas e entrega um drama de luto. Achamos bem difícil ele voltar ao Oscar com um filme tão pequeno, ainda mais com tantos concorrentes em alta, mas já valeu pelo retorno do reconhecimento do ator.

Já na categoria de atriz, uma ausência comentada foi a de Penélope Cruz por Madres Paralelas, que lhe rendeu o Volpi Cup de Melhor Atriz no último Festival de Veneza. Como muitos já sabem, o filme não pode concorrer ao Oscar de Filme Internacional, pois não foi o selecionada do comitê espanhol, mas apesar da ausência de Cruz, ainda há expectativa de que Pedro Almodóvar consiga triunfar no Oscar.

Confira todos os indicados da 27ª edição do Critics’ Choice:

MELHOR FILME

Belfast
No Ritmo do Coração (CODA)
Não Olhe Para Cima (Don’t Look Up)
Duna (Dune)
King Richard: Criando Campeãs (King Richard)
Licorice Pizza
O Beco do Pesadelo (Nightmare Alley)
Ataque dos Cães (The Power of the Dog)
tick, tick…Boom!
Amor, Sublime Amor (West Side Story)

MELHOR ATOR
Nicolas Cage (Pig)
Benedict Cumberbatch (Ataque dos Cães)
Peter Dinklage (Cyrano)
Andrew Garfield (tick, tick…Boom!)
Will Smith (King Richard: Criando Campeãs)
Denzel Washington (The Tragedy of Macbeth)

MELHOR ATRIZ
Jessica Chastain (The Eyes of Tammy Faye)
Olivia Colman (The Lost Daughter)
Lady Gaga (Casa Gucci)
Alana Haim (Licorice Pizza)
Nicole Kidman (Being the Ricardos)
Kristen Stewart (Spencer)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Jamie Dornan (Belfast)
Ciarán Hinds (Belfast)
Troy Kotsur (No Ritmo do Coração)
Jared Leto (Casa Gucci)
J.K. Simmons (Being the Ricardos)
Kodi Smit-McPhee (Ataque dos Cães)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Caitriona Balfe (Belfast)
Ariana DeBose (Amor, Sublime Amor)
Ann Dowd (Mass)
Kirsten Dunst (Ataque dos Cães)
Aunjanue Ellis (King Richard: Criando Campeãs)
Rita Moreno (Amor, Sublime Amor)

MELHOR ATOR/ATRIZ JOVEM
Jude Hill (Belfast)
Cooper Hoffman (Licorice Pizza)
Emilia Jones (No Ritmo do Coração)
Woody Norman (C’mon C’mon)
Saniyya Sidney (King Richard: Criando Campeãs)
Rachel Zegler (Amor, Sublime Amor)

MELHOR ELENCO
Belfast
Não Olhe Para Cima (Don’t Look Up)
Vingança & Castigo (The Harder They Fall)
Licorice Pizza
Ataque dos Cães (The Power of the Dog)
Amor, Sublime Amor (West Side Story)

MELHOR DIRETOR
Paul Thomas Anderson (Licorice Pizza)
Kenneth Branagh (Belfast)
Jane Campion (Ataque dos Cães)
Guillermo del Toro (O Beco do Pesadelo)
Steven Spielberg (Amor, Sublime Amor)
Denis Villeneuve (Duna)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Paul Thomas Anderson (Licorice Pizza)
Zach Baylin (King Richard: Criando Campeãs)
Kenneth Branagh (Belfast)
Adam McKay, David Sirota (Não Olhe Para Cima)
Aaron Sorkin (Being the Ricardos)

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Jane Campion (Ataque dos Cães)
Maggie Gyllenhaal (The Lost Daughter)
Siân Heder (No Ritmo do Coração)
Tony Kushner (Amor, Sublime Amor)
Jon Spaihts, Denis Villeneuve, Eric Roth (Duna)

MELHOR FOTOGRAFIA
Bruno Delbonnel (The Tragedy of Macbeth)
Greig Fraser (Duna)
Janusz Kaminski (Amor, Sublime Amor)
Dan Laustsen (O Beco do Pesadelo)
Ari Wegner (Ataque dos Cães)
Haris Zambarloukos (Belfast)

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
Jim Clay, Claire Nia Richards (Belfast)
Tamara Deverell, Shane Vieau (O Beco do Pesadelo)
Adam Stockhausen, Rena DeAngelo (A Crônica Francesa)
Adam Stockhausen, Rena DeAngelo (Amor, Sublime Amor)
Patrice Vermette, Zsuzsanna Sipos (Duna)

MELHOR MONTAGEM
Sarah Broshar and Michael Kahn (Amor, Sublime Amor)
Úna Ní Dhonghaíle (Belfast)
Andy Jurgensen (Licorice Pizza)
Peter Sciberras (Ataque dos Cães)
Joe Walker (Duna)

MELHOR FIGURINO
Jenny Beavan (Cruella)
Luis Sequeira (O Beco do Pesadelo)
Paul Tazewell (Amor, Sublime Amor)
Jacqueline West, Robert Morgan (Duna)
Janty Yates (Casa Gucci)

MELHOR PENTEADO E MAQUIAGEM
Cruella
Duna
The Eyes of Tammy Faye
Casa Gucci
O Beco do Pesadelo

MELHORES EFEITOS VISUAIS
Duna
The Matrix Resurrections
O Beco do Pesadelo
Sem Tempo Para Morrer
Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis

MELHOR COMÉDIA

Duas Tias Loucas de Férias (Barb & Star Go to Vista Del Mar)
Não Olhe Para Cima (Don’t Look Up)
Free Guy: Assumindo o Controle (Free Guy)
A Crônica Francesa (The French Dispatch)
Licorice Pizza

MELHOR LONGA DE ANIMAÇÃO
Encanto
Flee
Luca
A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas (The Mitchells vs the Machines)
Raya e o Último Dragão (Raya and the Last Dragon)

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
A Hero
Drive My Car
Flee
The Hand of God
The Worst Person in the World

MELHOR CANÇÃO
Be Alive (King Richard: Criando Campeãs)
Dos Oruguitas (Encanto)
Guns Go Bang (Vingança & Castigo)
Just Look Up (Não Olhe Para Cima)
No Time to Die (Sem Tempo Para Morrer)

MELHOR TRILHA MUSICAL
Nicholas Britell (Não Olhe Para Cima)
Jonny Greenwood (Ataque dos Cães)
Jonny Greenwood (Spencer)
Nathan Johnson (O Beco do Pesadelo)
Hans Zimmer (Duna)

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A cerimônia do Critics’ Choice Awards será transmitida peloa TNT no dia 9 de Janeiro.

‘ATAQUE DOS CÃES’ e ‘BELFAST’ LIDERAM INDICAÇÕES ao GLOBO DE OURO

EMBORA CERIMÔNIA AINDA NÃO ESTEJA GARANTIDA, HFPA ANUNCIA INDICADOS

Recapitulando para quem perdeu o bonde: Em 2021, a HFPA (Hollywood Foreign Press Association), grupo formado por jornalistas estrangeiros e responsável pela premiação do Globo de Ouro, foi alvo de acusações de jornais tais como a ausência total de jornalistas negros, e a forte suspeita de compra de votos por estúdios através de diárias caríssimas de hotéis na França para reconhecer a série Emily in Paris. Com a perda da credibilidade, a rede NBC cancelou a transmissão da cerimônia de 2022 e inúmeros estúdios anunciaram que não investiriam na campanha junto ao Globo de Ouro, pelo menos até arrumarem a casa. Inicialmente, os responsáveis pela HFPA acreditavam que essa reformulação seria rápida e eficiente, mas passados 8 meses, o Globo de Ouro ainda está repercutindo a crise. Recentemente, decidiram anunciar os indicados (afinal, são 78 anos de história de cinema e TV), mas a cerimônia, bem como a transmissão, ainda estão pendentes.

Na Live ocorrida no canal Golden Globes no YouTube, a presidente da HFPA, Helen Hoehne, começou com um discurso esperançoso, pontuando as mudanças já realizadas nos últimos meses como a inclusão de 21 novos membros jornalistas de mais de 50 países, e uma nova conduta da organização ao não aceitar mais presentes dos estúdios como forma de mimos, mas nenhuma palavra sobre a transmissão, o que se mostrou um erro. Deveriam ter firmado já alguma parceria com outra emissora ou pelo menos transmitir no próprio YouTube, já que a cerimônia já ocorre no próximo dia 09 de Janeiro. Pra quem não conferiu o anúncio dos indicados, segue link abaixo:

Já vimos vários anúncios de indicados ao longo dos anos, mas esta certamente foi uma das piores já vistas. Não dá pra entender. A nova presidente da HFPA se apresenta repleta de espírito de inovação, mas quando ela introduz Snoop Dogg pra ler os indicados, tudo vira motivo pra piada! Longe de nós querer debochar do músico, que até tem um histórico no cinema como sua participação em Dia de Treinamento e na animação da Dreamworks, Turbo, mas todos sabem que seu nome está atribuído às drogas. Snoop Dogg claramente não é a pessoa mais indicada para ler nomes às 6 horas da manhã (sem falar na possiblidade de ele estar chapado), então foi um festival de erros bizarros como ler o nome do diretor Denis Villeneuve como “Denis Villenueva” (de francês virou espanhol) e a atriz francesa Marion Cotillard virou “Marian Cottier”. Dogg fez Tiffany Haddish uma professora de Inglês! Tudo bem que nenhuma celebridade hollywoodiana queimaria sua reputação aceitando o convite da HFPA, mas se Dogg fosse a única opção, teria sido melhor outro membro da organização ler os indicados. Ficaria minimamente mais respeitoso!

E uma última coisa que gostaríamos de pontuar é que a mundo das premiações de cinema também é cruel. Enquanto o Globo de Ouro está em frangalhos (mas pelo menos está se esforçando para retomar seu prestígio), a nossa querida “bolha assassina”, ou como muitos conhecem Critics’ Choice Awards, resolveu roubar na cara dura o lugar do Globo de Ouro, agendando as datas de anúncio e premiação nos mesmos dias: 13 de Dezembro as indicações, e 09 de Janeiro a premiação. Particularmente não gostamos muito do Critics’ Choice porque sempre foi algo muito genérico, que faz de tudo para agradar os estúdios e celebridades (como estender para 8 indicados uma categoria), o que fez com que associemos esse prêmio a uma falta de personalidade. Só vamos dizer uma coisa ao Critics’: O mundo dá voltas.

NÚMEROS DO GLOBO DE OURO

Os recordistas desta 79ª edição foram Belfast, de Kenneth Branagh, e Ataque dos Cães, de Jane Campion, ambos com 7 indicações cada. Por enquanto, caminhamos para uma premiação dividida entre eles: Melhor Filme para o drama autobiográfico de Branagh, e Direção para Campion para reconhecer um trabalho ousado e delicado. Em 2º lugar, empatados com 4 indicações para cada: o drama King Richard: Criando Campeãs, que pode alavancar a campanha de Melhor Ator para Will Smith, as comédias Não Olhe Para Cima e Licorice Pizza, e o musical de Spielberg, Amor, Sublime Amor.

SURPRESAS

Pra quem estava antenado com este início de temporada, as escolhas da HFPA não chegaram a surpreender. Claro que houve alguns momentos estranhos como a inesperada indicação de Mahershala Ali a Melhor Ator – Drama por Swan Song. Embora o nome de Ali esteja longe de ser desconhecido, o filme havia passado desapercebido até então. Nele, seu personagem decide fazer um clone de si mesmo quando descobre ter uma doença terminal.

E embora The Lost Daughter tenha vencido os principais prêmios na última edição do Gotham Awards, havia a expectativa de que Maggie Gyllenhaal fosse indicada apenas a Melhor Roteiro, mas ela ficou entre os finalistas a Melhor Direção. Ela integra uma enxuta lista de diretoras indicadas ao Globo de Ouro ao lado de Jane Campion, que já havia sido indicada em 1994 por O Piano. Pelo filme, Olivia Colman também recebeu uma nova indicação a Melhor Atriz.

Dentre as ausências, talvez a mais sentida tenha sido a de O Beco do Pesadelo, novo filme do mexicano Guillermo del Toro, estrelado por Bradley Cooper, Cate Blanchett, Rooney Mara, Toni Collette e Willem Dafoe. Alguns especulam que a data tardia de lançamento, dia 17 de Dezembro, tenha sido o motivo da esnobada. Embora tenha grandes nomes no elenco e o próprio prestígio do diretor, algo nos diz que o filme deve coletar indicações apenas nas categorias artísticas como Design de Produção, Figurino e Fotografia.

A Variety mencionou as ausências de Rita Moreno como Coadjuvante e Ansel Elgort como Ator de Comédia ou Musical, ambos por Amor, Sublime Amor, mas não víamos boas possibilidades no Globo de Ouro. É possível que Moreno seja reconhecida pela Academia, ainda mais por ter vencido o Oscar de Coadjuvante pelo musical original de 1961.

Poderíamos incluir Jennifer Hudson ausente da lista, mas a cinebiografia de Aretha Franklin, Respect, não foi bem recebida pela crítica e pelo público. Por outro lado, vale ressaltar a dupla indicação para Jessica Chastain, que concorre pelo filme The Eyes of Tammy Faye e pela série Scenes from a Marriage.

Sobre as categorias de TV, o maior destaque fica por conta de Squid Game (ou Round 6, como ficou conhecida no Brasil), da Netflix. Além de ter se tornado a série mais vista em 90 países, tornou-se a primeira série em língua estrangeira a receber indicação para Melhor Série, já que o regulamento da HFPA não aceitava produções de fora dos EUA e por isso, sofria duras críticas. Além dessa indicação, a série sul-coreana foi reconhecida nas categorias de Melhor Ator e Melhor Ator Coadjuvante.

INDICADOS AO 79º GLOBO DE OURO:

CINEMA

MELHOR FILME – DRAMA
Belfast (Focus Features)
No Ritmo do Coração (CODA) (Apple)
Duna (Dune) (Warner Bros.)
King Richard: Criando Campeãs (King Richard) (Warner Bros.)
Ataque dos Cães (The Power of the Dog) (Netflix)

MELHOR ATRIZ – DRAMA
Jessica Chastain (The Eyes of Tammy Faye)
Olivia Colman (The Lost Daughter)
Nicole Kidman (Being the Ricardos)
Lady Gaga (Casa Gucci)
Kristen Stewart (Spencer)

MELHOR ATOR – DRAMA
Mahershala Ali (Swan Song)
Javier Bardem (Being the Ricardos)
Benedict Cumberbatch (Ataque dos Cães)
Will Smith (King Richard: Criando Campeãs)
Denzel Washington (The Tragedy of Macbeth)

MELHOR FILME – COMÉDIA OU MUSICAL
Cyrano (MGM)
Não Olhe Para Cima (Don’t Look Up)
Licorice Pizza (MGM/United Artists Releasing)
tick, tick… BOOM! (Netflix)
Amor, Sublime Amor (West Side Story) (20th Century Studios)

MELHOR ATRIZ – COMÉDIA OU MUSICAL
Marion Cotillard (Annette)
Alana Haim (Licorice Pizza)
Jennifer Lawrence (Não Olhe Para Cima)
Emma Stone (Cruella)
Rachel Zegler (Amor, Sublime Amor)

MELHOR ATOR – COMÉDIA OU MUSICAL
Leonardo DiCaprio (Não Olhe Para Cima)
Peter Dinklage (Cyrano)
Andrew Garfield (Tick, tick… Boom!)
Cooper Hoffman (Licorice Pizza)
Anthony Ramos (Em um Bairro de Nova York)

MELHOR LONGA DE ANIMAÇÃO
Encanto (Walt Disney Pictures)
Flee (Neon)
Luca (Pixar)
My Sunny Maad
Raya e o Último Dragão (Raya and the Last Dragon) (Walt Disney Pictures)

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
Compartment No.6 – FINLÂNDIA
Drive My Car – JAPÃO
The Hand of God – ITÁLIA
A Hero – IRÃ
Parallel Mothers – ESPANHA

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Caitriona Balfe (Belfast)
Ariana DeBose (Amor, Sublime Amor)
Kirsten Dunst (Ataque dos Cães)
Aunjanue Ellis (King Richard: Criando Campeãs)
Ruth Negga (Passing)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Ben Affleck (The Tender Bar)
Jamie Dornan (Belfast)
Ciarán Hinds (Belfast)
Troy Kotsur (No Ritmo do Coração)
Kodi Smit-McPhee (Ataque dos Cães)

MELHOR DIREÇÃO
Kenneth Branagh (Belfast)
Jane Campion (Ataque dos Cães)
Maggie Gyllenhaal (The Lost Daughter)
Steven Spielberg (Amor, Sublime Amor)
Denis Villeneuve (Duna)

MELHOR ROTEIRO
Paul Thomas Anderson (Licorice Pizza)
Kenneth Branagh (Belfast)
Jane Campion (Ataque dos Cães)
Adam McKay (Não Olhe Para Cima)
Aaron Sorkin (Being the Ricardos)

MELHOR TRILHA MUSICAL
Alexandre Desplat (A Crônica Francesa)
Germaine Franco (Encanto)
Jonny Greenwood (Ataque dos Cães)
Alberto Iglesias (Parallel Mothers)
Hans Zimmer (Duna)

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“Be Alive” – Beyoncé Knowles-Carter, Dixson (King Richard: Criando Campeãs)
“Dos Orugitas” – Lin-Manuel Miranda (Encanto)
“Down to Joy” – Van Morrison (Belfast)
“Here I Am (Singing My Way Home)” – Jamie Alexander Hartman, Jennifer Hudson, Carole King (Respect)
“No Time to Die” – Billie Eilish, Finneas O’Connell (007 – Sem Tempo Para Morrer)


TELEVISÃO/STREAMING

MELHOR SÉRIE – DRAMA
Lupin
The Morning Show
Post
Squid Game
Succession

MELHOR ATRIZ DE SÉRIE – DRAMA
Uzo Aduba (In Treatment)
Jennifer Aniston (The Morning Show)
Christine Baranski (The Good Fight)
Elisabeth Moss (The Handmaid’s Tale)
Michaela Jaé (MJ) Rodriguez (Pose)

MELHOR ATOR DE SÉRIE – DRAMA
Brian Cox (Succession)
Lee Jung-jae (Squid Game)
Billy Porter (Pose)
Jeremy Strong (Succession)
Omar Sy (Lupin)

MELHOR SÉRIE – COMÉDIA OU MUSICAL
The Great (Hulu)
Hacks (HBO Max)
Only Murders in the Building (Hulu)
Reservation Dogs (FX on Hulu)
Ted Lasso (Apple TV Plus)

MELHOR ATRIZ DE SÉRIE – COMÉDIA OU MUSICAL
Hannah Einbinder (Hacks)
Elle Fanning (The Great)
Issa Rae (Insecure)
Tracee Ellis Ross (Black-ish)
Jean Smart (Hacks)

MELHOR ATOR DE SÉRIE – COMÉDIA OU MUSICAL
Anthony Anderson (Black-ish)
Nicholas Hoult (The Great)
Steve Martin (Only Murders in the Building)
Martin Short (Only Murders in the Building)
Jason Sudeikis (Ted Lasso)

MELHOR MINISSÉRIE OU FILME PARA TV
Dopesick (Hulu)
Impeachment: American Crime Story (FX)
Maid (Netflix)
Mare of Easttown (HBO)
The Underground Railroad (Amazon Prime Video)

MELHOR ATRIZ DE MINISSÉRIE OU FILME PARA TV
Jessica Chastain (Scenes From a Marriage)
Cynthia Erivo (Genius: Aretha)
Elizabeth Olsen (WandaVision)
Margaret Qualley (Maid)
Kate Winslet (Mare of Easttown)

MELHOR ATOR DE MINISSÉRIE OU FILME PARA TV
Paul Bettany (WandaVision)
Oscar Isaac (Scenes From a Marriage)
Michael Keaton (Dopesick)
Ewan McGregor (Halston)
Tahar Rahim (The Serpent)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE DE SÉRIE, MINISSÉRIE OU FILME PARA TV
Jennifer Coolidge (White Lotus)
Kaitlyn Dever (Dopesick)
Andie MacDowell (Maid)
Sarah Snook (Succession)
Hannah Waddingham (Ted Lasso)

MELHOR ATOR COADJUVANTE DE SÉRIE, MINISSÉRIE OU FILME PARA TV
Billy Crudup (The Morning Show)
Kieran Culkin (Succession)
Mark Duplass (The Morning Show)
Brett Goldstein (Ted Lasso)
Oh Yeong-su (Squid Game)

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A 79ª cerimônia do Globo de Ouro está marcada para o dia 09 de Janeiro.

APOSTAS PARA O OSCAR 2017: O Ano de ‘LA LA LAND’

Pôster oficial do Oscar 2017, com o host Jimmy Kimmel

Pôster oficial do Oscar 2017, com o host Jimmy Kimmel

EM SUA 89ª EDIÇÃO, O OSCAR PODE VOLTAR A PREMIAR UM MUSICAL APÓS 14 ANOS

Yes, it’s Oscar time! Infelizmente, este ano coincidiu com o Carnaval, este evento anual que é responsável por ruas públicas urinadas, e com isso, a Globo, que é detentora dos direitos de transmissão, não deve passar ao vivo porque o Carnaval é mais importante, né gente? Primeiro vem o Carnaval, em segundo o Big Brother e se sobrar tempo, vem o Oscar. Aí eu pergunto: Por que não deixar outra emissora aberta transmitir? Porque a Globo não gosta de concorrência.

Enfim, felizmente, o Oscar pode contar com a TNT, que aliás, iniciará sua transmissão a partir das 21h, horário de Brasília, quando teremos o famoso tapete vermelho e as entrevistas. Para quem ouve a faixa de áudio com tradução simultânea, poderá contar com os comentários de Rubens Ewald Filho e Domingas Person. Como a tradução mais atrapalha do que ajuda, prefiro sempre ouvir em áudio original em inglês.

HOST: JIMMY KIMMEL

É difícil prevermos se um host mandará bem ou não no Oscar, por isso, os produtores do evento costumam fazer apostas mais seguras, convidando profissionais que lidam com humor de stand up como Chris Rock ou que tenham os próprios talk shows como David Letterman. Das poucas vezes que arriscaram, os resultados foram desastrosos: em 2010, a dupla Steve Martin e Alec Baldwin; e em 2011, a dupla mais sem química de todas Anne Hathaway e James Franco. Honestamente, até hoje não entendo quem teve a brilhante idéia de fazer essa combinação.

Os produtores desta 89ª cerimônia, Michael de Luca e Jennifer Todd, foram no safe bet (aposta segura) com Jimmy Kimmel. Seu talk show, o Jimmy Kimmel Live!, trabalha bem com sátiras de filmes e assim como o Oscar, é transmitido ao vivo, o que lhe garante experiência nos possíveis imprevistos. Além disso, Kimmel já foi host do Emmy Awards duas vezes. Espero que ele faça uma ótima apresentação, porque 3 horas de show tem que saber não deixar a peteca cair! Mas se dependesse de mim, pediria o retorno de Jon Stewart (ele seria perfeito nesse momento de turbulências políticas de Trump!), ou se fosse pra “estrear” alguém, chamaria Jim Carrey, que sempre foi muito bem nas apresentações de prêmios do Oscar e Globo de Ouro.

A 89ª EDIÇÃO DO OSCAR

Após conferir todos os nove filmes indicados a Melhor Filme, consegui chegar a um veredito pessoal. Claro que alguns vão concordar e outros podem discordar, afinal, estamos falando de Arte, que pode ser interpretada de acordo com cada espectador. De todos os nove, se eu fosse membro da Academia, votaria no western moderno A Qualquer Custo. Trata-se de um filme bem realizado, com uma direção segura e minimalista de David Mackenzie (que infelizmente não foi indicado), todo o elenco apresenta performances acima da média, inclusive os quase figurantes em cena, os personagens são ricos e complexos, e gera reflexão enquanto expõe o país do pós-crise econômica e nos diverte com suas piadas politicamente incorretas proferidas pelo personagem Marcus Hamilton (Jeff Bridges). Não entendi como Ben Foster não estava entre os indicados a Ator Coadjuvante.

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A Qualquer Custo (Hell or High Water)

Mas ao mesmo tempo, entendo o hype em torno de La La Land, que concorre a 14 Oscars. Primeiramente, é um dos bons exemplares do gênero musical, que predominava na Hollywood dos anos 50 e 60. Fazer um musical bem feito hoje em dia é para poucos. Não contamos mais com Fred Astaire, Ginger Rogers e Gene Kelly pra ajudar o musical a brilhar. Mas acima da qualidade fílmica em si, o filme de Damien Chazelle merece os láureos da temporada por saber dialogar sobre o sonho artístico. E não precisa ter feito faculdade ou trabalhado com Artes pra ser pego por La La Land, afinal, quem nunca teve o sonho de viver de Arte? Fazer um filme, pintar quadros, fazer exposições com suas fotos, ser cantor! Depois de conferirmos La La Land, é possível entender um pouco melhor os percalços de cada aspirante a artista, seja em Hollywood, seja na Índia.

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La La Land: Cantando Estações (La La Land)

Se A Chegada vencesse o Oscar de Melhor Filme, não seria nada injusto. Primeiramente, porque o gênero da ficção científica sempre foi considerado como Filme B pela Academia, tanto que nunca foi premiado como Melhor Filme em 88 anos de história. E em segundo lugar, o filme de Denis Villeneuve é mais do que um mero sci-fi. Aproveitando-se de uma história de invasão alienígena, ele cria uma análise do poder da comunicação entre povos como antítese da guerra. Em tempos de extrema direita de Donald Trump, em que imigrantes estão sendo deportados por pertencerem à religião muçulmana e de sete países do Oriente Médio, percebe-se claramente que está havendo uma falta de comunicação entre as nações. Embora tenha seu diretor indicado, a campanha do filme perdeu um pouco de sua força quando sua protagonista vivida por Amy Adams foi excluída da categoria de Melhor Atriz.

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A Chegada (Arrival)

Entre os filmes indies, o novo filme de Kenneth Lonergan, Manchester à Beira-Mar, foi um dos grandes destaques da temporada. Favorito nas categorias de Roteiro Original e Ator, o longa realmente tem seus maiores méritos justamente nesses dois campos. Com ampla experiência em peças, Lonergan consegue tecer uma história poderosa sobre perdas e traumas familiares, sem cair nos chavões dramáticos do subgênero. Mesmo numa história sobre luto, ele consegue criar momentos de ótimo humor negro, elemento esse que casou muito bem com a performance introspectiva de Casey Affleck. Na verdade, o elenco todo está bem equilibrado, já que Lucas Hedges se contrapõe a Affleck com sua energia, e Michelle Williams consegue extrair um pouco do passado tenebroso com sua sensibilidade.

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Manchester à Beira-Mar (Manchester by the Sea)

 

Quanto ao filme de guerra Até o Último Homem, acredito que a indicação em si teve dois propósitos. Primeiramente, a Academia sempre gosta de preencher uma cota de filme de mocinho. A história verídica do soldado que nunca pegou numa arma, mas salvou várias vidas tinha de ser contada. E em segundo, a Academia gosta de perdoar artistas numa tentativa de causar uma redenção. Foi assim com problemáticos como Robert Downey Jr. e Sean Penn. Aqui é Mel Gibson, que nos últimos anos, soltou declarações polêmicas anti-semitas em situações constrangedoras, como quando foi pego bêbado pela polícia. Acho um bom filme, consistente, bem filmado por Gibson, mas peca pelo excesso nítido de Cristianismo. Daria pra dizer que é um filme patrocinado pela Igreja Cristã de tantas menções bíblicas e a forte inclinação do protagonista vivido por Andrew Garfield.

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Até o Último Homem (Hacksaw Ridge)

Em relação a Lion: Uma Jornada Para Casa e Um Limite Entre Nós, vejo um problema grave de adaptação. Vamos partir do princípio fundamental de que Cinema, Literatura e Teatro são formas de Arte distintas entre si. Cada meio de comunicação tem suas características muito próprias que precisam ser respeitadas para que funcionem. Nem tudo o que funcionou no livro vai funcionar no filme, assim como tudo o que funcionou numa peça vai funcionar no filme. Embora sejam duas histórias que precisavam ser contadas (Lion é sobre um rapaz indiano que encontra sua mãe biológica depois de vários anos, e Um Limite Entre Nós faz um belo estudo sobre a vida suburbana num bairro negro nos anos 60), faltou alguém que lapidasse as coisas que não funcionam em cinema.

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Lion: Uma Jornada Para Casa (Lion)

Em Lion, o segundo ato é totalmente ineficiente. Temos um ótimo começo e um ótimo final, mas o desenvolvimento da trama simplesmente nos faz engolir alguns acontecimentos por serem verídicos. Além disso, a personagem de Rooney Mara, apesar de ser real também, poderia ter sido cortada por completo, pois além de um papel mal escrito, não ajuda em nada a avançar a trama. Já em Um Limite Entre Nós, não tem como assistir ao filme sem pensar na peça de teatro. Eu mesmo ficava imaginando a história toda encenada num palco. Claro que não se trata apenas de um cenário confinando os personagens, mas a história toda se baseia em texto (diálogos bem defendidos pelos atores, especialmente Viola Davis, que tem dois monólogos), e Cinema é texto transformado em ação. Até movimentos de câmera foram economizados e a adaptação ficou essa coisa pobre. O texto original de August Wilson merecia um tratamento melhor pras telas. Honestamente, não entendi alguns críticos defendendo reconhecimento de Denzel Washington como diretor…

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Um Limite Para Nós (Fences)

Falando em coisas que não entendi foi o alto reconhecimento para Moonlight: Sob a Luz do Luar, começando pelo roteiro de Barry Jenkins. Ele reúne temas fortes e polêmicos como homossexualidade e drogas, mas os trata de forma superficial, quase estereotipada. Temos uma mãe viciada que maltrata seu filho, que passa a ser cuidado por um ex-traficante, e ao amadurecer, descobre-se homossexual e sofre bullying por sua opção sexual. Essa reunião de elementos me pareceu muito didática com soluções muito simples, algo comum para diretores em processo de formação. Obviamente, há méritos isolados como a atuação de Mahershala Ali, que merecia mais tempo de filme, e a trilha musical de Nicholas Britell, mas no geral considero uma produção superestimada, e muito provavelmente só está em alta por pegar carona com a polêmica do #OscarSoWhite. A Academia precisava eleger um filme que pudesse responder às críticas que sofreu ano passado e optou por este. Contudo, quero deixar bem claro que não estou criticando Moonlight por seus temas (antes que venham comentários politicamente corretos), mas a forma como os temas foram trabalhados. Já vi e gostei de inúmeros filmes que abordam o mesmo universo, porém de um jeito mais maduro e consistente como o Querelle, do Fassbinder, por exemplo, ou os mais recentes como Mistérios da Carne, Direito de AmarWeekend. Pode ser que lá pra frente Barry Jenkins se torne um bom diretor, pois tem potencial, mas por enquanto é cedo demais para tanto.

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Moonlight: Sob a Luz do Luar (Moonlight)

E por último, apesar de ser mega convencional, Estrelas Além do Tempo funciona. De todos os filmes de temática negra é o que mais sabe valorizar a raça com personagens fortes e uma história sensacional e verídica de moças negras que ajudaram a NASA a levar John Glenn ao espaço com seus conhecimentos técnicos.É uma fórmula batida? Sim, mas está bem aplicada. Não sei se merecia o posto de indicado a Oscar de Melhor Filme, mas pelo menos é honesto. Não entendi bem a indicação isolada para Octavia Spencer, já que todas as atrizes estão bem, embora Taraji P. Henson tenha o papel mais tridimensional por ser a protagonista de fato. Enfim, é uma história edificante que a Academia adora reconhecer, mesmo sendo quadrado.

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Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures)

MELHOR FILME

  • A Chegada (Arrival)
  • Um Limite Entre Nós (Fences)
  • Até o Último Homem (Hacksaw Ridge)
  • A Qualquer Custo (Hell or High Water)
  • Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures)
  • La La Land: Cantando Estações (La La Land)
  • Lion: Uma Jornada Para Casa (Lion)
  • Manchester à Beira-Mar (Manchester by the Sea)
  • Moonlight: Sob a Luz do Luar (Moonlight)

La La Land: A Última Estação (La La Land)

La La Land: Cantando Estações (La La Land), de Damien Chazelle

DEVE GANHAR: La La Land
DEVERIA GANHAR: La La Land
ZEBRA: A Qualquer Custo

ESNOBADO: Animais Noturnos

Este ano, a Academia decidiu praticamente reproduzir a lista de indicados do PGA (sindicato de produtores), com a única exceção de Deadpool, injustamente excluído. Embora o filme do personagem da Marvel tenha se saído bem na temporada, com participações no Critics’ Choice, Globo de Ouro e no próprio PGA, não conseguiu furar o bloqueio do conservadorismo dos votantes da Academia. Eles ainda têm aversão a adaptações de quadrinhos, mesmo depois de ser severamente criticada com a não-indicação de Batman: O Cavaleiro das Trevas em 2009.

Se Histórias em Quadrinhos ainda é um subgênero que não merece o respeito da Academia, por que não indicar Animais Noturnos? Apesar de se tratar apenas do segundo longa de Tom Ford (que merecia uma indicação de Roteiro Adaptado), o filme é marcante pela tensão das cenas. Teria sido tenso demais para os corações dos votantes mais idosos?

Quanto aos resultados, de acordo com o histórico da temporada, o musical La La Land deve ganhar sem maiores sustos, já que levou o Globo de Ouro, o PGA e o BAFTA. Como a Academia adora premiar filmes que tem como tema Hollywood (O Artista, por exemplo) e o universo dos atores (Birdman), o musical é nada mais, nada menos do que a junção das duas coisas. A única ameaça atende pelo nome de Moonlight, que pode surpreender no caso dos quase 7 mil membros decidirem responder às críticas racistas do ano passado.

MELHOR DIRETOR

  • Damien Chazelle (La La Land)
  • Mel Gibson (Até o Último Homem)
  • Barry Jenkins (Moonlight)
  • Kenneth Lonergan (Manchester à Beira-Mar)
  • Denis Villeneuve (A Chegada)

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DEVE GANHAR: Damien Chazelle (La La Land)
DEVERIA GANHAR: Denis Villeneuve (A Chegada)
ZEBRA: Mel Gibson (Até o Último Homem)

ESNOBADO: David Mackenzie (A Qualquer Custo)

Após as vitórias no Critics’ Choice, Globo de Ouro e no próprio sindicato de diretores (DGA), fica praticamente impossível Damien Chazelle não levar seu primeiro Oscar aos 32 anos, e se tornar o mais jovem profissional a ganhar nesta categoria. “Ah, mas ele não é muito jovem para ganhar?” – alguns podem se questionar. Sim, ele pode ter a idade de um artista em formação, mas para quem viu La La Land, sabe que estava diante de um trabalho altamente profissional e excepcional. Como um bom discípulo de Quentin Tarantino, ele se apoiou em inúmeras referências que vão desde Amor Sublime Amor até Os Guarda-Chuvas do Amor, já que apostar no gênero consagrado por ícones do cinema, tinha altas probabilidades de ser um projeto fracassado.

A zebra ficou com Mel Gibson, porque ele foi o elemento surpresa da categoria e também porque foi o único da lista que fora indicado previamente (e ganhou por Coração Valente em 1996). Sua indicação já foi vista por muitos como um perdão aceito pela Academia em relação às declarações anti-semitas dele. A respeito da direção dele, acho que ele pecou em dois aspectos: o excesso de Cristianismo (o filme parece patrocinado pela Igreja), e a questão da unidade, já que a primeira e a segunda metade são filmes bem diferentes.

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David Mackenzie

Apesar dos diretores ausentes mais comentados serem Tom Ford (Animais Noturnos) e Garth Davis (Lion), meu voto de maior ausência aqui vai para a direção mais minimalista e eficiente de David Mackenzie. Bastante conciso, ele consegue contar uma boa história, dirigir muito bem todos os seus atores (desde os protagonistas até os quase-figurantes) e ainda construir um poderoso reflexo da crise econômica que desolou os EUA sem soar piegas. Responsável por bons dramas independentes desde os anos 90, uma indicação aqui não apenas reconheceria sua filmografia, mas poderia proporcionar projetos ainda mais ambiciosos e até lhe dar carta branca com o estúdio.

MELHOR ATOR

  • Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar)
  • Andrew Garfield (Até o Último Homem)
  • Ryan Gosling (La La Land)
  • Viggo Mortensen (Capitão Fantástico)
  • Denzel Washington (Um Limite Entre Nós)

Segundo críticos, Casey Affleck entrega a performance de sua vida em Manchester à Beira-Mar (photo by moviepilot.de)

Segundo críticos, Casey Affleck entrega a performance de sua vida em Manchester à Beira-Mar (photo by moviepilot.de)

DEVE GANHAR: Denzel Washington (Um Limite Entre Nós)
DEVERIA GANHAR: Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar)
ZEBRA: Viggo Mortensen (Capitão Fantástico)

ESNOBADO: Adam Driver (Paterson)

Quando a temporada começou, Casey Affleck ganhou importantes prêmios de Ator como o National Board of Review, o NYFCC e o Globo de Ouro, mas nas últimas semanas, teve seu reinado ameaçado com a vitória de Denzel Washington no SAG Awards. Como todos sabem, uma vitória no sindicato de atores é meio Oscar ganho, pois boa parte dos votantes do sindicato também votam na Academia. O único porém nessa história é que Denzel nunca havia vencido o SAG em 22 anos de existência, fato que teria colaborado com sua primeira vitória.

Já no Oscar, vale lembrar que o ator já conquistou duas estatuetas: Coadjuvante por Tempo de Glória em 1990 e Ator por Dia de Treinamento em 2002, e se ganhar a terceira, juntar-se-á um seleto grupo de atores que inclui Jack Nicholson e Meryl Streep. Particularmente, não acho que ele mereça tudo isso, pois vejo que ele tem algumas limitações como ator, começando com suas escolhas restritas de papéis, normalmente de personagens arrogantes e rebeldes. E para quem conferiu Manchester à Beira-Mar, sabe que estava diante de uma performance contida e repleta de nuances, que apenas o cinema poderia proporcionar. Infelizmente, levantaram um suposto incidente envolvendo atitudes machistas de Casey Affleck em set de filmagens, que podem prejudicar seu favoritismo. E, honestamente, ele poderia se ajudar nas premiações, sendo mais alegre e grato. Já que ele é ator, poderia pelo menos fingir que realmente gostou de ser reconhecido!

MELHOR ATRIZ

  • Isabelle Huppert (Elle)
  • Ruth Negga (Loving)
  • Natalie Portman (Jackie)
  • Emma Stone (La La Land)
  • Meryl Streep (Florence: Quem é Essa Mulher?)

Emma Stone em cena do musical La La Land: Cantando Estações (photo by tumblr.com)

Emma Stone em cena do musical La La Land: Cantando Estações (photo by tumblr.com)

DEVE GANHAR: Emma Stone (La La Land: Cantando Estações)
DEVERIA GANHAR: Isabelle Huppert (Elle)
ZEBRA: Meryl Streep (Florence: Quem é Essa Mulher?)

ESNOBADA: Amy Adams (A Chegada)

Após ganhar o Globo de Ouro, o SAG e o BAFTA, Emma Stone só perde seu primeiro Oscar em caso de tragédia surpreendente, que particularmente, gostaria que ocorresse. Obviamente, ela merece uma série de elogios em relação à sua performance, sua voz cantada e principalmente seu carisma, tanto que se tornou a nova America’s sweetheart. Definitivamente, sua melhor cena é aquela em que canta “Audition (The Fools Who Dream)”, pois ao mesmo tempo em que canta, ela expõe a última chama do sonho dela de atuar.

Além do carisma, Emma tem vantagem em dois campos: o papel e a nacionalidade. Sim, ela interpreta uma atriz que tenta alcançar seu objetivo, e sim, ela é americana. Com essas armas, ela deverá bater a melhor atriz em competição: Isabelle Huppert, que além de ser francesa, interpreta uma personagem bastante complexa que não espera a identificação do público em Elle. Embora seja a melhor atuação feminina, ganhando vários prêmios da crítica, inclusive americana, quando se trata de Oscar, parece que o patriotismo fala mais alto. Em 89 anos de história, a Academia premiou apenas três atores que atuaram em língua estrangeira: os italianos Sophia Loren e Roberto Benigni, e a francesa Marion Cotillard. Em caso de vitória de Huppert, o Oscar ganharia muito em credibilidade.

E a ausência mais comentada do Oscar 2017 foi a de Amy Adams. Esta seria sua sexta indicação ao Oscar, mas talvez por questão de timing, resolveram substitui-la com Meryl Streep após aquele grandioso discurso de agradecimento no Globo de Ouro contra Trump. Considero Adams uma boa atriz, mas torço para que ela busque se desafiar mais em papéis que nada se assemelham à figura dela, e ela possa mostrar ao público um tom de voz, um jeito de caminhar, uns trejeitos mais diferentes ou até apelar pra uma maquiagem mais forte para alguém dizer “aquela é a Amy Adams”? Pode soar como uma estratégia barata e superficial, mas funciona e esse pode ser o caminho para o primeiro Oscar dela.

MELHOR ATOR COADJUVANTE

  • Mahershala Ali (Moonlight)
  • Jeff Bridges (A Qualquer Custo)
  • Lucas Hedges (Manchester à Beira-Mar)
  • Dev Patel (Lion)
  • Michael Shannon (Animais Noturnos)

Mahershala Ali em cena de Moonlight (photo by moviepilot.de)

Mahershala Ali em cena de Moonlight (photo by moviepilot.de)

DEVE GANHAR: Mahershala Ali (Moonlight)
DEVERIA GANHAR: Jeff Bridges (A Qualquer Custo)
ZEBRA: Lucas Hedges (Manchester à Beira-Mar)

ESNOBADO: John Goodman (Rua Cloverfield, 10) e Ben Foster (A Qualquer Custo)

Nessa categoria, nunca houve um favorito de fato, tanto que o que mais teve relevância  na temporada, Aaron Taylor-Johnson, sequer foi indicado ao Oscar por Animais Noturnos. Na indecisão, Mahershala Ali se tornou um favorito depois que ganhou o SAG e fez um belo e propício discurso sobre ter origens muçulmanas perante a decisão xenófoba do presidente Donald Trump.

Embora muitos falem que Jeff Bridges foi Jeff Bridges em A Qualquer Custo, gosto da atuação dele. Claro que ele não se transforma, e seu tom de voz é aquele mesmo de Coração Louco, mas ele assume tão bem a personalidade politicamente incorreta do Texas Ranger Marcus que suas falas são memoráveis. E a atuação dele cresce com minúcias como a pausa silenciosa dele após ser atendido por uma garçonete arrogante, ou ele soltar uma comemoração tímida após acertar um tiro.

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John Goodman

Além dos indicados, dois nomes não poderiam ter ficado de fora dessa lista: John Goodman e Ben Foster. O primeiro, mais conhecido por personagens bonzinhos como Fred Flinstone e até na dublagem de Sully na animação Monstros S.A., jogou tudo para o alto ao assumir o papel do sinistro Howard, que mantém a ordem em seu abrigo subterrâneo. E não se trata apenas de uma mudança radical de tipos de papéis, mas ele consegue segurar o filme todo nas costas mesmo sob a pele de um ser desprezível em Rua Cloverfield, 10. Acreditava que a Academia não perderia essa oportunidade de reconhecê-lo pela primeira vez, mas creio que seu papel bem pesado acabou o tirando da disputa. Uma pena.

E quanto a Ben Foster, alguns anos atrás, fiz uma matéria sobre atores promissores e o incluí nessa lista: https://cinemaoscareafins.wordpress.com/2012/07/19/nova-geracao-de-atores/. Apesar de pegar uns papéis de seres meio estranhos e

Ben Foster

Ben Foster

violentos, ele consegue se transformar sem deixar rastros como faz grandes atores como Daniel Day-Lewis. Aqui no western moderno de A Qualquer Custo, ele atua como o irmão que foi preso e largou a família na mão em tempos difíceis. Um personagem complexo e anti-herói, mas que Foster oferece uma empatia tão grande que fica difícil não torcer por ele até o final. Também seria sua primeira indicação, mas… é mera questão de tempo para Ben Foster pisar o tapete vermelho.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

  • Viola Davis (Um Limite Entre Nós)
  • Naomie Harris (Moonlight)
  • Nicole Kidman (Lion)
  • Octavia Spencer (Estrelas Além do Tempo)
  • Michelle Williams (Manchester à Beira-Mar)

Viola Davis em cena de Um Limite Entre Nós (pic by moviepilot.de)

Viola Davis em cena de Um Limite Entre Nós (pic by moviepilot.de)

DEVE GANHAR: Viola Davis (Um Limite Entre Nós)
DEVERIA GANHAR: Viola Davis (Um Limite Entre Nós)
ZEBRA: Octavia Spencer (Estrelas Além do Tempo)

ESNOBADAS: Laura Linney (Animais Noturnos)

Viola Davis está simplesmente imbatível em Um Limite Entre Nós. Além de expôr suas entranhas em dois monólogos, ela consegue dobrar Denzel Washington no meio e a única que consegue fazer aquele personagem chato calar a boca. Na internet, muitos pediam a indicação de Viola como Melhor Atriz, mas infelizmente, como ela mesma defendeu, sua personagem é secundária no filme. Talvez na peça, pelo qual ela ganhou o Tony Award, tenha sido mais protagonista, mas no filme ela fica em segundo plano. Mas para quem conhece o talento da atriz sabe que um Oscar como Melhor Atriz não tardará em sua carreira. Ela sim, ao contrário de Denzel, merece estar no mesmo panteão de atores que ganharam 3 Oscars…

As demais concorrentes da categoria também têm pouco tempo de tela, principalmente Michelle Williams que está em três cenas curtas em Manchester à Beira-Mar. Claro que uma atuação boa pode durar dois minutos como aconteceu com Laura Linney em Animais Noturnos, mas para vencer esta estatueta, a personagem tem de apresentar uma profundidade e relevância um pouco maior, algo que faltou para Octavia Spencer em Estrelas Além do Tempo.

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

  • Taylor Sheridan (A Qualquer Custo)
  • Damien Chazelle (La La Land)
  • Yorgos Lanthimos e Efthymis Filippou (O Lagosta)
  • Kenneth Lonergan (Manchester à Beira-Mar)
  • Mike Mills (Mulheres do Século 20)

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Michelle Williams discute com Casey Affleck em uma das cenas mais fortes do drama escrito por Kenneth Lonergan (pic by moviepilot.de)

DEVE GANHAR: Kenneth Lonergan (Manchester à Beira-Mar)
DEVERIA GANHAR: Taylor Sheridan (A Qualquer Custo)
ZEBRA: Mike Mills (Mulheres do Século 20)

ESNOBADO: Shane Black e Anthony Bagarozzi (Dois Caras Legais)

O dramaturgo Kenneth Lonergan criou um roteiro que poderia servir como base para uma ótima peça de teatro, com personagens tridimensionais e cenas poderosas. Soube adaptar para o cinema com atuações minuciosas e flashbacks que guardam o segredo da trama. Com isso, levou boa parte dos prêmios de roteiro e pode ser o único Oscar do filme Manchester à Beira-Mar.

Contudo, a categoria de Roteiro Original é uma das mais fortes do ano e temos competidores de respeito que poderiam facilmente sair vitoriosos. Se formos levar em conta a originalidade, O Lagosta seria o melhor sem sombra de dúvidas. Tendo como cenário um clima futurista, a dupla Yorgos Lanthimos e Efthymis Filippou cria todo um sistema que pune o ser humano solteiro transformando-no em um animal de sua escolha. Além da criatividade, o roteiro permite um questionamento mais profundo do amor como sentimento mais humano ou se seria apenas uma convenção da sociedade.

Embora a seleção esteja em alto nível aqui, ainda defendo o roteiro de Taylor Sheridan de A Qualquer Custo, no qual temos uma trama simples, com personagens ricos, diálogos memoráveis e algo que aprecio bastante: a crítica social e econômica. Os personagens centrais são irmãos que assaltam o mesmo banco que lhes rouba dinheiro em hipotecas. Vemos uma Texas devastada pela crise econômica preenchida por casas à venda e outdoors anunciando empréstimos. E é o único dos concorrentes que eu assistiria várias vezes.

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

  • Eric Heisserer (A Chegada)
  • August Wilson (Um Limite Entre Nós)
  • Allison Schroeder e Theodore Melfi (Estrelas Além do Tempo)
  • Luke Davis (Lion)
  • Barry Jenkins (Moonlight)

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DEVE GANHAR: Barry Jenkins (Moonlight)
DEVERIA GANHAR: Eric Heisserer (A Chegada)
ZEBRA: August Wilson (Um Limite Entre Nós)

ESNOBADO: Tom Ford (Animais Noturnos)

Ao contrário da categoria vizinha Original, aqui os concorrentes deixam a desejar e assim, abre caminho para Barry Jenkins provavelmente levar seu Oscar de consolação por não conseguir levar Melhor Filme e Diretor por Moonlight. Ok, acho bacana o Jenkins ser reconhecido pela dupla função roteirista/diretor, provando que Hollywood tem lugar para todas as raças, religiões e nacionalidades, MAS se for pra premiar o melhor mesmo aqui, o ideal seria entregar o Oscar para Eric Heisserer por A Chegada.

Por seu vasto e extenso histórico, o gênero da ficção científica sempre buscou fazer críticas sociais num cenário de invasão alienígena, desde os filmes de Roger Corman, portanto, o roteiro de A Chegada mantém essa tradição ao apontar a falha de comunicação entre os povos que gera conflitos intermináveis. Como ressalta a personagem central de Amy Adams, “a linguagem é a fundação da civilização”. Eric Heisserer nos introduz a esse cenário de interação com seres de outro espaço para nos contar um pouco mais sobre nós mesmos.

Só lembrando que caso August Wilson vença por seu roteiro de Um Limite Sobre Nós, será um Oscar póstumo, já que ele faleceu em 2005. E mais um adendo: Cadê Tom Ford nessa categoria?? O homem sabe escrever roteiro e costurar um terno impecável. Quer mais o quê, Academia?

MELHOR FOTOGRAFIA

  • Bradford Young (A Chegada)
  • Linus Sandgren (La La Land)
  • Greig Fraser (Lion)
  • James Laxton (Moonlight)
  • Rodrigo Prieto (Silêncio)

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A fotografia de Greig Fraser em Lion (pic by moviepilot.de)

DEVE GANHAR: Linus Sandgren (La La Land)
DEVERIA GANHAR: Greig Fraser (Lion: Uma Jornada Para Casa)
ZEBRA: Rodrigo Prieto (Silêncio)

ESNOBADO: Seamus McGarvey (Animais Noturnos)

Embora a fotografia de Linus Sandgren seja a mais chamativa pela sua paleta de cores, acredito que a composição de luzes foi melhor trabalhada por Greig Fraser no drama Lion. Na verdade, tudo é tão belamente fotografado que até nos esquecemos que se trata de um filme triste de perdas. Existem cenas naturais como as montanhas com borboletas e cenas com luz artificial como as das estações de trem, que torna a fotografia de Fraser mais eclética.

Não ficaria nem um pouco chateado se Rodrigo Prieto levasse o Oscar, porque vale já pelos enquadramentos. E também porque seria um ótimo consolo para o filme de Martin Scorsese, Silêncio, que recebeu apenas essa indicação.

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE

  • Patrice Vermette, Paul Hotte (A Chegada)
  • Stuart Craig, Anna Pinnock (Animais Fantásticos e Onde Habitam)
  • Jess Gonchor, Nancy Haigh (Ave, César!)
  • David Wasco, Sandy Reynolds-Wasco (La La Land)
  • Guy Hendrix Dyaz, Gene Sardena (Passageiros)

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Direção de Arte de Passageiros (pic by cine.gr)

DEVE GANHAR: La La Land
DEVERIA GANHAR: Passageiros
ZEBRA: Ave, César!

ESNOBADO: Seong-hie Ryu (A Criada)

Em se tratando de design de criação, as duas ficções científicas, Passageiros e A Chegada, estão à frente das demais. Particularmente, a direção de arte de Passageiros se mostra mais relevante pelo fato do filme todo se passar dentro de uma espaçonave. Embora seja composta por referências espaciais de outros filmes, como as câmaras criogênicas da franquia Alien, a arte conceitual futurista da nave merece elogios.

Agora, em termos de reprodução, a arte de La La Land nos remete aos anos dourados de Hollywood ao exibir os ambientes de sets de filmagem, e cria cenários bem feitos como o jazz club.

Contudo, nenhum trabalho foi mais majestoso do que o filme sul-coreano A Criada, que reproduz as várias construções da Coréia dos anos 30. Por apresentar uma trama repleta de sexo e violência, não imaginava que passaria pelo crivo conservador da Academia, mas acreditava que poderia ser indicado nas categorias técnicas como Arte e Figurino. Ponto negativo para a Academia, já que preferiu reconhecer trabalhos menos competentes por serem americanos e britânicos.

MELHOR MONTAGEM

  • Joe Walker (A Chegada)
  • John Gilbert (Até o Último Homem)
  • Jake Roberts (A Qualquer Custo)
  • Tom Cross (La La Land)
  • Joi McMillon, Nat Sanders (Moonlight)

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Amy Adams e Jeremy Renner em cena de A Chegada (pic by moviepilot.de)

DEVE GANHAR: Tom Cross (La La Land)
DEVERIA GANHAR: Joe Walker (A Chegada)
ZEBRA: Jake Roberts (A Qualquer Custo)

ESNOBADO: Jae-Bum Kim e Sang-Beong Kim (A Criada)

Qual foi a montagem mais trabalhosa de todos os indicados? Respondo na lata: La La Land. Os cortes tinham que ser precisos para que a música não parasse, e ditasse o ritmo do filme. Embora haja ótimos planos-sequência (quando não há cortes), o trabalho de Tom Cross merece respeito pela complexidade de sua edição. Talvez por ter vencido um Oscar há dois anos por Whiplash: Em Busca da Perfeição, ele pode ser preterido, e aí poderia entrar Joe Walker em cena por A Chegada.

Por utilizar flash-forwards (adiantamento de trechos que se passam depois na linha do tempo), a montagem de Joe Walker se mostra mais fresca que as demais. Ele soube casar muito bem os trechos que precisava adiantar no momento certo da trama para que o público pudesse entender o que estava havendo sem subestimá-lo. De uma forma geral também, a edição acompanha a tensão na sequência final, em que uma guerra está iminente. Walker foi indicado por 12 Anos de Escravidão, mas não levou o Oscar, e deveria ter sido indicado por Sicario no ano passado.

Lembrei também da montagem de A Criada, pois cria três linhas narrativas (devido aos três personagens) que fazem a trama avançar com surpreendentes revelações. A edição me fez lembrar de Rashomon, de Akira Kurosawa, que cria três sequências diferentes para um mesmo ato.

MELHOR FIGURINO

  • Joanna Johnston (Aliados)
  • Colleen Atwood (Animais Fantásticos e Onde Habitam)
  • Consolata Boyle (Florence: Quem é Essa Mulher?)
  • Madeline Fontaine (Jackie)
  • Mary Zophres (La La Land)

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Figurino ensanguentado de Jackie (pic by moviepilot.de)

DEVE GANHAR: Mary Zophres (La La Land)
DEVERIA GANHAR: Madeline Fontaine (Jackie)
ZEBRA: Joanna Johnston (Aliados)

ESNOBADO: Sang-gyeong Jo (A Criada)

Toda vez que eu via o trailer de Jackie, eu já imaginava: “Esse filme vai ganhar o Oscar de Figurino!”, porque aquelas roupas da ex-primeira dama Jacqueline Kennedy eram muito chamativas. Normalmente, prefiro mais criações do que recriações, mas aqui houve uma pesquisa tão ampla que os figurinos passaram a ser parte fundamental da trama. Quando as roupas apresentam uma importância na história e não apenas algo ilustrativo, elas costumam render um Oscar como Memórias de uma Gueixa ou Maria Antonieta.

Mas acredito que este ano, a quantidade de figurinos pode ser mais crucial para a vitória de Mary Zophres. Ela foi responsável pelas roupas coloridas de La La Land. Embora o foco sejam os vestidos da personagem de Emma Stone, é evidente o trabalho de cores nos figurinos de personagens secundários e figurantes. Aliado à direção de arte e fotografia, o figurino ajuda Damien Chazelle a contar sua história de sonhos Hollywoodianos.

MELHOR MAQUIAGEM E CABELO

  • Um Homem Chamado Ove
  • Star Trek: Sem Fronteiras
  • Esquadrão Suicida

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Sofia Boutella sob forte maquiagem em Star Trek: Sem Fronteiras (pic by moviepilot.de)

DEVE GANHAR: Star Trek: Sem Fronteiras
DEVERIA GANHAR: Star Trek: Sem Fronteiras
ZEBRA: Um Homem Chamado Ove

ESNOBADO: Invocação do Mal 2, A Bruxa e qualquer filme de gênero com maquiagem

Honestamente? Depois que o mestre Rick Baker se aposentou, a categoria de Maquiagem ficou meio chocha. É como assistir à Fórmula 1 depois de perder Ayrton Senna. Pra mim, maquiagem de cinema não é um pózinho na cara, um bigode mal colado ou uma peruca. Maquiagem é prótese e transformação criativa! É atores dormindo na cadeira depois de oito horas de maquiagem! E nesse quesito, o único que se encaixa é a maquiagem de Star Trek: Sem Fronteiras. Temos personagens com cara de gremlins for christ sake!

E mais uma coisa: a categoria de Maquiagem tem um papel fundamental no Oscar, porque se tornou o único refúgio dos filmes de terror e ficção científica, que nunca encontram lugar nas categorias principais. Se for pra premiar uma monocelha da Frida Kahlo ou uns bigodes de Os Miseráveis, melhor extinguir a categoria…

MELHOR TRILHA MUSICAL ORIGINAL

  • Mica Levi (Jackie)
  • Justin Hurwitz (La La Land)
  • Dustin O’Halloran, Hauschka (Lion)
  • Nicholas Britell (Moonlight)
  • Thomas Newman (Passageiros)

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O compositor Justin Hurwitz dá uns toques para Ryan Gosling no piano em La La Land

DEVE GANHAR: Justin Hurwitz (La La Land)
DEVERIA GANHAR: Justin Hurwitz (La La Land)
ZEBRA: Thomas Newman (Passageiros)

ESNOBADO: Abel Korzeniowski (Animais Noturnos)

Primeiramente, fiquei feliz com a indicação de Mica Levi. Embora esteja em início de carreira no cinema (esta é sua segunda trilha), ela já demonstra bastante personalidade em suas composições. Como vivemos há décadas com trilhas que buscam apenas evocar emoção no espectador, Mica traz novos ares ao trazer experimentalismo nas notas musicais. Não deve levar o prêmio por causa da excelência de Justin Hurwitz que traz a alma de La La Land, mas sua indicação certamente representa uma porta aberta para seu trabalho.

Gente, estou com pena do Thomas Newman. Esta é a sua 14ª indicação ao Oscar sem nenhuma vitória! Claro que a indicação já é uma honra e tal, mas daqui a pouco o homem nem vai mais pra cerimônia! Olha, Thomas, vai na fé que logo seu dia chega! Assim como chegou para Randy Newman, que levou 16 indicações pra ganhar a primeira.

E sinceramente, não entendi por que preteriram a rica trilha de Abel Korzeniowski em Animais Noturnos. As composições conseguem acentuar a estranheza do filme de Tom Ford do início ao fim. Algumas faixas como a “Wayward Sisters” me lembraram o glamour aliado à tensão das trilhas de Pino Donaggio, costumeiro colaborador dos filmes do Brian De Palma. Uma lástima sequer concorrer ao Oscar…

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

  • “Audition (The Fools Who Dream)”, de Justin Hurwitz, Benj Pasek, Justin Paul (La La Land)
  • “Can’t Stop the Feeling”, de Justin Timberlake, Max Martin, Shellback (Trolls)
  • “City of Stars”, de Justin Hurwitz, Benj Pasek, Justin Paul (La La Land)
  • “The Empty Chair”, de J. Ralph, Sting (Jim: The James Foley Story)
  • “How Far I’ll Go”, de Lin-Manuel Miranda (Moana: Um Mar de Aventuras)

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Emma Stone em cena de Audition (The Fools Who Dream)

DEVE GANHAR: “City of Stars”
DEVERIA GANHAR: “Audition (The Fools Who Dream)”
ZEBRA: “The Empty Chair”

ESNOBADO: “Drive it Like You Stole it” (Sing Street)

Como se avalia se uma canção merece um Oscar? Muita gente apenas avalia a canção em si, e muitas vezes votam apenas pelo artista/intérprete, mas o que faz uma canção vencedora é capturar a alma do filme, ajustar o tom certo. Servem como uma extensão do filme que perdura mesmo dias depois que você assistiu ao filme. Foi assim como “Glory” de Selma: Uma Luta Pela Igualdade, por exemplo, ou “Falling Slowly” de Apenas Uma Vez.

As canções de La La Land preenchem esses requisitos. Embora “City of Stars” tenha sido eleita a mais queridinha, fico com a “Audition (The Fools Who Dream)” porque só toca uma vez no filme e ela, aliada à interpretação de Emma Stone, permanece na sua cabeça, martelando a alma do musical que homenageia todos os sonhadores.

Não entendi o porquê da canção pop de Sing Street ter ficado de fora. É uma espécie de “That Thing You Do” de adolescentes. Teria Justin Timberlake preenchido a cota de canções pop do ano?

MELHOR SOM

  • A Chegada
  • Até o Último Homem
  • La La Land
  • Rogue One: Uma História Star Wars
  • 13 Horas: Os Soldados Secretos de Benghazi

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Ryan Gosling ao piano em La La Land (pic by moviepilot.de)

DEVE GANHAR: La La Land
DEVERIA GANHAR: La La Land
ZEBRA: 13 Horas: Os Soldados Secretos de Benghazi

Musicais sempre levam vantagem nessa categoria. Basta olhar as premiações de Chicago, DreamGirls e até Whiplash, que envolve música. Os demais parecem estar fazendo mais figuração.

Uma notícia de última hora: a indicação para Greg P. Russell por 13 Horas: Os Soldados Secretos de Benghazi foi revogada. A Academia identificou que ele fazia lobby entre companheiros e colegas no departamento de Som. O filme em si continua concorrendo, mas o profissional não.

MELHORES EFEITOS SONOROS

  • A Chegada
  • Horizonte Profundo: Desastre no Golfo
  • Até o Último Homem
  • La La Land
  • Sully: O Herói do Rio Hudson

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Comunicação visual e sonora em A Chegada (pic by moviepilot.de)

DEVE GANHAR: A Chegada
DEVERIA GANHAR: A Chegada 
ZEBRA: Sully: O Herói do Rio Hudson

Para quem não conhece essa categoria, os efeitos sonoros são aqueles criados em estúdio, e que não foram captados nas filmagens. Então filmes que tenham elementos de explosão e tiros costumam levar esse prêmio. Casos clássicos são de Pearl Harbor, Os Incríveis, King Kong e Cartas de Iwo Jima. Contudo, A Chegada pode ser um diferencial devido aos sons alienígenas, que são essenciais no filme.

MELHORES EFEITOS VISUAIS

  • Horizonte Profundo: Desastre no Golfo
  • Doutor Estranho
  • Mogli: O Menino Lobo
  • Kubo e as Cordas Mágicas
  • Rogue One: Uma História Star Wars

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O menino Neel Sethi em cena de Mogli: O Menino Lobo (pic by moviepilot.de)

DEVE GANHAR: Mogli: O Menino Lobo
DEVERIA GANHAR: Mogli: O Menino Lobo
ZEBRA: Horizonte Profundo: Desastre no Golfo

Os efeitos de Doutor Estranho e Kubo e as Cordas Mágicas são merecedores desse prêmio, mas os efeitos de Mogli: O Menino Lobo são mais vistosos e cruciais para o bom funcionamento do filme de Jon Favreau. Sem eles, o filme realmente não existiria e eles revolucionam a técnica de animais falantes que vão desde Dr. Dolittle (1967) até Babe – O Porquinho Atrapalhado (1995).

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA

  • Terra de Minas, de Martin Zandvliet (DINAMARCA)
  • Um Homem Chamado Ove, de Hannes Holm (SUÉCIA)
  • O Apartamento, de Asghar Farhadi (IRÃ)
  • Tanna, de Martin Butler, Bentley Dean (AUSTRÁLIA)
  • Toni Erdmann, de Mare Ade (ALEMANHA)

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Cena estranha de Toni Erdmann, representante alemão no Oscar. (photo by critic.de)

DEVE GANHAR: Toni Erdmann
ZEBRA: Tanna

ESNOBADO: Elle, de Paul Verhoeven (FRANÇA)

Depois que o favorito Elle foi desqualificado ainda em dezembro, o caminho para o Oscar ficou bem mais fácil para o alemão Toni Erdmann. Sua história de relacionamento complicado entre pai e filha certamente tocou o coração dos votantes e tem tudo para levar a estatueta. O sucesso do filme de Maren Ade vai se expandir com o recente anúncio de que Toni Erdmann será refilmado e estrelado por Jack Nicholson, que não faz um filme desde Os Infiltrados (2006).

O único concorrente que poderia dar trabalho a Toni Erdmann seria o filme iraniano O Apartamento. Embora tenha participado ativamente da temporada de premiações, o filme não ganhou nenhum prêmio de destaque e, além disso seu diretor levou o Oscar há cinco anos com o ótimo A Separação, porém, com a recente nota de que o diretor Asghar Farhadi não comparecerá ao evento por causa do bloqueio do presidente americano Donald Trump aos países do Oriente Médio, alguns especialistas passaram a defender uma possível segunda vitória para o Irã na categoria.

Sei lá, acho que cansei de falar sobre essa categoria que parece congelada num conservadorismo eterno. Quando Elle foi desqualificado, não tive ânimo para ver os indicados. Americanos têm aversão a ver filmes legendados em pleno século XXI, então fica difícil a maioria provar que viu os cinco filmes indicados, aí acaba prevalecendo o gosto dos idosos pra filmes de Segunda Guerra Mundial e água com açúcar.

MELHOR ANIMAÇÃO

  • Kubo e as Cordas Mágicas (Kubo and the Two Strings)
  • Moana: Um Mar de Aventuras (Moana)
  • Minha Vida de Abobrinha (Ma vie de Courgette)
  • A Tartaruga Vermelha (Le Tortue Rouge)
  • Zootopia (Zootopia)

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Cena da animação Kubo e as Cordas Mágicas, de Travis Knight (photo by moviepilot.de)

DEVE GANHAR: Zootopia
DEVERIA GANHAR: Kubo e as Cordas Mágicas
ZEBRA: A Tartaruga Vermelha

ESNOBADO: Your Name (Kimi no na wa.)

Desde que foi criada em 2002, a categoria de Animação é a mais internacional e globalizada de todas, pois não fica limitada às produções americanas. Como o gênero é trabalhoso demais (algumas levam mais de cinco anos para ficar prontas), não há inúmeros lançamentos por ano, e por isso, a Academia recorre às animações estrangeiras para preencher as vagas. Embora essa estratégia soe muito cômoda, é graças a ela que os trabalhos dos animadores mundo afora pode ganhar muito mais atenção e ter seus devidos reconhecimentos.

Apesar da democracia globalizada nas indicações, em termos de vitórias, a coisa muda de figura. Nesses 14 anos de existência, a Academia premiou apenas UMA animação estrangeira: a japonesa A Viagem de Chihiro (2001), de Hayao Miyazaki.

Da competição, torço para os dois estrangeiros Minha Vida de Abobrinha que tem ótima técnica de stop motion, e A Tartaruga Vermelha, que dispensa diálogos para contar uma bela história de sobrevivência. Acho bacana a trama de conspirações de Zootopia, mas prefiro o visual de Kubo, cujo estúdio, Laika Entertainment, vem merecendo o primeiro Oscar há tempos, vide: Coraline e o Mundo Secreto, ParaNorman e Os Boxtrolls.

MELHOR DOCUMENTÁRIO

  • Fogo no Mar (Fire at Sea)
  • Eu Não Sou seu Negro (I Am Not Your Negro)
  • Life, Animated
  • O.J.: Made in America
  • A 13ª Emenda (The 13th)

DEVE GANHAR: O.J.: Made in America
ZEBRA: Life, Animated

ESNOBADOS: The Eagle Huntress, Weiner

Eu juro que queria ver O.J.: Made in America, mas depois que vi a duração de mais de sete horas, deixei pra depois. Bom, a Academia tem três ótimos indicados sobre a temática negra: O.J.: Made in America, Eu Não Sou Seu Negro e A 13ª Emenda. Acredito que em caso de vitória de qualquer um desses, promete ser um dos melhores discursos da noite.

O documentário A 13ª Emenda, dirigido por Ava DuVernay de Selma, busca as respostas de hoje em séculos atrás no escravismo. Por que os negros formam a maior parte da população carcerária? E por que o sistema carcerário não funciona? Assim como fez Michael Moore no vencedor do Oscar Tiros em Columbine, ela destrincha o passado para explicar o presente. Seria um belo prêmio para compensá-la da ausência por Selma em 2015.

MELHOR DOCUMENTÁRIO-CURTA

  • Extremis
  • 4.1 Miles
  • Joe’s Violin
  • Watani: My Homeland
  • The White Helmets

MELHOR CURTA-METRAGEM

  • Ennemis Intérieurs
  • La Femme et le TGV
  • Mindenki
  • Timecode
  • Silent Nights

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO

  • Blind Vaysha
  • Borrowed Time
  • Pear Cider and Cigarettes
  • Pearl
  • Piper

***

COMEMORAÇÃO

Pra mim, se Isabelle Huppert ganhar como Melhor Atriz, esse Oscar já valeu. Até esqueço das injustiças! E em segundo lugar, se A Qualquer Custo ou O Lagosta vencerem como Roteiro Original, já posso entrar em feliz hibernação até o Oscar 2018.

Bom, independente dos resultados, que todos tenham uma ótima noite de Oscar!

***

A 89ª cerimônia do Oscar terá transmissão ao vivo pela TNT a partir das 21h, horário de Brasília.

ONDE E QUANDO ACOMPANHAR OS INDICADOS AO OSCAR 2017

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Todos os 9 indicados a Melhor Filme: A Chegada, Cercas, Até o Último Homem, A Qualquer Custo, Estrelas Além do Tempo, La La Land, Lion, Manchester à Beira-Mar e Moonlight (pic by goldderby.com)

PRODUÇÕES INDICADAS AINDA SÃO DESTRATADAS PELAS DISTRIBUIDORAS BRASILEIRAS

Se os únicos filmes que você assistiu até agora foram Rogue One: Uma História Star Wars e Esquadrão Suicida, não se desespere! Você já derrubou 3 indicações! E ainda temos um mês pela frente até o Oscar, que tem data marcada para o dia 26 de fevereiro. Com um pouco de empenho, dá pra conferir pelo menos os filmes mais badalados como o musical La La Land, que equivaleu o recorde com A Malvada (1950) e Titanic (1997) com 14 indicações, e A Chegada, ficção científica moderna que conquistou 8 indicações.

Claro que algumas categorias como Documentário e Filme em Língua Estrangeira são mais difíceis de acompanhar todos os filmes, mas por exemplo, temos o ótimo documentário de Ava DuVernay, A 13ª Emenda, disponível no Netflix, ou seja, nem precisa sair de casa pra conferir.

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À direita, a diretora Ava DuVernay em still do documentário A 13ª Emenda que faz um giro pela história americana para analisar o sistema penitenciário (pic by critic.de)

Obviamente, eu poderia dizer pra todos simplesmente baixarem os torrents de todos os filmes na internet, mas legalmente, não posso recomendar isso. Mas o principal motivo que não recomendo é porque a maioria dos lançamentos não tem arquivos de ótima qualidade (risos). E alguns como La La Land merecem ser vistos numa sala de cinema, mesmo que o ingresso esteja carinho e ainda haja alguns retardados que teimam em conversar e atender o celular durante a sessão. Também tenho pavor de casaizinhos em início de relacionamento, em que o namorado quer impressionar a moça comentando o filme todo, e ela não tem coragem de mandar ele calar a boca!

Enfim, distribuidoras e empresas de cinema, estou fazendo um serviço de utilidade pública e dando um empurrãozinho aqui pra que haja mais espectadores em suas salas. Por favor, vamos colaborar e colocar esses filmes em cartaz o quanto antes! Particularmente, recomendo as salas do Espaço Itaú de Cinema, localizadas nos shoppings Bourbon Pompéia e Frei Caneca, e na rua Augusta, por apresentarem diversidade e qualidade na programação (os indicados ao Oscar devem preencher as salas), e também vale ressaltar que o público costuma ser um pouco melhor (um pouco), porque apesar de muitos serem da terceira idade, alguns ainda acham que estão vendo o filme na sala da casa deles.

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Corredor das salas do Espaço Itaú de Cinema do Shopping Bourbon Pompéia (pic by apontador.com)

Sim, existem muitas produções que sequer ganharam data de lançamento, mas as indicações, como sempre, ajudam a adiantar todo o processo. São os casos dos dramas Cercas e Loving, que concorrem em categorias principais de atuação. Já outros como o australiano Tanna (concorre como Filme em Língua Estrangeira) e o documentário Jim: The James Foley Story (concorre como Canção Original), não devem estimular as distribuidoras a se mexerem. Para esses filmes esquecidos, ou você espera por lançamentos de DVD ou Blu-ray importados, ou se vira de outras formas, se é que você me entende.

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Joel Edgerton com a indicada ao Oscar Ruth Negga em cena de Loving, ainda sem data de estréia (pic by moviepilot.de)

Só gostaria de fazer um adendo que me esqueci no post sobre as indicações: Meryl Streep fez novamente história ao ser indicada pela 20ª vez. É a atriz mais indicada da história da Academia, e acho quase impossível alguém bater essa marca um dia. Não querendo desmerecer a performance da sra. Streep, mas admito que esta indicação soou meio preguiçosa. Para quem viu Florence Foster Jenkins (prefiro não botar o título horroso brasileiro), sabe que aquela atuação dela foi meio automática, talvez sem muito esforço das habilidades de interpretação.

DISPONÍVEIS EM BLU-RAY/DVD/ON DEMAND

Ave, César! (Hail, Caesar!)
1 indicação: Direção de Arte.

Esquadrão Suicida (Suicide Squad)
1 indicação: Maquiagem.

Florence: Quem é Essa Mulher? (Florence Foster Jenkins)
2 indicações: Atriz (Meryl Streep) e Figurino.

Fogo no Mar (Fuocoammare)
1 indicação: Documentário

Mogli: O Menino Lobo (The Jungle Book)
1 indicação: Efeitos Visuais.

Star Trek: Sem Fronteiras (Star Trek Beyond)
1 indicação: Maquiagem.

Trolls (Trolls)
1 indicação: Canção Original (“Can’t Stop the Feeling”)

Zootopia (Zootopia)
1 indicação: Animação

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Cena da animação da Disney, Zootopia (pic by moviepilot.de)

DISPONÍVEL NO NETFLIX

A 13ª Emenda (The 13th)
1 indicação: Documentário

FILMES EM CARTAZ NOS CINEMAS – com base na programação de São Paulo

Animais Fantásticos e Onde Habitam (Fantastic Beasts and Where to Find Them)
2 indicações: Direção de Arte e Figurino.

Animais Noturnos (Nocturnal Animals)
1 indicação: Ator Coadjuvante (Michael Shannon)

O Apartamento (Forushande)
1 indicação: Filme em Língua Estrangeira.

Até o Último Homem (Hacksaw Ridge)
6 indicações: Filme, Diretor (Mel Gibson), Ator (Andrew Garfield), Montagem, Som e Efeitos Sonoros.

Capitão Fantástico (Captain Fantastic)
1 indicação: Ator (Viggo Mortensen)

A Chegada (Arrival)
8 indicações: Filme, Diretor (Denis Villeneuve), Roteiro Adaptado, Fotografia, Montagem, Direção de Arte, Som e Efeitos Sonoros.

Doutor Estranho (Doctor Strange)
1 indicação: Efeitos Visuais.

Elle (Elle)
1 indicação: Atriz (Isabelle Huppert)

La La Land: Cantando Estações (La La Land)
14 indicações: Filme, Diretor (Damien Chazelle), Ator (Ryan Gosling), Atriz (Emma Stone), Roteiro Original, Fotografia, Montagem, Direção de Arte, Figurino, Trilha Musical Original, Canção Original (“Audition (The Fools Who Dream)”), Canção Original (“City of Stars”), Som e Efeitos Sonoros.

Manchester à Beira-Mar (Manchester by the Sea)
6 indicações: Filme, Diretor (Kenneth Lonergan), Ator (Casey Affleck), Ator Coadjuvante (Lucas Hedges), Atriz Coadjuvante (Michelle Williams) e Roteiro Original.

Moana: Um Mar de Aventuras (Moana)
2 indicações: Canção Original (“How Far I’ll Go”) e Animação.

Passageiros (Passengers)
2 indicações: Direção de Arte e Trilha Musical Original.

Rogue One: Uma História Star Wars (Rogue One: A Star Wars Story)
2 indicações: Som e Efeitos Visuais.

Sully: O Herói do Rio Hudson (Sully)
1 indicação: Efeitos Sonoros.

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Felicity Jones e Diego Luna em cena de Rogue One: Uma História Star Wars (pic by moviepilot.de)

PREVISÃO DE ESTRÉIA – Datas previstas para São Paulo, que podem sofrer alterações de acordo com as distribuidoras

02/02: A Qualquer Custo (Hell or High Water)
4 indicações: Filme, Ator Coadjuvante (Jeff Bridges), Roteiro Original e Montagem.

02/02: Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures)
3 indicações: Filme, Atriz Coadjuvante (Octavia Spencer) e Roteiro Adaptado.

02/02: Jackie (Jackie)
3 indicações: Atriz (Natalie Portman), Figurino e Trilha Musical Original.

02/02: Minha Vida de Abobrinha (Ma Vie de Courgette)
1 indicação: Animação.

09/02: Silêncio (Silence)
1 indicação: Fotografia.

16/02: Lion: Uma Jornada Para Casa (Lion)
6 indicações: Filme, Ator Coadjuvante (Dev Patel), Atriz Coadjuvante (Nicole Kidman), Roteiro Adaptado, Fotografia e Trilha Musical Original.

16/02: 13 Horas: Os Soldados Secretos do Benghazi (13 Hours)
1 indicação: Som.

23/02: Moonlight: Sob a Luz do Luar
8 indicações: Filme, Diretor (Barry Jenkins), Ator Coadjuvante (Mahershala Ali), Atriz Coadjuvante (Naomie Harris), Roteiro Adaptado, Fotografia, Montagem e Trilha Musical Original.

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Dev Patel em cena de Lion: Uma Jornada Para Casa (pic by moviepilot.de)

FORA DE CARTAZ E AGUARDANDO LANÇAMENTO EM BLU-RAY/DVD

Horizonte Profundo: Desastre no Golfo (Deepwater Horizon)
2 indicações: Efeitos Visuais e Efeitos Sonoros.

Kubo e as Cordas Mágicas (Kubo ans the Two Strings)
2 indicações: Efeitos Visuais e Animação.

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Kurt Russell e Mark Wahlberg em cena de Horizonte Profundo, que conquistou as indicações de Efeitos Visuais e Sonoros (pic by moviepilot.de)

SEM PREVISÃO DE ESTRÉIA (*cof! cof!* Mas pra isso existe a internet…)

Aliados (Allied)
1 indicação: Figurino.

Cercas (Fences)
4 indicações: Filme, Ator (Denzel Washington), Atriz Coadjuvante (Viola Davis) e Roteiro Adaptado.

Um Homem Chamado Ove (En man som heter Ove)
2 indicações: Maquiagem e Filme em Língua Estrangeira.

I Am Not Your Negro
1 indicação: Documentário

Jim: The James Foley Story
1 indicação: Canção Original (“The Empty Chair”)

O Lagosta (The Lobster)
1 indicação: Roteiro Original.

Life, Animated
1 indicação: Documentário.

Loving
1 indicação: Atriz (Ruth Negga)

O.J.: Made in America
1 indicação: Documentário

Tanna
1 indicação: Filme em Língua Estrangeira.

A Tartaruga Vermelha (Le Tortue Rouge)
1 indicação: Animação.

Terra de Minas (Under Sandet)
1 indicação: Filme em Língua Estrangeira.

Toni Erdmann
1 indicação: Filme em Língua Estrangeira.

20th Century Women
1 indicação: Roteiro Original.

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Rachel Weisz e Colin Farrell formam casal no futurista O Lagosta (pic by moviepilot.de)

***

A cerimônia da 89ª edição do Oscar será no dia 26 de fevereiro, e transmitida pelo canal pago TNT. Fiquem atentos pra quem costuma acompanhar pela Globo, porque a emissora deve priorizar o Carnaval.

‘LA LA LAND’ lidera as indicações ao OSCAR 2017 com 14 indicações!

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Emma Stone e Ryan Gosling em cena de La La Land: ambos fora indicados ao Oscar (pic by moviepilot.de)

MUSICAL IGUALA RECORDE DE A MALVADA (1950) E TITANIC (1997)

OSCAR EM NÚMEROS

Vamos começar com o recordista La La Land, que conquistou 14 indicações ao Oscar: um recorde equivalente ao de A Malvada e Titanic. Já me adiantando um pouco, caso o musical de Damien Chazelle leve a partir de 12 estatuetas na cerimônia no dia 26 de fevereiro, será o grande recordista de vitórias no Oscar, ultrapassando os 11 Oscars de Ben-Hur, Titanic e O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei. E embora Damien Chazelle não seja o mais jovem diretor indicado aos 32 anos (John Singleton tinha 23 quando foi indicado por Os Donos da Rua em 1991), se ganhar, ele se tornará o mais jovem diretor a conquistar a estatueta da categoria.

Bem lá atrás, empatados em segundo lugar com oito indicações cada vêm o drama Moonlight e a ficção científica A Chegada. Seguindo o script do BAFTA, o filme de alienígenas de Denis Villenueve tem se tornado um dos grandes competidores deste ano, conquistando inclusive sua primeira indicação de Diretor. Mas um dos grandes pilares da campanha, a atriz Amy Adams, não foi lembrada na categoria de Atriz.

Em seguida, compartilhando o terceiro lugar com seis indicações, estão Até o Último Homem, Lion e Manchester à Beira-Mar. Super importante ressaltar que Manchester foi produzido pela Amazon Studios também, o que o torna o pioneiro em serviço de streaming a receber uma indicação a Melhor Filme no Oscar.

Outro fato importante é que temos atores negros em todas as quatro categorias de atuação.  São sete atores negros entre vinte indicados: Ruth Negga, Denzel Washington, Viola Davis, Naomie Harris, Octavia Spencer, Mahershala Ali e Dev Patel, se o considerarmos como não-branco. Claro que houve um belo empurrãozinho da polêmica do ano passado do #OscarSoWhite, quando não houve nenhum ator negro pelo segundo ano consecutivo, mas todos os atores, sem exceção, estiveram presentes na temporada de premiação, ou seja, a Academia não trouxe nomes assim do nada.

Claro que essa polêmica racial ainda vai ser amplamente discutida ao longo desse próximo mês. Muitos inclusive já estão comentando da possível vitória de Moonlight sobre o franco-favorito La La Land como uma forma de resposta aos críticos da Academia pelo fato da diversidade. Já vi os dois filmes, e ambos são bons. Particularmente prefiro o musical por dialogar mais sobre sonhos de artista. Mas, de qualquer forma, eu espero sinceramente que não haja esse tipo de competição no quesito sócio-racial, mas apenas de Arte.

ANÚNCIO DAS INDICAÇÕES

Este ano, a Academia resolveu fazer nova alteração no anúncio dos indicados. Ao contrário dos anos anteriores, pela primeira vez, não houve transmissão num local físico. Via satélite pelos sites oscar.com e oscar.org, e pelo canal televisivo ABC (detentora dos direitos de transmissão da cerimônia do Oscar) pelo programa matinal Good Morning America, o anúncio foi misturado a um clipe de artistas previamente indicados ao Oscar com uma voz meio morna lendo os nomes indicados. À princípio, achei estranha essa combinação de clipe pré-gravado. Perdeu aquele frescor de anúncio ao vivo no palco.

Acredito que essa mudança tenha sido realizada para eliminar qualquer tipo de “ruído externo”, ou seja, torcida e ‘bafafás’ de jornalistas presentes durante o anúncio. No ano passado, por exemplo, eles urraram com o anúncio de Sylvester Stallone como Ator Coadjuvante, enquanto ficaram em silêncio absoluto com outros nomes como Matt Damon na categoria de Ator. Essa ausência de platéia elimina possíveis desconfortos para alguns indicados que não ganhariam uma única salva de palmas ou gritinhos.

No início, achei uma medida exagerada, mas depois me colocando no lugar do indicado, seria chato se depois de seu nome ser anunciado, o povo que tá gritando simplesmente ficasse calado! E fica uma coisa mais imparcial e profissional da Academia, e não um resultado de um paredão do Big Brother.

Para esta 89ª edição, a presidente Cheryl Boone Isaacs convocou uma gama diferente de apresentadores para auxiliá-la no anúncio: os atores Jennifer Hudson, Brie Larson, Ken Watanabe e Demián Bichir, e os diretores Jason Reitman (de Juno) e Guillermo del Toro (O Labirinto do Fauno).

Todas as 24 categorias foram anunciadas ao vivo.

SURPRESAS

Quando o nome de Mel Gibson foi anunciado na categoria de Direção, pensei: “A Academia, antro de judeus, finalmente teria perdoado o anti-semita Mel Gibson?”. Rusgas religiosas à parte, Até o Último Homem foi o grande filme de guerra de 2016 e o diretor tem larga experiência no gênero, já que ganhou o Oscar em 1996 pelo épico Coração Valente.

Mesmo não sendo exatamente uma surpresa, acho importante destacar a categoria de Atriz Coadjuvante, que este ano apresenta 3 candidatas negras: Viola Davis, Naomie Harris e Octavia Spencer. As outras são branquelas e loiras: Nicole Kidman e Michelle Williams. Olha o contraste! Agora, imagine o seguinte cenário: Com três atrizes negras no páreo, uma branca levar a estatueta! Aí que a casa cai de vez!  Poooor sorte, entre as negras está a franco-favorita Viola Davis, pela impecável performance em Cercas. Ela já venceu o Critics’ Choice e o Globo de Ouro, portanto, esse deve ser o Oscar mais certo da noite.

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Indicadas ao Oscar de Coadjuvante, da esquerda para a direita: Viola Davis, Nicole Kidman, Octavia Spencer, Michelle Williams e Naomie Harris (pic by GoldenGlobe)

Não vou ser um chato do tipo politicamente correto pra chegar agora e falar “E os atores latinos? E os atores asiáticos? E os indígenas? E a paz mundial??” porque a Arte não é isso. A Arte vem de qualquer lugar, de qualquer gênero, raça, religião, até mesmo de mentes criminosas. Se for pra exigir cotas como muitos na internet exigem como se fossem panfletários, teria que haver 50 indicados por categoria todo ano e aí ninguém iria aguentar o Oscar. Claro que eu acho bacana termos atores negros reconhecidos por seus trabalhos, mas não os enxergo como negros, mas atores que tiveram uma boa oportunidade de mostrar seu talento em projetos bem conceituados, e isso é isso que está faltando: projetos artísticos e oportunidades.

Outros nomes como Mike Mills (20th Century Women) foram surpresa na categoria de Roteiro Original, e de Thomas Newman (Passageiros) na de Trilha Musical. Ambos devem sair de mãos abanando, mas curiosamente, se confirmada sua derrota, esta será a 14ª derrota de Newman. Já na categoria de canção, a surpresa foi de “The Empty Chair” do documentário Jim: The James Foley Story. Claro que o nome do músico Sting ajuda, mas vale lembrar que esta é a terceira indicação do compositor J. Ralph.

Na categoria de maquiagem, a participação de Esquadrão Suicida não deixa de surpreender, já que a adaptação da DC Comics foi considerada uma das piores de 2016. Contudo, também vale ressaltar que a categoria de Maquiagem tem abrigado filmes ruins como Jackass Apresenta: Vovô Sem Vergonha e Norbit.

AUSÊNCIAS

Indubitavelmente, a grande surpresa entre os indicados pra mim foi a exclusão de Amy Adams da categoria de Atriz. Acho que pensaram: “Ela é indicada todo ano e nunca ganha. Melhor ficar de fora pra não perder de novo e virar uma nova Deborah Kerr! (foi indicada 6 vezes, mas nunca levou o prêmio)”. Curiosamente, seu filme A Chegada conquistou uma série de indicações, e ela que vinha sendo indicada em todos os grandes prêmios, acabou morrendo na praia. Sei que muitos fãs dos filme vão ficar aborrecidos comigo, mas eu acho que ela não mereceu estar entre as indicadas este ano. É o que sempre digo sobre ela: Amy Adams precisa sair um pouco da zona de conforto e assumir papéis mais desafiadores. Mudar seu timbre de voz, mudar seu visual, seu jeito de andar etc. Talento ela tem, mas a Academia quer reconhecê-la por algo maior.

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Amy Adams em cena de A Chegada. Sua ausência no Oscar foi uma das mais notáveis (photo by moviepilot.de)

Após uma trajetória de ausências na temporada de premiações, era esperado que o novo filme de Martin Scorsese ficasse praticamente de fora da cerimônia. Sua única indicação veio na forma de Melhor Fotografia para Rodrigo Prieto, que deve apenas fazer figuração na entrega dos prêmios. Como não vi ainda Silêncio, fica difícil entender os motivos do filme ter sido tão excluído. Mas uma das razões foi o erro de estratégia de lançamento atrasado, o que não permitiu os screeners para os votantes da Academia.

Um dos maiores injustiçados foi Animais Noturnos, que recebeu uma única indicação de Ator Coadjuvante para Michael Shannon. Cadê a indicação para Roteiro Adaptado para Tom Ford?? Em seu segundo filme, ele conquistou uma série de críticas positivas, seja como diretor ou como roteirista. Sua adaptação pode ter apresentado falhas, mas certamente foi um dos trabalhos mais estilizados de 2016. A Academia sai perdendo ao não convidar Ford para a festa. Havia uma divisão de votos na escolha do Ator Coadjuvante do filme. Enquanto no Globo de Ouro e BAFTA, optaram por Aaron Taylor-Johnson, a Academia preferiu  Michael Shannon, talvez numa tentativa de compensá-lo pela não-indicação no ano passado pelo drama 99 Casas. Considero a performance de Taylor-Johnson mais interessante por representar um lado sombrio da trama toda de Animais Noturnos. Já Shannon parece meio fadado a papéis “weirdos”.

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Tom Ford no set de Animais Noturnos, que recebeu uma única indicação para Michael Shannon (pic by joblo.com)

Apesar de se tratar de uma adaptação de quadrinhos, que a Academia não costuma gostar muito, achei que Deadpool entraria na lista, já que participou ativamente da temporada de premiações, tendo sido indicado inclusive para o Producers Guild (PGA). Suas maiores chances estavam nas categorias de Roteiro Adaptado e Maquiagem, mas ficou de fora por completo. Uma pena.

Entre outros ausentes da festa que estavam no burburinho destaque para Annette Bening (20th Century Women), Tom Hanks (Sully: O Herói do Rio Hudson), Hugh Grant (Florence: Quem é Essa Mulher?) e animação da Pixar, Procurando Dory. Particularmente, senti a ausência de Ben Foster como coadjuvante em A Qualquer Custo. Ele rouba toda cena em que aparece.

MINHA TORCIDA

Olha, não sei o que será de Isabelle Huppert na cerimônia, mas certamente foi a indicação que mais me deixou feliz! Soltei um Uhuuulll daqui de casa! É tão bacana quando a Academia sai de seu clubinho americano para reconhecer um grande talento estrangeiro que na hora, nem liguei que seu filme Elle tinha ficado de fora da categoria de Filme em Língua Estrangeira.

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Primeira indicação para a francesa Isabelle Huppert!!

Embora tenha vencido o prestigioso Globo de Ouro, a atriz francesa terá páreo duro pela frente, especialmente entre Emma Stone, que venceu o Globo de Ouro de Atriz – Comédia ou Musical por La La Land, e Natalie Portman, que já ganha pontos por interpretar uma figura histórica muito querida nos EUA, a ex-primeira dama Jacqueline Kennedy em Jackie. Seria o melhor momento da noite do Oscar se Huppert subisse no palco pra receber o Oscar. Dentre as indicadas, ela apresentou a maior audácia

Ainda nesse quesito de reconhecer artistas de fora, a categoria de Animação é a que mais me felicita todo ano. Mais uma vez, ela reconheceu duas produções estrangeiras, no caso, a francesa A Tartaruga Vermelha, e a suíça Minha Vida de Abobrinha. Pelo pouco que já vi, esta última é a que mais me agrada pela técnica de stop-motion, mas sob o aspecto técnico geral, Kubo e as Cordas Mágicas é imbatível, tanto que foi indicado a Melhores Efeitos Visuais. Acho que é a primeira vez que temos uma animação na categoria de Efeitos Visuais.

Meio esquecida da categoria de Trilha Musical, a compositora Mica Levi foi finalmente reconhecida no Oscar! Ela chamou a atenção para o mundo com sua trilha meio experimental do ótimo Sob a Pele (2014), e agora chega com novo trabalho por Jackie. Numa categoria de cartas marcadas com os mesmos nomes de sempre, acho interessante a inclusão de Levi com composições mais alternativas das que estamos acostumados a ouvir, mas que causam uma sensação além do que vemos na tela. Quem tiver um tempinho, dá uma olhada no YouTube e confira os arranjos de Jackie, como a faixa “Burial”, que é mais fúnebre.

A compositora Mica Levi em seu estúdio, inspirada e movida à chocolate M&M. (pic by FACT Magazine)

A compositora Mica Levi (Jackie) em seu estúdio, inspirada e movida à chocolate M&M. (pic by FACT Magazine)

Também comemorei a inclusão da canção “Audition (The Fools Who Dream)”, cantada por Emma Stone em La La Land. Apesar de “City of Stars” ser a mais querida e pegajosa, “Audition” define a personagem de Stone naquele segmento do casting belamente executado.

INDICADOS AO 89th ACADEMY AWARDS:

MELHOR FILME
* A Chegada (Arrival)
* Cercas (Fences)
* Até o Último Homem (Hacksaw Ridge)
* A Qualquer Custo (Hell or High Water)
* Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures)
* La La Land: Cantando Estações (La La Land)
* Lion: Uma Jornada Para Casa (Lion)
* Manchester à Beira-Mar (Manchester by the Sea)
* Moonlight: Sob a Luz do Luar (Moonlight)

MELHOR DIRETOR
* Damien Chazelle (La La Land)
* Mel Gibson (Até o Último Homem)
* Barry Jenkins (Moonlight)
* Kenneth Lonergan (Manchester à Beira-Mar)
* Denis Villeneuve (A Chegada)

MELHOR ATOR
* Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar)
* Andrew Garfield (Até o Último Homem)
* Ryan Gosling (La La Land)
* Viggo Mortensen (Capitão Fantástico)
* Denzel Washington (Cercas)

MELHOR ATRIZ
* Isabelle Huppert (Elle)
* Ruth Negga (Loving)
* Natalie Portman (Jackie)
* Emma Stone (La La Land)
* Meryl Streep (Florence: Quem é Essa Mulher?)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
* Mahershala Ali (Moonlight)
* Jeff Bridges (A Qualquer Custo)
* Lucas Hedges (Manchester à Beira-Mar)
* Dev Patel (Lion)
* Michael Shannon (Animais Noturnos)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
* Viola Davis (Cercas)
* Naomie Harris (Moonlight)
* Nicole Kidman (Lion)
* Octavia Spencer (Estrelas Além do Tempo)
* Michelle Williams (Manchester à Beira-Mar)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
* Taylor Sheridan (A Qualquer Custo)
* Damien Chazelle (La La Land)
* Yorgos Lanthimos e Efthymis Filippou (O Lagosta)
* Kenneth Lonergan (Manchester à Beira-Mar)
* Mike Mills (20th Century Women)

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
* Eric Heisserer (A Chegada)
* August Wilson (Cercas)
* Allison Schroeder e Theodore Melfi (Estrelas Além do Tempo)
* Luke Davis (Lion)
* Barry Jenkins (Moonlight)

MELHOR FOTOGRAFIA
* Bradford Young (A Chegada)
* Linus Sandgren (La La Land)
* Greig Fraser (Lion)
* James Laxton (Moonlight)
* Rodrigo Prieto (Silêncio)

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
* Patrice Vermette, Paul Hotte (A Chegada)
* Stuart Craig, Anna Pinnock (Animais Fantásticos e Onde Habitam)
* Jess Gonchor, Nancy Haigh (Ave, César!)
* David Wasco, Sandy Reynolds-Wasco (La La Land)
* Guy Hendrix Dyaz, Gene Sardena (Passageiros)

MELHOR MONTAGEM
* Joe Walker (A Chegada)
* John Gilbert (Até o Último Homem)
* Jake Roberts (A Qualquer Custo)
* Tom Cross (La La Land)
* Joi McMillon, Nat Sanders (Moonlight)

MELHOR FIGURINO
* Joanna Johnston (Aliados)
* Colleen Atwood (Animais Fantásticos e Onde Habitam)
* Consolata Boyle (Florence: Quem é Essa Mulher?)
* Madeline Fontaine (Jackie)
* Mary Zophres (La La Land)

MELHOR MAQUIAGEM E CABELO
* Um Homem Chamado Ove
* Star Trek: Sem Fronteiras
* Esquadrão Suicida

MELHOR TRILHA MUSICAL ORIGINAL
* Mica Levi (Jackie)
* Justin Hurwitz (La La Land)
* Dustin O’Halloran, Hauschka (Lion)
* Nicholas Britell (Moonlight)
* Thomas Newman (Passageiros)

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
* “Audition (The Fools Who Dream)”, de Justin Hurwitz, Benj Pasek, Justin Paul (La La Land)
* “Can’t Stop the Feeling”, de Justin Timberlake, Max Martin, Shellback (Trolls)
* “City of Stars”, de Justin Hurwitz, Benj Pasek, Justin Paul (La La Land)
* “The Empty Chair”, de J. Ralph, Sting (Jim: The James Foley Story)
* “How Far I’ll Go”, de Lin-Manuel Miranda (Moana: Um Mar de Aventuras)

MELHOR SOM
* A Chegada
* Até o Último Homem
* La La Land
* Rogue One: Uma História Star Wars
* 13 Horas: Os Soldados Secretos de Benghazi

MELHORES EFEITOS SONOROS
* A Chegada
* Horizonte Profundo: Desastre no Golfo
* Até o Último Homem
* La La Land
* Sully: O Herói do Rio Hudson

MELHORES EFEITOS VISUAIS
* Horizonte Profundo: Desastre no Golfo
* Doutor Estranho
* Mogli: O Menino Lobo
* Kubo e as Cordas Mágicas
* Rogue One: Uma História Star Wars

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
* Terra de Minas, de Martin Zandvliet (DINAMARCA)
* Um Homem Chamado Ove, de Hannes Holm (SUÉCIA)
* O Apartamento, de Asghar Farhadi (IRÃ)
* Tanna, de Martin Butler, Bentley Dean (AUSTRÁLIA)
* Toni Erdmann, de Mare Ade (ALEMANHA)

MELHOR ANIMAÇÃO
* Kubo e as Cordas Mágicas
* Minha Vida de Abobrinha
* A Tartaruga Vermelha
* Moana: Um Mar de Aventuras
* Zootopia

MELHOR DOCUMENTÁRIO
* Fogo no Mar
* I Am Not Your Negro
* Life, Animated
* O.J.: Made in America
* A 13ª Emenda

MELHOR DOCUMENTÁRIO-CURTA
* Extremis
* 4.1 Miles
* Joe’s Violin
* Watani: My Homeland
* The White Helmets

MELHOR CURTA-METRAGEM
* Ennemis Intérieurs
* La Femme et le TGV
* Mindenki
* Timecode
* Silent Nights

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO
* Blind Vaysha
* Borrowed Time
* Pear Cider and Cigarettes
* Pearl
* Piper

***

A 89ª cerimônia do Oscar acontece no dia 26 de fevereiro e será transmitida pelo canal pago TNT. Não conte muito com a Globo, porque o Oscar cai no fim de semana do Carnaval…

Com 11 indicações, ‘LA LA LAND’ também lidera o BAFTA 2017

Cena do filme britânico Eu, Daniel Blake, com Hayley Squire ao centro. Ela foi indicada como Atriz Coadjuvante (pic by moviepilot.de)

Cena do filme britânico Eu, Daniel Blake, com Hayley Squires ao centro. Ela foi indicada como Atriz Coadjuvante (pic by moviepilot.de)

APÓS VITÓRIA RECORDISTA NO GLOBO DE OURO, MUSICAL PODE ALCANÇAR NOVOS FEITOS EM PRÊMIO DA ACADEMIA BRITÂNICA

Nos últimos anos, o prêmio da Academia Britânica, BAFTA, deixou ser aquele mérito fechado no Reino Unido pra se tornar um ótimo parâmetro para o Oscar. Claro que existem as disparidades (nos últimos dois anos, elegeram O Regresso e Boyhood), mas certamente o Oscar está de olho nos indicados da terra da Rainha, tanto que quem estiver fora do BAFTA, tem suas chances consideravelmente reduzidas.

Sim, infelizmente, sob essa lógica, a grande Isabelle Huppert teve suas chances de vitória no Oscar de Atriz bem reduzidas com sua ausência aqui. Tudo graças ao atraso no lançamento de Elle no Reino Unido, agendado para março, o que o desqualificou para esta temporada. Claro que ela tem totais chances de indicação ao Oscar (que seria sua primeira), mas ganhar será mais difícil… Na sua ausência forçada, preencheram sua vaga com Emily Blunt por A Garota no Trem, fato que já tinha acontecido no SAG Awards.

Sophie Turner e Dominic Cooper anunciam as indicações em nove categorias (canal BAFTA no YouTube)

Bom, quanto aos números dessas indicações, temos La La Land liderando com 11 indicações, seguido por A Chegada e Animais Noturnos com nove indicações cada. Esse reconhecimento impulsiona bastante as campanhas desses dois filmes rumo ao Oscar, podendo acarretar nas inclusões de Denis Villeneuve e Tom Ford na categoria de Diretor. Ambos andavam meio esquecidos das premiações, mas mereciam mais reconhecimento por trabalhos tão diferentes da maioria.

O diretor Denis Villeneuve passa instruções para Amy Adams em set de A Chegada (pic by moviepilot.de)

O diretor Denis Villeneuve passa instruções para Amy Adams em set de A Chegada (pic by moviepilot.de)

Se por um lado, alguns ganham, outros perdem com o BAFTA. O drama independente Moonlight: Sob a Luz do Luar contou com apenas quatro indicações: Filme, Roteiro Original, Atriz Coadjuvante (Naomie Harris) e Ator Coadjuvante (Mahershala Ali). Seu diretor Barry Jenkins, que era outrora uma unanimidade na categoria, foi lembrado aqui apenas pelo roteiro. Havia uma forte expectativa de que ele seria o primeiro diretor negro a vencer o Oscar, mas com essa ausência e sua recém derrota no Globo de Ouro para Damien Chazelle, passo a ter minhas dúvidas.

Pra piorar sua situação, Moonlight, considerado um dos favoritos da temporada, perdeu em número de indicações até mesmo para Animais Fantásticos e Onde Habitam, Até o Último Homem, Lion: Uma Jornada Para Casa e Eu, Daniel Blake, todos receberam cinco indicações.

Aliás, o filme britânico Eu, Daniel Blake foi a maior surpresa desta edição. Vencedor da Palma de Ouro no último Festival de Cannes, o novo filme de Ken Loach foi bem valorizado ao ser reconhecido nas categorias de Filme, Filme Britânico, Diretor, Roteiro Original e Atriz Coadjuvante (Hayley Squires). Acho difícil a Academia indicar Loach como Diretor num ano tão concorrido, mas poderiam incluir o filme na categoria de Roteiro Original.

O diretor Ken Loach, 80 anos, vencedor de duas Palmas de Ouro, recebeu sua segunda indicação de Diretor no BAFTA (pic by moviepilot.de)

O diretor Ken Loach, 80 anos, vencedor de duas Palmas de Ouro, recebeu sua segunda indicação de Diretor no BAFTA (pic by moviepilot.de)

Deadpool, que vinha numa ascendente nas últimas semanas, acabou de fora do BAFTA. Nada. Nem uma indicaçãozinha de Melhor Maquiagem. Outros que ficaram de mãos abanando foram Sully: O Herói do Rio Hudson e Silêncio, o que praticamente enterra do filme de Scorsese para o Oscar. Claro que é complicado julgar sem ter visto o filme, mas é uma pena porque se trata de um projeto pessoal de longa data do diretor americano. Será que ele errou tão feio assim?

Quando falavam da corrida de Melhor Ator, dois nomes eram considerados certeza: Casey Affleck e Denzel Washington. Bom, agora Denzel perdeu a cadeira. A Academia Britânica preferiu indicar Jake Gyllenhaal por Animais Noturnos. Curiosamente, (isso nem eu me dei conta!) Denzel Washington nunca foi indicado para o BAFTA, mesmo com seis indicações e duas vitórias no Oscar. Particularmente, também não considero Washington um dos melhores atores, mas não posso falar antes de checar sua performance em Cercas, filme que ele também foi diretor. Já Gyllenhaal, apesar de ser um ator em ascensão, não acho um de seus melhores trabalhos, mas entendo sua inclusão. Ele faz dois personagens na adaptação de Tom Ford e isso deve ter lhe dado crédito para a indicação.

Jake Gyllenhaal em cena de Animais Noturnos, segundo filme sob a direção de Tom Ford (photo by cine.gr)

Jake Gyllenhaal em cena de Animais Noturnos: conquista sua terceira indicação ao BAFTA (photo by cine.gr)

***

EE RISING STAR AWARD

E nesta edição, o prêmio de revelação selecionou os atores: Anya Taylor-Joy (A Bruxa), Laia Costa (Victoria), Lucas Hedges (Manchester à Beira-Mar), Ruth Negga (Loving) e Tom Holland (Capitão América: Guerra Civil e Homem-Aranha: De Volta ao Lar). O voto é popular nas terras britânicas, e qualquer um que ganhar, acredito que será bem merecido. Mas se eu pudesse votar, elegeria Lucas Hedges. Apesar de não ter visto Manchester à Beira-Mar ainda, li boas críticas sobre a atuação dele, e lembrando que a última vez que o diretor Kenneth Lonergan revelou um ator, este foi Mark Ruffalo pelo ótimo Conte Comigo (2000).logo_master-bafta

INDICADOS AO BAFTA

MELHOR FILME
* A Chegada (Arrival) – Produtores: Dan Levine, Shawn Levy, David Linde, Aaron Ryder
* Eu, Daniel Blake (I, Daniel Blake) – Produtora: Rebecca O’Brien
* La La Land: Cantando Estações (La La Land) – Produtores: Fred Berger, Jordan Horowitz, Marc Platt
* Manchester à Beira-Mar (Manchester by the Sea) – Produtores: Lauren Beck, Matt Damon, Chris Moore, Kimberly Steward, Kevin J. Walsh
* Moonlight: Sob a Luz do Luar (Moonlight) – Produtores: Dede Gardner, Jeremy Kleiner, Adele Romanski

DIRETOR
* Denis Villeneuve (A Chegada)
* Ken Loach (Eu, Daniel Blake)
* Damien Chazelle (La La Land: Cantando Estações)
* Kenneth Lonergan (Manchester à Beira-Mar)
* Tom Ford (Animais Noturnos)

ROTEIRO ORIGINAL
* Taylor Sheridan (A Qualquer Custo)
* Paul Laverty (Eu, Daniel Blake)
* Damien Chazelle (La La Land)
* Kenneth Lonergan (Manchester à Beira-Mar)
* Barry Jenkins (Moonlight)

ROTEIRO ADAPTADO
* Eric Heisserer (A Chegada)
* Robert Schenkkan, Andrew Knight (Até o Último Homem)
* Theodore Melfi, Allison Schroeder (Estrelas Além do Tempo)
* Luke Davies (Lion: Uma Jornada Para Casa)
* Tom Ford (Animais Noturnos)

ATOR
Andrew Garfield (Até o Último Homem)
Casey Affleck  (Manchester à Beira-Mar)
Jake Gyllenhaal (Animais Noturnos)
Ryan Gosling (La La Land: Cantando Estações)
Viggo Mortensen (Capitão Fantástico)

ATRIZ
Amy Adams (A Chegada)
Emily Blunt (A Garota no Trem)
Emma Stone (La La Land: Cantando Estações)
Meryl Streep (Florence: Quem é Essa Mulher?)
Natalie Portman (Jackie)

ATOR COADJUVANTE
Aaron Taylor-Johnson (Animais Noturnos)
Dev Patel (Lion: Uma Jornada Para Casa)
Hugh Grant (Florence: Quem é Essa Mulher?)
Jeff Bridges (A Qualquer Custo)
Mahershala Ali (Moonlight: Sob a Luz do Luar)

ATRIZ COADJUVANTE
Hayley Squires (Eu, Daniel Blake)
Michelle Williams (Manchester à Beira-Mar)
Naomie Harris (Moonlight: Sob a Luz do Luar)
Nicole Kidman (Lion: Uma Jornada Para Casa)
Viola Davis (Cercas)

FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
* Dheepan: O Refúgio – Jacques Audiard, Pascal Caucheteux
* Julieta – Pedro Almodóvar
* Cinco Graças – Deniz Gamze Ergüven, Charles Gillibert
* O Filho de Saul – László Nemes, Gábor Sipos
* Toni Erdmann – Maren Ade, Janine Jackowski

DOCUMENTÁRIO
* A 13ª Emenda – Ava Duvernay
* The Beatles: Eight Days A Week – The Touring Years – Ron Howard
* The Eagle Huntress – Otto Bell, Stacey Reiss
* Notes on Blindness – Peter Middleton, James Spinney
* Weiner – Josh Kriegman, Elyse Steinberg

LONGA DE ANIMAÇÃO
* Procurando Dory – Dir: Andrew Stanton
* Kubo e as Cordas Mágicas – Dir: Travis Knight
* Moana: Um Mar de Aventuras – Dir: Ron Clements, John Musker
* Zootopia – Dir: Byron Howard, Rich Moore

TRILHA MUSICAL ORIGINAL
* Jóhann Jóhannsson (A Chegada)
* Mica Levi  (Jackie)
* Justin Hurwitz (La La Land: Cantando Estações)
* Dustin O’halloran, Hauschka (Lion: Uma Jornada Para Casa)
* Abel Korzeniowski (Animais Noturnos)

FOTOGRAFIA
* Bradford Young (A Chegada)
* Giles Nuttgens (A Qualquer Custo)
* Linus Sandgren (La La Land: Cantando Estações)
* Greig Fraser (Lion: Uma Jornada Para Casa)
* Seamus Mcgarvey (Animais Noturnos)

MONTAGEM
* Joe Walker (A Chegada)
* John Gilbert (Até o Último Homem)
* Tom Cross (La La Land: Cantando Estações)
* Jennifer Lame (Manchester à Beira-Mar)
* Joan Sobel (Animais Noturnos)

DIREÇÃO DE ARTE
* John Bush, Charles Wood (Doutor Estranho)
* Stuart Craig, Anna Pinnock (Animais Fantásticos e Onde Habitam)
* Jess Gonchor, Nancy Haigh (Ave, César!)
* Sandy Reynolds-Wasco, David Wasco (La La Land: Cantando Estações)
* Shane Valentino, Meg Everist (Animais Noturnos)

FIGURINO
* Joanna Johnston (Aliados)
* Colleen Atwood (Animais Fantásticos e Onde Habitam)
* Consolata Boyle (Florence: Quem é Essa Mulher?)
* Madeline Fontaine (Jackie)
* Mary Zophres (La La Land: Cantando Estações)

MAQUIAGEM E CABELO
* Jeremy Woodhead (Doutor Estranho)
* J. Roy Helland, Daniel Phillips (Florence: Quem é Essa Mulher?)
* Shane Thomas (Até o Último Homem)
* Donald Mowat, Yolanda Toussieng (Animais Noturnos)
* Rogue One: Uma História Star Wars

SOM
* Claude La Haye, Bernard Gariépy Strobl, Sylvain Bellemare (A Chegada)
* Mike Prestwood Smith, Dror Mohar, Wylie Stateman, David Wyman (Horizonte Profundo: Desastre no Golfo)
* Niv Adiri, Glenn Freemantle, Simon Hayes, Andy Nelson, Ian Tapp (Animais Fantásticos e Onde Habitam)
* Peter Grace, Robert Mackenzie, Kevin O’Connell, Andy Wright (Até o Último Homem)
* Mildred Iatrou Morgan, Ai-Ling Lee, Steve A. Morrow, Andy Nelson (La La Land: Cantando Estações)

EFEITOS VISUAIS
* Louis Morin (A Chegada)
* Richard Bluff, Stephane Ceretti, Paul Corbould, Jonathan Fawkner (Doutor Estranho)
* Tim Burke, Pablo Grillo, Christian Manz, David Watkins (Animais Fantásticos e Onde Habitam)
* Robert Legato, Dan Lemmon, Andrew R. Jones, Adam Valdez (Mogli: O Menino Lobo)
* Neil Corbould, Hal Hickel, Mohen Leo, John Knoll, Nigel Sumner (Rogue One: Uma História Star Wars)

FILME BRITÂNICO
* American Honey – Produtores: Andrea Arnold, Lars Knudsen, Pouya Shahbazian, Jay Van Hoy
* Negação (Denial) – Produtores: Mick Jackson, Gary Foster, Russ Krasnoff, David Hare
* Animais Fantásticos e Onde Habitam (Fantastic Beast and Where to Find Them) – Produtores: David Yates, J.K. Rowling, David Heyman, Steve Kloves, Lionel Wigram (Animais Fantásticos e Onde Habitam)
* Eu, Daniel Blake (I, Daniel Blake) – Produtores: Ken Loach, Rebecca O’Brien, Paul Laverty
* Notes on Blindness – Produtores: Peter Middleton, James Spinney, Mike Brett, Jo-Jo Ellison, Steve Jamison
* Sob a Sombra (Under the Shadow) – Produtores: Babak Anvari, Emily Leo, Oliver Roskill, Lucan Toh

ESTRÉIA DE ROTEIRISTA, DIRETOR OU PRODUTOR BRITÂNICO
* The Girl With All the Gifts – Mike Carey (Roteirista), Camille Gatin (Produtor)
* The Hard Stop – George Amponsah (Roteirista/Diretor/Produtor), Dionne Walker (Roteirista/Produtor)
* Notes on Blindness – Peter Middleton (Roteirista/Diretor/Produtor), James Spinney (Roteirista/Diretor), Jo-Jo Ellison (Produtor)
* The Pass – John Donnelly (Roteirista), Ben A. Williams (Diretor)
* Sob a Sombra (Under the Shadow) – Babak Anvari (Roteirista/Diretor), Emily Leo, Oliver Roskill, Lucan Toh (Produtores)

CURTA DE ANIMAÇÃO BRITÂNICO
* The Alan Dimension – Jac Clinch, Jonathan Harbottle, Millie Marsh
* A Love Story – Khaled Gad, Anushka Kishani Naanayakkara, Elena Ruscombe-King
* Tough – Jennifer Zheng

CURTA-METRAGEM BRITÂNICO
* Consumed – Richard John Seymour
* Home – Shpat Deda, Afolabi Kuti, Daniel Mulloy, Scott O’Donnell
* Mouth of Hell – Bart Gavigan, Samir Mehanovic, Ailie Smith, Michael Wilson
* The Party – Farah Abushwesha, Emmet Fleming, Andrea Harkin, Conor Macneill
* Standby – Charlotte Regan, Jack Hannon

EE RISING STAR AWARD (Voto do público)
Anya Taylor-Joy
Laia Costa
Lucas Hedges
Ruth Negga
Tom Holland

Indicados ao EE Rising Star Award. pic by metro.co.uk

Indicados ao EE Rising Star Award. pic by metro.co.uk

***

A cerimônia do BAFTA ocorre no dia 12 de fevereiro.

‘Manchester à Beira-Mar’ conquista 4 indicações ao SAG Awards 2017

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Em cena de Manchester à Beira-Mar, Casey Affleck e Lucas Hedges . Filme foi recordista de indicações ao SAG Awards (pic by cine.gr)

DRAMA INDEPENDENTE DE KENNETH LONERGAN VOLTA AO PROTAGONISMO DA TEMPORADA DE PREMIAÇÕES

Após ver o musical La La Land ganhar o Critics’ Choice e liderar as indicações ao Globo de Ouro, chegou a hora de Manchester à Beira-Mar chamar atenção pela força de seu elenco. O filme escrito e dirigido por Kenneth Lonergan conseguiu indicações para Ator (Casey Affleck), Ator Coadjuvante (Lucas Hedges), Atriz Coadjuvante (Michelle Williams) e Elenco. Logo depois, com 3 indicações ficaram Fences e Moonlight.

Na manhã desta quarta-feira, dia 14, os atores Sophia Bush e Common fizeram o anúncio dos indicados. Não sei quanto à opinião de vocês, mas acho que os artistas encarregados desta tarefa deveriam ser mais imparciais. No vídeo abaixo, no momento das categorias de cinema, Common passa a comemorar com um ‘yes’ toda vez que um filme com atores negros é citado, enquanto os outros ficaram no vácuo. Obviamente, ele está feliz que a polêmica do #OscarSoWhite deu resultado, mas ele poderia guardar essa alegria para si mesmo. Sua companheira de anúncio, Sophia Bush, procurou amenizar a situação entrando na onda e com bom humor, mas ficou um certo desconforto desnecessário.

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Common e Sophia Bush anunciam a categoria de Ator do SAG (pic by San Francisco Chronicle)

Nos últimos anos, o SAG Awards tem crescido em importância na temporada de premiações, já que os vencedores da categoria de Melhor Elenco ganharam também o Oscar de Melhor Filme onze vezes nos últimos 21 anos. Nos últimos dois anos, Spotlight e Birdman seguiram esse roteiro.

Além disso, o SAG tem uma ótima estatística de acerto em relação ao Oscar: cerca de 80% nas categorias de atuação. Como se diz no termo futebolístico, se você ganhou o SAG, está com “as mãos na taça”. Se focar na categoria de Melhor Ator, aí é dobradinha na certa com o Oscar. Sabe quando o último vencedor do SAG não levou o prêmio da Academia? Em 2004, quando Johnny Depp (Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra) perdeu para Sean Penn (Sobre Meninos e Lobos), ou seja, faz muito tempo.

Pior pra quem fica de fora do SAG. São os casos de 20th Century Women, Loving, e os já citados no post do Globo de Ouro: Silêncio e Sully: O Herói do Rio Hudson. Não significa necessariamente que ficarão fora do Oscar, mas suas chances caem consideravelmente.

Bom, falando em queda de chances, a maior surpresa das indicações pra mim foi justamente a ausência de Isabelle Huppert por Elle. A atriz francesa estava em alta depois dos prêmios da crítica de LA e NY, além das indicações do Critics’ Choice e Globo de Ouro, mas por algum motivo não figurou na lista do SAG. À princípio, acreditava que seu nome estava fora por não ser membro do sindicato dos atores, requisito mínimo para concorrer, mas depois de ler algumas matérias, descartei essa possibilidade. Bom, quem perde é o próprio SAG, que preferiu reconhecer Emily Blunt por A Garota no Trem, que não aparecia em nenhuma lista de melhores.

Ainda na categoria de Atriz, outra ausência sentida foi de Ruth Negga por Loving. Até o momento, ela não havia conquistado prêmio algum, mas sempre estava entre as melhores do ano. Annette Bening e Jessica Chastain eram outros nomes que ficaram de fora da disputa.

Outra importante nota seria a indicação de Hugh Grant como Coadjuvante por Florence: Quem é Essa Mulher?. Segundo o peso de seu personagem na trama, ele seria ator principal, e não secundário. Mas… como aconteceu nos anos anteriores com Alicia Vikander como coadjuvante em A Garota Dinamarquesa e Rooney Mara em Carol, Grant passou a concorrer como Coadjuvante a fim de ter mais chances de indicação e vitória. Caso venha a receber sua primeira indicação ao Oscar, acredito que será como coadjuvante.

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Hugh Grant como St Clair Bayfield em Florence: Quem é Essa Mulher? (pic by cine.gr)

Ainda sobre as categorias de cinema, muitos destacaram a ausência de La La Land na categoria de Melhor Elenco. Claro que se o filme fosse indicado, sua campanha iria disparar, mas nesse caso, não deve afetar sua trajetória rumo ao Oscar. Embora os demais atores sejam relevantes como J.K. Simmons, Rosemarie DeWitt e Tom Everett Scott, o elenco já está muito bem reconhecido com as indicações de Ryan Gosling e Emma Stone.

Falando em muito bem reconhecido, Mahershala Ali foi o único ator desta edição a receber três indicações. Além de Ator Coadjuvante e Elenco por Moonlight, o ator também está no elenco de Estrelas Além do Tempo, que está indicado a Elenco.

E talvez a maior surpresa aqui foi a inclusão de Capitão Fantástico, cujo elenco foi indicado, além de Viggo Mortensen como Melhor Ator. Há tempos leio boas críticas em relação ao filme, principalmente em relação à escolha dos atores mirins que vivem os seis filhos do personagem de Mortensen. Depois de ser indicado no Critics’ e Globo de Ouro, o ator pode conquistar sua segunda indicação ao Oscar.

CAPTAIN FANTASTIC

No centro, Viggo Mortensen em cena com seus filhos em Capitão Fantástico (pic by cine.gr)

Nas categorias de televisão, não tem como não aplaudir a Netflix. O canal de streaming conseguiu acumular 17 indicações através de suas produções originais, incluindo três para a sensação Stranger Things, e três para The Crown.

Assim como o Globo de Ouro, o SAG resolveu dar uma repaginada nas séries e concedeu as primeiras indicações para as novidades Westworld, Black-ish, This Is Us, Black Mirror, Unbreakable Kimmy Schmidt e Lady Day at Emerson’s Bar & Grill.

E mais um adendo: não entendi o prêmio pelo Conjunto da obra para a atriz Lily Tomlin. Ok, ela já não é mais mocinha, mais precisamente tem 77 anos, mas é uma artista que ainda está trabalhando em alto nível, tanto que foi indicada pela série da Netflix, Grace and Frankie. Bom, pelo menos podemos esperar um discurso leve e engraçado!

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Lily Tomlin na série da Netflix, Grace & Frankie. (pic by elfilm.com)

INDICADOS AO 23º SAG AWARDS:

Outstanding Performance by a Male Actor in a Leading Role
– Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar)
– Andrew Garfield (Até o Último Homem)
– Ryan Gosling (La La Land: Cantando Estações)
– Viggo Mortensen (Capitão Fantástico)
– Denzel Washington (Fences)

Outstanding Performance by a Female Actor in a Leading Role
– Amy Adams (A Chegada)
– Emily Blunt (A Garota no Trem)
– Natalie Portman (Jackie)
– Emma Stone (La La Land: Cantando Estações)
– Meryl Streep (Florence: Quem é Essa Mulher?)

Outstanding Performance by a Male Actor in a Supporting Role
– Mahershala Ali (Moonlight)
– Jeff Bridges (A Qualquer Custo)
– Hugh Grant (Florence: Quem é Essa Mulher?)
– Lucas Hedges (Manchester à Beira-Mar)
– Dev Patel (Lion)

Outstanding Performance by a Female Actor in a Supporting Role
– Viola Davis (Fences)
– Naomie Harris (Moonlight)
– Nicole Kidman (Lion)
– Octavia Spencer (Estrelas Além do Tempo)
– Michelle Williams (Manchester à Beira-Mar)

Outstanding Performance by a Cast in a Motion Picture
– Capitão Fantástico
– Fences
– Estrelas Além do Tempo
– Manchester à Beira-Mar
– Moonlight

Outstanding Performance by a Male Actor in a Television Movie or Miniseries
– Riz Ahmed (The Night Of)
– Sterling K. Brown (The People v. O.J. Simpson)
– Bryan Cranston (All the Way)
– John Turturro (The Night Of)
– Courtney B. Vance (The People v. O.J. Simpson)

Outstanding Performance by a Female Actor in a Television Movie or Miniseries
– Bryce Dallas Howard (Black Mirror)
– Felicity Huffman (American Crime)
– Audra McDonald (Lady Day at Emerson’s Bar and Grill)
– Sarah Paulson (The People v. O.J. Simpson)
– Kerry Washington (Confirmation)

Outstanding Performance by a Male Actor in a Drama Series
– Sterling K. Brown (This Is Us)
– Peter Dinklage (Game of Thrones)
– John Lithgow (The Crown)
– Rami Malek (Mr. Robot)
– Kevin Spacey (House of Cards)

Outstanding Performance by a Female Actor in a Drama Series
– Millie Bobby Brown (Stranger Things)
– Claire Foy (The Crown)
– Thandie Newton (Westworld)
– Winona Ryder (Stranger Things)
– Robin Wright (House of Cards)

Outstanding Performance by a Male Actor in a Comedy Series
– Anthony Anderson (Black-ish)
– Tituss Burgess (Unbreakable Kimmy Schmidt)
– Ty Burrell (Modern Family)
– William H. Macy (Shameless)
– Jeffrey Tambor (Transparent)

Outstanding Performance by a Female Actor in a Comedy Series
– Uzo Aduba (Orange is the New Black)
– Jane Fonda (Grace and Frankie)
– Ellie Kemper (Unbreakable Kimmy Schmidt)
– Julia Louis-Dreyfus (Veep)
– Lily Tomlin (Grace and Frankie)

Outstanding Performance by an Ensemble in a Drama Series
– The Crown
– Downton Abbey
– Game of Thrones
– Stranger Things
– Westworld

Outstanding Performance by an Ensemble in a Comedy Series
– The Big Bang Theory
– Black-ish
– Modern Family
– Orange is the New Black
– Veep

Outstanding Action Performance by a Stunt Ensemble in a Comedy or Drama Series
– Game of Thrones
– Marvel’s Daredevil
– Marvel’s Luke Cage
– The Walking Dead
– Westworld

Outstanding Action Performance by a Stunt Ensemble in a Motion Picture
– Capitão América: Guerra Civil
– Doutor Estranho
– Até o Último Homem
– Jason Bourne
– Animais Noturnos

***

A 23ª cerimônia do SAG Awards está marcada para o dia 29 de janeiro, e será transmitida pelo canal pago TNT.

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