92 Países Concorrem às 5 Indicações ao OSCAR de Filme em Língua Estrangeira

Loveless

Cena do representante da Rússia, Loveless, de Andrey Zvyangitsev (pic by cine.gr)

NÚMERO CRESCENTE BATE NOVO RECORDE DA ACADEMIA

Na última quinta, dia 05, a Academia anunciou a seleção de 92 produções internacionais que concorrerão às 5 vagas da categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira. Trata-se de um novo recorde de inscritos, que teve a colaboração de países inéditos na lista como Haiti, Honduras, Laos, Moçambique, Senegal e Síria.

Apesar de já haver alguns favoritos às vagas como o austríaco Happy End, de Michael Haneke, e o sueco The Square, de Ruben Östlund, que venceu a Palma de Ouro em Cannes, não é possível cravar nenhum filme no Oscar como antes. Nos últimos anos, a Academia se tornou mais abrangente em suas escolhas, passando a olhar com mais carinho e indicando produções alternativas de países como Camboja, Estônia, Mauritânia e Jordânia. Por isso, candidatos a favoritos e premiados em festivais nem sempre têm lugar cativo na lista, podendo ceder lugar a Bingo: O Rei das Manhãs, por exemplo! Por que não?

Aliás, vi muitos críticos, jornalistas e até youtubers já descartando qualquer chance do Brasil no Oscar. Claro que Bingo não é o típico material de Oscar, mas como citei no parágrafo anterior, a Academia está passando por algumas mudanças que podem beneficiar produções estrangeiras que não tenham a 2ª Guerra Mundial e Holocausto como temas centrais. Além disso, temos Daniel Rezende como diretor, que já foi indicado ao Oscar de Montagem em 2004 por Cidade de Deus. Enfim, como se trata de uma caixinha de surpresas, não tiraria as chances do cinema nacional ainda.

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Cena do representante da França, BPM (Beats Per Minute), de Robin Campillo (pic by cine.gr)

Por enquanto, além do filme de Haneke e Östlund, entre os favoritos de vários especialistas estão o francês BPM (Beats Per Minute), de Robin Campillo (venceu o Grande Prêmio do Júri em Cannes e fala sobre a luta contra a discriminação da Aids); o israelense Foxtrot, de Samuel Maoz (levou o Grande Prêmio do Júri em Veneza e funciona como crítica às guerras); o chileno Uma Mulher Fantástica, de Sebastián Lelio (ganhou Melhor Roteiro em Berlim, mas tem temática transsexual que acadêmicos evitam); o russo Loveless, de Andrey Zvyangintsev (venceu o Prêmio do Júri em Cannes e foi muito bem acolhido pela abordagem intimista de um divórcio e as consequências para os filhos) e o cambojano First They Killed My Father, dirigido por ninguém menos do que a atriz Angelina Jolie.

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Angelina Jolie dirige atriz mirim de seu quarto filme como diretora First They Killed my Father, disponível no Netflix (pic by Variety)

Vale lembrar que o filme de Jolie está disponível no Netflix (sim, a empresa de streaming co-produziu o longa),  fato que ajuda a popularizá-lo na campanha do Oscar. A produção é um drama autobiográfico sobre a infância dura da ativista de direitos humanos Loung Ung quando o Camboja era dominado pelo regime comunista do Khmer Vermelho. Honestamente falando, acredito que Angelina Jolie estará entre os cinco indicados na categoria. Além de contar com o apoio de vários membros da Academia, esta é a quarta incursão dela como diretora, e desde seu primeiro trabalho, existe um burburinho de sua indicação ao Oscar de direção, fato que não aconteceu até o momento. Portanto, em tempos politicamente corretos que demandam mais igualdade entre gêneros, Angelina pode despontar nesta categoria, e até quem sabe, no Oscar de direção finalmente.

Bom, é difícil torcer pra filmes que não vimos, mas gostaria de ver Lucrecia Martel indicada, pois é uma das diretoras mais relevantes do cinema argentino que admiro muito. E gostaria de ver também o chileno Uma Mulher Fantástica e o russo Loveless na lista final pelas temáticas e pelos históricos dos diretores. Torceria pelo México, mas a comissão escolheu Tempestad, ao invés de Las Hijas de Abril, de Michel Franco, cujo trabalho sou fã.

Segue a lista das 92 produções inscritas para o Oscar 2018:

PAÍS FILME DIRETOR(A)
Afeganistão A Letter to the President Roya Sadat
África do Sul The Wound John Trengove
Albânia Daybreak Gentian Koçi
Alemanha In the Fade Fatih Akin
Argélia Road to Istanbul Rachid Bouchareb
Argentina Zama Lucrecia Martel
Armênia Yeva Anahit Abad
Austrália The Space Between Ruth Borgobello
Áustria Happy End Michael Haneke
Azerbaijão Pomegranate Orchard Ilgar Najaf
Bangladesh The Cage Akram Khan
Bélgica Racer and the Jailbird Michaël R. Roskam
Bolívia Dark Skull Kiro Russo
Bósnia e Herzegovina Men Don’t Cry Alen Drljević
Brasil Bingo – O Rei das Manhãs Daniel Rezende
Bulgária Glory Petar Valchanov, Kristina Grozeva
Camboja First They Killed my Father Angelina Jolie
Canadá Hochelaga, Land of Souls François Girard
Cazaquistão The Road to Mother Akhan Satayev
Chile Uma Mulher Fantástica Sebastián Lelio
China Wolf Warrior 2 Wu Jing
Colômbia Guilty Men Iván D. Gaona
Coréia do Sul A Taxi Driver Jang Hoon
Costa Rica The Sound of Things Ariel Escalante
Croácia Quit Staring at my Plate Hana Jušić
Dinamarca You Disappear Peter Schønau Fog
Egito Sheikh Jackson Amr Salama
Equador Alba Ana Cristina Barragán
Eslováquia The Line Peter Bebjak
Eslovênia The Miner Hanna A. W. Slak
Espanha Summer 1993 Carla Simón
Estônia November Rainer Sarnet
Filipinas Birdshot Mikhail Red
Finlândia Tom of Finland Dome Karukoski
França BPM (Beats per Minute) Robin Campillo
Georgia Scary Mother Ana Urushadze
Grécia Amerika Square Yannis Sakaridis
Haiti Ayiti Mon Amour Guetty Felin
Holanda Layla M. Mijke de Jong
Honduras Morazán Hispano Durón
Hong Kong Mad World Wong Chun
Hungria On Body and Soul Ildikó Enyedi
Índia Newton Amit V Masurkar
Indonésia Turah Wicaksono Wisnu Legowo
Irã Breath Narges Abyar
Iraque Reseba – The Dark Wind Hussein Hassan
Irlanda Song of Granite Pat Collins
Islândia Under the Tree Hafsteinn Gunnar Sigurðsson
Israel Foxtrot Samuel Maoz
Itália A Ciambra Jonas Carpignano
Japão Her Love Boils Bathwater Ryota Nakano
Kosovo Unwanted Edon Rizvanolli
Laos Dearest Sister Mattie Do
Letônia The Chronicles of Melanie Viestur Kairish
Líbano The Insult Ziad Doueiri
Lituânia Frost Sharunas Bartas
Luxemburgo Barrage Laura Schroeder
Marrocos Razzia Nabil Ayouch
México Tempestad Tatiana Huezo
Moçambique The Train of Salt and Sugar Licinio Azevedo
Mongólia The Children of Genghis Zolbayar Dorj
Nepal White Sun Deepak Rauniyar
Noruega Thelma Joachim Trier
Nova Zelândia One Thousand Ropes Tusi Tamasese
Palestina Wajib Annemarie Jacir
Panamá Beyond Brotherhood Arianne Benedetti
Paquistão Saawan Farhan Alam
Paraguai Los Buscadores Juan Carlos Maneglia, Tana Schembori
Peru Rosa Chumbe Jonatan Relayze
Polônia Spoor Agnieszka Holland, Kasia Adamik
Portugal Saint George Marco Martins
Quênia Kati Kati Mbithi Masya
Quirguistão Centaur Aktan Arym Kubat
Reino Unido My Pure Land Sarmad Masud
República Dominicana Woodpeckers Jose Maria Cabral
República Tcheca Ice Mother Bohdan Sláma
Romênia Fixeur Adrian Sitaru
Rússia Loveless Andrey Zvyagintsev
Senegal Félicité Alain Gomis
Sérvia Requiem for Mrs. J. Bojan Vuletic
Singapura Pop Aye Kirsten Tan
Síria Little Gandhi Sam Kadi
Suécia The Square Ruben Östlund
Suíça The Divine Order Petra Volpe
Tailândia By the Time It Gets Dark Anocha Suwichakornpong
Taiwan Small Talk Hui-Chen Huang
Tunísia The Last of Us Ala Eddine Slim
Turquia Ayla: The Daughter of War Can Ulkay
Ucrânia Black Level Valentyn Vasyanovych
Uruguai Another Story of the World Guillermo Casanova
Venezuela El Inca Ignacio Castillo Cottin
Vietnã Father and Son Luong Dinh Dung
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‘THE SQUARE’, do sueco Ruben Östlund, vence a Palma de Ouro em Cannes 2017. NETFLIX sai de mãos abanando.

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No centro, o diretor Ruben Ostlund comemora sua vitória como se fosse um gol de final de campeonato. Ao fundo, o presidente do júri Pedro Almodóvar. Pic by NBC News

NO ANIVERSÁRIO DE 70 ANOS, CANNES PREMIA JOVEM DIRETOR QUE JÁ HAVIA SE DESTACADO POR FORÇA MAIOR

Após uma forte expectativa de que o festival iria conceder sua segunda Palma de Ouro para uma mulher, o prêmio máximo ficou com o diretor sueco Ruben Östlund, mantendo a neozelandesa Jane Campion como a única vencedora feminina da história do festival.

Apesar de não ter sido o filme da competição mais elogiado pela imprensa estrangeira, The Square ganhou pontos com os membros do júri ao apresentar uma sátira do mundo das Artes, em que o protagonista é um diretor de um museu, que está desesperado para fazer sucesso e pra isso, recebe uma nova instalação chamada “The Square” para promovê-lo.

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Cena de The Square, de Ruben Ostlund.

O presidente do júri Almodóvar explicou sua escolha após a entrega dos prêmios: “É contemporâneo, é sobre a ditadura de ser politicamente correto. Eles vivem num inferno paranormal por causa disso.” Essa justificativa me atiçou um pouco a curiosidade para conferir o filme, já que sou crítico desses tempos politicamente corretos em que vivemos. Mas independente de ter sido premiado ou não, a voz do diretor Robert Östlund é uma das mais originais dos últimos tempos. Quem viu seu último filme, Força Maior, sobre uma tragédia natural que afeta uma família, sabe do que estou falando. Ele tem um humor bastante peculiar.

As fortes concorrentes femininas, a americana Sofia Coppola e a escocesa Lynne Ramsay, ficaram com os prêmios de Direção e Roteiro, respectivamente. Coppola se torna a segunda diretora a vencer esse prêmio depois da russa Yuliya Solntseva com A Epopéia dos Anos de Fogo, de 1961. “Agradeço ao júri por esta honra… Agradeço ao meu pai, que me ensinou a escrever e dirigir e por compartilhar seu amor por cinema, e para minha mãe por me encorajar a ser uma artista,” agradeceu Coppola através de nota lida pela diretora Maren Ade, já que não estava presente na cerimônia de premiação. Ade, que é membro do júri, aproveitou para “agradecer a Jane Campion por ser uma modelo e por apoiar as cineastas mulheres.”

PRÊMIOS DE INTERPRETAÇÃO

Ao contrário de Sofia, os atores Diane Kruger e Joaquin Phoenix, que ganharam os prêmios de interpretação, estiveram na cerimônia de apresentação e foram bastante aplaudidos. Em In the Fade, a atriz alemã interpreta uma mulher que, depois de ter seu marido e filho mortos num ataque de bomba terrorista, planeja uma vingança. Muito comovida, a atriz alemã subiu ao palco e fez seu discurso: “Fatih [Akin], meu irmão, obrigada por me dar essa chance… você me deu a força que eu não sabia que tinha em mim. Eu não posso aceitar este prêmio sem pensar em ninguém que já foi impactado por um ato de terrorismo, pessoas que estão tentando colher os cacos e continuar suas vidas. Por favor, saibam que vocês não estão esquecidos. Obrigada.”

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Diane Kruger agradece pelo prêmio de interpretação feminina em ‘In the Fade’ (pic by Alberto Pizzoli/ Getty Images)

Já pelo prêmio de interpretação masculina, o sempre controverso Joaquin Phoenix veio até Cannes para receber a honraria. Nada contra o ator, que aliás sou fã de seu trabalho, mas ele deveria se decidir de vez se gosta ou não de premiações. Ou ele vai para sorrir e ser agradecido, ou fica em casa com a cara emburrada, e não o contrário! Desse jeito, fica a impressão de que ele atua como ‘bad boy’ para impulsionar sua imagem de durão e psicótico.

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Mas enfim, no filme You Were Never Really Here, ele faz uma espécie veterano de guerra à la Taxi Driver, que tenta a todo custo salvar uma menina do tráfico de sexo. À princípio, parece um papel de alguém bastante perturbado, o que se encaixa perfeitamente no rótulo que Hollywood adora botar nos atores. Tem seu lado positivo, já que o ator domina o tipo de personagem e pode elevá-lo ainda mais, porém tem seu lado negativo, pois existe uma iminente ameaça do ator ficar limitado demais.

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Joaquin Phoenix com a jovem Ekaterina Samsonov em cena de You Were Never Really Here, de Lynne Ramsay (pic by cine.gr)

Em relação ao Oscar, vale lembrar que desde 2007, 22 performances que tiveram sua estréia em Cannes acabaram sendo indicadas ou premiadas pela Academia no ano seguinte. Dando maior precisão aos dados estatísticos, desses 22 atores, treze foram mulheres e nove foram homens, contudo, apenas Rooney Mara (por Carol) transformou seu prêmio de atriz em indicação ao Oscar, enquanto 4 vencedores de Ator em Cannes foram ao Oscar: Christoph Waltz (Bastardos Inglórios), Javier Bardem (Biutiful), Jean Dujardin (O Artista), e Bruce Dern (Nebraska).

PRÊMIO DE 70º ANIVERSÁRIO

A cada década, o festival tem a liberdade de criar um prêmio especial. Este ano, eles prestigiaram a atriz Nicole Kidman, já que ela participa de quatro projetos distintos em Cannes: os filmes O Estranho que Nós Amamos, The Killing of a Sacred Deer, How to Talk to Girls at Parties e a série Top of the Lake, que está na segunda temporada, reconhecendo assim sua versatilidade.

SURPRESAS E DECEPÇÕES

Dentre os nomes mais citados pela imprensa estrangeira e pela crítica que mereceria o prêmio de ator estava o de Robert Pattison. Sim, aquele rapaz que já foi um vampiro que brilhava no sol naquela saga politicamente correta de Stephenie Meyer. Parece que ele está buscando novos desafios depois de ter trabalhado com o diretor David Cronenberg em Cosmópolis em 2012. Sua atuação foi bastante elogiada no drama sobre roubo de bancos intitulado Good Time. Acabou perdendo o prêmio para Joaquin Phoenix, mas pode se tornar um nome forte para a próxima temporada de premiações.

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Robert Pattison em Good Time, dos irmãos Safdie (pic by moviepilot.de)

Outro que está tentando (com bem menos afinco) mudar sua imagem é Adam Sandler. Esse comediante americano que estrela trocentos filmes do Netflix está em The Meyerowitz Stories: New and Selected, do diretor Noah Baumbach, que inclusive já tentou fazer um filme mais sério com o comediante Ben Stiller em O Solteirão (2010). Este novo trabalho é uma comédia de família disfuncional, mas com nomes de peso como Dustin Hoffman e Emma Thompson. A atuação deles foi elogiada, mas a de Sandler acabou sendo mais comentada e por isso mesmo, estava entre os candidatos ao prêmio. Pode soar radical demais, mas a única performance interessante que vi de Sandler foi em Embriagados de Amor (2002), quando foi dirigido por Paul Thomas Anderson. Naquele papel, ele apresentava uns tiques nervosos de uma pessoa extremamente perturbada pelas irmãs mais velhas. Mas depois ele fez apenas comédias do tipo besteirol que deixavam de explorar esse seu lado. De qualquer forma, acredito na redenção de qualquer ator, contanto que ele ou ela busquem se desafiar. E se diretores do calibre de Cronenberg e P.T. Anderson viram algo de bom nesses atores, significa que devemos olhar com mais atenção.

No campo das surpresas, a própria Palma de Ouro não deixa de ser uma. The Square estava entre os mais elogiados, mas estava meio longe de ser uma unanimidade. Entre os mais bem cotados estavam Happy End, de Michael Haneke; Loveless, de Andrey Zvyagintsev; The Killing of a Sacred Deer, de Yorgos Lanthimos; 120 battements par minute, de Robin Campillo; e You Were Never Really Here, de Lynne Ramsay. Excetuando o primeiro, todos os demais foram reconhecidos com prêmios, o que mostra certa sintonia do júri em relação à crítica.

NETFLIX E A DIFICULDADE DE ACEITAÇÃO

Após receber inúmeras vaias nas sessões de Okja e Wonderstruck, ambas produções da Netflix, era esperado que a plataforma de streaming mais conhecida no mundo fosse sair sem nenhum prêmio do evento. O próprio presidente do júri, Pedro Almodóvar, havia afirmado que “não premiaria um filme que não vai ser exibido na tela grande”. O Festival de Cannes completou 70 anos de existência, e com isso, há muita tradição envolvida que não se muda da noite para o dia. Inicialmente surpresa pelo convite, a Netflix sofreu um um cerco ferrenho por parte dos exibidores franceses, já que perderiam dinheiro com a não-exibição dos filmes em salas de cinema. Essa discussão está apenas no começo e deve ser assunto para as próximas edições, não só de Cannes, mas de outros grandes festivais, que terão que lidar com a produção de conteúdo da Netflix.

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À direita, o diretor Noah Baumbach com os atores Adam Sandler e Dustin Hoffman no set de The Meyerowitz Stories

VITÓRIA BRASILEIRA EM CANNES

Embora o Brasil não tivesse representantes na competição oficial, por outro lado, participou da mostra da Semana da Crítica e saiu com dois prêmios. Gabriel e a Montanha, do jovem Fellipe Gamarano Barbosa, levou o Prêmio Visionário e o Gan Foundation que fornecerá um apoio enorme para a distribuição na França. O prêmio foi concedido pelo presidente do júri da Semana da Crítica, o conterrâneo Kléber Mendonça Filho. Parabéns à equipe do filme!

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Os atores Caroline Abras e João Pedro Zappa em cena de Gabriel e a Montanha, de Fellipe Gamarano Barbosa. Pic by cineuropa.org

NOTAS PESSOAIS

Fiquei bastante feliz que Taylor Sheridan, que ficou conhecido por roteirizar o western moderno A Qualquer Custo (Hell or High Water), foi premiado como Melhor Diretor da mostra Un Certain Regard logo em sua primeira investida na cadeira de diretor em Wind River. O filme centra num assassinato que ocorreu numa reserva indígena, e é estrelado por Jeremy Renner e Elisabeth Olsen.

Também dos filmes premiados em Cannes, estou ansioso pra conferir os novos trabalhos de Andrey Zvyagintsev (ele tem uma visão bastante dura, porém realista, vide O Retorno e Leviatã), Lynne Ramsay (é uma diretora extremamente detalhista, e que consegue enxergar poesia onde não há) e Yorgos Lanthimos (seu nome vem sendo atrelado a um cinema de conteúdo criativo que vem desde Dente Canino e que se consagrou com O Lagosta).

VENCEDORES DO 70º FESTIVAL DE CANNES

PALMA DE OURO
Ruben Östlund – The Square

GRANDE PRÊMIO DO JÚRI
Robin Campillo – 120 Beats Per Minute

PRÊMIO DO JÚRI
Andrey Zvyagintsev – Loveless

DIRETOR
Sofia Coppola – O Estranho que Nós Amamos

ATOR
Joaquin Phoenix – You Were Never Really Here

ATRIZ
Diane Kruger – In the Fade

ROTEIRO
Yorgos Lanthimos – The Killing of a Sacred Deer
Lynne Ramsay – You Were Never Really Here

CAMERA D’OR
Léonor Sérraille – Jeune Femme

PALMA DE OURO PARA CURTA-METRAGEM
Qiu Yang – A Gentle Night

PRÊMIO ESPECIAL DE 70º ANIVERSÁRIO
Nicole Kidman

MOSTRA UN CERTAIN REGARD

UN CERTAIN REGARD
Mohammad Rasoulof – A Man of Integrity

ATRIZ
Jasmine Trinca – Fortunata

NARRATIVA POÉTICA
Mathieu Amalric – Barbara

DIRETOR
Taylor Sheridan – Wind River

PRÊMIO DO JÚRI
Michel Franco – April’s Daughter

MOSTRA SEMANA DA CRÍTICA

GRANDE PRÊMIO: Emmanuel Gras – Makala
PRÊMIO VISIONÁRIO: Fellipe Gamarano Barbosa – Gabriel and the Mountain
Leica Cine Discovery Prize for Short Film: Laura Ferrés – Los Desheredados
Gan Foundation Support for Distribution Award: Fellipe Gamarano Barbosa – Gabriel and the Mountain

SACD Award: Léa Mysius – Ava
Canal+ Award: Aleksandra Terpińska – The Best Fireworks

DIRECTOR’S FORTNIGHT

Art Cinema Award: Chloé Zhao – The Rider
SACD Award: Claire Denis – Let the Sunshine In, Philippe Garrel – Lover for a Day
Europa Cinemas Label Award: Jonas Carpignano – A Ciambra
Illy Prize for Short Film: Benoit Grimalt – Back to Genoa City

‘Birdman’ e ‘O Grande Hotel Budapeste’ lideram indicações ao Oscar 2015!

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OS NÚMEROS DO OSCAR 2015

Os recordistas em indicações desta 87ª edição do Oscar são Birdman e O Grande Hotel Budapeste, ambos com nove cada. Ao contrário do que vinha acontecendo nos anos anteriores em que a Academia indicava 9 produções, este ano decidiu preencher apenas 8 vagas das 10 disponíveis. Curiosamente, o filme sobre Direitos Civis, Selma, conquistou apenas a indicação de Filme e de Canção Original. Por outro lado, o mega-ascendente Sniper Americano coletou um total de 6 indicações, mas seu diretor Clint Eastwood não foi incluso na categoria de Direção, enfraquecendo bastante as chances de vitória da produção como Melhor Filme. Enquanto que Foxcatcher conseguiu a proeza de resgatar Bennett Miller pra Melhor Diretor (pra muitos ele já era considerado carta fora do baralho), mas falhou na indicação a Melhor Filme! Pô, não poderiam ter indicado o filme também e ocupado a nona vaga?

Michael Keaton e Emma Stone em cena de Birdman: ambos foram indicados para ator e atriz coadjuvante. (photo by outnow.ch)

Michael Keaton e Emma Stone em cena de Birdman: ambos foram indicados para ator e atriz coadjuvante. (photo by outnow.ch)

Apesar de contar apenas com 6 indicações, Boyhood ainda permanece como um dos grandes favoritos a conquistar o Oscar de Filme e Direção. Também não dá pra descartar as oito indicações de O Jogo da Imitação, ainda mais que seu diretor Morten Tyldum foi indicado a Diretor.

Vale sempre ressaltar que Meryl Streep está de volta! Ela é a super-recordista em termos de indicações no Oscar das categorias de atuação, pois esta é sua 19ª indicação. Ela concorre como coadjuvante por Caminhos da Floresta, mas não é a favorita.

Meryl Streep (Caminhos da Floresta) - photo by elfilm.com

19ª indicação ao Oscar: só pode ser Meryl Streep (Caminhos da Floresta) – photo by elfilm.com

ANÚNCIO DOS INDICADOS

Pra quem não conseguiu acompanhar ao vivo, segue link do YouTube do canal oficial do Oscar:

Pela primeira vez, o anúncio abrangeu todas as 24 categorias e por isso, foi dividido em duas partes. Enquanto os diretores Alfonso Cuarón e J.J. Abrams se encarregaram das categorias mais técnicas, o ator Chris Pine e a presidente da Academia, Cheryl Boone Isaacs, encarregaram-se das categorias principais.

SURPRESAS

Com a ascensão de Sniper Americano, não seria uma mega-surpresa ver o nome de Bradley Cooper na categoria de Ator. Sinceramente, acho que fiquei mais surpreso ao ver a exclusão de Clint Eastwood como Diretor do que a inclusão de Cooper como Ator. Bom, a Academia adora Bradley, tanto que esta é sua terceira indicação consecutiva! Ele concorreu por O Lado Bom da Vida e Trapaça, ambos sob direção de David O. Russell. Muitos críticos afirmam que este é seu melhor trabalho, pois foi o papel que mais exigiu transformação física e psicológica por parte do ator.

Novo filme de Clint Eastwood, Sniper Americano, consegue adentrar na festa da PGA (photo by outnow.ch)

Bradley Cooper por Sniper Americano (photo by outnow.ch)

Fiquei bastante feliz pela inclusão de Marion Cotillard como Melhor Atriz. Ela recebe sua segunda indicação, e a primeira depois de sua vitória em 2008 por Piaf – Um Hino ao Amor, sob direção dos irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne, figuras frequentes no Festival de Cannes. Havia forte possibilidade também de ela ser indicada pela interpretação em O Imigrante, de James Gray. A sua inclusão também me agradou pela consequente exclusão de Jennifer Aniston (Cake: Uma Razão Para Viver), que vinha sendo indicada para os principais prêmios como SAG e Globo de Ouro.

Marion Cotillard (Dois Dias, Uma Noite) - photo by outnow.ch

Marion Cotillard (Dois Dias, Uma Noite) – photo by outnow.ch

Apesar de ainda não ter conferido O Ano Mais Violento, novo trabalho da atriz Jessica Chastain, não gostei da sua exclusão para dar lugar à Laura Dern (Livre). Assisti a Livre na última Mostra de Cinema de SP e achei seu papel muito ralo e de importância mais simbólica para a protagonista vivida por Reese Whitherspoon. Havia possibilidade de Rene Russo ser indicada como coadjuvante também, o que me agradaria mais do que Dern, mas a Academia preferiu a formação de dupla indicação para as atrizes de Livre, talvez pelo sucesso de Clube de Compras Dallas do mesmo diretor Jean-Marc Vallée.

Como já citado anteriormente, a inclusão de Bennett Miller foi uma surpresa também, pois depois que ele ganhou o prêmio de Direção no último Festival de Cannes, em maio de 2014, ele pouco frequentou as listas de Melhor Diretor da temporada. Esta é sua segunda indicação ao Oscar – foi indicado por Capote em 2006 – mas como seu filme, Foxcatcher, não foi indicado a Melhor Filme, tem poucas chances de conquistar a estatueta, talvez até menores do que o mais desconhecido norueguês Morten Tyldum, pois O Jogo da Imitação está entre os Melhores Filmes.

Bennett Miller (Foxcatcher)

Bennett Miller (Foxcatcher)

Bacana também lembrar que o documentário sobre o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, O Sal da Terra, foi indicado. Dirigido pelo veterano Wim Wenders com a colaboração do filho de Sebastião, Juliano Ribeiro Salgado, o documentário terá forte concorrência com o favorito CitizenFour (sobre Edward Snowden) e A Fotografia Oculta de Vivian Maier.

Wim Wenders com o fotógrafo Sebastião Salgado (photo by outnow.ch)

Wim Wenders com o fotógrafo Sebastião Salgado (photo by outnow.ch)

Não que se trate exatamente de uma surpresa, mas adorei a indicação do argentino Relatos Selvagens como Melhor Filme em Língua Estrangeira. Apesar do franco-favoritismo do polonês Ida e do russo Leviatã, a presença do argentino representa o cinema latino, e muito bem. Para quem ainda não viu, Relatos Selvagens permanece em cartaz em algumas salas aqui em São Paulo. Imperdível. Particularmente, entre os indicados, considero o russo Leviatã o melhor filme por melhor captar o espírito da Rússia atual de Vladimir Putin de forma inteligente.

Também cito aqui a dupla indicação merecida de Alexandre Desplat na categoria de Trilha Musical Original. Ele concorre por O Grande Hotel Budapeste e O Jogo da Imitação. Estas são suas sétima e oitava indicações ao Oscar sem vitória até o momento. Será que finalmente vai chegar a vez de Desplat? A última vez que um compositor foi indicado por dois filmes no mesmo ano foi em 2006, com John Williams concorrendo por Memórias de uma Gueixa e Munique. Ele perdeu para Gustavo Santaolalla por O Segredo de Brokeback Mountain, ou seja, não é garantia de nada…

AUSÊNCIAS

Acho que se fosse para nomear apenas uma ausência marcante, esta seria a de Jake Gyllenhaal por O Abutre. Tudo bem que o filme é sombrio demais para alguns membros votantes da Academia mais conservadores, mas é inegável o esforço do ator para se transformar nesse paparazzi de tragédias. Como atores que perdem peso costumam ser indicados e até ganhar o Oscar (vide Matthew McConaughey ano passado), acreditava-se que Jake iria tirar de letra esta sua segunda indicação. Felizmente, como prêmio de consolo, seu diretor Dan Gilroy, recebeu sua indicação para Melhor Roteiro Original, mas acho muito pouco para um dos filmes mais comentados de 2014.

Jake Gyllenhaal (O Abutre) - photo by outnow.ch

Jake Gyllenhaal (O Abutre) – photo by outnow.ch

A animação Uma Aventura Lego estava ganhando quase todos os prêmios, exceto o Globo de Ouro, que acabou nas mãos de Como Treinar o seu Dragão 2, então era praticamente certeza sua indicação na categoria. Não foi o que aconteceu e o filme ficou apenas com uma indicação para Melhor Canção Original. Para minha alegria e dos amantes do cinema 2D e nipônico, O Conto da Princesa Kaguya conseguiu seu lugar ao sol, comprovando que a categoria tem forte influência internacional desde seu segundo ano, quando A Viagem de Chihiro ganhou o Oscar. Inconformado com a exclusão de Uma Aventura lego, o diretor Phil Lord postou em seu twitter:

A quase total ausência de Selma pode ser considerada uma surpresa, pois apesar de não terem entregue as cópias para os sindicatos, os responsáveis pela campanha não se esqueceram dos membros da Academia. Contudo, há uma polêmica envolvendo erros históricos envolvendo o então presidente Lyndon B. Johnson, que certamente prejudicou a escalada do filme no Oscar. Resultado final: 2 indicações – Filme e Canção Original. Campanha pífia. Sua diretora Ava DuVernay, que tinha chances de ser tornar a primeira mulher negra na categoria, e o ator David Oyelowo foram ignorados no anúncio dos indicados. Acredito que Selma só conseguiu a indicação de Melhor Filme pela força e influência de Oprah Winfrey, que é produtora do longa.

Mal as indicações saíram do forno e já estou vendo algumas manifestações na internet de racismo e falta de diversidade por parte da Academia, como as de Brent Lang (http://variety.com/2015/film/news/oscar-nomination-selma-snub-diversity-1201405804/). Só porque os membros decidiram não votar para a diretora Ava DuVernay, muita gente já acredita que se trata de racismo. Peraí! Vamos com calma. Se até Clint Eastwood, que é um dos melhores diretores da atualidade não está na lista, por que DuVernay não pode ficar de fora também? Eu tinha postado aqui anteriormente que achava que a Academia não perderia a oportunidade de fazer história ao indicar a primeira afro-americana na categoria de Direção, mas se não foi desta vez, e ela manter o bom trabalho, tenho certeza de que ela será reconhecida dentro de poucos anos. O fato de David Oyelowo não estar na lista também não indica racismo; talvez os votantes não gostaram da atuação dele e do sotaque britânico-americanizado dele para viver o líder Martin Luther King. E daí que não houve negros indicados? Não teve nenhum asiático (como o Miyavi por exemplo, por Invencível) e não estou aqui reclamando da minha “cota asiática”. A Academia tem uma história bonita com a raça negra. Como George Clooney ressaltou em seu discurso de agradecimento por Syriana – A Indústria do Petróleo em 2006, a Academia deu o Oscar para Hattie McDaniel por …E o Vento Levou em 1940, quando negros se sentavam nos fundos dos cinemas! Enfim… acho muita tempestade em copo d’água, ainda mais em se tratando de uma Arte, que não enxerga raça, cor, sexo e religião. Aliás, a exclusão de Angelina Jolie (Invencível) como diretora no Oscar caminha na mesma direção. Poxa, é apenas o segundo filme dirigido por ela! Vamos com calma que ela tem muito a evoluir também. Não dá pra ignorar também que Angelina tem muitos críticos como o produtor Scott Rudin que a chamou de “minimamente talentosa” naqueles e-mails vazados da Sony por hackers.

Confira os indicados ao Oscar 2015:

MELHOR FILME
* Sniper Americano (American Sniper)
* Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (Birdman)
* Boyhood: Da Infância à Juventude (Boyhood)
* O Grande Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel)
* O Jogo da Imitação (The Imitation Game)
* Selma (Selma)
* A Teoria de Tudo (The Theory of Everything)
* Whiplash: Em Busca da Perfeição (Whiplash)

MELHOR DIRETOR
* Wes Anderson (O Grande Hotel Budapeste)
* Alejandro González Iñárritu (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância))
* Richard Linklater (Boyhood: Da Infância à Juventude)
* Bennett Miller (Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo)
* Morten Tyldum (O Jogo da Imitação)

MELHOR ATOR
* Steve Carell (Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo)
* Bradley Cooper (Sniper Americano)
* Benedict Cumberbatch (O Jogo da Imitação)
* Michael Keaton (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância))
* Eddie Redmayne (A Teoria de Tudo)

MELHOR ATRIZ
* Marion Cotillard (Dois Dias, Uma Noite)
* Felicity Jones (A Teoria de Tudo)
* Julianne Moore (Para Sempre Alice)
* Rosamund Pike (Garota Exemplar)
* Reese Witherspoon (Livre)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
* Robert Duvall (O Juiz)
* Ethan Hawke (Boyhood: Da Infância à Juventude)
* Edward Norton (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância))
* Mark Ruffalo (Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo)
* J.K. Simmons (Whiplash: Em Busca da Perfeição)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
* Patricia Arquette (Boyhood: Da Infância à Juventude)
* Laura Dern (Livre)
* Keira Knightley (O Jogo da Imitação)
* Emma Stone (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância))
* Meryl Streep (Caminhos da Floresta)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
* Alejandro González Iñárritu, Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris, Armando Bo (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância))
* Richard Linklater (Boyhood: Da Infância à Juventude)
* E. Max Frye, Dan Futterman (Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo)
* Wes Anderson, Hugo Guinness (O Grande Hotel Budapeste)
* Dan Gilroy (O Abutre)

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
* Jason Hall (Sniper Americano)
* Paul Thomas Anderson (Vício Inerente)
* Graham Moore (O Jogo da Imitação)
* Anthony McCarten (A Teoria de Tudo)
* Damien Chazelle (Whiplash: Em Busca da Perfeição)

MELHOR FOTOGRAFIA
* Emmanuel Lubezki (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância))
* Robert D. Yeoman (O Grande Hotel Budapeste)
* Lukasz Zal, Ryszard Lenczewski (Ida)
* Dick Pope (Sr. Turner)
* Roger Deakins (Invencível)

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
* Adam Stockhausen e Anna Pinnock (O Grande Hotel Budapeste)
* Maria Djurkovic e Tatiana Macdonald (O Jogo da Imitação)
* Nathan Crowley e Gary Fettis (Interestelar)
* Dennis Gassner e Anna Pinnock (Caminhos da Floresta)
* Suzie Davies e Charlotte Watts (Sr. Turner)

MELHOR MONTAGEM
* Joel Cox e Gary D. Roach (Sniper Americano)
* Sandra Adair (Boyhood: Da Infância à Juventude)
* William Goldenberg (O Jogo da Imitação)
* Barney Pilling (O Grande Hotel Budapeste)
* Tom Cross (Whiplash: Em Busca da Perfeição)

MELHOR FIGURINO
* Milena Canonero (O Grande Hotel Budapeste)
* Mark Bridges (Vício Inerente)
* Colleen Atwood (Caminhos da Floresta)
* Anna B. Sheppard (Malévola)
* Jacqueline Durran (Sr. Turner)

MELHOR MAQUIAGEM E CABELO
* Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo
* O Grande Hotel Budapeste
* Guardiões da Galáxia

MELHOR TRILHA MUSICAL ORIGINAL
* Alexandre Desplat (O Grande Hotel Budapeste)
* Alexandre Desplat (O Jogo da Imitação)
* Jóhann Jóhannsson (A Teoria de Tudo)
* Gary Yershon (Sr. Turner)
* Hans Zimmer (Interestelar)

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
* “Everything is Awesome”, de Shawn Patterson (Uma Aventura Lego)
* “Glory”, de John Stephens e Lonnie Lynn (Selma)
* “Grateful”, de Diane Warren (Beyond the Lights)
* “I’m Not Gonna Miss You”, de Glen Campbell e Julian Raymond (Glen Campbell… I’ll Be Me)
* “Lost Stars”, de Gregg Alexander e Danielle Brisebois (Mesmo Se Nada Der Certo)

MELHOR SOM
* John Reitz, Gregg Rudloff e Walt Martin (Sniper Americano)
* Jon Taylor, Frank A. Montaño e Thomas Varga (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)
* Gary A. Rizzo, Gregg Landaker e Mark Weingarten (Interestelar)
* Jon Taylor, Frank A. Montaño e David Lee (Invencível)
* Craig Mann, Ben Wilkins e Thomas Curley (Whiplash: Em Busca da Perfeição)

MELHORES EFEITOS SONOROS
* Alan Robert Murray e Bub Asman (Sniper Americano)
* Martin Hernández e Aaron Glascock (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância))
* Brent Burge e Jason Canovas (O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos)
* Richard King (Interestelar)
* Becky Sullivan e Andrew DeCristofaro (Invencível)

MELHORES EFEITOS VISUAIS
* Capitão América: O Soldado Invernal
* Planeta dos Macacos: O Confronto
* Guardiões da Galáxia
* Interestelar
* X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
* Ida, de Pawel Pawlikowski (POLÔNIA)
* Leviatã, de Andrey Zvyagintsev (RÚSSIA)
* Tangerines, de Zaza Urushadze (ESTÔNIA)
* Timbuktu, de Abderrahmane Sissako (MAURITÂNIA)
* Relatos Selvagens, de Damián Szifrón (ARGENTINA)

MELHOR ANIMAÇÃO
* Operação Big Hero
* Os Boxtrolls
* Como Treinar o seu Dragão 2
* The Song of the Sea
* O Conto da Princesa Kaguya

MELHOR DOCUMENTÁRIO
* CitizenFour
* A Fotografia Oculta de Vivian Maier
* Last Days in Vietnam
* O Sal da Terra
* Virunga

MELHOR DOCUMENTÁRIO-CURTA
* Crisis Hotline: Veterans Press 1
* Joanna
* Our Curse
* The Reaper (La Parka)
* White Earth

MELHOR CURTA-METRAGEM
* Aya
* Boogaloo and Graham
* Butter Lamp (La Lampe au Beurre de Yak)
* Parvaneh
* The Phone Call

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO
* The Bigger Picture
* The Dam Keeper
* O Banquete (Feast)
* Me and My Moulton
* A Single Life

A cerimônia do Oscar 2015 acontece no dia 22 de fevereiro, com transmissão ao vivo pelo canal pago TNT.

‘Boyhood’ fatura 3 prêmios e é o grande vencedor do Globo de Ouro 2015

Da esquerda para a direita: Patricia Arquette, Lorelei Linklater, Richard Linklater, Ellar Coltrane e Ethan Hawke com os três Globos de Ouro em mãos (photo by trbimg.com)

Da esquerda para a direita: Patricia Arquette, Lorelei Linklater, Richard Linklater, Ellar Coltrane e Ethan Hawke com os três Globos de Ouro em mãos (photo by trbimg.com)

‘BIRDMAN’ E ‘A TEORIA DE TUDO’ CONQUISTAM 2 PRÊMIOS CADA E FORTALECEM SUAS CAMPANHAS RUMO AO OSCAR

Em termos de resultado, a 72ª edição do Globo de Ouro pode ser dividida em duas partes: a previsível de cinema e a imprevisível de TV. Os atores mais cotados de cinema levaram seus prêmios: Eddie Redmayne, Julianne Moore, Michael Keaton, Amy Adams, J.K. Simmons e Patricia Arquette, além de Richard Linklater como diretor. Só achei que os prêmios de roteiro e filme-comédia seriam invertidos: O Grande Hotel Budapeste levaria roteiro e Birdman levaria filme, mas de qualquer modo, foi um merecidíssimo prêmio para Wes Anderson. Provavelmente, a maior surpresa na parte de cinema tenha sido a vitória da sequência Como Treinar o Seu Dragão 2, já que Uma Aventura Lego vinha conquistando quase todos os prêmios da temporada de Melhor Animação, e em menor escala, a vitória do compositor Johann Johannsson pela trilha de A Teoria de Tudo, uma vez que Antonio Sanchez tinha as melhores chances por Birdman, mesmo tendo sido desqualificado da categoria no Oscar.

Pela TV, já pelo fato dos membros da Hollywood Foreign Press Association terem dado uma repaginada nos indicados, acabou proporcionando maiores oportunidades de surpresa. Séries que todo ano estavam indicadas foram deixadas de lado como The Big Bang TheoryModern Family, permitindo a inclusão de novas como a vencedora Transparent, e Jane the Virgin e Sillicon Valley. Aliás, a série Transparent, da Amazon, fez história ao se tornar a primeira série online a ganhar o Globo de Ouro de Melhor Série. As séries da Netflix como House of Cards e Orange is the New Black falharam nesse quesito, mas pelo menos Kevin Spacey conquistou seu almejado prêmio de ator pela primeira. As maiores surpresas foram as vitórias de The Affair como Melhor Série – Drama, sua atriz Ruth Wilson, e a atriz coadjuvante Joanne Froggatt por Downton Abbey. A minissérie Fargo também surpreendeu ao bater favoritos como True Detective e o filme para tv The Normal Heart, mas a verdade é que Fargo sempre recebeu ótimos elogios, mas ninguém premiava. Coube ao Globo de Ouro recompensá-los numa noite em que os criadores do filme original estavam presentes: Joel Coen, Ethan Coen, Frances McDormand e William H. Macy.

FESTA BEM AMENA COM LAMPEJOS DE OUSADIA

Não sei o que houve com as hostesses Tina Fey e Amy Poehler. Quer dizer, elas fizeram suas piadas na apresentação como aquelas envolvendo a saga da Sony com a Coréia do Norte e o filme A Entrevista, e até polêmicas das acusações de estupro de Bill Cosby, mas ao longo da festa, não vimos novas inserções delas. Teriam sido proibidas? Aí, a organização colocou umas piadas tão sem graça para os apresentadores dos prêmios lerem ao vivo que o show foi decaindo muito rapidamente. Quando vi Ricky Gervais subindo ao palco pra apresentar, pensei: “Pronto, finalmente alguém pra levantar o ânimo!”, mas não sei se mandaram Ricky maneirar no tom, mas ele realmente pegou leve… Uma pena! Ele zombou do “momento John Travolta”, quando o ator introduziu a cantora Idina Menzel com “Adele Nazeem” no Oscar do ano passado: “Eu assisto (à gafe) toda hora no Youtube!”. Então, sobrou para o ator Jeremy Renner soltar a pérola masculina da noite. Quando apresentava o prêmio ao lado da mega decotada Jennifer Lopez, ao abrir o envelope ela falou: “Eu abro porque tenho as unhas” – “E os globos de ouro também”, completou o auspicioso Renner.

Tina Fey e Amy Poehler com Margaret Cho caracterizada como uma serva norte-coreana (photo by foxnews.com)

Tina Fey e Amy Poehler com Margaret Cho caracterizada como uma serva norte-coreana (photo by foxnews.com)

Seguem algumas pérolas da dupla Fey e Poehler:

Tina Fey: Tonight we celebrate all the television shows that we know and love, as well as all the movies that North Korea was OK with. (Hoje, celebramos todos os shows da tv que conhecemos e amamos, assim como todos os filmes que a Coréia do Norte permitiu).

Amy Poehler: Patricia Arquette in “Boyhood” proves that “there are still great roles for women over 40- as long as you get hired when you’re under 40” (Patricia Arquette em Boyhood prova que ainda há grandes papéis para mulheres acima dos 40 – contanto que você seja contratada antes dos 40) – referindo-se ao fato de que as filmagens de Boyhood começaram há 12 anos.

Amy Poehler: In “Into the Woods,” Cinderella runs from her prince, Rapunzel is thrown from a tower for her prince and Sleeping Beauty just thought she was getting coffee with Bill Cosby” (Em “Caminhos da Floresta”, Cinderela de seu príncipe, Rapunzel é jogada de sua torre para seu príncipe e A Bela Adormecida pensou que ia tomar um café com Bill Cosby). Elas até chegam a fazer algumas imitações de Cosby pra amenizar o ambiente, mas o dano já estava feito.

Mas a melhor da noite foi: George Clooney married Amal Amaluddin this year. “Amal is a human rights lawyer who worked on the Enron case, was an adviser to Kofi Anan regarding Syria and was selected for a three person UN commission regarding war violations in the Gaza Strip. So tonight her husband is getting a lifetime achievement award,”. (George Clooney se casou com Amal Amaluddin este ano. “Amal é uma advogada de direitos humanos que trabalhou no caso Enron, foi conselheira de Kofi Anan sobre a Síria e foi eleita para uma comissão de três pessoas das Nações Unidas para os casos de violações de guerra na Faixa de Gaza. Então, esta noite seu marido vai ganhar um prêmio pela carreira!”

George Clooney com sua esposa Amal Amal (photo by John Shearer/ Invision/AP)

George Clooney com sua esposa Amal Amaluddin (photo by John Shearer/ Invision/AP)

Houve até um bom momento de descontração na brincadeira do “Would you rather” (Você prefere):
– Colin Farrell ou Colin Firth? Edward Norton ou Mark Ruffalo? Chris Pine ou Chris Pine! – Tina interrompe. Richard Linklater ou Alejandro Iñárritu? Amy escolhe Iñárritu: “Um take, duas horas direto sem parar”, enquanto Tina prefere Linklater: “Cinco minutos uma vez por ano”

Houve uma ou outra manifestação mais polêmica como o discurso de Common na vitória de Melhor Canção por Selma, filme sobre a conquista dos direitos civis nos anos 60. Em seu discurso, ele cita momentos importantes na História como a senhora negra que se recusou a mudar de lugar no ônibus até casos recentes como os dois negros mortos por policiais brancos na tentativa de engrandecer uma película somente por questões raciais e não por méritos artísticos. Assim como também houve uma outra citação do atentado terrorista na França contra o semanário Charlie Hebdo. Ao apresentar o prêmio de atriz coadjuvante, o ator Jared Leto aproveitou o momento e fez uma citação em homenagem, e George Clooney ostentava um bóton no smoking com os mesmos dizeres com os dizeres “Je suis Charlie”. O presidente da HFPA, Theo Kingma, fez questão de defender a liberdade de expressão, seja na Coréia do Norte ou em Paris, e foi aplaudido de pé por todos.

EFEITOS DO GLOBO DE OURO

Assim como muitos especialistas já levantaram, o resultado do Globo de Ouro já não serve mais como melhor parâmetro para o que vai acontecer no Oscar. Dos últimos 10 anos, apenas 4  vencedores de Melhor Filme no Globo de Ouro repetiram o feito no prêmio da Academia. Atores que ganharam o Globo de Ouro podem nem ser indicado ao Oscar como Paul Giamatti por Minha Versão do Amor em 2011, e Colin Farrell (Na Mira do Chefe) e Sally Hawkins (Simplesmente Feliz) em 2009. E até em categorias mais técnicas não há garantias de presença no Oscar: o compositor Alex Ebert venceu o Globo de Ouro em 2014 por Até o Fim e sequer foi indicado pela Academia. Claro que os vencedores terão suas respectivas campanhas nitidamente fortalecidas para os prêmios seguintes como o Critics’ Choice Awards, SAGs e o BAFTA, mas até o dia 15 de janeiro, dia do anúncio das indicações ao Oscar, ninguém está realmente garantido, abrindo espaço para surpresas, sejam positivas ou negativas.

Falando em negativas, o jornal americano The New York Post teria publicado uma reportagem em que lista casos que envolvem corrupção na compra de prêmios e indicações. Dentre os casos citados estão as três indicações do fracasso total O Turista, estrelado por Angelina Jolie e Johnny Depp (ambos indicados nas categorias de comédia ou musical) – tanto que o host da noite Ricky Gervais citou que a HFPA teria os indicado apenas para tê-los no tapete vermelho; e a indicação para Melhor Filme – Comédia ou Musical e vitória de Melhor Canção para Burlesque, um musical bastante criticado e sequer visto pelo público. Confira matéria de Lou Lumenick: http://nypost.com/2015/01/09/are-the-golden-globes-becoming-as-credible-as-the-oscars/

Amy Adams, Michael Keaton e Julianne Moore podem ter garantido suas indicações ao Oscar. Podem. (photo by absnews.com)

Amy Adams, Michael Keaton e Julianne Moore podem ter garantido suas indicações ao Oscar. Podem. (photo by absnews.com)

Rumo ao Oscar, o vencedor de Melhor Filme – Drama, Boyhood: Da Infância à Juventude, caminha firme e forte, já que levou também os prêmios de Diretor e Atriz Coadjuvante, além de ter sido indicado a Roteiro, afinal, são categorias-base para todo vencedor de Melhor Filme no Oscar, sem contar toda a história fascinante dos bastidores de 12 anos de filmagens. Quanto aos atores, Julianne Moore parece uma aposta cada vez mais certa para o Oscar. Aclamada por público e crítica como uma das melhores atrizes desta geração, e depois de ser indicada quatro vezes ao Oscar sem vitória, este deve ser o ano dela. Acredito que o único obstáculo em seu caminho pode ser ela mesma. Se a Academia indicá-la como coadjuvante também por Mapa Para as Estrelas, os votos podem se dividir e ela pode ser novamente perdedora em dose dupla como foi em 2003, quando estava indicada por Longe do Paraíso como atriz, e por As Horas como coadjuvante.

J.K. Simmons e Patricia Arquette estão cada vez mais fortes como coadjuvantes, contudo não dá pra descartar ainda Mark Ruffalo e Edward Norton, caso o filme de Simmons, Whiplash: Em Busca da Perfeição, não se saia bem nas indicações. Já Arquette, por mais que possa ter Meryl Streep competindo, deve ser a porta-voz ou representante de todo o elenco de Boyhood. Gostei da vitória de Amy Adams por Grandes Olhos, o que pode lhe garantir uma nova indicação ao Oscar consecutiva, mas as chances reais de vitória seriam praticamente nulas. Por mais talentosa que Adams seja, acredito que lhe falta um personagem que sirva como um real desafio que exija mudanças físicas para então ganhar seu Oscar. Vejam os casos de Charlize Theron e Matthew McConaughey: nunca tinham sido indicados e ganharam na primeira chance por terem passado por processos de transformação física. Não sei se Amy tem contrato vitalício com marcas de cosméticos que a impeçam de ficar feia ou algo do tipo, mas ela deveria pensar nessa hipótese. A categoria de Ator é a mais aberta até o momento. Por mais que Michael Keaton e Eddie Redmayne tenham ganhado o Globo de Ouro, não há nem garantias de que eles estarão na lista do Oscar, tamanha a concorrência. Temos Jake Gyllenhaal, Benedict Cumberbatch, Ralph Fiennes, David Oyelowo, Steve Carell, Joaquin Phoenix e Bill Murray pelo menos na cola.

Patricia Arquette e J.K. Simmons ganham como coadjuvantes (photo by intoday.in)

Patricia Arquette e J.K. Simmons ganham como coadjuvantes (photo by intoday.in)

Entre todos os filmes que receberam mais indicações, O Jogo da Imitação foi o maior perdedor. Presente em 5 categorias e como a maior aposta da Weinstein Company, o filme falhou em conquistar qualquer Globo de Ouro, nem um de consolação. Será que eles conseguem virar o jogo até o dia 22 de fevereiro?

A ELEITA

Não vou comentar os vestidos das moças. Prefiro falar das donas dos vestidos. E a melhor pela quinquagésima vez é Jessica Chastain. Essa mulher é um raio de sol. Só não esqueci que ela foi indicada para atriz coadjuvante por O Ano Mais Violento, porque foi uma pena que ela não subiu ao palco pra se apresentar.

Jessica Chastain no tapete vermelho (photo by usmagazine.com)

Jessica Chastain no tapete vermelho (photo by usmagazine.com)

Seguem os vencedores do Globo de Ouro:

CINEMA

MELHOR FILME – DRAMA
Boyhood: Da Infância à Juventude (Boyhood)

MELHOR FILME – COMÉDIA OU MUSICAL
O Grande Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel)

MELHOR ATOR – DRAMA
Eddie Redmayne (A Teoria de Tudo)

MELHOR ATRIZ – DRAMA
Julianne Moore (Para Sempre Alice)

MELHOR ATRIZ – COMÉDIA OU MUSICAL
Amy Adams (Grandes Olhos)

MELHOR ATOR – COMÉDIA OU MUSICAL
Michael Keaton (Birdman)

MELHOR DIRETOR
Richard Linklater (Boyhood: Da Infância à Juventude)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Patricia Arquette (Boyhood: Da Infância à Juventude)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
J.K. Simmons (Whiplash: Em Busca da Perfeição)

MELHOR ROTEIRO
Alejandro González Iñárritu, Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris, Armando Bo (Birdman)

MELHOR ANIMAÇÃO
Como Treinar Seu Dragão 2 (How to Train Your Dragon 2)

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Leviatã (Leviafan), de Andrey Zvyagintsev – RÚSSIA

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“Glory” por John Legend, Common (Selma)

MELHOR TRILHA MUSICAL ORIGINAL
Johann Johannsson (A Teoria de Tudo)

TELEVISÃO

Equipe por trás da série vencedora The Affair (photo by ibtimes.com)

Equipe por trás da série vencedora The Affair (photo by ibtimes.com)

MELHOR SÉRIE DRAMÁTICA
The Affair

MELHOR ATOR EM SÉRIE DRAMÁTICA
Kevin Spacey (House of Cards)

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DRAMÁTICA
Ruth Wilson (The Affair)

MELHOR MINISSÉRIE OU TELEFILME
Fargo

MELHOR SÉRIE DE COMÉDIA
Transparent

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE, MINISSÉRIE OU TELEFILME
Joanne Froggatt (Downton Abbey)

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE, MINISSÉRIE OU TELEFILME
Matt Bomer (The Normal Heart)

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA
Gina Rodriguez (Jane the Virgin)

A bela Gina Rodriguez ganhou por Jane the Virgin (photo by nationalpost.com)

A bela Gina Rodriguez ganhou por Jane the Virgin. Definitivamente, a segunda colocada da lista das eleitas. (photo by nationalpost.com)

MELHOR ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA
Jeffrey Tambor (Transparent)

MELHOR ATRIZ EM MINISSÉRIE OU TELEFILME
Maggie Gyllenhaal (The Honorable Woman)

MELHOR ATOR EM MINISSÉRIE OU TELEFILME
Billy Bob Thornton (Fargo)

As indicações ao Oscar 2015 serão anunciadas ao vivo neste dia 15 de janeiro e a cerimônia ocorre no dia 22 de fevereiro.

‘O Grande Hotel Budapeste’ lidera as indicações ao BAFTA 2015

BAFTA: British Academy of Film and Television Arts

BAFTA: British Academy of Film and Television Arts

FILME DE WES ANDERSON DOMINA AS CATEGORIAS, MAS VÊ CONCORRENTES BEM PRÓXIMOS

A Academia Britânica divulgou a lista dos indicados à 68ª edição do prêmio, e o novo filme de Wes Anderson, O Grande Hotel Budapeste, surpreendeu a todos com sua liderança de 11 indicações, enquanto Birdman segue logo atrás com 10 indicações, e O Jogo da Imitação e A Teoria de Tudo com 9 cada. Por se tratar de um filme mais contemporâneo, Boyhood ficou apenas com 5 indicações, mas curiosamente ficou de fora da competição por Montagem, pela qual vinha colecionando alguns prêmios.

Wes Anderson já havia sido indicado ao BAFTA em outras três oportunidades: Em 2002 pelo roteiro de Os Excêntricos Tennenbaums, em 2010 pela animação O Fantástico Sr. Raposo, e em 2013 pelo roteiro de Moonrise Kingdom, mas nunca levou o prêmio. Este ano, pela primeira vez, recebeu dupla indicação pelo roteiro e direção, o mesmo feito que conseguiu no Globo de Ouro e pode vir a conseguir no Oscar. Este reconhecimento vem em boa hora para Anderson, pois seus filmes possuem um rigor visual e estético único e em evolução. Nesse sentido, muitas vezes é comparado ao diretor Tim Burton, pois é impossível desassociar seus filmes de seu apelo visual baseado na direção de arte, figurino, maquiagem e fotografia, contudo, na minha humilde opinião, Wes Anderson trabalha melhor os roteiros e a montagem, que acentuam o humor muitas vezes incidental.

Confira o anúncio das indicações pelo vídeo abaixo:


Stephen Fry e Sam Clflin anunciam os indicados

Como de costume, o BAFTA tem o prêmio de Melhor Filme Britânico com intenção de impulsionar a campanha do filme rumo ao Oscar e também valorizar a indústria cinematográfica do país. O Jogo da Imitação e A Teoria de Tudo, que competem como Melhor Filme, também disputam mais este prêmio, que ainda conta com Pride, que recebeu sua única indicação como Melhor Filme – Comédia ou Musical no Globo de Ouro, e ficção científica alternativa Sob a Pele, que ainda compete por Melhor Trilha Musical merecidamente.

A bela e misteriosa Scarlett Johansson em Sob a Pele (photo by outnow.ch)

A bela e misteriosa Scarlett Johansson em Sob a Pele (photo by outnow.ch)

Além disso, a Academia Britânica costuma puxar uma sardinha pro lado dos atores britânicos. Na categoria de ator, por exemplo, são três britânicos (Benedict Cumberbatch, Eddie Redmayne e Ralph Fiennes) contra dois americanos (Jake Gyllenhaal e Michael Keaton). Embora a atuação de Fiennes tenha sido bem elogiada pela crítica, não tem conquistado tanto espaço na temporada, tanto que sua presença na categoria pode ser explicada pela alteração de Steve Carell para a categoria de coadjuvante por Foxcatcher, e a exclusão de Selma, que certamente prejudicou a possível indicação de David Oyelowo. Aparentemente, o filme sobre Martin Luther King sofreu com a estréia tardia em 2014 e pelo deslize no envio dos “screeners” (cópias) para os sindicatos. Talvez o Oscar queira compensar sua ausência na reta final.

Agora, confesso que fiquei bastante surpreso com as duas indicações para o filme-família As Aventuras de Paddington. OK, eu estou ciente da importância cultural do personagem em terras londrinas, mas imagino que haja produções mais instigantes para se reconhecer como Melhor Filme Britânico do ano…

Sally Hawkins com o urso Paddington em As Aventuras de Paddington (photo by outnow.ch)

Sally Hawkins com o urso Paddington em As Aventuras de Paddington (photo by outnow.ch)

Entre os atores que ficaram de fora, Timothy Spall (Sr. Turner), que ganhou o prêmio de Ator no último Festival de Cannes, e Meryl Streep (Caminhos da Floresta), que estava em quase todas as listas de coadjuvante, são os nomes mais chamativos. Entre os coadjuvantes, as ausências de Robert Duval (O Juiz) e Jessica Chastain (O Ano Mais Violento) também foram lembradas.

Enquanto algumas produções foram beneficiadas pelo BAFTA como O Grande Hotel Budapeste e os menores Whiplash: Em Busca da Perfeição (5 indicações, incluindo Melhor Diretor) e O Abutre (4 indicações, incluindo atriz coadjuvante para Rene Russo), houve prejudicados como Selma e o novo filme de Angelina Jolie, Invencível, uma vez que ambos não receberam uma indicação sequer. E se Sniper Americano vinha de uma ascendente depois das indicações ao ADG, Eddie, PGA e WGA, perdeu alguns pontos com sua quase ausência total do BAFTA. O novo filme de Clint Eastwood conquistou apenas duas indicações nas categorias de Roteiro Adaptado e Melhor Som.

Se o representante brasileiro, Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, morreu na praia, o novo filme de Stephen Daldry, Trash: A Esperança Vem do Lixo, foi lembrada pelo BAFTA. Falado em português e inglês, o longa se passa no Rio de Janeiro, contando com as atuações dos brasileiros no auge Wagner Moura e Selton Mello, juntamente com as estrelas hollywoodianas Martin Sheen e Rooney Mara.

Stephen Daldry (Trash - A Esperança Vem do Lixo)

Stephen Daldry conversa com Martin Sheen e Rooney Mara em set (Trash – A Esperança Vem do Lixo)

Seguem os indicados ao 68th Annual BAFTA Awards:

MELHOR FILME
BIRDMAN OU (A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA), Alejandro G. Inarritu, John Lesher, James W. Skotchdopole
BOYHOOD: DA INFÂNCIA À JUVENTUDE, Richard Linklater, Cathleen Sutherland
O GRANDE HOTEL BUDAPESTE, Wes Anderson, Scott Rudin, Steven Rales, Jeremy Dawson
O JOGO DA IMITAÇÃO, Nora Grossman, Ido Ostrowsky, Teddy Schwarzman
A TEORIA DE TUDO, Tim Bevan, Eric Fellner, Lisa Bruce, Anthony Mccarten

MELHOR FILME BRITÂNICO
’71, Yann Demange, Angus Lamont, Robin Gutch, Gregory Burke
O JOGO DA IMITAÇÃO, Morten Tyldum, Nora Grossman, Ido Ostrowsky, Teddy Schwarzman, Graham Moore
AS AVENTURAS DE PADDINGTON, Paul King, David Heyman
PRIDE, Matthew Warchus, David Livingstone, Stephen Beresford
A TEORIA DE TUDO, James Marsh, Tim Bevan, Eric Fellner, Lisa Bruce, Anthony Mccarten
SOB A PELE, Jonathan Glazer, James Wilson, Nick Wechsler, Walter Campbell

ESTRÉIA DE UM ESCRITOR, DIRETOR OU PRODUTOR BRITÂNICO
Elaine Constantine (Writer/Director), NORTHERN SOUL
Gregory Burke (Writer), Yann Demange (Director), ’71
Hong Khaou (Writer/Director), LILTING
Paul Katis (Director/Producer), Andrew De Lotbiniere (Producer), KAJAKI
Stephen Beresford (Writer), David Livingstone (Producer), PRIDE

FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
IDA, Pawel Pawlikowski, Eric Abraham, Piotr Dzieciol, Ewa Puszczynska
LEVIATÃ, Andrey Zvyagintsev, Alexander Rodnyansky, Sergey Melkumov
THE LUNCHBOX, Ritesh Batra, Arun Rangachari, Anurag Kashyap, Guneet Monga
TRASH: A ESPERANÇA VEM DO LIXO, Stephen Daldry, Tim Bevan, Eric Fellner, Kris Thykier
DOIS DIAS, UMA NOITE, Jean-Pierre Dardenne, Luc Dardenne, Denis Freyd

DOCUMENTÁRIO
A UM PASSO DO ESTRELATO, Morgan Neville, Caitrin Rogers, Gil Friesen
20.000 DIAS NA TERRA, Iain Forsyth, Jane Pollard
CITIZENFOUR, Laura Poitras
A FOTOGRAFIA OCULTA DE VIVIAN MAIER, John Maloof, Charlie Siskel
VIRUNGA, Orlando Von Einsiedel, Joanna Natasegara

ANIMAÇÃO
OPERAÇÃO BIG HERO, Don Hall, Chris Williams
OS BOXTROLLS, Anthony Stacchi, Graham Annable
UMA AVENTURA LEGO, Phil Lord, Christopher Miller

DIRETOR
BIRDMAN OU (A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA), Alejandro G. Inarritu
BOYHOOD: DA INFÂNCIA À JUVENTUDE, Richard Linklater
O GRANDE HOTEL BUDAPESTE, Wes Anderson
A TEORIA DE TUDO, James Marsh
WHIPLASH: EM BUSCA DA PERFEIÇÃO, Damien Chazelle

ROTEIRO ORIGINAL
BIRDMAN OU (A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA), Alejandro G. Inarritu, Nicolas Giacobone, Alexander Dinelaris Jr, Armando Bo
BOYHOOD: DA INFÂNCIA À JUVENTUDE, Richard Linklater
O GRANDE HOTEL BUDAPESTE, Wes Anderson
O ABUTRE, Dan Gilroy
WHIPLASH: EM BUSCA DA PERFEIÇÃO, Damien Chazelle

ROTEIRO ADAPTADO
SNIPER AMERICANO, Jason Hall
GAROTA EXEMPLAR, Gillian Flynn
O JOGO DA IMITAÇÃO, Graham Moore
AS AVENTURAS DE PADDINGTON, Paul King
A TEORIA DE TUDO, Anthony Mccarten

ATOR
Benedict Cumberbatch, O JOGO DA IMITAÇÃO
Eddie Redmayne, A TEORIA DE TUDO
Jake Gyllenhaal, O ABUTRE
Michael Keaton, BIRDMAN OU (A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA)
Ralph Fiennes, O GRANDE HOTEL BUDAPESTE

ATRIZ
Amy Adams, GRANDES OLHOS
Felicity Jones, A TEORIA DE TUDO
Julianne Moore, PARA SEMPRE ALICE
Reese Witherspoon, LIVRE
Rosamund Pike, GAROTA EXEMPLAR

ATOR COADJUVANTE
Edward Norton, BIRDMAN OU (A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA)
Ethan Hawke, BOYHOOD: DA INFÂNCIA À JUVENTUDE
J.K. Simmons, WHIPLASH: EM BUSCA DA PERFEIÇÃO
Mark Ruffalo, FOXCATCHER: UMA HISTÓRIA QUE CHOCOU O MUNDO
Steve Carell, FOXCATCHER: UMA HISTÓRIA QUE CHOCOU O MUNDO

ATRIZ COADJUVANTE
Emma Stone, BIRDMAN OU (A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA)
Imelda Staunton, PRIDE
Keira Knightley, O JOGO DA IMITAÇÃO
Patricia Arquette, BOYHOOD: DA INFÂNCIA À JUVENTUDE
Rene Russo, O ABUTRE

TRILHA MUSICAL ORIGINAL
BIRDMAN OU (A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA), Antonio Sanchez
O GRANDE HOTEL BUDAPESTE, Alexandre Desplat
INTERESTELAR, Hans Zimmer
A TEORIA DE TUDO, Johann Johannsson
SOB A PELE, Mica Levi

FOTOGRAFIA
BIRDMAN OU (A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA), Emmanuel Lubezki
O GRANDE HOTEL BUDAPESTE, Robert Yeoman
IDA, Lukasz Zal, Ryzsard Lenczewski
INTERESTELAR, Hoyte Van Hoytema
SR. TURNER, Dick Pope

MONTAGEM
(Due to a tie in voting in this category, there are six nominations)
BIRDMAN OU (A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA), Douglas Crise, Stephen Mirrione
O GRANDE HOTEL BUDAPESTE, Barney Pilling
O JOGO DA IMITAÇÃO, William Goldenberg
O ABUTRE, John Gilroy
A TEORIA DE TUDO, Jinx Godfrey
WHIPLASH: EM BUSCA DA PERFEIÇÃO, Tom Cross

DIREÇÃO DE ARTE
GRANDES OLHOS, Rick Heinrichs, Shane Vieau
O GRANDE HOTEL BUDAPESTE, Adam Stockhausen, Anna Pinnock
O JOGO DA IMITAÇÃO, Maria Djurkovic, Tatiana Macdonald
INTERESTELAR, Nathan Crowley, Gary Fettis
SR. TURNER, Suzie Davies, Charlotte Watts

FIGURINO
O GRANDE HOTEL BUDAPESTE, Milena Canonero
O JOGO DA IMITAÇÃO, Sammy Sheldon Differ
CAMINHOS DA FLORESTA, Colleen Atwood
SR. TURNER, Jacqueline Durran
A TEORIA DE TUDO, Steven Noble

MAQUIAGEM E CABELO
O GRANDE HOTEL BUDAPESTE, Frances Hannon
GUARDIÕES DA GALÁXIA, Elizabeth Yianni-Georgiou, David White
CAMINHOS DA FLORESTA, Peter Swords King, J. Roy Helland
SR. TURNER, Christine Blundell, Lesa Warrener
A TEORIA DE TUDO, Jan Sewell

SOM
SNIPER AMERICANO, Walt Martin, John Reitz, Gregg Rudloff, Alan Robert Murray, Bub Asman
BIRDMAN OU (A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA), Thomas Varga, Martin Hernandez, Aaron Glascock, Jon Taylor, Frank A. Montaño
O GRANDE HOTEL BUDAPESTE, Wayne Lemmer, Christopher Scarabosio, Pawel Wdowczak
O JOGO DA IMITAÇÃO, John Midgley, Lee Walpole, Stuart Hilliker, Martin Jensen
WHIPLASH: EM BUSCA DA PERFEIÇÃO, Thomas Curley, Ben Wilkins, Craig Mann

EFEITOS VISUAIS
PLANETA DOS MACACOS: O CONFRONTO, Joe Letteri, Dan Lemmon, Erik Winquist, Daniel Barrett
GUARDIÕES DA GALÁXIA, Stephane Ceretti, Paul Corbould, Jonathan Fawkner, Nicolas Aithadi
O HOBBIT: A BATALHA DOS CINCO EXÉRCITOS, Joe Letteri, Eric Saindon, David Clayton, R. Christopher White
INTERESTELAR, Paul Franklin, Scott Fisher, Andrew Lockley
X-MEN: DIAS DE UM FUTURO ESQUECIDO, Richard Stammers, Anders Langlands, Tim Crosbie, Cameron Waldbauer

CURTA-METRAGEM BRITÂNICO DE ANIMAÇÃO
THE BIGGER PICTURE, Chris Hees, Daisy Jacobs, Jennifer Majka
MONKEY LOVE EXPERIMENTS, Ainslie Henderson, Cam Fraser, Will Anderson
MY DAD, Marcus Armitage

CURTA-METRAGEM BRITÂNICO
BOOGALOO AND GRAHAM, Brian J. Falconer, Michael Lennox, Ronan Blaney
EMOTIONAL FUSEBOX, Michael Berliner, Rachel Tunnard
THE KARMAN LINE, Campbell Beaton, Dawn King, Tiernan Hanby, Oscar Sharp
SLAP, Islay Bell-Webb, Michelangelo Fano, Nick Rowland
THREE BROTHERS, Aleem Khan, Matthieu De Braconier, Stephanie Paeplow

THE EE RISING STAR AWARD (VOTO DO PÚBLICO)
Gugu Mbatha-Raw
Jack O’Connell
Margot Robbie
Miles Teller
Shailene Woodley

O 68º BAFTA acontece no dia 08 de fevereiro no Royal Opera House em Londres.

Retrospectiva 2014: Meu ano com os filmes


O host do Oscar 2015, Neil Patrick Harris, em sua mensagem de fim de ano

Primeiramente, gostaria de agradecer ao pessoal que visita o blog, acompanha os posts com paciência e comenta. Trata-se do melhor incentivo que recebo, uma vez que escrevo aqui puramente por paixão ao ofício e à Arte do Cinema. O post de hoje é o último do ano de 2014. Achei uma boa idéia fazer uma espécie de retrospectiva do ano em relação aos principais acontecimentos e aos filmes vistos. Gostaria também de convidar a todos pra escrever sobre os seus favoritos (ou piores) de 2014.

OSCAR 2014

A Academia fez história ao premiar 12 Anos de Escravidão como Melhor Filme. Trata-se do primeiro produzido e dirigido por um negro (Steve McQueen), assim como escrito por um roteirista negro (John Ridley) a ganhar o Oscar. Curiosamente, esse fato ocorre no mesmo ano em que há uma crise nos conflitos raciais nos EUA, originada por morte de negros por policiais brancos, prova de que o racismo está longe de ter fim, mesmo em pleno século XXI. Não sei se a escolha da Academia teve maior embasamento político, mas meu voto iria para O Lobo de Wall Street. Depois que Martin Scorsese ganhou finalmente seu Oscar em 2007, ele se libertou das amarras do academicismo e passou a alçar vôos mais ambiciosos. De lá pra cá, ele dirigiu o ousado terror noir de A Ilha do Medo, a carta de amor ao Cinema de A Invenção de Hugo Cabret e este libertino O Lobo de Wall Street, pelo qual ele teve finalmente sua recompensa em apostar em Leonardo DiCaprio. É um raríssimo caso em que o Oscar continuou iluminando a carreira já vitoriosa de um vencedor.

Quanto aos resultados, eu tiraria o Oscar de montagem de Gravidade e daria para Capitão Philips, por conseguir manter a tensão do início ao fim claustrofóbico. O Oscar de maquigem também teria outro dono na minha opinião, pois Clube de Compras Dallas tem mais do esforço dos atores do que maquiagem propriamente dita. E gostaria que o Oscar de coadjuvante fosse para a graciosa June Squibb por Nebraska. Pode parecer que estou preferindo Squibb a Lupita Nyong’o simplesmente pela idade, mas eu realmente considero sua interpretação mais consistente. Ela é o ponto de equilíbrio entre os personagens do filho (Will Forte) e o pai (Bruce Dern) sem deixar de perder o senso de humor e a ternura. Eu também gostaria que Judi Dench vencesse seu segundo Oscar por Philomena, mas Cate Blanchett estava tão imbatível em Blue Jasmine que parecia missão impossível.

June Squibb em cena de Nebraska (photo by cinemagia.ro)

June Squibb em cena de Nebraska (photo by cinemagia.ro)

MARATONA JAMES BOND

Fui introduzido ao universo de James Bond pelo meu pai, que assistia aos filmes de Sean Connery nos cinemas. Na adolescência, cheguei a juntar minha mesada pra comprar a coleção de VHS que saiu nas bancas e fui conhecendo filme por filme. Como comprei a coleção em blu-ray no final do ano passado, achei uma ótima oportunidade pra fazer uma maratona James Bond neste ano e em ordem cronológica de lançamento.

Claro que os melhores filmes permanecem aqueles estrelados por Sean Connery. Meu pai e meu irmão gostam de Moscou Contra 007. Já eu prefiro 007 Contra o Satânico Dr. No pelo frescor na espionagem ou 007 Contra Goldfinger por ser bem icônico na saga, mas confesso que se eu pudesse eleger apenas um, meu favorito hoje seria 007 – Cassino Royale. Gosto da estrutura do filme, que segue as pistas até chegar aos peixes grandes. Os personagens estão bem definidos: dos vilões Mollaka, que pratica le parkour no início do filme, Le Chiffre, que conta com a força da presença de Mads Mikkelsen, a incógnita Vesper Lynd feita pela igualmente misteriosa Eva Green, e o que dizer de Daniel Craig? Admito que quando soube da escolha dele como 6º Bond, tive minhas dúvidas, mas que logo se dissiparam nos primeiros minutos do filme. Meu pai, fã de Connery, não gosta de Craig: “Ele é muito burucutu, sem charme”. Sim, no filme ele é meio sem noção, mas temos que lembrar que se trata de um reboot na franquia. O personagem icônico está em sua primeira missão como agente com permissão para matar e seus deslizes são mais do que comuns e perdoáveis. Daniel Craig tornou o personagem palpável, com direito a cometer erros, vulnerável e humano. É ali também que descobrimos por que ele se tornou tão desconfiado em relação às mulheres.

Indubitavelmente, depois de sua inserção no universo de Bond, a saga do espião nos cinemas definitivamente subiu de nível. Deixou de ser aquelas aventuras que só tinham o intuito de mostrar belas mulheres e locações para acrescentar à cultura mundial. Infelizmente, sofreu com a greve de roteiristas em 007 – Quantum of Solace, mas com 007 – Operação Skyfall, com a colaboração do diretor Sam Mendes, o diretor de fotografia Roger Deakins e o diretor de arte Dennis Gassner, a parte técnica foi para patamares nunca explorados, tanto que o filme recebeu indicações ao Oscar de fotografia, e o ganhou o BAFTA de Melhor Filme Britânico.

Um fato curioso é que este ano, três atores que viveram vilões na saga James Bond partiram: Richard Kiel, que interpretou Jaws, o vilão que virou mocinho (007 – O Espião que Me Amava e 007 Contra o Foguete da Morte). Gottfried John, o frio Coronel Ourumov (007 Contra GondenEye). E Geoffrey Holder, o imortal Barão Samedi (Com 007 Viva e Deixe Morrer).

Do topo da esquerda em sentido horário:  Sean Connery, George Lazenby, Roger Moore, Daniel Craig, Pierce Brosnan e Timothy Dalton (photo by thekliqnation.com)

Do topo da esquerda em sentido horário: Sean Connery, George Lazenby, Roger Moore, Daniel Craig, Pierce Brosnan e Timothy Dalton (photo by thekliqnation.com)

MARVEL NAS MÃOS CERTAS E ERRADAS

Como fã declarado da Marvel Comics do tipo que colecionava quadrinhos do Homem-Aranha e X-Men, vou aos cinemas ver as adaptações com um sorriso enorme no rosto, pois na época em que acompanhava as histórias, pensava que esse dia jamais chegaria. Este ano, o maior prazer foi assistir à sequência Capitão América: O Soldado Invernal, tanto que fui duas vezes ao cinema. A grande fórmula do sucesso do produtor Kevin Feige tem sido o acerto na hora de contratar os diretores, roteiristas e atores. Nada de ficar cedendo às pressões dos executivos dos estúdios para chamar celebridades ou diretores com pedigree. Os diretores Anthony Russo e Joe Russo também acertaram ao abordar o resgate do Capitão América ao século XXI como um grande filme de espionagem dos anos 70 como Três Dias de Condor.

Robert Redford e Chris Evans em cena de Capitão América: O Soldado Invernal (photo by cinemagia.ro)

Robert Redford e Chris Evans em cena de Capitão América: O Soldado Invernal (photo by cinemagia.ro)

Inteligentemente, a Marvel Studios não vive apenas de sequências para não ver a fonte de renda secar. Para isso, ela fez uma aposta de alto risco com a adaptação de Guardiões da Galáxia, pois são personagens considerados de segunda linha da editora, e por isso, tinham tudo para ser um possível fracasso comercial. A aposta se estendeu até na escolha do protagonista: o jovem Chris Pratt, que até então era ator de segundo escalão e coadjuvante da série de comédia Parks & Recreation, felizmente deu bastante certo como Peter Quill, vulgo Star Lord. Após tamanho sucesso nas bilheterias, a sequência já está confirmada para 2017, e Pratt ainda conseguiu papel de protagonista no próximo Jurassic World.

Integrantes excêntricos do grupo Guardiões da Galáxia. (photo by outnow.ch)

Integrantes excêntricos do grupo Guardiões da Galáxia. (photo by outnow.ch)

Infelizmente (mesmo!), como a Marvel Comics faliu nos anos 90, ela se viu obrigada a vender os direitos autorais de seus personagens para grandes estúdios como Fox e Sony, o que impossibilita os tão aguardados crossovers nas telas e geram incontáveis novas adaptações de qualidade duvidosa. Digamos que a Marvel Studios, que originou sucessos como a trilogia do Homem de Ferro e Os Vingadores, cria os filmes com planejamento e respeito ao público e aos milhares de fãs mundo afora. Já a Sony e Fox estão mais interessadas em pegar carona na alta dos super-heróis, tanto que fizeram reboots do Homem-Aranha apenas 5 anos depois de Homem-Aranha 3 (estrelado por Tobey Maguire) e dos mutantes X-Men com X-Men: Primeira Classe, retratando a juventude dos personagens nos anos 60 e, agora com X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, praticamente apagaram toda a história passada nos filmes anteriores por causa das viagens no tempo.

Para o grande público, talvez quem produz o filme não faça diferença, mas os números nas bilheterias são mais uma prova de que quando as adaptações são bem pensadas, bem filmadas e bem finalizadas, o sucesso é mera consequência e os filmes entram para a História do Cinema.

NETFLIX E OUTRAS ALTERNATIVAS

Depois da dificuldade que passei ano passado em encontrar títulos no mercado legal (precisava assistir a A Hora Mais Escura pra escrever um artigo antes do Oscar), tive que recorrer a outros meios “não tão legais assim”. Este ano, descobri um bom site chamado Toca dos Cinéfilos, que dispõe de um ótimo acervo de filmes em streaming. De lá, assisti finalmente ao filme romeno vencedor da Palma de Ouro, 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias, que estava procurando há tempos. Claro que não apresenta a melhor qualidade de imagem de áudio e vídeo, mas na atual conjuntura, “é o que tem pra hoje”. Não recomendo aos cinéfilos assistir aos filmes nesses sites por se tratar de um crime previsto em lei, mas com a péssima distribuição de filmes e os altos impostos cobrados em mídias digitais como DVDs e Blu-Rays aqui no Brasil, não tem como desestimular as pessoas a procurar outras alternativas.

Hoje em dia, um ingresso de cinema não sai por menos de 25 reais nos shoppings, sem contar o estacionamento e aqueles combos de pipoca de ouro. Enquanto isso, o filme polonês favorito ao Oscar de Filme em Língua Estrangeira, Ida, está disponível nesse site. Claro que em qualidade inferior e dublado num francês meio sofrível, mas quem não tem cão..

4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias (photo by outnow.ch)
4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias (photo by outnow.ch)

Já no Netflix, confesso que mais revi do que assisti novos filmes. Um Príncipe em Nova York, Um Tira no Jardim de Infância e Os Garotos Perdidos foram alguns desses títulos, que não via há um bom tempo. Mas a maior surpresa ficou por conta de um achado: O Destino Mudou sua Vida, de Michael Apted. Como sempre fui atrás dos filmes que ganharam o Oscar, procurei por este que rendeu a estatueta de Melhor Atriz para Sissy Spacek por vários anos, mas nunca tinha visto cópia em VHS ou DVD. A performance de Spacek é digna de nota, pois ela abrange a personagem real Loretta Lynn da adolescência até a idade adulta no auge da carreira de cantora country, além de cantar com sua própria voz. A atriz bateu outros nomes de peso como Gena Rowlands, Ellen Burstyn e Mary Tyler Moore naquele ano de 1981. E curiosamente, Tommy Lee Jones faz o marido Doolittle Lynn; mesmo bem mais novo, já tinha aquela cara de carrancudo!

Tommy Lee Jones e Sissy Spacek em O Destino Mudou Sua Vida (photo by outnow.ch)

Tommy Lee Jones e Sissy Spacek em O Destino Mudou Sua Vida (photo by outnow.ch)

CRÍTICAS POSITIVAS E NEGATIVAS

Pra não dizer que só fui na base da ilegalidade, comprei o DVD da ficção científica Sob a Pele, de Jonathan Glazer, mesmo este disponível em streaming. Provavelmente é o filme mais estranho que vi este ano. Por mais que tenha sentido falta de uma coerência ou até mesmo uma questão de unidade, foi um dos filmes que mais se destacaram pelo frescor de suas imagens, aliadas a uma trilha igualmente bizonha com direito a tema de sedução. Acredito que são esses filmes que almejam inovações que fazem do cinema uma Arte que atravessa as décadas e se mantém no topo, porque se dependesse de produtores atuais que só pensam em números de bilheteria, o Cinema seria um entretenimento acéfalo do tipo “Pão e Circo”.

Cena de Sob a Pele (photo by cinemagia.ro)

Cena de Sob a Pele (photo by cinemagia.ro)

Apesar de não bater muito bem da cabeça, os filmes de Lars von Trier seguem na mesma linha de inovação, do tipo “ame ou odeie”. Este ano, vi os dois volumes do filme Ninfomaníaca. Assim como os filmes de Kill Bill, de Tarantino, a divisão tornou o primeiro volume em algo mais episódico e de humor mais acertivo, já o segundo é mais sóbrio com a busca pelo prazer ultrapassando os limites físicos e psicológicos que lembram o néo-clássico de Nagisa Oshima, O Império dos Sentidos (1976). Como o diretor dinamarquês iniciou sua carreira com filmes esteticamente perfeitos como Elemento de um Crime (1984) e Europa (1991), e depois pegou carona no Movimento Dogma 95 que não permitia recursos técnicos básicos como iluminação, resultando em Os Idiotas (1998) e Dançando no Escuro (2000), ele teve uma interessante experiência na mistura da estética com a narrativa. Seus últimos filmes são provas concretas desse aprendizado: Dogville (2003), Anticristo (2009), Melancolia (2011) e esses dois Ninfomaníaca. Em 2011, foi banido do Festival de Cannes quando declarou que “entendia Hitler” e se dizia anti-semita, mas independente de suas posições políticas, seus filmes já podem ser considerados eventos.

Cena de Ninfomaníaca Vol. 2 - Versão do Diretor (photo by outnow.ch)

Cena de Ninfomaníaca Vol. 2 – Versão do Diretor (photo by outnow.ch)

Já em relação aos filmes mais mainstream, meu voto de melhor do ano vai para Boyhood: Da Infância à Juventude. Gosto de praticamente tudo: do projeto de 12 anos, da paixão dos profissionais envolvidos por tanto tempo, do roteiro “sem história”, dos personagens centrais em constante transformação, da expectativa da mãe sobre a vida: “É isso? Eu esperava mais…”. É um filme intimista que explora a relação que temos com o tempo e com as pessoas que amamos. A gente fica tão ligado em histórias e tramas mirabolantes, que esquecemos o poder de um olhar tão atento aos detalhes como o de Richard Linklater. Não vi todos os possíveis concorrentes, mas espero que Boyhood consiga suas indicações e até ganhe o Oscar de Melhor Filme.

Da esquerda para a direita: Lorelei Linklater, Ethan Hawke e Ellar Coltrane em Boyhood: Da Infância à Juventude (photo by elfilm.com)

Da esquerda para a direita: Lorelei Linklater, Ethan Hawke e Ellar Coltrane em Boyhood: Da Infância à Juventude (photo by elfilm.com)

Quanto às bombas do ano, meu voto vai para o novo Godzilla. Quando se erra no tom, nem trazendo Tom Cruise, Brad Pitt, Julia Roberts, Meryl Streep… quer dizer, Meryl Streep não. Ela é à prova de fracassos! Não sou fanático por filmes de monstros, mas gostei do sul-coreano O Hospedeiro (2006) e achei interessante o Cloverfield: Monstro (2008), por exemplo, mas essa nova versão do monstro nuclear nipônico não acrescenta em nada na história originada nos anos 50. Quanto ao tom, se fosse mantido o mesmo do início do filme em que Juliette Binoche e Bryan Cranston realmente vivem personagens envolvidos numa tragédia, certamente o filme seria outro. Se tem uma receita certa para filmes de monstros, é que se deve valorizar muito mais os personagens do que o monstro em si. E fiquei com pena da Sally Hawkins, que por mais que tenha ganhado seu salário, não passou de uma tradutora de japonês de Ken Watanabe: um desperdício de talento.

Godzilla: Enquanto Bryan Cranston esteve na tela, o filme era "assistível". Depois eu queria meu dinheiro de volta! (photo by outnow.ch)

Godzilla: Enquanto Bryan Cranston esteve na tela, o filme era “assistível”. Depois eu queria meu dinheiro de volta! (photo by outnow.ch)

Gostaria de aproveitar pra fazer um comentário à parte em relação ao filme Garota Exemplar. Quando soube que o livro seria adaptado para o cinema pelas mãos de David Fincher, não hesitei em comprar o livro e ler, afinal, ele é o melhor diretor pra cuidar de personagens psicóticos (Seven: Os Sete Crimes Capitais, Clube da Luta e Zodíaco), mas fiquei um pouco desapontado com o resultado final. Desde o sucesso de A Rede Social (2010), o estilo visual de Fincher não mudou quase nada nos filmes seguintes: Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres (2011) e agora Garota Exemplar. Mesmo não se tratando de um trilogia, o diretor realizou uma espécie de “pasteurização” em todos os departamentos: fotografia com cores frias, direção de arte, trilha musical com poucas notas e uma montagem frenética que beira o automático. Embora Garota Exemplar seja uma boa adaptação do best-seller de Gillian Flynn, o diretor poderia rever seus conceitos para o próximo projeto antes que se torne repetitivo demais.

FILMES NA 38ª MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA DE SÃO PAULO

Toda vez que a Mostra de Cinema vai vender pacotes de filmes, estou fora da cidade! Felizmente, desde o ano passado, o evento passou a contar com a evolução das vendas de ingresso pela internet. Pra quem trabalha o dia todo e não tem como ficar trocando ingressos durante o dia, a internet é uma mão na roda. Depois de muita análise da programação, consegui pegar algumas sessões interessantes como a de Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo. O novo filme de Bennett Miller foi indicado à Palma de Ouro em Cannes e saiu com o prêmio de Direção. O trio de atores está excepcional: Steve Carell impressiona por sua frieza nas expressões e em sua movimentação lenta, como se estivesse num transe; Channing Tatum como uma força incontrolável e sem direção, com olhar misterioso e perdido; e Mark Ruffalo consegue cativar como o irmão mais velho de Tatum com carisma e seriedade sem fazer muito esforço, já que tem um talento natural para se transformar nos personagens.

Channing Tatum e Mark Ruffallo trabalham no novo filme de Bennett Miller (photo by outnow.ch)

Channing Tatum e Mark Ruffallo trabalham no novo filme de Bennett Miller, Foxcatcher (photo by outnow.ch)

Também destaco o filme russo Leviatã, que faz uma ótima metáfora religiosa da história de Jó com uma leitura política da Rússia de hoje, sem abrir mão do humor ácido e politicamente incorreto. Adoraria ver a reação do presidente Vladimir Putin ao ver esse filme! É um belo tapa na cara da república ditatorial que ele vem criando. Gostaria que houvesse mais filmes assim aqui no Brasil, pois já que os políticos são intocáveis, nada melhor do que um tapa bem dado em quem governa e rouba este país. Por Leviatã, o diretor Andrey Zvyagintsev foi merecidamente premiado pelo roteiro em Cannes, e está concorrendo ao Globo de Ouro de Filme Estrangeiro.

Cena de A Pequena Morte (photo by outnow.ch)

Cena de A Pequena Morte (photo by outnow.ch)

Já na repescagem da Mostra, apostei no filme australiano A Pequena Morte e me surpreendi bastante. Já que o título se refere à pequena morte do orgasmo, o filme conta com várias histórias de casais com problemas sexuais que habitam o mesmo bairro. Como num filme de Robert Altman, os personagens cruzam entre si durante suas jornadas particulares, formando um mosaico irresistível de humor refinado, que nunca vi antes numa comédia americana. Aliás, vi o filme no CineSesc da rua Augusta e nessa noite, estava caindo um temporal dos infernos. Como a sala não tinha gerador, a projeção foi interrompida umas cinco vezes! O público só ficou mesmo porque o filme valia a pena. Não deve ter previsão de estréia por aqui, pra variar, então o jeito é vasculhar na internet…

ATOS SELVAGENS NO CINEMA

Enquanto o filme começava na sala do shopping Bourbon, um casal chegou atrasado e segundo relatos da minha prima, que sentou ao lado, não parava de fazer comentários do tipo: “Ah isso é típico de argentino!”. Fato que irritou também o casal de idosos que estava sentado logo na fileira de trás, que passou a dar uns “chutes amigáveis” na poltrona na mulher falastrona pra ver se se toca, mas o nível de ignorância foi tamanha, que a mulher passou a gritar com palavras de baixo calão para a senhora, que ficou perplexa. A discussão durou cerca de 2 minutos, e nesse momento, o público ficou mais interessado no relato selvagem da realidade do que do próprio filme que trata de personagens em situação limite.

Relatos Selvagens é formado por seis segmentos não-interligados entre si, mas que possuem personagens à beira de um ataque de nervos em comum, então são muitas situações envolvendo vingança e momentos críticos. Como é um tema universal, fica muito fácil de se identificar com as histórias. Em especial, a história denominada “Bombita”, estrelada por Ricardo Darín, ele tem seu carro guinchado por ter estacionado em local proibido mal sinalizado. Indignado com a lei má aplicada, ele enfrenta a burocracia a seu modo. Tenho certeza de que todo brasileiro se identificou e torceu pelo personagem.

Cena da última história do argentino Relatos Selvagens (photo by cine.gr)

Cena da última história do argentino Relatos Selvagens (photo by cine.gr)

Quanto à barbarie dentro das salas de cinema, tive outra experiência negativa ao assistir o terror Annabelle. Eu já sabia que encararia público mais mal comportado e “aborrecente”, por isso mesmo, meus amigos e eu decidimos pegar a última sessão de uma segunda-feira. Eu até pensei em deixar pra ver em casa, mas além de terror ser um gênero propício para cinema, o filme estava batendo recordes de bilheteria no Brasil, sendo o mais visto no gênero da História! Depois que o filme terminou, vi o quão baixo está o nível mínimo de exigência do público brasileiro. Que filme ruim! Roteiro fraquíssimo com personagens fúteis em cenas que não avançam a história e sequer assustam. Como se não bastasse o horror do filme, tinha o horror da sala de cinema pra aturar. Havia dois casais do tipo início de relacionamento, em que o macho quer impressionar a fêmea explicando os acontecimentos com narração à la Galvão Bueno. Felizmente, meu amigo é mais cri-cri do que eu, ele conseguiu impôr silêncio a um dos casais com um pedido educado, mas o outro não quis nem saber. Achava que estava na sala da casa deles, e nem quis saber!

Quando eu reclamo bastante aqui que o público não sabe se comportar na sala de cinema, não é exagero da minha parte. Tem muita gente que acha que tem o direito de conversar, falar alto, deixar o celular ligado e atender (!), comer alimentos impróprios para uma sala fechada como McDonald’s (a sala inteira passa a cheirar queijo) e, se abordada por outro espectador incomodado, ainda se defende dizendo que está pagando para ver o filme! Teve momentos na minha vida, em que eu era mais revoltado e chegava a discutir ou pelo menos lançar um sucinto “Shhh”, mas depois de tanto presenciar reações ignorantes e até agressivas, passei a deixar de lado. Procuro me concentrar no filme ao máximo, e caso o papagaio seja incansável, procuro um outra poltrona livre para me mudar.

‘A ENTREVISTA’ ENTRE EUA, HOLLYWOOD E CORÉIA DO NORTE

A saga do filme A Entrevista começou alguns meses atrás, mas como continua tendo desdobramentos, preferi aguardar algum desfecho para me pronunciar aqui. Resumidamente, o estúdio Sony sofreu um ataque de hackers em novembro, causando desdobramentos desagradáveis. Primeiramente, e-mails entre executivos foram expostos, revelando orçamentos de produções, salários de artistas e expondo conversas pessoais contendo críticas e ofensas a algumas celebridades como Angelina Jolie. O produtor Scott Rudin teria classificado a atriz e diretora como “mimada e pouco talentosa” numa troca de e-mails com a produtora Amy Pascal.

Cena de A Entrevista com James Franco (centro) e Seth Rogen (à direita). Photo by outnow.ch

Cena de A Entrevista com James Franco (centro) e Seth Rogen (à direita). Photo by outnow.ch

Até aí, tudo bem. Não houve consequências desastrosas, mas apenas situações embaraçosas. Contudo, o vazamento ganhou proporções colossais quando o grupo por trás do ataque passou a ameaçar os EUA se a Sony resolvesse lançar o filme de comédia A Entrevista: “Mostraremos claramente que os locais de exibição de ‘A Entrevista’ no dia da estréia terão um destino amargo… O mundo verá em breve que filme ruim fez a Sony Pictures. O mundo estará repleto de medo. Lembrem-se do 11 de setembro de 2001. Recomendamos que fiquem longe dos cinemas”. Aí o negócio ficou feio e a Sony decidiu cancelar o lançamento previsto para o Natal. A decisão não agradou o presidente Barack Obama, que em seu discurso, diz que não negocia com terroristas e que baixar a cabeça é abrir mão da liberdade de expressão que tanto o país lutou para conquistar. Houve um disse-que-me-disse entre a Sony e os exibidores. O estúdio alegou que os cinemas abortaram a exibição, enquanto os cinemas defendem que a Sony que cancelou o lançamento.

A bem da verdade é que não dá pra arriscar vidas inocentes, ainda mais depois do 11 de setembro, mas também não podemos ferir a liberdade que nos é tão essencial hoje. Em minha humilde opinião, adiaria o lançamento por umas duas semanas até conseguir rastrear o sinal dos hackers; e não simplesmente cancelar. Muito se falou que o governo norte-coreano estaria por trás do ataque e das ameaças, mas nada foi realmente provado. Acho inadmissível o governo da maior potência do mundo não conseguir identificar a origem das ameaças. Se o ex-funcionário da NSA, Edward Snowden, nos ensinou é que todos podem ser vigiados pela Inteligência norte-americana. Onde estão os responsáveis? Meu palpite é que são um bando de nerds hackers gordinhos escondidos numa casa num estado americano.

Ativistas? ONG? Teorias conspiratórias republicanas que almejam uma guerra entre EUA e Coréia do Norte para vender mais armamento bélico? Depois do fascínio pelo personagem anárquico do Coringa em Batman: O Cavaleiro das Trevas, não duvido nem um pouco que se tratam de pessoas que querem ver apenas o circo pegar fogo.

Por enquanto, o resultado final é feliz. O filme foi lançado em salas selecionadas e está faturando alto, até mesmo pela curiosidade do público depois das notícias. Apesar de ter faturado 3 milhões de dólares nas salas, está rendendo mais de 15 milhões em serviços online. Engraçado que depois de um incidente desses, se os resultados melhorarem ainda mais, os executivos podem lançar mais filmes online.

DESPEDIDAS

No Oscar 2015, a homenagem In Memorian deverá tomar mais tempo. Foram tantos artistas e profissionais que nos deixaram este ano, que a lista é extensa. Remanescentes e lendas da era de ouro do Cinema como Lauren Bacall, Shirley Temple e Mickey Rooney se foram, assim como grandes nomes indicados ao Oscar como James Garner, Bob Hoskins, Ruby Dee, Juanita Moore, e o diretor Paul Mazursky. Entre os vencedores do prêmio da Academia, perdemos o grande diretor Mike Nichols (vencedor por A Primeira Noite de um Homem em 1968), o diretor Richard Attenborough (vencedor por Gandhi) e que curiosamente, é mais conhecido por ter vivido o criador do parque dos dinossauros, o Dr. Hammond em Jurassic Park, e a perda precoce do documentarista Malik Bendjelloul, vencedor de Melhor Documentário por Procurando Sugar Man em 2013, aos 36 anos por suicídio.

Aliás, infelizmente, o suicídio foi pauta nas mortes dos atores Robin Williams e Philip Seymour Hoffman. Enquanto o primeiro sofria de um quadro de depressão, o segundo estava lutando contra as drogas, mas ambos estavam necessitando de ajuda urgentemente. A morte de Robin Williams acabou chamando mais a atenção da mídia pela disparidade, tanto que muitos se perguntavam: “Como um ator e comediante que vivia fazendo papéis cômicos se enforca por depressão?”. Se olharmos com atenção a escolha de papéis dele, só tem tristeza: o pediatra de crianças especiais de Patch Adams – O Amor é Contagioso, o mendigo de O Pescador de Ilusões, o pai que não consegue ficar com os filhos em Uma Babá Quase Perfeita, e o que dizer do médico que morre para resgatar sua esposa do inferno em Amor Além da Vida!? Já dá pra ficar deprê só de ver os filmes, imagine vivenciar esses personagens por meses?

A morte de Philip Seymour Hoffman me lembrou a perda de Heath Ledger. Dois talentos recentemente descobertos que logo partiram deixando um legado que muitos batalham a carreira toda e não conseguem. O mais triste foi ler no jornal: “Ator de ‘Jogos Vorazes’ morre aos 46 anos”. O cara estrela Boogie Nights – Prazer Sem Limites, O Grande Lebowski, Magnólia, O Talentoso Ripley, A Última Noite, A Família Savage, Jogos do Poder, Sinédoque Nova York, Dúvida, O Mestre e vence o Oscar por Capote, e termina como ator de Jogos Vorazes. Que triste…

Philip Seymour Hoffman com seu Oscar por Capote (photo by post-gazette.com)

Philip Seymour Hoffman com seu Oscar por Capote (photo by post-gazette.com)

Também gostaria de citar o ator e diretor Harold Ramis, que ficou mais conhecido como Egon dos Caça-Fantasmas e diretor de Feitiço do Tempo; e do grande Eli Wallach, que viveu o inesquecível Tuco do grande western spaghetti Três Homens em Conflito, de Sergio Leone. E hoje foi anunciada a morte da atriz Luise Rainer aos 104 anos. Ela ganhou dois Oscars consecutivos de Melhor Atriz por Ziegfeld – O Criador de Estrelas e Terra dos Deuses na década de 30.

FELIZ 2015!

Gostaria de desejar um próspero ano novo para todos os cinéfilos mundo afora. Que em 2015, haja mais compreensão e menos corrupção. Não defendo nenhum partido, mas só nesse escândalo da Petrobrás, foram roubados 10 bilhões de reais. Imaginem o que esse dinheiro poderia fazer para a educação do nosso país? Recentemente, assisti ao Noites de Cabíria, de Federico Fellini. Nele, a personagem de Giulietta Masina vive uma prostituta que sofre o filme todo, mas sempre mantém a esperança de uma vida melhor. E é esse filme que recomendo para aqueles que acreditam que o futuro pode ser, sim, melhor! Forte abraço a todos e Feliz 2015!

Giulietta Masina como a personagem Cabiria (photo by cineyteatro.es)

Giulietta Masina como a personagem Cabiria (photo by cineyteatro.es)

 

Nove filmes concorrem às cinco indicações de Melhor Filme em Língua Estrangeira no Oscar 2015

ACADEMIA ELIMINA 74 PRODUÇÕES, ENTRE ELAS A DO BRASIL

A Academia decidiu adiantar a lista de pré-selecionados de Filmes em Língua Estrangeira este ano de janeiro para dezembro. Assim, dos 83 filmes inscritos, restaram apenas 9 produções para concorrer a 5 indicações. E mais uma vez, o sonho acabou para o Brasil: Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, de Daniel Ribeiro, está fora da disputa pelo Oscar. Embora tenha conquistado os prêmios FIPRESCI e Teddy Bear no último Festival de Berlim, não teve força entre os críticos americanos para alavancar sua campanha. Particularmente, considero o filme honesto, com o frescor de filme de estréia, mas confesso que me incomodei um pouco com a abordagem universitária. A última vez que o Brasil esteve na short-list foi em 2007 com O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias. Já entre os indicados, faz um pouco mais de tempo: em 1999, com Central do Brasil.

A short-list deste ano tem os seguintes filmes:

Accused (Lucia de B.), de Paula van der Oest – HOLANDA
Força Maior (Turist), de Ruben Ostlünd – SUÉCIA
Ida (Ida), de Pawel Pawlikowski – POLÔNIA
A Ilha dos Milharais (Simindis Kundzuli), de George Ovashvili – GEÓRGIA
Leviatã (Leviafan), de Andrey Zvyagintsev – RÚSSIA
Libertador, de Alberto Arvelo – VENEZUELA
Relatos Selvagens (Relatos Salvajes), de Damián Szifrón – ARGENTINA
Tangerines (Mandariinid), de Zaza Urushadze – ESTÔNIA
Timbuktu, de Abderrahmane Sissako – MAURITÂNIA

O grande favorito da lista é o polonês Ida, mas não tanto por seus méritos artísticos, mas pela temática da Segunda Guerra Mundial e o anti-semitismo que os votantes da Academia não cansam de premiar. Assisti ao filme de Pawel Pawlikowski ontem e realmente existem qualidades técnicas indiscutíveis como a bela fotografia PB, os enquadramentos que parecem esconder alguma coisa e a montagem elíptica, que dá uma quebrada na monotonia, mas não deixa de ser um filme acadêmico que pode cair no esquecimento. Aí quando olharmos os vencedores do Oscar daqui a 20 anos, vamos falar: “Putz, que filme é esse? Ah, aquele que bateu o argentino Relatos Selvagens!”

O polonês Ida, de Pawel Pawlikowski. Temática judia leva vantagem automática. (photo by outnow.ch)

O polonês Ida, de Pawel Pawlikowski. Temática judia leva vantagem automática. (photo by outnow.ch)

Falando nisso, a inclusão do filme argentino Relatos Selvagens é mais uma prova de que o cinema argentino não vive apenas uma onda como o cinema brasileiro. Os cineastas argentinos sabem escrever e filmar com maestria. Já no Brasil, tirando poucos profissionais, o cinema parece regredir para os anos 80 e 90, quando as comédias pastelões reinavam. Relatos Selvagens é a união de histórias curtas de personagens em situações-limite de selvageria, apresentando diálogos impagáveis e personagens bem delineados, mas sem soar piegas. Se indicado, a América do Sul estará bem representada no Oscar 2015. Claro que ainda tem o representante da Venezuela, Libertador, mas não acredito que chegará ao tapete vermelho.

Também pude conferir mais dois filmes da lista: o sueco Força Maior e o russo Leviatã, graças à Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Apesar de Força Maior não apresentar elementos de guerra, oferece a desintegração de uma família a partir de uma avalanche nos alpes através de uma abordagem diferenciada que só o cinema sueco poderia criar. Trata-se de uma comédia de humor negro que não é para todos os paladares, mas merece o destaque que vem recebendo pela crítica à desvalorização da família. Curiosamente, Leviatã também apresenta uma veia de humor negro que ataca a política russa em cheio, ao mesmo tempo em que critica a Igreja através de uma releitura bíblica. O filme concorreu à Palma de Ouro e saiu merecidamente com o prêmio de Roteiro em Cannes. Pra mim, se Leviatã ou Relatos Selvagens ganhar, faço as pazes com os votantes idosos da Academia.

Roman Madyanov como o hilário prefeito em Leviatã (photo by outnow.ch)

Roman Madyanov como o hilário prefeito em Leviatã (photo by outnow.ch)

Os demais selecionados apresentam aquela gama de assuntos que costuma frequentar a categoria: guerra e suas consequências (Em Tangerines, um homem procura manter sua coleta de tangerinas em meio à guerra da Geórgia nos anos 90; em Timbuktu, acompanhamos a ocupação da cidade de Tombuctu pelos rebeldes militantes islâmicos; e em Libertador, vemos as batalhas de Simon Bolivar na América do Sul. Édgar Ramírez interpreta o líder), hábitos de terras distantes (Em A Ilha dos Milharais, o ciclo do rio mostra sua força) e temas ligeiramente polêmicos (no thriller psicológico holandês Accused, baseado em caso verídico, uma enfermeira é acusada de assassinar sete bebês e pacientes idosos no hospital).

Já entre os excluídos dos 83 filmes, as ausências mais sentidas foram do belga Dois Dias, Uma Noite, dos irmãos Dardenne, o turco Winter Sleep, de Nuri Bilge Ceylan, e o canadense Mommy, de Xavier Dolan.

Vale lembrar que Ida, Leviatã, Força Maior e Tangerines foram indicados ao Globo de Ouro. Baseado nisso, meu palpite para os indicados ao Oscar é o seguinte:

– Força Maior
– Ida
– Leviatã
– Relatos Selvagens
– Tangerines

As indicações ao Oscar 2015 serã anunciadas no dia 15 de janeiro, e a cerimônia acontece no dia 22 de fevereiro.

‘Birdman’, ‘Boyhood’ e ‘O Jogo da Imitação’ lideram as indicações ao Globo de Ouro 2015

 

Globo de Ouro 2015 (picture by Michael Tran/ Filmmagic)

Globo de Ouro 2015 (picture by Michael Tran/ Filmmagic)

BIRDMAN É O RECORDISTA EM PREMIAÇÃO QUE DÁ SOBREVIDA AO ASCENDENTE SELMA

Com o anúncio dos indicados ao 72º Globo de Ouro, apresentado na manhã desta quinta, dia 11, pelas belas atrizes Olivia Wilde e Zoe Saldana, além do ator Aziz Ansari (veja vídeo abaixo), já é possível ter uma prévia mais aproximada do Oscar, que divulgará seus indicados apenas em 15 de janeiro. A Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood (HFPA), que organiza o Globo de Ouro, não fugiu muito das listas dos prêmios anteriores como Hollywood Film Awards, Independent Spirit, NYFCC, NBR e LAFCA, salvo algumas exceções como a inclusão dos atores Amy Adams e Christoph Waltz por Grandes Olhos, que vinham sendo preteridos, e o musical da Disney, Caminhos da Floresta, que só estava ganhando certo destaque por causa de Meryl Streep como coadjuvante.


Olivia Wilde ajuda os EUA a acordar cedo nesta manhã 

Birdman foi o grande recordista de indicações com sete. Além de Filme, Diretor, Ator (Michael

A primeira diretora negra indicada para Melhor Diretor no Globo de Ouro (photo by vebidoo.de)

A primeira diretora negra indicada para Melhor Diretor no Globo de Ouro (photo by vebidoo.de)

Keaton), Ator Coadjuvante (Edward Norton) e Atriz Coadjuvante (Emma Stone), a comédia de humor negro conquistou indicações para Roteiro e Trilha Musical, devendo repetir o feito no Oscar 2015, além de provavelmente adicionar mais uma indicação para Fotografia, categoria inexistente no Globo de Ouro. Logo em seguida, Boyhood: Da Infância à Juventude e O Jogo da Imitação acumularam cinco indicações cada, e seguem firme como grandes candidatos a Melhor Filme. O Grande Hotel Budapeste, A Teoria de Tudo, Garota Exemplar e principalmente Selma, todos com 4 indicações cada, ganharam enorme sobrevida com as indicações ao Globo de Ouro. Inclusive, a diretora de Selma, Ava DuVernay, tornou-se a primeira mulher negra a concorrer na categoria e com chances de repetir o feito inédito no Oscar.

No geral, as indicações foram bem distribuídas, mesmo havendo filmes com apenas uma indicação, pelo menos foram reconhecidos e aumentaram a diversidade. Como escrevi no post anterior, apesar do prêmio buscar uma vertente mais eclética, houve tantas boas produções, que seria impossível incluir todos e agradar gregos e troianos. Este ano, não sobraram cadeiras para o novo filme de Clint Eastwood, Sniper Americano, e nem para o segundo longa dirigido por Angelina Jolie, Invencível. Ainda sobre diretores, Bennett Miller (Foxcatcher), Morten Tyldum (O Jogo da Imitação), Christopher Nolan (Interestelar), James Marsh (A Teoria de Tudo) e Jean-Marc Vallée (Livre) ficaram de fora da competição da categoria.

Aliás, a ficção científica Interestelar foi uma das produções que mais decaíram nos últimos dois meses em termos de chances no Oscar. Muitos especialistas davam como certas as indicações a Melhor Filme e Diretor. Hoje, o filme conquistou apenas uma indicação de Trilha Musical no Globo de Ouro (para Hans Zimmer), e pode se limitar apenas às categorias mais técnicas no prêmio da Academia como Efeitos Visuais, Efeitos Sonoros e Direção de Arte. Mas para os excluídos do Globo de Ouro, ainda há esperança. Nos últimos dez anos, apenas 4 filmes vencedores de Melhor Filme coincidiram entre as duas premiações.

Já no campo das interpretações, depois de conquistar surpreendentemente uma das cinco vagas de Melhor Atriz no SAG Awards, Jennifer Aniston foi reconhecida novamente um dia depois pelo filme independente Cake. A indicação ao Globo de Ouro já não é tão surpresa assim pelo fato de Aniston ser uma figura muito querida pela imprensa estrangeira desde os anos de Friends. O grande diferencial do Globo de Ouro em relação às demais premiações é a divisão das categorias de atuação em Drama e Comédia ou Musical, dobrando a quantidade de performances reconhecidas. Beneficiados por esse sistema estão os já citados Amy Adams e Christoph Waltz, que ganharam uma luz na temporada, assim como Emily Blunt (Caminhos da Floresta), Helen Mirren (A 100 Passos de um Sonho) e Quvenzhané Wallis (Annie) que dificilmente seriam lembrados se não fosse o Globo de Ouro.

Quvenzhané Wallis cresceu, mas aparentemente o talento permaneceu. Ela conquista sua primeira indicação ao Globo de Ouro pelo musical Annie (photo by outnow.ch)

Quvenzhané Wallis cresceu, mas aparentemente o talento permaneceu. Ela conquista sua primeira indicação ao Globo de Ouro pelo musical Annie (photo by outnow.ch)

Mas engana-se quem pensa que as categorias de comédia ou musical não passam de um artifício para convidar mais celebridades para o evento. Neste ano, temos um páreo duríssimo na categoria de Ator – Comédia ou Musical: Ralph Fiennes, Michael Keaton, Bill Murray, Joaquin Phoenix e Christoph Waltz! Provavelmente apenas Keaton conseguirá migrar para a lista do Oscar, mas não deixa de ser uma competição interessante. Já do lado feminino, temos também grandes talentos como as veteranas Helen Mirren e Julianne Moore.

Já que Jennifer Aniston deixou de ser uma surpresa por ter sido indicada um dia antes pelo SAG, o elemento surpresa ficou a cargo da indicação para Melhor Filme – Comédia ou Musical para o britânico Pride, de Matthew Warchus. Baseado em fatos verídicos, esta comédia aborda a ajuda que ativistas gays deram para a greve dos mineiros em 1984 no Reino Unido. Trata-se da única indicação do filme no Globo de Ouro, porém vitoriosa, pois bateu fortes concorrentes como Vício Inerente, Grandes Olhos e até de Annie, já que a HFPA adora musicais.

Cena do britânico Pride, que conquistou sua única indicação a Melhor Filme  - Comédia ou Musical no Globo de Ouro (photo by outnow.ch)

Cena do britânico Pride, que conquistou sua única indicação a Melhor Filme – Comédia ou Musical no Globo de Ouro (photo by outnow.ch)

Particularmente, senti falta da animação japonesa O Conto da Princesa Kaguya na categoria de Melhor Animação, assim como a produção argentina Relatos Selvagens na categoria de Filme Estrangeiro. Como o regulamento do Globo de Ouro é menos rígido do que o da Academia, achava que veria títulos mais fora do circuito de premiações.

Ainda restam os prêmios da Academia Britânica (BAFTA) e os sindicatos de vários departamentos como o dos diretores (DGA) que podem mudar o percurso até o Oscar, mas a base já está lançada com o Globo de Ouro.

Confira todos os indicados ao 72º Globo de Ouro:

CINEMA

MELHOR FILME – DRAMA
Boyhood: Da Infância à Juventude (Boyhood)
Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo (Foxcatcher)
O Jogo da Imitação (The Imitation Game)
Selma
A Teoria de Tudo (The Theory of Everything)

MELHOR FILME – COMÉDIA OU MUSICAL
Birdman
O Grande Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel)
Caminhos da Floresta (Into the Woods)
Pride
Um Santo Vizinho (St. Vincent)

MELHOR ATOR – DRAMA
Steve Carell (Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo)
Benedict Cumberbatch (O Jogo da Imitação)
Jake Gyllenhaal (O Abutre)
David Oyelowo (Selma)
Eddie Redmayne (A Teoria de Tudo)

MELHOR ATRIZ – DRAMA
Jennifer Aniston (Cake)
Felicity Jones (A Teoria de Tudo)
Julianne Moore (Para Sempre Alice)
Rosamund Pike (Garota Exemplar)
Reese Witherspoon (Livre)

MELHOR ATRIZ – COMÉDIA OU MUSICAL
Amy Adams (Grandes Olhos)
Emily Blunt (Caminhos da Floresta)
Helen Mirren (A 100 Passos de um Sonho)
Julianne Moore (Mapa Para as Estrelas)
Quvenzhané Wallis (Annie)

MELHOR ATOR – COMÉDIA OU MUSICAL
Ralph Fiennes (O Grande Hotel Budapeste)
Michael Keaton (Birdman)
Bill Murray (Um Santo Vizinho)
Joaquin Phoenix (Vício Inerente)
Christoph Waltz (Grandes Olhos)

MELHOR DIRETOR
Wes Anderson (O Grande Hotel Budapeste)
David Fincher (Garota Exemlar)
Ava DuVernay (Selma)
Alejandro González Inárritu (Birdman)
Richard Linklater (Boyhood: Da Infância à Juventude)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Patricia Arquette (Boyhood: Da Infância à Juventude)
Jessica Chastain (A Most Violent Year)
Keira Knightley (O Jogo da Imitação)
Emma Stone (Birdman)
Meryl Streep (Caminhos da Floresta)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Robert Duvall (O Juiz)
Ethan Hawke (Boyhood: Da Infância à Juventude)
Edward Norton (Birdman)
Mark Ruffalo (Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo)
J.K. Simmons (Whiplash: Em Busca da Perfeição)

MELHOR ROTEIRO
Alejandro González Iñárritu, Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris, Armando Bo (Birdman)
Richard Linklater (Boyhood: Da Infância à Juventude)
Gillian Flynn (Garota Exemplar)
Wes Anderson (O Grande Hotel Budapeste)
Graham Moore (O Jogo da Imitação)

MELHOR ANIMAÇÃO
Operação Big Hero 6 (Big Hero 6)
Festa no Céu (The Book of Life)
Os Boxtrolls (Boxtrolls)
Como Treinar Seu Dragão 2 (How to Train Your Dragon 2)
Uma Aventura Lego (The Lego Movie)

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Força Maior (Turist), de Ruben Östlund (Suécia)
Gett: The Trial of Viviane Amsalem Gett, de Ronit Elkabetz e Shlomi Elkabetz (Israel)
Ida, de Pawel Pawlikowski (Polônia/Dinamarca)
Leviatã (Leviafan), de Andrey Zvyagintsev (Rússia)
Tangerines (Mandariinid), de Zaza Urushadze (Estônia)

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“Big Eyes” por Lana Del Ray (Grandes Olhos)
“Glory” por John Legend, Common (Selma)
“Mercy Is” por Patti Smith, Lenny Kaye (Noé)
“Opportunity” por Greg Kurstin, Sia Furler, Will Gluck (Annie)
“Yellow Flicker Beat” por Lorde (Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1)

MELHOR TRILHA MUSICAL ORIGINAL
Alexandre Desplat (O Jogo da Imitação)
Johann Johannsson (A Teoria de Tudo)
Trent Reznor, Atticus Ross (Garota Exemplar)
Antonio Sanchez (Birdman)
Hans Zimmer (Interestelar)

TELEVISÃO

MELHOR SÉRIE DRAMÁTICA
The Affair
Downton Abbey
Game of Thrones
The Good Wife
House of Cards

MELHOR ATOR EM SÉRIE DRAMÁTICA
Clive Owen (The Knick)
Liev Schreiber (Ray Donovan)
Kevin Spacey (House of Cards)
James Spader (The Blacklist)
Dominic West (The Affair)

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DRAMÁTICA
Claire Danes (Homeland)
Viola Davis (How to Get Away with Murder)
Julianna Margulies (The Good Wife)
Ruth Wilson (The Affair)
Robin Wright (House of Cards)

MELHOR MINISSÉRIE OU TELEFILME
Fargo
The Missing
True Detective
The Normal Heart
Olive Kitteridge

MELHOR SÉRIE DE COMÉDIA
Girls
Jane the Virgin
Orange Is the New Black
Silicon Valley
Transparent

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE, MINISSÉRIE OU TELEFILME
Uzo Aduba (Orange Is the New Black)
Kathy Bates (American Horror Story: Freak Show)
Joanne Froggatt (Downton Abbey)
Allison Janney (Mom)
Michelle Monaghan (True Detective)

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE, MINISSÉRIE OU TELEFILME
Matt Bomer (The Normal Heart)
Alan Cumming (The Good Wife)
Colin Hanks (Fargo)
Bill Murray (Olive Kitteridge)
Jon Voight (Ray Donovan)

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA
Lena Dunham (Girls)
Edie Falco (Nurse Jackie)
Gina Rodriguez (Jane the Virgin)
Julia Louis Dreyfus (Veep)
Taylor Schilling (Orange Is the New Black)

MELHOR ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA
Don Cheadle (House of Lies)
Ricky Gervais (Derek)
Jeffrey Tambor (Transparent)
Louis C.K. (Louie)
William H. Macy (Shameless)

MELHOR ATRIZ EM MINISSÉRIE OU TELEFILME
Maggie Gyllenhaal (The Honorable Woman)
Jessica Lange (American Horror Story: Freak Show)
Frances McDormand (Olive Kitteridge)
Frances O’Connor (The Missing)
Alison Tolman (Fargo)

MELHOR ATOR EM MINISSÉRIE OU TELEFILME
Martin Freeman (Fargo)
Woody Harrelson (True Detective)
Matthew McConaughey (True Detective)
Mark Ruffalo (The Normal Heart)
Billy Bob Thornton (Fargo)

A cerimônia do Globo de Ouro 2015 acontece no dia 11 de janeiro e deverá ser transmitida pelo canal pago TNT. Quatro dias depois, serão anunciadas as indicações ao Oscar.

‘Birdman’ lidera as indicações ao Independent Spirit Awards 2015

Michael Keaton e Emma Stone em cena de Birdman: ambos foram indicados para ator e atriz coadjuvante. (photo by outnow.ch)

Michael Keaton e Emma Stone em cena de Birdman: ambos foram indicados para ator e atriz coadjuvante. (photo by outnow.ch)

APROXIMAÇÃO DE INDEPENDENT SPIRIT AO OSCAR NOS ÚLTIMOS ANOS GERA RETOMADA DE FOCO EM PRODUÇÕES MENOS VISADAS

Com o anúncio das indicações ao Independent Spirit Award (veja vídeo abaixo), que ocorreu nesta terça, dia 25 de novembro, foi dada a largada para a temporada de premiações 2015. Em sua 30ª edição, o prêmio tem se tornado cada vez mais um holofote para os votantes da Academia, tanto que este ano 12 Anos de Escravidão, Matthew McConaughey, Jared Leto, Cate Blanchett e Lupita Nyong’o inacreditavelmente ganharam tanto o Independent quanto o Oscar. Claro que isso naturalmente beneficia mais seus indicados, contudo, este ano o comitê da organização resolveu valorizar mais os filmes menores.

Entre os indicados, o novo filme do mexicano Alejandro González Iñárritu, Birdman, conquistou seis indicações: Filme, Diretor, Ator (Michael Keaton), Ator Coadjuvante (Edward Norton), Atriz Coadjuvante (Emma Stone) e Fotografia (Emmanuel Lubezki). A história de uma estrela de cinema decadente que busca uma retomada nos palcos já agradou a crítica quando passou no último Festival de Veneza, onde muitos alegaram que Keaton merecia o prêmio de atuação, concedido a Adam Driver. Se o filme permanecer nas listas de indicações dos prêmios seguintes, Michael Keaton tem tudo para conseguir sua primeira indicação ao Oscar, e quem sabe até a vitória.

Logo atrás de Birdman, com 5 indicações cada, vêm Boyhood: Da Infância à Juventude, O Abutre e Selma. De acordo com as previsões, o destaque a Boyhood não se trata de surpresa alguma devido à grande veia independente de seu projeto, mas a ascensão de O Abutre, primeiro filme de Dan Gilroy, que era então mais conhecido por escrever os roteiros de Gigantes de Aço e O Legado Bourne, realmente impressiona. Alguns apostam até em uma indicação meio azarão de Melhor Filme no Oscar e Melhor Ator para Jake Gyllenhaal, que emagreceu bastante para viver o paparazzo de Los Angeles.

O paparazzo vivido por Jake Gyllenhaal em O Abutre (photo by outnow.ch)

O paparazzo vivido por Jake Gyllenhaal em O Abutre (photo by outnow.ch)

Selma ainda é uma incógnita para a sequência de premiações pois, por mais que apresente um retrato forte da conquista dos direitos civis por Martin Luther King, não tem uma diretora e roteirista experientes por trás das câmeras, e seu protagonista é interpretado por David Oyelowo, conhecido apenas por O Mordomo da Casa Branca, de Lee Daniels. Aliás, o filme de Ava DuVernay se assemelha ao de Daniels no aspecto das questões raciais e também nas participações de celebridades em papéis menores como Cuba Gooding Jr., Tim Roth, Tom Wilkinson e mais uma vez, Oprah Winfrey. Lembrando que O Mordomo não recebeu nenhuma indicação ao Oscar.

David Oyelowo como Martin Luther King (photo by outnow.ch)

David Oyelowo como Martin Luther King em Selma (photo by outnow.ch)

O Independent Spirit Award poderia reconhecer algumas produções bem cotadas como O Jogo da Imitação, que levou 4 prêmios no Hollywood Film Awards na semana passada, St. Vincent, Mesmo Se Nada Der Certo e Grandes Olhos (que levou apenas uma indicação de roteiro), todas distribuídas pela famigerada Weinstein Co., mas percebeu que nos últimos anos o prêmio, que deveria consagrar mais produções menores, aproximou-se demais do Oscar e está correndo sério risco de perder a sua própria identidade. Assim, além de todas essas produções acima, que receberão ótima campanha pela Weinstein Co., o Independent Spirit também resolveu não indicar Livre, de Jean-Marc Vallée, produzido pela Fox Searchlight.

Essa preocupação do Independent Spirit reflete o cenário de contenção de custos que passa o atual cinema norte-americano. Aquelas apostas de estúdio de mais de 200 milhões estão em extinção, com raras exceções às adaptações de livros best-sellers, quadrinhos e diretores associados ao sucesso como Christopher Nolan. A crise financeira atingiu o cinema de tal forma, que acabou transformando a premiação exclusivamente independente numa prévia genérica do Oscar.

Claro que o Independent Spirit ganhou notoriedade que nunca teve em 30 anos, portanto, fica difícil de não agradar algumas produções que não se adequaram ao regulamento. Muitas produções foram desclassificadas por ultrapassar a barreira dos 20 milhões de dólares de orçamento (que inclui a pós-produção), como Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo, de Bennett Miller, e Vício Inerente, de Paul Thomas Anderson. Contudo, o comitê ficou impressionado com esses trabalhos e resolveu conceder prêmios especiais para ambos. Enquanto Vício Inerente receberá o prêmio Robert Altman pelo elenco e o diretor de elenco, Foxcatcher ficará com o Special Distinction Award, uma espécie de prêmio de consolação.

Fora de competição por ultrapassar os 20 milhões de dólares, Vício Inerete foi lembrado pelo prêmio Robert Altman, que reconhece a força de seu elenco, aqui representado por Joaquin Phoenix e Benicio Del Toro (photo by outnow.ch)

Fora de competição por ultrapassar os 20 milhões de dólares, Vício Inerente foi lembrado pelo prêmio Robert Altman, que reconhece a força de seu elenco, aqui representado por Joaquin Phoenix e Benicio Del Toro (photo by outnow.ch)

Ao indicar produções menos conhecidas como Obvious Child, Amantes Eternos e Kumiko, the Treasure Hunter (que aliás tem uma ótima sinopse*), o Independent Spirit quer fazer com que a Academia e seus membros olhem com mais carinho esses filmes artesanais e por que não alavancá-los ao tapete vermelho também?

Ainda está cedo pra fazer previsão, mas vou apostar nos possíveis vencedores do Oscar nas categorias de atuação: Michael Keaton, Julianne Moore, J.K. Simmons e Patricia Arquette. Se isso acontecer, será bacana que nenhum deles venceu anteriormente. Já diretor e filme, apostaria em Boyhood: Da Infância à Juventude por ter a cara do prêmio independente.

J.K. Simmons (Whiplash: Em Busca da Perfeição) - photo by elfilm.com

Entre os coadjuvantes, J.K. Simmons tem uma das atuações mais elogiadas do ano por Whiplash: Em Busca da Perfeição – photo by elfilm.com

INDICAÇÕES AO INDEPENDENT SPIRIT AWARDS 2015:

MELHOR FILME
• Birdman (Birdman (or The Unexpected Virtue of Ignorance)
Produtores: Alejandro González Iñárritu, John Lesher, Arnon Milchan, James W. Skotchdopole
• Boyhood: Da Infância à Juventude (Boyhood)
Produtores: Richard Linklater, Jonathan Sehring, John Sloss, Cathleen Sutherland
• O Amor é Estranho (Love Is Strange)
Produtores: Lucas Joaquin, Lars Knudsen, Ira Sachs, Jayne Baron Sherman, Jay Van Hoy
• Selma
Produtores: Christian Colson, Dede Gardner, Jeremy Kleiner, Oprah Winfrey
Whiplash: Em Busca da Perfeição (Whiplash)
Produtores: Jason Blum, Helen Estabrook, David Lancaster, Michael Litvak

DIRETOR
Damien Chazelle (Whiplash: Em Busca da Perfeição)
Ava DuVernay (Selma)
Alejandro González Iñárritu (Birdman)
Richard Linklater (Boyhood: Da Infância à Juventude)
David Zellner (Kumiko, the Treasure Hunter)

ATRIZ
Marion Cotillard (Era Uma Vez em Nova York)
Rinko Kikuchi (Kumiko, the Treasure Hunter)
Julianne Moore (Still Alice)
Jenny Slate (Obvious Child)
Tilda Swinton (Amantes Eternos)

ATOR
André Benjamin (All Is by My Side)
Jake Gyllenhaal (O Abutre)
Michael Keaton (Birdman)
John Lithgow (O Amor é Estranho)
David Oyelowo (Selma)

ATRIZ COADJUVANTE
Patricia Arquette (Boyhood: Da Infância à Juventude)
Jessica Chastain (A Most Violent Year)
Carmen Ejogo (Selma)
Andrea Suarez Paz (Stand Clear of the Closing Doors)
Emma Stone (Birdman)

ATOR COADJUVANTE
Riz Ahmed (O Abutre)
Ethan Hawke (Boyhood: Da Infância à Juventude)
Alfred Molina (O Amor é Estranho)
Edward Norton (Birdman)
J.K. Simmons (Whiplash: Em Busca da Perfeição)

MELHOR FOTOGRAFIA
Darius Khondji (Era Uma Vez em Nova York)
Emmanuel Lubezki (Birdman)
Sean Porter (Parece Amor)
Lyle Vincent (A Girl Walks Home Alone at Night)
Bradford Young (Selma)

MELHOR MONTAGEM
Sandra Adair (Boyhood: Da Infância à Juventude)
Tom Cross (Whiplash: Em Busca da Perfeição)
John Gilroy (O Abutre)
Ron Patane (A Most Violent Year)
Adam Wingard (The Guest)

MELHOR ROTEIRO
Scott Alexander, Larry Karaszewski (Grandes Olhos)
J.C. Chandor (A Most Violent Year)
Dan Gilroy (O Abutre)
Jim Jarmusch (Amantes Eternos)
Ira Sachs, Mauricio Zacharias (O Amor é Estranho)

MELHOR FILME DE ESTRÉIA
• A Girl Walks Home Alone at Night
Diretora: Ana Lily Amirpour
Produtores: Justin Begnaud, Sina Sayyah
Dear White People
Diretor-produtor: Justin Simien
Produtores: Effie T. Brown, Ann Le, Julia Lebedev, Angel Lopez, Lena Waithe
• O Abutre (Nightcrawler)
Diretor: Dan Gilroy
Produtores: Jennifer Fox, Tony Gilroy, Jake Gyllenhaal, David Lancaster, Michel Litvak
Obvious Child
Diretora: Gillian Robespierre
Produtora: Elisabeth Holm
• She’s Lost Control
Diretor-produtor: Anja Marquardt
Produtores: Mollye Asher, Kiara C. Jones

PRIMEIRO ROTEIRO
Desiree Akhavan (Appropriate Behavior)
Sara Colangelo (Little Accidents)
Justin Lader (The One I Love)
Anja Marquardt (She’s Lost Control)
Justin Simien (Dear White People)

PRÊMIO JOHN CASSAVETES – Para produções feitas abaixo de 500 mil dólares.
• Blue Ruin
Diretor-roteirista: Jeremy Saulnier
Produtores: Richard Peete, Vincent Savino, Anish Savjani
• Parece Amor (It Felt Like Love)
Diretor-produtor: Eliza Hittman
Produtores: Shrihari Sathe, Laura Wagner
• Land Ho!
Diretores-roteiristas: Aaron Katz, Martha Stephens
Produtores: Christina Jennings, Mynette Louie, Sara Murphy
• Man From Reno
Diretor-roteirista: Dave Boyle
Roteiristas: Joel Clark, Michael Lerman
Produtor: Ko Mori
• Test
Diretor-roteirista-produtor: Chris Mason Johnson
Produtor: Chris Martin

MELHOR DOCUMENTÁRIO
• 20.000 Dias na Terra (20,000 Days on Earth)
Diretores: Iain Forsyth, Jane Pollard
Produtores: Dan Bowen, James Wilson
• CitizenFour
Diretora-produtora: Laura Poitras
Produtores: Mathilde Bonnefoy, Dirk Wilutzky
• Stray Dog
Diretora: Debra Granik
Produtora: Anne Rosellini
• O Sal da Terra (The Salt of the Earth)
Diretores: Juliano Ribeiro Salgado, Wim Wenders
Produtor: David Rosier
• Virunga
Diretor-produtor: Orlando von Einsiedel
Produtora: Joanna Natasegara

FILME INTERNACIONAL
• Força Maior (Force Majeure) – SUÉCIA
Diretor: Ruben Östlund
• Ida – POLÔNIA
Diretor: Pawel Pawlikowski
• Leviatã (Leviafan) – RÚSSIA
Diretor: Andrey Zvyagintsev
• Mommy – CANADÁ
Diretor: Xavier Dolan
Norte, the End of History – FILIPINAS
Diretor: Lav Diaz
• Sob a Pele (Under the Skin) – REINO UNIDO
Diretor: Jonathan Glazer

PRÊMIO ROBERT ALTMAN – Concedido a um diretor, diretor de elenco e elenco
• Vício Inerente (Inherent Vice)
Diretor: Paul Thomas Anderson
Diretor de Casting: Cassandra Kulukundis
Elenco: Josh Brolin, Martin Donovan, Jena Malone, Joanna Newsom, Joaquin Phoenix, Eric Roberts, Maya Rudolph, Martin Short Serena Scott Thomas, Benicio Del Toro, Katherine Waterston, Michael Kenneth Williams, Owen Wilson, Reese Witherspoon

SPECIAL DISTINCTION AWARD
• Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo (Foxcatcher)
Diretor/Produtor: Bennett Miller
Produtores: Anthony Bregman, Megan Ellison, Jon Kilik
Roteiristas: E. Max Frye, Dan Futterman
Atores: Steve Carell, Mark Ruffalo, Channing Tatum

PRODUCERS AWARD
Chad Burris
Elisabeth Holm
Chris Ohlson

SOMEONE TO WATCH AWARD
• A Girl Walks Home Alone at Night
Diretora: Ana Lily Amirpour
• H.
Diretores: Rania Attieh & Daniel Garcia
• The Retrieval
Diretor: Chris Eska

TRUER THAN FICTION AWARD
• Approaching the Elephant
Diretor: Amanda Rose Wilder
• Evolution of a Criminal
Diretor: Darius Clark Monroe
• The Kill Team
Diretor: Dan Krauss
• The Last Season
Diretora: Sara Dosa

O 30º Independent Spirit Awards acontece no dia 21 de fevereiro de 2015, como de costume, um dia antes da cerimônia do Oscar.

* Ah sim! A sinopse de Kumiko, the Treasure Hunter é a seguinte: Uma mulher japonesa descobre a fita VHS do filme Fargo (1996) e acredita que se trata de um mapa para a localização de uma mala cheia de dinheiro. Essa idéia é baseada na lenda urbana de que algumas pessoas teriam ido a Minnesota para procurar a maleta de dinheiro enterrada na neve do filme Fargo, porque os diretores irmãos Coen incluíram letreiro no início do filme dizendo que se tratava de uma história baseada em fatos verídicos, o que na verdade, é uma mentira usada para atrair mais a atenção do espectador.

Rinko Kikuchi em cena de Kumiko, the Treasure Hunter (photo by elfilm.com)

Rinko Kikuchi em cena de Kumiko, the Treasure Hunter (photo by elfilm.com)

‘Hoje Eu Quero Voltar Sozinho’ representará o Brasil no Oscar 2015

Pôster nacional de Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (photo by jornalpontoinicial.com.br)

Pôster nacional de Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (photo by jornalpontoinicial.com.br)

LONGA DE ESTRÉIA DE DANIEL RIBEIRO BATE CINEASTAS EXPERIENTES

Nesta última quinta-feira, dia 18/09, o Ministério da Cultura (MinC) anunciou o representante do Brasil no Oscar 2015 na categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira. O primeiro longa-metragem do jovem Daniel Ribeiro, Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, bateu outras 17 produções nacionais e tentará conquistar uma das cinco vagas finalistas a serem anunciadas no dia 15 de janeiro.


Vídeo extraído de canal ministeriodacultura do Youtube

A comissão especial responsável pela decisão era composta por Jefferson De (diretor, produtor e roteirista), Luis Erlanger (jornalista), Sylvia Regina Bahiense Naves (coordenadora-geral de Desenvolvimento Sustentável do Audiovisual da Secretaria do Audiovisual do MinC), Orlando de Salles Senna (presidente do conselho da Televisão América Latina) e George Torquato Firmeza (ministro do Departamento Cultural do Minstério das Relações Exteriores). Eles tiveram a tarefa de selecionar apenas um filme entre os seguintes:

A Grande Vitória, de Stefano Capuzzi
A Oeste do Fim do Mundo, de Paulo Nascimento
Amazônia, de Thierry Ragobert
Dominguinhos, de Eduardo Nazarian, Joaquim Castro e Mariana Aydar
Entre Nós, de Paulo Morelli
Exercício do Caos, de Frederico Caos
Getúlio, de João Jardim
Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, de Daniel Ribeiro
Jogo de Xadrez, de Luís Antônio Pereira
Minhocas, de Paolo Conti e Arthur Nunes
Não Pare na Pista: A Melhor História de Paulo Coelho, de Daniel Augusto
O Homem das Multidões, de Marcelo Gomes e Cao Guimarães
O Lobo atrás da Porta, de Fernambo Coimbra
O Menino e o Mundo, de Alê Abreu
O Menino no Espelho, de Guilherme Fiúza Zenha
Praia do Futuro, de Karim Aïnouz
Serra Pelada, de Heitor Dhalia
Tatuagem, de Hilton Lacerda

Confesso que estava receoso de que o MinC optaria por uma das produções da Globo Filmes (Getúlio, Minhocas, Entre Nós ou Serra Pelada) simplesmente pelo nome e poder de publicidade da produtora, mas felizmente, assim como ocorreu no ano passado, a comissão soube escolher com coerência. Hoje Eu Quero Voltar Sozinho marcou presença no último Festival de Berlim, de onde conquistou o FIPRESCI award (concedido pela federação de crítica internacional) e o Teddy Bear, uma espécie de Urso de Ouro para filmes com temática LGBT. Vale destacar que também ganhou prêmios do público em festivais como o L.A. Outfest (EUA) e o Festival de Guadalajara (México).

O filme, que ganhou o título internacional The Way He Looks, acompanha o amadurecimento do jovem estudante cego Leonardo (Ghilherme Lobo) a partir da chegada de um novo colega de classe, Gabriel, enquanto tenta lidar com a superproteção dos pais. O diretor Daniel Ribeiro procura evitar cenas clichês sobre homossexualismo, deixando os sentimentos se desenvolverem naturalmente e sem pressa. Curiosamente, a produção se baseia no curta-metragem de título semelhante (Eu Não Quero Voltar Sozinho) do mesmo diretor e com os mesmos atores centrais nos mesmos papéis, lançado em 2010.

Da esquerda para a direita: os atores (photo by berlinda.org)

Da esquerda para a direita: os atores Fabio Audi, Tess Amorim e Ghilherme Lobo (photo by berlinda.org)

A ministra da Cultura, Marta Suplicy, elogiou a escolha do júri e defendeu o selecionado: “… uma produção de linguagem universal, aberta à compreensão e a conexão com os mais diversos públicos”. Se no ano anterior, a aposta era na temática da insegurança em O Som ao Redor, este ano, a universalidade do tema homossexual na adolescência pode ser uma boa alternativa para que o Brasil consiga finalmente sua 5ª indicação na categoria. As demais foram: O Pagador de Promessas (em 1963), O Quatrilho (1996), O Que é Isso, Companheiro? (1998) e Central do Brasil (1999).

A Ministra da Cultura Marta Suplicy (aquela do "relaxa e goza!") com membros da comissão durante anúncio do Oscar (photo by Thaís Mallon em www.cultura.gov.br)

A Ministra da Cultura Marta Suplicy (aquela do “relaxa e goza!”) com membros da comissão durante anúncio do Oscar (photo by Thaís Mallon em http://www.cultura.gov.br)

SEXO E A POLÍTICA

Em tempos em que a política brasileira tenta intervir demais na sexualidade de jovens, nada mais propício que a sexóloga  e ministra Marta Suplicy (PT) anuncie um filme de temática homossexual como vencedor. Sempre  ligada aos eventos como a Parada Gay de São Paulo, ela defendeu o uso do “kit gay”, que contém material informativo sobre homossexualismo em vídeos e livros como “Homem Brinca de Boneca?”, de Marcos Ribeiro, para crianças de 6 anos em escolas públicas. Em 2012, a medida polêmica foi veementemente criticada por colegas de profissão como o deputado Jair Bolsonaro (PP), gerando um conflito sem solução.

É triste ver que a sexualidade se tornou apenas uma pauta dos programas de governo de candidatos. Marina Silva, do PSB, por exemplo, vinha defendendo o casamento gay, mas para obter apoio da Igreja Evangélica, teve que recuar e dizer “Casamento é entre pessoas de sexo diferente”. Além disso, retirou uma proposta que criminalizaria a homofobia no Brasil. Tal mudança foi elogiada pelo pastor Silas Malafaia, da Assembléia de Deus: “O ativismo gay está irado com Marina! Começo a ficar satisfeito! Valeu a pressão de todos. Não estamos aqui pra engolir agenda gay.”

A política retrógrada brasileira busca rotular por gênero, sexo e cor simplesmente para obter votos. Uma das piores medidas do governo petista foi a criação das cotas raciais para universidades, o que apenas atesta que para eles o negro não tem capacidade de conquistar sua própria vaga nas universidades.

CONCORRÊNCIA NO OSCAR 2015

Havia uma expectativa de que o representante brasileiro pudesse concorrer com outro filme LGBT: o francês Azul é a Cor Mais Quente, de Abdellatif Kechiche. Fora da disputa no Oscar deste ano por ter sido lançado na França fora do prazo estipulado, o filme que aborda o relacionamento lésbico entre duas jovens foi recentemente abandonado pela comissão francesa, que preferiu lançar Saint Laurent, de Bertrand Bonello. Curiosamente, a produção que centra no universo da moda e na vida do estilista Yves Saint Laurent, também tem Léa Seydoux no elenco.

Saint Laurent, de Bertrand Bonello (photo by outnow.ch)

Helmut Berger em cena de Saint Laurent, de Bertrand Bonello (photo by outnow.ch)

Até o momento, a lista de representantes estrangeiros no Oscar 2015 está assim:

  • AFEGANISTÃO: A Few Cubic Meters of Love
    Dir: Jamshid Mahmoudi
  • ALEMANHA: Beloved Sisters
    Dir: Dominik Graf
  • ARGENTINA: Relatos Selvagens (Relatos Salvajes)
    Dir: Damián Szifrón
  • AUSTRÁLIA: Charlie’s Country
    Dir: Rolf de Heer
  • ÁUSTRIA: The Dark Valley
    Dir: Andreas Prochaska
  • AZERBAIJÃO: Nabat
    Dir: Elchin Musaoglu
  • BANGLADESH: Glow of the Firefly
    Dir: Khlaid Mahmood Mithu
  • BÉLGICA: Two Days, One Night
    Dir: Jean-Pierre e Luc Dardenne
  • BOLÍVIA: Forgotten
    Dir: Carlos Bolado
  • BÓSNIA HERZEGOVINA: With Mom
    Dir: Faruk Loncarevic
  • BRASIL: Hoje Eu Quero Voltar Sozinho
    Dir: Daniel Ribeiro
  • BULGÁRIA: Bulgarian Rhapsody
    Dir: Ivan Nitchev
  • CANADÁ: Mommy
    Dir: Xavier Dolan
  • CHILE: Matar um Homem
    Dir: Alejandro Fernández Almendras
  • CHINA: The Nightingale
    Dir: Philippe Muyl
  • COLÔMBIA: Mateo
    Dir: Maria Gamboa
  • CORÉIA DO SUL: Sea Fog
    Dir: Sung Bo Shim
  • COSTA RICA: Red Princesses
    Dir: Laura Astorga
  • CROÁCIA: Cowboys
    Dir: Tomislav Mrsic
  • CUBA: Conducta
    Dir: Ernesto Daranas
  • DINAMARCA: Sorrow and Joy
    Dir: Nils Malmros
  • EQUADOR: Silence in Dreamland
    Dir: Tito Molina
  • ESLOVÁQUIA: A Step Into the Dark
    Dir: Miloslav Luther
  • ESLOVÊNIA: Seduce Me
    Dir: Marko Santic
  • ESPANHA: Living is Easy with Eyes Closed
    Dir: David Trueba
  • ESTÔNIA: Tangerines
    Dir: Zaza Urushadze
  • ETIÓPIA: Difret
    Dir: Zeresenay Berhane Mehari
  • FILIPINAS: Norte, the End of History
    Dir: Lav Diaz
  • FINLÂNDIA: Concrete Night
    Dir: Pirjo Honkasalo
  • FRANÇA: Saint Laurent
    Dir: Bertrand Bonello
  • GEORGIA: Corn Island
    Dir: Giorgi Ovashvili
  • GRÉCIA: Little England
    Dir: Pantelis Voulgaris
  • HOLANDA: Accused
    Dir: Paula van der Oest
  • HONG KONG: The Golden Era
    Dir: Ann Hui
  • HUNGRIA: White God
    Dir: Kornél Mundruczó
  • ÍNDIA: Liar’s Dice
    Dir: Gheetu Mohandas
  • INDONÉSIA: Soekarno
    Dir: Hanung Bramantyo
  • IRÃ: Today
    Dir: Reza Mir-Karimi
  • IRAQUE: Mardan
    Dir: Batin Ghobadi
  • IRLANDA: The Gift
    Dir: Tommy Collins
  • ISLÂNDIA: Life in a Fishbowl
    Dir: Baldvin Zophoníasson
  • ISRAEL: Gett: The Trial of Viviane Amsalem
    Dir: Ronit Elkabetz, Shlomi Elkabetz
  • ITÁLIA: Human Capital
    Dir: Paolo Virzi
  • JAPÃO: The Light Shines Only There
    Dir: Mipo Oh
  • KOSOVO: Three Windows and a Hanging
    Dir: Isa Qosja
  • MACEDÔNIA: To the Hilt
    Dir: Stole Popov
  • LETÔNIA: Rocks in My Pockets
    Dir: Signe Baumane
  • LÍBANO: Ghadi
    Dir: Amin Dora
  • LITUÂNIA: The Gambler
    Dir: Ignas Jonynas
  • LUXEMBURGO: Never Die Young
    Dir: Pol Cruchten
  • MARROCOS: The Red Moon
    Dir: Hassan Benjelloun
  • MAURITÂNIA: Timbuktu
    Dir: Abderrahmane Sissako
  • MÉXICO: Cantinflas
    Dir: Sebastian del Amo
  • MOLDÁVIA: The Unsaved
    Dir: Igor Cobileanski
  • MONTENEGRO: The Boys from Marx and Engels Street
    Dir: Nikoa Vukcevic
  • NEPAL: Jhola
    Dir: Yadavkumar Bhattarai
  • NORUEGA: 1001 grams
    Dir: Bent Hamer
  • NOVA ZELÂNDIA: The Dead Lands
    Dir: Toa Fraser
  • PALESTINA: Eyes of a Thief
    Dir: Najwa Najjar
  • PANAMÁ: Invasion
    Dir: Abner Benaim
  • PAQUISTÃO: Dukhtar
    Dir: Afia Nathaniel
  • PERU: The Gospel of the Flesh
    Dir: Eduardo Mendoza de Echave
  • POLÔNIA: Ida
    Dir: Pawel Pawlikowski
  • PORTUGAL: E Agora? Lembra-me
    Dir: Joaquim Pinto
  • QUIRGUISTÃO: Kurmanjan Datka: Queen of the Mountains
    Dir: Sadyk Sher-Niyaz
  • REINO UNIDO: Little Happiness
    Dir: Nihat Seven
  • REPÚBLICA DOMINICANA: Cristo Rey
    Dir: Leticia Tonos
  • REPÚBLICA TCHECA: Fair Play
    Dir: Andrea Sedlackova
  • ROMÊNIA: The Japanese Dog
    Dir: Tudor Cristian Jurgiu
  • RÚSSIA: Leviatã (Leviathan)
    Dir: Andrey Zvyagintsev
  • SÉRVIA: See You in Montevideo
    Dir: Dragan Bjelogrlic
  • SINGAPURA: My Beloved Dearest
    Dir: Sanif Olek
  • SUÉCIA: Força Maior (Force Majeure)
    Dir: Ruben Ostlund
  • SUÍÇA: The Circle
    Dir: Stefan Haupt
  • TAILÂNDIA: Teacher’s Diary
    Dir: Nithiwat Tharathorn
  • TAIWAN: Ice Poison
    Dir: Midi Z
  • TURQUIA: Winter Sleep
    Dir: Nuri Bilge Ceylan
  • UCRÂNIA: The Guide
    Dir: Oles Sanin
  • URUGUAI: Mr. Kaplan
    Dir: Álvaro Brechner
  • VENEZUELA: Libertador
    Dir: Alberto Arvelo
Cena de Winter Sleep (photo by outnow.ch)

Um dos favoritos até o momento: o turco Winter Sleep, que venceu a Palma de Ouro 2014 (photo by outnow.ch)

Por enquanto, o turco Winter Sleep, que venceu a Palma de Ouro em Cannes este ano, larga na frente. Logo atrás, o canadense Mommy, que estava entre os indicados de Cannes, ganha notoriedade por seu jovem diretor Xavier Dolan, de 25 anos. Embora contenha elementos que afastam os votantes idosos da Academia como trilha musical bem pop com Dido e Counting Crows, a profundidade emocional extraída de seus atores pode ser um diferencial nesta disputa tão acirrada por uma vaga no Oscar. Existe ainda a possibilidade (mesmo que remota) da atriz de Mommy, Anne Dorval, participar de um burburinho na categoria de atriz. Também não é possível esquecer os irmãos belgas Dardenne. Embora Two Days, One Night não tenha conquistado prêmio algum em Cannes, ainda tem o poder de emocionar os votantes.

Anne Dorval em cena do canadense Mommy, de Xavier Dolan (photo by outnow.ch)

Anne Dorval em cena do canadense Mommy, de Xavier Dolan (photo by outnow.ch)

Entretanto, para alguns especialistas no gosto dos votantes do Oscar, o representante polonês tem ampla vantagem. Protagonizado por uma freira judia, Ida desenterra segredos do passado dela durante o Holocausto. Imagina se a maioria votante composta por judeus vai gostar?! Tudo que estiver relacionado à 2ª Guerra Mundial e/ou envolver judeus já contará com algum favoritismo. Prova disso é o último filme do Brasil a alcançar à semi-final: O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, que apresenta personagens da comunidade judaica em São Paulo. Sempre fui contra as regras da Academia em relação à esta categoria, pois praticamente limita os votos para idosos judeus, os únicos que conseguem assistir a todos os concorrentes em sessões vespertinas. Quando teremos um presidente da Academia que reformule tais regras arcaicas? Enfim, a Polônia tem sua chance de ouro, pois já foi indicada oito vezes ao Oscar de Filme Estrangeiro e nunca levou.

O polonês Ida, de Pawel Pawlikowski. Temática judia leva vantagem automática. (photo by outnow.ch)

O polonês Ida, de Pawel Pawlikowski. Temática judia leva vantagem automática. (photo by outnow.ch)

Outra nação que vive batendo na trave é o México, com as mesmas oito indicações. A última vez que concorreu foi em 2011 com Biutiful, de Alejandro González Iñárritu, que também já disputara com Amores Brutos em 2001. Este ano, o representante Cantiflas, de Sebastian del Amo, conta com o apoio da ótima bilheteria em solo americano de 6 milhões de dólares e por se tratar da vida do ator mexicano homônimo, que trabalhou ao lado de David Niven no clássico A Volta ao Mundo em Oitenta Dias, que faturou o Oscar de Melhor Filme em 1957.

Antes das indicações ao Oscar, haverá um corte para 9 semi-finalistas em janeiro. A 87ª cerimônia do Oscar acontecerá no dia 22 de fevereiro de 2015.