‘Mad Max: Estrada da Fúria’ é eleito o Melhor Filme pelo National Board of Review 2015

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Tom Hardy e Charlize Theron em cena de Mad Max: Estrada da Fúria, de George Miller (photo by cine.gr)

SUCESSO DE CRÍTICA E PÚBLICO SE CONSAGRA NO NBR

É uma surpresa, e ao mesmo tempo, não é. Surpresa porque é um blockbuster sendo eleito o melhor filme do ano. Quando foi a última vez que isso aconteceu? Em 1997 com Titanic? Mas não seria surpresa se levarmos em conta a qualidade excepcional do trabalho de George Miller.

Exceto talvez pelo roteiro mais simples, Mad Max: Estrada da Fúria apresenta uma visão extraordinária fílmica que há muito não se via, ainda mais depois de décadas de um cinema politicamente correto (pra não dizer chato) e mega econômico. Apesar de já ter realizado outros três filmes da série Mad Max, aos 70 anos, Miller consegue oferecer um futuro apocalíptico riquíssimo de conceitos, que vão desde os desastres naturais como a escassez da água, até as bizarrices de reprodução humana em cativeiro.

Com as idéias fluindo e tudo funcionando em perfeita sincronia: fotografia, direção de arte, trilha musical, som e efeitos sonoros, as sequências são de encher os olhos do espectador. Como se não bastasse, ainda temos uma performance corajosa de Charlize Theron como Furiosa, a lacaia que rebela contra seu mestre.

Acredito que o filme recebeu esse reconhecimento incomensurável por quebrar essa barreira do cinema comercial. Mad Max nos prova que é muito possível lançar um trabalho de sucesso comercial com qualidade autoral repleta de criatividade e coragem. É como se fosse uma forma de protesto/incentivo por parte da National Board of Review a todos os produtores e estúdios, para que eles repensem o cinema como Arte. Como digo sempre: o Cinema é uma Arte que precisa de inovações e criatividade para sobreviver. Precisa de artistas e profissionais como George Miller, que buscam contar uma história sem medo ou amarras de produtores mesquinhos mais interessados em números.

Enfim, foi um desabafo. Mas aplaudo o NBR, que coloca mais uma importante marca na sua História, já que premiou Cidadão Kane, de Orson Welles, As Vinhas da Ira, de John Ford, Crepúsculo dos Deuses, de Billy Wilder, e Um Lugar ao Sol, de George Stevens.

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Matt Damon como o botânico Mark Watney em Perdido em Marte, de Ridley Scott (photo by cine.gr)

De volta à edição deste ano, Perdido em Marte ficou com três prêmios: Melhor Diretor, Ator e Roteiro Adaptado. Assim que saí da sessão desse filme, pensei: “Que bacana que Ridley Scott está de volta!”. Após uma série de trabalhos inferiores, ele finalmente está se recuperando com uma ficção científica otimista (quem diria: o diretor de Alien!). A presidente da NBR, Annie Schulhof comentou: “2015 tem sido um ano de cinema mais popular. Estamos animados de premiar George Miller e Ridley Scott, dois cineastas icônicos em seus auges, enquanto celebramos também a próxima geração de talentos.” – Só quero abrir um pequeno parêntese: Mesmo assim, estou com medo desse boato de Blade Runner 2… Não mexe com o que já está perfeito!

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Brie Larson e Jacob Tremblay em cena de O Quarto de Jack, de Lenny Abrahamson

Em relação às atrizes, Brie Larson e Jennifer Jason Leigh, ok! Elas estão no bolo de prováveis indicadas ao Oscar. Mas Matt Damon e Sylvester Stallone são surpresas pra mim. Gosto do Damon, e ele realmente está bem no papel do astronauta abandonado de Perdido em Marte, mas acho que ele demonstra mais carisma do que atua de fato. Lembra-me um pouco o caso de Tom Hanks em Capitão Phillips: apesar de ter interpretado um personagem, continua sendo Tom Hanks. E também estou levando em consideração a forte concorrência com nomes como Eddie Redmayne (A Garota Dinamarquesa), Michael Fassbender (Steve Jobs) e Ian McKellen (Sr. Holmes). Quanto ao mito Stallone, ele deve ter apresentado uma faceta inédita do personagem Rocky que interpretou seis vezes. Confesso que meu interesse por Creed: Nascido Para Lutar era quase zero, mas depois dessa menção no NBR, estou bem curioso.

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Sylvester Stallone como Rocky Balboa e Michael B. Jordan como o filho de Apollo em Creed: Nascido Para Lutar (photo by cine.gr)

Entre os candidatos ao Oscar, o filme em língua estrangeira O Filho de Saul, a animação Divertida Mente e o documentário Amy venceram e dão mais um importante passo rumo ao prêmio da Academia, assim como Quentin Tarantino na categoria de Roteiro Original por seu novo western, Os 8 Odiados.

Já entre os mais prejudicados por não terem recebido nenhuma menção estão o drama Carol, As Sufragistas, Steve Jobs, A Garota Dinamarquesa, O Regresso e, por mais que estejam no Top 5, Spotlight e Ponte dos Espiões. Claro que ainda temos o NYFCC e o LAFCA dentro de poucos dias, mas ganhar aqui seria um belo início de temporada.

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Alan Alda em cena com Tom Hanks e Amy Ryan em Ponte dos Espiões (photo by cine.gr)

E a corrida pelo Oscar de Filme em Língua Estrangeira ficou mais interessante para o Brasil com Que Horas Ela Volta? no Top 5 da categoria. A ‘dramédia’ de Anna Muylaert estrelada por Regina Casé começa a temporada de premiações com o pé direito após conquistar reconhecimento em Berlim e Sundance no primeiro semestre. Claro que será bastante difícil bater o franco favorito húngaro O Filho de Saul, mas se conquistar uma das cinco vagas no Oscar, já será um feito tremendo para o cinema nacional.

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À esquerda, Camila Márdila contracena com Regina Casé. Elas interpretam filha e mãe, respectivamente, em Que Horas Ela Volta? (photo by outnow.ch)

Seguem todos os vencedores do NBR 2015:

MELHOR FILME:  Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road)
MELHOR DIRETOR:  Ridley Scott (Perdido em Marte)
MELHOR ATOR:  Matt Damon (Perdido em Marte)
MELHOR ATRIZ: Brie Larson (O Quarto de Jack)
MELHOR ATOR COADJUVANTE:  Sylvester Stallone (Creed: Nascido Para Lutar)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE:  Jennifer Jason Leigh (Os 8 Odiados)
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL:  Quentin Tarantino (Os 8 Odiados)
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO:  Drew Goddard (Perdido em Marte)
MELHOR LONGA DE ANIMAÇÃO:  Divertida Mente (Inside Out)
MELHOR REVELAÇÃO:  Abraham Attah (Beasts of No Nation) & Jacob Tremblay (O Quarto de Jack)
MELHOR DIRETOR ESTREANTE:  Jonas Carpignano (Mediterranea)
MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA:  O Filho de Saul (Saul Fia)
MELHOR DOCUMENTÁRIO:  Amy (Amy)
MELHOR ELENCO:  A Grande Aposta (The Big Short)
Spotlight Award:  Sicario: Terra de Ninugém (Sicario) – pela incrível visão colaborativa
PRÊMIO NBR Freedom of Expression: Beasts of No Nation & Mustang
PRÊMIO William K. Everson Film History:  Cecilia DeMille Presley – Neta do lendário Cecil B. DeMille, pela preservação de filmes

Top Filmes
Ponte dos Espiões (Bridge of Spies)
Creed: Nascido Para Lutar (Creed)
Os 8 Odiados (The Hateful Eight)
Divertida Mente (Inside Out)
Spotlight
Perdido em Marte (The Martian)
O Quarto de Jack (Room)
Sicario: Terra de Ninguém (Sicario)
Straight Outta Compton: A História do N.W.A. (Straight Outta Compton)

Top 5 Filmes em Língua Estrangeira
Goodnight Mommy (Ich seh, Ich seh)
Mediterranea
Phoenix
Que Horas Ela Volta? (The Second Mother)
A Gangue (Plemya)

Top 5 Documentários
Best of Enemies
The Black Panthers: Vanguard of the Revolution
The Diplomat
Listen to Me Marlon
The Look of Silence

Top 10 Filmes Independentes
’71
45 Anos (45 Years)
Cop Car
Ex-Machina: Instinto Artificial (Ex Machina)
Grandma
Corrente do Mal (It Follows)
James White
Mississippi Grind
Welcome to Me
Enquanto Somos Jovens (While We’re Young)

A cerimônia de entrega dos prêmios será no dia 05 de janeiro em Nova York.

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Cena do filme ucraniano A Gangue, totalmente em língua de sinais (photo by outnow.ch)

National Board of Review 2014 surpreende e coloca ‘A Most Violent Year’ no mapa

Cena de A Most Violent Year, com Jessica Chastain e Oscar Isaac

Cena de A Most Violent Year, com Jessica Chastain e Oscar Isaac: ambos vencedores dos prêmios de atuação

FILME SOBRE VIOLENTO ANO DE 1981 DE NOVA YORK BATE FORTE CONCORRÊNCIA 

Se em anos anteriores, havia um papo de que não havia favoritos, este ano então a competição está mais do que nivelada. Semana passada, o Hollywood Film Awards premiou Garota Exemplar como Melhor Filme, mas foi O Jogo da Imitação que levou mais prêmios, incluindo Melhor Diretor e Ator (Benedict Cumberbatch). Na mesma semana, Birdman foi o recordista de indicações no 30º Independent Spirit Awards. Aí, na segunda-feira passada, o NYFCC elegeu Boyhood: Da Infância à Juventude como melhor filme de 2014, com seu diretor Richard Linklater premiado. Os especialistas estavam com expectativas de que Birdman ou O Jogo da Imitação retomariam a frente com o NBR, mas eles resolveram ousar e apostar no novo filme do promissor J.C. Chandor (dos elogiados Margin Call – Um Dia Antes do Fim e Até o Fim).

A presidente da organização, Annie Schulhof, argumentou em entrevista à Variety que como National Board of Review não tem histórico de servir necessariamente de parâmetro para o Oscar, teria maior liberdade de escolha. “Acho que o que podemos fazer é destacar um filme e uma performance porque anunciamos cedo. Quando você tem um filme como ‘A Most Violent Year’, nós colocamos os holofotes sobre ele. Não nos vemos como um guia. Vejo-nos dando uma ascensão para outros filmes e performances que podem não estar no bolo agora”, defendeu Annie.

Em relação à escolha, ela continua: “Isto é o que o grupo sentiu que era o melhor filme. Alguns anos atrás, J.C. Chandor venceu nosso prêmio de diretor estreante com ‘Margin Call – Um Dia Antes do Fim’. Tem uma história atrativa. Tem um estilo cinemático elegante”.

A organização formada por 126 cinéfilos de Nova York também premiou seus atores: Oscar Isaac (Melhor Ator) e Jessica Chastain (Atriz Coadjuvante), mas o prêmio de direção foi para o veterano Clint Eastwood por Sniper Americano, demonstrando que ainda está longe de ser carta fora do baralho. Julianne Moore vem confirmando seu favoritismo para Melhor Atriz com Still Alice, no qual interpreta uma mulher com Mal de Alzheimer; Michael Keaton por Birdman, que divide o prêmio de  Melhor Ator com Oscar Isaac; e Edward Norton como coadjuvante também por Birdman voltam a ser reconhecidos.

À esquerda, Bradley Cooper conversa com o diretor Clint Eastwood em set de Sniper Americano (photo by outnow.ch)

À esquerda, Bradley Cooper conversa com o diretor Clint Eastwood em set de Sniper Americano (photo by outnow.ch)

Vale citar aqui que o filme que mais tem perdido espaço até o momento é Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo. O filme recebeu o prêmio de Direção no Festival de Cannes para Bennett Miller no longínquo mês de maio, mas nas últimas semanas, só tem ganhado prêmios especiais pelo elenco para o trio formado por Channing Tatum, Steve Carell e Mark Ruffalo. Os últimos dois são considerados praticamente indicados pela Academia, mas se não houver uma sobrevida nas indicações ao Globo de Ouro, será difícil recuperar-se a tempo. Não conseguiram nem ganhar Melhor Elenco aqui no NBR, conquistado pelo elenco de Corações de Ferro!

Como a presidente do NBR disse, esses prêmios de críticos não têm o papel ou função de servir como prévia de Oscar e Globo de Ouro. Eles funcionam de forma independente e aparentemente sem nenhum interesse secundário senão o de reconhecer os melhores trabalhos sem ajuda de lobby de distribuidoras. Se vão ou não ser indicados, são “outros quinhentos”, mas tenho certeza de que esses críticos adorariam ver seus eleitos na lista de indicados da Academia. Seria uma espécie de recompensa gratificante pela lembrança nesse início da temporada de premiações, como se eles fossem responsáveis por suas descobertas artísticas.

O bacana da lista do NBR são os TOPs para Filme, Filme Estrangeiro, Documentário e Filme Independente. Todos são vencedores, pois não tem uma ordem de qualidade, ao mesmo tempo em que consegue abranger mais produções que dificilmente faturariam um prêmio oficial como Expresso do Amanhã e The Skeleton Twins.

Já o vencedor de Filme em Língua Estrangeira foi para o argentino Relatos Selvagens, de Damián Szifrón. Uma ótima reunião de histórias curtas que têm em comum situações extremas e personagens vingativos, mas sem ser piegas ou dramático, provando mais uma vez que o cinema hermano está anos luz à frente do brasileiro, que atualmente vive das comédias de tônicas dos anos 80 com cara de novelas da Globo. Quem ainda não teve a oportunidade de conferir, vá até o cinema e divirta-se. Está firme e forte em cartaz nas salas de São Paulo após mais de um mês!

Cena inicial de Relatos Selvagens: uma história para conquistar qualquer espectador (photo by elfilm.com)

Cena inicial de Relatos Selvagens: uma história para conquistar qualquer espectador (photo by elfilm.com)

Como cinéfilo e acompanhante das escolhas dos críticos, confesso que são os prêmios que mais gosto de saber o resultado pela pureza das escolhas. E entre os três principais (NBR, NYFCC e LAFCA), o que mais gosto é o LAFCA, Los Angeles Film Critics Association, por seu histórico de filmes de qualidade bem reconhecidos. Claro que é impossível agradar 100%, mas do meu ponto de vista, é a organização que “menos erra”. O anúncio do LAFCA será no próximo dia 07. Já a cerimônia de entrega do NBR será no dia 06 de janeiro em Nova York.

Confira lista completa dos vencedores do National Board of Review 2014:

FILME: A Most Violent Year, de J.C. Chandor

DIRETOR: Clint Eastwood (Sniper Americano)

ATOR (Empate): Oscar Isaac (A Most Violent Year) e Michael Keaton (Birdman)

ATRIZ: Julianne Moore (Still Alice)

Julianne Moore como Dra. Alice Howland em Still Alice (photo by elfilm.com)

Julianne Moore como Dra. Alice Howland em Still Alice (photo by elfilm.com)

ATOR COADJUVANTE: Edward Norton (Birdman)

ATRIZ COADJUVANTE: Jessica Chastain (A Most Violent Year)

ROTEIRO ORIGINAL: Phil Lord e Christopher Miller (Uma Aventura Lego)

ROTEIRO ADAPTADO: Paul Thomas Anderson (Vício Inerente)

ANIMAÇÃO: Como Treinar Seu Dragão 2, de Dean DeBlois

PERFORMANCE REVELAÇÃO: Jack O’Connell (Starred Up e Invencível)

ESTRÉIA NA DIREÇÃO: Gillian Robespierre (Obvious Child)

FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA: Relatos Selvagens (Relatos Salvajes), de Damián Szifrón – ARGENTINA

DOCUMENTÁRIO: Life Itself – A Vida de Roger Ebert (Life Itself), de Steve James

PRÊMIO WILLIAM K. EVERSON FILM HISTORY: Scott Eyman

ELENCO: Corações de Ferro (Fury)

PRÊMIO SPOTLIGHT: Chris Rock por escrever, dirigir e estrelar Top Five

PRÊMIO NBR Freedom of Expression: Rosewater

PRÊMIO NBR Freedom of Expression: Selma

Gael García Bernal em cena de Rosewater, filme de estréia de Jon Stewart, apresentador do The Daily Show (photo by outnow.ch)

Gael García Bernal em cena de Rosewater, filme de estréia de Jon Stewart, apresentador do The Daily Show (photo by outnow.ch)

TOP 10 FILMES
Sniper Americano (American Sniper)
Birdman
Boyhood: Da Infância à Juventude (Boyhood)
Corações de Ferro (Fury)
Garota Exemplar (Gone Girl)
O Jogo da Imitação (The Imitation Game)
Vício Inerente (Inherent Vice)
Uma Aventura Lego (The Lego Movie)
O Abutre (Nightcrawler)
Invencível (Unbroken)

Cena de Invencível, segundo filme de Angelina Jolie como diretora (photo by elfilm.com)

Cena de Invencível, segundo filme de Angelina Jolie como diretora (photo by elfilm.com)

TOP 5 FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
Força Maior (Force Majeure) – SUÉCIA
Gett: The Trial of Vivian Amsalem – ISRAEL
Leviatã (Leviafan) – RÚSSIA
Dois Dias, Uma Noite (Deux Jours, Une Nuit) – BÉLGICA
Nós Somos as Melhores! (Vi är bäst!) – SUÉCIA

Vencedor do prêmio de roteiro em Cannes, o russo Leviatã é um dos melhores filmes de 2014 (photo by outnow.ch)

Vencedor do prêmio de roteiro em Cannes, o russo Leviatã é um dos melhores filmes de 2014 (photo by outnow.ch)

TOP 5 DOCUMENTÁRIOS
Art and Craft
Duna de Jodorowsky (Jodorowsky’s Dune)
Keep On Keepin’ On
The Kill Team
Last Days in Vietnam

TOP 10 FILMES INDEPENDENTES
Blue Ruin
Locke
O Homem Mais Procurado (A Most Wanted Man)
Sr. Turner (Mr. Turner)
Obvious Child
The Skeleton Twins
Expresso do Amanhã (Snowpiercer)
Stand Clear of the Closing Doors
Starred Up
Still Alice

Cena do independente Obvious Child, reconhecida entre os 10 melhores (photo by elfilm.com)

Cena do independente Obvious Child, reconhecida entre os 10 melhores (photo by elfilm.com)

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