‘GREEN BOOK’ BATE ‘ROMA’ e LEVA o OSCAR DE MELHOR FILME!

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Equipe de Green Book comemora a vitória no Oscar (pic by Variety)

Tinha tudo para ser uma cerimônia extremamente chata e monótona, já que não haveria host ou hostess, e com os resultados aparentemente previsíveis. E realmente foi na primeira metade do show, mas a partir da segunda metade, o Oscar esquentou um pouco, começando com a apresentação da canção “Shallow”. Sério! Antes disso, estava tudo um marasmo.

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Assim que anunciados os nomes, Lady Gaga e Bradley Cooper se levantaram de suas poltronas para cantar “Shallow” num belo dueto (pic by Variety)

Mas vamos começar com o lance do host. Para muitos, o anfitrião não fez falta alguma. E eu digo: “Como assim, gente?”. Ok, teve gente que preferiu aquele showzinho meia-boca do Queen B com Adam Lambert não chegando aos pés de Freddie Mercury. Enfim, gosto não se discute. Mas quando se assiste ao Oscar, não vemos apenas pelos resultados, afinal, se fosse só isso, bastaria acordar no dia seguinte e ver os vencedores no jornal sem as olheiras no rosto, certo? Eu, que particularmente comecei a acompanhar o Oscar com Billy Crystal que cantava e fazia inúmeras piadas ótimas, senti falta de um host, mas um bom.

Porque se for pra ser uma tragédia como aquela chamada James Franco e Anne Hathaway em 2011 preferia que não tivesse hosts, mas peraí: “Vamos aguentar mais de três horas de apresentadores fazendo piadinhas sem graça antes de abrir o envelope?”. Melhor esperar o jornal. Um evento desse tamanho e dessa importância não se sustenta com uma locutora anunciando os apresentadores. Cadê os sketches, as brincadeiras, a interação com as celebridades? Aliás, faço já a campanha para o Oscar 2020 com Ricky Gervais, Sacha Baron Cohen, Jim Carrey… todos que podem entregar boas piadas com pitadas ou toneladas de humor politicamente incorreto, porque o mundo está chato demais. Voltando e resumindo: prefiro o host no lugar do show do Queen B, que mais agradou quem estava na platéia.

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Maya Rudolph, Tina Fey e Amy Poehler apresentaram o primeiro Oscar da noite, mas poderia ter sido o trio de hostess da cerimônia… (pic by People)

A meta de horário de 3 horas do presidente da Academia foi praticamente cumprida. O 91º Oscar teve duração aproximada de 3 horas e 15 minutos com os intervalos. Economizaram no tempo e no entretenimento. Na maioria das vezes eles pegavam no pé sobre a duração do discurso e simplesmente cortavam o microfone e apagavam as luzes, já nas categorias de atuação, eles deixavam rolar o máximo que dava como era previsto.

NÚMEROS DESTA EDIÇÃO

Embora Green Book: O Guia tenha sido eleito o Melhor Filme com 3 estatuetas, incluindo Roteiro Original e Ator Coadjuvante, o filme com maior número de prêmios da noite foi Bohemian Rhapsody, que levou 4 Oscars para casa: Ator, Montagem, Mixagem de Som e Efeitos Sonoros.

Também com 3 estatuetas ficaram: Pantera Negra, que se destacou pelas vitórias históricas de Direção de Arte e Figurino, com as profissionais Hannah Beachler e Ruth E. Carter se tornando as primeiras negras a vencer, respectivamente, além de Trilha Original. E Roma, que apesar de não ter levado Melhor Filme, ficou com os Oscars de Direção, Fotografia e Filme em Língua Estrangeira, denotando que Hollywood ainda vai levar um tempo para digerir melhor essa história de Netflix e filmes em outra língua ganhando prêmio principal do ano.

91st Annual Academy Awards - Show

A primeira figurinista negra a ganhar o Oscar de Figurino pelo filme Pantera Negra (pic by EW.com)

Ainda sobre estatísticas, vale ressaltar que Roma foi a primeira vitória do Oscar de Filme em Língua Estrangeira para o México. Esta era a nona indicação do cinema mexicano na categoria e que se tornou a primeira vitória. Assim como no ano passado, o Oscar premiou um filme latino pela primeira vez, já que Uma Mulher Fantástica coroou o Chile pela primeira vez.

Ainda sobre primeira vez, o Oscar concedido para Homem-Aranha no Aranhaverso foi o primeiro do estúdio Sony, em parceria com a Marvel Studios. Apesar de ser grande fã dos trabalhos da Pixar, é sempre bom quebrar uma hegemonia com animações fora da curva. O visual desta adaptação de Homem-Aranha foi bastante elogiada e com méritos, deixando uma crítica indireta ao visual padrão dos filmes da Pixar.

SURPRESAS DA NOITE

A grande surpresa da noite se chama Olivia Colman. Apesar de ter havido uma pequena chance de vitória, poucos acreditavam que haveria outra vencedora que não fosse Glenn Close em sua sétima indicação sem vitória, ainda mais quando a vimos desfilar no tapete vermelho com aquele vestido dourado Oscar com capa de super-heroína. Dava para perceber que Close estava bem confiante em sua primeira vitória, o que torna ainda mais dolorosa sua derrota.

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Olivia Colman chega a fazer deboche do cronômetro do Oscar em seu discurso bem humorado de Melhor Atriz por A Favorita (pic by UOL Entretenimento)

A coisa só não ficou pior porque Olivia Colman é um doce de pessoa. Além de extremamente humilde, ela tem um carisma britânico singular que se torna impossível de não gostar dela. E para quem assistiu ao filme A Favorita sabe que sua interpretação era digna de um Oscar. Em seu discurso, ela presta homenagens sinceras às colegas indicadas, especialmente Glenn, e por último para Gaga. Todos se levantaram para aplaudi-la. Foi realmente uma surpresa agradável.

Quanto à Glenn Close, é o que eu disse no post do Facebook: independente do resultado, torço para que esta nova indicação lhe traga maior projeção e papéis mais instigantes e profundos. Esta atriz talentosa e carismática tem que ganhar o Oscar dela, sim. Ela só não ganhou hoje porque muitos tinham a opinião de que ela merece ganhar por um filme melhor do que A Esposa, de fato. Estou torcendo para que um diretor de renome e em alta como Damien Chazelle, Martin Scorsese ou Clint Eastwood tenham uma personagem feita sob medida para ela poder brilhar e ganhar seu primeiro Oscar com louvor.

Também se encaixaria aqui a vitória surpreendente de Green Book: O Guia, mesmo com o prêmio do sindicato de produtores (PGA) debaixo do braço. Apesar de estar rodeado de polêmicas externas envolvendo o roteirista Nick Vallelonga e o diretor Peter Farrelly, o sistema de votos preferenciais beneficiou este filme agridoce sobre racismo, afinal, costuma ganhar aquele filme que menos desagradou os membros da Academia em geral. Agora fica a questão: Você alguma vez imaginou que veria o diretor de Debi & Lóide: Dois Idiotas em Apuros e Quem Vai Ficar com Mary? ganhando o Oscar de Melhor Filme? Eu sou suspeito para falar porque gosto do humor politicamente incorreto dele, especialmente em Antes Só que Mal Casado.

CURIOSIDADES

Nos quatro discursos de agradecimento do filme Bohemian Rhapsody, ninguém sequer citou o nome do diretor Bryan Singer, que foi demitido da produção a duas semanas do término das filmagens por motivos investigativos de assédio sexual. Claro que ninguém quer sarna pra se coçar, ainda mais se estragar uma campanha de Oscar, mas honestamente acreditava que John Ottman, colaborador de longa data de Singer, mencionaria pelo menos o nome de seu colega, mas, como se estivessem impedidos por contrato a citar o nome dele, Singer permaneceu como diretor-fantasma no Oscar.

Rami Malek foi o que mais atacou o diretor na campanha para o Oscar, pois teria creditado a si mesmo pela saída benéfica de Singer para o bem do filme. A atitude agressiva do ator só foi deixada de lado graças ao seu belo discurso de agradecimento, que enalteceu suas origens e as origens estrangeiras de Freddie Mercury num momento em que os EUA enfrentam um dilema de xenofobia. “Penso como seria contar ao pequeno Rami que um dia isso aconteceria com ele, e acho que a mente dele explodiria. Aquela criança estava lutando contra sua identidade, tentando se descobrir, e para qualquer um que estiver lutando e tentando descobrir sua voz, ouça isso, nós fizemos um filme sobre um homem gay, um imigrante, que viveu sua vida sem pedir desculpas. E o fato de eu estar celebrando-o e sua história com vocês hoje é a prova que estamos ansiando por histórias como esta.”, falou Malek.

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Rami Malek sequer cita o diretor Bryan Singer em seu discurso de Melhor Ator por Bohemian Rhapsody (pic by  Exame Abril)

Sobre a categoria de Melhor Canção Original, que gerou toda a polêmica das duas canções apresentadas na cerimônia, a Academia fez questão que todas as cinco canções fossem apresentadas como manda o figurino, mas de última hora, os músicos Kendrick Lamar e SZA cancelaram suas participações alegando motivos de logística e de tempo curto. Se serve de consolo, eles também não se apresentaram no Grammy deste ano pela canção “All the Stars” de Pantera Negra.

Ainda sobre as canções, Bette Midler cantou “The Place Where Lost Things Go” de O Retorno de Mary Poppins porque Emily Blunt, que canta a música no filme, teria arregado. Falta de confiança ou muitos efeitos na gravação? O fato é que ninguém mais lembra quem é Bette Midler na fila do pão. Por que não convocar uma cantora mais atual com sotaque britânico como Jessie J, por exemplo, sei lá. Não queriam aumentar os números de audiência??

E pensando na estratégia de melhorar a audiência, não entendi a convocação de tantos nomes pouco conhecidos como Diego Luna, Amandla Stenberg e até a tenista Serena Williams (!) ou desconhecidos como o Chef José Andrés e o congressista John Lewis.

Na sessão In Memorian, apresentada pelo presidente da Academia, John Bailey, o clipe com os profissionais e artistas falecidos no último ano incluíram nomes oscarizados como os diretores Bernardo Bertolucci e Milos Forman, mas para quem prestou atenção, a Academia lembrou do diretor brasileiro Nelson Pereira dos Santos, que ficou conhecido por Rio, 40 Graus, e pela adaptação de Vidas Secas. Apesar de nunca ter sido indicado ao Oscar, foi indicado algumas vezes para o Urso de Ouro em Berlim e a Palma de Ouro em Cannes ao longo da carreira.

Nelson Pereira dos Santos

Imagem do diretor brasileiro homenageado pela Academia no In Memorian (pic by The Visuallized)

COMENTÁRIOS EXTRAS

Já que não tinha host e o tempo era curto, por que não surpreender mais nos resultados? Apesar de Mahershala Ali estar bem em Green Book, este foi seu segundo Oscar em três anos depois de Moonlight. Não poderiam ter reconhecido a atuação de Richard E. Grant por Poderia Me Perdoar? Além de uma ótima atuação, seu personagem é muito querido, tem ótimos diálogos e excelente química com a protagonista vivida por Melissa McCarthy.

Foi bacana ver Spike Lee extremamente feliz e realizado ao vencer seu primeiro Oscar competitivo (ele havia sido homenageado com o Oscar Honorário em 2016) por Infiltrado na Klan. A alegria que ele sentiu ao subir o palco e pular sobre o ator Samuel L. Jackson foi um dos melhores momentos da noite. Claro que o diretor aproveitou para dar suas cutucadas ao lembrar que era aniversário de 400 anos da chegada dos escravos africanos nos EUA, e que “A eleição presidencial de 2020 estava logo ali. Vamos todos nos mobilizar. Vamos todos estar do lado certo da história. Fazer a escolha moral entre amor contra ódio.”, declarou Spike Lee, um crítico ferrenho de Donald Trump.

E quando soube que Green Book levou o Oscar de Melhor Filme, alegou que a Academia “fez uma escolha infeliz” e tentou abandonar o Dolby Theater antes do fim do discurso dos produtores, mas teve que voltar. “Toda vez que alguém está dirigindo alguém, eu perco”, comentou em alusão à sua derrota em 1990 para Conduzindo Miss Daisy. Nem ele, nem Jordan Peele aplaudiram para Green Book, que consideram aquela típica história do “branco salvador”.

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Spike Lee era puro êxtase em sua vitória de Roteiro Adaptado por Infiltrado na Klan (pic by New York Daily News)

VENCEDORES DO 91º OSCAR :

FILME
* Green Book: O Guia (Green Book)

DIREÇÃO
* Alfonso Cuarón (Roma)

ATOR
* Rami Malek (Bohemian Rhapsody)

ATRIZ
* Olivia Colman (A Favorita)

ATOR COADJUVANTE
* Mahershala Ali (Green Book: O Guia)

ATRIZ COADJUVANTE
* Regina King (Se a Rua Beale Falasse)

ROTEIRO ORIGINAL
* Green Book: O Guia, Brian Hayes Currie, Peter Farrelly, Nick Vallelonga

ROTEIRO ADAPTADO
* Infiltrado na Klan, Charlie Wachtel, David Rabinowitz, Kevin Willmott e Spike Lee

FOTOGRAFIA
* Roma, Alfonso Cuarón

MONTAGEM
* Bohemian Rhapsody, John Ottman

DESENHO DE PRODUÇÃO
* Pantera Negra, Hannah Beachler e Jay Hart

FIGURINOS
* Pantera Negra, Ruth E. Carter

MAQUIAGEM
* Vice, Greg Cannom, Kate Biscoe, Patricia Dehaney

TRILHA MUSICAL ORIGINAL
* Pantera Negra, Ludwig Göransson

CANÇÃO ORIGINAL
* “Shallow”, Nasce uma Estrela (escrita por Lady Gaga, Mark Ronson, Anthony Rossomando e Andrew Wyatt)

MIXAGEM DE SOM
* Bohemian Rhapsody

EDIÇÃO DE SOM
* Bohemian Rahpsody

EFEITOS VISUAIS
* O Primeiro Homem

ANIMAÇÃO
* Homem-Aranha no Aranhaverso

DOCUMENTÁRIO
* Free Solo

FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
* Roma (México)

CURTA-METRAGEM
* Skin

CURTA DE ANIMAÇÃO
* Bao

DOCUMENTÁRIO-CURTA
* Absorvendo o Tabu (Period. End of Sentence.)

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ACADEMIA DIVULGA PRÉ-LISTA de SELECIONADOS em 9 CATEGORIAS! COMO ESPERADO, BRASIL ESTÁ FORA DA CORRIDA…

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ACADEMIA RESOLVE FAZER UMA PENEIRA FORTE EM NOVE CATEGORIAS

Pela primeira vez na longeva história da Academia, divulgaram as short lists em nova categorias ao mesmo tempo. E pela primeira vez desde 1979, anunciaram a pré-lista nas categorias musicais. Portanto, com essa dança das cadeiras, alguns profissionais comemoraram a sobrevivência de chances no Oscar, e muitos outros já deram adeus.

E os números são bem expressivos dessas listas de corte. Na categoria de Filme em Língua Estrangeira, dos 87 inscritos, sobraram apenas nove, enquanto em Melhor Documentário, dos 166 inscritos, 15 continuam na luta. Pelas categorias de Trilha e Canção, de centenas passaram para 15 por categoria.

Em relação às categorias de curtas (documentário, animação e live action), praticamente todos somos Gloria Pires, não podemos opinar. Mas em relação às demais, dá pra comentar um pouco sobre.

Vamos às listas?

DOCUMENTÁRIO-CURTA
Black Sheep
End Game
Lifeboat
Los Comandos
My Dead Dad’s Porno Tapes*
A Night at the Garden
Period. End of Sentence.
’63 Boycott
Women of the Gulag
Zion

* Esse título que já havia me chamado a atenção desde o começo do ano. O diretor quis descobrir mais sobre o falecido pai através de objetos pessoais, inclusive uma pilha de fitas VHS de filmes pornográficos. Não sei se tem chances no Oscar, mas seria engraçado no mínimo.

My Dead Dad's Porno Tapes

My Dead Dad’s Porno Tapes, de Charlie Tyrell (pic by IMDb)

CURTA DE ANIMAÇÃO
Age of Sail
Animal Behaviour
Bao
Bilby
Bird Karma
Late Afternoon
Lost & Found
One Small Step
Pépé le Morse
Weekends

Obviamente, não podia faltar o curta-metragem Bao, que foi exibido nos cinemas antes do filme Os Incríveis 2. A Pixar sempre marca forte presença nessa categoria. Além da qualidade do material, eles tiveram essa brilhante idéia de passar seus curtas para o público em geral nas sessões de seus longas. Em relação ao curta em si, particularmente, acho bem sensível a idéia, mas poderiam dispensar a transformação do dumpling em ser humano. A metáfora já estava compreendida.

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Cena do curta de animação Bao (pic by Disney/Pixar)

CURTA-METRAGEM
Caroline
Chuchotage
Detainment
Fauve
Icare
Marguerite
May Day
Mother
Skin
Wale

DOCUMENTÁRIO
Charm City
Communion
Crime + Punishment
Dark Money
The Distant Barking of Dogs
Free Solo
Hale County This Morning, This Evening
Minding the Gap
Of Fathers and Sons
On Her Shoulders
RBG
Shirkers
The Silence of Others
Three Identical Strangers
Won’t You Be My Neighbor?

Felizmente, todos os documentários premiados até agora parecem estar nessa pré-lista. Por enquanto, o mais forte candidato é o Won’t You Be My Neighbor?, sobre as lições e legado de um apresentador de programa de TV infantil. Entre outros premiados estão o Hale Country This Morning This EveningMinding the Gap, RBG (sobre uma juíza americana que se tornou um ícone pop, e vale lembrar que o filme está na lista das canções também), Three Identical Strangers, Free Solo, Crime+Punishment e Shirkers, que já está disponível na Netflix e vale a pena dar uma olhada.

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O apresentador Fred Rogers em cena do documentário Won’t You Be My Neighbor? (pic by IMDb)

VISUAL EFFECTS
Homem-Formiga e a Vespa
Vingadores: Guerra Infinita
Pantera Negra
Christopher Robin
O Primeiro Homem
Jurassic World: Reino Ameaçado
O Retorno de Mary Poppins
Jogador Nº1
Han Solo: Uma História Star Wars
Bem-Vindos a Marwen

Bom, em primeiro lugar, acho um desaforo Jurassic World: Reino Ameaçado estar nessa lista. Além dos efeitos não apresentarem nada de novo (daqui a pouco até eu vou saber criar dinossauros em 3D), o filme é de uma gratuidade lucrativa asquerosa. Você assiste e não se importa com ninguém, e quer que todo mundo morra logo.

Enfim, dessa lista, O Primeiro Homem e Jogador Nº 1 parecem ser os mais fortes. Os efeitos de O Retorno de Mary Poppins parecem se assemelhar bastante com os efeitos da década de 60, mas vale lembrar que na época o filme foi um marco nos efeitos e ganhou o Oscar de Efeitos Visuais. E Vingadores: Guerra Infinita e Pantera Negra devem consolidar suas indicações por causa dos números nas bilheterias. Particularmente, considero os efeitos de Pantera Negra meio ruinzinhos. Já os efeitos de Bem-Vindos a Marwen são mais interessantes, já que transformar os atores em bonecos semelhantes às Barbies.

Welcome to Marwen_

Janelle Monáe e Steve Carell como bonecos em Bem-Vindos a Marwen (pic by IMDb)

MAQUIAGEM E CABELO
Pantera Negra
Bohemian Rhapsody
Border
Duas Rainhas
Stan & Ollie
Suspiria
Vice

Sempre fui a favor de maquiagens transformadoras ganharem o Oscar, tipo os trabalhos fenomenais do já aposentado Rick Baker, que fez Um Lobisomem Americano em Londres, O Grinch e Homens de Preto, porque essa coisa de colar um bigodezinho, passar um pózinho na cara e despentear o cabelo não é lá muito evidente pra ganhar esse prêmio.

Nesse quesito de transformação, eu diria que Suspiria sai na frente. Tilda Swinton interpreta três personagens e um deles é um senhor de idade. E você sabe o que aconteceu da última vez que Swinton se transformou numa idosa? O Grande Hotel Budapeste ganhou o Oscar.

Tilda Swinton Suspiria_

Sim, é a Tilda Swinton em Suspiria (pic by IMDb)

Também vale citar o Stan & Ollie, no qual John C. Reilly desaparece na maquiagem que o transforma no comediante Oliver Hardy. Já em Vice, embora temos muito do esforço descomunal de Christian Bale engordar, temos um trabalho de maquiagem de envelhecimento no seu personagem e de Amy Adams, pelo menos.

Já no quesito bigode e pózinho, a ausência de A Favorita se faz notar aqui.

TRILHA MUSICAL ORIGINAL
Aniquilação
Vingadores: Guerra Infinita
The Ballad of Buster Scruggs
Pantera Negra
Infiltrado na Klan
Podres de Ricos
A Morte de Stalin
Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindewald
O Primeiro Homem
Se a Rua Beale Falasse
Ilha dos Cachorros
O Retorno de Mary Poppins
Um Lugar Silencioso
Jogador Nº 1
Vice

Duas trilhas que dá pra garantir indicação são de O Primeiro Homem (Justin Hurwitz) e Se a Rua Beale Falasse (Nicholas Britell). Acredito também nas indicações de Alan Silvestri por Jogador Nº 1 e de Alexandre Desplat por Ilha dos Cachorros. Se John Williams estivesse na lista, eu o incluiria porque ele é sempre hors-concours na Academia. Pela quinta vaga, eu arriscaria Ludwig Göransson (Pantera Negra) ou Terence Blanchard (Infiltrado na Klan), se bem que Marc Shaiman pode ser lembrado por O Retorno de Mary Poppins.

CANÇÃO ORIGINAL
“When A Cowboy Trades His Spurs For Wings” (The Ballad of Buster Scruggs)
“Treasure” (Querido Menino)
“All The Stars” (Pantera Negra)
“Revelation” (Boy Erased: Uma Verdade Anulada)
“Girl In The Movies” (Dumplin’)
“We Won’t Move” (O Ódio que Você Semeia)
“The Place Where Lost Things Go” (O Retorno de Mary Poppins)
“Trip A Little Light Fantastic” (O Retorno de Mary Poppins)
“Keep Reachin’” (Quincy)
“I’ll Fight” (RBG)
“A Place Called Slaughter Race” (WiFi Ralph: Quebrando a Internet)
“OYAHYTT” (Sorry to Bother You)
“Shallow” (Nasce uma Estrela)
“Suspirium” (Suspiria)
“The Big Unknown” (As Viúvas)

Depois que aquela canção de Ritmo de um Sonho levou o Oscar, “It’s Hard Out Here for a Pimp”, nada mais foi o mesmo nessa categoria, o que torna tudo muito imprevisível. Claro que a mais forte aqui é a “Shallows”, que será cantada no Oscar pela Lady Gaga, e que possivelmente será premiada como compositora pra também compensá-la pela derrota como atriz.

Dentre as demais canções, “All the Stars” (Pantera Negra), “I’ll Fight” (RBG), “Girl in the Movies” (Dumplin’) e “Revelation” (Boy Erased) foram as mais lembradas na temporada até o momento, mas pode apostar que pelo menos uma das canções de O Retorno de Mary Poppins estará lá.

FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
Pássaros de Verão – COLÔMBIA
A Culpa – DINAMARCA
Never Look Away – ALEMANHA
Assunto de Família – JAPÃO
Ayka – CAZAQUISTÃO
Capernaum – LÍBANO
Roma – MÉXICO
Guerra Fria – POLÔNIA
Em Chamas – CORÉIA DO SUL

Ok, vamos direto ao ponto. Roma tem absolutamente tudo para ganhar, tornando-se o primeiro filme do México a vencer nesta categoria? 95% de chances que sim. Não estou nem atribuindo esses 5% ao imprevisível, que realmente existe no Oscar, mas devido ao cenário dos prêmios da crítica. Por exemplo, no LAFCA, dos críticos de Los Angeles, Roma sagrou-se como Melhor Filme, enquanto como Filme em Língua Estrangeira deu empate entre Assunto de Família e Em Chamas. Ou seja, num cenário em que Alfonso Cuarón leva o Oscar de Melhor Filme, pode se abrir uma janela para os demais concorrentes na categoria de Filme Estrangeiro.

Claro que são apenas hipóteses por enquanto, afinal, em 90 anos de Oscar, nunca um filme de língua estrangeira levou o Oscar de Melhor Filme. No máximo, são indicados como Amor (2012), A Vida é Bela (1998) e Z (1969), mas só levam o Oscar de Filme em Língua Estrangeira mesmo. Vamos ver se Roma vai crescer com as indicações ao Oscar em janeiro para poder cravar alguma coisa.

E o Brasil? A polêmica escolha de O Grande Circo Místico para representar o cinema nacional foi por água abaixo. Agora nós, cinéfilos, ficamos imaginando se Benzinho ou As Boas Maneiras tivessem sido escolhidos… teríamos uma nova indicação para o Brasil? Acho que a seleção deve levar em consideração apenas dois quesitos: Qualidade fílmica (de nada adianta levar filme de Segunda Guerra Mundial e morrer na praia) e Histórico de Festivais Internacionais. De nada adianta o filme ser ótimo se não for visto lá fora. Os produtores, juntamente com o governo, têm de investir em campanhas de divulgação, que muitas vezes começa com uma seleção em Cannes ou Veneza. E chega de política querer se meter na escolha! Da última vez, Aquarius ficou de fora por picuinha política.

Não assisti a todos dessa pré-lista, mas adoraria ver Em Chamas indicado. Seria a primeira indicação da Coréia do Sul, que tem um cinema formidável, mas nunca lembrado pela Academia. O filme é uma adaptação de um conto do escritor japonês Haruki Murakami, conta com um elenco afiadíssimo, uma fotografia excepcional e com a mão do diretor Lee Chang-dong, que já entregou ótimos filmes como Sol Secreto (2007) e Poesia (2010).

Burning trio

Ah-in Yoo, Jong-seo Jun e Steven Yeun em cena de Em Chamas (pic by IMDb)

Por enquanto, minhas apostas são: México, Japão, Polônia, Líbano e Coréia do Sul.

***

As indicações ao Oscar 2019 serão anunciadas no dia 22 de janeiro.