PRIMEIRO PREVIEW OSCAR 2016

QUEM ESTARÁ NO TAPETE VERMELHO EM 2016?

Sim, estamos no mês de agosto, ainda a 6 meses da cerimônia do Oscar 2016, mas já está rolando um burburinho de algumas produções que liberaram seus press releases e trailers. Muitos dos candidatos presentes nesse post foram baseados no histórico dos nomes envolvidos (sejam atores, diretores e equipe técnica) e indicações anteriores, uma vez que a Academia tem o costume de favorecer os artistas que já foram nomeados, mas nunca levaram a estatueta como é o caso do ator Johnny Depp. Muito querido pelo público, ele já teve três oportunidades de ganhar, mas nunca levou, assim como Leonardo DiCaprio, que pode ter sua sexta indicação com o trabalho do diretor Alejandro González Iñárritú.

No geral, muitos trabalhos candidatos beberam da fonte das histórias verídicas, uma vez que a Academia tem um perfil que valoriza temas e tramas calcadas na realidade. Só para citar alguns exemplos mais recentes, temos 12 Anos de Escravidão, Argo e O Discurso do Rei. As cinebiografias também estão em alta, pois sempre proporcionam papéis de maior profundidade e com capacidade para se destacar na temporada de premiações, como é o caso de Tom Hiddleston que interpreta o cantor e compositor Hanks Williams em I Saw the Light, ou Eddie Redmayne, que encorpora Lili Elbe, uma das primeiras pessoas a passar por cirurgia de troca de sexo em The Danish Girl.

CRÍTICOS FAZEM AS PRIMEIRAS TRIAGENS

Quando estamos nesse período do ano, o burburinho (o chamado Oscar buzz) corre solto e há listas e mais listas de vários tipos possíveis de indicados, que muitas vezes refletem o desejo dos próprios autores dessas mesmas listas. Portanto, a coisa só começa a ficar séria mesma quando os críticos americanos passam a eleger seus melhores do ano.

O primeiro a revelar sua lista é o National Board of Review (NBR). Apesar de não ter coincidido seus vencedores com o do Oscar, a organização fundada em 1909 busca ser fiel aos seus princípios e acaba elegendo grandes filmes como A Hora Mais Escura, A Invenção de Hugo Cabret e A Rede Social.

Já o New York Film Critics Circle (NYFCC) e o Los Angeles Film Critics Association (LAFCA) costumam ter maior porcentagem de acerto, mas ultimamente tem sido mais pelas categorias de atuação. Esses críticos abrem caminho para que os grandes prêmios como o Critics’ Choice Awards e o Globo de Ouro possam avaliar melhor o que houve de melhor em cinema no ano. Para eles, não importa muito o histórico da equipe ou do elenco, mas a produção em si, gerando uma votação livre de hábitos e círculos viciosos.

PREVISÃO PARA 2016

Ao contrário dos previews anteriores, resolvi simplificar e gerar as possíveis indicações por filme, e não por categoria. Claro que devem existir mais alguns filmes com chance, mas seria praticamente impossível relacionar todos aqui. Algumas vezes, os favoritos ao Oscar surgem na reta final e acabam surpreendendo como aconteceu com quando O Discurso do Rei tomou a dianteira de A Rede Social pouco antes do Oscar.

Então, sem mais delongas, vamos aos possíveis indicados ao Oscar 2016 (em ordem aleatória):

OS OITO ODIADOS (The Hateful Eight)
Dir: Quentin Tarantino

Os Oito Odiados: (photo by blogbusters.ch)

Os Oito Odiados: Kurt Russell, Jennifer Jason Leigh e Bruce Dern na primeira foto. Samuel L. Jackson na segunda e Michael Madsen na terceira. (photo by blogbusters.ch)

Sinopse: Numa Wyoming pós-Guerra Civil, caçadores de recompensa buscam abrigo durante nevasca, mas acabam se envolvendo numa trama de traição e decepção. Eles sobreviverão?

Deve receber indicação: Roteiro Original (Quentin Tarantino), Fotografia (Robert Richardson), Trilha Musical Original (Ennio Morricone)

Dúvida: Filme, Diretor (Quentin Tarantino), Ator Coadjuvante (Bruce Dern), Ator Coadjuvante (Samuel L. Jackson), Montagem (Fred Raskin), Figurino (Courtney Hoffman) e Maquiagem

Quentin Tarantino vive sua segunda ascensão junto à Academia. Depois de estourar com Pulp Fiction – Tempo de Violência em 1994, vencendo o Oscar de Roteiro Original, passou por um ostracismo com os dois volumes de Kill Bill (2003 e 2004) e À Prova de Morte (2007), que não receberam nenhuma indicação, e voltou ao topo com Bastardos Inglórios (2009) e Django Livre (2012), ganhando seu segundo Oscar pelo roteiro do último. Assim, existem altas expectativas para que este oitavo longa de sua autoria esteja na lista de indicações da Academia. Logo de cara, seu roteiro já figura como quase uma indicação unânime. O diretor de fotografia Robert Richardson, que já levou 3 Oscars, aparece logo atrás, assim como Ennio Morricone, mundialmente famoso por suas trilhas de western spaghetti que fez em parceria com o diretor Sergio Leone. O compositor italiano foi indicado 5 vezes, mas só ganhou o Oscar Honorário em 2007, e a Academia gosta de premiar os artistas mesmo após a honraria, como foi o caso do ator Paul Newman.

Sem Christoph Waltz, que levou dois Oscars de coadjuvante pelos últimos trabalhos de Tarantino, o diretor conta com a experiência do veterano Bruce Dern, que passou por um momento revival graças ao filme Nebraska, de Alexander Payne, que lhe rendeu sua segunda indicação ao Oscar em 2014. Se seu papel como General Sandy Smithers for consistente, pode se tornar material de Oscar. No elenco, alguns nomes também podem virar ouro como Demian Bichir (indicado ao Oscar de Melhor Ator em 2012 por Uma Vida Melhor), e os colaboradores assíduos Samuel L. Jackson e Tim Roth, e até a meio sumida Jennifer Jason Leigh.

O REGRESSO (The Revenant)
Dir: Alejandro González Iñárritú

Leonardo DiCaprio em cena de O Regresso (photo by outnow.ch)

Leonardo DiCaprio em cena de O Regresso (photo by outnow.ch)

Sinopse: Em 1820, o fronteiriço Hugh Glass (Leonardo DiCaprio) busca vingança contra aqueles que deixaram-no para morrer num ataque de ursos.

Deve receber indicação: Filme, Diretor (Alejandro G. Iñárritú), Ator (Leonardo DiCaprio), Fotografia (Emmanuel Lubezki), Montagem (Stephen Mirrione), Direção de Arte (Jack Fisk), Som e Efeitos Sonoros.

Dúvida: Ator Coadjuvante (Tom Hardy), Roteiro Adaptado (Alejandro G. Iñárritú e Mark L. Smith), Figurino (Jacqueline West)

Depois de ter conquistado o Oscar com Birdman este ano, o diretor mexicano Alejandro González Iñárritú tem cartucho pra gastar. Ele retorna com a mesma equipe técnica vencedora com uma saga de vingança e de época, que praticamente garante a presença do filme nas categorias de fotografia e direção de arte. No ano passado, rolaram alguns memes sobre a impossibilidade de DiCaprio ganhar o Oscar que considero meio exageradas. Primeiramente, o ator teve apenas 4 indicações, número relativamente baixo se comparado a Peter O’Toole, que saiu derrotado em 8 ocasiões, e Richard Burton em 7. E em segundo lugar, DiCaprio evoluiu bastante desde o começo de sua parceria com o diretor Martin Scorsese. Particularmente, acho as performances dele exageradas. Se ele souber ser mais contido, terá mais chances de agradar e cansar menos o público com suas expressões de nervosismo e gritos esporádicos. Esse seu estilo casou bem com o papel de Jordan Belfort em O Lobo de Wall Street, e por isso considero sua melhor atuação, mas nem sempre servirá para outros tipos de papéis.

Apesar de incluir o filme nas principais categorias, ainda tenho minhas dúvidas. Pelo trailer, pareceu ser mais um filme de ação do que um épico que agrade a todos. Caso o filme não tenha uma pegada mais social, dificilmente será abraçado pela Academia, restando apenas as categorias mais técnicas. Com o pano de fundo com índios, pode ser comparado a Dança com Lobos, mas o filme de Kevin Costner, que conquistou 7 estatuetas em 1991, tinha como foco o comportamento social entre povos indígenas e o homem branco, não meramente a ação.

ALIANÇA DO CRIME (Black Mass)
Dir: Scott Cooper

Benedict Cumberbatch atua com um Johnny Depp quase irreconhecível em Aliança do Crime (photo by outnow.ch)

Benedict Cumberbatch atua com um Johnny Depp quase irreconhecível em Aliança do Crime (photo by outnow.ch)

Sinopse: Cinebiografia de Whitey Bulger, um dos criminosos mais procurados de South Boston, que acabou se tornando informante do FBI.

Deve receber indicação: Melhor Ator (Johnny Depp), Maquiagem

Dúvida: Filme, Diretor (Scott Cooper), Ator Coadjuvante (Benedict Cumberbatch), Ator Coadjuvante (Joel Edgerton), Montagem (David Rosenbloom)

Essa transformação de Johnny Depp vem sendo comentada pela mídia especializada há um bom tempo, no mesmo nível de repercussão de Meryl Streep como Margareth Thatcher (A Dama de Ferro), Kate Winslet como Hannah Schmidt (O Leitor) e Jamie Foxx como Ray Charles (Ray), o que certamente colabora na campanha do ator para sua primeira estatueta depois de três indicações anteriores (Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra, Em Busca da Terra do Nunca e Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet).

Apesar do diretor meio desconhecido (Scott Cooper dirigiu apenas Coração Louco, que rendeu o Oscar para Jeff Bridges, e Tudo por Justiça), Aliança do Crime é impulsionado pela força de seu elenco, formado por Benedict Cumberbatch, Kevin Bacon, Joel Edgerton, Juno Temple e Peter Sarsgaard.

CAROL
Dir: Todd Haynes

Cate Blanchett em Carol, de Todd Haynes. (photo by Weinstein Co. through variety.com)

Cate Blanchett em Carol, de Todd Haynes. (photo by Weinstein Co. through variety.com)

Sinopse: A jovem Therese conhece a elegante Carol, recém-divorciada. As duas percebem que têm muito em comum, e logo um romance se desenvolve entre elas. Para fugir aos olhares dos moradores locais, elas decidem fazer uma viagem pelos EUA, mas percebem que um detetive está seguindo os seus passos.

Deve receber indicação: Diretor (Todd Haynes), Atriz (Cate Blanchett), Atriz Coadjuvante (Rooney Mara), Figurino (Sandy Powell)

Dúvida: Filme, Roteiro Adaptado (Phyllis Nagy)

O filme se tornou um estouro no último Festival de Cannes e a imprensa estrangeira logo colocou Blanchett como favorita ao prêmio de interpretação feminina. Contudo, o júri presidido pelos irmãos Coen não foi na onda, e o prêmio foi parar nas mãos de Rooney Mara (mais cotada como coadjuvante pelo mesmo filme). Ela dividiu o prêmio com Emmanuelle Bercot (Mon Roi).

Com a distribuidora Weinstein Company por trás da campanha, o filme deve conseguir sem grandes dificuldades as indicações para as atrizes, mas devido ao tom lésbico, ainda é cedo pra garantir lugar entre os acadêmicos do Oscar.

THE DANISH GIRL
Dir: Tom Hooper

Eddie Redmayne caracterizado como a Danish Girl (photo by cine.gr)

Eddie Redmayne caracterizado como a Danish Girl (photo by cine.gr)

Sinopse: Nos anos 20 na Dinamarca, a artista Gerda Wegener pintou seu marido, Einar Wegener, como uma mulher. Depois que a pintura ganhou popularidade, ele começou a mudar sua aparência para feminina e adotar o nome Lili Elbe. Com o apoio da esposa, ele se tornou o primeiro homem a passar por cirurgia de troca de sexo.

Deve receber indicação: Ator (Eddie Redmayne), Atriz Coadjuvante (Alicia Vikander), Trilha Musical Original (Alexandre Desplat), Direção de Arte (Eve Stewart), Figurino (Paco Delgado)

Dúvida: Filme, Diretor (Tom Hooper), Roteiro Adaptado (Lucinda Coxon)

Eddie Redmayne acaba de ganhar o Oscar de Melhor Ator por sua impecável reprodução de Stephen Hawking em A Teoria de Tudo, e agora volta como outra figura importante utilizando mais um processo de transformação. Alguns mais exaltados já estão apostando no segundo Oscar consecutivo, o que o colocaria no mesmo patamar de Spencer Tracy e Tom Hanks, os únicos a ganhar Oscar de Ator consecutivamente.

Claro que ajuda o fato de contar com um diretor vencedor do Oscar, Tom Hooper, que venceu por O Discurso do Rei. O diretor foi responsável por 5 indicações de atores até o momento, e duas vitórias: Colin Firth (O Discurso do Rei) e Anne Hathaway (Os Miseráveis).

JOY: O NOME DO SUCESSO (Joy)
Dir: David O. Russell

Cena com Jennifer Lawrence em Joy (photo by cine.gr)

Cena com Jennifer Lawrence em Joy (photo by cine.gr)

Sinopse: O filme acompanha a trajetória de sucesso da criadora da Ingenious Designs, Joy Mangano, além da história de sua família por quatro gerações até se tornar a fundadora e matriarca de uma poderosa dinastia de família de negócios.

Deve receber indicação: Filme, Diretor (David O. Russell), Atriz (Jennifer Lawrence), Ator Coadjuvante (Bradley Cooper), Ator Coadjuvante (Robert De Niro), Roteiro Original (David O. Russell e Annie Mumolo)

Dúvida: Figurino (Michael Wilkinson)

Ok, vamos contabilizar. Em 2011, O Vencedor recebeu 7 indicações ao Oscar e levou dois de Coadjuvante para Christian Bale e Melissa Leo. Em 2013, O Lado Bom da Vida recebeu 8 indicações e levou Melhor Atriz para Jennifer Lawrence. Em 2014, Trapaça acumulou 10 indicações, mas não levou nada. Todos os últimos filmes de David O. Russel foram indicados a Melhor Filme e Melhor Diretor, portanto não dá pra esperar menos deste Joy: O Nome do Sucesso, que conta com muitos dos mesmos atores e da mesma equipe técnica.

Vendo o trailer, não dá pra esperar muita coisa do filme, mas Russell está em alta com a Academia, e mesmo que as vitórias ainda não venham, certamente as indicações já estão encaminhadas.

PONTE DOS ESPIÕES (Bridge of Spies)
Dir: Steven Spielberg

Em primeiro plano, Tom Hanks vive o advogado James Donovan em Ponte de Espiões (photo by outnow.ch)

Em primeiro plano, Tom Hanks vive o advogado James Donovan em Ponte dos Espiões (photo by outnow.ch)

Sinopse: Um advogado é recrutado pela CIA durante a Guerra Fria para resgatar um piloto detido na União Soviética.

Deve receber indicação: Filme, Diretor (Steven Spielberg), Ator (Tom Hanks), Roteiro Original (Matt Charman, Joel Coen e Ethan Coen), Fotografia (Janusz Kaminski), Montagem (Michael Khan). Trilha Musical Original (Thomas Newman), Direção de Arte (Adam Stockhausen), Efeitos Sonoros

Dúvida: Ator Coadjuvante (Alan Alda), Atriz Coadjuvante (Amy Ryan) e Figurino (Kasia Walicka-Maimone)

Steven Spielberg e Tom Hanks já trabalharam juntos em O Resgate do Soldado Ryan (1998), Prenda-me Se For Capaz (2002) e O Terminal (2005). Em 1999, Spielberg levou seu segundo Oscar e Hanks uma indicação pelo filme de guerra, portanto as chances são boas de sucesso na Academia com este Ponte dos Espiões.

Trata-se da primeira vez que Spielberg dirige um roteiro escrito pelos irmãos Coen, o que deve facilitar as coisas na campanha. Além disso, se Spielberg está entre os indicados, toda sua trupe técnica deve comparecer e preencher as vagas de indicações como aconteceu em seus últimos filmes: Cavalo de Guerra (2011) e Lincoln (2012).

SNOWDEN
Dir: Oliver Stone

Joseph Gordon-Levitt como Edward Snowden, em Snowden (photo by outnow.ch)

Joseph Gordon-Levitt como Edward Snowden, em Snowden (photo by outnow.ch)

Sinopse: Agente da CIA, Edward Snowden, vaza uma série de informações confidenciais para a imprensa, causando sua deserção na Rússia até os dias de hoje.

Deve receber indicação: Ator (Joseph Gordon-Levitt) e Roteiro Adaptado (Kieran Fitzgerald)

Dúvida: Diretor (Oliver Stone), Atriz Coadjuvante (Shailene Woodley) e Fotografia (Anthony Dod Mantle)

Pró: Novo filme de Oliver Stone. Contra: Quando foi a última vez que um filme de Oliver Stone repercutiu tanto? JFK – A Pergunta que Não Quer Calar (1991)? Assassinos por Natureza (1994)? Claro que Stone sempre terá prestígio junto à Academia por suas vitórias com Platoon (1986) e Nascido em Quatro de Julho (1989), mas nas últimas décadas, tem caído no esquecimento, principalmente depois do fiasco de Alexandre (2004).

Mas com este Snowden, um tema bastante polêmico que o diretor sabe tirar de letra, Oliver Stone pode finalmente ter seu retorno triunfal. Se a Academia gostar do filme, certamente estará na lista de diretores, caso contrário, a indicação pode ficar apenas com o ator Joseph Gordon-Levitt, que seria sua primeira. Vale lembrar que Gordon-Levitt tem outro trabalho em destaque neste ano por A Travessia (veja mais abaixo), o que sempre ajuda na hora de descolar a primeira indicação ao Oscar.

  • A estréia de Snowden foi adiada para Maio de 2016, portanto, fora do próximo Oscar.

TRUMBO
Dir: Jay Roach

Bryan Cranston caracterizado como o roteirista Dalton Trumbo (photo by elfilm.com)

Bryan Cranston caracterizado como o roteirista Dalton Trumbo (photo by elfilm.com)

Sinopse: A carreira bem-sucedida do roteirista em Hollywood é comprometida quando ele é inserido na lista negra do senador Joseph McCarthy nos anos 40 por suspeita de ser comunista.

Deve receber indicação: Ator (Bryan Cranston), Atriz Coadjuvante (Helen Mirren)

Dúvida: Filme, Roteiro Adaptado (John McNamara)

Por se tratar de uma receita básica que funciona no Oscar, Trumbo está aqui na lista: 1º filme biográfico. 2º sobre roteirista de Hollywood, que foi inclusive vencedor do Oscar usando pseudônimos 3º porque foi perseguido por estar na lista negra do McCarthismo 4º e contando com a ajuda de um ator em extrema ascensão depois da série de TV Breaking Bad. “Só” por esses motivos o filme tem lugar cativo nas previsões.

O único, porém maior problema, é o nome fraco na direção. Não que Jay Roach, responsável pelas trilogias de comédia Austin Powers e Entrando Numa Fria não tenha seu talento, mas à princípio não era o nome mais apropriado para assumir este projeto mais sério. Só pra exemplificar, se Ron Howard, Bennett Miller ou mesmo George Clooney estivesse por trás da câmera, Trumbo já figuraria como franco-favorito ao Oscar 2016.

FREEHELD
Dir: Peter Sollett

Ellen Page e Julianne Moore em cena de Freeheld

Ellen Page e Julianne Moore em cena de Freeheld

Sinopse: A policial Laurel Hester (Julianne Moore) e sua companheira Stacie (Ellen Page) lutam na justiça para conseguir os benefícios de pensão para Hester quando ela é diagnosticada com câncer terminal.

Deve receber indicação: Atriz (Julianne Moore), Atriz Coadjuvante (Ellen Page)

Dúvida: Ator Coadjuvante (Michael Shannon)

Baseado em um documentário-curta vencedor do Oscar em 2008, Freeheld tem a fórmula para se destacar na temporada de premiações: drama, doença terminal, opção sexual e ótimo elenco. Mas estaria a Academia aberta a um filme de temática lésbica? A última produção que apresentava lesbianismo, Minhas Mães e Meu Pai, foi até indicada a Melhor Filme em 2011, mas não levou nada. Indicar é relativamente fácil, mas ganhar é outros quinhentos…

Toda vez que lembro desse conservadorismo teimoso, vem à mente a derrota de O Segredo de Brokeback Mountain diante do maniqueísta e bidimensional Crash – No Limite em 2006. De qualquer forma, a expectativa é de que pelo menos as atrizes sejam reconhecidas por suas performances. Não ajuda o fato do diretor ser praticamente desconhecido, mas Julianne Moore acaba de ganhar seu primeiro Oscar e pode, com este papel, ganhar seu segundo consecutivo e ainda puxar a segunda indicação da jovem Ellen Page como coadjuvante.

STEVE JOBS
Dir: Danny Boyle

Michael Fassbender como Steve Jobs (photo by cine.gr)

Michael Fassbender como Steve Jobs (photo by cine.gr)

Sinopse: A vida e o legado de Steve Jobs, baseado na biografia de Walter Isaacson.

Deve receber indicação: Ator (Michael Fassbender), Atriz Coadjuvante (Kate Winslet), Roteiro Adaptado (Aaron Sorkin)

Dúvida: Filme, Diretor (Danny Boyle), Ator Coadjuvante (Jeff Daniels)

Quando o filme biográfico Jobs saiu em 2013, havia uma especulação de que Ashton Kutcher poderia ser indicado ao Oscar. Mas esse burburinho só rendeu durante o período em que a foto dele foi divulgada já como Steve Jobs, pois havia uma semelhança bem considerável entre ambos, mas logo acabou quando a crítica viu o filme e sua interpretação. Dois anos depois, um novo filme sobre o criador da Apple surge no horizonte, mas com uma equipe técnica infinitamente superior: Danny Boyle na direção, Scott Rudin na produção, Aaron Sorkin (A Rede Social) no roteiro e Guy Hendrix Dyas (A Origem) na direção de arte. Com esses nomes, o filme Steve Jobs automaticamente se tornou um forte candidato ao Oscar.

Particularmente, por mais que Michael Fassbender seja um dos melhores atores dessa geração, ainda tenho minhas ressalvas se ele foi a melhor opção pra dar vida ao inventor, já que é alemão e não se parece quase nada com a figura pública (talvez um trabalho de maquiagem bem feito teria ajudado…), mas torço para que ele possa surpreender positivamente. Claro que a presença da vencedora do Oscar, Kate Winslet, no elenco ajuda e muito na campanha do filme na temporada de premiações.

SR. HOLMES (Mr. Holmes)
Dir: Bill Condon

Ian McKellen como Sherlock Holmes em Mr. Holmes (photo by outnow.ch)

Ian McKellen como Sherlock Holmes em Mr. Holmes (photo by outnow.ch)

Sinopse: O já aposentado Sherlock Holmes destrincha seu passado quando tenta desvendar um mistério não solucionado envolvendo uma bonita mulher.

Deve receber indicação: Ator (Ian McKellen), Atriz Coadjuvante (Laura Linney)

Dúvida: Roteiro Adaptado (Jeffrey Hatcher), Direção de Arte (Martin Childs), Trilha Musical Original (Carter Burwell)

Logo que foi anunciado o filme de Sherlock Holmes com Ian McKellen, já previa uma indicação para o ator britânico. McKellen foi roubado na cara dura em 1999, quando perdeu para o pastelão do Roberto Benigni (A Vida é Bela), por sua atuação magnânima em Deuses e Monstros. Depois disso, tornou-se muito popular ao assumir papéis icônicos da cultura pop: o mutante Magneto nos filmes dos X-Men e o mago Gandalf nas trilogias de O Hobbit e O Senhor dos Anéis, por qual recebeu sua segunda indicação ao Oscar em 2002, mas perdeu pra um inspirado Jim Broadbent em Iris.

Claro que, se o filme for bom e sua performance estiver à altura de seu talento, trata-se de uma excelente oportunidade de premiar com um Oscar um dos melhores atores vivos. Sr. Holmes se torna ainda mais especial por reprisar a parceria do ator com o diretor Bill Condon, com quem trabalhou em Deuses e Monstros. No elenco, Laura Linney tem tudo pra receber sua 4ª indicação.

AS SUFRAGISTAS (Suffragette)
Dir: Sarah Gavron

Carey Mulligan (centro) em cena de protesto de Suffragette (photo by cine.gr)

Carey Mulligan (centro) e Helena Bonham Carter (à direita) em cena de protesto de As Sufragistas (photo by cine.gr)

Sinopse: O filme retrata um dos primeiros movimentos feministas contra o Estado machista e opressor. As integrantes do movimento viram seus protestos pacíficos resultarem em nada para então partir para a violência, o que ameaçava suas vidas, seus empregos e suas famílias.

Deve receber indicação: Atriz (Carey Mulligan), Atriz Coadjuvante (Meryl Streep), Atriz Coadjuvante (Helena Bonham Carter)

Dúvida: Filme, Roteiro Original (Abi Morgan), Trilha Musical Original (Alexandre Desplat), Montagem (Barney Pilling), Figurino (Jane Petrie), Direção de Arte (Alice Normington)

Lembram-se do discurso pró-igualdade para as mulheres de Patricia Arquette no Oscar deste ano? E do apoio incondicional de Meryl Streep (“Yes! Yes!”) da poltrona? Pois é, o movimento feminista em alta ganha mais um reforço com este filme de época no qual a luta das mulheres se tornou um marco na história. E com Streep no elenco, o filme tem tudo pra se destacar na temporada de premiações do Globo de Ouro, Oscar, BAFTA e SAG.

Por mais que a diretora seja meio desconhecida, acho bacana tanto a diretora quanto a roteirista serem mulheres, afinal ninguém melhor do que as próprias mulheres pra contar uma história de luta feminista. A roteirista Abi Morgan pode conseguir sua primeira indicação após destaque por Shame e A Dama de Ferro. Já Carey Mulligan, que brilhou como a estudante inocente de Educação, precisa cumprir seu papel de jovem promessa de Hollywood. Como se trata de uma produção de época, são esperadas indicações de direção de arte e figurino.

NOCAUTE (Southpaw)
Dir: Antoine Fuqua

Jake Gyllenhaal como o boxeador Billy Hope com o treinador Tick Wills (Forest Whitaker) em cena de Southpaw (photo by outnow.ch)

Jake Gyllenhaal como o boxeador Billy Hope com o treinador Tick Wills (Forest Whitaker) em cena de Nocaute (photo by outnow.ch)

Sinopse: O boxeador Billy Hope procura o treinador Tick Wills para colocá-lo de volta aos trilhos depois que perde sua mulher num trágico acidente e sua filha para o serviço de proteção à criança.

Deve receber indicação: Ator (Jake Gyllenhaal), Trilha Musical Original (James Horner)

Dúvida: Ator Coadjuvante (Forest Whitaker), Montagem (John Refoua), Canção Original (Eminem)

Depois da inacreditável ausência de Jake Gyllenhaal na lista de atores indicados a Melhor Ator este ano por O Abutre, a Academia automaticamente está em dívida com o ator, que já foi indicado como Coadjuvante por O Segredo de Brokeback Mountain. Além disso, chama atenção sua transformação do esquelético videomaker de O Abutre para este atlético e forte boxeador de Nocaute, que lembra a flexibilidade de Edward Norton que passou do forte neo-nazista de A Outra História Americana para o franzino de Clube da Luta. Essas transformações costumam ser a base de uma boa campanha para o Oscar. Claro que se o filme também for bom, as chances de vitória são ainda maiores. Já quando o filme não colabora, as chances caem drasticamente. Em 2000, o filme Hurricane – O Furacão conseguiu conquistar apenas a indicação de Denzel Washington, que acabou perdendo para Kevin Spacey (Beleza Americana), porque o filme de Sam Mendes era bem mais consistente.

Vale lembrar que este é um dos últimos trabalhos do compositor James Horner, que morreu numa queda de avião no final de junho. E por se tratar de um filme de boxe, as chances da trilha musical e da montagem se destacarem são ótimas. Resta saber se o filme de Antoine Fuqua (Dia de Treinamento) vai agradar à crítica.

SICARIO: TERRA DE NINGUÉM (Sicario)
Dir: Dennis Villeneuve

Em segundo plano, da esquerda para a direita: Emily Blunt, Josh Brolin e Benicio Del Toro em cena de Sicario: Terra de Ninguém (photo by cine.gr)

Em segundo plano, da esquerda para a direita: Emily Blunt, Josh Brolin e Benicio Del Toro em cena de Sicario: Terra de Ninguém (photo by cine.gr)

Sinopse: Uma agente idealista do FBI é designada pelo governador numa força-tarefa contra as drogas na área da fronteira dos EUA com o México.

Deve receber indicação: Atriz (Emily Blunt), Fotografia (Roger Deakins), Trilha Musical Original (Jóhann Jóhannsson), Montagem (Joe Walker)

Dúvida: Ator Coadjuvante (Benicio Del Toro), Ator Coadjuvante (Josh Brolin)

A sinopse me lembrou O Silêncio dos Inocentes ao ter como protagonista uma jovem agente do FBI em formação encarando um universo bem sombrio. E o diretor canadense Dennis Villeneuve já demonstrou que conhece bem esse território sombrio com Os Suspeitos (2013). O filme concorreu à Palma de Ouro no último Festival de Cannes e por muitos críticos foi considerado um “soco no estômago” por suas cenas fortes. Por esse mesmo motivo, não deve concorrer ao Oscar de Melhor Filme, porque os acadêmicos têm aversão à violência.

Mas se a campanha for boa, o diretor pode ser recompensado em sua categoria. E quem sabe a fotografia de Roger Deakins não ganha seu primeiro Oscar depois de 12 indicações? Já dentre os atores, apesar de contar com Benicio Del Toro (vencedor de Ator Coadjuvante por Traffic) e Josh Brolin (indicado para Ator Coadjuvante por Milk – A Voz da Igualdade), o maior destaque do filme é Emily Blunt, que passa por uma experiência transformadora como a agente do FBI, podendo finalmente conquistar sua primeira indicação.

A TRAVESSIA (The Walk)
Dir: Robert Zemeckis

Cena de A Travessia com Joseph Gordon-Levitt e Charlotte Le Bon (photo by outnow.ch)

Cena de A Travessia com Joseph Gordon-Levitt e Charlotte Le Bon (photo by outnow.ch)

Sinopse: A trajetória do artista francês Phillippe Petit para cruzar as Torres Gêmeas sobre um cabo de aço em 1974.

Quem deve receber indicação: Ator (Joseph Gordon-Levitt), Roteiro Adaptado (Robert Zemeckis e Christopher Browne)

Dúvida: Filme, Diretor (Robert Zemeckis), Ator Coadjuvante (Ben Kingsley), Trilha Musical Original (Alan Silvestri)

Apesar de Forrest Gump: O Contador de Histórias ter ganhado 6 Oscars há mais de 20 anos, o diretor Robert Zemeckis sempre terá um prestígio na Academia e por isso mesmo, seus filmes têm lugar cativo no burburinho do Oscar. Em 2013, seu filme O Vôo recebeu duas indicações (Melhor Ator para Denzel Washington e Roteiro Original), o que significa que Zemeckis está buscando retorno triunfal. Com este novo projeto baseado na história real de Phillippe Petit, que caminhou sobre um cabo de aço entre as duas Torres Gêmeas, ele pode ter sua chance.

A história verídica já foi tema do documentário O Equilibrista (Man on Wire), que venceu o Oscar de Melhor Documentário em 2009, o que concede maior credibilidade ao filme. Se Zemeckis souber captar bem o lado emocional da história, o filme pode conquistar o público e a crítica. Para ajudá-lo nessa difícil tarefa, ele conta com o veterano Ben Kingsley no elenco e o jovem Joseph Gordon-Levitt como o protagonista Petit.

O CORAÇÃO DO MAR (In the Heart of the Sea)
Dir: Ron Howard

Chris Hemsworth em cena de O Coração do Mar (photo by cine.gr)

Chris Hemsworth em cena de O Coração do Mar (photo by cine.gr)

Sinopse: Baseado em história ocorrida em 1820, sobre embarcação que é caçada por baleia durante 90 dias em alto mar. Adaptação de livro de Nathaniel Philbrick que teria inspirado o clássico literário Moby Dick.

Quem deve receber indicação: Fotografia (Anthony Dod Mantle), Montagem (Daniel P. Hanley e Mike Hill) e Som.

Dúvida: Filme, Diretor (Ron Howard)

Após ganhar prestígio com o Oscar de direção e filme com Uma Mente Brilhante em 2002, Ron Howard se tornou nome relevante a cada novo trabalho, e assim acabou novamente indicado ao Oscar de direção com Frost/Nixon em 2009 e foi bem cotado por Rush: No Limite da Emoção em 2014, mas tenho minhas dúvidas se ele retorna ao tapete vermelho com um filme de aventura estrelado por Chris Hemsworth.

Embora o elenco tenha nomes razoáveis como Cillian Murphy, Ben Wishaw e o novo Homem-Aranha, Tom Holland, acredito que O Coração do Mar ficará limitado às categorias mais técnicas, a menos que sua bilheteria seja extremamente expressiva e colabore em sua campanha vitoriosa.

SPOTLIGHT
Dir: Tom McCarthy

Da esquerda pra direita: Michael Keaton, Liv Schreiber, Mark Ruffalo, Rachel McAdams... em Spotlight (photo by outnow.ch)

Da esquerda pra direita: Michael Keaton, Liv Schreiber, Mark Ruffalo, Rachel McAdams, John Slattery e Brian d’Arcy James em Spotlight (photo by outnow.ch)

Sinopse: A verdadeira história de como o jornal The Boston Globe desvendou o escândalo de abuso de crianças e encoberto pela igreja Arquidiocese local que estremeceu a Igreja Católica toda.

Deve receber indicação: Roteiro Original (Tom McCarthy e Josh Singer)

Dúvida: Filme, Diretor (Tom McCarthy), Ator (Mark Ruffalo), Trilha Musical Original (Howard Shore)

O roteiro do filme foi baseado numa história verídica que gerou uma matéria que venceu o prestigiado prêmio Pullitzer, fato que já chama a atenção por si só. Esse tipo de história costuma atrair bons nomes para os papéis porque são criados a partir de heróis reais como uma Erin Brockovich, por exemplo, que desmantelou toda uma grande corporação ao descobrir que contaminavam a água de sua cidade.

Dessa forma, temos Mark Ruffalo como o protagonista e Michael Keaton como seu parceiro. Ruffalo é um nome que vem em ascensão há anos e só não conseguirá sua terceira indicação se o páreo da categoria de Melhor Ator estiver muito duro. Quanto a Keaton, acredito que corre bem por fora, mas já é extremamente gratificante vê-lo em grandes produções novamente após tantos anos no ostracismo.

ESPECIALISTA EM CRISE (Our Brand is Crisis)
Dir: David Gordon Green

Sandra Bullock filma cena em Porto Rico (photo by www.laineygossip.com)

Sandra Bullock filma cena em Porto Rico (photo by http://www.laineygossip.com)

Sinopse: Baseado no documentário homônimo sobre o uso de estratégias políticas de campanha americanas na América do Sul.

Deve receber indicação: Filme, Diretor (David Gordon Green), Atriz (Sandra Bullock), Roteiro Original (Peter Straughan)

Dúvida: Ator Coadjuvante (Billy Bob Thornton), Atriz Coadjuvante (Zoe Kazan), Montagem (Colin Patton)

Mais um filme com temática política pode ganhar espaço no Oscar 2016. Além de Spotlight e Suffragette, o filme procura revelar os bastidores da política e a forma como alavancam os candidatos desejados. Curiosamente, assim como Freeheld (citado acima), Especialista em Crise também é uma ficção baseada num documentário.

O roteiro de Peter Straughan (indicado para Roteiro Adaptado em 2012 por O Espião que Sabia Demais) busca destrinchar esse universo do vale-tudo das campanhas políticas na América do Sul contando com o promissor diretor David Gordon Green (vencedor do prêmio de Direção no Festival de Berlim 2013 por Prince Avalanche ), elenco encabeçado por Sandra Bullock e Billy Bob Thornton, e um ótimo ímã para o Oscar: George Clooney como produtor. Ter nomes de celebridades na produção muitas vezes é recompensado pela Academia, como aconteceu com Brad Pitt em 2014 por 12 Anos de Escravidão.

TRUTH
Dir: James Vanderbilt

Cate Blanchett em cena com Robert Reford em Truth (photo by collider.com)

Cate Blanchett em cena com Robert Reford em Truth (photo by collider.com)

Sinopse: Durante seus últimos dias como âncora no noticiário CBS News, Dan Rather apresenta uma notícia falsa sobre como o então presidente Bush se apoiou no privilégio e nas conexões familiares para evitar convocação militar para lutar na Guerra do Vietnã, o que lhe custou seu emprego e de sua superiora Mary Mapes.

Deve receber indicação: Ator (Robert Redford), Atriz Coadjuvante (Cate Blanchett) e Roteiro Adaptado (James Vanderbilt)

Dúvida: Montagem (Richard Francis-Bruce)

Seguindo a linha de candidatos ao Oscar de temática política, Truth pode surpreender e conquistar seu espaço, ainda mais por contar com dois nomes de peso junto à Academia: os atores Cate Blanchett, que ganhou seu segundo Oscar em 2014 por Blue Jasmine, e o veterano Robert Redford, que merecia uma indicação por sua atuação no ótimo Até o Fim (2013).

Ainda no elenco, nomes como Dennis Quaid, Bruce Greenwood e Elisabeth Moss (em ascensão depois da série Mad Men) podem colaborar para um número maior de indicações dependendo da profundidade de seus papéis. Como se trata da estréia na direção do conhecido roteirista do brilhante Zodíaco (2007), James Vanderbilt, sua melhor chance no Oscar está na categoria que lhe consagrou.

DIVERTIDA MENTE (Inside Out)
Dir: Pete Docter

As emoções Tristeza, Raiva, Medo, Nojinho e Alegria em cena de Divertida Mente (photo by outnow,ch)

As emoções Tristeza, Raiva, Medo, Nojinho e Alegria em cena de Divertida Mente (photo by outnow,ch)

Sinopse: Depois de se mudar com seus pais para San Francisco, as emoções da jovem Riley (Alegria, Tristeza, Nojinho, Raiva e Medo) entram em conflito sobre a melhor forma de explorar a nova cidade, casa e escola.

Deve receber indicação: Animação

Dúvida: Roteiro Original (Meg LeFauve, Josh Cooley e Pete Docter) e Trilha Musical Original (Michael Giacchino)

Assim como Monstros S.A., a idéia bastante original não segura um longa-metragem, pelo menos não da forma como foi escrito. Alguns trabalhos da Pixar apresentam esse obstáculo na hora de desenvolver uma história que se desenvolva, e não apenas se desenrole. Por questões de histórico, acredito que consegue facilmente uma indicação ao Oscar de Animação. Depois de perder o Oscar duas vezes consecutivas para produções da Disney (Frozen: Uma Aventura Congelante e Operação Big Hero), a Pixar está tentando recuperar seu posto de supremacia.

Dependendo da competição, o roteiro pode ser, sim, indicado ao Oscar, assim como de outras animações anteriores foram como de Procurando Nemo, Up – Altas Aventuras e Toy Story 3, mas geralmente o que ocorre é o filme ganhando apenas Melhor Animação. E se o roteiro praticamente perfeito de Toy Story 3 não ganhou, dificilmente outro não ganhará também. Já a trilha do compositor Michael Giacchino pode ser reconhecida, mas as chances de vitória são pequenas, ainda mais que já levou a estatueta por Up – Altas Aventuras.

MACBETH: AMBIÇÃO E GUERRA (Macbeth)
Dir: Justin Kurzel

O casal Macbeth: Michael Fassbender e Marion Cotillard na adaptação de Shakespeare (photo by cine.gr)

O casal Macbeth: Michael Fassbender e Marion Cotillard na adaptação de Shakespeare (photo by cine.gr)

Sinopse: Macbeth, um duque da Escócia, recebe a profecia das três bruxas que um dia ele se tornará rei da Escócia. Consumido por ambição e impulsionado à ação por sua esposa, Macbeth assassina seu rei e toma controle do trono.

Deve receber indicação: Figurino (Jacqueline Durran)

Dúvida: Ator (Michael Fassbender) e Atriz (Marion Cotillard)

Clássico de Shakespeare, a adaptação de Macbeth chegou no último Festival de Cannes como o filme responsável por premiar a dupla de atores centrais: o alemão Michael Fassbender e a francesa Marion Cotillard, ambos nomes em alta tanto na Europa quanto em Hollywood (ele foi indicado ao Oscar de Coadjuvante por 12 Anos de Escravidão e ela recebeu sua segunda indicação de Atriz por Dois Dias, Uma Noite), mas não foi isso que aconteceu na Riviera Francesa.

Apesar do filme de Justin Kurzel não ter levado nada, pode ter sua segunda chance na campanha ao Oscar, já que vai ser alavancada pela Weinstein Company. Contudo, se Fassbender for indicado, suas chances são bem maiores pelo filme de Danny Boyle, Steve Jobs. Posso estar enganado, mas pela experiência que tenho em Oscar, esse filme está com cheiro de uma única indicação: Melhor Figurino.

I SAW THE LIGHT
Dir: Marc Abraham

Tom Hiddleston caracterizado como o cantor Hank Williams (photo by outnow.ch)

Tom Hiddleston caracterizado como o cantor Hank Williams (photo by outnow.ch)

Sinopse: Cinebiografia do cantor e compositor de country norte-americano Hank Williams.

Deve receber indicação: Ator (Tom Hiddleston)

Dúvida: Atriz Coadjuvante (Elizabeth Olsen), Roteiro Adaptado (Marc Abraham)

A Academia adora cinebiografia de cantores e compositores, especialmente os americanos. Basta olhar a presença de filmes como O Destino Mudou Sua Vida (1980), Ray (2004) e Johnny & June (2005). Contando com esse histórico positivo, o ator britânico Tom Hiddleston, conhecido mundialmente por viver o papel do vilão Loki nos filmes da Marvel, tem boas chances na aparecer na lista por retratar uma figura emblemática da música. Curiosamente, como não foi aposta unânime para o papel, além de se empenhar bastante no sotaque americano, tocou piano para o elenco e a equipe durante as filmagens e todos os dias, como forma de extrema gratidão, ele cumprimentava cada membro da equipe, do encarregado da limpeza até seus colegas de atuação.

Elizabeth Olsen, que já trabalhou com Hiddleston em Vingadores: Era de Ultron, interpretará sua primeira esposa, Audrey Mae Williams, que pode lhe render sua primeira indicação ao Oscar. Como Marc Abraham é um diretor praticamente novato, suas chances residem mais na categoria de roteiro, por ter adaptado a biografia escrita por Colin Escott.

MAD MAX: ESTRADA FÚRIA (Mad Max: Fury Road)
Dir: George Miller

Tom Hardy e Charlize Theron em cena de Mad Max: Estrada da Fúria (photo by outnow.ch)

Tom Hardy e Charlize Theron em cena de Mad Max: Estrada da Fúria (photo by outnow.ch)

Sinopse: Furiosa, uma mulher que se rebela contra seu tirano numa pós-Apocalíptica Austrália, vai em busca de sua terra natal com a ajuda de um grupo de prisioneiras, um adorador psicótico e um andarilho chamado Max.

Deve receber indicação: Fotografia (John Seale), Direção de Arte (Colin Gibson), Figurino (Jenny Beavan), Maquiagem, Som, Efeitos Sonoros

Dúvida: Filme, Diretor (George Miller), Roteiro Original (George Miller, Brendan McCarthy e Nick Lauthoris)

Quarta parte de uma quadrilogia? Sequência? Prequel? Reboot? Ninguém sabe ao certo o que essa loucura chamada Mad Max: Estrada da Fúria é, mas todos concordam com sua qualidade técnica impecável e acima de tudo: sua audácia. Há quanto tempo não vemos um filme politicamente incorreto assim feito por um estúdio nos cinemas? Nos últimos anos (pra não dizer na última década), o cinema de estúdio tem sido tomado por produtores que visam apenas o lucro, mas sem coragem alguma para arriscar em novas visões. Claro que o trabalho de Mad Max não é novidade alguma, mas joga na tela imagens que dizem: “Isso é cinema. Vocês se esqueceram?”

Além da qualidade técnica merecedora de todas as indicações, felizmente a produção australiana colheu ótimos frutos nas bilheterias mundias, fato que ajuda muito na composição das indicações ao Oscar. Contudo, acredito que o responsável por tudo isso pode nem sequer ser reconhecido com uma mera indicação, seja como diretor ou como roteirista. Curiosamente, George Miller já ganhou um Oscar por, acreditem, Melhor Animação com Happy Feet: O Pingüim em 2007. Anteriormente, ele havia sido indicado pelo Roteiro Original de O Óleo de Lorenzo em 1993, e pelo Roteiro Adaptado e Produção (Melhor Filme) de Babe – O Porquinho Atrapalhado em 1996. Vamos torcer para que os votantes da Academia dêem um tempo no conservadorismo e reconheçam o talento e a audácia de Miller. Seria utopia demais?

À BEIRA MAR (By the Sea)
Dir: Angelina Jolie

Angelina Jolie com o marido Brad Pitt ao fundo em cena de À Beira Mar. É a primeira vez que a atriz dirige a si mesma. (Photo by outnow.ch)

Angelina Jolie com o marido Brad Pitt ao fundo em cena de À Beira Mar. É a primeira vez que a atriz dirige a si mesma. (Photo by outnow.ch)

Sinopse: Nos anos 70 na França, conforme a ex-dançarina Vanessa e seu marido escritor Roland viajam pelo país juntos, eles se distanciam um do outro, até pararem numa cidade costeira onde eles passam a se aproximar dos habitantes locais.

Deve receber indicação: Fotografia (Christian Berger)

Dúvida: Diretor (Angelina Jolie), Atriz Coadjuvante (Mélanie Laurent), Trilha Musical Original (Gabriel Yared)

Após ser ignorada pela Academia depois de forte burburinho por seu trabalho anterior Invencível (Unbroken), Angelina Jolie lança seu terceiro longa na direção com os holofotes sobre a possível campanha no Oscar 2016. Honestamente, só incluí o filme aqui por causa da comentada e discutida exclusão dela na premiação deste ano, porque se depender do filme em si, não se trata de material para Oscar.

Claro que se ela quiser, Jolie pode se beneficiar de seu filme anterior e tentar sua primeira indicação como diretora, mas acho meio difícil com um romance. A seu favor estão a presença dela mesma  e do marido, Brad Pitt, no elenco, assim como a trilha de Gabriel Yared (vencedor do Oscar por O Paciente Inglês) e do diretor de fotografia austríaco e colaborador assíduo do diretor Michael Haneke, Christian Berger (indicado por A Fita Branca).

THE LAST FACE
Dir: Sean Penn

O diretor Sean Penn conversa com a jovem Adèle Exarchopoulos em set de The Last Face (photo by filmaffinity.com)

O diretor Sean Penn conversa com a jovem Adèle Exarchopoulos em set de The Last Face (photo by filmaffinity.com)

Sinopse: A diretora de uma agência internacional de ajuda humanitária na África conhece um carismático médico que trabalha na causa. Ele se divide entre o amor por ela e seu trabalho.

Deve receber indicação: Fotografia (Barry Ackroyd)

Dúvida: Diretor (Sean Penn), Montagem (Jay Cassidy)

Assim como outros atores que se tornaram diretores, Sean Penn busca experiência em nomes profissionais como o diretor de fotografia Barry Ackroyd (indicado por Guerra ao Terror) e o montador Jay Cassidy (três vezes indicado) com quem já trabalhou no cult Na Natureza Selvagem. Desta vez, ele também escalou sua própria mulher, Charlize Theron, que vive uma nova ascensão depois de seu desatque como Furiosa em Mad Max: Estrada da Fúria, o que certamente ajuda o filme a alavancar.

No elenco, Penn ainda conta com Javier Bardem como o médico, e os coadjuvantes Jean Renno, e a jovem talentosa francesa Adèle Exarchopoulos, de Azul é a Cor Mais Quente. Apesar de todos os fatores positivos, The Last Face ainda pode se tornar aqueles filmes que tinha tudo pra chegar ao Oscar, mas morre na praia.

PERDIDO EM MARTE (The Martian)
Dir: Ridley Scott

Da esquerda pra direita: Matt Damon, Jessica Chastain, Kate Mara e Sebastian Stan em cena de Perdido em Marte (photo by outnow.ch)

Da esquerda pra direita: Matt Damon, Jessica Chastain, Sebastian Stan, Kate Mara e Aksel Hennie em cena de Perdido em Marte (photo by outnow.ch)

Sinopse: Depois de uma missão em Marte, o astronauta Mark Watney é considerado morto depois de ter sido abandonado por colegas, mas ele está vivo e sozinho no planeta. Com pouquíssimos recursos, ele deve usar todas as suas habilidades e seu conhecimento para enviar um sinal para a Terra para dizer que está vivo.

Deve receber indicação: Filme, Diretor (Ridley Scott), Ator (Matt Damon), Atriz Coadjuvante (Jessica Chastain), Roteiro Adaptado (Drew Goddard), Fotografia (Dariusz Wolski), Direção de Arte (Arthur Max), Montagem (Pietro Scalia), Trilha Musical Original (Harry Gregson-Williams), Som, Efeitos Sonoros e Efeitos Visuais.

Dúvida: Figurino (Janty Yates)

Até pouco tempo atrás, Perdido em Marte era considerado uma incógnita, mas depois do lançamento de seu trailer, o filme ganhou novo status e pode ser muito bem o recordista de indicações ao Oscar 2016. Após trabalhos abaixo da média do veterano Ridley Scott (reconhecido mundialmente pelos clássicos Alien: O Oitavo Passageiro e Blade Runner: O Caçador de Andróides) pode finalmente voltar à tona com um projeto mais respeitável. Sinceramente, espero que a execução seja infinitamente superior ao de Prometheus, que tinha tudo pra ser um estouro.

Elenco e equipe Ridley Scott tem de primeiro nível: vencedores e indicados ao Oscar de baciada. E ainda conta com atores experientes que acabaram de trabalhar em outro filme de temática espacial, Interestelar: Matt Damon e Jessica Chastain. O roteiro, escrito pelo jovem promissor Drew Goddard (de O Segredo da Cabana), foi baseado no livro best-seller The Martian, de Andy Weir. Resta saber se o filme refletirá suas expectativas nas bilheterias e se a Academia está aberta a premiar uma ficção científica depois de bater na trave com Gravidade em 2014.

EU, VOCÊ E A GAROTA QUE VAI MORRER (Me and Earl and the Dying Girl)
Dir: Alfonso Gomez-Rejon

Olivia Cooke, Thomas Mann e RJ Cyler posam para foto de Me and Earl and the Dying Girl (photo by outnow.ch)

Olivia Cooke, Thomas Mann e RJ Cyler posam para foto de Me and Earl and the Dying Girl (photo by outnow.ch)

Sinopse: O estudante Greg, que passa a maior parte de seu tempo fazendo filmes de paródia com seu amigo Earl, tem sua vida mudada quando ele passa a fazer amizade com Rachel, uma colega de classe que acaba de ser diagnosticada com leucemia.

Deve receber indicação: Roteiro Adaptado (Jesse Andrews)

Dúvida: Filme

Sensação do último Festival de Sundance, Eu, Você e a Garota que Vai Morrer já chama atenção pelo seu título inusitado que mistura drama com comédia e humor negro. O filme independente tem um clima leve que muito se assemelha a (500) Dias com Ela e Juno, tanto que o trailer se apropria dos mesmos títulos para atrair o interesse do público.

Não sei se se trata de uma previsão otimista ou pessimista, mas o filme tem mais cara de indicado e até vencedor do Globo de Ouro de Melhor Filme – Comédia ou Musical, mas no Oscar teria que se contentar com uma única indicação de Roteiro Adaptado. Este ano, outro sucesso de público com temática de doença entre jovens, A Culpa é das Estrelas, acabou ficando de fora do Oscar.

BROOKLYN
Dir: John Crowley

Saoirse Ronan e Emory Cohen em cena de Brooklyn (photo by cine.gr)

Saoirse Ronan e Emory Cohen em cena de Brooklyn (photo by cine.gr)

Sinopse: Nos anos 50, a jovem imigrante irlandesa Eilis Lacey se muda para os EUA, onde conhece e se envolve com um rapaz americano, mas devido a um tragédia familiar, precisa voltar ao seu país, onde acaba conhecendo outro amor.

Deve receber indicação: Atriz (Saoirse Ronan), Roteiro Adaptado (Nick Hornby)

Dúvida: Fotografia (Yves Bélanger) e Trilha Musical Original (Michael Brook)

Incluí o filme na lista por ter sido alvo de burburinho por parte de alguns sites especializados e também por ser adaptação do best-seller de Colm Tóibín, mas tenho minhas dúvidas se esse filme vai chegar ao tapete vermelho. Ele tem uma pinta de filme bonito e até com seus devidos momentos emotivos que fazem um candidato, mas não tem muito pedigree. John Crowley é um diretor que ficou conhecido pelo filme independente Rapaz A, de 2007, mas depois não deslanchou nada relevante.

Saoirse Ronan pode conseguir sua segunda indicação, desta vez como Melhor Atriz, principalmente por seu empenho no sotaque irlandês de sua personagem. E pelo visto, o escritor Nick Hornby está se empenhando a escrever roteiros agora. Depois de Educação (2009), ele fez o roteiro de Livre (2014) e agora deste Brooklyn. Pode receber sua segunda indicação também.

STAR WARS: EPISÓDIO VII – O DESPERTAR DA FORÇA (Star Wars: Episode VII – The Force Awakens)
Dir: J.J. Abrams

Daisy Ridley corre em cena de Star Wars: Episódio VII - O Despertar da Força (photo by (outnow.ch)

Daisy Ridley corre em cena de Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força (photo by (outnow.ch)

Sinopse: Continuação da saga de George Lucas na galáxia muito distante.

Deve receber indicação: Maquiagem, Som, Efeitos Sonoros e Efeitos Visuais

Dúvida: Direção de Arte (Rick Carter), Trilha Musical Original (John Williams)

Mais um filme de Star Wars lançado 10 anos após o último, mas com uma diferença bastante relevante: a Lucas Film foi comprada pela Disney. Aliás, o que não é comprado pela Disney?? A empresa comprou também a Pixar e a Marvel, o que pode causar uma padronização (pra não dizer pasteurização) do cinema comercial como o conhecemos.

Felizmente, o diretor J.J. Abrams tem um bom feeling pra franquias como pudemos constatar no reboot de Star Trek (2009), mas não creio numa revolução, até mesmo porque a Disney está mais preocupada em vender seus produtos do que fazer um filme consistente, então provavelmente o diretor não tem carta branca pra tudo, muito menos para o corte final do filme. Claro que este novo Star Wars vai criar novos recordes de bilheteria e muito provavelmente terá presença garantida nas categorias mais técnicas do Oscar.

RICKI AND THE FLASH: DE VOLTA PARA CASA (Ricki and the Flash)
Dir: Jonathan Demme

Mamie Gummer e Meryl Streep, filha e mãe na vida real e na ficção em cena de Ricki and the Flash: De Volata Para Casa (photo by outnow.ch)

Mamie Gummer e Meryl Streep, filha e mãe na vida real e na ficção em cena de Ricki and the Flash: De Volata Para Casa (photo by outnow.ch)

Sinopse: Ricki, que desistiu de tudo por seu sonho de se tornar uma estrela do rock, retorna para casa e procura fazer as coisas certas com sua família.

Deve receber indicação: Atriz (Meryl Streep)

Dúvida: Ator Coadjuvante (Kevin Kline), Roteiro Original (Diablo Cody), Canção Original

Assim que vi a primeira foto de Meryl Streep caracterizada como uma roqueira dos anos 80 em decadência, logo associei a…? Sim, o Oscar! Esta seria sua 20ª indicação, um recorde que demoraria muito pra ser ultrapassado! Porém, andei lendo alguns rumores de que Meryl Streep não participaria de nenhum campanha do filme para o Oscar.

Independente de seus supostos motivos, a atriz tem tudo para conseguir no mínimo uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Atriz – Comédia ou Musical. Curiosamente, sua filha na vida real, Mamie Gummer, interpreta sua filha no filme.

GRANDMA
Dir: Paul Weitz

Lily Tomlin em primeiro plano e Julie Garner ao fundo em cena de Grandma (photo by latimes.com)

Lily Tomlin em primeiro plano e Julie Garner ao fundo em cena de Grandma (photo by latimes.com)

Sinopse: Declarada misantropa, Elle Reid tem sua bolha protetora estourada quando sua neta de 18 anos aparece precisando de ajuda. As duas partem numa viagem que as obrigará a confrontar passado e futuro.

Deve receber indicação: Atriz (Lily Tomlin)

Dúvida: Ator Coadjuvante (Sam Elliott), Roteiro Original (Paul Weitz)

Típica dramédia em que dois personagens são obrigados a conviver e acabam descobrindo um sentimento mútuo durante uma road trip. Claro que o filme independente Grandma não tem maiores pretensões na temporada de premiações, mas só o fato de trazer de volta a veterana Lily Tomlin ao centro do palco já é algo digno de nota. Se ela receber indicação, será sua segunda depois da de Coadjuvante por Nashville em 1976! Esse tipo de retorno a Academia costuma reconhecer, então Tomlin tem grandes chances.

Assim como outra veterana Meryl Streep, Lily Tomlin também tem ótima chance de ser premiada pelo Globo de Ouro de Melhor Atriz – Comédia ou Musical, podendo trazer junto o ator Sam Elliott.

007 CONTRA SPECTRE (Spectre)
Dir: Sam Mendes

Daniel Craig como James Bond em cena de 007 Contra Spectre (photo by outnow.ch)

Daniel Craig como James Bond em cena de 007 Contra Spectre (photo by outnow.ch)

Sinopse: Uma mensagem criptografada do passado de Bond o envia numa trilha para desvendar uma organização criminosa. Enquanto M luta contra forças políticas para manter o serviço secreto vivo, James Bond investiga a SPECTRE.

Deve receber indicação: Trilha Musical Original (Thomas Newman), Canção Original, Som e Efeitos Sonoros

Dúvida: Fotografia (Hoyte Van Hoytema), Montagem (Lee Smith)

O prestigiado diretor Sam Mendes retorna pela segunda vez à cadeira de direção da franquia 007, mas desta vez não conta com um colaborador que faz a diferença: o diretor de fotografia Roger Deakins, que fez um trabalho estupendo em 007 – Operação Skyfall. Contudo, ele será substituído por outro bom profissional (Hoyte Van Hoytema) e contará com o retorno do compositor Thomas Newman, que foi indicado pelo filme anterior de Bond.

Aliás, 007 – Operação Skyfall ganhou o primeiro Oscar de Canção Original da série toda, criada em 1962 com 007 Contra o Satânico Dr. No, portanto existe uma expectativa em relação à canção de abertura deste novo trabalho. Independente do músico ou banda que interprete a nova canção (alguns sites indicaram Ellie Goulding), 007 Contra Spectre deve ser mais um sucesso arrebatador e deve conquistar indicações técnicas e quem sabe mais uma de canção…

Mesmo que tenha poucas chances no Oscar, vale lembrar que Christoph Waltz (vencedor de duas estatuetas por Bastardos Inglórios e Django Livre) está no elenco. Ele interpreta Oberhauser, o líder da organização Spectre. Por 007 – Operação Skyfall, Javier Bardem chegou a ser indicado para o SAG de Coadjuvante por interpretar o vilão Silva.

CINDERELA (Cinderella)
Dir: Kenneth Branagh

No centro, Cate Blanchett como a Madrasta em cena de Cinderela (photo by outnow.ch)

No centro, Cate Blanchett como a Madrasta em cena de Cinderela (photo by outnow.ch)

Sinopse: Versão live-action da fábula da Cinderela, a Gata Borralheira que sofre nas mãos da madrasta e das meia-irmãs até ter sua sorte mudada com a ajuda de uma fada.

Deve receber indicação: Direção de Arte (Dante Ferretti) e Figurino (Sandy Powell)

Dúvida: Atriz Coadjuvante (Cate Blanchett), Trilha Musical Original (Patrick Doyle)

Depois do sucesso comercial de Malévola no ano passado, a Disney resolveu apostar as fichas nas adaptações em live-action de muitas animações consagradas por ela mesma. Então, depois desse Cinderela, estão nos planos a versão de Mulan e A Bela e a Fera, ou seja, acabaram as idéias até para animações novas…

Felizmente, a Academia sabe reconhecer qualidades técnicas mesmo em refilmagens. O próprio Malévola foi indicado este ano para Figurino, o que favorece a inclusão de Cinderela na lista de indicações, especialmente no Figurino caprichado da veterana Sandy Powell e do primoroso trabalho de production design do italiano Dante Ferretti, que já ganhou 3 Oscars. Já os rumores de uma indicação para Cate Blanchett como a Madrasta chegaram a ser comentados em alguns sites, mas seria bem improvável.

—–

Alguns trabalhos não devem alçar vôos mais altos na temporada, mas pode sobrar uma vaguinha em uma ou outra categoria, portanto, os filmes seguintes são listados de forma mais simples:

MILES AHEAD
Dir: Don Cheadle

Don Cheadle como o músico Miles Davis em Miles Ahead (photo by jazzmusic.in)

Don Cheadle como o músico Miles Davis em Miles Ahead (photo by jazzmusic.in)

Cinebiografia do músico Miles Davis.

Melhor chance: Ator (Don Cheadle), Trilha Musical Original (Herbie Hancock)
Forçando a barra: Ator Coadjuvante (Ewan McGregor)

HOMEM-FORMIGA (Ant-Man)
Dir: Peyton Reed

Paul Rudd como o herói em Homem-Formiga (photo by outnow.ch)

Paul Rudd como o herói em Homem-Formiga (photo by outnow.ch)

Adaptação dos quadrinhos de Scott Lang e seu alter-ego, o super-herói Homem-Formiga. Ele deve ajudar seu mentor Hank Pym a roubar uma armadura que ajudou a criar.

Melhor chance: Efeitos Visuais
Forçando a barra: Efeitos Sonoros

VINGADORES: ERA DE ULTRON (Avengers: Age of Ultron)
Dir: Joss Whedon

Homem de Ferro em ação contra o Hulk em Vingadores: Era de Ultron (photo by cinemagia.ro)

Homem de Ferro em ação contra o Hulk em Vingadores: Era de Ultron (photo by cinemagia.ro)

Tony Stark e Bruce Banner criam um programa chamado Ultron para dar paz ao mundo, mas os planos dão errado e os Vingadores precisam evitar que ele destrua o planeta.

Melhor chance: Efeitos Visuais
Forçando a barra: Som e Efeitos Sonoros

JURASSIC WORLD: O MUNDO DOS DINOSSAUROS (Jurassic World)
Dir: Colin Trevorrow

Chris Pratt trabalha com os velociraptors em Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros (photo by outnow.ch)

Chris Pratt trabalha com os velociraptors em Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros (photo by outnow.ch)

Quarta parte iniciada com Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros (1993). Com o parque finalmente aberto ao público e funcionando, as coisas começam a dar errado quando criam um dinossauro geneticamente modificado para atrair mais pessoas.

Melhor chance: Efeitos Visuais e Som
Forçando a barra: Trilha Musical Original (Michael Giacchino) e Efeitos Sonoros

LONGE DESTE INSENSATO MUNDO (Far from the Madding Crowd)
Dir: Thomas Vinterberg

Carey Mulligan em cena de Longe Deste Insensato Mundo (photo by outnow.ch)

Carey Mulligan em cena de Longe Deste Insensato Mundo (photo by outnow.ch)

Baseado no clássico romance homônimo de Thomas Hardy, o filme se passa na Inglaterra Vitoriana, onde a jovem Bathsheba Everdene atrai três homens diferentes: um criador de ovelhas, um sargento e um próspero e maduro bacharel.

Melhor chance: Figurino (Janett Patterson)
Forçando a barra: Atriz (Carey Mulligan)

O QUARTO DE JACK (Room)
Dir: Lenny Abrahamson

Brie Larson como a mãe em cena de Room (photo by outnow.ch)

Brie Larson como a mãe em cena de Room (photo by outnow.ch)

História contemporânea sobre o amor entre mãe e filho. O jovem Jack não conhece nada do mundo, exceto pelo quarto em que nasceu e foi criado.

Melhor chance: Atriz (Brie Larson)
Forçando a barra: Atriz Coadjuvante (Joan Allen)

O FIM DA TURNÊ (The End of the Tour)
Dir: James Ponsoldt

Jesse Eisenberg como o repórter e o Jason Segel como David Foster Wallace em cena de The End of the Tour (photo by elfilm.com)

Jesse Eisenberg como o repórter e o Jason Segel como David Foster Wallace em cena de The End of the Tour (photo by elfilm.com)

A história de uma entrevista que durou 5 dias entre o repórter da Rolling Stone, David Lipsky, e o aclamado autor David Foster Wallace, que aconteceu logo depois da publicação do romance dele chamado “Infinite Jest” em 1996.

Melhor chance: Roteiro Adaptado (Donald Margulies)
Forçando a barra: Ator (Jason Segel)

*** As indicações ao Oscar 2016 serão anunciadas no dia 14 de janeiro.

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‘Boyhood’ e ‘O Grande Hotel Budapeste’ conquistam o Eddie Awards 2015

Oito momentos da vida de Ellar Coltrane em Boyhood: Da Infância à Juventude, vencedor do Eddie Award (photo by http://staticvosf5b.lavozdelinterior.com.ar/sites/default/files/styles/landscape_642_366/public/nota_periodistica/boy)

Oito momentos da vida de Ellar Coltrane em Boyhood: Da Infância à Juventude, vencedor do Eddie Award (photo by http://staticvosf5b.lavozdelinterior.com.ar/sites/default/files/styles/landscape_642_366/public/nota_periodistica/boy)

INDICADOS AO OSCAR DE MONTAGEM IMPULSIONAM SUA CAMPANHA

O sindicato de editores, ACE (American Cinema Editors), elegeu Boyhood: Da Infância à Juventude e O Grande Hotel Budapeste como melhores montagens nas categorias de Drama e Comédia ou Musical, respectivamente. Trata-se de um grande passo rumo ao Oscar, pois o vencedor do Eddie Awards costuma ser eleito também o Melhor Filme pela Academia pelo menos em sete oportunidades nos últimos 12 anos. E segundo as estatísticas favoráveis, dos últimos 34 anos, todo vencedor do Oscar de Melhor Filme recebeu indicação ao Eddie.

Claro que, por mais que esses números sejam promissores, não garantem estatueta nenhuma. Veja o caso por exemplo do ano passado: Christopher Rouse (Capitão Phillips) venceu com louvor o Eddie, mas perdeu para a enxurrada de prêmios de Gravidade. Embora ambos tenham trabalhado bem a questão da tensão, os cortes foram mais eficientes no sequestro do navio pelos piratas somalianos. E em 2012, Kevin Tent levou o Eddie por Os Descendentes, mas foi a dupla Kirk Baxter e Angus Wall que ganhou seu segundo Oscar consecutivo por Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres depois de faturar por A Rede Social.

A editora Sandra Adair de Boyhood (photo by austinchronicle.com)

A editora Sandra Adair de Boyhood (photo by austinchronicle.com)

Tanto Boyhood quanto O Grande Hotel Budapeste estão concorrendo ao Oscar de Montagem. Enquanto Sandra Adair teve de comprimir material bruto de 12 anos em um pouco menos de 3 horas de filme com o acerto de não inserir divisão de anos, Barney Pilling fez uma bela compilação de personagens sem perder o ritmo e extraindo humor de seus cortes. Se um desses trabalhos sair com o Oscar, a categoria estará bem representada, assim como o belo trabalho de edição de Tom Cross, por Whiplash: Em Busca da Perfeição. Como o filme é sobre música, ele se guia pela mesma para criar jump cuts para sincronizar as imagens com o áudio, mas de forma imperceptível.

Pela categorias de Animação, o Eddie foi para Uma Aventura Lego, enquanto de Documentário, Citizenfour se consagrou como o melhor, elevando um pouco mais suas chances no Oscar de Melhor Documentário. Gostaria de aproveitar e fazer uma espécie de crítica, pois a Academia não inclui montagens de documentários e animações na categoria. Talvez pela comodidade, só reconhece edições de ficções (dramas, comédias, musicais, policiais, suspenses etc), acumulando o reconhecimento todo desses dois gêneros para os Oscars de Melhor Documentário e Melhor Longa de Animação. Sei que tem muita gente que acha que a edição de documentário é tudo igual (estilo entrevista e imagens de arquivo), mas existem trabalhos bem inventivos do gênero como o dinamismo de Kurt Engfehr de Tiros em Columbine (2002), que utiliza até animação para explicar a História das armas nos EUA. Ou o mais recente O Ato de Matar (2012), que ousa ao reencenar o massacre da Indonésia em gêneros cinematográficos.

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Segue lista completa dos vencedores do Eddie Awards 2015:

MELHOR MONTAGEM – DRAMA
Sandra Adair (Boyhood: Da Infância à Juventude)

MELHOR MONTAGEM –  COMÉDIA OU MUSICAL
Barney Pilling (O Grande Hotel Budapeste)

MELHOR MONTAGEM – ANIMAÇÃO
David Burrows, Chris McKay (Uma Aventura Lego)

MELHOR MONTAGEM – DOCUMENTÁRIO
Mathilde Bonnefoy (Citizenfour)

Edward Snowden em Citizenfour (photo by outnow.ch)

Edward Snowden em Citizenfour (photo by outnow.ch)

MELHOR MONTAGEM – DOCUMENTÁRIO (TELEVISÃO)
Erik Ewers (The Roosevelts: An Intimate History) – Episódio 3: The Fire of Life

MELHOR MONTAGEM – SÉRIE DE TV DE MEIA-HORA
Anthony Boys (Veep) – Episódio: “Special Relationship”

MELHOR MONTAGEM – SÉRIE DE TV DE UMA HORA COM COMERCIAL
Yan Miles (Sherlock) – Episódio: “His Last Vow”

MELHOR MONTAGEM – SÉRIE DE TV DE UMA HORA SEM COMERCIAL
Affonso Gonçalvez (True Detective) – Episódio: “Who Goes There”

MELHOR MONTAGEM – MINISSÉRIE OU FILME FEITO PARA TV
Adam Penn (The Normal Heart)

MELHOR MONTAGEM – SÉRIES NÃO ROTEIRIZADAS
Hugo Gross (Anthony Bourdain: Parts Unknown) – Episódio: “Iran”

MELHOR MONTAGEM DE ESTUDANTE
Johnny Sepulveda (Video Symphony)

‘Birdman’ e ‘O Grande Hotel Budapeste’ lideram indicações ao Oscar 2015!

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OS NÚMEROS DO OSCAR 2015

Os recordistas em indicações desta 87ª edição do Oscar são Birdman e O Grande Hotel Budapeste, ambos com nove cada. Ao contrário do que vinha acontecendo nos anos anteriores em que a Academia indicava 9 produções, este ano decidiu preencher apenas 8 vagas das 10 disponíveis. Curiosamente, o filme sobre Direitos Civis, Selma, conquistou apenas a indicação de Filme e de Canção Original. Por outro lado, o mega-ascendente Sniper Americano coletou um total de 6 indicações, mas seu diretor Clint Eastwood não foi incluso na categoria de Direção, enfraquecendo bastante as chances de vitória da produção como Melhor Filme. Enquanto que Foxcatcher conseguiu a proeza de resgatar Bennett Miller pra Melhor Diretor (pra muitos ele já era considerado carta fora do baralho), mas falhou na indicação a Melhor Filme! Pô, não poderiam ter indicado o filme também e ocupado a nona vaga?

Michael Keaton e Emma Stone em cena de Birdman: ambos foram indicados para ator e atriz coadjuvante. (photo by outnow.ch)

Michael Keaton e Emma Stone em cena de Birdman: ambos foram indicados para ator e atriz coadjuvante. (photo by outnow.ch)

Apesar de contar apenas com 6 indicações, Boyhood ainda permanece como um dos grandes favoritos a conquistar o Oscar de Filme e Direção. Também não dá pra descartar as oito indicações de O Jogo da Imitação, ainda mais que seu diretor Morten Tyldum foi indicado a Diretor.

Vale sempre ressaltar que Meryl Streep está de volta! Ela é a super-recordista em termos de indicações no Oscar das categorias de atuação, pois esta é sua 19ª indicação. Ela concorre como coadjuvante por Caminhos da Floresta, mas não é a favorita.

Meryl Streep (Caminhos da Floresta) - photo by elfilm.com

19ª indicação ao Oscar: só pode ser Meryl Streep (Caminhos da Floresta) – photo by elfilm.com

ANÚNCIO DOS INDICADOS

Pra quem não conseguiu acompanhar ao vivo, segue link do YouTube do canal oficial do Oscar:

Pela primeira vez, o anúncio abrangeu todas as 24 categorias e por isso, foi dividido em duas partes. Enquanto os diretores Alfonso Cuarón e J.J. Abrams se encarregaram das categorias mais técnicas, o ator Chris Pine e a presidente da Academia, Cheryl Boone Isaacs, encarregaram-se das categorias principais.

SURPRESAS

Com a ascensão de Sniper Americano, não seria uma mega-surpresa ver o nome de Bradley Cooper na categoria de Ator. Sinceramente, acho que fiquei mais surpreso ao ver a exclusão de Clint Eastwood como Diretor do que a inclusão de Cooper como Ator. Bom, a Academia adora Bradley, tanto que esta é sua terceira indicação consecutiva! Ele concorreu por O Lado Bom da Vida e Trapaça, ambos sob direção de David O. Russell. Muitos críticos afirmam que este é seu melhor trabalho, pois foi o papel que mais exigiu transformação física e psicológica por parte do ator.

Novo filme de Clint Eastwood, Sniper Americano, consegue adentrar na festa da PGA (photo by outnow.ch)

Bradley Cooper por Sniper Americano (photo by outnow.ch)

Fiquei bastante feliz pela inclusão de Marion Cotillard como Melhor Atriz. Ela recebe sua segunda indicação, e a primeira depois de sua vitória em 2008 por Piaf – Um Hino ao Amor, sob direção dos irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne, figuras frequentes no Festival de Cannes. Havia forte possibilidade também de ela ser indicada pela interpretação em O Imigrante, de James Gray. A sua inclusão também me agradou pela consequente exclusão de Jennifer Aniston (Cake: Uma Razão Para Viver), que vinha sendo indicada para os principais prêmios como SAG e Globo de Ouro.

Marion Cotillard (Dois Dias, Uma Noite) - photo by outnow.ch

Marion Cotillard (Dois Dias, Uma Noite) – photo by outnow.ch

Apesar de ainda não ter conferido O Ano Mais Violento, novo trabalho da atriz Jessica Chastain, não gostei da sua exclusão para dar lugar à Laura Dern (Livre). Assisti a Livre na última Mostra de Cinema de SP e achei seu papel muito ralo e de importância mais simbólica para a protagonista vivida por Reese Whitherspoon. Havia possibilidade de Rene Russo ser indicada como coadjuvante também, o que me agradaria mais do que Dern, mas a Academia preferiu a formação de dupla indicação para as atrizes de Livre, talvez pelo sucesso de Clube de Compras Dallas do mesmo diretor Jean-Marc Vallée.

Como já citado anteriormente, a inclusão de Bennett Miller foi uma surpresa também, pois depois que ele ganhou o prêmio de Direção no último Festival de Cannes, em maio de 2014, ele pouco frequentou as listas de Melhor Diretor da temporada. Esta é sua segunda indicação ao Oscar – foi indicado por Capote em 2006 – mas como seu filme, Foxcatcher, não foi indicado a Melhor Filme, tem poucas chances de conquistar a estatueta, talvez até menores do que o mais desconhecido norueguês Morten Tyldum, pois O Jogo da Imitação está entre os Melhores Filmes.

Bennett Miller (Foxcatcher)

Bennett Miller (Foxcatcher)

Bacana também lembrar que o documentário sobre o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, O Sal da Terra, foi indicado. Dirigido pelo veterano Wim Wenders com a colaboração do filho de Sebastião, Juliano Ribeiro Salgado, o documentário terá forte concorrência com o favorito CitizenFour (sobre Edward Snowden) e A Fotografia Oculta de Vivian Maier.

Wim Wenders com o fotógrafo Sebastião Salgado (photo by outnow.ch)

Wim Wenders com o fotógrafo Sebastião Salgado (photo by outnow.ch)

Não que se trate exatamente de uma surpresa, mas adorei a indicação do argentino Relatos Selvagens como Melhor Filme em Língua Estrangeira. Apesar do franco-favoritismo do polonês Ida e do russo Leviatã, a presença do argentino representa o cinema latino, e muito bem. Para quem ainda não viu, Relatos Selvagens permanece em cartaz em algumas salas aqui em São Paulo. Imperdível. Particularmente, entre os indicados, considero o russo Leviatã o melhor filme por melhor captar o espírito da Rússia atual de Vladimir Putin de forma inteligente.

Também cito aqui a dupla indicação merecida de Alexandre Desplat na categoria de Trilha Musical Original. Ele concorre por O Grande Hotel Budapeste e O Jogo da Imitação. Estas são suas sétima e oitava indicações ao Oscar sem vitória até o momento. Será que finalmente vai chegar a vez de Desplat? A última vez que um compositor foi indicado por dois filmes no mesmo ano foi em 2006, com John Williams concorrendo por Memórias de uma Gueixa e Munique. Ele perdeu para Gustavo Santaolalla por O Segredo de Brokeback Mountain, ou seja, não é garantia de nada…

AUSÊNCIAS

Acho que se fosse para nomear apenas uma ausência marcante, esta seria a de Jake Gyllenhaal por O Abutre. Tudo bem que o filme é sombrio demais para alguns membros votantes da Academia mais conservadores, mas é inegável o esforço do ator para se transformar nesse paparazzi de tragédias. Como atores que perdem peso costumam ser indicados e até ganhar o Oscar (vide Matthew McConaughey ano passado), acreditava-se que Jake iria tirar de letra esta sua segunda indicação. Felizmente, como prêmio de consolo, seu diretor Dan Gilroy, recebeu sua indicação para Melhor Roteiro Original, mas acho muito pouco para um dos filmes mais comentados de 2014.

Jake Gyllenhaal (O Abutre) - photo by outnow.ch

Jake Gyllenhaal (O Abutre) – photo by outnow.ch

A animação Uma Aventura Lego estava ganhando quase todos os prêmios, exceto o Globo de Ouro, que acabou nas mãos de Como Treinar o seu Dragão 2, então era praticamente certeza sua indicação na categoria. Não foi o que aconteceu e o filme ficou apenas com uma indicação para Melhor Canção Original. Para minha alegria e dos amantes do cinema 2D e nipônico, O Conto da Princesa Kaguya conseguiu seu lugar ao sol, comprovando que a categoria tem forte influência internacional desde seu segundo ano, quando A Viagem de Chihiro ganhou o Oscar. Inconformado com a exclusão de Uma Aventura lego, o diretor Phil Lord postou em seu twitter:

A quase total ausência de Selma pode ser considerada uma surpresa, pois apesar de não terem entregue as cópias para os sindicatos, os responsáveis pela campanha não se esqueceram dos membros da Academia. Contudo, há uma polêmica envolvendo erros históricos envolvendo o então presidente Lyndon B. Johnson, que certamente prejudicou a escalada do filme no Oscar. Resultado final: 2 indicações – Filme e Canção Original. Campanha pífia. Sua diretora Ava DuVernay, que tinha chances de ser tornar a primeira mulher negra na categoria, e o ator David Oyelowo foram ignorados no anúncio dos indicados. Acredito que Selma só conseguiu a indicação de Melhor Filme pela força e influência de Oprah Winfrey, que é produtora do longa.

Mal as indicações saíram do forno e já estou vendo algumas manifestações na internet de racismo e falta de diversidade por parte da Academia, como as de Brent Lang (http://variety.com/2015/film/news/oscar-nomination-selma-snub-diversity-1201405804/). Só porque os membros decidiram não votar para a diretora Ava DuVernay, muita gente já acredita que se trata de racismo. Peraí! Vamos com calma. Se até Clint Eastwood, que é um dos melhores diretores da atualidade não está na lista, por que DuVernay não pode ficar de fora também? Eu tinha postado aqui anteriormente que achava que a Academia não perderia a oportunidade de fazer história ao indicar a primeira afro-americana na categoria de Direção, mas se não foi desta vez, e ela manter o bom trabalho, tenho certeza de que ela será reconhecida dentro de poucos anos. O fato de David Oyelowo não estar na lista também não indica racismo; talvez os votantes não gostaram da atuação dele e do sotaque britânico-americanizado dele para viver o líder Martin Luther King. E daí que não houve negros indicados? Não teve nenhum asiático (como o Miyavi por exemplo, por Invencível) e não estou aqui reclamando da minha “cota asiática”. A Academia tem uma história bonita com a raça negra. Como George Clooney ressaltou em seu discurso de agradecimento por Syriana – A Indústria do Petróleo em 2006, a Academia deu o Oscar para Hattie McDaniel por …E o Vento Levou em 1940, quando negros se sentavam nos fundos dos cinemas! Enfim… acho muita tempestade em copo d’água, ainda mais em se tratando de uma Arte, que não enxerga raça, cor, sexo e religião. Aliás, a exclusão de Angelina Jolie (Invencível) como diretora no Oscar caminha na mesma direção. Poxa, é apenas o segundo filme dirigido por ela! Vamos com calma que ela tem muito a evoluir também. Não dá pra ignorar também que Angelina tem muitos críticos como o produtor Scott Rudin que a chamou de “minimamente talentosa” naqueles e-mails vazados da Sony por hackers.

Confira os indicados ao Oscar 2015:

MELHOR FILME
* Sniper Americano (American Sniper)
* Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (Birdman)
* Boyhood: Da Infância à Juventude (Boyhood)
* O Grande Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel)
* O Jogo da Imitação (The Imitation Game)
* Selma (Selma)
* A Teoria de Tudo (The Theory of Everything)
* Whiplash: Em Busca da Perfeição (Whiplash)

MELHOR DIRETOR
* Wes Anderson (O Grande Hotel Budapeste)
* Alejandro González Iñárritu (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância))
* Richard Linklater (Boyhood: Da Infância à Juventude)
* Bennett Miller (Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo)
* Morten Tyldum (O Jogo da Imitação)

MELHOR ATOR
* Steve Carell (Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo)
* Bradley Cooper (Sniper Americano)
* Benedict Cumberbatch (O Jogo da Imitação)
* Michael Keaton (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância))
* Eddie Redmayne (A Teoria de Tudo)

MELHOR ATRIZ
* Marion Cotillard (Dois Dias, Uma Noite)
* Felicity Jones (A Teoria de Tudo)
* Julianne Moore (Para Sempre Alice)
* Rosamund Pike (Garota Exemplar)
* Reese Witherspoon (Livre)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
* Robert Duvall (O Juiz)
* Ethan Hawke (Boyhood: Da Infância à Juventude)
* Edward Norton (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância))
* Mark Ruffalo (Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo)
* J.K. Simmons (Whiplash: Em Busca da Perfeição)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
* Patricia Arquette (Boyhood: Da Infância à Juventude)
* Laura Dern (Livre)
* Keira Knightley (O Jogo da Imitação)
* Emma Stone (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância))
* Meryl Streep (Caminhos da Floresta)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
* Alejandro González Iñárritu, Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris, Armando Bo (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância))
* Richard Linklater (Boyhood: Da Infância à Juventude)
* E. Max Frye, Dan Futterman (Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo)
* Wes Anderson, Hugo Guinness (O Grande Hotel Budapeste)
* Dan Gilroy (O Abutre)

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
* Jason Hall (Sniper Americano)
* Paul Thomas Anderson (Vício Inerente)
* Graham Moore (O Jogo da Imitação)
* Anthony McCarten (A Teoria de Tudo)
* Damien Chazelle (Whiplash: Em Busca da Perfeição)

MELHOR FOTOGRAFIA
* Emmanuel Lubezki (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância))
* Robert D. Yeoman (O Grande Hotel Budapeste)
* Lukasz Zal, Ryszard Lenczewski (Ida)
* Dick Pope (Sr. Turner)
* Roger Deakins (Invencível)

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
* Adam Stockhausen e Anna Pinnock (O Grande Hotel Budapeste)
* Maria Djurkovic e Tatiana Macdonald (O Jogo da Imitação)
* Nathan Crowley e Gary Fettis (Interestelar)
* Dennis Gassner e Anna Pinnock (Caminhos da Floresta)
* Suzie Davies e Charlotte Watts (Sr. Turner)

MELHOR MONTAGEM
* Joel Cox e Gary D. Roach (Sniper Americano)
* Sandra Adair (Boyhood: Da Infância à Juventude)
* William Goldenberg (O Jogo da Imitação)
* Barney Pilling (O Grande Hotel Budapeste)
* Tom Cross (Whiplash: Em Busca da Perfeição)

MELHOR FIGURINO
* Milena Canonero (O Grande Hotel Budapeste)
* Mark Bridges (Vício Inerente)
* Colleen Atwood (Caminhos da Floresta)
* Anna B. Sheppard (Malévola)
* Jacqueline Durran (Sr. Turner)

MELHOR MAQUIAGEM E CABELO
* Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo
* O Grande Hotel Budapeste
* Guardiões da Galáxia

MELHOR TRILHA MUSICAL ORIGINAL
* Alexandre Desplat (O Grande Hotel Budapeste)
* Alexandre Desplat (O Jogo da Imitação)
* Jóhann Jóhannsson (A Teoria de Tudo)
* Gary Yershon (Sr. Turner)
* Hans Zimmer (Interestelar)

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
* “Everything is Awesome”, de Shawn Patterson (Uma Aventura Lego)
* “Glory”, de John Stephens e Lonnie Lynn (Selma)
* “Grateful”, de Diane Warren (Beyond the Lights)
* “I’m Not Gonna Miss You”, de Glen Campbell e Julian Raymond (Glen Campbell… I’ll Be Me)
* “Lost Stars”, de Gregg Alexander e Danielle Brisebois (Mesmo Se Nada Der Certo)

MELHOR SOM
* John Reitz, Gregg Rudloff e Walt Martin (Sniper Americano)
* Jon Taylor, Frank A. Montaño e Thomas Varga (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)
* Gary A. Rizzo, Gregg Landaker e Mark Weingarten (Interestelar)
* Jon Taylor, Frank A. Montaño e David Lee (Invencível)
* Craig Mann, Ben Wilkins e Thomas Curley (Whiplash: Em Busca da Perfeição)

MELHORES EFEITOS SONOROS
* Alan Robert Murray e Bub Asman (Sniper Americano)
* Martin Hernández e Aaron Glascock (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância))
* Brent Burge e Jason Canovas (O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos)
* Richard King (Interestelar)
* Becky Sullivan e Andrew DeCristofaro (Invencível)

MELHORES EFEITOS VISUAIS
* Capitão América: O Soldado Invernal
* Planeta dos Macacos: O Confronto
* Guardiões da Galáxia
* Interestelar
* X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
* Ida, de Pawel Pawlikowski (POLÔNIA)
* Leviatã, de Andrey Zvyagintsev (RÚSSIA)
* Tangerines, de Zaza Urushadze (ESTÔNIA)
* Timbuktu, de Abderrahmane Sissako (MAURITÂNIA)
* Relatos Selvagens, de Damián Szifrón (ARGENTINA)

MELHOR ANIMAÇÃO
* Operação Big Hero
* Os Boxtrolls
* Como Treinar o seu Dragão 2
* The Song of the Sea
* O Conto da Princesa Kaguya

MELHOR DOCUMENTÁRIO
* CitizenFour
* A Fotografia Oculta de Vivian Maier
* Last Days in Vietnam
* O Sal da Terra
* Virunga

MELHOR DOCUMENTÁRIO-CURTA
* Crisis Hotline: Veterans Press 1
* Joanna
* Our Curse
* The Reaper (La Parka)
* White Earth

MELHOR CURTA-METRAGEM
* Aya
* Boogaloo and Graham
* Butter Lamp (La Lampe au Beurre de Yak)
* Parvaneh
* The Phone Call

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO
* The Bigger Picture
* The Dam Keeper
* O Banquete (Feast)
* Me and My Moulton
* A Single Life

A cerimônia do Oscar 2015 acontece no dia 22 de fevereiro, com transmissão ao vivo pelo canal pago TNT.

‘O Grande Hotel Budapeste’ lidera as indicações ao BAFTA 2015

BAFTA: British Academy of Film and Television Arts

BAFTA: British Academy of Film and Television Arts

FILME DE WES ANDERSON DOMINA AS CATEGORIAS, MAS VÊ CONCORRENTES BEM PRÓXIMOS

A Academia Britânica divulgou a lista dos indicados à 68ª edição do prêmio, e o novo filme de Wes Anderson, O Grande Hotel Budapeste, surpreendeu a todos com sua liderança de 11 indicações, enquanto Birdman segue logo atrás com 10 indicações, e O Jogo da Imitação e A Teoria de Tudo com 9 cada. Por se tratar de um filme mais contemporâneo, Boyhood ficou apenas com 5 indicações, mas curiosamente ficou de fora da competição por Montagem, pela qual vinha colecionando alguns prêmios.

Wes Anderson já havia sido indicado ao BAFTA em outras três oportunidades: Em 2002 pelo roteiro de Os Excêntricos Tennenbaums, em 2010 pela animação O Fantástico Sr. Raposo, e em 2013 pelo roteiro de Moonrise Kingdom, mas nunca levou o prêmio. Este ano, pela primeira vez, recebeu dupla indicação pelo roteiro e direção, o mesmo feito que conseguiu no Globo de Ouro e pode vir a conseguir no Oscar. Este reconhecimento vem em boa hora para Anderson, pois seus filmes possuem um rigor visual e estético único e em evolução. Nesse sentido, muitas vezes é comparado ao diretor Tim Burton, pois é impossível desassociar seus filmes de seu apelo visual baseado na direção de arte, figurino, maquiagem e fotografia, contudo, na minha humilde opinião, Wes Anderson trabalha melhor os roteiros e a montagem, que acentuam o humor muitas vezes incidental.

Confira o anúncio das indicações pelo vídeo abaixo:


Stephen Fry e Sam Clflin anunciam os indicados

Como de costume, o BAFTA tem o prêmio de Melhor Filme Britânico com intenção de impulsionar a campanha do filme rumo ao Oscar e também valorizar a indústria cinematográfica do país. O Jogo da Imitação e A Teoria de Tudo, que competem como Melhor Filme, também disputam mais este prêmio, que ainda conta com Pride, que recebeu sua única indicação como Melhor Filme – Comédia ou Musical no Globo de Ouro, e ficção científica alternativa Sob a Pele, que ainda compete por Melhor Trilha Musical merecidamente.

A bela e misteriosa Scarlett Johansson em Sob a Pele (photo by outnow.ch)

A bela e misteriosa Scarlett Johansson em Sob a Pele (photo by outnow.ch)

Além disso, a Academia Britânica costuma puxar uma sardinha pro lado dos atores britânicos. Na categoria de ator, por exemplo, são três britânicos (Benedict Cumberbatch, Eddie Redmayne e Ralph Fiennes) contra dois americanos (Jake Gyllenhaal e Michael Keaton). Embora a atuação de Fiennes tenha sido bem elogiada pela crítica, não tem conquistado tanto espaço na temporada, tanto que sua presença na categoria pode ser explicada pela alteração de Steve Carell para a categoria de coadjuvante por Foxcatcher, e a exclusão de Selma, que certamente prejudicou a possível indicação de David Oyelowo. Aparentemente, o filme sobre Martin Luther King sofreu com a estréia tardia em 2014 e pelo deslize no envio dos “screeners” (cópias) para os sindicatos. Talvez o Oscar queira compensar sua ausência na reta final.

Agora, confesso que fiquei bastante surpreso com as duas indicações para o filme-família As Aventuras de Paddington. OK, eu estou ciente da importância cultural do personagem em terras londrinas, mas imagino que haja produções mais instigantes para se reconhecer como Melhor Filme Britânico do ano…

Sally Hawkins com o urso Paddington em As Aventuras de Paddington (photo by outnow.ch)

Sally Hawkins com o urso Paddington em As Aventuras de Paddington (photo by outnow.ch)

Entre os atores que ficaram de fora, Timothy Spall (Sr. Turner), que ganhou o prêmio de Ator no último Festival de Cannes, e Meryl Streep (Caminhos da Floresta), que estava em quase todas as listas de coadjuvante, são os nomes mais chamativos. Entre os coadjuvantes, as ausências de Robert Duval (O Juiz) e Jessica Chastain (O Ano Mais Violento) também foram lembradas.

Enquanto algumas produções foram beneficiadas pelo BAFTA como O Grande Hotel Budapeste e os menores Whiplash: Em Busca da Perfeição (5 indicações, incluindo Melhor Diretor) e O Abutre (4 indicações, incluindo atriz coadjuvante para Rene Russo), houve prejudicados como Selma e o novo filme de Angelina Jolie, Invencível, uma vez que ambos não receberam uma indicação sequer. E se Sniper Americano vinha de uma ascendente depois das indicações ao ADG, Eddie, PGA e WGA, perdeu alguns pontos com sua quase ausência total do BAFTA. O novo filme de Clint Eastwood conquistou apenas duas indicações nas categorias de Roteiro Adaptado e Melhor Som.

Se o representante brasileiro, Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, morreu na praia, o novo filme de Stephen Daldry, Trash: A Esperança Vem do Lixo, foi lembrada pelo BAFTA. Falado em português e inglês, o longa se passa no Rio de Janeiro, contando com as atuações dos brasileiros no auge Wagner Moura e Selton Mello, juntamente com as estrelas hollywoodianas Martin Sheen e Rooney Mara.

Stephen Daldry (Trash - A Esperança Vem do Lixo)

Stephen Daldry conversa com Martin Sheen e Rooney Mara em set (Trash – A Esperança Vem do Lixo)

Seguem os indicados ao 68th Annual BAFTA Awards:

MELHOR FILME
BIRDMAN OU (A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA), Alejandro G. Inarritu, John Lesher, James W. Skotchdopole
BOYHOOD: DA INFÂNCIA À JUVENTUDE, Richard Linklater, Cathleen Sutherland
O GRANDE HOTEL BUDAPESTE, Wes Anderson, Scott Rudin, Steven Rales, Jeremy Dawson
O JOGO DA IMITAÇÃO, Nora Grossman, Ido Ostrowsky, Teddy Schwarzman
A TEORIA DE TUDO, Tim Bevan, Eric Fellner, Lisa Bruce, Anthony Mccarten

MELHOR FILME BRITÂNICO
’71, Yann Demange, Angus Lamont, Robin Gutch, Gregory Burke
O JOGO DA IMITAÇÃO, Morten Tyldum, Nora Grossman, Ido Ostrowsky, Teddy Schwarzman, Graham Moore
AS AVENTURAS DE PADDINGTON, Paul King, David Heyman
PRIDE, Matthew Warchus, David Livingstone, Stephen Beresford
A TEORIA DE TUDO, James Marsh, Tim Bevan, Eric Fellner, Lisa Bruce, Anthony Mccarten
SOB A PELE, Jonathan Glazer, James Wilson, Nick Wechsler, Walter Campbell

ESTRÉIA DE UM ESCRITOR, DIRETOR OU PRODUTOR BRITÂNICO
Elaine Constantine (Writer/Director), NORTHERN SOUL
Gregory Burke (Writer), Yann Demange (Director), ’71
Hong Khaou (Writer/Director), LILTING
Paul Katis (Director/Producer), Andrew De Lotbiniere (Producer), KAJAKI
Stephen Beresford (Writer), David Livingstone (Producer), PRIDE

FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
IDA, Pawel Pawlikowski, Eric Abraham, Piotr Dzieciol, Ewa Puszczynska
LEVIATÃ, Andrey Zvyagintsev, Alexander Rodnyansky, Sergey Melkumov
THE LUNCHBOX, Ritesh Batra, Arun Rangachari, Anurag Kashyap, Guneet Monga
TRASH: A ESPERANÇA VEM DO LIXO, Stephen Daldry, Tim Bevan, Eric Fellner, Kris Thykier
DOIS DIAS, UMA NOITE, Jean-Pierre Dardenne, Luc Dardenne, Denis Freyd

DOCUMENTÁRIO
A UM PASSO DO ESTRELATO, Morgan Neville, Caitrin Rogers, Gil Friesen
20.000 DIAS NA TERRA, Iain Forsyth, Jane Pollard
CITIZENFOUR, Laura Poitras
A FOTOGRAFIA OCULTA DE VIVIAN MAIER, John Maloof, Charlie Siskel
VIRUNGA, Orlando Von Einsiedel, Joanna Natasegara

ANIMAÇÃO
OPERAÇÃO BIG HERO, Don Hall, Chris Williams
OS BOXTROLLS, Anthony Stacchi, Graham Annable
UMA AVENTURA LEGO, Phil Lord, Christopher Miller

DIRETOR
BIRDMAN OU (A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA), Alejandro G. Inarritu
BOYHOOD: DA INFÂNCIA À JUVENTUDE, Richard Linklater
O GRANDE HOTEL BUDAPESTE, Wes Anderson
A TEORIA DE TUDO, James Marsh
WHIPLASH: EM BUSCA DA PERFEIÇÃO, Damien Chazelle

ROTEIRO ORIGINAL
BIRDMAN OU (A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA), Alejandro G. Inarritu, Nicolas Giacobone, Alexander Dinelaris Jr, Armando Bo
BOYHOOD: DA INFÂNCIA À JUVENTUDE, Richard Linklater
O GRANDE HOTEL BUDAPESTE, Wes Anderson
O ABUTRE, Dan Gilroy
WHIPLASH: EM BUSCA DA PERFEIÇÃO, Damien Chazelle

ROTEIRO ADAPTADO
SNIPER AMERICANO, Jason Hall
GAROTA EXEMPLAR, Gillian Flynn
O JOGO DA IMITAÇÃO, Graham Moore
AS AVENTURAS DE PADDINGTON, Paul King
A TEORIA DE TUDO, Anthony Mccarten

ATOR
Benedict Cumberbatch, O JOGO DA IMITAÇÃO
Eddie Redmayne, A TEORIA DE TUDO
Jake Gyllenhaal, O ABUTRE
Michael Keaton, BIRDMAN OU (A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA)
Ralph Fiennes, O GRANDE HOTEL BUDAPESTE

ATRIZ
Amy Adams, GRANDES OLHOS
Felicity Jones, A TEORIA DE TUDO
Julianne Moore, PARA SEMPRE ALICE
Reese Witherspoon, LIVRE
Rosamund Pike, GAROTA EXEMPLAR

ATOR COADJUVANTE
Edward Norton, BIRDMAN OU (A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA)
Ethan Hawke, BOYHOOD: DA INFÂNCIA À JUVENTUDE
J.K. Simmons, WHIPLASH: EM BUSCA DA PERFEIÇÃO
Mark Ruffalo, FOXCATCHER: UMA HISTÓRIA QUE CHOCOU O MUNDO
Steve Carell, FOXCATCHER: UMA HISTÓRIA QUE CHOCOU O MUNDO

ATRIZ COADJUVANTE
Emma Stone, BIRDMAN OU (A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA)
Imelda Staunton, PRIDE
Keira Knightley, O JOGO DA IMITAÇÃO
Patricia Arquette, BOYHOOD: DA INFÂNCIA À JUVENTUDE
Rene Russo, O ABUTRE

TRILHA MUSICAL ORIGINAL
BIRDMAN OU (A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA), Antonio Sanchez
O GRANDE HOTEL BUDAPESTE, Alexandre Desplat
INTERESTELAR, Hans Zimmer
A TEORIA DE TUDO, Johann Johannsson
SOB A PELE, Mica Levi

FOTOGRAFIA
BIRDMAN OU (A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA), Emmanuel Lubezki
O GRANDE HOTEL BUDAPESTE, Robert Yeoman
IDA, Lukasz Zal, Ryzsard Lenczewski
INTERESTELAR, Hoyte Van Hoytema
SR. TURNER, Dick Pope

MONTAGEM
(Due to a tie in voting in this category, there are six nominations)
BIRDMAN OU (A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA), Douglas Crise, Stephen Mirrione
O GRANDE HOTEL BUDAPESTE, Barney Pilling
O JOGO DA IMITAÇÃO, William Goldenberg
O ABUTRE, John Gilroy
A TEORIA DE TUDO, Jinx Godfrey
WHIPLASH: EM BUSCA DA PERFEIÇÃO, Tom Cross

DIREÇÃO DE ARTE
GRANDES OLHOS, Rick Heinrichs, Shane Vieau
O GRANDE HOTEL BUDAPESTE, Adam Stockhausen, Anna Pinnock
O JOGO DA IMITAÇÃO, Maria Djurkovic, Tatiana Macdonald
INTERESTELAR, Nathan Crowley, Gary Fettis
SR. TURNER, Suzie Davies, Charlotte Watts

FIGURINO
O GRANDE HOTEL BUDAPESTE, Milena Canonero
O JOGO DA IMITAÇÃO, Sammy Sheldon Differ
CAMINHOS DA FLORESTA, Colleen Atwood
SR. TURNER, Jacqueline Durran
A TEORIA DE TUDO, Steven Noble

MAQUIAGEM E CABELO
O GRANDE HOTEL BUDAPESTE, Frances Hannon
GUARDIÕES DA GALÁXIA, Elizabeth Yianni-Georgiou, David White
CAMINHOS DA FLORESTA, Peter Swords King, J. Roy Helland
SR. TURNER, Christine Blundell, Lesa Warrener
A TEORIA DE TUDO, Jan Sewell

SOM
SNIPER AMERICANO, Walt Martin, John Reitz, Gregg Rudloff, Alan Robert Murray, Bub Asman
BIRDMAN OU (A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA), Thomas Varga, Martin Hernandez, Aaron Glascock, Jon Taylor, Frank A. Montaño
O GRANDE HOTEL BUDAPESTE, Wayne Lemmer, Christopher Scarabosio, Pawel Wdowczak
O JOGO DA IMITAÇÃO, John Midgley, Lee Walpole, Stuart Hilliker, Martin Jensen
WHIPLASH: EM BUSCA DA PERFEIÇÃO, Thomas Curley, Ben Wilkins, Craig Mann

EFEITOS VISUAIS
PLANETA DOS MACACOS: O CONFRONTO, Joe Letteri, Dan Lemmon, Erik Winquist, Daniel Barrett
GUARDIÕES DA GALÁXIA, Stephane Ceretti, Paul Corbould, Jonathan Fawkner, Nicolas Aithadi
O HOBBIT: A BATALHA DOS CINCO EXÉRCITOS, Joe Letteri, Eric Saindon, David Clayton, R. Christopher White
INTERESTELAR, Paul Franklin, Scott Fisher, Andrew Lockley
X-MEN: DIAS DE UM FUTURO ESQUECIDO, Richard Stammers, Anders Langlands, Tim Crosbie, Cameron Waldbauer

CURTA-METRAGEM BRITÂNICO DE ANIMAÇÃO
THE BIGGER PICTURE, Chris Hees, Daisy Jacobs, Jennifer Majka
MONKEY LOVE EXPERIMENTS, Ainslie Henderson, Cam Fraser, Will Anderson
MY DAD, Marcus Armitage

CURTA-METRAGEM BRITÂNICO
BOOGALOO AND GRAHAM, Brian J. Falconer, Michael Lennox, Ronan Blaney
EMOTIONAL FUSEBOX, Michael Berliner, Rachel Tunnard
THE KARMAN LINE, Campbell Beaton, Dawn King, Tiernan Hanby, Oscar Sharp
SLAP, Islay Bell-Webb, Michelangelo Fano, Nick Rowland
THREE BROTHERS, Aleem Khan, Matthieu De Braconier, Stephanie Paeplow

THE EE RISING STAR AWARD (VOTO DO PÚBLICO)
Gugu Mbatha-Raw
Jack O’Connell
Margot Robbie
Miles Teller
Shailene Woodley

O 68º BAFTA acontece no dia 08 de fevereiro no Royal Opera House em Londres.

‘Boyhood’, ‘Birdman’ e ‘Garota Exemplar’ competem pelo Eddie Awards 2015

Ethan Hawke (Boyhood: Da Infância à Juventude) - photo by elfilm.com

Ellan Coltrane e Ethan Hawke em Boyhood: Da Infância à Juventude – photo by elfilm.com

PRÊMIO DO SINDICATO JÁ PINCELA OS POSSÍVEIS INDICADOS AO OSCAR

Primeiramente, Feliz Ano Novo para todos! Espero que tenham passado bem as festas de fim de ano. Como fiquei em São Paulo este ano, acabei vendo dois filmes no cinema que recomendo: o sombrio O Abutre, com atuação assombrosa de Jake Gyllenhaal, e o clichê porém simpático A Família Bélier, que traz uma mensagem bastante positiva de amadurecimento para começar bem o ano.

Bom, o ano mal começou e o sindicato de editores já lançou seus indicados para 2015. Assim como o Globo de Ouro, os filmes são dividos entre as categorias de Drama e Comédia ou Musical, até mesmo porque a montagem possui estilos diferentes de acordo com o gênero. Aliás, adoraria ver uma categoria exclusiva para filmes de terror, ou pelo menos algo como Terror ou Ação. O Eddie Awards ainda apresenta categorias de Animação, Documentário e relativos à televisão.

Pela categoria Drama, houve um empate pela segunda vez na história do prêmio, pois houve seis indicados. A grande favorita é Sandra Adair pelo filme Boyhood: Da Infância à Juventude, afinal, ela cortou um material bruto de nada menos do que 12 anos! Mas independente do seu esforço de uma década, seu trabalho é digno de reconhecimento, pois suas quase 3 horas de duração não pesam como muitos pensam antes de assistir ao filme. A passagem do tempo não é interrompida por letreiros ou telas pretas, mas flui como um rio. Particularmente, só não acho perfeita porque eu reduziria a sequência da faculdade do protagonista Mason, que pouco acrescenta no contexto.

Mas Boyhood não pode relaxar, pois tem fortes concorrentes na categoria, especialmente Kirk Baxter (Garota Exemplar), que levou dois Oscars consecutivos por A Rede Social e Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres, e William Goldenberg (O Jogo da Imitação), que faturou a estatueta em 2013 por Argo.

Rosamund Pike em momento Amazing Amy de Garota Exemplar (photo by elfilm.com)

Rosamund Pike em momento Amazing Amy de Garota Exemplar (photo by elfilm.com)

Já pela categoria de Comédia ou Musical, as águas parecem mais calmas para Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância), pois além da força de sua campanha rumo ao Oscar de Melhor Filme, apresenta alternância entre cenas de realidade e devaneios do personagem de Michael Keaton, que denota facilmente a força da montagem. Quanto à concorrência, por se tratar de um filme de ação, Guardiões da Galáxia pode representar algum perigo. Como não vi Birdman ainda, concederia o prêmio a O Grande Hotel Budapeste, pelo ótimo ritmo obtido pela combinação entre os cortes, roteiro e atuação do elenco.

Edward Norton em cena de O Grande Hotel Budapeste (photo by cinemagia.ro)

Edward Norton em cena de O Grande Hotel Budapeste (photo by cinemagia.ro)

Entre as três animações indicadas, apesar da explosão que foi Uma Aventura Lego, acredito que Operação Big Hero pode levar o prêmio pelo ritmo mais frenético. Quanto aos documentários, Citizenfour tem se destacado por contar a trajetória de Edward Snowden através de uma entrevista.

Quanto aos fatos curiosos, embora não tenha uma acertividade tão alta (dos últimos 5 anos, acertou 3 em relação ao Oscar), o Eddie Awards é considerado um bom precursor do prêmio da Academia, pois segundo nota deles: “Nenhum filme ganhou o Oscar de Melhor Filme sem ter recebido pelo menos uma indicação ao Eddie desde ‘Gente Como a Gente’ em 1981”. O Eddie Awards existe desde 1962.

 Já entre os indicados de produções de televisão, a ótima série da HBO, True Detective, desponta como uma das favoritas justamente por seu tratamento de cinema na montagem de seus episódios não-lineares.

Segue lista dos indicados ao 65º Eddie Awards:

MELHOR MONTAGEM – DRAMA
– Joel Cox, Gary Roach (Sniper Americano)
– Sandra Adair (Boyhood: Da Infância à Juventude)
– Kirk Baxter (Garota Exemplar)
– William Goldenberg (O Jogo da Imitação)
– John Gilroy (O Abutre)
– Tom Cross (Whiplash: Em Busca da Perfeição)

MELHOR MONTAGEM – COMÉDIA OU MUSICAL
– Douglas Crise, Stephen Mirrione (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância))
– Fred Raskin, Hughes Winborne, Craig Wood (Guardiões da Galáxia)
– Wyatt Smith (Caminhos da Floresta)
– Leslie Jones (Vício Inerente)
– Barney Pilling (O Grande Hotel Budapeste)

MELHOR MONTAGEM – ANIMAÇÃO
 Tim Mertens (Operação Big Hero)
– Edie Ichioka (Os Boxtrolls)
– David Burrows, Chris McKay (Uma Aventura Lego)

Operação Big Hero, da Disney (photo by cinemagia.ro)

Operação Big Hero, da Disney (photo by cinemagia.ro)

MELHOR MONTAGEM – DOCUMENTÁRIO
– Mathilde Bonnefoy (Citizenfour)
– Aaron Wickenden (A Fotografia Oculta de Vivian Maier)
– Elisa Bonora (Glen Campbell: I’ll Be Me)

MELHOR MONTAGEM – DOCUMENTÁRIO (TELEVISÃO)
– John Duffy, Michael O’Halloran, Eric Lea (Cosmos: A SpaceTime Odyssey: Standing Up in the Milky Way)
– Troy Takaki, Joey Vigour (Pauly Shore Stands Alone)
– Erik Ewers (The Roosevelts: An Intimate History: Episode 3 / The Fire of Life)

MELHOR MONTAGEM – SÉRIE DE TV DE MEIA-HORA
– Brian Merken, Tim Roche (Sillicon Valley) – Episódio: “Optimal Tip to Tip Efficiency”
– Anthony Boys (Veep) – Episódio: “Special Relationship”
– Catherine Haight (Transparent) – Episódio: “Piloto”

MELHOR MONTAGEM – SÉRIE DE TV DE UMA HORA COM COMERCIAL
– Scott Powell (24 Horas) – Episódio: “10pm to 11am
– Christopher Gay (Mad Men) – Episódio: “Waterloo”
– Elena Maganini, Michael Ornstein (Madam Secretary) – Episódio: “Piloto”
– Yan Miles (Sherlock) – Episódio: “His Last Vow”
– Scott Vickrey (The Good Wife) – Episódio: “A Few Words”

MELHOR MONTAGEM – SÉRIE DE TV DE UMA HORA SEM COMERCIAL
– Affonso Gonçalves (True Detective) – Episódio: “Who Goes There”
– Alex Hall (True Detective) – Episódio: “The Secret Fate of All Life”
– Byron Smith (House of Cards) – Episódio: “Chapter 14”

Woody Harrelson e Matthew McConaughey em cena de True Detective, série da HBO (photo by cinemagia.ro)

Woody Harrelson e Matthew McConaughey em cena de True Detective, série da HBO (photo by cinemagia.ro)

MELHOR MONTAGEM – MINISSÉRIE OU FILME FEITO PARA TV
– Regis Kumble (Fargo) – Episódio: “Buridan’s Ass”
– Jeffrey M. Werner (Olive Kitteridge) – Episódio: “A Different Road”
– Adam Penn (The Normal Heart)

MELHOR MONTAGEM – SÉRIES NÃO ROTEIRIZADAS
– Hunter Gross (Anthony Bourdain: Parts Unknown) – Episódio: “Iran”
– Josh Earl, Johnny Bishop (Deadliest Catch) – Episódio: “Lost At Sea”
– Joe Langford, Nick Carew (Vice) – Episódio: “Greenland is Melting & Bonded Labor”

O Eddie Awards será entregue no dia 30 de janeiro em cerimônia no hotel Beverly Hilton.

‘Boyhood’ domina LAFCA Awards 2014 com 4 prêmios

Da esquerda para a direita: Lorelei Linklater, Ethan Hawke e Ellar Coltrane em Boyhood: Da Infância à Juventude (photo by elfilm.com)

Da esquerda para a direita: Lorelei Linklater, Ethan Hawke e Ellar Coltrane em Boyhood: Da Infância à Juventude (photo by elfilm.com)

BOYHOOD VENCE MAIS UM PRÊMIO IMPORTANTE. O GRANDE HOTEL BUDAPESTE E BIRDMAN SEGUEM NA COLA

Havia uma expectativa de que os críticos de Los Angeles elegeriam Birdman ou Jogo da Imitação como Melhor Filme, equilibrando assim as forças das campanhas do Oscar 2015, mas a preferência deles foi para o projeto de 12 anos de Boyhood: Da Infância à Juventude que, após ser ignorado pelo National Board of Review, retoma seu posto de favorito do ano, conquistado por sua vitória no NYFCC e pelas indicações no Independent Spirit Awards.

Pelo LAFCA, o filme de Richard Linklater levou também Melhor Diretor, Melhor Montagem e curiosamente, Melhor Atriz para Patricia Arquette, que vinha competindo até então como coadjuvante. Apesar da importância do papel materno de Arquette, o filme é protagonizado por Ellar Coltrane, então as chances de haver divisão de votos em categorias diferentes como houve com Kate Winslet por O Leitor, por exemplo, são bastante improváveis.

Embora esteja cedo pra decretar vitória, o fato de Boyhood ter cravado sua bandeira no Independent Spirit, NYFCC e LAFCA já garante seu lugar nas indicações, mas o grande diferencial da campanha rumo ao Oscar é justamente toda a história por trás do filme. Trata-se de um projeto feito à base de amor e confiança dos artistas envolvidos, pois não havia contratos. Toda a equipe se reunia por alguns dias uma vez por ano por 12 anos. O filme estava bem vulnerável ao fracasso. Qualquer um dos atores poderia morrer nesse período, tanto que houve uma promessa de que se Linklater viesse a falecer, Ethan Hawke assumiria a direção do projeto.

Apesar de ser a Academia, com membros igualmente acadêmicos, há uma esperança de que um filme como Boyhood possa triunfar sobre os demais concorrentes com tramas históricas como O Jogo da Imitação ou filmes biográficos como A Teoria de Tudo.

Entre as grandes surpresas do LAFCA estão as vitórias de Tom Hardy por Locke como Melhor Ator, e Agata Kulesza como Coadjuvante por Ida. Como críticos, eles também buscam destacar performances que muitas vezes passam desapercebidas pelo grande público. Ao premiar Kulesza, eles retiram o filme polonês Ida da monotonia da categoria de Filme Estrangeiro, ao mesmo tempo em que respeitam uma tradição de coroar artistas estrangeiros sempre que possível. Ano passado, a francesa Adèle Exarchopoulos foi a estrangeira da vez por Azul é a Cor Mais Quente.

Tom Hardy no filme britânico Locke (photo by outnow.ch)

Tom Hardy no filme britânico Locke (photo by outnow.ch)

Agata Kulesza em Ida (photo by outnow.ch)

Agata Kulesza em Ida (photo by outnow.ch)

Entre os demais vencedores do LAFCA, houve confirmações de favoritismo como a vitória de J.K. Simmons como Ator Coadjuvante por Whiplash: Em Busca da Perfeição, e até da ascensão do documentário sobre Edward Snowden e o mundo sob vigilância, Citizenfour.

Por mais que Boyhood tenha vencido, O Grande Hotel Budapeste, lançado no início de 2014, ainda foi bem lembrado e reconhecido devidamente nas categorias de Direção de Arte e Roteiro, ficando ainda com o posto de 2º lugar em categorias importantes como Filme e Diretor. O que pode enfraquecer a campanha do filme de Wes Anderson é a possível ausência de indicações nas categorias de atuação, pois não há perspectivas positivas de Ralph Fiennes como Melhor Ator até o momento.

Birdman corre justamente pelo lado oposto. Michael Keaton e Edward Norton ficaram em 2º lugar nas categorias de Ator e Ator Coadjuvante, respectivamente, podendo ainda conquistar espaço para Emma Stone como Coadjuvante, mesmo tendo forte concorrência como Meryl Streep, Patricia Arquette e Keira Knightley. Birdman pode e deve conquistar número elevado de indicações no Oscar, mas acredito que seu maior (e talvez único) feito seja a possível vitória de Michael Keaton como Melhor Ator. Seria uma conquista bastante pertinente, pois seu personagem também procura um retorno triunfal depois de anos no ostracismo.

E gostaria ainda de destacar a vitória da belíssima animação japonesa O Conto da Princesa Kaguya. Em meio às produções milionárias de Disney e grandes estúdios como Operação Big Hero 6, Uma Aventura Lego e Como Treinar Seu Dragão 2, é no mínimo singelo ver uma produção artística em 2D repleto de vida ser coroada a melhor do ano. Conhecido pela animação de partir o coração, Túmulo dos Vagalumes, o diretor Isao Takahata pode atingir um novo ápice com esta fantasia.

Cena do belo O Conto da Princesa Kaguya, de Isao Takahata (photo by outnow.ch)

Cena do belo O Conto da Princesa Kaguya, de Isao Takahata (photo by outnow.ch)

VENCEDORES DO LAFCA AWARDS 2014:

MELHOR FILME: Boyhood: Da Infância à Juventude (Boyhood)
2º Lugar: O Grande Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel)

MELHOR DIRETOR: Richard Linklater (Boyhood: Da Infância à Juventude)
2º Lugar: Wes Anderson (O Grande Hotel Budapeste)

MELHOR ATOR: Tom Hardy (Locke)
2º Lugar: Michael Keaton (Birdman)

MELHOR ATRIZ: Patricia Arquette (Boyhood: Da Infância à Juventude)
2º Lugar: Julianne Moore (Still Alice)

MELHOR ATOR COADJUVANTE: J.K. Simmons (Whiplash: Em Busca da Perfeição)
2º Lugar: Edward Norton (Birdman)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Agata Kulesza (Ida)
2º Lugar: Rene Russo (O Abutre)

MELHOR ROTEIRO: Wes Anderson (O Grande Hotel Budapeste)
2º Lugar: Alejandro González Iñárritu; Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris Jr., Armando Bo (Birdman)

MELHOR FOTOGRAFIA: Emmanuel Lubezki (Birdman)
2º Lugar: Dick Pope (Sr. Turner)

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA: Ida, de Pawel Pawlikowski (Polônia)
2º Lugar: Winter Sleep, de Nuri Bilge Ceylan (Turquia)

MELHOR TRILHA MUSICAL (Empate): Jonny Greenwood (Vício Inerente) & Mica Levi (Sob a Pele)

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE: Adam Stockhausen (O Grande Hotel Budapeste)
2º Lugar: Ondrej Nekvasil (Expresso do Amanhã)

MELHOR MONTAGEM: Sandra Adair (Boyhood: Da Infância à Juventude)
2º Lugar: Barney Pilling (O Grande Hotel Budapeste)

MELHOR ANIMAÇÃO: O Conto da Princesa Kaguya, de Isao Takahata
2º Lugar: Uma Aventura Lego, de Phil Lord e Christopher Miller

PRÊMIO NEW GENERATION: Ava DuVernay (Selma)

MELHOR DOCUMENTÁRIO: Citizenfour, de Laura Poitras
2º Lugar: Life Itself, de Steve James

PRÊMIO DOUGLAS EDWARDS EXPERIMENTAL/FILME INDEPENDENTE/VÍDEO: Walter Reuben (The David Whiting Story)

PRÊMIO PELO CONJUNTO DA OBRA: Gena Rowlands

O belo trabalho de Adam Stockhausen em O Grande Hotel Budapeste (photo by elfilm.com)

O belo trabalho de Adam Stockhausen em O Grande Hotel Budapeste (photo by elfilm.com)