‘ROMA’ LEVA MELHOR FILME no CRITICS’ CHOICE AWARDS

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No microfone, Alfonso Cuarón discursa à frente do elenco e equipe de Roma (pic by Hollywood Reporter)

FILME MEXICANO DA NETFLIX VENCE PRIMEIRO PRÊMIO TELEVISIONADO

Ok, dêem passagem porque a Bolha Assassina está passando… Ela pode engolir você se estiver em seu caminho!

Primeiro, gostaria que alguém me explicasse porque esse prêmio fuleiro tem essa importância na temporada. Ele não deveria nem existir, e muito menos ser transmitido ao vivo. Explico meu desgosto: 1º O prêmio ficou restrito a adivinhar quem vai ser indicado e ganhar o Oscar, mostrando que não tem personalidade. 2º Ele cria vagas de indicação e novas categorias a cada ano (daqui a pouco teremos indicados ao Framboesa nas listas). 3º De que adianta criar tanta categoria, se 60% dos resultados são divulgados como se fossem sorteio de bingo da igreja? Acho um desrespeito enorme não chamar ao palco os roteiristas, por exemplo.

E tenho minhas ressalvas a respeito desse prêmio especial chamado #SeeHer, que já foi dado a Viola Davis, Gal Gadot e agora para Claire Foy, cuja intenção é reconhecer “uma mulher que ultrapassa os limites para ajudar a mudar esteriótipos e reconhece a importância de retratos femininos autênticos pelo cenário de entretenimento”. Entendo o motivo político da honraria, mas Claire Foy era completamente desconhecida há dois anos. Por que não conceder o prêmio para uma Diane Keaton, por exemplo?

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Claire Foy com seu prêmio See Her ao lado de Viola Davis (pic by Hollywood Reporter)

Já o prêmio Creative Achievement para Chuck Lorre é bem merecido pelos 25 anos de carreira, e por ter criado séries de enorme sucesso e repercussão como The Big Bang Theory, Mom e Two and a Half Men.

DO SORTEIO DE BINGO

Embora tenha sido recordista de indicações, A Favorita levou apenas 2 prêmios das 14 indicações da noite. E curiosamente, nenhuma das atrizes estava presente na cerimônia, sendo que há uma semana no Globo de Ouro, as três estavam no evento.

O grande vencedor da noite foi o mexicano Roma. Além de levar Melhor Filme, foi o que mais levou prêmios: Direção, Filme em Língua Estrangeira e Fotografia, totalizando quatro. Foi o primeiro prêmio de Melhor Filme num prêmio transmitido pela TV. Seria o segundo, se o Globo de Ouro não tivesse regras contra estrangeiros na categoria principal.

Logo em seguida, com três prêmios, estão Vice e Pantera Negra. E com dois, Nasce uma Estrela, O Primeiro Homem e o já citado A Favorita.

DAS SURPRESAS

Até a parte final do show, os vencedores dos prêmios estavam sendo meras cópias do Globo de Ouro. Regina King e Mahershala Ali venceram como Coadjuvantes, Christian Bale e Olivia Colman como Atores de Comédia e Alfonso Cuarón como Diretor e Filme Estrangeiro. Até que chegou a categoria de Melhor Ator, que poderia ser para Rami Malek ou o esnobado Bradley Cooper. Aí foi para Christian Bale! Sim, agradecer ao próprio Satã rendeu frutos para o ator! Será que a alma de Bale vale um segundo Oscar pra carreira?

E a segunda surpresa foi o empate entre Glenn Close e Lady Gaga como Melhores Atrizes. Na dúvida de quem agradar, conceda o empate, certo Critics’ Choice? Eles gostaram tanto da idéia que fizeram o mesmo na categoria de Atriz de Minissérie, na qual houve empate entre Amy Adams e Patricia Arquette. Isso que eu chamo de personalidade…

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Glenn Close concede o microfone e o palco para Lady Gaga no empate de Melhor Atriz no Critics’ Choice Awards (pic by Gaga Daily)

CONSEQUÊNCIAS RUMO ÀS INDICAÇÕES AO OSCAR

Apesar de não ter afeto pelo Critics’ Choice, é inegável que seus resultados terão alguma repercussão na temporada, inclusive no anúncio dos indicados ao Oscar, que acontece no próximo dia 22. Todos que venceram nas principais categorias asseguraram suas indicações ao Oscar: Bale, Close, Gaga (sim, Lady Gaga vai ser indicada ao Oscar. Querendo você ou não), Ali, King, Cuarón… toda essa penca de gente estará no tapete vermelho.

Claro que ainda tem muito chão até a cerimônia do Oscar, no dia 24 de fevereiro, e muita coisa pode mudar ainda, mas o que houve com Bradley Cooper? Não saiu do zero no Globo de Ouro e agora nem no Critics’ Choice. Se ele não ganhar nada no SAG, dá pra dizer adeus ao Oscar… E Amy Adams? Será que vai rolar uma 6ª indicação ao Oscar sem vitória? Regina King a bateu nos dois prêmios. Pra sorte da Amy, King não foi indicada ao SAG, ou seja, ainda há brecha para uma reviravolta.

Sobre Direção, só eu acho que a Academia vai preterir Cuarón pra premiar Spike Lee? Caso isso aconteça, ele será o primeiro diretor negro a ganhar o Oscar, fato este que deveria ter ocorrido em 1990, quando Faça a Coisa Certa deveria ter sido indicado para Direção. E foi bacana ver Paul Schrader levando Roteiro Original aqui… ou melhor, não deu pra ver, porque anunciaram a categoria no intervalo. Desrespeitoso, pra não dizer ridículo.

Só os últimos adendos: Missão: Impossível – Efeito Fallout realmente foi o Melhor Filme de Ação de 2018. Parabéns para o diretor Christopher McQuarrie e Tom Cruise. E Melhor Filme de Terror eu substituiria Um Lugar Silencioso por Hereditário. Foi bacana saber que Homem-Aranha no Aranhaverso faturou mais um prêmio de Melhor Animação (mesmo que tenha sido no intervalo) e ver o elenco de Podres de Ricos subindo ao palco para receber Melhor Comédia.

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Elenco e equipe de Podres de Ricos agradecendo prêmio de Melhor Comédia (pic by E! Online)

CINEMA

MELHOR FILME
A Favorita (The Favourite)
Green Book: O Guia (Green Book)
Infiltrado na Klan (BlacKkKlansman)
Nasce uma Estrela (A Star is Born)
Pantera Negra (Black Panther)
O Primeiro Homem (First Man)
O Retorno de Mary Poppins (Mary Poppins Returns)
Roma (Roma)
Se a Rua Beale Falasse (If Beale Street Could Talk)
Vice

MELHOR ATOR
Christian Bale (Vice)
Bradley Cooper (Nasce uma Estrela)
Willem Dafoe (No Portal da Eternidade)
Ryan Gosling (O Primeiro Homem)
Ethan Hawke (First Reformed)
Rami Malek (Bohemian Rhapsody)
Viggo Mortensen (Green Book: O Guia)

MELHOR ATRIZ
Yalitza Aparicio (Roma)
Emily Blunt (O Retorno de Mary Poppins)
Glenn Close (A Esposa)
Toni Collette (Hereditário)
Olivia Colman (A Favorita)
Lady Gaga (Nasce uma Estrela)
Melissa McCarthy (Poderia Me Perdoar?)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Mahershala Ali (Green Book: O Guia)
Timothée Chalamet (Querido Menino)
Adam Driver (Infiltrado na Klan)
Sam Elliott (Nasce uma Estrela)
Richard E. Grant (Poderia Me Perdoar?)
Michael B. Jordan (Pantera Negra)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Amy Adams (Vice)
Claire Foy (O Primeiro Homem)
Nicole Kidman (Boy Erased: Uma Verdade Anulada)
Regina King (Se a Rua Beale Falasse)
Emma Stone (A Favorita)
Rachel Weisz (A Favorita)

MELHOR JOVEM ATOR OU ATRIZ
Elsie Fisher (Oitava Série)
Thomasin McKenzie (Não Deixe Rastros)
Ed Oxenbould (Vida Selvagem)
Millicent Simmonds (Um Lugar Silencioso)
Amandla Stenberg (O Ódio que Você Semeia)
Sunny Suljic (Mid90s)

MELHOR ELENCO
Pantera Negra
Podres de Ricos
A Favorita
Vice
As Viúvas

MELHOR DIREÇÃO
Damien Chazelle (O Primeiro Homem)
Bradley Cooper (Nasce uma Estrela)
Alfonso Cuarón (Roma)
Peter Farrelly (Green Book: O Guia)
Yorgos Lanthimos (A Favorita)
Spike Lee (Infiltrado na Klan)
Adam McKay (Vice)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Bo Burnham (Oitava Série)
Alfonso Cuarón (Roma)
Deborah Davis, Tony McNamara (A Favorita)
Adam McKay (Vice)
Paul Schrader (First Reformed)
Nick Vallelonga, Brian Hayes Currie, Peter Farrelly (Green Book: O Guia)
Bryan Woods, Scott Beck, John Krasinski (Um Lugar Silencioso)

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Ryan Coogler, Joe Robert Cole (Pantera Negra)
Nicole Holofcener, Jeff Whitty (Poderia Me Perdoar?)
Barry Jenkins (Se a Rua Beale Falasse)
Eric Roth, Bradley Cooper, Will Fetters (Nasce uma Estrela)
Josh Singer (O Primeiro Homem)
Charlie Wachtel, David Rabinowitz, Kevin Willmott, Spike Lee (Infiltrado na Klan)

MELHOR FOTOGRAFIA
Alfonso Cuarón (Roma)
James Laxton (Se a Rua Beale Falasse)
Matthew Libatique (Nasce uma Estrela)
Rachel Morrison (Pantera Negra)
Robbie Ryan (A Favorita)
Linus Sandgren (O Primeiro Homem)

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
Hannah Beachler, Jay Hart (Pantera Negra)
Eugenio Caballero, Barbara Enriquez (Roma)
Nelson Coates, Andrew Baseman (Podres de Ricos)
Fiona Crombie, Alice Felton (A Favorita)
Nathan Crowley, Kathy Lucas (O Primeiro Homem)
John Myhre, Gordon Sim (O Retorno de Mary Poppins)

MELHOR MONTAGEM
Jay Cassidy (Nasce uma Estrela)
Hank Corwin (Vice)
Tom Cross (O Primeiro Homem)
Alfonso Cuarón, Adam Gough (Roma)
Yorgos Mavropsaridis (A Favorita)
Joe Walker (As Viúvas)

MELHOR FIGURINO
Alexandra Byrne (Duas Rainhas)
Ruth Carter (Pantera Negra)
Julian Day (Bohemian Rhapsody)
Sandy Powell (A Favorita)
Sandy Powell (O Retorno de Mary Poppins)

MELHOR CABELO E MAQUIAGEM
Pantera Negra
Bohemian Rhapsody
A Favorita
Duas Rainhas
Suspiria
Vice

MELHORES EFEITOS VISUAIS
Vingadores: Guerra Infinita
Pantera Negra
O Primeiro Homem
O Retorno de Mary Poppins
Missão: Impossível – Efeito Fallout
Jogador Nº 1

MELHOR LONGA DE ANIMAÇÃO
O Grinch
Os Incríveis 2
Ilha dos Cachorros
Mirai
WiFi Ralph: Quebrando a Internet
Homem-Aranha no Aranhaverso

MELHOR FILME DE AÇÃO
Vingadores: Guerra Infinita
Pantera Negra
Deadpool 2
Missão: Impossível – Efeito Fallout
Jogador Nº 1
As Viúvas

MELHOR COMÉDIA
Podres de Ricos
Deadpool 2
A Morte de Stalin
A Favorita
A Noite do Jogo
Sorry to Bother You

MELHOR ATOR EM COMÉDIA
Christian Bale (Vice)
Jason Bateman (A Noite do Jogo)
Viggo Mortensen (Green Book: O Guia)
John C. Reilly (Stan & Ollie)
Ryan Reynolds (Deadpool 2)
Lakeith Stanfield (Sorry to Bother You)

MELHOR ATRIZ EM COMÉDIA
Emily Blunt (O Retorno de Mary Poppins)
Olivia Colman (A Favorita)
Elsie Fisher (Oitava Série)
Rachel McAdams (A Noite do Jogo)
Charlize Theron (Tully)
Constance Wu (Podres de Ricos)

MELHOR TERROR OU FICÇÃO CIENTÍFICA
Aniquilação (Annihilation)
Halloween (Halloween)
Hereditário (Hereditary)
Um Lugar Silencioso (A Quiet Place)
Suspiria

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
Em Chamas
Cafarnaum
Guerra Fria
Roma
Assunto de Família

MELHOR CANÇÃO
All the Stars (Pantera Negra)
Girl in the Movies (Dumplin’)
I’ll Fight (RBG)
The Place Where Lost Things Go (O Retorno de Mary Poppins)
Shallow (Nasce uma Estrela)
Trip a Little Light Fantastic (O Retorno de Mary Poppins)

MELHOR TRILHA MUSICAL
Kris Bowers (Green Book: O Guia)
Nicholas Britell (Se a Rua Beale Falasse)
Alexandre Desplat (Ilha dos Cachorros)
Ludwig Göransson (Pantera Negra)
Justin Hurwitz (O Primeiro Homem)
Marc Shaiman (O Retorno de Mary Poppins)

TELEVISÃO E STREAMING

MELHOR SÉRIE DRAMÁTICA
The Americans (FX)

MELHOR ATOR EM SÉRIE DRAMÁTICA
Matthew Rhys – “The Americans” (FX)

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DRAMÁTICA
Sandra Oh – “Killing Eve” (BBC America)

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DRAMÁTICA
Noah Emmerich – “The Americans” (FX)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DRAMÁTICA
Thandie Newton – “Westworld” (HBO)

MELHOR SÉRIE DE COMÉDIA
The Marvelous Mrs. Maisel (Amazon)

MELHOR ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA
Bill Hader – “Barry” (HBO)

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA
Rachel Brosnahan – “The Marvelous Mrs. Maisel” (Amazon)

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA
Henry Winkler – “Barry” (HBO)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA
Alex Borstein – “The Marvelous Mrs. Maisel” (Amazon)

MELHOR MINISSÉRIE
The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story (FX)

MELHOR FILME PARA TV
Jesus Christ Superstar Live in Concert (NBC)

MELHOR ATOR EM MINISSÉRIE OU FILME PARA TV
Darren Criss – “The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story” (FX)

MELHOR ATRIZ EM MINISSÉRIE OU FILME PARA TV
Amy Adams – “Sharp Objects” (HBO)
Patricia Arquette – “Escape at Dannemora” (Showtime)

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM MINISSÉRIE OU FILME PARA TV
Ben Whishaw – “A Very English Scandal” (Amazon)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM MINISSÉRIE OU FILME PARA TV
Patricia Clarkson – “Sharp Objects” (HBO)

MELHOR SÉRIE ANIMADA
BoJack Horseman (Netflix)

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‘A FAVORITA’ REINA no BAFTA com 12 INDICAÇÕES

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Emma Stone em cena de A Favorita, recordista de indicações ao BAFTA 2019 (pic by cineimage.ch)

FILME BRITÂNICO TEM AMPLA VANTAGEM DIANTE DOS DEMAIS CONCORRENTES

Com o Oscar antecipado para o dia 24 de fevereiro, TODOS os prêmios que o antecedem estão antecipando suas listas e cerimônias, então, todo dia tem uns trocentos indicados novos e mil coisas pra postar, e quem precisa dormir como faz?! Brincadeiras à parte, é curioso ver como uma mudança simples no calendário gera um tsunami.

Neste dia 09, foi a vez da Academia Britânica (BAFTA) anunciar suas indicações. E como esperado, A Favorita foi o filme recordista de indicações com 12, já que se trata de um filme de época (que proporciona indicações de Direção de Arte, Figurino e Maquiagem) e um elenco qualificado (três atrizes em alta: Olivia Colman, Rachel Weisz e Emma Stone).

Bem abaixo, empatados em segundo lugar, estão Bohemian Rhapsody, Roma, O Primeiro Homem e Nasce uma Estrela com sete indicações cada. Logo em seguida, Vice com seis, Infiltrado na Klan com cinco, e Green Book e Guerra Fria com quatro cada.

Vale destacar que Alfonso Cuarón conquistou SEIS indicações em seu nome, e Bradley Cooper conquistou CINCO. E esses feitos notáveis podem e devem se repetir nas indicações ao Oscar. A questão que fica é: em qual categoria eles serão compensados? À princípio, Cuarón em Filme Estrangeiro e Fotografia, e Cooper em Ator ou Diretor.

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Alfonso Cuarón dirige cena marcante na praia em Roma (pic by IMDb)

O anúncio foi feito pelos atores Hayley Squires (do vencedor da Palma de Ouro Eu, Daniel Blake) e Will Poulter (que recentemente participou do filme interativo da Netflix Black Mirror: Bandersnatch).

As indicações do BAFTA reforçam bastante a campanha do filme de Yorgos Lanthimos, e pode consolidá-lo como recordista de indicações ao Oscar também, assim como reforçar uma possível primeira indicação à Direção, mesmo que tenha ficado de fora da seleção do DGA.

Muito beneficiado pela recente vitória no Globo de Ouro, Bohemian Rhapsody conquistou inacreditáveis sete indicações. Há um mês, falavam apenas numa única indicação de Melhor Ator para Malek, e olhe lá! Acho um tanto exagerado esse hype todo em torno do filme, principalmente as indicações para Fotografia e Montagem.

E o BAFTA retirou um pouco do limbo o filme de Damien Chazelle. Eram esperadas as indicações técnicas como Fotografia, Montagem, Som e Efeitos Sonoros, mas O Primeiro Homem conquistou ainda espaço em Roteiro Adaptado (particularmente não curto muito os trabalhos do Josh Singer, mas…) e Atriz Coadjuvante (Claire Foy ficou meio esquecida depois de ter sido preterida no SAG).

E vale citar o crescimento do filme polonês Guerra Fria que, além de Melhor Filme em Língua Estrangeira, foi reconhecido como Melhor Direção (lembrando que Pawlikowski venceu este mesmo prêmio em Cannes, e já levou o Oscar por seu filme anterior, Ida), Melhor Fotografia (um belíssimo preto-e-branco) e Roteiro Original, que me parece um pouco exagerado.

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Joanna Kulig e Tomasz Kot em cena do polonês Guerra Fria (pic by Outnow.CH)

Nas categorias de atuação, a surpresa ficou por conta de Steve Coogan por Stan & Ollie. Enquanto os poucos que lembravam da cinebiografia de O Gordo e o Magro só mencionavam John C. Reilly, o BAFTA resolveu reconhecer Coogan. Ele deixa pra trás alguns concorrentes mais fortes como Willem Dafoe, Lucas Hedges e até Ethan Hawke. Na ala feminina, o elemento surpresa ficou com Viola Davis, cujo filme As Viúvas estava desaparecido na temporada. Achei curiosa a ausência de Emily Blunt pelo O Retorno de Mary Poppins pelo ícone que a personagem é na cultura britânica, mas pelo visto, os votantes não quiseram trair a Poppins de Julie Andrews.

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Steve Coogan como Stanley em Stan & Ollie (pic by IMDb)

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Viola Davis foi lembrada por As Viúvas no BAFTA (pic by IMDb)

Ainda sobre os atores, chama a atenção uma nova ausência de Regina King como Coadjuvante por Se a Rua Beale Falasse. Mesmo depois de ganhar o Globo de Ouro, a atriz não havia emplacado no SAG, e agora no BAFTA. Será que ainda rola indicação ao Oscar desse jeito? Amy Adams agradece novamente.

Fiquei desapontado com a ausência de Oitava Série (nem Roteiro Original para Bo Burnham, nem Atriz para Elsie Fisher) e Hereditário (será que não teria sido melhor ter lançado o filme perto do fim de ano? Toni Collette está morrendo na praia…).

MELHOR FILME
INFILTRADO NA KLAN (BLACKkKLANSMAN) Jason Blum, Spike Lee, Raymond Mansfield, Sean McKittrick, Jordan Peele
A FAVORITA (THE FAVOURITE) Ceci Dempsey, Ed Guiney, Yorgos Lanthimos, Lee Magiday
GREEN BOOK: O GUIA (GREEN BOOK) Jim Burke, Brian Currie, Peter Farrelly, Nick Vallelonga, Charles B. Wessler
ROMA (ROMA) Alfonso Cuarón, Gabriela Rodríguez
NASCE UMA ESTRELA (A STAR IS BORN) Bradley Cooper, Bill Gerber, Lynette Howell Taylor

MELHOR FILME BRITÂNICO
BEAST Michael Pearce, Kristian Brodie, Lauren Dark, Ivana MacKinnon
BOHEMIAN RHAPSODY (BOHEMIAN RHAPSODY) Bryan Singer, Graham King, Anthony McCarten
A FAVORITA (THE FAVOURITE) Yorgos Lanthimos, Ceci Dempsey, Ed Guiney, Lee Magiday, Deborah Davis, Tony McNamara
McQUEEN Ian Bonhôte, Peter Ettedgui, Andee Ryder, Nick Taussig
STAN & OLLIE Jon S. Baird, Faye Ward, Jeff Pope
VOCÊ NUNCA ESTEVE REALMENTE AQUI (YOU WERE NEVER REALLY HERE) Lynne Ramsay, Rosa Attab, Pascal Caucheteux, James Wilson

ROTEIRISTA, DIRETOR OU PRODUTOR BRITÂNICO ESTREANTE 
APOSTASY Daniel Kokotajlo (Writer/Director)
BEAST Michael Pearce (Writer/Director), Lauren Dark (Producer)
A CAMBODIAN SPRING Chris Kelly (Writer/Director/Producer)
PILI Leanne Welham (Writer/Director), Sophie Harman (Producer)
RAY & LIZ Richard Billingham (Writer/Director), Jacqui Davies (Producer)

FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
CAPERNAUM Nadine Labaki, Khaled Mouzanar
GUERRA FRIA Paweł Pawlikowski, Tanya Seghatchian, Ewa Puszczyńska
DOGMAN Matteo Garrone, Jean Labadie, Jeremy Thomas,
Paolo Del Brocco
ROMA Alfonso Cuarón, Gabriela Rodríguez
ASSUNTO DE FAMÍLIA Hirokazu Kore-eda, Kaoru Matsuzaki

DOCUMENTÁRIO
FREE SOLO Elizabeth Chai Vasarhelyi, Jimmy Chin
McQUEEN Ian Bonhôte, Peter Ettedgui
RBG Julie Cohen, Betsy West
THEY SHALL NOT GROW OLD Peter Jackson
TRÊS ESTRANHOS IDÊNTICOS Tim Wardle, Grace Hughes-Hallett, Becky Read

LONGA DE ANIMAÇÃO
OS INCRÍVEIS 2 Brad Bird, John Walker
ILHA DOS CACHORROS Wes Anderson, Jeremy Dawson
HOMEM-ARANHA NO ARANHAVERSO Bob Persichetti, Peter Ramsey, Rodney Rothman, Phil Lord

DIREÇÃO
INFILTRADO NA KLAN Spike Lee
GUERRA FRIA Paweł Pawlikowski
A FAVORITA Yorgos Lanthimos
ROMA Alfonso Cuarón
NASCE UMA ESTRELA Bradley Cooper

ROTEIRO ORIGINAL
GUERRA FRIA Janusz Głowacki, Paweł Pawlikowski
A FAVORITA Deborah Davis, Tony McNamara
GREEN BOOK Brian Currie, Peter Farrelly, Nick Vallelonga
ROMA Alfonso Cuarón
VICE Adam McKay

ROTEIRO ADAPTADO
INFILTRADO NA KLAN Spike Lee, David Rabinowitz, Charlie Wachtel, Kevin Willmott
PODERIA ME PERDOAR? Nicole Holofcener, Jeff Whitty
O PRIMEIRO HOMEM Josh Singer
SE A RUA BEALE FALASSE Barry Jenkins
NASCE UMA ESTRELA Bradley Cooper, Will Fetters, Eric Roth

ATRIZ
GLENN CLOSE (A Esposa)
LADY GAGA (Nasce uma Estrela)
MELISSA McCARTHY (Poderia me Perdoar?)
OLIVIA COLMAN (A Favorita)
VIOLA DAVIS (As Viúvas)

ATOR
BRADLEY COOPER (Nasce uma Estrela)
CHRISTIAN BALE (Vice)
RAMI MALEK (Bohemian Rhapsody)
STEVE COOGAN (Stan & Ollie)
VIGGO MORTENSEN (Green Book)

ATRIZ COADJUVANTE
AMY ADAMS (Vice)
CLAIRE FOY (O Primeiro Homem)
MARGOT ROBBIE (Duas Rainhas)
EMMA STONE (A Favorita)
RACHEL WEISZ (A Favorita)

ATOR COADJUVANTE
ADAM DRIVER (Infiltrado na Klan)
MAHERSHALA ALI (Green Book)
RICHARD E. GRANT (Poderia me Perdoar?)
SAM ROCKWELL (Vice)
TIMOTHÉE CHALAMET (Querido Menino)

TRILHA ORIGINAL
INFILTRADO NA KLAN Terence Blanchard
SE A RUA BEALE FALASSE Nicholas Britell
ILHA DOS CACHORROS Alexandre Desplat
O RETORNO DE MARY POPPINS Marc Shaiman
NASCE UMA ESTRELA Bradley Cooper, Lady Gaga, Lukas Nelson

FOTOGRAFIA
BOHEMIAN RHAPSODY Newton Thomas Sigel
GUERRA FRIA Łukasz Żal
A FAVORITA Robbie Ryan
O PRIMEIRO HOMEM Linus Sandgren
ROMA Alfonso Cuarón

MONTAGEM
BOHEMIAN RHAPSODY John Ottman
A FAVORITA Yorgos Mavropsaridis
O PRIMEIRO HOMEM Tom Cross
ROMA Alfonso Cuarón, Adam Gough
VICE Hank Corwin

DIREÇÃO DE ARTE
ANIMAIS FANTÁSTICOS: OS CRIMES DE GRINDELWALD Stuart Craig, Anna Pinnock
A FAVORITA Fiona Crombie, Alice Felton
O PRIMEIRO HOMEM Nathan Crowley, Kathy Lucas
O RETORNO DE MARY POPPINS John Myhre, Gordon Sim
ROMA Eugenio Caballero, Bárbara Enríquez

FIGURINO
THE BALLAD OF BUSTER SCRUGGS Mary Zophres
BOHEMIAN RHAPSODY Julian Day
A FAVORITA Sandy Powell
O RETORNO DE MARY POPPINS Sandy Powell
DUAS RAINHAS Alexandra Byrne

MAQUIAGEM E CABELO
BOHEMIAN RHAPSODY Mark Coulier, Jan Sewell
A FAVORITA Nadia Stacey
DUAS RAINHAS Jenny Shircore
STAN & OLLIE Mark Coulier, Jeremy Woodhead
VICE Indicados ainda não definidos

SOM
BOHEMIAN RHAPSODY John Casali, Tim Cavagin, Nina Hartstone, Paul Massey, John Warhurst
O PRIMEIRO HOMEM Mary H. Ellis, Mildred Iatrou Morgan, Ai-Ling Lee, Frank A. Montaño, Jon Taylor
MISSÃO: IMPOSSÍVEL – EFEITO FALLOUT Gilbert Lake, James H. Mather, Christopher Munro, Mike Prestwood Smith
UM LUGAR SILENCIOSO Erik Aadahl, Michael Barosky, Brandon Procter, Ethan Van der Ryn
NASCE UMA ESTRELA Steve Morrow, Alan Robert Murray, Jason Ruder, Tom Ozanich, Dean Zupancic

EFEITOS VISUAIS
VINGADORES: GUERRA INFINITA Dan DeLeeuw, Russell Earl, Kelly Port, Dan Sudick
PANTERA NEGRA Geoffrey Baumann, Jesse James Chisholm, Craig Hammack, Dan Sudick
ANIMAIS FANTÁSTICOS: OS CRIMES DE GRINDELWALD Tim Burke, Andy Kind, Christian Manz, David Watkins
O PRIMEIRO HOMEM Ian Hunter, Paul Lambert, Tristan Myles, J.D. Schwalm
JOGADOR Nº 1 Matthew E. Butler, Grady Cofer, Roger Guyett, David Shirk

CURTA DE ANIMAÇÃO BRITÂNICO
I’M OK Elizabeth Hobbs, Abigail Addison, Jelena Popović
MARFA Gary McLeod, Myles McLeod
ROUGHHOUSE Jonathan Hodgson, Richard Van Den Boom

CURTA-METRAGEM BRITÂNICO
73 COWS Alex Lockwood
BACHELOR, 38 Angela Clarke
THE BLUE DOOR Ben Clark, Megan Pugh, Paul Taylor
THE FIELD Sandhya Suri, Balthazar de Ganay
WALE Barnaby Blackburn, Sophie Alexander, Catherine Slater, Edward Speleers

PRÊMIO EE RISING STAR (votado pelo público)
BARRY KEOGHAN
CYNTHIA ERIVO
JESSIE BUCKLEY
LAKEITH STANFIELD
LETITIA WRIGHT

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Indicados ao EE Rising Star, da esquerda para a direita: Cynthia Erivo, Barry Keoghan, Letitia Wright, Lakeith Stanfield e Jessia Buckley (montage by Movie Marker)

***

A cerimônia de premiação acontece no dia 10 de fevereiro no London’s Royal Albert Hall. Joanna Lumley retorna como hostess.

‘NASCE UMA ESTRELA’ é o DESTAQUE do DGA, WGA, ASC e EDDIE AWARDS

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Indicado ao WGA: cena de Um Lugar Silencioso com John Krasinski (pic by outnow.ch)

Mal o ano começou, já tivemos as surpresas do Globo de Ouro, e agora temos o anúncios de três prêmios de sindicatos relevantes para a temporada e para a corrida do Oscar.

Vamos começar pelo mais chato e rígido de todos, o Writers Guild of America (WGA), do sindicato dos roteiristas. Pra quem está embarcando agora, o WGA é o mais complicado porque ele exige uma série de cumprimento de regras como filiação ao sindicato, e não reconhece roteiros de animações (com isso, quem sai perdendo é o próprio sindicato).

Os roteiros ausentes na lista do WGA não perdem muito, mas se forem lembrados, suas campanhas encorpam para o Oscar. Ano passado, os vencedores Corra! e Me Chame Pelo Seu Nome repetiram suas vitórias no Oscar. Apesar de serem rígidos, na última década, 2/3 dos indicados do WGA foram indicados ao Oscar também.

Este ano, entre as ausências mais notáveis que foram desqualificadas pelas toneladas de regras estão: A Favorita, Não Deixe Rastros, Domando o Destino, A Morte de Stalin, Hereditário e Sorry to Bother You, além dos estrangeiros Guerra Fria e Capernaum, e as animações Os Incríveis 2 e Ilha dos Cachorros. Já os esnobados foram Paul Schrader (No Coração da Escuridão) e Josh Singer (O Primeiro Homem).

Entre os indicados, destaque para os sucessos comerciais de Um Lugar Silencioso, Nasce uma Estrela e Pantera Negra, que pode repetir o feito de Logan (2017), que foi indicado no WGA e Oscar, tornando-se o primeiro roteiro indicado ao Oscar baseado em quadrinhos de super-heróis.

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Indicado ao WGA: Cena de Pantera Negra (pic by outnow.ch)

Pela categoria de Documentário, o curioso foi a total ausência de trabalhos reconhecidos em premiações anteriores como Won’t You Be My Neighbor, Free Solo e RBG, mas dá notoriedade para outros como o de Michael Moore, Fahrenheit 11/09.

ROTEIRO ORIGINAL
* Bo Burnham (Oitava Série)
* Nick Vallelonga, Brian Currie e Peter Farrelly (Green Book: O Guia)
* Bryan Woods, Scott Beck e John Krasinski, história de Bryan Woods e Scott Beck (Um Lugar Silencioso)
* Alfonso Cuarón (Roma)
* Adam McKay (Vice)

ROTEIRO ADAPTADO
Charlie Wachtel, David Rabinowitz, Kevin Willmott e Spike Lee – Baseado no livro de Ron Stallworth (Infiltrado na Klan)
* Ryan Coogler, Joe Robert Cole – Baseado nos quadrinhos da Marvel Comics de Stan Lee e Jack Kirby (Pantera Negra)
* Nicole Holofcener e Jeff Whitty – Baseado no livro de Lee Israel (Poderia Me Perdoar?)
* Barry Jenkins – Baseado no romance de James Baldwin (Se a Rua Beale Falasse)
* Eric Roth, Bradley Cooper e Will Fetters – Baseado no roteiro de 1954 de Moss Hart, no roteiro de 1976 de John Gregory Dunne, Joan Didion e Frank Pierson, baseado na história William Wellman e Robert Carson (Nasce uma Estrela)

ROTEIRO DE DOCUMENTÁRIO
Ozzy Inguanzo & Dava Whisenant (Bathtubs Over Broadway)
* Michael Moore (Fahrenheit 11/9)
* Lauren Greenfield (Generation Wealth)
* Gabe Polsky (In Search of Greatness)

***

O anúncio dos vencedores do WGA ocorre no dia 17 de fevereiro.

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Cena dentro do cinema em Roma, de Alfonso Cuarón (pic by IMDb)

A Associação Americana de Diretores de Fotografia (ASC) também divulgou suas seleções de trabalhos. A lista demonstra diversidade técnica que vai da película de 65 mm de Roma, passando pela exploração das luzes de velas em A Favorita, até o multi-formato de O Primeiro Homem.

Felizmente, é daqueles ano em que podemos dizer “Qualquer um que ganhar merece”. Até o momento, o trabalho mais premiado foi de Alfonso Cuarón por Roma, aliás, ele se tornou o primeiro DP (director of photography) a ser indicado na categoria principal fotografando o próprio filme que dirigiu. Em 2016, Cary Joji Fukunaga conseguiu o mesmo feito por Beasts of No Nation, mas pela categoria  Spotlight Award.

Pelas estatísticas, 80% dos trabalhos nas listas do ASC vão parar na categoria de Fotografia do Oscar. Normalmente, quatro estão em ambas as listas, e um é substituído. À princípio, nessa dança das cadeiras, Matthew Libatique por Nasce uma Estrela pode perder seu lugar para um dos ausentes mais comentados: Rachel Morrison (que se tornou a primeira DP mulher indicada ao ASC e ao Oscar por Mudbound) por Pantera Negra, ou James Laxton por Se a Rua Beale Falasse.

MELHOR FOTOGRAFIA
* Alfonso Cuarón (Roma)
* Matthew Libatique (Nasce uma Estrela)
* Robbie Ryan (A Favorita)
* Linus Sandgren (O Primeiro Homem)
* Łukasz Żal (Guerra Fria)

PRÊMIO SPOTLIGHT
* Joshua James Richards (Domando o Destino)
* Giorgi Shvelidze (Namme)
* Frank van den Eeden (Girl)

THE RIDER

Joshua James Richards conseguiu explorar o melhor no singelo Domando o Destino (pic by IMDb)

Pela categoria do prêmio Spotlight para filmes menos conhecidos, Joshua James Richards merece o destaque por explorar a beleza natural do cenário, identificando sua luz no protagonista e seu paixão pelo cavalo em Domando o Destino, que faturou o prêmio de Melhor Filme no último Gotham Award.

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A cerimônia do 33º ASC Awards está marcado para o dia 09 de fevereiro.

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John David Washington e Laura Harrier em cena de Infiltrado na Klan (pic by outnow.ch)

Com cerca de 1.000 membros, o sindicato de Montadores também anunciou seus indicados na última segunda. Aqui a porcentagem de acerto é um pouco melhor do que a de Fotografia com 88% considerando os últimos 25 anos.

Aqui, como no Globo de Ouro, o Eddie é dividido em duas categorias: Drama e Comédia, além das de Animação e Documentário, o que dificulta no esquecimento de alguns trabalhos mais fortes. No ano passado, Dunkirk levou Montagem – Drama e acabou ficando com o Oscar também. Normalmente, os filmes de ação e guerra têm boa vantagem em relação aos demais gêneros. E o prêmio costuma revelar o Melhor Filme. Dificilmente o filme que levar Melhor Filme não vai estar indicado ao Oscar de Montagem.

Achei curiosa a indicação de Infiltrado na Klan como Drama. Apesar do tema sério do racismo, fica nítido que Spike Lee dirigiu uma comédia. O resultado pode ser catastrófico como no Globo de Ouro, de onde saiu de mãos abanando.

MELHOR MONTAGEM (DRAMA)
* Barry Alexander Brown (Infiltrado na Klan)
* John Ottman (Bohemian Rhapsody)
* Tom Cross (O Primeiro Homem)
* Alfonso Cuarón & Adam Gough (Roma)
* Jay Cassidy (Nasce uma Estrela)

MELHOR MONTAGEM (COMÉDIA)
* Myron Kerstein (Podres de Ricos)
* Craig Alpert, Elísabet Ronaldsdóttir, Dirk Westervelt (Deadpool 2)
* Yorgos Mavropsaridis (A Favorita)
* Patrick J. Don Vito (Green Book: O Guia)
* Hank Corwin (Vice)

MELHOR MONTAGEM DE ANIMAÇÃO
* Stephen Schaffer (Os Incríveis 2)
* Andrew Weisblum, Ralph Foster, Edward Bursch (Ilha dos Cachorros)
* Robert Fisher, Jr. (Homem-Aranha no Aranhaverso)

MELHOR MONTAGEM DE DOCUMENTÁRIO
* Bob Eisenhardt (Free Solo)
* Carla Gutierrez (RBG)
* Michael Harte (Três Estranhos Idênticos)
* Jeff Malmberg, Aaron Wickenden (Won’t You Be My Neighbor?)

MELHOR MONTAGEM DE DOCUMENTÁRIO (FEITO PARA TV)
* Martin Singer (A Final Cut for Orson: 40 Years in the Making)
* Greg Finton, Poppy Das (Robin Williams: Come Inside My Mind)
* Neil Meiklejohn (Wild Wild Country, Part 3)
* Joe Beshenkovsky (The Zen Diaries of Garry Shandling)

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A cerimônia do 69º Eddie Awards acontecerá no dia 1º de fevereiro.

'A Star Is Born' Film - 2018

Bradley Cooper explica cena para diretor de fotografia Matthew Libatique para Nasce uma Estrela (pic by Variety)

Entre todos os prêmios de sindicato, o Directors Guild of America (DGA) é o mais importante pelo seu histórico de ter apenas sete divergências entre ele e o Oscar, sendo a última em 2013, naquele episódio fatídico do Ben Affleck ficar de fora da categoria por Argo. As estatísticas, como citei, são as maiores: 90% de acerto em relação ao Oscar, ou seja, quem ganhar aqui, está com uma das mãos na estatueta dourada.

MELHOR DIREÇÃO

  • Bradley Cooper (Nasce uma Estrela)
  • Alfonso Cuarón (Roma)
  • Peter Farrelly (Green Book: O Guia)
  • Spike Lee (Infiltrado na Klan)
  • Adam McKay (Vice)

Apesar da vasta filmografia, Spike Lee é apenas o quinto diretor negro indicado ao DGA. O primeiro foi Lee Daniels (Preciosa) em 2010, Steve McQueen (12 Anos de Escravidão) em 2014, Barry Jenkins (Moonlight) em 2017 e Jordan Peele (Corra!) ano passado. Na verdade, esse é um dado estatístico que não costumo dar muita importância, porque parece que estou pedindo mais diretores negros indicados APENAS pela cor da pele. Gostaria de ver diretores negros mais reconhecidos apenas por seus trabalhos, assim como queria que Spike Lee tivesse sido indicado lá atrás em 1990 por Faça a Coisa Certa.

Ainda na temática politicamente correta, houve bons trabalhos de diretoras mulheres em 2018 como Poderia Me Perdoar?, da Marielle Heller, e Mais uma Chance, da Tamara Jenkins, mas particularmente, se fosse defender campanha feminina seria apenas da Chloé Zhao no independente Domando o Destino.

Voltando à lista do DGA, a inclusão de Peter Farrelly foi uma surpresa. Apesar da recente vitória de seu Green Book no Globo de Ouro ter ajudado bastante, o diretor nunca gozou de uma boa reputação como diretor em Hollywood, porque suas comédias escrachadas e politicamente incorretas sempre sofreram preconceito. Por isso, se alguém da lista não conseguir espaço no Oscar, acredito que será ele.

Por outro lado, se alguém conseguir surpreender, temos alguns nomes na fila de espera como o de Barry Jenkins (Se a Rua Beale Falasse), Damien Chazelle (O Primeiro Homem), Yorgos Lanthimos (A Favorita) e até Ryan Coogler (Pantera Negra).

MELHOR DIRETOR ESTREANTE

  • Bo Burnham (Oitava Série)
  • Bradley Cooper (Nasce uma Estrela)
  • Carlos Lopez Estrada (Ponto Cego)
  • Matthew Heineman (A Private War)
  • Boots Riley (Sorry to Bother You)

Na categoria de estreantes, Bradley Cooper aparece novamente e é o que mais tem chances de vitória, a menos que ganhe Direção e o prêmio de estreante vá para outro. Se for para Bo Burnham, seria um prêmio bem justo, pois ele trouxe muita energia e vibração desta nova geração de adolescentes em Oitava Série.

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Bo Burnham dirige Elsie Fisher em cena de Oitava Série (pic by Vanity Fair)

Não vi os demais diretores indicados aqui, mas sem querer menosprezar esses trabalhos, ressalto aqui a estréia corajosa de Ari Aster em Hereditário, que mostrou muita personalidade na criação de atmosfera de terror psicológico, e Aneesh Chaganti por Buscando…, que teve ótimas sacadas para seu filme se apoiar exclusivamente de telas de celular, computador e TV.

Sobre Matthew Heineman, um fato curioso: ele foi indicado como estreante, mas já ganhou dois prêmios do DGA por Cartel Land e City Ghosts, mas como se tratam de documentários, eles consideram estréia na ficção.

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A 71ª cerimônia de premiação do DGA está agendada para o dia 02 de fevereiro. 

Com 14 INDICAÇÕES, ‘A FAVORITA’ LIDERA o CRITICS’ CHOICE AWARDS

The Favourite Emma Stone Olivia Colman

Emma Stone agradando a Rainha Anne (Olivia Colman) em cena de A Favorita (pic by IMDb)

FILME DE ÉPOCA DO GREGO YORGOS LANTHIMOS TEM TUDO PARA REPETIR O FEITO NO BAFTA E NO OSCAR

Nesta segunda, dia 10/12, foram anunciadas as indicações ao Critics’ Choice Awards, ou como gostamos de chamar carinhosamente de “A Bolha Assassina” (quer ser todos os prêmios, mas não é nenhum). Explicando rapidamente: o Critics’ Choice está apenas em sua 24ª edição, mas a cada ano que passa, o prêmio gosta de agregar novas categorias, tipo aquele vizinho chato que quer convidar o bairro inteiro para a festa dele só pra dizer que é a melhor? Já “roubou” a categoria de Melhor Elenco do SAG, e Melhor Terror e Sci-Fi do Saturn Awards. Daqui a pouco, pegam Melhor Beijo do MTV Movie Awards. Este ano, inventaram que deveriam ter 7 (sete!) indicados nas categorias de direção e atuação. Daqui a pouco até o Keanu Reeves vai ser indicado. Cadê a seletividade nesse negócio?

Aliás, vamos dar o braço a torcer este ano para o Critics’, afinal ele está fazendo escola até no Oscar, que está inventando de criar uma nova categoria para “Filmes Populares”. No Critics’, isso já existe faz tempo: Melhor Filme de Comédia, Melhor Filme de Ação e Melhor Filme de Terror e Ficção Científica. Podiam criar Melhor Filme de Arte! Vamos chamar os diretores europeus e asiáticos pra roda, ué!

E uma coisa que detestamos na cerimônia do Critics’ Choice é a apresentação de prêmios seletiva no palco. Eles têm cerca de 50 categorias, mas só querem apresentar umas 20 no palco. Os outros menos populares passam nos intervalos com seus nomes expostos em quadros, tipo resultado de loteria. Muito capenga!

NÚMEROS DA BOLHA

Como dito anteriormente, 14 indicações para A Favorita. Não é nenhuma surpresa, já que os filmes de época tendem a conquistar indicações em categorias técnicas como Direção de Arte, Figurino e Maquiagem, pelo menos. Além disso, as três atrizes do filme foram reconhecidas, o que expande ainda mais o espaço do filme na premiação. Desse total, apenas 3 indicações são de categorias que não existem no Oscar: Comédia, Atriz de Comédia e Elenco, ou seja, o filme de Yorgos Lanthimos deve conquistar entre 10 ou 11 indicações em janeiro.

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Michael B. Jordan e Chadwick Boseman em cena de Pantera Negra (pic by IMDb)

 

Em segundo lugar, o blockbuster conceitual politicamente correto Pantera Negra acumula 12 indicações, com destaque para Michael B. Jordan como Coadjuvante e Ryan Coogler concorrendo por Roteiro Adaptado. Em terceiro, vem O Primeiro Homem, que estava em franca decadência na temporada, com 10 indicações. Essas três produções concorrem com Nasce uma Estrela (9 indicações), Vice (9), O Retorno de Mary Poppins (9), Roma (8), Green Book: O Guia (7), Se a Rua Beale Falasse (5) e Infiltrado na Klan (4) o prêmio de Melhor Filme.

Nas categorias alternativas, estão filmes que até pouco tempo atrás estavam mega cotados para serem indicados ao novo Oscar de Filme Popular, tais como Vingadores: Guerra Infinita, Missão: Impossível – Efeito Fallout, Podres de Ricos, e Um Lugar Silencioso.

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Awkwafina e Constance Wu em cena de Podres de Ricos (pic by IMDb)

AUSÊNCIAS

Sim, mesmo com sete indicados em 583 categorias, é possível ter ausências. Ano que vem, o Critics’s Choice aumenta para 12 indicados. Claro que nenhuma ausência assim tão alternativa para direcionar um pouco de atenção para filmes menores porém de qualidade, afinal, o Critics’ Choice está unicamente preocupado em acertar os vencedores do Oscar.

Pelas categorias de atuação, dá pra citar os ausentes Lucas Hedges (Boy Erased), Sam Rockwell (Vice), Rosamund Pike (A Private War) e John David Washington (Infiltrado na Klan), todos foram recentemente indicados ao Globo de Ouro. Tem ainda Ben Foster (Não Deixe Rastros), que estava indicado ao Gotham Awards e ficou em segundo lugar no LAFCA, e Joaquin Phoenix (Você Nunca Esteve Realmente Aqui), que levou o prêmio de Melhor Ator no Festival de Cannes e foi indicado ao Independent Spirit Awards.

Com certeza ficou faltando a indicação para a fenomenal Helena Howard (A Madeline de Madeline) na categoria de Jovem Atriz, e por que não incluir Kayli Carter por Mais Uma Chance? Ambas foram merecidamente lembradas pelo Independent Spirit.

Também ressalto a ausência das belas fotografias Lukasz Zal (Guerra Fria) e de Sayombhu Mukdeeprom no remake de Suspiria. Pelo menos o filme de Luca Guadanigno foi reconhecido na categoria de Filme de Terror ou Sci-Fi, e Cabelo e Maquiagem.

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No centro, Dakota Johnson lidera grupo de bailarinas em Suspiria (pic by IMDb)

PELA TELEVISÃO…

Muitas séries e minisséries previamente reconhecidos pelo Globo de Ouro repetem suas indicações aqui no Critics’ como é o caso do The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story, The Americans e Escape from Dannemora, que conquistaram 5 indicações cada, liderando o quadro de indicações, enquanto Sharp Objects acumulou 4.

Já na divisão por produtoras, a HBO lidera com 20 indicações, seguida por FX com 17, Amazon com 12, e NBC e Netflix com 11 cada.

INDICADOS AO 24º CRITICS’ CHOICE AWARDS:

CINEMA

MELHOR FILME
A Favorita (The Favourite)
Green Book: O Guia (Green Book)
Infiltrado na Klan (BlacKkKlansman)
Nasce uma Estrela (A Star is Born)
Pantera Negra (Black Panther)
O Primeiro Homem (First Man)
O Retorno de Mary Poppins (Mary Poppins Returns)
Roma (Roma)
Se a Rua Beale Falasse (If Beale Street Could Talk)
Vice

MELHOR ATOR
Christian Bale (Vice)
Bradley Cooper (Nasce uma Estrela)
Willem Dafoe (No Portal da Eternidade)
Ryan Gosling (O Primeiro Homem)
Ethan Hawke (First Reformed)
Rami Malek (Bohemian Rhapsody)
Viggo Mortensen (Green Book: O Guia)

MELHOR ATRIZ
Yalitza Aparicio (Roma)
Emily Blunt (O Retorno de Mary Poppins)
Glenn Close (A Esposa)
Toni Collette (Hereditário)
Olivia Colman (A Favorita)
Lady Gaga (Nasce uma Estrela)
Melissa McCarthy (Poderia Me Perdoar?)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Mahershala Ali (Green Book: O Guia)
Timothée Chalamet (Querido Menino)
Adam Driver (Infiltrado na Klan)
Sam Elliott (Nasce uma Estrela)
Richard E. Grant (Poderia Me Perdoar?)
Michael B. Jordan (Pantera Negra)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Amy Adams (Vice)
Claire Foy (O Primeiro Homem)
Nicole Kidman (Boy Erased: Uma Verdade Anulada)
Regina King (Se a Rua Beale Falasse)
Emma Stone (A Favorita)
Rachel Weisz (A Favorita)

MELHOR JOVEM ATOR OU ATRIZ
Elsie Fisher (Oitava Série)
Thomasin McKenzie (Não Deixe Rastros)
Ed Oxenbould (Vida Selvagem)
Millicent Simmonds (Um Lugar Silencioso)
Amandla Stenberg (O Ódio que Você Semeia)
Sunny Suljic (Mid90s)

MELHOR ELENCO
Pantera Negra
Podres de Ricos
A Favorita
Vice
As Viúvas

MELHOR DIREÇÃO
Damien Chazelle (O Primeiro Homem)
Bradley Cooper (Nasce uma Estrela)
Alfonso Cuarón (Roma)
Peter Farrelly (Green Book: O Guia)
Yorgos Lanthimos (A Favorita)
Spike Lee (Infiltrado na Klan)
Adam McKay (Vice)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Bo Burnham (Oitava Série)
Alfonso Cuarón (Roma)
Deborah Davis, Tony McNamara (A Favorita)
Adam McKay (Vice)
Paul Schrader (First Reformed)
Nick Vallelonga, Brian Hayes Currie, Peter Farrelly (Green Book: O Guia)
Bryan Woods, Scott Beck, John Krasinski (Um Lugar Silencioso)

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Ryan Coogler, Joe Robert Cole (Pantera Negra)
Nicole Holofcener, Jeff Whitty (Poderia Me Perdoar?)
Barry Jenkins (Se a Rua Beale Falasse)
Eric Roth, Bradley Cooper, Will Fetters (Nasce uma Estrela)
Josh Singer (O Primeiro Homem)
Charlie Wachtel, David Rabinowitz, Kevin Willmott, Spike Lee (Infiltrado na Klan)

MELHOR FOTOGRAFIA
Alfonso Cuarón (Roma)
James Laxton (Se a Rua Beale Falasse)
Matthew Libatique (Nasce uma Estrela)
Rachel Morrison (Pantera Negra)
Robbie Ryan (A Favorita)
Linus Sandgren (O Primeiro Homem)

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
Hannah Beachler, Jay Hart (Pantera Negra)
Eugenio Caballero, Barbara Enriquez (Roma)
Nelson Coates, Andrew Baseman (Podres de Ricos)
Fiona Crombie, Alice Felton (A Favorita)
Nathan Crowley, Kathy Lucas (O Primeiro Homem)
John Myhre, Gordon Sim (O Retorno de Mary Poppins)

MELHOR MONTAGEM
Jay Cassidy (Nasce uma Estrela)
Hank Corwin (Vice)
Tom Cross (O Primeiro Homem)
Alfonso Cuarón, Adam Gough (Roma)
Yorgos Mavropsaridis (A Favorita)
Joe Walker (As Viúvas)

MELHOR FIGURINO
Alexandra Byrne (Duas Rainhas)
Ruth Carter (Pantera Negra)
Julian Day (Bohemian Rhapsody)
Sandy Powell (A Favorita)
Sandy Powell (O Retorno de Mary Poppins)

MELHOR CABELO E MAQUIAGEM
Pantera Negra
Bohemian Rhapsody
A Favorita
Duas Rainhas
Suspiria
Vice

MELHORES EFEITOS VISUAIS
Vingadores: Guerra Infinita
Pantera Negra
O Primeiro Homem
O Retorno de Mary Poppins
Missão: Impossível – Efeito Fallout
Jogador Nº 1

MELHOR LONGA DE ANIMAÇÃO
O Grinch
Os Incríveis 2
Ilha dos Cachorros
Mirai
WiFi Ralph: Quebrando a Internet
Homem-Aranha no Aranhaverso

MELHOR FILME DE AÇÃO
Vingadores: Guerra Infinita
Pantera Negra
Deadpool 2
Missão: Impossível – Efeito Fallout
Jogador Nº 1
As Viúvas

MELHOR COMÉDIA
Podres de Ricos
Deadpool 2
A Morte de Stalin
A Favorita
A Noite do Jogo
Sorry to Bother You

MELHOR ATOR EM COMÉDIA
Christian Bale (Vice)
Jason Bateman (A Noite do Jogo)
Viggo Mortensen (Green Book: O Guia)
John C. Reilly (Stan & Ollie)
Ryan Reynolds (Deadpool 2)
Lakeith Stanfield (Sorry to Bother You)

MELHOR ATRIZ EM COMÉDIA
Emily Blunt (O Retorno de Mary Poppins)
Olivia Colman (A Favorita)
Elsie Fisher (Oitava Série)
Rachel McAdams (A Noite do Jogo)
Charlize Theron (Tully)
Constance Wu (Podres de Ricos)

MELHOR TERROR OU FICÇÃO CIENTÍFICA
Aniquilação (Annihilation)
Halloween (Halloween)
Hereditário (Hereditary)
Um Lugar Silencioso (A Quiet Place)
Suspiria

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
Em Chamas
Cafarnaum
Guerra Fria
Roma
Assunto de Família

MELHOR CANÇÃO
All the Stars (Pantera Negra)
Girl in the Movies (Dumplin’)
I’ll Fight (RBG)
The Place Where Lost Things Go (O Retorno de Mary Poppins)
Shallow (Nasce uma Estrela)
Trip a Little Light Fantastic (O Retorno de Mary Poppins)

MELHOR TRILHA MUSICAL
Kris Bowers (Green Book: O Guia)
Nicholas Britell (Se a Rua Beale Falasse)
Alexandre Desplat (Ilha dos Cachorros)
Ludwig Göransson (Pantera Negra)
Justin Hurwitz (O Primeiro Homem)
Marc Shaiman (O Retorno de Mary Poppins)

TELEVISÃO E STREAMING

MELHOR SÉRIE DRAMÁTICA
The Americans (FX)
Better Call Saul (AMC)
The Good Fight (CBS All Access)
Homecoming (Amazon)
Killing Eve (BBC America)
My Brilliant Friend (HBO)
Pose (FX)
Succession (HBO)

MELHOR ATOR EM SÉRIE DRAMÁTICA
Freddie Highmore – “The Good Doctor” (ABC)
Diego Luna – “Narcos: Mexico” (Netflix)
Richard Madden – “Bodyguard” (Netflix)
Bob Odenkirk – “Better Call Saul” (AMC)
Billy Porter – “Pose” (FX)
Matthew Rhys – “The Americans” (FX)
Milo Ventimiglia – “This Is Us” (NBC)

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DRAMÁTICA
Jodie Comer – “Killing Eve” (BBC America)
Maggie Gyllenhaal – “The Deuce” (HBO)
Elisabeth Moss – “The Handmaid’s Tale” (Hulu)
Sandra Oh – “Killing Eve” (BBC America)
Elizabeth Olsen – “Sorry For Your Loss” (Facebook Watch)
Julia Roberts – “Homecoming” (Amazon)
Keri Russell – “The Americans” (FX)

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DRAMÁTICA
Richard Cabral – “Mayans M.C.” (FX)
Asia Kate Dillon – “Billions” (Showtime)
Noah Emmerich – “The Americans” (FX)
Justin Hartley – “This Is Us” (NBC)
Matthew Macfadyen – “Succession” (HBO)
Richard Schiff – “The Good Doctor” (ABC)
Shea Whigham – “Homecoming” (Amazon)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DRAMÁTICA
Dina Shihabi – “Jack Ryan” (Amazon)
Julia Garner – “Ozark” (Netflix)
Thandie Newton – “Westworld” (HBO)
Rhea Seehorn – “Better Call Saul” (AMC)
Yvonne Strahovski – “The Handmaid’s Tale” (Hulu)
Holly Taylor – “The Americans” (FX)

MELHOR SÉRIE DE COMÉDIA
Atlanta (FX)
Barry (HBO)
The Good Place (NBC)
The Kominsky Method (Netflix)
The Marvelous Mrs. Maisel (Amazon)
The Middle (ABC)
One Day at a Time (Netflix)
Schitt’s Creek (Pop)

MELHOR ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA
Hank Azaria – “Brockmire” (IFC)
Ted Danson – “The Good Place” (NBC)
Michael Douglas – “The Kominsky Method” (Netflix)
Donald Glover – “Atlanta” (FX)
Bill Hader – “Barry” (HBO)
Jim Parsons – “The Big Bang Theory” (CBS)
Andy Samberg – “Brooklyn Nine-Nine” (Fox)

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA
Rachel Bloom – “Crazy Ex-Girlfriend” (The CW)
Rachel Brosnahan – “The Marvelous Mrs. Maisel” (Amazon)
Allison Janney – “Mom” (CBS)
Justina Machado – “One Day at a Time” (Netflix)
Debra Messing – “Will & Grace” (NBC)
Issa Rae – “Insecure” (HBO)

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA
William Jackson Harper – “The Good Place” (NBC)
Sean Hayes – “Will & Grace” (NBC)
Brian Tyree Henry – “Atlanta” (FX)
Nico Santos – “Superstore” (NBC)
Tony Shalhoub – “The Marvelous Mrs. Maisel” (Amazon)
Henry Winkler – “Barry” (HBO)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA
Alex Borstein – “The Marvelous Mrs. Maisel” (Amazon)
Betty Gilpin – “GLOW” (Netflix)
Laurie Metcalf – “The Conners” (ABC)
Rita Moreno – “One Day at a Time” (Netflix)
Zoe Perry – “Young Sheldon” (CBS)
Annie Potts – “Young Sheldon” (CBS)
Miriam Shor – “Younger” (TV Land)

MELHOR MINISSÉRIE
A Very English Scandal (Amazon)
American Vandal (Netflix)
The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story (FX)
Escape at Dannemora (Showtime)
Genius: Picasso (National Geographic)
Sharp Objects (HBO)

MELHOR FILME PARA TV
Icebox (HBO)
Jesus Christ Superstar Live in Concert (NBC)
King Lear (Amazon)
My Dinner with Hervé (HBO)
Notes from the Field (HBO)
The Tale (HBO)

MELHOR ATOR EM MINISSÉRIE OU FILME PARA TV
Antonio Banderas – “Genius: Picasso” (National Geographic)
Darren Criss – “The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story” (FX)
Paul Dano – “Escape at Dannemora” (Showtime)
Benicio Del Toro – “Escape at Dannemora” (Showtime)
Hugh Grant – “A Very English Scandal” (Amazon)
John Legend – “Jesus Christ Superstar Live in Concert” (NBC)

MELHOR ATRIZ EM MINISSÉRIE OU FILME PARA TV
Amy Adams – “Sharp Objects” (HBO)
Patricia Arquette – “Escape at Dannemora” (Showtime)
Connie Britton – “Dirty John” (Bravo)
Carrie Coon – “The Sinner” (USA Network)
Laura Dern – “The Tale” (HBO)
Anna Deavere Smith – “Notes From the Field” (HBO)

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM MINISSÉRIE OU FILME PARA TV
Brandon Victor Dixon – “Jesus Christ Superstar Live in Concert” (NBC)
Eric Lange – “Escape at Dannemora” (Showtime)
Alex Rich – “Genius: Picasso” (National Geographic)
Peter Sarsgaard – “The Looming Tower” (Hulu)
Finn Wittrock – “The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story” (FX)
Ben Whishaw – “A Very English Scandal” (Amazon)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM MINISSÉRIE OU FILME PARA TV
Ellen Burstyn – “The Tale” (HBO)
Patricia Clarkson – “Sharp Objects” (HBO)
Penelope Cruz – “The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story” (FX)
Julia Garner – “Dirty John” (Bravo)
Judith Light – “The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story” (FX)
Elizabeth Perkins – “Sharp Objects” (HBO)

MELHOR SÉRIE ANIMADA
Adventure Time (Cartoon Network)
Archer (FX)
Bob’s Burgers (Fox)
BoJack Horseman (Netflix)
The Simpsons (Fox)
South Park (Comedy Central)

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A cerimônia de premiação está marcada para o dia 13 de janeiro, e deve ser transmitida ao vivo pela TNT.

‘VICE’, de Adam McKay, LIDERA o GLOBO DE OURO com 6 INDICAÇÕES

Vice Adam McKay

No centro, o diretor Adam McKay dirige Sam Rockwell e Christian Bale em Vice no cenário da Casa Branca (pic by IMDb)

FILME DE ADAM McKAY DESPONTA COMO O FAVORITO COM TRÊS ATORES INDICADOS

Na manhã desta quinta, dia 06, foram anunciadas as indicações ao 76º Globo de Ouro diretamente do Beverly Hilton Hotel, onde será a cerimônia em janeiro. A presidente da Hollywood Foreign Press Association (HFPA), Meher Tatna, contou com a colaboração de quatro atores para a tarefa: Christian Slater, Danai Gurira, Terry Crews e Leslie Mann. Confira o vídeo abaixo:

A grande surpresa foi também a recordista de indicações nesta edição. Vice, novo trabalho do diretor de A Grande Aposta (2015), Adam McKay, até então contava apenas com burburinho, pois havia passado desapercebido por prêmios anteriores, e agora foi agraciado enormemente com seis indicações, inclusive Melhor Filme de Comédia ou Musical, Direção e Roteiro. As demais indicações foram para o elenco: Christian Bale, Amy Adams e Sam Rockwell.

Logo em seguida, com 5 indicações cada, temos Nasce uma Estrela, A Favorita e Green Book. Ainda sobre números, na ala televisiva, o recordista foi a minissérie The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story que obteve 4 indicações, enquanto Barry, The Kominsky Method, Homecoming, Sharp Objects, The Marvelous Mrs. Maisel, e A Very English Scandal acumularam 3 cada.

Vale destacar que Amy Adams retorna à temporada de premiação com 2 indicações: Atriz Coadjuvante por Vice, e Atriz em Série Dramática por Sharp Objects, com chances reais de ganhar ambos. Será que agora o Oscar vai desta vez? Curiosamente, a outra atriz que está duplamente indicada é Regina King, que também concorre nas mesmas categorias de Amy Adams. King disputa por Se a Rua Falasse e pela série Seven Seconds.

Amy Adams Sharp Objects_

Amy Adams em cena da série Sharp Objects, pela qual também foi indicada (pic by IMDb)

AUSÊNCIAS SENTIDAS

Primeiramente, para nós cinéfilos, apesar de torcermos por nossos favoritos, o importante da temporada de premiações reside no fato do reconhecimento abrangente. De nada adiantaria todos os prêmios nomearem sempre os mesmos filmes e trabalhos, ainda mais hoje que contamos com uma variedade absurda de títulos de qualidade. Aliás, felizmente, até a Netflix está melhorando a qualidade de seus originais de cinema, vide Roma, de Alfonso Cuarón.

Dito isso, é triste dizer que First Reformed ficou de fora (acreditava que haveria pelo menos 2 indicações: Ator para Ethan Hawke e Roteiro), assim como Toni Collette pela ótima atuação em Hereditário, levando ainda em consideração que os dois filmes saíram premiados recentemente do Gotham Awards. Outro que estava decolando com a recente premiação do NYFCC, Sam Elliott, acabou ficando de fora da categoria de Ator Coadjuvante por Nasce uma Estrela.

Viúvas, de Steve McQueen, que foi muito comentado no mês passado, estava com esperanças de que o Globo de Ouro pudesse deslanchar a campanha do filme, mas acabou de mãos abanando. Nem a roteirista Gillian Flynn, nem Viola Davis se salvaram…

Embora Se a Rua Beale Falasse tenha conquistado 3 indicações (Filme, Atriz Coadjuvante e Roteiro), muitos deram falta de Barry Jenkins na lista de Direção. Aliás, muito foi discutido da total ausência feminina na categoria. Ano passado, como vocês devem lembrar, Natalie Portman  (aliás, outra ausência por Vox Lux) ressaltou enfaticamente que só havia diretores homens indicados. Claro, adoraria ver Marielle Heller (Poderia Me Perdoar?), Lynne Ramsay (Você Nunca Esteve Realmente Aqui) ou Tamara Jenkins (Mais uma Chance), mas se for pra incluir meramente por preencher cota feminina, o intuito da premiação cai por terra.

Particularmente, fiquei sentido pela ausência do filme sul-coreano Em Chamas (Burning), de Lee Chang-dong, que concorria como Melhor Filme em Língua Estrangeira. Espero que ganhe alguns prêmios importantes ou seja indicado em outros para ter chances no Oscar.

SURPRESAS

Nas categorias de cinema, é possível cravar que Rosamund Pike é a maior surpresa deste ano. Nenhum prêmio ou mesmo crítico destacou seu filme A Private War até agora. O Globo de Ouro certamente fez com que muitos incluíssem o filme sobre uma correspondente de guerra em muitas watchlists.

Rosamund Pike A Private War_

Rosamund Pike como a corresponde de guerra Marie Colvin em A Private War (pic by IMDb)

As indicações de John David Washington como Ator – Drama por Infiltrado na Klan, e de John C. Reilly como Ator – Comédia ou Musical por Stan & Ollie chamam a atenção e certamente deverão reforçar a campanha rumo ao Oscar. Uma surpresa não tão surpresa assim foi a de Elsie Fisher na categoria de Atriz – Comédia ou Musical por Oitava Série. Já que o filme não foi lembrado nas categorias de Filme, Direção e Roteiro, foi um alívio vê-la representando esta pequena gema no Globo de Ouro!

John C. Reilly Stan Ollie_

John C. Reilly atua como o comediante Oliver Hardy em Stan & Ollie (pic by IMDb)

Pela televisão, a indicação de Sacha Baron Cohen como Ator de Comédia foi a mais comentada na rede. Em seu novo programa intitulado Who is America?, o ator britânico conhecido por Borat, traveste-se de sete personagens distintos para entrevistar ou mesmo enfrentar situações com pessoas patriotas, inclusive políticos republicanos como ex-vice presidente Dick Cheney, deixando-os em situação constrangedora.

INDICADOS AO GLOBO DE OURO 2019:

MELHOR FILME – DRAMA
Pantera Negra (Black Panther)
Infiltrado na Klan (BlacKkKlansman)
Bohemian Rhapsody (Bohemian Rhapsody)
Se a Rua Beale Falasse (If Beale Street Could Talk)
Nasce uma Estrela (A Star Is Born)

MELHOR ATRIZ – DRAMA
Glenn Close (A Esposa)
Lady Gaga (Nasce uma Estrela)
Nicole Kidman (O Peso do Passado)
Melissa McCarthy (Poderia Me Perdoar?)
Rosamund Pike (A Private War)

MELHOR ATOR – DRAMA
Bradley Cooper (Nasce uma Estrela)
Willem Dafoe (No Portal da Eternidade)
Lucas Hedges (Boy Erased: Uma Verdade Anulada)
Rami Malek (Bohemian Rhapsody)
John David Washington (Infiltrado na Klan)

MELHOR FILME – COMÉDIA OU MUSICAL
Podres de Ricos (Crazy Rich Asians)
A Favorita (The Favourite)
Green Book: O Guia (Green Book)
O Retorno de Mary Poppins (Mary Poppins Returns)
Vice

MELHOR ATRIZ – COMÉDIA OU MUSICAL
Emily Blunt (O Retorno de Mary Poppins)
Olivia Colman (A Favorita)
Elsie Fisher (Oitava Série)
Charlize Theron (Tully)
Constance Wu (Podres de Ricos)

MELHOR ATOR – COMÉDIA OU MUSICAL
Christian Bale (Vice)
Lin-Manuel Miranda (O Retorno de Mary Poppins)
Viggo Mortensen (Green Book: O Guia)
Robert Redford (The Old Man & the Gun)
John C. Reilly (Stan & Ollie)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Amy Adams (Vice)
Claire Foy (O Primeiro Homem)
Regina King (Se a Rua Beale Falasse)
Emma Stone (A Favorita)
Rachel Weisz (A Favorita)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Mahershala Ali (Green Book: O Guia)
Timothée Chalamet (Querido Menino)
Adam Driver (Infiltrado na Klan)
Richard E. Grant (Poderia Me Perdoar?)
Sam Rockwell (Vice)

MELHOR LONGA DE ANIMAÇÃO
Os Incríveis 2 (Incredibles 2)
Ilha dos Cachorros (Isle of Dogs)
Mirai
WiFiRalph: Quebrando a Internet (Ralph Breaks the Internet)
Homem-Aranha no Aranhaverso (Spider-Man: Into the Spider-Verse)

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
Capernaum – LÍBANO
Girl – BÉLGICA
Never Look Away – ALEMANHA
Roma (Roma) – MÉXICO
Assunto de Família (Shoplifters) – JAPÃO

MELHOR DIREÇÃO
Bradley Cooper (Nasce uma Estrela)
Alfonso Cuaron (Roma)
Peter Farrelly (Green Book: O Guia)
Spike Lee (Infiltrado na Klan)
Adam McKay (Vice)

MELHOR ROTEIRO
Alfonso Cuaron (Roma)
Deborah Davis, Tony McNamara (A Favorita)
Barry Jenkins (Se a Rua Beale Falasse)
Adam McKay (Vice)
Peter Farrelly, Nick Vallelonga, Brian Currie (Green Book: O Guia)

MELHOR TRILHA MUSICAL
Marco Beltrami (Um Lugar Silencioso)
Alexandre Desplat (Ilha de Cachorros)
Ludwig Göransson (Pantera Negra)
Justin Hurwitz (O Primeiro Homem)
Marc Shaiman (O Retorno de Mary Poppins)

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“All the Stars” (Pantera Negra)
“Girl in the Movies” (Dumplin’)
“Requiem For a Private War” (A Private War)
“Revelation’ (Boy Erased: Uma Verdade Anulada)
“Shallow” (Nasce uma Estrela)

MELHOR SÉRIE – DRAMA
The Americans
Bodyguard
Homecoming
Killing Eve
Pose

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DRAMÁTICA
Caitriona Balfe (Outlander)
Elisabeth Moss (The Handmaid’s Tale)
Sandra Oh (Killing Eve)
Julia Roberts (Homecoming)
Keri Russell (The Americans)

MELHOR ATOR EM SÉRIE DRAMÁTICA
Jason Bateman (Ozark)
Stephan James (Homecoming)
Richard Madden (Bodyguard)
Billy Porter (Pose)
Matthew Rhys (The Americans)

MELHOR SÉRIE DE COMÉDIA OU MUSICAL
“Barry” (HBO)
“The Good Place” (NBC)
“Kidding” (Showtime)
“The Kominsky Method” (Netflix)
“The Marvelous Mrs. Maisel” (Amazon)

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA OU MUSICAL
Kristen Bell (The Good Place)
Candice Bergen (Murphy Brown)
Alison Brie (Glow)
Rachel Brosnahan (The Marvelous Mrs. Maisel)
Debra Messing (Will & Grace)

MELHOR ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA OU MUSICAL
Sacha Baron Cohen (Who Is America?)
Jim Carrey (Kidding)
Michael Douglas (The Kominsky Method)
Donald Glover (Atlanta)
Bill Hader (Barry)

MELHOR MINISSÉRIE OU FILME PARA TV
The Alienist (TNT)
The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story (FX)
Escape at Dannemora (Showtime)
Sharp Objects (HBO)
A Very English Scandal (Amazon)

MELHOR ATRIZ EM MINISSÉRIE OU FILME PARA TV
Amy Adams (Sharp Objects)
Patricia Arquette (Escape at Dannemora)
Connie Britton (Dirty John)
Laura Dern (The Tale)
Regina King (Seven Seconds)

MELHOR ATOR EM MINISSÉRIE OU FILME PARA TV
Antonio Banderas (Genius: Picasso)
Daniel Bruhl (The Alienist)
Darren Criss (The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story)
Benedict Cumberbatch (Patrick Melrose)
Hugh Grant (A Very English Scandal)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE, MINISSÉRIE OU FILME PARA TV

Alex Borstein (The Marvelous Mrs. Maisel)
Patricia Clarkson (Sharp Objects)
Penelope Cruz (The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story)
Thandie Newton (Westworld)
Yvonne Strahovski (The Handmaid’s Tale)

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE, MINISSÉRIE OU FILME PARA TV
Alan Arkin (The Kominsky Method)
Kieran Culkin (Succession)
Edgar Ramirez (The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story)
Ben Whishaw (A Very English Scandal)
Henry Winkler (Barry)

***

A cerimônia da 76ª edição do Globo de Ouro está marcada para o próximo dia 06 de janeiro, e contará com os atores Sandra Oh e Andy Samberg como hostess e host. Como de costume, o evento deve ser transmitido ao vivo pela TNT.

NATIONAL BOARD OF REVIEW premia ‘GREEN BOOK: O GUIA’ como MELHOR FILME

 

Film Title: Green Book

Viggo Mortensen contracena com Mahershala Ali em cena de Green Book: O Guia

FILME-FÓRMULA SOBRE RELAÇÃO INTER-RACIAL CONQUISTA O NBR

O National Board of Review divulgou sua seleção de 2018 hoje, dia 27 de novembro. De todos os prêmios da crítica, o NBR é o que mais perdeu credibilidade nos últimos anos. Não somente por não prever os filmes do Oscar, mas por reconhecer produções de qualidade meio duvidosa.

Em 2017, a organização composta por cineastas, profissionais e acadêmicos concedeu o prêmio de Melhor Filme para The Post: A Guerra Secreta. Fala sério! Até o Spielberg sabe que este foi um de seus piores trabalhos! Em 2015, deram os prêmios de Ator para Matt Damon e Diretor para Ridley Scott por Perdido em Marte. E em 2014, premiaram O Ano Mais Violento como Melhor Filme e seus atores Oscar Isaac e Jessica Chastain.

Este ano, o NBR premiou Green Book: O Guia como Melhor Filme, e reconheceram Viggo Mortensen como Melhor Ator. Até então, o filme dirigido por Peter Farrelly tinha como maior reconhecimento em seu currículo o prêmio do People’s Choice Award no Festival de Toronto. Pode ser um ótimo filme? Sim, claro. Mas pelas críticas até o momento, o filme seria uma versão masculina da fórmula batida de Estrelas Além do Tempo e Histórias Cruzadas, ambos indicados ao Oscar de Melhor Filme. A questão racial continua em alta em Hollywood e Green Book certamente fará a alegria da ideologia do politicamente correto.

A Star is Born

Vencedores do NBR, Lady Gaga e Bradley Cooper em cena de Nasce uma Estrela (pic by OutNow.CH)

Pelas categorias de atuação, o histórico dos últimos cinco anos não é nada bom. Três acertos em 20 possíveis em relação ao Oscar, ou seja, Viggo Mortensen, Lady Gaga, Sam Elliott e Regina King não se animem muito! Com exceção de Elliott, acredito que os outros três vencedores estarão entre os futuros indicados pela Academia, mas mesmo assim, as chances de vitória ainda são relativamente baixas.

Pelas categorias de Roteiro, tanto Paul Schrader, que acabou de levar o Gotham Awards por First Reformed, como Barry Jenkins por Se a Rua Beale Falasse, devem ser figuras presentes durante toda esta temporada. Por se tratar de um filme meio pesado pela temática e até filosófico demais para o Oscar, acreditava que Schrader morreria na praia, mas com esses prêmios recentes, sua campanha pode deslanchar de vez. Já Jenkins, já premiado por Moonlight, não deve encontrar dificuldades de ser indicado novamente.

Honestamente, fiquei um pouco surpreso com a vitória de Bradley Cooper como Diretor por Nasce uma Estrela. Não que não mereça tal honraria, mas por se tratar de uma estréia na direção, poderiam tê-lo premiado como Diretor Estreante, que foi para Bo Burnham, merecidamente, por Oitava Série.

Dentre os filmes totalmente ignorados pelo NBR estão A Favorita, do Yorgos Lanthimos (nenhuma das três atrizes deu as caras por aqui), O Primeiro Homem, de Damien Chazelle, o Vice, de Adam McKay, e o Infiltrado na Klan, de Spike Lee.

Por preferência pessoal, votaria em Ilha dos Cachorros no lugar de Os Incríveis 2 como Melhor Longa de Animação, e votaria no sul-coreano Em Chamas no lugar do polonês Guerra Fria como Filme em Língua Estrangeira. Aliás, foi uma surpresa Roma, de Alfonso Cuarón, não ter sido o premiado aqui, mas ficou entre os cinco melhores.

Cold War 2

Joanna Kulig e Tomasz Kot em cena de Guerra Fria (pic by OutNow.CH)

Apesar da lista de vencedores já ter sido divulgada, a cerimônia de entrega dos prêmios só acontecerá no dia 08 de janeiro em Nova York.

Vencedores do National Board of Review 2018:

FILME
Green Book: O Guia (Green Book)

DIREÇÃO
Bradley Cooper (Nasce uma Estrela)

ATOR
Viggo Mortensen (Green Book: O Guia)

ATRIZ
Lady Gaga (Nasce uma Estrela)

ATOR COADJUVANTE
Sam Elliott (Nasce uma Estrela)

ATRIZ COADJUVANTE
Regina King (Se a Rua Beale Falasse)

ROTEIRO ORIGINAL
Paul Schrader (First Reformed)

ROTEIRO ADAPTADO
Barry Jenkins (Se a Rua Beale Falasse)

LONGA DE ANIMAÇÃO
Os Incríveis 2 (Incredibles 2)

REVELAÇÃO
Thomasin McKenzie (Não Deixe Rastros)

DIRETOR ESTREANTE
Bo Burnham (Oitava Série)

FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
Guerra Fria (Zimna wojna), de Pawel Pawlikowski

DOCUMENTÁRIO
RBG, de Julie Cohen e Betsy West

ELENCO
Podres de Ricos (Crazy Rich Asians)

WILLIAM K. EVERSON FILM HISTORY AWARD
O Outro Lado do Vento (The Other Side of the Wind), de Orson Welles

Serei Amado Quando Morrer (They’ll Love Me When I’m Dead), de Morgan Neville

NBR FREEDOM OF EXPRESSION AWARD
22 de Julho (22 July), de Paul Greengrass
On Her Shoulders, de Alexandria Bombach

TOP 10 FILMES (em ordem alfabética)
The Ballad of Buster Scruggs
Pantera Negra (Black Panther)
Poderia me Perdoar? (Can You Ever Forgive Me?)
Oitava Série (Eighth Grade)
First Reformed
Se a Rua Beale Falasse (If Beale Street Could Talk)
O Retorno de Mary Poppins (Mary Poppins Returns)
Um Lugar Silencioso (A Quiet Place)
Roma
Nasce uma Estrela (A Star Is Born)

TOP 5 FILMES EM LÍNGUA ESTRANGEIRA (in alphabetical order)
Em Chamas (Beoning)
Custódia (Jusqu’à la garde)
A Culpa (Den skyldige)
Happy as Lazzaro (Lazzaro Felice)
Assunto de Família (Manbiki kazoku)

TOP 5 DOCUMENTÁRIOS (in alphabetical order)
Crime + Punishment
Free Solo
Minding the Gap
Three Identical Strangers
Won’t You Be My Neighbor?

TOP 10 FILMES INDEPENDENTES (in alphabetical order)
A Morte de Stalin (The Death of Stalin)
A Rota Selvagem (Lean on Pete)
Não Deixe Rastros (Leave No Trace)
Mid90s
The Old Man & the Gun
Domando o Destino (The Rider)
Buscando… (Searching)
Sorry to Bother You
We the Animals
Você Nunca Esteve Realmente Aqui (You Were Never Really Here)

‘OITAVA SÉRIE’, ‘FIRST REFORMED’ e ‘SE A RUA BEALE FALASSE’ DISPUTAM MELHOR FILME no INDEPENDENT SPIRIT AWARDS

EIGHT GRADE

Elsie Fisher e Josh Hamilton em diálogo tocante em Oitava Série (pic by IMDb)

PREMIAÇÃO AMERICANA INDEPENDENTE ANUNCIA SUA SELEÇÃO COM FAVORITOS AUSENTES POR ELEGIBILIDADE

Há algumas semanas, o Gotham Awards foi o primeiro prêmio da temporada a revelar seus indicados, mas como ainda é tradição, a corrida pelo Oscar só começa oficialmente com os indicados ao Independent Spirit Awards!

Em sua 34ª edição, a premiação tem sido um dos principais parâmetros para o Oscar. Com exceção deste ano, quando Corra! levou Melhor Filme no Spirit, nos quatro anos anteriores, todas as produções que se consagraram com o Oscar de Melhor Filme, foi vencedor no Spirit antes:  Moonlight, Spotlight, Birdman, e 12 Anos de Escravidão. Tá bom pra você?

Porém, nesta edição, por causa das regras de elegibilidade, algumas produções consideradas favoritas para esta temporada não poderão competir aqui como o mexicano Roma, de Alfonso Cuarón, e A Favorita, de Yorgos Lanthimos, por serem produções estrangeiras (teriam de ser norte-americanas). Além, claro, de terem de respeitar o teto do orçamento que é de 20 milhões de dólares, o que desqualificou A Forma da Água no ano passado, e este ano barrou franco-favoritos como Nasce uma Estrela, O Primeiro Homem e Green Book – O Guia.

Curiosamente, o anúncio dos indicados estava previsto para o próximo dia 19, mas por algum motivo foi adiantado para hoje, dia 16. O evento contou com a colaboração das atrizes Gemma Chan (do mega sucesso Podres de Ricos – muito linda e com um belo sotaque britânico!) e Molly Shannon (vencedora do Independent Spirit em 2016 pelo drama Other People). Confira o vídeo do canal oficial do Film Independent:

NÚMEROS DO INDEPENDENT SPIRIT AWARDS

Um fato bem curioso: o recordista de indicações desta edição sequer foi indicado a Melhor Filme. We the Animals, de Jeremiah Zagar, conquistou o total de 5 indicações, mas não foi incluído na principal categoria. Este drama familiar foi lançado no último festival de Sundance e agora disputa em categorias importantes como Ator Coadjuvante (Raúl Castillo) e Fotografia.

Em segundo lugar, temos duas produções da A24 (uma das produtoras mais em evidência nos últimos anos): Oitava Série e First Reformed, ambos com 4 indicações cada. E também com 4, o drama Você Nunca Esteve Realmente Aqui, de Lynne Ramsay, que apesar de ter concorrido à Palma de Ouro em Cannes em 2017, conseguiu ser distribuído em solo americano somente neste ano.

Logo em seguida, com 3 indicações, vem um dos possíveis candidatos ao Oscar 2019: Se a Rua Beale Falasse, novo trabalho do diretor de Moonlight, Barry Jenkins. A adaptação de James Baldwin foi lembrada nas categorias Filme, Diretor e Atriz Coadjuvante para Regina King. Também indicados a 3 prêmios estão Mais Uma Chance, de Tamara Jenkins, e Não Deixe Rastros, de Debra Granik, ambas diretoras indicadas na categoria de Direção.

PRIVATE LIFE

No centro, Paul Giamatti, e à direita Kathryn Hahn, conversam com Kayli Carter em cena de Mais uma Chance (pic by IMDb)

COMENTÁRIOS

Como consegui assistir já a alguns filmes indicados, consigo dar algumas impressões. Primeiramente, fiquei super feliz pelas indicações de First Reformed e Oitava Série. Não haveria Independent Spirit sem essas duas produções.

A primeira é o novo trabalho do veterano Paul Schrader, mais conhecido por ser o roteirista de Taxi Driver e de ter dirigido Gigolô Americano e Temporada de Caça. Ele retorna com este profundo e poderoso estudo da religião frente às descrenças humanas na sociedade. Ultimamente, tem sido tão raro encontrar um filme estrelado por um padre sem envolver exorcismo, demônios ou pedofilia, que já se torna algo digno de nota. A direção de Schrader é nua e crua, mas com alguns requintes de surrealismo. E temos aqui uma ótima performance de Ethan Hawke, que merece ser lembrado nas próximas premiações.

first reformed

Ethan Hawke e Amanda Seyfried dialogam em cena de First Reformed (pic by IMDb)

Já a segunda é dirigida e escrita por um estreante com histórico youtuber Bo Burnham. Ele fez este singelo testamento da juventude e como ela lida com as relações sociais enquanto dialoga com a tecnologia. Apresenta cenas que vão do terror como a da piscina (com direito à trilha) até adoráveis como o diálogo entre pai e filha sentados em frente à fogueira. A indicação de Melhor Atriz para a jovem Elsie Fisher foi fantástica! Até então, ela era apenas conhecida por dublar uma menina na animação de Meu Malvado Favorito.

Falando em categoria de Atriz, temos uma exceção nesta edição com 6 indicadas. Além de Fisher, achei ótimas as inclusões de Helena Howard (esta menina está incrível em Madeline de Madeline, com um talento daqueles natos num filme que sobre a verdadeira natureza da atuação) e Toni Collette, que concorre pelo ótimo filme de gênero Hereditário. Também vale a pena destacar a indicação de Glenn Close por A Esposa, já que ela vem se tornando a franco-favorita para ganhar finalmente seu primeiro Oscar após 6 indicações.

MADELINE

Helena Howard é uma explosão de talento no experimental Madeline de Madeline (pic by IMDb)

Fiquei um pouco surpreso com a indicação de Melhor Ator para John Cho por Buscando…. Apesar de ele segurar a onda praticamente sozinho durante o filme todo, que se passa em telas de celular e computador, achei um pouco forçada esta indicação. E pela indicação de Adam Driver ser a única do novo filme de Spike Lee, Infiltrado na Klan, que vinha sendo bem cotado para o Oscar.

Destaque para as indicações brasileiras de Melhor Ator para Christian Malheiros e Someone to Watch Award para o diretor Alex Moratto por Sócrates. Malheiros interpreta um jovem que perde sua mãe, enquanto procura um jeito de se virar sozinho e descobre sua sexualidade. Confira o trailer:

Achei formidáveis as indicações de Fotografia para Suspiria (Sayombhu Mukdeeprom) e Mandy (Benjamin Loeb). São trabalhos bastante vistosos que mereciam esse destaque para permanecerem em alta na corrida para o Oscar. Também ressalto a indicação de Em Chamas, de Chang-dong Lee, pela Coréia do Sul na categoria de Filme Internacional. Caso avance para o Oscar, será a primeira indicação merecida para o cinema sul-coreano. Claro que a categoria de estrangeiros está bem representada também por Roma (México), Assunto de Família (Japão), A Favorita (Reino Unido) e Happy as Lazzaro (Itália).

BURNING

Cena do longa sul-coreano Em Chamas, baseado em conto do escritor Haruki Murakami (pic by IMDb)

AUSÊNCIAS

Entre as ausências mais sentidas foram de Melissa McCarthy por Poderia Me Perdoar?. Ela consegue balancear com muita graça seu lado dramático com seu conhecido timing cômico nesta cinebiografia de Lee Israel. Apesar de não ter aparecido aqui na lista, tem grandes chances de aparecer no Oscar e receber sua indicação. Curiosamente, seu colega de tela, Richard E. Grant, foi reconhecido como Ator Coadjuvante. Ainda na categoria de Atriz, Michelle Pfeiffer poderia ter sido lembrada por Where is Kyra?. Sua salvação pode ser os prêmios da crítica, o Critics’ Choice ou o Globo de Ouro.

Na categoria masculina, senti falta do Ben Foster pelo indicado Não Deixe Rastros, assim como Timothée Chalamet ou Lucas Hedges por Beautiful Boy e Boy Erased, respectivamente, na categoria de Ator Coadjuvante. E o já citado Spike Lee, pelo menos na categoria de Roteiro por Infiltrado na Klan.

INDICADOS AO INDEPENDENT SPIRIT AWARDS 2019:

MELHOR FILME

  • Oitava Série (Eighth Grade)
  • First Reformed
  • Se a Rua Beale Falasse (If Beale Street Could Talk)
  • Não Deixe Rastros (Leave no Trace)
  • Você Nunca Esteve Realmente Aqui (You Were Never Really Here)

MELHOR DIREÇÃO

  • Debra Granik (Não Deixe Rastros)
  • Barry Jenkins (Se a Rua Beale Falasse)
  • Tamara Jenkins (Mais Uma Chance)
  • Lynne Ramsay (Você Nunca Esteve Realmente Aqui)
  • Paul Schrader (First Reformed)

FILME DE ESTRÉIA

  • Hereditário (Hereditary)
  • Sorry to Bother You
  • O Conto (The Tale)
  • We the Animals
  • Vida Selvagem (Wildlife)

MELHOR ATOR

  • John Cho (Buscando…)
  • Daveed Diggs (Ponto Cego)
  • Ethan Hawke (First Reformed)
  • Christian Malheiros (Sócrates)
  • Joaquin Phoenix (Você Nunca Esteve Realmente Aqui)

MELHOR ATRIZ

  • Glenn Close (A Esposa)
  • Toni Collette (Hereditário)
  • Elsie Fisher (Oitava Série)
  • Regina Hall (Support the Girls)
  • Helena Howard (Madeline de Madeline)
  • Carey Mulligan (Vida Selvagem)
  • Kayli Carter (Mais Uma Chance)
  • Tyne Daly (A Bread Factory)
  • Regina King (Se a Rua Beale Falasse)
  • Thomasin Harcourt McKenzie (Não Deixe Rastros)
  • J. Smith-Cameron (Nancy)
MELHOR ATOR COADJUVANTE
  • Raúl Castillo (We the Animals)
  • Adam Driver (Infiltrado na Klan)
  • Richard E. Grant (Poderia Me Perdoar?)
  • Josh Hamilton (Oitava Série)
  • John David Washington (Monsters and Men)

MELHOR FOTOGRAFIA

  • Ashley Connor (Madeline de Madeline)
  • Diego Garcia (Vida Selvagem)
  • Benjamin Loeb (Mandy)
  • Sayombhu Mukdeeprom (Suspiria)
  • Zak Mulligan (We the Animals)


MELHOR ROTEIRO

  • Richard Glatzer, Rebecca Lenkiewicz, Wash Westmoreland (Colette)
  • Nicole Holofcener & Jeff Whitty (Poderia Me Perdoar?)
  • Tamara Jenkins (Mais Uma Chance)
  • Boots Riley (Sorry to Bother You)
  • Paul Schrader (First Reformed)

MELHOR ROTEIRO DE ESTREANTE

  • Bo Burnham (Oitava Série)
  • Christina Choe (Nancy)
  • Cory Finley (Puro-Sangue)
  • Jennifer Fox (O Conto)
  • Quinn Shephard, Laurie Shephard (Blame)

MELHOR DOCUMENTÁRIO

  • Hale County this Morning, This Evening
  • Minding the Gap
  • Of Fathers and Sons
  • On Her Shoulders
  • Shirkers
  • Won’t You be my Neighbor?

MELHOR FILME INTERNACIONAL

  • Em Chamas. Dir: Chang-dong Lee (Coréia do Sul)
  • A Favorita. Dir: Yorgos Lanthimos (Reino Unido)
  • Happy as Lazzaro. Dir: Alice Rohrwacher (Itália)
  • Roma. Dir: Alfonso Cuarón (México)
  • Assunto de Família. Dir: Hirokazu Koreeda (Japão)

TRUER THAN FICTION AWARD

  • Alexandria Bombach (On Her Shoulders)
  • Bing Liu (Minding the Gap)
  • RaMell Ross (Hale County This Morning, This Evening)

PRODUCERS AWARD

  • Jonathan Duffy, Kelly Williams
  • Gabrielle Nadig
  • Shrihari Sathe


THE SOMEONE TO WATCH AWARD

  • Alex Moratto (Sócrates)
  • Ioana Uricaru (Lemonade)
  • Jeremiah Zagar (We the Animals)

THE BONNIE AWARD

  • Debra Granik
  • Tamara Jenkins
  • Karyn Kusama
ROBERT ALTMAN AWARD
SUSPIRIA
Diretor: Luca Guadagnino
Diretores de Casting: Avy Kaufman, Stella Savino
Elenco: Malgosia Bela, Ingrid Caven, Lutz Ebersdorf, Elena Fokina, Mia Goth, Jessica Harper, Dakota Johnson, Gala Moody, Chloë Grace Moretz, Renée Soutendijk, Tilda Swinton, Sylvie Testud, Angela Winkler
***
A 34ª cerimônia do Independent Spirit Awards está marcada para o dia 23 de fevereiro, um dia antes do Oscar, na praia de Santa Monica.

JORDAN PEELE e GRETA GERWIG entre os INDICADOS ao DGA!

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INDICADOS AO DGA: GRETA GERWIG e JORDAN PEELE. Pic by Vanity Fair

ESNOBADOS POR ALGUNS PRÊMIOS IMPORTANTES, PEELE E GERWIG RETOMAM BOAS CHANCES DE INDICAÇÃO AO OSCAR

O sindicato de diretores (DGA) anunciou seus indicados da categoria e tivemos boas surpresas. Além dos habituais Guillermo del Toro, que levou o Globo de Ouro no último domingo por A Forma da Água, Martin McDonagh, que levou o Globo de Ouro de roteiro por Três Anúncios Para um Crime, e Christopher Nolan por Dunkirk, dois nomes que costumavam ficar limitados às categorias de roteiro ressurgiram para serem reconhecidos pela trabalho na direção: Jordan Peele pelo fenomenal Corra! e Greta Gerwig por Lady Bird.

Jordan Peele também foi reconhecido na categoria de Diretor Estreante, ao lado dos colegas Geremy Jasper (Patti Cake$), William Oldroyd (Lady Macbeth), Taylor Sheridan (Terra Selvagem) e Aaron Sorkin (A Grande Jogada). Sheridan e Sorkin, muito conhecidos por seus roteiros, resolveram arriscar na carreira de diretor e agora estão colhendo frutos. Sou bastante fã dos roteiros de Sheridan, mas ao ver Terra Selvagem, achei que ele desperdiçou um bom material (seu próprio roteiro) e caiu em alguns clichês do gênero policial.

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TERRA SELVAGEM: Elizabeth Olsen e Jeremy Renner em estréia de Taylor Sheridan na direção. Pic by imdb.com

Para aqueles que gostam de curiosidades e estatísticas, vale lembrar que o DGA é um dos raros parâmetros para o Oscar. Em sua 70ª edição, não coincidiu seus vencedores com o do Oscar em apenas 13 oportunidades, sendo a última em 2013, naquele caso bem atípico quando Ben Affleck sequer fora indicado por Argo. Portanto, aquele que vencer o DGA já estará praticamente com as mãos no Oscar.

Continuando, Greta Gerwig se tornou a OITAVA mulher a ser indicada ao DGA. Suas antecessoras foram:
– Lina Wertmüller (Pasqualino Sete Belezas)
– Randa Haines (Filhos do Silêncio)
– Barbra Streisand (O Príncipe das Marés)
– Jane Campion (O Piano)
– Sofia Coppola (Encontros e Desencontros)
– Valerie Faris (Pequena Miss Sunshine)
– Kathryn Bigelow (Guerra ao Terror)*
– Kathryn Bigelow (A Hora Mais Escura)

Kathryn Bigelow foi a única a vencer e a ser indicada mais de uma vez ao prêmio. E Valerie Faris foi indicada ao lado de seu parceiro Jonathan Dayton.

Jordan Peele se tornou o QUARTO diretor negro a ser indicado ao DGA. Antes dele vieram:
– Lee Daniels (Preciosa)
– Steve McQueen (12 Anos de Escravidão)
– Barry Jenkins (Moonlight)

Neste caso, nenhum deles venceu até o momento. Mas na minha opinião, Jordan Peele poderia ser o primeiro. Pra quem acompanha o blog há um tempo, sabe que minha opinião passa longe do politicamente correto. Prefiro sempre observar o talento e a qualidade do trabalho, e sob esse aspecto, Peele entregou um filme sensacional que entrou para a história do cinema. Ele falou de um tema “espinhudo” que é o preconceito racial sem ir para aquele lado mais careta e politizado que 99% dos diretores preferem trilhar nesse assunto. Provavelmente, o DGA lhe dará o prêmio de diretor estreante, o que certamente é um honra, mas esse reconhecimento em si já pode lhe render uma merecidíssima indicação ao Oscar.

PERDERAM O LUGAR

São cinco vagas para muitos diretores nessa dança, então alguns nomes não escapariam de ficar de fora. Luca Guadagnino (Me Chame Pelo Seu Nome), Steven Spielberg (The Post: A Guerra Secreta) e Ridley Scott (Todo o Dinheiro do Mundo) são nomes que já tiveram participação na temporada de premiações, mas não consolidaram uma boa campanha.

Christopher Nolan recebeu sua quarta indicação ao DGA e não deve ter chances reais de ganhar. Ele foi previamente indicado por Amnésia, Batman – O Cavaleiro das Trevas e A Origem. Em nenhum dos casos, a indicação do DGA se tornou indicação ao Oscar. Se dependesse do meu voto, ele cederia sua vaga para Sean Baker pelo ótimo Projeto Flórida ou para Denis Villeneuve por Blade Runner 2049.

Algumas matérias citam ainda as diretoras Sofia Coppola (O Estranho que Nós Amamos), Angelina Jolie (First They Killed my Father), Dee Rees (Mudbound), e Patty Jenkins (Mulher-Maravilha). Não conferi as outras diretoras, mas querer Jenkins no DGA e Oscar seria forçar a barra. Os que defendem essa idéia estão visando apenas a vibe feminista que Mulher-Maravilha proporcionou na mídia. Particularmente, as poucas cenas que gostei da sua direção (primeira metade do filme) muito se deve a Richard Donner, diretor de Superman: O Filme (1978), que serviu de inspiração/plágio para Patty Jenkins.

INDICADOS AO 70º DGA:

  • GUILLERMO DEL TORO (A Forma da Água)
  • GRETA GERWIG (Lady Bird)
  • MARTIN MCDONAGH (Três Anúncios Para um Crime)
  • CHRISTOPHER NOLAN (Dunkirk)
  • JORDAN PEELE (Corra!)

 

INDICADOS A DIRETOR ESTREANTE:

  • GEREMY JASPER (Patti Cake$)
  • WILLIAM OLDROYD (Lady Macbeth)
  • JORDAN PEELE (Corra!)
  • TAYLOR SHERIDAN (Terra Selvagem) 
  • AARON SORKIN (A Grande Jogada)

Os vencedores do DGA serão conhecidos no dia 03 de fevereiro. E as indicações ao Oscar saem no dia 23 de janeiro.

RETROSPECTIVA 2017: BASTIDORES SEXUAIS DE HOLLYWOOD

ANO FICOU MARCADO POR ESCÂNDALOS SEXUAIS E A EXPANSÃO DA DISNEY

Saudações aos cinéfilos de plantão! Mais um ano se passou e gostaria de entediá-los com meu resumão com os filmes. Bom, primeiramente, quero agradecer a todos que curtiram, fizeram comentários ou mesmo deram aquela breve passada no blog e na página do Facebook. Continuo não ganhando nem um centavo, mas todos os feedbacks certamente são gratificantes, então obrigado!

META DE 2017 E SUAS CONSEQUÊNCIAS

Este ano tracei como meta assistir mais daqueles filmes que quando você fala que não viu, a pessoa reage com um: “Não acredito que você não assistiu!”. Então, vi alguns clássicos pela primeira vez como o neo-realista italiano Humberto D. (1952), de Vittorio De Sica, e o tocante e singelo clássico japonês de Yasujirô Ozu, Era uma Vez em Tóquio (1953). Também incluí filmes cults como Scanners – Sua Mente Pode Destruir (um David Cronenberg “tosqueira” que ficou mais marcado pela cena da cabeça que explode) e Tomates Verdes Fritos (que honestamente não entendi toda essa aura que o transformou em cult).

Dos diretores renomados, alguns filmes me surpreendi positivamente como Razão e Sensibilidade (1995), de Ang Lee (que achava que seria um drama de época sonolento), e Arizona Nunca Mais (1987), dos irmãos Coen, quando o humor deles era mais non-sense. Já outros como A Cidade dos Amaldiçoados (1995), de John Carpenter, foi bem doído assistir até o final pelo cúmulo do ridículo das cenas (Christopher Reeve mentalizando um muro de tijolos pra bloquear a telepatia das crianças foi a cena mais “chá de cogumelo” que vi este ano).

PIORES DO ANO NO CINEMA

Todo ano eu assisto a filmes que penso: “Onde eles estavam com a cabeça?”. Normalmente, são filmes cujos produtores se acham criativos demais a ponto de não necessitarem de um diretor competente por trás das câmeras. Dá pra citar dois exemplos de como Hollywood ainda tem muito a aprender:

A MÚMIA. Se essa era a idéia de revival dos monstros clássicos da Universal, o estúdio deveria urgentemente rever seus conceitos. Claramente, quiseram criar uma espécie de universo onde a Múmia poderia interagir com o Drácula, Frankenstein e Lobisomem em futuros longas, assim como a Marvel Studios planejou e executou, mas nem todo mundo tem a visão, organização e planejamento de Kevin Feige (produtor da Marvel).

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No centro, Annabelle Wallis com Jake Johnson e Tom Cruise em cena de A Múmia (pic by moviepilot.de)

Primeiramente, Tom Cruise não tem o carisma de Brendan Fraser (que protagonizou A Múmia de 1999), e muito menos tem qualquer química com sua colega Annabelle Wallis. Sofia Boutella como uma versão feminina da múmia soou promissor nos trailers, mas o resultado final acabou comprometido com as demais escolhas equivocadas, assim como o diretor Alex Kurtzman, que só tinha uma comédia desconhecida no currículo. Felizmente, o filme foi mal nas bilheterias e deve brecar esse plano insosso da Universal.

A TORRE NEGRA. Acho bacana resgatarem um grande autor de terror como Stephen King para os cinemas, mas definitivamente esta adaptação de sua obra não funcionou em nenhum aspecto. Sinceramente não entendi o motivo de contratarem o diretor dinamarquês Nikolaj Arcel. Eles queriam uma atmosfera de filme europeu num filme nitidamente blockbuster? E embora Idris Elba e Matthew McConaughey se esforcem, é impossível se importar com seus personagens, muito menos o jovem Tom Taylor que pareceu mais perdido do que os próprios produtores.

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Idris Elba e Tom Taylor tentam alguma química em A Torre Negra (pic by moviepilot.de)

Ainda falando sobre Stephen King, achei muuuito bacana ver seu romance “It” sendo tão destacado após tantos anos da primeira adaptação para a televisão. Este novo It: A Coisa se tornou o filme de terror mais visto de todos os tempos, ultrapassando o recorde anterior de O Exorcista (1973) que era de 232 milhões de dólares. Contudo, apesar dos números gordos que certamente vão engrenar mais filmes de terror, o filme está longe de ser uma obra-prima como muitos classificaram. Se tivessem explorado mais os personagens adultos, que são mais assustadores do que o próprio palhaço Pennywise, e reduzissem o excesso de efeitos visuais na figura dele, a performance de Bill Skarsgård poderia causar mais calafrios.

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Crianças procuram pelo palhaço Pennywise em cena de It: A Coisa (pic by moviepilot.de)

E de uma forma geral, as sequências e refilmagens integraram a parte ruim da safra do ano. Hoje existe um excesso de continuações e reboots que empobrece o cinema, e que se continuar nesse ritmo, os filmes originais passarão a ser raridade no circuito. Citando apenas os que vi no cinema: O Chamado 3, Jogos Mortais: Jigsaw, Alien: Covenant (uma franquia excelente mas que enfraqueceu demais com esta nova produção), Annabelle 2: A Criação do Mal, e até mesmo Guardiões da Galáxia Vol. 2, que pecou no excesso de gags e esqueceu da trama principal.

INDO CONTRA A CORRENTE

Apesar de Hollywood ainda produzir boas continuações como Logan e Thor: Ragnarok, é nesse cenário de escassez de originalidade que temos que valorizar os novos trabalhos de Darren Aronofsky (Mãe!) e Christopher Nolan (Dunkirk). Curiosamente, ambos os filmes tiveram recepções do tipo ame ou odeie, mas é inegável o esforço que os diretores fizeram para entregar algo novo, fresco e com alguma mensagem, concorde você ou não.

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E o filme doideira do ano vai para Mãe!, de Darren Aronofsky (pic by moviepilot.de)

Apesar de ter cedido dirigir a sequência Blade Runner 2049, Denis Villeneuve é garantia de vermos algo no mínimo com um olhar diferente. A Chegada é uma das ficções científicas mais criativas dos últimos anos, principalmente no uso de recursos cinematográficos como a montagem não-linear.

E falando em originalidade, não posso deixar de citar o melhor filme que vi nos cinemas: Corra!, de Jordan Peele. Pra começar, este é um filme que nunca imaginei que veria um dia. Trata-se de um filme extremamente corajoso ao lidar com o tema do racismo, ainda mais no gênero do terror e da ficção científica. E isso só foi possível graças a Jordan Peele que, em entrevista, confessou que queria fazer um filme em que pudesse passar a péssima sensação de ser uma minoria. Antigamente, havia mais filmes assim, em que o diretor queria abordar temas polêmicos em tramas de terror e ficção científica como O Enigma do Outro Mundo (1982), de John Carpenter.

Quando soube que Robert Pattison estava bem cotado pra ganhar o prêmio de interpretação masculina em Cannes por Bom Comportamento (Good Time), fiquei pensando se não seria exagero da mídia, afinal estamos falando daquele rapaz sem graça daqueles filmes mais sem graça ainda do Crepúsculo. Pelo visto suas duas colaborações com o diretor canadense David Cronenberg, Cosmópolis e Mapas Para as Estrelas, fizeram muito bem para desinflar seu ego e mostrar que ele tem potencial. Nesse filme dos irmãos Benny e Josh Safdie, Pattison vive um ladrão de bancos que, após uma tentativa frustrada de assalto, precisa resgatar seu irmão antes que ele volte para a prisão. Além do ator, o filme foi uma grata surpresa. Muito bem dirigido, montado e com uma ótima trilha musical de Daniel Lopatin, Bom Comportamento consegue gerar tensão do início ao fim e nunca se torna previsível.

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Robert Pattison em cena de Bom Comportamento (pic by moviepilot.de)

OSCAR 2017: A CERIMÔNIA QUE NÃO ACABOU

A cerimônia do Oscar ficou tão marcada com a lambança histórica de troca de envelopes e anúncio de filme errado que às vezes você até esquece qual indicado ganhou Melhor Filme, o que acabou apagando um pouco o brilho da vitória de Moonlight: Sob a Luz do Luar. Esse deslize diminuiu o fato da Academia premiar pela primeira vez em seus 89 anos um filme sobre homossexualismo e composto por um elenco totalmente negro.

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Gafes do Oscar: Warren Beatty e Jimmy Kimmel com caras de “O que eu vou falar agora??”

Claro, é importante quebrar barreiras e desbravar novos mares, mas deixando essa parte politicamente correta de lado, não considero Moonlight um bom filme. Barry Jenkins reuniu uma série de clichês de homossexualismo e de vício de drogas, colocou uma fotografia mais estilizada com câmera lenta, e uma estrutura narrativa convencional em três tempos da vida do protagonista. As melhores qualidades do filme são a trilha de Nicholas Britell e Mahershala Ali, que ficou muito limitado no primeiro terço do filme. Quer ver filme bom de homossexualismo? Veja O Segredo de Brokeback Mountain, veja Weekend, veja Azul é a Cor Mais Quente, veja Antes do Anoitecer, veja Morte em Veneza, enfim, são tantas opções melhores…

ISABELLE HUPPERT. Antes quero deixar claro que sou e sempre fui contra aqueles Oscars concedidos com intenção de compensar derrotas anteriores ou várias indicações sem vitórias, pois esses prêmios costumam gerar novas injustiças e transformar tudo num ciclo vicioso. Francamente, achava que Isabelle Huppert nem seria indicada por Elle por se tratar de uma performance corajosa num filme igualmente ousado, mas já que ela foi indicada, por que não premiá-la? A grande maioria dos críticos americanos a reconheceu como a melhor performance feminina do ano, mas no Oscar resolveram premiar a America’s sweetheart Emma Stone em La La Land, que certamente terá inúmeras outras oportunidades de ganhar uma estatueta.

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Emma Stone e seu Oscar de Atriz por La La Land

Claro que também fiquei indignado com a ausência de Elle na categoria de Filme em Língua Estrangeira. Além do filme ser muito bom, a Academia perdeu uma excelente oportunidade de premiar Paul Verhoeven, um diretor holandês que muito contribuiu para Hollywood nos anos 80 e 90, com clássicos modernos como RoboCop – O Policial do Futuro, Instinto Selvagem O Vingador do Futuro. Se depois viessem com Oscar Honorário, se fosse Verhoeven, eu nem me daria ao trabalho de comparecer à cerimônia.

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Isabelle Huppert e o diretor Paul Verhoeven divulgam Elle no tapete vermelho de Cannes (pic by LA Times)

EXPANDE MONOPÓLIO DA DISNEY

Lembra lá no colégio, quando seu professor de História te ensinou sobre as consequências do monopólio? Que, como não há forte concorrência, a empresa controla o mercado? Como eu havia comentado há dois anos e já me preocupava com essa situação fora de controle, a Disney já comprou a Pixar, a Marvel, a Lucas Films (Star Wars) e agora a Fox e suas derivadas Twentieth Century Fox, Fox Searchlight e FX, essa última em especial se tornou referências em séries mais ousadas como American Horror Story e Fargo, material que não vemos na Disney.

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Inicialmente, os fãs da Marvel comemoraram o fato de vários personagens poderem participar do mesmo universo dos filmes da Marvel/Disney, como Deadpool e os X-Men. Sim, pelo lado dos fãs de quadrinhos, é uma ótima notícia pela integração, mas é justamente aí que reside uma grande preocupação. Será possível um filme como Deadpool, repleto de sangue, palavrões, humor negro e sexo, sob o comando da empresa-família Disney? Se os figurões da Disney forem espertos, eles mantém o logo da Fox e continuarão produzindo filmes para o público adulto como Logan, já que foi comprovado o sucesso comercial e de crítica.

Mas não se trata apenas desse microcosmo da Marvel. Toda forma de Arte precisa de diversidade para sobreviver, por isso, quanto menos pasteurizada for a safra de novos filmes, o cinema terá vida longa.

OS ASSÉDIOS DE HOLLYWOOD

Embora muitos acreditem que o terremoto começou com o produtor Harvey Weinstein, Hollywood já ficou em estado de alerta com relatos de assédio envolvendo o último vencedor do Oscar de Melhor Ator, Casey Affleck, que teria tratado com machismo colegas de trabalho chamando-as de “vacas” e chegando a mostrar seu órgão genital para Amanda White, produtora de seu mockumentary  I’m Still Here.

Obviamente, o caso de Harvey Weinstein, dono da ex-distribuidora Miramax e atual Weinstein Co., é o mais grave de todos. Ele teria assediado mais de oitenta mulheres (segundo o USA Today), com destaque para atrizes como Ashley Judd (que foi a primeira a erguer a mão), Asia Argento, Rosanna Arquette, Kate Beckinsale, Cara Delevingne, Claire Forlani, Romola Garai, Heather Graham, Eva Green, Daryl Hannah, Salma Hayek, Angelina Jolie, Rose McGowan, Lupita Nyong’o, Mira Sorvino e Gwyneth Paltrow. Seus avanços normalmente seguiam uma tática de chamar a vítima até seu quarto de hotel, onde ele já a esperava trajado com roupão de banho, oferecia e pedia massagens e forçava beijos. Caso as vítimas se recusassem, ele as ameaçava dizendo que “acabaria com a carreira delas”. E elas sabiam que ele tinha poder para isso.

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O produtor Harvey Weinstein à esquerda com algumas de suas vítimas (montage by Archy World News)

Nessa confusão toda, sobrou até pra Meryl Streep, que foi acusada de saber dos abusos e não reportar, assim como Matt Damon, que teria ajudado a encobrir um dos escândalos a pedido de Weinstein em 2004. Primeiramente, muita calma nessa hora. Como jogaram merda no ventilador, é preciso apurar tudo antes de sair acusando todo mundo, pois carreiras e vidas estão em jogo.

Todas essas acusações mexeram demais com a indústria, tanto que a Academia decidiu expulsar o produtor Harvey Weinstein de sua associação. Ele foi indicado ao Oscar de Melhor Filme por Gangues de Nova York em 2003, e ganhou o Oscar em 1999 por Shakespeare Apaixonado. Inclusive acredito na teoria da conspiração que o Oscar de Melhor Atriz para Gwyneth Paltrow foi comprado com o intuito de fazê-la esquecer do “incidente” (talvez só assim pra explicar como ela bateu Cate Blanchett e Fernanda Montenegro naquele ano…). Pode ser que mais membros envolvidos na polêmica sejam futuramente expulsos também.

Depois de Weinstein, o caso mais em evidência foi do ator Kevin Spacey. Sua vida se tornou um inferno depois que o ator Anthony Rapp, da série Star Trek: Discovery, revelou que aos 14 anos, ele foi abusado por Spacey depois de uma festa. Em resposta pelo Twitter, Kevin Spacey pediu desculpas, mas sugeriu que seu comportamento inapropriado teria acontecido por ele ser gay. Obviamente, a declaração não caiu bem e deixou a comunidade gay em fúria. Em seguida, vieram outras acusações envolvendo jovens atores de seu grupo teatral britânico Old Vic. Vendo a bola de neve crescer rapidamente, a Netflix logo anunciou que cancelaria série House of Cards, protagonizada por Spacey, enquanto o diretor Ridley Scott decidiu apagar todas as cenas já filmadas com Spacey e substitui-lo por Christopher Plummer no filme All the Money in the World. Estava anunciado o fim da carreira de Kevin Spacey, que teria se internado numa espécie de clínica de reabilitação.

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Envolvido em escândalos, o ator Kevin Spacey foi retirado integralmente do filme de Ridley Scott, All the Money in the World (montage by Digital Spy)

Tendo o mesmo comportamento inapropriado, o diretor Bryan Singer foi recentemente demitido da produção de Bohemian Rhapsody, filme biográfico do vocalista do Queen, Freddie Mercury. Inicialmente, inventaram uma desculpa de que ele tinha problemas familiares, mas novas acusações surgiram contra ele e assim estava justificada sua demissão. Segundo relatos, Singer oferecia papéis a jovens atores (incluindo menores) em troca de sexo.

Ao longo dos últimos meses, várias acusações surgiram contra outros profissionais da área de cinema e de TV. Para citar os mais importantes: o diretor e produtor Brett Ratner, os atores e vencedores do Oscar Dustin HoffmanRichard Dreyfuss (que teriam provocado e oferecido propostas indecentes), e os atores de séries Jeffrey Tambor (de Transparent, que tem futuro incerto) e Louis C.K. (de Louie, que também não deve continuar e ainda cancelou futuros projetos). Todos se afastaram dos holofotes e devem esperar a poeira abaixar um pouco.

 

Alguns especialistas acreditam que o Oscar 2018 pode dar preferência às mulheres devido aos acontecimentos. Portanto, podem pintar candidatas e vencedoras mulheres em categorias normalmente dominadas por homens como Direção e Fotografia. Eu, particularmente, sou contra essa tendência de premiar de acordo com os tempos como aconteceu com Moonlight, que mais foi premiado como forma de protesto contra o governo de Trump do que pelos próprios méritos.

CRÍTICAS

Vamos às listas do ano, começando com os melhores vistos nos cinemas.

TOP 5 MELHORES DO ANO NO CINEMA

5. Bom Comportamento (Good Time/ 2017)
Dir: Benny Safdie, Josh Safdie

4. Custódia (Jusqu’à la garde/ 2017)
Dir: Xavier Legrand

3. Ao Cair da Noite (It Comes at Night/ 2017)
Dir: Trey Edward Shults

2. A Qualquer Custo (Hell or High Water/ 2016)
Dir: David Mackenzie

1. Corra! (Get Out/ 2017)
Dir: Jordan Peele

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Daniel Kaluuya e Allison Williams em cena de Corra!

TOP 5 MELHORES EM MÍDIA DIGITAL

5. Your Name (Kimi no na wa/ 2016)
Dir: Makoto Shinkai

4. Desamor (Loveless/ 2017)
Dir: Andrey Zvyagintsev

3. Pais e Filhos (Soshite chichi ni naru / 2013)
Dir: Hirokazu Kore-eda

2. El Topo (El Topo/ 1970)
Dir: Alejandro Jodorowsky

1. Era uma vez em Tóquio (Tôkyô monogatari/ 1953)
Dir: Yasujirô Ozu

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Era uma Vez em Tóquio, de Yasujirô Ozu. Pic by imdb.com

IN MEMORIAN

Comparado ao ano passado, é possível dizer que tivemos poucas perdas no mundo do cinema. Particularmente, pra mim foi muito difícil dizer adeus a um dos melhores diretores que Hollywood produziu: o americano Jonathan Demme. Como sou fã incondicional de O Silêncio dos Inocentes, e considero Filadélfia um marco contra o preconceito da Aids, tenho um carinho enorme pelos seus filmes.

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O diretor Jonathan Demme com a atriz Jodie Foster em set de O Silêncio dos Inocentes (pic by The New York Times)

Outra perda irreparável para os cinéfilos fãs de terror foi o mestre George Romero, conhecido como o pai dos zumbis que hoje estrelam vários filmes, séries e quadrinhos. Apesar de admirar seus trabalhos com os mortos-vivos, gostaria de ter visto mais filmes de outras temáticas como o ótimo Martin (1978), no qual um rapaz acredita que é um vampiro.

Perdemos os vencedores do Oscar: Martin Landau, vencedor do Oscar de Coadjuvante pela excepcional performance como Bela Lugosi em Ed Wood (1994); e o diretor John G. Avildsen, considerado o diretor dos filmes de esporte e montagem Rocky, um Lutador (1976) e Karatê Kid (1984).

Grandes atores indicados ao Oscar também partiram: John Hurt (por O Expresso da Meia-Noite e O Homem Elefante), Mary Tyler Moore (por Gente Como a Gente); Sam Shepard (por Os Eleitos). E nomes que serão lembrados por seu talento e carisma: Harry Dean StantonBill PaxtonJerry LewisAdam West (o eterno Batman da série de TV), Roger Moore (o ator que mais interpretou James Bond), e o músico Chris Cornell (criou a trilha e canção de 007 – Cassino Royale).

FELIZ ANO NOVO!

Embora nosso querido governo pise cada vez mais em nós, seja criando mais leis inúteis, seja criando mais impostos para cobrir seus próprios roubos, ou pior: soltando presos corruptos como faz um certo ministro do Supremo, precisamos tocar nossas vidas. 2018 é uma grande incógnita na política, e tenho muito receio de que o PT volte ao poder e de uma possível ascensão da extrema direita.

Que em 2018, sejam lançados mais filmes de qualidade, filmes alternativos e por que não filmes nacionais melhores? O cinema brasileiro parece ter perdido aquele gás dos anos 2000 e se rendido a comédias típicas de televisão. Bingo: O Rei das Manhãs foi uma boa surpresa de Daniel Rezende, mas precisamos de mais.

Em noite de lambança histórica, ‘MOONLIGHT’ tira o Oscar de ‘LA LA LAND’

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O produtor de La La Land, Jordan Horowitz, revela o real conteúdo do envelope: “Moonlight”. Warren Beatty e Jimmy Kimmel com sorrisos amarelos e já com dor de cabeça…

GAFE HISTÓRICA TERIA SE ORIGINADO EM TROCA DE ENVELOPES

Em 89 anos de história e há 20 anos que acompanho o Oscar, nunca vi uma lambança que nem essa que aconteceu na entrega de Melhor Filme. No final da cerimônia, o casal Faye Dunaway e Warren Beatty, que estava celebrando 50 anos do clássico Bonnie & Clyde (1967), revelou La La Land como o grande vencedor da noite, mas alguém do evento avisou que o resultado era outro, e o próprio produtor de La La Land corrigiu o erro ao vivo, repassando o Oscar para Moonlight. Logo em seguida, Warren Beatty contou que seu envelope estava escrito “Emma Stone (La La Land)”, que Dunaway leu sem restrição alguma. Jamais esperei esse erro por parte da Academia… Foi Momento Miss Universo no Oscar! Tanto que Jimmy Kimmel até brinca: “Eu particularmente culpo Steve Harvey por isso!”

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Os produtores Jeremy Kleiner, Adele Romanski e Barry Jenkins posam com as estatuetas por Moonlight (pic by theguardian.com.uk)

Enfim, parabéns pela humildade do produtor Jordan Horowitz e para a equipe de Moonlight. Ainda estou chocado com a gafe e acredito que ela ainda vai render por vários anos até teorias conspiratórias… Não concordo com esse prêmio, mas entendo as pessoas que gostaram e se emocionaram com o filme de Barry Jenkins, assim como entendo o recado que a Academia quis dar em relação às críticas racistas e ao próprio presidente Donald Trump e sua política extremista. Moonlight também levou os Oscars de Roteiro Adaptado e Ator Coadjuvante para Mahershala Ali.

Pra quem quiser ver ou rever a cena:

Faye Dunaway e Warren Beatty lêem errado e Moonlight leva Melhor Filme

De uma forma geral, felizmente, os vencedores foram mais imprevisíveis. Além da já citada categoria de Melhor Filme, dá pra citar Montagem e Som para Até o Último Homem, Maquiagem para Esquadrão Suicida, Figurino para Animais Fantásticos e Filme em Língua Estrangeira para o iraniano O Apartamento. O campeão de indicações desta edição, La La Land, ficou com seis estatuetas. Por mais que eu tenha gostado de um filme, acho mais bacana quando a Academia pulveriza seus prêmios com mais filmes do que acumular um monte para apenas um filme, pois além de reconhecer mais trabalhos, dá a chance de eles serem mais vistos pelo simples fato de terem ganhado um Oscar.

Desse modo, a premiação de Efeitos Sonoros para A Chegada foi excepcional. Por se tratar de uma ficção científica moderna, precisava ser reconhecida pela Academia de alguma forma. Embora tenha sido premiado apenas numa categoria menor, o filme de Denis Villeneuve pode render mais projeção.

A CERIMÔNIA

Host pela primeira vez, Jimmy Kimmel procurou ser autêntico, mas acredito que ele buscou referências bem-sucedidas como Ellen DeGeneres. Os organizadores trouxeram um grupo de excursão para dentro do Dolby Theater durante a cerimônia do Oscar para gerar uma surpresa. Foi uma idéia diferente, mas ficou bem borocoxô. Quem sabe se fossem crianças ou estudantes de cinema… cinéfilos, sei lá. Kimmel não parecia ter roteiro algum pra situação e por isso, a atração não teve o impacto desejado. E ficou mais com cara de que pareciam atores encenando surpresa, então perdeu a autenticidade do negócio. Tentaram reproduzir aquele momento do entregador de pizzas de 2014 com a Ellen DeGeneres, mas sem o mesmo brilho da apresentadora.

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Excursão para o Oscar: não funcionou na prática

Engraçado que eles gastaram um baita tempão para esse quadro, cerca de uns 4 minutos?, mas não podiam gastar 30 segundos para trazer os homenageados do Oscar Honorário para o palco e receber uma salva de palmas. Eles tiveram que se contentar com o camarote na lateral.

Jimmy Kimmel também pecou no excesso de piadas com o ator Matt Damon, com quem tem uma relação de humor há onze anos, iniciada em seu próprio programa televisivo. Nesse dia, após um programa com uma série de erros, o host teria pedido desculpas ao final para Matt Damon. “Ele foi o primeiro nome que me veio à cabeça. Procurei pensar numa estrela de primeira grandeza, daquelas que nunca recusaríamos num programa…”, revelou Kimmel. Contudo, acertou ao postar ao vivo tweets para o presidente Donald Trump como: “Hey, Trump. U up? (Ei, Trump. Está acordado?) e, claro, suas tiradas no monólogo como “Não sei se é algo popular a se dizer, mas eu quero agradecer o presidente Trump. Quero dizer, vocês se lembram do ano passado em que o Oscar parecia ser racista?” e “Foi um ano excepcional para os filmes. Os negros salvaram a NASA e os brancos salvaram o jazz”.

Já a melhor coisa da noite foram as homenagens antes das apresentações. Começou com um videoclipe da atriz Charlize Theron reassistindo Se Meu Apartamento Falasse num cinema e falando bem do filme de Billy Wilder e principalmente de Shirley MacLaine, para logo em seguida, as duas surgirem no palco para apresentar uma categoria. Como Hollywood é feito por gerações de artistas, nada mais apropriado do que unir essas gerações no próprio Oscar.

As outras duas homenagens foram: de Seth Rogen para Michael J. Fox em De Volta Para o Futuro, e de Javier Bardem para Meryl Streep em As Pontes de Madison. Sou super a favor de fazerem isso mais vezes nos próximos anos, porque assim é possível saber o que um ator ou atriz tem a dizer sobre um filme ou performance cultuada e vê-lo(la) interagir com o artista em si.

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Seth Rogen chega de DeLorean com Michael J. Fox no palco do Oscar

Também vale ressaltar outro videoclipe intitulado “Movies Around the World” (Filmes ao redor do mundo), no qual vemos vários estrangeiros falando sobre o papel dos filmes e o que eles significam para cada um, para depois citar favoritos. Acho bastante válido a Academia buscar essa interação com o resto do mundo, porque cinema sempre foi e sempre será uma linguagem universal. Só acho que deveriam também espalhar esse amor pelo resto do mundo ao expandir para 10 indicados o Oscar de Filme em Língua Estrangeira!! Nesse clipe, houve as participações do ator Lázaro Ramos (ue falou bem de O Poderoso Chefão e Faça a Coisa Certa) e de Seu Jorge, mas houve uma falha técnica e o TNT ficou fora do ar por quase 2 minutos.

IMPRESSÕES PESSOAIS

Já que Mahershala Ali praticamente ganhou o Oscar por causa de seu discurso de orgulho por ter raízes muçulmanas no SAG Awards, eu estava esperando um baita discurso nessa linha e que ele lançasse o primeiro ataque a Trump por bloquear a entrada de civis de países muçulmanos. Mas não foi isso que vimos…

Felizmente, Viola Davis salvou a noite com um belíssimo discurso. Não apenas pelas palavras, mas a mulher sabe dizê-las com poder! Ela dedica o prêmio ao dramaturgo August Wilson, autor de “Fences”, e agradece por trabalhar numa profissão que exalta a vida de pessoas comuns, com seus sonhos não-concretizados e paixões perdidas.

Pela categoria de Filme em Língua Estrangeira, com o anúncio de que o diretor Asghar Farhadi não compareceria ao Oscar por causa de Trump, muitos especialistas no assunto passaram a acreditar que ele ganharia, batendo o favorito alemão Toni Erdmann. Não sei quanto ao resultado, porque honestamente não vi o filme iraniano, mas independente da qualidade, o discurso do ausente Asghar Farhadi lido no palco foi fenomenal! Nele, Farhadi acredita que quando se divide o mundo entre nós e o inimigo, cria-se o medo. E, realmente, não é assim que se resolve o problema do terrorismo, Trump.

Em relação aos prêmios de música, John Legend cantou as duas canções de La La Land numa espécie de mix no lugar dos astros Ryan Gosling e Emma Stone, que tiveram receio de falhar ao vivo, já que não são cantores profissionais. Pra sorte deles, as canções já estavam praticamente com as mãos no prêmio, então a apresentação em si não iria interferir no resultado. Dentre as canções apresentadas, muito ponto positivo para Justin Timberlake que já entrou com tudo no teatro e colocou todo mundo pra dançar com sua performance de “Can’t Stop the Feeling”. Foi um jeito bem despojado de começar o Oscar! Já pela qualidade de canto, destaque para Auli’i Cravalho por sua linda voz ao cantar “How Far I’ll Go” de Moana.

Dos demais prêmios, embora preferia o roteiro de A Qualquer Custo, gostei da vitória de Kenneth Lonergan por Manchester à Beira-Mar, assim como a vitória de Casey Affleck como Melhor Ator. Pra mim, só faltou Isabelle Huppert ter levado Melhor Atriz, mas enfim era o ano de Emma Stone…

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Vencedores nas categorias de atuação: Mahershala Ali, Emma Stone, Viola Davis e Casey Affleck.

DETALHES DE ÚLTIMA HORA

Bom, como virei a noite pra poder finalizar o post sobre o Oscar, algumas coisas ficaram de fora, mas acho importante relatar aqui.

Primeiramente, sobre o incidente do envelope de Melhor Filme, foi uma pena. É nessas horas que a gente vê como um erro bobo pode arruinar toda uma cerimônia meticulosamente bem planejada. Ao pessoal de La La Land ficou uma sensação de ridículo, de humilhação pública, mas que foi muito bem contornada pelo produtor Jordan Horowitz que assumiu as rédeas num momento delicado para fazer justiça. Sim, o negócio poderia ficar bem mais feio. E mesmo com a vitória, o pessoal de Moonlight ficou com um peso estranho nas costas que acaba roubando o brilho do momento. O mesmo pode se dizer sobre a vitória de Emma Stone, porque na sala de imprensa, ela mais respondia perguntas sobre o paradeiro do envelope de Melhor Atriz (que foi indevidamente lido por Warren Beatty e Faye Dunaway) do que sobre sua gloriosa vitória.

Ainda sobre erros, a 89ª cerimônia do Oscar cometeu outra gafe, menos gritante que a da troca de envelope, mas não menos grave. Na costumeira homenagem In Memoriam aos artistas falecidos, quando o nome da figurinista Janet Patterson surge, a foto não é dela, mas de uma amiga e colaboradora chamada Jan Chapman, com quem trabalhou nos figurinos de O Piano (1993). Imaginem a reação da confundida! “Fiquei devastada com o uso de minha imagem no lugar de minha grande amiga e colaboradora de longa data Janet Patterson. Cobrei à agência uma foto dela que pudesse ser usada, mas fui informada de que a Academia já havia conseguido. Janet era muito bonita e foi indicada quatro vezes ao Oscar, então é muito frustrante que o erro não foi consertado a tempo. Estou viva, bem, e sou uma produtora em atividade.”

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Trecho de videoclipe In Memoriam, em que a foto da produtora Jan Chapman aparece como sendo a figurinista Janet Patterson. GAFE!

Sobre as coisas que esqueci, faltou mencionar a primeira vitória do sound mixer Kevin O’Connell, que era considerado até ontem o maior perdedor do Oscar com 20 indicações sem nenhuma vitória. Ele venceu por sua 21ª indicação pelo filme Até o Último Homem, de Mel Gibson. Assim, ele finalmente passa a tocha de “loser” para outro artista, provavelmente, seu colega de área Greg P. Russell, que havia conquistado sua 17ª indicação, mas que foi revogada pela presidente da Academia por ter feito lobby. Entre outros recordistas de indicações sem vitória estão o compositor Thomas Newman (14 indicações) e o diretor de fotografia Roger Deakins (13 indicações).

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À esquerda, Kevin O’Connell ficou tão feliz com sua primeira vitória após 21 indicações que dominou o microfone, mesmo com três colaboradores ao lado

A vitória de Colleen Atwood por Animais Fantásticos e Onde Habitam na categoria de Figurino foi considerada uma surpresa, já que as apostas indicavam La La Land ou Jackie, portanto, os votos podem ter se dividido e dado espaço para Atwood. Com essa vitória, ela conquistou sua 4ª estatueta do Oscar, igualando-se à Milena Canonero como vice-campeã de vitórias no Oscar. A maior recordista de todos os tempos permanece a eterna Edith Head, que venceu oito vezes.

VENCEDORES DO 89th ACADEMY AWARDS:

MELHOR FILME
Moonlight: Sob a Luz do Luar (Moonlight)

MELHOR DIRETOR
Damien Chazelle (La La Land)

MELHOR ATOR
Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar)

MELHOR ATRIZ
Emma Stone (La La Land)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Mahershala Ali (Moonlight)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Viola Davis (Um Limite Entre Nós)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Kenneth Lonergan (Manchester à Beira-Mar)

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Barry Jenkins (Moonlight)

MELHOR FOTOGRAFIA
Linus Sandgren (La La Land)

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
David Wasco, Sandy Reynolds-Wasco (La La Land)

MELHOR MONTAGEM
John Gilbert (Até o Último Homem)

MELHOR FIGURINO
Colleen Atwood (Animais Fantásticos e Onde Habitam)

MELHOR MAQUIAGEM E CABELO
Alessandro Bertolazzi, Giorgio Gregorini, Christopher Allen Nelson (Esquadrão Suicida)

MELHOR TRILHA MUSICAL ORIGINAL
Justin Hurwitz (La La Land)

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“City of Stars”, de Justin Hurwitz, Benj Pasek, Justin Paul (La La Land)

MELHOR SOM
Kevin O’Connell, Andy Wright, Robert Mackenzie, Peter Grace (Até o Último Homem)

MELHORES EFEITOS SONOROS
Sylvain Bellemare (A Chegada)

MELHORES EFEITOS VISUAIS
Robert Legato, Adam Valdez, Andrew R. Jones, Dan Lemmon (Mogli: O Menino Lobo)

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
O Apartamento, de Asghar Farhadi (IRÃ)

MELHOR ANIMAÇÃO
Zootopia, de Byron Howard e Ron Clements

MELHOR DOCUMENTÁRIO
O.J.: Made in America, de Ezra Edelman

MELHOR DOCUMENTÁRIO-CURTA
The White Helmets

MELHOR CURTA-METRAGEM
Mindenki

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO
Piper