Emmanuel Lubezki leva seu 4º prêmio no ASC 2016 por ‘O Regresso’

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Emmanuel “Chivo” Lubezki recebe seu quarto ASC award na 30ª edição por O Regresso (photo by http://www.theasc.com)

É A TERCEIRA VITÓRIA SEGUIDA DO DIRETOR DE FOTOGRAFIA MEXICANO

Se tem uma categoria este ano no Oscar em que todos os indicados merecem ganhar é Melhor Fotografia. Todos, sem exceção, apresentaram um trabalho formidável em seus respectivos filmes, o que valoriza ainda mais a vitória. Mas o que pode ser um diferencial nessa competição tão disputada?

Claro que o status do filme na temporada conta bastante. Se o filme só teve poucas indicações ou apenas Fotografia, as chances de vitória são mais baixas do que aqueles que estão concorrendo a Melhor Filme, por exemplo. Aliás, entre os cinco concorrentes ao Oscar de Fotografia, apenas dois disputam Melhor Filme: O Regresso e Mad Max: Estrada da Fúria. Mas por que o primeiro larga na frente?

Bela fotografia de Emmanuel Lubezki em O Regresso (photo by cine.gr)

Bela fotografia de Emmanuel Lubezki em O Regresso (photo by cine.gr)

Em bom português: Emmanuel Lubezki é um profissional que adora um desafio. Não basta apenas colocar a câmera no tripé e apertar o REC. O cara tem que ir lá nas montanhas congeladas do Canadá e da Argentina, ter as pernas congeladas na água, carregando uma câmera pesada no corpo. Como se fosse pouco, ele decidiu em conjunto com o diretor Alejandro González Iñárritu que deveria fazer todo o trabalho de fotografia sem utilizar luzes artificiais (refletores)!

Se formos pensar pela lógica e bom senso, essa idéia foi de “jerico”, afinal, havia dias nas montanhas, em que a luz natural durava apenas uma hora e meia! E não se trata só de tempo de filmagem estendido, mas de todo um deslocamento de equipe de filmagem e preparação para as cenas. Seria o equivalente ao método perfeccionista utilizado pelo mestre japonês Akira Kurosawa, que aguardava semanas por um pôr-do-sol ideal. Curiosamente, foram esses bastidores sacrificantes que elevaram seus esforços e os colocaram na frente pelo terceiro Oscar de Emmanuel Lubezki. Um trabalho de sobrevivência para um filme sobre sobrevivência.

THE REVENANT

Emmanuel Lubezki nos bastidores de um congelante set de O Regresso. Photo by Twentieth Century Fox Film Corporation e Regency Entertainment.

Nas duas categorias de televisão, a série épica Marco Polo e o telefilme Casanova, de Jean-Pierre Jeunet, levaram os prêmios. Já o prêmio especial Spotlight, que reconhece trabalhos alternativos do circuito de festivais, deu empate entre Adam Arkapaw (Macbeth: Ambição e Guerra) e Mátyás Erdély (Filho de Saul). A fotografia bastante plástica de Arkapaw em Macbeth foi um trabalho injustiçado na temporada. Se o filme de Justin Kurzel estivesse mais no meio do burburinho da temporada de premiação, certamente teria mais espaço.

A cerimônia de premiação prestou homenagem aos profissionais que nos deixaram nos últimos 12 meses: como Vilmos Zigmond, Haskell Wexler e Andrew Lesnie, além de contar com o reconhecimento de John Toll com o prêmio pelo conjunto da obra. Como dizia Cameron Crowe, “ele escreve com sua câmera”, e assim o fez em Além da Linha Vermelha, Lendas da Paixão e Coração Valente. Esses dois últimos lhe renderam suas duas estatuetas do Oscar consecutivas em 1995 e 1996.

Houve ainda um prêmio especial para o diretor Ridley Scott por sua “sensibilidade visual exuberante em filmes como Blade Runner: O Caçador de Andróides, Alien: O Oitavo Passageiro, Gladiador e Thelma & Louise. Fora da competição do Oscar de direção por Perdido em Marte, Scott, com seu habitual bom humor, agradeceu o prêmio através de um videoclipe.

VENCEDORES DO 30º ASC AWARDS:

FILME
Emmanuel Lubezki (O Regresso)

SÉRIE DE TV
Vanja Cernjul (Marco Polo) – Episódio: “The Fourth Step”

TELEFILME, MINISSÉRIE OU PILOTO
Pierre Gill (Casanova)

PRÊMIO SPOTLIGHT AWARD
Adam Arkapaw (Macbeth: Ambição e Guerra)
Mátyás Erdély (Filho de Saul)

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Alejandro G. Iñárritu, George Miller, Tom McCarthy, Ridley Scott e Adam McKay conquistam indicação ao DGA 2016

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Do alto, da esquerda para direita: Adam McKay, Ridley Scott, Tom McCarthy, Alejandro González Iñárritu e George Miller (photo montage by awardsdaily.com)

DIRETOR BRASILEIRO, FERNANDO COIMBRA, É RECONHECIDO POR NOVA CATEGORIA PARA ESTREANTES

Por se tratar de um dos melhores parâmetros para o Oscar (se não o melhor), o DGA é praticamente garantia de que o vencedor aqui leva o prêmio de direção da Academia em seguida. E quem estiver fora dessa lista, pode praticamente dar adeus a uma vitória no Oscar. Nesse caso, os excluídos Todd Haynes (Carol) e Steven Spielberg (Ponte dos Espiões) podem até conquistar uma indicação ao Oscar na quinta-feira, mas chances reais de vitória caem drasticamente.

Pra quem não se recorda, vale lembrar que em 67 anos de existência, o DGA só não coincidiu com o vencedor do Oscar de diretor em apenas 7 ocasiões:

  • Em 1968: Anthony Harvey ganhou o DGA Award por O Leão no Inverno, enquanto Carol Reed levou o Oscar por Oliver!
  • Em 1972: Francis Ford Coppola por O Poderoso Chefão (DGA) e Bob Fosse por Cabaret (Oscar).
  • Em 1985: Steven Spielberg por A Cor Púrpura (DGA), e Sydney Pollack por Entre Dois Amores (Oscar).
  • Em 1995: Ron Howard por Apollo 13 (DGA), e Mel Gibson por Coração Valente (Oscar).
  • Em 2000: Ang Lee por O Tigre e o Dragão (DGA) e Steven Soderbergh por Traffic (Oscar).
  • Em 2002: Rob Marshall por Chicago (DGA) e Roman Polanski por O Pianista (Oscar).
  • Em 2013: Ben Affleck por Argo (DGA) e Ang Lee por As Aventuras de Pi (Oscar).

Pra ser bem sincero, acredito que Adam McKay deve ceder sua vaga no Oscar para Haynes, o que fortaleceria suas chances de ganhar como roteirista por A Grande Aposta.

Enfim… as indicações ao DGA foram anunciadas hoje, dia 12, e o presidente do sindicato, Paris Barclay, aproveitou para elogiar os trabalhos de 2015: “O que faz com que este ano seja diferente é a ambição desenfreada dos indicados – no tema , na produção, na imaginação visual. O que faz com que este ano seja o mesmo é que os filmes foram todos escolhidos pelos colegas dos diretores, e é claro que nossos membros adoram quando as pessoas usam sua visão e habilidade para elevar os meios para novos patamares. Parabéns a todos os indicados por seu trabalho incrível.”

Pelo discurso, parecia que ele estava elogiando o trabalho ousado de George Miller em Mad Max: Estrada da Fúria, o que talvez soaria como um indicativo de que este pode ser o primeiro DGA de Miller, mas ele terá dura competição pela frente, com um imbatível Alejandro González Iñárritu, que acaba de levar o Globo de Ouro por O Regresso, e Ridley Scott por Perdido em Marte, que está com cara de que pode levar mais pelo conjunto de sua obra do que pelo filme em si.

Nesta 68ª edição, o DGA resolveu criar uma nova categoria destinada a diretores estreantes, tamanho o talento encontrado em novos diretores. Por se tratar de um prêmio novíssimo, não dá pra saber ainda se ele terá algum tipo de impacto no Oscar, mas definitivamente, trata-se de um reconhecimento merecido.

Além de figuras mais conhecidas como Alex Garland (que roteirizou Extermínio, Sunshine – Alerta Solar e Não me Abandone Jamais) e Joel Edgerton (ator de Reino Animal, Guerreiro e O Grande Gatsby), o diretor brasileiro Fernando Coimbra foi indicado por seu trabalho no bom e tenso thriller O Lobo Atrás da Porta, uma espécie de Atração Fatal carioca. Ele, que já vinha em ascensão com a direção de episódios da série Narcos e agora filmando Sand Castle, longa estrelado por Henry Cavill e Nicholas Hoult, passa a ter mais destaque no cenário internacional com esta indicação. Espero que ele prospere e siga a trajetória de sucesso de nossos diretores Walter Salles, Fernando Meirelles e José Padilha.

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Em primeiro plano, Leandra Leal em cena de O Lobo Atrás da Porta, de Fernando Coimbra (photo by cinemaorama.com.br)

 

Seguem os indicados a Diretor:

ALEJANDRO GONZÁLEZ IÑÁRRITU (O Regresso)

Alejandro González IñárrituVencedor do DGA de 2015 por Birdman, esta é sua terceira indicação. Perdeu em 2007 por Babel. Como cinéfilo e admirador do diretor desde seu primeiro longa Amores Brutos (2000), acredito que ele evoluiu bastante. Por um momento, temi que ele fosse se limitar à estrutura narrativa de histórias paralelas que se cruzam com uma tragédia, mas ele conseguiu se superar com Biutiful e Birdman, e promete ser um daqueles raros diretores que buscam inovações a cada novo trabalho. Com a colaboração inestimável de seu DP (diretor de fotografia) Emmanuel Lubezki, Iñárritu se mostra promissor e deve conquistar pelo menos mais uma estatueta do Oscar.

TOM McCARTHY (Spotlight – Segredos Revelados)

Tom McCarthyFoi atuando como ator que Tom McCarthy começou a observar o trabalho dos diretores. Por estar no elenco, viu de perto o modo de trabalho de Richard Donner em Teoria da Conspiração, George Clooney em Boa Noite e Boa Sorte e Clint Eastwood em A Conquista da Honra. Logo em seu primeiro filme como diretor, em O Agente da Estação, foi premiado pelo BAFTA, Independent Spirit e Sundance. Em seguida dirigiu dois bons trabalhos em O Visitante e Ganhar ou Ganhar – A Vida é um Jogo, mas em 2014, resolveu dirigir um filme bem ruinzinho estrelado por Adam Sandler, Trocando os Pés. Felizmente, voltou a um cinema mais consistente em Spotlight – Segredos Revelados. Esta é sua primeira indicação ao DGA.

ADAM McKAY (A Grande Aposta)

Adam McKaySe olharmos para a filmografia de Adam McKay, encontraremos exemplares das comédias estreladas por Will Ferrell como Ricky Bobby – A Toda Velocidade, Quase Irmãos e Os Outros Caras, filmes que dificilmente seriam reconhecidos no Oscar ou mesmo no DGA. Imagino que deve ter amadurecido seu feeling e timing cômico nessa trama sobre a crise econômica de A Grande Aposta. Espero. Esta é sua primeira indicação ao DGA.

 

GEORGE MILLER (Mad Max: Estrada da Fúria)

George MillerGeorge Miller era daqueles diretores que eu pensava: “Por que esse cara nunca foi reconhecido pela Academia?” Ele dirigiu uma das melhores trilogias do cinema: Mad Max. E nada! Então, ele passou a ser mais sentimentalista (ou passou a se vender – dependendo do ponto de vista) dirigindo dramas como O Óleo de Lorenzo (1992) e dirigir filmes fofinhos como Babe – O Porquinho Atrapalhado na Cidade (1998) e animação Happy Feet: O Pingüim (2006) e sua continuação. Acho que só o fato de ele ter conseguido convencer o estúdio a lhe dar carta branca pra fazer esse insano e politicamente incorreto Mad Max: Estrada da Fúria em tempos de cinema careta já foi uma vitória incontestável. Esta é sua primeira indicação ao DGA.

RIDLEY SCOTT (Perdido em Marte)

Ridley ScottEu tinha uma grande admiração por Ridley Scott. Ele dirigiu duas das melhores ficções científicas da História do Cinema: Alien, o Oitavo Passageiro (1979) e Blade Runner – O Caçador de Andróides (1982), mas desde que o vi com aquela cara de mau perdedor no Oscar 2001, quando competia por Gladiador e perdeu para Steven Soderbergh (Traffic), fiquei com a expressão: “Esse mau perdedor aí é o diretor de Alien?”. Seu novo filme Perdido em Marte é uma boa ficção científica que tem como mérito ser otimista, algo muito raro no gênero. Acredito que tem grandes chances aqui e no Oscar, porém mais por sua filmografia que inclui o cult Thelma & Louise, Os Duelistas e Chuva Negra. Esta é sua quarta indicação ao DGA. Ele foi indicado antes por Thelma & Louise, Gladiador e Falcão Negro em Perigo.

Seguem os indicados a Melhor Diretor Estreante:

  • Fernando Coimbra (O Lobo Atrás da Porta)
  • Joel Edgerton (O Presente)
  • Alex Garland (Ex-Machina: Instinto Artificial)
  • Marielle Heller (O Diário de uma Adolescente)
  • László Nemes (O Filho de Saul)

 

O 68º DGA Awards acontece no dia 06 de fevereiro.

‘Carol’ lidera as indicações do Independent Spirit Awards 2016

Carol

Rooney Mara e Cate Blanchett em cena de Carol, de Todd Haynes (photo by outnow.ch)

PREMIAÇÃO DOS INDEPENDENTES DESTACA OSCARIZÁVEIS

Antes de analisar esta edição, cabe aqui recordar o crescimento da importância do Independent Spirit em relação ao Oscar. Considerado como anti-Oscar até os anos 90, quando a Academia premiava grandes produções de estúdios em sua grande maioria como Coração Valente e Titanic, o prêmio singelo focado em filmes independentes ganhou muita força por sua veia mais artística e claro, por seus baixos orçamentos que animam qualquer produtor em anos de crise econômica.

Nos últimos anos, Birdman, 12 Anos de Escravidão e O Artista se sagraram Melhor Filme tanto no Independent como no Oscar, assim como vários atores, cujas performances foram reconhecidas em ambas as premiações como Julianne Moore (Para Sempre Alice), J.K. Simmons (Whiplash: Em Busca da Perfeição), Patricia Arquette (Boyhood: Da Infância à Juventude), Matthew McConaughey (Clube de Compras Dallas), Cate Blanchett (Blue Jasmine), Jared Leto (Clube de Compras Dallas) e Lupita Nyong’o (12 Anos de Escravidão) só pra citar as duas últimas edições, ou seja, 7 vencedores coincididos em 8. Resumindo: O Independent Spirit só fica atrás do SAG Awards para garantir o Oscar de atuação. Portanto, nessa função de prévia do Oscar, o Independent Spirit tomou o lugar do Globo de Ouro há tempos.

Neste ano, os convidados para o anúncio das indicações foram os atores Elizabeth Olsen, a Feiticeira Escarlate de Vingadores: Era de Ultron, e John Boyega, que estrela o novo filme da saga: Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força. Eles revelaram os indicados na manhã desta última terça-feira, dia 24, e a transmissão segue em link do Youtube:

O recordista em indicações é o novo filme de Todd Haynes, conhecido por Longe do Paraíso e Velvet Goldmine, Carol. Rotulado como o romance lésbico, o longa conquistou seis indicações, incluindo para a dupla de protagonistas Cate Blanchett e Rooney Mara, que competirão na mesma categoria. Claro que isso não significa que Mara não possa concorrer por Coadjuvante no Oscar, pois dependerá de sua inscrição pela campanha, mas certamente sua inclusão como atriz principal aqui, juntamente com o prêmio de atuação feminina em Cannes, reforçam sua indicação ao Oscar.

Em seguida, com cinco indicações, vem Beasts of No Nation, de Cary Joji Fukunaga, que aborda o treinamento de crianças para se formarem soldados com o intuito de lutarem em guerras civis no continente africano. Curiosamente, é a primeira produção da Netflix a concorrer ao prêmio, comprovando que as plataformas de streaming não vão se limitar às séries.

Michael Keaton e Mark Ruffalo em cena de Spotlight (photo by cine.gr)

Michael Keaton e Mark Ruffalo em cena de Spotlight (photo by cine.gr)

Com quatro indicações, Spotlight, drama jornalístico sobre escândalos verídicos de abusos de padres católicos, ganhou mais impulso para a temporada. Havia um certo receio de que o conservadorismo da Academia pudesse barrar a produção, mas com a alta de seu reconhecimento, fica praticamente impossível ignorar o filme, que já conquistou o prêmio de Melhor Elenco pelas performances de Mark Ruffalo, Michael Keaton, Rachel McAdams, Liev Schreiber e Stanley Tucci.

Com o mesmo número de indicações, a animação Anomalisa surpreendeu ao conquistar espaço nas principais categorias como Filme, Diretor e Roteiro. Contudo, a maior surpresa aqui é a inclusão do trabalho de dublagem da atriz Jennifer Jason Leigh como Atriz Coadjuvante. Sem contar com a presença de tela, a dublagem normalmente passa desapercebida pela maioria dos prêmios, pois muitos acreditam ainda que se trata de uma performance menor, ou mesmo limitada. As últimas duas atuações vocais que causaram um hype foram a de Scarlett Johansson, que faz a voz do sistema operacional em Ela (2013), e Ellen DeGeneres como a personagem amnésica Dory de Procurando Nemo (2003). Infelizmente, nenhuma das duas atrizes foram indicadas ao Oscar, mas alguns críticos já estão fazendo campanha para Jennifer Jason Leigh, que ainda conta com sua participação em Os 8 Odiados.

À direita, a personagem Lisa, dublada pela atriz Jennifer Jason Leigh (photo by observatoriodocinema.com.br)

À direita, a personagem Lisa, dublada pela atriz Jennifer Jason Leigh em Anomalisa  (photo by observatoriodocinema.com.br)

De todas as indicações, a que mais gostei foi para o diretor David Robert Mitchell por seu trabalho em Corrente do Mal. Trata-se de um terror pós-moderno que faz uma bela analogia à liberdade sexual entre os jovens de hoje. Fazer um filme de terror com conteúdo como fazia John Carpenter nos anos 70 e 80 está cada vez mais raro, e por isso mesmo, merece tal reconhecimento.

Vale destacar também as quatro indicações para o drama Tangerina, sobre duas prostitutas transsexuais que buscam vingança com seu cafetão na época do Natal em Los Angeles. Com um orçamento irrisório de 100 mil dólares e câmeras de iPhones modificadas, está competindo com grandes favoritos ao Oscar. Além disso, está lançando duas atrizes transsexuais para competir nas categorias de Atriz e Atriz Coadjuvante: Kitana Kiki Rodriguez e Mya Taylor, respectivamente. Caso uma das duas seja indicada para o Oscar, será a primeira vez que um ator transgênero consegue o feito.

Da esquerda pra direita, as atrizes Kitana Kiki Rodriguez e Mya Taylor em cena de Tangerina (photo by cine.gr)

Da esquerda pra direita, as atrizes Kitana Kiki Rodriguez e Mya Taylor em cena de Tangerina (photo by cine.gr)

Ainda sobre a lista de indicados, muitos especialistas acreditam que o drama O Quarto de Jack, considerado um “Oscar lock”, ficou aquém das expectativas na premiação. Segundo as apostas, faltaram indicações para Melhor Filme, Diretor (Lenny Abrahamson), Atriz Coadjuvante para Joan Allen, e Ator Coadjuvante Para Jacob Tremblay. Nesse cenário, a protagonista Brie Larson continua firme e forte na disputa para o Oscar de Atriz.

Outras ausências sentidas foram das atrizes Blythe Danner (I’ll See You in My Dreams), Lily Tomlin (Grandma), Saoirse Ronan (Brooklyn) e Elizabeth Banks (Love & Mercy), confirmando que estamos diante de um ano excepcional para atrizes como há muito não se via.

Diante desses indicados, com mais “cara de independente”, com exceções de Spotlight e Carol, talvez seja um ano de ruptura entre o Independent Spirit e o Oscar.

Seguem as indicações do Independent Spirit Awards 2016:

MELHOR FILME
– Anomalisa
– Beasts of No Nation
– Carol
– Spotlight
– Tangerina (Tangerine)

MELHOR DIRETOR
– Sean Baker (Tangerina)
– Cary Joji Fukunaga (Beasts of No Nation)
– Todd Haynes (Carol)
– Charlie Kaufman & Duke Johnson (Anomalisa)
– Tom McCarthy (Spotlight)
– David Robert Mitchell (Corrente do Mal)

MELHOR ROTEIRO
– Charlie Kaufman (Anomalisa)
– Donald Margulies (O Fim da Turnê)
– Phyllis Nagy (Carol)
– Tom McCarthy & Josh Singer (Spotlight)
– S. Craig Zahler (Bone Tomahawk)

MELHOR FILME DE ESTRÉIA
– The Diary of a Teenage Girl
– James White
– Manos Sucias
– Mediterranea
– Songs My Brothers Taught Me

MELHOR ROTEIRO ESTREANTE
– Jesse Andrews (Eu, Você e a Garota que Vai Morrer)
– Jonas Carpignano (Mediterranea)
– Emma Donoghue (O Quarto de Jack)
– Marielle Heller (The Diary of a Teenage Girl)
– John Magary, Russell Harbaugh, Myna Joseph (The Mend)

MELHOR ATOR
– Christopher Abbott (James White)
– Abraham Attah (Beasts of No Nation)
– Ben Mendelsohn (Mississippi Grind)
– Jason Segel (O Fim da Turnê)
– Koudous Seihon (Mediterranea)

MELHOR ATRIZ
– Cate Blanchett (Carol)
– Brie Larson (O Quarto de Jack)
– Rooney Mara (Carol)
– Bel Powley (The Diary of A Teenage Girl)
– Kitana Kiki Rodriguez (Tangerina)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
– Kevin Corrigan (Resultados)
– Paul Dano (Love & Mercy)
– Idris Elba (Beasts of No Nation)
– Richard Jenkins (Bone Tomahawk)
– Michael Shannon (99 Homes)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
– Robin Bartlett (H.)
– Marin Ireland (Glass Chin)
– Jennifer Jason Leigh (Anomalisa)
– Cynthia Nixon (James White)
– Mya Taylor (Tangerina)

MELHOR DOCUMENTÁRIO
– (T)error
– Best of Enemies
– Heart of a Dog
– The Look of Silence
– Meru
– The Russian Woodpecker

MELHOR FILME INTERNACIONAL
– Um Pombo Pousou num Galho Refletindo Sobre a Existência (En duva satt på en gren och funderade på tillvaron), de Roy Andersson
– Embrace of the Serpent (El Abrazo de la Serpiente), de Ciro Guerra
– Garotas (Bande de Filles), de Céline Sciamma
– Mustang, de Deniz Gamze Ergüven
– O Filho de Saul (Saul Fia), de László Nemes

MELHOR FOTOGRAFIA
– Beasts of No Nation
– Carol
– Corrente do Mal
– Meadlowland
– Songs My Brothers Taught Me

MELHOR MONTAGEM
– Heaven Knows What
– Corrente do Mal
– Manos Sucias
– O Quarto de Jack
– Spotlight

PRÊMIO JOHN CASSAVETES (Best Feature Under $500,000)
– Advantageous
– Christmas, Again
– Heaven Knows What
– Krisha
– Out of My Hand

PRÊMIO ROBERT ALTMAN (Best Ensemble)
* Spotlight

Kiehl’s Someone to Watch Award
– Chloé Zhao
– Felix Thompson
– Robert Machoian & Rodrigo Ojeda-Beck

PRÊMIO PIAGET DE PRODUTORES
– Darren Dean
– Mel Eslyn
– Rebecca Green and Laura D. Smith

A 31ª edição do Independent Spirit Awards acontece no dia 27 de fevereiro, como de costume, um dia antes da cerimônia do Oscar.

Idris Elba em cena de Beasts of No Nation, de Cary Fukunaga (photo by cine.gr)

Idris Elba em cena de Beasts of No Nation, de Cary Joji Fukunaga (photo by cine.gr)

Indicações ao DGA 2015 ajudam ‘Sniper Americano’ e ‘O Jogo da Imitação’

Da esquerda pra direita: Clint Eastwood, Alejandro González Iñárritu, Richard Linklater, Wes Anderson e Mortem Tyldum são os indicados ao DGA 2015 (photo by variety.com)

Da esquerda pra direita: Clint Eastwood, Alejandro González Iñárritu, Richard Linklater, Wes Anderson e Mortem Tyldum são os indicados ao DGA 2015 (photo by variety.com)

O 67th Annual DGA Awards divulgou nesta terça, dia 13, seus cinco indicados a Melhor Diretor e os filmes Sniper Americano e O Jogo da Imitação têm motivos para comemorar. Não que os demais indicados Boyhood, Birdman e O Grande Hotel Budapeste não tenham, mas suas inclusões na lista foram as surpresas desta edição.

Sei que é muito fácil dizer isso agora, mas eu já previa uma nova indicação para Clint Eastwood. Para quem acompanhou a escalada relâmpago de Sniper Americano nos últimos prêmios (foi indicado para  ADG, Eddie, PGA e WGA), já podia imaginar que essa crescente resultaria em algo maior. Aliás, espera-se o longa conquiste seu espaço entre as indicações ao Oscar, que serão anunciadas nesta quinta.

Já a presença do norueguês Morten Tyldum soa como uma espécie de estranho no ninho. Embora seu O Jogo da Imitação esteja presente em todos os prêmios, ele não vinha tendo quase nenhuma projeção como diretor. Nem no Critics’ Choice Awards que tem seis vagas na categoria ele conseguiu uma indicação! Contudo, o sindicato dos diretores, formado por mais de 15 mil votantes, enxergou qualidade em sua direção. Embora eu não tenha visto O Jogo da Imitação, vi seu filme anterior, Headhunters, que apresenta uma trama intricada envolvendo roubo de quadros, mas que tem na tensão do início ao fim resultado de uma paranóia crescente, que lembra A Conversação (1974), de Francis Ford Coppola, sua melhor qualidade como diretor.

Por mais que não tenham enviado cópias de Selma para os sindicatos, a exclusão mais comentada foi a de sua diretora Ava DuVernay, pois ela foi indicada ao Globo de Ouro e ao Critics’ Choice Awards. No início da temporada, havia uma expectativa de que poderia rolar uma competição inédita envolvendo duas diretoras: DuVernay e Angelina Jolie, por O Invencível, mas a última não tem sido uma unanimidade entre os críticos. Já Ava DuVernay ainda tem grandes chances de concorrer ao Oscar, por dois motivos básicos: 1º Os responsáveis pela campanha de Selma enviaram os screeners para a Academia (ao contrário dos sindicatos); e 2º a Academia adora fatos inéditos para sua gloriosa História. Se indicada, ela será a primeira diretora negra a competir na categoria de Direção, ou como eles gostam de chamar lá, afro-americana.

Entre os demais excluídos estão David Fincher (Garota Exemplar), Damien Chazelle (Whiplash: Em Busca da Perfeição), James Marsh (A Teoria de Tudo) e Dan Gilroy (O Abutre). Alguns fãs mais calorosos também argumentam a ausência de Christopher Nolan por Interestelar. Bom, como já vi o filme, posso dizer que concordo com a sua exclusão, pois apesar do estilo visual apurado dele, considero Nolan didático demais. Ele precisa explicar tudo pra fazer a história andar, por isso que seus filmes são tão longos e chatos…

Com as indicações, o DGA Awards praticamente confirma as indicações ao Oscar de Richard Linklater, Alejandro González Iñárritu e Wes Anderson. As outras duas vagas podem e devem mudar na quinta-feira no anúncio do Oscar.

Seguem os indicados ao 67º DGA Awards:

Wes Anderson

Wes Anderson

WES ANDERSON
O Grande Hotel Budapeste
Conhecido por filmes alternativos e seu humor refinado, esta é a primeira indicação dele no DGA. Para quem acompanha seus filmes desde os anos 90 como Três é Demais, Os Excêntricos Tenenbaums, A Vida Marinha com Steve Zissou, O Fantástico Sr. Raposo e Moonrise Kingdom, é possível ver uma nítida evolução nesse O Grande Hotel Budapeste. Comparado a Tim Burton por sua forte identificação de estilo visual nos campos da Direção de Arte, Fotografia e Figurino, Wes Anderson passou a aprimorar sua direção nos roteiros de sua autoria, aliados à sua montagem seca que valoriza o humor. Esta indicação vem mais do que merecida.

 

Clint Eastwood

Clint Eastwood

CLINT EASTWOOD
Sniper Americano
Pupilo de mestres como Sergio Leone e Don Siegel, Clint Eastwood se tornou um novo mestre do cinema contemporâneo ao tratar de temas polêmicos como a pedofilia em Sobre Meninos e Lobos, a síndrome de Estocolmo em Um Mundo Perfeito e a eutanásia em Menina de Ouro. Ele retorna com um tratamento diferenciado do vício da guerra em Sniper Americano. Esta é sua quarta indicação no DGA. Ele venceu duas vezes: em 1993 por Os Imperdoáveis, e em 2005 por Menina de Ouro. Em 2006, foi homenageado pelo prêmio pelo conjunto da carreira.

Alejandro González Iñárritu

Alejandro González Iñárritu

ALEJANDRO GONZÁLEZ IÑÁRRITU
Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)
O diretor mexicano ficou conhecido mundialmente por seu visceral Amores Brutos (2000) – o qual sou muito mais o título original ‘Amores Perros’ – e assim como incontáveis talentos estrangeiros, aproveitou a oportunidade de projeção internacional e embarcou em um projeto com atores hollywoodianos. O dele se chamada 21 Gramas, que tinha ninguém menos do que Sean Penn e a ascendente Naomi Watts e Benicio Del Toro. Com seu sucesso de crítica, avançou uma casa e realizou um projeto mais ambicioso intitulado Babel, com atores de várias nacionalidades como a japonesa Rinko Kikuchi e a mexicana Adriana Barraza, mas também contou com Brad Pitt e Cate Blanchett. Agora com Birdman, conseguiu reavivar a carreira do sumido Michael Keaton e até de Edward Norton, que estava meio apagado nos últimos anos. Esta é sua segunda indicação ao DGA. Ele foi indicado anteriormente por Babel em 2007.

Richard Linklater

Richard Linklater

RICHARD LINKLATER
Boyhood: Da Infância à Juventude
Embora esta seja a primeira indicação de Richard Linklater, ele é bastante conhecido no circuito independente de cinema. Além da trilogia Antes do Amanhecer, Antes do Pôr-do-Sol e Antes da Meia-Noite, ele foi responsável por cults como Jovens, Loucos e Rebeldes e Waking Life. Costuma trabalhar sempre com os mesmos colaboradores como Ethan Hawke, Julie Delpy, Patricia Arquette e Keanu Reeves. Contudo, a grande ambição por trás de Boyhood deve lhe garantir o prêmio, pois desafiou o sistema de contratos longos ao estender suas filmagens por 12 anos e assim finalizar um projeto baseado em amor. E filmes sobre amadurecimento jamais serão os mesmos depois de Boyhood.

Morten Tyldum

Morten Tyldum

MORTEN TYLDUM
O Jogo da Imitação
Também estreante no DGA, o diretor norueguês Morten Tyldum teve trajetória semelhante ao de Alejandro González Iñárritu, pois depois do sucesso de seu filme Headhunters, todo falado em norueguês, ele recebeu convite para dirigir a adaptação de Graham Moore sobre a história vitoriosa do matemático Alan Turing, que quebrou os códigos alemães para acabar com a Segunda Guerra Mundial. Para esta adaptação, ele logo conseguiu juntar grandes talentos em ascensão como Benedict Cumberbatch, que já é almejado por vários diretores consagrados. Independente da indicação ao Oscar, deve ter caminho brilhante adiante.

“Num ano repleto de filmes excelentes, os membros do DGA indicaram um grupo estelar de cineastas apaixoandos. Inspiradores e artísticos, estes cinco diretores fizeram filmes que deixaram um impacto marcante não apenas em seus companheiros diretores e membros do time de diretores, mas no público mundo afora. Parabéns a todos os indicados por seu trabalho magnífico”, declarou o presidente do DGA Paris Barclay.

Vale sempre ressaltar que o vencedor do DGA está com a mão na taça, pois em toda sua história, apenas em sete casos o vencedor não coincidiu:

  • Em 1968: Anthony Harvey ganhou o DGA Award por O Leão no Inverno, enquanto Carol Reed levou o Oscar por Oliver!
  • Em 1972: Francis Ford Coppola por O Poderoso Chefão (DGA) e Bob Fosse por Cabaret (Oscar).
  • Em 1985: Steven Spielberg por A Cor Púrpura (DGA), e Sydney Pollack por Entre Dois Amores (Oscar).
  • Em 1995: Ron Howard por Apollo 13 (DGA), e Mel Gibson por Coração Valente (Oscar).
  • Em 2000: Ang Lee por O Tigre e o Dragão (DGA) e Steven Soderbergh por Traffic (Oscar).
  • Em 2002: Rob Marshall por Chicago (DGA) e Roman Polanski por O Pianista (Oscar).
  • Em 2013: Ben Affleck por Argo (DGA) e Ang Lee por As Aventuras de Pi (Oscar).

O vencedor do DGA 2015 será anunciado no dia 07 de fevereiro em cerimônia no Hyatt Regency Century Plaza.

Ben Affleck vence o DGA por ‘Argo’. E agora, Academia?

Ben Affleck ostenta seu prêmio do DGA por Argo (photo by deccanchronicle.com)

Ben Affleck ostenta seu prêmio do DGA por Argo (photo by deccanchronicle.com)

Um grande e temido pesadelo aconteceu para a Academia: Ben Affleck levou o DGA award (Directors Guild of America) por Argo. O terceiro longa dirigido pelo ator Ben Affleck arrebatou todos os prêmios que podia: Globo de Ouro (Filme – Drama e Diretor), Critic’s Choice Award (Filme e Diretor), SAG award (Melhor Elenco – crédito para o diretor), o PGA award (Melhor Filme) e agora o DGA, que tem as melhores estatísticas de vitória garantida no Oscar. Bom, não desta vez…

Com essa vitória de Affleck, será o sétimo raríssimo caso em que o diretor vencedor do DGA não levará o Oscar, uma vez que nem foi indicado. Segue abaixo a ilustre lista dos seis casos anteriores:

  • Em 1968: Anthony Harvey ganhou o DGA Award por O Leão no Inverno, enquanto Carol Reed levou o Oscar por Oliver!
  • Em 1972: Francis Ford Coppola por O Poderoso Chefão (DGA) e Bob Fosse por Cabaret (Oscar).
  • Em 1985: Steven Spielberg por A Cor Púrpura (DGA), e Sydney Pollack por Entre Dois Amores (Oscar).
  • Em 1995: Ron Howard por Apollo 13 (DGA), e Mel Gibson por Coração Valente (Oscar).
  • Em 2000: Ang Lee por O Tigre e o Dragão (DGA) e Steven Soderbergh por Traffic (Oscar).
  • Em 2002: Rob Marshall por Chicago (DGA) e Roman Polanski por O Pianista (Oscar).

O fato de Ben Affleck não ter sido sequer indicado tem causado forte burburinho na mídia especializada e entre incontáveis cinéfilos que gostaram de Argo. Alguns mais radicais acreditam que a Academia, em seu grande conservadorismo, resolveu ignorar o diretor pelo seu passado nebuloso como ator. Como vocês sabem, Affleck nunca soube escolher bem seus projetos como ator, principalmente em 2003, quando naufragou em Demolidor – O Homem Sem Medo e Contato de Risco, ao lado da então esposa, Jennifer Lopez. Outros acreditam em lambança mesmo. Essa estratégia mal formulada de querer surpreender a todos foi um tiro no próprio pé da Academia.

O vencedor de 2012, Michel Hazanavicius (O Artista), entrega o prêmio a Ben Affleck (photo by metro.co.uk)

O vencedor de 2012, Michel Hazanavicius (O Artista), entrega o prêmio a Ben Affleck (photo by metro.co.uk)

Essa segunda teoria fica mais sólida com as ausências absurdas de mais dois indicados ao DGA: Kathryn Bigelow (A Hora Mais Escura) e Tom Hooper (Os Miseráveis). Ok, nada contra os substitutos David O. Russell, Michael Haneke e Benh Zeitlin. Todos têm seus devidos créditos, mas algo deu errado nas contas finais. Ou talvez não. Se a Academia estiver disposta a desvencilhar sua imagem de previsível de uma vez por todas, 2013 pode ser o ano um. É bem possível que as surpresas do Oscar não parem nos indicados, mas também nos vencedores. Você, que aposta em bolões e promoções, fique atento às surpresas. Alguns nomes considerados garantidos como Daniel Day-Lewis e Anne Hathaway podem cair do cavalo. Mas enfim, são apenas suposições.

Os indicados a Melhor Diretor no DGA da esquerda para a direita: Tom Hooper, Ben Affleck, Kathryn Bigelow, Ang Lee e Steven Spielberg (photo by metro.co.uk)

Os indicados a Melhor Diretor no DGA da esquerda para a direita: Tom Hooper, Ben Affleck, Kathryn Bigelow, Ang Lee e Steven Spielberg (photo by metro.co.uk)

Se Ben Affleck tivesse sido indicado ao Oscar, mas não levasse, não seria uma anormalidade, pois Argo é apenas seu terceiro filme. Talvez algumas pessoas que não votaram em Affleck tivessem boas intenções no sentido de não querer atrapalhar a ascensão dele com uma maldição do Oscar. Apesar do bom trabalho da mistura de gêneros que Argo foi, Ben Affleck ainda tem um extenso campo para amadurecer e entregar novos filmes excepcionais. Existem muitos artistas (diretores, atores e roteiristas) que interrompem sua escalada de sucesso porque acreditam que o Oscar foi seu ápice profissional, e que nada que façam em seguida pode ser melhor. Como cinéfilo, espero que essa dedução a respeito de Affleck se torne válida para que ele consiga dar a volta por cima.

Milos Forman (photo by HollywoodReporter.com)

Milos Forman (photo by HollywoodReporter.com)

O DGA awards escolheu Milos Forman como vencedor do Conjunto da Obra. Trabalhando como diretor desde os anos 60, o tcheco Forman criou obras polêmicas que entraram para a história do Cinema. O musical hippie Hair (1979), o drama de época Na Época do Ragtime (1981) que relata os conflitos raciais de Nova York no início do século XX, e a biografia do controverso Larry Flynt, que acreditava em liberdade de expressão ao publicar pornografia em O Povo Contra Larry Flynt (1996). Levou dois merecidos Oscars de Direção com os clássicos Um Estranho no Ninho (1975) e Amadeus (1984). Já no final da carreira, retornou ao seu país de origem e dirigiu outro musical: Dobre placená procházka (2009).

Segue lista completa dos vencedores:

Feature Film: Ben Affleck (Argo)
Documentary Feature: Malik Bendjelloul (Searching for Sugar Man)
Dramatic Series: Rian Johnson (Breaking Bad: Fifty-One)
Comedy Series: Lena Dunham (Girls – piloto)
Movie for Television or Mini-Series: Jay Roach (Virada no Jogo)
Musical Variety Program: Glenn Weiss (66th Annual Tony Awards)
Reality Program: Brian Smith (Master Chef – episódio #305)
Children’s Program: Paul Hoen (Let It Shine)
Daytime Serial: Jill Mitwell (One Life to Life: Between Heaven and Hell)
Commercial: Alejandro González Iñárritu (Best Job)

Malik Bendjelloul recebendo o DGA de documentarista do vocalista do Foo Fighters, Dave Grohl (photo by http://www.rte.ie)

Malik Bendjelloul recebendo o DGA de documentarista por Searching for Sugar Man do vocalista do Foo Fighters, Dave Grohl (photo by http://www.rte.ie)

Finalistas do 64º Directors Guild of America Awards 2011

Kathryn Bigelow entrega o DGA a Tom Hooper, vencedor de 2010 por O Discurso do Rei

Se o Screen Actors Guild e o Globo de Ouro são uma prévia do Oscar, o DGA (Directors Guild of America) pode ser considerado uma bola de cristal, pois em 63 prêmios concedidos ao Melhor Diretor do ano, apenas em 6 raríssimas ocasiões o vencedor do DGA não levou o Oscar pra casa:

  • Em 1968: Anthony Harvey ganhou o DGA Award por O Leão no Inverno, enquanto Carol Reed levou o Oscar por Oliver!
  • Em 1972: Francis Ford Coppola por O Poderoso Chefão (DGA) e Bob Fosse por Cabaret (Oscar).
  • Em 1985: Steven Spielberg por A Cor Púrpura (DGA), e Sydney Pollack por Entre Dois Amores (Oscar).
  • Em 1995: Ron Howard por Apollo 13 (DGA), e Mel Gibson por Coração Valente (Oscar).
  • Em 2000: Ang Lee por O Tigre e o Dragão (DGA) e Steven Soderbergh por Traffic (Oscar).
  • Em 2002: Rob Marshall por Chicago (DGA) e Roman Polanski por O Pianista (Oscar).

Ou seja, desde 2003, todos os melhores diretores coincidiram. Por esse motivo, os indicados este ano têm chances bastante reais de ganhar o Oscar:

Woody Allen (Meia-Noite em Paris)

* Woody Allen por Meia-Noite em Paris

Em sua 5ª indicação após um hiato de 12 anos, Woody Allen prova que a sua busca por novos ares (desta vez, a França) está solidificando uma nova fase de sua carreira. Venceu o DGA em 1978 por Noivo Neurótico, Noiva Nervosa.

David Fincher (Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres)

* David Fincher por Millenium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres

Apesar de seu currículo (esta é sua 3ª indicação), Fincher foi considerado uma surpresa, pois nomes de peso como Spielberg e Malick não figuraram. Taxado como especialista de filmes de serial killers, Fincher está em plena ascensão após a fábula O Curioso Caso de Benjamin Button e o drama moderno A Rede Social. Amadureceu bastante sua direção de atores em seus últimos trabalhos.

Michel Hazanavicius (The Artist)

* Michel Hazanavicius por The Artist

Antes de The Artist, Michel Hazanavicius tinha como destaque em seu currículo uma espécie de sátira de James Bond chamada Agente 117, curiosamente estrelada por Jean Dujardin e Bérénice Bejo, astros de The Artist. Mesmo sendo sua primeira indicação ao DGA, tem grandes chances de levar pelo aspecto artístico de seu filme.

Alexander Payne (Os Descendentes)

* Alexander Payne por Os Descendentes

Sou meio suspeito para falar sobre Alexander Payne. Sou viciado em Sideways – Entre Umas e Outras e Eleição. Apesar de ter poucos filmes na bagagem, é possível enxergar um ótimo diretor de atores, um excelente roteirista e daqueles diretores que buscam harmonia no set de filmagem (vide os making ofs). Talvez não leve o prêmio, mas aposto 100% que um dia terá seu Oscar de direção.

Martin Scorsese (A Invenção de Hugo Cabret)

* Martin Scorsese por A Invenção de Hugo Cabret

Scorsese ficou muito marcado por um cinema violento que tem como ápice Os Bons Companheiros e Taxi Driver. Esta é sua 9ª indicação, tendo levado em 2007 por Os Infiltrados. Depois de finalmente ganhar seu Oscar, resolveu se aventurar em novos gêneros como terror psicológico (A Ilha do Medo) e nesta fábula A Invenção de Hugo Cabret.

Dos trabalhos selecionados, conferi apenas Meia-Noite em Paris (já disponível em DVD e Blu-ray). Apesar de muitos já terem “enterrado” o pobre Woody Allen com diversos prêmios pelo conjunto da obra, incluindo o DGA que o honrou em 1996, ele prova mais uma vez que continua sendo um dos melhores diretores em atividade.

Ele pode ter feito alguns trabalhos mais limitados, como O Escorpião de Jade (2001), Igual a Tudo na Vida (2003) e Melinda e Melinda (2004), mas, como muitos cinéfilos já diziam: “O pior filme de Woody Allen é melhor do que a média dos filmes em cartaz”. De fato, mesmo um Woody não tão inspirado consegue transformar em pó e estrume a maioria dos filmes de hoje. E, por mais que não pareça, digo isso com extremo pesar.

A cerimônia do DGA Awards ocorrerá no dia 28 de janeiro e terá o ator Kelsey Grammer como host.

Para quem quiser acompanhar os filmes dos diretores indicados, confira (previsão para a cidade de SP):

Meia-Noite em Paris: já disponível em DVD e Blu-Ray

Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres: Estréia em 27/01/12

– O Artista: Sem previsão de estréia (eu sei, um absurdo)

Os Descendentes: Estréia em 27/01/12

A Invenção de Hugo Cabret: Estréia em 20/01/12