85 produções concorrem às 5 indicações do Oscar de Filme em Língua Estrangeira em 2017

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O vencedor do último Oscar de Filme em Língua Estrangeira, Lászlò Nemes, por seu drama O Filho de Saul (photo by washington.kormany.hu)

RECORDE NOS NÚMEROS EVIDENCIA CRESCIMENTO DE PRODUÇÕES INTERNACIONAIS EM BUSCA DE RECONHECIMENTO

Todos os países podem discordar das escolhas da Academia, mas é crescente o número de produções internacionais que se inscrevem na categoria de Filme em Língua Estrangeira. Este ano, temos o novo recorde de filmes: 85, superando o recorde anterior de 83 em 2014.

Particularmente, agrada-me essa elevação, pois proporciona a chance real de espectadores comuns conhecerem visões cinematográficas de outras nações menos famosas. Só pra exemplificar, nos últimos anos, a Academia indicou o filme da Mauritânia, Timbuktu, e da Camboja, A Imagem que Falta. Tudo bem que nenhum deles venceu, mas só o fato de estarem disputando o prêmio, já gera interesse por parte de cinéfilos do mundo todo, e cria uma referência daquele país. Este ano, o Iêmen inscreveu seu primeiro candidato: I Am Nojoom, Age 10 and Divorced, da diretora Khadija Al-Salami.

Claro que ainda tem países que nunca receberam uma indicação como a Coréia do Sul, e seu cinema intenso e violento (que costuma não ser popular entre os votantes mais idosos da Academia), mas acredito que seja mera questão de tempo com inserções de membros jovens e novos da Academia feitas pela presidente Cheryl Boone Isaacs no primeiro semestre.

E O BRASIL?

O filme selecionado pela comissão da Cultura este ano gerou uma grande polêmica de cunho político. Com o processo de impeachment questionado, a equipe do filme Aquarius, do diretor Kléber Mendonça Filho, fez um protesto em pleno tapete vermelho em Cannes, já que concorria à Palma de Ouro. Os cartazes de protesto levados diziam que “O Brasil está sob um golpe”.

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Equipe do filme ‘Aquarius’ no tapete vermelho de Cannes. No centro, a atriz Sônia Braga e à direita, o diretor Kléber Mendonça Filho (photo by elpais.com)

Cada um tem o direito de protestar sobre o que bem entender, claro, mas depois da saída da ex-presidente Dilma Roussef, o governo de Michel Temer não deve ter gostado nada e teria sabotado a campanha do filme como representante do Brasil no Oscar.

Particularmente, acredito que ninguém está certo. Se o filme recebeu verba do governo brasileiro para ser feito, o protesto é de certa forma incoerente, uma vez que estaria “cuspindo no prato que comeu”. Mas de qualquer forma, defendo a liberdade de expressão, e aliás, acredito que os artistas devem se expressar através de suas obras, e não cartazes mal feitos. Sou só eu que vejo a personagem de Sônia Braga como a Dilma Rousseff sendo expulsa? Já o governo Temer, se realmente criou esse imbróglio, errou ao confundir à obra com a opinião política de seus realizadores. O que vai concorrer ao Oscar? O filme ou a posição política do diretor? Se fosse assim, Clint Eastwood jamais teria ganhado um Oscar sequer, já que apóia veemente o extremista candidato republicano Donald Trump.

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Sônia Braga em cena de Aquarius, de Kleber Mendonça Filho. (photo by abrilveja.com.br)

Enfim, o filme selecionado foi o drama Pequeno Segredo, de David Schurmann. O diretor deu uma entrevista defendendo a escolha de filme ao Oscar, pois teria os “ingredientes dramáticos que a Academia adora”. Realmente, o tema de adoção é internacional, mas obviamente, ele apenas tentou maquiar o escândalo de Aquarius preterido. Obviamente que o filme de Kléber Mendonça Filho teria mais chances de concorrer ao Oscar por sua projeção em Cannes, e ainda mais que conta com Sônia Braga, atriz de porte internacional, mas essa “briguinha” ridícula faz o cinema brasileiro perder essa boa oportunidade.

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Cena com Julia Lemmertz (à direita) em Pequeno Segredo (photo by AdoroCinema)

CANDIDATOS

Como vocês sabem, essa lista de 85 filmes será reduzida a uma pré-seleção de nove produções em dezembro, para então se consolidarem aos 5 indicados em janeiro, mais precisamente no dia 24, quando haverá o anúncio ao vivo das indicações.

Apesar do crescimento de produções de países menos conhecidos, os autores de outros países largam na frente como é o caso do espanhol Pedro Almodóvar. Ele já faturou o prêmio em 2000 pelo poderoso Tudo Sobre Minha Mãe e ainda levou o Oscar de Roteiro Original em 2003 por Fale com Ela. Nesse quesito, o bósnio Danis Tanovic também leva vantagem por já ter vencido em 2002 com Terra de Ninguém, e o iraniano Asghar Farhadi, que levou o Oscar em 2012 com A Separação. Vale lembrar também que a Polônia apresentou o último filme de Andrzej Wajda, Afterimage, como representante. O filme retrata a luta de um artista polonês contra o Stalinismo e seus ideais. Wajda, que faleceu nesta última semana, recebeu o Oscar Honorário em 2000. Pode ser a última chance da Academia conceder um Oscar póstumo pra um dos maiores diretores europeus.

Cena do filme polonês Afterimage, de Andrzej Wajda (photo by cine.gr)

Cena do filme polonês Afterimage, de Andrzej Wajda (photo by cine.gr)

Outro termômetro para quem larga na frente são os festivais. Muitos países preferem lançar representantes que já participaram em grandes festivais internacionais como Cannes e até conquistaram prêmios para ter mais chances com a Academia. Exemplos dessa estratégia são o alemão Toni Erdmann (indicado à Palma de Ouro), o argentino The Distinguished Citizen (prêmio de Ator em Veneza), o canadense It’s Only the End of the World (Grande Prêmio do Júri em Cannes), o filipino Ma’Rosa (Prêmio de Atriz em Cannes), o documentário italiano Fire at Sea (Urso de Ouro em Berlim) e o venezuelano De Longe te Observo (o primeiro filme latino a vencer o Leão de Ouro em Veneza).

Cena estranha de Toni Erdmann, representante alemão no Oscar. (photo by critic.de)

Cena estranha de Toni Erdmann, representante alemão no Oscar. (photo by critic.de)

E minha torcida vai para o representante francês, Elle, por se tratar de um dos meus diretores favoritos Paul Verhoeven (diretor de RoboCop e Instinto Selvagem). E também pelo tema polêmico, já que a protagonista vivida pela Isabelle Huppert tem fantasias com seu estuprador. Admiro a ousadia francesa em lançar este filme para votantes conservadores da Academia analisarem. Adoraria ver filmes mais ousados na lista de indicações, pois estou farto de filmes de Segunda Guerra Mundial e o Holocausto.

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Isabelle Huppert em cena de Elle, de Paul Verhoeven (photo by TelaTela)

Segue a lista dos 85 candidatos oficiais ao Oscar 2017 de Melhor Filme em Língua Estrangeira:

ALBÂNIA
Chromium
Dir: Bujar Alimani

ALEMANHA
Toni Erdmann
Dir: Maren Ade

ARÁBIA SAUDITA
Barakah Meets Barakah
Dir: Mahmoud Sabbagh

ARGÉLIA
The Well
Dir: Lotfi Bouchouchi

ARGENTINA
The Distinguished Citizen
Dir: Mariano Cohn, Gastón Duprat

AUSTRÁLIA
Tanna
Dir: Bentley Dean, Martin Butler

ÁUSTRIA
Stefan Zweig: Farewell to Europe
Dir: Maria Schrader

BANGLADESH
The Unnamed
Dir: Tauquir Ahmed

BÉLGICA
The Ardennes
Dir: Robin Pront

BOLÍVIA
Sealed Cargo
Dir: Julia Vargas Weise

BÓSNIA HERZEGOVINA
Death in Sarajevo
Dir: Danis Tanovic

BRASIL
Pequeno Segredo
Dir: David Schurmann

BULGÁRIA
Losers
Dir: Ivaylo Hristov

CAMBOJA
Before the Fall
Dir: Ian White

CANADÁ
It’s Only the End of the World
Dir: Xavier Dolan

Cena do filme canadense It's Only the End of the World. O jovem cineasta Xavier Dolan não parece ser unanimidade entre os votantes da Academia, mas a presença de atrizes como Marion Cotillard e Léa Seydoux podem ajudar na campanha. (photo by critic.de)

Cena do filme canadense It’s Only the End of the World. O jovem cineasta Xavier Dolan não parece ser unanimidade entre os votantes da Academia, mas a presença de atrizes como Marion Cotillard e Léa Seydoux podem ajudar na campanha. (photo by critic.de)

CAZAQUISTÃO
Amanat
Dir: Satybaldy Narymbetov

CHILE
Neruda
Dir: Pablo Larraín

Cena do filme biográfico Neruda, sobre poeta chileno. A vantagem aqui é o diretor Pablo Larraín, que além de já ter sido indicado ao Oscar por No, tem o filme Jackie com Natalie Portman nas categorias principais (photo by cine.gr)

Cena do filme biográfico Neruda, sobre poeta chileno. A vantagem aqui é o diretor Pablo Larraín, que além de já ter sido indicado ao Oscar por No, tem o filme Jackie com Natalie Portman nas categorias principais (photo by cine.gr)

CHINA
Xuan Zang
Dir: Huo Jianqi

COLÔMBIA
Alias Maria
Dir: José Luis Rugeles

CORÉIA DO SUL
The Age of Shadows
Dir: Kim Jee-woon

COSTA RICA
About Us
Dir: Hernán Jiménez

CROÁCIA
On the Other Side
Dir: Zrinko Ogresta

CUBA
The Companion
Dir: Pavel Giroud

DINAMARCA
Land of Mine
Dir: Martin Zandvliet

EGITO
Clash
Dir: Mohamed Diab

EQUADOR
Such Is Life in the Tropics
Dir: Sebastián Cordero

ESLOVÁQUIA
Eva Nová
Dir: Marko Skop

ESLOVÊNIA
Houston, We Have a Problem!
Dir: Žiga Virc

ESPANHA
Julieta
Dir: Pedro Almodóvar

ESTÔNIA
Mother
Dir: Kadri Kõusaar

FILIPINAS
Ma’ Rosa

Dir: Brillante Ma Mendoza

FINLÂNDIA
The Happiest Day in the Life of Olli Mäki
Dir: Juho Kuosmanen

FRANÇA
Elle
Dir: Paul Verhoeven

GEORGIA
House of Others
Dir: Rusudan Glurjidze

GRÉCIA
Chevalier
Dir: Athina Rachel Tsangari

HOLANDA
Tonio
Dir: Paula van der Oest

HONG KONG
Port of Call
Dir: Philip Yung

HUNGRIA
Kills on Wheels
Dir: Attila Till

IÊMEN
I Am Nojoom, Age 10 and Divorced
Dir: Khadija Al-Salami

ISLÂNDIA
Sparrows
Dir: Rúnar Rúnarsson

ÍNDIA
Interrogation
Dir: Vetri Maaran

INDONÉSIA
Letters from Prague
Dir: Angga Dwimas Sasongko

IRÃ
The Salesman
Dir: Asghar Farhadi

Cena do iraniano The Salesman, que dialoga com a obra literária de Arthur Miller. Com o histórico de vitória no Oscar, Asghar Farhadi praticamente garante sua presença no Oscar 2017, na opinião deste humilde blogueiro. (photo by cine.gr)

Cena do iraniano The Salesman, que dialoga com a obra literária de Arthur Miller. Com o histórico de vitória no Oscar, Asghar Farhadi praticamente garante sua presença no Oscar 2017, na opinião deste humilde blogueiro. (photo by cine.gr)

IRAQUE
El Clásico
Dir: Halkawt Mustafa

ISRAEL
Sand Storm
Dir: Elite Zexer

ITÁLIA
Fire at Sea
Dir: Gianfranco Rosi

JAPÃO
Nagasaki: Memories of My Son
Dir: Yoji Yamada

JORDÂNIA
3000 Nights
Dir: Mai Masri

KOSOVO
Home Sweet Home
Dir: Faton Bajraktari

LETÔNIA
Dawn
Dir: Laila Pakalnina

LÍBANO
Very Big Shot
Dir: Mir-Jean Bou Chaaya

LITUÂNIA
Seneca’s Day
Dir: Kristijonas Vildziunas

LUXEMBURGO
Voices from Chernobyl
Dir: Pol Cruchten

MACEDÔNIA
The Liberation of Skopje
Dir: Rade Šerbedžija, Danilo Šerbedžija

MALÁSIA
Beautiful Pain
Dir: Tunku Mona Riza

MARROCOS
A Mile in My Shoes
Dir: Said Khallaf

MÉXICO
Desierto
Dir: Jonás Cuarón

Jeffrey Dean Morgan faz um cidadão americano que protege a fronteira americana contra os mexicanos por seus próprios termos. Além do tema polêmico, tem Jonás Cuarón, irmão de Alfonso, vencedor do Oscar por Gravidade. (photo by cine.gr)

Jeffrey Dean Morgan faz um cidadão americano que protege a fronteira americana contra os mexicanos por seus próprios termos. Além do tema polêmico, tem Jonás Cuarón, irmão de Alfonso, vencedor do Oscar por Gravidade. (photo by cine.gr)

MONTENEGRO
The Black Pin
Dir: Ivan Marinović

NEPAL
The Black Hen
Dir: Min Bahadur Bham

NORUEGA
The King’s Choice
Dir: Erik Poppe

NOVA ZELÂNDIA
A Flickering Truth
Dir: Pietra Brettkelly

PALESTINA
The Idol
Dir: Hany Abu-Assad

PANAMÁ
Salsipuedes
Dir: Ricardo Aguilar Navarro, Manolito Rodríguez

PAQUISTÃO
Mah-e-Mir
Dir: Anjum Shahzad

PERU
Videophilia (and Other Viral Syndromes)
Dir: Juan Daniel F. Molero

POLÔNIA
Afterimage
Dir: Andrzej Wajda

PORTUGAL
Letters from War
Dir: Ivo M. Ferreira

QUIRGUISTÃO
A Father’s Will
Dir: Bakyt Mukul, Dastan Zhapar Uulu

REINO UNIDO
Under the Shadow

Dir: Babak Anvari

REPÚBLICA DOMINICANA
Sugar Fields

Dir: Fernando Báez

REPÚBLICA TCHECA
Lost in Munich
Dir: Petr Zelenka

ROMÊNIA
Sieranevada
Dir: Cristi Puiu

RÚSSIA
Paradise
Dir: Andrei Konchalovsky

SÉRVIA
Diário de um Maquinista (Train Driver’s Diary)
Dir: Milos Radovic

SINGAPURA
Apprentice
Dir: Boo Junfeng

SUÉCIA
A Man Called Ove
Dir: Hannes Holm

SUÍÇA
My Life as a Zucchini
Dir: Claude Barras

TAILÂNDIA
Karma
Dir: Kanittha Kwunyoo

TAIWAN
Hang in There, Kids!
Dir: Laha Mebow

TURQUIA
Cold of Kalandar
Dir: Mustafa Kara

UCRÂNIA
Ukrainian Sheriffs
Dir: Roman Bondarchuk

URUGUAI
Breadcrumbs
Dir: Manane Rodríguez

VENEZUELA
De Longe te Observo (Desde Allah)
Dir: Lorenzo Vigas

Cena do filme venezuelano De Longe te Observo, de Lorenzo Vigas. Trata-se de um bom drama, mas a temática homossexual pode enfraquecer sua campanha (photo by cine.gr)

Cena do filme venezuelano De Longe te Observo, de Lorenzo Vigas. Trata-se de um bom drama, mas a temática homossexual pode enfraquecer sua campanha (photo by cine.gr)

VIETNÃ
Yellow Flowers on the Green Grass
Dir: Victor Vu

A 89ª cerimônia do Oscar será no dia 26 de fevereiro.

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Cannes: Indicados à Palma de Ouro 2016

Pôster da 69ª edição do Festival de Cannes: homenagem ao filme O Desprezo, de Jean-Luc Godard (photo by thehollywoodreporter.com)

Pôster da 69ª edição do Festival de Cannes: homenagem ao filme O Desprezo, de Jean-Luc Godard (photo by thehollywoodreporter.com)

GRANDES NOMES DO CINEMA INTERNACIONAL ESTÃO REUNIDOS NESTA EDIÇÃO DO FESTIVAL DE CANNES

Não me recordo de um ano tão repleto de nomes consagrados como este em Cannes. Olha o naipe dos profissionais: Pedro Almodóvar, Olivier Assayas, Jean-Pierre e Luc Dardenne, Cristian Mungiu, Andrea Arnold, Park Chan-wook, Ken Loach, Xavier Dolan, Jeff Nichols, Nicolas Winding Refn, Jim Jarmusch, Sean Penn e um dos meus favoritos: Paul Verhoeven. Isso sem contar aqueles que não estão competindo como Woody Allen, Steven Spielberg e Jodie Foster. Resumindo: O presidente do júri, George Miller, indicado ao Oscar pelo fenomenal Mad Max: Estrada da Fúria, terá muito trabalho para garimpar os melhores. Esperamos que suas escolhas sejam tão ousadas como seus filmes!

Presidente do Júri de Cannes 2016: George Miller (photo by Carl Court/AFP)

Presidente do Júri de Cannes 2016: George Miller (photo by Carl Court/AFP)

Para nós, brasileiros, a grande notícia vem com a participação de um filme brasileiro após 4 anos na competição oficial. O último havia sido Na Estrada (2012), de Walter Salles, que na verdade é uma co-produção entre Brasil, Argentina, EUA, Reino Unido, França e Canadá. Se for contar uma produção 100% brasileira, ainda assim, a marca fica com Walter Salles; ele competiu com o drama urbano Linha de Passe em 2008, e saiu com o prêmio de interpretação feminina para Sandra Corveloni. A bola da vez atende pelo nome de Kleber Mendonça Filho, que ficou conhecido por O Som ao Redor, drama que aborda a questão da violência numa rua de Recife.
Da esquerda para a direita: os atores Julia Bernat, Sonia Braga e Pedro Queiroz em cena do longa Aquarius, de Kleber Mendonça Filho (photo by folha.com.br)

Da esquerda para a direita: os atores Julia Bernat, Sonia Braga e Pedro Queiroz em cena do longa Aquarius, de Kleber Mendonça Filho (photo by folha.com.br)

Ele trilha o caminho dos críticos da revista francesa Cahiers du Cinema, como François Truffaut, que deixaram as críticas e se tornaram cineastas. Seu segundo longa, intitulado Aquarius, aparentemente possui uma sinopse com tons fantasiosos: No Recife, uma viúva de 60 anos briga com uma construtora que está querendo comprar seu apartamento para demolir todo o edifício. Ela teria habilidades de viajar no tempo (!). Um dos grandes trunfos do filme seria a presença magnética da madame do cinema nacional Sonia Braga. Indicada a três Globos de Ouro nas décadas de 80 e 90, ainda possui prestígio em produções internacionais, e pode (por que não?) iniciar uma nova fase em sua carreira. A respeito de sua escolha como protagonista, o diretor explicou em entrevista à Folha de S. Paulo: “A personagem é muito específica, surpreendentemente, uma pessoa 3D num filme não 3D. Tinha que ser alguém interessante e profissional. Numa reunião com amigos, alguém disse ‘Sonia Braga’. Respondi ‘puta que o pariu, seria incrível’.”
Elle Faning em cena de The Neon Demon, novo trabalho de Nicolas Winding Refn (photo by cine.gr)

Elle Faning em cena de The Neon Demon, novo trabalho de Nicolas Winding Refn (photo by cine.gr)

Além de penca de diretores renomados, o tapete vermelho de Cannes contará com celebridades hollywoodianas como Charlize Theron, George Clooney, Julia Roberts, Russell Crowe, Ryan Gosling, Kristen Stewart, Jesse Eisenberg, Shia LaBeouf, Mark Rylance, Rebecca Hall, além de astros internacionais como Marion Cotillard, Léa Seydoux, Vincent Cassel, Isabelle Huppert e Javier Bardem. Atores que se tornaram diretores como Jodie Foster e Sean Penn também devem ter presença garantida no evento.
Dentre as 20 produções indicadas à Palma de Ouro, apenas uma é latino-americana: justamente o Aquarius. 13 são europeus, 3 americanos, um canadense e dois asiáticos. Curiosamente, não há filmes italianos em busca do prêmio máximo; apenas na mostra Un Certain Regard. Alguns jornalistas também reclamaram da ausência de produções mexicanas, mas enfim, é muito difícil agradar a todos, já que quando se trata de Arte, não existem cotas. No quesito competição, temos três diretores vencedores da Palma de Ouro: o britânico Ken Loach, o romeno Cristian Mungiu e os irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne, que já venceram duas vezes.
Isabelle Huppert em cena de Elle, de Paul Verhoeven (photo by cine.gr)

Isabelle Huppert em cena de Elle, de Paul Verhoeven (photo by cine.gr)

Ao contrário das premiações hollywoodianas, é difícil prever algum tipo de vencedor em Cannes, uma vez que os membros do júri mudam todos os anos. Se formos levar em consideração os filmes de ação (os 4 Mad Max) do presidente do júri, George Miller, os filmes mais estranhos e de estética dinâmica têm seu favoritismo. São os casos do sul-coreano The Handmaiden, do diretor de Oldboy, Park Chan-wook; o dinamarquês The Neon Demon, de Nicolas Winding Refn; e Elle, do holandês Paul Verhoeven. Todos sabem filmar muito bem, com um estilo bem peculiar e têm suas obsessões bizarras. MAS… Vale lembrar que o mesmo George Miller já dirigiu dramas chorosos como O Óleo de Lorenzo e a animação familiar Happy Feet: O Pinguim.
Cena do filme sul-coreano The Handmaiden, de Park Chan-wook (photo by cine.gr)

Cena do filme sul-coreano The Handmaiden, de Park Chan-wook (photo by cine.gr)

Particularmente, considero o cinema sul-coreano muito bonito esteticamente, mas suas bizarrices e alto teor de violência acabam minando suas chances em premiações (o país nunca recebeu uma única indicação ao Oscar de Filme em Língua Estrangeira), já que muitos votantes são senhores que evitam tramas violentas demais. Talvez com um presidente do júri mais adepto a esse “gênero”, existem altas expectativas para que o cinema sul-coreano ganhe sua primeira Palma de Ouro. Em 2003, ele levou o Grande Prêmio do Júri por Oldboy (uma espécie de segundo lugar), quando Quentin Tarantino era presidente do júri.

INDICADOS À PALMA DE OURO:

FILME DE ABERTURA

  • Cafe Society
    Dir: Woody Allen
Jesse Eisenberg e Kristen Stewart recebem direções de Woody Allen em set de Café Society (photo by cine.gr)

Jesse Eisenberg e Kristen Stewart recebem direções de Woody Allen em set de Café Society (photo by cine.gr)

COMPETIÇÃO

  • Acquarius
    Dir: Kleber Mendonca Filho
  • American Honey
    Dir: Andrea Arnold
  • Baccalaureat
    Dir: Cristian Mungiu
  • Elle
    Dir: Paul Verhoeven
  • From the Land of the Moon
    Dir: Nicole Garcia
  • The Handmaiden
    Dir: Park Chan-wook
  • I, Daniel Blake
    Dir: Ken Loach
  • It’s Only the End of the World
    Dir: Xavier Dolan
  • Julieta
    Dir: Pedro Almodóvar
  • The Last Face
    Dir: Sean Penn
  • Loving
    Dir: Jeff Nichols
  • Ma’ Rosa
    Dir: Brillante Mendoza
  • The Neon Demon
    Dir: Nicolas Winding Refn
  • Paterson
    Dir: Jim Jarmusch
  • Personal Shopper
    Dir: Olivier Assayas
  • Sierra-Nevada
    Dir: Cristi Puiu
  • Slack Bay
    Dir: Bruno Dumont
  • Staying Vertical
    Dir: Alain Guiraudie
  • Toni Erdmann
    Dir: Maren Ade
  • The Unknown Girl
    Dir: Jean-Pierre e Luc Dardenne
Cena do novo filme de Pedro Almodóvar, Julieta, com Emma Suárez e Adriana Ugarte (photo by outnow.ch)

Cena do novo filme de Pedro Almodóvar, Julieta, com Emma Suárez e Adriana Ugarte (photo by outnow.ch)

FORA DE COMPETIÇÃO

– The BFG
Dir: Steven Spielberg

– Goksung
Dir: Na Hong-jin

Money Monster
Dir: Jodie Foster

– Nice Guys
Dir: Shane Black

Ruby Barnhill em cena de O Bom Gigante Amigo, de Steven Spielberg (photo by cine.gr)

Ruby Barnhill em cena de O Bom Gigante Amigo, de Steven Spielberg (photo by cine.gr)

UN CERTAIN REGARD

* After the Storm
Dir: Hirokazu Kore-eda

* Apprentice
Dir: Boo Junfeng

* Beyond the Mountains and Hills
Dir: Eran Kolirin

Captain Fantastic
Dir: Matt Ross
* Clash
Dir: Mohmaed Diab
* The Dancer
Dir: Stephanie Di Giusto
* The Disciple
Dir: Kirill Serebrennikov
* Dogs
Dir: Bogdan Mirica
* The Happiest Day in the Life of Olli Maki
Dir: Juho Kuosmanen
* Harmonium
Dir: Fukada Koji
* Inversion
Dir: Behnam Behzadi
* The Long Night of Francisco Sanctis
Dir: Andrea Testa
* Pericles the Black Man
Dir: Stefano Mordini
* Personal Affairs
Dir: Maha Haj
* The Red Turtle
Dir: Michael Dudok de Wit
The Transfiguration
Dir: Michael O’Shea
* Voir du Pays
Dir: Delphine Coulin, Muriel Coulin

MIDNIGHT SCREENINGS

* Gimme Danger
Dir: Jim Jarmusch

* Train to Busan
Dir: Yeon Sang-ho

SPECIAL SCREENINGS

* Le Cancre
Dir: Paul Vecchiali

* Exil
Dir: Rithy Panh
* A Chad Tragedy
Dir: Mahamat-Saleh Haroun
* The Last Beach
Dir: Thanos Anastopoulos, Davide Del Degan
* Last Days of Louis XIV
Dir: Albert Serra
A 69ª edição do Festival de Cannes começa no dia 11 de maio e vai até o dia 22.