RETROSPECTIVA 2018: O ANO da NETFLIX?

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Normalmente, eu posto um vídeo promocional da próxima edição do Oscar que o futuro host publica na internet, mas depois da confusão e demissão de Kevin Hart…

Olá, pessoal! Mais um ano se foi! Foi um ano bom ou ruim pra você?
Queria agradecer a todos que acompanharam o blog e a página do Facebook. Se comentaram, se leram, ou se apenas deram aquela passadinha, obrigado por seu apoio! Estou realizando este trabalho por puro prazer há 7 anos e sendo recompensado pelos seus views e participações. Agradeço bastante ao meu colaborador assíduo Hugo Cancela, aos amigos Bruna Martins, Flávia Fernandes, Antonio Lopes, Karoline Alves e Alice Ayres, e frequentadores assíduos como a rainha do Oscar Frame, Elisieli Rodrigues, Cristiano Filiciano, Miriam Moldes, Henrique Cereja, Fummanation Bonsucesso, Berto Leno, Tiago Bistaffa, Elza Vieira, Amélia Cassis, Yuri Dias, Lília Ricardo, Kátia Nunes e Verinha Dau, enfim, são tantos nomes que daria uma lista extensa! Peço desculpas por não poder incluir todos aqui!

Queria aproveitar para agradecer ao crítico Chico Fireman por me possibilitar trabalhar com as cabines de lançamentos de filmes, e pela sua generosidade e atenção!

META DE 2018

Continuando minha meta de 2017, procurei assistir mais àqueles filmes clássicos ou cults pra reduzir um pouco minha watchlist. Um que tenho orgulho de finalmente ter conferido é o clássico italiano , de Federico Fellini. Sério, eu não estava aguentando mais ver esse filme no topo da minha lista me olhando e perguntando: “E aí? Quando você vai me ver?” Eu lembro a última vez que viajei pra fora do país em 2014, eu jurava: “Antes de pegar esse avião, eu vou ver o filme do Fellini. Vai que eu morro…” Enfim, tomei coragem e assisti. Eu achava que o filme me daria uma dor de cabeça enorme, mas vi uma belíssima homenagem do diretor às mulheres que amou na vida. Ainda tenho vários do Fellini pra ver como Julieta dos Espíritos e A Doce Vida, mas quem sabe em 2019?

Falando em mestres do cinema, estou satisfeito por ter acrescido mais três obras do sueco Ingmar Bergman. Finalmente assisti a Através de um EspelhoSonata de Outono e Gritos e Sussurros. Depois de assistir aos filmes dele, é inevitável não parar pra refletir sobre a vida e a família, que são temas bem fortes na filmografia dele. O quanto realmente nos importamos com familiares diante de situações difíceis. Além do diretor levantar esses questionamentos, ainda cria obras visuais extremamente poderosas com a ajuda inestimável de atrizes do calibre de Ingrid Bergman, Liv Ullmann e Harriet Andersson.

Também consegui assistir pela primeira vez a A Mulher Faz o Homem (1939). Nunca fui muito fã do Frank Capra porque ele entrega uma visão demasiada otimista. Não que isso seja um defeito, mas sempre tive preferência por um cinema que expõe defeitos e falhas humanas, seja para o bem ou para o mal. É louvável acompanhar a luta de um jovem senador idealista contra um sistema corrupto, ainda mais hoje num Brasil que revela um novo caso de corrupção a cada dia, mas alguns personagens se tornam bidimensionais nessa visão, mesmo James Stewart.

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8½, Sonata de Outono e A Mulher Faz o Homem

Revisitei alguns diretores renomados como François Truffaut com Jules e Jim – Uma Mulher Para Dois (1962), Wim Wenders com Asas do Desejo (1987), Billy Wilder com Testemunha de Acusação (1957), e Dario Argento com Suspiria (1977), que fiz questão de conferir antes de assistir à refilmagem, que nunca estréia aqui no Brasil! E vi uma obra-prima pouco conhecida aqui intitulada O Segundo Rosto (1966), de John Frankenheimer, que apresenta uma trama de ficção científica na qual uma organização secreta oferece uma segunda chance aos ricos, alterando suas aparências e encenando a morte das pessoas que foram. Rock Hudson, que sempre teve imagem de cowboy machão mas era homossexual, caiu como uma luva no papel principal e entrega a performance de sua vida.

PIORES DO ANO

Eu tinha o costume de comentar uns dois ou três filmes que foram decepcionantes, mas a partir deste ano, já dá pra formar uma lista dos 5 piores. Reparem que todos os filmes da lista são parte de uma franquia (considerando que Venom faz parte do universo do Homem-Aranha) ou é uma refilmagem. Quando Hollywood só pensa nos números lucrativos, o Cinema perde.

Por pouco Jogador Nº 1 não entra na lista. Depois de me desapontar muito com The Post: A Guerra Secreta, vejo que Steven Spielberg deveria dar um break na carreira, sei lá, tirar um ano sabático, pra refletir sobre o que cinema representa pra ele, porque parece que ele tem feito mais filmes com cabeça de produtor ultimamente… E pior é que dos três projetos futuros dele, um é a sequência de Indiana Jones com Harrison Ford (taí outro que precisa de uma pausa longa) e o outro é a refilmagem (totalmente desnecessária) do clássico musical Amor Sublime Amor (1961). Claro que posso queimar minha língua, mas Spielberg, cadê sua criatividade?

E apesar de querer assistir de tudo, sempre dou mais prioridade aos filmes que acho que podem ser bons, afinal, se tenho pouco tempo pra ver filmes, por que gastar as horinhas preciosas com filmes que tenho quase certeza de que serão meia-boca? Nesse quesito, deixei de assistir aos possíveis candidatos desta lista: Han Solo: Uma História Star Wars (que pelo histórico de produção conturbado, só pode ser um resultado desastroso) e o Fenda no Tempo, a mega produção politicamente correta da Disney.

TOP 5 PIORES LANÇAMENTOS DO ANO

5. Venom (Venom)
Dir: Ruben Fleischer

4. Halloween (Halloween)
Dir: David Gordon Green

3. Tomb Raider: A Origem (Tomb Raider)
Dir: Roar Uthaug

2. A Freira (The Nun)
Dir: Corin Hardy

1. Jurassic World: Reino Ameaçado (Jurassic World: Fallen Kingdom)
Dir: J.A. Bayona

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Chris Pratt em cena da desastrosa sequência Jurassic World: O Reino Ameaçado (pic by OutNow.CH)

OSCAR 2018: POLITICAMENTE CORRETO NUMA CERIMÔNIA MORNA

Os produtores da cerimônia resolveram dar uma colher de chá para Jimmy Kimmel e o convidaram novamente para ser host após aquela lambança do envelope errado no ano passado. Apesar de ter acertado naquela premiação do jet ski para o discurso mais curto, ainda cometeu equívocos como aquela chocha invasão à sala de cinema do outro lado da rua, na vã tentativa de aproximar o público comum das estrelas de Hollywood.

Contudo, não dá pra culpá-lo. Os próprios organizadores resolveram baixar o tom da festa e correr risco zero para evitar erros e polêmicas. Desde o monólogo politicamente correto de Kimmel, até os números musicais bastante contidos no palco comprovaram a postura que a Academia impôs ao evento.

Quanto aos resultados, chegamos ao limite do previsível, principalmente em relação aos atores. Com Gary Oldman, Frances McDormand, Sam Rockwell e Allison Janney ganhando todos os prêmios importantes anteriores, ficou difícil surpreender o público com algum resultado inesperado. Por isso mesmo, a partir da próxima cerimônia, a data será adiantada para o mês de fevereiro com o intuito de reduzir o impacto dos prêmios que o antecedem.

Sobre os resultados, torci bastante para Corra! levar Melhor Filme, Diretor e Roteiro Original, que felizmente Jordan Peele acabou levando. Gostei das premiações de James Ivory pelo Roteiro Adaptado de Me Chame Pelo Seu Nome, de Roger Deakins finalmente levando seu Oscar por Blade Runner 2049, e de Sebastián Lelio levando o primeiro Oscar de Filme em Língua Estrangeira para o Chile por Uma Mulher Fantástica.

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Da esquerda para a direita: Jordan Peele leva o Oscar de Roteiro Original por Corra!, Roger Deakins de Fotografia por Blade Runner 2049, e Sebastián Lelio de Filme em Língua Estrangeira por Uma Mulher Fantástica.

Em relação às categorias de atuação, os votantes da Academia deveriam repensar melhor seu modo de avaliar as interpretações. Este ano, tivemos duas performances clichês e rotuladas levando o Oscar mais por causa dos efeitos de maquiagem transformativa: Gary Oldman com próteses esbravejando como um cachorro, e Allison Janney como a mãe amarga e envelhecida pela maquiagem. Timothée Chalamet e Lesley Manville trabalharam muito mais as nuances de seus personagens, e com pouco esforço, superaram os vencedores.

NETFLIX NOS FESTIVAIS E NO OSCAR

Claro que ainda não é oficial, mas Roma pode se tornar o primeiro filme da NETFLIX indicado ao Oscar de Melhor Filme, e por que não o primeiro a ganhar a estatueta? É inevitável o espaço e a importância que a Netflix e outras plataformas de streaming como a Amazon e a Hulu estão conquistando no mercado. Já é uma realidade de trabalho para inúmeros profissionais, assim como de alto consumo.

Diante desse cenário, eu faço a seguinte indagação: “Até quando vão ficar de birra, distribuidores franceses e organizadores do Festival de Cannes?”. Enquanto essa turma ficar discutindo a permanência de um sistema ultrapassado e a linguagem cinematográfica da Netflix, a empresa está dando risada, lucrando e ainda ganhando prêmios em outros festivais! Roma ganhou o Leão de Ouro em Veneza.

Obviamente, preferi assistir ao filme de Alfonso Cuarón numa sala de cinema com projeção em tela grande e som de qualidade, mas se não pudesse, assistiria na TV de casa mesmo (com um volume que meus vizinhos reclamariam), mas assistiria! A Netflix veio para suprir um tipo de cinema que os produtores de Hollywood já não querem mais fazer, pois estão visando apenas os lucros sem margem para erros ou riscos, por isso só temos blockbusters e adaptações de best-sellers nas salas de cinema.

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Foto que tirei na sessão especial de Roma no Kinoplex Itaim

Eu gostaria apenas que a Netflix e outras plataformas fizessem um esforço para colocar filmes selecionados para salas de cinema. Tipo, não faço questão de ver Para Todos os Garotos que Já Amei no cinema, mas Roma é outro nível de cinema que merece uma boa projeção. Isso certamente valorizaria ainda mais os profissionais e acabaria atraindo outros a trabalhar para a empresa.

TWITTER DESTRUINDO CARREIRAS

Sabe aquele ditado “O passado não perdoa”? Graças ao Twitter, o passado voltou para atormentar e destruir as carreiras profissionais de algumas personalidades. A mais comentada foi do diretor e roteirista James Gunn, que foi demitido pela Disney de Guardiões da Galáxia Vol. 3. Quando seus tuítes de vários anos atrás voltaram à tona, viram que ele não batia muito bem. Quer dizer, as piadas de humor negro eram chocantes demais para qualquer executivo da Disney que quer preservar a imagem família feliz da empresa global. Eu entendo o lado da Disney, que seria atacada pela imprensa se não demitisse Gunn e correria sério risco de ter suas ações em queda, mas demitir por piada estúpida de Twitter de 10 anos atrás? Não poderiam dar uma chance do diretor se retratar publicamente? O cara ganhou bilhões de dólares com os dois Guardiões da Galáxia!

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Tweets antigos de James Gunn e Kevin Hart que ocasionaram em suas demissões

E no início de dezembro, o Twitter fez uma nova vítima: o ator e comediante Kevin Hart, que foi convidado pela Academia para ser host do Oscar 2019. No dia seguinte, porém, tuítes antigos dele, que denotavam uma figura pública homofóbica, foram descobertos. Certos de que ele seria crucificado, principalmente pela comunidade LGBT, os organizadores da Academia lançaram um ultimato para ele se desculpar, o que acabou não acontecendo. E dois dias depois do anúncio, Hart desistiu do cargo.

Sou totalmente contra qualquer tipo de censura. Mas os tempos são outros. Hoje, as empresas demitem por qualquer comportamento impróprio. Qualquer um. Não existe perdão de declarações do passado também, por isso, no caso do Twitter, onde os tuítes são “deletáveis”, melhor apagá-los. Evitaria desgastes como esse que a Academia passou agora.

Esses acontecimentos reabrem a velha discussão da separação entre pessoa e artista. Por exemplo, com o escândalo de Woody Allen que foi acusado de abusar da filha, inúmeras pessoas passaram a avaliar seus filmes de forma negativa por causa da acusação. Inclusive, achei patético a declaração da atriz Mira Sorvino, que alegou arrependimento de ter trabalhado com Allen no filme Poderosa Afrodite (1995), que lhe rendeu o Oscar de Atriz Coadjuvante e lançou seu nome em Hollywood. Cuspir no prato que comeu é fácil. Não aprova o comportamento dele? Basta não trabalhar mais com ele.

CRÍTICAS

Apesar da lista coroar os meus 5 favoritos do ano, obviamente é preciso mencionar outras produções que se destacaram de alguma forma. Dos blockbusters, vale citar Vingadores: Guerra Infinita, que foi a maior bilheteria do ano. Deixando meu lado de fã de quadrinhos, é preciso reconhecer esse trabalho estratégico e paciente de dez anos da Marvel Studios que culmina nesta produção, que soube contar com vários personagens sem ser maçante, e ainda apresenta com propriedade um vilão de alto nível como Thanos.

Ainda destacaria Missão: Impossível – Efeito Fallout, que pode não apresentar nada inovador, mas sem sombra de dúvida foi o melhor filme de ação do ano. É notável a entrega de Tom Cruise à franquia e como ele luta para se superar a cada filme. Falando em notabilidade, preciso mencionar o trabalho minucioso de stop motion da animação nova de Wes Anderson, Ilha dos Cachorros. Além da técnica impecável, trata-se de um design de personagens sublime. Só acho que carece um pouco mais de alma, mas talvez a Academia recompense Anderson pelas derrotas anteriores com este Oscar de Animação…

Também gostei do singelo Poderia Me Perdoar?. A história verídica me pegou pelo identificação com a protagonista: uma escritora em decadência que falsifica cartas de autores para pagar suas contas básicas. A dupla formada por Melissa McCarthy e Richard E. Grant é a melhor do ano. Espero que ambos estejam indicados no próximo Oscar. E ainda no campo do singelo, destaco também o drama Mais Uma Chance, que é da Netflix. É basicamente sobre um casal na casa dos 40 que luta para ter filho, chegando a recorrer aos ovários da sobrinha. Todos os três atores estão bem: Paul Giamatti, Kathryn Hahn e Kayli Carter.

Uma boa surpresa foi a ficção científica Upgrade. Jamais imaginei que o roteirista Leigh Whannel, de Sobrenatural e Jogos Mortais, criaria esse universo futurista onde a tecnologia seria debatida de forma divertida mas também incisiva. Infelizmente, não há previsão de estréia no Brasil, mas de qualquer forma, tem tudo para se tornar um cult movie.

E, por último, gostei de ver a nova loucura de Lars von Trier no cinema. A Casa que Jack Construiu tem um tema interessantíssimo que questiona a inteligência humana através da filosofia de um serial killer inescrupuloso. Só faço dois adendos: deveria ter abusado mais do humor negro da primeira metade, e apesar de entender os motivos do diretor, cortaria a sequência em que ele insere imagens dos filmes anteriores dele, pois não colabora com a trama e ainda abre brecha para críticas de auto-indulgência depois daquele episódio de Persona Non Grata no Festival de Cannes.

TOP 5 MELHORES LANÇAMENTOS DO ANO

5. Hereditário (Hereditary/ 2018)
Dir: Ari Aster

4. Oitava Série (Eighth Grade/ 2018)
Dir: Bo Burnham

3. Roma (Roma/ 2018)
Dir: Alfonso Cuarón

2. Asako I & II (Netemo Sametemo/ 2018)
Dir: Ryûsuke Hamaguchi

1. Em Chamas (Beoning/ 2018)
Dir: Chang-dong Lee

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1º LUGAR: EM CHAMAS (Beoning), de Lee Chang-dong

TOP 5 MELHORES EM MÍDIA DIGITAL

5. O Silêncio do Lago (Spoorloos/ 1988)
Dir: George Sluizer

4. Através de um Espelho (Såsom i en spegel/ 1961)
Dir: Ingmar Bergman

3. 8½ (8½/ 1963)
Dir: Federico Fellini

2. O Parque Macabro (Carnival of Souls/ 1962)
Dir: Herk Harvey

1. O Segundo Rosto (Seconds/ 1966)
Dir: John Frankenheimer

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1º LUGAR: O SEGUNDO ROSTO (Seconds), de John Frankenheimer

IN MEMORIAN

Este ano, perdemos diretores icônicos e vencedores do Oscar. Milos Forman (venceu por Um Estranho no Ninho e Amadeus) e Bernardo Bertolucci (venceu por O Último Imperador), mas no caso dele, ficou mais famoso por filmes polêmicos como O Conformista, O Último Tango em Paris e Os Sonhadores. Outro diretor que entregou importantes filmes foi Nicolas Roeg, que destaco Inverno de Sangue em Veneza, O Homem que Caiu na Terra e Bad Timing. E agora no dia 17, a diretora Penny Marshall, mais conhecida pelas comédias Quero Ser Grande e Uma Equipe Muito Especial nos deixou.

Entre os atores, indicados ao Oscar nos deixaram: Burt Reynolds (que mais chama a atenção por uma vida repleta de arrependimentos por recusa de papéis importantes), Sondra Locke (ex-mulher de Clint Eastwood), Barbara Harris e a vencedora do Oscar de Coadjuvante em 1957 por Palavras ao Vento, Dorothy Malone. Também vale citar Margot Kidder, a eterna Lois Lane do Superman do saudoso Christopher Reeve.

Dos profissionais brasileiros, demos adeus às lendas Nelson Pereira dos Santos (diretor de Vidas Secas e Rio 40 Graus), Roberto Farias (diretor de Assalto ao Trem Pagador e dos filmes do cantor Roberto Carlos como Roberto Carlos em Ritmo de Aventura), e as atrizes Beatriz Segall (a eterna Odete Roitman da novela Vale Tudo) e Tônia Carrero, que brilhou nos filmes do extinto estúdio da Vera Cruz como Tico-Tico no Fubá.

Vale lembrar a perda das cantoras Aretha Franklin, cujas músicas sempre estarão em trilhas sonoras de vários filmes, e pra mim, em especial, Dolores O’Riordan, vocalista do grupo The Cranberries. A morte dela aos 46 anos (!) por afogamento após uma intoxicação alcóolica me deixou abatido por uns dias.

Demos adeus aos escritores Neil Simon, que apesar de ter sido indicado ao Oscar quatro vezes sem nenhuma vitória, tinha carreira consolidada e venerada no teatro como dramaturgo; e o roteirista William Goldman, vencedor de duas estatuetas do Oscar por Butch Cassidy e Todos os Homens do Presidente.

E não poderia falar de escritores sem mencionar Stan Lee. Embora os filmes da Marvel Studios sejam um sucesso pela estratégia de mesclar universos do produtor Kevin Feige, nada seria possível sem a inestimável contribuição criativa de Lee. Ele foi o pioneiro nos quadrinhos que enxergou a humanidade nos personagens de super-heróis, que eles poderiam ser falhos também e assim, facilitar a identificação com os leitores. Foi essa chave que até hoje gera essa conexão dos filmes com o grande público.

Stan Lee

VOTOS PARA 2019

Acho que o grande assunto no Brasil este ano foram as eleições para presidente. E o que mais fiquei chocado foi a defesa ferrenha que muitos faziam para candidatos que sequer mereciam o mínimo de confiança. Acho que depois de acompanhar tanto tempo a política brasileira, só defendo uma coisa: Nenhum político merece nossa confiança. Talvez o político em si seja até uma pessoa honesta, mas o sistema é muito corrupto e parece enraizado. Não vou nem entrar na questão das propostas, porque tem cada absurdo… Acho que o Brasil só vai pra frente com uma Reforma na Educação contando com um alto investimento.

Enfim, torço para que algo dê certo neste próximo governo. Que, de alguma forma, consigam afastar o país dessa crise, gerando mais emprego, renda e segurança, que é um problema crônico, mas sem esquecer da educação e da nossa cultura!

Apoio a diversidade de autores brasileiros, especialmente no cinema. Este ano, contamos com filmes bem distintos e alternativos como Café com Canela, As Boas Maneiras, O Animal Cordial, Arábia e Benzinho. O Cinema Brasileiro deixou de ser aquele recluso de favelas e seca no Nordeste. Se vamos ganhar o Oscar? Se dependesse apenas dos filmes, não teria dúvidas de que vai chegar a hora do Brasil, mas se a política continuar interferindo… vamos ver o cinema do Camboja, Cazaquistão e Paraguai ganhar antes da gente.

Desejo Feliz Ano Novo para todos que acompanham o blog e a página do Facebook! Que seja um ano repleto de alegrias, conquistas, saúde e paz!

Compartilhe seus melhores e/ou piores filmes que viu em 2018 nos comentários!

‘OS INCRÍVEIS 2’ e ‘WiFi RALPH: QUEBRANDO A INTERNET’ são os RECORDISTAS de INDICAÇÕES no ANNIE AWARDS

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Da esquerda pra direita: O Homem das Cavernas, Os Incríveis 2, Wifi Ralph: Quebrando a Internet, Ilha dos Cachorros e Homem-Aranha no Aranhaverso concorrem como Melhor Longa de Animação no Annie Awards

PRA VARIAR, PIXAR E DISNEY DOMINAM A PREMIAÇÃO DAS ANIMAÇÕES. LONGA BRASILEIRO CONCORRE COMO ANIMAÇÃO INDEPENDENTE

Depois de 7 anos da existência deste blog, vamos postar pela primeira vez sobre o Annie Awards, que é o prêmio norte-americano dedicado às animações. Como são ao todo 32 categorias (!), teremos que excluir os prêmios dos trabalhos televisivos. Além das animações, existem categorias de efeitos de animações em filmes live-action, que podem indicar algum favoritismo futuro para o Oscar de Efeitos Visuais.

Em relação às estatísticas do Annie Awards, que está em sua 46ª edição, dos últimos dez anos, SEIS que venceram o prêmio de Melhor Longa de Animação, acabaram repetindo suas vitórias no Oscar. Das quatro diferenças, duas escolhas do Annie são praticamente imperdoáveis: Como Treinar Seu Dragão batendo Toy Story 3, e Kung Fu Panda vencendo Wall-E. Não que a Pixar seja uma unanimidade, mas quando ela acerta, é difícil não entregar obras-primas do gênero.

Falando em Pixar, neste ano, Os Incríveis 2 se tornou o recordista de indicações com 11 no total, seguido de perto por Wifi Ralph: Quebrando a Internet com 10. Ambas as produções estão concorrendo como Melhor Longa de Animação com Ilha de Cachorros, Homem-Aranha no Aranhaverso e O Homem das Cavernas. Aliás, o blog do Cinema Oscar e Afins também apostou nessas cinco animações para concorrer ao Oscar no post com as 25 animações inscritas. Talvez o stop motion de O Homem das Cavernas dê seu lugar para o sucesso comercial de O Grinch, ou uma animação estrangeira que a Academia (felizmente) adora reconhecer todos os anos.

Aproveitando o assunto, dentre as animações estrangeiras, temos um trabalho brasileiro concorrendo na categoria de Melhor Longa de Animação Independente. Trata-se de Tito e os Pássaros, dirigido pelo trio Gabriel Bitar, André Catoto e Gustavo Steinberg. Com uma trama meio futurista, a animação conta com uma mistura de técnicas como a pintura, que costuma ser bem recebida na Academia (vide Com Amor, Van Gogh indicado este ano). Caso conquiste uma das cobiçadas vagas na categoria, a animação se tornaria a segunda brasileira indicada ao Oscar ao lado de O Menino e o Mundo, de Alê Abreu.

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Cena da animação brasileira Tito e os Pássaros (pic by outnow.ch)

Tito e o Pássaros concorre com Ce Magnifique Gâteau!, de Emma De Swaef e Marc James Roels; MFKZ, de Shôjirô Nishimi e Guillaume Renard; Mirai, de Mamoru Hosoda; e Ruben Brandt, Collector, de Milorad Krstic.

Vale ressaltar também a ilustre presença no Annie Awards do compositor brasileiro Heitor Pereira, que concorre pela Trilha Musical da animação PéPequeno, que chegou aos cinemas nacionais em setembro.

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Cena da animação PéPequeno, que conta com a trilha musical de Heitor Pereira (pic by outnow.ch)

Já na categoria de Direção, o destaque vai para Genndy Tartakovsky, que conseguiu reconhecimento por Hotel Transilvânia 3: Férias Monstruosas. O que não dá pra entender foi a exclusão de Wes Anderson por Ilha de Cachorros, uma animação impecável de stop motion com 100% do DNA do diretor. Seria esta exclusão um sinal negativo para o filme durante a temporada de premiações?

E um dos principais motivos do post do Annie Awards foi pra citar a dublagem, que tem sua própria categoria. Dos cinco atores indicados, o blog conferiu três, que são dublagens espetaculares: Eddie Redmayne em O Homem das Cavernas, Holly Hunter em Os Incríveis 2 e Bryan Cranston em Ilha dos Cachorros. Todos vencedores ou indicados ao Oscar, com um incrível talento vocal pra elevar qualquer personagem animado. Incluiria ainda Tom Hiddleston também pelo O Homem das Cavernas. Ele desenvolve uma espécie de dialeto francês para seu personagem Lord Nooth que vale a pena conferir.

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Holly Hunter, Eddie Redmayne e Bryan Cranston estão entre os indicados a Melhor Dublagem no Annie Awards

Confira lista dos indicados de cinema ao 46º Annie Awards:

MELHOR LONGA DE ANIMAÇÃO

  • O Homem das Cavernas (Early Man), Aardman Animations
  • Os Incríveis 2 (Incredibles 2), Pixar Animation Studios
  • Ilha dos Cachorros (Isle of Dogs), Fox Searchlight Pictures/Indian Paintbrush/American Empirical Pictures
  • Wifi Ralph: Quebrando a Internet (Ralph Breaks the Internet), Walt Disney Animation Studios
  • Homem-Aranha no Aranhaverso (Spider-Man: Into the Spider-Verse), Sony Pictures Animation

MELHOR LONGA DE ANIMAÇÃO INDEPENDENTE

  • Ce Magnifique Gâteau!, Beast Animation, Vivement Lundi!, Pedri Animation
  • MFKZ, Ankama/Studio 4ºC
  • Mirai, Studio Chizu
  • Ruben Brandt, Collector, Hungarian National Film Fund
  • Tito e os Pássros, Bits Productions, Split Studio

MELHOR PRODUÇÃO ANIMADA ESPECIAL

  • Back to the Moon
  • O Retorno de Mary Poppins
  • The Emperor’s Newest Clothes
  • The Highway Rat

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO

  • Grandpa Walrus
  • Lost & Found
  • SOLAR WALK
  • Untravel
  • Weekends

MELHORES EFEITOS ANIMADOS EM LONGA DE ANIMAÇÃO

  • Howard Jones, Dave Alex Riddett, Grant Hewlett, Pat Andrew, Elena Vitanza Chiarani (O Homem das Cavernas)
  • Patrick Witting, Kiel Gnebba, Spencer Lueders, Joe Pepper, Sam Rickles (Hotel Transilvânia 3: Férias Monstruosas)
  • Greg Gladstone, Tolga Göktekin, Jason Johnston, Eric Lacroix, Krzysztof Rost (Os Incríveis 2)
  • So Ishigaki, Graham Wiebe (Next Gen)
  • Cesar Velazquez, Marie Tollec, Alexander Moaveni, Peter DeMund, Ian J. Coony (Wifi Ralph: Quebrando a Internet)

MELHOR ANIMAÇÃO DE PERSONAGEM EM LONGA DE ANIMAÇÃO

  • Laurie Sitzia (O Homem das Cavernas), Personagens: Goona, Dug, Chief Bobnar, the Tribe, the rabbit e Lord Nooth
  • Lance Fite (Os Incríveis), Personagens: todos
  • Jason Stalman (Ilha dos Cachorros), Personagens: Chief e Nutmeg
  • Vitor Vilela (Wifi Ralph: Quebrando a Internet), Personagens: Ralph, Fix-It Felix, Double Dan, Vanellope Von Schweetz, Ralphzilla, Yesss, Root Beer Tapper Patrons, Pancake Bunny, Milkshake Kitty, Baby Mo, Mo’s Mom
  • David Han (Homem-Aranha no Aranhaverso), Personagens: múltiplos

MELHOR ANIMAÇÃO DE PERSONAGEM EM FILME LIVE ACTION

  • Paul Story, Sidney Kombo Kintombo, Eteuati Tema, Jacob Luamanuvae Su’a, Sam Sharplin (Vingadores: Guerra Infinita)
  • Arslan Elver, Laurent Laban, Kayn Garcia, Claire Blustin, Marc-André Coulombe (Christopher Robin)
  • Chris Sauve, James Baxter, Sandro Cleuzo (O Retorno de Mary Poppins)
  • Pablo Grillo, Laurent Laban, Kyle Dunlevy, Stuart Ellis, Liam Russell (Paddington 2)
  • Richard Oey, Adrien Annesley, Allison Orr, Wei Liang Yap, Shan Hao (O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos)

MELHOR DESIGN DE PERSONAGENS EM LONGA DE ANIMAÇÃO

  • Matt Nolte (Os Incríveis 2) Personagem: Todos
  • James Woods (O Retorno de Mary Poppins) Personagem: os animados
  • Marceline Tanguay (Next Gen) Personagem: múltiplos
  • Ami Thompson (Wifi Ralph: Quebrando a Internet) Personagens: Ralph, Vanellope Von Schweetz, Yesss, Maybe, Shank, Spamley, Gord, The eboy, ebay Elaine, Netuser, Netizens, Internet Troll, Slaughter Race Crew, princesas da Disney, Ralphzilla, Jimmy, Tiffany, Baby Calhoun, Pancake Bunny, Milkshake Kitty, KnowsMo
  • Shiyoon Kim (Homem-Aranha no Aranhaverso) Personagens: Uncle Aaron, Rio, Peter, Miles, King Pin, Gwen, Aunt May, Goblin, Jefferson

MELHOR DIREÇÃO DE LONGA DE ANIMAÇÃO

  • Nick Park (O Homem das Cavernas)
  • Genndy Tartakovsky (Hotel Transilvânia 3: Férias Monstruosas)
  • Brad Bird (Os Incríveis 2)
  • Rich Moore e Phil Johnston (Wifi Ralph: Quebrando a Internet)
  • Bob Persichetti, Rodney Rothman e Peter Ramsey (Homem-Aranha no Aranhaverso)

MELHOR TRILHA MUSICAL EM LONGA DE ANIMAÇÃO

  • Danny Elfman e Tyler The Creator (O Grinch)
  • Harry Gregson-Williams e Tom Howe (O Homem das Cavernas)
  • Michael Giacchino (Os Incríveis 2)
  • Henry Jackman, Alan Menken, Phil Johnston, Tom MacDougall e Dan Reynolds (Wifi Ralph: Quebrando a Internet)
  • Heitor Pereira, Karey Kirkpratick e Wayne Kirkpatrick (Pé Pequeno)

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO EM LONGA DE ANIMAÇÃO

  • Richard Edmunds (O Homem das Cavernas)
  • Scott Wills (Hotel Transilvânia 3: Férias Monstruosas)
  • Adam Stockhausen, Paul Harrod (Ilha de Cachorros)
  • Jeff Turley (O Retorno de Mary Poppins)
  • Justin K. Thompson (Homem-Aranha no Aranhaverso)

MELHOR STORYBOARD EM LONGA DE ANIMAÇÃO

  • Habib Louati (O Grinch)
  • Dean Kelly (Os Incríveis 2)
  • Bobby Alcid Rubio (Os Incríveis 2)
  • Ovi Nedelcu (O Retorno de Mary Poppins)
  • Michael Herrera (Wifi Ralph: Quebrando a Internet)

MELHOR DUBLAGEM EM LONGA DE ANIMAÇÃO

  • Eddie Redmayne (O Homem das Cavernas) Personagem: Dug
  • Holly Hunter (Os Incríveis 2) Personagem: Helen Parr / Elastigirl
  • Bryan Cranston (Ilha de Cachorros) Personagem: Chief
  • Charlyne Yi (Next Gen) Personagem: Mai
  • Sarah Silverman (Wifi Ralph: Quebrando a Internet) Personagem: Vanellope Von Schweetz

MELHOR ROTEIRO EM LONGA DE ANIMAÇÃO

  • Brad Bird (Os Incríveis 2)
  • Mamoru Hosoda e Stephanie Sheh (Mirai)
  • Phil Johnston e Pamela Ribon (Wifi Ralph: Quebrando a Internet)
  • Phil Lord e Rodney Rothman (Homem-Aranha no Aranhaverso)
  • Michael Jelenic e Aaron Horvath (Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas)

MELHOR MONTAGEM EM LONGA DE ANIMAÇÃO

  • Chris Cartagen (O Grinch)
  • Stephen Schaffer, Anthony J. Greenberg, Katie Schaefer Bishop (Os Incríveis 2)
  • Jeremy Milton, Fabienne Rawley, Jesse Averna, John Wheeler, Pace Paulsen (Wifi Ralph: Quebrando a Internet)
  • Milorad Krstic, Marcell Laszlo, Laszlo Wimmer, Danijel Daka Milosevic (Ruben Brandt, Collector)
  • Bob Fisher, Andrew Levinton, Vivek Sharma (Homem-Aranha no Aranhaverso)

***

A cerimônia acontece no dia 02 de fevereiro no Royce Hall no campus da UCLA.

25 ANIMAÇÕES INSCRITAS DISPUTAM as INDICAÇÕES ao OSCAR 2019

Isle of Dogs

Atari e seus novos amigos caninos em Ilha de Cachorros (pic by IMDb)

WES ANDERSON PODE CONQUISTAR SUA 2ª INDICAÇÃO NA CATEGORIA E SUA 7ª NO TOTAL

Nesta quarta, dia 24, a Academia anunciou 25 produções inscritas oficialmente que concorrerão às 5 indicações na categoria de Melhor Longa de Animação. Embora as animações ainda precisem preencher todos os pré-requisitos para avançar, a tendência é que pelo menos 16 sejam aprovadas para que haja 5 indicados.

Na lista, chama a atenção a quantidade de animações vindas do oriente, principalmente as japonesas que totalizam sete, além de uma co-produção com a França. Contudo, ao contrário dos anos anteriores, não há nenhum forte candidato nipônico. Mesmo contando com os demais estrangeiros vindos do México, Hungria e Brasil, podemos ver um ano apenas com animações no idioma Inglês, algo que não acontece há vários anos.

Sim, temos novamente uma animação brasileira no páreo e isso é ótimo para o nosso cinema! Tito e os Pássaros, dirigida pelo trio Gabriel Bitar, André Catoto e Gustavo Steinberg, acompanha um menino e seu pai que buscam a cura de uma doença que é contraída depois que a pessoa leva um susto. Embora tenha boa técnica de animação, ainda é um azarão nas apostas pela carreira internacional ainda no início. Pode se tornar a segunda animação brasileira indicada após O Menino e o Mundo, de Alê Abreu.

Tito e os Pássaros cena

Cena da animação brasileira Tito e os Pássaros (pic by IMDb)

O favoritismo deste ano, por incrível que pareça, não é da Pixar/Disney, que aposta em Os Incríveis 2. O franco-favorito é Ilha dos Cachorros, de Wes Anderson. Com um visual arrebatador e uma técnica de stop motion afiadíssima, o longa conta a história de Atari, filho do prefeito de uma cidade japonesa, que busca seu cachorro numa ilha do lixo habitada apenas por cães banidos. A maioria dos personagens são cachorros dublados por um elenco estelar: Bryan Cranston, Scarlett Johansson, Edward Norton, Jeff Goldblum, Bill Murray, Tilda Swinton, F. Murray Abraham, além de participações de Frances McDormand e Greta Gerwig, que dubla uma ativista.

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O Criador e suas crias: Wes Anderson posa com sua galeria de personagens de Ilha de Cachorros (pic by Comunidade Cultura e Arte)

Além da própria qualidade do material, Ilha dos Cachorros carrega um histórico recente de Wes Anderson no Oscar. Indicado 6 vezes sem nenhuma vitória, inclusive pela animação O Fantástico Sr. Raposo (2009), esta pode e deve ser a oportunidade de ouro para a Academia premiar um dos diretores mais prolixos da atualidade, que perdeu injustamente o Oscar de Roteiro Original por O Grande Hotel Budapeste em 2015.

As apostas mais certeiras para serem indicadas ao Oscar são: Ilha dos Cachorros, Os Incríveis 2 e Wifi Ralph: Quebrando a Internet. Fica difícil fazer uma previsão sem ter assistido a todos os concorrentes, mas vamos lá.

Pela lógica de premiações, O Homem das Cavernas pode dar as caras por se tratar do novo filme de Nick Park, diretor consagrado de stop motion, que já conquistou 4 Oscars, incluindo Longa de Animação por Wallace & Gromit: A Batalha dos Vegetais. E outra possibilidade seria  a indicação de Homem-Aranha no Aranhaverso. Já que a Academia não dá estatuetas para os longas live-action da Marvel Studios, por que não reconhecer a animação? A adaptação dos quadrinhos possui uma identidade visual muito própria que não faria feio na premiação. Quem assistiu aquela draga chamada Venom, já conferiu um trecho da animação no pós-créditos finais. Pra quem não viu, veja pelo link que vale a pena:

Seguem os 25 inscritos (as apostas estão assinaladas em laranja):

  • Ana y Bruno
    Dir: Carlos Carrera
  • O Grinch (The Grinch)
    Dir: Yarrow Cheney e Scott Mosier
  • O Homem das Cavernas (Early Man)
    Dir: Nick Park
  • Fireworks (Uchiage hanabi, shita kara miru ka? Yoko kara miru ka?)
    Dir: Akiyuki Shinbo e Nobuyuki Takeuchi
  • Have a Nice Day (Hao jile)
    Dir: Jian Liu
  • Hotel Transilvânia 3: Férias Monstruosas (Hotel Transylvania 3: Summer Vacation)
    Dir: Genndy Tartakovsky
  • Os Incríveis 2 (The Incredibles 2)
    Dir: Brad Bird
  • Ilha de Cachorros (Isle of Dogs)
    Dir: Wes Anderson
  • The Laws of the Universe – Part I
    Dir: Isamu Imakake
  • Liz and the Blue Bird (Rizu to Aoi tori)
    Dir: Naoko Yamada
  • Lu Está Livre (Yoake Tsugeru Rû no uta)
    Dir: Masaaki Yuasa
  • MFKZ (Mutafukaz)
    Dir: Shôjirô Nishimi e Guillaume Renard
  • Maquia: When the Promised Flower Blooms (Sayonara no asa ni yakusoku no hana o kazarô)
    Dir: Mari Okada
  • Mirai (Mirai no Mirai)
    Dir: Mamoru Hosoda
  • The Night Is Short, Walk on Girl (Yoru wa mijikashi aruke yo otome)
    Dir: Masaaki Yuasa
  • On Happiness Road (Hsing fu lu shang)
    Dir: Hsin Yin Sung
  • Wifi Ralph: Quebrando a Internet (Ralph Breaks the Internet)
    Dir: Phil Johnston, Rich Moore
  • Ruben Brandt, Collector
    Dir: Milorad Krstic
  • Sgt. Stubby: An American Hero
    Dir: Richard Lanni
  • Gnomeu e Julieta: O Mistério do Jardim (Sherlock Gnomes)
    Dir: John Stevenson
  • PéPequeno (Smallfoot)
    Dir: Karey Kirkpatrick e Jason Reisig
  • Homem-Aranha no Aranhaverso (Spider-Man: Into the Spider-Verse)
    Dir: Bob Persichetti, Peter Ramsey e Rodney Rothman
  • Tall Tales (Drôles de petites bêtes)
    Dir: Arnaud Bouron e Antoon Krings
  • Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas (Teen Titans Go! To the Movies)
    Dir: Aaron Horvath e Peter Rida Michail
  • Tito e os Pássaros (Tito and the Birds)
    Dir: Gabriel Bitar, André Catoto e Gustavo Steinberg

***

As indicações ao Oscar 2019 serão anunciadas no dia 22 de janeiro. E a cerimônia ocorrerá no dia 24 de fevereiro.

2018 começando com EDDIE AWARDS, PGA e WGA

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Corra!, de Jordan Peele, presente nas três listas citadas: Eddie, PGA e WGA (pic by imdb.com)

PRÊMIOS DE SINDICATO VÃO REVELANDO SEUS CANDIDATOS NUM ANO BEM DIVERSIFICADO

Hello, pessoal! Feliz Ano Novo! Espero que todos tenham passado bem a virada e que este ano de 2018 seja de recuperação econômica (que o termo “crise” fique no passado) e que a eleição de novembro passe a limpo esta tão corrupta política brasileira.

Como de costume, o primeiro post do ano serve para revelar os indicados ao Eddie Awards, que é o prêmio do sindicato de montadores, mas com o PGA (Producers Guild of America) se antecipando, e o Writers Guild na cola, matarei TRÊS coelhos com uma só cajadada.

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EDDIE AWARDS

Como já citei aqui em outras ocasiões, a montagem costuma ser mais valorizada em filmes de ação como Mad Max: Estrada da Fúria, ou em narrativas não-lineares como o vencedor do ano passado A Chegada.

Assim como no Globo de Ouro, o Eddie tem duas categorias: Drama e Comédia ou Musical. Na teoria, essa divisão possibilita que as comédias não caiam no esquecimento da temporada de premiações, mas na prática, montagem de qualidade não tem gêneros. Particularmente, considero essa divisão muito prejudicial para os filmes de terror, que têm a obrigação de apresentar uma boa montagem, pois não são comédias ou musicais, e têm dificuldade de bater os dramas.

Enfim, neste ano, a categoria de drama tem como destaque Blade Runner 2049, montado pelo último vencedor Joe Walker, e Dunkirk que tem como méritos as sequências de bombardeio e o fato de ser o primeiro filme de Christopher Nolan com duração abaixo de duas horas desde Insônia (2002). Ambos competem com as montagens de The Post: A Guerra Secreta, A Grande Jogada e A Forma da Água.

Já pela categoria de comédia, a surpresa ficou por conta da inclusão de Três Anúncios Para um Crime, que vinha competindo como drama em outras premiações, inclusive no Globo de Ouro. Claro que, para quem conhece a filmografia, o diretor Martin McDonagh tem um forte apelo para comédias de humor negro, por isso seu trabalho pode ser interpretado de formas diferentes nessa questão de gênero.

Porém, o favorito desta categoria continua sendo Eu, Tonya, que tem colecionado prêmios e indicações importantes, seguido bem de perto por Em Ritmo de Fuga e Corra!, uma vez que apresentam boas cenas de ação e tensão. Curiosamente, Lady Bird, o mais legítimo representante da verve da comédia corre por fora.

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Margot Robbie em cena de Eu, Tonya, que concorre como montagem – comédia ou musical (pic by imdb.com)

Em animação, o novo trabalho da Pixar, Viva: A Vida é uma Festa deve ser premiado, enquanto na ala dos documentários, já que um dos favoritos Faces Places (Visages, Villages) da Agnès Varda não está na lista, talvez o filme sobre protestos de Los Angeles, LA 92, fature o prêmio.

Pelas categorias televisivas, destaque para Better Call Saul e Fargo em Drama, e Curb Your Enthusiasm em Comédia.

INDICADOS AO EDDIE AWARDS:

MELHOR MONTAGEM – DRAMA
* Joe Walker (Blade Runner 2049)
* Lee Smith (Dunkirk)
* Alan Baumgarten, Josh Schaeffer, Elliot Graham (A Grande Jogada)
* Michael Kahn, Sarah Broshar (The Post: A Guerra Secreta)
* Sidney Wolinsky (A Forma da Água)

MELHOR MONTAGEM – COMÉDIA OU MUSICAL
* Jonathan Amos, Paul Machliss (Em Ritmo de Fuga)
* Gregory Plotkin (Corra!)
* Tatiana S. Riegel (Eu, Tonya)
* Nick Houy (Lady Bird: É Hora de Voar)
* Jon Gregory (Três Anúncios Para um Crime)

MELHOR MONTAGEM – ANIMAÇÃO
* Steve Bloom (Viva: A Vida é uma Festa)
* Clair Dodgson (Meu Malvado Favorito 3)
* David Burrows, Matt Villa, John Venzon (LEGO Batman: O Filme)

MELHOR MONTAGEM – DOCUMENTÁRIO
* Aaron I. Butler (Cries From Syria)
* Joe Beshenkovsky, Will Znidaric, Brett Morgen (Jane)
* Ann Collins (Joan Didion: The Center Will Not Hold)
* TJ Martin, Scott Stevenson, Dan Lindsay (LA 92)

 

MELHOR MONTAGEM – DOCUMENTÁRIO DE TV
* Lasse Järvi, Doug Pray (The Defiant Ones — Ep: Part 1)
* Will Znidaric (Five Came Back — Ep: The Price of Victory)
* Inbal Lessner (The Nineties” — Ep: Can We All Get Along?)
* Ben Sozanski, ACE, Geeta Gandbhir; Andy Grieve (Rolling Stone: Stories from the Edge — Ep: 01)

Best Edited Comedy Series for Commercial Television
* John Peter Bernardo, Jamie Pedroza (Black-ish — Ep: Lemons)
* Kabir Akhtar, Kyla Plewes (Crazy Ex-Girlfriend — Ep: Josh’s Ex-Girlfriend Wants Revenge)
* Heather Capps, Ali Greer, Jordan Kim (Portlandia — Ep: Amore)
* Peter Beyt (Will & Grace — Ep: Grandpa Jack)

Best Edited Comedy Series for Non-Commercial Television
MELHOR MONTAGEM DE SÉRIES DE COMÉDIA DE EPISÓDIOS DE MEIA-HORA

* Steven Rasch (Curb Your Enthusiasm — Ep: Fatwa!)
* Jonathan Corn (Curb Your Enthusiasm — Ep: The Shucker)
* William Turro (Glow — Ep: Pilot)
* Roger Nygard, Gennady Fridman (Veep — Ep: Chicklet)

MELHOR MONTAGEM DE SÉRIES DRAMÁTICAS DE EPISÓDIOS DE UMA HORA – COM COMERCIAL
* Skip Macdonald (Better Call Saul — Ep: Chicanery)
* Kelley Dixon, Skip Macdonald (Better Call Saul — Ep: Witness)
* Henk Van Eeghen (Fargo — Ep: Aporia)
* Andrew Seklir (Fargo — Ep: Who Rules the Land of Denial)

MELHOR MONTAGEM DE SÉRIES DRAMÁTICAS DE EPISÓDIOS DE UMA HORA – SEM COMERCIAL
* David Berman (Big Little Lies — Ep: You Get What You Need)
* Tim Porter (Game of Thrones — Ep: Beyond the Wall)
* Julian Clarke, Wendy Hallam Martin (The Handmaid’s Tale — Ep: Offred)
* Kevin D. Ross (Stranger Things — Ep: The Gate)

MELHOR MONTAGEM DE MINISSÉRIES OU FILMES PARA TV
* Adam Penn, Ken Ramos (Feud — Ep: Pilot)
* James D. Wilcox (Genius: Einstein — Ep: Chapter One)
* Ron Patane (The Wizard of Lies)

MELHOR MONTAGEM – SÉRIES NÃO-ROTEIRIZADAS
* Rob Butler, Ben Bulatao (Deadliest Catch — Ep: Lost at Sea)
* Reggie Spangler, Ben Simoff, Kevin Hibbard, Vince Oresman (Leah Remini: Scientology and the Aftermath — Ep: The Perfect Scientology Family)
* Tim Clancy, Cameron Dennis, John Chimples, Denny Thomas (VICE News Tonight — Ep: Charlottesville: Race & Terror)

A cerimônia do Eddie Awards acontece no dia 26 de janeiro.

***

PGA

PRODUCERS GUILD OF AMERICA (PGA)

Normalmente o filme que está na lista do PGA já tem um pé na categoria de Melhor Filme no Oscar, mas obviamente um ou outro filme deve ficar de fora. Ano passado, dos 10 indicados ao PGA, apenas Deadpool não conseguiu chegar ao tapete vermelho. Não que Deadpool precise de indicações ao Oscar, mas seria bacana ver um trabalho mais ousado e para adultos como candidato.

Seguindo a lógica e tradição, dessa nova lista, aliás, de ONZE filmes, Mulher-Maravilha deve ser o excluído da vez, mesmo num ano considerado das mulheres após os escândalos sexuais de Hollywood. Particularmente, não gosto do filme da Patty Jenkins e considero todos esses elogios e prêmios “overlooked”, mas de novo: Mulher-Maravilha não precisa de indicação ao Oscar, ainda mais depois desse sucesso estrondoso nas bilheterias.

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Chris Pine, Gal Gadot e Lucy Davis em cena de Mulher-Maravilha (pic by imdb.com)

Bom, antes de analisar à fundo, melhor revelar os onze candidatos primeiro. Aqui vão:

MELHOR PRODUÇÃO FÍLMICA:

DOENTES DE AMOR (The Big Sick)
Produtores: Judd Apatow, Barry Mendel

ME CHAME PELO SEU NOME (Call Me By Your Name)
Produtores: Peter Spears, Luca Guadagnino, Emilie Georges, Marco Morabito

DUNKIRK (Dunkirk)
Produtores: Emma Thomas, Christopher Nolan

CORRA! (Get Out)
Produtores: Sean McKittrick, Edward H. Hamm Jr., Jason Blum, Jordan Peele

EU, TONYA (I, Tonya)
Produtores: Bryan Unkeless, Steven Rogers, Margot Robbie, Tom Ackerley

LADY BIRD: É HORA DE VOAR (Lady Bird)
Produtores: Scott Rudin, Eli Bush, Evelyn O’Neill

A GRANDE JOGADA (Molly’s Game)
Producers: Mark Gordon, Amy Pascal, Matt Jackson

THE POST: A GUERRA SECRETA (The Post)
Produtores: Amy Pascal, Steven Spielberg, Kristie Macosko Krieger

A FORMA DA ÁGUA (The Shape Of Water)
Produtores: Guillermo del Toro, J. Miles Dale

TRÊS ANÚNCIOS PARA UM CRIME (Three Billboards Outside Ebbing, Missouri)
Produtores: Graham Broadbent, Pete Czernin, Martin McDonagh

MULHER-MARAVILHA (Wonder Woman)
Produtores: Charles Roven, Richard Suckle, Zack Snyder e Deborah Snyder

OK, vamos falar mal! Não, já falei de Mulher-Maravilha… haha
Bom, a lista não tem lá grandes surpresas. Temos os filmes que não podiam faltar devido ao seu bom histórico na temporada de premiações como The Post, A Forma da Água, Três Anúncios Para um Crime, Dunkirk, Lady Bird e Corra!.

Em termos de surpresas esperadas estão a inclusão de Me Chame Pelo Seu Nome e Doentes de Amor. O primeiro por duas questões: primeiro, o filme tem decaído um pouco desde seu início arrasador com os prêmios dos críticos de Los Angeles e do Independent Spirit Awards, e segundo porque ainda é um filme LGBT que precisa quebrar a barreira do conservadorismo desses prêmios. Já o segundo teve seu melhor momento quando foi lembrado em categorias principais no Critics’ Choice Awards, mas falhou miseravelmente para estar entre os indicados a Melhor Filme – Comédia ou Musical no Globo de Ouro.

Agora, de surpresa-surpresa mesmo foi a inclusão de A Grande Jogada, que vinha sendo lembrado apenas por sua atriz Jessica Chastain e um ou outro prêmio de roteiro, que foi escrito por um dos mestres do fast dialogue Aaron Sorkin. Se esse feito se repetir no Oscar, Chastain terá grandes chances de conquistar sua terceira indicação, mesmo tendo fortes candidatas pela frente como Meryl Streep, Frances McDormand, Saoirse Ronan e Sally Hawkins. E, claro, o já citado Mulher-Maravilha, cuja inclusão mais me soa como uma atitude de “fazer a média”, ainda mais por ser o 11º filme da lista ou plus one.

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Kevin Costner contracena com Jessica Chastain em A Grande Jogada (pic by imdb.com)

DOS EXCLUÍDOS

que mais senti falta foi Projeto Flórida, de Sean Baker. Tudo bem que o filme não é uma unanimidade como os favoritos, mas não li nenhuma crítica negativa que pudesse desqualificá-lo… E se formos levar em conta o contexto atual, o filme dialoga com a questão das minorias e imigrantes. Não dava pra entrar nessa lista?

Tem outro filme que supostamente era pra estar aqui, porque parece que filmes de guerra são feitos pra ganhar prêmios, que é O Destino de uma Nação. Antes de começar a temporada, todo mundo falava que esse filme ganharia o Oscar e daria finalmente o Oscar para Gary Oldman. Quando começaram os prêmios da crítica, o filme sumiu do radar, e aí as pessoas se questionavam: “Será que nem o Oscar pro Gary, vai??”. Eu sei que o ator merece há tempos uma estatueta, mas começo a ter minhas dúvidas também se ele tem mesmo toda essa chance.

E também vale citar o Mudbound, que de mais relevante conquistou uma indicação ao SAG de Melhor Elenco. Tem elementos da questão racial que estão no topic trend de Hollywood, e dirigido por uma mulher negra. Pode ser o filme a roubar a cadeira de Mulher-Maravilha no Oscar.

MELHOR PRODUÇÃO DE ANIMAÇÃO:

O PODEROSO CHEFINHO (The Boss Baby)
Producer: Ramsey Naito

VIVA: A VIDA É UMA FESTA (Coco)
Producer: Darla K. Anderson

MEU MALVADO FAVORITO 3 (Despicable Me 3)
Producers: Chris Meledandri, Janet Healy

O TOURO FERDINANDO (Ferdinand)
Producers: Lori Forte, Bruce Anderson

LEGO BATMAN: O FILME (The Lego Batman Movie)
Producers: Dan Lin, Phil Lord e Christopher Miller

Na categoria de animação, não tem muito o que falar. A Pixar deve conquistar mais um PGA com este belo exemplar de inclusão de imigrantes que é Viva: A Vida é uma Festa. Sem um possível estraga-festa que poderia ser Com Amor, Van Gogh, o caminho parece bem livre para o estúdio da Disney rumo a mais um PGA.

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Viva: A Vida é uma Festa concorre no PGA (pic by imdb.com)

MELHOR PRODUÇÃO DE DOCUMENTÁRIO:

CHASING CORAL

CITY OF GHOSTS

CRIES FROM SYRIA

EARTH: ONE AMAZING DAY

JANE

JOSHUA: TEENAGER VS. SUPERPOWER

THE NEWSPAPERMAN: THE LIFE AND TIMES OF BEN BRADLEE

Entre os documentários, o mais frequente nas premiações tem sido o novo filme de Agnès Varda, Visage, Villages, mas com ele ausente aqui, Jane, o filme sobre a especialista em primatas Jane Goodall pode se sobressair.

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Imagem de arquivo do documentário Jane, estrelado por Jane Goodall (pic by imdb.com)

Os vencedores serão anunciados no próximo dia 20 no Hotel Beverly Hilton.

***

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WRITERS GUILD AWARDS (WGA)

De todos esses prêmios de sindicatos, o mais chato, rígido e insignificante é o dos roteiristas. Além de ter uma série de regras desqualificatórias que acabam eliminando todos os anos importantes concorrentes, não aceitam roteiros de animações na competição. Sim, como se os roteiros de animações fossem coisa de criança.

Não à toa, roteiristas consagrados como Quentin Tarantino torcem o nariz, não é membro desse sindicato e mesmo assim, consegue ser indicado e ganhar Oscar como o fez em 2013 por Django Livre. Bom, claro que cada sindicato com seus estatutos, mas acho que poderiam pelo menos incluir uma categoria para animações. Se até o Oscar criou um prêmio para os longas de animação desde 2002, por que não o Writers Guild também?

Este ano, talvez o roteiro mais premiado até o momento foi um dos desclassificados: Três Anúncios Para um Crime, de Martin McDonagh. Com isso, teria menos chances no Oscar? Não. Além do já citado Tarantino, em 2015, o roteiro de Birdman venceu como Original depois de ter sido inelegível pelo WGA.

Felizmente, a safra de roteiros originais de 2017 pode suprir a ausência de Três Anúncios. O roteiro de Jordan Peele por Corra! compete com fortes concorrentes como Lady Bird, de Greta Gerwig, A Forma da Água, de Guillermo del Toro e Vanessa Taylor, além de Doentes de Amor, de Kumail Nanjiani, e Eu, Tonya, de Steven Rogers. Ainda dá pra citar o roteiro de Trama Fantasma, de Paul Thomas Anderson, que vinha recebendo prêmios, mas foi preterido aqui.

Já na categoria de Adaptações, curiosamente, roteiros que eram considerados certos como The Post: A Guerra Secreta e até Extraordinário ficaram de fora por motivo de escolha mesmo. Como no ano passado, quando o roteiro de Deadpool concorreu, temos outro roteiro adaptado dos quadrinhos dos X-Men na lista: Logan, escrito por Scott Frank, James Mangold e Michael Green. Não tem a originalidade e ousadia de seu antecessor, mas vale a lembrança de outro bem-sucedido filme para o público mais adulto.

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Dafne Keen, Patrick Stewart e Hugh Jackman em cena de Logan, que concorre como Roteiro Adaptado no WGA (pic by imdb.com)

Entre as adaptações, os favoritos O Artista do Desastre, de Scott Neustadter e Michael H. Weber, e A Grande Jogada, de Aaron Sorkin estão concorrendo com Me Chame Pelo Seu Nome, de James Ivory (que aos 89 anos conquista sua primeira indicação ao WGA), Mudbound, de Virgil Williams e Dee Rees, além do já citado Logan.

Na categoria de documentários, temos o veterano Alex Gibney concorrendo com No Stone Unturned, além de Jane, citado nos parágrafos de PGA acima, que está pré-selecionado para o Oscar.

ROTEIRO ORIGINAL
* Emily V. Gordon & Kumail Nanjiani (Doentes de Amor)
* Jordan Peele (Corra!)
* Steven Rogers (Eu, Tonya)
* Greta Gerwig (Lady Bird)
* Guillermo del Toro e Vanessa Taylor (A Forma da Água)

ROTEIRO ADAPTADO
* James Ivory; Baseado no romance de André Aciman (Me Chame Pelo Seu Nome)
* Scott Neustadter e Michael H. Weber; Baseado no livro “The Disaster Artist: My Life Inside the Room, the Greatest Bad Movie Ever Made” de Greg Sestero e Tom Bissell (O Artista do Desastre)
* Scott Frank, James Mangold e Michael Green; Baseado nos personagens dos quadrinhos de X-Men (Logan)
* Aaron Sorkin; Baseado no livro de Molly Bloom (A Grande Jogada)
* Virgil Williams e Dee Rees; Baseado no romance de Hillary Jordan (Mudbound)

ROTEIRO DE DOCUMENTÁRIO
* Theodore Braun (Betting on Zero)
* Brett Morgen (Jane)
* Alex Gibney (No Stone Unturned)
* Barak Goodman (Oklahoma City)

A 70ª edição do WGA está marcada para o dia 11 de fevereiro.

RETROSPECTIVA 2017: BASTIDORES SEXUAIS DE HOLLYWOOD

ANO FICOU MARCADO POR ESCÂNDALOS SEXUAIS E A EXPANSÃO DA DISNEY

Saudações aos cinéfilos de plantão! Mais um ano se passou e gostaria de entediá-los com meu resumão com os filmes. Bom, primeiramente, quero agradecer a todos que curtiram, fizeram comentários ou mesmo deram aquela breve passada no blog e na página do Facebook. Continuo não ganhando nem um centavo, mas todos os feedbacks certamente são gratificantes, então obrigado!

META DE 2017 E SUAS CONSEQUÊNCIAS

Este ano tracei como meta assistir mais daqueles filmes que quando você fala que não viu, a pessoa reage com um: “Não acredito que você não assistiu!”. Então, vi alguns clássicos pela primeira vez como o neo-realista italiano Humberto D. (1952), de Vittorio De Sica, e o tocante e singelo clássico japonês de Yasujirô Ozu, Era uma Vez em Tóquio (1953). Também incluí filmes cults como Scanners – Sua Mente Pode Destruir (um David Cronenberg “tosqueira” que ficou mais marcado pela cena da cabeça que explode) e Tomates Verdes Fritos (que honestamente não entendi toda essa aura que o transformou em cult).

Dos diretores renomados, alguns filmes me surpreendi positivamente como Razão e Sensibilidade (1995), de Ang Lee (que achava que seria um drama de época sonolento), e Arizona Nunca Mais (1987), dos irmãos Coen, quando o humor deles era mais non-sense. Já outros como A Cidade dos Amaldiçoados (1995), de John Carpenter, foi bem doído assistir até o final pelo cúmulo do ridículo das cenas (Christopher Reeve mentalizando um muro de tijolos pra bloquear a telepatia das crianças foi a cena mais “chá de cogumelo” que vi este ano).

PIORES DO ANO NO CINEMA

Todo ano eu assisto a filmes que penso: “Onde eles estavam com a cabeça?”. Normalmente, são filmes cujos produtores se acham criativos demais a ponto de não necessitarem de um diretor competente por trás das câmeras. Dá pra citar dois exemplos de como Hollywood ainda tem muito a aprender:

A MÚMIA. Se essa era a idéia de revival dos monstros clássicos da Universal, o estúdio deveria urgentemente rever seus conceitos. Claramente, quiseram criar uma espécie de universo onde a Múmia poderia interagir com o Drácula, Frankenstein e Lobisomem em futuros longas, assim como a Marvel Studios planejou e executou, mas nem todo mundo tem a visão, organização e planejamento de Kevin Feige (produtor da Marvel).

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No centro, Annabelle Wallis com Jake Johnson e Tom Cruise em cena de A Múmia (pic by moviepilot.de)

Primeiramente, Tom Cruise não tem o carisma de Brendan Fraser (que protagonizou A Múmia de 1999), e muito menos tem qualquer química com sua colega Annabelle Wallis. Sofia Boutella como uma versão feminina da múmia soou promissor nos trailers, mas o resultado final acabou comprometido com as demais escolhas equivocadas, assim como o diretor Alex Kurtzman, que só tinha uma comédia desconhecida no currículo. Felizmente, o filme foi mal nas bilheterias e deve brecar esse plano insosso da Universal.

A TORRE NEGRA. Acho bacana resgatarem um grande autor de terror como Stephen King para os cinemas, mas definitivamente esta adaptação de sua obra não funcionou em nenhum aspecto. Sinceramente não entendi o motivo de contratarem o diretor dinamarquês Nikolaj Arcel. Eles queriam uma atmosfera de filme europeu num filme nitidamente blockbuster? E embora Idris Elba e Matthew McConaughey se esforcem, é impossível se importar com seus personagens, muito menos o jovem Tom Taylor que pareceu mais perdido do que os próprios produtores.

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Idris Elba e Tom Taylor tentam alguma química em A Torre Negra (pic by moviepilot.de)

Ainda falando sobre Stephen King, achei muuuito bacana ver seu romance “It” sendo tão destacado após tantos anos da primeira adaptação para a televisão. Este novo It: A Coisa se tornou o filme de terror mais visto de todos os tempos, ultrapassando o recorde anterior de O Exorcista (1973) que era de 232 milhões de dólares. Contudo, apesar dos números gordos que certamente vão engrenar mais filmes de terror, o filme está longe de ser uma obra-prima como muitos classificaram. Se tivessem explorado mais os personagens adultos, que são mais assustadores do que o próprio palhaço Pennywise, e reduzissem o excesso de efeitos visuais na figura dele, a performance de Bill Skarsgård poderia causar mais calafrios.

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Crianças procuram pelo palhaço Pennywise em cena de It: A Coisa (pic by moviepilot.de)

E de uma forma geral, as sequências e refilmagens integraram a parte ruim da safra do ano. Hoje existe um excesso de continuações e reboots que empobrece o cinema, e que se continuar nesse ritmo, os filmes originais passarão a ser raridade no circuito. Citando apenas os que vi no cinema: O Chamado 3, Jogos Mortais: Jigsaw, Alien: Covenant (uma franquia excelente mas que enfraqueceu demais com esta nova produção), Annabelle 2: A Criação do Mal, e até mesmo Guardiões da Galáxia Vol. 2, que pecou no excesso de gags e esqueceu da trama principal.

INDO CONTRA A CORRENTE

Apesar de Hollywood ainda produzir boas continuações como Logan e Thor: Ragnarok, é nesse cenário de escassez de originalidade que temos que valorizar os novos trabalhos de Darren Aronofsky (Mãe!) e Christopher Nolan (Dunkirk). Curiosamente, ambos os filmes tiveram recepções do tipo ame ou odeie, mas é inegável o esforço que os diretores fizeram para entregar algo novo, fresco e com alguma mensagem, concorde você ou não.

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E o filme doideira do ano vai para Mãe!, de Darren Aronofsky (pic by moviepilot.de)

Apesar de ter cedido dirigir a sequência Blade Runner 2049, Denis Villeneuve é garantia de vermos algo no mínimo com um olhar diferente. A Chegada é uma das ficções científicas mais criativas dos últimos anos, principalmente no uso de recursos cinematográficos como a montagem não-linear.

E falando em originalidade, não posso deixar de citar o melhor filme que vi nos cinemas: Corra!, de Jordan Peele. Pra começar, este é um filme que nunca imaginei que veria um dia. Trata-se de um filme extremamente corajoso ao lidar com o tema do racismo, ainda mais no gênero do terror e da ficção científica. E isso só foi possível graças a Jordan Peele que, em entrevista, confessou que queria fazer um filme em que pudesse passar a péssima sensação de ser uma minoria. Antigamente, havia mais filmes assim, em que o diretor queria abordar temas polêmicos em tramas de terror e ficção científica como O Enigma do Outro Mundo (1982), de John Carpenter.

Quando soube que Robert Pattison estava bem cotado pra ganhar o prêmio de interpretação masculina em Cannes por Bom Comportamento (Good Time), fiquei pensando se não seria exagero da mídia, afinal estamos falando daquele rapaz sem graça daqueles filmes mais sem graça ainda do Crepúsculo. Pelo visto suas duas colaborações com o diretor canadense David Cronenberg, Cosmópolis e Mapas Para as Estrelas, fizeram muito bem para desinflar seu ego e mostrar que ele tem potencial. Nesse filme dos irmãos Benny e Josh Safdie, Pattison vive um ladrão de bancos que, após uma tentativa frustrada de assalto, precisa resgatar seu irmão antes que ele volte para a prisão. Além do ator, o filme foi uma grata surpresa. Muito bem dirigido, montado e com uma ótima trilha musical de Daniel Lopatin, Bom Comportamento consegue gerar tensão do início ao fim e nunca se torna previsível.

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Robert Pattison em cena de Bom Comportamento (pic by moviepilot.de)

OSCAR 2017: A CERIMÔNIA QUE NÃO ACABOU

A cerimônia do Oscar ficou tão marcada com a lambança histórica de troca de envelopes e anúncio de filme errado que às vezes você até esquece qual indicado ganhou Melhor Filme, o que acabou apagando um pouco o brilho da vitória de Moonlight: Sob a Luz do Luar. Esse deslize diminuiu o fato da Academia premiar pela primeira vez em seus 89 anos um filme sobre homossexualismo e composto por um elenco totalmente negro.

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Gafes do Oscar: Warren Beatty e Jimmy Kimmel com caras de “O que eu vou falar agora??”

Claro, é importante quebrar barreiras e desbravar novos mares, mas deixando essa parte politicamente correta de lado, não considero Moonlight um bom filme. Barry Jenkins reuniu uma série de clichês de homossexualismo e de vício de drogas, colocou uma fotografia mais estilizada com câmera lenta, e uma estrutura narrativa convencional em três tempos da vida do protagonista. As melhores qualidades do filme são a trilha de Nicholas Britell e Mahershala Ali, que ficou muito limitado no primeiro terço do filme. Quer ver filme bom de homossexualismo? Veja O Segredo de Brokeback Mountain, veja Weekend, veja Azul é a Cor Mais Quente, veja Antes do Anoitecer, veja Morte em Veneza, enfim, são tantas opções melhores…

ISABELLE HUPPERT. Antes quero deixar claro que sou e sempre fui contra aqueles Oscars concedidos com intenção de compensar derrotas anteriores ou várias indicações sem vitórias, pois esses prêmios costumam gerar novas injustiças e transformar tudo num ciclo vicioso. Francamente, achava que Isabelle Huppert nem seria indicada por Elle por se tratar de uma performance corajosa num filme igualmente ousado, mas já que ela foi indicada, por que não premiá-la? A grande maioria dos críticos americanos a reconheceu como a melhor performance feminina do ano, mas no Oscar resolveram premiar a America’s sweetheart Emma Stone em La La Land, que certamente terá inúmeras outras oportunidades de ganhar uma estatueta.

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Emma Stone e seu Oscar de Atriz por La La Land

Claro que também fiquei indignado com a ausência de Elle na categoria de Filme em Língua Estrangeira. Além do filme ser muito bom, a Academia perdeu uma excelente oportunidade de premiar Paul Verhoeven, um diretor holandês que muito contribuiu para Hollywood nos anos 80 e 90, com clássicos modernos como RoboCop – O Policial do Futuro, Instinto Selvagem O Vingador do Futuro. Se depois viessem com Oscar Honorário, se fosse Verhoeven, eu nem me daria ao trabalho de comparecer à cerimônia.

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Isabelle Huppert e o diretor Paul Verhoeven divulgam Elle no tapete vermelho de Cannes (pic by LA Times)

EXPANDE MONOPÓLIO DA DISNEY

Lembra lá no colégio, quando seu professor de História te ensinou sobre as consequências do monopólio? Que, como não há forte concorrência, a empresa controla o mercado? Como eu havia comentado há dois anos e já me preocupava com essa situação fora de controle, a Disney já comprou a Pixar, a Marvel, a Lucas Films (Star Wars) e agora a Fox e suas derivadas Twentieth Century Fox, Fox Searchlight e FX, essa última em especial se tornou referências em séries mais ousadas como American Horror Story e Fargo, material que não vemos na Disney.

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Inicialmente, os fãs da Marvel comemoraram o fato de vários personagens poderem participar do mesmo universo dos filmes da Marvel/Disney, como Deadpool e os X-Men. Sim, pelo lado dos fãs de quadrinhos, é uma ótima notícia pela integração, mas é justamente aí que reside uma grande preocupação. Será possível um filme como Deadpool, repleto de sangue, palavrões, humor negro e sexo, sob o comando da empresa-família Disney? Se os figurões da Disney forem espertos, eles mantém o logo da Fox e continuarão produzindo filmes para o público adulto como Logan, já que foi comprovado o sucesso comercial e de crítica.

Mas não se trata apenas desse microcosmo da Marvel. Toda forma de Arte precisa de diversidade para sobreviver, por isso, quanto menos pasteurizada for a safra de novos filmes, o cinema terá vida longa.

OS ASSÉDIOS DE HOLLYWOOD

Embora muitos acreditem que o terremoto começou com o produtor Harvey Weinstein, Hollywood já ficou em estado de alerta com relatos de assédio envolvendo o último vencedor do Oscar de Melhor Ator, Casey Affleck, que teria tratado com machismo colegas de trabalho chamando-as de “vacas” e chegando a mostrar seu órgão genital para Amanda White, produtora de seu mockumentary  I’m Still Here.

Obviamente, o caso de Harvey Weinstein, dono da ex-distribuidora Miramax e atual Weinstein Co., é o mais grave de todos. Ele teria assediado mais de oitenta mulheres (segundo o USA Today), com destaque para atrizes como Ashley Judd (que foi a primeira a erguer a mão), Asia Argento, Rosanna Arquette, Kate Beckinsale, Cara Delevingne, Claire Forlani, Romola Garai, Heather Graham, Eva Green, Daryl Hannah, Salma Hayek, Angelina Jolie, Rose McGowan, Lupita Nyong’o, Mira Sorvino e Gwyneth Paltrow. Seus avanços normalmente seguiam uma tática de chamar a vítima até seu quarto de hotel, onde ele já a esperava trajado com roupão de banho, oferecia e pedia massagens e forçava beijos. Caso as vítimas se recusassem, ele as ameaçava dizendo que “acabaria com a carreira delas”. E elas sabiam que ele tinha poder para isso.

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O produtor Harvey Weinstein à esquerda com algumas de suas vítimas (montage by Archy World News)

Nessa confusão toda, sobrou até pra Meryl Streep, que foi acusada de saber dos abusos e não reportar, assim como Matt Damon, que teria ajudado a encobrir um dos escândalos a pedido de Weinstein em 2004. Primeiramente, muita calma nessa hora. Como jogaram merda no ventilador, é preciso apurar tudo antes de sair acusando todo mundo, pois carreiras e vidas estão em jogo.

Todas essas acusações mexeram demais com a indústria, tanto que a Academia decidiu expulsar o produtor Harvey Weinstein de sua associação. Ele foi indicado ao Oscar de Melhor Filme por Gangues de Nova York em 2003, e ganhou o Oscar em 1999 por Shakespeare Apaixonado. Inclusive acredito na teoria da conspiração que o Oscar de Melhor Atriz para Gwyneth Paltrow foi comprado com o intuito de fazê-la esquecer do “incidente” (talvez só assim pra explicar como ela bateu Cate Blanchett e Fernanda Montenegro naquele ano…). Pode ser que mais membros envolvidos na polêmica sejam futuramente expulsos também.

Depois de Weinstein, o caso mais em evidência foi do ator Kevin Spacey. Sua vida se tornou um inferno depois que o ator Anthony Rapp, da série Star Trek: Discovery, revelou que aos 14 anos, ele foi abusado por Spacey depois de uma festa. Em resposta pelo Twitter, Kevin Spacey pediu desculpas, mas sugeriu que seu comportamento inapropriado teria acontecido por ele ser gay. Obviamente, a declaração não caiu bem e deixou a comunidade gay em fúria. Em seguida, vieram outras acusações envolvendo jovens atores de seu grupo teatral britânico Old Vic. Vendo a bola de neve crescer rapidamente, a Netflix logo anunciou que cancelaria série House of Cards, protagonizada por Spacey, enquanto o diretor Ridley Scott decidiu apagar todas as cenas já filmadas com Spacey e substitui-lo por Christopher Plummer no filme All the Money in the World. Estava anunciado o fim da carreira de Kevin Spacey, que teria se internado numa espécie de clínica de reabilitação.

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Envolvido em escândalos, o ator Kevin Spacey foi retirado integralmente do filme de Ridley Scott, All the Money in the World (montage by Digital Spy)

Tendo o mesmo comportamento inapropriado, o diretor Bryan Singer foi recentemente demitido da produção de Bohemian Rhapsody, filme biográfico do vocalista do Queen, Freddie Mercury. Inicialmente, inventaram uma desculpa de que ele tinha problemas familiares, mas novas acusações surgiram contra ele e assim estava justificada sua demissão. Segundo relatos, Singer oferecia papéis a jovens atores (incluindo menores) em troca de sexo.

Ao longo dos últimos meses, várias acusações surgiram contra outros profissionais da área de cinema e de TV. Para citar os mais importantes: o diretor e produtor Brett Ratner, os atores e vencedores do Oscar Dustin HoffmanRichard Dreyfuss (que teriam provocado e oferecido propostas indecentes), e os atores de séries Jeffrey Tambor (de Transparent, que tem futuro incerto) e Louis C.K. (de Louie, que também não deve continuar e ainda cancelou futuros projetos). Todos se afastaram dos holofotes e devem esperar a poeira abaixar um pouco.

 

Alguns especialistas acreditam que o Oscar 2018 pode dar preferência às mulheres devido aos acontecimentos. Portanto, podem pintar candidatas e vencedoras mulheres em categorias normalmente dominadas por homens como Direção e Fotografia. Eu, particularmente, sou contra essa tendência de premiar de acordo com os tempos como aconteceu com Moonlight, que mais foi premiado como forma de protesto contra o governo de Trump do que pelos próprios méritos.

CRÍTICAS

Vamos às listas do ano, começando com os melhores vistos nos cinemas.

TOP 5 MELHORES DO ANO NO CINEMA

5. Bom Comportamento (Good Time/ 2017)
Dir: Benny Safdie, Josh Safdie

4. Custódia (Jusqu’à la garde/ 2017)
Dir: Xavier Legrand

3. Ao Cair da Noite (It Comes at Night/ 2017)
Dir: Trey Edward Shults

2. A Qualquer Custo (Hell or High Water/ 2016)
Dir: David Mackenzie

1. Corra! (Get Out/ 2017)
Dir: Jordan Peele

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Daniel Kaluuya e Allison Williams em cena de Corra!

TOP 5 MELHORES EM MÍDIA DIGITAL

5. Your Name (Kimi no na wa/ 2016)
Dir: Makoto Shinkai

4. Desamor (Loveless/ 2017)
Dir: Andrey Zvyagintsev

3. Pais e Filhos (Soshite chichi ni naru / 2013)
Dir: Hirokazu Kore-eda

2. El Topo (El Topo/ 1970)
Dir: Alejandro Jodorowsky

1. Era uma vez em Tóquio (Tôkyô monogatari/ 1953)
Dir: Yasujirô Ozu

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Era uma Vez em Tóquio, de Yasujirô Ozu. Pic by imdb.com

IN MEMORIAN

Comparado ao ano passado, é possível dizer que tivemos poucas perdas no mundo do cinema. Particularmente, pra mim foi muito difícil dizer adeus a um dos melhores diretores que Hollywood produziu: o americano Jonathan Demme. Como sou fã incondicional de O Silêncio dos Inocentes, e considero Filadélfia um marco contra o preconceito da Aids, tenho um carinho enorme pelos seus filmes.

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O diretor Jonathan Demme com a atriz Jodie Foster em set de O Silêncio dos Inocentes (pic by The New York Times)

Outra perda irreparável para os cinéfilos fãs de terror foi o mestre George Romero, conhecido como o pai dos zumbis que hoje estrelam vários filmes, séries e quadrinhos. Apesar de admirar seus trabalhos com os mortos-vivos, gostaria de ter visto mais filmes de outras temáticas como o ótimo Martin (1978), no qual um rapaz acredita que é um vampiro.

Perdemos os vencedores do Oscar: Martin Landau, vencedor do Oscar de Coadjuvante pela excepcional performance como Bela Lugosi em Ed Wood (1994); e o diretor John G. Avildsen, considerado o diretor dos filmes de esporte e montagem Rocky, um Lutador (1976) e Karatê Kid (1984).

Grandes atores indicados ao Oscar também partiram: John Hurt (por O Expresso da Meia-Noite e O Homem Elefante), Mary Tyler Moore (por Gente Como a Gente); Sam Shepard (por Os Eleitos). E nomes que serão lembrados por seu talento e carisma: Harry Dean StantonBill PaxtonJerry LewisAdam West (o eterno Batman da série de TV), Roger Moore (o ator que mais interpretou James Bond), e o músico Chris Cornell (criou a trilha e canção de 007 – Cassino Royale).

FELIZ ANO NOVO!

Embora nosso querido governo pise cada vez mais em nós, seja criando mais leis inúteis, seja criando mais impostos para cobrir seus próprios roubos, ou pior: soltando presos corruptos como faz um certo ministro do Supremo, precisamos tocar nossas vidas. 2018 é uma grande incógnita na política, e tenho muito receio de que o PT volte ao poder e de uma possível ascensão da extrema direita.

Que em 2018, sejam lançados mais filmes de qualidade, filmes alternativos e por que não filmes nacionais melhores? O cinema brasileiro parece ter perdido aquele gás dos anos 2000 e se rendido a comédias típicas de televisão. Bingo: O Rei das Manhãs foi uma boa surpresa de Daniel Rezende, mas precisamos de mais.

ACADEMIA BUSCA SE RECOMPOR APÓS GAFE HISTÓRICA DO OSCAR 2017

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O indivíduo vai distribuir apenas envelopes no Oscar e resolve tweetar… (pic by Andrew Walker/REX/ Shutterstock)

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… posta foto da Emma Stone pra ficar bem na fita com a galera… (pic by Brian Cullinan)

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… e depois vê a cagada que cometeu (pic by Chris Pizzello/Invision/AP)

ACADEMIA ANUNCIA ALGUMAS MEDIDAS POUCO EFICIENTES

Bom, nessa altura do campeonato, o mundo inteiro já sabe o que realmente aconteceu nos bastidores do Oscar e o anúncio de Melhor Filme: o responsável pela entrega dos envelopes, Brian Cullinan (nas fotos acima), estava tão distraído com o Twitter e tirando foto com Emma Stone, que acabou entregando o envelope errado. O tempo pode passar, mas a vergonha por esse erro crasso (não me venham com “Errar é humano”!) perdurará por toda a eternidade. Obviamente, a esperança da Academia é que esse acontecimento seja esquecido o mais breve possível, mas se depender das providências anunciadas…

Recentemente, os organizadores da Academia detalharam novos protocolos que evitariam uma nova catástrofe. Na teoria. Eles vão contratar um terceiro contador para checar os votos e entregar os envelopes. Esse novo contador saberá com antecedência os vencedores e poderá alertar o diretor da cerimônia em caso de falha. Além, claro, de dispensar Brian Cullinan e Martha Ruiz, os dois responsáveis do Oscar desse ano, e também vai proibir o uso de celulares nos bastidores.

Olha, são medidas válidas, mas não tem uma real efetividade para coibir erros. Pra mim, basicamente houve uma falha do funcionário que estava mais preocupado com sua popularidade no Twitter do que checar se o envelope estava correto. Não precisa ter mais uma pessoa pra checar envelopes. Isso até uma criança conseguiria fazer sozinha.

Contando com uma parceria que dura décadas, a empresa responsável pela contagem de votos e confecção dos envelopes, Pricewaterhouse Coopers, não foi punida pelo erro. Apenas seus dois funcionários foram demitidos. Com certeza, alguém tem costas quentes com a Academia.

Enfim, a maior gafe dos últimos anos foi concretizada, a Academia e a Pricewaterhouse pediram desculpas, mas uma das piores consequências foi sobre a relação entre Faye Dunaway e Warren Beatty, que apresentaram e anunciaram o Oscar de Melhor Filme para La La Land. Segundo relatos, já havia um certo tom de inimizade desde os tempos de Bonnie & Clyde – Uma Rajada de Balas (1967), que certamente se agravaram depois que Beatty inocentemente cedeu o envelope errado para Dunaway ler sem qualquer tipo de aviso. É triste que um acontecimento desse possa causar esse trauma a duas estrelas hollywoodianas que passaram dos 70 anos. Correm sério risco de morrerem brigados…

CATEGORIA DE ANIMAÇÃO PARA QUEM PAGAR MAIS

E agora a pior notícia até o momento: a Academia anunciou uma mudança que pode e deve distanciar produções menores da categoria de Longa de Animação. Abriu a votação de indicados para todos os membros da Academia, ao invés de ficar restrita ao comitê de Animação. Não querendo generalizar, mas convenhamos que a maioria dos membros da Academia não tem conhecimento mais profundo sobre animação, e deve ficar limitada a assistir apenas às grandes animações.

A razão dessa mudança certamente partiu de reclamações de grandes estúdios como Dreamworks, Disney e Pixar, que costumam gastar milhões, faturar alto nas bilheterias, mas que estão insatisfeitos e indignados que suas produções perdem vaga no Oscar para animações independentes pequenas até de outros países como A Tartaruga Vermelha, Minha Vida de Abobrinha e no ano passado, o brasileiro O Menino e o Mundo.

84th Academy Awards Nominations Announcement

Indicados ao Oscar de Longa de Animação do Oscar 2012. Competição sadia entre grandes e pequenos (pic by Just Jared)

Esse povo insatisfeito com a “injustiça” no Oscar, resolveu mexer os pauzinhos e a Academia está acatando. É realmente uma lástima essa alteração, pois de todas as categorias do Oscar, esta era a mais internacional (tirando, obviamente a de Melhor Filme Estrangeiro) e diversificada em termos de artistas, histórias e tamanho de produção. Se mais pessoas votarem, as chances dos menores ficarem de fora são maiores, pois quem não trabalha na área de animação, fica mais suscetível ao gosto popular e da publicidade dos grandes estúdios.

Particularmente, eu já estava indignado que a última animação estrangeira a vencer o Oscar foi A Viagem de Chihiro em 2002! Imagina agora com menos estrangeiros competindo? Enfim, é um passo dado para trás pela Academia, que se rende mais aos interesses econômicos do que artísticos.

Também vale ressaltar que a Academia passou a proibir que documentários extensos como o vencedor deste ano, O.J.: Made in America, sejam elegíveis nos próximos anos. Para quem não sabe, o documentário vencedor tinha mais de oito horas de duração, ou seja, tinha um formato original para televisão (em episódios).

CALENDÁRIO DO OSCAR ATÉ 2020

A Academia também anunciou o calendário de seus eventos para os próximos quatro anos.

OSCAR 2018: 04/03/18

OSCAR 2019: 24/02/19

OSCAR 2020: 23/02/20

OSCAR 2021: 28/02/21

A cerimônia de 2018 foi a única movida para o mês de março para que não coincida com os jogos olímpicos de inverno da Coréia do Sul, que encerram no dia 25 de fevereiro.

Apesar da gafe desse ano, os produtores do evento, Michael De Luca e Jennifer Todd, estão bem cotados para retornar em 2018, e com isso, existem grandes chances de Jimmy Kimmel voltar como host. Para a próxima edição, a Academia já divulgou as principais datas:

Os produtores do Oscar 2017: Jennifer Todd e Michael De Luca devem retornar em 2018. Pic by The New York Times

11/11/2017 (sábado)
Governors Awards

05/01/2018 (sexta)
Início da votação de indicados

12/01/2018 (sexta)
Término de votação de indicados

23/01/2018 (terça)
Anúncio dos Indicados ao Oscar

05/02/2018 (segunda)
Almoço dos Indicados ao Oscar (Oscar Luncheon)

10/02/2018 (sábado)
Scientific and Technical Awards

20/02/2018 (terça)
Início da votação final

27/02/2018 (terça)
Término da votação final

28/02/2018 (quarta)
The Oscar Concert

04/03/2018 (domingo)
90ª cerimônia do Oscar

‘Star Wars’ conquista o MTV Movie Awards 2016 e uma nova geração de fãs

BURBANK, CALIFORNIA - APRIL 09: Writer/director J.J. Abrams and actress Daisy Ridley (both C) accept the Movie of the Year award for 'Star Wars: The Force Awakens' with co-hosts Kevin Hart (L) and Dwayne Johnson (R) onstage during the 2016 MTV Movie Awards at Warner Bros. Studios on April 9, 2016 in Burbank, California. MTV Movie Awards airs April 10, 2016 at 8pm ET/PT. (Photo by Kevork Djansezian/Getty Images)

No centro, o diretor J.J. Abrams e a atriz Daisy Ridley recebem o prêmio de Melhor Filme do Ano por Star Wars: O Despertar da Força ao lado dos hosts da premiação Kevin Hart e Dwayne Johnson no MTV Movie Awards 2016 (Photo by Kevork Djansezian/Getty Images)

PRIMEIRO FILME DA NOVA TRILOGIA STAR WARS DOMINA PREMIAÇÃO DE VOTO PÚBLICO

Vocês se lembram daquela atração da Rede Globo chamada Intercine? Eles davam duas opções de filmes para passar na noite seguinte, aí o público ligava e eles anunciavam o vencedor com maior número de votos. Não sei se é porque sempre sou desconfiado, mas sempre achei uma farsa! Pra mim, as ligações eram pra medir a audiência e, no fim, eles passavam o filme que eles bem queriam!

Quando eu falo sobre MTV Movie Awards, imagino algo do tipo ou senão uma cena bizarra: Um monte daqueles nerds gordinhos sentados à frente do computador, votando incessantemente para seus filmes favoritos: O Senhor dos Anéis, Batman e Star Wars. Só deram um break naqueles anos em que a Saga Crepúsculo ganhou…

Nesta edição, Star Wars: O Despertar da Força levou 3 baldinhos de pipoca dourada, incluindo Melhor Filme do Ano. Em seguida, Deadpool e A Escolha Perfeita 2 levaram dois prêmios cada. No geral, os prêmios foram bem distribuídos, como se não quisessem desagradar nenhum concorrente. E falando em desagradar, ficaram com tanto receio de que Will Smith boicotasse o MTV Movie Awards que resolveram lhe dar o Generation Award, uma espécie de prêmio pelo conjunto da obra. A que ponto chegamos com essa coisa do #OscarSoWhite… lamentável.

Will Smith e seu consolo pelo Oscar racista... (photo by youtube.com)

Will Smith e seu consolo pelo Oscar racista… (photo by youtube.com)

No post anterior, eu havia colocado minhas preferências na cor laranja. A maioria dos meus votos foram para Deadpool. Não que o filme tenha sido brilhante, mas de todas as adaptações de quadrinhos, esta é a única que tira sarro de si mesma, explorando suas próprias deficiências como o baixo orçamento que teria impedido a participação de mais personagens dos X-Men. E é um filme Rated R, ou seja, tem sangue (quando foi a última vez que você viu sangue nessas adaptações?), tem violência gratuita, tem muitos palavrões e tem sexo. E com Morena Baccarin fica ainda melhor!

Ryan Reynolds vence como Comedic Performance por Deadpool (photo by estrelando.com.br)

Ryan Reynolds vence como Comedic Performance por Deadpool (photo by estrelando.com.br)

A vitória de Star Wars: O Despertar da Força indica que a saga estelar criada por George Lucas continua firme e forte em seu reinado no universo geek, mesmo após quase 40 anos do primeiro filme de 1977. Mesmo tendo um potencial avassalador, vale lembrar que este filme só saiu depois que a Disney comprou os direitos da Lucasfilm. Para os fãs mais xiitas, podem reclamar e espernear contra essa pasteurização da Disney, mas temos que dar o braço a torcer. Eles conseguiram uma das maiores bilheterias de todos os tempos, conquistaram uma nova horda de fãs dessas gerações atuais e ainda vão lucrar muito com novos filmes, produtos e atrações temáticas nos inúmeros parques de diversão.

Achei muita sacanagem o Mad Max: Estrada da Fúria ficar de fora da competição de Melhor Filme do Ano. Tenho certeza de que se tivesse colocado o filme de George Miller na votação, ele teria grandes chances de vitória. Mas enfim, o longa levou um merecidíssimo prêmio de Female Performance para Charlize Theron e sua Furiosa.

Charlize Theron aceita seu baldinho de pipoca por Mad Max: Estrada da Fúria (photo by Getty Images)

Charlize Theron aceita seu baldinho de pipoca por Mad Max: Estrada da Fúria (photo by Getty Images)

Apesar do tom bem mais light do MTV Movie Awards e até de sua decadência nas últimas duas décadas, dá pra notar que ainda é um reconhecimento importante do público, que lota as salas de cinema, por isso acho bacana a presença dos artistas indicados. Os fãs querem ver seus ídolos no tapete vermelho ou pela televisão, então para quem não compareceu, acho um pouco falta de consideração. Se fosse um Oscar, aí teria tempo na agenda…

Seguem todos os vencedores do MTV Movie Awards 2016:

MOVIE OF THE YEAR (Filme do Ano)
· Vingadores: Era de Ultron (Avengers: Age of Ultron)
· Creed: Nascido Para Lutar (Creed)
· Deadpool (Deadpool)
· Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros (Jurassic World)
· Star Wars: O Despertar da Força (Star Wars: The Force Awakens)
· Straight Outta Compton: A História do N.W.A. (Straight Outta Compton)

TRUE STORY (História Verídica)
· Um Homem Entre Gigantes (Concussion)
· Joy: O Nome do Sucesso (Joy)
· Steve Jobs (Steve Jobs)
· Straight Outta Compton: A História do N.W.A. (Straight Outta Compton)
· A Grande Aposta (The Big Short)
· O Regresso (The Revenant)

DOCUMENTÁRIO
·
Amy
· Cartel Land
· He Named Me Malala
· The Hunting Ground
· The Wolfpack
· What Happened, Miss Simone?

BEST FEMALE PERFORMANCE (Performance Feminina)
· Alicia Vikander (Ex-Machina: Instinto Artificial)
· Anna Kendrick (A Escolha Perfeita 2)
· Charlize Theron (Mad Max: Estrada da Fúria)
· Daisy Ridley (Star Wars: O Despertar da Força)
· Jennifer Lawrence (Joy: O Nome do Sucesso)
· Morena Baccarin (Deadpool)

BEST MALE PERFORMANCE (Performance Masculina)
· Chris Pratt (Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros)
· Leonardo DiCaprio (O Regresso)
· Matt Damon (Perdido em Marte)
· Michael B. Jordan (Creed: Nascido Pra Lutar)
· Ryan Reynolds (Deadpool)
· Will Smith (Um Homem Entre Gigantes)

BREAKTHROUGH PERFORMANCE (Revelação)
· Amy Schumer (Descompensada)
· Brie Larson (O Quarto de Jack)
· Daisy Ridley (Star Wars: O Despertar da Força)
· Dakota Johnson (Cinquenta Tons de Cinza)
· John Boyega (Star Wars: O Despertar da Força)
· O’Shea Jackson Jr. (Straight Outta Compton: A História do N.W.A.)

Daisy Ridley aceita o prêmio de Melhor Revelação pelo papel de Rey em Star Wars (photo by Getty Images)

Daisy Ridley aceita o prêmio de Melhor Revelação pelo papel de Rey em Star Wars (photo by Getty Images)

BEST COMEDIC PERFORMANCE (Performance cômica)
· Amy Schumer (Descompensada)
· Kevin Hart (Policial em Apuros 2)
· Melissa McCarthy (A Espiã que Sabia de Menos)
· Rebel Wilson (A Escolha Perfeita 2)
· Ryan Reynolds (Deadpool)
· Will Ferrell (O Durão)

BEST ACTION PERFORMANCE (Performance de Ação)
· Chris Pratt (Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros)

· Dwayne Johnson (Terremoto: A Falha de San Andreas)
· Jennifer Lawrence (Jogos Vorazes: A Esperança – O Final)
· John Boyega (Star Wars: O Despertar da Força)
· Ryan Reynolds (Deadpool)
· Vin Diesel (Velozes & Furiosos 7)

BEST HERO (Herói)
· Charlize Theron (Mad Max: Estrada da Fúria)
· Chris Evans (Vingadores: Era de Ultron)
· Daisy Ridley (Star Wars: O Despertar da Força)
· Dwayne Johnson (Terremoto: A Falha de San Andreas)
· Jennifer Lawrence (Jogos Vorazes: A Esperança – O Final)
· Paul Rudd (Homem-Formiga)

BEST VILLAIN (Vilão)
· Adam Driver (Star Wars: O Despertar da Força)

· Ed Skrein (Deadpool)
· Hugh Keays-Byrne (Mad Max: Estrada da Fúria)
· James Spader (Vingadores: Era de Ultron)
· Samuel L. Jackson (Kingsman: Serviço Secreto)
· Tom Hardy (O Regresso)

BEST VIRTUAL PERFORMANCE (Performance Virtual)
· Amy Poehler (Divertida Mente)

· Andy Serkis (Star Wars: O Despertar da Força)
· Jack Black (Kung Fu Panda 3)
· James Spader (Vingadores: Era de Ultron)
· Lupita Nyong’o (Star Wars: O Despertar da Força)
· Seth MacFarlane (Ted 2)

ENSEMBLE CAST (Elenco)
· Vingadores: Era de Ultron
· Velozes & Furiosos 7
· A Escolha Perfeita 2
· Star Wars: O Despertar da Força
· Jogos Vorazes: A Esperança – O Final
· Descompensada

BEST KISS (Beijo)
· Amy Schumer & Bill Hader (Descompensada)
· Dakota Johnson & Jamie Dornan (Cinquenta Tons de Cinza)
· Leslie Mann & Chris Hemsworth (Férias Frustradas)
· Margot Robbie & Will Smith (Golpe Duplo)
· Morena Baccarin & Ryan Reynolds (Deadpool)
· Rebel Wilson & Adam DeVine (A Escolha Perfeita 2)

BEST FIGHT (Luta)
· Deadpool (Ryan Reynolds) vs. Ajax (Ed Skrein) – Deadpool

· Hugh Glass (Leonardo DiCaprio) vs. A Ursa – O Regresso
· Imperator Furiosa (Charlize Theron) vs. Max Rockatansky (Tom Hardy) – Mad Max: Estrada da Fúria
· Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) vs. Hulk (Mark Ruffalo) – Vingadores: Era de Ultron
· Rey (Daisy Ridley) vs. Kylo Ren (Adam Driver) – Star Wars: O Despertar da Força
· Susan Cooper (Melissa McCarthy) vs. Lia (Nargis Fakhri) – A Espiã que Sabia de Menos)

Retrospectiva 2015: Um breve relato

O crescimento do Netflix e de outras plataformas de streaming foi enorme em 2015 (photo by canatech.com.br)

O crescimento do Netflix e de outras plataformas de streaming foi enorme em 2015 (photo by canatech.com.br)

Chegaram aqueles últimos dias do ano, e como fiz em 2014, gostaria de fazer um mega resumo do meu ano em relação aos filmes. Eu ia escrever rios de textos, mas acabou me faltando tempo na reta final! Enfim… mas antes, gostaria de agradecer a todos os leitores deste blog, desde aqueles que acompanham fielmente e comentam até inúmeros outros que deram apenas aquela “passadinha”! A visita de todos vocês significa muito para mim e por isso, obrigado pelo apoio e confiança!

Bom, 2015 foi um ano que procurei assistir ao máximo de filmes possível, então do dia 1º de janeiro até hoje, dia 29 de dezembro, foram 136 filmes. Pode soar meio ranzinza da minha parte, mas a cada ano que passa, a qualidade dos filmes novos parece decair, e ao mesmo tempo, aumenta minha valorização e respeito por títulos mais antigos e clássicos. Será que mais alguém aqui compartilha dessa mesma opinião apocalíptica?

Adoraria poder incluir os filmes badalados do próximo Oscar como Carol, Spotlight – Segredos ReveladosA Garota Dinamarquesa, Steve Jobs, Trumbo etc, mas as distribuidoras brasileiras não colaboram com este blogueiro adiantando seus lançamentos! Aqui virou uma tradição lançarem os “oscarizáveis” após o anúncio dos indicados (que acontece no dia 14 de janeiro) para aproveitarem a publicidade gratuita do prêmio. Algumas produções é possível dar aquele “jeitinho”, mas outros temos que esperar…

OSCAR 2015: ERROS E ACERTOS

Não querendo desmerecer as qualidades de Birdman, acho que Boyhood: Da Infância à Juventude foi um filme injustiçado. Como postei na época do Oscar, cheguei a visualizar o clipe dos Melhores Filmes com o trecho do filme de Richard Linklater, mas a maioria dos membros da Academia, formada por atores, naturalmente resolveu coroar um filme sobre atores e seu ofício. Em relação à categoria de Roteiro Original, acho o trabalho de Wes Anderson e Hugo Guinness em O Grande Hotel Budapeste mais consistente e criativo do que Birdman também.

Quanto ao Oscar de Ator, Eddie Redmayne (A Teoria de Tudo) levou o prêmio pela perfeição na recriação da figura de Stephen Hawking, o que não é tarefa nada fácil, claro, mas em termos de interpretação, acredito que Benedict Cumberbatch (O Jogo da Imitação) ou Michael Keaton (Birdman) mereciam mais o reconhecimento. Obviamente, a recriação da figura do físico impressiona pelo comprometimento de Redmayne, mas ele pouco cria enquanto personagem.

Benedict Cumbebatch como Alan Turing em cena de O Jogo da Imitação (photo by cinemagia.ro)

Benedict Cumberbatch como Alan Turing em cena de O Jogo da Imitação (photo by cinemagia.ro)

Sabe aquele misto de felicidade e desapontamento? Foi assim que me senti com a premiação de Julianne Moore como Melhor Atriz por Para Sempre Alice. Feliz por finalmente ter conquistado o reconhecimento da Academia, mas desapontado por ter sido por uma performance mais light. Muitos defendem que a atriz é tão talentosa que sequer precisa se esforçar direito para tirar esse papel de letra. Concordo! Mas em minha opinião, ela merecia muito mais por Longe do Paraíso, Fim de Caso ou Boogie Nights: Prazer Sem Limites.

 

SOB AS RÉDEAS DA DISNEY

Tem uma coisa que me preocupa muito. Voltando no tempo: Em 2006, a Disney compra a Pixar, sua maior concorrente na área de animações de cinema. Em 2009, a Disney compra a Marvel Comics e Studios. Em 2012, a mesma Disney compra a Lucas Film. A saber, esses negócios custaram 7, 4 e 4 bilhões de dólares cada, totalizando mais de 15 bilhões em aquisições. E depois? Vai comprar a Apple, Microsoft, Facebook? Pode soar paranóia minha, mas estou com receio de uma grande lavagem cerebral!

Claro que os antigos donos dessas empresas defendem a transação porque vai “fortalecer a marca através da formidável infra-estrutura que a Disney possui pelo mundo”, o que não deixa de ser verdade, mas essa devoração capitalista sem limites pode ter consequências catastróficas para o cinema como Arte. Se um pequeno grupo de empresários da Disney tomar todas as decisões baseadas em lucratividade, os filmes comerciais americanos podem perder muito de sua criatividade artística sob o comando de uma ditadura à la Sarney.

Daqui de fora não temos muito como averiguar o que de fato foi mando do estúdio do Mickey, mas por exemplo, este ano os filmes da Marvel não apresentaram a mesma qualidade de antes. No caso de Vingadores: Era de Ultron, claro que houve a dificuldade de superar ou mesmo igualar o alto nível do primeiro filme, mas deixou muito a desejar. Parece até que não houve diretor ou mesmo roteirista por trás das câmeras tamanha a quantidade exorbitante de cenas de ação! Por isso que a única cena interessante no filme todo é dos heróis tentando levantar o martelo do Thor na festa. Joss Whedon só assinou o contrato, recebeu os milhões, mas parece que mandou o diretor de segunda unidade dirigir o filme! Resultado: mais de 450 milhões de dólares de bilheteria só nos EUA.

Rodada de heróis em volta do martelo em Vingadores: Era de Ultron (photo bu cinemagia.ro)

Rodada de heróis em volta do martelo em Vingadores: Era de Ultron (photo bu cinemagia.ro)

Já a aguardada adaptação de Homem-Formiga acabou se tornando uma decepção pelas altas expectativas que o conceito e o projeto de Edgar Wright geraram. Particularmente, fiquei esperando um dos filmes mais anárquicos e inventivos de herói de quadrinhos dos últimos tempos por se tratar de um personagem secundário da editora Marvel e, claro, pela filmografia cômica de Wright. Mas ele foi demitido pela Disney poucos dias antes do início das filmagens e substituído pelo fraco diretor Peyton Reed, que acabou se beneficiando do material pronto. Contudo, por se tratar de apenas um “funcionário padrão” que obedece às regras da Disney, não queria correr riscos com grandes inovações e seguiu o script. Resultado: mais de 177 milhões de dólares de bilheteria nos EUA.

E o que dizer de Star Wars? Tenho o chamado “mixed feelings” a respeito. Por um lado, se dependesse apenas de seu criador George Lucas, novos filmes poderiam ficar engavetados por décadas e os personagens que todos amam poderiam poderiam nunca mais ver a luz do dia. Do outro, temos uma espécie de reboot politicamente correto, que tem como objetivos: conquistar novos adeptos, resgatar os fãs antigos e estender a longevidade da franquia: não apenas restrita aos filmes, mas séries e spin-offs que devem se multiplicar como Gremlins. À princípio, parece uma situação bastante óbvia em que todos saem ganhando: o estúdio, a equipe e o público, porém, sem querer soar aqueles hipócritas que protestam contra os EUA deixando de comer McDonald’s, acredito que a venda tornou a saga de George Lucas num produto. Por mais que J.J. Abrams tenha se esforçado para dar vida à sua obra, fica a sensação que estamos diante de uma fonte de produtos comerciais e que a história fica em segundo plano. Tanto que a trama obedece a uma fórmula de sucesso que não deixa espaços para qualquer inventividade, o que fez com que muitos fãs afirmassem que este novo filme não passa de uma refilmagem do primeiro Star Wars de 1977. O tom politicamente correto a que me referi está na protagonista feminina, no personagem central negro. Pessoalmente, acho ótima idéia, mas como estou com o pé atrás com a Disney, sei que isso foi meticulosamente arquitetado para atrair uma gama maior de público. Quero dizer, é tudo pensado como produto, mas disfarçado de filme politicamente correto.

Rey, Finn e BB-8 em cena de Star Wars: Episódio VII - O Despertar da Força (photo by cinemagia.ro)

Rey, Finn e BB-8 em cena de Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força (photo by cinemagia.ro)

Vale ressaltar aqui que a Pixar, que primava por sua criatividade massiva, agora está repleta de continuações de filmes de sucesso como Procurando Dory, Os Incríveis 2, Toy Story 4 e Carros 3. Claro que todos vão se dar muito bem nas bilheterias e um ou outro deve receber boas críticas, mas onde fica a marca da Pixar? Admito que queimei a minha língua com Toy Story 3, mas o que esse planejamento de sequências representa para o futuro da animação?

ESPIÕES ULTRAPASSADOS

Como fã da franquia de 007 no cinema, confesso que fiquei frustrado com o novo 007 Contra Spectre. Parece que Sam Mendes perdeu a mão na direção. Só para citar um exemplo: o que foi aquela sequência de perseguição entre Bond e Mr. Hinx em Roma? Estava mais pra um passeio no campo! O agente fala no celular, o vilão faz apenas cara de mal no volante e os carros sequer se tocam nas ruas! Tecnicamente, os filmes continuam muito bons, apesar de Roger Deakins ter um apuro visual infinitamente melhor do que o diretor de fotografia Hoyte Van Hoytema, mas a trama obriga o espectador a engolir fatos dos filmes anteriores como se arquitetados pela organização criminosa Spectre. E a química entre Daniel Craig e a francesa Léa Seydoux definitivamente não funciona na tela. Seria melhor se a italiana Monica Bellucci fizesse par romântico com Craig pelo muito que mostrou em duas cenas.

É bom os produtores Barbara Broccoli e Michael G. Wilson se atualizarem. A cada ano que passa, temos mais filmes sobre espiões e agentes secretos apresentando novas perspectivas e tramas mais mirabolantes. Este ano, Kingsman: Serviço Secreto e Missão: Impossível – Nação Secreta deram um banho em 007 Contra Spectre. Até o drama de Steven Spielberg, Ponte dos Espiões oferece uma nova vertente do tema!

Colin Firth em cena de Kingsman: Agente Secreto (photo by cinemagia.ro)

Colin Firth em cena de Kingsman: Serviço Secreto (photo by cinemagia.ro)

MAD MAX: DIRETOR DE PAIXÃO

Em quase todas as listas de melhores de 2015, encontramos Mad Max: Estrada da Fúria. E com louvor! Na minha interpretação e na da maioria dos críticos, o consenso geral é que o novo filme de George Miller é mais do que um filme. Ele representa uma experiência fílmica, daquelas que precisam ser vistas numa tela e som de IMAX! E mais do que isso: trata-se de um filme comercial com conceitos artísticos que não foram barrados por produtores conservadores da atualidade.

Só acho que se o roteiro fosse melhor elaborado com viradas de trama, diálogos mais consistentes e fosse mais “redondo”, o filme facilmente seria considerado o franco-favorito da temporada do Oscar 2016. Como cinéfilo, prefiro Mad Max 2: A Caçada Continua (1981), por ter personagens mais consistentes e ser mais conciso na trajetória do herói, mas admiro muito o retorno de um grande diretor como Miller, que estava fadado a dirigir animações de pinguins.

Tom Hardy em cena de Mad Max: Estrada da Fúria (photo by cinemagia.ro)

Tom Hardy em cena de Mad Max: Estrada da Fúria (photo by cinemagia.ro)

CRÍTICAS

Este ano vou modificar um pouco e listar os melhores filmes que vi com listas. Quem não gosta delas?

TOP 5 MELHORES DO ANO NO CINEMA

5. Ponte dos Espiões (Bridge of Spies/ 2015)
Dir: Steven Spielberg

4. Corrente do Mal (It Follows/ 2014)
Dir: David Robert Mitchell

3. O Clube (El Club/ 2015)
Dir: Pablo Larraín

2. O Conto da Princesa Kaguya (Kaguyahime no Monogatari/ 2013)
Dir: Isao Takahata

1. Whiplash: Em Busca da Perfeição
Dir: Damien Chazelle

J.K. Simmons em momento relax de Whiplash: Em Busca da Perfeição (photo by cine.gr)

J.K. Simmons em momento relax de Whiplash: Em Busca da Perfeição (photo by cine.gr)

TOP 5 MELHORES EM MÍDIA DIGITAL

5. Harakiri (Seppuku/ 1962)
Dir: Masaki Kobayashi

4. Desencanto (Brief Encounter/ 1945)
Dir: David Lean

3. Uma Viagem Pessoal Pelo Cinema Americano (A Personal Journey with Martin Scorsese Through American Movies/ 1995)
Dir: Martin Scorsese e Michael Henry Wilson

2. Tudo o que o Céu Permite (All That Heaven Allows/ 1955)
Dir: Douglas Sirk

1. Pacto de Sangue (Double Indemnity/ 1944)
Dir: Billy Wilder

Barbra Stanwyck e Fred McMurray em cena de Pacto de Sangue, de Billy Wilder (photo by cinemas-online.co.uk)

Barbara Stanwyck e Fred MacMurray em cena de Pacto de Sangue, de Billy Wilder (photo by cinemas-online.co.uk)

IN MEMORIAN

Perdemos grandes artistas e profissionais que passamos a respeitar depois de conferir seus trabalhos. Por exemplo, quem não se emocionou ao ouvir as belas trilhas de James Horner em produções como Coração Valente, Titanic e Uma Mente Brilhante? Adoro a gaita de fole nas duas primeiras trilhas.


Aqui uma bela homenagem ao compositor em Viena, quando ele levou o prêmio Max Steiner em 2013

Entre os diretores, o Cinema se despediu da grande documentarista belga Chantal Akerman, o centenário mestre português Manoel de Oliveira e, particularmente, senti muito a morte do mestre do terror Wes Craven. São artistas como ele que fazem o Cinema a Arte que ainda é hoje, ao buscar alguma inovação que instigue o espectador, mesmo que o faça perder o sono com um tal de Freddy Krugger.

Ghostface e Freddy Kruger em homenagem de Cody Schibi (photo by codyschibi.com)

Ghostface e Freddy Kruger em homenagem a Wes Craven por Cody Schibi (photo by codyschibi.com)

Atores experientes também deixam saudades como o eterno Drácula: Christopher Lee, a musa de John Ford: Maureen O’Hara, a musa de Fellini: Anita Ekberg, o Spock de toda uma geração: Leonard Nimoy, e os indicados ao Oscar: Omar Sharif, Ron Moody e Robert Loggia. E o Brasil fica órfão de um dos maiores nomes do teatro: Marília Pêra. Eles se foram, mas seu talento permanece imortal conosco.

FELIZ ANO NOVO!

Apesar do que os economistas prevêem, desejo a todos um excelente 2016! Que as tragédias como a de Paris e de Mariana fiquem no passado. O mundo precisa de mais paz, amor e harmonia… e de melhores filmes! Próspero Ano Novo!

Com 13 indicações, ‘Mad Max: Estrada da Fúria’ lidera o Critics’ Choice Awards 2016

Mad Max: Estrada da Fúria conquista 13 indicações, inclusive duas para Charlize Theron (photo by cine.gr)

Mad Max: Estrada da Fúria conquista 13 indicações, inclusive duas para Charlize Theron (photo by cine.gr)

‘CAROL’ E ‘SPOTLIGHT’ VÊM EM SEGUIDA COM 9 E 8 INDICAÇÕES, RESPECTIVAMENTE

Estatisticamente falando, o Critics’ Choice Awards continua sendo uma das melhores prévias do Oscar. Embora tenha divergido da Academia nesse ano com a aposta em Boyhood: Da Infância à Juventude, seus números (11 acertos de Melhor Filme nos últimos 15 anos) continuam impressionantes. Por isso, mesmo se tratando de um prêmio novo (está em sua 21ª edição), vem conquistando maior prestígio na indústria e com seus profissionais do que o Globo de Ouro.

Talvez para fortalecer ainda mais a reputação do Critics’ Choice, este ano, a Broadcast Film Critics Association decidiu reunir as premiações de filmes com a de televisão, que acontecia no mês de julho desde 2010. A meu ver, o Critics’ Choice Awards é uma espécie de prêmio híbrido que busca as qualidades de outros para si; então tem as categorias de comédia (Globo de Ouro), a categoria de Elenco (SAG Awards), prêmios técnicos (sindicatos e Oscar), categorias de Terror e Ficção Científica (Saturn Awards) e prêmios para jovens atores (Young Artist Awards). Daqui a pouco eles vão criar a categoria de Dublagem pra desbancar o Annie Awards! Parece A Bolha Assassina, que vai absorvendo tudo o que vê pela frente! E como se não bastasse, ainda tem 6 vagas para os indicados, para não deixar aquele injustiçado de fora.

Esse excesso de categorias pode parecer um paraíso para as produções do ano que buscam destaque, mas por exemplo, para o próprio Mad Max: Estrada da Fúria, que aqui acumulou 13 indicações, teria esse número reduzido para 9 no Oscar, já que as categorias Melhor Filme de Ação, Filme de Terror ou Ficção Científica, Ator em Ação e Atriz em Ação não existem no prêmio da Academia. No final, creio que a produção vai conquistar 10 indicações, já que o Critics’ Choice não tem categorias de Som e Efeitos Sonoros (ainda!).

Ainda sobre os números desta edição, Carol, Perdido em Marte e O Regresso coletaram 9 indicações cada. Spotlight – Segredos Revelados vem em seguida com 8, A Grande Aposta com 7, Os 8 Odiados com 6, e com 5 temos Ponte dos Espiões, Brooklyn, A Garota Dinamarquesa, Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros e Sicario: Terra de Ninguém. O drama O Quarto de Jack ficou com 4 indicações no total.

SURPRESAS E AUSÊNCIAS

Talvez a maior surpresa aqui tenha sido a inclusão de Charlize Theron na categoria de Melhor Atriz. Não que sua performance em Mad Max: Estrada da Fúria não seja merecedora de reconhecimento, mas por se tratar de um ano extremamente disputado entre as atrizes, foi uma surpresa ver uma atuação de ficção científica entre as indicadas. Ok, sem querer prever o previsível, eis o que vai acontecer: Theron deve perder como Atriz, mas ganhar como Atriz em Filme de Ação – o que não deixa de ser uma bom prêmio de consolação. No Oscar, que eu me lembre, a última performance de atriz em ficção científica indicada foi de Sigourney Weaver em Aliens, o Resgate em 1987.

Charlize Theron como Furiosa em Mad Max: Estrada da Fúria (photo by outnow.ch)

Charlize Theron como Furiosa em Mad Max: Estrada da Fúria (photo by outnow.ch)

Ainda sobre Mad Max: Estrada da Fúria, o protagonista Tom Hardy foi reconhecido em duas categorias: Melhor Ator em Filme de Ação por Max e Ator Coadjuvante por O Regresso. Até o momento, ele não havia sido reconhecido pelo filme de Alejandro González Iñárritu, a não ser por uma única indicação dos críticos de Washington. Já Paul Dano, que conseguiu vaga como Coadjuvante por Love & Mercy, vem crescendo na temporada: foi indicado para o Independent Spirit Awards e o Globo de Ouro. Ficou de fora do SAG, mas ainda tem boas chances de chegar à sua primeira indicação ao Oscar.

Paul Dano como Brian Wilson dos Beach Boys em cena de Love & Mercy (photo by outnow.ch)

Paul Dano como Brian Wilson dos Beach Boys em cena de Love & Mercy (photo by outnow.ch)

Na categoria de Atriz em Comédia, a novidade ficou por conta de Tina Fey, que, digamos, “substituiu” Maggie Smith (A Senhora da Van). Irmãs, o filme co-estrelado por sua colega de palco do Globo de Ouro, Amy Poehler, concorre também como Melhor Filme de Comédia.

Contudo, a surpresa mais agradável foi a inclusão do filme brasileiro Que Horas Ela Volta?, ou como eles chamam, The Second Mother. Embora tenha ficado de fora do Globo de Ouro, o filme de Anna Muylaert ainda está no páreo e tem grandes chances de figurar entre os finalistas da Academia. O filme húngaro O Filho de Saul tem 90% de chances de ganhar mais esse prêmio, porém Que Horas Ela Volta? tem seus méritos de crítica social aliado ao bom humor de Regina Casé que pode render muitos votos.

Regina Casé e Karine Teles em cena de Que Horas Ela Volta?. Chance do Brasil no Critics' Choice Awards (photo by Aline Arruda - filmeb.com.br

Regina Casé e Karine Teles em cena de Que Horas Ela Volta?. Chance do Brasil no Critics’ Choice Awards (photo by Aline Arruda – filmeb.com.br

Apesar de contar com seis indicados nas categorias de atuação, alguns nomes inevitavelmente ficam na chuva. Algumas ausências como Will Smith (Um Homem Entre Gigantes), Idris Elba (Beasts of No Nation) e Benicio Del Toro (Sicario) surpreenderam em nível baixo por terem sido citado em prêmios anteriores. Mas, não sei se é meu voto pessoal apenas, mas acreditava que Ian McKellen (Sr. Holmes) e Marion Cotillard (Macbeth) estariam nessa lista. Ainda acredito que eles vão ser as cartas na manga da Academia na hora do anúncio dos indicados no dia 14 de janeiro.

Marion Cotillard com Michael Fassbender em cena de Macbeth (photo by outnow.ch)

Marion Cotillard com Michael Fassbender em cena de Macbeth (photo by outnow.ch)

Quanto a Jane Fonda (Youth), com o deslocamento de Rooney Mara (Carol) e Alicia Vikander (A Garota Dinamarquesa) das categorias de Atriz para Atriz Coadjuvante, acabou faltando espaço para a veterana. Contudo, confesso que achava que Rachel McAdams que iria dançar… Pelo visto, sua interpretação em Spotlight – Segredos Revelados não é mera consolação pelo elenco.

Nas demais categorias, fiquei surpreso com as ausências de Phyllis Nagy pelo roteiro de Carol, Janusz Kaminski pela bela fotografia de Ponte dos Espiões e dos efeitos visuais do novo Star Wars. A Broadcast Film Critics Association pode simplesmente não ter gostado dos efeitos digitais, mas também existe a possibilidade de estar relacionado com o cancelamento da sessão para a imprensa por parte da Disney, fato que chocou o diretor J.J. Abrams. Detentora dos direitos do filme, a Disney ficou mais preocupada em não vazar o filme que não liberou sessões prévias para imprensa, o que pode prejudicar bastante a campanha do filme em premiações. Não que a Disney esteja ligando para prêmios com tantos bilhões em jogo, mas…

Chris Pratt e Bryce Dallas Howard em cena de Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros (photo by outnow,ch)

Chris Pratt e Bryce Dallas Howard em cena de Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros (photo by outnow,ch)

Seguem todos os indicados do 21º Critics’ Choice Awards:

CINEMA

MELHOR FILME
A Grande Aposta (The Big Short)
Brooklyn
Carol (Carol)
Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road)
Perdido em Marte (The Martian)
Ponte dos Espiões (Bridge of Spies)
O Quarto de Jack (Room)
O Regresso (The Revenant)
Sicario: Terra de Ninguém (Sicario)
Spotlight – Segredos Revelados (Spotlight)

DIRETOR
Todd Haynes (Carol)
Alejandro González Iñárritu (O Regresso)
Tom McCarthy (Spotlight – Segredos Revelados)
George Miller (Mad Max: Estrada da Fúria)
Ridley Scott (Perdido em Marte)
Steven Spielberg (Ponte dos Espiões)

ATOR
Bryan Cranston (Trumbo)
Matt Damon (Perdido em Marte)
Johnny Depp (Aliança do Crime)
Leonardo DiCaprio (O Regresso)
Michael Fassbender (Steve Jobs)
Eddie Redmayne (A Garota Dinamarquesa)

ATRIZ
Cate Blanchett (Carol)
Brie Larson (O Quarto de Jack)
Jennifer Lawrence (Joy: O Nome do Sucesso)
Charlotte Rampling (45 Anos)
Saoirse Ronan (Brooklyn)
Charlize Theron (Mad Max: Estrada da Fúria)

ATOR COADJUVANTE
Paul Dano (Love & Mercy)
Tom Hardy (O Regresso)
Mark Ruffalo (Spotlight – Segredos Revelados)
Mark Rylance (Ponte dos Espiões)
Michael Shannon (99 Homes)
Sylvester Stallone (Creed: Nascido Para Lutar)

ATRIZ COADJUVANTE
Jennifer Jason Leigh (Os 8 Odiados)
Rooney Mara (Carol)
Rachel McAdams (Spotlight – Segredos Revelados)
Helen Mirren (Trumbo)
Alicia Vikander (A Garota Dinamarquesa)
Kate Winslet (Steve Jobs)

ELENCO
A Grande Aposta (The Big Short)
Os 8 Odiados (The Hateful Eight)
Spotlight  – Segredos Revelados (Spotlight)
Sraight Outta Compton: A História do N.W.A. (Straight Outta Compton)
Trumbo

ROTEIRO ORIGINAL
Matt Charman, Ethan Coen e Joel Coen (Ponte dos Espiões)
Alex Garland (Ex-Machina: Instinto Artificial)
Quentin Tarantino (Os 8 Odiados)
Pete Docter, Meg LeFauve e Josh Cooley (Divertida Mente)
Josh Singer, Tom McCarthy (Spotlight – Segredos Revelados)

ROTEIRO ADAPTADO
Charles Randolph e Adam McKay (A Grande Aposta)
Nick Hornby (Brooklyn)
Drew Goddard (Perdido em Marte)
Emma Donoghue (O Quarto de Jack)
Aaron Sorkin (Steve Jobs)

FOTOGRAFIA
Edward Lachman (Carol)
Emmanuel Lubezki (O Regresso)
Dariusz Wolski (Perdido em Marte)
Roger Deakins (Sicario: Terra de Ninguém)
Robert Richardson (Os 8 Odiados)
John Seale (Mad Max: Estrada da Fúria)

DIREÇÃO DE ARTE
Adam Stockhausen e Rena DeAngelo (Ponte dos Espiões)
François Séguin, Jennifer Oman e Louise Tremblay (Brooklyn)
Judy Becker e Heather Loeffler (Carol)
Eve Stewart e Michael Standish (A Garota Dinamarquesa)
Colin Gibson (Mad Max: Estrada da Fúria)
Arthur Max e Celia Bobak (Perdido em Marte)

MONTAGEM
Hank Corwin (A Grande Aposta)
Margaret Sixel (Mad Max: Estrada da Fúria)
Pietro Scalia (Perdido em Marte)
Stephen Mirrione (O Regresso)
Tom McArdle (Spotlight – Segredos Revelados)

FIGURINO
Odile Dicks-Mireaux (Brooklyn)
Sandy Powell (Carol)
Sandy Powell (Cinderela)
Paco Delgado (A Garota Dinamarquesa)
Jenny Beavan (Mad Max: Estrada da Fúria)

CABELO E MAQUIAGEM
Aliança do Crime
Carol
A Garota Dinamarquesa
Os 8 Odiados
Mad Max: Estrada da Fúria
O Regresso

EFEITOS VISUAIS
Ex-Machina: Instinto Artificial
Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros
Mad Max: Estrada da Fúria
Perdido em Marte
O Regresso
A Travessia

ANIMAÇÃO
Anomalisa
O Bom Dinossauro
Divertida Mente
Snoopy & Charlie Brown: Peanuts, o Filme
Shaun: O Carneiro

FILME DE AÇÃO
Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros
Mad Max: Estrada da Fúria
Missão: Impossível – Nação Secreta
Sicario: Terra de Ninguém
Velozes & Furiosos 7

ATOR EM FILME DE AÇÃO
Daniel Craig (007 Contra Spectre)
Tom Cruise (Missão: Impossível – Nação Secreta)
Tom Hardy (Mad Max: Estrada da Fúria)
Chris Pratt (Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros)
Paul Rudd (Homem-Formiga)

ATRIZ EM FILME DE AÇÃO
Emily Blunt (Sicario: Terra de Ninguém)
Rebecca Ferguson (Missão: Impossível – Nação Secreta)
Bryce Dallas Howard (Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros)
Jennifer Lawrence (Jogos Vorazes: A Esperança – O Final)
Charlize Theron (Mad Max: Estrada da Fúria)

COMÉDIA
A Grande Aposta (The Big Short)
Divertida Mente (Inside Out)
Joy: O Nome do Sucesso (Joy)
Irmãs (Sisters)
A Espiã que Sabia de Menos (Spy)
Descompensada (Trainwreck)

ATOR EM COMÉDIA
Christian Bale (A Grande Aposta)
Steve Carell (A Grande Aposta)
Robert De Niro (Um Senhor Estagiário)
Bill Hader (Descompensada)
Jason Statham (A Espiã que Sabia de Menos)

ATRIZ EM COMÉDIA
Tina Fey (Irmãs)
Jennifer Lawrence (Joy: O Nome do Sucesso)
Melissa McCarthy (A Espiã que Sabia de Menos)
Amy Schumer (Descompensada)
Lily Tomlin (Grandma)

FILME DE TERROR OU FICÇÃO CIENTÍFICA
Ex-Machina: Instinto Artificial (Ex Machina)
A Corrente do Mal (It Follows)
Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros (Jurassic World)
Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road)
Perdido em Marte (The Martian)

FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
A Assassina (Nie Yin Niang) – TAIWAN
O Filho de Saul (Saul fia) – HUNGRIA
Boa Noite, Mamãe (Ich Seh, Ich Seh) – ÁUSTRIA
As Cinco Graças (Mustang) – FRANÇA
Que Horas Ela Volta? (The Second Mother) – BRASIL

DOCUMENTÁRIO
Amy
Cartel Land
Going Clear: Scientology and the Prison of Belief
Malala (He Named Me Malala)
The Look of Silence
Where to Invade Next

CANÇÃO
“Love Me Like You Do” (Cinquenta Tons de Cinza)
“See You Again” (Velozes & Furiosos 7)
“Til It Happens To You” (The Hunting Ground)
“One Kind of Love” (Love & Mercy)
“Writing’s on the Wall” (007 Contra Spectre)
“Simple Song #3” (Youth)

TRILHA MUSICAL
Carter Burwell (Carol)
Ennio Morricone (Os 8 Odiados)
Ryuichi Sakamoto, Alva Noto (O Regresso)
Johann Johannsson (Sicario: Terra de Ninguém)
Howard Shore (Spotlight – Segredos Revelados)

JOVEM ATOR OU ATRIZ
Abraham Attah (Beasts of No Nation)
RJ Cyler (Eu, Você e a Garota que Vai Morrer)
Shameik Moore (Dope)
Milo Parker (Sr. Holmes)
Jacob Tremblay (O Quarto de Jack)

Emily Blunt conseguiu uma indicação por Sicario: Terra de Ninguém (photo by outnow.ch)

Emily Blunt conseguiu uma indicação por Sicario: Terra de Ninguém (photo by outnow.ch)

TELEVISÃO

ATOR – SÉRIE DE COMÉDIA
Anthony Anderson (Black-ish)
Aziz Ansari (Master of None)
Will Forte (The Last Man on Earth)
Randall Park (Fresh Off the Boat)
Fred Savage (The Grinder)
Jeffrey Tambor (Transparent)

ATOR – SÉRIE DRAMÁTICA
Hugh Dancy (Hannibal)
Rami Malek (Mr. Robot)
Clive Owen (The Knick)
Liev Schreiber (Ray Donovan)
Justin Theroux (The Leftovers)
Aden Young (Rectify)

ATOR – FILME PARA TV OU MINISSÉRIE
Wes Bentley (American Horror Story: Hotel)
Martin Clunes (Arthur & George)
Idris Elba (Luther)
Oscar Isaac (Show Me a Hero)
Vincent Kartheiser (Saints & Strangers)
Patrick Wilson (Fargo)

ATRIZ – SÉRIE DE COMÉDIA
Rachel Bloom (Crazy Ex-Girlfriend)
Aya Cash (You’re the Worst)
Wendi McLendon-Covey (The Goldbergs)
Gina Rodriguez (Jane the Virgin)
Tracee Ellis Ross (Black-ish)
Constance Wu (Fresh Off the Boat)

ATRIZ – SÉRIE DRAMÁTICA
Shiri Appleby (UnREAL)
Carrie Coon (The Leftovers)
Viola Davis (How to Get Away With Murder)
Eva Green (Penny Dreadful)
Taraji P. Henson (Empire)
Krysten Ritter (Jessica Jones)

ATRIZ – FILME PARA TV OU MINISSÉRIE
Kathy Bates (American Horror Story: Hotel)
Kirsten Dunst (Fargo)
Sarah Hay (Flesh and Bone
Alyvia Alyn Lind (Dolly Parton’s Coat of Many Colors)
Rachel McAdams (True Detective)
Shanice Williams (The Wiz Live!)

SÉRIE DE COMÉDIA
Black-ish
Catastrophe
Jane the Virgin
Master of None
The Last Man on Earth
Transparent
You’re the Worst

SÉRIE DRAMÁTICA
Empire
Mr. Robot
Penny Dreadful
Rectify
The Knick
The Leftovers
UnREAL

ATOR OU ATRIZ CONVIDADO EM SÉRIE DE COMÉDIA
Ellen Burstyn (Mom)
Anjelica Huston (Transparent)
Cherry Jones (Transparent)
Jenifer Lewis (Black-ish)
Timothy Olyphant (The Grinder)
John Slattery (Wet Hot American Summer: First Day of Camp)

ATOR OU ATRIZ CONVIDADO EM SÉRIE DRAMÁTICA
Richard Armitage (Hannibal)
Justin Kirk (Manhattan)
Patti LuPone (Penny Dreadful)
Margo Martindale (The Good Wife)
Marisa Tomei (Empire)
B.D. Wong (Mr. Robot)

FILME PARA TV OU MINISSÉRIE
Childhood’s End
Fargo
Luther
Saints & Strangers
Show Me a Hero
The Wiz Live!

ATOR COADJUVANTE – SÉRIE DE COMÉDIA
Andre Braugher (Brooklyn Nine-Nine)
Jaime Camil (Jane the Virgin)
Jay Duplass (Transparent)
Neil Flynn (The Middle)
Keegan-Michael Key (Playing House)
Mel Rodriguez (Getting On)

ATOR COADJUVANTE – SÉRIE DRAMÁTICA
Clayne Crawford (Rectify)
Christopher Eccleston (The Leftovers)
Andre Holland (The Knick)
Jonathan Jackson (Nashville)
Rufus Sewell (The Man in the High Castle)
Christian Slater (Mr. Robot)

ATOR COADJUVANTE – FILME PARA TV OU MINISSÉRIE
David Alan Grier (The Wiz Live!)
Ne-Yo (The Wiz Live!)
Nick Offerman (Fargo)
Jesse Plemons (Fargo)
Raoul Trujillo (Saints & Strangers)
Bokeem Woodbine (Fargo)

ATRIZ COADJUVANTE – SÉRIE DE COMÉDIA
Mayim Bialik (The Big Bang Theory)
Kether Donohue (You’re the Worst)
Allison Janney (Mom)
Judith Light (Transparent)
Niecy Nash (Getting On)
Eden Sher (The Middle)

ATRIZ COADJUVANTE – SÉRIE DRAMÁTICA
Ann Dowd (The Leftovers)
Regina King (The Leftovers)
Helen McCrory (Penny Dreadful)
Hayden Panettiere (Nashville)
Maura Tierney (The Affair)
Constance Zimmer (UnREAL)

ATRIZ COADJUVANTE – FILME PARA TV OU MINISSÉRIE
Mary J. Blige (The Wiz Live!)
Laura Haddock (Luther)
Cristin Milioti (Fargo)
Sarah Paulson (American Horror Story: Hotel)
Winona Ryder (Show Me a Hero)
Jean Smart (Fargo)

SÉRIE ANIMADA
Bob’s Burgers
BoJack Horseman
South Park
Star Wars Rebels
The Simpsons

REALITY SHOW – COMPETIÇÃO
Chopped
Face Off
MasterChef Junior
Survivor
The Amazing Race
The Voice

HOST DE REALITY SHOW
Ted Allen (Chopped)
Phil Keoghan (The Amazing Race)
James Lipton (Inside the Actors Studio)
Jane Lynch (Hollywood Game Night)
Jeff Probst (Survivor)
Gordon Ramsay (Hell’s Kitchen)

STRUCTURED REALITY SHOW
Antiques Roadshow
Inside The Actors Studio
MythBusters
Project Greenlight
Shark Tank
Undercover Boss

TALK SHOW
Jimmy Kimmel Live!
Last Week Tonight with John Oliver
The Daily Show with Jon Stewart
The Graham Norton Show
The Late Late Show with James Corden
The Tonight Show Starring Jimmy Fallon

UNSTRUCTURED REALITY SHOW
Anthony Bourdain: Parts Unknown
Cops
Deadliest Catch
Intervention
Naked and Afraid
Pawn Stars

A cerimônia do 21º Critics’ Choice Awards acontece no dia 17 de janeiro em Santa Monica, uma semana após o Globo de Ouro, e 3 dias após o anúncio dos indicados ao Oscar. Segundo divulgado, o evento terá T.J. Miller como host e será transmitido pelos canais A&E, Lifetime e LMN.

16 animações disputam vaga no Oscar 2016

Cena de Hotel Transilvânia 2, uma das 16 animações inscritas para o Oscar de Melhor Longa de Animação (photo by cine.gr)

Cena de Hotel Transilvânia 2, uma das 16 animações inscritas para o Oscar de Melhor Longa de Animação (photo by cine.gr)

SE TODOS SE QUALIFICAREM, TEREMOS 5 INDICADOS NA CATEGORIA

As animações inscritas são:
  • Anomalisa
    Dir: Charlie Kaufman, Duke Johnson
  • The Boy and the Beast (Bakemono no ko)
    Dir: Mamoru Hosoda
  • O Menino e o Mundo
    Dir: Alê Abreu
  • O Bom Dinossauro (The Good Dinossaur)
    Dir: Peter Sohn
  • Cada um na Sua Casa (Home)
    Dir: Tim Johnson
  • Hotel Transilvânia 2 (Hotel Transylvania 2)
    Dir: Genndy Tartakovsky
  • Divertida Mente (Inside Out)
    Dir: Pete Docter
  • Kahlil Gibran’s The Prophet
    Dir: Roger Allers
  • The Laws of the Universe – Part 0 (UFO Gakuen no Himitsu)
    Dir: Isamu Imakake
  • Minions
    Dir: Kyle Balda, Pierre Coffin
  • Moomins on the Riviera (Muumit Rivieralla)
    Dir: Xavier Picard, Hanna Hemilä
  • Snoopy & Charlie Brown: Peanuts, o Filme (The Peanuts Movie)
    Dir: Steve Martino
  • Apenas um Show: O Filme (Regular Show: The Movie)
    Dir: J.G. Quintel
  • Shaun: O Carneiro (Shaun the Sheep Movie)
    Dir: Mark Burton, Richard Starzak
  • Bob Esponja: Um Herói Fora d’Água (The SpongeBob Movie: Sponge out of Water)
    Dir: Paul Tibbitt, Mike Mitchell
  • Quando Estou com Marnie (Omoide no Mânî) 
    Dir: Hiromasa Yonebayashi

Dentre os trabalhos, certamente um dos mais interessantes é a primeira animação do diretor e roteirista Charlie Kaufman, conhecido por suas histórias criativas de Quero Ser John Malkovich e Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças. Neste trabalho de stop-motion, acompanhamos a vida de um homem aleijado por sua própria vida mundana. Pela sinopse, não se trata de um filme destinado ao público infantil, o que pode reduzir consideravelmente suas chances de vitória, mas sua indicação é dada como certa pela maioria dos críticos, afinal, tem a assinatura de Kaufman (que já ganhou o Oscar de Melhor Roteiro Original em 2005) e a categoria sempre apresenta nomes de diretores mais autorais como Tim Burton (A Noiva-Cadáver), Hayao Miyazaki (A Viagem de Chihiro) e Wes Anderson (O Fantástico Sr. Raposo). E é o único inscrito que concorreu ao Leão de Ouro em Veneza.

Cena de Anomalisa, de Charlie Kaufman e Duke Johnson (photo by trailer.apple.com)

Cena de Anomalisa, de Charlie Kaufman e Duke Johnson (photo by trailer.apple.com)

Este ano, temos uma curiosidade inédita. É a primeira vez que dois trabalhos da Pixar estão competindo: Divertida Mente e O Bom Dinossauro. Após um hiato raro de dois anos sem aparecer na categoria com filmes menos expressivos como Carros 2 e Universidade Monstros, a Pixar resolveu lançar dois filmes no mesmo ano para não ter erro. Entre os dois, Divertida Mente larga na frente por seu nível de criatividade ao criar personagens que representam as emoções, mas peca pela história fraca. Já O Bom Dinossauro tem uma premissa interessante de “E se o asteróide que extinguiu os dinossauros não tivesse acertado a Terra?”, possibilitando a convivência entre os dinossauros e os humanos.

As emoções Tristeza, Raiva, Medo, Nojinho e Alegria em cena de Divertida Mente (photo by outnow,ch)

As emoções Tristeza, Raiva, Medo, Nojinho e Alegria em cena de Divertida Mente (photo by outnow,ch)

Aproveitando o assunto da Pixar, o futuro da companhia preocupa um pouco. Outrora berço de filmes super criativos, o planejamento dos próximos anos inclui inúmeras sequências como Procurando Dory, Os Incríveis 2, Carros 3 e Toy Story 4! Claro que essas continuações devem ter suas qualidades e devem render rios de dinheiro, mas pra um estúdio que cresceu através de sua criatividade, o reinado pode estar ameaçado.

Cena de O Bom Dinossauro, de Peter Sohn (photo by outnow.ch)

Cena de O Bom Dinossauro, de Peter Sohn (photo by outnow.ch)

Vale ressaltar que todo ano, a Academia gosta de deixar pelo menos uma vaga para uma produção estrangeira. Parece até cota estrangeira, mas convenhamos que existem tantos trabalhos impecáveis fora do circuito americano que se fosse fazer justiça, teria pelo menos 3 animações estrangeiras todo ano na categoria! Então, nessa lógica, a animação japonesa Quando Estou com Marnie (Omoide no Mânî), de Hiromasa Yonebayashi, deve preencher a vaga praticamente cativa nipônica de Hayao Miyazaki e Isao Takahata. Trata-se de uma história bem emotiva de uma garota que se muda para uma casa no interior, onde fica obcecada por uma menina que vive numa mansão ao lado que pode ou não existir. E tem o selo de qualidade do Studio Ghibli, de Miyazaki.

Cena de Quando Estou com Marnie, de Hiromasa Yonebayashi (photo by cine.gr)

Cena de Quando Estou com Marnie, de Hiromasa Yonebayashi (photo by cine.gr)

Claro que a vaga estrangeira também pode ser ocupada por uma animação brasileira. Sim, brasileira! O Menino e o Mundo (The Boy and the World), de Alê Abreu, é a segunda animação nacional inscrita para o Oscar. Em 2014, Uma História de Amor e Fúria, de Luiz Bolognesi, estava entre os inscritos, mas não conseguiu conquistar a indicação. Quem sabe não é desta vez? O trabalho de Alê Abreu possui um estilo bastante gráfico que remete ao traço de lápis de cor para retratar a busca de um menino pelo pai.

Cena de O Menino e o Mundo, de Alê Abreu (photo by cine.gr)

Cena de O Menino e o Mundo, de Alê Abreu (photo by cine.gr)

E a Academia sempre gosta de reservar uma vaga para produções mais destinadas ao público infantil que foi bem nas bilheterias como Minions, Hotel Transilvânia 2 e Snoopy & Charlie Brown: Peanuts, o Filme (sim, com este título nacional apelativo!), afinal, animações assim garantem maior audiência para a Academia. Lembrando que o filme anterior da série Minions, Meu Malvado Favorito 2, foi indicado ao Oscar de Longa de Animação e de Melhor Canção Original por ‘Happy’.

Cena de Minions, de Kyle Balda e Pierre Coffin (photo by cine.gr)

Cena de Minions, de Kyle Balda e Pierre Coffin (photo by cine.gr)

Não querendo ser pessimista, nem julgar trabalhos sem conferir, acredito que um ou outro trabalho inscrito será desqualificado, o que acarretaria num total de 3 indicados em 2016 que, na minha opinião, seriam:

  • Divertida Mente (Inside Out)
  • Anomalisa
  • Quando Estou com Marnie (Omoide no Mânî)

As indicações ao Oscar 2016 serão anunciadas no dia 14 de janeiro.

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