‘Carol’ conquista 5 indicações no Globo de Ouro 2016

Rooney Mara em cena de Carol, de Todd Haynes: 5 indicações ao Globo de Ouro 2016 (photo by outnow.ch)

Rooney Mara em cena de Carol, de Todd Haynes: 5 indicações ao Globo de Ouro 2016 (photo by outnow.ch)

GLOBO DE OURO COLOCA MAIS ORDEM NA TEMPORADA DE PREMIAÇÕES

Um dia após o SAG anunciar seus indicados com uma série de ausências sentidas, o Globo de Ouro parece tapar os buracos com seu anúncio na manhã desta quinta-feira, dia 10. Assim, atores que ficaram de fora do SAG como Will Smith e Sylvester Stallone, retornam ao centro do palco.

Claro que em se tratando de Oscar e Globo de Ouro, não dá pra agradar gregos e troianos. Algum filme ou algum ator vai ficar sem cadeira. É inevitável. Dentre os mais sentidos estão Johnny Depp (Aliança do Crime), Jacob Tremblay (O Quarto de Jack), Meryl Streep (Ricki and the Flash: De Volta Para Casa), Charlotte Rampling (45 Anos) e Blythe Danner (I’ll See You in My Dreams).

Anúncio das indicações ao Globo de Ouro 2016
America Ferrera, Chloë Grace Moretz, Angela Bassett e Dennis Quaid anunciam os indicados ao Globo de Ouro 2016

De volta aos indicados, o drama Carol foi o recordista de indicações este ano com 5, mas isso não significa que terá vida fácil na categoria, já que compete com Spotlight – Segredos Revelados e Mad Max: Estrada da Fúria que, por mais que não faça muito o tipo que ganhe prêmios de Melhor Filme, vem crescendo bastante na temporada e pode surpreender, principalmente diante de um cenário sem grandes favoritos como este.

Como uma boa mãe, o Globo de Ouro conseguiu reunir numa só lista 17 estúdios, boa parte dos favoritos e outros candidatos que pareciam ficar só na promessa. Exemplo disso é o novo filme de Alejandro González Iñárritu, O Regresso, que estava até então num estado de inércia na temporada. Agora, indicada a Melhor Filme, Diretor, Trilha Musical e Ator para Leonardo DiCaprio, a produção promete conquistar seu espaço no Oscar, principalmente nas categorias mais técnicas como Fotografia e Montagem.

Leonardo DiCaprio em cena de O Regresso (photo by cinemagia.ro)

Leonardo DiCaprio com Grace Dove em cena de O Regresso (photo by cinemagia.ro)

Nessa mesma lógica de tirar o filme do limbo, também dá pra incluir o novo trabalho de David O. Russell, cujos filmes sempre dão um jeitinho de entrar no Oscar. Joy: O Nome do Sucesso, uma espécie de “dramédia” que reconta a trajetória de uma mulher de negócios, concorre como Filme de Comédia e sua protagonista Jennifer Lawrence como Melhor Atriz. Embora esteja disputando com as veteranas Maggie Smith e Lily Tomlin, a atriz de Jogos Vorazes tem grandes chances de conquistar seu terceiro Globo de Ouro.

Jennifer Lawrence e Robert De Niro em cena de Joy: O Nome de Sucesso (photo by outnow.ch)

Jennifer Lawrence e Robert De Niro em cena de Joy: O Nome do Sucesso (photo by outnow.ch)

E meio esquecido depois de ganhar o Hollywood Film Awards no início de novembro, a ficção científica Perdido em Marte retorna com força, uma vez que compete como Filme de Comédia, Diretor e Ator (Matt Damon). Apesar de parecer uma manobra barata da 20th Century Fox de inscrever o filme como comédia para ter concorrência mais fraca pela frente (o que gerou uma “polemicazinha”), não acredito sinceramente em manipulação nesse caso. Trata-se de uma ficção científica com clima bastante otimista, seu protagonista, mesmo diante de uma série de dificuldades, mantém o bom humor em suas pesquisas e gravações, e temos a manutenção da esperança na humanidade. Pra mim, o clima leve o aproxima mais da comédia do que um drama.

Os astronautas da tripulação de Perdido em Marte (photo by cinemagia.ro)

Os astronautas da tripulação de Perdido em Marte (photo by cinemagia.ro)

Ainda no campo da ressurreição, Trumbo retorna no Globo de Ouro, um dia após liderar as indicações ao SAG Awards. O ator da série Breaking Bad, Bryan Cranston, e a dama Helen Mirren foram devidamente reconhecidos por suas performances.

O Globo de Ouro trouxe felicidade também no quesito dupla indicação. Idris Elba, Lily Tomlin, Mark Rylance e Alicia Vikander ficaram duplamente felizes na manhã dessa quinta-feira. Seus nomes foram anunciados duas vezes em categorias distintas.Enquanto os três primeiros equilibram forças entre cinema e televisão, a atriz sueca concorre como Atriz por A Garota Dinamarquesa e como Coadjuvante por Ex-Machina: Instinto Artificial.

Alicia Vikander em cena de A Garota Dinamarquesa (photo by palmspringlife.com)

Alicia Vikander em cena de A Garota Dinamarquesa (photo by palmspringlife.com)

Apesar disso TUDO que o Globo de Ouro fez, acrescentaria uma ressalva: Por que não aumentar de 5 para 6 indicados para Melhor Filme – Drama e incluir Os 8 Odiados ou A Garota Dinamarquesa? Resultaria num total de 4 indicações ao novo western de Tarantino e para o drama transsexual de Tom Hooper. Ou quem sabe para 7 indicados e incluir também Steve Jobs? Afinal, acumulou 4 indicações: Ator (Michael Fassbender), Atriz Coadjuvante (Kate Winslet), Roteiro e Trilha Musical. Ficaria com 5 e igualaria Carol. Teria havido tamanha distância de um candidato a outro na votação ou seria algum receio por parte da HFPA de eleger o “filme errado”? Digo isso, porque as regras do Globo de Ouro permitem esse acréscimo de indicados sem dolo algum.

Durante o anúncio das indicações, fiquei na expectativa pelo filme brasileiro Que Horas Ela Volta?, mas o filme de Anna Muylaert ficou de fora. A última vez que o Brasil teve representantes no prêmio foi em 2005 por Diários de Motocicleta, de Walter Salles, e em 2003 por Cidade de Deus, de Fernando Meirelles. Contudo, o país está bem representado pela série Narcos, produzida pelo diretor José Padilha pela Netflix, e pelo ator Wagner Moura, que foi indicado como Melhor Ator de Série Dramática. Ele interpreta ninguém menos do que o lorde das drogas colombiano Pablo Escobar em 10 episódios. Moura disputa o prêmio com o favorito Jon Hamm (Mad Men) e Liev Schreiber (Ray Donovan).

Wagner Moura em cena da série Narcos da Netflix (photo by cinemagia.ro)

Wagner Moura em cena da série Narcos, da Netflix (photo by cinemagia.ro)

Sobre as categorias de televisão, cabe mais um elogio ao Globo de Ouro. Nos últimos anos, com o crescimento da plataforma de streaming, a HFPA não pestanejou e abraçou o novo formato, valorizando acima de tudo seu conteúdo. No ano passado, a série Transparent foi a primeira a ganhar o prêmio de Melhor Série, mas já em 2014, House of Cards já preenchia as categorias como a primeira da Netflix. Este ano, a associação continua explorando novos conteúdos de streaming: além da já citada Narcos, temos Master of None, Casual e Mozart In the Jungle entre os indicados, enquanto as séries tradicionais que passam na televisão Homeland, Mad MenDownton Abbey e Modern Family não concorrem como Melhor Série este ano. Os tempos estão mudando…

E só mais um último adendo: Lady Gaga recebeu sua primeira indicação como atriz por American Horror Story: Hotel. Ela interpreta a Condessa nesta nova temporada que se passa num hotel. Independente da qualidade da sua atuação (adoraria conferir), a contratação da cantora na série se tornou um hype desde seu anúncio.

Seguem todos os indicados ao 73º Globo de Ouro:

CINEMA

MELHOR FILME – DRAMA
Carol (Carol)
Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road)
O Regresso (The Revenant)
O Quarto de Jack (Room)
Spotlight – Segredos Revelados (Spotlight)

MELHOR FILME – COMÉDIA OU MUSICAL
A Grande Aposta (The Big Short)
Joy: O Nome do Sucesso (Joy)
Perdido em Marte (The Martian)
A Espiã que Sabia de Menos (Spy)
A Descompensada (Trainwreck)

MELHOR DIRETOR
Todd Haynes (Carol)
Alejandro González Iñárritú (O Regresso)
Tom McCarthy (Spotlight – Segredos Revelados)
George Miller (Mad Max: Estrada da Fúria)
Ridley Scott (Perdido em Marte)

MELHOR ATOR – DRAMA
Bryan Cranston (Trumbo)
Leonardo DiCaprio (O Regresso)
Michael Fassbender (Steve Jobs)
Eddie Redmayne (A Garota Dinamarquesa)
Will Smith (Um Homem Entre Gigantes)

MELHOR ATRIZ – DRAMA
Cate Blanchett (Carol)
Brie Larson (O Quarto de Jack)
Rooney Mara (Carol)
Saoirse Ronan (Brooklyn)
Alicia Vikander (A Garota Dinamarquesa)

MELHOR ATRIZ – COMÉDIA OU MUSICAL
Jennifer Lawrence (Joy: O Nome do Sucesso)
Melissa McCarthy (A Espiã que Sabia de Menos)
Amy Schumer (A Descompensada)
Maggie Smith (A Senhora da Van)
Lily Tomlin (Grandma)

MELHOR ATOR – COMÉDIA OU MUSICAL
Christian Bale (A Grande Aposta)
Steve Carell (A Grande Aposta)
Matt Damon (Perdido em Marte)
Al Pacino (Não Olhe Para Trás)
Mark Ruffalo (Sentimentos que Curam)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Jane Fonda (Youth)
Jennifer Jason Leigh (Os 8 Odiados)
Helen Mirren (Trumbo)
Alicia Vikander (Ex-Machina: Instinto Artificial)
Kate Winslet (Steve Jobs)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Paul Dano (Love & Mercy)
Idris Elba (Beasts of No Nation)
Mark Rylance (Ponte dos Espiões)
Michael Shannon (99 Homes)
Sylvester Stallone (Creed: Nascido Para Lutar)

MELHOR ROTEIRO
Emma Donoghue (O Quarto de Jack)
Tom McCarthy e Josh Singer (Spotlight – Segredos Revelados)
Charles Randolph e Adam McKay (A Grande Aposta)
Aaron Sorkin (Steve Jobs)
Quentin Tarantino (Os 8 Odiados)

MELHOR ANIMAÇÃO
Anomalisa
O Bom Dinossauro (The Good Dinossaur)
Divertida Mente (Inside Out)
Snoopy & Charlie Brown: Peanuts, o Filme (The Peanuts Movie)
Shaun: O Carneiro (Shaun the Sheep Movie)

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
The Brand New Testament (Le Tout Nouveau Testament), de Jaco Van Dormael (Bélgica/ França/ Luxemburgo)
O Clube (El Club), de Pablo Larraín (Chile)
O Esgrimista (Miekkailija), de Klaus Härö (Finalândia/ Estônia/ Alemanha)
O Filho de Saul (Saul fia), de László Nemes (Hungria)
Cinco Graças (Mustang), de Deniz Gamze Ergüven (Turquia/ França/ Catar/ Alemanha)

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“Love me Like You Do” por Max Martin, Savan Kotecha, Ali Payami, Ilya Salmanzadeh (Cinquenta Tons de Cinza)
“One Kind of Love” por Brian Wilson, Scott Montgomery Bennett (Love & Mercy)
“See You Again” por Justin Franks, Andrew Cedar, Charlie Puth, Wiz Khalifa (Velozes & Furiosos 7)
“Simple Song No. 3” por David Lang (Youth)
“Writing’s on the Wall” por Sam Smith, James Napier (007 Contra Spectre)


O filme é ruim, mas a trilha sonora salva, incluindo a canção de Ellie Goulding

MELHOR TRILHA MUSICAL ORIGINAL
Carter Burwell (Carol)
Alexandre Desplat (A Garota Dinamarquesa)
Ennio Morricone (Os 8 Odiados)
Daniel Pemberton (Steve Jobs)
Ryuichi Sakamoto e Carsten Nicolai (O Regresso)

Steve Carell e Ryan Gosling em cena de A Grande Aposta, de Adam McKay (photo by cine.gr)

Steve Carell e Ryan Gosling em cena de A Grande Aposta, de Adam McKay (photo by cine.gr)

TELEVISÃO

MELHOR SÉRIE DRAMÁTICA
Empire
Game of Thrones
Mr. Robot
Narcos
Outlander

MELHOR ATOR EM SÉRIE DRAMÁTICA
Jon Hamm (Mad Men)
Rami Malek (Mr. Robot)
Wagner Moura (Narcos)
Bob Odenkirk (Better Call Saul)
Liev Schreiber (Ray Donovan)

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DRAMÁTICA
Caitriona Balfe (Outlander)
Viola Davis (How to Get Away with Murder)
Eva Green (Penny Dreadful)
Taraji P. Henson (Empire)
Robin Wright (House of Cards)

MELHOR MINISSÉRIE OU TELEFILME
American Crime
American Horror Story: Hotel
Fargo
Flesh and Bone
Wolf Hall

MELHOR SÉRIE DE COMÉDIA
Casual
Mozart in the Jungle
Orange Is the New Black
Silicon Valley
Transparent
Veep

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE, MINISSÉRIE OU TELEFILME
Uzo Aduba (Orange Is the New Black)
Joanne Froggatt (Downton Abbey)
Regina King (American Crime)
Judith Light (Transparent)
Maura Tierney (The Affair)

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE, MINISSÉRIE OU TELEFILME
Alan Cumming (The Good Wife)
Damian Lewis (Wolf Hall)
Ben Mendelsohn (Bloodline)
Tobias Menzies (Outlander)
Christian Slater (Mr. Robot)

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA
Rachel Bloom (Crazy Ex-Girlfriend)
Gina Rodriguez (Jane the Virgin)
Julia Louis-Dreyfus (Veep)
Jamie Lee Curtis (Scream Queens)
Lily Tomlin (Grace and Frankie)

MELHOR ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA
Aziz Ansari (Master of None)
Gael García Bernal (Mozart in the Jungle)
Rob Lowe (The Grinder)
Patrick Stewart (Blunt Talk)
Jeffrey Tambor (Transparent)

MELHOR ATRIZ EM MINISSÉRIE OU TELEFILME
Kirsten Dunst (Fargo)
Lady Gaga (American Horror Story: Hotel)
Sarah Hay (Flesh and Bone)
Felicity Huffman (American Crime)
Queen Latifah (Bessie)

MELHOR ATOR EM MINISSÉRIE OU TELEFILME
Oscar Isaac (Show me a Hero)
Idris Elba (Luther)
David Oyelowo (Nightingale)
Mark Rylance (Wolf Hall)
Patrick Wilson (Fargo)

A 73ª cerimônia do Globo de Ouro acontece no dia 10 de janeiro, e Ricky Gervais retorna como o “host mais querido das celebridades”. E dois lembretes: o ator Denzel Washington será o homenageado com o prêmio Cecil B. DeMille (Sim, eu acho que ele ainda é muito jovem pra tal honraria, mas depois de ver George Clooney recebendo o mesmo prêmio esse ano, espero qualquer coisa), e a Miss Golden Globe de 2016 será a filha do ator Jamie Foxx: Corinne Foxx.

The Hollywood Foreign Press Association has selected Corinne Foxx as Miss Golden Globe 2016 for the 73rd Annual Golden Globe Awards set to air live on NBC on January 10, 2016. President Lorenzo Soria made the announcement on November 17, 2015 from Ysabel Restaurant in West Hollywood.

Corinne Foxx foi selecionada para ser a Miss Golden Globe 2016 (photo by ImageGroup/HFPA)

Anúncios

81 filmes concorrem por 5 vagas de Melhor Filme em Língua Estrangeira no Oscar 2016

O diretor Pawel Pawlikowski posa com seu Oscar de Filme em Língua Estrangeira este ano por Ida (photo by thehindubissinessline.com)

O diretor Pawel Pawlikowski posa com seu Oscar de Filme em Língua Estrangeira este ano por Ida (photo by thehindubissinessline.com)

COM INSCRIÇÕES TERMINADAS, COMEÇAM AS ESPECULAÇÕES

Apesar de não ter havido quebra de recordes, 81 filmes foram selecionados para a disputa pelo Oscar de Filme de Língua Estrangeira, dois a menos do que o ano anterior com 83. A novidade deste ano atende pelo nosso vizinho Paraguai, que inscreveu um longa-metragem pela primeira vez ao prêmio. Embora as chances de vitória não sejam lá das maiores, é bacana ver mais um país latino concorrendo com uma obra que representa sua cultura, e também vale lembrar que a própria Academia tem se demonstrado mais aberta às produções de países sem muito histórico cinematográfico. Nesse ano, por exemplo, a Mauritânia e a Estônia receberam suas primeiras indicações por Timbuktu e Tangerinas, respectivamente. Então por que não sonhar com uma vaga?

E O BRASIL?

O Brasil corre atrás de sua 5ª indicação na categoria, algo que não acontece desde o longínquo ano de 1999, quando Central do Brasil perdeu para o italiano A Vida é Bela. O MinC selecionou a ‘dramédia’ Que Horas Ela Volta?, de Anna Muylaert, que ganhou o título internacional de The Second Mother, em referência ao personagem central de Regina Casé, que vive uma empregada doméstica que cuida do filho dos patrões como se fosse seu.

Cena de Que Horas Ela Volta?, de Anna Muylaert, presentante do Brasil este ano (photo by cine.gr)

Cena de Que Horas Ela Volta?, de Anna Muylaert, presentante do Brasil este ano (photo by cine.gr)

O filme funciona bem como crítica social e um retrato das classes brasileiras, assim como comédia graças à atuação de Casé. Ganhou prêmios importantes em festivais como o de Sundance e Berlim, o que sempre ajuda na campanha e também na conquista do próprio público brasileiro que costuma olhar com mais atenção as produções premiadas, mas ainda está bem longe da própria campanha vitoriosa de Central do Brasil. A seleção de Que Horas Ela Volta? me agrada por representar bem o que acontece no país, o que não deixa de ser uma decisão corajosa, mas em termos de chances reais, acredito que o Brasil terá de esperar mais um ano ainda por uma nova indicação.

FAVORITOS ATÉ O MOMENTO

Em se tratando de Oscar de Filme em Língua Estrangeira, digamos que é uma caixinha de surpresas. Às vezes acontece de haver um franco-favorito como o iraniano A Separação ou o austríaco Amor, mas na maioria das vezes a Academia gosta de surpreender, infelizmente pra pior. São raríssimos os casos em que me surpreendi positivamente como quando o argentino O Segredo dos Seus Olhos e do alemão A Vida dos Outros levaram o prêmio batendo os favoritos.

Nessa altura do campeonato ainda é difícil prever os reais favoritos. Muitas vezes a gente se baseia em participações e premiações em grandes festivais como Cannes e Veneza, mas nada é 100% garantido. Ano passado, muitos apostaram no turco Winter Sleep como dono de uma das indicações por ter levado a Palma de Ouro, mas acabou nem passando pras semi-finais. Mas, se existe algum tipo de certeza, o chamado ‘Oscar lock’, este seria o representante húngaro O Filho de Saul, de László Nemes. Além de ter levado o Grande Prêmio do Júri em Cannes, tem o elemento-chave para quase todo filme vencedor desta categoria: 2ª Guerra Mundial e Judeus.

Cena de O Filho de Saul, ainda sem previsão de estréia no Brasil (photo by cine.gr)

Cena de O Filho de Saul, ainda sem previsão de estréia no Brasil (photo by cine.gr)

A trama do filme se passa em 1944, no campo de concentração de Auschwitz, onde o prisioneiro Saul tem a ingrata tarefa de queimar os corpos de seus colegas até encontrar o corpo daquele que acredita ser seu filho. O filme tem toda a receita pronta para ganhar a estatueta. Podem me cobrar em fevereiro: O Filho de Saul vai ganhar o Oscar.

Além do húngaro, existem alguns filmes que estão sendo bem comentados pela crítica internacional e devem figurar pelo menos na lista dos semi-finalistas, graças ao comitê executivo criado pelo produtor Mark Johnson. Explico. Depois que o super bem criticado filme romeno 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias, de Cristian Mungiu, ficou de fora da categoria de Filme em Língua Estrangeira de 2008, a Academia criou com a ajuda de Johnson um comitê responsável por selecionar três títulos na lista dos nove semi-finalistas para que não dependam exclusivamente dos votos dos velhinhos judeus que assistem às sessões dos filmes estrangeiros. Foi graças aos esforços desse comitê que filmes mais ousados foram indicados como o grego Dente Canino em 2010. Acredito que se esse comitê tivesse existido desde o início dos anos 2000, filmes muito bons porém violentos teriam sido indicados como o brasileiro Cidade de Deus e o sul-coreano Oldboy.

Enfim, águas passadas. Agora o comitê tem a chance de promover mais três filmes relevantes no cenário internacional. Eles têm o chileno O Clube, que tem um tema polêmico de padres católicos que se isolam numa casa após cometerem abuso sexual com menores. O filme é dirigido por Pablo Larraín, anteriormente indicado por No; Tem o sueco Um Pombo Pousou num Galho Refletindo Sobre a Existência, que ganhou o Leão de Ouro de 2014 e tem o nome do diretor veterano Roy Andersson pra ajudar; E de Taiwan, The Assassin concorre como filme mais belo visualmente e a Academia tem uma chance de ouro para premiar um dos melhores diretores asiáticos da atualidade: Hou Hsiao-Hsien, que levou o prêmio de Direção em Cannes este ano. Caso o filme asiático não passe, existe uma boa possibilidade de concorrer nas categorias de Figurino e Direção de Arte.

Bela cena de The Assassin, de Hou Hsiao-Hsien (photo by cine.gr)

Bela cena de The Assassin, de Hou Hsiao-Hsien (photo by cine.gr)

Cena de Um Pombo Pousou num Galho Refletindo Sobre a Existência, de Roy Andersson. (photo by cine.gr)

Cena de Um Pombo Pousou num Galho Refletindo Sobre a Existência, de Roy Andersson. (photo by cine.gr)

Cena de O Clube, de (photo by cine.gr)

Cena de O Clube, de Pablo Larraín (photo by cine.gr)

Outro representante bem comentado foi o português As Mil e uma Noites: Vol. 2, o Desolado, de Miguel Gomes. Trata-se da segunda parte da trilogia baseada na obra anônima de contos, pelo qual o diretor busca fazer críticas à política econômica atual de seu país. Ao contrário do que acontece com todos os filmes divididos em volumes, esta trilogia toda foi lançada no mesmo ano, totalizando mais de 6 horas de filme. A escolha pelo segundo volume foi uma aposta dos organizadores em Portugal, muito provavelmente para instigar ainda mais os votantes a conferir os demais filmes da trilogia.

Cena de As Mil e uma Noites,: Vol. 2, O Desolado, de Miguel Gomes (photo by outnow.ch)

Cena de As Mil e uma Noites,: Vol. 2, O Desolado, de Miguel Gomes (photo by outnow.ch)

Vale também citar aqui o filme romeno Aferim!, de Radu Jude, que levou o Urso de Prata de Melhor Diretor no último Festival de Berlim. Filmado em preto-e-branco, esse western moderno romeno se passa no século XIX, e apresenta uma trama de captura de um escravo cigano que teve um caso com a esposa de seu dono. Seria uma forma de crítica ao escravismo de que persiste na Romênia atual. Apresenta uma bela fotografia PB e pode surpreender.

Cena de Aferim!, de Radu Jude, que levou o Urso de Prata de Diretor (photo by outnow.ch)

Cena de Aferim!, de Radu Jude (photo by outnow.ch)

MINHA TORCIDA

Como muitos sabem, gosto de defender material diferente no Oscar, especialmente quando o candidato possui características diferentes, criativas, bizarras. Apesar de não ter visto ainda, o representante da Áustria deste ano parece ter todos esses elementos citados. Goodnight Mommy é sobre dois meninos gêmeos que se mudam para uma nova casa com sua mãe depois que ela passa por uma cirurgia plástica facial. Coberto por ataduras no rosto, a mãe se torna irreconhecível pelos filhos.

Cena do terror psicológico Goodnight Mommy, de Severin Fiala e Veronika Franz (photo by outnow,ch)

Cena do terror psicológico Goodnight Mommy, de Severin Fiala e Veronika Franz (photo by outnow,ch)

Existe uma bizarrice que lembra o do grego Dente Canino, mas é nitidamente um filme de terror psicológico, daqueles excelentes que Roman Polanski costumava fazer nos anos 60 e 70. Caso o filme austríaco seja reconhecido por prêmios da crítica americana, existe uma boa chance de ser defendido pelo comitê, caso contrário, não deve passar de uma ótima e corajosa tentativa.

Confira o trailer:

Segue a lista com os 81 filmes inscritos oficialmente para a 88ª edição do Academy Awards:

• AFEGANISTÃO: Utopia
Dir: Hassan Nazer

• ÁFRICA DO SUL: The Two of Us
Dir: Ernest Nkosi

• ALBÂNIA: Bota
Dir: Iris Elezi & Thomas Logoreci

• ALEMANHA: Labirinto de Mentiras (Im Labyrinth des Schweigens)
Dir: Giulio Ricciarelli

• ARGÉLIA: Twilight of Shadows
Dir: Mohamed Lakhdar Hamina

• ARGENTINA: The Clan (El Clan)
Dir: Pablo Trapero

• AUSTRÁLIA: Arrows of the Thunder Dragon
Dir: Greg Sneddon

• ÁUSTRIA: Goodnight Mommy
Dir: Veronika Franz & Severin Fiala

• BANGLADESH: Jalal’s Story
Dir: Abu Shahed Emon

• BÉLGICA: The Brand New Testament
Dir: Jaco Van Dormael

• BÓSNIA HERZEGOVINA: Our Everyday Story
Dir: Ines Tanović

• BRASIL: Que Horas Ela Volta? (The Second Mother)
Dir: Anna Muylaert

• BULGÁRIA: The Judgment
Dir: Stephan Komandarev

• CAMBOJA: The Last Reel
Dir: Sotho Kulikar

• CANADÁ: Félix and Meira
Dir: Maxime Giroux

• CAZAQUISTÃO: Stranger
Dir: Yermek Tursunov

• CHILE: O Clube (El Club)
Dir: Pablo Larraín

• CHINA: Go Away Mr. Tumor
Dir: Han Yan

• COLÔMBIA: O Abraço da Serpente (El Abrazo de la Serpiente)
Dir: Ciro Guerra

• CORÉIA DO SUL: The Throne
Dir: Lee Joon-ik

• COSTA DO MARFIM: Run
Dir: Philippe Lacôte

• COSTA RICA: Imprisoned
Dir: Esteban Ramírez

• CROÁCIA: The High Sun
Dir: Dalibor Matanić

• DINAMARCA: Guerra (Krigen)
Dir: Tobias Lindholm

• ESLOVÁQUIA: Goat
Dir: Ivan Ostrochovský

• ESLOVÊNIA: The Tree
Dir: Sonja Prosenc

• ESPANHA: Flowers
Dir: Jon Garaño & Jose Mari Goenaga

• ESTÔNIA: 1944
Dir: Elmo Nüganen

• ETIÓPIA: Cordeiro (Lamb)
Dir: Yared Zeleke

• FILIPINAS: Heneral Luna
Dir: Jerrold Tarog

• FINLÂNDIA: The Fencer
Dir: Klaus Härö

• FRANÇA: Mustang
Dir: Deniz Gamze Ergüven

• GEORGIA: Moira
Dir: Levan Tutberidze

• GRÉCIA: Xenia
Dir: Panos H. Koutras

• GUATEMALA: Ixcanul
Dir: Jayro Bustamante

• HOLANDA: The Paradise Suite
Dir: Joost van Ginkel

• HONG KONG: To the Fore
Dir: Dante Lam

• HUNGRIA: O Filho de Saul (Saul Fia)
Dir: László Nemes

• ÍNDIA: Court
Dir: Chaitanya Tamhane

• IRÃ: Muhammad: The Messenger of God
Dir: Majid Majidi

• IRAQUE: Memories on Stone
Dir: Shawkat Amin Korki

• IRLANDA: Viva
Dir: Paddy Breathnach

• ISLÂNDIA: A Ovelha Negra (Hrútar)
Dir: Grímur Hákonarson

• ISRAEL: Baba Joon
Dir: Yuval Delshad

• ITÁLIA: Don’t Be Bad
Dir: Claudio Caligari

• JAPÃO: 100 Yen Love
Dir: Masaharu Take

• JORDÂNIA: Theeb
Dir: Naji Abu Nowar

• KOSOVO: Pai (Babai)
Dir: Visar Morina

• LETÔNIA: Modris
Dir: Juris Kursietis

• LÍBANO: Void
Dir: Naji Bechara, Jad Beyrouthy, Zeina Makki, Tarek Korkomaz, Christelle Ighniades, Maria Abdel Karim & Salim Haber

• LITUÂNIA: The Summer of Sangaile
Dir: Alanté Kavaïté

• LUXEMBURGO: Baby (A)lone
Dir: Donato Rotunno

• MACEDÔNIA: Honey Night
Dir: Ivo Trajkov

• MALÁSIA: Men Who Save the World
Dir: Liew Seng Tat

• MARROCOS: Aida
Dir: Driss Mrini

• MÉXICO: 600 Miles
Dir: Gabriel Ripstein

• MONTENEGRO: You Carry Me
Dir: Ivona Juka

• NEPAL: Talakjung vs Tulke
Dir: Basnet Nischal

• NORUEGA: The Wave
Dir: Roar Uthaug

• PAQUISTÃO: Moor
Dir: Jami

• PALESTINA: The Wanted 18
Dir: Amer Shomali & Paul Cowan

• PARAGUAI: Cloudy Times
Dir: Arami Ullón

• PERU: NN
Dir: Héctor Gálvez

• POLÔNIA: 11 Minutes
Dir: Jerzy Skolimowski

• PORTUGAL: As Mil e Uma Noites – Volume 2, O Desolado (Arabian Nights – Volume 2, The Desolate One)
Dir: Miguel Gomes

• QUIRGUISTÃO: Heavenly Nomadic
Dir: Mirlan Abdykalykov

• REINO UNIDO: Under Milk Wood
Dir: Kevin Allen

• REPÚBLICANA DOMINICANA: Sand Dollars
Dir: Laura Amelia Guzmán & Israel Cárdenas

• REPÚBLICA TCHECA: Home Care
Dir: Slavek Horak

• ROMÊNIA: Aferim!
Dir: Radu Jude

• RÚSSIA: Sunstroke
Dir: Nikita Mikhalkov

• SÉRVIA: Enclave
Dir: Goran Radovanović

• SINGAPURA: 7 Letters
Dir: Royston Tan, Kelvin Tong, Eric Khoo, Jack Neo, Tan Pin Pin, Boo Junfeng & K. Rajagopal

• SUÉCIA: Um Pombo Pousou num Galho Refletindo Sobre a Existência (En duva satt på en gren och funderade på tillvaron)
Dir: Roy Andersson

• SUÍÇA: Iraqi Odyssey
Dir: Samir

• TAILÂNDIA: How to Win at Checkers (Every Time)
Dir: Josh Kim

• TAIWAN: The Assassin
Dir: Hou Hsiao-hsien

• TURQUIA: Sivas
Dir: Kaan Müjdeci

• URUGUAI: A Moonless Night
Dir: Germán Tejeira

• VENEZUELA: Lo que Lleva el Río (Gone with the River)
Dir: Mario Crespo

• VIETNÃ: Jackpot
Dir: Dustin Nguyen

As indicações serão anunciadas no dia 14 de janeiro de 2016. A 88ª cerimônia do Oscar acontece em 28 de fevereiro.

‘Taxi’, de Jafar Panahi, leva o Urso de Ouro no Festival de Berlim 2015

Jafar Panahi se torna taxista em filme vencedor do Urso de Ouro, Taxi (photo by outnow.ch)

Jafar Panahi se torna taxista em filme vencedor do Urso de Ouro, Taxi (photo by outnow.ch)

BERLIM PREMIA FILME POLÍTICO, MAS TAMBÉM PROTESTA PELA PRISÃO DE DIRETOR IRANIANO

Eu sei, eu sei… notícia velha. Estive concentrado no Oscar e como o Festival de Berlim insiste em permanecer em fevereiro, tive que deixar de escanteio. Enfim, estou aqui para registrar os vencedores do 65º Festival de Berlim, que foram anunciados no último dia 14 de fevereiro.

O grande vencedor foi o filme Taxi, do iraniano Jafar Panahi. Quando soube da sinopse do filme, na hora me lembrei daquele quadro-farsa “Táxi do Gugu”, pois basicamente foi o que Panahi fez: ele se transformou num motorista de táxi, mas ao contrário do nosso apresentador sem carisma, seu intuito era conhecer melhor a sociedade iraniana através de diálogos dentro do veículo, que escondia câmeras.

Vale relembrar que em março de 2010, o diretor foi preso por autoridades iranianas depois que descobriram que seu documentário levantava suspeitas de  fraudes na reeleição do presidente Mahmud Ahmadinejad em 2009. Foi sentenciado a prisão domiciliar e teoricamente, não poderia filmar por dez anos.

Muito conhecido por suas críticas sociais, Panahi se firmou como um dos grandes representantes do cinema iraniano com filmes como O Balão Branco e O Círculo, que além de revelarem a situação de seu país, influenciaram outros diretores como Walter Salles. Este é seu primeiro Urso de Ouro. Ele já venceu o Urso de Prata pelo roteiro de Cortinas Fechadas em 2013, e o Urso de Prata do Grande Prêmio do Júri por Fora do Jogo em 2006.

Em prisão domiciliar há quatro anos, Panahi foi representado por familiares na cerimônia de premiação, então quando o presidente do júri, Darren Aronofsky, anunciou seu nome como vencedor, sua sobrinha Hanna Saeidi subiu ao palco para receber o prêmio. Muito emocionada, ela chorou ao pegar o Urso de Ouro e foi amparada por Aronofsky. “Não consigo dizer nada. Estão tão emocionada”, disse entre lágrimas.

Hanna Saeidi se emociona ao receber o Urso de Ouro pelo pai, Jafar Panahi, pelo filme Taxi (photo by http://www.rbb-online.de)

Hanna Saeidi se emociona ao receber o Urso de Ouro pelo tio, Jafar Panahi, pelo filme Taxi (photo by http://www.rbb-online.de)

Embora a idéia do filme seja digna de premiação, o Urso de Ouro para Taxi certamente sofreu algum nível de influência pela continuidade da prisão do diretor por tanto tempo. Por mais que o presidente do júri se esperneie todo pra explicar que a decisão foi unânime entre os demais membros do júri, é praticamente impossível não enxergar esse reconhecimento como uma forma de protesto internacional que busque indiretamente a liberdade do artista em terras iranianas. Apesar de improvável, espero que esse prêmio colabore pelo menos com a redução da pena de Jafar Panahi.

Caso Panahi não estivesse preso, muitos críticos presentes no festival defenderam que o filme Aferim! poderia ser o grande vencedor. Filmado em preto-e-branco, esse western moderno romeno se passa no século XIX, e apresenta uma trama de captura de um escravo cigano que teve um caso com a esposa de seu dono. Seria uma forma de crítica ao escravismo de que persiste na Romênia atual. Apesar do tema sério, Aferim! teria um humor que lembra os antigos filmes de Emir Kusturica. Acabou levando o prêmio de Diretor para Radu Jude, compartilhado com o filme Body, da diretora Malgorzata Szumowska.

Cena de Aferim!, de Radu Jude, que levou o Urso de Prata de Diretor (photo by outnow.ch)

Cena de Aferim!, de Radu Jude, que levou o Urso de Prata de Diretor (photo by outnow.ch)

Já o Grande Prêmio do Júri, uma espécie de segundo lugar, ficou com o chileno Pablo Larraín e seu El Club, que aborda contradições da Igreja Católica através de sacerdotes de uma cidade costeira do Chile. Para quem não se lembra, Larraín foi responsável pelo politicamente inovador No, que concorreu ao Oscar de Filme em Língua Estrangeira em 2013.

Quanto aos prêmios de atuação, ambos foram para a mesma produção. Charlotte Rampling e Tom Courtenay foram reconhecidos por 45 Years, um drama britânico que mostra o impacto sobre um casamento de 45 anos quando o corpo da ex-namorada do marido é encontrado 50 anos depois. É muito bacana ver um ator de 78 anos retornando aos holofotes depois de já ter sido indicado ao Oscar por Doutor Jivago (1965) e O Fiel Camareiro (1983). Já Rampling há tempos merecia um prêmio do naipe de Berlim, pois consegue atuar bem em qualquer gênero ou papel. Como cinéfilo, torço para que ambos estejam no burburinho e consigam até indicações ao Oscar 2016!

Premiados em Berlim: Tom Courtenay e Charlotte Rampling em 45 Years (photo by outnow.ch)

Premiados em Berlim: Tom Courtenay e Charlotte Rampling em 45 Years (photo by outnow.ch)

Apesar de não terem sido premiados, os filmes Cinderella e Mr. Holmes tiveram boas críticas relacionadas aos atores Cate Blanchett e Ian McKellen, respectivamente. Enquanto a primeira interpretou a madrasta má da princesa, o segundo soube humanizar o velho personagem de Arthur Conan Doyle. Quem sabe essas performances também não sobrevivem até o próximo Oscar?

Cate Blanchett como lady Tremaine em Cinderella (photo by outnow.ch)

Cate Blanchett como lady Tremaine em Cinderella (photo by outnow.ch)

Vencedores do 65º Festival de Berlim:

URSO DE OURO
Taxi, de Jafar Panahi

URSO DE PRATA – Grande Prêmio do Júri
El Club (The Club), de Pablo Larraín

URSO DE PRATA – Alfred Bauer Prize
Ixcanul (Ixcanul Volcano), de Jayro Bustamante – para filme que abre novas perspectivas

URSO DE PRATA para MELHOR DIRETOR (empate)
Radu Jade (Aferim!)
Malgorzata Szumowska (Body)

URSO DE PRATA para MELHOR ATRIZ
Charlotte Rampling (45 Years)

URSO DE PRATA para MELHOR ATOR
Tom Courtenay (45 Years)

URSO DE PRATA para MELHOR ROTEIRO
Patricio Guzmán (El boton de nacar) (The Pearl Button)

URSO DE PRATA para MELHOR CONTRIBUIÇÃO ARTÍSTICA (empate)
Sturla Brandth Grøvlen (Victoria) – pela câmera
Evgeniy Privin e Sergey Mikhalchuk (Pod electricheskimi oblakami) (Under Electric Clouds) – pela câmera

 

Rampling e Courtenay com seus Ursos de Prata por 45 Years (photo by files.prokerala.com)

Rampling e Courtenay com seus Ursos de Prata por 45 Years (photo by files.prokerala.com)

Indicados ao 65º Festival de Berlim (2015)

65º Festival de Berlim (2015)

65º Festival de Berlim (2015)

FESTIVAL APRESENTA BOA SELEÇÃO COM VETERANOS E TALENTOS PROMISSORES

É curioso ver um ano depois os vencedores do Festival de Berlim 2014 entre os favoritos ao Oscar 2015. Em 2014, o festival premiou Boyhood: Da Infância à Juventude como Melhor Diretor, enquanto O Grande Hotel Budapeste levou o Prêmio Especial do Júri. É uma pena que o festival fique meio de escanteio com a alta temporada de premiações como o BAFTA e o Oscar.

A edição deste ano traz nomes ilustres como Terrence Malick, Kenneth Branagh, Werner Herzog, Oliver Hirschbiegel e Wim Wenders, que será homenageado com o Urso de Ouro pela carreira. Haverá sessões especiais de alguns de seus filmes como O Amigo AmericanoAsas do Desejo e Paris, Texas.

O presidente do júri, Darren Aronofsky (photo by novostimira.com)

O presidente do júri, Darren Aronofsky (photo by novostimira.com)

O júri, presidido pelo diretor de Cisne Negro, Darren Aronofsky, contará ainda com o ator alemão Daniel Brühl, o diretor sul-coreano Bong Joon-ho, a produtora Martha De Laurentiis, a diretora peruana Claudia Llosa, a atriz francesa Audrey Tautou e o produtor executivo norte-americano Matthew Weiner.

Eles terão a tarefa de conferir e avaliar as 23 produções internacionais, concedendo em seguida prêmios que podem mudar o rumo de cineastas promissores como a italiana Laura Bispuri que trouxe seu filme de estréia Vergine Giurata, ou consagrar nomes conhecidos do grande público como Werner Herzog, Peter Greenaway e Terrence Malick.

Além dos nomes mais conhecidos, estou ansioso para conferir os novos trabalhos do diretor chileno Pablo Larraín, que chegou a ser indicado ao Oscar pelo criativo No, e a espanhola Isabel Coixet, que causou furor pelo tocante drama Minha Vida Sem Mim (2003). E bastante curioso pra ver a nova parceria do diretor Bill Condon com o veterano Ian McKellen numa nova aventura de Sherlock em Mr. Holmes. Eles fizeram uma gema sobre a vida do diretor James Whale em Deuses e Monstros (1998), que lhe rendeu o Oscar de Roteiro Adaptado. Particularmente, já considero McKellen um sério candidato a Melhor Ator no Oscar 2016.

Ian McKellen como Sherlock Holmes em Mr. Holmes (photo by outnow.ch)

Ian McKellen como Sherlock Holmes em Mr. Holmes (photo by outnow.ch)

O evento também estará muito bem servido de celebridades no tapete vermelho. Além de figuras carimbadas dos festivais como Juliette Binoche (Nobody Wants the Night), Léa Seydoux (Diary of  a Chambermaid), Charlotte Rampling (45 Years), são aguardadas as presenças de Christian Bale, Natalie Portman (Knight of Cups), Nicole Kidman, James Franco (Queen of the Desert) – sendo que Franco ainda estrela Every Thing Will Be Fine – e Ian McKellen (Mr. Holmes). Até daria pra apostar que os vencedores dos prêmios de atuação estarão entre esses nomes acima, mas como depende demais das preferências do júri, não dá pra descartar premiação para nomes praticamente desconhecidos.

Christian Bale e Natalie Portman em cena de Knight of Cups, novo filme de Terrence Malick: cheiro de prêmios. (photo by outnow.ch)

Christian Bale e Natalie Portman em cena de Knight of Cups, novo filme de Terrence Malick: cheiro de prêmios. (photo by outnow.ch)

Seguem os indicados ao 65º Festival de Berlim:

45 Years
Dir: Andrew Haigh
Reino Unido

Als wir träumten (As We Were Dreaming)
Dir: Andreas Dresen
Alemanha/França

Body
Dir: Malgorzata Szumowska
Polônia

Cha va con va (Big Father, Small Father and Other Stories)
Dir: Phan Dang Di
Vietnã/França/Alemanha/Holanda

Cinderella
Dir: Kenneth Branagh
EUA

Eisenstein in Guanajuato
Dir: Peter Greenaway
Holanda/México/Bélgica/Finlândia

Ixcanul (Ixcanul Volcano)
Dir: Jayro Bustamante
Guatemala/França

Journal d’une femme de chambre (Diary of a Chambermaid)
Dir: Benoit Jacquot
França/Bélgica

Knight of Cups
Dir: Terrence Malick
EUA

Mr. Holmes
Dir: Bill Condon
Reino Unido

Nobody Wants the Night
Dir: Isabel Coixet
Espanha/França/Bulgária

Pod electricheskimi oblakami (Under Electric Clouds)
Dir: Alexey German
Rússia/Ucrânia/Polônia

Queen of the Desert
Dir: Werner Herzog
EUA

Taxi
Dir: Jafar Panahi
Irã

Victoria
Dir: Sebastian Schipper
Alemanha

Yi bu zhi yao (Gone with the Bullets)
Dir: Jiang Wen
China/EUA

Aferim!
Dir: Radu Jude
Romênia/Bulgária/República Tcheca

El boton de nacar (The Pearl Button)
Dir: Patricio Guzman
França/Chile/Espanha

El Club (The Club)
Dir: Pablo Larrain
Chile

Elser (13 Minutes)
Dir: Oliver Hirschbiegel
Alemanha

Every Thing Will Be Fine
Dir: Wim Wenders
Alemanha/Canadá/França/Suécia/Noruega

Ten no chasuke (Chasuke’s Journey)
Dir: Sabu
Japão

Vergine giurata (Sworn Virgin)
Dir: Laura Bispuri
Itália/Suíça/Alemanha/Albânia/Kosovo