ALFONSO CUARÓN leva seu segundo DGA por ‘ROMA’

Alfonso Cuarón DGA Roma

Vencedor em 2018, Guillermo del Toro entrega o DGA para seu conterrâneo e amigo, Alfonso Cuarón, comprovando hegemonia mexicana (pic by WSBT)

Dentre todos os prêmios de sindicatos, o mais certeiro em relação ao Oscar é o de diretores (DGA). Portanto, dá para praticamente cravar que Alfonso Cuarón levará seu segundo Oscar de Direção… ou ainda é muito cedo pra afirmar?

Como se tratam de apenas SETE divergências na história do DGA em relação ao Oscar, é sempre válido relembrá-las:

  • Em 1968: Anthony Harvey ganhou o DGA Award por O Leão no Inverno, enquanto Carol Reed levou o Oscar por Oliver!
  • Em 1972: Francis Ford Coppola por O Poderoso Chefão (DGA) e Bob Fosse por Cabaret (Oscar).
  • Em 1985: Steven Spielberg por A Cor Púrpura (DGA), e Sydney Pollack por Entre Dois Amores (Oscar).
  • Em 1995: Ron Howard por Apollo 13 (DGA), e Mel Gibson por Coração Valente (Oscar).
  • Em 2000: Ang Lee por O Tigre e o Dragão (DGA) e Steven Soderbergh por Traffic (Oscar).
  • Em 2002: Rob Marshall por Chicago (DGA) e Roman Polanski por O Pianista (Oscar).
  • Em 2013: Ben Affleck por Argo (DGA) e Ang Lee por As Aventuras de Pi (Oscar)

Em nenhum desses casos, o vencedor do DGA tinha conquistado duas vezes o prêmio como aconteceu com Cuarón, o que pode caracterizar ou embasar uma nova divergência entre DGA e a Academia, mas principalmente porque temos um coringa entre os diretores indicados: Spike Lee.

Recapitulando: Em 1990, havia uma forte pressão para que Spike Lee se tornasse o primeiro diretor negro indicado ao Oscar de Direção pelo marcante Faça a Coisa Certa, porém a Academia o reconheceu apenas pelo roteiro e sem vitória. Sua ausência na categoria de Diretores repercutiu tanto que a Academia se sentiu na obrigação de indicar um diretor negro dois anos depois, resultando na indicação de John Singleton por Os Donos da Rua.

De lá pra cá, outros diretores afro-descendentes foram indicados ao Oscar como Lee Daniels, Steve McQueen e Jordan Peele, mas só agora Spike Lee foi indicado para Direção por Infiltrado na Klan. Portanto, os votantes da Academia podem se sentir na obrigação de compensá-lo pelas injustiças do passado (sim, esse pessoal adora compensar depois, normalmente com filmes errados). Enfim, acredito que Spike Lee ainda tenha muitas chances no Oscar, mesmo que Alfonso Cuarón tenha levado o DGA.

Se os votantes da Academia pensarem que Cuarón já conquistou um Oscar por Gravidade há 5 anos, e pode levar uma nova estatueta pela categoria de Filme em Língua Estrangeira, as chances dos demais diretores aumentam, incluindo de Spike Lee.

Dos diretores indicados ao DGA e do Oscar, houve duas divergências. No primeiro, Bradley Cooper (Nasce uma Estrela) e Peter Farrelly (Green Book) concorriam. Já no segundo, eles foram substituídos por Pawel Pawlikowski (Guerra Fria) e Yorgos Lanthimos (A Favorita).

Falando em Bradley Cooper, ele tem sido o artista mais decadente da temporada. Não que ele não tenha sido reconhecido, mas pela campanha, esperava-se uma presença mais maciça, especialmente como diretor. Aqui no DGA, por exemplo, ele estava indicado em ambas as categorias de Diretor e Diretor Estreante. Além de haver dupla chance de vitória, muitos apontavam como certa sua vitória como Estreante, mas acabaram premiando Bo Burnham por Oitava Série.

Bo Burnham DGA

Bo Burnham posa com seu DGA de Diretor Estreante por Oitava Série (pic by KATV)

Com boa experiência e colaboração com diretores de prestígio como Clint Eastwood e David O. Russell, Bradley conseguiu dar uma boa repaginada numa história batida de fama como a de Nasce uma Estrela, especialmente na primeira metade, porém, concordo que a melhor estréia na função foi de Bo Burnham. Com Oitava Série, ele conseguiu explorar as inseguranças da pré-adolescência ao mesmo tempo em que retratava como poucos a linguagem das redes sociais.

Pela categoria de documentário, para diversificar ainda mais, o vencedor foi Tim Wardle por Três Estranhos Idênticos, que não obteve indicação ao Oscar. E com o até então franco-favorito Won’t You Be My Neighbor fora do Oscar também, as cartas estão com Free Solo e RBG.

Pelas categorias de TV, curiosamente, os atores-diretores foram mais felizes. Ben Stiller venceu como Melhor Diretor de Filmes para TV ou Minissérie por Escape at Dannemora, enquanto Bill Hader levou pela direção de Série de Comédia por Barry. E Adam McKay, indicado pelo filme Vice, acabou levando por Série Dramática por Succession.

VENCEDORES DO 71º DGA AWARDS:

MELHOR DIRETOR
Alfonso Cuarón (Roma)

MELHOR DIRETOR ESTREANTE
Bo Burnham (Oitava Série)

MELHOR DIRETOR – DOCUMENTÁRIO
Tim Wardle (Três Estranhos Idênticos)

MELHOR DIRETOR – SÉRIE DRAMÁTICA
Adam McKay (Succession) Episódio: “Celebration”

MELHOR DIRETOR – SÉRIE DE COMÉDIA
Bill Hader (Barry)

MELHOR DIRETOR – MINISSÉRIE OU FILME PARA TV
Ben Stiller (Escape at Dannemora)

***

A 91ª cerimônia do Oscar está marcada para o dia 24 de fevereiro.

Meryl Streep será homenageada com o prêmio Cecil B. DeMille no Globo de Ouro 2017

Meryl Streep com o Globo de Ouro por A Dama de Ferro (photo by etonline.com)

Meryl Streep com seu Globo de Ouro por A Dama de Ferro (photo by etonline.com)

EM ANO QUE PODE CONQUISTAR SUA 30ª INDICAÇÃO AO GLOBO DE OURO,
ELA RECEBE PRÊMIO HONORÁRIO

Meryl Streep merece o prêmio Cecil B. DeMille? Absolutamente. Indubitavelmente. Contudo, aos 67 anos, a atriz sinônimo de atuação premiada ainda atravessa um período extenso de auge na carreira, que se iniciou nos anos 70.

Ao contrário do Oscar Honorário, que costuma reconhecer o conjunto da obra de um artista preterido anteriormente, mais idoso ou que tinha chances quase nulas de concorrer em categorias (este ano, temos o ator Jackie Chan homenageado pela Academia), o prêmio Cecil B. DeMille carrega uma essência mais bajuladora por parte da Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood, que enxerga o prêmio como uma oportunidade de reverenciar um artista em alta.

Curiosamente, Streep pode (e deve) estar na lista de indicados do Globo de Ouro de Melhor Atriz – Comédia ou Musical, já que sua atuação em Florence: Quem é Essa Mulher? (Florence Foster Jenkins) tem figurado na lista de previsões de sites especializados. Se isso se concretizar, será sua 30ª indicação ao prêmio. E se ela conseguir bater a franco-favorita Emma Stone por La La Land: Cantando Estações, pode ser sua 9ª estatueta dourada.

Enfim, excetuando-se essa questão do auge da atriz ainda nos dias de hoje, não há outra artista mais merecedora e digna de homenagens do que Meryl Streep. Toda vez que me perguntam qual a melhor atriz, o nome dela está sempre na ponta da língua. Pra mim, bom ator é aquele que se despe de qualquer orgulho e vaidade a fim de encarnar o personagem, e isso ela faz como poucos, e ainda entrega sempre um carisma pessoal dela, mesmo num papel odiável como o de Miranda Priestly em O Diabo Veste Prada ou a freira Aloysius em Dúvida.

Meryl Streep como Miranda Priestly em O Diabo Veste Prada (photo by outnow.ch)

Meryl Streep como Miranda Priestly em O Diabo Veste Prada (photo by outnow.ch)

Ela é uma das pouquíssimas que consegue salvar um filme ruim como a refilmagem de Sob o Domínio do Mal (2004) ou o mais recente A Dama de Ferro (2011), pelo qual ganhou seu terceiro Oscar. Em seu discurso, é possível ver quanta admiração vem da platéia. Todos congelam para prestar atenção em cada palavra dela. Pra quem não viu ou quer rever, segue seu discurso na cerimônia da Academia:

Claro, o prêmio Cecil B. DeMille será uma bela homenagem para uma dama das telas, com direito a um discurso igualmente memorável, mas acredito que Streep ainda terá pelo menos mais 10 anos de um trabalho cada vez mais rico, sólido e minucioso de interpretação. Portanto, qual a pressa, certo?

Já que só temos uma oportunidade por ano, por que não resgatar tantos outros artistas que caíram um pouco no ostracismo como Michelle Pfeiffer, Sissy Spacek ou os diretores William Friedkin e Rob Reiner?

MERYL STREEP E O GLOBO DE OURO

1979: Indicada a Atriz Coadjuvante por O Franco-Atirador
1980: Vencedora de Atriz Coadjuvante por Kramer vs. Kramer
1982: Vencedora de Atriz – Drama por A Mulher do Tenente Francês 
1983: Vencedora de Atriz – Drama por A Escolha de Sofia
1984: Indicada a Atriz – Drama por Silkwood – O Retrato de uma Coragem
1986: Indicada a Atriz – Drama por Entre Dois Amores
1989: Indicada a Atriz – Drama por Um Grito no Escuro
1990: Indicada a Atriz – Comédia ou Musical por Ela é o Diabo
1991: Indicada a Atriz – Drama por Lembranças de Hollywood
1993: Indicada a Atriz – Comédia ou Musical por A Morte Lhe Cai Bem
1995: Indicada a Atriz – Drama por O Rio Selvagem
1996: Indicada a Atriz – Drama por As Pontes de Madison
1997: Indicada a Atriz – Drama por As Filhas de Marvin
1998: Indicada a Atriz – Minisséries ou Filme para TV por Pela Vida do meu Filho
1999: Indicada a Atriz – Drama por Um Amor Verdadeiro
2000: Indicada a Atriz – Drama por Música do Coração
2003: Vencedora de Atriz Coadjuvante por Adaptação.
2003: Indicada a Atriz – Drama por As Horas
2004: Vencedora de Atriz – Minisséries ou Filme para TV por Angels in America
2005: Indicada a Atriz Coadjuvante por Sob o Domínio do Mal
2007: Vencedora de Atriz – Comédia ou Musical por O Diabo Veste Prada
2009: Indicada a Atriz – Drama por Dúvida
2009: Indicada a Atriz – Comédia ou Musical por Mamma Mia!
2010: Indicada a Atriz – Comédia ou Musical por Simplesmente Complicado
2010: Vencedora de Atriz – Comédia ou Musical por Julie & Julia
2012: Vencedora de Atriz – Drama por A Dama de Ferro
2013: Indicada a Atriz – Comédia ou Musical por Um Divã Para Dois
2014: Indicada a Atriz – Drama por Álbum de Família
2015: Indicada a Atriz Coadjuvante por Caminhos da Floresta

Como a cozinheira Julia Child em Julie & Julia (photo by tvnoar.com.br)

Como a cozinheira Julia Child em Julie & Julia (photo by tvnoar.com.br)

A 74ª cerimônia do Globo de Ouro será no dia 07 de janeiro de 2017.

Alejandro G. Iñárritu, George Miller, Tom McCarthy, Ridley Scott e Adam McKay conquistam indicação ao DGA 2016

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Do alto, da esquerda para direita: Adam McKay, Ridley Scott, Tom McCarthy, Alejandro González Iñárritu e George Miller (photo montage by awardsdaily.com)

DIRETOR BRASILEIRO, FERNANDO COIMBRA, É RECONHECIDO POR NOVA CATEGORIA PARA ESTREANTES

Por se tratar de um dos melhores parâmetros para o Oscar (se não o melhor), o DGA é praticamente garantia de que o vencedor aqui leva o prêmio de direção da Academia em seguida. E quem estiver fora dessa lista, pode praticamente dar adeus a uma vitória no Oscar. Nesse caso, os excluídos Todd Haynes (Carol) e Steven Spielberg (Ponte dos Espiões) podem até conquistar uma indicação ao Oscar na quinta-feira, mas chances reais de vitória caem drasticamente.

Pra quem não se recorda, vale lembrar que em 67 anos de existência, o DGA só não coincidiu com o vencedor do Oscar de diretor em apenas 7 ocasiões:

  • Em 1968: Anthony Harvey ganhou o DGA Award por O Leão no Inverno, enquanto Carol Reed levou o Oscar por Oliver!
  • Em 1972: Francis Ford Coppola por O Poderoso Chefão (DGA) e Bob Fosse por Cabaret (Oscar).
  • Em 1985: Steven Spielberg por A Cor Púrpura (DGA), e Sydney Pollack por Entre Dois Amores (Oscar).
  • Em 1995: Ron Howard por Apollo 13 (DGA), e Mel Gibson por Coração Valente (Oscar).
  • Em 2000: Ang Lee por O Tigre e o Dragão (DGA) e Steven Soderbergh por Traffic (Oscar).
  • Em 2002: Rob Marshall por Chicago (DGA) e Roman Polanski por O Pianista (Oscar).
  • Em 2013: Ben Affleck por Argo (DGA) e Ang Lee por As Aventuras de Pi (Oscar).

Pra ser bem sincero, acredito que Adam McKay deve ceder sua vaga no Oscar para Haynes, o que fortaleceria suas chances de ganhar como roteirista por A Grande Aposta.

Enfim… as indicações ao DGA foram anunciadas hoje, dia 12, e o presidente do sindicato, Paris Barclay, aproveitou para elogiar os trabalhos de 2015: “O que faz com que este ano seja diferente é a ambição desenfreada dos indicados – no tema , na produção, na imaginação visual. O que faz com que este ano seja o mesmo é que os filmes foram todos escolhidos pelos colegas dos diretores, e é claro que nossos membros adoram quando as pessoas usam sua visão e habilidade para elevar os meios para novos patamares. Parabéns a todos os indicados por seu trabalho incrível.”

Pelo discurso, parecia que ele estava elogiando o trabalho ousado de George Miller em Mad Max: Estrada da Fúria, o que talvez soaria como um indicativo de que este pode ser o primeiro DGA de Miller, mas ele terá dura competição pela frente, com um imbatível Alejandro González Iñárritu, que acaba de levar o Globo de Ouro por O Regresso, e Ridley Scott por Perdido em Marte, que está com cara de que pode levar mais pelo conjunto de sua obra do que pelo filme em si.

Nesta 68ª edição, o DGA resolveu criar uma nova categoria destinada a diretores estreantes, tamanho o talento encontrado em novos diretores. Por se tratar de um prêmio novíssimo, não dá pra saber ainda se ele terá algum tipo de impacto no Oscar, mas definitivamente, trata-se de um reconhecimento merecido.

Além de figuras mais conhecidas como Alex Garland (que roteirizou Extermínio, Sunshine – Alerta Solar e Não me Abandone Jamais) e Joel Edgerton (ator de Reino Animal, Guerreiro e O Grande Gatsby), o diretor brasileiro Fernando Coimbra foi indicado por seu trabalho no bom e tenso thriller O Lobo Atrás da Porta, uma espécie de Atração Fatal carioca. Ele, que já vinha em ascensão com a direção de episódios da série Narcos e agora filmando Sand Castle, longa estrelado por Henry Cavill e Nicholas Hoult, passa a ter mais destaque no cenário internacional com esta indicação. Espero que ele prospere e siga a trajetória de sucesso de nossos diretores Walter Salles, Fernando Meirelles e José Padilha.

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Em primeiro plano, Leandra Leal em cena de O Lobo Atrás da Porta, de Fernando Coimbra (photo by cinemaorama.com.br)

 

Seguem os indicados a Diretor:

ALEJANDRO GONZÁLEZ IÑÁRRITU (O Regresso)

Alejandro González IñárrituVencedor do DGA de 2015 por Birdman, esta é sua terceira indicação. Perdeu em 2007 por Babel. Como cinéfilo e admirador do diretor desde seu primeiro longa Amores Brutos (2000), acredito que ele evoluiu bastante. Por um momento, temi que ele fosse se limitar à estrutura narrativa de histórias paralelas que se cruzam com uma tragédia, mas ele conseguiu se superar com Biutiful e Birdman, e promete ser um daqueles raros diretores que buscam inovações a cada novo trabalho. Com a colaboração inestimável de seu DP (diretor de fotografia) Emmanuel Lubezki, Iñárritu se mostra promissor e deve conquistar pelo menos mais uma estatueta do Oscar.

TOM McCARTHY (Spotlight – Segredos Revelados)

Tom McCarthyFoi atuando como ator que Tom McCarthy começou a observar o trabalho dos diretores. Por estar no elenco, viu de perto o modo de trabalho de Richard Donner em Teoria da Conspiração, George Clooney em Boa Noite e Boa Sorte e Clint Eastwood em A Conquista da Honra. Logo em seu primeiro filme como diretor, em O Agente da Estação, foi premiado pelo BAFTA, Independent Spirit e Sundance. Em seguida dirigiu dois bons trabalhos em O Visitante e Ganhar ou Ganhar – A Vida é um Jogo, mas em 2014, resolveu dirigir um filme bem ruinzinho estrelado por Adam Sandler, Trocando os Pés. Felizmente, voltou a um cinema mais consistente em Spotlight – Segredos Revelados. Esta é sua primeira indicação ao DGA.

ADAM McKAY (A Grande Aposta)

Adam McKaySe olharmos para a filmografia de Adam McKay, encontraremos exemplares das comédias estreladas por Will Ferrell como Ricky Bobby – A Toda Velocidade, Quase Irmãos e Os Outros Caras, filmes que dificilmente seriam reconhecidos no Oscar ou mesmo no DGA. Imagino que deve ter amadurecido seu feeling e timing cômico nessa trama sobre a crise econômica de A Grande Aposta. Espero. Esta é sua primeira indicação ao DGA.

 

GEORGE MILLER (Mad Max: Estrada da Fúria)

George MillerGeorge Miller era daqueles diretores que eu pensava: “Por que esse cara nunca foi reconhecido pela Academia?” Ele dirigiu uma das melhores trilogias do cinema: Mad Max. E nada! Então, ele passou a ser mais sentimentalista (ou passou a se vender – dependendo do ponto de vista) dirigindo dramas como O Óleo de Lorenzo (1992) e dirigir filmes fofinhos como Babe – O Porquinho Atrapalhado na Cidade (1998) e animação Happy Feet: O Pingüim (2006) e sua continuação. Acho que só o fato de ele ter conseguido convencer o estúdio a lhe dar carta branca pra fazer esse insano e politicamente incorreto Mad Max: Estrada da Fúria em tempos de cinema careta já foi uma vitória incontestável. Esta é sua primeira indicação ao DGA.

RIDLEY SCOTT (Perdido em Marte)

Ridley ScottEu tinha uma grande admiração por Ridley Scott. Ele dirigiu duas das melhores ficções científicas da História do Cinema: Alien, o Oitavo Passageiro (1979) e Blade Runner – O Caçador de Andróides (1982), mas desde que o vi com aquela cara de mau perdedor no Oscar 2001, quando competia por Gladiador e perdeu para Steven Soderbergh (Traffic), fiquei com a expressão: “Esse mau perdedor aí é o diretor de Alien?”. Seu novo filme Perdido em Marte é uma boa ficção científica que tem como mérito ser otimista, algo muito raro no gênero. Acredito que tem grandes chances aqui e no Oscar, porém mais por sua filmografia que inclui o cult Thelma & Louise, Os Duelistas e Chuva Negra. Esta é sua quarta indicação ao DGA. Ele foi indicado antes por Thelma & Louise, Gladiador e Falcão Negro em Perigo.

Seguem os indicados a Melhor Diretor Estreante:

  • Fernando Coimbra (O Lobo Atrás da Porta)
  • Joel Edgerton (O Presente)
  • Alex Garland (Ex-Machina: Instinto Artificial)
  • Marielle Heller (O Diário de uma Adolescente)
  • László Nemes (O Filho de Saul)

 

O 68º DGA Awards acontece no dia 06 de fevereiro.

Indicações ao DGA 2015 ajudam ‘Sniper Americano’ e ‘O Jogo da Imitação’

Da esquerda pra direita: Clint Eastwood, Alejandro González Iñárritu, Richard Linklater, Wes Anderson e Mortem Tyldum são os indicados ao DGA 2015 (photo by variety.com)

Da esquerda pra direita: Clint Eastwood, Alejandro González Iñárritu, Richard Linklater, Wes Anderson e Mortem Tyldum são os indicados ao DGA 2015 (photo by variety.com)

O 67th Annual DGA Awards divulgou nesta terça, dia 13, seus cinco indicados a Melhor Diretor e os filmes Sniper Americano e O Jogo da Imitação têm motivos para comemorar. Não que os demais indicados Boyhood, Birdman e O Grande Hotel Budapeste não tenham, mas suas inclusões na lista foram as surpresas desta edição.

Sei que é muito fácil dizer isso agora, mas eu já previa uma nova indicação para Clint Eastwood. Para quem acompanhou a escalada relâmpago de Sniper Americano nos últimos prêmios (foi indicado para  ADG, Eddie, PGA e WGA), já podia imaginar que essa crescente resultaria em algo maior. Aliás, espera-se o longa conquiste seu espaço entre as indicações ao Oscar, que serão anunciadas nesta quinta.

Já a presença do norueguês Morten Tyldum soa como uma espécie de estranho no ninho. Embora seu O Jogo da Imitação esteja presente em todos os prêmios, ele não vinha tendo quase nenhuma projeção como diretor. Nem no Critics’ Choice Awards que tem seis vagas na categoria ele conseguiu uma indicação! Contudo, o sindicato dos diretores, formado por mais de 15 mil votantes, enxergou qualidade em sua direção. Embora eu não tenha visto O Jogo da Imitação, vi seu filme anterior, Headhunters, que apresenta uma trama intricada envolvendo roubo de quadros, mas que tem na tensão do início ao fim resultado de uma paranóia crescente, que lembra A Conversação (1974), de Francis Ford Coppola, sua melhor qualidade como diretor.

Por mais que não tenham enviado cópias de Selma para os sindicatos, a exclusão mais comentada foi a de sua diretora Ava DuVernay, pois ela foi indicada ao Globo de Ouro e ao Critics’ Choice Awards. No início da temporada, havia uma expectativa de que poderia rolar uma competição inédita envolvendo duas diretoras: DuVernay e Angelina Jolie, por O Invencível, mas a última não tem sido uma unanimidade entre os críticos. Já Ava DuVernay ainda tem grandes chances de concorrer ao Oscar, por dois motivos básicos: 1º Os responsáveis pela campanha de Selma enviaram os screeners para a Academia (ao contrário dos sindicatos); e 2º a Academia adora fatos inéditos para sua gloriosa História. Se indicada, ela será a primeira diretora negra a competir na categoria de Direção, ou como eles gostam de chamar lá, afro-americana.

Entre os demais excluídos estão David Fincher (Garota Exemplar), Damien Chazelle (Whiplash: Em Busca da Perfeição), James Marsh (A Teoria de Tudo) e Dan Gilroy (O Abutre). Alguns fãs mais calorosos também argumentam a ausência de Christopher Nolan por Interestelar. Bom, como já vi o filme, posso dizer que concordo com a sua exclusão, pois apesar do estilo visual apurado dele, considero Nolan didático demais. Ele precisa explicar tudo pra fazer a história andar, por isso que seus filmes são tão longos e chatos…

Com as indicações, o DGA Awards praticamente confirma as indicações ao Oscar de Richard Linklater, Alejandro González Iñárritu e Wes Anderson. As outras duas vagas podem e devem mudar na quinta-feira no anúncio do Oscar.

Seguem os indicados ao 67º DGA Awards:

Wes Anderson

Wes Anderson

WES ANDERSON
O Grande Hotel Budapeste
Conhecido por filmes alternativos e seu humor refinado, esta é a primeira indicação dele no DGA. Para quem acompanha seus filmes desde os anos 90 como Três é Demais, Os Excêntricos Tenenbaums, A Vida Marinha com Steve Zissou, O Fantástico Sr. Raposo e Moonrise Kingdom, é possível ver uma nítida evolução nesse O Grande Hotel Budapeste. Comparado a Tim Burton por sua forte identificação de estilo visual nos campos da Direção de Arte, Fotografia e Figurino, Wes Anderson passou a aprimorar sua direção nos roteiros de sua autoria, aliados à sua montagem seca que valoriza o humor. Esta indicação vem mais do que merecida.

 

Clint Eastwood

Clint Eastwood

CLINT EASTWOOD
Sniper Americano
Pupilo de mestres como Sergio Leone e Don Siegel, Clint Eastwood se tornou um novo mestre do cinema contemporâneo ao tratar de temas polêmicos como a pedofilia em Sobre Meninos e Lobos, a síndrome de Estocolmo em Um Mundo Perfeito e a eutanásia em Menina de Ouro. Ele retorna com um tratamento diferenciado do vício da guerra em Sniper Americano. Esta é sua quarta indicação no DGA. Ele venceu duas vezes: em 1993 por Os Imperdoáveis, e em 2005 por Menina de Ouro. Em 2006, foi homenageado pelo prêmio pelo conjunto da carreira.

Alejandro González Iñárritu

Alejandro González Iñárritu

ALEJANDRO GONZÁLEZ IÑÁRRITU
Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)
O diretor mexicano ficou conhecido mundialmente por seu visceral Amores Brutos (2000) – o qual sou muito mais o título original ‘Amores Perros’ – e assim como incontáveis talentos estrangeiros, aproveitou a oportunidade de projeção internacional e embarcou em um projeto com atores hollywoodianos. O dele se chamada 21 Gramas, que tinha ninguém menos do que Sean Penn e a ascendente Naomi Watts e Benicio Del Toro. Com seu sucesso de crítica, avançou uma casa e realizou um projeto mais ambicioso intitulado Babel, com atores de várias nacionalidades como a japonesa Rinko Kikuchi e a mexicana Adriana Barraza, mas também contou com Brad Pitt e Cate Blanchett. Agora com Birdman, conseguiu reavivar a carreira do sumido Michael Keaton e até de Edward Norton, que estava meio apagado nos últimos anos. Esta é sua segunda indicação ao DGA. Ele foi indicado anteriormente por Babel em 2007.

Richard Linklater

Richard Linklater

RICHARD LINKLATER
Boyhood: Da Infância à Juventude
Embora esta seja a primeira indicação de Richard Linklater, ele é bastante conhecido no circuito independente de cinema. Além da trilogia Antes do Amanhecer, Antes do Pôr-do-Sol e Antes da Meia-Noite, ele foi responsável por cults como Jovens, Loucos e Rebeldes e Waking Life. Costuma trabalhar sempre com os mesmos colaboradores como Ethan Hawke, Julie Delpy, Patricia Arquette e Keanu Reeves. Contudo, a grande ambição por trás de Boyhood deve lhe garantir o prêmio, pois desafiou o sistema de contratos longos ao estender suas filmagens por 12 anos e assim finalizar um projeto baseado em amor. E filmes sobre amadurecimento jamais serão os mesmos depois de Boyhood.

Morten Tyldum

Morten Tyldum

MORTEN TYLDUM
O Jogo da Imitação
Também estreante no DGA, o diretor norueguês Morten Tyldum teve trajetória semelhante ao de Alejandro González Iñárritu, pois depois do sucesso de seu filme Headhunters, todo falado em norueguês, ele recebeu convite para dirigir a adaptação de Graham Moore sobre a história vitoriosa do matemático Alan Turing, que quebrou os códigos alemães para acabar com a Segunda Guerra Mundial. Para esta adaptação, ele logo conseguiu juntar grandes talentos em ascensão como Benedict Cumberbatch, que já é almejado por vários diretores consagrados. Independente da indicação ao Oscar, deve ter caminho brilhante adiante.

“Num ano repleto de filmes excelentes, os membros do DGA indicaram um grupo estelar de cineastas apaixoandos. Inspiradores e artísticos, estes cinco diretores fizeram filmes que deixaram um impacto marcante não apenas em seus companheiros diretores e membros do time de diretores, mas no público mundo afora. Parabéns a todos os indicados por seu trabalho magnífico”, declarou o presidente do DGA Paris Barclay.

Vale sempre ressaltar que o vencedor do DGA está com a mão na taça, pois em toda sua história, apenas em sete casos o vencedor não coincidiu:

  • Em 1968: Anthony Harvey ganhou o DGA Award por O Leão no Inverno, enquanto Carol Reed levou o Oscar por Oliver!
  • Em 1972: Francis Ford Coppola por O Poderoso Chefão (DGA) e Bob Fosse por Cabaret (Oscar).
  • Em 1985: Steven Spielberg por A Cor Púrpura (DGA), e Sydney Pollack por Entre Dois Amores (Oscar).
  • Em 1995: Ron Howard por Apollo 13 (DGA), e Mel Gibson por Coração Valente (Oscar).
  • Em 2000: Ang Lee por O Tigre e o Dragão (DGA) e Steven Soderbergh por Traffic (Oscar).
  • Em 2002: Rob Marshall por Chicago (DGA) e Roman Polanski por O Pianista (Oscar).
  • Em 2013: Ben Affleck por Argo (DGA) e Ang Lee por As Aventuras de Pi (Oscar).

O vencedor do DGA 2015 será anunciado no dia 07 de fevereiro em cerimônia no Hyatt Regency Century Plaza.

Ben Affleck vence o DGA por ‘Argo’. E agora, Academia?

Ben Affleck ostenta seu prêmio do DGA por Argo (photo by deccanchronicle.com)

Ben Affleck ostenta seu prêmio do DGA por Argo (photo by deccanchronicle.com)

Um grande e temido pesadelo aconteceu para a Academia: Ben Affleck levou o DGA award (Directors Guild of America) por Argo. O terceiro longa dirigido pelo ator Ben Affleck arrebatou todos os prêmios que podia: Globo de Ouro (Filme – Drama e Diretor), Critic’s Choice Award (Filme e Diretor), SAG award (Melhor Elenco – crédito para o diretor), o PGA award (Melhor Filme) e agora o DGA, que tem as melhores estatísticas de vitória garantida no Oscar. Bom, não desta vez…

Com essa vitória de Affleck, será o sétimo raríssimo caso em que o diretor vencedor do DGA não levará o Oscar, uma vez que nem foi indicado. Segue abaixo a ilustre lista dos seis casos anteriores:

  • Em 1968: Anthony Harvey ganhou o DGA Award por O Leão no Inverno, enquanto Carol Reed levou o Oscar por Oliver!
  • Em 1972: Francis Ford Coppola por O Poderoso Chefão (DGA) e Bob Fosse por Cabaret (Oscar).
  • Em 1985: Steven Spielberg por A Cor Púrpura (DGA), e Sydney Pollack por Entre Dois Amores (Oscar).
  • Em 1995: Ron Howard por Apollo 13 (DGA), e Mel Gibson por Coração Valente (Oscar).
  • Em 2000: Ang Lee por O Tigre e o Dragão (DGA) e Steven Soderbergh por Traffic (Oscar).
  • Em 2002: Rob Marshall por Chicago (DGA) e Roman Polanski por O Pianista (Oscar).

O fato de Ben Affleck não ter sido sequer indicado tem causado forte burburinho na mídia especializada e entre incontáveis cinéfilos que gostaram de Argo. Alguns mais radicais acreditam que a Academia, em seu grande conservadorismo, resolveu ignorar o diretor pelo seu passado nebuloso como ator. Como vocês sabem, Affleck nunca soube escolher bem seus projetos como ator, principalmente em 2003, quando naufragou em Demolidor – O Homem Sem Medo e Contato de Risco, ao lado da então esposa, Jennifer Lopez. Outros acreditam em lambança mesmo. Essa estratégia mal formulada de querer surpreender a todos foi um tiro no próprio pé da Academia.

O vencedor de 2012, Michel Hazanavicius (O Artista), entrega o prêmio a Ben Affleck (photo by metro.co.uk)

O vencedor de 2012, Michel Hazanavicius (O Artista), entrega o prêmio a Ben Affleck (photo by metro.co.uk)

Essa segunda teoria fica mais sólida com as ausências absurdas de mais dois indicados ao DGA: Kathryn Bigelow (A Hora Mais Escura) e Tom Hooper (Os Miseráveis). Ok, nada contra os substitutos David O. Russell, Michael Haneke e Benh Zeitlin. Todos têm seus devidos créditos, mas algo deu errado nas contas finais. Ou talvez não. Se a Academia estiver disposta a desvencilhar sua imagem de previsível de uma vez por todas, 2013 pode ser o ano um. É bem possível que as surpresas do Oscar não parem nos indicados, mas também nos vencedores. Você, que aposta em bolões e promoções, fique atento às surpresas. Alguns nomes considerados garantidos como Daniel Day-Lewis e Anne Hathaway podem cair do cavalo. Mas enfim, são apenas suposições.

Os indicados a Melhor Diretor no DGA da esquerda para a direita: Tom Hooper, Ben Affleck, Kathryn Bigelow, Ang Lee e Steven Spielberg (photo by metro.co.uk)

Os indicados a Melhor Diretor no DGA da esquerda para a direita: Tom Hooper, Ben Affleck, Kathryn Bigelow, Ang Lee e Steven Spielberg (photo by metro.co.uk)

Se Ben Affleck tivesse sido indicado ao Oscar, mas não levasse, não seria uma anormalidade, pois Argo é apenas seu terceiro filme. Talvez algumas pessoas que não votaram em Affleck tivessem boas intenções no sentido de não querer atrapalhar a ascensão dele com uma maldição do Oscar. Apesar do bom trabalho da mistura de gêneros que Argo foi, Ben Affleck ainda tem um extenso campo para amadurecer e entregar novos filmes excepcionais. Existem muitos artistas (diretores, atores e roteiristas) que interrompem sua escalada de sucesso porque acreditam que o Oscar foi seu ápice profissional, e que nada que façam em seguida pode ser melhor. Como cinéfilo, espero que essa dedução a respeito de Affleck se torne válida para que ele consiga dar a volta por cima.

Milos Forman (photo by HollywoodReporter.com)

Milos Forman (photo by HollywoodReporter.com)

O DGA awards escolheu Milos Forman como vencedor do Conjunto da Obra. Trabalhando como diretor desde os anos 60, o tcheco Forman criou obras polêmicas que entraram para a história do Cinema. O musical hippie Hair (1979), o drama de época Na Época do Ragtime (1981) que relata os conflitos raciais de Nova York no início do século XX, e a biografia do controverso Larry Flynt, que acreditava em liberdade de expressão ao publicar pornografia em O Povo Contra Larry Flynt (1996). Levou dois merecidos Oscars de Direção com os clássicos Um Estranho no Ninho (1975) e Amadeus (1984). Já no final da carreira, retornou ao seu país de origem e dirigiu outro musical: Dobre placená procházka (2009).

Segue lista completa dos vencedores:

Feature Film: Ben Affleck (Argo)
Documentary Feature: Malik Bendjelloul (Searching for Sugar Man)
Dramatic Series: Rian Johnson (Breaking Bad: Fifty-One)
Comedy Series: Lena Dunham (Girls – piloto)
Movie for Television or Mini-Series: Jay Roach (Virada no Jogo)
Musical Variety Program: Glenn Weiss (66th Annual Tony Awards)
Reality Program: Brian Smith (Master Chef – episódio #305)
Children’s Program: Paul Hoen (Let It Shine)
Daytime Serial: Jill Mitwell (One Life to Life: Between Heaven and Hell)
Commercial: Alejandro González Iñárritu (Best Job)

Malik Bendjelloul recebendo o DGA de documentarista do vocalista do Foo Fighters, Dave Grohl (photo by http://www.rte.ie)

Malik Bendjelloul recebendo o DGA de documentarista por Searching for Sugar Man do vocalista do Foo Fighters, Dave Grohl (photo by http://www.rte.ie)

Finalistas do 64º Directors Guild of America Awards 2011

Kathryn Bigelow entrega o DGA a Tom Hooper, vencedor de 2010 por O Discurso do Rei

Se o Screen Actors Guild e o Globo de Ouro são uma prévia do Oscar, o DGA (Directors Guild of America) pode ser considerado uma bola de cristal, pois em 63 prêmios concedidos ao Melhor Diretor do ano, apenas em 6 raríssimas ocasiões o vencedor do DGA não levou o Oscar pra casa:

  • Em 1968: Anthony Harvey ganhou o DGA Award por O Leão no Inverno, enquanto Carol Reed levou o Oscar por Oliver!
  • Em 1972: Francis Ford Coppola por O Poderoso Chefão (DGA) e Bob Fosse por Cabaret (Oscar).
  • Em 1985: Steven Spielberg por A Cor Púrpura (DGA), e Sydney Pollack por Entre Dois Amores (Oscar).
  • Em 1995: Ron Howard por Apollo 13 (DGA), e Mel Gibson por Coração Valente (Oscar).
  • Em 2000: Ang Lee por O Tigre e o Dragão (DGA) e Steven Soderbergh por Traffic (Oscar).
  • Em 2002: Rob Marshall por Chicago (DGA) e Roman Polanski por O Pianista (Oscar).

Ou seja, desde 2003, todos os melhores diretores coincidiram. Por esse motivo, os indicados este ano têm chances bastante reais de ganhar o Oscar:

Woody Allen (Meia-Noite em Paris)

* Woody Allen por Meia-Noite em Paris

Em sua 5ª indicação após um hiato de 12 anos, Woody Allen prova que a sua busca por novos ares (desta vez, a França) está solidificando uma nova fase de sua carreira. Venceu o DGA em 1978 por Noivo Neurótico, Noiva Nervosa.

David Fincher (Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres)

* David Fincher por Millenium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres

Apesar de seu currículo (esta é sua 3ª indicação), Fincher foi considerado uma surpresa, pois nomes de peso como Spielberg e Malick não figuraram. Taxado como especialista de filmes de serial killers, Fincher está em plena ascensão após a fábula O Curioso Caso de Benjamin Button e o drama moderno A Rede Social. Amadureceu bastante sua direção de atores em seus últimos trabalhos.

Michel Hazanavicius (The Artist)

* Michel Hazanavicius por The Artist

Antes de The Artist, Michel Hazanavicius tinha como destaque em seu currículo uma espécie de sátira de James Bond chamada Agente 117, curiosamente estrelada por Jean Dujardin e Bérénice Bejo, astros de The Artist. Mesmo sendo sua primeira indicação ao DGA, tem grandes chances de levar pelo aspecto artístico de seu filme.

Alexander Payne (Os Descendentes)

* Alexander Payne por Os Descendentes

Sou meio suspeito para falar sobre Alexander Payne. Sou viciado em Sideways – Entre Umas e Outras e Eleição. Apesar de ter poucos filmes na bagagem, é possível enxergar um ótimo diretor de atores, um excelente roteirista e daqueles diretores que buscam harmonia no set de filmagem (vide os making ofs). Talvez não leve o prêmio, mas aposto 100% que um dia terá seu Oscar de direção.

Martin Scorsese (A Invenção de Hugo Cabret)

* Martin Scorsese por A Invenção de Hugo Cabret

Scorsese ficou muito marcado por um cinema violento que tem como ápice Os Bons Companheiros e Taxi Driver. Esta é sua 9ª indicação, tendo levado em 2007 por Os Infiltrados. Depois de finalmente ganhar seu Oscar, resolveu se aventurar em novos gêneros como terror psicológico (A Ilha do Medo) e nesta fábula A Invenção de Hugo Cabret.

Dos trabalhos selecionados, conferi apenas Meia-Noite em Paris (já disponível em DVD e Blu-ray). Apesar de muitos já terem “enterrado” o pobre Woody Allen com diversos prêmios pelo conjunto da obra, incluindo o DGA que o honrou em 1996, ele prova mais uma vez que continua sendo um dos melhores diretores em atividade.

Ele pode ter feito alguns trabalhos mais limitados, como O Escorpião de Jade (2001), Igual a Tudo na Vida (2003) e Melinda e Melinda (2004), mas, como muitos cinéfilos já diziam: “O pior filme de Woody Allen é melhor do que a média dos filmes em cartaz”. De fato, mesmo um Woody não tão inspirado consegue transformar em pó e estrume a maioria dos filmes de hoje. E, por mais que não pareça, digo isso com extremo pesar.

A cerimônia do DGA Awards ocorrerá no dia 28 de janeiro e terá o ator Kelsey Grammer como host.

Para quem quiser acompanhar os filmes dos diretores indicados, confira (previsão para a cidade de SP):

Meia-Noite em Paris: já disponível em DVD e Blu-Ray

Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres: Estréia em 27/01/12

– O Artista: Sem previsão de estréia (eu sei, um absurdo)

Os Descendentes: Estréia em 27/01/12

A Invenção de Hugo Cabret: Estréia em 20/01/12

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