Apesar de primar mais pelo formato virtual, ‘BUSCANDO…’ entrega um bom suspense

Searching

David Kim (John Cho) no FaceTime e online em cena de Buscando… (pic by Outnow.ch)

Quantas vezes já não vimos histórias de desaparecimento e de peregrinação nos filmes? Só para citar bons exemplos: O Silêncio do Lago (1988), Breakdown (1997) e o mais recente Sem Amor (2017). Na maioria dos casos, o filme aposta na profundidade dos personagens ou numa resolução criativa. Já em Buscando…, o jeito encontrado pelo diretor para chamar atenção foi investir no modo de contar a história: pelos meios virtuais. Do início ao fim, acompanhamos a busca do protagonista pela filha desaparecida através de telas de computador, sites, aplicativos, telejornais e até câmeras de segurança.

Na trama, somos apresentados à família Kim logo no início através de uma montagem de sete minutos, que se inicia numa tela de log in do Windows, passa por várias fotos, vídeos, lembrete de consultas médicas até a morte da mãe por câncer. É uma ótima introdução dos personagens e ao formato de telas, e sem apelar para narração em off. Após uma cena de interação entre pai e filha, na qual vemos um certo distanciamento, ocorre o sumiço dela. Apesar de nunca mencionado no filme, o fato de se tratar de uma família oriental (no caso, sul-coreana), a falta dessa conversa sobre morte e luto é mais comum do que se pensa, mas não uma exclusividade da etnia.

Até aí, parecia se tratar de um filme patrocinado pela Microsoft e pelo Google, mas à medida em o pai, David Kim, vê-se obrigado a hackear as contas virtuais privadas da filha, como e-mail e Facebook, percebemos o quanto de informação ele consegue com poucos cliques. São inúmeras fotos, vídeos, mensagens, conversas e até intimidades legais ou ilegais. Atingido por essa maré de novidades, ele se choca com o quão pouco conhece da vida pessoal dela. E isso eleva o filme para um novo patamar.

Nessa extensa pesquisa virtual do pai, nós espectadores, ficamos confinados à posição de um detetive, ou pelo menos um voyeur, invadindo a privacidade alheia com a finalidade de desvendar todo o mistério. Há um envolvimento compulsório entre filme e público, ancorado pelo ator central vivido por John Cho, que muito se assemelha à cumplicidade no clássico de Hitchcock, Janela Indiscreta (1954), no qual ficamos presos à cadeira como James Stewart em seu apartamento.

Embora esse formato 100% virtual não ser nenhuma novidade (em 2014, o filme Amizade Desfeita (Unfriended) se passa todo numa tela de laptop para narrar uma história de terror sobrenatural), o filme do estreante Aneesh Chaganty apresenta uma linguagem bem mais contemporânea e dinâmica. É possível constatar que houve uma preocupação em utilizar as ferramentas atuais de comunicação, para ficar bem alinhado ao público jovem, mas sem cansar a vista como nos zilhões de filmes de ‘found footage’ como Cloverfield: Monstro e Atividade Paranormal.

Searching Aneesh

À esquerda, Aneesh Chaganty dirige o ator John Cho antes de ficar online (pic by Outnow.ch)

Além desse upgrade, o filme ganha pontos por conseguir traduzir visualmente os pensamentos do protagonista, seja através de um texto hesitado e apagado, seja por uma seta do mouse que perambula pela tela indicando indecisão. É incrível ver como isso funciona bem e sem a necessidade de diálogos para entrar na cabeça do personagem.

Aliás, pelo excesso de informações escritas nas telas, vale um elogio à versão brasileira, que teve um baita trabalho de recriar todo o texto online no idioma Português do Brasil, o que facilitou bastante a condução do espectador pela trama.

Como filme de suspense, o diretor Aneesh Chaganty faz um bom arroz com feijão. Não há inovações na trama, mas acredito que o público não deve se decepcionar em relação ao que o filme promete. E o formato cumpre bem seu papel de entregar o mesmo material de sempre, porém com uma roupagem bem atualizada, econômica e eficiente.

Contudo, por abordar um tema tão atual da incomunicabilidade nas redes sociais, seria formidável se o filme refletisse um pouco mais sobre isso através de seus personagens. Claro que não precisa ter uma abordagem européia à la Michelangelo Antonioni, mas como a tecnologia sempre envelhece e fica obsoleta, se houvesse maior profundidade nesse sentido, o filme poderia resistir melhor à crueldade do tempo.

AVALIAÇÃO: Bom 6/10
CHANCES DE OSCAR: Montagem

BUSCANDO… (Searching). Dir: Aneesh Chaganty. Elenco: John Cho, Debra Messing, Michelle La, Sarah Sohn, Joseph Lee. 112 min. Censura: 14 anos.

Searching poster

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Rapidinhas de Cannes 2013

A jovem atriz Emma Watson rouba a cena no tapete vermelho em Cannes

A jovem atriz Emma Watson rouba a cena no tapete vermelho em Cannes

Nada como um tapete vermelho para promover os filmes em exibição em Cannes. Mesmo não se tratando de um candidato ao prêmio máximo, a Palma de Ouro, o novo filme de Sofia Coppola, Bling Ring: A Gangue de Hollywood, encarregou-se de atrair os holofotes da mídia, uma vez que sua atriz principal é ninguém menos que a jovem Emma Watson, a Hermione da série Harry Potter. Vista como talento promissor, Watson interpreta um membro de uma gangue de adolescentes que assalta casas e mansões de celebridades de Hollywood depois de obter informações pela internet.

Certa vez li numa publicação nacional que Sofia Coppola, filha do lendário diretor Francis Ford Coppola, só fazia filmes sobre patologias da burguesia atual, tais como melancolia e vazio existencial. Claro que As Virgens Suicidas (1999), Encontros e Desencontros (2003) e Maria Antonieta (2006) dialogam com essa temática, mas nem por isso deixam de apresentar perspectivas interessantes. Neste novo trabalho, ela procura destrinchar o universo adolescente de hoje através dessa obsessão quase doentia de transpôr a vida pessoal nas redes sociais. Os ladrões da gangue não precisam necessariamente do dinheiro, mas buscam o glamour das estrelas através de jóias e roupas caras e postar as fotos para os amigos e seguidores virtuais apreciarem. Novos tempos.

Em entrevista no festival, a diretora e roteirista, Sofia Coppola, brincou: “Sou tão feliz por não ter tido Facebook quando eu era adolescente!”. Claire Julien, outra atriz do filme, declarou: “Facebook hoje é quase uma obrigação, porque todo mundo tem e você acha que vai ficar pra trás se não tiver”.

Equipe de Fruitvale Station: Melonie Diaz, o diretor Ryan Coogler, Michael B. Jordan e Octavia Spencer

Equipe de Fruitvale Station: Melonie Diaz, o diretor Ryan Coogler, Michael B. Jordan e Octavia Spencer

Apesar de todo o burburinho em volta de Bling Ring: A Gangue de Hollywood, o filme que acabou se destacando mais na competição Un Certain Regard até o momento foi o drama independente americano Fruitvale Station. Baseado em fatos verídicos, o longa conta a história do jovem negro que foi assassinado por policiais brancos em 2008.

Após sua exibição, o longa foi aplaudido de pé por cinco minutos. Muitos da mídia apostam que o primeiro longa de Coogler tem grandes chances de repetir o feito de outra produção independente: Indomável Sonhadora, pois igualmente conquistou o Grande Prêmio de Sundance esse ano, tem ótimas possibilidades de conquistar um prêmio em Cannes e poderá concorrer em principais categorias do Oscar 2014, inclusive como Melhor Ator (Michael B. Jordan), que arrancou críticas excepcionais. Aliás, o Oscar deve se tornar realidade, pois a Weinstein Company, que costuma fazer lobbys bem fortes, comprou os direitos do filme.

A nova musa de Cannes, Marine Vacth, em cena de Jeune et Jolie, de François Ozon

A nova musa de Cannes, Marine Vacth, em cena de Jeune et Jolie, de François Ozon

Já pela competição oficial, o novo filme do conceituado diretor François Ozon também busca destrinchar esse vazio da juventude atual em Jeune et Jolie. Logo tachado como o novo A Bela da Tarde pela imprensa internacional, o filme acompanha a trajetória da jovem de 17 anos que procura sexo por puro prazer, sem necessidades financeiras ou mesmo culpa. A semelhança com a história da brasileira Bruna Surfistinha é nítida, mas digamos que Ozon oferece um olhar mais intimista e delicado, a começar pela escolha da protagonista.

Descoberta aos 17 anos como modelo, Marine Vacth, impressionou a todos com sua beleza exuberante. Porém, o diretor não buscava apenas beleza: “Em seus olhos, eu podia ver que havia um mundo inteiro ali. Um mistério e uma tristeza que eram exatamente o que procurava no meu filme”.

Assim como o filme foi comparado ao de Luís Buñuel, obviamente ela também foi comparada à musa Catherine Deneuve. Em resposta, Marine foi sucinta e profissional: “Não sou Catherine Deneuve. Quero ser eu mesma e não seguir os passos dos outros”. Se ela e o agente souberem escolher sabiamente futuros projetos, a atriz tem tudo para conquistar novos horizontes, como fez a francesa Eva Green, por exemplo.

A equipe de Inside Llewyn Davis (da esq. para dir.): Garrett Hedlund, Joel Coen, Oscar Isaac, Carey Mulligan, Justin Timberlake, Ethan Coen, Johnn Goodman e o músico T-Bone Burnett

A equipe de Inside Llewyn Davis (da esq. para dir.): Garrett Hedlund, Joel Coen, Oscar Isaac, Carey Mulligan, Justin Timberlake, Ethan Coen, John Goodman e o músico T-Bone Burnett

Já considerado favorito à Palma de Ouro, o novo trabalho dos irmãos Coen, Inside Llewyn Davis, apresenta o protagonista-título como um cantor folk no cenário musical da Nova York de 1961. Apesar de fictício, o personagem seria uma mistura de vários artistas musicais da época, inclusive de Bob Dylan, que o filme tem ligação quase direta.

Inside Llewyn Davis seria um road movie, com direito a um gato chamado Ulisses (referência direta de Homero, cuja obra “A Odisséia” foi adaptado pelos irmãos Coen em E Aí, Irmão, Cadê Você? em 2000) e o mesmo ator do road movie de Walter Salles, Na Estrada, Garrett Hedlund. Entretanto, o maior elogio foi para a atuação do protagonista, Oscar Isaac, pois além de sua interpretação, canta as composições do músico T-Bone Burnett. Seria mais um fortíssimo candidato ao Oscar de Melhor Ator de 2014.

Trata-se da oitava indicação de Joel Coen e Ethan Coen à Palma de Ouro, tendo levado apenas uma em 1991 pelo drama Barton Fink – Delírios de Hollywood. Mas já conquistaram outros prêmios como direção pelo mesmo filme, Fargo em 1996, e por O Homem que Não Estava Lá em 2001, comprovando que os diretores são mesmo queridinhos em Cannes.

Homem de Ferro 3 (Iron Man 3), de Shane Black (2013)

Pôster de Homem de Ferro 3

Pôster de Homem de Ferro 3

NOVO FILME DE HERÓI PROCURA LEVANTAR QUESTÕES ATUAIS DA SOCIEDADE

Que material preencheria a terceira parte de uma das maiores franquias de sucesso do cinema atual? Muitos produtores de Hollywood responderiam sem hesitar: “Colocaremos um vilão novo, cenas de ação repletas de efeitos visuais e um final feliz”, e teríamos aí mais um produto. Mas não a Marvel. A produtora sabe que o nível de expectativa para este filme estava nas alturas devido ao estrondoso êxito dos filmes anteriores e de The Avengers – Os Vingadores no ano passado, e desse modo, procurou levantar novos questionamentos para o universo do personagem e uniu com algumas reflexões da sociedade.

Aliás, nessa nova estratégia do produtor Kevin Feige, chefe da Marvel Studios, o entrelaçamento das adaptações dos quadrinhos tem sido uma excelente forma de entreter e promover ao mesmo tempo. Apesar de The Avengers – Os Vingadores ser um filme à parte das franquias solos de Capitão América, Thor, Hulk e Homem de Ferro, os eventos ocorridos não são deixados de lado. A invasão dos alienígenas em Nova York que quase causou a morte do Homem de Ferro gerou uma espécie de crise de ansiedade no personagem, criando uma nova fragilidade em Tony Stark.

Além disso, a bordo da nave da SHIELD num momento tenso, temos uma briga entre dois personagens:
Capitão América: Grande homem numa armadura. Tire isso e o que você é?
Tony Stark: Gênio, bilionário, playboy, filantropo.

Apesar de ter rebatido a ofensa com sua língua afiada, Stark sabe que depende demais de sua tecnologia. E nesse terceiro filme da franquia, esse vício é analisado de forma mais profunda. O roteiro de Drew Pearce e Shane Black questiona o que seria do protagonista sem sua armadura ao lançá-lo numa cidade distante sem dispôr de sua tecnologia. Quem é o herói? O homem ou a própria armadura? Essa paixão frenética que ele tem por tecnologia acaba atrapalhando seu relacionamento com sua amada Pepper Potts (Gwyneth Paltrow), que ainda sofre sérias ameaças diretas.

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Cria e criador. Robert Downey Jr. fica sem seu vício (photo by http://www.beyondhollywood.com)

Claro que num nível mais tresloucado dessa análise, poderíamos até interpretar esse vício hi-tech de Tony Stark como uma forma de crítica ao modo como vivemos hoje. Quem se interessa por comunicação sabe que a internet causou uma reviravolta na rotina de qualquer cidadão, especialmente os que vivem nas grandes metrópoles. Existem estudos que comprovam que a internet, disponível em qualquer celular smartphone, acaba reforçando o individualismo e o isolamento. Obviamente, não defendo a exclusão da tecnologia em nenhum momento, afinal seria como voltar à época das cavernas, mas, sim, seu uso moderado. Resumidamente, se trocássemos a armadura pelo Facebook, esta análise seria pertinente.

Voltando ao roteiro, essa cidade mais tranquila e a total ausência da tecnologia faz bem para o personagem. Ele chega a fazer amizade com um garotinho! Por mais que seja baseado no bom e velho quid pro quo, esse relacionamento tem como objetivo demonstrar a humanidade que existe no Homem de Ferro, e assim como todos os personagens da Marvel Comics, este é o grande sucesso da editora de quadrinhos: tirar a máscara do herói e enxergar a pessoa por trás dela.

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O garoto Ty Simpkins consegue falar mais do que Tony Stark (photo by http://www.beyondhollywood.com)

Embora o diretor tenha mudado (Jon Favreau, que dirigiu os dois primeiros filmes cedeu espaço para Shane Black, criador dos policiais de Máquina Mortífera), conseguiram imprimir esta qualidade do personagem sem que o astro Robert Downey Jr. fique menos à vontade, pois ele já havia trabalhado com Black no bom filme Beijos e Tiros (Kiss Kiss Bang Bang, 2005), ao lado de Val Kilmer. A parceria se mostra certeira, e a dupla volta a trabalhar elementos de espionagem nesta nova trama.

Em depoimento, Robert Downey Jr. era todo elogios ao diretor: “… bringing in Shane Black to write and direct the film is basically the only thing that Favreau and the audience and Marvel and I could ever actually sign off on. (trazer Shane Black para escrever e dirgir o filme é basicamente a única coisa que Favreau, o público, a Marvel e eu poderíamos estar de acordo)”.

Shane Black dirige Robert Downey Jr. em set de filmagem (photo by www.outnow.ch)

Shane Black (à dir.) dirige Robert Downey Jr. em set de filmagem (photo by http://www.outnow.ch)

Essa inclusão de Shane Black como roteirista e diretor permitiu uma repaginada no universo do personagem. Aproveitando-se de uma minissérie de quadrinhos intitulada “Extremis”, escrita por Warren Ellis, a história que gira em torno dessa descoberta científica do Dr. Aldrich Killian (vivido no filme por Guy Pearce), que possibilita a regeneração de órgãos humanos reabre essa discussão ética e moral a respeito do estudo das células-tronco para cura de doenças. No início do filme, o Dr. Killian oferece sua descoberta para a empresa Stark, mas Pepper recusa alegando haver potencial bélico enorme caso caia em mãos erradas.

Além disso, a crítica se completa com a personagem Maya Hansen (Rebecca Hall), que inicialmente se tratava de uma cientista biológica pró-natureza e humanidade, mas que acaba se vendendo como forma de sobrevivência e um pouco de egocentrismo de sua parte.

iron-man extremis

Capa de Iron Man – Saga Extremis (parte 5 de 6). Roteiro de Warren Ellis e arte de Adi Granov. (photo by http://www.marvel.com)

Considerado o vilão principal do filme, o Mandarim teve uma reviravolta surpreendente na versão cinematográfica, o que causou descontentamento geral entre os fãs do personagem nas páginas da HQ. Com origem ligada a uma tecnologia alienígena que lhe concede poderes em forma de anéis, o Mandarim ganhou uma nova história e um novo propósito ao conceito dos filmes. Claramente, torna-se um líder terrorista de uma nação do Oriente Médio (mas com referências chinesas como os dragões em seu figurino), estrelando vídeos de ameaças e de execuções como um certo Osama Bin Laden.

Ben Kingsley como o Mandarim (photo by www.beyondhollywood.com)

Será que existe alguma semelhança entre Sir Ben Kingsley como o Mandarim… (photo by http://www.beyondhollywood.com)

Osama Bin Laden em um de seus vídeos (photo by eslbrazil.blogspot.com)

…com Osama Bin Laden? Ou é apenas impressão minha? (photo by eslbrazil.blogspot.com)

Contudo, assim como a própria execução de Bin Laden é rodeada de incertezas (ainda mais que seu corpo foi jogado ao mar sem ter sido divulgado ao público), o filme busca explorar essa questão da própria existência do líder terrorista. De acordo com o produtor Kevin Feige, eles tentaram retratar um homem sem uma nação específica, afinal, nada pior do que isso para causar uma polêmica gratuita e ainda prejudicar as bilheterias.

Página de Iron Man 273 – Saga Dragon Seed. Roteiro de John Byrne e arte de Paul Ryan. (photo by jetstor.wordpress.com)

Segundo ele ainda, os símbolos chineses seriam uma homenagem ao personagem originalmente do país comunista, mas também sua obsessão pela obra literária “A Arte da Guerra” de Sun Tzu. Há ainda uma inspiração vinda da personagem Coronel Kurtz de Apocalyse Now. “Ele quer representar essa espécie de protótipo de terrorista, alguém que trabalhou para a inteligência americana, mas que enlouqueceu e se tornou esse devoto das táticas de guerra”, defende Feige.

Dependência tecnológica, exploração econômica de descoberta científica, líder terrorista e até uma ameaça ao presidente dos EUA denotam forte aproximação de Homem de Ferro 3 em relação às atualidades globais. Infelizmente, o diretor peca no ritmo moroso que deixa o filme pesado em dados momentos, mas tem cenas ótimas como o fã de Homem de Ferro que trabalha como técnico de TV.

Importante destacar também a penetração do blockbuster em território chinês, onde raros 34 filmes hollywoodianos conseguem ser liberados pela censura e exibidos por ano. Além disso, a política chinesa aplica altos impostos como forma de proteger seu mercado cinematográfico, considerado um dos mais lucrativos, afinal, qual o país mais populoso do mundo?

Por outro lado, para agradar a China, os produtores de Homem de Ferro 3 fizeram uma versão alternativa (e exclusiva), onde uma das atrizes mais importantes, Fan Bingbing, atua num papel secundário, que fora cortado do versão internacional, e há cenas adicionais filmadas em Pequim, mostrando mais sobre a cultura do país asiático.

Bingbing Pictures

A atriz Fan Bingbing, que faz a esposa do Dr. Wu na versão chinesa. Não sei… tenho a leve sensação de que perdi muita coisa asssistindo à versão internacional… (photo by nidoworth.blogspot.com.br)

Claro que, visando um lucro ainda mais colossal, pediram (praticamente obrigaram) a presença de Robert Downey Jr. na premiere chinesa. Se você esperava que ele seria mal visto por se tratar de um americano que interpreta um herói pop e patriota, veja a imagem abaixo:

Robert Downey Jr. conquista até os chineses em participação "discreta" (photo by www.beyondhollywood.com)

Robert Downey Jr. conquista até os chineses em participação “discreta” (photo by http://www.beyondhollywood.com)

Homem de Ferro 3 teve estréia recorde em mais de 200 salas só em São Paulo. Nos EUA, estreou com arrecadação de 174 milhões de dólares no primeiro fim de semana. Se alguém ainda acredita que as adaptações de quadrinhos para o cinema são apenas modinhas, os resultados extremamente positivos garantem que essa moda deve levar mais uns vinte anos no mínimo.

Este ano, pela Marvel, ainda teremos Thor: O Mundo Sombrio (previsto para novembro). Em 2014, Capitão América 2: O Retorno do Primeiro Vingador, e no ano seguinte, a sequência Os Vingadores 2 e O Homem-Formiga. Pelo estúdio Twentieth Century Fox, Wolverine – Imortal tem estréia prevista para julho deste ano, e X-Men: Dias de um Futuro Esquecido (sequência de X-Men: Primeira Classe) para julho de 2014. Sem contar ainda com a nova tentativa da DC Comics de adaptar Superman em O Homem de Aço.

Claro que Homem de Ferro 3 tem suas falhas e seus furos de roteiro, mas para o público que está muito mal acostumado a assistir filmes blockbusters desprovidos de neurônios, a Marvel entrega um bom filme para fechar uma trilogia de sucesso comercial. E não deixe de ficar até o final dos créditos para ver a participação especial de Mark Ruffalo como Bruce Banner.

AVALIAÇÃO: BOM

Nova geração de atores

James Dean

Marlon Brando, James Dean, Bette Davis…

Jack Nicholson, Meryl Streep, Paul Newman…

Sean Penn, Daniel Day-Lewis, Cate Blanchett…

Quais atores podem preencher seus lugares? Ou melhor: Existe esperança para o futuro? Particularmente, tenho uma visão apocalíptica, pois toda vez que um ator de qualidade nos abandona, bate logo um desânimo em mim: “Paul Newman nos deixa e sobra um Orlando Bloom…”

Mas é por causa desse pessimismo que resolvi escrever este post na tentativa de me convencer de que pode haver talento para as próximas gerações de cinéfilos admirarem. Claro que ninguém vai conseguir se equiparar a um Marlon Brando ou James Dean, mas ao analisar o trabalho de atores mais jovens, é possível perceber que há semelhanças que, se bem desenvolvidas, podem amadurecer o profissional.

Além disso, para classificar bem um ator, não basta conferir suas habilidades de interpretação ou se ele manda bem no método Stanislávski. Ele precisa saber escolher bem seus papéis em busca de novos desafios, afinal o ator que opta sempre pelos mesmos tipos de papéis acaba rotulado e limitado. É claro que vez ou outra, o ator pode (e deve) assinar um contrato milionário para pagar as contas (ainda mais se ganhou ou foi indicado ao Oscar recentemente), mas sua ânsia e ambição como intérprete deve ser sua prioridade.

Obviamente, essas “regras” que mencionei acima valem para o ator ideal, que sabe equilibrar trabalhos mais autorais com comerciais. A alternância entre ambos se mostra bastante saudável, pois em muitos trabalhos autorais, o ator esgota suas forças em nome de um personagem mais intenso, e um filme comercial em seguida tende a aliviar a pressão.

Heath Ledger (by Wireimage)

Minha melhor aposta dessa geração era Heath Ledger. Com seu constante progresso, acreditava que ele poderia ser o James Dean do século XXI, mas assim como o ídolo, acabou partindo cedo demais. Ledger alternava trabalhos comerciais com autoriais: fazia comédias comerciais como 10 Coisas que Eu Odeio em Você (1999) e Coração de Cavaleiro (2001) e dramas autorais como O Segredo de Brokeback Mountain (2005), Candy (2006) e Não Estou Lá (2007). Contudo, tratava qualquer trabalho com muita seriedade, mesmo se tratando de um blockbuster como O Patriota (2000) ou tendo um papel menor como em A Última Ceia (2001). Infelizmente, teve seu maior reconhecimento postumamente por sua incrível atuação como Coringa em Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008) pelo qual ganhou o Oscar.

A lista a seguir não está em ordem de qualidade ou preferência, mas Michael Fassbender merecia estar no topo por tratar a profissão de forma mais séria.

Michael Fassbender

MICHAEL FASSBENDER

Nascido em 02 de abril de 1977 – Baden-Württemberg, Alemanha

Melhores performances: Fome (2008), X-Men: Primeira Classe (2011), Shame (2011) e Prometheus (2012)

O ator alemão tem se tornado o talento mais almejado por diretores renomados como Ridley Scott e Steven Soderbergh. Apesar do currículo ainda ser pequeno, Fassbender tem procurado selecionar papéis mais densos que possa explorar seus limites como ator.

Em seu primeiro papel de destaque no filme independente Hunger, ele vive o ativista político Bobby Sands que faz greve de fome na prisão. Assim como fez Christian Bale no thriller O Operário, Fassbender perdeu muito peso para dar mais verossimilhança ao personagem. Ele chegou a perder 14 quilos, ficando com 59kg, ou seja, dedicação do nível de Robert De Niro.

Depois de ser descoberto, preferiu ser eclético em suas escolhas. No filme britânico Fish Tank (2009), interpretou Connor, um homem que tem um relacionamento com uma mãe solteira e com a filha adolescente dela. Já no cult de Tarantino, Bastardos Inglórios, dá vida ao Tenente Archie Hicox numa das melhores cenas do filme que se passa num bar.

E mesmo aceitando uma proposta alta para um blockbuster como X-Men: Primeira Classe, Michael Fassbender não desaponta. Ele encarna Erik Lensherr, o mutante Magneto, com muita propriedade e seriedade (que muitas vezes faltam a atores que consideram histórias em quadrinhos algo infantil). A atuação dele como Magneto em nada perde para a interpretação do veterano Ian McKellen na trilogia anterior dos X-Men e ainda lhe serve de complemento. Toda a dor e angústia do personagem que teve seus pais mortos no campo de concentração transborda em seu olhar do início ao fim do filme.

Em 2011, foi bastante elogiado por sua coragem e atuação em sua segunda parceria com o diretor Steve McQueen, Shame. Nele, Fassbender faz um viciado em sexo (paquera no metrô, pornografia na internet, prostitutas) que vê sua rotina interrompida quando sua irmã mais nova passa uns dias em seu apartamento. Shame se mostra um ótimo estudo de personagem e possibilita o público de acompanhar sua degradação até o fundo do poço, e felizmente, não tem a intenção de julgar e dar lição de moral. Como um solitário numa metrópole como Nova York, o ator explora a linguagem corporal e de olhares, tendo que abdicar de diálogos.

Recentemente, foi escolhido para dar vida ao ciborgue David em Prometheus (2012), considerado um prequel de Alien – O Oitavo Passageiro (1979), do mesmo Ridley Scott. Seguindo uma tradição de ciborgues na série Alien, Fassbender consegue apresentar algumas sutilezas que o tornam no melhor personagem do filme. Seu lado mecânico é quase imperceptível, seja através do tom de voz, pelas pausas entre as frases, por algum movimento de sua cabeça e em seu cabelo arrumadinho (!).

Fique de olho em: 12 Years a Slave (2013) e O Conselheiro do Crime (2013).

BEN FOSTER

Nascido em 29 de outubro de 1980 – Massachusetts, EUA

Melhores performances:Os Indomáveis (2007), O Mensageiro (2009)

Para o grande público, talvez a participação mais destacada dele seja como o mutante Anjo em X-Men 3 – O Confronto Final, mas para quem conferiu o bom western Os Indomáveis, sabe que ele está longe de ser um ator de rostinho bonito. Foster, assim como o grande ator Daniel Day-Lewis, abre mão de sua imagem para construir a do personagem. Com dois bons atores como Russell Crowe e Christian Bale, ele consegue roubar a cena ao viver o pistoleiro letal Charlie Prince. Para incrementar sua performance, foi treinado por um renomado especialista em armas de Hollywood.

Mas para chegar ao patamar das estrelas, Ben Foster teve um longo caminho desde o final dos anos 90, quando começou a atuar em filmes, vivendo o irmão do então desconhecido Adrien Brody em Ruas da Liberdade (1999) e conquistando seu papel de protagonista no drama Bang, Bang! Você Morreu! (2002), cujo personagem é um estudante que sofre de bullying.

Porém, o filme que lhe trouxe certa projeção foi em Refém (2005), estrelado por Bruce Willis. Ben Foster não fazia o tipo físico que o papel exigia (era bem forte e pesado), mas ele decidiu compensar a aparência seguindo uma outra direção. Baseou seu personagem num assassino real que viu seus pais morrerem e passou a ter um fetiche por meninas e observar pessoas morrerem.

Em 2009, já mais experiente, no drama de guerra O Mensageiro, o ator impressiona pela economia e as nuances. Seu personagem, o sargento Will Montgomery, é incumbido da ingrata tarefa de informar aos familiares a morte de soldados na guerra. Como o protocolo manda, não deve haver sentimento ou qualquer contato físico no momento do aviso, mas ele acaba se envolvendo com a viúva interpretada por Samantha Morton. Ambos juntamente com Woody Harrelson formam uma fortíssima trinca de atores, o que acabou valorizando ainda mais Ben Foster.

Recentemente, fez dois filmes de ação. Um ao lado do veterano cara-de-pedra Jason Statham em Assassino a Preço Fixo (2011) e outro com Mark Whalberg em Contrabando (2012), nos quais deve aprimorar sua técnica com armas de fogo e forma física (pra não se limitar aos papéis de homens magrelos!). Também trabalhou sob o comando de Fernando Meirelles no inédito por aqui 360, que contou com Anthony Hopkins, Jude Law e Rachel Weisz.

Fique de olho em: Kill Your Darlings (2013), Ain’t Them Bodies Saints (2013)

James Franco

JAMES FRANCO

Nascido em 19 de abril de 1978 – Califórnia, EUA

Melhores performances: Trilogia de Homem-Aranha (2002/2004/2007), Segurando as Pontas (2008), Milk – A Voz da Igualdade (2008) e 127 Horas (2010)

A primeira vez que vi James Franco, ele estava subindo ao palco do Globo de Ouro para receber o prêmio de melhor ator em minissérie. Ele interpretou a lenda James Dean (que aliás tem uma aparência bem semelhante) na série James Dean e ganhou notoriedade juntamente com o sucesso da série Freaks & Geeks, sobre a vida colegial. Atualmente, faz sucesso com sua participação em General Hospital.

Já no cinema, aceitou o papel de Norman Osborn, melhor amigo de Peter Parker, nos 3 filmes do Homem-Aranha e sua carreira decolou. Dirigido por Sam Raimi, seu personagem foi se tornando mais denso até o terceiro filme, quando tem de confrontar o fantasma de seu pai, o Duende Verde, e destruir seu outrora melhor amigo, Peter Parker (Tobey Maguire).

Mais recentemente, foi indicado ao Oscar pelo ciclista aventureiro de 127 Horas, Aaron Ralston. Foi um grande teste de fogo para o talento de Franco, que segurou praticamente o filme todo sozinho, uma vez que seu personagem (verídico) fica preso a uma rocha nos Canyons em Utah.

Sua escolha de papéis tem sido bem eclética. Além de Franco ter feito comédias como Segurando as Pontas e Sua Alteza?, foi bastante elogiado pelo papel do ativista homossexual Scott Smith de Milk – A Voz da Igualdade e provou ter carisma necessário para estrelar o Planeta dos Macacos: A Origem.

Talvez sua melhor qualidade seja seu lado eclético em relação a gêneros (dramas, comédias, romances, ficção científica) e linguagem (cinema, TV e minissérie).

Fique de olho em: Spring Breakers: Garotas Perigosas (2013), Lovelace (2013) e Oz: Mágico e Poderoso (2013)

RYAN GOSLING

Nascido em 12 de novembro de 1980 – Ontário, Canadá

Ryan Gosling

Melhores performances: Half Nelson (2006), A Garota Ideal (2007), Tudo Pelo Poder (2011), Drive (2011)

Para quem conheceu este ator canadense pelo filme romântico Diário de uma Paixão (2004), pode ter se levado pelas aparências. “Lá vem mais um galã sem talento de Hollywood”. Ledo engano. Gosling é o ator mais preciso de sua geração. Cada gesto, cada olhar, cada movimento tem um peso significante para a cena. Se você piscar, pode perder muita coisa.

Isso certamente se reflete em suas escolhas. A maioria de seus personagens possui um comportamento mais introspectivo. O motorista-dublê de Drive, o assessor político Stephen Meyers de Tudo Pelo Poder e obviamente, o tímido Lars que encontra sua paixão numa boneca inflável em A Garota Ideal apresentam essa característica em comum. O silêncio, assim como a distância emocional, costuma ser um item relevante para  a escolha do próximo trabalho de Gosling, que faz valer aquele velho ditado: “Menos é mais”. Enquanto tem ator “se esgoelando e se esperneando” sem necessidade, ele resolve com minúcias.

Foi indicado ao Oscar em 2007 pela interpretação do professor de colégio Dan Dunne que tem o hábito de se drogar de Half Nelson – Encurralados.

Fique de olho em: Caça aos Gângsteres (2012), Only God Forgives (2012)

Carey Mulligan

CAREY MULLIGAN

Nascida em 28 de maio de 1985 – Londres, Inglaterra

Melhores performances: Educação (2009), Não me Abandone Jamais (2010), Shame (2011), Drive (2011)

Esta jovem inglesa começou no cinema sem grande alarde num papel menor em Orgulho e Preconceito (2005). Seus traços de menina ajudaram a conquistar a vaga da protagonista Jenny de Educação, mas foi graças ao seu talento que pôde interpretar o momento de amadurecimento de sua personagem e consequentemente ter sido reconhecida com uma indicação ao Oscar.

Em seguida, foi escalada pelo veterano Oliver Stone para atuar na sequência de Wall Street como a filha de Michael Douglas. Muita gente fala do Shia LaBeouf, protagonista dessa sequência, mas sinceramente vejo Mulligan como uma das grandes descobertas dos últimos anos.

Como seu parceiro de tela Ryan Gosling, Carey soube trabalhar nuances com sua personagem quieta e acanhada de Drive, como já fizera no drama futurista de Mark Romanek, Não me Abandone Jamais. E já em Shame, foi a falastrona e carente irmã do personagem de Michael Fassbender. Esse trabalho pôde comprovar a consistência do talento de Mulligan. Voltar a ser indicada e ganhar o Oscar é mera questão de tempo.

Fique de olho em: O Grande Gatsby (2012) e Inside Llewyn Davis (2013)

CHLOE GRACE MORETZ

Nascida em 10 de fevereiro de 1997 – Georgia, EUA

Chloë Grace-Moretz

Melhores performances: Kick-Ass – Quebrando Tudo (2010), Deixe-me Entrar (2010), A Invenção de Hugo Cabret (2011)

Eu sei que ainda pode ser cedo demais para incluir uma menina como Moretz aqui, mas ela muito me lembra Jodie Foster, que foi um prodígio aos 12 anos trabalhando com Martin Scorsese em Alice Não Mora Mais Aqui (1974) e em Taxi Driver (1976), que surpreendeu a todos como a prostituta Iris.

Apesar de ainda não ter vivido uma prostituta, Moretz costuma escolher papéis adultos para crianças. A postura de suas personagens têm maturidade avançada que lhe cai como uma luva. Mesmo em sua curta participação na comédia romântica (500) Dias com Ela, sua jovem Rachel parece bem mais preparada para o romance do que Tom, o protagonista adulto vivido por Joseph Gordon-Levitt.

Na refilmagem do sueco Let the Right One In, intitulado Deixe-me Entrar, ela vive uma vampira de 12 anos, cuja idade real supera os 60 anos. Sua interpretação foi elogiada pela crítica e graças a ela, ofereceram o papel da problemática Carrie White da refilmagem Carrie (1976).

Seu trabalho tem atraído a atenção de diretores renomados como Tim Burton, que a chamou para viver Carolyn Stoddard em Sombras da Noite. A trajetória de sucesso de Chloë Grace Moretz parece bem traçada, mas como se trata de uma garota, precisa ser bem amparada pelos pais e agente para que não tome rumos obscuros como o de Macaulay Culkin ou Edward Furlong.

Fique de olho em: Carrie – A Estranha (2013), The Drummer (2013)

Jennifer Lawrence

JENNIFER LAWRENCE

Nascida em 15 de Agosto de 1990 – Kentucky, EUA

Melhores performances: Inverno da Alma (2010), X-Men: Primeira Classe (2011)

Um dos primeiros trabalhos de Jennifer no cinema foi com o roteirista mexicano Guillermo Arriaga no drama Vidas que se Cruzam (2008). Apesar de ter atuado ao lado de atrizes experientes como Charlize Theron e Kim Basinger, ela só conseguiu se destacar com o drama independente Inverno da Alma (2010), no qual interpretou uma jovem em busca do pai traficante em terrenos perigosos a fim de tentar manter a casa de sua família. Para viver Ree Dolly, Lawrence abdicou de qualquer beleza e glamour (filmado no estilo documentário), reforçando seu comprometimento com a personagem. Além disso, mesmo sua atuação sendo bastante contida, consegue demonstrar a frieza e determinação que o papel exigia. Acabou indicada para o Oscar de melhor atriz, que a levaria a assinar contratos milionários com a série nova dos X-Men e a adaptação dos best-sellers Jogos Vorazes.

Como a substituta de Rebecca Romjin-Stamos, trouxe a instabilidade e insegurança da mutante Mística na juventude, especialmente em relação à sua aparência física. Era possível enxergar a personagem imatura e indecisa sobre que lado ela defenderia com seus poderes. Recentemente, assinou para a sequência de X-Men: Primeira Classe, previsto para 2014.

E em outras produções, mesmo atuando como coadjuvante, Jennifer Lawrence rouba suas cenas. Em Like Crazy (2011), como a namorada preterida de Jacob, que encara os sentimentos de forma silenciosa. Ou em Um Novo Despertar (2011), onde vive a líder de torcida Norah, que não consegue digerir a morte de seu irmão. Numa entrevista de making of, a atriz e diretora do filme, Jodie Foster, confessa que gostaria de ter descoberto o talento de Jennifer, mas que sua escolha para o papel foi mais do que acertada.

Fique de olho em: Serena (2013), Jogos Vorazes: Em Chamas (2013), Trapaça (2013)

EMMA STONE

Emma Stone

Nascida em 06 de novembro de 1988 – Arizona, EUA

Melhores performances: A Mentira (2010), Histórias Cruzadas (2012)

Apesar de ter feito trabalhos mais dramáticos, Emma Stone claramente tem uma veia cômica que deve ser melhor explorada. Mesmo em meio ao clima tenso de racismo do Mississipi no drama Histórias Cruzadas, sua personagem Skeeter consegue aliviar e divertir com seus modismos fora dos padrões da sociedade e consegue conquistar o público.

Mas o forte mesmo de Emma Stone são as comédias, tanto que seu histórico não nega: Superbad – É Hoje (2007), O Roqueiro (2008), A Casa das Coelhinhas (2008), Minhas Adoráveis Ex-Namoradas (2009) e Zumbilândia (2009). Desde sua estréia em Superbad, ela se mostra mais inclinada para o gênero, pois é bastante desinibida e como muitos atores que marcaram pela comédia, a ruiva não se importa em se expôr ao rídiculo.

Emma conquistou muitos fãs depois que atuou na comédia teen A Mentira (2010). Com muitas caras e bocas, a atriz gera o carisma necessário para que o público apoie sua personagem em suas boas intenções e mentiras brancas. Stone assume a visão divertida da história, possibilitando que a comédia dê certo. E a Associação de Imprensa Estrangeira viu esse dom da atriz e reconheceu seu trabalho com uma indicação ao Globo de Ouro.

No blockbuster deste ano, O Espetacular Homem-Aranha, apesar de não haver muito espaço, ela se desdobra numa sequência aparentemente simples para esconder Peter de seu pai que está escondido em seu quarto. Também apresentou boa química com Andrew Garfield e deve estar na sequência.

Fique de olho em: Caça aos Gângsteres (2012), Os Croods (2013)

Jeremy Renner

JEREMY RENNER

Nascido em 07 de janeiro de 1971 – Califórnia, EUA

Melhores performances: Guerra ao Terror (2008), Atração Perigosa (2010), Os Vingadores (2012)

Curiosamente, desde a época da escola, Renner gostava de atuar como policial em peças de teatro, pois estava dividido entre seguir a carreira de ator e agente da lei. Desde meados dos anos 90, o ator participou de produções menores como a comédia Senior Trip (1995), mas só captou a atenção dos críticos como o serial killer Jeffrey Dahmer em Dahmer (2002), que lhe rendeu uma indicação no Independent Spirit Award.

Cansado da época das vacas magras, Jeremy aceitou atuar na adaptação da série de TV da década de 70, S.W.A.T. – Comando Especial (2003) ao lado de um ascendente Colin Farrell e experiente Samuel L. Jackson. Seguindo seu treinamento (e provavelemente sede) por armas de fogo, viveu o atirador de elite de zumbis Doyle em Extermínio 2 (2007) e como coadjuvante no faroeste O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford (2007).

Apesar de suas habilidades policiais e bélicas, a diretora Kathryn Bigelow ficou impressionada com a interpretação humanista dele como serial killer no independente Dahmer e ofereceu o papel que mudou sua carreira: o sargento William James de Guerra ao Terror (2008). Ao dar profundidade ao especialista em desarme de bombas, Jeremy Renner foi indicado ao Oscar de melhor ator e felizmente, esse reconhecimento lhe trouxe melhores oportunidades que logo abraçou.

Aceitou participar do segundo filme dirigido por Ben Affleck, Atração Perigosa (2010), mas desta vez num papel do outro lado da lei: um assaltante de bancos. De volta a um personagem coadjuvante, Jeremy imprime tridimensionalidade ao seu personagem em poucas cenas, trabalhando como ninguém o comportamento violento e instável. Novamente foi indicado ao Oscar.

Agora, com seu talento mais do que provado, o ator passa a colher frutos. Nesse ano, viveu o herói Gavião Arqueiro no mega-sucesso Os Vingadores – The Avengers, demonstrando segurança e a frieza necessárias para um arqueiro, e neste segundo semestre, ele assume o papel de protagonista nos filmes do agente Jason Bourne em O Legado Bourne. Não, ele não toma o papel que era de Matt Damon, mas um outro agente que participou do mesmo programa do governo. À princípio, fiquei meio receoso por achar que se tratava apenas de uma produção que se aproveitaria da fama do personagem, mas se você conferir o trailer, deve mudar de idéia.

Fique de olho em: O Legado Bourne (2012), Hansel e Gretel: Caçadores de Bruxas (2013), Trapaça (2013)

MARK RUFFALO 

Mark Ruffalo

Nascido em 22 de novembro de 1967 – Wisconsin, EUA

Melhores performances: Conte Comigo (2000), Colateral (2004), Zodíaco (2007), Minhas Mães e Meu Pai (2010)

No meio de tantos jovens, Mark já parece um veterano. Começou a atuar em filmes desde 1993, mas foi só em 200o que passou a chamar a atenção. Sua atuação como Terry, um irmão há muito sumido que aparece para pedir dinheiro emprestado da irmã (Laura Linney) em Conte Comigo mostrou que uma nova face de atores contidos estava surgindo no horizonte. Ruffalo conquistou alguns prêmios na época como coadjuvante e inclusive o New Generation Award da Associação de Críticos de Los Angeles.

Em seus próximos trabalhos, ele continuou atuando como coadjuvante em bons dramas como Minha Vida Sem Mim (2003) da diretora espanhola Isabel Coixet, no polêmico Em Carne Viva (2005) de Jane Campion e até em filmes de ação como A Última Fortaleza (2001) e Códigos de Guerra (2002).

Felizmente, novas oportunidades surgiram para que Mark Ruffalo pudesse mostrar seu talento. Tornou-se aquilo que os diretores chamam de “coadjuvante de luxo”, ou seja, ótimo ator para servir de apoio para o protagonista. E foi exatamente isso que ele fez com maestria em: Colateral, vivendo um policial mais malandro que investiga os crimes de Vincent (Tom Cruise); Em Zodíaco, vive o inspetor Toschi que está obstinado pela busca do serial killer Zodíaco por décadas (particularmente, considero esta sua melhor atuação); E no drama familiar Minhas Mães e Meu Pai, interpretando o solteirão Paul que enfrenta a paternidade de forma inusitada. Por este papel, Ruffalo finalmente recebeu uma indicação ao Oscar.

Também vale ressaltar que, apesar de Mark parecer estar sempre aguardando uma oportunidade para ser um ator-protagonista, tem um imenso carisma que pode ser conferido nas comédias De Repente 30 (2004) e E se Fosse Verdade… (2005). E agora que roubou a cena no blockbuster de 2012, Os Vingadores, vivendo Bruce Banner, poderiam finalmente produzir um filme solo do Hulk para ele, certo?

Fique de olho em: Thanks for Sharing (2012), Now You See Me (2013), The Normal Heart (2014)

Saoirse Ronan

SAOIRSE RONAN (pronuncia-se “Sãr-shã”)

Nascida em 12 de abril de 1994 – Nova York, EUA

Melhores performances: Desejo e Reparação (2007), Um Olhar do Paraíso (2009), Hanna (2011)

Aos 13 anos, Saoirse Ronan abraçou sua personagem dedo-duro Briony Tallis do drama Desejo e Reparação, baseado no ótimo romance de Ian McEwan, Atonement, e deixou de ser mais uma atriz-mirim para alcançar o estrelato com uma merecida indicação ao Oscar de atriz coadjuvante. Ao contrário da maioria dos jovens talentos, ela não partiu para os papéis destinados a crianças e pré-adolescentes. Não. Saoirse tinha fome de desafios e foi o que Peter Jackson lhe propôs no drama extraordinário Um Olhar do Paraíso, uma vez que interpreta uma jovem assassinada, que assiste do céu à degradação de sua família após seu assassinato. Curiosamente, ainda desconhecida na época, ela enviou uma fita de teste da Irlanda (país que morou desde os 3 anos). Todos ficaram tão impressionados que ela foi escolhida sem ter que encontrá-la antes.

Continuando sua escalada de desafios, foi chamada novamente pelo diretor Joe Wright (de Desejo e Reparação) para ser a protagonista de Hanna. No filme, Saoirse é uma jovem de 16 anos treinada pelo pai para ser a assassina perfeita para cumprir uma missão na Europa. Ela é perseguida incansavelmente pela agente Marissa (Cate Blanchett) e busca sua sobrevivência do início ao fim. Devido ao alto nível de exigência física, a atriz se submeteu a um rigoroso treinamento de 4 horas diárias por 2 meses para alcançar o patamar necessário da personagem. Saoirse Ronan não decepciona, sendo um equilíbrio de frieza e delicadeza que a história precisava.

Também se mostra bem dedicada ao ofício em se tratando de idiomas. Pelo filme de fuga e guerra de Peter Weir, Caminho da Liberdade (2010), ela aprendeu a falar russo e comprovou seu dom para sotaques.

Nesses aspectos, ela lembra bastante uma jovem Cate Blanchett que, além do forte comprometimento para viver as personagens, seja através de pesquisa e/ou mudanças físicas, busca papéis sérios de mulheres fortes e seguras. Podem anotar: Saoirse Ronan tem um futuro brilhante pela frente.

Fique de olho em: Byzantium (2012), A Hospedeira (2013), Noah (2014)

ROONEY MARA

Rooney Mara

Nascida em 17 de abril de 1985 – Nova York, EUA

Melhores performances: A Rede Social (2010), Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres (2011)

Apesar da família da jovem Rooney Mara ser envolvida com time de futebol americano (seu pai é executivo do New York Giants), ela seguiu carreira de atriz como sua irmã, Kate Mara, tanto que ambas estrelaram o filme Lenda Urbana 3 – A Vingança de Mary (2005). Porém, foi só 2 anos depois que ganhou o papel principal no drama Tanner Hall (2009). Originalmente, ela seria escalada para um personagem coadjuvante, mas a diretora ficou impressionada e a tornou protagonista. E, de degrau em degrau, Rooney finalmente conseguiu estrelar uma grande produção: a refilmagem do clássico de terror A Hora do Pesadelo (2010).

Como em 90% das refilmagens, o filme do novo Freddy Kruger desapontou o público. Contudo, a culpa do fracasso passou longe do trabalho de Rooney Mara. Ela faz o que pode com o papel, tentando atualizar e criar novas dificuldades. Felizmente, alguns críticos enxergaram isso e ela acabou escolhida para viver a universitária Erica Albright que dá um pé na bunda do criador do Facebook, Mark Zuckerberg, no filme que definiu uma geração: A Rede Social (2010).

Sua personagem tem apenas 2 cenas chaves: o diálogo rápido sobre classes sociais no começo do filme e a discussão fria num bar com o mesmo Zuckerberg. Pouco tempo em cena, mas suficiente para comprovar o talento da moça que ficou com o tão almejado papel da hacker Lisbeth Salander em outra refilmagem (desta vez do sueco) Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres (2011). Pra se ter uma idéia da briga por esse papel, pelo menos 17 atrizes famosas tiveram seus nomes relacionados, sendo alguns de destaque: Carey Mulligan, Ellen Page, Eva Green, Kristen Stewart, Natalie Portman, Scarlett Johansson, Anne Hathaway e até da própria atriz sueca Noomi Rapace, que atuou na trilogia original.

Para quem viu a atuação de Rapace, fica difícil não comparar com Rooney Mara, mas a americana reproduz a face sem expressão da personagem e um pouco também da aparência andrógina, mantendo uma aura de mistério importante para o andamento da trama. E de forma geral, Rooney costuma emprestar uma forte intensidade muito característica sua em cada personagem que vive, me fazendo lembrar de Gena Rowlands.

Fique de olho em: The Bittel Pill (2013), Ain’t them Bodies Saints (2013), Brooklyn (2014).

Tom Hardy

TOM HARDY

Nascido em 15 de setembro de 1977 – Londres, Inglaterra

Melhores performances: Bronson (2008), A Origem (2010), Guerreiro (2011)

Hardy começou no cinema com alguns papéis menores em filmes de relevância como Falcão Negro em Perigo (2001), Maria Antonieta (2006) e até viveu o vilão Shinzon de Star Trek: Nêmesis (2002). Após essas conquistas, ele passou a ter problemas de alcoolismo e drogas, tendo como consequência o término de um casamento de 5 anos. Mas esses tempos chuvosos não impediram Tom Hardy de voltar a exercer a profissão; pelo contrário, fortaleceram suas energias e inspirações.

Em 2003, já voltou aos palcos londrinos e nos 5 anos seguintes, participou de algumas séries televisivas como Elizabeth I: A Rainha Virgem (2005) e Oliver Twist (2007). Seu retorno ao cinema ficou marcado por dois personagens que comprovaram seu alcance físico e psicológico como profissional: o gay Handsom Bob do badalado filme de Guy Ritchie, Rock’n Rolla – A Grande Roubada (2008) e o lutador careca e bigodudo Charles Bronson de Bronson (2008. Em ambos os filmes, o ator se mostra irreconhecível, o que inevitavelmente chama a atenção de críticos e diretores de cinema.

Entre esse grupo de interessados no talento dele, felizmente, estava um dos melhores diretores e roteiristas da atualidade: Christopher Nolan, que o chamou para ingressar a trupe de atores de A Origem (2010). Apesar de contar com inúmeras estrelas como Leonardo DiCaprio, Michael Caine e Marion Cotillard, foi Tom Hardy que mais chamou a atenção nesse blockbuster com neurônios e isso já lhe rendeu um excelente reconhecimento: foi escalado novamente por Nolan para dar vida ao vilão Bane no terceiro filme do Homem-Morcego: Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012), que estréia neste dia 27 de julho por aqui.

Com certeza, sua atuação deve receber incontáveis e merecidos elogios, até mesmo pela repercussão mundial que a tão aguardada sequência de Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008) terá, o que certamente colaborará para que o público se interesse por seus trabalhos anteriores como no bom filme de luta Guerreiro (2011). Mesmo intepretando um anti-herói, ele conquista o espectador com sua postura quieta e introspectiva, ganhando torcedores até a luta final da trama. E tais características são perfeitas para sua nova performance no filme Mad Max: Fury Road, dirigido pelo mesmo George Miller dos filmes anteriores da série protagonizada por Mel Gibson.

Só uma observação: é impressão minha ou ele tem um olhar meio Marlon Brando?

Fique de olho em: Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012), Mad Max: Fury Road (2013)

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Obviamente, ainda existem inúmeros novos talentos surgindo no âmbito do Cinema e com certeza absoluta, serei crucificado aqui por ter me esquecido de fulano e ciclano, e ainda posso ser acusado de ter dado preferência aos americanos. Mas em minha defesa, queria dizer que escolhi esses treze atores porque acredito que todos já apresentaram trabalhos de alto nível e têm potencial enorme para assumir postos de astros de Hollywood dessa geração. Se o ator ou atriz que você realmente admira não consta na lista, provavelmente significa que não conferi trabalhos suficientes para inclui-lo(a).

Inicialmente, alguns nomes como Ellen Page, Andrew Garfield, Elle Fanning, Hailee Steinfeld, Shailene Woodley, Jesse Eisenberg, Rebecca Hall, Sam Riley e Abigail Breslin foram lembrados com carinho, mas não passaram da peneira por talvez ser um pouco cedo pra apostar. Frequentemente, muitos começam com o pé direito, mas se revelam atores de um papel só. Os 13 selecionados já mataram essa dúvida.

É claro que tem aqueles que (ainda) não acho nada e são tratados como grandes esperanças, tipo um tal de Shia LaBeouf…

Espero que tenham gostado do post e gostaria de fazer novas listas promissoras num futuro não tão distante. Aguardo comentários e não esqueça de votar na enquete abaixo!