Definidos 9 semi-finalistas para Filme Estrangeiro no Oscar 2014. Brasileiro “O Som ao Redor” fica de fora

Michael Haneke recebendo o Oscar de Filme Estrangeiro das mãos de Jennifer Garner (photo by umikarahajimaru.at.webry.info)

Michael Haneke recebendo o Oscar de Filme Estrangeiro das mãos de Jennifer Garner (photo by umikarahajimaru.at.webry.info)

Seguindo o calendário da categoria de Melhor Filme Estrangeiro, a Academia divulgou os nove semi-finalistas que disputarão as cinco indicações. Trata-se de uma vitória e tanto estar entre esses nove, afinal havia 76 filmes de várias partes do mundo concorrendo às 5 vagas acirradas.

Sem delongas, eis os nove selecionados:

  • The Broken Circle Breakdown, de Felix van Groeningen (BÉLGICA)
  • An Episode in the Life of an Iron Picker, de Danis Tanovic (BÓSNIA E HERZEGOVINA)
  • The Missing Picture, de Rithy Panh (CAMBOJA)
  • A Caça, de Thomas Vinterberg (DINAMARCA)
  • Two Lives, de Georg Maas (ALEMANHA)
  • O Grande Mestre, de Wong Kar-wai (HONG KONG)
  • The Notebook, de Janós Szász (HUNGRIA)
  • A Grande Beleza, de Paolo Sorrentino (ITÁLIA)
  • Omar, de Hany Abu-Assad (PALESTINA)

Logo de cara, a ausência mais sentida é a de Azul é a Cor Mais Quente, de Abdellatif Kechiche. Depois de ter vencido a Palma de Ouro em Cannes, o filme vem conquistando vários prêmios, inclusive foi indicado ao Globo de Ouro e recentemente o Critics’ Choice Award. Contudo, devido às regras ultrapassadas da Academia, o filme não pôde representar a França na categoria de Filme Estrangeiro por não ter estreado em seu país até setembro deste ano. Pode concorrer ainda por outras categorias como Atriz (Adèle Exarchopoulos), Atriz Coadjuvante (Léa Seydoux) e Roteiro Adaptado. O representante da França, Renoir, de Gilles Bourdos, ficou de fora da corrida.

Azul é a Cor Mais Quente, de Abdellatif Kechiche: Fora do Oscar de Filme Estrangeiro (photo by www.elfilm.com)

Azul é a Cor Mais Quente, de Abdellatif Kechiche: Fora do Oscar de Filme Estrangeiro (photo by http://www.elfilm.com)

Por um lado, fico triste pela ausência do filme na disputa pela redução na qualidade da categoria, mas por outro lado, conhecendo o conservadorismo dos votantes da Academia (um bando de velhos viciado em filmes sobre o Holocausto), tenho quase certeza de que o filme francês não teria chances reais de Oscar por sua temática homossexual e cenas longas e praticamente explícitas de sexo. Os mesmos votantes homofóbicos que preteriram O Segredo de Brokeback Mountain, sobre o amor entre dois caubóis, certamente tirariam Azul é a Cor Mais Quente da jogada.

BÉLGICA: Broken Circle Breakdown, de

BÉLGICA: The Broken Circle Breakdown, de Felix van Groeningen

O fato de vários filmes aclamados pela crítica ficarem de fora nos últimos anos, como em 2003 o espanhol Fale com Ela, de Pedro Almodóvar, tem chamado a atenção para alterações nos protocolos do Oscar. Em outubro, o presidente do comitê de filmes estrangeiros, Mark Johnson, prometeu que faria “mudanças radicais”, mas infelizmente, a alteração mais significativa não deu conta do recado. Os votantes teriam direito a eleger seis produções, e a comissão elegeria os outros três tendo como base o reconhecimento da crítica e dos festivais.

An Episode of an Iron Picker, de Danis Tanovic (photo by http://www.berlinale.de/)

BÓSNIA E HERZEGOVINA: An Episode of an Iron Picker, de Danis Tanovic (photo by http://www.berlinale.de/)

Tal “radicalismo” está longe de ser a tão sonhada reforma das regras da categoria para filmes estrangeiros. Primeiramente, devido ao crescente número de concorrentes, deveriam estender o número de indicados para dez. Se em toda cerimônia, eles se gabam de que há bilhões de pessoas assistindo ao redor do mundo, por que não agradar os cinéfilos e cineastas fora dos Estados Unidos?

The Missing Picture, de Rithy Panh, que levou o Un Certain Regard

CAMBOJA: The Missing Picture, de Rithy Panh, que levou o Un Certain Regard

Então, dessas dez produções, 5 deveriam vir dos mais bem votados pelos críticos americanos (a média geral do NYFCC, LAFCA e demais estados e do National Board of Review), valorizando o trabalho dessas associações que visam destacar os melhores filmes do ano, e os outros 5 seriam eleitos pelo modo convencional de triagem. MAS de forma que facilite a vida dos votantes que trabalham, disponibilizando cópias de DVD/Blu-Ray, pois do jeito que está, com sessões vespertinas, apenas membros aposentados votam, elegendo filmes de temática judaica, 2ª Guerra Mundial e com quase zero de violência e sexo. Praticamente uma censura da época da ditadura militar.

DINAMARCA: A Caça, de Thomas Vinterberg (photo by www.elfilm.com)

DINAMARCA: A Caça, de Thomas Vinterberg (photo by http://www.elfilm.com)

Os comitês que elegem os representantes de cada país já conhecem esse sistema, e por isso, costumam selecionar produções com roteiros nessa direção. Até mesmo o Brasil enviou em 2006: O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, de Cao Hamburger, e em 2004: Olga, de Jayme Monjardim. O primeiro chegou a passar entre os semi-finalistas, mas não obteve a indicação. O Brasil não tem um filme indicado desde 1999, quando Central do Brasil concorreu também por Melhor Atriz para Fernanda Montenegro.

ALEMANHA: Two Lives, Georg Mass (photo by www.cinemagia.ro)

ALEMANHA: Two Lives, Georg Mass (photo by http://www.cinemagia.ro)

Claro que essa sugestão seria uma utopia no momento, mas os próprios membros do comitê de Filme Estrangeiro almejam mudanças há tempos. Acho que só precisam encontrar o meio certo para que a categoria se torne mais abrangente e justa. Espero que até o centenário do Oscar (estamos na 86ª edição), esse empecilho já esteja resolvido, pois o cinema americano anda cada vez mais dependente de produções estrangeiras como fonte de inspiração (vide as quinhentas refilmagens) e dos próprios profissionais estrangeiros que recebem oportunidade de trabalhar na indústria hollywoodiana.

The Grandmaster, de Wong Kar-Wai (photo by www.berlinale.de)

HONG KONG: The Grandmaster, de Wong Kar-Wai (photo by http://www.berlinale.de)

Enquanto esse impasse não é resolvido, o jeito é analisar a lista dos nove pré-selecionados. Temos as ausências significativas de The Past, de Asghar Farhadi (Irã), O Sonho de Wadjda, de Haifaa Al-Mansour (Arábia Saudita), Gloria, de Sebastián Lelio (Chile), Instinto Materno, de Calin Peter Netzer (Romênia), The Rocket, de Kim Mordaunt (Austrália) e do brasileiro O Som ao Redor, de Kleber Mendonça Filho. Gostaria muito que o filme nacional fosse escolhido para incentivar produções independentes brasileiras e a produção cinematográfica atual, que depende demais de incentivos fiscais de empresas desinteressadas e do império da Globo Filmes, que tem feito TV no Cinema.

HUNGRIA: The Notebook, de Janós (photo by www.elfilm.com)

HUNGRIA: The Notebook, de Janós Szász (photo by http://www.elfilm.com)

Dentre os semi-finalistas, é curioso adivinhar qual filme foi escolhido pelos votantes (os judeus idosos) e pelo comitê (baseado no reconhecimento da crítica).

1. The Broken Circle Breakdown, de Felix van Groeningen (BÉLGICA)
Filme sobre diferenças religiosas numa família. COMITÊ

2. An Episode in the Life of an Iron Picker, de Danis Tanovic (BÓSNIA E HERZEGOVINA)
História real de um catador de lixo que luta por tratamento médico para sua esposa doente. VOTANTES

3. The Missing Picture, de Rithy Panh (CAMBOJA)
Documentário sobre as atrocidades do Khmer Vermelho no Camboja utilizando bonecos de argila. Venceu o prêmio Un Certain Regard no último Festival de Cannes. VOTANTES

4. A Caça, de Thomas Vinterberg (DINAMARCA)
Um homem é acusado de pedofilia numa pequena cidade. Indicado à Palma de Ouro, e Mads Mikkelsen ganhou o prêmio de Melhor Ator em Cannes. COMITÊ

5. Two Lives, de Georg Maas (ALEMANHA)
Uma mulher esconde sua identidade para desvendar segredo que envolve a 2ª Guerra Mundial. VOTANTES

6. O Grande Mestre, de Wong Kar-wai (HONG KONG)
História sobre a vida do mestre em artes marciais, Ip Man, que treinou Bruce Lee. VOTANTES

7. The Notebook, de Janos Szasz (HUNGRIA)
Os horrores da 2ª Guerra Mundial na visão de dois irmãos gêmeos de 13 anos. VOTANTES

8. A Grande Beleza, de Paolo Sorrentino (ITÁLIA)
Depois da morte de um amor antigo, escritor passa por crise existencial em Roma. Foi indicado à Palma de Ouro e o Globo de Ouro. COMITÊ

9. Omar, de Hany Abu-Assad (PALESTINA)
Estudo da vida e relações entre a fronteira palestina. VOTANTES

ITÁLIA: A Grande Beleza, de Paolo Sorrentino (photo by www.elfilm.com)

ITÁLIA: A Grande Beleza, de Paolo Sorrentino (photo by http://www.elfilm.com)

Claro que o fato de ter sido escolhido pelos votantes conservadores não significa que o filme seja ruim. Às vezes, eles acertam como nas recentes vitórias de A Vida dos Outros em 2007, e O Segredo dos Seus Olhos em 2010. Mas denota uma fixação doentia por roteiros que envolvam fatos históricos como a guerra. Vamos virar o disco?

As indicações que revelarão os cinco escolhidos serão anunciadas no dia 16 de janeiro.

PALESTINA: Omar, de (photo by www.outnow.ch)

PALESTINA: Omar, de Hany Abu-Assad (photo by http://www.outnow.ch)

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O Palhaço, de Selton Mello, representará o Brasil no Oscar 2013

O Palhaço, de Selton Mello: O pôster é péssimo, mas trata-se de uma nova chance para o Brasil no Oscar

Nessa última quinta-feira, dia 20 de setembro, a Comissão Especial de Seleção, liderada pela secretária do Audiovisual, Ana Paula Dourado Santana, e formada por integrantes ligados ao cinema brasileiro como a diretora de Antes que o Mundo Acabe: Ana Luiza Azevedo, o diretor executivo do MIS (Museu de Imagem e Som): Andre Sturm, o diretor de Malu de Bicicleta: Flávio R. Tambellini, o ministro do Departamento Cultural do Itamaraty: George Torquato Firmeza, e o renomado diretor de fotografia de Ironweed e A Suprema Felicidade: Lauro Escorel se reuniram no Palácio Gustavo Capanema, sede da Representação do Ministério da Cultura, no Rio de Janeiro, para selecionar um filme para representar o Brasil na corrida para o Oscar 2013.

Dentre os pré-selecionados, figuravam dezesseis produções diversas:

À Beira do Caminho, de Breno Silveira

À Beira do Caminho, de Breno Silveira. O casal João Miguel e Dira Paes fortaleceu a história.

Billi Pig, de José Eduardo Belmonte

Capitães da Areia, de Cecília Amado e Guy Gonçalves

Colegas, de Marcelo Galvão

Corações Sujos, de Vicente Amorim

Dois Coelhos, de Afonso Poyart

Heleno, de José Henrique Fonseca

Elvis & Madona, de Marcelo Laffitte

Histórias que só Existem Quando Lembradas, de Júlia Murat

Xingu, de Cao Hamburger. A história dos índios talvez não seja tão bem aceita pela Academia.

Luz nas Trevas, de Helena Ignez e Ícaro Martins

Menos que Nada, de Carlos Gerbase

Meu País, de André Ristum

O Carteiro, de Reginaldo Faria

O Palhaço, de Selton Mello

Paraísos Artificiais, de Marcos Prado

Xingu, de Cao Hamburger

Se formos comparar com o ano anterior em que Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro, de José Padilha, foi eleito o representante sem sombras de dúvida, este ano, a competição estava mais nivelada e resultou numa discussão de horas entre os votantes. Os favoritos giravam em torno de quatro produções: À Beira do Caminho (principalmente por causa do diretor Breno Silveira, responsável pelo sucesso de Dois Filhos de Francisco), Heleno (história biográfica do jogador de futebol que conta com a estrela internacional Rodrigo Santoro), O Palhaço (que conta com o carisma de Paulo José e de Selton Mello na jornada circense) e Xingu (história também biográfica dos irmãos Villas Boas na proteção aos índios, sob a batuta do diretor Cao Hamburger). Após a discussão, o filme de Selton Mello foi eleito para representar o país e disputar uma das cinco vagas na categoria de Melhor Filme Estrangeiro.

“Creio que a maior inovação que fazemos com a escolha de O Palhaço, reside no seu potencial. Esta indicação tem que ser vista como um prêmio também, é um aval de que um filme pode ir além. Espero que isso seja positivo para uma produção que já é sucesso”, defendeu a secretária do Audiovisual do MinC, Ana Paula Dourado Santana.

O Palhaço narra a história de Benjamim (Selton Mello) que trabalha no Circo Esperança junto com seu pai Valdemar (Paulo José). Juntos, eles formam a dupla de palhaços Pangaré & Puro Sangue, que fazem a alegria da platéia. Contudo, Benjamin passa por uma crise existencial e de identidade (inclusive a falta de documentos pessoais como RG, CPF e comprovante de residência). Seus colegas de trabalho e amigos lamentam, mas compreendem que a vida segue seu rumo.

Paulo José e Selton Mello em cena: química fundamental

Particularmente, considero boa a escolha do filme. O Palhaço apresenta uma tema universal (crise existencial), com o lado brasileiro (figuras da nossa cultura como o delegado preguiçoso, o prefeito engomado, os cortadores de cana; a musicalidade da trilha de Plínio Profeta; o cenário árido de algumas sequências captado belamente por Adrian Teijido). Trata-se do segundo filme dirigido pelo ator Selton Mello, mas apesar de ser um novato no ofício, ele certamente teve bons professores. Já trabalhou com nomes consagrados como Luiz Fernando Carvalho em Lavoura Arcaica (também um importante aprendizado com o veterano ator Raul Cortez), Guel Arraes nos dois sucessos comerciais O Auto da Compadecida e Lisbela e o Prisioneiro, Bruno Barreto em O que é isso, Companheiro? e o recém-falecido diretor Carlos Reichenbach com quem trabalhou em Garotas do ABC. Então, essa seleção do filme acaba carregando uma pequena porção de cada um desses profissionais com quem Selton teve contato.

Mas e quais as chances do filme no Oscar? Quando fiquei sabendo da escolha, na hora, me veio à cabeça o filme de Federico Fellini, A Estrada da Vida, que ganhou o Oscar de Filme Estrangeiro em 1957. Para quem não assistiu a essa obra-prima, Fellini conta a história de Gesolmina (a espetacular Giulietta Masina), que é vendida para o artista de circo Zampanò (Anthony Quinn). A coincidência aqui reside no fato de ambos os filmes abordarem a vida sofrida de artistas circenses. É claro que seria covardia comparar Selton Mello com Federico Fellini, mas o brasileiro consegue captar essa atmosfera que beira entre a comédia e o drama sem ser piegas.

Cena de A Estrada Vida, de Federico Fellini. Vencedor do Oscar de Filme Estrangeiro, estrelado por Giuletta Masina e Anthony Quinn. Uma obra-prima do Cinema.

Se tivesse que responder agora, diria que O Palhaço não deve conquistar uma das cinco indicações (Aliás, deixo aqui minha sugestão para a Academia de estender também para dez indicados a Filme Estrangeiro, afinal, são muitos países concorrendo). Não porque não tenha méritos para isso, mas por algumas barreiras que os votantes (idosos e judeus) acabaram impondo nas últimas décadas. Eles amam filmes de Segunda Guerra Mundial (parece que nunca vão superar o trauma), são amantes da tramas comoventes que causam choradeira (aquela catarse mesmo, e não só olhos lacrimejantes) e odeiam violência (que eles entendem como gratuita, por isso que Cidade de Deus, Tropa de Elite e incontáveis filmes sul-coreanos são ignorados). Mas a melhor definição para essa categoria seria: “Melhor Filme Estrangeiro é como futebol: imprevisível”. De repente, aquele filme franco-favorito do Almodóvar sequer chega como finalista e aquele filme argentino bate o alemão acadêmico. Então, sob esse aspecto de imprevisibilidade, O Palhaço tem chances.

O Brasil nunca ganhou o Oscar de Filme Estrangeiro. Chegou bem perto com os quatro indicados: O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte (vencedor da Palma de Ouro); O Quatrilho, de Fábio Barreto; O Que é Isso, Companheiro?, de Bruno Barreto; e Central do Brasil, de Walter Salles (também indicado a Melhor Atriz para Fernanda Montenegro). Ano passado, o Brasil chegou a figurar entre os onze semi-finalistas com o bom drama de Cao Hamburger, O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias (isso porque judeus na trama, hein?), mas todos morreram na praia.

Leonardo Villar em cena de O Pagador de Promessas (1962), de Anselmo Duarte, que, na opinião deste blogueiro, foi a melhor chance do Brasil. Perdeu para o francês Sempre aos Domingos, de Serge Bourguignon

Se o Oscar faz falta para o país? Sim, seria ótimo ter um prêmio de prestígio tão grande como o Oscar. Porém, mais importante do que um reconhecimento internacional, a nação precisa contar com uma política cultural que ofereça mais dignidade aos artistas e pensadores, que muitas vezes são tratados como vagabundos e desocupados que não querem um trabalho “normal”. Existem algumas leis de incentivo por parte do Estado, mas isso é muito pouco para um país riquíssimo em cultura. Para se fazer um filme aqui no Brasil, precisa formar panelinha, precisa estar nos moldes acadêmicos ou contar com uma estrela global. Fazer um filme de terror aqui seria como um filme de terror. As grandes empresas que podem patrocinar as produções não querem expôr suas marcas nesse gênero. Elas buscam histórias verídicas, de sofrimento e superação, que toquem o coração do público, com atores famosos (criando uma espécie de marketing). Não podemos culpar essas empresas, pois apenas buscam as melhores oportunidades de investimento. Mas esse sistema acaba limitando toda a produção nacional cinematográfica em dois tipos de filmes: dramas com histórias verídicas ou comédias ralas produzidas com o dinheiro da Globo Filmes. Obviamente, estamos num cenário bem melhor do que o Brasil das pornochanchadas dos anos 80, mas é um passo muito curto.

O público mostra sinais de que não está satisfeito com a produção nacional de hoje. Ou é filme de nordeste, ou é filme de favela. Tem muita gente que não gostaria de ver esses dois tipos de filmes ganhando o Oscar. Por isso, é preciso mudar a cabeça do povo antes de realmente ser reconhecido pelos gringos.