‘Birdman’ lidera as indicações ao Independent Spirit Awards 2015

Michael Keaton e Emma Stone em cena de Birdman: ambos foram indicados para ator e atriz coadjuvante. (photo by outnow.ch)

Michael Keaton e Emma Stone em cena de Birdman: ambos foram indicados para ator e atriz coadjuvante. (photo by outnow.ch)

APROXIMAÇÃO DE INDEPENDENT SPIRIT AO OSCAR NOS ÚLTIMOS ANOS GERA RETOMADA DE FOCO EM PRODUÇÕES MENOS VISADAS

Com o anúncio das indicações ao Independent Spirit Award (veja vídeo abaixo), que ocorreu nesta terça, dia 25 de novembro, foi dada a largada para a temporada de premiações 2015. Em sua 30ª edição, o prêmio tem se tornado cada vez mais um holofote para os votantes da Academia, tanto que este ano 12 Anos de Escravidão, Matthew McConaughey, Jared Leto, Cate Blanchett e Lupita Nyong’o inacreditavelmente ganharam tanto o Independent quanto o Oscar. Claro que isso naturalmente beneficia mais seus indicados, contudo, este ano o comitê da organização resolveu valorizar mais os filmes menores.

Entre os indicados, o novo filme do mexicano Alejandro González Iñárritu, Birdman, conquistou seis indicações: Filme, Diretor, Ator (Michael Keaton), Ator Coadjuvante (Edward Norton), Atriz Coadjuvante (Emma Stone) e Fotografia (Emmanuel Lubezki). A história de uma estrela de cinema decadente que busca uma retomada nos palcos já agradou a crítica quando passou no último Festival de Veneza, onde muitos alegaram que Keaton merecia o prêmio de atuação, concedido a Adam Driver. Se o filme permanecer nas listas de indicações dos prêmios seguintes, Michael Keaton tem tudo para conseguir sua primeira indicação ao Oscar, e quem sabe até a vitória.

Logo atrás de Birdman, com 5 indicações cada, vêm Boyhood: Da Infância à Juventude, O Abutre e Selma. De acordo com as previsões, o destaque a Boyhood não se trata de surpresa alguma devido à grande veia independente de seu projeto, mas a ascensão de O Abutre, primeiro filme de Dan Gilroy, que era então mais conhecido por escrever os roteiros de Gigantes de Aço e O Legado Bourne, realmente impressiona. Alguns apostam até em uma indicação meio azarão de Melhor Filme no Oscar e Melhor Ator para Jake Gyllenhaal, que emagreceu bastante para viver o paparazzo de Los Angeles.

O paparazzo vivido por Jake Gyllenhaal em O Abutre (photo by outnow.ch)

O paparazzo vivido por Jake Gyllenhaal em O Abutre (photo by outnow.ch)

Selma ainda é uma incógnita para a sequência de premiações pois, por mais que apresente um retrato forte da conquista dos direitos civis por Martin Luther King, não tem uma diretora e roteirista experientes por trás das câmeras, e seu protagonista é interpretado por David Oyelowo, conhecido apenas por O Mordomo da Casa Branca, de Lee Daniels. Aliás, o filme de Ava DuVernay se assemelha ao de Daniels no aspecto das questões raciais e também nas participações de celebridades em papéis menores como Cuba Gooding Jr., Tim Roth, Tom Wilkinson e mais uma vez, Oprah Winfrey. Lembrando que O Mordomo não recebeu nenhuma indicação ao Oscar.

David Oyelowo como Martin Luther King (photo by outnow.ch)

David Oyelowo como Martin Luther King em Selma (photo by outnow.ch)

O Independent Spirit Award poderia reconhecer algumas produções bem cotadas como O Jogo da Imitação, que levou 4 prêmios no Hollywood Film Awards na semana passada, St. Vincent, Mesmo Se Nada Der Certo e Grandes Olhos (que levou apenas uma indicação de roteiro), todas distribuídas pela famigerada Weinstein Co., mas percebeu que nos últimos anos o prêmio, que deveria consagrar mais produções menores, aproximou-se demais do Oscar e está correndo sério risco de perder a sua própria identidade. Assim, além de todas essas produções acima, que receberão ótima campanha pela Weinstein Co., o Independent Spirit também resolveu não indicar Livre, de Jean-Marc Vallée, produzido pela Fox Searchlight.

Essa preocupação do Independent Spirit reflete o cenário de contenção de custos que passa o atual cinema norte-americano. Aquelas apostas de estúdio de mais de 200 milhões estão em extinção, com raras exceções às adaptações de livros best-sellers, quadrinhos e diretores associados ao sucesso como Christopher Nolan. A crise financeira atingiu o cinema de tal forma, que acabou transformando a premiação exclusivamente independente numa prévia genérica do Oscar.

Claro que o Independent Spirit ganhou notoriedade que nunca teve em 30 anos, portanto, fica difícil de não agradar algumas produções que não se adequaram ao regulamento. Muitas produções foram desclassificadas por ultrapassar a barreira dos 20 milhões de dólares de orçamento (que inclui a pós-produção), como Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo, de Bennett Miller, e Vício Inerente, de Paul Thomas Anderson. Contudo, o comitê ficou impressionado com esses trabalhos e resolveu conceder prêmios especiais para ambos. Enquanto Vício Inerente receberá o prêmio Robert Altman pelo elenco e o diretor de elenco, Foxcatcher ficará com o Special Distinction Award, uma espécie de prêmio de consolação.

Fora de competição por ultrapassar os 20 milhões de dólares, Vício Inerete foi lembrado pelo prêmio Robert Altman, que reconhece a força de seu elenco, aqui representado por Joaquin Phoenix e Benicio Del Toro (photo by outnow.ch)

Fora de competição por ultrapassar os 20 milhões de dólares, Vício Inerente foi lembrado pelo prêmio Robert Altman, que reconhece a força de seu elenco, aqui representado por Joaquin Phoenix e Benicio Del Toro (photo by outnow.ch)

Ao indicar produções menos conhecidas como Obvious Child, Amantes Eternos e Kumiko, the Treasure Hunter (que aliás tem uma ótima sinopse*), o Independent Spirit quer fazer com que a Academia e seus membros olhem com mais carinho esses filmes artesanais e por que não alavancá-los ao tapete vermelho também?

Ainda está cedo pra fazer previsão, mas vou apostar nos possíveis vencedores do Oscar nas categorias de atuação: Michael Keaton, Julianne Moore, J.K. Simmons e Patricia Arquette. Se isso acontecer, será bacana que nenhum deles venceu anteriormente. Já diretor e filme, apostaria em Boyhood: Da Infância à Juventude por ter a cara do prêmio independente.

J.K. Simmons (Whiplash: Em Busca da Perfeição) - photo by elfilm.com

Entre os coadjuvantes, J.K. Simmons tem uma das atuações mais elogiadas do ano por Whiplash: Em Busca da Perfeição – photo by elfilm.com

INDICAÇÕES AO INDEPENDENT SPIRIT AWARDS 2015:

MELHOR FILME
• Birdman (Birdman (or The Unexpected Virtue of Ignorance)
Produtores: Alejandro González Iñárritu, John Lesher, Arnon Milchan, James W. Skotchdopole
• Boyhood: Da Infância à Juventude (Boyhood)
Produtores: Richard Linklater, Jonathan Sehring, John Sloss, Cathleen Sutherland
• O Amor é Estranho (Love Is Strange)
Produtores: Lucas Joaquin, Lars Knudsen, Ira Sachs, Jayne Baron Sherman, Jay Van Hoy
• Selma
Produtores: Christian Colson, Dede Gardner, Jeremy Kleiner, Oprah Winfrey
Whiplash: Em Busca da Perfeição (Whiplash)
Produtores: Jason Blum, Helen Estabrook, David Lancaster, Michael Litvak

DIRETOR
Damien Chazelle (Whiplash: Em Busca da Perfeição)
Ava DuVernay (Selma)
Alejandro González Iñárritu (Birdman)
Richard Linklater (Boyhood: Da Infância à Juventude)
David Zellner (Kumiko, the Treasure Hunter)

ATRIZ
Marion Cotillard (Era Uma Vez em Nova York)
Rinko Kikuchi (Kumiko, the Treasure Hunter)
Julianne Moore (Still Alice)
Jenny Slate (Obvious Child)
Tilda Swinton (Amantes Eternos)

ATOR
André Benjamin (All Is by My Side)
Jake Gyllenhaal (O Abutre)
Michael Keaton (Birdman)
John Lithgow (O Amor é Estranho)
David Oyelowo (Selma)

ATRIZ COADJUVANTE
Patricia Arquette (Boyhood: Da Infância à Juventude)
Jessica Chastain (A Most Violent Year)
Carmen Ejogo (Selma)
Andrea Suarez Paz (Stand Clear of the Closing Doors)
Emma Stone (Birdman)

ATOR COADJUVANTE
Riz Ahmed (O Abutre)
Ethan Hawke (Boyhood: Da Infância à Juventude)
Alfred Molina (O Amor é Estranho)
Edward Norton (Birdman)
J.K. Simmons (Whiplash: Em Busca da Perfeição)

MELHOR FOTOGRAFIA
Darius Khondji (Era Uma Vez em Nova York)
Emmanuel Lubezki (Birdman)
Sean Porter (Parece Amor)
Lyle Vincent (A Girl Walks Home Alone at Night)
Bradford Young (Selma)

MELHOR MONTAGEM
Sandra Adair (Boyhood: Da Infância à Juventude)
Tom Cross (Whiplash: Em Busca da Perfeição)
John Gilroy (O Abutre)
Ron Patane (A Most Violent Year)
Adam Wingard (The Guest)

MELHOR ROTEIRO
Scott Alexander, Larry Karaszewski (Grandes Olhos)
J.C. Chandor (A Most Violent Year)
Dan Gilroy (O Abutre)
Jim Jarmusch (Amantes Eternos)
Ira Sachs, Mauricio Zacharias (O Amor é Estranho)

MELHOR FILME DE ESTRÉIA
• A Girl Walks Home Alone at Night
Diretora: Ana Lily Amirpour
Produtores: Justin Begnaud, Sina Sayyah
Dear White People
Diretor-produtor: Justin Simien
Produtores: Effie T. Brown, Ann Le, Julia Lebedev, Angel Lopez, Lena Waithe
• O Abutre (Nightcrawler)
Diretor: Dan Gilroy
Produtores: Jennifer Fox, Tony Gilroy, Jake Gyllenhaal, David Lancaster, Michel Litvak
Obvious Child
Diretora: Gillian Robespierre
Produtora: Elisabeth Holm
• She’s Lost Control
Diretor-produtor: Anja Marquardt
Produtores: Mollye Asher, Kiara C. Jones

PRIMEIRO ROTEIRO
Desiree Akhavan (Appropriate Behavior)
Sara Colangelo (Little Accidents)
Justin Lader (The One I Love)
Anja Marquardt (She’s Lost Control)
Justin Simien (Dear White People)

PRÊMIO JOHN CASSAVETES – Para produções feitas abaixo de 500 mil dólares.
• Blue Ruin
Diretor-roteirista: Jeremy Saulnier
Produtores: Richard Peete, Vincent Savino, Anish Savjani
• Parece Amor (It Felt Like Love)
Diretor-produtor: Eliza Hittman
Produtores: Shrihari Sathe, Laura Wagner
• Land Ho!
Diretores-roteiristas: Aaron Katz, Martha Stephens
Produtores: Christina Jennings, Mynette Louie, Sara Murphy
• Man From Reno
Diretor-roteirista: Dave Boyle
Roteiristas: Joel Clark, Michael Lerman
Produtor: Ko Mori
• Test
Diretor-roteirista-produtor: Chris Mason Johnson
Produtor: Chris Martin

MELHOR DOCUMENTÁRIO
• 20.000 Dias na Terra (20,000 Days on Earth)
Diretores: Iain Forsyth, Jane Pollard
Produtores: Dan Bowen, James Wilson
• CitizenFour
Diretora-produtora: Laura Poitras
Produtores: Mathilde Bonnefoy, Dirk Wilutzky
• Stray Dog
Diretora: Debra Granik
Produtora: Anne Rosellini
• O Sal da Terra (The Salt of the Earth)
Diretores: Juliano Ribeiro Salgado, Wim Wenders
Produtor: David Rosier
• Virunga
Diretor-produtor: Orlando von Einsiedel
Produtora: Joanna Natasegara

FILME INTERNACIONAL
• Força Maior (Force Majeure) – SUÉCIA
Diretor: Ruben Östlund
• Ida – POLÔNIA
Diretor: Pawel Pawlikowski
• Leviatã (Leviafan) – RÚSSIA
Diretor: Andrey Zvyagintsev
• Mommy – CANADÁ
Diretor: Xavier Dolan
Norte, the End of History – FILIPINAS
Diretor: Lav Diaz
• Sob a Pele (Under the Skin) – REINO UNIDO
Diretor: Jonathan Glazer

PRÊMIO ROBERT ALTMAN – Concedido a um diretor, diretor de elenco e elenco
• Vício Inerente (Inherent Vice)
Diretor: Paul Thomas Anderson
Diretor de Casting: Cassandra Kulukundis
Elenco: Josh Brolin, Martin Donovan, Jena Malone, Joanna Newsom, Joaquin Phoenix, Eric Roberts, Maya Rudolph, Martin Short Serena Scott Thomas, Benicio Del Toro, Katherine Waterston, Michael Kenneth Williams, Owen Wilson, Reese Witherspoon

SPECIAL DISTINCTION AWARD
• Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo (Foxcatcher)
Diretor/Produtor: Bennett Miller
Produtores: Anthony Bregman, Megan Ellison, Jon Kilik
Roteiristas: E. Max Frye, Dan Futterman
Atores: Steve Carell, Mark Ruffalo, Channing Tatum

PRODUCERS AWARD
Chad Burris
Elisabeth Holm
Chris Ohlson

SOMEONE TO WATCH AWARD
• A Girl Walks Home Alone at Night
Diretora: Ana Lily Amirpour
• H.
Diretores: Rania Attieh & Daniel Garcia
• The Retrieval
Diretor: Chris Eska

TRUER THAN FICTION AWARD
• Approaching the Elephant
Diretor: Amanda Rose Wilder
• Evolution of a Criminal
Diretor: Darius Clark Monroe
• The Kill Team
Diretor: Dan Krauss
• The Last Season
Diretora: Sara Dosa

O 30º Independent Spirit Awards acontece no dia 21 de fevereiro de 2015, como de costume, um dia antes da cerimônia do Oscar.

* Ah sim! A sinopse de Kumiko, the Treasure Hunter é a seguinte: Uma mulher japonesa descobre a fita VHS do filme Fargo (1996) e acredita que se trata de um mapa para a localização de uma mala cheia de dinheiro. Essa idéia é baseada na lenda urbana de que algumas pessoas teriam ido a Minnesota para procurar a maleta de dinheiro enterrada na neve do filme Fargo, porque os diretores irmãos Coen incluíram letreiro no início do filme dizendo que se tratava de uma história baseada em fatos verídicos, o que na verdade, é uma mentira usada para atrair mais a atenção do espectador.

Rinko Kikuchi em cena de Kumiko, the Treasure Hunter (photo by elfilm.com)

Rinko Kikuchi em cena de Kumiko, the Treasure Hunter (photo by elfilm.com)

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PRIMEIRA PRÉVIA DO OSCAR 2015! – Para aqueles que não aguentam esperar

 NÃO HÁ FAVORITOS AINDA, MAS FORTES CONCORRENTES

Faltam (apenas) 4 meses para as indicações! Já vale a pena dar uma olhada nos possíveis filmes indicados e fantasiar sobre um ou outro ator ou atriz que nunca ganhou e pode finalmente ter a chance. Particularmente, estou curioso para ver as performances de Michael Fassbender nos filmes MacBeth e Frank, e de Joaquin Phoenix em Inherent Vice, pela evolução constante nas últimas performances, e mesmo sem ter visto o trabalho deles, já torço para que cheguem ao tapete vermelho da Academia. Já pelo que vi, dou meu apoio incondicional para a campanha da primeira indicação para Steve Carell, o comediante de O Virgem de 40 Anos teve seu talento testado pelo diretor Bennett Miller em Foxcatcher.

Claro que ainda há muita especulação que se baseia em nomes consagrados. Na ala dos diretores, Christopher Nolan sempre aparece nas apostas, assim como o britânico Stephen Daldry por seu histórico de 3 indicações sem vitória. Já entre as atrizes, fica impossível desassociar o nome Meryl Streep na hora do burburinho do Oscar. Ela pode ter sido quase uma figurante que ela vai constar nas listas de possíveis indicadas. Este ano, a primeira foto dela como Bruxa/Feiticeira da mega produção Caminhos da Floresta já causou um estardalhaço. E, em menor escala, podemos encaixar Viola Davis também como candidata à atriz coadjuvante sem sequer ver seu trabalho. Sua derrota por Histórias Cruzadas em 2012 ainda deve render uma nova indicação ao Oscar.

Há filmes que certamente serão catapultados na campanha ao Oscar graças ao lobbista Harvey Weinstein. Dentre algumas produções que recebem seu valioso apoio estão: The Imitation Game e MacBeth, além de suas próprias produções como Big Eyes, St. Vincent e O Doador de Memórias. Como sempre comentado aqui, o trabalho de Weinstein impressiona pelas indicações constantes ao Oscar. Só nos últimos anos, ele foi responsável pelos Oscars de Jennifer Lawrence (O Lado Bom da Vida), Meryl Streep (A Dama de Ferro) e de Kate Winslet (O Leitor), além de Melhor Filme para O Artista e O Discurso do Rei.

Também vale ressaltar a crescente importância do Festival de Toronto como prévia do Oscar. Nos últimos anos, os filmes que participaram do evento não-competitivo acabaram vencedores da estatueta: 12 Anos de Escravidão, Argo e A Separação. Este ano, o Festival de Toronto (ou TIFF) acolhe prováveis favoritos ao Oscar como Foxcatcher, Nightcrawler, Whiplash: Em Busca da Perfeição, Maps to the Stars, Mr. Turner, Wild, The Theory of Everything e The Imitation Game. Todos sedentos por um pouco de atenção neste início da corrida ao Oscar 2015.

MELHOR FILME

• American Sniper, de Clint Eastwood
• Big Eyes, de Tim Burton
• Birdman, de Alejandro González Iñárritu
• Foxcatcher: A História que Chocou o Mundo (Foxcatcher), de Bennett Miller
• Garota Exemplar (Gone Girl), de David Fincher
• O Grande Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel), de Wes Anderson
• Corações de Ferro (Fury), de David Ayer
• The Imitation Game, de Morten Tyldum
• Inherent Vice, de Paul Thomas Anderson
• Interestelar (Interstellar), de Christopher Nolan
• Caminhos da Floresta (Into the Woods), de Rob Marshall
• Homens, Mulheres e Filhos (Men, Women & Children), de Jason Reitman
• A Most Violent Year, de J.C. Chandor
• Selma, de Ava DuVernay
• A Teoria de Tudo (The Theory of Everything)
, de James Marsh
• Trash – A Esperança Vem do Lixo (Trash), de Stephen Daldry
• Invencível (Unbroken)
, de Angelina Jolie
• Wild, de Jean-Marc Vallée

Primeiro, vamos aos fatos. Apresentado no Festival de Veneza, Birdman já figura como um forte candidato ao Oscar. Além de seu diretor ser o mexicano Alejandro González Iñárritu, traz o retorno triunfal do ator Michael Keaton, que ficou marcado pelo papel de Batman de Tim Burton. Ainda conta com atores que podem conquistar indicações como coadjuvantes: Emma Stone, Edward Norton e Naomi Watts.

Foxcatcher saiu de Cannes com o prêmio de direção para o jovem Bennett Miller (Capote e O Homem que Mudou o Jogo). Considerado um dos melhores diretores de atores da atualidade, Miller já conseguiu a proeza de extrair uma atuação contida e estranhíssima do ator e comediante Steve Carell que, só por um milagre, não estará no Oscar 2015. Além dele, Mark Ruffalo já vem conquistando os críticos que viram o filme na França. Conta também muito a favor a produção ser assinada por Megan Ellison (da produtora Annapurna), que recebeu duas indicações no Oscar deste ano por Trapaça e Ela. Veja trailer abaixo:

Embora a Academia ainda não tenha abraçado o estilo único de Wes Anderson, seu novo filme, O Grande Hotel Budapeste, pode conquistar uma indicação a Melhor Filme. Como se não bastasse a batalha contra o conservadorismo da Academia, o filme terá dificuldades de manter seu frescor na memória dos votantes, pois o filme estreou nos EUA em março. Até agora, venceu o Urso de Prata de Grande Prêmio do Júri no último Festival de Berlim, e figura nas listas dos críticos de melhores de 2014 até o momento. São possíveis indicações nas categorias de Direção de Arte, Figurino e Roteiro Original, mas seria uma grata surpresa a lembrança como Melhor Filme e Diretor.

E vencedor do Festival de Sundance do Urso de Prata de Direção, o independente Boyhood: Da Infância à Juventude teve como grande destaque as filmagens que levaram mais de 12 anos. A proposta arriscada do diretor Richard Linklater se apoiava no comprometimento do jovem protagonista Ellar Coltrane de continuar as filmagens após esse longo período para acompanhar o crescimento de seu personagem. Com indicações anteriores como roteirista apenas, Linklater pode sonhar mais alto se depender das apostas dos críticos.

Garota Exemplar e Inherent Vice são duas produções aguardadíssimas que o presidente do Festival de Veneza tentou trazer, mas foram selecionadas pelo Festival Internacional de Nova York. Enquanto o primeiro trabalho é assinado por David Fincher com base no best-seller homônimo de Gillian Flynn, o segundo é assinado por Paul Thomas Anderson com base no romance de Thomas Pynchon. Ambos podem e devem conquistar indicações como Melhor Diretor pelo ótimo momento de suas carreiras, o que poderia puxar indicações para Melhor Filme dependendo do sucesso com a crítica e o público.

Cena com Ben Affleck de Garota Exemplar (photo by http://www.outnow.ch)

Os demais trabalhos citados na lista ainda não concretizaram seus favoritismos. A maioria tem presença devido ao prestígio de seus diretores perante a Academia como Clint Eastwood, Jason Reitman, Angelina Jolie e Christopher Nolan, enquanto outros apresentam temas que são típicos dos vencedores do Oscar como The Imitation Game, que aborda a história verídica do matemático que quebra um código em plena Segunda Guerra Mundial, ou a história da vida de um dos maiores físicos do mundo, Stephen Hawking, retratada em The Theory of Everything com um Eddie Redmayne bastante inspirado no papel do protagonista. Ainda pouco comentado, vale citar o filme Selma, que retrata a busca pelo direitos civis por Martin Luther King.

Em se tratando de expectativa, um dos trabalhos mais comentados para esta temporada é a adaptação do livro de James Lapine, Caminhos da Floresta (Into the Woods), dirigido por Rob Marshall, que concorreu a Melhor Diretor por Chicago em 2003. Com um elenco estelar que conta com Meryl Streep, Johnny Depp, Emily Blunt, Chris Pine, Anna Kendrick e Tracey Ullman, o musical tem tudo para conquistar no mínimo o Globo de Ouro de Melhor Filme – Musical ou Comédia. Além da qualidade que só poderá ser comprovada com o lançamento do filme, a única coisa que pode atrapalhar seu sucesso é uma possível censura por parte da Disney, que está por trás da produção. Aliás, este é um medo recorrente em relação à Disney, que costuma “suavizar” as histórias a fim de abranger o público infanto-juvenil, podendo remoldar a saga Star Wars, cujos direitos lhe foram vendidos para desespero dos fãs. Se tudo o mais falhar, pelo menos Caminhos da Floresta deve garantir o 4º Oscar da carreira da figurinista Colleen Atwood.

Cena de Caminhos da Floresta (photo by Disney)

MELHOR DIRETOR

• Paul Thomas Anderson (Inherent Vice)
• Wes Anderson (O Grande Hotel Budapeste)
• Tim Burton (Big Eyes)
• J.C. Chandor (A Most Violent Year)
• Stephen Daldry (Trash – A Esperança Vem do Lixo)
• Ava DuVernay (Selma)
• David Fincher (Garota Exemplar)
• Alejandro González Iñárritu (Birdman)
• Angelina Jolie (Unbroken)
• Tommy Lee Jones (The Homesman)
• Mike Leigh (Mr. Turner)
• Richard Linklater (Boyhood: Da Infância à Juventude)
• Rob Marshall (Caminhos da Floresta)
• Christopher Nolan (Interestelar)
• Jason Reitman (Men, Women & Children)
• Jon Stewart (Rosewater)

• Morten Tyldum (The Imitation Game)
• Jean-Marc Vallée (Wild)

Como já citado, o americano Bennett Miller larga na frente por ter conquistado o prêmio de direção no Festival de Cannes por Foxcatcher. Ele foi indicado anteriormente por Capote em 2006. Logo atrás, o mexicano Alejandro González Iñárritu pode manter a onda latina em alta com Birdman, após seu conterrâneo Alfonso Cuarón ter levado o Oscar de diretor por Gravidade. Iñárritu pode conquistar sua terceira indicação após dupla indicação por Babel como Melhor Filme e Direção em 2007. E pra fechar a trinca de favoritos do momento, Richard Linklater e seu Boyhood: Da Infância à Juventude. Normalmente, a Academia inclui pelo menos um indicado estreante, e este pode ser Linklater, que independente do gênero, sempre busca alguma inovação da linguagem.

Outrora outsider, David Fincher, que já tem produções cultuadas como Seven – Os Sete Crimes Capitais, Clube da Luta e Zodíaco, foi reconhecido pela Academia a partir do poético O Curioso Caso de Benjamin Button. Este ano, ele retorna com outro filme do gênero crime, mas desta vez ele conta com prestígio e o roteiro de uma autora best-seller, podendo conquistar sua terceira indicação como Diretor.

Não dá pra deixar de lado o favoritismo crescente de Angelina Jolie. Após sucesso crítico de seu filme sobre os conflitos na Bósnia, Na Terra de Amor e Ódio, a atriz resolveu investir em outra produção de guerra, Invencível, mas desta vez, a Segunda Guerra Mundial, baseando-se numa história verídica de um atleta olímpico americano capturado como prisioneiro no Japão. E também não dá pra ignorar o novo trabalho do britânico Stephen Daldry, cujos filmes sempre dão um jeito de receber uma indicação ao Oscar. Reconhecido por Billy Elliott, As Horas e O Leitor, ele volta com Trash – A Esperança Vem do Lixo, filmado no Brasil e com os atores Wagner Moura e Selton Mello.

Selton Mello em Trash - A Esperança Vem do Lixo (photo by outnow.ch)

Selton Mello em Trash – A Esperança Vem do Lixo (photo by outnow.ch)

Já entre os diretores que nunca conseguiram uma indicação, Christopher Nolan aparece como forte candidato pela ficção científica Interestelar. Após bater na trave com Batman – O Cavaleiro das Trevas (2008) e A Origem (2010), o trabalho dele pode finalmente ganhar destaque e satisfazer milhões de fãs e alguns críticos. Particularmente, torço para a inédita indicação de Wes Anderson por O Grande Hotel Budapeste e, mesmo sem ter visto o filme, torço também por Tim Burton e seu filme biográfico Big Eyes.

MELHOR ATOR

• Ben Affleck (Garota Exemplar)
• Chadwick Boseman (James Brown)

• Steve Carell (Foxcatcher)
• Benedict Cumberbatch (The Imitation Game)
• Benicio Del Toro (Escobar: Paradise Lost)

• Michael Fassbender (Frank)
• Michael Fassbender (MacBeth)
• Ralph Fiennes (O Grande Hotel Budapeste)
• Jake Gyllenhaal (Nightcrawler)
• Oscar Isaac (A Most Violent Year)
• Michael Keaton (Birdman)
• Bill Murray (St. Vincent)
• Jack O’Connell (Unbroken)
• David Oyelowo (Selma)

• Al Pacino (Manglehorn)
• Joaquin Phoenix (Inherent Vice)

• Brad Pitt (Corações de Ferro)
• Eddie Redmayne (The Theory of Everything)
• Timothy Spall (Mr. Turner)
• Channing Tatum (Foxcatcher)

Até o momento, o único ator premiado foi o britânico Timothy Spall pelo filme biográfico do pintor J.M.W. Turner no último Festival de Cannes. Contudo, embora seja um excelente diretor de atores, a última performance indicada ao Oscar sob a direção de Mike Leigh foi de Imelda Staunton em 2005 por O Segredo de Vera Drake, o que pode dificultar as chances dele.

Com boas chances de ser premiado em Veneza, Michael Keaton vem recebendo elogios por esse retorno triunfal. Em Birdman, ele interpreta um ator conhecido por viver um super-herói e agora tenta justamente um retorno na Broadway. Essa história remete bastante à trajetória do próprio Michael Keaton, que ficou marcado por viver o herói mascarado Batman e desacelerou sua carreira promissora. Segundos as críticas, sua atuação em Birdman consegue expressar “arrogância, insegurança e desespero num só respiro”. Pode se tornar a sua primeira indicação e a 6ª indicação de um ator sob a direção de Iñárritu.

Outro que deve conquistar sua indicação inédita é Steve Carell, mais conhecido por papéis em comédias como O Virgem de 40 Anos e Agente 86. O diretor Bennett Miller enxergou potencial dramático nele e o ator não decepciona, apresentando uma atuação contida, precisa e assustadora, com direito a uma mudança de visual com cabelos grisalhos e uma prótese no nariz. Tais métodos costumam ser reconhecidos pela Academia como foi o caso do Oscar para Charlize Theron por Monster – Desejo Assassino. Existe uma possibilidade do jovem Channing Tatum receber sua primeira indicação pelo mesmo Foxcatcher, contudo, a disputa na categoria é sempre acirrada e a última vez que houve dois indicados a Melhor Ator pelo mesmo filme foi em 1985, quando Tom Hulce e F. Murray Abraham competiram juntos por Amadeus, tendo o último vencido o Oscar.

Além do aspecto visual, que pode beneficiar os 13 quilos perdidos por Jake Gyllenhall em Nightcrawler, a Academia adora papéis baseados em fatos verídicos, o que deve elevar demais as chances de Eddie Redmayne que interpreta o jovem Stephen Hawking em The Theory of Everything. Claro que a atuação também deve acompanhar a qualidade da transformação, e esse talento o jovem Benedict Cumberbatch tem de sobra. Ele vive outra figura histórica: o matemático Alan Turing, que decifrou um código nazista em plena guerra em The Imitation Game.

Sem o mesmo impacto de um Jamie Foxx como Ray Charles, o jovem e desconhecido Chadwick Boseman pode figurar em listas de melhores ao interpretar o também músico James Brown no filme homônimo. Mas a maior aposta até o momento sem analisar a performance está nas mãos de Joaquin Phoenix, novamente sob direção de Paul Thomas Anderson, com quem trabalhou em O Mestre. Embora com alguns parafusos a menos, o ator está em extrema ascensão em Hollywood e deve confirmar seu favoritismo na casa de apostas por Inherent Vice. Já a minha aposta pessoal vai para um dos trabalhos de Michael Fassbender, seja por Frank, no qual atua usando uma cabeça em formato de desenho, seja pela adaptação de Shakespeare em MacBeth.

MELHOR ATRIZ

• Amy Adams (Big Eyes)
• Jessica Chastain (The Disappearance of Eleanor Rigby)
• Jessica Chastain (Miss Julie)
• Jessica Chastain (A Most Violent Year)
• Marion Cotillard (Two Days, One Night)
• Keira Knightley (Mesmo Se Nada Der Certo)
• Jennifer Lawrence (Serena)
• Juliane Moore (Maps to the Stars)
• Rosamund Pike (Garota Exemplar)
• Meryl Streep (Caminhos da Floresta)
• Hilary Swank (The Homesman)
• Michelle Williams (Suite Française)
• Reese Witherspoon (Wild)
• Shailene Woodley (A Culpa é das Estrelas)

Apesar de não ser a melhor prévia para o Oscar, o Festival de Cannes premiou este ano a atriz Julianne Moore por Maps to the Stars, o que não pode ser simplesmente ignorado pela Academia, ainda mais por se tratar de uma atriz muito querida que já foi indicada em 4 oportunidades, mas nunca levou a estatueta. Suas chances devem aumentar se for indicada como atriz coadjuvante, categoria que costuma ter concorrência menos acirrada.

Agora, se depender do burburinho, Reese Witherspoon já deve garantir sua segunda indicação por Wild. Baseado na história real de Cheryl Strayed de percorrer mais de 1.700km a fim de superar uma catástrofe recente, o filme vem sendo apontado como uma das maiores surpresas do prestigiado Festival de Toronto. Witherspoon, que vinha atuando apenas em filmes comerciais após ganhar o Oscar por Johnny & June, pode recuperar sua reputação de boa atriz.

Em 2012, Jessica Chastain tinha três filmes que poderiam lhe render uma indicação ao Oscar, o que aconteceu por Histórias Cruzadas. Este ano, por nova coincidência de lançamentos, ela tem nova trinca de performances que podem lhe beneficiar na reta final, sendo que em Miss Julie ela é dirigida pela legendária atriz sueca Liv Ullmann, e em A Most Violent Year pelo inspirado J.C. Chandor de Margin Call – O Dia Antes do Fim e Até o Fim. Chastain quase ganhou por A Hora Mais Escura em 2013.

Se a atuação de Amy Adams como a pintora Margaret Keane chamar a atenção da crítica, ela pode ficar com uma mão na estatueta. Seria a 6ª indicação dela em apenas nove anos e sem nenhuma vitória! A Academia está muito disposta a premiá-la, mas talvez esteja esperando uma atuação realmente digna com aqueles elementos já citados aqui como mudança visual ou mesmo no tom de voz, e não apenas uma peruca loira. Teremos de aguardar pra ver o que Tim Burton conseguiu extrair de Amy Adams…

Também por acúmulo de indicações anteriores, Michelle Williams pode voltar ao tapete vermelho por Suite Française, mas a verdadeira carta na manga aqui é o tema do filme: romance entre uma francesa e um soldado alemão em plena Segunda Guerra Mundial. Os votantes judeus já estão cruzando os dedos… E vale lembrar de um favoritismo prévio da jovem Shailene Woodley como a Hazel do best-seller A Culpa é das Estrelas. Apesar da adaptação meio melosa, o filme possibilita Woodley mostrar seu talento sem ser piegas. A favor dela, tem o sucesso de seu outro filme Divergente.

MELHOR ATOR COADJUVANTE

• Dan Aykroyd (James Brown)
• Josh Brolin (Inherent Vice)

• Albert Brooks (A Most Violent Year)
• Johnny Depp (Caminhos da Floresta)
• Robert Duvall (The Judge)
• Neil Patrick Harris (Garota Exemplar)
• Philip Seymour Hoffman (O Homem Mais Procurado)
• Logan Lerman (Corações de Ferro)
• Edward Norton (Birdman)
• Tim Roth (Selma)
• Mark Ruffalo (Foxcatcher)
• J.K. Simmons (Whiplash)
• Benicio Del Toro (Inherent Vice)
• Christoph Waltz (Big Eyes)
• Tom Wilkinson (Selma)

À princípio, esta pode ser a oportunidade de ouro para a Academia premiar finalmente Johnny Depp naquela que seria sua quarta indicação, porém a primeira como coadjuvante. Infelizmente, ainda não é possível analisar se sua atuação é digna de premiação ou seria apenas especulação por seu histórico como ator. Esperamos que seja uma performance à altura de uma indicação e não simplesmente pelo nome. Além disso, é necessário verificar o quanto seu trabalho será beneficiado por efeitos digitais, já que seu personagem é um lobisomem em Caminhos da Floresta.

Pela repercussão no Festival de Toronto, já incluiria o nome do veterano Robert Duvall, que divide a tela com o astro Robert Downey Jr. em The Judge, no qual interpreta um juiz de uma pequena cidade acusado de assassinato. Esta seria a sétima indicação de Duvall, que ganhou o Oscar pelo tocante A Força do Carinho em 1984. Como a última indicação dele foi lá em 1999 por A Qualquer Preço, esta pode ser o retorno que a Academia vinha aguardando para premiá-lo novamente sem depender de um Oscar Honorário, afinal, Duvall já tem 83 anos.

Mas os grandes favoritos da categoria atendem pelos nomes: Mark Rufallo e J.K. Simmons. O primeiro é um dos atores mais versáteis da atualidade, recebeu sua primeira indicação em 2011 por Minhas Mães e Meu Pai, e está curtindo o auge de sua fama como Bruce Banner/Hulk dos filmes dos Vingadores da Marvel Comics. Em Foxcatcher, ele é o irmão que busca proteger o atleta olímpico da obsessão doentia do treinador de luta livre, tarefa que o fez ganhar peso e aumentar suas chances no Oscar. Já o segundo, ficou mundialmente conhecido por ser o chefe de Peter Parker/Homem-Aranha, J.J. Jameson nos filmes dirigidos por Sam Raimi. Embora J.K. Simmons também tenha feito ótima parceria com o diretor Jason Reitman, ele vem conquistando boas críticas por Whiplash: Em Busca da Perfeição, no qual atua como treinador de um jovem baterista (Miles Teller).

Ainda cedo pra analisar, mas com boas chances temos: Benicio Del Toro e Josh Brolin por Inherent Vice; Christoph Waltz por Big Eyes; e Albert Brooks por A Most Violent Year. Já no campo mais concreto, segundo a resposta no Festival de Veneza, Edward Norton pode voltar a concorrer ao Oscar por Birdman após 16 anos, podendo retomar aquele caminho promissor dos anos 90.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

• Patricia Arquette (Boyhood: Da Infância à Juventude)
• Viola Davis (James Brown)
• Laura Dern (Wild)
• Kaitlyn Dever (Men, Women & Children)
• Anne Hathaway (Interestelar)

• Jennifer Garner (Men, Women & Children)
• Felicity Jones (The Theory of Everything)
• Anna Kendrick (Caminhos da Floresta)
• Keira Knightley (The Imitation Game)
• Julianne Moore (Maps to the Stars)
• Miranda Otto (The Homesman)

• Vanessa Redgrave (Foxcatcher)
• Octavia Spencer (James Brown)
• Emma Stone (Birdman)
• Marisa Tomei (O Amor é Estranho)
• Naomi Watts (Birdman)

Primeiramente, volto a ressaltar que Julianne Moore pode concorrer como coadjuvante por seu papel vencedor do prêmio de Melhor Atriz em Cannes. Na maioria das vezes, é a própria distribuidora, encarregada do lobby, que decide em qual categoria a atriz deve concorrer a fim de aumentar as chances de vitória.

Até o momento, uma das favoritas é Laura Dern por Wild. Filha do ator Bruce Dern, que concorreu ao Oscar este ano por Nebraska, ela chegou a ser indicada uma vez por As Noites de Rose no início dos anos 90, mas ficou mais famosa pelo blockbuster de Steven Spielberg, Jurassic Park – O Parque dos Dinossauros (1993). Pela calorosa recepção do Festival de Toronto, ela deve conquistar sua segunda indicação, fortalecendo a campanha do filme no Oscar. A seu favor, também conta sua participação no drama A Culpa é das Estrelas.

Já para os especialistas em Oscar, Patricia Arquette está na frente da disputa por seu papel de mãe em Boyhood: Da Infância à Juventude. Sua personagem é uma observadora atenta do crescimento de seu filho dos 5 aos 18 anos, gerando momentos maternos simples, porém tocantes como o primeiro dia de faculdade. Embora nunca tenha sido indicada para o prêmio da Academia, no mínimo, Arquette deve figurar na lista final.

Em alta por sua parceria com Woody Allen em Magia ao Luar e o sucesso de O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro, Emma Stone já pode colher os frutos através do trabalho com Alejandro González Iñárritu. Em Birdman, ela interpreta a filha problemática de Michael Keaton, passando por clínicas de reabilitação e constantes recaídas. Mais conhecida por sua veia cômica, a jovem atriz demonstra novas facetas em um trabalho mais dramático, uma característica que a Academia costuma ver com bons olhos.

Apoiada pelo recente histórico de indicações sem vitória, Viola Davis pode retornar ao tapete vermelho com o papel de mãe de James Brown. Além de seu talento habitual que tridimensionaliza personagens menores, ela conta com o triunfo da maquiagem envelhecedora, que tanto favorece as interpretações premiadas. Caso ocorra, esta será sua terceira indicação ao Oscar e com grandes chances de vitória, uma vez que ela repete parceria vencedora com o diretor Tate Taylor de Histórias Cruzadas.

MELHOR ANIMAÇÃO

• Operação Big Hero 6 (Big Hero 6), de Don Hall, Chris Williams
• Festa no Céu (Book of Life), de Jorge R. Gutierrez
• Os Boxtrolls (The Boxtrolls), de Graham Annable e Anthony Stacchi
• Como Treinar o seu Dragão 2 (How to Train your Dragon 2), de Dean DeBlois
• The Tale of Princess Kaguya (Kaguyahime no Monogatari), de Isao Takahata
• Uma Aventura LEGO (The Lego Movie)
, de Phil Lord e Christopher Miller
• As Aventuras de Peabody & Sherman (Mr. Peabody & Sherman), de Rob Minkoff
• Os Pinguins de Madagascar (Penguins of Madagascar), de Eric Darnell e Simon J. Smith
• Song of the Sea
, de Tomm Moore

Virou praxe: todo ano em que a Pixar está ausente, não há favoritos. O estúdio elevou tanto o nível de qualidade da animação que o cinema fica sem referência sem seus filmes. A briga deve se concentrar entre Operação Big Hero 6, Como Treinar seu Dragão 2 e Uma Aventura LEGO, com uma ligeira vantagem para o último por seu sucesso nas bilheterias nos EUA, que ultrapassa os 250 milhões de dólares.

E como de costume, a Academia gosta de incluir animações oriundas de outras nações, sendo Japão a mais indicada entre os estrangeiros. Na ausência do mestre Hayao Miyazaki, indicado este ano por Vidas ao Vento, outro mestre nipônico pode tomar seu lugar no Oscar: Isao Takahata, responsável por uma das animações mais tocantes de todos os tempos: Túmulo dos Vagalumes (1988). Seu mais novo trabalho, The Tale of Princess Kaguya, também foi produzido pelo Studio Ghibli de Miyazaki, e contém elementos fantásticos como a princesa do título ser do tamanho de um dedo.

Claro que se houver mais uma vaga pra animação estrangeira, a vaga pode ficar com o irlandês Song of the Sea, do mesmo Tomm Moore que foi indicado em 2010 por Uma Viagem ao Mundo das Fábulas (The Secret of Kells).

‘Miss Violence’, de Alexandros Avranas (2013)

Miss Violence, de Alexandros Avranas

Miss Violence, de Alexandros Avranas

Atual cinema grego nasce da crise econômica do país

Você já assistiu a um filme do Neo-realismo italiano? Talvez Ladrões de Bicicletas, de Vittorio De Sica? Ou algum filme da safra do Cinema Argentino? O Pântano, de Lucrecia Martel? Ambos os cinemas citados acima inspiraram o atual cinema grego, que tem se apoiado na crise econômica que assola a Europa desde 2008 para criar filmes que dissecam a sociedade vitimada.

Para a maioria dos cinéfilos, o cinema grego tinha como referência apenas Theo Angelopoulos. Falecido em 2012, o diretor se consagrou com títulos como Uma Eternidade e Um Dia, vencedor da Palma de Ouro em Cannes de 1998. Contudo, quando Dente Canino, de Giorgos Lanthimos, destacou-se ganhando inúmeros prêmios internacionais como o Un Certain Regard em Cannes e foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, a crítica e os holofotes miravam uma nova onda de criatividade na terra dos deuses.

Cena de Dente Canino, de Yorgos Lanthimos: o primeiro dessa nova onda do cinema grego (photo by www.outnow.ch)

Cena de Dente Canino, de Giorgos Lanthimos: o primeiro dessa nova onda do cinema grego (photo by http://www.outnow.ch)

Um dos expoentes desse novo cinema grego atende pelo nome de Alexandros Avranas. Com apenas 36 anos, seu segundo longa-metragem foi selecionado para o último Festival de Veneza, de onde saiu premiado com o Leão de Prata de direção e Volpi Cup de Melhor Ator para Themis Panou. Dizem as más línguas que, se o presidente do júri, o italiano Bernardo Bertolucci, não fosse tão patriota ao selecionar o documentário italiano Sacro GRA, Miss Violence teria levado o prêmio máximo.

O diretor grego Alexandros Avranas: Vencedor do Leão de Prata no último Festival de Veneza (photo by www.kinetophone.com)

Prêmio de consolação? O diretor grego Alexandros Avranas ostenta seu Leão de Prata no último Festival de Veneza (photo by http://www.kinetophone.com)

Miss Violence começa direto ao ponto. Estamos na festa de aniversário numa casa de família feliz. Ao cometer suicídio pulando da sacada de casa, a menina de 11 anos aniversariante já revela problemas no paraíso. Nos minutos seguintes, tudo leva a crer que se trata de uma família típica disfuncional retratada em filmes americanos. Ledo engano. O buraco é bem mais abaixo. O que choca mais do que o próprio suicídio é a tranqüilidade da família perante o incidente.

Avranas compõe seqüências aparentemente sem muito nexo como uma espécie de quebra-cabeças. Apesar de se assemelharem a uma família comum, não sabemos exatamente qual a relação de cada um dos personagens ali: pai, mãe, avô, filha ou neta? Sem utilizar trilha musical, ele abusa de enquadramentos fechados de seus personagens, que parecem buscar cumplicidade do espectador ao olhar diretamente para a câmera. À medida em que as ligações entre eles se revelam mais claras, a tensão aumenta através da revelação das ações obscuras da figura dominante do patriarca na família.

Para quem ficar atento às pistas, o final pode deixar a desejar, pois fica a impressão um pouco amarga de que o segredo da trama, ostentada como clímax, não estava acima de qualquer suspeita. Ao longo do filme, o rigor disciplinar do patriarca vai ganhando contornos excessivamente violentos e essa frieza não deixa muitas dúvidas a respeito do segredo dessa família.

Família feliz: o patriarca cercado por suas meninas de ouro (photo by www.adorocinema.com.br)

Família feliz: o patriarca cercado por suas meninas de ouro (photo by http://www.adorocinema.com.br)

Isso não significa necessariamente uma falha, mas como a proposta de Alexandros Avranas era causar impacto desde a primeira cena, a resposta final, apesar de ainda forte, acaba soando um pouco óbvia. E também perde o frescor, ainda mais se considerarmos as semelhanças da nova tragédia grega lançada por Giorgos Lanthimos em seu Dente Canino em 2009. Também temos ali um núcleo familiar, violência e um universo paralelo.

Claro que isso não tira os méritos de Avranas. Sua direção se mostra bastante segura, explorando a fotografia nos planos estáticos e nos preciosos movimentos de câmera. A direção de arte e os figurinos acompanham a falta de cores fortes da fotografia com intenção de expôr a atmosfera de desafeto e a falta de sentimentos da casa. Também vale ressaltar a excelente escolha da música “Dance me To the End of Love”, de Leonard Cohen para a sequência do aniversário.

“A família na Grécia serve para falar sobre a sociedade. Podemos olhar para a família com uma lupa e encontrar os defeitos sociais. Tudo está muito cruel e o cinema grego não fazia nada. Isso está mudando”, disse o diretor numa entrevista à Folha de S. Paulo. Ao assistir ao filme, fica impossível não buscar respostas na crise econômica que atingiu bruscamente a Grécia. O desemprego, a assistência social, a economia nas despesas, está tudo impresso no filme.

Disciplina rígida: o patriarca dita as normas da casa (photo by http://plays2place.com/?portfolio=missviolence)

Disciplina rígida: o patriarca dita as normas da casa (photo by http://plays2place.com/?portfolio=missviolence)

Além do próprio conterrâneo Dente Canino, é possível fazer uma breve analogia com alguns filmes que têm a crise internacional como pano de fundo. No ano passado por exemplo, o sul-coreano Kim Ki-duk explorou atitudes extremamente brutais de seu protagonista, que decepava membros de devedores para coletar o dinheiro do seguro em Pieta, vencedor do Leão de Ouro 2012.  Aliás, na última edição do Festival de Veneza, o diretor artístico do evento, Alberto Barbera, revelou ter ficado impressionado com a quantidade de filme sombrios inscritos: “Os cineastas decidiram encarar o fato de que estamos vivendo um tipo de crise de todos os valores da nossa civilização.” Indo mais à fundo na questão, Barbera continua: “Não é só uma questão de crise financeira, é o fato de que perdemos um sistema de valores que manteve nossas sociedades vivas até agora, e já não o temos mais. Acho que os filmes gregos estão pelo menos obliquamente lidando com a crise de uma forma que a maioria das outras indústrias nacionais não lida”.

Se as seqüelas desumanas da 2ª Guerra Mundial criaram o Neo-realismo italiano, e a crise econômica argentina foi diretamente responsável pela origem de personagens e histórias humanistas do novo cinema argentino, a crise na Grécia também pode ser classificada como um daqueles “males que vêm para o bem”. Como cinéfilo, espero que os males da nossa política tão corrupta e o sistema brasileiro de justiça falho possam em breve gerar filmes igualmente reflexivos que estimulem a população a repensar o país.

AVALIAÇÃO: BOM

O elenco de Miss Violence dosa a frieza de seus personagens (photo by http://plays2place.com/?portfolio=missviolence)

O elenco de Miss Violence dosa a frieza de seus personagens (photo by http://plays2place.com/?portfolio=missviolence)

* Miss Violence está sendo exibido pela Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (www.mostra.org). Ainda sem previsão de estréia, se for lançado no circuito comercial de cinema, o filme deve ficar restrito a salas mais alternativas devido ao tema.

Indicados à Palma de Ouro de Cannes 2013

Pôster do Festival de Cannes 2013, estrelado pelo casal hollywoodiano Paul Newman e Joanne Woodward

Pôster do Festival de Cannes 2013, estrelado pelo casal hollywoodiano Paul Newman e Joanne Woodward

Foi dada a largada do maior festival de cinema do mundo com o anúncio dos filmes indicados ao mais cobiçado prêmio: a Palma de Ouro. É importante destacar que o elo entre Cannes e o Oscar, outrora frio e distante, está numa crescente. Em 2011, o vencedor do prêmio de interpretação masculina, O Artista, acabou levando 5 Oscars incluindo Melhor Filme. Já neste ano,  além da produção franco-austríaca Amor, vencedora da Palma de Ouro, ter vencido o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, outros filmes que participaram das seleções de Cannes como Moonrise Kingdom e Indomável Sonhadora conquistaram indicações ao prêmio da Academia.

Essa ponte entre o Festival de Cannes, que ocorre em maio, e o Oscar, em fevereiro, tem sido benéfica para ambos. Enquanto os realizadores selecionados na França podem ambicionar vôos mais altos e comerciais com um possível reconhecimento nos EUA, o fato da lista de indicados ao Oscar terem esse “pedigree” de sucesso oriundo de Cannes eleva o patamar de qualidade da Academia, que já sofreu muitas críticas por valorizarem demais produções que se deram bem nas bilheterias sem levar muito em consideração a veia artística do filme.

O presidente do júri: Steven Spielberg (photo by goodfellasmovie.blogspot.com)

O presidente do júri: Steven Spielberg (photo by goodfellasmovie.blogspot.com)

Este ano, o presidente do júri de Cannes, Steven Spielberg, contará com uma seleção bem eclética que vai de nomes consagrados como os irmãos Coen e Roman Polanski (que já venceram a Palma de Ouro com Barton Fink – Delírios de Hollywood e O Pianista, respectivamente) até realizadores desconhecidos do cenário internacional como o espanhol Amat Escalante e italiana Valeria Bruni Tedeschi, atriz que já trabalhou com outro indicado este ano, o francês François Ozon, e o próprio Spielberg em Munique (2005).

Normalmente, os presidentes do júri evitam conceder a Palma às produções de seu país a fim de não criar polêmicas na divulgação dos premiados no encerramento, como o compatriota Quentin Tarantino já fez duas vezes. Em 2004, ele premiou o documentarista americano Michael Moore por Fahrenheit 11 de Setembro, e ficou marcado por ter dado explicações de sua escolha pela primeira vez na história do festival. Já em 2010, como presidente do Festival de Veneza, concedeu o Leão de Ouro à americana e ex-namorada Sofia Coppola por Um Lugar Qualquer. Ok, pode acontecer, afinal o sistema não é como futebol, no qual os árbitros não são do mesmo país ou estado dos times em campo, mas os reclamantes defendem que havia escolhas mais interessantes em competição.

Segue a lista dos indicados à Palma de Ouro, lembrando que no decorrer do evento, cerca de três filmes são inclusos na competição oficial:

Palma de Ouro

Palma de Ouro

PALMA DE OURO

O Grande Gatsby (The Great Gatsby), de Baz Luhrmann (FILME DE ABERTURA)

Un Château en Italie, de Valeria Bruni-Tedeschi
Inside Llewyn Davis, de Ethan Coen e Joel Coen
Michael Kohlhaas, de Arnaud del Pallières
Jimmy P. (Psychotherapy of Plains Indian), de Arnaud Desplechin
Heli, de Amat Escalante
Le Passé (The Past), de Asghar Farhadi
The Immigrant, de James Gray
Grigris, de Mahamat-Saleh Haroun
Tian Zhu Ding (A Touch of Sin), de Jia Zhanke
Soshite Chichi ni Naru (Like Father, Like Son), de Kore-eda Hirokazu
La Vie d’Adèle (Blue is the Warmest Color), de Abdellatif Kechiche
Wara no Tate (Shield of Straw), de Takashi Miike
Jeune et Jolie (Young and Beautiful), de François Ozon
Nebraska, de Alexander Payne
La Vénus à la Fourrure, de Roman Polanski
Behind the Candelabra, de Steven Soderbergh
La Grande Bellezza (The Great Beauty), de Paolo Sorrentino
Borgman, de Alex van Warmerdam
Only God Forgives, de Nicolas Winding Refn

Zulu, de Jérôme Salle (FILME DE ENCERRAMENTO)

Independente dos vencedores, já vale conferir novos trabalhos de diretores de visão singular como os japoneses Takashi Miike e Kore-eda Hirokazu, o chinês Jia Zhang Ke (que sabe retratar como ninguém as transformações da China na globalização), o dinamarquês Nicolas Winding Refn, que ganhou o prêmio de direção com Drive, e o italiano Paolo Sorrentino, que está em ascensão.

Particularmente, fiquei feliz com a indicação de Alexander Payne por Nebraska. O diretor é um dos poucos americanos que sabem conciliar sua veia comercial ao lado de estrelas como George Clooney e Jack Nicholson com uma perspectiva bastante humana. Para este novo projeto Nebraska, havia rumores de que o ator Robert Duvall assumiria o papel de protagonista aos 82 anos, mas outro veterano conquistou o papel principal: Bruce Dern, 76, pai da atriz Laura Dern. Ele foi considerado uma das grandes promessas no campo da atuação na década de 70, chegando a ser indicado ao Oscar de coadjuvante por Amargo Regresso, mas não vingou em Hollywood.

Claro que não tem como não mencionar o novo filme de Steven Soderbergh, afinal, o diretor tem sérios planos de parar de fazer filmes para lançamento em salas de cinema, muito em razão da covardia dos grandes estúdios de Hollywood. Numa entrevista, Soderbergh revelou que o filme foi planejado para lançamento em cinema, mas acabou indo para o ar pelo canal HBO porque os estúdios alegaram que a história era “muito gay”. “Ninguém queria fazer. Fomos atrás de todo mundo na cidade. Todos disseram que era muito gay. E isso veio depois de O Segredo de Brokeback Mountain(!), que nem é engraçado como esse filme. Fiquei chocado. Não fez nenhum sentido para nós.” Behind the Candelabra conta o caso de amor verídico entre o músico Liberace (Michael Douglas) e o bem mais jovem Scott (Matt Damon).

Michael Douglas e Matt Damon já caracterizados em Behind the Candelabra, de Steven Soderbergh: "Gay demais"? (photo by www.cine.gr)

Michael Douglas e Matt Damon já caracterizados em Behind the Candelabra, de Steven Soderbergh: “Gay demais”? (photo by http://www.cine.gr)

Além dessa polêmica, com a indicação de Behind the Candelabra, o Festival de Cannes garante a presença de estrelas hollywoodianas no tapete vermelho. Além dos já citados Michael Douglas e Matt Damon, a veterana Debbie Reynolds (do musical Cantando na Chuva), Dan Aykroyd e Rob Lowe podem comparecer ao evento. Já Leonardo DiCaprio, Tobey Maguire e Carey Mulligan devem marcar presença pela nova adaptação de O Grande Gatsby, de Baz Luhrmann, ainda mais que o filme abrirá o festival. Mulligan ainda compete pelo novo filme dos irmãos Coen, Inside Llewyn Davis, que conta também com Justin Timberlake e John Goodman. E ainda estão convidados Ryan Gosling e Kristin Scott Thomas pelo novo filme de Nicolas Winding Refn, Only God Forgives, que aborda uma vingança no submundo do crime em Bangkok.

Carey Mulligan e Justin Timberlake em Inside Llewyn Davis

Carey Mulligan e Justin Timberlake em Inside Llewyn Davis (photo by http://www.elfilm.com)

Apesar de contar também com a presença das estrelas Joaquin Phoenix, Jeremy Renner e Marion Cotillard, vale a pena ficar atento ao novo filme James Gray, The Immigrant (Lowlife). Embora seja relativamente jovem, o diretor tem chamado atenção por seu trabalho com o elenco, tendo valorizado o potencial de Joaquin Phoenix através dos filmes Os Donos da Noite (2007) e Amantes (2008). Talvez um dos prêmios de atuação saia deste filme.

Joaquin Phoenix e Marion Cotillard em The Immigrant, de James Gray (photo by www.elfilm.com

Joaquin Phoenix e Marion Cotillard em The Immigrant, de James Gray (photo by http://www.elfilm.com

E pra fechar, a indicação de Le Passé (The Past) possibilita o público de conferir o primeiro filme do iraniano Asghar Farhadi depois do sucesso de A Separação (vencedor do Urso de Ouro e o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro) numa produção em língua francesa, dirigindo a atriz Bérènice Bejo (de O Artista).

Bérènice Bejo em Le Passé (The Past), do iraniano Asghar Farhadi (photo by www.cineimage.ch)

Bérènice Bejo em Le Passé (The Past), do iraniano Asghar Farhadi (photo by http://www.cineimage.ch)

O Festival de Cannes também oferece outras seleções, sendo a mais instigante a Mostra Un Certain Regard, que visa buscar um olhar inovador que reflita os problemas dos tempos atuais. Em 2012, o mexicano Depois de Lúcia se sagrou vencedor dessa competição ao questionar a eficiência do sistema educacional (confira post sobre o filme em https://cinemaoscareafins.wordpress.com/2013/03/24/depois-de-lucia-despues-de-lucia-de-michel-franco-2012/).

Seleção Un Certain Regard

Seleção Un Certain Regard

UN CERTAIN REGARD (Um Certo Olhar):

The Bling Ring, de Sofia Coppola
Omar, de Hany Abu-Assad
Death March, de Adolfo Alix Jr.
Fruitvale, de Ryan Coogler
Les Salauds, de Claire Denis
Norte, Hangganan Ng Kasaysayan (Norte, the End of History), de Lav Diaz
As I Lay Dying, de James Franco
Miele, de Valeria Golino
L’Inconnu du Lac, de Alain Guiraudie
Bends, de Flora Lau
L’Image Manquante, de Rithy Panh
La Jaula de Oro, de Diego Quemada-Diez
Sarah Préfère la Course (Sarah Would Rather Run), de Chloé Robichaud
Grand Central, de Rebecca Zlotowski

FORA DE COMPETIÇÃO

All is Lost, de J.C. Chandor
Blood Ties, de Guillaume Canet

Resumidamente, vale destacar a forte presença de Sofia Coppola com o filme pop The Bling Ring, sobre uma gangue real de jovens de classe média alta roubando casas de celebridades em Beverly Hills. Coppola apostou suas fichas na jovem Emma Watson, da extinta cinessérie Harry Potter, que comprova que cresceu uma bela atriz.

Emma Watson (à dir.) em cena de The Bling Ring (photo by OutNow.CH)

Emma Watson (à dir.) em cena de The Bling Ring (photo by OutNow.CH)

Os atores James Franco e Valeria Golino foram selecionados por trabalhos na direção, denotando uma forte tendência de novos diretores oriundos da escola de atuação tendo como forte referência Ben Affleck (vencedor do Oscar de Melhor Filme por Argo).

E Fruitvale, de Ryan Coogler, que já ganhou o Grande Prêmio do Jury – Dramático no Festival de Sundance, volta a concorrer por outro importante reconhecimento em Cannes, podendo seguir os mesmos passos de Indomável Sonhadora, de Benh Zeitlin.

O Festival de Cannes 2013 tem início no dia 15 de maio e vai até o dia 26, quando serão divulgados os vencedores desta edição.

Um breve balanço do Oscar 2013

Atores oscarizados: Daniel Day-Lewis, Jennifer Lawrence, Anne Hathaway e Christoph Waltz

Atores oscarizados: Daniel Day-Lewis, Jennifer Lawrence, Anne Hathaway e Christoph Waltz

Passado o Oscar, vale a pena dar uma olhada nos vencedores da principais categorias e fazer algumas projeções. No geral, a premiação desse ano foi bastante democrática, tanto que o filme com mais Oscars foi a produção As Aventuras de Pi, tanto que sequer levou Melhor Filme. Provavelmente se Ben Affleck tivesse sido indicado como Diretor, Argo seria também o recordista da noite com 4 Oscars. O grande perdedor da noite acabou sendo o drama histórico Lincoln que, apesar de ter levado dois prêmios (Ator e Direção de Arte), perdeu em outras 10 categorias.

Excetuando Anne Hathaway, havia ressalvas para as vitórias de todos os outros três atores premiados. Daniel Day-Lewis seria o primeiro ator a receber 3 Oscars de Melhor Ator? Jennifer Lawrence não seria jovem demais para bater a veterana Emmanuelle Riva? Christoph Waltz ganharia seu segundo Oscar no intervalo de três anos?

Já nas categorias de Roteiro, o iniciante Chris Terrio bateu veteranos ao explorar um fato verídico em que Hollywood salvou vidas no Irã, enquanto Tarantino recebe seu segundo Oscar mesmo após controvérsias politicamente corretas. O que muda depois do Oscar? A temida maldição do Oscar pode voltar a atacar?

FUTURO DOS ATORES

Daniel Day-Lewis em seus três auges no Oscar: 1990, 2008 e 2013 (photo by nydailynews.com)

Daniel Day-Lewis em seus três auges no Oscar: 1990 (Meu Pé Esquerdo), 2013 (Lincoln)e 2008 (Sangue Negro) (photo by nydailynews.com)

Daniel Day-Lewis (Lincoln)

O que dizer do primeiro a ganhar três vezes o Oscar de Melhor Ator? O britânico Daniel Day-Lewis quebrou um recorde que atores consagrados como Sean Penn, Jack Nicholson e Tom Hanks vêm tentando há décadas. O que Day-Lewis tem que os outros não têm? Há duas grandes diferenças: 1. Escolha do projeto. Infelizmente, nem todo ator tem o privilégio de escolher apenas bons papéis em filmes menores, afinal, precisam do cachê para pagar as contas. Grandes atores já sucumbiram ao poder do dinheiro. Quem não se lembra de Marlon Brando naquele horrível A Ilha do Dr. Moreau (1996), ou mesmo aquele fato marcante do maior cachê da época por sua atuação de 10 minutos em Superman – O Filme (1978)? E como explicar Michael Caine em Tubarão 4 – A Vingança (1987)? Na filmografia de Daniel Day-Lewis, temos apenas 19 participações em filmes, um número pequeno para uma carreira que começou no início dos anos 80, mas não há uma bomba sequer a ser explorada pelos tablóides. Alguns até criticam esse exagero de seriedade na escolha de seus papéis, porque gostariam de vê-lo numa comédia ou num filme de terror, já outros buscam apenas algum defeito na figura imponente do ator.

2. Preparação e Método. Esse processo bastante exaustivo ganhou tanta fama nos bastidores que virou até piada para Seth MacFarlane no último Oscar. “E se você (ao interpretar Lincoln) visse um celular? Surtaria?”. Por isso que Daniel Day-Lewis se obriga a escolher bem seus projetos seguintes, pois ele exige demais de si mesmo numa extensa pesquisa sobre os costumes da época em que se passa o filme. Além disso, o ator reúne toda a informação para poder realmente vivenciar a experiência durante a filmagem. Dizem que enquanto filmava Gangues de Nova York, ele raramente saía do personagem Bill The Butcher e falava com sotaque nova-iorquino o dia todo, além de afiar as facas do personagem durante o almoço. Já em Lincoln, cientes dessa fama, todos no set o chamavam de “Mr. President”, inclusive o diretor Steven Spielberg, que pela primeira vez abdicou do tradicional boné para trajar terno do século XIX no set para manter o clima. Aliás, seu esforço valeu a pena. O 3º Oscar de Day-Lewis foi o primeiro de um ator sob a direção de Spielberg.

Independente dos meios, Daniel Day-Lewis consegue criar performances notáveis. Essa quebra de recorde da Academia não veio por acaso. Claro que o número de Oscars conquistados não necessariamente significa que ele é o melhor ator de todos os tempos, afinal existem profissionais renomados que nunca ganharam como Richard Burton, Cary Grant e Montogomery Clift, ou os que venceram uma vez como o grande Laurence Olivier.

Daniel Day-Lewis não tem nenhum projeto engatilhado. Ele deve repousar para abandonar a personagem, mas não deve ser fácil depois dessa declaração: “I never, ever felt that depth of love for another human being that I never met. And that’s, I think, probably the effect that Lincoln has on most people that take the time to discover him… I wish he had stayed [with me] forever. (Eu nunca na vida senti tamanha profundidade de amor por outro ser humano que nunca conheci. E isso, acredito que provavelmente seja o efeito que Lincoln causava na maioria das pessoas que levaram tempo para descobri-lo… Gostaria que ele continuasse [comigo] para sempre”.

Jean Dujardin ajuda Jennifer Lawrence com o vestido que lhe causou um tombo na escada para o palco do Oscar (photo by justjared.com)

Jean Dujardin ajuda Jennifer Lawrence com o vestido que lhe causou um tombo na escada para o palco do Oscar (photo by justjared.com)

Jennifer Lawrence (O Lado Bom da Vida)

A pergunta que vem logo em seguida é: “Não seria cedo demais um Oscar para Jennifer Lawrence?” Não tanto pela idade (22 anos), afinal existem atores que começaram na infância, mas pela inexperiência. Seu primeiro papel num filme, Garden Party, foi lançado em 2008, quando ela tinha 18; são 4 anos de cinema e 1 Oscar. Nada mal.

Alguns cinéfilos também manifestaram protesto referente à sua vitória nas redes sociais, alegando que a francesa Emmanuelle Riva (86 anos) não deve ter outra chance de vencer o Oscar, enquanto Lawrence ainda teria muitas décadas a frente para conseguir o prêmio. Se analisarmos sob esse aspecto, realmente

Como muitos sabem, alguns atores mirins e jovens demais tomaram caminhos errados depois do sucesso invadir suas vidas (como nos infelizes casos de Macaulay Culkin e Edward Furlong). Felizmente, Lawrence parece ter o mesmo código genético de Jodie Foster, com quem trabalhou em Um Novo Despertar (2011), tornando-a uma jovem atriz prodígio focada em seus objetivos.

Sua grande sacada até o momento tem sido alternar projetos grandes como Jogos Vorazes com filmes independentes como Inverno da Alma e este O Lado Bom da Vida, criando uma diversidade de papéis num equilíbrio perfeito entre trabalho e diversão. Outro ator que abusa desse equilíbrio é o alemão Michael Fassbender, que fez o profundo Shame e o blockbuster Prometheus, mas atuando com a devida seriedade.

Se a atriz mantiver essa boa frequência, deve crescer bastante nos próximos anos. Jennifer Lawrence tem Serena, Jogos Vorazes: Em Chamas e um projeto sem título com o diretor David O. Russell a serem lançados este ano. Para 2014, ela já assinou contrato para reviver a mutante Mística na sequência X-Men: Dias de um Futuro Esquecido.

Christoph Waltz com seu segundo Oscar sob direção de Quentin Tarantino (photo by zimbio.com)

Christoph Waltz com seu segundo Oscar sob direção de Quentin Tarantino (photo by zimbio.com)

Christoph Waltz (Django Livre)

Esta descoberta austríaca feita por Quentin Tarantino recebeu seu segundo Oscar de coadjuvante e se junta aos atores Dianne Wiest e Jack Nicholson, que receberam dois Oscars sob o comando do mesmo diretor: Woody Allen e James L. Brooks, respectivamente. Particularmente, não acreditava que ele venceria por seu papel apresentar semelhanças com o Coronel Hans Landa de Bastardos Inglórios (o personagem Dr. Schultz seria a versão do bem), e principalmente por ter ganhado o mesmo Oscar de coadjuvante no curtíssimo período de 3 anos. Contudo, fico feliz que Waltz tenha vencido. Era a melhor atuação entre os concorrentes.

Seu personagem Dr. King Schultz, que anda numa carroça com um dente atado a uma mola, tem os diálogos mais bem humorados que, com a desenvoltura do ator, cresce absurdamente na tela. Waltz atua com uma naturalidade que impressiona e suas falas parecem cantadas como uma música. Infelizmente, a Academia não indicou Samuel L. Jackson pelo mesmo filme, porque poderia haver uma disputa mais acirrada ainda.

Depois que trabalhou com Tarantino pela primeira vez, Christoph topou participar de três filmes de cachê alto: Besouro Verde, Os Três Mosqueteiros e Água Para Elefantes, todos lançados em 2011, mas também estava em Deus da Carnificina sob a direção do brilhante Roman Polanski, que gerou um interessante embate entre atores como Jodie Foster e Kate Winslet. Como tarefa de casa para os próximos anos, ele deverá provar ao mundo que consegue atuações do mesmo nível ao colaborar com outros profissionais além de Quentin Tarantino, que escreve papéis sob medida para o ator.

Christoph Waltz empresta sua voz para a animação Epic, de Chris Wedge, e seu talento no drama The Zero Theorem, de Terry Gilliam para 2013. E preparem-se que Waltz interpretará o político russo Mikhail Gorbachev, contracenando com Michael Douglas como Ronald Reagan em Reykjavik, provável lançamento para 2014.

Anne Hathaway ostenta seu Oscar (photo by movies.yahoo.com)

Anne Hathaway ostenta seu Oscar (photo by movies.yahoo.com)

Anne Hathaway (Os Miseráveis)

Num ano considerado fraco entre as atrizes coadjuvantes, a vitória de Anne Hathaway já estava prevista logo no começo de janeiro, quando ganhou o Globo de Ouro. A receita pode ser resumida em: a) Emagrecer mais de 10 quilos para o papel; b) Ter seu cabelo cortado em cena; c) Monólogo cantado dramaticamente em close-ups. Sua breve atuação como Fantine no musical Os Miseráveis poderia ter durado mais, pois oferece um respiro ao público que se cansa de cantorias que soam banais nos 160 minutos do filme.

Hathaway, que passou a chamar atenção através do filme da Disney, O Diário de uma Princesa (2001), teve uma virada na carreira a partir de 2005. Apesar de ter atuado num papel menor no drama O Segredo de Brokeback Mountain, ela conseguiu provar que tinha potencial a ser explorado, e logo no ano seguinte, ela estrelou o sucesso mundial O Diabo Veste Prada. Claro que ficou meio de canto por causa do brilho de Meryl Streep como a chefe Miranda Priestly, mas já deixava de ser uma aspirante a estrela de Hollywood. Seu talento foi finalmente reconhecido pela Academia em 2009, quando fora indicada pelo drama O Casamento de Rachel. O diretor Jonathan Demme conseguiu forte comprometimento da atriz, que pesquisou clínicas de reabilitação pra viver sua personagem Kym.

Para interpretar Fantine, Anne bateu inúmeras candidatas como Amy Adams, Jessica Biel, Kate Winslet e Marion Cotillard, ajudada pelo protagonista Hugh Jackman com quem cantou no monólogo do Oscar 2009 a sátira ao filme Frost/Nixon. O burburinho de uma possível premiação no Oscar começou quando espalharam a notícia de que logo em seu primeiro teste, ela já havia deixado todos aos prantos ao cantar “I Dreamed a Dream”. À princípio, ela não tem o perfil de quem será vítima da maldição do Oscar, contanto que saiba escolher bem seus próximos projetos.

Anne Hathaway atualmente está dublando novamente a voz de sua personagem Jewel na sequência da animação Rio 2 (2014), mas terá um filme lançado este ano: a comédia Don Jon’s Addiction, dirigida pelo ator Joseph Gordon-Levitt.

O ÚNICO DIRETOR ASIÁTICO AGORA COM 2 OSCARS  E UM SANDUÍCHE

Já tentou comer um lanche com uma mão? Ang Lee consegue essa proeza sem se desgrudar do seu Oscar (photo by inquisitr.com)

Já tentou comer um lanche com uma mão? Ang Lee consegue essa proeza sem se desgrudar do seu Oscar (photo by inquisitr.com)

Ang Lee (As Aventuras de Pi)

Apesar de ter uma boa filmografia de Taiwan como Banquete de Casamento (1993), Ang Lee passou a trabalhar nos EUA a partir da adaptação de Jane Austen, Razão e Sensibilidade (1995), com o qual venceu o Globo de Ouro de Melhor Filme – Drama, o Urso de Ouro em Berlim e o National Board of Review. Com isso, dirigiu mais duas produções americanas: Tempestade de Gelo (1997) e Cavalgada com o Diabo (1999), mas preferiu voltar à sua terra natal para filmar O Tigre e o Dragão (2000), que lhe rendeu sua primeira indicação ao Oscar de direção e ainda levou o prêmio de Melhor Filme Estrangeiro. Resultado: foi convidado a dirigir a adaptação da HQ do personagem verde da Marvel Comics.

Como Hulk (2003) foi considerado um fracasso principalmente pelo roteiro, Ang Lee pensou em se aposentar por acreditar que não tinha mais nada a acrescentar como artista. Ledo engano. Dois anos depois, quem diria que ele reencontraria o bom cinema numa história de homossexualismo no cenário americano de O Segredo de Brokeback Mountain? Primeiro Oscar de direção para um asiático. Mas desta vez, ele não caiu na mesma armadilha e logo retornou a Taiwan, onde filmou o drama de espionagem Desejo e Perigo, que venceu o Leão de Ouro em Veneza.

Quando o projeto de adaptar o romance Life of Pi, de Yann Martel foi considerado “infilmável” pelas recusas dos diretores M. Night Shyamalan, Jean-Pierre Jeunet e Alfonso Cuarón, o nome de Ang Lee surgiu por se tratar de um diretor que gosta de desafios. Trabalhando diretamente com efeitos de computação gráfica, as filmagens de As Aventuras de Pi se passaram muito em estúdios com green screen. O filme prima pelo aspecto técnico, que envolve desde os efeitos até a fotografia de Claudio Miranda, rendendo muitos elogios da crítica e finalizando com 11 indicações ao Oscar.

Com o deslize da Academia em ignorar Ben Affleck e Kathryn Bigelow na categoria de direção, Ang Lee acabou sendo o grande beneficiado, batendo o favoritismo de Steven Spielberg. O diretor que tem em seu currículo: 2 Globos de Ouro, 2 Ursos de Ouro (Festival de Berlim), 2 Leões de Ouro (Festival de Veneza) e agora, 2 Oscars. Fica faltando apenas a Palma de Ouro de Cannes entre os principais prêmios do cinema internacional.

Por enquanto, Ang Lee não está anexado a nenhum projeto, mas eu sugeriria um filme de terror ou filme de prisão que ainda faltam em sua carreira eclética.

ARGO FUCK YOURSELF!

Os produtores galãs de Argo (da esquerda para a direita): George Clooney (finjam que não conheçam), Ben Affeck e Grant Heslov (photo thefilmspy.tumblr.com)

Os produtores galãs de Argo (da esquerda para a direita): George Clooney (finjam que não conheçam), Ben Affeck e Grant Heslov (photo thefilmspy.tumblr.com)

George Clooney, Ben Affleck e Grant Heslov (Argo)

Depois de ser esnobado na categoria de direção, eu tinha certeza de que a Academia o compensaria com o prêmio de Melhor Filme, justamente por Ben Affleck também ter crédito como produtor ao lado de George Clooney e Grant Heslov. Nesse Oscar 2013, o nome mais comentado foi o de Ben Affleck. Como ignorar o diretor do filme mais premiado do ano? Ele também havia vencido o DGA (Directors Guild of America), que é o melhor parâmetro para o Oscar, com apenas sete divergências de vencedores. Mas já era tarde: Ben Affleck ficou de fora da disputa de direção, que ficou com Ang Lee.

Além de premiar o diretor de outra maneira, a Academia também reconhece a reviravolta vitoriosa dele. De roteirista premiado com o Oscar por Gênio Indomável em 1998 para ator-protagonista de filmes pouco expressivos nos anos seguintes até a consagração como diretor a partir do bom drama Medo da Verdade (2007). Apesar de ter desapontado como intérprete, Affleck estava aprendendo o ofício com diretores renomados como John Frankenheimer, Gus Van Sant e Kevin Smith. Recentemente, ele continuou sua aprendizado ao atuar sob o comando do veterano Terrence Malick em To the Wonder, que deve ser lançado este ano depois de passar em Veneza. Também atua no drama Runner, Runner, mas até o momento, sem projetos como diretor.

Quanto à dupla George Clooney e Grant Heslov, que começou a parceria de sucesso em 2005 com Boa Noite e Boa Sorte, está se especializando em projetos de cunho político. Em 2011, produziram Tudo Pelo Poder, sobre os bastidores de uma campanha política para presidente dos EUA, e agora com Argo, sobre o resgate de diplomatas políticos no Irã. George Clooney ainda atua este ano na ficção científica Gravidade e em seu drama sob sua direção, The Monuments Men. Ambos também produzem August: Osage County, que conta com Meryl Streep, Julia Roberts, Chris Cooper, Abigail Breslin e Benedict Cumberbatch.

INICIANTES E VETERANOS

Chris Terrio (Argo)

A vida de roteiristas já é mais complicada. Às vezes, um roteiro pode demorar mais de três anos por causa de pesquisas. O iniciante Chris Terrio acertou em cheio na escolha do projeto Argo, baseado num artigo da revista Wired. Ele pode não ter a mesma sorte no próximo roteiro, mas já demonstrou que pode transformar boas histórias em idéias que funcionam no universo mais visual do cinema. Numa das brigas mais acirradas da noite, Chris Terrio saiu vitorioso entre David O. Russell (O Lado Bom da Vida) e o dramaturgo Tony Kushner (Lincoln).

Chris Terrio segurando seu bebê (photo by theurbandaily.com)

Chris Terrio segurando seu bebê (photo by theurbandaily.com)

Quentin Tarantino (Django Livre)

Conhecido por seus personagens incomuns e diálogos brilhantes, Quentin Tarantino sai fortalecido com seu segundo Oscar por Django Livre, superando ainda uma controvérsia boba originada pelo diretor Spike Lee, que criticou o uso do termo “nigger” (crioulo). O cinema americano deve muito à criatividade de Tarantino, especialmente na reciclagem que faz do mundo da cultura pop. Django Livre poderia ser um ótimo final para a segunda fase de sua carreira, que começou com os dois volumes de Kill Bill, passando por À Prova de Morte (2007) e Bastardos Inglórios (2009), que exalta o intenso elemento da vingança. Mas talvez ele retorne desnecessariamente ao universo da Noiva (Beatrix Kiddo) em Kill Bill: Vol. 3. Não sei se trata de uma pressão do produtor ou do estúdio, mas acredito que não haja nada a acrescentar à história de vingança contra Bill. Mas como já queimei a língua ao ter o mesmo argumento quando retomaram Toy Story 3 onze anos depois de Toy Story 2, podemos esperar tudo de Tarantino…

Quentin Tarantino com seu segundo Oscar. O primeiro foi em 1995 por Pulp Fiction - Tempo de Violência (photo by womanandhome.com)

Quentin Tarantino com seu segundo Oscar. O primeiro foi em 1995 por Pulp Fiction – Tempo de Violência (photo by womanandhome.com)

MALDIÇÃO DUPLA

Adele (007 – Operação Skyfall)

Tenho uma teoria de que compôr a canção-tema de um filme da série de James Bond não é um bom negócio. Afinal, todos os cantores e bandas que contribuíram para os filmes acabaram no limbo, exceto os já consagrados Paul McCartney e Madonna.

Veja alguns exemplos de artistas que decaíram depois de 007: Carly Simon, Sheena Easton, Duran Duran, A-Ha, Tina Turner, Sheryl Crow, Garbage, Chris Cornell e apesar de ainda ser um pouco cedo pra declarar o limbo: Alicia Keys e Jack White, responsáveis pelo penúltimo filme 007 – Quantum of Solace.

Do outro lado, existe sempre a temerosa maldição do Oscar. Existem alguns vencedores que nunca mais fizeram nada de relevante, provavelmente por acreditarem que atingiram o ápice com o prêmio da Academia. Ainda na categoria de Canção Original, temos alguns nomes mais recentes que não vingaram mais depois do Oscar: Jorge Drexler, Annie Lennox, Eminem e Phil Collins.

Como a cantora Adele venceu finalmente o primeiro Oscar por uma canção de James Bond, a questão que fica é: uma maldição anularia a outra? Espero que resulte numa mistura positiva.

Adele foi a primeira a vencer um Oscar com uma canção-tema de James Bond (photo by gloss.abril.com.br)

Adele foi a primeira a vencer um Oscar com uma canção-tema de James Bond (photo by gloss.abril.com.br)

Nove filmes estrangeiros em disputa para o Oscar 2013

O único representante do continente sul-americano: o chileno No, de Pablo Larraín, estrelado por Gael García Bernal

O único representante do continente sul-americano: o chileno No, de Pablo Larraín, estrelado por Gael García Bernal

Seguindo uma tradição rigorosa, os membros da Academia selecionaram os nove filmes semi-finalistas (de uma lista recordista de 71 filmes inscritos) na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. Como muitos especialistas previram, o representante austríaco, Amour, e o francês, Intocáveis, estão nessa lista e já asseguram sua vaga na cerimônia.

Como já reportado aqui no blog, Amour, de Michael Haneke, que teve sua grande estréia no último Festival de Cannes, de onde saiu premiado com a Palma de Ouro, vem conquistando inúmeros prêmios da crítica internacional, como o LAFCA, NYFCC e o National Board of Review, por seu retrato do amor na terceira idade. Claro que, em se tratando de Haneke na direção, pode-se esperar sentimentos atípicos e brutais.

O estrondoso sucesso de público de Intocáveis também não poderia passar desapercebido. A relação incomum entre um aristocrata tetraplégico caucasiano e um rapaz de classe baixa negro quebrou alguns preconceitos e comoveu o grande público. Com certeza, incontáveis fãs do longa ficarão na torcida quando o envelope for aberto.

As outras três indicações estão em aberto. Contudo, um ou outro tem mais vantagens por ter sido mais comentado ou reconhecido pela crítica, como são os casos do dinamarquês O Amante da Rainha e do romeno Além das Montanhas, que saiu de Cannes com os prêmios de Melhor Roteiro e Melhor Atriz para a dupla Cosmina Stratan e Cristina Flutur. Na lista do National Board of Review e vencedor de Melhor Atriz no último Festival de Berlim, o canadense War Witch, de Kim Nguyen, tem boas chances com a história da menina de 14 anos que convive em meio à guerrilha na África.

Além das Montanhas, de Cristian Mungiu, representando a Romênia através de uma história verídica de exorcismo (foto por cine.gr)

Além das Montanhas, de Cristian Mungiu, representando a Romênia através de uma história verídica de exorcismo (foto por cine.gr)

O islandês The Deep é baseado numa história verídica de sobrevivência de um pescador em meio à congelante costa sul da Islândia. Já o representante da Noruega, Kon-Tiki, relata os esforços do explorador Thor Heyerdahl, que em 1947, atravessou o Oceano Pacífico todo numa balsa de madeira para provar que sul-americanos poderiam ter feito o mesmo para chegar às ilhas Polinésias em tempos de pré-Colombo. E o suíço Sister centra numa história de um menino que sustenta sua irmã mais velha roubando pertences de ricos num resort de esqui. O filme de Ursula Meier levou o Urso de Prata no último Festival de Berlim e conta com a bela Léa Seydoux.

Sister, de Ursula Meier: representante da Suíça com a belíssima Léa Seydoux

Sister, de Ursula Meier: representante da Suíça com a belíssima Léa Seydoux

Seguem os semi-finalistas para Melhor Filme Estrangeiro:

Amour, de Michael Haneke (Áustria)

War Witch (Rebelle), de Kim Nguyen (Canadá)

No, de Pablo Larraín (Chile)

O Amante da Rainha (En kongelig affære), de Nikolaj Arcel (Dinamarca)

Intocáveis (Intouchables), de Olivier Nakache e Eric Toledano (França)

The Deep (Djúpið), de Baltasar Kormákur (Islândia)

Kon-Tiki, de Joachim Rønning e Espen Sandberg (Noruega)

Além das Montanhas (Dupa Dealuri), de Cristian Mungiu (Romênia)

Sister (L’enfant d’en haut), de Ursula Meier (Suíça)

Em janeiro, esses nove filmes serão projetos em três dias para membros do comitê de Filmes Estrangeiros em Los Angeles e Nova York para então decidirem os cinco finalistas.

Infelizmente, o representante brasileiro O Palhaço, de Selton Mello, ficou de fora. Apesar de conter uma “brasilidade” no ambiente circense do cenário de interior do Brasil e com personagens andarilhos, o filme não conseguiu cativar os membros da comissão. A última vez que o país ficou entre os indicados foi em 1999 com Central do Brasil, de Walter Salles. E a última vez entre os semi-finalistas foi em 2007, com O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, de Cao Hamburger.

Cheguei a ler algumas críticas boas de críticos americanos do filme Heleno, de José Henrique Fonseca, perguntando-se o porquê o filme não foi selecionado para concorrer ao Oscar, já que reconstrói a biografia do jogador de futebol Heleno de Freitas com a ajuda de Rodrigo Santoro, um ator reconhecido internacionalmente. Mas, mesmo que a escolha fosse alterada, não acredito que faria muita diferença, porque a concorrência de filmes estrangeiros este ano está muito acirrada. E, apesar da fama de Santoro, acho que O Palhaço tem uma boa mistura da cultura brasileira com a linguagem universal.

Algumas ausências notáveis foram dos representantes da Itália (César Deve Morrer, dos irmãos Taviani), da Alemanha (Barbara, de Christian Petzold), da Suécia (The Hypnotist, de Lasse Hallström) e da Coréia do Sul (Pieta, de Kim Ki-duk). A ausência desse último, embora tenha vencido o Leão de Ouro no último Festival de Veneza, explica-se pela crueldade e brutalidade da história, que costuma horrorizar os votantes mais idosos da Academia.

As indicações ao Oscar 2013 serão divulgadas no dia 10 de janeiro.

O islandês The Deep

O islandês The Deep e sua história de sobrevivência (foto por Cine.gr)

O norueguês Kon-Tiki, que tem belas imagens que remetem a Náufrago e A Lagoa Azul

O norueguês Kon-Tiki, que tem belas imagens que remetem a Náufrago e A Lagoa Azul (foto por OutNow.CH)

Prévia do Oscar 2013: Ator Coadjuvante

O último vencedor da categoria, Christopher Plummer, por Toda Forma de Amor.

Criada em 1937, a categoria de Melhor Ator Coadjuvante passou a suprir a demanda de atores hollywoodianos que mereciam reconhecimento, mesmo não estrelando uma produção. O maior vencedor foi o americano Walter Brennan, que levou para casa três vezes o prêmio por Meu Filho é Meu Rival (1936), Kentucky (1938) e A Última Fronteira (1940). Normalmente, vence aquele que tem um papel que costuma roubar a cena, como aconteceu com Sean Connery em Os Intocáveis (1987) ou Christoph Waltz em Bastardos Inglórios (2009). A categoria, que antes era considerada menos importante, passou a ganhar relevância quando atores do quilate de Walter Huston (O Tesouro de Sierra Madre, 1948), George Sanders (A Malvada, 1950), Jack Lemmon (Mister Roberts, 1955) e Peter Ustinov (Spartacus, 1960) se sagraram vencedores.

Vencedor de três Oscars de coadjuvante: Walter Brennan. Além de ter atuado em muitos westerns, trabalhou com grandes atores como Humphrey Bogart, Lauren Bacall, Gary Cooper e John Wayne.

Nas últimas décadas, as categorias de coadjuvante serviram como reduto de atores renomados. Nos bastidores, a estratégia da Academia seria de compensar atores de peso que não ganharam em oportunidades prévias. Claro que oficialmente, ninguém vai confirmar essa informação, mas a vitória de Morgan Freeman por Menina de Ouro em 2005 é um exemplo disso, pois o ator fora indicado em outras três vezes, mas nunca levou a estatueta. Essa leitura da premiação acredita que as chances de ele levar Melhor Ator (principal) nos próximos anos seriam pequenas e que, por isso, sua vitória como coadjuvante seria uma forma de garantir que Freeman encerre sua carreira como vencedor do Oscar.

Morgan Freeman em Menina de Ouro: Oscar de coadjuvante. Antes tarde do que nunca?

Com certeza, muitos fãs de Morgan Freeman vão discordar dessa opinião, mas as mesmas pessoas sabem que ele mereceu mais por Conduzindo Miss Daisy ou Um Sonho de Liberdade. Particularmente, sou contra esse sistema de compensação, pois pode desbancar a melhor performance do ano que, nesse ano, deveria ter ido para Thomas Haden Church (Sideways – Entre Umas e Outras) ou Clive Owen (Closer – Perto Demais).

Claro que adoraria ver atores veteranos e consagrados ganhando o Oscar pela primeira vez como aconteceu com Christopher Plummer este ano, mas nem sempre a maré está a favor deles. Nesses casos, existe o Oscar Honorário, que costuma premiar profissionais do cinema que nunca tiveram a oportunidade de levar a estatueta pra casa. Vencedores recentes atestam: James Earl Jones, Eli Wallach, Lauren Bacall e o compositor italiano Ennio Morricone, todos foram previamente indicados mas nunca venceram nas respectivas categorias.

Este ano, temos fortes candidatos vencedores do Oscar. Alan Arkin, Robert De Niro, Philip Seymour Hoffman, Russell Crowe e Tommy Lee Jones podem voltar ao tapete vermelho como indicados. O retorno mais triunfal seria o de Robert De Niro, que teve sua época de glória nas décadas de 70, 80 e 90, mas que não figura na lista há vinte anos (!). Tem também indicados prévios, mas que nunca ganharam e agora podem ter a chance de ouro como Leonardo DiCaprio, que concorreu três vezes, e em 2013, pode finalmente passar para o time dos Academy Award Winners.

Apesar de ainda estar cedo para favoritismos, Robert De Niro está na frente pelo sucesso de Silver Linings Playbook. O filme de David O. Russell vem arrancando aplausos pelos festivais que passa, especialmente o de Toronto (Canadá), de onde saiu com o prêmio People’s Choice Award. Particularmente, mesmo que ainda não tenha conferido sua performance, gostaria que esse retorno de De Niro fosse coroado para que sirva de incentivo ao ator para escolher projetos mais ousados e não somente pelo alto cachê, como vinha fazendo nas últimas duas décadas. Contudo, Philip Seymour Hoffman pode ser a pedra no meio do caminho com sua presença magnética no novo filme de Paul Thomas Anderson, The Master, que já lhe rendeu o prêmio Volpi Cup de Melhor Ator (juntamente com Joaquin Phoenix) no último Festival de Veneza.

Alan Arkin em Argo

ALAN ARKIN (Argo)

Muita gente conhece Alan Arkin como o vovô maconheiro e tutor da pequena Olive de Pequena Miss Sunshine, papel pelo qual ele ganhou seu único Oscar em 2007, batendo o favorito Eddie Murphy de Dreamgirls, mas este ator americano de 78 anos é um veterano em Hollywood, tendo participado de alguns clássicos como a comédia de guerra de Norman Jewison, Os Russos Estão Chegando! Os Russos Estão Chegando! (1966) e no suspense Um Clarão nas Trevas (1967), ao lado de Audrey Hepburn. Chegou a atuar no filme brasileiro indicado ao Oscar de Filme Estrangeiro, O que é isso, Companheiro? (1997), de Bruno Barreto.

Nessa idade e já com um Oscar em casa, alguns críticos já aposentavam Alan Arkin, mas com Argo, ele prova que tem muito ainda a ensinar e mostrar. Ele interpreta o produtor de Hollywood, Lester Siegel, que ajuda o maquiador John Chambers na missão de vender um filme fictício para encobrir a saída de seis americanos do Irã durante a Revolução Iraniana em 1980. Ao lado de John Goodman, que vive Chambers, Alan Arkin rouba a cena com seu humor escrachado repleto de palavrões, muito semelhante ao revoltado vovô de Miss Sunshine.

É claro que o fato de Arkin já ter ganhado o Oscar recentemente implica em perda de pontos na corrida, afinal os votantes certamente consideram o histórico do ator. Mas se os votos se dividirem entre Robert De Niro e Philip Seymour Hoffman, Alan Arkin viria logo em seguida para roubar a cena na cerimônia.

Russell Crowe em Les Misérables

RUSSELL CROWE (Les Miserábles)

Depois de um início fenomenal em seus primeiros anos de Hollywood com três indicações ao Oscar, Russell Crowe deu uma relaxada. Quer dizer, ainda trabalha em projetos ambiciosos e com diretores consagrados como Ridley Scott e Peter Weir, mas suas atuações deram uma estabilizada. Em O Informante, Crowe engordou para interpretar Jeffrey Wigand. Já em Gladiador, ganhou massa muscular e fez cara de mau. A Academia reconheceu oficialmente seu esforço, premiando-o com o Oscar de Melhor Ator em 2001 pelo épico Gladiador.

Talvez, com esta adaptação musical do clássico literário de Victor Hugo, Russell Crowe volte aos holofotes pelas performances na tela, e não pelos escândalos de porrada em papparazzi ou que bateu na pobre esposa. Na mega-produção, o ator neozelandês dá vida ao Inspetor Javert, que fica na cola do protagonista Jean Valjean (Hugh Jackman).

Particularmente, nunca ouvi nenhuma faixa da banda australiana de Russell Crowe, 30 Odd Foot of Grunts. Mas pelos comentários, vale aquele bom e velho ditado: “Como cantor, Russell Crowe é um ótimo ator”. E pelo que me informei, não há playbacks nas canções, tanto que os atores cantavam ao vivo no set usando um fone que tocava piano para manter o ritmo. A música era acrescentada na montagem final. Será que Crowe se saiu bem ou todo mundo aplaudia por educação e com medo de levar um soco? Só vendo mesmo, mas se ele não se saiu no mínimo bem, esquece a indicação…

Robert De Niro em cena de Silver Linings Playbook

ROBERT DE NIRO (Silver Linings Playbook)

Que Robert De Niro não precisa provar mais nada pra ninguém, isso todo mundo já sabe. Afinal, não é qualquer ator que fez Taxi Driver (1976), O Poderoso Chefão: Parte II (1974), Touro Indomável (1980), Os Bons Companheiros (1990) e aterrorizou como o presidiário Max Cady em Cabo do Medo (1991). Tem dois Oscars na bagagem, mas um terceiro pode estar por vir.

Com Silver Linings Playbook, o veterano de Hollywood pode ressuscitar na temporada de prêmios. Ele faz o pai protetor e conselheiro de Pat (Bradley Cooper), que acaba de sair de uma instituição psicológica depois de pegar sua mulher traindo. Pelo trailer, já é possível ver que De Niro já se desvencilha da típica atuação de mafioso ou gângster que praticamente impregnou sua pele, crédito do ótimo diretor de atores David O. Russell.

O retorno de Robert De Niro aos bons papéis era há muito aguardada, pois o ator passou por duas décadas de filmes medianos e alguns claramente para poder pagar as contas como a comédia As Aventuras de Rocky & Bullwinkle (podem falar o que quiser do filme, mas está nítido que o contrato foi gordo).

Aí você vai se perguntar: “Mas se o De Niro já tem dois Oscars, por que ele ganharia um terceiro?”. Realmente, se levarmos em consideração o histórico vitorioso, existem outros atores da nova geração que são tão merecedores quanto ele. Mas Hollywood e sua comunidade admiram Robert De Niro e gostariam de vê-lo no topo depois de tanto tempo. Muitos acreditam que o grande ator ainda existe, mas que não teve as devidas oportunidades nas últimas duas décadas. Infelizmente, só vamos poder comprovar o potencial do papel em fevereiro, quando está prevista a estréia no Brasil.

Leonardo DiCaprio em Django Livre

LEONARDO DiCAPRIO (Django Livre)

Desde que estrelou Titanic como o pobretão galã Jack e se tornou pôster de milhões de quartos de menininhas, Leo DiCaprio decidiu virar o disco e se tornar um ator de respeito. Sua tática era formar parcerias com profissionais consagrados como forma de aprendizado e se destacar como ator e não apenas ídolo teen. Como cinéfilo, admiro bastante sua disposição para mover montanhas, mas ainda não me convenci de que ele é um bom ator. DiCaprio é esforçado: aprendeu o sotaque sul-africano para filmar Diamante de Sangue, tomou uma nova aparência mais nojenta em O Aviador e mais velha em J. Edgar, mas ainda não apresenta algumas nuances e tonalidade de voz diferenciada. Ele precisa trabalhar mais o interior do que o exterior. Pode-se dizer que Leonardo DiCaprio é um diamante bruto que precisa ser esculpido.

Creio que o diretor Martin Scorsese também pensou o mesmo a respeito dele. Contratou-o para filmar Gangues de Nova York (2002), O Aviador (2004), Os Infiltrados (2006) e A Ilha do Medo (2010). Claro que depois do curso intensivo de Scorsese, Leo ficou melhor, tanto que conseguiu mais duas indicações ao Oscar (a primeira foi aos 19 anos como coadjuvante por Gilbert Grape – Aprendiz de um Sonhador) por O Aviador e Diamante de Sangue.

Agora, em sua primeira participação num filme de Quentin Tarantino, as esperanças se renovam, ainda mais que o diretor conseguiu um Oscar de coadjuvante para Christoph Waltz em Bastardos Inglórios há dois anos. No western Django Livre, Leonardo DiCaprio interpreta o vilão, no caso, o proprietário de terras brutal de Mississipi, Calvin Candie, que tem posse da mulher do herói Django (Jamie Foxx). As expectativas sempre são altas quando se fala de um filme de Tarantino. Espera-se que a performance de DiCaprio também esteja no mesmo nível.

John Goodman em Argo

JOHN GOODMAN (Argo)

Para o público brasileiro em geral, John Goodman ficou marcado por viver Fred Flinstone nos cinemas e dar sua voz ao personagem Sully na animação Monstros S.A.. Chegou a cantar a canção “If I Didn’t Have You”, que venceu o Oscar para Randy Newman em 2002. Mas para os cinéfilos de carteirinha, o ator robusto ficará marcado eternamente pelo papel de Walter Sobchak, o sem-noção traumatizado da Guerra do Vietnã na comédia de humor negro O Grande Lebowski (1998), dos irmãos Coen.

De lá pra cá, além das participações nos filmes dos Coen, Goodman tem sido escalado para papéis menores que exigem uma presença de tela. Foi assim no blockbuster Speedy Racer, na comédia Os Delírios de Consumo de Becky Bloom e no último vencedor do Oscar, O Artista. Com o sucesso de Argo, espera-se que ele finalmente consiga sua primeira indicação ao Oscar e consequentemente, melhores ofertas de papéis.

No filme de Ben Affleck, John Goodman se destaca em todas as cenas em que aparece como o maquiador de Hollywood, John Chambers. É realmente uma pena que seu personagem não tenha mais tempo de tela, porque sua atuação merecia mais alguns minutos. Apesar da curta duração, uma indicação a Goodman se mostra bastante plausível devido ao reconhecimento da figura de Chambers com um Oscar Honorário pelas próteses inovadoras de O Planeta dos Macacos (1968).

Philip Seymour Hoffman em The Master

PHILIP SEYMOUR HOFFMAN (The Master)

Philip Seymour Hoffman começou a atuar em filmes no começo dos anos 90. Felizmente, nunca foi do tipo galã, então teve que ralar bastante para conquistar seu lugar ao sol. Mesmo em papéis menores, teve oportunidade de conhecer e atuar com grandes atores como Paul Newman, Al Pacino, James Woods e Ellen Burstyn, buscando construir seu próprio estilo de interpretação. Na maioria de seus trabalhos, percebe-se que Hoffman prioriza a atuação mais contida, mesmo com seu trabalho premiado pela Academia em Capote (2005), em que teve que copiar alguns trejeitos típicos do romancista Truman Capote, ele procurou reprimir a sexualidade de seu personagem.

Além do aprendizado com referências de Hollywood, outro fator notável na carreira de Hoffman foi o início de uma parceria forte com o jovem cineasta norte-americano Paul Thomas Anderson que, aos 26 anos, realizou seu primeiro longa, Jogada de Risco (1996). Com o diretor, Philip Seymour Hoffman voltou a trabalhar em Boogie Nights – Prazer Sem Limites (1997), Magnólia (1999), Embriagado de Amor (2002) e agora no tão aguardado The Master, no qual dá vida ao filósofo carismático Lacaster Dodd, que seria baseado na figura do criador da Cientologia, L. Ron Hubbard.

Pelo filme, Philip Seymour Hoffman já ganhou o Volpi Cup de Melhor Ator (compartilhado com seu colega Joaquin Phoenix) no último Festival de Veneza, de onde Paul Thomas Anderson também saiu premiado como Melhor Diretor. Hoffman já foi indicado três vezes ao Oscar: Melhor Ator por Capote (2005), Melhor Ator Coadjuvante por Jogos do Poder (2007) e Dúvida (2008), tendo levado pelo primeiro.

Tommy Lee Jones em Lincoln

TOMMY LEE JONES (Lincoln)

Muita gente conhece Tommy Lee Jones como o agente K da trilogia de Homens de Preto, que com sua expressão de pedra, contrabalanceou muito bem com o humor mais extrovertido de Will Smith. Contudo, Jones já possui uma extensa filmografia, que começou lá em 1970 no bem-sucedido romance Love Story – Uma História de Amor, num papel menor. Apesar de ganhar notoriedade ao atuar ao lado de Sissy Spacek na biografia da cantora country Loretta Lynn em 1980, Tommy Lee Jones só teve seu talento reconhecido nos anos 90, quando trabalhou com Oliver Stone no aclamado JFK – A Pergunta que Não Quer Calar e no polêmico Assassinos por Natureza. Em 1995, ganhou seu único Oscar de coadjuvante pelo thriller policial O Fugitivo, no qual interpreta o agente do FBI Samuel Gerard que tem a missão de perseguir Kimble (Harrison Ford), acusado de matar sua própria esposa.

Como muitos atores, Tommy desfrutou de seu sucesso tardio em Hollywood e assinou contrato para alguns filmes blockbusters como o fraco Volcano (1997) e no carnavalesco Batman Eternamente (1995), em que deu vida ao vilão Duas-Caras. Mais recentemente, estrelou o western pós-moderno dos irmãos Coen, Onde os Fracos Não Têm Vez (2007), foi indicado ao Oscar pela atuação no policial No Vale das Sombras (2007) e em 2005, ganhou o prêmio de ator no Festival de Cannes pelo ótimo Três Enterros, primeiro longa sob sua direção.

2012 foi um ano cheio para Tommy Lee Jones. Quatro produções em que participou estrearam este ano: Lincoln, Homens de Preto 3, Emperor e Um Divã Para Dois. Além do sucesso comercial de Homens de Preto 3, sua atuação na comédia romântica Um Divã Para Dois ao lado de Meryl Streep já havia chamado a atenção da crítica, o que certamente aumenta as chances de indicação pelo filme político de Steven Spielberg. Em Lincoln, ele interpreta o vice-presidente abolicionista Thadeus Stevens, que tem suma-importância como o braço direito do presidente. Na grande produção de época de Spielberg, existem vários bons atores em papéis secundários como David Strathairn, Jackie Earle Haley, John Hawkes, Joseph Gordon-Levitt, James Spader e Hal Holbrook, mas pelas críticas, Tommy Lee Jones deve representar todo o elenco secundário masculino no Oscar.

William H. Macy em The Sessions

WILLIAM H. MACY (The Sessions)

Este ator franzino norte-americano parece ter nascido para papéis secundários. Hollywood nunca lhe deu uma real oportunidade de protagonista, mas já trabalhou com diretores renomados como Woody Allen (A Era do Rádio e Neblina e Sombras), Rob Reiner (Fantasmas do Passado), Paul Thomas Anderson (Boogie Nights – Prazer Sem Limites e Magnólia), Barry Levinson (Mera Coincidência) e os irmãos Coen (Fargo), pelo qual conseguiu sua única indicação ao Oscar, como coadjuvante, claro. Na TV, William H. Macy teve mais sorte ao estrelar o filme televisivo De Porta em Porta, no qual se destaca como o vendedor ambulante com problemas mentais Bill Porter.

Casado com a atriz Felicity Huffman, da série de TV Desperate Housewives, William H. Macy tem enorme carinho por colegas de trabalho, pois costuma emprestar seu carisma para seus papéis. Desta vez, ele interpreta um padre, que enfrenta uma questão eticamente controversa. No filme independente The Sessions, seu amigo e fiel Mark O’Brien (John Hawkes) tem condições médicas delicadas e pouco tempo de vida, o que o leva a querer perder sua virgindade antes que o pior aconteça. Como padre e conselheiro, ele tenta guiar Mark pelo melhor caminho sem afetar sua fé.

No último Festival de Sundance, o filme ganhou o prêmio de público e um reconhecimento especial do júri pela atuação do elenco todo. Dependendo de como vai se sair entre os prêmios da crítica americana como o National Board of Review, New York Film Critics Circle e o Los Angeles Film Critics Association, William H. Macy tem boas chances de aparecer na lista de Melhor Ator Coadjuvante em 2013. Seria sua segunda indicação ao Oscar.

Matthew McConaughey em Magic Mike

MATTHEW McCONNAUGHEY (Magic Mike)

Galã de segunda linha, Matthew McConnaughey costuma estrelar comédias românticas com atrizes regulares como Sarah Jessica Parker e Kate Hudson, tanto que o público feminino o conhece como o conquistador de Como Perder um Homem em 10 Dias (2003). Mas de vez em quando, o ator decide participar de alguns projetos mais ambiciosos como a ficção científica Contato (1997), o filme de época de Spielberg, Amistad (1997) e ganhou certo prestígio ao interpretar advogados em Tempo de Matar (1996) e em O Poder e a Lei (2011).

Trabalhando com o diretor Steven Soderbergh (vencedor do Oscar por Traffic) em Magic Mike, McConnaughey faz o papel de Dallas, um veterano do mundo do striptease masculino no clube de mulheres. Ele rouba a cena ao passar seus ensinamentos eróticos para o jovem Mike (Channing Tatum) e, claro, em seus shows que levam as mulheres ao delírio.

Com tantas performances boas nessa categoria, McConnaughey corre por fora nessa competição. Contudo, como a maioria dos relacionados já foi indicada ou ganhou um Oscar, existe uma possibilidade do ator ser o único a conquistar a primeira indicação. A votantes femininas podem dar uma mãozinha.

 

POSSÍVEIS SURPRESAS

As categorias de coadjuvante costumam ser as mais imprevisíveis. Na reta final, surge alguém para roubar a vaga garantida de outro ator. Este ano, o veterano sueco Max von Sydow (Tão Forte e Tão Perto) foi a surpresa, passando uma rasteira em Albert Brooks (Drive) e Armie Hammer (J. Edgar), ambos indicados ao Globo de Ouro e SAG Awards, respectivamente. Alguns sites como IndieWire, colocaram alguns nomes que podem figurar como supresa na lista final. Confira:

– Javier Bardem (007 – Operação Skyfall)

– Don Cheadle (Flight)

– James D’Arcy (Hitchcock)

– Michael Fassbender (Prometheus)

– James Gandolfini (O Homem da Máfia)

– Dwight Henry (Indomável Sonhadora)

– Hal Holbrook (Promised Land)

– Ewan McGregor (O Impossível)

– Ian McKellen (O Hobbit – Uma Jornada Inesperada)

– Guy Pearce (Os Infratores)

Também considero baixas as possibilidades desses atores entrarem na lista, mas adoraria ver Michael Fassbender ser incluso de última hora por Prometheus, uma vez que o ator alemão já merecia uma indicação este ano pelo drama independente Shame. Além de seu ciborgue David ser muito convincente e deixar todo o resto do elenco no chão, ele demonstra a calma na fala mansa e pausada, e ainda empresta um carisma que às vezes se mostra mais humano do que os personagens humanos. Com certeza, um grande ator em extrema ascensão que merece ser reconhecido pela Academia, que só tem a ganhar com sua inclusão na categoria.

Michael Fassbender como o ciborgue David em Prometheus

Como fã de James Bond, seria uma grata surpresa ver Javier Bardem e seu vilão Raoul Silva de 007 – Operação Skyfall indicado ao Oscar, mas acho bastante improvável pelo papel ser parecido com o Coringa de Heath Ledger. Entretanto, o mega sucesso das bilheterias do 23º filme de Bond pode mexer na corrida.

Oscar 2013: Recorde de 71 filmes estrangeiros inscritos

Federico Fellini recebendo Oscar Honorário em 1993. O diretor levou quatro vezes Melhor Filme Estrangeiro para a Itália, além de doze indicações.

Uma nova marca é adicionada à história do Oscar. Setenta e um países inscreveram filmes para representá-los na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. É claro que o fato de concorrer oficialmente ao prêmio já seria um prestígio enorme, mas talvez esse aumento de participantes se deva à vitória de A Separação, de Asghar Farhadi, um filme iraniano pequeno que não pertence ao círculo de países de primeiro mundo que costuma ganhar nessa categoria.

Desde que a Academia criou a categoria internacional em 1957 (de 1948 a 1956, os filmes estrangeiros eram reconhecidos com Oscars Honorários), Itália e França são os maiores vencedores com dez e nove vitórias respectivamente. Contudo, ambos não ganham há um bom tempo. A última produção francesa a ganhar foi Indochina, de Régis Wargnier, em 1993, enquanto a Itália tem um jejum de treze anos desde que A Vida é Bela, de Roberto Benigni levou três prêmios naquele ano de 1999.

César Deve Morrer, dos irmãos Taviani: vencedor do Urso de Ouro em Berlim, representando a Itália no Oscar

E se depender do burburinho, a Itália pode voltar ao páreo com o César Deve Morrer, dos irmãos Vittorio e Paolo Taviani (sem previsão de estréia aqui). O docu-drama que mostra presidiários reais encenando a peça Júlio César, de Shakespeare, levantou polêmica e levou o Urso de Ouro no Festival de Berlim desse ano. Não tem tanta cara de Oscar pelo lado polêmico, mas seria uma excelente oportunidade da Academia resgatar grandes nomes do cinema italiano.

Intocáveis, de Olivier Nakache e Eric Toledano: sucesso comercial e boas atuações garantem uma indicação ao Oscar

Maiores chances tem a França, pois conta com o sucesso comercial Intocáveis, de Olivier Nakache e Eric Toledano, que já consolidou a segunda melhor posição da bilheteria francesa de todos os tempos, faturando mais de US$ 300 milhões ao redor do mundo. A comédia dramática, ainda em cartaz nos cinemas de São Paulo, conta a história verídica de um aristocrata que ficou quadriplégico e contratou um jovem incomum para seus cuidados. Seu sucesso de público se deve à química dos atores principais, François Cluzet e Omar Sy, e pelo roteiro que explora muito bem as diferenças culturais dos dois personagens.

Amour, de Michael Haneke: diretor austríaco (à esq) dirige os veteranos Emmanuelle Riva e Jean-Louis Trintignant. A Palma de Ouro lhe deu a merecida notoriedade.

Entretanto, os franceses têm dura competição com o representante da Áustria: o drama Amour, de Michael Haneke, uma vez que arrebatou a última Palma de Ouro em Cannes e conta ainda com uma ótima dupla de atores, o casal Jean-Louis Trintignant e Emmanuelle Riva, ambos cotados para indicações nas categorias de atuação. Conta a favor também o fato de Michael Haneke ter a segunda chance na categoria depois que perdeu em 2010 pelo forte drama A Fita Branca, quando concorria pela Alemanha.

Em termos de favoritismo, parece claro que os três filmes citados acima estão com maiores chances. Porém, como se trata de uma categoria bastante imprevisível às vezes, vale a pena ressaltar alguns trabalhos bem comentados até o momento pela mídia e que não são necessariamente do mainstream, como é o caso do romeno Beyond the Hills, de Cristian Mungiu. Foi graças ao diretor que o cinema da Romênia voltou ao cenário internacional em 2007, quando seu filme anterior, o drama 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias foi reconhecido pela Palma de Ouro. O fato de Beyond the Hills ter saído com dois prêmios de Cannes esse ano: Melhor Atriz (recebido pela dupla de protagonistas Cosmina Stratan e Cristina Flutur) e Melhor Roteiro (Cristian Mungiu) certamente colabora na campanha, mas por se tratar de temática religiosa e sobrenatural envolvendo exorcismo verídico, os votantes velhinhos podem molhar suas fraldas geriátricas e nem terminar de ver o filme até o fim.

Beyond the Hills, de Cristian Mungiu: exorcismo na Academia? Só se for pra compensar O Exorcista (1973).

O mesmo asco deve acontecer entre os votantes ao ver o filme sul-coreano Pietá, de Kim Ki-duk, pois contém violência (apenas alguns membros decepados) e cenas de incesto (coisa mais light hoje em dia). Apesar de ter levado o Leão de Ouro em Veneza, as chances do filme ficar entre os cinco finalistas são as mesmas do mundo acabar em 2012.

Outros concorrentes apresentam alguns elementos que podem facilitar a indicação. No caso do israelense Fill the Void, o prêmio Volpi Cup de Melhor Atriz para Hadas Yaron seria um bom adendo, mas convenhamos que a maioria vontante judia também dá uma forcinha. Já o dinamarquês A Royal Affair, de Nikolaj Arcel, que ganhou Melhor Ator e Melhor Roteiro em Berlim, ganha pontos pela produção caprichada de filme de época, com figurinos e direção de arte vistosos, contando com Mads Mikkelsen, ator em ascensão internacional.

A Suécia pode conseguir grande ajuda pelo peso do nome Lasse Hallström. O diretor chegou a ser indicado ao Oscar de Melhor Diretor e Melhor Roteiro Adaptado pelo drama sueco Minha Vida de Cachorro em 1988 e novamente como Melhor Diretor pelo meloso Regras da Vida em 2000. Lasse Hallström conseguiu comandar bons projetos em Hollywood, resultando em Gilbert Grape – Aprendiz de um Sonhador (1993), Chocolate (2000), Chegadas e Partidas (2001), Sempre ao seu Lado (2009) e mais recentemente o drama baseado no best-seller de Nicholas Sparks, Querido John (2010). Ele pode voltar a competir com The Hypnotist, adaptação literária homônima da obra de Lars Kepler.

The Hypnotist, de Lasse Hallström. O diretor retorna à gélida Suécia e volta a ter boas chances no Oscar.

Se forçar um pouco a barra, dá pra incluir na briga o musical no melhor estilo Bollywood, Barfi!. A última indicação da Índia aconteceu em 2002 com outro musical Lagaan – Era Uma Vez na Índia, de Ashutosh Gowariker. Quem sabe não sai uma dobradinha musical com uma possível vitória de Les Miserábles, de Tom Hooper? OK, já seria muita ilusão de minha parte…

E o que dizer da primeira participação da Quênia no Oscar? Eles selecionaram o drama Nairobi Half Life, de David ‘Tosh’ Gitonga. Obviamente, trata-se de uma produção de baixo orçamento que acompanha a trajetória de um jovem aspirante a ator que se muda para a cidade grande (Nairobi) a fim de tentar a sorte na carreira. Talvez o filme tenha baixa qualidade técnica pelas dificuldades do país, mas se mandaram bem no lado emotivo da história, por que não teria chances reais? Se uma coisa eu aprendi nesses anos acompanhando o Oscar foi que a categoria de Filme Estrangeiro privilegia a boa e velha catarse. Histórias que mexem com elementos de superação são os favoritos.

Nairobi Half Life, de David ‘Tosh’ Gitonga: Primeiríssima participação do Quênia no Oscar. Motivo de orgulho e torcida.

E o Brasil? Quando vem o bendito primeiro Oscar para o nosso país? Teria O Palhaço, de Selton Mello, boas chances de ficar entre os finalistas? Particularmente, gostei da escolha entre os filmes nacionais, pois mostra um Brasil diferente dos últimos retratos de Cidade de Deus (2002) e Tropa de Elite (2007). Como já afirmei antes, a categoria diverge das demais em termos de votação. Já tentamos ganhar com Walter Salles (Central do Brasil) e Fernando Meirelles (Cidade de Deus) pelo prestígio internacional. Já apelamos pelos gostos dos votantes com Olga (2004), de Jayme Monjardim, e O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias (2006), de Cao Hamburger. Nada. Então, mesmo que O Palhaço sequer figure entre os finalistas, pelo menos estamos tentando com novas perspectivas. O filme possui temática universal do circo, boas atuações e qualidades técnicas como fotografia e trilha. Quem sabe?

Vale lembrar que lista dos 71 filmes que participam da maratona do Oscar poderia ser de 72 filmes. O governo (patético) do Irã resolveu chamar a atenção da mídia ao cancelar a participação do país no Oscar como forma de protesto pelo vídeo (ainda mais patético) Inocência dos Muçulmanos, que o Youtube foi obrigado a retirar do ar por ordem do governo brasileiro (muito mais patético) que mesmo tendo mais de vinte anos de ditadura na História, ainda não aprendeu que censura é uma atitude desprezível que vai contra a liberdade que foi conquistada com muito suor e sangue. Azar também do pobre filme iraniano A Cube of Sugar, de Seyyed Reza Mir-Karimi, que teve que pagar o pato com essa história ridícula de boicote…
Segue lista completa em ordem alfabética:

Afeganistão: The Patience Stone, de Atiq Rahimi

África do Sul: Little One, de Darrell James Roodt
Albânia: Pharmakon, de Joni Shanaj

Alemanha: Barbara, de Christian Petzold
Argélia: Zabana!, de Said Ould Khelifa
Argentina: Clandestine Childhood, de Benjamín Ávila
Armênia: If Only Everyone, de Natalia Belyauskene
Austrália: Lore, de Cate Shortland
Áustria: Amour, de Michael Haneke
Azerbaijão: Buta, de Ilgar Najaf
Bangladesh: Pleasure Boy Komola, de Humayun Ahmed
Bélgica: Our Children, de Joachim Lafosse
Bósnia e Herzegovina: Children of Sarajevo, de Aida Begic
Brasil: O Palhaço, de Selton Mello
Bulgária: Sneakers, de Valeri Yordanov e Ivan Vladimirov
Camboja: Lost Loves, de Chhay Bora
Canadá: War Witch, de Kim Nguyen

Cazaquistão: Myn Bala: Warriors of the Steppe, de Akan Satayev
Chile: No, de Pablo Larraín;
China: Caught in the Web, de Chen Kaige
Colômbia: The Snitch Cartel, de Carlos Moreno

Coréia do Sul: Pieta, de Kim Ki-duk
Croácia: Vegetarian Cannibal, de Branko Schmidt
Dinamarca: A Royal Affair, de Nikolaj Arcel

Eslováquia: Made in Ash, de Iveta Grófová
Eslovênia: A Trip, de Nejc Gazvoda
Espanha: Blancanieves, de Pablo Berger
Estônia: Mushrooming, de Toomas Hussar

Filipinas: Bwakaw, de Jun Robles Lana
Finlândia: Purge, de Antti J. Jokinen
França: Intocáveis, de Olivier Nakache e Eric Toledano
Georgia: Keep Smiling, de Rusudan Chkonia
Grécia: Unfair World, de Filippos Tsitos
Greenland: Inuk, de Mike Magidson

Holanda: Kauwboy, de Boudewijn Koole
Hong Kong: Life without Principle, de Johnnie To
Hungria: Just the Wind, de Bence Fliegauf
Índia: Barfi!, de Anurag Basu
Indonésia: The Dancer, de Ifa Isfansyah

Islândia: The Deep, de Baltasar Kormákur
Israel: Fill the Void, de Rama Burshtein
Itália: Caesar Must Die, de Paolo Taviani e Vittorio Taviani
Japão: Our Homeland, de Yang Yonghi
Letônia: Gulf Stream under the Iceberg, de Yevgeny Pashkevich
Lituânia: Ramin, de Audrius Stonys
Macedônia: The Third Half, de Darko Mitrevski
Malásia: Bunohan, de Dain Iskandar Said

Marrocos: Death for Sale, de Faouzi Bensaïdi
México: After Lucia, de Michel Franco
Noruega: Kon-Tiki, de Joachim Rønning e Espen Sandberg
Palestina: When I Saw You, de Annemarie Jacir
Peru: The Bad Intentions, de Rosario García-Montero
Polônia: 80 Million, de Waldemar Krzystek
Portugal: Blood of My Blood, de João Canijo

Quênia: Nairobi Half Life, de David ‘Tosh’ Gitonga

Quirguistão: The Empty Home, de Nurbek Egen

República Dominicana: Jaque Mate, de José María Cabral

República Tcheca: In the Shadow, de David Ondrícek
Romênia: Beyond the Hills, de Cristian Mungiu
Rússia: White Tiger, de Karen Shakhnazarov
Sérvia: When Day Breaks, de Goran Paskaljevic

Singapura: Already Famous, de Michelle Chong
Suécia: The Hypnotist, de Lasse Hallström
Suíça: Sister, de Ursula Meier
Tailândia: Headshot, de Pen-ek Ratanaruang

Taiwan: Touch of the Light, de Chang Jung-Chi
Turquia: Where the Fire Burns, de Ismail Gunes
Ucrânia: The Firecrosser, de Mykhailo Illienko
Uruguai: The Delay, de Rodrigo Plá
Venezuela: Rock, Paper, Scissors, de Hernán Jabes
Vietnã: The Scent of Burning Grass, de Nguyen Huu Muoi

Prévia do Oscar 2013: Melhor Ator

O último vencedor do Oscar de Melhor Ator: Jean Dujardin por O Artista (foto por ABACA)

Quais atores que merecem ganhar um Oscar, mas nunca ganharam? Sim, essa lista é extensa. Existem casos mais gritantes em que as pessoas soltam um “Como assim Johnny Depp nunca ganhou o Oscar?!” Sem contar os vexames históricos de grandes atores que nunca foram devidamente reconhecidos com o Oscar: Cary Grant (foi indicado duas vezes, mas só levou o Oscar Honorário em 1970), Montgomery Clift (embora seja um dos ícones de atuação e beleza dos anos 50, nunca levou o Oscar apesar das quatro chances que teve), Richard Burton (infelizmente, acabou sendo um dos recordistas de derrotas no Oscar: sete em sete indicações), Peter O’Toole (supera Richard Burton com 8 derrotas, mas em 2003, levou o Oscar Honorário) e James Dean (duas indicações póstumas e só).

Embora nada esteja oficializado, para muitos especialistas na premiação, o Oscar tem essa característica (nem sempre benéfica) de tentar compensar um ator ou atriz por derrotas anteriores. Essa estratégia já ficou evidente com James Stewart, que claramente deveria ter ganhado em 1940 com A Mulher Faz o Homem, mas foi compensado logo no ano seguinte com uma atuação mais light em Núpcias de Escândalo. Compensar acaba se tornando um ciclo vicioso sem fim e muitas vezes acaba prejudicando um profissional que merecia ganhar no ano em que outro foi compensado. Continuando no mesmo exemplo, em 1941, James Stewart compensado bateu alguns nomes meio conhecidos: Laurence Olivier (Rebecca – A Mulher Inesquecível), Charles Chaplin (O Grande Ditador) e Henry Fonda (As Vinhas da Ira).

O queridíssimo Jimmy Stewart com seu Oscar. Levou pelo filme errado.

Seguindo com esse sistema de compensar nomes previamente indicados, já teríamos uma gama bem diversificada para os próximos anos: Gary Oldman, James Franco, Mark Ruffalo, Jeremy Renner, Matt Damon, Robert Downey Jr., Ryan Gosling, só pra citar atores mais contemporâneos. Este ano, um dos nomes mais fortes pertence a essa lista: Bill Murray, o comediante formado pelo Saturday Night Live na década de 70, foi indicado ao Oscar em 2004 pela ótima interpretação em Encontros e Desencontros (2003). Seu nome certamente estará em destaque na temporada de premiação por ter dois bons trabalhos: Moonrise Kingdom, de Wes Anderson, e principalmente Hyde Park on Hudson, de Roger Michell, no qual dá vida ao presidente dos EUA, Franklin D. Roosevelt, durante episódio em que recebe o rei e rainha da Inglaterra.

Outro que deve estar em alta no Oscar 2013 e pode formar a dupla favorita na categoria é o veterano Daniel Day-Lewis, que curiosamente, também interpreta um presidente americano: Abraham Lincoln no drama histórico de Steven Spielberg, Lincoln. Ambos se encaixam nas preferências da Academia: papel biográfico, grande atuação e maquiagem de envelhecimento.

Contudo, como o Oscar sempre tem envelopes com resultados imprevisíveis, Bill Murray e Daniel Day-Lewis podem bater palmas sentados nas poltronas para outro vencedor. A categoria de Melhor Ator sempre é uma das mais aguardadas por sempre apresentar fortes indicados (talvez exceto por aquele ano em que Roberto Benigni ganhou por A Vida é Bela e bancou o palhaço). Dê uma olhada em possíveis nomes que disputam as cinco cobiçadas vagas:

Clint Eastwood em Trouble With the Curve

CLINT EASTWOOD (Trouble With the Curve)

Clint Eastwood havia prometido que sua atuação em Gran Torino (2008) seria sua última da carreira, mas felizmente mudou de idéia com esse Trouble With the Curve. No filme, Clint vive Gus Lobel, um olheiro do beisebol que enfrenta dificuldades quando sua visão começa a falhar. Particularmente, gosto de assistir a um filme com Clint Eastwood, mesmo que seus últimos papéis praticamente tenham os mesmos problemas típicos da terceira idade (desde Os Imperdoáveis, 1992). Ele é uma estrela que aprendeu muito com diretores consagradíssimos como Don Siegel e Sergio Leone, tendo muito ainda a ensinar para esta geração. Aos 83 anos, não busca mais desafios como ator; simplesmente aceita seus papéis por identificação pessoal. Não é do tipo que usa maquiagem para se transformar e sequer muda os sotaques e o jeitão másculo de falar, mas mesmo assim, qualquer trabalho seu vale a pena assistir e curtir.

Ao contrário do que muitos pensam, Trouble With the Curve não foi dirigido por Eastwood, mas por seu assistente de direção de longa data, Robert Lorenz. Provavelmente, o fato de ele aceitar a atuar novamente se deve muito à gratidão a seu aprendiz e, claro, trabalhar com a jovem talentosa Amy Adams.

Já foi indicado duas vezes como Melhor Ator por Os Imperdoáveis e Menina de Ouro, mas nunca levou. Talvez a Academia tente compensar sua não-indicação por Gran Torino como forma de incentivá-lo a atuar.

Jamie Foxx em Django Livre

JAMIE FOXX (Django Livre)

Não que Jamie Foxx seja uma unanimidade para a Academia e seus votantes, mas devemos considerar dois fatos importantes: 1) Apesar de ter histórico maior com comédias, ele ganhou o Oscar merecidamente por interpretar o músico Ray Charles. 2) O diretor do filme Django Livre é Quentin Tarantino, cujo último filme, Bastardos Inglórios, conquistou 8 indicações, incluindo Melhor Filme. Apesar de serem qualificações que inevitavelmente o colocam em listas de possíveis nomes para o Oscar 2013, Jamie Foxx não teria sua maior arma: a transformação num papel biográfico.

Entretanto, seu papel de escravo que busca vingança contra seu dono e procura libertar sua mulher tem aquela alma de superação da trajetória de Russell Crowe em Gladiador, que levou o Oscar em 2001. Também conta a favor a presença de atores consagrados pela Academia: Christoph Waltz, Leonardo DiCaprio, Samuel L. Jackson, Jonah Hill e Bruce Dern.

Jamie Foxx foi indicado duas vezes ao Oscar, no mesmo ano, como Coadjuvante em Colateral (2004) e levando como Melhor Ator por Ray (2004). Sua indicação este ano por Django Livre corre por fora, mas à princípio não seria algo impossível.

John Hawkes em The Sessions

JOHN HAWKES (The Sessions)

Embora John Hawkes ainda não seja um nome bem conhecido fora de Hollywood, ele começou a atuar desde os anos 80 em papéis bem pequenos. Nessa trajetória, Hawkes soube priorizar a diversidade de gêneros que lhe trouxe maturidade. Participou do filmes de ação A Hora do Rush (1998) e Mar em Fúria (2000), filmes de terror Um Drink no Inferno (1996) e Identidade (2003), e dramas como O Gângster (2007) e Martha Marcy May Marlene (2011). Em 2011, foi indicado como Coadjuvante pelo obscuro O Inverno da Alma, fato que certamente lhe abriu muitas portas, e agoratem a grande chance de finalmente dar um salto na carreira com o filme The Sessions.

Nele, interpreta Mark O’Brien que, ao saber que tem seus dias contados, procura perder sua virgindade com uma profissional do sexo com a ajuda de sua terapeuta e um padre. Talvez a temática seja um pouco avançada para o Oscar, mas o filme saiu aplaudido e premiado do último Festival de Sundance e o trio de atores: Hawkes, Helen Hunt e William H. Macy têm sido elogiados pela crítica, o que favorece ainda mais sua indicação.

Para quem conhece alguns de seus trabalhos, sabe que o ator busca versatilidade (basta comparar Inverno da Alma e este filme) e, ao contrário de muitos colegas de profissão, não procura chamar atenção para si, mas para seus personagens. Apesar de já experiente, John Hawkes tende a crescer bastante no cenário artístico e na mídia, e sua segunda indicação ao Oscar (desta vez como ator principal) certamente o ajudará a receber projetos ainda maiores e mais ambiciosos. Não deve ganhar o prêmio este ano, mas quase 100% de certeza de que leva o Independent Spirit Award, que acontece um dia antes do Oscar.

Philip Seymour Hoffman em The Master

PHILIP SEYMOUR HOFFMAN (The Master)

Philip Seymour Hoffman começou a atuar em filmes no começo dos anos 90. Felizmente, nunca foi do tipo galã, então teve que ralar bastante para conquistar seu lugar ao sol. Mesmo em papéis menores, teve oportunidade de conhecer e atuar com grandes atores como Paul Newman, Al Pacino, James Woods e Ellen Burstyn, buscando construir seu próprio estilo de interpretação. Na maioria de seus trabalhos, percebe-se que Hoffman prioriza a atuação mais contida, mesmo com seu trabalho premiado pela Academia em Capote (2005), em que teve que copiar alguns trejeitos típicos do romancista Truman Capote, ele procurou reprimir a sexualidade de seu personagem.

Além do aprendizado com referências de Hollywood, outro fator notável na carreira de Hoffman foi o início de uma parceria forte com o jovem cineasta norte-americano Paul Thomas Anderson que, aos 26 anos, realizou seu primeiro longa, Jogada de Risco (1996). Com o diretor, Philip Seymour Hoffman voltou a trabalhar em Boogie Nights – Prazer Sem Limites (1997), Magnólia (1999), Embriagado de Amor (2002) e agora no tão aguardado The Master, no qual dá vida ao filósofo carismático Lacaster Dodd, que seria baseado na figura do criador da Cientologia, L. Ron Hubbard.

Pelo filme, Philip Seymour Hoffman já ganhou o Volpi Cup de Melhor Ator (compartilhado com seu colega Joaquin Phoenix) no último Festival de Veneza, de onde Paul Thomas Anderson também saiu premiado como Melhor Diretor. Hoffman já foi indicado três vezes ao Oscar: Melhor Ator por Capote (2005), Melhor Ator Coadjuvante por Jogos do Poder (2007) e Dúvida (2008), tendo levado pelo primeiro.

* Existe uma possibilidade dos produtores do filme quererem colocar Philip Seymour Hoffman na disputa de Ator Coadjuvante, pois na teoria aumentariam suas chances.

Anthony Hopkins em Hitchcock

ANTHONY HOPKINS (Hitchcock)

Para muitos que acompanham os trabalhos do ator briânico Anthony Hopkins, há de concordar que faz um tempo que ele não oferece uma atuação de maior relevância. Hoje em dia, é mais conhecido apenas pelo seu papel mais famoso e assustador: o Dr. Hannibal Lecter, com o qual fez três filmes: O Silêncio dos Inocentes (1991), Hannibal (2001) e Dragão Vermelho (2002). Mas apesar do atual rótulo de psicopata e o tratamento de coadjuvante de luxo, Hopkins sempre se mostrou um ator completo desde que trabalhou ao lado de dois gigantes da profissão: Katharine Hepburn e Peter O’Toole em O Leão no Inverno (1968). De lá pra cá, conquistou a confiança de renomados diretores como James Ivory, Alan Parker, Richard Attenborough, Steven Spielberg e mais recentemente, o diretor brasileiro Fernando Meirelles, com quem trabalhou em 360.

Tem muitos atores que depois de atingir seu ponto culminante na carreira, deixa de procurar novos desafios pois não teria mais nada a provar para ninguém. Com este novo filme, Anthony Hopkins comprova que não é um deles. Para isso, engordou muitos quilos e ficou algumas horinhas na cadeira de maquiagem, certamente aperfeiçoando aquele sotaque característico do diretor Alfred Hitchcock e suas expressões frias.

Em Hitchcock, dirigido pelo novato Sacha Gervasi do premiado documentário Anvil: The Story of Anvil (2008), acompanhamos as filmagens do mais famoso longa do mestre do suspense: Psicose (1960). Nele, descobrimos os bastidores do filme coberto por algumas discussões e polêmicas envolvendo desde o uso de dublê de corpo para Janet Leigh (vivida pelo sex symbol Scarlett Johansson) na antológica cena do chuveiro, sua relação de amor e profissional com sua mulher Alma Reville (interpretada por Dame Helen Mirren), as brigas contra a censura que alegava violência excessiva, os problemas financeiros para investir na produção e a superação do próprio diretor que queria provar que ainda tinha muito a ensinar a Hollywood.

Anthony Hopkins já foi indicado quatro vezes para o prêmio da Academia: Melhor Ator por Vestígios do Dia (1993) e Nixon (1995), Melhor Ator Coadjuvante por Amistad (1997) e vencedor com um belo chianti por O Silêncio dos Inocentes (1991).

Hugh Jackman em Les Miserables

HUGH JACKMAN (Les Miserables)

Para muitos, ele pode ser apenas aquele que deu vida a um dos personagens mais queridos da Marvel Comics: Wolverine em cinco filmes, mas existe um ator por trás de tudo, e dos bons. Jackman foi descoberto ao atuar numa peça musical da Broadway intitulada Oklahoma! e depois disso, foi abraçado pelo mundo através dos filmes dos X-Men. Por causa do charme e boa aparência, foi questão de tempo migrar para as comédias românticas, nas quais fez par com Ashley Judd e Meg Ryan. Mas Jackman queria aproveitar seu ápice como celebridade e atuar em filmes blockbuster. Então, além das adaptações de HQs, tentou criar uma franquia rentável com o péssimo Val Helsing – O Caçador de Monstros (2004), trabalhou com Christopher Nolan no imponente O Grande Truque (2006) ao lado de Christian Bale, fez par romântico com Nicole Kidman na grandiosa produção de Baz Luhrmann, Austrália (2008), e estrelou o bom filme de efeitos especiais Gigantes de Aço (2011). Em 2013, ele retorna ao papel que o consagrou em The Wolverine, de James Mangold.

Ainda na veia do espetáculo, Jackman tem a oportunidade de atingir seu auge no musical Les Miserábles, de Tom Hooper, uma vez que ele tem vasta experiência em montagens de palco e nas premiações em que foi anfitrião: o Tony Award e o Oscar, onde ele canta e dança com extrema facilidade. Como o retorno do gênero musical ainda é considerado uma aposta em Hollywood, esta adaptação da obra homônima de Victor Hugo vem sendo chamada de ousada pelas proporções e estrelas. Além de Jackman, o diretor chamou alguns nomes com conhecimentos musicais: Anne Hathaway, Helena Bonham Carter, Sacha Baron Cohen, Amanda Seyfried, Russell Crowe (tem uma banda de rock australiana chamada 30 Odd Foot of Grunts) e Samantha Barks (descoberta num concerto musical do próprio Les Miserábles, interpretando seu papel de Éponine).

Hugh Jackman tem a faca e o queijo na mão para finalmente conseguir sua primeira indicação ao Oscar: musical de grande produção (espera-se que as bilheterias correspondam), diretor vencedor do Oscar, roteiro baseado em antológica obra literária e elenco premiado e/ou indicada pela Academia. Ele já foi indicado para o Globo de Ouro, como Melhor Ator – Comédia ou Musical, pela comédia Kate & Leopold (2001).

Daniel Day-Lewis em Lincoln

DANIEL DAY-LEWIS (Lincoln)

Quando a parceria com Spielberg havia sido anunciada num projeto tão grandioso, Daniel Day-Lewis já estava com uma mão na estatueta do Oscar: sua terceira. Não querendo desmerecer outros atores e suas performances, mas quem conhece o trabalho de Day-Lewis, sabe que ele realmente se aprofunda na personagem (até demais) e sempre entrega uma interpretação no mínimo notável e digna de premiação. Essa colaboração de um dos maiores atores do mundo com um dos maiores diretores do mundo causa expectativas enormes antes mesmo de ver um trailer do filme.

Lincoln tem todos os ingredientes para se sagrar vencedor do Oscar de Melhor Filme, a começar pelo roteiro de Tony Kushner (vencedor do prêmio Pulitzer) que abrange um período de lutas e vitórias do presidente Abraham Lincoln, figura de extrema importância para o nascimento da nação americana. Com Steven Spielberg assumindo o controle do projeto, vários colaboradores oscarizados automaticamente embarcam como o diretor de fotografia Janusz Kaminski, o montador Michael Khan, o compositor John Williams e o diretor de arte Rick Carter. Ainda nesse tabuleiro de xadrez, temos peças de renome como Tommy Lee Jones, Sally Field, Jackie Earle Haley, James Spader, Hal Holbrook, John Hawkes e Joseph Gordon-Levitt.

Com esse cenário colossal por trás, Daniel Day-Lewis, que normalmente já seria um nome provável para o Oscar, tem chances reais de subir pela terceira vez no palco e agradecer novamente pelo Oscar e pela equipe de maquiagem, que fez um trabalho excepcional para deixá-lo com a cara de Lincoln. Suas performances são resultado de extenso trabalho de pesquisa e concentração no set de filmagem. Há quem diga que o ator não sai do personagem até pouco tempo depois das filmagens, como se estivesse possuído. Apesar de ortodoxo, esse método já foi indicado quatro vezes ao Oscar: Em Nome do Pai (1993), Gangues de Nova York (2002), Meu Pé Esquerdo (1989) e Sangue Negro (2007), vencendo duas vezes pelos dois últimos filmes. Se ganhar, Daniel Day-Lewis se torna o maior vencedor de Oscar de Melhor Ator de todos os tempos. Jack Nicholson tem três estatuetas, sendo duas como Melhor Ator e uma como Coadjuvante.

Bill Murray em Hyde Park on Hudson

BILL MURRAY (Hyde Park on Hudson)

Se Bill Murray não tivesse sido indicado por Encontros e Desencontros em 2004, talvez seu nome nem figuraria aqui na lista. Não que seu trabalho não seja digno de reconhecimento, mas como todos sabemos, a Academia costuma desprezar atores de comédia. Felizmente, mesmo que tardia, sua indicação ao Oscar veio, e desde então, todos os projetos em que Murray atua automaticamente se torna uma promessa de reconhecimento.

Murray já foi o carismático Dr. Peter Venkman de Os Caça-Fantasmas, já parou no tempo como o jornalista Phil em O Fetiço do Tempo e já foi Bosley, o chefe das Panteras. Embora não sejam exatamente filmes típicos de material de Oscar, essas comédias exercitaram bastante o timing cômico dele. Qualquer projeto em que Bill Murray participa acaba progredindo com sua presença na tela. Aquele personagem razoável do roteiro se torna uma figuraça na pele do ator-comediante. E, ao contrário de Jim Carrey, a atuação cômica de Bill Murray se mostra no tom da voz, na ironia de suas palavras e principalmente na falta de careta.

Quando esteve na cerimônia do Oscar e perdeu para Sean Penn em 2004, Bill sentiu a derrota porque queria muito ganhar, pois achava que seria muito improvável retornar à premiação. Agora com este Hyde Park on Hudson, drama com humor baseado em fatos reais do presidente Franklin D. Roosevelt durante visita do rei George VI e rainha Elizabeth da Inglaterra em 1939, ele tem a maior chance de sua vida com uma segunda indicação ao Oscar. Apesar do favoritismo de Daniel Day-Lewis, o fato de Bill Murray nunca ter ganhado o prêmio pode pesar a seu favor.

Joaquin Phoenix em The Master

JOAQUIN PHOENIX (The Master)

O irmão mais novo do promissor River Phoenix, Joaquin também teve sua carreira de ator iniciada na infância, tendo sua atuação mais memorável no drama familiar Parenthood – O Tiro que Não Saiu Pela Culatra (1989). Desiludido com os papéis oferecidos a jovens atores, decidiu se afastar da profissão e do país, vivendo no México por três anos ao lado do pai. Em 1993, voltou em circunstâncias trágicas, quando encontrou seu irmão num club em Los Angeles sofrendo de overdose. Apesar de sua ligação pedindo uma ambulância, River Phoenix morreu jovem. E esse acontecimento teve um impacto sobre seu retorno à carreira de ator. Após muita insistência por parte de amigos e familiares, Joaquin aceitou um papel em Um Sonho Sem Limites (1995), dirigido por Gus Van Sant (diretor que trabalhou com River em Garotos de Programa).

Seu retorno recebeu elogios da crítica e Joaquin Phoenix foi se animando novamente, ganhando a confiança de atores e colegas. Em 1999, numa ótima performance no polêmico 8mm – Oito Milímetros, ele havia chamado minha atenção pela frieza do personagem do submundo dos “snuff films” (filmes pornográficos com violência real). Contudo em 2000, pelo épico Gladiador, Phoenix deixou de lado a atuação contida para se acabar em gritos, gestos e expressões fortes como o jovem imperador de Roma que busca a auto-afirmação. Apesar de ter recebido sua primeira indicação pelo papel, o ator só realmente se firmou nos anos seguintes ao interpretar o cantor country Johnny Cash em Johnny & June (2005), que resultou em sua segunda indicação, e principalmente em seu trabalho no ótimo drama Os Amantes (2008), de James Gray, no qual interpreta um homem dividido entre a paixão de duas mulheres.

Não sei se o fato de Joaquin aceitar muitos papéis de personagens depressivos ou em decadência tenha lhe afetado psicologicamente, mas em 2008, ele anunciou que iria se aposentar da carreira e pouco depois, participou do talk show de David Letterman (veja vídeo da entrevista abaixo). Alguns dizem que se trata de uma atuação, outros falam de “puro maketing pessoal” e talvez os mais sensatos digam que o parafuso soltou. Na entrevista, ele chega com um visual alternativo (barba comprida e óculos escuros), parece estar totalmente alienado e indiferente em relação às perguntas de Letterman. Mas, felizmente, Joaquin Phoenix voltou a atuar e este retorno triunfal pode ser premiado pela Academia.

* Se Philip Seymour Hoffman realmente for transferido para a categoria de coadjuvante, as chances de Phoenix certamente triplicam.

Denzel Washington em Flight

DENZEL WASHINGTON (Flight)

Desde que ganhou o Oscar de Melhor Ator em 2002, Denzel Washington nunca mais figurou na lista de indicados. Seria o começo da maldição do Oscar? Entre as décadas de 80 e 90, o ator deu preferência aos personagens engajados, que buscam valores essenciais para a humanidade como a liberdade. Assim, Denzel participou de A Soldier’s Story (1984), de Norman Jewison, Um Grito de Liberdade (1987), de Richard Attenborough, e Tempo de Glória (1989), de Edward Zwick, tornando-o automaticamente uma figura que representa toda uma nação negra pelos direitos de igualdade. E quando ele aceitou trabalhar com um dos diretores mais engajados, Spike Lee, em Malcolm X (1992), todos tinham certeza de que ele seria o segundo negro a ganhar o Oscar de Melhor Ator (o primeiro foi Sidney Poitier na década de 60). Bem, ele acabou sendo o segundo negro, mas não naquele ano, pois perdeu para Al Pacino.

Depois que ganhou por um papel considerado de vilão (um policial corrupto) em Dia de Treinamento (2001), Washington passou a atuar em filmes policiais com o recém-falecido Tony Scott, como Chamas da Vingança (2004) e Déjà vu (2006), e O Gângster (2007) sob a direção do irmão Ridley Scott,  vivendo um período de descanso dos papéis políticos. Este ano, aceitou trabalhar pela primeira vez com Robert Zemeckis (diretor inovador, responsável pela trilogia De Volta para o Futuro, por Forrest Gump – O Contador de Histórias (1994) e Náufrago (2000)) no filme Flight, de temática mais séria sobre piloto que salva avião de queda e passa a ser tratado como herói nacional até que novas investigações apontam seus defeitos.

Acredito que se o filme for bem recebido pelo público americano, tem grandes chances de Denzel Washington voltar como indicado ao prêmio da Academia, pois ele é uma celebridade muito querida em Hollywood apesar da seriedade política. Já foi indicado cinco vezes: Melhor Ator Coadjuvante por Um Grito de Liberdade e por Tempo de Glória (seu primeiro Oscar), Melhor Ator por Malcolm X, em 2000 por Hurricane: O Furacão e em 2002, vencendo por Dia de Treinamento.

Primeira prévia do Oscar 2013: Melhor Filme

As cartas do Oscar 2013 já começam a se posicionar

Para alguns, talvez seja cedo demais para falar de favoritos ao Oscar 2013, afinal as indicações só saem no dia 15 de janeiro, duas semanas depois daquela ressaca descomunal de fim de ano. Mas com as previsões de estréia acertadas, muitos filmes já lançaram seus trailers e chamam a atenção por se encaixarem nas preferências da Academia.

Na maior parte dos casos, os diretores são os grandes responsáveis por elevar os filmes ao patamar de “material de Oscar”. Só de ouvir o nome de Steven Spielberg ou Peter Jackson, muitos especialistas no assunto já os colocam na corrida antes mesmo de verem seus filmes. Em 2013, além de ambos poderem puxar várias indicações com suas mega-produções Lincoln e O Hobbit – Uma Jornada Inesperada, podem ser concorrentes na categoria de Melhor Diretor, ao lado de outros nomes consagrados como Paul Thomas Anderson, Ang Lee e Quentin Tarantino. À primeira vista, a safra de produções parece bem promissora, e como o número de indicados a Melhor Filme expandiu desde 2010, a Academia tem ótimas condições de agradar os cinéfilos ao reconhecê-los.

A lista de filmes de 2012 poderia ser ainda maior, mas a Warner Bros. resolveu adiar dois fortes candidatos para o ano seguinte: a adaptação do romance de F. Scott Fitzgerald, O Grande Gatsby, de Baz Luhrmann, e Caça aos Gângsteres, de Ruben Fleischer. No primeiro caso, os chefões do estúdio acharam que o novo filme de Luhrmann, que conta com o trio Leonardo Di Caprio, Carey Mulligan e Tobey Maguire, tinha potencial maior para atingir o público juvenil do verão americano (que ocorre a partir de maio), então pretendem aguardar para arrecadar mais nas bilheterias. Já o segundo, apresentava uma sequência em que quatro gângsteres abrem fogo dentro de uma sala de cinema, remetendo ao recente massacre no cinema de Colorado durante sessão de estréia de Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge. https://cinemaoscareafins.wordpress.com/2012/07/21/12-mortos-em-sessao-de-batman-o-cavaleiro-das-trevas-ressurge/Resultado: o trailer foi retirado do ar, o lançamento foi reagendado para 2013 e o filme teve de ser reescrito para eliminar a sequência agora perturbadora.

Banner de Caça aos Gângsteres com a data original de lançamento. Fica para 2013.

Apesar dessas baixas, o Oscar 2013 promete. Temos também a aguardada adaptação musical do clássico literário de Victor Hugo, Les Miserables (Os Miseráveis), dirigido por Tom Hooper (vencedor do Oscar por O Discurso do Rei); o novo filme de época de Joe Wright (Desejo e Reparação) trazendo novamente o romance de Leo Tolstoy, Anna Karenina, estrelado por Keira Knightley (pra variar); e a polêmica caça ao Bin Laden trazida às telas por Kathryn Bigelow (vencedora do Oscar por Guerra ao Terror) em Zero Dark Thirty.

Seguem alguns fortes candidatos para Melhor Filme no Oscar 2013 (em ordem alfabética):

ANNA KARENINA

Dir: Joe Wright

Anna Karenina: Esse casaco diz “Quero um Oscar de Figurino”

A Academia adora filmes de época. E vale lembrar que Direção de Arte e Figurino são dois prêmios que esses filmes costumam abocanhar na cerimônia. Sarah Greenwood e Jacqueline Durran, responsáveis por esses departamentos respectivamente, têm 90% de chance de serem indicadas. Embora o diretor Joe Wright não tenha sido reconhecido, seu filme Desejo e Reparação (2007) foi indicado a 7 Oscars, incluindo Melhor Filme. Suas chances este ano aumentam por contar com o grande dramaturgo e roteirista Tom Stoppard, oscarizado por Shakespeare Apaixonado (1998) e seu elenco, que tem nomes em alta como Keira Knightley, Jude Law, Olivia Williams, Emily Watson e Kelly Macdonald.

Apesar da obra de Leo Tolstoy, Anna Karenina, já ter sido adaptada várias vezes para o cinema, nunca chegou ao Oscar com força. Talvez esta seja uma oportunidade de ouro (com o perdão do trocadilho), mas devo ressaltar que na categoria de atuação, se Greta Garbo e Vivien Leigh, que já deram vida à protagonista não foram sequer indicadas, quais as chances de Knightley? Particularmente, gostaria de ver Olivia Williams indicada, pois já merecia pela ótima performance em O Escritor Fantasma (2010). Além desse trabalho, ela tem outro trabalho chamativo este ano: Hyde Park on Hudson, no qual interpreta Eleanor Roosevelt.

ARGO (Argo)

Di: Ben Affleck

Argo: Ben Affleck trabalha em cena de atores

Quem diria que Ben Affleck, aquele ator abaixo da média que protagonizou aquela bomba chamada Contato de Risco (2003) com Jennifer Lopez, iria se tornar um bom diretor? Já calou a boca de muita gente ao dirigir dois bons dramas: Medo da Verdade (Gone Baby Gone, 2007) e Atração Perigosa (The Town, 2010). Felizmente, assim como Clint Eastwood e Robert Redford (atores que se tornaram diretores), ele aprendeu o ofício com bons profissionais do ramo: Gus van Sant, Kevin Smith e John Frankenheimer. Depois de seu sucesso, Affleck recebeu várias propostas para comandar projetos de estúdio, mas recusou todas e isso tem se tornado sua maior virtude: focar em projetos de qualidade. Desta vez, optou em contar uma história mais política, sobre o resgate de refugiados americanos no Irã.

Como Affleck já dirigiu duas performances indicadas ao Oscar (Amy Ryan e Jeremy Renner), escalar um bom elenco não tem sido nenhuma dificuldade. Para Argo, ele reuniu uma trupe talentosa: Bryan Cranston (da série de TV Breaking Bad), John Goodman, o vencedor do Oscar Alan Arkin e Kyle Chandler, podendo resultar em novas indicações. E por trás das câmeras, mais nomes conhecidos pela Academia, começando por George Clooney como produtor, o compositor Alexandre Desplat (já indicado 4 vezes), o fotógrafo Rodrigo Prieto (uma indicação), o montador William Goldenberg (2 indicações) e até a figurinista Jacqueline West (2 indicações). Continuando nesse caminho, uma indicação para Melhor Diretor para Ben Affleck seria mera questão de tempo.

AS AVENTURAS DE PI (The Life of Pi)

Dir: Ang Lee

As Aventuras de Pi: Fantasia baseada em best-seller que conta com a credibilidade de Ang Lee

Depois de conquistar seu Oscar de Melhor Diretor por O Segredo de Brokeback Mountain, o taiwanês Ang Lee dirigiu 2 filmes: Desejo e Perigo (2007), um ótimo romance na China da 2ª Guerra Mundial, que arrebatou o Leão de Ouro em Veneza, e Aconteceu em Woodstock (2009), um drama mais modesto que chegou a ser indicado à Palma de Ouro. O que fazer quando um cineasta atinge seu ápice? Aposta em projetos mais pessoais. Ang Lee se identificou com a obra de Yann Martel, sobre um rapaz indiano, Pi, que sobrevive a um naufrágio e divide um bote com animais selvagens: uma hiena, um orangotango, uma zebra e um tigre de bengala.

Como se trata de uma fantasia, suas chances em categorias técnicas são boas, principalmente em Fotografia (Claudio Miranda, diretor de fotografia de O Curioso Caso de Benjamin Button), Direção de Arte (David Gropman, de As Regras da Vida), Montagem (Tim Squyres, de O Tigre e o Dragão) e dá pra incluir também Roteiro Adaptado (David Magee, de Em Busca da Terra do Nunca), além, claro, de uma nova indicação a Ang Lee, que seria sua terceira como Melhor Diretor. Resta saber se o filme receberá impulso das bilheterias.

BATMAN – O CAVALEIRO DAS TREVAS RESSURGE (The Dark Knight Rises)

Dir: Christopher Nolan

Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge: bilheteria astronômica, mas não garante destaque no Oscar

Eu, Winston, não indicaria Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge para Melhor Filme do Oscar. MAS, como a segunda parte da trilogia, Batman – O Cavaleiro das Trevas (2008) foi o grande responsável pelo aumento de número dos indicados na categoria, não duvido nada a Academia premiar (leia-se compensar) este novo filme de Christopher Nolan. Pra quem não se recorda, em 2009, apesar de ter o total de 8 indicações, o filme ficou de fora nas principais categorias: Melhor Diretor e Melhor Filme, fato que muitos atribuem a culpa ao filme sobre nazismo (sempre ele) O Leitor, de Stephen Daldry.

Embora essa legislação do Oscar tenha mudado por motivos comerciais, a ausência do filme de Nolan na época repercutiu muito mal e fez com que a Academia temesse uma drástica redução na audiência da cerimônia. Tentaram remediar com a vitória póstuma de Heath Ledger como ator coadjuvante, mas essa ferida ainda ecoa entre os fãs do herói e dos filmes. Este já seria um motivo para que esta terceira parte figurasse entre os indicados a Melhor Filme, mas e como o Oscar se posicionaria em relação àquela sessão de Colorado, que culminou na morte de 12 espectadores?

Indicar o filme como homenagem também ou isso seria um desrespeito? Na teoria, Batman não tem nada a ver com o incidente. Aliás, até o ator Christian Bale foi lá visitar os sobreviventes no hospital. Mas na prática, essa paranóia pode influenciar nos resultados.

Ademais, Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge tem todas as condições para conquistar vagas em categorias mais técnicas como fotografia, direção de arte, montagem, som, efeitos sonoros e efeitos visuais. Christopher Nolan pode concorrer como Diretor e Roteiro adaptado, mas acho pouco provável pela repercussão das críticas.

INDOMÁVEL SONHADORA (Beasts of the Southern Wild)

Dir: Benh Zeitlin

Beasts of the Southern Wild: Apesar de azarão, tem chances com a fotografia e atriz-mirim Quvenzhané Wallis de apenas 6 aninhos

A pequena produção americana com orçamento estimado em 1 milhão e 800 mil dólares começou sua jornada de reconhecimento no último Festival de Sundance, onde conquistou o Grande Prêmio do Júri – Drama e o prêmio de Fotografia, e em seguida no Festival de Cannes, de onde saiu com os prêmios Un Certain Regard e Golden Camera, que prestigiam uma visão ímpar e a qualidade técnica de um filme, respectivamente.

Agora, comprado pela Fox Searchlight por míseros US$ 2 milhões, deverá ser distribuído pelos EUA com o devido lobby por indicações ao Oscar. Apesar de Quvenzhané Wallis ter apenas 6 anos, a Academia adora indicar novos prodígios como os recentes casos de Abigail Breslin (Pequena Miss Sunshine), Keisha Castle-Hughes (A Encantadora de Baleias) e Haley Joel Osment (O Sexto Sentido).

Também conta a favor da trama ser uma mistura de realidade dura com fantasia. Em 2010, essa mesma ambientação saiu premiada com o Oscar de Roteiro Adaptado e Atriz Coadjuvante para Mo’Nique em Preciosa – Uma História de Esperança. O feito poderia se repetir em 2013.

DJANGO LIVRE (Django Unchained)

Dir: Quentin Tarantino

Django Livre: O escravo contra o mestre. Tarantino promete um western inovador.

Tarantino já ganhou o Oscar de roteiro original em 1995 por Pulp Fiction – Tempo de Violência, mas de lá pra cá, já se aventurou em produções que não têm a cara da Academia: os dois volumes de Kill Bill e À Prova de Morte. Em 2010, seu Bastardos Inglórios foi um forte candidato e levou o Oscar de coadjuvante para a majestosa performance de Christoph Waltz.
Agora, com o western Django Livre, estrelado por Jamie Foxx, Christoph Waltz e Leonardo Di Caprio, Tarantino terá uma nova oportunidade de levar outro Oscar e mostrar que é fã nº1 do western spaghetti Três Homens em Conflito (The Good, The Bad and the Ugly, 1966), de Sergio Leone.

Como se trata de um filme ambientado no velho oeste, tem boas chances nas categorias de Direção de Arte (J. Michael Riva), Figurino (Sharen Davis), Fotografia (Robert Richardson), Som, Roteiro Original e Montagem (o assistente de edição Fred Raskin assumiu o cargo depois que a colaboradora de longa data Sally Menke faleceu em 2010). O burburinho do Oscar também atinge os atores. Jamie Foxx, que já ganhou Melhor Ator por Ray, e Leonardo Di Caprio, já indicado 3 vezes, são possíveis nomes para Ator e Ator Coadjuvante, respectivamente.

Se Tarantino não inseriu elementos pop demais em Django Livre, a Academia pode alavancar ainda mais sua bilheteria com indicações, mas o cinema praticado pelo diretor ainda sofre preconceitos por boa parte dos votantes judeus, mesmo que os tenha “defendido” na versão heróica da 2ª Guerra Mundial em Bastardos Inglórios.

O HOBBIT – UMA JORNADA INESPERADA (The Hobbit: An Unexpected Journey)

Dir: Peter Jackson

O Hobbit: Deu lucro? Volta pra Middle Earth.

Não sou fã da trilogia do Senhor dos Anéis, especialmente o último filme que tem 11 finais, mas seria ignorância da minha parte se não reconhecesse todo o trabalho de Peter Jackson para adaptar J.R.R. Tolkien para o cinema. Jackson elevou o gênero da fantasia a um novo patamar, uma vez que muitos consideravam os livros obras “infilmáveis”. Com o estrondoso sucesso de crítica e público, era apenas questão de tempo para o livro que antecedeu a trilogia, O Hobbit, passasse a ser cogitado como futuro projeto de Peter Jackson. Mas acabou parando nas mãos de outro talentoso diretor de fantasias: Guillermo del Toro.

À princípio, achei que ele não queria mais ver elfos e hobbits pela frente, porém foi uma cirurgia de úlcera que acabou tirando-o da cadeira de diretor. Guillermo, famoso diretor dos filmes de Hellboy e do premiado O Labirinto do Fauno, assumiu o projeto e respirou J.R.R. Tolkien por 2 anos e não aguentou a pressão dos estúdios e prazos de filmagem e lançamento. Sinceramente, achava que del Toro iria conseguir finalizar o filme, mas se você é daquelas pessoas que assiste aos making ofs nos DVDs e blu-rays, sabe que diretor de grandes produções sofre bastante. Entra feliz e animado e sai com expressão de cansaço total e cabelos brancos. Além disso, Guillermo tinha uma sombra muito forte por trás: o próprio Peter Jackson.

Incontáveis fãs nerds que frequentam as conferências de San Diego pediam a cabeça de Guillermo del Toro. Resultado: a voz do consumidor é a voz de Deus! Peter Jackson voltou! Bilionário, com um estômago bem menor, com corpinho mais esbelto e com 3 estatuetas do Oscar em casa. O estúdio ficou tão feliz com seu retorno à série que resolveram comemorar transformando O Hobbit em uma trilogia. Por que lucrar uma vez se você pode lucrar 3 vezes mais? Então aí está: aguente mais 3 anos de hobbits, elfos, gollums, finais melosos e incontáveis indicações ao Oscar.

INSIDE LLWELYN DAVIS

Dir: Ethan Coen e Joel Coen

Inside Llewlyn Davis: Ainda sem fotos do filme, vemos os irmãos Coen no set de filmagem que conta com Carey Mulligan nos anos 60.

Depois que os irmãos Coen ganharam o Oscar de Melhor Filme, Direção e Roteiro Adaptado pelo ótimo Onde os Fracos Não têm Vez em 2008, qualquer filme deles automaticamente se torna um forte candidato ao Oscar. Como cinéfilo e fã da filmografia bem criativa dos irmãos, considero esse reconhecimento tardio mas justo. Até um filme despretensioso como Um Homem Sério (2009) se mostrou uma ótima comédia que foi indicada a Melhor Roteiro Original e Melhor Filme, sem contar as 10 indicações que a refilmagem de Bravura Indômita conseguiu em 2011. Neste Inside Llewlyn Davis, os diretores contam com duas armas para repetir o triunfo no Oscar: filme que se passa nos anos 60, e Carey Mulligan.

Se a jovem atriz britânica não pode mais contar com O Grande Gatsby, ela pode conseguir sua segunda indicação com esta performance. Só esperamos que Justin Timberlake, que contracena com ela, não a atrapalhe. Aliás, será que os Coen conseguem realizar um milagre e fazer Timberlake atuar decentemente? Só isso já merece um Oscar, não?

Além de Mulligan e os irmãos Coen, o filme conta com o produtor Scott Rudin, que desde 2003, já foi indicado 5 vezes ao Oscar (vencendo justamente com o filme dos Coen), e o reconhecido diretor de fotografia Bruno Delbonnel, responsável pelo visual fantástico de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001).

LES MISÉRABLES

Dir: Tom Hooper

Les Miserables: musical com Hugh Jackman.

Parece que depois de Moulin Rouge – Amor em Vermelho (2001), Chicago (2002) e Mamma Mia! (2008), o gênero musical tem voltado ao cenário de Hollywood. E agora, ele volta com pedigree literário. O clássico Les Miserábles de Victor Hugo foi adaptado pelo roteirista indicado ao Oscar de Gladiador, William Nicholson, e regido por Tom Hooper, mais conhecido por seu sucesso O Discurso do Rei.

Apesar de bem comentado e com altas expectativas, devemos considerar que Tom Hooper não tem experiência com musicais. É claro que pode ser um dos filmes mais premiados da temporada, mas pode amargurar no esquecimento devido ao risco. Por outro lado, se depender do elenco, o filme pode alavancar algumas indicações ao Oscar: Hugh Jackman, Russell Crowe e Anne Hathaway protagonizam a adaptação e são boas apostas, especialmente Jackman e Hathaway, pois ambos têm talento musical comprovados (sim, eu sei que Russell Crowe tem uma bandinha…), e já têm uma história de cantar juntos na cerimônia do Oscar. Também existe uma história de que Anne Hathaway cantou I Dreamed a Dream no teste de atores e fez todos chorarem.

Musicais são como boa publicidade. É muito fácil fazer uma mediocridade, mas quando se acerta o tom, podem surgir obras-primas como Cantando na Chuva. Vamos esperar que Tom Hooper acerte em cheio.

MOONRISE KINGDOM (Moonrise Kingdom)

Dir: Wes Anderson

Moonrise Kingdom: Atores já valem o ingresso

Os filmes de Wes Anderson estão um pouco longe de ser uma unanimidade entre os votantes da Academia, pois… digamos que ele tem um humor bastante peculiar. Três é Demais (1998), Os Excêntricos Tenenbauns (2001), A Vida Aquática de Steve Zissou (2004) e Viagem a Darjeeling (2007) são obras singulares, mas a Academia não estava preparada para recebê-las, ainda mais se lembrarmos que comédia nunca foi um gênero forte na premiação. Contudo, o cineasta começa a atingir maturidade e seu nome a se associar aos melhores filmes do ano. Já foi indicado ao Oscar duas vezes: pelo Roteiro Original de Os Excêntricos Tenenbauns e pela ótima animação O Fantástico Sr. Raposo (2009).

Com este novo trabalho, Moonrise Kingdom, ele volta a reunir seus colaboradores habituais Bill Murray e Jason Schwartzman, reunindo mais atores consagrados como Tilda Swinton, Frances McDormand, Edward Norton e Bruce Willis, o que sempre aumenta a atenção dos críticos. O filme fala sobre a paixão de um escoteiro por uma garota, e quando decidem fugir juntos, a cidade inteira se mobiliza para procurá-los. Embora seja uma aposta incerta para o Oscar, tem chances em algumas categorias como Roteiro Original, Trilha Musical (Alexandre Desplat), Figurino, Montagem (Andrew Weisblum) e talvez alguma de atuação.

LINCOLN

Dir: Steven Spielberg

Lincoln: pôster simples, mas que já tem cara de Oscar

Steven Spielberg. Daniel Day-Lewis. Filme sobre presidente. Desses 3 elementos, já podemos tirar uns Oscars da cartola. Lincoln tem tudo para ser um daqueles candidatos recordistas em indicações: Filme, Diretor, Ator, Ator Coadjuvante (que tem vários possíveis nomes como Tommy Lee Jones, Jackie Earle Haley, David Strathairn, John Hawkes, Hal Holbrook), Atriz Coadjuvante (Sally Field), Roteiro Adaptado, Fotografia, Trilha Musical, Montagem, Direção de Arte, Figurino, Som e Maquiagem. Total de 13, tá bom pra você, Spielberg? Depois de sair com as mãos abanando com seu Cavalo de Guerra, a Academia pode se sentir na obrigação de compensá-lo, a menos que o filme seja uma draga… Isso sem contar se não tiver uma canção original na manga. No papel, o status do filme é de vencedor de Melhor Filme, mas como todos os especialistas dizem: o Oscar é imprevisível.

Fui assistir a Cavalo de Guerra com um pé atrás, porque achava que o diretor andava meio enferrujado, e todo aquele episódio de retocar o filme E.T. o Extraterrestre (1982) ainda não me caiu bem. Mas Spielberg não desaprendeu a fazer cinema e com o filme, comprovou que ainda manda bem na catarse. E Lincoln tem todos os ingredientes épicos para fazer os votantes da Academia chorarem nos créditos finais, afinal, o presidente, considerado um dos heróis da nação, foi assassinado friamente, como outro político querido: Kennedy.

Recentemente, escrevi um post sobre os atores dirigidos por Spielberg e o fato curioso de que nenhum deles ganhou o Oscar. Agora, o diretor tem Daniel Day-Lewis em seu filme, um dos melhores profissionais de sua geração, assumindo um papel almejado por incontáveis atores de Hollywood. Lincoln seria a melhor chance do diretor depois de A Lista de Schindler. Será que é desta vez, Spielberg?

THE MASTER

Direção: Paul Thomas Anderson

The Master: Amy Adams (à esq) e Philip Seymour Hoffman (centro) são apostas certeiras com Joaquin Phoenix.

Apesar de Paul Thomas Anderson ter um gosto meio alternativo, seus filmes costumam levar algumas indicações. Foi assim com Boogie Nights – Prazer Sem Limites, Magnólia e Sangue Negro; todos receberam indicações de atuação e Daniel Day-Lewis ganhou seu segundo Oscar pelo último. A única exceção foi Embriagado de Amor, que passou desapercebido pela premiação, porque Adam Sandler não é bem uma unanimidade entre os críticos (particularmente, acho seu melhor trabalho como ator).

The Master se destaca por se tratar de um filme sobre os primórdios da cientologia. Sim, aquela polêmica religião criada pelo autor de ficção científica L. Ron Hubbard, que tem adeptos ilustres como Tom Cruise e John Travolta. Para contar essa interessante história, Anderson convocou um nome igualmente polêmico: Joaquin Phoenix, que parece ter perdido uns parafusos quando anunciou na TV, todo barbudo e de óculos escuros, a aposentadoria da carreira de ator. Juntamente com Philip Seymour Hoffman (Oscar de Ator por Capote) e Amy Adams (3 indicações), forma uma trinca poderosa na corrida ao Oscar. O favoritismo de Phoenix e Hoffman cresceu ainda mais depois que receberam o prêmio Volpi Cup no Festival de Veneza, de onde o diretor também saiu laureado com o Leão de Prata.

A produção também tem boas chances em Melhor Roteiro Original (o próprio Paul Thomas Anderson), Trilha Musical (Jonny Greenwood), Direção de Arte (Jack Fisk e David Crank), Figurino (Mark Bridges, ganhador do Oscar este ano com O Artista)e Montagem. Talvez seja o único capaz de bater Spielberg e Peter Jackson.

SILVER LININGS PLAYBOOK

Direção: David O. Russell

Silver Linings Playbook, de David O. Russell

David O. Russell era considerado um diretor alternativo, assim como Wes Anderson. Mas com o amadurecimento de seus trabalhos, Russell conseguiu destaque e indicações para seu filme O Vencedor (The Fighter, 2010). Não apenas obteve sua primeira indicação ao Oscar como Melhor Diretor, mas seus atores coadjuvantes, Christian Bale e Melissa Leo, saíram premiados daquela cerimônia. Agora, com este Silver Linings Playbook, ele volta a chamar a atenção, mas não somente dos críticos, mas do público, pois ganhou o People’s Choice Awards no último Festival de Toronto, reconhecimento também dado ao vencedor do Oscar O Discurso do Rei.

Baseado no romance de Matthew Quick, o filme acompanha o retorno de Pat Solitano (Bradley Cooper) à casa dos pais depois de ficar internado oito meses numa instituição mental. Ele busca reconstruir sua vida e reconciliação com a ex-mulher que o traiu. No caminho, ele conhece uma jovem chamada Tiffany (Jennifer Lawrence) que se oferece para ajudá-lo em troca de um favor importante para ela. Trata-se de uma história bastante simples, mas pelos comentários e críticas que ouvi, também apresenta elementos bastante humanos que, com a ajuda dos atores em forma, conquistaram o público por onde passou.

Tem se tornado a produção que mais cresceu nessa fase da corrida para o Oscar 2013, ao lado do filme de Ben Affleck, Argo. Além disso, tem boas chances de emplacar indicações para os quatro atores: Bradley Cooper (sim, aparentemente ele é mais do que um candidato a galã de Se Beber, Não Case!), Jennifer Lawrence (a Academia não perderia a oportunidade de ouro de indicá-la como Melhor Atriz com o sucesso de Jogos Vorazes), Jacki Weaver (seria sua segunda indicação depois de Reino Animal) e Robert De Niro (com seu retorno trinufal depois de 20 anos sem indicações ao Oscar).

Claro que o diretor David O. Russell deve voltar a concorrer como Melhor Diretor, mas como a competição está bem acirrada, talvez ele seja “compensado” com o prêmio de Melhor Roteiro Adaptado.

ZERO DARK THIRTY

Direção: Kathryn Bigelow

Zero Dark Thirty: Parece uma imagem da trilogia Bourne, mas ao invés de caçarem o agente, estão atrás de Bin Laden

Depois que Kathryn Bigelow se consagrou com a primeira mulher a ganhar o Oscar de Melhor Diretor, ela teve muitas propostas. Acabou repetindo sua parceria com o roteirista Mark Boal do mesmo Guerra ao Terror (2008) e deram vida ao filme que trata da caça ao líder terrrorista do Al-Qaeda, Osama Bin Laden. A produção já vinha sendo bastante comentada porque recebeu com exclusividade acesso aos arquivos da operação de captura da CIA. Recentemente, os noticiários da TV anunciaram que a estréia do filme foi adiada para depois das eleições presidenciais em novembro por causa de protestos de republicanos, que temem queda nas intenções de voto de Mitt Romney.

Importância história o filme já tem. A fama já o precede. Mas e o filme? Tem toda essa chance no Oscar como teve Guerra ao Terror? Diretor, Roteiro Original, Montagem, Som e Efeitos Sonoros são possibilidades reais, assim, por que não Melhor Filme também? Não deve sair tão vitorioso por se tratar de um filme polêmico desde seu nascimento, mas deve figurar entre os indicados.

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Claro que a lista pode mudar nos próximos meses até o dia 10 de janeiro, quando as indicações ao Oscar serão anunciadas ao vivo. Existem algumas produções que ainda tem uma porcentagem pequena de figurarem entre os possíveis dez indicados a Melhor Filme. Lembrando que nessa categoria, podem haver de 5 a 10 filmes indicados, dependendo da votação de cada um. Eis alguns filmes que podem ganhar algum fôlego na reta final e um ou outro motivo de não estar na lista definitiva:

Amour, de Michael Haneke. O filme levou a Palma de Ouro em Cannes e tem boas chances de ver seus atores centrais indicados, mas o fato de ser falado em francês deve direcionar suas chances para a categoria de Melhor Filme Estrangeiro, uma vez que é o representante da Áustria.

O Exótico Hotel Marigold, de John Madden. Através da força de seu elenco experiente encabeçado por Judi Dench, este simpático drama senil passado na Índia pode ganhar força entre os votantes mais velhos, ainda mais se suas atrizes foram indicadas. Mas o filme tem cara de que não deve passar da lista de indicados a Melhor Filme – Comédia ou Musical no Globo de Ouro.

O Impossível, de Juan Antonio Bayona. Apesar do lado trágico que pode levar os espectadores às lágrimas, este drama familiar tem sua forte base apoiada nos atores. Naomi Watts tem grandes chances de sua segunda indicação, e Ewan McGregor pode surpreender. Mas como filme, não tem chamado tanta atenção.

The Sessions, de Ben Lewin. Este drama independente também está aqui por causa dos atores, especialmente o protagonista John Hawkes. A história do paciente diagnosticado com pouco tempo de vida e quer perder a virgindade antes de morrer só é comprada por causa de Hawkes. Claro que o elenco também conta com Helen Hunt e William H. Macy, que podem dar uma forcinha no número de indicações.

007 – Operação Skyfall, de Sam Mendes. Eu sei. Como a Academia vai indicar um filme de James Bond? Embora eu seja fã, concordo que esta não seria uma categoria mais propícia ao 23º filme da franquia, mas com os recordes de bilheteria, as críticas positivas, a equipe oscarizada chefiada pelo diretor Sam Mendes e o fato de Bond comemorar 50 anos este ano podem colaborar para a primeira inclusão de um filme de Bond como Melhor Filme. Só para matar sua curiosidade, a franquia de 007 já foi premiada com dois Oscars: Em 1965 pelo Efeitos Sonoros de 007 Contra Goldfinger, e em 1966, pelos Efeitos Visuais de 007 Contra a Chantagem Atômica.