PRIMEIRO PREVIEW OSCAR 2016

QUEM ESTARÁ NO TAPETE VERMELHO EM 2016?

Sim, estamos no mês de agosto, ainda a 6 meses da cerimônia do Oscar 2016, mas já está rolando um burburinho de algumas produções que liberaram seus press releases e trailers. Muitos dos candidatos presentes nesse post foram baseados no histórico dos nomes envolvidos (sejam atores, diretores e equipe técnica) e indicações anteriores, uma vez que a Academia tem o costume de favorecer os artistas que já foram nomeados, mas nunca levaram a estatueta como é o caso do ator Johnny Depp. Muito querido pelo público, ele já teve três oportunidades de ganhar, mas nunca levou, assim como Leonardo DiCaprio, que pode ter sua sexta indicação com o trabalho do diretor Alejandro González Iñárritú.

No geral, muitos trabalhos candidatos beberam da fonte das histórias verídicas, uma vez que a Academia tem um perfil que valoriza temas e tramas calcadas na realidade. Só para citar alguns exemplos mais recentes, temos 12 Anos de Escravidão, Argo e O Discurso do Rei. As cinebiografias também estão em alta, pois sempre proporcionam papéis de maior profundidade e com capacidade para se destacar na temporada de premiações, como é o caso de Tom Hiddleston que interpreta o cantor e compositor Hanks Williams em I Saw the Light, ou Eddie Redmayne, que encorpora Lili Elbe, uma das primeiras pessoas a passar por cirurgia de troca de sexo em The Danish Girl.

CRÍTICOS FAZEM AS PRIMEIRAS TRIAGENS

Quando estamos nesse período do ano, o burburinho (o chamado Oscar buzz) corre solto e há listas e mais listas de vários tipos possíveis de indicados, que muitas vezes refletem o desejo dos próprios autores dessas mesmas listas. Portanto, a coisa só começa a ficar séria mesma quando os críticos americanos passam a eleger seus melhores do ano.

O primeiro a revelar sua lista é o National Board of Review (NBR). Apesar de não ter coincidido seus vencedores com o do Oscar, a organização fundada em 1909 busca ser fiel aos seus princípios e acaba elegendo grandes filmes como A Hora Mais Escura, A Invenção de Hugo Cabret e A Rede Social.

Já o New York Film Critics Circle (NYFCC) e o Los Angeles Film Critics Association (LAFCA) costumam ter maior porcentagem de acerto, mas ultimamente tem sido mais pelas categorias de atuação. Esses críticos abrem caminho para que os grandes prêmios como o Critics’ Choice Awards e o Globo de Ouro possam avaliar melhor o que houve de melhor em cinema no ano. Para eles, não importa muito o histórico da equipe ou do elenco, mas a produção em si, gerando uma votação livre de hábitos e círculos viciosos.

PREVISÃO PARA 2016

Ao contrário dos previews anteriores, resolvi simplificar e gerar as possíveis indicações por filme, e não por categoria. Claro que devem existir mais alguns filmes com chance, mas seria praticamente impossível relacionar todos aqui. Algumas vezes, os favoritos ao Oscar surgem na reta final e acabam surpreendendo como aconteceu com quando O Discurso do Rei tomou a dianteira de A Rede Social pouco antes do Oscar.

Então, sem mais delongas, vamos aos possíveis indicados ao Oscar 2016 (em ordem aleatória):

OS OITO ODIADOS (The Hateful Eight)
Dir: Quentin Tarantino

Os Oito Odiados: (photo by blogbusters.ch)

Os Oito Odiados: Kurt Russell, Jennifer Jason Leigh e Bruce Dern na primeira foto. Samuel L. Jackson na segunda e Michael Madsen na terceira. (photo by blogbusters.ch)

Sinopse: Numa Wyoming pós-Guerra Civil, caçadores de recompensa buscam abrigo durante nevasca, mas acabam se envolvendo numa trama de traição e decepção. Eles sobreviverão?

Deve receber indicação: Roteiro Original (Quentin Tarantino), Fotografia (Robert Richardson), Trilha Musical Original (Ennio Morricone)

Dúvida: Filme, Diretor (Quentin Tarantino), Ator Coadjuvante (Bruce Dern), Ator Coadjuvante (Samuel L. Jackson), Montagem (Fred Raskin), Figurino (Courtney Hoffman) e Maquiagem

Quentin Tarantino vive sua segunda ascensão junto à Academia. Depois de estourar com Pulp Fiction – Tempo de Violência em 1994, vencendo o Oscar de Roteiro Original, passou por um ostracismo com os dois volumes de Kill Bill (2003 e 2004) e À Prova de Morte (2007), que não receberam nenhuma indicação, e voltou ao topo com Bastardos Inglórios (2009) e Django Livre (2012), ganhando seu segundo Oscar pelo roteiro do último. Assim, existem altas expectativas para que este oitavo longa de sua autoria esteja na lista de indicações da Academia. Logo de cara, seu roteiro já figura como quase uma indicação unânime. O diretor de fotografia Robert Richardson, que já levou 3 Oscars, aparece logo atrás, assim como Ennio Morricone, mundialmente famoso por suas trilhas de western spaghetti que fez em parceria com o diretor Sergio Leone. O compositor italiano foi indicado 5 vezes, mas só ganhou o Oscar Honorário em 2007, e a Academia gosta de premiar os artistas mesmo após a honraria, como foi o caso do ator Paul Newman.

Sem Christoph Waltz, que levou dois Oscars de coadjuvante pelos últimos trabalhos de Tarantino, o diretor conta com a experiência do veterano Bruce Dern, que passou por um momento revival graças ao filme Nebraska, de Alexander Payne, que lhe rendeu sua segunda indicação ao Oscar em 2014. Se seu papel como General Sandy Smithers for consistente, pode se tornar material de Oscar. No elenco, alguns nomes também podem virar ouro como Demian Bichir (indicado ao Oscar de Melhor Ator em 2012 por Uma Vida Melhor), e os colaboradores assíduos Samuel L. Jackson e Tim Roth, e até a meio sumida Jennifer Jason Leigh.

O REGRESSO (The Revenant)
Dir: Alejandro González Iñárritú

Leonardo DiCaprio em cena de O Regresso (photo by outnow.ch)

Leonardo DiCaprio em cena de O Regresso (photo by outnow.ch)

Sinopse: Em 1820, o fronteiriço Hugh Glass (Leonardo DiCaprio) busca vingança contra aqueles que deixaram-no para morrer num ataque de ursos.

Deve receber indicação: Filme, Diretor (Alejandro G. Iñárritú), Ator (Leonardo DiCaprio), Fotografia (Emmanuel Lubezki), Montagem (Stephen Mirrione), Direção de Arte (Jack Fisk), Som e Efeitos Sonoros.

Dúvida: Ator Coadjuvante (Tom Hardy), Roteiro Adaptado (Alejandro G. Iñárritú e Mark L. Smith), Figurino (Jacqueline West)

Depois de ter conquistado o Oscar com Birdman este ano, o diretor mexicano Alejandro González Iñárritú tem cartucho pra gastar. Ele retorna com a mesma equipe técnica vencedora com uma saga de vingança e de época, que praticamente garante a presença do filme nas categorias de fotografia e direção de arte. No ano passado, rolaram alguns memes sobre a impossibilidade de DiCaprio ganhar o Oscar que considero meio exageradas. Primeiramente, o ator teve apenas 4 indicações, número relativamente baixo se comparado a Peter O’Toole, que saiu derrotado em 8 ocasiões, e Richard Burton em 7. E em segundo lugar, DiCaprio evoluiu bastante desde o começo de sua parceria com o diretor Martin Scorsese. Particularmente, acho as performances dele exageradas. Se ele souber ser mais contido, terá mais chances de agradar e cansar menos o público com suas expressões de nervosismo e gritos esporádicos. Esse seu estilo casou bem com o papel de Jordan Belfort em O Lobo de Wall Street, e por isso considero sua melhor atuação, mas nem sempre servirá para outros tipos de papéis.

Apesar de incluir o filme nas principais categorias, ainda tenho minhas dúvidas. Pelo trailer, pareceu ser mais um filme de ação do que um épico que agrade a todos. Caso o filme não tenha uma pegada mais social, dificilmente será abraçado pela Academia, restando apenas as categorias mais técnicas. Com o pano de fundo com índios, pode ser comparado a Dança com Lobos, mas o filme de Kevin Costner, que conquistou 7 estatuetas em 1991, tinha como foco o comportamento social entre povos indígenas e o homem branco, não meramente a ação.

ALIANÇA DO CRIME (Black Mass)
Dir: Scott Cooper

Benedict Cumberbatch atua com um Johnny Depp quase irreconhecível em Aliança do Crime (photo by outnow.ch)

Benedict Cumberbatch atua com um Johnny Depp quase irreconhecível em Aliança do Crime (photo by outnow.ch)

Sinopse: Cinebiografia de Whitey Bulger, um dos criminosos mais procurados de South Boston, que acabou se tornando informante do FBI.

Deve receber indicação: Melhor Ator (Johnny Depp), Maquiagem

Dúvida: Filme, Diretor (Scott Cooper), Ator Coadjuvante (Benedict Cumberbatch), Ator Coadjuvante (Joel Edgerton), Montagem (David Rosenbloom)

Essa transformação de Johnny Depp vem sendo comentada pela mídia especializada há um bom tempo, no mesmo nível de repercussão de Meryl Streep como Margareth Thatcher (A Dama de Ferro), Kate Winslet como Hannah Schmidt (O Leitor) e Jamie Foxx como Ray Charles (Ray), o que certamente colabora na campanha do ator para sua primeira estatueta depois de três indicações anteriores (Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra, Em Busca da Terra do Nunca e Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet).

Apesar do diretor meio desconhecido (Scott Cooper dirigiu apenas Coração Louco, que rendeu o Oscar para Jeff Bridges, e Tudo por Justiça), Aliança do Crime é impulsionado pela força de seu elenco, formado por Benedict Cumberbatch, Kevin Bacon, Joel Edgerton, Juno Temple e Peter Sarsgaard.

CAROL
Dir: Todd Haynes

Cate Blanchett em Carol, de Todd Haynes. (photo by Weinstein Co. through variety.com)

Cate Blanchett em Carol, de Todd Haynes. (photo by Weinstein Co. through variety.com)

Sinopse: A jovem Therese conhece a elegante Carol, recém-divorciada. As duas percebem que têm muito em comum, e logo um romance se desenvolve entre elas. Para fugir aos olhares dos moradores locais, elas decidem fazer uma viagem pelos EUA, mas percebem que um detetive está seguindo os seus passos.

Deve receber indicação: Diretor (Todd Haynes), Atriz (Cate Blanchett), Atriz Coadjuvante (Rooney Mara), Figurino (Sandy Powell)

Dúvida: Filme, Roteiro Adaptado (Phyllis Nagy)

O filme se tornou um estouro no último Festival de Cannes e a imprensa estrangeira logo colocou Blanchett como favorita ao prêmio de interpretação feminina. Contudo, o júri presidido pelos irmãos Coen não foi na onda, e o prêmio foi parar nas mãos de Rooney Mara (mais cotada como coadjuvante pelo mesmo filme). Ela dividiu o prêmio com Emmanuelle Bercot (Mon Roi).

Com a distribuidora Weinstein Company por trás da campanha, o filme deve conseguir sem grandes dificuldades as indicações para as atrizes, mas devido ao tom lésbico, ainda é cedo pra garantir lugar entre os acadêmicos do Oscar.

THE DANISH GIRL
Dir: Tom Hooper

Eddie Redmayne caracterizado como a Danish Girl (photo by cine.gr)

Eddie Redmayne caracterizado como a Danish Girl (photo by cine.gr)

Sinopse: Nos anos 20 na Dinamarca, a artista Gerda Wegener pintou seu marido, Einar Wegener, como uma mulher. Depois que a pintura ganhou popularidade, ele começou a mudar sua aparência para feminina e adotar o nome Lili Elbe. Com o apoio da esposa, ele se tornou o primeiro homem a passar por cirurgia de troca de sexo.

Deve receber indicação: Ator (Eddie Redmayne), Atriz Coadjuvante (Alicia Vikander), Trilha Musical Original (Alexandre Desplat), Direção de Arte (Eve Stewart), Figurino (Paco Delgado)

Dúvida: Filme, Diretor (Tom Hooper), Roteiro Adaptado (Lucinda Coxon)

Eddie Redmayne acaba de ganhar o Oscar de Melhor Ator por sua impecável reprodução de Stephen Hawking em A Teoria de Tudo, e agora volta como outra figura importante utilizando mais um processo de transformação. Alguns mais exaltados já estão apostando no segundo Oscar consecutivo, o que o colocaria no mesmo patamar de Spencer Tracy e Tom Hanks, os únicos a ganhar Oscar de Ator consecutivamente.

Claro que ajuda o fato de contar com um diretor vencedor do Oscar, Tom Hooper, que venceu por O Discurso do Rei. O diretor foi responsável por 5 indicações de atores até o momento, e duas vitórias: Colin Firth (O Discurso do Rei) e Anne Hathaway (Os Miseráveis).

JOY: O NOME DO SUCESSO (Joy)
Dir: David O. Russell

Cena com Jennifer Lawrence em Joy (photo by cine.gr)

Cena com Jennifer Lawrence em Joy (photo by cine.gr)

Sinopse: O filme acompanha a trajetória de sucesso da criadora da Ingenious Designs, Joy Mangano, além da história de sua família por quatro gerações até se tornar a fundadora e matriarca de uma poderosa dinastia de família de negócios.

Deve receber indicação: Filme, Diretor (David O. Russell), Atriz (Jennifer Lawrence), Ator Coadjuvante (Bradley Cooper), Ator Coadjuvante (Robert De Niro), Roteiro Original (David O. Russell e Annie Mumolo)

Dúvida: Figurino (Michael Wilkinson)

Ok, vamos contabilizar. Em 2011, O Vencedor recebeu 7 indicações ao Oscar e levou dois de Coadjuvante para Christian Bale e Melissa Leo. Em 2013, O Lado Bom da Vida recebeu 8 indicações e levou Melhor Atriz para Jennifer Lawrence. Em 2014, Trapaça acumulou 10 indicações, mas não levou nada. Todos os últimos filmes de David O. Russel foram indicados a Melhor Filme e Melhor Diretor, portanto não dá pra esperar menos deste Joy: O Nome do Sucesso, que conta com muitos dos mesmos atores e da mesma equipe técnica.

Vendo o trailer, não dá pra esperar muita coisa do filme, mas Russell está em alta com a Academia, e mesmo que as vitórias ainda não venham, certamente as indicações já estão encaminhadas.

PONTE DOS ESPIÕES (Bridge of Spies)
Dir: Steven Spielberg

Em primeiro plano, Tom Hanks vive o advogado James Donovan em Ponte de Espiões (photo by outnow.ch)

Em primeiro plano, Tom Hanks vive o advogado James Donovan em Ponte dos Espiões (photo by outnow.ch)

Sinopse: Um advogado é recrutado pela CIA durante a Guerra Fria para resgatar um piloto detido na União Soviética.

Deve receber indicação: Filme, Diretor (Steven Spielberg), Ator (Tom Hanks), Roteiro Original (Matt Charman, Joel Coen e Ethan Coen), Fotografia (Janusz Kaminski), Montagem (Michael Khan). Trilha Musical Original (Thomas Newman), Direção de Arte (Adam Stockhausen), Efeitos Sonoros

Dúvida: Ator Coadjuvante (Alan Alda), Atriz Coadjuvante (Amy Ryan) e Figurino (Kasia Walicka-Maimone)

Steven Spielberg e Tom Hanks já trabalharam juntos em O Resgate do Soldado Ryan (1998), Prenda-me Se For Capaz (2002) e O Terminal (2005). Em 1999, Spielberg levou seu segundo Oscar e Hanks uma indicação pelo filme de guerra, portanto as chances são boas de sucesso na Academia com este Ponte dos Espiões.

Trata-se da primeira vez que Spielberg dirige um roteiro escrito pelos irmãos Coen, o que deve facilitar as coisas na campanha. Além disso, se Spielberg está entre os indicados, toda sua trupe técnica deve comparecer e preencher as vagas de indicações como aconteceu em seus últimos filmes: Cavalo de Guerra (2011) e Lincoln (2012).

SNOWDEN
Dir: Oliver Stone

Joseph Gordon-Levitt como Edward Snowden, em Snowden (photo by outnow.ch)

Joseph Gordon-Levitt como Edward Snowden, em Snowden (photo by outnow.ch)

Sinopse: Agente da CIA, Edward Snowden, vaza uma série de informações confidenciais para a imprensa, causando sua deserção na Rússia até os dias de hoje.

Deve receber indicação: Ator (Joseph Gordon-Levitt) e Roteiro Adaptado (Kieran Fitzgerald)

Dúvida: Diretor (Oliver Stone), Atriz Coadjuvante (Shailene Woodley) e Fotografia (Anthony Dod Mantle)

Pró: Novo filme de Oliver Stone. Contra: Quando foi a última vez que um filme de Oliver Stone repercutiu tanto? JFK – A Pergunta que Não Quer Calar (1991)? Assassinos por Natureza (1994)? Claro que Stone sempre terá prestígio junto à Academia por suas vitórias com Platoon (1986) e Nascido em Quatro de Julho (1989), mas nas últimas décadas, tem caído no esquecimento, principalmente depois do fiasco de Alexandre (2004).

Mas com este Snowden, um tema bastante polêmico que o diretor sabe tirar de letra, Oliver Stone pode finalmente ter seu retorno triunfal. Se a Academia gostar do filme, certamente estará na lista de diretores, caso contrário, a indicação pode ficar apenas com o ator Joseph Gordon-Levitt, que seria sua primeira. Vale lembrar que Gordon-Levitt tem outro trabalho em destaque neste ano por A Travessia (veja mais abaixo), o que sempre ajuda na hora de descolar a primeira indicação ao Oscar.

  • A estréia de Snowden foi adiada para Maio de 2016, portanto, fora do próximo Oscar.

TRUMBO
Dir: Jay Roach

Bryan Cranston caracterizado como o roteirista Dalton Trumbo (photo by elfilm.com)

Bryan Cranston caracterizado como o roteirista Dalton Trumbo (photo by elfilm.com)

Sinopse: A carreira bem-sucedida do roteirista em Hollywood é comprometida quando ele é inserido na lista negra do senador Joseph McCarthy nos anos 40 por suspeita de ser comunista.

Deve receber indicação: Ator (Bryan Cranston), Atriz Coadjuvante (Helen Mirren)

Dúvida: Filme, Roteiro Adaptado (John McNamara)

Por se tratar de uma receita básica que funciona no Oscar, Trumbo está aqui na lista: 1º filme biográfico. 2º sobre roteirista de Hollywood, que foi inclusive vencedor do Oscar usando pseudônimos 3º porque foi perseguido por estar na lista negra do McCarthismo 4º e contando com a ajuda de um ator em extrema ascensão depois da série de TV Breaking Bad. “Só” por esses motivos o filme tem lugar cativo nas previsões.

O único, porém maior problema, é o nome fraco na direção. Não que Jay Roach, responsável pelas trilogias de comédia Austin Powers e Entrando Numa Fria não tenha seu talento, mas à princípio não era o nome mais apropriado para assumir este projeto mais sério. Só pra exemplificar, se Ron Howard, Bennett Miller ou mesmo George Clooney estivesse por trás da câmera, Trumbo já figuraria como franco-favorito ao Oscar 2016.

FREEHELD
Dir: Peter Sollett

Ellen Page e Julianne Moore em cena de Freeheld

Ellen Page e Julianne Moore em cena de Freeheld

Sinopse: A policial Laurel Hester (Julianne Moore) e sua companheira Stacie (Ellen Page) lutam na justiça para conseguir os benefícios de pensão para Hester quando ela é diagnosticada com câncer terminal.

Deve receber indicação: Atriz (Julianne Moore), Atriz Coadjuvante (Ellen Page)

Dúvida: Ator Coadjuvante (Michael Shannon)

Baseado em um documentário-curta vencedor do Oscar em 2008, Freeheld tem a fórmula para se destacar na temporada de premiações: drama, doença terminal, opção sexual e ótimo elenco. Mas estaria a Academia aberta a um filme de temática lésbica? A última produção que apresentava lesbianismo, Minhas Mães e Meu Pai, foi até indicada a Melhor Filme em 2011, mas não levou nada. Indicar é relativamente fácil, mas ganhar é outros quinhentos…

Toda vez que lembro desse conservadorismo teimoso, vem à mente a derrota de O Segredo de Brokeback Mountain diante do maniqueísta e bidimensional Crash – No Limite em 2006. De qualquer forma, a expectativa é de que pelo menos as atrizes sejam reconhecidas por suas performances. Não ajuda o fato do diretor ser praticamente desconhecido, mas Julianne Moore acaba de ganhar seu primeiro Oscar e pode, com este papel, ganhar seu segundo consecutivo e ainda puxar a segunda indicação da jovem Ellen Page como coadjuvante.

STEVE JOBS
Dir: Danny Boyle

Michael Fassbender como Steve Jobs (photo by cine.gr)

Michael Fassbender como Steve Jobs (photo by cine.gr)

Sinopse: A vida e o legado de Steve Jobs, baseado na biografia de Walter Isaacson.

Deve receber indicação: Ator (Michael Fassbender), Atriz Coadjuvante (Kate Winslet), Roteiro Adaptado (Aaron Sorkin)

Dúvida: Filme, Diretor (Danny Boyle), Ator Coadjuvante (Jeff Daniels)

Quando o filme biográfico Jobs saiu em 2013, havia uma especulação de que Ashton Kutcher poderia ser indicado ao Oscar. Mas esse burburinho só rendeu durante o período em que a foto dele foi divulgada já como Steve Jobs, pois havia uma semelhança bem considerável entre ambos, mas logo acabou quando a crítica viu o filme e sua interpretação. Dois anos depois, um novo filme sobre o criador da Apple surge no horizonte, mas com uma equipe técnica infinitamente superior: Danny Boyle na direção, Scott Rudin na produção, Aaron Sorkin (A Rede Social) no roteiro e Guy Hendrix Dyas (A Origem) na direção de arte. Com esses nomes, o filme Steve Jobs automaticamente se tornou um forte candidato ao Oscar.

Particularmente, por mais que Michael Fassbender seja um dos melhores atores dessa geração, ainda tenho minhas ressalvas se ele foi a melhor opção pra dar vida ao inventor, já que é alemão e não se parece quase nada com a figura pública (talvez um trabalho de maquiagem bem feito teria ajudado…), mas torço para que ele possa surpreender positivamente. Claro que a presença da vencedora do Oscar, Kate Winslet, no elenco ajuda e muito na campanha do filme na temporada de premiações.

SR. HOLMES (Mr. Holmes)
Dir: Bill Condon

Ian McKellen como Sherlock Holmes em Mr. Holmes (photo by outnow.ch)

Ian McKellen como Sherlock Holmes em Mr. Holmes (photo by outnow.ch)

Sinopse: O já aposentado Sherlock Holmes destrincha seu passado quando tenta desvendar um mistério não solucionado envolvendo uma bonita mulher.

Deve receber indicação: Ator (Ian McKellen), Atriz Coadjuvante (Laura Linney)

Dúvida: Roteiro Adaptado (Jeffrey Hatcher), Direção de Arte (Martin Childs), Trilha Musical Original (Carter Burwell)

Logo que foi anunciado o filme de Sherlock Holmes com Ian McKellen, já previa uma indicação para o ator britânico. McKellen foi roubado na cara dura em 1999, quando perdeu para o pastelão do Roberto Benigni (A Vida é Bela), por sua atuação magnânima em Deuses e Monstros. Depois disso, tornou-se muito popular ao assumir papéis icônicos da cultura pop: o mutante Magneto nos filmes dos X-Men e o mago Gandalf nas trilogias de O Hobbit e O Senhor dos Anéis, por qual recebeu sua segunda indicação ao Oscar em 2002, mas perdeu pra um inspirado Jim Broadbent em Iris.

Claro que, se o filme for bom e sua performance estiver à altura de seu talento, trata-se de uma excelente oportunidade de premiar com um Oscar um dos melhores atores vivos. Sr. Holmes se torna ainda mais especial por reprisar a parceria do ator com o diretor Bill Condon, com quem trabalhou em Deuses e Monstros. No elenco, Laura Linney tem tudo pra receber sua 4ª indicação.

AS SUFRAGISTAS (Suffragette)
Dir: Sarah Gavron

Carey Mulligan (centro) em cena de protesto de Suffragette (photo by cine.gr)

Carey Mulligan (centro) e Helena Bonham Carter (à direita) em cena de protesto de As Sufragistas (photo by cine.gr)

Sinopse: O filme retrata um dos primeiros movimentos feministas contra o Estado machista e opressor. As integrantes do movimento viram seus protestos pacíficos resultarem em nada para então partir para a violência, o que ameaçava suas vidas, seus empregos e suas famílias.

Deve receber indicação: Atriz (Carey Mulligan), Atriz Coadjuvante (Meryl Streep), Atriz Coadjuvante (Helena Bonham Carter)

Dúvida: Filme, Roteiro Original (Abi Morgan), Trilha Musical Original (Alexandre Desplat), Montagem (Barney Pilling), Figurino (Jane Petrie), Direção de Arte (Alice Normington)

Lembram-se do discurso pró-igualdade para as mulheres de Patricia Arquette no Oscar deste ano? E do apoio incondicional de Meryl Streep (“Yes! Yes!”) da poltrona? Pois é, o movimento feminista em alta ganha mais um reforço com este filme de época no qual a luta das mulheres se tornou um marco na história. E com Streep no elenco, o filme tem tudo pra se destacar na temporada de premiações do Globo de Ouro, Oscar, BAFTA e SAG.

Por mais que a diretora seja meio desconhecida, acho bacana tanto a diretora quanto a roteirista serem mulheres, afinal ninguém melhor do que as próprias mulheres pra contar uma história de luta feminista. A roteirista Abi Morgan pode conseguir sua primeira indicação após destaque por Shame e A Dama de Ferro. Já Carey Mulligan, que brilhou como a estudante inocente de Educação, precisa cumprir seu papel de jovem promessa de Hollywood. Como se trata de uma produção de época, são esperadas indicações de direção de arte e figurino.

NOCAUTE (Southpaw)
Dir: Antoine Fuqua

Jake Gyllenhaal como o boxeador Billy Hope com o treinador Tick Wills (Forest Whitaker) em cena de Southpaw (photo by outnow.ch)

Jake Gyllenhaal como o boxeador Billy Hope com o treinador Tick Wills (Forest Whitaker) em cena de Nocaute (photo by outnow.ch)

Sinopse: O boxeador Billy Hope procura o treinador Tick Wills para colocá-lo de volta aos trilhos depois que perde sua mulher num trágico acidente e sua filha para o serviço de proteção à criança.

Deve receber indicação: Ator (Jake Gyllenhaal), Trilha Musical Original (James Horner)

Dúvida: Ator Coadjuvante (Forest Whitaker), Montagem (John Refoua), Canção Original (Eminem)

Depois da inacreditável ausência de Jake Gyllenhaal na lista de atores indicados a Melhor Ator este ano por O Abutre, a Academia automaticamente está em dívida com o ator, que já foi indicado como Coadjuvante por O Segredo de Brokeback Mountain. Além disso, chama atenção sua transformação do esquelético videomaker de O Abutre para este atlético e forte boxeador de Nocaute, que lembra a flexibilidade de Edward Norton que passou do forte neo-nazista de A Outra História Americana para o franzino de Clube da Luta. Essas transformações costumam ser a base de uma boa campanha para o Oscar. Claro que se o filme também for bom, as chances de vitória são ainda maiores. Já quando o filme não colabora, as chances caem drasticamente. Em 2000, o filme Hurricane – O Furacão conseguiu conquistar apenas a indicação de Denzel Washington, que acabou perdendo para Kevin Spacey (Beleza Americana), porque o filme de Sam Mendes era bem mais consistente.

Vale lembrar que este é um dos últimos trabalhos do compositor James Horner, que morreu numa queda de avião no final de junho. E por se tratar de um filme de boxe, as chances da trilha musical e da montagem se destacarem são ótimas. Resta saber se o filme de Antoine Fuqua (Dia de Treinamento) vai agradar à crítica.

SICARIO: TERRA DE NINGUÉM (Sicario)
Dir: Dennis Villeneuve

Em segundo plano, da esquerda para a direita: Emily Blunt, Josh Brolin e Benicio Del Toro em cena de Sicario: Terra de Ninguém (photo by cine.gr)

Em segundo plano, da esquerda para a direita: Emily Blunt, Josh Brolin e Benicio Del Toro em cena de Sicario: Terra de Ninguém (photo by cine.gr)

Sinopse: Uma agente idealista do FBI é designada pelo governador numa força-tarefa contra as drogas na área da fronteira dos EUA com o México.

Deve receber indicação: Atriz (Emily Blunt), Fotografia (Roger Deakins), Trilha Musical Original (Jóhann Jóhannsson), Montagem (Joe Walker)

Dúvida: Ator Coadjuvante (Benicio Del Toro), Ator Coadjuvante (Josh Brolin)

A sinopse me lembrou O Silêncio dos Inocentes ao ter como protagonista uma jovem agente do FBI em formação encarando um universo bem sombrio. E o diretor canadense Dennis Villeneuve já demonstrou que conhece bem esse território sombrio com Os Suspeitos (2013). O filme concorreu à Palma de Ouro no último Festival de Cannes e por muitos críticos foi considerado um “soco no estômago” por suas cenas fortes. Por esse mesmo motivo, não deve concorrer ao Oscar de Melhor Filme, porque os acadêmicos têm aversão à violência.

Mas se a campanha for boa, o diretor pode ser recompensado em sua categoria. E quem sabe a fotografia de Roger Deakins não ganha seu primeiro Oscar depois de 12 indicações? Já dentre os atores, apesar de contar com Benicio Del Toro (vencedor de Ator Coadjuvante por Traffic) e Josh Brolin (indicado para Ator Coadjuvante por Milk – A Voz da Igualdade), o maior destaque do filme é Emily Blunt, que passa por uma experiência transformadora como a agente do FBI, podendo finalmente conquistar sua primeira indicação.

A TRAVESSIA (The Walk)
Dir: Robert Zemeckis

Cena de A Travessia com Joseph Gordon-Levitt e Charlotte Le Bon (photo by outnow.ch)

Cena de A Travessia com Joseph Gordon-Levitt e Charlotte Le Bon (photo by outnow.ch)

Sinopse: A trajetória do artista francês Phillippe Petit para cruzar as Torres Gêmeas sobre um cabo de aço em 1974.

Quem deve receber indicação: Ator (Joseph Gordon-Levitt), Roteiro Adaptado (Robert Zemeckis e Christopher Browne)

Dúvida: Filme, Diretor (Robert Zemeckis), Ator Coadjuvante (Ben Kingsley), Trilha Musical Original (Alan Silvestri)

Apesar de Forrest Gump: O Contador de Histórias ter ganhado 6 Oscars há mais de 20 anos, o diretor Robert Zemeckis sempre terá um prestígio na Academia e por isso mesmo, seus filmes têm lugar cativo no burburinho do Oscar. Em 2013, seu filme O Vôo recebeu duas indicações (Melhor Ator para Denzel Washington e Roteiro Original), o que significa que Zemeckis está buscando retorno triunfal. Com este novo projeto baseado na história real de Phillippe Petit, que caminhou sobre um cabo de aço entre as duas Torres Gêmeas, ele pode ter sua chance.

A história verídica já foi tema do documentário O Equilibrista (Man on Wire), que venceu o Oscar de Melhor Documentário em 2009, o que concede maior credibilidade ao filme. Se Zemeckis souber captar bem o lado emocional da história, o filme pode conquistar o público e a crítica. Para ajudá-lo nessa difícil tarefa, ele conta com o veterano Ben Kingsley no elenco e o jovem Joseph Gordon-Levitt como o protagonista Petit.

O CORAÇÃO DO MAR (In the Heart of the Sea)
Dir: Ron Howard

Chris Hemsworth em cena de O Coração do Mar (photo by cine.gr)

Chris Hemsworth em cena de O Coração do Mar (photo by cine.gr)

Sinopse: Baseado em história ocorrida em 1820, sobre embarcação que é caçada por baleia durante 90 dias em alto mar. Adaptação de livro de Nathaniel Philbrick que teria inspirado o clássico literário Moby Dick.

Quem deve receber indicação: Fotografia (Anthony Dod Mantle), Montagem (Daniel P. Hanley e Mike Hill) e Som.

Dúvida: Filme, Diretor (Ron Howard)

Após ganhar prestígio com o Oscar de direção e filme com Uma Mente Brilhante em 2002, Ron Howard se tornou nome relevante a cada novo trabalho, e assim acabou novamente indicado ao Oscar de direção com Frost/Nixon em 2009 e foi bem cotado por Rush: No Limite da Emoção em 2014, mas tenho minhas dúvidas se ele retorna ao tapete vermelho com um filme de aventura estrelado por Chris Hemsworth.

Embora o elenco tenha nomes razoáveis como Cillian Murphy, Ben Wishaw e o novo Homem-Aranha, Tom Holland, acredito que O Coração do Mar ficará limitado às categorias mais técnicas, a menos que sua bilheteria seja extremamente expressiva e colabore em sua campanha vitoriosa.

SPOTLIGHT
Dir: Tom McCarthy

Da esquerda pra direita: Michael Keaton, Liv Schreiber, Mark Ruffalo, Rachel McAdams... em Spotlight (photo by outnow.ch)

Da esquerda pra direita: Michael Keaton, Liv Schreiber, Mark Ruffalo, Rachel McAdams, John Slattery e Brian d’Arcy James em Spotlight (photo by outnow.ch)

Sinopse: A verdadeira história de como o jornal The Boston Globe desvendou o escândalo de abuso de crianças e encoberto pela igreja Arquidiocese local que estremeceu a Igreja Católica toda.

Deve receber indicação: Roteiro Original (Tom McCarthy e Josh Singer)

Dúvida: Filme, Diretor (Tom McCarthy), Ator (Mark Ruffalo), Trilha Musical Original (Howard Shore)

O roteiro do filme foi baseado numa história verídica que gerou uma matéria que venceu o prestigiado prêmio Pullitzer, fato que já chama a atenção por si só. Esse tipo de história costuma atrair bons nomes para os papéis porque são criados a partir de heróis reais como uma Erin Brockovich, por exemplo, que desmantelou toda uma grande corporação ao descobrir que contaminavam a água de sua cidade.

Dessa forma, temos Mark Ruffalo como o protagonista e Michael Keaton como seu parceiro. Ruffalo é um nome que vem em ascensão há anos e só não conseguirá sua terceira indicação se o páreo da categoria de Melhor Ator estiver muito duro. Quanto a Keaton, acredito que corre bem por fora, mas já é extremamente gratificante vê-lo em grandes produções novamente após tantos anos no ostracismo.

ESPECIALISTA EM CRISE (Our Brand is Crisis)
Dir: David Gordon Green

Sandra Bullock filma cena em Porto Rico (photo by www.laineygossip.com)

Sandra Bullock filma cena em Porto Rico (photo by http://www.laineygossip.com)

Sinopse: Baseado no documentário homônimo sobre o uso de estratégias políticas de campanha americanas na América do Sul.

Deve receber indicação: Filme, Diretor (David Gordon Green), Atriz (Sandra Bullock), Roteiro Original (Peter Straughan)

Dúvida: Ator Coadjuvante (Billy Bob Thornton), Atriz Coadjuvante (Zoe Kazan), Montagem (Colin Patton)

Mais um filme com temática política pode ganhar espaço no Oscar 2016. Além de Spotlight e Suffragette, o filme procura revelar os bastidores da política e a forma como alavancam os candidatos desejados. Curiosamente, assim como Freeheld (citado acima), Especialista em Crise também é uma ficção baseada num documentário.

O roteiro de Peter Straughan (indicado para Roteiro Adaptado em 2012 por O Espião que Sabia Demais) busca destrinchar esse universo do vale-tudo das campanhas políticas na América do Sul contando com o promissor diretor David Gordon Green (vencedor do prêmio de Direção no Festival de Berlim 2013 por Prince Avalanche ), elenco encabeçado por Sandra Bullock e Billy Bob Thornton, e um ótimo ímã para o Oscar: George Clooney como produtor. Ter nomes de celebridades na produção muitas vezes é recompensado pela Academia, como aconteceu com Brad Pitt em 2014 por 12 Anos de Escravidão.

TRUTH
Dir: James Vanderbilt

Cate Blanchett em cena com Robert Reford em Truth (photo by collider.com)

Cate Blanchett em cena com Robert Reford em Truth (photo by collider.com)

Sinopse: Durante seus últimos dias como âncora no noticiário CBS News, Dan Rather apresenta uma notícia falsa sobre como o então presidente Bush se apoiou no privilégio e nas conexões familiares para evitar convocação militar para lutar na Guerra do Vietnã, o que lhe custou seu emprego e de sua superiora Mary Mapes.

Deve receber indicação: Ator (Robert Redford), Atriz Coadjuvante (Cate Blanchett) e Roteiro Adaptado (James Vanderbilt)

Dúvida: Montagem (Richard Francis-Bruce)

Seguindo a linha de candidatos ao Oscar de temática política, Truth pode surpreender e conquistar seu espaço, ainda mais por contar com dois nomes de peso junto à Academia: os atores Cate Blanchett, que ganhou seu segundo Oscar em 2014 por Blue Jasmine, e o veterano Robert Redford, que merecia uma indicação por sua atuação no ótimo Até o Fim (2013).

Ainda no elenco, nomes como Dennis Quaid, Bruce Greenwood e Elisabeth Moss (em ascensão depois da série Mad Men) podem colaborar para um número maior de indicações dependendo da profundidade de seus papéis. Como se trata da estréia na direção do conhecido roteirista do brilhante Zodíaco (2007), James Vanderbilt, sua melhor chance no Oscar está na categoria que lhe consagrou.

DIVERTIDA MENTE (Inside Out)
Dir: Pete Docter

As emoções Tristeza, Raiva, Medo, Nojinho e Alegria em cena de Divertida Mente (photo by outnow,ch)

As emoções Tristeza, Raiva, Medo, Nojinho e Alegria em cena de Divertida Mente (photo by outnow,ch)

Sinopse: Depois de se mudar com seus pais para San Francisco, as emoções da jovem Riley (Alegria, Tristeza, Nojinho, Raiva e Medo) entram em conflito sobre a melhor forma de explorar a nova cidade, casa e escola.

Deve receber indicação: Animação

Dúvida: Roteiro Original (Meg LeFauve, Josh Cooley e Pete Docter) e Trilha Musical Original (Michael Giacchino)

Assim como Monstros S.A., a idéia bastante original não segura um longa-metragem, pelo menos não da forma como foi escrito. Alguns trabalhos da Pixar apresentam esse obstáculo na hora de desenvolver uma história que se desenvolva, e não apenas se desenrole. Por questões de histórico, acredito que consegue facilmente uma indicação ao Oscar de Animação. Depois de perder o Oscar duas vezes consecutivas para produções da Disney (Frozen: Uma Aventura Congelante e Operação Big Hero), a Pixar está tentando recuperar seu posto de supremacia.

Dependendo da competição, o roteiro pode ser, sim, indicado ao Oscar, assim como de outras animações anteriores foram como de Procurando Nemo, Up – Altas Aventuras e Toy Story 3, mas geralmente o que ocorre é o filme ganhando apenas Melhor Animação. E se o roteiro praticamente perfeito de Toy Story 3 não ganhou, dificilmente outro não ganhará também. Já a trilha do compositor Michael Giacchino pode ser reconhecida, mas as chances de vitória são pequenas, ainda mais que já levou a estatueta por Up – Altas Aventuras.

MACBETH: AMBIÇÃO E GUERRA (Macbeth)
Dir: Justin Kurzel

O casal Macbeth: Michael Fassbender e Marion Cotillard na adaptação de Shakespeare (photo by cine.gr)

O casal Macbeth: Michael Fassbender e Marion Cotillard na adaptação de Shakespeare (photo by cine.gr)

Sinopse: Macbeth, um duque da Escócia, recebe a profecia das três bruxas que um dia ele se tornará rei da Escócia. Consumido por ambição e impulsionado à ação por sua esposa, Macbeth assassina seu rei e toma controle do trono.

Deve receber indicação: Figurino (Jacqueline Durran)

Dúvida: Ator (Michael Fassbender) e Atriz (Marion Cotillard)

Clássico de Shakespeare, a adaptação de Macbeth chegou no último Festival de Cannes como o filme responsável por premiar a dupla de atores centrais: o alemão Michael Fassbender e a francesa Marion Cotillard, ambos nomes em alta tanto na Europa quanto em Hollywood (ele foi indicado ao Oscar de Coadjuvante por 12 Anos de Escravidão e ela recebeu sua segunda indicação de Atriz por Dois Dias, Uma Noite), mas não foi isso que aconteceu na Riviera Francesa.

Apesar do filme de Justin Kurzel não ter levado nada, pode ter sua segunda chance na campanha ao Oscar, já que vai ser alavancada pela Weinstein Company. Contudo, se Fassbender for indicado, suas chances são bem maiores pelo filme de Danny Boyle, Steve Jobs. Posso estar enganado, mas pela experiência que tenho em Oscar, esse filme está com cheiro de uma única indicação: Melhor Figurino.

I SAW THE LIGHT
Dir: Marc Abraham

Tom Hiddleston caracterizado como o cantor Hank Williams (photo by outnow.ch)

Tom Hiddleston caracterizado como o cantor Hank Williams (photo by outnow.ch)

Sinopse: Cinebiografia do cantor e compositor de country norte-americano Hank Williams.

Deve receber indicação: Ator (Tom Hiddleston)

Dúvida: Atriz Coadjuvante (Elizabeth Olsen), Roteiro Adaptado (Marc Abraham)

A Academia adora cinebiografia de cantores e compositores, especialmente os americanos. Basta olhar a presença de filmes como O Destino Mudou Sua Vida (1980), Ray (2004) e Johnny & June (2005). Contando com esse histórico positivo, o ator britânico Tom Hiddleston, conhecido mundialmente por viver o papel do vilão Loki nos filmes da Marvel, tem boas chances na aparecer na lista por retratar uma figura emblemática da música. Curiosamente, como não foi aposta unânime para o papel, além de se empenhar bastante no sotaque americano, tocou piano para o elenco e a equipe durante as filmagens e todos os dias, como forma de extrema gratidão, ele cumprimentava cada membro da equipe, do encarregado da limpeza até seus colegas de atuação.

Elizabeth Olsen, que já trabalhou com Hiddleston em Vingadores: Era de Ultron, interpretará sua primeira esposa, Audrey Mae Williams, que pode lhe render sua primeira indicação ao Oscar. Como Marc Abraham é um diretor praticamente novato, suas chances residem mais na categoria de roteiro, por ter adaptado a biografia escrita por Colin Escott.

MAD MAX: ESTRADA FÚRIA (Mad Max: Fury Road)
Dir: George Miller

Tom Hardy e Charlize Theron em cena de Mad Max: Estrada da Fúria (photo by outnow.ch)

Tom Hardy e Charlize Theron em cena de Mad Max: Estrada da Fúria (photo by outnow.ch)

Sinopse: Furiosa, uma mulher que se rebela contra seu tirano numa pós-Apocalíptica Austrália, vai em busca de sua terra natal com a ajuda de um grupo de prisioneiras, um adorador psicótico e um andarilho chamado Max.

Deve receber indicação: Fotografia (John Seale), Direção de Arte (Colin Gibson), Figurino (Jenny Beavan), Maquiagem, Som, Efeitos Sonoros

Dúvida: Filme, Diretor (George Miller), Roteiro Original (George Miller, Brendan McCarthy e Nick Lauthoris)

Quarta parte de uma quadrilogia? Sequência? Prequel? Reboot? Ninguém sabe ao certo o que essa loucura chamada Mad Max: Estrada da Fúria é, mas todos concordam com sua qualidade técnica impecável e acima de tudo: sua audácia. Há quanto tempo não vemos um filme politicamente incorreto assim feito por um estúdio nos cinemas? Nos últimos anos (pra não dizer na última década), o cinema de estúdio tem sido tomado por produtores que visam apenas o lucro, mas sem coragem alguma para arriscar em novas visões. Claro que o trabalho de Mad Max não é novidade alguma, mas joga na tela imagens que dizem: “Isso é cinema. Vocês se esqueceram?”

Além da qualidade técnica merecedora de todas as indicações, felizmente a produção australiana colheu ótimos frutos nas bilheterias mundias, fato que ajuda muito na composição das indicações ao Oscar. Contudo, acredito que o responsável por tudo isso pode nem sequer ser reconhecido com uma mera indicação, seja como diretor ou como roteirista. Curiosamente, George Miller já ganhou um Oscar por, acreditem, Melhor Animação com Happy Feet: O Pingüim em 2007. Anteriormente, ele havia sido indicado pelo Roteiro Original de O Óleo de Lorenzo em 1993, e pelo Roteiro Adaptado e Produção (Melhor Filme) de Babe – O Porquinho Atrapalhado em 1996. Vamos torcer para que os votantes da Academia dêem um tempo no conservadorismo e reconheçam o talento e a audácia de Miller. Seria utopia demais?

À BEIRA MAR (By the Sea)
Dir: Angelina Jolie

Angelina Jolie com o marido Brad Pitt ao fundo em cena de À Beira Mar. É a primeira vez que a atriz dirige a si mesma. (Photo by outnow.ch)

Angelina Jolie com o marido Brad Pitt ao fundo em cena de À Beira Mar. É a primeira vez que a atriz dirige a si mesma. (Photo by outnow.ch)

Sinopse: Nos anos 70 na França, conforme a ex-dançarina Vanessa e seu marido escritor Roland viajam pelo país juntos, eles se distanciam um do outro, até pararem numa cidade costeira onde eles passam a se aproximar dos habitantes locais.

Deve receber indicação: Fotografia (Christian Berger)

Dúvida: Diretor (Angelina Jolie), Atriz Coadjuvante (Mélanie Laurent), Trilha Musical Original (Gabriel Yared)

Após ser ignorada pela Academia depois de forte burburinho por seu trabalho anterior Invencível (Unbroken), Angelina Jolie lança seu terceiro longa na direção com os holofotes sobre a possível campanha no Oscar 2016. Honestamente, só incluí o filme aqui por causa da comentada e discutida exclusão dela na premiação deste ano, porque se depender do filme em si, não se trata de material para Oscar.

Claro que se ela quiser, Jolie pode se beneficiar de seu filme anterior e tentar sua primeira indicação como diretora, mas acho meio difícil com um romance. A seu favor estão a presença dela mesma  e do marido, Brad Pitt, no elenco, assim como a trilha de Gabriel Yared (vencedor do Oscar por O Paciente Inglês) e do diretor de fotografia austríaco e colaborador assíduo do diretor Michael Haneke, Christian Berger (indicado por A Fita Branca).

THE LAST FACE
Dir: Sean Penn

O diretor Sean Penn conversa com a jovem Adèle Exarchopoulos em set de The Last Face (photo by filmaffinity.com)

O diretor Sean Penn conversa com a jovem Adèle Exarchopoulos em set de The Last Face (photo by filmaffinity.com)

Sinopse: A diretora de uma agência internacional de ajuda humanitária na África conhece um carismático médico que trabalha na causa. Ele se divide entre o amor por ela e seu trabalho.

Deve receber indicação: Fotografia (Barry Ackroyd)

Dúvida: Diretor (Sean Penn), Montagem (Jay Cassidy)

Assim como outros atores que se tornaram diretores, Sean Penn busca experiência em nomes profissionais como o diretor de fotografia Barry Ackroyd (indicado por Guerra ao Terror) e o montador Jay Cassidy (três vezes indicado) com quem já trabalhou no cult Na Natureza Selvagem. Desta vez, ele também escalou sua própria mulher, Charlize Theron, que vive uma nova ascensão depois de seu desatque como Furiosa em Mad Max: Estrada da Fúria, o que certamente ajuda o filme a alavancar.

No elenco, Penn ainda conta com Javier Bardem como o médico, e os coadjuvantes Jean Renno, e a jovem talentosa francesa Adèle Exarchopoulos, de Azul é a Cor Mais Quente. Apesar de todos os fatores positivos, The Last Face ainda pode se tornar aqueles filmes que tinha tudo pra chegar ao Oscar, mas morre na praia.

PERDIDO EM MARTE (The Martian)
Dir: Ridley Scott

Da esquerda pra direita: Matt Damon, Jessica Chastain, Kate Mara e Sebastian Stan em cena de Perdido em Marte (photo by outnow.ch)

Da esquerda pra direita: Matt Damon, Jessica Chastain, Sebastian Stan, Kate Mara e Aksel Hennie em cena de Perdido em Marte (photo by outnow.ch)

Sinopse: Depois de uma missão em Marte, o astronauta Mark Watney é considerado morto depois de ter sido abandonado por colegas, mas ele está vivo e sozinho no planeta. Com pouquíssimos recursos, ele deve usar todas as suas habilidades e seu conhecimento para enviar um sinal para a Terra para dizer que está vivo.

Deve receber indicação: Filme, Diretor (Ridley Scott), Ator (Matt Damon), Atriz Coadjuvante (Jessica Chastain), Roteiro Adaptado (Drew Goddard), Fotografia (Dariusz Wolski), Direção de Arte (Arthur Max), Montagem (Pietro Scalia), Trilha Musical Original (Harry Gregson-Williams), Som, Efeitos Sonoros e Efeitos Visuais.

Dúvida: Figurino (Janty Yates)

Até pouco tempo atrás, Perdido em Marte era considerado uma incógnita, mas depois do lançamento de seu trailer, o filme ganhou novo status e pode ser muito bem o recordista de indicações ao Oscar 2016. Após trabalhos abaixo da média do veterano Ridley Scott (reconhecido mundialmente pelos clássicos Alien: O Oitavo Passageiro e Blade Runner: O Caçador de Andróides) pode finalmente voltar à tona com um projeto mais respeitável. Sinceramente, espero que a execução seja infinitamente superior ao de Prometheus, que tinha tudo pra ser um estouro.

Elenco e equipe Ridley Scott tem de primeiro nível: vencedores e indicados ao Oscar de baciada. E ainda conta com atores experientes que acabaram de trabalhar em outro filme de temática espacial, Interestelar: Matt Damon e Jessica Chastain. O roteiro, escrito pelo jovem promissor Drew Goddard (de O Segredo da Cabana), foi baseado no livro best-seller The Martian, de Andy Weir. Resta saber se o filme refletirá suas expectativas nas bilheterias e se a Academia está aberta a premiar uma ficção científica depois de bater na trave com Gravidade em 2014.

EU, VOCÊ E A GAROTA QUE VAI MORRER (Me and Earl and the Dying Girl)
Dir: Alfonso Gomez-Rejon

Olivia Cooke, Thomas Mann e RJ Cyler posam para foto de Me and Earl and the Dying Girl (photo by outnow.ch)

Olivia Cooke, Thomas Mann e RJ Cyler posam para foto de Me and Earl and the Dying Girl (photo by outnow.ch)

Sinopse: O estudante Greg, que passa a maior parte de seu tempo fazendo filmes de paródia com seu amigo Earl, tem sua vida mudada quando ele passa a fazer amizade com Rachel, uma colega de classe que acaba de ser diagnosticada com leucemia.

Deve receber indicação: Roteiro Adaptado (Jesse Andrews)

Dúvida: Filme

Sensação do último Festival de Sundance, Eu, Você e a Garota que Vai Morrer já chama atenção pelo seu título inusitado que mistura drama com comédia e humor negro. O filme independente tem um clima leve que muito se assemelha a (500) Dias com Ela e Juno, tanto que o trailer se apropria dos mesmos títulos para atrair o interesse do público.

Não sei se se trata de uma previsão otimista ou pessimista, mas o filme tem mais cara de indicado e até vencedor do Globo de Ouro de Melhor Filme – Comédia ou Musical, mas no Oscar teria que se contentar com uma única indicação de Roteiro Adaptado. Este ano, outro sucesso de público com temática de doença entre jovens, A Culpa é das Estrelas, acabou ficando de fora do Oscar.

BROOKLYN
Dir: John Crowley

Saoirse Ronan e Emory Cohen em cena de Brooklyn (photo by cine.gr)

Saoirse Ronan e Emory Cohen em cena de Brooklyn (photo by cine.gr)

Sinopse: Nos anos 50, a jovem imigrante irlandesa Eilis Lacey se muda para os EUA, onde conhece e se envolve com um rapaz americano, mas devido a um tragédia familiar, precisa voltar ao seu país, onde acaba conhecendo outro amor.

Deve receber indicação: Atriz (Saoirse Ronan), Roteiro Adaptado (Nick Hornby)

Dúvida: Fotografia (Yves Bélanger) e Trilha Musical Original (Michael Brook)

Incluí o filme na lista por ter sido alvo de burburinho por parte de alguns sites especializados e também por ser adaptação do best-seller de Colm Tóibín, mas tenho minhas dúvidas se esse filme vai chegar ao tapete vermelho. Ele tem uma pinta de filme bonito e até com seus devidos momentos emotivos que fazem um candidato, mas não tem muito pedigree. John Crowley é um diretor que ficou conhecido pelo filme independente Rapaz A, de 2007, mas depois não deslanchou nada relevante.

Saoirse Ronan pode conseguir sua segunda indicação, desta vez como Melhor Atriz, principalmente por seu empenho no sotaque irlandês de sua personagem. E pelo visto, o escritor Nick Hornby está se empenhando a escrever roteiros agora. Depois de Educação (2009), ele fez o roteiro de Livre (2014) e agora deste Brooklyn. Pode receber sua segunda indicação também.

STAR WARS: EPISÓDIO VII – O DESPERTAR DA FORÇA (Star Wars: Episode VII – The Force Awakens)
Dir: J.J. Abrams

Daisy Ridley corre em cena de Star Wars: Episódio VII - O Despertar da Força (photo by (outnow.ch)

Daisy Ridley corre em cena de Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força (photo by (outnow.ch)

Sinopse: Continuação da saga de George Lucas na galáxia muito distante.

Deve receber indicação: Maquiagem, Som, Efeitos Sonoros e Efeitos Visuais

Dúvida: Direção de Arte (Rick Carter), Trilha Musical Original (John Williams)

Mais um filme de Star Wars lançado 10 anos após o último, mas com uma diferença bastante relevante: a Lucas Film foi comprada pela Disney. Aliás, o que não é comprado pela Disney?? A empresa comprou também a Pixar e a Marvel, o que pode causar uma padronização (pra não dizer pasteurização) do cinema comercial como o conhecemos.

Felizmente, o diretor J.J. Abrams tem um bom feeling pra franquias como pudemos constatar no reboot de Star Trek (2009), mas não creio numa revolução, até mesmo porque a Disney está mais preocupada em vender seus produtos do que fazer um filme consistente, então provavelmente o diretor não tem carta branca pra tudo, muito menos para o corte final do filme. Claro que este novo Star Wars vai criar novos recordes de bilheteria e muito provavelmente terá presença garantida nas categorias mais técnicas do Oscar.

RICKI AND THE FLASH: DE VOLTA PARA CASA (Ricki and the Flash)
Dir: Jonathan Demme

Mamie Gummer e Meryl Streep, filha e mãe na vida real e na ficção em cena de Ricki and the Flash: De Volata Para Casa (photo by outnow.ch)

Mamie Gummer e Meryl Streep, filha e mãe na vida real e na ficção em cena de Ricki and the Flash: De Volata Para Casa (photo by outnow.ch)

Sinopse: Ricki, que desistiu de tudo por seu sonho de se tornar uma estrela do rock, retorna para casa e procura fazer as coisas certas com sua família.

Deve receber indicação: Atriz (Meryl Streep)

Dúvida: Ator Coadjuvante (Kevin Kline), Roteiro Original (Diablo Cody), Canção Original

Assim que vi a primeira foto de Meryl Streep caracterizada como uma roqueira dos anos 80 em decadência, logo associei a…? Sim, o Oscar! Esta seria sua 20ª indicação, um recorde que demoraria muito pra ser ultrapassado! Porém, andei lendo alguns rumores de que Meryl Streep não participaria de nenhum campanha do filme para o Oscar.

Independente de seus supostos motivos, a atriz tem tudo para conseguir no mínimo uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Atriz – Comédia ou Musical. Curiosamente, sua filha na vida real, Mamie Gummer, interpreta sua filha no filme.

GRANDMA
Dir: Paul Weitz

Lily Tomlin em primeiro plano e Julie Garner ao fundo em cena de Grandma (photo by latimes.com)

Lily Tomlin em primeiro plano e Julie Garner ao fundo em cena de Grandma (photo by latimes.com)

Sinopse: Declarada misantropa, Elle Reid tem sua bolha protetora estourada quando sua neta de 18 anos aparece precisando de ajuda. As duas partem numa viagem que as obrigará a confrontar passado e futuro.

Deve receber indicação: Atriz (Lily Tomlin)

Dúvida: Ator Coadjuvante (Sam Elliott), Roteiro Original (Paul Weitz)

Típica dramédia em que dois personagens são obrigados a conviver e acabam descobrindo um sentimento mútuo durante uma road trip. Claro que o filme independente Grandma não tem maiores pretensões na temporada de premiações, mas só o fato de trazer de volta a veterana Lily Tomlin ao centro do palco já é algo digno de nota. Se ela receber indicação, será sua segunda depois da de Coadjuvante por Nashville em 1976! Esse tipo de retorno a Academia costuma reconhecer, então Tomlin tem grandes chances.

Assim como outra veterana Meryl Streep, Lily Tomlin também tem ótima chance de ser premiada pelo Globo de Ouro de Melhor Atriz – Comédia ou Musical, podendo trazer junto o ator Sam Elliott.

007 CONTRA SPECTRE (Spectre)
Dir: Sam Mendes

Daniel Craig como James Bond em cena de 007 Contra Spectre (photo by outnow.ch)

Daniel Craig como James Bond em cena de 007 Contra Spectre (photo by outnow.ch)

Sinopse: Uma mensagem criptografada do passado de Bond o envia numa trilha para desvendar uma organização criminosa. Enquanto M luta contra forças políticas para manter o serviço secreto vivo, James Bond investiga a SPECTRE.

Deve receber indicação: Trilha Musical Original (Thomas Newman), Canção Original, Som e Efeitos Sonoros

Dúvida: Fotografia (Hoyte Van Hoytema), Montagem (Lee Smith)

O prestigiado diretor Sam Mendes retorna pela segunda vez à cadeira de direção da franquia 007, mas desta vez não conta com um colaborador que faz a diferença: o diretor de fotografia Roger Deakins, que fez um trabalho estupendo em 007 – Operação Skyfall. Contudo, ele será substituído por outro bom profissional (Hoyte Van Hoytema) e contará com o retorno do compositor Thomas Newman, que foi indicado pelo filme anterior de Bond.

Aliás, 007 – Operação Skyfall ganhou o primeiro Oscar de Canção Original da série toda, criada em 1962 com 007 Contra o Satânico Dr. No, portanto existe uma expectativa em relação à canção de abertura deste novo trabalho. Independente do músico ou banda que interprete a nova canção (alguns sites indicaram Ellie Goulding), 007 Contra Spectre deve ser mais um sucesso arrebatador e deve conquistar indicações técnicas e quem sabe mais uma de canção…

Mesmo que tenha poucas chances no Oscar, vale lembrar que Christoph Waltz (vencedor de duas estatuetas por Bastardos Inglórios e Django Livre) está no elenco. Ele interpreta Oberhauser, o líder da organização Spectre. Por 007 – Operação Skyfall, Javier Bardem chegou a ser indicado para o SAG de Coadjuvante por interpretar o vilão Silva.

CINDERELA (Cinderella)
Dir: Kenneth Branagh

No centro, Cate Blanchett como a Madrasta em cena de Cinderela (photo by outnow.ch)

No centro, Cate Blanchett como a Madrasta em cena de Cinderela (photo by outnow.ch)

Sinopse: Versão live-action da fábula da Cinderela, a Gata Borralheira que sofre nas mãos da madrasta e das meia-irmãs até ter sua sorte mudada com a ajuda de uma fada.

Deve receber indicação: Direção de Arte (Dante Ferretti) e Figurino (Sandy Powell)

Dúvida: Atriz Coadjuvante (Cate Blanchett), Trilha Musical Original (Patrick Doyle)

Depois do sucesso comercial de Malévola no ano passado, a Disney resolveu apostar as fichas nas adaptações em live-action de muitas animações consagradas por ela mesma. Então, depois desse Cinderela, estão nos planos a versão de Mulan e A Bela e a Fera, ou seja, acabaram as idéias até para animações novas…

Felizmente, a Academia sabe reconhecer qualidades técnicas mesmo em refilmagens. O próprio Malévola foi indicado este ano para Figurino, o que favorece a inclusão de Cinderela na lista de indicações, especialmente no Figurino caprichado da veterana Sandy Powell e do primoroso trabalho de production design do italiano Dante Ferretti, que já ganhou 3 Oscars. Já os rumores de uma indicação para Cate Blanchett como a Madrasta chegaram a ser comentados em alguns sites, mas seria bem improvável.

—–

Alguns trabalhos não devem alçar vôos mais altos na temporada, mas pode sobrar uma vaguinha em uma ou outra categoria, portanto, os filmes seguintes são listados de forma mais simples:

MILES AHEAD
Dir: Don Cheadle

Don Cheadle como o músico Miles Davis em Miles Ahead (photo by jazzmusic.in)

Don Cheadle como o músico Miles Davis em Miles Ahead (photo by jazzmusic.in)

Cinebiografia do músico Miles Davis.

Melhor chance: Ator (Don Cheadle), Trilha Musical Original (Herbie Hancock)
Forçando a barra: Ator Coadjuvante (Ewan McGregor)

HOMEM-FORMIGA (Ant-Man)
Dir: Peyton Reed

Paul Rudd como o herói em Homem-Formiga (photo by outnow.ch)

Paul Rudd como o herói em Homem-Formiga (photo by outnow.ch)

Adaptação dos quadrinhos de Scott Lang e seu alter-ego, o super-herói Homem-Formiga. Ele deve ajudar seu mentor Hank Pym a roubar uma armadura que ajudou a criar.

Melhor chance: Efeitos Visuais
Forçando a barra: Efeitos Sonoros

VINGADORES: ERA DE ULTRON (Avengers: Age of Ultron)
Dir: Joss Whedon

Homem de Ferro em ação contra o Hulk em Vingadores: Era de Ultron (photo by cinemagia.ro)

Homem de Ferro em ação contra o Hulk em Vingadores: Era de Ultron (photo by cinemagia.ro)

Tony Stark e Bruce Banner criam um programa chamado Ultron para dar paz ao mundo, mas os planos dão errado e os Vingadores precisam evitar que ele destrua o planeta.

Melhor chance: Efeitos Visuais
Forçando a barra: Som e Efeitos Sonoros

JURASSIC WORLD: O MUNDO DOS DINOSSAUROS (Jurassic World)
Dir: Colin Trevorrow

Chris Pratt trabalha com os velociraptors em Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros (photo by outnow.ch)

Chris Pratt trabalha com os velociraptors em Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros (photo by outnow.ch)

Quarta parte iniciada com Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros (1993). Com o parque finalmente aberto ao público e funcionando, as coisas começam a dar errado quando criam um dinossauro geneticamente modificado para atrair mais pessoas.

Melhor chance: Efeitos Visuais e Som
Forçando a barra: Trilha Musical Original (Michael Giacchino) e Efeitos Sonoros

LONGE DESTE INSENSATO MUNDO (Far from the Madding Crowd)
Dir: Thomas Vinterberg

Carey Mulligan em cena de Longe Deste Insensato Mundo (photo by outnow.ch)

Carey Mulligan em cena de Longe Deste Insensato Mundo (photo by outnow.ch)

Baseado no clássico romance homônimo de Thomas Hardy, o filme se passa na Inglaterra Vitoriana, onde a jovem Bathsheba Everdene atrai três homens diferentes: um criador de ovelhas, um sargento e um próspero e maduro bacharel.

Melhor chance: Figurino (Janett Patterson)
Forçando a barra: Atriz (Carey Mulligan)

O QUARTO DE JACK (Room)
Dir: Lenny Abrahamson

Brie Larson como a mãe em cena de Room (photo by outnow.ch)

Brie Larson como a mãe em cena de Room (photo by outnow.ch)

História contemporânea sobre o amor entre mãe e filho. O jovem Jack não conhece nada do mundo, exceto pelo quarto em que nasceu e foi criado.

Melhor chance: Atriz (Brie Larson)
Forçando a barra: Atriz Coadjuvante (Joan Allen)

O FIM DA TURNÊ (The End of the Tour)
Dir: James Ponsoldt

Jesse Eisenberg como o repórter e o Jason Segel como David Foster Wallace em cena de The End of the Tour (photo by elfilm.com)

Jesse Eisenberg como o repórter e o Jason Segel como David Foster Wallace em cena de The End of the Tour (photo by elfilm.com)

A história de uma entrevista que durou 5 dias entre o repórter da Rolling Stone, David Lipsky, e o aclamado autor David Foster Wallace, que aconteceu logo depois da publicação do romance dele chamado “Infinite Jest” em 1996.

Melhor chance: Roteiro Adaptado (Donald Margulies)
Forçando a barra: Ator (Jason Segel)

*** As indicações ao Oscar 2016 serão anunciadas no dia 14 de janeiro.

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‘Boyhood’, ‘Birdman’ e ‘Garota Exemplar’ competem pelo Eddie Awards 2015

Ethan Hawke (Boyhood: Da Infância à Juventude) - photo by elfilm.com

Ellan Coltrane e Ethan Hawke em Boyhood: Da Infância à Juventude – photo by elfilm.com

PRÊMIO DO SINDICATO JÁ PINCELA OS POSSÍVEIS INDICADOS AO OSCAR

Primeiramente, Feliz Ano Novo para todos! Espero que tenham passado bem as festas de fim de ano. Como fiquei em São Paulo este ano, acabei vendo dois filmes no cinema que recomendo: o sombrio O Abutre, com atuação assombrosa de Jake Gyllenhaal, e o clichê porém simpático A Família Bélier, que traz uma mensagem bastante positiva de amadurecimento para começar bem o ano.

Bom, o ano mal começou e o sindicato de editores já lançou seus indicados para 2015. Assim como o Globo de Ouro, os filmes são dividos entre as categorias de Drama e Comédia ou Musical, até mesmo porque a montagem possui estilos diferentes de acordo com o gênero. Aliás, adoraria ver uma categoria exclusiva para filmes de terror, ou pelo menos algo como Terror ou Ação. O Eddie Awards ainda apresenta categorias de Animação, Documentário e relativos à televisão.

Pela categoria Drama, houve um empate pela segunda vez na história do prêmio, pois houve seis indicados. A grande favorita é Sandra Adair pelo filme Boyhood: Da Infância à Juventude, afinal, ela cortou um material bruto de nada menos do que 12 anos! Mas independente do seu esforço de uma década, seu trabalho é digno de reconhecimento, pois suas quase 3 horas de duração não pesam como muitos pensam antes de assistir ao filme. A passagem do tempo não é interrompida por letreiros ou telas pretas, mas flui como um rio. Particularmente, só não acho perfeita porque eu reduziria a sequência da faculdade do protagonista Mason, que pouco acrescenta no contexto.

Mas Boyhood não pode relaxar, pois tem fortes concorrentes na categoria, especialmente Kirk Baxter (Garota Exemplar), que levou dois Oscars consecutivos por A Rede Social e Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres, e William Goldenberg (O Jogo da Imitação), que faturou a estatueta em 2013 por Argo.

Rosamund Pike em momento Amazing Amy de Garota Exemplar (photo by elfilm.com)

Rosamund Pike em momento Amazing Amy de Garota Exemplar (photo by elfilm.com)

Já pela categoria de Comédia ou Musical, as águas parecem mais calmas para Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância), pois além da força de sua campanha rumo ao Oscar de Melhor Filme, apresenta alternância entre cenas de realidade e devaneios do personagem de Michael Keaton, que denota facilmente a força da montagem. Quanto à concorrência, por se tratar de um filme de ação, Guardiões da Galáxia pode representar algum perigo. Como não vi Birdman ainda, concederia o prêmio a O Grande Hotel Budapeste, pelo ótimo ritmo obtido pela combinação entre os cortes, roteiro e atuação do elenco.

Edward Norton em cena de O Grande Hotel Budapeste (photo by cinemagia.ro)

Edward Norton em cena de O Grande Hotel Budapeste (photo by cinemagia.ro)

Entre as três animações indicadas, apesar da explosão que foi Uma Aventura Lego, acredito que Operação Big Hero pode levar o prêmio pelo ritmo mais frenético. Quanto aos documentários, Citizenfour tem se destacado por contar a trajetória de Edward Snowden através de uma entrevista.

Quanto aos fatos curiosos, embora não tenha uma acertividade tão alta (dos últimos 5 anos, acertou 3 em relação ao Oscar), o Eddie Awards é considerado um bom precursor do prêmio da Academia, pois segundo nota deles: “Nenhum filme ganhou o Oscar de Melhor Filme sem ter recebido pelo menos uma indicação ao Eddie desde ‘Gente Como a Gente’ em 1981”. O Eddie Awards existe desde 1962.

 Já entre os indicados de produções de televisão, a ótima série da HBO, True Detective, desponta como uma das favoritas justamente por seu tratamento de cinema na montagem de seus episódios não-lineares.

Segue lista dos indicados ao 65º Eddie Awards:

MELHOR MONTAGEM – DRAMA
– Joel Cox, Gary Roach (Sniper Americano)
– Sandra Adair (Boyhood: Da Infância à Juventude)
– Kirk Baxter (Garota Exemplar)
– William Goldenberg (O Jogo da Imitação)
– John Gilroy (O Abutre)
– Tom Cross (Whiplash: Em Busca da Perfeição)

MELHOR MONTAGEM – COMÉDIA OU MUSICAL
– Douglas Crise, Stephen Mirrione (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância))
– Fred Raskin, Hughes Winborne, Craig Wood (Guardiões da Galáxia)
– Wyatt Smith (Caminhos da Floresta)
– Leslie Jones (Vício Inerente)
– Barney Pilling (O Grande Hotel Budapeste)

MELHOR MONTAGEM – ANIMAÇÃO
 Tim Mertens (Operação Big Hero)
– Edie Ichioka (Os Boxtrolls)
– David Burrows, Chris McKay (Uma Aventura Lego)

Operação Big Hero, da Disney (photo by cinemagia.ro)

Operação Big Hero, da Disney (photo by cinemagia.ro)

MELHOR MONTAGEM – DOCUMENTÁRIO
– Mathilde Bonnefoy (Citizenfour)
– Aaron Wickenden (A Fotografia Oculta de Vivian Maier)
– Elisa Bonora (Glen Campbell: I’ll Be Me)

MELHOR MONTAGEM – DOCUMENTÁRIO (TELEVISÃO)
– John Duffy, Michael O’Halloran, Eric Lea (Cosmos: A SpaceTime Odyssey: Standing Up in the Milky Way)
– Troy Takaki, Joey Vigour (Pauly Shore Stands Alone)
– Erik Ewers (The Roosevelts: An Intimate History: Episode 3 / The Fire of Life)

MELHOR MONTAGEM – SÉRIE DE TV DE MEIA-HORA
– Brian Merken, Tim Roche (Sillicon Valley) – Episódio: “Optimal Tip to Tip Efficiency”
– Anthony Boys (Veep) – Episódio: “Special Relationship”
– Catherine Haight (Transparent) – Episódio: “Piloto”

MELHOR MONTAGEM – SÉRIE DE TV DE UMA HORA COM COMERCIAL
– Scott Powell (24 Horas) – Episódio: “10pm to 11am
– Christopher Gay (Mad Men) – Episódio: “Waterloo”
– Elena Maganini, Michael Ornstein (Madam Secretary) – Episódio: “Piloto”
– Yan Miles (Sherlock) – Episódio: “His Last Vow”
– Scott Vickrey (The Good Wife) – Episódio: “A Few Words”

MELHOR MONTAGEM – SÉRIE DE TV DE UMA HORA SEM COMERCIAL
– Affonso Gonçalves (True Detective) – Episódio: “Who Goes There”
– Alex Hall (True Detective) – Episódio: “The Secret Fate of All Life”
– Byron Smith (House of Cards) – Episódio: “Chapter 14”

Woody Harrelson e Matthew McConaughey em cena de True Detective, série da HBO (photo by cinemagia.ro)

Woody Harrelson e Matthew McConaughey em cena de True Detective, série da HBO (photo by cinemagia.ro)

MELHOR MONTAGEM – MINISSÉRIE OU FILME FEITO PARA TV
– Regis Kumble (Fargo) – Episódio: “Buridan’s Ass”
– Jeffrey M. Werner (Olive Kitteridge) – Episódio: “A Different Road”
– Adam Penn (The Normal Heart)

MELHOR MONTAGEM – SÉRIES NÃO ROTEIRIZADAS
– Hunter Gross (Anthony Bourdain: Parts Unknown) – Episódio: “Iran”
– Josh Earl, Johnny Bishop (Deadliest Catch) – Episódio: “Lost At Sea”
– Joe Langford, Nick Carew (Vice) – Episódio: “Greenland is Melting & Bonded Labor”

O Eddie Awards será entregue no dia 30 de janeiro em cerimônia no hotel Beverly Hilton.

Indicações ao BAFTA 2013

BAFTA Awards 2013 (photo by telegraph.co.uk)

BAFTA Awards 2013 (photo by telegraph.co.uk)

Este ano, a Academia Britânica teve que apertar seu calendário para chegar pouco antes das indicações ao Oscar, que saem amanhã, dia 10.

Obviamente, por se tratar de um prêmio britânico, eles costumam dar um pouco mais de destaque às produções do Reino Unido, como são os casos de 007 – Operação Skyfall, que somou oito indicações, e O Exótico Hotel Marigold que, apesar de não ter conquistado nenhuma outra indicação, está concorrendo para Melhor Filme Britânico.

Como deve acontecer no Oscar, a mega-produção americana Lincoln foi a recordista de indicações com dez no total. Curiosamente, seu diretor Steven Spielberg não está indicado. Em seguida, Os Miseráveis e As Aventuras de Pi vêm logo em seguida com nove indicações cada. A adaptação musical de Tom Hooper não fez tanto sucesso no Globo de Ouro, mas o BAFTA não deixaria de reconhecer um trabalho com essência tão européia. O filme político de Ben Affleck, Argo, conquistou sete, inclusive uma um tanto questionável: Melhor Ator para Ben Affleck. Todos sabem que ele leva jeito para diretor, mas para ator?

Daniel Day-Lewis lidera em Lincoln (photo by BeyondHollywood.com)

Daniel Day-Lewis lidera em Lincoln (photo by BeyondHollywood.com)

Ainda nas categorias de atuação, algumas ausências foram notadas como a de Naomi Watts pelo filme-tragédia O Impossível, e Denzel Washington (Flight) e John Hawkes (The Sessions). Nas categorias de coadjuvantes, Leonardo DiCaprio (Django Livre) e Robert De Niro (O Lado Bom da Vida) ficaram de fora também, mas todos os atores acima ainda têm grandes chances de indicação no Oscar.

Apesar de ainda não ter estreado aqui no Brasil, fiquei feliz com a indicação de Sete Psicopatas e um Shih Tzu (Seven Psychopaths) para Melhor Filme Britânico. Alguns rotulam Martin McDonagh como o novo Guy Richie, mas acho que ele tem um humor negro muito peculiar para limitá-lo em comparações.

Christopher Walken e o Shih Tzu em Sete Psicopatas e um Shih Tzu (photo by OutNow.CH)

Christopher Walken e o Shih Tzu em Sete Psicopatas e um Shih Tzu (photo by OutNow.CH)

Também gostei da presença do filme dinamarquês A Caça, de Thomas Vinterberg, na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. Aliás, Mads Mikkelsen deveria substituir Ben Affleck como Melhor Ator.

MELHOR FILME
ARGO (ARGO) Grant Heslov, Ben Affleck, George Clooney
OS MISERÁVEIS (LES MISÉRABLES) Tim Bevan, Eric Fellner, Debra Hayward, Cameron Mackintosh
AS AVENTURAS DE PI (LIFE OF PI) Gil Netter, Ang Lee, David Womark
LINCOLN (LINCOLN) Steven Spielberg, Kathleen Kennedy
A HORA MAIS ESCURA (ZERO DARK THIRTY) Mark Boal, Kathryn Bigelow, Megan Ellison

MELHOR FILME BRITÂNICO
ANNA KARENINA Joe Wright, Tim Bevan, Eric Fellner, Paul Webster, Tom Stoppard
O EXÓTICO HOTEL MARIGOLD (THE BEST EXOTIC MARIGOLD HOTEL) John Madden, Graham Broadbent, Pete Czernin, Ol Parker
OS MISERÁVEIS (LES MISÉRABLES) Tom Hooper, Tim Bevan, Eric Fellner, Debra Hayward, Cameron Mackintosh, William Nicholson, Alain Boublil, Claude-Michel Schönberg, Herbert Kretzmer
SETE PSICOPATAS E UM SHIH TZU (SEVEN PSYCHOPATHS) Martin McDonagh, Graham Broadbent, Pete Czernin
007 – OPERAÇÃO SKYFALL (SKYFALL) Sam Mendes, Michael G. Wilson, Barbara Broccoli, Neal Purvis, Robert Wade, John Logan

ESTRÉIA DE ROTEIRISTA, DIRETOR OU PRODUTOR BRITÂNICO
BART LAYTON (Diretor), DIMITRI DOGANIS (Produtor) The Imposter
DAVID MORRIS (Diretor), JACQUI MORRIS (Diretor/Produtor) McCullin
DEXTER FLETCHER (Diretor/Roteirista), DANNY KING (Writer) Wild Bill
JAMES BOBIN (Diretor) The Muppets
TINA GHARAVI (Diretor/Roteirista) I Am Nasrine

FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
AMOUR Michael Haneke, Margaret Ménégoz
HEADHUNTERS Morten Tyldum, Marianne Gray, Asle Vatn
A CAÇA (THE HUNT) Thomas Vinterberg, Sisse Graum Jørgensen, Morten Kaufmann
FERRUGEM E OSSO (RUST AND BONE) Jacques Audiard, Pascal Caucheteux
INTOCÁVEIS (INTOUCHABLES) Eric Toledano, Olivier Nakache, Nicolas Duval Adassovsky, Yann Zenou, Laurent Zeitoun

DOCUMENTÁRIO
THE IMPOSTER Bart Layton, Dimitri Doganis
MARLEY Kevin Macdonald, Steve Bing, Charles Steel
McCULLIN David Morris, Jacqui Morris
SEARCHING FOR SUGAR MAN Malik Bendjelloul, Simon Chinn
WEST OF MEMPHIS Amy Berg

ANIMAÇÃO
VALENTE (BRAVE) Mark Andrews, Brenda Chapman
FRANKENWEENIE (FRANKENWEENIE) Tim Burton
PARANORMAN (PARANORMAN) Sam Fell, Chris Butler

DIRETOR
AMOUR Michael Haneke
ARGO Ben Affleck
DJANGO LIVRE Quentin Tarantino
AS AVENTURAS DE PI Ang Lee
A HORA MAIS ESCURA Kathryn Bigelow

ROTEIRO ORIGINAL
AMOUR Michael Haneke
DJANGO LIVRE Quentin Tarantino
THE MASTER Paul Thomas Anderson
MOONRISE KINGDOM Wes Anderson, Roman Coppola
A HORA MAIS ESCURA Mark Boal

ROTEIRO ADAPTADO
ARGO Chris Terrio
INDOMÁVEL SONHADORA Lucy Alibar, Benh Zeitlin
AS AVENTURAS DE PI David Magee
LINCOLN Tony Kushner
O LADO BOM DA VIDA David O. Russell

ATOR
BEN AFFLECK Argo
BRADLEY COOPER O Lado Bom da Vida
DANIEL DAY-LEWIS Lincoln
HUGH JACKMAN Os Miseráveis
JOAQUIN PHOENIX The Master

ATRIZ
EMMANUELLE RIVA Amour
HELEN MIRREN Hitchcock
JENNIFER LAWRENCE O Lado Bom da Vida
JESSICA CHASTAIN A Hora Mais Escura
MARION COTILLARD Ferrugem e Osso

ATOR COADJUVANTE
ALAN ARKIN Argo
CHRISTOPH WALTZ Django Livre
JAVIER BARDEM 007 – Operação Skyfall
PHILIP SEYMOUR HOFFMAN The Master
TOMMY LEE JONES Lincoln

ATRIZ COADJUVANTE
AMY ADAMS The Master
ANNE HATHAWAY Os Miseráveis
HELEN HUNT The Sessions
JUDI DENCH 007 –  Operação Skyfall
SALLY FIELD Lincoln

TRILHA MUSICAL ORIGINAL
ANNA KARENINA Dario Marianelli
ARGO Alexandre Desplat
AS AVENTURAS DE PI Mychael Danna
LINCOLN John Williams
007 – OPERAÇÃO SKYFALL Thomas Newman

CINEMATOGRAPHY
ANNA KARENINA Seamus McGarvey
OS MISERÁVEIS Danny Cohen
AS AVENTURAS DE PI Claudio Miranda
LINCOLN Janusz Kaminski
007 – OPERAÇÃO SKYFALL Roger Deakins

MONTAGEM
ARGO William Goldenberg
DJANGO LIVRE Fred Raskin
AS AVENTURAS DE PI Tim Squyres
007 – OPERAÇÃO SKYFALL Stuart Baird
A HORA MAIS ESCURA Dylan Tichenor, William Goldenberg

DIREÇÃO DE ARTE
ANNA KARENINA Sarah Greenwood, Katie Spencer
OS MISERÁVEIS Eve Stewart, Anna Lynch-Robinson
AS AVENTURAS DE PI David Gropman, Anna Pinnock
LINCOLN Rick Carter, Jim Erickson
007 – OPERAÇÃO SKYFALL Dennis Gassner, Anna Pinnock

FIGURINO
ANNA KARENINA Jacqueline Durran
GREAT EXPECTATIONS Beatrix Aruna Pasztor
OS MISERÁVEIS Paco Delgado
LINCOLN Joanna Johnston
BRANCA DE NEVE E O CAÇADOR Colleen Atwood

MAQUIAGEM E CABELO
ANNA KARENINA Ivana Primorac
HITCHCOCK Julie Hewett, Martin Samuel, Howard Berger
O HOBBIT: UMA JORNADA INESPERADA Peter Swords King, Richard Taylor, Rick Findlater
OS MISERÁVEIS Lisa Westcott
LINCOLN Lois Burwell, Kay Georgiou

SOM
DJANGO LIVRE Mark Ulano, Michael Minkler, Tony Lamberti, Wylie Stateman
O HOBBIT: UMA JORNADA INESPERADA Tony Johnson, Christopher Boyes, Michael Hedges, Michael Semanick, Brent Burge, Chris Ward
OS MISERÁVEIS Simon Hayes, Andy Nelson, Mark Paterson, Jonathan Allen, Lee Walpole, John Warhurst
AS AVENTURAS DE PI Drew Kunin, Eugene Gearty, Philip Stockton, Ron Bartlett, D. M. Hemphill
007 – OPERAÇÃO SKYFALL Stuart Wilson, Scott Millan, Greg P. Russell, Per Hallberg, Karen Baker Landers

EFEITOS VISUAIS
BATMAN: O CAVALEIRO DAS TREVAS RESSURGE Paul Franklin, Chris Corbould, Peter Bebb, Andrew Lockley
O HOBBIT: UMA JORNADA INESPERADA Joe Letteri, Eric Saindon, David Clayton, R. Christopher White
AS AVENTURAS DE PI Bill Westenhofer, Guillaume Rocheron, Erik-Jan De Boer
OS VINGADORES Indicados ainda não definidos
PROMETHEUS Richard Stammers, Charley Henley, Trevor Wood, Paul Butterworth

CURTA DE ANIMAÇÃO
HERE TO FALL Kris Kelly, Evelyn McGrath
I’M FINE THANKS Eamonn O’Neill
THE MAKING OF LONGBIRD Will Anderson, Ainslie Henderson

CURTA-METRAGEM
THE CURSE Fyzal Boulifa, Gavin Humphries
GOOD NIGHT Muriel d’Ansembourg, Eva Sigurdardottir
SWIMMER Lynne Ramsay, Peter Carlton, Diarmid Scrimshaw
TUMULT Johnny Barrington, Rhianna Andrews
THE VOORMAN PROBLEM Mark Gill, Baldwin Li

THE EE RISING STAR AWARD (eleito pelo público)
ELIZABETH OLSEN
ANDREA RISEBOROUGH
SURAJ SHARMA
JUNO TEMPLE
ALICIA VIKANDER

O jovem talento Juno Temple, que participou de Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge, concorre como uma Rising Star

O jovem talento Juno Temple, que participou de Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge, concorre como uma Rising Star

Primeira prévia do Oscar 2013: Melhor Filme

As cartas do Oscar 2013 já começam a se posicionar

Para alguns, talvez seja cedo demais para falar de favoritos ao Oscar 2013, afinal as indicações só saem no dia 15 de janeiro, duas semanas depois daquela ressaca descomunal de fim de ano. Mas com as previsões de estréia acertadas, muitos filmes já lançaram seus trailers e chamam a atenção por se encaixarem nas preferências da Academia.

Na maior parte dos casos, os diretores são os grandes responsáveis por elevar os filmes ao patamar de “material de Oscar”. Só de ouvir o nome de Steven Spielberg ou Peter Jackson, muitos especialistas no assunto já os colocam na corrida antes mesmo de verem seus filmes. Em 2013, além de ambos poderem puxar várias indicações com suas mega-produções Lincoln e O Hobbit – Uma Jornada Inesperada, podem ser concorrentes na categoria de Melhor Diretor, ao lado de outros nomes consagrados como Paul Thomas Anderson, Ang Lee e Quentin Tarantino. À primeira vista, a safra de produções parece bem promissora, e como o número de indicados a Melhor Filme expandiu desde 2010, a Academia tem ótimas condições de agradar os cinéfilos ao reconhecê-los.

A lista de filmes de 2012 poderia ser ainda maior, mas a Warner Bros. resolveu adiar dois fortes candidatos para o ano seguinte: a adaptação do romance de F. Scott Fitzgerald, O Grande Gatsby, de Baz Luhrmann, e Caça aos Gângsteres, de Ruben Fleischer. No primeiro caso, os chefões do estúdio acharam que o novo filme de Luhrmann, que conta com o trio Leonardo Di Caprio, Carey Mulligan e Tobey Maguire, tinha potencial maior para atingir o público juvenil do verão americano (que ocorre a partir de maio), então pretendem aguardar para arrecadar mais nas bilheterias. Já o segundo, apresentava uma sequência em que quatro gângsteres abrem fogo dentro de uma sala de cinema, remetendo ao recente massacre no cinema de Colorado durante sessão de estréia de Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge. https://cinemaoscareafins.wordpress.com/2012/07/21/12-mortos-em-sessao-de-batman-o-cavaleiro-das-trevas-ressurge/Resultado: o trailer foi retirado do ar, o lançamento foi reagendado para 2013 e o filme teve de ser reescrito para eliminar a sequência agora perturbadora.

Banner de Caça aos Gângsteres com a data original de lançamento. Fica para 2013.

Apesar dessas baixas, o Oscar 2013 promete. Temos também a aguardada adaptação musical do clássico literário de Victor Hugo, Les Miserables (Os Miseráveis), dirigido por Tom Hooper (vencedor do Oscar por O Discurso do Rei); o novo filme de época de Joe Wright (Desejo e Reparação) trazendo novamente o romance de Leo Tolstoy, Anna Karenina, estrelado por Keira Knightley (pra variar); e a polêmica caça ao Bin Laden trazida às telas por Kathryn Bigelow (vencedora do Oscar por Guerra ao Terror) em Zero Dark Thirty.

Seguem alguns fortes candidatos para Melhor Filme no Oscar 2013 (em ordem alfabética):

ANNA KARENINA

Dir: Joe Wright

Anna Karenina: Esse casaco diz “Quero um Oscar de Figurino”

A Academia adora filmes de época. E vale lembrar que Direção de Arte e Figurino são dois prêmios que esses filmes costumam abocanhar na cerimônia. Sarah Greenwood e Jacqueline Durran, responsáveis por esses departamentos respectivamente, têm 90% de chance de serem indicadas. Embora o diretor Joe Wright não tenha sido reconhecido, seu filme Desejo e Reparação (2007) foi indicado a 7 Oscars, incluindo Melhor Filme. Suas chances este ano aumentam por contar com o grande dramaturgo e roteirista Tom Stoppard, oscarizado por Shakespeare Apaixonado (1998) e seu elenco, que tem nomes em alta como Keira Knightley, Jude Law, Olivia Williams, Emily Watson e Kelly Macdonald.

Apesar da obra de Leo Tolstoy, Anna Karenina, já ter sido adaptada várias vezes para o cinema, nunca chegou ao Oscar com força. Talvez esta seja uma oportunidade de ouro (com o perdão do trocadilho), mas devo ressaltar que na categoria de atuação, se Greta Garbo e Vivien Leigh, que já deram vida à protagonista não foram sequer indicadas, quais as chances de Knightley? Particularmente, gostaria de ver Olivia Williams indicada, pois já merecia pela ótima performance em O Escritor Fantasma (2010). Além desse trabalho, ela tem outro trabalho chamativo este ano: Hyde Park on Hudson, no qual interpreta Eleanor Roosevelt.

ARGO (Argo)

Di: Ben Affleck

Argo: Ben Affleck trabalha em cena de atores

Quem diria que Ben Affleck, aquele ator abaixo da média que protagonizou aquela bomba chamada Contato de Risco (2003) com Jennifer Lopez, iria se tornar um bom diretor? Já calou a boca de muita gente ao dirigir dois bons dramas: Medo da Verdade (Gone Baby Gone, 2007) e Atração Perigosa (The Town, 2010). Felizmente, assim como Clint Eastwood e Robert Redford (atores que se tornaram diretores), ele aprendeu o ofício com bons profissionais do ramo: Gus van Sant, Kevin Smith e John Frankenheimer. Depois de seu sucesso, Affleck recebeu várias propostas para comandar projetos de estúdio, mas recusou todas e isso tem se tornado sua maior virtude: focar em projetos de qualidade. Desta vez, optou em contar uma história mais política, sobre o resgate de refugiados americanos no Irã.

Como Affleck já dirigiu duas performances indicadas ao Oscar (Amy Ryan e Jeremy Renner), escalar um bom elenco não tem sido nenhuma dificuldade. Para Argo, ele reuniu uma trupe talentosa: Bryan Cranston (da série de TV Breaking Bad), John Goodman, o vencedor do Oscar Alan Arkin e Kyle Chandler, podendo resultar em novas indicações. E por trás das câmeras, mais nomes conhecidos pela Academia, começando por George Clooney como produtor, o compositor Alexandre Desplat (já indicado 4 vezes), o fotógrafo Rodrigo Prieto (uma indicação), o montador William Goldenberg (2 indicações) e até a figurinista Jacqueline West (2 indicações). Continuando nesse caminho, uma indicação para Melhor Diretor para Ben Affleck seria mera questão de tempo.

AS AVENTURAS DE PI (The Life of Pi)

Dir: Ang Lee

As Aventuras de Pi: Fantasia baseada em best-seller que conta com a credibilidade de Ang Lee

Depois de conquistar seu Oscar de Melhor Diretor por O Segredo de Brokeback Mountain, o taiwanês Ang Lee dirigiu 2 filmes: Desejo e Perigo (2007), um ótimo romance na China da 2ª Guerra Mundial, que arrebatou o Leão de Ouro em Veneza, e Aconteceu em Woodstock (2009), um drama mais modesto que chegou a ser indicado à Palma de Ouro. O que fazer quando um cineasta atinge seu ápice? Aposta em projetos mais pessoais. Ang Lee se identificou com a obra de Yann Martel, sobre um rapaz indiano, Pi, que sobrevive a um naufrágio e divide um bote com animais selvagens: uma hiena, um orangotango, uma zebra e um tigre de bengala.

Como se trata de uma fantasia, suas chances em categorias técnicas são boas, principalmente em Fotografia (Claudio Miranda, diretor de fotografia de O Curioso Caso de Benjamin Button), Direção de Arte (David Gropman, de As Regras da Vida), Montagem (Tim Squyres, de O Tigre e o Dragão) e dá pra incluir também Roteiro Adaptado (David Magee, de Em Busca da Terra do Nunca), além, claro, de uma nova indicação a Ang Lee, que seria sua terceira como Melhor Diretor. Resta saber se o filme receberá impulso das bilheterias.

BATMAN – O CAVALEIRO DAS TREVAS RESSURGE (The Dark Knight Rises)

Dir: Christopher Nolan

Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge: bilheteria astronômica, mas não garante destaque no Oscar

Eu, Winston, não indicaria Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge para Melhor Filme do Oscar. MAS, como a segunda parte da trilogia, Batman – O Cavaleiro das Trevas (2008) foi o grande responsável pelo aumento de número dos indicados na categoria, não duvido nada a Academia premiar (leia-se compensar) este novo filme de Christopher Nolan. Pra quem não se recorda, em 2009, apesar de ter o total de 8 indicações, o filme ficou de fora nas principais categorias: Melhor Diretor e Melhor Filme, fato que muitos atribuem a culpa ao filme sobre nazismo (sempre ele) O Leitor, de Stephen Daldry.

Embora essa legislação do Oscar tenha mudado por motivos comerciais, a ausência do filme de Nolan na época repercutiu muito mal e fez com que a Academia temesse uma drástica redução na audiência da cerimônia. Tentaram remediar com a vitória póstuma de Heath Ledger como ator coadjuvante, mas essa ferida ainda ecoa entre os fãs do herói e dos filmes. Este já seria um motivo para que esta terceira parte figurasse entre os indicados a Melhor Filme, mas e como o Oscar se posicionaria em relação àquela sessão de Colorado, que culminou na morte de 12 espectadores?

Indicar o filme como homenagem também ou isso seria um desrespeito? Na teoria, Batman não tem nada a ver com o incidente. Aliás, até o ator Christian Bale foi lá visitar os sobreviventes no hospital. Mas na prática, essa paranóia pode influenciar nos resultados.

Ademais, Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge tem todas as condições para conquistar vagas em categorias mais técnicas como fotografia, direção de arte, montagem, som, efeitos sonoros e efeitos visuais. Christopher Nolan pode concorrer como Diretor e Roteiro adaptado, mas acho pouco provável pela repercussão das críticas.

INDOMÁVEL SONHADORA (Beasts of the Southern Wild)

Dir: Benh Zeitlin

Beasts of the Southern Wild: Apesar de azarão, tem chances com a fotografia e atriz-mirim Quvenzhané Wallis de apenas 6 aninhos

A pequena produção americana com orçamento estimado em 1 milhão e 800 mil dólares começou sua jornada de reconhecimento no último Festival de Sundance, onde conquistou o Grande Prêmio do Júri – Drama e o prêmio de Fotografia, e em seguida no Festival de Cannes, de onde saiu com os prêmios Un Certain Regard e Golden Camera, que prestigiam uma visão ímpar e a qualidade técnica de um filme, respectivamente.

Agora, comprado pela Fox Searchlight por míseros US$ 2 milhões, deverá ser distribuído pelos EUA com o devido lobby por indicações ao Oscar. Apesar de Quvenzhané Wallis ter apenas 6 anos, a Academia adora indicar novos prodígios como os recentes casos de Abigail Breslin (Pequena Miss Sunshine), Keisha Castle-Hughes (A Encantadora de Baleias) e Haley Joel Osment (O Sexto Sentido).

Também conta a favor da trama ser uma mistura de realidade dura com fantasia. Em 2010, essa mesma ambientação saiu premiada com o Oscar de Roteiro Adaptado e Atriz Coadjuvante para Mo’Nique em Preciosa – Uma História de Esperança. O feito poderia se repetir em 2013.

DJANGO LIVRE (Django Unchained)

Dir: Quentin Tarantino

Django Livre: O escravo contra o mestre. Tarantino promete um western inovador.

Tarantino já ganhou o Oscar de roteiro original em 1995 por Pulp Fiction – Tempo de Violência, mas de lá pra cá, já se aventurou em produções que não têm a cara da Academia: os dois volumes de Kill Bill e À Prova de Morte. Em 2010, seu Bastardos Inglórios foi um forte candidato e levou o Oscar de coadjuvante para a majestosa performance de Christoph Waltz.
Agora, com o western Django Livre, estrelado por Jamie Foxx, Christoph Waltz e Leonardo Di Caprio, Tarantino terá uma nova oportunidade de levar outro Oscar e mostrar que é fã nº1 do western spaghetti Três Homens em Conflito (The Good, The Bad and the Ugly, 1966), de Sergio Leone.

Como se trata de um filme ambientado no velho oeste, tem boas chances nas categorias de Direção de Arte (J. Michael Riva), Figurino (Sharen Davis), Fotografia (Robert Richardson), Som, Roteiro Original e Montagem (o assistente de edição Fred Raskin assumiu o cargo depois que a colaboradora de longa data Sally Menke faleceu em 2010). O burburinho do Oscar também atinge os atores. Jamie Foxx, que já ganhou Melhor Ator por Ray, e Leonardo Di Caprio, já indicado 3 vezes, são possíveis nomes para Ator e Ator Coadjuvante, respectivamente.

Se Tarantino não inseriu elementos pop demais em Django Livre, a Academia pode alavancar ainda mais sua bilheteria com indicações, mas o cinema praticado pelo diretor ainda sofre preconceitos por boa parte dos votantes judeus, mesmo que os tenha “defendido” na versão heróica da 2ª Guerra Mundial em Bastardos Inglórios.

O HOBBIT – UMA JORNADA INESPERADA (The Hobbit: An Unexpected Journey)

Dir: Peter Jackson

O Hobbit: Deu lucro? Volta pra Middle Earth.

Não sou fã da trilogia do Senhor dos Anéis, especialmente o último filme que tem 11 finais, mas seria ignorância da minha parte se não reconhecesse todo o trabalho de Peter Jackson para adaptar J.R.R. Tolkien para o cinema. Jackson elevou o gênero da fantasia a um novo patamar, uma vez que muitos consideravam os livros obras “infilmáveis”. Com o estrondoso sucesso de crítica e público, era apenas questão de tempo para o livro que antecedeu a trilogia, O Hobbit, passasse a ser cogitado como futuro projeto de Peter Jackson. Mas acabou parando nas mãos de outro talentoso diretor de fantasias: Guillermo del Toro.

À princípio, achei que ele não queria mais ver elfos e hobbits pela frente, porém foi uma cirurgia de úlcera que acabou tirando-o da cadeira de diretor. Guillermo, famoso diretor dos filmes de Hellboy e do premiado O Labirinto do Fauno, assumiu o projeto e respirou J.R.R. Tolkien por 2 anos e não aguentou a pressão dos estúdios e prazos de filmagem e lançamento. Sinceramente, achava que del Toro iria conseguir finalizar o filme, mas se você é daquelas pessoas que assiste aos making ofs nos DVDs e blu-rays, sabe que diretor de grandes produções sofre bastante. Entra feliz e animado e sai com expressão de cansaço total e cabelos brancos. Além disso, Guillermo tinha uma sombra muito forte por trás: o próprio Peter Jackson.

Incontáveis fãs nerds que frequentam as conferências de San Diego pediam a cabeça de Guillermo del Toro. Resultado: a voz do consumidor é a voz de Deus! Peter Jackson voltou! Bilionário, com um estômago bem menor, com corpinho mais esbelto e com 3 estatuetas do Oscar em casa. O estúdio ficou tão feliz com seu retorno à série que resolveram comemorar transformando O Hobbit em uma trilogia. Por que lucrar uma vez se você pode lucrar 3 vezes mais? Então aí está: aguente mais 3 anos de hobbits, elfos, gollums, finais melosos e incontáveis indicações ao Oscar.

INSIDE LLWELYN DAVIS

Dir: Ethan Coen e Joel Coen

Inside Llewlyn Davis: Ainda sem fotos do filme, vemos os irmãos Coen no set de filmagem que conta com Carey Mulligan nos anos 60.

Depois que os irmãos Coen ganharam o Oscar de Melhor Filme, Direção e Roteiro Adaptado pelo ótimo Onde os Fracos Não têm Vez em 2008, qualquer filme deles automaticamente se torna um forte candidato ao Oscar. Como cinéfilo e fã da filmografia bem criativa dos irmãos, considero esse reconhecimento tardio mas justo. Até um filme despretensioso como Um Homem Sério (2009) se mostrou uma ótima comédia que foi indicada a Melhor Roteiro Original e Melhor Filme, sem contar as 10 indicações que a refilmagem de Bravura Indômita conseguiu em 2011. Neste Inside Llewlyn Davis, os diretores contam com duas armas para repetir o triunfo no Oscar: filme que se passa nos anos 60, e Carey Mulligan.

Se a jovem atriz britânica não pode mais contar com O Grande Gatsby, ela pode conseguir sua segunda indicação com esta performance. Só esperamos que Justin Timberlake, que contracena com ela, não a atrapalhe. Aliás, será que os Coen conseguem realizar um milagre e fazer Timberlake atuar decentemente? Só isso já merece um Oscar, não?

Além de Mulligan e os irmãos Coen, o filme conta com o produtor Scott Rudin, que desde 2003, já foi indicado 5 vezes ao Oscar (vencendo justamente com o filme dos Coen), e o reconhecido diretor de fotografia Bruno Delbonnel, responsável pelo visual fantástico de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001).

LES MISÉRABLES

Dir: Tom Hooper

Les Miserables: musical com Hugh Jackman.

Parece que depois de Moulin Rouge – Amor em Vermelho (2001), Chicago (2002) e Mamma Mia! (2008), o gênero musical tem voltado ao cenário de Hollywood. E agora, ele volta com pedigree literário. O clássico Les Miserábles de Victor Hugo foi adaptado pelo roteirista indicado ao Oscar de Gladiador, William Nicholson, e regido por Tom Hooper, mais conhecido por seu sucesso O Discurso do Rei.

Apesar de bem comentado e com altas expectativas, devemos considerar que Tom Hooper não tem experiência com musicais. É claro que pode ser um dos filmes mais premiados da temporada, mas pode amargurar no esquecimento devido ao risco. Por outro lado, se depender do elenco, o filme pode alavancar algumas indicações ao Oscar: Hugh Jackman, Russell Crowe e Anne Hathaway protagonizam a adaptação e são boas apostas, especialmente Jackman e Hathaway, pois ambos têm talento musical comprovados (sim, eu sei que Russell Crowe tem uma bandinha…), e já têm uma história de cantar juntos na cerimônia do Oscar. Também existe uma história de que Anne Hathaway cantou I Dreamed a Dream no teste de atores e fez todos chorarem.

Musicais são como boa publicidade. É muito fácil fazer uma mediocridade, mas quando se acerta o tom, podem surgir obras-primas como Cantando na Chuva. Vamos esperar que Tom Hooper acerte em cheio.

MOONRISE KINGDOM (Moonrise Kingdom)

Dir: Wes Anderson

Moonrise Kingdom: Atores já valem o ingresso

Os filmes de Wes Anderson estão um pouco longe de ser uma unanimidade entre os votantes da Academia, pois… digamos que ele tem um humor bastante peculiar. Três é Demais (1998), Os Excêntricos Tenenbauns (2001), A Vida Aquática de Steve Zissou (2004) e Viagem a Darjeeling (2007) são obras singulares, mas a Academia não estava preparada para recebê-las, ainda mais se lembrarmos que comédia nunca foi um gênero forte na premiação. Contudo, o cineasta começa a atingir maturidade e seu nome a se associar aos melhores filmes do ano. Já foi indicado ao Oscar duas vezes: pelo Roteiro Original de Os Excêntricos Tenenbauns e pela ótima animação O Fantástico Sr. Raposo (2009).

Com este novo trabalho, Moonrise Kingdom, ele volta a reunir seus colaboradores habituais Bill Murray e Jason Schwartzman, reunindo mais atores consagrados como Tilda Swinton, Frances McDormand, Edward Norton e Bruce Willis, o que sempre aumenta a atenção dos críticos. O filme fala sobre a paixão de um escoteiro por uma garota, e quando decidem fugir juntos, a cidade inteira se mobiliza para procurá-los. Embora seja uma aposta incerta para o Oscar, tem chances em algumas categorias como Roteiro Original, Trilha Musical (Alexandre Desplat), Figurino, Montagem (Andrew Weisblum) e talvez alguma de atuação.

LINCOLN

Dir: Steven Spielberg

Lincoln: pôster simples, mas que já tem cara de Oscar

Steven Spielberg. Daniel Day-Lewis. Filme sobre presidente. Desses 3 elementos, já podemos tirar uns Oscars da cartola. Lincoln tem tudo para ser um daqueles candidatos recordistas em indicações: Filme, Diretor, Ator, Ator Coadjuvante (que tem vários possíveis nomes como Tommy Lee Jones, Jackie Earle Haley, David Strathairn, John Hawkes, Hal Holbrook), Atriz Coadjuvante (Sally Field), Roteiro Adaptado, Fotografia, Trilha Musical, Montagem, Direção de Arte, Figurino, Som e Maquiagem. Total de 13, tá bom pra você, Spielberg? Depois de sair com as mãos abanando com seu Cavalo de Guerra, a Academia pode se sentir na obrigação de compensá-lo, a menos que o filme seja uma draga… Isso sem contar se não tiver uma canção original na manga. No papel, o status do filme é de vencedor de Melhor Filme, mas como todos os especialistas dizem: o Oscar é imprevisível.

Fui assistir a Cavalo de Guerra com um pé atrás, porque achava que o diretor andava meio enferrujado, e todo aquele episódio de retocar o filme E.T. o Extraterrestre (1982) ainda não me caiu bem. Mas Spielberg não desaprendeu a fazer cinema e com o filme, comprovou que ainda manda bem na catarse. E Lincoln tem todos os ingredientes épicos para fazer os votantes da Academia chorarem nos créditos finais, afinal, o presidente, considerado um dos heróis da nação, foi assassinado friamente, como outro político querido: Kennedy.

Recentemente, escrevi um post sobre os atores dirigidos por Spielberg e o fato curioso de que nenhum deles ganhou o Oscar. Agora, o diretor tem Daniel Day-Lewis em seu filme, um dos melhores profissionais de sua geração, assumindo um papel almejado por incontáveis atores de Hollywood. Lincoln seria a melhor chance do diretor depois de A Lista de Schindler. Será que é desta vez, Spielberg?

THE MASTER

Direção: Paul Thomas Anderson

The Master: Amy Adams (à esq) e Philip Seymour Hoffman (centro) são apostas certeiras com Joaquin Phoenix.

Apesar de Paul Thomas Anderson ter um gosto meio alternativo, seus filmes costumam levar algumas indicações. Foi assim com Boogie Nights – Prazer Sem Limites, Magnólia e Sangue Negro; todos receberam indicações de atuação e Daniel Day-Lewis ganhou seu segundo Oscar pelo último. A única exceção foi Embriagado de Amor, que passou desapercebido pela premiação, porque Adam Sandler não é bem uma unanimidade entre os críticos (particularmente, acho seu melhor trabalho como ator).

The Master se destaca por se tratar de um filme sobre os primórdios da cientologia. Sim, aquela polêmica religião criada pelo autor de ficção científica L. Ron Hubbard, que tem adeptos ilustres como Tom Cruise e John Travolta. Para contar essa interessante história, Anderson convocou um nome igualmente polêmico: Joaquin Phoenix, que parece ter perdido uns parafusos quando anunciou na TV, todo barbudo e de óculos escuros, a aposentadoria da carreira de ator. Juntamente com Philip Seymour Hoffman (Oscar de Ator por Capote) e Amy Adams (3 indicações), forma uma trinca poderosa na corrida ao Oscar. O favoritismo de Phoenix e Hoffman cresceu ainda mais depois que receberam o prêmio Volpi Cup no Festival de Veneza, de onde o diretor também saiu laureado com o Leão de Prata.

A produção também tem boas chances em Melhor Roteiro Original (o próprio Paul Thomas Anderson), Trilha Musical (Jonny Greenwood), Direção de Arte (Jack Fisk e David Crank), Figurino (Mark Bridges, ganhador do Oscar este ano com O Artista)e Montagem. Talvez seja o único capaz de bater Spielberg e Peter Jackson.

SILVER LININGS PLAYBOOK

Direção: David O. Russell

Silver Linings Playbook, de David O. Russell

David O. Russell era considerado um diretor alternativo, assim como Wes Anderson. Mas com o amadurecimento de seus trabalhos, Russell conseguiu destaque e indicações para seu filme O Vencedor (The Fighter, 2010). Não apenas obteve sua primeira indicação ao Oscar como Melhor Diretor, mas seus atores coadjuvantes, Christian Bale e Melissa Leo, saíram premiados daquela cerimônia. Agora, com este Silver Linings Playbook, ele volta a chamar a atenção, mas não somente dos críticos, mas do público, pois ganhou o People’s Choice Awards no último Festival de Toronto, reconhecimento também dado ao vencedor do Oscar O Discurso do Rei.

Baseado no romance de Matthew Quick, o filme acompanha o retorno de Pat Solitano (Bradley Cooper) à casa dos pais depois de ficar internado oito meses numa instituição mental. Ele busca reconstruir sua vida e reconciliação com a ex-mulher que o traiu. No caminho, ele conhece uma jovem chamada Tiffany (Jennifer Lawrence) que se oferece para ajudá-lo em troca de um favor importante para ela. Trata-se de uma história bastante simples, mas pelos comentários e críticas que ouvi, também apresenta elementos bastante humanos que, com a ajuda dos atores em forma, conquistaram o público por onde passou.

Tem se tornado a produção que mais cresceu nessa fase da corrida para o Oscar 2013, ao lado do filme de Ben Affleck, Argo. Além disso, tem boas chances de emplacar indicações para os quatro atores: Bradley Cooper (sim, aparentemente ele é mais do que um candidato a galã de Se Beber, Não Case!), Jennifer Lawrence (a Academia não perderia a oportunidade de ouro de indicá-la como Melhor Atriz com o sucesso de Jogos Vorazes), Jacki Weaver (seria sua segunda indicação depois de Reino Animal) e Robert De Niro (com seu retorno trinufal depois de 20 anos sem indicações ao Oscar).

Claro que o diretor David O. Russell deve voltar a concorrer como Melhor Diretor, mas como a competição está bem acirrada, talvez ele seja “compensado” com o prêmio de Melhor Roteiro Adaptado.

ZERO DARK THIRTY

Direção: Kathryn Bigelow

Zero Dark Thirty: Parece uma imagem da trilogia Bourne, mas ao invés de caçarem o agente, estão atrás de Bin Laden

Depois que Kathryn Bigelow se consagrou com a primeira mulher a ganhar o Oscar de Melhor Diretor, ela teve muitas propostas. Acabou repetindo sua parceria com o roteirista Mark Boal do mesmo Guerra ao Terror (2008) e deram vida ao filme que trata da caça ao líder terrrorista do Al-Qaeda, Osama Bin Laden. A produção já vinha sendo bastante comentada porque recebeu com exclusividade acesso aos arquivos da operação de captura da CIA. Recentemente, os noticiários da TV anunciaram que a estréia do filme foi adiada para depois das eleições presidenciais em novembro por causa de protestos de republicanos, que temem queda nas intenções de voto de Mitt Romney.

Importância história o filme já tem. A fama já o precede. Mas e o filme? Tem toda essa chance no Oscar como teve Guerra ao Terror? Diretor, Roteiro Original, Montagem, Som e Efeitos Sonoros são possibilidades reais, assim, por que não Melhor Filme também? Não deve sair tão vitorioso por se tratar de um filme polêmico desde seu nascimento, mas deve figurar entre os indicados.

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Claro que a lista pode mudar nos próximos meses até o dia 10 de janeiro, quando as indicações ao Oscar serão anunciadas ao vivo. Existem algumas produções que ainda tem uma porcentagem pequena de figurarem entre os possíveis dez indicados a Melhor Filme. Lembrando que nessa categoria, podem haver de 5 a 10 filmes indicados, dependendo da votação de cada um. Eis alguns filmes que podem ganhar algum fôlego na reta final e um ou outro motivo de não estar na lista definitiva:

Amour, de Michael Haneke. O filme levou a Palma de Ouro em Cannes e tem boas chances de ver seus atores centrais indicados, mas o fato de ser falado em francês deve direcionar suas chances para a categoria de Melhor Filme Estrangeiro, uma vez que é o representante da Áustria.

O Exótico Hotel Marigold, de John Madden. Através da força de seu elenco experiente encabeçado por Judi Dench, este simpático drama senil passado na Índia pode ganhar força entre os votantes mais velhos, ainda mais se suas atrizes foram indicadas. Mas o filme tem cara de que não deve passar da lista de indicados a Melhor Filme – Comédia ou Musical no Globo de Ouro.

O Impossível, de Juan Antonio Bayona. Apesar do lado trágico que pode levar os espectadores às lágrimas, este drama familiar tem sua forte base apoiada nos atores. Naomi Watts tem grandes chances de sua segunda indicação, e Ewan McGregor pode surpreender. Mas como filme, não tem chamado tanta atenção.

The Sessions, de Ben Lewin. Este drama independente também está aqui por causa dos atores, especialmente o protagonista John Hawkes. A história do paciente diagnosticado com pouco tempo de vida e quer perder a virgindade antes de morrer só é comprada por causa de Hawkes. Claro que o elenco também conta com Helen Hunt e William H. Macy, que podem dar uma forcinha no número de indicações.

007 – Operação Skyfall, de Sam Mendes. Eu sei. Como a Academia vai indicar um filme de James Bond? Embora eu seja fã, concordo que esta não seria uma categoria mais propícia ao 23º filme da franquia, mas com os recordes de bilheteria, as críticas positivas, a equipe oscarizada chefiada pelo diretor Sam Mendes e o fato de Bond comemorar 50 anos este ano podem colaborar para a primeira inclusão de um filme de Bond como Melhor Filme. Só para matar sua curiosidade, a franquia de 007 já foi premiada com dois Oscars: Em 1965 pelo Efeitos Sonoros de 007 Contra Goldfinger, e em 1966, pelos Efeitos Visuais de 007 Contra a Chantagem Atômica.