Barkhad Abdi e Lupita Nyong’o integram a lista dos estreantes indicados ao Oscar

Barkhad Abdi e Lupita Nyong'o foram indicados por Capitão Phillips e 12 Anos de Escravidão (photo by www.hollywoodreporter.com)

Barkhad Abdi e Lupita Nyong’o foram indicados por Capitão Phillips e 12 Anos de Escravidão, respctivamente (photo by http://www.hollywoodreporter.com)

INDICAÇÃO AO OSCAR NO 1º TRABALHO AJUDA OU ATRAPALHA?

Quais são as chances de um ator ou atriz estreante já ser indicado ao Oscar em seu primeiro trabalho no cinema? 0,0001? Além de já ter de contar com um talento natural, o estreante precisa ter em mãos “o” projeto que lhe apresente um personagem com profundidade minimamente razoável, um diretor que saiba explorar esse dom e muita, muita, mas muita sorte!

Este ano, os sortudos são a mexicana Lupita Nyong’o (12 Anos de Escravidão) e o somaliano Barkhad Abdi (Capitão Phillips). Enquanto ela foi criada no Quênia e educada pela Yale School of Drama, ele mudou-se para o Iêmen e depois para os EUA aos 14 anos, onde trabalhou como motorista de limosine. Como não tinha planos de ser ator, Abdi pode ficar extremamente rotulado em Hollywood, principalmente por papéis de vilão. Já Lupita, por já ter se dedicado aos estudos da área, pode ter um futuro promissor pela frente. Em Sem Escalas, seu próximo filme, ela atuará ao lado de Liam Neeson e Julianne Moore. Nada mal para um segundo filme, não?

Na história da premiação da Academia, alguns estreantes tiveram sorte e não caíram no ostracismo como Anna Paquin. Ela ganhou o Oscar aos 9 anos de idade e por mais que não tenha sido indicada novamente, estrelou a trilogia dos X-Men (2000 a 2006) e a série de TV True Blood. Já outros praticamente sumiram do mapa logo depois como a australiana Keisha Castle-Hughes, que é a atriz mais jovem a ser indicada como Melhor Atriz aos 13 anos por A Encantadora de Baleias.

Normalmente, quando um ator ou atriz mirim é indicado ao Oscar, a ordem dos votantes é não premiá-lo com intuito nobre de protegê-lo, afinal, as chances de decadência prematura é altíssima. Quando Abigail Breslin concorria como Atriz Coadjuvante por Pequena Miss Sunshine aos 10 anos, o veterano ator Alan Arkin não queria que ela vencesse pois a pressão por crescimento poderia arruinar sua carreira. Até agora, ele estava certo. Breslin vem atuando com boa freqüência e sabendo alternar produções grandes como Ender’s Game – O Jogo Exterminador com independentes como Álbum de Família, em que contracena com bons atores como Meryl Streep e Chris Cooper.

Já quando se trata de um estreante adulto, a indicação pode significar o início de uma ascensão de prestígio e fama como foram os casos de Oprah Winfrey e Glenn Close, mas pode ser apenas uma aposta promissora que não se concretiza. Particularmente, não gosto muito do Oscar concedido a um estreante porque não conhecemos ainda sua versatilidade, o que gera sério risco do ator ou atriz ser rotulado para o resto da vida. A Academia tem ótimas intenções ao indicar um estreante, mas nem sempre ela funciona.

Com a ajuda da matéria da Hollywood Reporter, confira os estreantes sortudos (ou azarados):

Quvenzhané Wallis em Beasts of the Southern Wild

Quvenzhané Wallis em A Indomável Sonhadora (photo by beyondhollywood.com)

Oscar_icon_by_reiarturQUVENZHANÉ WALLIS
• Indicada ao Oscar de Melhor Atriz por Indomável Sonhadora (2012)
Com uma performance que transborda energia, a pequena Quvenzhané conquistou o público com sua Hushpuppy, que mantém a esperança no meio do caos da pobreza e na doença do pai. Tornou-se a mais jovem indicada na categoria aos 9 anos. Perdeu para outra jovem candidata, Jennifer Lawrence (O Lado Bom da Vida) aos 23 anos. Em 2014, atuará no musical Annie e dublará uma personagem na animação The Prophet.

Hailee Steinfeld em Bravura Indômita (photo by outnow.ch)

Hailee Steinfeld em Bravura Indômita (photo by outnow.ch)

Oscar_icon_by_reiarturHAILEE STEINFELD
• Indicada ao Oscar de Atriz Coadjuvante por Bravura Indômita (2010)
Só o fato de ter sido escolhida entre inúmeras candidatas pelos irmãos Coen já seria uma honra tremenda, mas Steinfeld correspondeu à confiança e entregou uma atuação iluminada como a tagarela Mattie Ross. Quase bateu Melissa Leo (O Vencedor) no Oscar. Estrelou recentemente uma nova versão de Romeu & Julieta.

Jennifer Hudson em Dreamgirls: Em Busca de um Sonho (photo by outnow.ch)

Jennifer Hudson em Dreamgirls: Em Busca de um Sonho (photo by outnow.ch)

GOLD-Icon_CampasRJENNIFER HUDSON
• Vencedora do Oscar de Atriz Coadjuvante por Dreamgirls – Em Busca de um Sonho (2006)
Perdeu no programa de TV American Idol, mas ganhou o Oscar em seu primeira atuação cantando. Jennifer Hudson conquistou quase todos os críticos naquele ano e conseguiu a proeza de bater Cate Blanchett (Notas Sobre um Escândalo). Infelizmente, passou por um episódio trágico em que seu cunhado matou sua mãe, irmão e sobrinho. No cinema, teve apenas mais um trabalho em destaque: o drama A Vida Secreta das Abelhas.

Keisha Castle-Hughes em A Encantadora de Baleias (photo by www.outnow.ch)

Keisha Castle-Hughes em A Encantadora de Baleias (photo by http://www.outnow.ch)

Oscar_icon_by_reiarturKEISHA CASTLE-HUGHES
Indicada ao Oscar de Melhor Atriz por A Encantadora de Baleias (2002)
Até 2013, era a mais jovem indicada nesta categoria aos 13 anos. Keisha perdeu para a franco-favorita do ano: Charlize Theron (Monster – Desejo Assassino). Pra dizer que não fez mais nada de relevante, fez uma breve ponta em Star Wars: Episódio III – A Vingança dos Sith como a rainha Naboo.

Gabourey Sidibe em Preciosa (photo by www.outnow.ch)

Gabourey Sidibe em Preciosa (photo by http://www.outnow.ch)

Oscar_icon_by_reiarturGABOUREY SIDIBE
Indicada ao Oscar de Melhor Atriz por Preciosa (2009)
Num papel pra lá de sofrido, Gabourey faz uma adolescente abusada e grávida que vive apanhando e sofrendo pressão psicológica da mãe em Preciosa. Perdeu para Sandra Bullock (Um Sonho Possível). Atuou como coadjuvante em algumas produções como Sete Psicopatas e um Shih Tzu e tem atuado em séries de TV como American Horror Story.

Catalina Sandino Moreno em Maria Cheia de Graça (photo by outnow.ch)

Catalina Sandino Moreno em Maria Cheia de Graça (photo by outnow.ch)

Oscar_icon_by_reiarturCATALINA SANDINO MORENO
• Indicada ao Oscar de Melhor Atriz por Maria Cheia de Graça (2004)
Num papel corajoso, a colombiana Catalina faz uma moça desespera que precisa atuar como “mula” para transportar drogas. Em sua única indicação, perdeu para Hilary Swank (Menina de Ouro). Infelizmente, ainda vive sob a margem de Hollywood. Atuou em Paris, Eu Te Amo (2006) e nos dois filmes Che, estrelado por Benicio Del Toro.

Edward Norton ao lado de Richard Gere em As Duas Faces de um Crime (photo by everett collection)

Edward Norton ao lado de Richard Gere em As Duas Faces de um Crime (photo by everett collection)

Oscar_icon_by_reiarturEDWARD NORTON
• Indicado ao Oscar de Ator Coadjuvante por As Duas Faces de um Crime (1996)
Em um dos raros casos em que o estreante voltou a ser indicado (como Ator por A Outra História Americana dois anos depois), Edward Norton tinha tudo pra dar certo, principalmente nessa época em que também atuou em Clube da Luta, mas algumas escolhas erradas e seu temperamento podem ter colaborado para uma decadência. Neste filme, ele interpreta um coroinha que é acusado de matar o arcebispo da igreja. Perdeu para Cuba Gooding Jr. (Jerry Maguire – A Grande Virada). Nos últimos anos, tem feito alguns filmes esquecíveis como O Ilusionista e Uma Saída de Mestre, e também falhou em engrenar como o novo Hulk, cujo papel foi parar nas mãos de um Mark Ruffalo bem mais inspirado.

Anna Paquin em O Piano (photo by cinemagia.ro)

Anna Paquin em O Piano (photo by cinemagia.ro)

GOLD-Icon_CampasRANNA PAQUIN
Vencedora do Oscar de Atriz Coadjuvante por O Piano (1993)
Quando seu nome foi anunciado no Oscar, a pequena Anna Paquin paralisou e não conseguiu dizer uma palavra. Qual seria o futuro desta menina? Atuar em filmes infantis? Atuou no drama familiar bonitinho Voando Para Casa e trabalhou com o diretor Franco Zeffirelli em Jane Eyre – Encontro com o Amor em 1996. Quando participou de X-Men (2000), Paquin já estava mais madura com 18 anos, mas só comprovou que veio pra ficar ao estrelar a série True Blood, onde vampiros são vampiros e não usam glitter.

Marlee Matlin em Filhos do Silêncio (photo by virtual-history.com)

Marlee Matlin em Filhos do Silêncio (photo by virtual-history.com)

GOLD-Icon_CampasRMARLEE MATLIN
Vencedora do Oscar de Melhor Atriz por Filhos do Silêncio (1986)
Vítima da surdez desde seus 18 meses de idade, Marlee Matlin não se intimidou e buscou seu sonho de atuar nos palcos. Interpretou Dorothy numa peça de O Mágico de Oz, e quando atuou em Children of a Lesser God chamou a atenção dos produtores da adaptação para cinema. Tornou-se a mais jovem a ganhar o Oscar de Melhor Atriz aos 22 anos em 1987. Nunca mais foi indicada ao Oscar, mas foi para o Globo de Ouro como atriz de série dramática por Reasonable Doubt no início dos anos 90.

Oprah Winfrey em A Cor Púrpura (photo by everett collection)

Oprah Winfrey em A Cor Púrpura (photo by everett collection)

Oscar_icon_by_reiarturOPRAH WINFREY
Indicada ao Oscar de Atriz Coadjuvante por A Cor Púrpura (1985)
Na época, a indignação era alta pela derrota de Oprah Winfrey para Anjelica Huston (A Honra do Poderoso Prizzi), havendo acusações de racismo contra a Academia. Aliás, nem Oprah, nem Whoopi Goldberg ganharam o Oscar naquele ano. Só em 1991, Whoopi ganhou o seu merecidamente por Ghost – Do Outro Lado da Vida. Este ano, algumas pessoas acreditavam que ela finalmente seria compensada por O Mordomo da Casa Branca, mas felizmente esse Oscar de pena não acontecerá. Como todos sabem, ela se aposentou recentemente, mas era considerada a rainha da TV americana.

John Malkovich em Um Lugar no Coração (photo by everett collection)

John Malkovich em Um Lugar no Coração (photo by everett collection)

Oscar_icon_by_reiarturJOHN MALKOVICH
Indicado ao Oscar de Ator Coadjuvante por Um Lugar no Coração (1984)
Atuando como um soldado cego ao lado de Sally Field e Danny Glover neste drama passado nos duros tempos de racismo no Mississipi, Malkovich conseguiu chamar a atenção e soube escolher projetos que o alavancaram como Império do Sol (1987), Ligações Perigosas (1988) e Neblina e Sombras (1991), chegando a ser indicado mais uma vez como coadjuvante por Na Linha de Fogo (1993). Perdeu para Haing S. Ngor (Os Gritos do Silêncio) e Tommy Lee Jones (O Fugitivo), respectivamente. Em 1999, conseguiu a honra de ter um filme dedicado a ele mesmo em Quero Ser John Malkovich, que se tornou um sucesso de crítica internacional, mas depois passou a optar sempre pelos mesmos tipos de papéis meio desmiolados que, de tão acostumado, ele deitava e rolava.

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Haing S. Ngor em Os Gritos do Silêncio (photo by everett collection)

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• Vencedor do Oscar de Ator Coadjuvante por Os Gritos do Silêncio (1984)
Talvez a maior maldição do Oscar: a morte. Doze anos após sua vitória, seu corpo foi encontrado na frente de sua casa em Los Angeles. Apesar de acreditarem que se tratou de uma tentativa de assalto, há fortes indícios de que o crime foi motivado por razões políticas, pois o ator defendia organizações de direitos civis e a sentença criminal para os responsáveis pelo massacre no Camboja feito pelo Khmer Vermelho. Sua atuação em Gritos do Silêncio foi fortemente baseada em sua própria experiência de vida, pois sua família foi vítima dos massacres.

Glenn Close (ao lado de Robin Williams) em O Mundo Segundo Garp (photo by myhungergames.com)

Glenn Close (ao lado de Robin Williams) em O Mundo Segundo Garp (photo by myhungergames.com)

Oscar_icon_by_reiarturGLENN CLOSE
Indicada ao Oscar de Atriz Coadjuvante por O Mundo Segundo Garp (1982)
Com ampla experiência nos palcos e um pouco de telefilmes, Glenn Close escolheu bem o projeto de sua estréia no cinema: a adaptação do romance de John Irving. Atuou ao lado dos ascendentes Robin Williams e John Lithgow sob a direção do experiente George Roy Hill. Acabou perdendo para Jessica Lange (Tootsie), e infelizmente perderia em mais 5 ocasiões: O Reencontro (1983), Um Homem Fora de Série (1984), Atração Fatal (1987), Ligações Perigosas (1988) e mais recentemente por Albert Nobbs (2012). Ficou mundialmente conhecida por viver a vilã Cruela nas adaptações do desenho animado dos 101 Dálmatas. Espero que haja mais oportunidades de premiá-la.

MIKHAIL BARYSHNIKOV

Mikhail Baryshnikov em Momento de Decisão (photo by allposters.com.br)

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Indicado ao Oscar de Ator Coadjuvante por Momento de Decisão (1977)
O renomado bailarino russo teve uma estréia excepcional atuando ao lado das experientes Anne Bancroft e Shirley MacLaine , mas acabou fazendo poucos filmes depois como O Sol da Meia-Noite (1985). Em sua única indicação, foi derrotado por Jason Robards (Júlia). Já nos anos 2000, participou da série de TV Sex and the City.

Lily Tomlin em Nashville (photo by andthenomineesare.blogspot.com)

Lily Tomlin em Nashville (photo by andthenomineesare.blogspot.com)

Oscar_icon_by_reiarturLILY TOMLIN
Indicada ao Oscar de Atriz Coadjuvante por Nashville (1975)
Com boa experiência em humor televisivo, Lily Tomlin surpreendeu neste drama dirigido por Robert Altman, com quem trabalhou em outras oportunidades como em Short Cuts – Cenas da Vida (1993). Perdeu para Lee Grant (Shampoo). Em 2004, trabalhou com David O. Russell em Huckabees: A Vida é uma Comédia e mais recentemente, tem feito participações em comédias bobas como A Pantera Cor de Rosa 2 e A Seleção.

Tatum ao lado do pai Ryan O'Neal em Lua de Papel (photo by www.outnow.ch)

Tatum ao lado do pai Ryan O’Neal em Lua de Papel (photo by http://www.outnow.ch)

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Vencedora do Oscar de Atriz Coadjuvante por Lua de Papel (1973)
Atuando ao lado de seu pai, Ryan O’Neal, nesta ótima comédia dirigida por Peter Bogdanovich, a atriz-mirim tinha apenas 10 anos quando bateu outra jovem indicada, Linda Blair (O Exorcista). Participou de algumas séries de TV, mas nunca decolou. Nos últimos anos, participou de The Runaways – Garotas do Rock e Bem-Vindo aos 40.

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Diana Ross em O Ocaso de uma Estrela (photo by Everett Collection)

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Indicada ao Oscar de Melhor Atriz por O Ocaso de uma Estrela (1972)

Pra quem achava que Diana Ross era apenas cantora do The Supremes, em sua única indicação, ela interpretou a cantora Billie Holiday. Perdeu para a performance elétrica de Liza Minnelli (Cabaret). Continua um ícone da música, mas atualmente somente suas canções servem o cinema.

Com Omar Shariff, Barbra Streisand em Funny Girl - A Garota Genial (photo by oscarfilmeafilme.blogspot.com.br)

Com Omar Sharif, Barbra Streisand em Funny Girl – A Garota Genial (photo by oscarfilmeafilme.blogspot.com.br)

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Vencedora do Oscar de Melhor Atriz por Funny Girl – A Garota Genial (1968)
Por uma diferença irrisória de votos, o presidente da Academia na época havia declarado empate técnico entre Katharine Hepburn e Barbra Streisand. Numa das mais bem-sucedidas vitórias do Oscar, ela se tornou uma estrela nas décadas de 70 e 80 com sucessos românticos como Nosso Amor de Ontem (1973) e Nasce uma Estrela (1976), pelo qual também ganhou o Oscar de Melhor Canção Original. Na década de 90, recebeu boas críticas por sua direção em O Príncipe das Marés e O Espelho Tem Duas Faces, pelos quais foi indicada como produtora (Melhor Filme) e compositora (Melhor Canção), respectivamente. Para a geração atual, além de cantora, Streisand é conhecida como uma Focker, da trilogia Entrando Numa Fria

Julie Andrews em Mary Poppins (photo by derekwinnert.com)

Julie Andrews em Mary Poppins (photo by derekwinnert.com)

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Vencedora do Oscar de Melhor Atriz por Mary Poppins (1964)
Após estrelar algumas peças musicais como Minha Bela Dama e Cinderella, Julie Andrews chamou a atenção de Walt Disney, que a convidou para estrelar Mary Poppins. Aliás, esse convite e a produção do musical foi tema do filme Walt nos Bastidores de Mary Poppins. No ano seguinte, ela estrelou um dos maiores sucessos da história do cinema: A Noviça Rebelde, que além de marcá-la definitivamente como uma atriz que canta, rendeu sua segunda indicação. Foi mais uma vez indicada em 1983 por Victor ou Victoria. Tem atuado em produções infanto-juvenis como O Diário da Princesa e Shrek 2.

Karl Malden (ao fundo) com Eva Marie Saint em Sindicato de Ladrões (photo by gonemovies.com)

Karl Malden (ao fundo) com Eva Marie Saint em Sindicato de Ladrões (photo by gonemovies.com)

GOLD-Icon_CampasREVA MARIE SAINT
Vencedora do Oscar de Atriz Coadjuvante por Sindicato de Ladrões (1954)
Após atuar em inúmeras produções para TV, Eva finalmente foi descoberta pelo mestre Elia Kazan, que enxergou nela a dramaticidade que ele precisava para o papel de Edie Doyle, uma jovem que clama por justiça pela morte de seu irmão. Conseguiu contracenar com Marlon Brando, tarefa para poucos. Embora não tenha sido indicada ao Oscar novamente, estrelou algumas produções de destaque como Intriga Internacional (1959), Grand Prix (1966) e Os Russos Estão Chegando! Os Russos Estão Chegando! (1966). Nas décadas seguintes, teve uma carreira irregular e voltou a fazer TV.

Montgomery Clift em Perdidos na Tormenta (photo by http://ocdviewer.com/)

Montgomery Clift em Perdidos na Tormenta (photo by http://ocdviewer.com/)

Oscar_icon_by_reiarturMONTGOMERY CLIFT
Indicado ao Oscar de Melhor Ator por Perdidos na Tormenta (1948)
Apesar de ter estreado sob direção de Howard Hawks em Rio Vermelho, foi com o filme Perdidos na Tormenta, lançado antes, que Clift conseguiu sua primeira indicação. Perdeu para o imbatível Laurence Olivier (Hamlet) e teve mais três oportunidades fracassadas de ganhar o Oscar. Foi considerado um dos melhores atores da geração de James Dean e Marlon Brando, mas a Academia perdeu a chance de premiá-lo. Em sua filmografia, constam grandes clássicos como Um Lugar ao Sol (1951), A Um Passo da Eternidade (1953) e Julgamento em Nuremberg (1961). Morreu muito cedo aos 45 anos.

À frente Angela Lansbury com Ingrid Bergman em À Meia Luz (photo by filmsquish.com)

À frente Angela Lansbury com Ingrid Bergman em À Meia Luz (photo by filmsquish.com)

Oscar_icon_by_reiarturANGELA LANSBURY
Indicada ao Oscar de Atriz Coadjuvante por À Meia Luz (1944)
Vencedora do Oscar Honorário no final do ano passado, Angela Lansbury teve uma estréia espetacular aos 18 anos sob direção de George Cuckor em À Meia Luz, estrelado por Ingrid Bergman. Perdeu para Ethel Barrymore (Apenas um Coração Solitário) e concorreu mais duas vezes como coadjuvante: Em 1946 por O Retrato de Dorian Gray, e em 1963 por O Sob o Domínio do Mal, mas nunca levou a estatueta. Para gerações mais novas, ficou conhecida pela série de TV Assassinato por Escrito e por sua voz de Mrs. Potts, a bule de chá, na animação A Bela e a Fera (1991).

Orson Welles em Cidadão Kane (photo by smallpicturesblog.com)

Orson Welles em Cidadão Kane (photo by smallpicturesblog.com)

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Vencedor do Oscar de Roteiro Original, e Indicado para Melhor Diretor e Ator por Cidadão Kane (1941)
O que dizer sobre o responsável por Cidadão Kane, a produção mais revolucionária do Cinema? Aos 26 anos, Welles se uniu ao excepcional diretor de fotografia Gregg Toland e explorou enquadramentos e foco como nunca, além da estrutura narrativa não-linear para contar a história de Charles Foster Kane, inspirado no magnata da imprensa William Random Hearst. O filme vencedor do Oscar naquele ano foi o drama familiar Como Era Verde o Meu Vale, de John Ford. Como Stanley Kubrick, Orson estava à frente de seu tempo e não foi devidamente reconhecido.

Martha Scott por Nossa Cidade (photo by Anthony Camerano)

Martha Scott por Nossa Cidade (photo by Anthony Camerano)

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Indicada ao Oscar de Melhor Atriz por Nossa Cidade (1940)
A atriz levou seu papel na peça da Broadway de Emily Webb para o cinema nesta adaptação da peça de Thornton Wilder, pela qual atuou ao lado de William Holden. Perdeu para Ginger Rogers (Kitty Foyle). Suas atuações de destaque viriam nos épicos Os Dez Mandamentos (1956) e Ben-Hur (1959). Morreu aos 90 anos em 2003.

Greer Garson com Robert Donat em Adeus Mr. Chips (photo by forums.tcm.com)

Greer Garson com Robert Donat em Adeus, Mr. Chips (photo by forums.tcm.com)

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Indicada ao Oscar de Melhor Atriz por Adeus, Mr. Chips (1939)
Com praticamente 50% de experiência em TV e a outra de cinema, Greer Garson atuou em incontáveis filmes. Trabalhou com diretores renomados como Victor Fleming, Mervyn LeRoy e William Wyler, que lhe rendeu o Oscar de Atriz por Rosa de Esperança (1942). Em sua primeira indicação, perdeu para Vivien Leigh (…E o Vento Levou), tendo concorrido em mais 5 oportunidades. Morreu aos 91 anos em 1996.

Lawrence Tibbett em Amor de Zíngaro (photo by AP photo)

Lawrence Tibbett por Amor de Zíngaro (photo by AP photo)

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Indicado ao Oscar de Ator por Amor de Zíngaro (1930)
Conhecido por ser cantor de ópera, ele estreou no cinema com a história de um bandido russo que se apaixona por uma princesa. O filme ainda conta com a participação de Stan Laurel e Oliver Hardy, conhecidos como O Gordo e o Magro. Perdeu para George Arliss (Disraeli). Atuou em apenas mais cinco produções na década de 30, e morreu em 1960, aos 63 anos.

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‘O Mordomo da Casa Branca’ (The Butler), de Lee Daniels (2013)

O Mordomo da Casa Branca, de Lee Daniels

O Mordomo da Casa Branca, de Lee Daniels

O SUCESSO DO FILME NAS BILHETERIAS AMERICANAS AQUECE
A CORRIDA PELO OSCAR 2014 E REACENDE A QUESTÃO
DO RACISMO E O PÚBLICO NEGRO

Antes de começar, gostaria de esclarecer um fato que levantou certa ira do crítico Ricardo Calil da Folha de S. Paulo. O título original de O Mordomo da Casa Branca, The Butler, ficou impresso em alguns pôsteres como Lee Daniel’s The Butler, o que no univerno cinematográfico significa que o diretor já teria poderes de um autor consagrado como Federico Fellini a ponto de inserir o nome dele no título. Contudo, nesse caso, o estúdio Warner Bros. levantou uma queixa com a MPAA (Motion Pictures Association of America) solicitando a mudança do título, pois já existe um curta-metragem homônimo de 1916. Portanto, Lee Daniels’ The Butler foi originado por esta briga nos bastidores.

O diretor Lee Daniels no set de O Mordomo da Casa Branca (photo by www.outnow.ch)

O diretor Lee Daniels no set de O Mordomo da Casa Branca (photo by http://www.outnow.ch)

Contudo, apesar de ainda estar em seu quarto longa-metragem, Lee Daniels vem conquistando prestígio nos EUA, principalmente com as celebridades e o público afro-americanos (sim, esse termo politicamente correto). A resposta do público veio com a marca de 115 milhões de dólares nas bilheterias somente em território americano (estima-se que o orçamento é de apenas 30 milhões). Já as celebridades respondem se estapeando para conseguir um dos papéis em seus filmes.

Em seu filme anterior, Obsessão (2012), o diretor já colheu os frutos de seu primeiro sucesso Preciosa (2009). Conseguiu a vencedora do Oscar Nicole Kidman, Matthew McConaughey e John Cusack. Para este Mordomo, além de contar com Forest Whitaker (vencedor do Oscar por O Último Rei da Escócia), o diretor obteve a difícil confiança da rainha da TV, Oprah Winfrey, cuja última atuação nos cinemas se deu há 15 anos com Bem-Amada (1998). Obviamente, ela aceitou a proposta pelo projeto e pela ascensão do diretor, pois o cachê seria uma mera gorjeta. Aliás, talvez, esta relação com Lee Daniels pode ter começado quando Oprah elogiou a atriz novata Gabourey Sidibe no Oscar 2010.

Oprah Winfrey e Forest Whitaker formam o casal Gaines: premiações são esperadas (photo by www.elfilm.com)

Oprah Winfrey e Forest Whitaker formam o casal Gaines: premiações são esperadas (photo by http://www.elfilm.com)

Com os protagonistas definidos, Lee Daniels não teve muito trabalho para preencher os demais papéis secundários. Uma penca de estrelas estava disposta a baixar seus salários em prol do diretor: Jane Fonda, Robin Williams, James Marsden, Liev Schreiber, John Cusack, Minka Kelly, Cuba Gooding Jr., Terrence Howard (esses dois últimos buscam recuperar o prestígio há tempos) e Alan Rickman, o único que leva um pouco mais à sério o trabalho com tempo limitadíssimo de tela como Ronald Reagan.

Em entrevista, Lee Daniels teria confessado que convocou astros de Hollywood com receio de que o filme fosse um fracasso comercial. Claro que conferir grandes nomes interpretando políticos não deixa de ser uma atração à parte, mas no contexto geral, acaba resumindo os presidentes às caricaturas e se tornando uma distração desnecessária. Aliás, essa decisão mais comercial de Daniels prejudicou o filme como unidade. De um lado, temos o drama familiar do protagonista, do outro temos o passeio das estrelas no tapete vermelho. Sem contar a presença destoante de Mariah Carey como a mãe do protagonista. Se o diretor devia algo à cantora, deveria ter pensado em outra forma de pagamento…

Bom, mas antes, vamos à história. O Mordomo da Casa Branca é inspirado na vida de Eugene Allen, um mordomo negro que serviu a oito presidentes na Casa Branca por 34 anos. De lá, ele acompanhou de perto alguns fatos que marcaram a História americana como a Guerra do Vietnã e o Movimento dos Direitos Civis. Segundo relatos de seu filho, Allen ficou bastante afetado com o assassinato do presidente Kennedy: “Foi a primeira vez que vi meu pai chorar”. Sua vida foi retratada no livro The Butler – A Witness to History, de Wil Haygood, e poderia resultar num bom filme, mas nas mãos de Lee Daniels e toda a pressão afro-americana nas costas, acabou se tornando uma espécie de novela televisiva sobre racismo.

À direita, o mordomo Eugene Allen é cumprimentado pelo presidente Ronald Reagan e a pela primeira-dama Nancy Reagan (photo by Kevin Clark/The Washington Post/Getty Images)

À direita, o mordomo Eugene Allen é cumprimentado pelo presidente Ronald Reagan e a pela primeira-dama Nancy Reagan na vida real… (photo by Kevin Clark/The Washington Post/Getty Images)

Jane Fonda e Alan Rickman dão vida aos Reagan (photo by www.outnow.ch)

… e a Arte imita a vida: no filme, Jane Fonda e Alan Rickman dão vida aos Reagan (photo by http://www.outnow.ch)

Quando se trata de um tema polêmico, costuma valer a regra do grupo vitimado ter direito a fazer piadas. Por exemplo, falar mal de judeus é uma ofensa (Tatá Werneck que o diga!), mas quando um judeu fala mal do próprio judeu, aí tudo bem. Ele teria ‘propriedade’. Por isso, resolvi colher uma resenha de um escritor negro do jornal inglês The Guardian chamado Orville Lloyd Douglas. Em tom de desabafo, ele solta a seguinte frase: Frankly, why can’t black people get over slavery? (Francamente, por que os negros não superam a escravidão?)

Orville Lloyd Douglas, do The Guardian

Orville Lloyd Douglas, do The Guardian

No artigo, ele discute a decadência do Cinema atual, que parece viver apenas de temas do passado como a escravidão quando o foco é a raça negra. “Infelizmente, esses papéis são quase os únicos abertos aos negros. As pessoas querem que os atores negros de O Mordomo da Casa Branca e Twelve Years a Slave sejam indicados aos prêmios de melhor ator e atriz, mas isso soa como um retrocesso, quase como na era de …E o Vento Levou (quando negros ainda se sentavam no fundo das salas de cinema e os atores eram escalados apenas como serventes)”.

Outro forte concorrente ao Oscar 2014 também com tema da escravidão: Twelve Years a Slave, de Steve McQueen (photo by www.elfilm.com)

Outro forte concorrente ao Oscar 2014 também com tema da escravidão: Twelve Years a Slave, de Steve McQueen (photo by http://www.elfilm.com)

Ele acredita que esses filmes raciais, que ganharam novo fôlego com o sucesso de Django Livre, “foram criados para um público branco e liberal para gerar culpa pelos eventos do passado”. Confira o artigo completo no link: http://www.theguardian.com/commentisfree/2013/sep/12/why-im-not-watching-the-butler-12-years-a-slave

Concordo em partes com a crítica social de Douglas. Realmente, Hollywood e o Cinema poderiam produzir filmes com temáticas mais contemporâneas, pois parece que não houve progresso nas últimas décadas. Contudo, é preciso recordar a seguinte frase: “‘Lembrar para não repetir”, que se tornou uma espécie de lema político-cultural após as tragédias do Holocausto. Se não me engano, essa sentença é dita também no grande documentário Noite e Neblina (1955), de Alain Resnais.

Infelizmente, o racismo contra negros e minorias étnicas ainda existe, e aqui no Brasil não é diferente. Ainda há muito a avançar principalmente na área de educação, que exige uma reforma há décadas. Mas, em busca de solução fácil pra agregar mais votos, o PT tornou feriado o Dia da Consciência Negra e criou cotas para negros nas universidades. Essas atitudes não apagam ou sequer compensam o passado, tendo efeito igual ou pior do que o próprio racismo. Não estaria a cota negra afirmando que o beneficiado não teria capacidade própria de ingressar numa faculdade? E 50% das cotas para alunos de ensino público: por que não melhorar o ensino público para que não haja necessidade de cotas? Apesar da boa intenção, essa tática política gera mais regressão e preconceito.

Essas questões raciais também prejudicam o filme de Lee Daniels. A panfletagem deslavada ao presidente Barack Obama incomoda bastante. Não me entendam mal. Não se trata de partido político, mas a forma como Obama foi inserido no contexto, parece que ele se tornou a solução para todos as décadas de sofrimento racial, bem no estilo “agora que um negro está no poder, nossos problemas acabaram”. Essa simplicidade me faz recordar o final planfletário de A Vida é Bela, de Roberto Benigni, em que um tanque americano surge dando fim à guerra e ao sofrimento.

Falando em Benigni, o mesmo produtor Harvey Weinstein, assumiu a propaganda de O Mordomo da Casa Branca, o que certamente elevará as chances do filme no Oscar 2014. Forest Whitaker e Oprah Winfrey podem figurar nas indicações de ator e atriz coadjuvante, respectivamente. Dependendo do lobby, pode conquistar ainda indicação para melhor roteiro adaptado, direção e filme. Pra mim, apenas Whitaker merece uma chance, pois o papel de Oprah é pseudo-profundo. Criaram um alcoolismo e um senso de adultério para maquiar sua bidimensionalidade. O jovem David Oyelowo, que interpreta o filho mais velho e ativista, entrega algumas cenas boas de dramaticidade.

Forest Whitaker e David Oyelowo têm um duelo de idealismos interessante (photo by www.elfilm.com)

Forest Whitaker e David Oyelowo têm um duelo de idealismos interessante (photo by http://www.elfilm.com)

Embora O Mordomo da Casa Branca seja daqueles típicos projetos que despertam a curiosidade, o diretor Lee Daniels desperdiçou a oportunidade de adaptá-lo ao cinema. Seu trabalho mais se associa à linguagem televisiva, tanto que se fosse dividida em episódios de 40 minutos, teríamos aqui uma minissérie ótima para vencer o Emmy. Daniels busca se inspirar no filme de Robert Zemeckis, Forrest Gump – O Contador de Histórias, pelas semelhanças no passeio pela História americana, mas fica limitado pelo roteiro de Danny Strong, que busca apenas uma perspectiva da história, desperdiçando o ótimo protagonista Cecil Gaines.

Pelo resultado final desapontador, o filme merecia avaliação ruim, mas pelo potencial do projeto e das interpretações de Whitaker e Oyelowo…

AVALIAÇÃO: REGULAR