SELEÇÃO OFICIAL DE CANNES 2020!

France Cannes Film Festival Lineup

Vídeo dos presidentes de Cannes divulgando os selecionados (pic by Fairfield Citizen)

COM EVENTO CANCELADO, ORGANIZAÇÃO ANUNCIA SELEÇÃO COM 56 FILMES COM SELO OFICIAL DE CANNES

Nessa altura do campeonato, já saberíamos o vencedor da Palma de Ouro de 2020, mas como todos sabem, a pandemia da COVID jogou água no chopp francês. Após semanas aguardando algum desfecho feliz, o presidente do festival, Thierry Frémaux, viu-se obrigado a declarar derrota e o cancelamento desta edição.

Os boatos iniciais seriam de uma mescla de Cannes com o Festival de Veneza, que por enquanto, está confirmado para setembro, contudo isso foi desmentido. Como a exibição de filmes com a presença das equipes foi suspensa no tapete vermelho, restaram duas atividades. A primeira seria manter o mercado de vendas dos direitos dos filmes via streaming para compradores, e a segunda seria filtrar os filmes selecionados, vendo com os realizadores desses filmes se eles preferem aguardar um ano e serem exibidos na edição de 2021, ou se aceitam receber o selo oficial de Cannes para valorizá-los ainda nesta temporada.

Dentre os que decidiram aguardar, estaria o novo filme de Paul Verhoeven, Benedetta. Não sabemos como esse acordo teria sido firmado, mas não duvidamos que alguns  possam “trair” o festival de Cannes e arranjar uma sessão em Veneza. Já outras produções que já tinham um planejamento todo desenhado, decidiram manter o curso e aceitaram o selo de Cannes, como foi o caso do novo filme de Wes Anderson, The French Dispatch, que havia lançado trailer oficial. Embora seja uma incógnita saber qual filme levaria a Palma de Ouro, dificilmente Anderson levaria, já que não se trata de um filme com cara de prêmio de Cannes, ainda mais com o politizado Spike Lee como presidente do júri.

The French Dispatch

Cena de The French Dispatch, de Wes Anderson, com Elisabeth Moss, Owen Wilson, Tilda Swinton, Fisher Stevens e Griffin Dunne

Normalmente, a seleção oficial é dividida em mostras: a Competição, Un Certain Regard, Fora de Competição, Special Screenings e Midnight Screenings, entretanto, sem premiações, a divulgação dos filmes foram divididas de outra forma: The Faithful (Os Fiéis), com diretores que já passaram por Cannes; The Newcomers (os recém-chegados); An Omnibus Film (filme co-dirigido por vários autores); The First Features (os estreantes); 3 Documentary Films (3 documentários); 5 Comedy Films (5 comédias); e 4 Animated Films (4 animações).

SOBRE A SELEÇÃO

Segundo Frémaux, 2.067 filmes foram avaliados para chegar aos 56 finalistas. Como de costume, essas produções serão convidadas a passar em vários festivais internacionais como Locarno, Telluride, Toronto, Deauville, San Sebastian, Pusan, Angoulême, Morelia, New York, Lyon, Rome, Rio, Tokyo, Mumbai ou Mar del Plata, e Sundance.

É difícil prever quais filmes poderiam ser premiados sem assisti-los antes, ainda mais nessa situação de pandemia, mas a japonesa Naomi Kawase, que apresenta um drama sobre uma mulher que adotou uma criança e é contatada pela mãe biológica dela em True Mothers, certamente seria uma das favoritas à Palma de Ouro, também considerando seu histórico em Cannes com 5 indicações à Palma e com uma vitória do Grande Prêmio do Júri, podendo ter se tornado a segunda mulher a vencer o prêmio máximo.

No caso da dupla seleção do diretor Steve McQueen, conhecido por 12 Anos de Escravidão, ainda há dúvidas sobre o formato dos trabalhos, pois no IMDb consta que se tratam de episódios de uma minissérie de TV intitulada Small Axe, sobre a comunidade indiana em Londres entre 1969 e 1982, porém segundo a BBC Films, seriam dois filmes que fazem parte de uma série de antologia. Ao saber da seleção, o diretor logo declarou:  “Dedico estes filmes a George Floyd e todas as outras pessoas negras que foram assassinadas, com ou sem testemunhas, por quem vocês são, nos EUA, no Reino Unido ou qualquer outro lugar”, e em seguida citou um provérbio de Bob Marley: ‘If you are the big tree, we are the small axe.’ Black Lives Matter.”

Design sem nome (3)

Letitia Wright (à esquerda) em Mangrove, e à direita Lovers Rock, ambos de Steve McQueen

Uma excelente notícia para o Cinema Brasileiro é a inclusão do filme de estréia de João Paulo Miranda Maria, Casa de Antiguidades. No filme, o ator Antônio Pitanga interpreta um personagem que enfrenta o racismo de um vilarejo, ao mesmo tempo em que lida com encarnações passadas. Apesar de ser a estréia de João em longas, ele já havia vencido um prêmio em Cannes com o curta A Moça que Dançou com o Diabo. A temática racial certamente ganharia pontos com o então presidente do júri Spike Lee. Uma pena…

Casa de Antiguidades

Antônio Pitanga em cena de Casa de Antiguidades, de João Paulo Miranda Maria

Já para a temporada de premiações, que teoricamente vai ocorrer, além do filme de Wes Anderson que está com cara de que vai dominar as categorias técnicas como Design de Produção, Fotografia, Figurino, Maquiagem e Trilha Musical, temos Kate Winslet e Saoirse Ronan dando vida a um casal homossexual no século XIX na Inglaterra em Ammonite, e as animações Aya and the Witch do Studio Ghibli, e a nova animação da Pixar, Soul, que têm chances reais no Oscar.

CONFIRA A SELEÇÃO DOS 56 FILMES DE CANNES 2020:

OS FIÉIS

  • THE FRENCH DISPATCH by Wes Anderson (USA) – 1h43
  • SUMMER 85 by François Ozon (France) – 1h40
  • ASA GA KURU (True Mothers) by Naomi Kawase (Japan) – 2h20
  • LOVERS ROCK by Steve McQueen (England) – 1h08
  • MANGROVE by Steve McQueen (England) – 2h04
  • DRUK (Another Round) by Thomas Vinterberg (Denmark) – 1h55
  • Maïwenn’s DNA (DNA) (Algeria / France) – 1h30
  • LAST WORDS by Jonathan Nossiter (USA) – 2h06
  • HEAVEN: TO THE LAND OF HAPPINESS by IM Sang-Soo (Korea) – 1h40
  • EL OLVIDO QUE SEREMOS (Forgotten we’ll be) by Fernando Trueba (Spain) – 2h16
  • PENINSULA by YEON Sang-Ho (Korea) – 1h54
  • IN THE DUSK (At dusk) by Sharunas BARTAS (Lithuania) – 2h06
  • DES HOMMES (Home Front) by Lucas BELVAUX (Belgium) – 1h40
  • THE REAL THING by Kôji Fukada (Japan) – 3h48
Peninsula

A sequência do filme sul-coreano Invasão Zumbi está entre os selecionados.

OS RECÉM-CHEGADOS

  • PASSION SIMPLE by Danielle Arbid – (Lebanon) – 1h36
  • A GOOD MAN by Marie Castille Mention-Schaar (France) – 1h47
  • THE THINGS YOU SAY, THE THINGS YOU DO by Emmanuel Mouret (France) – 2h
  • SOUAD by Ayten Amin (Egypt) 1h30
  • LIMBO by Ben Sharrock (England) – 1h53
  • ROUGE (Red Soil) by Farid Bentoumi (France) – 1h26
  • SWEAT by Magnus Von Horn (Sweden) – 1h40
  • TEDDY by Ludovic and Zoran Boukherma (France) – 1h28
  • FEBRUARY (February) by Kamen Kalev (Bulgaria) – 2h05
  • AMMONITE by Francis Lee (England) – 2h
  • A NIGHT DOCTOR by Elie Wajeman (France) – 1h40
  • ENFANT TERRIBLE by Oskar Roehler (Germany) – 2h14
  • NADIA, BUTTERFLY by Pascal Plante (Canada) – 1h46
  • HERE WE ARE by Nir Bergman (Israel) – 1h34
AMMONITE

Kate Winslet e Saoirse Ronan em Ammonite, de Francis Lee 

AN OMNIBUS FILM

  • SEPTET: THE STORY OF HONG KONG by Ann Hui, Johnnie TO, Tsui Hark, Sammo Hung, Yuen Woo-Ping and Patrick Tam (Hong Kong) – 1h53

OS ESTREANTES

  • FALLING by Viggo Mortensen (USA) – 1h52
  • PLEASURE by Ninja Thyberg (Sweden) – 1h45
  • SLALOM by Charlène Favier (France) – 1h32
  • CASA DE ANTIGUIDADES (Memory House) by Joao Paulo Miranda Maria (Brazil) – 1h27
  • BROKEN KEYS (False note) by Jimmy Keyrouz (Lebanon) – 1h30
  • IBRAHIM by Samir Guesmi (France) – 1h20
  • BEGINNING (In the beginning) by Déa Kulumbegashvili (Georgia) – 2h10
  • GAGARINE by Fanny Liatard and Jérémy Trouilh (France) – 1h35
  • 16 SPRING by Suzanne Lindon (France) – 1h13
  • VAURIEN by Peter Dourountzis (France) – 1h35
  • GARÇON CHIFFON by Nicolas Maury (France) – 1h48
  • SI LE VENT TOMBE ( Should the Wind Fall ) by Nora Martirosyan (Armenia) – 1h40
  • JOHN AND THE HOLE by Pascual Sisto (USA) – 1h38
  • INTO THE WIND ( Running with the Wind ) Shujun WEI (China) – 2:36
  • THE DEATH OF CINEMA AND MY FATHER TOO ( The film Death and my father too ) Dani Rosenberg (Israel) – 1:40

3 DOCUMENTÁRIOS

  • ON THE ROUTE FOR THE BILLION ( The Billion Road ) by Dieudo Hamadi (Democratic Republic of the Congo) – 1h30
  • THE TRUFFLE HUNTERS by Michael Dweck and Gregory Kershaw (USA) – 1h24
  • 9 DAYS AT RAQQA by Xavier de Lauzanne (France) – 1h30

5 COMÉDIAS

  • ANTOINETTE IN THE CÉVÈNNES by Caroline Vignal (France) – 1h35
  • LES DEUX ALFRED by Bruno Podalydès (France) – 1h30
  • UN TRIOMPHE ( The big hit ) by Emmanuel Courcol (France) – 1h40
  • THE ORIGIN OF THE WORLD by Laurent Lafitte ( France) – 1st film
  • THE SPEECH by Laurent Tirard (France) – 1h27

4 ANIMAÇÕES

  • AYA TO MAJO (Earwig and the Witch) by Gorô Miyazaki (Japan) – 1h22
  • FLEE by Jonas Poher Rasmussen (Denmark) – 1h30
  • JOSEP by Aurel (France) – 1h20 – 1st film
  • SOUL by Pete Docter (USA) – 1h30
Soul

Cena da nova animação da Pixar, Soul, de Pete Docter, com as vozes de Jamie Foxx e Angela Bassett.

21 Animações inscritas para o Oscar 2013

O diretor Tim Burton trabalhando num dos moldes da animação Franknweenie, provável candidato a favorito ao Oscar 2013 (photo by Enterntainment Weekly)

Inscrições encerradas. O Oscar 2013 já fechou com 21 animações que se tornarão cinco finalistas. Vendo os concorrentes, dá pra fazer uma breve análise de quem tem maiores chances de chegar ao tapete vermelho. Apesar da categoria de Melhor Animação ser a mais nova da premiação com seus 11 aninhos, é possível distinguir um certo padrão nos indicados.

Regrinha número 1: Reserve uma das vagas para a PIXAR. Se lançaram um filme produzido pela Pixar, pode incluí-lo na lista. E os números são impressionantes. Dos dez vencedores do Oscar de animação, a Pixar levou o ouro seis vezes! Concorreu em oito oportunidades e perdeu em apenas duas ocasiões: Em 2002, Monstros S.A. para o imbatível Shrek. E em 2007, Carros foi batido por Happy Feet – O Pinguim. A Pixar só não chegou na reta final em uma única vez, este ano, porque Carros 2 foi nitidamente feito pra ganhar dinheiro e agradar um dos chefes da produtora e diretor do próprio filme: John Lasseter.

Procurando Nemo (2003), de Andrew Stanton. Vencedor pela Pixar em 2004 foi relançado nas salas de cinema este ano no formato 3D.

Em 2013, a Pixar deve voltar a concorrer pelo novo trabalho Valente, de Mark Andrews e Brenda Chapman. Não sei se tentaram ir na onda do sucesso de Como Treinar Seu Dragão, mas a temática viking não fez o sucesso que se esperava. Por se tratar de uma animação com o selo da Pixar, a bilheteria costuma ficar garantida e a vaga no Oscar também, mas deve se tornar a terceira derrota da produtora.

Regrinha número 2: Traga material estrangeiro para a categoria. O segundo Oscar de animação foi para o pioneiro Hayao Miyazaki e seu belíssimo filme A Viagem de Chihiro. Nos anos seguintes, a Academia pegou esse costume de tentar trazer sempre produções internacionais, valorizando a categoria, os artistas responsáveis e a audiência na TV. Além do Japão de Miyazaki, que voltou a concorrer em 2006 com O Castelo Animado, a França se destacou com As Bicicletas de Belleville e O Mágico, ambos de Sylvain Chomet, com Persepolis, de Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud, e este ano com o espanhol Chico & Rita, de Tono Errando, Javier Mariscal e Fernando Trueba, e o francês Um Gato em Paris, de Jean-Loup Felicioli e Alain Gagnol.

As Bicicletas de Belleville (2003), de Sylvain Chomet, marcou a estréia da França na categoria. Merecia o Oscar.

Independente dos motivos comerciais e de audiência do Oscar, a presença da diversidade internacional ressalta a qualidade de trabalhos feitos fora do território americano, dominado pela técnica de 3D (animações tridimensionais como as da Pixar). As animações cresceram bastante com o 3D, mas pra mim, o 2D tem muito mais charme.

Regrinha número 3: Não se trata exatamente de um regra, mas uma tendência. Nos últimos anos, alguns diretores de filmes com atores vêm se aventurando no gênero da animação. O primeiro diretor sem tradição com desenho a ganhar o Oscar da categoria foi George Miller com Happy Feet – O Pinguim em 2007. Miller ficou mais conhecido pela trilogia do violento Mad Max, estrelada pelo jovem Mel Gibson. Este ano, o vencedor Rango foi dirigido por Gore Verbinski, cuja filmografia inclui Piratas do Caribe – A Maldição do Pérola Negra e O Chamado.

Quando as pessoas ainda estavam na onda “fofa” dos pinguins de A Marcha dos Pinguins, Happy Feet – O Pinguim (2006), de George Miller, foi o vencedor da categoria por causa de sua alta bilheteria. Mas quem realmente merecia era A Casa Monstro, de Gil Kenan.

Em 2013, Tim Burton pode se juntar a essa tendência. Embora tenha realizado alguns curtas de animação (como o próprio curta Frankenweenie, de 1984, que dá origem ao longa) e o longa Noiva-Cadáver (2005), que lhe rendeu a primeira e única indicação ao Oscar, o diretor ficou bem mais marcado por trabalhos com atores como Edward Mãos-de-Tesoura (1990), Ed Wood (1994) e A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça (1999).

DOS CONCORRENTES DE 2013

Como a Academia fez a pré-seleção com 21 candidatos, isso significa que haverão cinco finalistas. Para que isso aconteça, é necessário o mínimo de 16 produções. Abaixo disso, a categoria teria apenas 3 finalistas.

Obviamente, não conferi todos os 21 filmes, mas dei uma olhada em cada um e cheguei a algumas conclusões. Primeiro, vamos conferir a lista das 21 animações, em ordem alfabética:

Frankenweenie, de Tim Burton: Favorito ao Oscar 2013.

Delhi Safari, de Nikhil Advani (Índia)

Detona Ralph (Wreck-It Ralph), de Rich Moore (EUA)

A Era do Gelo 4 (Ice Age Continental Drift), de Steve Martino e Mike Thurmeier (EUA)

Frankenweenie (Frankenweenie), de Tim Burton (EUA)

From Up on Poppy Hill (Kokuriko-zaka Kara), de Goro Miyazaki (Japão)

O Gato do Rabino (Le Chat du Rabbin), de Antoine Delesvaux e Joann Sfar (França/ Áustria)

Hey Krishna (Krishna Aur Kans), de Vikram Veturi (Índia)

Hotel Transilvânia (Hotel Transylvania), de Genndy Tartakovsky (EUA)

A Liar’s Autobiography: The Untrue Story of Monty Python’s Graham Chapman, de Bill Jones, Jeff Simpson e Ben Timlett (Reino Unido)

O Lorax: Em Busca da Trúfula Perdida (Dr. Seuss’ The Lorax), de Chris Renauld (EUA)

Madagascar 3: Os Procurados (Madagascar 3: Europe’s Most Wanted), de Eric Darnell, Tom McGrath e Conrad Vernon (EUA)

The Mystical Laws (Shinpi no hô), de Isamu Imakake (Japão)

A Origem dos Guardiões (Rise of the Guardians), de Peter Ramsey (EUA)

The Painting (Le Tableau), de Jean-François Laguionie (França)

ParaNorman (ParaNorman), de Chris Butler e Sam Fell (EUA)

Piratas Pirados! (The Pirates! Band of Misfits), de Peter Lord (Reino Unido/ EUA)

Tinker Bell: O Segredo das Fadas (Secret of the Wings), de Roberts Gannaway e Peggy Holmes (EUA)

Valente (Brave), de Mark Andrews e Brenda Chapman (EUA)

Walter & Tandoori’s Christmas (Le Noël de Walter et Tandoori), de Sylvain Viau (Canadá)

Zambezia, de Wayne Thornley (África do Sul)

Zarafa, de Rémi Bezançon e Jean-Christophe Lie (França/ Bélgica)

Piratas Pirados!, de Peter Lord: animação de massinha muito bem representado.

Como realizador, só o fato de ter seu filme lançado numa sala de cinema já seria motivo de orgulho. Imagine então tê-lo nessa lista! Apesar da quantidade de animações lançadas em um ano ser bem inferior ao de filmes com atores (live-action), ainda assim, trata-se de uma seleção oficial da Academia. Contudo, alguns desses trabalhos não devem seguir adiante na classificação como são os casos de Tinker Bell: O Segredo das Fadas e Walter & Tandoori’s Christmas, por se tratarem de filmes mais comuns.

Voltando ao tema da diversidade internacional, acho muito bacana ver uma produção sul-africana na lista. Apesar de Zambezia parecer um clone genérico de Madagascar, vale pelo incentivo aos artistas do continente africano, que têm orçamento bastante reduzido. As animações indianas Delhi Safari e Hey Krishna também não vão muito longe no âmbito visual, mas para quem achava que a Índia só tinha musicais à la Bollywood, aí está a prova de que existe diversidade em todos os países.

Tirando Frankenweenie e Valente, que já são presença certa entre os indicados pelos motivos citados no início do post, não existem mais favoritismos. Porém, por se tratar da única animação feita com massinha, Piratas Pirados! tem boas chances de concorrer. Além de reforçar a diversidade, a Academia já comprovou que gosta dessa técnica de stop-motion ao premiar Wallace & Grommit – A Batalha dos Vegetais, de Steve Box e Nick Park, em 2006.

Detona Ralph pode se tornar uma grata surpresa na lista pelo sucesso de público.

Outro detalhe que faz diferença é a bilheteria da animação. Nesse quesito, Detona Ralph, que conta com vários personagens do universo do video-game, estreou semana passada em primeiro lugar nos EUA, com 49 milhões de dólares. É lógico que os números não se comparam a uma estréia da Pixar, que costuma superar os 100 milhões, mas devemos considerar como um sucesso grande nessa reta final. Vale lembrar que o simpático Hotel Transilvânia está na sua sexta semana em cartaz e já faturou 137 milhões.

Não acredito que a Academia vá compensar com uma indicação as sequências A Era do Gelo 4 e Madagascar 3 – Os Procurados, mas não podemos ignorar que Shrek 2 e Kung Fu Panda 2 já foram finalistas. Isso acabaria abrindo uma bela brecha para que a produção com visual mais caprichado entre na roda: o francês The Painting (Le Tableau), que mexe com pinturas e surrealismo. Por mais que não agrade alguns votantes, é inegável a qualidade estética da animação de Jean-François Laguionie, um veterano que já dirigiu sete curtas e quatro longas. Deve e merece ser indicado. Veja a foto abaixo e tente discordar:

The Painting (Le Tableau): um espetáculo visual que merece maior exposição internacional

Ainda vale citar alguns trabalhos que podem surpreender como o japonês From Up on Poppy Hill, dirigido pelo filho de Hayao Miyazaki, Goro Miyazaki. O Gato do Rabino seria uma segunda opção para a França, caso The Painting não passe, ainda mais que contém elementos da religião judaica, muito forte entre os votantes da Academia. Eu também citaria ParaNorman pelo sucesso que fez em solo americano, mas talvez o fato de ter algumas semelhanças mórbidas com Frankenweenie atrapalhe na seleção.

E pra fechar, gostaria muito de ver o alternativo britânico A Liar’s Autobiography: The Untrue Story of Monty Python’s Graham Chapman entre os indicados. A animação que mistura várias técnicas diferentes como 2D, 3D, pintura e colagem pra contar a história de Graham Chapman, criador do grupo de humor Monty Phyton já vale pela idéia genial. Resta saber se os votantes têm a cabeça aberta para algo mais incomum, pois infelizmente, a maioria ainda acredita que animação é obrigatoriamente material infanto-juvenil. Vamos crescer, né?

A Liar’s Autobiography: The Untrue Story of Monty Python’s Graham Chapman: uma das cenas que contém colagem. Será que cola na Academia?

Então, sem mais delongas, minha lista de palpites ficaria assim: (Seria uma mistura das minhas apostas com o que gostaria de ver na categoria)

Detona Ralph

Frankenweenie

The Painting

Piratas Pirados!

Valente

Valente: aposta certa da Pixar, mas não detém o favoritismo desta vez

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