‘HOMEM-ARANHA NO ARANHAVERSO’ ACUMULA 7 PRÊMIOS no ANNIE AWARDS

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Sete Annies para Homem-Aranha no Aranhaverso: um prêmio para cada versão aracnídea (pic by OutNow.CH)

No último fim de semana, aconteceu o 46º Annie Awards, considerado o Oscar das animações. Apesar dos recordistas de indicações terem sido Os Incríveis 2 e WiFi Ralph: Quebrando a Internet, foi a surpreendente animação da Sony Homem-Aranha no Aranhaverso que levou a melhor, conquistando todos os sete Annies a que estava indicado!

A escalada da animação do personagem da Marvel começou no final do ano passado, quando as bilheterias estouraram, seguida pelas vitórias no Globo de Ouro e no Critics’ Choice Awards, e há poucos dias venceu o Eddie Awards de montagem. O Annie apenas confirmou seu favoritismo, concedendo o maior prêmio da noite para Homem-Aranha no Aranhaverso.

Isso significa que o filme já garantiu o Oscar? Se fosse ano passado, poderíamos praticamente garantir, mas as regras da categoria mudaram. A partir deste ano, para eleger o Melhor Longa de Animação, os votos serão preferenciais como na votação de Melhor Filme, ou seja, o trabalho que apresentar a melhor média de notas vencerá. E isso pode ser um baita revés para o aracnídeo, pois muitos votantes idosos devem preferir animações mais conservadoras como WiFi Ralph.

Pela categoria de Animação Independente, o vencedor foi o japonês Mirai, de Mamoru Hosoda, que recentemente foi indicado ao Oscar pela primeira vez. Apesar de não ser uma produção do Studio Ghibli de Hayao Miyazaki, as animações nipônicas costumam ter lugar cativo nesta categoria do Oscar. Só está faltando mesmo mais estatuetas, já que a única animação em língua estrangeira a vencer em 17 anos foi A Viagem de Chihiro em 2002. Mirai concorria com a animação brasileira intitulada Tito e os Pássaros, que já tem data de lançamento marcada para março em Portugal e abril na França, mas sequer tem previsão no Brasil. Que pena.

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Cena de Mirai, vencedor do Annie de Longa de Animação Independente (pic by OutNow.CH)

Vencedores do 46º Annie Awards:

MELHOR LONGA DE ANIMAÇÃO

  • Homem-Aranha no Aranhaverso (Spider-Man: Into the Spider-Verse), Sony Pictures Animation

MELHOR LONGA DE ANIMAÇÃO INDEPENDENTE

  • Mirai, Studio Chizu

MELHOR PRODUÇÃO ANIMADA ESPECIAL

  • O Retorno de Mary Poppins

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO

  • Weekends

MELHORES EFEITOS ANIMADOS EM LONGA DE ANIMAÇÃO

  • Cesar Velazquez, Marie Tollec, Alexander Moaveni, Peter DeMund, Ian J. Coony (Wifi Ralph: Quebrando a Internet)

MELHOR ANIMAÇÃO DE PERSONAGEM EM LONGA DE ANIMAÇÃO

  • David Han (Homem-Aranha no Aranhaverso), Personagens: múltiplos

MELHOR ANIMAÇÃO DE PERSONAGEM EM FILME LIVE ACTION

  • Chris Sauve, James Baxter, Sandro Cleuzo (O Retorno de Mary Poppins)

MELHOR DESIGN DE PERSONAGENS EM LONGA DE ANIMAÇÃO

  • Shiyoon Kim (Homem-Aranha no Aranhaverso) Personagens: Uncle Aaron, Rio, Peter, Miles, King Pin, Gwen, Aunt May, Goblin, Jefferson

MELHOR DIREÇÃO DE LONGA DE ANIMAÇÃO

  • Bob Persichetti, Rodney Rothman e Peter Ramsey (Homem-Aranha no Aranhaverso)

MELHOR TRILHA MUSICAL EM LONGA DE ANIMAÇÃO

  • Michael Giacchino (Os Incríveis 2)

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO EM LONGA DE ANIMAÇÃO

  • Justin K. Thompson (Homem-Aranha no Aranhaverso)

MELHOR STORYBOARD EM LONGA DE ANIMAÇÃO

  • Dean Kelly (Os Incríveis 2)

MELHOR DUBLAGEM EM LONGA DE ANIMAÇÃO

  • Bryan Cranston (Ilha de Cachorros) Personagem: Chief

MELHOR ROTEIRO EM LONGA DE ANIMAÇÃO

  • Phil Lord e Rodney Rothman (Homem-Aranha no Aranhaverso)

MELHOR MONTAGEM EM LONGA DE ANIMAÇÃO

  • Bob Fisher, Andrew Levinton, Vivek Sharma (Homem-Aranha no Aranhaverso)
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Bryan Cranston venceu o Annie de Melhor Dublagem em Longa de Animação por Ilha dos Cachorros (pic by OutNow.CH)

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A 91ª cerimônia do Oscar acontece no dia 24 de fevereiro.

 

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‘ROMA’ é ELEITO o MELHOR FILME pelos CRÍTICOS de LOS ANGELES

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Cena de Roma, vencedor dos prêmios de Melhor Filme e Melhor Fotografia no LAFCA (pic by IMDb)

APÓS CONQUISTAR NYFCC, FILME DO MEXICANO ALFONSO CUARÓN REPETE FEITO NO LAFCA

Seguindo o calendário dos prêmios da crítica, chegou a vez de Los Angeles. O que mais gosto do povo de LA é a mente aberta que eles têm em relação aos filmes em língua estrangeira. Todo ano, eles dão algum jeito de conceder um prêmio (além da própria categoria, claro). Normalmente, eles gostam de premiar atrizes estrangeiras. Foi assim com a belga Yolande Moreau, as sul-coreanas Do-yeon Jeon e Jeong-hie Yun, a polonesa Agata Kulesza e as francesas Marion Cotillard, Adèle Exarchopoulos e Isabelle Huppert. Infelizmente, a Academia ainda tem certo preconceito em premiar atuações em idioma estrangeiro, tanto que dessas acima, a única oscarizada foi Cotillard em 2008.

Ainda em comparação ao Oscar, o Los Angeles Film Critics Association (LAFCA) não tem das melhores estatísticas. Dos últimos dez anos, acertou apenas 3 vezes, porém dois foram recentes: Moonlight e Spotlight. Ao que me parece também, as escolhas deste seleto grupo de críticos tende ao humanismo. Eles costumam selecionar produções e performances que apresentem maior ênfase no drama humanista.

Já em relação aos prêmios anteriores, o LAFCA foi na cola de seus colegas nova-iorquinos ao reconhecer Roma como Melhor Filme do ano e a Melhor Fotografia, porém, a melhor Direção ficou com Debra Granik por Não Deixe Rastros. À princípio, não soa como uma escolha politicamente correta, contudo se fosse optar por uma diretora, escolheria Marielle Heller por Poderia Me Perdoar?.

Leave no Trace Ben Foster

Não Deixe Rastros levou o prêmio de Direção para Debra Granik e seu ator, Ben Foster, ficou com o segundo lugar (pic by IMDb)

Pelas categorias de atuação, houve duas surpresas: a inclusão de Ben Foster (pelo mesmo Não Deixe Rastros) como 2º lugar de Ethan Hawke (que tenta se recuperar da ausência do Globo de Ouro) como Melhor Ator – a maioria acreditava em Bradley Cooper, Christian Bale ou Viggo Mortensen; e a premiação de Steven Yeun como Coadjuvante pelo ótimo filme sul-coreano Em Chamas, que também levou o prêmio de Melhor Filme em Língua Estrangeira ao lado do japonês Assunto de Família. Lembra que falei que os críticos de LA adoram abraçar os atores estrangeiros?

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Vencedor de Melhor Ator Coadjuvante, Steven Yeun como o enigmático Ben do filme sul-coreano Em Chamas (pic by IMDb)

Na ala feminina, Olivia Colman e Toni Collette estão representando bem as atrizes como vencedora e segundo lugar de Melhor Atriz, enquanto Regina King acumula mais um prêmio de Coadjuvante, e Elizabeth Debicki, mesmo em segundo lugar, ajuda Viúvas a se destacar na temporada.

Na categoria de Documentário, destaque para a vitória de Shirkers, de Sandi Tan. A produção modesta, porém bastante criativa, já está no catálogo brasileiro da Netflix para conferir. Já o Melhor Longa de Animação foi para o surpreendente Homem-Aranha no Aranhaverso, que conseguiu a proeza de bater o segundo lugar da Pixar, Os Incríveis 2. A grande questão é: “E Ilha dos Cachorros?” Não vai ganhar nada?

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Shirkers, o documentário sobre o filme perdido dos anos 90, ganha como Melhor Documentário (pic by IMDb)

Dos prêmios especiais, merecido o reconhecimento da diretora chinesa Chloé Zhao pelo humilde e tocante Domando o Destino. Não poderia faltar um citação especial para o último trabalho do mestre Orson Welles por The Other Side of the Wind. E o prêmio pelo conjunto da obra para um dos maiores animadores da história do Cinema: o japonês Hayao Miyazaki, responsável por clássicos da animação como Meu Vizinho Totoro, A Viagem de Chihiro e O Castelo Animado.

VENCEDORES DO 44º LAFCA (2018):

MELHOR FILME: Roma (Roma)
2º lugar: Em Chamas (Beoning)

MELHOR DIRETOR: Debra Granik (Não Deixe Rastros)
2º lugar: Alfonso Cuarón (Roma)

MELHOR ATOR: Ethan Hawke (First Reformed)
2º lugar: Ben Foster (Não Deixe Rastros)

MELHOR ATRIZ: Olivia Colman (A Favorita)
2º lugar: Toni Collette (Hereditário)

MELHOR ATOR COADJUVANTE: Steven Yeun (Em Chamas)
2º lugar: Hugh Grant (Paddington 2)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Regina King (Se a Rua Beale Falasse)
2º lugar: Elizabeth Debicki (Viúvas)

MELHOR ROTEIRO: Nicole Holofcener, Jeff Whitty (Poderia Me Perdoar?)
2º lugar: Deborah Davis, Tony McNamara (A Favorita)

MELHOR FOTOGRAFIA: Alfonso Cuarón (Roma)
2º lugar: James Laxton (Se a Rua Beale Falasse)

MELHOR MONTAGEM: Joshua Altman, Bing Liu (Minding the Gap)
2º lugar: Alfonso Cuarón, Adam Gough (Roma)

MELHOR TRILHA MUSICAL: Nicholas Brittel (Se a Rua Beale Falasse)
2º lugar: Justin Hurwitz (O Primeiro Homem)

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE: Hannah Beachler (Pantera Negra)
2º lugar: Fiona Crombie (A Favorita)

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA: Em Chamas, de Lee Chang-dong (CORÉIA DO SUL) e Assunto de Família, de Hirokazu Koreeda (JAPÃO) – EMPATE

MELHOR LONGA DE ANIMAÇÃO: Homem-Aranha no Aranhaverso (Spider-Man into the Spiderverse), de Bob Persichetti, Peter Ramsey, Rodney Rothman
2º lugar: Os Incríveis 2 (Incredibles 2), de Brad Bird

MELHOR DOCUMENTÁRIO: Shirkers, de Sandi Tan
2º lugar: Minding the Gap, de Bing Liu

PRÊMIO DOUGLAS EDWARDS PARA FILME EXPERIMENTAL: Green Frog, de Evan Johnson, Galen Johnson e Guy Maddin

PRÊMIO NEW GENERATION: Chloé Zhao (Domando o Destino)

CITAÇÃO ESPECIAL: The Other Side of the Wind, de Orson Welles

PRÊMIO PELO CONJUNTO DA OBRA: Hayao Miyazaki

‘Elle’ fica de fora do Oscar de Filme em Língua Estrangeira. E agora, Academia?

O representante alemão Toni Erdmann, de Maren Ade., agora favorito na categoria. Pic by moviepilot.de

O representante alemão Toni Erdmann, de Maren Ade, agora favorito na categoria. Pic by moviepilot.de

MAIS UMA VEZ, UM DOS FILMES FAVORITOS AO PRÊMIO FICA DE FORA

A Academia divulgou a pré-lista dos nove filmes em língua estrangeira que ainda concorrem às cinco indicações ao Oscar. Então, daqueles 85 filmes que representavam seus países, restaram apenas nove produções:

  • Tanna
    Dir: Martin Butler e Bentley Dean (Austrália)
  • Toni Erdmann
    Dir: Maren Ade (Alemanha)
  • É Apenas o Fim do Mundo (Just La Fin du Monde)
    Dir: Xavier Dolan (Canadá)
  • O Apartamento (Forushande)
    Dir: Asghar Farhadi (Irã)
  • Terra de Minas (Under Sandet)
    Dir: Martin Zandvliet (Dinamarca)
  • The King’s Choice (Kongens Nei)
    Dir: Eric Poppe (Noruega)
  • Paradise (Ray)
    Dir: Andrey Konchalovskiy (Rússia)
  • Um Homem Chamado Ove (En Man Som Heter Over)
    Dir: Hannes Holm (Suécia)
  • My Life as a Zucchini (Ma Vie de Courgette)
    Dir: Claude Barras (Suíça)

Pra quem não conhece o sistema atual, dos 85 filmes vistos pelo departamento de Filmes em Língua Estrangeira nos últimos dois meses, os seis mais bem votados se juntam a outros 3 selecionados por um comitê executivo especial, que foi criado para assegurar 3 votos para produções mais pertinentes.

Quando soube que o filme Elle, representante francês e favorito ao prêmio até então, ficou de fora logo na pré-lista do Oscar, confesso que tive uma mistura de sentimentos. No começo foi “Não acredito nisso” com um “Ah, eu já sabia… já tinha previsto no blog”, mas no geral fiquei chateado com a eliminação precoce de um filme ousado na abordagem do tema do estupro. Na verdade, desde que a França lançou o filme como representante em outubro, já torcia por ele, porque foi uma escolha igualmente ousada, afinal, todas as comissões internacionais sabem que os votantes da Academia que elegem os indicados e vencedores são em sua maioria senhores idosos brancos e judeus.  Por isso eles sempre estão selecionando produções com temática da Segunda Guerra Mundial e do Holocausto, porque sabem que terão maiores chances.

A ausência de Elle na corrida também significa a perda de uma ótima oportunidade de premiar seu diretor, o  holandês Paul Verhoeven, que rendeu muito dinheiro e prestígio à Hollywood nos anos 80 e 90, com as produções de RoboCop – O Policial do Futuro (1987), O Vingador do Futuro (1990), Instinto Selvagem (1992) e Tropas Estelares (1997). Graças a diretores como ele, não faltou coragem e ousadia nos filmes americanos nessas duas décadas, afastando o politicamente correto. Claro que o histórico de um artista não deveria influenciar numa escolha atual, mas nesse caso, o filme em si já justificaria sua indicação.

O diretor Paul Verhoeven dirige uma Isabelle Huppert estirada no chão no set de Elle. Pic by moviepilot.de

O diretor Paul Verhoeven dirige uma Isabelle Huppert estirada no chão no set de Elle. Pic by moviepilot.de

A aversão dos votantes a temas polêmicos também pode ter prejudicado bastante a campanha de Isabelle Huppert como Melhor Atriz. Ela vinha coletando uma série de prêmios importantes como o NYFCC, LAFCA e indicações para o Critics’ Choice e Globo de Ouro, mas depois de sua exclusão do SAG e agora de seu filme da categoria de Filme em Língua Estrangeira, sua primeira indicação ao Oscar pode não estar mais 100% garantida. Apesar dos reveses, ainda acredito em sua indicação, mas a vitória… ah, essa está difícil! Quem sabe se ela ganhar o BAFTA?

Mas parando de chorar sobre o leite derramado, a Academia pode pisar na bola muitas vezes, mas ela sempre busca reforçar a idéia de que os filmes selecionados podem surpreender o espectador. Aliás, muitos dos críticos que abominaram a ausência de Elle sequer viram todos os nove pré-indicados. Particularmente, eu nunca tinha ouvido falar do norueguês The King’s Choice ou o representante sueco Um Homem Chamado Ove, então como dá pra alegar se eles são menos merecedores de uma indicação, certo? Eu só fico receoso se o filme for sobre o Holocausto…

Cena do norueguês The King's Choice. Pic by cine.gr

Cena do norueguês The King’s Choice. Pic by cine.gr

Do histórico mais recente da categoria, a Academia surpreendeu, sim, ao indicar produções pouco conhecidas de países que não tem quase produção cinematográfica. Para citar alguns: O Lobo do Deserto (Jordânia), O Abraço da Serpente (Colômbia), Tangerinas (Estônia), Timbuktu (Mauritânia) e A Imagem que Falta (Camboja). Infelizmente, nenhum deles saiu vitorioso da cerimônia. Aliás, tá difícil de lembrar quando foi a última vez que a Academia surpreendeu no vencedor da categoria… o Oscar para o bósnio Terra de Ninguém em 2002 talvez?

Bom, quanto aos selecionados, à princípio, os favoritos são o alemão Toni Erdmann e o iraniano O Apartamento. Curiosamente, ambos estavam indicados à Palma de Ouro em Cannes em maio. O filme alemão de Maren Ade também foi indicado ao Independent Spirit, Globo de Ouro e levou o NYFCC. Já o iraiano de Asghar Farhadi, vencedor do Oscar em 2012 por A Separação, foi indicado ao Globo de Ouro, e levou o National Board of Review e os prêmios de Melhor Ator (Shahab Hosseini) e Roteiro (Farhadi) em Cannes.

Cena de O Apartamento, de Asghar Farhadi. Em cena: Shahab Hosseini e Taraneh Alidoosti. Pic by cine.gr

Cena do representante iraniano O Apartamento, de Asghar Farhadi. Em cena: Shahab Hosseini e Taraneh Alidoosti. Pic by cine.gr

O representante da Suíça tem uma curiosidade: pode ser indicado tanto como Filme em Língua Estrangeira quanto Longa de Animação. My Life as a Zucchini é uma delicada animação stop-motion sobre um menino que é levado para um orfanato depois que sua mãe morre. Da última vez que um filme esteve na mesma situação, Vidas ao Vento (2013), de Hayao Miyazaki, acabou indicado a Melhor Longa de Animação, mas perdeu para Frozen: Uma Aventura Congelante.

Cena da animação suíça My Life as a Zucchini, que também concorre como Longa de Animação. Pic by moviepilot.de

Cena da animação suíça My Life as a Zucchini, que também concorre como Longa de Animação. Pic by moviepilot.de

A pré-indicação de Terra de Minas consolida o cinema dinamarquês como um dos mais prolixos dos últimos anos. São 5 indicações nos últimos dez anos: Guerra em 2016, A Caça em 2014, O Amante da Rainha em 2013, Em um Mundo Melhor em 2011 (vencedor do Oscar) e Depois do Casamento em 2007. A produção dinamarquesa foi bastante influenciada pelo movimento Dogma 95, que tinha fundamentos como não usar iluminação artificial, tripé e roteiro, e tinha como seguidores Lars von Trier, Thomas Vinterberg e Susanne Bier. Hoje, o cinema da Dinamarca amadureceu, abandonou essas regras, mas mantém a importância da história como essência. Terra de Minas se trata de um grupo que tem a missão de cavar buracos para 2 milhões de minas terrestres.

Cena do representante dinamarquês, Terra de Minas. Pic by moviepilot.de

Cena do representante dinamarquês, Terra de Minas. Pic by moviepilot.de

Acredito que entre os três votados pelo comitê especial tenha sido o canadense É Apenas o Fim do Mundo. Não tanto pelo jovem diretor Xavier Dolan, que levou o Grande Prêmio do Júri em Cannes, mas mais pelo elenco francês composto por Marion Cotillard, Vincent Cassel, Nathalie Baye e Léa Seydoux, pois não é o tipo de filme que os votantes mais idosos apreciariam pelo ritmo mais frenético.

Cena de É Apenas o Fim do Mundo, de Xavier Dolan, com Marion Cotillard e Vincent Cassel. Pic by moviepilot.de

Cena do canadense É Apenas o Fim do Mundo, de Xavier Dolan, com Marion Cotillard e Vincent Cassel. Pic by moviepilot.de

Já o norueguês The King’s Choice e o russo Paradise apresentam essas tramas da Segunda Guerra. O primeiro tem o rei da Noruega precisando fazer uma importante decisão quando as máquinas alemãs chegam a Oslo em 1940, enquanto o segundo apresenta o cruzamento de três pessoas durante a guerra: uma russa, uma francesa e um oficial alemão. Já o sueco, Um Homem Chamado Ove, é uma comédia de humor negro em que o protagonista é um idoso reclamão (identificação com os votantes?) que decide abandonar sua cidade. Enquanto o australiano Tanna oferece uma interessante e bela releitura de uma briga entre duas tribos que habitam uma ilha no Pacífico. Se esses filmes são melhores do que Elle? Só conferindo todos pra poder analisar de fato.

Filme preto-e-branco sobre personagens da Segunda Guerra Mundial no russo Paradise. Pic by moviepilot.de

Filme preto-e-branco sobre personagens da Segunda Guerra Mundial no russo Paradise. Pic by moviepilot.de

Rolfe Lassgard como Ove em Um Homem Chamado Ove, representante sueco. Pic by moviepilot.de

Rolfe Lassgard como Ove em Um Homem Chamado Ove, representante sueco. Pic by moviepilot.de

Cena de Tanna, representante austraiano. Pic by cine.gr

Cena de Tanna, representante australiano. Pic by cine.gr

 

OPORTUNIDADES PERDIDAS

Como Aquarius não foi selecionado pela comissão brasileira (via Michel Temer), o representante Pequeno Segredo ficou de fora. Era óbvio que o dramalhão familiar não avançaria, por mais que seu diretor David Schurmann jurasse de pé junto que seu filme tinha um tema universal que conquistaria a Academia. Aquarius foi sabotado, sim. Assim como Boi Neon, de Gabriel Mascaro. E é uma pena, pois havia grandes chances do Brasil voltar a concorrer ao Oscar após 17 anos depois de Central do Brasil.

O mesmo aconteceu com o representante da Coréia do Sul, país asiático que nunca foi indicado ao Oscar. Seu filme mais forte do ano é The Handmaiden, de Park Chan-wook, mas devido a conflitos políticos com a então presidente Park Geun-hye (hoje fora do governo por processo de impeachment), o filme não foi selecionado. O escolhido The Age of Shadows também ficou de fora. E mais uma ótima oportunidade foi desperdiçada. Por apresentar intensas cenas de sexo, The Handmaiden provavelmente teria que ser salvo pelo comitê especial, mas de qualquer forma, o filme pode concorrer em categorias técnicas como Fotografia, Direção de Arte e Figurino.

Sônia Braga em cena de Aquarius, preterido pela comissão brasileira para o Oscar. Pic by moviepilot.de

Sônia Braga em cena de Aquarius, preterido pela comissão brasileira para o Oscar. Pic by moviepilot.de

Entre os excluídos mais famosos estão o espanhol Julieta, de Pedro Almodóvar, e o chileno Neruda, de Pablo Larraín, que pode concorrer como diretor por Jackie, estrelado por Natalie Portman.

ROLA UMA REFORMA?

Por mais que descubramos produções interessantes através das indicações da Academia, uma reforma no sistema de votação ainda precisa ser implantada. Já citei aqui anteriormente uma solução que agradaria gregos e troianos: aumentar para 10 indicados a Melhor Filme em Língua Estrangeira! Ou pelo menos algo maleável como a categoria de Melhor Filme hoje, que varia de 5 a 10 indicados. Seria algo mais justo, já que são 85 países disputando 5 vagas. E a divisão de votos entre o departamento e a comissão especial ser alterada para 50% a 50%.  Hoje são 2/3 para o departamento e 1/3 para a comissão. Seria algo tão impossível assim para o conservadorismo da Academia?

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As indicações ao Oscar 2017 serão anunciadas no dia 24 de janeiro.

Jackie Chan, Anne Coates, Lynn Stalmaster e Frederick Wiseman serão os homenageados do Governors Awards

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Da esquerda para direita: Jackie Chan, Anne V. Coates, Lynn Stalmaster e Frederick Wiseman (photo by Rex/Shutterstock/ Invision/AP through Variety)

HOMENAGEADOS ABRANGEM 4 ÁREAS DISTINTAS:
ATUAÇÃO, MONTAGEM, CASTING E DOCUMENTÁRIO

Olá, gente! Primeiramente, gostaria de pedir desculpas pelo atraso em postar aqui. Recentemente, mudei de residência e com isso, acabei não postando os indicados ao Festival de Veneza! Quando os vencedores forem divulgados, prometo que postarei.

Bom, a Academia revelou esta semana os profissionais que serão homenageados na cerimônia Governors Awards, que acontece no próximo dia 12 de novembro: o ator Jackie Chan, a montadora Anne V. Coates, o diretor de casting Lynn Stalmaster e o documentarista Frederick Wiseman.

“O Oscar Honorário foi criado para artistas como Jackie Chan, Anne Coates, Lynn Stalmaster e Frederick Wiseman – verdadeiros pioneiros e lendas em seus respectivos ofícios,” declarou a presidente da Academia Cheryl Boone Isaacs. “O conselho se orgulha por honrar suas extraordinárias conquistas, e esperamos ansiosamente para celebrar com eles no Governors Awards em Novembro.”

Após a atitude abrangedora da presidente Isaacs através dos convites para membros de todas as raças e nacionalidades, homenagear o hong-konguês Jackie Chan e a britânica Anne Coates parece ser uma nova extensão de sua política acolhedora.

Li alguns comentários de internautas perguntando: “O que Jackie Chan fez para merecer essa homenagem?” Se formos pela lógica da idade, comparado aos demais homenageados desta edição, Jackie realmente é um bebê, mas vale lembrar que ele já tem seus 62 anos. Já pela lógica de merecimento, temos que reconhecer que se trata de um ator internacional, que já atuou, escreveu, dirigiu e produziu mais de 30 filmes de artes marciais em Hong Kong. Dentre seus filmes mais famosos estão A Hora do Rush (trilogia), Bater ou Correr, a refilmagem de Karatê Kid e a trilogia de animação Kung Fu Panda.

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Jackie Chan ao lado de Chris Tucker em cena de A Hora do Rush 2 (photo by New Line Cinema)

Além disso, acredito que o Oscar Honorário também tem esse propósito de premiar profissionais que dificilmente concorrerão ao Oscar competitivo. Claro que Jackie Chan pode interpretar um papel bem dramático e acabar ganhando a estatueta, mas as chances disso acontecer são mínimas. E vale lembrar aqui de Bruce Lee, outra lenda dos filmes de artes marciais. Tenho certeza de que se ele tivesse vivido por mais tempo, a Academia teria lhe reservado um Oscar Honorário.

Dos 4 homenageados, apenas Anne V. Coates foi indicada e venceu o Oscar. Sua vitória foi pelo clássico de David Lean, Lawrence da Arábia, de 1962. Ele foi indicada também por Becket – O Favorito do Rei, O Homem Elefante, Na Linha do Fogo e Irresistível Paixão. E, assim como todos os homenageados, ela continua trabalhando. Sua montagem mais recente foi pelo hit feminino Cinquenta Tons de Cinza.

A homenagem a Stalmaster pode e deve ter uma positiva repercussão no departamento de casting. Trata-se de uma profissão importantíssima para os filmes hollywoodianos, pois pesquisa e descobre os atores mais adequados para os mais diversos papéis. O fato de uma veterana ser devidamente reconhecida pode finalmente concretizar a categoria competitiva no Oscar. Lynn Stalmaster já foi responsável pela escalação de grandes atores em filmes como A Primeira Noite de um Homem, Um Violinista no Telhado, Amargo Pesadelo, Tootsie (alguém teria imaginado Dustin Hoffman como uma mulher?) e Os Eleitos.

Já Frederick Wiseman vem produzindo documentários com uma frequência inacreditável de um filme por ano desde 1967. Em busca de um olhar mais antropológico, ele se aventura em todos os tipos de temas, desde violência doméstica, cidades, hospitais psiquiátricos até cabarés.

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Cena do documentário In Jackson Heights, sobre uma das cidades mais diversificadas do mundo. (photo by hollywoodreporter.com)

Tendo uma cerimônia não-televisionada, o Governors Awards se mostrou um sucesso, já que permite homenagens com videoclipes, introduções caprichadas e discursos morosos que carreiras excepcionais necessitam, algo que seria inviável numa cerimônia ao vivo como a do Oscar.

Seguem os homenageados das últimas edições:

2009: Lauren Bacall, John Calley, Roger Corman, Gordon Willis

2010: Jean-Luc Godard, Kevin Brownlow, Francis Ford Coppola, Eli Wallach

2011: James Earl Jones, Dick Smith, Oprah Winfrey

2012: Jeffrey Katzenberg, Hal Needham, D.A. Pennebaker, George Stevens Jr.

2013: Angelina Jolie, Angela Lansbury, Steve Martin, Piero Tosi

2014: Harry Belafonte, Jean-Claude Carrière, Maureen O’Hara, Hayao Miyazaki

2015: Spike Lee, Debbie Reynolds e Gena Rowlands

16 animações disputam vaga no Oscar 2016

Cena de Hotel Transilvânia 2, uma das 16 animações inscritas para o Oscar de Melhor Longa de Animação (photo by cine.gr)

Cena de Hotel Transilvânia 2, uma das 16 animações inscritas para o Oscar de Melhor Longa de Animação (photo by cine.gr)

SE TODOS SE QUALIFICAREM, TEREMOS 5 INDICADOS NA CATEGORIA

As animações inscritas são:
  • Anomalisa
    Dir: Charlie Kaufman, Duke Johnson
  • The Boy and the Beast (Bakemono no ko)
    Dir: Mamoru Hosoda
  • O Menino e o Mundo
    Dir: Alê Abreu
  • O Bom Dinossauro (The Good Dinossaur)
    Dir: Peter Sohn
  • Cada um na Sua Casa (Home)
    Dir: Tim Johnson
  • Hotel Transilvânia 2 (Hotel Transylvania 2)
    Dir: Genndy Tartakovsky
  • Divertida Mente (Inside Out)
    Dir: Pete Docter
  • Kahlil Gibran’s The Prophet
    Dir: Roger Allers
  • The Laws of the Universe – Part 0 (UFO Gakuen no Himitsu)
    Dir: Isamu Imakake
  • Minions
    Dir: Kyle Balda, Pierre Coffin
  • Moomins on the Riviera (Muumit Rivieralla)
    Dir: Xavier Picard, Hanna Hemilä
  • Snoopy & Charlie Brown: Peanuts, o Filme (The Peanuts Movie)
    Dir: Steve Martino
  • Apenas um Show: O Filme (Regular Show: The Movie)
    Dir: J.G. Quintel
  • Shaun: O Carneiro (Shaun the Sheep Movie)
    Dir: Mark Burton, Richard Starzak
  • Bob Esponja: Um Herói Fora d’Água (The SpongeBob Movie: Sponge out of Water)
    Dir: Paul Tibbitt, Mike Mitchell
  • Quando Estou com Marnie (Omoide no Mânî) 
    Dir: Hiromasa Yonebayashi

Dentre os trabalhos, certamente um dos mais interessantes é a primeira animação do diretor e roteirista Charlie Kaufman, conhecido por suas histórias criativas de Quero Ser John Malkovich e Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças. Neste trabalho de stop-motion, acompanhamos a vida de um homem aleijado por sua própria vida mundana. Pela sinopse, não se trata de um filme destinado ao público infantil, o que pode reduzir consideravelmente suas chances de vitória, mas sua indicação é dada como certa pela maioria dos críticos, afinal, tem a assinatura de Kaufman (que já ganhou o Oscar de Melhor Roteiro Original em 2005) e a categoria sempre apresenta nomes de diretores mais autorais como Tim Burton (A Noiva-Cadáver), Hayao Miyazaki (A Viagem de Chihiro) e Wes Anderson (O Fantástico Sr. Raposo). E é o único inscrito que concorreu ao Leão de Ouro em Veneza.

Cena de Anomalisa, de Charlie Kaufman e Duke Johnson (photo by trailer.apple.com)

Cena de Anomalisa, de Charlie Kaufman e Duke Johnson (photo by trailer.apple.com)

Este ano, temos uma curiosidade inédita. É a primeira vez que dois trabalhos da Pixar estão competindo: Divertida Mente e O Bom Dinossauro. Após um hiato raro de dois anos sem aparecer na categoria com filmes menos expressivos como Carros 2 e Universidade Monstros, a Pixar resolveu lançar dois filmes no mesmo ano para não ter erro. Entre os dois, Divertida Mente larga na frente por seu nível de criatividade ao criar personagens que representam as emoções, mas peca pela história fraca. Já O Bom Dinossauro tem uma premissa interessante de “E se o asteróide que extinguiu os dinossauros não tivesse acertado a Terra?”, possibilitando a convivência entre os dinossauros e os humanos.

As emoções Tristeza, Raiva, Medo, Nojinho e Alegria em cena de Divertida Mente (photo by outnow,ch)

As emoções Tristeza, Raiva, Medo, Nojinho e Alegria em cena de Divertida Mente (photo by outnow,ch)

Aproveitando o assunto da Pixar, o futuro da companhia preocupa um pouco. Outrora berço de filmes super criativos, o planejamento dos próximos anos inclui inúmeras sequências como Procurando Dory, Os Incríveis 2, Carros 3 e Toy Story 4! Claro que essas continuações devem ter suas qualidades e devem render rios de dinheiro, mas pra um estúdio que cresceu através de sua criatividade, o reinado pode estar ameaçado.

Cena de O Bom Dinossauro, de Peter Sohn (photo by outnow.ch)

Cena de O Bom Dinossauro, de Peter Sohn (photo by outnow.ch)

Vale ressaltar que todo ano, a Academia gosta de deixar pelo menos uma vaga para uma produção estrangeira. Parece até cota estrangeira, mas convenhamos que existem tantos trabalhos impecáveis fora do circuito americano que se fosse fazer justiça, teria pelo menos 3 animações estrangeiras todo ano na categoria! Então, nessa lógica, a animação japonesa Quando Estou com Marnie (Omoide no Mânî), de Hiromasa Yonebayashi, deve preencher a vaga praticamente cativa nipônica de Hayao Miyazaki e Isao Takahata. Trata-se de uma história bem emotiva de uma garota que se muda para uma casa no interior, onde fica obcecada por uma menina que vive numa mansão ao lado que pode ou não existir. E tem o selo de qualidade do Studio Ghibli, de Miyazaki.

Cena de Quando Estou com Marnie, de Hiromasa Yonebayashi (photo by cine.gr)

Cena de Quando Estou com Marnie, de Hiromasa Yonebayashi (photo by cine.gr)

Claro que a vaga estrangeira também pode ser ocupada por uma animação brasileira. Sim, brasileira! O Menino e o Mundo (The Boy and the World), de Alê Abreu, é a segunda animação nacional inscrita para o Oscar. Em 2014, Uma História de Amor e Fúria, de Luiz Bolognesi, estava entre os inscritos, mas não conseguiu conquistar a indicação. Quem sabe não é desta vez? O trabalho de Alê Abreu possui um estilo bastante gráfico que remete ao traço de lápis de cor para retratar a busca de um menino pelo pai.

Cena de O Menino e o Mundo, de Alê Abreu (photo by cine.gr)

Cena de O Menino e o Mundo, de Alê Abreu (photo by cine.gr)

E a Academia sempre gosta de reservar uma vaga para produções mais destinadas ao público infantil que foi bem nas bilheterias como Minions, Hotel Transilvânia 2 e Snoopy & Charlie Brown: Peanuts, o Filme (sim, com este título nacional apelativo!), afinal, animações assim garantem maior audiência para a Academia. Lembrando que o filme anterior da série Minions, Meu Malvado Favorito 2, foi indicado ao Oscar de Longa de Animação e de Melhor Canção Original por ‘Happy’.

Cena de Minions, de Kyle Balda e Pierre Coffin (photo by cine.gr)

Cena de Minions, de Kyle Balda e Pierre Coffin (photo by cine.gr)

Não querendo ser pessimista, nem julgar trabalhos sem conferir, acredito que um ou outro trabalho inscrito será desqualificado, o que acarretaria num total de 3 indicados em 2016 que, na minha opinião, seriam:

  • Divertida Mente (Inside Out)
  • Anomalisa
  • Quando Estou com Marnie (Omoide no Mânî)

As indicações ao Oscar 2016 serão anunciadas no dia 14 de janeiro.

Spike Lee, Debbie Reynolds e Gena Rowlands serão homenageados no Governors Awards

Spike Lee, Debbie Reynolds e Gena Rowlands serão os homenageados deste ano (photo by elperiodico.com.do)

Spike Lee, Debbie Reynolds e Gena Rowlands serão os homenageados deste ano (photo by elperiodico.com.do)

ACADEMIA HONRA TRÊS INDICADOS QUE NUNCA VENCERAM

Para quem assiste à cerimônia do Oscar e não é lá muito cinéfilo, algumas categorias técnicas e/ou menores tais como Efeitos Sonoros ou Curta-Metragem de Animação podem ser um tédio interminável, ainda mais quando o vencedor sobe ao palco achando que tem que agradecer todas as pessoas que conheceu na vida. Aliás, há uns dois anos, já ouço rumores de que os organizadores do evento estariam interessados em limar essas categorias justamente para dar mais ritmo ao show e atrair mais audiência televisiva, que vem caindo nos últimos anos. E há 7 anos, em 2009, a Academia tomou uma decisão sábia nesse sentido: retirou o Oscar Honorário da cerimônia.

Calma. Não me interpretem mal! Sou cinéfilo e adoro as homenagens, especialmente com profissionais tão talentosos e experientes como os que ganharam a honraria como Stanley Donen e Robert Altman, mas em termos práticos, digamos assim, foi uma decisão acertada, pois era nesses momentos nostálgicos que o telespectador comum trocava de canal ou ia pra cama mais cedo. Além disso, com a criação do Governors Awards, um evento paralelo ao Oscar que ocorre em novembro, é possível fazer a homenagem com o devido respaldo e tempo (sem precisar tocar musiquinha pra expulsar o veterano do palco). E ao contrário do Oscar Honorário, que costumava honrar apenas um por ano, o Governors emplaca pelo menos três de uma vez! E com a festa separada, cada homenageado tem seu devido tempo com seu apresentador exclusivo.

Pra quem não conhece, veja o vídeo da homenagem ao mestre da animação Hayao Miyazaki no Governors Awards 2014, feito por John Lasseter, e em seguida, o discurso de Miyazaki:

Não existe uma regra específica para quem pode ser homenageado como o fato de nunca ter ganhado o Oscar. Prova disso foi o próprio diretor Hayao Miyazaki, que em 2002, mesmo ausente da cerimônia, venceu o Oscar de Melhor Longa de Animação por A Viagem de Chihiro. Mas, coincidência ou não, este ano, todos os artistas saudados nunca ganharam uma estatueta. Eles são: Spike Lee, Debbie Reynolds e Gena Rowlands. Eles foram os mais bem votados entre os membros da Academia na eleição que ocorreu no último dia 25. Não haverão receptores para os prêmios especiais Jean Hersholt Humanitarian Award e Irving G. Thalberg, destino a produtores.

DEBBIE REYNOLDS

Debbie Reynolds com Gene Kelly no filme Cantando na Chuva (photo by thetimes.co.uk)

Debbie Reynolds com Gene Kelly no filme Cantando na Chuva (photo by thetimes.co.uk)

Para o público cinéfilo, Debbie Reynolds será eternizada por sua performance como a atriz Kathy Selden no clássico musical Cantando na Chuva (1952). Além de seu talento como atriz, ela demonstrou habilidade na dança que muitos duvidaram. Afinal, não era qualquer uma que conseguiria acompanhar os passos de Gene Kelly e Donald O’Connor. Já para o público nerd, ela será sempre a mãe da Princesa Leia, a atriz Carrie Fisher, da cinessérie Star Wars, que terá a franquia reativada este ano com Star Wars: Episódio VII: O Despertar da Força.

Foi indicada uma vez para Melhor Atriz em 1965 por A Inconquistável Molly, mas perdeu para Julie Andrews (Mary Poppins). Curiosamente, recebeu o Lifetime Achievement Award no SAG este ano.

SPIKE LEE

Spike Lee em cena de Faça a Coisa Certa, escrito e dirigido por ele (photo by theodysseyonline.com)

Spike Lee em cena de Faça a Coisa Certa, escrito e dirigido por ele (photo by theodysseyonline.com)

Um dos primeiros filmes que assisti de Spike Lee foi Faça a Coisa Certa (1989). O que era aquele filme? Aquela obra transpirava criatividade e tinha uma voz única que pouco vi no cinema. Merecia o Oscar de Melhor Filme, que acabou indo para outro longa sobre racismo (Conduzindo Miss Daisy), mas beeeem mais light e conservador. Spike Lee, norte-americano negro, é um artista que trouxe orgulho à comunidade negra por sua defesa e retrato de personagens de seus filmes, sejam eles ficcionais ou verídicos como o lendário Malcolm X, impecavelmente interpretado por Denzel Washington. Porém, nos últimos anos, talvez exceto pelo bom O Plano Perfeito (2006), suas produções se tornaram menos relevantes. E pra piorar, caiu no meu conceito quando comprou briga com o diretor Quentin Tarantino por ele ter usado o termo “nigger” (crioulo) – muito comum na Mississipi racista – no filme Django Livre (2012). Parecia atitude de ex-Big Brother querendo causar pra aparecer na mídia… Uma pena.

Foi indicado ao Oscar duas vezes. Em 1990, pelo Roteiro Original de Faça a Coisa Certa. E em 1998, pelo Documentário 4 Little Girls.

GENA ROWLANDS

Gena Rowlands em cena de Uma Mulher Sob Influência (photo by crimsonkimono.com)

Gena Rowlands em cena de Uma Mulher Sob Influência (photo by crimsonkimono.com)

Quando se vê o conjunto de trabalho de Gena Rowlands, é de se espantar como ela não ganhou seu merecido Oscar. Tudo bem que a maioria de suas performances estão em produções independentes que, nos anos 70 e 80 eram menos vistos do que hoje, mas felizmente a Academia está tentando reparar essa enorme injustiça ao lhe fazer esta bela homenagem. Para o público de hoje, ela é mais conhecida como a versão idosa da protagonista do romance Diário de uma Paixão (2004) ou do filme de terror A Chave Mestra (2005), mas houve um tempo em que ela era a rainha dos filmes independentes ao lado do marido e diretor John Cassavetes.

Aliás, Cassavetes é considerado por muitos o pai do cinema independente americano, inclusive tendo um prêmio em seu nome no prestigiado Independent Spirit Awards. O casal fez ao todo dez filmes juntos, tendo como highlights justamente aqueles por qual ela recebeu indicação ao Oscar: Uma Mulher Sob Influência em 1975 e Gloria em 1981. Rowlands tornou suas personagens fortes em mulheres fortes, porém com uma sensibilidade que pouco se via.

Seguem os vencedores do Governors Awards desde sua criação em 2009:

2009: Lauren Bacall, John Calley, Roger Corman, Gordon Willis

2010: Jean-Luc Godard, Kevin Brownlow, Francis Coppola, Eli Wallach

2011: James Earl Jones, Dick Smith, Oprah Winfrey

2012: Jeffrey Katzenberg, Hal Needham, D.A. Pennebaker, George Stevens Jr.

2013: Angelina Jolie, Angela Lansbury, Steve Martin, Piero Tosi

2014: Harry Belafonte, Jean-Claude Carrière, Maureen O’Hara, Hayao Miyazaki

A cerimônia do 7º Governors Awards será no dia 14 de novembro.

‘Birdman’ conquista o Oscar 2015 com 4 prêmios

Michael Keaton (centro) agradece o Oscar de Melhor Filme à frente da equipe do filme (photo: John Shearer/Invision/AP)

Michael Keaton (centro) agradece o Oscar de Melhor Filme à frente da equipe do filme (photo: John Shearer/Invision/AP)

‘BIRDMAN’ É O GRANDE VENCEDOR DA NOITE COM 4 OSCARS: MELHOR FILME, DIRETOR, ROTEIRO E FOTOGRAFIA. ‘O GRANDE HOTEL BUDAPESTE’ TAMBÉM LEVA 4, MAS EM CATEGORIAS MENORES.

Depois de uma crescente nos prêmios de sindicatos como PGA e DGA, deu Birdman no Oscar!  E apesar de ter ganhado um Oscar por Atriz Coadjuvante, o grande perdedor acabou sendo Boyhood, que estava cotado para ganhar filme, montagem, atriz coadjuvante e até diretor, dependendo do curso da premiação.

Particularmente, acho que o Oscar de direção e de fotografia já reconheceria os méritos de Birdman, mas como li num site: “Dentre os 6 mil votantes da Academia, a maioria é formada por atores, então nada mais natural do que eles votarem num filme sobre atores”. Curiosamente, nenhum dos três atores indicados acabou ganhando de fato o Oscar. Michael Keaton, Edward Norton e Emma Stone só subiram ao palco de forma coletiva para agradecer ao Oscar de Melhor Filme.

Bom, e aquela minha visão que tive de Boyhood sendo coroado Melhor Filme não se concretizou. Eu já imaginava até aqueles longos clipes dos filmes vencedores de Melhor Filme com uma breve cena do filme de Richard Linklater! Aliás, Linklater, que estava indicado em três categorias, acabou não levando NADA! Perdeu Filme, Diretor e Roteiro Original… Ao longo das semanas que antecederam o Oscar, li muitos comentários de críticos e até de simples cinéfilos defendendo que o circo em torno de Boyhood era meramente por causa do projeto inovador de 12 anos de filmagem. Confesso que me peguei pensando nessa possibilidade, mas ainda acredito que é um dos melhores filmes de 2014. Agora resta aguardar se o filme passará pelo teste do tempo.

A seguir a artwork utilizada pelo Oscar para cada um dos filmes indicados a Melhor Filme. Foi um desperdício a Academia não utilizar suas duas vagas restantes da categoria para indicar mais filmes como Foxcatcher, por exemplo…

NÚMEROS

O Grande Hotel Budapeste (Direção de Arte, Figurino, Maquiagem e Trilha Musical Original) e Birdman (Filme, Diretor, Roteiro Original e Fotografia) empataram com 4 Oscars cada. Em seguida, vem Whiplash, com 3 Oscars: Ator Coadjuvante (J.K. Simmons), Montagem e Som.

Os demais filmes conquistaram apenas uma estatueta cada. A Teoria de Tudo (Ator – Eddie Redmayne), Para Sempre Alice (Atriz – Julianne Moore), Boyhood (Atriz Coadjuvante – Patricia Arquette), O Jogo da Imitação (Roteiro Adaptado), Operação Big Hero (Longa de Animação), Ida (Filme em Língua Estrangeira), Selma (Canção Original), Sniper Americano (Efeitos Sonoros), Interestelar (Efeitos Visuais) e Citizenfour (Documentário), denotando uma alto nivelamento entre a maioria.

SURPRESAS

Embora fosse esperado que O Grande Hotel Budapeste ganharia muitos dos prêmios “técnicos” como Direção de Arte, Figurino e Maquiagem, honestamente, esperava que Wes Anderson seria reconhecido com Melhor Roteiro Original, já que Alejandro González Iñárritu muito provavelmente venceria como diretor. Assim como no Globo de Ouro, Birdman levou o prêmio de roteiro. Foi triste ver Wes Anderson apenas aplaudindo seus colegas. Better luck next time, Wes!

Wes Anderson ficou muito feliz pelos 4 Oscars que O Grande Hotel Budapeste recebeu. Mas infelizmente, ficou sentado a noite toda. (photo by billhaderismycriterioncollection.tumblr.com)

Wes Anderson ficou muito feliz pelos 4 Oscars que O Grande Hotel Budapeste recebeu. Mas infelizmente, ficou sentado a noite toda. (photo by billhaderismycriterioncollection.tumblr.com)

Quando postei sobre a liberdade que a Academia tinha de eleger um longa de animação fora dos padrões tridimensionais, torcia contra o favoritismo de Como Treinar o Seu Dragão 2, então teoricamente fiquei feliz por ter perdido, MAS não queria que perdesse para outro 3D! Gostaria que o Oscar fosse para uma animação mais alternativa, mas como um amigo meu lembrou, o Oscar é um prêmio de indústria, então nada mais natural do que um filme da indústria ganhe. Curiosamente, em 14 anos de existência da categoria de Longa de Animação, apenas um filme de língua estrangeira foi premiado: A Viagem de Chihiro, de Hayao Miyazaki, em 2002. Uma pena…

Agora, duas surpresas que mais gostei. A primeira foi a premiação do compositor francês Alexandre Desplat por O Grande Hotel Budapeste. Apesar de ter sido duplamente indicado (também por O Jogo da Imitação), havia uma grande chance de ele perder duplamente como já aconteceu com John Williams. Desplat bateu o favoritismo de Jóhann Jóhannssonn (A Teoria de Tudo) e finalmente conquistou seu primeiro Oscar depois de oito indicações. Trata-se de um dos melhores compositores da atualidade, que sabe compor para filmes de todos os gêneros. Oscar merecido!

E a outra boa surpresa foi o Oscar de Montagem para Whiplash! Fenomenal! Tom Cross realizou um trabalho formidável ao sincronizar todo aquele jazz com os cortes, criando um ritmo único e fresco. O filme conquistou merecidos 3 Oscars: Ator Coadjuvante (J.K. Simmons), Som e Montagem. Se O Jogo da Imitação não fosse tão favorito, o filme poderia ganhar também Melhor Roteiro Adaptado. Pena que o filme não tinha chances reais de ganhar Melhor Filme, senão poderia ter conquistado mais prêmios…

SOBRE A CERIMÔNIA

Os fãs de A Noviça Rebelde que me perdoem, mas aquela homenagem feita pela cantora Lady Gaga foi desnecessário. Ok, bonito, mas desnecessário. Se queriam fazer uma homenagem aos musicais, que trouxessem mais atores que participaram dessa época de ouro do musical americano como a atriz Debbie Reynolds, por exemplo. Por mim, que curto assistir ao Oscar, não vejo problemas com homenagens, mas é no mínimo incoerente ver que eles apressam tanto as coisas pra tudo, mas tem tempo sobrando para essas homenagens que poderiam passar batido.

Lady Gaga abraça Dame Julie Andrews depois de homenagem de A Noviça Rebelde (photo by psychoticmusichead.tumblr.com)

Lady Gaga abraça Dame Julie Andrews depois de homenagem de A Noviça Rebelde (photo by psychoticmusichead.tumblr.com)

Quanto ao host, Neil Patrick Harris, tirando o momento de cueca no palco, fazendo uma alusão ao Birdman, achei sua participação meio comportada. Aliás, ele é uma versão meio Billy Crystal, meio Hugh Jackman, mas não canta tão bem como Crystal, nem dança tão bem quanto Jackman. E suas piadas politicamente incorretas não chegam aos pés de um Jon Stewart ou de Chris Rock. E aquela piada dos “Oscars predictions” na mala bem guardada foi muita firula pra pouca graça. Acho que os produtores do evento estão se guiando demais por audiência do que qualidade de fato. O host seguiu os protocolos e foi completamente apropriado e inofensivo, e esse tom pode ser muito ruim a longo prazo para a imagem do Oscar. Nem a participação “surpresa” de Jack Black ajudou na introdução musical de Neil Patrick Harris, ou seja, a coisa tava feia…

Teve alguns discursos que honestamente nem prestei atenção, então me perdoem caso tenha passado algo desapercebido aqui. Mas gostei de alguns como o do J.K. Simmons. Quando ele começou a falar e agradecer a mulher e os filhos “above average”, já estava desapontado por que ele estava repetindo o mesmo discurso de todos os prêmios anteriores que ele havia ganhado. Mas felizmente, ele deu uma guinada e soltou um “Ligue para sua mãe. Eu falei isso para um bilhão de pessoas. Ligue para sua mãe, seu pai. Se você tem sorte e tem pais vivos, ligue. Não mande mensagem, não mande e-mail. Ligue por telefone. Diga que você os ama e os agradeça, e os ouça o quanto eles quiserem falar com você.” – Por mais que ele tenha deixado o filme de lado, foi um momento bonito da noite.

Da esquerda para a direita: J.K. Simmons, Patricia Arquette, Julianne Moore e Eddie Redmayne com seus respectivos Oscars (photo by kinginthenorths.tumblr.com)

Da esquerda para a direita: J.K. Simmons, Patricia Arquette, Julianne Moore e Eddie Redmayne com seus respectivos Oscars (photo by kinginthenorths.tumblr.com)

Já o discurso de Patricia Arquette foi mais inflamado. Depois de agradecer a equipe e sua família, ela puxa um “Está na hora de ter igualdade de salário e igualdade de direitos para as mulheres nos EUA!” – que logo foi endossado por um entusiasmado “Yes! Yes! Yes!” de Meryl Streep, que estava sentada na fileira da frente. Claro que ainda vivemos num mundo machista que paga menos para mulheres que ocupam o mesmo cargo de homens, e apoio essa mudança. Agora, se ela se refere ao salário das atrizes em Hollywood, acho que muito depende das bilheterias. O público em geral prefere filmes estrelados por homens. Não se trata de uma opinião, mas de um dado estatístico. Então, de acordo com a lei de mercado, os grandes estúdios acabam pagando menos para as atrizes. E isso reflete também numa reclamação recorrente das atrizes que é a escassez de papéis bons femininos. Com certeza, existem ótimos roteiros com excelentes protagonistas femininas por aí, mas se os estúdios não fornecerem a verba, o projeto não sai do papel. Sei que é uma realidade cruel, mas enquanto o público não der resposta nos números, pouca coisa vai mudar nesse sentido. Os homens vão continuar na lista dos atores mais bem pagos de Hollywood.

Bem mais tranquila, Julianne Moore preferiu evitar polêmicas e soltou uma pérola: “Eu li um artigo que dizia que ganhar um Oscar poderia render 5 anos de vida a mais. Se isso for verdade, gostaria de agradecer a Academia porque meu marido é mais novo do que eu”. Acho que quem escreveu esse artigo não lembrou de alguns casos como o de Haing S. Ngor que morreu assassinado, Robin Williams ou de seu colega de set em Jogos Vorazes, Philip Seymour Hoffman, que morreu em fevereiro do ano passado, oito anos depois de ganhar o Oscar por Capote. Mas deixando de lado o tom fúnebre, Oscar merecido para Julianne Moore, que pode não ter vencido por sua melhor performance, mas certamente era uma das melhores que estavam concorrendo sem sombra de dúvida. Espero sinceramente que este Oscar não prejudique sua escolha de projetos e lhe cause algum tipo de maldição e consequente decadência.

Julianne Moore com seu primeiro Oscar por Para Sempre Alice (photo by  morejulianne.tumblr.com)

Julianne Moore com seu primeiro Oscar por Para Sempre Alice (photo by morejulianne.tumblr.com)

O discurso mais politicamente correto da noite foi para a dupla John Legend e Common pela canção “Glory”. Depois de uma apresentação comovente, eles subiram ao palco ligando a liberdade de Selma com a nossa atualidade: as marchas pela democracia da China, e em nome da liberdade de expressão em Paris – lembrando da tragédia de Charlie Hebdo.

Common e John Legend durante apresentação da canção "Glory" de Selma (photo by robertdeniro.tumblr.com)

Common e John Legend durante apresentação da canção “Glory” de Selma (photo by robertdeniro.tumblr.com)

No discurso de Melhor Diretor de Alejandro González Iñárritu, ele mencionou que no DGA Awards ele estava usando o cachecol de Raymond Chandler e a gravata de Billy Wilder para dar sorte e tinha funcionado. No Oscar, ele confessou que estava usando a cueca branca de Michael Keaton (usada em Birdman). “É apertada, cheira a bolas, mas funciona. E estou aqui!” – a platéia adorou. Embora minha torcida para Melhor Ator tenha sido para Benedict Cumberbatch, fiquei chateado que Keaton não levou seu Oscar. Teria sido uma ótima história, já que ele interpretou um ator que buscava reabilitação depois de vários anos no ostracismo, assim como ele ficou depois dos dois filmes do Batman, de Tim Burton.

Alejandro González Iñárritu ocupa as duas mãos com as 3 estatuetas do Oscar por Birdman

Alejandro González Iñárritu ocupa as duas mãos com as 3 estatuetas do Oscar por Birdman

No ano passado, John Travolta tinha tomado um chá de cogumelo antes de introduzir a apresentação da cantora Idina Menzel da música “Let it Go”, de Frozen, chamando-a pelo nome bizarro de “Adele Nazim”. De onde raios eles tirou esse nome se estava escrito direitinho no teleprompter?? Fumou crack, só pode! Então, como uma espécie de vingança engraçada, Idina o introduziu como “Glom Gazingo”! Travolta e Menzel deram a volta por cima de uma gafe com classe.

Idina Menzel com John Travolta no Oscar

Idina Menzel com John Travolta no Oscar

Seguem os vencedores do Oscar 2015:

MELHOR FILME
* Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (Birdman)

MELHOR DIRETOR
* Alejandro González Iñárritu (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância))

MELHOR ATOR
* Eddie Redmayne (A Teoria de Tudo)

Eddie Redmayne ainda bastante extasiado com seu Oscar por A Teoria de Tudo (photo by mcavoys.tumblr.com)

Eddie Redmayne ainda bastante extasiado com seu Oscar por A Teoria de Tudo (photo by mcavoys.tumblr.com)

MELHOR ATRIZ
* Julianne Moore (Para Sempre Alice)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
* J.K. Simmons (Whiplash: Em Busca da Perfeição)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
* Patricia Arquette (Boyhood: Da Infância à Juventude)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
* Alejandro González Iñárritu, Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris, Armando Bo (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância))

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
* Graham Moore (O Jogo da Imitação)

MELHOR FOTOGRAFIA
* Emmanuel Lubezki (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância))

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
* Adam Stockhausen e Anna Pinnock (O Grande Hotel Budapeste)

MELHOR MONTAGEM
* Tom Cross (Whiplash: Em Busca da Perfeição)

MELHOR FIGURINO
* Milena Canonero (O Grande Hotel Budapeste)

MELHOR MAQUIAGEM E CABELO
* Frances Hannon e Mark Coulier (O Grande Hotel Budapeste)

MELHOR TRILHA MUSICAL ORIGINAL
* Alexandre Desplat (O Grande Hotel Budapeste)

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
* “Glory”, de John Stephens e Lonnie Lynn (Selma)

MELHOR SOM
* Craig Mann, Ben Wilkins e Thomas Curley (Whiplash: Em Busca da Perfeição)

MELHORES EFEITOS SONOROS
* Alan Robert Murray e Bub Asman (Sniper Americano)

MELHORES EFEITOS VISUAIS
* Paul J. Franklin, Andrew Lockley, Ian Hunter, Scott R. Fisher (Interestelar)

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
* Ida, de Pawel Pawlikowski (POLÔNIA)

MELHOR ANIMAÇÃO
* Operação Big Hero

MELHOR DOCUMENTÁRIO
* CitizenFour

MELHOR DOCUMENTÁRIO-CURTA
* Crisis Hotline: Veterans Press 1

MELHOR CURTA-METRAGEM
* The Phone Call

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO
* O Banquete (Feast)

Jessica Chastain nem estava indicada ao Oscar, mas o que seria do Oscar sem Jessica Chastain?

Jessica Chastain nem estava indicada ao Oscar, mas o que seria do Oscar sem Jessica Chastain???

 

Onde e Quando acompanhar os Indicados ao Oscar 2015

Chris Pine a presidente da Academia Cheryl Boone Isaacs anunciam os indicados ao Oscar (photo by http://cdn4.hoy.com.do)

Chris Pine a presidente da Academia Cheryl Boone Isaacs anunciam os indicados ao Oscar (photo by http://cdn4.hoy.com.do)

GUIA COMPLETO PARA CONFERIR OS INDICADOS AO OSCAR 2015

As indicações ao Oscar foram anunciadas no último dia 15 e você ainda não viu nenhum filme? Não se desespere! Ainda temos um mês pra cerimônia, e felizmente, já dá pra conferir muitos deles através de mídias (DVDs e Blu-rays) e alguns filmes que já estão em cartaz como é o caso de Whiplash: Em Busca da Perfeição, que coletou 5 indicações, e um dos favoritos Boyhood: Da Infância à Adolescência, que tem 6 indicações.

O filme de Richard Linklater estreou aqui no Brasil no final de outubro de 2014 e já estava quase saindo de cartaz. Contudo, graças às indicações ao Oscar, ganhou novo fôlego pra aguentar mais algumas semanas nas salas de cinema. Aqui em São Paulo, Boyhood está atualmente nas salas Cidade Jardim Cinemark, Cine Livraria Cultura 1, Eldorado Cinemark e Metrô Santa Cruz Cinemark. Como cinéfilo e frequentador dessas salas, recomendo o Cine Livraria Cultura, localizado no Conjunto Nacional na Avenida Paulista. Trata-se de uma sala grande, com poltronas grandes e confortáveis e um público que sabe respeitar uma projeção. Já as grandes redes como o Cinemark costumam tratar os filmes como meros produtos e seus frequentadores como meros pagadores.

Patricia Arquette com o pequeno Ellar Coltrane em cena de Boyhood: Da Infância à Juventude

Patricia Arquette com o pequeno Ellar Coltrane em cena de Boyhood: Da Infância à Juventude

Isso que eu acho bacana do Oscar, porque ele pode resgatar bons filmes do limbo e trazê-los de volta às salas de cinema. Aliás, poderiam passar O Grande Hotel Budapeste novamente, porque o filme de Wes Anderson merece uma projeção de qualidade para valorizar sua ótima fotografia e direção de arte. E gostaria que os distribuidores se esforçassem pra colocar alguns filmes em cartaz antes do Oscar como a animação japonesa O Conto da Princesa Kaguya, que é produzida pelo Studio Ghibli do homenageado com o Oscar Honorário desde ano, o mestre Hayao Miyazaki. Assim como o documentário Citizenfour sobre Edward Snowden, e claro, o novo filme de Mike Leigh, Sr. Turner, com 4 indicações.

Por outro lado, a ausência parcial ou total de indicações ao Oscar pode comprometer bastante a divulgação e lançamento de um filme aqui no Brasil. O novo longa de Paul Thomas Anderson, Vício Inerente, tinha tudo para estrear em janeiro, mas como conquistou apenas duas indicações (Roteiro Adaptado e Figurino), a distribuidora empurrou seu lançamento para final de março, ficando impossível de conferir o trabalho antes da cerimônia do Oscar, que acontece no dia 22 de fevereiro. Quer dizer, “impossível” de forma legal. Se você não se importar em fazer um download ou streaming, acredito que dá pra ver todos os indicados ao Oscar! Mas aí tem que se sujeitar às leis e muitas vezes às péssimas resoluções de imagem dos filmes.

Pra quem assina Netflix, vale a pena assistir à produção indicada a Melhor Documentário, Virunga. Trata-se de um ótimo filme que disseca a preservação dos últimos gorilas de montanhas que vivem no Parque Nacional de Virunga, num Congo em conflitos civis armados. É o segundo filme produzido pela Netflix a concorrer ao Oscar. Em 2014, The Square competiu na mesma categoria de Documentário.

Cena do documentário Virunga, sobre a proteção aos gorilas quase extintos do Congo (photo by outnow.ch)

Cena do documentário Virunga, sobre a proteção aos gorilas quase extintos do Congo (photo by outnow.ch)

DISPONÍVEIS EM BLU-RAY/DVD

Uma Aventura Lego (The Lego Movie)
1 indicação: Canção Original (“Everything is Awesome”)

Capitão América 2: O Soldado Invernal (Captain America: The Winter Soldier)
1 indicação: Efeitos Visuais

Como Treinar o Seu Dragão 2 (How to Train Your Dragon 2)
1 indicação: Animação

O Grande Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel)
9 indicações: Filme, Diretor (Wes Anderson), Roteiro Original, Fotografia, Montagem, Direção de Arte, Figurino, Maquiagem e Trilha Musical Original.

Guardiões da Galáxia (Guardians of the Galaxy)
1 indicação: Maquiagem e Efeitos Visuais.

Malévola (Maleficent)
1 indicação: Figurino

Mesmo Se Nada Der Certo (Begin Again)
1 indicação: Canção Original (“Lost Stars”)

Planeta dos Macacos: O Confronto (Dawn of the Planet of the Apes)
1 indicação: Efeitos Visuais

X-Men: Dias de um Futuro Esquecido (X-Men: Days of Future Past)
1 indicação: Efeitos Visuais

Michael Fassbender em cena de X-Men: Dias de um Futuro Esquecido (photo by outnow.ch)

Michael Fassbender em cena de X-Men: Dias de um Futuro Esquecido (photo by outnow.ch)

DISPONÍVEL NO NETFLIX

Virunga
1 indicação: Documentário

FILMES EM CARTAZ NOS CINEMAS – com base na programação de São Paulo

O Abutre (Nightcrawler)
1 indicação: Roteiro Original

Boyhood: Da Infância à Juventude (Boyhood)
6 indicações: Filme, Diretor (Richard Linklater), Ator Coadjuvante (Ethan Hawke), Atriz Coadjuvante (Patricia Arquette), Roteiro Original, Montagem.

O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos (The Hobbit: The Battle of the Five Armies)
1 indicação: Efeitos Sonoros.

Ida (Ida)
2 indicações: Filme em Língua Estrangeira e Fotografia.

Interestelar (Interstellar)
5 indicações: Direção de Arte, Trilha Musical Original, Som, Efeitos Sonoros e Efeitos Visuais.

Invencível (Unbroken)
3 indicações: Fotografia, Som e Efeitos Sonoros.

Leviatã (Leviafan)
1 indicação: Filme em Língua Estrangeira.

Livre (Wild)
2 indicações: Atriz (Reese Whiterspoon) e Atriz Coadjuvante (Laura Dern).

Operação Big Hero (Big Hero 6)
1 indicação: Animação

Relatos Selvagens (Relatos Salvajes)
1 indicação: Filme em Língua Estrangeira.

Whiplash: Em Busca da Perfeição (Whiplash)
5 indicações: Filme, Ator Coadjuvante (J.K. Simmons), Roteiro Adaptado, Montagem e Som.

Miles Teller em ótima cena de Whiplash: Em Busca da Perfeição (photo by outnow.ch)

Miles Teller em ótima cena de Whiplash: Em Busca da Perfeição (photo by outnow.ch)

PREVISÃO DE ESTRÉIA – Datas previstas para São Paulo, que podem sofrer alterações de acordo com as distribuidoras

22/01: Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo (Foxcatcher)
5 indicações: Diretor (Bennett Miller), Ator (Steve Carell), Ator Coadjuvante (Mark Ruffalo), Roteiro Original e Maquiagem.

22/01: Timbuktu
1 indicação: Filme em Língua Estrangeira

25/01: Selma
2 indicações: Filme e Canção Original.

29/01: Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (Birdman or (The Unexpected Virtue of Ignorance)
9 indicações: Filme, Diretor (Alejandro González Iñárritu), Ator (Michael Keaton), Ator Coadjuvante (Edward Norton), Atriz Coadjuvante (Emma Stone), Roteiro Original, Fotografia, Montagem, Som e Efeitos Sonoros.

29/01: Caminhos da Floresta (Into the Woods)
3 indicações: Atriz Coadjuvante (Meryl Streep), Direção de Arte e Figurino.

29/01: O Jogo da Imitação (The Imitation Game)
8 indicações: Filme, Diretor (Morten Tyldum), Ator (Benedict Cumberbatch), Atriz Coadjuvante (Keira Knightley), Roteiro Adaptado, Montagem, Direção de Arte e Trilha Musical Original.

29/01: A Teoria de Tudo (The Theory of Everything)
5 indicações: Filme, Ator (Eddie Redmayne), Atriz (Felicity Jones), Roteiro Adaptado e Trilha Musical Original.

05/02: Dois Dias, Uma Noite (Deux Jours, Une Nuit)
1 indicação: Atriz (Marion Cotillard)

19/02: Sniper Americano (American Sniper)
6 indicações: Filme, Ator (Bradley Cooper), Roteiro Adaptado, Montagem, Som e Efeitos Sonoros.

26/02: Para Sempre Alice (Still Alice)
1 indicação: Atriz (Julianne Moore)

12/03: O Sal da Terra (The Salt of the Earth)
1 indicação: Documentário

26/03: Vício Inerente (Inherent Vice)
2 indicações: Roteiro Adaptado e Figurino.

O casal Stephen e Jane Hawking (Eddie Redmayne e Felicity Jones) em A Teoria de Tudo (photo by outnow.ch)

O casal Stephen e Jane Hawking (Eddie Redmayne e Felicity Jones) em A Teoria de Tudo (photo by outnow.ch)

FORA DE CARTAZ E AGUARDANDO LANÇAMENTO EM BLU-RAY/DVD

Os Boxtrolls (The Boxtrolls)
1 indicação: Animação

Garota Exemplar (Gone Girl)
1 indicação: Atriz (Rosamund Pike)

O Juiz (The Judge)
1 indicação: Ator Coadjuvante (Robert Duvall)

Os Boxtrolls (The Boxtrolls), de

Os Boxtrolls (The Boxtrolls)

SEM PREVISÃO DE ESTRÉIA (*caham!* Mas pra isso existe a internet…)

Além das Luzes (Beyond the Lights)
1 indicação: Canção Original (“Grateful”)

Citizenfour
1 indicação: Documentário

O Conto da Princesa Kaguya (Kaguyahime no Monogatari)
1 indicação: Animação

A Fotografia Oculta de Vivian Maier (Finding Vivian Maier)
1 indicação: Documentário

Glen Campbell: I’ll Be Me
1 indicação: Canção Original (“I’m Not Gonna Miss You”)

Last Days in Vietnam
1 indicação: Documentário

Song of the Sea
1 indicação: Animação

Sr. Turner (Mr. Turner)
4 indicações: Fotografia, Direção de Arte, Figurino e Trilha Musical Original.

Tangerines (Mandariinid)
1 indicação: Filme em Língua Estrangeira.

Minnie Driver com a novata Gugu em Além das Luzes (photo by cine.gr)

Minnie Driver com a novata Gugu Mbatha-Raw em Além das Luzes (photo by cine.gr)

A cerimônia do 87º Oscar será no dia 22 de fevereiro, e será transmitida pelo canal pago TNT.

20 Animações concorrem ao Oscar 2015

Princesa Kaguya (photo by outnow.CH)

Do JAPÃO: O Conto da Princesa Kaguya (Kaguyahime no monogatari), de Isao Takahata (photo by outnow.CH)

Ok, as coisas começam a se afunilar no universo cinematográfico para o Oscar 2015. Nesta terça-feira, dia 04, a Academia definiu as 20 animações que concorrerão às cinco disputadas vagas da categoria.

Operação Big Hero 6 (Big Hero 6), de Dan Hall e Chris Williams
• Festa no Céu (The Book of Life), de Jorge R. Gutierrez
• Os Boxtrolls (The Boxtrolls), de Graham Annable e Anthony Stacchi
 Cheatin’, de Bill Plympton
• Giovanni’s Island (Jobanni no Shima), de Mizuho Nishikubo
 Henry and Me, de Barrett Esposito
• The Hero of Color City, de Frank Gladstone
• Como Treinar Seu Dragão 2 (How to Train Your Dragon 2), de Dean DeBlois
• Jack and the Cuckoo-Clock Heart (Jack et la Mécanique du Coeur), de Stéphane Berlan e Mathias Malzieu
• A Lenda de Oz (Legends of Oz: Dorothy’s Return), de Will Finn e Dan St. Pierre
• Uma Aventura LEGO (The Lego Movie), de Phil Lord e Christopher Miller
• Minuscule – Valley of the Lost Ants (Minuscule – La Vallée des Fourmis Perdues), de Hélène Giraud e Thomas Szabo
• As Aventuras de Peabody & Sherman (Mr. Peabody & Sherman), de Rob Minkoff
• Os Pinguins de Madagascar (Penguins of Madagascar), de Eric Darnell e Simon J. Smith
• Tinker Bell: Fadas e Piratas (The Pirate Fairy), de Peggy Holmes
• Aviões 2: Heróis do Fogo ao Resgate (Planes: Fire and Rescue), de Roberts Gannaway
• Rio 2 (Rio 2), de Carlos Saldanha
• Rocks in My Pockets, de Signe Baumane
• Song of the Sea, de Tomm Moore
• O Conto da Princesa Kaguya (Kaguyahime no monogatari), de Isao Takahata

Cheatin', de Bill Plympton (photo by cine.gr)

Cheatin’, de Bill Plympton (photo by cine.gr)

De acordo com as regras da categoria, se houver de oito a quinze inscritos, haverão apenas 3 indicados. A partir de 16, serão 5 indicados. Os cinco finalistas serão conhecidos apenas no dia 15 de janeiro, quando as indicações serão divulgadas.

É importante destacar a maior presença de produções estrangeiras na categoria este ano. Entre os países estão a França, Irlanda, Japão, Reino Unido e até da Letônia! Com o aumento significativo de inscrições para a categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira (são 83 este ano), a disputa está mais do que acirrada por uma indicação, então nada mais natural que mais animações estrangeiras busquem seu lugar ao sol na categoria de animação.

No Oscar deste ano, as indicações da animação japonesa Vidas ao Vento, de Hayao Miyazaki, e da francesa Ernest & Celestine, de Stéphane Aubier, Vincent Patar e Benjamin Renner, denotam a ascensão das produções estrangeiras nesse gênero atualmente dominado pela técnica 3D no cinema americano. Mesmo a pioneira do 2D, Disney, ganhou o último Oscar de Animação por um trabalho em 3D, Frozen: Uma Aventura Congelante.

La Mecanique du Coeur

Da FRANÇA e BÉLGICA: Jack and the Cuckoo-Clock Heart (Jack et la Mécanique du Coeur), de Stéphane Berlan e Mathias Malzieu (photo by elfilm.com)

Com a Pixar fora do páreo este ano, as cinco vagas aparentemente estão abertas. Sucesso comercial no começo do ano, Uma Aventura LEGO deve conquistar uma vaga por seus números nas bilheterias e também pela criatividade no roteiro envolvendo brinquedos da marca conhecida mundialmente. Praticamente no mesmo patamar comercial, a sequência Como Treinar Seu Dragão 2 agradou o público e a crítica, e como a primeira parte foi indicada e perdeu em 2010 para Toy Story 3, pode haver uma segunda chance de ganhar a estatueta.

Minuscule

Da FRANÇA e BÉLGICA: Minuscule – Valley of the Lost Ants (Minuscule – La Vallée des Fournis Perdues), de Hélène Giraud e Thomas Szabo

Existe uma forte expectativa das animações Operação Big Hero 6 (da Disney) e Os Pinguins de Madagascar (da Dreamworks) se tornarem novas marcas nas bilheterias e assim, ajudar na campanha por uma indicação. Particularmente, acredito que o novo trabalho da Disney já está garantido no Oscar pelo pedigree e pela história de relacionamento entre um rapaz e um robô diferente.

Os Pinguins de Madagascar não devem surtir efeito nos membros da Academia. Se nenhum dos três filmes da série Madagascar foi indicado anteriormente, que dirá a aventura solo dos coadjuvantes pinguins? Além disso, o fato dos mesmos personagens já terem  estrelado seu próprio desenho animado na TV acaba enfraquecendo a campanha do longa.

Rocks in my Pockets, de

Dos EUA e LETÔNIA: Rocks in my Pockets, de Signe Baumane (photo by cine.gr)

Seguindo essa linha de aposta, três vagas já estariam preenchidas pelos grandes estúdios. As outras duas iriam para produções estrangeiras de acordo com a tendência dos últimos anos da categoria. E como o Japão é o país mais presente no Oscar, nada mais natural uma nova indicação vinda do Studio Ghibli de Hayao Miyazaki, mas desta vez, sob direção de outro mestre nipônico: Isao Takahata. Ele foi responsável por uma das animações mais cruéis e cortantes da História do Cinema: Túmulo dos Vagalumes (1988). Ele retorna com um bonito conto sobre uma pequenina princesa que nasce de um broto de bambu e é adotada por uma família de camponeses.

Já a última das 5 vagas, gostaria de acreditar que a Academia dará uma oportunidade de reconhecer um trabalho diferente. A animação em 2D, co-produzido pelos EUA e pela Letônia, Rocks in my Pockets, apresenta um tom surreal digno do clássico Submarino Amarelo (1968) que muitas vezes falta numa festa deste porte. Trata-se de um filme que busca abordar a depressão do ponto de vista de 5 mulheres da mesma família. Claro que ainda devemos analisar a narrativa e a qualidade do roteiro e trilha musical, por exemplo, mas só o fato de criar uma animação mais filosófica já é digno de nota.

Vale lembrar que o brasileiro Carlos Saldanha pode voltar a concorrer ao Oscar por Rio 2. Ele foi previamente indicado pelo curta Gone Nutty em 2004. E o primeiro Rio chegou a ser indicado na categoria Melhor Canção em 2012, mas perdeu para Os Muppets.

As indicações serão divulgadas no dia 15 de janeiro, e a 87ª cerimônia do Oscar será no dia 22 de fevereiro.

Os Boxtrolls (The Boxtrolls), de

Os Boxtrolls (The Boxtrolls), de Graham Annable e Anthony Stacchi (photo by outnow.ch)

PRIMEIRA PRÉVIA DO OSCAR 2015! – Para aqueles que não aguentam esperar

 NÃO HÁ FAVORITOS AINDA, MAS FORTES CONCORRENTES

Faltam (apenas) 4 meses para as indicações! Já vale a pena dar uma olhada nos possíveis filmes indicados e fantasiar sobre um ou outro ator ou atriz que nunca ganhou e pode finalmente ter a chance. Particularmente, estou curioso para ver as performances de Michael Fassbender nos filmes MacBeth e Frank, e de Joaquin Phoenix em Inherent Vice, pela evolução constante nas últimas performances, e mesmo sem ter visto o trabalho deles, já torço para que cheguem ao tapete vermelho da Academia. Já pelo que vi, dou meu apoio incondicional para a campanha da primeira indicação para Steve Carell, o comediante de O Virgem de 40 Anos teve seu talento testado pelo diretor Bennett Miller em Foxcatcher.

Claro que ainda há muita especulação que se baseia em nomes consagrados. Na ala dos diretores, Christopher Nolan sempre aparece nas apostas, assim como o britânico Stephen Daldry por seu histórico de 3 indicações sem vitória. Já entre as atrizes, fica impossível desassociar o nome Meryl Streep na hora do burburinho do Oscar. Ela pode ter sido quase uma figurante que ela vai constar nas listas de possíveis indicadas. Este ano, a primeira foto dela como Bruxa/Feiticeira da mega produção Caminhos da Floresta já causou um estardalhaço. E, em menor escala, podemos encaixar Viola Davis também como candidata à atriz coadjuvante sem sequer ver seu trabalho. Sua derrota por Histórias Cruzadas em 2012 ainda deve render uma nova indicação ao Oscar.

Há filmes que certamente serão catapultados na campanha ao Oscar graças ao lobbista Harvey Weinstein. Dentre algumas produções que recebem seu valioso apoio estão: The Imitation Game e MacBeth, além de suas próprias produções como Big Eyes, St. Vincent e O Doador de Memórias. Como sempre comentado aqui, o trabalho de Weinstein impressiona pelas indicações constantes ao Oscar. Só nos últimos anos, ele foi responsável pelos Oscars de Jennifer Lawrence (O Lado Bom da Vida), Meryl Streep (A Dama de Ferro) e de Kate Winslet (O Leitor), além de Melhor Filme para O Artista e O Discurso do Rei.

Também vale ressaltar a crescente importância do Festival de Toronto como prévia do Oscar. Nos últimos anos, os filmes que participaram do evento não-competitivo acabaram vencedores da estatueta: 12 Anos de Escravidão, Argo e A Separação. Este ano, o Festival de Toronto (ou TIFF) acolhe prováveis favoritos ao Oscar como Foxcatcher, Nightcrawler, Whiplash: Em Busca da Perfeição, Maps to the Stars, Mr. Turner, Wild, The Theory of Everything e The Imitation Game. Todos sedentos por um pouco de atenção neste início da corrida ao Oscar 2015.

MELHOR FILME

• American Sniper, de Clint Eastwood
• Big Eyes, de Tim Burton
• Birdman, de Alejandro González Iñárritu
• Foxcatcher: A História que Chocou o Mundo (Foxcatcher), de Bennett Miller
• Garota Exemplar (Gone Girl), de David Fincher
• O Grande Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel), de Wes Anderson
• Corações de Ferro (Fury), de David Ayer
• The Imitation Game, de Morten Tyldum
• Inherent Vice, de Paul Thomas Anderson
• Interestelar (Interstellar), de Christopher Nolan
• Caminhos da Floresta (Into the Woods), de Rob Marshall
• Homens, Mulheres e Filhos (Men, Women & Children), de Jason Reitman
• A Most Violent Year, de J.C. Chandor
• Selma, de Ava DuVernay
• A Teoria de Tudo (The Theory of Everything)
, de James Marsh
• Trash – A Esperança Vem do Lixo (Trash), de Stephen Daldry
• Invencível (Unbroken)
, de Angelina Jolie
• Wild, de Jean-Marc Vallée

Primeiro, vamos aos fatos. Apresentado no Festival de Veneza, Birdman já figura como um forte candidato ao Oscar. Além de seu diretor ser o mexicano Alejandro González Iñárritu, traz o retorno triunfal do ator Michael Keaton, que ficou marcado pelo papel de Batman de Tim Burton. Ainda conta com atores que podem conquistar indicações como coadjuvantes: Emma Stone, Edward Norton e Naomi Watts.

Foxcatcher saiu de Cannes com o prêmio de direção para o jovem Bennett Miller (Capote e O Homem que Mudou o Jogo). Considerado um dos melhores diretores de atores da atualidade, Miller já conseguiu a proeza de extrair uma atuação contida e estranhíssima do ator e comediante Steve Carell que, só por um milagre, não estará no Oscar 2015. Além dele, Mark Ruffalo já vem conquistando os críticos que viram o filme na França. Conta também muito a favor a produção ser assinada por Megan Ellison (da produtora Annapurna), que recebeu duas indicações no Oscar deste ano por Trapaça e Ela. Veja trailer abaixo:

Embora a Academia ainda não tenha abraçado o estilo único de Wes Anderson, seu novo filme, O Grande Hotel Budapeste, pode conquistar uma indicação a Melhor Filme. Como se não bastasse a batalha contra o conservadorismo da Academia, o filme terá dificuldades de manter seu frescor na memória dos votantes, pois o filme estreou nos EUA em março. Até agora, venceu o Urso de Prata de Grande Prêmio do Júri no último Festival de Berlim, e figura nas listas dos críticos de melhores de 2014 até o momento. São possíveis indicações nas categorias de Direção de Arte, Figurino e Roteiro Original, mas seria uma grata surpresa a lembrança como Melhor Filme e Diretor.

E vencedor do Festival de Sundance do Urso de Prata de Direção, o independente Boyhood: Da Infância à Juventude teve como grande destaque as filmagens que levaram mais de 12 anos. A proposta arriscada do diretor Richard Linklater se apoiava no comprometimento do jovem protagonista Ellar Coltrane de continuar as filmagens após esse longo período para acompanhar o crescimento de seu personagem. Com indicações anteriores como roteirista apenas, Linklater pode sonhar mais alto se depender das apostas dos críticos.

Garota Exemplar e Inherent Vice são duas produções aguardadíssimas que o presidente do Festival de Veneza tentou trazer, mas foram selecionadas pelo Festival Internacional de Nova York. Enquanto o primeiro trabalho é assinado por David Fincher com base no best-seller homônimo de Gillian Flynn, o segundo é assinado por Paul Thomas Anderson com base no romance de Thomas Pynchon. Ambos podem e devem conquistar indicações como Melhor Diretor pelo ótimo momento de suas carreiras, o que poderia puxar indicações para Melhor Filme dependendo do sucesso com a crítica e o público.

Cena com Ben Affleck de Garota Exemplar (photo by http://www.outnow.ch)

Os demais trabalhos citados na lista ainda não concretizaram seus favoritismos. A maioria tem presença devido ao prestígio de seus diretores perante a Academia como Clint Eastwood, Jason Reitman, Angelina Jolie e Christopher Nolan, enquanto outros apresentam temas que são típicos dos vencedores do Oscar como The Imitation Game, que aborda a história verídica do matemático que quebra um código em plena Segunda Guerra Mundial, ou a história da vida de um dos maiores físicos do mundo, Stephen Hawking, retratada em The Theory of Everything com um Eddie Redmayne bastante inspirado no papel do protagonista. Ainda pouco comentado, vale citar o filme Selma, que retrata a busca pelo direitos civis por Martin Luther King.

Em se tratando de expectativa, um dos trabalhos mais comentados para esta temporada é a adaptação do livro de James Lapine, Caminhos da Floresta (Into the Woods), dirigido por Rob Marshall, que concorreu a Melhor Diretor por Chicago em 2003. Com um elenco estelar que conta com Meryl Streep, Johnny Depp, Emily Blunt, Chris Pine, Anna Kendrick e Tracey Ullman, o musical tem tudo para conquistar no mínimo o Globo de Ouro de Melhor Filme – Musical ou Comédia. Além da qualidade que só poderá ser comprovada com o lançamento do filme, a única coisa que pode atrapalhar seu sucesso é uma possível censura por parte da Disney, que está por trás da produção. Aliás, este é um medo recorrente em relação à Disney, que costuma “suavizar” as histórias a fim de abranger o público infanto-juvenil, podendo remoldar a saga Star Wars, cujos direitos lhe foram vendidos para desespero dos fãs. Se tudo o mais falhar, pelo menos Caminhos da Floresta deve garantir o 4º Oscar da carreira da figurinista Colleen Atwood.

Cena de Caminhos da Floresta (photo by Disney)

MELHOR DIRETOR

• Paul Thomas Anderson (Inherent Vice)
• Wes Anderson (O Grande Hotel Budapeste)
• Tim Burton (Big Eyes)
• J.C. Chandor (A Most Violent Year)
• Stephen Daldry (Trash – A Esperança Vem do Lixo)
• Ava DuVernay (Selma)
• David Fincher (Garota Exemplar)
• Alejandro González Iñárritu (Birdman)
• Angelina Jolie (Unbroken)
• Tommy Lee Jones (The Homesman)
• Mike Leigh (Mr. Turner)
• Richard Linklater (Boyhood: Da Infância à Juventude)
• Rob Marshall (Caminhos da Floresta)
• Christopher Nolan (Interestelar)
• Jason Reitman (Men, Women & Children)
• Jon Stewart (Rosewater)

• Morten Tyldum (The Imitation Game)
• Jean-Marc Vallée (Wild)

Como já citado, o americano Bennett Miller larga na frente por ter conquistado o prêmio de direção no Festival de Cannes por Foxcatcher. Ele foi indicado anteriormente por Capote em 2006. Logo atrás, o mexicano Alejandro González Iñárritu pode manter a onda latina em alta com Birdman, após seu conterrâneo Alfonso Cuarón ter levado o Oscar de diretor por Gravidade. Iñárritu pode conquistar sua terceira indicação após dupla indicação por Babel como Melhor Filme e Direção em 2007. E pra fechar a trinca de favoritos do momento, Richard Linklater e seu Boyhood: Da Infância à Juventude. Normalmente, a Academia inclui pelo menos um indicado estreante, e este pode ser Linklater, que independente do gênero, sempre busca alguma inovação da linguagem.

Outrora outsider, David Fincher, que já tem produções cultuadas como Seven – Os Sete Crimes Capitais, Clube da Luta e Zodíaco, foi reconhecido pela Academia a partir do poético O Curioso Caso de Benjamin Button. Este ano, ele retorna com outro filme do gênero crime, mas desta vez ele conta com prestígio e o roteiro de uma autora best-seller, podendo conquistar sua terceira indicação como Diretor.

Não dá pra deixar de lado o favoritismo crescente de Angelina Jolie. Após sucesso crítico de seu filme sobre os conflitos na Bósnia, Na Terra de Amor e Ódio, a atriz resolveu investir em outra produção de guerra, Invencível, mas desta vez, a Segunda Guerra Mundial, baseando-se numa história verídica de um atleta olímpico americano capturado como prisioneiro no Japão. E também não dá pra ignorar o novo trabalho do britânico Stephen Daldry, cujos filmes sempre dão um jeito de receber uma indicação ao Oscar. Reconhecido por Billy Elliott, As Horas e O Leitor, ele volta com Trash – A Esperança Vem do Lixo, filmado no Brasil e com os atores Wagner Moura e Selton Mello.

Selton Mello em Trash - A Esperança Vem do Lixo (photo by outnow.ch)

Selton Mello em Trash – A Esperança Vem do Lixo (photo by outnow.ch)

Já entre os diretores que nunca conseguiram uma indicação, Christopher Nolan aparece como forte candidato pela ficção científica Interestelar. Após bater na trave com Batman – O Cavaleiro das Trevas (2008) e A Origem (2010), o trabalho dele pode finalmente ganhar destaque e satisfazer milhões de fãs e alguns críticos. Particularmente, torço para a inédita indicação de Wes Anderson por O Grande Hotel Budapeste e, mesmo sem ter visto o filme, torço também por Tim Burton e seu filme biográfico Big Eyes.

MELHOR ATOR

• Ben Affleck (Garota Exemplar)
• Chadwick Boseman (James Brown)

• Steve Carell (Foxcatcher)
• Benedict Cumberbatch (The Imitation Game)
• Benicio Del Toro (Escobar: Paradise Lost)

• Michael Fassbender (Frank)
• Michael Fassbender (MacBeth)
• Ralph Fiennes (O Grande Hotel Budapeste)
• Jake Gyllenhaal (Nightcrawler)
• Oscar Isaac (A Most Violent Year)
• Michael Keaton (Birdman)
• Bill Murray (St. Vincent)
• Jack O’Connell (Unbroken)
• David Oyelowo (Selma)

• Al Pacino (Manglehorn)
• Joaquin Phoenix (Inherent Vice)

• Brad Pitt (Corações de Ferro)
• Eddie Redmayne (The Theory of Everything)
• Timothy Spall (Mr. Turner)
• Channing Tatum (Foxcatcher)

Até o momento, o único ator premiado foi o britânico Timothy Spall pelo filme biográfico do pintor J.M.W. Turner no último Festival de Cannes. Contudo, embora seja um excelente diretor de atores, a última performance indicada ao Oscar sob a direção de Mike Leigh foi de Imelda Staunton em 2005 por O Segredo de Vera Drake, o que pode dificultar as chances dele.

Com boas chances de ser premiado em Veneza, Michael Keaton vem recebendo elogios por esse retorno triunfal. Em Birdman, ele interpreta um ator conhecido por viver um super-herói e agora tenta justamente um retorno na Broadway. Essa história remete bastante à trajetória do próprio Michael Keaton, que ficou marcado por viver o herói mascarado Batman e desacelerou sua carreira promissora. Segundos as críticas, sua atuação em Birdman consegue expressar “arrogância, insegurança e desespero num só respiro”. Pode se tornar a sua primeira indicação e a 6ª indicação de um ator sob a direção de Iñárritu.

Outro que deve conquistar sua indicação inédita é Steve Carell, mais conhecido por papéis em comédias como O Virgem de 40 Anos e Agente 86. O diretor Bennett Miller enxergou potencial dramático nele e o ator não decepciona, apresentando uma atuação contida, precisa e assustadora, com direito a uma mudança de visual com cabelos grisalhos e uma prótese no nariz. Tais métodos costumam ser reconhecidos pela Academia como foi o caso do Oscar para Charlize Theron por Monster – Desejo Assassino. Existe uma possibilidade do jovem Channing Tatum receber sua primeira indicação pelo mesmo Foxcatcher, contudo, a disputa na categoria é sempre acirrada e a última vez que houve dois indicados a Melhor Ator pelo mesmo filme foi em 1985, quando Tom Hulce e F. Murray Abraham competiram juntos por Amadeus, tendo o último vencido o Oscar.

Além do aspecto visual, que pode beneficiar os 13 quilos perdidos por Jake Gyllenhall em Nightcrawler, a Academia adora papéis baseados em fatos verídicos, o que deve elevar demais as chances de Eddie Redmayne que interpreta o jovem Stephen Hawking em The Theory of Everything. Claro que a atuação também deve acompanhar a qualidade da transformação, e esse talento o jovem Benedict Cumberbatch tem de sobra. Ele vive outra figura histórica: o matemático Alan Turing, que decifrou um código nazista em plena guerra em The Imitation Game.

Sem o mesmo impacto de um Jamie Foxx como Ray Charles, o jovem e desconhecido Chadwick Boseman pode figurar em listas de melhores ao interpretar o também músico James Brown no filme homônimo. Mas a maior aposta até o momento sem analisar a performance está nas mãos de Joaquin Phoenix, novamente sob direção de Paul Thomas Anderson, com quem trabalhou em O Mestre. Embora com alguns parafusos a menos, o ator está em extrema ascensão em Hollywood e deve confirmar seu favoritismo na casa de apostas por Inherent Vice. Já a minha aposta pessoal vai para um dos trabalhos de Michael Fassbender, seja por Frank, no qual atua usando uma cabeça em formato de desenho, seja pela adaptação de Shakespeare em MacBeth.

MELHOR ATRIZ

• Amy Adams (Big Eyes)
• Jessica Chastain (The Disappearance of Eleanor Rigby)
• Jessica Chastain (Miss Julie)
• Jessica Chastain (A Most Violent Year)
• Marion Cotillard (Two Days, One Night)
• Keira Knightley (Mesmo Se Nada Der Certo)
• Jennifer Lawrence (Serena)
• Juliane Moore (Maps to the Stars)
• Rosamund Pike (Garota Exemplar)
• Meryl Streep (Caminhos da Floresta)
• Hilary Swank (The Homesman)
• Michelle Williams (Suite Française)
• Reese Witherspoon (Wild)
• Shailene Woodley (A Culpa é das Estrelas)

Apesar de não ser a melhor prévia para o Oscar, o Festival de Cannes premiou este ano a atriz Julianne Moore por Maps to the Stars, o que não pode ser simplesmente ignorado pela Academia, ainda mais por se tratar de uma atriz muito querida que já foi indicada em 4 oportunidades, mas nunca levou a estatueta. Suas chances devem aumentar se for indicada como atriz coadjuvante, categoria que costuma ter concorrência menos acirrada.

Agora, se depender do burburinho, Reese Witherspoon já deve garantir sua segunda indicação por Wild. Baseado na história real de Cheryl Strayed de percorrer mais de 1.700km a fim de superar uma catástrofe recente, o filme vem sendo apontado como uma das maiores surpresas do prestigiado Festival de Toronto. Witherspoon, que vinha atuando apenas em filmes comerciais após ganhar o Oscar por Johnny & June, pode recuperar sua reputação de boa atriz.

Em 2012, Jessica Chastain tinha três filmes que poderiam lhe render uma indicação ao Oscar, o que aconteceu por Histórias Cruzadas. Este ano, por nova coincidência de lançamentos, ela tem nova trinca de performances que podem lhe beneficiar na reta final, sendo que em Miss Julie ela é dirigida pela legendária atriz sueca Liv Ullmann, e em A Most Violent Year pelo inspirado J.C. Chandor de Margin Call – O Dia Antes do Fim e Até o Fim. Chastain quase ganhou por A Hora Mais Escura em 2013.

Se a atuação de Amy Adams como a pintora Margaret Keane chamar a atenção da crítica, ela pode ficar com uma mão na estatueta. Seria a 6ª indicação dela em apenas nove anos e sem nenhuma vitória! A Academia está muito disposta a premiá-la, mas talvez esteja esperando uma atuação realmente digna com aqueles elementos já citados aqui como mudança visual ou mesmo no tom de voz, e não apenas uma peruca loira. Teremos de aguardar pra ver o que Tim Burton conseguiu extrair de Amy Adams…

Também por acúmulo de indicações anteriores, Michelle Williams pode voltar ao tapete vermelho por Suite Française, mas a verdadeira carta na manga aqui é o tema do filme: romance entre uma francesa e um soldado alemão em plena Segunda Guerra Mundial. Os votantes judeus já estão cruzando os dedos… E vale lembrar de um favoritismo prévio da jovem Shailene Woodley como a Hazel do best-seller A Culpa é das Estrelas. Apesar da adaptação meio melosa, o filme possibilita Woodley mostrar seu talento sem ser piegas. A favor dela, tem o sucesso de seu outro filme Divergente.

MELHOR ATOR COADJUVANTE

• Dan Aykroyd (James Brown)
• Josh Brolin (Inherent Vice)

• Albert Brooks (A Most Violent Year)
• Johnny Depp (Caminhos da Floresta)
• Robert Duvall (The Judge)
• Neil Patrick Harris (Garota Exemplar)
• Philip Seymour Hoffman (O Homem Mais Procurado)
• Logan Lerman (Corações de Ferro)
• Edward Norton (Birdman)
• Tim Roth (Selma)
• Mark Ruffalo (Foxcatcher)
• J.K. Simmons (Whiplash)
• Benicio Del Toro (Inherent Vice)
• Christoph Waltz (Big Eyes)
• Tom Wilkinson (Selma)

À princípio, esta pode ser a oportunidade de ouro para a Academia premiar finalmente Johnny Depp naquela que seria sua quarta indicação, porém a primeira como coadjuvante. Infelizmente, ainda não é possível analisar se sua atuação é digna de premiação ou seria apenas especulação por seu histórico como ator. Esperamos que seja uma performance à altura de uma indicação e não simplesmente pelo nome. Além disso, é necessário verificar o quanto seu trabalho será beneficiado por efeitos digitais, já que seu personagem é um lobisomem em Caminhos da Floresta.

Pela repercussão no Festival de Toronto, já incluiria o nome do veterano Robert Duvall, que divide a tela com o astro Robert Downey Jr. em The Judge, no qual interpreta um juiz de uma pequena cidade acusado de assassinato. Esta seria a sétima indicação de Duvall, que ganhou o Oscar pelo tocante A Força do Carinho em 1984. Como a última indicação dele foi lá em 1999 por A Qualquer Preço, esta pode ser o retorno que a Academia vinha aguardando para premiá-lo novamente sem depender de um Oscar Honorário, afinal, Duvall já tem 83 anos.

Mas os grandes favoritos da categoria atendem pelos nomes: Mark Rufallo e J.K. Simmons. O primeiro é um dos atores mais versáteis da atualidade, recebeu sua primeira indicação em 2011 por Minhas Mães e Meu Pai, e está curtindo o auge de sua fama como Bruce Banner/Hulk dos filmes dos Vingadores da Marvel Comics. Em Foxcatcher, ele é o irmão que busca proteger o atleta olímpico da obsessão doentia do treinador de luta livre, tarefa que o fez ganhar peso e aumentar suas chances no Oscar. Já o segundo, ficou mundialmente conhecido por ser o chefe de Peter Parker/Homem-Aranha, J.J. Jameson nos filmes dirigidos por Sam Raimi. Embora J.K. Simmons também tenha feito ótima parceria com o diretor Jason Reitman, ele vem conquistando boas críticas por Whiplash: Em Busca da Perfeição, no qual atua como treinador de um jovem baterista (Miles Teller).

Ainda cedo pra analisar, mas com boas chances temos: Benicio Del Toro e Josh Brolin por Inherent Vice; Christoph Waltz por Big Eyes; e Albert Brooks por A Most Violent Year. Já no campo mais concreto, segundo a resposta no Festival de Veneza, Edward Norton pode voltar a concorrer ao Oscar por Birdman após 16 anos, podendo retomar aquele caminho promissor dos anos 90.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

• Patricia Arquette (Boyhood: Da Infância à Juventude)
• Viola Davis (James Brown)
• Laura Dern (Wild)
• Kaitlyn Dever (Men, Women & Children)
• Anne Hathaway (Interestelar)

• Jennifer Garner (Men, Women & Children)
• Felicity Jones (The Theory of Everything)
• Anna Kendrick (Caminhos da Floresta)
• Keira Knightley (The Imitation Game)
• Julianne Moore (Maps to the Stars)
• Miranda Otto (The Homesman)

• Vanessa Redgrave (Foxcatcher)
• Octavia Spencer (James Brown)
• Emma Stone (Birdman)
• Marisa Tomei (O Amor é Estranho)
• Naomi Watts (Birdman)

Primeiramente, volto a ressaltar que Julianne Moore pode concorrer como coadjuvante por seu papel vencedor do prêmio de Melhor Atriz em Cannes. Na maioria das vezes, é a própria distribuidora, encarregada do lobby, que decide em qual categoria a atriz deve concorrer a fim de aumentar as chances de vitória.

Até o momento, uma das favoritas é Laura Dern por Wild. Filha do ator Bruce Dern, que concorreu ao Oscar este ano por Nebraska, ela chegou a ser indicada uma vez por As Noites de Rose no início dos anos 90, mas ficou mais famosa pelo blockbuster de Steven Spielberg, Jurassic Park – O Parque dos Dinossauros (1993). Pela calorosa recepção do Festival de Toronto, ela deve conquistar sua segunda indicação, fortalecendo a campanha do filme no Oscar. A seu favor, também conta sua participação no drama A Culpa é das Estrelas.

Já para os especialistas em Oscar, Patricia Arquette está na frente da disputa por seu papel de mãe em Boyhood: Da Infância à Juventude. Sua personagem é uma observadora atenta do crescimento de seu filho dos 5 aos 18 anos, gerando momentos maternos simples, porém tocantes como o primeiro dia de faculdade. Embora nunca tenha sido indicada para o prêmio da Academia, no mínimo, Arquette deve figurar na lista final.

Em alta por sua parceria com Woody Allen em Magia ao Luar e o sucesso de O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro, Emma Stone já pode colher os frutos através do trabalho com Alejandro González Iñárritu. Em Birdman, ela interpreta a filha problemática de Michael Keaton, passando por clínicas de reabilitação e constantes recaídas. Mais conhecida por sua veia cômica, a jovem atriz demonstra novas facetas em um trabalho mais dramático, uma característica que a Academia costuma ver com bons olhos.

Apoiada pelo recente histórico de indicações sem vitória, Viola Davis pode retornar ao tapete vermelho com o papel de mãe de James Brown. Além de seu talento habitual que tridimensionaliza personagens menores, ela conta com o triunfo da maquiagem envelhecedora, que tanto favorece as interpretações premiadas. Caso ocorra, esta será sua terceira indicação ao Oscar e com grandes chances de vitória, uma vez que ela repete parceria vencedora com o diretor Tate Taylor de Histórias Cruzadas.

MELHOR ANIMAÇÃO

• Operação Big Hero 6 (Big Hero 6), de Don Hall, Chris Williams
• Festa no Céu (Book of Life), de Jorge R. Gutierrez
• Os Boxtrolls (The Boxtrolls), de Graham Annable e Anthony Stacchi
• Como Treinar o seu Dragão 2 (How to Train your Dragon 2), de Dean DeBlois
• The Tale of Princess Kaguya (Kaguyahime no Monogatari), de Isao Takahata
• Uma Aventura LEGO (The Lego Movie)
, de Phil Lord e Christopher Miller
• As Aventuras de Peabody & Sherman (Mr. Peabody & Sherman), de Rob Minkoff
• Os Pinguins de Madagascar (Penguins of Madagascar), de Eric Darnell e Simon J. Smith
• Song of the Sea
, de Tomm Moore

Virou praxe: todo ano em que a Pixar está ausente, não há favoritos. O estúdio elevou tanto o nível de qualidade da animação que o cinema fica sem referência sem seus filmes. A briga deve se concentrar entre Operação Big Hero 6, Como Treinar seu Dragão 2 e Uma Aventura LEGO, com uma ligeira vantagem para o último por seu sucesso nas bilheterias nos EUA, que ultrapassa os 250 milhões de dólares.

E como de costume, a Academia gosta de incluir animações oriundas de outras nações, sendo Japão a mais indicada entre os estrangeiros. Na ausência do mestre Hayao Miyazaki, indicado este ano por Vidas ao Vento, outro mestre nipônico pode tomar seu lugar no Oscar: Isao Takahata, responsável por uma das animações mais tocantes de todos os tempos: Túmulo dos Vagalumes (1988). Seu mais novo trabalho, The Tale of Princess Kaguya, também foi produzido pelo Studio Ghibli de Miyazaki, e contém elementos fantásticos como a princesa do título ser do tamanho de um dedo.

Claro que se houver mais uma vaga pra animação estrangeira, a vaga pode ficar com o irlandês Song of the Sea, do mesmo Tomm Moore que foi indicado em 2010 por Uma Viagem ao Mundo das Fábulas (The Secret of Kells).