Argo (Argo), de Ben Affleck (2012)

Argo, de Ben Affleck. Fortíssimo candidato ao Oscar 2013.

TERCEIRO FILME DE BEN AFFLECK RESGATA HUMOR POLÍTICO

Apesar de ser inspirada em fatos verídicos, a história de Argo contém elementos fictícios que simplificam o contexto de forma que qualquer espectador possa entender e embarcar na arriscada missão. Desde que estreou nos EUA em outubro, vem conquistando elogios da crítica e tem se tornado um dos fortes candidatos ao Oscar.

Logo no início, somos apresentados a uma breve história do Irã, passando pela desavença causada pelo exílio do Xá e a revolta do povo xiita liderado pelo aiatolá Khomeini para invadir a embaixada americana no Teerã com o objetivo de levar o líder político a julgamento. Nesse cenário de caos e barbárie, seis funcionários da embaixada conseguem escapar a tempo e se refugiam na casa do embaixador canadense. Com a pressão política devastando o país, a CIA se vê obrigada a retirá-los do solo iraniano antes que haja uma tragédia e comprometa o diplomata canadense.

Os seis americanos na casa do embaixador canadense.

Incontáveis idéias surgem das cabeças do alto escalão, sendo uma delas conseguir documentos de professores estrangeiros. Nesse momento conturbado, surge o agente Tony Mendez (Ben Affleck), especializado em exfiltração. Numa noite, ao falar com o filho que mora com a mãe por telefone, ele assiste a um dos filmes da série O Planeta dos Macacos e dali nasce o plano mirabolante. Mendez precisa convencer as autoridades do aeroporto do Irã que seus seis refugiados são parte de uma equipe de filmagem canadense para o falso filme de ficção científica intitulado Argo, que teria vindo ao país para pesquisar locações para os cenários de desertos.

Como o agente desconhece o universo fílmico, é enviado para Los Angeles, mais precisamente em Hollywood, onde conhece o maquiador John Chambers (artista verídico, falecido em 2001), vivido por John Goodman, e o produtor fictício Lester Siegel (Alan Arkin). Nessa parte que Argo mais cresce, pois explora o paralelo entre a vida e a arte, e a CIA e Hollywood. Chambers e Siegel brilham na tela ao criticar Hollywood e seu mercenarismo. São deles os melhores diálogos do roteiro de Chris Terrio, jovem escritor nova-iorquino que deve ter inúmeras oportunidades depois do sucesso de Argo.

Quando a idéia vira realidade. Chambers (Goodman), Siegel (Arkin) e Mendez (Affleck) se reunem para discutir a “Opção Hollywood”

Como se tratava de uma operação altamente confidencial, pela mídia, os refugiados conseguiram escapar graças aos esforços do Canadá, que ganharam o crédito do salvamento das vidas. Só depois de 17 anos que o então presidente americano Bill Clinton tornou público todo o planejamento originado na CIA, em parceria com Hollywood, e o cabeça Tony Mendez, que ganhou dinheiro depois ao publicar um livro. Mas ao contrário do que muitos pensam, o roteiro de Chris Terrio nada tem a ver com o livro de Mendez, pois é baseado no artigo de Joshuah Bearman, publicado na revista Wired.

Outra fato que parece ter alguma influência ou ligação com Argo seria o exílio do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, na embaixada do Equador em Londres. O abrigo político de Assange, que se iniciou em junho deste ano, ainda continua sem solução. Infelizmente, com a popularidade do filme de Affleck, a estratégia de  sair disfarçado como membro de equipe de filmagem já está batida. Agora vai ter que ser bem mais criativo pra sair de lá…

Julian Assange, fundador do WikiLeaks, exilado na embaixada do Equador. Devido ao vazamento de informações confidenciais de alguns governos, muitos querem entregá-lo às autoridades…

… já outros querem a sua liberdade. O protesto homenageia a graphic novel de Alan Moore, V de Vingança, protagonizada pelo anti-herói anarquista V.

Em seu terceiro longa como diretor, Ben Affleck confirma maturidade com uma trama política, pela qual consegue extrair críticas a Hollywood, aos governos americano e iraniano e ainda entregar um filme tenso do começo ao fim. Com o roteiro altamente abrangedor, ele desvia das armadilhas e salta com leveza entre os gêneros do drama, comédia e suspense, resultando num filme coerente, que agrada a todos os públicos. Sem contar que enquanto cuida desses aspectos, ainda dirige a si mesmo de forma convincente. Affleck queria Brad Pitt para o papel de Tony Mendez, mas como ele estava bastante atarefado, acabou protagonizando.

Em se tratando de atuação, depois de sua aclamada estréia na direção com Medo da Verdade (Gone Baby Gone), Ben Affleck voltou a surpreender os críticos com o drama policial Atração Perigosa (The Town, 2010). Além dos elogios, os filmes renderam duas indicações ao Oscar: Melhor Atriz Coadjuvante para Amy Ryan por Medo da Verdade, e Melhor Ator Coadjuvante para Jeremy Renner por Atração Perigosa.

Mesmo que tenha convencido a todos de suas qualidades no quesito direção de atores, Ben Affleck ainda permanece uma grata surpresa, afinal, ele mesmo nunca se firmou como um dos bons. Na carreira de atuação, Affleck teve algumas performances razoáveis nos filmes de Kevin Smith (Barrados no Shopping, Procura-se Amy e Dogma), participou de alguns filmes em destaque como Shakespeare Apaixonado (1998) e chegou a ganhar o Volpi Cup de Melhor Ator no Festival de Veneza por Hollywoodland – Bastidores da Fama (2006) ao interpretar o ator que foi o Super-Homem na TV, George Reeves. Contudo, a carreira de ator para Affleck não deslanchava porque tentaram vendê-lo como galã nos filmes Armageddon (1998), Pearl Harbor (2001), na refilmagem do sucesso estrelado por Harrison Ford, A Soma de Todos os Medos (2002) e até como o herói da Marvel no fracasso Demolidor – O Homem Sem Medo (2003).

Ben Affleck ao lado de Matt Damon (a esquerda). Vencedores do Oscar de Melhor Roteiro Original por Gênio Indomável (1997).

Embora a estratégia tenha fracassado, especialmente no filme Contato de Risco (2003) quando Ben atingiu o fundo do poço ao lado da então namorada Jennifer Lopez, ele aprendeu bastante com bons diretores. Além do já citado Kevin Smith, Ben Affleck pôde observar de camarote o método de trabalho de Gus Van Sant (Gênio Indomável, pelo qual ganhou o Oscar de Roteiro Original com Matt Damon), Michael Bay (sim, aprendeu como não fazer filmes com Armageddon e Pearl Harbor), John Madden (Shakespeare Apaixonado) e com o falecido John Frankenheimer (sequências de ação e tensão em Jogo Duro). Dessa diversidade de projetos e estilos, Affleck foi criando seu próprio métodos de trabalho que acaba sintetizando muitas das qualidades que ele presenciou nos sets de filmagem, além das suas próprias referências pessoais.

Vale ressaltar que nesses três primeiros filmes, ele soube escolher minuciosamente seu elenco, tarefa nada fácil para um diretor novato. Aí entra também seu trabalho como ator, pois ao longo de sua experiência, pôde ver e conhecer melhor os atores com quem poderia trabalhar no futuro. Logo em seu primeiro projeto, conseguiu escalar Morgan Freeman. Já no segundo, convenceu os veteranos Pete Postlethwaite e Chris Cooper a embarcar na história de ladrões de banco de Atração Perigosa. Em Argo, a façanha se repete devido ao seu alto comprometimento profissional. Alan Arkin, John Goodman e Bryan Cranston fazem parte de um forte grupo que tem grandes chances de ganhar o prêmio de Melhor Elenco (Ensemble Cast in a Movie) do SAG Awards em 2013.

Ben Affleck dirige John Goodman (a esquerda). O jovem diretor vem confirmando seu talento para trabalhar com atores.

O sucesso de Ben Affleck na cadeira de diretor também possibilita novas parcerias por trás das câmeras. Além da diretora de arte Sharon Seymour, que trabalhou nas três produções, Affleck conseguiu colaborações importantes como a do compositor Harry Gregson-Williams e agora com Alexandre Desplat, o montador William Goldenberg (que trabalha frequentemente com Michael Mann), os produtores George Clooney e Grant Heslov para dar mais tranquilidade ao diretor, e apesar de não ter repetido, conseguiu três excelentes diretores de fotografia na ordem: John Toll, Robert Elswitt e Rodrigo Prieto.

Curiosamente, Argo, antes intitulado Escape from Tehran (Fuga de Teerã) estava previsto para ser dirigido por George Clooney e co-escrito por Grant Heslov em 2007 devido ao sucesso de crítica que foi Boa Noite e Boa Sorte (2005). Mas algumas complicações surgiram e o projeto ficou encalhado até 2011, quando Ben Affleck foi apadrinhado por Clooney e desenvolveu o filme com a Warner Bros.

A aposta deu certo. Argo estreou em primeiro lugar nos EUA e se manteve na mesma posição por mais quatro semanas, tendo faturado até o momento, mais de 76 milhões de dólares só em solo americano, fato que só favorece indicações ao Oscar, pois a Academia costuma premiar produções que tiveram pelo menos um sucesso razoável nas bilheterias.

Ainda na questão do Oscar, Alan Arkin e John Goodman podem se tornar indicados na categoria de Melhor Ator Coadjuvante. Infelizmente, seus papéis têm pouco tempo na tela, o que pode atrapalhar no favoritismo, mas certamente ambos roubam a cena por seu lado cômico que satiriza Hollywood. Arkin já venceu na mesma categoria em 2007 pela comédia independente Pequena Miss Sunshine e Goodman pode finalmente ter sua primeira indicação por interpretar uma figura importante como John Chambers, que ficou mundialmente conhecido por ter criado as próteses dos macacos de O Planeta dos Macacos e ter ganhado um Oscar Honorário de Maquiagem em 1969 (a categoria de Melhor Maquiagem foi criada apenas em 1981, quando Rick Baker venceu pelo primoroso trabalho em Um Lobisomem Americano em Londres).

John Chambers (a esquerda) ao lado de sua criação de O Planeta dos Macacos, que lhe renderia um Oscar Honorário de Maquiagem.

Além de Melhor Filme, Argo pode conseguir a primeira indicação para Melhor Diretor para coroar a maturidade de Ben Affleck que, a esse ponto, não passa mais desapercebido pela temporada de premiações. Também deve obter indicações nas categorias Melhor Roteiro Original (Chris Terrio), Melhor Fotografia (Rodrigo Prieto), Melhor Montagem (William Goldenberg) e Melhor Trilha Musical (Alexandre Desplat), podendo totalizar oito indicações. Sem contar as chances no Globo de Ouro, que acontece no dia 13 de janeiro.

Argo é um filme bem dirigido, atuado e com qualidades técnicas, especialmente o roteiro e a montagem. Mas para a avaliação ainda conto o fato do filme trazer questões políticas de volta ao cenário hollywoodiano. E não se trata de mais um filme político chato e quadrado, senão não estaria fazendo o sucesso comercial que vem fazendo. E vem num momento curioso em que o vídeo Inocência dos Muçulmanos, que causou enorme rebuliço no Oriente Médio, ainda estremece a delicada relação entre os EUA e o Irã.

AVALIAÇÃO: MUITO BOM

Oscar 2013: Recorde de 71 filmes estrangeiros inscritos

Federico Fellini recebendo Oscar Honorário em 1993. O diretor levou quatro vezes Melhor Filme Estrangeiro para a Itália, além de doze indicações.

Uma nova marca é adicionada à história do Oscar. Setenta e um países inscreveram filmes para representá-los na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. É claro que o fato de concorrer oficialmente ao prêmio já seria um prestígio enorme, mas talvez esse aumento de participantes se deva à vitória de A Separação, de Asghar Farhadi, um filme iraniano pequeno que não pertence ao círculo de países de primeiro mundo que costuma ganhar nessa categoria.

Desde que a Academia criou a categoria internacional em 1957 (de 1948 a 1956, os filmes estrangeiros eram reconhecidos com Oscars Honorários), Itália e França são os maiores vencedores com dez e nove vitórias respectivamente. Contudo, ambos não ganham há um bom tempo. A última produção francesa a ganhar foi Indochina, de Régis Wargnier, em 1993, enquanto a Itália tem um jejum de treze anos desde que A Vida é Bela, de Roberto Benigni levou três prêmios naquele ano de 1999.

César Deve Morrer, dos irmãos Taviani: vencedor do Urso de Ouro em Berlim, representando a Itália no Oscar

E se depender do burburinho, a Itália pode voltar ao páreo com o César Deve Morrer, dos irmãos Vittorio e Paolo Taviani (sem previsão de estréia aqui). O docu-drama que mostra presidiários reais encenando a peça Júlio César, de Shakespeare, levantou polêmica e levou o Urso de Ouro no Festival de Berlim desse ano. Não tem tanta cara de Oscar pelo lado polêmico, mas seria uma excelente oportunidade da Academia resgatar grandes nomes do cinema italiano.

Intocáveis, de Olivier Nakache e Eric Toledano: sucesso comercial e boas atuações garantem uma indicação ao Oscar

Maiores chances tem a França, pois conta com o sucesso comercial Intocáveis, de Olivier Nakache e Eric Toledano, que já consolidou a segunda melhor posição da bilheteria francesa de todos os tempos, faturando mais de US$ 300 milhões ao redor do mundo. A comédia dramática, ainda em cartaz nos cinemas de São Paulo, conta a história verídica de um aristocrata que ficou quadriplégico e contratou um jovem incomum para seus cuidados. Seu sucesso de público se deve à química dos atores principais, François Cluzet e Omar Sy, e pelo roteiro que explora muito bem as diferenças culturais dos dois personagens.

Amour, de Michael Haneke: diretor austríaco (à esq) dirige os veteranos Emmanuelle Riva e Jean-Louis Trintignant. A Palma de Ouro lhe deu a merecida notoriedade.

Entretanto, os franceses têm dura competição com o representante da Áustria: o drama Amour, de Michael Haneke, uma vez que arrebatou a última Palma de Ouro em Cannes e conta ainda com uma ótima dupla de atores, o casal Jean-Louis Trintignant e Emmanuelle Riva, ambos cotados para indicações nas categorias de atuação. Conta a favor também o fato de Michael Haneke ter a segunda chance na categoria depois que perdeu em 2010 pelo forte drama A Fita Branca, quando concorria pela Alemanha.

Em termos de favoritismo, parece claro que os três filmes citados acima estão com maiores chances. Porém, como se trata de uma categoria bastante imprevisível às vezes, vale a pena ressaltar alguns trabalhos bem comentados até o momento pela mídia e que não são necessariamente do mainstream, como é o caso do romeno Beyond the Hills, de Cristian Mungiu. Foi graças ao diretor que o cinema da Romênia voltou ao cenário internacional em 2007, quando seu filme anterior, o drama 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias foi reconhecido pela Palma de Ouro. O fato de Beyond the Hills ter saído com dois prêmios de Cannes esse ano: Melhor Atriz (recebido pela dupla de protagonistas Cosmina Stratan e Cristina Flutur) e Melhor Roteiro (Cristian Mungiu) certamente colabora na campanha, mas por se tratar de temática religiosa e sobrenatural envolvendo exorcismo verídico, os votantes velhinhos podem molhar suas fraldas geriátricas e nem terminar de ver o filme até o fim.

Beyond the Hills, de Cristian Mungiu: exorcismo na Academia? Só se for pra compensar O Exorcista (1973).

O mesmo asco deve acontecer entre os votantes ao ver o filme sul-coreano Pietá, de Kim Ki-duk, pois contém violência (apenas alguns membros decepados) e cenas de incesto (coisa mais light hoje em dia). Apesar de ter levado o Leão de Ouro em Veneza, as chances do filme ficar entre os cinco finalistas são as mesmas do mundo acabar em 2012.

Outros concorrentes apresentam alguns elementos que podem facilitar a indicação. No caso do israelense Fill the Void, o prêmio Volpi Cup de Melhor Atriz para Hadas Yaron seria um bom adendo, mas convenhamos que a maioria vontante judia também dá uma forcinha. Já o dinamarquês A Royal Affair, de Nikolaj Arcel, que ganhou Melhor Ator e Melhor Roteiro em Berlim, ganha pontos pela produção caprichada de filme de época, com figurinos e direção de arte vistosos, contando com Mads Mikkelsen, ator em ascensão internacional.

A Suécia pode conseguir grande ajuda pelo peso do nome Lasse Hallström. O diretor chegou a ser indicado ao Oscar de Melhor Diretor e Melhor Roteiro Adaptado pelo drama sueco Minha Vida de Cachorro em 1988 e novamente como Melhor Diretor pelo meloso Regras da Vida em 2000. Lasse Hallström conseguiu comandar bons projetos em Hollywood, resultando em Gilbert Grape – Aprendiz de um Sonhador (1993), Chocolate (2000), Chegadas e Partidas (2001), Sempre ao seu Lado (2009) e mais recentemente o drama baseado no best-seller de Nicholas Sparks, Querido John (2010). Ele pode voltar a competir com The Hypnotist, adaptação literária homônima da obra de Lars Kepler.

The Hypnotist, de Lasse Hallström. O diretor retorna à gélida Suécia e volta a ter boas chances no Oscar.

Se forçar um pouco a barra, dá pra incluir na briga o musical no melhor estilo Bollywood, Barfi!. A última indicação da Índia aconteceu em 2002 com outro musical Lagaan – Era Uma Vez na Índia, de Ashutosh Gowariker. Quem sabe não sai uma dobradinha musical com uma possível vitória de Les Miserábles, de Tom Hooper? OK, já seria muita ilusão de minha parte…

E o que dizer da primeira participação da Quênia no Oscar? Eles selecionaram o drama Nairobi Half Life, de David ‘Tosh’ Gitonga. Obviamente, trata-se de uma produção de baixo orçamento que acompanha a trajetória de um jovem aspirante a ator que se muda para a cidade grande (Nairobi) a fim de tentar a sorte na carreira. Talvez o filme tenha baixa qualidade técnica pelas dificuldades do país, mas se mandaram bem no lado emotivo da história, por que não teria chances reais? Se uma coisa eu aprendi nesses anos acompanhando o Oscar foi que a categoria de Filme Estrangeiro privilegia a boa e velha catarse. Histórias que mexem com elementos de superação são os favoritos.

Nairobi Half Life, de David ‘Tosh’ Gitonga: Primeiríssima participação do Quênia no Oscar. Motivo de orgulho e torcida.

E o Brasil? Quando vem o bendito primeiro Oscar para o nosso país? Teria O Palhaço, de Selton Mello, boas chances de ficar entre os finalistas? Particularmente, gostei da escolha entre os filmes nacionais, pois mostra um Brasil diferente dos últimos retratos de Cidade de Deus (2002) e Tropa de Elite (2007). Como já afirmei antes, a categoria diverge das demais em termos de votação. Já tentamos ganhar com Walter Salles (Central do Brasil) e Fernando Meirelles (Cidade de Deus) pelo prestígio internacional. Já apelamos pelos gostos dos votantes com Olga (2004), de Jayme Monjardim, e O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias (2006), de Cao Hamburger. Nada. Então, mesmo que O Palhaço sequer figure entre os finalistas, pelo menos estamos tentando com novas perspectivas. O filme possui temática universal do circo, boas atuações e qualidades técnicas como fotografia e trilha. Quem sabe?

Vale lembrar que lista dos 71 filmes que participam da maratona do Oscar poderia ser de 72 filmes. O governo (patético) do Irã resolveu chamar a atenção da mídia ao cancelar a participação do país no Oscar como forma de protesto pelo vídeo (ainda mais patético) Inocência dos Muçulmanos, que o Youtube foi obrigado a retirar do ar por ordem do governo brasileiro (muito mais patético) que mesmo tendo mais de vinte anos de ditadura na História, ainda não aprendeu que censura é uma atitude desprezível que vai contra a liberdade que foi conquistada com muito suor e sangue. Azar também do pobre filme iraniano A Cube of Sugar, de Seyyed Reza Mir-Karimi, que teve que pagar o pato com essa história ridícula de boicote…
Segue lista completa em ordem alfabética:

Afeganistão: The Patience Stone, de Atiq Rahimi

África do Sul: Little One, de Darrell James Roodt
Albânia: Pharmakon, de Joni Shanaj

Alemanha: Barbara, de Christian Petzold
Argélia: Zabana!, de Said Ould Khelifa
Argentina: Clandestine Childhood, de Benjamín Ávila
Armênia: If Only Everyone, de Natalia Belyauskene
Austrália: Lore, de Cate Shortland
Áustria: Amour, de Michael Haneke
Azerbaijão: Buta, de Ilgar Najaf
Bangladesh: Pleasure Boy Komola, de Humayun Ahmed
Bélgica: Our Children, de Joachim Lafosse
Bósnia e Herzegovina: Children of Sarajevo, de Aida Begic
Brasil: O Palhaço, de Selton Mello
Bulgária: Sneakers, de Valeri Yordanov e Ivan Vladimirov
Camboja: Lost Loves, de Chhay Bora
Canadá: War Witch, de Kim Nguyen

Cazaquistão: Myn Bala: Warriors of the Steppe, de Akan Satayev
Chile: No, de Pablo Larraín;
China: Caught in the Web, de Chen Kaige
Colômbia: The Snitch Cartel, de Carlos Moreno

Coréia do Sul: Pieta, de Kim Ki-duk
Croácia: Vegetarian Cannibal, de Branko Schmidt
Dinamarca: A Royal Affair, de Nikolaj Arcel

Eslováquia: Made in Ash, de Iveta Grófová
Eslovênia: A Trip, de Nejc Gazvoda
Espanha: Blancanieves, de Pablo Berger
Estônia: Mushrooming, de Toomas Hussar

Filipinas: Bwakaw, de Jun Robles Lana
Finlândia: Purge, de Antti J. Jokinen
França: Intocáveis, de Olivier Nakache e Eric Toledano
Georgia: Keep Smiling, de Rusudan Chkonia
Grécia: Unfair World, de Filippos Tsitos
Greenland: Inuk, de Mike Magidson

Holanda: Kauwboy, de Boudewijn Koole
Hong Kong: Life without Principle, de Johnnie To
Hungria: Just the Wind, de Bence Fliegauf
Índia: Barfi!, de Anurag Basu
Indonésia: The Dancer, de Ifa Isfansyah

Islândia: The Deep, de Baltasar Kormákur
Israel: Fill the Void, de Rama Burshtein
Itália: Caesar Must Die, de Paolo Taviani e Vittorio Taviani
Japão: Our Homeland, de Yang Yonghi
Letônia: Gulf Stream under the Iceberg, de Yevgeny Pashkevich
Lituânia: Ramin, de Audrius Stonys
Macedônia: The Third Half, de Darko Mitrevski
Malásia: Bunohan, de Dain Iskandar Said

Marrocos: Death for Sale, de Faouzi Bensaïdi
México: After Lucia, de Michel Franco
Noruega: Kon-Tiki, de Joachim Rønning e Espen Sandberg
Palestina: When I Saw You, de Annemarie Jacir
Peru: The Bad Intentions, de Rosario García-Montero
Polônia: 80 Million, de Waldemar Krzystek
Portugal: Blood of My Blood, de João Canijo

Quênia: Nairobi Half Life, de David ‘Tosh’ Gitonga

Quirguistão: The Empty Home, de Nurbek Egen

República Dominicana: Jaque Mate, de José María Cabral

República Tcheca: In the Shadow, de David Ondrícek
Romênia: Beyond the Hills, de Cristian Mungiu
Rússia: White Tiger, de Karen Shakhnazarov
Sérvia: When Day Breaks, de Goran Paskaljevic

Singapura: Already Famous, de Michelle Chong
Suécia: The Hypnotist, de Lasse Hallström
Suíça: Sister, de Ursula Meier
Tailândia: Headshot, de Pen-ek Ratanaruang

Taiwan: Touch of the Light, de Chang Jung-Chi
Turquia: Where the Fire Burns, de Ismail Gunes
Ucrânia: The Firecrosser, de Mykhailo Illienko
Uruguai: The Delay, de Rodrigo Plá
Venezuela: Rock, Paper, Scissors, de Hernán Jabes
Vietnã: The Scent of Burning Grass, de Nguyen Huu Muoi

Irã boicota o Oscar 2013 por causa do vídeo ‘Inocência dos Muçulmanos’

Asghar Farhadi com seu Oscar de Melhor Filme Estrangeiro para o Irã. Pelo visto, não foi suficiente para evitar um boicote em 2013 (foto por Jason Merritt/ Getty Images)

Depois de ataques às embaixadas norte-americanas, bandeiras queimadas em público e recompensa de 100 mil dólares pela cabeça do diretor Nakoula Basseley Nakoula, responsável pelo vídeo produzido nos EUA Inocência dos Muçulmanos (Innocence of the Muslims), era questão de tempo essa pressão atingir o prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.

Mesmo tendo vencido o último Oscar de Melhor Filme Estrangeiro com o belo drama A Separação, de Asghar Farhadi, o Irã (leia-se seu governo) decidiu boicotar o Oscar devido ao incendiário vídeo que vem causando muita violência e revolta no mundo muçulmano entre o Paquistão e o Egito, resultando em mais de cinquenta mortos, incluindo o assassinato do embaixador americano na Líbia.

Nakoula Basseley Nakoula WANTED: A cabeça deste homem está valendo 100 mil dólares? Quando é o próximo vôo para os EUA? Quem está pagando é o político paquistanês Ghulam Ahmad Bilour.

O ministro da cultura do Irã, Mohammed Hosseini, admitiu pela imprensa de que o país já havia eleito o filme A Cube of Sugar (Ye habe Ghand), do diretor Seyyed Reza Mir-Karimi – que trata de um casamento que termina em funeral quando os pais do noivo morrem – para a competição internacional, mas voltaram atrás por considerarem Inocência dos Muçulmanos “um insulto intolerável para o Profeta do Islã”. Hosseini, juntamente com o chefe da agência controladora do cinema iraniano, Javad Shamaghdari, concordam com o boicote e incentivam outros países islâmicos a fazerem o mesmo.

Esse boicote só teria fim se as autoridades americanas revelassem à justiça os responsáveis pelo vídeo Inocência dos Muçulmanos. Em discurso nas Nações Unidas, o presidente Barack Obama condenou o filme anti-Islâmico, mas insistiu que os tumultos que ele acarretou não são justificados. “Não há palavras que sirvam como desculpa para a matança de pessoas inocentes. Nenhum vídeo justifica um ataque a uma embaixada”.

O presidente Barack Obama em discurso na ONU. “Nada justifica matança de inocentes” (foto por Associated Press)

Obviamente, o governo iraniano quer se aproveitar da projeção internacional do Oscar para demonstrar insatisfação com o governo norte-americano. Por mais que Obama concorde que o vídeo é uma ofensa, seu país prega a democracia e a liberdade de expressão. Se ele condena o diretor pelo filme, pode arranjar briga com a ONU e os defensores da Constituição. Se em circusntâncias normais, o presidente não tocaria nesse vespeiro, imagina em época de eleição!

Para os fanáticos religiosos islâmicos, cinema não tem nada a ver com Arte, mas uma arma para atingir os inimigos. Na competição da categoria de Melhor Filme Estrangeiro deste ano, embora tenham comemorado a vitória sobre seus rivais de Israel (o filme Footnote, de Joseph Cedar) como se fosse uma guerra vencida, os iranianos mais radicais ainda reclamaram da exposição dos problemas de sua sociedade por meio da história de separação de um casal. Desse jeito, fica difícil de encontrar alguma conciliação se já emperram com questões mais insignificantes.

Independente do rumo que esses conflitos tomem, o Oscar, o filme iraniano A Cube of Sugar e seu diretor Seyyed Reza Mir-Karimi nada devem para os fundamentalistas islâmicos ofendidos por um vídeo tosco, mas infelizmente, acabam sendo os bodes expiatórios. Nas cidades em conflito, uma filial da rede de restaurantes KFC acabou sendo destruída só porque é americana. Isso é justo?

Sobrou para o representante iraniano A Cube of Sugar, de Seyyed Reza Mir-Karimi. O cinema paga o pato dos fundamentalistas islâmicos.

Aqui no Brasil, quando a classe média xiita fica revoltada com os “estadunidenses”, eles batem o pé e boicotam o McDonald’s. Sim, é um protesto devastador, mas bem mais sensato do que sair travestido de viking e arrasar com tudo pela frente.

*Devido a protestos de um grupo de muçulmanos no Brasil contra o Google (que detém os direitos do Youtube), uma corte em São Paulo ordenou que a empresa retire o vídeo do ar no prazo de 10 dias. Por isso, para quem ainda não viu o vídeo, aproveite para checar: https://cinemaoscareafins.wordpress.com/2012/09/19/video-causa-conflito-no-oriente-medio/. Curiosamente, essa decisão foi tomada um dia após o discurso da presidente Dilma Roussef na ONU contra a “islamofobia”. Para quem não conhece o jeito do PT (partido trabalhista) trabalhar, acostume-se. Eles adoram controlar com censura os meios de comunição e acreditam que o “Mensalão” é uma história de ficção científica. Nesse quesito, o país está a um passo do governo ditatorial de Hugo Chavez.

Com ou sem o Irã, as indicações ao Oscar 2013 serão anunciadas no dia 10 de janeiro de 2013.

Vencedores do Oscar 2012

Turma de O Artista: virada no Oscar

Ok, confesso. Não fui tão bem nas minhas previsões do Oscar este ano. Mas pelo menos ganhei o bolão da minha turma! Das 20 categorias que postei aqui, acertei apenas 9. Como iria adivinhar que o filme A Invenção de Hugo Cabret iria morrer na praia? Começou ganhando tudo e depois foi entregar tudo de mão beijada para O Artista! Pena que não postei minhas apostas para os curtas. Acertei todos os 3: curta, curta-documentário e curta de animação!

Billy Crystal: Talvez esteja na hora de se aposentar do Oscar?

Bom, antes de começar a comentar os resultados, não curti tanto o Billy Crystal. Ele está meio enferrujado nas músicas e na língua, que era mais afiada antes. Não acreditei que ele fosse cantar “It’s aaaaa wonderful night for Oscar! Oscar! Oscar! Who will win?” com 9 (nove!) filmes indicados a Melhor Filme, mas no fim nem fez tanta diferença porque foi tudo muito rápido. Não é de hoje que defendo a volta de Jon Stewart (do Daily Show), que apresentou muito bem em 2006 e 2008. Também gostaria de ver a Ellen DeGeneres pelo menos mais uma vez. Mas dá pra dar um desconto para o Billy Crystal porque ele foi chamado às pressas para substituir Eddie Murphy, que teve que pular fora do barco por causa do cabeça-oca do Brett Ratner, ex-produtor do Oscar que andou falando mais do que devia em programas de entrevistas.

Mas minha maior crítica talvez seja a produção do Oscar em si. Achei que o produtor Brian Grazer estava tão preocupado em respeitar o horário do show que esqueceu dos demais atrativos. Sabe aquela expressão “by the book”? A cerimônia em si ficou quadrada e fraquinha. Nem sequer teve bons clipes (aquele da opinião de O Mágico de Oz tinha boa intenção, mas parou por aí), os diálogos dos apresentadores estavam batidos e aquele número do Cirque du Soleil estava parecendo um repeteco genérico de 2002. Poxa, custava fazer algo mais inovador? Ah sim, tinha as moças jeitosas (cigarette girls) servindo saquinhos de pipocas nos corredores! Aliás, vou repassar essa ótima idéia para a Rede Cinemark (que é “muito mais que cinema”).

Ok, vamos aos resultados. O balanço final ficou assim:

O Artista e A Invenção de Hugo Cabret empataram com 5 Oscars, sendo que o primeiro ficou com os principais prêmios da noite.

Direção de Arte esplendorosa de Hugo: recriação e criação

A Dama de Ferro com 2 Oscars.

Os Descendentes, Histórias Cruzadas, Meia-Noite em Paris, Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres, Toda Forma de Amor, Rango, A Separação e Os Muppets todos levaram uma estatueta para casa, confirmando assim uma espécie de distribuição democrática de prêmios.

Talvez os maiores perdedores da noite foram o filme de beisebol, O Homem que Mudou o Jogo, e o drama bélico, Cavalo de Guerra, que saíram de mãos vazias da cerimônia. As duas produções são boas e não mereciam ficar de fora do Oscar democrático. Enquanto o filme de Brad Pitt tinha um roteiro forte com diálogos rápidos e bons atores, o filme de Spielberg tem um classicismo à la John Ford que ressalta a boa e velha catarse com uma bela fotografia e enquadramento do pôr-do-sol. Porém, em ambos os casos, acabaram não ganhando porque tiveram fortes concorrentes em suas categorias.

A fotografia intimista de A Árvore da Vida

Apesar de ter gostado de A Invenção de Hugo Cabret, não concordo em tanto reconhecimento técnico. Por exemplo, gosto da fotografia, mas não dava para esnobar o trabalho de Emmanuel Lubezki em A Árvore da Vida. Não somente pelo aspecto National Geographic das cenas da Natureza, mas pela forma intimista que Lubezki trata a família, como uma espécie de entidade divina, que faz com que o filme de Malick seja interpretado desta maneira. Além disso, os efeitos visuais de Planeta dos Macacos: A Origem mereciam o prêmio pelo ótimo realismo dos personagens símios (e seria uma excelente forma de compensar toda a série e o trabalho excepcional de maquiagem). E para finalizar, o Oscar de som poderia ter ido para Cavalo de Guerra, que trabalha minuciosamente os sons dos armamentos da Primeira Guerra Mundial.

Já a direção de arte de A Invenção de Hugo Cabret é um trabalho primoroso de Dante Ferretti e Francesca LoSchiavo, pois consegue recriar os sets de filmagens de Georges Méliès de forma majestosa e cria toda uma estação de trem da Paris dos anos 30. Esse Oscar ninguém tirava…

Meryl Streep e o Oscar: feitos um para o outro.

Se a cerimônia em si foi meio previsível, pelo menos duas surpresas me agradaram bastante. Quer dizer, não dá pra classificar exatamente como “surpresa”, mas acho que a vitória de Woody Allen e Meryl Streep me agradaram bastante. Até pouco antes de começar o Oscar, achava que a Viola Davis roubaria a 3ª estatueta de Meryl Streep, mas felizmente eu estava errado. Até a Meryl Streep estava mais confiante desta vez, usando um vestido todo dourado! Mas parabéns a ela, pois trata-se de uma das maiores e melhores atrizes em atividade no mundo. Espero que ela consiga ganhar um quarto ou quinto Oscar, pois a longevidade de sua carreira muito se assemelha à recordista do Oscar de atriz: a grande Katharine Hepburn, vencedora 4 vezes como melhor atriz.

E Woody Allen sempre é uma boa surpresa. Mesmo que seja um outsider e não goste de marcar presença em premiações (apesar que ele estava presente no último Festival de Cannes), o cineasta é muito querido pelo seu público e com este filme, Meia-Noite em Paris, ele consegue atingir uma gama ainda maior de espectadores com a sua inatingível paixão por Paris e por seus escritores. Gostaria muito de ter visto Woody recebendo o prêmio, sendo aplaudido de pé por todos e dando um discurso belíssimo e bem-humorado. Mas seu filme já faz isso por ele e nós, cinéfilos, só temos que agradecer à Academia por premiá-lo depois de tanto tempo.

Asghar Farhadi recebendo o 1º Oscar do Irã das mãos da poliglota Sandra Bullock

Jean Dujardin, Octavia Spencer e Christopher Plummer confirmaram seus favoritismos, assim como o diretor Michel Hazanavicius. Rango e o iraniano A Separação também ganharam em suas categorias e merecidamente. Aliás, foi a primeira produção iraniana a ganhar um Oscar! Quem diria? O cinema iraniano pode não ter grandes recursos, estrelas e nem trabalho de direção de arte (pois segue a escola neo-realista italiana), mas tem bons atores e um intenso roteiro. Pode soar banal dizer isso, mas são justamente os problemas do cinema brasileiro. Ok, temos um ótimo Tropa de Elite 2, Cidade de Deus, Central do Brasil e outros filmes bons, mas ainda há muito a progredir. Como muitos filmes ainda dependem demais da captação de recursos de leis de incentivo e de empresas, o cinema fica restrito à opinião de terceiros para que saia do papel. Então, materiais mais alternativos como filmes de terror, suspense, fantasia, épicos são poucos ou quase inexistentes no cenário nacional. Espero e torço para que filmes mais ousados consigam recursos e que criem escolas de atuação PARA CINEMA, pois o que me incomoda são atores “globais” atuando no cinema como se estivessem fazendo novela, com caras e bocas! Isso precisa parar. São dois meios de comunicação completamente diferentes.

Jim Henson e seus filhos

E fazendo um adendo, infelizmente, a canção de Rio não ganhou. Perdemos para os Muppets! A canção deles não era tão boa, mas entendo que a Academia queria premiar o legendário e falecido criador dos Muppets, Jim Henson, que foi o pioneiro em produções envolvendo bonecos como Labirinto – A Magia do Tempo.

Bom, mas voltando aos vencedores, gostei que a Academia premiou 2 ótimos filmes que tratam justamente do Cinema em seus primórdios. Enquanto A Invenção de Hugo Cabret presta uma bela homenagem ao pioneiro dos efeitos visuais, Georges Méliès, através de um filme em 3D, o filme francês O Artista discute os efeitos da chegada do som no cinema mudo, sempre valorizando um cinema de qualidade independente dos recursos técnicos, deixando nítido uma crítica em relação ao cinema atual, repleto de pirotecnias, efeitos de computador e estrelas, mas vazios de conteúdo. A Academia pode ser considerada muito conservadora, mas nesse aspecto de apoiar filmes que têm essa perspectiva sai ganhando pontos valiosos de nós, cinéfilos e espectadores de Cinema.

E fechando, os vestidos do tapete vermelho do Oscar:

Jessica Chastain: acertou em tudo...

Jessica Chastain não acertou só no vestido. Acertou nos cabelos um pouco presos (valorizando seu belo cabelo ruivo) e seus brincos. A cor preta do vestido valoriza sua pele bastante alva e os bordados em dourado dão o tom de festa. Não sou especialista em moda, mas da minha opinião masculina, a atriz foi a mais bela do tapete vermelho. Um essshpetáculo!!!

... e errou tudo: Viola Davis

E por outro lado, quem errou completamente em tudo foi a atriz Viola Davis. Não entendi até agora seu traje. Seu vestido a deixou com um ar meio vulgar por deixar seus seios muito… (caham!) cheios e à mostra. E seu cabelo curtinho e tingido de uma cor que não combina com nada ficou muito bizarro… Ok, eu cheguei a cogitar uma defesa para Viola. Quem sabe ela não está filmando uma produção em que a personagem dela tem esse cabelo? Sim, é possível, mas mesmo assim, acho que cabia uma peruquinha ou aplique, não? Sinto muito, Viola Davis. Você é uma excelente atriz, mas está precisando de uma consultora de moda urgente!

Lista dos vencedores do Oscar 2012:

Christopher Plummer é como vinho: Melhora com o tempo

Melhor Filme: O Artista (The Artist)

Melhor Atriz: Meryl Streep (A Dama de Ferro)

Melhor Ator: Jean Dujardin (O Artista)

Melhor Atriz Coadjuvante: Octavia Spencer (Histórias Cruzadas)

Ator Coadjuvante: Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)

Melhor Diretor: Michel Hazanavicius (O Artista)

Melhor Edição: Millennium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres

Melhor Documentário: Undefeated, de Daniel Lindsay, T.J. Martin e Rich Middlemas

Melhor Animação: Rango, de Gore Verbinski

Melhor Trilha Musical: O Artista, Ludovic Bource

Melhor Canção Original: Man or Muppet, Os Muppets (Bret McKenzie)

Melhor Roteiro Original: Woody Allen (Meia-Noite em Paris)

Melhor Roteiro Adaptado: Alexander Payne, Nat Faxon e Jim Rash (Os Descendentes)

Melhor Som: A Invenção de Hugo Cabret

Melhor Efeitos Sonoros: A Invenção de Hugo Cabret

Melhores Efeitos Visuais: A Invenção de Hugo Cabret

Melhor Documentário-Curta: Saving Face

Melhor Curta-Metragem: The Shore, de Terry George e Oorlagh George

Melhor Curta-Metragem de Animação: The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore, de William Joyce, Brandon Oldenburg

Melhor Filme Estrangeiro: A Separação, de Asghar Farhadi (Irã)

Melhor Maquiagem: A Dama de Ferro

Melhor Figurino: O Artista, Mark Bridges

Melhor Direção de Arte: A Invenção de Hugo Cabret, Dante Ferretti e Francesco LoSchiavo

Melhor Fotografia: A Invenção de Hugo Cabret, Robert Richardson

Alexander Payne saiu com o Oscar de Roteiro Adaptado: mericidíssimo!

Tropa de Elite 2 está fora e o sonho do Oscar chega ao fim para o Brasil

Tropa de Elite 2: Oficialmente fora do Oscar 2012

Para aqueles que aguardavam ansiosamente uma indicação para Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro, sinto em informar que a Academia apagou a luz no fim desse túnel. Foi divulgada a lista com os 9 finalistas (feito conquistado pelo drama O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, de Cao Hamburger em 2007) que se tornarão apenas 5 no dia 24 de janeiro, dia do anúncio das indicações ao Oscar. Segue a lista:

Bullhead, de Michael R. Roskam (Bélgica)

Footnote, de Joseph Cedar (Israel)

In Darkness, de Agnieszka Holland (Polônia)

Monsieur Lazhar, de Philippe Falardeau (Canadá)

Omar Killed Me, de Roschdy Zem (Marrocos)

Pina, de Wim Wenders (Alemanha)

A Separação, de Asghar Farhadi (Irã)

Superclásico, de Ole Christian Madsen (Dinamarca)

Warriors of the Rainbow: Seediq Bale, de Te-Sheng Wei (Taiwan)

Mas o tom negativo do post não se limita apenas à exclusão do filme de José Padilha. Infelizmente, a categoria de Melhor Filme Estrangeiro ainda apresenta algumas regras muito arcaicas que impossibilitam muitos filmes de qualidade de sequer competir.

O Tigre e o Dragão, de Ang Lee. Melhor Filme Estrangeiro de 2000.

Se tais regras fossem quebradas, certamente mais filmes poderiam competir e conquistar o público internacional como fizeram o taiwanês O Tigre e o Dragão e o alemão A Vida dos Outros, ambos vencedores do Oscar de Filme Estrangeiro e donos de uma arrecadação que ultrapassa os 100 milhões de dólares.

A Vida dos Outros, de Florian Henckel. Melhor Filme Estrangeiro de 2006.

Existe uma regra da Academia que obriga cada país participante a escolher apenas UM filme. Então, assim como é feito no Brasil, membros de uma comissão como o MinC (Ministério da Cultura) votam entre os filmes lançados em cada ano, o que nem sempre corresponde ao melhor filme do ano. Em 2002, por exemplo, Fale com Ela, de Pedro Almodóvar não foi selecionado pela comissão de seu país e a Espanha sequer figurou entre os indicados. Felizmente, como muitos artistas em Hollywood apreciam a obra do diretor, ele levou o Oscar de Roteiro Original naquela edição. Este ano, o esnobado pelo próprio país foi o francês O Artista, filme que já levou o Globo de Ouro e vários prêmios da crítica americana. Por esse motivo, não poderá concorrer a Melhor Filme Estrangeiro.

Outra regra ultrapassada que não corresponde ao cinema globalizado de hoje consiste na obrigação de empregar atores nascidos no país da origem do filme em papéis-chaves na trama (além de ter que falar o idioma local). Pela Albânia, o filme de Joshua Marston (diretor de Maria Cheia de Graça, 2004), Forgiveness foi desqualificado por não cumprir essa regra. Enquanto que o filme de Angelina Jolie, In the Land of Blood and Honey, não pôde concorrer por se tratar de uma produção americana, mesmo tendo empregrado atores da hoje extinta Iugoslávia.

Ainda falta outro grande absurdo. Ok, foram selecionados os 63 filmes do mundo este ano para tentar conquistar uma famigerada vaga na categoria. E agora? Quem vai poder votar nesses filmes e eliminar 58 trabalhos? Existe algo chamado Academy’s foreign-language selection committee (Comitê de Seleção de Filme Estrangeiro da Academia), composta por membros preparados para ficar com o traseiro quadrado de tanto assistir filmes. Eles são divididos em grupos de 4 cores e cada membro deve ver pelo menos 80% dos filmes de seu grupo. Mas, como todos sabem, quem consegue tempo pra assistir a tantos filmes? Sim, chamem membros já no conforto da aposentadoria que não querem mais ficar em casa vendo a mulher reclamar! A lotação dessas sessões de filmes estrangeiros deve se assemelhar àquelas que ocorrem em asilos em que as enfermeiras ligam pra sossegar os agitados. Cerca de 300 (heróicos) membros conseguem assistir a todos os filmes e votar numa escala de 7 a 10, criando uma média para a seleção, o que significa que se 10 ou 100 pessoas virem um filme, é a média desses 300 membros que conta.

“Hooray! Vou eliminar 58 filmes!”. Perdoem-me se imagino 300 Srs. Fredericksens na sala de cinema.

Resultado? Os finalistas sempre têm temas mais antigos. Eles adoram filmes que se passam na 2ª Guerra Mundial, com judeus sofrendo e nazistas cumprindo seus papéis de malvados, sem esquecer dos soldados americanos que sempre chegam pra salvar o dia. O segundo tema mais querido pelos membros velhinhos de Hollywood é a questão do racismo. Se seu filme tem conflitos raciais e se passa na Segunda Guerra, coloca pra competir! Mas lembre-se que não pode haver violência excessiva. Isso assusta os membros e pode causar uma taquicardia. Você acha que foi fácil um pobre membro assistir a Tropa de Elite 2? E Cidade de Deus com aquele lance de “você prefere um tiro no pé ou na mão?”? Cinema violento não tem lugar na categoria de Filme Estrangeiro. Por isso mesmo que o cinema sul-coreano nunca teve uma chance sequer, pois tem como característica muito marcante a violência e o sexo. Ah sim, o sexo é algo obsceno demais. Os membros cobrem seus olhos nas cenas mais picantes.

Mas voltando ao processo de eliminação de filmes, as 6 obras mais votadas pelos membros que assistiram aos filmes passam para uma shortlist, que inclui ainda mais 3 filmes selecionados por um comitê executivo de 20 pessoas. Atualmente, nesse super-comitê constam nomes consagrados do Cinema como o diretor alemão Florian Henckel von Donnersmarck, diretor de fotografia polonês do Spielberg, Janusz Kaminski, e o roteirista de O Jogador (1992), Michael Tolkin. Esse comitê pode não desfazer todas as injustiças da seleção dos membros idosos, mas evita maiores catástrofes.

Divulgada a lista de 9 finalistas, os filmes são projetados num final de semana para 20 votantes de Los Angeles e 10 de Nova York. Esses votantes são escolhidos pelo presidente do super-comitê, que visa uma votação mais completa pois procura por membros veteranos em diversas áreas do Cinema. No final, eles cortam 4 filmes, elegendo então os 5 indicados. E, para completar a burocracia: Só membros que comprovem que viram os 5 indicados no cinema (não, não pode ser em DVD e Blu-ray – tem que mostrar o ingresso!) podem votar no vencedor, ou seja, voltam os membros idosos que selecionaram anteriormente com suas escolhas arcaicas.

O Segredo de seus Olhos, de J.J. Campanella. Segundo e Merecido Oscar para Argentina.

Contudo, apesar de todos os problemas e a falta dessa reforma na legislação da Academia, não dá pra sair reclamando de tudo. Por incrível que pareça, o Oscar foi para alguns ótimos filmes nessa última década que me surpreenderam muito positivamente. Foram os casos das vitórias do belo argentino O Segredo de Seus Olhos, de Juan José Campanella, do instigante alemão A Vida dos Outros, de Florian Henckel von Donnersmarck, e do tocante japonês A Partida, de Yôjirô Takita.

Quanto ao Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro, houve alguns contratempos que atrapalharam um alcance maior na temporada de premiações, sendo uma delas a ausência no Globo de Ouro. Como o filme estreou no Brasil em outubro de 2011, não pôde concorrer porque as regras da Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood exige que o filme tenha sua estréia a partir de novembro. Mas mesmo sem os grandes prêmios, o filme de José Padilha confirma o amadurecimento do nosso Cinema. A sequência apresenta um roteiro muito mais consistente e personagens mais fortes. A trama em si é muito corajosa por bater de frente com o velho problema da política no Brasil. Quem não queria estar na pele do Capitão Nascimento ao esbofetear um político corrupto?

Agora, com José Padilha assumindo o projeto de refilmagem do filme RoboCop, o Brasil fica órfão de mais um diretor competente pra tentar buscar a cobiçada estatueta do Oscar. Gostaria que Walter Salles e Fernando Meirelles, cujas carreiras internacionais não conseguiram deslanchar de vez, voltassem e fizessem um filme aqui pra manter essa frequência de qualidade anual.

No dia 8 de dezembro de 2011, Tropa de Elite 2 se tornou o filme mais visto da História do Cinema Brasileiro, quando atingiu a marca de 10.736.995 espectadores após nove semanas de exibição, ultrapassando a marca histórica de 1976, de Dona Flor e seus dois maridos, de Bruno Barreto.

Vencedores do 69th Golden Globes

Ricky Gervais amordaçado

Eu sei, eu sei. I SUCK! Das 14 indicações para Cinema, acertei apenas 9! Que vergonha! Mesmo assim, devemos nos manter humildes. Em se tratando de premiações, que podem ser bem imprevisíveis às vezes, digo que em alguns casos seria melhor saber menos porque você acaba acertando mais nas apostas. Sim, eu já perdi no bolão pra gente que nem sabia quem era Roman Polanski…

No geral, os resultados foram bastante democráticos, tanto que o filme que mais ganhou, O Artista, levou apenas 3 Globos de Ouro, comprovando que não há grandes favoritos na corrida para o Oscar. Em 2º lugar, Os Descendentes levou Melhor Filme – Drama e Ator – Drama para George Clooney. Na briga por diretor, Martin Scorsese, que já havia vencido 2 vezes por Os InfiltradosGangues de Nova York, surpreendeu ao bater Michel Hazanavicius e Alexander Payne (talvez pelos votos terem se dividido entre ambos, Scorsese tenha vencido).

Enfim, a coisa que mais aguardei ansioso foi o host Ricky Gervais. Mas onde ele estava? Parecia que haviam colocado uma mordaça em sua boca (como no pôster da premiação)! Ele não estava tão diabólico como no ano passado, disparando os podres das celebridades e jogando m**** no ventilador. Ficou nítido que o senso de humor de Gervais não era mais o mesmo… parecia que tinha voltado de uma lobotomia! Ele pegou mais leve dessa vez e fica essa questão se ele realmente foi ou não pressionado pela Associação de Imprensa Estrangeira a tirar o pé do acelerador, provavelmente a pedido das celebridades, que suavam frio toda vez que ele abria a boca.

Curiosamente, ele comenta e até faz piada sobre o assunto quando retira de seu bolso uma lista das ofensas que ele estaria proibido de falar. “Sem profanidade, tudo bem, eu tenho um amplo vocabulário”, ele diz. “E não mencione nada de Mel Gibson, e especialmente o Beaver (castor) da Jodie Foster” – fazendo alusão ao filme dirigido por Foster intitulado The Beaver, e traduzido aqui como Um Novo Despertar. As piadas sobre Mel Gibson eram as melhores, pois como anti-semita assumido, Ricky adorava cutucar.

Apesar do humor ácido ter reduzido drasticamente, Gervais conseguiu algumas pérolas como essa: “O Globo de Ouro está para o Oscar como Kim Kardashian está para Kate Middleton, mas um pouco mais escandalosa, um pouco mais trash e mais facilmente subornável”. Ou no começo da cerimônia, quando ele introduz Johnny Depp e pergunta ao ator: “Johnny, você viu O Turista?”, deixando Depp numa saia curta. Achei que ele estava apenas esquentando, mas ficou meio morno a cerimônia toda, tendo picos leves como quando introduziu a Madonna:

“Nossa próxima apresentadora é a Rainha do Pop – senta aí, Elton (John), não você. Ela é quase como uma virgem (fazendo referência ao sucesso da música dela Like a Virgin): Madonna!” 

Madonna, que não é flor que se cheire retrucou ao alcançar o microfone: “Se eu ainda sou como uma virgem, Ricky, por que você não vem aqui e  faz algo a respeito? Eu não beijo uma garota há anos… na TV!” – Em seguida, ao fundo, Ricky Gervais corre de um lado para o outro do palco, arrancando risadas da platéia.

A parte mais chata de assistir a essas premiações são as propagandas da TNT. Como a maioria dos blocos só cabia 2 prêmios, então havia muitos intervalos e já no segundo, você já cansa de ver as chamadas dos filmes Entre Irmãos, Operação Babá, Sex and the City – O Filme,  o trailer do Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres. E sem contar que tava quase comprando o carro novo da Fiat, o Bravo.

Quanto aos resultados, o Estado de S. Paulo deu o título de Divisão Amigável, pois os prêmios foram tão bem-divididos que dá a impressão de que foi tudo planejado, e não votado.

Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)

ATOR COADJUVANTE: Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)

A briga estava entre Plummer e Albert Brooks, uma vez que ambos ganharam boa parte dos prêmios da crítica, mas o veterano saiu vitorioso. Fiquei com a pulga atrás da orelha se foi um prêmio pela carreira ou pela performance e loquei o filme. Como eu disse um post anterior, o papel dele nesse filme tem todo o jeito de prêmio. Acompanhe: idoso, recém-viúvo, assume homossexualidade aos 75 anos e em seguida, descobre ter câncer. Chamam um ator de renome e pronto! Aí está a receita do Oscar. Não obstante, Plummer consegue humanizar bastante seu personagem e tenta fugir a todo custo do rótulo do gay idoso. Ele consegue cativar seu filho (Ewan McGregor) e o público sem grande esforço. Se está melhor que Albert Brooks? Quando estrear o Drive por aqui, eu confirmo em seguida, mas até lá, Plummer tem o direito de ficar com seu Globo de Ouro.

TRILHA MUSICAL: Ludovic Bource (The Artist)

Como descrevi no post anterior, quando se trata de um filme mudo, a trilha musical ganha importância desproporcional. A música passa a ocupar um espaço de um personagem. E acredito que as chances de Ludovic no Oscar só aumentaram com esse Globo de Ouro.

CANÇÃO: Masterpiece, de Madonna (W.E. – O Romance do Século)

Talvez tenha sido a maior surpresa da noite. Não que Madonna não seja um nome de peso numa categoria de canção, mas como seu filme não foi tão bem divulgado e provavelmente já deve ter sido criticado, um prêmio estaria fora de cogitação, ainda mais com concorrentes de renome como Elton John e Mary J. Blige. Aliás, esta última era considerada a favorita pela tocante canção de Histórias Cruzadas. No Oscar, como os últimos vencedores não foram favoritos, a corrida está bem aberta.

Michelle Williams (Sete Dias com Marylin)

ATRIZ – COMÉDIA/MUSICAL: Michelle Willams (Sete Dias com Marylin)

Desde que vi a primeira foto de Michelle Williams como a diva Marylin Monroe, eu sabia que ela estaria nessa temporada de prêmios. Além de ela ter ficado bem parecida (sim, isso inclui artefatos no bumbum), Michelle está em plena ascensão na carreira e deixou de ser a ex-esposa de Heath Ledger. Nesse Sete Dias com Marylin, não deve ter sido uma tarefa fácil copiar o jeito meigo da loira de O Pecado Mora ao Lado.

ANIMAÇÃO: As Aventuras de Tintim, de Steven Spielberg

Por mais que não tenha visto o filme ainda, confesso que na hora fiquei um pouco indignado que Rango perdeu. Quero dizer, parece que a Associação de Imprensa Estrangeira queria apenas agradar o Sr. Spielberg e não deixá-lo sair de mãos abanando. Sei que As Aventuras de Tintim deve ser praticamente perfeito tecnicamente, mas fiquei decepcionado que Rango não foi reconhecido porque merecia. Enfim, só me resta torcer para que esse prêmio tenha sido justo.

ROTEIRO: Woody Allen (Meia-Noite em Paris)

Sim, Woody Allen ainda sabe escrever muito bem. O que ele ainda não sabe é receber prêmios! Ele não compareceu à festa e perdeu a oportunidade de agradecer o reconhecimento. Meia-Noite em Paris merecia pelo menos um prêmio e acho que roteiro seria o mais justo de fato. O trabalho novo de Allen é maduro, mas sem esquecer suas raízes lúdicas e humorísticas. Todos na sala sabiam disso, tanto que aplaudiram fervorosamente.

FILME ESTRANGEIRO: A Separação, de Asghar Farhadi (Irã)

O filme iraniano conseguiu um grande feito de bater Almodóvar e Angelina Jolie que, por mais que não tenha prestígio como diretora, é muito querida pela imprensa. Pelos comentários de alguns críticos, o filme consegue sintetizar a História do próprio Irã

Octavia Spencer (Histórias Cruzadas)

numa trama sobre relacionamentos e família. Talvez por isso também concorra a Melhor Roteiro Original no Oscar.

ATRIZ COADJUVANTE: Octavia Spencer (Histórias Cruzadas)

Octavia Spencer bate a colega Chastain. Seu papel em Histórias Cruzadas já vinha sendo comentado antes mesmo da temporada de premiação. Na hora de seu discurso, ela me lembrou a Hattie McDaniel, por ser negra e também por interpretar uma doméstica em …E o Vento Levou.

DIRETOR: Martin Scorsese (A Invenção de Hugo Cabret)

Uma surpresa, mas uma grata surpresa. Martin é um grande diretor e grande amante do Cinema. Ele restaura e cuida de filmes antigos, preservando a História do Cinema. Além disso, é muito querido de atores, cineastas e equipes. Seu novo filme parece carregar toda essa paixão que Scorsese tem pelo Cinema, escalando ninguém menos que Georges Méliès, o inventor de efeitos especiais no Cinema. Michel Hazanavicius era forte candidato ao prêmio, mas como seu filme The Artist levou Melhor Filme – Comédia ou Musical, ficou tudo certo. Outra fato que é importante comentar aqui é que a vitória de Scorsese e Spielberg (animação), reconhece a qualidade do trabalho desses veteranos do Cinema em sua primeira experiência no formato 3D.

ATOR – COMÉDIA/MUSICAL: Jean Dujardin (The Artist)

Jean Dujardin (The Artist)


Os trejeitos e expressões de Jean Dujardin me lembram Gene Kelly em Cantando na Chuva. Aliás, The Artist lembra bastante a história de Cantando na Chuva ao falar sobre cinema mudo. Com essa vitória, Dujardin está garantido na categoria do Oscar.

ATRIZ – DRAMA: Meryl Streep (A Dama de Ferro)

Meryl Streep ou Viola Davis? O Globo de Ouro escolheu a veterana atriz que, este ano, apostou num papel inconvencional e difícil, pois Margaret Thatcher foi uma figura política bastante controversa na base do “ame ou odeie”. Pelo que li, A Dama de Ferro foca mais nos últimos anos da vida dela, quando ela luta contra a demência, tentando dessa forma cativar mais o público ao transformá-la numa mulher comum e frágil. A atuação de Streep tem sido bastante elogiada por ela conseguir reproduzir o sorriso, a entonação e as posturas de Thatcher. Vem aí seu 3º Oscar?

FILME – COMÉDIA/MUSICAL: The Artist, de Michel Hazanavicius

Prêmio merecido. Quem faria um filme preto-e-branco, mudo, sobre Hollywoodland nos anos 20 com elenco desconhecido e francês? Uma vitória pela ousadia acima de tudo. Quando o filme estrear, veremos sua consistência.

George Clooney (Os Descendentes)

ATOR – DRAMA: George Clooney (Os Descendentes)

Quem não gosta do George? Ele é carismático, charmoso, bem-humorado e defende causas nobres. Ok, eu sei, o prêmio não reconhece características pessoais. Eu vi alguns trailers de Os Descendentes e estou bastante ansioso pra ver. Muitos estão dizendo que se trata do melhor trabalho de Clooney como ator. Deve ser mesmo, porque Alexander Payne é um diretor que sabe explorar seu elenco até o máximo. Jack Nicholson (As Confissões de Schmidt), Reese Witherspoon (Eleição) e Paul Giamatti (Sideways) que o digam. Admito que Clooney nunca teve um grande desafio como ator, mas se ele aceitou fazer esse filme com Payne e foi elogiado significa que ele reconhece suas limitações e está procurando melhorar. Ah, se todos os atores medíocres fizessem o mesmo…

FILME – DRAMA: Os Descendentes, de Alexander Payne

Se não ganhou Melhor Diretor e Melhor Roteiro, tem que ganhar Melhor Filme! Mas numa temporada sem grandes favoritos, Os Descendentes não tem nada garantido no Oscar. Será indicado? Sem sombra de dúvida. Ganhará um Oscar? Certeza 99%. Ganhará Melhor Filme? Putz, me pergunte daqui a um mês.

Dos demais resultados referentes a TV, desconheço muitas das séries indicadas e premiadas, mas fiquei feliz com a premiação da Laura Dern (que estava com a mãe Diane Ladd na platéia!), Kate Winslet pelo Mildred Pierce (parece bom, considerando também o diretor Todd Haynes) e Jessica Lange, como coadjuvante na nova série American Horror Story. Em seu discurso, ela agradece os roteiristas por criaram bom material para atores buscarem inspiração todo dia.