Academy Awards History: A História do Oscar (1961 a 1970)

Fachada do Santa Monica Civic Auditorium para o 38º Annual Academy Awards, onde ocorreu a primeira transmissão em cores para a TV (photo by twitter.com)

Fachada do Santa Monica Civic Auditorium para o 38º Annual Academy Awards, onde ocorreu a primeira transmissão em cores para a TV (photo by twitter.com)

QUAL MERECE MAIS?

Quando cinéfilos mundo afora discutem sobre os vencedores do Oscar, é muito comum ouvirmos “Deram o Oscar pro filme errado” ou “Deveriam ter premiado o outro filme”. Quem nunca soltou uma dessas numa rodinha de cinema? A verdade é que só sabemos se foi um “erro” mesmo com o passar do tempo. Acredito que a Academia e seus membros votaram naqueles que consideraram os melhores do ano. Se o filme ou a performance vencedores vão crescer ou cair no esquecimento, só dá pra ter certeza absoluta depois.

Nos anos 60, o Oscar ainda estava naquele hype de filmes musicais, tanto que premiou quatro como Melhor Filme: Amor Sublime Amor,  Minha Bela Dama, A Noviça Rebelde e Oliver!, que foi o último antes de Chicago vencer em 2003. Sim, premiaram filmes bobos como As Aventuras de Tom Jones (que hoje poucos sabem que filme é), mas a Academia demonstrou que buscava qualidade com maturidade ao reconhecer filmes polêmicos como No Calor da Noite (pela importância da questão racial e Sidney Poitier num papel marcante) e Perdidos na Noite (pela poesia encontrada no universo underground de Nova York). Toda vez que me perguntam quais filmes realmente mereceram o Oscar de Melhor Filme, sempre cito Perdidos na Noite, de John Schlesinger.

Jon Voight como Joe Buck em cena de Perdidos na Noite, de John Schlesinger (photo by metropolisvintageonline.com)

Jon Voight como Joe Buck em cena de Perdidos na Noite, de John Schlesinger (photo by metropolisvintageonline.com)

Pena que faltou essa ousadia no ano anterior, quando resolveram premiar Oliver! no lugar do revolucionário 2001: Uma Odisséia no Espaço, de Stanley Kubrick, que levou seu único Oscar por Efeitos Especiais. Mas esse “deslize” é mais do que compreensível, já que 2001 seria ousado mesmo se tivesse sido lançado nos dias de hoje. Uma vez ouvi um boato de que o ator Rock Hudson teria saído no meio da sessão aos berros de reclamação de ‘que porcaria é essa?’. Não que Hudson fosse lá um expert em linguagem cinematográfica, ainda mais de ficção científica e Arthur C. Clarke, mas não é um filme fácil de digerir.

FATOS HISTÓRICOS

A partir do 33º ano, em 1961, a cerimônia do Oscar mudou de endereço. Passou da RKO Pantages Theatre para o Santa Monica Civic Auditorium para poder comportar melhor a expansão de seus membros acadêmicos, convidados e apoiadores. Foi também nesta importante década que a apresentação foi transmitida em cores pela primeira vez na História, mais precisamente em 18 de abril de 1966, ano em que o musical A Noviça Rebelde levou Melhor Filme.

Dois anos após o advento da cor na transmissão do Oscar, a Academia decidiu unificar as categorias técnicas, antes divididas em Cores e Preto-e-Branco. Assim, as categorias de Fotografia, Direção de Arte e Figurino passaram a ser únicas.

Em 1967, a cerimônia foi quase cancelada devido a uma greve do sindicato da American Federation of Television and Radio Artists (AFTRA), mas apenas três horas antes foi acalmada e o show continuou. Mas no ano seguinte, a cerimônia do Oscar sofreu novo problema no calendário. Com o assassinato de Martin Luther King Jr., o evento foi adiado em dois dias em respeito, assim como a festa do Governor’s Ball foi cancelada naquele ano. Em 1963, ano seguinte ao assassinato do presidente John F. Kennedy, talvez a Academia tenha buscado alívio e conforto ao premiar a comédia britânica As Aventuras de Tom Jones, no lugar do drama imigrante de Elia Kazan, Terra de um Sonho Distante.

Vale destacar aqui que o mestre do suspense, Alfred Hitchcock, que acumulava 5 indicações como Melhor Diretor sem vitórias, foi lembrado pela Academia em 1967, quando lhe homenagearam com o prêmio Irving G. Thalberg, concedido pela “alta qualidade de suas produções ao longo de sua incrível carreira”. Indignado, como seus inúmeros fãs, o diretor subiu ao palco, recebeu o prêmio das mãos de Robert Wise, e foi amargamente sucinto com um “Thank you” para então sair de cena. (Veja vídeo no ano respectivo abaixo)

Alfred Hitchcock (à esq) posa com o prêmio Irving G. Thalberg ao lado de Robert Wise (photo by the.hitchcock.zone)

Alfred Hitchcock (à esq) posa com o prêmio Irving G. Thalberg ao lado de Robert Wise (photo by the.hitchcock.zone)

E por que não lembrar aqui da bela homenagem a um dos atores mais carismáticos que o Cinema já teve? Indicado duas vezes como Melhor Ator na década de 40, Cary Grant recebeu o Oscar Honorário em 1970 das mãos de Frank Sinatra após um vídeo com montagem de seus trabalhos em 34 anos de carreira. Ele foi aplaudido de pé por todos os presentes na cerimônia.

CAMPANHAS APELATIVAS

Para quem acha que a Academia sofre tentativas de suborno hoje com campanhas descaradas de Harvey Weinstein e companhia, mal sabe que estes fatos já vêm ocorrendo desde essa década de 60. Os estúdios lançaram campanhas ferozes chegando ao seu ápice com o nome de Chill Wills para uma indicação como Ator Coadjuvante em 1961, tanto que a Academia sentiu a necessidade inadiável de emitir um comunicado sobre a questão: “Sentimos que devemos declarar nossa posição sobre todos os indicados em potencial. Estamos cientes de que, ao longo dos anos, a grande maioria daqueles que foram indicados ou estavam buscando indicação exerceram retenção para lembrar os membros votantes de suas realizações. Lamentavelmente, contudo, ano passado alguns recorreram a uma excessiva e vulgar solicitação de votos. Isto se tornou um sério embaraço para a Academia e para nossa indústria. Somos hesitantes em definir regras específicas quanto às propagandas e deixaremos a decisão este ano para a boa consciência dos indicados.” – O ator Chill Wills foi indicado como Coadjuvante por O Álamo, mas perdeu para Peter Ustinov (Spartacus). Não se sabe a contagem dos votos, mas muitas vezes, a publicidade excessiva pode arruinar uma performance vitoriosa.

PRIMEIROS

Em 1962, a atriz italiana Sophia Loren foi responsável pela primeira indicação e vitória de uma performance estrangeira no Oscar. Ela interpretou uma mãe viúva que é vítima de estupro com a filha por soldados marroquinos no filme Duas Mulheres, de Vittorio De Sica. Esse marca só foi alcançada novamente em 1998, quando seu compatriota Roberto Benigni levou Melhor Ator por A Vida é Bela. Já pela categoria de Atriz, apenas em 2008, com a vitória arrasadora de Marion Cotillard por Piaf – Um Hino ao Amor.

Sophia Loren em cena de Duas Mulheres, de Vittorio De Sica (photo by mubi.com)

Sophia Loren em cena de Duas Mulheres, de Vittorio De Sica (photo by mubi.com)

Foi nesse mesmo ano em que vimos pela primeira vez um ator declinando sua indicação. Sim, George C. Scott foi o primeiro dos rebeldes. Apesar de sua recusa, ele permaneceu indicado como Ator Coadjuvante por Desafio à Corrupção, mas perdeu para George Chakiris por Amor, Sublime Amor. Scott venceu seu Oscar em 1971 por Patton – Rebelde ou Herói? e, claro, recusou o prêmio. Outro grande ator, Marlon Brando, que já havia vencido em 1955 por Sindicato de Ladrões, deve ter se inspirado no colega e também recusou o prêmio por O Poderoso Chefão em 1973.

Ainda em 62, ocorreu a primeira vitória de uma dupla de diretores na categoria. O veterano Robert Wise fez uma parceria com o coreógrafo Jerome Robbins, resultando no belíssimo trabalho visual do musical Amor, Sublime Amor. A única vitória de dupla só voltaria a acontecer 46 anos depois, com a consagração dos irmãos Joel e Ethan Coen por Onde os Fracos Não Têm Vez.

E, obviamente, esta foi também a primeira década, mais precisamente em 1964, em que um ator negro ganhou como Melhor Ator. É curioso saber que mesmo tendo interpretado personagens tão fortes em relação às questões raciais como em Acorrentados (1958), Adivinhe Quem Vem Para Jantar (1967) e No Calor da Noite (1967), Sidney Poitier tenha vencido justamente por um papel mais light: um carpinteiro que ajuda cinco freiras a construir uma capela no deserto em Uma Voz nas Sombras (1962). Aliás, o segundo ator negro a ganhar na mesma categoria também levou o Oscar pela performance “errada”: Denzel Washington por Dia de Treinamento, em 2002, quando deveria ter levado por Malcolm X ou Hurricane – O Furacão. Premiar pelo filme errado parece ser a tônica do Oscar.

Sidney Poitier (actor), Sidney Skolsky1963 (36th)

Sidney Poitier conversando com Sidney Skolsky na cerimônia do Oscar.

Só fazendo um adendo pessoal, felizmente esta foi a última década em que o anúncio dos atores indicados era sob um silêncio fúnebre. Não rolava clipes das performances dos atores, ninguém batia palmas e os indicados ficavam com aquela cara fechada de poucos amigos, que dizia “Eu sou bom, mas eu não ligo! Anuncia logo que sou vencedor pra eu ir pra casa!”, sendo que na verdade, estavam mega apreensivos em suas poltronas, ou seja, os atores não estavam atuando bem!

THE 42nd ANNUAL ACADEMY AWARDS – OSCAR 1970

07 de Abril de 1970

Perdidos na Noite, de John Schlesinger

Perdidos na Noite, de John Schlesinger

MELHOR FILME
– Ana dos Mil Dias (Anne of the Thousand Days)
Produtor: Hal B. Wallis
– Butch Cassidy (Butch Cassidy and the Sundance Kid)
Produtor: John Foreman
– Alô, Dolly! (Hello, Dolly!)
Produtor: Ernest Lehman
• Perdidos na Noite (Midnight Cowboy)
Produtor: Jerome Hellman

– Z (Z)
Produtores: Jacques Perrin, Ahmed Rachedi


Uma bronzeada Elizabeth Taylor apresenta o Oscar de Melhor Filme para Perdidos na Noite

MELHOR DIRETOR
– Costa-Gavras (Z)
– George Roy Hill (Butch Cassidy)
– Arthur Penn (Deixem-nos Viver)
– Sydney Pollack (A Noite dos Desesperados)
• John Schlesinger (Perdidos na Noite) – John Schlesinger não estava presente. Jon Voight aceitou o prêmio em seu nome.


Myrna Loy cita todos os diretores antes que revelar o vencedor John Schlesinger, aceito por Jon Voight

MELHOR ATOR
– Richard Burton (Ana dos Mil Dias)
– Dustin Hoffman (Perdidos na Noite)
– Peter O’Toole (Adeus, Mr. Chips)
– Jon Voight (Perdidos na Noite)
• John Wayne (Bravura Indômita)

https://www.youtube.com/watch?v=7qQhODwivLU
Barbra Streisand concede o Oscar a John Wayne

MELHOR ATRIZ
– Geneviève Bujold (Ana dos Mil Dias)
– Jane Fonda (A Noite dos Desesperados)
– Liza Minnelli (Os Anos Verdes)
– Jean Simmons (Tempo Para Amar, Tempo Para Esquecer)
• Maggie Smith (A Primavera de uma Solteirona) – Maggie Smith não estava presente. Alice Ghostley aceitou em seu nome.


Cliff Robertson apresenta o Oscar para Maggie Smith, aceito por Alice Ghostley

MELHOR ATOR COADJUVANTE
– Rupert Crosse (Os Rebeldes)
– Elliott Gould (Bob, Carol, Ted e Alice)
– Jack Nicholson (Sem Destino)
– Anthony Quayle (Ana dos Mil Dias)
• Gig Young (A Noite dos Desesperados)


A bela Katharine Ross apresenta o Oscar para Gig Young

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
– Catherine Burns (O Último Verão)
– Dyan Cannon (Bob, Carol, Ted e Alice)
• Goldie Hawn (Flor de Cacto) – Goldie Hawn não estava presente. Raquel Welch aceitou o prêmio em seu nome.
– Sylvia Miles (Perdidos na Noite)
– Susannah York (A Noite dos Desesperados)


O grande Fred Astaire apresenta o Oscar de coadjuvante.

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
– Paul Mazursky, Larry Tucker (Bob, Carol, Ted e Alice)
William Goldman (Butch Cassidy)
– William Goldman não estava presente. Katharine Ross aceitou o prêmio em seu nome.
– Nicola Badalucco, Enrico Medioli, Luchino Visconti (Os Deuses Malditos)
– Peter Fonda, Dennis Hopper, Terry Southern (Sem Destino)
– Walon Green, Roy N. Sickner, Sam Peckinpah (Meu Ódio Será Sua Herança)

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
– John Hale, Bridget Boland, Richard Sokolove (Ana dos Mil Dias)
– Arnold Schulman (Paixão de Primavera)
Waldo Salt (Perdidos na Noite)
– James Poe, Robert E. Thompson (A Noite dos Desesperados)
– Jorge Semprún, Costa-Gavras (Z)

Enquanto Katharine Ross e Jon Voight apresentam Roteiro Adaptado para Waldo Salt, James Earl Jones e Ali MacGraw entregam Roteiro Original para William Goldman. MacGraw veio com um visual à la Cruela…

MELHOR FOTOGRAFIA
– Arthur Ibbetson (Ana dos Mil Dias)
– Charles Lang (Bob, Carol, Ted e Alice)
Conrad L. Hall (Butch Cassidy)
– Harry Stradling Sr. (Alô, Dolly!)
– Daniel L. Fapp (Sem Rumo no Espaço)


O grande John Wayne elogia os diretores de fotografia antes de premiar Conrad L. Hall

MELHOR MONTAGEM
– William Reynolds (Alô, Dolly!)
– Hugh A. Robertson (Perdidos na Noite)
– William A. Lyon, Earle Herdan (O Segredo de Santa Vitória)
– Fredric Steinkamp (A Noite dos Desesperados)
Françoise Bonnot (Z)


Claudia Cardinale e James Earl Jones apresentam o Oscar de Montagem para a montadora Françoise Bonnot.

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
John DeCuir, Jack Martin Smith, Herman A. Blumenthal, Walter M. Scott, George James Jopkins, Raphael Bretton (Alô, Dolly!)
– Maurice Carter, Lionel Couch, Patrick McLoughlin (Ana dos Mil Dias)
– Robert F. Boyle, George B. Chan, Edward G. Boyle, Carl Biddiscombe (Uma Certa Casa em Chicago)
– Alexander Golitzen, George C. Webb, Jack D. Moore (Charity, Meu Amor)
– Harry Horner, Frank R. McKelvy (A Noite dos Desesperados)

MELHOR FIGURINO
– Irene Sharaff (Alô, Dolly!)
Margaret Furse (Ana dos Mil Dias)
– Ray Aghayan (Uma Certa Casa em Chicago)
– Edith Head (Charity, Meu Amor)
– Donfeld (A Noite dos Desesperados)

MELHOR TRILHA MUSICAL (ORIGINAL OU ADAPTADA)
– Leslie Bricusse, John Williams (Adeus, Mr. Chips)
Lennie Hayton, Lionel Newman (Alô, Dolly!)
– Nelson Riddle (Os Aventureiros do Ouro)
– Cy Coleman (Charity, Meu Amor)
– Johnny Green, Albert Woodbury (A Noite dos Desesperados)

MELHOR TRILHA MUSICAL ORIGINAL (NÃO FILME MUSICAL)
– Georges Delerue (Ana dos Mil Dias)
• Burt Bacharach (Butch Cassidy)
– John Williams (Os Rebeldes)
– Ernest Gold (O Segredo de Santa Vitória)
– Jerry Fielding (Meu Ódio Será Sua Herança)


A dupla Cliff Robertson e Barbara McNair apresenta o Oscar de trilha para o grande músico Burt Bacharach, que também leva o Oscar de Canção pelas mãos de Candice Bergen

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“Come Saturday Morning”, de Fred Karlin, Dory Previn (Os Anos Verdes)
“Raindrops Keep Fallin’ on my Head”, de Burt Bacharach, Hal David (Butch Cassidy)
“Jean”, de Rod McKuen (A Primavera de uma Solteirona)
“True Grit”, de Elmer Bernstein, Don Black (Bravura Indômita)
“What Are You Doing for the Rest of Your Life?”, de Michel Legrand, Alan Bergman, Marilyn Bergman (Tempo Para Amar, Tempo Para Esquecer)

MELHOR SOM
Jack Solomon, Murray Spivack (Alô, Dolly!)
– John Aldred (Ana dos Mil Dias)
– Bill Edmondson, David Dockendorf (Butch Cassidy)
– Robert Martin, Clem Portman (Uma Certa Casa em Chicago)
– Les Fresholtz, Arthur Piantadosi (Sem Rumo no Espaço)

Elliott Gould e Candice Bergen apresentam Melhor Som para o musical favorito de Wall-E, Alô, Dolly!

MELHORES EFEITOS VISUAIS ESPECIAIS
– Eugène Lourié, Alex Weldon (Krakatoa, O Inferno de Java)
Robie Robinson (Sem Rumo no Espaço)

MELHOR CURTA-METRAGEM
– Blake, de Douglas Jackson
• The Magic Machines, de Joan Keller Stern
– People Soup, de Marc Merson

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO
– En Marchant, de Ryan Larkin
It’s Tough to be a Bird, de Ward Kimball
– Of Men and Demons, de John Hubley, Faith Hubley

MELHOR DOCUMENTÁRIO-CURTA
– An Impression of John Steinbeck: Writer, de Donald Wrye
• Czechoslovakia 1968, de Denis Sanders, Robert M. Fresco
– Jenny is a Good Thing, de Joan Horvath
– Leo Beuerman, de Arthur H. Wolf, Russell A. Mosser
– The Magic Machines, de Joan Keller Stern

MELHOR DOCUMENTÁRIO
– Before the Mountain Was Moved, de Robert K. Sharpe
– No Ano do Porco, de Emile de Antonio
• L’Amour de la Vie – Artur Rubinstein, de Bernard Chevry
– Olimpiada en México (Film Section of the Organizing Committee for the XIX Olympic Games)
– The Wolf Men, de Irwin Rosten

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
– Ådalen, de Bo Widerberg – SUÉCIA
– A Batalha do Neretva (Bitka na Neretvi), de Veljko Bulajic – IUGOSLÁVIA
– Os Irmãos Karamazov (Bratya Karamazovy), de Kirill Lavrov, Ivan Pyryev, Mikhail Ulyanov – UNIÃO SOVIÉTICA
– Minha Noite com Ela (Ma nuit chez Maud), de Eric Rohmer – FRANÇA
Z (Z), de Costa-Gavras – ARGÉLIA


Claudia Cardinale e Clint Eastwood concedem as honras para a Argélia

OSCAR HONORÁRIO
• Cary Grant

JEAN HERSHOLT HUMANITARIAN AWARD
• George Jessel

THE 41st ANNUAL ACADEMY AWARDS – OSCAR 1969

14 de Abril de 1969

Oliver!, de Carol Reed

Oliver!, de Carol Reed

MELHOR FILME
– Funny Girl – A Garota Genial (Funny Girl)
Produtor: Ray Stark
– O Leão no Inverno (The Lion in Winter)
Produtor: Martin Poll
• Oliver! (Oliver!)
Produtor: John Woolf
– Rachel, Rachel (Rachel, Rachel)
Produtor: Paul Newman
– Romeu & Julieta (Romeo and Juliet)
Produtores: Anthony Havelock-Allan, John Brabourne

MELHOR DIRETOR
– Anthony Harvey (O Leão no Inverno)
– Stanley Kubrick (2001: Uma Odisséia no Espaço)
– Gillo Pontecorvo (A Batalha de Argel)
• Carol Reed (Oliver!)
– Franco Zeffirelli (Romeu & Julieta)


Um quinteto maravilhoso anuncia os diretores indicados: Natalie Wood, Ingrid Bergman, Jane Fonda, Diahann Carroll e Rosalind Russell. Em seguida, Sidney Poitier introduz os cinco indicados a Melhor Filme.

MELHOR ATOR
– Alan Arkin (Por que tem de ser Assim?)
– Alan Bates (O Homem de Kiev)
– Ron Moody (Oliver!)
– Peter O’Toole (O Leão no Inverno)
• Cliff Robertson (Os Dois Mundos de Charly) – Cliff Robertson não estava presente na cerimônia. Frank Sinatara aceitou o prêmio em seu nome.


Burt Lancaster apresenta o Oscar de Melhor Ator, aceito por Frank Sinatra.

MELHOR ATRIZ
• Katharine Hepburn (O Leão no Inverno) – Empate com Barbra Streisand. Katharine Hepburn se tornou a primeira atriz a ganhar duas vezes consecutivas e a primeira a vencer três vezes como Melhor Atriz. Hepburn não estava presente na cerimônia. O diretor Anthony Harvey aceitou o prêmio em seu nome.
– Patricial Neal (A História de Três Estranhos)
– Vanessa Redgrave (Isadora)
• Barbra Streisand (Funny Girl – A Garota Genial) – Empate com Katharine Hepburn.
– Joanne Woodward (Rachel, Rachel)


Ingrid Bergman revela empate inédito na categoria entre Katharine Hepburn e Barbra Streisand

MELHOR ATOR COADJUVANTE
• Jack Albertson (A História de Três Estranhos)
– Seymour Cassel (Faces)
– Daniel Massey (A Estrela)
– Jack Wild (Oliver!)
– Gene Wilder (Primavera Para Hitler)


Frank Sinatra apresenta o Oscar para Jack Albertson

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
– Lynn Carlin (Faces)
• Ruth Gordon (O Bebê de Rosemary)
– Sondra Locke (Por que tem de ser Assim?)
– Kay Medford (Funny Girl – A Garota Genial)
– Estelle Parsons (Rachel, Rachel)


Tony Curtis acaba com o nervosismo das indicadas ao anunciar Ruth Gordon, a única a soltar um sorrisinho!

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
– Franco Solinas, Gillo Pontecorvo (A Batalha de Argel)
– John Cassavetes (Faces)
– Ira Wallach, Peter Ustinov (A Máquina de Fazer Milhões)
– Stanley Kubrick, Arthur C. Clarke (2001: Uma Odisséia no Espaço)
Mel Brooks (Primavera Para Hitler)


A dupla Frank Sinatra e Don Rickles apresentam Roteiro Original com muito humor

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
– Neil Simon (Um Estranho Casal)
• James Goldman (O Leão no Inverno)
– Vernon Harris (Oliver!)
– Stewart Stern (Rachel, Rachel)
– Roman Polanski (O Bebê de Rosemary)


Rosalind Russell apresenta Roteiro Adaptado com Frank Sinatra

MELHOR FOTOGRAFIA
– Harry Stradling Sr. (Funny Girl – A Garota Genial)
– Daniel L. Fapp (Estação Polar Zebra)
– Oswald Morris (Oliver!)
• Pasqualino De Santis (Romeu & Julieta)
– Ernest Laszlo (A Estrela)

MELHOR MONTAGEM
• Frank P. Keller (Bullitt)
– Robert Swink, Maury Winetrobe, William Sands (Funny Girl – A Garota Genial)
– Frank Bracht (Um Estranho Casal)
– Ralph Kemplen (Oliver!)
– Fred R. Feitshans Jr., Eve Newman (Violência nas Ruas)


Walter Matthau usa luvas brancas para apresentar o Oscar de Montagem

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
• John Box, Terence Marsh, Vernon Dixon, Ken Muggleston (Oliver!)
– George W. Davis, Edward C. Carfagno (As Sandálias do Pescador)
– Boris Leven, Walter M. Scott, Howard Bristol (A Estrela)
– Anthony Masters, Harry Lange, Ernest Archer (2001: Uma Odisséia no Espaço)
– Mikhail Bogdanov, Gennadi Myasnikov, Georgi Koshelev, V. Uvarov (Guerra e Paz)


A princesa sexy Natalie Wood apresenta o Oscar de Direção de Arte

MELHOR FIGURINO
– Margaret Furse (O Leão no Inverno)
– Phyllis Dalton (Oliver!)
– Morton Haack (O Planeta dos Macacos)
• Danilo Donati (Romeu & Julieta)
– Donald Brooks (A Estrela)

MELHOR TRILHA MUSICAL (ORIGINAL OU ADAPTADO)
– Ray Heindorf (O Caminho do Arco-Íris)
– Walter Scharf (Funny Girl – A Garota Genial)
• Johnny Green (Oliver!)
– Lennie Hayton (A Estrela)
– Michel Legrand, Jacques Demy (Duas Garotas Românticas)


Marni Nixon e Henry Mancini fazem uma criativa apresentação musical para apresentar Trilha Musical

MELHOR TRILHA MUSICAL (FILME NÃO MUSICAL)
– Lalo Schifrin (Apenas uma Mulher)
• John Barry (O Leão no Inverno)
– Jerry Goldsmith (O Planeta dos Macacos)
– Alex North (As Sandálias do Pescador)
– Michel Legrand (Crown, o Magnífico)

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“Chitty Chitty Bang Bang”, de Richard M. Sherman, Robert B. Sherman (O Calhambeque Mágico)
“The Windmills of Your Mind”, de Michel Legrand, Alan Bergman, Marilyn Bergman (Crown, O Magnífico)
“For Love of Ivy”, de Quincy Jones, Bob Russell (Um Homem Para Ivy)
“Funny Girl”, de Julie Styne, Bob Merrill (Funny Girl – A Garota Genial)
“Star!”, de Jimmy Van Heusen, Sammy Cahn (A Estrela)

MELHOR SOM
– Bullitt
– O Caminho do Arco-Íris
– Funny Girl – A Garota Genial
• Oliver!
– A Estrela

MELHORES EFEITOS VISUAIS
• Stanley Kubrick (2001: Uma Odisséia no Espaço) – Stanley Kubrick não estava presente na cerimônia. Diahann Carroll e Burt Lancaster aceitaram o prêmio em seu nome.
– Hal Millar, H. McMillan Johnson (Estação Polar Zebra)

MELHOR CURTA-METRAGEM
– De Düva: The Dove, de George Coe, Sidney Davis, Anthony Lover
– Pas de deux
– Prelude, de John Astin
Robert Kennedy Remembered, de Charles Guggenheim

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO
– La Maison de Jean-Jacques, de Wolf Koenig, Jim Mackay
– The Magic Pear Tree, de Jimmy T. Murakami
– Windy Day, de John Hubley, Faith Hubley
Ursinho Puff e o Dia Chuvoso, de Walt Disney – Prêmio póstumo

MELHOR DOCUMENTÁRIO-CURTA
– The House That Ananda Built, de Fali Bilimoria
– The Revolving Door, de Lee R. Bobker
– A Space to Grow, de Thomas P. Kelly Jr.
– A Way Out of the Wilderness, de Dan E. Weisburd
Why Man Creates, de Saul Bass

MELHOR DOCUMENTÁRIO
– A Few Notes on Our Food Problem, de James Blue
• Journey Into Self, de Bill McGaw – Foi premiado no mês seguinte à cerimônia depois que o Board of Governs determinou que “Young Americans” era inelegível.
– Legendary Champions, de William Cayton
– Other Voices, de David H. Sawyer
– Young Americans, de Robert Cohn, Alexander Grasshoff – A Academia anulou a vitória de “Young Americans” após descobrirem que o documentário havia sido lançado no ano anterior.

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
– Esta Rua é Nossa (A Pál utcai fiúk), de Zoltán Fábri – HUNGRIA
– O Baile dos Bombeiros (Horí, má panenko), de Milos Forman – TCHECOSLOVÁQUIA
– A Garota com a Pistola (La ragazza con la pistola), de Mario Monicelli – ITÁLIA
– Beijos Proibidos (Baisers volés), de François Truffaut – FRANÇA
• Guerra e Paz (Voyna i mir), de Sergey Bondarchuk – RÚSSIA

OSCAR HONORÁRIO
• John Chambers (O Planeta dos Macacos) – pelo trabalho de maquiagem
• Onna White (Oliver!) – pelo trabalho de coreografia

JEAN HERSHOLT HUMANITARIAN AWARD
• Martha Raye

THE 40th ANNUAL ACADEMY AWARDS – OSCAR 1968

10 de Abril de 1968

No Calor da Noite, de Norman Jewison

No Calor da Noite, de Norman Jewison

MELHOR FILME
– Bonnie e Clyde – Uma Rajada de Balas (Bonnie and Clyde)
Produtor: Warren Beatty
– O Fabuloso Doutor Dolittle (Dr. Dolittle)
Produtor: Arthur P. Jacobs
– A Primeira Noite de um Homem (The Graduate)
Produtor: Lawrence Turman
– Adivinhe Quem Vem Para Jantar (Guess Who’s Coming to Dinner)
Produtor: Stanley Kramer
No Calor da Noite (In the Heat of the Night)
Produtor: Walter Mirisch

Julie Andres apresenta o principal prêmio da noite para No Calor da Noite

MELHOR DIRETOR
– Richard Brooks (A Sangue Frio)
– Norman Jewison (No Calor da Noite)
– Stanley Kramer (Adivinhe Quem Vem Para Jantar)
Mike Nichols (A Primeira Noite de um Homem)
– Arthur Penn (Bonnie e Clyde – Uma Rajada de Balas)


A bela Leslie Caron apresenta o Oscar para o jovem diretor Mike Nichols

MELHOR ATOR
– Warren Beatty (Bonnie e Clyde – Uma Rajada de Balas)
– Dustin Hoffman (A Primeira Noite de um Homem)
– Paul Newman (Rebeldia Indomável)
Rod Steiger (No Calor da Noite)
– Spencer Tracy (Adivinhe Quem Vem Para Jantar) – Indicação póstuma


Audrey Hepburn apresenta o Oscar de Melhor Ator para Rod Steiger.

MELHOR ATRIZ
– Anne Bancroft (A Primeira Noite de um Homem)
– Faye Dunaway (Bonnie & Clyde – Uma Rajada de Balas)
– Edith Evans (The Whisperers)
– Audrey Hepburn (Um Clarão nas Trevas)
Katharine Hepburn (Adivinhe Quem Vem Para Jantar)
– Katharine Hepburn não estava presente na cerimônia. O diretor George Cukor aceitou o prêmio em seu nome.


Sidney Poitier apresenta o segundo Oscar para Katharine Hepburn, aceito pelo diretor George Cukor

MELHOR ATOR COADJUVANTE
– John Cassavetes (Os Doze Condenados)
– Gene Hackman (Bonnie & Clyde – Uma Rajada de Balas)
– Cecil Kellaway (Adivinhe Quem Vem Para Jantar)
George Kennedy (Rebeldia Indomável)
– Michael J. Polard (Bonnie & Clyde – Uma Rajada de Balas)


A fofa Patty Duke apresenta o Oscar para George Kennedy

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
– Carol Channing (Positivamente Millie)
– Mildred Natwick (Descalços no Parque)
Estelle Parsons (Bonnie e Clyde – Uma Rajada de Balas)
– Beah Richards (Adivinhe Quem Vem Para Jantar)
– Katharine Ross (A Primeira Noite de um Homem)


Walter Matthau entrega o Oscar para Estelle Parsons, bastante aplaudida por seu colega de filme, Warren Beatty.

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
– David Newman, Robert Benton (Bonnie & Clyde – Uma Rajada de Balas)
– Robert Kaufman, Norman Lear (Divórcio à Americana)
William Rose (Adivinhe Quem Vem Para Jantar)
– Jorge Semprún (A Guerra Acabou)
– Frederic Raphael (Um Caminho Para Dois)

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
– Donn Pearce, Frank Pierson (Rebeldia Indomável)
– Calder Willingham, Buck Henry (A Primeira Noite de um Homem)
– Richard Brooks (A Sangue Frio)
Stirling Silliphant (No Calor da Noite)
– Joseph Strick, Fred Haines (Alucinação de Ulisses)

O casal na vida real, Claire Bloom e Rod Steiger, apresenta os prêmios de roteiro

MELHOR FOTOGRAFIA
• Burnett Guffey (Bonnie & Clyde – Uma Rajada de Balas)
– Richard H. Kline (Camelot)
– Robert Surtees (O Fabuloso Doutor Dolittle)
– Robert Surtees (A Primeira Noite de um Homem)
– Conrad L. Hall (A Sangue Frio)


O casal de ‘A Primeira Noite de um Homem’, Katharine Ross e Dustin Hoffman, apresenta o Oscar de Fotografia

MELHOR MONTAGEM
– Frank P. Keller (Desembarque Sangrento)
– Michael Luciano (Os Doze Condenados)
– Samuel E. Beetley, Marjorie Fowler (O Fabuloso Doutor Dolittle)
– Robert C. Jones (Adivinhe Quem Vem Para Jantar)
• Hal Ashby (No Calor da Noite)


Dame Edith Evans apresenta os indicados com aquele sotaque clássico britânico e o Oscar para Hal Ashby

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
• John Truscott, Edward Carrere, John Brown (Camelot)
– Mario Chiari, Jack Martin Smith, Ed Graves, Walter M. Scott, Stuart A. Reiss (O Fabuloso Doutor Dolittle)
– Robert Clatworthy, Frank Tuttle (Adivinhe Quem Vem Para Jantar)
– Lorenzo Mongiardino, John DeCuir, Elven Webb, Giuseppe Mariani, Dario Simoni, Luigi Gervasi (A Megera Domada)
– Alexander Golitzen, George C. Webb, Howard Bristol (Positivamente Millie)

MELHOR FIGURINO
– Theodora Van Runkle (Bonnie & Clyde – Uma Rajada de Balas)
John Truscott (Camelot)
– Bill Thomas (Quando o Coração Não Envelhece)
– Irene Sharaff, Danilo Donati (A Megera Domada)
– Jean Louis (Positivamente Millie)


Eva Marie Saint concede a estatueta de Figurino para ‘Camelot’.

MELHOR TRILHA MUSICAL ORIGINAL
– Lalo Schifrin (Rebeldia Indomável)
– Leslie Bricusse (O Fabuloso Doutor Dolittle)
– Richard Rodney Bennett (Longe Deste Insensato Mundo)
– Quincy Jones (A Sangue Frio)
• Elmer Bernstein (Positivamente Millie)

MELHOR TRILHA MUSICAL, ADAPTAÇÃO OU TRATAMENTO
• Alfred Newman, Ken Darby (Camelot)
– Lionel Newman, Alexander Courage (O Fabuloso Doutor Dolittle)
– Frank De Vol (Adivinhe Quem Vem Para Jantar)
– André Previn, Joseph Gershenson (Positivamente Millie)
– John Williams (O Vale das Bonecas)

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“The Bare Necessities”, de Terry Gilkyson (Mogli – O Menino Lobo)
“The Eyes of Love”, de Quincy Jones, Bob Russell (Um Homem em Leilão)
“The Look of Love”, de Burt Bacharach, Hal David (Casino Royale)
“Talk to the Animals”, de Leslie Bricusse (O Fabuloso Doutor Dolittle) – Leslie Bricusse não estava presente na cerimônia. Sammy Davis Jr. aceitou o prêmio em seu nome.
“Thoroughly Modern Millie”, de Jimmy Van Heusen, Sammy Cahn (Positivamente Millie)

MELHOR SOM
– Camelot
– Os Doze Condenados
– O Fabuloso Doutor Dolittle
• No Calor da Noite
– Positivamente Millie

MELHORES EFEITOS VISUAIS
• L.B. Abbott (O Fabuloso Doutor Dolittle)
– Howard A. Anderson, Albert Whitlock (Tobruk)

MELHORES EFEITOS SONOROS
• John Poyner (Os Doze Condenados)
– James Richard (No Calor da Noite)

MELHOR CURTA-METRAGEM
– Paddle to the Sea, de Julian Biggs
• A Place to Stand, de Christopher Chapman
– Sky Over Holland, de John Fernhout
– Stop Look and Listen, de Len Janson, Chuck Menville

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO
• The Box, de Fred Wolf
– Hypothèse Beta, de Jean-Charles Meunier
– What on Earth!, de Robert Verrall, Wolf Koenig

MELHOR DOCUMENTÁRIO-CURTA
– Monument to the Dream, de Charles Guggenheim
– A Place to Stand, de Christopher Chapman
• The Redwoods, de Mark Jonathan Harris, Trevor Greenwood
– See You at the Pillar, de Robert Fitchet
– While I Run This Race, de Carl V. Ragsdale

MELHOR DOCUMENTÁRIO
– Festival, de Murray Lerner
– Harvest, de Carroll Ballard
– A King’s Story, de Jack Levin
• La Section Anderson, de Pierre Schoendoerffer
– A Time for Burning, de Bill Jersey

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
– El Amor Brujo, de Francisco Rovira Beleta – ESPANHA
– Skupljaci Perja, de Aleksandr Petrovic – IUGOSLÁVIA
• Trens Estreitamente Vigiados (Ostre sledované vlaky), de Jirí Menzel – TCHECOSLOVÁQUIA
– Viver por Viver (Vivre pour vivre), de Claude Lelouch – FRANÇA
– Chieko-sho, de Noburo Nakamura – JAPÃO


Danny Kaye apresenta o prêmio de Filme em Língua para a Tchecoslováquia. No momento em que o vencedor foi ao palco, o locutor se confundiu e anunciou o prêmio para a Iugoslávia.

OSCAR HONORÁRIO
• Arthur Freed

IRVING G. THALBERG AWARD
• Alfred Hitchcock


Bob Hope introduz Robert Wise, que faz um breve resumo da carreira e reconhece a qualidade do homenageado Alfred Hitchcock. Por nunca ter ganhado o Oscar, ele faz o discurso mais curto da história do Thalberg: “Thank you”. 

JEAN HERSHOLT HUMANITARIAN AWARD
• Gregory Peck

THE 39th ANNUAL ACADEMY AWARDS – OSCAR 1967

10 de abril de 1967

 

O Homem que Não Vendeu Sua Alma (A Man for All Seasons): 6 Oscars

O Homem que Não Vendeu Sua Alma (A Man for All Seasons): 6 Oscars

MELHOR FILME
– Como Conquistar as Mulheres (Alfie)
Produtor: Lewis Gilbert
• O Homem que Não Vendeu Sua Alma (A Man for All Seasons)
Produtor: Fred Zinnemann
– Os Russos Estão Chegando! Os Russos Estão Chegando! (The Russians Are Coming the Russians Are Coming)
Produtor: Norman Jewison
– O Canhoneiro do Yang-Tsé (The Sand Pebbles)
Produtor: Robert Wise
– Quem Tem Medo de Virginia Woolf
? (Who’s Afraid of Virginia Woolf?)
Produtor: Ernest Lehman


Audrey Hepburn fecha com chave de ouro com o Oscar de Melhor Filme

MELHOR DIRETOR
– Michelangelo Antonioni (Blow-Up – Depois Daquele Beijo)
– Richard Brooks (Os Profissionais)
– Claude Lelouch (Um Homem, Uma Mulher)
– Mike Nichols (Quem Tem Medo de Virginia Woolf?)
Fred Zinnemann (O Homem que Não Vendeu Sua Alma)


Rosalind Russell apresenta o Oscar para Zinnemann, enquanto Julie Christie concede a estatueta para Paul Scofield, recebido por Wendy Hiller.

MELHOR ATOR
– Alan Arkin (Os Russos Estão Chegando! Os Russos Estão Chegando!)
– Richard Burton (Quem Tem Medo de Virginia Woolf?)
-Michael Caine (Como Conquistar as Mulheres)
– Steve McQueen (O Canhoneiro do Yang-Tsé)
• Paul Scofield (O Homem que Não Vendeu Sua Alma) – Paul Scofield não estava presente na cerimônia. Wendy Hiller aceitou o prêmio em seu nome.

MELHOR ATRIZ
– Anouk Aimée (Um Homem, Uma Mulher)
– Ida Kaminska (A Pequena Loja da Rua Principal)
– Lynn Redgrave (Georgy, a Feiticeira)
– Vanessa Redgrave (Deliciosas Loucuras de Amor)
• Elizabeth Taylor (Quem Tem Medo de Virginia Woolf?) – Elizabeth Taylor não estava presente na cerimônia. Anne Bancroft aceitou o prêmio em seu nome.


Lee Marvin apresenta o Oscar de Atriz, aceito por Anne Bancroft.

MELHOR ATOR COADJUVANTE
– Mako (O Canhoneiro do Yang-Tsé)
– James Mason (Georgy, a Feiticeira)
• Walter Matthau (Uma Loura por Um Milhão)
– George Segal (Quem Tem Medo de Virginia Woolf?)
– Robert Shaw (O Homem que Não Vendeu Sua Alma)


Mesmo com o braço quebrado, Walther Matthau compareceu à cerimônia pra receber seu Oscar das mãos de Shelley Winters, numa época em que poucos indicados marcavam presença.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
• Sandy Dennis (Quem Tem Medo de Virginia Woolf?)
– Sandy Dennis não estava presente na cerimônia.
– Wendy Hiller (O Homem que Não Vendeu Sua Alma)
– Jocelyne LaGarde (Havaí)
– Vivien Merchant (Como Conquistar as Mulheres)
– Geraldine Page (Agora Você é um Homem)


Sidney Poitier entrega o Oscar para o diretor Mike Nichols na ausência de Sandy Dennis.

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
– Michelangelo Antonioni, Tonino Guerra, Edward Bond (Blow-Up – Depois Daquele Beijo)
– Billy Wilder, I.A.L. Diamond (Uma Loura por um Milhão)
– Robert Ardrey (Khartoum)
– Clint Johnston, Don Peters (A Prova do Leão)
• Claude Lelouch, Pierre Uytterhoeven (Um Homem, Uma Mulher)

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
– Bill Naughton (Como Conquistar as Mulheres)
• Robert Bolt (O Homem que Não Vendeu Sua Alma)
– Richard Brooks (Os Profissionais)
– William Rose (Os Russos Estão Chegando! Os Russos Estão Chegando!)
– Ernest Lehman (Quem Tem Medo de Virginia Woolf?)

Que dupla clássica do cinema: Fred Astaire e Ginger Rogers! Eles apresentam os dois prêmios de roteiro.

MELHOR FOTOGRAFIA COLORIDA
– Ernest Laszlo (Viagem Fantástica)
– Russell Harlan (Havaí)
Ted Moore (O Homem que Não Vendeu Sua Alma)
– Conrad L. Hall (Os Profissionais)
– Joseph MacDonald (O Canhoneiro do Yang-Tsé)

MELHOR FOTOGRAFIA PRETO-E-BRANCO
– Joseph LaShelle (Uma Loura por Um Milhão)
– Kenneth Higgins (Georgy, a Feiticeira)
– Marcel Grignon (Paris Está em Chamas?)
– James Wong Howe (O Segundo Rosto)
Haskel Wexler (Quem Tem Medo de Virginia Woolf?)

A sueca Ann-Margret e o egípcio Omar Sharif apresentam os dois prêmios de Fotografia

MELHOR MONTAGEM
– William B. Murphy (Viagem Fantástica)
• Fredric Steinkamp, Henry Berman, Stu Linder, Frank Santillo (Grand Prix)
Hal Ashby, J. Terry Williams (Os Russos Estão Chegando! Os Russos Estão Chegando!)
– William Reynolds (O Canhoneiro do Yang-Tsé)
– Sam O’Steen (Quem Tem Medo de Virginia Woolf?)

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE COLORIDA
Jack Martin Smith, Dale Hennesy, Walter M. Scott, Stuart A. Reiss (Viagem Fantástica)
– Alexander Golitzen, George C. Webb, John McCarthy Jr., John P. Austin (Como Possuir Lissu)
– Piero Gherardi (Julieta dos Espíritos)
– Hal Pereira, Arthur Lonergan, Robert R. Benton, James W. Payne (Confidências de Hollywood)
– Boris Leven, Walter M. Scott, John Sturtevant, William Kiernan (O Canhoneiro de Yang-Tsé)

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE PRETO-E-BRANCO
– Robert Luthardt, Edward G. Boyle (Uma Loura por Um Milhão)
– Luigi Scaccianoce (O Evangelho Segundo São Mateus)
– Willy Holt, Marc Frédérix, Pierre Guffroy (Paris Está em Chamas?)
– George W. Davis, Paul Groesse, Henry Grace, Hugh Hunt (A Mulher Sem Rosto)
Richard Sylbert, George James Hopkins (Quem Tem Medo de Virginia Woolf?)

MELHOR FIGURINO COLORIDO
– Jean Louis (Como Possuir Lissu)
– Dorothy Jeakins (Havaí)
– Piero Gherardi (Julieta dos Espíritos)
– Edith Head (Confidências de Hollywood)
Elizabeth Haffenden, Joan Bridge (O Homem que Não Vendeu Sua Alma)

MELHOR FIGURINO PRETO-E-BRANCO
– Danilo Donati (O Evangelho Segundo São Mateus)
– Danilo Donati (A Mandragora)- Helen Rose (A Mulher Sem Rosto)
– Jocelyn Rickards (Deliciosas Loucuras de Amor)
Irene Sharaff (Quem Tem Medo de Virginia Woolf?)

MELHOR TRILHA MUSICAL ORIGINAL
– Toshirô Mayuzumi (A Bíblia)
John Barry (A História de Elsa)
– Elmer Bernstein (Havaí)
– Jerry Goldsmith (O Canhoneiro do Yang-Tsé)
– Alex North (Quem Tem Medo de Virginia Woolf?)

MELHOR TRILHA MUSICAL, ADAPTAÇÃO OU TRATAMENTO
Ken Thorne (Um Escravo das Arábias em Roma)
– Luis Bacalov (O Evangelho Segundo São Mateus)
– Elmer Bernstein (A Volta dos Sete Homens)
– Harry Sukman (Dominique)
– Al Ham (Stop the World: I Want to Get Off)

Mary Tyler Moore e Dick Van Dyke fazem a duplinha pra entregar os prêmios de música. E em seguida, Dean Martin apresenta Melhor Canção

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“Alfie”, de Burt Bacharach, Hal David (Como Conquistar as Mulheres)
“Born Free”, de John Barry, Don Black (A História de Elsa)
“Georgy Girl”, de Tom Springfield, Jim Dale (Georgy, a Feiticeira)
“My Wishing Doll”, de Elmer Bernstein, Mack David (Havaí)
“A Time for Love”, de Johnny Mandel, Paul Francis Webster (Eu Te Verei no Inferno, Querida)

MELHOR SOM
– Waldon O. Watson (Como Possuir Lissu)
Franklin Milton (Grand Prix)
– Gordon Sawyer (Havaí)
– James Corcoran (O Canhoneiro do Yang-Tsé)
– George Groves (Quem Tem Medo de Virginia Woolf?)

MELHORES EFEITOS VISUAIS
Art Cruickshank (Viagem Fantástica)
– Linwood G. Dunn (Havaí)

MELHORES EFEITOS SONOROS
– Walter Rossi (Viagem Fantástica)
Gordon Daniel (Grand Prix)

MELHOR CURTA-METRAGEM
– Turkey the Birdge, de Derek Williams
Wild Wings, de Edgar Anstey
– The Winning Strain, de Leslie Winik

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO
– Wolf Koenig, Robert Verrall (The Drag)
A Herb Alpert & The Tijuana Brass Double Feature, de John Hubley, Faith Hubley
– The Pink Blueprint, de David H. DePatie, Friz Freleng

MELHOR DOCUMENTÁRIO-CURTA
– Adolescence, de Marin Karmitz, Vladimir Forgency
– Cowboy, de Michael Ahnemann, Gary Schlosser
– The Odds Against, de Lee R. Bobker, Helen Kristt Radin
– Részletek J.S. Bach Máté passiójából
A Year Toward Tomorrow, de Edmond Levy

MELHOR DOCUMENTÁRIO
– The Face of a Genius, de Alfred R. Kelman
– Helicopter Canada, de Peter Jones, Tom Daly
O Jogo da Guerra, de Peter Watkins
– Le Volcan Interdit, de Haroun Tazieff
– The Really Big Family, de Alexander Grasshoff

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
– A Batalha de Argel (La Battaglia di Algeri), de Gillo Pontecorvo – ITÁLIA
Um Homem, Uma Mulher (Un Homme et une Femme), de Claude Lelouch – FRANÇA
– Os Amores de uma Loira (Lásky Jedné Plavovlásky), de Milos Forman – TCHECOSLOVÁQUIA
– Faraó (Faraon), de Jerzy Kawalerowicz – POLÔNIA
– Tri, de Aleksandar Petrovic – IUGOSLÁVIA

Patricia Neal apresenta o prêmio para o Filme em Língua Estrangeira 

OSCAR HONORÁRIO
• Y. Frank Freeman
• Yakima Canutt – Pelas conquistas como dublê e desenvolvimento de dispositivos de segurança para proteger dublês

IRVING G. THALBERG MEMORIAL AWARD
• Robert Wise

JEAN HERSHOLT HUMANITARIAN AWARD
• George Bagnall

THE 38th ANNUAL ACADEMY AWARDS – OSCAR 1966

18 de Abril de 1966

A Noviça Rebelde (The Sound of Music), de Robert Wise: 5 Oscars

A Noviça Rebelde (The Sound of Music), de Robert Wise: 5 Oscars

MELHOR FILME
– Darling – A Que Amou Demais (Darling)
Produtor: Joseph Janni
– Doutor Jivago (Doctor Zhivago)
Produtor: Carlo Ponti
– A Nau dos Insensatos (Ship of Fools)
Produtor: Stanley Kramer
• A Noviça Rebelde (The Sound of Music) – Robert Wise não estava presente na cerimônia. Saul Chaplin aceitou o prêmio em seu nome.
Produtor: Robert Wise
– Mil Palhaços (A Thousand Clowns)
Produtor: Fred Coe

Jack Lemmon encerra a noite com os indicados a Melhor Filme

MELHOR DIRETOR
– David Lean (Doutor Jivago)
– John Schlesinger (Darling – A Que Amou Demais)
– Hiroshi Teshigahara (A Mulher da Areia)
– William Wyler (O Colecionador)
• Robert Wise (A Noviça Rebelde) – Robert Wise não estava presente na cerimônia. Julie Andrews aceitou o prêmio em seu nome.

Shirley MacLaine apresenta o Oscar de Direção. Na ausência de Robert Wise, Julie Andrews aceita no palco.

MELHOR ATOR
– Richard Burton (O Espião que Veio do Frio)
• Lee Marvin (Dívida de Sangue)
– Laurence Olivier (Othello)
– Rod Steiger (O Homem do Prego)
– Oskar Werner (A Nau dos Insensatos)

Bastante ovacionado, Lee Marvin agradece ao cavalo do filme Dívida de Sangue

MELHOR ATRIZ
– Julie Christie (A Noviça Rebelde)
• Julie Christie (Darling – A Que Amou Demais)
– Samantha Eggar (O Colecionador)
– Elizabeth Hartman (Quando Só o Coração Vê)
– Simone Signoret (A Nau dos Insensatos)

Uma radiante e dourada Julie Christie mal se contém em seu breve discurso de agradecimento

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Martin Balsam (Mil Palhaços)
– Ian Bannen (O Vôo da Fênix)
– Tom Courtenay (Doutor Jivago)
– Michael Dunn (A Nau dos Insensatos)
– Frank Finlay (Othello)

A encantadora Lila Kedrova concede a estatueta a Martin Balsam

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
– Ruth Gordon (À Procura do Destino)
– Joyce Redman (Othello)
– Maggie Smith (Othello)
• Shelley Winters (Quando Só o Coração Vê)
– Peggy Wood (A Noviça Rebelde)

Apesar do vestido horrível (que muito se deve ao babado circense), Shelley Winters leva seu segundo Oscar e faz um discurso simpático.

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
– Agenore Incrocci, Furio Scarpelli, Mario Monicelli, Tonino Guerra, Giorgio Salvioni, Suso Cecchi D’Amico (Casanova 70)
• Frederic Raphael (Darling – A Que Amou Demais)
– Jack Davies, Ken Annakin (Esses Homens Maravilhosos e Suas Máquinas Voadoras)
– Franklin Coen, Frank Davis (O Trem)
– Jacques Demy (Os Guarda-Chuvas do Amor)

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
– Walter Newman, Frank Pierson (Dívida de Sangue)
– Stanley Mann, John Kohn (O Colecionador)
• Robert Bolt (Doutor Jivago)
– Abby Mann (A Nau dos Insensatos)
– Herb Gardner (Mil Palhaços)

Joanne Woodward e George Peppard anunciam os roteiristas vencedores.

MELHOR FOTOGRAFIA COLORIDA
– Leon Shamroy (Agonia e Êxtase)
– Russell Harlan (A Corrida do Século)
Freddie Young (Doutor Jivago)
– William C. Mellor, Loyal Griggs (A Maior História de Todos os Tempos) – A indicação de William C. Mellor é póstuma. Ele morreu de ataque cardíaco durante as filmagens. Loyal Griggs foi contratado para terminar as filmagens.
– Ted D. McCord (A Noviça Rebelde)

MELHOR FOTOGRAFIA PRETO-E-BRANCO
– Loyal Griggs (A Primeira Vitória)
– Burnett Guffey (Rei de um Inferno)
– Robert Burks (Quando Só o Coração Vê)
– Conrad L. Hall (Morituri)
• Ernest Laszlo (A Nau dos Insensatos)

Kim Novak e Richard Johnson são chamados por Bob Hope para conceder os prêmios de Fotografia

MELHOR MONTAGEM
– Charles Nelson (Dívida de Sangue)
– Norman Savage (Doutor Jivago)
William Reynolds (A Noviça Rebelde)
– Michael Luciano (O Vôo da Fênix)
– Ralph E. Winters (A Corrida do Século)

Um jovem porém já grisalho Jason Robards apresenta o Oscar de montagem.

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE COLORIDA
– John DeCuir, Jack Martin Smith, Dario Simoni (Agonia e Êxtase)
John Box, Terence Marsh, Dario Simoni (Doutor Jivago)
– Richard Day, William J. Creber, David S. Hall, Ray Moyer, Fred M. MacLean, Norman Rockett (A Maior História de Todos os Tempos)
– Robert Clatworthy, George James Hopkins (À Procura do Destino)
– Boris Leven, Walter M. Scott, Ruby R. Levitt (A Noviça Rebelde)

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE PRETO-E-BRANCO
– Robert Emmet Smith, Frank Tuttle (Rei de um Inferno)
– George W. Davis, Urie McCleary, Henry Grace, Charles S. Thompson (Quando Só o Coração Vê)
– Hal Pereira, Jack Poplin, Robert R. Benton, Joseph Kish (Uma Vida em Suspense)
Robert Clatworthy, Joseph Kish (A Nau dos Insensatos)
– Hal Pereira, Tambi Larsen, Ted Marshall, Josie MacAvin (O Espião que Veio do Frio)

O brotinho Warren Beatty e Debbie Reynolds se juntam para apresentar os Oscars de Direção de Arte.

MELHOR FIGURINO COLORIDO
– Vittorio Nino Novarese (Agonia e Êxtase)
Phyllis Dalton (Doutor Jivago)
– Vittorio Nino Novarese, Marjorie Best (A Maior História de Todos os Tempos)
– Edith Head, Bill Thomas (À Procura do Destino)
– Dorothy Jeakins (A Noviça Rebelde)

MELHOR FIGURINO PRETO-E-BRANCO
• Julie Harris (Darling – A Que Amou Demais)
– Moss Mabry (Morituri)
– Howard Shoup (Obsessão de Amar)
– Bill Thomas, Jean Louis (A Nau dos Insensatos)
– Edith Head (Uma Vida em Suspense)

Um novinho James Garner com a bela Lana Turner apresentam os prêmios de Figurino

MELHOR TRILHA MUSICAL – SUBSTANCIALMENTE ORIGINAL
• Maurice Jarre (Doutor Jivago)
– Alex North (Agonia e Êxtase)
– Alfred Newman (A Maior História de Todos os Tempos)
– Jerry Goldsmith (Quando Só o Coração Vê)
– Michel Legrand, Jacques Demy (Os Guarda-Chuvas do Amor)

MELHOR TRILHA MUSICAL – ADAPTADA OU TRATAMENTO
– Frank De Vol (Dívida de Sangue)
– Lionel Newman, Alexander Courage (Em Busca do Prazer)
Irwin Kostal (A Noviça Rebelde)
– Don Walker (Mil Palhaços)
– Michel Legrand (Os Guarda-Chuvas do Amor)

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“The Ballad of Cat Ballou”, de Jerry Levingston, Mack David (Dívida de Sangue)
“I Will Wait for You”, de Michel Legrand, Jacques Demy (Os Guarda-Chuvas do Amor)
“The Shadow of Your Smile”, de Johnny Mandel, Paul Francis Webster (Adeus às Ilusões)
“The Sweetheart Tree”, de Henry Mancini, Johnny Mercer (A Corrida do Século)
“What’s New, Pussycat?”, de Burt Bacharach, Hal David (Que é que Há, Gatinha?)

Natalie Wood desfilando com seu belo decote antes de apresentar Melhor Canção

MELHOR SOM
– James Corcoran (Agonia e Êxtase)
– A.W. Watkins, Franklin Milton (Doutor Jivago)
– George Groves (A Corrida do Século)
– Waldon O. Watson (Shenandoah)
James Corcoran, Fred Hynes (A Noviça Rebelde)

MELHORES EFEITOS VISUAIS
– J. McMillan Johnson (A Maior História de Todos os Tempos)
John Stears (007 Contra a Chantagem Atômica)

Dorothy Malone apresenta o segundo Oscar para a franquia James Bond

MELHORES EFEITOS SONOROS
Treg Brown (A Corrida do Século)
– Walter Rossi (O Expresso de Von Ryan)

MELHOR CURTA-METRAGEM
– Fortress of Peace, de Lothar Wolff
Le Poulet, de Claude Berri
– Skaterdater, de Marshall Backlar, Noel Black
– Snow, de Edgar Anstey
– Time Piece, de Jim Henson

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO
– Clay or the Origin of Species, de Eli Noyes
The Dot and the Line: A Romance in Lower Mathematics, de Chuck Jones, Les Goldman
– La Gazza Ladra, de Emmanuelle Luzzatti

MELHOR DOCUMENTÁRIO-CURTA
– Mural on Our Street, de Kirk Smallman
– Nyitany
– Point of View
To Be Alive!, de Francis Thompson
– Yeats Country, de Patrick Carey, Joe Mendoza

MELHOR DOCUMENTÁRIO
The Eleanor Roosevelt Story, de Sidney Glazier
– The Forth Road Bridge, de Peter Mills
– The Battle of the Bulge… The Brave Rifles, de Laurence E. Mascott
– Let My People Go: The Story of Israel, de Marshall Flaum
– Mourir à Madrid, de Frédéric Rossif

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
– As 4 Faces do Medo (Kaidan), de Masaki Kobayashi – JAPÃO
– Adorado John (Käre John), de Lars-Magnus Lindgren – SUÉCIA
A Pequena Loja da Rua Principal (Obchod na Korze), de Ján Kadár, Elmar Klos – TCHECOSLOVÁQUIA
– To Homa Vaftike Kokkino, de Vasilis Georgiadis – GRÉCIA
– Matrimônio à Italiana (Matrimonio all’italiana), de Vittorio De Sica – ITÁLIA

Gregory Peck dá um ar mais clássico ao Oscar de Filme Estrangeiro.

OSCAR HONORÁRIO
• Bob Hope – Pelos únicos e distintos serviços prestados à indústria e à Academia.

IRVING G. THALBERG MEMORIAL AWARD
• William Wyler

JEAN HERSHOLT HUMANITARIAN AWARD
• Edmond L. DePatie

THE 37th ANNUAL ACADEMY AWARDS – OSCAR 1965

05 de Abril de 1965

Minha Bela Dama (My Fair Lady), de George Cukor: 8 Oscars

Minha Bela Dama (My Fair Lady), de George Cukor: 8 Oscars

MELHOR FILME
– Zorba, o Grego (Alexis Zorba)
Produtor: Mihalis Kakogiannis
– Becket, o Favorito do Rei (Becket)
Produtor: Hal B. Wallis
– Dr. Fantástico (Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb)
Produtor: Stanley Kubrick
– Mary Poppins (Mary Poppins)
Produtores: Walt Disney, Bill Walsh
• Minha Bela Dama (My Fair Lady)
Produtor: Jack L. Warner

MELHOR DIRETOR
• George Cukor (Minha Bela Dama)
– Mihalis Kakogiannis (Zorba, o Grego)
– Peter Glenville (Becket, o Favorito do Rei)
– Stanley Kubrick (Dr. Fantástico)
– Robert Stevenson (Mary Poppins)

Enquanto Joan Crawford apresenta Diretor para George Cukor, Gregory Peck apresenta Melhor Filme.

MELHOR ATOR
– Richard Burton (Becket, o Favorito do Rei)
• Rex Harrison (Minha Bela Dama)
– Peter O’Toole (Becket, o Favorito do Rei)
– Anthony Quinn (Zorba, o Grego)
– Peter Sellers (Dr. Fantástico)

A jovem Audrey Hepburn apresenta Melhor Ator para Rex Harrison.

MELHOR ATRIZ
• Julie Andrews (Mary Poppins)
– Anne Bancroft (Crescei e Multiplicai-vos)
– Sophia Loren (Matrimônia à Italiana)
– Debbie Reynolds (A Inconquistável Molly)
– Kim Stanley (Farsa Diabólica)

Sidney Poitier entrega o Oscar para uma encantadora Julie Andrews.

MELHOR ATOR COADJUVANTE
– John Gielgud (Becket, o Favorito do Rei)
– Stanley Holloway (Minha Bela Dama)
– Edmond O’Brien (Sete Dias de Maio)
– Lee Tracy (Vassalos da Ambição)
• Peter Ustinov (Topkapi) – Peter Ustinov não estava presente na cerimônia. Jonathan Winters aceitou o prêmio em seu nome.

 

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
– Gladys Cooper (Minha Bela Dama)
– Edith Evans (Corações Feridos)
– Grayson Hall (A Noite do Iguana)
• Lila Kedrova (Zorba, o Grego)
– Agnes Moorehead (Com a Maldade na Alma)

Lila Kedrova abraça seu parceiro de set, Anthony Quinn, antes de receber a estatueta de Karl Malden.

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
– Alun Owen (Os Reis do Ié-Ié-Ié)
• S. H. Barnett, Peter Stone, Frank Tarloff (Papai Ganso)
– Orville H. Hampton, Rapahel Hayes (One Potato, Two Potato)
– Agenore Incrocci, Furio Scarpelli, Mario Monicelli (Os Companheiros)
– Jean-Paul Rappeneau, Ariane Mnouchkine, Daniel Boulanger, Philippe de Broca (O Homem do Rio)

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
• Edward Anhalt (Becket, o Favorito do Rei)
– Stanley Kubrick, Peter George, Terry Southern (Dr. Fantástico)
– Bill Walsh, Don DaGradi (Mary Poppins)
– Alan Jay Lerner (Minha Bela Dama)
– Mihalis Kakogiannis (Zorba, o Grego)

A classuda Deborah Kerr apresenta os dois prêmios de Roteiro.

MELHOR FOTOGRAFIA COLORIDA
– Geoffrey Unsworth (Becket, o Favorito do Rei)
– William H. Clothier (Crepúsculo de uma Raça)
– Edward Colman (Mary Poppins)
• Harry Stradling Sr. (Minha Bela Dama)
– Daniel L. Fapp (A Inconquistável Molly)

MELHOR FOTOGRAFIA PRETO-E-BRANCO
– Philip H. Lathrop (Não Podes Comprar Meu Amor)
– Milton R. Krasner (O Destino é o Caçador)
– Joseph F. Biroc (Com a Maldade na Alma)
– Gabriel Figueroa (A Noite do Iguana)
• Walter Lassally (Zorba, o Grego)

Rock Hudson e Jean Simmons apresentam os prêmios de fotografia.

MELHOR MONTAGEM
– Anne V. Coates (Becket, o Favorito do Rei)
– Ted J. Kent (Papai Ganso)
– Michael Luciano (Com a Maldade na Alma)
• Cotton Warburton (Mary Poppins)
– William H. Ziegler (Minha Bela Dama)

Vince Edwards e um novinho Richard Chamberlain apresentam Melhor Montagem.

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE COLORIDA
– John Bryan, Maurice Carter, Patrick McLoughlin, Robert Cartwright (Becket, o Favorito do Rei)
– Carroll Clark, William H. Tuntke, Emile Kuri, Hal Gausman (Mary Poppins)
• Gene Allen, Cecil Beaton, George James (Minha Bela Dama)
– George W. Davis, E. Preston Ames, Henry Grace, Hugh Hunt (A Inconquistável Molly)
– Jack Martin Smith, Ted Haworth, Walter M. Scott, Stuart A. Reiss (A Senhora e Seus Maridos)

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE PRETO-E-BRANCO
– George W. Davis, Hans Peter, Elliot Scott, Henry Grace, Robert R. Benton (Não Podes Comprar Meu Amor)
– William Glasgow, Rapahel Bretton (Com a Maldade na Alma)
– Stephen B. Grimes (A Noite do Iguana)
– Cary Odell, Edward G. Boyle (Sete Dias de Maio)
• Vassilis Photopoulos (Zorba, o Grego)

Elizabeth Ashley e Macdonald Carey se encarregam das categorias de direção de arte.

MELHOR FIGURINO COLORIDO
– Margaret Furse (Becket, o Favorito do Rei)
– Tony Walton (Mary Poppins)
• Cecil Beaton (Minha Bela Dama)
– Morton Haack (A Inconquistável Molly)
– Edith Head, Moss Mabry (A Senhora e Seus Maridos)

MELHOR FIGURINO PRETO-E-BRANCO
– Edith Head (Uma Certa Casa Suspeita)
– Norma Koch (Com a Maldade na Alma)
– Howard Shoup (Aluga-se a Casa Branca)
• Dorothy Jeakins (A Noite do Iguana)
– René Hubert (A Visita)

Greer Garson e Dick Van Dyke apresentam os prêmios de figurino.

MELHOR TRILHA MUSICAL, SUBSTANCIALMENTE ORIGINAL
– Laurence Rosenthal (Becket, o Favorito do Rei)
– Dimitri Tiomkin (A Queda do Império Romano)
– Frank De Vol (Com a Maldade na Alma)
• Richard M. Sherman, Robert B. Sherman (Mary Poppins)
– Henry Mancini (A Pantera Cor-de-Rosa)

Os irmãos Sherman recebem o Oscar por Mary Poppins.

MELHOR TRILHA MUSICAL, ADAPTADA OU TRATAMENTO
– George Martin (Os Reis do Ié-Ié-Ié)
– Irwin Kostal (Mary Poppins)
• André Previn (Minha Bela Dama)
– Nelson Riddle (Robin Hood de Chicago)
– Robert Armbruster, Leo Arnaud, Jack Elliot, Jack Hayes, Calvin Jackson, Leo Shuken (A Inconquistável Molly)

A adorável Debbie Reynolds apresenta o Oscar de Trilha Adaptada. Ela ficou na expectativa de seu filme vencer…

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“Chim Chim Cher-ee”, de Richard M. Sherman, Robert B. Sherman (Mary Poppins)
“Dear Heart”, de Henry Mancini, Jay Livingston (Coração Querido)
“Hush… Hush, Sweet Charlotte”, de Frank De Vol, Mack David (Com a Maldade na Alma)
“My Kind of Town”, de Jimmy Van Heusen, Sammy Cahn (Robin Hood de Chicago)
“Where Love Has Gone”, de Jimmy Van Heusen, Sammy Cahn (Escândalo na Sociedade)

…e os irmãos Sherman retornam para levar o Oscar de Canção Original também.

MELHOR SOM
– John Cox (Becket, o Favorito do Rei)
– Waldon O. Watson (Papai Ganso)
– Robert O. Cook (Mary Poppins)
• George Groves (Minha Bela Dama)
– Franklin Milton (A Inconquistável Molly)

MELHORES EFEITOS VISUAIS
• Peter Ellenshaw, Hamilton Luske, Eustace Lycett (Mary Poppins)
– Jim Danforth (As 7 Faces do Dr. Lao)

O jovem astro francês Alain Delon apresenta Efeitos Visuais para Mary Poppins.

MELHORES EFEITOS SONOROS
– Robert L. Bratton (Demônios da Pista)
• Norman Wanstall (007 Contra Goldfinger)

Angie Dickinson concede o primeiro Oscar para a franquia de James Bond.

MELHOR CURTA-METRAGEM
• Casals Conducts: 1964, de Edward Schreiber
– Help! My Snowman’s Burning Down, de Carson Davidson
– The Legend of Jimmy Blue Eyes, de Robert Clouse

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO
– Christmas Cracker
– How to Avoid Friendship, de William L. Snyder
– Nudnik #2, de William L. Snyder
• A Pantera Pinta o Sete, de David H. DePatie, Friz Freleng

MELHOR DOCUMENTÁRIO-CURTA
– Breaking the Habit, de Henry Jacobs, John Korty
– Children Without
– Eskimo Artist: Kenojuak
– 140 Days Under the World, de Geoffrey Scott, Oxley Hughan
• Nine from Little Rock

MELHOR DOCUMENTÁRIO
– The Finest Hours, de Jack Levin
• Mundo Sem Sol, de Jacques-Yves Cousteau
– Quatro Dias em Novembro, de Mel Stuart
– Alleman, de Bert Haanstra
– 14-18, de Jean Aureal

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
• Ontem, Hoje e Amanhã (Ieri, Oggi, Domani), de Vittorio De Sica – ITÁLIA
– Kvarteret Korpen, de Bo Widerberg – SUÉCIA
– Sallah Shabati, de Ephraim Kishon – ISRAEL
– Os Guarda-Chuvas do Amor (Les Parapluis de Cherbourg), de Jacques Demy – FRANÇA
– A Mulher da Areia (Suna no Onna), de Hiroshi Teshigahara – JAPÃO

O filme italiano leva o Oscar com filme de Vittorio De Sica. Com ele ausente, Joseph E. Levine recebe o prêmio.

OSCAR HONORÁRIO
• William Tuttle (As 7 Faces do Dr. Lao) – Por suas conquistas na maquiagem

THE 36th ANNUAL ACADEMY AWARDS – OSCAR 1964

13 de Abril de 1964

As Aventuras de Tom Jones (Tom Jones), de Tony Richardson: 4 Oscars

As Aventuras de Tom Jones (Tom Jones), de Tony Richardson: 4 Oscars

MELHOR FILME
– Terra do Sonho Distante (America America)
Produtor: Elia Kazan
– Cleópatra (Cleopatra)
Produtor: Walter Wanger
– A Conquista do Oeste (How the West Was Won)
Produtor: Bernard Smith
– Uma Voz nas Sombras (Lilies of the Field)
Produtor: Ralph Nelson
• As Aventuras de Tom Jones (Tom Jones)
Produtor: Tony Richardson – Tony Richardson não estava presente na cerimônia. David V. Picker aceitou  prêmio em seu nome.

MELHOR DIRETOR
– Federico Fellini (8½)
– Elia Kazan (Terra do Sonho Distante)
– Otto Preminger (O Cardeal)
• Tony Richardson (As Aventuras de Tom Jones) – Tony Richardson não estava presente na cerimônia. Edith Evans aceitou o prêmio em seu nome.
– Martin Ritt (O Indomado)


Tony Richardson perdeu sua oportunidade única de receber a estatueta do Oscar das mãos da musa Rita Hayworth

MELHOR ATOR
– Albert Finney (As Aventuras de Tom Jones)
– Richard Harris (O Pranto de um Ídolo)
– Rex Harrison (Cleópatra)
– Paul Newman (O Indomado)
• Sidney Poitier (Uma Voz nas Sombras) – Sidney Poitier se tornou o primeiro afro-americano a ganhar o Oscar de Melhor Ator

MELHOR ATRIZ
– Leslie Caron (A Mulher que Pecou)
– Shirley MacLaine (Irma La Douce)
• Patricia Neal (O Indomado) – Patricia Neal não estava presente na cerimônia. Annabella aceitou o prêmio em seu nome.
– Rachel Roberts (O Pranto de um Ídolo)
– Natalie Wood (O Preço de um Prazer)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
– Nick Adams (O Crime é Homicídio)
– Bobby Darin (Pavilhão 7)
• Melvyn Douglas (O Indomado) – Melvyn Douglas não estava presente na cerimônia. Brandon De Wilde aceitou o prêmio em seu nome.
– Hugh Griffith (As Aventuras de Tom Jones)
– John Huston (O Cardeal)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
– Diane Cilento (As Aventuras de Tom Jones)
– Edith Evans (As Aventuras de Tom Jones)
– Joyce Redman (As Aventuras de Tom Jones)
• Margaret Rutherford (Gente Muito Importante) – Margaret Rutherford não estava presente na cerimônia. Peter Ustinov aceitou o prêmio em seu nome.
– Lilia Skala (Uma Voz nas Sombras)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
– Elia Kazan (Terra do Sonho Distante)
– Federico Fellini (8½)
– Pasquale Festa Campanille, Massimo Franciosa, Nanni Loy, Vasco Pratolini, Carlo Bernari (4 Dias de Rebelião)
• James R. Webb (A Conquista do Oeste)
– Arnold Schulman (O Preço de um Prazer)

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
– Richard L. Breen, Phoebe Ephron, Henry Ephron (Pavilhão 7)
– Irving Ravetch, Harriet Frank Jr. (O Indomado)
– James Poe (Uma Voz nas Sombras)
John Osborne (As Aventuras de Tom Jones)
– Serge Bourguignon, Antoine Tudal (Sempre aos Domingos)

MELHOR FOTOGRAFIA COLORIDA
– Leon Shamroy (O Cardeal)
Leon Shamroy (Cleópatra)
– William H. Daniels, Milton R. Krasner, Charles Lang, Joseph LaShelle (A Conquista do Oeste)
– Joseph LaShelle (Irma La Douce)
– Ernest Laszlo (Deu a Louca no Mundo)

MELHOR FOTOGRAFIA PRETO-E-BRANCO
– George J. Folsey (O Balcão)
– Lucien Ballard (Almas nas Trevas)
James Wong Howe (O Indomado)
– Ernest Haller (Uma Voz nas Sombras)
– Milton R. Krasner (O Preço de um Prazer)

MELHOR MONTAGEM
– Louis R. Loeffler (O Cardeal)
– Dorothy Spencer (Cleópatra)
Harold F. Kress (A Conquista do Oeste)
– Ferris Webster (Fugindo do Inferno)
– Frederic Knudtson, Robert C. Jones, Gene Fowler Jr. (Deu a Louca no Mundo)

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE COLORIDA
– Lyle R. Wheeler, Gene Callahan (O Cardeal)
– Hal Pereira, Roland Anderson, Sam Comer, James W. Payne (O Bem Amado)
John DeCuir, Jack Martin Smith, Hilyard M. Brown, Herman A. Blumenthal, Elven Webb, Maurice Pelling, Boris Juraga, Walter M. Scott, Paul S. Fox, Ray Moyer (Cleópatra)
– George W. Davis, William Ferrari, Addison Hehr, Henry Grace, Don Greenwood Jr., Jack Mills (A Conquista do Oeste)
– Ralph W. Brinton, Ted Marshall, Jocelyn Herbert, Josie MacAvin (As Aventuras de Tom Jones)

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE PRETO-E-BRANCO
Gene Callahan (Terra do Sonhos Distante)
– Piero Gherardi (8½)
– Hal Pereira, Tambi Larsen, Sam Comer, Robert R. Benton (O Indomado)
– Hal Pereira, Roland Anderson, Sam Comer, Grace Gregory (O Preço de um Prazer)
– George W. Davis, Paul Groesse, Henry Grace, Hugh Hunt (O Crime é Homicídio)

MELHOR FIGURINO COLORIDO
– Donald Brooks (O Cardeal)
Irene Sharaff, Vittorio Nino Novarese, Renié (Cleópatra)
– Walter Plunkett (A Conquista do Oeste)
– Piero Tosi (O Leopardo)
– Edith Head (Amor Daquele Jeito)

MELHOR FIGURINO PRETO-E-BRANCO
Piero Gherardi (8½)
Edith Head (O Preço de um Prazer)
– Travilla (Venus à Venda)
– Bill Thomas (Na Voragem das Paixões)
– Edith Head (Esposas e Amantes)

MELHOR TRILHA MUSICAL – SUBSTANCIALMENTE ORIGINAL
– Alex North (Cleópatra)
– Dimitri Tiomkin (55 Dias em Peking)
– Alfred Newman, Ken Darby (A Conquista do Oeste)
– Ernest Gold (Deu a Louca no Mundo)
John Addison (As Aventuras de Tom Jones) – John Addison não estava presente na cerimônia. Elmer Bernstein aceitou o prêmio em seu nome.

MELHOR TRILHA MUSICAL – ADAPTADA OU TRATAMENTO
– Johnny Green (Adeus, Amor)
– Leith Stevens (Amor Daquele Jeito)
André Previn (Irma La Douce)
– Maurice Jarre (Sempre aos Domingos)
– George Burns (A Espada Era a Lei)

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“Call me Irresponsible”, de Jimmy Van Heusen, Sammy Cahn (O Estado Interessante de Papai)
“Charade”, de Henry Mancini, Johnny Mercer (Charada)
“It’s a Mad Mad Mad Mad World”, de Ernest Gold, Mack David (Deu a Louca no Mundo)
“More”, de Riz Ortolani, Nino Oliviero, Norman Newell (Mundo Cão)
“So Little Time”, de Dimitri Tiomkin, Paul Francis Webster (55 Dias em Peking)

MELHOR SOM
– Charles Rice (Adeus, Amor)
– Waldon O. Watson (Pavilhão 7)
– James Corcoran (Cleópatra)
Franklin Milton (A Conquista do Oeste)
– Gordon Sawyer (Deu a Louca no Mundo)

MELHORES EFEITOS VISUAIS
– Ub Iwerks (Os Pássaros)
Emil Kosa Jr. (Cleópatra)

MELHORES EFEITOS SONOROS
– Robert L. Bratton (Águias em Alerta)
Walter Elliott (Deu a Louca no Mundo)

MELHOR CURTA-METRAGEM
– Koncert, de Ezra R. Baker
– The Home-Made Car, de James Hill
La Rivière du Hibou, de Paul de Roubaix, Marcel Ichac
– The Six-Sided Triangle, de Christopher Miles
– Thta’s Me, de Walker Stuart

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO
– Automania 2000, de John Halas
The Critic, de Ernest Pintoff
– Igra, de Dusan Vukotic
– My Financial Career, de Colin Low, Tom Daly
– Pianissimo, de Carmen D’Avino

MELHOR DOCUMENTÁRIO-CURTA
Chagall, de Simon Schiffrin
– The Five Cities of June, de George Stevens Jr.
– The Spirit of America, de Algernon G. Walker
– Thirty Million Letters, de Edgar Anstey
– To Live Again, de Mel London

MELHOR DOCUMENTÁRIO
– Le Maillon et la Chaîne, de Paul de Roubaix
Robert Frost: A Lover’s Quarrel with the World, de Robert Hughes
– The Yanks Are Coming, de Marshall Flaum

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
8½ (8½), de Federico Fellini – ITÁLIA
– A Faca na Água (Nóz w Wodzie), de Roman Polanski – POLÔNIA
– Los Tarantos, de Francisco Rovira Beleta – ESPANHA
– Ta Kokkina Fanaria, de Vasilis Georgiadis – GRÉCIA
– Koto, de Noboru Nakamura – JAPÃO

IRVING G. THALBERG MEMORIAL AWARD
• Sam Spiegel

THE 35th ANNUAL ACADEMY AWARDS – OSCAR 1963

08 de Abril de 1963

Lawrence da Arábia (Lawrence of Arabia), de David Lean: 7 Oscars

Lawrence da Arábia (Lawrence of Arabia), de David Lean: 7 Oscars

MELHOR FILME
• Lawrence da Arábia (Lawrence of Arabia)
Produtor: Sam Spiegel
– O Mais Longo dos Dias (The Longest Day)
Produtor: Darryl F. Zanuck
– O Vendedor de Ilusões (The Music Man)
Produtor: Morton DaCosta
– O Grande Motim (Mutiny on the Bounty)
Produtor: Aaron Rosenberg
– O Sol é Para Todos (To Kill a Mockingbird)
Produtor: Alan J. Pakula

Vencedora de dois Oscars de Melhor Atriz, Olivia De Havilland apresenta o principal prêmio da noite.

MELHOR DIRETOR
– Pietro Germi (Divórcio à Italiana)
• David Lean (Lawrence da Arábia)
– Robert Mulligan (O Sol é Para Todos)
– Arthur Penn (O Milagre de Anne Sullivan)
– Frank Perry (David e Lisa)

Joan Crawford concede o segundo Oscar de David Lean.

MELHOR ATOR
– Burt Lancaster (O Homem de Alcatraz)
– Jack Lemmon (Vício Maldito)
– Marcello Mastroianni (Divórcio à Italiana)
– Peter O’Toole (Lawrence da Arábia)
• Gregory Peck (O Sol é Para Todos)

MELHOR ATRIZ
• Anne Bancroft (O Milagre de Anne Sullivan) – Anne Bancroft não estava presente na cerimônia. Joan Crawford aceitou o prêmio em seu nome.
– Bette Davis (O Que Aconteceu com Baby Jane?)
– Katharine Hepburn (Longa Jornada Noite Adentro)
– Geraldine Page (Doce Pássaro da Juventude)
– Lee Remick (Vício Maldito)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Ed Begley (Doce Pássaro da Juventude)
– Victor Buono (O Que Aconteceu com Baby Jane?)
– Telly Savalas (O Homem de Alcatraz)
– Omar Sharif (Lawrence da Arábia)
– Terence Stamp (O Vingador dos Mares)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
– Mary Badham (O Sol é Para Todos)
• Patty Duke (O Milagre de Anne Sullivan)
– Shirley Knight (Doce Pássaro da Juventude)
– Angela Lansbury (Sob o Domínio do Mal)
– Thelma Ritter (O Homem de Alcatraz)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
• Ennio De Concini, Alfredo Giannetti, Pietro Germi (Divórcio à Italiana)
– Charles Kaufman, Wolfgang Reinhardt (Freud – Além da Alma)
– Alain Robbe-Grillet (O Ano Passado em Marienbad)
– Stanley Shapiro, Nate Monaster (Carícios de Luxo)
– Ingmar Bergman (Através de um Espelho)

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
– Eleanor Parker (David e Lisa)
– Robert Bolt, Michael Wilson (Lawrence da Arábia) – A indicação de Wilson foi confrmada apenas em 26 de setembro de 1995, uma vez que ele estava na lista negra de Hollywood na época.
– Vladimir Nabokov (Lolita)
– William Gibson (O Milagre de Anne Sullivan)
• Horton Foote (O Sol é Para Todos) – Horton Foote não estav presente na cerimônia. Alan J. Pakula aceitou o prêmio em seu nome.

MELHOR FOTOGRAFIA COLORIDA
– Harry Stradling Sr. (Em Busca de um Sonho)
Freddie Young (Lawrence da Arábia)
– Russell Harlan (Hatari!)
– Robert Surtees (O Grande Motim)
– Paul Vogel (O Mundo Maravilhoso dos Irmãos Grimm)

MELHOR FOTOGRAFIA PRETO-E-BRANCO
– Burnett Guffey (O Homem de Alcatraz)
Jean Bourgoin, Walter Wottitz (O Mais Longo dos Dias)
– Russell Harlan (O Sol é Para Todos)
– Ted D. McCord (Dois na Gangorra)
– Ernest Haller (O Que Aconteceu com Baby Jane?)

MELHOR MONTAGEM
Anne V. Coates (Lawrence da Arábia)
– Samuel E. Beetley (O Mais Longo dos Dias)
– Ferris Webster (Sob o Domínio do Mal)
– William H. Ziegler (Vendedor de Ilusões)
– John McSweeney Jr. (O Grande Motim)

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE COLORIDA
John Box, John Stoll, Dario Simoni (Lawrence da Arábia)
– Paul Groesse, George James Hopkins (Vendedor de Ilusões)
– George W. Davis, J. McMillan Johnson, Henry Grace, Hugh Hunt (O Grande Motim)
– Alexander Golitzen, Robert Clatworthy, George Milo (Carícias de Luxo)
– George W. Davis, Edward C. Carfagno, Henry Grace, Richard Pefferle (O Mundo Maravilhoso dos Irmãos Grimm)

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE PRETO-E-BRANCO
– Joseph C. Wright, George James Hopkins (Vício Maldito)
– Ted Haworth, Léon Barsacq, Vincent Korda, Gabriel Béchir (O Mais Longo dos Dias)
– George W. Davis, Edward C. Carfagno, Henry Grace, Richard Pefferle (Contramarcha Nupcial)
– Hal Pereira, Roland Anderson, Sam Comer, Frank R. McKelvy (O Pombo que Conquistou Roma)
• Alexander Golitzen, Henry Bumstead, Oliver Emert (O Sol é Para Todos)

MELHOR FIGURINO COLORIDO
– Bill Thomas (Bon Voyage, Enfim Paris!)
– Orry-Kelly (Em Busca de um Sonho)
– Dorothy Jeakins (Vendedor de Ilusões)
– Edith Head (Minha Doce Gueixa)
Mary Wills (O Mundo Maravilhoso dos Irmãos Grimm)

MELHOR FIGURINO PRETO-E-BRANCO
– Donfeld (Vício Maldito)
– Edith Head (O Homem que Matou o Facínora)
– Ruth Morley (O Milagre de Anne Sullivan)
– Theoni V. Aldredge (Profanação)
Norma Koch (O Que Aconteceu com Baby Jane?)

MELHOR TRILHA MUSICAL – SUBSTANCIALMENTE ORIGINAL
– Jerry Goldsmith (Freud – Além da Alma)
Maurice Jarre (Lawrence da Arábia)
– Bronislau Kaper (O Grande Motim)
– Franz Waxman (Taras Bulba)
– Elmer Bernstein (O Sol é Para Todos)

MELHOR TRILHA MUSICAL – ADAPTAÇÃO OU TRATAMENTO
– George Stoll (A Mais Querida do Mundo)
– Michel Magne (Gigot)
– Frank Perkins (Em Busca de um Sonho)
Ray Heindorf (Vendedor de Ilusões)
– Leigh Harline (O Mundo Maravilhoso dos Irmãos Grimm)

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“Days of Wine and Roses”, de Henry Mancini, Johnny Mercer (Vício Maldito)
“Love Song from Mutiny on the Bounty (Follow Me)”, de Bronislau Kaper, Paul Francis Webster (O Grande Motim)
“Song from Two for the Seesaw (Second Chance)”, de André Previn, Dory Previn (Dois na Gangorra)
“Tender is the Night (1962)”, de Sammy Fain, Paul Francis Webster (Suave é a Noite)
“Walk on the Wild Side”, de Elmer Bernstein, Mack Davis (Pelos Bairros do Vício)

MELHOR SOM
– Robert O. Cook (Bon Voyage, Enfim Paris!)
John Cox (Lawrence da Arábia)
– George Groves (Vendedor de Ilusões)
– Waldon O. Watson (Carícias de Luxo)
– Joseph D. Kelly (O Que Aconteceu com Baby Jane?)

MELHORES EFEITOS VISUAIS
• Robert MacDonald, Jacques Maumont (O Mais Longo dos Dias)
– A. Arnold Gillespie, Milo B. Lory (O Grande Motim)

MELHOR CURTA-METRAGEM
– Big City Blues, de Martina Huguenot van der Linden, Charles Huguenot van der Linden
– The Cadillac, de Robert Clouse
– The Cliff Dwellers, de Hayward Anderson
Heureux Anniversaire, de Pierre Étaix, Jean-Claude Carrière
– Pan, de Herman van der Horst

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO
The Hole, de John Hubley, Faith Hubley
– Icarus Montgolfier Wright, de Jules Engel
– Now Hear This
– Self Defense… for Cowards, de William L. Snyder
– A Symposium on Popular Songs, de Walt Disney

MELHOR DOCUMENTÁRIO-CURTA
Dylan Thomas, de Jack Howells
– The John Glenn Story, de William L. Hendricks
– The Road to the Wall, de Robert Saudek

MELHOR DOCUMENTÁRIO
– Alvorada, de Hugo Niebeling
A Raposa Negra, de Louis Clyde Stoumen

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
Sempre aos Domingos (Les Dimanches de Ville d’Avray), de Serge Bourguignon – FRANÇA
– Electra, a Vingadora (Ilektra), de Mihalis Kakogiannis – GRÉCIA
– 4 Dias de Rebelião (Le Quattro Giornate di Napoli), de Nanni Loy – ITÁLIA
– O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte – BRASIL
– Tlayucan, de Luis Alcoriza – MÉXICO

JEAN HERSHOLT HUMANITARIAN AWARD
• Steve Broidy

THE 34th ANNUAL ACADEMY AWARDS – OSCAR 1962

09 de Abril de 1962

Amor, Sublime Amor (West Side Story), de Robert Wise e Jerome Robbins: 10 Oscars

Amor, Sublime Amor (West Side Story), de Robert Wise e Jerome Robbins: 10 Oscars

MELHOR FILME
– Fanny (Fanny)
Produtor: Joshua Logan
– Os Canhões de Navarone (The Guns of Navarone)
Produtor: Carl Foreman
– Desafio à Corrupção (The Hustler)
Produtor: Robert Rossen
– Julgamento em Nuremberg (Judgment at Nuremberg)
Produtor: Stanley Kramer
• Amor, Sublime Amor (West Side Story)
Produtor: Robert Wise


O grande mestre do sapateado, Fred Astaire, apresenta o Oscar de Melhor Filme

MELHOR DIRETOR
– Federico Fellini (A Doce Vida)
– Stanley Kramer (Julgamento em Nuremberg)
– Robert Rossen (Desafio à Corrupção)
– J. Lee Thompson (Os Canhões de Navarone)
• Robert Wise & Jerome Robbins (Amor, Sublime Amor) – Pela primeira vez, o prêmio é compartilhado


Rosalind Russell apresenta com bastante entusiasmo o primeiro Oscar de direção para dois diretores.

MELHOR ATOR
– Charles Boyer (Fanny)
– Paul Newman (Desafio à Corrupção)
• Maximillian Schell (Julgamento em Nuremberg)
– Spencer Tracy (Julgamento em Nuremberg)
– Stuart Whitman (A Marca do Cárcere)


Joan Crawford apresenta o Oscar de Ator para Maximillian Schell

MELHOR ATRIZ
– Audrey Hepburn (Bonequinha de Luxo)
– Piper Laurie (Desafio à Corrupção)
• Sophia Loren (Duas Mulheres) – Sophia Loren não estava presente na cerimônia. Greer Garson aceitou o prêmio em seu nome.
– Geraldine Page (O Anjo de Pedra)
– Natalie Wood (Clamor do Sexo)


Burt Lancaster anuncia o nome da primeira italiana e estrangeira a ganhar o Oscar de atriz em sua própria língua. Pena que a vencedora não estava presente na cerimônia.

MELHOR ATOR COADJUVANTE
• George Chakiris (Amor, Sublime Amor)
– Montgomery Clift (Julgamento em Nuremberg)
– Peter Falk (Dama por um Dia)
– Jackie Gleason (Desafio à Corrupção)
– George C. Scott (Desafio à Corrupção) – Recusou-se a ser indicado. Foi o primeiro caso na História da Academia.


A vencedora do ano anterior, Shirley Jones, apresenta o Oscar para George Chakiris

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
– Fay Bainter (Infâmia)
– Judy Garland (Julgamento em Nuremberg)
– Lotte Lenya (Em Roma na Primavera)
– Una Merkel (O Anjo de Pedra)
• Rita Moreno (Amor, Sublime Amor)


Rock Hudson assume o posto de apresentador na ausência de Peter Ustinov para apresentar Melhor Atriz Coadjuvante. Rita Moreno agradece apenas com um “I can’t believe that!”

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
– Valentin Ezhov, Grigoriy Chukhray (A Balada do Soldado)
– Sergio Amidei, Diego Fabbri, Indro Montanelli (De Crápula a Herói)
– Federico Fellini, Tullio Pinelli, Ennio Flaiano, Brunello Rondi (A Doce Vida)
• William Inge (Clamor do Sexo)
– Stanley Shapiro, Paul Henning (Volta Meu Amor)

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
– George Axelrod (Bonequinha de Luxo)
– Carl Foreman (Os Canhões de Navarone)
– Sidney Carroll, Robert Rossen (Desafio à Corrupção)
• Abby Mann (Julgamento em Nuremberg)
– Ernest Lehman (Amor, Sublime Amor)

https://www.youtube.com/watch?v=Oxy8qfaNNyA
O casal do filme Vício Maldito, Lee Remick e Jack Lemmon, apresenta os dois Oscars de Roteiro 

MELHOR FOTOGRAFIA COLORIDA
– Jack Cardiff (Fanny)
– Russell Metty (Flor de Lotus)
– Harry Stradling Sr. (Do Outro Lado da Ponte)
– Charles Lang (A Face Oculta)
Daniel L. Fapp (Amor, Sublime Amor)

MELHOR FOTOGRAFIA PRETO-E-BRANCO
– Edward Colman (O Fantástico Super-Homem)
– Franz Planer (Infâmia)
Eugen Schüfftan (Desafio à Corrupção)
– Ernest Laszlo (Julgamento em Nuremberg)
– Daniel L. Fapp (Cupido Não Tem Bandeira)

MELHOR MONTAGEM
– William Reynolds (Fanny)
– Alan Osbiston (Os Canhões de Navarone)
– Frederic Knudtson (Julgamento em Nuremberg)
– Philip W. Anderson (O Grande Amor de Nossas Vidas)
Thomas Stanford (Amor, Sublime Amor)

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE COLORIDA
– Hal Pereira, Roland Anderson, Sam Comer, Ray Moyer (Bonequinha de Luxo)
– Veniero Colasanti, John Moore (El Cid)
– Alexander Golitzen, Joseph C. Wright, Howard Bristol (Flor de Lotus)
– Hal Pereira, Walter H. Tyler, Sam Comer, Arthur Krams (O Anjo de Pedra)
Boris Leven, Victor A. Gangelin (Amor, Sublime Amor)

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE PRETO-E-BRANCO
– Carroll Clark, Emile Kuri, Hal Gausman (O Fantástico Super-Homem)
– Fernando Carrere, Edward G. Boyle (Infâmia)
Harry Horner, Gene Callahan (Desafio à Corrupção)
– Rudolph Sternad, George Milo (Julgamento em Nuremberg)
– Piero Gherardi (A Doce Vida)

MELHOR FIGURINO COLORIDO
– Bill Thomas (O Mundo Encantado dos Brinquedos)
– Jean Louis (Esquina do Pecado)
– Irene Sharaff (Flor de Lotus)
– Edith Head, Walter Plunkett (Dama por um Dia)
Irene Sharaff (Amor, Sublime Amor)

MELHOR FIGURINO PRETO-E-BRANCO
– Dorothy Jeakins (Infâmia)
– Howard Shoup (Com Pecado no Sangue)
– Jean Louis (Julgamento em Nuremberg)
Piero Gherardi (A Doce Vida)
– Yoshirô Muraki (Yojimbo – O Guarda-Costas)


Dina Merrill e Eddie Albert apresentam Figurino com direito a desfile dos figurinos indicados no palco.

MELHOR TRILHA MUSICAL – MUSICAL
– George Bruns (O Mundo Encantado dos Brinquedos)
– Alfred Newman, Ken Darby (Flor de Lotus)
– Dmitri Shostakovich (Khovanshchina)
– Duke Ellington (Paris Vive à Noite)
Saul Chaplin, Johnny Green, Sid Ramin, Irwin Kostal (Amor, Sublime Amor)

MELHOR TRILHA MUSICAL – DRAMA OU COMÉDIA
Henry Mancini (Bonequinha de Luxo)
– Miklós Rósza (El Cid)
– Morris Stoloff, Harry Sukman (Fanny)
– Dimitri Tiomkin (Os Canhões de Navarone)
– Elmer Bernstein (O Anjo de Pedra)


Tony Martin e a bela Cyd Charisse apresentam os dois Oscars de trilha musical.

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“Bachelor in Paradise”, de Henry Mancini, Mack David (Solteiro no Paraíso)
“Love Theme from El Cid (The Falcon and the Dove)”, de Miklós Rózsa, Paul Francis Webster (El Cid)
“Moon River”, de Henry Mancini, Johnny Mercer (Bonequinha de Luxo)
“Pocketful of Miracles”, de Jimmy Van Heusen, Sammy Cahn (Dam por um Dia)
“Town Without Pity”, de Dimitri Tiomkin, Ned Washington (Cidade Sem Compaixão)


Debbie Reynolds concede o Oscar para a dupla Mancini e Mercer

MELHOR SOM
– Gordon Sawyer (Infâmia)
– Waldon O. Watson (Flor de Lotus)
– John Cox (Os Canhões de Navarone)
– Robert O. Cook (O Grande Amor de Nossas Vidas)
Fred Hynes, Gordon Sawyer (Amor, Sublime Amor)

MELHORES EFEITOS VISUAIS
• Bill Warrington, Chris Greenham (Os Canhões de Navarone)
– Robert A. Mattey, Eustace Lycett (O Fantástico Super-Homem)

MELHOR CURTA-METRAGEM
– Ballon Vole
– The Face of Jesus, de John D. Jennings
– Rooftops of New York
Seawards the Great Ships
– Very Nice, Very Nice

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO
– Aquamania, de Walt Disney
– Beep Prepared, de Chuck Jones
– Nelly’s Folly, de Chuck Jones
– The Pied Piper of Guadalupe, de Friz Freleng
Surogat

MELHOR DOCUMENTÁRIO-CURTA
– Breaking the Language Barrier
– Cradle of Genius, de Jim O’Connor, Tom Hayes
– Kahi
– L’Uomo in Grigio, de Benedetto Benedetti
Project Hope, de Frank P. Bibas

MELHOR DOCUMENTÁRIO
– La Grande Olimpiade
Le Ciel et la Boue, de Arthur Cohn, René Lafuite

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
– Harry og Kammerjeneren, de Bent Christensen – DINAMARCA
– O Inesquecível (Eien no Hito), de Keisuke Kinoshita – JAPÃO
– Ánimas Trujano (El Hombre Importante), de Ismael Rodríguez – MÉXICO
– Plácido, de Luis García Berlanga – ESPANHA
Através de um Espelho (Såsomi i en Spegel), de Ingmar Bergman – SUÉCIA


O presidente da Warner Bros., Jack L. Warner, introduz Eric Johnston para apresentar o Oscar de Filme em Língua Estrangeira novamente para a Suécia de Ingmar Bergman. Desta vez, a atriz Harriet Andersson aceita o prêmio.

OSCAR HONORÁRIO
• William L. Hendricks (A Force in Readiness)
• Fred L. Metzler
• Jerome Robbins

IRVING G. THALBERG MEMORIAL AWARD
• Stanley Kramer

JEAN HERSHOLT HUMANITARIAN AWARD
• George Seaton

THE 33rd ANNUAL ACADEMY AWARDS – OSCAR 1961

17 de Abril de 1961

Se Meu Apartamento Falasse (The Apartment), de Billy Wilder: 6 Oscars

Se Meu Apartamento Falasse (The Apartment), de Billy Wilder: 5 Oscars

MELHOR FILME
– O Álamo (The Alamo)
Produtor: John Wayne
• Se Meu Apartamento Falasse (The Apartment)
Produtor: Billy Wilder
– Entre Deus e o Pecado (Elmer Gantry)
Produtor: Bernard Smith
– Filhos e Amantes (Sons and Lovers)
Produtor: Jerry Wald
– Peregrino da Esperança (The Sundowners)
Produtor: Fred Zinnemann


Audrey Hepburn apresenta o Oscar de Filme para Se Meu Apartamento Falasse

MELHOR DIRETOR
– Jack Cardiff (Filhos e Amantes)
– Jules Dassin (Nunca aos Domingos)
– Alfred Hitchcock (Psicose)
• Billy Wilder (Se Meu Apartamento Falasse)
– Fred Zinnemann (Peregrino da Esperança)


Gina Lollobrigida entrega o Oscar para Billy Wilder. E lá se vai a última chance de Alfred Hitchcock…

MELHOR ATOR
– Trevor Howard (Filhos e Amantes)
• Burt Lancaster (Entre Deus e o Pecado)
– Jack Lemmon (Se Meu Apartamento Falasse)
– Laurence Olivier (Vida de Solteiro)
– Spencer Tracy (O Vento Será Tua Herança)


Greer Garson apresenta o Oscar para Burt Lancaster, que estava comovido com a honraria

MELHOR ATRIZ
– Greer Garson (Dez Passos Imortais)
– Deborah Kerr (Peregrino da Esperança)
– Shirley MacLaine (Se Meu Apartamento Falasse)
– Melina Mercouri (Nunca aos Domingos)
• Elizabeth Taylor (Disque Butterfield 8)


Elizabeth Taylor aceita seu primeiro Oscar das mãos de Yul Brynner. Bastante emocionada, ela apenas agradece de todo o coração. 

MELHOR ATOR COADJUVANTE
– Peter Falk (Assassinato S.A.)
– Jack Kruschen (Se Meu Apartamento Falasse)
– Sal Mineo (Exodus)
• Peter Ustinov (Spartacus)
– Chill Wills (O Álamo)


Peter Ustinov se torna o único ator a ganhar o Oscar sob a direção do mestre Stanley Kubrick

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
– Glynis Johns (Peregrino da Esperança)
• Shirley Jones (Entre Deus e o Pecado)
– Shirley Knight (Sombras no Fim da Escada)
– Janet Leigh (Psicose)
– Mary Ure (Filhos e Amantes)


Hugh Griffith aproveita a deixa para agradecer o Oscar que ganhou no ano anterior, já que estava ausente, antes de apresentar para a bela Shirley Jones

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
• Billy Wilder, I.A.L. Diamond (Se Meu Apartamento Falasse)
– Richard Gregson, Michael Craig, Bryan Forbes (Momentos de Angústia)
– Norman Panama, Melvin Frank (O Jogo Proibido do Amor)
– Marguerite Duras (Hiroshima Meu Amor)
– Jules Dassin (Nunca aos Domingos)


Kitty Carlisle e Moss Hart entregam o Oscar para a dupla Wilder e Diamond

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
– Nedrick Young, Harold Jacob Smith (O Vento Será Tua Herança)
• Richard Brooks (Entre Deus e o Pecado)
– Gavin Lambert, T.E.B. Clarke (Filhos e Amantes)
– Isobel Lennart (Peregrino da Esperança)
– James Kennaway (Glória Sem Mácula)

MELHOR FOTOGRAFIA COLORIDA
– William H. Clothier (O Álamo)
– Joseph Ruttenberg, Charles Harten (Disque Butterfield 8)
– Sam Leavitt (Exodus)
– Joseph MacDonald (Pepe)
Russell Metty (Spartacus)

MELHOR FOTOGRAFIA PRETO-E-BRANCO
– Joseph LaShelle (Se Meu Apartamento Falasse)
– Charles Lang (O Jogo Proibido do Amor)
– Ernest Laszlo (O Vento Será Tua Herança)
– John L. Russell (Piscose)
Freddie Francis (Filhos e Amantes)

MELHOR MONTAGEM
– Stuart Gilmore (O Álamo)
Daniel Mandell (Se Meu Apartamento Falasse)
– Frederic Knudtson (O Vento Será Tua Herança)
– Viola Lawrence, Al Clark (Pepe)
– Robert Lawrence (Spartacus)


Betty Comden e Adolph Green ressaltam a importância dos montadores antes de entregar o Oscar para Daniel Mandell

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE COLORIDA
– George W. Davis, Addison Hehr, Henry Grace, Hugh Hunt, Otto Siegel (Cimarron)
– Hal Pereira, Roland Anderson, Sam Comer, Arrigo Breschi (Começou em Nápoles)
– Ted Haworth, William Kiernan (Pepe)
Alexander Golitzen, Eric Orbom, Russell A. Gausman, Julia Heron (Spartacus)
– Edward Carrere, George James Hopkins (Dez Passos Imortais)

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE PRETO-E-BRANCO
Alexandre Trauner, Edward G. Boyle (Se Meu Apartamento Falasse)
– J. McMillan Johnson, Kenneth A. Reid, Ross Dowd (O Jogo Proibido do Amor)
– Joseph Hurley, Robert Clatworthy, George Milo (Psicose)
– Thomas N. Morahan, Lionel Couch (Filhos e Amantes)
– Hal Pereira, Walter H. Tyler, Sam Comer, Arthur Krams (Rabo de Foguete)


Tony Randall e Tina Louise apresentam a categoria de Direção de Arte PB e em seguida Colorida

MELHOR FIGURINO COLORIDO
– Irene Sharaff (Can-Can)
– Irene (A Teia de Renda Negra)
– Edith Head (Pepe)
Valles, Bill Thomas (Spartacus)
– Marjorie Best (Dez Passos Imortais)

MELHOR FIGURINO PRETO-E-BRANCO
Edith Head, Edward Stevenson (O Jogo Proibido do Amor)
– Theoni V. Aldredge (Nunca aos Domingos)
– Howard Shoup (O Rei dos Facínoras)
– Bill Thomas (Sete Ladrões)
– Marik Vos-Lundh (A Fonte da Donzela)


Robert Stack e Barbara Rush apresentam os prêmios de figurino

MELHOR TRILHA MUSICAL – MUSICAL
– André Previn (Essa Loira Vale um Milhão)
– Nelson Riddle (Can-Can)
– Lionel Newman, Earle Hagen (Adorável Pecadora)
– Johnny Green (Pepe)
Morris Stoloff, Harry Sukman (Sonho de Amor)

MELHOR TRILHA MUSICAL – DRAMA OU COMÉDIA
– Dimitri Tiomkin (O Álamo)
– André Previn (Entre Deus e o Pecado)
Ernest Gold (Exodus)
– Elmer Bernstein (Sete Homens e um Destino)
– Alex North (Spartacus)

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“The Facts of Life”, de Johnny Mercer (O Jogo Proibido do Amor)
“Faraway Part of Town”, de André Previn, Dory Previn (Pepe)
“The Green Leaves of Summer”, de Dimitri Tiomkin, Paul Francis Webster (O Álamo)
“The Second Time Around”, de Jimmy Van Heusen, Sammy Cahn (Dizem que é Amor)
“Ta Paidia tou Peiraia (Never on Sunday)”, de Manos Hatzidakis (Nunca aos Domingos) – Pela primeira vez na História da Academia, vence uma canção oriunda de filme em língua estrangeira.

MELHOR SOM
Gordon Sawyer, Fred Hynes (O Álamo)
– Gordon Sawyer (Se Meu Apartamento Falasse)
– Franklin Milton (Cimarron)
– Charles Rice (Pepe)
– George Groves (Dez Passos Imortais)

MELHORES EFEITOS VISUAIS
Gene Warren, Tim Baar (A Máquina do Tempo)
– Augie Lohman (A Última Viagem)

MELHOR CURTA-METRAGEM
– The Creation of Woman, de Charles F. Schwep, Ismail Merchant
Day of the Painter, de Robert P. Davis
– Islands of the Sea, de Walt Disney
– A Sport is Born, de Leslie Wink

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO
– Goliath II, de Walt Disney
– High Note
– Mouse and Garden
– O Místo na Slunci, de Frantisek Vystrcil
Munro, de William L. Snyder

MELHOR DOCUMENTÁRIO-CURTA
– Beyond Silence
– En by Ved Navn København
Giuseppina, de James Hill
– George Grosz’ Interregnum, de Charles Carey, Altina Carey
– Universe, de Colin Low

MELHOR DOCUMENTÁRIO
The Horse with the Flying Tail, de Larry Lansburgh
– Rebel in Paradise, de Robert D. Fraser

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
A Fonte da Donzela (Jungfrukälan), de Ingmar Bergman – SUÉCIA
– Kapò, de Gillo Pontecorvo – ITÁLIA
– A Verdade (La Vérité), de Henri-Georges Clouzot – FRANÇA
– Macario, de Roberto Gavaldón – MÉXICO
– Deveti Krug, de France Stiglic – IUGOSLÁVIA


Eric Johnston apresenta o prêmio internacional, que é aceito por Cyrus J. Harvey.

JUVENILE AWARD
• Hayley Mills (Pollyanna)

OSCAR HONORÁRIO
• Gary Cooper – O ator estava ausente da cerimônia. James Stewart aceitou o honraria em seu nome, fez um belo discurso emocional que causou especulação de que Cooper estaria doente. E estava. Faleceu dali a um mês em 31 de Maio de 1961.
• Stan Laurel

JEAN HERSHOLT HUMANITARIAN AWARD
• Sol Lesser

Rapidinhas de Cannes – Parte 2

A atriz Kristin Scott Thomas e o diretor Nicolas Winding Refn em coletiva do filme Only God Forgives em Cannes 2013

A atriz Kristin Scott Thomas e o diretor Nicolas Winding Refn em coletiva do filme Only God Forgives em Cannes 2013

Ok, estamos entrando na reta final do Festival de Cannes. Alguns filmes foram vaiados na exibição e devem ter suas chances reduzidas ao mínimo. Porém, vale ressaltar que nem sempre vaias significam que a qualidade do filme está abaixo da média, mas que dividiram o público, como foi o caso do polêmico A Árvore da Vida, de Terrence Malick, que acabou levando a Palma de Ouro em 2011.

No caso do novo trabalho do diretor dinamarquês Nicolas Winding Refn, Only God Forgives, resumidamente se tratou de um excesso de expectativas. O sucesso de Drive (prêmio de direção de Cannes 2011) comprovou que era possível realizar um filme de ação inteligente e com estilo, mas nem sempre o repeteco agrada. Assim como em Drive, temos um submundo do crime como cenário, personagens frios e cenas de violência extrema.

Na entrevista, Nicolas teria dado duas justificativas. A artística seria: “… grande arte — coisa horrível de se dizer — mas arte foi feita para dividir, porque senão não penetra, e se não penetra, você apenas a consome.” E a pessoal seria: “Não sou fã de filmes de pancadaria, mas estava passando por um período existencialista com a gravidez da minha mulher, que teve nossa segunda filha. Estava raivoso e agressivo sem explicação. Achei que era culpa de Deus. Como não conseguia canalizar esses sentimentos, fiz o filme”. Entretanto, a maioria da crítica presente em Cannes não ligou para a explicação do diretor. Um crítico do site Hollywood Elsewhere, por exemplo, soltou uma sentença mais cruel em relação ao filme: “…temos um diretor misericordioso que acha que qualquer coisa que ele caga vale o nosso tempo”.

Já na exibição do japonês Wara no Tate (Shield of Straw), digamos que foi um caso à parte, porque o diretor Takashi Miike já tem alguns parafusos soltos, o que o torna automaticamente uma incógnita em festivais. Seu maior sucesso foi um filme “para toda a família”: Itchi the Killer (2001), uma história de máfia japonesa que tem como centro um assassino psicótico reprimido que explora o sadomasoquismo. Obviamente sua escolha pelos organizadores do festival se apóia no nome do diretor e, quem sabe, causar certas controvérsias que possam destacar o evento nas mídias.

Wara no Tate, um dos únicos vaiados este ano em Cannes (photo by www.outnow.ch)

Wara no Tate, um dos únicos vaiados este ano em Cannes (photo by http://www.outnow.ch)

Contudo, o tiro saiu pela culatra. Wara no Tate acabou sendo vaiado por se assemelhar a um típico filme de ação hollywoodiano, gênero que sempre foi um pesadelo nessa roda de autores. “Eu acho que o cinema japonês perdeu a capacidade de fazer cenas espetaculares, então decidi me desafiar a fazer um filme de ação”, justificou Takashi Miike, que ainda foi duramente criticado por furos grotescos no roteiro policial. Apesar de não haver elementos do grotesco que costumam preencher seus filmes, este trabalho tem um mote inicial interessante, baseado no livro de Kazuhiro Kiuchi, no qual policiais têm a missão de transferir um assassino de uma menina para a prisão, mas sofrem pressão pela proposta financeira irrecusável do avô dela para matá-lo no trajeto.

Infelizmente, não tenho como opinar ainda sobre os filmes vaiados em questão, mas compartilho da perspectiva de Nicolas Winding Refn a respeito da unanimidade artística. Prefiro um cineasta que faça um filme ruim, mas que tentou realizar algo inovador, do que um bom filme que preencherá a massa da mesmice.

Infelizmente, os novos filmes de Asghar Farhadi, Le Passé (The Past), e de James Gray, The Immigrant, não agradaram a crítica. Enquanto o primeiro foi criticado pela repetição sem a mesma força da fórmula que deu certo em A Separação (vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro pelo Irã), o segundo apresentou um triângulo amoroso ingênuo que de certa forma desperdiça o talento do elenco formado por Joaquin Phoenix, Jeremy Renner e a musa Marion Cotillard.

Deixando as decepções de lado, a exibição de Behind the Candelabra foi um momento que pode entrar para a história, pois pode ser o último filme de Steven Soderbergh, pelo menos a ser lançado nos cinemas. Cansado de discutir com os grandes estúdios, que inclusive recusaram esse projeto por acharem “gay demais”, o diretor declarou sua aposentadoria precoce desse sistema hollywoodiano. “Se for meu último filme, saio orgulhoso do cinema”, revelou Soderbergh.

Michael Douglas literalmente brilha em Behind the Candelabra ao lado de Matt Damon. Chances no Oscar 2014?

Michael Douglas literalmente brilha em Behind the Candelabra ao lado de Matt Damon. Chances no Oscar 2014?

O filme que trata do caso de amor subversivo entre o pianista Lee Liberace e Scott Thorson, jovem 40 anos mais novo, foi bastante aplaudido pelo público, especialmente o nome de seu protagonista, Michael Douglas, o que lhe devolveu a auto-estima que perdeu ao longo dos anos e após a cura milagrosa do câncer na garganta que teve em 2012. “Vou agradecer eternamente a Steven (Soderbergh) e Matt (Damon)”, declarou um comovido Douglas. Com essas vitórias na tela e na vida pessoal, o ator pode ser lembrado pelo júri de Cannes e até ganhar um fôlego para o Oscar 2014.

Outro que já abre caminho para o prêmio da Academia é o diretor Alexander Payne, que retorna ao festival, pelo qual foi previamente indicado por As Confissões de Schmidt em 2002. Seu road movie intimista, Nebraska, que tem como personagem central um idoso que atravessa o país para exigir uma premiação de um milhão de dólares lembra o filme de David Lynch, A História Real (1999), no qual Richard Farnsworth atravessa os Estados Unidos de trator para reencontrar o irmão.

Bruce Dern e Will Forte em Nebraska, de Alexander Payne, um dos favoritos à Palma de Ouro (photo by www.outnow.ch)

Bruce Dern e Will Forte em Nebraska, de Alexander Payne, um dos favoritos à Palma de Ouro (photo by http://www.outnow.ch)

Payne, que já ganhou 2 Oscars de roteiro adaptado, tem ótima reputação também como diretor de atores. Em sua curta carreira, já foi responsável pelas indicações ao Oscar de Jack Nicholson e Kathy Bates (por As Confissões de Schmidt), Thomas Haden Church e Virginia Madsen (por Sideways – Entre Umas e Outras), e George Clooney (por Os Descendentes). Com Nebraska, ele resgata um ícone há muito sumido: o ator veterano Bruce Dern, considerado uma grande promessa dos anos 70 e 80 que não vingou. Antes mesmo do filme ser exibido em Cannes, Dern já contava com um burburinho forte para uma indicação ao Oscar 214, que seria a sua segunda depois de Melhor Ator Coadjuvante pelo drama Amargo Regresso (1978).

Já o concorrente francês com mais chances é um com cenas bem calientes e praticamente explícitas, o filme La Vie d’Adèle (Blue is the Warmest Color), de Abdellatif Kechiche, aborda um caso de amor entre duas garotas. Jocelyne (Adèle Exarchopoulos, que arrancou elogios da crítica por sua coragem e entrega ao papel) é uma adolescente de 15 anos que seguia sua heterossexualidade até o dia em que grudou os olhos numa garota de cabelos azuis chamada Emma (a bela Léa Seydoux). Através dessa paixão relâmpago, ela passa a amadurecer como como mulher e como pessoa adulta.

Comparado a Stanley Kubrick por seu perfeccionismo nos enquadramentos milimétricos e nos incontáveis takes das filmagens (exaurindo as forças do elenco e da equipe à procura do 100% ideal), o diretor tunisiano Abdellatif Kechiche conquistou alguns prêmios no Festival de Veneza com os aclamados O Segredo do Grão (2007) e Vênus Negra (2010). Desta vez, ele tenta a sorte em Cannes e tem grandes chances na categoria de atuação feminina.

Blue is the Warmest Color: talvez seja quente demais para um conservador como Spielberg

Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux em Blue is the Warmest Color: talvez seja quente demais para um conservador como Spielberg (photo by http://www.outnow.ch)

Correndo por fora, o novo filme do italiano Paolo Sorrentino pode surpreender. Em sua quinta indicação à Palma de Ouro (sendo a última em 2011 pelo drama Aqui é o Meu Lugar com um Sean Penn à la Robert Smith do The Cure), o diretor teve seu filme aplaudido três vezes, tornando-o um forte concorrente na disputa. Ousado, La Grande Bellezza tece críticas à elite italiana, seja nos campos político, religioso, econômico e intelectual através de personagens que refletem figuras reais e dos diálogos afiados, lembrando a coragem de Federico Fellini em seus filmes-devaneio.

Embora La Grande Bellezza tenha um excesso de narrativa e peripécias técnicas, na hora de eleger o vencedor, o histórico de Sorrentino no festival pode contar muito a favor. Em suas cinco participações, só levou o Prêmio do Júri por Il Divo em 2008, que também chegou a concorrer pelo Oscar de Melhor Maquiagem.

Cena de La Grande Bellezza, de Paolo Sorrentino (photo by www.outnow.ch)

Cena de La Grande Bellezza, de Paolo Sorrentino (photo by http://www.outnow.ch)

Ainda faltam alguns filmes de autores consagrados como La Vénus à la Fourrure, de Roman Polanski, e Only Lovers Left Alive, de Jim Jarmusch, serem exibidos para que a seleção dos vencedores possa chegar à decisão derradeira do júri, que ocorre neste domingo, dia 26.

Particularmente, acredito que Steven Spielberg vai manter sua pose de bom mocinho e escolher filmes mais comportados. E Nebraska, de Alexander Payne, tem um potencial enorme se levarmos em conta sua história de relação entre pai e filho no coração da América. Os irmãos Coen podem ser compensados pelo prêmio de ator para Oscar Isaacs (Inside Llewyn Davis), enquanto muitos duvidam que a atriz Adèle Exarchopoulos (La Vie d’Adèle (Blue is the Warmest Color)) possa ser reconhecida como interpretação feminina por Spielberg, o puritano. Vamos torcer para que sim…

Indicados à Palma de Ouro de Cannes 2013

Pôster do Festival de Cannes 2013, estrelado pelo casal hollywoodiano Paul Newman e Joanne Woodward

Pôster do Festival de Cannes 2013, estrelado pelo casal hollywoodiano Paul Newman e Joanne Woodward

Foi dada a largada do maior festival de cinema do mundo com o anúncio dos filmes indicados ao mais cobiçado prêmio: a Palma de Ouro. É importante destacar que o elo entre Cannes e o Oscar, outrora frio e distante, está numa crescente. Em 2011, o vencedor do prêmio de interpretação masculina, O Artista, acabou levando 5 Oscars incluindo Melhor Filme. Já neste ano,  além da produção franco-austríaca Amor, vencedora da Palma de Ouro, ter vencido o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, outros filmes que participaram das seleções de Cannes como Moonrise Kingdom e Indomável Sonhadora conquistaram indicações ao prêmio da Academia.

Essa ponte entre o Festival de Cannes, que ocorre em maio, e o Oscar, em fevereiro, tem sido benéfica para ambos. Enquanto os realizadores selecionados na França podem ambicionar vôos mais altos e comerciais com um possível reconhecimento nos EUA, o fato da lista de indicados ao Oscar terem esse “pedigree” de sucesso oriundo de Cannes eleva o patamar de qualidade da Academia, que já sofreu muitas críticas por valorizarem demais produções que se deram bem nas bilheterias sem levar muito em consideração a veia artística do filme.

O presidente do júri: Steven Spielberg (photo by goodfellasmovie.blogspot.com)

O presidente do júri: Steven Spielberg (photo by goodfellasmovie.blogspot.com)

Este ano, o presidente do júri de Cannes, Steven Spielberg, contará com uma seleção bem eclética que vai de nomes consagrados como os irmãos Coen e Roman Polanski (que já venceram a Palma de Ouro com Barton Fink – Delírios de Hollywood e O Pianista, respectivamente) até realizadores desconhecidos do cenário internacional como o espanhol Amat Escalante e italiana Valeria Bruni Tedeschi, atriz que já trabalhou com outro indicado este ano, o francês François Ozon, e o próprio Spielberg em Munique (2005).

Normalmente, os presidentes do júri evitam conceder a Palma às produções de seu país a fim de não criar polêmicas na divulgação dos premiados no encerramento, como o compatriota Quentin Tarantino já fez duas vezes. Em 2004, ele premiou o documentarista americano Michael Moore por Fahrenheit 11 de Setembro, e ficou marcado por ter dado explicações de sua escolha pela primeira vez na história do festival. Já em 2010, como presidente do Festival de Veneza, concedeu o Leão de Ouro à americana e ex-namorada Sofia Coppola por Um Lugar Qualquer. Ok, pode acontecer, afinal o sistema não é como futebol, no qual os árbitros não são do mesmo país ou estado dos times em campo, mas os reclamantes defendem que havia escolhas mais interessantes em competição.

Segue a lista dos indicados à Palma de Ouro, lembrando que no decorrer do evento, cerca de três filmes são inclusos na competição oficial:

Palma de Ouro

Palma de Ouro

PALMA DE OURO

O Grande Gatsby (The Great Gatsby), de Baz Luhrmann (FILME DE ABERTURA)

Un Château en Italie, de Valeria Bruni-Tedeschi
Inside Llewyn Davis, de Ethan Coen e Joel Coen
Michael Kohlhaas, de Arnaud del Pallières
Jimmy P. (Psychotherapy of Plains Indian), de Arnaud Desplechin
Heli, de Amat Escalante
Le Passé (The Past), de Asghar Farhadi
The Immigrant, de James Gray
Grigris, de Mahamat-Saleh Haroun
Tian Zhu Ding (A Touch of Sin), de Jia Zhanke
Soshite Chichi ni Naru (Like Father, Like Son), de Kore-eda Hirokazu
La Vie d’Adèle (Blue is the Warmest Color), de Abdellatif Kechiche
Wara no Tate (Shield of Straw), de Takashi Miike
Jeune et Jolie (Young and Beautiful), de François Ozon
Nebraska, de Alexander Payne
La Vénus à la Fourrure, de Roman Polanski
Behind the Candelabra, de Steven Soderbergh
La Grande Bellezza (The Great Beauty), de Paolo Sorrentino
Borgman, de Alex van Warmerdam
Only God Forgives, de Nicolas Winding Refn

Zulu, de Jérôme Salle (FILME DE ENCERRAMENTO)

Independente dos vencedores, já vale conferir novos trabalhos de diretores de visão singular como os japoneses Takashi Miike e Kore-eda Hirokazu, o chinês Jia Zhang Ke (que sabe retratar como ninguém as transformações da China na globalização), o dinamarquês Nicolas Winding Refn, que ganhou o prêmio de direção com Drive, e o italiano Paolo Sorrentino, que está em ascensão.

Particularmente, fiquei feliz com a indicação de Alexander Payne por Nebraska. O diretor é um dos poucos americanos que sabem conciliar sua veia comercial ao lado de estrelas como George Clooney e Jack Nicholson com uma perspectiva bastante humana. Para este novo projeto Nebraska, havia rumores de que o ator Robert Duvall assumiria o papel de protagonista aos 82 anos, mas outro veterano conquistou o papel principal: Bruce Dern, 76, pai da atriz Laura Dern. Ele foi considerado uma das grandes promessas no campo da atuação na década de 70, chegando a ser indicado ao Oscar de coadjuvante por Amargo Regresso, mas não vingou em Hollywood.

Claro que não tem como não mencionar o novo filme de Steven Soderbergh, afinal, o diretor tem sérios planos de parar de fazer filmes para lançamento em salas de cinema, muito em razão da covardia dos grandes estúdios de Hollywood. Numa entrevista, Soderbergh revelou que o filme foi planejado para lançamento em cinema, mas acabou indo para o ar pelo canal HBO porque os estúdios alegaram que a história era “muito gay”. “Ninguém queria fazer. Fomos atrás de todo mundo na cidade. Todos disseram que era muito gay. E isso veio depois de O Segredo de Brokeback Mountain(!), que nem é engraçado como esse filme. Fiquei chocado. Não fez nenhum sentido para nós.” Behind the Candelabra conta o caso de amor verídico entre o músico Liberace (Michael Douglas) e o bem mais jovem Scott (Matt Damon).

Michael Douglas e Matt Damon já caracterizados em Behind the Candelabra, de Steven Soderbergh: "Gay demais"? (photo by www.cine.gr)

Michael Douglas e Matt Damon já caracterizados em Behind the Candelabra, de Steven Soderbergh: “Gay demais”? (photo by http://www.cine.gr)

Além dessa polêmica, com a indicação de Behind the Candelabra, o Festival de Cannes garante a presença de estrelas hollywoodianas no tapete vermelho. Além dos já citados Michael Douglas e Matt Damon, a veterana Debbie Reynolds (do musical Cantando na Chuva), Dan Aykroyd e Rob Lowe podem comparecer ao evento. Já Leonardo DiCaprio, Tobey Maguire e Carey Mulligan devem marcar presença pela nova adaptação de O Grande Gatsby, de Baz Luhrmann, ainda mais que o filme abrirá o festival. Mulligan ainda compete pelo novo filme dos irmãos Coen, Inside Llewyn Davis, que conta também com Justin Timberlake e John Goodman. E ainda estão convidados Ryan Gosling e Kristin Scott Thomas pelo novo filme de Nicolas Winding Refn, Only God Forgives, que aborda uma vingança no submundo do crime em Bangkok.

Carey Mulligan e Justin Timberlake em Inside Llewyn Davis

Carey Mulligan e Justin Timberlake em Inside Llewyn Davis (photo by http://www.elfilm.com)

Apesar de contar também com a presença das estrelas Joaquin Phoenix, Jeremy Renner e Marion Cotillard, vale a pena ficar atento ao novo filme James Gray, The Immigrant (Lowlife). Embora seja relativamente jovem, o diretor tem chamado atenção por seu trabalho com o elenco, tendo valorizado o potencial de Joaquin Phoenix através dos filmes Os Donos da Noite (2007) e Amantes (2008). Talvez um dos prêmios de atuação saia deste filme.

Joaquin Phoenix e Marion Cotillard em The Immigrant, de James Gray (photo by www.elfilm.com

Joaquin Phoenix e Marion Cotillard em The Immigrant, de James Gray (photo by http://www.elfilm.com

E pra fechar, a indicação de Le Passé (The Past) possibilita o público de conferir o primeiro filme do iraniano Asghar Farhadi depois do sucesso de A Separação (vencedor do Urso de Ouro e o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro) numa produção em língua francesa, dirigindo a atriz Bérènice Bejo (de O Artista).

Bérènice Bejo em Le Passé (The Past), do iraniano Asghar Farhadi (photo by www.cineimage.ch)

Bérènice Bejo em Le Passé (The Past), do iraniano Asghar Farhadi (photo by http://www.cineimage.ch)

O Festival de Cannes também oferece outras seleções, sendo a mais instigante a Mostra Un Certain Regard, que visa buscar um olhar inovador que reflita os problemas dos tempos atuais. Em 2012, o mexicano Depois de Lúcia se sagrou vencedor dessa competição ao questionar a eficiência do sistema educacional (confira post sobre o filme em https://cinemaoscareafins.wordpress.com/2013/03/24/depois-de-lucia-despues-de-lucia-de-michel-franco-2012/).

Seleção Un Certain Regard

Seleção Un Certain Regard

UN CERTAIN REGARD (Um Certo Olhar):

The Bling Ring, de Sofia Coppola
Omar, de Hany Abu-Assad
Death March, de Adolfo Alix Jr.
Fruitvale, de Ryan Coogler
Les Salauds, de Claire Denis
Norte, Hangganan Ng Kasaysayan (Norte, the End of History), de Lav Diaz
As I Lay Dying, de James Franco
Miele, de Valeria Golino
L’Inconnu du Lac, de Alain Guiraudie
Bends, de Flora Lau
L’Image Manquante, de Rithy Panh
La Jaula de Oro, de Diego Quemada-Diez
Sarah Préfère la Course (Sarah Would Rather Run), de Chloé Robichaud
Grand Central, de Rebecca Zlotowski

FORA DE COMPETIÇÃO

All is Lost, de J.C. Chandor
Blood Ties, de Guillaume Canet

Resumidamente, vale destacar a forte presença de Sofia Coppola com o filme pop The Bling Ring, sobre uma gangue real de jovens de classe média alta roubando casas de celebridades em Beverly Hills. Coppola apostou suas fichas na jovem Emma Watson, da extinta cinessérie Harry Potter, que comprova que cresceu uma bela atriz.

Emma Watson (à dir.) em cena de The Bling Ring (photo by OutNow.CH)

Emma Watson (à dir.) em cena de The Bling Ring (photo by OutNow.CH)

Os atores James Franco e Valeria Golino foram selecionados por trabalhos na direção, denotando uma forte tendência de novos diretores oriundos da escola de atuação tendo como forte referência Ben Affleck (vencedor do Oscar de Melhor Filme por Argo).

E Fruitvale, de Ryan Coogler, que já ganhou o Grande Prêmio do Jury – Dramático no Festival de Sundance, volta a concorrer por outro importante reconhecimento em Cannes, podendo seguir os mesmos passos de Indomável Sonhadora, de Benh Zeitlin.

O Festival de Cannes 2013 tem início no dia 15 de maio e vai até o dia 26, quando serão divulgados os vencedores desta edição.

Um breve balanço do Oscar 2013

Atores oscarizados: Daniel Day-Lewis, Jennifer Lawrence, Anne Hathaway e Christoph Waltz

Atores oscarizados: Daniel Day-Lewis, Jennifer Lawrence, Anne Hathaway e Christoph Waltz

Passado o Oscar, vale a pena dar uma olhada nos vencedores da principais categorias e fazer algumas projeções. No geral, a premiação desse ano foi bastante democrática, tanto que o filme com mais Oscars foi a produção As Aventuras de Pi, tanto que sequer levou Melhor Filme. Provavelmente se Ben Affleck tivesse sido indicado como Diretor, Argo seria também o recordista da noite com 4 Oscars. O grande perdedor da noite acabou sendo o drama histórico Lincoln que, apesar de ter levado dois prêmios (Ator e Direção de Arte), perdeu em outras 10 categorias.

Excetuando Anne Hathaway, havia ressalvas para as vitórias de todos os outros três atores premiados. Daniel Day-Lewis seria o primeiro ator a receber 3 Oscars de Melhor Ator? Jennifer Lawrence não seria jovem demais para bater a veterana Emmanuelle Riva? Christoph Waltz ganharia seu segundo Oscar no intervalo de três anos?

Já nas categorias de Roteiro, o iniciante Chris Terrio bateu veteranos ao explorar um fato verídico em que Hollywood salvou vidas no Irã, enquanto Tarantino recebe seu segundo Oscar mesmo após controvérsias politicamente corretas. O que muda depois do Oscar? A temida maldição do Oscar pode voltar a atacar?

FUTURO DOS ATORES

Daniel Day-Lewis em seus três auges no Oscar: 1990, 2008 e 2013 (photo by nydailynews.com)

Daniel Day-Lewis em seus três auges no Oscar: 1990 (Meu Pé Esquerdo), 2013 (Lincoln)e 2008 (Sangue Negro) (photo by nydailynews.com)

Daniel Day-Lewis (Lincoln)

O que dizer do primeiro a ganhar três vezes o Oscar de Melhor Ator? O britânico Daniel Day-Lewis quebrou um recorde que atores consagrados como Sean Penn, Jack Nicholson e Tom Hanks vêm tentando há décadas. O que Day-Lewis tem que os outros não têm? Há duas grandes diferenças: 1. Escolha do projeto. Infelizmente, nem todo ator tem o privilégio de escolher apenas bons papéis em filmes menores, afinal, precisam do cachê para pagar as contas. Grandes atores já sucumbiram ao poder do dinheiro. Quem não se lembra de Marlon Brando naquele horrível A Ilha do Dr. Moreau (1996), ou mesmo aquele fato marcante do maior cachê da época por sua atuação de 10 minutos em Superman – O Filme (1978)? E como explicar Michael Caine em Tubarão 4 – A Vingança (1987)? Na filmografia de Daniel Day-Lewis, temos apenas 19 participações em filmes, um número pequeno para uma carreira que começou no início dos anos 80, mas não há uma bomba sequer a ser explorada pelos tablóides. Alguns até criticam esse exagero de seriedade na escolha de seus papéis, porque gostariam de vê-lo numa comédia ou num filme de terror, já outros buscam apenas algum defeito na figura imponente do ator.

2. Preparação e Método. Esse processo bastante exaustivo ganhou tanta fama nos bastidores que virou até piada para Seth MacFarlane no último Oscar. “E se você (ao interpretar Lincoln) visse um celular? Surtaria?”. Por isso que Daniel Day-Lewis se obriga a escolher bem seus projetos seguintes, pois ele exige demais de si mesmo numa extensa pesquisa sobre os costumes da época em que se passa o filme. Além disso, o ator reúne toda a informação para poder realmente vivenciar a experiência durante a filmagem. Dizem que enquanto filmava Gangues de Nova York, ele raramente saía do personagem Bill The Butcher e falava com sotaque nova-iorquino o dia todo, além de afiar as facas do personagem durante o almoço. Já em Lincoln, cientes dessa fama, todos no set o chamavam de “Mr. President”, inclusive o diretor Steven Spielberg, que pela primeira vez abdicou do tradicional boné para trajar terno do século XIX no set para manter o clima. Aliás, seu esforço valeu a pena. O 3º Oscar de Day-Lewis foi o primeiro de um ator sob a direção de Spielberg.

Independente dos meios, Daniel Day-Lewis consegue criar performances notáveis. Essa quebra de recorde da Academia não veio por acaso. Claro que o número de Oscars conquistados não necessariamente significa que ele é o melhor ator de todos os tempos, afinal existem profissionais renomados que nunca ganharam como Richard Burton, Cary Grant e Montogomery Clift, ou os que venceram uma vez como o grande Laurence Olivier.

Daniel Day-Lewis não tem nenhum projeto engatilhado. Ele deve repousar para abandonar a personagem, mas não deve ser fácil depois dessa declaração: “I never, ever felt that depth of love for another human being that I never met. And that’s, I think, probably the effect that Lincoln has on most people that take the time to discover him… I wish he had stayed [with me] forever. (Eu nunca na vida senti tamanha profundidade de amor por outro ser humano que nunca conheci. E isso, acredito que provavelmente seja o efeito que Lincoln causava na maioria das pessoas que levaram tempo para descobri-lo… Gostaria que ele continuasse [comigo] para sempre”.

Jean Dujardin ajuda Jennifer Lawrence com o vestido que lhe causou um tombo na escada para o palco do Oscar (photo by justjared.com)

Jean Dujardin ajuda Jennifer Lawrence com o vestido que lhe causou um tombo na escada para o palco do Oscar (photo by justjared.com)

Jennifer Lawrence (O Lado Bom da Vida)

A pergunta que vem logo em seguida é: “Não seria cedo demais um Oscar para Jennifer Lawrence?” Não tanto pela idade (22 anos), afinal existem atores que começaram na infância, mas pela inexperiência. Seu primeiro papel num filme, Garden Party, foi lançado em 2008, quando ela tinha 18; são 4 anos de cinema e 1 Oscar. Nada mal.

Alguns cinéfilos também manifestaram protesto referente à sua vitória nas redes sociais, alegando que a francesa Emmanuelle Riva (86 anos) não deve ter outra chance de vencer o Oscar, enquanto Lawrence ainda teria muitas décadas a frente para conseguir o prêmio. Se analisarmos sob esse aspecto, realmente

Como muitos sabem, alguns atores mirins e jovens demais tomaram caminhos errados depois do sucesso invadir suas vidas (como nos infelizes casos de Macaulay Culkin e Edward Furlong). Felizmente, Lawrence parece ter o mesmo código genético de Jodie Foster, com quem trabalhou em Um Novo Despertar (2011), tornando-a uma jovem atriz prodígio focada em seus objetivos.

Sua grande sacada até o momento tem sido alternar projetos grandes como Jogos Vorazes com filmes independentes como Inverno da Alma e este O Lado Bom da Vida, criando uma diversidade de papéis num equilíbrio perfeito entre trabalho e diversão. Outro ator que abusa desse equilíbrio é o alemão Michael Fassbender, que fez o profundo Shame e o blockbuster Prometheus, mas atuando com a devida seriedade.

Se a atriz mantiver essa boa frequência, deve crescer bastante nos próximos anos. Jennifer Lawrence tem Serena, Jogos Vorazes: Em Chamas e um projeto sem título com o diretor David O. Russell a serem lançados este ano. Para 2014, ela já assinou contrato para reviver a mutante Mística na sequência X-Men: Dias de um Futuro Esquecido.

Christoph Waltz com seu segundo Oscar sob direção de Quentin Tarantino (photo by zimbio.com)

Christoph Waltz com seu segundo Oscar sob direção de Quentin Tarantino (photo by zimbio.com)

Christoph Waltz (Django Livre)

Esta descoberta austríaca feita por Quentin Tarantino recebeu seu segundo Oscar de coadjuvante e se junta aos atores Dianne Wiest e Jack Nicholson, que receberam dois Oscars sob o comando do mesmo diretor: Woody Allen e James L. Brooks, respectivamente. Particularmente, não acreditava que ele venceria por seu papel apresentar semelhanças com o Coronel Hans Landa de Bastardos Inglórios (o personagem Dr. Schultz seria a versão do bem), e principalmente por ter ganhado o mesmo Oscar de coadjuvante no curtíssimo período de 3 anos. Contudo, fico feliz que Waltz tenha vencido. Era a melhor atuação entre os concorrentes.

Seu personagem Dr. King Schultz, que anda numa carroça com um dente atado a uma mola, tem os diálogos mais bem humorados que, com a desenvoltura do ator, cresce absurdamente na tela. Waltz atua com uma naturalidade que impressiona e suas falas parecem cantadas como uma música. Infelizmente, a Academia não indicou Samuel L. Jackson pelo mesmo filme, porque poderia haver uma disputa mais acirrada ainda.

Depois que trabalhou com Tarantino pela primeira vez, Christoph topou participar de três filmes de cachê alto: Besouro Verde, Os Três Mosqueteiros e Água Para Elefantes, todos lançados em 2011, mas também estava em Deus da Carnificina sob a direção do brilhante Roman Polanski, que gerou um interessante embate entre atores como Jodie Foster e Kate Winslet. Como tarefa de casa para os próximos anos, ele deverá provar ao mundo que consegue atuações do mesmo nível ao colaborar com outros profissionais além de Quentin Tarantino, que escreve papéis sob medida para o ator.

Christoph Waltz empresta sua voz para a animação Epic, de Chris Wedge, e seu talento no drama The Zero Theorem, de Terry Gilliam para 2013. E preparem-se que Waltz interpretará o político russo Mikhail Gorbachev, contracenando com Michael Douglas como Ronald Reagan em Reykjavik, provável lançamento para 2014.

Anne Hathaway ostenta seu Oscar (photo by movies.yahoo.com)

Anne Hathaway ostenta seu Oscar (photo by movies.yahoo.com)

Anne Hathaway (Os Miseráveis)

Num ano considerado fraco entre as atrizes coadjuvantes, a vitória de Anne Hathaway já estava prevista logo no começo de janeiro, quando ganhou o Globo de Ouro. A receita pode ser resumida em: a) Emagrecer mais de 10 quilos para o papel; b) Ter seu cabelo cortado em cena; c) Monólogo cantado dramaticamente em close-ups. Sua breve atuação como Fantine no musical Os Miseráveis poderia ter durado mais, pois oferece um respiro ao público que se cansa de cantorias que soam banais nos 160 minutos do filme.

Hathaway, que passou a chamar atenção através do filme da Disney, O Diário de uma Princesa (2001), teve uma virada na carreira a partir de 2005. Apesar de ter atuado num papel menor no drama O Segredo de Brokeback Mountain, ela conseguiu provar que tinha potencial a ser explorado, e logo no ano seguinte, ela estrelou o sucesso mundial O Diabo Veste Prada. Claro que ficou meio de canto por causa do brilho de Meryl Streep como a chefe Miranda Priestly, mas já deixava de ser uma aspirante a estrela de Hollywood. Seu talento foi finalmente reconhecido pela Academia em 2009, quando fora indicada pelo drama O Casamento de Rachel. O diretor Jonathan Demme conseguiu forte comprometimento da atriz, que pesquisou clínicas de reabilitação pra viver sua personagem Kym.

Para interpretar Fantine, Anne bateu inúmeras candidatas como Amy Adams, Jessica Biel, Kate Winslet e Marion Cotillard, ajudada pelo protagonista Hugh Jackman com quem cantou no monólogo do Oscar 2009 a sátira ao filme Frost/Nixon. O burburinho de uma possível premiação no Oscar começou quando espalharam a notícia de que logo em seu primeiro teste, ela já havia deixado todos aos prantos ao cantar “I Dreamed a Dream”. À princípio, ela não tem o perfil de quem será vítima da maldição do Oscar, contanto que saiba escolher bem seus próximos projetos.

Anne Hathaway atualmente está dublando novamente a voz de sua personagem Jewel na sequência da animação Rio 2 (2014), mas terá um filme lançado este ano: a comédia Don Jon’s Addiction, dirigida pelo ator Joseph Gordon-Levitt.

O ÚNICO DIRETOR ASIÁTICO AGORA COM 2 OSCARS  E UM SANDUÍCHE

Já tentou comer um lanche com uma mão? Ang Lee consegue essa proeza sem se desgrudar do seu Oscar (photo by inquisitr.com)

Já tentou comer um lanche com uma mão? Ang Lee consegue essa proeza sem se desgrudar do seu Oscar (photo by inquisitr.com)

Ang Lee (As Aventuras de Pi)

Apesar de ter uma boa filmografia de Taiwan como Banquete de Casamento (1993), Ang Lee passou a trabalhar nos EUA a partir da adaptação de Jane Austen, Razão e Sensibilidade (1995), com o qual venceu o Globo de Ouro de Melhor Filme – Drama, o Urso de Ouro em Berlim e o National Board of Review. Com isso, dirigiu mais duas produções americanas: Tempestade de Gelo (1997) e Cavalgada com o Diabo (1999), mas preferiu voltar à sua terra natal para filmar O Tigre e o Dragão (2000), que lhe rendeu sua primeira indicação ao Oscar de direção e ainda levou o prêmio de Melhor Filme Estrangeiro. Resultado: foi convidado a dirigir a adaptação da HQ do personagem verde da Marvel Comics.

Como Hulk (2003) foi considerado um fracasso principalmente pelo roteiro, Ang Lee pensou em se aposentar por acreditar que não tinha mais nada a acrescentar como artista. Ledo engano. Dois anos depois, quem diria que ele reencontraria o bom cinema numa história de homossexualismo no cenário americano de O Segredo de Brokeback Mountain? Primeiro Oscar de direção para um asiático. Mas desta vez, ele não caiu na mesma armadilha e logo retornou a Taiwan, onde filmou o drama de espionagem Desejo e Perigo, que venceu o Leão de Ouro em Veneza.

Quando o projeto de adaptar o romance Life of Pi, de Yann Martel foi considerado “infilmável” pelas recusas dos diretores M. Night Shyamalan, Jean-Pierre Jeunet e Alfonso Cuarón, o nome de Ang Lee surgiu por se tratar de um diretor que gosta de desafios. Trabalhando diretamente com efeitos de computação gráfica, as filmagens de As Aventuras de Pi se passaram muito em estúdios com green screen. O filme prima pelo aspecto técnico, que envolve desde os efeitos até a fotografia de Claudio Miranda, rendendo muitos elogios da crítica e finalizando com 11 indicações ao Oscar.

Com o deslize da Academia em ignorar Ben Affleck e Kathryn Bigelow na categoria de direção, Ang Lee acabou sendo o grande beneficiado, batendo o favoritismo de Steven Spielberg. O diretor que tem em seu currículo: 2 Globos de Ouro, 2 Ursos de Ouro (Festival de Berlim), 2 Leões de Ouro (Festival de Veneza) e agora, 2 Oscars. Fica faltando apenas a Palma de Ouro de Cannes entre os principais prêmios do cinema internacional.

Por enquanto, Ang Lee não está anexado a nenhum projeto, mas eu sugeriria um filme de terror ou filme de prisão que ainda faltam em sua carreira eclética.

ARGO FUCK YOURSELF!

Os produtores galãs de Argo (da esquerda para a direita): George Clooney (finjam que não conheçam), Ben Affeck e Grant Heslov (photo thefilmspy.tumblr.com)

Os produtores galãs de Argo (da esquerda para a direita): George Clooney (finjam que não conheçam), Ben Affeck e Grant Heslov (photo thefilmspy.tumblr.com)

George Clooney, Ben Affleck e Grant Heslov (Argo)

Depois de ser esnobado na categoria de direção, eu tinha certeza de que a Academia o compensaria com o prêmio de Melhor Filme, justamente por Ben Affleck também ter crédito como produtor ao lado de George Clooney e Grant Heslov. Nesse Oscar 2013, o nome mais comentado foi o de Ben Affleck. Como ignorar o diretor do filme mais premiado do ano? Ele também havia vencido o DGA (Directors Guild of America), que é o melhor parâmetro para o Oscar, com apenas sete divergências de vencedores. Mas já era tarde: Ben Affleck ficou de fora da disputa de direção, que ficou com Ang Lee.

Além de premiar o diretor de outra maneira, a Academia também reconhece a reviravolta vitoriosa dele. De roteirista premiado com o Oscar por Gênio Indomável em 1998 para ator-protagonista de filmes pouco expressivos nos anos seguintes até a consagração como diretor a partir do bom drama Medo da Verdade (2007). Apesar de ter desapontado como intérprete, Affleck estava aprendendo o ofício com diretores renomados como John Frankenheimer, Gus Van Sant e Kevin Smith. Recentemente, ele continuou sua aprendizado ao atuar sob o comando do veterano Terrence Malick em To the Wonder, que deve ser lançado este ano depois de passar em Veneza. Também atua no drama Runner, Runner, mas até o momento, sem projetos como diretor.

Quanto à dupla George Clooney e Grant Heslov, que começou a parceria de sucesso em 2005 com Boa Noite e Boa Sorte, está se especializando em projetos de cunho político. Em 2011, produziram Tudo Pelo Poder, sobre os bastidores de uma campanha política para presidente dos EUA, e agora com Argo, sobre o resgate de diplomatas políticos no Irã. George Clooney ainda atua este ano na ficção científica Gravidade e em seu drama sob sua direção, The Monuments Men. Ambos também produzem August: Osage County, que conta com Meryl Streep, Julia Roberts, Chris Cooper, Abigail Breslin e Benedict Cumberbatch.

INICIANTES E VETERANOS

Chris Terrio (Argo)

A vida de roteiristas já é mais complicada. Às vezes, um roteiro pode demorar mais de três anos por causa de pesquisas. O iniciante Chris Terrio acertou em cheio na escolha do projeto Argo, baseado num artigo da revista Wired. Ele pode não ter a mesma sorte no próximo roteiro, mas já demonstrou que pode transformar boas histórias em idéias que funcionam no universo mais visual do cinema. Numa das brigas mais acirradas da noite, Chris Terrio saiu vitorioso entre David O. Russell (O Lado Bom da Vida) e o dramaturgo Tony Kushner (Lincoln).

Chris Terrio segurando seu bebê (photo by theurbandaily.com)

Chris Terrio segurando seu bebê (photo by theurbandaily.com)

Quentin Tarantino (Django Livre)

Conhecido por seus personagens incomuns e diálogos brilhantes, Quentin Tarantino sai fortalecido com seu segundo Oscar por Django Livre, superando ainda uma controvérsia boba originada pelo diretor Spike Lee, que criticou o uso do termo “nigger” (crioulo). O cinema americano deve muito à criatividade de Tarantino, especialmente na reciclagem que faz do mundo da cultura pop. Django Livre poderia ser um ótimo final para a segunda fase de sua carreira, que começou com os dois volumes de Kill Bill, passando por À Prova de Morte (2007) e Bastardos Inglórios (2009), que exalta o intenso elemento da vingança. Mas talvez ele retorne desnecessariamente ao universo da Noiva (Beatrix Kiddo) em Kill Bill: Vol. 3. Não sei se trata de uma pressão do produtor ou do estúdio, mas acredito que não haja nada a acrescentar à história de vingança contra Bill. Mas como já queimei a língua ao ter o mesmo argumento quando retomaram Toy Story 3 onze anos depois de Toy Story 2, podemos esperar tudo de Tarantino…

Quentin Tarantino com seu segundo Oscar. O primeiro foi em 1995 por Pulp Fiction - Tempo de Violência (photo by womanandhome.com)

Quentin Tarantino com seu segundo Oscar. O primeiro foi em 1995 por Pulp Fiction – Tempo de Violência (photo by womanandhome.com)

MALDIÇÃO DUPLA

Adele (007 – Operação Skyfall)

Tenho uma teoria de que compôr a canção-tema de um filme da série de James Bond não é um bom negócio. Afinal, todos os cantores e bandas que contribuíram para os filmes acabaram no limbo, exceto os já consagrados Paul McCartney e Madonna.

Veja alguns exemplos de artistas que decaíram depois de 007: Carly Simon, Sheena Easton, Duran Duran, A-Ha, Tina Turner, Sheryl Crow, Garbage, Chris Cornell e apesar de ainda ser um pouco cedo pra declarar o limbo: Alicia Keys e Jack White, responsáveis pelo penúltimo filme 007 – Quantum of Solace.

Do outro lado, existe sempre a temerosa maldição do Oscar. Existem alguns vencedores que nunca mais fizeram nada de relevante, provavelmente por acreditarem que atingiram o ápice com o prêmio da Academia. Ainda na categoria de Canção Original, temos alguns nomes mais recentes que não vingaram mais depois do Oscar: Jorge Drexler, Annie Lennox, Eminem e Phil Collins.

Como a cantora Adele venceu finalmente o primeiro Oscar por uma canção de James Bond, a questão que fica é: uma maldição anularia a outra? Espero que resulte numa mistura positiva.

Adele foi a primeira a vencer um Oscar com uma canção-tema de James Bond (photo by gloss.abril.com.br)

Adele foi a primeira a vencer um Oscar com uma canção-tema de James Bond (photo by gloss.abril.com.br)

Apostas para o Oscar 2013

Pôster oficial do Oscar 2013 no tradicional preto e dourado (art by oscars.org)

Pôster oficial do Oscar 2013 no tradicional preto e dourado (art by oscars.org)

O Oscar 2013 pode entrar para a História. Como todos sabem, o mais importante prêmio da indústria cinematográfica tem sido cada vez mais tachado de previsível. Criado no final dos anos 20, o Oscar foi o primeiro a reconhecer talentos da Sétima Arte, criando uma competição saudável como pretexto para atrair mais público e novos artistas. No entanto, novos prêmios foram criados na década de 40 como o Globo de Ouro, concedido pela Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood, e o BAFTA, outorgado pela Academia Britânica de Filmes e TV, acabando com o reinado supremo do Oscar.

Cientes da importância da estatueta da Academia, os prêmios criados posteriormente foram praticamente obrigados a divulgarem seus resultados antes, pois corriam sério risco de ficarem obsoletos. No cenário atual, como existem incontáveis prêmios e todos se apertam no calendário entre os meses de janeiro e fevereiro, quando chega a vez do Oscar, os vencedores já se tornaram previsíveis. Esse panorama claramente prejudicava o interesse do público em relação ao Oscar, fazendo com que os organizadores da Academia resolvessem adotar uma nova estratégia a partir deste ano.

Primeiramente, adeus aos votos impressos em papel. Além de ser ecologicamente melhor aceito e eliminar custos de envio, a votação por meio da internet possibilitaria adiantar a cerimônia do Oscar para mais cedo. Seguindo essa estratégia, conseguiram adiantar em três dias o anúncio dos indicações em relação à entrega dos Globos de Ouro, que era visto como parâmetro na escolha dos indicados. Se formos pensar em surpresa como objetivo, pode-se afirmar que o plano da Academia funcionou, pois além do vencedor do Globo de Ouro de direção Ben Affleck sequer ter sido indicado, apenas 14 dos 20 atores nomeados do SAG Awards (Screen Actors Guild) e apenas 2 dos 5 indicados ao DGA Awards (Directors Guild) passaram para a lista final do Oscar, contrariando as médias de 18 e 4 respectivamente.

Está vendo esses felizes funcionários? Estão todos no olho da rua (photo by npr.org)

Está vendo esses felizes funcionários? Estão todos no olho da rua (photo by npr.org)

Por outro lado, a ausência de alguns nomes consagrados de 2012 causaram enorme estardalhaço na mídia e entre cinéfilos revoltados ao redor do mundo. No topo, o fato de Ben Affleck ter ficado de fora da competição de diretores foi considerado um erro gritante. Alguns especialistas tentaram justificar sua exclusão por considerarem Affleck ainda muito imaturo para o cargo (Argo é seu terceiro filme na direção), já outros mais radicais acreditam que a ala conservadora da Academia estaria aplicando um castigo por erros passados como ator, especialmente em 2003 pelos fracassos de Demolidor – O Homem Sem Medo e Conduta de Risco. Por mais que a primeira dedução seja a mais plausível, o que dizer então da indicação do estreante Benh Zeitlin, de Indomável Sonhadora? Incoerência?

Ben Affleck dirigindo cena de Argo (photo by BeyondHollywood.com)

Ben Affleck dirigindo cena de Argo (photo by BeyondHollywood.com)

A categoria de direção foi o grande alvo de controvérsias. Havia três diretores praticamente garantidos na corrida: Kathryn Bigelow (A Hora Mais Escura), Tom Hooper (Os Miseráveis) e Affleck por terem sido indicados ao DGA (Directors Guild of America, o melhor parâmetro do Oscar, com apenas seis divergências de vencedor desde 1949), mas foram ignorados e substituídos por nomes menos comentados e premiados: David O. Russell (O Lado Bom da Vida), Michael Haneke (Amor) e Benh Zeitlin (Indomável Sonhadora). Assim como Ben Affleck, seu filme Argo também conquistou inúmeros prêmios da temporada, inclusive o PGA (Producers Guild of America), mas com a exclusão de seu diretor, as chances de vitória como Melhor Filme reduziram drasticamente, uma vez que a última produção a vencer o Oscar sem ter seu diretor indicado foi há 23 anos, quando Conduzindo Miss Daisy ganhou.

Nesse cenário polêmico, estariam os organizadores da Academia satisfeitos ou completamente arrependidos? Se realmente buscavam agitar os resultados e se desprenderem dos demais prêmios, a estratégia funcionou tão bem que pode se repetir nos anos seguintes, especialmente se esse burburinho refletir na audiência da cerimônia na TV, no dia 24 de fevereiro.

Particularmente, acredito que parte dos votantes da Academia vão tentar compensar essa mancada e eleger Argo como Melhor Filme, ainda mais que Ben Affleck receberia seu Oscar, mas como produtor do longa ao lado de George Clooney e Grant Heslov. Mas para isso acontecer, o filme precisa ganhar pelo menos mais dois prêmios, pois o último Melhor Filme com dois Oscars foi O Maior Espetáculo da Terra, de 1952. Montagem e Roteiro Adaptado são as melhores possibilidades para Argo.

Depois de se encantar com a história do rei britânico gago de O Discurso do Rei e de um ator fadado ao fracasso da era muda de Hollywood em O Artista, o Oscar volta a centrar suas atenções às sagas políticas americanas. Liderando com 12 indicações, o drama histórico sobre o presidente que aboliu a escravidão de Lincoln, junta-se ao resgate dos diplomatas americanos no Irã em 1980 de Argo e a busca por vingança pelos ataques terroristas do 11 de setembro de A Hora Mais Escura. Tematicamente, temos ligeira vantagem para Argo por mostrar Hollywood salvando vidas.

A Hora Mais Escura retrata a incansável caça ao líder terrorista Bin Laden (photo by BeyondHollywood.com)

A Hora Mais Escura retrata a incansável caça ao líder terrorista Bin Laden (photo by BeyondHollywood.com)

Além do aspecto da votação eletrônica inédita e da mudança de calendário, este Oscar 2013 apresenta dois novos recordes curiosamente na mesma categoria: Melhor Atriz. Enquanto a francesa Emmanuelle Riva (Amor) se torna a mais velha indicada aos 85 anos, a americana estreante Quvenzhané Wallis (Indomável Sonhadora) se torna a mais jovem aos 9.

Vale ressaltar a força do lobby da distribuidora Weinstein Company. Seu fundador, Harvey Weinstein, que já liderou a Miramax, foi responsável por vitórias recentes do Oscar de Melhor Filme: Chicago (2002), Onde os Fracos Não Têm Vez (2007), O Discurso do Rei (2010) e O Artista (2011), sem contar com o escandaloso ano em que Shakespeare Apaixonado bateu o favorito O Resgate do Soldado Ryan, e Roberto Benigni levou Melhor Ator por A Vida é Bela.

O produtor Thomas Langmann beija Harvey Weinstein por ter feito impecável lobby na vitória de O Artista no Oscar: Filme, Diretor, Ator, Trilha Musical Original e Figurino (photo by Getty Images in http://blogs.forward.com/the-shmooze/152519/weinstein-awarded-french-legion-of-honor/)

O produtor Thomas Langmann beija Harvey Weinstein por ter feito impecável lobby na vitória de O Artista no Oscar: Filme, Diretor, Ator, Trilha Musical Original e Figurino (photo by Getty Images in http://blogs.forward.com/)

Este ano, a Weinstein Company soma 17 indicações através de O Lado Bom da Vida, Django Livre, O Mestre e o norueguês Expedição Kon-Tiki. Seu lobby funcionou tão bem para a comédia O Lado Bom da Vida, que catapultou a produção como uma das favoritas ao lado de Argo e Lincoln, podendo surpreender nas categorias de direção e ator coadjuvante.

Em relação à cerimônia em si, esta será a primeira vez de Seth MacFarlane como host. Criador da série animada Uma Família da Pesada e American Dad!, ele enfrentará um grande desafio na carreira de qualquer comediante: apresentar um evento ao vivo transmitido para vários países. Sua escolha foi considerada uma surpresa, pois não tem experiência nesse tipo de programa (talvez sua maior tenha sido o Saturday Night Live pela rede de TV americana) e sua marca registrada, a boca suja, não teria lugar no comedido Oscar. Apesar de torcer por MacFarlane, existe a forte possibilidade de frustrar seu público fiel por motivos de censura e, ao mesmo tempo, não ter o tipo de humor que a platéia da cerimônia espera. Vale lembrar que o comediante pode subir ao palco também para receber o Oscar de Melhor Canção Original por “Everybody Needs a Best Friend” de Ted, interpretada por Norah Jones.

Seth MacFarlane em foto promocional do Oscar 2013. Ele também concorre em Melhor Canção Original (photo by filmequals.com)

Seth MacFarlane em foto promocional do Oscar 2013. Ele também concorre em Melhor Canção Original (photo by filmequals.com)

Apesar de favoritismos e zebras, as apostas para o Oscar costumam criar momentos imprevisíveis, mas que vençam os melhores!

MELHOR FILME

Indicados:

– Amor (Amour)
– Argo (Argo)
– As Aventuras de Pi (Life of Pi)
– Django Livre (Django Unchained)
– A Hora Mais Escura (Zero Dark Thirty)
– Indomável Sonhadora (Beasts of the Southern Wild)
– O Lado Bom da Vida (Silver Linings Playbook)
– Lincoln (Lincoln)
– Os Miseráveis (Les Misérables)

DEVE GANHAR: Argo
DEVERIA GANHAR: A Hora Mais Escura
ZEBRA: Amor

INJUSTIÇADOS: O Mestre e Moonrise Kingdom

Argo, de Ben Affleck

Argo, de Ben Affleck

Amor

5 indicações: Filme, Diretor, Atriz (Emmanuelle Riva), Roteiro Original e Filme Estrangeiro

Amor, de Michael Haneke

Amor, de Michael Haneke

Desde que venceu a Palma de Ouro em Cannes, Amor, uma co-produção entre França, Alemanha e Áustria, foi conquistando toda uma legião de críticos internacionais e acabou surpreendendo ao receber cinco indicações ao Oscar, inclusive para Filme e Diretor. O filme acompanha o casal de professores de música octagenários, cujos laços são postos à prova quando a mulher sofre um derrame. Trata-se de um belo porém doloroso retrato do amor no fim da vida. A veterana Emmanuelle Riva recebeu sua primeira indicação, tornando-se a atriz mais velha a concorrer aos 85 anos, porém a melhor aposta seria como Melhor Filme Estrangeiro por também disputar como Melhor Filme.

Argo

7 indicações: Filme, Ator Coadjuvante (Alan Arkin), Roteiro Adaptado, Montagem, Trilha Musical Original, Som e Efeitos Sonoros

Argo, de Ben Affleck

Argo, de Ben Affleck

O terceiro longa dirigido pelo ator Ben Affleck se beneficiou da escolha de uma ótima história verídica. Quando seis diplomatas americanos ficam presos no Irã em plena revolução, um agente da CIA bola um plano que envolve a criação de um filme hollywoodiano falso para resgatá-los como uma equipe de filmagem. A grande credibilidade do trabalho de direção de Ben Affleck é a passagem imperceptível de gêneros. Começamos com um filme político, passando por uma comédia satírica, terminando com um thriller. Argo recebeu todos os prêmios possíveis da indústria cinematográfica: Globo de Ouro, SAG (Screen Actors Guild), PGA (Producers Guild), DGA (Directors Guild) e o BAFTA. Contudo, a Academia resolveu deixar Affleck de lado na categoria de direção, o que comprometeria suas chances como Melhor Filme, afinal, a última produção premiada sem ter seu diretor sequer indicado foi Conduzindo Miss Daisy em 1990.

As Aventuras de Pi

11 indicações: Filme, Diretor, Roteiro Adaptado, Fotografia, Montagem, Direção de Arte, Trilha Musical Original, Canção Original, Som, Efeitos Visuais e Efeitos Sonoros

As Aventuras de Pi, de Ang Lee

As Aventuras de Pi, de Ang Lee

A adaptação do livro de Yann Martel era considerada “infilmável” por muitos realizadores, mas felizmente, o diretor Ang Lee adora um bom desafio. As Aventuras de Pi narra a história de um rapaz indiano que perde toda sua família num naufrágio e se vê obrigado a dividir o bote salva-vidas com um tigre de bengala chamado Richard Parker. Visualmente, Ang Lee entrega um filme muito bonito, que se apoia em efeitos de computação gráfica imperceptíveis. E procura se aprofundar em questões filosóficas aproveitando-se de que o protagonista segue três religiões: hinduísta, católica e muçulmana. Contudo, o filme suaviza a importância da religião em relação à obra original de Martel, provavelmente, visando uma censura bem mais light: PG (a partir de 10 anos). Embora não tenha estatísticas de favorito, o filme conseguiu 11 indicações, ficando atrás apenas de Lincoln. A produção deve faturar alguns prêmios técnicos como Efeitos Visuais.

Django Livre

5 indicações: Filme, Ator Coadjuvante (Christoph Waltz), Roteiro Original, Fotografia e Efeitos Sonoros

Django Livre, de Quentin Tarantino

Django Livre, de Quentin Tarantino

Ao lado de A Hora Mais Escura, Django Livre é um dos filmes mais comentados pelas polêmicas. O cineasta Spike Lee, muito conhecido por realizar filmes com tema ético e étnico, criticou diretamente Quentin Tarantino por usar o “termo racista” nigger (crioulo), o que estaria desrespeitando seus antepassados de escravos provindos do continente africano. O mais inacreditável dessa crítica é que Spike Lee nem se deu ao trabalho de ver Django Livre! Como fazer um filme sobre esse período sem utilizar o “termo racista” utilizado pelos senhores para se referirem a seus escravos? A sociedade americana atual, mergulhada no sistema politicamente correto, ignora o fato de que cinema de ficção não precisa se apoiar em valores éticos e na veracidade dos fatos históricos. Se nem alguns documentários ficam presos a essa meta, por que deveriam as ficções? Além disso, Django Livre repete o mesmo feito de Bastardos Inglórios, ao dar uma chance às vítimas do passado se vingarem de seus carrascos. Porém, quando se tratam de judeus castigando os nazistas, aí não tem problema nenhum. Falta de critério também pesa nessa polêmica. Infelizmente, Quentin Tarantino também não foi indicado como Melhor Diretor, mas tem boas chances como Melhor Roteiro Original.

A Hora Mais Escura

5 indicações: Filme, Roteiro Original, Montagem, Som e Efeitos Sonoros

A Hora Mais Escura, de Kathryn Bigelow

A Hora Mais Escura, de Kathryn Bigelow

O novo filme de Kathryn Bigelow sobre a caça a Bin Laden começou bem a temporada de premiações, vencendo o National Board of Review e o New York Film Critics Circle, mas então começou a controvérsia da tortura. Um membro da Academia chamado David Clennon alegou em carta aberta que não votaria no filme porque faz apologia à tortura, em seguida, foi a vez dos senadores John McCain e Dianne Feinstein apoiarem a mesma causa. Com receio de que esses boatos pudessem acarretar em desentendimentos e processos, Bigelow e o roteirista Mark Boal contestaram pela mídia, sustentando que a tortura fez parte da busca e que não poderia ser ignorada no filme. O documentarista Michael Moore defendeu o filme ao dizer que causa justamente o efeito contrário: “faz você odiar a tortura”. Toda essa controvérsia talvez tenha explicação: o acesso exclusivo e “supostamente proibido” aos arquivos da operação da CIA da caça a Bin Laden revoltou o partido Republicano, que também acreditava em conspiração devido a estréia do filme coincidir com as eleições americanas em novembro, servindo como propaganda dos adversários Democratas. Por causa dessa briga, o lançamento teve de ser adiado para dezembro. Definitivamente, A Hora Mais Escura não é para o público comum, porque cuida de verdades que não são fáceis de digerir, especialmente para americanos republicanos e patriotas. Obviamente, a tortura aplicada por autoridades americanas foi varrida para debaixo do tapete, afinal qual governo se orgulharia disso? E como a Academia costuma fugir de polêmicas (lembrando aqui o apelativo Crash – No Limite batendo o franco-favorito O Segredo de Brokeback Mountain sobre cowboys homossexuais), A Hora Mais Escura deve permanecer no escuro.

Indomável Sonhadora

4 indicações: Filme, Diretor, Atriz (Quvenzhané Wallis) e Roteiro Adaptado

Indomável Sonhadora, de Benh Zeitlin

Indomável Sonhadora, de Benh Zeitlin

Que trajetória fenomenal de Indomável Sonhadora! Um filme com baixíssimo orçamento, mesmo para uma produção independente, conquista o prêmio máximo do Festival de Sundance e o Camera d’Or (reconhecimento técnico de Cannes) e termina com quatro indicações ao Oscar. Para criar o universo de seu filme, o jovem diretor Benh Zeitlin tomou a cidade de New Orleans como cenário depois que o furacão Katrina devastou o local. A pequena Quvenzhané Wallis, descoberta entre mais de quatro mil candidatas, dá vida à protagonista Hushpuppy como uma força da natureza. Coerente com a humildade do projeto, escalaram Dwight Henry para interpretar seu pai Wink. Ele fora descoberto por ser dono de uma padaria próxima às locações, entretanto, como não tinha nenhuma ambição em atuar, só aceitou depois que o diretor se comprometeu a realizar os ensaios nos horários de madrugada enquanto fazia os pães. Indomável Sonhadora explora a imaginação fértil de uma criança para encarar a dura realidade e a ausência da mãe. Embora seja muito nova, Wallis pode ser uma grande surpresa se os votos se dividirem na categoria.

O Lado Bom da Vida

8 indicações: Filme, Diretor, Ator (Bradley Cooper), Atriz (Jennifer Lawrence), Ator Coadjuvante (Robert De Niro), Atriz Coadjuvante (Jacki Weaver), Roteiro Adaptado e Montagem.

O Lado Bom da Vida, de David O. Russell

O Lado Bom da Vida, de David O. Russell

Após o sucesso de crítica de O Vencedor (2010), David O. Russell decidiu adaptar o livro homônimo de Matthew Quick na tentativa de mostrar a seu filho, que sofre de transtorno bipolar como o protagonista Pat, que a doença não o torna menos humano. Muito semelhante à estrutura de uma comédia romântica, a história chega a ser igualmente previsível, mas a direção leve de Russell guia tão bem seus atores que a trama quase fica irrelevante. Para isso, começou usando outro de seus dons: escalar bem seu elenco. Apostou em Bradley Cooper para viver o personagem bipolar, Jennifer Lawrence para a viúva Tiffany, e resgatou Robert De Niro de sua zona de conforto. Com o poder do lobby da distribuidora Weinstein Company, o filme pode surpreender bastante, minando as chances de Lincoln e Argo. Vencedora do SAG, Jennifer Lawrence é a franco-favorita por sua versatilidade aos 22 anos.

Lincoln

12 indicações: Filme, Diretor, Ator (Daniel Day-Lewis), Ator Coadjuvante (Tommy Lee Jones), Atriz Coadjuvante (Sally Field), Roteiro Adaptado, Fotografia, Montagem, Direção de Arte, Figurino, Trilha Musical Original e Som

Lincoln, de Steven Spielberg

Lincoln, de Steven Spielberg

Lincoln é uma aula de História americana, mas lecionada por um professor com pouca didática. Apesar de bem escrito, o roteiro de Tony Kushner presume que seu público conheça o histórico de todos os personagens e a importância de cada um na votação da 13ª emenda contra a escravidão. Spielberg também peca por levar o assunto de forma extremamente séria (apenas o personagem de Tommy Lee Jones consegue extrair um pouco de humor) e limitar o filme tecnicamente a planos e contra-planos infindáveis de diálogos. O trabalho de direção de Spielberg ficou pesado, faltando equilíbrio para relatar esse importante momento da História e, por isso, seu terceiro Oscar talvez fique para uma próxima oportunidade. Para quem gosta e conhece a filmografia do diretor, sofre sério risco de desapontamento. Provavelmente, a melhor e única chance esteja nas mãos do ator Daniel Day-Lewis que, como sempre, impressiona por viver a figura imponente do político Abraham Lincoln. Se ganhar, será o terceiro Oscar do ator e a primeira atuação oscarizada sob direção de Spielberg.

Os Miseráveis

8 indicações: Filme, Ator (Hugh Jackman), Atriz Coadjuvante (Anne Hathaway), Direção de Arte, Figurino, Maquiagem, Canção Original e Som

Os Miseráveis, de Tom Hooper

Os Miseráveis, de Tom Hooper

O romance de Victor Hugo é um clássico da Literatura. E as adaptações musicais vem conquistando o público desde os anos 80. Mas apesar de todo esse sucesso, essa adaptação ficou muito aquém do esperado. Só o fato do filme ser um musical não significa que todo e qualquer diálogo deva ser musicado. O tão importante elemento da música deveria elevar a cena, mas acaba se tornando num mero artifício banal utilizado à exaustão. Muito popular nos anos 50 e 60, o gênero musical ficou ultrapassado nas décadas seguintes, contudo, com a coragem de alguns cineastas como Baz Luhrmann, Lars von Trier e Rob Marshall, voltou a encantar platéias no início dos anos 2000. Felizmente, o filme de Tom Hooper tem Victor Hugo e as canções clássicas por trás, caso contrário, poderia ser um fracasso gritante. Do elenco, Hugh Jackman (Jean Valjean), Samantha Barks (Eponine), Daniel Huttlestone (Gavroche) e claro, Anne Hathaway (Fantine) se destacam através de suas cordas vocais. Hathaway cantou “I Dreamed a Dream” com o coração na mão e deve levar seu primeiro Oscar.

MELHOR DIRETOR

Indicados:

– Michael Haneke (Amor)
– Benh Zeitlin (Indomável Sonhadora)
– Ang Lee (As Aventuras de Pi)
– Steven Spielberg (Lincoln)
– David O. Russell (O Lado Bom da Vida)

DEVE GANHAR: David O. Russell (O Lado Bom da Vida)
DEVERIA GANHAR: Ang Lee (As Aventuras de Pi)
ZEBRA: Benh Zeitlin (Indomável Sonhadora)

INJUSTIÇADOS: Ben Affleck (Argo) e Kathryn Bigelow (A Hora Mais Escura)

David O. Russell (centro) dirige a cena na lanchonete (photo by indiewire.com)

David O. Russell (centro) dirige a cena de O Lado Bom da Vida na lanchonete (photo by indiewire.com)

Este ano, a categoria de Direção foi a mais discutida desde que foram anunciadas as indicações. Dois dos diretores mais premiados da temporada sequer figuraram na lista: Ben Affleck (Argo) e Kathryn Bigelow (A Hora Mais Escura). Ambos foram indicados pelo Directors Guild of America (Affleck ganhou), mas foram substituídos por Michael Haneke (Amor) e Benh Zeitlin (Indomável Sonhadora).

Com suas exclusões dos favoritos, tudo indica que há uma espécie de complô para o terceiro Oscar para Spielberg. No papel, o retorno à glória do diretor soa muito bem, especialmente por se tratar de um filme sobre um dos presidentes mais queridos dos EUA, mas para quem viu Lincoln, sabe que não se trata de um dos seus melhores trabalhos. Temos uma série de discursos, reuniões e audiências em fóruns, mas sem o brilho de um Sidney Lumet de 12 Homens e uma Sentença, tanto que Spielberg sequer foi indicado ao BAFTA, prêmio da Academia Britânica. E como ele já tem dois Oscars na carreira (por A Lista de Schindler e O Resgate do Soldado Ryan), David O. Russell passa a ganhar força na campanha em sua segunda indicação.

Em O Lado Bom da Vida, ele consegue extrair boa atuação de Bradley Cooper, acredita na jovem Jennifer Lawrence para viver uma viúva, resgata um pouco do talento esquecido de Robert De Niro e explora o pouco tempo de tela de Jacki Weaver, tornando-se o primeiro filme depois de Reds (1981), de Warren Beatty, a ter seus atores indicados em todas as categorias de atuação. Seu filme anterior, O Vencedor, rendeu dois Oscars para Christian Bale e Melissa Leo, ambos coadjuvantes.

Com as ausências de Affleck e Bigelow, alguns especialistas não descartam um improvável triunfo do taiwanês Ang Lee. Primeiro diretor asiático a vencer o Oscar de direção por O Segredo de Brokeback Mountain, Lee também tem em seu currículo laureado um Urso de Ouro, dois Leões de Ouro, dois DGAs e dois Globos de Ouro. Tem como uma das grandes qualidades a versatilidade de temas: culinária, história em quadrinhos, kung fu, espionagem, western, Woodstock, famílias suburbanas entre outros. Seu grande mérito aqui é concretizar um projeto difícil que foi recusado por M. Night Shyamalan, Alfonso Cuarón e Jean-Pierre Jeunet, criando um visual arrebatador.

MELHOR ATOR

Indicados:

– Bradley Cooper (O Lado Bom da Vida)
– Daniel Day-Lewis (Lincoln)
– Hugh Jackman (Os Miseráveis)
– Joaquin Phoenix (O Mestre)
– Denzel Washington (O Vôo)

DEVE GANHAR: Daniel Day-Lewis (Lincoln)
DEVERIA GANHAR: Joaquin Phoenix (O Mestre)
ZEBRA: Bradley Cooper (O Lado Bom da Vida)

INJUSTIÇADOS: John Hawkes (As Sessões) e Denis Lavant (Holy Motors)

Daniel Day-Lewis em Lincoln (photo by theartsdesk.com)

Daniel Day-Lewis em Lincoln (photo by theartsdesk.com)

95% da população cinéfila deve votar em Daniel Day-Lewis, afinal, é um dos melhores atores de sua geração e venceu o SAG por incorporar o presidente Abraham Lincoln num momento crucial da História americana. Seus métodos de interpretação são tão profundos e rigorosos que ele permanece no personagem entre um take e outro. No set de Lincoln, era chamado de “Mr. President”. Quais as chances de ele não ganhar?

Bem, se Day-Lewis confirmar seu favoritismo, este será seu terceiro Oscar de Melhor Ator (principal). E NENHUM ator conseguiu tamanha proeza. Só para citar profissionais mais recentes: Tom Hanks, Jack Nicholson e Sean Penn têm dois. E para a Academia quebrar um novo recorde, seria necessário um milagre.

O único que pode realmente derrubar o favoritismo de Daniel Day-Lewis é Joaquin Phoenix. Sim, o mesmo ator que anunciara aposentadoria em 2008 para se tornar um rapper! Felizmente, mudou de idéia e construiu esse ótimo personagem veterano de guerra, alcóolatra e de comportamento explosivo de O Mestre. Sua performance impressiona pelo esforço físico e uma sensação de completa desordem, fazendo com que seja o oposto necessário para contrabalancear a serenidade do líder da Cientologia, vivido por Philip Seymour Hoffman. Sua vitória seria uma grata surpresa, ainda mais porque Phoenix teve um momento de rebeldia à la Marlon Brando e George C. Scott ao dizer para a mídia: “O Oscar é uma besteira. Nunca mais quero passar por aquela experiência de novo”. A tática já funcionou antes: tanto Brando como Scott ganharam o Oscar sem marcarem presença na cerimônia.

Apesar da competição estar acirrada, John Hawkes poderia ser um dos indicados. Ele interpreta um homem com seus dias contados e que busca perder sua virgindade com uma terapeuta do sexo (Helen Hunt) em As Sessões. Praticamente se valendo apenas das expressões faciais, ele consegue demonstrar extrema fragilidade física, inclusive pela voz mais quebradiça. Infelizmente, os votantes da ala conservadora da Academia não apoiaram o sexo casual que o filme levanta, assim como a cota de atores franceses ser superior a um (Emmanuelle Riva), pois Denis Lavant merecia reconhecimento pelo ótimo Holy Motors. No filme de Leos Carax, que esteve presente em Cannes, ele interpreta nada menos que onze personagens diferentes em situações que beiram o absurdo, mas com muita propriedade e criatividade.

MELHOR ATRIZ

Indicadas:

– Jessica Chastain (A Hora Mais Escura)
– Jennifer Lawrence (O Lado Bom da Vida)
– Emmanuelle Riva (Amor)
– Quvenzhané Wallis (Indomável Sonhadora)
– Naomi Watts (O Impossível)

DEVE GANHAR: Jennifer Lawrence (O Lado Bom da Vida)
DEVERIA GANHAR: Jessica Chastain (A Hora Mais Escura)
ZEBRA: Naomi Watts (O Impossível)

INJUSTIÇADA: Marion Cottilard (Ferrugem e Osso)

Jennifer Lawrence em O Lado Bom da Vida (photo by CineMagia.ro)

Jennifer Lawrence em O Lado Bom da Vida (photo by CineMagia.ro)

Nesta categoria, temos duas atrizes americanas em extrema ascensão. Jennifer Lawrence ganhou o Globo de Ouro de Melhor Atriz – Musical ou Comédia e o SAG Award, enquanto Jessica Chastain levou o Globo de Ouro de Melhor Atriz – Drama. Ambas estão em sua segunda indicação ao Oscar e têm grandes chances de vitória. Porém Lawrence tem ligeira vantagem por seu papel em O Lado Bom da Vida ser bem cativante. Tiffany, a personagem que ela defende, tem forte personalidade e ganha ares excêntricos por seu passado recente com medicamentos de depressão por causa da morte do marido. Provavelmente, a maioria dos diretores não conseguiriam enxergar a jovem atriz como uma viúva, mas ela convence com bastante naturalidade. Além disso, Jennifer Lawrence estrela a nova franquia de sucesso Jogos Vorazes, tornando-se uma figura muito querida pela indústria e fãs da série.

Justamente o oposto, Jessica Chastain interpreta uma personagem cujas emoções precisam ser escondidas por ser uma agente de operações da CIA em A Hora Mais Escura. Sua personagem Maya sente-se predestinada a encontrar Bin Laden nos mais de 10 anos de busca incansável, o que lhe traz muito sofrimento ao testemunhar sessões de tortura e muita solidão por excesso de trabalho. Esse papel poderia ser facilmente masculinizado, mas Chastain consegue dar um toque de feminilidade sem perder a compostura da agente.

Com tamanha competitividade, os votos podem se dividir, permitindo que uma terceira candidata chegue atropelando. Esta poderia ser a atriz mais velha a ser indicada, a veterana francesa Emmanuelle Riva (Amor), seguida de perto pela mais jovem, a pequena Quvenzhané Wallis (Indomável Sonhadora). Recentemente, Riva ganhou o prêmio BAFTA, enquanto Wallis recebeu incontáveis prêmios de Revelação, podendo ser o único Oscar do filme independente.

Com a presença de Emmanuelle Riva na categoria, a conterrânea Marion Cottilard perdeu espaço. Sua performance dramática em Ferrugem e Osso vinha sendo bem recebida desde Cannes, mas preferiram a fraca atuação de Naomi Watts em O Impossível.

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Indicados:

– Alan Arkin (Argo)
– Robert De Niro (O Lado Bom da Vida)
– Philip Seymour Hoffman (O Mestre)
– Tommy Lee Jones (Lincoln)
– Christoph Waltz (Django Livre)

DEVE GANHAR: Robert De Niro (O Lado Bom da Vida)
DEVERIA GANHAR: Christoph Waltz (Django Livre)
ZEBRA: Alan Arkin (Argo)

INJUSTIÇADO: Samuel L. Jackson (Django Livre)

Robert De Niro em O Lado Bom da Vida (photo by CineMagia.ro)

Robert De Niro (centro) em O Lado Bom da Vida (photo by CineMagia.ro)

Fato número 1: Todos os cinco indicados desta categoria já ganharam o Oscar anteriormente. Nesse sentido, o ator que mais leva desvantagem é o austríaco Christoph Waltz (Django Livre), pois vencera há três anos por Bastardos Inglórios. E, discordem ou não, apesar de sua performance ser excelente, lembra o jeito culto e a excelente dicção do Coronel Hans Landa. Waltz levou o Globo de Ouro em janeiro, mas foi Tommy Lee Jones quem levou o SAG por Lincoln. Seu personagem serve como ótimo alívio cômico para os 160 minutos de pura politicagem burocrática do filme de Steven Spielberg.

Contudo, como Hollywood adora resgatar grandes nomes do passado e Robert De Niro não recebe uma indicação há 20 anos, ele pode se tornar a grande surpresa da noite. Em O Lado Bom da Vida, ele interpreta Pat Sr., que é viciado em jogos, prende-se demais às superstições e se arrepende por ter deixado seu filho mais novo de lado. Existe uma cena, que deve passar como clipe de sua atuação, em que seu personagem chora umas lágrimas de forma tímida. E isso deve bastar para a Academia lhe conceder seu terceiro Oscar (coadjuvante por O Poderoso Chefão – Parte II em 1975, e ator por Touro Indomável em 1981) a fim de incentivá-lo a buscar projetos mais ambiciosos como ator. Por muito tempo, De Niro ficou preso e limitado a caricaturas de si mesmo como na trilogia Entrando Numa Fria. Vale lembrar que a categoria costuma render prêmios para atores consagrados como James Coburn, Michael Caine e Christopher Plummer.

Se não vivêssemos em tempos tão politicamente corretos, Samuel L. Jackson estaria indicado por Django Livre e com as melhores chances de ganhar, mas seu personagem é um negro extremamente racista com os demais negros na era escravista dos EUA. Talvez seja sua melhor interpretação da carreira, mas as questões “éticas” atrapalharam sua campanha para o Oscar.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Indicadas:

– Amy Adams (O Mestre)
– Sally Field (Lincoln)
– Anne Hathaway (Os Miseráveis)
– Helen Hunt (As Sessões)
– Jacki Weaver (O Lado Bom da Vida)

DEVE GANHAR: Anne Hathaway (Os Miseráveis)
DEVERIA GANHAR: Anne Hathaway (Os Miseráveis)
ZEBRA: Helen Hunt (As Sessões)

INJUSTIÇADA: Ann Dowd (Compliance)

Anne Hathaway em Os Miseráveis (photo by BeyondHollywood.com)

Anne Hathaway em Os Miseráveis (photo by BeyondHollywood.com)

Logo depois que as indicações foram anunciadas, parecia que o duelo final seria entre Anne Hathaway e Sally Field. Mas Hathaway se tornou uma unanimidade na temporada: vencedora do Globo de Ouro, SAG e BAFTA. Mesmo com pouco tempo de tela, sua performance como Fantine praticamente se resume à cena em que canta aos prantos “I Dreamed a Dream”, conseguindo comover o público.

Além de demonstrar talento através de suas cordas vocais, Anne Hathaway perdeu mais de dez quilos para o papel. Sem contar que cortaram seu cabelo em cena, pois sua personagem vende seu cabelo. Tamanho esforço para um papel menor que valorizou bastante sua participação deve lhe render uma estatueta do Oscar. Outro fator curioso que colabora para sua vitória é que sua mãe interpretou a mesma Fantine no musical da Broadway.

E o retorno de Helen Hunt pode ser interpretado como uma segunda chance na carreira. Depois de ganhar como Melhor Atriz em 1998 por Melhor é Impossível, nunca mais escolheu projetos que pudessem mantê-la em destaque. Em As Sessões, ela interpreta uma terapeuta do sexo e aparece nua, coragem que pode já ter sido recompensada pela indicação, mas que pode ter maquiado a real intenção da Academia de desfazer outra maldição do Oscar.

Uma reclamação muito pertinente neste Oscar é a falta de atores mais desconhecidos. Tradicionalmente, a Academia “planta” um candidato que não esteve presente nas listas das demais premiações como a própria Jacki Weaver em 2011. Este ano, essa vaga poderia ter sido preenchida por Ann Dowd por sua ótima performance no independente Compliance, no qual faz uma gerente de fast-food que se vê obrigada a interrogar uma de suas funcionárias devido a uma denúncia anônima.

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

Indicados:

– Michael Haneke (Amor)
– Quentin Tarantino (Django Livre)
– John Gatlins (O Vôo)
– Wes Anderson, Roman Coppola (Moonrise Kingdom)
– Mark Boal (A Hora Mais Escura)

DEVE GANHAR: Quentin Tarantino (Django Livre)
DEVERIA GANHAR: Mark Boal (A Hora Mais Escura)
ZEBRA: Wes Anderson e Roman Coppola (Moonrise Kingdom)

INJUSTIÇADO: Rian Johnson (Looper: Assassinos do Futuro)

Quentin Tarantino no set de Django Livre (photo by filmstage.com)

Quentin Tarantino no set de Django Livre (photo by filmstage.com)

Embora tenha sido alvo dos comentários de preconceito racial do diretor Spike Lee, o roteiro de Quentin Tarantino consegue extrair excelente humor negro (sem trocadilhos) da época escravista dos EUA como a sequência hilária da Ku Klux Klan. Como de costume, seus personagens possuem diálogos memoráveis e em situações inusitadas. Como tem poucas chances de levar Melhor Filme, Tarantino deve levar o Oscar de Roteiro Original, o segundo de sua carreira.

Trancado a sete chaves, o roteiro de A Hora Mais Escura sofreu alterações drásticas, pois o objetivo inicial era questionar o sumiço do líder terrorista Bin Laden, mas depois que ele foi encontrado e eliminado, o roteirista Mark Boal reescreveu praticamente outro filme com novos questionamentos. Valendo-se também de consulta dos arquivos secretos da CIA sobre a operação, o filme sofreu duras críticas de americanos politicamente corretos por expôr a tortura para conseguir pistas sobre o paradeiro de Bin Laden. Como a Academia evita esse tipo de polêmica mais dura e Mark Boal ganhou recentemente por Guerra ao Terror, suas chances caem um pouco.

Infelizmente, o romance Moonrise Kingdom ficou limitado a essa única categoria. Poderia ter sido reconhecido também em Direção de Arte, Figurino, Trilha Musical, Montagem e Filme. Porém o filme tem grandes chances no Independent Spirit Awards, que premia filmes independentes. E embora o roteiro de Looper: Assassinos do Futuro tenha vencido o National Board of Review, o gênero de ficção científica que envolve viagens no tempo não costuma ser unanimidade nesta categoria.

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

Indicados:

– Chris Terrio (Argo)
– Benh Zeitlin, Lucy Alibar (Indomável Sonhadora)
– David Magee (As Aventuras de Pi)
– Tony Kushner (Lincoln)
– David O. Russell (O Lado Bom da Vida)

DEVE GANHAR: Chris Terrio (Argo)
DEVERIA GANHAR: Chris Terrio (Argo)
ZEBRA: David Magee (As Aventuras de Pi)

INJUSTIÇADO: Stephen Chbosky (As Vantagens de ser Invisível)

Chris Terrio em lançamento de Argo (photo by zimbio.com)

Chris Terrio em lançamento de Argo (photo by zimbio.com)

Como a briga de Roteiro Adaptado inclui os principais concorrentes do Oscar, o vencedor daqui pode definir o Melhor Filme do ano. À princípio, o dramaturgo Tony Kushner levaria vantagem por concorrer pelo drama histórico Lincoln e ser um prestigioso vencedor do prêmio Pulitzer pela peça Angels in America que foi adaptada para a TV em 2003, afinal o Oscar premiaria um consagrado autor. Contudo, nessa reta final, um democrata americano expôs um erro histórico em seu roteiro. No filme, dois representantes de seu Estado, Connecticut, votam contra a abolição da escravidão em 1865, sendo que foram à favor da emenda. Apesar de Kushner admitir o erro e pedir desculpas publicamente, esse erro pode ter minado suas chances, ainda mais agora que o filme de Spielberg está em queda.

Assim, a vitória do estreante Chris Terrio pode ajudar Argo a ter mais sustentação como Melhor Filme (já que seu diretor sequer foi indicado), ao lado do prêmio de Montagem. Contudo, se Spielberg levar Melhor Diretor, David O. Russell deve levar o Oscar de consolação por O Lado Bom da Vida.

Muito elogiado pela crítica, o drama juvenil sobre um universitário acolhido por dois veteranos de As Vantagens de ser Invisível só ficou de fora porque a categoria estava sobrecarregada de fortes concorrentes.

MELHOR FOTOGRAFIA

Indicados:

– Seamus McGarvey (Anna Karenina)
– Robert Richardson (Django Livre)
– Claudio Miranda (As Aventuras de Pi)
– Janusz Kaminski (Lincoln)
– Roger Deakins (007 – Operação Skyfall)

DEVE GANHAR: Claudio Miranda (As Aventuras de Pi)
DEVERIA GANHAR: Roger Deakins (007 – Operação Skyfall)
ZEBRA: Seamus McGarvey (Anna Karenina)

INJUSTIÇADO: Mihai Malaimare Jr. (O Mestre)

Visual exuberante gerado pela fotografia de Claudio Miranda com CG (photo by cinemagia.ro)

Visual exuberante de As Aventuras de Pi gerado pela fotografia de Claudio Miranda com CG (photo by cinemagia.ro)

O diretor de fotgrafia Claudio Miranda, que concorre por As Aventuras de Pi (photo by arri.com)

O diretor de fotografia Claudio Miranda (photo by arri.com)

Apesar do chileno Claudio Miranda ser relativamente novo na indústria do cinema (passou a trabalhar com cinema desde 2005), sua fotografia ficou marcada pelo equilíbrio do bom uso de efeitos de computação gráfica em O Curioso Caso de Benjamin Button e Tron: O Legado. Em As Aventuras de Pi, essa característica de seu trabalho atinge seu ápice, pois cerca de 70% do filme é filmado em green screen (fundo verde a serem inseridos os efeitos em pós-produção). Casos mais recentes que continham muitos efeitos e que ganharam o Oscar, A Origem e Avatar, sustentam seu favoritismo.

A fotografia de Robert Richardson também imprime visual exuberante ao western Django Livre, porém como já tem três Oscars e o último ganhou no ano anterior por A Invenção de Hugo Cabret, suas chances reduzem bastante. Do outro lado, o inglês Roger Deakins já foi indicado 10 vezes e nunca ganhou. Seu trabalho em 007 – Operação Skyfall eleva o filme de ação a um nível artístico. A beleza das cenas do cassino de Shangai e da mansão da Escócia em chamas já valem o ingresso.

Incluiria a fotografia de Mihai Malaimare Jr. de O Mestre na competição. Utilizando-se de filme 65mm, ele consegue passar uma sensação de irreal pertinente ao mundo fora de controle de Freddie Quell, assim como as idéias surreais de Lancaster Dodd. Mihai tem sido o braço direito dos últimos filmes de Francis Ford Coppola como Tetro.

MELHOR MONTAGEM

Indicados:

– William Goldenberg (Argo)
– Tim Squyres (As Aventuras de Pi)
– Michael Khan (Lincoln)
– Jay Cassidy, Crispin Struthers (O Lado Bom da Vida)
– William Goldenberg, Dylan Tichenor (A Hora Mais Escura)

DEVE GANHAR: William Goldenberg (Argo)
DEVERIA GANHAR: William Goldenberg (Argo)
ZEBRA: Jay Cassidy, Crispin Struthers (O Lado Bom da Vida)

INJUSTIÇADO: Andrew Weisblum (Moonrise Kingdom)

Momento de tensão em Argo (photo by BeyondHollywood.com)

Momento de tensão em Argo (photo by BeyondHollywood.com)

William Goldenberg, recebendo seu BAFTA por Argo (photo by latinospost.com)

William Goldenberg, recebendo seu BAFTA por Argo (photo by latinospost.com)

Normalmente, o prêmio de montagem é concedido a filmes de ação como Bullitt, Rocky – Um Lutador e o recente O Ultimato Bourne por conseguirem criar tensão no uso eficiente de cortes. Em outros casos, a montagem premiada vem de histórias interligadas que criam um senso de unidade como em Traffic e Crash – No Limite. Em Argo, temos bons exemplos das duas situações, pois lida com vários personagens, costurando suas cenas e oferecendo tensão na parte final do longa. Além disso, William Goldenberg também concorre por A Hora Mais Escura, o que poderia ser interpretado como um prêmio para dois filmes.

Muito do humor ácido de Wes Anderson provém da montagem de Andrew Weisblum em Moonrise Kingdom. Seus cortes secos chegam em ótimo timing e ditam o tom desta fábula sobre duas crianças apaixonadas. Se fosse para optar por uma comédia, poderiam incluir esta montagem e deixar O Lado Bom da Vida de lado.

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE

Indicados:

– Sarah Greenwood, Katie Spencer (Anna Karenina)
Dan Hennah, Ra Vincent, Simon Bright (O Hobbit: Uma Jornada Inesperada)
– Eve Stewart, Anna Lynch-Robinson (Os Miseráveis)
David Gropman, Anna Pinnock (As Aventuras de Pi)
Rick Carter, Jim Erickson (Lincoln)

DEVE GANHAR: Sarah Greenwood, Kate Spencer (Anna Karenina)
DEVERIA GANHAR: Sarah Greenwood, Kate Spencer (Anna Karenina)
ZEBRA: Dan Hennah, Ra Vincent, Simon Bright (O Hobbit: Uma Jornada Inesperada)

INJUSTIÇADO: Hugh Bateup, Uli Hanisch (A Viagem)

A direção de arte de Anna Karenina recria a Rússia do século XIX: precisão nas paredes e chão (photo by cinemagia.ro)

A direção de arte de Anna Karenina recria a Rússia do século XIX: precisão nas paredes e chão (photo by cinemagia.ro)

Sarah Greenwood no set de Anna Karenina (photo by btlnews.com)

Sarah Greenwood no set de Anna Karenina (photo by btlnews.com)

Nos últimos anos, o prêmio de Direção de Arte tem destoado do vencedor do Melhor Filme e costuma valorizar filmes de temática fantasiosa como Avatar e Alice no País das Maravilhas. Entretanto, como a direção de arte do representante de fantasia O Hobbit: Uma Jornada Inesperada praticamente recicla o design da trilogia de O Senhor dos Anéis, o Oscar pode recompensar o belo trabalho de recriação da Rússia do século XIX de Anna Karenina. Trata-se da quinta colaboração de Sarah Greenwood com o diretor Joe Wright, desde Orgulho & Preconceito (2005), e sua quarta indicação ao Oscar sem vitórias até o momento.

Negligenciado em excesso pela crítica americana, a ficção científica A Viagem que busca algum sentido para a vida acabou excluída de quase todas as premiações, contudo o design de produção chama a atenção por conseguir cobrir passado, presente e futuro com cenários convincentes e inovadores. Mesmo com chances quase nulas de vitória, já serviria como um sopro de criatividade nesta categoria de muitas recriações e reformulações.

MELHOR FIGURINO

Indicados:

Jacqueline Durran (Anna Karenina)
Paco Delgado (Os Miseráveis)
Joanna Johnston (Lincoln)
Eiko Ishioka (Espelho, Espelho Meu)
Colleen Atwood (Branca de Neve e o Caçador)

DEVE GANHAR: Jacqueline Durran (Anna Karenina)
DEVERIA GANHAR: Eiko Ishioka (Espelho, Espelho Meu)
ZEBRA: Joanna Johnston (Lincoln)

INJUSTIÇADO: Kym Barrett, Pierre-Yves Gayraud (A Viagem)

Um dos belos figurinos de Anna Karenina (photo by cinemagia.ro)

Um dos belos figurinos de Anna Karenina (photo by cinemagia.ro)

A figurinista Jacqueline Durran (à dir) ao lado da atriz Keira Knightley com figurino de Anna Karenina (photo by elle.com)

A figurinista Jacqueline Durran (à dir) ao lado da atriz Keira Knightley com figurino de Anna Karenina (photo by elle.com)

Muitas vezes, a categoria de figurino se tornou apenas uma contribuição no número de Oscars do Melhor Filme do ano, o que beneficiaria Joanna Johnston por Lincoln, mas como a competição está bem acirrada, a qualidade deve falar mais alto. Assim, Jacqueline Durran tem leve vantagem também por ter sido indicada em outras duas oportunidades por colaborações com o diretor Joe Wright em Orgulho & Preconceito e Desejo e Reparação, mas nunca ter levado.

Contudo, não será surpresa se Eiko Ishioka for anunciada vencedora, pois seus figurinos brilham muito mais do que os atores na adaptação dos Irmãos Grimm de Branca de Neve e os Sete Anões, o fraco Espelho, Espelho Meu, e este seria seu segundo e último Oscar, pois morreu em janeiro desse ano. Ela venceu em 1993 por Drácula de Bram Stoker.

Abrangendo figurinos de eras diferentes e criando roupas inovadoras futurísticas, o trabalho dos figurinistas Kym Barrett e Pierre-Yves Gayraud em A Viagem poderiam preencher a vaga do razoável figurino de Lincoln.

MELHOR MAQUIAGEM

Indicados:

Howard Berger, Peter Montagna, Martin Samuel (Hitchcock)
– Peter King, Rick Findlater, Tami Lane (O Hobbit: Uma Jornada Inesperada)
Lisa Westcott, Julie Dartnell (Os Miseráveis)

DEVE GANHAR: O Hobbit: Uma Jornada Inesperada
DEVERIA GANHAR: O Hobbit: Uma Jornada Inesperada
ZEBRA: Hitchcock

INJUSTIÇADO: Homens de Preto 3

Novos personagens do universo de J.R.R. Tolkien permitiram trabalho novo de maquiagem (photo by cinemagia.ro)

Novos personagens do universo de J.R.R. Tolkien permitiram trabalho novo de maquiagem (photo by cinemagia.ro)

Um dos milhares trabalhos de maquiagem de O Hobbit: Uma Jornada Inesperada (photo by digititles.com)

Um dos milhares trabalhos de maquiagem de O Hobbit: Uma Jornada Inesperada (photo by digititles.com)

Sem a presença do mestre Rick Baker, responsável por criações como Um Lobisomem Americano em Londres e O Grinch, a competição perde muito de seu prestígio. Com uma penca de anões para colocar barbas, bigodes e narigões, o trabalho de maquiagem de O Hobbit: Uma Jornada Inesperada claramente é o melhor e mais trabalhoso dos três indicados. Talvez o pobre trabalho de maquiagem de Os Miseráveis ganhe para elevar o número de Oscars, mas não por méritos próprios.

Provavelmente por se tratar de uma sequência com poucas chances de vitória, o terceiro filme sobre os Homens de Preto acabou sendo ignorado pela comissão. Só a criação do vilão grotesco Boris the Animal já valeria uma indicação na categoria.

MELHOR TRILHA MUSICAL ORIGINAL

Indicados:

Dario Marianelli (Anna Karenina)
– Alexandre Desplat (Argo)
– Mychael Danna (As Aventuras de Pi)
John Williams (Lincoln)
Thomas Newman (007 – Operação Skyfall)

DEVE GANHAR: Mychael Danna (As Aventuras de Pi)
DEVERIA GANHAR: Mychael Danna (As Aventuras de Pi)
ZEBRA: Dario Marianelli (Anna Karenina)

INJUSTIÇADO: Jonny Greenwood (O Mestre)

Mychael Danna trabalhando na trilha de As Aventuras de Pi com o diretor Ang Lee (photo by deadline.com)

Mychael Danna trabalhando na trilha de As Aventuras de Pi com o diretor Ang Lee (photo by deadline.com)

Nos últimos anos, os vencedores desta categoria trabalharam com algum instrumento diferente ou inusitado. Por exemplo, o compositor A. R. Rahman utilizou a cítara indiana para criar a trilha romântica de Quem Quer Ser um Milionário?, e Dario Marianelli explorou pertinentemente o som das teclas de uma máquina escrever para formar o ritmo agitado de Desejo e Reparação. Este ano, a trilha mais inusitada entre os indicados pertence a Mychael Danna. Ele explora alguns instrumentos indianos como o Santoor de 108 cordas e o Sarangi, que originou o violino, além de acordões franceses e mandolins para contar essa jornada fantástica de Pi.

Não que a música erudita de Anna Karenina seja inferior – muito pelo contrário! – mas como o compositor ganhou recentemente, suas chances devem ser mínimas. Seguindo esta lógica, se a Academia quiser terminar o jejum de vitórias, Alexandre Desplat (Argo) acumula 5 indicações e Thomas Newman (007 – Operação Skyfall) está em sua 11ª indicação sem nunca ter ganhado.

E esta é a segunda vez que Jonny Greenwood acaba ignorado pela Academia. Em O Mestre, sua segunda colaboração com o diretor Paul Thomas Anderson, ele cria uma trilha estranha que dita o tom do filme. Sua música parece dizer ao espectador que nada daquilo que estamos vendo é, de fato, real, sensação reforçada pela alternância de filmes 35mm para 65mm que o diretor aplica.

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

Indicados:

“Before My Time”, de J. Ralph (Chasing Ice)
– “Suddenly”, de Alain Boublil, Claude-Michel Schönberg e Herbert Kretzmer (Os Miseráveis)
– “Pi’s Lullaby”, de Mychael Danna e Bombay Jayshri (As Aventuras de Pi)
– “Everybody Needs a Best Friend”, de Walter Murphy e Seth MacFarlane (Ted)
– “Skyfall”, de Adele Adkins e Paul Epworth (007 – Operação Skyfall)

DEVE GANHAR: “Skyfall”, de Adele Adkins e Paul Epworth (007 – Operação Skyfall)
DEVERIA GANHAR: “Skyfall”, de Adele Adkins e Paul Epworth (007 – Operação Skyfall)
ZEBRA: “Before my Time”, de J. Ralph (Chasing Ice)

INJUSTIÇADO: “Dull Tool”, de Fiona Apple (Bem-vindo aos 40)

Adele e 007 - Operação Skyfall: grandes chances de premiação (foto por twentyfourbit.com)

Adele e 007 – Operação Skyfall: grandes chances de premiação (foto por twentyfourbit.com)

Se a canção de Adele já era favorita antes, agora com o anúncio de que haverá uma homenagem aos 50 anos de James Bond e que Shirley Bassey, a diva que cantou três temas de Bond: “Goldfinger”, “Diamonds Are Forever” e “Moonraker” se apresentará no palco pela primeira vez, então pode-se considerar certo este Oscar para 007 – Operação Skyfall. Existiria uma ligeira possibilidade da música de Ted, “Everybody Needs a Best Friend”, ganhar por ser interpretada pela talentosa Norah Jones, mas após ganhar todos os prêmios da categoria, incluindo o Globo de Ouro, ninguém tira o reconhecimento merecido de Adele. Esta é apenas a quarta canção indicada ao Oscar de toda a franquia de sucesso de 007. As anteriores foram “Live and Let Die”, por Paul McCartney (007 – Viva e Deixe Morrer), “Nobody Does it Better”, por Carly Simon (007 – O Espião que me Amava), e “For Your Eyes Only”, por Sheena Easton (007 – Somente Para Seus Olhos).

Com uma canção que destrincha os problemas de um relacionamento através da letra, mas mantendo o estilo musical de Fiona Apple, a canção “Dull Tool” da comédia Bem-vindo aos 40 seria uma boa pedida para incluir um nome de peso à lista de apresentações, mas a palavra “fuck” usada na canção seria um empecilho na transmissão ao vivo.

MELHOR SOM

Indicados:

John T. Reitz, Gregg Rudloff, José Antonio García (Argo)
– Andy Nelson, Mark Paterson, Simon Hayes (Os Miseráveis)
Ron Bartlett, Doug Hemphill, Drew Kunin (As Aventuras de Pi)
Andy Nelson, Gary Rydstrom, Ron Judkins (Lincoln)
Scott Millan, Greg P. Russell, Stuart Wilson (007 – Operação Skyfall)

DEVE GANHAR: Os Miseráveis
DEVERIA GANHAR: 007 – Operação Skyfall
ZEBRA: Lincoln

INJUSTIÇADO: A Hora Mais Escura

Além do som das armas e canhões, o som de Os Miseráveis se vale pela captação da cantoria do elenco no set de filmagem (photo by BeyondHollywood.com)

Além do som das armas e canhões, o som de Os Miseráveis se vale pela captação da cantoria do elenco no set de filmagem (photo by BeyondHollywood.com)

A inédita técnica de gravação de som para musicais de Os Miseráveis deve ser recompensada. Contrariando o sistema de playback, toda a cantoria dos atores foi gravada em set de filmagem e mesmo vulnerável a ruídos externos de cenários e locações, o resultado ficou muito bom. Claro que se a voz de Russell Crowe colaborasse, o som seria mais agradável aos ouvidos.

Normalmente, o que dita a regra desta categoria é saber qual o filme mais barulhento do ano. Pela obviedade, 007 – Operação Skyfall seria o eleito, e o trabalho de mixagem de som de A Hora Mais Escura certamente estaria indicado.

MELHORES EFEITOS SONOROS

Indicados:

– Erik Aadahl, Ethan Van der Ryn (Argo)
– Wylie Stateman (Django Livre)
– Eugene Gearty, Philip Stockton (As Aventuras de Pi)
– Per Hallberg, Karen M. Baker (007 – Operação Skyfall)
– Paul N.J. Ottosson (A Hora Mais Escura)

DEVE GANHAR: A Hora Mais Escura
DEVERIA GANHAR: 007 – Operação Skyfall
ZEBRA: Argo

INJUSTIÇADO: Os Vingadores

Efeitos sonoros de A Hora Mais Escura são compostos de tiros, explosões e queda de helicóptero (photo by BeyondHollywood.com)

Efeitos sonoros de A Hora Mais Escura são compostos de tiros, explosões e queda de helicóptero (photo by BeyondHollywood.com)

Só a sequência da destruição da mansão Skyfall de 007 – Operação Skyfall com granadas já deveria render um Oscar de efeitos sonoros, mas talvez a Academia se sinta na obrigação de compensar A Hora Mais Escura. Em 2007, o filme de Clint Eastwood, Cartas de Iwo Jima, estava indicado a Melhor Filme e Diretor, mas acabou levando apenas Efeitos Sonoros. Acontece.

Na questão de criação de sons, o blockbuster Os Vingadores já seria candidato pela sequência de destruição de Nova York pela invasão alienígena. Pelo visto, o sucesso nas bilheterias não assegurou mais de uma indicação ao filme.

MELHORES EFEITOS VISUAIS

Indicados:

– Janek Sirrs, Jeff White, Guy Williams, Daniel Sudick (Os Vingadores)
– Joe Letteri, Eric Saindon, David Clayton, R. Christopher White (O Hobbit: Uma Jornada Inesperada)
– Bill Westenhofer, Guillaume Rocheron, Erik De Boer, Donald Elliott (As Aventuras de Pi)
– Richard Stammers, Trevor Wood, Charley Henley, Martin Hill (Prometheus)
– Cedric Nicolas-Troyan, Phil Brennan, Neil Corbould, Michael Dawson (Branca de Neve e o Caçador)

DEVE GANHAR: As Aventuras de Pi
DEVERIA GANHAR: As Aventuras de Pi
ZEBRA: Prometheus

INJUSTIÇADO: John Carter – Entre Dois Mundos

O tigre de bengala Richard Parker é um dos feitos por computação gráfica (photo by OutNow.CH)

O tigre de bengala Richard Parker de As Aventuras de Pi é um dos feitos por computação gráfica (photo by OutNow.CH)

Antes rotulado como “infilmável”, os efeitos visuais possibilitaram a própria existência de As Aventuras de Pi. Além de boa parte do roteiro se passar num bote salva-vidas, temos animais que alternam entre reais e feitos por computação gráfica. O tigre de bengala Richard Parker impressiona pelos movimentos e o brilho dos olhos do animal.

O fracasso nas bilheterias e com a crítica esgotou qualquer possibilidade dos efeitos visuais de John Carter – Entre Dois Mundos figurar nessa lista. Por outro lado, os cinco finalistas representam bem os melhores efeitos de 2012.

MELHOR FILME ESTRANGEIRO

Indicados:

Amor, de Michael Haneke (Áustria)
– War Witch, de Kim Nguyen (Canadá)
– No, de Pablo Larraín (Chile)
O Amante da Rainha, de Nikolaj Arcel (Dinamarca)
Expedição Kon-Tiki, de Joachim Rønning e Espen Sandberg (Noruega)

DEVE GANHAR: Amor, de Michael Haneke (Áustria)
DEVERIA GANHAR: Amor, de Michael Haneke (Áustria)
ZEBRA: Expedição Kon-Tiki, de Joachim Rønning, Espen Sandberg (Noruega)

INJUSTIÇADO: Holy Motors, de Leos Carax (França)

Michael Haneke dirige lendas do cinema francês em Amor (photo by OutNow.CH)

Michael Haneke dirige lendas do cinema francês em Amor (photo by OutNow.CH)

Depois que o sucesso francês Intocáveis caiu fora da disputa, ficou muito mais fácil o representante austríaco Amor levar o prêmio. Além disso, tem se tornado uma regra constante o filme estrangeiro que for indicado a Melhor Filme acabar levando Melhor Filme Estrangeiro. Aconteceu com A Vida é Bela e O Tigre e o Dragão. Embora a categoria seja imprevisível às vezes, Amor não deve perder esse prêmio.

Infelizmente, a França optou por Intocáveis. Se tivesse escolhido Holy Motors para ser o filme representante, a crítica americana poderia apoiar sua indicação. Por se tratar de um filme inovador que abusa do non-sense, suas chances de vitória seriam baixas, mas a imprevisibilidade da categoria poderia atuar novamente a seu favor.

MELHOR ANIMAÇÃO

Indicados:

Valente (Brave)
– Frankenweenie (Frankenweenie)
– ParaNorman (ParaNorman)
Piratas Pirados! (The Pirates! In an Adventure with Scientists!)
Detona Ralph (Wreck-it Ralph)

DEVE GANHAR: Frankenweenie
DEVERIA GANHAR: Frankenweenie
ZEBRA: Piratas Pirados!

INJUSTIÇADO: The Painting (Le Tableau)

Como a criatura Frankenstein, a animação Frankenweenie é um bom misto de homenagens a filmes clássicos (photo by OutNow.CH)

Como a criatura Frankenstein, a animação Frankenweenie é um bom misto de homenagens a filmes clássicos (photo by OutNow.CH)

Se formos levantar a contagem de prêmios da categoria, Detona Ralph sai na frente com sua história metalinguística sobre personagens de video-game, mas como não se trata de uma unanimidade, o nome de Tim Burton pode dar a vitória para Frankenweenie. A animação em preto-e-branco revisita o passado do diretor ao retomar o roteiro de um curta-metragem de mesmo nome de 1984, produzido pela mesma produtora Disney. Burton concorre pela segunda vez como Melhor Animação. Em 2006, foi indicado por A Noiva Cadáver, mas perdeu para Wallace & Gromit: A Batalha dos Vegetais. Esta pode ser sua chance de ouro para ser aplaudido e ovacionado por vários colaboradores presentes na cerimônia.

Ao contrário dos outros anos, as animações européias (excluindo o Reino Unido) e asiáticas ficaram de fora. O francês The Painting tem um visual magnífico com bela palheta de cores, que traria um frescor artístico à predominância de animações da Disney e Pixar.

MELHOR DOCUMENTÁRIO

Indicados:

– 5 Broken Cameras
– The Gatekeepers
How to Survive a Plague
The Invisible War
Searching for Sugar Man

DEVE GANHAR: Searching for Sugar Man
DEVERIA GANHAR: The Gatekeepers
ZEBRA: The Invisible War

INJUSTIÇADO: Central Park Five

Documentário sobre o músico Rodriguez, Searching for Sugar Man (photo by OutNow.CH)

Documentário sobre o músico Rodriguez, Searching for Sugar Man (photo by OutNow.CH)

O documentário Searching for Sugar Man levou os principais prêmios da temporada e não deve ficar sem o Oscar, já que aborda um tema tocante e simples. No filme, dois fãs da música dos anos 70 procuram saber o paradeiro do artista musical Rodriguez na África do Sul. Foi premiado com o BAFTA, National Board of Review, DGA e PGA, e recentemente levou o WGA e o Eddie award, reconhecimentos de roteiro e montagem, respectivamente.

Já o polêmico The Invisible War vai na direção oposta ao tocar num assunto tabu: o estupro de militares femininas por seus colegas de profissão. Igualmente controverso, o também investigativo documentário Central Park Five seria um importante indicado nesta competição. O caso verídico aconteceu em 1989, quando cinco jovens (negros e latinos) foram condenados pelo estupro de uma mulher branca no Central Park. Depois de passarem de 6 a 13 anos na prisão, um estuprador em série confessou o crime, confirmando que a sentença se mostrou uma combinação trágica entre tensão racial, a polícia querendo mostrar serviço e a cobertura sensacionalista da mídia.

MELHOR CURTA-DOCUMENTÁRIO

Indicados:

Inocente
– Kings Point
Mondays at Racine
Open Heart
– Redemption

DEVE GANHAR: Mondays at Racine
DEVERIA GANHAR: Mondays at Racine
ZEBRA: Inocente

Mondays at Racine: comovente história sobre câncer (photo by andsoitbeginsfilms.com)

Mondays at Racine: comovente história sobre câncer (photo by andsoitbeginsfilms.com)

O premiado curta Mondays at Racine já conquista pelo tema: Toda terceira segunda-feira do mês, duas irmãs carecas abrem seu salão para atenderem vítimas diagnosticadas com câncer.

MELHOR CURTA-METRAGEM

Indicados:

Asad
– Buzkashi Boys
Curfew
Dood van een Schaduw
Henry

DEVE GANHAR: Curfew
DEVERIA GANHAR: Curfew
ZEBRA: Henry

Curfew: curta premiado com história de descobertas

Curfew: curta premiado com história de descobertas

Entre os indicados, Curfew é o mais premiado até o momento. Num momento muito delicado de sua vida, Richie recebe uma ligação da irmã para cuidar de sua sobrinha por algumas horas.

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO

Indicados:

Adam and Dog
– Fresh Guacamole
Head Over Heels
Paperman
The Simpsons: The Longest Daycare

DEVE GANHAR: Paperman
DEVERIA GANHAR: Fresh Guacamole
ZEBRA TOTAL: The Simpsons: The Logest Daycare

Paperman: uma bela e mágica história de amor à primeira vista (photo by cineol.net)

Paperman: uma bela e mágica história de amor à primeira vista (photo by cineol.net)

Paperman tem todos os méritos de ganhar o Oscar, pois oferece uma história muito simples e ingênua sobre amor à primeira vista. Além disso, por ter sido produzido pela Disney, o curta teve muito mais exposição ao público por ter sido exibido antes da animação Detona Ralph nos cinemas. Já Fresh Guacamole ensina a receita do típico prato mexicano através da técnica do stop-motion de forma muito criativa. Vale a pena conferir todos os cinco indicados nessa categoria pelo link abaixo:

http://www.thehollywoodnews.com/2013/02/12/watch-all-five-oscar-nominated-animation-shorts-here/

Acompanhe o artigo também pelo site da Revista O Grito! nos links abaixo

Acompanhe o artigo também pelo site da Revista O Grito! nos links abaixo

* Em convite especial, este artigo foi escrito juntamente para o site Revista O Grito!, parceiro do UOL e o portal NE10. Agradecimentos especiais a Paulo Floro. Confira nos links abaixo:

http://revistaogrito.ne10.uol.com.br/page/blog/2013/02/15/oscar-2013-o-que-esperar-da-premiacao-este-ano/

http://revistaogrito.ne10.uol.com.br/page/blog/2013/02/18/oscar-2013-quem-ganha-quem-deveria-e-as-zebras/

Vencedores do SAG Awards 2013

(photo by newswhip.com)

Jessica Chastain em seu exuberante Alexander McQueen (photo by newswhip.com)

Se houvesse prêmio de Melhor Traje, eu daria para Jessica Rabbit… quero dizer, Jessica Chastain! No ano passado, a atriz já roubou a cena no tapete vermelho, e agora volta a ser o centro das atenções. Bom, mas vamos aos fatos:

Como analisado anteriormente, a edição deste ano do SAG Awards fugiu um pouco à regra. Normalmente, dos 20 atores indicados ao SAG, 17 a 19 passam para a lista do Oscar, mas devido à surpresa que a Academia tinha em mente, apenas 14 foram indicados também ao Oscar.

Logo de cara, a ausência de Christoph Waltz na categoria de coadjuvante já alterou um resultado. Como não havia favoritos depois de Waltz, o prêmio foi parar nas mãos de Tommy Lee Jones por Lincoln. Bom, não literalmente, porque o ator não estava presente. Sua vitória pode representar uma certa ameaça ao favoritismo de Waltz no Oscar, até mesmo porque ganhou recentemente por Bastardos Inglórios em 2010.

Se ainda havia algum resquício de duelo entre Sally Field e Anne Hathaway, a vitória da última como coadjuvante praticamente confirma o favoritismo dela no Oscar. Apesar da experiência de Field e o fato de ser querida também por sua performance na série Brothers & Sisters, o talento musical de Hathaway causou burburinho de premiação desde que ela fez testes para o papel. Podemos considerar sua vitória no Oscar como certa e espero que esse reconhecimento lhe sirva como inspiração para novos desafios.

Na categoria de atriz, havia uma disputa entre as vencedoras do Globo de Ouro de Melhor Atriz – Drama e Melhor Atriz – Comédia. O SAG escolheu o carisma e a humanidade da personagem defendida por Jennifer Lawrence em O Lado Bom da Vida. É impossível ficar indiferente ao seu trabalho como a inconstante Tiffany. Por motivos óbvios de atraso no Brasil, ainda não vi A Hora Mais Escura, mas pelo que li e vi, a atuação de Chastain é necessariamente fria por razões de contexto, afinal, ela é agente da CIA na caça a Bin Laden.

Jennifer Lawrence em discurso emocionado (photo by awardsdaily.com)

Jennifer Lawrence em discurso emocionado (photo by awardsdaily.com)

Apesar de Daniel Day-Lewis ter recebido quase todos os prêmios de Melhor Ator na temporada, eu ainda achava que havia alguma possibilidade da Academia rejeitá-lo por este ser seu terceiro Oscar. Explico: Até o momento, não há nenhum ator que tenha conseguido três Oscars de Melhor Ator. Temos alguns que conseguiram dois, como Spencer Tracy, Jack Nicholson e Tom Hanks, mas nunca três. E para a Academia quebrar um recorde, tem que haver uma boa causa. E esta performance elogiadíssima de Day-Lewis como o presidente Abraham Lincoln é uma delas. Vale lembrar que se ele vencer, será o primeiro ator ou atriz a ganhar um Oscar sob direção de Steven Spielberg.

Daniel Day-Lewis, humilde como sempre, recebendo seu segundo SAG (photo by reuters in ibtimes.com)

Daniel Day-Lewis, humilde como sempre, recebendo seu segundo SAG (photo by reuters in ibtimes.com)

E não tem mais jeito. A Academia terá que reconhecer Argo. Depois de ganhar o Globo de Ouro e o Producers Guild of America, o filme de Ben Affleck tem tudo pra levar Melhor Filme. Pelo menos, Affleck também é um dos produtores do filme, e deve sair com esse Oscar de “consolação”.

Ben Affleck recebe e discursa pelo prêmio de Melhor Elenco por Argo (photo by hollywoodreporter.com)

Ben Affleck recebe e discursa pelo prêmio de Melhor Elenco por Argo (photo by hollywoodreporter.com)

Antes da cerimônia começar, houve uma premiação muito informal no tapete vermelho. As categorias novas de Melhor Equipe de Dublês para Cinema e TV tiveram seus vencedores anunciados ali mesmo diante de dois repórteres que faziam entrevistas com celebridades. Embora tenha gostado da criação de um prêmio para dublês, achei um pouco falta de consideração tratar esse reconhecimento como se fosse pela porta dos fundos. Espero que alguém dê esse toque para a organização do evento e eles possam incluir esses prêmios na festa.

Segue lista completa (inclusive com Melhor Equipe de Dublê):

MELHOR EQUIPE DE DUBLÊ – CINEMA

 007 – Operação Skyfall

MELHOR EQUIPE DE DUBLÊ – TV

Game of Thrones

MELHOR ELENCO

Argo

MELHOR ATOR

Daniel Day-Lewis (Lincoln)

MELHOR ATRIZ

• Jennifer Lawrence (O Lado Bom da Vida)

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Tommy Lee Jones (Lincoln)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Anne Hathaway (Os Miseráveis)

PRÊMIOS DE TELEVISÃO

MELHOR ELENCO – COMÉDIA

Modern Family

MELHOR ELENCO – DRAMA

Downton Abbey

MELHOR ATOR – COMÉDIA

Alec Baldwin (30 Rock)

MELHOR ATRIZ – COMÉDIA

Tina Fey (30 Rock)

MELHOR ATOR – DRAMA

• Bryan Cranston (Breaking Bad)

MELHOR ATRIZ – DRAMA

• Claire Danes (Homeland)

MELHOR ATOR – FILME DE TV OU MINI-SÉRIE

• Kevin Costner (Hatfields & McCoys)

MELHOR ATRIZ – FILME DE TV OU MINI-SÉRIE

• Julianne Moore (Virada no Jogo)

PRÊMIO PELO CONJUNTO DA OBRA

Dick Van Dyke

Bryan Cranston recebeu dois prêmios: Melhor Elenco por Argo e Melhor Ator de TV - Drama por Breaking Bad, batendo o favorito Damian Lewis de Homeland (photo by digitalspy.com)

Bryan Cranston recebeu dois prêmios: Melhor Elenco por Argo e Melhor Ator de TV – Drama por Breaking Bad, batendo o favorito Damian Lewis de Homeland (photo by digitalspy.com)

Vencedores do Globo de Ouro 2013

Claro que, antes de escrever e analisar os vencedores, seria uma oportunidade propícia admirar as belas moças que desfilam pelo tapete vermelho. Sim, os hormônios masculinos ainda correm pela veia! Muita gente acha essa parte das premiações uma chatice sem fim e desnecessária. Eu discordo. Hollywood sempre foi um lugar de glamour, onde as estrelas podem caprichar no look (ou extrapolar um pouco em casos como de Jennifer Lopez) e estabelecer novos parâmetros para a indústria da moda. Como 99% dos homens se vestem como pinguins, vamos às moças!

AS MUSAS DO GLOBO DE OURO

Zooey Deschanel, que concorre pela série New Girl, veste Oscar de la Renta. Se ela vestisse um trapo, continuaria linda.

Zooey Deschanel, que concorre pela série New Girl, veste Oscar de la Renta. Se ela vestisse um trapo, continuaria linda. (photo by JustJared.com)

Jennifer Lawrence em seu belo Christian Dior coral. Não está deslumbrante como naquele vermelho do Oscar 2011, mas continua impressionando (photo by JustJared.com)

Jennifer Lawrence em seu belo Christian Dior coral. Não está deslumbrante como naquele vermelho do Oscar 2011, mas continua impressionando (photo by JustJared.com)

Jessica Alba consegue se destacar com esse laranja (photo by popsugar.com)

Jessica Alba consegue se destacar com esse tom de laranja de Oscar de la Renta (photo by popsugar.com)

A bela modelo da Victoria's Secret, Miranda Kerr. Ela passou desapercebida pelo tapete vermelho, mas na festa pós-Globo de Ouro, exibiu seu belo vestido com decotes e fendas provocantes. Mais um motivo para eu odiar o Orlando Bloom... (photo by lazygirls.com)

A bela modelo da Victoria’s Secret, Miranda Kerr, fica com meu 1º lugar. Ela passou desapercebida pelo tapete vermelho, mas na festa pós-Globo de Ouro, exibiu seu belo vestido com decotes e fendas provocantes. Orlando Bloom já estava na minha lista negra… (photo by lazygirls.com)

Ok. Desejo masculino saciado.

A 70ª cerimônia do Globo de Ouro ficou bem mais light com as anfitriãs Tina Fey e Amy Poehler. Claro que deram algumas cutucadas na ferida como a comparação da solidão e abandono da personagem de Anne Hathaway em Os Miseráveis com a própria sendo anfitriã ao lado de James Franco no Oscar 2011, ou quando Amy Poehler disse que a diretora Kathryn Bigelow entende de tortura para fazer A Hora Mais Escura, pois fora casada com James Cameron por três anos! (Sim, Cameron tem fama de ditador no set). Mas nada se comparado à acidez corrosiva de Ricky Gervais. Aliás, Ricky, sentimos sua falta!

Sobre os resultados, eu sabia que Argo sairia vitorioso no Globo de Ouro. Depois de tantas críticas positivas por parte da imprensa, o filme de Ben Affleck saiu com o prêmio principal e Melhor Diretor. Aliás, esse reconhecimento para Affleck foi merecido. Como diretor em ascensão, ele soube trabalhar as alterações de gêneros presente na trama baseada em fatos verídicos. Como profissional, ainda tem muita coisa a aprender, mas esse Globo de Ouro foi uma bela forma de incentivo a Affleck continuar crescendo atrás das câmeras (até mesmo porque como ator ele é limitado).

Mas e como fica Argo no Oscar depois dessa vitória? Poderia Argo se tornar um novo Conduzindo Miss Daisy? Explico: a última vez que o vencedor do Oscar de Melhor Filme ganhou sem ter seu diretor sequer indicado na categoria foi em 1990, quando Conduzindo Miss Daisy levou 4 Oscars. Este ano, na tentativa de surpreender, a Academia deixou de indicar Affleck e Kathryn Bigelow, enfraquecendo bastante as chances de Argo e A Hora Mais Escura, dois dos filmes mais elogiados pela crítica americana.

Os produtores de Argo, Ben Affleck (a esq., também diretor), Grant Heslov (centro) e George Clooney. (photo by latimes.com)

Os produtores de Argo, Ben Affleck (a esq., também diretor), Grant Heslov (centro) e George Clooney. (photo by latimes.com)

Ainda sobre o Globo de Ouro, fui bastante otimista, achando que Argo levaria ainda roteiro, mas Quentin Tarantino foi agraciado nessa categoria. Essa fama de roteirista excepcional já vem desde o primeiro filme de Tarantino, Cães de Aluguel (1992). Seu western Django Livre teve uma estréia tardia nos EUA, mas com tempo hábil suficiente para agradar a Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood. O filme também conquistou Melhor Ator Coadjuvante para o poliglota Christoph Waltz, que já havia vencido o mesmo prêmio pelo filme anterior de Tarantino, Bastardos Inglórios. Com Leonardo DiCaprio fora da corrida do Oscar, suas chances aumentam consideravelmente.

Um dos melhores roteriristas em atividade em Hollywood, Quentin Tarantino, bateu Chris Terrio (Argo) por seu western Django Livre (photo by eonline.com)

Um dos melhores roteriristas em atividade em Hollywood, Quentin Tarantino, bateu Chris Terrio (Argo) por seu western Django Livre (photo by eonline.com)

Curiosamente, o filme que levou mais Globos de Ouro foi o musical Os Miseráveis: Melhor Filme – Comédia ou Musical, Melhor Ator – Comédia ou Musical (Hugh Jackman) e Melhor Atriz Coadjuvante (Anne Hathaway). Botei um pouco de fé excessiva no concorrente O Lado Bom da Vida, que levou apenas Melhor Atriz – Comédia ou Musical para Jennifer Lawrence, que se torna franco-favorita com essa vitória e, única, se levar o SAG também.

Ninguém tirava o prêmio de Melhor Ator – Drama de Daniel Day-Lewis por Lincoln. E a forma como sua atuação foi elogiada a noite toda só confirma que ele criou outra performance majestosa. Agora fica a questão: Estaria a Academia disposta a premiar o primeiro ator a ganhar três Oscars de Melhor Ator? Nos últimos anos, Jack Nicholson (As Confissões de Schmidt) e Tom Hanks (Náufrago) tiveram essa oportunidade e pareciam caminhar bem para esse feito, mas morreram na praia.

O mais elogiado na cerimônia, Daniel Day-Lewis, leva para casa seu terceiro Globo de Ouro. Vem aí o terceiro Oscar? (photo by thetimes.co.uk)

O mais elogiado na cerimônia, Daniel Day-Lewis, leva para casa seu segundo Globo de Ouro. Vem aí o terceiro Oscar? (photo by thetimes.co.uk)

Enquanto Amor, de Michael Haneke, e “Skyfall” confirmaram seus favoritismos, talvez uma das maiores surpresas seja a vitória da animação Valente, já que não vinha ganhando nada na temporada de premiação. Uma explicação plausível seria a divisão de votos entre os favoritos Detona Ralph e Frankenweenie, abrindo espaço para o trabalho da Pixar.

E… Jodie Foster. O que posso dizer? Ela ainda consegue tirar o meu fôlego aos 50 anos. Belíssimo discurso sobre a vida em show business, família, amigos, colegas de trabalho e um pedido por mais privacidade. Como muitos sabem, a srta. Foster tem dois filhos cujo pai é desconhecido. Seria ela homossexual? Bissexual? Tem filhos de proveta? Isso pouco importa. Jodie é uma profissional mais do que competente e de caráter, algo cada vez mais raro hoje em dia.

A homenageada da noite, Jodie Foster, dedica seu prêmio aos amigos, colegas, seus filhos e um recado especial para a mãe. Que comece uma nova fase em sua carreira! (photo by au.movies.yahoo.com)

A homenageada da noite, Jodie Foster, dedica seu prêmio aos amigos, colegas, seus filhos e um recado especial para a mãe. Que comece uma nova fase em sua carreira! (photo by au.movies.yahoo.com)

MELHOR FILME – DRAMA

Argo (Argo)

MELHOR FILME – COMÉDIA OU MUSICAL

Os Miseráveis (Les Misérables), de Tom Hooper

MELHOR ATOR – DRAMA

Daniel Day-Lewis (Lincoln)

MELHOR ATRIZ – DRAMA

Jessica Chastain (A Hora Mais Escura)

MELHOR ATOR – COMÉDIA OU MUSICAL

Hugh Jackman (Os Miseráveis)

MELHOR ATRIZ – COMÉDIA OU MUSICAL

Jennifer Lawrence (O Lado Bom da Vida)

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Christoph Waltz (Django Livre)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Anne Hathaway (Os Miseráveis)

MELHOR DIRETOR

Ben Affleck (Argo)

MELHOR ROTEIRO

Quentin Tarantino (Django Livre)

MELHOR TRILHA MUSICAL ORIGINAL

Mychael Danna (As Aventuras de Pi)

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

“Skyfall”, de Adele, Paul Epworth (007 – Operação Skyfall)

MELHOR ANIMAÇÃO

Valente (Brave), de Mark Andrews e Brenda Chapman

MELHOR FILME ESTRANGEIRO

Amor, de Michael Haneke (Áustria)

PRÊMIOS DA TELEVISÃO

MELHOR SÉRIE DE TV – DRAMA

Homeland (Homeland)

MELHOR SÉRIE DE TV- COMÉDIA OU MUSICAL

Girls

MELHOR MINISSÉRIE OU FILME DE TV

Virada no Jogo (Game Change)

MELHOR ATOR EM SÉRIE DE TV – DRAMA

Damian Lewis (Homeland)

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE TV – DRAMA

Claire Danes (Homeland)

MELHOR ATOR EM SÉRIE DE TV – COMÉDIA OU MUSICAL

Don Cheadle (House of Lies)

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE TV – COMÉDIA OU MUSICAL

Lena Dunham (Girls)

MELHOR ATOR EM MINISSÉRIE OU FILME DE TV

Kevin Costner (Hatfields & McCoys)

MELHOR ATRIZ EM MINISSÉRIE OU FILME DE TV

Julianne Moore (Virada no Jogo)

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE, MINISSÉRIE OU FILME DE TV

Ed Harris (Virada no Jogo)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE, MINISSÉRIE OU FILME DE TV

Maggie Smith (Downton Abbey)

Jodie Foster receberá prêmio Cecil B. DeMille no Globo de Ouro 2013

Jodie Foster no tapete vermelho do Globo de Ouro deste ano

Enquanto a Academia tem o Oscar Honorário, a Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood tem o prêmio Cecil B. DeMille, uma honraria que reconhece o conjunto da obra de um artista de cinema, que existe desde 1952, quando foi concedido ao próprio diretor Cecil B. DeMille, conhecido pelos filmes-espetáculo como Os Dez Mandamentos (1956) e O Maior Espetáculo da Terra (1952).

Em sua longa jornada, o Cecil B. DeMille Award já consagrou inúmeras carreiras de grandes nomes como Walt Disney, Fred Astaire, Judy Garland, James Stewart, John Wayne, Jack Nicholson, Martin Scorsese e Charlton Heston, o mais novo a receber o prêmio aos 42 anos. A homenageada de 2013, a atriz americana Jodie Foster será a segunda mais nova aos 50 anos de idade.

Apesar da idade, Foster iniciou sua carreira artística muito nova. Quando ainda era um bebê de 3 anos, estrelou comerciais na TV do protetor solar Coppertone. Aos 7, participou do programa humorístico de TV, o The Doris Day Show, e aos 9, estrelava seu primeiro filme ao lado de Michael Douglas em Napoleon e Samantha (1972), de Bernard McEveety.

Segue trecho do programa de TV Ellen, no qual Jodie Foster fica um pouco constrangida com o comercial de Coppertone:

Aos 12 anos, escolheu uma opção que mudaria sua vida para sempre. Foi escalada para viver a prostituta Iris em Taxi Driver (1976), dirigido por Martin Scorsese e atuando ao lado de um promissor Robert De Niro. Era espantoso ver a performance de uma garota tão jovem num papel tão sério e intenso. A Academia concordou e Jodie recebeu sua primeira indicação ao Oscar.

No início dos anos 80, enquanto a atriz estava cursando a universidade de Yale, um maluco e fã obcecado por Jodie Foster, John Hinckley, atirou no então presidente americano Ronald Reagan só para impressioná-la. A idéia surgiu de Taxi Driver, no qual Travis Bickle (De Niro) tenta matar um político para impressionar uma moça. Pelos boatos, Hinckley assistiu ao filme quinze vezes seguidamente. Antes do atentado, mandava cartas com poemas para a residência da atriz para que ela o notasse. Depois de ser preso, permanece internado numa clínica psiquiátrica mantido sob vigilância.

Após esse período negro, Foster ressurgiu para o mundo aos 26 anos, quando seu trabalho em Acusados chamou a atenção dos críticos. No filme, ela vive a jovem Sarah Tobias, que se torna vítima de um brutal estupro num bar por três homens. Contudo, Acusados não se trata de um filme comum. Pela personagem de Foster ter um histórico conturbado (foi presa por porte de drogas), e pelo fato de estar bêbada e se insinuar dançando para um homem igualmente bêbado no bar, o julgamento ganha proporções maiores, ainda mais que os acusados têm fortes conexões na justiça.

Jodie Foster em Acusados (1988): primeiro Oscar

Além da escolha ousada do projeto, Jodie Foster impressionou com a fragilidade da condição humana pela dificuldade de se expressar na corte. Sua personagem se vê obrigada a amadurecer e criar responsabilidade por seus atos. Como a mensagem do filme é bem difícil de entender, a performance da atriz se mostra fundamental para que o público entenda que os acusados do filme são apenas figurantes do crime. Por este trabalho, Jodie Foster recebeu sua segunda indicação e saiu vencedora do Oscar de Melhor Atriz em 1989.

Em 1991, outro ano de sua ascensão, Foster estrelou a adaptação do best-seller de Thomas Harris, O Silêncio dos Inocentes, que lhe rendeu seu segundo Oscar de atriz. Curiosamente, ela não foi a primeira opção do diretor Jonathan Demme, que preferia Michelle Pfeiffer, com quem havia trabalhado em De Caso com a Máfia (1988). Então, Demme recorreu à sugestão do roteirista Ted Tally.

Jodie Foster em O Silêncio dos Inocentes: prova de que beleza e inteligência podem coexistir

Para interpretar a agente do FBI, Clarice Starling, a atriz passou por um curso intensivo com agentes reais, como mostrado durante o filme. Com isso, deu credibilidade ao seu papel, que se encontra num caso de superação ao investigar os assassinatos de Buffalo Bill com a ajuda de Hannibal Lecter (Anthony Hopkins, em momento de extrema inspiração).

Ainda naquele ano, Jodie decidiu se aventurar na cadeira de diretora. Com roteiro original de Scott Frank, o filme Mentes que Brilham trata da trajetória de uma criança superdotada. Conhecida por seu alto QI, Jodie Foster se identificou com o menino da história e apostou no projeto que, embora tenha recebido boas críticas, não foi tão bem nas bilheterias.

Jodie Foster ao lado do pequeno Adam Hann-Byrd em Mentes que Brilham, estréia de Foster na direção

Em 1994, teve destaque ao interpretar a eremita Nell, que vivia afastada na selva. Em entrevista com James Lipton no programa Inside the Actors Studio, Jodie revelou que Nell foi seu melhor trabalho como atriz, uma vez que a personagem havia criado uma linguagem completamente nova e se comunicava com todo o seu corpo e expressão. Por este papel, ganhou o SAG Award, recebeu sua quarta indicação ao Oscar, mas perdeu para Jessica Lange (Céu Azul),

Nas décadas seguintes, já consagrada, Jodie Foster embarcou em produções mais comerciais como Maverick (1993), Contato (1997), O Quarto do Pânico (2002) e Plano de Vôo (2005), mas por mais que sejam voltados ao grande público, todos apresentam bons roteiros.

Apesar de ter cara de blockbuster, Plano de Vôo é um bom suspense que aborda a questão da paranóia americana, terrorismo e racismo.

Em 2013, a atriz retornará às telas de cinema com Elysium, novo filme de Neill Blomkamp, diretor da inovadora ficção científica indicada ao Oscar de Melhor Filme, Distrito 9. No elenco, além de Matt Damon, contam com a presença de dois brasileiros: Wagner Moura e Alice Braga.

Jodie Foster receberá o Cecil B. DeMille award durante cerimônia de premiação do Globo de Ouro 2013, que ocorre no dia 13 de janeiro.

No Globo de Ouro, a atriz já soma sete indicações:

1977: Indicada a Melhor Atriz – Comédia ou Musical por Se Eu Fosse Minha Mãe

1989: Vencedora de Melhor Atriz – Drama por Acusados

1992: Vencedora de Melhor Atriz – Drama por O Silêncio dos Inocentes

1995: Indicada a Melhor Atriz – Drama por Nell

1998: Indicada a Melhor Atriz – Drama por Contato

2008: Indicada a Melhor Atriz – Drama por Valente

2012: Indicada a Melhor Atriz – Comédia ou Musical por Deus da Carnificina

Prévia do Oscar 2013: Melhor Ator

O último vencedor do Oscar de Melhor Ator: Jean Dujardin por O Artista (foto por ABACA)

Quais atores que merecem ganhar um Oscar, mas nunca ganharam? Sim, essa lista é extensa. Existem casos mais gritantes em que as pessoas soltam um “Como assim Johnny Depp nunca ganhou o Oscar?!” Sem contar os vexames históricos de grandes atores que nunca foram devidamente reconhecidos com o Oscar: Cary Grant (foi indicado duas vezes, mas só levou o Oscar Honorário em 1970), Montgomery Clift (embora seja um dos ícones de atuação e beleza dos anos 50, nunca levou o Oscar apesar das quatro chances que teve), Richard Burton (infelizmente, acabou sendo um dos recordistas de derrotas no Oscar: sete em sete indicações), Peter O’Toole (supera Richard Burton com 8 derrotas, mas em 2003, levou o Oscar Honorário) e James Dean (duas indicações póstumas e só).

Embora nada esteja oficializado, para muitos especialistas na premiação, o Oscar tem essa característica (nem sempre benéfica) de tentar compensar um ator ou atriz por derrotas anteriores. Essa estratégia já ficou evidente com James Stewart, que claramente deveria ter ganhado em 1940 com A Mulher Faz o Homem, mas foi compensado logo no ano seguinte com uma atuação mais light em Núpcias de Escândalo. Compensar acaba se tornando um ciclo vicioso sem fim e muitas vezes acaba prejudicando um profissional que merecia ganhar no ano em que outro foi compensado. Continuando no mesmo exemplo, em 1941, James Stewart compensado bateu alguns nomes meio conhecidos: Laurence Olivier (Rebecca – A Mulher Inesquecível), Charles Chaplin (O Grande Ditador) e Henry Fonda (As Vinhas da Ira).

O queridíssimo Jimmy Stewart com seu Oscar. Levou pelo filme errado.

Seguindo com esse sistema de compensar nomes previamente indicados, já teríamos uma gama bem diversificada para os próximos anos: Gary Oldman, James Franco, Mark Ruffalo, Jeremy Renner, Matt Damon, Robert Downey Jr., Ryan Gosling, só pra citar atores mais contemporâneos. Este ano, um dos nomes mais fortes pertence a essa lista: Bill Murray, o comediante formado pelo Saturday Night Live na década de 70, foi indicado ao Oscar em 2004 pela ótima interpretação em Encontros e Desencontros (2003). Seu nome certamente estará em destaque na temporada de premiação por ter dois bons trabalhos: Moonrise Kingdom, de Wes Anderson, e principalmente Hyde Park on Hudson, de Roger Michell, no qual dá vida ao presidente dos EUA, Franklin D. Roosevelt, durante episódio em que recebe o rei e rainha da Inglaterra.

Outro que deve estar em alta no Oscar 2013 e pode formar a dupla favorita na categoria é o veterano Daniel Day-Lewis, que curiosamente, também interpreta um presidente americano: Abraham Lincoln no drama histórico de Steven Spielberg, Lincoln. Ambos se encaixam nas preferências da Academia: papel biográfico, grande atuação e maquiagem de envelhecimento.

Contudo, como o Oscar sempre tem envelopes com resultados imprevisíveis, Bill Murray e Daniel Day-Lewis podem bater palmas sentados nas poltronas para outro vencedor. A categoria de Melhor Ator sempre é uma das mais aguardadas por sempre apresentar fortes indicados (talvez exceto por aquele ano em que Roberto Benigni ganhou por A Vida é Bela e bancou o palhaço). Dê uma olhada em possíveis nomes que disputam as cinco cobiçadas vagas:

Clint Eastwood em Trouble With the Curve

CLINT EASTWOOD (Trouble With the Curve)

Clint Eastwood havia prometido que sua atuação em Gran Torino (2008) seria sua última da carreira, mas felizmente mudou de idéia com esse Trouble With the Curve. No filme, Clint vive Gus Lobel, um olheiro do beisebol que enfrenta dificuldades quando sua visão começa a falhar. Particularmente, gosto de assistir a um filme com Clint Eastwood, mesmo que seus últimos papéis praticamente tenham os mesmos problemas típicos da terceira idade (desde Os Imperdoáveis, 1992). Ele é uma estrela que aprendeu muito com diretores consagradíssimos como Don Siegel e Sergio Leone, tendo muito ainda a ensinar para esta geração. Aos 83 anos, não busca mais desafios como ator; simplesmente aceita seus papéis por identificação pessoal. Não é do tipo que usa maquiagem para se transformar e sequer muda os sotaques e o jeitão másculo de falar, mas mesmo assim, qualquer trabalho seu vale a pena assistir e curtir.

Ao contrário do que muitos pensam, Trouble With the Curve não foi dirigido por Eastwood, mas por seu assistente de direção de longa data, Robert Lorenz. Provavelmente, o fato de ele aceitar a atuar novamente se deve muito à gratidão a seu aprendiz e, claro, trabalhar com a jovem talentosa Amy Adams.

Já foi indicado duas vezes como Melhor Ator por Os Imperdoáveis e Menina de Ouro, mas nunca levou. Talvez a Academia tente compensar sua não-indicação por Gran Torino como forma de incentivá-lo a atuar.

Jamie Foxx em Django Livre

JAMIE FOXX (Django Livre)

Não que Jamie Foxx seja uma unanimidade para a Academia e seus votantes, mas devemos considerar dois fatos importantes: 1) Apesar de ter histórico maior com comédias, ele ganhou o Oscar merecidamente por interpretar o músico Ray Charles. 2) O diretor do filme Django Livre é Quentin Tarantino, cujo último filme, Bastardos Inglórios, conquistou 8 indicações, incluindo Melhor Filme. Apesar de serem qualificações que inevitavelmente o colocam em listas de possíveis nomes para o Oscar 2013, Jamie Foxx não teria sua maior arma: a transformação num papel biográfico.

Entretanto, seu papel de escravo que busca vingança contra seu dono e procura libertar sua mulher tem aquela alma de superação da trajetória de Russell Crowe em Gladiador, que levou o Oscar em 2001. Também conta a favor a presença de atores consagrados pela Academia: Christoph Waltz, Leonardo DiCaprio, Samuel L. Jackson, Jonah Hill e Bruce Dern.

Jamie Foxx foi indicado duas vezes ao Oscar, no mesmo ano, como Coadjuvante em Colateral (2004) e levando como Melhor Ator por Ray (2004). Sua indicação este ano por Django Livre corre por fora, mas à princípio não seria algo impossível.

John Hawkes em The Sessions

JOHN HAWKES (The Sessions)

Embora John Hawkes ainda não seja um nome bem conhecido fora de Hollywood, ele começou a atuar desde os anos 80 em papéis bem pequenos. Nessa trajetória, Hawkes soube priorizar a diversidade de gêneros que lhe trouxe maturidade. Participou do filmes de ação A Hora do Rush (1998) e Mar em Fúria (2000), filmes de terror Um Drink no Inferno (1996) e Identidade (2003), e dramas como O Gângster (2007) e Martha Marcy May Marlene (2011). Em 2011, foi indicado como Coadjuvante pelo obscuro O Inverno da Alma, fato que certamente lhe abriu muitas portas, e agoratem a grande chance de finalmente dar um salto na carreira com o filme The Sessions.

Nele, interpreta Mark O’Brien que, ao saber que tem seus dias contados, procura perder sua virgindade com uma profissional do sexo com a ajuda de sua terapeuta e um padre. Talvez a temática seja um pouco avançada para o Oscar, mas o filme saiu aplaudido e premiado do último Festival de Sundance e o trio de atores: Hawkes, Helen Hunt e William H. Macy têm sido elogiados pela crítica, o que favorece ainda mais sua indicação.

Para quem conhece alguns de seus trabalhos, sabe que o ator busca versatilidade (basta comparar Inverno da Alma e este filme) e, ao contrário de muitos colegas de profissão, não procura chamar atenção para si, mas para seus personagens. Apesar de já experiente, John Hawkes tende a crescer bastante no cenário artístico e na mídia, e sua segunda indicação ao Oscar (desta vez como ator principal) certamente o ajudará a receber projetos ainda maiores e mais ambiciosos. Não deve ganhar o prêmio este ano, mas quase 100% de certeza de que leva o Independent Spirit Award, que acontece um dia antes do Oscar.

Philip Seymour Hoffman em The Master

PHILIP SEYMOUR HOFFMAN (The Master)

Philip Seymour Hoffman começou a atuar em filmes no começo dos anos 90. Felizmente, nunca foi do tipo galã, então teve que ralar bastante para conquistar seu lugar ao sol. Mesmo em papéis menores, teve oportunidade de conhecer e atuar com grandes atores como Paul Newman, Al Pacino, James Woods e Ellen Burstyn, buscando construir seu próprio estilo de interpretação. Na maioria de seus trabalhos, percebe-se que Hoffman prioriza a atuação mais contida, mesmo com seu trabalho premiado pela Academia em Capote (2005), em que teve que copiar alguns trejeitos típicos do romancista Truman Capote, ele procurou reprimir a sexualidade de seu personagem.

Além do aprendizado com referências de Hollywood, outro fator notável na carreira de Hoffman foi o início de uma parceria forte com o jovem cineasta norte-americano Paul Thomas Anderson que, aos 26 anos, realizou seu primeiro longa, Jogada de Risco (1996). Com o diretor, Philip Seymour Hoffman voltou a trabalhar em Boogie Nights – Prazer Sem Limites (1997), Magnólia (1999), Embriagado de Amor (2002) e agora no tão aguardado The Master, no qual dá vida ao filósofo carismático Lacaster Dodd, que seria baseado na figura do criador da Cientologia, L. Ron Hubbard.

Pelo filme, Philip Seymour Hoffman já ganhou o Volpi Cup de Melhor Ator (compartilhado com seu colega Joaquin Phoenix) no último Festival de Veneza, de onde Paul Thomas Anderson também saiu premiado como Melhor Diretor. Hoffman já foi indicado três vezes ao Oscar: Melhor Ator por Capote (2005), Melhor Ator Coadjuvante por Jogos do Poder (2007) e Dúvida (2008), tendo levado pelo primeiro.

* Existe uma possibilidade dos produtores do filme quererem colocar Philip Seymour Hoffman na disputa de Ator Coadjuvante, pois na teoria aumentariam suas chances.

Anthony Hopkins em Hitchcock

ANTHONY HOPKINS (Hitchcock)

Para muitos que acompanham os trabalhos do ator briânico Anthony Hopkins, há de concordar que faz um tempo que ele não oferece uma atuação de maior relevância. Hoje em dia, é mais conhecido apenas pelo seu papel mais famoso e assustador: o Dr. Hannibal Lecter, com o qual fez três filmes: O Silêncio dos Inocentes (1991), Hannibal (2001) e Dragão Vermelho (2002). Mas apesar do atual rótulo de psicopata e o tratamento de coadjuvante de luxo, Hopkins sempre se mostrou um ator completo desde que trabalhou ao lado de dois gigantes da profissão: Katharine Hepburn e Peter O’Toole em O Leão no Inverno (1968). De lá pra cá, conquistou a confiança de renomados diretores como James Ivory, Alan Parker, Richard Attenborough, Steven Spielberg e mais recentemente, o diretor brasileiro Fernando Meirelles, com quem trabalhou em 360.

Tem muitos atores que depois de atingir seu ponto culminante na carreira, deixa de procurar novos desafios pois não teria mais nada a provar para ninguém. Com este novo filme, Anthony Hopkins comprova que não é um deles. Para isso, engordou muitos quilos e ficou algumas horinhas na cadeira de maquiagem, certamente aperfeiçoando aquele sotaque característico do diretor Alfred Hitchcock e suas expressões frias.

Em Hitchcock, dirigido pelo novato Sacha Gervasi do premiado documentário Anvil: The Story of Anvil (2008), acompanhamos as filmagens do mais famoso longa do mestre do suspense: Psicose (1960). Nele, descobrimos os bastidores do filme coberto por algumas discussões e polêmicas envolvendo desde o uso de dublê de corpo para Janet Leigh (vivida pelo sex symbol Scarlett Johansson) na antológica cena do chuveiro, sua relação de amor e profissional com sua mulher Alma Reville (interpretada por Dame Helen Mirren), as brigas contra a censura que alegava violência excessiva, os problemas financeiros para investir na produção e a superação do próprio diretor que queria provar que ainda tinha muito a ensinar a Hollywood.

Anthony Hopkins já foi indicado quatro vezes para o prêmio da Academia: Melhor Ator por Vestígios do Dia (1993) e Nixon (1995), Melhor Ator Coadjuvante por Amistad (1997) e vencedor com um belo chianti por O Silêncio dos Inocentes (1991).

Hugh Jackman em Les Miserables

HUGH JACKMAN (Les Miserables)

Para muitos, ele pode ser apenas aquele que deu vida a um dos personagens mais queridos da Marvel Comics: Wolverine em cinco filmes, mas existe um ator por trás de tudo, e dos bons. Jackman foi descoberto ao atuar numa peça musical da Broadway intitulada Oklahoma! e depois disso, foi abraçado pelo mundo através dos filmes dos X-Men. Por causa do charme e boa aparência, foi questão de tempo migrar para as comédias românticas, nas quais fez par com Ashley Judd e Meg Ryan. Mas Jackman queria aproveitar seu ápice como celebridade e atuar em filmes blockbuster. Então, além das adaptações de HQs, tentou criar uma franquia rentável com o péssimo Val Helsing – O Caçador de Monstros (2004), trabalhou com Christopher Nolan no imponente O Grande Truque (2006) ao lado de Christian Bale, fez par romântico com Nicole Kidman na grandiosa produção de Baz Luhrmann, Austrália (2008), e estrelou o bom filme de efeitos especiais Gigantes de Aço (2011). Em 2013, ele retorna ao papel que o consagrou em The Wolverine, de James Mangold.

Ainda na veia do espetáculo, Jackman tem a oportunidade de atingir seu auge no musical Les Miserábles, de Tom Hooper, uma vez que ele tem vasta experiência em montagens de palco e nas premiações em que foi anfitrião: o Tony Award e o Oscar, onde ele canta e dança com extrema facilidade. Como o retorno do gênero musical ainda é considerado uma aposta em Hollywood, esta adaptação da obra homônima de Victor Hugo vem sendo chamada de ousada pelas proporções e estrelas. Além de Jackman, o diretor chamou alguns nomes com conhecimentos musicais: Anne Hathaway, Helena Bonham Carter, Sacha Baron Cohen, Amanda Seyfried, Russell Crowe (tem uma banda de rock australiana chamada 30 Odd Foot of Grunts) e Samantha Barks (descoberta num concerto musical do próprio Les Miserábles, interpretando seu papel de Éponine).

Hugh Jackman tem a faca e o queijo na mão para finalmente conseguir sua primeira indicação ao Oscar: musical de grande produção (espera-se que as bilheterias correspondam), diretor vencedor do Oscar, roteiro baseado em antológica obra literária e elenco premiado e/ou indicada pela Academia. Ele já foi indicado para o Globo de Ouro, como Melhor Ator – Comédia ou Musical, pela comédia Kate & Leopold (2001).

Daniel Day-Lewis em Lincoln

DANIEL DAY-LEWIS (Lincoln)

Quando a parceria com Spielberg havia sido anunciada num projeto tão grandioso, Daniel Day-Lewis já estava com uma mão na estatueta do Oscar: sua terceira. Não querendo desmerecer outros atores e suas performances, mas quem conhece o trabalho de Day-Lewis, sabe que ele realmente se aprofunda na personagem (até demais) e sempre entrega uma interpretação no mínimo notável e digna de premiação. Essa colaboração de um dos maiores atores do mundo com um dos maiores diretores do mundo causa expectativas enormes antes mesmo de ver um trailer do filme.

Lincoln tem todos os ingredientes para se sagrar vencedor do Oscar de Melhor Filme, a começar pelo roteiro de Tony Kushner (vencedor do prêmio Pulitzer) que abrange um período de lutas e vitórias do presidente Abraham Lincoln, figura de extrema importância para o nascimento da nação americana. Com Steven Spielberg assumindo o controle do projeto, vários colaboradores oscarizados automaticamente embarcam como o diretor de fotografia Janusz Kaminski, o montador Michael Khan, o compositor John Williams e o diretor de arte Rick Carter. Ainda nesse tabuleiro de xadrez, temos peças de renome como Tommy Lee Jones, Sally Field, Jackie Earle Haley, James Spader, Hal Holbrook, John Hawkes e Joseph Gordon-Levitt.

Com esse cenário colossal por trás, Daniel Day-Lewis, que normalmente já seria um nome provável para o Oscar, tem chances reais de subir pela terceira vez no palco e agradecer novamente pelo Oscar e pela equipe de maquiagem, que fez um trabalho excepcional para deixá-lo com a cara de Lincoln. Suas performances são resultado de extenso trabalho de pesquisa e concentração no set de filmagem. Há quem diga que o ator não sai do personagem até pouco tempo depois das filmagens, como se estivesse possuído. Apesar de ortodoxo, esse método já foi indicado quatro vezes ao Oscar: Em Nome do Pai (1993), Gangues de Nova York (2002), Meu Pé Esquerdo (1989) e Sangue Negro (2007), vencendo duas vezes pelos dois últimos filmes. Se ganhar, Daniel Day-Lewis se torna o maior vencedor de Oscar de Melhor Ator de todos os tempos. Jack Nicholson tem três estatuetas, sendo duas como Melhor Ator e uma como Coadjuvante.

Bill Murray em Hyde Park on Hudson

BILL MURRAY (Hyde Park on Hudson)

Se Bill Murray não tivesse sido indicado por Encontros e Desencontros em 2004, talvez seu nome nem figuraria aqui na lista. Não que seu trabalho não seja digno de reconhecimento, mas como todos sabemos, a Academia costuma desprezar atores de comédia. Felizmente, mesmo que tardia, sua indicação ao Oscar veio, e desde então, todos os projetos em que Murray atua automaticamente se torna uma promessa de reconhecimento.

Murray já foi o carismático Dr. Peter Venkman de Os Caça-Fantasmas, já parou no tempo como o jornalista Phil em O Fetiço do Tempo e já foi Bosley, o chefe das Panteras. Embora não sejam exatamente filmes típicos de material de Oscar, essas comédias exercitaram bastante o timing cômico dele. Qualquer projeto em que Bill Murray participa acaba progredindo com sua presença na tela. Aquele personagem razoável do roteiro se torna uma figuraça na pele do ator-comediante. E, ao contrário de Jim Carrey, a atuação cômica de Bill Murray se mostra no tom da voz, na ironia de suas palavras e principalmente na falta de careta.

Quando esteve na cerimônia do Oscar e perdeu para Sean Penn em 2004, Bill sentiu a derrota porque queria muito ganhar, pois achava que seria muito improvável retornar à premiação. Agora com este Hyde Park on Hudson, drama com humor baseado em fatos reais do presidente Franklin D. Roosevelt durante visita do rei George VI e rainha Elizabeth da Inglaterra em 1939, ele tem a maior chance de sua vida com uma segunda indicação ao Oscar. Apesar do favoritismo de Daniel Day-Lewis, o fato de Bill Murray nunca ter ganhado o prêmio pode pesar a seu favor.

Joaquin Phoenix em The Master

JOAQUIN PHOENIX (The Master)

O irmão mais novo do promissor River Phoenix, Joaquin também teve sua carreira de ator iniciada na infância, tendo sua atuação mais memorável no drama familiar Parenthood – O Tiro que Não Saiu Pela Culatra (1989). Desiludido com os papéis oferecidos a jovens atores, decidiu se afastar da profissão e do país, vivendo no México por três anos ao lado do pai. Em 1993, voltou em circunstâncias trágicas, quando encontrou seu irmão num club em Los Angeles sofrendo de overdose. Apesar de sua ligação pedindo uma ambulância, River Phoenix morreu jovem. E esse acontecimento teve um impacto sobre seu retorno à carreira de ator. Após muita insistência por parte de amigos e familiares, Joaquin aceitou um papel em Um Sonho Sem Limites (1995), dirigido por Gus Van Sant (diretor que trabalhou com River em Garotos de Programa).

Seu retorno recebeu elogios da crítica e Joaquin Phoenix foi se animando novamente, ganhando a confiança de atores e colegas. Em 1999, numa ótima performance no polêmico 8mm – Oito Milímetros, ele havia chamado minha atenção pela frieza do personagem do submundo dos “snuff films” (filmes pornográficos com violência real). Contudo em 2000, pelo épico Gladiador, Phoenix deixou de lado a atuação contida para se acabar em gritos, gestos e expressões fortes como o jovem imperador de Roma que busca a auto-afirmação. Apesar de ter recebido sua primeira indicação pelo papel, o ator só realmente se firmou nos anos seguintes ao interpretar o cantor country Johnny Cash em Johnny & June (2005), que resultou em sua segunda indicação, e principalmente em seu trabalho no ótimo drama Os Amantes (2008), de James Gray, no qual interpreta um homem dividido entre a paixão de duas mulheres.

Não sei se o fato de Joaquin aceitar muitos papéis de personagens depressivos ou em decadência tenha lhe afetado psicologicamente, mas em 2008, ele anunciou que iria se aposentar da carreira e pouco depois, participou do talk show de David Letterman (veja vídeo da entrevista abaixo). Alguns dizem que se trata de uma atuação, outros falam de “puro maketing pessoal” e talvez os mais sensatos digam que o parafuso soltou. Na entrevista, ele chega com um visual alternativo (barba comprida e óculos escuros), parece estar totalmente alienado e indiferente em relação às perguntas de Letterman. Mas, felizmente, Joaquin Phoenix voltou a atuar e este retorno triunfal pode ser premiado pela Academia.

* Se Philip Seymour Hoffman realmente for transferido para a categoria de coadjuvante, as chances de Phoenix certamente triplicam.

Denzel Washington em Flight

DENZEL WASHINGTON (Flight)

Desde que ganhou o Oscar de Melhor Ator em 2002, Denzel Washington nunca mais figurou na lista de indicados. Seria o começo da maldição do Oscar? Entre as décadas de 80 e 90, o ator deu preferência aos personagens engajados, que buscam valores essenciais para a humanidade como a liberdade. Assim, Denzel participou de A Soldier’s Story (1984), de Norman Jewison, Um Grito de Liberdade (1987), de Richard Attenborough, e Tempo de Glória (1989), de Edward Zwick, tornando-o automaticamente uma figura que representa toda uma nação negra pelos direitos de igualdade. E quando ele aceitou trabalhar com um dos diretores mais engajados, Spike Lee, em Malcolm X (1992), todos tinham certeza de que ele seria o segundo negro a ganhar o Oscar de Melhor Ator (o primeiro foi Sidney Poitier na década de 60). Bem, ele acabou sendo o segundo negro, mas não naquele ano, pois perdeu para Al Pacino.

Depois que ganhou por um papel considerado de vilão (um policial corrupto) em Dia de Treinamento (2001), Washington passou a atuar em filmes policiais com o recém-falecido Tony Scott, como Chamas da Vingança (2004) e Déjà vu (2006), e O Gângster (2007) sob a direção do irmão Ridley Scott,  vivendo um período de descanso dos papéis políticos. Este ano, aceitou trabalhar pela primeira vez com Robert Zemeckis (diretor inovador, responsável pela trilogia De Volta para o Futuro, por Forrest Gump – O Contador de Histórias (1994) e Náufrago (2000)) no filme Flight, de temática mais séria sobre piloto que salva avião de queda e passa a ser tratado como herói nacional até que novas investigações apontam seus defeitos.

Acredito que se o filme for bem recebido pelo público americano, tem grandes chances de Denzel Washington voltar como indicado ao prêmio da Academia, pois ele é uma celebridade muito querida em Hollywood apesar da seriedade política. Já foi indicado cinco vezes: Melhor Ator Coadjuvante por Um Grito de Liberdade e por Tempo de Glória (seu primeiro Oscar), Melhor Ator por Malcolm X, em 2000 por Hurricane: O Furacão e em 2002, vencendo por Dia de Treinamento.

Nova geração de atores

James Dean

Marlon Brando, James Dean, Bette Davis…

Jack Nicholson, Meryl Streep, Paul Newman…

Sean Penn, Daniel Day-Lewis, Cate Blanchett…

Quais atores podem preencher seus lugares? Ou melhor: Existe esperança para o futuro? Particularmente, tenho uma visão apocalíptica, pois toda vez que um ator de qualidade nos abandona, bate logo um desânimo em mim: “Paul Newman nos deixa e sobra um Orlando Bloom…”

Mas é por causa desse pessimismo que resolvi escrever este post na tentativa de me convencer de que pode haver talento para as próximas gerações de cinéfilos admirarem. Claro que ninguém vai conseguir se equiparar a um Marlon Brando ou James Dean, mas ao analisar o trabalho de atores mais jovens, é possível perceber que há semelhanças que, se bem desenvolvidas, podem amadurecer o profissional.

Além disso, para classificar bem um ator, não basta conferir suas habilidades de interpretação ou se ele manda bem no método Stanislávski. Ele precisa saber escolher bem seus papéis em busca de novos desafios, afinal o ator que opta sempre pelos mesmos tipos de papéis acaba rotulado e limitado. É claro que vez ou outra, o ator pode (e deve) assinar um contrato milionário para pagar as contas (ainda mais se ganhou ou foi indicado ao Oscar recentemente), mas sua ânsia e ambição como intérprete deve ser sua prioridade.

Obviamente, essas “regras” que mencionei acima valem para o ator ideal, que sabe equilibrar trabalhos mais autorais com comerciais. A alternância entre ambos se mostra bastante saudável, pois em muitos trabalhos autorais, o ator esgota suas forças em nome de um personagem mais intenso, e um filme comercial em seguida tende a aliviar a pressão.

Heath Ledger (by Wireimage)

Minha melhor aposta dessa geração era Heath Ledger. Com seu constante progresso, acreditava que ele poderia ser o James Dean do século XXI, mas assim como o ídolo, acabou partindo cedo demais. Ledger alternava trabalhos comerciais com autoriais: fazia comédias comerciais como 10 Coisas que Eu Odeio em Você (1999) e Coração de Cavaleiro (2001) e dramas autorais como O Segredo de Brokeback Mountain (2005), Candy (2006) e Não Estou Lá (2007). Contudo, tratava qualquer trabalho com muita seriedade, mesmo se tratando de um blockbuster como O Patriota (2000) ou tendo um papel menor como em A Última Ceia (2001). Infelizmente, teve seu maior reconhecimento postumamente por sua incrível atuação como Coringa em Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008) pelo qual ganhou o Oscar.

A lista a seguir não está em ordem de qualidade ou preferência, mas Michael Fassbender merecia estar no topo por tratar a profissão de forma mais séria.

Michael Fassbender

MICHAEL FASSBENDER

Nascido em 02 de abril de 1977 – Baden-Württemberg, Alemanha

Melhores performances: Fome (2008), X-Men: Primeira Classe (2011), Shame (2011) e Prometheus (2012)

O ator alemão tem se tornado o talento mais almejado por diretores renomados como Ridley Scott e Steven Soderbergh. Apesar do currículo ainda ser pequeno, Fassbender tem procurado selecionar papéis mais densos que possa explorar seus limites como ator.

Em seu primeiro papel de destaque no filme independente Hunger, ele vive o ativista político Bobby Sands que faz greve de fome na prisão. Assim como fez Christian Bale no thriller O Operário, Fassbender perdeu muito peso para dar mais verossimilhança ao personagem. Ele chegou a perder 14 quilos, ficando com 59kg, ou seja, dedicação do nível de Robert De Niro.

Depois de ser descoberto, preferiu ser eclético em suas escolhas. No filme britânico Fish Tank (2009), interpretou Connor, um homem que tem um relacionamento com uma mãe solteira e com a filha adolescente dela. Já no cult de Tarantino, Bastardos Inglórios, dá vida ao Tenente Archie Hicox numa das melhores cenas do filme que se passa num bar.

E mesmo aceitando uma proposta alta para um blockbuster como X-Men: Primeira Classe, Michael Fassbender não desaponta. Ele encarna Erik Lensherr, o mutante Magneto, com muita propriedade e seriedade (que muitas vezes faltam a atores que consideram histórias em quadrinhos algo infantil). A atuação dele como Magneto em nada perde para a interpretação do veterano Ian McKellen na trilogia anterior dos X-Men e ainda lhe serve de complemento. Toda a dor e angústia do personagem que teve seus pais mortos no campo de concentração transborda em seu olhar do início ao fim do filme.

Em 2011, foi bastante elogiado por sua coragem e atuação em sua segunda parceria com o diretor Steve McQueen, Shame. Nele, Fassbender faz um viciado em sexo (paquera no metrô, pornografia na internet, prostitutas) que vê sua rotina interrompida quando sua irmã mais nova passa uns dias em seu apartamento. Shame se mostra um ótimo estudo de personagem e possibilita o público de acompanhar sua degradação até o fundo do poço, e felizmente, não tem a intenção de julgar e dar lição de moral. Como um solitário numa metrópole como Nova York, o ator explora a linguagem corporal e de olhares, tendo que abdicar de diálogos.

Recentemente, foi escolhido para dar vida ao ciborgue David em Prometheus (2012), considerado um prequel de Alien – O Oitavo Passageiro (1979), do mesmo Ridley Scott. Seguindo uma tradição de ciborgues na série Alien, Fassbender consegue apresentar algumas sutilezas que o tornam no melhor personagem do filme. Seu lado mecânico é quase imperceptível, seja através do tom de voz, pelas pausas entre as frases, por algum movimento de sua cabeça e em seu cabelo arrumadinho (!).

Fique de olho em: 12 Years a Slave (2013) e O Conselheiro do Crime (2013).

BEN FOSTER

Nascido em 29 de outubro de 1980 – Massachusetts, EUA

Melhores performances:Os Indomáveis (2007), O Mensageiro (2009)

Para o grande público, talvez a participação mais destacada dele seja como o mutante Anjo em X-Men 3 – O Confronto Final, mas para quem conferiu o bom western Os Indomáveis, sabe que ele está longe de ser um ator de rostinho bonito. Foster, assim como o grande ator Daniel Day-Lewis, abre mão de sua imagem para construir a do personagem. Com dois bons atores como Russell Crowe e Christian Bale, ele consegue roubar a cena ao viver o pistoleiro letal Charlie Prince. Para incrementar sua performance, foi treinado por um renomado especialista em armas de Hollywood.

Mas para chegar ao patamar das estrelas, Ben Foster teve um longo caminho desde o final dos anos 90, quando começou a atuar em filmes, vivendo o irmão do então desconhecido Adrien Brody em Ruas da Liberdade (1999) e conquistando seu papel de protagonista no drama Bang, Bang! Você Morreu! (2002), cujo personagem é um estudante que sofre de bullying.

Porém, o filme que lhe trouxe certa projeção foi em Refém (2005), estrelado por Bruce Willis. Ben Foster não fazia o tipo físico que o papel exigia (era bem forte e pesado), mas ele decidiu compensar a aparência seguindo uma outra direção. Baseou seu personagem num assassino real que viu seus pais morrerem e passou a ter um fetiche por meninas e observar pessoas morrerem.

Em 2009, já mais experiente, no drama de guerra O Mensageiro, o ator impressiona pela economia e as nuances. Seu personagem, o sargento Will Montgomery, é incumbido da ingrata tarefa de informar aos familiares a morte de soldados na guerra. Como o protocolo manda, não deve haver sentimento ou qualquer contato físico no momento do aviso, mas ele acaba se envolvendo com a viúva interpretada por Samantha Morton. Ambos juntamente com Woody Harrelson formam uma fortíssima trinca de atores, o que acabou valorizando ainda mais Ben Foster.

Recentemente, fez dois filmes de ação. Um ao lado do veterano cara-de-pedra Jason Statham em Assassino a Preço Fixo (2011) e outro com Mark Whalberg em Contrabando (2012), nos quais deve aprimorar sua técnica com armas de fogo e forma física (pra não se limitar aos papéis de homens magrelos!). Também trabalhou sob o comando de Fernando Meirelles no inédito por aqui 360, que contou com Anthony Hopkins, Jude Law e Rachel Weisz.

Fique de olho em: Kill Your Darlings (2013), Ain’t Them Bodies Saints (2013)

James Franco

JAMES FRANCO

Nascido em 19 de abril de 1978 – Califórnia, EUA

Melhores performances: Trilogia de Homem-Aranha (2002/2004/2007), Segurando as Pontas (2008), Milk – A Voz da Igualdade (2008) e 127 Horas (2010)

A primeira vez que vi James Franco, ele estava subindo ao palco do Globo de Ouro para receber o prêmio de melhor ator em minissérie. Ele interpretou a lenda James Dean (que aliás tem uma aparência bem semelhante) na série James Dean e ganhou notoriedade juntamente com o sucesso da série Freaks & Geeks, sobre a vida colegial. Atualmente, faz sucesso com sua participação em General Hospital.

Já no cinema, aceitou o papel de Norman Osborn, melhor amigo de Peter Parker, nos 3 filmes do Homem-Aranha e sua carreira decolou. Dirigido por Sam Raimi, seu personagem foi se tornando mais denso até o terceiro filme, quando tem de confrontar o fantasma de seu pai, o Duende Verde, e destruir seu outrora melhor amigo, Peter Parker (Tobey Maguire).

Mais recentemente, foi indicado ao Oscar pelo ciclista aventureiro de 127 Horas, Aaron Ralston. Foi um grande teste de fogo para o talento de Franco, que segurou praticamente o filme todo sozinho, uma vez que seu personagem (verídico) fica preso a uma rocha nos Canyons em Utah.

Sua escolha de papéis tem sido bem eclética. Além de Franco ter feito comédias como Segurando as Pontas e Sua Alteza?, foi bastante elogiado pelo papel do ativista homossexual Scott Smith de Milk – A Voz da Igualdade e provou ter carisma necessário para estrelar o Planeta dos Macacos: A Origem.

Talvez sua melhor qualidade seja seu lado eclético em relação a gêneros (dramas, comédias, romances, ficção científica) e linguagem (cinema, TV e minissérie).

Fique de olho em: Spring Breakers: Garotas Perigosas (2013), Lovelace (2013) e Oz: Mágico e Poderoso (2013)

RYAN GOSLING

Nascido em 12 de novembro de 1980 – Ontário, Canadá

Ryan Gosling

Melhores performances: Half Nelson (2006), A Garota Ideal (2007), Tudo Pelo Poder (2011), Drive (2011)

Para quem conheceu este ator canadense pelo filme romântico Diário de uma Paixão (2004), pode ter se levado pelas aparências. “Lá vem mais um galã sem talento de Hollywood”. Ledo engano. Gosling é o ator mais preciso de sua geração. Cada gesto, cada olhar, cada movimento tem um peso significante para a cena. Se você piscar, pode perder muita coisa.

Isso certamente se reflete em suas escolhas. A maioria de seus personagens possui um comportamento mais introspectivo. O motorista-dublê de Drive, o assessor político Stephen Meyers de Tudo Pelo Poder e obviamente, o tímido Lars que encontra sua paixão numa boneca inflável em A Garota Ideal apresentam essa característica em comum. O silêncio, assim como a distância emocional, costuma ser um item relevante para  a escolha do próximo trabalho de Gosling, que faz valer aquele velho ditado: “Menos é mais”. Enquanto tem ator “se esgoelando e se esperneando” sem necessidade, ele resolve com minúcias.

Foi indicado ao Oscar em 2007 pela interpretação do professor de colégio Dan Dunne que tem o hábito de se drogar de Half Nelson – Encurralados.

Fique de olho em: Caça aos Gângsteres (2012), Only God Forgives (2012)

Carey Mulligan

CAREY MULLIGAN

Nascida em 28 de maio de 1985 – Londres, Inglaterra

Melhores performances: Educação (2009), Não me Abandone Jamais (2010), Shame (2011), Drive (2011)

Esta jovem inglesa começou no cinema sem grande alarde num papel menor em Orgulho e Preconceito (2005). Seus traços de menina ajudaram a conquistar a vaga da protagonista Jenny de Educação, mas foi graças ao seu talento que pôde interpretar o momento de amadurecimento de sua personagem e consequentemente ter sido reconhecida com uma indicação ao Oscar.

Em seguida, foi escalada pelo veterano Oliver Stone para atuar na sequência de Wall Street como a filha de Michael Douglas. Muita gente fala do Shia LaBeouf, protagonista dessa sequência, mas sinceramente vejo Mulligan como uma das grandes descobertas dos últimos anos.

Como seu parceiro de tela Ryan Gosling, Carey soube trabalhar nuances com sua personagem quieta e acanhada de Drive, como já fizera no drama futurista de Mark Romanek, Não me Abandone Jamais. E já em Shame, foi a falastrona e carente irmã do personagem de Michael Fassbender. Esse trabalho pôde comprovar a consistência do talento de Mulligan. Voltar a ser indicada e ganhar o Oscar é mera questão de tempo.

Fique de olho em: O Grande Gatsby (2012) e Inside Llewyn Davis (2013)

CHLOE GRACE MORETZ

Nascida em 10 de fevereiro de 1997 – Georgia, EUA

Chloë Grace-Moretz

Melhores performances: Kick-Ass – Quebrando Tudo (2010), Deixe-me Entrar (2010), A Invenção de Hugo Cabret (2011)

Eu sei que ainda pode ser cedo demais para incluir uma menina como Moretz aqui, mas ela muito me lembra Jodie Foster, que foi um prodígio aos 12 anos trabalhando com Martin Scorsese em Alice Não Mora Mais Aqui (1974) e em Taxi Driver (1976), que surpreendeu a todos como a prostituta Iris.

Apesar de ainda não ter vivido uma prostituta, Moretz costuma escolher papéis adultos para crianças. A postura de suas personagens têm maturidade avançada que lhe cai como uma luva. Mesmo em sua curta participação na comédia romântica (500) Dias com Ela, sua jovem Rachel parece bem mais preparada para o romance do que Tom, o protagonista adulto vivido por Joseph Gordon-Levitt.

Na refilmagem do sueco Let the Right One In, intitulado Deixe-me Entrar, ela vive uma vampira de 12 anos, cuja idade real supera os 60 anos. Sua interpretação foi elogiada pela crítica e graças a ela, ofereceram o papel da problemática Carrie White da refilmagem Carrie (1976).

Seu trabalho tem atraído a atenção de diretores renomados como Tim Burton, que a chamou para viver Carolyn Stoddard em Sombras da Noite. A trajetória de sucesso de Chloë Grace Moretz parece bem traçada, mas como se trata de uma garota, precisa ser bem amparada pelos pais e agente para que não tome rumos obscuros como o de Macaulay Culkin ou Edward Furlong.

Fique de olho em: Carrie – A Estranha (2013), The Drummer (2013)

Jennifer Lawrence

JENNIFER LAWRENCE

Nascida em 15 de Agosto de 1990 – Kentucky, EUA

Melhores performances: Inverno da Alma (2010), X-Men: Primeira Classe (2011)

Um dos primeiros trabalhos de Jennifer no cinema foi com o roteirista mexicano Guillermo Arriaga no drama Vidas que se Cruzam (2008). Apesar de ter atuado ao lado de atrizes experientes como Charlize Theron e Kim Basinger, ela só conseguiu se destacar com o drama independente Inverno da Alma (2010), no qual interpretou uma jovem em busca do pai traficante em terrenos perigosos a fim de tentar manter a casa de sua família. Para viver Ree Dolly, Lawrence abdicou de qualquer beleza e glamour (filmado no estilo documentário), reforçando seu comprometimento com a personagem. Além disso, mesmo sua atuação sendo bastante contida, consegue demonstrar a frieza e determinação que o papel exigia. Acabou indicada para o Oscar de melhor atriz, que a levaria a assinar contratos milionários com a série nova dos X-Men e a adaptação dos best-sellers Jogos Vorazes.

Como a substituta de Rebecca Romjin-Stamos, trouxe a instabilidade e insegurança da mutante Mística na juventude, especialmente em relação à sua aparência física. Era possível enxergar a personagem imatura e indecisa sobre que lado ela defenderia com seus poderes. Recentemente, assinou para a sequência de X-Men: Primeira Classe, previsto para 2014.

E em outras produções, mesmo atuando como coadjuvante, Jennifer Lawrence rouba suas cenas. Em Like Crazy (2011), como a namorada preterida de Jacob, que encara os sentimentos de forma silenciosa. Ou em Um Novo Despertar (2011), onde vive a líder de torcida Norah, que não consegue digerir a morte de seu irmão. Numa entrevista de making of, a atriz e diretora do filme, Jodie Foster, confessa que gostaria de ter descoberto o talento de Jennifer, mas que sua escolha para o papel foi mais do que acertada.

Fique de olho em: Serena (2013), Jogos Vorazes: Em Chamas (2013), Trapaça (2013)

EMMA STONE

Emma Stone

Nascida em 06 de novembro de 1988 – Arizona, EUA

Melhores performances: A Mentira (2010), Histórias Cruzadas (2012)

Apesar de ter feito trabalhos mais dramáticos, Emma Stone claramente tem uma veia cômica que deve ser melhor explorada. Mesmo em meio ao clima tenso de racismo do Mississipi no drama Histórias Cruzadas, sua personagem Skeeter consegue aliviar e divertir com seus modismos fora dos padrões da sociedade e consegue conquistar o público.

Mas o forte mesmo de Emma Stone são as comédias, tanto que seu histórico não nega: Superbad – É Hoje (2007), O Roqueiro (2008), A Casa das Coelhinhas (2008), Minhas Adoráveis Ex-Namoradas (2009) e Zumbilândia (2009). Desde sua estréia em Superbad, ela se mostra mais inclinada para o gênero, pois é bastante desinibida e como muitos atores que marcaram pela comédia, a ruiva não se importa em se expôr ao rídiculo.

Emma conquistou muitos fãs depois que atuou na comédia teen A Mentira (2010). Com muitas caras e bocas, a atriz gera o carisma necessário para que o público apoie sua personagem em suas boas intenções e mentiras brancas. Stone assume a visão divertida da história, possibilitando que a comédia dê certo. E a Associação de Imprensa Estrangeira viu esse dom da atriz e reconheceu seu trabalho com uma indicação ao Globo de Ouro.

No blockbuster deste ano, O Espetacular Homem-Aranha, apesar de não haver muito espaço, ela se desdobra numa sequência aparentemente simples para esconder Peter de seu pai que está escondido em seu quarto. Também apresentou boa química com Andrew Garfield e deve estar na sequência.

Fique de olho em: Caça aos Gângsteres (2012), Os Croods (2013)

Jeremy Renner

JEREMY RENNER

Nascido em 07 de janeiro de 1971 – Califórnia, EUA

Melhores performances: Guerra ao Terror (2008), Atração Perigosa (2010), Os Vingadores (2012)

Curiosamente, desde a época da escola, Renner gostava de atuar como policial em peças de teatro, pois estava dividido entre seguir a carreira de ator e agente da lei. Desde meados dos anos 90, o ator participou de produções menores como a comédia Senior Trip (1995), mas só captou a atenção dos críticos como o serial killer Jeffrey Dahmer em Dahmer (2002), que lhe rendeu uma indicação no Independent Spirit Award.

Cansado da época das vacas magras, Jeremy aceitou atuar na adaptação da série de TV da década de 70, S.W.A.T. – Comando Especial (2003) ao lado de um ascendente Colin Farrell e experiente Samuel L. Jackson. Seguindo seu treinamento (e provavelemente sede) por armas de fogo, viveu o atirador de elite de zumbis Doyle em Extermínio 2 (2007) e como coadjuvante no faroeste O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford (2007).

Apesar de suas habilidades policiais e bélicas, a diretora Kathryn Bigelow ficou impressionada com a interpretação humanista dele como serial killer no independente Dahmer e ofereceu o papel que mudou sua carreira: o sargento William James de Guerra ao Terror (2008). Ao dar profundidade ao especialista em desarme de bombas, Jeremy Renner foi indicado ao Oscar de melhor ator e felizmente, esse reconhecimento lhe trouxe melhores oportunidades que logo abraçou.

Aceitou participar do segundo filme dirigido por Ben Affleck, Atração Perigosa (2010), mas desta vez num papel do outro lado da lei: um assaltante de bancos. De volta a um personagem coadjuvante, Jeremy imprime tridimensionalidade ao seu personagem em poucas cenas, trabalhando como ninguém o comportamento violento e instável. Novamente foi indicado ao Oscar.

Agora, com seu talento mais do que provado, o ator passa a colher frutos. Nesse ano, viveu o herói Gavião Arqueiro no mega-sucesso Os Vingadores – The Avengers, demonstrando segurança e a frieza necessárias para um arqueiro, e neste segundo semestre, ele assume o papel de protagonista nos filmes do agente Jason Bourne em O Legado Bourne. Não, ele não toma o papel que era de Matt Damon, mas um outro agente que participou do mesmo programa do governo. À princípio, fiquei meio receoso por achar que se tratava apenas de uma produção que se aproveitaria da fama do personagem, mas se você conferir o trailer, deve mudar de idéia.

Fique de olho em: O Legado Bourne (2012), Hansel e Gretel: Caçadores de Bruxas (2013), Trapaça (2013)

MARK RUFFALO 

Mark Ruffalo

Nascido em 22 de novembro de 1967 – Wisconsin, EUA

Melhores performances: Conte Comigo (2000), Colateral (2004), Zodíaco (2007), Minhas Mães e Meu Pai (2010)

No meio de tantos jovens, Mark já parece um veterano. Começou a atuar em filmes desde 1993, mas foi só em 200o que passou a chamar a atenção. Sua atuação como Terry, um irmão há muito sumido que aparece para pedir dinheiro emprestado da irmã (Laura Linney) em Conte Comigo mostrou que uma nova face de atores contidos estava surgindo no horizonte. Ruffalo conquistou alguns prêmios na época como coadjuvante e inclusive o New Generation Award da Associação de Críticos de Los Angeles.

Em seus próximos trabalhos, ele continuou atuando como coadjuvante em bons dramas como Minha Vida Sem Mim (2003) da diretora espanhola Isabel Coixet, no polêmico Em Carne Viva (2005) de Jane Campion e até em filmes de ação como A Última Fortaleza (2001) e Códigos de Guerra (2002).

Felizmente, novas oportunidades surgiram para que Mark Ruffalo pudesse mostrar seu talento. Tornou-se aquilo que os diretores chamam de “coadjuvante de luxo”, ou seja, ótimo ator para servir de apoio para o protagonista. E foi exatamente isso que ele fez com maestria em: Colateral, vivendo um policial mais malandro que investiga os crimes de Vincent (Tom Cruise); Em Zodíaco, vive o inspetor Toschi que está obstinado pela busca do serial killer Zodíaco por décadas (particularmente, considero esta sua melhor atuação); E no drama familiar Minhas Mães e Meu Pai, interpretando o solteirão Paul que enfrenta a paternidade de forma inusitada. Por este papel, Ruffalo finalmente recebeu uma indicação ao Oscar.

Também vale ressaltar que, apesar de Mark parecer estar sempre aguardando uma oportunidade para ser um ator-protagonista, tem um imenso carisma que pode ser conferido nas comédias De Repente 30 (2004) e E se Fosse Verdade… (2005). E agora que roubou a cena no blockbuster de 2012, Os Vingadores, vivendo Bruce Banner, poderiam finalmente produzir um filme solo do Hulk para ele, certo?

Fique de olho em: Thanks for Sharing (2012), Now You See Me (2013), The Normal Heart (2014)

Saoirse Ronan

SAOIRSE RONAN (pronuncia-se “Sãr-shã”)

Nascida em 12 de abril de 1994 – Nova York, EUA

Melhores performances: Desejo e Reparação (2007), Um Olhar do Paraíso (2009), Hanna (2011)

Aos 13 anos, Saoirse Ronan abraçou sua personagem dedo-duro Briony Tallis do drama Desejo e Reparação, baseado no ótimo romance de Ian McEwan, Atonement, e deixou de ser mais uma atriz-mirim para alcançar o estrelato com uma merecida indicação ao Oscar de atriz coadjuvante. Ao contrário da maioria dos jovens talentos, ela não partiu para os papéis destinados a crianças e pré-adolescentes. Não. Saoirse tinha fome de desafios e foi o que Peter Jackson lhe propôs no drama extraordinário Um Olhar do Paraíso, uma vez que interpreta uma jovem assassinada, que assiste do céu à degradação de sua família após seu assassinato. Curiosamente, ainda desconhecida na época, ela enviou uma fita de teste da Irlanda (país que morou desde os 3 anos). Todos ficaram tão impressionados que ela foi escolhida sem ter que encontrá-la antes.

Continuando sua escalada de desafios, foi chamada novamente pelo diretor Joe Wright (de Desejo e Reparação) para ser a protagonista de Hanna. No filme, Saoirse é uma jovem de 16 anos treinada pelo pai para ser a assassina perfeita para cumprir uma missão na Europa. Ela é perseguida incansavelmente pela agente Marissa (Cate Blanchett) e busca sua sobrevivência do início ao fim. Devido ao alto nível de exigência física, a atriz se submeteu a um rigoroso treinamento de 4 horas diárias por 2 meses para alcançar o patamar necessário da personagem. Saoirse Ronan não decepciona, sendo um equilíbrio de frieza e delicadeza que a história precisava.

Também se mostra bem dedicada ao ofício em se tratando de idiomas. Pelo filme de fuga e guerra de Peter Weir, Caminho da Liberdade (2010), ela aprendeu a falar russo e comprovou seu dom para sotaques.

Nesses aspectos, ela lembra bastante uma jovem Cate Blanchett que, além do forte comprometimento para viver as personagens, seja através de pesquisa e/ou mudanças físicas, busca papéis sérios de mulheres fortes e seguras. Podem anotar: Saoirse Ronan tem um futuro brilhante pela frente.

Fique de olho em: Byzantium (2012), A Hospedeira (2013), Noah (2014)

ROONEY MARA

Rooney Mara

Nascida em 17 de abril de 1985 – Nova York, EUA

Melhores performances: A Rede Social (2010), Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres (2011)

Apesar da família da jovem Rooney Mara ser envolvida com time de futebol americano (seu pai é executivo do New York Giants), ela seguiu carreira de atriz como sua irmã, Kate Mara, tanto que ambas estrelaram o filme Lenda Urbana 3 – A Vingança de Mary (2005). Porém, foi só 2 anos depois que ganhou o papel principal no drama Tanner Hall (2009). Originalmente, ela seria escalada para um personagem coadjuvante, mas a diretora ficou impressionada e a tornou protagonista. E, de degrau em degrau, Rooney finalmente conseguiu estrelar uma grande produção: a refilmagem do clássico de terror A Hora do Pesadelo (2010).

Como em 90% das refilmagens, o filme do novo Freddy Kruger desapontou o público. Contudo, a culpa do fracasso passou longe do trabalho de Rooney Mara. Ela faz o que pode com o papel, tentando atualizar e criar novas dificuldades. Felizmente, alguns críticos enxergaram isso e ela acabou escolhida para viver a universitária Erica Albright que dá um pé na bunda do criador do Facebook, Mark Zuckerberg, no filme que definiu uma geração: A Rede Social (2010).

Sua personagem tem apenas 2 cenas chaves: o diálogo rápido sobre classes sociais no começo do filme e a discussão fria num bar com o mesmo Zuckerberg. Pouco tempo em cena, mas suficiente para comprovar o talento da moça que ficou com o tão almejado papel da hacker Lisbeth Salander em outra refilmagem (desta vez do sueco) Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres (2011). Pra se ter uma idéia da briga por esse papel, pelo menos 17 atrizes famosas tiveram seus nomes relacionados, sendo alguns de destaque: Carey Mulligan, Ellen Page, Eva Green, Kristen Stewart, Natalie Portman, Scarlett Johansson, Anne Hathaway e até da própria atriz sueca Noomi Rapace, que atuou na trilogia original.

Para quem viu a atuação de Rapace, fica difícil não comparar com Rooney Mara, mas a americana reproduz a face sem expressão da personagem e um pouco também da aparência andrógina, mantendo uma aura de mistério importante para o andamento da trama. E de forma geral, Rooney costuma emprestar uma forte intensidade muito característica sua em cada personagem que vive, me fazendo lembrar de Gena Rowlands.

Fique de olho em: The Bittel Pill (2013), Ain’t them Bodies Saints (2013), Brooklyn (2014).

Tom Hardy

TOM HARDY

Nascido em 15 de setembro de 1977 – Londres, Inglaterra

Melhores performances: Bronson (2008), A Origem (2010), Guerreiro (2011)

Hardy começou no cinema com alguns papéis menores em filmes de relevância como Falcão Negro em Perigo (2001), Maria Antonieta (2006) e até viveu o vilão Shinzon de Star Trek: Nêmesis (2002). Após essas conquistas, ele passou a ter problemas de alcoolismo e drogas, tendo como consequência o término de um casamento de 5 anos. Mas esses tempos chuvosos não impediram Tom Hardy de voltar a exercer a profissão; pelo contrário, fortaleceram suas energias e inspirações.

Em 2003, já voltou aos palcos londrinos e nos 5 anos seguintes, participou de algumas séries televisivas como Elizabeth I: A Rainha Virgem (2005) e Oliver Twist (2007). Seu retorno ao cinema ficou marcado por dois personagens que comprovaram seu alcance físico e psicológico como profissional: o gay Handsom Bob do badalado filme de Guy Ritchie, Rock’n Rolla – A Grande Roubada (2008) e o lutador careca e bigodudo Charles Bronson de Bronson (2008. Em ambos os filmes, o ator se mostra irreconhecível, o que inevitavelmente chama a atenção de críticos e diretores de cinema.

Entre esse grupo de interessados no talento dele, felizmente, estava um dos melhores diretores e roteiristas da atualidade: Christopher Nolan, que o chamou para ingressar a trupe de atores de A Origem (2010). Apesar de contar com inúmeras estrelas como Leonardo DiCaprio, Michael Caine e Marion Cotillard, foi Tom Hardy que mais chamou a atenção nesse blockbuster com neurônios e isso já lhe rendeu um excelente reconhecimento: foi escalado novamente por Nolan para dar vida ao vilão Bane no terceiro filme do Homem-Morcego: Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012), que estréia neste dia 27 de julho por aqui.

Com certeza, sua atuação deve receber incontáveis e merecidos elogios, até mesmo pela repercussão mundial que a tão aguardada sequência de Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008) terá, o que certamente colaborará para que o público se interesse por seus trabalhos anteriores como no bom filme de luta Guerreiro (2011). Mesmo intepretando um anti-herói, ele conquista o espectador com sua postura quieta e introspectiva, ganhando torcedores até a luta final da trama. E tais características são perfeitas para sua nova performance no filme Mad Max: Fury Road, dirigido pelo mesmo George Miller dos filmes anteriores da série protagonizada por Mel Gibson.

Só uma observação: é impressão minha ou ele tem um olhar meio Marlon Brando?

Fique de olho em: Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012), Mad Max: Fury Road (2013)

***

Obviamente, ainda existem inúmeros novos talentos surgindo no âmbito do Cinema e com certeza absoluta, serei crucificado aqui por ter me esquecido de fulano e ciclano, e ainda posso ser acusado de ter dado preferência aos americanos. Mas em minha defesa, queria dizer que escolhi esses treze atores porque acredito que todos já apresentaram trabalhos de alto nível e têm potencial enorme para assumir postos de astros de Hollywood dessa geração. Se o ator ou atriz que você realmente admira não consta na lista, provavelmente significa que não conferi trabalhos suficientes para inclui-lo(a).

Inicialmente, alguns nomes como Ellen Page, Andrew Garfield, Elle Fanning, Hailee Steinfeld, Shailene Woodley, Jesse Eisenberg, Rebecca Hall, Sam Riley e Abigail Breslin foram lembrados com carinho, mas não passaram da peneira por talvez ser um pouco cedo pra apostar. Frequentemente, muitos começam com o pé direito, mas se revelam atores de um papel só. Os 13 selecionados já mataram essa dúvida.

É claro que tem aqueles que (ainda) não acho nada e são tratados como grandes esperanças, tipo um tal de Shia LaBeouf…

Espero que tenham gostado do post e gostaria de fazer novas listas promissoras num futuro não tão distante. Aguardo comentários e não esqueça de votar na enquete abaixo!

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