‘A Chegada’, ‘Moonlight’ e ‘La La Land’ concorrem ao Eddie Awards

Amy Adams  em cena de A Chegada (pic by moviepilot.de)

Amy Adams em cena de A Chegada (pic by moviepilot.de)

FAVORITOS DA TEMPORADA ESTÃO ENTRE OS INDICADOS AO EDDIE

Primeiramente, Feliz Ano Novo para todos! É o primeiro post de 2017 e sinceramente, espero que este ano seja infinitamente melhor do que 2016. Quanto ao Oscar, desejo que os resultados sejam justos, e não apenas influenciados pela queixa de “falta de diversidade”, afinal Arte não enxerga cor, raça e religião.

Tradicionalmente, o primeiro post costuma focar no indicados ao Eddie Awards, o prêmio do sindicato dos montadores. Muita gente me pergunta o que o prêmio valoriza numa montagem e como escolhem a melhor. Bom, montagem é a edição de um filme, desde a forma como a história é contada (linear, não-linear, flashbacks, flashforwards etc.) até a precisão de um corte de um plano para outro para gerar catarse ou timing cômico.Muitos dos vencedores do Oscar de montagem costumam ser filmes de ação, porque conseguem gerar um clima de tensão em maior evidência do que num drama. Basta checar as montagens de alguns vencedores como Rocky – Um Lutador, Bullitt, O Ultimato Bourne e Mad Max: Estrada da Fúria para ver que a ação é valorizada e estendida pela montagem. Essa característica da montagem no cinema já ficava em evidência desde o filme soviético O Encouraçado Potemkin (1925), de Sergei M. Eisenstein. Em uma cena, na qual um carrinho de bebê percorre toda uma escadaria, a montagem inclui inúmeras ações simultâneas, prolongando o desespero da mãe do bebê. Para quem não conhece, vale a pena assistir, porque a produção carrega pura essência do Cinema como Arte.

Cena da escadaria da obra máxima de Sergei M. Eisenstein, O Encouraçado Potemkin (pic by slantmagazine.com)

Cena da escadaria da obra máxima de Sergei M. Eisenstein, O Encouraçado Potemkin (pic by slantmagazine.com)

A fim de abranger mais trabalhos diversificados, o Eddie Awards apresenta categorias de Drama, Comédia, Documentário e Animação. Nesta 67ª edição do prêmio, os destaques ficam para os favoritos da temporada: o musical La La Land, e os dramas Moonlight e Manchester à Beira-Mar.

Embora a concorrência esteja boa na categoria de Drama, acredito que a dupla Nat Sanders e Joi McMillon de Moonlight conseguem bater os demais: Até o Último Homem, A Qualquer Custo, Manchester à Beira-Mar e até mesmo a complexa de A Chegada. Acho que a montagem da ficção científica estrelada por Amy Adams tem mais o mérito da não-linearidade imposta pela história dos alienígenas do que por méritos próprios.

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Alex R. Hibbert e Mahershala Ali em cena de Moonlight (pic by moviepilot.de)

Já na ala de comédia, tudo indica que La La Land leva o prêmio. Seu montador, Tom Cross, que venceu o Oscar por Whiplash: Em Busca da Perfeição, por ter uma sintonia muito forte com o diretor Damien Chazelle, consegue imprimir um ritmo fantástico que casa muito bem com a música, além de um lado técnico muito forte que vemos na precisão de seus cortes. E vale destacar a montagem de Deadpool. Por se tratar de um filme de origem de personagem, o trabalho de Julian Clarke na montagem deixa tudo mais leve e menos cansativo.

Emma Stone e Ryan Reynolds num momento musical em La La Land (pic by moviepilot.de)

Emma Stone e Ryan Reynolds num momento musical em La La Land (pic by moviepilot.de)

Existem também as categorias de televisão. Como não acompanho nenhuma dessas séries indicadas, vou parafrasear a Glória Pires: “Não posso opinar”. Hahah Mas foi a série Better Call Saul, da Netflix, que dominou esta edição com três indicações na categoria de Séries de episódios de uma hora.

Confira todos os indicados do Eddie Awards 2017:

CINEMA

MELHOR MONTAGEM – DRAMA
– Joe Walker (A Chegada)
– John Gilbert (Até o Último Homem)
– Jake Roberts (A Qualquer Custo)
– Jennifer Lame (Manchester à Beira-Mar)
– Nat Sanders, Joi McMillon (Moonlight)

MELHOR MONTAGEM – COMÉDIA OU MUSICAL
– Julian Clarke (Deadpool)
– Roderick Jaynes (Ave, César!)
– Mark Livolsi (Mogli: O Menino Lobo)
– Tom Cross (La La Land: Cantando Estações)
– Yorgos Mavropsaridis (O Lagosta)

MELHOR MONTAGEM – ANIMAÇÃO
– Christopher Murrie (Kubo e as Cordas Mágicas)
– Jeff Draheim (Moana: Um Mar de Aventuras)
– Jeremy Milton, Fabienne Rawley (Zootopia)

MELHOR MONTAGEM – DOCUMENTÁRIO
– Spencer Averick (A 13ª Emenda)
– Matthew Hamachek (Amanda Knox)
– Paul Crowder (The Beatles: Eight Days a Week – The Touring Years)
– Bret Granato, Maya Mumma, Ben Sozanski (O.J.: Made in America)
– Eli B. Despres (Weiner)

TELEVISÃO

MELHOR MONTAGEM DE DOCUMENTÁRIO – TV
– Steve Audette (The Choice 2016)
– Bob Eisenhart (Everything is Copy)
– Oliver Lief (We Will Rise: Michelle Obama’s Mission to Educate Girls Around the World)

MELHOR MONTAGEM DE SÉRIES DE EPISÓDIOS DE MEIA-HORA
– Brian Merken (Silicon Valley — Ep: “The Uptick”)
– Steven Rasch (Veep — Ep: “Morning After”)
– Shawn Paper (Veep — Ep: “Mother”)

MELHOR MONTAGEM DE SÉRIES DE EPISÓDIOS DE UMA HORA – COM COMERCIAL
– Skip Macdonald (Better Call Saul — Ep: “Fifi”)
– Skip Macdonald, Curtis Thurber (Better Call Saul — Ep: “Klick”)
– Kelley Dixon, Chris McCaleb (Better Call Saul — Ep: “Nailed”)
– Philip Harrison (Mr. Robot — Ep: “eps2.4m4ster-s1ave.aes”)
– David L. Bertman (This Is Us — Ep: “Pilot”)

MELHOR MONTAGEM DE SÉRIES DE EPISÓDIOS DE UMA HORA – SEM COMERCIAL
– Yan Miles (The Crown — Ep: “Assassins”)
– Tim Porter (Game of Thrones — Ep: “Battle of the Bastards”)
– Dean Zimmerman (Stranger Things — Ep: “Chapter One: The Vanishing of Will Byers”)
– Kevin D. Ross (Stranger Things — Ep: “Chapter Seven: The Bathtub”)
– Stephen Semel, Marc Jozefowicz (Westworld — Ep: “The Original”)

MELHOR MONTAGEM DE MINISSÉRIES OU FILMES PARA TV
– Carol Littleton (All the Way)
– Jay Cassidy (The Night Of — Ep: “The Beach”)
– Adam Penn, Stewart Schill, C. Chin-yoon Chung (The People v O.J. Simpson: American Crime Story — Ep: “Marcia, Marcia, Marcia”)

MELHOR MONTAGEM – SÉRIES NÃO-ROTEIRIZADAS
– Hunter Gross (Anthony Bourdain: Parts Unknown — Ep: “Manila”)
– Mustafa Bhagat (Anthony Bourdain: Parts Unknown — Ep: “Senegal”)
– Josh Earl, Alexander Rubinow (Deadliest Catch — Ep: “First at Sea: Part 2”)

***

Os vencedores do 67º Eddie Awards serão conhecidos no dia 27 de janeiro.

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‘Capitão Phillips’ conquista o Eddie Awards e pode ter garantido seu único Oscar

Tom Hanks e Barkhad Abdi no bote claustrofóbico de Capitão Phillips (photo by outnow.ch)

Tom Hanks e Barkhad Abdi no bote claustrofóbico de Capitão Phillips (photo by outnow.ch)

Com as ausências de Tom Hanks e seu diretor, Paul Greengrass, entre os indicados ao Oscar, as chances de Capitão Phillips tiveram queda expressiva, mesmo que tenha sido indicado a Melhor Filme. Contudo, na semana passada, o filme conquistou o prêmio de roteiro adaptado (WGA), e agora, o de montagem – drama no ACE – Eddie Awards, reconhecimento de extrema importância concedido pelo sindicato de montadores.

Excetuando o ano de 2012, quando a montagem de Kirk Baxter e Angus Wall (Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres) bateu o vencedor do Eddie, Kevin Tent (Os Descendentes), o Oscar de montagem coincide desde 2002. Então nessa lógica, Capitão Phillips pode ter garantido seu único Oscar da noite para seu montador Christopher Rouse, uma vez que o WGA não contava com um dos favoritos: John Ridley (12 Anos de Escravidão).

Christopher Rouse recebe o Eddie de Leonardo DiCaprio (photo by)

Christopher Rouse recebe o Eddie de Leonardo DiCaprio (photo by deadline.com)

Colaborador assíduo de Paul Greengrass, Christopher Rouse está em sua 3ª indicação ao Oscar e já ganhou um pelo ótimo trabalho em O Ultimato Bourne (2007). Trata-se de um dos melhores montadores da atualidade, pois consegue criar tensão através de cortes rápidos, aliando-se ao material bruto de Greengrass repleto de “câmeras nervosas”. Em Capitão Phillips, assim que a abordagem dos piratas somalianos têm início, os cortes rápidos acompanham as ações desesperadas dos tripulantes a fim de evitar uma catástrofe até a cena final em que o conflito se resolve. Rouse não deixa o espectador respirar, fazendo com que o público sinta a mesma tensão que os personagens estão passando. A seqüência no bote é claustrofóbica e interminável, no bom sentido.

O prêmio do Sindicato de Montadores, o famoso Eddie (de Editors) - photo by goldderby.com

MELHOR MONTAGEM – DRAMA

– Joe Walker (12 Anos de Escravidão)
• Christopher Rouse (Capitão Phillips)
– Alfonso Cuarón, Mark Sanger (Gravidade)
– Eric Zumbrunnen, Jeff Buchanan (Ela)
– Mark Livolsi (Walt nos Bastidores de Mary Poppins)

Jennifer Lawrence em seu momento 'Live and Let Die' (photo by elfilm.com)

Jennifer Lawrence em seu momento ‘Live and Let Die’ (photo by elfilm.com)

Já na categoria de Comédia ou Musical, a dupla Jay Cassidy e Crispin Struthers (aliados a Alan Baumgarten) voltou a ganhar o mesmo prêmio do ano passado por O Lado Bom da Vida. Mérito também do roteiro do diretor David O. Russell, que possibilita a montagem quebra-cabeça policial, que destaca o plano genial do protagonista. Além disso, vale destacar também algumas seqüências musicadas por “Goodbye Yellow Brickroad” de Elton John, “How Can You Mend a Broken Heart” dos Bee Gees, e especialmente “Live and Let Die” de Paul McCartney, em que Rosalyn, personagem de Jennifer Lawrence, interage com a música do ex-beatle enquanto limpa a casa.

O trio Crispin Struthers, Jay Cassidy e Alam Baumgraten recebem o Eddie (photo by zimbio/getty images)

Da esquerda para direita: O trio Crispin Struthers, Jay Cassidy e Alam Baumgarten recebem o Eddie (photo by zimbio/getty images)

MELHOR MONTAGEM – COMÉDIA OU MUSICAL

• Jay Cassidy, Crispin Struthers, Alan Baumgarten (Trapaça)
– Stephen Mirrione (Álbum de Família)
– Ethan Coen, Joel Coen (Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum)
– Kevin Tent (Nebraska)
– Thelma Schoonmaker (O Lobo de Wall Street)

Sonho de neve: O boneco Olaf em cena de Frozen: Uma Aventura Congelante (photo by elfilm.com)

Sonho de neve: O boneco Olaf em cena de Frozen: Uma Aventura Congelante (photo by elfilm.com)

Entre as animações, Frozen: Uma Aventura Congelante continua sua coleta de prêmios após o Globo de Ouro e o Critics’ Choice Awards. A animação feita pela Disney (não confundir com Pixar) está quase atingindo a marca de 400 milhões de dólares em sua 11ª semana de exibição só nos EUA. Esses números encorajam os executivos a não ficarem tão dependentes das produções da Pixar.

Na categoria documentário, A Um Passo do Estrelato explora o universo dos backup singers que, embora fiquem atrás dos holofotes, são responsáveis pela harmonia de inúmeras bandas. Esse prêmio traz ainda mais equilíbrio à categoria no Oscar, pois The Square ganhou o DGA, enquanto O Ato de Matar, o European Film Awards.

MELHOR MONTAGEM – ANIMAÇÃO

– Gregory Perler (Meu Malvado Favorito 2)
• Jeff Draheim (Frozen: Uma Aventura Congelante)
– Greg Snyder (Universidade Monstros)

MELHOR MONTAGEM – DOCUMENTÁRIO

• Douglas Blush, Kevin Klauber, Jason Zeldes (A Um Passo do Estrelato)
– Eli B. Despres (Blackfish: Fúria Animal)
– Patrick Sheffield (Tim’s Vermeer)

A 86ª cerimônia do Oscar acontece no dia 02 de março e será transmitido pela TNT.

Cena de A Um Passo do Estrelato (photo by outnow.com)

Cena do documentário A Um Passo do Estrelato (photo by outnow.com)