TAIKA WAITITI (JOJO RABBIT) É INDICADO ao DGA

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Bong Joon Ho, Quentin Tarantino, Sam Mendes, Martin Scorsese e Taika Waititi (centro) são os indicados do DGA

DIRETOR DE JOJO RABBIT ASSUME A ÚLTIMA VAGA DO DGA NO LUGAR DE TODD PHILLIPS (CORINGA)

Quando se trata de Sindicato de Diretores, estamos falando do prêmio mais certeiro em relação ao Oscar. Desde que começou a premiar os melhores diretores do ano em 1949, o DGA só divergiu com a Academia SETE vezes (cerca de 90%!). Como são poucas, é sempre válido relembrá-las:

ANO DGA OSCAR
2013 Ben Affleck (Argo) Ang Lee (As Aventuras de Pi)
2002 Rob Marshall (Chicago) Roman Polanski (O Pianista)
2000 Ang Lee (O Tigre e o Dragão) Steven Soderbergh (Traffic)
1995 Ron Howard (Apollo 13) Mel Gibson (Coração Valente)
1985 Steven Spielberg (A Cor Púrpura) Sydney Pollack (Entre Dois Amores)
1975 Francis Ford Coppola (O Poderoso Chefão) Bob Fosse (Cabaret)
1968 Anthony Harvey (O Leão no Inverno) Carol Reed (Oliver!)

Portanto, quem ganhar aqui já estará com uma mão na taça, meu amigo! Então, vamos aos indicados:

MELHOR DIREÇÃO

  • BONG JOON HO (Parasita)
  • SAM MENDES (1917)
  • MARTIN SCORSESE (O Irlandês)
  • QUENTIN TARANTINO (Era Uma Vez em… Hollywood)
  • TAIKA WAITITI (Jojo Rabbit)

Sim, nosso querido Hitler imaginário conseguiu uma prestigiada indicação ao DGA por sua sátira Jojo Rabbit. Vimos o filme, mas honestamente não embarcamos no universo. Para quem desconhece (sim, sem spoilers!), a trama envolve um garoto alemão que se alista aos nazistas na Segunda Guerra Mundial, enquanto sua mãe esconde uma judia no sótão da casa. Bom, primeiramente, como estamos saturadíssimos do tema Segunda Guerra Mundial e Holocausto, qualquer abordagem bem diferente já é um ponto positivo. Waititi, que é conhecido pelas comédias O Que Fazemos nas Sombras (2014), A Incrível Aventura de Rick Baker (2016) e Thor: Ragnarok (2017), buscou extrair humor de uma tragédia, o que é bastante arriscado em termos de tom e de resposta do público mais conservador. Agora seria um mini-spoiler! O problema é que ele simplesmente debocha dos nazistas como se fossem mais estúpidos do que mortos-vivos dos anos 70, aplicando um humor mais bobo do que inteligente, e da metade para o final, a sátira dá lugar a um romance adolescente estilo Moonrise Kingdom. Aliás, parece um filme de Wes Anderson, tanto no visual quanto na montagem. O filme em si não é de todo ruim, mas se fosse para fazer uma comédia, que fosse de um nível mais alto de inteligência como um Primavera Para Hitler (1967) ou O Grande Ditador (1940).

Na disputa, os franco-favoritos continuam sua busca pelo Oscar: Martin Scorsese (O Irlandês), Sam Mendes (1917), Quentin Tarantino (Era Uma Vez em… Hollywood) e Bong Joon Ho (Parasita). Qual deles vai ganhar o DGA e consequentemente o Oscar?

Nessa hora, é importante destacar que no último mês de Junho, o DGA divulgou uma nova regra que pode indicar os possíveis vencedores. A partir desta edição do prêmio, só poderão disputar a categoria principal aqueles filmes que estrearam primeiro nas salas de cinema. Se o filme estreou no cinema no mesmo dia em que estreou na plataforma de streaming, perde o direito de competir como Melhor Diretor, apenas na categoria de Diretor Estreante.

“O DGA orgulhosamente afirma que o primeiro lançamento feito nos cinemas é um elemento distintivo do nosso prêmio. Celebramos o importante papel que as salas de cinema desempenharam ao reunir o público para experimentar coletivamente os filmes como os cineastas queriam que fossem vistos. Também temos muito orgulho em reconhecer todo o trabalho criado por nossos membros através das muitas categorias e formatos que fazem parte do DGA Awards”, comunicou o presidente do sindicato Thomas Schlamme. Resumindo o gringo: A gente vai avaliar todos os filmes, seja em cinema ou streaming, mas claramente damos preferência aos lançados nas salas de projeção e a categoria de Diretor Estreante é tão importante quanto de Melhor Diretor, viu? Portanto, mulheres do mundo, não se sintam menosprezadas! – só completando o pensamento: se for dar preferência a lançamentos de cinema: Martin Scorsese, volte pra casa!

Todd Phillips, diretor de Coringa, indicado ao Globo de Ouro, acabou ficando de fora. Seu trabalho na direção foi um divisório de águas. Particularmente, não gostamos muito. Apesar de ter havido uma boa idéia de resgatar a violenta década de 70, ele se utiliza em excesso dos filmes de Martin Scorsese, especialmente O Rei da Comédia. Parece queele fez um remake com Joaquin Phoenix no lugar de Robert De Niro, que agora faz o papel de Jerry Lewis. E se formos comparar os trabalhos, o de Scorsese tem muito mais consistência (reparem que não há uma única cena sequer desnecessária) e contexto. Pra quem ainda não viu, recomendamos assistir ao filme de 1982 antes de (re)ver Coringa.

No lugar de Taika Waititi? Fácil. Colocaríamos os irmãos Josh e Benny Safdie pelo excepcional Jóias Brutas (Uncut Gems). Considerados os novos irmãos Coen, eles têm um frescor de um cinema imprevisível que foi mais lapidado depois do também ótimo Bom Comportamento (2017). É uma pena que o trabalho deles ficou tão esquecido na temporada, pois seria uma ótima oportunidade para eles terem maior visibilidade e poderem realizar projetos mais ambiciosos.

Bom, na falta de uma diretora na categoria principal, botaram TRÊS na categoria de Diretor Estreante:

DIRETORES ESTREANTES

  • MATI DIOP (Atlantique)
  • ALMA HAR’EL (Honey Boy)
  • MELINA MATSOUKAS (Queen & Slim)
  • TYLER NILSON E MICHAEL SCHWARTZ (The Peanut Butter Falcon)
  • JOE TALBOT (O Último Homem Negro em São Francisco)
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Começando de cima da esquerda para direita: Melina Matsoukas, Tyler Nilson e Michael Schwartz, Joe Talbot, Mati Diop e Alma Har’el. Todos indicados a Diretor Estreante

As três diretoras Mati Diop, Alma Ha’rel e Melina Matsoukas foram as três representantes femininas, cujos filmes tiveram uma boa repercussão, especialmente Mati Diop, que foi a primeira mulher negra indicada à Palma de Ouro com seu filme senegalês da Netflix, que ainda pode ser indicado ao Oscar de Filme Internacional. Com poucos recursos, ela conta uma história diferente da relação de seu país com a onda imigratória.

Ainda incluiríamos Olivia Wilde pela comédia Fora de Série. Realmente não entendemos como um dos nomes femininos mais badalados ficou de fora. Teriam achado uma comédia muito teenager?


A cerimônia do 72º Directors Guild Award será no dia 25 de Janeiro em Los Angeles. 

RETROSPECTIVA 2019: O Ano das Diretoras e da A24

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Mais um ano se foi. Tradicionalmente, nessa época faço uma espécie de balanço sobre tudo relacionado a Cinema. Filmes vistos, amados e odiados, como foi o Oscar, o que mudou no cenário e as perdas que tivemos ao longo do ano. É um exercício bacana de ser feito, lido e relido para acompanhar as mudanças e adaptações que o Cinema sofre de tempos em tempos.

Sintam-se à vontade para postar nos comentários seus Tops 5 ou 10 dos melhores e piores. Se tem uma coisa bacana de listas é que eles sempre acrescentam novas opiniões e novas descobertas. Espero poder compartilhar um pouco disso tudo com vocês seguidores do blog, da página do Facebook e agora do nosso perfil no Instagram.

OSCAR 2019: ANO DOS BLOCKBUSTERS MAS SEM UM HOST!

Primeiramente, gosto da idéia de abrir a cerimônia com uma performance musical. Por mim, podia se tornar uma tradição, afinal, temos que ouvir as 5 canções indicadas de qualquer jeito, então por que não adiantar? Em 2017, Justin Timberlake logo cantou a canção de Trolls e logo animou o público.

Este ano, apesar de ter gostado de ver os integrantes do Queen ali no palco, não apreciei a performance vocal de Adam Lambert. E foi logo aí que senti falta de um host. Pra quem não se lembra do episódio, a Academia chamou Kevin Hart para ser o host, mas descobriram que ele não é uma figura politicamente correta, aí lançaram aquele ultimato ridículo do “Ou pede desculpas ou você cai fora!”. Felizmente Hart peitou a instituição e pediu demissão. Aí, vimos um cenário em Hollywood que ninguém estava disposto a ter a vida pessoal vasculhada para ocupar a vaga de Hart. Então, alguém da produção do evento teve a brilhante idéia: “Por que não fazer o show sem host? Vamos economizar uma hora!”. A verdade é que conseguiram eliminar alguns minutos do programa, mas o Oscar ficou sem graça. Se fosse só pra revelar os resultados, preferia um powerpoint.

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A cerimônia só melhorou depois de mais de uma hora com a apresentação de “Shallow” de Lady Gaga e Bradley Cooper. E teve o momento mais surpreendente e caloroso com a vitória de Olivia Colman para Melhor Atriz por A Favorita. A gente que é cinéfilo sente muito por mais uma derrota de Glenn Close, mas no fundo sabe que Colman entregou uma performance melhor e mais original.

Dentre as vitórias, também fiquei feliz por Ruth E. Carter, que venceu o Oscar de Figurino por Pantera Negra. Claro que a mídia a saudou como a primeira negra a ganhar o Oscar dessa categoria, o que é bastante válido para a história da premiação, mas o que me chama bastante a atenção é o capricho dela para que os figurinos revelem mais sobre a personalidade dos personagens. Embora seja baseado em material pré-existente dos quadrinhos da Marvel, toda a cultura afro ficou muito bem impressa e representada nos figurinos. E foi uma vitória diferenciada na categoria, que costuma premiar filmes de época praticamente todos os anos.

E pra fechar, a vitória de Homem-Aranha no Aranha-Verso pra mim foi um respiro pra fora da água dominada por Disney e Pixar. Não que eu morra de paixão pelo filme (considero a história relativamente fraca comparada à própria qualidade da animação e design), mas certamente foi uma grata surpresa da Sony, que explora bem a questão da diversidade na identidade do personagem. Aproveitando o assunto do Oscar de Longa de Animação, ficaria mais feliz se filmes mais alternativos ganhassem de vez em quando. Neste ano, por exemplo, Mirai e Ilha dos Cachorros eram trabalhos criativos que poderiam ter vencido também.

BALANÇO FEMININO

Depois dos movimentos feministas do Me Too e Time’s Up, Hollywood se sentiu acuada para se adaptar aos novos tempos. Felizmente, houve um crescimento considerável cerca de 33% de mulheres atrás das câmeras, tanto nas produções cinematográficas como nas televisivas. Claro que ainda há um longo caminho a percorrer, já que essas atividades eram exclusivamente predominadas por homens por mais de um século, mas os grandes estúdios estão enxergando essa mudança como benéfica, e não se limitar apenas a cumprir uma cota.

Uma das grandes mudanças foi que, antes, qualquer projeto poderia ser dirigido por homens. Hoje, existem alguns projetos, principalmente de temática feminina, que são praticamente impossíveis de contar com uma visão masculina. Por exemplo: a comédia Fora de Série (Booksmart), sobre duas meninas colegiais que buscam farrear antes da formatura, ou As Golpistas (Hustlers), que acompanham a volta por cima das strippers que perderam muito dinheiro por causa de Wall Street. Como em qualquer forma de arte, quanto maior o número de visões e perspectivas, melhor e mais completa fica a arte em si. Não deve se tratar apenas de porcentagens de mulheres empregadas, mas que suas vozes sejam trabalhadas em projetos que as façam ser ouvidas.

Dentre as diretoras de 2019, destacamos algumas mais relevantes:

  • Olivia Wilde (Fora de Série)
  • Mati Diop (Atlantique)
  • Céline Sciamma (Retrato de uma Jovem em Chamas)
  • Marielle Heller (Um Lindo Dia na Vizinhança)
  • Greta Gerwig (Adoráveis Mulheres)
  • Lulu Wang (The Farewell)
  • Melina Matsoukas (Queen & Slim)
  • Lorene Scafaria (As Golpistas)
  • Alma Har’el (Honey Boy)
  • Kasi Lemmons (Harriet)
  • Elizabeth Banks (As Panteras)

Houve muita reclamação de cineastas sobre a exclusão de mulheres na categoria de Direção no Globo de Ouro 2020. Eles não indicam uma mulher desde 2015, quando Ava DuVernay foi reconhecida por Selma. Embora tenhamos maior número de mulheres nas cadeiras de direção, não significa necessariamente que as premiações precisam ou são obrigadas a indicar ou premiá-las. Calma! O reconhecimento vai vir, e muito em breve, mas ele tem de vir com o devido mérito para que entre na história. Esta é uma luta que precisa ser contínua para que possa colher os frutos, que certamente virão.

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Greta Gerwig dá orientações a Meryl Streep nas filmagens de Adoráveis Mulheres (pic by IMDb)

Honestamente, acredito que a Academia pode indicar uma diretora este ano, pois são milhares de membros votantes contra 90 jornalistas da HFPA. Contudo, mesmo que haja um esforço coletivo, não existe um consenso entre Greta Gerwig, Lulu Wang e Olivia Wilde. Se houvesse um foco como a própria Gerwig com Lady Bird há dois anos, seria mais fácil. Esse cenário pode e deve mudar com o anúncio do DGA, sindicato dos diretores, em 07 de Janeiro.

Falando em futuro, em 2020 estão previstos grandes projetos comandados por diretoras que prometem melhorar ainda mais o quadro feminino em Hollywood. Só para citar algumas: Niki Caro (Mulan), Chloé Zhao (Os Eternos), Cate Shortland (Viúva Negra), Patty Jenkins (Mulher-Maravilha 1984) e Lana Wachowski (Matrix 4).

MARTIN SCORSESE vs MARVEL STUDIOS

Já abordamos este assunto aqui antes, mas na área de cinema, foi um dos que mais repercutiu. E mal para Martin Scorsese. Apesar de entendermos o desabafo do cineasta ítalo-americano, a frase “Os filmes da Marvel não são cinema. São um parque temático” soou como  uma estratégia barata de desvalorizar o concorrente das bilheterias porque está morrendo de inveja, mas não pode demonstrar.

Como um diretor renomado dos anos 70, Scorsese poderia ter se aposentado como o colega Francis Ford Coppola, porque depois de Taxi Driver, O Rei da Comédia e Touro Indomável, ele não precisava provar mais nada pra ninguém, mas admiro muito a vontade criativa dele. Foi um dos poucos de sua geração que ainda busca fazer filmes bons e inventivos como O Lobo de Wall Street, A Invenção de Hugo Cabret e o recente O Irlandês. Então pra que expôr uma opinião fútil como essa?

A Marvel Studios e o produtor Kevin Feige estão colhendo os merecidos frutos de um planejamento muito bem feito que se iniciou lá em 2008. Vingadores: Ultimato se tornou a maior bilheteria de todos os tempos, conseguindo superar os dois filmes de James Cameron: Titanic e Avatar. Você pode não gostar dos filmes, mas eles têm uma boa carga de entretenimento que muitos apreciam (taí os números pra confirmar essa paixão). E as adaptações de histórias em quadrinhos começou há pouco tempo. São décadas e mais décadas de HQs repletas de material para o cinema, então essa onda não vai acabar tão cedo, a menos que o público decida que termine antes.

Irishman Scorsese

Scorsese entre Al Pacino e Robert De Niro na premiere de O Irlandês da Netflix (pic by IMDb)

Quanto a Scorsese, felizmente ele se encaixou bem no sistema da Netflix, que se tornou um oásis para diretores autores como ele. Cada cinema tem seu próprio espaço. Não precisa desmerecer os outros trabalhos para valorizar o seu próprio.

O ANO DA A24

Fundado em 2012, o estúdio nova-iorquino (que era apenas uma distribuidora no início) já vinha se destacando pelos seus títulos e suas passagens vitoriosas em premiações nos últimos anos. Ex-Machina, O Quarto de Jack, Moonlight, A Bruxa, Lady Bird e Projeto Flórida, só para citar alguns.

Este ano, foi um dos grandes destaques ao lado da Netflix (aliás, falando na plataforma de streaming, a partir de 2020, os filmes da A24 serão exibidos apenas na plataforma da concorrente Apple Plus TV devido a um acordo firmado). Embora ainda não tenha produções muito bem-sucedidas nas bilheterias, estão chamando atenção pelas apostas mais arriscadas em originalidade como Midsommar, um filme de terror psicológico que se passa na Suécia e dispensa a escuridão para assustar.

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Muita luz do sol e cores: Florence Pugh em Midsommar (pic by IMDb)

Essa filosofia do estúdio tem atraído vários cineastas que também estão cansados das mesmices dos lançamentos de cinema e estão buscando novas temas e novas vozes. Enquanto a Netflix tem abrigado os diretores renomados que perderam espaço nos cinemas como Martin Scorsese, Noah Baumbach, Fernando Meirelles e até o falecido Orson Welles, a A24 tem apostado em novos talentos ou diretores em início de carreira. Entre os novatos estão Robert Eggers, Ari Aster, Lulu Wang, David Robert Mitchell, Trey Edward Shults e os irmãos Benny e Josh Safdie. Todos são nomes que você pode apostar em originalidade e personalidade.

Eis alguns destaques do estúdio lançados em 2019:

  • Jóias Brutas (Uncut Gems)
  • O Farol (The Lighthouse)
  • Midsommar
  • The Farewell
  • The Last Black Man in San Francisco
  • Waves
  • The Souvenir
  • Gloria Bell
  • Under the Silver Lake
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Adam Sandler como o dono de joalheria Howard Ratner em Uncut Gems (pic by IMDb)

CRÍTICAS

Bom, apesar de não ter conseguido conferir trabalhos badalados como Jojo Rabbit, O EscândaloDois Papas, procurei assistir ao maior número possível de potenciais da temporada de premiações e futuros indicados ao Oscar como O Irlandês, História de um Casamento, The Farewell, Dor e Glória, Coringa, Atlantique e Bacurau. A lista provavelmente seria um pouco diferente se eu apenas privilegiasse a qualidade artística, mas procurei valorizar a questão da originalidade e perspectiva.

Dentre alguns trabalhos que não estão na lista, destaco Atlantique e Bacurau. Ambos trabalham com elementos do cinema de gênero com a finalidade de reforçar uma mensagem sócio-econômica, embora suas metáforas ainda estejam aquém do nível de um John Carpenter, por exemplo. Fora de Série da diretora estreante Olivia Wilde também vale a citação. Não que seja um primor como filme, mas por ela conseguir fazer uma versão feminina daqueles típicos filmes de adolescente americano que pipocaram nos anos 80 e 90 imprimindo sua personalidade logo em seu primeiro filme.

Já o novo filme de Tarantino, Era uma Vez em… Hollywood, tem seus méritos principalmente no quesito da paixão que o diretor nutre pelo cinema como um escape da realidade cruel dos anos 70. Ele faz do filme uma espécie de carta de amor à poesia da arte. Como roteiro, deixou um pouco a desejar, principalmente por personagens secundários e por repetir a fórmula de mudar o curso da História como fez em Bastardos Inglórios com os nazistas, e Django Livre com os escravistas.

META 2019

Não tive exatamente uma meta estipulada em números, mas acho vergonhoso da minha parte assistir a menos de 100 filmes em um ano. Em 2019, consegui fazer as pazes com o tempo e consegui me dedicar mais aos filmes, resultando em 234 longas e 26 curtas até a presente data. Talvez ainda consiga ver mais um ou outro antes da virada do ano.

Além dos lançamentos, procurei assistir a alguns filmes que estavam na minha watchlist há um bom tempo como os clássicos A Montanha dos Sete Abutres (1951), Anatomia de um Crime (1959), Cléo das 5 às 7 (1962) e voltar a ter contato com os mestres Akira Kurosawa em Trono Manchado de Sangue (1957), Vittorio De Sica em Vítimas da Tormenta (1946), Jean Renoir em A Regra do Jogo (1939) e John Cassavettes em Amantes (1984), enquanto descobria filmes excepcionais como A Longa Caminhada (1971), O Espírito da Colméia (1973), Alambrista! (1977), El Norte (1983) e Tudo por Dinheiro (1982).

PIORES DO ANO

Não sei quanto a vocês, mas apesar de gostar de assistir de tudo, se possível prefiro economizar meu tempo e dinheiro com filmes que estão destinados a serem ruins, de gosto duvidoso ou com complicações na produção. Então, dificilmente assistirei a Playmobil: O Filme, por exemplo. Já há casos que até me interessei pelos diretores envolvidos, mas após conferir os trailers e ler as críticas, acabei desanimando como aconteceu com Projeto Gemini (Ang Lee), Hellboy (Neil Marshall) e Cadê Você, Bernadette? (Richard Linklater). Provavelmente vou conferir esses últimos filmes, mas quem sabe depois do Oscar?

TOP 5 PIORES LANÇAMENTOS DO ANO

5. DORA E A CIDADE PERDIDA (Dora and the Lost City of Gold)
Dir: James Bobin
Apesar de ser destinado a um público infantil, trata-se de uma adaptação com zero de imaginação, péssimos diálogos e personagens. E que ainda não dá pra ser sustentado por um carisma ainda meio verde de Isabela Moner. Se fosse lançado direto para home video, ainda estaria sendo privilegiado.

4. X:MEN: FÊNIX NEGRA (Dark Phoenix)
Dir: Simon Kinberg
Tudo bem que a Fox estava praticamente vendida para a Disney, mas quem teve a brilhante idéia de contratar um diretor estreante que ficou conhecido por ser produtor de algumas pérolas como X-Men: O Confronto Final, Jumper e Quarteto Fantástico (2015)? Desgastou uma das maiores sagas dos quadrinhos dos X-Men… mais uma vez.

3. A LAVANDERIA (The Laundromat)
Dir: Steven Soderbergh
É difícil acreditar que um cineasta criativo como Soderbergh, que já realizou Sexo, Mentiras e Videotape (1989) e Irresistível Paixão (1998) se tornou um Adam McKay genérico. Ele quis imitar o filme da crise econômica A Grande Aposta (2015), e acabou fazendo um vídeo institucional de 1 hora e meia.

2. O PINTASSILGO (The Goldfinch)
Dir: John Crowley
Esse filme é uma verdadeira aula de como NÃO adaptar um livro, ainda mais vencedor do Pulitzer, para o cinema. As cenas não têm carga emocional, e o péssimo trabalho de montagem só piora o material. O que mais dói é que Crowley tinha Roger Deakins como diretor de fotografia (não sabia que era possível fazer filme ruim com ele na câmera) e Nicole Kidman e Sarah Paulson no elenco. Um erro em todos os departamentos.

1. O REI LEÃO (The Lion King)
Dir: Jon Favreau
Pra quem acompanha o blog, sabe que sou contra essa onda de Live-Actions da Disney. Claro que eles estão na deles de querer lucrar com um material conhecido, mas essa falta de criatividade e falta de propósito nos remakes me assombra como cinema. E acredito (e espero) que este filme seja o ápice do vazio desses live-actions. Não se trata apenas de animais sem expressão humanizada, mas de uma história clássica recontada de forma praticamente idêntica, porém sem alma. Alguém lembra da versão colorida de Psicose de Gus Van Sant? Os atores que dublaram, com exceção óbvia de James Earl Jones, são infinitamente piores do que aqueles de 1994, o que elimina qualquer rastro de humanidade num filme que mais precisava dele. Os efeitos visuais são ótimos e merecem o Oscar da categoria, mas se quer reviver o Hamlet da Disney, reveja a animação.

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Cena do live action O Rei Leão (pic by IMDb)

MELHORES DO ANO

TOP 5 MELHORES LANÇAMENTOS DO ANO

5. O FAROL (The Lighthouse/ 2019)
Dir: Robert Eggers
Talvez a decisão mais difícil neste top 5. Havia colocado O Irlandês aqui, mas algumas coisas pesaram a favor de O Farol, começando pela incrível estética. Robert Eggers foi extremamente ousado ao decidir filmar em 35mm, em preto-e-branco e numa real locação, onde ficaram expostos a inúmeros contratempos. A fotografia de Jarin Blaschkin é primorosa, pois além do aspecto expressionista repleto de sombras, sua granulação permite uma vibe tátil e é quase possível sentir o cheiro do mar. Ótimas atuações, especialmente de Willem Dafoe, um ator versátil como poucos. Diria que é um filme perturbador pelo aspecto de isolamento.

4. LUCE (Luce/2019)
Dir: Julius Onah
Fui atrás desse filme depois das indicações ao Independent Spirit e me surpreendi pela evolução na temática racista. É como se o cinema já estivesse saturado da superficialidade da questão racial e decidisse se aprofundar com uma trama diferente com personagens mais densos e com backgrounds alternativos. O protagonista Luce é um aluno prodígio no colégio, mas com idéias um tanto radicais que podem ter explicação em seu passado. Grandes atuações, especialmente de Kelvin Harrison Jr. e Octavia Spencer.

3. NÓS (Us/ 2019)
Dir: Jordan Peele
No papel, é um filme inferior a Corra!, mas Jordan Peele fez o que se esperava dele: foi mais ambicioso, tanto na questão racial quanto na questão filosófica.  A primeira vez que se assiste a Nós, a ação e a tensão crescente nos entretém como um bom filme de terror psicológico. A partir da segunda vez, é possível analisar melhor os detalhes que perdemos para nos proporcionar uma reflexão maior sobre as metáforas e simbolismos. Lupita Nyong’o extraordinária em dois papéis.

2. JÓIAS BRUTAS (Uncut Gems/ 2019)
Dir: Benny Sadie e Josh Safdie
Depois de se encantar com o filme anterior dos irmãos Safdie, Bom Comportamento, havia altas expectativas em relação a este novo trabalho. Mesmo assim, Jóias Brutas consegue nos surpreender, principalmente pela fluidez de sua narrativa. Como uma marca dos diretores, a imprevisibilidade faz parte dos acontecimentos, o que reforça ainda mais as atuações de Julia Fox, e principalmente de Adam Sandler. Ótima combinação de montagem com a trilha de Daniel Lopatin. É aquele típico filme que não tem cara de Oscar, mas que depois a Academia vai se arrepender de não ter premiado ou sequer indicado.

1. PARASITA (Gisaengchung/ 2019)
Dir: Bong Joon-Ho
Parasita é aquele fruto perfeito que o diretor Bong Joon-Ho plantou lá atrás com os intrigantes Memórias de um Assassino (2003), O Hospedeiro (2006), Mother (2009), O Expresso do Amanhã (2013) e Okja (2017). Aqui ele volta a dialogar com vários temas que já tratou como a família, a luta de classes e até a questão da superpopulação, mas de uma forma completamente diferente. A mistura de gêneros é tamanha que dá a impressão de que o filme vai se perder a qualquer momento, mas a direção de Joon-Ho é tão segura do primeiro ao último minuto que é impossível não ficar impressionado pelo seu controle. Um filme pra se ver várias vezes, descobrir coisas novas e com chances mínimas de ficar datado. Um dos melhores filmes deste século XXI.

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Cena de Parasita (pic by OutNow.CH)

TOP 5 MELHORES em ACERVO MÍDIA DIGITAL ou STREAMING

5. OASIS (Oasiseu/ 2002)
Dir: Chang-dong Lee
Depois de me apaixonar por seus outros trabalhos posteriores: Poesia, Sol Secreto e Em Chamas, finalmente consegui conferir Oasis. Lee escolhe a dedo seu protagonista atrapalhado que consegue enxergar muito mais além da superfície de preconceitos e ir fundo na alma da debilitada Gong-ju (aliás, impressionante atuação de So-ri Moon, que deixa Eddie Redmayne no chão). Um filme extremamente poético que merece ser descoberto.

Oasis

4. WANDA (Wanda/ 1970)
Dir: Barbara Loden
Muito se fala hoje de mulheres no cinema, então ninguém melhor do que Barbara Loden para abrir a discussão. Ela teve a audácia de dirigir um filme escrito e atuado por ela no final dos anos 60, tornando-se a primeira mulher a fazê-lo com este belo e tocante Wanda. A protagonista de mesmo nome é uma ex-dona de casa, recém-divorciada em uma pequena cidade de mineração nos EUA que tem uma segunda chance na vida ao ser acolhida por um ladrão. A atriz pioneira morreu muito jovem, aos 48 anos, vítima de câncer de mama. 

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3. A MONTANHA DOS SETE ABUTRES (Ace in the Hole/ 1952)
Dir: Billy Wilder
Este filme é um TAPA enorme no sensacionalismo da mídia. Jornalista de NY explora o circo midiático de um acidente na montanha que deixa um homem soterrado por dias. Somente Billy Wilder, grande diretor dos clássicos Se Meu Apartamento Falasse, Testemunha de Acusação e Pacto de Sangue, poderia destrinchar a podridão do jornalismo nos anos 50. Confirmando que o mestre estava à frente de seu tempo, o filme foi um fracasso de crítica e de público, mas ainda permanece muito relevante nos dias de hoje, e sua qualidade inquestionável. Talvez o melhor papel de Kirk Douglas na carreira, e estupenda atuação de Jan Sterling.

Ace in the Hole

2. MARGARET (Margaret/ 2011)
Dir: Kenneth Lonergan
Fiquei com esse filme na cabeça por alguns dias por vários motivos. Margaret é um filme sobre uma moça (Anna Paquin) que testemunha um acidente de ônibus na cidade. Com enorme peso na consciência, ela busca respostas se realmente foi acidental ou um erro grave. Só a cena do acidente em si já te deixa baqueado por um bom tempo, depois essa questão ética te drena de uma forma contundente. Paquin entrega sua melhor performance, Jeannie Berlin rouba suas cenas e temos uma vibe mega ôrganica nesse filme que é difícil não ficar perdido. Originalmente, o filme estava previsto para lançamento em 2007, mas devido às brigas de corte final com a Fox Searchlight, Lonergan teve de aguardar QUATRO anos para seu filme ser descoberto.

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1. O REI DA COMÉDIA (The King of Comedy/ 1982)
Dir: Martin Scorsese
Dentre alguns filmes de Scorsese que deixei escapar, estava O Rei da Comédia. Yes, my bad!  O filme é focado na vida de Rupert Pupkin (Robert De Niro), um comediante amador que sonha em fazer sucesso no programa de TV de Jerry Langford (Jerry Lewis). Aproveitei a oportunidade do lançamento de Coringa para conferir este filme, para então descobrir que o diretor Todd Phillips praticamente copiou este filme e Taxi Driver para criar sua Gotham City dos anos 70. Não que copiar seja algo necessariamente inválido, mas o impacto que Coringa causou em muitos cinéfilos não se aplicava naqueles que já haviam visto os filmes de Scorsese. Honestamente, considero o Rupert Pupkin de De Niro e a Masha de Sandra Bernhard mais assustadores do que Joaquin Phoenix como Arthur Fleck. Pupkin tem uma imprevisibilidade deixariam muitos stalkers no chão. Filme perfeito de Scorsese, cujas cenas são inestimáveis, e ele pratica o humor negro que nunca imaginei que ele teria.

King of Comedy

Jerry Lewis e Robert De Niro em cena de O Rei da Comédia (pic by IMDb)

IN MEMORIAN

Foi triste acompanharmos a partida de atores muito jovens partindo como o nosso Caio Junqueira, que morreu num acidente de carro aos 42 anos, o ator americano Luke Perry aos 52 anos, e o diretor John Singleton aos 51, vítimas de AVC. Singleton foi o primeiro diretor negro a ser indicado ao Oscar de Direção e também o mais jovem aos 24 anos por Os Donos da Rua (1991).

Perdemos grandes mestres do cinema como a emblemática Agnès Varda, Franco Zeffirelli, Stanley Donen, e os diretores brasileiros Domingos de Oliveira e Fábio Barreto.

Dentre os atores, o britânico Albert Finney (indicado a 5 Oscars sem vitória), Doris Day (uma indicação por Confidências à Meia-Noite), Peter Fonda (2 indicações: uma por Roteiro Original e outra como Ator por O Ouro de Ulisses), Seymour Cassel (uma indicação por Faces), Robert Forster (uma indicação por Jackie Brown), Danny Aiello (uma indicação por Faça a Coisa Certa).

Outros atores que marcaram sua época estão Bibi Andersson (uma das favoritas de Ingmar Bergman), Rutger Hauer (Blade Runner), Bruno Ganz (que foi anjo em Asas do Desejo e Hitler em A Queda), Anna Karina (O Demônio das Onze Horas), Julie Adams (a moça que encantou o Monstro da Lagoa Negra) e Peter Mayhew, que foi o Chewbacca de Star Wars.

Também gostaríamos de destacar o grande compositor francês Michel Legrand, que venceu 2 Oscars de Trilha Musical (Houve uma Vez um Verão e Yentl) e 1 Oscar de Canção Original (Crown, o Magnífico).

Mais fora do âmbito do cinema, sentimos pela perda da cantora sueca Marie Fredriksson da banda Roxette (ela tinha câncer no cérebro), e dos brasileiros Gugu Liberato (que foi vítima de um acidente doméstico, e que participou de uns filmes brasileiros com a Xuxa e os Trapalhões) e o jornalista Ricardo Boechat (vítima de um acidente de helicóptero). Boechat era um dos raros âncoras de telejornal que expressava a nossa indignação com as notícias da política brasileira.

Ainda abro espaço para o crítico de cinema Rubens Ewald Filho, que nos deixou em junho. Apesar de ter trabalhos como ator e escritor, ficou conhecido por ser o “homem do Oscar”, que fez a conexão de incontáveis cinéfilos à Sétima Arte por seu vasto conhecimento sobre filmes e artistas. Trabalhou como apresentador de TV nas transmissões das cerimônias do Oscar pelo SBT, Globo e TNT, e foi autor de inúmeros guias de filmes. Em 1998, assisti à cerimônia em que Titanic venceu 11 Oscars e fiquei abismado com a memória cinematográfica dele, especialmente naquela bela homenagem intitulada “Álbum de Família do Oscar”, na qual vários atores que venceram a estatueta eram saudados no palco. Rubens sabia todos os atores e os filmes pelos quais eles ganharam seus prêmios. Eu tinha gravado o evento no meu velho aparelho de videocassete e assisti inúmeras vezes a este Oscar, decorando os nomes através da voz dele. Em 2009, fui a um evento na extinta videolocadora 2001 em São Paulo, onde tive o prazer de conhecê-lo. Tive o privilégio de declarar meu enorme respeito e carinho para aquele que me introduziu a este universo de premiações de cinema. Era um homem muito querido e de uma bondade tremenda com seus fãs. Que descanse em paz, Rubens!

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Encontro com Rubens Ewald Filho em evento do lançamento de mais um guia de filmes de sua autoria

VOTOS PARA 2020

Não sei como foi o ano para vocês, mas o meu foi uma montanha-russa de altos e baixos. E foram nos momentos baixos que o Cinema mais me serviu como alento e fuga. Porém, além dessa característica quase medicinal, os filmes vêm com um propósito pouco comentado mas essencial que é sua capacidade de promover a compreensão entre as pessoas, os povos, as raças e as religiões. Tudo o que as diferenças separam, o cinema tem a incrível capacidade de unir… talvez com raras exceções entre os fãs de Marvel e DC, ou de Star Wars.

Então, proponho um exercício para 2020. Você, que tem aquele preconceito sobre determinado assunto, determinado perfil de pessoas, determinado tipo de crença, assista a um filme sobre esses temas (claro, não sendo um filme supérfluo). Seja uma ficção, ou seja um documentário, o Cinema vai oferecer luz de conhecimento e empatia para aqueles cantos escuros da sua mente. Sinta na pele como é ser outra pessoa, entender seus problemas e refletir sobre seus dilemas. Na maioria das vezes, o cinema é somente associado a entretenimento porque é o grande chamariz que atrai o público, mas sempre foi e nunca deixará de ser uma forma de arte que busca entender o mundo e as pessoas que vivem nele. Dá pra aprender muito, principalmente se escolher aqueles filmes dos diretores que também têm essa missão.

Feliz Natal e Próspero Ano Novo para todos que acompanham o blog, Facebook e Instagram. Sigam as páginas, opinem, compartilhem. Obrigado a todos e que tenham um ano de muita paz, saúde, alegria e, claro, muitos bons filmes!

Macaulay Culkin Home Alone

Macaulay Culkin no eterno filme natalino Esqueceram de Mim (pic by eye-contact.tumblr.com)

‘O IRLANDÊS’ e ‘ERA UMA VEZ EM… HOLLYWOOD’ DOMINAM as INDICAÇÕES ao CRITICS’ CHOICE AWARDS

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O Irlandês e Era uma Vez em… Hollywood lideram o Critics’ Choice Awards

SCORSESE E TARANTINO PROTAGONIZAM A 25ª EDIÇÃO DO CRITICS’ CHOICE

No último domingo, houve o anúncio dos indicados ao Critics’ Choice Awards. Por causa do tumulto desses dias, acabamos priorizando o Globo de Ouro e o LAFCA (Associação dos Críticos de Los Angeles) por motivos óbvios de importância.

Claro que o Critics’ ganhou sua relevância no cenário hollywoodiano nos últimos anos, mas ainda assim possui uma vertente genérica caracterizada por sua seleção excessiva de indicados. No início, nos anos 90, eram apenas um vencedor e um segundo lugar, depois eram três indicados. Há poucos anos, já eram seis por categoria. Hoje são sete em várias delas (oito em alguns casos como Ator em Série Dramática), enquanto nos demais prêmios televisionados são apenas cinco reconhecidos.

Além dessa expansão de indicados, houve a criação de inúmeras novas categorias num curto espaço de tempo, copiando descaradamente categorias até então exclusivas de outros prêmios como o Saturn Award que tem uma categoria de Filmes de Terror e outra de Ficção Científica, ou do SAG Awards com sua categoria de Elenco. Obviamente as premiações precisam passar por um processo de modernização e atualização, mas o Critics’ Choice segue a linha do “atirar para todos os lados”, o que nos fez apelidá-lo carinhosamente de “A Bolha Assassina”. Lembram daquele filme em que uma gosma rosa alienígena passa a engolir uma cidade inteira e vai ficando cada vez maior? É o Blob Awards.

Contudo, apesar dessa abrangência toda, em anos como este de 2019 quando houve inúmeras  produções e performances de qualidade acima da média, esse alto número de indicados acolheu quase todos dos mais elogiados e praticamente impossibilitou aquelas reclamações costumeiras de esnobados. O caso mais nítido foi de Robert De Niro, que ficou de fora do Globo de Ouro e do SAG, mas achou seu cantinho no Critics’ Choice por sua interpretação em O Irlandês. Aliás, a categoria de Melhor Ator este ano foi alvo de vários pedidos não atendidos. Tinha gente que pedia “Cadê Eddie Murphy?” e outros “Cadê Antonio Banderas?”, “E o Adam Sandler?” Bom, no Critics’ tem todos esses aí, Robert De Niro, Adam Driver, Leonardo DiCaprio e Joaquin Phoenix! Se bem que ainda deve ter gente que reclamou das ausências de Christian Bale, Taron Egerton e Jonathan Pryce. Isso significa que a safra 2019 foi boa, e que mesmo com 10 indicados, ainda teriam nomes excluídos.

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Sete atores disputam o prêmio de Melhor Ator: Antonio Banderas, Leonardo DiCaprio, Eddie Murphy, Adam Sandler, Adam Driver, Robert De Niro e Joaquin Phoenix.

Inclusive, concederam espaço até para Greta Gerwig na categoria de Direção por Adoráveis Mulheres, e indicações para Awkwafina, Cynthia Erivo e Lupita Nyong’o na categoria de Melhor Atriz, evitando críticas de movimentos feministas e anti-racistas.

Embora ainda não tenhamos conferido Uncut Gems, ficamos felizes pela inclusão do filme nas categorias de Melhor Filme, Direção, Ator e Montagem, pois confiamos numa breve ascensão dos irmãos Josh e Benny Safdie com sua criatividade e ousadia vistas em Bom Comportamento (2017).

Também vamos dar o braço a torcer porque o Critics’ reconheceu a série Watchmen, que tem colhido inúmeros elogios, mas não tem figurado nas demais premiações, além de algumas performances que eram esperadas nas listas mas ficaram de fora como Zendaya na série da Netflix, Euphoria. O que não entendemos é: Se estão dando indicações à baciadas, por que não expandir os filmes em língua estrangeira também? Foram apenas cinco produções reconhecidas num ano repleto de bons filmes internacionais como o colombiano Monos, o francês Les Miserábles e o nosso brasileiro A Vida Invisível. Cadê a flexibilidade nesta categoria?

Fechando a crítica ao prêmio, o Critics’ Choice atualmente conta com 42 categorias (!), mas os organizadores alegam que não há tempo para televisionar todas ao vivo, senão seriam sete horas de transmissão! Então, eles escolhem várias categorias técnicas e de suma importância como Roteiro e Longa de Animação, e anunciam num PowerPoint mixuruca antes do intervalo comercial. Achamos esse tipo de postura extremamente desrespeitosa com os profissionais. Se não for premiar todos no palco, por que não reduzir as categorias?

O canal KTLA disponibilizou o vídeo com os indicados ao Critics’ Choice. É meio tosquinho, mas vale para conhecer um poucos mais dos indicados através de mini-clipes das performances:

NÚMEROS DO CRITICS’ CHOICE

O filme de Martin Scorsese foi o grande recordista de indicações desta edição com o total de 14. Logo atrás, com 12 indicações, aparece o novo filme de Quentin Tarantino. Também figurando na lista de indicados a Melhor Filme, surgem Adoráveis Mulheres com nove indicações, História de um Casamento com oito, e Jojo Rabbit e Parasita com sete cada.

No centro do palco mais uma vez, a Netflix acumulou um total de 30 indicações apenas na ala do cinema, fazendo com que Hollywood repense melhor sua indústria de cinema e distribuição de filmes.

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Scarlett Johansson em Jojo Rabbit e História de um Casamento. Vem dupla indicação ao Oscar também?

Com duas indicações cada, temos Scarlett Johansson, que concorre por História de um Casamento e por Jojo Rabbit, assim como os diretores-autores: Greta Gerwig, Quentin Tarantino e Bong Joon-Ho, todos indicados por Direção e Roteiro. É aquela velha história: podem ganhar dois prêmios numa noite, mas também podem perder dois prêmios.

QUERO SER O MELHOR PARÂMETRO DO OSCAR

Além de convidar Hollywood inteira pra festa, o Critics’ Choice quer tomar o posto que uma vez já pertenceu ao Globo de Ouro, que previa os futuros vencedores do Oscar. Pra quem está curioso sobre o cumprimento da meta deles, fizemos uma tabela dos últimos dez anos na categoria de Melhor Filme:

ANO CRITICS’ CHOICE AWARDS ACADEMY AWARDS (OSCAR)
2018 Roma Green Book: O Guia
2017 A Forma da Água A Forma da Água
2016 La La Land Moonlight
2015 Spotlight Spotlight
2014 Boyhood Birdman
2013 12 Anos de Escravidão 12 Anos de Escravidão
2012 Argo Argo
2011 O Artista O Artista
2010 A Rede Social O Discurso do Rei
2009 Guerra  ao Terror Guerra ao Terror

Foram SEIS acertos nos últimos DEZ anos. 60% não seria nada mal em qualquer outro contexto, mas estamos falando de um prêmio que quer ser a maior bola de cristal do Oscar, então essa porcentagem anda baixa. Contudo, nessa última década, confessamos que nossa preferência é a seleção do Critics’ Choice, que premiou A Rede Social, La La Land e Roma.

Esperamos que eles saibam escolher os melhores, e não apenas quem ou qual filme vai ganhar o Oscar. As premiações, assim como os críticos em geral, têm esse propósito de valorizar produções que podem não encontrar espaço num Oscar ou num Globo de Ouro, fazer com que elas tenham maior visibilidade, e conquistem maior número de público, que é o maior objetivo pra quem faz cinema.


CINEMA

MELHOR FILME
1917
Ford vs Ferrari (Ford v Ferrari)
O Irlandês (The Irishman)
Jojo Rabbit
Coringa (Joker)
Adoráveis Mulheres (Little Women)
História de um Casamento (Marriage Story)
Era uma Vez em… Hollywood (Once Upon a Time… in Hollywood)
Parasita (Parasite)
Uncut Gems

MELHOR ATOR
Antonio Banderas (Dor e Glória)
Robert De Niro (O Irlandês)
Leonardo DiCaprio (Era uma Vez em… Hollywood)
Adam Driver (História de um Casamento)
Eddie Murphy (Meu Nome é Dolemite)
Joaquin Phoenix (Coringa)
Adam Sandler (Uncut Gems)

MELHOR ATRIZ
Awkwafina (The Farewell)
Cynthia Erivo (Harriet)
Scarlett Johansson (História de um Casamento)
Lupita Nyong’o (Nós)
Saoirse Ronan (Adoráveis Mulheres)
Charlize Theron (O Escândalo)
Renée Zellweger (Judy: Muito Além do Arco-Íris)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Willem Dafoe (O Farol)
Tom Hanks (Um Lindo Dia na Vizinhança)
Anthony Hopkins (Dois Papas)
Al Pacino (O Irlandês)
Joe Pesci (O Irlandês)
Brad Pitt (Era uma Vez em… Hollywood)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Laura Dern (História de um Casamento)
Scarlett Johansson (Jojo Rabbit)
Jennifer Lopez (As Golpistas)
Florence Pugh (Adoráveis Mulheres)
Margot Robbie (O Escândalo)
Zhao Shuzhen  (The Farewell)

MELHOR ATOR OU ATRIZ JOVEM
Julia Butters (Era uma Vez em… Hollywood)
Roman Griffin Davis (Jojo Rabbit)
Noah Jupe (Honey Boy)
Thomasin McKenzie (Jojo Rabbit)
Shahadi Wright Joseph (Nós)
Archie Yates (Jojo Rabbit)

MELHOR ELENCO
O Escândalo
O Irlandês
Entre Facas e Segredos
Adoráveis Mulheres
História de um Casamento
Era uma Vez em… Hollywood
Parasita

MELHOR DIREÇÃO
Noah Baumbach (História de um Casamento)
Greta Gerwig (Adoráveis Mulheres)
Bong Joon Ho (Parasita)
Sam Mendes(1917)
Josh Safdie e Benny Safdie (Uncut Gems)
Martin Scorsese (O Irlandês)
Quentin Tarantino (Era uma Vez em… Hollywood)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Noah Baumbach (História de um Casamento)
Rian Johnson (Entre Facas e Segredos)
Bong Joon Ho and Han Jin Won (Parasita)
Quentin Tarantino (Era uma Vez em… Hollywood)
Lulu Wang (The Farewell)

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Greta Gerwig (Adoráveis Mulheres)
Noah Harpster and Micah Fitzerman-Blue (Um Lindo Dia na Vizinhança)
Anthony McCarten (Dois Papas)
Todd Phillips & Scott Silver (Coringa)
Taika Waititi (Jojo Rabbit)
Steven Zaillian  (O Irlandês)

MELHOR FOTOGRAFIA
Jarin Blaschke (O Farol)
Roger Deakins (1917)
Phedon Papamichael (Ford vs Ferrari)
Rodrigo Prieto (O Irlandês)
Robert Richardson (Era uma Vez em… Hollywood)
Lawrence Sher (Coringa)

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
Mark Friedberg, Kris Moran (Coringa)
Dennis Gassner, Lee Sandales  (1917)
Jess Gonchor, Claire Kaufman (Adoráveis Mulheres)
Lee Ha Jun (Parasita)
Barbara Ling, Nancy Haigh (Era uma Vez em… Hollywood)
Bob Shaw, Regina Graves (O Irlandês)
Donal Woods, Gina Cromwell (Downton Abbey)

MELHOR MONTAGEM
Ronald Bronstein, Benny Safdie (Uncut Gems)
Andrew Buckland, Michael McCusker (Ford vs Ferrari)
Yang Jinmo  (Parasita)
Fred Raskin (Era uma Vez em… Hollywood)
Thelma Schoonmaker (O Irlandês)
Lee Smith (1917)

MELHOR FIGURINO
Ruth E. Carter (Meu Nome é Dolemite)
Julian Day (Rocketman)
Jacqueline Durran (Adoráveis Mulheres)
Arianne Phillips (Era uma Vez em… Hollywood)
Sandy Powell, Christopher Peterson (O Irlandês)
Anna Robbins (Downton Abbey)

MELHOR MAQUIAGEM E CABELO
O Escândalo
Meu Nome é Dolemite
O Irlandês
Coringa
Judy: Muito Além do Arco-Íris
Era uma Vez em… Hollywood
Rocketman

MELHORES EFEITOS VISUAIS
1917
Ad Astra
The Aeronauts
Vingadores: Ultimato
Ford vs Ferrari
O Irlandês
O Rei Leão

MELHOR LONGA DE ANIMAÇÃO
Abominável (Abominable)
Frozen 2 (Frozen II)
Como Treinar o Seu Dragão 3 (How to Train Your Dragon: The Hidden World)
Perdi Meu Corpo (I Lost My Body)
Link Perdido (Missing Link)
Toy Story 4 (Toy Story 4)

MELHOR FILME DE AÇÃO
1917
Vingadores: Ultimato (Avengers: Endgame)
Ford vs Ferrari (Ford v Ferrari)
John Wick 3: Parabellum (John Wick: Chapter 3 – Parabellum)
Homem-Aranha: Longe de Casa (Spider-Man: Far From Home)

MELHOR COMÉDIA
Fora de Série (Booksmart)
Meu Nome é Dolemite (Dolemite Is My Name)
The Farewell
Jojo Rabbit
Entre Facas e Segredos (Knives Out)

MELHOR FICÇÃO CIENTÍFICA E TERROR
Ad Astra: Rumo às Estrelas (Ad Astra)
Vingadores: Ultimato (Avengers: Endgame)
Midsommar: O Mal Não Espera a Noite (Midsommar)
Nós (Us)

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
Atlantique (Atlantics)
Les Misérables
Dor e Glória (Pain and Glory)
Parasita (Parasite)
Retrato de uma Jovem em Chamas (Portrait of a Lady on Fire)

MELHOR CANÇÃO
“Glasgow (No Place Like Home)” (As Loucuras de Rose)
“(I’m Gonna) Love Me Again” (Rocketman)
“I’m Standing With You” (Superação: O Milagre da Fé)
“Into the Unknown” (Frozen 2)
“Speechless” (Aladdin)
“Spirit” (O Rei Leão)
“Stand Up” (Harriet)

MELHOR TRILHA
Michael Abels (Nós)
Alexandre Desplat   (Adoráveis Mulheres)
Hildur Guðnadóttir (Coringa)
Randy Newman (História de um Casamento)
Thomas Newman  (1917)
Robbie Robertson (O Irlandês)

TELEVISÃO/STREAMING

SÉRIE DRAMÁTICA
The Crown (Netflix)
David Makes Man (OWN)
Game of Thrones (HBO)
The Good Fight (CBS All Access)
Pose (FX)
Succession (HBO)
This Is Us (NBC)
Watchmen (HBO)

ATOR EM SÉRIE DRAMÁTICA
Sterling K. Brown – This Is Us (NBC)
Mike Colter – Evil (CBS)
Paul Giamatti – Billions (Showtime)
Kit Harington – Game of Thrones (HBO)
Freddie Highmore – The Good Doctor (ABC)
Tobias Menzies – The Crown (Netflix)
Billy Porter – Pose (FX)
Jeremy Strong – Succession (HBO)

ATRIZ EM SÉRIE DRAMÁTICA
Christine Baranski – The Good Fight (CBS All Access)
Olivia Colman – The Crown (Netflix)
Jodie Comer – Killing Eve (BBC America)
Nicole Kidman – Big Little Lies (HBO)
Regina King – Watchmen (HBO)
Mj Rodriguez – Pose (FX)
Sarah Snook – Succession (HBO)
Zendaya – Euphoria (HBO)

ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DRAMÁTICA
Asante Blackk – This Is Us (NBC)
Billy Crudup – The Morning Show (Apple)
Asia Kate Dillon – Billions (Showtime)
Peter Dinklage – Game of Thrones (HBO)
Justin Hartley – This Is Us (NBC)
Delroy Lindo – The Good Fight (CBS All Access)
Tim Blake Nelson – Watchmen (HBO)

ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DRAMÁTICA
Helena Bonham Carter – The Crown (Netflix)
Gwendoline Christie – Game of Thrones (HBO)
Laura Dern – Big Little Lies (HBO)
Audra McDonald – The Good Fight (CBS All Access)
Jean Smart – Watchmen (HBO)
Meryl Streep – Big Little Lies (HBO)
Susan Kelechi Watson – This Is Us (NBC)

SÉRIE DE COMÉDIA
Barry (HBO)
Fleabag (Amazon)
The Marvelous Mrs. Maisel (Amazon)
Mom (CBS)
One Day at a Time (Netflix)
Pen15 (Hulu)
Schitt’s Creek (Pop)

ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA
Ted Danson – The Good Place (NBC)
Walton Goggins – The Unicorn (CBS)
Bill Hader – Barry (HBO)
Eugene Levy – Schitt’s Creek (Pop)
Paul Rudd – Living with Yourself (Netflix)
Bashir Salahuddin – Sherman’s Showcase (IFC)
Ramy Youssef – Ramy (Hulu)

ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA
Christina Applegate – Dead to Me (Netflix)
Alison Brie – GLOW (Netflix)
Rachel Brosnahan – The Marvelous Mrs. Maisel (Amazon)
Kirsten Dunst – On Becoming a God in Central Florida (Showtime)
Julia Louis-Dreyfus – Veep (HBO)
Catherine O’Hara – Schitt’s Creek (Pop)
Phoebe Waller-Bridge – Fleabag (Amazon)

ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA
Andre Braugher – Brooklyn Nine-Nine (NBC)
Anthony Carrigan – Barry (HBO)
William Jackson Harper – The Good Place (NBC)
Daniel Levy – Schitt’s Creek (Pop)
Nico Santos – Superstore (NBC)
Andrew Scott – Fleabag (Amazon)
Henry Winkler – Barry (HBO)

ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA
Alex Borstein – The Marvelous Mrs. Maisel (Amazon)
D’Arcy Carden – The Good Place (NBC)
Sian Clifford – Fleabag (Amazon)
Betty Gilpin – GLOW (Netflix)
Rita Moreno – One Day at a Time (Netflix)
Annie Murphy – Schitt’s Creek (Pop)
Molly Shannon – The Other Two (Comedy Central)

MINISSÉRIE
Catch-22 (Hulu)
Chernobyl (HBO)
Fosse/Verdon (FX)
The Loudest Voice (Showtime)
Unbelievable (Netflix)
When They See Us (Netflix)
Years and Years (HBO)

FILME PARA TV
Brexit (HBO)
Deadwood: The Movie (HBO)
El Camino: Um Filme de Breaking Bad (El Camino: A Breaking Bad Movie) (Netflix)
Guava Island (Amazon)
Native Son (HBO)
Patsy & Loretta (Lifetime)

ATOR EM MINISSÉRIE OU FILME PARA TV
Christopher Abbott – Catch-22 (Hulu)
Mahershala Ali – True Detective (HBO)
Russell Crowe – The Loudest Voice (Showtime)
Jared Harris – Chernobyl (HBO)
Jharrel Jerome – When They See Us (Netflix)
Sam Rockwell – Fosse/Verdon (FX)
Noah Wyle – The Red Line (CBS)

ATRIZ EM MINISSÉRIE OU FILME PARA TV
Kaitlyn Dever – Unbelievable (Netflix)
Anne Hathaway – Modern Love (Amazon)
Megan Hilty – Patsy & Loretta (Lifetime)
Joey King – The Act (Hulu)
Jessie Mueller – Patsy & Loretta (Lifetime)
Merritt Wever – Unbelievable (Netflix)
Michelle Williams – Fosse/Verdon (FX)

ATOR COADJUVANTE EM MINISSÉRIE OU FILME PARA TV
Asante Blackk – When They See Us (Netflix)
George Clooney – Catch-22 (Hulu)
John Leguizamo – When They See Us (Netflix)
Dev Patel – Modern Love (Amazon)
Jesse Plemons – El Camino: Um Filme Breaking Bad (Netflix)
Stellan Skarsgård – Chernobyl (HBO)
Russell Tovey – Years and Years (HBO)

ATRIZ COADJUVANTE EM MINISSÉRIE OU FILME PARA TV
Patricia Arquette – The Act (Hulu)
Marsha Stephanie Blake – When They See Us (Netflix)
Toni Collette – Unbelievable (Netflix)
Niecy Nash – When They See Us (Netflix)
Margaret Qualley – “Fosse/Verdon” (FX)
Emma Thompson – Years and Years (HBO)
Emily Watson – Chernobyl (HBO)

SÉRIE ANIMADA
“Big Mouth” (Netflix)
“BoJack Horseman” (Netflix)
“The Dark Crystal: Age of Resistance” (Netflix)
“She-Ra and the Princesses of Power” (Netflix)
“The Simpsons” (Fox)
“Undone” (Amazon)

TALK SHOW
“Desus & Mero” (Showtime)
“Full Frontal with Samantha Bee” (TBS)
“The Kelly Clarkson Show” (NBC)
“Last Week Tonight with John Oliver” (HBO)
“The Late Late Show with James Corden” (CBS)
“Late Night with Seth Meyers” (NBC)

ESPECIAL DE COIMÉDIA
“Amy Schumer: Growing” (Netflix)
“Jenny Slate: Stage Fright” (Netflix)
“Live in Front of a Studio Audience: Norman Lear’s ‘All in the Family’ and ‘The Jeffersons’” (ABC)
“Ramy Youssef: Feelings” (HBO)
“Seth Meyers: Lobby Baby” (Netflix)
“Trevor Noah: Son of Patricia” (Netflix)
“Wanda Sykes: Not Normal” (Netflix)


 

A cerimônia do Critics’ Choice Awards acontece no dia 12 de Janeiro e deve ser transmitida pela TNT.

‘O IRLANDÊS’ TAMBÉM CONQUISTA os CRÍTICOS de NOVA YORK

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UM DIA APÓS SE SAGRAR MELHOR FILME PELO NATIONAL BOARD OF REVIEW, FILME DA NETFLIX DE MARTIN SCORSESE FATURA O NYFCC

Pelo visto, a Netflix não ficou apenas se queixando do Oscar concedido a Green Book no lugar de sua produção Roma. Eles resolveram agir logo e contra-atacar ao abrir as portas para profissionais que estão perdendo espaço e liberdade artística no circuito comercial. O resultado dessa estratégia está dando frutos com os recentes prêmios da crítica. O Irlandês levou os prêmios de Filme, Roteiro Adaptado e um especial para Scorsese, De Niro e Pacino no National Board of Review.

Já em sua 85ª edição anual, o círculo de críticos filmes de Nova York (New York Film Critics Circle) não tem conseguido eleger o vencedor do Oscar de Melhor Filme desde 2011, quando ambos elegeram O Artista. Contudo, esta premiação, assim como a dos críticos de Los Angeles (cujos premiados serão divulgados no próximo dia 08, domingo) não tem apenas o intuito de servir de parâmetro para o Oscar (como o faz o Critics’ Choice Awards de forma descarada), mas de lembrar e celebrar os filmes e nomes alternativos entre os melhores do ano.

Assim, enquanto a Academia elegeu nos últimos cinco anos os filmes: Green Book, A Forma da Água, Moonlight, Spotlight e Birdman, o NYFCC elegeu: Roma, Lady Bird, La La Land, Carol e Boyhood. Como não são um prêmio da indústria, não ficam suscetíveis ao mercado e campanhas publicitárias caríssimas, e desta forma, podem ousar mais em suas escolhas. Neste ano, a ousadia deles foi direcionada às categorias de Direção, Atriz, Fotografia e Longa de Animação.

Abaixo, faremos uma breve análise de cada categoria, com contexto e momento (o chamada hype).

VENCEDORES DO 85º NYFCC:

MELHOR FILME
O Irlandês (The Irishman), de Martin Scorsese

Embora não tenha vencido Melhor Direção, a mensagem dos críticos de Nova York me parece muito clara. “Vamos reconhecer a coragem de Scorsese, um veterano dos anos 70, ao filmar um épico de 3 horas e meia, com atores da velha guarda, e ainda com a plataforma de streaming da Netflix”. Como todos devem saber, Scorsese comprou uma briga com a Marvel Studios e Disney ao criticar as mega produções de temática de super-heróis. O fato de ele ser premiado pela crítica não necessariamente confirma o apoio para o cineasta, mas definitivamente defende que se faz necessário filmes mais ousados e diferentes de fórmulas batidas.

MELHOR DIREÇÃO
Benny Safdie e Josh Safdie (Uncut Gems)

Os irmão Safdie estão se tornando os novos irmãos Coen. Além de formarem uma nova dupla de irmãos no comando da direção, eles trazem um sopro de criatividade aos filmes policiais e noir assim como os Coen fizeram entre os anos 80 e 90. Após os merecidos elogios para o trabalho anterior deles, Bom Comportamento, a crítica passou a acompanhar mais atentamente seus novos projetos. Em Uncut Gems, além da ótima técnica de filmagem, eles dão crédito a um ator desacreditado (de Robert Pattinson a Adam Sandler agora) e descobrem novos talentos (Julia Fox tem chamado atenção como atriz revelação).

MELHOR ATRIZ
Lupita Nyong’o (Nós)

A franco-favorita da categoria, Renée Zellwegger, pode estar com o reinado ameaçado. Embora sua performance como Judy Garland seja louvável, é sempre bom termos concorrência de alto nível. Lupita Nyong’o era um nome que merecia esse destaque para que as premiações televisivas lembrem de sua atuação formidável e assustadora em Nós, novo filme de Jordan Peele. Claro que o histórico de vitória do gênero terror no Oscar é quase inexistente, mas Lupita merece pelo menos uma indicação por interpretar duas personagens de forma estupenda.

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MELHOR ATOR
Antonio Banderas (Dor e Glória)

Trabalhando em Hollywood há muito tempo, o ator espanhol ficou mais conhecido como a voz do Gato de Botas nos filmes de Shrek, mas foi sua ampla experiência com o diretor Pedro Almodóvar que possibilitou sua interpretação tão distinta em Dor e Glória, onde ele faz um diretor de cinema em crise de existência e criatividade. Num ano bastante competitivo para atores principais, este prêmio pode ajudar Banderas a conquistar aquela quinta vaga na categoria de Melhor Ator no Oscar. Seria sua primeira indicação ao prêmio da Academia.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Laura Dern (História de um Casamento)

Laura Dern está vivendo um novo auge em sua carreira depois da indicação a Atriz Coadjuvante por Livre em 2015. Atuou nas séries Big Little Lies e Twin Peaks, participou da nova trilogia de Star Wars e agora volta com dois novos tabalhos em Adoráveis Mulheres e História de um Casamento. Até o momento, com mais este reconhecimento, Dern é a franco-favorita na corrida de Atriz Coadjuvante, mas tem concorrentes de peso como Jennifer Lopez e Kathy Bates. Muito querida pela HFPA, acreditamos que sua vitória é certa no Globo de Ouro, e caso não haja imprevistos, deve conquistar sua primeira estatueta do Oscar em sua terceira indicação.

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Joe Pesci (O Irlandês)

Depois de muito falarem de Brad Pitt e Al Pacino, o NYFCC voltou a lembrar que Joe Pesci é sim um nome forte para a categoria de Coadjuvante. Com uma habilidade tremenda para atuações realistas, não foi à toa que Scorsese o tirou da aposentadoria para participar de O Irlandês. Até semana passada, Pesci estava praticamente fora da competição, mas este prêmio o recoloca na disputa e pode garanti-lo no Globo de Ouro e no Oscar, pelo menos como indicado. O ator já ganhou um Oscar por outro filme de Scorsese, Os Bons Companheiros, em 1991.

MELHOR ROTEIRO
Quentin Tarantino (Era uma vez em… Hollywood)

Acho que se existe alguém igualmente apaixonado por cinema como Scorsese, este é Quentin Tarantino. Em várias entrevistas, ele defende os filmes longos e de qualidade. Ele é fascinado por detalhes que para muitos passam desapercebidos. Em Era Uma Vez em… Hollywood, ele faz o cinema vencer a realidade cruel e violenta. Pode não ser seu melhor trabalho (acreditamos que ele precisa de outro montador para substituir à altura a saudosa Sally Menke), mas seu roteiro sempre reserva ótimos personagens e diálogos. Além disso, Tarantino é um dos poucos que consegue ganhar o Oscar mesmo não sendo membro do sindicato de roteiristas.

MELHOR FOTOGRAFIA
Claire Mathon (Retrato de uma Jovem em Chamas)

Num ano dividido entre as fotografias de O Irlandês, Coringa, Era Uma Vez em… Hollywood e Parasita, o NYFCC resolveu conceder o prêmio ao filme francês Retrato de uma Jovem em Chamas, que vem coletando elogios desde sua passagem em Cannes em Maio. Como o filme não foi selecionado pela comissão da França para representar o país no Oscar, os críticos deram um bom jeito de lembrar do filme para concorrer a outras categorias.

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Retrato de uma Jovem em Chamas

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Parasita (Parasite), de Bong Joon-Ho

Supremacia. Até agora, 100% de aproveitamento do filme sul-coreano em todos os prêmios mais importantes na categoria de Filme Estrangeiro. E anotem aí: vai ser premiado como Melhor Filme no LAFCA, os críticos de Los Angeles, que ainda podem eleger Kang-Ho Song como Melhor Ator. Será que finalmente teremos o Oscar de Melhor Filme concedido a uma produção em língua estrangeira?

MELHOR LONGA DE ANIMAÇÃO
Perdi Meu Corpo (I Lost My Body), de Jérémy Clapin

Como dissemos no post do Annie Awards, a falta de criatividade dos grandes estúdios que só lançaram sequências este ano (Frozen 2, Toy Story 4 e Como Treinar o Seu Dragão 3) tem chamado a atenção dos críticos para animações mais modestas como este delicado Perdi Meu Corpo, que já está disponível no catálogo da Netflix. Com este prêmio, o filme praticamente garante vaga na categoria de Animação do Oscar. Só falta uma vitória de uma produção estrangeira, o que não acontece desde 2002, quando A Viagem de Chihiro levou o Oscar.

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Perdi Meu Corpo

MELHOR DOCUMENTÁRIO
Honeyland, de Tamara Kotevska e Ljubomir Stefanov

Honeyland é um caso peculiar. Ele concorre em duas frentes: Documentário e Filme Internacional no Oscar, representando a modesta Macedônia do Norte. Embora tenha chances na última categoria, tem maior possibilidade de indicação como documentário, onde terá que competir com os fortes candidatos Apollo 11 e American Factory.

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Honeyland

MELHOR FILME DE ESTREANTE
Atlantics, de Mati Diop

Representante do Senegal para o Oscar, e vencedor do Grande Prêmio do Júri em Cannes, Atlantics fala diretamente sobre a nossa realidade que lida com os problemas da imigração ilegal. Este prêmio coloca o filme da estreante Mati Diop no mapa, juntamente com a colaboração da Netflix, que já disponibilizou o filme no acervo. Sempre bom termos produções vindas do continente africano, cujo cinema acaba mais fragilizado diante da situação econômica dos países.

PRÊMIO ESPECIAL
Randy Newman

‘O FAROL’ e ‘UNCUT GEMS’ LIDERAM o INDEPENDENT SPIRIT AWARDS

The Lighthouse

Cena de O Farol, indicado a 5 Independent Spirit Awards (pic by IMDb)

PRODUTORA A24 IMPERA NUMA EDIÇÃO MARCADA POR INCOERÊNCIAS 

Conforme anunciado, as atrizes Zazie Beetz e Natasha Lyonne apresentaram o anúncio das indicações ao 35º Independent Spirit Awards, no qual apenas produções com orçamento abaixo de 20 milhões podem competir.

Desta forma, produções favoritas da temporada porém mais caras ficaram de fora, como O Irlandês e Era uma Vez em… Hollywood. Além disso, produções estrangeiras competem apenas na respectiva categoria, portanto o aclamado sul-coreano Parasita foi reconhecido apenas com esta indicação. Curiosamente, o espanhol Dor e Glória, que estava cotado inclusive ao Oscar de Direção para Pedro Almodóvar, foi esnobado na categoria. Ainda sobre o Melhor Filme Internacional, o Brasil está no páreo com A Vida Invisível, de Karim Aïnouz. É a primeira indicação do nosso cinema desde Aquarius em 2017.

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Cena de A Vida Invisível, indicado a Melhor Filme Internacional, pelo Brasil (pic by IMDb)

A24 NO TOPO DA CADEIA

A produtora, que tem se especializado em filmes de temática humanista e alternativa, tem nada mais, nada menos do que SETE títulos em disputa nesta edição do Independent Spirit Awards:

– Uncut Gems
– The Farewell
– O Farol (The Lighthouse)
– Waves
– The Last Black Man in San Francisco
– Midsommar
– The Souvenir

Que essa merecida conquista e crescimento no mercado sirva de bom exemplo para demais produtoras e estúdios a fazerem filmes diferentes e inteligentes.

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Cena de The Souvenir, que concorre como Melhor Filme Internacional (pic by IMDb)

VAMOS ÀS INCOERÊNCIAS

Claro que quanto mais filmes reconhecidos, melhor para o cinema, o cineasta e o cinéfilo. Contudo, quando vemos a lista de indicados do Independent Spirit, parece que escolheram os indicados nos dados ou sorteio.

História de um Casamento está indicado a Melhor Filme, porém seus atores e diretor não aparecem nas respectivas categorias. Noah Baumbach foi indicado a Roteiro, e o elenco do filme ganhou o prêmio Robert Altman de melhor elenco, assim, além de Adam Driver e Scarlett Johansson, Alan Alda, Laura Dern, Ray Liotta, Douglas Aibel, Francine Maisler, Julie Hagerty, Azhy Robertson e Merritt Wever venceram coletivamente. Contudo, os bem cotados para o Oscar perdem pontos, especialmente Scarlett Johansson e Alan Alda.

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Cena de História de um Casamento, com Adam Driver e Scarlett Johansson, vencedor do prêmio Robert Altman (pic by IMDb)

Apesar de indicado a Direção, Ator, Ator Coadjuvante, Fotografia e Montagem, O Farol misteriosamente ficou de fora da categoria de Melhor Filme. Como assim? Um dos filmes mais elogiados desde sua passagem em Cannes foi esnobado na principal categoria? Pattinson e Dafoe, que concorrem como Ator e Ator Coadjuvante, respectivamente, somam pontos com o Independent Spirit para a temporada.

Por outro lado, o drama The Farewell foi indicado a Melhor Filme e Atriz Coadjuvante para a simpática velhinha Zhao Shuzhen, mas Awkwafina, que vinha recebendo reconhecimento até então, ficou de fora de Melhor Atriz. Não que ela seja uma unanimidade, mas para uma categoria que tem SEIS atrizes indicadas, é estranho vê-la de fora.

No caso do filme autobiográfico de Shia Labeouf, Honey Boy, recebeu importantes indicações de Direção, Fotografia e duas de Ator Coadjuvante (Noah Jupe e o próprio Shia Labeouf, que interpreta seu pai), porém não foi indicado a Melhor Filme.

E o que dizer de A Hidden Life? Foi indicado a Melhor Filme e… só! O filme de Terrence Malick foi lembrado apenas nesta categoria, como se fosse uma espécie de prêmio de consolação. Aí perguntamos: “Se tem quase zero de chances de ganhar, por que indicá-lo?”

No meio dessa bagunça toda, o filme que saiu íntegro foi Uncut Gems. O novo trabalho dos irmãos Benny e Josh Safdie foi indicado a Melhor Filme, Direção, Ator (para Adam Sandler), Roteiro e Montagem. Alguns defendem uma indicação para Julia Fox, que tem recebido reconhecimento como atriz estreante, mas acabou ficando de fora.

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Adam Sandler em cena de Uncut Gems, indicado a 5 Independent Spirit Awards

Indicados ao 35º Independent Spirit Awards :

MELHOR FILME
* A HIDDEN LIFE
* CLEMENCY
* THE FAREWELL
* HISTÓRIA DE UM CASAMENTO (MARRIAGE STORY)
* UNCUT GEMS

MELHOR DIREÇÃO
* Robert Eggers – O FAROL
* Alma Har’el – HONEY BOY
* Julius Onah – LUCE
* Benny Safdie, Josh Safdie – UNCUT GEMS
* Lorene Scafaria – HUSTLERS

MELHOR ATOR
* Chris Galust – GIVE ME LIBERTY
* Kelvin Harrison – Jr., LUCE
* Robert Pattinson – O FAROL
* Adam Sandler – UNCUT GEMS
* Matthias Schoenaerts – THE MUSTANG

MELHOR ATRIZ
* Karen Allen – COLEWELL
* Hong Chau – DRIVEWAYS
* Elisabeth Moss – HER SMELL
* Mary Kay Place – A VIDA DE DIANE
* Alfre Woodard – CLEMENCY
* Renée Zellweger – JUDY

MELHOR ATOR COADJUVANTE
* Willem Dafoe – O FAROL
* Noah Jupe – HONEY BOY
* Shia Labeouf – HONEY BOY
* Jonathan Majors – THE LAST BLACK MAN IN SAN FRANCISCO
* Wendell Pierce – BURNING CANE

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
* Jennifer Lopez – AS GOLPISTAS
* Taylor Russell – WAVES
* Zhao Shuzhen – THE FAREWELL
* Lauren “Lolo” Spencer – GIVE ME LIBERTY
* Octavia Spencer – LUCE

MELHOR ROTEIRO
* Noah Baumbach – HISTÓRIA DE UM CASAMENTO
* Jason Begue, Shawn Snyder – TO DUST
* Ronald Bronstein, Benny Safdie, Josh Safdie – UNCUT GEMS
* Chinonye Chukwu – CLEMENCY
* Tarell Alvin Mccraney – HIGH FLYING BIRD

MELHOR FOTOGRAFIA
* Todd Banhazl – AS GOLPISTAS
* Jarin Blaschke – O FAROL
* Natasha Braier – HONEY BOY
* Chananun Chotrungroj – THE THIRD WIFE
* Pawel Pogorzelski – MIDSOMMAR

MELHOR MONTAGEM
* Julie Béziau – THE THIRD WIFE
* Ronald Bronstein, Benny Safdie – UNCUT GEMS
* Tyler L. Cook – SWORD OF TRUST
* Louise Ford – O FAROL
* Kirill Mikhanovsky – GIVE ME LIBERTY

MELHOR FILME INTERNACIONAL
* A VIDA INVISÍVEL, Brasil
* LES MISERÁBLES, França
* PARASITA, Coréia do Sul
* RETRATO DE UMA JOVEM EM CHAMAS, França
* RETABLO, Peru
* THE SOUVENIR, Reino Unido

MELHOR FILME DE ESTREANTE
* FORA DE SÉRIE (BOOKSMART)
* THE CLIMB
* A VIDA DE DIANE
* THE LAST BLACK MAN IN SAN FRANCISCO
* THE MUSTANG
* SEE YOU YESTERDAY

MELHOR ROTEIRO DE ESTREANTE
* Fredrica Bailey, Stefon Bristol – SEE YOU YESTERDAY
* Hannah Bos, Paul Thureen – DRIVEWAYS
* Bridget Savage Cole, Danielle Krudy – BLOW THE MAN DOWN
* Jocelyn Deboer, Dawn Luebbe – GREENER GRASS
* James Montague, Craig W. Sanger – THE VAST OF NIGHT

MELHOR DOCUMENTÁRIO
* AMERICAN FACTORY
* APOLLO 11
* FOR SAMA
* HONEYLAND
* ISLAND OF THE HUNGRY GHOSTS

PRÊMIO JOHN CASSAVETES (para produções abaixo de 500 mil dólares)
* BURNING CANE
* COLEWELL
* GIVE ME LIBERTY
* PREMATURE
* WILD NIGHTS WITH EMILY

PRÊMIO SOMEONE TO WATCH
* Rashaad Ernesto Green – PREMATURE
* Ash Mayfair – THE THIRD WIFE
* Joe Talbot – THE LAST BLACK MAN IN SAN FRANCISCO

PRÊMIO TRUER THAN FICTION
* Khalik Allah – BLACK MOTHER
* Davy Rothbart – 17 BLOCKS
* Nadia Shihab – JADDOLAND
* Erick Stoll & Chase Whiteside – AMÉRICA

PRÊMIO ROBERT ALTMAN
HISTÓRIA DE UM CASAMENTO – Noah Baumbach, Douglas Aibel, Francine Maisler, Alan Alda, Laura Dern, Adam Driver, Julie Hagerty, Scarlett Johansson, Ray Liotta, Azhy Robertson, Merritt Wever

***

Como de costume, a cerimônia do Independent Spirit Awards está marcada para o dia anterior ao Oscar, no caso, dia 08 de Fevereiro.

RETROSPECTIVA 2017: BASTIDORES SEXUAIS DE HOLLYWOOD

ANO FICOU MARCADO POR ESCÂNDALOS SEXUAIS E A EXPANSÃO DA DISNEY

Saudações aos cinéfilos de plantão! Mais um ano se passou e gostaria de entediá-los com meu resumão com os filmes. Bom, primeiramente, quero agradecer a todos que curtiram, fizeram comentários ou mesmo deram aquela breve passada no blog e na página do Facebook. Continuo não ganhando nem um centavo, mas todos os feedbacks certamente são gratificantes, então obrigado!

META DE 2017 E SUAS CONSEQUÊNCIAS

Este ano tracei como meta assistir mais daqueles filmes que quando você fala que não viu, a pessoa reage com um: “Não acredito que você não assistiu!”. Então, vi alguns clássicos pela primeira vez como o neo-realista italiano Humberto D. (1952), de Vittorio De Sica, e o tocante e singelo clássico japonês de Yasujirô Ozu, Era uma Vez em Tóquio (1953). Também incluí filmes cults como Scanners – Sua Mente Pode Destruir (um David Cronenberg “tosqueira” que ficou mais marcado pela cena da cabeça que explode) e Tomates Verdes Fritos (que honestamente não entendi toda essa aura que o transformou em cult).

Dos diretores renomados, alguns filmes me surpreendi positivamente como Razão e Sensibilidade (1995), de Ang Lee (que achava que seria um drama de época sonolento), e Arizona Nunca Mais (1987), dos irmãos Coen, quando o humor deles era mais non-sense. Já outros como A Cidade dos Amaldiçoados (1995), de John Carpenter, foi bem doído assistir até o final pelo cúmulo do ridículo das cenas (Christopher Reeve mentalizando um muro de tijolos pra bloquear a telepatia das crianças foi a cena mais “chá de cogumelo” que vi este ano).

PIORES DO ANO NO CINEMA

Todo ano eu assisto a filmes que penso: “Onde eles estavam com a cabeça?”. Normalmente, são filmes cujos produtores se acham criativos demais a ponto de não necessitarem de um diretor competente por trás das câmeras. Dá pra citar dois exemplos de como Hollywood ainda tem muito a aprender:

A MÚMIA. Se essa era a idéia de revival dos monstros clássicos da Universal, o estúdio deveria urgentemente rever seus conceitos. Claramente, quiseram criar uma espécie de universo onde a Múmia poderia interagir com o Drácula, Frankenstein e Lobisomem em futuros longas, assim como a Marvel Studios planejou e executou, mas nem todo mundo tem a visão, organização e planejamento de Kevin Feige (produtor da Marvel).

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No centro, Annabelle Wallis com Jake Johnson e Tom Cruise em cena de A Múmia (pic by moviepilot.de)

Primeiramente, Tom Cruise não tem o carisma de Brendan Fraser (que protagonizou A Múmia de 1999), e muito menos tem qualquer química com sua colega Annabelle Wallis. Sofia Boutella como uma versão feminina da múmia soou promissor nos trailers, mas o resultado final acabou comprometido com as demais escolhas equivocadas, assim como o diretor Alex Kurtzman, que só tinha uma comédia desconhecida no currículo. Felizmente, o filme foi mal nas bilheterias e deve brecar esse plano insosso da Universal.

A TORRE NEGRA. Acho bacana resgatarem um grande autor de terror como Stephen King para os cinemas, mas definitivamente esta adaptação de sua obra não funcionou em nenhum aspecto. Sinceramente não entendi o motivo de contratarem o diretor dinamarquês Nikolaj Arcel. Eles queriam uma atmosfera de filme europeu num filme nitidamente blockbuster? E embora Idris Elba e Matthew McConaughey se esforcem, é impossível se importar com seus personagens, muito menos o jovem Tom Taylor que pareceu mais perdido do que os próprios produtores.

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Idris Elba e Tom Taylor tentam alguma química em A Torre Negra (pic by moviepilot.de)

Ainda falando sobre Stephen King, achei muuuito bacana ver seu romance “It” sendo tão destacado após tantos anos da primeira adaptação para a televisão. Este novo It: A Coisa se tornou o filme de terror mais visto de todos os tempos, ultrapassando o recorde anterior de O Exorcista (1973) que era de 232 milhões de dólares. Contudo, apesar dos números gordos que certamente vão engrenar mais filmes de terror, o filme está longe de ser uma obra-prima como muitos classificaram. Se tivessem explorado mais os personagens adultos, que são mais assustadores do que o próprio palhaço Pennywise, e reduzissem o excesso de efeitos visuais na figura dele, a performance de Bill Skarsgård poderia causar mais calafrios.

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Crianças procuram pelo palhaço Pennywise em cena de It: A Coisa (pic by moviepilot.de)

E de uma forma geral, as sequências e refilmagens integraram a parte ruim da safra do ano. Hoje existe um excesso de continuações e reboots que empobrece o cinema, e que se continuar nesse ritmo, os filmes originais passarão a ser raridade no circuito. Citando apenas os que vi no cinema: O Chamado 3, Jogos Mortais: Jigsaw, Alien: Covenant (uma franquia excelente mas que enfraqueceu demais com esta nova produção), Annabelle 2: A Criação do Mal, e até mesmo Guardiões da Galáxia Vol. 2, que pecou no excesso de gags e esqueceu da trama principal.

INDO CONTRA A CORRENTE

Apesar de Hollywood ainda produzir boas continuações como Logan e Thor: Ragnarok, é nesse cenário de escassez de originalidade que temos que valorizar os novos trabalhos de Darren Aronofsky (Mãe!) e Christopher Nolan (Dunkirk). Curiosamente, ambos os filmes tiveram recepções do tipo ame ou odeie, mas é inegável o esforço que os diretores fizeram para entregar algo novo, fresco e com alguma mensagem, concorde você ou não.

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E o filme doideira do ano vai para Mãe!, de Darren Aronofsky (pic by moviepilot.de)

Apesar de ter cedido dirigir a sequência Blade Runner 2049, Denis Villeneuve é garantia de vermos algo no mínimo com um olhar diferente. A Chegada é uma das ficções científicas mais criativas dos últimos anos, principalmente no uso de recursos cinematográficos como a montagem não-linear.

E falando em originalidade, não posso deixar de citar o melhor filme que vi nos cinemas: Corra!, de Jordan Peele. Pra começar, este é um filme que nunca imaginei que veria um dia. Trata-se de um filme extremamente corajoso ao lidar com o tema do racismo, ainda mais no gênero do terror e da ficção científica. E isso só foi possível graças a Jordan Peele que, em entrevista, confessou que queria fazer um filme em que pudesse passar a péssima sensação de ser uma minoria. Antigamente, havia mais filmes assim, em que o diretor queria abordar temas polêmicos em tramas de terror e ficção científica como O Enigma do Outro Mundo (1982), de John Carpenter.

Quando soube que Robert Pattison estava bem cotado pra ganhar o prêmio de interpretação masculina em Cannes por Bom Comportamento (Good Time), fiquei pensando se não seria exagero da mídia, afinal estamos falando daquele rapaz sem graça daqueles filmes mais sem graça ainda do Crepúsculo. Pelo visto suas duas colaborações com o diretor canadense David Cronenberg, Cosmópolis e Mapas Para as Estrelas, fizeram muito bem para desinflar seu ego e mostrar que ele tem potencial. Nesse filme dos irmãos Benny e Josh Safdie, Pattison vive um ladrão de bancos que, após uma tentativa frustrada de assalto, precisa resgatar seu irmão antes que ele volte para a prisão. Além do ator, o filme foi uma grata surpresa. Muito bem dirigido, montado e com uma ótima trilha musical de Daniel Lopatin, Bom Comportamento consegue gerar tensão do início ao fim e nunca se torna previsível.

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Robert Pattison em cena de Bom Comportamento (pic by moviepilot.de)

OSCAR 2017: A CERIMÔNIA QUE NÃO ACABOU

A cerimônia do Oscar ficou tão marcada com a lambança histórica de troca de envelopes e anúncio de filme errado que às vezes você até esquece qual indicado ganhou Melhor Filme, o que acabou apagando um pouco o brilho da vitória de Moonlight: Sob a Luz do Luar. Esse deslize diminuiu o fato da Academia premiar pela primeira vez em seus 89 anos um filme sobre homossexualismo e composto por um elenco totalmente negro.

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Gafes do Oscar: Warren Beatty e Jimmy Kimmel com caras de “O que eu vou falar agora??”

Claro, é importante quebrar barreiras e desbravar novos mares, mas deixando essa parte politicamente correta de lado, não considero Moonlight um bom filme. Barry Jenkins reuniu uma série de clichês de homossexualismo e de vício de drogas, colocou uma fotografia mais estilizada com câmera lenta, e uma estrutura narrativa convencional em três tempos da vida do protagonista. As melhores qualidades do filme são a trilha de Nicholas Britell e Mahershala Ali, que ficou muito limitado no primeiro terço do filme. Quer ver filme bom de homossexualismo? Veja O Segredo de Brokeback Mountain, veja Weekend, veja Azul é a Cor Mais Quente, veja Antes do Anoitecer, veja Morte em Veneza, enfim, são tantas opções melhores…

ISABELLE HUPPERT. Antes quero deixar claro que sou e sempre fui contra aqueles Oscars concedidos com intenção de compensar derrotas anteriores ou várias indicações sem vitórias, pois esses prêmios costumam gerar novas injustiças e transformar tudo num ciclo vicioso. Francamente, achava que Isabelle Huppert nem seria indicada por Elle por se tratar de uma performance corajosa num filme igualmente ousado, mas já que ela foi indicada, por que não premiá-la? A grande maioria dos críticos americanos a reconheceu como a melhor performance feminina do ano, mas no Oscar resolveram premiar a America’s sweetheart Emma Stone em La La Land, que certamente terá inúmeras outras oportunidades de ganhar uma estatueta.

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Emma Stone e seu Oscar de Atriz por La La Land

Claro que também fiquei indignado com a ausência de Elle na categoria de Filme em Língua Estrangeira. Além do filme ser muito bom, a Academia perdeu uma excelente oportunidade de premiar Paul Verhoeven, um diretor holandês que muito contribuiu para Hollywood nos anos 80 e 90, com clássicos modernos como RoboCop – O Policial do Futuro, Instinto Selvagem O Vingador do Futuro. Se depois viessem com Oscar Honorário, se fosse Verhoeven, eu nem me daria ao trabalho de comparecer à cerimônia.

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Isabelle Huppert e o diretor Paul Verhoeven divulgam Elle no tapete vermelho de Cannes (pic by LA Times)

EXPANDE MONOPÓLIO DA DISNEY

Lembra lá no colégio, quando seu professor de História te ensinou sobre as consequências do monopólio? Que, como não há forte concorrência, a empresa controla o mercado? Como eu havia comentado há dois anos e já me preocupava com essa situação fora de controle, a Disney já comprou a Pixar, a Marvel, a Lucas Films (Star Wars) e agora a Fox e suas derivadas Twentieth Century Fox, Fox Searchlight e FX, essa última em especial se tornou referências em séries mais ousadas como American Horror Story e Fargo, material que não vemos na Disney.

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Inicialmente, os fãs da Marvel comemoraram o fato de vários personagens poderem participar do mesmo universo dos filmes da Marvel/Disney, como Deadpool e os X-Men. Sim, pelo lado dos fãs de quadrinhos, é uma ótima notícia pela integração, mas é justamente aí que reside uma grande preocupação. Será possível um filme como Deadpool, repleto de sangue, palavrões, humor negro e sexo, sob o comando da empresa-família Disney? Se os figurões da Disney forem espertos, eles mantém o logo da Fox e continuarão produzindo filmes para o público adulto como Logan, já que foi comprovado o sucesso comercial e de crítica.

Mas não se trata apenas desse microcosmo da Marvel. Toda forma de Arte precisa de diversidade para sobreviver, por isso, quanto menos pasteurizada for a safra de novos filmes, o cinema terá vida longa.

OS ASSÉDIOS DE HOLLYWOOD

Embora muitos acreditem que o terremoto começou com o produtor Harvey Weinstein, Hollywood já ficou em estado de alerta com relatos de assédio envolvendo o último vencedor do Oscar de Melhor Ator, Casey Affleck, que teria tratado com machismo colegas de trabalho chamando-as de “vacas” e chegando a mostrar seu órgão genital para Amanda White, produtora de seu mockumentary  I’m Still Here.

Obviamente, o caso de Harvey Weinstein, dono da ex-distribuidora Miramax e atual Weinstein Co., é o mais grave de todos. Ele teria assediado mais de oitenta mulheres (segundo o USA Today), com destaque para atrizes como Ashley Judd (que foi a primeira a erguer a mão), Asia Argento, Rosanna Arquette, Kate Beckinsale, Cara Delevingne, Claire Forlani, Romola Garai, Heather Graham, Eva Green, Daryl Hannah, Salma Hayek, Angelina Jolie, Rose McGowan, Lupita Nyong’o, Mira Sorvino e Gwyneth Paltrow. Seus avanços normalmente seguiam uma tática de chamar a vítima até seu quarto de hotel, onde ele já a esperava trajado com roupão de banho, oferecia e pedia massagens e forçava beijos. Caso as vítimas se recusassem, ele as ameaçava dizendo que “acabaria com a carreira delas”. E elas sabiam que ele tinha poder para isso.

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O produtor Harvey Weinstein à esquerda com algumas de suas vítimas (montage by Archy World News)

Nessa confusão toda, sobrou até pra Meryl Streep, que foi acusada de saber dos abusos e não reportar, assim como Matt Damon, que teria ajudado a encobrir um dos escândalos a pedido de Weinstein em 2004. Primeiramente, muita calma nessa hora. Como jogaram merda no ventilador, é preciso apurar tudo antes de sair acusando todo mundo, pois carreiras e vidas estão em jogo.

Todas essas acusações mexeram demais com a indústria, tanto que a Academia decidiu expulsar o produtor Harvey Weinstein de sua associação. Ele foi indicado ao Oscar de Melhor Filme por Gangues de Nova York em 2003, e ganhou o Oscar em 1999 por Shakespeare Apaixonado. Inclusive acredito na teoria da conspiração que o Oscar de Melhor Atriz para Gwyneth Paltrow foi comprado com o intuito de fazê-la esquecer do “incidente” (talvez só assim pra explicar como ela bateu Cate Blanchett e Fernanda Montenegro naquele ano…). Pode ser que mais membros envolvidos na polêmica sejam futuramente expulsos também.

Depois de Weinstein, o caso mais em evidência foi do ator Kevin Spacey. Sua vida se tornou um inferno depois que o ator Anthony Rapp, da série Star Trek: Discovery, revelou que aos 14 anos, ele foi abusado por Spacey depois de uma festa. Em resposta pelo Twitter, Kevin Spacey pediu desculpas, mas sugeriu que seu comportamento inapropriado teria acontecido por ele ser gay. Obviamente, a declaração não caiu bem e deixou a comunidade gay em fúria. Em seguida, vieram outras acusações envolvendo jovens atores de seu grupo teatral britânico Old Vic. Vendo a bola de neve crescer rapidamente, a Netflix logo anunciou que cancelaria série House of Cards, protagonizada por Spacey, enquanto o diretor Ridley Scott decidiu apagar todas as cenas já filmadas com Spacey e substitui-lo por Christopher Plummer no filme All the Money in the World. Estava anunciado o fim da carreira de Kevin Spacey, que teria se internado numa espécie de clínica de reabilitação.

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Envolvido em escândalos, o ator Kevin Spacey foi retirado integralmente do filme de Ridley Scott, All the Money in the World (montage by Digital Spy)

Tendo o mesmo comportamento inapropriado, o diretor Bryan Singer foi recentemente demitido da produção de Bohemian Rhapsody, filme biográfico do vocalista do Queen, Freddie Mercury. Inicialmente, inventaram uma desculpa de que ele tinha problemas familiares, mas novas acusações surgiram contra ele e assim estava justificada sua demissão. Segundo relatos, Singer oferecia papéis a jovens atores (incluindo menores) em troca de sexo.

Ao longo dos últimos meses, várias acusações surgiram contra outros profissionais da área de cinema e de TV. Para citar os mais importantes: o diretor e produtor Brett Ratner, os atores e vencedores do Oscar Dustin HoffmanRichard Dreyfuss (que teriam provocado e oferecido propostas indecentes), e os atores de séries Jeffrey Tambor (de Transparent, que tem futuro incerto) e Louis C.K. (de Louie, que também não deve continuar e ainda cancelou futuros projetos). Todos se afastaram dos holofotes e devem esperar a poeira abaixar um pouco.

 

Alguns especialistas acreditam que o Oscar 2018 pode dar preferência às mulheres devido aos acontecimentos. Portanto, podem pintar candidatas e vencedoras mulheres em categorias normalmente dominadas por homens como Direção e Fotografia. Eu, particularmente, sou contra essa tendência de premiar de acordo com os tempos como aconteceu com Moonlight, que mais foi premiado como forma de protesto contra o governo de Trump do que pelos próprios méritos.

CRÍTICAS

Vamos às listas do ano, começando com os melhores vistos nos cinemas.

TOP 5 MELHORES DO ANO NO CINEMA

5. Bom Comportamento (Good Time/ 2017)
Dir: Benny Safdie, Josh Safdie

4. Custódia (Jusqu’à la garde/ 2017)
Dir: Xavier Legrand

3. Ao Cair da Noite (It Comes at Night/ 2017)
Dir: Trey Edward Shults

2. A Qualquer Custo (Hell or High Water/ 2016)
Dir: David Mackenzie

1. Corra! (Get Out/ 2017)
Dir: Jordan Peele

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Daniel Kaluuya e Allison Williams em cena de Corra!

TOP 5 MELHORES EM MÍDIA DIGITAL

5. Your Name (Kimi no na wa/ 2016)
Dir: Makoto Shinkai

4. Desamor (Loveless/ 2017)
Dir: Andrey Zvyagintsev

3. Pais e Filhos (Soshite chichi ni naru / 2013)
Dir: Hirokazu Kore-eda

2. El Topo (El Topo/ 1970)
Dir: Alejandro Jodorowsky

1. Era uma vez em Tóquio (Tôkyô monogatari/ 1953)
Dir: Yasujirô Ozu

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Era uma Vez em Tóquio, de Yasujirô Ozu. Pic by imdb.com

IN MEMORIAN

Comparado ao ano passado, é possível dizer que tivemos poucas perdas no mundo do cinema. Particularmente, pra mim foi muito difícil dizer adeus a um dos melhores diretores que Hollywood produziu: o americano Jonathan Demme. Como sou fã incondicional de O Silêncio dos Inocentes, e considero Filadélfia um marco contra o preconceito da Aids, tenho um carinho enorme pelos seus filmes.

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O diretor Jonathan Demme com a atriz Jodie Foster em set de O Silêncio dos Inocentes (pic by The New York Times)

Outra perda irreparável para os cinéfilos fãs de terror foi o mestre George Romero, conhecido como o pai dos zumbis que hoje estrelam vários filmes, séries e quadrinhos. Apesar de admirar seus trabalhos com os mortos-vivos, gostaria de ter visto mais filmes de outras temáticas como o ótimo Martin (1978), no qual um rapaz acredita que é um vampiro.

Perdemos os vencedores do Oscar: Martin Landau, vencedor do Oscar de Coadjuvante pela excepcional performance como Bela Lugosi em Ed Wood (1994); e o diretor John G. Avildsen, considerado o diretor dos filmes de esporte e montagem Rocky, um Lutador (1976) e Karatê Kid (1984).

Grandes atores indicados ao Oscar também partiram: John Hurt (por O Expresso da Meia-Noite e O Homem Elefante), Mary Tyler Moore (por Gente Como a Gente); Sam Shepard (por Os Eleitos). E nomes que serão lembrados por seu talento e carisma: Harry Dean StantonBill PaxtonJerry LewisAdam West (o eterno Batman da série de TV), Roger Moore (o ator que mais interpretou James Bond), e o músico Chris Cornell (criou a trilha e canção de 007 – Cassino Royale).

FELIZ ANO NOVO!

Embora nosso querido governo pise cada vez mais em nós, seja criando mais leis inúteis, seja criando mais impostos para cobrir seus próprios roubos, ou pior: soltando presos corruptos como faz um certo ministro do Supremo, precisamos tocar nossas vidas. 2018 é uma grande incógnita na política, e tenho muito receio de que o PT volte ao poder e de uma possível ascensão da extrema direita.

Que em 2018, sejam lançados mais filmes de qualidade, filmes alternativos e por que não filmes nacionais melhores? O cinema brasileiro parece ter perdido aquele gás dos anos 2000 e se rendido a comédias típicas de televisão. Bingo: O Rei das Manhãs foi uma boa surpresa de Daniel Rezende, mas precisamos de mais.

‘ME CHAME PELO SEU NOME’ conquista 6 INDICAÇÕES ao INDEPENDENT SPIRIT AWARDS 2018

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À direita, o jovem Timithée Chalamet e Armie Hammer avaliam estátua. Mais ao fundo, Michael Stuhlbarg em cena de Me Chame Pelo seu Nome (pic by cine.gr)

PRÊMIO DO CINEMA INDEPENDENTE AMERICANO RECONHECE BONS TÍTULOS, MAS ALGUMAS AUSÊNCIAS CHEGAM A ESTRANHAR

Na manhã desta terça, dia 21, as atrizes Lily Collins e Tessa Thompson anunciaram os indicados ao 33º Independent Spirit Awards, concedido às produções de orçamento de até 20 milhões de dólares. Sim, com esse montante no Brasil, seria uma mega-produção… E sim, provavelmente desses 20 milhões, 10 estariam em malas de políticos.

Pra quem não se recorda, houve um tempo em que o prêmio Independent Spirit era o “patinho feio” da temporada, pois os vencedores passavam longe do tapete vermelho do Oscar. Agora as coisas se inverteram. As produções aqui presentes já apresentam boa vantagem em relação aos ausentes, já que dos últimos quatro vencedores do Independent acabaram ganhando o Oscar de Melhor Filme também. Para refrescar a memória:

2014: 12 Anos de Escravidão
2015: Birdman
2016: Spotlight: Segredos Revelados
2017: Moonlight: Sob a Luz do Luar

Nesta edição, o franco-favorito também se tornou o recordista com seis indicações. Me Chame Pelo seu Nome, novo trabalho do diretor italiano Luca Guadagnino, foi indicado a Filme, Diretor, Ator, Ator Coadjuvante, Fotografia e Montagem.

Não sei se é válido rotulá-lo de drama LGBT, mas a trama envolve uma relação entre um rapaz de 17 anos no auge de sua descoberta sexual e um assistente do pai dele nos anos 80 na Itália. Os atores que os interpretam, Timothée Chalamet e Armie Hammer, respectivamente, ambos indicados aqui, vêm recebendo críticas bastante positivas e devem frequentar futuras listas de melhores do ano. O diretor Guadagnino, que dirigiu o ótimo Um Sonho de Amor, costuma filmar com um olhar mais metafórico, que parece combinar com a essência mais dúbia do filme.

Com cinco indicações cada, Bom Comportamento e Corra! vêm logo em seguida. Coincidentemente, foram duas ótimas surpresas do ano. Enquanto o primeiro apresenta uma atmosfera mais crua e fria, o segundo busca ótimos artifícios cinematográficos para tornar crível a ficção. Já a diferença entre eles está nos números das bilheterias. Enquanto o tenso filme dos irmãos Josh e Bennie Safdie arrecadou apenas 2 milhões de dólares até o momento, o drama racial de Jordan Peele se tornou um sucesso comercial de mais de 250 milhões pelo mundo. Será que a Academia vai ignorar esses números na hora das indicações?

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Daniel Kaluuya em cena de desconcertante de Corra! (pic by moviepilot.de)

A ausência, se podemos dizer assim, mais sentida foi a de Três Anúncios Para um Crime na categoria de Melhor Filme. Após uma recepção extremamente favorável no Festival de Toronto, muitos especialistas já o consideravam o filme a ser batido na temporada. O novo filme de Martin McDonagh critica severamente a impunidade e a falta de eficiência policial, que embora aconteça no Missouri, é um tema bastante universal. Felizmente, a produção foi lembrada nas categorias de Atriz (Frances McDormand), Ator Coadjuvante (Sam Rockwell) e Roteiro (do próprio McDonagh).

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Sam Rockwell, Frances McDormand e Woody Harrelson em cena tensa de Três Anúncios Para um Crime (pic by moviepilot.de)

Outra ausência sentida foi do ator americano Willem Dafoe, que vinha num crescendo de críticas positivas por seu papel em The Florida Project, que foi indicado a Melhor Filme e Diretor. Como tem prestígio junto à Academia (foi indicado ao Oscar duas vezes: em 1987 por Platoon, e em 2001 por A Sombra do Vampiro), o ator deve ter boas chances de se integrar à categoria de Ator Coadjuvante. O diretor do filme, Sean Baker, ficou conhecido pelo drama Tangerine, que acompanha dois personagens trans com a câmera do iPhone.

 

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Willem Dafoe com a pequena Brooklynn Prince em The Florida Project (pic by moviepilot.de)

 

Após vencer o cobiçado Leão de Ouro no último Festival de Veneza, muito se falou do favoritismo do novo filme de Guillermo del Toro, A Forma da Água. Porém, além de ter ficado de fora por completo no Gotham Awards, não recebeu nenhuma indicação no Independent. As melhores chances estavam com a atriz Sally Hawkins e o próprio diretor mexicano. Curiosamente, o filme teve orçamento de 19,5 milhões, como se tivesse se planejado exclusivamente para entrar no Independent Spirit, mas seus esforços foram em vão…

Falando em atriz, a categoria apresentou seis candidatas. Até o momento, as atuações de Frances McDormand e Saoirse Ronan foram as mais comentadas, mas Margot Robbie interpretando uma patinadora de gelo em I, Tonya tem recebido boas críticas, além de Allison Janney, que atua como a mãe problemática dela.

 

 

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À esquerda, Sebastian Stan interpreta o ex-marido de Tonya (Margot Robbie) em I, Tonya. pic by myfilm.gr

Este ano, o prêmio Robert Altman pelo elenco foi para Mudbound – Lágrimas Sobre o Mississipi, da diretora Dee Rees. Este drama acompanha o retorno de dois homens que voltam da Segunda Guerra Mundial para trabalhar numa fazenda, enquanto lidam com questões de racismo no Mississipi.

Segue lista de indicados do Independent Spirit Awards:

MELHOR FILME

  • ME CHAME PELO SEU NOME (Call Me by Your Name)
    Produtores: Peter Spears, Luca Guadagnino, Emilie Georges, Rodrigo Teixeira, Marco Morabito, James Ivory, Howard Rosenman
  • THE FLORIDA PROJECT
    Produtores: Sean Baker, Chris Bergoch, Kevin Chinoy, Andrew Duncan, Alex Saks, Francesca Silvestri, Shih-Ching Tsou
  • CORRA! (Get Out)
    Produtores: Jason Blum, Edward H. Hamm Jr., Sean McKittrick, Jordan Peele
  • LADY BIRD
    Producers: Eli Bush, Evelyn O’Neill, Scott Rudin
  • THE RIDER
    Produtores: Mollye Asher, Bert Hamelinck, Sacha Ben Harroche, Chloé Zhao

MELHOR FILME DE DIRETOR ESTREANTE

  • COLUMBUS
    Diretor: Kogonada
    Produtores: Danielle Renfrew Behrens, Aaron Boyd, Giulia Caruso, Ki Jin Kim, Andrew Miano, Chris Weitz
  • INGRID GOES WEST
    Diretor: Matt Spicer
    Produtores: Jared Ian Goldman, Adam Mirels, Robert Mirels, Aubrey Plaza, Tim White, Trevor White
  • MENASHE
    Diretor/Produtor: Joshua Z. Weinstein
    Produtores: Yoni Brook, Traci Carlson, Daniel Finkelman, Alex Lipschultz
  • OH LUCY!
    Diretor/Producer: Atsuko Hirayanagi
    Produtores: Jessica Elbaum, Yukie Kito, Han West
  • PATTI CAKE$
    Diretor: Geremy Jasper
    Produtores: Chris Columbus, Michael Gottwald, Dan Janvey, Daniela Taplin Lundberg, Noah Stahl, Rodrigo Teixeira

PRÊMIO JOHN CASSAVETES – Concedido a uma produção com orçamento abaixo de 500 mil dólares.

  • Dayveon
    Roteirista/Diretor/Produtor: Amman Abbasi
    Roteirista: Steven Reneau
    Produtores: Lachion Buckingham, Alexander Uhlmann
  • A Ghost Story
    Roteirista/Diretor: David Lowery
    Produtores: Adam Donaghey, Toby Halbrooks, James M. Johnston
  • Life and nothing more
    Roteirista/Diretor: Antonio Méndez Esparza
    Produtores: Amadeo Hernández Bueno, Alvaro Portanet Hernández, Pedro Hernández Santos
  • Most Beautiful Island
    Roteirista/Diretor/Produtor: Ana Asensio
    Produtores: Larry Fessenden, Noah Greenberg, Chadd Harbold, Jenn Wexler
  • The Transfiguration
    Roteirista/Diretor: Michael O’Shea
    Produtor: Susan Leber

MELHOR DIRETOR

  • Sean Baker (The Florida Project)
  • Jonas Carpignano (A Ciambra)
  • Luca Guadagnino (Me Chame Pelo seu Nome)
  • Jordan Peele (Corra!)
  • Benny Safdie, Josh Safdie (Bom Comportamento)
  • Chloé Zhao (The Rider)

MELHOR ROTEIRO

  • Greta Gerwig (Lady Bird)
  • Azazel Jacobs (The Lovers)
  • Martin McDonagh (Três Anúncios Para um Crime)
  • Jordan Peele (Corra!)
  • Mike White (Beatriz at Dinner)

MELHOR ROTEIRO DE ESTREANTE

  • Kris Avedisian. História por: Kyle Espeleta, Jesse Wakeman (Donald Cried)
  • Emily V. Gordon, Kumail Nanjiani (The Big Sick)
  • Ingrid Jungermann (Women Who Kill)
  • Kogonada (Columbus)
  • David Branson Smith, Matt Spicer (Ingrid Goes West)

MELHOR FOTOGRAFIA

  • Thimios Bakatakis (The Killing of a Sacred Deer)
  • Elisha Christian (Columbus)
  • Hélène Louvart (Beach Rats)
  • Sayombhu Mukdeeprom (Me Chame Pelo seu Nome)
  • Joshua James Richards (The Rider)

MELHOR MONTAGEM

  • Ronald Bronstein, Benny Safdie (Bom Comportamento)
  • Walter Fasano (Me Chame Pelo seu Nome)
  • Alex O’Flinn (The Rider)
  • Gregory Plotkin (Corra!)
  • Tatiana S. Riegel (I, Tonya)

MELHOR ATRIZ

  • Salma Hayek (Beatriz at Dinner)
  • Frances McDormand (Três Anúncios Para um Crime)
  • Margot Robbie (I, Tonya)
  • Saoirse Ronan (Lady Bird)
  • Shinobu Terajima (Oh Lucy!)
  • Regina Williams (Life and nothing more)

MELHOR ATOR

  • Timothée Chalamet (Me Chame Pelo seu Nome)
  • Harris Dickinson (Beach Rats)
  • James Franco (Artista do Desastre)
  • Daniel Kaluuya (Corra!)
  • Robert Pattinson (Bom Comportamento)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

  • Holly Hunter (The Big Sick)
  • Allison Janney (I, Tonya)
  • Laurie Metcalf (Lady Bird)
  • Lois Smith (Marjorie Prime)
  • Taliah Lennice Webster (Bom Comportamento)

MELHOR ATOR COADJUVANTE

  • Nnamdi Asomugha (Crown Heights)
  • Armie Hammer (Me Chame Pelo seu Nome)
  • Barry Keoghan (The Killing of a Sacred Deer)
  • Sam Rockwell (Três Anúncios Para um Crime)
  • Benny Safdie (Bom Comportamento)

PRÊMIO ROBERT ALTMAN – Concedido ao diretor, diretor de casting e ao elenco

  • Mudbound – Lágrimas Sobre o Mississipi (Mudbound)
    Diretor: Dee Rees
    Diretores de Casting: Billy Hopkins, Ashley Ingram
    Elenco: Jonathan Banks, Mary J. Blige, Jason Clarke, Garrett Hedlund, Jason Mitchell, Rob Morgan, Carey Mulligan

MELHOR DOCUMENTÁRIO

  • The Departure
    Diretora/Produtora: Lana Wilson
  • Faces Places
    Diretores: Agnés Varda, JR
    Produtora: Rosalie Varda
  • Last Men in Aleppo
    Diretor: Feras Fayyad
    Produtores: Kareem Abeed, Søeren Steen Jespersen, Stefan Kloos
  • Motherland
    Diretora/Produtora: Ramona S. Diaz
    Produtor: Rey Cuerdo
  • Quest
    Diretor: Jonathan Olshefski
    Produtora: Sabrina Schmidt Gordon

MELHOR FILME INTERNACIONAL

  • BPM (Beats Per Minute)
    França
    Dir: Robin Campillo
  • Uma Mulher Fantástica (Una Mujer Fantástica)
    Chile
    Dir: Sebastián Lelio
  • I Am Not a Witch
    Zâmbia
    Dir: Rungano Nyoni
  • Lady Macbeth
    Reino Unido
    Dir: William Oldroyd
  • Loveless
    Rússia
    Dir: Andrey Zvyagintsev

PRÊMIO BONNIE – Este prêmio inaugural reconhecerá uma diretora no meio de sua carreira com um prêmio de 50 mil dólares.

  • So Yong Kim
  • Lynn Shelton
  • Chloé Zhao

PRÊMIO JEEP TRUER THAN FICTION – Concedido a um diretor emergente de não-ficção que ainda não recebeu nenhum reconhecimento significante.

  • Shevaun Mizrahi
    Diretor de Distant Constellation
  • Jonathan Olshefski
    Diretor de Quest
  • Jeff Unay
    Diretor de The Cage Fighter

PRÊMIO KIEHL’S SOMEONE TO WATCH – Reconhece um cineasta talentoso de visão singular que ainda não recebeu nenhum reconhecimento apropriado.

  • Amman Abbasi
    Diretor de Dayveon
  • Justin Chon
    Diretor de Gook
  • Kevin Phillips
    Diretor de Super Dark Times

PRÊMIO PIAGET DE PRODUTORES – Honra produtores emergentes, que com poucos recursos, demonstram criatividade, tenacidade e visão necessários para produzir filmes independentes de qualidade.

  • Giulia Caruso & Ki Jin Kim
  • Ben LeClair
  • Summer Shelton

***

Como já é de costume, a cerimônia do Independent Spirit acontece um dia antes do Oscar, neste caso, no dia 03 de março.

Indicados ao Leão de Ouro 2014 não apresentam favoritos

Pôster oficial do 71º Festival de Veneza, que faz alusão ao momento culminante do clássico francês Os Incompreendidos (photo by primetv.pt - image by biennale di Venezia)

Pôster oficial do 71º Festival de Veneza, que faz alusão ao momento culminante do clássico francês Os Incompreendidos (photo by primetv.pt – image by biennale di Venezia)

EMBORA HAJA NOMES EM POTENCIAL, A DISPUTA PELO PRÊMIO ESTÁ BASTANTE EQUILIBRADA

Apesar do resultado do ano passado ter sido quase motivo de uma CPI (o documentário italiano Sacro GRA foi eleito o vencedor do Leão de Ouro pelo presidente do júri conterrâneo Bernardo Bertolucci), o Festival de Veneza é um dos mais prestigiosos do mundo, além de ser o mais antigo. Ao contrário da veia mais comercial de Cannes, Veneza não tem o costume de se limitar a nomes consagrados para compor suas seleções de filmes.

Contudo, em entrevista, o diretor artístico Alberto Barbera revelou um fracasso para esta edição. Tentou trazer duas produções norte-americanas, cujos diretores são ninguém menos que David Fincher e Paul Thomas Anderson, que levou o Leão de Prata de Melhor Diretor em 2012 por O Mestre. Os dois viriam com Garota Exemplar (Gone Girl) e Inherent Vice, respectivamente, mas as distribuidoras recusaram a proposta para lançá-los no New York Film Festival. Tanto a 20th Century Fox como a Warner alegam que o evento americano ganha a briga por acontecer mais próximo do fim do ano, quando começa a temporada de premiações que culmina com o Oscar, e também por darem valor ao público do próprio país.

Cena com Ben Affleck de Garota Exemplar: preferência por NY a Veneza. (photo by www.outnow.ch)

Cena com Ben Affleck de Garota Exemplar: preferência por NY a Veneza. (photo by http://www.outnow.ch)

As desculpas são válidas, mas a verdade que li no site The Playlist é que as distribuidoras estão pensando duas vezes antes de mandar elenco e equipe de seus filmes para divulgação internacional para evitar gastos. Simples assim. Pagar passagens aéreas e estadias em hotéis luxuosos nem sempre representam números maiores nas bilheterias; a menos que ganhe um prêmio importante e olhe lá!

Dito isso, a missão de Barbera não foi fácil. Assistiu a 1500 filmes para peneirar 55 sobreviventes, distribuídos em três listas (Competição Oficial, Fora de Competição e Horizontes). “É um trabalho mais complexo, mais doloroso porque tem de deixar de fora alguns filmes muito bons”, afirmou Barbera em comparação a outros festivais de filmes como Toronto, que não apresenta competição e por isso mesmo não há limites de quantidade. Sem Fincher e Anderson, Veneza ainda oferece nomes conhecidos como o do alemão Fatih Akin e do mexicano Alejandro González Iñárritu.

Aliás, o novo filme de Iñárritu, Birdman, abrirá a competição oficial por trazer mais atores mundialmente conhecidos ao tapete vermelho como Michael Keaton, Edward Norton, Naomi Watts e Emma Stone. Por se tratar de uma comédia de humor negro, dificilmente deve levar o Leão de Ouro. Outras presenças ilustres são aguardadas para o evento, casos de Al Pacino e Holly Hunter (ambos por Manglehorn), Ethan Hawke e January Jones (ambos por Good Kill) e Willem Dafoe (Pasolini). Pacino e Dafoe já largam como franco-favoritos na corrida pelo prêmio de interpretação masculina, especialmente Pacino que terá mais um filme (The Humbling) exibido fora de competição.

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Cena de Birdman entre Michael Keaton e Edward Norton: comédia de humor negro com clima de Queime Depois de Ler (photo by outnow.ch)

Quanto à seleção oficial, existem nomes interessantes como o do francês Xavier Beauvois que dirigiu o bom Homens e Deuses, que faturou o Grande Prêmio do Júri em Cannes 2010; e o japonês Shin’ya Tsukamoto, que tem uma linguagem visual bem peculiar, especialmente no gênero ficção científica. Mas um dos nomes que podem surpreender é o do norte-americano Joshua Oppenheimer, que este ano foi indicado para Melhor Documentário no Oscar por O Ato de Matar e pode sair do festival com o Leão de Ouro por The Look of Silence.

Já na mostra fora de competição, vale a pena destacar os retornos de dois grandes diretores. Peter Bogdanovich, que estava sumido desde O Miado do Gato (2001), volta com She’s Funny That Way, uma comédia sobre Broadway com Owen Wilson, Jennfer Aniston e Imogen Poots. E Joe Dante, que ficou conhecido por suas doideiras como Gremlins, Piranha e Viagem Insólita, faz sua versão de filme de zumbi, Burying the Ex, focado num casal de namorados formado por Anton Yelchin e Ashley Greene. E também se mostra interessante a reunião de diretores para fazer o filme mosaico Words With Gods, com tema voltado à religião. Nomes como Emir Kusturica, Mira Nair, Hideo Nakata e Hector Babenco já garantem maior atenção da mídia e do público.

INDICADOS AO LEÃO DE OURO

The Cut
Dir: Fatih Akin (Alemanha, França, Itália, Rússia, Canadá, Polônia, Turquia)
• A Pigeon Sat on a Branch Reflecting on Existence
Dir: Roy Andersson (Suécia, Alemanha, Noruega, França)
• 99 Homes
Dir: Ramin Bahrani (U.S.)
• Tales
Dir: Rakhshan Bani E’temad (Irã)
• La rancon de la gloire
Dir: Xavier Beauvois (França)
• Hungry Hearts
Dir: Saverio Costanzo (Itália)
• Le dernier coup de marteau
Dir: Alix Delaporte (França)
• Manglehorn
Dir: David Gordon Green (EUA)
• Birdman or (The Unexpected Virtue of Ignorance)
Dir: Alejandro Gonzáles Iñárritu (EUA)
• Three Hearts
Dir: Benoit Jacquot (France)
• The Postman’s White Nights
Dir: Andrei Konchalovsky (Rússia)
•  Il Giovane Favoloso
Dir: Mario Martone (Itália)
• Sivas
Dir: Kaan Mujdeci (Turquia)
• Anime Nere
Dir: Francesco Munzi (Itália, França)
• Good Kill
Dir: Andrew Niccol (EUA)
• Loin des Hommes
Dir: David Oelhoffen (França)
• The Look of Silence
Dir: Joshua Oppenheimer (Dinamarca, Finlândia, Indonésia, Noruega, Reino Unido)
• Nobi
Dir: Shin’ya Tsukamoto (Japão)
• Red Amnesia
Dir: Wang Xiaoshuai (China)

FORA DE COMPETIÇÃO

• Words with Gods
Dir: Guillermo Arriaga, Emir Kusturica, Amos Gitai. Mira Nair, Warwick Thornton, Hector Babenco, Bahman Ghobadi, Hideo Nakata, Alex de la Iglesia (México, EUA)
• She’s Funny That Way
Dir: Peter Bogdanovich (EUA)
• Dearest
Dir: Peter Ho-sun Chan (Hong Kong, China)
• Olive Kitteridge
Dir: Lisa Cholodenko (EUA)
• Burying the Ex
Dir: Joe Dante (EUA)
• Perez
Dir: Edoardo De Angelis (Itália)
• La zuppa del demonio
Dir: Davide Ferrario (Itália)
• Tsili
Dir: Amos Gitai (Israel, Rússia, Itália, França)
• La trattativa
Dir: Sabina Guzzanti (Itália)
• The Golden Era
Dir: Ann Hui (China, Hong Kong)
• Make Up
Dir: Im Kwontaek (Coréia do Sul)
• The Humbling
Dir: Barry Levinson (EUA)
• The Old Man of Belem
Dir: Manoel de Oliveira (Portugal, França)
• Italy in a Day
Dir: Gabriele Salvatores (Itália, Reino Unido)
• In the Basement
Dir: Ulrich Seidl (Áustria)
• The Boxtrolls
Dir: Anthony Stacchi, Annable Graham (U.K)
• Ninfomaníaca: Volume II (versão longa) Director’s Cut
Dir: Lars Von Trier (Dinamarca, Alemanha, França, Bélgica)

HORIZONTES

• Theeb
Dir: Naji Abu Nowar (Jordânia, Emirados Árabes Unidos, Catar, Reino Unido)
• Line of Credit
Dir: Salome Alexi (Georgia, Alemanha, França)
• Cymbeline
Dir: Michael Almereyda (EUA)
• Senza Nessuna Pieta
Dir: Michele Alhaique (Itália)
• Near Death Experience
Dir: Benoit Delepine, Gustave Kervern (França)
• Le Vita Oscena
Dir: Renato De Maria (Itália)
• Realite
Dir: Quentin Dupieux (França, Bélgica)
• I Spy/I Spy
Dir: Veronika Franz, Severin Fiala (Áustria)
• Hill of Freedom
Dir: Hong Sangsoo (Coréia do Sul)
• Bypass
Dir: Duane Hopkins (Reino Unido)
• The President
Dir: Moshen Makhmalbaf (Georgia, França, Reino Unido, Alemanha)
• Your Right Mind
Dir: Ami Canaan Mann (EUA)
• Belluscone, una storia siciliana
Dir: Franco Maresco (Itália)
• Nabat
Dir: Elchin Musaoglu (Azerbaijão)
• Heaven Knows What
Dir: Josh Safdie, Ben Safdie (EUA, França)
• These Are the Rules
Dir: Ognjen Svilicic (Croatia, France, Serbia, Macedonia)
• Court
Dir: Chaitanya Tamhane (Índia)

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