SEIS DIRETORAS DISPUTAM O URSO DE OURO no FESTIVAL DE BERLIM

First Cow

John Magaro em cena de First Cow, de Kelly Reichardt (pic by IMDb)

FESTIVAL QUE TEM HISTÓRICO SÓCIO-POLÍTICO APRESENTA MOMENTOS DE TENSÃO

A 70ª edição do Festival Internacional de Berlim começou no último dia 20 de Fevereiro sob inúmeros temas políticos, a começar pela substituição no comando do evento. Após quase 20 anos, o alemão Dieter Kosslick cedeu seu posto de diretor artístico do festival para o italiano Carlo Chatrian, enquanto a holandesa Mariette Rissenbeek se tornou a diretora executiva. Com essa alteração, já foi possível perceber um aumento de diretores desconhecidos, assim como de diretoras na disputa principal pelo Urso de Ouro.

Dos 18 filmes indicados, seis são dirigidos por mulheres: Sally Potter, Eliza Hittman, Kelly Reichardt, Natalia Meta, Stéphanie Chuat e Véronique Reymond (que dirigiram Schwesterlein), e  Jekaterina Oertel, que co-dirigiu DAU.Natasha.

The Roads not Taken

Javier Bardem e Elle Fanning em cena de The Roads Not Taken, de Sally Potter (pic by OutNow.CH)

Contudo, elas serão avaliadas por um júri presidido pelo ator britânico Jeremy Irons, que logo no início decidiu se explicar sobre seus comentários antigos de conteúdo machista e homofóbico resgatados em redes sociais. O ator disse ser a favor dos direitos femininos, que aprova casamento do mesmo sexo (desde que aprovado nas leis do país), e que seria a favor do aborto (se for a decisão da mulher). Não querendo ser advogado do diabo aqui, mas todos têm direito de errar e de se redimir, ainda mais por declarações antigas (vide as polêmicas de Twitter), já que todos amadurecemos, mas esperamos que suas opiniões pessoais não interfiram em suas decisões, apenas seu critério fílmico.

Jeremy Irons

O presidente do júri, o ator britânico Jeremy Irons, pronuncia-se sobre os temas polêmicos e pessoais (pic by Deadline)

Ainda sobre o júri, um dos integrantes é o cineasta brasileiro Kleber Mendonça Filho, diretor de Aquarius e Bacurau.  Na coletiva de imprensa, ele se demonstrou bastante preocupado com a situação delicada do Cinema Brasileiro. “Temos cerca de 600 projetos que estão atualmente congelados por causa da burocracia (do governo)”, disse Kleber.

Kleber

Em coletiva de imprensa, o diretor brasileiro Kleber Mendonça Filho expressa preocupação com o futuro do Cinema Brasileiro (pic by Folha de S. Paulo)

Da mesma forma preocupada, a produtora brasileira Sara Silveira, que estava na coletiva de imprensa do único filme brasileiro indicado ao Urso de Ouro, Todos os Mortos, dos diretores Marco Dutra e Caetano Gotardo, fez uma declaração sobre a censura do governo: “Eu não preciso de armas, eu preciso de força, de amor, de coragem e de momentos heróicos para suportar o que nós estamos vivendo. Mas aguardem, nós vamos resistir! Nós vamos vencer! Nós, todas as raças, todos os gêneros, os artistas, estamos juntos, todos estamos aqui gritando por liberdade, democracia, contra a censura e resistência!”. 

Infelizmente, com a ideologia do governo Bolsonaro, os cineastas brasileiros terão de ser ainda mais criativos para driblar os obstáculos para continuar fazendo filmes no país. Com a Ancine congelada, e o presidente nomeando uma pastora (!) para comandar a instituição da cultura, o Cinema Nacional corre sérios riscos de voltar aos anos 80.

Já sobre o filme Todos os Mortos, a estréia foi vista com frieza, inclusive com jornalistas abandonando a sessão. Embora filme se passe em 1899, dez anos após a abolição da escravidão, os personagens vivem na cidade de São Paulo atual, com intenção de demonstrar ao público que o comportamento racial de mais de 100 anos atrás persiste nos dias atuais. A perspectiva altamente brasileira porém não agradou o público internacional, e o jornalista Bruno Ghetti da Folha de S. Paulo cogitou como origem da recepção fraca o fato do foco narrativo pertencer aos personagens brancos, além dos dois diretores do filme serem brancos de classe média.

Mas voltando ao Festival de Berlim, logo no primeiro dia, houve um minuto de silêncio em homenagem às nove vítimas fatais de um atentado de cunho racista em Hanau, cidade bem próxima de Frankfurt.

Silence Minute

Da esquerda para a direita: o ator e host Samuel Finzi, a diretora executiva Mariette Rissenbeek e o diretor artístico Carlo Chatrian prestam homenagens às vítimas do atentado no primeiro dia do 70º Festival de Berlim (pic by china.org.ch)

Dentre os destaques deste ano, estão os novos filmes de: Abel Ferrara, Siberia, que seria descrito como uma exploração da linguagem dos sonhos; de Christian Petzold, Undine, uma história de amor e traição; e de Kelly Reichardt, First Cow, acompanha histórias de descobertas do oeste americano envolvendo a primeira vaca para contar sobre a origem do sonho Americano.

Vale destacar também a estréia internacional do drama Never Rarely Sometimes Always, que acompanha duas amigas da Pennsylvania que partem para Nova York em busca de ajuda médica para um aborto. No último festival de Sundance, o filme foi um dos maiores sucessos e ganhou um prêmio especial do júri.

Never Rarely

Sidney Flanigan em cena de Never Rarely Sometimes Always, de Eliza Hittman, que trata sobre o aborto nos EUA (pic by OutNow.CH)

O 70º Festival de Berlim termina no dia 1º de Março, quando os vencedores serão anunciados. Confira todos os 18 indicados ao Urso de Ouro, que já foi conquistado pelo Brasil em duas ocasiões: em 1998, com Central do Brasil, e em 2008, com Tropa de Elite.

INDICADOS AO URSO DE OURO 2020:

Berlin Alexanderplatz
Dir: Burhan Qurbani

DAU. Natasha
Dir: Ilya Khrzhanovskiy, Jekaterina Oertel

The Woman Who (Ran Domangchin yeoja)
Dir: Hong Sang-soo

Delete History (Effacer l’historique)
Dir: Benoît Delépine, Gustave Kervern

The Intruder (El prófugo)
Dir: Natalia Meta

Bad Tales (Favolacce)
Dir: Damiano & Fabio D’’Innocenzo

First Cow
Dir: Kelly Reichardt

Irradiated (Irradiés)
Dir: Rithy Panh

The Salt of Tears (Le sel des larmes)
Dir: Philippe Garrel

Never Rarely Sometimes Always
Dir: Eliza Hittman

Days (Rizi)
Dir: Tsai Ming-Liang

The Roads Not Taken
Dir: Sally Potter

My Little Sister (Schwesterlein)
Dir: Stéphanie Chuat, Véronique Reymond

There Is No Evil (Sheytan vojud nadarad)
Dir: Mohammad Rasoulof

Siberia
Dir: Abel Ferrara

All the Dead Ones (Todos os mortos)
Dir: Caetano Gotardo, Marco Dutra

Undine
Dir: Christian Petzold

Hidden Away (Volevo nascondermi)
Dir: Giorgio Diritti

 

‘A DESPEDIDA’ CONQUISTA o INDEPENDENT SPIRIT AWARD. A24 ACUMULA SETE PRÊMIOS

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Vencedores do Independent Spirit: Melhor Filme para A Despedida (Lulu Wang), Ator para Adam Sandler, Atriz para Renée Zellweger e Roteiro para Noah Baumbach. Pic montage by The Hollywood Reporter.

CONSIDERADO UM DOS FILMES MAIS QUERIDOS DA TEMPORADA, FILME DE LULU WANG GANHA SEU PRÊMIO MAIS RELEVANTE

A 35ª edição do Independent Spirit Awards foi transmitida ao vivo pelo Twitter, no perfil da @FilmIndependent – Aprendam isso, Oscar e Globo de Ouro! Pô, em pleno ano de 2020, ainda precisarmos depender de TV à cabo pra ver premiação?? É uma pena que a campanha publicitária do evento foi péssima, ninguém sabia que o a premiação seria transmitida ao vivo online. Nós só soubemos de última hora da transmissão porque fuçamos a internet! E aí, os resultados disso em números: cerca de 2.500 a 3.000 espectadores via streaming… Um número extremamente ridículo!!!!! Não pagou nem a comida de uma das 200 mesas dos artistas! Ou eles investem pesado em publicidade ano que vem, ou vão ter que voltar à TV tradicional…

A premiação contou com Aubrey Plaza como hostess – aprendam isso, Oscar!! E pela segunda vez consecutiva, ela deixou tudo mais leve e descontraído. Uma de suas melhores idéias foi trazer o personagem “Mark, o chefe cuzão comendo sanduíche” de As Golpistas para ser o ajudante de palco. E o bacana é que ele permanece no papel durante todo o show, comendo um sanduíche com uma mão e a outra direcionando os vencedores aos bastidores.

Aubrey Plaza

“Mark, o chefe cuzão que come sanduíche” em As Golpistas como assistente de palco e a hostess Aubrey Plaza (pics by The Hollywood Reporter)

Bom, com a redução de orçamento de várias produções em Hollywood nas últimas décadas, muitos filmes que foram premiados no Independent acabavam premiados também no Oscar,  como Corra!, Moonlight e Spotlight, fazendo com que o Independent se tornasse uma prévia do Oscar. Porém, os organizadores não queriam essa relação muito próxima, pois as produções realmente pequenas e singelas estavam ficando de fora, então eles decidiram dar mais atenção a produções pouco conhecidas e prestigiá-las.

Dentre alguns desses filmes menores estão Driveways, Colewell, Give me Liberty, Waves, Burning Cane e o ótimo Luce, títulos que a grande maioria sequer ouviu falar. E a gente aplaude essa postura do Independent Spirit, que se mantém firme no seu objetivo de reconhecer novos talentos e produções pequenas, e fortalece sua personalidade como um prêmio único. Exatamente o oposto que o BAFTA fez. Antigamente, o prêmio da Academia britânica poderia não ter muita audiência e nem contar com tantas celebridades, mas ele premiava outros filmes igualmente interessantes como Ou Tudo ou Nada, Razão e Sensibilidade e Sociedade dos Poetas Mortos. Lembram? Bons tempos…

Bom, A Despedida foi o grande vencedor da noite, ganhando Melhor Atriz Coadjuvante para Zhao Shuzhen, que não compareceu à festa porque a China fechou todas as fronteiras por causa do coronavírus, e Melhor Filme, que se tornou a maior surpresa da cerimônia. (Esperamos que haja uma boa surpresa amanhã também no Oscar nesta categoria…). Tem gente que gosta mais, e tem gente que gosta menos do filme de Lulu Wang, ou seja, ninguém realmente odeia o filme. E esta prêmio de Melhor Filme cai bem pra coroar uma boa temporada, que tinha seu único auge na premiação de Awkwafina no Globo de Ouro. Vemos problemas no roteiro, principalmente no que diz respeito à passividade de alguns personagens, mas trata-se de um filme que carrega muito humanismo; e dialoga bem com a questão das diferenças culturais numa época xenofóbica.

Apesar de não ter saído com o maior prêmio da noite, Joias Brutas conquistou o maior número de prêmios, três no total: Direção (aliás, os irmãos Benny e Josh Safdie são profundos conhecedores de cinema e a química deles é hilária), Montagem e Ator para Adam Sandler, que em seu discurso acalorado falou: “Que premiem os belos amanhã (no Oscar)! Um dia essa beleza acaba, e o que fica é a personalidade do Independent Spirit!”. Disponível na Netflix, Joias Brutas foi um dos melhores filmes de 2019, contando com um ritmo frenético em todos os departamentos, especialmente nesses premiados. Pena que não teremos a chance de ver nos cinemas…

2020 Film Independent Spirit Awards  - Show

Ao receberem o prêmio de direção, os irmãos Safdie começaram dois discursos em paralelo (pic by The Hollywood Reporter)

E a grande vencedora da noite na verdade foi a A24! Essa produtora independente que começou há oito anos, e tem buscado originalidade e inovação, duas coisas que estão extremamente em falta no mercado Hollywoodiano. Premiar A Despedida e Joias Brutas nas principais categorias significa que a ala independente tem essa mesma visão da A24 de apostar e se arriscar mais com filmes de temáticas e técnicas diferentes. Também da produtora, O Farol recebeu os prêmios de Ator Coadjuvante para Willem Dafoe (que merecia ter sido indicado ao Oscar) e Melhor Fotografia (a única indicação do filme ao Oscar).

Willem Dafoe

Willem Dafoe recebendo seu segundo Independent Spirit por O Farol. O primeiro ele ganhou em 2001 por A Sombra do Vampiro. Pic by Just Jared

 

Sobre diversidade, duas coisas bacanas no Independent Spirit: a categoria de Direção contou com duas mulheres (Alma Har’el e Lorene Scafaria) e um negro (Julius Onah, que aliás, dirigiu o ótimo filme Luce, que se aprofunda bem na questão do racismo).  E a categoria de Atriz Coadjuvante, pela primeira vez na história, contou apenas com atrizes de cor (que não são brancas). Tivemos Jennifer Lopez, Taylor Russell, Octavia Spencer, Lauren ‘Lolo’ Spencer e a vencedora Zhao Shuzhen.

Enfim, dois recados muito bem dados com esses resultados: somos inclusivos e queremos criatividade! Parabéns ao Independent Spirit Awards!

Agora, no quesito corrida ao Oscar, favoritismos confirmados: Renée Zellweger como Melhor Atriz por Judy (a mulher bateu 5 concorrentes!), e Parasita como Filme Internacional. Destacamos a premiação da comédia Fora de Série como Melhor Filme de Estréia, e o prêmio especial para a diretora Kelly Reichardt, uma cineasta fantástica que merece mais atenção.

VENCEDORES DO 35º INDEPENDENT SPIRIT AWARDS :

MELHOR FILME
* UMA VIDA OCULTA (A HIDDEN LIFE)
* CLEMENCY
* A DESPEDIDA (THE FAREWELL)
* HISTÓRIA DE UM CASAMENTO (MARRIAGE STORY)
* JOIAS BRUTAS (UNCUT GEMS)

MELHOR DIREÇÃO
* Robert Eggers – O FAROL
* Alma Har’el – HONEY BOY
* Julius Onah – LUCE
* Benny Safdie, Josh Safdie – JOIAS BRUTAS
* Lorene Scafaria – HUSTLERS

MELHOR ATOR
* Chris Galust – GIVE ME LIBERTY
* Kelvin Harrison – Jr., LUCE
* Robert Pattinson – O FAROL
* Adam Sandler – JOIAS BRUTAS
* Matthias Schoenaerts – THE MUSTANG

MELHOR ATRIZ
* Karen Allen – COLEWELL
* Hong Chau – DRIVEWAYS
* Elisabeth Moss – HER SMELL
* Mary Kay Place – A VIDA DE DIANE
* Alfre Woodard – CLEMENCY
* Renée Zellweger – JUDY: MUITO ALÉM DO ARCO-ÍRIS

MELHOR ATOR COADJUVANTE
* Willem Dafoe – O FAROL
* Noah Jupe – HONEY BOY
* Shia Labeouf – HONEY BOY
* Jonathan Majors – THE LAST BLACK MAN IN SAN FRANCISCO
* Wendell Pierce – BURNING CANE

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
* Jennifer Lopez – AS GOLPISTAS
* Taylor Russell – WAVES
* Zhao Shuzhen – A DESPEDIDA
* Lauren “Lolo” Spencer – GIVE ME LIBERTY
* Octavia Spencer – LUCE

MELHOR ROTEIRO
* Noah Baumbach – HISTÓRIA DE UM CASAMENTO
* Jason Begue, Shawn Snyder – TO DUST
* Ronald Bronstein, Benny Safdie, Josh Safdie – JOIAS BRUTAS
* Chinonye Chukwu – CLEMENCY
* Tarell Alvin Mccraney – HIGH FLYING BIRD

MELHOR FOTOGRAFIA
* Todd Banhazl – AS GOLPISTAS
* Jarin Blaschke – O FAROL
* Natasha Braier – HONEY BOY
* Chananun Chotrungroj – THE THIRD WIFE
* Pawel Pogorzelski – MIDSOMMAR

MELHOR MONTAGEM
* Julie Béziau – THE THIRD WIFE
* Ronald Bronstein, Benny Safdie – JOIAS BRUTAS
* Tyler L. Cook – SWORD OF TRUST
* Louise Ford – O FAROL
* Kirill Mikhanovsky – GIVE ME LIBERTY

MELHOR FILME INTERNACIONAL
* A VIDA INVISÍVEL, Brasil
* LES MISERÁBLES, França
* PARASITA, Coréia do Sul
* RETRATO DE UMA JOVEM EM CHAMAS, França
* RETABLO, Peru
* THE SOUVENIR, Reino Unido

MELHOR FILME DE ESTREANTE
* FORA DE SÉRIE (BOOKSMART)
* THE CLIMB
* A VIDA DE DIANE
* THE LAST BLACK MAN IN SAN FRANCISCO
* THE MUSTANG
* SEE YOU YESTERDAY

MELHOR ROTEIRO DE ESTREANTE
* Fredrica Bailey, Stefon Bristol – SEE YOU YESTERDAY
* Hannah Bos, Paul Thureen – DRIVEWAYS
* Bridget Savage Cole, Danielle Krudy – BLOW THE MAN DOWN
* Jocelyn Deboer, Dawn Luebbe – GREENER GRASS
* James Montague, Craig W. Sanger – THE VAST OF NIGHT

MELHOR DOCUMENTÁRIO
* AMERICAN FACTORY
* APOLLO 11
* FOR SAMA
* HONEYLAND
* ISLAND OF THE HUNGRY GHOSTS

PRÊMIO JOHN CASSAVETES (para produções abaixo de 500 mil dólares)
* BURNING CANE
* COLEWELL
* GIVE ME LIBERTY
* PREMATURE
* WILD NIGHTS WITH EMILY

PRÊMIO SOMEONE TO WATCH
* Rashaad Ernesto Green – PREMATURE
* Ash Mayfair – THE THIRD WIFE
* Joe Talbot – THE LAST BLACK MAN IN SAN FRANCISCO

PRÊMIO TRUER THAN FICTION
* Khalik Allah – BLACK MOTHER
* Davy Rothbart – 17 BLOCKS
* Nadia Shihab – JADDOLAND
* Erick Stoll & Chase Whiteside – AMÉRICA

PRÊMIO ROBERT ALTMAN
HISTÓRIA DE UM CASAMENTO – Noah Baumbach, Douglas Aibel, Francine Maisler, Alan Alda, Laura Dern, Adam Driver, Julie Hagerty, Scarlett Johansson, Ray Liotta, Azhy Robertson, Merritt Wever

BONNIE AWARD
Kelly Reichardt

‘American Honey’ e ‘Moonlight’ largam na frente no Independent Spirit Awards 2017

Sasha Lane e Shia LaBeouf em cena de American Honey, de Andrea Arnold, que conquistou seis indicações no Independent Spirit Awards (photo by moviepilot.de)

Sasha Lane e Shia LaBeouf em cena de American Honey, de Andrea Arnold, que conquistou seis indicações no Independent Spirit Awards (photo by moviepilot.de)

PREMIAÇÃO DE CINEMA INDEPENDENTE DÁ A LARGADA COM FORTES CANDIDATOS AO OSCAR

Pra quem acha que o Independent Spirit Awards é um mero coadjuvante na temporada de premiações, o blog lembra que os últimos três vencedores de Melhor Filme no Oscar saíram vitoriosos dessa premiação: Spotlight, Birdman e 12 Anos de Escravidão. Isso comprova que Hollywood e a Academia estão em sintonia em tempos de crise financeira, já que os filmes indicados ao Independent Spirit precisam ter um gasto máximo de 20 milhões de dólares. No ramo cinematográfico, muitos defendem que quanto menos dinheiro houver na produção, mais criatividade se vê na tela. Diante desse regulamento, algumas produções mais caras que estavam no burburinho do Oscar ficaram de fora como Animais Noturnos, o musical La La Land: Cantando Estações, Lion e Sete Minutos Depois da Meia-Noite. Contudo, esses mesmos filmes continuam com ótimas chances de chegar ao prêmio da Academia em fevereiro, inclusive seus atores.

O anúncio das indicações, que aconteceu no último dia 22, foi feito pelos atores Jenny Slate e Edgar Ramirez. Segue link com vídeo:

American Honey e Moonlight foram recordistas desta 32ª edição ao conquistar seis indicações cada. O primeiro, um road movie dirigido pela competente Andrea Arnold, foi indicado à Palma de Ouro no festival de Cannes, fez com que Shia LaBeouf desse a volta por cima após escândalos de plágio, e revelou o talento da novata Sasha Lane. Enquanto o segundo, um drama sobre a vida de um rapaz negro num bairro barra-pesada de Miami, teve boa passagem pelo Festival de Toronto e, embora tenha boas chances de ter atores indicados ao Oscar, nenhum deles foi reconhecido aqui, levando o prêmio Robert Altman para o elenco todo. Seria o futuro vencedor do SAG Awards de Ensemble Cast?

Mahershala Ali em cena de Moonlight (photo by moviepilot.de)

Mahershala Ali em cena de Moonlight, vencedor do prêmio Robert Altman (photo by moviepilot.de)

Manchester à Beira-Mar vem logo em seguida com cinco indicações. Curiosamente, seu diretor Kenneth Lonnergan ficou de fora de sua categoria, mas pelo menos está entre os melhores roteiros. Os atores Casey Affleck e Lucas Hedges garantiram suas vagas como Ator e Ator Coadjuvante, respectivamente, mas a veterana Michelle Williams foi esquecida como Coadjuvante. Mas alguém aqui duvida que ela conseguirá sua quarta indicação ao Oscar? Entre outras ausências sentidas nas categorias de atuação estão Jeff Bridges (A Qualquer Custo), Joel Edgerton (Loving), Sally Field (My Name is Doris), Adam Driver (Paterson), Kristen Stewart (Certain Women) e Rebecca Hall (Christine).

Michelle Williams em cena de Manchester à Beira-Mar. Sua ausência na categoria de Atriz Coadjuvante foi uma das mais sentidas. (photo by moviepilot.de)

Michelle Williams em cena de Manchester à Beira-Mar. Sua ausência na categoria de Atriz Coadjuvante foi uma das mais sentidas. (photo by moviepilot.de)

Com tantas premiações que estão por vir, acho bacana o Independent Spirit Awards conceder espaço para produções menores que dificilmente terão chances num Globo de Ouro, por exemplo. O próprio American Honey estava fadado ao esquecimento depois de Cannes, mas depois desse recorde de indicações no Independent, acredito que o filme de Arnold conseguirá melhor projeção e reconhecimento.

Falando em reconhecimento, o filme brasileiro Aquarius conseguiu o seu. Passando por cima de qualquer política mesquinha que o impediu de concorrer ao Oscar, o filme do pernambucano Kléber Mendonça Filho foi indicado para Melhor Filme Internacional ao lado de produções da Grécia (Chevalier), França (Três Lembranças da Minha Juventude), Alemanha (Toni Erdmann) e Irã (Sob a Sombra). Vale lembrar que entre esses indicados, apenas os filmes alemão e o grego podem concorrer ao Oscar de Filme em Língua Estrangeira.

Além de Aquarius, temos outro artista brasileiro reconhecido pelo Independent Spirit: o roteirista Mauricio Zacharias pelo drama de Ira Sachs, Melhores Amigos. Ele concorre com fortes candidatos: Kenneth Lonergan (Manchester à Beira-Mar), Taylor Sheridan (A Qualquer Custo), Mike Mills (20th Century Women) e Barry Jenkins (Moonlight).

Indicados ao 32º Independent Spirit Awards:

Melhor Filme
American Honey
Chronic
Jackie
Manchester à Beira-Mar (Manchester by the Sea)
Moonlight

Melhor Diretor
Andrea Arnold (American Honey)
Barry Jenkins (Moonlight)
Pablo Larraín (Jackie)
Jeff Nichols (Loving)
Kelly Reichardt (Certain Women)

Melhor Filme de Estréia
The Childhood of a Leader
The Fits
Other People
Swiss Army Man
A Bruxa

Melhor Ator
Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar)
David Harewood (Free in Deed)
Viggo Mortensen (Capitão Fantástico)
Jesse Plemons (Other People)
Tim Roth (Chronic)

Melhor Atriz
Annette Bening (20th Century Women)
Isabelle Huppert (Elle)
Sasha Lane (American Honey)
Ruth Negga (Loving)
Natalie Portman (Jackie)

Melhor Ator Coadjuvante
Ralph Fiennes (A Bigger Splash)
Ben Foster (A Qualquer Custo)
Lucas Hedges (Manchester à Beira-Mar)
Shia LaBeouf (American Honey)
Craig Robinson (Morris from America)

Melhor Atriz Coadjuvante
Edwina Findley (Free in Deed)
Paulina Garcia (Melhores Amigos)
Lily Gladstone (Certain Women)
Riley Keough (American Honey)
Molly Shannon (Other People)

Melhor Roteiro
A Qualquer Custo
Melhores Amigos
Manchester à Beira-Mar
Moonlight
20th Century Women

Melhor Roteiro de Estreante
Barry
Christine
Jean of the Joneses
Other People
A Bruxa

Mehor Filme Internacional
Aquarius (Brasil)
Chevalier (Grécia)
Três Lembranças da Minha Juventude (França)
Toni Erdmann (Alemanha)
Under the Shadow (Irã)

Melhor Documentário
13th
Cameraperson
I Am Not Your Negro
O.J.: Made in America
Sonita
Under the Sun

Melhor Fotografia
American Honey
Childhood
Free in Deed
Eyes of My Mother
Moonlight

Melhor Montagem
A Qualquer Custo
Jackie
Manchester à Beira-Mar
Moonlight
Swiss Army Man

Prêmio John Cassavetes
Free in Deed
Hunter Gatherer
Lovesong
Nakom
Spa Night

Prêmio Robert Altman
“Moonlight”

Prêmio Piaget Producers
Lisa Kjerulff
Jordana Mollick
Melody C. Roscher
Craig Shilowich

Truer Than Fiction Award
Kristi Jacobson (Solitary)
Sara Jordeno (Kiki)
Nanfu Wang (Holligan Sparrow)

Someone to Watch Award
Andrew Ahn (Spa Night)
Claire Carre (Embers)
Anna Rose Holmer (The Fits)
Ingrid Jungermann (Women Who Kill)

No topo, as atrizes Greta Gerwig e Annette Bening foram indicadas ao Independent Spirit Awards. Elas posam com Lucas Jade Zumann, Elle Fanning e Billy Crudup. (photo by cine.gr)

No topo, a atriz Annette Bening foi indicada ao Independent Spirit Awards por 20th Century Women. Ela posa com Greta Gerwig, Lucas Jade Zumann, Elle Fanning e Billy Crudup. (photo by cine.gr)

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O 32º Spirit Awards acontecerá no dia 25 de fevereiro, tradicionalmente um dia antes da cerimônia do Oscar.

70º Festival de Veneza (2013)

Pôster da 70ª edição do Festival de Veneza, inspirada pelo filme A Eternidade e Um Dia, de Theodoro Angelopoulos

Pôster da 70ª edição do Festival de Veneza, inspirada pelo filme A Eternidade e Um Dia, de Theodoro Angelopoulos

Primeiramente, gostaria de pedir desculpas pelo atraso nesse post dos indicados ao Festival de Veneza. Como estive muito atarefado no final de julho, acabei me esquecendo do evento italiano.

Em segundo lugar, os organizadores do evento resolveram fazer uma bela homenagem ao diretor grego Theodoro Angelopoulos, morto num acidente de carro em janeiro desse ano. Concorreu ao Leão de Ouro por O Megalexandros (1980), O Melissokromos (1986) e Paisagem na Neblina (1988), mas nunca levou o prêmio máximo. Já em Cannes, conseguiu o feito em 1998 pelo drama A Eternidade e Um Dia.

Bernardo Bertolucci

Bernardo Bertolucci

Este ano, resolveram convocar um diretor italiano para presidir o júri. O premiado e consagrado cineasta Bernardo Bertolucci, conhecido por dirigir obras marcantes como O Último Imperador (com o qual ganhou 9 Oscars, inclusive Melhor Filme e Direção), Os Sonhadores (2003) e o eternamente erótico O Último Tango em Paris (1972). Apesar de nunca ter concorrido ao Leão de Ouro, Bertolucci foi homenageado em 2007 pelo conjunto da obra.

Em sua bancada, temos nomes conhecidos como a da atriz americana Carrie Fisher (a Princesa Leia da saga Star Wars) e da francesa Virginie Ledoyen (pra quem viu 8 Mulheres e A Praia); dois nomes de diretores em alta: a britânica Andrea Arnold, que já concorreu duas vezes à Palma de Ouro em Cannes por Red Road e Fish Tank, e o chileno Pablo Larraín, cujo filme No foi indicado ao último Oscar de Filme Estrangeiro; o conceituado compositor japonês Ryuichi Sakamoto, que trabalhou com Bertolucci e Nagisa Oshima em Furyo, em Nome da Honra (1983), que será reexibido no festival.

Completam o júri o diretor de fotografia suíço Renato Berta, que já trabalhou com diretores como Jean-Luc Godard, Louis Malle e Alain Resnais; a atriz alemã Martina Gedeck, que atuou em O Grupo Baader Meinhof e A Vida dos Outros, indicado e vencedor do Oscar de Filme Estrangeiro, respectivamente; e o diretor e ator chinês Jian Wen, que protagonizou Sorgo Vermelho, de Zhang Yimou. Sua estréia na direção em Yangguang canlan de rizi (In the Heat of the Sun, 1994) competiu em Veneza, e saiu com o prêmio Volpi Cup de Melhor Ator para Yu Xia.

Esses artistas terão a tarefa de votar os melhores entre 20 filmes concorrentes. Aparentemente, a seleção desse ano está mais fraca se levarmos em consideração os diretores presentes. Dentre eles, destacam-se poucos nomes como o de Terry Gilliam, que ficou conhecido por integrar o grupo de comédia Monty Phyton. Ele foi indicado duas vezes ao Leão de Ouro: em 2005 por Irmãos Grimm, e em 1991 por O Pescador de Ilusões, com o qual venceu o Leão de Prata. Ele retorna com mais uma visão bem particular do futuro underground na linha de Brazil: O Filme (1985) e O Mundo Imaginário do Doutor Parnassus (2009) com a ficção científica The Zero Theorem. Com credibilidade, Gilliam conseguiu atrair bons atores para seu filme: Tilda Swinton, David Thewlis, Matt Damon e o vencedor do último Oscar de coadjuvante por Django Livre: Christoph Waltz, o que certamente fará diferença na contagem final dos votos.
The Zero Theorem, de Terry Gilliam. Em cena, Christoph Waltz e David Thewlis. (photo by www.indiewire.com)

The Zero Theorem, de Terry Gilliam. Em cena, Christoph Waltz e David Thewlis. (photo by http://www.indiewire.com)

Ainda na sombra do terrorismo que afetou os EUA, o documentarista norte-americano Errol Morris busca os segredos do Secretário de Defesa Donald Rumsfeld em The Unknown Known: The Life and Times of Donald Rumsfeld, desde seus dias como congressista na década de 60 até a invasão ao Iraque em 2003. Morris, que já ganhou o Oscar por Sob a Névoa da Guerra em 2003, tem sua primeira indicação em Veneza e pode surpreender se as ficções estiverem fracas.

Já o novo filme do britânico Stephen Frears, Philomena, parece já ter um propósito definido: premiar Judi Dench como Melhor Atriz, e impulsioná-la para o Oscar 2014. Assim como aconteceu com A Rainha, que resultou no Oscar para Helen Mirren, o drama sobre a busca de um filho desaparecido há décadas tem mais cara de filme feito para a TV, mas se realmente extrair atuação primorosa de Dench, acho que o filme já valeu a pena.
Dame Judi Dench ao lado de Steve Coogan em Philomena (photo by www.spaziofilm.it)

Dame Judi Dench ao lado de Steve Coogan em Philomena (photo by http://www.spaziofilm.it)

Vencedor do Leão de Ouro em 1994 por Vive L’Amour, o malaio Tsai Ming-Liang recebe sua quarta indicação ao prêmio com Jiao You (Stray Dogs), novamente estrelado por seu ator-fetiche Lee Kang-Sheng. Seus filmes costumam apelar bastante para os longos planos-sequência que se tornaram uma marca de sua linguagem. Autor de seus próprios roteiros, Ming-Liang costuma criar personagens praticamente mudos, o que torna suas ações em personalidades fortes. Dependendo da temática do filme, não acredito que ele tenha grandes chances, pois ele não muda quase nada de seu estilo.

Ainda da Ásia, pra quem acredita que a presença da nova animação do mestre nipônico Hayao Miyazaki, Kaze Tachinu (The Wind Rises), trará mais leveza ao festival, pode estar seriamente enganado. Baseado numa história em quadrinhos de autoria do próprio Miyazaki, o filme se passa durante a 2ª Guerra Mundial e acompanha a vida do designer dos aviões de guerra Jiro Horikoshi. Segundo a crítica, Kaze Tachinu busca atingir o nível de dramaticidade e tragédia da clássica animação Túmulo dos Vagalumes(1988), do diretor Isao Takahata. Miyazaki conta novamente com a importante colaboração do compositor Joe Hisaishi.

The Wind Rises

Kaze Tachinu (The Wind Rises), de Hayao Miyazaki

Como de costume, os festivais podem dar aquela forcinha para as produções conterrâneas. Caso uma produção italiana não seja agraciada com o Leão de Ouro, existe forte possibilidade de ser compensada com algum outro prêmio, principalmente pelo presidente do júri também ser italiano. Seguindo essa lógica, os representantes conterrâneos: Via Castellana Bandiera (Castellana Bandiera Street) e Sacro GRA (Sacred GRA) podem se beneficiar, inclusive o veterano Gianni Amelio, que já tem um Leão de Ouro pelo filme Assim é que Se Ria (1998), que volta a competir com L’intrepido (The Intrepid).

Cena de L'intrepido (The Intrepid), de Gianni Amelio (photo by www.cinemagia.ro)

Cena de L’intrepido (The Intrepid), de Gianni Amelio (photo by http://www.cinemagia.ro)

Contudo, ao contrário de edições anteriores, a competição está bastante nivelada. Embora haja alguns diretores mais experientes, não necessarimente indica um favoritismo. Nessas situações mais neutras, torna-se mais propício uma revelação ganhar reconhecimento. Temos vários nomes menos conhecidos como o do grego Alexandros Avranas, que vem com seu segundo longa Miss Violence. Vale a pena ficar de olho também no francês Philippe Garrel (La jalousie), no jovem britânico Jonathan Glazer (Under the Skin) e no pupilo do cinema independente americano David Gordon Green (Joe), uma vez que ganhou o Urso de Prata de direção no último Festival de Berlim por Prince Avalanche, que devem surpreender a crítica e o público.

O homenageado diretor William Friedkin

O homenageado diretor William Friedkin

O Festival de Veneza homenageará com o prêmio pelo conjunto da obra o diretor norte-americano William Friedkin, que, apesar de ter ficado mundialmente conhecido pelo terror O Exorcista (1973) e pelo oscarizado Operação França (1971), que renovou Hollywood na década de 70, também contribuiu para a modernização da linguagem televisiva. Aproveitando sua presença no festival, uma cópia restaurada de seu filme O Comboio do Medo (Sorcerer, de 1977) será exibida. “Considero Comboio do Medo meu filme mais pessoal e difícil”, declarou Friedkin.

Fora de competição, o novo filme do mexicano Alfonso Cuarón, Gravidade, será exibido com a presença dos astros George Clooney e Sandra Bullock.

Os 20 indicados ao Leão de Ouro são:

– Es-Stouh (The Rooftops)
Dir: Merzak Allouache (Argélia/ France)

L’intrepido (The Intrepid)
Dir: Gianni Amelio (Itália)

Miss Violence
Dir: Alexandros Avranas (Grécia)

Tracks
Dir: John Curran (Inglaterra/ Austrália)

Via Castellana Bandiera (Castellana Bandiera Street)
Dir: Emma Dante (Itália/ Suíça/ França)

Tom a la ferme (Tom at the Farm)
Dir: Xavier Dolan (Canadá/ França)

Child of God
Dir: James Franco (EUA)

Philomena
Dir: Stephen Frears (Inglaterra)

La jalousie (Jealousy)
Dir: Philippe Garrel (França)

The Zero Theorem
Dir: Terry Gilliam (Inglaterra/ EUA)

Ana Arabia
Dir: Amos Gitai (Israel/ França)

Under the Skin
Dir: Jonathan Glazer (Inglaterra/ EUA)

Joe
Dir: David Gordon Green (EUA)

Die Frau des Polizisten (The Police Officer’s Wife)
Dir: Philip Groening (Alemanha)

Parkland
Dir: Peter Landesman (EUA)

Kaze tachinu (The Wind Rises)
Dir: Hayao Miyazaki (Japão)

The Unknown Known: the Life and Times of Donald Rumsfeld
Dir: Errol Morris (EUA)

Night Moves
Dir: Kelly Reichardt (EUA)

Sacro GRA (Sacred GRA)
Dir: Gianfranco Rosi (Itália)

Jiaoyou (Stray Dogs)
Dir: Tsai Ming-liang (Taiwan/ França)

O Festival de Veneza começa no dia 28 de agosto e termina no dia 07 de setembro, quando o júri divulgará os vencedores.

Scarlett Johansson vive a alienígena em forma humana Laura no filme Under the Skin, de Jonathan Glazer (photo by www.beyondhollywood.com)

Scarlett Johansson vive a alienígena em forma humana Laura no filme Under the Skin, de Jonathan Glazer (photo by http://www.beyondhollywood.com)

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