114 Trilhas Musicais na disputa pelo Oscar 2014

Trilha musical tenebrosa de Joseph Bishara para Invocação do Mal está na disputa (photo by www.outnow.ch)

Trilha musical tenebrosa de Joseph Bishara para Invocação do Mal está na disputa (photo by http://www.outnow.ch)

Se tem ator e atriz reclamando da alta competitividade deste ano, os compositores deveriam tomar um uísque e relaxar. Competir com 113 trabalhos é pior que passar em medicina na FUVEST.

Embora nem todas as trilhas mereçam uma indicação ao Oscar, a trilha musical é uma arma valiosíssima nas mãos do diretor, pois pode valorizar muito a mensagem que o filme passa, gerar catarse naqueles filmes mais chorosos, e em alguns casos, dar uma bela disfarçada na “ruindade” do filme.

Hans Zimmer (photo by www.zimbio.com)

Hans Zimmer (photo by http://www.zimbio.com)

Na lista, é natural alguns nomes se repetirem como é o caso do alemão Hans Zimmer. Vencedor do Oscar pela trilha de O Rei Leão em 1995, ele concorre por três trabalhos bastante distintos entre si. Apesar de ser responsável pelas músicas do blockbuster O Homem de Aço e do filme de fórmula 1 Rush: No Limite da Emoção, Zimmer deve receber a indicação pelo drama 12 Years a Slave. Com o total de nove indicações e uma vitória, ele tem turbinado suas chances nos últimos anos depois que fez parceria com o diretor Christopher Nolan em Batman: O Cavaleiro das Trevas A Origem, e está trabalhando também em Interstellar, que deve estrear em novembro de 2014.

Há nomes que sempre figuram entre os indicados, mas nunca levam o prêmio. São os casos de Thomas Newman (11 indicações sem vitória), que disputa por Terapia de Risco e Walt nos Bastidores de Mary Poppins; e Danny Elfman (4 indicações sem vitória), que conta com seus trabalhos na animação Reino Escondido e no blockbuster Oz: Mágico e Poderoso. Provavelmente por motivos técnicos, ele não está competindo também por Trapaça

É muito difícil fazer previsão de indicados nessa categoria, mas alguns nomes como o de Zimmer são praticamente garantidos. Outro nome de peso que quase nunca falta é o do mestre John Williams. Super-mega recordista de indicações com “apenas” 48, tendo vencido em 5 oportunidades: Um Violinista no Telhado, Tubarão, Star Wars, E.T. o Extraterrestre e A Lista de Schindler. Ele volta este ano com a trilha da adaptação do best-seller A Menina que Roubava Livros, pelo qual já recebeu uma indicação ao Globo de Ouro.

O maestro e compositor John Williams (photo by www.jwfan.com)

O maestro e compositor John Williams (photo by http://www.jwfan.com)

Os demais concorrentes ao Globo de Ouro são Alex Ebert (All is Lost), Alex Heffes (Mandela: Long Walk to Freedom), Steven Price (Gravidade) e Zimmer que, por isso, já saem na frente das demais 109 composições.

Reconhecido pela crítica de Los Angeles, William Butler e Owen Pallett (Ela),  podem surpreender na reta final dependendo da distribuição das indicações. Já T-Bone Burnett (Inside Llewyn Davis) não teve a mesma sorte, pois suas composições devem conter música pré-existente, o que desqualifica para as exigências da Academia.

O compositor Joseph Bishara (photo by www.zimbio.com)

O compositor Joseph Bishara (photo by http://www.zimbio.com)

Particularmente, adoraria ver Joseph Bishara no tapete vermelho do Oscar. Ele foi responsável pelas ótimas trilhas de Invocação do Mal e Sobrenatural: Capítulo 2. Sem sua música, a excelente atmosfera não teria o mesmo impacto. Pena que a Academia não costuma premiar filmes de terror. Até onde me recordo, apenas A Profecia ganhou o Oscar em 1977, que contou também com a credibilidade de Jerry Goldsmith, falecido em 2004.

Segue a lista das 114 composições em ordem alfabética dos títulos originais em inglês:

A Seleção (Admission), de Stephen Trask
Ain’t Them Bodies Saints, de Daniel Hart
All Is Lost, de Alex Ebert
Alone Yet Not Alone, de William Ross
American Seagull, de Evgeny Shchukin
The Armstrong Lie, de David Kahne
Arthur Newman, de Nick Urata
At Any Price, de Dickon Hinchliffe
Austenland, de Ilan Eshkeri
Antes da Meia-Noite (Before Midnight), de Graham Reynolds
The Best Man Holiday, de Stanley Clarke
A Menina que Roubava Livros (The Book Thief), de John Williams
The Butterfly’s Dream (Kelebegin Ruyasi), de Rahman Altin
Chamada de Emergência (The Call), de John Debney
Capitão Phillips (Captain Phillips), de Henry Jackman
Closed Circuit, de Joby Talbot
Sem Proteção (The Company You Keep), de Cliff Martinez
Invocação do Mal (The Conjuring), de Joseph Bishara
Copperhead, de Laurent Eyquem
O Conselheiro do Crime (The Counselor), de Daniel Pemberton
Os Croods (The Croods), de Alan Silvestri
Meu Malvado Favorito 2 (Despicable Me 2), de Heitor Pereira
Elysium, Ryan Amon
Ender’s Game – O Jogo do Exterminador (Ender’s Game), de Steve Jablonsky
À Procura do Amor (Enough Said), de Marcelo Zarvos
Reino Escondido (Epic), de Danny Elfman
Ernest & Celestine, de Vincent Courtois
A Fuga do Planeta Terra (Escape from Planet Earth), de Aaron Zigman
Escape from Tomorrow, de Abel Korzeniowski
A Morte do Demônio (Evil Dead), de Roque Baños
47 Ronins (47 Ronin), de Ilan Eshkeri
42: A História de uma Lenda (42), de Mark Isham
Bons de Bico (Free Birds), de Dominic Lewis
Free China: The Courage to Believe, de Tony Chen
Fruitvale Station: A Última Parada (Fruitvale Station), de Ludwig Goransson
G.I. Joe: Retaliação (G.I. Joe: Retaliation), de Henry Jackman
Caça aos Gângsteres (Gangster Squad), de Steve Jablonsky
Gravidade (Gravity), de Steven Price
O Grande Gatsby (The Great Gatsby), de Craig Armstrong
Se Beber, Não Case! Parte III (The Hangover Part III), de Christophe Beck
João e Maria: Caçadores de Bruxas (Hansel & Gretel Witch Hunters), de Atli Örvarsson
Os Sabores do Palácio (Haute Cuisine), de Gabriel Yared
Ela (Her), de William Butler and Owen Pallett
O Hobbit: A Desolação de Smaug (The Hobbit: The Desolation of Smaug), de Howard Shore
Hours, de Benjamin Wallfisch
How Sweet It Is, de Matt Dahan
Jogos Vorazes: Em Chamas (The Hunger Games: Catching Fire), de James Newton Howard
Uma Ladra Sem Limites (Identity Thief), de Christopher Lennertz
O Incrível Mágico Burt Wonderstone (The Incredible Burt Wonderstone), de Lyle Workman
Sobrenatural: Capítulo 2 (Insidious: Chapter 2), de Joseph Bishara
Instructions Not Included (No se Aceptan Devoluciones), de Carlo Siliotto
Os Estagiários (The Internship), de Christophe Beck
The Invisible Woman, de Ilan Eshkeri
Homem de Ferro 3 (Iron Man 3), de Brian Tyler
Jack, o Caçador de Gigantes (Jack the Giant Slayer), de John Ottman
Jobs, de John Debney
Kamasutra 3D, de Sreejith Edavana e Saachin Raj Chelory
Refém da Paixão (Labor Day), de Rolfe Kent
O Mordomo da Casa Branca (Lee Daniels’ The Butler), de Rodrigo Leão
Live at the Foxes Den, de Jack Holmes
Amor é Tudo o Que Você Precisa (Love Is All You Need), de Johan Söderqvist
Mama, de Fernando Velázquez
Homem de Aço (Man of Steel), de Hans Zimmer
Mandela: Long Walk to Freedom, de Alex Heffes
The Missing Picture (L’image manquante), de Marc Marder
Universidade Monstros (Monsters University), de Randy Newman
Os Instrumentos Mortais: Cidade dos Ossos (The Mortal Instruments: City of Bones), de Atli Örvarsson
Amor Bandido (Mud), de David Wingo
Murph: The Protector, de Chris Irwin e Jeff Widenhofer
Truque de Mestre (Now You See Me), de Brian Tyler
Oblivion, de Anthony Gonzalez e Joseph Trapanese
Oldboy – Dias de Vingança (Oldboy), de Roque Baños
Invasão à Casa Branca (Olympus Has Fallen), de Trevor Morris
Oz: Mágico e Poderoso (Oz The Great and Powerful), de Danny Elfman
Círculo de Fogo (Pacific Rim), de Ramin Djawadi
Sem Dor, Sem Ganho (Pain & Gain), de Steve Jablonsky
Percy Jackson e o Mar de Monstros (Percy Jackson: Sea of Monsters), de Andrew Lockington
Philomena, de Alexandre Desplat
O Lugar Onde Tudo Termina (The Place beyond the Pines), de Mike Patton
Aviões (Planes), de Mark Mancina
Os Suspeitos (Prisoners), de Jóhann Jóhannsson
R.I.P.D. – Agentes do Além (R.I.P.D.), de Christophe Beck
Flores Raras (Reaching for the Moon), de Marcelo Zarvos
Romeu e Julieta (Romeo & Juliet), de Abel Korzeniowski
Aposta Máxima (Runner Runner), de Christophe Beck
Rush: No Limite da Emoção (Rush), de Hans Zimmer
Um Porto Seguro (Safe Haven), de Deborah Lurie
Salinger, de Lorne Balfe
Walt nos Bastidores de Mary Poppins (Saving Mr. Banks), de Thomas Newman
A Vida Secreta de Walter Mitty (The Secret Life of Walter Mitty), de Theodore Shapiro
Short Term 12, de Joel P. West
Terapia de Risco (Side Effects), de Thomas Newman
Os Smurfs 2 (The Smurfs 2), deHeitor Pereira
The Spectacular Now, de Rob Simonsen
Além da Escuridão: Star Trek (Star Trek Into Darkness), de Michael Giacchino
Segredos de Sangue (Stoker), de Clint Mansell
Thor: O Mundo Sombrio (Thor: The Dark World), de Brian Tyler
Tim’s Vermeer, de Conrad Pope
Em Transe (Trance), de Rick Smith
Turbo, de Henry Jackman
12 Years a Slave, de Hans Zimmer
Dose Dupla (2 Guns), de Clinton Shorter
The Ultimate Life, de Mark McKenzie
Canção Para Marion (Unfinished Song), de Laura Rossi
O Sonho de Wadjda (Wadjda), de Max Richter
Caminhando com Dinossauros (Walking with Dinosaurs), de Paul Leonard-Morgan
Meu Namorado é um Zumbi (Warm Bodies), de Marco Beltrami e Buck Sanders
We Steal Secrets: The Story of WikiLeaks, de Will Bates
Família do Bagulho (We’re the Millers), de Theodore Shapiro e Ludwig Goransson
Pelos Olhos de Maisie (What Maisie Knew), de Nick Urata
Why We Ride, de Steven Gutheinz
O Vento Está Soprando (The Wind Rises), de Joe Hisaishi
Winnie Mandela, de Laurent Eyquem
Wolverine – Imortal (The Wolverine), de Marco Beltrami

Oscar 2014: Primeiríssima Previsão

Cedo demais para o Oscar 2014? Nem tanto. Se olharmos para os filmes que já estrearam, realmente não há grandes candidatos a Melhor Filme. Contudo, produções milionárias como Homem de Ferro 3, Homem de Aço, Além da Escuridão – Star Trek e Círculo de Fogo podem e devem preencher algumas indicações nas categorias mais técnicas do Oscar como Melhor Som, Efeitos Sonoros e Efeitos Visuais, uma “rotina” que tem se tornado cada vez mais comum, enquanto os possíveis principais candidatos ao Oscar estréiam no final do ano justamente com esse intuito de deixar os filmes mais frescos nas memórias dos votantes da Academia.

Como a maioria dos candidatos sequer estrearam, muitos palpites aqui são parte de previsões de alguns sites especializados como o Indiewire, além de um apanhado das seleções de festivais como o de Cannes e Berlim. Vale a pena lembrar que o Festival de Toronto (Canadá) tem sido um dos maiores termômetros para o Oscar. Nos últimos anos, os vencedores do prêmio People’s Choice Award foram indicados ou vencedores do Oscar de Melhor Filme: O Lado Bom da Vida, O Discurso do Rei, Preciosa e Quem Quer Ser um Milionário?. Este ano, o novo filme de David O. Russell, American Hustle, pode ser reconhecido em Toronto e praticamente garantir seu acesso ao prêmio da Academia.

Não podemos deixar de lado que há também aquelas produções que já nasceram candidatas ao Oscar, como é o caso de August: Osage County, adaptação de um livro vencedor do Pulitzer, que conta a saga da família Weston. Apesar do diretor inexperiente John Wells, convocaram atores que fazem a diferença e podem render indicações de atuação: Julia Roberts, Ewan McGregor, Chris Cooper, Abigail Breslin e Benedict Cumberbatch. Mas o fator determinante aqui são apenas dois: 1º É produzido por ninguém menos que Harvey Weinstein, o papa-Oscar. E 2º No elenco, tem ninguém menos que Meryl Streep, que pode bater seu próprio recorde de 17 indicações. Você achou que ela fosse sossegar depois de ganhar seu 3º Oscar? Nada disso! Meryl quer bater o recorde de Katharine Hepburn, vencedora de 4 estatuetas de atriz. E, ao que tudo indica, ela deve conquistar sua 18ª indicação, pois Violet Weston, sua personagem, é uma viciada em drogas com câncer (duas tragédias que costumam elevar o potencial de prêmios de atuação). Resta saber se seu papel é principal ou secundário. Veja uma das primeiras fotos de Meryl Streep caracterizada abaixo (a mulher tira de letra!):

Julia Roberts, Ewan McGregor e Meryl Streep em cena de August: Osage County

Julia Roberts, Ewan McGregor e Meryl Streep em cena de August: Osage County (photo by http://www.cinemagia.ro)

Outro que já nasceu com cheiro de premiação foi The Wolf of Wall Street, mais novo filme de Martin Scorsese. Depois de quase ter levado seu segundo Oscar com a bela produção de A Invenção de Hugo Cabret, ele volta à temática criminosa que marcou sua carreira. Desta vez, apóia-se na história verídica de Jordan Belfort, de sua ascensão no mundo dos acionistas até sua queda através de envolvimento com o crime, corrupção e polícia federal. Acredito que Scorsese busque uma história que envolva o mercado financeiro a fim de atingir a crise econômica que devastou os Estados Unidos em 2008.

E mais uma vez Leonardo DiCaprio protagoniza o filme. Trata-se de sua 5ª colaboração com o diretor. Posso estar enganado quanto à eficiência da aliança, mas não sei se o ator consegue atingir o nível de profundidade que Scorsese busca. Pelo tamanho do projeto e da credibilidade de seu diretor, DiCaprio deve ser indicado para Melhor Ator, mas a vitória em si deve levar mais alguns anos. Aos 39 de idade, o ator se mostra cada vez mais esforçado como em Django Livre, mas ainda peca no tom e no excesso.

Leonardo DiCaprio em The Wolf of Wall Street. Mais uma chance no Oscar?

Leonardo DiCaprio em The Wolf of Wall Street. Mais uma chance no Oscar?

O projeto de Scorsese pode ainda render indicações para os atores Matthew McConaughey e Jonah Hill como coadjuvantes, além dos mais corriqueiros como Montagem para Thelma Schoonmaker, Trilha Musical para Howard Shore e Fotografia para Rodrigo Prieto. Resta aguardar o resultado de sua bilheteria e a crítica.

Outro veterano, aliás, veteranoS que podem voltar a concorrer ao Oscar são os irmãos Coen. Em maio, os diretores participaram do último Festival de Cannes com Inside Llewyn Davis, reconhecido pelo Grande Prêmio do Júri. Trata-se de um filme sobre música, especificamente a folk dos anos 60 em Nova York, onde acompanhamos a trajetória do compositor Llewyn Davis.

Além da indicação quase certa de Roteiro Original, como se trata de uma produção de época, pode conquistar indicações para Fotografia (Bruno Delbonnel), Direção de Arte (Jess Gonchor) e Figurino (Mary Zophres). Após atuar nos últimos dois vencedores do Oscar de Melhor Filme (O Artista e Argo), John Goodman pode finalmente ser reconhecido por uma indicação através deste filme dos Coen.

Mas talvez a mais forte aposta seja a atuação de Oscar Isaac, que foi apontado pela mídia especializada como um dos que tem grandes chances de figurar na lista de indicados a Melhor Ator. Sua atuação foi bastante elogiada e, se for reconhecida por alguns prêmios de círculos norte-americanos, pode acabar no Globo de Ouro e no Oscar.

Oscar Isaac tem grandes chances para Melhor Ator por Inside Llewyn Davis (photo by www.OutNow.CH)

Oscar Isaac tem grandes chances para Melhor Ator por Inside Llewyn Davis (photo by http://www.OutNow.CH)

Em alta depois das indicações de seus últimos dois filmes, O Vencedor e O Lado Bom da Vida, o diretor e roteirista David O. Russell vem acumulando um total de 3 indicações sem vitória. Com seu novo filme, American Hustle, a história pode ser diferente.

David O. Russell: 3 indicações ao Oscar. Até o momento, nenhum vitória.

David O. Russell: 3 indicações ao Oscar. Até o momento, nenhum vitória.

Ele retoma a escalação de seus colaboradores como Robert De Niro e Bradley Cooper, podendo receber indicações com Christian Bale, Jennifer Lawrence, Amy Adams e Jeremy Renner. Apesar de todos os atores apresentarem visuais diferentes que merecem atenção, é inegável que Christian Bale se destaca por seu empenho em “desaparecer” no personagem. Bastante comprometido com seus papéis desde Psicopata Americano, O Operário e O Vencedor, Bale ganhou peso, mudou seu penteado radicalmente (ficou meio calvo) e alterou até sua postura. E por isso, é aposta certa para o Oscar 2014, provavelmente como Melhor Ator.

Amy Adams, Bradley Cooper. Jeremy Renner, Christian Bale

Indicados anteriormente: Amy Adams, Bradley Cooper e Jeremy Renner. Vencedores do Oscar: Christian Bale e Jennifer Lawrence. Todos sob direção de David O. Russell (photo by http://www.elfilm.com)

Existe outro filme que começa a ganhar força nos bastidores de Hollywood. Depois do sucesso de Preciosa, o diretor Lee Daniels passou a ganhar prestígio da ala afro-americana (não gosto de usar esse termo politicamente correto, mas tem gente sensível demais atualmente pra ouvir a palavra “negro”). Seu mais novo trabalho, O Mordomo da Casa Branca (The Butler), registra a história supostamente verídica do mordomo negro, Cecil Gaines, que trabalhou na Casa Branca servindo a oito presidentes e testemunhando acontecimentos históricos como a Guerra do Vietnã.

Lee Daniels: 1 indicação por Preciosa.

Lee Daniels: 1 indicação por Preciosa.

Forest Whitaker, que protagoniza o filme, está cotado para sua segunda indicação, e pode render indicações de coadjuvante para Vanessa Redgrave, Alan Rickman, Jane Fonda e principalmente Oprah Winfrey, cuja participação já é um forte lobby em si. Recentemente, ela confessou que teve grande receio de pagar outro mico na tela do cinema, uma vez que seu último filme, Bem-Amada (1998), foi um fracasso de bilheteria.

Mas, felizmente, ela não precisa se preocupar. O público alvo, formado por negros adultos, parece ter aceitado bem a idéia e já responde nas bilheterias americanas. O Mordomo da Casa Branca estreou nos EUA em 1º lugar com 24 milhões de dólares, números que impressionam para uma produção humilde de 25 milhões. Tamanho sucesso comercial deve impulsionar algumas indicações nas categorias principais como Melhor Filme e Diretor, uma vez que não houve diretor negro premiado na história da Academia.

Oprah Winfrey e Forest Whitaker em cena de The Butler

Oprah Winfrey e Forest Whitaker em cena de O Mordomo da Casa Branca (photo by http://www.blackfilm.com)

Se Leo DiCaprio, Oscar Isaacs e Whitaker se classificarem, terão forte competição pela frente. Temos Tom Hanks interpretando o capitão Richard Phillips, que sofreu ataque real de piratas somalianos em 2009 em Captain Phillips; Matthew McConaughey vivendo um aidético que luta contra a indústria farmacêutica em Dallas Buyers Club; o veterano Bruce Dern tendo seu talento redescoberto pelo diretor Alexander Payne em Nebraska, que lhe rendeu o prêmio de Melhor Ator no último Festival de Cannes; Chiwetel Ejiofor sendo o escravo da vez no novo filme do conceituado Steve McQueen, Twelve Years a Slave; e o carismático Robert Redford voltando em grande estilo em All is Lost, uma espécie de Náufrago mais moderno.

E se a Academia estiver disposta a recompensar um jovem talento, Michael B. Jordan pode receber sua primeira indicação por Fruitvale Station, uma produção independente que vem seguindo os passos do bem-sucedido Indomável Sonhadora ao conquistar prêmio no Festival de Sundance e ser selecionado em Cannes. Além disso, conta com a ajuda excepcional da Weinstein Company,  que já se comprometeu a distribuir o filme nos EUA e fazer o lobby costumeiro.

Michael B. Jordan no Festival de Cannes e no pôster do filme (photo by www.fruitvalefilm.com)

Michael B. Jordan no Festival de Cannes e no pôster do filme (photo by http://www.fruitvalefilm.com)

Ao contrário dos anos anteriores, a categoria de Melhor Atriz finalmente pode contar com cinco vencedoras do Oscar. Além de Meryl Streep, a australiana Cate Blanchett está encaminhando sua 6ª indicação através do novo filme de Woody Allen, Blue Jasmine, no qual vive a socialite falida Jasmine. Vencedora do Oscar de coadjuvante por O Aviador em 2005, a Academia sente que deve um Oscar de atriz principal para Blanchett, considerada uma das maiores intérpretes do cinema atual. Sally Hawkins e Alec Baldwin podem ser reconhecidos como coadjuvantes, e Woody Allen como roteirista em sua 16ª indicação.

Cate Blanchett em Blue Jasmine (photo by www.OutNow.CH)

Cate Blanchett em Blue Jasmine (photo by http://www.OutNow.CH)

Na mesma linha, a experiente Judi Dench pode ter mais uma chance de conquistar o Oscar de Melhor Atriz. Com um total de seis indicações, ela ganhou apenas uma vez como coadjuvante por Shakespeare Apaixonado (1998), com uma atuação de 8 minutos. Sob direção de Stephen Frears, Judi Dench interpreta uma senhora que procura por seu filho, que foi tirado dela há décadas quando foi forçada a entrar num convento em Philomena.

Os especialistas colocaram Kate Winslet pelo novo filme de Jason Reitman, Labor Day, outros colocaram Sandra Bullock como forte concorrente por Gravidade, filme sobre acidente espacial do mexicano Alfonso Cuarón. O retorno de Winslet ao Oscar seria bem-vindo, pois a Academia gosta de resgatar seus premiados para afastar a sina de maldição do Oscar, mas no caso de Bullock, não creio que suas chances sejam tão boas pelo histórico do gênero.

Sumida do Oscar desde 1996, a inglesa Emma Thompson pode ter seu retorno triunfal com Saving Mr. Banks, no qual interpreta P.L. Travers, autora do livro que deu origem ao clássico musical Mary Poppins (1964). Ao ver o trailer, é possível deduzir que a atuação de Thompson apresentará alguns trejeitos de Julie Andrews. Como o filme pode render indicações para Roteiro Original e Ator Coadjuvante para Tom Hanks (interpretando Walt Disney), Saving Mr. Banks deve figurar entre os candidatos a Melhor Filme. O diretor John Lee Hancock teve seu último trabalho indicado a Melhor Filme em 2010: Um Sonho Possível.

Tom Hanks e Emma Thompson em Saving Mr. Banks.

Tom Hanks (como Walt Disney) mostra o parque Disneyland para a escritora P.L. Travers (Emma Thompson) em Saving Mr. Banks (photo by http://www.disney.com)

E como a Academia tem uma paixão por realeza, as atrizes Nicole Kidman e Naomi Watts podem concorrer por seus papéis de Princesa Grace Kelly e Princesa Diana em Grace of Monaco e Diana, respectivamente. Enquanto Kidman trabalha com Olivier Dahan, que conquistou o Oscar de Atriz para Marion Cotillard por Piaf – Um Hino ao Amor, Watts atua sob direção do alemão Oliver Hirschbiegel (A Queda! As Últimas Horas de Hitler) na tentativa de distrinchar aqueles dias polêmicos em que Lady Di tinha um amante. Em termos de caracterização, Naomi Watts sai um pouco na frente, mas ambas aparentam ter pouco trabalho de maquiagem, ao contrário de Meryl Streep em A Dama de Ferro, por exemplo. Mas o que realmente conta é a atuação e a carga dramática que as atrizes imprimem nos filmes. Vamos torcer por boas atuações!

À esquerda, Grace Kelly. Nicole Kidman enfrenta dura desafio de trazer a princesa e atriz de volta à vida em Grace of Monaco (photo by mamamia.au)

À esquerda, Grace Kelly. Nicole Kidman enfrenta dura desafio de trazer a princesa e atriz de volta à vida em Grace of Monaco (photo by mamamia.com.au)

Naomi Watts (à direita) reproduz os mesmos gestos de Princesa Diana em Diana (photo by eonline.com)

Naomi Watts (à direita) reproduz os mesmos gestos de Princesa Diana em Diana (photo by eonline.com)

Indo na cola do sucesso de Bastardos Inglórios, o novo filme do diretor George Clooney, The Monuments Men, também retoma a Segunda Guerra Mundial ao contar a história de um grupo de historiadores de Arte que busca resgatar importantes obras de arte dos nazistas antes que Hitler as destrua. Por se tratar de uma aventura mais cômica, talvez a produção não seja bem cotada para os prêmios principais do Oscar, mas como Clooney tem boa reputação e seu elenco é super qualificado, pode surpreender na reta final. Apesar de contar com Matt Damon, Bill Murray, Jean Dujardin, John Goodman e do próprio George, a atuação mais comentada (pra variar) é de Cate Blanchett, que capricha no sotaque e pode conquistar indicação de coadjuvante.

Ao centro: John Goodman, George Clooney e Matt Damon checam as obras roubadas em The Monuments Men (photo by www.outnow.ch)

Ao centro: John Goodman, George Clooney e Matt Damon checam as obras roubadas em The Monuments Men (photo by http://www.outnow.ch)

Aliás, nas categorias de coadjuvantes, algumas performances já merecem destaque, como a transformação de Jared Leto num travesti (ou transsexual) no drama sobre HIV, Dallas Buyers Club. O jovem ator, que ficou conhecido como o filho drogado da personagem de Ellen Burstyn em Réquiem Para um Sonho (2000), também emagreceu consideravelmente para o papel. Contudo, nem sempre a Academia está disposta a premiar papéis nada conservadores.

Indicado por Minhas Mães e Meu Pai em 2011, Mark Ruffalo vai na contramão e engorda para o papel. Na verdade, ele ganha massa muscular para viver o campeão olímpico de wrestling, Dave Schultz, assassinado pelo esquizofrênico John duPont, interpretado por Steve Carell, que usa um nariz prostético para incorporar o personagem em Foxcatcher, do diretor Bennett Miller de Capote.

Seguindo o sucesso do nariz prostético de Nicole Kidman em As Horas, Steve Carell repete o feito em Foxcatcher

Seguindo o sucesso do nariz prostético de Nicole Kidman em As Horas, Steve Carell repete o feito em Foxcatcher (photo by http://www.digitalspy.com)

Já na corrida da ala feminina, as vencedoras do Oscar Cate Blanchett, Jennifer Lawrence, Vanessa Redgrave e Octavia Spencer podem figurar na lista final novamente. Previamente indicadas mas sem vitória, Oprah Winfrey, Laura Linney, Catherine Keener, Carey Mulligan, Kristin Scott Thomas e Amy Adams têm novas oportunidades de ganhar, especialmente Amy Adams que, além de ter duas atuações de destaque em 2013 (American Hustle e Her), participou no sucesso comercial Homem de Aço, e já foi indicada 4 vezes como coadjuvante e nunca levou a estatueta.

Vale lembrar que como boa parte dos filmes sequer estrearam, as atuações podem variar entre atores principais e coadjuvantes, fato que depende também do lobby das distribuidoras como a Weinstein Company. Ao longo dos próximos meses, postarei mais previsões e premiações que consolidem a corrida para o Oscar 2014, cujas indicações serão anunciadas no dia 16 de janeiro. Confira as apostas:

MELHOR FILME
– The Wolf of Wall Street
– The Monuments Men
– Twelve Years a Slave
– Saving Mr. Banks
– August: Osage County
– Inside Llewyn Davis
– Gravidade (Gravity)
– American Hustle
– Captain Phillips
– Fruitvale Station
– Blue Jasmine
– All Is Lost
– Foxcatcher
– O Conselheiro do Crime (The Counselor)
– Labor Day
– Mandela: Long Walk To Freedom
– Rush: No Limite da Emoção (Rush)
– O Quinto Poder (The Fifth Estate)
– Out of the Furnace
– Dallas Buyers Club
– Nebraska
– The Past
– O Mordomo (The Butler)
– Os Suspeitos (Prisoners)

MELHOR DIRETOR


– George Clooney (The Monuments Men)
– Joel Coen e Ethan Coen (Inside Llewyn Davis)
– Lee Daniels (O Mordomo)
– Paul Greengrass (Captain Phillips)
– Steve McQueen (Twelve Years a Slave)
– Bennett Miller (Foxcatcher)
– Alexander Payne (Nebraska)
– David O. Russell (American Hustle)
– Martin Scorsese (The Wolf of Wall Street)
– Ridley Scott (O Conselheiro do Crime)
– Alfonso Cuarón (Gravidade)
– John Wells (August: Osage County)
– Ryan Coogler (Fruitvale Station)
– Spike Jonze (Her)
– Jason Reitman (Labor Day)
– Ron Howard (Rush: No Limite da Emoção)
– J.C. Chandor (All is Lost)
– Bill Condon (O Quinto Poder)
– Denis Villeneuve (Os Suspeitos)

MELHOR ATOR

– Christian Bale (American Hustle)
– Steve Carell (Foxcatcher)
– Benedict Cumberbatch (O Quinto Poder)
– Bruce Dern (Nebraska)
– Leonardo DiCaprio (The Wolf of Wall Street)
– Idris Elba (Mandella: Long Walk to Freedom)
– Chiwetel Ejiofor (Twelve Years a Slave)
– Michael Fassbender (O Conselheiro do Crime)
– Ralph Fiennes (The Invisible Woman)
– Colin Firth (The Railway Man)
– Tom Hanks (Captain Phillips)
– Oscar Isaac (Inside Llewyn Davis)
– Michael B. Jordan (Fruitvale Station)
– Joaquin Phoenix (Her)
– Ben Stiller (The Secret Life of Walter Mitty)
– Matthew McConaughey (Dallas Buyers Club)
– Ashton Kutcher (jOBS)
– Ethan Hawke (Antes da Meia-Noite)
– Robert Redford (All is Lost)
– Hugh Jackman (Os Suspeitos)

MELHOR ATRIZ

– Cate Blanchett (Blue Jasmine)
– Judi Dench (Philomena)
– Meryl Streep (August: Osage County)
– Emma Thompson (Saving Mr. Banks)
– Sandra Bullock (Gravidade)
– Amy Adams (American Hustle)
– Naomi Watts (Diana)
– Nicole Kidman (Grace of Monaco)
– Julia Roberts (August: Osage County)
– Julie Delpy (Antes da Meia-Noite)
– Marion Cotillard (The Immigrant)
– Bérénice Bejo (The Past)
– Kate Winslet (Labor Day)
– Jessica Chastain (The Disappearance of Eleanor Rigby)
– Jennifer Lawrence (Serena)
– Samantha Morton (Decoding Annie Parker)
– Felicity Jones (The Invisible Woman)
– Elizabeth Olsen (Therese Raquin)
– Greta Gerwig (Frances Ha)
– Rooney Mara (Ain’t Them Bodies Saints)

MELHOR ATOR COADJUVANTE

– Casey Affleck (Out of Furnace)
– Alec Baldwin (Blue Jasmine)
– Javier Bardem (O Conselheiro do Crime)
– Josh Brolin (Labor Day)
– Daniel Brühl (Rush: No Limite da Emoção)
– George Clooney (Gravidade)
– Bradley Cooper (American Hustle)
– Michael Fassbender (Twelve Years a Slave)
– Harrison Ford (42: A História de uma Lenda)
– Ben Foster (Ain’t Them Bodies Saints)
– John Goodman (Inside Llewyn Davis)
– Tom Hanks (Saving Mr. Banks)
– Woody Harrelson (Out of Furnace)
– Jonah Hill (The Wolf of the Wall Street)
– Phillip Seymour Hoffman (A Most Wanted Man)
– Jared Leto (Dallas Buyers Club)
– Matthew McConaughey (Amor Bandido)
– Matthew McConaughey (The Wolf of the Wall Street)
– Jeremy Renner (American Hustle)
– Mark Ruffalo (Foxcatcher)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

– Amy Adams (American Hustle)
– Amy Adams (Her)
– Cate Blanchett (The Monuments Men)
– Viola Davis (Os Suspeitos)
– Cameron Diaz (O Conselheiro do Crime)
– Jennifer Garner (Dallas Buyers Club)
– Naomie Harris (Mandela: Long Walk to Freedom)
– Sally Hawkins (Blue Jasmine)
– Catherine Keener (Captain Phillips)
– Jennifer Lawrence (American Hustle)
– Laura Linney (O Quinto Poder)
– Margot Martindale (August: Osage County)
– Carey Mulligan (Inside Llewyn Davis)
– Lupita Nyong’o (Twelve Years a Slave)
– Vanessa Redgrave (Foxcatcher)
– Zoe Saldana (Out of the Furnace)
– Octavia Spencer (Fruitvale Station)
– June Squibb (Nebraska)
– Kristin Scott Thomas (The Invisible Woman)
– Oprah Winfrey (O Mordomo)

NOTA IMPORTANTE: No dia 26 de setembro, a Sony Pictures Classics decidiu adiar a estréia de Foxcatcher para 2014, abandonando a corrida para o Oscar. A nobre intenção é conceder mais tempo ao diretor Bennett Miller para a finalização do filme. Poucos dias atrás, a Weinstein Co. também transferiu Grace of Monaco, estrelado por Nicole Kidman, para o ano seguinte. Mas lembrando que as datas ainda podem sofrer alterações até o final do ano, caso surjam boas oportunidades de encaixe.

Foxcatcher: Estréia adiada e ausência no Oscar 2014.

Foxcatcher: Estréia adiada e ausência no Oscar 2014.

Prévia do Oscar 2013: Atriz Coadjuvante

A última vencedora de Atriz Coadjuvante: Octavia Spencer por Histórias Cruzadas.

Pela história do Oscar, a categoria de Melhor Atriz Coadjuvante é a mais imprevisível das quatro de atuação, pois na maioria das vezes, as candidatas não estão ligadas ao Melhor Filme, o que dificulta numa aposta de bolão. Na verdade, se formos pensar de forma otimista, a categoria de Melhor Atriz Coadjuvante é a mais ousada. Já premiou crianças como Anna Paquin por O Piano (1993) e Tatum O’Neal por Lua de Papel (1973). Foi a primeira a reconhecer um ator negro na história do Oscar: Hattie McDaniel pelo papel da empregada doméstica Mammy de … E o Vento Levou, em 1940.

Hattie McDaniel, a primeira negra a vencer o Oscar: um marco na história.

Aliás, em seu discurso de agradecimento em 2006, George Clooney fez uma breve menção a essa histórica vitória: “… esta Academia, este grupo de pessoas deu um Oscar para Hattie McDaniel em 1939 quando negros ainda se sentavam no fundo dos cinemas. Estou orgulhoso de fazer parte desta Academia, orgulhoso de fazer parte desta comunidade…”

Como cinéfilo, torço para que as atrizes indicadas nesta categoria tenham a oportunidade de crescer na carreira e chegar na corrida para Melhor Atriz. Este ano, algumas candidatas têm boas chances de decolar em definitivo. Amy Adams (que já tem três indicações como coadjuvante), Anne Hathaway (tem uma indicação como atriz, mas por um filme independente) e Olivia Williams, que brilhou em O Escritor Fantasma, pode finalmente ter seu trabalho reconhecido pela Academia.

Inevitavelmente, há casos em que as atrizes podem ser compensadas por derrotas anteriores, como pode ser o caso de Viola Davis, que chegou muito próximo do Oscar de atriz esse ano, mas perdeu para Meryl Streep.

E para dar mais consistência ao caldo, a presença de atrizes veteranas só valorizaria mais o prêmio. Vanessa Redgrave, uma das melhores atrizes vivas hoje, já tornaria tudo mais interessante. Com seis indicações, a atriz britânica já levou um na década de 70 por Júlia, dirigida por Fred Zinnemann. Outra britânica veterana que pode retornar é Maggie Smith. Com o fim da loga franquia de Harry Potter, na qual interpretava a feiticeira Minerva, ela se juntou com outros atores experientes em O Exótico Hotel Marigold. Como em Assassinato em Gosford Park, ela rouba a cena com seu humor tipicamente britânico. E Sally Field, vencedora de dois Oscars, que encontrou reduto na TV, pode voltar com mais frequência às telas de cinema.

Amy Adams em The Master

AMY ADAMS (The Master)

Italiana de nascença, Amy Adams tinha tudo para se tornar uma cantora ou bailarina, pois praticou canto no coro da igreja e fez aulas de balé. Depois de sofrer uma distenção muscular, ela decidiu que participaria de um teste para atriz. O filme era Lindas de Morrer (1999) e, como se trata de uma comédia sobre concurso de beleza, Amy conseguiu o papel pela sua aparência deslumbrante. Em 2001, conseguiu uma grande oportunidade de atuar ao lado de Leonardo DiCaprio em Prenda-me se for Capaz, de Steven Spielberg, mas não rendeu os frutos esperados, pois ficou um ano sem trabalho.

Foi apenas em 2005, com o filme independente Retratos de Família (Junebug), no qual dá vida à animadíssima grávida Ashley, que lhe rendeu sua primeira indicação ao Oscar. Provado seu talento e acrescido de sua beleza, a Disney lhe ofereceu a papel da bela princesa de Encantada (2007), superando mais de 300 candidatas. A produção bem-sucedida comercialmente ainda permitiu que Amy Adams comprovasse seu outro talento: o canto. No Oscar de 2008, como a canção “Happy Working Song” foi indicada, a atriz subiu ao palco e cantou solitaria e animadamente.

Em sua curta trajetória, obteve mais duas indicações ao Oscar como coadjuvante: em 2009, por Dúvida e em 2011, por O Vencedor. Como prova de sua versatilidade, ela interpretou uma freira e uma garçonete, respectivamente. Tornou-se material de ouro para vários diretores, inclusive Walter Salles (Na Estrada) e Paul Thomas Anderson, nesse The Master.

No filme da cientologia, Amy faz a esposa do iluminado Lancaster Dodd, Peggy. Sua personagem verídica está presente e ciente de tudo, funcionando como uma espécie de conselheira para seu marido. Talvez não tenha o peso do personagem Lancaster (Philip Seymour Hoffman), mas como a atriz tem muito prestígio e tem mais dois bons filmes no ano (Na Estrada e Curvas da Vida, que atua ao lado de Clint Eastwood), Amy Adams é presença garantida na lista.

2013 promete: ela assinou contrato para ser a nova Lois Lane em Superman – O Homem de Aço e a polêmica cantora Janis Joplin, cujo filme deve ser dirigido por Lee Daniels.

Samantha Barks em Les Misérables

SAMANTHA BARKS (Les Misérables)

Confesso que não sei quase nada sobre esta jovem e bela atriz britânica. Samantha Barks atuou em duas séries televisivas européias, sendo que uma delas é sobre música: I’do Anything (2008), uma espécie de programa reality, que já confirmaria o talento musical da jovem.

Curiosamente, já em 2010, a atriz foi escalada para interpretar Eponine na montagem musical Les Misérables in Concert: The 25th Anniversary, dirigido por Nick Morris, especialista em video clipes e concertos.

Quando Les Misérables iniciou os testes com atrizes, inúmeros nomes famosos foram cogitados. Scarlett Johansson, Hayden Panettiere, Emily Browning, Lucy Hale e Evan Rachel Wood estavam na lista, mas como não devem ter agradado aos ouvidos do casting com seus cantos de sereia, resolveram tentar com a cantora-babe country Taylor Swift. Mas quem disse que tinha talento pra representar? Vamos chamar alguém com experiência! E viram o concerto de Nick Morris.

O nome de Samantha Barks já saiu em algumas listas internacionais nos burburinhos para a temporada de premiações. Mesmo que tenha seu brilho ofuscado por Anne Hathaway, a atriz deve decolar em Hollywood nos anos seguintes. Basta que ela e seu agente saibam escolher os melhores projetos.

Viola Davis em Won’t Back Down

VIOLA DAVIS (Won’t Back Down)

Viola Davis é daquelas atrizes muito humildes que está cada vez mais raro encontrar em Hollywood. Ela começou a atuar em filmes no final dos anos 90, e apesar de interpretar papéis menores, trabalhou com diretores de prestígio como Steven Soderbergh em Irresistível Paixão (1998) e Traffic (2000), e Todd Haynes no belo filme Longe do Paraíso, no qual vive a discretíssima doméstica Sybill.

Quando Viola Davis foi indicada ao Oscar de coadjuvante por poucos minutos de tela de sua personagens Mrs. Miller em Dúvida, Meryl Streep chegou a mencioná-la num discurso de agradecimento: “… por favor, alguém dê uma chance para Viola estrelar um filme!”. O pedido de Meryl foi atendido e os produtores apostaram na atriz para protagonizar o drama Histórias Cruzadas, como a doméstica que sofre racismo nos anos 60 no Mississipi. Resultado: uma nova indicação ao Oscar, mas desta vez como Melhor Atriz.

Infelizmente, numa disputa acirradíssima, Viola Davis levou a pior contra Streep. Mas como existe a possibilidade da Academia estar disposta a compensá-la, alguns especialistas acreditam que ela pode estar na lista final pelo drama Won’t Back Down. No filme, ela é uma mãe que, preocupada com a educação precária que seu filho vem recebendo da escola pública, acaba ingressando na própria escola a fim de realizar melhorias necessárias.

Por esse retrato da decadência do sistema público de educação, o filme recebeu protestos de professores. Não que estejam reclamando do filme em si, mas do governo que os colocam como culpados. Em entrevista, Viola Davis retrucou muito polidamente: “Sou receptiva aos protestos. Gosto de discussão. Acho que o discurso proporciona mudanças. No final do filme, o professor é o herói no fim do dia.  E é um sistema que está falido e precisa ser consertado.”Apesar da polêmica, a atriz sai fortalecida, e se conseguir a indicação, aí pode se tornar favorita contra Anne Hathaway.

Sally Field em Lincoln

SALLY FIELD (Lincoln)

Resumidamente, Sally Field se destacou primeiro pela TV, na série cômica A Noviça Voadora (1967). Em sua nova fase na carreira, migrou para o cinema e ganhou dois Oscars: em 1980 com o drama sindicalista Norma Rae, e em 1985 com o momento racista de Mississipi em Um Lugar no Coração.

Já na década de 90, Sally Field estrelou alguns filmes menos expressivos como Olho por Olho (1995) e a comédia com Robin Williams, Uma Babá Quase Perfeita, mas ficou extremamente marcada como a mãe carinhosa de Forrest Gump – O Contador de Histórias (1994).

Espera-se que esse carinho tenha se repetido como a segunda esposa do presidente Abraham Lincoln. Independente do resultado final, Spielberg acertou na escolha de Field pela sua credibilidade como atriz veterana e pela exposição na TV, pela série Brothers & Sisters, que já lhe rendeu indicações para o Globo de Ouro e Emmy.

No entanto, como as atenções para o elenco estão reunidas em Daniel-Day Lewis, acho difícil uma vitória de Sally Field, ainda mais que a concorrência está acirrada com Anne Hathaway e Amy Adams.

Anne Hathaway em Les Misérables

ANNE HATHAWAY (Les Misérables)

Quem diria que aquela jovem atriz de O Diário da Princesa tomaria Hollywood alguns anos depois? Sua ascensão se divide em três etapas. Começou depois de atuar em O Segredo de Brokeback Mountain (2005), sob a tutela de um inspiradíssimo Ang Lee. Seu papel como Lureen, esposa de Jake Gyllenhaal, tem partipação pequena, mas ali ela já mostra maior alcance em termos de expressão e sotaque.

Com o sucesso estrondoso de O Diabo Veste Prada, ela certamente garantiu um lugar de destaque em Hollywood, provando que tem carisma com o público juvenil e possui bom timing cômico. Claro que seu agente agradeceu, pois seu salário foi parar na estratosfera depois do filme. Mas Hathaway ainda não estava satisfeita. Ela queria provar ao mundo que era mais do que um rosto bonito, por isso, aceitou a proposta de atuar no drama O Casamento de Rachel, de Jonathan Demme, no qual vive uma jovem recém-saída da clínica de reabilitação para ver sua irmã casar. Sua coragem foi premiada com sua primeira indicação ao Oscar.

Curiosamente, no Oscar 2009, ela participou do número de abertura ao lado de Hugh Jackman, cantando muito bem uma paródia do filme Frost/Nixon. Sua qualidade vocal foi tão bem elogiada pelos companheiros, que ela acabou sendo cotada para este musical Les Misérables. E segundo matérias especializadas, no teste, Anne cantou “I Dreamed a Dream” de forma tão comovente que os demais atores choraram.

Se ela conseguir comover o público como promete, ela está na frente na disputa de Melhor Atriz Coadjuvante.

Helen Hunt em The Sessions

HELEN HUNT (The Sessions)

Depois que Helen Hunt ganhou como Melhor Atriz em 1998 pela ótima comédia Melhor É Impossível, a atriz sofreu a maldição do Oscar. Oriunda da série de TV, Mad About You, ela vinha em ascensão depois do sucesso do blockbuster Twister (1996), mas depois do ápice, caiu em desgraça e não soube escolher bons projetos que pudessem valorizar sua performance e timing cômico. A carreira dela depois do Oscar no cinema pode se resumir a comédia light Do que as Mulheres Gostam (2000), atuou na comédia razoável de Woody Allen, O Escorpião de Jade (2001), e foi figurante em Náufrago (2000).

Acho que Helen Hunt precisa aproveitar o sucesso de crítica de The Sessions, no qual ela faz uma profissional do sexo e dona de casa que busca atender ao último pedido de Mark (John Hawkes), e escolher projetos que possam valorizar o seu tipo de atuação com uma vertente mais humorística. Não estou tentando rotulá-la para sempre aos papéis cômicos, mas como sua carreira está em baixa, ela deveria retomá-la com algo que sabe fazer bem e então procurar projetos mais ambiosos, sejam biografias, papéis que exigem horas de maquiagem, dietas milagrosas, enfim…

Como ela já foi vencedora do Oscar, tenho certeza de que a Academia adoraria indicá-la mais vezes, pois odeia essa má publicidade da maldição do Oscar. Mas para isso, ela precisa fazer a parte dela e escolher bem seus próximos filmes. Ela já tem um drama pronto intitulado Decoding Annie Parker, que parece uma bomba, e asssinou para fazer Relative Insanity (uma comédia dramática) e Serpent Girl (uma fantasia, também com cara de bomba).

Maggie Smith em O Exótico Hotel Marigold

MAGGIE SMITH (O Exótico Hotel Marigold)

Sim, Maggie Smith pode concorrer em duas categorias no mesmo ano e por dois filmes diferentes. Em O Exótico Hotel Marigold, a atriz veterana empresta seu humor tipicamente britânico à sua personagem Muriel, uma senhora que foi serviçal de uma família a vida toda, mas que foi dispensada quando terminou de ensinar todas as tarefas para outra mulher mais jovem. Ela precisa fazer uma cirurgia no quadril, mas como a espera é muito longa, ela viaja à Índia, onde a cirurgia seria imediata e se recupera no hotel do título.

Esse papel muito se assemelha ao personagem que viveu no filme Assassinato em Gosford Park, de Robert Altman, pois apresenta o mesmo comportamento esnobe, mas com o humor discreto. E assim como da outra vez, Maggie Smith rouba todas as cenas em que está presente, uma vez que é dona das melhores frases. O fato de conseguir se destacar em meio a tantos bons atores como Judi Dench, Tom Wilkinson e Bill Nighy pode ajudar em mais uma indicação para a atriz, que já levou a estatueta duas vezes.
A primeira em 1970 por A Primavera de uma Solteirona, e em 1979 pela comédia California Suite como coadjuvante.

Se ela conseguir a proesa de duas indicações, estas devem ser a sétima e a oitava. Devemos levar em consideração também seu trabalho em toda a longa franquia do bruxo Harry Potter. Maggie esteve em sete dos oito filmes da série como a feiticeira Minerva.

Jacki Weaver (centro) em Silver Linings Playbook

JACKI WEAVER (Silver Linings Playbook)

Esta atriz australiana deixou sua marca ao interpretar a matriarca de Reino Animal, que lhe rendeu sua primeira indicação ao Oscar. Sua performance foi extremamente bem elogiada por toda a crítica e teve seu reconhecimento internacional. Felizmente, entre os que gostaram de seu trabalho estava o diretor David O. Russell, que a chamou para seu novo filme, Silver Linings Playbook.

Aparentemente, seu papel de Dolores, a mulher de Pat Sr. (Robert De Niro) e mãe de Pat (Bradley Cooper), não continha tanta profundidade. Mas pelos comentários, Jacki conseguiu tirar leite de pedra. Pela linguagem artística, ela puxa inúmeras camadas de uma personagem fadada ao bidimensionalismo. E enganam-se aqueles que pensam que seu papel neste filme tem semelhanças com a violenta Smurf Cody de Reino Animal.

Apesar de quase desconhecida, Jacki Weaver já atua em filmes desde a década de 70, sendo o mais notável deles o drama Picnic na Montanha Misteriosa, de um jovem Peter Weir. Um dos primeiros filmes australianos a atingir sucesso internacional, o drama tem essa aura de mistério que perdura até o fim, lembrando alguns trabalhos do diretor sueco Ingmar Bergman.

Sendo uma atriz experiente, já aproveitou sua fama e fez a comédia Cinco Anos de Noivado (ainda inédito no Brasil) e acabou de ser dirigida por dois diretores em extrema ascensão: o sul-coreano Park Chan-Wook (de Oldboy) em Stoker, e com Jason Reitman (Juno e Amor Sem Escalas) em Labor Day, ambos previstos para estrear em 2013.

Olivia Williams (a dir.) em Hyde Park on Hudson

OLIVIA WILLIAMS (Hyde Park on Hudson)

Se olharmos para a filmografia de Olivia Williams, veremos que ela começou com o pé esquerdo, naquela bomba chamada O Mensageiro, de um ambicioso Kevin Costner. Mas logo se redimiu com o ótimo Três é Demais (1998), de Wes Anderson, e o mega-sucesso O Sexto Sentido, onde faz a esposa de Bruce Willis.

Em anos mais recentes, Williams vem buscando projetos mais sérios em que seus papéis lhe proporcionem maiores oportunidades de mostrar sua maturidade. Foi assim ao trabalhar com o diretor Roman Polanski em O Escritor Fantasma, pelo qual recebeu alguns prêmios importantes como melhor coadjuvante como o National Society of Film Critics e o London Critics Circle Film Awards.

Agora com Hyde Park on Hudson, ela finalmente pega um papel biográfico importante: a esposa do então presidente americano Franklin D. Roosevelt (Bill Murray), Eleanor. Num final de semana em que recebem a ilustre visita do Rei George VI e da Rainha da Inglaterra em Nova York, sua personagem precisa lidar com uma possível traição de seu marido com a prima distante Margaret Suckley (Laura Linney), mesmo que seu casamento já não seja mais tão amoroso.

A indicação mais certa entre os três atores principais seria a de Bill Murray, mas ele pode puxar o carro para as indicações das atrizes (Linney como atriz e Williams como coadjuvante).

 

—–

Apesar de Anne Hathaway seguir com o favoritismo por sua performance musical em Les Misérables, a corrida ainda está bem aberta nessa categoria. Nesses próximos dois meses, muita coisa pode alterar o nível de favoritismo às indicações. Alguns sites especializados apontam Dame Judi Dench como uma possível candidata por sua atuação no novo filme de James Bond. Particularmente, não acredito tanto nessa idéia pelo histórico de nenhuma indicação para atores de personagens de 007. O mais próximo que chegou disso foi Daniel Craig, que foi indicado ao BAFTA por 007 – Cassino Royale. Por outro lado, esta é a primeira vez que a chefe de Bond tem várias cenas chaves no filme, então Dench tem alguma chance, levando em consideração também o fato da franquia mais lucrativa do cinema completar 50 anos.

Judi Dench como a chefe operacional M em 007 – Operação Skyfall

Contudo, a atriz que mais gostaria de ver no Oscar é a veteraníssima Vanessa Redgrave. Apesar de já ter vencido um na década de 70 por Júlia, ela sempre manda bem em qualquer filme, seja dirigida por um Joe Wright ou por um mais medíocre como Roland Emmerich. Tem um filme feito pra TV chamado Desejo Proibido (If These Walls Could Talk 2, 2000), no qual ela interpreta uma senhora lésbica que perde tudo quando sua companheira morre, e os familiares dela não deixam ela herdar nada.

Também é quase impossível descartar Frances McDormand, que além de já ter levado um Oscar em 1997 por Fargo, voltou a ser indicada mais duas vezes como coadjuvante. Scarlett Johansson pode ser uma grata surpresa, pois além de ser uma indicação inédita, ela estaria reprisando os passos de Janet Leigh (papel que ela interpreta em Hitchcock), pois ela também foi indicada por Psicose em 1961.

– Pauline Collins (Quartet)

– Judi Dench (007 – Operação Skyfall)

– Jennifer Ehle (Zero Dark Thirty)

– Scarlett Johansson (Hitchcock)

– Frances McDormand (Promised Land)

– Vanessa Redgrave (Song for Marion)

– Kelly Reilly (Flight)

– Amanda Seyfried (Les Misérables)

– Alicia Vikander (Anna Karenina)