NOVE FILMES AVANÇAM para o OSCAR de FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA. Mais uma vez, BRASIL não se classifica

 

 

EXCLUSÃO MAIS SENTIDA É A DO FRANCÊS 120 BATIMENTOS POR MINUTO

A Academia revelou os nove filmes que se classificaram para a lista prévia que disputará as cinco vagas na categoria de Filme em Língua Estrangeira. Lembrando que houve novo recorde este ano com 92 produções internacionais inscritas.

Pra quem não conhece o sistema de votação, os votantes que comprovaram que viram TODOS os 92 filmes (na grande maioria, idosos que têm o tempo livre pra isso) elegem seis semi-finalistas, enquanto um comitê especial  formado por vinte pessoas elege os outros três. Esse comitê foi criado depois que filmes relevantes como o romeno 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias, de Cristian Mungiu, e o mexicano Luz Silenciosa, de Carlos Reygadas, ficaram de fora da seleção do Oscar de 2008, causando revolta entre cinéfilos e cineastas. Normalmente, esses três filmes foram bem no circuito internacional de festivais e tem uma temática mais ousada.

Seguem os nove semi-finalistas, sendo os assinalados em vermelho minhas deduções da escolha do comitê:

UMA MULHER FANTÁSTICA (UNA MUJER FANTÁSTICA)
Dir: Sebastián Lelio – CHILE

EM PEDAÇOS (IN THE FADE)
Dir: Fatih Akin – ALEMANHA

ON BODY AND SOUL
Dir: Ildikó Enyedi – HUNGRIA

FOXTROT
Dir: Samuel Maoz – ISRAEL

THE INSULT
Dir: Ziad Doueiri – LÍBANO

LOVELESS
Dir: Andrey Zvyagintsev – RÚSSIA

FÉLICITÉ
Dir: Alain Gomis – SENEGAL

THE WOUND
Dir: John Trengove – ÁFRICA DO SUL

THE SQUARE
Dir: Ruben Östlund – SUÉCIA

JUSTIFICATIVAS

Apesar das mudanças recorrentes na Academia, principalmente com a inclusão de vários membros internacionais novos, a categoria de Filme em Língua Estrangeira ainda pena demais para eleger as melhores produções do ano. Já comentei aqui e ainda insisto: deveriam elevar o número de indicados para dez filmes, sendo cinco escolhidos pelos votantes idosos, e cinco pelo comitê, porque se depender apenas dos votantes idosos, teríamos apenas filmes de temática religiosa, preferencialmente com cenário da Segunda Guerra Mundial, campos de concentração, Holocausto e sofrimento em geral.

UMA MULHER FANTÁSTICA. O representante chileno tem como protagonista uma transsexual, interpretada por Daniela Vega. Quando seu namorado mais velho morre, ela precisa enfrentar o preconceito da família dele a fim de sofrer luto como uma mulher. Como todos sabem, pessoas idosas e mais conservadoras têm aversão a qualquer coisa relacionada à sexualidade, principalmente se for LGBT. Ponto pro comitê especial.

LOVELESS. O representante russo pode já ter sido indicado ao Oscar em 2015 com o ótimo drama social Leviatã, mas seu novo filme não parece destinado aos conservadores. Loveless tem uma sinopse normal: o desaparecimento de um menino em meio às brigas de seus pais , porém ele é pesado, denso e com desdobramentos que fazem o espectador pensar sobre aborto, individualidade e imaturidade. Seu formato e ritmo não é dos que costuma agradar os velhinhos. Ponto pro comitê especial.

THE SQUARE. Além de vencer a Palma de Ouro em Cannes, sob a batuta do presidente do júri, Pedro Almodóvar, o representante sueco tem comédia de humor negro em sua receita, algo não muito bem digerido por conservadores, que podem não entender a piada. O comitê certamente levou a carreira internacional bem-sucedida do filme em conta, além da frustração do diretor Ruben Ostlund quando soube que seu filme anterior, Força Maior, não havia sido indicado ao Oscar (segue link do vídeo):

EXCLUÍDOS NOTÓRIOS

120 Batimentos Por Minuto (França)

Dessas três seleções do comitê, se fossem quatro, certamente o filme de Robin Campillo estaria entre os nove. A produção que trata do movimento ativista que pede ajuda do governo e da indústria farmacêutica para combater a epidemia do vírus da Aids nos anos 90 vinha colecionando prêmios (como o Grande Prêmio do Júri em Cannes e os prêmios de Filme Estrangeiro no LAFCA e NYFCC) e indicações relevantes como no Critics’ Choice Awards. Se este filme sobre o universo LGBT não pode participar do Oscar, espera-se que Me Chame Pelo Seu Nome possa vingar nas categorias principais.

BPM

EXCLUÍDO: 120 Batimentos Por Minuto, de Robin Campillo

First They Killed My Father (Camboja)

O representante do Camboja tinha como maior trunfo Angelina Jolie. Em sua quarta incursão como diretora, ela optou por recontar os horrores vividos por uma ativista de direitos humanos quando o país era dominado pelo regime do Khmer Vermelho. Como o mundo inteiro já sabe, Jolie tem forte apelo humanista através de suas ações como ativista, e esse filme consegue unir suas duas paixões. Honestamente, acreditava que sua indicação nesta categoria seria garantida, inclusive pensando numa possível indicação na categoria de Direção. Mas pelo visto, a produção da Netflix não agradou os votantes, mesmo havendo muito sofrimento na tela.

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EXCLUÍDO: First They Killed my Father, de Angelina Jolie

Bingo: O Rei das Manhãs (Brasil)

Faltou uma carreira internacional para o filme de estréia de Daniel Rezende. Apesar do personagem Bozo ser americano e internacional, faltou presença mais marcante em festivais ao redor do mundo que pudesse proporcionar maior notoriedade. O último indicado brasileiro ao Oscar, Central do Brasil, venceu o Urso de Ouro no festival alemão de Berlim. Aí fica a pergunta: Se Como Nossos Pais, de Laís Bodanzky, tivesse sido selecionado, o Brasil estaria nessa lista pelo menos? Nunca saberemos! O último filme brasileiro que conseguiu passar para esta pré-lista foi O Ano em que meus Pais Saíram de Férias, de Cao Hamburger, em 2007. Também faz tempo…

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EXCLUÍDO: Bingo: O Rei das Manhãs, de Daniel Rezende

***

Os cinco filmes indicados serão revelados no dia 23 de janeiro.

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PRIMEIRO PREVIEW OSCAR 2016

QUEM ESTARÁ NO TAPETE VERMELHO EM 2016?

Sim, estamos no mês de agosto, ainda a 6 meses da cerimônia do Oscar 2016, mas já está rolando um burburinho de algumas produções que liberaram seus press releases e trailers. Muitos dos candidatos presentes nesse post foram baseados no histórico dos nomes envolvidos (sejam atores, diretores e equipe técnica) e indicações anteriores, uma vez que a Academia tem o costume de favorecer os artistas que já foram nomeados, mas nunca levaram a estatueta como é o caso do ator Johnny Depp. Muito querido pelo público, ele já teve três oportunidades de ganhar, mas nunca levou, assim como Leonardo DiCaprio, que pode ter sua sexta indicação com o trabalho do diretor Alejandro González Iñárritú.

No geral, muitos trabalhos candidatos beberam da fonte das histórias verídicas, uma vez que a Academia tem um perfil que valoriza temas e tramas calcadas na realidade. Só para citar alguns exemplos mais recentes, temos 12 Anos de Escravidão, Argo e O Discurso do Rei. As cinebiografias também estão em alta, pois sempre proporcionam papéis de maior profundidade e com capacidade para se destacar na temporada de premiações, como é o caso de Tom Hiddleston que interpreta o cantor e compositor Hanks Williams em I Saw the Light, ou Eddie Redmayne, que encorpora Lili Elbe, uma das primeiras pessoas a passar por cirurgia de troca de sexo em The Danish Girl.

CRÍTICOS FAZEM AS PRIMEIRAS TRIAGENS

Quando estamos nesse período do ano, o burburinho (o chamado Oscar buzz) corre solto e há listas e mais listas de vários tipos possíveis de indicados, que muitas vezes refletem o desejo dos próprios autores dessas mesmas listas. Portanto, a coisa só começa a ficar séria mesma quando os críticos americanos passam a eleger seus melhores do ano.

O primeiro a revelar sua lista é o National Board of Review (NBR). Apesar de não ter coincidido seus vencedores com o do Oscar, a organização fundada em 1909 busca ser fiel aos seus princípios e acaba elegendo grandes filmes como A Hora Mais Escura, A Invenção de Hugo Cabret e A Rede Social.

Já o New York Film Critics Circle (NYFCC) e o Los Angeles Film Critics Association (LAFCA) costumam ter maior porcentagem de acerto, mas ultimamente tem sido mais pelas categorias de atuação. Esses críticos abrem caminho para que os grandes prêmios como o Critics’ Choice Awards e o Globo de Ouro possam avaliar melhor o que houve de melhor em cinema no ano. Para eles, não importa muito o histórico da equipe ou do elenco, mas a produção em si, gerando uma votação livre de hábitos e círculos viciosos.

PREVISÃO PARA 2016

Ao contrário dos previews anteriores, resolvi simplificar e gerar as possíveis indicações por filme, e não por categoria. Claro que devem existir mais alguns filmes com chance, mas seria praticamente impossível relacionar todos aqui. Algumas vezes, os favoritos ao Oscar surgem na reta final e acabam surpreendendo como aconteceu com quando O Discurso do Rei tomou a dianteira de A Rede Social pouco antes do Oscar.

Então, sem mais delongas, vamos aos possíveis indicados ao Oscar 2016 (em ordem aleatória):

OS OITO ODIADOS (The Hateful Eight)
Dir: Quentin Tarantino

Os Oito Odiados: (photo by blogbusters.ch)

Os Oito Odiados: Kurt Russell, Jennifer Jason Leigh e Bruce Dern na primeira foto. Samuel L. Jackson na segunda e Michael Madsen na terceira. (photo by blogbusters.ch)

Sinopse: Numa Wyoming pós-Guerra Civil, caçadores de recompensa buscam abrigo durante nevasca, mas acabam se envolvendo numa trama de traição e decepção. Eles sobreviverão?

Deve receber indicação: Roteiro Original (Quentin Tarantino), Fotografia (Robert Richardson), Trilha Musical Original (Ennio Morricone)

Dúvida: Filme, Diretor (Quentin Tarantino), Ator Coadjuvante (Bruce Dern), Ator Coadjuvante (Samuel L. Jackson), Montagem (Fred Raskin), Figurino (Courtney Hoffman) e Maquiagem

Quentin Tarantino vive sua segunda ascensão junto à Academia. Depois de estourar com Pulp Fiction – Tempo de Violência em 1994, vencendo o Oscar de Roteiro Original, passou por um ostracismo com os dois volumes de Kill Bill (2003 e 2004) e À Prova de Morte (2007), que não receberam nenhuma indicação, e voltou ao topo com Bastardos Inglórios (2009) e Django Livre (2012), ganhando seu segundo Oscar pelo roteiro do último. Assim, existem altas expectativas para que este oitavo longa de sua autoria esteja na lista de indicações da Academia. Logo de cara, seu roteiro já figura como quase uma indicação unânime. O diretor de fotografia Robert Richardson, que já levou 3 Oscars, aparece logo atrás, assim como Ennio Morricone, mundialmente famoso por suas trilhas de western spaghetti que fez em parceria com o diretor Sergio Leone. O compositor italiano foi indicado 5 vezes, mas só ganhou o Oscar Honorário em 2007, e a Academia gosta de premiar os artistas mesmo após a honraria, como foi o caso do ator Paul Newman.

Sem Christoph Waltz, que levou dois Oscars de coadjuvante pelos últimos trabalhos de Tarantino, o diretor conta com a experiência do veterano Bruce Dern, que passou por um momento revival graças ao filme Nebraska, de Alexander Payne, que lhe rendeu sua segunda indicação ao Oscar em 2014. Se seu papel como General Sandy Smithers for consistente, pode se tornar material de Oscar. No elenco, alguns nomes também podem virar ouro como Demian Bichir (indicado ao Oscar de Melhor Ator em 2012 por Uma Vida Melhor), e os colaboradores assíduos Samuel L. Jackson e Tim Roth, e até a meio sumida Jennifer Jason Leigh.

O REGRESSO (The Revenant)
Dir: Alejandro González Iñárritú

Leonardo DiCaprio em cena de O Regresso (photo by outnow.ch)

Leonardo DiCaprio em cena de O Regresso (photo by outnow.ch)

Sinopse: Em 1820, o fronteiriço Hugh Glass (Leonardo DiCaprio) busca vingança contra aqueles que deixaram-no para morrer num ataque de ursos.

Deve receber indicação: Filme, Diretor (Alejandro G. Iñárritú), Ator (Leonardo DiCaprio), Fotografia (Emmanuel Lubezki), Montagem (Stephen Mirrione), Direção de Arte (Jack Fisk), Som e Efeitos Sonoros.

Dúvida: Ator Coadjuvante (Tom Hardy), Roteiro Adaptado (Alejandro G. Iñárritú e Mark L. Smith), Figurino (Jacqueline West)

Depois de ter conquistado o Oscar com Birdman este ano, o diretor mexicano Alejandro González Iñárritú tem cartucho pra gastar. Ele retorna com a mesma equipe técnica vencedora com uma saga de vingança e de época, que praticamente garante a presença do filme nas categorias de fotografia e direção de arte. No ano passado, rolaram alguns memes sobre a impossibilidade de DiCaprio ganhar o Oscar que considero meio exageradas. Primeiramente, o ator teve apenas 4 indicações, número relativamente baixo se comparado a Peter O’Toole, que saiu derrotado em 8 ocasiões, e Richard Burton em 7. E em segundo lugar, DiCaprio evoluiu bastante desde o começo de sua parceria com o diretor Martin Scorsese. Particularmente, acho as performances dele exageradas. Se ele souber ser mais contido, terá mais chances de agradar e cansar menos o público com suas expressões de nervosismo e gritos esporádicos. Esse seu estilo casou bem com o papel de Jordan Belfort em O Lobo de Wall Street, e por isso considero sua melhor atuação, mas nem sempre servirá para outros tipos de papéis.

Apesar de incluir o filme nas principais categorias, ainda tenho minhas dúvidas. Pelo trailer, pareceu ser mais um filme de ação do que um épico que agrade a todos. Caso o filme não tenha uma pegada mais social, dificilmente será abraçado pela Academia, restando apenas as categorias mais técnicas. Com o pano de fundo com índios, pode ser comparado a Dança com Lobos, mas o filme de Kevin Costner, que conquistou 7 estatuetas em 1991, tinha como foco o comportamento social entre povos indígenas e o homem branco, não meramente a ação.

ALIANÇA DO CRIME (Black Mass)
Dir: Scott Cooper

Benedict Cumberbatch atua com um Johnny Depp quase irreconhecível em Aliança do Crime (photo by outnow.ch)

Benedict Cumberbatch atua com um Johnny Depp quase irreconhecível em Aliança do Crime (photo by outnow.ch)

Sinopse: Cinebiografia de Whitey Bulger, um dos criminosos mais procurados de South Boston, que acabou se tornando informante do FBI.

Deve receber indicação: Melhor Ator (Johnny Depp), Maquiagem

Dúvida: Filme, Diretor (Scott Cooper), Ator Coadjuvante (Benedict Cumberbatch), Ator Coadjuvante (Joel Edgerton), Montagem (David Rosenbloom)

Essa transformação de Johnny Depp vem sendo comentada pela mídia especializada há um bom tempo, no mesmo nível de repercussão de Meryl Streep como Margareth Thatcher (A Dama de Ferro), Kate Winslet como Hannah Schmidt (O Leitor) e Jamie Foxx como Ray Charles (Ray), o que certamente colabora na campanha do ator para sua primeira estatueta depois de três indicações anteriores (Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra, Em Busca da Terra do Nunca e Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet).

Apesar do diretor meio desconhecido (Scott Cooper dirigiu apenas Coração Louco, que rendeu o Oscar para Jeff Bridges, e Tudo por Justiça), Aliança do Crime é impulsionado pela força de seu elenco, formado por Benedict Cumberbatch, Kevin Bacon, Joel Edgerton, Juno Temple e Peter Sarsgaard.

CAROL
Dir: Todd Haynes

Cate Blanchett em Carol, de Todd Haynes. (photo by Weinstein Co. through variety.com)

Cate Blanchett em Carol, de Todd Haynes. (photo by Weinstein Co. through variety.com)

Sinopse: A jovem Therese conhece a elegante Carol, recém-divorciada. As duas percebem que têm muito em comum, e logo um romance se desenvolve entre elas. Para fugir aos olhares dos moradores locais, elas decidem fazer uma viagem pelos EUA, mas percebem que um detetive está seguindo os seus passos.

Deve receber indicação: Diretor (Todd Haynes), Atriz (Cate Blanchett), Atriz Coadjuvante (Rooney Mara), Figurino (Sandy Powell)

Dúvida: Filme, Roteiro Adaptado (Phyllis Nagy)

O filme se tornou um estouro no último Festival de Cannes e a imprensa estrangeira logo colocou Blanchett como favorita ao prêmio de interpretação feminina. Contudo, o júri presidido pelos irmãos Coen não foi na onda, e o prêmio foi parar nas mãos de Rooney Mara (mais cotada como coadjuvante pelo mesmo filme). Ela dividiu o prêmio com Emmanuelle Bercot (Mon Roi).

Com a distribuidora Weinstein Company por trás da campanha, o filme deve conseguir sem grandes dificuldades as indicações para as atrizes, mas devido ao tom lésbico, ainda é cedo pra garantir lugar entre os acadêmicos do Oscar.

THE DANISH GIRL
Dir: Tom Hooper

Eddie Redmayne caracterizado como a Danish Girl (photo by cine.gr)

Eddie Redmayne caracterizado como a Danish Girl (photo by cine.gr)

Sinopse: Nos anos 20 na Dinamarca, a artista Gerda Wegener pintou seu marido, Einar Wegener, como uma mulher. Depois que a pintura ganhou popularidade, ele começou a mudar sua aparência para feminina e adotar o nome Lili Elbe. Com o apoio da esposa, ele se tornou o primeiro homem a passar por cirurgia de troca de sexo.

Deve receber indicação: Ator (Eddie Redmayne), Atriz Coadjuvante (Alicia Vikander), Trilha Musical Original (Alexandre Desplat), Direção de Arte (Eve Stewart), Figurino (Paco Delgado)

Dúvida: Filme, Diretor (Tom Hooper), Roteiro Adaptado (Lucinda Coxon)

Eddie Redmayne acaba de ganhar o Oscar de Melhor Ator por sua impecável reprodução de Stephen Hawking em A Teoria de Tudo, e agora volta como outra figura importante utilizando mais um processo de transformação. Alguns mais exaltados já estão apostando no segundo Oscar consecutivo, o que o colocaria no mesmo patamar de Spencer Tracy e Tom Hanks, os únicos a ganhar Oscar de Ator consecutivamente.

Claro que ajuda o fato de contar com um diretor vencedor do Oscar, Tom Hooper, que venceu por O Discurso do Rei. O diretor foi responsável por 5 indicações de atores até o momento, e duas vitórias: Colin Firth (O Discurso do Rei) e Anne Hathaway (Os Miseráveis).

JOY: O NOME DO SUCESSO (Joy)
Dir: David O. Russell

Cena com Jennifer Lawrence em Joy (photo by cine.gr)

Cena com Jennifer Lawrence em Joy (photo by cine.gr)

Sinopse: O filme acompanha a trajetória de sucesso da criadora da Ingenious Designs, Joy Mangano, além da história de sua família por quatro gerações até se tornar a fundadora e matriarca de uma poderosa dinastia de família de negócios.

Deve receber indicação: Filme, Diretor (David O. Russell), Atriz (Jennifer Lawrence), Ator Coadjuvante (Bradley Cooper), Ator Coadjuvante (Robert De Niro), Roteiro Original (David O. Russell e Annie Mumolo)

Dúvida: Figurino (Michael Wilkinson)

Ok, vamos contabilizar. Em 2011, O Vencedor recebeu 7 indicações ao Oscar e levou dois de Coadjuvante para Christian Bale e Melissa Leo. Em 2013, O Lado Bom da Vida recebeu 8 indicações e levou Melhor Atriz para Jennifer Lawrence. Em 2014, Trapaça acumulou 10 indicações, mas não levou nada. Todos os últimos filmes de David O. Russel foram indicados a Melhor Filme e Melhor Diretor, portanto não dá pra esperar menos deste Joy: O Nome do Sucesso, que conta com muitos dos mesmos atores e da mesma equipe técnica.

Vendo o trailer, não dá pra esperar muita coisa do filme, mas Russell está em alta com a Academia, e mesmo que as vitórias ainda não venham, certamente as indicações já estão encaminhadas.

PONTE DOS ESPIÕES (Bridge of Spies)
Dir: Steven Spielberg

Em primeiro plano, Tom Hanks vive o advogado James Donovan em Ponte de Espiões (photo by outnow.ch)

Em primeiro plano, Tom Hanks vive o advogado James Donovan em Ponte dos Espiões (photo by outnow.ch)

Sinopse: Um advogado é recrutado pela CIA durante a Guerra Fria para resgatar um piloto detido na União Soviética.

Deve receber indicação: Filme, Diretor (Steven Spielberg), Ator (Tom Hanks), Roteiro Original (Matt Charman, Joel Coen e Ethan Coen), Fotografia (Janusz Kaminski), Montagem (Michael Khan). Trilha Musical Original (Thomas Newman), Direção de Arte (Adam Stockhausen), Efeitos Sonoros

Dúvida: Ator Coadjuvante (Alan Alda), Atriz Coadjuvante (Amy Ryan) e Figurino (Kasia Walicka-Maimone)

Steven Spielberg e Tom Hanks já trabalharam juntos em O Resgate do Soldado Ryan (1998), Prenda-me Se For Capaz (2002) e O Terminal (2005). Em 1999, Spielberg levou seu segundo Oscar e Hanks uma indicação pelo filme de guerra, portanto as chances são boas de sucesso na Academia com este Ponte dos Espiões.

Trata-se da primeira vez que Spielberg dirige um roteiro escrito pelos irmãos Coen, o que deve facilitar as coisas na campanha. Além disso, se Spielberg está entre os indicados, toda sua trupe técnica deve comparecer e preencher as vagas de indicações como aconteceu em seus últimos filmes: Cavalo de Guerra (2011) e Lincoln (2012).

SNOWDEN
Dir: Oliver Stone

Joseph Gordon-Levitt como Edward Snowden, em Snowden (photo by outnow.ch)

Joseph Gordon-Levitt como Edward Snowden, em Snowden (photo by outnow.ch)

Sinopse: Agente da CIA, Edward Snowden, vaza uma série de informações confidenciais para a imprensa, causando sua deserção na Rússia até os dias de hoje.

Deve receber indicação: Ator (Joseph Gordon-Levitt) e Roteiro Adaptado (Kieran Fitzgerald)

Dúvida: Diretor (Oliver Stone), Atriz Coadjuvante (Shailene Woodley) e Fotografia (Anthony Dod Mantle)

Pró: Novo filme de Oliver Stone. Contra: Quando foi a última vez que um filme de Oliver Stone repercutiu tanto? JFK – A Pergunta que Não Quer Calar (1991)? Assassinos por Natureza (1994)? Claro que Stone sempre terá prestígio junto à Academia por suas vitórias com Platoon (1986) e Nascido em Quatro de Julho (1989), mas nas últimas décadas, tem caído no esquecimento, principalmente depois do fiasco de Alexandre (2004).

Mas com este Snowden, um tema bastante polêmico que o diretor sabe tirar de letra, Oliver Stone pode finalmente ter seu retorno triunfal. Se a Academia gostar do filme, certamente estará na lista de diretores, caso contrário, a indicação pode ficar apenas com o ator Joseph Gordon-Levitt, que seria sua primeira. Vale lembrar que Gordon-Levitt tem outro trabalho em destaque neste ano por A Travessia (veja mais abaixo), o que sempre ajuda na hora de descolar a primeira indicação ao Oscar.

  • A estréia de Snowden foi adiada para Maio de 2016, portanto, fora do próximo Oscar.

TRUMBO
Dir: Jay Roach

Bryan Cranston caracterizado como o roteirista Dalton Trumbo (photo by elfilm.com)

Bryan Cranston caracterizado como o roteirista Dalton Trumbo (photo by elfilm.com)

Sinopse: A carreira bem-sucedida do roteirista em Hollywood é comprometida quando ele é inserido na lista negra do senador Joseph McCarthy nos anos 40 por suspeita de ser comunista.

Deve receber indicação: Ator (Bryan Cranston), Atriz Coadjuvante (Helen Mirren)

Dúvida: Filme, Roteiro Adaptado (John McNamara)

Por se tratar de uma receita básica que funciona no Oscar, Trumbo está aqui na lista: 1º filme biográfico. 2º sobre roteirista de Hollywood, que foi inclusive vencedor do Oscar usando pseudônimos 3º porque foi perseguido por estar na lista negra do McCarthismo 4º e contando com a ajuda de um ator em extrema ascensão depois da série de TV Breaking Bad. “Só” por esses motivos o filme tem lugar cativo nas previsões.

O único, porém maior problema, é o nome fraco na direção. Não que Jay Roach, responsável pelas trilogias de comédia Austin Powers e Entrando Numa Fria não tenha seu talento, mas à princípio não era o nome mais apropriado para assumir este projeto mais sério. Só pra exemplificar, se Ron Howard, Bennett Miller ou mesmo George Clooney estivesse por trás da câmera, Trumbo já figuraria como franco-favorito ao Oscar 2016.

FREEHELD
Dir: Peter Sollett

Ellen Page e Julianne Moore em cena de Freeheld

Ellen Page e Julianne Moore em cena de Freeheld

Sinopse: A policial Laurel Hester (Julianne Moore) e sua companheira Stacie (Ellen Page) lutam na justiça para conseguir os benefícios de pensão para Hester quando ela é diagnosticada com câncer terminal.

Deve receber indicação: Atriz (Julianne Moore), Atriz Coadjuvante (Ellen Page)

Dúvida: Ator Coadjuvante (Michael Shannon)

Baseado em um documentário-curta vencedor do Oscar em 2008, Freeheld tem a fórmula para se destacar na temporada de premiações: drama, doença terminal, opção sexual e ótimo elenco. Mas estaria a Academia aberta a um filme de temática lésbica? A última produção que apresentava lesbianismo, Minhas Mães e Meu Pai, foi até indicada a Melhor Filme em 2011, mas não levou nada. Indicar é relativamente fácil, mas ganhar é outros quinhentos…

Toda vez que lembro desse conservadorismo teimoso, vem à mente a derrota de O Segredo de Brokeback Mountain diante do maniqueísta e bidimensional Crash – No Limite em 2006. De qualquer forma, a expectativa é de que pelo menos as atrizes sejam reconhecidas por suas performances. Não ajuda o fato do diretor ser praticamente desconhecido, mas Julianne Moore acaba de ganhar seu primeiro Oscar e pode, com este papel, ganhar seu segundo consecutivo e ainda puxar a segunda indicação da jovem Ellen Page como coadjuvante.

STEVE JOBS
Dir: Danny Boyle

Michael Fassbender como Steve Jobs (photo by cine.gr)

Michael Fassbender como Steve Jobs (photo by cine.gr)

Sinopse: A vida e o legado de Steve Jobs, baseado na biografia de Walter Isaacson.

Deve receber indicação: Ator (Michael Fassbender), Atriz Coadjuvante (Kate Winslet), Roteiro Adaptado (Aaron Sorkin)

Dúvida: Filme, Diretor (Danny Boyle), Ator Coadjuvante (Jeff Daniels)

Quando o filme biográfico Jobs saiu em 2013, havia uma especulação de que Ashton Kutcher poderia ser indicado ao Oscar. Mas esse burburinho só rendeu durante o período em que a foto dele foi divulgada já como Steve Jobs, pois havia uma semelhança bem considerável entre ambos, mas logo acabou quando a crítica viu o filme e sua interpretação. Dois anos depois, um novo filme sobre o criador da Apple surge no horizonte, mas com uma equipe técnica infinitamente superior: Danny Boyle na direção, Scott Rudin na produção, Aaron Sorkin (A Rede Social) no roteiro e Guy Hendrix Dyas (A Origem) na direção de arte. Com esses nomes, o filme Steve Jobs automaticamente se tornou um forte candidato ao Oscar.

Particularmente, por mais que Michael Fassbender seja um dos melhores atores dessa geração, ainda tenho minhas ressalvas se ele foi a melhor opção pra dar vida ao inventor, já que é alemão e não se parece quase nada com a figura pública (talvez um trabalho de maquiagem bem feito teria ajudado…), mas torço para que ele possa surpreender positivamente. Claro que a presença da vencedora do Oscar, Kate Winslet, no elenco ajuda e muito na campanha do filme na temporada de premiações.

SR. HOLMES (Mr. Holmes)
Dir: Bill Condon

Ian McKellen como Sherlock Holmes em Mr. Holmes (photo by outnow.ch)

Ian McKellen como Sherlock Holmes em Mr. Holmes (photo by outnow.ch)

Sinopse: O já aposentado Sherlock Holmes destrincha seu passado quando tenta desvendar um mistério não solucionado envolvendo uma bonita mulher.

Deve receber indicação: Ator (Ian McKellen), Atriz Coadjuvante (Laura Linney)

Dúvida: Roteiro Adaptado (Jeffrey Hatcher), Direção de Arte (Martin Childs), Trilha Musical Original (Carter Burwell)

Logo que foi anunciado o filme de Sherlock Holmes com Ian McKellen, já previa uma indicação para o ator britânico. McKellen foi roubado na cara dura em 1999, quando perdeu para o pastelão do Roberto Benigni (A Vida é Bela), por sua atuação magnânima em Deuses e Monstros. Depois disso, tornou-se muito popular ao assumir papéis icônicos da cultura pop: o mutante Magneto nos filmes dos X-Men e o mago Gandalf nas trilogias de O Hobbit e O Senhor dos Anéis, por qual recebeu sua segunda indicação ao Oscar em 2002, mas perdeu pra um inspirado Jim Broadbent em Iris.

Claro que, se o filme for bom e sua performance estiver à altura de seu talento, trata-se de uma excelente oportunidade de premiar com um Oscar um dos melhores atores vivos. Sr. Holmes se torna ainda mais especial por reprisar a parceria do ator com o diretor Bill Condon, com quem trabalhou em Deuses e Monstros. No elenco, Laura Linney tem tudo pra receber sua 4ª indicação.

AS SUFRAGISTAS (Suffragette)
Dir: Sarah Gavron

Carey Mulligan (centro) em cena de protesto de Suffragette (photo by cine.gr)

Carey Mulligan (centro) e Helena Bonham Carter (à direita) em cena de protesto de As Sufragistas (photo by cine.gr)

Sinopse: O filme retrata um dos primeiros movimentos feministas contra o Estado machista e opressor. As integrantes do movimento viram seus protestos pacíficos resultarem em nada para então partir para a violência, o que ameaçava suas vidas, seus empregos e suas famílias.

Deve receber indicação: Atriz (Carey Mulligan), Atriz Coadjuvante (Meryl Streep), Atriz Coadjuvante (Helena Bonham Carter)

Dúvida: Filme, Roteiro Original (Abi Morgan), Trilha Musical Original (Alexandre Desplat), Montagem (Barney Pilling), Figurino (Jane Petrie), Direção de Arte (Alice Normington)

Lembram-se do discurso pró-igualdade para as mulheres de Patricia Arquette no Oscar deste ano? E do apoio incondicional de Meryl Streep (“Yes! Yes!”) da poltrona? Pois é, o movimento feminista em alta ganha mais um reforço com este filme de época no qual a luta das mulheres se tornou um marco na história. E com Streep no elenco, o filme tem tudo pra se destacar na temporada de premiações do Globo de Ouro, Oscar, BAFTA e SAG.

Por mais que a diretora seja meio desconhecida, acho bacana tanto a diretora quanto a roteirista serem mulheres, afinal ninguém melhor do que as próprias mulheres pra contar uma história de luta feminista. A roteirista Abi Morgan pode conseguir sua primeira indicação após destaque por Shame e A Dama de Ferro. Já Carey Mulligan, que brilhou como a estudante inocente de Educação, precisa cumprir seu papel de jovem promessa de Hollywood. Como se trata de uma produção de época, são esperadas indicações de direção de arte e figurino.

NOCAUTE (Southpaw)
Dir: Antoine Fuqua

Jake Gyllenhaal como o boxeador Billy Hope com o treinador Tick Wills (Forest Whitaker) em cena de Southpaw (photo by outnow.ch)

Jake Gyllenhaal como o boxeador Billy Hope com o treinador Tick Wills (Forest Whitaker) em cena de Nocaute (photo by outnow.ch)

Sinopse: O boxeador Billy Hope procura o treinador Tick Wills para colocá-lo de volta aos trilhos depois que perde sua mulher num trágico acidente e sua filha para o serviço de proteção à criança.

Deve receber indicação: Ator (Jake Gyllenhaal), Trilha Musical Original (James Horner)

Dúvida: Ator Coadjuvante (Forest Whitaker), Montagem (John Refoua), Canção Original (Eminem)

Depois da inacreditável ausência de Jake Gyllenhaal na lista de atores indicados a Melhor Ator este ano por O Abutre, a Academia automaticamente está em dívida com o ator, que já foi indicado como Coadjuvante por O Segredo de Brokeback Mountain. Além disso, chama atenção sua transformação do esquelético videomaker de O Abutre para este atlético e forte boxeador de Nocaute, que lembra a flexibilidade de Edward Norton que passou do forte neo-nazista de A Outra História Americana para o franzino de Clube da Luta. Essas transformações costumam ser a base de uma boa campanha para o Oscar. Claro que se o filme também for bom, as chances de vitória são ainda maiores. Já quando o filme não colabora, as chances caem drasticamente. Em 2000, o filme Hurricane – O Furacão conseguiu conquistar apenas a indicação de Denzel Washington, que acabou perdendo para Kevin Spacey (Beleza Americana), porque o filme de Sam Mendes era bem mais consistente.

Vale lembrar que este é um dos últimos trabalhos do compositor James Horner, que morreu numa queda de avião no final de junho. E por se tratar de um filme de boxe, as chances da trilha musical e da montagem se destacarem são ótimas. Resta saber se o filme de Antoine Fuqua (Dia de Treinamento) vai agradar à crítica.

SICARIO: TERRA DE NINGUÉM (Sicario)
Dir: Dennis Villeneuve

Em segundo plano, da esquerda para a direita: Emily Blunt, Josh Brolin e Benicio Del Toro em cena de Sicario: Terra de Ninguém (photo by cine.gr)

Em segundo plano, da esquerda para a direita: Emily Blunt, Josh Brolin e Benicio Del Toro em cena de Sicario: Terra de Ninguém (photo by cine.gr)

Sinopse: Uma agente idealista do FBI é designada pelo governador numa força-tarefa contra as drogas na área da fronteira dos EUA com o México.

Deve receber indicação: Atriz (Emily Blunt), Fotografia (Roger Deakins), Trilha Musical Original (Jóhann Jóhannsson), Montagem (Joe Walker)

Dúvida: Ator Coadjuvante (Benicio Del Toro), Ator Coadjuvante (Josh Brolin)

A sinopse me lembrou O Silêncio dos Inocentes ao ter como protagonista uma jovem agente do FBI em formação encarando um universo bem sombrio. E o diretor canadense Dennis Villeneuve já demonstrou que conhece bem esse território sombrio com Os Suspeitos (2013). O filme concorreu à Palma de Ouro no último Festival de Cannes e por muitos críticos foi considerado um “soco no estômago” por suas cenas fortes. Por esse mesmo motivo, não deve concorrer ao Oscar de Melhor Filme, porque os acadêmicos têm aversão à violência.

Mas se a campanha for boa, o diretor pode ser recompensado em sua categoria. E quem sabe a fotografia de Roger Deakins não ganha seu primeiro Oscar depois de 12 indicações? Já dentre os atores, apesar de contar com Benicio Del Toro (vencedor de Ator Coadjuvante por Traffic) e Josh Brolin (indicado para Ator Coadjuvante por Milk – A Voz da Igualdade), o maior destaque do filme é Emily Blunt, que passa por uma experiência transformadora como a agente do FBI, podendo finalmente conquistar sua primeira indicação.

A TRAVESSIA (The Walk)
Dir: Robert Zemeckis

Cena de A Travessia com Joseph Gordon-Levitt e Charlotte Le Bon (photo by outnow.ch)

Cena de A Travessia com Joseph Gordon-Levitt e Charlotte Le Bon (photo by outnow.ch)

Sinopse: A trajetória do artista francês Phillippe Petit para cruzar as Torres Gêmeas sobre um cabo de aço em 1974.

Quem deve receber indicação: Ator (Joseph Gordon-Levitt), Roteiro Adaptado (Robert Zemeckis e Christopher Browne)

Dúvida: Filme, Diretor (Robert Zemeckis), Ator Coadjuvante (Ben Kingsley), Trilha Musical Original (Alan Silvestri)

Apesar de Forrest Gump: O Contador de Histórias ter ganhado 6 Oscars há mais de 20 anos, o diretor Robert Zemeckis sempre terá um prestígio na Academia e por isso mesmo, seus filmes têm lugar cativo no burburinho do Oscar. Em 2013, seu filme O Vôo recebeu duas indicações (Melhor Ator para Denzel Washington e Roteiro Original), o que significa que Zemeckis está buscando retorno triunfal. Com este novo projeto baseado na história real de Phillippe Petit, que caminhou sobre um cabo de aço entre as duas Torres Gêmeas, ele pode ter sua chance.

A história verídica já foi tema do documentário O Equilibrista (Man on Wire), que venceu o Oscar de Melhor Documentário em 2009, o que concede maior credibilidade ao filme. Se Zemeckis souber captar bem o lado emocional da história, o filme pode conquistar o público e a crítica. Para ajudá-lo nessa difícil tarefa, ele conta com o veterano Ben Kingsley no elenco e o jovem Joseph Gordon-Levitt como o protagonista Petit.

O CORAÇÃO DO MAR (In the Heart of the Sea)
Dir: Ron Howard

Chris Hemsworth em cena de O Coração do Mar (photo by cine.gr)

Chris Hemsworth em cena de O Coração do Mar (photo by cine.gr)

Sinopse: Baseado em história ocorrida em 1820, sobre embarcação que é caçada por baleia durante 90 dias em alto mar. Adaptação de livro de Nathaniel Philbrick que teria inspirado o clássico literário Moby Dick.

Quem deve receber indicação: Fotografia (Anthony Dod Mantle), Montagem (Daniel P. Hanley e Mike Hill) e Som.

Dúvida: Filme, Diretor (Ron Howard)

Após ganhar prestígio com o Oscar de direção e filme com Uma Mente Brilhante em 2002, Ron Howard se tornou nome relevante a cada novo trabalho, e assim acabou novamente indicado ao Oscar de direção com Frost/Nixon em 2009 e foi bem cotado por Rush: No Limite da Emoção em 2014, mas tenho minhas dúvidas se ele retorna ao tapete vermelho com um filme de aventura estrelado por Chris Hemsworth.

Embora o elenco tenha nomes razoáveis como Cillian Murphy, Ben Wishaw e o novo Homem-Aranha, Tom Holland, acredito que O Coração do Mar ficará limitado às categorias mais técnicas, a menos que sua bilheteria seja extremamente expressiva e colabore em sua campanha vitoriosa.

SPOTLIGHT
Dir: Tom McCarthy

Da esquerda pra direita: Michael Keaton, Liv Schreiber, Mark Ruffalo, Rachel McAdams... em Spotlight (photo by outnow.ch)

Da esquerda pra direita: Michael Keaton, Liv Schreiber, Mark Ruffalo, Rachel McAdams, John Slattery e Brian d’Arcy James em Spotlight (photo by outnow.ch)

Sinopse: A verdadeira história de como o jornal The Boston Globe desvendou o escândalo de abuso de crianças e encoberto pela igreja Arquidiocese local que estremeceu a Igreja Católica toda.

Deve receber indicação: Roteiro Original (Tom McCarthy e Josh Singer)

Dúvida: Filme, Diretor (Tom McCarthy), Ator (Mark Ruffalo), Trilha Musical Original (Howard Shore)

O roteiro do filme foi baseado numa história verídica que gerou uma matéria que venceu o prestigiado prêmio Pullitzer, fato que já chama a atenção por si só. Esse tipo de história costuma atrair bons nomes para os papéis porque são criados a partir de heróis reais como uma Erin Brockovich, por exemplo, que desmantelou toda uma grande corporação ao descobrir que contaminavam a água de sua cidade.

Dessa forma, temos Mark Ruffalo como o protagonista e Michael Keaton como seu parceiro. Ruffalo é um nome que vem em ascensão há anos e só não conseguirá sua terceira indicação se o páreo da categoria de Melhor Ator estiver muito duro. Quanto a Keaton, acredito que corre bem por fora, mas já é extremamente gratificante vê-lo em grandes produções novamente após tantos anos no ostracismo.

ESPECIALISTA EM CRISE (Our Brand is Crisis)
Dir: David Gordon Green

Sandra Bullock filma cena em Porto Rico (photo by www.laineygossip.com)

Sandra Bullock filma cena em Porto Rico (photo by http://www.laineygossip.com)

Sinopse: Baseado no documentário homônimo sobre o uso de estratégias políticas de campanha americanas na América do Sul.

Deve receber indicação: Filme, Diretor (David Gordon Green), Atriz (Sandra Bullock), Roteiro Original (Peter Straughan)

Dúvida: Ator Coadjuvante (Billy Bob Thornton), Atriz Coadjuvante (Zoe Kazan), Montagem (Colin Patton)

Mais um filme com temática política pode ganhar espaço no Oscar 2016. Além de Spotlight e Suffragette, o filme procura revelar os bastidores da política e a forma como alavancam os candidatos desejados. Curiosamente, assim como Freeheld (citado acima), Especialista em Crise também é uma ficção baseada num documentário.

O roteiro de Peter Straughan (indicado para Roteiro Adaptado em 2012 por O Espião que Sabia Demais) busca destrinchar esse universo do vale-tudo das campanhas políticas na América do Sul contando com o promissor diretor David Gordon Green (vencedor do prêmio de Direção no Festival de Berlim 2013 por Prince Avalanche ), elenco encabeçado por Sandra Bullock e Billy Bob Thornton, e um ótimo ímã para o Oscar: George Clooney como produtor. Ter nomes de celebridades na produção muitas vezes é recompensado pela Academia, como aconteceu com Brad Pitt em 2014 por 12 Anos de Escravidão.

TRUTH
Dir: James Vanderbilt

Cate Blanchett em cena com Robert Reford em Truth (photo by collider.com)

Cate Blanchett em cena com Robert Reford em Truth (photo by collider.com)

Sinopse: Durante seus últimos dias como âncora no noticiário CBS News, Dan Rather apresenta uma notícia falsa sobre como o então presidente Bush se apoiou no privilégio e nas conexões familiares para evitar convocação militar para lutar na Guerra do Vietnã, o que lhe custou seu emprego e de sua superiora Mary Mapes.

Deve receber indicação: Ator (Robert Redford), Atriz Coadjuvante (Cate Blanchett) e Roteiro Adaptado (James Vanderbilt)

Dúvida: Montagem (Richard Francis-Bruce)

Seguindo a linha de candidatos ao Oscar de temática política, Truth pode surpreender e conquistar seu espaço, ainda mais por contar com dois nomes de peso junto à Academia: os atores Cate Blanchett, que ganhou seu segundo Oscar em 2014 por Blue Jasmine, e o veterano Robert Redford, que merecia uma indicação por sua atuação no ótimo Até o Fim (2013).

Ainda no elenco, nomes como Dennis Quaid, Bruce Greenwood e Elisabeth Moss (em ascensão depois da série Mad Men) podem colaborar para um número maior de indicações dependendo da profundidade de seus papéis. Como se trata da estréia na direção do conhecido roteirista do brilhante Zodíaco (2007), James Vanderbilt, sua melhor chance no Oscar está na categoria que lhe consagrou.

DIVERTIDA MENTE (Inside Out)
Dir: Pete Docter

As emoções Tristeza, Raiva, Medo, Nojinho e Alegria em cena de Divertida Mente (photo by outnow,ch)

As emoções Tristeza, Raiva, Medo, Nojinho e Alegria em cena de Divertida Mente (photo by outnow,ch)

Sinopse: Depois de se mudar com seus pais para San Francisco, as emoções da jovem Riley (Alegria, Tristeza, Nojinho, Raiva e Medo) entram em conflito sobre a melhor forma de explorar a nova cidade, casa e escola.

Deve receber indicação: Animação

Dúvida: Roteiro Original (Meg LeFauve, Josh Cooley e Pete Docter) e Trilha Musical Original (Michael Giacchino)

Assim como Monstros S.A., a idéia bastante original não segura um longa-metragem, pelo menos não da forma como foi escrito. Alguns trabalhos da Pixar apresentam esse obstáculo na hora de desenvolver uma história que se desenvolva, e não apenas se desenrole. Por questões de histórico, acredito que consegue facilmente uma indicação ao Oscar de Animação. Depois de perder o Oscar duas vezes consecutivas para produções da Disney (Frozen: Uma Aventura Congelante e Operação Big Hero), a Pixar está tentando recuperar seu posto de supremacia.

Dependendo da competição, o roteiro pode ser, sim, indicado ao Oscar, assim como de outras animações anteriores foram como de Procurando Nemo, Up – Altas Aventuras e Toy Story 3, mas geralmente o que ocorre é o filme ganhando apenas Melhor Animação. E se o roteiro praticamente perfeito de Toy Story 3 não ganhou, dificilmente outro não ganhará também. Já a trilha do compositor Michael Giacchino pode ser reconhecida, mas as chances de vitória são pequenas, ainda mais que já levou a estatueta por Up – Altas Aventuras.

MACBETH: AMBIÇÃO E GUERRA (Macbeth)
Dir: Justin Kurzel

O casal Macbeth: Michael Fassbender e Marion Cotillard na adaptação de Shakespeare (photo by cine.gr)

O casal Macbeth: Michael Fassbender e Marion Cotillard na adaptação de Shakespeare (photo by cine.gr)

Sinopse: Macbeth, um duque da Escócia, recebe a profecia das três bruxas que um dia ele se tornará rei da Escócia. Consumido por ambição e impulsionado à ação por sua esposa, Macbeth assassina seu rei e toma controle do trono.

Deve receber indicação: Figurino (Jacqueline Durran)

Dúvida: Ator (Michael Fassbender) e Atriz (Marion Cotillard)

Clássico de Shakespeare, a adaptação de Macbeth chegou no último Festival de Cannes como o filme responsável por premiar a dupla de atores centrais: o alemão Michael Fassbender e a francesa Marion Cotillard, ambos nomes em alta tanto na Europa quanto em Hollywood (ele foi indicado ao Oscar de Coadjuvante por 12 Anos de Escravidão e ela recebeu sua segunda indicação de Atriz por Dois Dias, Uma Noite), mas não foi isso que aconteceu na Riviera Francesa.

Apesar do filme de Justin Kurzel não ter levado nada, pode ter sua segunda chance na campanha ao Oscar, já que vai ser alavancada pela Weinstein Company. Contudo, se Fassbender for indicado, suas chances são bem maiores pelo filme de Danny Boyle, Steve Jobs. Posso estar enganado, mas pela experiência que tenho em Oscar, esse filme está com cheiro de uma única indicação: Melhor Figurino.

I SAW THE LIGHT
Dir: Marc Abraham

Tom Hiddleston caracterizado como o cantor Hank Williams (photo by outnow.ch)

Tom Hiddleston caracterizado como o cantor Hank Williams (photo by outnow.ch)

Sinopse: Cinebiografia do cantor e compositor de country norte-americano Hank Williams.

Deve receber indicação: Ator (Tom Hiddleston)

Dúvida: Atriz Coadjuvante (Elizabeth Olsen), Roteiro Adaptado (Marc Abraham)

A Academia adora cinebiografia de cantores e compositores, especialmente os americanos. Basta olhar a presença de filmes como O Destino Mudou Sua Vida (1980), Ray (2004) e Johnny & June (2005). Contando com esse histórico positivo, o ator britânico Tom Hiddleston, conhecido mundialmente por viver o papel do vilão Loki nos filmes da Marvel, tem boas chances na aparecer na lista por retratar uma figura emblemática da música. Curiosamente, como não foi aposta unânime para o papel, além de se empenhar bastante no sotaque americano, tocou piano para o elenco e a equipe durante as filmagens e todos os dias, como forma de extrema gratidão, ele cumprimentava cada membro da equipe, do encarregado da limpeza até seus colegas de atuação.

Elizabeth Olsen, que já trabalhou com Hiddleston em Vingadores: Era de Ultron, interpretará sua primeira esposa, Audrey Mae Williams, que pode lhe render sua primeira indicação ao Oscar. Como Marc Abraham é um diretor praticamente novato, suas chances residem mais na categoria de roteiro, por ter adaptado a biografia escrita por Colin Escott.

MAD MAX: ESTRADA FÚRIA (Mad Max: Fury Road)
Dir: George Miller

Tom Hardy e Charlize Theron em cena de Mad Max: Estrada da Fúria (photo by outnow.ch)

Tom Hardy e Charlize Theron em cena de Mad Max: Estrada da Fúria (photo by outnow.ch)

Sinopse: Furiosa, uma mulher que se rebela contra seu tirano numa pós-Apocalíptica Austrália, vai em busca de sua terra natal com a ajuda de um grupo de prisioneiras, um adorador psicótico e um andarilho chamado Max.

Deve receber indicação: Fotografia (John Seale), Direção de Arte (Colin Gibson), Figurino (Jenny Beavan), Maquiagem, Som, Efeitos Sonoros

Dúvida: Filme, Diretor (George Miller), Roteiro Original (George Miller, Brendan McCarthy e Nick Lauthoris)

Quarta parte de uma quadrilogia? Sequência? Prequel? Reboot? Ninguém sabe ao certo o que essa loucura chamada Mad Max: Estrada da Fúria é, mas todos concordam com sua qualidade técnica impecável e acima de tudo: sua audácia. Há quanto tempo não vemos um filme politicamente incorreto assim feito por um estúdio nos cinemas? Nos últimos anos (pra não dizer na última década), o cinema de estúdio tem sido tomado por produtores que visam apenas o lucro, mas sem coragem alguma para arriscar em novas visões. Claro que o trabalho de Mad Max não é novidade alguma, mas joga na tela imagens que dizem: “Isso é cinema. Vocês se esqueceram?”

Além da qualidade técnica merecedora de todas as indicações, felizmente a produção australiana colheu ótimos frutos nas bilheterias mundias, fato que ajuda muito na composição das indicações ao Oscar. Contudo, acredito que o responsável por tudo isso pode nem sequer ser reconhecido com uma mera indicação, seja como diretor ou como roteirista. Curiosamente, George Miller já ganhou um Oscar por, acreditem, Melhor Animação com Happy Feet: O Pingüim em 2007. Anteriormente, ele havia sido indicado pelo Roteiro Original de O Óleo de Lorenzo em 1993, e pelo Roteiro Adaptado e Produção (Melhor Filme) de Babe – O Porquinho Atrapalhado em 1996. Vamos torcer para que os votantes da Academia dêem um tempo no conservadorismo e reconheçam o talento e a audácia de Miller. Seria utopia demais?

À BEIRA MAR (By the Sea)
Dir: Angelina Jolie

Angelina Jolie com o marido Brad Pitt ao fundo em cena de À Beira Mar. É a primeira vez que a atriz dirige a si mesma. (Photo by outnow.ch)

Angelina Jolie com o marido Brad Pitt ao fundo em cena de À Beira Mar. É a primeira vez que a atriz dirige a si mesma. (Photo by outnow.ch)

Sinopse: Nos anos 70 na França, conforme a ex-dançarina Vanessa e seu marido escritor Roland viajam pelo país juntos, eles se distanciam um do outro, até pararem numa cidade costeira onde eles passam a se aproximar dos habitantes locais.

Deve receber indicação: Fotografia (Christian Berger)

Dúvida: Diretor (Angelina Jolie), Atriz Coadjuvante (Mélanie Laurent), Trilha Musical Original (Gabriel Yared)

Após ser ignorada pela Academia depois de forte burburinho por seu trabalho anterior Invencível (Unbroken), Angelina Jolie lança seu terceiro longa na direção com os holofotes sobre a possível campanha no Oscar 2016. Honestamente, só incluí o filme aqui por causa da comentada e discutida exclusão dela na premiação deste ano, porque se depender do filme em si, não se trata de material para Oscar.

Claro que se ela quiser, Jolie pode se beneficiar de seu filme anterior e tentar sua primeira indicação como diretora, mas acho meio difícil com um romance. A seu favor estão a presença dela mesma  e do marido, Brad Pitt, no elenco, assim como a trilha de Gabriel Yared (vencedor do Oscar por O Paciente Inglês) e do diretor de fotografia austríaco e colaborador assíduo do diretor Michael Haneke, Christian Berger (indicado por A Fita Branca).

THE LAST FACE
Dir: Sean Penn

O diretor Sean Penn conversa com a jovem Adèle Exarchopoulos em set de The Last Face (photo by filmaffinity.com)

O diretor Sean Penn conversa com a jovem Adèle Exarchopoulos em set de The Last Face (photo by filmaffinity.com)

Sinopse: A diretora de uma agência internacional de ajuda humanitária na África conhece um carismático médico que trabalha na causa. Ele se divide entre o amor por ela e seu trabalho.

Deve receber indicação: Fotografia (Barry Ackroyd)

Dúvida: Diretor (Sean Penn), Montagem (Jay Cassidy)

Assim como outros atores que se tornaram diretores, Sean Penn busca experiência em nomes profissionais como o diretor de fotografia Barry Ackroyd (indicado por Guerra ao Terror) e o montador Jay Cassidy (três vezes indicado) com quem já trabalhou no cult Na Natureza Selvagem. Desta vez, ele também escalou sua própria mulher, Charlize Theron, que vive uma nova ascensão depois de seu desatque como Furiosa em Mad Max: Estrada da Fúria, o que certamente ajuda o filme a alavancar.

No elenco, Penn ainda conta com Javier Bardem como o médico, e os coadjuvantes Jean Renno, e a jovem talentosa francesa Adèle Exarchopoulos, de Azul é a Cor Mais Quente. Apesar de todos os fatores positivos, The Last Face ainda pode se tornar aqueles filmes que tinha tudo pra chegar ao Oscar, mas morre na praia.

PERDIDO EM MARTE (The Martian)
Dir: Ridley Scott

Da esquerda pra direita: Matt Damon, Jessica Chastain, Kate Mara e Sebastian Stan em cena de Perdido em Marte (photo by outnow.ch)

Da esquerda pra direita: Matt Damon, Jessica Chastain, Sebastian Stan, Kate Mara e Aksel Hennie em cena de Perdido em Marte (photo by outnow.ch)

Sinopse: Depois de uma missão em Marte, o astronauta Mark Watney é considerado morto depois de ter sido abandonado por colegas, mas ele está vivo e sozinho no planeta. Com pouquíssimos recursos, ele deve usar todas as suas habilidades e seu conhecimento para enviar um sinal para a Terra para dizer que está vivo.

Deve receber indicação: Filme, Diretor (Ridley Scott), Ator (Matt Damon), Atriz Coadjuvante (Jessica Chastain), Roteiro Adaptado (Drew Goddard), Fotografia (Dariusz Wolski), Direção de Arte (Arthur Max), Montagem (Pietro Scalia), Trilha Musical Original (Harry Gregson-Williams), Som, Efeitos Sonoros e Efeitos Visuais.

Dúvida: Figurino (Janty Yates)

Até pouco tempo atrás, Perdido em Marte era considerado uma incógnita, mas depois do lançamento de seu trailer, o filme ganhou novo status e pode ser muito bem o recordista de indicações ao Oscar 2016. Após trabalhos abaixo da média do veterano Ridley Scott (reconhecido mundialmente pelos clássicos Alien: O Oitavo Passageiro e Blade Runner: O Caçador de Andróides) pode finalmente voltar à tona com um projeto mais respeitável. Sinceramente, espero que a execução seja infinitamente superior ao de Prometheus, que tinha tudo pra ser um estouro.

Elenco e equipe Ridley Scott tem de primeiro nível: vencedores e indicados ao Oscar de baciada. E ainda conta com atores experientes que acabaram de trabalhar em outro filme de temática espacial, Interestelar: Matt Damon e Jessica Chastain. O roteiro, escrito pelo jovem promissor Drew Goddard (de O Segredo da Cabana), foi baseado no livro best-seller The Martian, de Andy Weir. Resta saber se o filme refletirá suas expectativas nas bilheterias e se a Academia está aberta a premiar uma ficção científica depois de bater na trave com Gravidade em 2014.

EU, VOCÊ E A GAROTA QUE VAI MORRER (Me and Earl and the Dying Girl)
Dir: Alfonso Gomez-Rejon

Olivia Cooke, Thomas Mann e RJ Cyler posam para foto de Me and Earl and the Dying Girl (photo by outnow.ch)

Olivia Cooke, Thomas Mann e RJ Cyler posam para foto de Me and Earl and the Dying Girl (photo by outnow.ch)

Sinopse: O estudante Greg, que passa a maior parte de seu tempo fazendo filmes de paródia com seu amigo Earl, tem sua vida mudada quando ele passa a fazer amizade com Rachel, uma colega de classe que acaba de ser diagnosticada com leucemia.

Deve receber indicação: Roteiro Adaptado (Jesse Andrews)

Dúvida: Filme

Sensação do último Festival de Sundance, Eu, Você e a Garota que Vai Morrer já chama atenção pelo seu título inusitado que mistura drama com comédia e humor negro. O filme independente tem um clima leve que muito se assemelha a (500) Dias com Ela e Juno, tanto que o trailer se apropria dos mesmos títulos para atrair o interesse do público.

Não sei se se trata de uma previsão otimista ou pessimista, mas o filme tem mais cara de indicado e até vencedor do Globo de Ouro de Melhor Filme – Comédia ou Musical, mas no Oscar teria que se contentar com uma única indicação de Roteiro Adaptado. Este ano, outro sucesso de público com temática de doença entre jovens, A Culpa é das Estrelas, acabou ficando de fora do Oscar.

BROOKLYN
Dir: John Crowley

Saoirse Ronan e Emory Cohen em cena de Brooklyn (photo by cine.gr)

Saoirse Ronan e Emory Cohen em cena de Brooklyn (photo by cine.gr)

Sinopse: Nos anos 50, a jovem imigrante irlandesa Eilis Lacey se muda para os EUA, onde conhece e se envolve com um rapaz americano, mas devido a um tragédia familiar, precisa voltar ao seu país, onde acaba conhecendo outro amor.

Deve receber indicação: Atriz (Saoirse Ronan), Roteiro Adaptado (Nick Hornby)

Dúvida: Fotografia (Yves Bélanger) e Trilha Musical Original (Michael Brook)

Incluí o filme na lista por ter sido alvo de burburinho por parte de alguns sites especializados e também por ser adaptação do best-seller de Colm Tóibín, mas tenho minhas dúvidas se esse filme vai chegar ao tapete vermelho. Ele tem uma pinta de filme bonito e até com seus devidos momentos emotivos que fazem um candidato, mas não tem muito pedigree. John Crowley é um diretor que ficou conhecido pelo filme independente Rapaz A, de 2007, mas depois não deslanchou nada relevante.

Saoirse Ronan pode conseguir sua segunda indicação, desta vez como Melhor Atriz, principalmente por seu empenho no sotaque irlandês de sua personagem. E pelo visto, o escritor Nick Hornby está se empenhando a escrever roteiros agora. Depois de Educação (2009), ele fez o roteiro de Livre (2014) e agora deste Brooklyn. Pode receber sua segunda indicação também.

STAR WARS: EPISÓDIO VII – O DESPERTAR DA FORÇA (Star Wars: Episode VII – The Force Awakens)
Dir: J.J. Abrams

Daisy Ridley corre em cena de Star Wars: Episódio VII - O Despertar da Força (photo by (outnow.ch)

Daisy Ridley corre em cena de Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força (photo by (outnow.ch)

Sinopse: Continuação da saga de George Lucas na galáxia muito distante.

Deve receber indicação: Maquiagem, Som, Efeitos Sonoros e Efeitos Visuais

Dúvida: Direção de Arte (Rick Carter), Trilha Musical Original (John Williams)

Mais um filme de Star Wars lançado 10 anos após o último, mas com uma diferença bastante relevante: a Lucas Film foi comprada pela Disney. Aliás, o que não é comprado pela Disney?? A empresa comprou também a Pixar e a Marvel, o que pode causar uma padronização (pra não dizer pasteurização) do cinema comercial como o conhecemos.

Felizmente, o diretor J.J. Abrams tem um bom feeling pra franquias como pudemos constatar no reboot de Star Trek (2009), mas não creio numa revolução, até mesmo porque a Disney está mais preocupada em vender seus produtos do que fazer um filme consistente, então provavelmente o diretor não tem carta branca pra tudo, muito menos para o corte final do filme. Claro que este novo Star Wars vai criar novos recordes de bilheteria e muito provavelmente terá presença garantida nas categorias mais técnicas do Oscar.

RICKI AND THE FLASH: DE VOLTA PARA CASA (Ricki and the Flash)
Dir: Jonathan Demme

Mamie Gummer e Meryl Streep, filha e mãe na vida real e na ficção em cena de Ricki and the Flash: De Volata Para Casa (photo by outnow.ch)

Mamie Gummer e Meryl Streep, filha e mãe na vida real e na ficção em cena de Ricki and the Flash: De Volata Para Casa (photo by outnow.ch)

Sinopse: Ricki, que desistiu de tudo por seu sonho de se tornar uma estrela do rock, retorna para casa e procura fazer as coisas certas com sua família.

Deve receber indicação: Atriz (Meryl Streep)

Dúvida: Ator Coadjuvante (Kevin Kline), Roteiro Original (Diablo Cody), Canção Original

Assim que vi a primeira foto de Meryl Streep caracterizada como uma roqueira dos anos 80 em decadência, logo associei a…? Sim, o Oscar! Esta seria sua 20ª indicação, um recorde que demoraria muito pra ser ultrapassado! Porém, andei lendo alguns rumores de que Meryl Streep não participaria de nenhum campanha do filme para o Oscar.

Independente de seus supostos motivos, a atriz tem tudo para conseguir no mínimo uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Atriz – Comédia ou Musical. Curiosamente, sua filha na vida real, Mamie Gummer, interpreta sua filha no filme.

GRANDMA
Dir: Paul Weitz

Lily Tomlin em primeiro plano e Julie Garner ao fundo em cena de Grandma (photo by latimes.com)

Lily Tomlin em primeiro plano e Julie Garner ao fundo em cena de Grandma (photo by latimes.com)

Sinopse: Declarada misantropa, Elle Reid tem sua bolha protetora estourada quando sua neta de 18 anos aparece precisando de ajuda. As duas partem numa viagem que as obrigará a confrontar passado e futuro.

Deve receber indicação: Atriz (Lily Tomlin)

Dúvida: Ator Coadjuvante (Sam Elliott), Roteiro Original (Paul Weitz)

Típica dramédia em que dois personagens são obrigados a conviver e acabam descobrindo um sentimento mútuo durante uma road trip. Claro que o filme independente Grandma não tem maiores pretensões na temporada de premiações, mas só o fato de trazer de volta a veterana Lily Tomlin ao centro do palco já é algo digno de nota. Se ela receber indicação, será sua segunda depois da de Coadjuvante por Nashville em 1976! Esse tipo de retorno a Academia costuma reconhecer, então Tomlin tem grandes chances.

Assim como outra veterana Meryl Streep, Lily Tomlin também tem ótima chance de ser premiada pelo Globo de Ouro de Melhor Atriz – Comédia ou Musical, podendo trazer junto o ator Sam Elliott.

007 CONTRA SPECTRE (Spectre)
Dir: Sam Mendes

Daniel Craig como James Bond em cena de 007 Contra Spectre (photo by outnow.ch)

Daniel Craig como James Bond em cena de 007 Contra Spectre (photo by outnow.ch)

Sinopse: Uma mensagem criptografada do passado de Bond o envia numa trilha para desvendar uma organização criminosa. Enquanto M luta contra forças políticas para manter o serviço secreto vivo, James Bond investiga a SPECTRE.

Deve receber indicação: Trilha Musical Original (Thomas Newman), Canção Original, Som e Efeitos Sonoros

Dúvida: Fotografia (Hoyte Van Hoytema), Montagem (Lee Smith)

O prestigiado diretor Sam Mendes retorna pela segunda vez à cadeira de direção da franquia 007, mas desta vez não conta com um colaborador que faz a diferença: o diretor de fotografia Roger Deakins, que fez um trabalho estupendo em 007 – Operação Skyfall. Contudo, ele será substituído por outro bom profissional (Hoyte Van Hoytema) e contará com o retorno do compositor Thomas Newman, que foi indicado pelo filme anterior de Bond.

Aliás, 007 – Operação Skyfall ganhou o primeiro Oscar de Canção Original da série toda, criada em 1962 com 007 Contra o Satânico Dr. No, portanto existe uma expectativa em relação à canção de abertura deste novo trabalho. Independente do músico ou banda que interprete a nova canção (alguns sites indicaram Ellie Goulding), 007 Contra Spectre deve ser mais um sucesso arrebatador e deve conquistar indicações técnicas e quem sabe mais uma de canção…

Mesmo que tenha poucas chances no Oscar, vale lembrar que Christoph Waltz (vencedor de duas estatuetas por Bastardos Inglórios e Django Livre) está no elenco. Ele interpreta Oberhauser, o líder da organização Spectre. Por 007 – Operação Skyfall, Javier Bardem chegou a ser indicado para o SAG de Coadjuvante por interpretar o vilão Silva.

CINDERELA (Cinderella)
Dir: Kenneth Branagh

No centro, Cate Blanchett como a Madrasta em cena de Cinderela (photo by outnow.ch)

No centro, Cate Blanchett como a Madrasta em cena de Cinderela (photo by outnow.ch)

Sinopse: Versão live-action da fábula da Cinderela, a Gata Borralheira que sofre nas mãos da madrasta e das meia-irmãs até ter sua sorte mudada com a ajuda de uma fada.

Deve receber indicação: Direção de Arte (Dante Ferretti) e Figurino (Sandy Powell)

Dúvida: Atriz Coadjuvante (Cate Blanchett), Trilha Musical Original (Patrick Doyle)

Depois do sucesso comercial de Malévola no ano passado, a Disney resolveu apostar as fichas nas adaptações em live-action de muitas animações consagradas por ela mesma. Então, depois desse Cinderela, estão nos planos a versão de Mulan e A Bela e a Fera, ou seja, acabaram as idéias até para animações novas…

Felizmente, a Academia sabe reconhecer qualidades técnicas mesmo em refilmagens. O próprio Malévola foi indicado este ano para Figurino, o que favorece a inclusão de Cinderela na lista de indicações, especialmente no Figurino caprichado da veterana Sandy Powell e do primoroso trabalho de production design do italiano Dante Ferretti, que já ganhou 3 Oscars. Já os rumores de uma indicação para Cate Blanchett como a Madrasta chegaram a ser comentados em alguns sites, mas seria bem improvável.

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Alguns trabalhos não devem alçar vôos mais altos na temporada, mas pode sobrar uma vaguinha em uma ou outra categoria, portanto, os filmes seguintes são listados de forma mais simples:

MILES AHEAD
Dir: Don Cheadle

Don Cheadle como o músico Miles Davis em Miles Ahead (photo by jazzmusic.in)

Don Cheadle como o músico Miles Davis em Miles Ahead (photo by jazzmusic.in)

Cinebiografia do músico Miles Davis.

Melhor chance: Ator (Don Cheadle), Trilha Musical Original (Herbie Hancock)
Forçando a barra: Ator Coadjuvante (Ewan McGregor)

HOMEM-FORMIGA (Ant-Man)
Dir: Peyton Reed

Paul Rudd como o herói em Homem-Formiga (photo by outnow.ch)

Paul Rudd como o herói em Homem-Formiga (photo by outnow.ch)

Adaptação dos quadrinhos de Scott Lang e seu alter-ego, o super-herói Homem-Formiga. Ele deve ajudar seu mentor Hank Pym a roubar uma armadura que ajudou a criar.

Melhor chance: Efeitos Visuais
Forçando a barra: Efeitos Sonoros

VINGADORES: ERA DE ULTRON (Avengers: Age of Ultron)
Dir: Joss Whedon

Homem de Ferro em ação contra o Hulk em Vingadores: Era de Ultron (photo by cinemagia.ro)

Homem de Ferro em ação contra o Hulk em Vingadores: Era de Ultron (photo by cinemagia.ro)

Tony Stark e Bruce Banner criam um programa chamado Ultron para dar paz ao mundo, mas os planos dão errado e os Vingadores precisam evitar que ele destrua o planeta.

Melhor chance: Efeitos Visuais
Forçando a barra: Som e Efeitos Sonoros

JURASSIC WORLD: O MUNDO DOS DINOSSAUROS (Jurassic World)
Dir: Colin Trevorrow

Chris Pratt trabalha com os velociraptors em Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros (photo by outnow.ch)

Chris Pratt trabalha com os velociraptors em Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros (photo by outnow.ch)

Quarta parte iniciada com Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros (1993). Com o parque finalmente aberto ao público e funcionando, as coisas começam a dar errado quando criam um dinossauro geneticamente modificado para atrair mais pessoas.

Melhor chance: Efeitos Visuais e Som
Forçando a barra: Trilha Musical Original (Michael Giacchino) e Efeitos Sonoros

LONGE DESTE INSENSATO MUNDO (Far from the Madding Crowd)
Dir: Thomas Vinterberg

Carey Mulligan em cena de Longe Deste Insensato Mundo (photo by outnow.ch)

Carey Mulligan em cena de Longe Deste Insensato Mundo (photo by outnow.ch)

Baseado no clássico romance homônimo de Thomas Hardy, o filme se passa na Inglaterra Vitoriana, onde a jovem Bathsheba Everdene atrai três homens diferentes: um criador de ovelhas, um sargento e um próspero e maduro bacharel.

Melhor chance: Figurino (Janett Patterson)
Forçando a barra: Atriz (Carey Mulligan)

O QUARTO DE JACK (Room)
Dir: Lenny Abrahamson

Brie Larson como a mãe em cena de Room (photo by outnow.ch)

Brie Larson como a mãe em cena de Room (photo by outnow.ch)

História contemporânea sobre o amor entre mãe e filho. O jovem Jack não conhece nada do mundo, exceto pelo quarto em que nasceu e foi criado.

Melhor chance: Atriz (Brie Larson)
Forçando a barra: Atriz Coadjuvante (Joan Allen)

O FIM DA TURNÊ (The End of the Tour)
Dir: James Ponsoldt

Jesse Eisenberg como o repórter e o Jason Segel como David Foster Wallace em cena de The End of the Tour (photo by elfilm.com)

Jesse Eisenberg como o repórter e o Jason Segel como David Foster Wallace em cena de The End of the Tour (photo by elfilm.com)

A história de uma entrevista que durou 5 dias entre o repórter da Rolling Stone, David Lipsky, e o aclamado autor David Foster Wallace, que aconteceu logo depois da publicação do romance dele chamado “Infinite Jest” em 1996.

Melhor chance: Roteiro Adaptado (Donald Margulies)
Forçando a barra: Ator (Jason Segel)

*** As indicações ao Oscar 2016 serão anunciadas no dia 14 de janeiro.

‘Boyhood: Da Infância à Juventude’ é o Melhor Filme segundo o NYFCC 2014

Patricia Arquette com o pequeno Ellar Coltrane em cena de Boyhood: Da Infância à Juventude

Patricia Arquette com o pequeno Ellar Coltrane em cena de Boyhood: Da Infância à Juventude

O círculo de críticos de Nova York anunciou nesta segunda-feira, dia 1º, sua lista de melhores do ano no Cinema. A aposta deste ano foi para o estudo do tempo de Boyhood: Da Infância à Juventude, o que fortalece a campanha do filme para o Oscar 2015. Nas últimas 10 edições, o NYFCC (New York Film Critics Circle) teve como Melhores Filmes: Trapaça (2013), A Hora Mais Escura (2012), O Artista (2011), A Rede Social (2010), Guerra ao Terror (2009), Milk – A Voz da Igualdade (2008), Onde os Fracos Não Têm Vez (2007), Vôo United 93 (2006), O Segredo de Brokeback Mountain (2005) e Sideways – Entre umas e outras (2004).

Como dá pra perceber, as estatísticas dos nova-iorquinos em relação ao Oscar estão em baixa: três acertos em dez, mas dos mesmos dez, nove estavam entre os indicados a Melhor Filme na cerimônia do Oscar. Confira a lista dos vencedores:
MELHOR FILME
* Boyhood: Da Infância à Juventude (Boyhood), de Richard Linklater

MELHOR DIRETOR
* Richard Linklater (Boyhood: Da Infância à Juventude)

A escalada do filme começou no último Festival de Berlim, em fevereiro, de onde saiu com o Urso de Prata de direção para Linklater. A produção bastante incomum levou 12 anos para ser concluída, de 2002 a 2014, contando com a confiança dos atores e da equipe técnica para se encontrar todos os anos sem mesmo contar com um contrato, pois a legislação americana não permite contratos tão longos assim. Boyhood apresenta todas as características de um projeto despretensioso e que muito se deve ao improviso, mas foi feito de forma tão cuidadosa, que acabou ganhando proporções maiores em termos de análise dos personagens em processo de amadurecimento e da própria vida, que é refém do tão cruel tempo.

Recentemente, li algumas críticas de pessoas que viram o filme e temem que a valorização do filme se deva apenas à produção e não ao seu conteúdo. Olha, respeito a opinião, mas para essa crítica se encaixaria um Avatar, por exemplo, no qual o 3D foi o grande protagonista. Se tirássemos o 3D de Avatar, sobraria uma história batida sem muito a acrescentar. Sendo um pouco mais radical, encaixaria até o Gravidade, que rapelou 8 Oscars este ano, do qual muito se falou dos efeitos e da tecnologia aplicada, mas apresentou história rala com personagens superficiais. Boyhood passa longe dessa análise, salvo personagens terciários.

MELHOR ATOR
* Timothy Spall (Sr. Turner)

Timothy Spall (Mr. Turner) - photo by outnow.ch

Timothy Spall (Sr. Turner) – photo by outnow.ch

É muito difícil não se impressionar com o trabalho dos atores sob a direção do britânico Mike Leigh. Ele tem toda uma escola de atuação que faz uma baita diferença no resultado final, pois sabe valorizar uma cena supostamente banal para boa parte dos atores através de nuances e minúcias que fazem o espectador adentrar à cena. Não é à toa que muitos dos atores com quem trabalhou ganharam importantes prêmios como em Cannes: Brenda Blethyn (Segredos e Mentiras), David Thewlis (Nu) e agora Timothy Spall. Contudo, a última performance indicada ao Oscar sob direção de Leigh foi em 2005, quando Imelda Staunton concorria por O Segredo de Vera Drake; e pra piorar, nenhum dos indicados ganhou até agora.

MELHOR ATRIZ
* Marion Cotillard (Era Uma Vez em Nova York/ Dois Dias, Uma Noite)

Marion Cotillard (Dois Dias, Uma Noite) - photo by outnow.ch

Marion Cotillard (Dois Dias, Uma Noite) – photo by outnow.ch

Quase todo ano (culpem a indústria machista, talvez?), a corrida para Melhor Atriz anda fraca. Se não é uma Meryl Streep ou uma Judi Dench pra salvar, o que seria desta categoria? Ao contrário da ala masculina, não existem favoritas, e isso pode favorecer a francesa Marion Cotillard, que venceu por duas performances: uma sob a direção de James Gray, e a outra dos irmãos Dardenne. Trata-se de uma atriz bastante versátil que tem evoluído nas escolhas de papéis e nos sotaques em outros idiomas. Estava bastante cotada para vencer o prêmio de atriz em Cannes, mas foi preterida. Este é seu primeiro grande prêmio da temporada.

MELHOR ATOR COADJUVANTE
* J.K. Simmons (Whiplash: Em Busca da Perfeição)

J.K. Simmons em Whiplash: Em Busca da Perfeição (photo by elfilm.com)

J.K. Simmons em Whiplash: Em Busca da Perfeição (photo by elfilm.com)

Para a grande maioria do público, J.K. Simmons continua sendo o chefe de Peter Parker, na trilogia do Homem-Aranha de Sam Raimi: J.J. Jameson. Mas tem firmado uma colaboração forte com o diretor Jason Reitman, valorizando papéis menores em Obrigado por Fumar, Juno e Amor Sem Escalas, assim como nos filmes dos irmãos Coen: Matadores de Velhinhas e Queime Depois de Ler. Sua atuação como instrutor de bateria em Whiplash: Em Busca da Perfeição é uma das mais elogiadas do ano e é a indicação mais garantida até o momento. Na semana passada, recebeu uma indicação para o Independent Spirit Awards também.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
* Patricia Arquette (Boyhood: Da Infância à Juventude)

Patricia Arquette em Boyhood: Da Infância à Juventude (photo by elfilm.com)

Patricia Arquette em Boyhood: Da Infância à Juventude (photo by elfilm.com)

Embora as performances de Ellar Coltrane e Ethan Hawke sejam boas, a performance de Patricia Arquette é o grande coração da história de Boyhood. Ela faz a mãe, que enfrenta todas as adversidades de criar seus filhos solteira e depois fica indignada ao se despedir do filho que entra na faculdade. Só pela coragem de assumir um papel de 12 anos, pelo qual se comprometeu a não fazer modificação alguma no rosto devido à idade, já vale sua primeira indicação ao Oscar. Pode ser uma ótima oportunidade de alavancar a carreira de uma atriz que atuou em filmes cults como Ed Wood, Estrada Perdida e Amor à Queima Roupa.

MELHOR ROTEIRO
* Wes Anderson e Hugo Guinness (O Grande Hotel Budapeste)

Dono de um estilo próprio como diretor, Wes Anderson tem como principais atributos a sua direção de arte refinada e seus roteiros repletos de personagens excêntricos e situações inusitadas. Há tempos vem merecendo um prêmio de maior expressividade na categoria, e com O Grande Hotel Budapeste, os louros finalmente podem vir.

À esquerda, Ralph Fiennes como o concierge Gustave com o seu leal lobby boy Zero, interpretado por Tony Revolori (photo by outnow.ch)

À esquerda, Ralph Fiennes como o concierge Gustave com o seu leal lobby boy Zero, interpretado por Tony Revolori em O Grande Hotel Budapeste (photo by outnow.ch)

MELHOR FOTOGRAFIA
* Darius Khondji (Era Uma Vez em Nova York)

Fotografia de Darius Khondji em Era Uma Vez em Nova York (photo by elfilm.com)

Fotografia de Darius Khondji em Era Uma Vez em Nova York (photo by elfilm.com)

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
* Ida, de Pawel Pawlikowski – POLÔNIA

Olha, o filme pode até ser ótimo, mas só o fato de ser sobre judeus e nazismo, já me causa um bocejo do tipo: “De novo?”. Pra dar uma incrementada maior ainda, Ida é um filme preto-e-branco polonês. É figura garantida entre os cinco indicados a Melhor Filme em Língua Estrangeira no Oscar.

O polonês Ida, de Pawel Pawlikowski. Temática judia leva vantagem automática. (photo by outnow.ch)

O polonês Ida, de Pawel Pawlikowski. Temática judia leva vantagem automática. (photo by outnow.ch)

MELHOR ANIMAÇÃO
* Uma Aventura Lego, de Phil Lord e Christopher Miller

Misturebas no Lego em Uma Aventura Lego (photo by outnow.ch)

Misturebas no Lego em Uma Aventura Lego (photo by outnow.ch)

A dupla de responsável pela animação Tá Chovendo Hambúrguer e pelos dois Anjos da Lei recebeu inúmeras críticas positivas por este novo trabalho de animação que usa o brinquedo Lego como base. Vale pela mistura de universos como o de Batman com o das Tartarugas Ninja, por exemplo, mas é mais para o público infantil, pois não tem a mais sutileza da trilogia Toy Story.

MELHOR DOCUMENTÁRIO
* Citizenfour, de Laura Poitras

O documentário já apresenta um tema polêmico ainda em pauta: Edward Snowden, o ex-agente da CIA e NSA, que tornou público os programas de vigilância global da agência, e que por isso, permanece refugiado em território russo. A documentarista fez uma série de entrevistas com Snowden, enquanto tenta dissecar a questão da segurança e privacidade no mundo após os atentados terroristas de 11 de setembro. Alguns estão aclamando como um dos melhores documentários para entendermos este início do século XXI, o que não pode ser diminuído caso seja eliminado da corrida ao Oscar por causa do conservadorismo dos membros da Academia.

MELHOR FILME DE ESTRÉIA
* The Babadook, de Jennifer Kent

The Babadook (photo by outnow.ch)

Cena de The Babadook (photo by outnow.ch)

O prêmio para a estreante Jennifer Kent não deixa de ser um destaque merecido, já que se trata de um filme de terror. Sim, um filme de terror, gênero mal visto por boa parte da crítica, e dirigido por uma mulher! Em tempos de ausência de mestres do terror como John Carpenter ou excesso de terror na linha “gore”, um terror psicológico na linha do sugestivo está cada vez mais raro e merece ser tal honraria para conquistar mais público. Jennifer Kent vem trazer sobrevida ao gênero, que está se desgastando ao depender só de talentos como os de James Wan (Sobrenatural e Invocação do Mal).


Trailer de The Babadook

PRÊMIO ESPECIAL
* Adrienne Mancia

—–

Algumas das ausências mais sentidas são a de Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo, Birdman e O Jogo da Imitação, que recentemente levou 4 prêmios do Hollywood Awards. Especialistas estão apostando que Birdman será compensando pelos críticos de Los Angeles (LAFCA), cujos vencedores serão anunciados no próximo dia 07.

Definidos 9 semi-finalistas para Filme Estrangeiro no Oscar 2014. Brasileiro “O Som ao Redor” fica de fora

Michael Haneke recebendo o Oscar de Filme Estrangeiro das mãos de Jennifer Garner (photo by umikarahajimaru.at.webry.info)

Michael Haneke recebendo o Oscar de Filme Estrangeiro das mãos de Jennifer Garner (photo by umikarahajimaru.at.webry.info)

Seguindo o calendário da categoria de Melhor Filme Estrangeiro, a Academia divulgou os nove semi-finalistas que disputarão as cinco indicações. Trata-se de uma vitória e tanto estar entre esses nove, afinal havia 76 filmes de várias partes do mundo concorrendo às 5 vagas acirradas.

Sem delongas, eis os nove selecionados:

  • The Broken Circle Breakdown, de Felix van Groeningen (BÉLGICA)
  • An Episode in the Life of an Iron Picker, de Danis Tanovic (BÓSNIA E HERZEGOVINA)
  • The Missing Picture, de Rithy Panh (CAMBOJA)
  • A Caça, de Thomas Vinterberg (DINAMARCA)
  • Two Lives, de Georg Maas (ALEMANHA)
  • O Grande Mestre, de Wong Kar-wai (HONG KONG)
  • The Notebook, de Janós Szász (HUNGRIA)
  • A Grande Beleza, de Paolo Sorrentino (ITÁLIA)
  • Omar, de Hany Abu-Assad (PALESTINA)

Logo de cara, a ausência mais sentida é a de Azul é a Cor Mais Quente, de Abdellatif Kechiche. Depois de ter vencido a Palma de Ouro em Cannes, o filme vem conquistando vários prêmios, inclusive foi indicado ao Globo de Ouro e recentemente o Critics’ Choice Award. Contudo, devido às regras ultrapassadas da Academia, o filme não pôde representar a França na categoria de Filme Estrangeiro por não ter estreado em seu país até setembro deste ano. Pode concorrer ainda por outras categorias como Atriz (Adèle Exarchopoulos), Atriz Coadjuvante (Léa Seydoux) e Roteiro Adaptado. O representante da França, Renoir, de Gilles Bourdos, ficou de fora da corrida.

Azul é a Cor Mais Quente, de Abdellatif Kechiche: Fora do Oscar de Filme Estrangeiro (photo by www.elfilm.com)

Azul é a Cor Mais Quente, de Abdellatif Kechiche: Fora do Oscar de Filme Estrangeiro (photo by http://www.elfilm.com)

Por um lado, fico triste pela ausência do filme na disputa pela redução na qualidade da categoria, mas por outro lado, conhecendo o conservadorismo dos votantes da Academia (um bando de velhos viciado em filmes sobre o Holocausto), tenho quase certeza de que o filme francês não teria chances reais de Oscar por sua temática homossexual e cenas longas e praticamente explícitas de sexo. Os mesmos votantes homofóbicos que preteriram O Segredo de Brokeback Mountain, sobre o amor entre dois caubóis, certamente tirariam Azul é a Cor Mais Quente da jogada.

BÉLGICA: Broken Circle Breakdown, de

BÉLGICA: The Broken Circle Breakdown, de Felix van Groeningen

O fato de vários filmes aclamados pela crítica ficarem de fora nos últimos anos, como em 2003 o espanhol Fale com Ela, de Pedro Almodóvar, tem chamado a atenção para alterações nos protocolos do Oscar. Em outubro, o presidente do comitê de filmes estrangeiros, Mark Johnson, prometeu que faria “mudanças radicais”, mas infelizmente, a alteração mais significativa não deu conta do recado. Os votantes teriam direito a eleger seis produções, e a comissão elegeria os outros três tendo como base o reconhecimento da crítica e dos festivais.

An Episode of an Iron Picker, de Danis Tanovic (photo by http://www.berlinale.de/)

BÓSNIA E HERZEGOVINA: An Episode of an Iron Picker, de Danis Tanovic (photo by http://www.berlinale.de/)

Tal “radicalismo” está longe de ser a tão sonhada reforma das regras da categoria para filmes estrangeiros. Primeiramente, devido ao crescente número de concorrentes, deveriam estender o número de indicados para dez. Se em toda cerimônia, eles se gabam de que há bilhões de pessoas assistindo ao redor do mundo, por que não agradar os cinéfilos e cineastas fora dos Estados Unidos?

The Missing Picture, de Rithy Panh, que levou o Un Certain Regard

CAMBOJA: The Missing Picture, de Rithy Panh, que levou o Un Certain Regard

Então, dessas dez produções, 5 deveriam vir dos mais bem votados pelos críticos americanos (a média geral do NYFCC, LAFCA e demais estados e do National Board of Review), valorizando o trabalho dessas associações que visam destacar os melhores filmes do ano, e os outros 5 seriam eleitos pelo modo convencional de triagem. MAS de forma que facilite a vida dos votantes que trabalham, disponibilizando cópias de DVD/Blu-Ray, pois do jeito que está, com sessões vespertinas, apenas membros aposentados votam, elegendo filmes de temática judaica, 2ª Guerra Mundial e com quase zero de violência e sexo. Praticamente uma censura da época da ditadura militar.

DINAMARCA: A Caça, de Thomas Vinterberg (photo by www.elfilm.com)

DINAMARCA: A Caça, de Thomas Vinterberg (photo by http://www.elfilm.com)

Os comitês que elegem os representantes de cada país já conhecem esse sistema, e por isso, costumam selecionar produções com roteiros nessa direção. Até mesmo o Brasil enviou em 2006: O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, de Cao Hamburger, e em 2004: Olga, de Jayme Monjardim. O primeiro chegou a passar entre os semi-finalistas, mas não obteve a indicação. O Brasil não tem um filme indicado desde 1999, quando Central do Brasil concorreu também por Melhor Atriz para Fernanda Montenegro.

ALEMANHA: Two Lives, Georg Mass (photo by www.cinemagia.ro)

ALEMANHA: Two Lives, Georg Mass (photo by http://www.cinemagia.ro)

Claro que essa sugestão seria uma utopia no momento, mas os próprios membros do comitê de Filme Estrangeiro almejam mudanças há tempos. Acho que só precisam encontrar o meio certo para que a categoria se torne mais abrangente e justa. Espero que até o centenário do Oscar (estamos na 86ª edição), esse empecilho já esteja resolvido, pois o cinema americano anda cada vez mais dependente de produções estrangeiras como fonte de inspiração (vide as quinhentas refilmagens) e dos próprios profissionais estrangeiros que recebem oportunidade de trabalhar na indústria hollywoodiana.

The Grandmaster, de Wong Kar-Wai (photo by www.berlinale.de)

HONG KONG: The Grandmaster, de Wong Kar-Wai (photo by http://www.berlinale.de)

Enquanto esse impasse não é resolvido, o jeito é analisar a lista dos nove pré-selecionados. Temos as ausências significativas de The Past, de Asghar Farhadi (Irã), O Sonho de Wadjda, de Haifaa Al-Mansour (Arábia Saudita), Gloria, de Sebastián Lelio (Chile), Instinto Materno, de Calin Peter Netzer (Romênia), The Rocket, de Kim Mordaunt (Austrália) e do brasileiro O Som ao Redor, de Kleber Mendonça Filho. Gostaria muito que o filme nacional fosse escolhido para incentivar produções independentes brasileiras e a produção cinematográfica atual, que depende demais de incentivos fiscais de empresas desinteressadas e do império da Globo Filmes, que tem feito TV no Cinema.

HUNGRIA: The Notebook, de Janós (photo by www.elfilm.com)

HUNGRIA: The Notebook, de Janós Szász (photo by http://www.elfilm.com)

Dentre os semi-finalistas, é curioso adivinhar qual filme foi escolhido pelos votantes (os judeus idosos) e pelo comitê (baseado no reconhecimento da crítica).

1. The Broken Circle Breakdown, de Felix van Groeningen (BÉLGICA)
Filme sobre diferenças religiosas numa família. COMITÊ

2. An Episode in the Life of an Iron Picker, de Danis Tanovic (BÓSNIA E HERZEGOVINA)
História real de um catador de lixo que luta por tratamento médico para sua esposa doente. VOTANTES

3. The Missing Picture, de Rithy Panh (CAMBOJA)
Documentário sobre as atrocidades do Khmer Vermelho no Camboja utilizando bonecos de argila. Venceu o prêmio Un Certain Regard no último Festival de Cannes. VOTANTES

4. A Caça, de Thomas Vinterberg (DINAMARCA)
Um homem é acusado de pedofilia numa pequena cidade. Indicado à Palma de Ouro, e Mads Mikkelsen ganhou o prêmio de Melhor Ator em Cannes. COMITÊ

5. Two Lives, de Georg Maas (ALEMANHA)
Uma mulher esconde sua identidade para desvendar segredo que envolve a 2ª Guerra Mundial. VOTANTES

6. O Grande Mestre, de Wong Kar-wai (HONG KONG)
História sobre a vida do mestre em artes marciais, Ip Man, que treinou Bruce Lee. VOTANTES

7. The Notebook, de Janos Szasz (HUNGRIA)
Os horrores da 2ª Guerra Mundial na visão de dois irmãos gêmeos de 13 anos. VOTANTES

8. A Grande Beleza, de Paolo Sorrentino (ITÁLIA)
Depois da morte de um amor antigo, escritor passa por crise existencial em Roma. Foi indicado à Palma de Ouro e o Globo de Ouro. COMITÊ

9. Omar, de Hany Abu-Assad (PALESTINA)
Estudo da vida e relações entre a fronteira palestina. VOTANTES

ITÁLIA: A Grande Beleza, de Paolo Sorrentino (photo by www.elfilm.com)

ITÁLIA: A Grande Beleza, de Paolo Sorrentino (photo by http://www.elfilm.com)

Claro que o fato de ter sido escolhido pelos votantes conservadores não significa que o filme seja ruim. Às vezes, eles acertam como nas recentes vitórias de A Vida dos Outros em 2007, e O Segredo dos Seus Olhos em 2010. Mas denota uma fixação doentia por roteiros que envolvam fatos históricos como a guerra. Vamos virar o disco?

As indicações que revelarão os cinco escolhidos serão anunciadas no dia 16 de janeiro.

PALESTINA: Omar, de (photo by www.outnow.ch)

PALESTINA: Omar, de Hany Abu-Assad (photo by http://www.outnow.ch)

Apostas para as Indicações ao Globo de Ouro 2014

Cédula de votação: Você está pronto para mais uma temporada? (photo by blog.2shopper.com)

Cédula de votação: Você está pronto para mais uma temporada? (photo by blog.2shopper.com)

INDICAÇÕES AO GLOBO DE OURO SERÃO ANUNCIADAS NESTE DIA 12

Apesar do Globo de Ouro poder prestigiar mais filmes do que o Oscar por dividir em duas categorias (drama e musical/comédia), este ano a tarefa para encaixar os filmes está mais complexa. De longe, Álbum de Família, O Lobo de Wall Street e Ela seriam candidatos a Melhor Drama, mas ambos possuem veia cômica que lhes qualificariam também como comédia.

Na dúvida, os membros votantes da HPFA (Hollywood Foreign Press Association) acabam consultando os lobbistas que procuram as categorias que mais favorecem seus protegidos. Com a categoria Drama bastante concorrida, provavelmente Leonardo DiCaprio (O Lobo de Wall Street) será gentilmente deslocado para Comédia/Musical, onde suas chances de vitória seriam bem maiores. Além disso, seria curioso premiar uma comédia dirigida por Martin Scorsese, que não trabalha no gênero desde 1982 com O Rei da Comédia.

Cenas cômicas de O Lobo de Wall Street permitem mudança de categoria (photo by www.outnow.ch)

Cenas cômicas de O Lobo de Wall Street permitem mudança de categoria (photo by http://www.outnow.ch)

Como aconteceu no ano passado com Django Livre e A Hora Mais Escura, alguns filmes podem ser prejudicados pelo lançamento tardio. Apesar de alguns votantes terem o privilégio de conferir o filme, a crítica e o público deixariam de impulsionar o hype dos candidatos atrasados. O próprio O Lobo de Wall Street e Álbum de Família só estrearão nos EUA no dia 25 de dezembro, enquanto Trapaça será lançado um pouco antes, no dia 20. Essa estratégia de lançamento nas últimas semanas de dezembro visa deixar o filme mais fresco na memória dos votantes, aumentando, pela lógica, suas chances de vitória tanto no Globo de Ouro como no SAG e o Oscar.

Os palpites abaixo são baseados em burburinhos de sites e algumas premiações da crítica como o NYFCC, National Board of Review e LAFCA. Apesar de bem comentadas, tive que cortar algumas performances como a de Tom Hanks (Capitão Phillips) devido ao alto nível dos competidores como na categoria de Melhor Ator – Drama, que já estou apostando que o Globo de Ouro expandirá para seis indicados na tentativa de ser mais justo, assim como na categoria dos diretores. Seria crueldade eliminar Spike Jonze por seu novo trabalho futurista Ela, que acabou de faturar o National Board of Review e o LAFCA Award.

Pela competitividade, também não incluiria Oprah Winfrey. Seu papel e atuação como a mulher do mordomo Cecil Gaines em O Mordomo da Casa Branca não tem a profundidade necessária para tal reconhecimento. MAS, como o Globo de Ouro vive de celebridades no tapete vermelho, ela pode dar o ar da graça.

Estou torcendo pelas indicações das atrizes estrangeiras Adèle Exarchopoulos, por Azul é a Cor Mais Quente, pelo qual ganhou o LAFCA, e Bérénice Bejo, por The Past, pela qual levou o prêmio de interpretação feminina em Cannes. Embora tenham nome para sustentar uma indicação, excluí de última hora Naomi Watts (Diana) e Kate Winslet (Refém da Paixão) por não haver muito burburinho referente às suas performances. Apesar da categoria de Melhor Atriz – Comédia ou Musical possivelmente contar com nomes de peso como Meryl Streep, Emma Thompson e Cate Blanchett, adoraria ver a jovem Greta Gerwig na competição por sua performance apaixonante no independente Frances Ha.

Sorriso gostoso: Greta Gerwig pode receber sua primeira indicação ao Globo de Ouro (photo by www.outnow.ch)

Sorriso gostoso: Greta Gerwig pode receber sua primeira indicação ao Globo de Ouro por Frances Ha (photo by http://www.outnow.ch)

Entre os atores, gostaria de ver o jovem Michael B. Jordan entre os indicados. Ele tem vencido vários prêmios de Ator – Revelação pelo drama independente Fruitvale Station: A Última Parada, mas reconheço que o páreo está duríssimo este ano com Bruce Dern, Matthew McConaughey, Chiwetel Ejiofor e Robert Redford praticamente garantidos nas vagas. O mesmo vale para outra revelação que atende pelo nome de Oscar Isaac, que até pouco tempo atrás era mero coadjuvante em produções como Drive (2011) e Robin Hood (2010). Ele deve figurar na categoria Melhor Ator – Comédia/Musical pelo novo filme dos irmãos Coen, Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum.

Na categoria de Filme Estrangeiro, todos os cinco selecionados estão bem cotados para levar a indicação. Curiosamente, o filme que tem mais chance de vitória é o único que não pode ganhar o Oscar. Azul é a Cor Mais Quente não foi selecionado pela França para disputar o prêmio da Academia por motivos de qualificação arcaica, mas nem isso deve abalar seu favoritismo no Globo de Ouro.

Favorito na categoria de Filme Estrangeiro: o francês Azul é a Cor Mais Quente, de Abdellatif Kechiche (photo by www.outnow.ch)

Favorito na categoria de Filme Estrangeiro: o francês Azul é a Cor Mais Quente, de Abdellatif Kechiche (photo by http://www.outnow.ch)

Já entre as animações, existe forte possibilidade de haver dois trabalhos estrangeiros na categoria. O francês Ernest & Celestine, que ganhou o LAFCA, e o japonês O Vento Está Soprando, que levou o NYFCC e o NBR. Desde que a categoria foi criada em 2007, o prêmio de Melhor Animação nunca foi concedido a uma produção em língua estrangeira.

Como mencionado anteriormente no post, alguns filmes podem sofrer mudanças de categoria de Drama para Comédia/Musical e vice-versa. Agora, sem mais delongas, vamos aos palpites:

MELHOR FILME – DRAMA
– 12 Years a Slave
– Trapaça (American Hustle)
– Capitão Phillips (Captain Phillips)
– Gravidade (Gravity)
– Nebraska

MELHOR FILME – COMÉDIA OU MUSICAL
– Álbum de Família (August: Osage County)
– Blue Jasmine (Blue Jasmine)
– Ela (Her)
– Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum (Inside Llewyn Davis)
– O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street)

MELHOR DIRETOR
– Alfonso Cuarón (Gravidade)
– Paul Greengrass (Capitão Phillips)
– Spike Jonze (Ela)
– Steve McQueen (12 Years a Slave)
– Alexander Payne (Nebraska)
– David O. Russell (Trapaça)

MELHOR ATOR – DRAMA
– Bruce Dern (Nebraska)
– Chiwetel Ejiofor (12 Years a Slave)
– Michael B. Jordan (Fruitvale Station: A Última Parada)
– Matthew McConaughey (Dallas Buyers Club)
– Robert Redford (All is Lost)
– Forest Whitaker (O Mordomo da Casa Branca)

MELHOR ATRIZ – DRAMA
– Bérénice Bejo (The Past)
– Sandra Bullock (Gravidade)
– Judi Dench (Philomena)
– Adèle Exarchopoulos (Azul é a Cor Mais Quente)
– Brie Larson (Short Term 12)

MELHOR ATOR – COMÉDIA OU MUSICAL
– Leonardo DiCaprio (O Lobo de Wall Street)
– Ethan Hawke (Antes da Meia-Noite)
– Oscar Isaac (Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum)
– Joaquin Phoenix (Ela)
– Ben Stiller (A Vida Secreta de Walter Mitty)

MELHOR ATRIZ – COMÉDIA OU MUSICAL
– Cate Blanchett (Blue Jasmine)
– Julie Delpy (Antes da Meia-Noite)
– Greta Gerwig (Frances Ha)
– Emma Thompson (Walt nos Bastidores de Mary Poppins)
– Meryl Streep (Álbum de Família)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
– Daniel Brühl (Rush: No Limite da Emoção)
– Michael Fassbender (12 Years a Slave)
– Tom Hanks (Walt nos Bastidores de Mary Poppins)
– Jonah Hill (O Lobo de Wall Street)
– Jared Leto (Dallas Buyers Club)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
– Julia Roberts (Álbum de Família)
– Jennifer Lawrence (Trapaça)
– Lupita N’Yongo (12 Years a Slave)
– Octavia Spencer (Fruitvale Station: A Última Parada)
– June Squibb (Nebraska)
– Oprah Winfrey (O Mordomo da Casa Branca)

MELHOR ROTEIRO
– John Ridley (12 Years a Slave)
– Terence Winter (O Lobo de Wall Street)
– Spike Jonze (Ela)
– Joel Coen e Ethan Coen (Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum)
– Bob Nelson (Nebraska)
– David O. Russell (Trapaça)

MELHOR TRILHA MUSICAL ORIGINAL
– Hans Zimmer (12 Years a Slave)
– Randy Newman (Universidade Monstros)
– Steven Price (Gravidade)
– Alexandre Desplat (Philomena)
– Thomas Newman (Walt nos Bastidores de Mary Poppins)

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“Atlas”, de Guy Berryman, Jonny Buckland, Will Champion e Chris Martin (Jogos Vorazes: Em Chamas)
“In the Middle of the Night”, de Fantastia Barrino (O Mordomo da Casa Branca)
“Let it Go”, de Robert Lopez e Kristen Anderson-Lopez (Frozen: Uma Aventura Congelante)
“Ordinary Love”, de U2 (Mandela: Long Walk to Freedom)
“Young & Beautiful”, de Lana Del Rey (O Grande Gatsby)

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Azul é a Cor Mais Quente, de Abdellatif Kechiche (França)
A Caça, de Thomas Vinterberg (Dinamarca)
Gloria, de Sebastián Lelio (Chile)
O Grande Mestre, de Wong Kar-Wai (Hong Kong)
O Sonho de Wadjda, de Haifaa Al-Mansour (Arábia Saudita)

MELHOR ANIMAÇÃO
Os Croods, de Kirk De Micco e Chris Sanders
Ernest & Celestine, de Stéphane Aubier, Vincent Patar, Bejamin Renner
Frozen: Uma Aventura Congelante, de Chris Buck e Jennifer Lee
Universidade Monstros, de Dan Scanlon
O Vento Está Soprando, de Hayao Miyazaki

As indicações do Globo de Ouro serão divulgadas no próximo dia 12.

Angelina Jolie, Angela Lansbury, Steve Martin e Piero Tosi recebem homenagem no Governors Awards da Academia

Angela Lansbury, Steve Martin e Angelina Jolie serão homenageados juntamente com o figurinista italiano Piero Tosi (photo by www.hollywoodreporter.com)

Angela Lansbury, Steve Martin e Angelina Jolie serão homenageados juntamente com o figurinista italiano Piero Tosi (photo by http://www.hollywoodreporter.com)

A Academia anunciou nessa última quinta-feira, dia 05 de setembro, que Steve Martin, Angela Lunsbury e o figurinista Piero Tosi receberão Oscars Honorários e a atriz Angelina Jolie será homenageada pelo Jean Hersholt Humanitarian Award na 5ª edição do Governors Awards, a ser realizado no dia 16 de novembro no Ray Dolby Ballroom no Hollywood & Highland Center.

Desde 2009, a Academia decidiu realizar a entrega dos prêmios especiais numa cerimônia à parte. Essa mudança causou discordância em alguns membros, mas depois acabou sendo bem aceita, como explica a presidente Cheryl Boone Isaacs : “Ao separarmos uma noite só para a homenagem tornou todo mundo mais envolvido com esses prêmios do que era antes. O evento torna os prêmios mais próximos e pessoais.”

Essa decisão se mostra certeira e benéfica para todos os interesses, afinal, além de haver mais tempo para salutar os homenageados numa noite só deles, ainda evita de consumir muito tempo da cerimônia de entrega de premiação do Oscar (que já é “um pouco” longa). Atualmente, uma montagem rápida do evento é mostrada ao vivo e, em seguida, os vencedores recebem uma salva de palmas dos presentes no Dolby Theater durante a cerimônia do Oscar.

Sobre a seleção dos homenageados, temos escolhas interessantes que demonstra reconhecimento que pode não vir mais da forma convencional, ou seja, através de competição oficial. Nesse quesito, encaixam-se os atores Angela Lunsbury e Steve Martin.

Angela Lansbury

Angela Lansbury

Aos 87, esta atriz inglesa recebeu três indicações ao Oscar de coadjuvante. Em 1945, por À Meia-Luz, em 1946, por O Retrato de Dorian Gray, e em 1963 por Sob o Domínio do Mal. Com uma carreira sólida no cinema, porém limitada a papéis de matriarca, Lansbury migra de forma bem-sucedida para a série de TV policial Assassinato por Escrito, pela qual ela ganhou 4 Globos de Ouro entre os anos 80 e 90. Para o público mais recente, ela ficou conhecida pela voz de Mrs. Potts, o bule feminino da animação A Bela e a Fera (1991).

Steve Martin (photo by www.empireonline.com)

Steve Martin (photo by http://www.empireonline.com)

Já Steve Martin nunca recebeu indicação do Oscar, porém já foi três vezes host: em 2001, 2003 e 2010 (ao lado de Alec Baldwin). Apesar de não aparentar a idade, ele já completou 68 anos e está longe daquele ator que costumava embarcar em projetos mais ambiciosos e ousados como O Panaca (1979) e Cliente Morto Não Paga (1982) em parceria com o diretor Carl Reiner.

Vale lembrar também seu sucesso na comédia Três Amigos! (1986) ao lado de Chevy Chase e Martin Short, e na adaptação livre que também escreveu da peça Cyrano de Bergerac, de Edmond Rostand, Roxanne (1987). Sua performance lhe rendeu o prêmio de Melhor Ator pelo Los Angeles Film Critics Association. Pelo Globo de Ouro, recebeu 5 indicações, todos como Melhor Ator – Comédia ou Musical: Dinheiro do Céu (1981), Um Espírito Baixou em Mim (1984), Roxanne (1987), O Tiro que Não Saiu Pela Culatra (1989) e O Pai da Noiva 2 (1995), mas nunca ganhou. Curiosamente, foi roteirista e ator do curta-metragem indicado ao Oscar, The Absent-Minded Waiter, de 1977.

Piero Tosi em estúdio (photo by www.port-magazine.com)

Piero Tosi no Ateliê Tirelli (photo by http://www.port-magazine.com)

Aos 86, o figurinista italiano Piero Tosi tornou-se imortalizado pelas colaborações com o diretor Luchino Visconti em clássicos europeus como Um Rosto na Noite (1957) e Rocco e Seus Irmãos (1960). Essa parceria lhe rendeu três indicações ao Oscar por O Leopardo (1963), Morte em Veneza (1971) e Ludwig (1972). Também foi indicado em mais duas oportunidades: em 1980 por A Gaiola das Loucas, de Edouard Molinaro, e em 1983 por La Traviatta, de Franco Zeffirelli. Infelizmente, nunca levou uma estatueta do Oscar, mas merecia pelo impacto que seus figurinos causavam nos filmes. Certamente, trata-se de um dos maiores figurinistas do cinema que pertenceram à geração de Danilo Donati, Piero Gherardi, Anthony Powell e Edith Head.

Angelina Jolie no pôster do filme Malévola (2014) (photo by www.clubfashonista.com)

Angelina Jolie no pôster do filme Malévola (2014) (photo by http://www.clubfashionista.com)

Apesar de ser uma celebridade hollywoodiana e inclusive vencedora do Oscar por Garota, Interrompida em 2000, Angelina Jolie talvez seja mais conhecida por seu trabalho humanitário. Defensora do Iniciativa da Prevenção da Violência Sexual, Conselheira em Relações Estrangeiras e Oficial da ONU na Comissão de Refugiados, Angelina também procura passar mensagens humanitárias através de seus filmes como O Preço da Coragem (2007) e em sua estréia na direção com Na Terra de Amor e Ódio (2011), que foi indicado como Melhor Filme em Língua Estrangeira no Globo de Ouro. Ao lado do parceiro Brad Pitt, a atriz já declarou que pensa em se ausentar das telas por um tempo enquanto seus filhos ingressam na adolescência, porém Jolie já tem contrato para as sequências Kung Fu Panda 3 e Salt 2, além disso, seu próximo filme Malévola deve estrear em 2014.

Entre os vencedores dos últimos Oscars Honorários premiados no Governors Awards estão nomes de peso como Jean-Luc Godard, Roger Corman, Lauren Bacall e Eli Wallach. Já pelo Jean Hersholt, os vencedores incluem Oprah Winfrey, Jerry Lewis e Elizabeth Taylor.

Nove filmes estrangeiros em disputa para o Oscar 2013

O único representante do continente sul-americano: o chileno No, de Pablo Larraín, estrelado por Gael García Bernal

O único representante do continente sul-americano: o chileno No, de Pablo Larraín, estrelado por Gael García Bernal

Seguindo uma tradição rigorosa, os membros da Academia selecionaram os nove filmes semi-finalistas (de uma lista recordista de 71 filmes inscritos) na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. Como muitos especialistas previram, o representante austríaco, Amour, e o francês, Intocáveis, estão nessa lista e já asseguram sua vaga na cerimônia.

Como já reportado aqui no blog, Amour, de Michael Haneke, que teve sua grande estréia no último Festival de Cannes, de onde saiu premiado com a Palma de Ouro, vem conquistando inúmeros prêmios da crítica internacional, como o LAFCA, NYFCC e o National Board of Review, por seu retrato do amor na terceira idade. Claro que, em se tratando de Haneke na direção, pode-se esperar sentimentos atípicos e brutais.

O estrondoso sucesso de público de Intocáveis também não poderia passar desapercebido. A relação incomum entre um aristocrata tetraplégico caucasiano e um rapaz de classe baixa negro quebrou alguns preconceitos e comoveu o grande público. Com certeza, incontáveis fãs do longa ficarão na torcida quando o envelope for aberto.

As outras três indicações estão em aberto. Contudo, um ou outro tem mais vantagens por ter sido mais comentado ou reconhecido pela crítica, como são os casos do dinamarquês O Amante da Rainha e do romeno Além das Montanhas, que saiu de Cannes com os prêmios de Melhor Roteiro e Melhor Atriz para a dupla Cosmina Stratan e Cristina Flutur. Na lista do National Board of Review e vencedor de Melhor Atriz no último Festival de Berlim, o canadense War Witch, de Kim Nguyen, tem boas chances com a história da menina de 14 anos que convive em meio à guerrilha na África.

Além das Montanhas, de Cristian Mungiu, representando a Romênia através de uma história verídica de exorcismo (foto por cine.gr)

Além das Montanhas, de Cristian Mungiu, representando a Romênia através de uma história verídica de exorcismo (foto por cine.gr)

O islandês The Deep é baseado numa história verídica de sobrevivência de um pescador em meio à congelante costa sul da Islândia. Já o representante da Noruega, Kon-Tiki, relata os esforços do explorador Thor Heyerdahl, que em 1947, atravessou o Oceano Pacífico todo numa balsa de madeira para provar que sul-americanos poderiam ter feito o mesmo para chegar às ilhas Polinésias em tempos de pré-Colombo. E o suíço Sister centra numa história de um menino que sustenta sua irmã mais velha roubando pertences de ricos num resort de esqui. O filme de Ursula Meier levou o Urso de Prata no último Festival de Berlim e conta com a bela Léa Seydoux.

Sister, de Ursula Meier: representante da Suíça com a belíssima Léa Seydoux

Sister, de Ursula Meier: representante da Suíça com a belíssima Léa Seydoux

Seguem os semi-finalistas para Melhor Filme Estrangeiro:

Amour, de Michael Haneke (Áustria)

War Witch (Rebelle), de Kim Nguyen (Canadá)

No, de Pablo Larraín (Chile)

O Amante da Rainha (En kongelig affære), de Nikolaj Arcel (Dinamarca)

Intocáveis (Intouchables), de Olivier Nakache e Eric Toledano (França)

The Deep (Djúpið), de Baltasar Kormákur (Islândia)

Kon-Tiki, de Joachim Rønning e Espen Sandberg (Noruega)

Além das Montanhas (Dupa Dealuri), de Cristian Mungiu (Romênia)

Sister (L’enfant d’en haut), de Ursula Meier (Suíça)

Em janeiro, esses nove filmes serão projetos em três dias para membros do comitê de Filmes Estrangeiros em Los Angeles e Nova York para então decidirem os cinco finalistas.

Infelizmente, o representante brasileiro O Palhaço, de Selton Mello, ficou de fora. Apesar de conter uma “brasilidade” no ambiente circense do cenário de interior do Brasil e com personagens andarilhos, o filme não conseguiu cativar os membros da comissão. A última vez que o país ficou entre os indicados foi em 1999 com Central do Brasil, de Walter Salles. E a última vez entre os semi-finalistas foi em 2007, com O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, de Cao Hamburger.

Cheguei a ler algumas críticas boas de críticos americanos do filme Heleno, de José Henrique Fonseca, perguntando-se o porquê o filme não foi selecionado para concorrer ao Oscar, já que reconstrói a biografia do jogador de futebol Heleno de Freitas com a ajuda de Rodrigo Santoro, um ator reconhecido internacionalmente. Mas, mesmo que a escolha fosse alterada, não acredito que faria muita diferença, porque a concorrência de filmes estrangeiros este ano está muito acirrada. E, apesar da fama de Santoro, acho que O Palhaço tem uma boa mistura da cultura brasileira com a linguagem universal.

Algumas ausências notáveis foram dos representantes da Itália (César Deve Morrer, dos irmãos Taviani), da Alemanha (Barbara, de Christian Petzold), da Suécia (The Hypnotist, de Lasse Hallström) e da Coréia do Sul (Pieta, de Kim Ki-duk). A ausência desse último, embora tenha vencido o Leão de Ouro no último Festival de Veneza, explica-se pela crueldade e brutalidade da história, que costuma horrorizar os votantes mais idosos da Academia.

As indicações ao Oscar 2013 serão divulgadas no dia 10 de janeiro.

O islandês The Deep

O islandês The Deep e sua história de sobrevivência (foto por Cine.gr)

O norueguês Kon-Tiki, que tem belas imagens que remetem a Náufrago e A Lagoa Azul

O norueguês Kon-Tiki, que tem belas imagens que remetem a Náufrago e A Lagoa Azul (foto por OutNow.CH)

LAFCA Awards 2011

LAFCA Awards

Apesar da Associação de Críticos de Filmes de Los Angeles estar longe de ser uma prévia do Oscar, uma vez que apenas um filme coincidiu como Melhor Filme para ambos na última década – Guerra ao Terror, em 2009, suas escolhas como melhores do ano no Cinema acabam sempre entre os indicados da Academia. Se você pegar os eleitos da LAFCA desde sua fundação em 1975, perceberá que na maioria dos casos, os filmes e artistas eleitos trabalharam com temas bastante humanistas ou pelo menos, com ênfase na natureza humana.

Um Estranho no Ninho

Em 1975, Um Estranho no Ninho (One Flew Over the Cuckoo’s Nest) e Um Dia de Cão (Dog Day Afternoon)empataram como Melhor Filme. Para quem não conhece, o primeiro relata o caso de Randall McMurphy (vivido por Jack Nicholson) que, ao se fingir de louco para escapar do trabalho árduo da prisão, descobre as injustiças do sistema ditatorial de um hospício com seus pacientes, enquanto que o segundo conta a história verídica de um assaltante de banco (Al Pacino) que queria roubar apenas para poder pagar a operação de troca de sexo de seu parceiro. Percebe-se que essa seleção da LAFCA já se tornara padrão de qualidade desde o início e isso se permeou nas décadas seguintes.

Um Dia de Cão

Ao contrário da Academia, que muitas vezes premiou seus Melhores Filmes utilizando a grandiosidade do espetáculo como parâmetro de qualidade (vide Sinfonia de Paris (1951), O Maior Espetáculo da Terra (1952), A Volta ao Mundo em Oitenta Dias (1956), Oliver! (1968)e Dança com Lobos (1990)), a LAFCA prefere uma história bem contada, preferencialmente de temática humanista. Prova disso é a escolha da animação Wall-E como Melhor Filme de 2008.

Este ano, apesar de A Árvore da Vida ter levado 2 prêmios (Melhor Diretor e Roteiro), foi Os Descendentes, de Alexander Payne, que venceu como Melhor Filme. Toda a grandiosidade do tema do filme de Terrence Mallick sucumbiu diante do tema humano do filme de Payne que, com este prêmio, leva seu terceiro LAFCA de Melhor Filme (premiado antes por As Confissões de Schmidt e Sideways – Entre Umas e Outras).

Jeong-Hie Yun, em Poesia

Outra característica dos selecionados da LAFCA é o aumento de atores estrangeiros. As coreanas Jeong-Hie Yun e Hye-Ja Kim foram premiadas como Melhor Atriz este ano e ano passado, respectivamente, batendo favoritismos americanos como Natalie Portman, Meryl Streep e Annete Bening. Em 2009, o francês Niels Arestrup venceu como Ator Coadjuvante pelo ótimo O Profeta, desbancando Christian Bale e Geoffrey Rush, e a australiana Jackie Weaver, pelo Reino Animal, venceu a favorita Melissa Leo como Atriz Coadjuvante.

Jessica Chastain

Falando em Atriz Coadjuvante, a jovem atriz americana Jessica Chastain explodiu este ano, coincidindo várias produções lançadas no mesmo ano, tanto que a LAFCA fez questão de mencioná-las como forma de conjunto da obra. Pelo seu histórico, Chastain iniciou na carreira como dançarina de uma companhia de dança, partindo em seguida para o teatro shakespeariano, interpretando Juilliard em Romeu e Julieta. É sempre gratificante ver novos talentos surgindo diante de tantos atores medíocres atuais, que não merecem a atenção e o salário elevadíssimo. Na ala masculina, vale ressaltar o ótimo ator Michael Fassbender, que foi descoberto pelo filme independente Hunger, de Steve McQueen, de 2008. Apesar do ator alemão ter participado de grandes produções como 300 e Bastardos Inglórios, foi em papéis de filmes menores que Fassbender conseguiu maior reconhecimento, como na produção inglesa Fish Tank, de Andrea Arnold. Este ano, ele conciliou produções hollywoodianas com independentes. Soube dar a profundidade devida ao personagem Magneto do filme X-Men: Primeira Classe, não devendo nada à performance de Ian McKellen pelo mesmo papel nos filmes anteriores. E interpretou ninguém menos que Carl Jung no filme Um Método Perigoso, de David Cronnenberg.

MELHOR FILME

Os Descendentes, de Alexander Payne

2º Lugar: A Árvore da Vida, de Terrence Mallick

MELHOR DIRETOR

Terrence Mallick (A Árvore da Vida)

2º Lugar: Martin Scorsese (A Invenção de Hugo Cabret)

Michael Fassbender

MELHOR ATOR

Michael Fassbender (Shame) (Um Método Perigoso) (Jane Eyre) (X-Men: Primeira Classe)

2º Lugar:Michael Shannon (O Abrigo)

MELHOR ATRIZ

Jeong-Hie Yun (Poesia)

2º Lugar: Kirsten Dunst (Melancolia)

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)

2º Lugar: Patton Oswalt (Jovens Adultos)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Jessica Chastain (A Árvore da Vida) (Histórias Cruzadas) (O Abrigo) (Coriolanus) (No Limite da Mentira) (Em Busca de um Assassino)

2º Lugar: Janet McTeer (Albert Nobbs)

MELHOR ROTEIRO

Asghar Farhadi (A Separação)

2º Lugar: Alexander Payne, Nat Faxon e Jim Rash (Os Descendentes)

MELHOR FOTOGRAFIA

Emmanuel Lubezki (A Árvore da Vida)

2º Lugar: Cao Yu (The City of Life and Death)

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE

Dante Ferretti (A Invenção de Hugo Cabret)

2º Lugar: Maria Djurkovic (Tinker Taylor Soldier Spy)

MELHOR TRILHA MUSICAL

Hanna, de Joe Wright

The Chemical Brothers (Hanna)

2º Lugar: Cliff Martinez (Drive)

MELHOR FILME ESTRANGEIRO

The City of Life and Death, de Chuan Lu (China)

2º Lugar: A Separação, de Asghar Farhadi (Irã)

MELHOR DOCUMENTÁRIO

The Cave of Forgotten Dreams, de Werner Herzog

2º Lugar: The Arbor, de Clio Barnard

MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO

Rango, de Gore Verbinski

2º Lugar: As Aventuras de Tintim, de Steven Spielberg

NEW GENERATION Award

Antonio Campos, Sean Durkin, Josh Mond e Elizabeth Olsen (Martha Marcy May Marlene)

Doris Day

CAREER ACHIEVEMENT

Doris Day

THE DOUGLAS EDWARDS EXPERIMENTAL/ INDEPENDENT FILM/ VIDEO Award

Spark of Being, de Bill Morrison