104 Trilhas musicais pré-selecionadas para o Oscar 2013

O compositor e maestro John Williams conduz sua orquestra

O compositor e maestro John Williams conduz sua orquestra

Se você achava que 71 filmes estrangeiros disputando 5 vagas era um concorrência acirrada, o que dizer então das 104 trilhas musicais que foram pré-selecionadas para o Oscar?

Claro que alguns nomes dessa extensa lista são figurinhas carimbadas da Academia como é o caso de John Williams, o recordista de indicações com “apenas” 47. Ele tem praticamente uma cadeira cativa na Academia. Não tem quem preencher a última indicação? Chama o John Williams! Pode soar exagero, mas apesar da idade avançada, o compositor de tantos sucessos como Star Wars e Tubarão, continua dando um baile em muitos profissionais de renome da área.

Em termos de chances, alguns compositores previamente indicados ao Oscar estão na frente pela quantidade de trabalhos incluídos nessa lista. O artista que mais aparece é Danny Elfman, com suas cinco trilhas: Sombras da Noite, Frankenweenie, Hitchcock, Homens de Preto 3 e Promised Land. Ao todo, foi indicado quatro vezes ao Oscar por Homens de Preto, Gênio Indomável em 1998, Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas em 2004, e Milk – A Voz da Igualdade em 2009, mas nunca levou a estatueta.

O compositor francês Alexandre Desplat: 3 chances de concorrer ao Oscar

O compositor francês Alexandre Desplat: 3 chances de concorrer ao Oscar

Seguindo o mesmo jejum, o ótimo compositor francês Alexandre Desplat também teve quatro chances no Oscar: Em 2007, por A Rainha, em 2009, por O Curioso Caso de Benjamin Button, e nos dois anos seguintes por O Fantástico Sr. Raposo e O Discurso do Rei nessa ordem. Este ano, eles possui três trabalhos na lista: Argo, a animação A Origem dos Guardiões e o filme bélico Zero Dark Thirty. Acredito que sua maior chance reside no filme de Kathryn Bigelow.

Claro que, apesar de terem apenas um trabalho na lista, vale ressaltar o peso do nome do argentino Gustavo Santaolalla pelo road-movie de Walter Salles, Na Estrada. Em suas duas únicas indicações ao Oscar, Santaolalla conseguiu 100% de aproveitamento pelas belíssimas trilhas musicais de O Segredo de Brokeback Mountain e Babel. Seguramente, não há melhor compositor que explore o violão como ele, e acrescente um tempero latino aos filmes que empresta sua música.

O argentino Gustavo Santaolalla e seu violão. Terceira indicação por Na Estrada?

O argentino Gustavo Santaolalla e seu violão. Terceira indicação por Na Estrada?

Nas mesmas condições de ter um trabalho, o italiano Dario Marianelli volta com uma nova parceria com o diretor Joe Wright pelo romance de época Anna Karenina. Ele concorreu duas vezes por Orgulho e Preconceito e Desejo e Reparação, vencendo pelo último com um interessante arranjo feito pelo ruído das máquinas de escrever, explorando conceito da história. E também incluo o compositor Jonny Greenwood, que trabalhou pela segunda vez com o diretor Paul Thomas Anderson no The Master. Greenwood é mais conhecido por ser guitarrista do grupo musical Radiohead, mas já ganhou inúmeros prêmios e elogios pela trilha intensa de Sangue Negro (2007).

Ok, sem mais delongas, eis as 104 trilhas pré-selecionadas para o Oscar 2013:

Abraham Lincoln: O Caçador de Vampiros (Abraham Lincoln: Vampire Hunter), por Henry Jackman
After the Wizard, por Stephen Main
A Sombra do Inimigo (Alex Cross), por John Debney e Sebastian Morton
O Espetacular Homem-Aranha (The Amazing Spider-Man), por James Horner
Anna Karenina, por Dario Marianelli
Argo (Argo), por Alexandre Desplat
Battleship – A Batalha dos Mares (Battleship), por Steve Jablonsky
The Bay, por Marcelo Zarvos
Indomável Sonhadora (Beasts of the Southern Wild), por Dan Romer e Benh Zeitlin
Being Flynn, por Damon Gough
O Exótico Hotel Marigold (The Best Exotic Marigold Hotel), por Thomas Newman
O Grande Milagre (Big Miracle), por Cliff Eidelman
Booker’s Place: A Mississippi Story, por David Cieri

Valente (Brave), por Patrick Doyle
Brooklyn Castle, por B. Satz
Chasing Ice, por J. Ralph
Chasing Mavericks, por Chad Fischer
Frango com Ameixas (Chicken With Plums), por Olivier Bernet
Chimpanzé (Chimpanzee), por Nicholas Hooper
A Viagem (Cloud Atlas), por Reinhold Heil e Johnny Klimek
Compliance, por Heather McIntosh
Contrabando (Contraband), por Clinton Shorter
Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge (The Dark Knight Rises), por Hans Zimmer
Sombras da Noite (Dark Shadows), por Danny Elfman
Querido Companheiro (Darling Companion), por James Newton Howard
A Fuga (Deadfall), por Marco Beltrami e Buck Sanders
O Ditador (The Dictator), por Erran Baron Cohen
O Lorax: Em Busca da Trúfula Perdida (Dr. Seuss’ The Lorax), por John Powell
Marcados Para Morrer (End of Watch), por David Sardy
Ethel, por Miriam Cutler
Flight, por Alan Silvestri
For a Good Time, Call…, por John Swihart
For Greater Glory: The True Story of Cristiada, por James Horner
Frankenweenie (Frankenweenie), por Danny Elfman
Fun Size, por Deborah Lurie
Girl in Progress, por Christopher Lennertz
A Perseguição (The Grey), por Marc Streitenfeld
The Guilt Trip, por Christophe Beck
Hidden Moon, por Luis Bacalov
Hitchcock, por Danny Elfman
O Hobbit: Uma Jornada Inesperada (Hobbit: An Unexpected Journey), por Howard Shore
Hotel Transilvânia (Hotel Transylvania), por Mark Mothersbaugh
A Última Casa da Rua (House at the End of the Street, por Theo Green
Jogos Vorazes (The Hunger Games), por James Newton Howard
Hyde Park on Hudson, por Jeremy Sams
A Era do Gelo 4 (Ice Age Continental Drift), por John Powell
O Impossível (The Impossible), por Fernando Velázquez
Jack Reacher, por Joe Kraemer
John Carter – Entre Dois Mundos (John Carter), por Michael Giacchino
Viagem 2: A Ilha Misteriosa (Journey 2: The Mysterious Island), por Andrew Lockington
Os Infratores (Lawless), por Nick Cave e Warren Ellis
As Aventuras de Pi (Life of Pi), por Mychael Danna
Lincoln, por John Williams
Lola Versus, por Will Bates e Philip Mossman
Looper: Assassinos do Futuro (Looper), por Nathan Johnson
Um Homem de Sorte (The Lucky One), por Mark Isham
LUV, por Nuno Malo
The Man with the Iron Fists, por RZA e Howard Drossin
Os Vingadores (Marvel’s The Avengers), Alan Silvestri
The Master, por Jonny Greenwood
Homens de Preto 3 (Men in Black 3), por Danny Elfman
Middle of Nowhere, por Kathryn Bostic
Espelho, Espelho Meu (Mirror, Mirror), por Alan Menken
A Estranha Vida de Timothy Green (The Odd Life of Timothy Green, por Geoff Zanelli
Na Estrada (On the Road), por Gustavo Santaolalla
The Pardon, por Ashley Irwin
Parental Guidance, por Marc Shaiman
People Like Us, por A.R. Rahman
Possessão (The Possession), por Anton Sanko
Prometheus (Prometheus), por Marc Streitenfeld
Promised Land, por Danny Elfman
Operação Invasão (The Raid: Redemption), por Mike Shinoda e Joseph Trapanese
Red Tails, por Terence Blanchard
A Origem dos Guardiões (Rise of the Guardians), por Alexandre Desplat
Ruby Sparks – A Namorada Perfeita (Ruby Sparks), por Nick Urata
Protegendo o Inimigo (Safe House), por Ramin Djawadi
Safety Not Guaranteed, por Ryan Miller
Saint Dracula, por Sreevalsan J. Menon
Selvagens (Savages), por Adam Peters
Procura-se um Amigo Para o Fim do Mundo (Seeking a Friend for the End of the World), por Rob Simonsen e Jonathan Sadoff
The Sessions, por Marco Beltrami
A Entidade (Sinister), por Christopher Young
007 – Operação Skyfall (Skyfall), por Thomas Newman
Smashed, por Eric D. Johnson e Andy Cabic
Branca de Neve e o Caçador (Snow White and the Huntsman), por James Newton Howard
Busca Implacável 2 (Taken 2), por Nathaniel Mechaly
Ted (Ted), por Walter Murphy
Pense Como Eles (Think Like a Man), por Christopher Lennertz
Guerra é Guerra (This Means War), por Christophe Beck
As Mil Palavras (A Thousand Words), por John Debney
Os Três Patetas (The Three Stooges), por John Debney
Trashed, por Vangelis
Curvas da Vida (The Trouble With the Curve), por Marco Beltrami
Anjos da Lei (21 Jump Street), por Mark Mothersbaugh
A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2 (The Twilight Saga: Breaking Dawn – Part 2), por Carter Burwell
Until They Are Home, por Jamie Dunlap
War of the Worlds The True Story, por Jamie Hall
Vizinhos Imediatos de 3º Grau (The Watch), por Christophe Beck
West of Memphis, por Nick Cave e Warren Ellis
E Agora Onde Vamos? (Where Do We Go Now?), por Khaled Mouzanar
Won’t Back Down, por Marcelo Zarvos
As Palavras (The Words), por Marcelo Zarvos
Detona Ralph (Wreck-It Ralph), por Henry Jackman
Zero Dark Thirty, por Alexandre Desplat

Hans Zimmer e James Newton Howard quando fizeram a trilha de Batman: O Cavaleiro das Trevas

Hans Zimmer e James Newton Howard quando fizeram a trilha de Batman: O Cavaleiro das Trevas

À principio, meu palpite é o seguinte:

– Danny Elfman (Frankenweenie)

– Howard Shore (O Hobbit – Uma Jornada Inesperada)

– John Williams (Lincoln)

– Jonny Greenwood (The Master)

– Alexandre Desplat (Zero Dark Thirty)

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Indicados à Palma de Ouro de Cannes 2012

Pôster do 65º Festival de Cannes

Antes de anunciar os indicados ao prêmio máximo de Cannes, devemos ressaltar quem participa da bancada do júri. Digo isso porque já vi alguns casos em que o presidente favoreceu a premiação de determinado filme ou diretor (sim, exatamente o mesmo nepotismo frequente do mundo da política brasileira), sendo que Quentin Tarantino é o nome mais recorrente nessas polêmicas.

Em 2004, como presidente do júri de Cannes, ele premiou o documentário do norte-americano de Michael Moore, Fahrenheit 11 de Setembro e teve que negar publicamente que sua premiação não o favorecia devido aos ataques terroristas. E em 2011, como presidente do Festival de Veneza, sendo mais cara de pau ainda, premiou a norte-americana e ex-namorada Sofia Coppola com o Leão de Ouro pelo drama Um Lugar Qualquer, o que gerou protestos entre os concorrentes e a mídia. Dificilmente Tarantino deve voltar como presidente…

Nanni Moretti quando levou a Palma de Ouro por O Quarto do Filho

Este ano, escolheram o cineasta italiano Nanni Moretti para presidir o júri. Para quem não conhece, Moretti ficou marcado pelo seu estilo despojado em filmes de temática familiar. Ele mesmo já foi agraciado com a Palma de Ouro pelo tocante drama O Quarto do Filho em 2001 e, atualmente, está em cartaz aqui em São Paulo pelo drama Habemus Papam, que aborda uma crise no Vaticano.

Para sua bancada, foram convidados nomes importantes como o diretor Alexander Payne (que recentemente ganhou o Oscar de roteiro adaptado por Os Descendentes), a diretora britânica Andrea Arnold (que também levou um Oscar de curta-metragem pelo ótimo Wasp e o prêmio do Júri com Fish Tank em Cannes 2009), o ator Ewan McGregor (que esteve ao lado de Christopher Plummer em Toda Forma de Amor), a atriz alemã Diane Kruger (de Tróia e Bastardos Inglórios)  e até o costureiro mundialmente famoso Jean-Paul Gaultier.

Cartaz já “aportuguesado” do novo filme de Walter Salles com a estrela Kristen Stewart

Esta equipe de jurados terá o privilégio de assistir, analisar e votar filmes de grandes diretores como o mestre Alain Resnais e autores consagrados como Jacques Audiard, Michael Haneke, Abbas Kiarostami, Matteo Garrone, David Cronenberg e Ken Loach, muitos deles vencedores da Palma de Ouro em edições anteriores. Para a torcida brasileira, Walter Salles volta a concorrer pela terceira vez com um novo road movie intitulado Na Estrada (On the Road), baseado na obra homônima de Jack Kerouac.

Nessa disputa pelo prêmio, uma curiosidade acabou se destacando na mídia. Muito tem se falado desse “confronto artístico” entre a velha e nova geração do cinema francês representado respectivamente por Alain Resnais e Jacques Audiard. Enquanto o primeiro foi uma das faces da Nouvelle Vague e tem em seu currículo os marcos do Cinema: Hiroshima Mon Amour (1959) e O Ano Passado em Marienbad (1961), o outro está em extrema ascensão por O Profeta (2009) e De Tanto Bater Meu Coração Parou (2005). É claro que, em se tratando de Arte,  o termo “confronto” tem apelo midiático, mas certamente desperta o interesse para a leitura que o júri fará desses filmes.

Isabelle Huppert quando presidiu o júri de Cannes em 2009

Ao longo do festival, tentarei postar algumas críticas e comentários mais pertinentes publicados em jornais. Mas vendo a lista, é possível fazer algumas leituras e até arriscar uns palpites. Por exemplo, na categoria de Melhor Atriz, a veterana atriz francesa Isabelle Hupert tem grandes chances de conquistar seu terceiro prêmio de atriz. Além de estrelar o novo filme de Michael Haneke, Amour, atua num filme sul-coreano In Another Country. Este ano, ela tem uma forte concorrente de mesma nacionalidade: Marion Cottilard, que protagoniza Rust & Bone, de Audiard.

Palma de Ouro? Ainda é cedo para palpitar, pois os filmes sequer foram projetados em Cannes, porém acredito que Alain Resnais sai na frente por motivos óbvios.  Se seu filme You Haven’t See Anything Yet for bem recebido em sua premiere, o diretor já está com uma mão na taça, ou melhor, na Palma. Entretanto, isto não significa que não há forte concorrência.

Robert Pattison num filme de Cronenberg? Isso que é jogar tudo no vermelho…

Acredito que o novo filme de David Cronenberg é um dos fortes candidatos. O diretor canadense que ficou conhecido por explorar como ninguém o aspecto físico de seus personagens como em A Mosca (1986) e Crash – Estranhos Prazeres (1996), tem amadurecido cada vez mais o aspecto sócio-psicológico em Marcas da Violência (2005) e Senhores do Crime (2008). Resta saber se sua aposta na sensação das adolescentes Robert Pattison (da série Crepúsculo) como protagonista estará à altura. Será que ele consegue extrair algum talento do jovem assim como fez com Viggo Mortensen? Esperamos que sim, pois o Cinema atual necessita de mais atores que estejam dispostos a arriscar.

Aliás, nessa mesma questão, entra o ator Zac Efron, mundialmente conhecido pelos filmes musicais da Disney: High School Musical. É claro que nem sempre dá pra começar a carreira com papéis mais densos, mas a busca constante por novos desafios transforma um ator medíocre num bom ator pelo menos. Não dá pra garantir que será um ator excepcional, pois isso depende dos estudos dos métodos, análise profunda dos personagens e claro, do próprio dom para a coisa. Recentemente, li numa entrevista que Efron tem procurado se desvencilhar da fama de bom moço através da escolha de papéis mais dramáticos e agora, conseguiu dar um passo muito importante ao protagonizar The Paperboy, dirigido por Lee Daniels (indicado ao Oscar por Preciosa). Se sua atuação já demonstra sinais de amadurecimento só o tempo dirá, mas pode se tornar algo promissor.

Apesar de alguns favoritismos e de uns deslizes de júris, o Festival de Cannes tem sempre buscado premiar os filmes mais instigantes que almejam algo inovador ou experimental em algum aspecto fílmico. Ano passado, Robert De Niro premiou A Árvore da Vida, de Terrence Malick, pelo belo espetáculo visual e a forma inusitada como a vida é enxergada. Há pessoas que amam e outras que odeiam o filme, mas todos concordam com essas qualidades. Cannes quer conceder a Palma de Ouro para a melhor qualidade num filme. O gosto é encarado de forma subjetiva, afinal, nunca dá pra agradar gregos e troianos.

Indicados à Palma de Ouro 2012:

Lee Daniels aposta em Zac Efron. Parece que ele quer se livrar do High School Musical.

Lawless, de John Hillcoat

In the Fog (V Tumane), de Sergei Loznitsa

Rust & Bone (De Rouille et d’os), de Jacques Audiard

Amour, de Michael Haneke

Reality, de Matteo Garrone

The Taste of Money (Do-niu Mat), de Sang-Soo Im

You Haven’t Seen Anything Yet (Vous n’avez encore rien vu), de Alain Resnais

Na Estrada (On the Road), de Walter Salles

Post Tenebras Lux, de Carlos Reygadas

Beyond the Hills (Dupa Dealuri), de Cristian Mungiu

Mud, de Jeff Nichols

Cosmópolis, de David Cronenberg

The Hunt (Jagten), de Thomas Vinterberg

Paradise: Love (Paradies Liebe), de Ulrich Seidl

The Angel’s Share, de Ken Loach

Like Someone in Love, de Abbas Kiarostami

Holy Motors, de Leos Carax

Killing Them Softly, de Andrew Dominik

The Paperboy, de Lee Daniels

In Another Country (Da-reun na-ra-e-suh), de Sang-Soo Hong