‘Carol’ conquista 5 indicações no Globo de Ouro 2016

Rooney Mara em cena de Carol, de Todd Haynes: 5 indicações ao Globo de Ouro 2016 (photo by outnow.ch)

Rooney Mara em cena de Carol, de Todd Haynes: 5 indicações ao Globo de Ouro 2016 (photo by outnow.ch)

GLOBO DE OURO COLOCA MAIS ORDEM NA TEMPORADA DE PREMIAÇÕES

Um dia após o SAG anunciar seus indicados com uma série de ausências sentidas, o Globo de Ouro parece tapar os buracos com seu anúncio na manhã desta quinta-feira, dia 10. Assim, atores que ficaram de fora do SAG como Will Smith e Sylvester Stallone, retornam ao centro do palco.

Claro que em se tratando de Oscar e Globo de Ouro, não dá pra agradar gregos e troianos. Algum filme ou algum ator vai ficar sem cadeira. É inevitável. Dentre os mais sentidos estão Johnny Depp (Aliança do Crime), Jacob Tremblay (O Quarto de Jack), Meryl Streep (Ricki and the Flash: De Volta Para Casa), Charlotte Rampling (45 Anos) e Blythe Danner (I’ll See You in My Dreams).

Anúncio das indicações ao Globo de Ouro 2016
America Ferrera, Chloë Grace Moretz, Angela Bassett e Dennis Quaid anunciam os indicados ao Globo de Ouro 2016

De volta aos indicados, o drama Carol foi o recordista de indicações este ano com 5, mas isso não significa que terá vida fácil na categoria, já que compete com Spotlight – Segredos Revelados e Mad Max: Estrada da Fúria que, por mais que não faça muito o tipo que ganhe prêmios de Melhor Filme, vem crescendo bastante na temporada e pode surpreender, principalmente diante de um cenário sem grandes favoritos como este.

Como uma boa mãe, o Globo de Ouro conseguiu reunir numa só lista 17 estúdios, boa parte dos favoritos e outros candidatos que pareciam ficar só na promessa. Exemplo disso é o novo filme de Alejandro González Iñárritu, O Regresso, que estava até então num estado de inércia na temporada. Agora, indicada a Melhor Filme, Diretor, Trilha Musical e Ator para Leonardo DiCaprio, a produção promete conquistar seu espaço no Oscar, principalmente nas categorias mais técnicas como Fotografia e Montagem.

Leonardo DiCaprio em cena de O Regresso (photo by cinemagia.ro)

Leonardo DiCaprio com Grace Dove em cena de O Regresso (photo by cinemagia.ro)

Nessa mesma lógica de tirar o filme do limbo, também dá pra incluir o novo trabalho de David O. Russell, cujos filmes sempre dão um jeitinho de entrar no Oscar. Joy: O Nome do Sucesso, uma espécie de “dramédia” que reconta a trajetória de uma mulher de negócios, concorre como Filme de Comédia e sua protagonista Jennifer Lawrence como Melhor Atriz. Embora esteja disputando com as veteranas Maggie Smith e Lily Tomlin, a atriz de Jogos Vorazes tem grandes chances de conquistar seu terceiro Globo de Ouro.

Jennifer Lawrence e Robert De Niro em cena de Joy: O Nome de Sucesso (photo by outnow.ch)

Jennifer Lawrence e Robert De Niro em cena de Joy: O Nome do Sucesso (photo by outnow.ch)

E meio esquecido depois de ganhar o Hollywood Film Awards no início de novembro, a ficção científica Perdido em Marte retorna com força, uma vez que compete como Filme de Comédia, Diretor e Ator (Matt Damon). Apesar de parecer uma manobra barata da 20th Century Fox de inscrever o filme como comédia para ter concorrência mais fraca pela frente (o que gerou uma “polemicazinha”), não acredito sinceramente em manipulação nesse caso. Trata-se de uma ficção científica com clima bastante otimista, seu protagonista, mesmo diante de uma série de dificuldades, mantém o bom humor em suas pesquisas e gravações, e temos a manutenção da esperança na humanidade. Pra mim, o clima leve o aproxima mais da comédia do que um drama.

Os astronautas da tripulação de Perdido em Marte (photo by cinemagia.ro)

Os astronautas da tripulação de Perdido em Marte (photo by cinemagia.ro)

Ainda no campo da ressurreição, Trumbo retorna no Globo de Ouro, um dia após liderar as indicações ao SAG Awards. O ator da série Breaking Bad, Bryan Cranston, e a dama Helen Mirren foram devidamente reconhecidos por suas performances.

O Globo de Ouro trouxe felicidade também no quesito dupla indicação. Idris Elba, Lily Tomlin, Mark Rylance e Alicia Vikander ficaram duplamente felizes na manhã dessa quinta-feira. Seus nomes foram anunciados duas vezes em categorias distintas.Enquanto os três primeiros equilibram forças entre cinema e televisão, a atriz sueca concorre como Atriz por A Garota Dinamarquesa e como Coadjuvante por Ex-Machina: Instinto Artificial.

Alicia Vikander em cena de A Garota Dinamarquesa (photo by palmspringlife.com)

Alicia Vikander em cena de A Garota Dinamarquesa (photo by palmspringlife.com)

Apesar disso TUDO que o Globo de Ouro fez, acrescentaria uma ressalva: Por que não aumentar de 5 para 6 indicados para Melhor Filme – Drama e incluir Os 8 Odiados ou A Garota Dinamarquesa? Resultaria num total de 4 indicações ao novo western de Tarantino e para o drama transsexual de Tom Hooper. Ou quem sabe para 7 indicados e incluir também Steve Jobs? Afinal, acumulou 4 indicações: Ator (Michael Fassbender), Atriz Coadjuvante (Kate Winslet), Roteiro e Trilha Musical. Ficaria com 5 e igualaria Carol. Teria havido tamanha distância de um candidato a outro na votação ou seria algum receio por parte da HFPA de eleger o “filme errado”? Digo isso, porque as regras do Globo de Ouro permitem esse acréscimo de indicados sem dolo algum.

Durante o anúncio das indicações, fiquei na expectativa pelo filme brasileiro Que Horas Ela Volta?, mas o filme de Anna Muylaert ficou de fora. A última vez que o Brasil teve representantes no prêmio foi em 2005 por Diários de Motocicleta, de Walter Salles, e em 2003 por Cidade de Deus, de Fernando Meirelles. Contudo, o país está bem representado pela série Narcos, produzida pelo diretor José Padilha pela Netflix, e pelo ator Wagner Moura, que foi indicado como Melhor Ator de Série Dramática. Ele interpreta ninguém menos do que o lorde das drogas colombiano Pablo Escobar em 10 episódios. Moura disputa o prêmio com o favorito Jon Hamm (Mad Men) e Liev Schreiber (Ray Donovan).

Wagner Moura em cena da série Narcos da Netflix (photo by cinemagia.ro)

Wagner Moura em cena da série Narcos, da Netflix (photo by cinemagia.ro)

Sobre as categorias de televisão, cabe mais um elogio ao Globo de Ouro. Nos últimos anos, com o crescimento da plataforma de streaming, a HFPA não pestanejou e abraçou o novo formato, valorizando acima de tudo seu conteúdo. No ano passado, a série Transparent foi a primeira a ganhar o prêmio de Melhor Série, mas já em 2014, House of Cards já preenchia as categorias como a primeira da Netflix. Este ano, a associação continua explorando novos conteúdos de streaming: além da já citada Narcos, temos Master of None, Casual e Mozart In the Jungle entre os indicados, enquanto as séries tradicionais que passam na televisão Homeland, Mad MenDownton Abbey e Modern Family não concorrem como Melhor Série este ano. Os tempos estão mudando…

E só mais um último adendo: Lady Gaga recebeu sua primeira indicação como atriz por American Horror Story: Hotel. Ela interpreta a Condessa nesta nova temporada que se passa num hotel. Independente da qualidade da sua atuação (adoraria conferir), a contratação da cantora na série se tornou um hype desde seu anúncio.

Seguem todos os indicados ao 73º Globo de Ouro:

CINEMA

MELHOR FILME – DRAMA
Carol (Carol)
Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road)
O Regresso (The Revenant)
O Quarto de Jack (Room)
Spotlight – Segredos Revelados (Spotlight)

MELHOR FILME – COMÉDIA OU MUSICAL
A Grande Aposta (The Big Short)
Joy: O Nome do Sucesso (Joy)
Perdido em Marte (The Martian)
A Espiã que Sabia de Menos (Spy)
A Descompensada (Trainwreck)

MELHOR DIRETOR
Todd Haynes (Carol)
Alejandro González Iñárritú (O Regresso)
Tom McCarthy (Spotlight – Segredos Revelados)
George Miller (Mad Max: Estrada da Fúria)
Ridley Scott (Perdido em Marte)

MELHOR ATOR – DRAMA
Bryan Cranston (Trumbo)
Leonardo DiCaprio (O Regresso)
Michael Fassbender (Steve Jobs)
Eddie Redmayne (A Garota Dinamarquesa)
Will Smith (Um Homem Entre Gigantes)

MELHOR ATRIZ – DRAMA
Cate Blanchett (Carol)
Brie Larson (O Quarto de Jack)
Rooney Mara (Carol)
Saoirse Ronan (Brooklyn)
Alicia Vikander (A Garota Dinamarquesa)

MELHOR ATRIZ – COMÉDIA OU MUSICAL
Jennifer Lawrence (Joy: O Nome do Sucesso)
Melissa McCarthy (A Espiã que Sabia de Menos)
Amy Schumer (A Descompensada)
Maggie Smith (A Senhora da Van)
Lily Tomlin (Grandma)

MELHOR ATOR – COMÉDIA OU MUSICAL
Christian Bale (A Grande Aposta)
Steve Carell (A Grande Aposta)
Matt Damon (Perdido em Marte)
Al Pacino (Não Olhe Para Trás)
Mark Ruffalo (Sentimentos que Curam)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Jane Fonda (Youth)
Jennifer Jason Leigh (Os 8 Odiados)
Helen Mirren (Trumbo)
Alicia Vikander (Ex-Machina: Instinto Artificial)
Kate Winslet (Steve Jobs)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Paul Dano (Love & Mercy)
Idris Elba (Beasts of No Nation)
Mark Rylance (Ponte dos Espiões)
Michael Shannon (99 Homes)
Sylvester Stallone (Creed: Nascido Para Lutar)

MELHOR ROTEIRO
Emma Donoghue (O Quarto de Jack)
Tom McCarthy e Josh Singer (Spotlight – Segredos Revelados)
Charles Randolph e Adam McKay (A Grande Aposta)
Aaron Sorkin (Steve Jobs)
Quentin Tarantino (Os 8 Odiados)

MELHOR ANIMAÇÃO
Anomalisa
O Bom Dinossauro (The Good Dinossaur)
Divertida Mente (Inside Out)
Snoopy & Charlie Brown: Peanuts, o Filme (The Peanuts Movie)
Shaun: O Carneiro (Shaun the Sheep Movie)

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
The Brand New Testament (Le Tout Nouveau Testament), de Jaco Van Dormael (Bélgica/ França/ Luxemburgo)
O Clube (El Club), de Pablo Larraín (Chile)
O Esgrimista (Miekkailija), de Klaus Härö (Finalândia/ Estônia/ Alemanha)
O Filho de Saul (Saul fia), de László Nemes (Hungria)
Cinco Graças (Mustang), de Deniz Gamze Ergüven (Turquia/ França/ Catar/ Alemanha)

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“Love me Like You Do” por Max Martin, Savan Kotecha, Ali Payami, Ilya Salmanzadeh (Cinquenta Tons de Cinza)
“One Kind of Love” por Brian Wilson, Scott Montgomery Bennett (Love & Mercy)
“See You Again” por Justin Franks, Andrew Cedar, Charlie Puth, Wiz Khalifa (Velozes & Furiosos 7)
“Simple Song No. 3” por David Lang (Youth)
“Writing’s on the Wall” por Sam Smith, James Napier (007 Contra Spectre)


O filme é ruim, mas a trilha sonora salva, incluindo a canção de Ellie Goulding

MELHOR TRILHA MUSICAL ORIGINAL
Carter Burwell (Carol)
Alexandre Desplat (A Garota Dinamarquesa)
Ennio Morricone (Os 8 Odiados)
Daniel Pemberton (Steve Jobs)
Ryuichi Sakamoto e Carsten Nicolai (O Regresso)

Steve Carell e Ryan Gosling em cena de A Grande Aposta, de Adam McKay (photo by cine.gr)

Steve Carell e Ryan Gosling em cena de A Grande Aposta, de Adam McKay (photo by cine.gr)

TELEVISÃO

MELHOR SÉRIE DRAMÁTICA
Empire
Game of Thrones
Mr. Robot
Narcos
Outlander

MELHOR ATOR EM SÉRIE DRAMÁTICA
Jon Hamm (Mad Men)
Rami Malek (Mr. Robot)
Wagner Moura (Narcos)
Bob Odenkirk (Better Call Saul)
Liev Schreiber (Ray Donovan)

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DRAMÁTICA
Caitriona Balfe (Outlander)
Viola Davis (How to Get Away with Murder)
Eva Green (Penny Dreadful)
Taraji P. Henson (Empire)
Robin Wright (House of Cards)

MELHOR MINISSÉRIE OU TELEFILME
American Crime
American Horror Story: Hotel
Fargo
Flesh and Bone
Wolf Hall

MELHOR SÉRIE DE COMÉDIA
Casual
Mozart in the Jungle
Orange Is the New Black
Silicon Valley
Transparent
Veep

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE, MINISSÉRIE OU TELEFILME
Uzo Aduba (Orange Is the New Black)
Joanne Froggatt (Downton Abbey)
Regina King (American Crime)
Judith Light (Transparent)
Maura Tierney (The Affair)

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE, MINISSÉRIE OU TELEFILME
Alan Cumming (The Good Wife)
Damian Lewis (Wolf Hall)
Ben Mendelsohn (Bloodline)
Tobias Menzies (Outlander)
Christian Slater (Mr. Robot)

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA
Rachel Bloom (Crazy Ex-Girlfriend)
Gina Rodriguez (Jane the Virgin)
Julia Louis-Dreyfus (Veep)
Jamie Lee Curtis (Scream Queens)
Lily Tomlin (Grace and Frankie)

MELHOR ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA
Aziz Ansari (Master of None)
Gael García Bernal (Mozart in the Jungle)
Rob Lowe (The Grinder)
Patrick Stewart (Blunt Talk)
Jeffrey Tambor (Transparent)

MELHOR ATRIZ EM MINISSÉRIE OU TELEFILME
Kirsten Dunst (Fargo)
Lady Gaga (American Horror Story: Hotel)
Sarah Hay (Flesh and Bone)
Felicity Huffman (American Crime)
Queen Latifah (Bessie)

MELHOR ATOR EM MINISSÉRIE OU TELEFILME
Oscar Isaac (Show me a Hero)
Idris Elba (Luther)
David Oyelowo (Nightingale)
Mark Rylance (Wolf Hall)
Patrick Wilson (Fargo)

A 73ª cerimônia do Globo de Ouro acontece no dia 10 de janeiro, e Ricky Gervais retorna como o “host mais querido das celebridades”. E dois lembretes: o ator Denzel Washington será o homenageado com o prêmio Cecil B. DeMille (Sim, eu acho que ele ainda é muito jovem pra tal honraria, mas depois de ver George Clooney recebendo o mesmo prêmio esse ano, espero qualquer coisa), e a Miss Golden Globe de 2016 será a filha do ator Jamie Foxx: Corinne Foxx.

The Hollywood Foreign Press Association has selected Corinne Foxx as Miss Golden Globe 2016 for the 73rd Annual Golden Globe Awards set to air live on NBC on January 10, 2016. President Lorenzo Soria made the announcement on November 17, 2015 from Ysabel Restaurant in West Hollywood.

Corinne Foxx foi selecionada para ser a Miss Golden Globe 2016 (photo by ImageGroup/HFPA)

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‘Trumbo’ lidera com 3 indicações ao SAG Awards 2016

TRUMBO 2

Helen Mirren e Bryan Cranston, ambos indicados ao SAG, em cena de Trumbo (photo by cine.gr)

MEIO ESQUECIDO ATÉ ENTÃO, DRAMA SOBRE ROTEIRISTA DE LISTA NEGRA DE HOLLYWOOD SURPREENDE NO SAG

* Antes de começar o post, vou fazer uma ressalva. O calendário das premiações bateram cabeça este ano: o Globo de Ouro anunciou seus indicados UM DIA depois do SAG. Pela ordem de importância, a repercussão do SAG durou menos de um dia! E outra: Nem deu tempo de digerir o SAG! Escrever dois posts dessa magnitude em dois dias consecutivos é sacanear com este blogueiro! Enfim… vamos ao que interessa. Primeiro o SAG Awards.

Depois de Perdido em Marte ter levado o Hollywood Film Awards, depois de Mad Max: Estrada da Fúria levar o National Board of Review, depois de Carol ter vencido o New York Film Critics Circle e depois de Spotlight bater a concorrência no Los Angeles Film Critics Association, chegou a vez de… Trumbo.

Anna Faris e Anthony Mackie anunciaram as indicações ao 22º SAG Awards

Apesar da cara de telefilme, Trumbo se beneficiou da regra número 1 do SAG Awards: as performances dos atores acima de tudo. Além de contar com os queridos do sindicato de atores, Helen Mirren e Bryan Cranston, o elenco ainda conta com nomes de peso como Diane Lane, John Goodman, Louis C.K., Elle Fanning e Michael Stuhlbarg, fato que rendeu a indicação de Melhor Elenco. No Oscar, o filme pode (e deve) conquistar as indicações para Cranston e Mirren, assim como Roteiro Adaptado e até Filme, não necessariamente por sua qualidade fílmica, mas pela grandeza de seu tema do roteirista da lista negra de Hollywood. A Academia adora destacar filmes metalinguísticos e que valorizem sua história, mesmo que negra.

Já entre as produções vencedoras dos demais prêmios citados acima, Carol e Spotlight conseguiram duas indicações cada no SAG. Enquanto o primeiro reconheceu o trabalho de Cate Blanchett e Rooney Mara como atriz e atriz coadjuvante respectivamente, o segundo proporcionou Melhor Elenco e atriz coadjuvante para Rachel McAdams. Curiosamente, Spotlight é um drama composto por um elenco quase todo masculino, interpretando jornalistas e pessoas ligadas à Igreja, mas foi McAdams apenas que conseguiu indicação solo. As expectativas eram altas para Michael Keaton e Mark Ruffalo como coadjuvantes, mas ficaram de fora, muito provavelmente por competirem entre si.

Entre as surpresas, destaque para a indicação do pequeno Jacob Tremblay (O Quarto de Jack) e Christian Bale (A Grande Aposta) na categoria de coadjuvante. Eles bateram Keaton e Ruffalo por Spotlight, assim como Benicio Del Toro (Sicario: Terra de Ninguém) e Sylvester Stallone (Creed: Nascido Para Lutar).

JACOB TREMBLAY ROOM

Ao lado de Brie Larson, o pequeno Jacob Tremblay em cena de O Quarto de Jack (photo by outnow.ch)

Embora a categoria de Melhor Elenco não represente garantia de muita coisa no Oscar, uma vez que já indicou os elencos de O Mordomo da Casa Branca, O Exótico Hotel Marigold, Missão Madrinha de Casamento, Nine, Hairspray: Em Busca da Fama, Os Indomáveis, Bobby e O Agente da Estação, não deixa de ser curiosa a indicação única de Straight Outta Compton: A História do N.W.A. Formado por um elenco quase todo de desconhecidos, o filme bateu fortes concorrentes como Os 8 Odiados e Steve Jobs.

Straight Outta Compton

Elenco de Straight Outta Compton: A História do N.W.A., com Ice Cube (segundo no alto), além de Paul Giamatti (photo by cine.gr)

Contudo, a grande surpresa mesmo ficou na categoria de Melhor Atriz. Num ano super concorrido, é curiosa a presença de Sarah Silverman por I Smile Back. Conhecida por seu talento cômico nas apresentações do Saturday Night Live e solos, ela consegue um grande feito por sua atuação dramática. Aliás, isso muito me lembra a trajetória de Jennifer Aniston por Cake: Uma Razão Para Viver, que fez campanha, foi indicada ao SAG e Globo de Ouro, mas ficou de fora do Oscar. Nesse filme, Silverman faz uma esposa dedicada à família, mas que tem problemas com drogas, depressão e casos extraconjugais

i smile back

Sarah Silverman em cena de I Smile Back (photo by outnow.ch)

Entre outras curiosidades estão as duas indicações para Helen Mirren (Atriz por A Dama Dourada e Coadjuvante por Trumbo); a primeira participação da Netflix nas categorias de cinema com Beasts of No Nation, confirmando crescimento estratosférico do sistema de streaming no cinema; e para os fãs de Leonardo DiCaprio, eis que ressurge no SAG! Se Leo estiver na lista do Globo de Ouro, sua presença no Oscar é garantida. 6ª indicação e 1ª vitória? Por falta de torcida na internet não vai ser…

Num ano atípico, não há favoritos dominando boa parte dos prêmios até o momento. Cada filme tem seu ponto forte que deve ser reconhecido ao longo da temporada e no Oscar. Exemplificando:

  • Mad Max: Estrada da Fúria
    Direção, Fotografia, Montagem, Direção de Arte, Figurino, Maquiagem e tudo que envolve som e efeitos visuais
  • Carol
    Direção, Atrizes, Roteiro Original, Fotografia, Direção de Arte e Figurino
  • Spotlight
    Atores, Roteiro Original e Montagem
  •  Trumbo
    Atores, Roteiro Adaptado e Figurino
  • A Garota Dinamarquesa
    Direção, Atores, Roteiro Adaptado, Direção de Arte, Figurino e Trilha Musical
  • As Sufragistas
    Atrizes, Roteiro Original e Figurino
  • Perdido em Marte
    Direção, Atores, Roteiro Adaptado e Montagem
  • Steve Jobs
    Direção, Atores, Roteiro Adaptado e Montagem
  • Ponte dos Espiões
    Direção, Atores, Roteiro Original, Fotografia, Montagem, Trilha Musical, Direção de Arte e Figurino
  • Joy: O Nome do Sucesso
    Direção, Atores e Roteiro Original
  • Os 8 Odiados
    Atores, Roteiro Original, Fotografia, Montagem, Direção de Arte, Figurino e Trilha Musical

Nas categorias de televisão, a Netflix liderou com House of Cards, estrelada por Kevin Spacey e Robin Wright.

Seguem os indicados ao 22º SAG Awards:

CINEMA

Outstanding Performance by a Male Actor in a Leading Role
BRYAN CRANSTON / Dalton Trumbo – TRUMBO
JOHNNY DEPP / James “Whitey” Bulger – ALIANÇA DO CRIME
LEONARDO DiCAPRIO / Hugh Glass – O REGRESSO
MICHAEL FASSBENDER / Steve Jobs – STEVE JOBS
EDDIE REDMAYNE / Einar Wegener/Lili Elbe – A GAROTA DINAMARQUESA

Outstanding Performance by a Female Actor in a Leading Role
CATE BLANCHETT / Carol Aird – CAROL
BRIE LARSON / Ma – O QUARTO DE JACK
HELEN MIRREN / Maria Altmann – A DAMA DOURADA
SAOIRSE RONAN/ Eilis – BROOKLYN
SARAH SILVERMAN / Laney Brooks – I SMILE BACK

Outstanding Performance by a Male Actor in a Supporting Role
CHRISTIAN BALE / Michael Burry – A GRANDE APOSTA
IDRIS ELBA / Commandant – BEASTS OF NO NATION
MARK RYLANCE / Abel Rudolph – PONTE DOS ESPIÕES
MICHAEL SHANNON / Rick Carver – 99 HOMES
JACOB TREMBLAY / Jack – O QUARTO DE JACK

Outstanding Performance by a Female Actor in a Supporting Role
ROONEY MARA / Therese Belivet – CAROL
RACHEL McADAMS / Sacha Pfeiffer – SPOTLIGHT
HELEN MIRREN / Hedda Hopper – TRUMBO
ALICIA VIKANDER / Gerda Wegener – A GAROTA DINAMARQUESA
KATE WINSLET / Joanna Hoffman – STEVE JOBS

Outstanding Performance by a Cast in a Motion Picture
BEASTS OF NO NATION (Netflix)
ABRAHAM ATTAH
KURT EGYIAWAN
IDRIS ELBA

A GRANDE APOSTA (Paramount Pictures)
CHRISTIAN BALE
STEVE CARELL
RYAN GOSLING
MELISSA LEO
HAMISH LINKLATER
JOHN MAGARO
BRAD PITT
RAFE SPALL
JEREMY STRONG
MARISA TOMEI
FINN WITTROCK

SPOTLIGHT (Open Road Films)
BILLY CRUDUP
BRIAN D’ARCY JAMES
MICHAEL KEATON
RACHEL McADAMS
MARK RUFFALO
LIEV SCHREIBER
JOHN SLATTERY
STANLEY TUCCI

STRAIGHT OUTTA COMPTON (Universal Pictures)
NEIL BROWN JR.
PAUL GIAMATTI
COREY HAWKINS
ALDIS HODGE
O’SHEA JACKSON JR.
JASON MITCHELL

TRUMBO (Bleecker Street)
ADEWALE AKINNUOYE-AGBAJE
LOUIS C.K.
BRYAN CRANSTON
DAVID JAMES ELLIOTT
ELLE FANNING
JOHN GOODMAN
DIANE LANE
HELEN MIRREN
MICHAEL STUHLBARG
ALAN TUDYK

TELEVISÃO

Outstanding Performance by a Male Actor in a Television Movie or Miniseries
IDRIS ELBA / DCI John Luther – LUTHER
BEN KINGSLEY / Grand Vizier Ay – TUT
RAY LIOTTA / Lorca/Tom Mitchell – TEXAS RISING
BILL MURRAY / Himself – A VERY MURRAY CHRISTMAS
MARK RYLANCE / Thomas Cromwell – WOLF HALL

Outstanding Performance by a Female Actor in a Television Movie or Miniseries
NICOLE KIDMAN / Grace – GRACE OF MONACO
QUEEN LATIFAH / Bessie Smith – BESSIE
CHRISTINA RICCI / Lizzie Borden – THE LIZZIE BORDEN CHRONICLES
SUSAN SARANDON / Gladys Mortenson – THE SECRET LIFE OF MARILYN MONROE
KRISTEN WIIG / Delores DeWinter – THE SPOILS BEFORE DYING

Outstanding Performance by a Male Actor in a Drama Series
PETER DINKLAGE / Tyrion Lannister – GAME OF THRONES
JON HAMM / Don Draper – MAD MEN
RAMI MALEK / Elliot – MR. ROBOT
BOB ODENKIRK / Jimmy McGill – BETTER CALL SAUL
KEVIN SPACEY / Francis Underwood – HOUSE OF CARDS

Outstanding Performance by a Female Actor in a Drama Series
CLAIRE DANES / Carrie Mathison – HOMELAND
VIOLA DAVIS / Annalise Keating – HOW TO GET AWAY WITH MURDER
JULIANNA MARGULIES / Alicia Florrick – THE GOOD WIFE
MAGGIE SMITH / Violet Crawley, Dowager Countess of Grantham – DOWNTON ABBEY
ROBIN WRIGHT / Claire Underwood – HOUSE OF CARDS

Outstanding Performance by a Male Actor in a Comedy Series
TY BURRELL / Phil Dunphy – MODERN FAMILY
LOUIS C.K. / Louie – LOUIE
WILLIAM H. MACY / Frank – SHAMELESS
JIM PARSONS / Sheldon Cooper – THE BIG BANG THEORY
JEFFREY TAMBOR / Maura Pfefferman – TRANSPARENT

Outstanding Performance by a Female Actor in a Comedy Series
UZO ADUBA / Suzanne “Crazy Eyes” Warren – ORANGE IS THE NEW BLACK
EDIE FALCO / Jackie Peyton – NURSE JACKIE
ELLIE KEMPER / Kimmy Schmidt – UNBREAKABLE KIMMY SCHMIDT
JULIA LOUIS-DREYFUS / President Selina Meyer – VEEP
AMY POEHLER / Leslie Knope – PARKS AND RECREATION

Outstanding Performance by an Ensemble in a Drama Series
DOWNTON ABBEY (Masterpiece/PBS)
HUGH BONNEVILLE
LAURA CARMICHAEL
JIM CARTER
RAQUEL CASSIDY
BRENDAN COYLE
TOM CULLEN
MICHELLE DOCKERY
KEVIN DOYLE
JOANNE FROGGATT
LILY JAMES
ROBERT JAMES-COLLIER
ALLEN LEECH
PHYLLIS LOGAN
ELIZABETH McGOVERN
SOPHIE McSHERA
LESLEY NICOL
JULIAN OVENDEN
DAVID ROBB
MAGGIE SMITH
PENELOPE WILTON

GAME OF THRONES (HBO)
ALFIE ALLEN
IAN BEATTIE
JOHN BRADLEY
GWENDOLINE CHRISTIE
EMILIA CLARKE
MICHAEL CONDRON
NIKOLAJ COSTER-WALDAU
BEN CROMPTON
LIAM CUNNINGHAM
STEPHEN DILLANE
PETER DINKLAGE
NATHALIE EMMANUEL
TARA FITZGERALD
JEROME FLYNN
BRIAN FORTUNE
JOEL FRY
AIDAN GILLEN
IAIN GLEN
KIT HARINGTON
LENA HEADEY
MICHIEL HUISMAN
HANNAH MURRAY
BRENOCK O’CONNOR
DANIEL PORTMAN
IWAN RHEON
OWEN TEALE
SOPHIE TURNER
CARICE VAN HOUTEN
MAISIE WILLIAMS
TOM WLASCHIHA

HOMELAND (Showtime)
F. MURRAY ABRAHAM
ATHEER ADEL
CLAIRE DANES
ALEXANDER FEHLING
RUPERT FRIEND
NINA HOSS
RENÉ DAVID IFRAH
MARK IVANIR
SEBASTIAN KOCH
MIRANDA OTTO
MANDY PATINKIN
SARAH SOKOLOVIC

HOUSE OF CARDS (Netflix)
MAHERSHALA ALI
DEREK CECIL
NATHAN DARROW
MICHAEL KELLY
ELIZABETH MARVEL
MOLLY PARKER
JIMMI SIMPSON
KEVIN SPACEY
ROBIN WRIGHT

MAD MEN (AMC)
SOLA BAMIS
STEPHANIE DRAKE
JAY R. FERGUSON
BRUCE GREENWOOD
JON HAMM
CHRISTINA HENDRICKS
JANUARY JONES
VINCENT KARTHEISER
ELISABETH MOSS
KEVIN RAHM
KIERNAN SHIPKA
JOHN SLATTERY
RICH SOMMER
AARON STATON
MASON VALE COTTON

Outstanding Performance by an Ensemble in a Comedy Series
THE BIG BANG THEORY (CBS)
MAYIM BIALIK
KALEY CUOCO
JOHNNY GALECKI
SIMON HELBERG
KUNAL NAYYAR
JIM PARSONS
MELISSA RAUCH

KEY & PEELE (Comedy Central)
KEEGAN-MICHAEL KEY
JORDAN PEELE

MODERN FAMILY (ABC)
JULIE BOWEN
TY BURRELL
AUBREY ANDERSON EMMONS
JESSE TYLER FERGUSON
NOLAN GOULD
SARAH HYLAND
ED O’NEILL
RICO RODRIGUEZ
ERIC STONESTREET
SOFIA VERGARA
ARIEL WINTER

ORANGE IS THE NEW BLACK (Netflix)
UZO ADUBA
MIKE BIRBIGLIA
MARSHA STEPHANIE BLAKE
DANIELLE BROOKS
LAVERNE COX
JACKIE CRUZ
CATHERINE CURTIN
LEA DELARIA
BETH FOWLER
JOEL MARSH GARLAND
KIMIKO GLENN
ANNIE GOLDEN
DIANE GUERRERO
MICHAEL J. HARNEY
VICKY JEUDY
SELENIS LEYVA
TARYN MANNING
ADRIENNE C. MOORE
KATE MULGREW
EMMA MYLES
MATT PETERS
LORI PETTY
JESSICA PIMENTEL
DASCHA POLANCO
LAURA PREPON
ELIZABETH RODRIGUEZ
RUBY ROSE
NICK SANDOW
ABIGAIL SAVAGE
TAYLOR SCHILLING
CONSTANCE SHULMAN
DALE SOULES
YAEL STONE
SAMIRA WILEY

TRANSPARENT (Amazon)
ALEXANDRA BILLINGS
CARRIE BROWNSTEIN
JAY DUPLASS
KATHRYN HAHN
GABY HOFFMANN
CHERRY JONES
AMY LANDECKER
JUDITH LIGHT
HARI NEF
EMILY ROBINSON
JEFFREY TAMBOR

VEEP (HBO)
DIEDRICH BADER
SUFE BRADSHAW
ANNA CHLUMSKY
GARY COLE
KEVIN DUNN
TONY HALE
HUGH LAURIE
JULIA LOUIS-DREYFUS
PHIL REEVES
SAM RICHARDSON
REID SCOTT
TIMOTHY SIMONS
SARAH SUTHERLAND
MATT WALSH

SAG AWARDS® HONORS FOR STUNT ENSEMBLES

Outstanding Action Performance by a Stunt Ensemble in a Motion Picture
EVERESTE (Universal Pictures)
VELOZES & FURIOSOS 7 (Universal Pictures)
JURASSIC WORLD: O MUNDO DOS DINOSSAUROS (Universal Pictures)
MAD MAX: ESTRADA DA FÚRIA (Warner Bros. Pictures)
MISSÃO: IMPOSSÍVEL – NAÇÃO SECRETA (Paramount Pictures)

Outstanding Action Performance by a Stunt Ensemble in a Comedy or Drama Series
THE BLACKLIST (NBC)
GAME OF THRONES (HBO)
HOMELAND (Showtime)
MARVEL’S DAREDEVIL (Netflix)
THE WALKING DEAD (AMC)

52nd Annual SAG Life Achievement Award
CAROL BURNETT

O 22º SAG Awards será transmitido ao vivo pelo canal TNT no dia 30 de janeiro.

‘Mad Max: Estrada da Fúria’ conquista 3 prêmios no LAFCA Awards 2015, mas ‘Spotlight’ leva Melhor Filme

Elenco de Spotlight (photo by Open Road)

Elenco de Spotlight da esquerda para a direita: Rachel McAdams, Mark Ruffalo, Brian D’Arcy James, Michael Keaton e John Slattery (photo by Open Road)

FILME FUTURISTA VINHA COLETANDO PRÊMIOS, MAS MORREU NA PRAIA

Foi bom enquanto durou. A possibilidade de Mad Max: Estrada da Fúria conquistar Melhor Filme com os críticos de Los Angeles estava prestes a se tornar realidade. Após conquistar o prestigiado National Board of Review na semana passada, um novo reconhecimento selaria a aprovação necessária para que o filme pudesse ser levado à sério nas cerimônias de premiação, mas bateu na trave. Contudo, o filme de George Miller ainda ficou com o segundo lugar e pode sonhar com mais do que categorias técnicas…

Impecavelmente perfeito nos quesitos em que saiu vitorioso: Direção, Fotografia e Direção de Arte, o filme só não se consagrou por causa de seu calcanhar de Aquiles: o roteiro, justamente o que fez com que Spotlight arrancasse o prêmio de Melhor Filme de suas mãos. O drama de Tom McCarthy prima por sua pesquisa jornalística sobre os fatos dos abusos dos padres católicos, tanto que levou o prêmio de Melhor Roteiro, o que praticamente o garante na categoria de Roteiro Original no Oscar.

Cena de Mad Max: Estrada da Fúria (photo by cine.gr)

Cena de Mad Max: Estrada da Fúria com Charlize Theron e Tom Hardy (photo by cine.gr)

Também com dois prêmios, Anomalisa, de Charlie Kaufman e Duke Johnson, bateu o favoritismo da animação da Pixar, Divertida Mente (acredito eu pela qualidade do roteiro também), e lança luz no trabalho do compositor Carter Burwell, conhecido pela trilha de Fargo, e que nunca recebeu uma única indicação ao Oscar. Aqui ele ganhou pela trilha da animação e também pelo drama Carol, de Todd Haynes. Mas vale lembrar que Burwell teve um ano excepcional: além desses dois trabalhos, compôs para Sr. Holmes e Legend.

Imbatível, o filme húngaro, O Filho de Saul, conquistou mais um prêmio e deve ser o Oscar mais batido dos últimos anos. Honestamente, esperava um pouco mais de audácia por parte dos críticos de Los Angeles, já que o filme de László Nemes não oferece perspectiva tão inovadora num tema tão batido como o Holocausto. Seria mais justo se o segundo lugar, o ucraniano A Gangue, levasse o prêmio pela coragem de fazer um filme bem violento usando apenas linguagem de sinais.

Cena do filme ucraniano de Miroslav Slaboshpitsky, A Gangue (photo by outnow,ch)

Cena do filme ucraniano de Miroslav Slaboshpitsky, A Gangue (photo by outnow.ch)

Pelas categorias de atuação, de acordo com seu histórico, era esperada a vitória de um ator ou atriz estrangeiros, consolidada pela premiação da britânica Charlotte Rampling no drama 45 Anos. Ela interpreta uma esposa que fica de escanteio quando o marido descobre o corpo perdido da ex-mulher em pleno aniversário de 45 anos de casamento. Por sua performance, ela levou o Urso de Prata de Melhor Atriz no último Festival de Berlim, e seu companheiro de tela, Tom Courtenay, levou Melhor Ator na ocasião. As chances de Rampling no Oscar são mínimas, mas elas existem. Em segundo lugar, Saoirse Ronan (Brooklyn) cresce um pouco na competição, enquanto Brie Larson (O Quarto de Jack), Carey Mulligan (As Sufragistas) e Cate Blanchett (Carol) despencam.

Tom Courtenay em cena com Charlotte Rampling em 45 Anos, de Andrew Haigh (photo by outnow.ch)

Tom Courtenay em cena com Charlotte Rampling em 45 Anos, de Andrew Haigh (photo by outnow.ch)

Na ala masculina, Michael Fassbender confirma seu crescimento entre os críticos com seu retrato do criador da Apple em Steve Jobs. Apesar do filme de Danny Boyle não ter ido bem nas bilheterias nos EUA, a atuação de Fassbender tem saído ilesa, muito pelas classificações de “performance de possessão”, como aquelas em que o ator se torna outra pessoa, como Daniel Day-Lewis é craque em fazer. Além disso, Fassbender superou a desconfiança de que seu sotaque alemão pudesse arruinar o personagem americano, e a Academia, por mais que o tenha indicado a Coadjuvante por 12 Anos de Escravidão, sabe que está em dívida com ele por Fome (2008) e Shame (2011).

Michael Fassbender como o criador da Apple em Steve Jobs (photo by outnow.ch)

Michael Fassbender como o criador da Apple em Steve Jobs (photo by outnow.ch)

Nas categorias de coadjuvante, duas produções independentes que podem ter sido ajudadas pelo LAFCA para a temporada: 99 Homes e Ex-Machina: Instinto Artificial. Gosto do trabalho de Michael Shannon, mas aqui ele interpreta um corretor ambicioso que quer passar por cima de tudo e de todos. No entanto, independente de sua performance, só acho que ele deve tomar cuidado pra não ser rotulado por suas escolhas de papéis. Todo filme que vejo dele, o ator faz um papel de psicótico, psicopata ou maluco, vide: Foi Apenas um Sonho, Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto, O Abrigo e até no blockbuster O Homem de Aço, onde vive o vilão megalomaníaco General Zod.

À direita, Michael Shannon em cena de 99 Homes (photo by elfilm.com)

À direita, Michael Shannon em cena de 99 Homes (photo by elfilm.com)

Por outro lado, a bela atriz sueca Alicia Vikander está buscando variedade de papéis. Após se destacar como a jovem rainha em O Amante da Rainha, fez a adaptação de Tolstói, Anna Karenina, e mais recentemente os blockbusters O Sétimo Filho e O Agente da U.N.C.L.E. Este ano, ela concorre por A Garota Dinamarquesa (pelo qual já ganhou o Hollywood Film Award) e por este Ex-Machina: Instinto Artificial, no qual interpreta uma ciborgue chamada Ava, que fica confinada no subsolo de uma mansão para ser testada. Vikander explora os limites do real e do virtual de acordo com a proposta do filme, e acaba salvando o filme de Alex Garland. No Oscar, pela campanha, ela deve concorrer por A Garota Dinamarquesa.

Alicia Vikander como Ava em Ex-Machina: Instinto Artificial (photo by cinemagia,ro)

Alicia Vikander como Ava em Ex-Machina: Instinto Artificial (photo by cinemagia.ro)

Com as vitórias de Spotlight, Mad Max, Carol e Anomalisa aqui, juntando com outros fortes concorrentes como Perdido em Marte, A Garota Dinamarquesa, Ponte dos Espiões, Steve JobsBrooklyn e Os 8 Odiados, já dá pra se ter uma idéia dos possíveis concorrentes ao Globo de Ouro 2016, cujos indicados serão revelados no próximo dia 10 de dezembro. E ainda acredito que George Miller leve o Globo de Ouro de Direção.

Recebendo prêmio especial, a montadora britânica Anne V. Coates, vencedora do Oscar pelo clássico de David Lean, Lawrence da Arábia (1962), e conceituada pelos trabalhos de edição em O Homem Elefante (1980), Na Linha do Fogo (1993) e Irresistível Paixão (1998), será homenageada aos 89 anos. Será apenas a segunda montadora a receber tal honraria na história do prêmio depois da falecida Dede Allen. Ela ficou mundialmente conhecida pelos cortes precisos nesta cena de Lawrence da Arábia, em que vemos a ação do personagem soprando o fósforo para chegar ao belo deserto.

VENCEDORES DO LAFCA AWARDS 2015:

MELHOR FILME: Spotlight
2º Lugar: Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road)

MELHOR DIRETOR: George Miller (Mad Max: Estrada da Fúria)
2º Lugar: Todd Haynes (Carol)

MELHOR ATOR: Michael Fassbender (Steve Jobs)
2º Lugar: Géza Röhrig (O Filho de Saul)

MELHOR ATRIZ: Charlotte Rampling (45 Anos)
2º Lugar: Saoirse Ronan (Brooklyn)

MELHOR ATOR COADJUVANTE: Michael Shannon (99 Homes)
2º Lugar: Mark Rylance (Ponte dos Espiões)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Alicia Vikander (Ex-Machina: Instinto Artificial)
2º Lugar: Kristen Stewart (Acima das Nuvens)

MELHOR ROTEIRO: Tom McCarthy e Josh Singer (Spotlight)
2º Lugar: Charlie Kaufman (Anomalisa)

MELHOR FOTOGRAFIA: John Seale (Mad Max: Estrada da Fúria)
2º Lugar: Edward Lachman (Carol)

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA: O Filho de Saul, de László Nemes (Hungria)
2º Lugar: A Gangue, de Miroslav Slaboshpitsky (Ucrânia)

MELHOR TRILHA MUSICAL: Carter Burwell (Anomalisa) (Carol)
2º Lugar: Ennio Morricone (Os 8 Odiados)

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE: Colin Gibson (Mad Max: Estrada da Fúria)
2º Lugar: Judy Becker (Carol)

MELHOR MONTAGEM: Hank Corwin (A Grande Aposta)
2º Lugar: Margaret Sixel (Mad Max: Estrada da Fúria)

MELHOR ANIMAÇÃO: Anomalisa, de Charlie Kaufman e Duke Johnson
2º Lugar: Divertida Mente, de Pete Docter

PRÊMIO NEW GENERATION: Ryan Coogler (Creed: Nascido Para Lutar)

MELHOR DOCUMENTÁRIO: Amy, de Asif Kapadia
2º Lugar: The Look of Silence, de Joshua Oppenheimer

PRÊMIO PELO CONJUNTO DA OBRA: Anne V. Coates

Amy, de Asif Kapadia, levou o prêmio de Melhor Documentário (photo by outnow.ch)

Amy, de Asif Kapadia, levou o prêmio de Melhor Documentário (photo by outnow.ch)

PRIMEIRO PREVIEW OSCAR 2016

QUEM ESTARÁ NO TAPETE VERMELHO EM 2016?

Sim, estamos no mês de agosto, ainda a 6 meses da cerimônia do Oscar 2016, mas já está rolando um burburinho de algumas produções que liberaram seus press releases e trailers. Muitos dos candidatos presentes nesse post foram baseados no histórico dos nomes envolvidos (sejam atores, diretores e equipe técnica) e indicações anteriores, uma vez que a Academia tem o costume de favorecer os artistas que já foram nomeados, mas nunca levaram a estatueta como é o caso do ator Johnny Depp. Muito querido pelo público, ele já teve três oportunidades de ganhar, mas nunca levou, assim como Leonardo DiCaprio, que pode ter sua sexta indicação com o trabalho do diretor Alejandro González Iñárritú.

No geral, muitos trabalhos candidatos beberam da fonte das histórias verídicas, uma vez que a Academia tem um perfil que valoriza temas e tramas calcadas na realidade. Só para citar alguns exemplos mais recentes, temos 12 Anos de Escravidão, Argo e O Discurso do Rei. As cinebiografias também estão em alta, pois sempre proporcionam papéis de maior profundidade e com capacidade para se destacar na temporada de premiações, como é o caso de Tom Hiddleston que interpreta o cantor e compositor Hanks Williams em I Saw the Light, ou Eddie Redmayne, que encorpora Lili Elbe, uma das primeiras pessoas a passar por cirurgia de troca de sexo em The Danish Girl.

CRÍTICOS FAZEM AS PRIMEIRAS TRIAGENS

Quando estamos nesse período do ano, o burburinho (o chamado Oscar buzz) corre solto e há listas e mais listas de vários tipos possíveis de indicados, que muitas vezes refletem o desejo dos próprios autores dessas mesmas listas. Portanto, a coisa só começa a ficar séria mesma quando os críticos americanos passam a eleger seus melhores do ano.

O primeiro a revelar sua lista é o National Board of Review (NBR). Apesar de não ter coincidido seus vencedores com o do Oscar, a organização fundada em 1909 busca ser fiel aos seus princípios e acaba elegendo grandes filmes como A Hora Mais Escura, A Invenção de Hugo Cabret e A Rede Social.

Já o New York Film Critics Circle (NYFCC) e o Los Angeles Film Critics Association (LAFCA) costumam ter maior porcentagem de acerto, mas ultimamente tem sido mais pelas categorias de atuação. Esses críticos abrem caminho para que os grandes prêmios como o Critics’ Choice Awards e o Globo de Ouro possam avaliar melhor o que houve de melhor em cinema no ano. Para eles, não importa muito o histórico da equipe ou do elenco, mas a produção em si, gerando uma votação livre de hábitos e círculos viciosos.

PREVISÃO PARA 2016

Ao contrário dos previews anteriores, resolvi simplificar e gerar as possíveis indicações por filme, e não por categoria. Claro que devem existir mais alguns filmes com chance, mas seria praticamente impossível relacionar todos aqui. Algumas vezes, os favoritos ao Oscar surgem na reta final e acabam surpreendendo como aconteceu com quando O Discurso do Rei tomou a dianteira de A Rede Social pouco antes do Oscar.

Então, sem mais delongas, vamos aos possíveis indicados ao Oscar 2016 (em ordem aleatória):

OS OITO ODIADOS (The Hateful Eight)
Dir: Quentin Tarantino

Os Oito Odiados: (photo by blogbusters.ch)

Os Oito Odiados: Kurt Russell, Jennifer Jason Leigh e Bruce Dern na primeira foto. Samuel L. Jackson na segunda e Michael Madsen na terceira. (photo by blogbusters.ch)

Sinopse: Numa Wyoming pós-Guerra Civil, caçadores de recompensa buscam abrigo durante nevasca, mas acabam se envolvendo numa trama de traição e decepção. Eles sobreviverão?

Deve receber indicação: Roteiro Original (Quentin Tarantino), Fotografia (Robert Richardson), Trilha Musical Original (Ennio Morricone)

Dúvida: Filme, Diretor (Quentin Tarantino), Ator Coadjuvante (Bruce Dern), Ator Coadjuvante (Samuel L. Jackson), Montagem (Fred Raskin), Figurino (Courtney Hoffman) e Maquiagem

Quentin Tarantino vive sua segunda ascensão junto à Academia. Depois de estourar com Pulp Fiction – Tempo de Violência em 1994, vencendo o Oscar de Roteiro Original, passou por um ostracismo com os dois volumes de Kill Bill (2003 e 2004) e À Prova de Morte (2007), que não receberam nenhuma indicação, e voltou ao topo com Bastardos Inglórios (2009) e Django Livre (2012), ganhando seu segundo Oscar pelo roteiro do último. Assim, existem altas expectativas para que este oitavo longa de sua autoria esteja na lista de indicações da Academia. Logo de cara, seu roteiro já figura como quase uma indicação unânime. O diretor de fotografia Robert Richardson, que já levou 3 Oscars, aparece logo atrás, assim como Ennio Morricone, mundialmente famoso por suas trilhas de western spaghetti que fez em parceria com o diretor Sergio Leone. O compositor italiano foi indicado 5 vezes, mas só ganhou o Oscar Honorário em 2007, e a Academia gosta de premiar os artistas mesmo após a honraria, como foi o caso do ator Paul Newman.

Sem Christoph Waltz, que levou dois Oscars de coadjuvante pelos últimos trabalhos de Tarantino, o diretor conta com a experiência do veterano Bruce Dern, que passou por um momento revival graças ao filme Nebraska, de Alexander Payne, que lhe rendeu sua segunda indicação ao Oscar em 2014. Se seu papel como General Sandy Smithers for consistente, pode se tornar material de Oscar. No elenco, alguns nomes também podem virar ouro como Demian Bichir (indicado ao Oscar de Melhor Ator em 2012 por Uma Vida Melhor), e os colaboradores assíduos Samuel L. Jackson e Tim Roth, e até a meio sumida Jennifer Jason Leigh.

O REGRESSO (The Revenant)
Dir: Alejandro González Iñárritú

Leonardo DiCaprio em cena de O Regresso (photo by outnow.ch)

Leonardo DiCaprio em cena de O Regresso (photo by outnow.ch)

Sinopse: Em 1820, o fronteiriço Hugh Glass (Leonardo DiCaprio) busca vingança contra aqueles que deixaram-no para morrer num ataque de ursos.

Deve receber indicação: Filme, Diretor (Alejandro G. Iñárritú), Ator (Leonardo DiCaprio), Fotografia (Emmanuel Lubezki), Montagem (Stephen Mirrione), Direção de Arte (Jack Fisk), Som e Efeitos Sonoros.

Dúvida: Ator Coadjuvante (Tom Hardy), Roteiro Adaptado (Alejandro G. Iñárritú e Mark L. Smith), Figurino (Jacqueline West)

Depois de ter conquistado o Oscar com Birdman este ano, o diretor mexicano Alejandro González Iñárritú tem cartucho pra gastar. Ele retorna com a mesma equipe técnica vencedora com uma saga de vingança e de época, que praticamente garante a presença do filme nas categorias de fotografia e direção de arte. No ano passado, rolaram alguns memes sobre a impossibilidade de DiCaprio ganhar o Oscar que considero meio exageradas. Primeiramente, o ator teve apenas 4 indicações, número relativamente baixo se comparado a Peter O’Toole, que saiu derrotado em 8 ocasiões, e Richard Burton em 7. E em segundo lugar, DiCaprio evoluiu bastante desde o começo de sua parceria com o diretor Martin Scorsese. Particularmente, acho as performances dele exageradas. Se ele souber ser mais contido, terá mais chances de agradar e cansar menos o público com suas expressões de nervosismo e gritos esporádicos. Esse seu estilo casou bem com o papel de Jordan Belfort em O Lobo de Wall Street, e por isso considero sua melhor atuação, mas nem sempre servirá para outros tipos de papéis.

Apesar de incluir o filme nas principais categorias, ainda tenho minhas dúvidas. Pelo trailer, pareceu ser mais um filme de ação do que um épico que agrade a todos. Caso o filme não tenha uma pegada mais social, dificilmente será abraçado pela Academia, restando apenas as categorias mais técnicas. Com o pano de fundo com índios, pode ser comparado a Dança com Lobos, mas o filme de Kevin Costner, que conquistou 7 estatuetas em 1991, tinha como foco o comportamento social entre povos indígenas e o homem branco, não meramente a ação.

ALIANÇA DO CRIME (Black Mass)
Dir: Scott Cooper

Benedict Cumberbatch atua com um Johnny Depp quase irreconhecível em Aliança do Crime (photo by outnow.ch)

Benedict Cumberbatch atua com um Johnny Depp quase irreconhecível em Aliança do Crime (photo by outnow.ch)

Sinopse: Cinebiografia de Whitey Bulger, um dos criminosos mais procurados de South Boston, que acabou se tornando informante do FBI.

Deve receber indicação: Melhor Ator (Johnny Depp), Maquiagem

Dúvida: Filme, Diretor (Scott Cooper), Ator Coadjuvante (Benedict Cumberbatch), Ator Coadjuvante (Joel Edgerton), Montagem (David Rosenbloom)

Essa transformação de Johnny Depp vem sendo comentada pela mídia especializada há um bom tempo, no mesmo nível de repercussão de Meryl Streep como Margareth Thatcher (A Dama de Ferro), Kate Winslet como Hannah Schmidt (O Leitor) e Jamie Foxx como Ray Charles (Ray), o que certamente colabora na campanha do ator para sua primeira estatueta depois de três indicações anteriores (Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra, Em Busca da Terra do Nunca e Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet).

Apesar do diretor meio desconhecido (Scott Cooper dirigiu apenas Coração Louco, que rendeu o Oscar para Jeff Bridges, e Tudo por Justiça), Aliança do Crime é impulsionado pela força de seu elenco, formado por Benedict Cumberbatch, Kevin Bacon, Joel Edgerton, Juno Temple e Peter Sarsgaard.

CAROL
Dir: Todd Haynes

Cate Blanchett em Carol, de Todd Haynes. (photo by Weinstein Co. through variety.com)

Cate Blanchett em Carol, de Todd Haynes. (photo by Weinstein Co. through variety.com)

Sinopse: A jovem Therese conhece a elegante Carol, recém-divorciada. As duas percebem que têm muito em comum, e logo um romance se desenvolve entre elas. Para fugir aos olhares dos moradores locais, elas decidem fazer uma viagem pelos EUA, mas percebem que um detetive está seguindo os seus passos.

Deve receber indicação: Diretor (Todd Haynes), Atriz (Cate Blanchett), Atriz Coadjuvante (Rooney Mara), Figurino (Sandy Powell)

Dúvida: Filme, Roteiro Adaptado (Phyllis Nagy)

O filme se tornou um estouro no último Festival de Cannes e a imprensa estrangeira logo colocou Blanchett como favorita ao prêmio de interpretação feminina. Contudo, o júri presidido pelos irmãos Coen não foi na onda, e o prêmio foi parar nas mãos de Rooney Mara (mais cotada como coadjuvante pelo mesmo filme). Ela dividiu o prêmio com Emmanuelle Bercot (Mon Roi).

Com a distribuidora Weinstein Company por trás da campanha, o filme deve conseguir sem grandes dificuldades as indicações para as atrizes, mas devido ao tom lésbico, ainda é cedo pra garantir lugar entre os acadêmicos do Oscar.

THE DANISH GIRL
Dir: Tom Hooper

Eddie Redmayne caracterizado como a Danish Girl (photo by cine.gr)

Eddie Redmayne caracterizado como a Danish Girl (photo by cine.gr)

Sinopse: Nos anos 20 na Dinamarca, a artista Gerda Wegener pintou seu marido, Einar Wegener, como uma mulher. Depois que a pintura ganhou popularidade, ele começou a mudar sua aparência para feminina e adotar o nome Lili Elbe. Com o apoio da esposa, ele se tornou o primeiro homem a passar por cirurgia de troca de sexo.

Deve receber indicação: Ator (Eddie Redmayne), Atriz Coadjuvante (Alicia Vikander), Trilha Musical Original (Alexandre Desplat), Direção de Arte (Eve Stewart), Figurino (Paco Delgado)

Dúvida: Filme, Diretor (Tom Hooper), Roteiro Adaptado (Lucinda Coxon)

Eddie Redmayne acaba de ganhar o Oscar de Melhor Ator por sua impecável reprodução de Stephen Hawking em A Teoria de Tudo, e agora volta como outra figura importante utilizando mais um processo de transformação. Alguns mais exaltados já estão apostando no segundo Oscar consecutivo, o que o colocaria no mesmo patamar de Spencer Tracy e Tom Hanks, os únicos a ganhar Oscar de Ator consecutivamente.

Claro que ajuda o fato de contar com um diretor vencedor do Oscar, Tom Hooper, que venceu por O Discurso do Rei. O diretor foi responsável por 5 indicações de atores até o momento, e duas vitórias: Colin Firth (O Discurso do Rei) e Anne Hathaway (Os Miseráveis).

JOY: O NOME DO SUCESSO (Joy)
Dir: David O. Russell

Cena com Jennifer Lawrence em Joy (photo by cine.gr)

Cena com Jennifer Lawrence em Joy (photo by cine.gr)

Sinopse: O filme acompanha a trajetória de sucesso da criadora da Ingenious Designs, Joy Mangano, além da história de sua família por quatro gerações até se tornar a fundadora e matriarca de uma poderosa dinastia de família de negócios.

Deve receber indicação: Filme, Diretor (David O. Russell), Atriz (Jennifer Lawrence), Ator Coadjuvante (Bradley Cooper), Ator Coadjuvante (Robert De Niro), Roteiro Original (David O. Russell e Annie Mumolo)

Dúvida: Figurino (Michael Wilkinson)

Ok, vamos contabilizar. Em 2011, O Vencedor recebeu 7 indicações ao Oscar e levou dois de Coadjuvante para Christian Bale e Melissa Leo. Em 2013, O Lado Bom da Vida recebeu 8 indicações e levou Melhor Atriz para Jennifer Lawrence. Em 2014, Trapaça acumulou 10 indicações, mas não levou nada. Todos os últimos filmes de David O. Russel foram indicados a Melhor Filme e Melhor Diretor, portanto não dá pra esperar menos deste Joy: O Nome do Sucesso, que conta com muitos dos mesmos atores e da mesma equipe técnica.

Vendo o trailer, não dá pra esperar muita coisa do filme, mas Russell está em alta com a Academia, e mesmo que as vitórias ainda não venham, certamente as indicações já estão encaminhadas.

PONTE DOS ESPIÕES (Bridge of Spies)
Dir: Steven Spielberg

Em primeiro plano, Tom Hanks vive o advogado James Donovan em Ponte de Espiões (photo by outnow.ch)

Em primeiro plano, Tom Hanks vive o advogado James Donovan em Ponte dos Espiões (photo by outnow.ch)

Sinopse: Um advogado é recrutado pela CIA durante a Guerra Fria para resgatar um piloto detido na União Soviética.

Deve receber indicação: Filme, Diretor (Steven Spielberg), Ator (Tom Hanks), Roteiro Original (Matt Charman, Joel Coen e Ethan Coen), Fotografia (Janusz Kaminski), Montagem (Michael Khan). Trilha Musical Original (Thomas Newman), Direção de Arte (Adam Stockhausen), Efeitos Sonoros

Dúvida: Ator Coadjuvante (Alan Alda), Atriz Coadjuvante (Amy Ryan) e Figurino (Kasia Walicka-Maimone)

Steven Spielberg e Tom Hanks já trabalharam juntos em O Resgate do Soldado Ryan (1998), Prenda-me Se For Capaz (2002) e O Terminal (2005). Em 1999, Spielberg levou seu segundo Oscar e Hanks uma indicação pelo filme de guerra, portanto as chances são boas de sucesso na Academia com este Ponte dos Espiões.

Trata-se da primeira vez que Spielberg dirige um roteiro escrito pelos irmãos Coen, o que deve facilitar as coisas na campanha. Além disso, se Spielberg está entre os indicados, toda sua trupe técnica deve comparecer e preencher as vagas de indicações como aconteceu em seus últimos filmes: Cavalo de Guerra (2011) e Lincoln (2012).

SNOWDEN
Dir: Oliver Stone

Joseph Gordon-Levitt como Edward Snowden, em Snowden (photo by outnow.ch)

Joseph Gordon-Levitt como Edward Snowden, em Snowden (photo by outnow.ch)

Sinopse: Agente da CIA, Edward Snowden, vaza uma série de informações confidenciais para a imprensa, causando sua deserção na Rússia até os dias de hoje.

Deve receber indicação: Ator (Joseph Gordon-Levitt) e Roteiro Adaptado (Kieran Fitzgerald)

Dúvida: Diretor (Oliver Stone), Atriz Coadjuvante (Shailene Woodley) e Fotografia (Anthony Dod Mantle)

Pró: Novo filme de Oliver Stone. Contra: Quando foi a última vez que um filme de Oliver Stone repercutiu tanto? JFK – A Pergunta que Não Quer Calar (1991)? Assassinos por Natureza (1994)? Claro que Stone sempre terá prestígio junto à Academia por suas vitórias com Platoon (1986) e Nascido em Quatro de Julho (1989), mas nas últimas décadas, tem caído no esquecimento, principalmente depois do fiasco de Alexandre (2004).

Mas com este Snowden, um tema bastante polêmico que o diretor sabe tirar de letra, Oliver Stone pode finalmente ter seu retorno triunfal. Se a Academia gostar do filme, certamente estará na lista de diretores, caso contrário, a indicação pode ficar apenas com o ator Joseph Gordon-Levitt, que seria sua primeira. Vale lembrar que Gordon-Levitt tem outro trabalho em destaque neste ano por A Travessia (veja mais abaixo), o que sempre ajuda na hora de descolar a primeira indicação ao Oscar.

  • A estréia de Snowden foi adiada para Maio de 2016, portanto, fora do próximo Oscar.

TRUMBO
Dir: Jay Roach

Bryan Cranston caracterizado como o roteirista Dalton Trumbo (photo by elfilm.com)

Bryan Cranston caracterizado como o roteirista Dalton Trumbo (photo by elfilm.com)

Sinopse: A carreira bem-sucedida do roteirista em Hollywood é comprometida quando ele é inserido na lista negra do senador Joseph McCarthy nos anos 40 por suspeita de ser comunista.

Deve receber indicação: Ator (Bryan Cranston), Atriz Coadjuvante (Helen Mirren)

Dúvida: Filme, Roteiro Adaptado (John McNamara)

Por se tratar de uma receita básica que funciona no Oscar, Trumbo está aqui na lista: 1º filme biográfico. 2º sobre roteirista de Hollywood, que foi inclusive vencedor do Oscar usando pseudônimos 3º porque foi perseguido por estar na lista negra do McCarthismo 4º e contando com a ajuda de um ator em extrema ascensão depois da série de TV Breaking Bad. “Só” por esses motivos o filme tem lugar cativo nas previsões.

O único, porém maior problema, é o nome fraco na direção. Não que Jay Roach, responsável pelas trilogias de comédia Austin Powers e Entrando Numa Fria não tenha seu talento, mas à princípio não era o nome mais apropriado para assumir este projeto mais sério. Só pra exemplificar, se Ron Howard, Bennett Miller ou mesmo George Clooney estivesse por trás da câmera, Trumbo já figuraria como franco-favorito ao Oscar 2016.

FREEHELD
Dir: Peter Sollett

Ellen Page e Julianne Moore em cena de Freeheld

Ellen Page e Julianne Moore em cena de Freeheld

Sinopse: A policial Laurel Hester (Julianne Moore) e sua companheira Stacie (Ellen Page) lutam na justiça para conseguir os benefícios de pensão para Hester quando ela é diagnosticada com câncer terminal.

Deve receber indicação: Atriz (Julianne Moore), Atriz Coadjuvante (Ellen Page)

Dúvida: Ator Coadjuvante (Michael Shannon)

Baseado em um documentário-curta vencedor do Oscar em 2008, Freeheld tem a fórmula para se destacar na temporada de premiações: drama, doença terminal, opção sexual e ótimo elenco. Mas estaria a Academia aberta a um filme de temática lésbica? A última produção que apresentava lesbianismo, Minhas Mães e Meu Pai, foi até indicada a Melhor Filme em 2011, mas não levou nada. Indicar é relativamente fácil, mas ganhar é outros quinhentos…

Toda vez que lembro desse conservadorismo teimoso, vem à mente a derrota de O Segredo de Brokeback Mountain diante do maniqueísta e bidimensional Crash – No Limite em 2006. De qualquer forma, a expectativa é de que pelo menos as atrizes sejam reconhecidas por suas performances. Não ajuda o fato do diretor ser praticamente desconhecido, mas Julianne Moore acaba de ganhar seu primeiro Oscar e pode, com este papel, ganhar seu segundo consecutivo e ainda puxar a segunda indicação da jovem Ellen Page como coadjuvante.

STEVE JOBS
Dir: Danny Boyle

Michael Fassbender como Steve Jobs (photo by cine.gr)

Michael Fassbender como Steve Jobs (photo by cine.gr)

Sinopse: A vida e o legado de Steve Jobs, baseado na biografia de Walter Isaacson.

Deve receber indicação: Ator (Michael Fassbender), Atriz Coadjuvante (Kate Winslet), Roteiro Adaptado (Aaron Sorkin)

Dúvida: Filme, Diretor (Danny Boyle), Ator Coadjuvante (Jeff Daniels)

Quando o filme biográfico Jobs saiu em 2013, havia uma especulação de que Ashton Kutcher poderia ser indicado ao Oscar. Mas esse burburinho só rendeu durante o período em que a foto dele foi divulgada já como Steve Jobs, pois havia uma semelhança bem considerável entre ambos, mas logo acabou quando a crítica viu o filme e sua interpretação. Dois anos depois, um novo filme sobre o criador da Apple surge no horizonte, mas com uma equipe técnica infinitamente superior: Danny Boyle na direção, Scott Rudin na produção, Aaron Sorkin (A Rede Social) no roteiro e Guy Hendrix Dyas (A Origem) na direção de arte. Com esses nomes, o filme Steve Jobs automaticamente se tornou um forte candidato ao Oscar.

Particularmente, por mais que Michael Fassbender seja um dos melhores atores dessa geração, ainda tenho minhas ressalvas se ele foi a melhor opção pra dar vida ao inventor, já que é alemão e não se parece quase nada com a figura pública (talvez um trabalho de maquiagem bem feito teria ajudado…), mas torço para que ele possa surpreender positivamente. Claro que a presença da vencedora do Oscar, Kate Winslet, no elenco ajuda e muito na campanha do filme na temporada de premiações.

SR. HOLMES (Mr. Holmes)
Dir: Bill Condon

Ian McKellen como Sherlock Holmes em Mr. Holmes (photo by outnow.ch)

Ian McKellen como Sherlock Holmes em Mr. Holmes (photo by outnow.ch)

Sinopse: O já aposentado Sherlock Holmes destrincha seu passado quando tenta desvendar um mistério não solucionado envolvendo uma bonita mulher.

Deve receber indicação: Ator (Ian McKellen), Atriz Coadjuvante (Laura Linney)

Dúvida: Roteiro Adaptado (Jeffrey Hatcher), Direção de Arte (Martin Childs), Trilha Musical Original (Carter Burwell)

Logo que foi anunciado o filme de Sherlock Holmes com Ian McKellen, já previa uma indicação para o ator britânico. McKellen foi roubado na cara dura em 1999, quando perdeu para o pastelão do Roberto Benigni (A Vida é Bela), por sua atuação magnânima em Deuses e Monstros. Depois disso, tornou-se muito popular ao assumir papéis icônicos da cultura pop: o mutante Magneto nos filmes dos X-Men e o mago Gandalf nas trilogias de O Hobbit e O Senhor dos Anéis, por qual recebeu sua segunda indicação ao Oscar em 2002, mas perdeu pra um inspirado Jim Broadbent em Iris.

Claro que, se o filme for bom e sua performance estiver à altura de seu talento, trata-se de uma excelente oportunidade de premiar com um Oscar um dos melhores atores vivos. Sr. Holmes se torna ainda mais especial por reprisar a parceria do ator com o diretor Bill Condon, com quem trabalhou em Deuses e Monstros. No elenco, Laura Linney tem tudo pra receber sua 4ª indicação.

AS SUFRAGISTAS (Suffragette)
Dir: Sarah Gavron

Carey Mulligan (centro) em cena de protesto de Suffragette (photo by cine.gr)

Carey Mulligan (centro) e Helena Bonham Carter (à direita) em cena de protesto de As Sufragistas (photo by cine.gr)

Sinopse: O filme retrata um dos primeiros movimentos feministas contra o Estado machista e opressor. As integrantes do movimento viram seus protestos pacíficos resultarem em nada para então partir para a violência, o que ameaçava suas vidas, seus empregos e suas famílias.

Deve receber indicação: Atriz (Carey Mulligan), Atriz Coadjuvante (Meryl Streep), Atriz Coadjuvante (Helena Bonham Carter)

Dúvida: Filme, Roteiro Original (Abi Morgan), Trilha Musical Original (Alexandre Desplat), Montagem (Barney Pilling), Figurino (Jane Petrie), Direção de Arte (Alice Normington)

Lembram-se do discurso pró-igualdade para as mulheres de Patricia Arquette no Oscar deste ano? E do apoio incondicional de Meryl Streep (“Yes! Yes!”) da poltrona? Pois é, o movimento feminista em alta ganha mais um reforço com este filme de época no qual a luta das mulheres se tornou um marco na história. E com Streep no elenco, o filme tem tudo pra se destacar na temporada de premiações do Globo de Ouro, Oscar, BAFTA e SAG.

Por mais que a diretora seja meio desconhecida, acho bacana tanto a diretora quanto a roteirista serem mulheres, afinal ninguém melhor do que as próprias mulheres pra contar uma história de luta feminista. A roteirista Abi Morgan pode conseguir sua primeira indicação após destaque por Shame e A Dama de Ferro. Já Carey Mulligan, que brilhou como a estudante inocente de Educação, precisa cumprir seu papel de jovem promessa de Hollywood. Como se trata de uma produção de época, são esperadas indicações de direção de arte e figurino.

NOCAUTE (Southpaw)
Dir: Antoine Fuqua

Jake Gyllenhaal como o boxeador Billy Hope com o treinador Tick Wills (Forest Whitaker) em cena de Southpaw (photo by outnow.ch)

Jake Gyllenhaal como o boxeador Billy Hope com o treinador Tick Wills (Forest Whitaker) em cena de Nocaute (photo by outnow.ch)

Sinopse: O boxeador Billy Hope procura o treinador Tick Wills para colocá-lo de volta aos trilhos depois que perde sua mulher num trágico acidente e sua filha para o serviço de proteção à criança.

Deve receber indicação: Ator (Jake Gyllenhaal), Trilha Musical Original (James Horner)

Dúvida: Ator Coadjuvante (Forest Whitaker), Montagem (John Refoua), Canção Original (Eminem)

Depois da inacreditável ausência de Jake Gyllenhaal na lista de atores indicados a Melhor Ator este ano por O Abutre, a Academia automaticamente está em dívida com o ator, que já foi indicado como Coadjuvante por O Segredo de Brokeback Mountain. Além disso, chama atenção sua transformação do esquelético videomaker de O Abutre para este atlético e forte boxeador de Nocaute, que lembra a flexibilidade de Edward Norton que passou do forte neo-nazista de A Outra História Americana para o franzino de Clube da Luta. Essas transformações costumam ser a base de uma boa campanha para o Oscar. Claro que se o filme também for bom, as chances de vitória são ainda maiores. Já quando o filme não colabora, as chances caem drasticamente. Em 2000, o filme Hurricane – O Furacão conseguiu conquistar apenas a indicação de Denzel Washington, que acabou perdendo para Kevin Spacey (Beleza Americana), porque o filme de Sam Mendes era bem mais consistente.

Vale lembrar que este é um dos últimos trabalhos do compositor James Horner, que morreu numa queda de avião no final de junho. E por se tratar de um filme de boxe, as chances da trilha musical e da montagem se destacarem são ótimas. Resta saber se o filme de Antoine Fuqua (Dia de Treinamento) vai agradar à crítica.

SICARIO: TERRA DE NINGUÉM (Sicario)
Dir: Dennis Villeneuve

Em segundo plano, da esquerda para a direita: Emily Blunt, Josh Brolin e Benicio Del Toro em cena de Sicario: Terra de Ninguém (photo by cine.gr)

Em segundo plano, da esquerda para a direita: Emily Blunt, Josh Brolin e Benicio Del Toro em cena de Sicario: Terra de Ninguém (photo by cine.gr)

Sinopse: Uma agente idealista do FBI é designada pelo governador numa força-tarefa contra as drogas na área da fronteira dos EUA com o México.

Deve receber indicação: Atriz (Emily Blunt), Fotografia (Roger Deakins), Trilha Musical Original (Jóhann Jóhannsson), Montagem (Joe Walker)

Dúvida: Ator Coadjuvante (Benicio Del Toro), Ator Coadjuvante (Josh Brolin)

A sinopse me lembrou O Silêncio dos Inocentes ao ter como protagonista uma jovem agente do FBI em formação encarando um universo bem sombrio. E o diretor canadense Dennis Villeneuve já demonstrou que conhece bem esse território sombrio com Os Suspeitos (2013). O filme concorreu à Palma de Ouro no último Festival de Cannes e por muitos críticos foi considerado um “soco no estômago” por suas cenas fortes. Por esse mesmo motivo, não deve concorrer ao Oscar de Melhor Filme, porque os acadêmicos têm aversão à violência.

Mas se a campanha for boa, o diretor pode ser recompensado em sua categoria. E quem sabe a fotografia de Roger Deakins não ganha seu primeiro Oscar depois de 12 indicações? Já dentre os atores, apesar de contar com Benicio Del Toro (vencedor de Ator Coadjuvante por Traffic) e Josh Brolin (indicado para Ator Coadjuvante por Milk – A Voz da Igualdade), o maior destaque do filme é Emily Blunt, que passa por uma experiência transformadora como a agente do FBI, podendo finalmente conquistar sua primeira indicação.

A TRAVESSIA (The Walk)
Dir: Robert Zemeckis

Cena de A Travessia com Joseph Gordon-Levitt e Charlotte Le Bon (photo by outnow.ch)

Cena de A Travessia com Joseph Gordon-Levitt e Charlotte Le Bon (photo by outnow.ch)

Sinopse: A trajetória do artista francês Phillippe Petit para cruzar as Torres Gêmeas sobre um cabo de aço em 1974.

Quem deve receber indicação: Ator (Joseph Gordon-Levitt), Roteiro Adaptado (Robert Zemeckis e Christopher Browne)

Dúvida: Filme, Diretor (Robert Zemeckis), Ator Coadjuvante (Ben Kingsley), Trilha Musical Original (Alan Silvestri)

Apesar de Forrest Gump: O Contador de Histórias ter ganhado 6 Oscars há mais de 20 anos, o diretor Robert Zemeckis sempre terá um prestígio na Academia e por isso mesmo, seus filmes têm lugar cativo no burburinho do Oscar. Em 2013, seu filme O Vôo recebeu duas indicações (Melhor Ator para Denzel Washington e Roteiro Original), o que significa que Zemeckis está buscando retorno triunfal. Com este novo projeto baseado na história real de Phillippe Petit, que caminhou sobre um cabo de aço entre as duas Torres Gêmeas, ele pode ter sua chance.

A história verídica já foi tema do documentário O Equilibrista (Man on Wire), que venceu o Oscar de Melhor Documentário em 2009, o que concede maior credibilidade ao filme. Se Zemeckis souber captar bem o lado emocional da história, o filme pode conquistar o público e a crítica. Para ajudá-lo nessa difícil tarefa, ele conta com o veterano Ben Kingsley no elenco e o jovem Joseph Gordon-Levitt como o protagonista Petit.

O CORAÇÃO DO MAR (In the Heart of the Sea)
Dir: Ron Howard

Chris Hemsworth em cena de O Coração do Mar (photo by cine.gr)

Chris Hemsworth em cena de O Coração do Mar (photo by cine.gr)

Sinopse: Baseado em história ocorrida em 1820, sobre embarcação que é caçada por baleia durante 90 dias em alto mar. Adaptação de livro de Nathaniel Philbrick que teria inspirado o clássico literário Moby Dick.

Quem deve receber indicação: Fotografia (Anthony Dod Mantle), Montagem (Daniel P. Hanley e Mike Hill) e Som.

Dúvida: Filme, Diretor (Ron Howard)

Após ganhar prestígio com o Oscar de direção e filme com Uma Mente Brilhante em 2002, Ron Howard se tornou nome relevante a cada novo trabalho, e assim acabou novamente indicado ao Oscar de direção com Frost/Nixon em 2009 e foi bem cotado por Rush: No Limite da Emoção em 2014, mas tenho minhas dúvidas se ele retorna ao tapete vermelho com um filme de aventura estrelado por Chris Hemsworth.

Embora o elenco tenha nomes razoáveis como Cillian Murphy, Ben Wishaw e o novo Homem-Aranha, Tom Holland, acredito que O Coração do Mar ficará limitado às categorias mais técnicas, a menos que sua bilheteria seja extremamente expressiva e colabore em sua campanha vitoriosa.

SPOTLIGHT
Dir: Tom McCarthy

Da esquerda pra direita: Michael Keaton, Liv Schreiber, Mark Ruffalo, Rachel McAdams... em Spotlight (photo by outnow.ch)

Da esquerda pra direita: Michael Keaton, Liv Schreiber, Mark Ruffalo, Rachel McAdams, John Slattery e Brian d’Arcy James em Spotlight (photo by outnow.ch)

Sinopse: A verdadeira história de como o jornal The Boston Globe desvendou o escândalo de abuso de crianças e encoberto pela igreja Arquidiocese local que estremeceu a Igreja Católica toda.

Deve receber indicação: Roteiro Original (Tom McCarthy e Josh Singer)

Dúvida: Filme, Diretor (Tom McCarthy), Ator (Mark Ruffalo), Trilha Musical Original (Howard Shore)

O roteiro do filme foi baseado numa história verídica que gerou uma matéria que venceu o prestigiado prêmio Pullitzer, fato que já chama a atenção por si só. Esse tipo de história costuma atrair bons nomes para os papéis porque são criados a partir de heróis reais como uma Erin Brockovich, por exemplo, que desmantelou toda uma grande corporação ao descobrir que contaminavam a água de sua cidade.

Dessa forma, temos Mark Ruffalo como o protagonista e Michael Keaton como seu parceiro. Ruffalo é um nome que vem em ascensão há anos e só não conseguirá sua terceira indicação se o páreo da categoria de Melhor Ator estiver muito duro. Quanto a Keaton, acredito que corre bem por fora, mas já é extremamente gratificante vê-lo em grandes produções novamente após tantos anos no ostracismo.

ESPECIALISTA EM CRISE (Our Brand is Crisis)
Dir: David Gordon Green

Sandra Bullock filma cena em Porto Rico (photo by www.laineygossip.com)

Sandra Bullock filma cena em Porto Rico (photo by http://www.laineygossip.com)

Sinopse: Baseado no documentário homônimo sobre o uso de estratégias políticas de campanha americanas na América do Sul.

Deve receber indicação: Filme, Diretor (David Gordon Green), Atriz (Sandra Bullock), Roteiro Original (Peter Straughan)

Dúvida: Ator Coadjuvante (Billy Bob Thornton), Atriz Coadjuvante (Zoe Kazan), Montagem (Colin Patton)

Mais um filme com temática política pode ganhar espaço no Oscar 2016. Além de Spotlight e Suffragette, o filme procura revelar os bastidores da política e a forma como alavancam os candidatos desejados. Curiosamente, assim como Freeheld (citado acima), Especialista em Crise também é uma ficção baseada num documentário.

O roteiro de Peter Straughan (indicado para Roteiro Adaptado em 2012 por O Espião que Sabia Demais) busca destrinchar esse universo do vale-tudo das campanhas políticas na América do Sul contando com o promissor diretor David Gordon Green (vencedor do prêmio de Direção no Festival de Berlim 2013 por Prince Avalanche ), elenco encabeçado por Sandra Bullock e Billy Bob Thornton, e um ótimo ímã para o Oscar: George Clooney como produtor. Ter nomes de celebridades na produção muitas vezes é recompensado pela Academia, como aconteceu com Brad Pitt em 2014 por 12 Anos de Escravidão.

TRUTH
Dir: James Vanderbilt

Cate Blanchett em cena com Robert Reford em Truth (photo by collider.com)

Cate Blanchett em cena com Robert Reford em Truth (photo by collider.com)

Sinopse: Durante seus últimos dias como âncora no noticiário CBS News, Dan Rather apresenta uma notícia falsa sobre como o então presidente Bush se apoiou no privilégio e nas conexões familiares para evitar convocação militar para lutar na Guerra do Vietnã, o que lhe custou seu emprego e de sua superiora Mary Mapes.

Deve receber indicação: Ator (Robert Redford), Atriz Coadjuvante (Cate Blanchett) e Roteiro Adaptado (James Vanderbilt)

Dúvida: Montagem (Richard Francis-Bruce)

Seguindo a linha de candidatos ao Oscar de temática política, Truth pode surpreender e conquistar seu espaço, ainda mais por contar com dois nomes de peso junto à Academia: os atores Cate Blanchett, que ganhou seu segundo Oscar em 2014 por Blue Jasmine, e o veterano Robert Redford, que merecia uma indicação por sua atuação no ótimo Até o Fim (2013).

Ainda no elenco, nomes como Dennis Quaid, Bruce Greenwood e Elisabeth Moss (em ascensão depois da série Mad Men) podem colaborar para um número maior de indicações dependendo da profundidade de seus papéis. Como se trata da estréia na direção do conhecido roteirista do brilhante Zodíaco (2007), James Vanderbilt, sua melhor chance no Oscar está na categoria que lhe consagrou.

DIVERTIDA MENTE (Inside Out)
Dir: Pete Docter

As emoções Tristeza, Raiva, Medo, Nojinho e Alegria em cena de Divertida Mente (photo by outnow,ch)

As emoções Tristeza, Raiva, Medo, Nojinho e Alegria em cena de Divertida Mente (photo by outnow,ch)

Sinopse: Depois de se mudar com seus pais para San Francisco, as emoções da jovem Riley (Alegria, Tristeza, Nojinho, Raiva e Medo) entram em conflito sobre a melhor forma de explorar a nova cidade, casa e escola.

Deve receber indicação: Animação

Dúvida: Roteiro Original (Meg LeFauve, Josh Cooley e Pete Docter) e Trilha Musical Original (Michael Giacchino)

Assim como Monstros S.A., a idéia bastante original não segura um longa-metragem, pelo menos não da forma como foi escrito. Alguns trabalhos da Pixar apresentam esse obstáculo na hora de desenvolver uma história que se desenvolva, e não apenas se desenrole. Por questões de histórico, acredito que consegue facilmente uma indicação ao Oscar de Animação. Depois de perder o Oscar duas vezes consecutivas para produções da Disney (Frozen: Uma Aventura Congelante e Operação Big Hero), a Pixar está tentando recuperar seu posto de supremacia.

Dependendo da competição, o roteiro pode ser, sim, indicado ao Oscar, assim como de outras animações anteriores foram como de Procurando Nemo, Up – Altas Aventuras e Toy Story 3, mas geralmente o que ocorre é o filme ganhando apenas Melhor Animação. E se o roteiro praticamente perfeito de Toy Story 3 não ganhou, dificilmente outro não ganhará também. Já a trilha do compositor Michael Giacchino pode ser reconhecida, mas as chances de vitória são pequenas, ainda mais que já levou a estatueta por Up – Altas Aventuras.

MACBETH: AMBIÇÃO E GUERRA (Macbeth)
Dir: Justin Kurzel

O casal Macbeth: Michael Fassbender e Marion Cotillard na adaptação de Shakespeare (photo by cine.gr)

O casal Macbeth: Michael Fassbender e Marion Cotillard na adaptação de Shakespeare (photo by cine.gr)

Sinopse: Macbeth, um duque da Escócia, recebe a profecia das três bruxas que um dia ele se tornará rei da Escócia. Consumido por ambição e impulsionado à ação por sua esposa, Macbeth assassina seu rei e toma controle do trono.

Deve receber indicação: Figurino (Jacqueline Durran)

Dúvida: Ator (Michael Fassbender) e Atriz (Marion Cotillard)

Clássico de Shakespeare, a adaptação de Macbeth chegou no último Festival de Cannes como o filme responsável por premiar a dupla de atores centrais: o alemão Michael Fassbender e a francesa Marion Cotillard, ambos nomes em alta tanto na Europa quanto em Hollywood (ele foi indicado ao Oscar de Coadjuvante por 12 Anos de Escravidão e ela recebeu sua segunda indicação de Atriz por Dois Dias, Uma Noite), mas não foi isso que aconteceu na Riviera Francesa.

Apesar do filme de Justin Kurzel não ter levado nada, pode ter sua segunda chance na campanha ao Oscar, já que vai ser alavancada pela Weinstein Company. Contudo, se Fassbender for indicado, suas chances são bem maiores pelo filme de Danny Boyle, Steve Jobs. Posso estar enganado, mas pela experiência que tenho em Oscar, esse filme está com cheiro de uma única indicação: Melhor Figurino.

I SAW THE LIGHT
Dir: Marc Abraham

Tom Hiddleston caracterizado como o cantor Hank Williams (photo by outnow.ch)

Tom Hiddleston caracterizado como o cantor Hank Williams (photo by outnow.ch)

Sinopse: Cinebiografia do cantor e compositor de country norte-americano Hank Williams.

Deve receber indicação: Ator (Tom Hiddleston)

Dúvida: Atriz Coadjuvante (Elizabeth Olsen), Roteiro Adaptado (Marc Abraham)

A Academia adora cinebiografia de cantores e compositores, especialmente os americanos. Basta olhar a presença de filmes como O Destino Mudou Sua Vida (1980), Ray (2004) e Johnny & June (2005). Contando com esse histórico positivo, o ator britânico Tom Hiddleston, conhecido mundialmente por viver o papel do vilão Loki nos filmes da Marvel, tem boas chances na aparecer na lista por retratar uma figura emblemática da música. Curiosamente, como não foi aposta unânime para o papel, além de se empenhar bastante no sotaque americano, tocou piano para o elenco e a equipe durante as filmagens e todos os dias, como forma de extrema gratidão, ele cumprimentava cada membro da equipe, do encarregado da limpeza até seus colegas de atuação.

Elizabeth Olsen, que já trabalhou com Hiddleston em Vingadores: Era de Ultron, interpretará sua primeira esposa, Audrey Mae Williams, que pode lhe render sua primeira indicação ao Oscar. Como Marc Abraham é um diretor praticamente novato, suas chances residem mais na categoria de roteiro, por ter adaptado a biografia escrita por Colin Escott.

MAD MAX: ESTRADA FÚRIA (Mad Max: Fury Road)
Dir: George Miller

Tom Hardy e Charlize Theron em cena de Mad Max: Estrada da Fúria (photo by outnow.ch)

Tom Hardy e Charlize Theron em cena de Mad Max: Estrada da Fúria (photo by outnow.ch)

Sinopse: Furiosa, uma mulher que se rebela contra seu tirano numa pós-Apocalíptica Austrália, vai em busca de sua terra natal com a ajuda de um grupo de prisioneiras, um adorador psicótico e um andarilho chamado Max.

Deve receber indicação: Fotografia (John Seale), Direção de Arte (Colin Gibson), Figurino (Jenny Beavan), Maquiagem, Som, Efeitos Sonoros

Dúvida: Filme, Diretor (George Miller), Roteiro Original (George Miller, Brendan McCarthy e Nick Lauthoris)

Quarta parte de uma quadrilogia? Sequência? Prequel? Reboot? Ninguém sabe ao certo o que essa loucura chamada Mad Max: Estrada da Fúria é, mas todos concordam com sua qualidade técnica impecável e acima de tudo: sua audácia. Há quanto tempo não vemos um filme politicamente incorreto assim feito por um estúdio nos cinemas? Nos últimos anos (pra não dizer na última década), o cinema de estúdio tem sido tomado por produtores que visam apenas o lucro, mas sem coragem alguma para arriscar em novas visões. Claro que o trabalho de Mad Max não é novidade alguma, mas joga na tela imagens que dizem: “Isso é cinema. Vocês se esqueceram?”

Além da qualidade técnica merecedora de todas as indicações, felizmente a produção australiana colheu ótimos frutos nas bilheterias mundias, fato que ajuda muito na composição das indicações ao Oscar. Contudo, acredito que o responsável por tudo isso pode nem sequer ser reconhecido com uma mera indicação, seja como diretor ou como roteirista. Curiosamente, George Miller já ganhou um Oscar por, acreditem, Melhor Animação com Happy Feet: O Pingüim em 2007. Anteriormente, ele havia sido indicado pelo Roteiro Original de O Óleo de Lorenzo em 1993, e pelo Roteiro Adaptado e Produção (Melhor Filme) de Babe – O Porquinho Atrapalhado em 1996. Vamos torcer para que os votantes da Academia dêem um tempo no conservadorismo e reconheçam o talento e a audácia de Miller. Seria utopia demais?

À BEIRA MAR (By the Sea)
Dir: Angelina Jolie

Angelina Jolie com o marido Brad Pitt ao fundo em cena de À Beira Mar. É a primeira vez que a atriz dirige a si mesma. (Photo by outnow.ch)

Angelina Jolie com o marido Brad Pitt ao fundo em cena de À Beira Mar. É a primeira vez que a atriz dirige a si mesma. (Photo by outnow.ch)

Sinopse: Nos anos 70 na França, conforme a ex-dançarina Vanessa e seu marido escritor Roland viajam pelo país juntos, eles se distanciam um do outro, até pararem numa cidade costeira onde eles passam a se aproximar dos habitantes locais.

Deve receber indicação: Fotografia (Christian Berger)

Dúvida: Diretor (Angelina Jolie), Atriz Coadjuvante (Mélanie Laurent), Trilha Musical Original (Gabriel Yared)

Após ser ignorada pela Academia depois de forte burburinho por seu trabalho anterior Invencível (Unbroken), Angelina Jolie lança seu terceiro longa na direção com os holofotes sobre a possível campanha no Oscar 2016. Honestamente, só incluí o filme aqui por causa da comentada e discutida exclusão dela na premiação deste ano, porque se depender do filme em si, não se trata de material para Oscar.

Claro que se ela quiser, Jolie pode se beneficiar de seu filme anterior e tentar sua primeira indicação como diretora, mas acho meio difícil com um romance. A seu favor estão a presença dela mesma  e do marido, Brad Pitt, no elenco, assim como a trilha de Gabriel Yared (vencedor do Oscar por O Paciente Inglês) e do diretor de fotografia austríaco e colaborador assíduo do diretor Michael Haneke, Christian Berger (indicado por A Fita Branca).

THE LAST FACE
Dir: Sean Penn

O diretor Sean Penn conversa com a jovem Adèle Exarchopoulos em set de The Last Face (photo by filmaffinity.com)

O diretor Sean Penn conversa com a jovem Adèle Exarchopoulos em set de The Last Face (photo by filmaffinity.com)

Sinopse: A diretora de uma agência internacional de ajuda humanitária na África conhece um carismático médico que trabalha na causa. Ele se divide entre o amor por ela e seu trabalho.

Deve receber indicação: Fotografia (Barry Ackroyd)

Dúvida: Diretor (Sean Penn), Montagem (Jay Cassidy)

Assim como outros atores que se tornaram diretores, Sean Penn busca experiência em nomes profissionais como o diretor de fotografia Barry Ackroyd (indicado por Guerra ao Terror) e o montador Jay Cassidy (três vezes indicado) com quem já trabalhou no cult Na Natureza Selvagem. Desta vez, ele também escalou sua própria mulher, Charlize Theron, que vive uma nova ascensão depois de seu desatque como Furiosa em Mad Max: Estrada da Fúria, o que certamente ajuda o filme a alavancar.

No elenco, Penn ainda conta com Javier Bardem como o médico, e os coadjuvantes Jean Renno, e a jovem talentosa francesa Adèle Exarchopoulos, de Azul é a Cor Mais Quente. Apesar de todos os fatores positivos, The Last Face ainda pode se tornar aqueles filmes que tinha tudo pra chegar ao Oscar, mas morre na praia.

PERDIDO EM MARTE (The Martian)
Dir: Ridley Scott

Da esquerda pra direita: Matt Damon, Jessica Chastain, Kate Mara e Sebastian Stan em cena de Perdido em Marte (photo by outnow.ch)

Da esquerda pra direita: Matt Damon, Jessica Chastain, Sebastian Stan, Kate Mara e Aksel Hennie em cena de Perdido em Marte (photo by outnow.ch)

Sinopse: Depois de uma missão em Marte, o astronauta Mark Watney é considerado morto depois de ter sido abandonado por colegas, mas ele está vivo e sozinho no planeta. Com pouquíssimos recursos, ele deve usar todas as suas habilidades e seu conhecimento para enviar um sinal para a Terra para dizer que está vivo.

Deve receber indicação: Filme, Diretor (Ridley Scott), Ator (Matt Damon), Atriz Coadjuvante (Jessica Chastain), Roteiro Adaptado (Drew Goddard), Fotografia (Dariusz Wolski), Direção de Arte (Arthur Max), Montagem (Pietro Scalia), Trilha Musical Original (Harry Gregson-Williams), Som, Efeitos Sonoros e Efeitos Visuais.

Dúvida: Figurino (Janty Yates)

Até pouco tempo atrás, Perdido em Marte era considerado uma incógnita, mas depois do lançamento de seu trailer, o filme ganhou novo status e pode ser muito bem o recordista de indicações ao Oscar 2016. Após trabalhos abaixo da média do veterano Ridley Scott (reconhecido mundialmente pelos clássicos Alien: O Oitavo Passageiro e Blade Runner: O Caçador de Andróides) pode finalmente voltar à tona com um projeto mais respeitável. Sinceramente, espero que a execução seja infinitamente superior ao de Prometheus, que tinha tudo pra ser um estouro.

Elenco e equipe Ridley Scott tem de primeiro nível: vencedores e indicados ao Oscar de baciada. E ainda conta com atores experientes que acabaram de trabalhar em outro filme de temática espacial, Interestelar: Matt Damon e Jessica Chastain. O roteiro, escrito pelo jovem promissor Drew Goddard (de O Segredo da Cabana), foi baseado no livro best-seller The Martian, de Andy Weir. Resta saber se o filme refletirá suas expectativas nas bilheterias e se a Academia está aberta a premiar uma ficção científica depois de bater na trave com Gravidade em 2014.

EU, VOCÊ E A GAROTA QUE VAI MORRER (Me and Earl and the Dying Girl)
Dir: Alfonso Gomez-Rejon

Olivia Cooke, Thomas Mann e RJ Cyler posam para foto de Me and Earl and the Dying Girl (photo by outnow.ch)

Olivia Cooke, Thomas Mann e RJ Cyler posam para foto de Me and Earl and the Dying Girl (photo by outnow.ch)

Sinopse: O estudante Greg, que passa a maior parte de seu tempo fazendo filmes de paródia com seu amigo Earl, tem sua vida mudada quando ele passa a fazer amizade com Rachel, uma colega de classe que acaba de ser diagnosticada com leucemia.

Deve receber indicação: Roteiro Adaptado (Jesse Andrews)

Dúvida: Filme

Sensação do último Festival de Sundance, Eu, Você e a Garota que Vai Morrer já chama atenção pelo seu título inusitado que mistura drama com comédia e humor negro. O filme independente tem um clima leve que muito se assemelha a (500) Dias com Ela e Juno, tanto que o trailer se apropria dos mesmos títulos para atrair o interesse do público.

Não sei se se trata de uma previsão otimista ou pessimista, mas o filme tem mais cara de indicado e até vencedor do Globo de Ouro de Melhor Filme – Comédia ou Musical, mas no Oscar teria que se contentar com uma única indicação de Roteiro Adaptado. Este ano, outro sucesso de público com temática de doença entre jovens, A Culpa é das Estrelas, acabou ficando de fora do Oscar.

BROOKLYN
Dir: John Crowley

Saoirse Ronan e Emory Cohen em cena de Brooklyn (photo by cine.gr)

Saoirse Ronan e Emory Cohen em cena de Brooklyn (photo by cine.gr)

Sinopse: Nos anos 50, a jovem imigrante irlandesa Eilis Lacey se muda para os EUA, onde conhece e se envolve com um rapaz americano, mas devido a um tragédia familiar, precisa voltar ao seu país, onde acaba conhecendo outro amor.

Deve receber indicação: Atriz (Saoirse Ronan), Roteiro Adaptado (Nick Hornby)

Dúvida: Fotografia (Yves Bélanger) e Trilha Musical Original (Michael Brook)

Incluí o filme na lista por ter sido alvo de burburinho por parte de alguns sites especializados e também por ser adaptação do best-seller de Colm Tóibín, mas tenho minhas dúvidas se esse filme vai chegar ao tapete vermelho. Ele tem uma pinta de filme bonito e até com seus devidos momentos emotivos que fazem um candidato, mas não tem muito pedigree. John Crowley é um diretor que ficou conhecido pelo filme independente Rapaz A, de 2007, mas depois não deslanchou nada relevante.

Saoirse Ronan pode conseguir sua segunda indicação, desta vez como Melhor Atriz, principalmente por seu empenho no sotaque irlandês de sua personagem. E pelo visto, o escritor Nick Hornby está se empenhando a escrever roteiros agora. Depois de Educação (2009), ele fez o roteiro de Livre (2014) e agora deste Brooklyn. Pode receber sua segunda indicação também.

STAR WARS: EPISÓDIO VII – O DESPERTAR DA FORÇA (Star Wars: Episode VII – The Force Awakens)
Dir: J.J. Abrams

Daisy Ridley corre em cena de Star Wars: Episódio VII - O Despertar da Força (photo by (outnow.ch)

Daisy Ridley corre em cena de Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força (photo by (outnow.ch)

Sinopse: Continuação da saga de George Lucas na galáxia muito distante.

Deve receber indicação: Maquiagem, Som, Efeitos Sonoros e Efeitos Visuais

Dúvida: Direção de Arte (Rick Carter), Trilha Musical Original (John Williams)

Mais um filme de Star Wars lançado 10 anos após o último, mas com uma diferença bastante relevante: a Lucas Film foi comprada pela Disney. Aliás, o que não é comprado pela Disney?? A empresa comprou também a Pixar e a Marvel, o que pode causar uma padronização (pra não dizer pasteurização) do cinema comercial como o conhecemos.

Felizmente, o diretor J.J. Abrams tem um bom feeling pra franquias como pudemos constatar no reboot de Star Trek (2009), mas não creio numa revolução, até mesmo porque a Disney está mais preocupada em vender seus produtos do que fazer um filme consistente, então provavelmente o diretor não tem carta branca pra tudo, muito menos para o corte final do filme. Claro que este novo Star Wars vai criar novos recordes de bilheteria e muito provavelmente terá presença garantida nas categorias mais técnicas do Oscar.

RICKI AND THE FLASH: DE VOLTA PARA CASA (Ricki and the Flash)
Dir: Jonathan Demme

Mamie Gummer e Meryl Streep, filha e mãe na vida real e na ficção em cena de Ricki and the Flash: De Volata Para Casa (photo by outnow.ch)

Mamie Gummer e Meryl Streep, filha e mãe na vida real e na ficção em cena de Ricki and the Flash: De Volata Para Casa (photo by outnow.ch)

Sinopse: Ricki, que desistiu de tudo por seu sonho de se tornar uma estrela do rock, retorna para casa e procura fazer as coisas certas com sua família.

Deve receber indicação: Atriz (Meryl Streep)

Dúvida: Ator Coadjuvante (Kevin Kline), Roteiro Original (Diablo Cody), Canção Original

Assim que vi a primeira foto de Meryl Streep caracterizada como uma roqueira dos anos 80 em decadência, logo associei a…? Sim, o Oscar! Esta seria sua 20ª indicação, um recorde que demoraria muito pra ser ultrapassado! Porém, andei lendo alguns rumores de que Meryl Streep não participaria de nenhum campanha do filme para o Oscar.

Independente de seus supostos motivos, a atriz tem tudo para conseguir no mínimo uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Atriz – Comédia ou Musical. Curiosamente, sua filha na vida real, Mamie Gummer, interpreta sua filha no filme.

GRANDMA
Dir: Paul Weitz

Lily Tomlin em primeiro plano e Julie Garner ao fundo em cena de Grandma (photo by latimes.com)

Lily Tomlin em primeiro plano e Julie Garner ao fundo em cena de Grandma (photo by latimes.com)

Sinopse: Declarada misantropa, Elle Reid tem sua bolha protetora estourada quando sua neta de 18 anos aparece precisando de ajuda. As duas partem numa viagem que as obrigará a confrontar passado e futuro.

Deve receber indicação: Atriz (Lily Tomlin)

Dúvida: Ator Coadjuvante (Sam Elliott), Roteiro Original (Paul Weitz)

Típica dramédia em que dois personagens são obrigados a conviver e acabam descobrindo um sentimento mútuo durante uma road trip. Claro que o filme independente Grandma não tem maiores pretensões na temporada de premiações, mas só o fato de trazer de volta a veterana Lily Tomlin ao centro do palco já é algo digno de nota. Se ela receber indicação, será sua segunda depois da de Coadjuvante por Nashville em 1976! Esse tipo de retorno a Academia costuma reconhecer, então Tomlin tem grandes chances.

Assim como outra veterana Meryl Streep, Lily Tomlin também tem ótima chance de ser premiada pelo Globo de Ouro de Melhor Atriz – Comédia ou Musical, podendo trazer junto o ator Sam Elliott.

007 CONTRA SPECTRE (Spectre)
Dir: Sam Mendes

Daniel Craig como James Bond em cena de 007 Contra Spectre (photo by outnow.ch)

Daniel Craig como James Bond em cena de 007 Contra Spectre (photo by outnow.ch)

Sinopse: Uma mensagem criptografada do passado de Bond o envia numa trilha para desvendar uma organização criminosa. Enquanto M luta contra forças políticas para manter o serviço secreto vivo, James Bond investiga a SPECTRE.

Deve receber indicação: Trilha Musical Original (Thomas Newman), Canção Original, Som e Efeitos Sonoros

Dúvida: Fotografia (Hoyte Van Hoytema), Montagem (Lee Smith)

O prestigiado diretor Sam Mendes retorna pela segunda vez à cadeira de direção da franquia 007, mas desta vez não conta com um colaborador que faz a diferença: o diretor de fotografia Roger Deakins, que fez um trabalho estupendo em 007 – Operação Skyfall. Contudo, ele será substituído por outro bom profissional (Hoyte Van Hoytema) e contará com o retorno do compositor Thomas Newman, que foi indicado pelo filme anterior de Bond.

Aliás, 007 – Operação Skyfall ganhou o primeiro Oscar de Canção Original da série toda, criada em 1962 com 007 Contra o Satânico Dr. No, portanto existe uma expectativa em relação à canção de abertura deste novo trabalho. Independente do músico ou banda que interprete a nova canção (alguns sites indicaram Ellie Goulding), 007 Contra Spectre deve ser mais um sucesso arrebatador e deve conquistar indicações técnicas e quem sabe mais uma de canção…

Mesmo que tenha poucas chances no Oscar, vale lembrar que Christoph Waltz (vencedor de duas estatuetas por Bastardos Inglórios e Django Livre) está no elenco. Ele interpreta Oberhauser, o líder da organização Spectre. Por 007 – Operação Skyfall, Javier Bardem chegou a ser indicado para o SAG de Coadjuvante por interpretar o vilão Silva.

CINDERELA (Cinderella)
Dir: Kenneth Branagh

No centro, Cate Blanchett como a Madrasta em cena de Cinderela (photo by outnow.ch)

No centro, Cate Blanchett como a Madrasta em cena de Cinderela (photo by outnow.ch)

Sinopse: Versão live-action da fábula da Cinderela, a Gata Borralheira que sofre nas mãos da madrasta e das meia-irmãs até ter sua sorte mudada com a ajuda de uma fada.

Deve receber indicação: Direção de Arte (Dante Ferretti) e Figurino (Sandy Powell)

Dúvida: Atriz Coadjuvante (Cate Blanchett), Trilha Musical Original (Patrick Doyle)

Depois do sucesso comercial de Malévola no ano passado, a Disney resolveu apostar as fichas nas adaptações em live-action de muitas animações consagradas por ela mesma. Então, depois desse Cinderela, estão nos planos a versão de Mulan e A Bela e a Fera, ou seja, acabaram as idéias até para animações novas…

Felizmente, a Academia sabe reconhecer qualidades técnicas mesmo em refilmagens. O próprio Malévola foi indicado este ano para Figurino, o que favorece a inclusão de Cinderela na lista de indicações, especialmente no Figurino caprichado da veterana Sandy Powell e do primoroso trabalho de production design do italiano Dante Ferretti, que já ganhou 3 Oscars. Já os rumores de uma indicação para Cate Blanchett como a Madrasta chegaram a ser comentados em alguns sites, mas seria bem improvável.

—–

Alguns trabalhos não devem alçar vôos mais altos na temporada, mas pode sobrar uma vaguinha em uma ou outra categoria, portanto, os filmes seguintes são listados de forma mais simples:

MILES AHEAD
Dir: Don Cheadle

Don Cheadle como o músico Miles Davis em Miles Ahead (photo by jazzmusic.in)

Don Cheadle como o músico Miles Davis em Miles Ahead (photo by jazzmusic.in)

Cinebiografia do músico Miles Davis.

Melhor chance: Ator (Don Cheadle), Trilha Musical Original (Herbie Hancock)
Forçando a barra: Ator Coadjuvante (Ewan McGregor)

HOMEM-FORMIGA (Ant-Man)
Dir: Peyton Reed

Paul Rudd como o herói em Homem-Formiga (photo by outnow.ch)

Paul Rudd como o herói em Homem-Formiga (photo by outnow.ch)

Adaptação dos quadrinhos de Scott Lang e seu alter-ego, o super-herói Homem-Formiga. Ele deve ajudar seu mentor Hank Pym a roubar uma armadura que ajudou a criar.

Melhor chance: Efeitos Visuais
Forçando a barra: Efeitos Sonoros

VINGADORES: ERA DE ULTRON (Avengers: Age of Ultron)
Dir: Joss Whedon

Homem de Ferro em ação contra o Hulk em Vingadores: Era de Ultron (photo by cinemagia.ro)

Homem de Ferro em ação contra o Hulk em Vingadores: Era de Ultron (photo by cinemagia.ro)

Tony Stark e Bruce Banner criam um programa chamado Ultron para dar paz ao mundo, mas os planos dão errado e os Vingadores precisam evitar que ele destrua o planeta.

Melhor chance: Efeitos Visuais
Forçando a barra: Som e Efeitos Sonoros

JURASSIC WORLD: O MUNDO DOS DINOSSAUROS (Jurassic World)
Dir: Colin Trevorrow

Chris Pratt trabalha com os velociraptors em Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros (photo by outnow.ch)

Chris Pratt trabalha com os velociraptors em Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros (photo by outnow.ch)

Quarta parte iniciada com Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros (1993). Com o parque finalmente aberto ao público e funcionando, as coisas começam a dar errado quando criam um dinossauro geneticamente modificado para atrair mais pessoas.

Melhor chance: Efeitos Visuais e Som
Forçando a barra: Trilha Musical Original (Michael Giacchino) e Efeitos Sonoros

LONGE DESTE INSENSATO MUNDO (Far from the Madding Crowd)
Dir: Thomas Vinterberg

Carey Mulligan em cena de Longe Deste Insensato Mundo (photo by outnow.ch)

Carey Mulligan em cena de Longe Deste Insensato Mundo (photo by outnow.ch)

Baseado no clássico romance homônimo de Thomas Hardy, o filme se passa na Inglaterra Vitoriana, onde a jovem Bathsheba Everdene atrai três homens diferentes: um criador de ovelhas, um sargento e um próspero e maduro bacharel.

Melhor chance: Figurino (Janett Patterson)
Forçando a barra: Atriz (Carey Mulligan)

O QUARTO DE JACK (Room)
Dir: Lenny Abrahamson

Brie Larson como a mãe em cena de Room (photo by outnow.ch)

Brie Larson como a mãe em cena de Room (photo by outnow.ch)

História contemporânea sobre o amor entre mãe e filho. O jovem Jack não conhece nada do mundo, exceto pelo quarto em que nasceu e foi criado.

Melhor chance: Atriz (Brie Larson)
Forçando a barra: Atriz Coadjuvante (Joan Allen)

O FIM DA TURNÊ (The End of the Tour)
Dir: James Ponsoldt

Jesse Eisenberg como o repórter e o Jason Segel como David Foster Wallace em cena de The End of the Tour (photo by elfilm.com)

Jesse Eisenberg como o repórter e o Jason Segel como David Foster Wallace em cena de The End of the Tour (photo by elfilm.com)

A história de uma entrevista que durou 5 dias entre o repórter da Rolling Stone, David Lipsky, e o aclamado autor David Foster Wallace, que aconteceu logo depois da publicação do romance dele chamado “Infinite Jest” em 1996.

Melhor chance: Roteiro Adaptado (Donald Margulies)
Forçando a barra: Ator (Jason Segel)

*** As indicações ao Oscar 2016 serão anunciadas no dia 14 de janeiro.

30º Independent Spirit Awards também reconhece ‘Birdman’, mas premia Linklater como diretor

Michael Keaton levou o Independent Spirit Award um dia antes do Oscar por Birdman (photo by entertainment.inquirer.net)

Michael Keaton levou o Independent Spirit Award um dia antes do Oscar por Birdman (photo by entertainment.inquirer.net)

EM SEU 30º ANO, PRÊMIO DOS INDEPENDENTES ESTÁ CADA VEZ MAIS EQUIPARADO AO OSCAR

Um dia antes do Oscar, ocorreu o 30º Independent Spirit Awards. Lembro que até a década de 90, a regra era a seguinte: o filme ou artista que ganhar o Independent não ganhará o Oscar. Mas os tempos mudaram com crises econômicas (obrigado, George W. Bush), e agora parece não haver quase nenhuma distinção entre Oscar e o prêmio independente.

Para quem não conhece, o regulamento do Independent Spirit exige basicamente que os filmes candidatos não ultrapassem a barreira dos 20 milhões de dólares de custo de produção (incluindo a pós-produção) e que seja produzido nos EUA. Só para citar alguns exemplos: Foxcatcher e Vício Inerente foram desqualificados pelo primeiro quesito, enquanto A Teoria de Tudo foi pelo segundo, por ser britânico.

Mas, como dito, com a crise econômica, muitas das produções de estúdio estão com seus orçamentos bastante enxugados, fazendo com que esses filmes também concorram ao Independent um dia antes do Oscar. Assim, Birdman, Boyhood e Whiplash, por exemplo, estavam presentes e concorrendo em ambas as premiações.

Ethan Hawke aceita o prêmio de Diretor na ausência de Richard Linklater por Boyhood (photo by novo.wada.vn)

Ethan Hawke aceita o prêmio de Diretor na ausência de Richard Linklater por Boyhood (photo by novo.wada.vn)

Claro que por um lado, é vantajoso para esses filmes ganhar mais projeção num evento mais aconchegante (o Independent foi realizado em tendas da praia de Santa Monica!), mas e como ficam os filmes realmente menores? Ok, tem algumas produções que estão concorrendo ao Independent que não foram convidadas para o Oscar como O Amor é Estranho, Kumiko the Treasure Hunter e Amantes Eternos, mas nenhum deles ganhou um Independent Spirit Award sequer!

Com a crise apertando e mudando o cenário, sugiro uma mudança bem simples: alterar o teto de orçamento qualificatório para 10 milhões de dólares. Essa medida eliminaria muitos desses novos papa-Oscars e resgataria produções mais modestas para a premiação a fim de alavancar suas bilheterias, pois como muitos se esquecem, um prêmio tem também essa função de ajudar na divulgação de um trabalho e levantar uma graninha extra.

Bom, agora cortando o discurso político, vamos aos resultados. Birdman faturou os prêmios de Filme, Ator (Michael Keaton) e Fotografia. Já Boyhood ficou com o prêmio de Diretor para Richard Linklater (que tem mais cara de indie) e Atriz Coadjuvante (Patricia Arquette).

Tudo bem que ficaria feio para o Independent ser do contra se elegesse outros atores que não fossem os favoritos (Michael Keaton, Julianne Moore, J.K. Simmons e Patricia Arquette), mas poderiam dar uma variada, pois tinham boas opções alternativas. Por que não premiar Tilda Swinton por Amantes Eternos ou Jake Gyllenhaal por O Abutre como Ator? Sairia da mesmice da temporada e demonstraria mais personalidade; pra não soar redundante e dizer “seria mais independente”. Alguns podem achar que essa opinião é uma mera tentativa de ser diferente, mas se olharmos para a safra de 2014, houve mais atores tão merecedores quanto aqueles que ganharam todos os prêmios.

Julianne Moore recebe prêmio por Para Sempre Alice (photo by chinadaily.com.cn)

Julianne Moore recebe prêmio por Para Sempre Alice (photo by chinadaily.com.cn)

O mesmo digo na categoria de Filme em Língua Estrangeira. Pô, o mesmo filme quadrado polonês ganhou o Independent?! Só pra citar aqueles que assisti, tinha o ótimo filme russo Leviatã, que destrincha a Rússia atual com um roteiro inteligente; tinha o sueco Força Maior, que tem uma veia de humor negro tão bizonha que já merecia qualquer prêmio por sua atmosfera; e o britânico Sob a Pele, com seu tom experimental em vários campos como a fotografia, a trilha musical e a montagem. Deixe para o Oscar premiar Ida por seu tipo conservador.

VENCEDORES DO INDEPENDENT SPIRIT AWARDS 2015:

MELHOR FILME
• Birdman (Birdman (or The Unexpected Virtue of Ignorance)
Produtores: Alejandro González Iñárritu, John Lesher, Arnon Milchan, James W. Skotchdopole

DIRETOR
Richard Linklater (Boyhood: Da Infância à Juventude)

ATRIZ
Julianne Moore (Still Alice)

ATOR
Michael Keaton (Birdman)

ATRIZ COADJUVANTE
Patricia Arquette (Boyhood: Da Infância à Juventude)

Patricia Arquette discursa por Boyhood (photo by hollywoodreporter.com)

Patricia Arquette discursa por Boyhood (photo by hollywoodreporter.com)

ATOR COADJUVANTE
J.K. Simmons (Whiplash: Em Busca da Perfeição)

J.K. Simmons aceita seu prêmio por Whiplash: Em Busca da Perfeição. Ao fundo, Jared Leto. Photo by variety.com

J.K. Simmons aceita seu prêmio por Whiplash: Em Busca da Perfeição. Ao fundo, Jared Leto. Photo by variety.com

MELHOR FOTOGRAFIA
Emmanuel Lubezki (Birdman)

MELHOR MONTAGEM
Tom Cross (Whiplash: Em Busca da Perfeição)

MELHOR ROTEIRO
Dan Gilroy (O Abutre)

MELHOR FILME DE ESTRÉIA
• O Abutre (Nightcrawler)
Diretor: Dan Gilroy
Produtores: Jennifer Fox, Tony Gilroy, Jake Gyllenhaal, David Lancaster, Michel Litvak

PRIMEIRO ROTEIRO
Justin Simien (Dear White People)

PRÊMIO JOHN CASSAVETES – Para produções feitas abaixo de 500 mil dólares.
• Land Ho!
Diretores-roteiristas: Aaron Katz, Martha Stephens
Produtores: Christina Jennings, Mynette Louie, Sara Murphy

MELHOR DOCUMENTÁRIO
• CitizenFour
Diretora-produtora: Laura Poitras
Produtores: Mathilde Bonnefoy, Dirk Wilutzky

FILME INTERNACIONAL
• Ida – POLÔNIA
Diretor: Pawel Pawlikowski

O diretor Pawel Pawlikowski discursa por Ida (photo by pictures.zimbio.com)

O diretor Pawel Pawlikowski discursa por Ida (photo by pictures.zimbio.com)

PRÊMIO ROBERT ALTMAN – Concedido a um diretor, diretor de elenco e elenco
• Vício Inerente (Inherent Vice)
Diretor: Paul Thomas Anderson
Diretor de Casting: Cassandra Kulukundis
Elenco: Josh Brolin, Martin Donovan, Jena Malone, Joanna Newsom, Joaquin Phoenix, Eric Roberts, Maya Rudolph, Martin Short Serena Scott Thomas, Benicio Del Toro, Katherine Waterston, Michael Kenneth Williams, Owen Wilson, Reese Witherspoon

SPECIAL DISTINCTION AWARD
• Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo (Foxcatcher)
Diretor/Produtor: Bennett Miller
Produtores: Anthony Bregman, Megan Ellison, Jon Kilik
Roteiristas: E. Max Frye, Dan Futterman
Atores: Steve Carell, Mark Ruffalo, Channing Tatum

PRODUCERS AWARD
Chad Burris
Elisabeth Holm
Chris Ohlson

SOMEONE TO WATCH AWARD
• A Girl Walks Home Alone at Night
Diretora: Ana Lily Amirpour
• H.
Diretores: Rania Attieh & Daniel Garcia
• The Retrieval
Diretor: Chris Eska

TRUER THAN FICTION AWARD
• Approaching the Elephant
Diretor: Amanda Rose Wilder
• Evolution of a Criminal
Diretor: Darius Clark Monroe
• The Kill Team
Diretor: Dan Krauss
• The Last Season
Diretora: Sara Dosa

Apostas para o Oscar 2015

MELHOR FILME

Boyhood: Da Infância à Juventude (Boyhood)

Boyhood: Da Infância à Juventude (Boyhood)

Indicados:

– Sniper Americano
– Birdman
– Boyhood: Da Infância à Juventude
– O Grande Hotel Budapeste
– O Jogo da Imitação
– Selma: A Luta Pela Igualdade
– A Teoria de Tudo
– Whiplash: Em Busca da Perfeição

DEVE GANHAR: Boyhood: Da Infância à Juventude
DEVERIA GANHAR: Boyhood: Da Infância à Juventude
ZEBRA: Selma: Uma Luta Pela Igualdade

ESNOBADO: Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo

Quando vi Boyhood, na hora pensei no Oscar de Melhor Filme, assim como quando vi 12 Anos de Escravidão, tive a mesma visão. O projeto ambicioso de 12 anos de Richard Linklater tem cara de Oscar de Melhor Filme e acho que merece ser reconhecido por seu esforço descomunal, além de ter alterado para sempre qualquer filme sobre amadurecimento.

Mas o filme perdeu muito de sua força depois que perdeu para Birdman como Melhor Filme no PGA, sindicato dos produtores, que costuma acertar bem os vencedores desta categoria. E outra vantagem que Birdman possui é que a maioria dos 6 mil votantes do Oscar é ator ou atriz, e eles adoraram esse filme justamente por sua temática teatral, afinal, só um ator sabe como é ficar no ostracismo por anos e tentar um retorno triunfal como faz o personagem de Michael Keaton.

Nessa briga entre os dois filmes, curiosamente, Sniper Americano tem surpreendido como elemento surpresa. Sua bilheteria americana de mais de 300 milhões de dólares (até o momento) tem chamado muito a atenção, além da sua polêmica envolvendo o tratamento da Guerra do Iraque (os iraquianos quase não têm falas e o protagonista mata uma criança e sua mãe – com razão – mas mata).

Normalmente, a Academia se mostra mais conservadora, e prefere ficar longe de polêmicas, mas o crescimento do filme de Clint Eastwood tem sido impossível de ficar indiferente. Uma escolha excelente seria O Grande Hotel Budapeste, que ainda por cima, deve ganhar várias estatuetas, mas boa parte dos especialistas defendem que o filme de Wes Anderson não tem o peso para ganhar um prêmio de tamanha importância como o Oscar de Melhor Filme. Muitos o enxergam apenas como uma trama de assassinato bonita. E o mesmo vale para Whiplash, que seria pequeno demais para um prêmio grande demais.

Por outro lado, Selma: Uma Luta Pela Igualdade tem o tal peso que os especialistas falam, mas só foi indicado a Filme e Canção Original. Seria praticamente impossível essa vitória, por mais que o Oscar de canção esteja garantido. Além disso, o filme só foi indicado a Filme por causa da campanha levantada por Oprah Winfrey, que além de atuar, também é produtora do longa. Muito provavelmente, sem Winfrey, o filme jamais teria saído do papel, pois nenhum grande estúdio se interessou.

MELHOR DIRETOR

Indicados:

– Wes Anderson (O Grande Hotel Budapeste)
– Alejandro González Iñárritu (Birdman)
– Richard Linklater (Boyhood: Da Infância à Juventude)
– Bennett Miller (Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo)
– Morten Tyldum (O Jogo da Imitação)

Alejandro González Iñárritu com o ator Michael Keaton em set de Birdman (photo by outnow.ch)

Alejandro González Iñárritu com o ator Michael Keaton em set de Birdman (photo by outnow.ch)

DEVE GANHAR: Alejandro González Iñárritu (Birdman)
DEVERIA GANHAR: Wes Anderson (O Grande Hotel Budapeste)
ZEBRA: Morten Tyldum (O Jogo da Imitação)

ESNOBADO: Damien Chazelle (Whiplash: Em Busca da Perfeição)

O Oscar de direção tá concorrido este ano. Alejandro González Iñárritu está ligeiramente na frente por ter vencido o DGA (Directors Guild of America), mas Richard Linklater ganhou o Globo de Ouro e o Critics’ Choice Awards. E a divisão de votos entre ambos pode muito bem beneficiar Wes Anderson, que está logo atrás por O Grande Hotel Budapeste. E não dá pra simplesmente descartar Bennett Miller, pois foi o elemento surpresa da categoria e pode surpreender, mesmo que seu Foxcatcher não esteja entre os indicados a Melhor Filme.

Em termos de mérito, Linklater ganha muitos pontos por ter se dedicado por 12 anos a um projeto que ninguém se interessou. Se ele perder na categoria de Roteiro Original, deve levar Diretor. Já o mexicano Iñárritu desempenha o papel do diretor que se faz presente no estilo do filme. Alguns consideram mão pesada seus longos planos-sequência, enquanto outros o consagram pela tensão originada pelos mesmos.

Apesar de todas as controvérsias deste ano na categoria como as ausências de Ava DuVernay (Selma), Angelina Jolie (Invencível) e Clint Eastwood (Sniper Americano), acho que todos os diretores estão bem representados aqui, inclusive o norueguês Morten Tyldum (O Jogo da Imitação), que achei que não seria indicado por ser meio desconhecido. Seu filme anterior, Headhunters, é um ótimo thriller estilo A Conversação que merece ser visto (só peca pelo excesso de redundância no final). Mas eu incluiria o jovem Damien Chazelle como forma de encorajá-lo ainda mais para os próximos projetos, assim como a Academia fez com o jovem Benh Zeitlin por Indomável Sonhadora há dois anos.

MELHOR ATOR

Indicados:

– Steve Carell (Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo)
– Bradley Cooper (Sniper Americano)
– Benedict Cumberbatch (O Jogo da Imitação)
– Michael Keaton (Birdman)
– Eddie Redmayne (A Teoria de Tudo)

Esforços do ator Eddie Redmayne devem impressionar mais do que a maquiagem em A Teoria de Tudo (photo by elfilm.com)

Eddie Redmayne  em A Teoria de Tudo (photo by elfilm.com)

DEVE GANHAR: Eddie Redmayne (A Teoria de Tudo)
DEVERIA GANHAR: Benedict Cumberbatch (O Jogo da Imitação)
ZEBRA: Steve Carell (Foxcatcher)

ESNOBADO: Jake Gyllenhaal (O Abutre)

Muito se fala da cartilha para se ganhar o Oscar de atuação, na qual se lê muito das transformações físicas para obter a consistência do personagem. Para isso, muitos dos vencedores emagreceram, engordaram, usaram próteses de nariz e dentes, e este ano, Eddie Redmayne chegou a entortar sua espinha tamanha sua obsessão em se tornar Stephen Hawking. Esse tipo de sacrifício vale um Oscar. A Teoria de Tudo é um filme clichê, sim, mas vale a pena pra ver a transformação do ator gradativamente. Contudo, particularmente, considero sua atuação fraca. Claro que ele faz caras e bocas, mas parece que ele está mais preocupado em reproduzir os macetes da figura de Stephen Hawking do que propriamente construir e desenvolver seu personagem.

Em termos de atuação mesmo, prefiro Benedict Cumberbatch, que consegue captar nuances com um simples olhar ou um gesto. Em O Jogo da Imitação, ele faz Alan Turing, o matemático homossexual que quebrou o código Enigma usado pelos nazistas.  Ou a atuação de Michael Keaton como Riggan. Assim como Mickey Rourke fez em O Lutador, Keaton explora e extrai de sua vida pessoal experiências necessárias para a construção e consistência de seu personagem, que busca um retorno triunfal na Broadway. Se a maioria dos votantes considerar que Redmayne é muito jovem para ter um Oscar (ele tem 33), Michael Keaton leva.

Curiosamente, excetuando Bradley Coooper, todos os demais estão em sua primeira indicação ao Oscar. E o que dá ainda mais vantagem para Cooper é que esta é sua terceira indicação consecutiva: ele foi indicado por O Lado Bom da Vida e Trapaça. Quer mais? Sniper Americano está concorrendo a 6 estatuetas, incluindo Melhor Filme, e tem a maior bilheteria de todos os indicados, ultrapassando a marca dos 300 milhões só em território americano. Essas cartas na manga normalmente contribuem muito para que a Academia conceda seus prêmios, e como Clint Eastwood não foi indicado, pode sobrar um Oscar surpresa para Bradley Cooper.

Tudo bem que a Academia não curte filmes sombrios do tipo de O Abutre, mas a ausência de Gyllenhaal nesta categoria é um ultraje. Indicado anteriormente como coadjuvante em 2006 por O Segredo de Brokeback Mountain, ele segue à risca os anais da transformação física que leva ao Oscar ao perder 10 quilos, buscando realçar o brilho dos olhos ao evitar de piscá-los.

MELHOR ATRIZ

Indicadas:

– Marion Cotillard (Dois Dias, Uma Noite)
– Julianne Moore (Para Sempre Alice)
– Felicity Jones (A Teoria de Tudo)
– Rosamund Pike (Garota Exemplar)
– Reese Witherspoon (Livre)

Julianne Moore em Para Sempre Alice (photo by cinemagia.ro)

Julianne Moore em Para Sempre Alice (photo by cinemagia.ro)

DEVE GANHAR: Julianne Moore (Para Sempre Alice)
DEVERIA GANHAR: Julianne Moore (Para Sempre Alice)
ZEBRA: Felicity Jones (A Teoria de Tudo)

ESNOBADO: Keira Knightley (Mesmo se Nada Der Certo)

Sabe aquele papo de “dá logo o Oscar pra ela”? . Claro que o papel que ela desempenha em Para Sempre Alice ajuda bastante, já que ela interpreta uma personagem que sofre de Mal de Alzheimer precoce. Mas engana-se aquele que acha que qualquer atriz mediana daria conta do recado. O “problema” é que Julianne tira de letra a personagem sem fazer muito esforço.

Talvez em um ano mais disputado, ela teria que suar um pouco mais a camisa para conquistar a estatueta. A grande surpresa da categoria foi a francesa Marion Cotillard, que concorre pelo filme belga Dois Dias, Uma Noite. Só o fato de ela ter batido as favoritas à indicação, Jennifer Aniston (Cake: Uma Razão Para Viver) e Amy Adams (Grandes Olhos), já a coloca como uma vitoriosa, mas sua atuação como uma trabalhadora que busca convencer seus colegas de trabalho a não perder o emprego é digna de nota. Ao contrário da maioria das atrizes, Cotillard se despe de qualquer vaidade em prol da personagem, que até tem uma postura levemente curvada de fracasso. Para sua infelicidade, como ela já havia ganhado o Oscar por Piaf – Um Hino ao Amor em 2008, suas chances são baixas.

Rosamund Pike era vista como uma concorrente em potencial por sua atuação elétrica em Garota Exemplar, mas como o filme não obteve mais nenhuma indicação, sua campanha enfraqueceu consideravelmente. Já Reese Witherspoon pode ser considerado aquele caso de atriz bonitinha que saiu da zona de conforto (também literalmente), pois sua personagem Cheryl Strayed percorre vários quilômetros numa busca por sua identidade, mas que apresenta consistência dramática beirando o 0%.

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Indicados:

– Robert Duvall (O Juiz)
– Ethan Hawke (Boyhood: Da Infância à Juventude)
– Edward Norton (Birdman)
– Mark Ruffalo (Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo)
– J.K. Simmons (Whiplash: Em Busca da Perfeição)

J.K. Simmons (Whiplash: Em Busca da Perfeição) - photo by elfilm.com

J.K. Simmons em Whiplash: Em Busca da Perfeição (photo by elfilm.com)

DEVE GANHAR: J.K. Simmons (Whiplash: Em Busca da Perfeição)
DEVERIA GANHAR: J.K. Simmons (Whiplash: Em Busca da Perfeição)
ZEBRA: Robert Duvall (O Juiz)

ESNOBADO: Riz Ahmed (O Abutre)

Não importa o quanto você tenha gostado da performance de Edward Norton ou Mark Ruffalo, o Oscar é de J.K. Simmons, e com méritos. Toda grande atuação começa com um bom papel e o monstruoso professor de música Fletcher que usa torturas psicológicas como método de ensino é um material de primeira qualidade, que caiu como uma luva para Simmons. Apesar de apresentar semelhanças com o chefe do Homem-Aranha, J.J. Jameson, em termos de rabugice, em Whiplash, ele consegue humanizar o personagem na sequência em que ele toca piano num pub. Como se não bastasse, a Academia adora um personagem durão que rouba a cena. Foi assim com Louis Gossett Jr. em A Força do Destino e Jack Palance em Amigos, Sempre Amigos conseguiram seus Oscars de coadjuvante.

Quanto a Norton, fico feliz que ele tenha conseguido sua terceira indicação depois de 16 anos! No final dos anos 90, ele foi considerado um dos mais promissores talentos em Hollywood após as indicações por As Duas Faces de um Crime em 1997 e A Outra História Americana em 1999, além de ter atuado no cult Clube da Luta. Em Birdman, ele desempenha uma tarefa complicada: interpretar um ator egocêntrico sem cair no clichê. Pena que seu personagem não teve mais participação na segunda metade do filme, pois merecia mais destaque.

Já Ruffalo… o que dizer? É um ator sutilmente multifacetado, que cedo ou tarde terá seu Oscar. Por Foxcatcher, assim como seu colega Channing Tatum, teve intenso treinamento de wrestling, ganhando massa muscular, mas também foi responsável pelo equilíbrio da história ao trazer uma boa dose de humanismo ao universo frio do multimilionário John Du Pont. Esta é sua segunda indicação depois de Minhas Mães e Meu Pai (2010).

Agora, no quesito humanismo, Ethan Hawke tira de letra em Boyhood. Ele pode ser um pai ausente para Mason, mas nos momentos em que volta, consegue compensá-lo e colaborar bastante em seu amadurecimento como homem. É um pai que todo garoto gostaria de ter, que conta os segredos de pegar meninas e bebe junto. E como Hawke já é um colaborador assíduo do diretor Richard Linklater, percebe-se nitidamente que ele está completamente à vontade no papel ao longo dos 12 anos do projeto. Sua vitória seria uma grata surpresa.

E Robert Duvall basicamente está na lista para dar uma credibilidade de veterano. Não que ele esteja mal em O Juiz, mas se fosse um ano mais disputado, ele poderia não estar na lista. Ainda pra sorte de Duvall, não houve muitos esnobados este ano.

A performance do novato Riz Ahmed como o ingênuo aprendiz Rick em O Abutre foi bastante simbólica. Ele representa toda uma classe de imigrantes latinos que lutam por oportunidades de empregos nos EUA ao mesmo tempo em que coletam migalhas para sobreviver. Uma indicação certamente deslancharia sua carreira, mas se ele fizer as escolhas certas nos próximos projetos, ele tem tudo para crescer em Hollywood.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Indicadas:

– Patricia Arquette (Boyhood: Da Infância à Juventude)
– Laura Dern (Livre)
– Keira Knightley (O Jogo da Imitação)
– Emma Stone (Birdman)
– Meryl Streep (Caminhos da Floresta)

Patricia Arquette com o pequeno Ellar Coltrane em cena de Boyhood: Da Infância à Juventude

Patricia Arquette em Boyhood: Da Infância à Juventude (photo by outnow.ch)

DEVE GANHAR: Patricia Arquette (Boyhood: Da Infância à Juventude)
DEVERIA GANHAR: Patricia Arquette (Boyhood: Da Infância à Juventude)
ZEBRA: Meryl Streep (Caminhos da Floresta)

ESNOBADA: Jessica Chastain (O Ano Mais Violento) e Tilda Swinton (Expresso do Amanhã)

Patricia Arquette ganhou todos os prêmios que podia como atriz coadjuvante, tanto que as concorrentes já devem ir ao Oscar cientes de que vão ficar sentadas nas poltronas. Caso o filme não fosse sobre o crescimento do menino Mason (Ellar Coltrane), Arquette facilmente seria o centro de tudo. Sua personagem passa por maus bocados mas sempre com a cabeça erguida como uma representante da mulher do século XXI. Sua cena mais marcante, obviamente, é aquela em que se indigna com a saída do filho para a faculdade: “Então é só isso? Achei que havia mais…” – é de cortar o coração.

Entre as demais candidatas, Emma Stone consegue extrair uma vulnerabilidade de sua personagem sarcástica, mantendo uma postura misteriosa sobre seu passado com as drogas depois que seu pai a abandonou. Talvez não seja material de Oscar, mas sua interpretação ajuda Birdman a construir um belo mosaico de personagens.

Não gosto muito de Livre, mas ao sair da sessão, fiquei com o pensamento de que Laura Dern merecia mais tempo de tela. Sua personagem, uma mãe que descobre ter câncer quando planeja recomeçar a vida, só aparece em flashbacks curtos. E aí fica a impressão de que a Academia só a indicou pelo papel (e o sobrenome), e não pela atuação. Dern faz o que pode nos minutos que tem, mas não passa de uma memória da protagonista vivida por Reese Witherspoon.

Não gosto de botar Meryl Streep no patamar de zebra, mas neste caso, ela faz o mesmo papel de Robert Duvall: dar credibilidade à categoria com toda sua experiência. Seu melhor momento no musical Caminhos da Floresta é quando canta “Stay With Me”, quando demonstra uma vulnerabilidade, e obviamente, a transformação de Streep como a bruxa com a ajuda da maquiagem já chama a atenção, mas tudo isso não é o suficiente para ganhar uma quarta estatueta do Oscar. Esta é sua 19ª indicação. Alguém duvida que ela ultrapassa as 20?

Assim como em 2011, quando Jessica Chastain teve vários trabalhos lançados no mesmo ano e acabou indicada por Histórias Cruzadas, em 2014, ela também estrelou várias produções como Interestelar, Miss Julie, Dois Lados do Amor e O Ano Mais Violento, pelo qual ganhou o prêmio de coadjuvante no National Board of Review (NBR), então por que não uma nova indicação? De qualquer forma, Chastain também é daqueles talentos que já tem seu Oscar garantido no futuro… E Tilda Swinton foi bastante elogiada pela ficção científica futurista Expresso do Amanhã, mas como a Academia não curte o gênero…

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

À esquerda, Ralph Fiennes como o concierge Gustave com o seu leal lobby boy Zero, interpretado por Tony Revolori (photo by outnow.ch)

À esquerda, Ralph Fiennes como o concierge Gustave com o seu leal lobby boy Zero, interpretado por Tony Revolori (photo by outnow.ch)

Indicados:

– Richard Linklater (Boyhood: Da Infância à Juventude)
– Alejandro González Iñárritu, Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris, Armando Bo (Birdman)
– E. Max Frye, Dan Futterman (Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo)
– Wes Anderson, Hugo Guinness (O Grande Hotel Budapeste)
– Dan Gilroy (O Abutre)

DEVE GANHAR: Wes Anderson, Hugo Guinness (O Grande Hotel Budapeste)
DEVERIA GANHAR: Wes Anderson, Hugo Guinness (O Grande Hotel Budapeste)
ZEBRA: Dan Gilroy (O Abutre)

ESNOBADO: Andrey Zvyagintsev e Oleg Negin (Leviatã)

Embora o roteiro de Birdman tenha faturado alguns prêmios importantes como o Globo de Ouro, não chega à ótima elaboração de O Grande Hotel Budapeste com sua trama de assassinato que lembra uma Agatha Christie, mas com um humor que somente Wes Anderson conseguiria imprimir. Além disso, possui uma ampla gama de personagens interessantes que se cruzam em vários linhas narrativas. Como se não bastasse o Oscar que a Academia anda devendo a Anderson, ela adora tramas mirabolantes como a premiada de Assassinato em Gosford Park (2001).

Já os roteiros de Foxcatcher e O Abutre são sombrios demais para ganhar o Oscar. Claro que são bem escritos e defendidos por ótimos atores, mas não vejo a Academia os premiando. Já a presença de Boyhood aqui parece mais garantir que o filme seja premiado de alguma forma do que propriamente pela qualidade do roteiro. Talvez se a campanha de Leviatã fosse mais forte, seus roteiristas poderiam concorrer ao Oscar de roteiro original também. Eles conseguem fazer uma ótima metáfora de uma história bíblica de Jó ao adaptá-la para a Rússia dos dias de hoje, comandada por Vladimir Putin e a Igreja. O filme levou o prêmio de roteiro no último Festival de Cannes.

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

Keira Knightley (The Imitation Game) - photo by outnow.ch

Keira Knightley, Benedict Cumberbatch em cena de O Jogo da Imitação– photo by outnow.ch

Indicados:

– Jason Hall (Sniper Americano)
– Paul Thomas Anderson (Vício Inerente)
– Graham Moore (O Jogo da Imitação)
– Anthony McCarten (A Teoria de Tudo)
– Damien Chazelle (Whiplash: Em Busca da Perfeição)

DEVE GANHAR: Graham Moore (O Jogo da Imitação)
DEVERIA GANHAR: Damien Chazelle (Whiplash: Em Busca da Perfeição)
ZEBRA: Jason Hall (Sniper Americano)

ESNOBADO: James Gunn e Nicole Perlman (Guardiões da Galáxia)

A campanha de O Jogo da Imitação foi boa, o que resultou em 8 indicações ao Oscar, mas na prática mesmo, nenhum prêmio está garantido. A única indicação que está mais próxima de se concretizar em uma estatueta é a de roteiro adaptado, mesmo com suas incoerências que alguns sites adoram citar (como o fato de que a máquina decodificadora não foi criada propriamente por Alan Turing, mas por poloneses). Trata-se de uma ótima forma da Academia compensar o filme de não sair de mãos vazias da cerimônia.

Contudo, em termos de roteiro, ainda prefiro o de Damien Chazelle. Claro que de longe, pode parecer uma história boba de aprendizado de música, mas olhando à fundo, ele aborda temas muito mais profundos como a própria existência, a exploração do dom de cada um e a obsessão em alcançar um objetivo. Os diálogos entre Fletcher (J.K. Simmons) e Andrew (Miles Teller) estão afiadíssimos e seus atores devem muito ao roteiro. Curiosidade: o filme originalmente concorria ao Oscar de roteiro original, mas a Academia considerou-o como roteiro adaptado depois que descobriu que houve um curta de mesmo nome em 2013 do mesmo diretor.

Eu poderia colocar o roteiro de Gillian Flynn (Garota Exemplar) ou Nick Hornby (Livre) como um dos esnobados, mas preferi incluir a adaptação dos quadrinhos de Guardiões da Galáxia. O universo dos personagens da Marvel era até então meio secundário, mas o roteiro soube captar tão bem o espírito desse quadrinho, que acabou se tornando esse sucesso inquestionável.

MELHOR FOTOGRAFIA

Emmanuel Lubezki (Birdman) - photo by outnow.ch

Edward Norton e Emma Stone em cena de Birdman – photo by outnow.ch

Indicados:

– Emmanuel Lubezki (Birdman)
– Robert D. Yeoman (O Grande Hotel Budapeste)
– Lukasz Zal, Ryszard Lenczewski (Ida)
– Dick Pope (Sr. Turner)
– Roger Deakins (Invencível)

DEVE GANHAR: Emmanuel Lubezki (Birdman)
DEVERIA GANHAR: Robert D. Yeoman (O Grande Hotel Budapeste)
ZEBRA: Dick Pope (Sr. Turner)

ESNOBADO: Daniel Landin (Sob a Pele)

Emmanuel Lubezki pode ter ganhado seu primeiro Oscar no ano passado por Gravidade, mas seu trabalho em Birdman foi tão além de saber onde botar a câmera e iluminar, que seria quase impossível ele não ser devidamente recompensado. Birdman não seria Birdman sem os vários planos-sequência (cenas sem cortes) bem pensados por ele e o diretor Alejandro González Iñárritu. Curiosamente, ele já havia trabalhado bem plano-sequência na ficção científica de seu colaborador assíduo, Alfonso Cuarón, em Filhos da Esperança. Por Birdman, Lubezki ganhou seu 4º prêmios ASC (do sindicato dos diretores de fotografia) e o BAFTA.

Particularmente, prefiro os trabalhos mais plásticos de Lubezki como A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça ou A Árvore da Vida, por isso, meu voto pessoal vai pra bela fotografia de Robert D. Yeoman em O Grande Hotel Budapeste. O filme de Wes Anderson casa tudo tão bem no departamento artístico, que a fotografia não poderia ficar de fora. Já meu voto de coração vai pra Roger Deakins, um dos melhores diretores de fotografia ativos. Esta é sua 12ª indicação sem vitória, mas a campanha do filme Invencível não anda tão invencível assim. Uma pena mesmo…

Sei que é experimental demais pro Oscar, mas gosto da fotografia de Sob a Pele. Pode não ter o plasticismo todo, mas possui ótimos ângulos que reforçam ainda mais o estranhismo desse filme.

MELHOR MONTAGEM

Da esquerda para a direita: Lorelei Linklater, Ethan Hawke e Ellar Coltrane em Boyhood: Da Infância à Juventude (photo by elfilm.com)

Da esquerda para a direita: Lorelei Linklater, Ethan Hawke e Ellar Coltrane em Boyhood: Da Infância à Juventude (photo by elfilm.com)

Indicados:

– Joel Cox, Gary Roach (Sniper Americano)
– Sandra Adair (Boyhood: Da Infância à Juventude)
– Barney Pilling (O Grande Hotel Budapeste)
– William Goldenberg (O Jogo da Imitação)
– Tom Cross (Whiplash: Em Busca da Perfeição)

DEVE GANHAR: Sandra Adair (Boyhood: Da Infância à Juventude)
DEVERIA GANHAR: Tom Cross (Whiplash: Em Busca da Perfeição)
ZEBRA: William Goldenberg (O Jogo da Imitação)

ESNOBADO: James Herbert e Laura Jennings (No Limite do Amanhã)

Como competir com um filme que teve material bruto de 12 anos para editar?? Seria até cruel por parte da Academia não premiar o trabalhoso esforço da montadora Sandra Adair em Boyhood. Claro que não premiariam apenas por quilometragem de película editada, mas Adair acerta o ritmo do filme, pois não se percebe que são quase 3 horas de duração, e na não-inclusão de legendas de tempo decorrido (tipo “1 ano depois”), o que certamente prejudicaria o bom andamento do longa.

Meu favorito indubitável é o trabalho de Tom Cross em Whiplash. Além de ter uma baita dor de cabeça para sincronizar todo aquele jazz com os cortes de forma mais imperceptível possível, ele criou um ritmo meio experimental que o tira do lugar comum dos filmes sobre música. Acho que está tão bem casado o tema com a montagem, que não vejo Whiplash nascer sem esses cortes.

As montagens de Sniper Americano e O Jogo da Imitação são boas. Basicamente, elas estão aí porque brincam com flashbacks. Coloquei William Goldenberg como azarão porque ele ganhou recentemente com Argo. Agora, poderiam ter incluído a bem elaborada montagem de No Limite do Amanhã. Claro que tem muito de Feitiço do Tempo, mas sem aquela montagem de repetição bem executada, o filme certamente falharia feio. Foi um dos filmes blockbusters mais elogiados de 2014, por que não inclui-lo na competição?

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE

O belo trabalho de Adam Stockhausen em O Grande Hotel Budapeste (photo by elfilm.com)

O belo trabalho de Adam Stockhausen em O Grande Hotel Budapeste (photo by elfilm.com)

Indicados:

– Adam Stockhausen e Anna Pinnock (O Grande Hotel Budapeste)
– Maria Djurkovic e Tatiana Macdonald (O Jogo da Imitação)
– Nathan Crowley e Gary Fettis (Interestelar)
– Dennis Gassner e Anna Pinnock (Caminhos da Floresta)
– Suzie Davies e Charlotte Watts (Sr. Turner)

DEVE GANHAR: Adam Stockhausen e Anna Pinnock (O Grande Hotel Budapeste)
DEVERIA GANHAR: Adam Stockhausen e Anna Pinnock (O Grande Hotel Budapeste)
ZEBRA: Dennis Gassner e Anna Pinnock (Caminhos da Floresta)

Todos os trabalhos de design de produção têm suas peculiaridades. Caminhos da Floresta busca adaptar para o cinema a peça teatral da Broadway, usando árvores retorcidas fabricadas manualmente e alguns achados de locação como a torre da Rapunzel. A arte de Sr. Turner se baseia na palheta de cores das pinturas do próprio J.M.W. Turner para recriar seu estúdio. O design de O Jogo da Imitação se baseia em alguns desenhos do próprio Alan Turing e de sua máquina “Christopher”, e ao contrário da maioria dos filmes sobre a Segunda Guerra Mundial, apresenta cores mais quentes e vivas.

Interestelar tem toda aquela base secreta do lançamento da nave, a nave em si, o ambiente rural e dos planetas visitados pelos astronautas. Mas se for comparar ao design caprichadíssimo de O Grande Hotel Budapeste, seria covardia para os demais concorrentes. Não bastasse toda a decoração típica de hotéis de luxo do início do século XX, tem toda uma pesquisa das pinturas para preencher todas aquelas paredes. E o hotel em si é um personagem do filme. Não tem como bater isso.

MELHOR FIGURINO

Figurinos de Milena Canonero para O Grande Hotel Budapeste (photo by outnow,ch)

Figurinos de Milena Canonero para O Grande Hotel Budapeste (photo by outnow,ch)

Indicados:

– Milena Canonero (O Grande Hotel Budapeste)
– Mark Bridges (Vício Inerente)
– Colleen Atwood (Caminhos da Floresta)
– Anna B. Sheppard (Malévola)
– Jacqueline Durran (Sr. Turner)

DEVE GANHAR: Milena Canonero (O Grande Hotel Budapeste)
DEVERIA GANHAR: Milena Canonero (O Grande Hotel Budapeste)
ZEBRA: Colleen Atwood (Caminhos da Floresta)

ESNOBADO: Sonia Grande (Magia ao Luar)

Normalmente, o vencedor desta categoria apresenta figurinos de época e que tenham um peso na trama como Memórias de uma Gueixa ou Maria Antonieta, aliás, desenhados pela indicada e favorita Milena Canonero. O que dizer da figurinista que trabalhou e aprendeu com o mestre perfeccionista Stanley Kubrick? Ela já ganhou o Oscar três vezes, e se ganhar, pode se tornar a recordista viva com 4, batendo Sandy Powell e Colleen Atwood. A recordista de todos os tempos, obviamente, é a icônica Edith Head, com 8 Oscars.

Aqui a competição não tem muita força. E mesmo aqueles que teriam, os figurinistas já ganharam o Oscar anteriormente como Mark Bridges ou Jacqueline Durran. Apenas Anna B. Shepard não levou seu Oscar ainda, mas com Malévola será muito improvável sua primeira vitória.

MELHOR MAQUIAGEM E CABELO

Tilda Swinton como Madame D. em O Grande Hotel Budapeste (photo by outnow.ch)

Tilda Swinton como Madame D. em O Grande Hotel Budapeste (photo by outnow.ch)

Indicados:

– Bill Corso, Dennis Liddiard (Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo)
– Frances Hannon e Mark Coulier (O Grande Hotel Budapeste)
– Elizabeth Yanni-Georgiou e David White (Guardiões da Galáxia)

DEVE GANHAR: O Grande Hotel Budapeste
DEVERIA GANHAR: O Grande Hotel Budapeste
ZEBRA: Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo

ESNOBADO: Noé

Muita gente deve estar pensando que a maquiagem feita em Tilda Swinton (na foto acima) é o único motivo do filme ganhar o Oscar da categoria. Claro que este seria o ápice da transformação, pois é a mais evidente, mas os maquiadores Frances Hannon e Mark Coulier se encarregaram de transformar quase todos os atores em seus devidos personagens, seja com um bigode, uma peruca ou uma cicatriz no rosto. Vale lembrar que Coulier já ganhou o Oscar por A Dama de Ferro em 2012.

E o que dizer de Foxcatcher? Uma prótese de nariz vale uma indicação ao Oscar? Se fosse assim, o nariz de Nicole Kidman em As Horas também merecia… Aliás, muita gente anda dizendo que Steve Carell no filme está a versão em carne e osso do personagem Gru, que ele dublou em Meu Malvado Favorito! Tudo bem que este ano a competição está fraca, mas poderiam ter indicado Noé pela quantidade de atores ou até mesmo O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro pelos vilões maquiados.

MELHOR TRILHA MUSICAL ORIGINAL

Alexandre Desplat tem 5 trilhas elegíveis este ano. O homem mais compõe do que dorme (photo by nytimes.com)

Alexandre Desplat concorre por O Grande Hotel Budapeste e O Jogo da Imitação (photo by nytimes.com)

Indicados:

– Alexandre Desplat (O Grande Hotel Budapeste)
– Alexandre Desplat (O Jogo da Imitação)
– Jóhann Jóhannsson (A Teoria de Tudo)
– Gary Yershon (Sr. Turner)
– Hans Zimmer (Interestelar)

DEVE GANHAR: Alexandre Desplat (O Grande Hotel Budapeste)
DEVERIA GANHAR: Jóhann Jóhannsson (A Teoria de Tudo)
ZEBRA: Gary Yershon (Sr. Turner)

ESNOBADO: Mica Levi (Sob a Pele)

Apesar de ser um baita azar ser duplamente indicado no mesmo ano (o compositor John Williams perdeu por Memórias de uma Gueixa e Munique em 2007, e por A.I. – Inteligência Artificial e Harry Potter e a Pedra Filosofal em 2002), vou apostar em uma vitória do duplamente indicado Alexandre Desplat. Ele é um dos melhores compositores em atuação, tanto que estas são suas sétima e oitava indicações sem vitória.

No Globo de Ouro, Jóhann Jóhannsson levou a melhor pela bela e multi-instrumental trilha de A Teoria de Tudo, mas Desplat o bateu no BAFTA. Quem sabe não é este ano, né? Não conheço a trilha de Sr. Turner, mas poderiam indicar a trilha do jovem Mica Levi do estranhíssimo Sob a Pele, de Jonathan Glazer. Sei que seu tom é altamente experimental para o Oscar, mas não vejo o filme sem essa trilha…

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

Indicados:

– “Everything is Awesome”, de Shawn Patterson (Uma Aventura Lego)
– “Glory”, de John Stephens e Lonnie Lynn (Selma: Uma Luta Pela Igualdade)
– “Grateful”, de Diane Warren (Além das Luzes)
– “I’m Not Gonna Miss You”, de Glen Campbell e Julian Raymond (Glen Campbell… I’ll Be Me)
– “Lost Stars”, de Gregg Alexander e Danielle Brisebois (Mesmo Se Nada Der Certo)

DEVE GANHAR: “Glory”, de John Stephens e Lonnie Lynn (Selma: Uma Luta Pela Igualdade)
DEVERIA GANHAR: “Glory”, de John Stephens e Lonnie Lynn (Selma: Uma Luta Pela Igualdade)
ZEBRA: “Grateful”, de Diane Warren (Além das Luzes)

Se “Glory” já era favorita antes quando artistas mais famosos estavam na disputa como Lorde (por Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1) e Lana Del Rey (por Grandes Olhos), imagina sem elas no páreo? Ouvi recentemente as demais canções que estão concorrendo e apenas a de Selma: Uma Luta por Igualdade tem cara de Oscar. A “I’m Not Gonna Miss You” de Glen Campbell… I’ll Be Me é bonita e “Everything is Awesome” de Uma Aventura Lego é divertida, mas não tem como ganhar. Vale lembrar que Selma foi indicado a Melhor Filme e Melhor Canção Original.

MELHOR SOM

Cena com Milles Teller e J.K. Simmons de Whiplash: Em Busca da Perfeição, de Damien Chazelle. (photo by outnow.ch)

Cena com Milles Teller e J.K. Simmons de Whiplash: Em Busca da Perfeição, de Damien Chazelle. (photo by outnow.ch)

Indicados:

– John Reitz, Gregg Rudloff e Walt Martin (Sniper Americano)
– Jon Taylor, Frank A. Montaño e Thomas Varga (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)
– Gary A. Rizzo, Gregg Landaker e Mark Weingarten (Interestelar)
– Jon Taylor, Frank A. Montaño e David Lee (Invencível)
– Craig Mann, Ben Wilkins e Thomas Curley (Whiplash: Em Busca da Perfeição)

DEVE GANHAR: Whiplash: Em Busca da Perfeição
DEVERIA GANHAR: Interestelar
ZEBRA: Invencível

ESNOBADO: Guardiões da Galáxia

Embora Interestelar corra sério risco de sair da cerimônia do Oscar sem ganhar nada, ainda acredito que a Academia possa compensar com uma vitória em Melhor Som. Prêmio de consolo? Talvez. Mas pelo menos o filme vai sair como “vencedor do Oscar” e não apenas indicado. Além disso, o som é a melhor qualidade de Interestelar. Os fãs do filme que me perdoem.

Apesar de ser uma produção bem menor do que Interestelar, Whiplash já faturou o prêmio de Melhor Som no BAFTA, provando que os votantes avaliam a qualidade técnica de fato. Por se tratar de um filme sobre música, é imprescindível que o som esteja de melhor nível, pois os personagens são extremamente exigentes em relação a isso. Outro fator que ajuda Whiplash: os musicais são costumeiramente premiados nesta categoria como Chicago, Ray, Dreamgirls e Os Miseráveis.

MELHORES EFEITOS SONOROS

Bradley Cooper em cena de Sniper Americano (photo by cinemagia.ro)

Bradley Cooper em cena de Sniper Americano (photo by cinemagia.ro)

Indicados:

– Alan Robert Murray e Bub Asman (Sniper Americano)
– Martin Hernández e Aaron Glascock (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância))
– Brent Burge e Jason Canovas (O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos)
– Richard King (Interestelar)
– Becky Sullivan e Andrew DeCristofaro (Invencível)

DEVE GANHAR: Sniper Americano
DEVERIA GANHAR: Sniper Americano
ZEBRA: O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos

ESNOBADO: Capitão América 2: O Soldado Invernal

A Academia gosta de premiar filmes de ação nesta categoria. Para citar exemplos recentes: 007 – Operação Skyfall, A Hora Mais Escura e A Origem. Sons criados em estúdio como tiros de metralhadoras, explosões de bombas e batidas de carros são bem reconhecidos, então Sniper Americano sai em ligeira vantagem por se tratar de um filme que se passa em campo de guerra. Mas não dá pra ignorar a forte possibilidade de Richard King ganhar sua terceira estatueta por um filme de Christopher Nolan. Se tem algo inquestionavelmente bom em Interestelar, são seus efeitos sonoros, tanto que todo mundo recomendou assistir ao filme numa sala IMAX. Já a terceira e última parte da trilogia de O Hobbit fica com o posto de zebra, pois foi a única indicação que a produção recebeu.

MELHORES EFEITOS VISUAIS

Cena de Interestelar (photo by outnow.ch)

Cena de Interestelar (photo by outnow.ch)

Indicados:

– Capitão América: O Soldado Invernal
– Planeta dos Macacos: O Confronto
– Guardiões da Galáxia
– Interestelar
– X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

DEVE GANHAR: Interestelar
DEVERIA GANHAR: Planeta dos Macacos: O Confronto
ZEBRA: X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

ESNOBADO: O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos

Depois que o primeiro filme do reboot de Planeta dos Macacos perdeu injustamente em 2012, fico na dúvida se o segundo filme não vai trilhar o mesmo caminho. Se a Academia quiser compensar ainda mais o filme de Christopher Nolan, eis aí um prêmio possível para suas imagens de planetas distantes e naves gigantes. Na briga entre os dois, pode sobrar também para o mega-sucesso de 2014: Guardiões da Galáxia.

MELHOR DOCUMENTÁRIO

Edward Snowden em Citizenfour (photo by outnow.ch)

Edward Snowden em Citizenfour (photo by outnow.ch)

Indicados:

– CitizenFour
– A Fotografia Oculta de Vivian Maier
– Last Days in Vietnam
– O Sal da Terra
– Virunga

DEVE GANHAR: Citizenfour
DEVERIA GANHAR: Virunga
ZEBRA: Last Days in Vietnam

ESNOBADO: Life Itself – A Vida de Roger Ebert

Elogiado desde o início da temporada de premiações, o documentário sobre Edward Snowden, Citizenfour, vem conquistando inúmeros prêmios, inclusive o DGA para sua diretora Laura Poitras. Mas nem tudo são rosas. Nos últimos anos, a Academia tem pregado algumas peças nesta categoria, trocando os favoritos por surpresas nem sempre agradáveis como no ano passado, quando o fraco A Um Passo do Estrelato bateu o surpreendente O Ato de Matar.

Nesse sentido, o segundo filme mais premiado, A Fotografia Oculta de Vivian Maier pode prevalecer ou até mesmo Virunga, produzido pela Netflix, um ótimo documentário sobre os gorilas de montanhas extintos no Congo. O documentário sobre o fotógrafo Sebastião Salgado, O Sal da Terra, só não fica entre as zebras porque tem Wim Wenders como diretor. Em sua terceira indicação sem vitória, o Oscar pode sobrar pra ele.

MELHOR DOCUMENTÁRIO-CURTA

Cena de Our Curse (photo by nyt.com)

Cena de Our Curse (photo by nyt.com)

Indicados:

– Crisis Hotline: Veterans Press 1
– Joanna
– Our Curse
– The Reaper (La Parka)
– White Earth

Talvez a categoria mais imprevisível de todas. Normalmente, vale apostar naquele cujo tema tem doenças, guerras ou… acertou! judeus. Crisis Hotline: Veterans Press 1 é sobre veteranos de guerra, Our Curse é sobre o filho dos diretores do curta que tem uma doença incurável. Já Joanna e The Reaper tratam do tema morte, mas enquanto o primeiro é de forma poética, o segundo aborda de forma mais crua com o protagonista que trabalha há 25 anos num matadouro. E White Earth lida com a velha temática do racismo. Em termos de premiação, todos estão muito nivelados, então ninguém sai em vantagem aqui.

MELHOR CURTA-METRAGEM

Cena de The Phone Call (photo by cloudfront.net)

Cena de The Phone Call com Sally Hawkins (photo by cloudfront.net)

Indicados:

– Aya
– Boogaloo and Graham
– Butter Lamp (La Lampe au Beurre de Yak)
– Parvaneh
– The Phone Call

Boogaloo and Graham pode ter ganhado o BAFTA de curta, mas se tem um trabalho que ganhou prêmios este foi Butter Lamp. Até o momento, levou 22 prêmios! Mas não podemos esquecer que o curta The Phone Call tem nomes famosos no elenco como Sally Hawkins e Jim Broadbent. Ah! Vale ressaltar aqui que a montadora do curta Boogaloo and Graham é brasileira. Lívia Serpa já trabalhou inclusive com Walter Salles em Linha de Passe.

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO

Cena de O Banquete (photo by outnow.ch)

Cena de O Banquete (photo by outnow.ch)

Indicados:

– The Bigger Picture
– The Dam Keeper
– O Banquete (Feast)
– Me and My Moulton
– A Single Life

The Bigger Picture ganhou o BAFTA, enquanto O Banquete levou o Annie Awards de melhor curta de animação. Assim com as demais categorias de curtas, é complicado prever qual pode ganhar. De todos os indicados, apenas A Single Life não foi indicado a mais nada, o que teoricamente enfraquece sua campanha.

MELHOR LONGA DE ANIMAÇÃO

Princesa Kaguya (photo by outnow.CH)

O Conto da Princesa Kaguya (photo by outnow.CH)

Indicados:

– Operação Big Hero
– Os Boxtrolls
– Como Treinar o seu Dragão 2
– Song of the Sea
– O Conto da Princesa Kaguya

DEVE GANHAR: O Conto da Princesa Kaguya
DEVERIA GANHAR: O Conto da Princesa Kaguya
ZEBRA: Os Boxtrolls

ESNOBADO: Uma Aventura Lego

Cara, eu posso estar viajando, mas como não tem Uma Aventura Lego, que era o franco-favorito, e nem um filme da Pixar que costuma papar tudo, vou apostar no filme japonês O Conto da Princesa Kaguya. Vi o trailer e achei lindíssimo. Sou fã de animações em 2D, então sou meio suspeito pra defender. Além disso, vale lembrar que o mestre da animação Hayao Miyazaki vai estar na cerimônia pra receber o Oscar Honorário. Seria uma ótima dobradinha nipônica, hein?

Caso não role, eu apostaria em Song of the Sea do irlandês Tomm Moore. Acho que com a saída dos favoritos, a Academia tem liberdade total de apostar em algo diferente este ano. Por que não sair do lugar comum? Como Treinar Seu Dragão 2 não tem sido aquela unanimidade entre os críticos.

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA

O polonês Ida, de Pawel Pawlikowski. Temática judia leva vantagem automática. (photo by outnow.ch)

O polonês Ida, de Pawel Pawlikowski. Temática judia leva vantagem automática. (photo by outnow.ch)

Indicados:

– Ida, de Pawel Pawlikowski (POLÔNIA)
– Leviatã, de Andrey Zvyagintsev (RÚSSIA)
– Tangerines, de Zaza Urushadze (ESTÔNIA)
– Timbuktu, de Abderrahmane Sissako (MAURITÂNIA)
– Relatos Selvagens, de Damián Szifrón (ARGENTINA)

DEVE GANHAR: Ida
DEVERIA GANHAR: Leviatã ou Relatos Selvagens
ZEBRA: Tangerines

ESNOBADO: Força Maior (SUÉCIA)

Eu deveria amar esta categoria, mas por insistirem em manter regras arcaicas com votantes idosos e judeus para definir a melhor produção em língua estrangeira, acho pra lá de injusto. Quantos filmes excelentes deixaram de ser premiados por votos conservadores ao extremo? Só pra citar alguns recentes: Cidade de Deus, A Pele que Habito e Azul é a Cor Mais Quente.

Mas na atual conjuntura, nada me resta a não ser eleger o possível vencedor. Filme polonês com temática judaica? Entrega logo o Oscar para Ida! Não que Ida seja um filme ruim. Nada disso. É bom, mas é quadrado demais. Eu votaria no russo Leviatã, que capta bem a Rússia de Putin, ou o delicioso Relatos Selvagens, provando mais uma vez que o cinema argentino está à anos-luz do cinema brasileiro.

***

Acompanhe o Oscar pela TNT a partir das 20h30 (tapete vermelho). Não dêem audiência pra Globo, pois ela prefere passar aquela draga de Big Brother e fazer o público perder os primeiros prêmios da cerimônia.

‘Birdman’ conquista o prêmio de Elenco no SAG Awards 2015

Da esquerda pra direita: Andrea Riseborough, Amy Ryan, Emma Stone, Naomi Watts, Michael Keaton e Edward Norton vencem por Birdman (photo by Mario Anzuoni/Reuters)

Da esquerda pra direita: Andrea Riseborough, Naomi Watts, Emma Stone, Amy Ryan, Michael Keaton e Edward Norton vencem por Birdman (photo by Mario Anzuoni/Reuters)

SAG AWARDS DEFINE FAVORITOS E COMPENSA ‘BIRDMAN’

Ok, o canal TNT decidiu passar o Miss Universo no lugar do SAG Awards ao vivo. Particularmente, não vou reclamar da troca, mas acredito que o evento da beleza feminina deve trazer melhores números de audiência do que a cerimônia exclusiva para cinéfilos.

Para não ficar feio, postei os vencedores online de acordo com os updates do próprio site do SAG. Mas para quem quiser conferir a cerimônia, o TNT vai transmitir o SAG Awards às 22h30 nesta segunda-feira, dia 26 de janeiro.

Quanto aos resultados, o SAG não apresentou surpresas de fato. Pelo contrário. Definiu os favoritismos de J.K. Simmons (Whiplash: Em Busca da Perfeição), Patricia Arquette (Boyhood: Da Infância à Juventude) e de Julianne Moore (Para Sempre Alice). Das 4 categorias de atuação de cinema, a mais equilibrada era a de Melhor Ator, pois a disputa entre Michael Keaton (Birdman) e Eddie Redmayne (A Teoria de Tudo)estava acirradíssima.

Eddie Redmayne (A Teoria de Tudo) - photo by Getty Images

Eddie Redmayne (A Teoria de Tudo) – photo by Getty Images

Particularmente, acreditava na vitória de Keaton por sua larga experiência em filmes e seu carisma, até mesmo porque Eddie Redmayne ainda é um jovem ator que tem tudo pra conquistar Hollywood e incontáveis prêmios, mas o processo de transformação de Redmayne no gênio Stephen Hawking realmente impressiona; e acreditava também que O Grande Hotel Budapeste levaria o prêmio de Elenco (Ensemble Cast) no lugar de Birdman.

Nos últimos cinco anos, o SAG tem acertado entre 3 e 4 das 4 categorias de atuação do Oscar. Em 2014, os quatro premiados Matthew McConaughey, Cate Blanchett, Jared Leto e Lupita Nyong’o saíram com o Oscar também, tornando o SAG uma ótima prévia da Academia.

Claro que sempre podem haver surpresas, pois alguns indicados mudam de acordo com o prêmio. Por exemplo, na categoria de Ator, Eddie Redmayne venceu Michael Keaton, Steve Carell, Benedict Cumberbatch e Jake Gyllenhall. Já no Oscar, ele terá que bater também Bradley Cooper (aliás, o único entre os cinco previamente indicado ao Oscar) e sua interpretação em Sniper Americano, que vem conquistando números impressionantes nas bilheterias e pode surpreender no Oscar.

Já Julianne Moore pode ter seu reinado ameaçado no Oscar pela presença sempre forte da francesa Marion

Julianne Moore (Para Sempre Alice) - photo by Getty Images

Julianne Moore (Para Sempre Alice) – photo by Getty Images

Cotillard por Dois Dias, Uma Noite, enquanto Patricia Arquette terá Laura Dern (Livre) no Oscar para competir.

Entre os vencedores das categorias de televisão, destaque para os dois prêmios para Netflix: Melhor Ator para Kevin Spacey (House of Cards) e Melhor Série de Comédia para Orange is the New Black. Particularmente também gostei da premiação de Mark Ruffalo pelo telefilme The Normal Heart.

Segue lista completa dos vencedores do SAG Awards 2015:

CINEMA

MELHOR ATOR
EDDIE REDMAYNE / Stephen Hawking – A TEORIA DE TUDO

MELHOR ATRIZ
JULIANNE MOORE / Alice Howland-Jones – PARA SEMPRE ALICE

MELHOR ATOR COADJUVANTE
J.K. SIMMONS / Fletcher – WHIPLASH: EM BUSCA DA PERFEIÇÃO

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
PATRICIA ARQUETTE / Olivia – BOYHOOD: DA INFÂNCIA À JUVENTUDE

MELHOR ELENCO
BIRDMAN
ZACH GALIFIANAKIS, MICHAEL KEATON, EDWARD NORTON, ANDREA RISEBOROUGH, AMY RYAN, EMMA STONE, NAOMI WATTS

J.K. Simmons posa para fotos com seu SAG Award (photo by theguardian.com)

J.K. Simmons posa para fotos com seu SAG Award por Whiplash (photo by theguardian.com)

Patricia Arquette com seu SAG Award de coadjuvante (photo by examiner.com)

Patricia Arquette com seu SAG Award de coadjuvante por Boyhood (photo by examiner.com)

TELEVISÃO

MELHOR ATOR DE TELEFILME OU MINISSÉRIE
MARK RUFFALO / Ned Weeks – THE NORMAL HEART

MELHOR ATRIZ DE TELEFILME OU MINISSÉRIE
FRANCES McDORMAND / Olive Kitteridge – OLIVE KITTERIDGE

MELHOR ATOR EM SÉRIE DRAMÁTICA
KEVIN SPACEY / Francis Underwood – HOUSE OF CARDS

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DRAMÁTICA
VIOLA DAVIS / Annalise Keating – HOW TO GET AWAY WITH MURDER

MELHOR ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA
WILLIAM H. MACY / Frank Gallagher – SHAMELESS

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA
UZO ADUBA / Suzanne “Crazy Eyes” Warren – ORANGE IS THE NEW BLACK

MELHOR ELENCO DE SÉRIE DRAMÁTICA
DOWNTON ABBEY
HUGH BONNEVILLE, LAURA CARMICHAEL, JIM CARTER, BRENDAN COYLE, MICHELLE DOCKERY, KEVIN DOYLE, JOANNE FROGGATT, LILY JAMES, ROBERT JAMES-COLLIER, ALLEN LEECH, PHYLLIS LOGAN, ELIZABETH McGOVERN, SOPHIE McSHERA, MATT MILNE, LESLEY NICOL, DAVID ROBB, MAGGIE SMITH, ED SPELEERS, CARA THEOBOLD, PENELOPE WILTON

MELHOR ELENCO DE SÉRIE DE COMÉDIA
ORANGE IS THE NEW BLACK
UZO ADUBA, JASON BIGGS, DANIELLE BROOKS, LAVERNE COX, JACKIE CRUZ, CATHERINE CURTIN, LEA DELARIA, BETH FOWLER, YVETTE FREEMAN, GERMAR TERRELL GARDNER, KIMIKO GLENN, ANNIE GOLDEN, DIANE GUERRERO, MICHAEL J. HARNEY, VICKY JEUDY, JULIE LAKE, LAUREN LAPKUS, SELENIS LEYVA, NATASHA LYONNE, TARYN MANNING, JOEL MARSH GARLAND, MATT McGORRY, ADRIENNE C. MOORE, KATE MULGREW, EMMA MYLES, JESSICA PIMENTEL, DASCHA POLANCO, ALYSIA REINER, JUDITH ROBERTS, ELIZABETH RODRIGUEZ, BARBARA ROSENBLAT, NICK SANDOW, ABIGAIL SAVAGE, TAYLOR SCHILLING, CONSTANCE SHULMAN, DALE SOULES, YAEL STONE, LORRAINE TOUSSAINT, LIN TUCCI, SAMIRA WILEY

MELHOR PERFORMANCE DE DUBLÊS EM CINEMA
INVENCÍVEL (UNBROKEN)

MELHOR PERFORMANCE DE DUBLÊS EM SÉRIES DE COMÉDIA OU DRAMÁTICAS
GAME OF THRONES

Frances McDormand discursa pelo prêmio de atriz (photo by cnn.com)

Frances McDormand discursa pelo prêmio de atriz (photo by cnn.com)

PRÊMIO PELO CONJUNTO DA OBRA: DEBBIE REYNOLDS

Onde e Quando acompanhar os Indicados ao Oscar 2015

Chris Pine a presidente da Academia Cheryl Boone Isaacs anunciam os indicados ao Oscar (photo by http://cdn4.hoy.com.do)

Chris Pine a presidente da Academia Cheryl Boone Isaacs anunciam os indicados ao Oscar (photo by http://cdn4.hoy.com.do)

GUIA COMPLETO PARA CONFERIR OS INDICADOS AO OSCAR 2015

As indicações ao Oscar foram anunciadas no último dia 15 e você ainda não viu nenhum filme? Não se desespere! Ainda temos um mês pra cerimônia, e felizmente, já dá pra conferir muitos deles através de mídias (DVDs e Blu-rays) e alguns filmes que já estão em cartaz como é o caso de Whiplash: Em Busca da Perfeição, que coletou 5 indicações, e um dos favoritos Boyhood: Da Infância à Adolescência, que tem 6 indicações.

O filme de Richard Linklater estreou aqui no Brasil no final de outubro de 2014 e já estava quase saindo de cartaz. Contudo, graças às indicações ao Oscar, ganhou novo fôlego pra aguentar mais algumas semanas nas salas de cinema. Aqui em São Paulo, Boyhood está atualmente nas salas Cidade Jardim Cinemark, Cine Livraria Cultura 1, Eldorado Cinemark e Metrô Santa Cruz Cinemark. Como cinéfilo e frequentador dessas salas, recomendo o Cine Livraria Cultura, localizado no Conjunto Nacional na Avenida Paulista. Trata-se de uma sala grande, com poltronas grandes e confortáveis e um público que sabe respeitar uma projeção. Já as grandes redes como o Cinemark costumam tratar os filmes como meros produtos e seus frequentadores como meros pagadores.

Patricia Arquette com o pequeno Ellar Coltrane em cena de Boyhood: Da Infância à Juventude

Patricia Arquette com o pequeno Ellar Coltrane em cena de Boyhood: Da Infância à Juventude

Isso que eu acho bacana do Oscar, porque ele pode resgatar bons filmes do limbo e trazê-los de volta às salas de cinema. Aliás, poderiam passar O Grande Hotel Budapeste novamente, porque o filme de Wes Anderson merece uma projeção de qualidade para valorizar sua ótima fotografia e direção de arte. E gostaria que os distribuidores se esforçassem pra colocar alguns filmes em cartaz antes do Oscar como a animação japonesa O Conto da Princesa Kaguya, que é produzida pelo Studio Ghibli do homenageado com o Oscar Honorário desde ano, o mestre Hayao Miyazaki. Assim como o documentário Citizenfour sobre Edward Snowden, e claro, o novo filme de Mike Leigh, Sr. Turner, com 4 indicações.

Por outro lado, a ausência parcial ou total de indicações ao Oscar pode comprometer bastante a divulgação e lançamento de um filme aqui no Brasil. O novo longa de Paul Thomas Anderson, Vício Inerente, tinha tudo para estrear em janeiro, mas como conquistou apenas duas indicações (Roteiro Adaptado e Figurino), a distribuidora empurrou seu lançamento para final de março, ficando impossível de conferir o trabalho antes da cerimônia do Oscar, que acontece no dia 22 de fevereiro. Quer dizer, “impossível” de forma legal. Se você não se importar em fazer um download ou streaming, acredito que dá pra ver todos os indicados ao Oscar! Mas aí tem que se sujeitar às leis e muitas vezes às péssimas resoluções de imagem dos filmes.

Pra quem assina Netflix, vale a pena assistir à produção indicada a Melhor Documentário, Virunga. Trata-se de um ótimo filme que disseca a preservação dos últimos gorilas de montanhas que vivem no Parque Nacional de Virunga, num Congo em conflitos civis armados. É o segundo filme produzido pela Netflix a concorrer ao Oscar. Em 2014, The Square competiu na mesma categoria de Documentário.

Cena do documentário Virunga, sobre a proteção aos gorilas quase extintos do Congo (photo by outnow.ch)

Cena do documentário Virunga, sobre a proteção aos gorilas quase extintos do Congo (photo by outnow.ch)

DISPONÍVEIS EM BLU-RAY/DVD

Uma Aventura Lego (The Lego Movie)
1 indicação: Canção Original (“Everything is Awesome”)

Capitão América 2: O Soldado Invernal (Captain America: The Winter Soldier)
1 indicação: Efeitos Visuais

Como Treinar o Seu Dragão 2 (How to Train Your Dragon 2)
1 indicação: Animação

O Grande Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel)
9 indicações: Filme, Diretor (Wes Anderson), Roteiro Original, Fotografia, Montagem, Direção de Arte, Figurino, Maquiagem e Trilha Musical Original.

Guardiões da Galáxia (Guardians of the Galaxy)
1 indicação: Maquiagem e Efeitos Visuais.

Malévola (Maleficent)
1 indicação: Figurino

Mesmo Se Nada Der Certo (Begin Again)
1 indicação: Canção Original (“Lost Stars”)

Planeta dos Macacos: O Confronto (Dawn of the Planet of the Apes)
1 indicação: Efeitos Visuais

X-Men: Dias de um Futuro Esquecido (X-Men: Days of Future Past)
1 indicação: Efeitos Visuais

Michael Fassbender em cena de X-Men: Dias de um Futuro Esquecido (photo by outnow.ch)

Michael Fassbender em cena de X-Men: Dias de um Futuro Esquecido (photo by outnow.ch)

DISPONÍVEL NO NETFLIX

Virunga
1 indicação: Documentário

FILMES EM CARTAZ NOS CINEMAS – com base na programação de São Paulo

O Abutre (Nightcrawler)
1 indicação: Roteiro Original

Boyhood: Da Infância à Juventude (Boyhood)
6 indicações: Filme, Diretor (Richard Linklater), Ator Coadjuvante (Ethan Hawke), Atriz Coadjuvante (Patricia Arquette), Roteiro Original, Montagem.

O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos (The Hobbit: The Battle of the Five Armies)
1 indicação: Efeitos Sonoros.

Ida (Ida)
2 indicações: Filme em Língua Estrangeira e Fotografia.

Interestelar (Interstellar)
5 indicações: Direção de Arte, Trilha Musical Original, Som, Efeitos Sonoros e Efeitos Visuais.

Invencível (Unbroken)
3 indicações: Fotografia, Som e Efeitos Sonoros.

Leviatã (Leviafan)
1 indicação: Filme em Língua Estrangeira.

Livre (Wild)
2 indicações: Atriz (Reese Whiterspoon) e Atriz Coadjuvante (Laura Dern).

Operação Big Hero (Big Hero 6)
1 indicação: Animação

Relatos Selvagens (Relatos Salvajes)
1 indicação: Filme em Língua Estrangeira.

Whiplash: Em Busca da Perfeição (Whiplash)
5 indicações: Filme, Ator Coadjuvante (J.K. Simmons), Roteiro Adaptado, Montagem e Som.

Miles Teller em ótima cena de Whiplash: Em Busca da Perfeição (photo by outnow.ch)

Miles Teller em ótima cena de Whiplash: Em Busca da Perfeição (photo by outnow.ch)

PREVISÃO DE ESTRÉIA – Datas previstas para São Paulo, que podem sofrer alterações de acordo com as distribuidoras

22/01: Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo (Foxcatcher)
5 indicações: Diretor (Bennett Miller), Ator (Steve Carell), Ator Coadjuvante (Mark Ruffalo), Roteiro Original e Maquiagem.

22/01: Timbuktu
1 indicação: Filme em Língua Estrangeira

25/01: Selma
2 indicações: Filme e Canção Original.

29/01: Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (Birdman or (The Unexpected Virtue of Ignorance)
9 indicações: Filme, Diretor (Alejandro González Iñárritu), Ator (Michael Keaton), Ator Coadjuvante (Edward Norton), Atriz Coadjuvante (Emma Stone), Roteiro Original, Fotografia, Montagem, Som e Efeitos Sonoros.

29/01: Caminhos da Floresta (Into the Woods)
3 indicações: Atriz Coadjuvante (Meryl Streep), Direção de Arte e Figurino.

29/01: O Jogo da Imitação (The Imitation Game)
8 indicações: Filme, Diretor (Morten Tyldum), Ator (Benedict Cumberbatch), Atriz Coadjuvante (Keira Knightley), Roteiro Adaptado, Montagem, Direção de Arte e Trilha Musical Original.

29/01: A Teoria de Tudo (The Theory of Everything)
5 indicações: Filme, Ator (Eddie Redmayne), Atriz (Felicity Jones), Roteiro Adaptado e Trilha Musical Original.

05/02: Dois Dias, Uma Noite (Deux Jours, Une Nuit)
1 indicação: Atriz (Marion Cotillard)

19/02: Sniper Americano (American Sniper)
6 indicações: Filme, Ator (Bradley Cooper), Roteiro Adaptado, Montagem, Som e Efeitos Sonoros.

26/02: Para Sempre Alice (Still Alice)
1 indicação: Atriz (Julianne Moore)

12/03: O Sal da Terra (The Salt of the Earth)
1 indicação: Documentário

26/03: Vício Inerente (Inherent Vice)
2 indicações: Roteiro Adaptado e Figurino.

O casal Stephen e Jane Hawking (Eddie Redmayne e Felicity Jones) em A Teoria de Tudo (photo by outnow.ch)

O casal Stephen e Jane Hawking (Eddie Redmayne e Felicity Jones) em A Teoria de Tudo (photo by outnow.ch)

FORA DE CARTAZ E AGUARDANDO LANÇAMENTO EM BLU-RAY/DVD

Os Boxtrolls (The Boxtrolls)
1 indicação: Animação

Garota Exemplar (Gone Girl)
1 indicação: Atriz (Rosamund Pike)

O Juiz (The Judge)
1 indicação: Ator Coadjuvante (Robert Duvall)

Os Boxtrolls (The Boxtrolls), de

Os Boxtrolls (The Boxtrolls)

SEM PREVISÃO DE ESTRÉIA (*caham!* Mas pra isso existe a internet…)

Além das Luzes (Beyond the Lights)
1 indicação: Canção Original (“Grateful”)

Citizenfour
1 indicação: Documentário

O Conto da Princesa Kaguya (Kaguyahime no Monogatari)
1 indicação: Animação

A Fotografia Oculta de Vivian Maier (Finding Vivian Maier)
1 indicação: Documentário

Glen Campbell: I’ll Be Me
1 indicação: Canção Original (“I’m Not Gonna Miss You”)

Last Days in Vietnam
1 indicação: Documentário

Song of the Sea
1 indicação: Animação

Sr. Turner (Mr. Turner)
4 indicações: Fotografia, Direção de Arte, Figurino e Trilha Musical Original.

Tangerines (Mandariinid)
1 indicação: Filme em Língua Estrangeira.

Minnie Driver com a novata Gugu em Além das Luzes (photo by cine.gr)

Minnie Driver com a novata Gugu Mbatha-Raw em Além das Luzes (photo by cine.gr)

A cerimônia do 87º Oscar será no dia 22 de fevereiro, e será transmitida pelo canal pago TNT.

‘Boyhood’ fatura 3 prêmios e é o grande vencedor do Globo de Ouro 2015

Da esquerda para a direita: Patricia Arquette, Lorelei Linklater, Richard Linklater, Ellar Coltrane e Ethan Hawke com os três Globos de Ouro em mãos (photo by trbimg.com)

Da esquerda para a direita: Patricia Arquette, Lorelei Linklater, Richard Linklater, Ellar Coltrane e Ethan Hawke com os três Globos de Ouro em mãos (photo by trbimg.com)

‘BIRDMAN’ E ‘A TEORIA DE TUDO’ CONQUISTAM 2 PRÊMIOS CADA E FORTALECEM SUAS CAMPANHAS RUMO AO OSCAR

Em termos de resultado, a 72ª edição do Globo de Ouro pode ser dividida em duas partes: a previsível de cinema e a imprevisível de TV. Os atores mais cotados de cinema levaram seus prêmios: Eddie Redmayne, Julianne Moore, Michael Keaton, Amy Adams, J.K. Simmons e Patricia Arquette, além de Richard Linklater como diretor. Só achei que os prêmios de roteiro e filme-comédia seriam invertidos: O Grande Hotel Budapeste levaria roteiro e Birdman levaria filme, mas de qualquer modo, foi um merecidíssimo prêmio para Wes Anderson. Provavelmente, a maior surpresa na parte de cinema tenha sido a vitória da sequência Como Treinar o Seu Dragão 2, já que Uma Aventura Lego vinha conquistando quase todos os prêmios da temporada de Melhor Animação, e em menor escala, a vitória do compositor Johann Johannsson pela trilha de A Teoria de Tudo, uma vez que Antonio Sanchez tinha as melhores chances por Birdman, mesmo tendo sido desqualificado da categoria no Oscar.

Pela TV, já pelo fato dos membros da Hollywood Foreign Press Association terem dado uma repaginada nos indicados, acabou proporcionando maiores oportunidades de surpresa. Séries que todo ano estavam indicadas foram deixadas de lado como The Big Bang TheoryModern Family, permitindo a inclusão de novas como a vencedora Transparent, e Jane the Virgin e Sillicon Valley. Aliás, a série Transparent, da Amazon, fez história ao se tornar a primeira série online a ganhar o Globo de Ouro de Melhor Série. As séries da Netflix como House of Cards e Orange is the New Black falharam nesse quesito, mas pelo menos Kevin Spacey conquistou seu almejado prêmio de ator pela primeira. As maiores surpresas foram as vitórias de The Affair como Melhor Série – Drama, sua atriz Ruth Wilson, e a atriz coadjuvante Joanne Froggatt por Downton Abbey. A minissérie Fargo também surpreendeu ao bater favoritos como True Detective e o filme para tv The Normal Heart, mas a verdade é que Fargo sempre recebeu ótimos elogios, mas ninguém premiava. Coube ao Globo de Ouro recompensá-los numa noite em que os criadores do filme original estavam presentes: Joel Coen, Ethan Coen, Frances McDormand e William H. Macy.

FESTA BEM AMENA COM LAMPEJOS DE OUSADIA

Não sei o que houve com as hostesses Tina Fey e Amy Poehler. Quer dizer, elas fizeram suas piadas na apresentação como aquelas envolvendo a saga da Sony com a Coréia do Norte e o filme A Entrevista, e até polêmicas das acusações de estupro de Bill Cosby, mas ao longo da festa, não vimos novas inserções delas. Teriam sido proibidas? Aí, a organização colocou umas piadas tão sem graça para os apresentadores dos prêmios lerem ao vivo que o show foi decaindo muito rapidamente. Quando vi Ricky Gervais subindo ao palco pra apresentar, pensei: “Pronto, finalmente alguém pra levantar o ânimo!”, mas não sei se mandaram Ricky maneirar no tom, mas ele realmente pegou leve… Uma pena! Ele zombou do “momento John Travolta”, quando o ator introduziu a cantora Idina Menzel com “Adele Nazeem” no Oscar do ano passado: “Eu assisto (à gafe) toda hora no Youtube!”. Então, sobrou para o ator Jeremy Renner soltar a pérola masculina da noite. Quando apresentava o prêmio ao lado da mega decotada Jennifer Lopez, ao abrir o envelope ela falou: “Eu abro porque tenho as unhas” – “E os globos de ouro também”, completou o auspicioso Renner.

Tina Fey e Amy Poehler com Margaret Cho caracterizada como uma serva norte-coreana (photo by foxnews.com)

Tina Fey e Amy Poehler com Margaret Cho caracterizada como uma serva norte-coreana (photo by foxnews.com)

Seguem algumas pérolas da dupla Fey e Poehler:

Tina Fey: Tonight we celebrate all the television shows that we know and love, as well as all the movies that North Korea was OK with. (Hoje, celebramos todos os shows da tv que conhecemos e amamos, assim como todos os filmes que a Coréia do Norte permitiu).

Amy Poehler: Patricia Arquette in “Boyhood” proves that “there are still great roles for women over 40- as long as you get hired when you’re under 40” (Patricia Arquette em Boyhood prova que ainda há grandes papéis para mulheres acima dos 40 – contanto que você seja contratada antes dos 40) – referindo-se ao fato de que as filmagens de Boyhood começaram há 12 anos.

Amy Poehler: In “Into the Woods,” Cinderella runs from her prince, Rapunzel is thrown from a tower for her prince and Sleeping Beauty just thought she was getting coffee with Bill Cosby” (Em “Caminhos da Floresta”, Cinderela de seu príncipe, Rapunzel é jogada de sua torre para seu príncipe e A Bela Adormecida pensou que ia tomar um café com Bill Cosby). Elas até chegam a fazer algumas imitações de Cosby pra amenizar o ambiente, mas o dano já estava feito.

Mas a melhor da noite foi: George Clooney married Amal Amaluddin this year. “Amal is a human rights lawyer who worked on the Enron case, was an adviser to Kofi Anan regarding Syria and was selected for a three person UN commission regarding war violations in the Gaza Strip. So tonight her husband is getting a lifetime achievement award,”. (George Clooney se casou com Amal Amaluddin este ano. “Amal é uma advogada de direitos humanos que trabalhou no caso Enron, foi conselheira de Kofi Anan sobre a Síria e foi eleita para uma comissão de três pessoas das Nações Unidas para os casos de violações de guerra na Faixa de Gaza. Então, esta noite seu marido vai ganhar um prêmio pela carreira!”

George Clooney com sua esposa Amal Amal (photo by John Shearer/ Invision/AP)

George Clooney com sua esposa Amal Amaluddin (photo by John Shearer/ Invision/AP)

Houve até um bom momento de descontração na brincadeira do “Would you rather” (Você prefere):
– Colin Farrell ou Colin Firth? Edward Norton ou Mark Ruffalo? Chris Pine ou Chris Pine! – Tina interrompe. Richard Linklater ou Alejandro Iñárritu? Amy escolhe Iñárritu: “Um take, duas horas direto sem parar”, enquanto Tina prefere Linklater: “Cinco minutos uma vez por ano”

Houve uma ou outra manifestação mais polêmica como o discurso de Common na vitória de Melhor Canção por Selma, filme sobre a conquista dos direitos civis nos anos 60. Em seu discurso, ele cita momentos importantes na História como a senhora negra que se recusou a mudar de lugar no ônibus até casos recentes como os dois negros mortos por policiais brancos na tentativa de engrandecer uma película somente por questões raciais e não por méritos artísticos. Assim como também houve uma outra citação do atentado terrorista na França contra o semanário Charlie Hebdo. Ao apresentar o prêmio de atriz coadjuvante, o ator Jared Leto aproveitou o momento e fez uma citação em homenagem, e George Clooney ostentava um bóton no smoking com os mesmos dizeres com os dizeres “Je suis Charlie”. O presidente da HFPA, Theo Kingma, fez questão de defender a liberdade de expressão, seja na Coréia do Norte ou em Paris, e foi aplaudido de pé por todos.

EFEITOS DO GLOBO DE OURO

Assim como muitos especialistas já levantaram, o resultado do Globo de Ouro já não serve mais como melhor parâmetro para o que vai acontecer no Oscar. Dos últimos 10 anos, apenas 4  vencedores de Melhor Filme no Globo de Ouro repetiram o feito no prêmio da Academia. Atores que ganharam o Globo de Ouro podem nem ser indicado ao Oscar como Paul Giamatti por Minha Versão do Amor em 2011, e Colin Farrell (Na Mira do Chefe) e Sally Hawkins (Simplesmente Feliz) em 2009. E até em categorias mais técnicas não há garantias de presença no Oscar: o compositor Alex Ebert venceu o Globo de Ouro em 2014 por Até o Fim e sequer foi indicado pela Academia. Claro que os vencedores terão suas respectivas campanhas nitidamente fortalecidas para os prêmios seguintes como o Critics’ Choice Awards, SAGs e o BAFTA, mas até o dia 15 de janeiro, dia do anúncio das indicações ao Oscar, ninguém está realmente garantido, abrindo espaço para surpresas, sejam positivas ou negativas.

Falando em negativas, o jornal americano The New York Post teria publicado uma reportagem em que lista casos que envolvem corrupção na compra de prêmios e indicações. Dentre os casos citados estão as três indicações do fracasso total O Turista, estrelado por Angelina Jolie e Johnny Depp (ambos indicados nas categorias de comédia ou musical) – tanto que o host da noite Ricky Gervais citou que a HFPA teria os indicado apenas para tê-los no tapete vermelho; e a indicação para Melhor Filme – Comédia ou Musical e vitória de Melhor Canção para Burlesque, um musical bastante criticado e sequer visto pelo público. Confira matéria de Lou Lumenick: http://nypost.com/2015/01/09/are-the-golden-globes-becoming-as-credible-as-the-oscars/

Amy Adams, Michael Keaton e Julianne Moore podem ter garantido suas indicações ao Oscar. Podem. (photo by absnews.com)

Amy Adams, Michael Keaton e Julianne Moore podem ter garantido suas indicações ao Oscar. Podem. (photo by absnews.com)

Rumo ao Oscar, o vencedor de Melhor Filme – Drama, Boyhood: Da Infância à Juventude, caminha firme e forte, já que levou também os prêmios de Diretor e Atriz Coadjuvante, além de ter sido indicado a Roteiro, afinal, são categorias-base para todo vencedor de Melhor Filme no Oscar, sem contar toda a história fascinante dos bastidores de 12 anos de filmagens. Quanto aos atores, Julianne Moore parece uma aposta cada vez mais certa para o Oscar. Aclamada por público e crítica como uma das melhores atrizes desta geração, e depois de ser indicada quatro vezes ao Oscar sem vitória, este deve ser o ano dela. Acredito que o único obstáculo em seu caminho pode ser ela mesma. Se a Academia indicá-la como coadjuvante também por Mapa Para as Estrelas, os votos podem se dividir e ela pode ser novamente perdedora em dose dupla como foi em 2003, quando estava indicada por Longe do Paraíso como atriz, e por As Horas como coadjuvante.

J.K. Simmons e Patricia Arquette estão cada vez mais fortes como coadjuvantes, contudo não dá pra descartar ainda Mark Ruffalo e Edward Norton, caso o filme de Simmons, Whiplash: Em Busca da Perfeição, não se saia bem nas indicações. Já Arquette, por mais que possa ter Meryl Streep competindo, deve ser a porta-voz ou representante de todo o elenco de Boyhood. Gostei da vitória de Amy Adams por Grandes Olhos, o que pode lhe garantir uma nova indicação ao Oscar consecutiva, mas as chances reais de vitória seriam praticamente nulas. Por mais talentosa que Adams seja, acredito que lhe falta um personagem que sirva como um real desafio que exija mudanças físicas para então ganhar seu Oscar. Vejam os casos de Charlize Theron e Matthew McConaughey: nunca tinham sido indicados e ganharam na primeira chance por terem passado por processos de transformação física. Não sei se Amy tem contrato vitalício com marcas de cosméticos que a impeçam de ficar feia ou algo do tipo, mas ela deveria pensar nessa hipótese. A categoria de Ator é a mais aberta até o momento. Por mais que Michael Keaton e Eddie Redmayne tenham ganhado o Globo de Ouro, não há nem garantias de que eles estarão na lista do Oscar, tamanha a concorrência. Temos Jake Gyllenhaal, Benedict Cumberbatch, Ralph Fiennes, David Oyelowo, Steve Carell, Joaquin Phoenix e Bill Murray pelo menos na cola.

Patricia Arquette e J.K. Simmons ganham como coadjuvantes (photo by intoday.in)

Patricia Arquette e J.K. Simmons ganham como coadjuvantes (photo by intoday.in)

Entre todos os filmes que receberam mais indicações, O Jogo da Imitação foi o maior perdedor. Presente em 5 categorias e como a maior aposta da Weinstein Company, o filme falhou em conquistar qualquer Globo de Ouro, nem um de consolação. Será que eles conseguem virar o jogo até o dia 22 de fevereiro?

A ELEITA

Não vou comentar os vestidos das moças. Prefiro falar das donas dos vestidos. E a melhor pela quinquagésima vez é Jessica Chastain. Essa mulher é um raio de sol. Só não esqueci que ela foi indicada para atriz coadjuvante por O Ano Mais Violento, porque foi uma pena que ela não subiu ao palco pra se apresentar.

Jessica Chastain no tapete vermelho (photo by usmagazine.com)

Jessica Chastain no tapete vermelho (photo by usmagazine.com)

Seguem os vencedores do Globo de Ouro:

CINEMA

MELHOR FILME – DRAMA
Boyhood: Da Infância à Juventude (Boyhood)

MELHOR FILME – COMÉDIA OU MUSICAL
O Grande Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel)

MELHOR ATOR – DRAMA
Eddie Redmayne (A Teoria de Tudo)

MELHOR ATRIZ – DRAMA
Julianne Moore (Para Sempre Alice)

MELHOR ATRIZ – COMÉDIA OU MUSICAL
Amy Adams (Grandes Olhos)

MELHOR ATOR – COMÉDIA OU MUSICAL
Michael Keaton (Birdman)

MELHOR DIRETOR
Richard Linklater (Boyhood: Da Infância à Juventude)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Patricia Arquette (Boyhood: Da Infância à Juventude)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
J.K. Simmons (Whiplash: Em Busca da Perfeição)

MELHOR ROTEIRO
Alejandro González Iñárritu, Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris, Armando Bo (Birdman)

MELHOR ANIMAÇÃO
Como Treinar Seu Dragão 2 (How to Train Your Dragon 2)

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Leviatã (Leviafan), de Andrey Zvyagintsev – RÚSSIA

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“Glory” por John Legend, Common (Selma)

MELHOR TRILHA MUSICAL ORIGINAL
Johann Johannsson (A Teoria de Tudo)

TELEVISÃO

Equipe por trás da série vencedora The Affair (photo by ibtimes.com)

Equipe por trás da série vencedora The Affair (photo by ibtimes.com)

MELHOR SÉRIE DRAMÁTICA
The Affair

MELHOR ATOR EM SÉRIE DRAMÁTICA
Kevin Spacey (House of Cards)

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DRAMÁTICA
Ruth Wilson (The Affair)

MELHOR MINISSÉRIE OU TELEFILME
Fargo

MELHOR SÉRIE DE COMÉDIA
Transparent

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE, MINISSÉRIE OU TELEFILME
Joanne Froggatt (Downton Abbey)

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE, MINISSÉRIE OU TELEFILME
Matt Bomer (The Normal Heart)

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA
Gina Rodriguez (Jane the Virgin)

A bela Gina Rodriguez ganhou por Jane the Virgin (photo by nationalpost.com)

A bela Gina Rodriguez ganhou por Jane the Virgin. Definitivamente, a segunda colocada da lista das eleitas. (photo by nationalpost.com)

MELHOR ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA
Jeffrey Tambor (Transparent)

MELHOR ATRIZ EM MINISSÉRIE OU TELEFILME
Maggie Gyllenhaal (The Honorable Woman)

MELHOR ATOR EM MINISSÉRIE OU TELEFILME
Billy Bob Thornton (Fargo)

As indicações ao Oscar 2015 serão anunciadas ao vivo neste dia 15 de janeiro e a cerimônia ocorre no dia 22 de fevereiro.

‘O Grande Hotel Budapeste’ lidera as indicações ao BAFTA 2015

BAFTA: British Academy of Film and Television Arts

BAFTA: British Academy of Film and Television Arts

FILME DE WES ANDERSON DOMINA AS CATEGORIAS, MAS VÊ CONCORRENTES BEM PRÓXIMOS

A Academia Britânica divulgou a lista dos indicados à 68ª edição do prêmio, e o novo filme de Wes Anderson, O Grande Hotel Budapeste, surpreendeu a todos com sua liderança de 11 indicações, enquanto Birdman segue logo atrás com 10 indicações, e O Jogo da Imitação e A Teoria de Tudo com 9 cada. Por se tratar de um filme mais contemporâneo, Boyhood ficou apenas com 5 indicações, mas curiosamente ficou de fora da competição por Montagem, pela qual vinha colecionando alguns prêmios.

Wes Anderson já havia sido indicado ao BAFTA em outras três oportunidades: Em 2002 pelo roteiro de Os Excêntricos Tennenbaums, em 2010 pela animação O Fantástico Sr. Raposo, e em 2013 pelo roteiro de Moonrise Kingdom, mas nunca levou o prêmio. Este ano, pela primeira vez, recebeu dupla indicação pelo roteiro e direção, o mesmo feito que conseguiu no Globo de Ouro e pode vir a conseguir no Oscar. Este reconhecimento vem em boa hora para Anderson, pois seus filmes possuem um rigor visual e estético único e em evolução. Nesse sentido, muitas vezes é comparado ao diretor Tim Burton, pois é impossível desassociar seus filmes de seu apelo visual baseado na direção de arte, figurino, maquiagem e fotografia, contudo, na minha humilde opinião, Wes Anderson trabalha melhor os roteiros e a montagem, que acentuam o humor muitas vezes incidental.

Confira o anúncio das indicações pelo vídeo abaixo:


Stephen Fry e Sam Clflin anunciam os indicados

Como de costume, o BAFTA tem o prêmio de Melhor Filme Britânico com intenção de impulsionar a campanha do filme rumo ao Oscar e também valorizar a indústria cinematográfica do país. O Jogo da Imitação e A Teoria de Tudo, que competem como Melhor Filme, também disputam mais este prêmio, que ainda conta com Pride, que recebeu sua única indicação como Melhor Filme – Comédia ou Musical no Globo de Ouro, e ficção científica alternativa Sob a Pele, que ainda compete por Melhor Trilha Musical merecidamente.

A bela e misteriosa Scarlett Johansson em Sob a Pele (photo by outnow.ch)

A bela e misteriosa Scarlett Johansson em Sob a Pele (photo by outnow.ch)

Além disso, a Academia Britânica costuma puxar uma sardinha pro lado dos atores britânicos. Na categoria de ator, por exemplo, são três britânicos (Benedict Cumberbatch, Eddie Redmayne e Ralph Fiennes) contra dois americanos (Jake Gyllenhaal e Michael Keaton). Embora a atuação de Fiennes tenha sido bem elogiada pela crítica, não tem conquistado tanto espaço na temporada, tanto que sua presença na categoria pode ser explicada pela alteração de Steve Carell para a categoria de coadjuvante por Foxcatcher, e a exclusão de Selma, que certamente prejudicou a possível indicação de David Oyelowo. Aparentemente, o filme sobre Martin Luther King sofreu com a estréia tardia em 2014 e pelo deslize no envio dos “screeners” (cópias) para os sindicatos. Talvez o Oscar queira compensar sua ausência na reta final.

Agora, confesso que fiquei bastante surpreso com as duas indicações para o filme-família As Aventuras de Paddington. OK, eu estou ciente da importância cultural do personagem em terras londrinas, mas imagino que haja produções mais instigantes para se reconhecer como Melhor Filme Britânico do ano…

Sally Hawkins com o urso Paddington em As Aventuras de Paddington (photo by outnow.ch)

Sally Hawkins com o urso Paddington em As Aventuras de Paddington (photo by outnow.ch)

Entre os atores que ficaram de fora, Timothy Spall (Sr. Turner), que ganhou o prêmio de Ator no último Festival de Cannes, e Meryl Streep (Caminhos da Floresta), que estava em quase todas as listas de coadjuvante, são os nomes mais chamativos. Entre os coadjuvantes, as ausências de Robert Duval (O Juiz) e Jessica Chastain (O Ano Mais Violento) também foram lembradas.

Enquanto algumas produções foram beneficiadas pelo BAFTA como O Grande Hotel Budapeste e os menores Whiplash: Em Busca da Perfeição (5 indicações, incluindo Melhor Diretor) e O Abutre (4 indicações, incluindo atriz coadjuvante para Rene Russo), houve prejudicados como Selma e o novo filme de Angelina Jolie, Invencível, uma vez que ambos não receberam uma indicação sequer. E se Sniper Americano vinha de uma ascendente depois das indicações ao ADG, Eddie, PGA e WGA, perdeu alguns pontos com sua quase ausência total do BAFTA. O novo filme de Clint Eastwood conquistou apenas duas indicações nas categorias de Roteiro Adaptado e Melhor Som.

Se o representante brasileiro, Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, morreu na praia, o novo filme de Stephen Daldry, Trash: A Esperança Vem do Lixo, foi lembrada pelo BAFTA. Falado em português e inglês, o longa se passa no Rio de Janeiro, contando com as atuações dos brasileiros no auge Wagner Moura e Selton Mello, juntamente com as estrelas hollywoodianas Martin Sheen e Rooney Mara.

Stephen Daldry (Trash - A Esperança Vem do Lixo)

Stephen Daldry conversa com Martin Sheen e Rooney Mara em set (Trash – A Esperança Vem do Lixo)

Seguem os indicados ao 68th Annual BAFTA Awards:

MELHOR FILME
BIRDMAN OU (A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA), Alejandro G. Inarritu, John Lesher, James W. Skotchdopole
BOYHOOD: DA INFÂNCIA À JUVENTUDE, Richard Linklater, Cathleen Sutherland
O GRANDE HOTEL BUDAPESTE, Wes Anderson, Scott Rudin, Steven Rales, Jeremy Dawson
O JOGO DA IMITAÇÃO, Nora Grossman, Ido Ostrowsky, Teddy Schwarzman
A TEORIA DE TUDO, Tim Bevan, Eric Fellner, Lisa Bruce, Anthony Mccarten

MELHOR FILME BRITÂNICO
’71, Yann Demange, Angus Lamont, Robin Gutch, Gregory Burke
O JOGO DA IMITAÇÃO, Morten Tyldum, Nora Grossman, Ido Ostrowsky, Teddy Schwarzman, Graham Moore
AS AVENTURAS DE PADDINGTON, Paul King, David Heyman
PRIDE, Matthew Warchus, David Livingstone, Stephen Beresford
A TEORIA DE TUDO, James Marsh, Tim Bevan, Eric Fellner, Lisa Bruce, Anthony Mccarten
SOB A PELE, Jonathan Glazer, James Wilson, Nick Wechsler, Walter Campbell

ESTRÉIA DE UM ESCRITOR, DIRETOR OU PRODUTOR BRITÂNICO
Elaine Constantine (Writer/Director), NORTHERN SOUL
Gregory Burke (Writer), Yann Demange (Director), ’71
Hong Khaou (Writer/Director), LILTING
Paul Katis (Director/Producer), Andrew De Lotbiniere (Producer), KAJAKI
Stephen Beresford (Writer), David Livingstone (Producer), PRIDE

FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
IDA, Pawel Pawlikowski, Eric Abraham, Piotr Dzieciol, Ewa Puszczynska
LEVIATÃ, Andrey Zvyagintsev, Alexander Rodnyansky, Sergey Melkumov
THE LUNCHBOX, Ritesh Batra, Arun Rangachari, Anurag Kashyap, Guneet Monga
TRASH: A ESPERANÇA VEM DO LIXO, Stephen Daldry, Tim Bevan, Eric Fellner, Kris Thykier
DOIS DIAS, UMA NOITE, Jean-Pierre Dardenne, Luc Dardenne, Denis Freyd

DOCUMENTÁRIO
A UM PASSO DO ESTRELATO, Morgan Neville, Caitrin Rogers, Gil Friesen
20.000 DIAS NA TERRA, Iain Forsyth, Jane Pollard
CITIZENFOUR, Laura Poitras
A FOTOGRAFIA OCULTA DE VIVIAN MAIER, John Maloof, Charlie Siskel
VIRUNGA, Orlando Von Einsiedel, Joanna Natasegara

ANIMAÇÃO
OPERAÇÃO BIG HERO, Don Hall, Chris Williams
OS BOXTROLLS, Anthony Stacchi, Graham Annable
UMA AVENTURA LEGO, Phil Lord, Christopher Miller

DIRETOR
BIRDMAN OU (A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA), Alejandro G. Inarritu
BOYHOOD: DA INFÂNCIA À JUVENTUDE, Richard Linklater
O GRANDE HOTEL BUDAPESTE, Wes Anderson
A TEORIA DE TUDO, James Marsh
WHIPLASH: EM BUSCA DA PERFEIÇÃO, Damien Chazelle

ROTEIRO ORIGINAL
BIRDMAN OU (A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA), Alejandro G. Inarritu, Nicolas Giacobone, Alexander Dinelaris Jr, Armando Bo
BOYHOOD: DA INFÂNCIA À JUVENTUDE, Richard Linklater
O GRANDE HOTEL BUDAPESTE, Wes Anderson
O ABUTRE, Dan Gilroy
WHIPLASH: EM BUSCA DA PERFEIÇÃO, Damien Chazelle

ROTEIRO ADAPTADO
SNIPER AMERICANO, Jason Hall
GAROTA EXEMPLAR, Gillian Flynn
O JOGO DA IMITAÇÃO, Graham Moore
AS AVENTURAS DE PADDINGTON, Paul King
A TEORIA DE TUDO, Anthony Mccarten

ATOR
Benedict Cumberbatch, O JOGO DA IMITAÇÃO
Eddie Redmayne, A TEORIA DE TUDO
Jake Gyllenhaal, O ABUTRE
Michael Keaton, BIRDMAN OU (A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA)
Ralph Fiennes, O GRANDE HOTEL BUDAPESTE

ATRIZ
Amy Adams, GRANDES OLHOS
Felicity Jones, A TEORIA DE TUDO
Julianne Moore, PARA SEMPRE ALICE
Reese Witherspoon, LIVRE
Rosamund Pike, GAROTA EXEMPLAR

ATOR COADJUVANTE
Edward Norton, BIRDMAN OU (A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA)
Ethan Hawke, BOYHOOD: DA INFÂNCIA À JUVENTUDE
J.K. Simmons, WHIPLASH: EM BUSCA DA PERFEIÇÃO
Mark Ruffalo, FOXCATCHER: UMA HISTÓRIA QUE CHOCOU O MUNDO
Steve Carell, FOXCATCHER: UMA HISTÓRIA QUE CHOCOU O MUNDO

ATRIZ COADJUVANTE
Emma Stone, BIRDMAN OU (A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA)
Imelda Staunton, PRIDE
Keira Knightley, O JOGO DA IMITAÇÃO
Patricia Arquette, BOYHOOD: DA INFÂNCIA À JUVENTUDE
Rene Russo, O ABUTRE

TRILHA MUSICAL ORIGINAL
BIRDMAN OU (A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA), Antonio Sanchez
O GRANDE HOTEL BUDAPESTE, Alexandre Desplat
INTERESTELAR, Hans Zimmer
A TEORIA DE TUDO, Johann Johannsson
SOB A PELE, Mica Levi

FOTOGRAFIA
BIRDMAN OU (A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA), Emmanuel Lubezki
O GRANDE HOTEL BUDAPESTE, Robert Yeoman
IDA, Lukasz Zal, Ryzsard Lenczewski
INTERESTELAR, Hoyte Van Hoytema
SR. TURNER, Dick Pope

MONTAGEM
(Due to a tie in voting in this category, there are six nominations)
BIRDMAN OU (A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA), Douglas Crise, Stephen Mirrione
O GRANDE HOTEL BUDAPESTE, Barney Pilling
O JOGO DA IMITAÇÃO, William Goldenberg
O ABUTRE, John Gilroy
A TEORIA DE TUDO, Jinx Godfrey
WHIPLASH: EM BUSCA DA PERFEIÇÃO, Tom Cross

DIREÇÃO DE ARTE
GRANDES OLHOS, Rick Heinrichs, Shane Vieau
O GRANDE HOTEL BUDAPESTE, Adam Stockhausen, Anna Pinnock
O JOGO DA IMITAÇÃO, Maria Djurkovic, Tatiana Macdonald
INTERESTELAR, Nathan Crowley, Gary Fettis
SR. TURNER, Suzie Davies, Charlotte Watts

FIGURINO
O GRANDE HOTEL BUDAPESTE, Milena Canonero
O JOGO DA IMITAÇÃO, Sammy Sheldon Differ
CAMINHOS DA FLORESTA, Colleen Atwood
SR. TURNER, Jacqueline Durran
A TEORIA DE TUDO, Steven Noble

MAQUIAGEM E CABELO
O GRANDE HOTEL BUDAPESTE, Frances Hannon
GUARDIÕES DA GALÁXIA, Elizabeth Yianni-Georgiou, David White
CAMINHOS DA FLORESTA, Peter Swords King, J. Roy Helland
SR. TURNER, Christine Blundell, Lesa Warrener
A TEORIA DE TUDO, Jan Sewell

SOM
SNIPER AMERICANO, Walt Martin, John Reitz, Gregg Rudloff, Alan Robert Murray, Bub Asman
BIRDMAN OU (A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA), Thomas Varga, Martin Hernandez, Aaron Glascock, Jon Taylor, Frank A. Montaño
O GRANDE HOTEL BUDAPESTE, Wayne Lemmer, Christopher Scarabosio, Pawel Wdowczak
O JOGO DA IMITAÇÃO, John Midgley, Lee Walpole, Stuart Hilliker, Martin Jensen
WHIPLASH: EM BUSCA DA PERFEIÇÃO, Thomas Curley, Ben Wilkins, Craig Mann

EFEITOS VISUAIS
PLANETA DOS MACACOS: O CONFRONTO, Joe Letteri, Dan Lemmon, Erik Winquist, Daniel Barrett
GUARDIÕES DA GALÁXIA, Stephane Ceretti, Paul Corbould, Jonathan Fawkner, Nicolas Aithadi
O HOBBIT: A BATALHA DOS CINCO EXÉRCITOS, Joe Letteri, Eric Saindon, David Clayton, R. Christopher White
INTERESTELAR, Paul Franklin, Scott Fisher, Andrew Lockley
X-MEN: DIAS DE UM FUTURO ESQUECIDO, Richard Stammers, Anders Langlands, Tim Crosbie, Cameron Waldbauer

CURTA-METRAGEM BRITÂNICO DE ANIMAÇÃO
THE BIGGER PICTURE, Chris Hees, Daisy Jacobs, Jennifer Majka
MONKEY LOVE EXPERIMENTS, Ainslie Henderson, Cam Fraser, Will Anderson
MY DAD, Marcus Armitage

CURTA-METRAGEM BRITÂNICO
BOOGALOO AND GRAHAM, Brian J. Falconer, Michael Lennox, Ronan Blaney
EMOTIONAL FUSEBOX, Michael Berliner, Rachel Tunnard
THE KARMAN LINE, Campbell Beaton, Dawn King, Tiernan Hanby, Oscar Sharp
SLAP, Islay Bell-Webb, Michelangelo Fano, Nick Rowland
THREE BROTHERS, Aleem Khan, Matthieu De Braconier, Stephanie Paeplow

THE EE RISING STAR AWARD (VOTO DO PÚBLICO)
Gugu Mbatha-Raw
Jack O’Connell
Margot Robbie
Miles Teller
Shailene Woodley

O 68º BAFTA acontece no dia 08 de fevereiro no Royal Opera House em Londres.