‘A FORMA DA ÁGUA’ SE TORNA A PRIMEIRA FICÇÃO CIENTÍFICA A VENCER COMO MELHOR FILME EM 90 ANOS DE OSCAR

Guillermo del Toro

Guillermo del Toro discursa em nome da equipe toda de A Forma da Água (pic by Chris Pizzello)

OSCAR DESTACA A DIVERSIDADE, DEFENDE MINORIAS E AS MULHERES

A 90ª edição do Oscar, que ocorreu na noite deste domingo, dia 04 de março, guardava vários elementos que poderiam torná-la histórica, e a cerimônia não desapontou. E a diversidade internacional de seus apresentadores refletiu melhor as novas inclusões realizadas de três anos para cá.

POLÊMICA NO TAPETE VERMELHO

Poucas horas antes do tapete vermelho começar, soltaram uma denúncia de abuso e comportamento inapropriado contra o apresentador do tapete vermelho, Ryan Seacrest, que trabalha para o canal E!. Contudo, sua aparição não foi abortada pelo canal, que alegou que “não havia provas o suficiente” para incriminá-lo. No entanto, a idéia de mantê-lo gerou certo desconforto, já que ele teve inúmeras entrevistas recusadas por várias mulheres vítimas de abuso como Viola Davis, Jennifer Garner, Mira Sorvino, Ashley Judd, Margot Robbie e Sandra Bullock. Ninguém queria nem olhar pro infeliz. Seacrest, sendo inocente ou não, não teria sido melhor preservá-lo?

90th Annual Academy Awards, Roaming Arrivals, Los Angeles, USA - 04 Mar 2018

Ryan Seacrest foi atendido por apenas 4 figuras no tapete vermelho de 20 programadas (pic by Michael Buckner)

NÚMEROS DO OSCAR

O grande vencedor da noite foi A Forma da Água, que levou ao todo 4 estatuetas do Oscar: Filme, Diretor, Direção de Arte e Trilha Musical. Claro que hoje em dia é difícil definir um gênero apenas para um filme como na época das locadoras de vídeo, mas se considerarmos o filme de del Toro como uma Ficção Científica, trata-se da primeira a vencer como Melhor Filme em 90 anos de Academia. Certamente um marco histórico derrubando um tabu gigantesco.

Logo em seguida, aparece o filme de guerra Dunkirk, que levou 3 prêmios: Montagem, Som e Efeitos Sonoros. Em terceiro lugar, temos quatro concorrentes, cada um levando duas estatuetas para casa: Três Anúncios Para um Crime (Atriz e Ator Coadjuvante), Blade Runner 2049 (Fotografia e Efeitos Visuais), Viva: A Vida é uma Festa (Animação e Canção) e O Destino de uma Nação (Ator e Maquiagem).

A vitória de Roger Deakins na categoria de Fotografia após 14 indicações tem um fato curioso. É a primeira vitória de um filme não-indicado a Melhor Filme (Blade Runner 2049) a vencer nessa categoria em 12 anos, desde Memórias de uma Gueixa em 2006.

KIMMEL PROCURA SE REDIMIR

Como o host da noite, Jimmy Kimmel, foi convidado para retornar este ano devido à lambança do envelope errado de Moonlight, era natural que ele procurasse se redimir e satirizar a gafe de alguma maneira. Logo começou passando instruções aos indicados em seu monólogo de abertura: “Este ano, quando você ouvir seu nome sendo chamado, não se levante de imediato. Nos dê um minuto. Não queremos que aconteça outra ‘coisa.'”

oscar jimmy kimmel 2018

Jimmy Kimmel explica: “O Oscar é o melhor homem de Hollywood: ele está com as mãos onde podemos ver, nunca diz uma palavra rude, e não tem pênis”.

Seguindo sua veia cômica política, ele não poderia deixar de citar diretamente o presidente republicano Donald Trump: “Nenhuma outra pessoa além do Presidente Trump chamou ‘Corra!’ de melhor 3/4 de filme do ano” (quem viu o filme vai entender a piada). E também discutiu a questão das bilheterias dos filmes indicados: “Nós não fazemos filmes como ‘Me Chame Pelo Seu Nome’ para ganhar muito dinheiro. Fazemos para irritar (o vice-presidente conservador) Mike Pence.”

Porém, a melhor tirada da apresentação dele foi a idéia de presentear o discurso de agradecimento mais curto da noite com um jet ski, exibido naquele momento por Helen Mirren. Apesar da maioria não ligar pra tempo quando sobe ao palco, achei uma solução bastante criativa de dar aquele puxão de orelha nos que exageram e ainda abastecer o lado cômico nos agradecimentos como foi o caso de Gary Oldman, que já em seu segundo minuto de discurso, soltou um: “Obviamente, eu não vou ganhar o ski…”. Infelizmente, o plano de encurtar a cerimônia não deu muito certo no final, porque teria ultrapassado 50 minutos da transmissão.

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Acompanhado por Helen Mirren, o figurinista Mark Bridges pilota seu novo jetski, vencido por ter feito o discurso mais curto com 36 segundos. (Pic by Kevin Winter)

Já a nova “pegadinha” dele não surtiu o efeito desejado. Kimmel convidou vários atores incluindo Gal Gadot, Margot Robbie, Armie Hammer e Tom Holland para aparecer de surpresa na sala de cinema em frente ao Dolby Theater, onde estava passando uma sessão de Uma Dobra no Tempo. Apesar do alvoroço do pessoal na sala de cinema, parecia que eles estavam mais animados com os brindes e quitutes distribuídos do que com a presença dos atores e de estarem ao vivo no Oscar. Tive essa impressão de que a maioria não liga mais pra premiação…

 

GRANDE TEMÁTICA DE INCLUSÃO DO OSCAR 2018

Obviamente, os assédios e o movimento Time’s Up foram o maior chamariz da cerimônia, desde o tapete vermelho até a quantidade de mulheres apresentando os prêmios no palco. Inclusive, após a decisão de Casey Affleck não comparecer ao evento para sua tarefa de apresentar o Oscar de Atriz pra evitar algum mal estar por causa de denúncias, duas atrizes vencedoras do Oscar, Jodie Foster e Jennifer Lawrence, foram convocadas para substituí-lo. Provavelmente para não causar nenhuma reclamação, fizeram outra troca: botaram Emma Stone para apresentar Melhor Diretor, e incumbiram Jane Fonda e Helen Mirren para apresentar Melhor Ator para Gary Oldman.

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Jodie Foster e Jennifer Lawrence substituíram Casey Affleck na entrega do Oscar de Melhor Atriz (pic by Time Magazine)

Houve também a participação de ativistas no número musical da canção de “Stand Up for Something” do filme Marshall, que inclusive lembrou a encenação de outra música da compositora Diane Warren, “Til it Happens to You”, cantada por Lady Gaga no Oscar de 2016. Assim como naquela ocasião, pelo forte apelo social e étnico, acreditava que venceria como Melhor Canção, mas ficou na boa intenção novamente para Warren.

Contudo, o maior e melhor momento da noite em relação às mulheres, foi a bela homenagem de Frances McDormand, que deixou a estatueta do Oscar que acabara de ganhar no chão, para em seguida pedir para que todas as mulheres que foram indicadas se levantem.  “Olhem em volta, damas e cavalheiros, porque todas nós temos histórias para contar e projetos que precisamos de financiamento. Não falem sobre isso nas festas, mas nos convide para seu escritório daqui uns dias ou vocês podem vir para o nosso, o que for melhor, e nós contaremos tudo sobre eles.” – É nessas horas que a gente vê o porquê fizeram questão de entregar um segundo Oscar para Frances: porque ela tem coisas importantes a dizer como representante. Ela termina o discurso com “Tenho duas palavras para deixar com vocês esta noite: inclusion rider” – explicando: “inclusion rider” é uma cláusula contratual que exige que contratem uma equipe mais diversificada. Resumindo: Frances McDormand exige atitude das mulheres para haver reais mudanças, e não apenas agirem como vítimas. Estupendo!

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Frances McDormand convoca todas as mulheres a se levantarem no Oscar 2018 (pic by Mark Ralston)

 

Além do clamor feminino, é inegável o poder dado às minorias latinas, outro alvo ferrenho de Trump. Assim, produções e artistas latinos se destacaram nesta 90ª edição do Oscar. Tivemos o terceiro mexicano premiado como Melhor Diretor (Guillermo del Toro), tivemos a animação Viva: A Vida é uma Festa levando dois Oscars pra casa, e o prêmio para o Chile, cujo filme é protagonizado por uma transsexual (Daniela Vega), além de apresentadores mexicanos como Eugenio Derbez e a bela Eiza González.

E não poderia deixar de citar a comunidade negra (ou afro), que além de comemorar o mega sucesso de bilheteria de Pantera Negra, o primeiro super-herói negro do cinema, pôde celebrar a vitória de Jordan Peele como Melhor Roteiro Original pelo excelente Corra! (que deveria ter levado Melhor Filme).

DE ACORDO COM O SCRIPT

Com tantos prêmios que antecedem o Oscar, fica praticamente impossível de esperar por uma boa surpresa. Sério! Tem tanto prêmio de sindicato que serve de ótimo parâmetro que quase não espaço para vencedores diferentes hoje. Tipo, quem ganha o SAG, dificilmente vai perder o Oscar de ator ou atriz, assim como quem vencer o DGA terá 95% de chance de levar o Oscar de Direção também. Dessa forma, seguindo o exemplo dado, todos os atores e o diretor vencedores se repetiram dos respectivos prêmios dos sindicatos. Honestamente, ainda tinha uma pontinha de esperança de que Laurie Metcalf seria uma das grandes surpresas da noite batendo Allison Janney na categoria de Atriz Coadjuvante, mas ficou na vontade mesmo.

Oscar 2018 Actors Winners

Vencedores das categorias de atuação: Sam Rockwell, Frances McDormand, Allison Janney e Gary Oldman (pic by oscars.org)

Até na categoria de Melhor Filme, que poderia proporcionar uma grande novidade por causa do sistema de votação distinto, esperava-se que haveria uma surpresa que não veio. A Forma da Água já tinha levado o prêmio do sindicato de produtores (PGA).

AS (POUQUÍSSIMAS) SURPRESAS

Para muitos que fizeram bolão e acompanharam o Oscar, a vitória do Chile na categoria de Filme em Língua Estrangeira não foi tão surpreendente assim. Mesmo vendo muitas apostas para Uma Mulher Fantástica, acreditava que o conservadorismo predominante jamais premiaria um filme protagonizado por uma transgênero. Então, foi uma surpresa bem agradável de ver na tela. Trata-se do primeiríssimo Oscar para o nosso país vizinho. Parabéns ao Chile!

Una Mujer Oscar

Sebástian Lelio discursa em nome do filme Uma Mulher Fantástica (pic by Mark Ralston)

Seguindo pela mesma linha de Filme Estrangeiro, a vitória de “Remember Me” me surpreendeu um pouco. Primeiramente, a animação Viva: A Vida é uma Festa já ganharia o Oscar de Longa de Animação com certeza, então não haveria real necessidade de premiar a canção também. E principalmente porque a música não tinha pegado tanto assim na cabeça quanto “This is Me” (de O Rei do Show), que se tornou uma espécie de hino nas Olimpíadas de Inverno na Coréia do Sul.

Fiquei também um pouco chocado com a derrota dos Efeitos Visuais de Planeta dos Macacos: A Guerra para Blade Runner 2049. Não que os efeitos do filme de Denis Villeneuve não sejam merecedores de tal honraria, mas como era o terceiro e último filme da trilogia nova de Planeta dos Macacos, das quais todas as partes foram indicados ao prêmio de efeitos visuais, esperava-se um pouco mais de reconhecimento por parte da Academia, inclusive para o ator-símbolo do motion capture, Andy Serkis.

No geral, as estatuetas foram distribuídos de forma uniforme. Pra se ter uma idéia: dos nove filmes indicados a Melhor Filme, sete conquistaram pelo menos um Oscar. As duas únicas exceções foram Lady Bird e The Post: A Guerra Secreta, que saíram de mãos vazias da cerimônia. Enfim, não é possível agradar a todos… No caso de Greta Gerwig, que estava concorrendo como Diretora e Roteirista, não há motivos para reclamar, pois ela teve uma mega-exposição durante toda a cerimônia, e certamente terá inúmeras oportunidades de dar continuidade à sua nova carreira como diretora. Já o filme de Spielberg, nem preciso explicar muito: simplesmente  não merecia nem as duas indicações.

DELEITES PESSOAIS

Particularmente, tive um ou outro momento que gostei mais. Primeiro: o Oscar para Roger Deakins. Não apenas pela vitória que veio depois de 14 indicações, mas pelo conjunto da obra também. Deakins é um dos maiores (se não o maior) diretores de fotografia em atividade hoje. Sua qualidade técnica e visão elevam a qualidade de qualquer filme em que estiver envolvido, mesmo que o diretor seja mais inexperiente.

Queria Jordan Peele levando os três Oscars a que estava indicado: Filme, Diretor e Roteiro Original. Levou apenas o último, mas foi uma vitória super merecida, que coroa sua audácia e insistência de fazer um filme corajoso sobre o racismo vivido nos EUA. Corra! se tornou vencedor do Oscar, podendo estampar essa láurea com orgulho nas capas de seus DVDs e Blu-rays, e pode e deve proporcionar projetos super interessantes para Peele nos próximos anos. O cinema e o espectador agradecem.

90th Annual Academy Awards - Show

Jordan Peele agradece pelo Oscar de Roteiro Original (pic by Time Magazine)

VENCEDORES DO 90th ACADEMY AWARDS:

MELHOR FILME
* A Forma da Água (The Shape of Water)

MELHOR DIRETOR
* Guillermo del Toro (A Forma da Água)

MELHOR ATOR
* Gary Oldman (O Destino de uma Nação)

MELHOR ATRIZ
* Frances McDormand (Três Anúncios Para um Crime)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
* Sam Rockwell (Três Anúncios Para um Crime)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
* Allison Janney (Eu, Tonya)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
* Jordan Peele (Corra!)

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
* James Ivory (Me Chame Pelo Seu Nome)

MELHOR FOTOGRAFIA
* Roger Deakins (Blade Runner 2049)

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
* Paul D. Austerberry, Shane Vieau, Jeffrey A. Melvin (A Forma da Água)

MELHOR MONTAGEM
* Lee Smith (Dunkirk)

MELHOR FIGURINO
* Mark Bridges (Trama Fantasma)

MELHOR MAQUIAGEM E CABELO
* Kazuhiro Tsuji, David Malinowski, Lucy Sibbick (O Destino de uma Nação)

MELHOR TRILHA MUSICAL ORIGINAL
* Alexandre Desplat (A Forma da Água)

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
* “Remember Me”, de Kristen Anderson-Lopez, Robert Lopez (Viva: A Vida é uma Festa!)

MELHOR SOM
* Gregg Landaker, Gary Rizzo, Mark Weingarten (Dunkirk)

MELHORES EFEITOS SONOROS
* Richard King, Alex Gibson (Dunkirk)

MELHORES EFEITOS VISUAIS
* John Nelson, Ger Jeff White, Scott Benza, Michael MeiardusNefzer, Paul Lambert, Richard R. Hoover (Blade Runner 2049)

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
* Uma Mulher Fantástica (CHILE)

MELHOR ANIMAÇÃO
* Viva: A Vida é uma Festa! (Coco)

MELHOR DOCUMENTÁRIO
* Ícaro

MELHOR DOCUMENTÁRIO-CURTA
* Heaven is a Traffic Jam on the 405

MELHOR CURTA-METRAGEM
* The Silent Child

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO
* Dear Basketball

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‘TRÊS ANÚNCIOS PARA UM CRIME’ LEVA 5 PRÊMIOS NO BAFTA

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Da esquerda para a direita: Martin McDonagh, Pete Czernin, Sam Rockwell, Frances McDormand e Graham Broadbent ostentam seus BAFTAs por Três Anúncios Para um Crime (pic by cnn.com)

DRAMA SOBRE IMPUNIDADE CONQUISTA A ACADEMIA BRITÂNICA

Há dois modos de vermos o BAFTA. Primeiro (que é minha preferência): quando o BAFTA acontecia depois do Oscar, com a poeira devidamente baixa, reconhecia como Melhor Filme as comédias Ou Tudo ou Nada (1997) e Quatro Casamentos e um Funeral (1994), e por que não lembrar que premiou Os Bons Companheiros (1990) e seu diretor Martin Scorsese? O BAFTA podia não ser tão badalado na época, mas sabia ter personalidade, pra não dizer que estava praticamente cagando e andando para o Oscar.

E segundo, é o BAFTA antes do Oscar, já nos anos 2000, deixando seu isolamento de lado para ser mais um parâmetro para Hollywood, pra não dizer um nobre “esquenta” do Oscar. De lá pra cá, não houve mais nenhuma escolha mais ousada ou ponto fora da curva. Tudo estava devidamente planejado e nos conformes e isso tirou a graça do prêmio. Claro que para os que estão concorrendo, deve ser ótimo ter mais um prêmio relevante antes da noite do Oscar e dar aquela encorpada na campanha, mas por outro lado, existem inúmeras outras produções menores que perderam seu espaço.

Acredito que havia um medo por parte dos organizadores do BAFTA do prêmio se tornar obsoleto no cenário de premiações de cinema, optando assim pela integração no calendário americano. E não dá pra negar que o BAFTA melhorou seu status de importância, uma vez que boa parte dos cineastas e artistas internacionais agora faz questão de marcar presença no evento.

Este ano, como parâmetro do Oscar, o prêmio da Academia Britânica não revelou nenhuma grande surpresa. Pelo contrário, elegeu a maioria dos favoritos das categorias de atuação como Gary Oldman, Frances McDormand, Sam Rockwell e Allison Janney, que já havia vencido o Globo de Ouro e o SAG Awards.

Allison Janney BAFTA

Allison Janney vence o BAFTA de Atriz Coadjuvante por Eu, Tonya (pic by imdb.com)

Ainda sem surpresas, Guillermo del Toro conquistou o prêmio de Direção por A Forma da Água, que levou ainda Trilha Musical e Direção de Arte. Essas três vitórias, inclusive, podem e devem se repetir no Oscar. Aliás, o BAFTA vem “estragando” possíveis surpresas ao adiantar as vitórias do Oscar como quando Whiplash e Até o Último Homem levaram o prêmio de Montagem. Isso pode abrir um presságio de que Em Ritmo de Fuga pode bater o grandioso Dunkirk, já que levou o BAFTA dessa categoria.

Claro que existem categorias em que os prêmios podem divergir nas escolhas. E este ano, acredito que Efeitos Visuais pode finalmente consagrar os excelentes efeitos digitais da trilogia de O Planeta dos Macacos (os dois primeiros filmes foram indicados, mas não levaram). Enquanto o BAFTA premiou os efeitos de Blade Runner 2049, o Oscar pode reconhecer os efeitos de Planeta dos Macacos: A Guerra, reconhecendo por tabela os esforços descomunais de Andy Serkis como protagonista.

Como impulsionador ou estimulador, o BAFTA pode ter ajudado bastante a campanha de James Ivory em Roteiro Adaptado por Me Chame Pelo Seu Nome. Após levar o WGA, prêmio do sindicato de roteiristas, o filme de Luca Guadagnino pode ter garantido seu único Oscar, já que as chances de Timothée Chalamet se mostram quase remotas diante do favoritismo de Oldman como Winston Churchill.

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Gary Oldman vence o BAFTA por O Destino de uma Nação (pic by The Sun)

Já pelo lado de Roteiro Original, a vitória de Três Anúncios Para um Crime resgata Martin McDonagh do limbo e pode ter enfraquecido os favoritismos de Greta Gerwig por Lady Bird e de Jordan Peele por Corra!.

Aliás, uma questão importante: depois de sair de mãos vazias do BAFTA, existem ainda chances reais de Lady Bird levar alguma estatueta do Oscar? Se o filme de Gerwig não vencer nada, as mulheres do movimento Time’s Up vão quebrar geral no Oscar? Particularmente, eu daria o Oscar de Atriz Coadjuvante para Laurie Metcalf, mas talvez os membros da Academia queiram premiar a criadora por trás de Lady Bird de alguma forma e isso só viria através do prêmio de Roteiro Original, onde o páreo é um dos mais duros.

Bom, por motivos de estréias em solo britânico fora do calendário, o vencedor do BAFTA de Filme em Língua Estrangeira deste ano foi para o fenomenal sul-coreano A Criada, de Park Chan-wook. O filme de época com temática sexual ganhou inúmeros prêmios em 2017, mas como foi preterido pelo próprio governo de seu país (houve uma espécie de golpe à la Temer), A Criada não conseguiu sequer a indicação no Oscar.

PROTEST IN BLACK

Assim como aconteceu no Globo de Ouro, os atores e celebridades foram trajados de preto como forma de protesto contra a onda de assédios em Hollywood e em união ao movimento feminista Time’s Up.

Trajada num vestido vermelho, rosa, branco e preto, a vencedora do BAFTA de Melhor Atriz, Frances McDormand, viu-se obrigada a justificar seu vestuário “inapropriado” no enterro. “Eu tenho um pequeno problema com obediência, mas quero que vocês saibam que eu me posiciono com total solidariedade com minhas irmãs que vieram de preto esta noite. Também quero dizer que eu aprecio um ato bem organizado de desobediência civil”, discursou a atriz.

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Frances McDormand vence seu primeiro BAFTA por Três Anúncios Para um Crime e precisa justificar sua vestimenta não-preta (pic by stylist.co.uk)

Aproveitando a carona nesse tema, tenho muitas ressalvas em relação à essa mistura de selecionar filmes e atuações com temas polêmicos da atualidade. Afinal, estamos votando nos melhores trabalhos cinematográficos ou nos trabalhos que tem mais a ver com o momento conturbado? Quer dizer, vamos eleger Greta Gerwig a diretora do ano porque ela é mulher e dirigiu um filme sobre o crescimento de uma menina ou vamos eleger Jordan Peele ou Guillermo del Toro pelos excelentes trabalhos na criação de um universo?

O politicamente correto tem dominado o pensamento do século XXI e agora invade as praias das Artes, onde sempre reinou a liberdade de expressão. Agora temos que usar preto obrigatoriamente numa premiação de cinema porque é a coisa certa a se fazer diante da mídia?

VENCEDORES DO 71º BAFTA:

FILME
Três Anúncios Para um Crime (Three Billboards Outside Ebbing, Missouri)
Produtores: Graham Broadbent, Pete Czernin, Martin McDonagh

DIRETOR
Guillermo Del Toro (A Forma da Água)

ATOR
Gary Oldman (O Destino de uma Nação)

ATRIZ
Frances McDormand (Três Anúncios Para um Crime)

ATOR COADJUVANTE
Sam Rockwell (Três Anúncios Para um Crime)

ATRIZ COADJUVANTE
Allison Janney (Eu, Tonya)

FILME BRITÂNICO
Três Anúncios Para um Crime (Three Billboards Outside Ebbing, Missouri)
Produtores: Martin McDonagh, Graham Broadbent, Pete Czernin

LONGA DE ANIMAÇÃO
Viva: A Vida é uma Festa (Coco)

FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
A Criada (The Handmaiden) – CORÉIA DO SUL
Dir: Park Chan-wook

DOCUMENTÁRIO
Eu Não Sou Seu Negro (I Am Not Your Negro)
Dir: Raoul Peck

EE RISING STAR AWARD (VOTO DO PÚBLICO)
Daniel Kaluuya

DIRETOR, ROTEIRISTA OU PRODUTOR BRITÂNICO ESTREANTE
I Am Not a Witch

Rungano Nyoni (Roteirista/Diretor), Emily Morgan (Produtora)

ROTEIRO ORIGINAL
Martin McDonagh (Três Anúncios Para um Crime)

ROTEIRO ADAPTADO
James Ivory (Me Chame Pelo Seu Nome)

TRILHA MUSICAL ORIGINAL
Alexandre Desplat (A Forma da Água)

FOTOGRAFIA
Roger Deakins (Blade Runner 2049)

MONTAGEM
Jonathan Amos, Paul Machliss (Em Ritmo de Fuga)

FIGURINO
Mark Bridges (Trama Fantasma)

DIREÇÃO DE ARTE
Paul Austerberry, Jeff Melvin, Shane Vieau (A Forma da Água)

MAQUIAGEM E CABELO
David Malinowski, Ivana Primorac, Lucy Sibbick, Kazuhiro Tsuji (O Destino de uma Nação)

EFEITOS VISUAIS
Richard R. Hoover, Paul Lambert, Gerd Nefzer, John Nelson (Blade Runner 2049)

SOM
Alex Gibson, Richard King, Gregg Landaker, Gary A. Rizzo, Mark Weingarten (Dunkirk)

CURTA DE ANIMAÇÃO BRITÂNICO 
Poles Apart
Paloma Baeza, Ser En Low 

CURTA BRITÂNICO
Cowboy Dave
Colin O’Toole, Jonas Mortense

CONTRIBUIÇÃO BRITÂNICA PARA O CINEMA
National Film and Television School (NFTS)

BAFTA FELLOWSHIP (PREVIAMENTE ANUNCIADO)
Ridley Scott

***

A 90ª cerimônia do Oscar acontece no dia 04 de março e será transmitido pelo canal pago TNT.

‘Birdman’ e ‘O Grande Hotel Budapeste’ lideram indicações ao Oscar 2015!

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OS NÚMEROS DO OSCAR 2015

Os recordistas em indicações desta 87ª edição do Oscar são Birdman e O Grande Hotel Budapeste, ambos com nove cada. Ao contrário do que vinha acontecendo nos anos anteriores em que a Academia indicava 9 produções, este ano decidiu preencher apenas 8 vagas das 10 disponíveis. Curiosamente, o filme sobre Direitos Civis, Selma, conquistou apenas a indicação de Filme e de Canção Original. Por outro lado, o mega-ascendente Sniper Americano coletou um total de 6 indicações, mas seu diretor Clint Eastwood não foi incluso na categoria de Direção, enfraquecendo bastante as chances de vitória da produção como Melhor Filme. Enquanto que Foxcatcher conseguiu a proeza de resgatar Bennett Miller pra Melhor Diretor (pra muitos ele já era considerado carta fora do baralho), mas falhou na indicação a Melhor Filme! Pô, não poderiam ter indicado o filme também e ocupado a nona vaga?

Michael Keaton e Emma Stone em cena de Birdman: ambos foram indicados para ator e atriz coadjuvante. (photo by outnow.ch)

Michael Keaton e Emma Stone em cena de Birdman: ambos foram indicados para ator e atriz coadjuvante. (photo by outnow.ch)

Apesar de contar apenas com 6 indicações, Boyhood ainda permanece como um dos grandes favoritos a conquistar o Oscar de Filme e Direção. Também não dá pra descartar as oito indicações de O Jogo da Imitação, ainda mais que seu diretor Morten Tyldum foi indicado a Diretor.

Vale sempre ressaltar que Meryl Streep está de volta! Ela é a super-recordista em termos de indicações no Oscar das categorias de atuação, pois esta é sua 19ª indicação. Ela concorre como coadjuvante por Caminhos da Floresta, mas não é a favorita.

Meryl Streep (Caminhos da Floresta) - photo by elfilm.com

19ª indicação ao Oscar: só pode ser Meryl Streep (Caminhos da Floresta) – photo by elfilm.com

ANÚNCIO DOS INDICADOS

Pra quem não conseguiu acompanhar ao vivo, segue link do YouTube do canal oficial do Oscar:

Pela primeira vez, o anúncio abrangeu todas as 24 categorias e por isso, foi dividido em duas partes. Enquanto os diretores Alfonso Cuarón e J.J. Abrams se encarregaram das categorias mais técnicas, o ator Chris Pine e a presidente da Academia, Cheryl Boone Isaacs, encarregaram-se das categorias principais.

SURPRESAS

Com a ascensão de Sniper Americano, não seria uma mega-surpresa ver o nome de Bradley Cooper na categoria de Ator. Sinceramente, acho que fiquei mais surpreso ao ver a exclusão de Clint Eastwood como Diretor do que a inclusão de Cooper como Ator. Bom, a Academia adora Bradley, tanto que esta é sua terceira indicação consecutiva! Ele concorreu por O Lado Bom da Vida e Trapaça, ambos sob direção de David O. Russell. Muitos críticos afirmam que este é seu melhor trabalho, pois foi o papel que mais exigiu transformação física e psicológica por parte do ator.

Novo filme de Clint Eastwood, Sniper Americano, consegue adentrar na festa da PGA (photo by outnow.ch)

Bradley Cooper por Sniper Americano (photo by outnow.ch)

Fiquei bastante feliz pela inclusão de Marion Cotillard como Melhor Atriz. Ela recebe sua segunda indicação, e a primeira depois de sua vitória em 2008 por Piaf – Um Hino ao Amor, sob direção dos irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne, figuras frequentes no Festival de Cannes. Havia forte possibilidade também de ela ser indicada pela interpretação em O Imigrante, de James Gray. A sua inclusão também me agradou pela consequente exclusão de Jennifer Aniston (Cake: Uma Razão Para Viver), que vinha sendo indicada para os principais prêmios como SAG e Globo de Ouro.

Marion Cotillard (Dois Dias, Uma Noite) - photo by outnow.ch

Marion Cotillard (Dois Dias, Uma Noite) – photo by outnow.ch

Apesar de ainda não ter conferido O Ano Mais Violento, novo trabalho da atriz Jessica Chastain, não gostei da sua exclusão para dar lugar à Laura Dern (Livre). Assisti a Livre na última Mostra de Cinema de SP e achei seu papel muito ralo e de importância mais simbólica para a protagonista vivida por Reese Whitherspoon. Havia possibilidade de Rene Russo ser indicada como coadjuvante também, o que me agradaria mais do que Dern, mas a Academia preferiu a formação de dupla indicação para as atrizes de Livre, talvez pelo sucesso de Clube de Compras Dallas do mesmo diretor Jean-Marc Vallée.

Como já citado anteriormente, a inclusão de Bennett Miller foi uma surpresa também, pois depois que ele ganhou o prêmio de Direção no último Festival de Cannes, em maio de 2014, ele pouco frequentou as listas de Melhor Diretor da temporada. Esta é sua segunda indicação ao Oscar – foi indicado por Capote em 2006 – mas como seu filme, Foxcatcher, não foi indicado a Melhor Filme, tem poucas chances de conquistar a estatueta, talvez até menores do que o mais desconhecido norueguês Morten Tyldum, pois O Jogo da Imitação está entre os Melhores Filmes.

Bennett Miller (Foxcatcher)

Bennett Miller (Foxcatcher)

Bacana também lembrar que o documentário sobre o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, O Sal da Terra, foi indicado. Dirigido pelo veterano Wim Wenders com a colaboração do filho de Sebastião, Juliano Ribeiro Salgado, o documentário terá forte concorrência com o favorito CitizenFour (sobre Edward Snowden) e A Fotografia Oculta de Vivian Maier.

Wim Wenders com o fotógrafo Sebastião Salgado (photo by outnow.ch)

Wim Wenders com o fotógrafo Sebastião Salgado (photo by outnow.ch)

Não que se trate exatamente de uma surpresa, mas adorei a indicação do argentino Relatos Selvagens como Melhor Filme em Língua Estrangeira. Apesar do franco-favoritismo do polonês Ida e do russo Leviatã, a presença do argentino representa o cinema latino, e muito bem. Para quem ainda não viu, Relatos Selvagens permanece em cartaz em algumas salas aqui em São Paulo. Imperdível. Particularmente, entre os indicados, considero o russo Leviatã o melhor filme por melhor captar o espírito da Rússia atual de Vladimir Putin de forma inteligente.

Também cito aqui a dupla indicação merecida de Alexandre Desplat na categoria de Trilha Musical Original. Ele concorre por O Grande Hotel Budapeste e O Jogo da Imitação. Estas são suas sétima e oitava indicações ao Oscar sem vitória até o momento. Será que finalmente vai chegar a vez de Desplat? A última vez que um compositor foi indicado por dois filmes no mesmo ano foi em 2006, com John Williams concorrendo por Memórias de uma Gueixa e Munique. Ele perdeu para Gustavo Santaolalla por O Segredo de Brokeback Mountain, ou seja, não é garantia de nada…

AUSÊNCIAS

Acho que se fosse para nomear apenas uma ausência marcante, esta seria a de Jake Gyllenhaal por O Abutre. Tudo bem que o filme é sombrio demais para alguns membros votantes da Academia mais conservadores, mas é inegável o esforço do ator para se transformar nesse paparazzi de tragédias. Como atores que perdem peso costumam ser indicados e até ganhar o Oscar (vide Matthew McConaughey ano passado), acreditava-se que Jake iria tirar de letra esta sua segunda indicação. Felizmente, como prêmio de consolo, seu diretor Dan Gilroy, recebeu sua indicação para Melhor Roteiro Original, mas acho muito pouco para um dos filmes mais comentados de 2014.

Jake Gyllenhaal (O Abutre) - photo by outnow.ch

Jake Gyllenhaal (O Abutre) – photo by outnow.ch

A animação Uma Aventura Lego estava ganhando quase todos os prêmios, exceto o Globo de Ouro, que acabou nas mãos de Como Treinar o seu Dragão 2, então era praticamente certeza sua indicação na categoria. Não foi o que aconteceu e o filme ficou apenas com uma indicação para Melhor Canção Original. Para minha alegria e dos amantes do cinema 2D e nipônico, O Conto da Princesa Kaguya conseguiu seu lugar ao sol, comprovando que a categoria tem forte influência internacional desde seu segundo ano, quando A Viagem de Chihiro ganhou o Oscar. Inconformado com a exclusão de Uma Aventura lego, o diretor Phil Lord postou em seu twitter:

A quase total ausência de Selma pode ser considerada uma surpresa, pois apesar de não terem entregue as cópias para os sindicatos, os responsáveis pela campanha não se esqueceram dos membros da Academia. Contudo, há uma polêmica envolvendo erros históricos envolvendo o então presidente Lyndon B. Johnson, que certamente prejudicou a escalada do filme no Oscar. Resultado final: 2 indicações – Filme e Canção Original. Campanha pífia. Sua diretora Ava DuVernay, que tinha chances de ser tornar a primeira mulher negra na categoria, e o ator David Oyelowo foram ignorados no anúncio dos indicados. Acredito que Selma só conseguiu a indicação de Melhor Filme pela força e influência de Oprah Winfrey, que é produtora do longa.

Mal as indicações saíram do forno e já estou vendo algumas manifestações na internet de racismo e falta de diversidade por parte da Academia, como as de Brent Lang (http://variety.com/2015/film/news/oscar-nomination-selma-snub-diversity-1201405804/). Só porque os membros decidiram não votar para a diretora Ava DuVernay, muita gente já acredita que se trata de racismo. Peraí! Vamos com calma. Se até Clint Eastwood, que é um dos melhores diretores da atualidade não está na lista, por que DuVernay não pode ficar de fora também? Eu tinha postado aqui anteriormente que achava que a Academia não perderia a oportunidade de fazer história ao indicar a primeira afro-americana na categoria de Direção, mas se não foi desta vez, e ela manter o bom trabalho, tenho certeza de que ela será reconhecida dentro de poucos anos. O fato de David Oyelowo não estar na lista também não indica racismo; talvez os votantes não gostaram da atuação dele e do sotaque britânico-americanizado dele para viver o líder Martin Luther King. E daí que não houve negros indicados? Não teve nenhum asiático (como o Miyavi por exemplo, por Invencível) e não estou aqui reclamando da minha “cota asiática”. A Academia tem uma história bonita com a raça negra. Como George Clooney ressaltou em seu discurso de agradecimento por Syriana – A Indústria do Petróleo em 2006, a Academia deu o Oscar para Hattie McDaniel por …E o Vento Levou em 1940, quando negros se sentavam nos fundos dos cinemas! Enfim… acho muita tempestade em copo d’água, ainda mais em se tratando de uma Arte, que não enxerga raça, cor, sexo e religião. Aliás, a exclusão de Angelina Jolie (Invencível) como diretora no Oscar caminha na mesma direção. Poxa, é apenas o segundo filme dirigido por ela! Vamos com calma que ela tem muito a evoluir também. Não dá pra ignorar também que Angelina tem muitos críticos como o produtor Scott Rudin que a chamou de “minimamente talentosa” naqueles e-mails vazados da Sony por hackers.

Confira os indicados ao Oscar 2015:

MELHOR FILME
* Sniper Americano (American Sniper)
* Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (Birdman)
* Boyhood: Da Infância à Juventude (Boyhood)
* O Grande Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel)
* O Jogo da Imitação (The Imitation Game)
* Selma (Selma)
* A Teoria de Tudo (The Theory of Everything)
* Whiplash: Em Busca da Perfeição (Whiplash)

MELHOR DIRETOR
* Wes Anderson (O Grande Hotel Budapeste)
* Alejandro González Iñárritu (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância))
* Richard Linklater (Boyhood: Da Infância à Juventude)
* Bennett Miller (Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo)
* Morten Tyldum (O Jogo da Imitação)

MELHOR ATOR
* Steve Carell (Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo)
* Bradley Cooper (Sniper Americano)
* Benedict Cumberbatch (O Jogo da Imitação)
* Michael Keaton (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância))
* Eddie Redmayne (A Teoria de Tudo)

MELHOR ATRIZ
* Marion Cotillard (Dois Dias, Uma Noite)
* Felicity Jones (A Teoria de Tudo)
* Julianne Moore (Para Sempre Alice)
* Rosamund Pike (Garota Exemplar)
* Reese Witherspoon (Livre)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
* Robert Duvall (O Juiz)
* Ethan Hawke (Boyhood: Da Infância à Juventude)
* Edward Norton (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância))
* Mark Ruffalo (Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo)
* J.K. Simmons (Whiplash: Em Busca da Perfeição)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
* Patricia Arquette (Boyhood: Da Infância à Juventude)
* Laura Dern (Livre)
* Keira Knightley (O Jogo da Imitação)
* Emma Stone (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância))
* Meryl Streep (Caminhos da Floresta)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
* Alejandro González Iñárritu, Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris, Armando Bo (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância))
* Richard Linklater (Boyhood: Da Infância à Juventude)
* E. Max Frye, Dan Futterman (Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo)
* Wes Anderson, Hugo Guinness (O Grande Hotel Budapeste)
* Dan Gilroy (O Abutre)

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
* Jason Hall (Sniper Americano)
* Paul Thomas Anderson (Vício Inerente)
* Graham Moore (O Jogo da Imitação)
* Anthony McCarten (A Teoria de Tudo)
* Damien Chazelle (Whiplash: Em Busca da Perfeição)

MELHOR FOTOGRAFIA
* Emmanuel Lubezki (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância))
* Robert D. Yeoman (O Grande Hotel Budapeste)
* Lukasz Zal, Ryszard Lenczewski (Ida)
* Dick Pope (Sr. Turner)
* Roger Deakins (Invencível)

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
* Adam Stockhausen e Anna Pinnock (O Grande Hotel Budapeste)
* Maria Djurkovic e Tatiana Macdonald (O Jogo da Imitação)
* Nathan Crowley e Gary Fettis (Interestelar)
* Dennis Gassner e Anna Pinnock (Caminhos da Floresta)
* Suzie Davies e Charlotte Watts (Sr. Turner)

MELHOR MONTAGEM
* Joel Cox e Gary D. Roach (Sniper Americano)
* Sandra Adair (Boyhood: Da Infância à Juventude)
* William Goldenberg (O Jogo da Imitação)
* Barney Pilling (O Grande Hotel Budapeste)
* Tom Cross (Whiplash: Em Busca da Perfeição)

MELHOR FIGURINO
* Milena Canonero (O Grande Hotel Budapeste)
* Mark Bridges (Vício Inerente)
* Colleen Atwood (Caminhos da Floresta)
* Anna B. Sheppard (Malévola)
* Jacqueline Durran (Sr. Turner)

MELHOR MAQUIAGEM E CABELO
* Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo
* O Grande Hotel Budapeste
* Guardiões da Galáxia

MELHOR TRILHA MUSICAL ORIGINAL
* Alexandre Desplat (O Grande Hotel Budapeste)
* Alexandre Desplat (O Jogo da Imitação)
* Jóhann Jóhannsson (A Teoria de Tudo)
* Gary Yershon (Sr. Turner)
* Hans Zimmer (Interestelar)

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
* “Everything is Awesome”, de Shawn Patterson (Uma Aventura Lego)
* “Glory”, de John Stephens e Lonnie Lynn (Selma)
* “Grateful”, de Diane Warren (Beyond the Lights)
* “I’m Not Gonna Miss You”, de Glen Campbell e Julian Raymond (Glen Campbell… I’ll Be Me)
* “Lost Stars”, de Gregg Alexander e Danielle Brisebois (Mesmo Se Nada Der Certo)

MELHOR SOM
* John Reitz, Gregg Rudloff e Walt Martin (Sniper Americano)
* Jon Taylor, Frank A. Montaño e Thomas Varga (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)
* Gary A. Rizzo, Gregg Landaker e Mark Weingarten (Interestelar)
* Jon Taylor, Frank A. Montaño e David Lee (Invencível)
* Craig Mann, Ben Wilkins e Thomas Curley (Whiplash: Em Busca da Perfeição)

MELHORES EFEITOS SONOROS
* Alan Robert Murray e Bub Asman (Sniper Americano)
* Martin Hernández e Aaron Glascock (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância))
* Brent Burge e Jason Canovas (O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos)
* Richard King (Interestelar)
* Becky Sullivan e Andrew DeCristofaro (Invencível)

MELHORES EFEITOS VISUAIS
* Capitão América: O Soldado Invernal
* Planeta dos Macacos: O Confronto
* Guardiões da Galáxia
* Interestelar
* X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
* Ida, de Pawel Pawlikowski (POLÔNIA)
* Leviatã, de Andrey Zvyagintsev (RÚSSIA)
* Tangerines, de Zaza Urushadze (ESTÔNIA)
* Timbuktu, de Abderrahmane Sissako (MAURITÂNIA)
* Relatos Selvagens, de Damián Szifrón (ARGENTINA)

MELHOR ANIMAÇÃO
* Operação Big Hero
* Os Boxtrolls
* Como Treinar o seu Dragão 2
* The Song of the Sea
* O Conto da Princesa Kaguya

MELHOR DOCUMENTÁRIO
* CitizenFour
* A Fotografia Oculta de Vivian Maier
* Last Days in Vietnam
* O Sal da Terra
* Virunga

MELHOR DOCUMENTÁRIO-CURTA
* Crisis Hotline: Veterans Press 1
* Joanna
* Our Curse
* The Reaper (La Parka)
* White Earth

MELHOR CURTA-METRAGEM
* Aya
* Boogaloo and Graham
* Butter Lamp (La Lampe au Beurre de Yak)
* Parvaneh
* The Phone Call

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO
* The Bigger Picture
* The Dam Keeper
* O Banquete (Feast)
* Me and My Moulton
* A Single Life

A cerimônia do Oscar 2015 acontece no dia 22 de fevereiro, com transmissão ao vivo pelo canal pago TNT.