‘ME CHAME PELO SEU NOME’ é eleito MELHOR FILME segundo críticos de LOS ANGELES

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ENQUANTO DRAMA LGBT RETOMA PROTAGONISMO DA TEMPORADA, OUTROS DOIS FAVORITOS VOLTAM A MOSTRAR SINAIS DE VIDA

Após a consagração de The Post no National Board of Review, e de Lady Bird no NYFCC, o drama independente Me Chame Pelo seu Nome volta a ser protagonista no Los Angeles Film Critics Association (LAFCA), acumulando seu hype depois do Gotham Awards e da liderança nas indicações do Independent Spirit.

Embora tenha levado o prêmio principal de Filme, de Diretor para Luca Guadagnino e de Ator para Timothée Chalamet, Me Chame Pelo seu Nome teve uma grande sombra na premiação que atende pelo nome de A Forma da Água. O filme de Guillermo del Toro reaparece pela primeira vez no cenário desde que saiu com o Leão de Ouro em Veneza. A aventura fantástica conquistou os prêmios de Diretor (empate com Guadagnino), Atriz para Sally Hawkins e Fotografia, além de ser segundo lugar em Direção de Arte e Trilha Musical.

Sally Hawkins Shape of Water

Vencedora do prêmio de Melhor Atriz: Sally Hawkins em cena de A Forma da Água (pic by outnow.ch)

Além de ressuscitar A Forma da Água, o LAFCA também trouxe de volta ao palco Três Anúncios Para um Crime. Apesar de não ter ganhado nenhum prêmio, o filme de Martin McDonagh foi segundo lugar nas categorias de Atriz (Frances McDormand), Ator Coadjuvante (Sam Rockwell) e Roteiro (o próprio McDonagh). O filme, que critica a impunidade e ineficiência policial, havia levado o prêmio de roteiro em Veneza e o prestigiado People’s Choice Award do Festival de Toronto que costuma ter forte sintonia com o Oscar, mas perdeu espaço no Gotham, NBR e NYFCC. Tanto A Forma da Água quanto Três Anúncios ressurgem na hora certa, já que as indicações ao Critics’ Choice Awards e do Globo de Ouro se aproximam: dias 06 e 11, respectivamente.

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À esquerda, Woody Harrelson com Frances McDormand, que ficou em 2º lugar como Melhor Atriz por Três Anúncios Para um Crime (pic by moviepilot.de)

Se Saoirse Ronan não levou o prêmio de Atriz novamente por Lady Bird, o filme de Greta Gerwig foi representado aqui pela atriz Laurie Metcalf, que levou como Atriz Coadjuvante. A diretora recebeu a honraria especial do New Generation.

Já a nova vitória de Willem Dafoe por Projeto Flórida já o consolida como franco-favorito na categoria de Ator Coadjuvante após vencer consecutivamente o NBR, NYFCC e agora o LAFCA. Vale lembrar que o ator já foi duas vezes indicado ao Oscar: em 1987 por Platoon, e em 2001 por A Sombra do Vampiro, mas nunca levou a estatueta. Esse histórico existente com o Oscar conta bastante na hora da votação, por isso, já dá pra garanti-lo como um indicado pelo menos.

Pela categoria de Melhor Ator, acho importante ressaltar duas coisas: com mais essa vitória, Timothée Chalamet se fortalece como candidato, deixando de ser um jovem ator com poucas chances. Se ele ganhar o Globo de Ouro e/ou SAG, pode se tornar o vencedor mais jovem do Oscar de Ator. E por outro lado, onde está Gary Oldman? Até antes de começarem esses prêmios, ele era considerado o franco-favorito ao Oscar com sua interpretação da figura histórica do primeiro ministro britânico Winston Churchill em O Destino de uma Nação, mas até o momento, ninguém lembrou de seu nome ou sequer do filme de Joe Wright. Claro que ainda está cedo, mas Oldman precisa reagir se quiser um lugar ao sol.

Destaque para a vitória do humilde The Breadwinner, que bateu a franco-favorita Viva – A Vida é uma Festa, da Pixar, como Melhor Longa de Animação. Embora seja muito difícil a Pixar perder este Oscar (seu competidor faz uma bela homenagem à cultura mexicana em tempos de xenofobia do governo Trump), o reconhecimento de The Breadwinner permite que o filme também seja melhor apreciado e quem sabe, conseguir uma indicação ao Oscar.

Ao analisar os demais vencedores do LAFCA, tudo leva a crer que os filmes Blade Runner 2049 e Dunkirk devem prevalecer nas categorias técnicas do Oscar, mas com poucas chances de indicação e vitórias nas categorias principais. Embora a fotografia de Blade Runner 2049 tenha ficado em segundo lugar, como o diretor de fotografia Roger Deakins tem um histórico impressionante de 13 indicações e zero vitórias, a Academia deve finalmente premiá-lo, ao mesmo tempo em que reconhece tardiamente a fotografia do Blade Runner original, feita pelo competente Jordan Cronenweth.

Em relação ao prêmio de Trilha Musical, o colaborador assíduo de Paul Thomas Anderson, Jonny Greenwood, pode finalmente competir no Oscar por sua composição de Trama Fantasma. Sua trilha anterior feita para Sangue Negro havia sido desclassificada por supostamente conter música pré-existente na composição, que teria de ser original. Ainda sobre trilhas, os críticos de LA se esqueceram do belo trabalho de Daniel Lopatin em Bom Comportamento. Sua trilha carrega toda a tensão do filme dos irmãos Josh e Benny Safdie.

VENCEDORES DO LAFCA 2017:

MELHOR FILME: Me Chame Pelo seu Nome (Call me by your Name)
2º lugar: Projeto Flórida (The Florida Project)

MELHOR DIRETOR: Guillermo del Toro (A Forma da Água) e Luca Guadagnino (Me Chame Pelo seu Nome) – EMPATE

MELHOR ATOR: Timothée Chalamet (Me Chame Pelo seu Nome)
2º lugar: James Franco (O Artista do Desastre)

MELHOR ATRIZ: Sally Hawkins (A Forma da Água)
2º lugar: Frances McDormand (Três Anúncios Para um Crime)

MELHOR ATOR COADJUVANTE: Willem Dafoe (Projeto Flórida)
2º lugar: Sam Rockwell (Três Anúncios Para um Crime)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Laurie Metcalf (Lady Bird)
2º lugar: Mary J. Blige (Mudbound)

MELHOR ROTEIRO: Jordan Peele (Corra!)
2º lugar: Martin McDonagh (Três Anúncios Para um Crime)

MELHOR FOTOGRAFIA: Dan Lausten (A Forma da Água)
2º lugar: Roger Deakins (Blade Runner 2049)

MELHOR MONTAGEM: Lee Smith (Dunkirk)
2º lugar: Tatiana S. Riegel (I, Tonya)

MELHOR TRILHA MUSICAL: Jonny Greenwood (Trama Fantasma)
2º lugar: Alexandre Desplat (A Forma da Água)

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE: Dennis Gassner (Blade Runner 2049)
2º lugar: Paul D. Austerberry (A Forma da Água)

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA: 120 Batimentos Por Minuto, de Robin Campillo (FRANÇA) e Loveless, de Andrey Zvyagintsev (RÚSSIA) – EMPATE

MELHOR LONGA DE ANIMAÇÃO: The Breadwinner, de Nora Twomey
2º lugar: Viva – A Vida é uma Festa (Coco), de Lee Unkrich e Adrian Molina

MELHOR DOCUMENTÁRIO: Faces Places, de Agnès Varda e JR
2º lugar: Jane, de Brett Morgen

PRÊMIO DOUGLAS EDWARDS PARA FILME EXPERIMENTAL: Purge This Land, de Lee Anne Schmitt

PRÊMIO NEW GENERATION: Greta Gerwig (Lady Bird)

PRÊMIO PELO CONJUNTO DA OBRA: Max von Sydow

Prévia do Oscar 2013: Ator Coadjuvante

O último vencedor da categoria, Christopher Plummer, por Toda Forma de Amor.

Criada em 1937, a categoria de Melhor Ator Coadjuvante passou a suprir a demanda de atores hollywoodianos que mereciam reconhecimento, mesmo não estrelando uma produção. O maior vencedor foi o americano Walter Brennan, que levou para casa três vezes o prêmio por Meu Filho é Meu Rival (1936), Kentucky (1938) e A Última Fronteira (1940). Normalmente, vence aquele que tem um papel que costuma roubar a cena, como aconteceu com Sean Connery em Os Intocáveis (1987) ou Christoph Waltz em Bastardos Inglórios (2009). A categoria, que antes era considerada menos importante, passou a ganhar relevância quando atores do quilate de Walter Huston (O Tesouro de Sierra Madre, 1948), George Sanders (A Malvada, 1950), Jack Lemmon (Mister Roberts, 1955) e Peter Ustinov (Spartacus, 1960) se sagraram vencedores.

Vencedor de três Oscars de coadjuvante: Walter Brennan. Além de ter atuado em muitos westerns, trabalhou com grandes atores como Humphrey Bogart, Lauren Bacall, Gary Cooper e John Wayne.

Nas últimas décadas, as categorias de coadjuvante serviram como reduto de atores renomados. Nos bastidores, a estratégia da Academia seria de compensar atores de peso que não ganharam em oportunidades prévias. Claro que oficialmente, ninguém vai confirmar essa informação, mas a vitória de Morgan Freeman por Menina de Ouro em 2005 é um exemplo disso, pois o ator fora indicado em outras três vezes, mas nunca levou a estatueta. Essa leitura da premiação acredita que as chances de ele levar Melhor Ator (principal) nos próximos anos seriam pequenas e que, por isso, sua vitória como coadjuvante seria uma forma de garantir que Freeman encerre sua carreira como vencedor do Oscar.

Morgan Freeman em Menina de Ouro: Oscar de coadjuvante. Antes tarde do que nunca?

Com certeza, muitos fãs de Morgan Freeman vão discordar dessa opinião, mas as mesmas pessoas sabem que ele mereceu mais por Conduzindo Miss Daisy ou Um Sonho de Liberdade. Particularmente, sou contra esse sistema de compensação, pois pode desbancar a melhor performance do ano que, nesse ano, deveria ter ido para Thomas Haden Church (Sideways – Entre Umas e Outras) ou Clive Owen (Closer – Perto Demais).

Claro que adoraria ver atores veteranos e consagrados ganhando o Oscar pela primeira vez como aconteceu com Christopher Plummer este ano, mas nem sempre a maré está a favor deles. Nesses casos, existe o Oscar Honorário, que costuma premiar profissionais do cinema que nunca tiveram a oportunidade de levar a estatueta pra casa. Vencedores recentes atestam: James Earl Jones, Eli Wallach, Lauren Bacall e o compositor italiano Ennio Morricone, todos foram previamente indicados mas nunca venceram nas respectivas categorias.

Este ano, temos fortes candidatos vencedores do Oscar. Alan Arkin, Robert De Niro, Philip Seymour Hoffman, Russell Crowe e Tommy Lee Jones podem voltar ao tapete vermelho como indicados. O retorno mais triunfal seria o de Robert De Niro, que teve sua época de glória nas décadas de 70, 80 e 90, mas que não figura na lista há vinte anos (!). Tem também indicados prévios, mas que nunca ganharam e agora podem ter a chance de ouro como Leonardo DiCaprio, que concorreu três vezes, e em 2013, pode finalmente passar para o time dos Academy Award Winners.

Apesar de ainda estar cedo para favoritismos, Robert De Niro está na frente pelo sucesso de Silver Linings Playbook. O filme de David O. Russell vem arrancando aplausos pelos festivais que passa, especialmente o de Toronto (Canadá), de onde saiu com o prêmio People’s Choice Award. Particularmente, mesmo que ainda não tenha conferido sua performance, gostaria que esse retorno de De Niro fosse coroado para que sirva de incentivo ao ator para escolher projetos mais ousados e não somente pelo alto cachê, como vinha fazendo nas últimas duas décadas. Contudo, Philip Seymour Hoffman pode ser a pedra no meio do caminho com sua presença magnética no novo filme de Paul Thomas Anderson, The Master, que já lhe rendeu o prêmio Volpi Cup de Melhor Ator (juntamente com Joaquin Phoenix) no último Festival de Veneza.

Alan Arkin em Argo

ALAN ARKIN (Argo)

Muita gente conhece Alan Arkin como o vovô maconheiro e tutor da pequena Olive de Pequena Miss Sunshine, papel pelo qual ele ganhou seu único Oscar em 2007, batendo o favorito Eddie Murphy de Dreamgirls, mas este ator americano de 78 anos é um veterano em Hollywood, tendo participado de alguns clássicos como a comédia de guerra de Norman Jewison, Os Russos Estão Chegando! Os Russos Estão Chegando! (1966) e no suspense Um Clarão nas Trevas (1967), ao lado de Audrey Hepburn. Chegou a atuar no filme brasileiro indicado ao Oscar de Filme Estrangeiro, O que é isso, Companheiro? (1997), de Bruno Barreto.

Nessa idade e já com um Oscar em casa, alguns críticos já aposentavam Alan Arkin, mas com Argo, ele prova que tem muito ainda a ensinar e mostrar. Ele interpreta o produtor de Hollywood, Lester Siegel, que ajuda o maquiador John Chambers na missão de vender um filme fictício para encobrir a saída de seis americanos do Irã durante a Revolução Iraniana em 1980. Ao lado de John Goodman, que vive Chambers, Alan Arkin rouba a cena com seu humor escrachado repleto de palavrões, muito semelhante ao revoltado vovô de Miss Sunshine.

É claro que o fato de Arkin já ter ganhado o Oscar recentemente implica em perda de pontos na corrida, afinal os votantes certamente consideram o histórico do ator. Mas se os votos se dividirem entre Robert De Niro e Philip Seymour Hoffman, Alan Arkin viria logo em seguida para roubar a cena na cerimônia.

Russell Crowe em Les Misérables

RUSSELL CROWE (Les Miserábles)

Depois de um início fenomenal em seus primeiros anos de Hollywood com três indicações ao Oscar, Russell Crowe deu uma relaxada. Quer dizer, ainda trabalha em projetos ambiciosos e com diretores consagrados como Ridley Scott e Peter Weir, mas suas atuações deram uma estabilizada. Em O Informante, Crowe engordou para interpretar Jeffrey Wigand. Já em Gladiador, ganhou massa muscular e fez cara de mau. A Academia reconheceu oficialmente seu esforço, premiando-o com o Oscar de Melhor Ator em 2001 pelo épico Gladiador.

Talvez, com esta adaptação musical do clássico literário de Victor Hugo, Russell Crowe volte aos holofotes pelas performances na tela, e não pelos escândalos de porrada em papparazzi ou que bateu na pobre esposa. Na mega-produção, o ator neozelandês dá vida ao Inspetor Javert, que fica na cola do protagonista Jean Valjean (Hugh Jackman).

Particularmente, nunca ouvi nenhuma faixa da banda australiana de Russell Crowe, 30 Odd Foot of Grunts. Mas pelos comentários, vale aquele bom e velho ditado: “Como cantor, Russell Crowe é um ótimo ator”. E pelo que me informei, não há playbacks nas canções, tanto que os atores cantavam ao vivo no set usando um fone que tocava piano para manter o ritmo. A música era acrescentada na montagem final. Será que Crowe se saiu bem ou todo mundo aplaudia por educação e com medo de levar um soco? Só vendo mesmo, mas se ele não se saiu no mínimo bem, esquece a indicação…

Robert De Niro em cena de Silver Linings Playbook

ROBERT DE NIRO (Silver Linings Playbook)

Que Robert De Niro não precisa provar mais nada pra ninguém, isso todo mundo já sabe. Afinal, não é qualquer ator que fez Taxi Driver (1976), O Poderoso Chefão: Parte II (1974), Touro Indomável (1980), Os Bons Companheiros (1990) e aterrorizou como o presidiário Max Cady em Cabo do Medo (1991). Tem dois Oscars na bagagem, mas um terceiro pode estar por vir.

Com Silver Linings Playbook, o veterano de Hollywood pode ressuscitar na temporada de prêmios. Ele faz o pai protetor e conselheiro de Pat (Bradley Cooper), que acaba de sair de uma instituição psicológica depois de pegar sua mulher traindo. Pelo trailer, já é possível ver que De Niro já se desvencilha da típica atuação de mafioso ou gângster que praticamente impregnou sua pele, crédito do ótimo diretor de atores David O. Russell.

O retorno de Robert De Niro aos bons papéis era há muito aguardada, pois o ator passou por duas décadas de filmes medianos e alguns claramente para poder pagar as contas como a comédia As Aventuras de Rocky & Bullwinkle (podem falar o que quiser do filme, mas está nítido que o contrato foi gordo).

Aí você vai se perguntar: “Mas se o De Niro já tem dois Oscars, por que ele ganharia um terceiro?”. Realmente, se levarmos em consideração o histórico vitorioso, existem outros atores da nova geração que são tão merecedores quanto ele. Mas Hollywood e sua comunidade admiram Robert De Niro e gostariam de vê-lo no topo depois de tanto tempo. Muitos acreditam que o grande ator ainda existe, mas que não teve as devidas oportunidades nas últimas duas décadas. Infelizmente, só vamos poder comprovar o potencial do papel em fevereiro, quando está prevista a estréia no Brasil.

Leonardo DiCaprio em Django Livre

LEONARDO DiCAPRIO (Django Livre)

Desde que estrelou Titanic como o pobretão galã Jack e se tornou pôster de milhões de quartos de menininhas, Leo DiCaprio decidiu virar o disco e se tornar um ator de respeito. Sua tática era formar parcerias com profissionais consagrados como forma de aprendizado e se destacar como ator e não apenas ídolo teen. Como cinéfilo, admiro bastante sua disposição para mover montanhas, mas ainda não me convenci de que ele é um bom ator. DiCaprio é esforçado: aprendeu o sotaque sul-africano para filmar Diamante de Sangue, tomou uma nova aparência mais nojenta em O Aviador e mais velha em J. Edgar, mas ainda não apresenta algumas nuances e tonalidade de voz diferenciada. Ele precisa trabalhar mais o interior do que o exterior. Pode-se dizer que Leonardo DiCaprio é um diamante bruto que precisa ser esculpido.

Creio que o diretor Martin Scorsese também pensou o mesmo a respeito dele. Contratou-o para filmar Gangues de Nova York (2002), O Aviador (2004), Os Infiltrados (2006) e A Ilha do Medo (2010). Claro que depois do curso intensivo de Scorsese, Leo ficou melhor, tanto que conseguiu mais duas indicações ao Oscar (a primeira foi aos 19 anos como coadjuvante por Gilbert Grape – Aprendiz de um Sonhador) por O Aviador e Diamante de Sangue.

Agora, em sua primeira participação num filme de Quentin Tarantino, as esperanças se renovam, ainda mais que o diretor conseguiu um Oscar de coadjuvante para Christoph Waltz em Bastardos Inglórios há dois anos. No western Django Livre, Leonardo DiCaprio interpreta o vilão, no caso, o proprietário de terras brutal de Mississipi, Calvin Candie, que tem posse da mulher do herói Django (Jamie Foxx). As expectativas sempre são altas quando se fala de um filme de Tarantino. Espera-se que a performance de DiCaprio também esteja no mesmo nível.

John Goodman em Argo

JOHN GOODMAN (Argo)

Para o público brasileiro em geral, John Goodman ficou marcado por viver Fred Flinstone nos cinemas e dar sua voz ao personagem Sully na animação Monstros S.A.. Chegou a cantar a canção “If I Didn’t Have You”, que venceu o Oscar para Randy Newman em 2002. Mas para os cinéfilos de carteirinha, o ator robusto ficará marcado eternamente pelo papel de Walter Sobchak, o sem-noção traumatizado da Guerra do Vietnã na comédia de humor negro O Grande Lebowski (1998), dos irmãos Coen.

De lá pra cá, além das participações nos filmes dos Coen, Goodman tem sido escalado para papéis menores que exigem uma presença de tela. Foi assim no blockbuster Speedy Racer, na comédia Os Delírios de Consumo de Becky Bloom e no último vencedor do Oscar, O Artista. Com o sucesso de Argo, espera-se que ele finalmente consiga sua primeira indicação ao Oscar e consequentemente, melhores ofertas de papéis.

No filme de Ben Affleck, John Goodman se destaca em todas as cenas em que aparece como o maquiador de Hollywood, John Chambers. É realmente uma pena que seu personagem não tenha mais tempo de tela, porque sua atuação merecia mais alguns minutos. Apesar da curta duração, uma indicação a Goodman se mostra bastante plausível devido ao reconhecimento da figura de Chambers com um Oscar Honorário pelas próteses inovadoras de O Planeta dos Macacos (1968).

Philip Seymour Hoffman em The Master

PHILIP SEYMOUR HOFFMAN (The Master)

Philip Seymour Hoffman começou a atuar em filmes no começo dos anos 90. Felizmente, nunca foi do tipo galã, então teve que ralar bastante para conquistar seu lugar ao sol. Mesmo em papéis menores, teve oportunidade de conhecer e atuar com grandes atores como Paul Newman, Al Pacino, James Woods e Ellen Burstyn, buscando construir seu próprio estilo de interpretação. Na maioria de seus trabalhos, percebe-se que Hoffman prioriza a atuação mais contida, mesmo com seu trabalho premiado pela Academia em Capote (2005), em que teve que copiar alguns trejeitos típicos do romancista Truman Capote, ele procurou reprimir a sexualidade de seu personagem.

Além do aprendizado com referências de Hollywood, outro fator notável na carreira de Hoffman foi o início de uma parceria forte com o jovem cineasta norte-americano Paul Thomas Anderson que, aos 26 anos, realizou seu primeiro longa, Jogada de Risco (1996). Com o diretor, Philip Seymour Hoffman voltou a trabalhar em Boogie Nights – Prazer Sem Limites (1997), Magnólia (1999), Embriagado de Amor (2002) e agora no tão aguardado The Master, no qual dá vida ao filósofo carismático Lacaster Dodd, que seria baseado na figura do criador da Cientologia, L. Ron Hubbard.

Pelo filme, Philip Seymour Hoffman já ganhou o Volpi Cup de Melhor Ator (compartilhado com seu colega Joaquin Phoenix) no último Festival de Veneza, de onde Paul Thomas Anderson também saiu premiado como Melhor Diretor. Hoffman já foi indicado três vezes ao Oscar: Melhor Ator por Capote (2005), Melhor Ator Coadjuvante por Jogos do Poder (2007) e Dúvida (2008), tendo levado pelo primeiro.

Tommy Lee Jones em Lincoln

TOMMY LEE JONES (Lincoln)

Muita gente conhece Tommy Lee Jones como o agente K da trilogia de Homens de Preto, que com sua expressão de pedra, contrabalanceou muito bem com o humor mais extrovertido de Will Smith. Contudo, Jones já possui uma extensa filmografia, que começou lá em 1970 no bem-sucedido romance Love Story – Uma História de Amor, num papel menor. Apesar de ganhar notoriedade ao atuar ao lado de Sissy Spacek na biografia da cantora country Loretta Lynn em 1980, Tommy Lee Jones só teve seu talento reconhecido nos anos 90, quando trabalhou com Oliver Stone no aclamado JFK – A Pergunta que Não Quer Calar e no polêmico Assassinos por Natureza. Em 1995, ganhou seu único Oscar de coadjuvante pelo thriller policial O Fugitivo, no qual interpreta o agente do FBI Samuel Gerard que tem a missão de perseguir Kimble (Harrison Ford), acusado de matar sua própria esposa.

Como muitos atores, Tommy desfrutou de seu sucesso tardio em Hollywood e assinou contrato para alguns filmes blockbusters como o fraco Volcano (1997) e no carnavalesco Batman Eternamente (1995), em que deu vida ao vilão Duas-Caras. Mais recentemente, estrelou o western pós-moderno dos irmãos Coen, Onde os Fracos Não Têm Vez (2007), foi indicado ao Oscar pela atuação no policial No Vale das Sombras (2007) e em 2005, ganhou o prêmio de ator no Festival de Cannes pelo ótimo Três Enterros, primeiro longa sob sua direção.

2012 foi um ano cheio para Tommy Lee Jones. Quatro produções em que participou estrearam este ano: Lincoln, Homens de Preto 3, Emperor e Um Divã Para Dois. Além do sucesso comercial de Homens de Preto 3, sua atuação na comédia romântica Um Divã Para Dois ao lado de Meryl Streep já havia chamado a atenção da crítica, o que certamente aumenta as chances de indicação pelo filme político de Steven Spielberg. Em Lincoln, ele interpreta o vice-presidente abolicionista Thadeus Stevens, que tem suma-importância como o braço direito do presidente. Na grande produção de época de Spielberg, existem vários bons atores em papéis secundários como David Strathairn, Jackie Earle Haley, John Hawkes, Joseph Gordon-Levitt, James Spader e Hal Holbrook, mas pelas críticas, Tommy Lee Jones deve representar todo o elenco secundário masculino no Oscar.

William H. Macy em The Sessions

WILLIAM H. MACY (The Sessions)

Este ator franzino norte-americano parece ter nascido para papéis secundários. Hollywood nunca lhe deu uma real oportunidade de protagonista, mas já trabalhou com diretores renomados como Woody Allen (A Era do Rádio e Neblina e Sombras), Rob Reiner (Fantasmas do Passado), Paul Thomas Anderson (Boogie Nights – Prazer Sem Limites e Magnólia), Barry Levinson (Mera Coincidência) e os irmãos Coen (Fargo), pelo qual conseguiu sua única indicação ao Oscar, como coadjuvante, claro. Na TV, William H. Macy teve mais sorte ao estrelar o filme televisivo De Porta em Porta, no qual se destaca como o vendedor ambulante com problemas mentais Bill Porter.

Casado com a atriz Felicity Huffman, da série de TV Desperate Housewives, William H. Macy tem enorme carinho por colegas de trabalho, pois costuma emprestar seu carisma para seus papéis. Desta vez, ele interpreta um padre, que enfrenta uma questão eticamente controversa. No filme independente The Sessions, seu amigo e fiel Mark O’Brien (John Hawkes) tem condições médicas delicadas e pouco tempo de vida, o que o leva a querer perder sua virgindade antes que o pior aconteça. Como padre e conselheiro, ele tenta guiar Mark pelo melhor caminho sem afetar sua fé.

No último Festival de Sundance, o filme ganhou o prêmio de público e um reconhecimento especial do júri pela atuação do elenco todo. Dependendo de como vai se sair entre os prêmios da crítica americana como o National Board of Review, New York Film Critics Circle e o Los Angeles Film Critics Association, William H. Macy tem boas chances de aparecer na lista de Melhor Ator Coadjuvante em 2013. Seria sua segunda indicação ao Oscar.

Matthew McConaughey em Magic Mike

MATTHEW McCONNAUGHEY (Magic Mike)

Galã de segunda linha, Matthew McConnaughey costuma estrelar comédias românticas com atrizes regulares como Sarah Jessica Parker e Kate Hudson, tanto que o público feminino o conhece como o conquistador de Como Perder um Homem em 10 Dias (2003). Mas de vez em quando, o ator decide participar de alguns projetos mais ambiciosos como a ficção científica Contato (1997), o filme de época de Spielberg, Amistad (1997) e ganhou certo prestígio ao interpretar advogados em Tempo de Matar (1996) e em O Poder e a Lei (2011).

Trabalhando com o diretor Steven Soderbergh (vencedor do Oscar por Traffic) em Magic Mike, McConnaughey faz o papel de Dallas, um veterano do mundo do striptease masculino no clube de mulheres. Ele rouba a cena ao passar seus ensinamentos eróticos para o jovem Mike (Channing Tatum) e, claro, em seus shows que levam as mulheres ao delírio.

Com tantas performances boas nessa categoria, McConnaughey corre por fora nessa competição. Contudo, como a maioria dos relacionados já foi indicada ou ganhou um Oscar, existe uma possibilidade do ator ser o único a conquistar a primeira indicação. A votantes femininas podem dar uma mãozinha.

 

POSSÍVEIS SURPRESAS

As categorias de coadjuvante costumam ser as mais imprevisíveis. Na reta final, surge alguém para roubar a vaga garantida de outro ator. Este ano, o veterano sueco Max von Sydow (Tão Forte e Tão Perto) foi a surpresa, passando uma rasteira em Albert Brooks (Drive) e Armie Hammer (J. Edgar), ambos indicados ao Globo de Ouro e SAG Awards, respectivamente. Alguns sites como IndieWire, colocaram alguns nomes que podem figurar como supresa na lista final. Confira:

– Javier Bardem (007 – Operação Skyfall)

– Don Cheadle (Flight)

– James D’Arcy (Hitchcock)

– Michael Fassbender (Prometheus)

– James Gandolfini (O Homem da Máfia)

– Dwight Henry (Indomável Sonhadora)

– Hal Holbrook (Promised Land)

– Ewan McGregor (O Impossível)

– Ian McKellen (O Hobbit – Uma Jornada Inesperada)

– Guy Pearce (Os Infratores)

Também considero baixas as possibilidades desses atores entrarem na lista, mas adoraria ver Michael Fassbender ser incluso de última hora por Prometheus, uma vez que o ator alemão já merecia uma indicação este ano pelo drama independente Shame. Além de seu ciborgue David ser muito convincente e deixar todo o resto do elenco no chão, ele demonstra a calma na fala mansa e pausada, e ainda empresta um carisma que às vezes se mostra mais humano do que os personagens humanos. Com certeza, um grande ator em extrema ascensão que merece ser reconhecido pela Academia, que só tem a ganhar com sua inclusão na categoria.

Michael Fassbender como o ciborgue David em Prometheus

Como fã de James Bond, seria uma grata surpresa ver Javier Bardem e seu vilão Raoul Silva de 007 – Operação Skyfall indicado ao Oscar, mas acho bastante improvável pelo papel ser parecido com o Coringa de Heath Ledger. Entretanto, o mega sucesso das bilheterias do 23º filme de Bond pode mexer na corrida.

Quem vai ganhar o Oscar 2012?

Oscar 2012: Pronto para mais um Oscar?

Não, não tenho bola de cristal. Não sou membro da Academia. E sequer assisti a todos os filmes que estão concorrendo. Aliás, tarefa literalmente impossível para quem vive aqui no Brasil, pois algumas produções são absolutamente inalcançáveis. Alguém aí viu o documentário Undefeated? Não? Pois é, está concorrendo. E W.E. – O Romance do Século, filme dirigido pela Madonna? Não? Que azar o seu! Está concorrendo a melhor figurino! E o filme polonês In Darkness? Foi bom esse film… o quê?! Não viu? Não acredito! Vai ficar por fora da categoria de filme estrangeiro!

É, você e todo o Brasil vai ficar por fora, porque as distribuidoras, mesmo diante de uma indicação ao Oscar, parecem não se importar se você quer ver um filme com apenas uma indicação. Não tem pelo menos 5 indicações e não tem astros de Hollywood? Tá, depois eu te ligo…

Sou meio linha dura com esse negócio, mas por outro lado entendo os motivos comerciais das empresas que compram os direitos de exibir um filme aqui no Brasil. Mas peço (não tão gentilmente) para que tentem mudar esse panorama porque quanto menos oferta e diversidade houver, mais o público ficará estagnado na mesmice do cinema de blockbuster hollywoodiano. Eu mesmo conheço pessoas que já confessaram: “Estou cansado de ver essas tranqueiras do cinema. Onde posso ver filmes mais alternativos?” – Normalmente eu respondo um “Vá pra Europa ou Ásia!”. OK, eu sei, está fora de cogitação. Mas para finalizar meu conselho, costumo indicar mostras dedicadas a produções alternativas e independentes que cinemas de rua podem proporcionar (antes que acabem virando igrejas ou lojas de departamento).

Enfim, voltando à corrida do Oscar, a cada ano, os resultados parecem mais previsíveis, mas não são. A Academia adora lançar pelo menos algum favorito na fogueira, seja da categoria de atuação, filme estrangeiro ou até efeitos visuais. Vou citar exemplos recentes das 3 categorias que citei, respectivamente: Adrien Brody (nem ele acreditou que ganhou sobre 4 grandes favoritos), O Segredo dos seus Olhos (argentino que levou filme estrangeiro sobre o favorito alemão A Fita Branca) e os efeitos visuais de A Bússola de Ouro (reinando sobre o grande favorito Transformers). Então, refletindo a respeito disso, não me culpem quando houver uma bombástica surpresa. Não me responsabilizo pela saúde dos cardíacos mundo afora.

A fim de seguir um padrão, vou dar meu voto (lembrando que minhas escolhas independem da minha opinião pessoal, mas quem deve acabar levando de fato a estatueta) e por que votei nesse ou naquele filme. Não vou incluir as categorias de curtas e nem documentário. Se você está participando de um bolão, vá no bom e velho chutômetro!

MELHOR ANIMAÇÃO: Rango, de Gore Verbinski

Ok, se As Aventuras de Tintim estivesse concorrendo, poderíamos estar diante de uma briga feia, mas como não é o caso… I rest my case!

MELHOR FILME ESTRANGEIRO: A Separação, de Asghar Farhadi (Irã)

É uma das mais imprevisíveis categorias, pois como disse num post anterior, tem muito velhinho judeu desocupado votando. Mas eu vi o filme iraniano e ele é bom e tem uma linguagem bastante universal que deve agradar a gregos e troianos.

MELHOR SOM: A Invenção de Hugo Cabret

Diz a lenda que o filme mais barulhento ganha e talvez este filme fique entre Transformers 3 e Cavalo de Guerra, mas pensei comigo mesmo: Quem vai premiar um terceiro filme chato de robô? E não acredito que um filme do Spielberg vá sair do Oscar apenas com um Oscar de Melhor Som! Tá, tem boas chances na Fotografia, mas não creio muito…

MELHORES EFEITOS SONOROS: A Invenção de Hugo Cabret

Normalmente, esse prêmio vai para aquele filme que tem cenas mais fantasiosas e surreais em que o efeito sonoro (aquele criado em estúdio) tem mais importância. O pensamento da categoria de Som vale aqui também, pois Transformers 3 e Cavalo de Guerra são fortes candidatos, mas só aquela sequência do trem na estação de A Invenção de Hugo Cabret já vale meu voto.

MELHORES EFEITOS VISUAIS: Planeta dos Macacos: A Origem

Eu sei que a artilharia tá pesada, ainda mais que um tal de Harry Potter está na área, mas os efeitos do novo mago dos efeitos digitais Joe Letteri são praticamente uma unanimidade hoje. Veja seus trabalhos anteriores que, aliás, ganharam Oscars. Sente o calibre: O Senhor dos Anéis: As Duas Torres, O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei e King Kong. Só não citei o primeiro filme do Senhor dos Anéis porque não foi ele que fez, mas também ganhou Oscar…

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: “Real in Rio” (Rio)

Muita gente pode pensar que eu estaria pensando com o coração neste voto, mas eu vi a animação Rio e acredito que a música é realmente a alma do filme. Tá, eu não vi o filme dos Muppets, mas a canção indicada em si é meio deprê…

MELHOR TRILHA MUSICAL: Ludovic Bource (O Artista)

Não que eu ache que Ludovic Bource seja melhor que John Williams ou mesmo Alberto Iglesias, mas a trilha musical de O Artista acaba chamando mais a atenção por se tratar de um filme mudo. É praticamente como ver um quadro repleto de homens em preto-e-branco com uma mulher de vermelho no centro.

MELHOR MAQUIAGEM: Harry Potter e as Relíquias da Morte

Lembra quando o último filme do Star Wars foi indicado e todo mundo achou que levaria porque a nova trilogia do titio George Lucas não ganhou nadica de nada? Pois é, na ocasião, o filme perdeu para o primeiro filme da série As Crônicas da Nárnia. Este ano, os 3 indicados têm um trabalho de maquiagem razoável. Não tem nenhum trabalho marcante e excepcional de um Rick Baker, então nesse caso, acredito que a maquiagem do sem nariz Valdemort possa contar alguns pontinhos. Ah sim, e aquela sujeirinha na cara dos atores principais pra dar aquele ar de heróis contemporâneos…

MELHOR FIGURINO: Arianne Phillips (W.E. O Romance do Século)

Talvez seja a minha escolha mais suicida, mas se você olhar bem pra categoria, verá que os figurinos são fracos. Pensei em votar na queridinha da Academia, Sandy Powell, mas os figurinos de A Invenção de Hugo Cabret não mudam quase nada e não têm tamanha importância quanto um filme de época.

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE: Dante Ferretti e Francesca LoSchiavo (A Invenção de Hugo Cabret)

Esse foi meu primeiro voto de 100% de certeza. O trabalho de cenografia de mestre Ferretti é estupendo e se mostra a alma do filme. A estação de trem em Paris dos anos 30 e os próprios cenários recriados de Georges Méliès são um deleite para o público.

MELHOR FOTOGRAFIA: Emmanuel Lubezki (A Árvore da Vida)

Quando resolveram indicar A Árvore da Vida para Melhor Filme e Diretor, pensei: Alguém aí vai ganhar. Ok, talvez seja Terrence Malick, mas é quase impossível ignorar o trabalho de iluminação e fotografia de Lubezki. O que seria da história, atores e diretor se não fossem as belas imagens paradisíacas criadas por Emmanuel Lubezki? Tudo bem que eu já vi trabalhos tão bons quanto esse serem roubados como o de Eduardo Serra em Moça com Brinco de Pérola, mas acredito que a Academia não cometerá este mesmo erro… não neste ano!

MELHOR MONTAGEM: Kevin Tent (Os Descendentes)

Nesta categoria, a regra parece dizer que o filme com mais cortes típicos de filmes de ação deve ganhar, vide filmes vencedores como Rocky – Um Lutador, Bullitt e mais recentemente O Ultimato Bourne. O filme mais bem montado nesse sentido seria Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres, mas os mesmos montadores ganharam ano passado pelo ótimo A Rede Social. Ou poderia ir para A Invenção de Hugo Cabret, mas a montadora Thelma Schoonmaker levaria seu 4º Oscar. Então, meu voto vai para a eficiente montagem de Kevin Tent, grande colaborador dos filmes de Alexander Payne, que privilegia o timing cômico de cada cena do filme Os Descendentes.

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Michel Hazanavicius (O Artista)

Apesar da história ser bastante simples, O Artista soube trabalhar algumas minúcias dos efeitos da chegada do som nos astros do cinema mudo como aquele sonho sonoro de Valentine e aquele diálogo entre ele e Peppy Miller em que ela está dando entrevistas no restaurante. Infelizmente não vi o Margin Call, mas meu favorito seria o Woody Allen por Meia-Noite em Paris pelo misto de fantasia e filosofia que há muito não vi num filme. Mas como Woody é um outsider de premiações, não acredito que deva levar… Nessa eu até preferia estar errado. Seria a melhor surpresa da noite!

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: Alexander Payne, Nat Faxon e Jim Rash (Os Descendentes)

Alguns meses atrás, muito se falou que Os Descendentes venceria melhor filme. Mas, como se pode ver, recebeu “apenas” 5 indicações e tem chances remotas de ganhar nessa categoria. Por isso, deve ser compensado em outras. Talvez eu até esteja exagerando um pouco dando montagem, ator e roteiro adaptado, mas são as melhores coisas do filme de Alexander Payne. Eu também indicaria o belo trabalho de Shailene Woodley, pois a química dela com Clooney move o filme pra frente.

MELHOR ATOR COADJUVANTE: Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)

Com a exclusão de Albert Brooks por Drive, o caminho fica praticamente livre para Plummer levar seu primeiro Oscar. O veterano só deve ficar preocupado com outro veterano, que já trabalhou com Ingmar Bergman incontáveis vezes, já foi exorcista e parece que é velho há 50 anos. Sim, o sueco Max von Sydow concorre pelo papel do Inquilino de Tão Forte e Tão Perto. Ele rouba a cena o filme de Stephen Daldry e pode roubar o Oscar de Plummer. Cuidado…

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Octavia Spencer (Histórias Cruzadas)
Se o filme tivesse que sair com um Oscar na noite, este seria o de atriz coadjuvante, pois já abocanhou quase todos os prêmios da categoria na temporada 2012. É claro que a bela Bérènice Bejo seria uma baita (e merecida) surpresa se ganhasse. Ainda mais se seu companheiro de tela, Jean Dujardin, não ganhasse, a Academia tentaria recompensar as performances com um prêmio de “consolação”.

MELHOR ATOR: George Clooney (Os Descendentes)

Talvez esta seja a categoria mais disputada, pois todos têm chances reais de ganhar. Sim, até mesmo o mexicano Demián Bichir, pois no quesito “para que vamos dar um Oscar para um ator já consagrado?”, ele seria o mais bem recompensado e sua carreira deslancharia de vez em Hollywood. Mas será que é isso que eles querem este ano? Premiar outro “underdog” como Adrien Brody? Acredito na figura de George Clooney como ator carismático que aceitou um papel que poderia torná-lo ridículo e, também, pela pessoa solidária que demonstra fora das telas, participando de inúmeras campanhas de caridade. E não, não porque vende mais máquinas da Nespresso…

MELHOR ATRIZ: Viola Davis (Histórias Cruzadas)

Como os americanos dizem: “It’s a tough call” – É uma decisão difícil. Finalmente dar o 3º Oscar a Meryl Streep seria algo tão difícil assim? Sim. Se olharmos para seu retrospecto de indicações ao Oscar, Meryl deu azar mesmo na maioria, pois suas concorrentes acabaram oferecendo performances mais concretas e mais laureadas por isso. Aí, quando foram ver a situação, já era meio tarde para premiá-la de qualquer maneira. Para entregar um 3º Oscar para Meryl, teria que ser um papel de enorme importância em que ela não só demonstre seu talento na dicção e pronúncia, mas na arte de virar um camaleão dentro da personagem. Seria ela Margareth Thatcher? Importância e sotaque britânico: checked! MAS a ex-Primeira Ministra nunca foi uma unanimidade e, por mais que o filme tenta buscar humanidade em sua figura fria, talvez o Oscar vá para Viola Davis… Seu papel em Histórias Cruzadas tem consistência e a cada expressão da atriz temos a impressão de que estamos vendo uma mulher verdadeira.

MELHOR DIRETOR: Martin Scorsese (A Invenção de Hugo Cabret)

Se já premiaram mais de uma vez diretores como John Ford, William Wyler, Billy Wilder, George Stevens e Steven Spielberg por que não Scorsese?  Ele fez obras-primas ao longo de sua carreira e tem um importante papel na restauração de filmes antigos que merece ser mais uma vez reconhecida. É claro que o Oscar pode ir para Michel Hazanavicius, pois ele ganhou o prêmio do sindicato dos diretores, mas ele ainda é jovem e certamente, se fizer as escolhas certas, terá um caminho bastante promissor.

MELHOR FILME: A Invenção de Hugo Cabret

Ok, muitos falaram que O Artista era barbada. Mas tenho que tentar ser coerente aqui. Se O Artista ganha, terminaria com 3 Oscars. E Se o filme de Scorsese ganhar, termina com 4. Além disso, A Invenção de Hugo Cabret é um filme bem mais completo do que o francês em praticamente todos os departamentos. Muito bem produzido e com uma alma que tem a cara de Scorsese e sua paixão pelo Cinema. Merece ser laureado!

Gente, bom Oscar 2012 para todos! Aconselho assistirem à cerimônia, obviamente, pelo TNT, porque, como todos sabem, a Globo prefere passar essa tranqueira de Big Brother. Aliás, só comprou os direitos do Oscar para que o SBT ou qualquer outra emissora não passe. Ditadura na TV é uma m****.

Enquanto isso, assistam a esse engraçado vídeo intitulado: Kids Predict the 2012 Oscars, que prova que não sabemos de nada mesmo…

Indicações ao Oscar 2012!

Jennifer Lawrence e Tom Sherak anunciam os Indicados

As indicações ao Oscar foram anunciadas esta manhã, com um ligeiro atraso. Aqui no Brasil, o anúncio foi transmitido pelo canal Globo News. Mas para quem piscou e perdeu, confira no youtube pelo canal oficial da Academia:

http://www.youtube.com/watch?v=ODy4Z2Lp_jE&feature=g-all-u&context=G22f03c4FAAAAAAAAAAA

Infelizmente, Jennifer Lawrence não contribuiu muito para os americanos acordarem melhor. Sua roupa não favoreceu muito… E o presidente da Academia, Tom Sherak, se enrolou na pronúncia do nome de Michel Hazanavicius.

MELHOR FILME (Best Motion Picture of the Year)

– O Artista (The Artist)

– Os Descendentes (The Descendants)

– Tão Forte e Tão Perto (Extremely Loud & Incredibly Close)

– Histórias Cruzadas (The Help)

– A Invenção de Hugo Cabret (Hugo)

– Meia-Noite em Paris (Midnight in Paris)

– O Homem que Mudou o Jogo (Moneyball)

– A Árvore da Vida (The Tree of Life)

– Cavalo de Guerra (War Horse)

MELHOR DIRETOR (Achievement in Directing)

– Michel Hazanavicius (O Artista)

– Alexander Payne (Os Descendentes)

– Martin Scorsese (A Invenção de Hugo Cabret)

– Woody Allen (Meia-Noite em Paris)

– Terrence Malick (A Árvore da Vida)

MELHOR ATOR (Performance by an Actor in a Leading Role)

– Demián Bichir (A Better Life)

– George Clooney (Os Descendentes)

– Jean Dujardin (O Artista)

– Gary Oldman (O Espião que Sabia Demais)

– Brad Pitt (O Homem que Mudou o Jogo)

MELHOR ATRIZ (Performance by an Actress in a Leading Role)

Glenn Close (Albert Nobbs)

– Viola Davis (Histórias Cruzadas)

– Rooney Mara (Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres)

– Meryl Streep (A Dama de Ferro)

– Michelle Williams (Sete Dias com Marilyn)

MELHOR ATOR COADJUVANTE (Performance by an Actor in a Supporting Role)

Kenneth Branagh (Sete Dias com Marilyn)

– Jonah Hill (O Homem que Mudou o Jogo)

– Nick Nolte (Guerreiro)

– Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)

– Max Von Sydow (Tão Forte e Tão Perto)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE (Performance by an Actress in a Supporting Role)

– Bérénice Bejo (O Artista)

– Jessica Chastain (Histórias Cruzadas)

– Melissa McCarthy (Missão Madrinha de Casamento)

– Janet McTeer (Albert Nobbs)

– Octavia Spencer (Histórias Cruzadas)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL (Screenplay Written Directly for the Screen)

– Michel Hazanavicius (O Artista)

– Kristen Wiig, Annie Mumolo (Missão Madrinha de Casamento)

– J. C. Chandor (Margin Call – O Dia Antes do Fim)

– Woody Allen (Meia-Noite em Paris)

– Asghar Farhadi (A Separação)

ROTEIRO ADAPTADO (Screenplay Based on Material Previously Produced or Published)

– Alexander Payne, Nat Faxon, Jim Rash (Os Descendentes)

– John Logan (A Invenção de Hugo Cabret)

– George Clooney, Grant Heslov, Beau Willimon (Tudo Pelo Poder)

– Steven Zaillian, Aaron Sorkin, Stan Chervin (O Homem que Mudou o Jogo)

– Bridget O’Connor, Peter Straughan (O Espião que Sabia Demais)

MELHOR LONGA DE ANIMAÇÃO (Best Animated Feature Film of the Year)
– Um Gato em Paris, de Alain Gagnol e Jean-Loup Felicioli
– Chico & Rita, de Fernando Trueba, Javier Mariscal
– Kung Fu Panda 2, de Jennifer Yuh
– Gato de Botas, de Chris Miller
– Rango, de Gore Verbinski
MELHOR FILME ESTRANGEIRO (Best Foreign Language Film of the Year)
– Bullhead, de Michael R. Roskan (Bélgica)
– Footnote, de Joseph Cedar (Israel)
– In Darkness, de Agnieszka Holland (Polônia)
– Monsieur Lazhar, de Philippe Falardeau (Canadá)
– A Separação, de Asghar Farhadi (Irã)
MELHOR FOTOGRAFIA (Best Achievement in Cinematography) 
– Guillaume Schiffman (O Artista)
– Jeff Cronenweth (Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres)
– Robert Richardson (A Invenção de Hugo Cabret)
– Emmanuel Lubezki (A Árvore da Vida)
– Janusz Kaminski (Cavalo de Guerra)
MELHOR MONTAGEM (Best Achievement in Editing)
– Anne-Sophie Bion, Michel Hazanavicius (O Artista)
– Kevin Tent (Os Descendentes)
– Angus Wall, Kirk Baxter (Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres)
– Thelma Schoonmaker (A Invenção de Hugo Cabret)
– Christopher Tellefsen (O Homem que Mudou o Jogo)
MELHOR DIREÇÃO DE ARTE (Best Achievement in Art Direction)
– Laurence Bennett, Robert Gould (O Artista)
– Stuart Craig, Stephenie McMillan (Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2)
– Dante Ferretti, Francesca LoSchiavo (A Invenção de Hugo Cabret)
– Anne Seibel, Hélène Dubreuil (Meia-Noite em Paris)
– Rick Carter, Lee Sandales (Cavalo de Guerra)
MELHOR FIGURINO (Best Achievement in Costume Design)
– Lisy Christl (Anonymous)
– Mark Bridges (O Artista)
– Sandy Powell (A Invenção de Hugo Cabret)
– Michael O’Connor (Jane Eyre)
– Arianne Phillips (W.E. – O Romance do Século)
MELHOR MAQUIAGEM (Best Achievement in Makeup)
– Martial Corneville, Lynn Johnson, Matthew W. Mungle (Albert Nobbs)
– Nick Dudman, Amanda Knight, Lisa Tomblin (Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2)
– Mark Coulier, J. Roy Helland (A Dama de Ferro)
MELHOR TRILHA MUSICAL (Best Achievement in Music Written for Motion Pictures, Original Score)
– John Williams (As Aventuras de Tintim)
– Ludovic Bource (O Artista)
– Howard Shore (A Invenção de Hugo Cabret)
– Alberto Iglesias (O Espião que Sabia Demais)
– John Williams (Cavalo de Guerra)
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL (Best Achievement in Music Written for Motion Pictures, Original Song)
– “Man or Muppet”, de Bret McKenzie (Os Muppets)
– “Real in Rio”, de Sergio Mendes, Carlinhos Brown, Siedah Garrett (Rio)
MELHOR SOM (Best Achievement in Sound Mixing)
– David Parker, Michael Semanick, Ren Klyce, Bo Persson (Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres)
– Tom Fleischman, John Midgley (A Invenção de Hugo Cabret)
– Deb Adair, Ron Bochar, David Giammarco, Ed Novick (O Homem que Mudou o Jogo)
– Greg P. Russell, Gary Summers, Jeffrey J. Haboush, Peter J. Devlin (Transformers: O Lado Oculto da Lua)
– Gary Rydstrom, Andy Nelson, Tom Johnson, Stuart Wilson (Cavalo de Guerra)
MELHORES EFEITOS SONOROS (Best Achievement in Sound Editing)
– Lon Bender, Victor Ray Ennis (Drive)
– Ren Klyce (Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres)
– Philip Stockton, Eugene Gearty (A Invenção de Hugo Cabret)
– Ethan Van der Ryn, Erik Aadahl (Transformers: O Lado Oculto da Lua)
– Richard Hymns, Gary Rydstrom (Cavalo de Guerra)
MELHORES EFEITOS VISUAIS (Best Achievement in Visual Effects)
– Tim Burke, David Vickery, Greg Butler, John Richardson (Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2)
– Robert Legato, Joss Williams, Ben Grossmann, Alex Henning (A Invenção de Hugo Cabret)
– Erik Nash, John Rosengrant, Danny Gordon Taylor, Swen Gillberg (Gigantes de Aço)
– Joe Letteri, Dan Lemmon, R. Christopher White, Daniel Barrett (Planeta dos Macacos: A Origem)
– Scott Farrar, Scott Benza, Matthew E. Butler, John Frazier (Transformers: O Lado Oculto da Lua)
MELHOR DOCUMENTÁRIO (Best Documentary, Features)
– Hell and Back Again, de Danfung Dennis, Mike Lerner
– If a Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front, de Marshall Curry, Sam Cullman
– Paradise Lost 3: Purgatory, de Joe Berlinger, Bruce Sinofsky
– Pina, de Wim Wenders, Gian-Piero Ringel
– Undefeated, de Daniel Lindsay, T. J. Martin, Rich Middlemas
MELHOR DOCUMENTÁRIO-CURTA (Best Documentary, Short Subjects)
– The Barber of Birmingham: Foot Soldier of the Civil Rights Movement, de Robin Fryday, Gail Dolgin
– God is the Bigger Elvis, de Rebecca Cammisa, Julie Anderson
– Incident in New Baghdad, de James Spione
– Saving Face, de Daniel Junge, Sharmeen Obaid-Chinoy
– The Tsunami and the Cherry Blossom, de Lucy Walker, Kira Cartensen
MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO (Best Short Film, Animated)
– Dimanche, de Patrick Doyon
– The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore, de William Joyce, Brandon Oldenburg
– La Luna, de Enrico Casarosa
– A Morning Stroll, de Grant Orchard, Sue Goffe
– Wild Life, de Amanda Forbis, Wendy Tilby
MELHOR CURTA-METRAGEM (Best Short Film, Live Action)
– Pentecost, de Peter McDonald
– Raju, de MaxZähle, Stefan Gieren
– The Shore, de Terry George, Oorlagh George
– Time Freak, de Andrew Bowler, Gigi Causey
– Tuba Atlantic, de Hallvar Witzø
Nove para Melhor Filme? No post anterior, comentei a forte possibilidade de indicarem um número incomum como 7 ou 9. Dito e feito. Foram nove filmes que passaram da nova nota de corte do Oscar. O filme de Stephen Daldry, Tão Forte e Tão Perto conseguiu uma vaga e só mais uma outra indicação: ator coadjuvante. Curiosamente, no anúncio dos indicados, o filme foi deixado propositadamente por último, realçando que se tratava do nono filme.
Agora, se a Academia resolvesse arredondar para 10 filmes, provavelmente a comédia Missão Madrinha de Casamento teria entrado na briga.

Tão Forte e Tão Perto: O nono filme

Recordista de Indicações: Como previsto, o filme de Martin Scorsese, A Invenção de Hugo Cabret, levou 11 indicações e foi o recordista, o que aumenta muito suas chances de ganhar Melhor Filme. Logo em seguida, vem O Artista com 10 indicações. Nesse quesito de número de indicações, Os Descendentes sai um pouco atrás porque levou apenas 5.
Atores na Lista e Outros Esquecidos: Nunca é possível agradar a todos nas categorias de atuação. Sempre fica faltando alguém que acaba se juntando ao grupo “Os injustiçados do Oscar”.  Talvez a maior surpresa tenha ficado por conta do veterano Max von Sydow, que foi indicado para ator coadjuvante, batendo nomes como Albert Brooks, Viggo Mortensen e Armie Hammer. Sydow ficou mundialmente conhecido pelo papel de Padre Merrin em O Exorcista e foi parceiro fiel do diretor Ingmar Bergman nas produções suecas. O mexicano Démian Bichir também pode ser considerado uma surpresa na categoria de Melhor Ator, mesmo tendo sido indicado pelo SAG Awards.

Max von Sydow: já era idoso desde 1973 em O Exorcista

A ausência que mais senti foi do ator Michael Fassbender pelo drama Shame. O ator alemão vem conquistando público e crítica desde seu trabalho no filme independente Hunger e mais recentemente em Um Método Perigoso e no blockbuster X-Men: Primeira Classe. Merecia uma indicação, mas talvez o fato de seu filme apresentar cenas de nudez frontal tenha assustado os membros mais reservados da Academia. Uma pena…
Pelo lado feminino, senti a falta da Tilda Swinton pelo drama Precisamos Falar Sobre o Kevin. Sua atuação foi bastante elogiada e vem conquistando alguns prêmios importantes, mas provavelmente pelo fato do filme tratar de um tema forte (Kevin é um jovem que matou colegas na escola), Swinton tenha perdido sua chance mais pelo conservadorismo. Outro erro da Academia…
Dos nomes mais frequentes em premiações, a jovem Shailene Woodley pelo filme Os Descendentes também ficou de fora na disputa de atriz coadjuvante. Melissa McCarthy roubou a cena na comédia Missão Madrinha de Casamento e sua vaga, aparentemente. Mas Shailene é um rosto jovem e novo no mercado e acredito que terá muitas oportunidades. Só espero que ela não desande em refilmagens de terror teenagers.

Shailene Woodley: Que seu talento não seja desperdiçado em tranqueiras

Ryan Gosling foi outro nome que apareceu bastante nas listas, mas não conseguiu chegar à final. Apesar de ter feito 3 trabalhos em 2011: Drive, Tudo Pelo Poder e Amor à Toda Prova, Gosling fica de mãos abanando. Mas se ele apresentar um bom trabalho em 2012, certamente ele voltará ao Oscar no ano que vem.
Pra não dizerem que só reclamo, gostei da indicação de Gary Oldman. O ator britânico já tem uma extensa filmagrafia e com essa nova ascensão, merecia um reconhecimento por parte da Academia. Espero que sua carreira decole ainda mais e papéis mais interessantes cheguem mais à sua mesa.
Dois Robôs nos Efeitos: Não botava fé que o terceiro filme do Transformers fosse conseguir uma vaga na categoria de efeitos visuais. OK, votei no quarto filme do Piratas do Caribe, mas pelo menos os efeitos sempre apresentam algo diferente, tipo criaturas feitas de vegetais ou com tentáculos como barba. E fizeram uma campanha tão forte para que o último filme do Harry Potter vingasse em categorias principais, mas não deu certo. Tiveram que se contentar com direção de arte, efeitos visuais e maquiagem. E deve ganhar pela maquiagem, mais como conjunto da obra dos 8 filmes.
Filmes Estrangeiros Estranhos: Cadê a França, Itália, Japão, Alemanha e Espanha? O representante alemão, Pina, de Wim Wenders foi compensando da eliminação pela indicação na categoria de documentário (sim, veja como a mágica do planejamento do Oscar funciona). Se em edições anteriores, o Oscar de Filme Estrangeiro foi uma surpresa, este ano não deve escapar do favorito: o iraniano A Separação.
Animações Estranhas: Lembram-se dos filmes franceses e espanhóis que faltaram na categoria de Filme Estrangeiro? Mudaram-se para a categoria de Melhor Animação! Um Gato em Paris e Chico & Rita. Conhecem? Prazer! Fiquei com a mesma cara de dúvida no anúncio dos indicados. “Que raio de animações são essas?” Mas não sei se é porque a categoria de animação é nova, mas o Oscar tem mantido uma tradição boa de trazer alguns trabalhos meio desconhecidos para o holofote e revelar novos talentos.

Chico & Rita: Trabalho mais da linha adulta

Um Gato em Paris: produção francesa com traços fortes