‘GOTTI’ é o RECORDISTA com 6 INDICAÇÕES ao FRAMBOESA DE OURO 2019

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John Travolta em Gotti, Crimes em Happytime e Holmes & Watson (montage by The Hollywood Reporter)

JOHN TRAVOLTA ESTÁ DE VOLTA AO FRAMBOESA, QUE O CONSAGROU EM 2001 COM AQUELA PÉROLA CHAMADA ‘A RECONQUISTA’

Para aproveitar a onda do Oscar, o Framboesa de Ouro lançou também seus indicados na mesma semana. Trata-se de uma lista que nenhum profissional quer seu nome incluso, e muito menos ir pessoalmente receber o prêmio no palco. Dá pra contar nos dedos quantos foram receber a honraria. Lembro que o primeiro foi o diretor holandês que adoro Paul Verhoeven, que ganhou por Showgirls. Precisa ter muita coragem e bom humor pra comparecer, pois fere demais o orgulho de cada um.

Embora não transpareça, o Framboesa é um prêmio importante para a indústria americana, simplesmente porque ele puxa a orelha dos artistas que cometeram deslizes. Em se tratando de Arte, não dá pra atacar uma obra só porque é ruim, mas pode questionar as decisões que os profissionais envolvidos tomaram. Não existe uma cartilha do que é certo ou errado, mas é possível identificar elementos que poderiam melhorar.

SOBRE OS ‘PREMIADOS’

Falando em coisas que poderiam ser evitadas, esse remake do Robin Hood – A Origem poderia ter sido descartado. Isso é uma típica idéia de produtor tosco de Hollywood, que visa apenas lucrar usando uma história famosa repaginando com atores atuais. Chamamos isso de subestimação do público, e deve ser punido por um Framboesa mesmo. Se você quer criar um remake hoje, mesmo que vise lucro, tem que ter algo a dizer para o público de hoje. Sei lá, que fizessem uma metáfora sobre a partilha de bonanças dos EUA com imigrantes mexicanos, sabe? E outra: desde o momento em que assisti ao trailer, pensei: “Por que raios querem fazer um novo Robin Hood? Se nem aquele de 2010 dirigido por Ridley Scott e com Cate Blanchett no elenco se salvou!”.

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Taron Egerton e Jamie Foxx  em Robin Hood – A Origem (pic by IMDb)

Não querendo falar mal antes de assistir, mas essa idéia do Crimes em Happytime também não colabora, né? É supostamente uma comédia na qual personagens de boneco fantoche estão sendo assassinados e Melissa McCarthy faz uma detetive que investiga o caso. Tipo, não é um filme para crianças, nem para adultos. E ainda tem cenas de sexo com bonecos que não condizem com o tom do filme, ao contrário do que aconteceu na comédia escrachada Team America: Detonando o Mundo (2004), que contava com o ditador norte-coreano como protagonista.

Sobre os atores listados, fiquei um pouco chateado de ver Marcia Gay Harden como Pior Coadjuvante. Nem sabia que ela tinha participado dessa draga de Cinquenta Tons de Liberdade! E não se trata apenas de ela ser uma vencedora do Oscar (por Pollock em 2001), mas pela pessoa que ela é. Sempre muito educada e querida nas entrevistas. Marcia, será que não está na hora de trocar de agente? Porque obviamente essa sequência horrorosa iria bombar… então de duas uma: ou o agente dela está pouco se lixando com a carreira dela, ou ela está passando por dificuldades financeiras.

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Ao fundo, desfocada, Marcia Gay Harden em Cinquenta Tons de Liberdade (pic by OutNow.CH)

Curiosamente, temos na lista uma indicada ao Oscar 2019: Melissa McCarthy. Ela acertou em cheio na performance dela em Poderia Me Perdoar?, mas essas comédias que ela tem feito pra pagar as contas… Outros atores que acertaram e erraram no mesmo ano foram Amanda Seyfried, que atuou bem em No Coração da Escuridão, mas aparentemente errou feio nesse The Clapper, e John C. Reilly que foi indicado ao Globo de Ouro por Stan & Ollie, mas estaria mal nesse Holmes & Watson.

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Melissa McCarthy em cena de Crimes em Happytime (pic by IMDb)

Pra não dizer que não vi nada, vi Jurassic World: Reino Ameaçado. Que lástima! Foi o pior filme que vi em 2018, tanto que está na minha lista dos piores que postei na retrospectiva. A equipe do filme achou que bastava inserir um monte de dinossauros e os mesmos atores centrais que teriam uma ótima sequência, porém tudo é tão gratuito e sem sentido que é duro de engolir, ainda mais por se tratar de uma franquia badalada desde 1993. O rapaz Justice Smith, indicado aqui como Pior Coadjuvante, merece o prêmio. Tudo bem que o personagem dele é fútil, mas ele também não ajuda em nada para torná-lo menos chato.

FALTARAM MAIS ALGUNS FILMES NESSA LISTA

Hoje em dia tem tanta refilmagem, continuação e derivados, que daria pra fazer uma lista de 20 piores do ano. Eu me pergunto: “Cadê a criatividade desse povo?”. Dos filmes que vi, incluiria Venom, Halloween, Tomb Raider: A Origem e A Freira. Todos são ruins. Eu até tive uma ligeira esperança neste novo Halloween por causa do diretor David Gordon Green e pelo retorno da Jamie Lee Curtis, mas o filme não apresenta NADA de novo, nem mesmo uma perspectiva diferente. Fico feliz por ver Curtis com 60 anos protagonizando um filme e pelo sucesso, mas poderiam ter feito algo imensamente superior e renovador, mas preferiram fazer algo destinado apenas aos fãs. Também incluiria o novo Spielberg, Jogador Nº1, que é todo high-tech, mas que se esqueceu da profundidade de personagens nada carismáticos. E pelo tanto que criticaram, achei uma surpresa o fato de Han Solo: Uma História Star Wars não estar aqui.

INDICADOS AO 39º FRAMBOESA DE OURO (RAZZIE AWARDS):

PIOR FILME

  • Gotti
  • Crimes em Happytime (The Happytime Murders)
  • Holmes & Watson
  • Robin Hood – A Origem (Robin Hood)
  • A Maldição da Casa Winchester (Winchester)

PIOR DIRETOR

  • Etan Cohen (Holmes & Watson)
  • Kevin Connolly (Gotti)
  • James Foley (Cinquenta Tons de Liberdade)
  • Brian Henson (Crimes em Happytime)
  • Os irmãos Spierig (A Maldição da Casa Winchester)

PIOR ATOR

  • Johnny Depp (Gnomeu & Julieta: O Mistério do Jardim) – pela dublagem
  • Will Ferrell (Holmes & Watson)
  • John Travolta (Gotti)
  • Donald Trump (Fahrenheit 11/9) (Death of a Nation)
  • Bruce Willis (Desejo de Matar)

PIOR ATRIZ

  • Jennifer Garner (A Justiceira)
  • Amber Heard (London Fields)
  • Melissa McCarthy (Crimes em Happytime) (Alma da Festa)
  • Helen Mirren (A Maldição da Casa Winchester)
  • Amanda Seyfried (The Clapper)

PIOR ATOR COADJUVANTE

  • Jamie Foxx (Robin Hood – A Origem)
  • Ludacris (Show Dogs)
  • Joel McHale (Crimes em Happytime)
  • John C. Reilly (Holmes & Watson)
  • Justice Smith (Jurassic World: Reino Ameaçado)

PIOR ATRIZ COADJUVANTE

  • Kellyanne Conway (Fahrenheit 11/9)
  • Marcia Gay Harden (Cinquenta Tons de Liberdade)
  • Kelly Preston (Gotti)
  • Jaz Sinclair (Slender Man: Pesadelo Sem Rosto)
  • Melania Trump (Fahrenheit 11/9)

PIOR REMAKE, RIP-OFF OU SEQUÊNCIA

  • Death of a Nation – Remake de ‘Hillary’s America’
  • Desejo de Matar (Death Wish)
  • Holmes & Watson
  • Megatubarão (The Meg) – Rip-off de ‘Tubarão’
  • Robin Hood – A Origem (Robin Hood)

PIOR COMBO

  • Crimes em Happytime – Qualquer dupla de atores ou fantoches (especialmente naquela arrepiante cena de sexo)
  • Death of a Nation, Fahrenheit 11/9 – Donald Trump e sua mesquinhez auto-perpetuante
  • Gnomeu & Julieta: O Mistério do Jardim – Johnny Depp e sua rápida decadência na carreira cinematográfica (Ele está fazendo dublagem para cartoons!)
  • Gotti – Kelly Preston e John Travolta obtendo críticas do calibre de A Reconquista (2000)
  • Holmes & Watson – Will Ferrell e John C. Reilly jogando no lixo dois amados personagens da Literatura

PIOR ROTEIRO

  • Tom Vaughan, Michael Spierig, Peter Spierig (A Maldição da Casa Winchester)
  • Niall Leonard (Cinquenta Tons de Liberdade)
  • Todd Berger, Dee Austin Robertson (Crimes em Happytime)
  • Dinesh D’Souza, Bruce Schooley (Death of a Nation)
  • Leo Rossi, Lem Dobbs (Gotti)

***

A singela cerimônia do 39º Framboesa de Ouro acontece sempre um dia antes do Oscar, no caso, dia 23 de fevereiro.

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SEM SURPRESAS, SAG PREMIA ‘TRÊS ANÚNCIOS PARA UM CRIME’ com 3 prêmios

24th Screen Actors Guild Awards – Show – Los Angeles

Elenco de Três Anúncios Para um Crime vence prêmio de Ensemble Cast no SAG Awards (pic by Malay Mail Online)

PRÊMIO DO SINDICATO DE ATORES REPETE OS MESMOS VENCEDORES

Depois do Globo de Ouro e Critics’ Choice Awards, foi a vez do SAG repetir os atores vencedores das quatro categorias: Gary Oldman, Frances McDormand, Sam Rockwell e Allison Janney. Essa trinca de vitórias importantes consecutivas praticamente garante a estatueta do Oscar para os mesmos, mas existe um pequeno detalhe a considerar: este ano, as indicações ao Oscar serão anunciadas depois do SAG (devido às Olimpíadas de Inverno na Coréia do Sul).

Amanhã, dia 23, se o anúncio dos indicados ao Oscar revelar candidatos-surpresa como uma Kate Winslet (por Roda Gigante) ou uma Daniela Vega (atriz trans do filme chileno Uma Mulher Fantástica) por exemplo, teria Frances McDormand seu reinado garantido? E como todos sabem, a Academia sempre busca lançar alguma surpresa nessas categorias, justamente para impactar alto na temporada e conquistar maiores números de audiência.

HOSTESS PARA…?

Seguindo a tendência de protesto feminista das premiações deste ano, o SAG procurou se expressar de alguma forma, então resolveu escalar a atriz Kristen Bell como a primeira hostess da cerimônia (em 23 anos, nunca houve hosts) e convidou apenas mulheres para apresentar os prêmios da noite.

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Primeira hostess do SAG Awards, a atriz Kristen Bell: não fede, nem cheira (pic by Zimbio)

Entendo que se o SAG não fizesse absolutamente nada a respeito dos escândalos sexuais, cairia mal para os organizadores do evento e do próprio sindicato, afinal, boa parte das vítimas foram atrizes, mas achei desnecessária a presença breve de Kristen Bell, que deu apenas uma cutucadinha na Primeira Dama, Melania Trump, ao criticar o cyberbullying (do presidente Trump) e soltou umas declarações já bem batidas sobre o movimento feminista. E convenhamos que ela não tem cacife pra representar as mulheres…

Querem ser relevantes de forma eficiente sem perder a classe? Convoquem todas as atrizes que sofreram assédio ou abuso para abrir a cerimônia e dizer palavras de conforto para outras vítimas e instruções de como se portar em caso de assédio. Já que foram expostas pela mídia, poderiam dar suporte às outras colegas de trabalho de forma mais aberta, ao mesmo tempo em que mostra para o mundo que Hollywood está trabalhando para mudar o sistema.

DOS VENCEDORES

Se A Forma da Água tem fortes chances em categorias técnicas como Direção, Fotografia e Direção de Arte, o filme Três Anúncios Para um Crime tem as melhores chances nas categorias de roteiro original e de atuação. Assim, Sam Rockwell venceu o prêmio de Ator Coadjuvante pelo papel do policial que busca a redenção, e Frances McDormand venceu como Atriz pela personagem Mildred Hayes, que quer acabar com a impunidade depois do assassinato de sua filha.

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Frances McDormand e Peter Dinklage têm uma estranha relação em Três Anúncios Para um Crime (pic by imdb.com)

Aliás, Frances entrou para a história do SAG já que se tornou a primeira a ganhar duas vezes o prêmio de Melhor Atriz. Ele venceu há mais de 20 anos com Fargo em 1997. Além disso, Três Anúncios Para um Crime ficou com o cobiçado prêmio de Ensemble Cast (Elenco). Nos últimos 5 anos, três filmes que venceram o prêmio acabaram conquistando o Oscar de Melhor Filme: Spotlight, Birdman e Argo.

Além do fator surpresa não ter marcado presença no SAG Awards, fiquei com expectativa de que Laurie Metcalf (Lady Bird) ou Willem Dafoe (Projeto Flórida) pudessem ganhar e dar aquela embaralhada nos favoritismos de Janney e Rockwell, respectivamente. Seria algo mais “saudável” em termos de competição… mas de qualquer forma, os atores que venceram também mereceram as honrarias.

Com as derrotas de Metcalf, Saoirse Ronan e do elenco, Lady Bird foi o filme mais perdedor desta edição, saindo de mãos vazias. Havia uma possibilidade de Ronan ou Sally Hawkins (A Forma da Água) baterem McDormand se os votantes levassem em consideração que a última venceu o SAG de Atriz em Minissérie há apenas três anos com Olive Kitteridge, mas esse fato não contou muito.

 

Pelos prêmios televisivos, a maior surpresa foi Claire Foy (The Crown) derrotando a franco-favorita Elisabeth Moss (The Handmaid’s Tale). Talvez a saída da atriz da série seja uma forma de reconhecê-la pela última vez. E o momento mais solene foi a vitória de Julia Louis-Dreyfus como Atriz em Série de Comédia por Veep. Ela não estava presente na cerimônia, pois está se tratando do câncer de mama, revelado em setembro de 2017.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

VENCEDORES DO 24º SCREEN ACTORS GUILD AWARDS:

Outstanding Performance by a Male Actor in a Leading Role:
Gary Oldman (O Destino de uma Nação)

Outstanding Performance by a Female Actor in a Leading Role:
Frances McDormand (Três Anúncios Para um Crime)

Outstanding Performance by a Male Actor in a Supporting Role:
Sam Rockwell (Três Anúncios Para um Crime)

Outstanding Performance by a Female Actor in a Supporting Role:
Allison Janney (Eu, Tonya)

Outstanding Performance by a Cast in a Motion Picture:
Três Anúncios Para um Crime

Outstanding Performance by a Male Actor in a Television Movie or Miniseries:
Alexander Skarsgard (Big Little Lies)

Outstanding Performance by a Female Actor in a Television Movie or Miniseries:
Nicole Kidman (Big Little Lies)

Outstanding Performance by a Male Actor in a Drama Series:
Sterling K. Brown (This Is Us)

Outstanding Performance by a Female Actor in a Drama Series:
Claire Foy (The Crown)

Outstanding Performance by a Male Actor in a Comedy Series:
William H. Macy (Shameless)

Outstanding Performance by a Female Actor in a Comedy Series:
Julia Louis-Dreyfus (Veep)

Outstanding Performance by an Ensemble in a Drama Series:
This Is Us

Outstanding Performance by an Ensemble in a Comedy Series:
Veep

Outstanding Action Performance by a Stunt Ensemble in a Comedy or Drama Series:
Game of Thrones

Outstanding Action Performance by a Stunt Ensemble in a Motion Picture:
Mulher-Maravilha