‘Trumbo’ lidera com 3 indicações ao SAG Awards 2016

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Helen Mirren e Bryan Cranston, ambos indicados ao SAG, em cena de Trumbo (photo by cine.gr)

MEIO ESQUECIDO ATÉ ENTÃO, DRAMA SOBRE ROTEIRISTA DE LISTA NEGRA DE HOLLYWOOD SURPREENDE NO SAG

* Antes de começar o post, vou fazer uma ressalva. O calendário das premiações bateram cabeça este ano: o Globo de Ouro anunciou seus indicados UM DIA depois do SAG. Pela ordem de importância, a repercussão do SAG durou menos de um dia! E outra: Nem deu tempo de digerir o SAG! Escrever dois posts dessa magnitude em dois dias consecutivos é sacanear com este blogueiro! Enfim… vamos ao que interessa. Primeiro o SAG Awards.

Depois de Perdido em Marte ter levado o Hollywood Film Awards, depois de Mad Max: Estrada da Fúria levar o National Board of Review, depois de Carol ter vencido o New York Film Critics Circle e depois de Spotlight bater a concorrência no Los Angeles Film Critics Association, chegou a vez de… Trumbo.

Anna Faris e Anthony Mackie anunciaram as indicações ao 22º SAG Awards

Apesar da cara de telefilme, Trumbo se beneficiou da regra número 1 do SAG Awards: as performances dos atores acima de tudo. Além de contar com os queridos do sindicato de atores, Helen Mirren e Bryan Cranston, o elenco ainda conta com nomes de peso como Diane Lane, John Goodman, Louis C.K., Elle Fanning e Michael Stuhlbarg, fato que rendeu a indicação de Melhor Elenco. No Oscar, o filme pode (e deve) conquistar as indicações para Cranston e Mirren, assim como Roteiro Adaptado e até Filme, não necessariamente por sua qualidade fílmica, mas pela grandeza de seu tema do roteirista da lista negra de Hollywood. A Academia adora destacar filmes metalinguísticos e que valorizem sua história, mesmo que negra.

Já entre as produções vencedoras dos demais prêmios citados acima, Carol e Spotlight conseguiram duas indicações cada no SAG. Enquanto o primeiro reconheceu o trabalho de Cate Blanchett e Rooney Mara como atriz e atriz coadjuvante respectivamente, o segundo proporcionou Melhor Elenco e atriz coadjuvante para Rachel McAdams. Curiosamente, Spotlight é um drama composto por um elenco quase todo masculino, interpretando jornalistas e pessoas ligadas à Igreja, mas foi McAdams apenas que conseguiu indicação solo. As expectativas eram altas para Michael Keaton e Mark Ruffalo como coadjuvantes, mas ficaram de fora, muito provavelmente por competirem entre si.

Entre as surpresas, destaque para a indicação do pequeno Jacob Tremblay (O Quarto de Jack) e Christian Bale (A Grande Aposta) na categoria de coadjuvante. Eles bateram Keaton e Ruffalo por Spotlight, assim como Benicio Del Toro (Sicario: Terra de Ninguém) e Sylvester Stallone (Creed: Nascido Para Lutar).

JACOB TREMBLAY ROOM

Ao lado de Brie Larson, o pequeno Jacob Tremblay em cena de O Quarto de Jack (photo by outnow.ch)

Embora a categoria de Melhor Elenco não represente garantia de muita coisa no Oscar, uma vez que já indicou os elencos de O Mordomo da Casa Branca, O Exótico Hotel Marigold, Missão Madrinha de Casamento, Nine, Hairspray: Em Busca da Fama, Os Indomáveis, Bobby e O Agente da Estação, não deixa de ser curiosa a indicação única de Straight Outta Compton: A História do N.W.A. Formado por um elenco quase todo de desconhecidos, o filme bateu fortes concorrentes como Os 8 Odiados e Steve Jobs.

Straight Outta Compton

Elenco de Straight Outta Compton: A História do N.W.A., com Ice Cube (segundo no alto), além de Paul Giamatti (photo by cine.gr)

Contudo, a grande surpresa mesmo ficou na categoria de Melhor Atriz. Num ano super concorrido, é curiosa a presença de Sarah Silverman por I Smile Back. Conhecida por seu talento cômico nas apresentações do Saturday Night Live e solos, ela consegue um grande feito por sua atuação dramática. Aliás, isso muito me lembra a trajetória de Jennifer Aniston por Cake: Uma Razão Para Viver, que fez campanha, foi indicada ao SAG e Globo de Ouro, mas ficou de fora do Oscar. Nesse filme, Silverman faz uma esposa dedicada à família, mas que tem problemas com drogas, depressão e casos extraconjugais

i smile back

Sarah Silverman em cena de I Smile Back (photo by outnow.ch)

Entre outras curiosidades estão as duas indicações para Helen Mirren (Atriz por A Dama Dourada e Coadjuvante por Trumbo); a primeira participação da Netflix nas categorias de cinema com Beasts of No Nation, confirmando crescimento estratosférico do sistema de streaming no cinema; e para os fãs de Leonardo DiCaprio, eis que ressurge no SAG! Se Leo estiver na lista do Globo de Ouro, sua presença no Oscar é garantida. 6ª indicação e 1ª vitória? Por falta de torcida na internet não vai ser…

Num ano atípico, não há favoritos dominando boa parte dos prêmios até o momento. Cada filme tem seu ponto forte que deve ser reconhecido ao longo da temporada e no Oscar. Exemplificando:

  • Mad Max: Estrada da Fúria
    Direção, Fotografia, Montagem, Direção de Arte, Figurino, Maquiagem e tudo que envolve som e efeitos visuais
  • Carol
    Direção, Atrizes, Roteiro Original, Fotografia, Direção de Arte e Figurino
  • Spotlight
    Atores, Roteiro Original e Montagem
  •  Trumbo
    Atores, Roteiro Adaptado e Figurino
  • A Garota Dinamarquesa
    Direção, Atores, Roteiro Adaptado, Direção de Arte, Figurino e Trilha Musical
  • As Sufragistas
    Atrizes, Roteiro Original e Figurino
  • Perdido em Marte
    Direção, Atores, Roteiro Adaptado e Montagem
  • Steve Jobs
    Direção, Atores, Roteiro Adaptado e Montagem
  • Ponte dos Espiões
    Direção, Atores, Roteiro Original, Fotografia, Montagem, Trilha Musical, Direção de Arte e Figurino
  • Joy: O Nome do Sucesso
    Direção, Atores e Roteiro Original
  • Os 8 Odiados
    Atores, Roteiro Original, Fotografia, Montagem, Direção de Arte, Figurino e Trilha Musical

Nas categorias de televisão, a Netflix liderou com House of Cards, estrelada por Kevin Spacey e Robin Wright.

Seguem os indicados ao 22º SAG Awards:

CINEMA

Outstanding Performance by a Male Actor in a Leading Role
BRYAN CRANSTON / Dalton Trumbo – TRUMBO
JOHNNY DEPP / James “Whitey” Bulger – ALIANÇA DO CRIME
LEONARDO DiCAPRIO / Hugh Glass – O REGRESSO
MICHAEL FASSBENDER / Steve Jobs – STEVE JOBS
EDDIE REDMAYNE / Einar Wegener/Lili Elbe – A GAROTA DINAMARQUESA

Outstanding Performance by a Female Actor in a Leading Role
CATE BLANCHETT / Carol Aird – CAROL
BRIE LARSON / Ma – O QUARTO DE JACK
HELEN MIRREN / Maria Altmann – A DAMA DOURADA
SAOIRSE RONAN/ Eilis – BROOKLYN
SARAH SILVERMAN / Laney Brooks – I SMILE BACK

Outstanding Performance by a Male Actor in a Supporting Role
CHRISTIAN BALE / Michael Burry – A GRANDE APOSTA
IDRIS ELBA / Commandant – BEASTS OF NO NATION
MARK RYLANCE / Abel Rudolph – PONTE DOS ESPIÕES
MICHAEL SHANNON / Rick Carver – 99 HOMES
JACOB TREMBLAY / Jack – O QUARTO DE JACK

Outstanding Performance by a Female Actor in a Supporting Role
ROONEY MARA / Therese Belivet – CAROL
RACHEL McADAMS / Sacha Pfeiffer – SPOTLIGHT
HELEN MIRREN / Hedda Hopper – TRUMBO
ALICIA VIKANDER / Gerda Wegener – A GAROTA DINAMARQUESA
KATE WINSLET / Joanna Hoffman – STEVE JOBS

Outstanding Performance by a Cast in a Motion Picture
BEASTS OF NO NATION (Netflix)
ABRAHAM ATTAH
KURT EGYIAWAN
IDRIS ELBA

A GRANDE APOSTA (Paramount Pictures)
CHRISTIAN BALE
STEVE CARELL
RYAN GOSLING
MELISSA LEO
HAMISH LINKLATER
JOHN MAGARO
BRAD PITT
RAFE SPALL
JEREMY STRONG
MARISA TOMEI
FINN WITTROCK

SPOTLIGHT (Open Road Films)
BILLY CRUDUP
BRIAN D’ARCY JAMES
MICHAEL KEATON
RACHEL McADAMS
MARK RUFFALO
LIEV SCHREIBER
JOHN SLATTERY
STANLEY TUCCI

STRAIGHT OUTTA COMPTON (Universal Pictures)
NEIL BROWN JR.
PAUL GIAMATTI
COREY HAWKINS
ALDIS HODGE
O’SHEA JACKSON JR.
JASON MITCHELL

TRUMBO (Bleecker Street)
ADEWALE AKINNUOYE-AGBAJE
LOUIS C.K.
BRYAN CRANSTON
DAVID JAMES ELLIOTT
ELLE FANNING
JOHN GOODMAN
DIANE LANE
HELEN MIRREN
MICHAEL STUHLBARG
ALAN TUDYK

TELEVISÃO

Outstanding Performance by a Male Actor in a Television Movie or Miniseries
IDRIS ELBA / DCI John Luther – LUTHER
BEN KINGSLEY / Grand Vizier Ay – TUT
RAY LIOTTA / Lorca/Tom Mitchell – TEXAS RISING
BILL MURRAY / Himself – A VERY MURRAY CHRISTMAS
MARK RYLANCE / Thomas Cromwell – WOLF HALL

Outstanding Performance by a Female Actor in a Television Movie or Miniseries
NICOLE KIDMAN / Grace – GRACE OF MONACO
QUEEN LATIFAH / Bessie Smith – BESSIE
CHRISTINA RICCI / Lizzie Borden – THE LIZZIE BORDEN CHRONICLES
SUSAN SARANDON / Gladys Mortenson – THE SECRET LIFE OF MARILYN MONROE
KRISTEN WIIG / Delores DeWinter – THE SPOILS BEFORE DYING

Outstanding Performance by a Male Actor in a Drama Series
PETER DINKLAGE / Tyrion Lannister – GAME OF THRONES
JON HAMM / Don Draper – MAD MEN
RAMI MALEK / Elliot – MR. ROBOT
BOB ODENKIRK / Jimmy McGill – BETTER CALL SAUL
KEVIN SPACEY / Francis Underwood – HOUSE OF CARDS

Outstanding Performance by a Female Actor in a Drama Series
CLAIRE DANES / Carrie Mathison – HOMELAND
VIOLA DAVIS / Annalise Keating – HOW TO GET AWAY WITH MURDER
JULIANNA MARGULIES / Alicia Florrick – THE GOOD WIFE
MAGGIE SMITH / Violet Crawley, Dowager Countess of Grantham – DOWNTON ABBEY
ROBIN WRIGHT / Claire Underwood – HOUSE OF CARDS

Outstanding Performance by a Male Actor in a Comedy Series
TY BURRELL / Phil Dunphy – MODERN FAMILY
LOUIS C.K. / Louie – LOUIE
WILLIAM H. MACY / Frank – SHAMELESS
JIM PARSONS / Sheldon Cooper – THE BIG BANG THEORY
JEFFREY TAMBOR / Maura Pfefferman – TRANSPARENT

Outstanding Performance by a Female Actor in a Comedy Series
UZO ADUBA / Suzanne “Crazy Eyes” Warren – ORANGE IS THE NEW BLACK
EDIE FALCO / Jackie Peyton – NURSE JACKIE
ELLIE KEMPER / Kimmy Schmidt – UNBREAKABLE KIMMY SCHMIDT
JULIA LOUIS-DREYFUS / President Selina Meyer – VEEP
AMY POEHLER / Leslie Knope – PARKS AND RECREATION

Outstanding Performance by an Ensemble in a Drama Series
DOWNTON ABBEY (Masterpiece/PBS)
HUGH BONNEVILLE
LAURA CARMICHAEL
JIM CARTER
RAQUEL CASSIDY
BRENDAN COYLE
TOM CULLEN
MICHELLE DOCKERY
KEVIN DOYLE
JOANNE FROGGATT
LILY JAMES
ROBERT JAMES-COLLIER
ALLEN LEECH
PHYLLIS LOGAN
ELIZABETH McGOVERN
SOPHIE McSHERA
LESLEY NICOL
JULIAN OVENDEN
DAVID ROBB
MAGGIE SMITH
PENELOPE WILTON

GAME OF THRONES (HBO)
ALFIE ALLEN
IAN BEATTIE
JOHN BRADLEY
GWENDOLINE CHRISTIE
EMILIA CLARKE
MICHAEL CONDRON
NIKOLAJ COSTER-WALDAU
BEN CROMPTON
LIAM CUNNINGHAM
STEPHEN DILLANE
PETER DINKLAGE
NATHALIE EMMANUEL
TARA FITZGERALD
JEROME FLYNN
BRIAN FORTUNE
JOEL FRY
AIDAN GILLEN
IAIN GLEN
KIT HARINGTON
LENA HEADEY
MICHIEL HUISMAN
HANNAH MURRAY
BRENOCK O’CONNOR
DANIEL PORTMAN
IWAN RHEON
OWEN TEALE
SOPHIE TURNER
CARICE VAN HOUTEN
MAISIE WILLIAMS
TOM WLASCHIHA

HOMELAND (Showtime)
F. MURRAY ABRAHAM
ATHEER ADEL
CLAIRE DANES
ALEXANDER FEHLING
RUPERT FRIEND
NINA HOSS
RENÉ DAVID IFRAH
MARK IVANIR
SEBASTIAN KOCH
MIRANDA OTTO
MANDY PATINKIN
SARAH SOKOLOVIC

HOUSE OF CARDS (Netflix)
MAHERSHALA ALI
DEREK CECIL
NATHAN DARROW
MICHAEL KELLY
ELIZABETH MARVEL
MOLLY PARKER
JIMMI SIMPSON
KEVIN SPACEY
ROBIN WRIGHT

MAD MEN (AMC)
SOLA BAMIS
STEPHANIE DRAKE
JAY R. FERGUSON
BRUCE GREENWOOD
JON HAMM
CHRISTINA HENDRICKS
JANUARY JONES
VINCENT KARTHEISER
ELISABETH MOSS
KEVIN RAHM
KIERNAN SHIPKA
JOHN SLATTERY
RICH SOMMER
AARON STATON
MASON VALE COTTON

Outstanding Performance by an Ensemble in a Comedy Series
THE BIG BANG THEORY (CBS)
MAYIM BIALIK
KALEY CUOCO
JOHNNY GALECKI
SIMON HELBERG
KUNAL NAYYAR
JIM PARSONS
MELISSA RAUCH

KEY & PEELE (Comedy Central)
KEEGAN-MICHAEL KEY
JORDAN PEELE

MODERN FAMILY (ABC)
JULIE BOWEN
TY BURRELL
AUBREY ANDERSON EMMONS
JESSE TYLER FERGUSON
NOLAN GOULD
SARAH HYLAND
ED O’NEILL
RICO RODRIGUEZ
ERIC STONESTREET
SOFIA VERGARA
ARIEL WINTER

ORANGE IS THE NEW BLACK (Netflix)
UZO ADUBA
MIKE BIRBIGLIA
MARSHA STEPHANIE BLAKE
DANIELLE BROOKS
LAVERNE COX
JACKIE CRUZ
CATHERINE CURTIN
LEA DELARIA
BETH FOWLER
JOEL MARSH GARLAND
KIMIKO GLENN
ANNIE GOLDEN
DIANE GUERRERO
MICHAEL J. HARNEY
VICKY JEUDY
SELENIS LEYVA
TARYN MANNING
ADRIENNE C. MOORE
KATE MULGREW
EMMA MYLES
MATT PETERS
LORI PETTY
JESSICA PIMENTEL
DASCHA POLANCO
LAURA PREPON
ELIZABETH RODRIGUEZ
RUBY ROSE
NICK SANDOW
ABIGAIL SAVAGE
TAYLOR SCHILLING
CONSTANCE SHULMAN
DALE SOULES
YAEL STONE
SAMIRA WILEY

TRANSPARENT (Amazon)
ALEXANDRA BILLINGS
CARRIE BROWNSTEIN
JAY DUPLASS
KATHRYN HAHN
GABY HOFFMANN
CHERRY JONES
AMY LANDECKER
JUDITH LIGHT
HARI NEF
EMILY ROBINSON
JEFFREY TAMBOR

VEEP (HBO)
DIEDRICH BADER
SUFE BRADSHAW
ANNA CHLUMSKY
GARY COLE
KEVIN DUNN
TONY HALE
HUGH LAURIE
JULIA LOUIS-DREYFUS
PHIL REEVES
SAM RICHARDSON
REID SCOTT
TIMOTHY SIMONS
SARAH SUTHERLAND
MATT WALSH

SAG AWARDS® HONORS FOR STUNT ENSEMBLES

Outstanding Action Performance by a Stunt Ensemble in a Motion Picture
EVERESTE (Universal Pictures)
VELOZES & FURIOSOS 7 (Universal Pictures)
JURASSIC WORLD: O MUNDO DOS DINOSSAUROS (Universal Pictures)
MAD MAX: ESTRADA DA FÚRIA (Warner Bros. Pictures)
MISSÃO: IMPOSSÍVEL – NAÇÃO SECRETA (Paramount Pictures)

Outstanding Action Performance by a Stunt Ensemble in a Comedy or Drama Series
THE BLACKLIST (NBC)
GAME OF THRONES (HBO)
HOMELAND (Showtime)
MARVEL’S DAREDEVIL (Netflix)
THE WALKING DEAD (AMC)

52nd Annual SAG Life Achievement Award
CAROL BURNETT

O 22º SAG Awards será transmitido ao vivo pelo canal TNT no dia 30 de janeiro.

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‘Mad Max: Estrada da Fúria’ conquista 3 prêmios no LAFCA Awards 2015, mas ‘Spotlight’ leva Melhor Filme

Elenco de Spotlight (photo by Open Road)

Elenco de Spotlight da esquerda para a direita: Rachel McAdams, Mark Ruffalo, Brian D’Arcy James, Michael Keaton e John Slattery (photo by Open Road)

FILME FUTURISTA VINHA COLETANDO PRÊMIOS, MAS MORREU NA PRAIA

Foi bom enquanto durou. A possibilidade de Mad Max: Estrada da Fúria conquistar Melhor Filme com os críticos de Los Angeles estava prestes a se tornar realidade. Após conquistar o prestigiado National Board of Review na semana passada, um novo reconhecimento selaria a aprovação necessária para que o filme pudesse ser levado à sério nas cerimônias de premiação, mas bateu na trave. Contudo, o filme de George Miller ainda ficou com o segundo lugar e pode sonhar com mais do que categorias técnicas…

Impecavelmente perfeito nos quesitos em que saiu vitorioso: Direção, Fotografia e Direção de Arte, o filme só não se consagrou por causa de seu calcanhar de Aquiles: o roteiro, justamente o que fez com que Spotlight arrancasse o prêmio de Melhor Filme de suas mãos. O drama de Tom McCarthy prima por sua pesquisa jornalística sobre os fatos dos abusos dos padres católicos, tanto que levou o prêmio de Melhor Roteiro, o que praticamente o garante na categoria de Roteiro Original no Oscar.

Cena de Mad Max: Estrada da Fúria (photo by cine.gr)

Cena de Mad Max: Estrada da Fúria com Charlize Theron e Tom Hardy (photo by cine.gr)

Também com dois prêmios, Anomalisa, de Charlie Kaufman e Duke Johnson, bateu o favoritismo da animação da Pixar, Divertida Mente (acredito eu pela qualidade do roteiro também), e lança luz no trabalho do compositor Carter Burwell, conhecido pela trilha de Fargo, e que nunca recebeu uma única indicação ao Oscar. Aqui ele ganhou pela trilha da animação e também pelo drama Carol, de Todd Haynes. Mas vale lembrar que Burwell teve um ano excepcional: além desses dois trabalhos, compôs para Sr. Holmes e Legend.

Imbatível, o filme húngaro, O Filho de Saul, conquistou mais um prêmio e deve ser o Oscar mais batido dos últimos anos. Honestamente, esperava um pouco mais de audácia por parte dos críticos de Los Angeles, já que o filme de László Nemes não oferece perspectiva tão inovadora num tema tão batido como o Holocausto. Seria mais justo se o segundo lugar, o ucraniano A Gangue, levasse o prêmio pela coragem de fazer um filme bem violento usando apenas linguagem de sinais.

Cena do filme ucraniano de Miroslav Slaboshpitsky, A Gangue (photo by outnow,ch)

Cena do filme ucraniano de Miroslav Slaboshpitsky, A Gangue (photo by outnow.ch)

Pelas categorias de atuação, de acordo com seu histórico, era esperada a vitória de um ator ou atriz estrangeiros, consolidada pela premiação da britânica Charlotte Rampling no drama 45 Anos. Ela interpreta uma esposa que fica de escanteio quando o marido descobre o corpo perdido da ex-mulher em pleno aniversário de 45 anos de casamento. Por sua performance, ela levou o Urso de Prata de Melhor Atriz no último Festival de Berlim, e seu companheiro de tela, Tom Courtenay, levou Melhor Ator na ocasião. As chances de Rampling no Oscar são mínimas, mas elas existem. Em segundo lugar, Saoirse Ronan (Brooklyn) cresce um pouco na competição, enquanto Brie Larson (O Quarto de Jack), Carey Mulligan (As Sufragistas) e Cate Blanchett (Carol) despencam.

Tom Courtenay em cena com Charlotte Rampling em 45 Anos, de Andrew Haigh (photo by outnow.ch)

Tom Courtenay em cena com Charlotte Rampling em 45 Anos, de Andrew Haigh (photo by outnow.ch)

Na ala masculina, Michael Fassbender confirma seu crescimento entre os críticos com seu retrato do criador da Apple em Steve Jobs. Apesar do filme de Danny Boyle não ter ido bem nas bilheterias nos EUA, a atuação de Fassbender tem saído ilesa, muito pelas classificações de “performance de possessão”, como aquelas em que o ator se torna outra pessoa, como Daniel Day-Lewis é craque em fazer. Além disso, Fassbender superou a desconfiança de que seu sotaque alemão pudesse arruinar o personagem americano, e a Academia, por mais que o tenha indicado a Coadjuvante por 12 Anos de Escravidão, sabe que está em dívida com ele por Fome (2008) e Shame (2011).

Michael Fassbender como o criador da Apple em Steve Jobs (photo by outnow.ch)

Michael Fassbender como o criador da Apple em Steve Jobs (photo by outnow.ch)

Nas categorias de coadjuvante, duas produções independentes que podem ter sido ajudadas pelo LAFCA para a temporada: 99 Homes e Ex-Machina: Instinto Artificial. Gosto do trabalho de Michael Shannon, mas aqui ele interpreta um corretor ambicioso que quer passar por cima de tudo e de todos. No entanto, independente de sua performance, só acho que ele deve tomar cuidado pra não ser rotulado por suas escolhas de papéis. Todo filme que vejo dele, o ator faz um papel de psicótico, psicopata ou maluco, vide: Foi Apenas um Sonho, Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto, O Abrigo e até no blockbuster O Homem de Aço, onde vive o vilão megalomaníaco General Zod.

À direita, Michael Shannon em cena de 99 Homes (photo by elfilm.com)

À direita, Michael Shannon em cena de 99 Homes (photo by elfilm.com)

Por outro lado, a bela atriz sueca Alicia Vikander está buscando variedade de papéis. Após se destacar como a jovem rainha em O Amante da Rainha, fez a adaptação de Tolstói, Anna Karenina, e mais recentemente os blockbusters O Sétimo Filho e O Agente da U.N.C.L.E. Este ano, ela concorre por A Garota Dinamarquesa (pelo qual já ganhou o Hollywood Film Award) e por este Ex-Machina: Instinto Artificial, no qual interpreta uma ciborgue chamada Ava, que fica confinada no subsolo de uma mansão para ser testada. Vikander explora os limites do real e do virtual de acordo com a proposta do filme, e acaba salvando o filme de Alex Garland. No Oscar, pela campanha, ela deve concorrer por A Garota Dinamarquesa.

Alicia Vikander como Ava em Ex-Machina: Instinto Artificial (photo by cinemagia,ro)

Alicia Vikander como Ava em Ex-Machina: Instinto Artificial (photo by cinemagia.ro)

Com as vitórias de Spotlight, Mad Max, Carol e Anomalisa aqui, juntando com outros fortes concorrentes como Perdido em Marte, A Garota Dinamarquesa, Ponte dos Espiões, Steve JobsBrooklyn e Os 8 Odiados, já dá pra se ter uma idéia dos possíveis concorrentes ao Globo de Ouro 2016, cujos indicados serão revelados no próximo dia 10 de dezembro. E ainda acredito que George Miller leve o Globo de Ouro de Direção.

Recebendo prêmio especial, a montadora britânica Anne V. Coates, vencedora do Oscar pelo clássico de David Lean, Lawrence da Arábia (1962), e conceituada pelos trabalhos de edição em O Homem Elefante (1980), Na Linha do Fogo (1993) e Irresistível Paixão (1998), será homenageada aos 89 anos. Será apenas a segunda montadora a receber tal honraria na história do prêmio depois da falecida Dede Allen. Ela ficou mundialmente conhecida pelos cortes precisos nesta cena de Lawrence da Arábia, em que vemos a ação do personagem soprando o fósforo para chegar ao belo deserto.

VENCEDORES DO LAFCA AWARDS 2015:

MELHOR FILME: Spotlight
2º Lugar: Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road)

MELHOR DIRETOR: George Miller (Mad Max: Estrada da Fúria)
2º Lugar: Todd Haynes (Carol)

MELHOR ATOR: Michael Fassbender (Steve Jobs)
2º Lugar: Géza Röhrig (O Filho de Saul)

MELHOR ATRIZ: Charlotte Rampling (45 Anos)
2º Lugar: Saoirse Ronan (Brooklyn)

MELHOR ATOR COADJUVANTE: Michael Shannon (99 Homes)
2º Lugar: Mark Rylance (Ponte dos Espiões)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Alicia Vikander (Ex-Machina: Instinto Artificial)
2º Lugar: Kristen Stewart (Acima das Nuvens)

MELHOR ROTEIRO: Tom McCarthy e Josh Singer (Spotlight)
2º Lugar: Charlie Kaufman (Anomalisa)

MELHOR FOTOGRAFIA: John Seale (Mad Max: Estrada da Fúria)
2º Lugar: Edward Lachman (Carol)

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA: O Filho de Saul, de László Nemes (Hungria)
2º Lugar: A Gangue, de Miroslav Slaboshpitsky (Ucrânia)

MELHOR TRILHA MUSICAL: Carter Burwell (Anomalisa) (Carol)
2º Lugar: Ennio Morricone (Os 8 Odiados)

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE: Colin Gibson (Mad Max: Estrada da Fúria)
2º Lugar: Judy Becker (Carol)

MELHOR MONTAGEM: Hank Corwin (A Grande Aposta)
2º Lugar: Margaret Sixel (Mad Max: Estrada da Fúria)

MELHOR ANIMAÇÃO: Anomalisa, de Charlie Kaufman e Duke Johnson
2º Lugar: Divertida Mente, de Pete Docter

PRÊMIO NEW GENERATION: Ryan Coogler (Creed: Nascido Para Lutar)

MELHOR DOCUMENTÁRIO: Amy, de Asif Kapadia
2º Lugar: The Look of Silence, de Joshua Oppenheimer

PRÊMIO PELO CONJUNTO DA OBRA: Anne V. Coates

Amy, de Asif Kapadia, levou o prêmio de Melhor Documentário (photo by outnow.ch)

Amy, de Asif Kapadia, levou o prêmio de Melhor Documentário (photo by outnow.ch)

‘Mad Max: Estrada da Fúria’ é eleito o Melhor Filme pelo National Board of Review 2015

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Tom Hardy e Charlize Theron em cena de Mad Max: Estrada da Fúria, de George Miller (photo by cine.gr)

SUCESSO DE CRÍTICA E PÚBLICO SE CONSAGRA NO NBR

É uma surpresa, e ao mesmo tempo, não é. Surpresa porque é um blockbuster sendo eleito o melhor filme do ano. Quando foi a última vez que isso aconteceu? Em 1997 com Titanic? Mas não seria surpresa se levarmos em conta a qualidade excepcional do trabalho de George Miller.

Exceto talvez pelo roteiro mais simples, Mad Max: Estrada da Fúria apresenta uma visão extraordinária fílmica que há muito não se via, ainda mais depois de décadas de um cinema politicamente correto (pra não dizer chato) e mega econômico. Apesar de já ter realizado outros três filmes da série Mad Max, aos 70 anos, Miller consegue oferecer um futuro apocalíptico riquíssimo de conceitos, que vão desde os desastres naturais como a escassez da água, até as bizarrices de reprodução humana em cativeiro.

Com as idéias fluindo e tudo funcionando em perfeita sincronia: fotografia, direção de arte, trilha musical, som e efeitos sonoros, as sequências são de encher os olhos do espectador. Como se não bastasse, ainda temos uma performance corajosa de Charlize Theron como Furiosa, a lacaia que rebela contra seu mestre.

Acredito que o filme recebeu esse reconhecimento incomensurável por quebrar essa barreira do cinema comercial. Mad Max nos prova que é muito possível lançar um trabalho de sucesso comercial com qualidade autoral repleta de criatividade e coragem. É como se fosse uma forma de protesto/incentivo por parte da National Board of Review a todos os produtores e estúdios, para que eles repensem o cinema como Arte. Como digo sempre: o Cinema é uma Arte que precisa de inovações e criatividade para sobreviver. Precisa de artistas e profissionais como George Miller, que buscam contar uma história sem medo ou amarras de produtores mesquinhos mais interessados em números.

Enfim, foi um desabafo. Mas aplaudo o NBR, que coloca mais uma importante marca na sua História, já que premiou Cidadão Kane, de Orson Welles, As Vinhas da Ira, de John Ford, Crepúsculo dos Deuses, de Billy Wilder, e Um Lugar ao Sol, de George Stevens.

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Matt Damon como o botânico Mark Watney em Perdido em Marte, de Ridley Scott (photo by cine.gr)

De volta à edição deste ano, Perdido em Marte ficou com três prêmios: Melhor Diretor, Ator e Roteiro Adaptado. Assim que saí da sessão desse filme, pensei: “Que bacana que Ridley Scott está de volta!”. Após uma série de trabalhos inferiores, ele finalmente está se recuperando com uma ficção científica otimista (quem diria: o diretor de Alien!). A presidente da NBR, Annie Schulhof comentou: “2015 tem sido um ano de cinema mais popular. Estamos animados de premiar George Miller e Ridley Scott, dois cineastas icônicos em seus auges, enquanto celebramos também a próxima geração de talentos.” – Só quero abrir um pequeno parêntese: Mesmo assim, estou com medo desse boato de Blade Runner 2… Não mexe com o que já está perfeito!

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Brie Larson e Jacob Tremblay em cena de O Quarto de Jack, de Lenny Abrahamson

Em relação às atrizes, Brie Larson e Jennifer Jason Leigh, ok! Elas estão no bolo de prováveis indicadas ao Oscar. Mas Matt Damon e Sylvester Stallone são surpresas pra mim. Gosto do Damon, e ele realmente está bem no papel do astronauta abandonado de Perdido em Marte, mas acho que ele demonstra mais carisma do que atua de fato. Lembra-me um pouco o caso de Tom Hanks em Capitão Phillips: apesar de ter interpretado um personagem, continua sendo Tom Hanks. E também estou levando em consideração a forte concorrência com nomes como Eddie Redmayne (A Garota Dinamarquesa), Michael Fassbender (Steve Jobs) e Ian McKellen (Sr. Holmes). Quanto ao mito Stallone, ele deve ter apresentado uma faceta inédita do personagem Rocky que interpretou seis vezes. Confesso que meu interesse por Creed: Nascido Para Lutar era quase zero, mas depois dessa menção no NBR, estou bem curioso.

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Sylvester Stallone como Rocky Balboa e Michael B. Jordan como o filho de Apollo em Creed: Nascido Para Lutar (photo by cine.gr)

Entre os candidatos ao Oscar, o filme em língua estrangeira O Filho de Saul, a animação Divertida Mente e o documentário Amy venceram e dão mais um importante passo rumo ao prêmio da Academia, assim como Quentin Tarantino na categoria de Roteiro Original por seu novo western, Os 8 Odiados.

Já entre os mais prejudicados por não terem recebido nenhuma menção estão o drama Carol, As Sufragistas, Steve Jobs, A Garota Dinamarquesa, O Regresso e, por mais que estejam no Top 5, Spotlight e Ponte dos Espiões. Claro que ainda temos o NYFCC e o LAFCA dentro de poucos dias, mas ganhar aqui seria um belo início de temporada.

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Alan Alda em cena com Tom Hanks e Amy Ryan em Ponte dos Espiões (photo by cine.gr)

E a corrida pelo Oscar de Filme em Língua Estrangeira ficou mais interessante para o Brasil com Que Horas Ela Volta? no Top 5 da categoria. A ‘dramédia’ de Anna Muylaert estrelada por Regina Casé começa a temporada de premiações com o pé direito após conquistar reconhecimento em Berlim e Sundance no primeiro semestre. Claro que será bastante difícil bater o franco favorito húngaro O Filho de Saul, mas se conquistar uma das cinco vagas no Oscar, já será um feito tremendo para o cinema nacional.

Que Horas Ela Volta?

À esquerda, Camila Márdila contracena com Regina Casé. Elas interpretam filha e mãe, respectivamente, em Que Horas Ela Volta? (photo by outnow.ch)

Seguem todos os vencedores do NBR 2015:

MELHOR FILME:  Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road)
MELHOR DIRETOR:  Ridley Scott (Perdido em Marte)
MELHOR ATOR:  Matt Damon (Perdido em Marte)
MELHOR ATRIZ: Brie Larson (O Quarto de Jack)
MELHOR ATOR COADJUVANTE:  Sylvester Stallone (Creed: Nascido Para Lutar)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE:  Jennifer Jason Leigh (Os 8 Odiados)
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL:  Quentin Tarantino (Os 8 Odiados)
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO:  Drew Goddard (Perdido em Marte)
MELHOR LONGA DE ANIMAÇÃO:  Divertida Mente (Inside Out)
MELHOR REVELAÇÃO:  Abraham Attah (Beasts of No Nation) & Jacob Tremblay (O Quarto de Jack)
MELHOR DIRETOR ESTREANTE:  Jonas Carpignano (Mediterranea)
MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA:  O Filho de Saul (Saul Fia)
MELHOR DOCUMENTÁRIO:  Amy (Amy)
MELHOR ELENCO:  A Grande Aposta (The Big Short)
Spotlight Award:  Sicario: Terra de Ninugém (Sicario) – pela incrível visão colaborativa
PRÊMIO NBR Freedom of Expression: Beasts of No Nation & Mustang
PRÊMIO William K. Everson Film History:  Cecilia DeMille Presley – Neta do lendário Cecil B. DeMille, pela preservação de filmes

Top Filmes
Ponte dos Espiões (Bridge of Spies)
Creed: Nascido Para Lutar (Creed)
Os 8 Odiados (The Hateful Eight)
Divertida Mente (Inside Out)
Spotlight
Perdido em Marte (The Martian)
O Quarto de Jack (Room)
Sicario: Terra de Ninguém (Sicario)
Straight Outta Compton: A História do N.W.A. (Straight Outta Compton)

Top 5 Filmes em Língua Estrangeira
Goodnight Mommy (Ich seh, Ich seh)
Mediterranea
Phoenix
Que Horas Ela Volta? (The Second Mother)
A Gangue (Plemya)

Top 5 Documentários
Best of Enemies
The Black Panthers: Vanguard of the Revolution
The Diplomat
Listen to Me Marlon
The Look of Silence

Top 10 Filmes Independentes
’71
45 Anos (45 Years)
Cop Car
Ex-Machina: Instinto Artificial (Ex Machina)
Grandma
Corrente do Mal (It Follows)
James White
Mississippi Grind
Welcome to Me
Enquanto Somos Jovens (While We’re Young)

A cerimônia de entrega dos prêmios será no dia 05 de janeiro em Nova York.

a gangue

Cena do filme ucraniano A Gangue, totalmente em língua de sinais (photo by outnow.ch)

PRIMEIRO PREVIEW OSCAR 2016

QUEM ESTARÁ NO TAPETE VERMELHO EM 2016?

Sim, estamos no mês de agosto, ainda a 6 meses da cerimônia do Oscar 2016, mas já está rolando um burburinho de algumas produções que liberaram seus press releases e trailers. Muitos dos candidatos presentes nesse post foram baseados no histórico dos nomes envolvidos (sejam atores, diretores e equipe técnica) e indicações anteriores, uma vez que a Academia tem o costume de favorecer os artistas que já foram nomeados, mas nunca levaram a estatueta como é o caso do ator Johnny Depp. Muito querido pelo público, ele já teve três oportunidades de ganhar, mas nunca levou, assim como Leonardo DiCaprio, que pode ter sua sexta indicação com o trabalho do diretor Alejandro González Iñárritú.

No geral, muitos trabalhos candidatos beberam da fonte das histórias verídicas, uma vez que a Academia tem um perfil que valoriza temas e tramas calcadas na realidade. Só para citar alguns exemplos mais recentes, temos 12 Anos de Escravidão, Argo e O Discurso do Rei. As cinebiografias também estão em alta, pois sempre proporcionam papéis de maior profundidade e com capacidade para se destacar na temporada de premiações, como é o caso de Tom Hiddleston que interpreta o cantor e compositor Hanks Williams em I Saw the Light, ou Eddie Redmayne, que encorpora Lili Elbe, uma das primeiras pessoas a passar por cirurgia de troca de sexo em The Danish Girl.

CRÍTICOS FAZEM AS PRIMEIRAS TRIAGENS

Quando estamos nesse período do ano, o burburinho (o chamado Oscar buzz) corre solto e há listas e mais listas de vários tipos possíveis de indicados, que muitas vezes refletem o desejo dos próprios autores dessas mesmas listas. Portanto, a coisa só começa a ficar séria mesma quando os críticos americanos passam a eleger seus melhores do ano.

O primeiro a revelar sua lista é o National Board of Review (NBR). Apesar de não ter coincidido seus vencedores com o do Oscar, a organização fundada em 1909 busca ser fiel aos seus princípios e acaba elegendo grandes filmes como A Hora Mais Escura, A Invenção de Hugo Cabret e A Rede Social.

Já o New York Film Critics Circle (NYFCC) e o Los Angeles Film Critics Association (LAFCA) costumam ter maior porcentagem de acerto, mas ultimamente tem sido mais pelas categorias de atuação. Esses críticos abrem caminho para que os grandes prêmios como o Critics’ Choice Awards e o Globo de Ouro possam avaliar melhor o que houve de melhor em cinema no ano. Para eles, não importa muito o histórico da equipe ou do elenco, mas a produção em si, gerando uma votação livre de hábitos e círculos viciosos.

PREVISÃO PARA 2016

Ao contrário dos previews anteriores, resolvi simplificar e gerar as possíveis indicações por filme, e não por categoria. Claro que devem existir mais alguns filmes com chance, mas seria praticamente impossível relacionar todos aqui. Algumas vezes, os favoritos ao Oscar surgem na reta final e acabam surpreendendo como aconteceu com quando O Discurso do Rei tomou a dianteira de A Rede Social pouco antes do Oscar.

Então, sem mais delongas, vamos aos possíveis indicados ao Oscar 2016 (em ordem aleatória):

OS OITO ODIADOS (The Hateful Eight)
Dir: Quentin Tarantino

Os Oito Odiados: (photo by blogbusters.ch)

Os Oito Odiados: Kurt Russell, Jennifer Jason Leigh e Bruce Dern na primeira foto. Samuel L. Jackson na segunda e Michael Madsen na terceira. (photo by blogbusters.ch)

Sinopse: Numa Wyoming pós-Guerra Civil, caçadores de recompensa buscam abrigo durante nevasca, mas acabam se envolvendo numa trama de traição e decepção. Eles sobreviverão?

Deve receber indicação: Roteiro Original (Quentin Tarantino), Fotografia (Robert Richardson), Trilha Musical Original (Ennio Morricone)

Dúvida: Filme, Diretor (Quentin Tarantino), Ator Coadjuvante (Bruce Dern), Ator Coadjuvante (Samuel L. Jackson), Montagem (Fred Raskin), Figurino (Courtney Hoffman) e Maquiagem

Quentin Tarantino vive sua segunda ascensão junto à Academia. Depois de estourar com Pulp Fiction – Tempo de Violência em 1994, vencendo o Oscar de Roteiro Original, passou por um ostracismo com os dois volumes de Kill Bill (2003 e 2004) e À Prova de Morte (2007), que não receberam nenhuma indicação, e voltou ao topo com Bastardos Inglórios (2009) e Django Livre (2012), ganhando seu segundo Oscar pelo roteiro do último. Assim, existem altas expectativas para que este oitavo longa de sua autoria esteja na lista de indicações da Academia. Logo de cara, seu roteiro já figura como quase uma indicação unânime. O diretor de fotografia Robert Richardson, que já levou 3 Oscars, aparece logo atrás, assim como Ennio Morricone, mundialmente famoso por suas trilhas de western spaghetti que fez em parceria com o diretor Sergio Leone. O compositor italiano foi indicado 5 vezes, mas só ganhou o Oscar Honorário em 2007, e a Academia gosta de premiar os artistas mesmo após a honraria, como foi o caso do ator Paul Newman.

Sem Christoph Waltz, que levou dois Oscars de coadjuvante pelos últimos trabalhos de Tarantino, o diretor conta com a experiência do veterano Bruce Dern, que passou por um momento revival graças ao filme Nebraska, de Alexander Payne, que lhe rendeu sua segunda indicação ao Oscar em 2014. Se seu papel como General Sandy Smithers for consistente, pode se tornar material de Oscar. No elenco, alguns nomes também podem virar ouro como Demian Bichir (indicado ao Oscar de Melhor Ator em 2012 por Uma Vida Melhor), e os colaboradores assíduos Samuel L. Jackson e Tim Roth, e até a meio sumida Jennifer Jason Leigh.

O REGRESSO (The Revenant)
Dir: Alejandro González Iñárritú

Leonardo DiCaprio em cena de O Regresso (photo by outnow.ch)

Leonardo DiCaprio em cena de O Regresso (photo by outnow.ch)

Sinopse: Em 1820, o fronteiriço Hugh Glass (Leonardo DiCaprio) busca vingança contra aqueles que deixaram-no para morrer num ataque de ursos.

Deve receber indicação: Filme, Diretor (Alejandro G. Iñárritú), Ator (Leonardo DiCaprio), Fotografia (Emmanuel Lubezki), Montagem (Stephen Mirrione), Direção de Arte (Jack Fisk), Som e Efeitos Sonoros.

Dúvida: Ator Coadjuvante (Tom Hardy), Roteiro Adaptado (Alejandro G. Iñárritú e Mark L. Smith), Figurino (Jacqueline West)

Depois de ter conquistado o Oscar com Birdman este ano, o diretor mexicano Alejandro González Iñárritú tem cartucho pra gastar. Ele retorna com a mesma equipe técnica vencedora com uma saga de vingança e de época, que praticamente garante a presença do filme nas categorias de fotografia e direção de arte. No ano passado, rolaram alguns memes sobre a impossibilidade de DiCaprio ganhar o Oscar que considero meio exageradas. Primeiramente, o ator teve apenas 4 indicações, número relativamente baixo se comparado a Peter O’Toole, que saiu derrotado em 8 ocasiões, e Richard Burton em 7. E em segundo lugar, DiCaprio evoluiu bastante desde o começo de sua parceria com o diretor Martin Scorsese. Particularmente, acho as performances dele exageradas. Se ele souber ser mais contido, terá mais chances de agradar e cansar menos o público com suas expressões de nervosismo e gritos esporádicos. Esse seu estilo casou bem com o papel de Jordan Belfort em O Lobo de Wall Street, e por isso considero sua melhor atuação, mas nem sempre servirá para outros tipos de papéis.

Apesar de incluir o filme nas principais categorias, ainda tenho minhas dúvidas. Pelo trailer, pareceu ser mais um filme de ação do que um épico que agrade a todos. Caso o filme não tenha uma pegada mais social, dificilmente será abraçado pela Academia, restando apenas as categorias mais técnicas. Com o pano de fundo com índios, pode ser comparado a Dança com Lobos, mas o filme de Kevin Costner, que conquistou 7 estatuetas em 1991, tinha como foco o comportamento social entre povos indígenas e o homem branco, não meramente a ação.

ALIANÇA DO CRIME (Black Mass)
Dir: Scott Cooper

Benedict Cumberbatch atua com um Johnny Depp quase irreconhecível em Aliança do Crime (photo by outnow.ch)

Benedict Cumberbatch atua com um Johnny Depp quase irreconhecível em Aliança do Crime (photo by outnow.ch)

Sinopse: Cinebiografia de Whitey Bulger, um dos criminosos mais procurados de South Boston, que acabou se tornando informante do FBI.

Deve receber indicação: Melhor Ator (Johnny Depp), Maquiagem

Dúvida: Filme, Diretor (Scott Cooper), Ator Coadjuvante (Benedict Cumberbatch), Ator Coadjuvante (Joel Edgerton), Montagem (David Rosenbloom)

Essa transformação de Johnny Depp vem sendo comentada pela mídia especializada há um bom tempo, no mesmo nível de repercussão de Meryl Streep como Margareth Thatcher (A Dama de Ferro), Kate Winslet como Hannah Schmidt (O Leitor) e Jamie Foxx como Ray Charles (Ray), o que certamente colabora na campanha do ator para sua primeira estatueta depois de três indicações anteriores (Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra, Em Busca da Terra do Nunca e Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet).

Apesar do diretor meio desconhecido (Scott Cooper dirigiu apenas Coração Louco, que rendeu o Oscar para Jeff Bridges, e Tudo por Justiça), Aliança do Crime é impulsionado pela força de seu elenco, formado por Benedict Cumberbatch, Kevin Bacon, Joel Edgerton, Juno Temple e Peter Sarsgaard.

CAROL
Dir: Todd Haynes

Cate Blanchett em Carol, de Todd Haynes. (photo by Weinstein Co. through variety.com)

Cate Blanchett em Carol, de Todd Haynes. (photo by Weinstein Co. through variety.com)

Sinopse: A jovem Therese conhece a elegante Carol, recém-divorciada. As duas percebem que têm muito em comum, e logo um romance se desenvolve entre elas. Para fugir aos olhares dos moradores locais, elas decidem fazer uma viagem pelos EUA, mas percebem que um detetive está seguindo os seus passos.

Deve receber indicação: Diretor (Todd Haynes), Atriz (Cate Blanchett), Atriz Coadjuvante (Rooney Mara), Figurino (Sandy Powell)

Dúvida: Filme, Roteiro Adaptado (Phyllis Nagy)

O filme se tornou um estouro no último Festival de Cannes e a imprensa estrangeira logo colocou Blanchett como favorita ao prêmio de interpretação feminina. Contudo, o júri presidido pelos irmãos Coen não foi na onda, e o prêmio foi parar nas mãos de Rooney Mara (mais cotada como coadjuvante pelo mesmo filme). Ela dividiu o prêmio com Emmanuelle Bercot (Mon Roi).

Com a distribuidora Weinstein Company por trás da campanha, o filme deve conseguir sem grandes dificuldades as indicações para as atrizes, mas devido ao tom lésbico, ainda é cedo pra garantir lugar entre os acadêmicos do Oscar.

THE DANISH GIRL
Dir: Tom Hooper

Eddie Redmayne caracterizado como a Danish Girl (photo by cine.gr)

Eddie Redmayne caracterizado como a Danish Girl (photo by cine.gr)

Sinopse: Nos anos 20 na Dinamarca, a artista Gerda Wegener pintou seu marido, Einar Wegener, como uma mulher. Depois que a pintura ganhou popularidade, ele começou a mudar sua aparência para feminina e adotar o nome Lili Elbe. Com o apoio da esposa, ele se tornou o primeiro homem a passar por cirurgia de troca de sexo.

Deve receber indicação: Ator (Eddie Redmayne), Atriz Coadjuvante (Alicia Vikander), Trilha Musical Original (Alexandre Desplat), Direção de Arte (Eve Stewart), Figurino (Paco Delgado)

Dúvida: Filme, Diretor (Tom Hooper), Roteiro Adaptado (Lucinda Coxon)

Eddie Redmayne acaba de ganhar o Oscar de Melhor Ator por sua impecável reprodução de Stephen Hawking em A Teoria de Tudo, e agora volta como outra figura importante utilizando mais um processo de transformação. Alguns mais exaltados já estão apostando no segundo Oscar consecutivo, o que o colocaria no mesmo patamar de Spencer Tracy e Tom Hanks, os únicos a ganhar Oscar de Ator consecutivamente.

Claro que ajuda o fato de contar com um diretor vencedor do Oscar, Tom Hooper, que venceu por O Discurso do Rei. O diretor foi responsável por 5 indicações de atores até o momento, e duas vitórias: Colin Firth (O Discurso do Rei) e Anne Hathaway (Os Miseráveis).

JOY: O NOME DO SUCESSO (Joy)
Dir: David O. Russell

Cena com Jennifer Lawrence em Joy (photo by cine.gr)

Cena com Jennifer Lawrence em Joy (photo by cine.gr)

Sinopse: O filme acompanha a trajetória de sucesso da criadora da Ingenious Designs, Joy Mangano, além da história de sua família por quatro gerações até se tornar a fundadora e matriarca de uma poderosa dinastia de família de negócios.

Deve receber indicação: Filme, Diretor (David O. Russell), Atriz (Jennifer Lawrence), Ator Coadjuvante (Bradley Cooper), Ator Coadjuvante (Robert De Niro), Roteiro Original (David O. Russell e Annie Mumolo)

Dúvida: Figurino (Michael Wilkinson)

Ok, vamos contabilizar. Em 2011, O Vencedor recebeu 7 indicações ao Oscar e levou dois de Coadjuvante para Christian Bale e Melissa Leo. Em 2013, O Lado Bom da Vida recebeu 8 indicações e levou Melhor Atriz para Jennifer Lawrence. Em 2014, Trapaça acumulou 10 indicações, mas não levou nada. Todos os últimos filmes de David O. Russel foram indicados a Melhor Filme e Melhor Diretor, portanto não dá pra esperar menos deste Joy: O Nome do Sucesso, que conta com muitos dos mesmos atores e da mesma equipe técnica.

Vendo o trailer, não dá pra esperar muita coisa do filme, mas Russell está em alta com a Academia, e mesmo que as vitórias ainda não venham, certamente as indicações já estão encaminhadas.

PONTE DOS ESPIÕES (Bridge of Spies)
Dir: Steven Spielberg

Em primeiro plano, Tom Hanks vive o advogado James Donovan em Ponte de Espiões (photo by outnow.ch)

Em primeiro plano, Tom Hanks vive o advogado James Donovan em Ponte dos Espiões (photo by outnow.ch)

Sinopse: Um advogado é recrutado pela CIA durante a Guerra Fria para resgatar um piloto detido na União Soviética.

Deve receber indicação: Filme, Diretor (Steven Spielberg), Ator (Tom Hanks), Roteiro Original (Matt Charman, Joel Coen e Ethan Coen), Fotografia (Janusz Kaminski), Montagem (Michael Khan). Trilha Musical Original (Thomas Newman), Direção de Arte (Adam Stockhausen), Efeitos Sonoros

Dúvida: Ator Coadjuvante (Alan Alda), Atriz Coadjuvante (Amy Ryan) e Figurino (Kasia Walicka-Maimone)

Steven Spielberg e Tom Hanks já trabalharam juntos em O Resgate do Soldado Ryan (1998), Prenda-me Se For Capaz (2002) e O Terminal (2005). Em 1999, Spielberg levou seu segundo Oscar e Hanks uma indicação pelo filme de guerra, portanto as chances são boas de sucesso na Academia com este Ponte dos Espiões.

Trata-se da primeira vez que Spielberg dirige um roteiro escrito pelos irmãos Coen, o que deve facilitar as coisas na campanha. Além disso, se Spielberg está entre os indicados, toda sua trupe técnica deve comparecer e preencher as vagas de indicações como aconteceu em seus últimos filmes: Cavalo de Guerra (2011) e Lincoln (2012).

SNOWDEN
Dir: Oliver Stone

Joseph Gordon-Levitt como Edward Snowden, em Snowden (photo by outnow.ch)

Joseph Gordon-Levitt como Edward Snowden, em Snowden (photo by outnow.ch)

Sinopse: Agente da CIA, Edward Snowden, vaza uma série de informações confidenciais para a imprensa, causando sua deserção na Rússia até os dias de hoje.

Deve receber indicação: Ator (Joseph Gordon-Levitt) e Roteiro Adaptado (Kieran Fitzgerald)

Dúvida: Diretor (Oliver Stone), Atriz Coadjuvante (Shailene Woodley) e Fotografia (Anthony Dod Mantle)

Pró: Novo filme de Oliver Stone. Contra: Quando foi a última vez que um filme de Oliver Stone repercutiu tanto? JFK – A Pergunta que Não Quer Calar (1991)? Assassinos por Natureza (1994)? Claro que Stone sempre terá prestígio junto à Academia por suas vitórias com Platoon (1986) e Nascido em Quatro de Julho (1989), mas nas últimas décadas, tem caído no esquecimento, principalmente depois do fiasco de Alexandre (2004).

Mas com este Snowden, um tema bastante polêmico que o diretor sabe tirar de letra, Oliver Stone pode finalmente ter seu retorno triunfal. Se a Academia gostar do filme, certamente estará na lista de diretores, caso contrário, a indicação pode ficar apenas com o ator Joseph Gordon-Levitt, que seria sua primeira. Vale lembrar que Gordon-Levitt tem outro trabalho em destaque neste ano por A Travessia (veja mais abaixo), o que sempre ajuda na hora de descolar a primeira indicação ao Oscar.

  • A estréia de Snowden foi adiada para Maio de 2016, portanto, fora do próximo Oscar.

TRUMBO
Dir: Jay Roach

Bryan Cranston caracterizado como o roteirista Dalton Trumbo (photo by elfilm.com)

Bryan Cranston caracterizado como o roteirista Dalton Trumbo (photo by elfilm.com)

Sinopse: A carreira bem-sucedida do roteirista em Hollywood é comprometida quando ele é inserido na lista negra do senador Joseph McCarthy nos anos 40 por suspeita de ser comunista.

Deve receber indicação: Ator (Bryan Cranston), Atriz Coadjuvante (Helen Mirren)

Dúvida: Filme, Roteiro Adaptado (John McNamara)

Por se tratar de uma receita básica que funciona no Oscar, Trumbo está aqui na lista: 1º filme biográfico. 2º sobre roteirista de Hollywood, que foi inclusive vencedor do Oscar usando pseudônimos 3º porque foi perseguido por estar na lista negra do McCarthismo 4º e contando com a ajuda de um ator em extrema ascensão depois da série de TV Breaking Bad. “Só” por esses motivos o filme tem lugar cativo nas previsões.

O único, porém maior problema, é o nome fraco na direção. Não que Jay Roach, responsável pelas trilogias de comédia Austin Powers e Entrando Numa Fria não tenha seu talento, mas à princípio não era o nome mais apropriado para assumir este projeto mais sério. Só pra exemplificar, se Ron Howard, Bennett Miller ou mesmo George Clooney estivesse por trás da câmera, Trumbo já figuraria como franco-favorito ao Oscar 2016.

FREEHELD
Dir: Peter Sollett

Ellen Page e Julianne Moore em cena de Freeheld

Ellen Page e Julianne Moore em cena de Freeheld

Sinopse: A policial Laurel Hester (Julianne Moore) e sua companheira Stacie (Ellen Page) lutam na justiça para conseguir os benefícios de pensão para Hester quando ela é diagnosticada com câncer terminal.

Deve receber indicação: Atriz (Julianne Moore), Atriz Coadjuvante (Ellen Page)

Dúvida: Ator Coadjuvante (Michael Shannon)

Baseado em um documentário-curta vencedor do Oscar em 2008, Freeheld tem a fórmula para se destacar na temporada de premiações: drama, doença terminal, opção sexual e ótimo elenco. Mas estaria a Academia aberta a um filme de temática lésbica? A última produção que apresentava lesbianismo, Minhas Mães e Meu Pai, foi até indicada a Melhor Filme em 2011, mas não levou nada. Indicar é relativamente fácil, mas ganhar é outros quinhentos…

Toda vez que lembro desse conservadorismo teimoso, vem à mente a derrota de O Segredo de Brokeback Mountain diante do maniqueísta e bidimensional Crash – No Limite em 2006. De qualquer forma, a expectativa é de que pelo menos as atrizes sejam reconhecidas por suas performances. Não ajuda o fato do diretor ser praticamente desconhecido, mas Julianne Moore acaba de ganhar seu primeiro Oscar e pode, com este papel, ganhar seu segundo consecutivo e ainda puxar a segunda indicação da jovem Ellen Page como coadjuvante.

STEVE JOBS
Dir: Danny Boyle

Michael Fassbender como Steve Jobs (photo by cine.gr)

Michael Fassbender como Steve Jobs (photo by cine.gr)

Sinopse: A vida e o legado de Steve Jobs, baseado na biografia de Walter Isaacson.

Deve receber indicação: Ator (Michael Fassbender), Atriz Coadjuvante (Kate Winslet), Roteiro Adaptado (Aaron Sorkin)

Dúvida: Filme, Diretor (Danny Boyle), Ator Coadjuvante (Jeff Daniels)

Quando o filme biográfico Jobs saiu em 2013, havia uma especulação de que Ashton Kutcher poderia ser indicado ao Oscar. Mas esse burburinho só rendeu durante o período em que a foto dele foi divulgada já como Steve Jobs, pois havia uma semelhança bem considerável entre ambos, mas logo acabou quando a crítica viu o filme e sua interpretação. Dois anos depois, um novo filme sobre o criador da Apple surge no horizonte, mas com uma equipe técnica infinitamente superior: Danny Boyle na direção, Scott Rudin na produção, Aaron Sorkin (A Rede Social) no roteiro e Guy Hendrix Dyas (A Origem) na direção de arte. Com esses nomes, o filme Steve Jobs automaticamente se tornou um forte candidato ao Oscar.

Particularmente, por mais que Michael Fassbender seja um dos melhores atores dessa geração, ainda tenho minhas ressalvas se ele foi a melhor opção pra dar vida ao inventor, já que é alemão e não se parece quase nada com a figura pública (talvez um trabalho de maquiagem bem feito teria ajudado…), mas torço para que ele possa surpreender positivamente. Claro que a presença da vencedora do Oscar, Kate Winslet, no elenco ajuda e muito na campanha do filme na temporada de premiações.

SR. HOLMES (Mr. Holmes)
Dir: Bill Condon

Ian McKellen como Sherlock Holmes em Mr. Holmes (photo by outnow.ch)

Ian McKellen como Sherlock Holmes em Mr. Holmes (photo by outnow.ch)

Sinopse: O já aposentado Sherlock Holmes destrincha seu passado quando tenta desvendar um mistério não solucionado envolvendo uma bonita mulher.

Deve receber indicação: Ator (Ian McKellen), Atriz Coadjuvante (Laura Linney)

Dúvida: Roteiro Adaptado (Jeffrey Hatcher), Direção de Arte (Martin Childs), Trilha Musical Original (Carter Burwell)

Logo que foi anunciado o filme de Sherlock Holmes com Ian McKellen, já previa uma indicação para o ator britânico. McKellen foi roubado na cara dura em 1999, quando perdeu para o pastelão do Roberto Benigni (A Vida é Bela), por sua atuação magnânima em Deuses e Monstros. Depois disso, tornou-se muito popular ao assumir papéis icônicos da cultura pop: o mutante Magneto nos filmes dos X-Men e o mago Gandalf nas trilogias de O Hobbit e O Senhor dos Anéis, por qual recebeu sua segunda indicação ao Oscar em 2002, mas perdeu pra um inspirado Jim Broadbent em Iris.

Claro que, se o filme for bom e sua performance estiver à altura de seu talento, trata-se de uma excelente oportunidade de premiar com um Oscar um dos melhores atores vivos. Sr. Holmes se torna ainda mais especial por reprisar a parceria do ator com o diretor Bill Condon, com quem trabalhou em Deuses e Monstros. No elenco, Laura Linney tem tudo pra receber sua 4ª indicação.

AS SUFRAGISTAS (Suffragette)
Dir: Sarah Gavron

Carey Mulligan (centro) em cena de protesto de Suffragette (photo by cine.gr)

Carey Mulligan (centro) e Helena Bonham Carter (à direita) em cena de protesto de As Sufragistas (photo by cine.gr)

Sinopse: O filme retrata um dos primeiros movimentos feministas contra o Estado machista e opressor. As integrantes do movimento viram seus protestos pacíficos resultarem em nada para então partir para a violência, o que ameaçava suas vidas, seus empregos e suas famílias.

Deve receber indicação: Atriz (Carey Mulligan), Atriz Coadjuvante (Meryl Streep), Atriz Coadjuvante (Helena Bonham Carter)

Dúvida: Filme, Roteiro Original (Abi Morgan), Trilha Musical Original (Alexandre Desplat), Montagem (Barney Pilling), Figurino (Jane Petrie), Direção de Arte (Alice Normington)

Lembram-se do discurso pró-igualdade para as mulheres de Patricia Arquette no Oscar deste ano? E do apoio incondicional de Meryl Streep (“Yes! Yes!”) da poltrona? Pois é, o movimento feminista em alta ganha mais um reforço com este filme de época no qual a luta das mulheres se tornou um marco na história. E com Streep no elenco, o filme tem tudo pra se destacar na temporada de premiações do Globo de Ouro, Oscar, BAFTA e SAG.

Por mais que a diretora seja meio desconhecida, acho bacana tanto a diretora quanto a roteirista serem mulheres, afinal ninguém melhor do que as próprias mulheres pra contar uma história de luta feminista. A roteirista Abi Morgan pode conseguir sua primeira indicação após destaque por Shame e A Dama de Ferro. Já Carey Mulligan, que brilhou como a estudante inocente de Educação, precisa cumprir seu papel de jovem promessa de Hollywood. Como se trata de uma produção de época, são esperadas indicações de direção de arte e figurino.

NOCAUTE (Southpaw)
Dir: Antoine Fuqua

Jake Gyllenhaal como o boxeador Billy Hope com o treinador Tick Wills (Forest Whitaker) em cena de Southpaw (photo by outnow.ch)

Jake Gyllenhaal como o boxeador Billy Hope com o treinador Tick Wills (Forest Whitaker) em cena de Nocaute (photo by outnow.ch)

Sinopse: O boxeador Billy Hope procura o treinador Tick Wills para colocá-lo de volta aos trilhos depois que perde sua mulher num trágico acidente e sua filha para o serviço de proteção à criança.

Deve receber indicação: Ator (Jake Gyllenhaal), Trilha Musical Original (James Horner)

Dúvida: Ator Coadjuvante (Forest Whitaker), Montagem (John Refoua), Canção Original (Eminem)

Depois da inacreditável ausência de Jake Gyllenhaal na lista de atores indicados a Melhor Ator este ano por O Abutre, a Academia automaticamente está em dívida com o ator, que já foi indicado como Coadjuvante por O Segredo de Brokeback Mountain. Além disso, chama atenção sua transformação do esquelético videomaker de O Abutre para este atlético e forte boxeador de Nocaute, que lembra a flexibilidade de Edward Norton que passou do forte neo-nazista de A Outra História Americana para o franzino de Clube da Luta. Essas transformações costumam ser a base de uma boa campanha para o Oscar. Claro que se o filme também for bom, as chances de vitória são ainda maiores. Já quando o filme não colabora, as chances caem drasticamente. Em 2000, o filme Hurricane – O Furacão conseguiu conquistar apenas a indicação de Denzel Washington, que acabou perdendo para Kevin Spacey (Beleza Americana), porque o filme de Sam Mendes era bem mais consistente.

Vale lembrar que este é um dos últimos trabalhos do compositor James Horner, que morreu numa queda de avião no final de junho. E por se tratar de um filme de boxe, as chances da trilha musical e da montagem se destacarem são ótimas. Resta saber se o filme de Antoine Fuqua (Dia de Treinamento) vai agradar à crítica.

SICARIO: TERRA DE NINGUÉM (Sicario)
Dir: Dennis Villeneuve

Em segundo plano, da esquerda para a direita: Emily Blunt, Josh Brolin e Benicio Del Toro em cena de Sicario: Terra de Ninguém (photo by cine.gr)

Em segundo plano, da esquerda para a direita: Emily Blunt, Josh Brolin e Benicio Del Toro em cena de Sicario: Terra de Ninguém (photo by cine.gr)

Sinopse: Uma agente idealista do FBI é designada pelo governador numa força-tarefa contra as drogas na área da fronteira dos EUA com o México.

Deve receber indicação: Atriz (Emily Blunt), Fotografia (Roger Deakins), Trilha Musical Original (Jóhann Jóhannsson), Montagem (Joe Walker)

Dúvida: Ator Coadjuvante (Benicio Del Toro), Ator Coadjuvante (Josh Brolin)

A sinopse me lembrou O Silêncio dos Inocentes ao ter como protagonista uma jovem agente do FBI em formação encarando um universo bem sombrio. E o diretor canadense Dennis Villeneuve já demonstrou que conhece bem esse território sombrio com Os Suspeitos (2013). O filme concorreu à Palma de Ouro no último Festival de Cannes e por muitos críticos foi considerado um “soco no estômago” por suas cenas fortes. Por esse mesmo motivo, não deve concorrer ao Oscar de Melhor Filme, porque os acadêmicos têm aversão à violência.

Mas se a campanha for boa, o diretor pode ser recompensado em sua categoria. E quem sabe a fotografia de Roger Deakins não ganha seu primeiro Oscar depois de 12 indicações? Já dentre os atores, apesar de contar com Benicio Del Toro (vencedor de Ator Coadjuvante por Traffic) e Josh Brolin (indicado para Ator Coadjuvante por Milk – A Voz da Igualdade), o maior destaque do filme é Emily Blunt, que passa por uma experiência transformadora como a agente do FBI, podendo finalmente conquistar sua primeira indicação.

A TRAVESSIA (The Walk)
Dir: Robert Zemeckis

Cena de A Travessia com Joseph Gordon-Levitt e Charlotte Le Bon (photo by outnow.ch)

Cena de A Travessia com Joseph Gordon-Levitt e Charlotte Le Bon (photo by outnow.ch)

Sinopse: A trajetória do artista francês Phillippe Petit para cruzar as Torres Gêmeas sobre um cabo de aço em 1974.

Quem deve receber indicação: Ator (Joseph Gordon-Levitt), Roteiro Adaptado (Robert Zemeckis e Christopher Browne)

Dúvida: Filme, Diretor (Robert Zemeckis), Ator Coadjuvante (Ben Kingsley), Trilha Musical Original (Alan Silvestri)

Apesar de Forrest Gump: O Contador de Histórias ter ganhado 6 Oscars há mais de 20 anos, o diretor Robert Zemeckis sempre terá um prestígio na Academia e por isso mesmo, seus filmes têm lugar cativo no burburinho do Oscar. Em 2013, seu filme O Vôo recebeu duas indicações (Melhor Ator para Denzel Washington e Roteiro Original), o que significa que Zemeckis está buscando retorno triunfal. Com este novo projeto baseado na história real de Phillippe Petit, que caminhou sobre um cabo de aço entre as duas Torres Gêmeas, ele pode ter sua chance.

A história verídica já foi tema do documentário O Equilibrista (Man on Wire), que venceu o Oscar de Melhor Documentário em 2009, o que concede maior credibilidade ao filme. Se Zemeckis souber captar bem o lado emocional da história, o filme pode conquistar o público e a crítica. Para ajudá-lo nessa difícil tarefa, ele conta com o veterano Ben Kingsley no elenco e o jovem Joseph Gordon-Levitt como o protagonista Petit.

O CORAÇÃO DO MAR (In the Heart of the Sea)
Dir: Ron Howard

Chris Hemsworth em cena de O Coração do Mar (photo by cine.gr)

Chris Hemsworth em cena de O Coração do Mar (photo by cine.gr)

Sinopse: Baseado em história ocorrida em 1820, sobre embarcação que é caçada por baleia durante 90 dias em alto mar. Adaptação de livro de Nathaniel Philbrick que teria inspirado o clássico literário Moby Dick.

Quem deve receber indicação: Fotografia (Anthony Dod Mantle), Montagem (Daniel P. Hanley e Mike Hill) e Som.

Dúvida: Filme, Diretor (Ron Howard)

Após ganhar prestígio com o Oscar de direção e filme com Uma Mente Brilhante em 2002, Ron Howard se tornou nome relevante a cada novo trabalho, e assim acabou novamente indicado ao Oscar de direção com Frost/Nixon em 2009 e foi bem cotado por Rush: No Limite da Emoção em 2014, mas tenho minhas dúvidas se ele retorna ao tapete vermelho com um filme de aventura estrelado por Chris Hemsworth.

Embora o elenco tenha nomes razoáveis como Cillian Murphy, Ben Wishaw e o novo Homem-Aranha, Tom Holland, acredito que O Coração do Mar ficará limitado às categorias mais técnicas, a menos que sua bilheteria seja extremamente expressiva e colabore em sua campanha vitoriosa.

SPOTLIGHT
Dir: Tom McCarthy

Da esquerda pra direita: Michael Keaton, Liv Schreiber, Mark Ruffalo, Rachel McAdams... em Spotlight (photo by outnow.ch)

Da esquerda pra direita: Michael Keaton, Liv Schreiber, Mark Ruffalo, Rachel McAdams, John Slattery e Brian d’Arcy James em Spotlight (photo by outnow.ch)

Sinopse: A verdadeira história de como o jornal The Boston Globe desvendou o escândalo de abuso de crianças e encoberto pela igreja Arquidiocese local que estremeceu a Igreja Católica toda.

Deve receber indicação: Roteiro Original (Tom McCarthy e Josh Singer)

Dúvida: Filme, Diretor (Tom McCarthy), Ator (Mark Ruffalo), Trilha Musical Original (Howard Shore)

O roteiro do filme foi baseado numa história verídica que gerou uma matéria que venceu o prestigiado prêmio Pullitzer, fato que já chama a atenção por si só. Esse tipo de história costuma atrair bons nomes para os papéis porque são criados a partir de heróis reais como uma Erin Brockovich, por exemplo, que desmantelou toda uma grande corporação ao descobrir que contaminavam a água de sua cidade.

Dessa forma, temos Mark Ruffalo como o protagonista e Michael Keaton como seu parceiro. Ruffalo é um nome que vem em ascensão há anos e só não conseguirá sua terceira indicação se o páreo da categoria de Melhor Ator estiver muito duro. Quanto a Keaton, acredito que corre bem por fora, mas já é extremamente gratificante vê-lo em grandes produções novamente após tantos anos no ostracismo.

ESPECIALISTA EM CRISE (Our Brand is Crisis)
Dir: David Gordon Green

Sandra Bullock filma cena em Porto Rico (photo by www.laineygossip.com)

Sandra Bullock filma cena em Porto Rico (photo by http://www.laineygossip.com)

Sinopse: Baseado no documentário homônimo sobre o uso de estratégias políticas de campanha americanas na América do Sul.

Deve receber indicação: Filme, Diretor (David Gordon Green), Atriz (Sandra Bullock), Roteiro Original (Peter Straughan)

Dúvida: Ator Coadjuvante (Billy Bob Thornton), Atriz Coadjuvante (Zoe Kazan), Montagem (Colin Patton)

Mais um filme com temática política pode ganhar espaço no Oscar 2016. Além de Spotlight e Suffragette, o filme procura revelar os bastidores da política e a forma como alavancam os candidatos desejados. Curiosamente, assim como Freeheld (citado acima), Especialista em Crise também é uma ficção baseada num documentário.

O roteiro de Peter Straughan (indicado para Roteiro Adaptado em 2012 por O Espião que Sabia Demais) busca destrinchar esse universo do vale-tudo das campanhas políticas na América do Sul contando com o promissor diretor David Gordon Green (vencedor do prêmio de Direção no Festival de Berlim 2013 por Prince Avalanche ), elenco encabeçado por Sandra Bullock e Billy Bob Thornton, e um ótimo ímã para o Oscar: George Clooney como produtor. Ter nomes de celebridades na produção muitas vezes é recompensado pela Academia, como aconteceu com Brad Pitt em 2014 por 12 Anos de Escravidão.

TRUTH
Dir: James Vanderbilt

Cate Blanchett em cena com Robert Reford em Truth (photo by collider.com)

Cate Blanchett em cena com Robert Reford em Truth (photo by collider.com)

Sinopse: Durante seus últimos dias como âncora no noticiário CBS News, Dan Rather apresenta uma notícia falsa sobre como o então presidente Bush se apoiou no privilégio e nas conexões familiares para evitar convocação militar para lutar na Guerra do Vietnã, o que lhe custou seu emprego e de sua superiora Mary Mapes.

Deve receber indicação: Ator (Robert Redford), Atriz Coadjuvante (Cate Blanchett) e Roteiro Adaptado (James Vanderbilt)

Dúvida: Montagem (Richard Francis-Bruce)

Seguindo a linha de candidatos ao Oscar de temática política, Truth pode surpreender e conquistar seu espaço, ainda mais por contar com dois nomes de peso junto à Academia: os atores Cate Blanchett, que ganhou seu segundo Oscar em 2014 por Blue Jasmine, e o veterano Robert Redford, que merecia uma indicação por sua atuação no ótimo Até o Fim (2013).

Ainda no elenco, nomes como Dennis Quaid, Bruce Greenwood e Elisabeth Moss (em ascensão depois da série Mad Men) podem colaborar para um número maior de indicações dependendo da profundidade de seus papéis. Como se trata da estréia na direção do conhecido roteirista do brilhante Zodíaco (2007), James Vanderbilt, sua melhor chance no Oscar está na categoria que lhe consagrou.

DIVERTIDA MENTE (Inside Out)
Dir: Pete Docter

As emoções Tristeza, Raiva, Medo, Nojinho e Alegria em cena de Divertida Mente (photo by outnow,ch)

As emoções Tristeza, Raiva, Medo, Nojinho e Alegria em cena de Divertida Mente (photo by outnow,ch)

Sinopse: Depois de se mudar com seus pais para San Francisco, as emoções da jovem Riley (Alegria, Tristeza, Nojinho, Raiva e Medo) entram em conflito sobre a melhor forma de explorar a nova cidade, casa e escola.

Deve receber indicação: Animação

Dúvida: Roteiro Original (Meg LeFauve, Josh Cooley e Pete Docter) e Trilha Musical Original (Michael Giacchino)

Assim como Monstros S.A., a idéia bastante original não segura um longa-metragem, pelo menos não da forma como foi escrito. Alguns trabalhos da Pixar apresentam esse obstáculo na hora de desenvolver uma história que se desenvolva, e não apenas se desenrole. Por questões de histórico, acredito que consegue facilmente uma indicação ao Oscar de Animação. Depois de perder o Oscar duas vezes consecutivas para produções da Disney (Frozen: Uma Aventura Congelante e Operação Big Hero), a Pixar está tentando recuperar seu posto de supremacia.

Dependendo da competição, o roteiro pode ser, sim, indicado ao Oscar, assim como de outras animações anteriores foram como de Procurando Nemo, Up – Altas Aventuras e Toy Story 3, mas geralmente o que ocorre é o filme ganhando apenas Melhor Animação. E se o roteiro praticamente perfeito de Toy Story 3 não ganhou, dificilmente outro não ganhará também. Já a trilha do compositor Michael Giacchino pode ser reconhecida, mas as chances de vitória são pequenas, ainda mais que já levou a estatueta por Up – Altas Aventuras.

MACBETH: AMBIÇÃO E GUERRA (Macbeth)
Dir: Justin Kurzel

O casal Macbeth: Michael Fassbender e Marion Cotillard na adaptação de Shakespeare (photo by cine.gr)

O casal Macbeth: Michael Fassbender e Marion Cotillard na adaptação de Shakespeare (photo by cine.gr)

Sinopse: Macbeth, um duque da Escócia, recebe a profecia das três bruxas que um dia ele se tornará rei da Escócia. Consumido por ambição e impulsionado à ação por sua esposa, Macbeth assassina seu rei e toma controle do trono.

Deve receber indicação: Figurino (Jacqueline Durran)

Dúvida: Ator (Michael Fassbender) e Atriz (Marion Cotillard)

Clássico de Shakespeare, a adaptação de Macbeth chegou no último Festival de Cannes como o filme responsável por premiar a dupla de atores centrais: o alemão Michael Fassbender e a francesa Marion Cotillard, ambos nomes em alta tanto na Europa quanto em Hollywood (ele foi indicado ao Oscar de Coadjuvante por 12 Anos de Escravidão e ela recebeu sua segunda indicação de Atriz por Dois Dias, Uma Noite), mas não foi isso que aconteceu na Riviera Francesa.

Apesar do filme de Justin Kurzel não ter levado nada, pode ter sua segunda chance na campanha ao Oscar, já que vai ser alavancada pela Weinstein Company. Contudo, se Fassbender for indicado, suas chances são bem maiores pelo filme de Danny Boyle, Steve Jobs. Posso estar enganado, mas pela experiência que tenho em Oscar, esse filme está com cheiro de uma única indicação: Melhor Figurino.

I SAW THE LIGHT
Dir: Marc Abraham

Tom Hiddleston caracterizado como o cantor Hank Williams (photo by outnow.ch)

Tom Hiddleston caracterizado como o cantor Hank Williams (photo by outnow.ch)

Sinopse: Cinebiografia do cantor e compositor de country norte-americano Hank Williams.

Deve receber indicação: Ator (Tom Hiddleston)

Dúvida: Atriz Coadjuvante (Elizabeth Olsen), Roteiro Adaptado (Marc Abraham)

A Academia adora cinebiografia de cantores e compositores, especialmente os americanos. Basta olhar a presença de filmes como O Destino Mudou Sua Vida (1980), Ray (2004) e Johnny & June (2005). Contando com esse histórico positivo, o ator britânico Tom Hiddleston, conhecido mundialmente por viver o papel do vilão Loki nos filmes da Marvel, tem boas chances na aparecer na lista por retratar uma figura emblemática da música. Curiosamente, como não foi aposta unânime para o papel, além de se empenhar bastante no sotaque americano, tocou piano para o elenco e a equipe durante as filmagens e todos os dias, como forma de extrema gratidão, ele cumprimentava cada membro da equipe, do encarregado da limpeza até seus colegas de atuação.

Elizabeth Olsen, que já trabalhou com Hiddleston em Vingadores: Era de Ultron, interpretará sua primeira esposa, Audrey Mae Williams, que pode lhe render sua primeira indicação ao Oscar. Como Marc Abraham é um diretor praticamente novato, suas chances residem mais na categoria de roteiro, por ter adaptado a biografia escrita por Colin Escott.

MAD MAX: ESTRADA FÚRIA (Mad Max: Fury Road)
Dir: George Miller

Tom Hardy e Charlize Theron em cena de Mad Max: Estrada da Fúria (photo by outnow.ch)

Tom Hardy e Charlize Theron em cena de Mad Max: Estrada da Fúria (photo by outnow.ch)

Sinopse: Furiosa, uma mulher que se rebela contra seu tirano numa pós-Apocalíptica Austrália, vai em busca de sua terra natal com a ajuda de um grupo de prisioneiras, um adorador psicótico e um andarilho chamado Max.

Deve receber indicação: Fotografia (John Seale), Direção de Arte (Colin Gibson), Figurino (Jenny Beavan), Maquiagem, Som, Efeitos Sonoros

Dúvida: Filme, Diretor (George Miller), Roteiro Original (George Miller, Brendan McCarthy e Nick Lauthoris)

Quarta parte de uma quadrilogia? Sequência? Prequel? Reboot? Ninguém sabe ao certo o que essa loucura chamada Mad Max: Estrada da Fúria é, mas todos concordam com sua qualidade técnica impecável e acima de tudo: sua audácia. Há quanto tempo não vemos um filme politicamente incorreto assim feito por um estúdio nos cinemas? Nos últimos anos (pra não dizer na última década), o cinema de estúdio tem sido tomado por produtores que visam apenas o lucro, mas sem coragem alguma para arriscar em novas visões. Claro que o trabalho de Mad Max não é novidade alguma, mas joga na tela imagens que dizem: “Isso é cinema. Vocês se esqueceram?”

Além da qualidade técnica merecedora de todas as indicações, felizmente a produção australiana colheu ótimos frutos nas bilheterias mundias, fato que ajuda muito na composição das indicações ao Oscar. Contudo, acredito que o responsável por tudo isso pode nem sequer ser reconhecido com uma mera indicação, seja como diretor ou como roteirista. Curiosamente, George Miller já ganhou um Oscar por, acreditem, Melhor Animação com Happy Feet: O Pingüim em 2007. Anteriormente, ele havia sido indicado pelo Roteiro Original de O Óleo de Lorenzo em 1993, e pelo Roteiro Adaptado e Produção (Melhor Filme) de Babe – O Porquinho Atrapalhado em 1996. Vamos torcer para que os votantes da Academia dêem um tempo no conservadorismo e reconheçam o talento e a audácia de Miller. Seria utopia demais?

À BEIRA MAR (By the Sea)
Dir: Angelina Jolie

Angelina Jolie com o marido Brad Pitt ao fundo em cena de À Beira Mar. É a primeira vez que a atriz dirige a si mesma. (Photo by outnow.ch)

Angelina Jolie com o marido Brad Pitt ao fundo em cena de À Beira Mar. É a primeira vez que a atriz dirige a si mesma. (Photo by outnow.ch)

Sinopse: Nos anos 70 na França, conforme a ex-dançarina Vanessa e seu marido escritor Roland viajam pelo país juntos, eles se distanciam um do outro, até pararem numa cidade costeira onde eles passam a se aproximar dos habitantes locais.

Deve receber indicação: Fotografia (Christian Berger)

Dúvida: Diretor (Angelina Jolie), Atriz Coadjuvante (Mélanie Laurent), Trilha Musical Original (Gabriel Yared)

Após ser ignorada pela Academia depois de forte burburinho por seu trabalho anterior Invencível (Unbroken), Angelina Jolie lança seu terceiro longa na direção com os holofotes sobre a possível campanha no Oscar 2016. Honestamente, só incluí o filme aqui por causa da comentada e discutida exclusão dela na premiação deste ano, porque se depender do filme em si, não se trata de material para Oscar.

Claro que se ela quiser, Jolie pode se beneficiar de seu filme anterior e tentar sua primeira indicação como diretora, mas acho meio difícil com um romance. A seu favor estão a presença dela mesma  e do marido, Brad Pitt, no elenco, assim como a trilha de Gabriel Yared (vencedor do Oscar por O Paciente Inglês) e do diretor de fotografia austríaco e colaborador assíduo do diretor Michael Haneke, Christian Berger (indicado por A Fita Branca).

THE LAST FACE
Dir: Sean Penn

O diretor Sean Penn conversa com a jovem Adèle Exarchopoulos em set de The Last Face (photo by filmaffinity.com)

O diretor Sean Penn conversa com a jovem Adèle Exarchopoulos em set de The Last Face (photo by filmaffinity.com)

Sinopse: A diretora de uma agência internacional de ajuda humanitária na África conhece um carismático médico que trabalha na causa. Ele se divide entre o amor por ela e seu trabalho.

Deve receber indicação: Fotografia (Barry Ackroyd)

Dúvida: Diretor (Sean Penn), Montagem (Jay Cassidy)

Assim como outros atores que se tornaram diretores, Sean Penn busca experiência em nomes profissionais como o diretor de fotografia Barry Ackroyd (indicado por Guerra ao Terror) e o montador Jay Cassidy (três vezes indicado) com quem já trabalhou no cult Na Natureza Selvagem. Desta vez, ele também escalou sua própria mulher, Charlize Theron, que vive uma nova ascensão depois de seu desatque como Furiosa em Mad Max: Estrada da Fúria, o que certamente ajuda o filme a alavancar.

No elenco, Penn ainda conta com Javier Bardem como o médico, e os coadjuvantes Jean Renno, e a jovem talentosa francesa Adèle Exarchopoulos, de Azul é a Cor Mais Quente. Apesar de todos os fatores positivos, The Last Face ainda pode se tornar aqueles filmes que tinha tudo pra chegar ao Oscar, mas morre na praia.

PERDIDO EM MARTE (The Martian)
Dir: Ridley Scott

Da esquerda pra direita: Matt Damon, Jessica Chastain, Kate Mara e Sebastian Stan em cena de Perdido em Marte (photo by outnow.ch)

Da esquerda pra direita: Matt Damon, Jessica Chastain, Sebastian Stan, Kate Mara e Aksel Hennie em cena de Perdido em Marte (photo by outnow.ch)

Sinopse: Depois de uma missão em Marte, o astronauta Mark Watney é considerado morto depois de ter sido abandonado por colegas, mas ele está vivo e sozinho no planeta. Com pouquíssimos recursos, ele deve usar todas as suas habilidades e seu conhecimento para enviar um sinal para a Terra para dizer que está vivo.

Deve receber indicação: Filme, Diretor (Ridley Scott), Ator (Matt Damon), Atriz Coadjuvante (Jessica Chastain), Roteiro Adaptado (Drew Goddard), Fotografia (Dariusz Wolski), Direção de Arte (Arthur Max), Montagem (Pietro Scalia), Trilha Musical Original (Harry Gregson-Williams), Som, Efeitos Sonoros e Efeitos Visuais.

Dúvida: Figurino (Janty Yates)

Até pouco tempo atrás, Perdido em Marte era considerado uma incógnita, mas depois do lançamento de seu trailer, o filme ganhou novo status e pode ser muito bem o recordista de indicações ao Oscar 2016. Após trabalhos abaixo da média do veterano Ridley Scott (reconhecido mundialmente pelos clássicos Alien: O Oitavo Passageiro e Blade Runner: O Caçador de Andróides) pode finalmente voltar à tona com um projeto mais respeitável. Sinceramente, espero que a execução seja infinitamente superior ao de Prometheus, que tinha tudo pra ser um estouro.

Elenco e equipe Ridley Scott tem de primeiro nível: vencedores e indicados ao Oscar de baciada. E ainda conta com atores experientes que acabaram de trabalhar em outro filme de temática espacial, Interestelar: Matt Damon e Jessica Chastain. O roteiro, escrito pelo jovem promissor Drew Goddard (de O Segredo da Cabana), foi baseado no livro best-seller The Martian, de Andy Weir. Resta saber se o filme refletirá suas expectativas nas bilheterias e se a Academia está aberta a premiar uma ficção científica depois de bater na trave com Gravidade em 2014.

EU, VOCÊ E A GAROTA QUE VAI MORRER (Me and Earl and the Dying Girl)
Dir: Alfonso Gomez-Rejon

Olivia Cooke, Thomas Mann e RJ Cyler posam para foto de Me and Earl and the Dying Girl (photo by outnow.ch)

Olivia Cooke, Thomas Mann e RJ Cyler posam para foto de Me and Earl and the Dying Girl (photo by outnow.ch)

Sinopse: O estudante Greg, que passa a maior parte de seu tempo fazendo filmes de paródia com seu amigo Earl, tem sua vida mudada quando ele passa a fazer amizade com Rachel, uma colega de classe que acaba de ser diagnosticada com leucemia.

Deve receber indicação: Roteiro Adaptado (Jesse Andrews)

Dúvida: Filme

Sensação do último Festival de Sundance, Eu, Você e a Garota que Vai Morrer já chama atenção pelo seu título inusitado que mistura drama com comédia e humor negro. O filme independente tem um clima leve que muito se assemelha a (500) Dias com Ela e Juno, tanto que o trailer se apropria dos mesmos títulos para atrair o interesse do público.

Não sei se se trata de uma previsão otimista ou pessimista, mas o filme tem mais cara de indicado e até vencedor do Globo de Ouro de Melhor Filme – Comédia ou Musical, mas no Oscar teria que se contentar com uma única indicação de Roteiro Adaptado. Este ano, outro sucesso de público com temática de doença entre jovens, A Culpa é das Estrelas, acabou ficando de fora do Oscar.

BROOKLYN
Dir: John Crowley

Saoirse Ronan e Emory Cohen em cena de Brooklyn (photo by cine.gr)

Saoirse Ronan e Emory Cohen em cena de Brooklyn (photo by cine.gr)

Sinopse: Nos anos 50, a jovem imigrante irlandesa Eilis Lacey se muda para os EUA, onde conhece e se envolve com um rapaz americano, mas devido a um tragédia familiar, precisa voltar ao seu país, onde acaba conhecendo outro amor.

Deve receber indicação: Atriz (Saoirse Ronan), Roteiro Adaptado (Nick Hornby)

Dúvida: Fotografia (Yves Bélanger) e Trilha Musical Original (Michael Brook)

Incluí o filme na lista por ter sido alvo de burburinho por parte de alguns sites especializados e também por ser adaptação do best-seller de Colm Tóibín, mas tenho minhas dúvidas se esse filme vai chegar ao tapete vermelho. Ele tem uma pinta de filme bonito e até com seus devidos momentos emotivos que fazem um candidato, mas não tem muito pedigree. John Crowley é um diretor que ficou conhecido pelo filme independente Rapaz A, de 2007, mas depois não deslanchou nada relevante.

Saoirse Ronan pode conseguir sua segunda indicação, desta vez como Melhor Atriz, principalmente por seu empenho no sotaque irlandês de sua personagem. E pelo visto, o escritor Nick Hornby está se empenhando a escrever roteiros agora. Depois de Educação (2009), ele fez o roteiro de Livre (2014) e agora deste Brooklyn. Pode receber sua segunda indicação também.

STAR WARS: EPISÓDIO VII – O DESPERTAR DA FORÇA (Star Wars: Episode VII – The Force Awakens)
Dir: J.J. Abrams

Daisy Ridley corre em cena de Star Wars: Episódio VII - O Despertar da Força (photo by (outnow.ch)

Daisy Ridley corre em cena de Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força (photo by (outnow.ch)

Sinopse: Continuação da saga de George Lucas na galáxia muito distante.

Deve receber indicação: Maquiagem, Som, Efeitos Sonoros e Efeitos Visuais

Dúvida: Direção de Arte (Rick Carter), Trilha Musical Original (John Williams)

Mais um filme de Star Wars lançado 10 anos após o último, mas com uma diferença bastante relevante: a Lucas Film foi comprada pela Disney. Aliás, o que não é comprado pela Disney?? A empresa comprou também a Pixar e a Marvel, o que pode causar uma padronização (pra não dizer pasteurização) do cinema comercial como o conhecemos.

Felizmente, o diretor J.J. Abrams tem um bom feeling pra franquias como pudemos constatar no reboot de Star Trek (2009), mas não creio numa revolução, até mesmo porque a Disney está mais preocupada em vender seus produtos do que fazer um filme consistente, então provavelmente o diretor não tem carta branca pra tudo, muito menos para o corte final do filme. Claro que este novo Star Wars vai criar novos recordes de bilheteria e muito provavelmente terá presença garantida nas categorias mais técnicas do Oscar.

RICKI AND THE FLASH: DE VOLTA PARA CASA (Ricki and the Flash)
Dir: Jonathan Demme

Mamie Gummer e Meryl Streep, filha e mãe na vida real e na ficção em cena de Ricki and the Flash: De Volata Para Casa (photo by outnow.ch)

Mamie Gummer e Meryl Streep, filha e mãe na vida real e na ficção em cena de Ricki and the Flash: De Volata Para Casa (photo by outnow.ch)

Sinopse: Ricki, que desistiu de tudo por seu sonho de se tornar uma estrela do rock, retorna para casa e procura fazer as coisas certas com sua família.

Deve receber indicação: Atriz (Meryl Streep)

Dúvida: Ator Coadjuvante (Kevin Kline), Roteiro Original (Diablo Cody), Canção Original

Assim que vi a primeira foto de Meryl Streep caracterizada como uma roqueira dos anos 80 em decadência, logo associei a…? Sim, o Oscar! Esta seria sua 20ª indicação, um recorde que demoraria muito pra ser ultrapassado! Porém, andei lendo alguns rumores de que Meryl Streep não participaria de nenhum campanha do filme para o Oscar.

Independente de seus supostos motivos, a atriz tem tudo para conseguir no mínimo uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Atriz – Comédia ou Musical. Curiosamente, sua filha na vida real, Mamie Gummer, interpreta sua filha no filme.

GRANDMA
Dir: Paul Weitz

Lily Tomlin em primeiro plano e Julie Garner ao fundo em cena de Grandma (photo by latimes.com)

Lily Tomlin em primeiro plano e Julie Garner ao fundo em cena de Grandma (photo by latimes.com)

Sinopse: Declarada misantropa, Elle Reid tem sua bolha protetora estourada quando sua neta de 18 anos aparece precisando de ajuda. As duas partem numa viagem que as obrigará a confrontar passado e futuro.

Deve receber indicação: Atriz (Lily Tomlin)

Dúvida: Ator Coadjuvante (Sam Elliott), Roteiro Original (Paul Weitz)

Típica dramédia em que dois personagens são obrigados a conviver e acabam descobrindo um sentimento mútuo durante uma road trip. Claro que o filme independente Grandma não tem maiores pretensões na temporada de premiações, mas só o fato de trazer de volta a veterana Lily Tomlin ao centro do palco já é algo digno de nota. Se ela receber indicação, será sua segunda depois da de Coadjuvante por Nashville em 1976! Esse tipo de retorno a Academia costuma reconhecer, então Tomlin tem grandes chances.

Assim como outra veterana Meryl Streep, Lily Tomlin também tem ótima chance de ser premiada pelo Globo de Ouro de Melhor Atriz – Comédia ou Musical, podendo trazer junto o ator Sam Elliott.

007 CONTRA SPECTRE (Spectre)
Dir: Sam Mendes

Daniel Craig como James Bond em cena de 007 Contra Spectre (photo by outnow.ch)

Daniel Craig como James Bond em cena de 007 Contra Spectre (photo by outnow.ch)

Sinopse: Uma mensagem criptografada do passado de Bond o envia numa trilha para desvendar uma organização criminosa. Enquanto M luta contra forças políticas para manter o serviço secreto vivo, James Bond investiga a SPECTRE.

Deve receber indicação: Trilha Musical Original (Thomas Newman), Canção Original, Som e Efeitos Sonoros

Dúvida: Fotografia (Hoyte Van Hoytema), Montagem (Lee Smith)

O prestigiado diretor Sam Mendes retorna pela segunda vez à cadeira de direção da franquia 007, mas desta vez não conta com um colaborador que faz a diferença: o diretor de fotografia Roger Deakins, que fez um trabalho estupendo em 007 – Operação Skyfall. Contudo, ele será substituído por outro bom profissional (Hoyte Van Hoytema) e contará com o retorno do compositor Thomas Newman, que foi indicado pelo filme anterior de Bond.

Aliás, 007 – Operação Skyfall ganhou o primeiro Oscar de Canção Original da série toda, criada em 1962 com 007 Contra o Satânico Dr. No, portanto existe uma expectativa em relação à canção de abertura deste novo trabalho. Independente do músico ou banda que interprete a nova canção (alguns sites indicaram Ellie Goulding), 007 Contra Spectre deve ser mais um sucesso arrebatador e deve conquistar indicações técnicas e quem sabe mais uma de canção…

Mesmo que tenha poucas chances no Oscar, vale lembrar que Christoph Waltz (vencedor de duas estatuetas por Bastardos Inglórios e Django Livre) está no elenco. Ele interpreta Oberhauser, o líder da organização Spectre. Por 007 – Operação Skyfall, Javier Bardem chegou a ser indicado para o SAG de Coadjuvante por interpretar o vilão Silva.

CINDERELA (Cinderella)
Dir: Kenneth Branagh

No centro, Cate Blanchett como a Madrasta em cena de Cinderela (photo by outnow.ch)

No centro, Cate Blanchett como a Madrasta em cena de Cinderela (photo by outnow.ch)

Sinopse: Versão live-action da fábula da Cinderela, a Gata Borralheira que sofre nas mãos da madrasta e das meia-irmãs até ter sua sorte mudada com a ajuda de uma fada.

Deve receber indicação: Direção de Arte (Dante Ferretti) e Figurino (Sandy Powell)

Dúvida: Atriz Coadjuvante (Cate Blanchett), Trilha Musical Original (Patrick Doyle)

Depois do sucesso comercial de Malévola no ano passado, a Disney resolveu apostar as fichas nas adaptações em live-action de muitas animações consagradas por ela mesma. Então, depois desse Cinderela, estão nos planos a versão de Mulan e A Bela e a Fera, ou seja, acabaram as idéias até para animações novas…

Felizmente, a Academia sabe reconhecer qualidades técnicas mesmo em refilmagens. O próprio Malévola foi indicado este ano para Figurino, o que favorece a inclusão de Cinderela na lista de indicações, especialmente no Figurino caprichado da veterana Sandy Powell e do primoroso trabalho de production design do italiano Dante Ferretti, que já ganhou 3 Oscars. Já os rumores de uma indicação para Cate Blanchett como a Madrasta chegaram a ser comentados em alguns sites, mas seria bem improvável.

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Alguns trabalhos não devem alçar vôos mais altos na temporada, mas pode sobrar uma vaguinha em uma ou outra categoria, portanto, os filmes seguintes são listados de forma mais simples:

MILES AHEAD
Dir: Don Cheadle

Don Cheadle como o músico Miles Davis em Miles Ahead (photo by jazzmusic.in)

Don Cheadle como o músico Miles Davis em Miles Ahead (photo by jazzmusic.in)

Cinebiografia do músico Miles Davis.

Melhor chance: Ator (Don Cheadle), Trilha Musical Original (Herbie Hancock)
Forçando a barra: Ator Coadjuvante (Ewan McGregor)

HOMEM-FORMIGA (Ant-Man)
Dir: Peyton Reed

Paul Rudd como o herói em Homem-Formiga (photo by outnow.ch)

Paul Rudd como o herói em Homem-Formiga (photo by outnow.ch)

Adaptação dos quadrinhos de Scott Lang e seu alter-ego, o super-herói Homem-Formiga. Ele deve ajudar seu mentor Hank Pym a roubar uma armadura que ajudou a criar.

Melhor chance: Efeitos Visuais
Forçando a barra: Efeitos Sonoros

VINGADORES: ERA DE ULTRON (Avengers: Age of Ultron)
Dir: Joss Whedon

Homem de Ferro em ação contra o Hulk em Vingadores: Era de Ultron (photo by cinemagia.ro)

Homem de Ferro em ação contra o Hulk em Vingadores: Era de Ultron (photo by cinemagia.ro)

Tony Stark e Bruce Banner criam um programa chamado Ultron para dar paz ao mundo, mas os planos dão errado e os Vingadores precisam evitar que ele destrua o planeta.

Melhor chance: Efeitos Visuais
Forçando a barra: Som e Efeitos Sonoros

JURASSIC WORLD: O MUNDO DOS DINOSSAUROS (Jurassic World)
Dir: Colin Trevorrow

Chris Pratt trabalha com os velociraptors em Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros (photo by outnow.ch)

Chris Pratt trabalha com os velociraptors em Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros (photo by outnow.ch)

Quarta parte iniciada com Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros (1993). Com o parque finalmente aberto ao público e funcionando, as coisas começam a dar errado quando criam um dinossauro geneticamente modificado para atrair mais pessoas.

Melhor chance: Efeitos Visuais e Som
Forçando a barra: Trilha Musical Original (Michael Giacchino) e Efeitos Sonoros

LONGE DESTE INSENSATO MUNDO (Far from the Madding Crowd)
Dir: Thomas Vinterberg

Carey Mulligan em cena de Longe Deste Insensato Mundo (photo by outnow.ch)

Carey Mulligan em cena de Longe Deste Insensato Mundo (photo by outnow.ch)

Baseado no clássico romance homônimo de Thomas Hardy, o filme se passa na Inglaterra Vitoriana, onde a jovem Bathsheba Everdene atrai três homens diferentes: um criador de ovelhas, um sargento e um próspero e maduro bacharel.

Melhor chance: Figurino (Janett Patterson)
Forçando a barra: Atriz (Carey Mulligan)

O QUARTO DE JACK (Room)
Dir: Lenny Abrahamson

Brie Larson como a mãe em cena de Room (photo by outnow.ch)

Brie Larson como a mãe em cena de Room (photo by outnow.ch)

História contemporânea sobre o amor entre mãe e filho. O jovem Jack não conhece nada do mundo, exceto pelo quarto em que nasceu e foi criado.

Melhor chance: Atriz (Brie Larson)
Forçando a barra: Atriz Coadjuvante (Joan Allen)

O FIM DA TURNÊ (The End of the Tour)
Dir: James Ponsoldt

Jesse Eisenberg como o repórter e o Jason Segel como David Foster Wallace em cena de The End of the Tour (photo by elfilm.com)

Jesse Eisenberg como o repórter e o Jason Segel como David Foster Wallace em cena de The End of the Tour (photo by elfilm.com)

A história de uma entrevista que durou 5 dias entre o repórter da Rolling Stone, David Lipsky, e o aclamado autor David Foster Wallace, que aconteceu logo depois da publicação do romance dele chamado “Infinite Jest” em 1996.

Melhor chance: Roteiro Adaptado (Donald Margulies)
Forçando a barra: Ator (Jason Segel)

*** As indicações ao Oscar 2016 serão anunciadas no dia 14 de janeiro.

Indicados à Palma de Ouro de Cannes 2015

Pôster oficial do 68º Festival de Cannes, estrelado por Ingrid Bergman

Pôster oficial do 68º Festival de Cannes, estrelado por Ingrid Bergman

COM IRMÃOS COEN PRESIDENTES DO JÚRI, CANNES APRESENTA NOMES CONSAGRADOS COM POUCAS APOSTAS

Na última quinta-feira, dia 16, o diretor Thierry Frémaux anunciou a seleção oficial de filmes, dando início ao 68º Festival de Cannes, que tem início no dia 13 de maio e vai até o dia 24. Como tem sido tradição nos últimos anos, o pôster do evento foi preenchido por uma estrela de cinema internacional, e este ano, devido ao seu centenário, a escolhida foi a bela e talentosa Ingrid Bergman. Como sua filha Isabella Rossellini (que será presidente da seleção Un Certain Regard) destacou, ela atuou em produções européias modestas como Stromboli (1950) até produções oscarizadas de estúdios hollywoodianos como Casablanca (1943) e Anastácia, a Princesa Esquecida (1956), pelo qual ganhou seu segundo Oscar de Melhor Atriz.

Com esse start clássico, o festival se mostra promissor também pela escolha de seu presidente do júri, ou melhor, dos presidentes: Joel Coen e Ethan Coen. Os irmãos já levaram a Palma de Ouro em 1991 com Barton Fink – Delírios de Hollywood, mais três prêmios de Direção pelo mesmo Barton FinkFargo (1996) e O Homem que Não Estava Lá (2001), além do Grande Prêmio do Júri conquistado ano passado com Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum. Vale lembrar que os irmãos também já levaram o Oscar de Roteiro Original por Fargo, e a trinca de Oscars (Filme, Direção e Roteiro Adaptado) por Onde os Fracos Não Têm Vez em 2008, sendo responsáveis pelos Oscars de atuação de Frances McDormand e Javier Bardem.

Joel Coen e Ethan Coen formam a primeira dupla de presidentes da História de Cannes (photo by Alison Cohen Rosa/ Universal Pictures)

Joel Coen e Ethan Coen formam a primeira dupla de presidentes da História de Cannes (photo by Alison Cohen Rosa/ Universal Pictures)

AUTORES EM ALTA PREENCHEM AS VAGAS, MAS NÃO HÁ LATINO-AMERICANOS

A dupla americana terá prato cheio este ano para eleger os melhores. Dentre os selecionados renomados estão Gus Van Sant (vencedor da Palma de Ouro com Elefante em 2003), o canadense Denis Villeneuve (Os Suspeitos), Todd Haynes (indicado à Palma com Velvet Goldmine em 1998), o italiano Nanni Moretti (vencedor da Palma de Ouro com O Quarto do Filho em 2001), Paolo Sorrentino (vencedor do Oscar de Filme em Língua Estrangeira por A Grande Beleza, esta é sua sexta indicação sem vitória) e o também italiano Matteo Garrone, que já levou o Grande Prêmio do Júri em duas oportunidades com Gomorra (2008) e Reality – A Grande Ilusão (2012).

Matthew McConaughey e Ken Watanabe formam uma dupla nessa história de suicídio em The Sea of Trees, de Gus Van Sant (photo by filmserver.cz)

Matthew McConaughey e Ken Watanabe formam uma dupla nessa história de suicídio em The Sea of Trees, de Gus Van Sant (photo by filmserver.cz)

Neste mundo globalizado, vale destacar também a estréia de dois diretores em produções de língua inglesa. O grego Yorgos Lanthimos, que ficou conhecido pelo estranho Dente Canino (que chegou a concorrer ao Oscar de Filme em Língua Estrangeira em 2010), conta uma história futurista em que todos os solteiros são obrigados a encontrar um par em 45 dias, caso contrário, serão soltos nas florestas como animais. Para ajudar a contar essa ficção científica, The Lobster, ele terá a colaboração de um elenco hollywoodiano formado por Colin Farrell, Rachel Weisz, John C. Reilly, Ben Wishaw e Léa Seydoux. Em termos de elenco, o norueguês Joachim Trier não fica muito atrás. No drama Louder than Bombs, ele contará com Isabelle Huppert, Gabriel Byrne, David Strathairn, Amy Ryan e Jesse Eisenberg.

Da esquerda para a direita: John C. Reilly, Ben Wishaw e Colin Farrell em The Lobster (photo by indiewire.com)

Da esquerda para a direita: John C. Reilly, Ben Wishaw e Colin Farrell em The Lobster (photo by indiewire.com)

Os asiáticos também estão bem representados com o chinês Jia Zhangke, que levou o prêmio de roteiro por Um Toque de Pecado em 2013; o japonês Hirokazu Koreeda retorna com o prêmio do Júri por Pais e Filhos (2013) no currículo; e indicado seis vezes à Palma de Ouro, o taiwanês Hou Hsiao-Hsien, que conquistou o prêmio do Júri em 1993 por Mestre das Marionetes, volta depois de um hiato de 8 anos para tentar sua primeira grande vitória.

Infelizmente, não há representantes latino-americanos na seleção. Normalmente, existe uma produção argentina ou chilena concorrendo, mas essa ausência total acende um alerta para a produção cinematográfica latina e a fragilidade dos incentivos culturais de seus governos, porque alguém aí está devendo. A própria produção brasileira está sumida de Cannes, pois as últimas participações brasileiras foram com o diretor Walter Salles e seu Na Estrada, uma co-produção com a França, em 2012; e com Fernando Meirelles e seu Ensaio Sobre a Cegueira, uma co-produção com Canadá e Japão, em 2008. O último filme brasileiro de fato indicado à Palma de Ouro foi Linha de Passe (2008), de Walter Salles, que levou o prêmio de interpretação feminina para Sandra Corveloni. Se o Cinema brasileiro não estivesse tão “padrão Globo” com comédias bobas que nada têm a dizer, poderia haver mais projeção internacional.

ATORES CANDIDATOS AOS PRÊMIOS DE INTERPRETAÇÃO

Se entre os diretores, a competição já está acirrada, o mesmo pode se dizer dos atores que estão concorrendo aos prêmios de interpretação. Uma das atrizes mais prolixas da atualidade que nunca venceu em Cannes é a australiana Cate Blanchett. Ela larga na frente por sua performance no drama Carol, um romance lésbico ao lado da atriz Rooney Mara que se passa na década de 50 em Nova York. Dependendo do júri, se for do seu agrado, o prêmio pode ser dividido entre as duas, já que não existem regras rígidas como no Oscar.

Cate Blanchett em Carol, de Todd Haynes. (photo by Weinstein Co. through variety.com)

Cate Blanchett em Carol, de Todd Haynes. (photo by Weinstein Co. through variety.com)

Pela adaptação de Shakespeare, Macbeth, pode vir outra forte candidata feminina: a francesa Marion Cotillard. Ela já havia batido na trave duas vezes com Ferrugem e Osso em 2012, e com Dois Dias, Uma Noite em 2014, mas nunca levou o prêmio também. Pelo mesmo MacBeth, o alemão Michael Fassbender deve figurar entre os favoritos entre as performances masculinas, assim como a dupla Matthew McConaughey e Ken Watanabe por The Sea of Trees, de Gus Van Sant. Por Youth, de Paolo Sorrentino,  nomes de peso também chamam atenção: Michael Caine, Harvey Keitel e Jane Fonda. Já pelo filme de Garrone, The Tale of Tales, Salma Hayek e Vincent Cassel são as grandes estrelas. Enfim, será um prato cheio também para os papparazzis do tapete vermelho da Croisette.

Marion Cottilard e Michael Fassbender formam o casal MacBeth no filme homônimo. (photo by vaiety.com)

Marion Cotillard e Michael Fassbender formam o casal Macbeth no filme homônimo. (photo by vaiety.com)

VITRINE FORA DA COMPETIÇÃO

Houve o tempo em que os filmes que não concorriam à Palma de Ouro eram considerados fracos. Hoje, além da forte criatividade da seleção Un Certain Regard (Um Certo Olhar), que visa justamente trazer novo fôlego à linguagem do cinema, existem produções que simplesmente reforçam a importância do Festival de Cannes só por sua participação.

Assim, o novo filme de Woody Allen, a “dramédia” romântica Irrational Man, estrelado por Joaquin Phoenix e Emma Stone, está programado para ser exibido fora da competição. Como Cannes é também uma excelente vitrine de vendas, estão previstas as estréias da refilmagem de George Miller, Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road), estrelado por Tom Hardy e Charlize Theron; a mais nova animação da Pixar, Divertida Mente (Inside Out), com as vozes de Diane Lane, Amy Poehler e Bill Hader; e a mais nova adaptação do clássico infantil de Antoine de Saint-Exupéry, O Pequeno Príncipe, uma animação que conta com as vozes de Rachel McAdams, Jeff Bridges, Benicio Del Toro, James Franco e Marion Cotillard.

Tom Hardy, no papel que revelou Mel Gibson, em Mad Max: Estrada da Fúria (photo by outnow.ch)

Tom Hardy, no papel que revelou Mel Gibson, em Mad Max: Estrada da Fúria (photo by outnow.ch)

Tem se tornado tradição também Cannes abrir espaço para filmes de estréia de atores conhecidos. Ano passado, Ryan Gosling teve seu filme como diretor-estreante, Rio Perdido, exibido na Mostra Camera D’Or. Este ano, a estrela da vez é a israelense Natalie Portman, vencedora do Oscar por Cisne Negro. Ela dirigiu A Tale of Love and Darkness, adaptação de um livro autobiográfico de seu conterrâneo Amos Oz. sobre as décadas de 40 e 50 que ele viveu em Jerusalém. A atriz interpreta a mãe do protagonista.

Natalie Portman em seu primeiro filme como diretora em A Tale of Love and Darkness (photo by celebmafia.com)

Natalie Portman em seu primeiro filme como diretora em A Tale of Love and Darkness (photo by celebmafia.com)

INDICADOS À PALMA DE OURO 2015:

• Standing Tall – FILME DE ABERTURA
Dir: Emmanuelle Bercot

Palma de Ouro

Palma de Ouro

• The Assassin (Nie yin niang)
Dir: Hou Hsiao-Hsien

• Carol (Carol)
Dir: Todd Haynes

• Erran (Deephan)
Dir: Jacques Audiard

• The Lobster
Dir: Yorgos Lanthimos

• Louder Than Bombs
Dir: Joachim Trier

• Macbeth
Dir: Justin Kurzel

• Marguerite and Julien (Marguerite et Julien)
Dir: Valérie Donzelli

• Mon roi
Dir: Maïwenn

• Mountains May Depart (Shan He Gu Ren)
Dir: Jia Zhangke

• My Mother (Mia Madre)
Dir: Nanni Moretti

• Our Little Sister (Umimachi Diary)
Dir: Hirokazu Koreeda

• The Sea of Trees
Dir: Gus Van Sant

• Sicario
Dir: Denis Villeneuve

• A Simple Man (La loi du marché)
Dir: Stéphane Brizé

• Son of Saul (Saul Fia)
Dir: Laszlo Nemes

• The Tale of Tales (Il racconto dei racconti)
Dir: Matteo Garrone

• Youth (La Giovinezza)
Dir: Paolo Sorrentino

Cena de The Assassin, de Hsiao-Hsien Hou (photo by cine.gr)

Cena de The Assassin, de Hou Hsiao-Hsien (photo by cine.gr)

SELEÇÃO UN CERTAIN REGARD 2015:

Seleção Un Certain Regard

Seleção Un Certain Regard

♦ The Chosen Ones
Dir: David Pablos

♦ Fly Away Solo
Dir: Neeraj Ghaywan

♦ The Fourth Direction
Dir: Gurvinder Singh

♦ The High Sun
Dir: Dalibor Matanic

♦ I Am a Soldier
Dir: Laurent Lariviere

♦ Journey to the Shore (Kishibe no Tabi)
Dir: Kiyoshi Kurosawa

♦ Madonna
Dir: Shin Su-won

♦ Maryland
Dir: Alice Winocour

♦ Nahid
Dir: Ida Panahandeh

♦ One Floor Below
Dir: Radu Muntean

♦ The Other Side
Dir: Roberto Minervini

♦ Rams
Dir: Grimur Hakonarson

♦ The Shameless
Dir: Oh Seung-euk

♦ The Treasure
Dir: Corneliu Porumboiu

Cena de Journey to the Shore, de Kyoshi Kurosawa (phot by cine.gr)

Cena de Journey to the Shore, de Kyoshi Kurosawa (phot by cine.gr)

MIDNIGHT SCREENINGS

♠ Amy
Dir: Asif Kapadia

♠ Office
Dir: Hong Won-chan

Cena do documentário sobre a cantora Amy Winehouse, morta em 2011. (photo by cine.gr)

Cena do documentário sobre a cantora Amy Winehouse, morta em 2011. (photo by cine.gr)

SPECIAL SCREENINGS

♣ Amnesia
Dir: Barbet Schroeder

♣ Asphalte
Dir: Samuel Benchetrit

♣ Hayored lema’ala
Dir: Elad Keidan

♣ Oka
Dir: Souleymane Cisse

♣ Panama
Dir: Pavle Vuckovic

♣ A Tale of Love and Darkness
Dir: Natalie Portman

FORA DE COMPETIÇÃO

– Irrational Man
Dir: Woody Allen

– O Pequeno Príncipe (The Little Prince)
Dir: Mark Osborne

– Divertida Mente (Inside Out)
Dir: Pete Docter

– Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road)
Dir: George Miller

Cena da nova animação da Pixar, Divertida Mente, de Pete Docter (photo by cine.gr)

Cena da nova animação da Pixar, Divertida Mente, de Pete Docter (photo by cine.gr)

PRIMEIRA PRÉVIA DO OSCAR 2015! – Para aqueles que não aguentam esperar

 NÃO HÁ FAVORITOS AINDA, MAS FORTES CONCORRENTES

Faltam (apenas) 4 meses para as indicações! Já vale a pena dar uma olhada nos possíveis filmes indicados e fantasiar sobre um ou outro ator ou atriz que nunca ganhou e pode finalmente ter a chance. Particularmente, estou curioso para ver as performances de Michael Fassbender nos filmes MacBeth e Frank, e de Joaquin Phoenix em Inherent Vice, pela evolução constante nas últimas performances, e mesmo sem ter visto o trabalho deles, já torço para que cheguem ao tapete vermelho da Academia. Já pelo que vi, dou meu apoio incondicional para a campanha da primeira indicação para Steve Carell, o comediante de O Virgem de 40 Anos teve seu talento testado pelo diretor Bennett Miller em Foxcatcher.

Claro que ainda há muita especulação que se baseia em nomes consagrados. Na ala dos diretores, Christopher Nolan sempre aparece nas apostas, assim como o britânico Stephen Daldry por seu histórico de 3 indicações sem vitória. Já entre as atrizes, fica impossível desassociar o nome Meryl Streep na hora do burburinho do Oscar. Ela pode ter sido quase uma figurante que ela vai constar nas listas de possíveis indicadas. Este ano, a primeira foto dela como Bruxa/Feiticeira da mega produção Caminhos da Floresta já causou um estardalhaço. E, em menor escala, podemos encaixar Viola Davis também como candidata à atriz coadjuvante sem sequer ver seu trabalho. Sua derrota por Histórias Cruzadas em 2012 ainda deve render uma nova indicação ao Oscar.

Há filmes que certamente serão catapultados na campanha ao Oscar graças ao lobbista Harvey Weinstein. Dentre algumas produções que recebem seu valioso apoio estão: The Imitation Game e MacBeth, além de suas próprias produções como Big Eyes, St. Vincent e O Doador de Memórias. Como sempre comentado aqui, o trabalho de Weinstein impressiona pelas indicações constantes ao Oscar. Só nos últimos anos, ele foi responsável pelos Oscars de Jennifer Lawrence (O Lado Bom da Vida), Meryl Streep (A Dama de Ferro) e de Kate Winslet (O Leitor), além de Melhor Filme para O Artista e O Discurso do Rei.

Também vale ressaltar a crescente importância do Festival de Toronto como prévia do Oscar. Nos últimos anos, os filmes que participaram do evento não-competitivo acabaram vencedores da estatueta: 12 Anos de Escravidão, Argo e A Separação. Este ano, o Festival de Toronto (ou TIFF) acolhe prováveis favoritos ao Oscar como Foxcatcher, Nightcrawler, Whiplash: Em Busca da Perfeição, Maps to the Stars, Mr. Turner, Wild, The Theory of Everything e The Imitation Game. Todos sedentos por um pouco de atenção neste início da corrida ao Oscar 2015.

MELHOR FILME

• American Sniper, de Clint Eastwood
• Big Eyes, de Tim Burton
• Birdman, de Alejandro González Iñárritu
• Foxcatcher: A História que Chocou o Mundo (Foxcatcher), de Bennett Miller
• Garota Exemplar (Gone Girl), de David Fincher
• O Grande Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel), de Wes Anderson
• Corações de Ferro (Fury), de David Ayer
• The Imitation Game, de Morten Tyldum
• Inherent Vice, de Paul Thomas Anderson
• Interestelar (Interstellar), de Christopher Nolan
• Caminhos da Floresta (Into the Woods), de Rob Marshall
• Homens, Mulheres e Filhos (Men, Women & Children), de Jason Reitman
• A Most Violent Year, de J.C. Chandor
• Selma, de Ava DuVernay
• A Teoria de Tudo (The Theory of Everything)
, de James Marsh
• Trash – A Esperança Vem do Lixo (Trash), de Stephen Daldry
• Invencível (Unbroken)
, de Angelina Jolie
• Wild, de Jean-Marc Vallée

Primeiro, vamos aos fatos. Apresentado no Festival de Veneza, Birdman já figura como um forte candidato ao Oscar. Além de seu diretor ser o mexicano Alejandro González Iñárritu, traz o retorno triunfal do ator Michael Keaton, que ficou marcado pelo papel de Batman de Tim Burton. Ainda conta com atores que podem conquistar indicações como coadjuvantes: Emma Stone, Edward Norton e Naomi Watts.

Foxcatcher saiu de Cannes com o prêmio de direção para o jovem Bennett Miller (Capote e O Homem que Mudou o Jogo). Considerado um dos melhores diretores de atores da atualidade, Miller já conseguiu a proeza de extrair uma atuação contida e estranhíssima do ator e comediante Steve Carell que, só por um milagre, não estará no Oscar 2015. Além dele, Mark Ruffalo já vem conquistando os críticos que viram o filme na França. Conta também muito a favor a produção ser assinada por Megan Ellison (da produtora Annapurna), que recebeu duas indicações no Oscar deste ano por Trapaça e Ela. Veja trailer abaixo:

Embora a Academia ainda não tenha abraçado o estilo único de Wes Anderson, seu novo filme, O Grande Hotel Budapeste, pode conquistar uma indicação a Melhor Filme. Como se não bastasse a batalha contra o conservadorismo da Academia, o filme terá dificuldades de manter seu frescor na memória dos votantes, pois o filme estreou nos EUA em março. Até agora, venceu o Urso de Prata de Grande Prêmio do Júri no último Festival de Berlim, e figura nas listas dos críticos de melhores de 2014 até o momento. São possíveis indicações nas categorias de Direção de Arte, Figurino e Roteiro Original, mas seria uma grata surpresa a lembrança como Melhor Filme e Diretor.

E vencedor do Festival de Sundance do Urso de Prata de Direção, o independente Boyhood: Da Infância à Juventude teve como grande destaque as filmagens que levaram mais de 12 anos. A proposta arriscada do diretor Richard Linklater se apoiava no comprometimento do jovem protagonista Ellar Coltrane de continuar as filmagens após esse longo período para acompanhar o crescimento de seu personagem. Com indicações anteriores como roteirista apenas, Linklater pode sonhar mais alto se depender das apostas dos críticos.

Garota Exemplar e Inherent Vice são duas produções aguardadíssimas que o presidente do Festival de Veneza tentou trazer, mas foram selecionadas pelo Festival Internacional de Nova York. Enquanto o primeiro trabalho é assinado por David Fincher com base no best-seller homônimo de Gillian Flynn, o segundo é assinado por Paul Thomas Anderson com base no romance de Thomas Pynchon. Ambos podem e devem conquistar indicações como Melhor Diretor pelo ótimo momento de suas carreiras, o que poderia puxar indicações para Melhor Filme dependendo do sucesso com a crítica e o público.

Cena com Ben Affleck de Garota Exemplar (photo by http://www.outnow.ch)

Os demais trabalhos citados na lista ainda não concretizaram seus favoritismos. A maioria tem presença devido ao prestígio de seus diretores perante a Academia como Clint Eastwood, Jason Reitman, Angelina Jolie e Christopher Nolan, enquanto outros apresentam temas que são típicos dos vencedores do Oscar como The Imitation Game, que aborda a história verídica do matemático que quebra um código em plena Segunda Guerra Mundial, ou a história da vida de um dos maiores físicos do mundo, Stephen Hawking, retratada em The Theory of Everything com um Eddie Redmayne bastante inspirado no papel do protagonista. Ainda pouco comentado, vale citar o filme Selma, que retrata a busca pelo direitos civis por Martin Luther King.

Em se tratando de expectativa, um dos trabalhos mais comentados para esta temporada é a adaptação do livro de James Lapine, Caminhos da Floresta (Into the Woods), dirigido por Rob Marshall, que concorreu a Melhor Diretor por Chicago em 2003. Com um elenco estelar que conta com Meryl Streep, Johnny Depp, Emily Blunt, Chris Pine, Anna Kendrick e Tracey Ullman, o musical tem tudo para conquistar no mínimo o Globo de Ouro de Melhor Filme – Musical ou Comédia. Além da qualidade que só poderá ser comprovada com o lançamento do filme, a única coisa que pode atrapalhar seu sucesso é uma possível censura por parte da Disney, que está por trás da produção. Aliás, este é um medo recorrente em relação à Disney, que costuma “suavizar” as histórias a fim de abranger o público infanto-juvenil, podendo remoldar a saga Star Wars, cujos direitos lhe foram vendidos para desespero dos fãs. Se tudo o mais falhar, pelo menos Caminhos da Floresta deve garantir o 4º Oscar da carreira da figurinista Colleen Atwood.

Cena de Caminhos da Floresta (photo by Disney)

MELHOR DIRETOR

• Paul Thomas Anderson (Inherent Vice)
• Wes Anderson (O Grande Hotel Budapeste)
• Tim Burton (Big Eyes)
• J.C. Chandor (A Most Violent Year)
• Stephen Daldry (Trash – A Esperança Vem do Lixo)
• Ava DuVernay (Selma)
• David Fincher (Garota Exemplar)
• Alejandro González Iñárritu (Birdman)
• Angelina Jolie (Unbroken)
• Tommy Lee Jones (The Homesman)
• Mike Leigh (Mr. Turner)
• Richard Linklater (Boyhood: Da Infância à Juventude)
• Rob Marshall (Caminhos da Floresta)
• Christopher Nolan (Interestelar)
• Jason Reitman (Men, Women & Children)
• Jon Stewart (Rosewater)

• Morten Tyldum (The Imitation Game)
• Jean-Marc Vallée (Wild)

Como já citado, o americano Bennett Miller larga na frente por ter conquistado o prêmio de direção no Festival de Cannes por Foxcatcher. Ele foi indicado anteriormente por Capote em 2006. Logo atrás, o mexicano Alejandro González Iñárritu pode manter a onda latina em alta com Birdman, após seu conterrâneo Alfonso Cuarón ter levado o Oscar de diretor por Gravidade. Iñárritu pode conquistar sua terceira indicação após dupla indicação por Babel como Melhor Filme e Direção em 2007. E pra fechar a trinca de favoritos do momento, Richard Linklater e seu Boyhood: Da Infância à Juventude. Normalmente, a Academia inclui pelo menos um indicado estreante, e este pode ser Linklater, que independente do gênero, sempre busca alguma inovação da linguagem.

Outrora outsider, David Fincher, que já tem produções cultuadas como Seven – Os Sete Crimes Capitais, Clube da Luta e Zodíaco, foi reconhecido pela Academia a partir do poético O Curioso Caso de Benjamin Button. Este ano, ele retorna com outro filme do gênero crime, mas desta vez ele conta com prestígio e o roteiro de uma autora best-seller, podendo conquistar sua terceira indicação como Diretor.

Não dá pra deixar de lado o favoritismo crescente de Angelina Jolie. Após sucesso crítico de seu filme sobre os conflitos na Bósnia, Na Terra de Amor e Ódio, a atriz resolveu investir em outra produção de guerra, Invencível, mas desta vez, a Segunda Guerra Mundial, baseando-se numa história verídica de um atleta olímpico americano capturado como prisioneiro no Japão. E também não dá pra ignorar o novo trabalho do britânico Stephen Daldry, cujos filmes sempre dão um jeito de receber uma indicação ao Oscar. Reconhecido por Billy Elliott, As Horas e O Leitor, ele volta com Trash – A Esperança Vem do Lixo, filmado no Brasil e com os atores Wagner Moura e Selton Mello.

Selton Mello em Trash - A Esperança Vem do Lixo (photo by outnow.ch)

Selton Mello em Trash – A Esperança Vem do Lixo (photo by outnow.ch)

Já entre os diretores que nunca conseguiram uma indicação, Christopher Nolan aparece como forte candidato pela ficção científica Interestelar. Após bater na trave com Batman – O Cavaleiro das Trevas (2008) e A Origem (2010), o trabalho dele pode finalmente ganhar destaque e satisfazer milhões de fãs e alguns críticos. Particularmente, torço para a inédita indicação de Wes Anderson por O Grande Hotel Budapeste e, mesmo sem ter visto o filme, torço também por Tim Burton e seu filme biográfico Big Eyes.

MELHOR ATOR

• Ben Affleck (Garota Exemplar)
• Chadwick Boseman (James Brown)

• Steve Carell (Foxcatcher)
• Benedict Cumberbatch (The Imitation Game)
• Benicio Del Toro (Escobar: Paradise Lost)

• Michael Fassbender (Frank)
• Michael Fassbender (MacBeth)
• Ralph Fiennes (O Grande Hotel Budapeste)
• Jake Gyllenhaal (Nightcrawler)
• Oscar Isaac (A Most Violent Year)
• Michael Keaton (Birdman)
• Bill Murray (St. Vincent)
• Jack O’Connell (Unbroken)
• David Oyelowo (Selma)

• Al Pacino (Manglehorn)
• Joaquin Phoenix (Inherent Vice)

• Brad Pitt (Corações de Ferro)
• Eddie Redmayne (The Theory of Everything)
• Timothy Spall (Mr. Turner)
• Channing Tatum (Foxcatcher)

Até o momento, o único ator premiado foi o britânico Timothy Spall pelo filme biográfico do pintor J.M.W. Turner no último Festival de Cannes. Contudo, embora seja um excelente diretor de atores, a última performance indicada ao Oscar sob a direção de Mike Leigh foi de Imelda Staunton em 2005 por O Segredo de Vera Drake, o que pode dificultar as chances dele.

Com boas chances de ser premiado em Veneza, Michael Keaton vem recebendo elogios por esse retorno triunfal. Em Birdman, ele interpreta um ator conhecido por viver um super-herói e agora tenta justamente um retorno na Broadway. Essa história remete bastante à trajetória do próprio Michael Keaton, que ficou marcado por viver o herói mascarado Batman e desacelerou sua carreira promissora. Segundos as críticas, sua atuação em Birdman consegue expressar “arrogância, insegurança e desespero num só respiro”. Pode se tornar a sua primeira indicação e a 6ª indicação de um ator sob a direção de Iñárritu.

Outro que deve conquistar sua indicação inédita é Steve Carell, mais conhecido por papéis em comédias como O Virgem de 40 Anos e Agente 86. O diretor Bennett Miller enxergou potencial dramático nele e o ator não decepciona, apresentando uma atuação contida, precisa e assustadora, com direito a uma mudança de visual com cabelos grisalhos e uma prótese no nariz. Tais métodos costumam ser reconhecidos pela Academia como foi o caso do Oscar para Charlize Theron por Monster – Desejo Assassino. Existe uma possibilidade do jovem Channing Tatum receber sua primeira indicação pelo mesmo Foxcatcher, contudo, a disputa na categoria é sempre acirrada e a última vez que houve dois indicados a Melhor Ator pelo mesmo filme foi em 1985, quando Tom Hulce e F. Murray Abraham competiram juntos por Amadeus, tendo o último vencido o Oscar.

Além do aspecto visual, que pode beneficiar os 13 quilos perdidos por Jake Gyllenhall em Nightcrawler, a Academia adora papéis baseados em fatos verídicos, o que deve elevar demais as chances de Eddie Redmayne que interpreta o jovem Stephen Hawking em The Theory of Everything. Claro que a atuação também deve acompanhar a qualidade da transformação, e esse talento o jovem Benedict Cumberbatch tem de sobra. Ele vive outra figura histórica: o matemático Alan Turing, que decifrou um código nazista em plena guerra em The Imitation Game.

Sem o mesmo impacto de um Jamie Foxx como Ray Charles, o jovem e desconhecido Chadwick Boseman pode figurar em listas de melhores ao interpretar o também músico James Brown no filme homônimo. Mas a maior aposta até o momento sem analisar a performance está nas mãos de Joaquin Phoenix, novamente sob direção de Paul Thomas Anderson, com quem trabalhou em O Mestre. Embora com alguns parafusos a menos, o ator está em extrema ascensão em Hollywood e deve confirmar seu favoritismo na casa de apostas por Inherent Vice. Já a minha aposta pessoal vai para um dos trabalhos de Michael Fassbender, seja por Frank, no qual atua usando uma cabeça em formato de desenho, seja pela adaptação de Shakespeare em MacBeth.

MELHOR ATRIZ

• Amy Adams (Big Eyes)
• Jessica Chastain (The Disappearance of Eleanor Rigby)
• Jessica Chastain (Miss Julie)
• Jessica Chastain (A Most Violent Year)
• Marion Cotillard (Two Days, One Night)
• Keira Knightley (Mesmo Se Nada Der Certo)
• Jennifer Lawrence (Serena)
• Juliane Moore (Maps to the Stars)
• Rosamund Pike (Garota Exemplar)
• Meryl Streep (Caminhos da Floresta)
• Hilary Swank (The Homesman)
• Michelle Williams (Suite Française)
• Reese Witherspoon (Wild)
• Shailene Woodley (A Culpa é das Estrelas)

Apesar de não ser a melhor prévia para o Oscar, o Festival de Cannes premiou este ano a atriz Julianne Moore por Maps to the Stars, o que não pode ser simplesmente ignorado pela Academia, ainda mais por se tratar de uma atriz muito querida que já foi indicada em 4 oportunidades, mas nunca levou a estatueta. Suas chances devem aumentar se for indicada como atriz coadjuvante, categoria que costuma ter concorrência menos acirrada.

Agora, se depender do burburinho, Reese Witherspoon já deve garantir sua segunda indicação por Wild. Baseado na história real de Cheryl Strayed de percorrer mais de 1.700km a fim de superar uma catástrofe recente, o filme vem sendo apontado como uma das maiores surpresas do prestigiado Festival de Toronto. Witherspoon, que vinha atuando apenas em filmes comerciais após ganhar o Oscar por Johnny & June, pode recuperar sua reputação de boa atriz.

Em 2012, Jessica Chastain tinha três filmes que poderiam lhe render uma indicação ao Oscar, o que aconteceu por Histórias Cruzadas. Este ano, por nova coincidência de lançamentos, ela tem nova trinca de performances que podem lhe beneficiar na reta final, sendo que em Miss Julie ela é dirigida pela legendária atriz sueca Liv Ullmann, e em A Most Violent Year pelo inspirado J.C. Chandor de Margin Call – O Dia Antes do Fim e Até o Fim. Chastain quase ganhou por A Hora Mais Escura em 2013.

Se a atuação de Amy Adams como a pintora Margaret Keane chamar a atenção da crítica, ela pode ficar com uma mão na estatueta. Seria a 6ª indicação dela em apenas nove anos e sem nenhuma vitória! A Academia está muito disposta a premiá-la, mas talvez esteja esperando uma atuação realmente digna com aqueles elementos já citados aqui como mudança visual ou mesmo no tom de voz, e não apenas uma peruca loira. Teremos de aguardar pra ver o que Tim Burton conseguiu extrair de Amy Adams…

Também por acúmulo de indicações anteriores, Michelle Williams pode voltar ao tapete vermelho por Suite Française, mas a verdadeira carta na manga aqui é o tema do filme: romance entre uma francesa e um soldado alemão em plena Segunda Guerra Mundial. Os votantes judeus já estão cruzando os dedos… E vale lembrar de um favoritismo prévio da jovem Shailene Woodley como a Hazel do best-seller A Culpa é das Estrelas. Apesar da adaptação meio melosa, o filme possibilita Woodley mostrar seu talento sem ser piegas. A favor dela, tem o sucesso de seu outro filme Divergente.

MELHOR ATOR COADJUVANTE

• Dan Aykroyd (James Brown)
• Josh Brolin (Inherent Vice)

• Albert Brooks (A Most Violent Year)
• Johnny Depp (Caminhos da Floresta)
• Robert Duvall (The Judge)
• Neil Patrick Harris (Garota Exemplar)
• Philip Seymour Hoffman (O Homem Mais Procurado)
• Logan Lerman (Corações de Ferro)
• Edward Norton (Birdman)
• Tim Roth (Selma)
• Mark Ruffalo (Foxcatcher)
• J.K. Simmons (Whiplash)
• Benicio Del Toro (Inherent Vice)
• Christoph Waltz (Big Eyes)
• Tom Wilkinson (Selma)

À princípio, esta pode ser a oportunidade de ouro para a Academia premiar finalmente Johnny Depp naquela que seria sua quarta indicação, porém a primeira como coadjuvante. Infelizmente, ainda não é possível analisar se sua atuação é digna de premiação ou seria apenas especulação por seu histórico como ator. Esperamos que seja uma performance à altura de uma indicação e não simplesmente pelo nome. Além disso, é necessário verificar o quanto seu trabalho será beneficiado por efeitos digitais, já que seu personagem é um lobisomem em Caminhos da Floresta.

Pela repercussão no Festival de Toronto, já incluiria o nome do veterano Robert Duvall, que divide a tela com o astro Robert Downey Jr. em The Judge, no qual interpreta um juiz de uma pequena cidade acusado de assassinato. Esta seria a sétima indicação de Duvall, que ganhou o Oscar pelo tocante A Força do Carinho em 1984. Como a última indicação dele foi lá em 1999 por A Qualquer Preço, esta pode ser o retorno que a Academia vinha aguardando para premiá-lo novamente sem depender de um Oscar Honorário, afinal, Duvall já tem 83 anos.

Mas os grandes favoritos da categoria atendem pelos nomes: Mark Rufallo e J.K. Simmons. O primeiro é um dos atores mais versáteis da atualidade, recebeu sua primeira indicação em 2011 por Minhas Mães e Meu Pai, e está curtindo o auge de sua fama como Bruce Banner/Hulk dos filmes dos Vingadores da Marvel Comics. Em Foxcatcher, ele é o irmão que busca proteger o atleta olímpico da obsessão doentia do treinador de luta livre, tarefa que o fez ganhar peso e aumentar suas chances no Oscar. Já o segundo, ficou mundialmente conhecido por ser o chefe de Peter Parker/Homem-Aranha, J.J. Jameson nos filmes dirigidos por Sam Raimi. Embora J.K. Simmons também tenha feito ótima parceria com o diretor Jason Reitman, ele vem conquistando boas críticas por Whiplash: Em Busca da Perfeição, no qual atua como treinador de um jovem baterista (Miles Teller).

Ainda cedo pra analisar, mas com boas chances temos: Benicio Del Toro e Josh Brolin por Inherent Vice; Christoph Waltz por Big Eyes; e Albert Brooks por A Most Violent Year. Já no campo mais concreto, segundo a resposta no Festival de Veneza, Edward Norton pode voltar a concorrer ao Oscar por Birdman após 16 anos, podendo retomar aquele caminho promissor dos anos 90.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

• Patricia Arquette (Boyhood: Da Infância à Juventude)
• Viola Davis (James Brown)
• Laura Dern (Wild)
• Kaitlyn Dever (Men, Women & Children)
• Anne Hathaway (Interestelar)

• Jennifer Garner (Men, Women & Children)
• Felicity Jones (The Theory of Everything)
• Anna Kendrick (Caminhos da Floresta)
• Keira Knightley (The Imitation Game)
• Julianne Moore (Maps to the Stars)
• Miranda Otto (The Homesman)

• Vanessa Redgrave (Foxcatcher)
• Octavia Spencer (James Brown)
• Emma Stone (Birdman)
• Marisa Tomei (O Amor é Estranho)
• Naomi Watts (Birdman)

Primeiramente, volto a ressaltar que Julianne Moore pode concorrer como coadjuvante por seu papel vencedor do prêmio de Melhor Atriz em Cannes. Na maioria das vezes, é a própria distribuidora, encarregada do lobby, que decide em qual categoria a atriz deve concorrer a fim de aumentar as chances de vitória.

Até o momento, uma das favoritas é Laura Dern por Wild. Filha do ator Bruce Dern, que concorreu ao Oscar este ano por Nebraska, ela chegou a ser indicada uma vez por As Noites de Rose no início dos anos 90, mas ficou mais famosa pelo blockbuster de Steven Spielberg, Jurassic Park – O Parque dos Dinossauros (1993). Pela calorosa recepção do Festival de Toronto, ela deve conquistar sua segunda indicação, fortalecendo a campanha do filme no Oscar. A seu favor, também conta sua participação no drama A Culpa é das Estrelas.

Já para os especialistas em Oscar, Patricia Arquette está na frente da disputa por seu papel de mãe em Boyhood: Da Infância à Juventude. Sua personagem é uma observadora atenta do crescimento de seu filho dos 5 aos 18 anos, gerando momentos maternos simples, porém tocantes como o primeiro dia de faculdade. Embora nunca tenha sido indicada para o prêmio da Academia, no mínimo, Arquette deve figurar na lista final.

Em alta por sua parceria com Woody Allen em Magia ao Luar e o sucesso de O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro, Emma Stone já pode colher os frutos através do trabalho com Alejandro González Iñárritu. Em Birdman, ela interpreta a filha problemática de Michael Keaton, passando por clínicas de reabilitação e constantes recaídas. Mais conhecida por sua veia cômica, a jovem atriz demonstra novas facetas em um trabalho mais dramático, uma característica que a Academia costuma ver com bons olhos.

Apoiada pelo recente histórico de indicações sem vitória, Viola Davis pode retornar ao tapete vermelho com o papel de mãe de James Brown. Além de seu talento habitual que tridimensionaliza personagens menores, ela conta com o triunfo da maquiagem envelhecedora, que tanto favorece as interpretações premiadas. Caso ocorra, esta será sua terceira indicação ao Oscar e com grandes chances de vitória, uma vez que ela repete parceria vencedora com o diretor Tate Taylor de Histórias Cruzadas.

MELHOR ANIMAÇÃO

• Operação Big Hero 6 (Big Hero 6), de Don Hall, Chris Williams
• Festa no Céu (Book of Life), de Jorge R. Gutierrez
• Os Boxtrolls (The Boxtrolls), de Graham Annable e Anthony Stacchi
• Como Treinar o seu Dragão 2 (How to Train your Dragon 2), de Dean DeBlois
• The Tale of Princess Kaguya (Kaguyahime no Monogatari), de Isao Takahata
• Uma Aventura LEGO (The Lego Movie)
, de Phil Lord e Christopher Miller
• As Aventuras de Peabody & Sherman (Mr. Peabody & Sherman), de Rob Minkoff
• Os Pinguins de Madagascar (Penguins of Madagascar), de Eric Darnell e Simon J. Smith
• Song of the Sea
, de Tomm Moore

Virou praxe: todo ano em que a Pixar está ausente, não há favoritos. O estúdio elevou tanto o nível de qualidade da animação que o cinema fica sem referência sem seus filmes. A briga deve se concentrar entre Operação Big Hero 6, Como Treinar seu Dragão 2 e Uma Aventura LEGO, com uma ligeira vantagem para o último por seu sucesso nas bilheterias nos EUA, que ultrapassa os 250 milhões de dólares.

E como de costume, a Academia gosta de incluir animações oriundas de outras nações, sendo Japão a mais indicada entre os estrangeiros. Na ausência do mestre Hayao Miyazaki, indicado este ano por Vidas ao Vento, outro mestre nipônico pode tomar seu lugar no Oscar: Isao Takahata, responsável por uma das animações mais tocantes de todos os tempos: Túmulo dos Vagalumes (1988). Seu mais novo trabalho, The Tale of Princess Kaguya, também foi produzido pelo Studio Ghibli de Miyazaki, e contém elementos fantásticos como a princesa do título ser do tamanho de um dedo.

Claro que se houver mais uma vaga pra animação estrangeira, a vaga pode ficar com o irlandês Song of the Sea, do mesmo Tomm Moore que foi indicado em 2010 por Uma Viagem ao Mundo das Fábulas (The Secret of Kells).

‘Jogos Vorazes: Em Chamas’ é o grande vencedor do MTV Movie Awards 2014

Os atores Sam Claflin (esq) e Josh Hutcherson (dir) recebem prêmio de Melhor Filme das mãos de Johnny Depp (centro). (photo by straitstimes.com)

Os atores Sam Claflin (esq) e Josh Hutcherson (dir) recebem prêmio de Melhor Filme das mãos de Johnny Depp (centro). (photo by straitstimes.com)

MTV Movie Awards 2014 (art by www.mtv.com)

MTV Movie Awards 2014 (art by http://www.mtv.com)

23 ANOS DE MTV MOVIE AWARDS: DECLÍNIO OU APENAS MUDANÇA DE GOSTOS?

Chamem-me de saudosista, mas houve uma época em que o MTV Movie Awards era considerado um dos prêmios mais ‘cool’ de todos. Ele destoava dos demais prêmios tradicionais como Oscar e Globo de Ouro já pelas categorias bem criativas como Melhor Vilão, Melhor Beijo, Melhor Seqüência de Dança e, meu favorito: Mulher Mais Desejada (vulgo Mais Gostosa). Aliás, até hoje não entendo a extinção desse prêmio. Seriam os tempos atuais tão politicamente corretos a ponto de deixar de eleger a sensualidade de um personagem?

Ao longo desses 23 anos de existência, o prêmio sofreu algumas alterações que refletem seu tempo. Por exemplo, com a alta quantidade de adaptações de histórias em quadrinhos, era mera questão de tempo criarem a categoria Melhor Herói, este ano vencida por Henry Cavill, o novo Super-Homem. Contudo, nem sempre a criatividade serve ao bem: Melhor Performance Sem Camisa é uma idiotice sem fundamento.

Embora haja mudanças, o grande calcanhar de Aquiles do MTV Movie Awards é justamente aquela que já foi uma de suas maiores proezas: o voto do público. Nos anos 90, os votos do grande público elegeram ótimos produções como O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final, Pulp Fiction – Tempo de Violência e Seven: Os Sete Pecados Capitais como Melhor Filme de seus respectivos anos. Hoje, o público elege quase todos os filmes da série Saga Crepúsculo (de 2009 a 2012) e Transformers como Melhor Filme. Que me desculpem as fãs dos vampiros assexuados que brilham, e os meninos que curtem robôs de carrinhos, mas o que aconteceu?! A lavagem cerebral dos produtores de Hollywood surtiu efeito?

Começando com o pé direito: O primeiríssimo MTV Movie premiou O Exterminador do Futuro 2. Da esquerda para direita: Edward Furlong, Robert Patrick, Arnold Schwarzenegger, James Cameron e Linda Hamilton. (photo by guycodeblog.mtv.com)

ONTEM: Começando com o pé direito: O primeiríssimo MTV Movie premiou O Exterminador do Futuro 2. Da esquerda para direita: Edward Furlong, Robert Patrick, Arnold Schwarzenegger, James Cameron e Linda Hamilton. (photo by guycodeblog.mtv.com)

Elenco de A Saga Crepúsculo: Amanhecer - Parte 1 (com Taylor Lautner no centro e Kristen Stewart à direita) sobe ao palco para receber Melhor Filme (photo by vanamyanda.blogspot.com)

HOJE: Elenco de A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1 (com Taylor Lautner no centro e Kristen Stewart à direita) sobe ao palco para receber Melhor Filme (photo by vanamyanda.blogspot.com)

E com o sistema de votos pela internet, nem dá pra culpar a organização do evento, pois eles apenas divulgam os resultados das votações online. Eles até inserem alguns filmes bacanas na competição, mas o voto final acaba indo para os chamados filmes-febre. Por exemplo: este ano O Lobo de Wall Street estava entre os 5 indicados a Melhor Filme, mas acabou perdendo para Jogos Vorazes: Em Chamas. Tratava-se de uma oportunidade única de premiar um dos melhores filmes de 2013, que só não foi premiado pela Academia porque a maioria votante é conservadora demais, porém, aparentemente, o filme de Scorsese também seria muito complexa ou madura para o grande público. Uma pena.

Além dessa mudança de votos, hoje, o MTV Movie Awards deixou de ser um reconhecimento artístico alternativo para ser uma grande vitrine de produções prestes a estrear. Este ano, transmitiram um vídeo estrelado por Andrew Garfield, Emma Stone e Jamie Foxx durante a cerimônia ao vivo para promover O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro, que será lançado no próximo dia 1º de maio. Claro que se trata de uma ótima estratégia de marketing, mas que acaba maquiando os reais propósitos de reconhecer a qualidade dos filmes concorrentes.

Andrew Garfield, Emma Stone e Jamie Foxx fazem uma promoção deslavada de O Espetacular Homem-Aranha 2 em vídeo (photo by mtv.co.uk)

Andrew Garfield, Emma Stone e Jamie Foxx fazem uma promoção deslavada de O Espetacular Homem-Aranha 2 em vídeo (photo by mtv.co.uk)

Nesse ponto do texto, talvez meu saudosismo dê lugar a uma crítica mais ferrenha deslocada, afinal, o MTV Movie Awards é algo light e muitas vezes sem fundamentos cinematográficos. No entanto, como cinéfilo, é um tanto frustrante acompanhar um prêmio que começou bastante promissor ao reconhecer produções de ótima qualidade e que dificilmente ganhariam o Oscar, mas que acabou decaindo por confiar demais no gosto do público. Particularmente, eu limitaria os votos do público a acrescentar um indicado ou funcionar como um critério de desempate, mas minha sugestão ditatorial acabaria alterando demais o formato do prêmio… Resta a nós conformar-se com os resultados.

CONFIRA OS VENCEDORES DA EDIÇÃO 2014:

Jogos Vorazes: Em Chamas levou Melhor Filme, Ator e Atriz (photo by elfilm.com)

Jogos Vorazes: Em Chamas levou Melhor Filme, Ator e Atriz (photo by elfilm.com)

FILME DO ANO
– 12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave)
– O Hobbit: A Desolação de Smaug (The Hobbit: The Desolation of Smaug)
• Jogos Vorazes: Em Chamas (The Hunger Games: Catching Fire)

– O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street)
– Trapaça (American Hustle)

MELHOR ATOR
– Bradley Cooper (Trapaça)
– Leonardo DiCaprio (O Lobo de Wall Street)
– Chiwetel Ejiofor (12 Anos de Escravidão)
Josh Hutcherson (Jogos Vorazes: Em Chamas)
– Matthew McConaughey (Clube de Compras Dallas)

MELHOR ATRIZ
– Amy Adams (Trapaça)
– Jennifer Aniston (Família do Bagulho)
– Sandra Bullock (Gravidade)
• Jennifer Lawrence (Jogos Vorazes: Em Chamas)
– Lupita Nyong’o (12 Anos de Escravidão)

REVELAÇÃO
– Liam James (O Verão da Minha Vida)
– Michael B. Jordan (Fruitvale Station: A Última Parada)
• Will Poulter (Família do Bagulho)
– Margot Robbie (O Lobo de Wall Street)
– Miles Teller (The Spectacular Now)

MELHOR BEIJO
– Joseph Gordon-Levitt e Scarlett Johansson (Como Não Perder Essa Mulher)
– James Franco, Vanessa Hudgens e Ashley Benson (Spring Breakers: Garotas Perigosas)
– Shailene Woodley e Miles Teller (The Spectacular Now)
– Jennifer Lawrence e Amy Adams (Trapaça)
• Emma Roberts, Jennifer Aniston e Will Poulter (Família do Bagulho)

MELHOR LUTA
– Jonah Hill vs. Seth Rogen + James Franco (É o Fim)
– Will Ferrell + Paul Rudd + David Koechner + Steve Carell vs. James Marsden, Gregg Kinnear, Jim Carrey, Marion Cotillard, Sacha Baron Cohen, Liam Neeson, John C. Reilly, Kanye West, Tina Fey, Amy Poehler e Will Smith (Tudo por um Furo)
– Jennifer Lawrence + Sam Claflin + Josh Hutcherson vs. the Monkeys (Jogos Vorazes: Em Chamas)
Orlando Bloom + Evangeline Lilly vs. the Orcs (O Hobbit: A Desolação de Smaug)
– Jason Bateman vs. Melissa McCarthy (Uma Ladra Sem Limites)

MELHOR PERFORMANCE EM COMÉDIA
– Kevin Hart (Ride Along)
Jonah Hill (O Lobo de Wall Street)
– Johnny Knoxville (Jackass Apresenta: Vovô Sem Vergonha)
– Melissa McCarthy (As Bem-Armadas)
– Jason Sudeikis (Família do Bagulho)

MELHOR PERFORMANCE DE TERROR
– Rose Byrne (Sobrenatural: Capítulo 2)
– Jessica Chastain (Mama)
– Vera Farmiga (Invocação do Mal)
– Ethan Hawke (Uma Noite de Crime)
Brad Pitt (Guerra Mundial Z)

MELHOR DUPLA
– Amy Adams e Christian Bale (Trapaça)
– Matthew McConaughey e Jared Leto (Clube de Compras Dallas)
Vin Diesel e Paul Walker (Velozes & Furiosos 6)
– Ice Cube e Kevin Hart (Ride Along)
– Jonah Hill e Leonardo DiCaprio (O Lobo de Wall Street)

MELHOR PERFORMANCE SEM CAMISA
– Jennifer Aniston (Família do Bagulho)
– Sam Claflin (Jogos Vorazes: Em Chamas)
– Leonardo DiCaprio (O Lobo de Wall Street)
• Zac Efron (Namoro ou Liberdade)
– Chris Hemsworth (Thor: O Mundo Sombrio)

#WTF MOMENT
– A batida do trailer (Tudo por um Furo)
– O concurso de beleza (Jackass Apresenta: Vovô Sem Vergonha)
– Sexo com o carro (O Conselheiro do Crime)
A cena do lude (O Lobo de Wall Street)
– O novo animal de estimação de Danny McBride (É o Fim)

MELHOR VILÃO
– Barkhad Abdi (Capitão Phillips)
– Benedict Cumberbatch (Além da Escuridão: Star Trek)
– Michael Fassbender (12 Anos de Escravidão)
• Mila Kunis (Oz: Mágico e Poderoso)
– Donald Sutherland (Jogos Vorazes: Em Chamas)

MELHOR TRANSFORMAÇÃO
– Christian Bale (Trapaça)
– Elizabeth Banks (Jogos Vorazes: Em Chamas)
– Orlando Bloom (O Hobbit: A Desolação de Smaug)
Jared Leto (Clube de Compras Dallas)
– Matthew McConaughey (Clube de Compras Dallas)

PERSONAGEM FAVORITO
Shailene Woodley (Divergente)
– Jennifer Lawrence (Jogos Vorazes: Em Chamas)
– Tom Hiddleston (Thor: O Mundo Sombrio)
– Kristen Bell (Veronica Mars)
– Benedict Cumberbatch (Além da Escuridão: Star Trek)

MELHOR MOMENTO MUSICAL
Backstreet Boys, Jay Baruchel, Seth Rogen e Craig Robinson (É o Fim)
– Jennifer Lawrence cantando ‘Live and Let Die’ (Trapaça)
– Leonardo DiCaprio dançando ‘Pretty Thing’ (O Lobo de Wall Street)
– Melissa McCarthy cantando ‘Barracuda’ (Uma Ladra Sem Limites)
– Will Poulter cantando ‘Waterfalls’ (Família do Bagulho)

MELHOR PARTICIPAÇÃO ESPECIAL
– Robert De Niro (Trapaça)
– Tina Fey e Amy Poehler (Tudo por um Furo)
– Kanye West (Tudo por um Furo)
– Joan Rivers (Homem de Ferro 3)
Rihanna (É o Fim)

MELHOR HERÓI
Henry Cavill como Super-Homem (O Homem de Aço)
– Robert Downey Jr. como Homem de Ferro (Homem de Ferro 3)
– Martin Freeman como Bilbo Baggins (O Hobbit: A Desolação de Smaug)
– Chris Hemsworth como Thor  (Thor: O Mundo Sombrio)
– Channing Tatum como John Cale (O Ataque)

TRAILBLAZER AWARD: Channing Tatum

GENERATION AWARD: Mark Wahlberg

O Lobo de Wall Street conquistou (photo by outnow.ch)

O Lobo de Wall Street levou 2 prêmios menores: performance de comédia e wtf moment (photo by outnow.ch)

‘Gravidade’ e ‘Trapaça’ lideram as indicações ao Oscar 2014

the-oscars

COM TODAS AS CATEGORIAS BEM PREENCHIDAS, HOUVE POUCO ESPAÇO PARA SURPRESAS, SEJAM AGRADÁVEIS OU INDESEJÁVEIS

OK. Depois de vários anos convidando atrizes para anunciar as indicações ao Oscar, as indicadas finalmente tiveram o prazer de terem seus nomes pronunciados pelo sotaque australiano de Chris Hemsworth. E pelo visto, o tom mais cômico e informal do ano passado criado pela dupla Seth MacFarlane e Emma Stone não deve ter agradado a todos. A presidente da Academia, Cheryl Boone Isaacs, retoma a presença da comissão oficial ao palanque. E a ordem alfabética dos indicados foi reestabelecida.

NÚMEROS DO OSCAR 2014

Os grandes recordistas de indicações este ano são Gravidade e Trapaça com 10 indicações. Logo atrás, 12 Anos de Escravidão vem com 9 indicações. Os três estão competindo nas principais categorias, entre elas: Melhor Filme e Diretor.

Nos últimos anos, o recorde de indicações no ano não tem significado garantia de Oscar de Melhor Filme. No ano passado, por exemplo, Lincoln teve 12 indicações e acabou chupando os dedos com apenas dois Oscars, enquanto Argo se tornou Melhor Filme com 7 indicações.

Com 6 indicações, temos Nebraska e Capitão Phillips. Com 5: O Lobo de Wall Street, Ela e Clube de Compras Dallas, seguidos por Philomena com 4.

SURPRESAS OU PEQUENAS ALTERAÇÕES NOS INDICADOS?

Apesar deste ano haver pouca chance para surpresas pelo elevada quantidade de competidores de alto nível, algumas trocas chegaram a surpreender. Contrariando o mais parelho de todos os prêmios, o DGA, Alexander Payne (Nebraska) substituiu Paul Greengrass (Capitão Phillips), denotando um prestígio colossal de Payne em Hollywood. Esta é sua 3ª indicação como diretor (foi indicado por Sideways e Os Descendentes), e já ganhou 2 vezes como roteirista (Sideways e Os Descendentes). Nebraska totaliza seis indicações e pode render o Oscar para o veterano Bruce Dern.

À direita, Alexander Payne dirige o veterano Bruce Dern em set de Nebraska. Ele conseguiu sua 3ª indicação como diretor (photo by www.collider.com)

À direita, Alexander Payne dirige o veterano Bruce Dern em set de Nebraska. Ele conseguiu sua 3ª indicação como diretor (photo by http://www.collider.com)

Aliás, em sua categoria de Mehor Ator, Tom Hanks (Capitão Phillips) foi cortado de última hora. Embora não tenha vencido nenhum prêmio expressivo por essa atuação, ele vinha figurando em quase todas as listas dos melhores de 2013. Hanks também fica de fora da categoria de coadjuvante pelo filme Walt nos Bastidores de Mary Poppins. Recém-vitorioso no Globo de Ouro, Leonardo DiCaprio conseguiu sua 4ª indicação após ser ignorado pela Academia no ano passado por Django Livre.

Havia um certo hype para indicarem o galã veterano Robert Redford por Até o Fim, mas não se concretizou. Apesar de ser conhecido como ator, ele ganhou seu único Oscar como diretor em 1981 pelo drama Gente Como a Gente. Até o Fim (All is Lost) venceu o Globo de Ouro de Melhor Triha Musical, mas teve que se contentar com a única indicação para Melhores Efeitos Sonoros.

Já na ala feminina, a vencedora do Globo de Ouro, Amy Adams (Trapaça) finalmente obteve sua primeira indicação como Melhor Atriz. Suas quatro indicações anteriores foram sempre como Atriz Coadjuvante. Num ano em que teve três trabalhos em destaque (além de Trapaça, houve Ela e O Homem de Aço), sua indicação comprova essa extrema ascensão em Hollywood. Ela não é bem do tipo que se transforma fisicamente e sequer usa maquiagem para ficar mais feia (sim, ela sempre tem esse rostinho lindo de patricinha), mas ela sabe encarnar bem personagens bem distintos. Já foi garçonete, princesa, cozinheira e freira. Podia talvez ter modificado um pouco sua aparência para O Mestre, mas ela consegue entregar uma performance diferente num papel ameaçador que merecia mais tempo no filme de Paul Thomas Anderson.

Amy Adams em personagem no filme Trapaça. 1ª indicação como atriz principal (photo by www.collider.com)

Amy Adams em personagem no filme Trapaça. 1ª indicação como atriz principal (photo by http://www.collider.com)

E temos mais um novo recorde para Meryl Streep. 18ª indicação ao Oscar! Apesar de ter vencido há 2 anos por A Dama de Ferro, Meryl é sempre uma forte candidata mesmo quando sua personagem em Álbum de Família é grossa e amarga. Ela perdeu o Globo de Ouro para Amy Adams, mas consegue a vaga que poderia ter sido da britânica Emma Thompson (por Walt nos Bastidores de Mary Poppins). Aliás, o filme sobre a autora e criadora de Mary Poppins só não ficou totalmente de fora do Oscar 2014, porque a trilha musical de Thomas Newman salvou o filme do esquecimento.

Continuando nos atores, vale destacar a segunda indicação para o jovem Jonah Hill por O Lobo de Wall Street. Ele havia sido indicado anteriormente por O Homem que Mudou o Jogo na mesma categoria. Seu reconhecimento comprova o prestígio que Scorsese tem na direção de atores, pois se dependesse do currículo de comédias, dificilmente Hill teria chances no Oscar. Particularmente, adoro Jonah Hill em Superbad – É Hoje (2007), e me surpreendi com o amadurecimento do ator em tão pouco tempo. Sem 2012 ele tirou Albert Brooks da categoria, este ano ele tirou a boa atuação de Daniel Brühl (Rush: No Limite da Emoção), que vinha aparecendo em todas as listas de coadjuvante.

Jonah Hill conquista sua segunda indicação com apenas 30 anos (photo by movies.yahoo.com)

Jonah Hill conquista sua segunda indicação com apenas 30 anos (photo by movies.yahoo.com)

Entre as mulheres, havia uma forte pressão para que a Academia indicasse a estrela maior da TV americana, Oprah Winfrey por O Mordomo da Casa Branca, pois ela traria peso ao tapete vermelho do Oscar. Felizmente, os membros votantes não se intimidaram com a figura de Oprah e indicaram a britânica Sally Hawkins, por uma performance e personagens mais consistentes em Blue Jasmine.

Minha maior alegria foi ver duas produções estrangeiras concorrendo no Oscar de Melhor Animação: o japonês Vidas ao Vento, de Hayao Miyazaki, e o francês Ernest & Celestine, de Benjamin Renner e Didier Brunner, comprovando a força da escola francesa de animação. Apesar de admirar os filmes da Pixar, acho que ultimamente eles não têm acertado na escolha dos projetos. Fazer sequências nem sempre é o melhor negócio. Universidade Monstros não concorre ao Oscar. Não sei se a vitória será de um dos estrangeiros, mas se tiver de ser americana, torço por Os Croods.

Ernest & Celestine (França) e Vidas ao Vento (Japão) fazem uma mini briga de filme estrangeiro na categoria de Animação pela primeira vez (www.cartoonbrew.com)

Ernest & Celestine (França) e Vidas ao Vento (Japão) fazem uma mini briga de filme estrangeiro na categoria de Animação pela primeira vez (www.cartoonbrew.com)

O musical dos irmãos Coen, Inside Llewyn Davis, teve de se contentar com as indicações para Melhor Fotografia para Bruno Delbonnel e Melhor Som. Esperava-se que haveria pelo menos uma indicação para Melhor Canção Original, mas também ficou de fora. O filme teve boa aceitação da crítica, mas o público não abraçou o novo filme dos Coen. Em 2011, Bravura Indômita concorreu em 10 categorias, mas não ganhou nada.

Já a inclusão da comédia Jackass Apresenta: Vovô Sem Vergonha na categoria Maquiagem foi uma surpresa. Tudo bem que já haviam indicado Norbit na mesma categoria alguns anos atrás, mas o tipo de humor pornográfico e escatológico dificilmente adentra as categorias do Oscar. Com certeza, a hostess Ellen DeGeneres fará alguma piada em cima disso…

À direita, Johnny Knoxville transformado no vovô politicamente incorreto de Jackass Apresenta: Vovô Sem Vergonha (photo by www.geeksofdoom.com)

À direita, Johnny Knoxville transformado no vovô politicamente incorreto de Jackass Apresenta: Vovô Sem Vergonha (photo by http://www.geeksofdoom.com)

Se o Oscar pode indicar um filme desses, por que não perdoar e acolher o fracasso comercial O Cavaleiro Solitário? Repleto de altas expectativas, o filme estreou no verão americano, mas não obteve boa resposta nas bilhererias. A Academia deu uma nova chance ao filme de Gore Verbinski arrecadar dinheiro, reconhecendo-o nas categorias de Maquiagem e Efeitos Visuais. Aliás, ele roubou a vaga dos efeitos digitais dos ótimos monstros de Círculo de Fogo.

Gostei também da indicação para William Butler e Owen Pallett para Trilha Musical Original por Ela. Trata-se de um importante reconhecimento para a música e a canção “The Moon Song” do mesmo filme. Essa aliança, que se repete depois de Onde Vivem os Monstros, reforça o prestígio que o diretor Spike Jonze tem com os artistas musicais Karen O e a banda Arcade Fire.

Na categoria de Filme Estrangeiro, na ausência do francês Azul é a Cor Mais Quente (desqualificado pelas regras da Academia), a briga deve ficar acirrada entre o dinamarquês A Caça e o italiano A Grande Beleza, que venceu o Globo de Ouro no último domingo. Contudo, o representante belga The Broken Circle Breakdown pode surpreender em caso de empate de votos. A indicação de The Missing Picture entra para a História como a primeira do Camboja. O filme ganhou o prêmio Un Certain Regard em Cannes em 2013.

Toni Servillo em cena de A Grande Beleza (photo by www.outnow.ch)

Toni Servillo em cena de A Grande Beleza (photo by http://www.outnow.ch)

A grande surpresa aqui é a exclusão de O Grande Mestre, de Wong Kar-Wai (Hong Kong), mesmo tendo conquistado indicações nas categorias técnicas de Fotografia e Figurino. É uma pena que Kar-Wai não tenha sido indicado, pois seria uma oportunidade rara de reconhecer um dos cineastas mais ousados das últimas duas décadas. Em sua filmografia, constam títulos como Amores Expressos, Feliz Juntos, Amor à Flor da Pele e 2046 – Os Segredos do Amor.

Tudo bem que a fotografia e o figurino são os campos em destaque de O Grande Mestre, mas e a indicação para Filme Estrangeiro? (photo by themovieblog.com)

Tudo bem que a fotografia e o figurino são os campos em destaque de O Grande Mestre, mas e a indicação para Filme Estrangeiro? (photo by themovieblog.com)

Na categoria de Documentário, a ausência de Histórias que Contamos (Stories We Tell), de Sarah Polley, foi a mais surpreendente, afinal venceu três grandes prêmios da crítica americana: National Board of Review, Los Angeles Film Critics Association e New York Film Critics Circle. Se alguém souber de um motivo oficial, por favor comente abaixo! O prêmio deve ficar entre O Ato de Matar e A Um Passo do Estrelato.

Pra quem perdeu ao vivo, confira o vídeo do anúncio dos indicados:

MELHOR FILME
Trapaça (American Hustle)
Capitão Phillips (Captain Phillips)
Clube de Compras Dallas (Dallas Buyers Club)
Gravidade (Gravity)
Ela (Her)
Nebraska
Philomena
12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave)
O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street)

MELHOR DIRETOR
Alfonso Cuarón (Gravidade)
Steve McQueen (12 Anos de Escravidão)
Alexander Payne (Nebraska)
David O. Russell (Trapaça)
Martin Scorsese (O Lobo de Wall Street)

MELHOR ATOR
Christian Bale (Trapaça)
Bruce Dern (Nebraska)
Leonardo DiCaprio (O Lobo de Wall Street)
Chiwetel Ejiofor (12 Anos de Escravidão)
Matthew McConaughey (Clube de Compras Dallas)

MELHOR ATRIZ
Amy Adams (Trapaça)
Cate Blanchett (Blue Jasmine)
Sandra Bullock (Gravidade)
Judi Dench (Philomena)
Meryl Streep (Álbum de Família)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Barkhad Abdi (Capitão Phillips)
Bradley Cooper (Trapaça)
Michael Fassbender (12 Anos de Escravidão)
Jonah Hill (O Lobo de Wall Street)
Jared Leto (Clube de Compras Dallas)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Sally Hawkins (Bue Jasmine)
Jennifer Lawrence (Trapaça)
Lupita Nyong’o (12 Anos de Escravidão)
Julia Roberts (Álbum de Família)
June Squibb (Nebraska)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Eric Warren Singer, David O. Russell (Trapaça)
Woody Allen (Blue Jasmine)
Craig Borten, Melisa Wallack (Clube de Compras Dallas)
Spike Jonze (Ela)
Bob Nelson (Nebraska)

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Richard Linklater, Julie Delpy, Ethan Hawke (Antes da Meia-Noite)
Billy Ray (Capitão Phillips)
Steve Coogan, Jeff Pope (Philomena)
John Ridley (12 Anos de Escravidão)
Terence Winter (O Lobo de Wall Street)

MELHOR FOTOGRAFIA
Philippe Le Sourd (O Grande Mestre)
Emmanuel Lubezki (Gravidade)
Bruno Delbonnel (Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum)
Phedon Papamichael (Nebraska)
Roger Deakins (Os Suspeitos)

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
Judy Becker, Heather Loeffler (Trapaça)
Andy Nicholson, Rosie Goodwin (Gravidade)
Catherine Martin, Beverley Dunn (O Grande Gatsby)
K.K. Barrett, Gene Serdena (Ela)
Adam Stockhausen, Alice Baker (12 Anos de Escravidão)

MELHOR MONTAGEM
Alan Baumgarten, Jay Cassidy, Crispin Struthers (Trapaça)
Christopher Rouse (Capitão Phillips)
John Mac McMurphy, Martin Pensa (Clube de Compras Dallas)
Alfonso Cuarón, Mark Sanger (Gravidade)
Joe Walker (12 Anos de Escravidão)

MELHOR FIGURINO
Michael Wilkinson (Trapaça)
William Chang Suk Ping (O Grande Mestre)
Catherine Martin (O Grande Gatsby)
Michael O’Connor (The Invisible Woman)
Patricia Norris (12 Anos de Escravidão)

MELHOR MAQUIAGEM
Adruitha Lee, Robin Mathews (Clube de Compras Dallas)
Steve Prouty (Jackass Apresenta: Vovô Sem Vergonha)
Joel Harlow, Gloria Pasqua Casny (O Cavaleiro Solitário)

MELHOR TRILHA MUSICAL ORIGINAL
John Williams (A Menina que Roubava Livros)
Steven Price (Gravidade)
William Butler e Owen Pallett (Ela)
Thomas Newman (Walt nos Bastidores de Mary Poppins)
Alexandre Desplat (Philomena)

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“Happy” – Pharrell Williams (Meu Malvado Favorito 2)
“Let It Go” – Robert Lopez, Kristen Anderson-Lopez (Frozen: Uma Aventura Congelante)
“Ordinary Love” – Bono, Adam Clayton, The Edge, Larry Mullen Jr. (Mandela: Long Walk to Freedom)
“The Moon Song” – Karen O, Spike Jonze (Ela)
“Alone Yet Not Alone” – Bruce Broughton, Dennis Spiegel (Alone Yet Not Alone)

MELHOR SOM
– Chris Burdon, Mark Taylor, Mike Prestwood Smith, Chris Munro (Capitão Phillips)
– Skip Lievsay, Niv Adiri, Christopher Benstead, Chris Munro (Gravidade)
– Christopher Boyes, Michael Hedges, Michael Semanick, Tony Johnson (O Hobbit: A Desolação de Smaug)
– Skip Lievsay, Greg Orloff, Peter F. Kurland (Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum)
– Andy Koyama, Beau Borders, David Bronlow (O Grande Herói)

MELHORES EFEITOS SONOROS
– Steve Boeddeker, Richard Hymns (Até o Fim)
– Oliver Tarney (Capitão Phillips)
– Glenn Freemantle (Gravidade)
– Brent Burge (O Hobbit: A Desolação de Smaug)
– Wylie Stateman (O Grande Herói)

MELHORES EFEITOS VISUAIS
– Timothy Webber, Chris Lawrence, David Shirk, Neil Corbould (Gravidade)
– Joe Letteri, Eric Saindon, David Clayton, Eric Reynolds (O Hobbit: A Desolação de Smaug)
– Christopher Townsend, Guy Williams, Erik Nash, Daniel Sudick (Homem de Ferro 3)
– Tim Alexander, Gary Brozenich, Edson Williams, John Frazier (O Cavaleiro Solitário)
– Roger Guyett, Pat Tubach, Ben Grossmann, Burt Dalton (Além da Escuridão – Star Trek)

MELHOR ANIMAÇÃO
– Os Croods (The Croods)
– Meu Malvado Favorito (Despicable Me 2)
– Ernest & Celestine (idem)
– Frozen: Uma Aventura Congelante (Frozen)
– Vidas ao Vento (The Wind Rises)

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
– The Broken Circle Breakdown (Bélgica)
– A Grande Beleza (Itália)
– A Caça (Dinamarca)
– The Missing Picture (Camboja)
– Omar (Palestina)

MELHOR DOCUMENTÁRIO
– O Ato de Matar (The Act of Killing), de Joshua Oppenheimer, Signe Byrge Sørensen
– Cutie and the Boxer, de Zachary Heinzerling, Lydia Dean Pilcher
– Guerras Sujas (Dirty Wars), de Rick Rowley, Jeremy Scahill
– The Square (Al Midan), de Jehane Noujaim, Karim Amer
– A Um Passo do Estrelato (20 Feet from Stardom), de Morgan Neville

MELHOR DOCUMENTÁRIO-CURTA
– CaveDigger, de Jeffrey Karoff
– Facing Fear, de Jason Cohen
– Karama Has No Walls, de Sara Ishaq
– The Lady in Number 6: Music Saved My Life, de Malcolm Clarke, Carl Freed
– Prison Terminal: The Last Days of Private Jack Hall, de Edgar Barens

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO
– Feral, de Daniel Sousa, Dan Golden
– É Hora de Viajar, de Lauren MacMullan, Dorothy McKim
– Mr. Hublot, de Laurent Witz, Alexandre Espigares
– Possessions, de Shuhei Morita
– Room on the Broom, de Max Lang, Jan Lachauer

MELHOR CURTA-METRAGEM
– Aquel No Era Yo (That Wasn’t Me), de Esteban Crespo
– Avant Que De Tout Perdre (Just Before Losing Everything), de Xavier Legrand
– Helium, de Anders Walter
– Do I Have to Take Care of Everything?, de Selma Vilhunen
– The Voorman Problem, de Mark Gill

‘Gravidade’ lidera competição acirrada no BAFTA com 11 indicações

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FICÇÃO CIENTÍFICA QUE VINHA PERDENDO ESPAÇO CRESCE NA HORA CERTA

Depois do predomínio de Trapaça e 12 Anos de Escravidão nas últimas premiações, chegou a vez de Gravidade se destacar, liderando com 11 indicações ao BAFTA. E essa ascensão não poderia vir em melhor hora, afinal, estamos às vésperas das indicações ao Oscar, o que pode influenciar os membros da Academia. Além disso, ao contrário do Globo de Ouro e SAG, o BAFTA possui quase todas as mesmas categorias técnicas do Oscar, servindo como melhor parâmetro.

A ficção científica de Alfonso Cuarón conquistou vaga nas categorias de Fotografia, Montagem, Direção de Arte, Som e Efeitos Visuais, fato que deve se repetir no Oscar. Assim como Titanic, Avatar e O Senhor dos Anéis, o filme apresenta inovações em diversos campos de produção fílmica. Os efeitos vistos na tela foram considerados “infilmáveis” há poucos anos. Ajuda bastante o fato do filme contar com a performance de Sandra Bullock, que traz um toque humano à história do acidente espacial.

Sandra Bullock em cena de Gravidade (photo by www.elfilm.com)

Sandra Bullock em cena de Gravidade (photo by http://www.elfilm.com)

Como previsto, logo atrás de Gravidade, 12 Anos de Escravidão e Trapaça obtiveram 10 indicações cada, e Capitão Phillips com 9, o que já deve assegurar suas vagas entre os indicados a Melhor Filme no Oscar. Outra produção que deu importante passo foi Philomena, de Stephen Frears, ao ser indicado para Filme, Roteiro Adaptado, Atriz (Judi Dench) e, obviamente, Melhor Filme Britânico.

Matt Damon com jeitão de paquito em Behind the Candelabra: indicação ao BAFTA (photo by www.outnow.ch)

Matt Damon com jeitão de paquito em Minha Vida com Liberace: indicação ao BAFTA (photo by http://www.outnow.ch)

Talvez a maior surpresa tenha sido as 5 indicações para o filme feito para a TV Minha Vida com Liberace (Behind the Candelabra), de Steven Soderbergh. Indicado à Palma de Ouro, ao Globo de Ouro, e vencedor do último Emmy, a produção da HBO conseguiu um espaço considerável, principalmente se levarmos em consideração a inclusão de Matt Damon como coadjuvante, pois tira um dos nomes mais fortes da categoria: Jared Leto.

Aliás, o Clube de Compras Dallas perdeu alguns pontos por sua total ausência no BAFTA. Apesar de terem sido indicados ao SAG e Globo de Ouro, a campanha dos atores Matthew McConaughey e Jared Leto pode sofrer turbulências para o prêmio da Academia.

Até poucos anos atrás, eu não dava muito valor ao BAFTA. “Um genérico do Oscar que serve de consolo”, pensava eu. Nada disso. Eu estava fazendo um levantamento das coincidências (sim, eu gasto algumas horas nesse negócio) e os números são impressionantes. Em 2013, de 19 categorias, houve 14 acertos iguais ao Oscar. Já em 2012, houve 13; e em 2011, 10 acertos, ou seja, estão dando uma bela polida nessa bola de cristal britânica.

O Lobo de Wall Street: Será que os velhinhos vão gostar? (photo by www.elfilm.com)

O Lobo de Wall Street: Será que os velhinhos vão gostar? (photo by http://www.elfilm.com)

A Academia Britânica também não se importou com as supostas polêmicas do novo filme de Martin Scorsese, O Lobo de Wall Street. Recebeu 4 indicações: Diretor, Ator (Leonardo DiCaprio), Roteiro Adaptado e Montagem. Mesmo assim, ainda acredito que os velhinhos da Academia (americana) vão encrencar com a “putaria” do filme e tirar tanto Scorsese quanto DiCaprio da jogada.

Bom, por mais justo que o BAFTA procure ser, é inevitável que puxem a sardinha pro lado deles e dêem um pouco mais de preferência aos conterrâneos. Assim, Judi Dench, Emma Thompson e Sally Hawkins podem ter se beneficiado nesse ano tão concorrido.

O BAFTA anunciará seus vencedores no dia 16 de fevereiro. Stephen Fry será o host da noite.

Veja o vídeo do anúncio dos indicados (apresentado pelos atores Helen McCrory e Luke Evans) e confira a lista completa em seguida:


FILME

12 ANOS DE ESCRAVIDÃO Anthony Katagas, Brad Pitt, Dede Gardner, Jeremy Kleiner, Steve McQueen
TRAPAÇA Charles Roven, Richard Suckle, Megan Ellison, Jonathan Gordon
CAPITÃO PHILLIPS Scott Rudin, Dana Brunetti, Michael De Luca
GRAVIDADE Alfonso Cuaron, David Heyman
PHILOMENA Gabrielle Tana, Steve Coogan, Tracey Seaward

DIRETOR
12 ANOS DE ESCRAVIDÃO Steve McQueen
TRAPAÇA David O. Russell
CAPITÃO PHILLIPS Paul Greengrass
GRAVIDADE Alfonso Cuarón
O LOBO DE WALL STREET Martin Scorsese

ROTEIRO ORIGINAL
TRAPAÇA Eric Warren Singer, David O. Russell
BLUE JASMINE Woody Allen
GRAVIDADE Alfonso Cuarón, Jonás Cuarón
INSIDE LLEWYN DAVIS Joel Coen, Ethan Coen
NEBRASKA Bob Nelson

ROTEIRO ADAPTADO
12 ANOS DE ESCRAVIDÃO John Ridley
MINHA VIDA COM LIBERACE Richard LaGravenese
CAPITÃO PHILLIPS Billy Ray
PHILOMENA Steve Coogan, Jeff Pope
O LOBO DE WALL STREET Terence Winter

ATOR
BRUCE DERN Nebraska
CHIWETEL EJIOFOR 12 Anos de Escravidão
CHRISTIAN BALE Trapaça
LEONARDO DICAPRIO O Lobo de Wall Street
TOM HANKS Capitão Phillips

ATRIZ
AMY ADAMS Trapaça
CATE BLANCHETT Blue Jasmine
EMMA THOMPSON Walt nos Bastidores de Mary Poppins
JUDI DENCH Philomena
SANDRA BULLOCK Gravidade

ATOR COADJUVANTE
BARKHAD ABDI Capitão Phillips
BRADLEY COOPER Trapaça
DANIEL BRÜHL Rush: No Limite da Emoção
MATT DAMON Minha Vida com Liberace
MICHAEL FASSBENDER 12 Anos de Escravidão

ATRIZ COADJUVANTE
JENNIFER LAWRENCE Trapaça
JULIA ROBERTS Álbum de Família
LUPITA NYONG’O 12 Anos de Escravidão
OPRAH WINFREY O Mordomo da Casa Branca
SALLY HAWKINS Blue Jasmine

TRILHA MUSICAL ORIGINAL
12 ANOS DE ESCRAVIDÃO Hans Zimmer
A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS John Williams
CAPITÃO PHILLIPS Henry Jackman
GRAVIDADE Steven Price
WALT NOS BASTIDORES DE MARY POPPINS Thomas Newman

FOTOGRAFIA
12 ANOS DE ESCRAVIDÃO Sean Bobbitt
CAPITÃO PHILLIPS Barry Ackroyd
GRAVIDADE Emmanuel Lubezki
INSIDE LLEWYN DAVIS Bruno Delbonnel
NEBRASKA Phedon Papamichael

MONTAGEM
12 ANOS DE ESCRAVIDÃO Joe Walker
CAPITÃO PHILLIPS Christopher Rouse
GRAVIDADE Alfonso Cuarón, Mark Sanger
RUSH: NO LIMITE DA EMOÇÃO Dan Hanley, Mike Hill
O LOBO DE WALL STREET Thelma Schoonmaker

DIREÇÃO DE ARTE
12 ANOS DE ESCRAVIDÃO Adam Stockhausen, Alice Baker
TRAPAÇA Judy Becker, Heather Loeffler
MINHA VIDA COM LIBERACE Howard Cummings
GRAVIDADE Andy Nicholson, Rosie Goodwin, Joanne Woodlard
O GRANDE GATSBY Catherine Martin, Beverley Dunn

FIGURINO
TRAPAÇA Michael Wilkinson
MIDA VIDA COM LIBERACE Ellen Mirojnick
O GRANDE GATSBY Catherine Martin
THE INVISIBLE WOMAN Michael O’Connor
WALT NOS BASTIDORES DE MARY POPPINS Daniel Orlandi

MAQUIAGEM E CABELO
TRAPAÇA Evelyne Noraz, Lori McCoy-Bell
MINHA VIDA COM LIBERACE Kate Biscoe, Marie Larkin
O MORDOMO DA CASA BRANCA Debra Denson, Beverly Jo Pryor, Candace Neal
O GRANDE GATSBY Maurizio Silvi, Kerry Warn
O HOBBIT: A DESOLAÇÃO DE SMAUG Peter Swords King, Richard Taylor, Rick Findlater

SOM
ALL IS LOST Richard Hymns, Steve Boeddeker, Brandon Proctor, Micah Bloomberg, Gillian Arthur
CAPITÃO PHILLIPS Chris Burdon, Mark Taylor, Mike Prestwood Smith, Chris Munro, Oliver Tarney
GRAVIDADE Glenn Freemantle, Skip Lievsay, Christopher Benstead, Niv Adiri, Chris Munro
INSIDE LLEWYN DAVIS Peter F. Kurland, Skip Lievsay, Greg Orloff
RUSH: NO LIMITE DA EMOÇÃO Danny Hambrook, Martin Steyer, Stefan Korte, Markus Stemler, Frank Kruse

EFEITOS VISUAIS
GRAVIDADE Tim Webber, Chris Lawrence, David Shirk, Neil Corbould, Nikki Penny
O HOBBIT: A DESOLAÇÃO DE SMAUG Joe Letteri, Eric Saindon, David Clayton, Eric Reynolds
HOMEM DE FERRO 3 Bryan Grill, Christopher Townsend, Guy Williams, Dan Sudick
CÍRCULO DE FOGO Hal Hickel, John Knoll, Lindy De Quattro, Nigel Sumner
ALÉM DA ESCURIDÃO: STAR TREK Ben Grossmann, Burt Dalton, Patrick Tubach, Roger Guyett

FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
O ATO DE MATAR Joshua Oppenheimer, Signe Byrge Sorensen
AZUL É A COR MAIS QUENTE Abdellatif Kechiche, Brahim Chioua, Vincent Maraval
A GRANDE BELEZA Paolo Sorrentino, Nicola Giuliano, Francesca Cima
METRO MANILA Sean Ellis, Mathilde Charpentier
O SONHO DE WADJDA Haifaa Al-Mansour, Gerhard Meixner, Roman Paul

DOCUMENTÁRIO
O ATO DE MATAR Joshua Oppenheimer
THE ARMSTRONG LIE Alex Gibney
BLACKFISH: FÚRIA ANIMAL Gabriela Cowperthwaite
TIM’S VERMEER Teller, Penn Jillette, Farley Ziegler
WE STEAL SECRETS: THE STORY OF WIKILEAKS Alex Gibney

ANIMAÇÃO
MEU MALVADO FAVORITO 2 Chris Renaud, Pierre Coffin
FROZEN: UMA AVENTURA CONGELANTE Chris Buck, Jennifer Lee
UNIVERSIDADE MONSTROS Dan Scanlon

FILME BRITÂNICO
GRAVIDADE Alfonso Cuaron, David Heyman, Jonas Cuaron
MANDELA: LONG WALK TO FREEDOM Justin Chadwick, Anant Singh, David M. Thompson, William Nicholson
PHILOMENA Stephen Frears, Gabrielle Tana, Steve Coogan, Tracey Seaward, Jeff Pope
RUSH: NO LIMITE DA EMOÇÃO Ron Howard, Andrew Eaton, Peter Morgan
WALT NOS BASTIDORES DE MARY POPPINS John Lee Hancock, Alison Owen, Ian Collie, Philip Steuer, Kelly Marcel, Sue Smith
THE SELFISH GIANT: Clio Barnard, Tracy O’Riordan

ESTRÉIA DE UM ESCRITOR, DIRETOR OU PRODUTOR BRITÂNICO
COLIN CARBERRY (Roteirista), GLENN PATTERSON (Roteirista) Good Vibrations
KELLY MARCEL (Roteirista) Walt nos Bastidores de Mary Poppins
KIERAN EVANS (Diretor/Roteirista) Kelly + Victor
PAUL WRIGHT (Diretor/Roteirista), POLLY STOKES (Produtor) For Those in Peril
SCOTT GRAHAM (Diretor/Roteirista) Shell

CURTA DE ANIMAÇÃO BRITÂNICO
EVERYTHING I CAN SEE FROM HERE Bjorn-Erik Aschim, Friederike Nicolaus, Sam Taylor
I AM TOM MOODY Ainslie Henderson
SLEEPING WITH THE FISHES James Walker, Sarah Woolner, Yousif Al-Khalifa

CURTA-METRAGEM BRITÂNICO
ISLAND QUEEN Ben Mallaby, Nat Luurtsema
KEEPING UP WITH THE JONESES Megan Rubens, Michael Pearce, Selina Lim
ORBIT EVER AFTER Chee-Lan Chan, Jamie Stone, Len Rowles
ROOM 8 James W. Griffiths, Sophie Venner
SEA VIEW Anna Duffield, Jane Linfoot

Começando bem 2014: indicados ao DGA, PGA e WGA

Que tal menos filmes em 3D em 2014? (photo by

Que tal menos filmes em 3D em 2014? (photo by http://www.dailyfinance.com)

Ooooiii, pessoal! Feliz Ano Novo pra todos! Chego de volta a São Paulo e vejo uma caixa de entrada de e-mail abarrotada de mensagens de premiações e indicações louquinhas pra serem abertas e discutidas. Ao contrário do que fiz em outros anos, vou juntar tudo em apenas um post, porque estou no espírito de férias ainda! Não, não… brincadeirinha! Com uma safra tão rica de produções, é interessante ver as escolhas de três sindicatos que apontam os grandes favoritos ao Oscar.

DGA images

Dentre eles, o mais acertivo continua sendo o DGA (Directors Guild of America). Em apenas sete (!) vezes, o vencedor não coincidiu com o vencedor do Oscar de direção. Até o ano passado, quando Ben Affleck ficou estranhamente de fora da categoria, o último vencedor do DGA que não repetiu a façanha no Oscar foi Rob Marshall (Chicago) em 2003! Este ano, o páreo estava duríssimo. Não tinha como não deixar de lado alguns nomes consagrados. Assim, Alexander Payne (Nebraska), Spike Jonze (Ela) e Joel e Ethan Coen (Inside Llewyn Davis) foram eliminados por um nariz de diferença. Confira os selecionados:

DIRECTORS GUILD AWARDS

AlfonsoCuaron.ashxAlfonso Cuarón (Gravidade)
O diretor mexicano é um ótimo exemplo de como um profissional estrangeiro consegue atingir maturidade na indústria americana. Cuarón sempre primou por sua marca imagética. Seja um filme poético como A Princesinha, um blockbuster (Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban), um road movie pós-moderno (E Sua Mãe Também) ou criando um novo marco tecnológico (Gravidade), o diretor de fotografia e colaborador assíduo, Emmanuel Lubezki, foi sempre fundamental em sua escrita. Seria uma grata surpresa uma dupla vitória neste Oscar: direção para Cuarón e o merecidíssimo de fotografia para Lubezki.

Paul Greengrass (Capitão Phillips)PaulGreengrass.ashx
Descoberto pelo ótimo drama Domingo Sangrento, que lhe rendeu o Urso de Ouro em 2002, o britânico Greengrass criou um nicho no cinema contemporâneo no qual ele pode trabalhar a linguagem documental numa ficção, gerando uma veracidade que espanta e emociona o público. Ele conseguiu essa proeza em Vôo United 93 na recriação do atentado terrorista do 11 de setembro e nesse episódio de pirataria moderna de Capitão Phillips, criando uma tensão interminável. Também emprestou seu estilo à série de ação e espionagem de Jason Bourne em A Supremacia Bourne e O Ultimato Bourne, que obrigou os produtores de James Bond a repensar a criação de Ian Fleming.

Steve McQueen (12 Anos de Escravidão)SteveMcQueen.ashx
Artista plástico premiado, este diretor britânico, que compartilha o mesmo nome artístico do ator Steve McQueen, está em extrema ascensão em apenas seu terceiro longa. Como bom entendedor do poder da imagem para uma história, ele busca aqueles enquadramentos que possam dizer algo sobre o filme que vemos. Em Shame, por exemplo, ele usa e abusa das linhas urbanas do cenário para contar um pouco mais sobre o personagem viciado em sexo numa cidade que ostenta a civilidade. Sendo um negro e com um filme sobre escravidão na manga, Steve McQueen corre na frente, afinal, eles adorariam a manchete: “O primeiro diretor afro-americano a ganhar um Oscar”. Sinceramente, espero que ele ganhe por méritos profissionais, e não raciais, pois trata-se de uma voz singular no cinema contemporâneo.

David O. Russell (Trapaça)DavidORussell.ashx
“Há um parafuso faltando aqui”, pensava eu ao falar de David O. Russell, na época em que vi Três Reis (1999) e Huckabees: A Vida é uma Comédia (2004). Não que isso seja ruim. Muito pelo contrário! Ele tinha um senso de humor bastante incomum que me atraía, mas eu sentia que ele não conseguiria decolar em Hollywood apenas com aquilo. Felizmente, nosso David O. Russell amadureceu seu cinema e nos entregou ótimos filmes como os recentes O Vencedor (2010) e O Lado Bom da Vida (2012). De longe, concordo, são filmes que você não dá nada. Não tem uma grandiosidade de um gladiador ou um grande navio afundando, mas ele explora tão bem a humanidade das histórias simples que fica impossível não lhe dar crédito. Além disso, tem se tornado um dos melhores diretores de atores dos últimos anos. Já conquistou sete indicações e três Oscars de atuação de seus elencos: Melissa Leo, Christian Bale e Jennifer Lawrence. Tem tudo pra conquistar mais com Trapaça e pode se tornar a grande surpresa da categoria.

scorsesewolf.ashxMartin Scorsese (O Lobo de Wall Street)
O que dizer de Marty? Nem posso dizer que ele é como vinho, que fica melhor a cada ano, pois também dirigiu obras-primas como Taxi Driver (1976) e Touro Indomável (1980) no passado. Mas definitivamente não existe diretor mais apaixonado por Cinema do que Scorsese. Isso já estava provado nas incontáveis entrevistas e no apoio às restaurações de películas antigas e perdidas no tempo. Ele comprovou essa paixão numa tocante homenagem à Sétima Arte e a Georges Méliès em A Invenção de Hugo Cabret. Talvez a polêmica sobre sexo e drogas de O Lobo de Wall Street atrapalhe na conquista de mais uma indicação ao Oscar, mas se ele está nesta lista, não acredito que seja favorecimento nenhum. Martin Scorsese cria filmes atemporais.

Ainda está cedo para previsões de vitória, mas até o momento, Alfonso Cuarón e Steve McQueen dividem a ponta, com David O. Russell cheirando o cangote deles logo atrás. E o vencedor tem 99% de vitória no Oscar, pois não creio em duas exceções consecutivas na história do DGA.

PGA headerJá o sindicato de Produtores teve uma tarefa mais fácil. Ou pelo menos, menos árdua do que o DGA, afinal poderiam selecionar 10 produções. Contudo, com uma grande variedade de candidatos de boa qualidade, dez vagas também não deram conta de tudo.

Vale destacar a importante marca para a produtora Megan Ellison (da Annapurna Pictures). Ela foi a única a conquistar duas indicações com Trapaça e Ela. Megan poderia ter conquistado três, mas Foxcatcher foi adiado para 2014. No ano passado, ela produziu dois filmes de qualidade e que ainda geraram discussão acalorada na mídia e na temporada de premiações: O Mestre e A Hora Mais Escura. Numa Hollywood dominada por produtores covardes e que só pensam em lucro, a presença de Megan Ellison me enche de esperança. Claro que ninguém é de ferro. Ela vai produzir o reboot de uma nova trilogia de O Exterminador do Futuro, que começa em 2015. Mas mesmo assim, acredito que ela não fará apenas pelas bilheterias. Guardem o nome dela, pois mais conquistas importantes estão por vir.

A produtora Megan Ellison (à dir) ao lado da diretora Kathryn Bigelow e da bela atriz Jessica Chastain na festa do Globo de Ouro 2013. (photo by www.vanityfair.com)

A produtora Megan Ellison (à dir) ao lado da diretora Kathryn Bigelow e da bela atriz Jessica Chastain na festa do Globo de Ouro 2013. (photo by http://www.vanityfair.com)

MELHORES PRODUTORES – LONGAS-METRAGENS

Trapaça (American Hustle)
Blue Jasmine (idem)
Capitão Phillips (Captain Phillips)
Clube de Compras Dallas (Dallas Buyers Club)
Gravidade (Gravity)
Ela (Her)
Nebraska
Walt nos Bastidores de Mary Poppins (Saving Mr. Banks)
12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave)
O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street)

Em 2011, o PGA decidiu estender seus indicados para 10 fixos, o que não ocorre no Oscar, onde pode haver de 5 a 10. Vale ressaltar também o alto índice de acertos de vencedores em relação à Academia. Em seus 24 aninhos de existência, o PGA elegeu 17 vezes o vencedor de Melhor Filme no Oscar, incluindo os recentes Argo e O Artista. A última divergência ocorreu em 2007, quando Pequena Miss Sunshine perdeu para Os Infiltrados.

Para a edição de 2014, as ausências mais sentidas foram Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum e Fruitvale Station: A Última Parada pela alta participação nas últimas listas de críticos. Mas vale citar também Álbum de Família, All is Lost e Philomena, que conseguiu uma indicação ao Globo de Ouro.

Dentre os 10 candidatos, Trapaça, 12 Anos de Escravidão e Gravidade largam na frente, mas Ela pode roubar o show sem grandes dificuldades por ser querido pela crítica. Por outro lado, se pensarmos em bilheteria, Gravidade tem todas as cartas por ter faturado mais de 600 milhões de dólares mundo afora, muito longe dos 208 milhões do segundo lugar Capitão Phillips. No Oscar, eu ainda acho que Gravidade deverá se concentrar nos prêmios mais técnicos como fotografia, montagem e som.

Gravidade: no páreo para o DGA e PGA (photo by www.beyondhollywood.com)

Gravidade: no páreo para o DGA e PGA (photo by http://www.beyondhollywood.com)

MELHORES PRODUTORES – ANIMAÇÕES

Os Croods (The Croods)
Meu Malvado Favorito 2 (Despicable Me 2)
Reino Escondido (Epic)
Frozen: Uma Aventura Congelante (Frozen)
Universidade Monstros (Monsters University)

Sem um dos grandes favoritos fora do páreo por não pertencer ao sindicato americano, a animação japonesa Vidas ao Vento, de Hayao Miyazaki, a categoria conta apenas com produções de grandes estúdios como Disney, Pixar, Dreamworks e Universal. Porém, essa ausência não deve reduzir as chances de Miyazaki conseguir sua segunda estatueta do Oscar. Ainda não conferi Frozen, mas premiaria Os Croods pela alta abrangência de público-alvo de sua história de uma família das cavernas se adaptando às mudanças na Terra.

Os Croods: caminho mais livre para o PGA (photo by www.beyondhollywood.com)

Os Croods: caminho mais livre para o PGA (photo by http://www.beyondhollywood.com)

MELHORES PRODUTORES – DOCUMENTÁRIOS

A Place at the Table
Far Out Isn’t Far Enough
Life According to Sam
We Steal Secrets: The Story of WikiLeaks
Which Way is the Front Line From Here? The Life and Time of Tim Hetherington

Com o documentário História que Contamos, de Sarah Polley, fora da competição, o grande favorito fica sendo We Steal Secrets, que aborda a história do WikiLeaks do exilado Julian Assange. Conta muito a favor ter o diretor Alex Gibney, de Um Táxi Para a Escuridão, que ganhou o Oscar em 2008. Infelizmente, não há previsão de estréia no Brasil para a maioria dos documentários, o que dificulta a análise dessa categoria.

Julian Assange no documentário de Alex Gibney (photo by www.elfilm.com)

Julian Assange no documentário de Alex Gibney (photo by http://www.elfilm.com)

Dos três sindicatos, o WGA é o menos badalado. Mas não porque se trataria de um prêmio menor, mas suas regras inviabilizam indicações de trabalhos pertinentes. Como os demais prêmios, ele exige a filiação do profissional ao sindicato, mas também a exigência da produção do filme sob a sua jurisdição, o que implica em mais regras que eliminam bons candidatos.

Desse modo, as estatísticas de acerto são bem menores. Os excluídos pela regra deste ano incluem: John Ridley (12 Anos de Escravidão), Steve Coogan e Jeff Pope (Philomena), Ryan Coogler (Fruitvale Station: A Última Parada), Peter Morgan (Rush: No Limite da Emoção) e Abdellatif Kechiche e Ghalia Lacroix (Azul é a Cor Mais Quente). Já os trabalhos originais incluem: Alfonso Cuarón e Jonas Cuarón (Gravidade), Joel e Ethan Coen (Inside Llewyn Davis), Kelly Marcel e Sue Smith (Walt nos Bastidores de Mary Poppins) e Jason Reitman (Refém da Paixão).

Claro que se levarmos em consideração que a Academia também premia roteiros desclassificados pela WGA, essas exclusões não pesariam tanto na temporada. Só para citar um exemplo, o roteiro de Quentin Tarantino para Django Livre foi cortado da WGA, mas ganhou o Oscar.

ROTEIRO ORIGINAL

Eric Singer, David O. Russell (Trapaça)
Woody Allen (Blue Jasmine)
Craig Borten, Melisa Wallack (Clube de Compras Dallas)
Spike Jonze (Ela)
Bob Nelson (Nebraska)

ROTEIRO ADAPTADO

Tracy Letts (Álbum de Família)
Richard Linklater, Ethan Hawke, Julie Delpy (Antes da Meia-Noite)
Billy Ray (Capitão Phillips)
Peter Berg (O Grande Herói)
Terence Winter (O Lobo de Wall Street)

O diretor e roteirista Richard Linklater entre os atores e roteiristas Julie Delpy e Ethan Hawke no set de Antes da Meia-Noite (photo by www.elfilm.com)

O diretor e roteirista Richard Linklater entre os atores e roteiristas Julie Delpy e Ethan Hawke no set de Antes da Meia-Noite (photo by http://www.elfilm.com)

ROTEIRO DE DOCUMENTÁRIO

David Riker, Jeremy Scahill (Guerras Sujas)
Sara Lukinson, Michael Stevens (Herblock: The Black & the White)
Janet Tobias, Paul Laikin (No Place on Earth)
Sarah Polley (Histórias que Contamos)
Alex Gibney (We Steal Secrets: The Story of WikiLeaks)

Indicados ao BAFTA Rising Star de 2014 (photo by www.empireonline.com)

Indicados ao BAFTA Rising Star de 2014, do topo da esquerda à direita: Dane DeHaan, Lupita Nyong’o, Léa Seydoux, Will Poulter e George MacKay (photo by http://www.empireonline.com)

Também gostaria de aproveitar o post para divulgar os indicados ao Rising Star do BAFTA, concedido a um ator ou atriz revelação que se destacou no ano. Vencedores recentes incluem Juno Temple, Tom Hardy e Kristen Stewart. Porém, vale lembrar que os vencedores são eleitos pelo público, o que quase sempre resulta em vitória injusta. Talentos como Michael Fassbender, Carey Mulligan e Alicia Vikander já concorreram, mas perderam em edições anteriores. Particularmente, tenho certa aversão às escolhas do público como no MTV Movie Awards. Se dependesse dos votos na internet, os melhores filmes de todos os tempos seriam Star Wars e O Senhor dos Anéis para toda a eternidade…

Dane DeHaan
George MacKay
Lupita Nyong’o
Will Poulter
Léa Seydoux

* Fique atento às datas: O PGA divulga seus vencedores no dia 19 de janeiro. O DGA no dia 25, enquanto o WGA fica para o dia 1º de fevereiro.