Jim Carrey condena a violência de ‘Kick-Ass 2’

Jim Carrey como o Coronel Stars and Stripes em Kick-Ass 2 (photo by www.beyondhollywood.com)

Jim Carrey como o Coronel Stars and Stripes em Kick-Ass 2 (photo by http://www.beyondhollywood.com)

Kick-Ass 2, sequência do sucesso da adaptação de quadrinhos homônima criados por Mark Millar e John Romita Jr., só tem previsão de estréia para agosto (e setembro no Brasil), mas já enfrenta uma controvérsia nos bastidores. No último domingo, Jim Carrey, que atuou como o personagem Coronel Stars and Stripes nessa sequência, cuspiu no prato que comeu e tuitou algumas ressalvas quanto ao filme:

“I did Kickass a month b4 Sandy Hook and now in all good conscience I cannot support that level of violence… I meant to say my apologies to others involve with the film. I am not ashamed of it but recent events have caused a change in my heart. (Atuei em Kick-Ass 2 um mês antes do (massacre da escola) Sandy Hook e agora, em sã consciência, não posso apoiar aquele nível de violência… Minhas desculpas para os demais envolvidos no filme. Não tenho vergonha desse trabalho, mas acontecimentos recentes mudaram meu coração)”

Para quem não se lembra, em dezembro de 2012, a escola primária Sandy Hook, localizado no estado de Connecticut, sofreu um atentado. Adam Lanza, de 20 anos, invadiu a escola portando três armas de fogo, matando seis funcionários e vinte alunos com idades entre 6 e 7 anos.

Essa mudança repentina de opinião de Jim Carrey pegou de surpresa os profissionais envolvidos na produção, inclusive o criador e produtor-executivo Mark Millar que, além de suspeitar que o trailer recentemente lançado tenha ligação direta, postou uma resposta em seu blog, do qual retiro alguns trechos mais importantes:

Roteirista e criador de Kick-Ass, Mark Millar (photo by www.popground.com)

Roteirista e criador de Kick-Ass, Mark Millar (photo by http://www.popground.com)

“Primeiramente, eu amo Jim Carrey. Quando o produtor Matthew Vaughn e o diretor Jeff Wadlow me chamaram e sugeriram que fizéssemos uma chamada de conferência com ele para conversarmos sobre a sequência, fique genuinamente excitado. Como vocês, eu amo ‘Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças’, ‘O Mundo de Andy’ e ‘O Show de Truman – O Show da Vida’. Carrey é um ator como nenhum outro, uma imprevisível força da natureza que traz calor e humanidade ao trabalho assim como aquele energia indestrutível que ele sempre renova. Ele almoçou com Matthew na época do primeiro filme e gostou tanto que apareceu vestido como Kick-Ass naquela noite no programa de Conan O’Brien, fazendo um dueto com Conan vestido como Super-Homem. Vaughn e eu combinamos que deveríamos trabalhar com esse cara assim que surgir uma oportunidade porque somos grandes admiradores. Agora, após três anos, estou sentado numa sala de projeção em Londres assistindo a que considero uma das melhores performances de Carrey.

Como vocês sabem, Jim é totalmente a favor do controle de armas e eu respeito sua política e sua opinião, mas estou perplexo por suas declarações porque não há nada neste filme que não estivesse no roteiro há 18 meses. Sim, o número de mortes é alto, mas um filme chamado ‘Kick-Ass 2’ tem que entregar o que promete. A continuação do filme que nos apresentou a personagem Hit-Girl precisa ter muito sangue no chão e isso não deveria surpreender alguém que gostou tanto do primeiro filme (lançado em 2010).

À esquerda, o personagem Coronel Stars and Stripes no quadrinho de Mark Millar e John Romita Jr. Já à direita, temos Jim Carrey e seu pastor alemão caracterizados perfeitamente (photo by www.empireonline.com)

À esquerda, o personagem Coronel Stars and Stripes no quadrinho de Mark Millar e John Romita Jr. Já à direita, temos Jim Carrey e seu pastor alemão caracterizados perfeitamente (photo by http://www.empireonline.com)

Como Jim, estou horrorizado com violência do dia-a-dia (mesmo eu sendo escocês), mas ‘Kick-Ass 2’ não é um documentário. Nenhum ator se feriu nas filmagens! Trata-se de uma ficção e como (Quentin) Tarantino e (Sam) Peckinpah, (Martin) Scorsese e (Clint) Eastwood, John Boorman, Oliver Stone e Chan-Wook Park, ‘Kick-Ass’ evita ser aquele filme de verão americano repleto de mortes e foca nas CONSEQUÊNCIAS da violência, sejam as ramificações para amigos e família ou, como vimos no primeiro filme, o personagem Kick-Ass passando seis meses no hospital depois de sua primeira interferência como herói nas ruas. Ironicamente, o personagem de Jim em ‘Kick-Ass 2’ (Coronel Stars and Stripes), é um cristão renascido, e o fato de ele se recusar a usar arma de fogo fez com que ele se interessasse pelo papel em primeiro lugar.

Jim, eu te amo e espero que você reconsidere todos os pontos citados. Você está espetacular neste insanamente divertido filme e estou muito orgulhoso com o que Jeff, Matthew e toda a equipe fizeram aqui.”

Claro que essa discussão da violência entre Jim Carrey e o produtor e criador Mark Millar reabre a velha questão das armas nos EUA. No ano passado, alegando ser o personagem anárquico Coringa, James Holmes matou 12 pessoas durante sessão de Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge, além de várias tragédias envolvendo armas de fogo em solo americano. Infelizmente, as pessoas não nascem com o rótulo de “LOUCO” ou “SÃO” na testa, por isso o controle de armas se faz urgente. Em abril desse ano, o presidente Barack Obama promoveu uma reforma, mas o número de senadores a favor não foi o suficiente para a aprovação. Os EUA têm uma cultura muito forte com armas de fogo, principalmente em estados tipicamente republicanos em que a NRA (National Rifle Association) dá as cartas, sem contar a indústria composta por empresários poderosos.

O presidente barack Obama (centro) assina medidas para o controle de armas nos EUA em janeiro de 2013 (photo by www.whitehouse.gov)

O presidente Barack Obama (centro) assina medidas para o controle de armas nos EUA em janeiro de 2013 (photo by http://www.whitehouse.gov)

Quanto a Jim Carrey, seria desumano criticá-lo por ter mudado de idéia. Pessoas que trabalham com violência (mesmo a de mentirinha) estão sujeitos a repensar suas vidas após uma tragédia. Vivemos tempos extremamente violentos e, infelizmente, muitas vezes a culpa recai sobre o Cinema, o qual nunca buscou promover a violência de forma gratuita. Grandes cineastas como aqueles que Millar citou em seu post, como Martin Scorsese e Sam Peckinpah, apenas retratavam a violência para justamente gerar uma discussão sobre suas consequências para a sociedade.

Embora Kick-Ass 2 se encaixe mais na linha do entretenimento, nem por isso sua leitura da violência deve ser vista como banal. Por mais que contenha elementos fantasiosos, todo filme reflete o ser humano e a sociedade em que vive. Jamais o contrário. E Jim Carrey sabe disso e, assim, poderia manter seus pensamentos para si ou justificar-se apenas para a equipe para quem trabalhou.

Kick-Ass 2 tem previsão de estréia para o dia 13 de setembro.

Calendário do Oscar 2014… com Justin Timberlake?

Preparativos para o Oscar 2014?? Sim, já está tudo combinado... (photo by zimbio.com)

Preparativos para o Oscar 2014?? Sim, já está tudo combinado… (photo by zimbio.com)

O Oscar 2013 mal esfriou e a Academia resolveu já esquentar os motores para 2014. Primeiramente, a data do Oscar 2014 já está marcada: dia 02 de março de 2014. Continua no domingo, mas pulou de fevereiro para março. Essa mudança tem uma explicação oficial: Devido aos Jogos Olímpicos de Inverno da Rússia, que ocorre entre os dias 07 a 23 de fevereiro, resolveram adiar para o início de março para não haver conflito de interesses na TV.

Além do óbvio motivo de não dividir as atenções com a competição esportiva, a Academia anda estudando os impactos positivos das alterações de calendários desse ano e vem cogitando manter algumas decisões como o anúncio dos indicados na segunda semana de janeiro. A idéia inicial dessa estratégia era reduzir a previsibilidade dos resultados e, ao mesmo tempo, estrear o sistema de votação online, mas como também houve considerável aumento nas rendas das bilheterias para os filmes indicados, a intenção é que 2014 possa repetir o feito lucrativo através desse intervalo maior entre o anúncio dos indicados e a cerimônia de premiação.

Então, o calendário oficial fica assim:

16/11/13: The Governors Awards

02/12/13: Official Screen Credits

27/12/13: Início da votação dos indicados

08/01/14: Término da votação dos indicados

16/01/14: Anúncio dos indicados ao Oscar

10/02/14: Almoço dos indicados (Nominees Luncheon)

14/02/14: Início da votação final

15/02/14: Scientific and Technical Awards

25/02/14: Término da votação final

GOLD-Icon_CampasR02/03/14: 86th Academy Awards

E como em 2015, não haverá jogos olímpicos de Inverno, o Oscar 2015 já tem data definida: 22/02/15.

E enquanto ocorria a divulgação do calendário, corriam boatos de que o host do Oscar 2014 já estaria decidido: o cantor e ator Justin Timberlake. Os sites que confirmavam diziam que ele seria uma boa opção por seu apelo com o público jovem. Além disso, poderia fazer números musicais mais caprichados que o antecessor Seth MacFarlane.

Seann William Scott e Justin Timberlake como hosts do MTV Movie Awards 2003. Faz tempo, mas está no currículo. (photo by mtv.com)

Seann William Scott e Justin Timberlake como hosts do MTV Movie Awards 2003. Faz tempo, mas está no currículo. (photo by mtv.com)

Por outro lado, outros sites desmentem, alegando que se tratariam de boatos infundados, uma vez que o anúncio do host normalmente ocorre no segundo semestre e até lá, muita água ainda rolaria. Essa justificativa soa muito mais plausível, principalmente pela questão da antecipação de data, mas Justin Timberlake tem chances reais de se tornar o próximo host, levando em conta que já tem experiência no MTV Movie Awards (apresentou ao lado do ator Seann William Scott em 2003) e seus últimos filmes tem conquistado o público como a comédia romântica Amizade Colorida (2011) e A Rede Social (2010), em que interpreta o criador do Napster, Sean Parker.

James Franco e Anne Hathaway: Que isso não se repita! (photo by guardian.co.uk)

James Franco e Anne Hathaway: Que isso não se repita! (photo by guardian.co.uk)

Particularmente, tenho uma visão diferente dos produtores da Academia. Não acredito que quanto mais jovem o host for, maior a audiência. Quer prova melhor do que o fracasso da dupla Anne Hathaway e James-não-estou-sob-efeito-de-tóxicos-Franco? A idéia só parecia promissora, mas a realidade foi enganosa, pra ficar no adjetivo classudo. Se for contratar alguém mais jovem, que seja na linha de Chris Rock, que já tem experiência como comediante stand up. Claro que seria necessário controlar seu linguajar afiado, mas os cinco segundos de delay servem pra isso, certo?

Gostava muito do Billy Crystal, mas seu último ano foi bem decepcionante. Ficou bem claro que Crystal estava enferrujado para o cargo. Seus números musicais perderam aquele vigor com notas críticas aos filmes e a política. Em se tratando de musicais, seu substituto natural, Hugh Jackman, seria uma boa pedida para agradar todas as faixas etárias. Com menos pressão nesse possível retorno, Jackman estaria mais tranquilo para atuar e entreter o público do palco.

Contudo, meus votos seriam para os apresentadores da TV: Jon Stewart (do The Daily Show) e Ellen DeGeneres (do Ellen Show). Ambos já foram hosts do Oscar, tendo o primeiro apresentado duas vezes (2006 e 2008), e a segunda apenas uma em 2007, e têm amplo público fiel televisivo. Alguns discordam de Stewart para o cargo porque ele teria um “excesso político” no tradicional monólogo de abertura. Ele nunca escondeu o fato de ser eleitor do partido Democrata, tanto que costuma fazer piada contra Republicanos. Mas ele tem uma visão bem irônica que agrada o público de artistas, ainda mais que a maioria é Democrata também.

Jon Stewart e suas piadas políticas teriam um público-alvo mais maduro (photo by oscars.org)

Jon Stewart e suas piadas políticas teriam um público-alvo mais maduro (photo by oscars.org)

Ellen DeGeneres seria a opção mais agradável, hors concours. Suas piadas são mais inofensivas, analisando peculiaridades dos astros de Hollywood, com um teor bem mais saudável de política do que Jon Stewart. Porém, como ela anda extremamente ocupada com seu show, Ellen pode recusar o convite.

Agora, se pudesse sugerir um nome, ficaria com Jim Carrey. Como todos sabem, ele fez grande sucesso com comédias exageradas como Debi & Lóide – Dois Idiotas em Apuros, O Máskara e Ace Ventura – Um Detetive Diferente na primeira metade dos anos 90. Depois, buscou o tão sonhado Oscar com duas interpretações mais sérias em O Show de Truman – O Show da Vida (1998) e O Mundo de Andy (1999), mas só ficou mesmo com os Globos de Ouro. Quando levou um prêmio da MTV Movie Awards, Carrey foi trajado de hippie com o discurso de que havia jogado a toalha em relação à Academia, pois sequer fora indicado.

Jim Carrey apresentando o Oscar Honorário para o diretor e roteirista Blake Edwards em 2004 (photo by mundodse.com)

Jim Carrey apresentando o Oscar Honorário para o diretor e roteirista Blake Edwards em 2004 (photo by mundodse.com)

Jim Carrey já apresentou alguns prêmios na cerimônia do Oscar e mostrou ótima desenvoltura. Tomei como exemplo sua aparição no Oscar 1996, no qual ele cria piadas sobre os filmes com extrema facilidade ao fazer imitações perfeitas, satiriza a política internacional e ainda ironiza o universo por trás das câmeras. Claro que ele puxaria a sardinha para seu lado ao chorar que nunca foi reconhecido pela Academia, mas sua escolha como host serviria como ótimo alento. Veja clipe dele no Oscar 96, apresentando o prêmio de Melhor Fotografia (sem legendas):

E, numa qualidade bastante sofrível, temos o vídeo em que ele apresenta o Oscar de Melhor Montagem (com tradução simultânea em polonês, mas com legendas em inglês). No ano em que seria indicado para Melhor Ator por O Show de Truman – O Show da Vida, ele brinca com a sua exclusão da categoria, mas com muito bom humor. O pior desse ano foi o fato do vencedor ter sido Roberto Benigni por A Vida é Bela, pois para quem conhece o ator italiano, ele sempre atua do mesmo jeito em todos os filmes.

E você? Qual sua opinião sobre o próximo host? Justin Timberlake seria uma boa escolha? E Eddie Murphy? Ele seria o host desse ano, mas acabou saindo depois que o produtor do show, o diretor Brett Ratner, falou algumas besteiras numa entrevista. Vote na enquete abaixo:

Prévia do Oscar 2013: Melhor Atriz

Meryl Streep, vencedora do último Oscar de Melhor Atriz por A Dama de Ferro

Nos últimos dez anos, apenas três atrizes com idade acima de 40 anos foram premiadas nessa categoria: Helen Mirren, Sandra Bullock e Meryl Streep. Esse fato denota a queda na oferta de bons papéis no cinema para mulheres maduras. Por isso, muitas delas migraram para as séries e mini-séries de TV como fizeram Kathy Bates (Harry’s Law), Glenn Close (Damages), Jessica Lange (American Horror Story), Julianne Moore (Virada no Jogo), Emma Thompson (The Song of Lunch), Judy Davis (Page Eight) e Maggie Smith (Downton Abbey), só pra citar nomes mais recentes. É claro que isso não significa que mudaram de time permanentemente, mas aproveitando a demanda da TV por material de qualidade, coisa que o cinema tem deixado de fazer há um bom tempo.

Na corrida do Oscar, a maioria das atrizes normalmente está na casa dos 20 e 30, até mesmo porque o cinema se tornou um entretenimento mais para o público juvenil. E sob essa perspectiva, Jennifer Lawrence deve figurar entre as favoritas. Além de sua performance elogiada no Festival de Toronto por Silver Linings Playbook, ainda conta com o sucesso de seu blockbuster Jogos Vorazes. Este é o equilíbrio perfeito entre sucesso de crítica e público que a Academia costuma buscar em seus vencedores de atuação, pois agrada aos críticos enquanto seu sucesso comercial atrai o público de TV e, obviamente, mais patrocinadores do show.

Ainda em se tratando de jovens, o Oscar 2013 pode ter dois novos recordes. A atriz-mirim Quvenzhané Wallis, protagonista do drama fantástico Indomável Sonhadora (Beasts of the Southern Wild), de apenas 8 anos pode se tornar a atriz mais jovem indicada na categoria. A marca atual pertence à australiana Keisha Castle-Hughes de A Encantadora de Baleias (2003), que na época tinha apenas 13 anos.

Contudo, em 2013, as jovens estão em baixa, abrindo espaço para atrizes mais experientes e consagradas. A francesa Emmanuelle Riva, de 85 anos, estrela do clássico Hiroshima mon Amour, pode ser uma surpresa na lista de indicadas, batendo o recorde de Jessica Tandy (que ganhou aos 81). Logo em seguida, as setentonas Judi Dench e Maggie Smith são fortes candidatas por O Exótico Hotel Marigold e Quartet, respectivamente.

Amigas e colegas de profissão, Nicole Kidman (44) e Naomi Watts (43) também fazem parte do grupo de atrizes experientes com boas chances de concorrer ao prêmio. Kidman encara um papel mais ousado em The Paperboy, enquanto Watts busca esperança em meio à tragédia de O Impossível.

Particularmente, (e já declarei isso várias vezes aqui) prefiro o reconhecimento de atrizes experientes no Oscar. Mas o Oscar é um prêmio que reconhece os melhores do ano, e não pelo conjunto da obra. Se uma atriz de oito anos deu a melhor performance do ano, por que não lhe premiar com o Oscar? Que vença a melhor!

Marion Cotillard em Ferrugem e Osso

MARION COTILLARD (Ferrugem e Osso)

Marion Cottilard foi a primeira atriz francesa a ganhar o Oscar de Melhor Atriz falando a sua língua natal, e a segunda estrangeira depois de Sophia Loren, que ganhou em 1962 por Duas Mulheres (La Ciociara). Seu Oscar foi um dos mais comemorados pela comunidade hollywoodiana.

Tanto que acabou abraçada pelo diretor Christopher Nolan, que a incluiu nos blockbusters A Origem (2010) e Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012). Mesmo carregando um sotaque no inglês, Marion Cotillard se saiu bem e deu maior credibilidade aos papéis que viveu. Além de Nolan, outros diretores fizeram questão de contar com a atriz. Michael Mann (Inimigos Públicos), Rob Marshall (Nine), Woody Allen (Meia-Noite em Paris) e Steven Soderbergh (Contágio) foram beneficiados pelo talento da francesa.

Agora, voltando a fazer filmes franceses, Cotillard atua sob direção do diretor em extrema ascensão Jacques Audiard (de O Profeta, que concorreu a Melhor Filme Estrangeiro em 2010) no drama Ferrugem e Osso (Rust and Bone), que concorreu à Palma de Ouro em Cannes desse ano. Havia até uma forte expectativa de que o prêmio de atuação feminina seria dela.

No filme, Marion Cotillard vive Stéphanie, uma treinadora de baleias orcas que sofre um acidente que lhe tira parte das pernas. O tipo de papel, somado à credibilidade do Oscar que ganhou, facilmente lhe garantiria uma nova indicação, mas por se tratar de um filme em língua francesa, as chances dela podem reduzir consideravelmente numa briga mais acirrada com outras atrizes.

Judi Dench em O Exótico Hotel Marigold

JUDI DENCH (O Exótico Hotel Marigold)

Ainda não consegui engolir a derrota de Dame Judi Dench para Helen Hunt naquele Oscar 98. Ela competia por um papel imponente e interpretação impecável em Sua Majestade Mrs. Brown. No ano seguinte, a Academia resolveu compensá-la ao lhe entregar o Oscar de coadjuvante por Shakespeare Apaixonado, no qual ela atua por apenas oito minutos.

Para o grande público, Dench ficou conhecida como M, a chefe do agente secreto britânico James Bond, que voltará no novo filme 007 – Operação Skyfall, mas deve ser sua última participação na série. Porém, a atriz tem muito mais história no teatro, tendo atuado nas companhias de prestígio Royal Shakespeare Company, o National Theatre e Old Vic Theatre, além de ter vencido muitos prêmios do palco como o Laurence Olivier Theater Award na década de 80 e 90.

Em O Exótico Hotel Marigold, já disponível em DVD e Blu-ray, muitos atores consagrados são reunidos para contar histórias da terceira idade em meio ao caos da Índia e o hotel do título. Judi Dench encabeça essa lista que conta ainda com Maggie Smith, Tom Wilkinson e Bill Nighy. Como em todo filme, a atriz empresta sensibilidade e carisma a seu personagem Evelyn, que fica bastante desamparada na vida depois que seu marido morre.

Apesar do filme ser independente, o peso do nome da atriz pode lhe conferir sua sétima indicação ao Oscar. Ela já foi indicada por Sua Majestade Mrs. Brown (1997), Shakespeare Apaixonado (1998), Chocolate (2000), Iris (2001), Sra. Henderson Apresenta (2005) e Notas Sobre um Escândalo (2006).

Nicole Kidman em The Paperboy

NICOLE KIDMAN (The Paperboy)

Toda vez que eu vejo Nicole Kidman na TV, seja no tapete vermelho ou na premiação, vejo uma mulher recatada e reprimida sexualmente. Então, não foi uma surpresa vê-la num papel de mulher da vida nesse novo drama de Lee Daniels, diretor de Preciosa. Nicole cresceu demais depois que se separou do mala da Cientologia Tom Cruise; passou a buscar novos desafios sem medo de parecer ridícula.

A história comprova essa teoria. Foi só se divorciar dele que estrelou dois grandes sucessos de público e crítica em seguida: Os Outros, de Alejandro Amenábar, e Moulin Rouge – Amor em Vermelho, de Baz Luhrmann, que lhe conferiu sua primeira indicação ao Oscar.

Nos anos seguintes, Nicole trabalhou com diretores competentes como Lars von Trier, Anthony Minghella e ganhou seu Oscar pelo papel marcante da escritora Virginia Woolf em As Horas, de Stephen Daldry. Muita gente poderia achar que ela venceu somente pelo peso da personagem e maquiagem (uma prótese de nariz fora aplicada), mas a atriz continua na jornada em busca de novos desafios. Essa atitude nada fácil de seguir deveria ser comum na profissão, mas não é.

Em The Paperboy, ela aceita um tipo de papel que nunca encarou antes. Charlotte Bless é uma vagabunda que tem fetiche por homens encarcerados. Contudo, Nicole não faz isso de forma condescendente, mas de um jeito que sua personagem pareça mais aceitável e ganhe a torcida do público. Suas chances são médias, mas se o filme não for bem aceito pela crítica americana, Nicole pode comparecer ao Oscar apenas para apresentar um prêmio.

Keira Knightley em Anna Karenina

KEIRA KNIGHTLEY (Anna Karenina)

Esta jovem atriz britânica começou a chamar a atenção na comédia sobre futebol feminino Driblando o Destino (Bend it Like Beckham), que pelo sucesso chegou a ser indicado a Melhor Filme – Comédia/Musical no Globo de Ouro 2003. Naquele ano, Keira Knightley deu um salto para a fama internacional com o blockbuster Piratas do Caribe – A Maldição do Pérola Negra, mas muitos duvidavam do talento da moça, que tinha tudo para se tornar mais uma daquelas Bond girls que só serviam para enfeitar a tela e gritar.

Felizmente, firmou uma forte aliança com o diretor Joe Wright ao interpretar o cobiçado papel de Elizabeth Bennet de Orgulho e Preconceito, adaptação do clássico literário homônimo de Jane Austen, que acabou resultando numa indicação para o Oscar para Knightley. Entretanto, mais importante do que o início bem-sucedido da parceria com o diretor (Anna Karenina é a terceira colaboração da dupla), seria a descoberta dessa obsessão de Keira com os filmes de época.

Depois de Orgulho e Preconceito, ela vestiu figurinos de décadas e séculos passados em mais sete oportunidades. Acho que as figurinistas já sabem as medidas dela de cor e salteado! Existem atores que gostam de interpretar vilões, mocinhos, e existem atrizes que se apegam tanto a filmes de História que ficam marcadas e até rotuladas no mercado, como se não tivessem capacidade de viver personagens atuais.

Porém não deve ser o caso de Keira Knightley. Ela mesma deve estar ciente desse excesso de filmes de época e vem buscando projetos diferenciados como a comédia Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo (2012) e a refilmagem de ação Jack Ryan, prevista para estrear em 2013. Até lá, ela aproveitou para voltar a trabalhar com seu diretor favorito nesse Anna Karenina, adaptação da obra de Leo Tolstoy.

Com a constante evolução da parceria Knightley-Wright, a atriz tem chances de obter sua segunda indicação, mas uma vitória seria considerada uma zebra. Por outro lado, Anna Karenina tem ótimas chances nas categorias de direção de arte e figurino, como nos trabalhos anteriores de Joe Wright, que prima nesses departamentos.

Jennifer Lawrence em Silver Linings Playbook

JENNIFER LAWRENCE (Silver Linings Playbook)

Seria burrice da Academia se ignorasse o trabalho da jovem atriz Jennifer Lawrence em 2013, afinal ela estrelou dois filmes em destaque na mídia: o blockbuster Jogos Vorazes (Hunger Games) e esta “dramédia” Silver Linings Playbook, dirigido pelo diretor em ascensão David O. Russell, de O Vencedor.

Desde que foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz pelo independente Inverno da Alma (Winter’s Bone) em 2011, Jennifer Lawrence recebeu incontáveis propostas em Hollywood. Todos os diretores queriam trabalhar com ela. Felizmente, ela tem dado preferência ao equilíbrio nas escolhas de projetos, participando de filmes de terror, aventura, comédias e dramas. Já tem retorno acertado para as sequências X-Men: Days of Future Past (2014) e Jogos Vorazes: Em Chamas (2013).

Em Silver Linings Playbook, Lawrence encarna Tiffany, uma recém-viúva, que tenta lidar com a dor enquanto se envolve com o recém-saído do hospital psiquiátrico Bradley Cooper. Trata-se de um filme de direção de atores e isso David O.Russell já comprovou para todos com os dois Oscars de coadjuvantes de O Vencedor. O longa foi muito bem recebido no Festival de Toronto, vencendo o cobiçado prêmio People’s Choice Award e, pelo Hamptons International Film Festival, o Audience Award (prêmio concedido pelo público). O reconhecimento de Toronto vem sendo cada vez mais importante para o crescimento na reta final do Oscar. A vitória anterior de O Discurso do Rei foi um belo exemplo, batendo o franco-favorito A Rede Social em 2011.

Apesar de muito jovem (22 anos), Jennifer Lawrence tem grandes chances no Oscar. Ela foi indicada apenas uma vez em 2011 como Melhor Atriz por Inverno da Alma.

Laura Linney em Hyde Park on Hudson

LAURA LINNEY (Hyde Park on Hudson)

Laura Linney foi conquistando seu espaço de forma bem gradativa nos anos 90. Papéis menores e de coadjuvante permearam o início de sua carreira, participando de filmes em destaque como Dave – Presidente por um Dia (1993), Congo (1995), As Duas Faces de um Crime (1996) e O Show de Truman – O Show da Vida (1998). Cansada de personagens secundários, partiu para o cinema independente americano. Foi uma decisão de extrema importantância, pois pôde finalmente ser protagonista e dona de uma personagem rica de emoções no drama Conte Comigo, do talentoso Kenneth Lonnergan. Ali a atriz se sentiu mais à vontade e esbanjou seu talento que muitos diretores não conheciam. A interpretação da mãe solteira Sammy lhe rendeu sua primeira indicação ao Oscar, um feito único que lhe traria muitos frutos.

Laura Linney passou a atuar sob direção de renomados profissionais como Alan Parker em A Vida de David Gale, Clint Eastwood em Sobre Meninos e Lobos, mas foi graças a duas produções independentes que ela voltou ao tapete vermelho do Oscar. Com Kinsey – Vamos Falar de Sexo (2004) e A Família Savage (2007), Linney foi indicada para coadjuvante e atriz, respectivamente. A vitória pode não ter vindo ainda, mas acredito que é questão de tempo, pois a atriz sabe escolher bem projetos para se destacar. Só precisaria de um projeto mais grandioso ou uma personagem mais destacada na história.

Dependendo da recepção a Hyde Park on Hudson, Laura Linney pode conseguir sua quarta indicação, ainda mais que se trata de uma personagem verídica: Margaret Suckley, a prima do presidente Franklin D. Roosevelt, responsável pela narração do filme. No entanto, suas chances são menores do que nas oportunidades anteriores.

Helen Mirren (à esq) em Hitchcock

HELEN MIRREN (Hitchcock)

Embora Helen Mirren tenha iniciado sua carreira no cinema na década de 60, foi  apenas com o cult Excalibur (1981), de John Boorman, que ela passou a se destacar. Dali em diante, trabalhou com diretores mais renomados e alternativos como Paul Schrader, Terry George e Peter Greenaway, levando-a para Cannes, onde levou o prêmio de intérprete feminina duas vezes: em 1984 por Cal – Memórias de um Terrorista, e em 1995 por As Loucuras do Rei George. Este último também lhe rendeu sua primeira indicação ao Oscar como coadjuvante.

A partir do Oscar, sua carreira começou uma nova fase. Aquela Helen que só fazia filmes independentes passou a trabalhar em produções de estúdio, chegando a protagonizar uma comédia de humor negro com Katie Holmes: Tentação Fatal (1999), e dublando a animação da Dreamworks, O Príncipe do Egito (1998). Em 2002, voltou a ser indicada ao Oscar de coadjuvante pelo ótimo Assassinato em Gosford Park, de Robert Altman, mas perdeu novamente.

O reconhecimento da Academia finalmente veio em 2007, quando um projeto pensado para Helen Mirren foi lançado. Dirigido por Stephen Frears, A Rainha tinha mais cara de telefilme, mas foi abraçado pelo Oscar como uma oportunidade única de premiar uma atriz de enorme prestígio como Helen Mirren. Claro que ela colheu os frutos desse prêmio, ganhando bem em grandes produções como A Lenda do Tesouro Perdido: Livro dos Segredos (2007), no blockbuster da New Line Cinema, Coração de Tinta (2008) e na recente refilmagem Arthur – O Milionário Irresistível (2011), mas, como dito no início do post, o cinema de Hollywood muitas vezes é cruel com atrizes mais velhas. Aos 67 anos, Helen Mirren tem boas chances de uma nova indicação pelo filme Hitchcock, que conta os bastidores das filmagens do clássico Psicose, mas a atriz tem mais tratamento de coadjuvante de luxo. No filme, ela interpreta a esposa e colaboradora de Alfred Hitchcock, Alma Reville.

Helen Mirren já foi indicada quatro vezes: Em 1995 por As Loucuras do Rei George e em 2002 por Assassinato em Gosford Park, como coadjuvante. Em 2010, por A Última Estação, e em 2007 por A Rainha, vencendo por este último.

Emmanuelle Riva em Amour

EMMANUELLE RIVA (Amour)

Atriz francesa veteraníssima, Emmanuelle Riva pode se tornar a atriz mais velha a ser indicada ao Oscar aos 85 anos. Seu primeiro trabalho como atriz em Hiroshima mon Amour, de Alain Resnais, já a colocou no topo do cinema francês da década de 60, tornando-se uma das musas da Nouvelle Vague.

Apesar de se tratar de uma produção francesa, dirigida pelo austríaco Michael Haneke, muitos especialistas estão dando como certa sua indicação. Se for considerar o valor dessa oportunidade de incluir um ícone do cinema na história da Academia, já soaria tentador demais para ignorar sua performance. Mas para quem conferiu o filme, que arrancou aplausos calorosos e a Palma de Ouro em Cannes, Emmanuelle Riva merece ser uma das finalistas, e não somente por sua longeva carreira.

No drama Amour, Georges (Jean-Louis Trintignant, outro ator octogenário com chances no Oscar) e Anne (Riva) são professores de música aposentados. A filha deles, que também é música, vive no estrangeiro com a família dela. Um dia, Anne tem um ataque cardíaco e o relacionamento afetivo é severamente testado.

Em diferentes escalas, daria pra comparar o casal com Henry Fonda e Katharine Hepburn, que ganharam o Oscar em 1982 pelo drama Num Lago Dourado. Como Amour se trata de um filme de atores, existe essa possibilidade de haver outra atriz maior de 40 anos vencendo o Oscar de atriz. Esta seria sua primeira indicação ao Oscar.

Maggie Smith (à esq) em Quartet

MAGGIE SMITH (Quartet)

Maggie Smith tem uma trajetória semelhante a de Helen Mirren. Coincidentemente, ambas foram indicadas ao Oscar de coadjuvante pelo mesmo filme em 2002 por Assassinato em Gosford Park. Contudo, Maggie teve maior êxito comercial devido ao sucesso dos oito filmes da série Harry Potter, no qual deu vida à feiticeira Minerva. Ela começou no cinema nos anos 50, em papéis secundários até brilhar como Desdemona ao lado do mestre Laurence Olivier na adaptação de Othello (1965), de William Shakespeare.

A década de 70 foi bastante generosa com Maggie Smith. Em 1970, levou seu primeiro Oscar como Melhor Atriz por A Primavera de uma Solteirona, e em 1979, outro como coadjuvante pela comédia estrelada por Jane Fonda, California Suite. Em sua vasta filmografia prevaleceram personagens coadjuvantes, mas em sua maioria produções de grandes estúdios. Chegou a trabalhar com Steven Spielberg em Hook – A Volta do Capitão Gancho (1991), ensinou Whoopi Goldberg a ser uma freira em Mudança de Hábito (1992) e foi a Duquesa de York na adaptação de Ricardo III (1995), ao lado de Ian McKellen e Annette Bening.

Já no começo deste século, com o bolso cheio graças aos Harry Potter, ela pôde escolher projetos de seu gosto pessoal, e acabou se envolvendo em dois filmes elogiados: O Exótico Hotel Marigold, no qual faz a personagem mais humorada (como foi em Assassinato em Gosford Park), e neste Quartet, dirigido pelo amigo e colega Dustin Hoffman. Nele, Maggie Smith interpreta uma diva da ópera que volta à sua cidade para a comemoração do aniversário do compositor clássico Giuseppe Verdi.

Com aquele típico humor britânico que corre em sua veias, ela tem boas chances no Oscar. Ao lado de Judi Dench, Emmanuelle Riva e Helen Mirren, Maggie Smith comprova que as veteranas ainda têm muito a ensinar às mais novas atrizes e por que não para o público jovem de hoje que só vê porcaria e atores de plástico? Viva a terceira idade!

Quvenzhané Wallis em Indomável Sonhadora

QUVENZHANÉ WALLIS (Indomável Sonhadora)

Eu sei… parece um daqueles golpes de marketing, mas quem viu o filme Indomável Sonhadora (Beasts of the Southern Wild), que venceu o grande prêmio em Sundance, garante que a pequena merece um lugar de destaque nessa temporada de premiação. Se a indicação ao Oscar vier, ela marcará um novo recorde na história do prêmio, sendo a atriz mais jovem indicada com 8 anos.

O drama independente Indomável Sonhadora vem conquistando o público e a crítica por sua mistura perfeita de fantasia infantil com uma dura realidade de pobreza em Louisianna, nos EUA. Para contar essa história, o jovem diretor estreante Benh Zeitlin testou mais de quatro mil meninas para o papel para encontrar Wallis. Felizmente, essa árdua procura teve um final feliz. E Zeitlin deu muita sorte também no papel de coadjuvante. Ele contratou Dwight Henry, que era dono da padaria do outro lado da rua do set de filmagens! Curiosamente, ambos estão no novo filme de Steve McQueen, diretor dos premiados Hunger (2008) e Shame (2011).

Normalmente, quando uma atriz-mirim está na lista de indicadas ao Oscar, as chances são praticamente nulas. Ganhar como coadjuvante pode acontecer como aconteceu com Tatum O’Neal (aos 10 em 1974 por Lua de Papel) e Anna Paquin (aos 11 em 1994 por O Piano), mas ganhar como Melhor Atriz?? O recorde de mais jovem nessa categoria ainda pertence a Marlee Matlin, que tinha 21 aninhos quando venceu em 1987 por Filhos do Silêncio. Estaria a Academia diposta a quebrar essa marca por um jovem prodígio como Quvenzhané Wallis?

Naomi Watts em O Impossível

NAOMI WATTS (O Impossível)

Se depender do sofrimento que o personagem passa para ganhar um Oscar, pode-se dizer que Naomi Watts já teria a estatueta na mão. No drama-catástrofe, O Impossível, de Juan Antonio Bayona, ela está no lugar errado e na hora errada, mais precisamente na Tailândia em 2004, palco das tsunamis que levaram muitas vidas.

A atriz britânica fazia filmes B de terror como O Elevador da Morte (2001) até que David Lynch mudou sua vida ao chamá-la para estrelar Cidade dos Sonhos (2001). Seu nome passou a ser conhecido por vários diretores que queriam trabalhar com ela como Gore Verbinski em O Chamado (2002), David O. Russell em Huckabees – A Vida é uma Comédia (2004) e Peter Jackson em King Kong (2005), onde abraçou o papel que consagrou Fay Wray e Jessica Lange.

Sua primeira e única indicação saiu pelo dramático 21 Gramas, de Alejandro González Iñárritu, no qual sua personagem vive maus bocados quando encontra o homem que recebeu o coração de seu ex-marido. Como Watts parece uma boneca de porcelana, o fato de viver personagens em situações que deterioram a imagem das mesmas parece colaborar para a qualidade da interpretação. Como deu certo com 21 Gramas, por que não daria com O Impossível?

Neste novo trabalho, ela busca sua sobrevivência e sua família em meio à catástrofe do tsunami. Naomi Watts fica toda coberta de lama e sua chapinha é arruinada pela água salgada. Claro que isso merece uma indicação! Brincadeiras à parte, o drama O Impossível conta uma história de superação e solidariedade, elementos que, combinados, costumam ganhar muitos votos.

Mary Elizabeth Winstead em Smashed

MARY ELIZABETH WINSTEAD (Smashed)

Pelo nome, a atriz Mary Elizabeth Winstead talvez passe desapercebida pelo grande público. Mais conhecida por papéis de coadjuvante em grandes produções como Duro de Matar 4.0, no qual viveu a filha de Bruce Willis, e o filme-video-game Scott Pilgrim Contra o Mundo, onde é a desejada Ramona Flowers. Conseguiu papéis de protagonista em filmes de terror como Premonição 3 (2006) e a recente refilmagem da refilmagem de O Enigma do Outro Mundo (2011).

Ao se sair bem no papel de uma alcóolatra em Smashed, de James Ponsoldt, Winstead parece querer provar ao mundo que seu talento não pára na beleza. No filme, ela vive Kate Hannah, que conhece seu marido por causa do forte vício ao álcool. Quando se cansa da bebida e tenta se livrar dela, acaba afetando o relacionamento.

Personagens que sofrem com alcoolismo costumam se sair bem na corrida ao Oscar. O grande Ray Milland venceu com méritos seu Oscar de Melhor Ator em 1946 em Farrapo Humano, de Billy Wilder. Nicolas Cage afundou no vício em Despedida em Las Vegas, de Mike Figgis, e saiu reconhecido pela Academia em 1996. E mais recentemente, em 2010, Jeff Bridges ganhou o seu Oscar em Coração Louco, ao interpretar o músico Bad Blake,que tem uma queda fácil pelo álcool.

Smashed saiu com o prêmio especial do júri no último Festival de Sundance e agora, a distribuidora Sony Pictures Classics está investindo na campanha para uma indicação a Mary Elizabeth Winstead. Pelo histórico dela, seria uma zebra.