ACADEMIA BUSCA SE RECOMPOR APÓS GAFE HISTÓRICA DO OSCAR 2017

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O indivíduo vai distribuir apenas envelopes no Oscar e resolve tweetar… (pic by Andrew Walker/REX/ Shutterstock)

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… posta foto da Emma Stone pra ficar bem na fita com a galera… (pic by Brian Cullinan)

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… e depois vê a cagada que cometeu (pic by Chris Pizzello/Invision/AP)

ACADEMIA ANUNCIA ALGUMAS MEDIDAS POUCO EFICIENTES

Bom, nessa altura do campeonato, o mundo inteiro já sabe o que realmente aconteceu nos bastidores do Oscar e o anúncio de Melhor Filme: o responsável pela entrega dos envelopes, Brian Cullinan (nas fotos acima), estava tão distraído com o Twitter e tirando foto com Emma Stone, que acabou entregando o envelope errado. O tempo pode passar, mas a vergonha por esse erro crasso (não me venham com “Errar é humano”!) perdurará por toda a eternidade. Obviamente, a esperança da Academia é que esse acontecimento seja esquecido o mais breve possível, mas se depender das providências anunciadas…

Recentemente, os organizadores da Academia detalharam novos protocolos que evitariam uma nova catástrofe. Na teoria. Eles vão contratar um terceiro contador para checar os votos e entregar os envelopes. Esse novo contador saberá com antecedência os vencedores e poderá alertar o diretor da cerimônia em caso de falha. Além, claro, de dispensar Brian Cullinan e Martha Ruiz, os dois responsáveis do Oscar desse ano, e também vai proibir o uso de celulares nos bastidores.

Olha, são medidas válidas, mas não tem uma real efetividade para coibir erros. Pra mim, basicamente houve uma falha do funcionário que estava mais preocupado com sua popularidade no Twitter do que checar se o envelope estava correto. Não precisa ter mais uma pessoa pra checar envelopes. Isso até uma criança conseguiria fazer sozinha.

Contando com uma parceria que dura décadas, a empresa responsável pela contagem de votos e confecção dos envelopes, Pricewaterhouse Coopers, não foi punida pelo erro. Apenas seus dois funcionários foram demitidos. Com certeza, alguém tem costas quentes com a Academia.

Enfim, a maior gafe dos últimos anos foi concretizada, a Academia e a Pricewaterhouse pediram desculpas, mas uma das piores consequências foi sobre a relação entre Faye Dunaway e Warren Beatty, que apresentaram e anunciaram o Oscar de Melhor Filme para La La Land. Segundo relatos, já havia um certo tom de inimizade desde os tempos de Bonnie & Clyde – Uma Rajada de Balas (1967), que certamente se agravaram depois que Beatty inocentemente cedeu o envelope errado para Dunaway ler sem qualquer tipo de aviso. É triste que um acontecimento desse possa causar esse trauma a duas estrelas hollywoodianas que passaram dos 70 anos. Correm sério risco de morrerem brigados…

CATEGORIA DE ANIMAÇÃO PARA QUEM PAGAR MAIS

E agora a pior notícia até o momento: a Academia anunciou uma mudança que pode e deve distanciar produções menores da categoria de Longa de Animação. Abriu a votação de indicados para todos os membros da Academia, ao invés de ficar restrita ao comitê de Animação. Não querendo generalizar, mas convenhamos que a maioria dos membros da Academia não tem conhecimento mais profundo sobre animação, e deve ficar limitada a assistir apenas às grandes animações.

A razão dessa mudança certamente partiu de reclamações de grandes estúdios como Dreamworks, Disney e Pixar, que costumam gastar milhões, faturar alto nas bilheterias, mas que estão insatisfeitos e indignados que suas produções perdem vaga no Oscar para animações independentes pequenas até de outros países como A Tartaruga Vermelha, Minha Vida de Abobrinha e no ano passado, o brasileiro O Menino e o Mundo.

84th Academy Awards Nominations Announcement

Indicados ao Oscar de Longa de Animação do Oscar 2012. Competição sadia entre grandes e pequenos (pic by Just Jared)

Esse povo insatisfeito com a “injustiça” no Oscar, resolveu mexer os pauzinhos e a Academia está acatando. É realmente uma lástima essa alteração, pois de todas as categorias do Oscar, esta era a mais internacional (tirando, obviamente a de Melhor Filme Estrangeiro) e diversificada em termos de artistas, histórias e tamanho de produção. Se mais pessoas votarem, as chances dos menores ficarem de fora são maiores, pois quem não trabalha na área de animação, fica mais suscetível ao gosto popular e da publicidade dos grandes estúdios.

Particularmente, eu já estava indignado que a última animação estrangeira a vencer o Oscar foi A Viagem de Chihiro em 2002! Imagina agora com menos estrangeiros competindo? Enfim, é um passo dado para trás pela Academia, que se rende mais aos interesses econômicos do que artísticos.

Também vale ressaltar que a Academia passou a proibir que documentários extensos como o vencedor deste ano, O.J.: Made in America, sejam elegíveis nos próximos anos. Para quem não sabe, o documentário vencedor tinha mais de oito horas de duração, ou seja, tinha um formato original para televisão (em episódios).

CALENDÁRIO DO OSCAR ATÉ 2020

A Academia também anunciou o calendário de seus eventos para os próximos quatro anos.

OSCAR 2018: 04/03/18

OSCAR 2019: 24/02/19

OSCAR 2020: 23/02/20

OSCAR 2021: 28/02/21

A cerimônia de 2018 foi a única movida para o mês de março para que não coincida com os jogos olímpicos de inverno da Coréia do Sul, que encerram no dia 25 de fevereiro.

Apesar da gafe desse ano, os produtores do evento, Michael De Luca e Jennifer Todd, estão bem cotados para retornar em 2018, e com isso, existem grandes chances de Jimmy Kimmel voltar como host. Para a próxima edição, a Academia já divulgou as principais datas:

Os produtores do Oscar 2017: Jennifer Todd e Michael De Luca devem retornar em 2018. Pic by The New York Times

11/11/2017 (sábado)
Governors Awards

05/01/2018 (sexta)
Início da votação de indicados

12/01/2018 (sexta)
Término de votação de indicados

23/01/2018 (terça)
Anúncio dos Indicados ao Oscar

05/02/2018 (segunda)
Almoço dos Indicados ao Oscar (Oscar Luncheon)

10/02/2018 (sábado)
Scientific and Technical Awards

20/02/2018 (terça)
Início da votação final

27/02/2018 (terça)
Término da votação final

28/02/2018 (quarta)
The Oscar Concert

04/03/2018 (domingo)
90ª cerimônia do Oscar

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‘LA LA LAND’ lidera as indicações ao OSCAR 2017 com 14 indicações!

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Emma Stone e Ryan Gosling em cena de La La Land: ambos fora indicados ao Oscar (pic by moviepilot.de)

MUSICAL IGUALA RECORDE DE A MALVADA (1950) E TITANIC (1997)

OSCAR EM NÚMEROS

Vamos começar com o recordista La La Land, que conquistou 14 indicações ao Oscar: um recorde equivalente ao de A Malvada e Titanic. Já me adiantando um pouco, caso o musical de Damien Chazelle leve a partir de 12 estatuetas na cerimônia no dia 26 de fevereiro, será o grande recordista de vitórias no Oscar, ultrapassando os 11 Oscars de Ben-Hur, Titanic e O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei. E embora Damien Chazelle não seja o mais jovem diretor indicado aos 32 anos (John Singleton tinha 23 quando foi indicado por Os Donos da Rua em 1991), se ganhar, ele se tornará o mais jovem diretor a conquistar a estatueta da categoria.

Bem lá atrás, empatados em segundo lugar com oito indicações cada vêm o drama Moonlight e a ficção científica A Chegada. Seguindo o script do BAFTA, o filme de alienígenas de Denis Villenueve tem se tornado um dos grandes competidores deste ano, conquistando inclusive sua primeira indicação de Diretor. Mas um dos grandes pilares da campanha, a atriz Amy Adams, não foi lembrada na categoria de Atriz.

Em seguida, compartilhando o terceiro lugar com seis indicações, estão Até o Último Homem, Lion e Manchester à Beira-Mar. Super importante ressaltar que Manchester foi produzido pela Amazon Studios também, o que o torna o pioneiro em serviço de streaming a receber uma indicação a Melhor Filme no Oscar.

Outro fato importante é que temos atores negros em todas as quatro categorias de atuação.  São sete atores negros entre vinte indicados: Ruth Negga, Denzel Washington, Viola Davis, Naomie Harris, Octavia Spencer, Mahershala Ali e Dev Patel, se o considerarmos como não-branco. Claro que houve um belo empurrãozinho da polêmica do ano passado do #OscarSoWhite, quando não houve nenhum ator negro pelo segundo ano consecutivo, mas todos os atores, sem exceção, estiveram presentes na temporada de premiação, ou seja, a Academia não trouxe nomes assim do nada.

Claro que essa polêmica racial ainda vai ser amplamente discutida ao longo desse próximo mês. Muitos inclusive já estão comentando da possível vitória de Moonlight sobre o franco-favorito La La Land como uma forma de resposta aos críticos da Academia pelo fato da diversidade. Já vi os dois filmes, e ambos são bons. Particularmente prefiro o musical por dialogar mais sobre sonhos de artista. Mas, de qualquer forma, eu espero sinceramente que não haja esse tipo de competição no quesito sócio-racial, mas apenas de Arte.

ANÚNCIO DAS INDICAÇÕES

Este ano, a Academia resolveu fazer nova alteração no anúncio dos indicados. Ao contrário dos anos anteriores, pela primeira vez, não houve transmissão num local físico. Via satélite pelos sites oscar.com e oscar.org, e pelo canal televisivo ABC (detentora dos direitos de transmissão da cerimônia do Oscar) pelo programa matinal Good Morning America, o anúncio foi misturado a um clipe de artistas previamente indicados ao Oscar com uma voz meio morna lendo os nomes indicados. À princípio, achei estranha essa combinação de clipe pré-gravado. Perdeu aquele frescor de anúncio ao vivo no palco.

Acredito que essa mudança tenha sido realizada para eliminar qualquer tipo de “ruído externo”, ou seja, torcida e ‘bafafás’ de jornalistas presentes durante o anúncio. No ano passado, por exemplo, eles urraram com o anúncio de Sylvester Stallone como Ator Coadjuvante, enquanto ficaram em silêncio absoluto com outros nomes como Matt Damon na categoria de Ator. Essa ausência de platéia elimina possíveis desconfortos para alguns indicados que não ganhariam uma única salva de palmas ou gritinhos.

No início, achei uma medida exagerada, mas depois me colocando no lugar do indicado, seria chato se depois de seu nome ser anunciado, o povo que tá gritando simplesmente ficasse calado! E fica uma coisa mais imparcial e profissional da Academia, e não um resultado de um paredão do Big Brother.

Para esta 89ª edição, a presidente Cheryl Boone Isaacs convocou uma gama diferente de apresentadores para auxiliá-la no anúncio: os atores Jennifer Hudson, Brie Larson, Ken Watanabe e Demián Bichir, e os diretores Jason Reitman (de Juno) e Guillermo del Toro (O Labirinto do Fauno).

Todas as 24 categorias foram anunciadas ao vivo.

SURPRESAS

Quando o nome de Mel Gibson foi anunciado na categoria de Direção, pensei: “A Academia, antro de judeus, finalmente teria perdoado o anti-semita Mel Gibson?”. Rusgas religiosas à parte, Até o Último Homem foi o grande filme de guerra de 2016 e o diretor tem larga experiência no gênero, já que ganhou o Oscar em 1996 pelo épico Coração Valente.

Mesmo não sendo exatamente uma surpresa, acho importante destacar a categoria de Atriz Coadjuvante, que este ano apresenta 3 candidatas negras: Viola Davis, Naomie Harris e Octavia Spencer. As outras são branquelas e loiras: Nicole Kidman e Michelle Williams. Olha o contraste! Agora, imagine o seguinte cenário: Com três atrizes negras no páreo, uma branca levar a estatueta! Aí que a casa cai de vez!  Poooor sorte, entre as negras está a franco-favorita Viola Davis, pela impecável performance em Cercas. Ela já venceu o Critics’ Choice e o Globo de Ouro, portanto, esse deve ser o Oscar mais certo da noite.

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Indicadas ao Oscar de Coadjuvante, da esquerda para a direita: Viola Davis, Nicole Kidman, Octavia Spencer, Michelle Williams e Naomie Harris (pic by GoldenGlobe)

Não vou ser um chato do tipo politicamente correto pra chegar agora e falar “E os atores latinos? E os atores asiáticos? E os indígenas? E a paz mundial??” porque a Arte não é isso. A Arte vem de qualquer lugar, de qualquer gênero, raça, religião, até mesmo de mentes criminosas. Se for pra exigir cotas como muitos na internet exigem como se fossem panfletários, teria que haver 50 indicados por categoria todo ano e aí ninguém iria aguentar o Oscar. Claro que eu acho bacana termos atores negros reconhecidos por seus trabalhos, mas não os enxergo como negros, mas atores que tiveram uma boa oportunidade de mostrar seu talento em projetos bem conceituados, e isso é isso que está faltando: projetos artísticos e oportunidades.

Outros nomes como Mike Mills (20th Century Women) foram surpresa na categoria de Roteiro Original, e de Thomas Newman (Passageiros) na de Trilha Musical. Ambos devem sair de mãos abanando, mas curiosamente, se confirmada sua derrota, esta será a 14ª derrota de Newman. Já na categoria de canção, a surpresa foi de “The Empty Chair” do documentário Jim: The James Foley Story. Claro que o nome do músico Sting ajuda, mas vale lembrar que esta é a terceira indicação do compositor J. Ralph.

Na categoria de maquiagem, a participação de Esquadrão Suicida não deixa de surpreender, já que a adaptação da DC Comics foi considerada uma das piores de 2016. Contudo, também vale ressaltar que a categoria de Maquiagem tem abrigado filmes ruins como Jackass Apresenta: Vovô Sem Vergonha e Norbit.

AUSÊNCIAS

Indubitavelmente, a grande surpresa entre os indicados pra mim foi a exclusão de Amy Adams da categoria de Atriz. Acho que pensaram: “Ela é indicada todo ano e nunca ganha. Melhor ficar de fora pra não perder de novo e virar uma nova Deborah Kerr! (foi indicada 6 vezes, mas nunca levou o prêmio)”. Curiosamente, seu filme A Chegada conquistou uma série de indicações, e ela que vinha sendo indicada em todos os grandes prêmios, acabou morrendo na praia. Sei que muitos fãs dos filme vão ficar aborrecidos comigo, mas eu acho que ela não mereceu estar entre as indicadas este ano. É o que sempre digo sobre ela: Amy Adams precisa sair um pouco da zona de conforto e assumir papéis mais desafiadores. Mudar seu timbre de voz, mudar seu visual, seu jeito de andar etc. Talento ela tem, mas a Academia quer reconhecê-la por algo maior.

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Amy Adams em cena de A Chegada. Sua ausência no Oscar foi uma das mais notáveis (photo by moviepilot.de)

Após uma trajetória de ausências na temporada de premiações, era esperado que o novo filme de Martin Scorsese ficasse praticamente de fora da cerimônia. Sua única indicação veio na forma de Melhor Fotografia para Rodrigo Prieto, que deve apenas fazer figuração na entrega dos prêmios. Como não vi ainda Silêncio, fica difícil entender os motivos do filme ter sido tão excluído. Mas uma das razões foi o erro de estratégia de lançamento atrasado, o que não permitiu os screeners para os votantes da Academia.

Um dos maiores injustiçados foi Animais Noturnos, que recebeu uma única indicação de Ator Coadjuvante para Michael Shannon. Cadê a indicação para Roteiro Adaptado para Tom Ford?? Em seu segundo filme, ele conquistou uma série de críticas positivas, seja como diretor ou como roteirista. Sua adaptação pode ter apresentado falhas, mas certamente foi um dos trabalhos mais estilizados de 2016. A Academia sai perdendo ao não convidar Ford para a festa. Havia uma divisão de votos na escolha do Ator Coadjuvante do filme. Enquanto no Globo de Ouro e BAFTA, optaram por Aaron Taylor-Johnson, a Academia preferiu  Michael Shannon, talvez numa tentativa de compensá-lo pela não-indicação no ano passado pelo drama 99 Casas. Considero a performance de Taylor-Johnson mais interessante por representar um lado sombrio da trama toda de Animais Noturnos. Já Shannon parece meio fadado a papéis “weirdos”.

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Tom Ford no set de Animais Noturnos, que recebeu uma única indicação para Michael Shannon (pic by joblo.com)

Apesar de se tratar de uma adaptação de quadrinhos, que a Academia não costuma gostar muito, achei que Deadpool entraria na lista, já que participou ativamente da temporada de premiações, tendo sido indicado inclusive para o Producers Guild (PGA). Suas maiores chances estavam nas categorias de Roteiro Adaptado e Maquiagem, mas ficou de fora por completo. Uma pena.

Entre outros ausentes da festa que estavam no burburinho destaque para Annette Bening (20th Century Women), Tom Hanks (Sully: O Herói do Rio Hudson), Hugh Grant (Florence: Quem é Essa Mulher?) e animação da Pixar, Procurando Dory. Particularmente, senti a ausência de Ben Foster como coadjuvante em A Qualquer Custo. Ele rouba toda cena em que aparece.

MINHA TORCIDA

Olha, não sei o que será de Isabelle Huppert na cerimônia, mas certamente foi a indicação que mais me deixou feliz! Soltei um Uhuuulll daqui de casa! É tão bacana quando a Academia sai de seu clubinho americano para reconhecer um grande talento estrangeiro que na hora, nem liguei que seu filme Elle tinha ficado de fora da categoria de Filme em Língua Estrangeira.

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Primeira indicação para a francesa Isabelle Huppert!!

Embora tenha vencido o prestigioso Globo de Ouro, a atriz francesa terá páreo duro pela frente, especialmente entre Emma Stone, que venceu o Globo de Ouro de Atriz – Comédia ou Musical por La La Land, e Natalie Portman, que já ganha pontos por interpretar uma figura histórica muito querida nos EUA, a ex-primeira dama Jacqueline Kennedy em Jackie. Seria o melhor momento da noite do Oscar se Huppert subisse no palco pra receber o Oscar. Dentre as indicadas, ela apresentou a maior audácia

Ainda nesse quesito de reconhecer artistas de fora, a categoria de Animação é a que mais me felicita todo ano. Mais uma vez, ela reconheceu duas produções estrangeiras, no caso, a francesa A Tartaruga Vermelha, e a suíça Minha Vida de Abobrinha. Pelo pouco que já vi, esta última é a que mais me agrada pela técnica de stop-motion, mas sob o aspecto técnico geral, Kubo e as Cordas Mágicas é imbatível, tanto que foi indicado a Melhores Efeitos Visuais. Acho que é a primeira vez que temos uma animação na categoria de Efeitos Visuais.

Meio esquecida da categoria de Trilha Musical, a compositora Mica Levi foi finalmente reconhecida no Oscar! Ela chamou a atenção para o mundo com sua trilha meio experimental do ótimo Sob a Pele (2014), e agora chega com novo trabalho por Jackie. Numa categoria de cartas marcadas com os mesmos nomes de sempre, acho interessante a inclusão de Levi com composições mais alternativas das que estamos acostumados a ouvir, mas que causam uma sensação além do que vemos na tela. Quem tiver um tempinho, dá uma olhada no YouTube e confira os arranjos de Jackie, como a faixa “Burial”, que é mais fúnebre.

A compositora Mica Levi em seu estúdio, inspirada e movida à chocolate M&M. (pic by FACT Magazine)

A compositora Mica Levi (Jackie) em seu estúdio, inspirada e movida à chocolate M&M. (pic by FACT Magazine)

Também comemorei a inclusão da canção “Audition (The Fools Who Dream)”, cantada por Emma Stone em La La Land. Apesar de “City of Stars” ser a mais querida e pegajosa, “Audition” define a personagem de Stone naquele segmento do casting belamente executado.

INDICADOS AO 89th ACADEMY AWARDS:

MELHOR FILME
* A Chegada (Arrival)
* Cercas (Fences)
* Até o Último Homem (Hacksaw Ridge)
* A Qualquer Custo (Hell or High Water)
* Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures)
* La La Land: Cantando Estações (La La Land)
* Lion: Uma Jornada Para Casa (Lion)
* Manchester à Beira-Mar (Manchester by the Sea)
* Moonlight: Sob a Luz do Luar (Moonlight)

MELHOR DIRETOR
* Damien Chazelle (La La Land)
* Mel Gibson (Até o Último Homem)
* Barry Jenkins (Moonlight)
* Kenneth Lonergan (Manchester à Beira-Mar)
* Denis Villeneuve (A Chegada)

MELHOR ATOR
* Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar)
* Andrew Garfield (Até o Último Homem)
* Ryan Gosling (La La Land)
* Viggo Mortensen (Capitão Fantástico)
* Denzel Washington (Cercas)

MELHOR ATRIZ
* Isabelle Huppert (Elle)
* Ruth Negga (Loving)
* Natalie Portman (Jackie)
* Emma Stone (La La Land)
* Meryl Streep (Florence: Quem é Essa Mulher?)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
* Mahershala Ali (Moonlight)
* Jeff Bridges (A Qualquer Custo)
* Lucas Hedges (Manchester à Beira-Mar)
* Dev Patel (Lion)
* Michael Shannon (Animais Noturnos)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
* Viola Davis (Cercas)
* Naomie Harris (Moonlight)
* Nicole Kidman (Lion)
* Octavia Spencer (Estrelas Além do Tempo)
* Michelle Williams (Manchester à Beira-Mar)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
* Taylor Sheridan (A Qualquer Custo)
* Damien Chazelle (La La Land)
* Yorgos Lanthimos e Efthymis Filippou (O Lagosta)
* Kenneth Lonergan (Manchester à Beira-Mar)
* Mike Mills (20th Century Women)

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
* Eric Heisserer (A Chegada)
* August Wilson (Cercas)
* Allison Schroeder e Theodore Melfi (Estrelas Além do Tempo)
* Luke Davis (Lion)
* Barry Jenkins (Moonlight)

MELHOR FOTOGRAFIA
* Bradford Young (A Chegada)
* Linus Sandgren (La La Land)
* Greig Fraser (Lion)
* James Laxton (Moonlight)
* Rodrigo Prieto (Silêncio)

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
* Patrice Vermette, Paul Hotte (A Chegada)
* Stuart Craig, Anna Pinnock (Animais Fantásticos e Onde Habitam)
* Jess Gonchor, Nancy Haigh (Ave, César!)
* David Wasco, Sandy Reynolds-Wasco (La La Land)
* Guy Hendrix Dyaz, Gene Sardena (Passageiros)

MELHOR MONTAGEM
* Joe Walker (A Chegada)
* John Gilbert (Até o Último Homem)
* Jake Roberts (A Qualquer Custo)
* Tom Cross (La La Land)
* Joi McMillon, Nat Sanders (Moonlight)

MELHOR FIGURINO
* Joanna Johnston (Aliados)
* Colleen Atwood (Animais Fantásticos e Onde Habitam)
* Consolata Boyle (Florence: Quem é Essa Mulher?)
* Madeline Fontaine (Jackie)
* Mary Zophres (La La Land)

MELHOR MAQUIAGEM E CABELO
* Um Homem Chamado Ove
* Star Trek: Sem Fronteiras
* Esquadrão Suicida

MELHOR TRILHA MUSICAL ORIGINAL
* Mica Levi (Jackie)
* Justin Hurwitz (La La Land)
* Dustin O’Halloran, Hauschka (Lion)
* Nicholas Britell (Moonlight)
* Thomas Newman (Passageiros)

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
* “Audition (The Fools Who Dream)”, de Justin Hurwitz, Benj Pasek, Justin Paul (La La Land)
* “Can’t Stop the Feeling”, de Justin Timberlake, Max Martin, Shellback (Trolls)
* “City of Stars”, de Justin Hurwitz, Benj Pasek, Justin Paul (La La Land)
* “The Empty Chair”, de J. Ralph, Sting (Jim: The James Foley Story)
* “How Far I’ll Go”, de Lin-Manuel Miranda (Moana: Um Mar de Aventuras)

MELHOR SOM
* A Chegada
* Até o Último Homem
* La La Land
* Rogue One: Uma História Star Wars
* 13 Horas: Os Soldados Secretos de Benghazi

MELHORES EFEITOS SONOROS
* A Chegada
* Horizonte Profundo: Desastre no Golfo
* Até o Último Homem
* La La Land
* Sully: O Herói do Rio Hudson

MELHORES EFEITOS VISUAIS
* Horizonte Profundo: Desastre no Golfo
* Doutor Estranho
* Mogli: O Menino Lobo
* Kubo e as Cordas Mágicas
* Rogue One: Uma História Star Wars

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
* Terra de Minas, de Martin Zandvliet (DINAMARCA)
* Um Homem Chamado Ove, de Hannes Holm (SUÉCIA)
* O Apartamento, de Asghar Farhadi (IRÃ)
* Tanna, de Martin Butler, Bentley Dean (AUSTRÁLIA)
* Toni Erdmann, de Mare Ade (ALEMANHA)

MELHOR ANIMAÇÃO
* Kubo e as Cordas Mágicas
* Minha Vida de Abobrinha
* A Tartaruga Vermelha
* Moana: Um Mar de Aventuras
* Zootopia

MELHOR DOCUMENTÁRIO
* Fogo no Mar
* I Am Not Your Negro
* Life, Animated
* O.J.: Made in America
* A 13ª Emenda

MELHOR DOCUMENTÁRIO-CURTA
* Extremis
* 4.1 Miles
* Joe’s Violin
* Watani: My Homeland
* The White Helmets

MELHOR CURTA-METRAGEM
* Ennemis Intérieurs
* La Femme et le TGV
* Mindenki
* Timecode
* Silent Nights

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO
* Blind Vaysha
* Borrowed Time
* Pear Cider and Cigarettes
* Pearl
* Piper

***

A 89ª cerimônia do Oscar acontece no dia 26 de fevereiro e será transmitida pelo canal pago TNT. Não conte muito com a Globo, porque o Oscar cai no fim de semana do Carnaval…

‘A Chegada’, ‘Moonlight’ e ‘La La Land’ concorrem ao Eddie Awards

Amy Adams  em cena de A Chegada (pic by moviepilot.de)

Amy Adams em cena de A Chegada (pic by moviepilot.de)

FAVORITOS DA TEMPORADA ESTÃO ENTRE OS INDICADOS AO EDDIE

Primeiramente, Feliz Ano Novo para todos! É o primeiro post de 2017 e sinceramente, espero que este ano seja infinitamente melhor do que 2016. Quanto ao Oscar, desejo que os resultados sejam justos, e não apenas influenciados pela queixa de “falta de diversidade”, afinal Arte não enxerga cor, raça e religião.

Tradicionalmente, o primeiro post costuma focar no indicados ao Eddie Awards, o prêmio do sindicato dos montadores. Muita gente me pergunta o que o prêmio valoriza numa montagem e como escolhem a melhor. Bom, montagem é a edição de um filme, desde a forma como a história é contada (linear, não-linear, flashbacks, flashforwards etc.) até a precisão de um corte de um plano para outro para gerar catarse ou timing cômico.Muitos dos vencedores do Oscar de montagem costumam ser filmes de ação, porque conseguem gerar um clima de tensão em maior evidência do que num drama. Basta checar as montagens de alguns vencedores como Rocky – Um Lutador, Bullitt, O Ultimato Bourne e Mad Max: Estrada da Fúria para ver que a ação é valorizada e estendida pela montagem. Essa característica da montagem no cinema já ficava em evidência desde o filme soviético O Encouraçado Potemkin (1925), de Sergei M. Eisenstein. Em uma cena, na qual um carrinho de bebê percorre toda uma escadaria, a montagem inclui inúmeras ações simultâneas, prolongando o desespero da mãe do bebê. Para quem não conhece, vale a pena assistir, porque a produção carrega pura essência do Cinema como Arte.

Cena da escadaria da obra máxima de Sergei M. Eisenstein, O Encouraçado Potemkin (pic by slantmagazine.com)

Cena da escadaria da obra máxima de Sergei M. Eisenstein, O Encouraçado Potemkin (pic by slantmagazine.com)

A fim de abranger mais trabalhos diversificados, o Eddie Awards apresenta categorias de Drama, Comédia, Documentário e Animação. Nesta 67ª edição do prêmio, os destaques ficam para os favoritos da temporada: o musical La La Land, e os dramas Moonlight e Manchester à Beira-Mar.

Embora a concorrência esteja boa na categoria de Drama, acredito que a dupla Nat Sanders e Joi McMillon de Moonlight conseguem bater os demais: Até o Último Homem, A Qualquer Custo, Manchester à Beira-Mar e até mesmo a complexa de A Chegada. Acho que a montagem da ficção científica estrelada por Amy Adams tem mais o mérito da não-linearidade imposta pela história dos alienígenas do que por méritos próprios.

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Alex R. Hibbert e Mahershala Ali em cena de Moonlight (pic by moviepilot.de)

Já na ala de comédia, tudo indica que La La Land leva o prêmio. Seu montador, Tom Cross, que venceu o Oscar por Whiplash: Em Busca da Perfeição, por ter uma sintonia muito forte com o diretor Damien Chazelle, consegue imprimir um ritmo fantástico que casa muito bem com a música, além de um lado técnico muito forte que vemos na precisão de seus cortes. E vale destacar a montagem de Deadpool. Por se tratar de um filme de origem de personagem, o trabalho de Julian Clarke na montagem deixa tudo mais leve e menos cansativo.

Emma Stone e Ryan Reynolds num momento musical em La La Land (pic by moviepilot.de)

Emma Stone e Ryan Reynolds num momento musical em La La Land (pic by moviepilot.de)

Existem também as categorias de televisão. Como não acompanho nenhuma dessas séries indicadas, vou parafrasear a Glória Pires: “Não posso opinar”. Hahah Mas foi a série Better Call Saul, da Netflix, que dominou esta edição com três indicações na categoria de Séries de episódios de uma hora.

Confira todos os indicados do Eddie Awards 2017:

CINEMA

MELHOR MONTAGEM – DRAMA
– Joe Walker (A Chegada)
– John Gilbert (Até o Último Homem)
– Jake Roberts (A Qualquer Custo)
– Jennifer Lame (Manchester à Beira-Mar)
– Nat Sanders, Joi McMillon (Moonlight)

MELHOR MONTAGEM – COMÉDIA OU MUSICAL
– Julian Clarke (Deadpool)
– Roderick Jaynes (Ave, César!)
– Mark Livolsi (Mogli: O Menino Lobo)
– Tom Cross (La La Land: Cantando Estações)
– Yorgos Mavropsaridis (O Lagosta)

MELHOR MONTAGEM – ANIMAÇÃO
– Christopher Murrie (Kubo e as Cordas Mágicas)
– Jeff Draheim (Moana: Um Mar de Aventuras)
– Jeremy Milton, Fabienne Rawley (Zootopia)

MELHOR MONTAGEM – DOCUMENTÁRIO
– Spencer Averick (A 13ª Emenda)
– Matthew Hamachek (Amanda Knox)
– Paul Crowder (The Beatles: Eight Days a Week – The Touring Years)
– Bret Granato, Maya Mumma, Ben Sozanski (O.J.: Made in America)
– Eli B. Despres (Weiner)

TELEVISÃO

MELHOR MONTAGEM DE DOCUMENTÁRIO – TV
– Steve Audette (The Choice 2016)
– Bob Eisenhart (Everything is Copy)
– Oliver Lief (We Will Rise: Michelle Obama’s Mission to Educate Girls Around the World)

MELHOR MONTAGEM DE SÉRIES DE EPISÓDIOS DE MEIA-HORA
– Brian Merken (Silicon Valley — Ep: “The Uptick”)
– Steven Rasch (Veep — Ep: “Morning After”)
– Shawn Paper (Veep — Ep: “Mother”)

MELHOR MONTAGEM DE SÉRIES DE EPISÓDIOS DE UMA HORA – COM COMERCIAL
– Skip Macdonald (Better Call Saul — Ep: “Fifi”)
– Skip Macdonald, Curtis Thurber (Better Call Saul — Ep: “Klick”)
– Kelley Dixon, Chris McCaleb (Better Call Saul — Ep: “Nailed”)
– Philip Harrison (Mr. Robot — Ep: “eps2.4m4ster-s1ave.aes”)
– David L. Bertman (This Is Us — Ep: “Pilot”)

MELHOR MONTAGEM DE SÉRIES DE EPISÓDIOS DE UMA HORA – SEM COMERCIAL
– Yan Miles (The Crown — Ep: “Assassins”)
– Tim Porter (Game of Thrones — Ep: “Battle of the Bastards”)
– Dean Zimmerman (Stranger Things — Ep: “Chapter One: The Vanishing of Will Byers”)
– Kevin D. Ross (Stranger Things — Ep: “Chapter Seven: The Bathtub”)
– Stephen Semel, Marc Jozefowicz (Westworld — Ep: “The Original”)

MELHOR MONTAGEM DE MINISSÉRIES OU FILMES PARA TV
– Carol Littleton (All the Way)
– Jay Cassidy (The Night Of — Ep: “The Beach”)
– Adam Penn, Stewart Schill, C. Chin-yoon Chung (The People v O.J. Simpson: American Crime Story — Ep: “Marcia, Marcia, Marcia”)

MELHOR MONTAGEM – SÉRIES NÃO-ROTEIRIZADAS
– Hunter Gross (Anthony Bourdain: Parts Unknown — Ep: “Manila”)
– Mustafa Bhagat (Anthony Bourdain: Parts Unknown — Ep: “Senegal”)
– Josh Earl, Alexander Rubinow (Deadliest Catch — Ep: “First at Sea: Part 2”)

***

Os vencedores do 67º Eddie Awards serão conhecidos no dia 27 de janeiro.

RETROSPECTIVA 2016: Um ano tenebroso

O host do Oscar 2017, Jimmy Kimmel, faz um pequeno quiz com habitante de Brooklyn

ANO FICA ASSOCIADO ÀS TRAGÉDIAS

Saudações aos cinéfilos que ficaram em casa neste fim de ano ou que conseguiram uma boa conexão de internet na praia! Primeiramente, gostaria de agradecer a todos que acompanharam aqui o blog ou pela página do Facebook, pois seu apoio significa muito pra mim, que continuo esse trabalho sem ganhar um único centavo!

Bom, acho que esse ano foi extremamente tenebroso a ponto de agradecer que estamos vivos ainda! Teve muita gente bacana partindo, muitas tragédias como a da queda do avião da Chapecoense, e para aqueles que ficaram, sobrou a crise econômica, um corrupto por dia preso pela Lava Jato (incrivelmente o Lula permanece ileso), desemprego, aumento da violência, inflação dos alimentos e agora esse calor dos infernos!

Bom, este ano foi meio atípico pra mim também, porque mudei de apartamento e acabei ocupando alguns meses para preparar e me ajeitar. Nessas horas que vejo que tinha tanta tralha em casa e deveria ter me livrado daquela coleção de VHS do James Bond! Com esses contratempos da mudança, tive bem menos tempo para assistir aos filmes, chegando num satisfatório número de 97. Não sei nem como consegui ver sete filmes na Mostra de Cinema! E não sei quanto a vocês, mas a cada ano que passa, parece que tenho mais vontade de rever os filmes que gosto do que ver filmes novos… Será que é crise de meia-idade?

Nesse post, vou tentar comentar alguns fatos relevantes de 2016. Fiquem à vontade para compartilhar seus pensamentos ou mesmo sua própria retrospectiva no final do post!

OSCAR 2016

Como há muito tempo não via, houve uma briga acirradíssima entre três filmes para ganhar o Oscar de Melhor Filme: O Regresso, A Grande Aposta e Spotlight: Segredos Revelados. Dos três, o vencedor Spotlight é o que menos gosto, porque tem menos cara de filme, e mais de televisão. Além disso, faltou um clima maior de tensão, afinal os jornalistas estavam mexendo com gente poderosa da Igreja. Cadê as ameaças? Havia uma cena que tinha um potencial enorme nesse sentido. Nela, o personagem de Mark Ruffalo está em casa falando sobre a matéria pelo telefone e a campainha toca. Seria excelente se houvesse ali uma ameaça ou iminente perigo, mas o clima simplesmente esfriou.

Enfim, a Academia foi pelo mais óbvio e se apoiou sobre um tema polêmico (pedofilia na Igreja) para justificar sua escolha. Acredito que seria mais justo premiar a ousadia da linguagem de A Grande Aposta, que além de apresentar uma montagem versátil com inserts cômicos, teve o grande mérito de saber abordar um tema chato (a crise imobiliária) num filme leve. Ou até o épico visual de Alejandro González Iñárritu, O Regresso, seria uma escolha mais sensata, porque tem cara de filme, aliás, filme de IMAX! Mas seria infinitamente mais surpreendente a vitória de Mad Max: Estrada da Fúria, porque foi o filme mais ousado de 2015, tanto que foi um sucesso entre crítica e público, além de ser um tapa na cara de todos esses produtores antiquados que só pensam em lucro. Mas enfim, a produção de George Miller ficou limitada aos prêmios técnicos.

Quanto aos prêmios de interpretação, o Oscar de Coadjuvante para Mark Rylance foi justo. Apesar de ter torcido por Stallone, todos sabíamos que seria mais pelo lado emotivo, afinal ele é uma estrela de ação extremamente carismática, reinterpretando um personagem adorado pela sétima vez. Gostaria muito de ter visto seu discurso de agradecimento, mas ainda não foi desta vez…

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Mark Rylance posa com seu Oscar por Ponte dos Espiões

Ainda não entendi o prêmio para Brie Larson como Atriz principal. Quem viu O Quarto de Jack, sabe que sua personagem é praticamente coadjuvante diante do próprio menino Jack (o ótimo Jacob Tremblay). E de qualquer forma, na minha opinião, Larson estava muito atrás de Charlotte Rampling (45 Anos) e Saoirse Ronan (Brooklyn).

E vale lembrar aqui a primeira indicação para uma animação brasileira. Só espero que O Menino e o Mundo, de Ale Abreu, consiga estimular novos animadores e, acima de tudo, o Ministério da Cultura a investir mais em cinema nacional de outros gêneros. Vejo incontáveis filmes brasileiros sendo lançados no cinema, mas que não conseguem durar mais de 2 semanas em cartaz aqui em São Paulo. Imagina em outros estados…

DESTAQUES PESSOAIS

Gostaria de citar alguns filmes que considero relevantes, mesmo não constando nas minhas listas de melhores.

RUA CLOVERFIELD, 10 (10 CLOVERFIELD LANE)
Dir: Dan Trachtenberg

Há muito tempo não via uma boa ficção científica americana com poucos recursos. Talvez a última tenha sido Gattaca – A Experiência Genética (1997). Coincidência ou não, as duas conseguiram extrair o melhor da criatividade com orçamento baixo. Rua Cloverfield, 10 se mostra minimalista ao mesmo tempo em que segura o espectador sob muita tensão no bunker. Muito se deve também à excelente performance de John Goodman como o paranóico Howard – aliás, acho a melhor interpretação de sua carreira. Pena que no final, o produtor J.J. Abrams resolveu abrir o bolso e estragou o ótimo clima.

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Mary Elisabeth Winstead em cativeiro com John Goodman em Rua Cloverfield, 10, de Dan Trachtenberg (pic by cine.gr)

DEADPOOL (DEADPOOL)
Dir: Tim Miller

Depois de tantos filmes sobre super-heróis, você acaba parando de gerar expectativas para o próximo lançamento, e foi aí que Deadpool se deu melhor. Ciente de que esse universo precisava de uma chacoalhada, os roteiristas e o diretor decidiram ousar: botaram muita violência, piadas de humor negro e sexuais, e claro, sexo. Sem esses ingredientes, Deadpool seria um fracasso monumental. A química entre Ryan Reynolds e Morena Baccarin faz com que o público simpatize com os personagens. Essa coragem foi muito bem recompensada pela bilheteria, mesmo com censura para maiores de 16 anos. E agora o filme participa de premiações importantes como o Critics’ Choice e Globo de Ouro.

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Ryan Reynolds e Morena Baccarin: o melhor casal no universo dos quadrinhos

INVOCAÇÃO DO MAL 2 (THE CONJURING 2)
Dir: James Wan

James Wan continua sendo um dos raros pólos de terror da atualidade. Seus filmes podem ter uma certa fórmula, mesmo para assustar, mas todas funcionam. São coisas básicas como uma sugestão de presença no escuro ou uma simples mudança de foco num plano fixo, mas Wan manda bem como ninguém. Nesse filme, sua ambientação dos anos 80 é muito caprichada, e ele cria uma forte empatia com o casal central vivido por Patrick Wilson e Vera Farmiga numa belíssima e tocante cena em que ele toca a música “Can’t Help Falling in Love” de Elvis Presley para as crianças da casa assombrada. Por que não ter uma cena dessas num filme de terror?

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Vera Farmiga com a freira em cena de Invocação do Mal 2 (pic by moviepilot.de)

CRÍTICAS

Vamos às listas do ano, começando com os melhores vistos nos cinemas.

TOP 5 MELHORES DO ANO NO CINEMA

5. Animais Noturnos (Nocturnal Animals/ 2016)
Dir: Tom Ford

4. A Garota Dinamarquesa (The Danish Girl/ 2015)
Dir: Tom Hooper

3. Brooklyn (Brooklyn/ 2015)
Dir: John Crowley

2. Elle (Elle/ 2016)
Dir: Paul Verhoeven

1. A Criada (Ah-ga-ssi/ 2016)
Dir: Park Chan-wook

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Elenco principal de A Criada, de Park Chan-wook (pic by moviepilot.de)

Definitivamente, a melhor produção que vi nos cinemas pela sua excelência no campo da fotografia, direção de arte e figurino.O diretor Park Chan-wook recria o início do século XX na Coréia, constrói personagens bem tridimensionais e uma estrutura narrativa que relembra o clássico de Akira Kurosawa, Rashomon. Foi uma lástima que o comitê coreano não o selecionou como representante para o Oscar, pois perdeu uma ótima chance de conseguir sua primeira indicação.

TOP 5 MELHORES EM MÍDIA DIGITAL

5. General (The General/ 1926)
Dir: Buster Keaton e Clyde Bruckman

4. O Barco: Inferno no Mar (Das Boot/ 1981)
Dir: Wolfgang Petersen

3. Um Condenado à Morte Escapou (Un condamné à mort s’est échappé ou Le vent souffle où il veut / 1956)
Dir: Robert Bresson

2. Vinhas da Ira (Grapes of Wrath/ 1940)
Dir: John Ford

1. 45 Anos (45 Years/ 2015)
Dir: Andrew Haigh

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Tom Courtenay e Charlotte Rampling em 45 Anos, de Andrew Haigh (photo by cinemagia.ro)

Não consigo parar de elogiar esse filme para todos os meus amigos. 45 Anos tem uma premissa bastante simples: Enquanto casal planeja festa de 45 anos de casamento, descobrem o corpo da ex-mulher do marido, causando um abalo sísmico no relacionamento. O filme de Andrew Haigh faz um levantamento sobre ser a segunda opção de seu parceiro. Teria sua vida valido a pena? Sua narrativa é bastante eficiente e objetiva, nunca se rendendo aos clichês que poderia facilmente cair. Atuação primorosa de Charlotte Rampling.

IN MEMORIAN

Não me recordo de um ano tão repleto de mortes como este de 2016. Logo de cara, fomos surpreendidos com a morte do ícone pop David Bowie e, mais recentemente, perdemos a nobreza intergaláctica Carrie Fisher e a estrela da era de ouro de Hollywood, Debbie Reynolds.

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O camaleão David Bowie, que também atuou em cults como Labirinto e Fome de Viver

Além de Bowie, perdemos os músicos George Michael, Prince (que venceu o Oscar de Trilha por Purple Rain – disponível no Netflix) e Leonard Cohen. Grandes escritores como Harper Lee (autora de O Sol é Para Todos) e Umberto Eco (autor de O Nome da Rosa).

Figuras emblemáticas como Gene Wilder, o eterno Willy Wonka de A Fantástica Fábrica de Chocolate; e Alan Rickman, que ficou eternizado como Hans Gruber de Duro de Matar e o professor Snape da saga Harry Potter. Vencedores do Oscar também nos deixaram: Patty Duke (Atriz Coadjuvante por O Milagre de Anne Sullivan), George Kennedy (Ator Coadjuvante por O Indomável), o diretor polonês Andrzej Wajda (Oscar Honorário), Curtis Hanson (diretor que venceu o Oscar de Roteiro Adaptado por Los Angeles – Cidade Proibida), Michael Cimino (Diretor por O Franco-Atirador) e Vilmos Szigmond (Fotografia por Contatos Imediatos do Terceiro Grau).

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Alan Rickman como Professor Snape

Grandes profissionais como Arthur Hiller (produtor de Love Story), Abbas Kiarostami (diretor responsável pelo nascimento do cinema iraniano), Robin Hardy (diretor do cult O Homem-Palha), um dos grandes diretores italianos do Neo-realismo Ettore Scola, Garry Marshall (diretor de Uma Linda Mulher), Douglas Slocombe (diretor de fotografia da trilogia Indiana Jones), o diretor de arte Gil Parrondo (responsável por Patton – Rebelde ou Herói e Nicholas e Alexandra), o jovem ator de Star Trek Anton Yelchin (que teve uma morte boba demais), o diretor dos clássicos de James Bond como 007 Contra Goldfinger, Guy Hamilton; e nossos diretores brasileiros Hector Babenco e Andrea Tonacci.

FELIZ ANO NOVO!

Depois de passar por um ano tenebroso como esse, a esperança para que 2017 seja um ano infinitamente superior cresce a cada dia. Se a economia vai estar melhor ou não, se a política brasileira vai tomar vergonha na cara ou não, se vamos ter mais “diversidade” no Oscar ou não isso eu não sei. A única coisa que quero é que cenas como essa (foto abaixo) não se repitam. Quando vi essa imagem nos jornais, fiquei estarrecido. Toda vez que olhava pra esse menino de Alepo, na Síria, que acabara de ter sua casa destruída por um bombardeio, tinha vontade de chorar. A que ponto chegamos? O menino não sabia nem o que tinha acontecido, enquanto sangrava pelo rosto todo! Esse tipo de acontecimento faz a gente perder a fé na humanidade. Por isso, meus votos para 2017 são de paz e de responsabilidade para essas pessoas e governos que muitas vidas dependem. Sejam mais conscientes de seus atos. É isso… Feliz Ano Novo para todos!

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Desnorteado, menino de Alepo sendo socorrido por uma ambulância. De cortar o coração.

145 Trilhas Musicais e 91 Canções são elegíveis para o Oscar 2017

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O compositor Justin Hurwitz passa instruções para o ator Ryan Gosling em set do musical La La Land (pic by variety)

TRABALHOS QUE RESPEITARAM O RÍGIDO REGULAMENTO DA ACADEMIA SÃO RELACIONADOS

A Academia divulgou a lista das trilhas musicais elegíveis para concorrer às cinco indicações ao Oscar de Melhor Trilha Musical Original. Como se qualificaram 145 composições, basicamente, o papel dessa lista é excluir trabalhos que não respeitaram o regulamento, como o uso de material pré-existente.

Entre as trilhas reprovadas mais notadas estão as dos filmes Manchester à Beira-MarSilêncio e A Chegada. Esta última, composta por Johánn Johánnsson, indicado previamente ao Oscar por A Teoria de Tudo e Sicario: Terra de Ninguém, tem sido bastante elogiada pela estranheza que causa em sintonia com os extraterrestres. Como essa trilha se mistura de tal forma com o sound design alienígena, não se sabe onde termina um e começa o outro, o que pode ter causado a exclusão da composição da categoria por membros do departamento de música da Academia. Além disso, segundo especialistas, o compositor teria usado uma trilha chamada “On the Nature of Daylight”, de Max Richter, que já teria sido utilizada inclusive por Martin Scorsese em A Ilha do Medo (2010).

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Amy Adams interage com os alienígenas em A Chegada (pic by moviepilot.de)

Já a trilha de Manchester à Beira-Mar foi desqualificada por utilizar música clássica. A compositora Lesley Barber bem que tentou se defender ao lembrar que foi opção do diretor, mas a Academia é irredutível quando se trata de regulamento.  “… Entendo que isto pode ser confuso para os membros da Academia na hora de avaliar o que é de minha autoria […] Embora eu aceite a decisão da Academia, também apoio a decisão do meu diretor de usar esses clássicos e também estou muito orgulhosa da contribuição substancial que a trilha original fez para o filme também.”

De acordo com as regras, 86% da trilha musical deve ser originalmente composta para o filme. E por esse mesmo motivo, a trilha da dupla Kim Allen Kluge e Kathryn Kluge  para Silêncio foi excluída também. Mesmo para quem entende de música, pode ser um pouco complicado “medir” a colaboração real de um compositor num longa-metragem, portanto, essa decisão pode ser bastante subjetiva. Há algumas décadas, existia a categoria de Trilha Musical Adaptada que facilmente abrangeria esses excluídos, mas atualmente só temos a categoria de Trilha Original. Acho que poderiam rever esse regulamento, já que muitas vezes ele exclui ótimas composições por minúcias.

FAVORITOS DO ANO

Obviamente, as trilhas indicadas ao Critics’ Choice e Globo de Ouro já largam na frente rumo ao Oscar.

  • Hans Zimmer, Pharrell Williams, Benjamin Wallfisch (Estrelas Além do Tempo)
  • Mica Levi (Jackie)
  • Justin Hurwitz (La La Land)
  • Dustin O’Halloran, Volker Bertelmann (Lion)
  • Nicholas Britell (Moonlight)

Particularmente, acho que Justin Hutwitz e Nicholas Britell já estão com suas vagas garantidas, já que as campanhas de seus filmes estão decolando na temporada. Acho bacana porque esses nomes são relativamente novos no cenário de trilhas musicais. Quanto à desqualificação de Johánnsson, por mais que não esteja de acordo 100% com o regulamento, acho meio radical sua exclusão. Pergunto-me se o departamento checou ou mesmo perguntou ao compositor sobre seu trabalho nas cenas de A Chegada, ou se simplesmente foram eliminando sem maiores critérios. Contudo, sua ausência eleva consideravelmente as chances da primeira indicação de Mica Levi. Ela já tinha surpreendido com a trilha bem original do bizarro Sob a Pele, de Jonathan Glazer, e promete ser um dos nomes mais bem cotados em trilhas.

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Mica Levi compôs a trilha para o fúnebre Jackie, de Pablo Larraín. Na foto, Natalie Portman como Jackie Kennedy (pic by moviepilot.de)

Daria um voto para Abel Korzeniowski e sua trilha de Animais Noturnos, que consegue reforçar ainda mais o tom estranho do filme de Tom Ford. E novamente, votaria em Joseph Bishara. Ele concorre com dois trabalhos: Do Outro Lado da Porta e Invocação do Mal 2. Faz muito tempo que uma trilha de terror não é indicada ao Oscar! Mas enfim, acredito que Justin Hurwitz deve levar o Oscar de trilha por La La Land.

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A trilha de Abel Korzeniowski permeia a leitura de Amy Adams em Animais Noturnos (pic by moviepilot.de)

Ah! Também gostaria de citar o retorno do mestre Burt Bucharach! Vencedor de três Oscars por Butch Cassidy e Arthur, o Milionário Sedutor, ele concorre com o drama de fantasia Po. Não deve nem ser indicado, mas achei bacana seu retorno após 7 anos.

SEGUEM AS 145 TRILHAS ELEGÍVEIS:

The Abolitionists
Tim Jones

Absolutely Fabulous: O Filme (Absolutely Fabulous The Movie)
Jake Monaco

O Contador (The Accountant)
Mark Isham

Alice Através do Espelho (Alice through the Looking Glass)
Danny Elfman

Aliados (Allied)
Alan Silvestri

Almost Christmas
John Paesano

Pastoral Americana (American Pastoral)
Alexandre Desplat

Angry Birds: O Filme (The Angry Birds Movie)
Heitor Pereira

Anthropoid
Robin Foster

Armenia, My Love…
Silvia Leonetti

Assassin’s Creed
Jed Kurzel

Autumn Lights
Hugi Gudmundsson e Hjörtur Ingvi Jóhannsson

O Bom Gigante Amigo (The BFG)
John Williams

Believe
Michael Reola

Ben-Hur
Marco Beltrami e Buck Sanders

Bilal: A New Breed of Hero
Atli Örvarsson

A Longa Caminhada de Billy Lynn (Billy Lynn’s Long Halftime Walk)
Mychael Danna e Jeff Danna

O Nascimento de uma Nação (The Birth of a Nation)
Henry Jackman

Sangue Pela Glória (Bleed for This)
Julia Holter

A Chefa (The Boss)
Christopher Lennertz

O Bebê de Bridget Jones (Bridget Jones’s Baby)
Craig Armstrong

Medalha de Bronze (The Bronze)
Andrew Feltenstein e John Nau

Capitão América: Guerra Civil (Captain America: Civil War)
Henry Jackman

The Charnel House
Todd Haberman

A Escolha (The Choice)
Marcelo Zarvos

Beleza Oculta (Collateral Beauty)
Theodore Shapiro

Invocação do Mal 2 (The Conjuring 2)
Joseph Bishara

Mente Criminosa (Criminal)
Bryan Tyler e Keith Power

Deadpool (Deadpool)
Tom Holkenborg

Horizonte Profundo: Desastre no Golfo (Deepwater Horizon)
Steve Jablonsky

Denial
Howard Shore

Doutor Estranho (Doctor Strange)
Michael Giacchino

A Vingança Está na Moda (The Dressmaker)
David Hirschfelder

Voando Alto (Eddie the Eagle)
Matthew Margeson

Quase 18 (The Edge of Seventeen)
Atli Örvarsson

Elle (Elle)
Anne Dudley

Decisão de Risco (Eye in the Sky)
Paul Hepker e Mark Kilian

Animais Fantásticos e Onde Habitam (Fantastic Beasts and Where to Find Them)
James Newton Howard

Fences
Marcelo Zarvos

Procurando Dory (Finding Dory)
Thomas Newman

The First Monday in May
Ian Hultquist e Sofia Hultquist

Florence: Quem é Essa Mulher? (Florence Foster Jenkins)
Alexandre Desplat

Floyd Norman: An Animated Life
Ryan Shore

Fome de Poder (The Founder)
Carter Burwell

Um Estado de Liberdade (Free State of Jones)
Nicholas Britell

Caça-Fantasmas (Ghostbusters)
Theodore Shapiro

A Garota no Trem (The Girl on the Train)
Danny Elfman

Gleason
Dan Romer e Saul Simon MacWilliams

Ouro e Cobiça (Gold)
Daniel Pemberton

Greater
Stephen Raynor-Endelman

Até o Último Homem (Hacksaw Ridge)
Rupert Gregson-Williams

Ave, César! (Hail, Caesar!)
Carter Burwell

A Criada (The Handmaiden)
Cho Young-wuk

Punhos de Aço (Hands of Stone)
Angelo Milli

A Qualquer Custo (Hell or High Water)
Nick Cave e Warren Ellis

Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures)
Pharrell Williams e Benjamin Wallfisch

High-Rise
Clint Mansell

Como ser Solteira (How to Be Single)
Fil Eisler

A Incrível Aventura de Rick Baker (Hunt for the Wilderpeople)
Lukasz Buda e Samuel Scott

O Caçador e a Rainha do Gelo (The Huntsman: Winter’s War)
James Newton Howard

A Era do Gelo: O Big Bang (Ice Age: Collision Course)
John Debney

Independence Day: O Ressurgimento (Independence Day: Resurgence)
Thomas Wander e Harald Kloser

Indignação (Indignation)
Jay Wadley

O Convite (The Invitation)
Theodore Shapiro

Ithaca
John Mellencamp

Jack Reacher: Sem Retorno (Jack Reacher: Never Go Back)
Henry Jackman

Jackie
Mica Levi

Julieta (Julieta)
Alberto Iglesias

Mogli: O Menino Lobo (The Jungle Book)
John Debney

Vizinhos Nada Secretos (Keeping Up with the Joneses)
Jake Monaco

Kicks
Brian Reitzell

Krisha
Brian McOmber

Kubo e as Cordas Mágicas (Kubo and the Two Strings)
Dario Marianelli

La La Land: Cantando Estações (La La Land)
Justin Hurwitz

Terra de Minas (Land of Mine)
Sune Martin

Landfill Harmonic
Michael A. Levine

The Legend of Ben Hall
Ronnie Minder

A Lenda de Tarzan (The Legend of Tarzan)
Rupert Gregson-Williams

Life, Animated
Dylan Stark e T. Griffin

A Luz Entre Oceanos (The Light between Oceans)
Alexandre Desplat

Quando as Luzes se Apagam (Lights Out)
Benjamin Wallfisch

Lion
Dustin O’Halloran e Hauschka

O Pequeno Príncipe (The Little Prince)
Hans Zimmer e Richard Harvey

A Lei da Noite (Live by Night)
Harry Gregson-Williams

Loving
David Wingo

Maggie tem um Plano (Maggie’s Plan)
Michael Rohatyn

Como Eu Era Antes de Você (Me before You)
Craig Armstrong

A Intrometida (The Meddler)
Jonathan Sadoff

Destino Especial (Midnight Special)
David Wingo

Os Caça-Noivas (Mike and Dave Need Wedding Dates)
Jeff Cardoni

Milagres do Paraíso (Miracles from Heaven)
Carlo Siliotto

O Lar das Crianças Peculiares (Miss Peregrine’s Home for Peculiar Children)
Mike Higham e Matthew Margeson

Miss Sloane
Max Richter

Mr. Church
Mark Isham

Moana: Um Mar de Aventuras (Moana)
Mark Mancina

Jogo do Dinheiro (Money Monster)
Dominic Lewis

The Monkey King 2 (Xi you ji zhi: Sun Wukong san da Baigu Jing)
Christopher Young

Sete Minutos Depois da Meia-Noite (A Monster Calls)
Fernando Velázquez

Moonlight
Nicholas Britell

Morgan
Max Richter

Casamento Grego 2 (My Big Fat Greek Wedding 2)
Christopher Lennertz

Demônio de Neon (The Neon Demon)
Cliff Martinez

Dois Caras Legais (The Nice Guys)
John Ottman

No Letting Go
Alain Mayrand

Animais Noturnos (Nocturnal Animals)
Abel Korzeniowski

Truque de Mestre: O 2º Ato (Now You See Me 2)
Brian Tyler

O.J.: Made in America
Gary Lionelli

Off the Rails
Steve Gernes e Duncan Thum

Do Outro Lado da Porta (The Other Side of the Door)
Joseph Bishara

The Ottoman Lieutenant
Geoff Zanelli

Ouija: Origem do Mal (Ouija: Origin of Evil)
Taylor Stewart e John Andrew Grush

Nosso Fiel Traidor (Our Kind of Traitor)
Marcelo Zarvos

Passageiros (Passengers)
Thomas Newman

Paterson
Carter Logan e Jim Jarmusch

O Dia do Atentado (Patriots Day)
Trent Reznor e Atticus Ross

Pelé: O Nascimento de uma Lenda (Pelé: Birth of a Legend)
A. R. Rahman

Meu Amigo, o Dragão (Pete’s Dragon)
Daniel Hart

Po
Burt Bacharach

Rainha de Katwe (Queen of Katwe)
Alex Heffes

Raça (Race)
Rachel Portman

The Red Turtle (La Tortue Rouge)
Laurent Perez Del Mar

Policial em Apuros 2 (Ride Along 2)
Christopher Lennertz

Rogue One: Uma História Star Wars (Rogue One: A Star Wars Story)
Michael Giacchino

Festa da Salsicha (Sausage Party)
Alan Menken e Christopher Lennertz

A Vida Secreta dos Pets (The Secret Life of Pets)
Alexandre Desplat

Silicon Cowboys
Ian Hultquist

Sing: Quem Canta Seus Males Espanta (Sing)
Joby Talbot

Snowtime!
Eloi Painchaud e Jorane

Michelle e Obama (Southside with You)
Stephen James Taylor

Star Trek: Sem Fronteiras (Star Trek Beyond)
Michael Giacchino

Cegonhas (Storks)
Mychael Danna e Jeff Danna

Esquadrão Suicida (Suicide Squad)
Steven Price

Sully: O Herói do Rio Hudson (Sully)
Christian Jacob

Swiss Army Man
Andy Hull e Robert McDowell

As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras (Teenage Mutant Ninja Turtles: Out of the Shadows)
Steve Jablonsky

Rua Cloverfield, 10 (10 Cloverfield Lane)
Bear McCreary

10 Days in a Madhouse
Jamie Hall

13 Horas: Os Soldados Secretos de Benghazi (13 Hours: The Secret Soldiers of Benghazi)
Lorne Balfe

Trolls (Trolls)
Christophe Beck

20th Century Women
Roger Neill

Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos (Warcraft)
Ramin Djawadi

Uma Repórter em Apuros (Whiskey Tango Foxtrot)
Nick Urata

X-Men: Apocalipse (X-Men: Apocalypse)
John Ottman

Zoolander 2 (Zoolander 2)
Theodore Shapiro

Zootopia (Zootopia)
Michael Giacchino

***

E a Academia também divulgou a lista das canções elegíveis para Canção Original. Até onde sei, uma das regras mais rígidas, além da originalidade, é que a canção deve ser tocada durante o filme ou até a primeira dos créditos finais.

SEGUEM AS CANÇÕES ELEGÍVEIS:

“Just Like Fire”
Alice Através do Espelho

“Rise”
American Wrestler: The Wizard

“Friends”
Angry Birds: O Filme

“Flicker”
Audrie & Daisy

“Seconds”
Autumn Lights

“A Minute To Breathe”
Before the Flood

“Glory (Let There Be Peace)”
Believe

“Mother’s Theme”
Believe

“Somewhere”
Believe

“The Only Way Out”
Ben-Hur

“Still Falling For You”
O Bebê de Bridget Jones

“F That”
Medalha de Bronze

“Torch Pt. 2”
Citizen Soldier

“Drift And Fall Again”
Mente Criminosa

“Take Me Down”
Horizonte Profundo: Desastre no Golfo

“Land Of All”
Desierto

“Sad But True (Dreamland Theme)”
Dreamland

“Angel By The Wings”
The Eagle Huntress

“Blind Pig”
Animais Fantásticos e Onde Habitam

“One Frame At A Time”
Floyd Norman: An Animated Life

“I’m Crying”
Free State of Jones

“Gold”
Ouro e Cobiça

“Champion”
Hands of Stone

“Dance Rascal, Dance”
Doris, Redescobrindo o Amor

“I See A Victory”
Estrelas Além do Tempo

“Runnin”
Estrelas Além do Tempo

“Sixty Charisma Scented Blackbirds”
How to Let Go of the World and Love All the Things Climate Can’t Change

“My Superstar”
A Era do Gelo: O Big Bang

“Seeing You Around”
Ithaca

“The Empty Chair”
Jim: The James Foley Story

“Audition (The Fools Who Dream)”
La La Land: Cantando Estações

“City Of Stars”
La La Land: Cantando Estações

“Start A Fire”
La La Land: Cantando Estações

“Cateura Vamos A Soñar (We Will Dream)”
Landfill Harmonic

“Better Love”
A Lenda de Tarzan

“Never Give Up”
Lion

“Equation”
O Pequeno Príncipe

“Turnaround”
O Pequeno Príncipe

“Moonshine”
A Lei da Noite

“Loving”
Loving

“Hurry Home”
Max Rose

“Gone 2015”
Miles Ahead

“Wish That You Were Here”
O Lar das Crianças Peculiares

“I’m Still Here”
Miss Sharon Jones!

“How Far I’ll Go”
Moana: Um Mar de Aventuras

“We Know The Way”
Moana: Um Mar de Aventuras

“Even More Mine”
Casamento Grego 2

“Waving Goodbye”
Demônio de Neon

“I’m Back”
Never Surrender

“Find My Victory”
Olympic Pride, American Prejudice

“On Ghost Ridge”
100 Years: One Woman’s Fight for Justice

“Ordinary World”
Ordinary World

“Devil’s Girl”
Outlaws and Angels

“Levitate”
Passageiros

“Ginga”
Pelé: O Nascimento de uma Lenda

“Nobody Knows”
Meu Amigo, o Dragão

“Something Wild”
Meu Amigo, o Dragão

“Dancing With Your Shadow”
Po

“I’m So Humble”
Popstar: Never Stop Never Stopping

“Stay Here”
Presenting Princess Shaw

“Celebrate Life”
Queen Mimi

“Back To Life”
Rainha de Katwe

“Let The Games Begin”
Raça

“Think About It”
The Red Pill

“The Rules Don’t Apply”
Rules Don’t Apply

“The Great Beyond”
Festa da Salsicha

“Faith”
Sing: Quem Canta Seus Males Espanta

“Set It All Free”
Sing: Quem Canta Seus Males Espanta

“Drive It Like You Stole It”
Sing Street

“Go Now”
Sing Street

“The Veil”
Snowden: Herói ou Traidor

“Hymn”
Snowtime!

“Kiss Me Goodnight”
Southwest of Salem: The Story of the San Antonio Four

“Holdin’ Out”
Cegonhas

“Heathens”
Esquadrão Suicida

“Flying Home”
Sully: O Herói do Rio Hudson

“Montage”
Swiss Army Man

“Petit Metier”
They Will Have to Kill Us First

“Letter To The Free”
A 13ª Emenda

“Down With Mary”
Too Late

“Can’t Stop The Feeling”
Trolls

“Get Back Up Again”
Trolls

“Smile”
The Uncondemned

“We Will Rise”
Veeram-Macbeth

“LA Venus”
We Are X

“New Dogs, Old Tricks”
What Happened Last Night

“Runnin’ Runnin’”
What Happened Last Night

“What’s Happening Today”
What Happened Last Night

“Who I Am”
What Happened Last Night

“The Ballad Of Wiener-Dog”
Wiener-Dog

“Try Everything”
Zootopia

Obviamente, não ouvi todas, mas algumas já se destacam pelo compositor como é o caso de Justin Timberlake pela canção da animação Trolls. E como a tradição manda, uma canção da Disney deve estar garantida, no caso, “How Far I’ll Go” de Moana: Um Mar de Aventuras. Contudo, a canção mais vitoriosa até o momento é “City of Stars” do musical La La Land. Ela já embala o tom do filme desde o trailer.

  • “Can’t Stop the Feeling” (Trolls)
  • “City of Stars” (La La Land)
  • “Faith” (Sing: Quem Canta Seus Males Espanta)
  • “Gold” (Ouro e Cobiça)
  • “How Far I’ll Go” (Moana: Um Mar de Aventuras)

Nomes de peso como Stevie Wonder e Iggy Pop são ótimos chamarizes para conquistar indicações ao Oscar, portanto as canções de Sing: Quem Canta Seus Males Espanta e Ouro e Cobiça, respectivamente, têm maiores chances. E ultimamente, como a Academia anda gostando músicas mais pop, vale apostar algumas fichas em “The Great Beyond”, que além de ter a pegada do “Everything is Awesome” de Uma Aventura Lego, tem o grande mestre da categoria: Alan Menken, o compositor das canções da Disney como A Bela e a Fera, Aladdin e A Pequena Sereia. E vale citar “I See a Victory” de Pharrell Williams para o filme Estrelas Além do Tempo, pela carga emocional na causa da diversidade. Eu acho meio gospel demais, mas tem chances.

***

As indicações ao Oscar 2017 serão anunciadas no dia 24 de janeiro.

‘Elle’ fica de fora do Oscar de Filme em Língua Estrangeira. E agora, Academia?

O representante alemão Toni Erdmann, de Maren Ade., agora favorito na categoria. Pic by moviepilot.de

O representante alemão Toni Erdmann, de Maren Ade, agora favorito na categoria. Pic by moviepilot.de

MAIS UMA VEZ, UM DOS FILMES FAVORITOS AO PRÊMIO FICA DE FORA

A Academia divulgou a pré-lista dos nove filmes em língua estrangeira que ainda concorrem às cinco indicações ao Oscar. Então, daqueles 85 filmes que representavam seus países, restaram apenas nove produções:

  • Tanna
    Dir: Martin Butler e Bentley Dean (Austrália)
  • Toni Erdmann
    Dir: Maren Ade (Alemanha)
  • É Apenas o Fim do Mundo (Just La Fin du Monde)
    Dir: Xavier Dolan (Canadá)
  • O Apartamento (Forushande)
    Dir: Asghar Farhadi (Irã)
  • Terra de Minas (Under Sandet)
    Dir: Martin Zandvliet (Dinamarca)
  • The King’s Choice (Kongens Nei)
    Dir: Eric Poppe (Noruega)
  • Paradise (Ray)
    Dir: Andrey Konchalovskiy (Rússia)
  • Um Homem Chamado Ove (En Man Som Heter Over)
    Dir: Hannes Holm (Suécia)
  • My Life as a Zucchini (Ma Vie de Courgette)
    Dir: Claude Barras (Suíça)

Pra quem não conhece o sistema atual, dos 85 filmes vistos pelo departamento de Filmes em Língua Estrangeira nos últimos dois meses, os seis mais bem votados se juntam a outros 3 selecionados por um comitê executivo especial, que foi criado para assegurar 3 votos para produções mais pertinentes.

Quando soube que o filme Elle, representante francês e favorito ao prêmio até então, ficou de fora logo na pré-lista do Oscar, confesso que tive uma mistura de sentimentos. No começo foi “Não acredito nisso” com um “Ah, eu já sabia… já tinha previsto no blog”, mas no geral fiquei chateado com a eliminação precoce de um filme ousado na abordagem do tema do estupro. Na verdade, desde que a França lançou o filme como representante em outubro, já torcia por ele, porque foi uma escolha igualmente ousada, afinal, todas as comissões internacionais sabem que os votantes da Academia que elegem os indicados e vencedores são em sua maioria senhores idosos brancos e judeus.  Por isso eles sempre estão selecionando produções com temática da Segunda Guerra Mundial e do Holocausto, porque sabem que terão maiores chances.

A ausência de Elle na corrida também significa a perda de uma ótima oportunidade de premiar seu diretor, o  holandês Paul Verhoeven, que rendeu muito dinheiro e prestígio à Hollywood nos anos 80 e 90, com as produções de RoboCop – O Policial do Futuro (1987), O Vingador do Futuro (1990), Instinto Selvagem (1992) e Tropas Estelares (1997). Graças a diretores como ele, não faltou coragem e ousadia nos filmes americanos nessas duas décadas, afastando o politicamente correto. Claro que o histórico de um artista não deveria influenciar numa escolha atual, mas nesse caso, o filme em si já justificaria sua indicação.

O diretor Paul Verhoeven dirige uma Isabelle Huppert estirada no chão no set de Elle. Pic by moviepilot.de

O diretor Paul Verhoeven dirige uma Isabelle Huppert estirada no chão no set de Elle. Pic by moviepilot.de

A aversão dos votantes a temas polêmicos também pode ter prejudicado bastante a campanha de Isabelle Huppert como Melhor Atriz. Ela vinha coletando uma série de prêmios importantes como o NYFCC, LAFCA e indicações para o Critics’ Choice e Globo de Ouro, mas depois de sua exclusão do SAG e agora de seu filme da categoria de Filme em Língua Estrangeira, sua primeira indicação ao Oscar pode não estar mais 100% garantida. Apesar dos reveses, ainda acredito em sua indicação, mas a vitória… ah, essa está difícil! Quem sabe se ela ganhar o BAFTA?

Mas parando de chorar sobre o leite derramado, a Academia pode pisar na bola muitas vezes, mas ela sempre busca reforçar a idéia de que os filmes selecionados podem surpreender o espectador. Aliás, muitos dos críticos que abominaram a ausência de Elle sequer viram todos os nove pré-indicados. Particularmente, eu nunca tinha ouvido falar do norueguês The King’s Choice ou o representante sueco Um Homem Chamado Ove, então como dá pra alegar se eles são menos merecedores de uma indicação, certo? Eu só fico receoso se o filme for sobre o Holocausto…

Cena do norueguês The King's Choice. Pic by cine.gr

Cena do norueguês The King’s Choice. Pic by cine.gr

Do histórico mais recente da categoria, a Academia surpreendeu, sim, ao indicar produções pouco conhecidas de países que não tem quase produção cinematográfica. Para citar alguns: O Lobo do Deserto (Jordânia), O Abraço da Serpente (Colômbia), Tangerinas (Estônia), Timbuktu (Mauritânia) e A Imagem que Falta (Camboja). Infelizmente, nenhum deles saiu vitorioso da cerimônia. Aliás, tá difícil de lembrar quando foi a última vez que a Academia surpreendeu no vencedor da categoria… o Oscar para o bósnio Terra de Ninguém em 2002 talvez?

Bom, quanto aos selecionados, à princípio, os favoritos são o alemão Toni Erdmann e o iraniano O Apartamento. Curiosamente, ambos estavam indicados à Palma de Ouro em Cannes em maio. O filme alemão de Maren Ade também foi indicado ao Independent Spirit, Globo de Ouro e levou o NYFCC. Já o iraiano de Asghar Farhadi, vencedor do Oscar em 2012 por A Separação, foi indicado ao Globo de Ouro, e levou o National Board of Review e os prêmios de Melhor Ator (Shahab Hosseini) e Roteiro (Farhadi) em Cannes.

Cena de O Apartamento, de Asghar Farhadi. Em cena: Shahab Hosseini e Taraneh Alidoosti. Pic by cine.gr

Cena do representante iraniano O Apartamento, de Asghar Farhadi. Em cena: Shahab Hosseini e Taraneh Alidoosti. Pic by cine.gr

O representante da Suíça tem uma curiosidade: pode ser indicado tanto como Filme em Língua Estrangeira quanto Longa de Animação. My Life as a Zucchini é uma delicada animação stop-motion sobre um menino que é levado para um orfanato depois que sua mãe morre. Da última vez que um filme esteve na mesma situação, Vidas ao Vento (2013), de Hayao Miyazaki, acabou indicado a Melhor Longa de Animação, mas perdeu para Frozen: Uma Aventura Congelante.

Cena da animação suíça My Life as a Zucchini, que também concorre como Longa de Animação. Pic by moviepilot.de

Cena da animação suíça My Life as a Zucchini, que também concorre como Longa de Animação. Pic by moviepilot.de

A pré-indicação de Terra de Minas consolida o cinema dinamarquês como um dos mais prolixos dos últimos anos. São 5 indicações nos últimos dez anos: Guerra em 2016, A Caça em 2014, O Amante da Rainha em 2013, Em um Mundo Melhor em 2011 (vencedor do Oscar) e Depois do Casamento em 2007. A produção dinamarquesa foi bastante influenciada pelo movimento Dogma 95, que tinha fundamentos como não usar iluminação artificial, tripé e roteiro, e tinha como seguidores Lars von Trier, Thomas Vinterberg e Susanne Bier. Hoje, o cinema da Dinamarca amadureceu, abandonou essas regras, mas mantém a importância da história como essência. Terra de Minas se trata de um grupo que tem a missão de cavar buracos para 2 milhões de minas terrestres.

Cena do representante dinamarquês, Terra de Minas. Pic by moviepilot.de

Cena do representante dinamarquês, Terra de Minas. Pic by moviepilot.de

Acredito que entre os três votados pelo comitê especial tenha sido o canadense É Apenas o Fim do Mundo. Não tanto pelo jovem diretor Xavier Dolan, que levou o Grande Prêmio do Júri em Cannes, mas mais pelo elenco francês composto por Marion Cotillard, Vincent Cassel, Nathalie Baye e Léa Seydoux, pois não é o tipo de filme que os votantes mais idosos apreciariam pelo ritmo mais frenético.

Cena de É Apenas o Fim do Mundo, de Xavier Dolan, com Marion Cotillard e Vincent Cassel. Pic by moviepilot.de

Cena do canadense É Apenas o Fim do Mundo, de Xavier Dolan, com Marion Cotillard e Vincent Cassel. Pic by moviepilot.de

Já o norueguês The King’s Choice e o russo Paradise apresentam essas tramas da Segunda Guerra. O primeiro tem o rei da Noruega precisando fazer uma importante decisão quando as máquinas alemãs chegam a Oslo em 1940, enquanto o segundo apresenta o cruzamento de três pessoas durante a guerra: uma russa, uma francesa e um oficial alemão. Já o sueco, Um Homem Chamado Ove, é uma comédia de humor negro em que o protagonista é um idoso reclamão (identificação com os votantes?) que decide abandonar sua cidade. Enquanto o australiano Tanna oferece uma interessante e bela releitura de uma briga entre duas tribos que habitam uma ilha no Pacífico. Se esses filmes são melhores do que Elle? Só conferindo todos pra poder analisar de fato.

Filme preto-e-branco sobre personagens da Segunda Guerra Mundial no russo Paradise. Pic by moviepilot.de

Filme preto-e-branco sobre personagens da Segunda Guerra Mundial no russo Paradise. Pic by moviepilot.de

Rolfe Lassgard como Ove em Um Homem Chamado Ove, representante sueco. Pic by moviepilot.de

Rolfe Lassgard como Ove em Um Homem Chamado Ove, representante sueco. Pic by moviepilot.de

Cena de Tanna, representante austraiano. Pic by cine.gr

Cena de Tanna, representante australiano. Pic by cine.gr

 

OPORTUNIDADES PERDIDAS

Como Aquarius não foi selecionado pela comissão brasileira (via Michel Temer), o representante Pequeno Segredo ficou de fora. Era óbvio que o dramalhão familiar não avançaria, por mais que seu diretor David Schurmann jurasse de pé junto que seu filme tinha um tema universal que conquistaria a Academia. Aquarius foi sabotado, sim. Assim como Boi Neon, de Gabriel Mascaro. E é uma pena, pois havia grandes chances do Brasil voltar a concorrer ao Oscar após 17 anos depois de Central do Brasil.

O mesmo aconteceu com o representante da Coréia do Sul, país asiático que nunca foi indicado ao Oscar. Seu filme mais forte do ano é The Handmaiden, de Park Chan-wook, mas devido a conflitos políticos com a então presidente Park Geun-hye (hoje fora do governo por processo de impeachment), o filme não foi selecionado. O escolhido The Age of Shadows também ficou de fora. E mais uma ótima oportunidade foi desperdiçada. Por apresentar intensas cenas de sexo, The Handmaiden provavelmente teria que ser salvo pelo comitê especial, mas de qualquer forma, o filme pode concorrer em categorias técnicas como Fotografia, Direção de Arte e Figurino.

Sônia Braga em cena de Aquarius, preterido pela comissão brasileira para o Oscar. Pic by moviepilot.de

Sônia Braga em cena de Aquarius, preterido pela comissão brasileira para o Oscar. Pic by moviepilot.de

Entre os excluídos mais famosos estão o espanhol Julieta, de Pedro Almodóvar, e o chileno Neruda, de Pablo Larraín, que pode concorrer como diretor por Jackie, estrelado por Natalie Portman.

ROLA UMA REFORMA?

Por mais que descubramos produções interessantes através das indicações da Academia, uma reforma no sistema de votação ainda precisa ser implantada. Já citei aqui anteriormente uma solução que agradaria gregos e troianos: aumentar para 10 indicados a Melhor Filme em Língua Estrangeira! Ou pelo menos algo maleável como a categoria de Melhor Filme hoje, que varia de 5 a 10 indicados. Seria algo mais justo, já que são 85 países disputando 5 vagas. E a divisão de votos entre o departamento e a comissão especial ser alterada para 50% a 50%.  Hoje são 2/3 para o departamento e 1/3 para a comissão. Seria algo tão impossível assim para o conservadorismo da Academia?

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As indicações ao Oscar 2017 serão anunciadas no dia 24 de janeiro.

‘Manchester à Beira-Mar’ conquista 4 indicações ao SAG Awards 2017

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Em cena de Manchester à Beira-Mar, Casey Affleck e Lucas Hedges . Filme foi recordista de indicações ao SAG Awards (pic by cine.gr)

DRAMA INDEPENDENTE DE KENNETH LONERGAN VOLTA AO PROTAGONISMO DA TEMPORADA DE PREMIAÇÕES

Após ver o musical La La Land ganhar o Critics’ Choice e liderar as indicações ao Globo de Ouro, chegou a hora de Manchester à Beira-Mar chamar atenção pela força de seu elenco. O filme escrito e dirigido por Kenneth Lonergan conseguiu indicações para Ator (Casey Affleck), Ator Coadjuvante (Lucas Hedges), Atriz Coadjuvante (Michelle Williams) e Elenco. Logo depois, com 3 indicações ficaram Fences e Moonlight.

Na manhã desta quarta-feira, dia 14, os atores Sophia Bush e Common fizeram o anúncio dos indicados. Não sei quanto à opinião de vocês, mas acho que os artistas encarregados desta tarefa deveriam ser mais imparciais. No vídeo abaixo, no momento das categorias de cinema, Common passa a comemorar com um ‘yes’ toda vez que um filme com atores negros é citado, enquanto os outros ficaram no vácuo. Obviamente, ele está feliz que a polêmica do #OscarSoWhite deu resultado, mas ele poderia guardar essa alegria para si mesmo. Sua companheira de anúncio, Sophia Bush, procurou amenizar a situação entrando na onda e com bom humor, mas ficou um certo desconforto desnecessário.

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Common e Sophia Bush anunciam a categoria de Ator do SAG (pic by San Francisco Chronicle)

Nos últimos anos, o SAG Awards tem crescido em importância na temporada de premiações, já que os vencedores da categoria de Melhor Elenco ganharam também o Oscar de Melhor Filme onze vezes nos últimos 21 anos. Nos últimos dois anos, Spotlight e Birdman seguiram esse roteiro.

Além disso, o SAG tem uma ótima estatística de acerto em relação ao Oscar: cerca de 80% nas categorias de atuação. Como se diz no termo futebolístico, se você ganhou o SAG, está com “as mãos na taça”. Se focar na categoria de Melhor Ator, aí é dobradinha na certa com o Oscar. Sabe quando o último vencedor do SAG não levou o prêmio da Academia? Em 2004, quando Johnny Depp (Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra) perdeu para Sean Penn (Sobre Meninos e Lobos), ou seja, faz muito tempo.

Pior pra quem fica de fora do SAG. São os casos de 20th Century Women, Loving, e os já citados no post do Globo de Ouro: Silêncio e Sully: O Herói do Rio Hudson. Não significa necessariamente que ficarão fora do Oscar, mas suas chances caem consideravelmente.

Bom, falando em queda de chances, a maior surpresa das indicações pra mim foi justamente a ausência de Isabelle Huppert por Elle. A atriz francesa estava em alta depois dos prêmios da crítica de LA e NY, além das indicações do Critics’ Choice e Globo de Ouro, mas por algum motivo não figurou na lista do SAG. À princípio, acreditava que seu nome estava fora por não ser membro do sindicato dos atores, requisito mínimo para concorrer, mas depois de ler algumas matérias, descartei essa possibilidade. Bom, quem perde é o próprio SAG, que preferiu reconhecer Emily Blunt por A Garota no Trem, que não aparecia em nenhuma lista de melhores.

Ainda na categoria de Atriz, outra ausência sentida foi de Ruth Negga por Loving. Até o momento, ela não havia conquistado prêmio algum, mas sempre estava entre as melhores do ano. Annette Bening e Jessica Chastain eram outros nomes que ficaram de fora da disputa.

Outra importante nota seria a indicação de Hugh Grant como Coadjuvante por Florence: Quem é Essa Mulher?. Segundo o peso de seu personagem na trama, ele seria ator principal, e não secundário. Mas… como aconteceu nos anos anteriores com Alicia Vikander como coadjuvante em A Garota Dinamarquesa e Rooney Mara em Carol, Grant passou a concorrer como Coadjuvante a fim de ter mais chances de indicação e vitória. Caso venha a receber sua primeira indicação ao Oscar, acredito que será como coadjuvante.

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Hugh Grant como St Clair Bayfield em Florence: Quem é Essa Mulher? (pic by cine.gr)

Ainda sobre as categorias de cinema, muitos destacaram a ausência de La La Land na categoria de Melhor Elenco. Claro que se o filme fosse indicado, sua campanha iria disparar, mas nesse caso, não deve afetar sua trajetória rumo ao Oscar. Embora os demais atores sejam relevantes como J.K. Simmons, Rosemarie DeWitt e Tom Everett Scott, o elenco já está muito bem reconhecido com as indicações de Ryan Gosling e Emma Stone.

Falando em muito bem reconhecido, Mahershala Ali foi o único ator desta edição a receber três indicações. Além de Ator Coadjuvante e Elenco por Moonlight, o ator também está no elenco de Estrelas Além do Tempo, que está indicado a Elenco.

E talvez a maior surpresa aqui foi a inclusão de Capitão Fantástico, cujo elenco foi indicado, além de Viggo Mortensen como Melhor Ator. Há tempos leio boas críticas em relação ao filme, principalmente em relação à escolha dos atores mirins que vivem os seis filhos do personagem de Mortensen. Depois de ser indicado no Critics’ e Globo de Ouro, o ator pode conquistar sua segunda indicação ao Oscar.

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No centro, Viggo Mortensen em cena com seus filhos em Capitão Fantástico (pic by cine.gr)

Nas categorias de televisão, não tem como não aplaudir a Netflix. O canal de streaming conseguiu acumular 17 indicações através de suas produções originais, incluindo três para a sensação Stranger Things, e três para The Crown.

Assim como o Globo de Ouro, o SAG resolveu dar uma repaginada nas séries e concedeu as primeiras indicações para as novidades Westworld, Black-ish, This Is Us, Black Mirror, Unbreakable Kimmy Schmidt e Lady Day at Emerson’s Bar & Grill.

E mais um adendo: não entendi o prêmio pelo Conjunto da obra para a atriz Lily Tomlin. Ok, ela já não é mais mocinha, mais precisamente tem 77 anos, mas é uma artista que ainda está trabalhando em alto nível, tanto que foi indicada pela série da Netflix, Grace and Frankie. Bom, pelo menos podemos esperar um discurso leve e engraçado!

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Lily Tomlin na série da Netflix, Grace & Frankie. (pic by elfilm.com)

INDICADOS AO 23º SAG AWARDS:

Outstanding Performance by a Male Actor in a Leading Role
– Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar)
– Andrew Garfield (Até o Último Homem)
– Ryan Gosling (La La Land: Cantando Estações)
– Viggo Mortensen (Capitão Fantástico)
– Denzel Washington (Fences)

Outstanding Performance by a Female Actor in a Leading Role
– Amy Adams (A Chegada)
– Emily Blunt (A Garota no Trem)
– Natalie Portman (Jackie)
– Emma Stone (La La Land: Cantando Estações)
– Meryl Streep (Florence: Quem é Essa Mulher?)

Outstanding Performance by a Male Actor in a Supporting Role
– Mahershala Ali (Moonlight)
– Jeff Bridges (A Qualquer Custo)
– Hugh Grant (Florence: Quem é Essa Mulher?)
– Lucas Hedges (Manchester à Beira-Mar)
– Dev Patel (Lion)

Outstanding Performance by a Female Actor in a Supporting Role
– Viola Davis (Fences)
– Naomie Harris (Moonlight)
– Nicole Kidman (Lion)
– Octavia Spencer (Estrelas Além do Tempo)
– Michelle Williams (Manchester à Beira-Mar)

Outstanding Performance by a Cast in a Motion Picture
– Capitão Fantástico
– Fences
– Estrelas Além do Tempo
– Manchester à Beira-Mar
– Moonlight

Outstanding Performance by a Male Actor in a Television Movie or Miniseries
– Riz Ahmed (The Night Of)
– Sterling K. Brown (The People v. O.J. Simpson)
– Bryan Cranston (All the Way)
– John Turturro (The Night Of)
– Courtney B. Vance (The People v. O.J. Simpson)

Outstanding Performance by a Female Actor in a Television Movie or Miniseries
– Bryce Dallas Howard (Black Mirror)
– Felicity Huffman (American Crime)
– Audra McDonald (Lady Day at Emerson’s Bar and Grill)
– Sarah Paulson (The People v. O.J. Simpson)
– Kerry Washington (Confirmation)

Outstanding Performance by a Male Actor in a Drama Series
– Sterling K. Brown (This Is Us)
– Peter Dinklage (Game of Thrones)
– John Lithgow (The Crown)
– Rami Malek (Mr. Robot)
– Kevin Spacey (House of Cards)

Outstanding Performance by a Female Actor in a Drama Series
– Millie Bobby Brown (Stranger Things)
– Claire Foy (The Crown)
– Thandie Newton (Westworld)
– Winona Ryder (Stranger Things)
– Robin Wright (House of Cards)

Outstanding Performance by a Male Actor in a Comedy Series
– Anthony Anderson (Black-ish)
– Tituss Burgess (Unbreakable Kimmy Schmidt)
– Ty Burrell (Modern Family)
– William H. Macy (Shameless)
– Jeffrey Tambor (Transparent)

Outstanding Performance by a Female Actor in a Comedy Series
– Uzo Aduba (Orange is the New Black)
– Jane Fonda (Grace and Frankie)
– Ellie Kemper (Unbreakable Kimmy Schmidt)
– Julia Louis-Dreyfus (Veep)
– Lily Tomlin (Grace and Frankie)

Outstanding Performance by an Ensemble in a Drama Series
– The Crown
– Downton Abbey
– Game of Thrones
– Stranger Things
– Westworld

Outstanding Performance by an Ensemble in a Comedy Series
– The Big Bang Theory
– Black-ish
– Modern Family
– Orange is the New Black
– Veep

Outstanding Action Performance by a Stunt Ensemble in a Comedy or Drama Series
– Game of Thrones
– Marvel’s Daredevil
– Marvel’s Luke Cage
– The Walking Dead
– Westworld

Outstanding Action Performance by a Stunt Ensemble in a Motion Picture
– Capitão América: Guerra Civil
– Doutor Estranho
– Até o Último Homem
– Jason Bourne
– Animais Noturnos

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A 23ª cerimônia do SAG Awards está marcada para o dia 29 de janeiro, e será transmitida pelo canal pago TNT.

‘La La Land’ domina a premiação do Critics’ Choice Awards com 8 prêmios

No centro, os atores Emma Stone e Ryan Gosling posam ao lado do diretor Damien Chazelle. O musical La La Land levou oito prêmios.

No centro, os atores Emma Stone e Ryan Gosling posam ao lado do diretor Damien Chazelle. O musical La La Land levou oito prêmios.

MUSICAL SE SOBRESSAI NA TEMPORADA E ASSUME FAVORITISMO

Pelo visto, o plano do Critics’ Choice Awards de antecipar sua cerimônia de premiação em quase um mês deu certo pois, ao contrário da última edição, as celebridades compareceram ao evento, e acima de tudo, a “Bolha Assassina” (Critics’ Choice) conseguiu ser a primeira grande premiação do calendário cinematográfico. O problema foi que no dia seguinte, já saíram as indicações do Globo de Ouro, e dois dias depois saem as indicações ao SAG Awards, e aí pergunto aos blogueiros: Pra que dormir?

Bom, como já devem ter percebido, não gosto muito do Critics’ Choice Awards. O problema principal é sua falta de personalidade (copia todas as categorias de outros prêmios), além disso, está mais preocupado na porcentagem de acerto em relação ao Oscar do que com credibilidade, e puxa um saco danado das celebridades como o Globo de Ouro faz, mas sem ter a mesma história de décadas de afinidade com as estrelas.

Pra vocês terem uma idéia do absurdo do Critics’ Choice, existem 50 (cinquenta!) categorias de Cinema e TV. Este ano, roubaram até a categoria de Ator Convidado do Emmy for Christ sake! Daqui a pouco, eles vão incluir as categorias do MTV Movie Awards também, como Melhor Beijo, Melhor Vilão, Melhor Performance Sem Camisa… Ainda bem que as estatuetas são feitas de acrílico ou cristal, porque se fosse de ouro, iria faltar na reserva mundial! Tem tanto prêmio pra dar, que muitos dos resultados foram divulgados nos intervalos de forma bastante simples, no estilo diagrama de bolão da empresa, como se estivessem cumprindo um mero dever. Minha sugestão? Reduzam as categorias! Está nítido que eles preferem bajular os atores do que reconhecer técnicos, dos quais muitos nem foram convidados.

Sobre o anúncio dos vencedores no intervalo, quando o ator Casey Affleck subiu ao palco, quebrou as pernas dos produtores do evento: “É engraçado pular o prêmio do roteiro assim porque nenhum de nós estaríamos aqui se não fosse o roteiro. Provavelmente, eles teriam discursos interessantes para falar.” Depois dessa, colocaria o prêmio de roteiro em primeiro lugar na próxima edição!

Com um visual Joaquin Phoenix-vou-me-aposentar, Casey Affleck posa com seu Critics' Choice (pic by REUTERS/Danny Moloshok)

Com um visual Joaquin Phoenix-vou-me-aposentar, Casey Affleck posa com seu Critics’ Choice por Manchester à Beira-Mar (pic by REUTERS/Danny Moloshok)

Não ajuda também o fato de convocarem T.J. Miller pra ser host. Aonde viram graça nesse rapaz? Talvez na série Sillicon Valley ele seja um pouco mais engraçado, mas como host (e pela segunda vez consecutiva!) foi apenas sorrisos amarelos. As piadas dele pareciam forçadas demais, como se ele precisasse apelar pro tom de voz ou figurino. Enfim, se o prêmio não tem personalidade, o que dirá do host…

Host pela segunda vez, T.J. Miller se esforça pra animar a platéia (pic by getty images)

Host pela segunda vez, T.J. Miller se esforça pra animar a platéia (pic by getty images)

Gostaria também de citar aqueles prêmios especiais concedidos na cerimônia. Viola Davis recebeu um prêmio novo chamado #SeeHer com perfil feminista. Apesar do discurso bonito em que a atriz enalteceu a busca pela própria identidade, considero um prêmio desnecessário e bem politicamente correto. Hoje em dia, os discursos de agradecimento já são assim; não precisamos de mais prêmios que demandem mais discussões quadradas. O que dizer então do prêmio Entertainment Weekly’s Entertainer of the Year para Ryan Reynolds? Tudo bem que é um prêmio patrocinado pela revista homônima, mas precisa? Daqui a pouco vão entregar o prêmio da revista People para o Homem Mais Sexy do Ano! E vale lembrar que tanto Viola Davis, quanto Reynolds, ganharam os prêmios pelos quais concorriam: Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Ator em Comédia, respectivamente.

Viola Davis posa com seu Critics' Choice de Coadjuvante por Fences (pic by Global Grind)

Viola Davis posa com seu Critics’ Choice de Coadjuvante por Fences (pic by Global Grind)

Quanto aos resultados, o grande vencedor da noite foi La La Land, que levou oito prêmios: Filme, Diretor, Roteiro Original, Fotografia, Montagem, Direção de Arte, Trilha Musical e Canção. Já esperava essa chuva de prêmios técnicos, mas confesso que fiquei meio surpreso com a vitória de Damien Chazelle como Diretor, e de Fotografia. Achei que ambos os prêmios iriam para o drama Moonlight, que vinha dividindo as atenções com a crítica. Mas o filme de Barry Jenkins saiu com os prêmios importantes de Ator Coadjuvante para Mahershala Ali, e de Elenco, que podem se repetir no SAG Awards.

Já o drama independente Manchester à Beira-Mar conquistou o prêmio de Roteiro Original, Ator para Casey Affleck e de Jovem Ator para Lucas Hedges. Embora estejam em alta com a crítica, são dois atores meio desconhecidos do grande público, fato que pode prejudicá-los na corrida ao Oscar.

E outro grande vencedor da noite foi Jackie, de Pablo Larraín. Além de ganhar como Melhor Maquiagem e Figurino, teve sua protagonista reconhecida como Melhor Atriz: Natalie Portman. Achava que o prêmio estaria entre Emma Stone e Isabelle Huppert, mas pelo visto, a atriz está no páreo para ganhar seu segundo Oscar.

Grávida do segundo filho, Natalie Portman usa uma espécie de poncho estampado ao receber o Critics' Choice Awards (pic by gotceleb.com)

Grávida do segundo filho, Natalie Portman usa uma espécie de poncho estampado ao receber o Critics’ Choice Awards (pic by gotceleb.com)

Do lado das comédias, eu gosto de Deadpool, mas ganhar como Melhor Comédia do Ano? Será? Tudo bem que a competição também não ajudava muito, mas… Engraçado que antes de revelar o vencedor, o apresentador lembrou que os últimos quatro vencedores da categoria foram indicados a Melhor Filme no Oscar. Não vejo Deadpool indicado a Filme pela Academia… talvez Maquiagem.

Com esse adiantamento da cerimônia para dezembro, não houve tempo hábil para projeção de possíveis candidatos ao Oscar como a ficção científica de Morten Tyldum, Passageiros, o novo filme da franquia Rogue One: Uma História Star Wars, e o ambicioso projeto de Martin Scorsese, Silêncio. Todos ficaram de fora da premiação… e aí a pergunta que fica é: haverá tempo para se recuperarem até o Oscar?

Nas categorias de televisão e mídia, embora Game of Thrones tenha vencido como Melhor Série Dramática, foi a minissérie contundente The People v. O.J. Simpson que acabou levando a maioria dos prêmios. O polêmico caso envolvendo o ex-ator e ex-jogador de futebol americano O.J. Simpson também protagoniza o documentário O.J.: Made in America, de Ezra Edelman, que está entre os favoritos ao Oscar da categoria.

VENCEDORES DO 22º CRITICS’ CHOICE AWARDS:

CINEMA

MELHOR FILME
La La Land: Cantando Estações

MELHOR ATOR
Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar)

MELHOR ATRIZ
Natalie Portman (Jackie)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Mahershala Ali (Moonlight)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Viola Davis (Fences)

MELHOR ATOR OU ATRIZ JOVEM
Lucas Hedges (Manchester à Beira-Mar)

MELHOR ELENCO
Moonlight

MELHOR DIRETOR
Damien Chazelle (La La Land)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL – Empate
Damien Chazelle (La La Land)
Kenneth Lonergan (Manchester à Beira-Mar)

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Eric Heisserer (A Chegada)

MELHOR FOTOGRAFIA
Linus Sandgren (La La Land)

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
David Wasco, Sandy Reynolds-Wasco (La La Land)

MELHOR MONTAGEM
Tom Cross (La La Land)

MELHOR FIGURINO
Madeline Fontaine (Jackie)

MELHOR CABELO E MAQUIAGEM
Jackie

MELHORES EFEITOS VISUAIS
Mogli: O Menino Lobo

MELHOR LONGA DE ANIMAÇÃO
Zootopia

MELHOR FILME DE AÇÃO
Até o Último Homem

MELHOR ATOR EM FILME DE AÇÃO
Andrew Garfield (Até o Último Homem)

MELHOR ATRIZ EM FILME DE AÇÃO
Margot Robbie (Esquadrão Suicida)

MELHOR COMÉDIA
Deadpool

MELHOR ATOR EM COMÉDIA
Ryan Reynolds (Deadpool)

MELHOR ATRIZ EM COMÉDIA
Meryl Streep (Florence: Quem é Essa Mulher?)

MELHOR FICÇÃO CIENTÍFICA OU TERROR
A Chegada

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
Elle, de Paul Verhoeven

MELHOR CANÇÃO
“City of Stars” (La La Land)

MELHOR TRILHA MUSICAL
Justin Hurwitz (La La Land)

TV

MELHOR SÉRIE – DRAMA
Game of Thrones

MELHOR ATOR – SÉRIE DRAMA
Bob Odenkirk (Better Call Saul)

MELHOR ATRIZ – SÉRIE DRAMA
Evan Rachel Wood (Westworld)

MELHOR ATOR COADJUVANTE – SÉRIE DRAMA
John Lithgow (The Crown)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE – SÉRIE DRAMA
Thandie Newton (Westworld)

MELHOR PERFORMANCE CONVIDADA EM SÉRIE DRAMA
Jeffrey Dean Morgan (The Walking Dead)

MELHOR SÉRIE DE COMÉDIA
Silicon Valley

MELHOR ATRIZ – SÉRIE COMÉDIA
Kate McKinnon (Saturday Night Live)

MELHOR ATOR – SÉRIE COMÉDIA
Donald Glover (Atlanta)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE – SÉRIE COMÉDIA
Jane Krakowski (Unbreakable Kimmy Schmidt)

MELHOR ATOR COADJUVANTE – SÉRIE COMÉDIA
Louie Anderson (Baskets)

MELHOR PERFORMANCE CONVIDADA EM SÉRIE COMÉDIA
Alec Baldwin (Saturday Night Live)

MELHOR SÉRIE ANIMADA
BoJack Horseman

MELHOR SÉRIE COMPETITIVA DE REALITY
The Voice

MELHOR SÉRIE DE REALITY ESTRUTURADA
Shark Tank 

MELHOR SÉRIE DE REALITY NÃO-ESTRUTURADA
Anthony Bourdain: Parts Unknown

MELHOR TALK SHOW
The Late Late Show with James Corden

MELHOR HOST DE REALITY
Anthony Bourdain – Anthony Bourdain: Parts Unknown

MELHOR FILME PARA TV OU MINISSÉRIE
The People v. O.J. Simpson

MELHOR ATOR EM FILME PARA TV OU MINISSÉRIE
Courtney B. Vance (The People v. O.J. Simpson)

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM FILME PARA TV OU MINISSÉRIE
Sterling K. Brown (The People v. O.J. Simpson)

MELHOR ATRIZ EM FILME PARA TV OU MINISSÉRIE
Sarah Paulson (The People v. O.J. Simpson)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM FILME PARA TV OU MINISSÉRIE
Regina King (American Crime)

 

Atriz transgênero é elegível em categorias masculina e feminina no Oscar pela 1ª vez

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À direita, Kelly Mantle contracena com Andrew Lawrence na produção independente Confessions of a Womanizer (pic by ew.com)

A ACADEMIA PERMITIU A INSCRIÇÃO DUPLA
DE KELLY MANTLE

Apesar de ser considerada uma entidade mega conservadora, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (Oscar) às vezes se mostra um pouco mais maleável e decide quebrar regras. Pela primeira vez em seus 89 anos de existência, ela permitiu a inscrição de um transgênero em ambas as categorias de atuação (no caso, coadjuvante) masculina e feminina. Antes disso, era obrigatória a escolha de apenas um gênero.

A atriz em questão é Kelly Mantle, que ficou conhecida como uma candidata no reality show americano RuPaul’s Drag Race, e o filme é uma produção independente chamada Confessions of a Womanizer, dirigida por Miguel Ali, um americano com descendência paquistanesa/espanhola. Esta “dramédia”, que trata da amizade de um mulherengo com uma prostituta transsexual chamada Ginger (Kelly Mantle), estreou em festivais em 2014, mas foi lançada comercialmente apenas em 2016 nos EUA. Também tem no elenco Gary Busey e C. Thomas Howell. Veja trailer abaixo:

Trailer de Confessions of a Womanizer

Quando a equipe da distribuidora preencheu os formulários requisitados pela Academia, depararam-se com a questão do gênero: Masculino ou Feminino? Na dúvida, inscreveram Kelly em ambas, e a Academia confirmou com um “can be nominated in either category” (pode ser indicado em ambas as categorias).

Kelly Mantle contracena com Andrew Lawrence em Confessions of a Womanizer

Pela cena do filme acima, obviamente não dá pra dizer que a performance de Kelly Mantle é material para Oscar, mas nesse caso, não se trata de qualidade, mas de marco histórico.

Para muitos nada significa, mas para a comunidade transgênero, que se sente deslocada num universo dividido entre homens e mulheres, faz uma baita diferença, especialmente para esses atores que, como quaisquer outros, sonham com o reconhecimento da Academia.

Contudo, é importante fazer algumas ressalvas:

Esse tipo de mudança no regulamento deveria ter sido discutida amplamente com os membros da Academia e com atores transgênero. O que eles consideram como melhor opção? Da forma como aconteceu, pareceu apenas uma simples reação abrangedora da Academia a uma ousadia da distribuidora; como se fosse um acidente de percurso. Faltou aí uma decisão mais consciente e firme.

Essa dupla indicação pode ser um tiro no pé do candidato, já que as chances de vitória podem cair drasticamente com os votos se dividindo em duas categorias. Acredito que o ideal seria a escolha livre por parte do ator/atriz em conjunto com a própria campanha se deve concorrer como ator ou atriz.

Outra alternativa seria a criação de uma categoria para atores transgênero, mas não vejo isso acontecendo nos próximos anos (talvez décadas!). Não apenas pelo conservadorismo, mas porque está longe de existir uma extensa gama de performances de transgênero necessária para abrir uma nova categoria.

Apesar da notícia envolver o filme Confessions of a Womanizer, é importante ressaltar que a origem dessa discussão e posterior avanço pode ter começado com outro filme independente, lançado em 2015, o drama Tangerine, de Sean Baker. No elenco, as duas atrizes transgênero, Kitana Kiki Rodriguez e Mya Taylor, foram fundamentais nessa luta por reconhecimento artístico. Elas receberam várias indicações como atrizes, sendo que Mya Taylor levou o Independent Spirit Award de Coadjuvante. Em discurso de agradecimento, elas levantaram a discussão do transgênero no cenário de premiação.

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Da esquerda pra direita, as atrizes Kitana Kiki Rodriguez e Mya Taylor em cena de Tangerine (photo by cine.gr)

Em um ano em que a “falta de diversidade” ecoa nos corredores de Hollywood, a Academia, liderada pela presidente Cheryl Boone Isaacs, tem procurado expandir o universo cinematográfico para o século XXI, tanto que foi neste ano que houve a primeira indicação para um profissional transgênero no Oscar. O compositor Antony Hegarty, conhecido também como Anohni, foi indicado para Melhor Canção Original pela canção “Manta Ray” do documentário Racing Extinction. Infelizmente, os produtores do evento pisaram feio na bola e não permitiram a execução da música dele ao vivo (das cinco canções, apenas três foram cantadas no palco), o que fez com que Hegarty não comparecesse à premiação como forma de protesto.

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O primeiro artista transgênero indicado ao Oscar, Antony Hegart (Anohni) (photo by musictimes.com)

Enfim, a Academia ainda tem muito a amadurecer e progredir, mas certamente já se trata de um avanço significativo.

As indicações ao Oscar 2017 serão anunciadas no dia 24 de janeiro.

Com 4 prêmios, ‘Moonlight’ é o Melhor Filme segundo o LAFCA 2016

Mahershala Ali em cena de Moonlight, de Barry Jenkins (pic by moviepilot.de)

Mahershala Ali em cena de Moonlight, de Barry Jenkins (pic by moviepilot.de)

APÓS SER COADJUVANTE NAS PREMIAÇÕES ANTERIORES, MOONLIGHT CONQUISTA MELHOR FILME

É… a Associação de Críticos de Los Angeles resolveu dar uma chacoalhada e mudou a cara de muitas categorias. Por exemplo: Moonlight levava Melhor Diretor, Ator Coadjuvante, Fotografia, mas na hora de ganhar Melhor Filme, ora perdia para La La Land, ora para Manchester à Beira-Mar.

É difícil vermos quais críticos estão ousando mais ou apenas indo na onda sem conferir os filmes em si, mas independente dessa distribuição de prêmios entre essas três produções, o musical La La Land me parece um pouco à frente por se tratar de um musical vistoso e com atores inspirados. Por outro lado, Moonlight tem Barry Jenkins, que tem ganhado os prêmios de diretor, que costuma estar atrelado ao Melhor Filme.

Uma das poucas categorias que se mantiveram fiéis à artista foi Melhor Atriz, que novamente elegeu Isabelle Huppert. Depois de faturar o prêmio pelo círculo de críticos de Nova York, a francesa segue firme em busca de sua primeira indicação ao Oscar. Claro que ainda é cedo pra cravar alguma certeza, principalmente porque é difícil a Academia premiar atores estrangeiros falando seu próprio idioma no papel (as únicas atrizes que conseguiram esse feito foram Sophia Loren em 1962 e Marion Cotillard em 2008), e também porque o filme pelo qual ela deve concorrer, Elle, é uma produção francesa polêmica devido à reação da personagem dela pós-estupro.

Isabelle Huppert em cena de Elle, de Paul Verhoeven (photo by cine.gr)

Isabelle Huppert em cena de Elle, de Paul Verhoeven (photo by cine.gr)

Particularmente, considero sua interpretação a melhor que vi deste ano até o momento, e só citei essa polêmica porque o povo votante da Academia tem fama de careta e conservador. Enfim, Isabelle Huppert tem uma concorrência ferrenha pela frente, que praticamente está definida: Amy Adams (que levou o National Board of Review), Ruth Negga, Natalie Portman, Emma Stone e Annette Bening. A atriz Rebecca Hall ficou com o prêmio de 2º lugar no LAFCA pelo drama Christine, mas acho que ela morre na praia.

Ainda sobre os atores, os críticos de Los Angeles têm o excelente hábito de premiar interpretações estrangeiras. Além de Huppert como Atriz, elegeram o japonês Issei Ogata como 2º melhor coadjuvante pelo filme Silêncio, de Martin Scorsese. Como a categoria ainda não está bem definida, ele pode conseguir uma vaga indo na onda do #OscarSoWhite.

Cena do novo filme de Martin Scorsese, estrelado por Andrew Garfield (photo by cine.gr)

Issei Ogata (à direita) com Andrew Garfield em cena de Silêncio, de Martin Scorsese (photo by cine.gr)

E pra quem achava que apenas Casey Affleck venceria como Melhor Ator, eis que surge o primeiro grande prêmio para Adam Driver pelo drama Paterson, onde ele interpreta um motorista de ônibus que escreve poesia nas horas vagas. Vale lembrar que o ator também estrela o filme de Scorsese, além, claro, de ser o vilão Kylo Ren da nova franquia de Star Wars.

Adam Driver em Paterson, de Jim Jarmusch (pic by moviepilot.de)

Adam Driver em Paterson, de Jim Jarmusch (pic by moviepilot.de)

Achei interessante a premiação de dois filmes que estavam sendo esquecidos na temporada. O Lagosta, de grego Yorgos Lanthimos, que faturou o prêmio de roteiro, e a animação japonesa Your Name, que saiu vitoriosa de sua categoria, que vinha sendo dominada por Kubo e as Cordas Mágicas ou Zootopia.

Contudo, minha maior satisfação foi ver as duas vitórias do filme sul-coreano The Handmaiden como Melhor Filme em Língua Estrangeira e Melhor Design de Produção (Direção de Arte), que reconheceu a belíssima reconstrução dos anos 30 de uma Coréia invadida pelos japoneses. Infelizmente, o longa não foi selecionado por sua comissão para representar a Coréia. Parece que a presidente coreana Park Geun-hye andou dando uma de Michel Temer, e cortou a verba pra artistas que eram contra sua política (como é o cineasta Park Chan-wook) e selecionaram um filme mais convencional de ação, The Age of Shadows, para mandar ao Oscar. Ficaram de picuinha e perderam uma excelente oportunidade de conquistar a primeira indicação ao Oscar do país… uma pena. Pelo que andei lendo, a presidente deve renunciar em breve.

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Cena do longa sul-coreano The Handmaiden, de Park Chan-wook (pic by moviepilot.de)

VENCEDORES DO LAFCA 2016:

MELHOR FILME: Moonlight
2º lugar: La La Land: Cantando Estações

MELHOR DIRETOR: Barry Jenkins (Moonlight)
2º lugar: Damien Chazelle (La La Land: Cantando Estações)

MELHOR ATOR: Adam Driver (Paterson)
2º Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar)

MELHOR ATRIZ: Isabelle Huppert (Elle) (O Que Está por Vir)
2º lugar: Rebecca Hall (Christine)

MELHOR ATOR COADJUVANTE: Mahershala Ali (Moonlight)
2º lugar: Issei Ogata (Silêncio)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Lily Gladstone (Certain Women)
2º lugar: Michelle Williams (Manchester à Beira-Mar)

MELHOR ROTEIRO: Yorgos Lanthimos, Efthymis Filippou (O Lagosta)
2º lugar: Kenneth Lonergan (Manchester à Beira-Mar)

MELHOR FOTOGRAFIA: James Laxton (Moonlight)
2º lugar: Linus Sandgren (La La Land: Cantando Estações)

MELHOR MONTAGEM: Bret Granato, Maya Mumma, Ben Sozanski (O.J.: Made in America)
2º lugar: Tom Cross (La La Land: Cantando Estações)

MELHOR TRILHA MUSICAL: Justin Hurwitz, Benj Pasek, Justin Paul (La La Land: Cantando Estações)
2º lugar: Mica Levi (Jackie)

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE: Ryu Seong-Hee (The Handmaiden)
2º lugar: David Wasco (La La Land: Cantando Estações)

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA: The Handmaiden, de Park Chan-Wook
2º lugar: Toni Erdmann, de Maren Ade

MELHOR LONGA DE ANIMAÇÃO: Your Name (Kimi no na wa), de Makoto Shinkai
2º lugar: The Red Turtle

MELHOR DOCUMENTÁRIO: I Am Not Your Negro
2º lugar: O.J.: Made in America

PRÊMIO DOUGLAS EDWARDS PARA FILME EXPERIMENTAL: The Illinois Parables, de Deborah Stratman

PRÊMIO NEW GENERATION: Trey Edwards Shults e Krisha Fairchild (Krisha)

PRÊMIO PELO CONJUNTO DA OBRA: Shirley MacLaine

Cena da animação Your Name, de

Cena da animação Your Name, de Makoto Shinkai (pic by moviepilot.de)