‘PARA TODOS OS GAROTOS: AGORA E PARA SEMPRE’ e SÉRIE ‘WANDAVISION’ SÃO PREMIADOS no MTV MOVIE e TV AWARDS

FILME DA NETFLIX E SÉRIE DA DISNEY PLUS SÃO OS GRANDES VENCEDORES DESTA EDIÇÃO

Se você pertence a uma geração que viu grandes filmes como O Exterminador do Futuro 2, Pulp Fiction e Seven serem premiados no MTV Movie Awards nos anos 90, é provável que haja um certo estranhamento ao ver produções mais padronizadas serem reconhecidas. Já para a geração que viu os filmes da saga Crepúsculo saírem premiadas na MTV, pouca coisa mudou.

Desde 2017, o prêmio passou a reconhecer as várias produções televisivas e de streaming entre os filmes, o que foi um acerto grande, pois o público jovem não mais consumia filmes como antes e passou a preferir maratonar séries. Num ano de pandemia e quarentena, seria natural que as séries predominassem a edição 2021. Tanto Para Todos os Garotos quanto WandaVision são frutos das plataformas de streaming da Netflix e da Disney Plus, respectivamente.

As séries da Marvel Studios foram as maiores vencedoras. Enquanto WandaVision acumulou 4 baldinhos de pipoca dourada, Falcão e o Soldado Invernal ficou com 2 prêmios, confirmando um acerto também do estúdio, que estendeu seu universo cinematográfico às séries na hora certa (da pandemia). Particularmente, não acompanho séries, mas vi essas duas por serem da Marvel. Valeu a pena só pra matar saudade dos personagens, mas ainda estão aquém dos filmes. Achei um absurdo premiarem a luta entre Wanda e Agatha como a Melhor Luta, pois são duas pessoas voando e jogando feitiços de computação gráfica uma contra a outra durante 40 minutos. Por que não premiaram a série Cobra Kai, que teve lutas coreografadas? Somos a favor da democracia do voto, mas muitas vezes é difícil entender esse público.

Sobre os indicados ao Oscar no MTV Movie Awards, acho bacana a vitória de Chadwick Boseman, que perdeu o Oscar (de forma justa) para Sir Anthony Hopkins, mas você consegue acreditar que o mesmo público que votou em Para Todos os Garotos e Barraca do Beijo 2 também votou para Boseman? E mesmo se votaram, é quase certeza de que nem viram o filme A Voz Suprema do Blues, votando simplesmente pelo nome, fama e morte precoce. E como explicar o voto para Leslie Jones como melhor atuação em comédia por Um Príncipe em Nova York 2? Essa sequência do filme de 1988 é no mínimo medíocre.

Claro que não dá pra cobrar do voto popular, ainda mais num prêmio jovem. De um lado, fico decepcionado por perderem a oportunidade de elevarem o patamar do MTV Movie Awards, pois era um prêmio que acolhia e reconhecia filmes bons e ousados que a Academia não tinha coragem de premiar, mas por outro lado, é preciso entender que o prêmio é mais um instrumento para medir a repercussão das produções em seu público-alvo. E se for pra se basear nisso, o império da Marvel Studios deve reinar facilmente a indústria por pelo menos mais uma década.

Confira vídeo da compilação dos discursos de agradecimentos do canal da MTV abaixo:

Veja lista dos vencedores do MTV Movie & TV Awards:

MELHOR SÉRIE
* WandaVision
– Bridgerton
– Cobra Kai
– Emily in Paris
– The Boys

MELHOR FILME
* Para Todos os Garotos: Agora e Para Sempre (To All the Boys: Always and Forever)

– Borat: Fita de Cinema Seguinte
– Judas e o Messias Negro
– Bela Vingança
– Soul

MELHOR ATUAÇÃO EM FILME
* Chadwick Boseman (A Voz Suprema do Blues)

– Carey Mulligan (Bela Vingança)
– Daniel Kaluuya (Judas e o Messias Negro)
– Sacha Baron Cohen (Os 7 de Chicago)
– Zendaya (Malcolm & Marie)

MELHOR MOMENTO MUSICAL
* “Edge of Great” (Julie and the Phantoms)

– “Brown Skin Girl” (Black is King)
– “Wildest Dreams” (Bridgerton)
– “I Wanna Rock” (Cobra Kai)
– “Stand by Me” (Amor e Monstros)
– “Lost in the Wild” (A Barraca do Beijo 2)
– “Beginning, Middle, End” (Para Todos os Garotos: Agora e Para Sempre)
– “Agatha All Along” (WandaVision)

MELHOR ATUAÇÃO ASSUSTADORA
* Victoria Pedretti (The Haunting of Bly Manor)
– Jurnee Smollett (Lovecraft Country)
– Elisabeth Moss (O Homem Invisível)
– Simona Brown (Behind Her Eyes)
– Vince Vaughn (Freaky – No Corpo de um Assassino)

MELHOR VILÃO
* Kathryn Hahn (WandaVision)
– Aya Cash (The Boys)
– Ewan McGregor (Aves de Rapina)
– Giancarlo Esposito (The Mandalorian)
– Nicholas Hoult (The Great)

MELHOR DUPLA
* Anthony Mackie & Sebastian Stan (Falcão e o Soldado Invernal)

– Kristen Wiig e Annie Mumolo (Barb & Star Go To Vista Del Mar)
– Pedro Pascal e “Grogu” (The Mandalorian)
– Lily Collins e Mindy Chen (Emily in Paris)
– Sacha Baron Cohen e Maria Bakalova (Borat: Fita de Cinema Seguinte)

MELHOR LUTA
* Wanda vs. Agatha (WandaVision)

– Final Funhouse Fight (Aves de Rapina)
– Finale House Fight (Cobra Kai)
– Starlight, Queen Maeve, Kimiko vs. Stormfront (The Boys)
– Final Fight vs. Steppenwolf (Liga da Justiça – Snyder Cut)

MELHOR ATUAÇÃO DE COMÉDIA
*
Leslie Jones (Um Príncipe em Nova York 2)
– Annie Murphy (Schitt’s Creek)
– Eric Andre (Bad Trip)
– Issa Rae (Insecure)
– Jason Sudeikis (Ted Lasso)

MELHOR BEIJO
* Chase Stokes & Madelyn Cline (Outer Banks
)
– Jodie Comer & Sandra Oh (Killing Eve)
– Lily Collins & Lucas Bravo (Emily in Paris)
– Maitreyi Ramakrishnan & Jaren Lewison (Never Have I Ever)
– Regé-Jean Page & Phoebe Dynevor (Bridgerton)

MELHOR ATUAÇÃO REVELAÇÃO
* Regé-Jean Page (Bridgerton)

– Antonia Gentry (Ginny & Georgia)
– Ashley Park (Emily in Paris)
– Maria Bakalova (Borat: Fita de Cinema Seguinte)
– Paul Mescal (Normal People)

MELHOR ATUAÇÃO EM SÉRIE
* Elizabeth Olsen (WandaVision)

– Anya Taylor-Joy (The Queen’s Gambit)
– Elliot Page (The Umbrella Academy)
– Emma Corrin (The Crown)
– Michaela Coel (I May Destroy You)

MELHOR HERÓI
*
Anthony Mackie (Falcão e o Soldado Invernal)
– Gal Gadot (Mulher-Maravilha 1984)
– Jack Quaid (The Boys)
– Pedro Pascal (The Mandalorian)
– Teyonah Parris (WandaVision)

COMEDIC GENIUS AWARD
Sacha Baron Cohen

MTV GENERATION AWARD
Scarlett Johansson

FRAMBOESA DE OURO PREMIA KATE HUDSON e RUDY GIULIANI

APESAR DO FILME MUSICAL DE SIA TER LEVADO TRÊS PRÊMIOS, O DOCUMENTÁRIO DE CONSPIRAÇÃO ABSOLUTE PROOF FOI ELEITO O PIOR FILME DO ANO

A 41ª edição do Framboesa de Ouro, que premia os piores filmes do ano, ganhou notoriedade por ter indicado Glenn Close como Pior Atriz Coadjuvante por Era uma Vez um Sonho, performance que também foi indicada ao Oscar. Felizmente, a veterana não ganhou o desagradável prêmio, que foi para Maddie Ziegler por Music. O consenso geral (que concordamos) diz que foi um exagero essa indicação, mas é importante ressaltar duas coisas: 1º O Framboesa só ganha destaque se incluírem na lista filmes e atores conhecidos. Se indicassem apenas desconhecidos do grande público, o prêmio teria baixa relevância na temporada. 2º Achamos válida a indicação como uma crítica construtiva do tipo “Olha, Glenn, você não precisa se render a filmes apelativos como este para ganhar o Oscar a qualquer custo”. Claro que, olhando de longe, ao ver Ron Howard (que já ganhou Oscar de Direção), Amy Adams e uma personagem transformativa, parece realmente uma fórmula de sucesso garantido, mas na prática foi um pesadelo. Muitos já apontam a adaptação da peça teatral Sunset Blvd (Crepúsculo dos Deuses), que deve ser lançada em 2022, a melhor oportunidade da atriz levar finalmente seu Oscar. O papel de Norma Desmond realmente se encaixa na história de Glenn Close, já que se trata de uma atriz veterana porém esquecida.

O pior filme do ano foi um documentário pouco conhecido aqui no Brasil chamado ABSOLUTE PROOF, que apresenta teorias conspiratórias de que houve intervenção da China nas últimas eleições americanas como verdadeiras. MIKE LINDELL, que também dirigiu o filme, ganhou o prêmio de Pior Ator, superando os mais conhecidos Robert Downey Jr. e Adam Sandler.

Já o filme de estreia da cantora SIA acabou sendo o maior vencedor da noite com 3 prêmios: Pior Direção, Atriz (Kate Hudson) e Atriz Coadjuvante. É no mínimo curioso que há dois meses, o filme recebeu duas indicações ao Globo de Ouro: Melhor Filme – Comédia ou Musical e Atriz – Comédia ou Musical, e agora está sendo laureado como um dos piores do ano. É provável que esses prêmios do Framboesa pesem mais para a HFPA que promove o Globo de Ouro do que para a equipe envolvida na produção do filme. Nos últimos meses, a HFPA tem sido alvo de inúmeras denúncias de cartel, suborno, racismo e por último, um dos membros classificou o Movimento Black Lives Matter como um “movimento de ódio”. Gostamos da cerimônia leve e descontraída do Globo de Ouro, mas depois de tantos problemas, é possível que Hollywood ignore a premiação caso não haja uma reformulação por completo. Mas voltando ao filme MUSIC, ainda não vimos, mas parece um videoclipe brega saído dos anos 90. Caso alguém tenha visto, por favor comente abaixo sua opinião!

E sobre os dois prêmios concedidos a BORAT: FITA DE CINEMA SEGUINTE, concordamos com o de Pior Ator Coadjuvante para o aliado de Trump, RUDY GIULIANI, que quase comete um estupro em Maria Bakalova, mas discordávamos da indicação de Pior Dupla (ou Combinação) formada por Giuliani e Bakalova, pois a imagem da atriz seria denegrida de forma equivocada. Felizmente, a organização do Framboesa retirou o nome da atriz e a substituiu por “Rudy Giuliani e o zíper de suas calças”. O ator Sacha Baron Cohen postou a lista dos prêmios do Framboesa em seu Instagram, exaltando a promoção do filme. Claro que é estranho alguém comemorar dois prêmios de Piores do Ano, mas neste caso, é compreensível justamente por esse aspecto de publicidade em relação ao filme e da participação escrota de Giuliani. De qualquer forma, não acreditamos que isso vá prejudicar a campanha de Maria Bakalova para Melhor Atriz Coadjuvante no Oscar, porém o prêmio parece estar bem mais próximo de Yuh-Jung Youn por Minari.

Pra quem quiser ver o compilado de 4 minutos do Razzies, clique no link abaixo:

CONFIRA TODOS OS VENCEDORES (em negrito) AO 41º FRAMBOESA DE OURO:

PIOR FILME

365 Dias
Absolute Proof
Dolittle
A Ilha da Fantasia (Fantasy Island)
Music

PIOR ATOR

Robert Downey Jr. / Dolittle
Mike Lindell / Absolute Proof
Michele Morrone / 365 Dias
Adam Sandler / O Halloween do Hubie
David Spade / A Missy Errada

PIOR ATRIZ

Anne Hathaway / A Última Coisa que Ele Queria & Convenção das Bruxas
Katie Holmes / Brahms: O Boneco do Mal II & O Segredo: Ouse Sonhar
Kate Hudson / Music
Lauren Lapkus / A Missy Errada
Anna-Maria Sieklucka / 365 Dias

PIOR ATRIZ COADJUVANTE

Glenn Close / Era uma Vez um Sonho
Lucy Hale / A Ilha da Fantasia
Maggie Q / A Ilha da Fantasia
Kristen Wiig / Mulher-Maravilha 1984
Maddie Ziegler / Music

PIOR ATOR COADJUVANTE

Chevy Chase / The Very Excellent Mr. Dundee
Rudy Giuliani / Borat: Fita de Cinema Seguinte
Shia LaBeouf / The Tax Collector
Arnold Schwarzeneggar / Iron Mask
Bruce Willis / Breach, Hard Kill & Sobreviver à Noite

PIOR DUPLA NA TELA

Rudy Giuliani & o zíper de suas calças / Borat: Fita de Cinema Seguinte
Robert Downey Jr. & seu sotaque galês nada convincente / Dolittle
Harrison Ford & aquele cachorro CGI totalmente falso / O Chamado da Floresta
Lauren Lapkus & David Spade / The Missy Errada
Adam Sandler & sua voz irritante / O Halloween do Hubie

PIOR DIRETOR

Charles Band / Todos os 3 filmes de Barbie & Kendra
Barbara Bialowas & Tomasz Mandes / 365 Dias
Stephen Gaghan / Dolittle
Ron Howard / Era uma Vez um Sonho
Sia / Music

PIOR ROTEIRO

365 Dias
Todos os 3 filmes de Barbie & Kendra
Dolittle
A Ilha da Fantasia
Era uma Vez um Sonho

PIOR REMAKE, CÓPIA OU SEQUÊNCIA

365 Dias
Dolittle
A Ilha da Fantasia
O Halloween do Hubie
Mulher-Maravilha 1984

GLENN CLOSE ENTRE INDICADOS do FRAMBOESA DE OURO 2021

ATRIZ VETERANA PODE CONSEGUIR UMA RARA COMBINAÇÃO DE FRAMBOESA E OSCAR PELA MESMA PERFORMANCE

A primeira coisa que deve ter vindo à mente de Glenn Close ao ler esta notícia foi: “Mais um ano sem Oscar”. A atriz vinha num bom momento com indicações ao Globo de Ouro, Critics’ Choice e SAG, mesmo num filme de qualidade questionável como Era uma Vez um Sonho. Apesar de não carregar o favoritismo de Maria Bakalova, Yuh-Jung Youn ou mesmo de Jodie Foster, que ganhou o Globo de Ouro, Glenn Close ainda tinha chances reais de vitória no Oscar pela instabilidade da categoria de Atriz Coadjuvante. E sua derrota dolorida em 2019 no Oscar certamente lhe renderia votos de consolação por muitos membros da Academia.

Não estamos dizendo que o Oscar de Glenn Close já era, até mesmo porque ela tem muita credibilidade ainda (foi sua primeira indicação ao Framboesa) e ainda há tempo para se recuperar até o final de Abril quando acontece a cerimônia do Oscar. Vale lembrar aqui que houve dois raríssimos casos que podem se tornar iguais ao dela: Amy Irving e James Coco. Ela foi indicada para o Oscar e Framboesa pela atuação em Yentl, enquanto ele foi lembrado por ambos os prêmios por O Doce Sabor de um Sorriso. Nenhum dos dois ganhou nenhum dos prêmios.

Ainda no campo dos atores, tem sido cada vez mais recorrente a presença de atores indicados ou vencedores do Oscar na lista do Framboesa. Só para lembrar dois casos icônicos: Halle Berry por Mulher-Gato e Sandra Bullock por Maluca Paixão. Este ano, temos Robert Downey Jr., que acreditava que conseguiria firmar uma nova franquia com Dolittle; Anne Hathaway, que tem tido um dedo podre para escolher projetos depois do Oscar, por A Última Coisa que Ele Queria e Convenção das Bruxas; Kate Hudson, que concorreu ao Globo de Ouro de Atriz de Comédia pela mesma performance, por Music; e Kristen Wiig, que foi indicada ao Oscar como roteirista de Missão Madrinha de Casamento, por Mulher-Maravilha 1984; além da já citada Glenn Close, sete vezes indicada ao Oscar sem vitória.

Muitos acusam o Framboesa de serem cruéis com alguns atores, mas a verdade que muitos não querem ouvir é que o prêmio é uma forma de apoio. Tudo bem, um tapa na cara primeiro (pra acordar) e depois um apoio moral. Quando atores conhecidos e até Oscarizados são lembrados é porque a equipe da seleção deseja uma escolha melhor de projetos para o ator ou a atriz. Um ator que gostamos é o Nicolas Cage, que já ganhou o Oscar de Melhor Ator nos anos 90, mas convenhamos que ele fez péssimas escolhas nas décadas seguintes, mas de vez em quando ainda acerta. Outro exemplo que vem bem a calhar é Eddie Murphy, que após ser eleito o pior ator da década em 2010 pelo Framboesa, repensou a carreira e passou a escolher melhores projetos como Meu Nome é Dolemite.

SOBRE A 41ª EDIÇÃO DO FRAMBOESA

Toda vez que a lista de indicados ao Framboesa de Ouro é anunciada, a primeira sensação costuma ser de alívio por não ter visto quase nenhum dos filmes reconhecidos. Claro que seria ótimo ver todos esses filmes para criticar com propriedade, mas nessas horas que reforçamos o quão precioso é o nosso tempo. Muitos que estão lendo agora devem ter visto pelo menos um dos indicados a Pior Filme do Ano: 365 Dias, Absolute Proof, Dolittle, A Ilha da Fantasia ou Music. Aí lhe perguntamos: São tão ruins assim?

Chamamos a atenção para as duas indicações a Borat: Fita de Cinema Seguinte, que recentemente foi indicado a Melhor Filme no Sindicato de Produtores (PGA) e ganhou o Critics’ Choice de Atriz Coadjuvante. Achamos justa a indicação de Rudy Giuliani como Pior Ator Coadjuvante, porque aquele ser é realmente detestável, mas contestamos a indicação de Pior Dupla para ele e Maria Bakalova. Claro que a cena no quarto de hotel foi horrenda, mas no aspecto chocante do flagra, e por isso mesmo, Bakalova não merecia essa mancha no currículo. Entendemos a intenção do Framboesa, mas de alguma forma, acaba prejudicando a carreira da novata. Achamos bem difícil ele ganhar o Oscar, porque a Academia costuma fugir desse tipo de filme polêmico e de comédia, mas poderiam tê-la poupado.

E o que dizer desse 365 Dias? Parece que assumiu o posto de softporn deixado pela trilogia Cinquenta Tons de Cinza. No mês de seu lançamento na plataforma da Netflix, o filme polonês foi o mais visto pelo público brasileiro (que adora uma putaria rs), mas mal sabiam os atores que essa fama instantânea renderia indicações ao Framboesa. E vale lembrar que é o primeiro filme em língua estrangeira a ser indicado a Pior Filme, tornando-se um marco na história do prêmio. Já para a Netflix, cujo lema é “Falem mal, mas falem de mim”, deve ter comemorado mais uma propaganda para sua plataforma, que agora quer caçar usuários que estão compartilhando senhas. Quem não faz isso??

E quem disse que não há representatividade feminina no Framboesa? Enquanto Chloé Zhao, Emerald Fennell e Regina King estão bem reconhecidas na temporada, Barbara Bialowas (365 Dias) e Sia (Music) estão na lista de piores diretores, comprovando que a ascensão feminina cresce em todos os âmbitos. Ah! E nosso querido Ron Howard, que venceu o Oscar de David Lynch e Robert Altman em 2002 por Uma Mente Brilhante, recebe sua segunda indicação por Era uma Vez um Sonho após O Código Da Vinci em 2007.

VOTOS PESSOAIS

Das produções lançadas no ano 2020, incluiríamos: O Grito, Os Novos Mutantes, a animação A Caminho da Lua (que pode ser indicada ao Oscar) e o documentário O Dilema das Redes, que tem um ótimo tema mas extremamente pobre, apelativo e com péssimas dramatizações.

confira todos os indicados ao 41º Framboesa de Ouro:

PIOR FILME

365 Dias
Absolute Proof
Dolittle
A Ilha da Fantasia (Fantasy Island)
Music

PIOR ATOR

Robert Downey Jr. / Dolittle
Mike Lindell / Absolute Proof
Michele Morrone / 365 Dias
Adam Sandler / O Halloween do Hubie
David Spade / A Missy Errada

PIOR ATRIZ

Anne Hathaway / A Última Coisa que Ele Queria & Convenção das Bruxas
Katie Holmes / Brahms: O Boneco do Mal II & O Segredo: Ouse Sonhar
Kate Hudson / Music
Lauren Lapkus / A Missy Errada
Anna-Maria Sieklucka / 365 Dias

PIOR ATRIZ COADJUVANTE

Glenn Close / Era uma Vez um Sonho
Lucy Hale / A Ilha da Fantasia
Maggie Q / A Ilha da Fantasia
Kristen Wiig / Mulher-Maravilha 1984
Maddie Ziegler / Music

PIOR ATOR COADJUVANTE

Chevy Chase / The Very Excellent Mr. Dundee
Rudy Giuliani / Borat: Fita de Cinema Seguinte
Shia LaBeouf / The Tax Collector
Arnold Schwarzeneggar / Iron Mask
Bruce Willis / Breach, Hard Kill & Sobreviver à Noite

PIOR DUPLA NA TELA

Maria Bakalova & Rudy Giuliani / Borat: Fita de Cinema Seguinte
Robert Downey Jr. & seu sotaque galês nada convincente / Dolittle
Harrison Ford & aquele cachorro CGI totalmente falso / O Chamado da Floresta
Lauren Lapkus & David Spade / The Missy Errada
Adam Sandler & sua voz irritante / O Halloween do Hubie

PIOR DIRETOR

Charles Band / Todos os 3 filmes de Barbie & Kendra
Barbara Bialowas & Tomasz Mandes / 365 Dias
Stephen Gaghan / Dolittle
Ron Howard / Era uma Vez um Sonho
Sia / Music

PIOR ROTEIRO

365 Dias
Todos os 3 filmes de Barbie & Kendra
Dolittle
A Ilha da Fantasia
Era uma Vez um Sonho

PIOR REMAKE, CÓPIA OU SEQUÊNCIA

365 Dias
Dolittle
A Ilha da Fantasia
O Halloween do Hubie
Mulher-Maravilha 1984

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A cerimônia do Framboesa de Ouro acontecerá no dia 24 de Abril, um dia antes do Oscar.

RETROSPECTIVA 2020: CINEMA vs. PANDEMIA

PANDEMIA NOS MOSTROU COMO O CINEMA E AS ARTES SÃO FUNDAMENTAIS PARA A HUMANIDADE

Olá a todos! Chegou aquele momento que consigo escrever o post mais pessoal do ano, no qual consigo expor melhor algumas idéias e opiniões. Antigamente, eu costumava fazer isso com mais frequência, mas com o passar dos anos, vi que as opiniões próprias estavam sendo apedrejadas de forma brutal na internet. Cada vez mais havia menos espaço e paciência para ler ou ouvir o que o outro tem a dizer, e muitos adotaram a política da tolerância zero, e isso justifica a polarização política que vivemos.

Este ano, a pandemia mudou bastante as nossas vidas, e vimos o quão frágil somos diante de uma ameaça biológica. Apesar de entender que uma quarentena bem-sucedida 100% seja impossível, ainda mais em cidades grandes, fiquei estupefato ao ver o quanto algumas pessoas estão pouco se lixando para a saúde coletiva. Desde discussões por não querer usar uma máscara até festas clandestinas que certamente contribuíram enormemente para o aumento de casos e mortes.

Voltando mais ao nosso tema de Cinema, gostaria de aproveitar e fazer um desabafo. Muitos indivíduos, como eu, que optaram por estudar e trabalhar no ramo artístico muitas vezes são humilhadas e tachadas de vagabundas aqui no Brasil. Para muitas pessoas, profissão boa mesmo é advogado, engenheiro, arquiteto, médico… Quantas vezes não fomos marginalizados por várias dessas pessoas, parentes e até família por nossas escolhas! A pandemia pode ter sido horrível em inúmeros aspectos, mas ela fez com que muitos percebessem a importância do Cinema e das artes em geral.

Em plena quarentena, trabalhando de home office, milhões ficaram aprisionados em casa, e nesse cenário, os filmes e séries que podemos acompanhar nos trazem diversão, entretenimento, assunto novo e uma distração perante um cenário caótico. Por isso, não menospreze e valorize aqueles que decidiram se dedicar às artes. São eles que continuam trabalhando para prover conteúdo novo todos os dias para que desfrutemos no conforto de nossos lares.

Eu mesmo poderia ter desistido de manter o blog, a página do Facebook e o perfil do Instagram, mas foi justamente esse trabalho que me permitiu manter minha sanidade em tempos de quarentena. A partir de Maio, comecei a recomendar dois filmes por semana no intuito de trazer um pouco de alegria, diversão e distração em tempos difíceis. Como não li nenhuma reclamação até o momento, espero conseguir manter esse quadro pelo menos até a vacinação alcançar a maioria da população.

OSCAR 2020: HISTÓRICO!

Como já rolou em muitos memes, o ano de 2020 começou muito bem com a vitória de Parasita, mas depois descambou com a pandemia e o fechamento das salas de cinema… talvez melhorando apenas nos últimos meses do ano com a vitória de Joe Biden na Casa Branca e o início da vacinação. Particularmente, fiquei bastante feliz com os 4 Oscars conquistados pelo filme sul-coreano, ainda mais num ano bastante competitivo com grandes concorrentes como Dor e Glória, O Irlandês, História de um Casamento e Era uma Vez em… Hollywood, e sem contar que tudo levava a crer que 1917 seria o grande vencedor após levar o DGA, PGA e o BAFTA. O discurso do diretor Bong Joon Ho após levar o Oscar de Direção foi o melhor momento da noite, principalmente por ele saudar a importância que Martin Scorsese para novos cineastas.

Talvez impulsionado pela derrota de Roma perante Green Book no ano anterior, a Academia sentiu necessidade de votar mais consciente, e claramente o filme de Bong Joon Ho era disparado o melhor filme do ano após vencer a Palma de Ouro em Cannes. Parasita quebrou inúmeros tabus, dentre eles o fato de nenhum filme em língua estrangeira ter conquistado o Oscar de Melhor Filme em 92 anos de Oscar, e obviamente nenhum filme levar a dobradinha Melhor Filme e Filme Internacional. A vitória de Parasita no Oscar também representa um protesto contra o governo xenófobo de Trump (que chegou a zombar da vitória no palanque), e principalmente que é possível fazer filmes em nossos próprios países e sermos reconhecidos pela Academia nas categorias principais, e não somente como Filme Estrangeiro.

Em relação aos demais resultados, preferi Klaus a Toy Story 4 como Melhor Longa de Animação, Parasita a Ford vs. Ferrari como Melhor Montagem, e Honeyland a Indústria Americana como Melhor Documentário. Apesar de não haver bem melhores opções, todas as quatro categorias de atuação me decepcionaram pela previsibilidade, já que todos ganharam Globo de Ouro, SAG e BAFTA, o que nos faz repensar novas formas para que a Academia não fique tão refém dos prêmios anteriores. Apesar de gostar de Brad Pitt no filme de Tarantino, teria votado para Joe Pesci por O Irlandês pra ganhar seu segundo Oscar de Coadjuvante.

PANDEMIA: CINEMAS FECHADOS

Em Março, os cinemas de todo o mundo começaram a fechar suas portas. Na época, pouco se sabia sobre o vírus, e ninguém usava máscara ainda. Inicialmente, não senti muita falta de cinema porque Março e Abril são meses que não frequento muito as salas pelo tipo de filme que costuma estrear: aqueles blockbusters que interessam para grupos mais jovens como Dois Irmãos, Bloodshot, Um Lugar Silencioso II e Mulan, mas com o passar dos meses, passei a ficar preocupado com os lançamentos mais interessantes do 2º semestre de 2020. Enquanto isso, foi curioso ver o ressurgimento do filme Contágio (2011), de Steven Soderbergh, nas plataformas de streaming sendo altamente visto, revisto e comentado dadas as semelhanças da trama com o real vírus da Covid que se espalha a partir da China e dá origem a uma onda de contágio mundial e o desespero da ciência em buscar uma vacina.

Com as salas de cinemas fechadas, os serviços de streaming foram bastante valorizados. Embora a Netflix lançasse suas produções novas como Resgate, Destacamento Blood, The Old Guard, e mais recentemente os candidatos ao Oscar Os 7 de Chicago, Mank e A Voz Suprema do Blues, foi definitivamente um ano pra assistir aqueles filmes que você tinha botado na watchlist há anos, mas nunca achava tempo para conferir.

Em Novembro, foi a vez da Disney Plus chegar ao Brasil e oferecer títulos de seu gigantesco acervo, já que nos últimos anos engoliu (comprou o estúdios) a Pixar, a Marvel Studios, Lucasfilms e Fox. Embora a maioria das pessoas já tenha visto boa parte desse catálogo, que estava presente nos concorrentes poucos meses antes, um dos grandes atrativos de assinar esse serviço foi a dublagem clássica de inúmeras animações e filmes infantis para entreter tanto o público infantil quanto o adulto.

Vale destacar também o retorno dos cinemas de Drive In, que marcaram a época romântica dos nossos pais e avós. A partir de Junho, as telas grandes passaram a marcar presença em estacionamentos de shoppings e em locais de eventos como o Memorial da América Latina em São Paulo. A programação inicial era composta por clássicos como Apocalypse Now, 2001: Uma Odisséia no Espaço e O Iluminado, mas aproveitavam para incluir filmes de grande sucesso nas bilheterias como Mad Max: Estrada da Fúria, Matrix, Kill Bill, além de filmes brasileiros como Turma da Mônica: Laços. Claro que acaba sendo uma barreira para quem não tem carro, mas demonstra o quanto as pessoas já sentiam falta das telas grandes.

FESTIVAL de CANNES CANCELADO

Por ter acontecido no início do ano, o Festival de Berlim e o Oscar não sofreram alterações bruscas por causa da pandemia, mas o evento francês não teve a mesma sorte. O presidente Thierry Fremaux até tentou fazer o festival acontecer e segurou até o último minuto, mas tudo o que conseguiu foi manter o mercado de venda de filmes através de reuniões online com compradores de distribuidoras.

No início de Junho, com o evento já cancelado de forma presencial, eles divulgaram uma lista de 56 filmes que fariam parte da seleção oficial, mas sem estipular quais disputariam a Palma de Ouro ou o Un Certain Regard, por exemplo. O intuito era conceder o selo oficial de Cannes para que esses filmes pudessem ser melhor promovidos em campanhas de marketing e que pudessem automaticamente fazer parte da seleção dos festivais de Telluride e Toronto.

O Brasil foi representado pelo filme Casa de Antiguidades, de João Paulo Miranda Maria, e por isso se tornou um forte candidato a ser o representante do Brasil no Oscar 2021, mas em Novembro, o comitê da Academia Brasileira de Cinema optou pelo filme Babenco – Alguém Tem que Ouvir o Coração e Dizer: Parou, da estreante Bárbara Paz. Apesar de ser um documentário em preto-e-branco sobre o cineasta Hector Babenco, o objetivo dessa escolha parece ter sido a classificação automática para disputar o Oscar de Melhor Documentário. Vamos aguardar pra ver se essa previsão se realiza e termos o segundo documentário brasileiro consecutivo disputando o Oscar após Democracia em Vertigem.

…E O VENTO LEVOU BANIDO do STREAMING

Em junho, o serviço de streaming da HBO Max foi pressionado pela onda de protestos contra o racismo e por um artigo escrito pelo roteirista John Ridley (que venceu o Oscar por 12 Anos de Escravidão) no jornal Los Angeles Times a retirar do catálogo o clássico de 1939 …E o Vento Levou, de Victor Fleming. Segundo Ridley, o filme “perpetua alguns dos estereótipos mais dolorosos das pessoas de cor”. Entendemos os protestos por causa da morte de George Floyd, mas faltou alguém explicar para o roteirista revoltado que o filme foi feito nos anos 30, adaptado de um livro sobre o período da Guerra da Secessão, e que bani-lo agora não ajuda em absolutamente nada, como também piora a polarização política no país e no mundo. Infelizmente, a História não se apaga com uma borracha, então ela deve servir para nos lembrar sempre das atrocidades do passado para que não voltem a se repetir. Manter essas obras nos proporciona diálogos e debates de conscientização, além de estimular novas obras sob a perspectiva da cultura negra.

Certamente foi um episódio muito triste de 2020 que demonstrou a fragilidade de um estúdio perante a opinião pública. É preciso debater, conversar sobre o assunto, e não simplesmente banir ou censurar. Como as demais artes, o Cinema existe para proporcionar reflexão e empatia.

LANÇAMENTO SIMULTÂNEO da WARNER no HBO MAX

Aproveitando a pisada de bola da HBO Max no episódio de …E o Vento Levou, a Warner Bros cometeu outra atrocidade na base do impulso. Com a Netflix lançando inúmeros produções próprias e a Disney Plus estreando lançamentos blockbusters como Mulan direto no streaming por causa das salas de cinema fechadas, a Warner se sentiu pressionada a tomar uma decisão, e esta foi: lançar simultaneamente os grandes lançamentos de 2021 na plataforma HBO Max. Com a pandemia ainda longe de acabar nos EUA, o estúdio não quis manter Godzilla vs. Kong, Matrix 4, O Esquadrão Suicida, Duna e Tom & Jerry por mais tempo na geladeira e decidiu oferecer essa opção doméstica para seus assinantes.

O problema foi que não consultaram os diretores desses filmes antes de baterem o martelo, e assim Denis Villeneuve, que já teve seu Duna prorrogado para 2021, ficou pistola com os executivos do estúdio por não querer seu filme de proporções épicas lançado na telinha. Claro que, à princípio, essa postura parece resultado de um preciosismo estético do diretor apenas, mas trata-se de grana! Sim, nos contratos assinados, existe uma porcentagem maior caso os filmes atinjam uma meta de espectadores nos cinemas, e isso seria perdido caso o streaming competisse com as salas. A única exceção ao caso por enquanto foi a sequência Mulher-Maravilha 1984, que foi lançado recentemente nos cinemas. Com expectativas de ultrapassar a barreira de 1 bilhão de dólares na bilheteria mundial, o estúdio se sentiu na obrigação de manter o lançamento exclusivo nas telas grandes.

Não querendo abrir uma discussão interminável aqui, mas não considero a decisão da Warner de toda ruim. Há vários anos, o cinema tem perdido uma batalha contra a ascensão da TV com suas séries milionárias e mais recentemente, contra o crescimento dos serviços de streaming. O ingresso do cinema é caro para a maioria da população mundial, o que dificulta o crescimento da bilheteria (com exceção dos filmes da Disney-Marvel-Pixar-Star Wars-Fox), e com o passar dos anos, cinema tem se tornado cada vez mais um programa de luxo. Em São Paulo mesmo, se você leva sua namorada ou namorado para ver um filme numa sala de shopping, você paga uns 60 reais por 2 ingressos (podendo chegar a 150 se for filme 3D), paga entre 20 a 40 reais de estacionamento e mais uns 40 reais de refrigerante e pipoca.

As salas de cinema não vão deixar de existir, como muitos profetizaram, mas deverão passar por algumas modificações para manter seu público fiel, começando pela redução do valor de ingresso. E não se trata apenas de preços, tem muita gente que trabalha bastante ou cuida de filhos e não tem tempo hábil para se programar para ir ao cinema. O streaming veio para ajudar essa fatia do público que consome cinema. O único porém que vemos no momento é a nossa situação de refém dos serviços de streaming. Por exemplo, se quisermos assistir Mulan, temos que assinar o Disney Plus. Se quisermos ver o lançamento A Voz Suprema do Blues, temos que ter Netflix. Para ver o novo filme do Borat, temos que assinar Prime Video e etc. Se formos assinar tudo, gastaríamos mais do que indo ao cinema, portanto sugiro que você tenha amigos que possa fazer um compartilhamento de senhas: o Pedro assina Netflix, a Mônica assina Prime, a Viviane assina Disney Plus, entende?

CRÍTICAS

META 2020

Não estipulei nenhuma meta específica, mas eu queria ultrapassar a marca de 268 filmes assistidos em 2019 pelo menos. Com a quarentena, acabou ficando mais fácil bater essa meta, mas confesso que na reta final do ano, tive mais dificuldades de manter a frequência semanal de filmes. Até o momento, 280 filmes, ou seja, meta batida.

Dentre alguns títulos que finalmente consegui assistir estão alguns clássicos como A Batalha da Argel (1966), O Medo Consome a Alma (1974) e Paixões que Alucinam (1963) que me fizeram lembrar porque o Cinema me encantou.

PIORES DO ANO

TOP 5 PIORES LANÇAMENTOS DO ANO

5. ROSA E MOMO (La Vita Davanti a Sé/ The Life Ahead). Dir: Edoardo Ponti
Claro que é sempre bom contarmos com o retorno de uma grande estrela do passado como Sophia Loren. Além de ela ter se tornado a primeira atriz a vencer o Oscar por uma atuação em língua estrangeira por Duas Mulheres em 1962, já trabalhou com grandes mestres do ofício como Ettore Scola, Vittorio De Sica, Charles Chaplin e Anthony Mann. Porém aqui temos uma refilmagem de Madame Rosa (197), repleta de clichês de vítimas de Holocausto, que poderia ter se aprofundado na questão da imigração ilegal na Europa para revitalizar a história antiga, mas que prefere oferecer cenas fúteis na tentativa de promover Loren para uma nova indicação ao Oscar. O diretor Edoardo Ponti, que é filho da atriz, até consegue extrair bons momentos no início, mas depois é ladeira abaixo. Nem a boa química entre Loren e o jovem Ibrahima Gueye salva o filme.

4. O DILEMA DAS REDES (The Social Dilemma). Dir: Jeff Orlowski
O fato de ser um documentário feito pela Netflix para ser exibido somente nas plataformas digitais não implica que o filme tenha permissão ou liberdade para ser um documentário ralo e descartável. A impressão que tive é que os realizadores estavam mais do que satisfeitos com a escolha do tema (o alarmante impacto das redes sociais no controle da humanidade), e por isso mesmo, não fizeram questão de desenvolvê-lo mais a fundo. Além de entrevistarem apenas pessoas que tinham uma versão da história, não apresentou possíveis e palatáveis soluções para o problema. Filmar umas duas sessões parlamentares onde o tema é discutido superficialmente não ajuda em nada, assim como aquelas dramatizações chulas da família que proíbe o uso de celular à mesa.

3. OS NOVOS MUTANTES (The New Mutants). Dir: Josh Boone
Trata-se de um projeto natimorto. Bem antes de seu lançamento, houve tantos problemas que já fizeram com que prevíssemos uma tragédia anunciada. Primeiro, não entendi a contratação de Josh Boone como diretor. Só porque ele dirigiu A Culpa é da Estrelas que tem personagens com problemas de saúde? Se confiavam tanto no talento dele, por que refilmar as cenas após o término das filmagens? Além disso, a Fox já estava em negociações para ser vendida para a Disney, que tinha zero de interesse em tocar esse projeto, já que certamente fará sua própria versão de filmes de mutantes do universo dos X-Men. Como se não bastasse, o filme apanhou da pandemia no calendário, pois foi adiado. A Disney só lançou mesmo porque teve pena, porque sabia que era quase impossível recuperar o investimento.

2. HOLLY SLEPT OVER. Dir: Joshua Friedlander
Lembra quando havia o Cine Privé na Band? Soft porns que apresentavam uma trama escrita por um adolescente com ebulição de hormônios com cenas que existiam somente para justificar desejo e sexo? Aqui temos um casal com problemas matrimoniais que recebe a visita de uma amiga, personificada pela bela Nathalie Emmanuel. Claro que botam ela para ser a amiga do ménage a trois. Consegue ser pior do que os vídeos do Porn Hub… ouvi dizer rs.

1. O GRITO (The Grudge). Dir: Nicolas Pesce
Todo mundo já sabe que estamos vivendo ainda em tempos de remakes, reboots e sequências, porém essa falta de criatividade costuma vir acompanhada de pelo menos uma razão, nem que seja o dinheiro das bilheterias. No caso de O Grito, nem isso é possível contabilizar. Na falta de uma trama minimamente convincente e sem lógica, inserem inúmeros jump scares gratuitos pra pelo menos não terem o público reclamando da falta de sustos de um filme de terror.

MELHORES DO ANO

5. PALM SPRINGS (Palm Springs). Dir: Max Barbacow
Depois de fazer um tremendo sucesso em Sundance, esta comédia caiu nas graças do público quando estreou no serviço de streaming da Hulu nos EUA. O roteiro pega a mesma premissa de time loop de O Feitiço do Tempo (1993) e expande esse universo com a colaboração essencial da personagem feminina Sarah. Enquanto a química do casal Nyles e Sarah nos diverte, o filme tem muito a nos dizer sobre as diferenças de maturidade entre os homens e as mulheres, especialmente como eles estão deslocados no tempo.

4. O REI DE STATEN ISLAND (The King of Staten Island). Dir: Judd Apatow
Apesar de se tratar de uma comédia, este novo filme de Apatow tem uma profundidade bastante humana por se basear na vida pessoal do ator Pete Davidson, que perdeu seu pai bombeiro aos 7 anos enquanto ele salvava vidas no 11 de Setembro. Não sabia que ele tinha veia cômica há anos no Saturday Night Live, então me surpreendi com o humor natural do ator. Todos os personagens secundários apresentam boas atuações, o que reforça o tratamento sério do tema do deslocamento de geração do protagonista. Indo mais à fundo, isso cria uma ligação mais forte com o meu livro favorito “O Apanhador no Campo de Centeio”, de J.D. Salinger.

3. FIRST COW. Dir: Kelly Reichardt
Este foi o terceiro filme que vi de Kelly Reichardt, então já tinha aderido à direção minimalista dela, assim como o trabalho das temáticas femininas em universos masculinos. Dá pra dizer que Reichardt é uma das melhores diretoras mulheres da atualidade justamente por saber trabalhar o feminino sem fazer muito barulho e levantar a bandeira muito alto. Aqui ela escolhe um personagem chinês para dizer que a América foi feita por estrangeiros, e um cozinheiro desvalorizado pela própria equipe, para contar uma história de amizade, de política social e de amor à natureza. Definitivamente é um filme para se ver mais de uma vez, porque é possível pegar significados e simbolismos em pequenos detalhes.

2. A ASSISTENTE (The Assistant). Dir: Kitty Green
Quando fiquei sabendo desse filme no último Festival de Sundance, previa um filme bastante oportunista ao ir na onda do #MeToo e da recente prisão do produtor Harvey Weinstein, esperando ainda um filme repleto de escândalos e discussões acaloradas que Hollywood adora. Mas encontrei um filme bastante lúcido, com uma direção minimalista e atuações bem discretas. Esse trabalho de sutilezas serve justamente para tornar a mensagem ainda mais poderosa. A diretora nos mostra que os assédios no ambiente de trabalho começam nas pequenas coisas, nos pequenos detalhes e vão se tornando uma bola de neve. Definitivamente um filme que reflete bem os nossos tempos e comprova que há muito a se fazer ainda para mudar esse cenário.

1.O HOMEM INVISÍVEL (The Invisible Man). Dir: Leigh Whannell
A primeira vez que vi o nome de Leigh Whannell foi nos filmes de James Wan, Jogos Mortais e Sobrenatural, como roteirista. Quando vi sua estréia na direção em Sobrenatural: A Origem, pensei: “Esse cara estragou a franquia”. Isso só foi mudar depois que vi Upgrade, três anos mais tarde. Ali, Whannell demonstrava personalidade numa ficção científica com poucos recursos. Quando assisti a O Homem Invisível, vi que aquele diretor promissor havia se firmado. Não apenas conseguiu ótimo retorno nas bilheterias (que só não foi maior por causa da pandemia), mas finalmente revitalizou o universo dos monstros clássicos da Universal Pictures que há tantos anos o estúdio almejava. No roteiro, Leigh trouxe a trama original dos anos 30 para algo bastante contemporâneo: um relacionamento abusivo. Com a invisibilidade do traje do vilão, o diretor soube explorar os vazios das cenas como combustível para a paranóia na cabeça de Cecilia (uma inspirada Elisabeth Moss). Um filme que revitaliza uma história clássica, conta com ótimas cenas e atuações, e dialoga perfeitamente com nossos tempos de #MeToo.

TOP 5 MELHORES em MÍDIA DIGITAL OU STREAMING

5. TAMPOPO: OS BRUTOS TAMBÉM COMEM SPAGHETTI (Tampopo, 1985). Dir: Jûzo Itami
Imaginem um western sobre cozinhar e a arte de comer. São histórias divertidas que exploram a relação dos personagens com a comida, principalmente de Tampopo, que quer revitalizar seu restaurante com a ajuda de um caminhoneiro.

4. O REFLEXO DO MAL (The Reflecting Skin, 1990). Dir: Philip Ridley
Talvez o filme mais esquisito que vi este ano, mas que tem uma aura muito bonita vindo dos personagens e de suas situações do pós-guerra. Passado num ambiente rural dos anos 50, um menino acredita que sua vizinha viúva é uma vampira e é responsável pelo desaparecimento de crianças na região. Fotografia lindíssima de Dick Pope com atuação tocante de Lindsay Duncan.

3. UM CAMINHO PARA DOIS (Two for the Road, 1967). Dir: Stanley Donen
Quando se olha o pôster e vê Audrey Hepburn beijando Albert Finney, é impossível não querer achar que se trata de mais uma comédia romântica boba, mas estamos falando de Stanley Donen, um dos diretores mais marcantes da Hollywood dos anos 50 e 60. Acompanhamos o casal improvável Joanna e Mark numa viagem e imediatamente nos apaixonamos por eles, porque o roteiro e a montagem explora as ironias do casal em flashbacks. Hepburn e Finney tornam tudo mais apaixonante tamanho o carisma que eles compartilham do início ao fim. Impossível não se identificar e se emocionar com as situações que o casal passa ao longo do filme.

2. A BATALHA DE ARGEL (La Battaglia di Algeri, 1966). Dir: Gillo Pontecorvo
É impressionante a forma como Pontecorvo filmou essa história sobre o crescimento dos movimentos que lutam pela independência da Argélia nos anos 50. Temos a impressão de que o diretor realmente se infiltrou numa guerrilha e está filmando um documentário. Seu trabalho com atores não-profissionais também é formidável. Com a colaboração da ótima trilha de Ennio Morricone, existe uma tensão crescente do início ao fim. Até hoje, A Batalha de Argel é uma referência para o cinema de conflitos sociais.

  1. ONDE FICA A CASA DO MEU AMIGO? (Khane-ye doust kodjast?, 1987). Dir: Abbas Kiarostami
    Honestamente, nunca fui muito fã do cinema iraniano, mas este filme de Kiarostami demonstra com muita simplicidade e bom humor o povo iraniano. Com uma história boba de um menino que precisa devolver o caderno que pegou sem querer de seu amigo, acompanhamos sua jornada, que se assemelha à Odisséia de Homero, enquanto topamos com personagens inusitados que explicitam o conservadorismo extremo interferindo na educação infantil. É impossível não torcer pelo jovem protagonista, já que o ator mirim que o interpreta, Babek Ahmed Poor, é introvertido mas bem carismático. Um filme com uma carga humana altíssima que pode ser apreciado por qualquer país ou cultura e enxergar o poder que o Cinema tem como fonte de empatia.

IN MEMORIAM

Relembrando as pessoas que perdemos em 2020, é impossível não lamentar a morte de milhares de vítimas da Covid-19. Aqui no Brasil, estamos beirando os 200 mil mortos. Porém, o mais alarmante é ver a desumanidade de inúmeras pessoas em redes sociais, espalhando fake news, desacreditando a ciência (não vou nem mencionar os “terraplanistas”), fazendo festas e espalhando um vírus altamente contagioso sem ligar para a saúde coletiva, nem mesmo da própria família. Não vou prolongar a crítica, mas gostaria de homenagear os profissionais da saúde que estão se arriscando para salvar vidas (muitas das quais não querem tomar vacina) ao redor do mundo, e conceder meus profundos sentimentos às famílias que perderam entes queridos nessa pandemia.

Essa sessão In Memoriam parece desnecessária, mas acho importante relembrar artistas e profissionais do Cinema que perdemos. Eles não estão mais conosco, mas seus trabalhos certamente contribuíram e sempre vão contribuir para o nosso desenvolvimento como seres humanos. Gostaria de começar pela realeza de Hollywood. Este ano perdemos dois ícones da era de ouro: Olivia de Havilland e Kirk Douglas. Ela foi a última atriz viva do elenco do clássico …E o Vento Levou, acumulou 5 indicações ao Oscar e levou 2 estatuetas de Melhor Atriz por Só Resta uma Lágrima e Tarde Demais. Foi de extrema importância nos anos 40 quando enfrentou o estúdio Warner Bros. que queria controlá-la ao suspendê-la por 6 meses e ainda descontar esse período do pagamento. Havilland foi à corte e venceu a batalha contra o estúdio, beneficiando inúmeros outros atores que tinham contratos longos. Já Kirk demonstrou um enorme senso de justiça e moral em tempos complicados de McCarthismo e Guerra Fria. O ator fez questão de dar créditos a roteiristas que tinham seus nomes na Lista Negra e eram obrigado a inventarem pseudônimos para continuarem trabalhando. Sua influência e insistência pesaram na decisão e os condenados voltaram a ter dignidade no ofício. Em 1996, Kirk Douglas acabou ganhando o Oscar Honorário por sua força moral e criativa em Hollywood, e claro, por ter sido indicado 3 vezes sem nunca ter levado a estatueta.

Não apenas cinéfilos, mas músicos ao redor do mundo ficaram entristecidos pela morte do maestro italiano Ennio Morricone. Honestamente, não acredito que haverá outro compositor como ele. Desde o início da carreira, ele buscou desafiar os paradigmas do gênero western com instrumentos pouco ortodoxos como guitarra elétrica, sinos, gaitas e até as vozes femininas, e isso fez com que seu nome se tornasse sinônimo de um western moderno. Além de Sergio Leone, trabalhou com inúmeros diretores de prestígio como Brian De Palma, Pier Paolo Pasollini, Gillo Pontecorvo, Giuseppe Tornatore, John Carpenter e Terrence Malick, obteve 6 indicações ao Oscar, ganhou pela última por Os Oito Odiados, além do Oscar Honorário concedido em 2007. Suas composições engrandecem qualquer filme e conseguem a proeza de serem independentes de seus filmes e agradarem qualquer músico ou fã de música.

Dentre os atores que perdemos este ano, destaco Sir Sean Connery que imortalizou o agente secreto britânico James Bond e não se contentou em ser um ator de um papel só; o sueco Max von Sydow que ficou marcado pela parceria com o mestre Ingmar Bergman e pelo personagem do Padre Merrin em O Exorcista (é incrível como todas as suas aparições evidenciam sua credibilidade na tela); e Chadwick Boseman, que apesar de ser eternamente lembrado como o Pantera Negra, demonstrou uma vivacidade digna de orgulho diante de um câncer que estava enfrentando. Se você assistir a qualquer filme com o ator, perceberá que ele trata seu personagem como se fosse seu último. Aliás, seu derradeiro papel em A Voz Suprema do Blues pode lhe conceder um Oscar póstumo em 2021. Entre outras perdas irreparáveis de atores, lembro Brian Dennehy, Shirley Knight, Irrfan Kahn, Michel Piccoli, Ian Holm e Diana Rigg.

Já entre os diretores que perdemos, destaque para Terry Jones (que dirigiu e co-dirigiu os filmes da trupe Monty Python), Alan Parker (dividido entre filmes musicais e de violência extrema), Jirí Menzel (diretor tcheco que trabalhou com a sátira e contornou a censura), Kim Ki-duk (sul-coreano que conquistou crítica e público com personagens calados), e Joel Schumacher, que apesar de ter sido marcado injustamente pelos mamilos nos uniformes de Batman & Robin, é carinhosamente lembrado por cults da juventude como O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas, Os Garotos Perdidos e Linha Mortal. Lembramos também dos roteiristas Ronald Harwood (O Pianista) e Buck Henry (A Primeira Noite de um Homem), os diretores de fotografia Allen Daviau (E.T. o Extraterrestre) e Michael Chapman (Taxi Driver e Touro Indomável), e o diretor de arte Peter Lamont (Titanic e 007: O Espião que me Amava).

José Mojica Marins, o nosso querido Zé do Caixão, a diretora Suzana Amaral e a atriz Nicette Bruno foram as grandes perdas do nosso Cinema Brasileiro. Lembramos também aqui as perdas lastimáveis da juíza Ruth Bader Ginsburg, que lutou pelos direitos femininos e estrelou o documentário RBG, o cartunista argentino Quino que criou a amada personagem Mafalda, o jogador de basquete Kobe Bryant que ganhou o Oscar de curta de animação sobre sua vida Dear Basketball, e o autor britânico John le Carré, que inspirou inúmeros filmes como O Espião que Saiu do Frio (1965), O Jardineiro Fiel (2005) e O Espião que Sabia Demais (2011).

VOTOS PARA 2021

No ano passado, desejei um ano de mais empatia e vou continuar nessa tecla. É preciso reduzir essa polarização que tanto nos divide, pois fica parecendo que somos de torcidas de clubes de futebol inimigas. Quantas vezes não li este ano em redes sociais: “Adivinha pra quem ele votou”, “Como não votei em ladrão, não falo com você”, “Alugo vagas de quarto, exceto para quem votou no Bozo” etc. Não é porque a pessoa tem uma opinião política que não seja a sua que ela será sua inimiga. Existem pessoas muito boas de ambos os lados e estamos recusando qualquer contato por termos nossos preconceitos. Claro que não é uma tarefa fácil, mas peço para que todos possamos praticar a nossa civilidade, conversando, trocando idéias, e acima de tudo, respeitando o outro, pois você estará respeitando a si mesmo também.

Desejo um Feliz Natal e Próspero Ano Novo para todos que seguem o blog, a página do Facebook e o nosso Instagram. Agradeço muito por terem me acompanhado neste ano difícil de 2020, mas espero que possamos manter nosso trabalho e nossa apreciação pelos filmes que tanto amamos. Cuidem-se bem, pensem nas suas famílias e no próximo que logo sairemos dessa situação juntos!

‘BACURAU’ LIDERA o GRANDE PRÊMIO do CINEMA BRASILEIRO

PREMIAÇÃO FICOU BEM DIVIDIDA ENTRE ‘BACURAU’ E ‘A VIDA INVISÍVEL’

Assim como ocorreu na seleção do representante do Brasil no último Oscar, os votos ficaram divididos entre o western de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, e o drama de Karim Aïnouz. Enquanto o primeiro acumulou 6 prêmios Grande Otelo, o segundo ficou com 5, e ambos levaram os prêmios de Roteiro Original e Adaptado.

A cerimônia do 19º Grande Prêmio do Cinema Brasileiro sofreu alterações devido à pandemia. Foi transferida do Theatro Municipal para o estúdios da TV Cultura, que transmitiu o evento ao vivo neste último domingo. Adriana Couto, do programa Metrópolis, e a diretora e ex-VJ da MTV Marina Person conduziram a premiação, cujas estatuetas serão entregues em domicílio aos vencedores.

Nas categorias de atuação, nossa dama do teatro, Fernanda Montenegro levou o prêmio de Atriz Coadjuvante por A Vida Invisível, afinal ninguém lê cartas como a atriz veterana. Já na ala masculina, Chico Diaz foi votado como Melhor Ator Coadjuvante pela comédia Cine Holliúdy. Na categoria de Melhor Atriz, os votos podem ter se dividido entre Carol Duarte e Julia Stockler de A Vida Invisível e favorecido a vitória de Andréa Beltrão que interpretou Hebe. Já em Melhor Ator, um empate incomum entre Fabrício Boliveira por Simonal e Silvero Pereira por Bacurau.

Enquanto A Vida Invisível concentrou seus prêmios nas categorias Direção de Arte, Fotografia e Figurino, Bacurau levou vantagem em Montagem, Direção e Efeito Visual. Vale lembrar que ambas as produções saíram premiadas do Festival de Cannes 2019 com os prêmios Un Certain Regard e Prêmio do Júri, respectivamente, e mostraram a força do Cinema Brasileiro em tempos difíceis.

Em sua conta do Twitter, Kleber Mendonça Filho agradeceu os prêmios, mas também levantou uma pergunta preocupante: “O cine brasileiro terá o que premiar em 2022?” Pra quem acompanha o Cinema Brasileiro certamente não quer que a história desastrosa do fim da Embrafilme em 1990 se repita com a Ancine, mas o desrespeito à Cultura Brasileira infelizmente tem prevalecido nos noticiários.

CONFIRA TODOS OS VENCEDORES DA 19ª EDIÇÃO DO GP DO CINEMA BRASILEIRO:

MELHOR LONGA-METRAGEM FICÇÃO
● BACURAU de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles. Produção: Emilie Natacha Lesclaux por Cinemascópio Produções Cinematográficas e Artísticas

MELHOR LONGA-METRAGEM DOCUMENTÁRIO
● ESTOU ME GUARDANDO PARA QUANDO O CARNAVAL CHEGAR de Marcelo Gomes. Produção: João Vieira Jr. e Nara Aragão por Carnaval Filmes e Marcelo Gomes e Ernesto Soto por Misti Filmes

MELHOR LONGA-METRAGEM COMÉDIA
● CINE HOLLIÚDY – A CHIBATA SIDERAL de Halder Gomes. Produção: Mayra Lucas por Glaz Entretenimento e Halder Gomes ATC Entretenimento

MELHOR LONGA-METRAGEM ANIMAÇÃO
● TITO E OS PÁSSAROS de Gustavo Steinberg, Gabriel Bitar e André Catoto. Produção: Gustavo Steinberg por Bits Filmes

MELHOR LONGA-METRAGEM INFANTIL
● TURMA DA MÔNICA – LAÇOS de Daniel Rezende. Produção: Bianca Villar, Fernando Fraiha, Karen Castanho por Biônica Filmes, Charles Miranda, Cassio Pardini por Quintal Digital, Cao Quintas por Latina Estudio, Marcio Fraccaroli por Paris Entretenimento e Daniel Rezende

MELHOR DIREÇÃO
● KLEBER MENDONÇA FILHO e JULIANO DORNELLES por Bacurau

MELHOR PRIMEIRA DIREÇÃO DE LONGA-METRAGEM
● LEONARDO DOMINGUES por Simonal

MELHOR ATRIZ
● ANDREA BELTRÃO como HEBE CAMARGO por Hebe – A Estrela do Brasil

MELHOR ATOR
● FABRÍCIO BOLIVEIRA como SIMONAL por Simonal
● SILVERO PEREIRA como LUNGA por Bacurau

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
● FERNANDA MONTENEGRO como EURÍDICE por A Vida Invisível

MELHOR ATOR COADJUVANTE
● CHICO DIAZ como VEÍ GOIS por Cine Holliúdy – A Chibata Sideral

MELHOR DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA
● HÉLÈNE LOUVART por A Vida Invisível

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
● KLEBER MENDONÇA FILHO e JULIANO DORNELLES por Bacurau

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
● MURILO HAUSER, KARIM AÏNOUZ e INÉS BORTAGARAY – baseado no livro “A Vida Invisível de Eurídice Gusmão”, de Martha Batalha – por A Vida Invisível

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
● RODRIGO MARTIRENA por A Vida Invisível

MELHOR FIGURINO
● MARINA FRANCO por A Vida Invisível

MELHOR MAQUIAGEM
● SIMONE BATATA por Hebe – a Estrela do Brasil

MELHOR EFEITO VISUAL
● MIKAËL TANGUY e THIERRY DELOBEL por Bacurau

MELHOR MONTAGEM FICÇÃO
● EDUARDO SERRANO por Bacurau

MELHOR MONTAGEM DOCUMENTÁRIO
● KAREN HARLEY por Estou me Guardando para Quando o Carnaval Chegar

MELHOR SOM
● MARCEL COSTA, ALESSANDRO LAROCA, EDUARDO VIRMOND, ARMANDO TORRES JR., ABC e RENAN DEODATO por Simonal

MELHOR TRILHA SONORA
● WILSON SIMONINHA e MAX DE CASTRO por Simonal

MELHOR LONGA-METRAGEM INTERNACIONAL
● PARASITA | Parasite (Coreia do Sul) / Ficção / Direção: Bong-Joon-ho. Distribuidor Brasileiro: Pandora Filmes

MELHOR LONGA-METRAGEM IBERO-AMERICANO
● A ODISSEIA DOS TONTOS | La Odisea de losGiles (Argentina e Espanha) / Ficção / Direção: Sebastián Borensztein. Distribuidor Brasileiro: Warner Bros Pictures

MELHOR CURTA-METRAGEM ANIMAÇÃO
● RESSURREIÇÃO de Otto Guerra

MELHOR CURTA-METRAGEM DOCUMENTÁRIO
● VIVA ALFREDINHO! de Roberto Berliner

MELHOR CURTA-METRAGEM FICÇÃO
● SEM ASAS de Renata Martins

MELHOR SÉRIE ANIMAÇÃO TV PAGA/ OTT
● TURMA DA MÔNICA JOVEM – 1ª TEMPORADA (Cartoon Network). Direção Geral: Mauricio de Sousa e Roger Keesse. Diretor: Marcelo de Moura. Produtora Brasileira Independente: Mauricio de Sousa Produções.

MELHOR SÉRIE DOCUMENTÁRIO TV PAGA/OTT
● QUEBRANDO O TABU – 2ª TEMPORADA (GNT). Direção Geral: Guilherme Melles e Katia Lund. Diretor: Pio Figueiroa. Produtora Brasileira Independente: Spray Filmes.

MELHOR SÉRIE FICÇÃO TV PAGA/ OTT
● SINTONIA – 1ª TEMPORADA (Netflix). Direção Geral: Kondzilla, Guilherme Quintella e Felipe Braga. Diretores: Kondzilla e Johnny Araújo. Produtora Brasileira Independente: Los Bragas.

MELHOR SÉRIE FICÇÃO TV ABERTA
● CINE HOLLIÚDY– 1ª TEMPORADA (Globo). Direção Geral: Patricia Pedrosa. Diretores: Halder Gomes e Renata Porto D’ave. Produtora Brasileira Independente: Glaz Entretenimento.

MELHOR LONGA-METRAGEM VOTO POPULAR
● EU SOU MAIS EU de Pedro Amorim. Produção: Lara Guaranys, Marcus Baldini e Gustavo Munhoz por Damasco Filmes.

‘NOMADLAND’ VENCE o LEÃO de OURO em VENEZA

Frances McDormand em NOMADLAND. Photo Courtesy of Searchlight Pictures. © 2020 20th Century Studios All Rights Reserved

ROAD MOVIE DEVE RENDER INDICAÇÕES AO OSCAR 2021 DE DIREÇÃO E ATRIZ

A 77ª edição do Festival de Veneza certamente entrará para a história já por acontecer mesmo diante de uma pandemia. E agora com a premiação de uma diretora asiática, a chinesa Chloé Zhao, algo que não acontecia desde 2001 quando a indiana Mira Nair ganhou o Leão de Ouro por Um Casamento à Indiana.

Apesar de haver um número recorde de oito diretoras indicadas, havia forte expectativa de que a presidente do júri Cate Blanchett reconhecesse uma delas. Infelizmente, Zhao não estava presente na cerimônia, mas agradeceu numa chamada virtual: “Obrigada por nos deixarem participar do festival nesse modo estranho. A gente se vê pela frente!”

A diretora chinesa, que se destacou há três anos com o filme independente Domando o Destino, tornou-se também a primeira diretora mulher a ganhar o prêmio depois de Sofia Coppola, que venceu em 2010 por Um Lugar Qualquer. Como todos sabem, uma vitória no festival italiano tem aumentado consideravelmente as chances no Oscar seguinte.

Só para citar exemplos mais recentes de vencedores do Leão de Ouro, A Forma da Água levou os Oscars de Filme e Diretor para Guillermo del Toro, enquanto Roma levou Diretor para Alfonso Cuarón, e Coringa foi o recordista de indicações, levando Melhor Ator para Joaquin Phoenix e Trilha Original. Com isso, existe uma forte expectativa para que Chloé Zhao se torne a primeira diretora não-branca a ser indicada na categoria. A Searchlight (ex-Fox) vai lançar Nomadland no dia 04 de Dezembro nos EUA. Já no Brasil, a previsão por enquanto é só para o dia 04 de Fevereiro.

Já para o Grande Prêmio do Júri, que seria uma espécie de segundo colocado, o júri concedeu o prêmio para o mexicano Michel Franco e seu novo filme Nuevo Orden, que é uma distopia social em forma de thriller. Para quem conhece os trabalhos anteriores do diretor, sabe que ele costuma abordar temas mais polêmicos, e este filme não deve fugir do padrão.

Naian González em cena de Nuevo Orden, de Michel Franco

Para Melhor Direção, o japonês Kiyoshi Kurosawa foi lembrado pelo drama de espionagem Wife of a Spy, que foi bastante elogiado na crítica internacional, inclusive muitos alegando que se tratava do melhor filme dele dos últimos anos.

Enquanto na seleção de Melhor Ator, o júri não encontrou dificuldades e premiou o italiano Pierfrancesco Favino pelo thriller sobre terrorismo baseado em fatos reais de Padrenostro, para escolher a Melhor Atriz, Cate Blanchett afirmou que ficou maravilhada por contar com “tantas performances extraordinárias”, já que havia muitos filmes protagonizados por mulheres. O prêmio ficou com a britânica Vanessa Kirby por Pieces of a Woman, que foi adquirido pela Netflix e deve estrear na plataforma digital.

À esquerda, Pierfrancesco Favino em cena de Padrenostro.

Até pouco tempo atrás, a atriz era mais conhecida por seu trabalhos nos filmes de ação Missão: Impossível – Efeito Fallout (2018) e Velozes & Furiosos: Hobbs e Shaw (2019) e pela série da Netflix The Crown, mas já nesta edição de Veneza, estrelava dois dramas na corrida pelo Leão de Ouro: The World to Come e este Pieces of a Woman, no qual ela ela interpreta uma mãe em luto por ter perdido seu bebê. Ela aceitou o prêmio e dedicou a “todas as mães que perderam seus filhos e não tiveram suas histórias contadas”, e agradeceu Shia LaBeouf com quem contracenou no filme.

Vanessa Kirby contracena com Shia LaBeouf em Pieces of a Woman

O prêmio de Roteiro ficou com o indiano Chaitanya Tamhane pelo filme The Disciple, que explora uma jornada pela música Indiana clássica. E o Prêmio do Júri ficou com o russo Andrei Konchalovsky pelo drama soviético Dear Comrades.

Pela mostra paralela Horizontes, presidida pela cineasta Claire Denis, o grande vencedor foi o filme iraniano The Wasteland, de Ahmed Bahrami, que lida com a tensão de trabalhadores numa fábrica de tijolos no ambiente rural.

Confira todos os vencedores desta 77ª edição do Festival de Veneza:

LEÃO DE OURO
“Nomadland,” Chloé Zhao

GRANDE PRÊMIO DO JÚRI
“New Order,” Michel Franco

LEÃO DE PRATA DE MELHOR DIRETOR
Kiyoshi Kurosawa, “Wife of a Spy”

MELHOR ATRIZ
Vanessa Kirby, “Pieces of a Woman”

MELHOR ATOR
Pierfrancesco Favino, “Padrenostro”

MELHOR ROTEIRO
“The Disciple,” Chaitanya Tamhane

PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI
“Dear Comrades,” Andrei Konchalovsky

PRÊMIO MARCELLO MASTROIANNI DE ATOR JOVEM
Rouhollah Zamani, “Sun Children”

MOSTRA HORIZONTES

MELHOR FILME
“The Wasteland,” Ahmad Bahrami

MELHOR DIRETOR
“Genus Pan,” Lav Diaz

PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI
“Listen,” Ana Rocha de Sousa

MELHOR ATOR
Yahya Mahayni, “The Man Who Sold His Skin”

MELHOR ATRIZ
Khansa Batma, “Zanka Contact”

MELHOR ROTEIRO
“I Predatori,” Pietro Castellitto

MELHOR CURTA-METRAGEM
“Entre tú y milagros,” Mariana Safron


LEÃO DO FUTURO

PRÊMIO LUIGI DELAURENTIIS POR FILME DE ESTREANTE
“Listen,” Ana Rocha de Sousa

COMPETIÇÃO DE REALIDADE VIRTUAL

MELHOR VR
“The Hangman at Home: An Immersive Single User Experience,”Michelle and Uri Kranot

MELHOR EXPERIÊNCIA VR
“Finding Pandora X,” Kiira Benzing

MELHOR HISTÓRIA VR
“Killing a Superstar,” Fan Fan

ACADEMIA MUDA as REGRAS DE ELEGIBILIDADE para MELHOR FILME

Novos padrões de inclusão da Academia

Ainda em resposta à polêmica do #OscarsSoWhite, que apontava a ausência total de atores negros, latinos ou asiáticos nas 20 vagas das 4 categorias de atuação em 2015, a Academia anunciou nesta terça-feira, dia 08, uma mudança um pouco mais radical na tentativa de proporcionar mais discussão sobre a diversidade no cinema.

Pelas cerimônias de 2022 e 2023, as produções que estiverem dispostas a competir como Melhor Filme terão que enviar um formulário confidencial de padrões de inclusão da Academia, mas somente a partir de 2024, os filmes terão que preencher DOIS de QUATRO dos novos requisitos:

PADRÃO A: REPRESENTAÇÃO, TEMAS E NARRATIVAS
Para atingir este padrão, o filme precisa se adequar a um dos seguintes critérios:

A1. Atores principais ou coadjuvantes
Pelo menos um dos atores principais ou coadjuvantes significativos pertencer a um grupo de etnia ou raça sub-representados:
• Asiático
• Hispânico / latino
• Negro / Afro-americano
• Indígena / Nativo Americano / Nativo do Alasca
• Oriente Médio / Norte da África
• Havaiano nativo ou outro ilhéu do Pacífico
• Outra raça ou etnia sub-representada

A2. Elenco geral
Pelo menos 30% de todos os atores em papéis secundários e menores pertencerem a pelo menos dois dos seguintes grupos:
• Mulheres
• Grupo racial ou étnico
• LGBTQ +
• Pessoas com deficiências cognitivas ou físicas, ou surdas ou com deficiência auditiva

A3. Enredo principal / assunto
O(s) enredo(s) principal(is), tema ou narrativa do filme serem centrados em um(s) grupo(s) sub-representado(s).
• Mulheres
• Grupo racial ou étnico
• LGBTQ +
• Pessoas com deficiências cognitivas ou físicas, ou surdas ou com deficiência auditiva

PADRÃO B: LIDERANÇA CRIATIVA E EQUIPE DE PROJETO
Para atingir o Padrão B, o filme deve atender a UM dos critérios abaixo:

B1. Liderança criativa e chefes de departamento
Pelo menos duas das seguintes posições de liderança criativa e chefes de departamento – diretor de casting, diretor de fotografia, compositor, figurinista, diretor, montador, cabeleireiro, maquiador, produtor, desenhista de produção, decorador de set, som, supervisor de efeitos visuais, escritor – serem dos seguintes grupos sub-representados:
• Mulheres
• Grupo racial ou étnico
• LGBTQ +
• Pessoas com deficiências cognitivas ou físicas, ou surdas ou com deficiência auditiva

Pelo menos uma dessas posições deve pertencer ao seguinte grupo racial ou étnico sub-representado:
• Asiático 
• Hispânico / latino
• Negro / Afro-americano
• Indígena / Nativo Americano / Nativo do Alasca
• Oriente Médio / Norte da África
• Havaiano nativo ou outro ilhéu do Pacífico
• Outra raça ou etnia sub-representada

B2. Outras funções importantes
Pelo menos seis outros membros/ equipes e cargos técnicos (excluindo Assistentes de Produção) serem de um grupo racial ou étnico sub-representado. Essas posições incluem, mas não estão limitadas a Primeiro Assistente de Direção, Gaffer, Supervisor de Roteiro etc.

B3. Composição geral da equipe
Pelo menos 30% da equipe do filme ser dos seguintes grupos sub-representados:
• Mulheres
• Grupo racial ou étnico
• LGBTQ +
• Pessoas com deficiências cognitivas ou físicas, ou surdas ou com deficiência auditiva

PADRÃO C: ACESSO E OPORTUNIDADES DA INDÚSTRIA
Para atingir o Padrão C, o filme deve atender AMBOS os critérios abaixo:

C1. Aprendizagem remunerada e oportunidades de estágio
A distribuidora ou financiadora do filme pagou aprendizagens ou estágios para grupos dos seguintes grupos sub-representados e atenderem aos critérios abaixo:
• Mulheres
• Grupo racial ou étnico
• LGBTQ +
• Pessoas com deficiências cognitivas ou físicas, ou surdas ou com deficiência auditiva

Os principais estúdios/distribuidores são obrigados a ter aprendizagens/estágios remunerados e contínuos, incluindo grupos sub-representados (também deve incluir grupos raciais ou étnicos) na maioria dos seguintes departamentos: produção/desenvolvimento, produção física, pós-produção, música, efeitos visuais , aquisições, negócios, distribuição, marketing e publicidade.

Os mini-grandes estúdios/distribuidores independentes devem ter um mínimo de dois aprendizes/estagiários dos grupos sub-representados acima (pelo menos um de um grupo racial ou étnico sub-representado) em pelo menos um dos seguintes departamentos: produção/desenvolvimento, produção física , pós-produção, música, efeitos visuais, aquisições, negócios, distribuição, marketing e publicidade.

C2. Oportunidades de treinamento e desenvolvimento de habilidades (equipe)
A companhia de produção, distribuição e/ou financiamento do filme deve oferecer oportunidades de treinamento e/ou trabalho para o desenvolvimento de habilidades abaixo da linha para pessoas dos seguintes grupos sub-representados:
• Mulheres
• Grupo racial ou étnico
• LGBTQ +
• Pessoas com deficiências cognitivas ou físicas, ou surdas ou com deficiência auditiva

PADRÃO D: DESENVOLVIMENTO DE PÚBLICO
Para atingir este padrão, o filme deve atender aos critérios abaixo:

D1. Representação em marketing, publicidade e distribuição
O estúdio e/ou empresa de cinema terem vários executivos seniores internos dentre os seguintes grupos sub-representados (deve incluir indivíduos de grupos raciais ou étnicos sub-representados) em suas equipes de marketing, publicidade e/ou distribuição.
• Mulheres
• Grupo racial ou étnico
• Asiática
• Hispânico / latino
• Negro / afro-americano
• Indígena / Nativa americana / Nativa do Alasca
• Oriente Médio / Norte da África
• Havaiano nativo ou outro ilhéu do Pacífico
• Outra raça ou etnia sub-representada
• LGBTQ +
• Pessoas com deficiências cognitivas ou físicas, ou surdas ou com deficiência auditiva

Todas as categorias, exceto Melhor Filme, serão mantidas de acordo com seus requisitos de elegibilidade atuais. Os filmes nas categorias de longa-metragem de animação, documentário, filme internacional) inscritos para Melhor Filme serão tratados separadamente.

O Academy Aperture 2025 é a próxima fase da iniciativa de equidade e inclusão da Academy, promovendo os esforços contínuos da organização para promover a inclusão na indústria do entretenimento e aumentar a representação de seus membros e da comunidade cinematográfica em geral.

O Presidente da Academia David Rubin ao lado da CEO Dawn Hudson. Photo by Jordan Strauss/Invision/AP/Shutterstock (10552613bo)

Segundo a Academia, esses novos padrões foram criados para encorajar uma representação mais justa na tela e fora dela para melhor refletir a diversidade do público que frequenta as salas de cinema. As regras foram inspiradas nos padrões de diversidade da British Film Institute (BFI) usados para conceder verbas para as produções e também para algumas categorias do prêmio BAFTA. O sindicato de produtores (PGA) também foi consultado antes do anúncio das novas regras. “Acreditamos que a inclusão desses novos padrões será um catalisador para uma mudança duradoura e essencial em nossa indústria”, defendeu a CEO da Academia Dawn Hudson.

Essas exigências só serão obrigatórias a partir de 2024 (filmes de 2023) para que haja tempo para as produções se prepararem para preencher os requisitos necessários.

DA DISCUSSÃO

Por se tratar de uma mudança que diverge pensamentos, lemos vários comentários de reação de cinéfilos a respeitos dos novos padrões. 

Felizmente, boa parte acredita que essas mudanças serão muito benéficas para a indústria e refletirão nos filmes. Já aqueles que discordaram, em sua maioria, defendem que o Oscar deveria exigir apenas qualidade, independente de qual etnia ou grupo social trabalhou no filme.

De fato, a Academia jamais deveria ser responsabilizada por não haver atores negros indicados, por exemplo, pois a instituição apenas avalia os filmes lançados, nunca participando das produções dos mesmos. Contudo, por ter um papel importante na indústria cinematográfica, está fazendo o possível para estimular maior participação de grupos étnicos, de orientação sexual ou mesmo de mulheres. Com esta nova exigência, a Academia espera dar aquele empurrãozinho para que os profissionais envolvidos numa produção repensem na hora de contratar um artista ou profissional para sua equipe, sem, claro, abrir mão de qualidade.

Claro que tais mudanças não impedem necessariamente um novo Oscar de Melhor Filme para um ‘Crash’ ou ‘Green Book’ como muitos esperam, pois dependem da votação dos membros, mas dificultam novas edições sem atores não-brancos indicados, e de quebra, ajudam o Cinema a se tornar uma arte mais universal.

ACADEMIA CONVIDA 819 NOVOS MEMBROS e SUPERA SUAS METAS

ACADEMY NEW MEMBERS FACEBOOK

Da esquerda para direita, começando de cima: Cynthia Erivo, Yalitza Aparicio, Florence Pugh, Park So-dam, Kelvin Harrison Jr., Lulu Wang, Ari Aster, Alma Har’el, Mati Diop e Robert Eggers.

ACADEMIA ULTRAPASSA SUA META E DOBRA O NÚMERO DE MULHERES E MINORIAS

Como parte da iniciativa Academy Aperture 2025, que busca atingir uma meta de diversidade à instituição, a Academia anunciou o convite a 819 novos membros. Dessa nova safra, 45% são mulheres, 36% de comunidades de minorias étnicas, e 49% internacionais vindas de 68 países. Dentre eles, 15 já são vencedores do Oscar como o montador Andrew Buckland de Ford vs. Ferrari, e o compositor Bernie Taupin de Rocketman. Agora com mais de 9 mil membros, a Academia conta com 33% de mulheres e 19% de pessoas não-brancas, ou seja, negros, asiáticos, latinos, indígenas etc. E a partir da próxima edição, os agentes e representantes convidados também poderão votar na temporada de premiações.

“A Academia tem o prazer de receber esses ilustres companheiros de viagem nas artes e ciências cinematográficas. Sempre acolhemos talento extraordinário que reflete a rica variedade de nossa comunidade cinematográfica global, como nunca antes”, disse o presidente da Academia, David Rubin.

Em 2016, após a polêmica do #OscarsSoWhite, a Academia havia estipulado uma meta sobre a inclusão de mulheres e minorias. Contando os convites concedidos este ano, a Academia mais do que ultrapassou esta meta de 4 anos atrás. E com a meta para 2025, a tendência é quebrar velhas fronteiras e tabus para tornar o Oscar ainda mais acolhedor.

Dentre os novos membros, destacamos alguns atores mais conhecidos como os indicados Cynthia Erivo, Yalitza Aparicio e Florence Pugh, além de Awkwafina, Bobby Cannavale, Zendaya, Mackenzie Davis, Ana de Armas, Àdele Haenel e a dupla de Fora de Série, Kaitlyn Dever e Beanie Feldstein. Ficamos bastante felizes com a inclusão dos atores (e equipe) de Parasita, e do bastante promissor Kelvin Harrison Jr., que em 2019 nos presenteou com duas ótimas performances em Luce e Waves.

Consideramos de suma importância as inclusões de gêneros e etnias, mas ressaltamos também o acolhimento de inúmeros artistas internacionais. Além de reconhecer o trabalho artístico fora dos EUA, possibilita uma visão mais ampla do que o Cinema pode oferecer como forma de Arte a partir de outros culturas.

Destacamos a inclusão do cineasta e animador Otto Guerra. Dentre seus trabalhos estão os longas de animação Cidade dos Piratas (2018), Até que a Sbórnia nos Separe (2013) e Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock’ n’ Roll (2006). Em entrevista ao G1, o cineasta se disse bastante surpreso e inicialmente acreditava que se tratava de uma “pegadinha”. Sem dúvida é um alento para o nosso Cinema Brasileiro que sofre nas mãos de um governo sem Cultura.

Otto Guerra

Otto Guerra, cineasta convidado para a Academia (foto por Jornal do Comércio)

Segue lista completa dos 819 convidados divididos por categoria. Aqueles com asterisco estão em mais de uma divisão, mas precisam optar por apenas uma comissão:

ATORES
Yalitza Aparicio – “Roma”
Awkwafina – “The Farewell,” “Crazy Rich Asians”
Zazie Beetz – “Joker,” “High Flying Bird”
Alia Bhatt – “Gully Boy,” “Raazi”
Bobby Cannavale – “The Irishman,” “The Station Agent”
Choi Woo-Shik – “Parasite,” “The Divine Fury”
Zendaya Coleman – “Spider-Man: Far from Home,” “The Greatest Showman”
Tyne Daly – “The Ballad of Buster Scruggs,” “Spider-Man: Homecoming”
Mackenzie Davis – “Terminator: Dark Fate,” “Tully”
Ana de Armas – “Knives Out,” “Blade Runner 2049”
Kaitlyn Dever – “Booksmart,” “Detroit”
Cynthia Erivo* – “Harriet,” “Widows”
Pierfrancesco Favino – “The Traitor,” “Rush”
Beanie Feldstein – “Booksmart,” “Lady Bird”
Zack Gottsagen – “The Peanut Butter Falcon”
David Gyasi – “Maleficent: Mistress of Evil,” “Interstellar”
Adèle Haenel – “Portrait of a Lady on Fire,” “BPM (Beats Per Minute)”
Kelvin Harrison Jr. – “Waves,” “Luce”
Brian Tyree Henry – “If Beale Street Could Talk,” “Widows”
Huang Jue – “Long Day’s Journey into Night,” “The Lady in the Portrait”
Jang Hye-Jin – “Parasite,” “Poetry”
Jo Yeo-Jeong – “Parasite,” “The Target”
Udo Kier – “The Painted Bird,” “Shadow of the Vampire”
Lee Jung-Eun – “Parasite,” “Okja”
Eva Longoria – “Overboard,” “Harsh Times”
Natasha Lyonne – “Honey Boy,” “American Pie”
Tzi Ma – “The Farewell,” “Arrival”
George MacKay – “1917,” “Captain Fantastic”
Tim McGraw – “Country Strong,” “The Blind Side”
Thomasin McKenzie – “Jojo Rabbit,” “Leave No Trace”
Ben Mendelsohn – “Ready Player One,” “Animal Kingdom”
Rob Morgan – “Just Mercy,” “Mudbound”
Niecy Nash – “Downsizing,” “Selma”
Genevieve Nnaji – “Lionheart,” “Road to Yesterday”
Park So-Dam – “Parasite,” “The Priests”
Teyonah Parris – “If Beale Street Could Talk,” “Chi-Raq”
Florence Pugh – “Little Women,” “Lady Macbeth”
Hrithik Roshan – “Super 30,” “Jodhaa Akbar”
James Saito – “Always Be My Maybe,” “Big Eyes”
Alexander Siddig – “Cairo Time,” “Syriana”
Lakeith Stanfield – “Knives Out,” “Sorry to Bother You”
Yul Vazquez – “Gringo,” “Last Flag Flying”
John David Washington – “BlacKkKlansman,” “Monsters and Men”
Olivia Wilde – “Meadowland,” “Rush”
Constance Wu – “Hustlers,” “Crazy Rich Asians”
Wu Jing – “The Wandering Earth,” “Wolf Warrior”
Zhao Tao – “Ash Is Purest White,” “Mountains May Depart”

DIRETORES DE CASTING
Orit Azoulay – “The Kindergarten Teacher,” “The Band’s Visit”
Libia Batista – “Eres Tú Papá?,” “Viva”
Javier Braier – “The Two Popes,” “Wild Tales”
Anja Dihrberg – “A Hidden Life,” “Clouds of Sils Maria”
Leïla Fournier – “BPM (Beats Per Minute),” “Eastern Boys”
Timka Grin – “With Mom,” “In the Land of Blood and Honey”
Des Hamilton – “Jojo Rabbit,” “Melancholia”
Carla Hool – “A Better Life,” “Sin Nombre”
Camilla-Valentine Isola – “The Man Who Killed Don Quixote,” “Goya’s Ghosts”
Tess Joseph – “Aladdin,” “Lion”
Julia Kim – “The Last Black Man in San Francisco,” “Starlet”
Eva Leira – “Pain and Glory,” “Biutiful”
Kirsty McGregor – “Lion,” “Animal Kingdom”
Yesi Ramirez – “The Hate U Give,” “Moonlight”
Yolanda Serrano – “Pain and Glory,” “Biutiful”
Nandini Shrikent – “Gully Boy,” “Life of Pi”
Magdalena Szwarcbart – “Cold War,” “Schindler’s List”
Toshie Tabata – “Shoplifters,” “Tokyo Tribe”
Sarah Teper – “BPM (Beats Per Minute),” “Eastern Boys”
Hila Yuval – “A Tale of Love and Darkness,” “Beaufort”

DIRETORES DE FOTOGRAFIA
Todd Banhazl – “Blow the Man Down,” “Hustlers”
Jarin Blaschke – “The Lighthouse,” “The Witch”
Nicola Daley – “Pin Cushion,” “I Am a Girl”
Óscar Faura – “Jurassic World: Fallen Kingdom,” “The Imitation Game”
Takeshi Hamada – “Sakura Guardian in the North,” “Departures”
Chayse Irvin – “BlacKkKlansman,” “Hannah”
Ron Johanson – “Freedom,” “The Woman Inside”
Polly Morgan – “Lucy in the Sky,” “The Truth about Emanuel”
Trent Opaloch – “Avengers: Endgame,” “District 9”
Larkin Seiple – “Luce,” “Kin”
Ken Seng – “Terminator: Dark Fate,” “Deadpool”
Vladimír Smutný – “The Painted Bird,” “Kolya”
Jörg Widmer – “A Hidden Life,” “Pina”
Jasper Wolf – “Instinct,” “Monos”
Katsumi Yanagijima – “Battle Royale,” “Dear Doctor”

FIGURINISTAS
Massimo Cantini Parrini – “Dogman,” “Tale of Tales”
Choi Seyeon – “Parasite,” “Okja”
Lisy Christl – “White House Down,” “Anonymous”
Caroline De Vivaise – “Shadow of the Vampire,” “Germinal”
Nicoletta Ercole – “Letters to Juliet,” “Under the Tuscan Sun”
Catherine George – “Okja,” “Snowpiercer”
Danielle Hollowell – “Girls Trip,” “Undercover Brother”
Neeta Lulla – “Jodhaa Akbar,” “Devdas”
Eimer Ní Mhaoldomhnaigh – “Love & Friendship,” “Becoming Jane”
Dayna Pink – “Bumblebee,” “Seeking a Friend for the End of the World”
Dorota Roqueplo – “Hiszpanka,” “The Mill and the Cross”
Judy Shrewsbury – “High Life,” “Let the Sunshine In”
Amy Westcott – “Black Swan,” “The Wrestler”
Denise Wingate – “Live Free or Die Hard,” “Wedding Crashers”

DIRETORES
Ali Abbasi – “Border,” “Shelley”
Levan Akin – “And Then We Danced,” “The Circle”
Francesca Archibugi – “A Question of the Heart,” “Tomorrow”
Ari Aster – “Midsommar,” “Hereditary”
Icíar Bolláin – “Even the Rain,” “Take My Eyes”
Kat Candler – “Hellion,” “Jumping off Bridges”
Felipe Cazals – “El Año de la Peste,” “Canoa: A Shameful Memory”
Cristina Comencini – “Latin Lover,” “Don’t Tell”
Sebastián Cordero – “Europa Report,” “Crónicas”
Terence Davies – “The House of Mirth,” “The Long Day Closes”
Sophie Deraspe – “Antigone,” “A Gay Girl in Damascus: The Amina Profile”
Mati Diop* – “Atlantics,” “A Thousand Suns”
Robert Eggers – “The Lighthouse,” “The Witch”
Luis Estrada – “The Perfect Dictatorship,” “Herod’s Law”
Sydney Freeland – “Deidra & Laney Rob a Train,” “Drunktown’s Finest”
Bette Gordon – “Handsome Harry,” “Variety”
Maggie Greenwald – “Sophie and the Rising Sun,” “The Ballad of Little Jo”
Megan Griffiths – “Sadie,” “The Night Stalker”
Alma Har’el – “Honey Boy,” “Bombay Beach”
Sterlin Harjo – “Mekko,” “Barking Water”
Kathleen Hepburn – “The Body Remembers When the World Broke Open,” “Never Steady, Never Still”
Jan Komasa – “Corpus Christi,” “Warsaw ’44”
Tamara Kotevska* – “Honeyland”
Alejandro Landes – “Monos,” “Porfirio”
John H. Lee – “Operation Chromite,” “71: Into the Fire”
Ladj Ly* – “Les Misérables”
Victoria Mahoney – “Yelling to the Sky”
Samira Makhmalbaf – “At Five in the Afternoon,” “The Apple”
Mai Masri – “3000 Nights,” “33 Days”
Akin Omotoso – “Vaya,” “Tell Me Sweet Something”
Matt Reeves – “Dawn of the Planet of the Apes,” “Cloverfield”
Ljubo Stefanov* – “Honeyland”
Elle-Máijá Tailfeathers – “The Body Remembers When the World Broke Open,” “ćəsnaʔəm, the city before the city”
Maria Tognazzi – “Me, Myself & Her,” “A Five Star Life”
Jorge Alí Triana – “Bolívar Soy Yo,” “A Time to Die”
Matthew Vaughn – “Kick-Ass,” “Layer Cake”
Lulu Wang* – “The Farewell,” “Posthumous”
Wash Westmoreland – “Still Alice,” “Quinceañera”
Andrés Wood – “Araña,” “Violeta Went to Heaven”

DOCUMENTARISTAS
Shirley Abraham – “The Hour of Lynching,” “The Cinema Travellers”
Joelle Alexis – “The Green Prince,” “A Film Unfinished”
Cristina Amaral – “Um Filme de Verão (A Summer Film),” “Person”
Liran Atzmor – “King Bibi,” “The Law in These Parts”
Violeta Ayala – “Cocaine Prison,” “The Bolivian Case”
Julia Bacha – “Naila and the Uprising,” “Budrus”
Robert Bahar – “The Silence of Others,” “Made in L.A.”
Nels Bangerter – “Cameraperson,” “Let the Fire Burn”
Malek Bensmaïl – “The Battle of Algiers, a Film within History,” “La Chine Est Encore Loin (China Is Still Far)”
Sara Bernstein – “Rebuilding Paradise,” “The Inventor: Out for Blood in Silicon Valley”
Yael Bitton – “Advocate,” “Machines”
Garrett Bradley – “Time,” “Alone”
Salem Brahimi – “Abd El-Kader,” “Africa Is Back”
Vincent Carelli – “Martírio,” “Corumbiara: They Shoot Indians, Don’t They?”
Almudena Carracedo – “The Silence of Others,” “Made in L.A.”
Paola Castillo – “Beyond My Grandfather Allende,” “Genoveva”
Daniel Chalfen – “The Infiltrators,” “Silenced”
Chaowei Chang – “Chong Tian (The Rocking Sky),” “The Road to Fame”
Lisa Kleiner Chanoff – “Life Overtakes Me,” “Watchers of the Sky”
Alison Chernick – “Itzhak,” “Matthew Barney: No Restraint”
Kasper Collin – “I Called Him Morgan,” “My Name Is Albert Ayler”
Inadelso Cossa – “A Memory in Three Acts,” “Xilunguine, the Promised Land”
Laura Coxson – “The Proposal,” “Iris”
Maria Cuomo Cole – “Newtown,” “Living for 32”
Emma Davie – “Becoming Animal,” “I Am Breathing”
Adam Del Deo – “Quincy,” “Every Little Step”
Whitney Dow – “When the Drum Is Beating,” “Two Towns of Jasper”
Kelly Duane de La Vega – “The Return,” “Better This World”
Sandi Dubowski – “A Jihad for Love,” “Trembling before G-d”
Carol Dysinger – “Learning to Skateboard in a Warzone (If You’re a Girl),” “Camp Victory, Afghanistan”
Paz Encina – “Memory Exercises,” “Paraguayan Hammock”
Ali Essafi – “Sheikhates Blues,” “Général, Nous Voilà!”
Ina Fichman – “The Oslo Diaries,” “The Wanted 18”
David France – “The Death and Life of Marsha P. Johnson,” “How to Survive a Plague”
Asako Fujioka – “Shukufuku (Blessed)”
Atanas Georgiev* – “Honeyland,” “Cash & Marry”
Linda Goldstein Knowlton – “We Are the Radical Monarchs,” “Somewhere Between”
Robert Greene – “Bisbee ’17,” “Kate Plays Christine”
Pernille Rose Grønkjær – “Hunting for Hedonia,” “The Monastery”
Tala Hadid – “House in the Fields,” “Windsleepers”
Amelia Hapsari – “Rising in Silence,” “Fight like Ahok”
John Haptas – “Life Overtakes Me,” “Tokyo Waka”
Jessica Hargrave – “Ask Dr. Ruth,” “Good Ol’ Freda”
Monica Weston Hellström – “The Distant Barking of Dogs,” “15 Min – The Massacre”
Sonja Henrici – “Donkeyote,” “I Am Breathing”
Jerry Henry – “City of Gold,” “American Revolutionary: The Evolution of Grace Lee Boggs”
Alice Henty – “The Dog Doc,” “The Work”
Robin Hessman – “Simple as Water,” “My Perestroika”
Nishtha Jain – “Gulabi Gang,” “Lakshmi and Me”
Rachel Leah Jones – “Advocate,” “Gypsy Davy”
Gary Byung-Seok Kam – “In the Absence,” “Planet of Snail”
Toni Kamau – “I Am Samuel,” “Softie”
Anne Köhncke – “Pervert Park,” “The Act of Killing”
Tamara Kotevska* – “Honeyland,” “Lake of Apples”
Hajooj Kuka – “Live from Mogadishu,” “Beats of the Antonov”
Richard Ladkani – “Sea of Shadows,” “The Ivory Game”
Véronique Lagoarde-Ségot – “Amal,” “5 Broken Cameras”
Peter Lataster – “Miss Kiet’s Children,” “Awake in a Bad Dream”
Petra Lataster-Czisch – “Miss Kiet’s Children,” “Awake in a Bad Dream”
Erez Laufer – “Rabin in His Own Words,” “One Day after Peace”
Monica Lazurean-Gorgan – “A Mere Breath,” “Chuck Norris vs. Communism”
Bo Li – “Our Time Machine,” “Plastic China”
Allyson Luchak – “This Is Not a Movie,” “One Nation under Dog”
Amit Madheshiya – “The Hour of Lynching,” “The Cinema Travellers”
Vinnie Malhotra – “16 Shots,” “Ivory Tower”
Jeffrey Malmberg – “Spettacolo,” “Marwencol”
Vitaly Mansky – “Putin’s Witnesses,” “Under the Sun”
Andrea Meditch – “Ernie & Joe: Crisis Cops,” “Grizzly Man”
Thomas G. Miller – “Limited Partnership,” “One Bad Cat: The Reverend Albert Wagner Story”
Todd Douglas Miller – “Apollo 11,” “Dinosaur 13”
Rima Mismar
Nicole Newnham – “Crip Camp,” “The Rape of Europa”
Bianca Oana – “Colectiv (Collective),” “Turn Off the Lights”
Jacki Ochs – “Out of My Head,” “Letters Not about Love”
Mariana Oliva – “The Edge of Democracy,” “Piripkura”
Göran Hugo Olsson – “That Summer,” “The Black Power Mixtape 1967-1975”
Deborah Oppenheimer – “Foster,” “Into the Arms of Strangers: Stories of the Kindertransport”
Iván Osnovikoff – “Los Reyes,” “La Muerte de Pinochet (The Death of Pinochet)”
Tiago Pavan – “The Edge of Democracy,” “Olmo and the Seagull”
Bettina Perut – “Los Reyes,” “La Muerte de Pinochet (The Death of Pinochet)”
Nicolas Philibert – “To Be and to Have,” “In the Land of the Deaf”
Diane Quon – “The Dilemma of Desire,” “Minding the Gap”
Claudia Raschke – “RBG,” “Mad Hot Ballroom”
Marina Razbezhkina – “Optical Axis,” “Winter, Go Away!”
Jeff Reichert – “American Factory,” “Remote Area Medical”
Lisa Remington – “Foster,” “Feminists: What Were They Thinking?”
Yoruba Richen – “The New Black,” “Promised Land”
Jihan Robinson – “Pahokee,” “Traveling While Black”
Marta Rodriguez – “Our Voice of Earth, Memory and Future,” “Campesinos (Peasants)”
Erich Roland – “The Final Year,” “Waiting for “Superman””
Maureen A. Ryan – “1971,” “Wisconsin Death Trip”
Sophie Sartain – “Seeing Allred,” “Blessed Is the Match: The Life and Death of Hannah Senesh”
Elhum Shakerifar – “Of Love & Law,” “Even When I Fall”
Karin Slater – “Sisters of the Wilderness,” “The Meaning of the Buffalo”
Jason Spingarn-Koff – “The White Helmets,” “Life 2.0”
Ljubo Stefanov* – “Honeyland,” “Lake of Apples”
Michèle Stephenson – “American Promise,” “Slaying Goliath”
David Tedeschi – “Rolling Thunder Revue: A Bob Dylan Story by Martin Scorsese,” “George Harrison: Living in the Material World”
Douglas Tirola – “Bisbee ’17,” “Drunk Stoned Brilliant Dead”
Mila Turajlic – “The Other Side of Everything,” “Cinema Komunisto”
Noland Walker – “Boogie Man: The Lee Atwater Story,” “Citizen King”
Yvonne Welbon – “The New Black,” “Sisters in Cinema”
Chris White – “Midnight Traveler,” “Quest”
Yi Seung-Jun – “In the Absence,” “Planet of Snail”
Donald Young – “Daze of Justice,” “Jake Shimabukuro: Life on Four Strings”
Miranda Yousef – “Misconception,” “Troubadours”
Yolande Zauberman – “M,” “Classified People”
Zhou Hao – “The Chinese Mayor,” “Cotton”
Michel Zongo – “No Gold for Kalsaka,” “The Siren of Faso Fani”

EXECUTIVOS
Jillian Apfelbaum
Ozzie Areu
Tarak Ben Ammar
Mark Boxer
Ian Bricke
Agnes Chu
Ronni Coulter
Tonia Davis
Louisa Dent
Jeff Deutchman
Danielle Diego
Holly Edwards
Ellen Ruth Eliasoph
Elissa Federoff
Stacey Fong
Philip Goore
Elishia Holmes
Robin Jonas
Robert Warren Kessel
Jonathan Kier
Spencer Klein
Jean Labadie
Ashley Levinson
Laura Lewis
Teresa Moneo
Dave Neustadter
Barbara Peiro
Chan Phung
Stephen R. Plum
Laurene Powell Jobs
Tom Prassis
Pamela Reynolds
Frank Rodriguez
Paul Martin Roeder
Eric Roth
Jennifer Salke
Ann Sarnoff
Teddy Schwarzman
Lori Silfen
Terry Steiner
Priya Swaminathan
Jeannine Tang
Gregg Taylor
Kevin Ulrich
Mimi Valdes
Krista Wegener
Erin Westerman
Danice Woodley
Tom Yoda

EDITORES
Catherine Apple – “Onward,” “Hotel Transylvania”
Andrew Bird – “In the Fade,” “The Edge of Heaven”
Konstantin Bock – “Capernaum”
Andrew Buckland – “Ford v Ferrari,” “The Girl on the Train”
Francesca Calvelli – “The Traitor,” “No Man’s Land”
Alejandro Carrillo Penovi – “Heroic Losers,” “The Clan”
Przemysław Chruścielewski – “Corpus Christi,” “The Last Family”
David Coulson – “The Zookeeper’s Wife,” “Whale Rider”
Patrick Don Vito – “Three Christs,” “Green Book”
Tom Eagles – “Jojo Rabbit,” “What We Do in the Shadows”
Kayla M. Emter – “Hustlers,” “The Immigrant”
Louise Ford – “The Lighthouse,” “The Witch”
Madeleine Gavin – “City of Joy,” “What Maisie Knew”
Atanas Georgiev* – “Honeyland,” “These Are the Rules”
Jeff Groth – “Joker,” “War Dogs”
Nick Houy – “Little Women,” “Lady Bird”
Carole Kravetz Aykanian – “Ghost World,” “Devil in a Blue Dress”
Julien Lacheray – “Portrait of a Lady on Fire,” “Girlhood”
Jennifer Lame – “Marriage Story,” “Manchester by the Sea”
Igor Litoninskiy – “Beanpole,” “Stalingrad”
Alex Marquez – “Snowden,” “Savages”
Benjamin Massoubre – “I Lost My Body,” “The Big Bad Fox & Other Tales”
Kelly Matsumoto – “Fast & Furious 6,” “The Mummy Returns”
Roberto Perpignani – “The Postman (Il Postino),” “The Night of the Shooting Stars”
Fred Raskin – “Once upon a Time…in Hollywood,” “Django Unchained”
David Ian Salter – “Finding Nemo,” “Toy Story 2”
Tambet Tasuja – “Truth and Justice,” “Take It or Leave It”
Michael Taylor – “The Farewell,” “Love Is Strange”
Yang Jinmo – “Parasite,” “Okja”

MAQUIADORES
Ma Kalaadevi Ananda – “A Beautiful Day in the Neighborhood,” “12 Years a Slave”
Anji Bemben – “Overboard,” “Watchmen”
Gregory Funk – “Once upon a Time…in Hollywood,” “The Way Back”
Barrie Gower – “Rocketman,” “Mandela: Long Walk to Freedom”
Colleen LaBaff – “Iron Man 3,” “Hitchcock”
Marese Langan – “Emma,” “Belle”
Alberto Moccia – “Zama,” “The German Doctor”
Greg Nelson – “Tropic Thunder,” “Dad”
Nina Paskowitz – “Jobs,” “Iron Man”
Mari Paz Robles – “I Dream in Another Language,” “Cantinflas”
David Ruiz Gameros – “Tear This Heart Out,” “Amores Perros”
Tapio Salmi – “Rocketman,” “Chéri”
Susana Sánchez – “The Liberator,” “Goya’s Ghosts”
Esmé Sciaroni – “Like Crazy,” “Days and Clouds”
Brian Sipe – “Avengers: Endgame,” “Guardians of the Galaxy Vol. 2”
Mike Smithson – “The Lone Ranger,” “Austin Powers: The Spy Who Shagged Me”
Vera Steimberg – “Dolemite Is My Name,” “Dreamgirls”
Debbie Zoller – “Pitch Perfect,” “I Heart Huckabees”

MARKETING E RELAÇÕES PÚBLICAS
Christopher Albert
Jade Alex
Mia Ammer
Jon Anderson
Shani Ankori
Amy Astley
Karen Barragan
Emily Bear
Maggie Begley
Brooke Blumberg
Meghann Burns
Sheri Callan
Inma Carbajal-Fogel
Mark Carroll
Emmanuelle Castro
Candice Chen
Tom Chen
Staci R. Collins Jackson
Ray Costa
Arnaldo D’Alfonso
Maitena de Amorrortu
Sylvia Desrochers
Clay Dollarhide
Peter Dunne
Laura Dyer
Ekta Farrar
Liza Burnett Fefferman
Michael Fisk
Dana Flowers
Venus Fong
Fernando Garcia
Rona K. Geller
Scott Goldman
Amy Grey
Harlan Gulko
Yuka Hoshino
Stephen Huvane
Lana Iny
Allison Jackson
Claudia Kalindjian
Teni Karapetian
Craig Karpel
Joshua Kornblit
Nancy Lan
Elaine Christine LaZelle
Maxine Leonard
Alan Lobel
Weelin Loh
Liz Mahoney
Miguel Mallet
Carol Marshall
Charles McDonald
Michael McIntyre
Olivier Mouroux
Charlie Olsky
Julia Pacetti
Tom Parker
Spencer Peeples
Rose Zello Phillips
Chris Regan
Rene Ridinger
Mary Goss Robino
Samantha Rosenberg
Dustin M. Sandoval
Heather Ann Secrist
Adam J. Segal
Susie Shen
Amanda Joy Sherwin
Jamie Shor
Gina Soliz
Gordon Spragg
Patrick Starr
Ken Sunshine
Rachel Tash
Albert Tello
Keleigh Thomas Morgan
Kyle David Thorpe
Claudia Tomassini
Adriana Trautman
Jayne Trotman
Beatrice Wachsberger
Marcos Waltenberg
Joe Wees
Marla Weinstein
Kimberly Wire
Damon Wolf
Judy Woloshen
Anne Yoo
Ramzy Zeidan
Flora Zhao

MÚSICOS
Clinton Bennett – “After,” “Godzilla: King of the Monsters”
Tamar-Kali Brown – “The Last Thing He Wanted,” “Mudbound”
Joshuah Brian Campbell – “Harriet”
Chanda Dancy – “After We Leave,” “Everything before Us”
Nainita Desai – “The Reason I Jump,” “For Sama”
Arhynn Descy – “Eye for an Eye,” “50 Kisses”
Bryce Dessner – “Irresistible,” “The Two Popes”
Cynthia Erivo* – “Harriet”
Ilan Eshkeri – “Stardust,” “Layer Cake”
Robert Andre Glasper – “The Photograph,” “Mr. Soul!”
Katie Greathouse – “Spider-Man: Into the Spider-Verse,” “Pirates of the Caribbean: At World’s End”
Andrea Guerra – “The Pursuit of Happyness,” “Hotel Rwanda”
Tom Howe – “A Shaun the Sheep Movie: Farmageddon,” “Charming”
Chad Hugo – “The Black Godfather,” “Hidden Figures”
Devonté “Blood Orange” Hynes – “Queen & Slim,” “Fifty Shades of Grey”
Jung Jae-Il – “Parasite,” “Okja”
Peter Kam – “Dragon,” “The Warlords”
Lele Marchitelli – “Loro 1,” “The Great Beauty”
Cyril Paul Henri Morin – “Zaytoun,” “Samsara”
Khaled Mouzanar – “Capernaum,” “Where Do We Go Now?”
Larry Mullen Jr. – “Mandela: Long Walk to Freedom,” “Man on the Train”
Blake Neely – “Assassins,” “Life as We Know It”
Roger Neill – “20th Century Women,” “Beginners”
Michael Nyman – “Gattaca,” “The Piano”
Sattar Oraki – “The Salesman,” “Give Back”
Michiru Oshima – “Memories of Tomorrow,” “Lost Paradise”
Park Inyoung – “Pieta,” “Poongsan”
Max Richter – “Ad Astra,” “Waltz with Bashir”
Patrice Rushen – “Men in Black,” “Indecent Proposal”
Jeff Russo – “Lucy in the Sky,” “Hondros”
Arturo Sandoval – “Richard Jewell,” “The Mule”
Anton Sanko – “Fractured,” “Ouija”
Jermain Stegall – “Proximity,” “Jamesy Boy”
Bernie Taupin – “Rocketman,” “Brokeback Mountain”

PRODUTORES
Zeynep Özbatur Atakan – “The Wild Pear Tree,” “Winter Sleep”
Toufik Ayadi – “Les Misérables,” “Château”
Christophe Barral – “Les Misérables,” “Château”
Sam Bisbee – “The Hero,” “Other People”
Edher Campos – “Sonora, the Devil’s Highway,” “The Golden Dream”
Nicolas Celis – “Roma,” “Tempestad”
Bénédicte Couvreur – “Portrait of a Lady on Fire,” “Girlhood”
Jessica Elbaum – “Hustlers,” “Booksmart”
Elda Ferri – “The Soul Keeper,” “Life Is Beautiful”
Brad Corwin Fuller – “A Quiet Place,” “The Purge”
Alex Garcia – “Godzilla: King of the Monsters,” “Kong: Skull Island”
Anna Gerb – “A Most Violent Year,” “All Is Lost”
Rana Joy Glickman – “God Said Ha!,” “Full Tilt Boogie”
Jared Ian Goldman – “Ingrid Goes West,” “Wilson”
Pippa Harris – “1917,” “Blood”
Brian Kavanaugh-Jones – “Honey Boy,” “Midnight Special”
Kwak Sin-Ae – “Parasite,” “Vanishing Time: A Boy Who Returned”
Enrique López Lavigne – “The Impossible,” “Sex and Lucia”
Álvaro Longoria – “Everybody Knows,” “Finding Altamira”
Mónica Lozano – “I Dream in Another Language,” “Instructions Not Included”
Gabriela Maire – “Las Niñas Bien (The Good Girls),” “La Caridad (Charity)”
Luis Manso – “Champions,” “Binta and the Great Idea”
Shannon McIntosh – “Once upon a Time…in Hollywood,” “The Hateful Eight”
Andrew Miano – “The Farewell,” “A Single Man”
Tim Moore – “Richard Jewell,” “Sully”
Matías Mosteirin – “The Clan,” “Wild Tales”
Ryan Murphy – “A Secret Love,” “Running with Scissors”
Carthew Neal – “Jojo Rabbit,” “Hunt for the Wilderpeople”
Tommy Oliver – “The Perfect Guy,” “Kinyarwanda”
Clark Peterson – “Rampart,” “Monster”
Gabriela Rodríguez – “Roma,” “Gravity”
Rosalie Swedlin – “The Wife,” “Laggies”
Mar Targarona – “Secuestro (Boy Missing),” “The Orphanage”
Luis Urbano – “Letters from War,” “Tabu”
Alicia Van Couvering – “Cop Car,” “Tiny Furniture”
Faye Ward – “Wild Rose,” “Stan & Ollie”
Chelsea Winstanley – “Jojo Rabbit,” “What We Do in the Shadows”
Ryan Zacarias – “The Mountain,” “Mediterranea”

DESIGNERS DE PRODUÇÃO
Andrew Baseman – “Crazy Rich Asians,” “Eat Pray Love”
Markus Bensch – “The Hunger Games: Mockingjay – Part 2,” “V for Vendetta”
Livia Borgonogni – “Spider-Man: Far from Home,” “La Stoffa dei Sogni”
Sandra Cabriada – “Instructions Not Included,” “The Mexican”
Andrew Max Cahn – “Up in the Air,” “The Hangover”
S. Todd Christensen – “Sicario,” “Moneyball”
Paola Comencini – “Io Sono Tempesta,” “Don’t Tell”
Alex DiGerlando – “The Dead Don’t Die,” “Beasts of the Southern Wild”
Robert Foulkes – “Ford v Ferrari,” “La La Land”
Elli Griff – “Ghost in the Shell,” “Edge of Tomorrow”
Darryl Henley – “Aquaman,” “Blade Runner 2049”
Molly Hughes – “Harry Potter and the Deathly Hallows Part 2,” “War Horse”
Kevin Kavanaugh – “Only the Brave,” “The Dark Knight Rises”
Noah Klocek – “Onward,” “The Good Dinosaur”
Jamie Lapsley – “Tommy’s Honour,” “Kill Command”
Estefanía Larraín – “A Fantastic Woman,” “Neruda”
Harriet Lawrence – “Overlord,” “Suffragette”
Alan Lee – “The Lord of the Rings: The Return of the King,” “The Lord of the Rings: The Two Towers”
Lee Ha Jun – “Parasite,” “Okja”
Wing Lee – “The First Purge,” “Stoker”
Barbara Ling – “Once upon a Time…in Hollywood,” “Fried Green Tomatoes”
Jim Magdaleno – “First Man,” “Dawn of the Planet of the Apes”
Margaret (Peg) McClellan – “Brokedown Palace,” “Leave It to Beaver”
Akin McKenzie – “Wildlife,” “Aftermath”
Robin Miller – “Gemini Man,” “Spider-Man”
Phil Norwood – “The Lion King,” “Baywatch”
Harry Otto – “Star Trek Beyond,” “American Sniper”
Missy E. Parker – “Hidden Figures,” “Pirates of the Caribbean: On Stranger Tides”
Hope Parrish – “X-Men: First Class,” “The Net”
Jay Pelissier – “Ant-Man and the Wasp,” “The Fate of the Furious”
Janice Polley – “Blackhat,” “Collateral”
Anna Rackard – “Haywire,” “Ondine”
Michèle St-Arnaud – “Arrival,” “X-Men: Days of Future Past”
Lee Sandales – “1917,” “Rogue One: A Star Wars Story”
Bob Shaw – “The Irishman,” “The Wolf of Wall Street”
Mark Tildesley – “High-Rise,” “Sunshine”
Ra Vincent – “Jojo Rabbit,” “The Hobbit: An Unexpected Journey”
Peter Walpole – “Cloud Atlas,” “V for Vendetta”
Peter Wenham – “Inferno,” “Captain America: The Winter Soldier”
Jeremy Woolsey – “Hidden Figures,” “Pitch Perfect”

CURTA-METRAGISTAS E ANIMADORES
Frank E. Abney – “Incredibles 2,” “Coco”
Mounia Akl – “Submarine,” “Eva”
Dekel Berenson – “Anna,” “Ashmina”
Lorelay Bove – “Zootopia,” “Wreck-It Ralph”
Jamaal Bradley – “The Croods,” “Puss in Boots”
Colin Brady – “Everyone’s Hero,” “A Bug’s Life”
Gary Bruins – “Inside Out,” “Up”
Matthew A. Cherry – “Hair Love,” “Forward”
Sue-Ellen Chitunya – “Grandpa’s Hands,” “Team Marilyn”
Jérémy Clapin* – “I Lost My Body,” “Palmipédarium”
Bruno Collet – “Memorable,” “Son Indochine”
Josh Cooley – “Toy Story 4,” “Inside Out”
Emanuela Cozzi – “ParaNorman,” “The Prince of Egypt”
BJ Crawford – “The Peanuts Movie,” “Ice Age: Continental Drift”
Philip Dale – “Kubo and the Two Strings,” “Coraline”
Everett Downing – “Hair Love,” “WALL-E”
Marc du Pontavice – “I Lost My Body,” “Oggy and the Cockroaches: The Movie”
Robert Ducey – “Kubo and the Two Strings,” “Coraline”
Sonya Dunn – “End of the World,” “The Bedroom”
Fabian Erlinghauser – “Song of the Sea,” “The Secret of Kells”
Jean-Loup Felicioli – “Phantom Boy,” “A Cat in Paris”
Giovanna Ferrari – “The Breadwinner,” “Song of the Sea”
José David Figueroa García – “Perfidia,” “Ratitas”
Michael Ford – “The Angry Birds Movie 2,” “Hotel Transylvania”
Alain Gagnol – “Phantom Boy,” “A Cat in Paris”
Maryann Garger – “Astro Boy,” “Flushed Away”
Axel Geddes – “Toy Story 4,” “Finding Dory”
Delphine Girard – “A Sister,” “Caverne”
Philippe Gluckman – “Rise of the Guardians,” “Antz”
Ian Gooding – “Moana,” “The Princess and the Frog”
Oscar Grillo – “Monsters, Inc.,” “Monsieur Pett”
Otto Guerra – “City of Pirates,” “Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock’n’Roll”
Patrick Hanenberger – “Smallfoot,” “Rise of the Guardians”
Aaron Hartline – “Up,” “Robots”
Deborah Haywood – “Twinkle, Twinkle,” “Sis”
Sabine Heller – “The Peanuts Movie,” “Rio”
Isabel Herguera – “Winter Love,” “Under the Pillow”
Lizzy Hobbs – “The Flounder,” “I’m OK”
Faren Humes – “Liberty,” “Our Rhineland”
Mino Jarjoura – “Saria,” “Asad”
Marcel Jean – “Sleeping Betty,” “La Pirouette”
Meryam Joobeur – “Brotherhood,” “Born in the Maelstrom”
Daria Kashcheeva – “Daughter,” “To Accept”
Paul Kewley – “Early Man,” “Shaun the Sheep Movie”
Anita Killi – “Angry Man,” “The Hedge of Thorns”
Sayoko Kinoshita – “A Little Journey,” “Pica Don”
Michelle Kranot – “Nothing Happens,” “Hollow Land”
Uri Kranot – “Nothing Happens,” “Hollow Land”
Ka’ramuu Kush – “Sundays at Noon,” “Salvation Road”
Jean-François Le Corre – “Memorable,” “This Magnificent Cake!”
Hyun-min Lee – “Moana,” “Big Hero 6”
Matt Lefebvre – “Saria,” “Asad”
Eric Leighton – “Coraline,” “The Nightmare before Christmas”
Niki Lindroth von Bahr – “Something to Remember,” “The Burden”
Andy London – “I’m in the Mood for Death,” “The Back Brace”
Summer Joy Main-Muñoz – “Don’t Say No,” “La Cerca”
Damien Megherbi – “Nefta Football Club,” “Wicked Girl”
Deanna Morse – “Recipe for Birds,” “Whispers of the Prairie”
Bob Moyer – “Toy Story 4,” “Up”
Mark Nielsen – “Toy Story 4,” “Inside Out”
Wanjiru M. Njendu – “Boxed,” “The Dinner Guest”
Justin Pechberty – “Nefta Football Club,” “Wicked Girl”
Amy Pfaffinger – “Moana,” “Frozen”
Yves Piat – “Nefta Football Club,” “Tempus Fugit”
Julia Pistor – “The SpongeBob SquarePants Movie,” “Rugrats in Paris: The Movie”
Charlotte Regan – “My Boy,” “Standby”
Milo Riccarand – “The Secret Life of Pets,” “Despicable Me”
Stéphan Roelants – “The Breadwinner,” “Song of the Sea”
Kirsikka Saari – “After the Reunion,” “Do I Have to Take Care of Everything?”
Ahmad Saleh – “Ayny,” “Maa Baa”
Dan Scanlon – “Onward,” “Monsters University”
Sheila Sofian – “Survivors,” “Secret Rage”
Jason Stalman – “Isle of Dogs,” “Kubo and the Two Strings”
Colin Stimpson – “The Secret Life of Pets,” “We’re Back! A Dinosaur’s Story”
Chris Sullivan – “Consuming Spirits,” “Ain’t Misbehavin!”
Amos Sussigan – “Swan Cake,” “Broken Wing”
Michael J. Travers – “The Peanuts Movie,” “Ice Age”
Saschka Unseld – “The Blue Umbrella,” “Toy Story 3”
Eric Wachtman – “Kubo and the Two Strings,” “Coraline”
Fusako Yusaki – “The Rose of the Winds,” “Winter Days”
Juan Pablo Zaramella – “Luminaris,” “The Glove”

TÉCNICOS DE SOM
Katia Boutin – “The Mustang,” “Elle”
James Boyle – “Edge of Tomorrow,” “World War Z”
Choi Tae Young – “Parasite,” “The Host”
Cary Clark – “Ford v Ferrari,” “Lucy in the Sky”
Christian T. Cooke – “The Shape of Water,” “A Dangerous Method”
Midge Costin – “Armageddon,” “Crimson Tide”
Martin Czembor – “First Reformed,” “Solace”
Evan Daum – “The Purge,” “World War Z”
Adriano Di Lorenzo – “The Traitor,” “Nico, 1988”
Pavel Doreuli – “Stalingrad,” “A Good Day to Die Hard”
Rana Eid – “Ismaii,” “Nuts”
Mattias Eklund – “Polar,” “The 100-Year-Old Man Who Climbed out the Window and Disappeared”
David Esparza – “The Magnificent Seven,” “The Equalizer”
Paula Fairfield – “Alita: Battle Angel,” “Mother!”
David Lew Farmer – “Thor: Ragnarok,” “Ant-Man”
Robert Farr – “Peterloo,” “We Need to Talk about Kevin”
Julie Feiner – “The Revenant,” “Marvel’s The Avengers”
Cyril Holtz – “The Sisters Brothers,” “Elle”
Tateum Kohut – “Escape Room,” “Zombieland”
Frank Kruse – “Rush,” “Cloud Atlas”
Anne Le Campion – “Chant d’Hiver,” “The Ghost Writer”
Dessie Markovsky – “Mr. Brooks,” “Bliss”
Bill Meadows – “Star Trek Beyond,” “The Revenant”
Ryan Murphy – “Mad Max: Fury Road,” “Godzilla”
Steven Robert Nelson – “Neighbors,” “American History X”
Colin Nicolson – “Murder on the Orient Express,” “T2 Trainspotting”
Stephen Peter Robinson – “Aquaman,” “The Revenant”
Warren Shaw – “Beauty and the Beast,” “Tower Heist”
Steve Slanec – “Kong: Skull Island,” “Finding Dory”
Martin Steyer – “The Captain,” “Rush”
Donald Sylvester – “Ford v Ferrari,” “The Fault in Our Stars”
James M. Tanenbaum – “Avatar,” “Volcano”
Ian Tapp – “Annihilation,” “Slumdog Millionaire”
Rachael Tate – “1917,” “Jurassic World: Fallen Kingdom”
Gisle Tveito – “Utøya: July 22,” “Force Majeure”
Jean Umansky – “Incendies,” “Amélie”
Tony Volante – “Hold the Dark,” “Limitless”
Mandell Winter – “The Equalizer 2,” “The Magnificent Seven”
Frank Wolf – “Aladdin,” “Charlie’s Angels”

TÉCNICOS DE EFEITOS VISUAIS
David Alexander – “Cliffs of Freedom,” “The Laundromat”
Jon Franklin Alexander – “Avengers: Age of Ultron,” “Noah”
Vishal Anand – “Bharat,” “War”
Berj Bannayan – “John Wick: Chapter 3 – Parabellum,” “Geostorm”
John Bell – “Rango,” “Pirates of the Caribbean: On Stranger Tides”
Tami Carter – “Star Wars: The Rise of Skywalker,” “Lucy”
Ahdee Chiu – “The Wandering Earth,” “The Last Stand”
Ryan Michael Church – “Transformers: The Last Knight,” “Avengers: Age of Ultron”
Todd Constantine – “Jumanji: The Next Level,” “Godzilla: King of the Monsters”
Ryan Cook – “The Call of the Wild,” “Rampage”
Karin Margarete Cooper – “Star Wars: The Rise of Skywalker,” “Kong: Skull Island”
Dan Cox – “The A-Team,” “Gulliver’s Travels”
Nick Marc Epstein – “Alita: Battle Angel,” “Valerian and the City of a Thousand Planets”
Leandro Estebecorena – “The Irishman,” “Kong: Skull Island”
Luca Fascione – “Alita: Battle Angel,” “Avengers: Endgame”
Greg Fisher – “The Jungle Book,” “Guardians of the Galaxy”
Aaron Gilman – “Alpha,” “Pacific Rim Uprising”
Stephane Grabli – “The Irishman,” “Jurassic World: Fallen Kingdom”
Darin Grant – “The Lego Movie 2: The Second Part,” “Kung Fu Panda 2”
Jeremy Hays – “The Call of the Wild,” “Once upon a Time…in Hollywood”
Sandeep Kamal – “Panipat,” “Jal”
Sidney Olivier Kombo-Kintombo – “Avengers: Endgame,” “War for the Planet of the Apes”
Hoiyue Harry Lam – “Midway,” “The Wandering Earth”
Mårten Larsson – “Avengers: Endgame,” “Pixels”
Patrick Ledda – “Dumbo,” “Pirates of the Caribbean: Dead Men Tell No Tales”
Gong Myung Lee – “Triple Frontier,” “Deadpool 2”
Richard Little – “1917,” “The Jungle Book”
Doug Moore – “12 Strong,” “Ant-Man”
Elliot Newman – “The Lion King,” “The Jungle Book”
Artemis Oikonomopoulou – “Annihilation,” “Thor: Ragnarok”
Mihaela Orzea – “Ant-Man and the Wasp,” “The Huntsman: Winter’s War”
Mike Anthony Perry – “Alita: Battle Angel,” “Valerian and the City of a Thousand Planets”
Todd Sheridan Perry – “Black Panther,” “Doctor Strange”
Nick Rasmussen – “Ready Player One,” “Star Wars: The Last Jedi”
Marco Revelant – “Gemini Man,” “The Hobbit: The Battle of the Five Armies”
Jason Schugardt – “Clown,” “In the Blood”
David Seager – “Aladdin,” “Terminator: Dark Fate”
Amy Shepard – “Playing with Fire,” “Doctor Strange”
Bill Spitzak – “Abominable,” “How to Train Your Dragon: The Hidden World”
Olcun Tan – “Doctor Sleep,” “Thor: Ragnarok”
Dmitry Tokoyakov – “Beyond the Edge,” “Furious”
James Tooley – “Star Wars: The Rise of Skywalker,” “Teenage Mutant Ninja Turtles”
Leandro Visconti – “Lion’s Heart,” “The Innocents”
Paige Warner – “Terminator: Dark Fate,” “Pirates of the Caribbean: Dead Men Tell No Tales”
Matt Welford – “A Dog’s Way Home,” “Spider-Man: Homecoming”
Victor Wong – “The Founding of an Army,” “Rise of the Legend”
Max Wood – “The Nutcracker and the Four Realms,” “Suicide Squad”
Ged Wright – “Sonic the Hedgehog,” “22 July”

ESCRITORES/ROTEIRISTAS
Narges Abyar – “Breath,” “Track 143”
Lucy Alibar – “Troop Zero,” “Beasts of the Southern Wild”
David Berenbaum – “The Spiderwick Chronicles,” “Elf”
Jez Butterworth – “Ford v Ferrari,” “Edge of Tomorrow”
John-Henry Butterworth – “Ford v Ferrari,” “Edge of Tomorrow”
Shane Carruth – “Upstream Color,” “Primer”
Jérémy Clapin* – “I Lost My Body”
Sabrina Dhawan – “Kaminey,” “Monsoon Wedding”
Mati Diop* – “Atlantics,” “A Thousand Suns”
Susanna Fogel – “Booksmart,” “The Spy Who Dumped Me”
Michel Franco – “Chronic,” “After Lucia”
Giordano Gederlini – “Les Misérables,” “The Invader”
Han Jin Won – “Parasite”
Julia Hart – “Fast Color,” “Miss Stevens”
Gregory Allen Howard – “Harriet,” “Ali”
Amy Jump – “A Field in England,” “Sightseers”
Ladj Ly* – “Les Misérables”
Alexis Manenti – “Les Misérables”
Stella Meghie – “The Photograph,” “Jean of the Joneses”
Najwa Najjar – “Between Heaven and Earth,” “Eyes of a Thief”
Tyler Nilson – “The Peanut Butter Falcon”
Mateusz Pacewicz – “Suicide Room: Hater,” “Corpus Christi”
Pamela Pettler – “Monster House,” “Tim Burton’s Corpse Bride”
Michael Schwartz – “The Peanut Butter Falcon”
Lulu Wang* – “The Farewell,” “Posthumous”
Krysty Wilson-Cairns – “1917”
Wally Wolodarsky – “Trolls World Tour,” “Monsters vs Aliens”

AGENTES E REPRESENTANTES
Alan Selby Albert
Wade Allen
Hank Amos
Colin Russell Anderson
Pete Antico
Trevor Astbury
Alberto Barbera
Christina Bazdekis
Kyetay Beckner
Bonnie Bernstein
Bob Bowen
Joey Box
Troy Brown
Todd A. Bryant
Trey Cannon
Rocky Capella
Carlo Chatrian
Christina Chou
Carter Cohn
Eliza Coleman
John Cooper
John Copeman
Emerson Davis
Willem de Beukelaer
Jack Deutchman
Sandra Evers-Manly
Simon Faber
Roy Farfel
Shayne Fiske Goldner
Dominique Fouassier
Thierry Frémaux
Joe Gawler
Nick Gillard
Michelle Grady
Annemarie Griggs
Markus Gross
Bill Hogan
Ashley Holland
Petra Holtorf-Stratton
Rowley Irlam
Ernest Jackson
Julianne Jordan
Peter King
Henry Kingi Jr.
Adam Kirley
James Knight
Blair Kohan
Jessica Kovacevic
Benjamin Kramer
V. Senthil Kumar
Paul A. Levin
Alexander LoVerde
Lap Van Luu
Jane Maguire
JJ Makaro
Arnon Manor
Chelsea McKinnies
Tricia Carol Miles
James Mockoski
Daniel Molina
Carlos Morales
Phil Neilson
Yasmine Pearl
Meyash Prabhu
Kate Richter
Sally Riley
Scott Rogers
Michael Scherer
Sarah Self
James Skotchdopole
Bec Smith
Michael Solinger
Ryan Stafford
Jessica Teach
Julien Thuan
Jesse Torres
Tim Trella
Mark Vanselow
Rosalie Varda
William Washington
Talitha Watkins
Patricia Whitcher
Sally Baldwin Willcox
Michael Wise
Michelle Wright
Richard Wright
Daisy Wu
Jo Yao
Mira Yong

ASSOCIADOS
Richard L. Bennett

OSCAR 2021 ADIADO PARA ABRIL

84th Academy Awards

ACADEMIA DIVULGA NOVAS DATAS E PRAZOS PARA A PRÓXIMA TEMPORADA

Como já prevíamos, a cerimônia do Oscar 2021 foi adiado do dia 28 de Fevereiro para o dia 25 de Abril de 2021. Embora muitos tenham cogitado a possibilidade de cancelamento da edição de 2021 por causa da pandemia, é preciso levar em consideração que boa parte do mercado cinematográfico gira em torno do Oscar, com campanhas de publicidade que envolvem inúmeros profissionais de distribuidoras e redes de cinema, além das agendas das celebridades.

Com essa alteração no calendário, obviamente a janela de classificação, que costuma ser de 1º de Janeiro a 25 de Dezembro, foi estendida até o dia 28 de Fevereiro de 2021, o que dará mais tempo para que cineastas possam finalizar seus filmes com mais tranquilidade e possam lançá-los até o final de Fevereiro. Para alguns casos específicos, os prazos finais foram estendidos com base no calendário anterior. No caso de longas de animação, curtas de animação, documentários, documentários-curtas, curtas-metragens e filmes internacionais, o prazo de inscrição vai até o dia 1º de Dezembro, pois antes costumava ser até outubro. Já para as trilhas musicais e canções, o prazo termina em 15 de Janeiro.

Houve também o adiamento de dois eventos da Academia: o Academy’s Scientific and Technical Awards, que premia engenheiros e cientistas, e o Governos Awards, que celebra os homenageados com Oscar Honorário, e os prêmios Irving G. Thalberg e Jean Hersholt. Contudo, suas novas datas ainda não foram definidas.

Já a abertura do Museu da Academia, que estava programado para Dezembro deste ano, foi adiado para o dia 17 de Abril para convidados e dia 30 de Abril para o público, aproveitando os dias próximos da 93ª cerimônia do Oscar.

Apesar dessas prorrogações, ainda não está completamente descartada a possibilidade de uma cerimônia mais enxuta ou até virtual. Claro que tudo dependerá do progresso do coronavírus nos EUA, afinal o país já acumula 120 mil mortes, a onda de protestos do movimento Black Lives Matter, e os cinemas que ainda estão fechados. Recentemente, o lançamento do novo filme de Christopher Nolan, Tenet, foi adiado do dia 17 de Julho para o dia 31 de Julho, uma data otimista que alguns estúdios acreditam que os cinemas poderão reabrir com cautela.

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John David Washington em cena de Tenet, de Christopher Nolan (pic by IMDb)

A cerimônia do Oscar já foi adiada em três ocasiões em sua história de 92 anos: a primeira em 1938 devido a uma grande inundação em Los Angeles, a segunda em 1968 após o assassinato do Dr. Martin Luther King, e da última vez em 1981 após a tentativa de assassinato do então presidente Ronald Reagan.

A Academia Britânica anunciou logo em seguida que sua cerimônia do BAFTA também foi adiada do dia 14 de Fevereiro para o dia 11 de Abril.

CONFIRA COMO FICA O CALENDÁRIO DA TEMPORADA 2020/2021:

01/02/21: INÍCIO DA VOTAÇÃO PRELIMINÁRIA

05/02/21: TÉRMINO DA VOTAÇÃO PRELIMINÁRIA

09/02/21: ANÚNCIO DAS SHORTLISTS DO OSCAR (como Filme Internacional, Efeitos Visuais e Trilha Musical)

05/03/21: INÍCIO DA VOTAÇÃO DAS INDICAÇÕES

10/03/21: TÉRMINO DA VOTAÇÃO DAS INDICAÇÕES

15/03/21: ANÚNCIO DAS INDICAÇÕES AO OSCAR 2021

15/04/21: OSCAR NOMINEES LUNCHEON (cerimônia com todos os indicados)

15/04/21: INÍCIO DA VOTAÇÃO FINAL

17/04/21: GALA DO MUSEU DA ACADEMIA

20/04/21: TÉRMINO DA VOTAÇÃO FINAL

25/04/21: CERIMÔNIA DO OSCAR 2021

30/04/21: ABERTURA DO MUSEU DA ACADEMIA AO PÚBLICO

ANNIE AWARDS: NETFLIX PREDOMINA com ‘KLAUS’ e ‘PERDI MEU CORPO’

Design sem nome (18)

NETFLIX: Klaus vence Melhor Longa de Animação, e Perdi Meu Corpo vence Animação Independente

COM DISNEY QUASE FIGURANTE, ANNIE AWARDS SE RENDE À NETFLIX

Enquanto o Oscar ainda tem rusgas com a Netflix, o prêmio especializado em animações reconhece a força criativa dela, que faltou aos grandes estúdios da Disney, Pixar e Dreamworks, que competiram com sequências. Na premiação, ocorrida neste último sábado, dia 26, o reinado da Disney ficou ameaçado pela empresa de streaming, que deixou de ser uma criadora de conteúdo insignificante para começar a ganhar prêmios importantes e espaço no coração do público direcionado diretamente para sua plataforma.

Claro que a Netflix ainda tem um longo caminho para percorrer para alcançar o status de uma Disney, mas esse respiro de originalidade de suas animações serviu como ótimo contraponto à estagnação de idéias originais que a Pixar sempre primou. Curiosamente, o grande vencedor da noite, Klaus, soube reciclar velhas idéias de animações da própria Disney através de uma trama natalina com aqueles elementos de magia de fim de ano. Porém, não limitou sua inventividade à trama, mas na técnica de animação que foi feita à mão, em 2D, mas com uma iluminação tridimensional inédita. E outro adendo importante: o design dos personagens foge daquele formato 3D que já estamos cansando de ver na Disney e Pixar, tanto que acabou sendo premiado justamente nesta categoria de Design de Personagens.

Klaus se tornou o recordista de prêmios ao levar no total sete Annies, com um aproveitamento de 100% em suas sete indicações. O diretor Sergio Pablos venceu como Diretor e como Melhor Storyboard, enquanto a animação também conquistou Melhor Design, Design de Produção e Editorial. Pra quem ficou curioso, Sergio Pablos já foi supervisor de animação da Disney em Tarzan (1999) e Planeta do Tesouro (2002), e seu estúdio The SPA Studios desenvolveu as histórias de Meu Malvado Favorito (2010) e PéPequeno (2018).

Quando o filme foi lançado no último mês de novembro, o pôster nos indicava uma animação mais genérica que passou a ser impulsionada pela campanha publicitária da Netflix. Depois da indicação do filme ao Oscar, conferimos a animação com certos preconceitos, mas fomos conquistados pelo belo visual da animação, pela dublagem excelente (especialmente de Jason Schwartzman como Jesper – se puderem, assistam com áudio original) e, por incrível que pareça, pela magia da história, que explorou os primórdios e a essência do que significa Natal. É uma animação que facilmente agradará o público infantil e o adulto, algo que a Pixar conseguia em 100% de suas animações.

Também da Netflix, a animação francesa Perdi Meu Corpo conquistou três Annies: Animação Independente, Trilha Musical para Dan Levy e Roteiro. Pra quem não conferiu a animação, a trama se divide em duas partes: uma acompanha Naoufel que se apaixona por Gabrielle, e a outra acompanha uma mão decepada (sim, estilo o Coisa de A Família Addams) pela cidade em busca de seu corpo. Aliás, as melhores cenas são da mão. Os movimentos da mão são impressionantes. A composição musical realmente é belíssima, e merecia até uma indicação ao Oscar.

Além desses 10 prêmios, a Netflix conquistou mais 9 em produções de formato televisivo como as séries animadas BoJack Horseman e Love, Death & Robots, que teve David Fincher na produção.

Já a Disney ficou com  cinco prêmios, sendo os destaques a premiação de Melhor Dublagem para Frozen 2 (Josh Gad fazendo a voz de Olaf) e de Melhor Animação de Personagens em Live Action para Vingadores: Ultimato. Enfim, um ano para esquecer da Disney, mas que sirva como incentivo a criar e/ou apoiar produções mais criativas. Inclusive, somos muito críticos dessa onda recente de live actions de animações. Pelo porte colossal da empresa, eles deveriam se arriscar mais em termos de originalidade, ou pelo menos ter um selo menor que tenha criatividade como essencial, senão ficará refém de suas próprias criações antigas eternamente.

Ainda nessa linha de raciocínio, tomara que perca, pelo segundo ano consecutivo (ano passado o vencedor foi Homem-Aranha no Aranha-Verso, da Sony), o Oscar de Longa de Animação, para que no dia seguinte, aquele chefão da empresa bata a mão na mesa de reunião e diga: “Esqueçam as sequências e reboots. Quero ver material novo!”. Sim, o Oscar tem esse poder de mudar o jogo, então, apesar de termos gostado de Toy Story 4, fica aqui nossa torcida para Klaus ou Perdi Meu Corpo.

Seguem os vencedores do 47º Annie Awards:

MELHOR LONGA DE ANIMAÇÃO

  • Klaus, Netflix Presents A Production of The Spa Studios and Atresmedia Cine

MELHOR LONGA DE ANIMAÇÃO INDEPENDENTE

  • Perdi Meu Corpo, Xilam for Netflix

MELHOR PRODUÇÃO ESPECIAL

  • How to Train Your Dragon Homecoming, DreamWorks Animation

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO

  • Uncle Thomas: Accounting for the Days, Ciclope Filmes, National Film Board of Canada, Les Armateurs

MELHOR VR (Vitual Reality)

  • Bonfire, Baobab Studios

MELHOR COMERCIAL

  • The Mystical Journey of Jimmy Page’s ‘59 Telecaster, Nexus Studios

MELHOR TV/Media – PRÉ-ESCOLA

  • Ask the Storybots, Episode: Why Do We Have To Recycle? JibJab Bros. Studios for Netflix

MELHOR TV/Media – CRIANÇAS

  • Disney Mickey Mouse, Episode: Carried Away, Disney TV Animation/Disney Channel

MELHOR TV/Media – PÚBLICO EM GERAL

  • BoJack Horseman, Episode: The Client, Tornante Productions  for Netflix

MELHOR FILME DE ESTUDANTE

  • The Fox & The Pigeon, Michelle Chua

MELHORES EFEITOS para TV/Media

  • Love, Death & Robots, Episode: The Secret War, Blur for Netflix; FX Artist: Viktor Németh; FX Artist: Szabolcs Illés; FX Artist: Ádám Sipos; FX Artist: Vladimir Zhovna

MELHORES EFEITOS para LONGA

  • Frozen 2, Walt Disney Animation Studios; Benjamin Fiske, Alex Moaveni, Jesse Erickson; Dimitre Berberov; Kee Nam Suong

MELHOR ANIMAÇÃO DE PERSONAGEM – TV/Media

  • His Dark Materials, Episode: 8 BBC Studios; Lead Animator: Aulo Licinio; Character: Iroek

MELHOR ANIMAÇÃO DE PERSONAGEM – Longa

  • Klaus, Netflix Presents A Production of The Spa Studios and Atresmedia Cine; Animation Supervisor: Sergio Martins; Character: Alva

MELHOR ANIMAÇÃO DE PERSONAGEM – Live Action

  • Vingadores: Ultimato, Weta Digital; Animation Supervisor: Sidney Kombo- Kintombo

MELHOR ANIMAÇÃO DE PERSONAGEM – Video Game

  • Unruly Heroes, Magic Design Studios; Character Animator: Sebastien Parodi; Characters: Heroes Kid version, Underworld NPC; Lead Animator: Nicolas Leger; Characters: Heroes (Wukong, Kihong, Sandmonk, Sanzang), All enemies (except Underworld levels) and cinematics

MELHOR DESIGN DE PERSONAGEM – TV/Media

  • Carmen Sandiego, Episode: The Chasing Paper Caper, Houghton Mifflin Harcourt Publishing and DHX Media for Netflix; Character Designer: Keiko Murayama; Characters: Carmen Sandiego, Paper Star, Player, Shadowsan, Chief, Julia Argent, Chase Devineaux

MELHOR DESIGN DE PERSONAGEM – Longa

  • Klaus, Netflix Presents A Production of The Spa Studios and Atresmedia Cine; Character Designer: Torsten Schrank

MELHOR DIREÇÃO – TV/Media

  • Disney Mickey Mouse, Episode: For Whom the Booth Tolls Disney TV Animation/Disney Channel; Director: Alonso Ramirez Ramos

MELHOR DIREÇÃO – Longa

  • Klaus, Netflix Presents A Production of The Spa Studios and Atresmedia Cine; Director: Sergio Pablos

MELHOR TRILHA – TV/Media

  • Love, Death & Robots, Episode: Sonnie’s Edge Blur for Netflix; Composer/Lyricist: Rob Cairns

MELHOR TRILHA – Longa

  • Perdi Meu Corpo, Xilam for Netflix; Composer: Dan Levy

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO – TV/Media

  • Love, Death & Robots, Episode: The Witness, Blur for Netflix; Production Design: Alberto Mielgo

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO – Longa

  • Klaus, Netflix Presents A Production of The Spa Studios and Atresmedia Cine; Production Design: Szymon Biernaki; Production Design: Marcin Jakubowski

MELHOR STORYBOARDING – TV/Media

  • Carmen Sandiego, Episode: Becoming Carmen Sandiego: Part 1, Houghton Mifflin Harcourt Publishing and DHX Media for Netflix; Storyboard Artist: Kenny Park

MELHOR STORYBOARDING – Longa

  • Klaus, Netflix Presents A Production of The Spa Studios and Atresmedia Cine; Storyboard Artist: Sergio Pablos

MELHOR ATUAÇÃO VOCAL – TV/Media

  • Bob’s Burgers, Episode: Roamin’ Bob-iday, 20th Century Fox / Bento Box Entertainment; Cast: H. Jon Benjamin Character: Bob

MELHOR ATUAÇÃO VOCAL – Longa

  • Frozen 2, Walt Disney Animation Studios; Josh Gad: Josh Gad Character: Olaf

MELHOR ROTEIRO – TV/Media

  • Tuca & Bertie, Episode: The Jelly Lakes, Tornante Productions, LLC for Netflix; Writer: Shauna McGarry

MELHOR ROTEIRO – Longa

  • Perdi Meu Corpo, Xilam for Netflix; Writer: Jérémy Clapin; Writer: Guillaume Laurant

MELHOR EDITORIAL – TV/Media

  • Love, Death & Robots, Episode: Alternate Histories Blur for Netflix; Bo Juhl; Stacy Auckland; Valerian Zamel

MELHOR EDITORIAL – Longa

  • Klaus, Netflix Presents A Production of The Spa Studios and Atresmedia Cine; Pablo García Revert

 

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