81 filmes concorrem por 5 vagas de Melhor Filme em Língua Estrangeira no Oscar 2016

O diretor Pawel Pawlikowski posa com seu Oscar de Filme em Língua Estrangeira este ano por Ida (photo by thehindubissinessline.com)

O diretor Pawel Pawlikowski posa com seu Oscar de Filme em Língua Estrangeira este ano por Ida (photo by thehindubissinessline.com)

COM INSCRIÇÕES TERMINADAS, COMEÇAM AS ESPECULAÇÕES

Apesar de não ter havido quebra de recordes, 81 filmes foram selecionados para a disputa pelo Oscar de Filme de Língua Estrangeira, dois a menos do que o ano anterior com 83. A novidade deste ano atende pelo nosso vizinho Paraguai, que inscreveu um longa-metragem pela primeira vez ao prêmio. Embora as chances de vitória não sejam lá das maiores, é bacana ver mais um país latino concorrendo com uma obra que representa sua cultura, e também vale lembrar que a própria Academia tem se demonstrado mais aberta às produções de países sem muito histórico cinematográfico. Nesse ano, por exemplo, a Mauritânia e a Estônia receberam suas primeiras indicações por Timbuktu e Tangerinas, respectivamente. Então por que não sonhar com uma vaga?

E O BRASIL?

O Brasil corre atrás de sua 5ª indicação na categoria, algo que não acontece desde o longínquo ano de 1999, quando Central do Brasil perdeu para o italiano A Vida é Bela. O MinC selecionou a ‘dramédia’ Que Horas Ela Volta?, de Anna Muylaert, que ganhou o título internacional de The Second Mother, em referência ao personagem central de Regina Casé, que vive uma empregada doméstica que cuida do filho dos patrões como se fosse seu.

Cena de Que Horas Ela Volta?, de Anna Muylaert, presentante do Brasil este ano (photo by cine.gr)

Cena de Que Horas Ela Volta?, de Anna Muylaert, presentante do Brasil este ano (photo by cine.gr)

O filme funciona bem como crítica social e um retrato das classes brasileiras, assim como comédia graças à atuação de Casé. Ganhou prêmios importantes em festivais como o de Sundance e Berlim, o que sempre ajuda na campanha e também na conquista do próprio público brasileiro que costuma olhar com mais atenção as produções premiadas, mas ainda está bem longe da própria campanha vitoriosa de Central do Brasil. A seleção de Que Horas Ela Volta? me agrada por representar bem o que acontece no país, o que não deixa de ser uma decisão corajosa, mas em termos de chances reais, acredito que o Brasil terá de esperar mais um ano ainda por uma nova indicação.

FAVORITOS ATÉ O MOMENTO

Em se tratando de Oscar de Filme em Língua Estrangeira, digamos que é uma caixinha de surpresas. Às vezes acontece de haver um franco-favorito como o iraniano A Separação ou o austríaco Amor, mas na maioria das vezes a Academia gosta de surpreender, infelizmente pra pior. São raríssimos os casos em que me surpreendi positivamente como quando o argentino O Segredo dos Seus Olhos e do alemão A Vida dos Outros levaram o prêmio batendo os favoritos.

Nessa altura do campeonato ainda é difícil prever os reais favoritos. Muitas vezes a gente se baseia em participações e premiações em grandes festivais como Cannes e Veneza, mas nada é 100% garantido. Ano passado, muitos apostaram no turco Winter Sleep como dono de uma das indicações por ter levado a Palma de Ouro, mas acabou nem passando pras semi-finais. Mas, se existe algum tipo de certeza, o chamado ‘Oscar lock’, este seria o representante húngaro O Filho de Saul, de László Nemes. Além de ter levado o Grande Prêmio do Júri em Cannes, tem o elemento-chave para quase todo filme vencedor desta categoria: 2ª Guerra Mundial e Judeus.

Cena de O Filho de Saul, ainda sem previsão de estréia no Brasil (photo by cine.gr)

Cena de O Filho de Saul, ainda sem previsão de estréia no Brasil (photo by cine.gr)

A trama do filme se passa em 1944, no campo de concentração de Auschwitz, onde o prisioneiro Saul tem a ingrata tarefa de queimar os corpos de seus colegas até encontrar o corpo daquele que acredita ser seu filho. O filme tem toda a receita pronta para ganhar a estatueta. Podem me cobrar em fevereiro: O Filho de Saul vai ganhar o Oscar.

Além do húngaro, existem alguns filmes que estão sendo bem comentados pela crítica internacional e devem figurar pelo menos na lista dos semi-finalistas, graças ao comitê executivo criado pelo produtor Mark Johnson. Explico. Depois que o super bem criticado filme romeno 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias, de Cristian Mungiu, ficou de fora da categoria de Filme em Língua Estrangeira de 2008, a Academia criou com a ajuda de Johnson um comitê responsável por selecionar três títulos na lista dos nove semi-finalistas para que não dependam exclusivamente dos votos dos velhinhos judeus que assistem às sessões dos filmes estrangeiros. Foi graças aos esforços desse comitê que filmes mais ousados foram indicados como o grego Dente Canino em 2010. Acredito que se esse comitê tivesse existido desde o início dos anos 2000, filmes muito bons porém violentos teriam sido indicados como o brasileiro Cidade de Deus e o sul-coreano Oldboy.

Enfim, águas passadas. Agora o comitê tem a chance de promover mais três filmes relevantes no cenário internacional. Eles têm o chileno O Clube, que tem um tema polêmico de padres católicos que se isolam numa casa após cometerem abuso sexual com menores. O filme é dirigido por Pablo Larraín, anteriormente indicado por No; Tem o sueco Um Pombo Pousou num Galho Refletindo Sobre a Existência, que ganhou o Leão de Ouro de 2014 e tem o nome do diretor veterano Roy Andersson pra ajudar; E de Taiwan, The Assassin concorre como filme mais belo visualmente e a Academia tem uma chance de ouro para premiar um dos melhores diretores asiáticos da atualidade: Hou Hsiao-Hsien, que levou o prêmio de Direção em Cannes este ano. Caso o filme asiático não passe, existe uma boa possibilidade de concorrer nas categorias de Figurino e Direção de Arte.

Bela cena de The Assassin, de Hou Hsiao-Hsien (photo by cine.gr)

Bela cena de The Assassin, de Hou Hsiao-Hsien (photo by cine.gr)

Cena de Um Pombo Pousou num Galho Refletindo Sobre a Existência, de Roy Andersson. (photo by cine.gr)

Cena de Um Pombo Pousou num Galho Refletindo Sobre a Existência, de Roy Andersson. (photo by cine.gr)

Cena de O Clube, de (photo by cine.gr)

Cena de O Clube, de Pablo Larraín (photo by cine.gr)

Outro representante bem comentado foi o português As Mil e uma Noites: Vol. 2, o Desolado, de Miguel Gomes. Trata-se da segunda parte da trilogia baseada na obra anônima de contos, pelo qual o diretor busca fazer críticas à política econômica atual de seu país. Ao contrário do que acontece com todos os filmes divididos em volumes, esta trilogia toda foi lançada no mesmo ano, totalizando mais de 6 horas de filme. A escolha pelo segundo volume foi uma aposta dos organizadores em Portugal, muito provavelmente para instigar ainda mais os votantes a conferir os demais filmes da trilogia.

Cena de As Mil e uma Noites,: Vol. 2, O Desolado, de Miguel Gomes (photo by outnow.ch)

Cena de As Mil e uma Noites,: Vol. 2, O Desolado, de Miguel Gomes (photo by outnow.ch)

Vale também citar aqui o filme romeno Aferim!, de Radu Jude, que levou o Urso de Prata de Melhor Diretor no último Festival de Berlim. Filmado em preto-e-branco, esse western moderno romeno se passa no século XIX, e apresenta uma trama de captura de um escravo cigano que teve um caso com a esposa de seu dono. Seria uma forma de crítica ao escravismo de que persiste na Romênia atual. Apresenta uma bela fotografia PB e pode surpreender.

Cena de Aferim!, de Radu Jude, que levou o Urso de Prata de Diretor (photo by outnow.ch)

Cena de Aferim!, de Radu Jude (photo by outnow.ch)

MINHA TORCIDA

Como muitos sabem, gosto de defender material diferente no Oscar, especialmente quando o candidato possui características diferentes, criativas, bizarras. Apesar de não ter visto ainda, o representante da Áustria deste ano parece ter todos esses elementos citados. Goodnight Mommy é sobre dois meninos gêmeos que se mudam para uma nova casa com sua mãe depois que ela passa por uma cirurgia plástica facial. Coberto por ataduras no rosto, a mãe se torna irreconhecível pelos filhos.

Cena do terror psicológico Goodnight Mommy, de Severin Fiala e Veronika Franz (photo by outnow,ch)

Cena do terror psicológico Goodnight Mommy, de Severin Fiala e Veronika Franz (photo by outnow,ch)

Existe uma bizarrice que lembra o do grego Dente Canino, mas é nitidamente um filme de terror psicológico, daqueles excelentes que Roman Polanski costumava fazer nos anos 60 e 70. Caso o filme austríaco seja reconhecido por prêmios da crítica americana, existe uma boa chance de ser defendido pelo comitê, caso contrário, não deve passar de uma ótima e corajosa tentativa.

Confira o trailer:

Segue a lista com os 81 filmes inscritos oficialmente para a 88ª edição do Academy Awards:

• AFEGANISTÃO: Utopia
Dir: Hassan Nazer

• ÁFRICA DO SUL: The Two of Us
Dir: Ernest Nkosi

• ALBÂNIA: Bota
Dir: Iris Elezi & Thomas Logoreci

• ALEMANHA: Labirinto de Mentiras (Im Labyrinth des Schweigens)
Dir: Giulio Ricciarelli

• ARGÉLIA: Twilight of Shadows
Dir: Mohamed Lakhdar Hamina

• ARGENTINA: The Clan (El Clan)
Dir: Pablo Trapero

• AUSTRÁLIA: Arrows of the Thunder Dragon
Dir: Greg Sneddon

• ÁUSTRIA: Goodnight Mommy
Dir: Veronika Franz & Severin Fiala

• BANGLADESH: Jalal’s Story
Dir: Abu Shahed Emon

• BÉLGICA: The Brand New Testament
Dir: Jaco Van Dormael

• BÓSNIA HERZEGOVINA: Our Everyday Story
Dir: Ines Tanović

• BRASIL: Que Horas Ela Volta? (The Second Mother)
Dir: Anna Muylaert

• BULGÁRIA: The Judgment
Dir: Stephan Komandarev

• CAMBOJA: The Last Reel
Dir: Sotho Kulikar

• CANADÁ: Félix and Meira
Dir: Maxime Giroux

• CAZAQUISTÃO: Stranger
Dir: Yermek Tursunov

• CHILE: O Clube (El Club)
Dir: Pablo Larraín

• CHINA: Go Away Mr. Tumor
Dir: Han Yan

• COLÔMBIA: O Abraço da Serpente (El Abrazo de la Serpiente)
Dir: Ciro Guerra

• CORÉIA DO SUL: The Throne
Dir: Lee Joon-ik

• COSTA DO MARFIM: Run
Dir: Philippe Lacôte

• COSTA RICA: Imprisoned
Dir: Esteban Ramírez

• CROÁCIA: The High Sun
Dir: Dalibor Matanić

• DINAMARCA: Guerra (Krigen)
Dir: Tobias Lindholm

• ESLOVÁQUIA: Goat
Dir: Ivan Ostrochovský

• ESLOVÊNIA: The Tree
Dir: Sonja Prosenc

• ESPANHA: Flowers
Dir: Jon Garaño & Jose Mari Goenaga

• ESTÔNIA: 1944
Dir: Elmo Nüganen

• ETIÓPIA: Cordeiro (Lamb)
Dir: Yared Zeleke

• FILIPINAS: Heneral Luna
Dir: Jerrold Tarog

• FINLÂNDIA: The Fencer
Dir: Klaus Härö

• FRANÇA: Mustang
Dir: Deniz Gamze Ergüven

• GEORGIA: Moira
Dir: Levan Tutberidze

• GRÉCIA: Xenia
Dir: Panos H. Koutras

• GUATEMALA: Ixcanul
Dir: Jayro Bustamante

• HOLANDA: The Paradise Suite
Dir: Joost van Ginkel

• HONG KONG: To the Fore
Dir: Dante Lam

• HUNGRIA: O Filho de Saul (Saul Fia)
Dir: László Nemes

• ÍNDIA: Court
Dir: Chaitanya Tamhane

• IRÃ: Muhammad: The Messenger of God
Dir: Majid Majidi

• IRAQUE: Memories on Stone
Dir: Shawkat Amin Korki

• IRLANDA: Viva
Dir: Paddy Breathnach

• ISLÂNDIA: A Ovelha Negra (Hrútar)
Dir: Grímur Hákonarson

• ISRAEL: Baba Joon
Dir: Yuval Delshad

• ITÁLIA: Don’t Be Bad
Dir: Claudio Caligari

• JAPÃO: 100 Yen Love
Dir: Masaharu Take

• JORDÂNIA: Theeb
Dir: Naji Abu Nowar

• KOSOVO: Pai (Babai)
Dir: Visar Morina

• LETÔNIA: Modris
Dir: Juris Kursietis

• LÍBANO: Void
Dir: Naji Bechara, Jad Beyrouthy, Zeina Makki, Tarek Korkomaz, Christelle Ighniades, Maria Abdel Karim & Salim Haber

• LITUÂNIA: The Summer of Sangaile
Dir: Alanté Kavaïté

• LUXEMBURGO: Baby (A)lone
Dir: Donato Rotunno

• MACEDÔNIA: Honey Night
Dir: Ivo Trajkov

• MALÁSIA: Men Who Save the World
Dir: Liew Seng Tat

• MARROCOS: Aida
Dir: Driss Mrini

• MÉXICO: 600 Miles
Dir: Gabriel Ripstein

• MONTENEGRO: You Carry Me
Dir: Ivona Juka

• NEPAL: Talakjung vs Tulke
Dir: Basnet Nischal

• NORUEGA: The Wave
Dir: Roar Uthaug

• PAQUISTÃO: Moor
Dir: Jami

• PALESTINA: The Wanted 18
Dir: Amer Shomali & Paul Cowan

• PARAGUAI: Cloudy Times
Dir: Arami Ullón

• PERU: NN
Dir: Héctor Gálvez

• POLÔNIA: 11 Minutes
Dir: Jerzy Skolimowski

• PORTUGAL: As Mil e Uma Noites – Volume 2, O Desolado (Arabian Nights – Volume 2, The Desolate One)
Dir: Miguel Gomes

• QUIRGUISTÃO: Heavenly Nomadic
Dir: Mirlan Abdykalykov

• REINO UNIDO: Under Milk Wood
Dir: Kevin Allen

• REPÚBLICANA DOMINICANA: Sand Dollars
Dir: Laura Amelia Guzmán & Israel Cárdenas

• REPÚBLICA TCHECA: Home Care
Dir: Slavek Horak

• ROMÊNIA: Aferim!
Dir: Radu Jude

• RÚSSIA: Sunstroke
Dir: Nikita Mikhalkov

• SÉRVIA: Enclave
Dir: Goran Radovanović

• SINGAPURA: 7 Letters
Dir: Royston Tan, Kelvin Tong, Eric Khoo, Jack Neo, Tan Pin Pin, Boo Junfeng & K. Rajagopal

• SUÉCIA: Um Pombo Pousou num Galho Refletindo Sobre a Existência (En duva satt på en gren och funderade på tillvaron)
Dir: Roy Andersson

• SUÍÇA: Iraqi Odyssey
Dir: Samir

• TAILÂNDIA: How to Win at Checkers (Every Time)
Dir: Josh Kim

• TAIWAN: The Assassin
Dir: Hou Hsiao-hsien

• TURQUIA: Sivas
Dir: Kaan Müjdeci

• URUGUAI: A Moonless Night
Dir: Germán Tejeira

• VENEZUELA: Lo que Lleva el Río (Gone with the River)
Dir: Mario Crespo

• VIETNÃ: Jackpot
Dir: Dustin Nguyen

As indicações serão anunciadas no dia 14 de janeiro de 2016. A 88ª cerimônia do Oscar acontece em 28 de fevereiro.

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O venezuelano ‘From Afar’ (Desde Allá) se torna o primeiro filme latino a ganhar o Leão de Ouro

O diretor venezuelano Lorenzo Vigas ostenta o primeiro Leão de Ouro para a América Latina por Desde Allá (photo by sicnoticias.sapo.pt)

O diretor venezuelano Lorenzo Vigas ostenta o primeiro Leão de Ouro para a América Latina por Desde Allá (photo by sicnoticias.sapo.pt)

FESTIVAL MAIS ANTIGO DE CINEMA CONCEDE SEU PRÊMIO MÁXIMO PELA PRIMEIRA VEZ A UMA PRODUÇÃO LATINA

Por incrível que pareça, o festival italiano de 72 anos finalmente premia um filme latino. Não sei em que grau serviu como influência, mas foi preciso um presidente do júri latino, o mexicano vencedor do Oscar de Diretor por Gravidade, Alfonso Cuarón, para quebrar esse tabu de mais de sete décadas. Já me posicionei sobre essa questão de não gostar de ver favorecimentos de presidentes de júris de festivais a um ou outro concorrente. É desleal e uma injustiça com os demais participantes de uma competição. Mas é bacana noticiar a vitória de um latino num evento tão importante quanto Veneza.

O filme venezuelano From Afar, estréia na direção de Lorenzo Vigas (48 anos), acompanha a trajetória de um homem de meia idade pelas ruas de Caracas à procura de jovens companhias masculinas. Ele conhece Elder, um rapaz de 17 anos, que é líder de uma gangue criminosa. A crítica internacional fez elogios ao trabalho, ressaltando seu frescor no retrato dessa relação entre os personagens principais, assim como as atuações do veterano ator chileno Alfredo Castro e o iniciante Luis Silva.

Cena de Desde Allá com Luis Silva (à esquerda) e Alberto Castro (photo by cinepop.com.br)

Cena de Desde Allá com Luis Silva (à esquerda) e Alberto Castro (photo by cinepop.com.br)

Em seu discurso de agradecimento, o diretor Vigas foi patriota: “Quero dedicar este prêmio para meu espetacular país, a Venezuela. Estamos com alguns problemas, mas somos muito positivos. Somos uma nação maravilhosa e vamos começar a dialogar mais uns com os outros.” – Por mais que possa soar como pró-governo mediante benefícios, o discurso de Vigas se mostra bastante honesto e comprova o poder da Arte e da Cultura mesmo em realidades duras como a da Venezuela. Aqui no Brasil, não é muito diferente. Quem consegue fazer um filme e exibir numa tela de cinema por duas semanas já é um vitorioso diante de tantas adversidades.

Além do filme venezuelano, outras produções latinas foram contempladas nesta edição, o que levantou essa questão da influência do presidente do júri ser mexicano. Alfonso Cuarón respondeu: “Minha presença como presidente contou tanto quanto como se fosse o Rei da Suécia. Mesmo se eu quisesse ajudar os latinos, teria que ser uma conspiração bem maior.” – Além dessa questão latina, deve existir uma identificação do teor da sexualidade de From Afar com E Sua Mãe Também, de Cuarón.

O Clã Puccio, retratado no filme El Clan, de Pablo Trapero, vencedor do Leão de Prata (photo by adorocinema.com)

O Clã Puccio, retratado no filme El Clan, de Pablo Trapero, vencedor do Leão de Prata (photo by adorocinema.com)

A América Latina também ficou com o 2º lugar com o argentino Pablo Trapero levando o Leão de Prata por The Clan (El Clan), que reconta as histórias verídicas de seqüestros e assassinatos de vizinhos ricos para pedir resgate pela família que formava o Clã Puccio nos anos 80. Vale lembrar que o filme contou com a produção dos irmãos espanhóis Augustín e Pedro Almodóvar. O cinema argentino, que há anos se consagrou como um dos melhores do continente, possui diretores com reais perspectivas como Juan José Campanella, Carlos Sorín, Alejandro Agresti e o próprio Pablo Trapero. Claro que ainda é preciso conferir El Clan, mas ponto para Alfonso Cuarón por enxergar essa qualidade no cinema argentino também.

Os demais prêmios principais parecem ter sido distribuídos de forma mais igualitária. Enquanto a animação norte-americana Anomalisa, do sempre inovador Charlie Kaufman, levou o Grande Prêmio do Júri, o cinema francês ficou com os prêmios de Melhor Ator para Fabrice Luchini e Roteiro por Courted (L’Hermine),  e a Turquia levou o Prêmio Especial do Júri por Frenzy (Abluka). Já o cinema da casa do evento teve que se conformar com o prêmio de Melhor Atriz para a italiana Valeria Golino por Per Amor Vostro. Ela ficou conhecida por seu papel em Rain Man (1988) e pela comédia Top Gang! – Ases Muito Loucos (1991).

Vencedor de Melhor Ator, Fabrice Luchini, em cena de Courted (L’hermine) – photo by publico.pt

Valeria Golino com seu Volpi Cup de Melhor Atriz por Per Amor Vostro (photo by news.xinhuanet.com)

Valeria Golino com seu Volpi Cup de Melhor Atriz por Per Amor Vostro (photo by news.xinhuanet.com)

Pela Mostra Horizontes, o grande vencedor foi o norte-americano Childhood of a Leader, do estreante Brady Corbet. Baseado em conto de Jean-Paul Sartre, o filme conta a história de um menino americano que vive na França em 1918 enquanto seu pai trabalha para o governo americano na criação do Tratado de Versalhes. No elenco, o queridinho da cinessérie Crepúsculo, Robert Pattinson, a indicada ao Oscar Bérénice Bejo (O Artista) e a jovem Stacy Martin, que protagonizou Ninfomaníaca: Volume 1, de Lars von Trier.

Cena de The Childhood of a Leader, de Brady Corbet (photo by cine.gr)

Cena de The Childhood of a Leader, de Brady Corbet (photo by cine.gr)

Para o Brasil, a festa vai toda para o pernambucano Gabriel Mascaro, que levou o Prêmio Especial do Júri na Mostra Horizontes por Boi Neon. Especialista em documentários, este é apenas seu segundo trabalho em ficção. A trama tem como cenário as vaquejadas (espécie de rodeio em que dois vaqueiros à cavalo precisam emparelhar o boi entre si e derrubá-lo) e tem como protagonista o ator Juliano Cazarré.

O pernambucano Gabriel Mascaro com o Prêmio Especial do Júri da Mostra Horizontes por Boi Neon (photo by elnuevoherald.com)

O pernambucano Gabriel Mascaro com o Prêmio Especial do Júri da Mostra Horizontes por Boi Neon (photo by elnuevoherald.com)

O Festival de Veneza deste ano buscou se reabilitar da queda de popularidade e de crítica dos últimos anos, além de tentar superar a competição do Festival de Toronto, que acontece na mesma época e que tem “roubado” os possíveis candidatos ao Oscar do ano seguinte. Aliás, falando em Oscar, no início do festival, muito se falou que o filme de ação Evereste teria ótimas chances no Oscar 2016 porque, assim como nos últimos dois anos Gravidade e Birdman, foi o filme que abriu o festival. Ok, nem sempre as coincidências garantem alguma coisa. E sem querer menosprezar Evereste, vou chutar aqui indicações para Som, Efeitos Sonoros, e no máximo Efeitos Visuais e Trilha Musical por causa de Dario Marianelli.

VENCEDORES DO 72º FESTIVAL DE VENEZA:

COMPETIÇÃO INTERNACIONAL

LEÃO DE OURO: From Afar  (Dir: Lorenzo Vigas, Venezuela/ México)

LEÃO DE PRATA: The Clan (Dir: Pablo Trapero, Argentina/ Espanha)

GRANDE PRÊMIO DO JÚRI: Anomalisa (Dir: Charlie Kaufman e Duke Johnson, EUA)

PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI: Frenzy (Dir: Emin Alper, Turquia/ França/ Qatar)

VOLPI CUP DE MELHOR ATOR: Fabrice Luchini  (Courted) – França

VOLPI CUP DE MELHOR ATRIZ: Valeria Golino (Per amor vostro) – Itália/ França

PRÊMIO MARCELLO MASTROIANNI PARA JOVENS ARTISTAS: Abraham Attah (Beasts of No Nation) – EUA

MELHOR ROTEIRO: Christian Vincent (Courted) – França

PRÊMIO LUIGI DE LAURENTIIS LEÃO DO FUTURO
The Childhood of a Leader (Dir: Brady Corbett, EUA)

MOSTRA HORIZONTE

MELHOR FILME
Free in Deed (Dir: Jake Mahaffi, EUA/ Nova Zelândia)

MELHOR DIRETOR
Brady Corbet  (The Childhood of a Leader) – EUA

PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI
Boi Neon (Neon Bull) (Dir: Gabriel Mascaro, Brasil/ Uruguai/ Holanda)

PRÊMIO ESPECIAL PARA MELHOR ATOR OU ATRIZ
Dominique Leborne (Tempete) – França

MELHOR CURTA-METRAGEM
Belladonna (Dir: Dubravna Turic, Croácia)

VENICE CLASSICS AWARDS

MELHOR DOCUMENTÁRIO
The 1,000 Eyes of Dr. Maddin, de Yves Montmayeur – França

MELHOR FILME RESTAURADO
Salò, ou os 120 Dias de Sodoma, de Pier Paolo Pasolini – Itália

Salò, ou os 120 Dias de Sodoma, de Pier Paolo Pasolini. Se for pra comparar, o vídeo do Youtube é fichinha.

Salò, ou os 120 Dias de Sodoma, de Pier Paolo Pasolini: uma adaptação de Marquês de Sade com muito a dizer sobre a Itália fascista.

Apesar de alta de filmes latinos, Brasil não disputa o Leão de Ouro no Festival de Veneza 2015

Pôster do 72º Festival de Veneza com Nastassja Kinski e Jean-Pierre Léaud.

Pôster do 72º Festival de Veneza com Nastassja Kinski e Jean-Pierre Léaud.

FESTIVAL CONTA COM SELEÇÃO QUE MISTURA NOMES CONSAGRADOS COM NOMES EM ASCENSÃO

Nesse último dia 29 de julho, o Festival de Veneza anunciou sua seleção oficial para esta edição de nº 72. A homenageada deste ano é a atriz alemã Nastassja Kinski, cujo retrato estampa o pôster do evento. Ao fundo, o jovem personagem Antoine Doinel dos filmes de François Truffaut indica a homenagem ao ator Jean-Pierre Léaud.

Para avaliar e premiar as produções selecionadas, o júri será presidido pelo diretor mexicano Alfonso Cuarón, que foi o primeiro latino a ganhar o Oscar de Direção por Gravidade em 2014. Ele contará com a colaboração de outros diretores como o turco Nuri Bilge Ceylan (que ganhou a Palma de Ouro com Winter Sleep), o polonês Pawel Pawlikowski (que ganhou o Oscar de Filme em Língua Estrangeira com Ida), a britânica Lynne Ramsay, o chinês Hou Hsiao-Hsien (que já levou o Leão de Ouro em 1989 por A Cidade do Desencanto) e o italiano Francesco Munzi. Além dos diretores, as atrizes Elizabeth Banks e Diane Kruger e o roteirista Emmanuel Carrère participarão do júri.

O presidente do júri Alfonso Cuarón (photo by cineuropa.org)

O presidente do júri Alfonso Cuarón (photo by cineuropa.org)

Embora não se confirme, com Cuarón na presidência, os concorrentes latino-americanos acabam ganhando algum status de favoritos. Pior para o Brasil que não teve nenhum representante na seleção oficial, aliás, fato que não ocorre há tempos. Felizmente, para não passar em branco na cerimônia, o país conta com dois longas na mostra paralela Orizzonti (Horizontes): Boi Neon, de Gabriel Mascaro; e Mate-me Por Favor, da estreante carioca Anita Rocha da Silveira. Além dos longas, o curta-metragem paranaense de Aly Muritiba e Marja Calafange, Tarântula, também integrará a mostra.

Cena do longa brasileiro Mate-Me Por Favor, de Anita Rocha da Silveira (photo by reicine.com.ar)

Cena do longa brasileiro Mate-Me Por Favor, de Anita Rocha da Silveira (photo by reicine.com.ar)

Já os latino-americanos marcam presença com um total de nove produções, tendo duas concorrendo ao prêmio máximo: Desde Allá, de Lorenzo Vigas (México – Venezuela), e El Clan, do argentino Pablo Trapero. O primeiro foca na busca de um homem de 50 anos por jovens para passar uma noite, enquanto o segundo se baseia em fatos verídicos sobre uma família que tinha uma loja e um bar para praticar sequestros, extorsões e até assassinatos na época da ditadura militar na Argentina.

Cena de Desde Allá, de Lorenzo Vigas (photo by filmaffinity.com)

Cena de Desde Allá, de Lorenzo Vigas (photo by filmaffinity.com)

O diretor do festival, Alberto Barbera confirmou o bom momento do cinema latino-americano: “O que há de mais fresco e inovador no cinema hoje em dia vem da América Latina. Finalmente, além da quantidade, há qualidade. São filmes que surpreendem.”

Cena do filme argentino El Clan, de Pablo Trapero  (photo by cine.gr)

Cena do filme argentino El Clan, de Pablo Trapero (photo by cine.gr)

Na corrida pelo Leão de Ouro, outros nomes já figuram como fortes candidatos. O italiano Marco Bellochio (Sangue del Mio Sangue) é considerado um dos cineastas mais influentes dessa geração e deve estar na lista de premiados. O canadense Atom Egoyan (Remember), o norte-americano Cary Fukunaga, que ficou conhecido pela série de TV True Detective (Beasts of No Nation), o israelense Amos Gitai (Rabin, the Last Day), o italiano Luca Guadagnino (A Bigger Splash), o russo Aleksandr Sokurov, que levou o prêmio por Fausto em 2011 (Francofonia), e os hollywoodianos Charlie Kaufman, que traz a animação de comédia e fantasia Anomalisa, e o britânico Tom Hooper, que dirigiu The Danish Girl, sobre um dos primeiros homens que passaram por cirurgia de troca de sexo.

Além de The Danish Girl, outro grande favorito ao Oscar 2016, Aliança do Crime (Black Mass), de Scott Cooper, será exibido em Veneza, mas fora de competição. Ambos os filmes apresentam dois fortíssimos candidatos ao Oscar de Melhor Ator: Pelo primeiro, Eddie Redmayne em outro papel transformador, e pelo segundo, Johnny Depp, caracterizado como o criminoso Bill Bulger com sua aparência calva e grisalha.

Eddie Redmayne caracterizado como a Danish Girl (photo by cine.gr)

Eddie Redmayne caracterizado como The Danish Girl (photo by cine.gr)

Johnny Depp como Bill Bulger em Aliança do Crime (photo by independent.co.uk)

Johnny Depp como Bill Bulger em Aliança do Crime (photo by independent.co.uk)

O 72º Festival de Veneza acontece entre os dias 02 e 12 de setembro.

INDICADOS AO LEÃO DE OURO:

FRENZY (Abluka), de Emin Alper

HEART OF A DOG, de Laurie Anderson

SANGUE DEL MIO SANGUE, de Marco Bellocchio

LOOKING FOR GRACE, de Sue Brooks

EQUALS, de Drake Doremus

REMEMBER, de Atom Egoyan

BEASTS OF NO NATION, de Cary Fukunaga

PER AMOR VOSTRO, Giuseppe M. Gaudino

MARGUERITE, de Xavier Giannoli

RABIN, THE LAST DAY, de Amos Gitai

A BIGGER SPLASH, de Luca Guadagnino

THE ENDLESS RIVER, Oliver Hermanus

THE DANISH GIRL, de Tom Hooper

ANOMALISA, de Charlie Kaufman e Duke Johnson

L’ATTESA, Piero Messina

11 MINUTES (11 Minuts), de Jerzy Skolimowski

FRANCOFONIA, de Aleksandr Sokurov

EL CLAN, Pablo Trapero

DESDE ALLÁ, Lorenzo Vigas

L’HERMINE, de Christian Vincent

BEHEMOTH, Zhao Liang

Idris Elba em cena de Beasts of No Nation, de Cary Fukunaga (photo by cine.gr)

Idris Elba em cena de Beasts of No Nation, de Cary Fukunaga (photo by cine.gr)

MOSTRA HORIZONTES (ORIZZONTI)

Madame Courage, de Merzak Allouache
A Copy of My Mind, de Joko Anwar
Pecore in erba, de Alberto Caviglia
Tempete, de Samuel Collardey
The Childhood of a Leader, de Brady Corbet
Italian Gangster, de Renato De Maria
Wednesday, May 9, de Vahid Jalilvand
Mountain, de Yaelle Kayam
A War, de Tobias Lindholm
Interrogation, de Vetri Maaran
Free in Deed, de Jake Mahaffy
Boi Neon, de Gabriel Mascaro
Man Down, de Dito Montiel
Why Hast Thou Forsaken Me?, de Hadar Morag
Un monstruo de mil cabezas, de Rodrigo Pla
Mate-me Por Favor, de Anita Rocha Da Silveira
Taj Mahal, de Nicolas Saada
Interruption, de Yorgos Zois

FORA DE COMPETIÇÃO

Everest, de Baltasar Kormákur (FILME DE ABERTURA)
Go With Me
, de Daniel Alfredson

Non Essere Cattivo, de Claudio Caligari
Aliança do Crime (Black Mass), de Scott Cooper
Spotlight, de Thomas McCarthy
La Calle de la Amargura, de Arturo Ripstein
The Audition, de Martin Scorsese
Winter on Fire, de Evgeny Afineevsky
De Palma, de Noah Baumbach e Jake Paltrow
Janis, de Amy Berg
Sobytie, de Sergei Loznitsa
Gli Uomini di Questa Citta Io Non li Consoco, de Franceo Maresco
L’Esercito Piu Piccolo Del Mondo, de Gianfranco Pannone
Na Ri Xiawu, de Tsai Ming-liang
In Jackson Heights, de Frederick Wiseman
Human, de Yann Arthus-Bertrand 
La Vie et Rien D’Autre, de Bertrand Tavernier

Top 10 dos Diretores – Parte 3

A fotografia intimista de A Árvore da Vida

A Árvore da Vida, Terrence Malick: um dos trabalhos recentes mais bem votados entre diretores e críticos (photo by outnow.ch)

SELEÇÃO DE DIRETORES APRESENTA SENSO CRÍTICO E GOSTO PESSOAL

Para quem estava acompanhando as escolhas de filmes dos diretores (1ª parte: https://cinemaoscareafins.wordpress.com/2012/08/11/top-10-dos-diretores/ e 2ª parte: https://cinemaoscareafins.wordpress.com/2013/11/16/top-10-dos-diretores-parte-2/), esta é a terceira e última parte da matéria especial, lançada a cada dez anos pela revista britânica Sight & Sound. Infelizmente, a pesquisa não alcançou nomes consagrados como Steven Spielberg, Tim Burton, Clint Eastwood e Peter Jackson, mas há nomes interessantes como o do roteirista da nova trilogia de Star Wars, Lawrence Kasdan; do cineasta turco Nuri Bilge Ceylan, que venceu a Palma de Ouro este ano; do britânico Paul Greengrass que trabalha tão bem o limite entre ficção e documentário através de câmera na mão e montagem frenética nos filmes do agente Jason Bourne e do aclamado Vôo United 93.

Particularmente, gostei bastante das escolhas de Peter Farrelly. Como um dos melhores diretores de comédias atualmente, obviamente, ele não poderia deixar de mencionar o clássico Apertem os Cintos… O Piloto Sumiu, mas soube também valorizar a coragem de se fazer humor a partir de temas tabus à sociedade como fez Borat: O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América, que fala sobre gênero, raça e religião de forma que ilumina preconceitos existentes.  Ele destaca o amor pela arte do humor do comediante Sacha Baron Cohen, que poderia ter sido espancado ou até morto por suas piadas infames em prol de uma boa risada. Por Borat, ele sofreu uma série de processos judiciais por se passar por um personagem ingênuo para provocar gargalhadas. Apesar de tudo isso, Farrelly ressalta a injustiça da comédia ainda ser tratada como uma espécie de sub-gênero. Claro que Farrelly ganha pontos comigo por ter selecionado Sideways – Entre Umas e Outras, um de meus filmes favoritos.

Sacha Baron Cohen em cena de Borat. Segundo Farrelly, um dos mais corajosos filmes de comédia. (photo by outnow.ch)

Sacha Baron Cohen em cena de Borat. Segundo Farrelly, um dos mais corajosos filmes de comédia. (photo by outnow.ch)

Embora trate-se de uma matéria sobre diretores, vale destacar as escolhas do recém-falecido crítico de cinema Roger Ebert. Esta é a quinta vez que ele vota para a pesquisa da Sight & Sound, e confessa que é um desafio enorme incluir um filme novo a cada década. Para esta eleição, estava na dúvida entre Sinédoque, Nova York, de Charlie Kaufman e A Árvore da Vida, de Terrence Malick. Optou pelo último por acreditar que sua importância crescerá ao longo dos anos. Sua lista contempla uma abrangência da década de 40 até a atual, recordando grandes diretores como Federico Fellini, Yasujirô Ozu, Alfred Hitchcock e Stanley Kubrick.

É interessante verificar também as escolhas de três diretores brasileiros: Walter Salles e Tata Amaral, que elegeram trabalhos brasileiros como fonte rica de inspiração como O Bandido da Luz Vermelha, Terra em Transe e Vidas Secas, que reflete a ternura e a crueza do nordeste brasileiro em Central do Brasil e Abril Despedaçado de Walter Salles.

Lawrence Kasdan

Nasceu em janeiro de 1949 – Florida, EUALawrence Kasdan
Trabalhos em destaque: Corpos Ardentes (1981), O Reencontro (1983), O Turista Acidental (1988), Grand Canyon – Ansiedade de uma Geração (1991)

  • O Exército das Sombras (L’Armée des Ombres/ 1969, dir. Jean-Pierre Melville)
  • A Batalha de Argel (La Battaglia di Algeri/ 1966, dir. Gillo Pontecorvo)
  • Dr. Fantástico (Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb/ 1964, dir. Stanley Kubrick)
  • O Poderoso Chefão (The Godfather/ 1972, dir. Francis Ford Coppola)
  • As Vinhas da Ira (The Grapes of Wrath/ 1940, dir. John Ford)
  • Lawrence da Arábia (Lawrence of Arabia/ 1962, dir. David Lean)
  • Fuga ao Passado (Out of the Past/ 1947, dir. Jacques Tourneur)
  • A Regra do Jogo (La Règle du Jeu/ 1939, dir. Jean Renoir)
  • Os Sete Samurais (Shichinin no Samurai/ 1954, dir. Akira Kurosawa)
  • O Tesouro de Sierra Madre (The Treasure of the Sierra Madre/ 1948, dir. John Huston)

Lone Scherfig

Nasceu em maio de 1959 – Copenhague, Dinamarcalonescherfig_250x375
Trabalhos em destaque: Italiano Para Principiantes (2000), Educação (2009), Um Dia (2011).

  • 1900 (Novecento/ 1976, dir. Bernardo Bertolucci)
  • Se Meu Apartamento Falasse (The Apartment/ 1960, dir. Billy Wilder)
  • Ondas do Destino (Breaking the Waves/ 1996, dir. Lars von Trier)
  • Acossado (À bout de Souffle/ 1960, dir. Jean-Luc Godard)
  • Vidas Amargas (East of Eden/ 1955, dir. Elia Kazan)
  • Fanny & Alexander (Fanny och Alexander/ 1982, dir. Ingmar Bergman)
  • Desejo e Perigo (Se, jie/ 2007, dir. Ang Lee)
  • Songs from the Second Floor (Sånger från andra våningen/ 2000, dir. Roy Andersson)
  • A Fita Branca (Das weiße Band – Eine deutsche Kindergeschichte/ 2009, dir. Michael Haneke)
  • Ventos da Liberdade (The Wind that Shakes the Barley/ 2006, dir. Ken Loach)

Lukas Moodysson

Nasceu em janeiro de 1969 – Skåne Iän, SuéciaLukas+Moodysson+Best+Portraits+Toronto+jwY182nqFqZl
Trabalhos em destaque: Amigas de Colégio (1998), Bem-Vindos (2000), Para Sempre Lilya (2002), Corações em Conflito (2009).

  • 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias (4 Luni, 3 Saptâmani si 2 Zile/ 2007, dir. Cristian Mungiu)
  • O Barco – Inferno no Mar (Das Boot/ 1981, dir. Wolfgang Petersen)
  • Fanny & Alexander (Fanny och Alexander/ 1982, dir. Ingmar Bergman)
  • Hotel do Norte (Hôtel Du Nord/ 1938, dir. Marcel Carné)
  • A Morte de um Bookmaker Chinês (The Killing of a Chinese Bookie/ 1976, dir. John Cassavetes)
  • A Última Sessão de Cinema (The Last Picture Show/ 1971, dir. Peter Bogdanovich)
  • The Man on the Roof (Mannen på taket/ 1976, dir. Bo Widerberg)
  • Margot e o Casamento (Margot at the Wedding/ 2007, dir. Noah Baumbach)
  • O Espelho (Zerkalo/ 1975, dir. Andrei Tarkovsky)
  • A Swedish Love Story (En Kärlekshistoria/ 1970, dir. Roy Andersson)

Manoel de Oliveira

Nasceu em dezembro de 1908 – Oporto, PortugalManoel de Oliveira
Trabalhos em destaque: A Divina Comédia (1991), Cada um Com seu Cinema (2007), Singularidades de uma Loira (2009), O Estranho Caso de Angélica (2010).

  • O Encouraçado Potemkin (Bronenosets Potemkin/ 1925, dir. Sergei M. Eisenstein)
  • Gertrud (Gertrud/ 1964, dir. Carl Theodor Dreyer)
  • Em Busca do Ouro (The Gold Rush/ 1925, dir. Charles Chaplin)
  • O Delator (The Informer/ 1935, dir. John Ford)
  • Ivan, o Terrível (Ivan Groznyy/ 1944, dir. Sergei M. Eisenstein)
  • Romance na Itália (Viaggio in Italia/ 1954, dir. Roberto Rossellini)
  • Mouchette, a Virgem Possuída (Mouchtte/ 1967, dir. Robert Bresson)
  • O Martírio de Joana D’Arc (La Passion de Jeanne d’Arc/ 1928, dir. Carl Theodore Dreyer)
  • Playtime – Tempo de Diversão (Playtime/ 1967, dir. Jacques Tati)
  • Contos da Lua Vaga (Ugetsu Monogatari/ 1953, dir. Kenji Mizoguchi)

Marc Webb

Nasceu em agosto de 1974 – Indiana, EUAmarc-webb
Trabalhos em destaque: (500) Dias com Ela(2009), O Espetacular Homem-Aranha (2012), O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro (2014).

  • 8½ (8½/ 1963, dir. Federico Fellini)
  • Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Annie Hall/ 1977, dir. Woody Allen)
  • A Ponte do Rio Kwai (The Bridge on the River Kwai/ 1957, dir. David Lean)
  • Filhos da Esperança (Children of Men/ 2006, dir. Alfonso Cuarón)
  • Luzes da Cidade (City Lights/ 1931, dir. Charles Chaplin)
  • Sociedade dos Poetas Mortos (Dead Poets Society/ 1989, dir. Peter Weir)
  • A Primeira Noite de um Homem (The Graduate/ 1967, dir. Mike Nichols)
  • Cantando na Chuva (Singin’ in the Rain/ 1952, dir. Gene Kelly e Stanley Donen)
  • A Fraternidade é Vermelha (Trois Couleurs: Rouge/ 1994, dir. Krzysztof Kieslowski)
  • O Ano em que Vivemos em Perigo (The Year of Living Dangerously/ 1982, dir. Peter Weir)

Mark Romanek

Nasceu em setembro de 1959 – Illinois, EUAmark_romanek_getty_225
Trabalhos em destaque: Static (1985), Retratos de uma Obsessão (2002), Não me Abandone Jamais (2010)

  • 8½ (8½/ 1963, dir. Federico Fellini)
  • Andrei Rublev (Andrey Rublyov/ 1966, dir. Andrei Tarkovsky)
  • Apocalypse Now (Apocalyse Now/ 1979, dir. Francis Ford Coppola)
  • Barry Lyndon (Barry Lyndon/ 1975, dir. Stanley Kubrick)
  • Cidadão Kane (Citizen Kane/ 1941, dir. Orson Welles)
  • Cinzas no Paraíso (Days of Heaven/ 1978, dir. Terrence Malick)
  • Fanny & Alexander (Fanny och Alexander/ 1982, dir. Ingmar Bergman)
  • O Poderoso Chefão – Parte 2 (The Godfather: Part II/ 1974, dir. Francis Ford Coppola)
  • O Portal do Paraíso (Heaven’s Gate/ 1980, dir. Michael Cimino)
  • Lawrence da Arábia (Lawrence of Arabia/ 1962, dir. David Lean)

Martin McDonagh

Nasceu em março de 1970 – Londres, InglaterraMartin_McDonagh
Trabalhos em destaque: Six Shooter (2004), Na Mira do Chefe (2008), Sete Psicopatas e um Shih Tzu (2011).

  • Terra de Ninguém (Badlands/ 1973, dir. Terrence Malick)
  • Cidadão Kane (Citizen Kane/ 1941, dir. Orson Welles)
  • O Poderoso Chefão (The Godfather/ 1972, dir. Francis Ford Coppola)
  • Três Homens em Conflito (Il Buono, Il Brutto, Il Cattivo/ 1966, dir. Sergio Leone)
  • Manhattan (Manhattan/ 1979, dir. Woody Allen)
  • Neste Mundo e no Outro (A Matter of Life and Death/ 1946, dir. Michael Powell e Eric Pressburger)
  • O Mensageiro do Diabo (The Night of the Hunter/ 1955, dir. Charles Laughton)
  • Os Sete Samurais (Shichinin no Samurai/ 1954, dir. Akira Kurosawa)
  • Taxi Driver (Taxi Driver/ 1976, dir. Martin Scorsese)
  • Meu Ódio Será sua Herança (The Wild Bunch/ 1969, dir. Sam Peckinpah)

Matthew Vaughn

Nasceu em março de 1971 – Londres, InglaterraMatthew Vaughn
Trabalhos em destaque: Nem Tudo é o que Parece (2004), Stardust: O Mistério da Estrela (2007), Kick Ass: Quebrando Tudo (2010), X-Men: Primeira Classe (2011).

  • De Volta Para o Futuro (Back to the Future/ 1985, dir. Robert Zemeckis)
  • Muito Além do Jardim (Being There/ 1979, dir. Hal Ashby)
  • O Franco Atirador (The Deer Hunter/ 1978, dir. Michael Cimino)
  • Três Homens em Conflito (Il Buono, Il Brutto, Il Cattivo/ 1966, dir. Sergio Leone)
  • Lawrence da Arábia (Lawrence of Arabia/ 1962, dir. David Lean)
  • Os Caçadores da Arca Perdida (Raiders of the Lost Ark/ 1981, dir. Steven Spielberg)
  • Cães de Aluguel (Reservoir Dogs/ 1992, dir. Quentin Tarantino)
  • Rocky III (Rocky III/ 1982, dir. Sylvester Stallone)
  • Scarface (Scarface/ 1983, dir. Brian De Palma)
  • Guerra nas Estrelas (Star Wars/ 1977, dir. George Lucas)

Michael Apted

Nasceu em fevereiro de 1941 – Buckinghamshire, InglaterraMichael+Apted+Chronicles+Narnia+London+Premiere+c-IJPcC89ozl
Trabalhos em destaque: O Destino Mudou Sua Vida (1980), Nas Montanhas dos Gorilas (1988), Nell (1994), 007 – O Mundo Não é o Bastante (1999).

  • 2001: Uma Odisséia no Espaço (2001: A Space Odyssey/ 1968, dir. Stanley Kubrick)
  • 8½ (8½/ 1963, dir. Federico Fellini)
  • A Batalha de Argel (La Battaglia di Algeri/ 1966, dir. Gillo Pontecorvo)
  • Acossado (À bout de Souffle/ 1960, dir. Jean-Luc Godard)
  • Cidadão Kane (Citizen Kane/ 1941, dir. Orson Welles)
  • Desafio à Corrupção (The Hustler/ 1961, dir. Robert Rossen)
  • Kes (Kes/ 1969, dir. Ken Loach)
  • Noite e Neblina (Night and Fog/ 1955, dir. Alain Resnais)
  • O Sétimo Selo (Det Sjunde Inseglet/ 1957, dir. Ingmar Bergman)
  • Quanto Mais Quente Melhor (Some Like it Hot/ 1959, dir. Billy Wilder)

Mika Kaurismäki

Nasceu em setembro de 1955 – Orimatilla, FinlândiaMika Kaurismaki
Trabalhos em destaque: Absolutamente Los Angeles (1998), Moro no Brasil (2002), O Ciúme Mora ao Lado (2009).

  • Os Profissionais do Crime (Le Deuxième Souffle/ 1966, dir. Jean-Pierre Melville)
  • Mouchette, a Virgem Possuída (Mouchtte/ 1967, dir. Robert Bresson)
  • Era Uma Vez no Oeste (C’Era una Volta il West/ 1968, dir. Sergio Leone)
  • O Paraíso Infernal (Only Angels Have Wings/ 1939, dir. Howard Hawks)
  • Paixões que Alucinam (Shock Corridor/ 1963, dir. Samuel Fuller)
  • Quanto Mais Quente Melhor (Some Like it Hot/ 1959, dir. Billy Wilder)
  • Aurora (Sunrise: A Song of Two Humans/ 1927, dir. F.W. Murnau)
  • Ser ou Não Ser (To Be or Not to Be/ 1946, dir. Ernst Lubitsch)
  • Era Uma Vez em Tóquio (Tôkyô Monogatari/ 1953, dir. Yasujirô Ozu)
  • Contos da Lua Vaga (Ugetsu Monogatari/ 1953, dir. Kenji Mizoguchi)

Mike Figgis

Nasceu em fevereiro de 1948 – Cumberland, InglaterraFilm director Mike Figgis sits for a portrait in London, 12th August 2011.
Trabalhos em destaque: Despedida em Las Vegas (1995), Por uma Noite Apenas (1997), Timecode (2000), Garganta do Diabo (2010).

  • Bonnie e Clyde – Uma Rajada de Balas (Bonnie and Clyde/ 1967, dir. Arthur Penn)
  • Amargo Pesadelo (Deliverance/ 1972, dir. John Boorman)
  • A Doce Vida (La Dolce Vita/ 1960, dir. Federico Fellini)
  • Festa de Família (Festen/ 1998, dir. Thomas Vinterberg)
  • I Am Curious Yellow (Jag är nyfiken – en film i gult/ 1967, dir. Vilgot Sjöman)
  • A Última Sessão de Cinema (The Last Picture Show/ 1971, dir. Peter Bogdanovich)
  • Esse Obscuro Objeto do Desejo (Cet Obscur objet du Désir/ 1977, dir. Luis Buñuel)
  • Noite de Estréia (Opening Night/ 1977, dir. John Cassavetes)
  • Quando Duas Mulheres Pecam (Persona/ 1966, dir. Ingmar Bergman)
  • Week-End à Francesa (Week End/ 1967, dir. Jean-Luc Godard)

Mike Newell

Nasceu em março de 1942 – Hertfordshire, Inglaterramike-newell-024-20772
Trabalhos em destaque: Quatro Casamentos e um Funeral (1994), Donnie Brasco (1997), O Sorriso de Mona Lisa (2003), Harry Potter e o Cálice de Fogo (2005).

  • Andrei Rublev (Andrey Rublyov/ 1966, dir. Andrei Tarkovsky)
  • Trens Estreitamente Vigiados (Ostre sledované vlaky/ 1966, dir. Jirí Menzel)
  • Os Bons Companheiros (The Goodfellas/ 1990, dir. Martin Scorsese)
  • A Grande Ilusão (La Grande Illusion/ 1937, dir. Jean Renoir)
  • O Leopardo (Il Gattopardo, 1963, dir. Luchino Visconti)
  • Sob o Domínio do Mal (The Manchurian Candidate/ 1962, dir. John Frankenheimer)
  • Os Sete Samurais (Shichinin no Samurai/ 1954, dir. Akira Kurosawa)
  • A Estrada da Vida (La Strada/ 1954, dir. Federico Fellini)
  • Pacto Sinistro (Strangers on a Train/ 1951, dir. Alfred Hitchcock)
  • A Fita Branca (Das weiße Band – Eine deutsche Kindergeschichte/ 2009, dir. Michael Haneke)

Nuri Bilge Ceylan

Nasceu em janeiro de 1959 – Istambul, Turquianuri bilge ceylan
Trabalhos em destaque: Distante (2002), 3 Macacos (2008), Era uma Vez na Anatolia (2011), Winter Sleep (2014).

  • Andrei Rublev (Andrey Rublyov/ 1966, dir. Andrei Tarkovsky)
  • A Grande Testemunha (Au Hasard Balthazar/ 1966, dir. Robert Bresson)
  • A Aventura (L’Avventura/ 1960, dir. Michelangelo Antonioni)
  • O Eclipse (L’Eclisse/ 1962, dir. Michelangelo Antonioni)
  • Pai e Filha (Banshun/ 1949, dir. Yasujirô Ozu)
  • Um Condenado à Morte Escapou (Un condamné à mort s’est échappé ou Le vent souffle où il veut/ 1956, dir. Robert Bresson)
  • O Espelho (Zerkalo/ 1975, dir. Andrei Tarkovsky)
  • Quando Duas Mulheres Pecam (Persona/ 1966, dir. Ingmar Bergman)
  • Vergonha (Skammen/ 1968, dir. Ingmar Bergman)
  • Era Uma Vez em Tóquio (Tôkyô Monogatari/ 1953, dir. Yasujirô Ozu)

Olivier Assayas

Nasceu em janeiro de 1955 – Paris, FrançaOlivier Assayas
Trabalhos em destaque: Espionagem na Rede (2002), Clean (2004), Paris, Te Amo (2006), Horas de Verão (2008), Depois de Maio (2012).

  • 2001: Uma Odisséia no Espaço (2001: A Space Odyssey/ 1968, dir. Stanley Kubrick)
  • O Evangelho Segundo São Mateus (Il Vangelo Secondo Matteo/ 1964, dir. Pier Paolo Pasolini)
  • Ludwig (Ludwig/ 1972, dir. Luchino Visconti)
  • Um Condenado à Morte Escapou (Un condamné à mort s’est échappé ou Le vent souffle où il veut/ 1956, dir. Robert Bresson)
  • O Espelho (Zerkalo/ 1975, dir. Andrei Tarkovsky)
  • Napoleão (Napoléon/ 1927, dir. Abel Gance)
  • Playtime – Tempo de Diversão (Playtime/ 1967, dir. Jacques Tati)
  • A Regra do Jogo (La Règle du Jeu/ 1939, dir. Jean Renoir)
  • A Árvore da Vida (The Tree of Life/ 2011, dir. Terrence Malick)
  • Van Gogh (Van Gogh/ 1991, dir. Maurice Pialat)

Pablo Larraín

Nasceu em agosto de 1976 – Santiago, Chile67th Venice Film Festival - 'Post Mortem' Photocall
Trabalhos em destaque: Fuga (2006), Tony Manero (2008), Post Mortem (2010), No (2012).

  • 2001: Uma Odisséia no Espaço (2001: A Space Odyssey/ 1968, dir. Stanley Kubrick)
  • 8½ (8½/ 1963, dir. Federico Fellini)
  • Apocalypse Now (Apocalyse Now/ 1979, dir. Francis Ford Coppola)
  • A Infância de Ivan (Ivanovo detstvo/ 1962, dir. Andrei Tarkovsky)
  • A Palavra (Ordet/ 1955, dir. Carl Theodor Dreyer)
  • Rashomon (Rashômon/ 1950, dir. Akira Kurosawa)
  • Crepúsculo dos Deuses (Sunset Blvd./ 1950, dir. Billy Wilder)
  • Era Uma Vez em Tóquio (Tôkyô Monogatari/ 1953, dir. Yazujirô Ozu)
  • Um Corpo que Cai (Vertigo/ 1958, dir. Alfred Hitchcock)
  • Viver a Vida (Vivre sa vie: Film en douze tableaux/ 1962, dir. Jean-Luc Godard)

Pablo Stoll

Nasceu em 1954 – Montevidéu, UruguaiPabloStoll
Trabalhos em destaque: 25 Watts (2001), Whisky (2004), Hiroshima – Um Musical Silencioso (2009), 3(2012).

  • Se Meu Apartamento Falasse (The Apartment/ 1960, dir. Billy Wilder)
  • The Dependent (El Dependiente/ 1969, dir. Leonardo Favio)
  • Eleição (Election/ 1999, dir. Alexander Payne)
  • O Carrasco (El Verdugo/ 1963, dir. Luis García Berlanga)
  • Memórias do Subdesenvolvimento (Memorias del Subdesarrollo/ 1968, dir. Tomás Gutiérrez Alea)
  • A Noite dos Mortos-Vivos (The Night of the Living Dead/ 1968, dir. George Romero)
  • Rio 40 Graus (Rio 40 Graus/  1955, dir. Nelson Pereira dos Santos)
  • Onde Começa o Inferno (Rio Bravo/ 1959, dir. Howad Hawks)
  • Estranhos no Paraíso (Stranger than Paradise/ 1984, dir. Jim Jarmusch)
  • O Pântano (La Ciénaga/ 2001, dir. Lucrecia Martel)

Pablo Trapero

Nasceu em outubro de 1971 – Buenos Aires, ArgentinaPablo Trapero
Trabalhos em destaque: Mundo Grúa (1999), Leonera (2008), Abutres (2010), Elefante Branco (2012).

  • Os Incompreendidos (Les Quatre Cents Coups/ 1959, dir. François Truffaut)
  • 8½ (8½/ 1963, dir. Federico Fellini)
  • Aguirre, a Cólera dos Deuses (Aguirre, der Zorn Gottes/ 1972, dir. Werner Herzog)
  • Se Meu Apartamento Falasse (The Apartment/ 1960, dir. Billy Wilder)
  • O Poderoso Chefão (The Godfather/ 1972, dir. Francis Ford Coppola)
  • Tempos Modernos (Modern Times/ 1936, dir. Charles Chaplin)
  • Não Amarás (Krótki film o milosci/ 1988, dir. Krzysztof Kieslowski)
  • Taxi Driver (Taxi Driver/ 1976, dir. Martin Scorsese)
  • Os Imperdoáveis (Unforgiven/ 1992, dir. Clint Eastwood)
  • Viridiana (Viridiana/ 1961, dir. Luis Buñuel)

Paul Greengrass

Nasceu em agosto de 1955 – Surrey, Inglaterra The Great British Talent Event
Trabalhos em destaque: Domingo Sangrento (2002), A Supremacia Bourne (2004), Vôo United 93 (2006), O Ultimato Bourne (2007), Capitão Phillips (2013).

  • A Batalha de Argel (La Battaglia di Algeri/ 1966, dir. Gillo Pontecorvo)
  • O Encouraçado Potemkin (Bronenosets Potemkin/ 1925, dir. Sergei M. Eisenstein)
  • Ladrões de Bicicletas (Ladri di Biciclette/ 1948, dir. Vittorio De Sica)
  • Acossado (À bout de Souffle/ 1960, dir. Jean-Luc Godard)
  • Cidadão Kane (Citizen Kane/ 1941, dir. Orson Welles)
  • O Evangelho Segundo São Mateus (Il Vangelo Secondo Matteo/ 1964, dir. Pier Paolo Pasolini)
  • Kes (Kes/ 1969, dir. Ken Loach)
  • Os Sete Samurais (Shichinin no Samurai/ 1954, dir. Akira Kurosawa)
  • O Jogo da Guerra (The War Game/ 1965, dir. Peter Watkins)
  • Z (Z/ 1969, dir. Costa-Gavras)

Paul Schrader

Nasceu em julho de 1946 – Michigan, EUAPaul Schrader
Trabalhos em destaque: Gigolô Americano (1980), A Marca da Pantera (1982), Temporada de Caça (1997), Auto Focus (2002).

  • Cidadão Kane (Citizen Kane/ 1941, dir. Orson Welles)
  • O Conformista (Il Conformista/ 1970, dir. Bernardo Bertolucci)
  • Amor à Flor da Pele (Fa Yeung nin Wa/ 2000, dir. Wong Kar-Wai)
  • As Três Noites de Eva (The Lady Eve/ 1941, dir. Preston Sturges)
  • Orfeu (Orphée/ 1950, dir. Jean Cocteau)
  • O Batedor de Carteiras (Pickpocket/ 1959, dir. Robert Bresson)
  • A Regra do Jogo (La Règle du Jeu/ 1939, dir. Jean Renoir)
  • Era Uma Vez em Tóquio (Tôkyô Monogatari/ 1953, dir. Yasujirô Ozu)
  • Um Corpo que Cai (Vertigo/ 1958, dir. Alfred Hitchcock)
  • Meu Ódio Será sua Herança (The Wild Bunch/ 1969, dir. Sam Peckinpah)

Peter Davis

Nasceu em janeiro de 1937 – California, EUAPeter Davis
Trabalhos em destaque: Corações e Mentes (1974), Winnie and Nelson Mandela (1986), Nelson Mandela: Prisoner to President (1994).

  • Ladrões de Bicicletas (Ladri di Biciclette/ 1948, dir. Vittorio De Sica)
  • Acossado (À bout de Souffle/ 1960, dir. Jean-Luc Godard)
  • Casablanca (Casablanca/ 1942, dir. Michael Curtiz)
  • Cidadão Kane (Citizen Kane/ 1941, dir. Orson Welles)
  • O Discreto Charme da Burguesia (Le charme discret de la bourgeoisie/ 1972, dir. Luis Buñuel)
  • O Sétimo Selo (Det Sjunde Inseglet/ 1957, dir. Ingmar Bergman)
  • Quanto Mais Quente Melhor (Some Like it Hot/ 1959, dir. Billy Wilder)
  • Sempre aos Domingos (Les dimanches de Ville d’Avray/ 1962, dir. Serge Bourguignon)
  • Laços Humanos (A Tree Grows in Brooklyn/ 1945, dir. Elia Kazan)
  • A Hora do Lobo (Vargtimmen/ 1969, dir. Ingmar Bergman)

Peter Farrelly

Nasceu em dezembro de 1956 – Pennsylvania, EUAPeter+Farrelly
Trabalhos em destaque: Debi & Lóide: Dois Idiotas em Apuros (1994), Quem Vai Ficar com Mary? (1998), O Amor é Cego (2001), Ligado em Você (2003), Antes Só do que Mal Casado (2007).

  • Apertem os Cintos… O Piloto Sumiu (Airplane!/ 1980, dir. Jim Abrahams, David Zucker, Jerry Zucker)
  • Borat: O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América (Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan/ 2006, dir. Larry Charles)
  • A Felicidade Não se Compra (It’s a Wonderful Life/ 1946, dir. Frank Capra)
  • Tubarão (Jaws/ 1975, dir. Steven Spielberg)
  • Perdidos na Noite (Midnight Cowboy/ 1969, dir. John Schlesinger)
  • Um Estranho no Ninho (One Flew Over the Cuckoo’s Nest/ 1975, dir. Milos Forman)
  • Cães de Aluguel (Reservoir Dogs/ 1992, dir. Quentin Tarantino)
  • A Lista de Schindler (Schindler’s List/ 1993, dir. Steven Spielberg)
  • Sideways – Entre Umas e Outras (Sideways/ 2004, dir. Alexander Payne)
  • O Mágico de Oz (The Wizard of Oz/ 1939, dir. Victor Fleming)

Roger Ebert

Nasceu em junho de 1942 – Illinois, EUABookstore Appearance By Roger Ebert
Trabalhos em destaque: “Sneak Previews” (1975-1983), “At the Movies” (1982 – 1986), “Siskel & Ebert” e mais recentemente, crítico de cinema pelo jornal The Chicago Sun.

  • 2001: Uma Odisséia no Espaço (2001: A Space Odyssey/ 1968, dir. Stanley Kubrick)
  • Aguirre, a Cólera dos Deuses (Aguirre, der Zorn Gottes/ 1972, dir. Werner Herzog)
  • Apocalypse Now (Apocalyse Now/ 1979, dir. Francis Ford Coppola)
  • Cidadão Kane (Citizen Kane/ 1941, dir. Orson Welles)
  • A Doce Vida (La Dolce Vita/ 1960, dir. Federico Fellini)
  • General (The General/ 1926, dir. Buster Keaton)
  • Touro Indomável (Raging Bull/ 1980, dir. Martin Scorsese)
  • Era Uma Vez em Tóquio (Tôkyô Monogatari/ 1953, dir. Yasujirô Ozu)
  • A Árvore da Vida (The Tree of Life/ 2011, dir. Terrence Malick)
  • Um Corpo que Cai (Vertigo/ 1958, dir. Alfred Hitchcock)

Sam Mendes

Nasceu em agosto de 1965 – Berkshire, InglaterraCharlie and the Chocolate Factory - opening night
Trabalhos em destaque: Beleza Americana (1999), Estrada Para Perdição (2002), Foi Apenas um Sonho (2008), 007 – Operação Skyfall (2012).

  • Os Incompreendidos (Les Quatre Cents Coups/ 1959, dir. François Truffaut)
  • Veludo Azul (Blue Velvet/ 1986, dir. David Lynch)
  • Cidadão Kane (Citizen Kane/ 1941, dir. Orson Welles)
  • Fanny & Alexander (Fanny och Alexander/ 1982, dir. Ingmar Bergman)
  • O Poderoso Chefão – Parte 2 (The Godfather: Part II/ 1974, dir. Francis Ford Coppola)
  • Kes (Kes/ 1969, dir. Ken Loach)
  • O Bebê de Rosemary (Rosemary’s Baby/ 1968, dir. Roman Polanski)
  • Taxi Driver (Taxi Driver/ 1976, dir. Martin Scorsese)
  • Sangue Negro (There Will be Blood/ 2007, dir. Paul Thomas Anderson)
  • Um Corpo que Cai (Vertigo/ 1958, dir. Alfred Hitchcock)

Susanne Bier

Nasceu em abril de 1960 – Copenhague, Dinamarcasusannebier
Trabalhos em destaque: Brothers (2004), Depois do Casamento (2006), Em um Mundo Melhor (2010), Serena (2014).

  • Os Incompreendidos (Les Quatre Cents Coups/ 1959, dir. François Truffaut)
  • Se Meu Apartamento Falasse (The Apartment/ 1960, dir. Billy Wilder)
  • Apocalypse Now (Apocalyse Now/ 1979, dir. Francis Ford Coppola)
  • Ladrões de Bicicletas (Ladri di Biciclette/ 1948, dir. Vittorio De Sica)
  • Morte em Veneza (Morte a Venezia/ 1971, dir. Luchino Visconti)
  • O Franco Atirador (The Deer Hunter/ 1978, dir. Michael Cimino)
  • Fanny & Alexander (Fanny och Alexander/ 1982, dir. Ingmar Bergman)
  • Aconteceu Naquela Noite (It Happened One Night/ 1934, dir. Frank Capra)
  • Era Uma Vez no Oeste (C’Era una Volta il West/ 1968, dir. Sergio Leone)
  • Janela Indiscreta (Rear Window/ 1954, dir. Alfred Hitchcock)

Suzana Amaral

Nasceu em março de 1932 – São Paulo, BrasilSuzana Amaral
Trabalhos em destaque: A Hora da Estrela (1991), Uma Vida em Segredo (2001), Hotel Atlântico (2009).

  • 8½ (8½/ 1963, dir. Federico Fellini)
  • Berlin Alexanderplatz (Berlin Alexanderplatz/ 1980, dir. Rainer Werner Fassbinder)
  • Acossado (À bout de Souffle/ 1960, dir. Jean-Luc Godard)
  • Cidadão Kane (Citizen Kane/ 1941, dir. Orson Welles)
  • O Conformista (Il Conformista/ 1970, dir. Bernardo Bertolucci)
  • O Enigma de Kaspar Hauser (Jeder für sich und Gott gegen alle/ 1974, dir. Werner Herzog)
  • O Poderoso Chefão – Parte 2 (The Godfather: Part II/ 1974, dir. Francis Ford Coppola)
  • O Informante (The Insider/ 1999, dir. Michael Mann)
  • Pulp Fiction – Tempo de Violência (Pulp Fiction/ 1994, dir. Quentin Tarantino)
  • O Tambor (Die Blechtrommel/ 1979, dir. Volker Schlöndorff)

Tata Amaral

Nasceu em setembro de 1960 – São Paulo, Brasiltata_amaral_29052007_01
Trabalhos em destaque: Um Céu de Estrelas (1986), Através da Janela (2000), Antônia: O Filme (2006), Hoje (2011).

  • Acossado (À bout de Souffle/ 1960, dir. Jean-Luc Godard)
  • Um Dia de Cão (Dog Day Afternoon/ 1975, dir. Sidney Lumet)
  • Memórias do Subdesenvolvimento (Memorias del Subdesarrollo/ 1968, dir. Tomás Gutiérrez Alea)
  • Noite e Neblina (Night and Fog/ 1955, dir. Alain Resnais)
  • Nostalgia de la Luz (Nostalgia de la Luz/ 2010, dir: Patricio Guzmán)
  • Noite de Estréia (Opening Night/ 1977, dir. John Cassavetes)
  • Paranoid Park (Paranoid Park/ 2007, dir. Gus Van Sant)
  • O Bandido da Luz Vermelha (O Bandido da Luz Vermelha/ 1968, dir. Rogério Sganzerla)
  • Rocco e Seus Irmãos (Rocco e i Suoi Fratelli/ 1960, dir. Luchino Visconti)
  • Terra em Transe (Terra em Transe/ 1967, dir. Glauber Rocha)

Terry Jones

Nasceu em fevereiro de 1942 – Colwyn Bay, País de GalesTerry_Jones
Trabalhos em destaque: Monty Python Em Busca do Cálice Sagrado (1975), A Vida de Brian (1979), Monty Python – O Sentido da Vida (1983).

  • Crimes e Pecados (Crimes and Misdemeanors/ 1989, dir. Woody Allen)
  • E.T. – O Extraterrestre (E.T. The Extra-Terrestrial/ 1982, dir. Steven Spielberg)
  • Fanny & Alexander (Fanny och Alexander/ 1982, dir. Ingmar Bergman)
  • Festa de Família (Festen/ 1998, dir. Thomas Vinterberg)
  • General (The General/ 1926, dir. Buster Keaton)
  • Feitiço do Tempo (Groundhog Day/ 1993, dir. Harold Ramis)
  • Eles e Elas (Guys and Dolls/ 1955, dir. Joseph L. Mankiewicz)
  • Santa Não Sou (I’m no Angel/ 1933, dir. Wesley Ruggles)
  • Branca de Neve e os Sete Anões (Snow White and the Seven Dwarfs/ 1937, dir. David Hand)
  • Toy Story 3 (Toy Story 3/ 2010, dir. Lee Unkrich)

Tsai Ming-Liang

Nasceu em outubro de 1957 – Sarawak, Malásiatsai-ming-Liang
Trabalhos em destaque: Vive L’Amour (1994), O Rio (1997), O Buraco (1998), Adeus, Dragon Inn (2003), O Sabor da Melancia (2005).

  • Os Incompreendidos (Les Quatre Cents Coups/ 1959, dir. François Truffaut)
  • O Eclipse (L’Eclisse/ 1962, dir. Michelangelo Antonioni)
  • O Medo Consome a Alma (Angst essen Seele auf/ 1974, dir. Rainer Werner Fassbinder)
  • Adeus, Dragon Inn (Bu san/ 2003, dir. Tsai Ming-Liang)
  • Mouchette, a Virgem Possuída (Mouchtte/ 1967, dir. Robert Bresson)
  • O Mensageiro do Diabo (The Night of the Hunter/ 1955, dir. Charles Laughton)
  • Filho Único (Hitori Musuko/ 1936, dir. Yasujirô Ozu)
  • O Martírio de Joana D’Arc (La Passion de Jeanne d’Arc/ 1928, dir. Carl Theodore Dreyer)
  • Spring in a Small Town (Xiao cheng zhi chun/ 1948, dir. Fei Mu)
  • Aurora (Sunrise: A Song of Two Humans/ 1927, dir. F.W. Murnau)

Walter Salles

Nasceu em abril de 1956 – Rio de Janeiro, Brasilwalter-salles
Trabalhos em destaque: Central do Brasil (1998), Abril Despedaçado (2001), Diários de Motocicleta (2004), Linha de Passe (2008), Na Estrada (2012).

  • 8½ (8½/ 1963, dir. Federico Fellini)
  • Andrei Rublev (Andrey Rublyov/ 1966, dir. Andrei Tarkovsky)
  • Apocalypse Now (Apocalyse Now/ 1979, dir. Francis Ford Coppola)
  • Luzes da Cidade (City Lights/ 1931, dir. Charles Chaplin)
  • Memórias do Subdesenvolvimento (Memorias del Subdesarrollo/ 1968, dir. Tomás Gutiérrez Alea)
  • Profissão: Repórter (Professione: Reporter/ 1975, dir. Michelangelo Antonioni)
  • O Martírio de Joana D’Arc (La Passion de Jeanne d’Arc/ 1928, dir. Carl Theodore Dreyer)
  • O Demônio das Onze Horas (Pierrot le Fou/ 1965, dir: Jean-Luc Godard)
  • Vidas Secas (Vidas Secas/ 1963, dir. Nelson Pereira dos Santos)
  • A Hora do Lobo (Vargtimmen/ 1969, dir. Ingmar Bergman)

 

 

Vencedores do Festival de Veneza 2012

O grande vencedor de 2012: Kim Ki-duk por seu filme Pietà (foto por Domenico Stinellis/ Associated Press)

Produção sul-coreana, Pietà, leva prêmio máximo de Veneza batendo The Master

Enfim o festival de cinema mais antigo elegeu seu filme favorito entre 18 concorrentes. O presidente do júri desta 69ª edição, o diretor norte-americano Michael Mann, juntamente com os demais membros do júri (entre eles o diretor israelense Ari Folman, a atriz britânica Samantha Morton, o diretor italiano Matteo Garrone e o argentino Pablo Trapero), divulgaram a lista dos premiados e nitidamente, tentaram ser democráticos.

Embora The Master, de Paul Thomas Anderson, tenha sido mais embalado pela mídia, foi o filme sul-coreano, Pietà, que conseguiu maior consenso entre os membros do júri. No discurso de agradecimento do Leão de Ouro, o diretor Kim Ki-duk dedicou o filme “à humanidade e à nossa situação difícil numa crise capitalista extrema”. O drama narra a jornada de um cobrador de dívidas que mutila os devedores sem piedade para que recebam prêmios do seguro de acidente de trabalho e enfim, possam pagá-lo. A brutalidade desse universo chocou alguns espectadores, mas se mostrou bastante atual em tempos de crise.

Cena de Pietà: Cho Min-Soo e Lee Jung-jin

Para quem desconhece a filmografia de Kim Ki-duk, ele tem uma veia violenta, mas nunca gratuita. Seus filmes mais conhecidos por aqui são Primavera, Verão, Outono, Inverno… e Primavera (2003) e Casa Vazia (2004). Geralmente, essa violência de seus personagens vem à tona quando estes não entendem a situação e agem por impulso. Para quem acompanha os festivais internacionais, o diretor é uma figura carimbada que já levou prêmios importantes como o Urso de Prata para Melhor Diretor em 2004 por Samaria (Berlim), Un Certain Regard por Arirang em 2011 (Cannes), Melhor Diretor por Casa Vazia em 2004 (Veneza), mas nunca chegou ao Oscar. Aliás, o cinema sul-coreano como um todo jamais foi reconhecido pela Academia nem com uma mera indicação. Pra maioria dos votantes da Academia, filme asiático tem que ser de Akira Kurosawa ou uma pintura como os filmes de Zhang Yimou: Herói (2002) e O Clã das Adagas Voadoras (2004), assim como quase toda a Europa aposta num representante com tema judeu e Segunda Guerra para levar Melhor Filme Estrangeiro.

Michael Mann, presidente do júri da 69ª edição do Festival de Veneza (foto Pascal le Segretain/Getty Images Europe)

Até um dia anterior à premiação, o favoritismo ao Leão de Ouro estava nas mãos de Paul Thomas Anderson e seu The Master, carregando seus 75%. Em seguida, vinha o sul-coreano Pietà com 15% e por último, o italiano Bella Addormentata, de Marco Bellochio, com 10%. Coincidência ou não, todos os três apresentaram temas polêmicos, acarretando em discussões mais acaloradas entre os jornalistas e espectadores presentes. Nessa briga, The Master aborda o nascimento da Cientologia e Bella Addormentata discute a eutanásia ao adaptar um caso verídico.

Muitos jornalistas davam como certa a vitória do filme norte-americano, uma vez que o filme asiático continha cenas de violência extrema e até de incesto. Mas o que muitos não contavam era que Michael Mann tem temas violentos em sua filmografia, vide Fogo Contra Fogo, O Último dos Moicanos e Colateral, ea palavra final do júri é dele. Entretanto, como dito no começo, a premiação foi democrática.

Se The Master não levou o Leão de Ouro, saiu com dois prêmios: Melhor Diretor (Paul Thomas Anderson) e Melhor Ator para a dupla de protagonistas Joaquin Phoenix e Philip Seymour Hoffman, reconhecimento que automaticamente os coloca na corrida para o Oscar 2013, com uma ligeira vantagem para Phoenix, pois seu papel tem uma carga mais dramática. O prêmio de Melhor Atriz foi considerada a maior surpresa, pois todos esperavam pelo nome da atriz coreana Cho Min-Soo (Pietà), mas como o filme levou o maior prêmio, concederam esse reconhecimento para a jovem Hadas Yaron, protagonista do filme israelense Fill the Void, de Rama Burshtein e Yigal Bursztyn.

Philip Seymour Hoffman com a taça Volpi Cup de Melhor Ator. Joaquin Phoenix não esteve presente (foto por Joel Ryan/ Associated Press)

Os ares de Veneza ficam mais graciosos com Hadas Yaron, recebendo o Volpi Cup de Melhor Atriz por Fill the Void (foto por Tiziana Fabi/ AFP photo)

O prêmio especial do júri ficou com o austríaco Ulrich Seidl por Paradise: Faith, considerada a segunda parte de uma trilogia, iniciada com Paradise: Love, que foi indicada à Palma de Ouro em Cannes este ano. O cineasta francês Olivier Assayas ficou com Melhor Roteiro por Après mai (Somehting in the Air), enquanto que o prêmio de consolação patriota ficou com o italiano Daniele Ciprì por È stato il Figlio pela contribuição artística (fotografia). O grande favorito italiano, Bella Addormentata, acabou ficando apenas com o prêmio Marcello Mastroianni, dedicado ao jovem ator Fabrizio Falco, que atuou também em È stato il Figlio.

Entre os maiores perdedores do festival estão To the Wonder, novo filme do controverso Terrence Malick, e o retorno de Brian De Palma a uma competição importante com Passion. Ambos os trabalhos não foram bem recebidos pela crítica e pelo público. Como era de se esperar, o filme de Malick dividiu as opiniões e acabou prevalecendo a crítica negativa. Quanto a De Palma, muitos receberam seu filme friamente e o motivo principal seria sua falta de criatividade. Segundo os comentários, ele teria abusado do auto-plágio, acumulando referências de seus filmes anteriores, mas sem o mesmo frescor.

A revelação sueca Noomi Rapace demonstrando seu carinho pelo diretor Brian De Palma, que, após o festival precisa dar um “atualizar” (foto por Associated Press)

Assim como o Oscar, Globo de Ouro e SAG, nenhuma premiação consegue satisfazer o público de forma plena e soberana. Mas ao contrário do prêmio da Academia que muitas vezes padece por motivos comerciais e de lobby dos estúdios, os festivais internacionais sofrem de um pseudo-patriotismo por parte do júri. Se o presidente do júri for norte-americano e o filme que venceu o prêmio máximo também, uma discussão mais grave seria questão de tempo. Um dos casos mais graves ocorreu em 2010, quando Quentin Tarantino era presidente do júri de Veneza e decidiu entregar o Leão de Ouro à compatriota e ex-namorada, Sofia Coppola, pelo drama Um Lugar Qualquer. Por mais que o filme seja merecedor do ouro, haverá uma inevitável desconfiança do público. Seria como escalar um árbitro brasileiro para apitar uma partida entre Brasil e Argentina.

Nesta edição de Veneza, um repórter teria questionado o porquê de nenhum filme italiano ter conquistado um dos principais prêmios para o conterrâneo Matteo Garrone, membro do júri. Quando ia responder, o presidente Michael Mann interveio e proibiu qualquer explicação de critérios.

Infelizmente, a Arte caminha junto com interesses econômicos desde a época do mecenato e muitas vezes, isso acaba tirando o foco da própria Arte. Na maior parte das vezes, a melhor solução seria interpretar as escolhas dos melhores filmes como algo puramente subjetivo (preferencialmente defendido com argumentos válidos). Atitude essa permitida pela grandeza da Arte.

Veja lista completa dos prêmios concedidos em Veneza:

LEÃO DE OURO
PIETÀ de Kim Ki-duk (Coréia do Sul)
 
LEÃO DE PRATA para Melhor Diretor:
THE MASTER de Paul Thomas Anderson (EUA)
 
PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI:
Paradise: Faith de Ulrich Seidl (Áustria, Alemanha, França)
 
VOLPI CUP para Melhor Ator:
Philip Seymour Hoffman e Joaquin Phoenix (The Master/ EUA)
VOLPI CUP para Melhor Atriz:
Hadas Yaron (Fill the Void/ Israel)
 
PRÊMIO MARCELLO MASTROIANNI para Melhor Novo Ator Jovem:
Fabrizio Falco (Bella Addormentata e È stato il Figlio)
 
PRÊMIO DE MELHOR ROTEIRO:
Olivier Assayas (Apres Mai – Somehting in the Air)
PRÊMIO PELA MELHOR CONTRIBUIÇÃO TÉCNICA (FOTOGRAFIA):
Daniele Ciprì (È stato il Figlio)
 
 
LEÃO DO FUTURO – PRÊMIO “LUIGI DE LAURENTIIS” PARA PRIMEIRO FILME:
KÜF (MOLD), de Ali Aydin (Turquia, Alemanha)
 
PRÊMIOS ORIZZONTI:
para MELHOR FILME:
SAN ZI MEI (Three Sisters), de Wang Bing (França, Hong Kong)
para  PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI ORIZZONTI:
TANGO LIBRE de Frédéric Fonteyne (França, Bélgica, Luxemburgo)
para PRÊMIO YOUTUBE PARA MELHOR CURTA-METRAGEM ORIZZONTI:
CHO-DE de Yoo Min-young (Coréia do Sul)
para PRÊMIOS DE FILMES EUROPEUS 2012 EFA:
TITLOI TELOUS de Yorgos Zois (Grécia)
 
LEÃO DE OURO PELO CONJUNTO DA OBRA 2012:
Francesco Rosi
 
JAEGER-LECOULTRE GLÓRIA PARA O CINEASTA:
Spike Lee
PRÊMIO PERSOL
Michael Cimino
PRÊMIO L’ORÉAL PARIS PELO CINEMA
Giulia Bevilacqua
Confira o trailer do vencedor do Leão de Ouro, Pietà (com legendas em inglês):