‘HOMEM-ARANHA NO ARANHAVERSO’ ACUMULA 7 PRÊMIOS no ANNIE AWARDS

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Sete Annies para Homem-Aranha no Aranhaverso: um prêmio para cada versão aracnídea (pic by OutNow.CH)

No último fim de semana, aconteceu o 46º Annie Awards, considerado o Oscar das animações. Apesar dos recordistas de indicações terem sido Os Incríveis 2 e WiFi Ralph: Quebrando a Internet, foi a surpreendente animação da Sony Homem-Aranha no Aranhaverso que levou a melhor, conquistando todos os sete Annies a que estava indicado!

A escalada da animação do personagem da Marvel começou no final do ano passado, quando as bilheterias estouraram, seguida pelas vitórias no Globo de Ouro e no Critics’ Choice Awards, e há poucos dias venceu o Eddie Awards de montagem. O Annie apenas confirmou seu favoritismo, concedendo o maior prêmio da noite para Homem-Aranha no Aranhaverso.

Isso significa que o filme já garantiu o Oscar? Se fosse ano passado, poderíamos praticamente garantir, mas as regras da categoria mudaram. A partir deste ano, para eleger o Melhor Longa de Animação, os votos serão preferenciais como na votação de Melhor Filme, ou seja, o trabalho que apresentar a melhor média de notas vencerá. E isso pode ser um baita revés para o aracnídeo, pois muitos votantes idosos devem preferir animações mais conservadoras como WiFi Ralph.

Pela categoria de Animação Independente, o vencedor foi o japonês Mirai, de Mamoru Hosoda, que recentemente foi indicado ao Oscar pela primeira vez. Apesar de não ser uma produção do Studio Ghibli de Hayao Miyazaki, as animações nipônicas costumam ter lugar cativo nesta categoria do Oscar. Só está faltando mesmo mais estatuetas, já que a única animação em língua estrangeira a vencer em 17 anos foi A Viagem de Chihiro em 2002. Mirai concorria com a animação brasileira intitulada Tito e os Pássaros, que já tem data de lançamento marcada para março em Portugal e abril na França, mas sequer tem previsão no Brasil. Que pena.

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Cena de Mirai, vencedor do Annie de Longa de Animação Independente (pic by OutNow.CH)

Vencedores do 46º Annie Awards:

MELHOR LONGA DE ANIMAÇÃO

  • Homem-Aranha no Aranhaverso (Spider-Man: Into the Spider-Verse), Sony Pictures Animation

MELHOR LONGA DE ANIMAÇÃO INDEPENDENTE

  • Mirai, Studio Chizu

MELHOR PRODUÇÃO ANIMADA ESPECIAL

  • O Retorno de Mary Poppins

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO

  • Weekends

MELHORES EFEITOS ANIMADOS EM LONGA DE ANIMAÇÃO

  • Cesar Velazquez, Marie Tollec, Alexander Moaveni, Peter DeMund, Ian J. Coony (Wifi Ralph: Quebrando a Internet)

MELHOR ANIMAÇÃO DE PERSONAGEM EM LONGA DE ANIMAÇÃO

  • David Han (Homem-Aranha no Aranhaverso), Personagens: múltiplos

MELHOR ANIMAÇÃO DE PERSONAGEM EM FILME LIVE ACTION

  • Chris Sauve, James Baxter, Sandro Cleuzo (O Retorno de Mary Poppins)

MELHOR DESIGN DE PERSONAGENS EM LONGA DE ANIMAÇÃO

  • Shiyoon Kim (Homem-Aranha no Aranhaverso) Personagens: Uncle Aaron, Rio, Peter, Miles, King Pin, Gwen, Aunt May, Goblin, Jefferson

MELHOR DIREÇÃO DE LONGA DE ANIMAÇÃO

  • Bob Persichetti, Rodney Rothman e Peter Ramsey (Homem-Aranha no Aranhaverso)

MELHOR TRILHA MUSICAL EM LONGA DE ANIMAÇÃO

  • Michael Giacchino (Os Incríveis 2)

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO EM LONGA DE ANIMAÇÃO

  • Justin K. Thompson (Homem-Aranha no Aranhaverso)

MELHOR STORYBOARD EM LONGA DE ANIMAÇÃO

  • Dean Kelly (Os Incríveis 2)

MELHOR DUBLAGEM EM LONGA DE ANIMAÇÃO

  • Bryan Cranston (Ilha de Cachorros) Personagem: Chief

MELHOR ROTEIRO EM LONGA DE ANIMAÇÃO

  • Phil Lord e Rodney Rothman (Homem-Aranha no Aranhaverso)

MELHOR MONTAGEM EM LONGA DE ANIMAÇÃO

  • Bob Fisher, Andrew Levinton, Vivek Sharma (Homem-Aranha no Aranhaverso)
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Bryan Cranston venceu o Annie de Melhor Dublagem em Longa de Animação por Ilha dos Cachorros (pic by OutNow.CH)

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A 91ª cerimônia do Oscar acontece no dia 24 de fevereiro.

 

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‘GREEN BOOK: O GUIA’ VENCE o PGA e ASSUME o FAVORITISMO ao OSCAR 2019

30th Annual Producers Guild Awards, Show, The Beverly Hilton, Los Angeles, USA - 19 Jan 2019

O diretor e produtor Peter Farrelly aceita o prêmio do PGA por Green Book: O Guia (pic by Observatório do Cinema)

DEPOIS DE GANHAR GLOBO DE OURO, FILME CONQUISTA PGA E O FAVORITISMO

No último sábado, dia 19, a “dramédia” Green Book: O Guia conquistou o prestigiado PGA Award na 30ª cerimônia anual. Normalmente, o filme que se consagra aqui acaba levando a estatueta de Melhor Filme no Oscar. Foi assim em 20 ocasiões de 29, consolidando-se como um parâmetro confiável.

Além das estatísticas positivas a seu lado, o filme de Peter Farrelly está em ascensão num momento bastante crucial da temporada, ganhando 3 Globos de Ouro (incluindo Melhor Filme – Comédia ou Musical) e agora o PGA, pois estamos a poucos dias do fechamento da votação das indicações ao Oscar, cujo anúncio acontece na próxima terça-feira, dia 22. Vale recordar que a carreira do filme começou lá no Festival de Toronto, onde levou o People’s Choice Award.

Com a queda de Nasce uma Estrela na corrida rumo ao Oscar, Green Book tem se mostrado um filme de fórmulas que tem agradado gregos e troianos, e isso conta bastante na hora da votação, principalmente de Melhor Filme. E falando em agradar, poucos já acreditavam numa vitória maior de Roma no Oscar. Além de ser uma produção Netflix, que é mal vista por muitos profissionais mais conservadores de Hollywood, Roma continua sendo um filme com idioma estrangeiro, legendas, e em preto-e-branco, e essas características afastam boa parte dos votantes americanos.

Ou seja, na ausência de um concorrente mais ideal, Green Book está sendo eleito o queridinho do ano, pois se encaixa no momento sócio-político e evita polêmicas maiores em seu tratamento ao tema do racismo. Já os cinéfilos que apreciam maior profundidade ao tema, preferem Infiltrado na Klan, de Spike Lee, ou até mesmo Pantera Negra, de Ryan Coogler, que se tornou um marco na cultura afro.

Film Title: Green Book

Viggo Mortensen e Mahershala Ali em cena de Green Book: O Guia (pic by Diamond Filmes)

Na verdade, a polêmica de Green Book existe, mas do lado de fora. Primeiramente, ainda em novembro, o ator Viggo Mortensen estava numa sessão de perguntas e respostas sobre o filme em Los Angeles quando afirmou: “Por exemplo, ninguém mais usa o termo ‘crioulo’ hoje”. Só o fato de ter citado a palavra “nigger” já causou um alvoroço exagerado, independente do contexto. Muita gente já declarava na época que as chances de Oscar de Mortensen já tinham sido enterradas.

Mais recentemente, depois da vitória no Globo de Ouro, levantaram um tweet (sempre o Twitter) antigo do roteirista Nick Vallelonga (que é filho do personagem protagonista) teria apoiado o comentário de Trump dizendo que havia muçulmanos comemorando a queda das torres gêmeas em 2001. Logo em seguida, Nick excluiu sua conta no Twitter e lançou uma declaração: “Gostaria de pedir desculpas. Passei a vida tentando encontrar um meio de levar para as telas essa história de superação de diferenças e peço desculpas a todos que estão associados à produção de Green Book. Gostaria especialmente de me desculpar com o incrível e gentil Mahershala Ali e a todos os membros da fé muçulmana pela dor que causei. Também sinto muito pelo meu falecido pai que mudou muito com a amizade do Dr. Shirley e prometo que esta lição não está perdida para mim. Green Book é uma história sobre amor, aceitação e superação de barreiras, e eu farei melhor”. Mahershala Ali, que ganhou o Globo de Ouro de Coadjuvante, e deve ser novamente indicado ao Oscar, é de religião muçulmana.

twitter nick vallelonga

Imagem retirada da conta do Twitter do produtor Jordan Horowitz, que achou a atitude nojenta.

Ainda não sabemos se estas polêmicas vão interferir diretamente na campanha do filme no Oscar, mas certamente o filme deve perder votos pela lambança do roteirista. Como já disse em posts anteriores, chequem seus Twitters pois hoje em dia não há perdão para qualquer tipo de deslize. Uma palavra mal colocada e todo o trabalho pode sofrer consequências desastrosas.

Sobre as demais categorias, a vitória de Homem-Aranha no Aranhaverso reforça a vitória da animação no Globo de Ouro e a coloca como franco-favorito no Oscar, ainda mais que seus principais concorrentes da indústria são sequências: Os Incríveis 2 e WiFi Ralph: Quebrando a Internet. Já o documentário Won’t You Be My Neighbor? começou a temporada como favorito e deve permanecer no topo da lista. Gosto do documentário, mas acredito que estão premiando mais o personagem Fred Rogers do que o documentário em si.

MELHOR PRODUÇÃO DE CINEMA

  • GREEN BOOK: O GUIA (Green Book)
    Produtores: Jim Burke, Charles B. Wessler, Brian Currie, Peter Farrelly, Nick Vallelonga

MELHOR PRODUÇÃO DE ANIMAÇÃO

  • HOMEM-ARANHA NO ARANHAVERSO (Spider-Man: Into the Spider-Verse)
    Produtores: Avi Arad, Phil Lord, Christopher Miller, Amy Pascal, Christina Steinberg

MELHOR PRODUÇÃO DE DOCUMENTÁRIO

  • WON’T YOU BE MY NEIGHBOR?
    Produtores: Morgan Neville, Nicholas Ma, Caryn Capotosto

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As indicações ao Oscar 2019 serão anunciadas no dia 22 de janeiro às 11h20, horário de Brasília.

‘PANTERA NEGRA’, ‘BOHEMIAN RHAPSODY’ e ‘PODRES DE RICOS’ são INDICADOS ao PGA

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Michelle Yeoh, Henry Golding e Constance Wu em cena de Podres de Ricos (pic by Warner Bros)

Olá! Feliz Ano Novo! Primeiras saudações de 2019!

O blog começa com a divulgação dos indicados ao 30º Producers Guild of America (PGA), prêmio do sindicato de produtores. Pelo histórico, três quartos dos indicados costumam ser lembrados pela Academia na categoria de Melhor Filme. O outro quarto costuma ser aquele sucesso comercial que o Oscar tende a trocar por filmes mais conceituados.

MELHOR PRODUÇÃO DE CINEMA:

  • BOHEMIAN RHAPSODY (Bohemian Rhapsody)
    Produtor: Graham King
  • A FAVORITA (The Favourite)
    Produtores: Ceci Dempsey, Ed Guiney, Lee Magiday, Yorgos Lanthimos
  • GREEN BOOK: O GUIA (Green Book)
    Produtores: Jim Burke, Charles B. Wessler, Brian Currie, Peter Farrelly, Nick Vallelonga
  • INFILTRADO NA KLAN (BlacKkKlansman)
    Produtores: Sean McKittrick, Jason Blum, Raymond Mansfield, Jordan Peele, Spike Lee
  • UM LUGAR SILENCIOSO (A Quiet Place)
    Produtores: Michael Bay, Andrew Form, Brad Fuller
  • NASCE UMA ESTRELA (A Star is Born)
    Produtores: Bill Gerber, Bradley Cooper, Lynette Howell Taylor
  • PANTERA NEGRA (Black Panther)
    Produtor: Kevin Feige
  • PODRES DE RICOS (Crazy Rich Asians)
    Produtores: Nina Jacobson, Brad Simpson, John Penotti
  • ROMA (Roma)
    Produtores: Gabriela Rodríguez, Alfonso Cuarón
  • VICE
    Produtores: Dede Gardner, Jeremy Kleiner, Kevin Messick, Adam McKay

E no caso, acho que a exceção para o Oscar será Um Lugar Silencioso, que deve ser substituído por um Se a Rua Beale Falasse ou mesmo O Retorno de Mary Poppins, por exemplo, que foram esnobados aqui.

Dessa lista de 10, assisti a sete filmes. E honestamente, não sei se estou muito chato, mas não acho que esta lista representa uma boa seleção de filmes de 2018. Jamais colocaria Um Lugar Silencioso. Tem gente que adorou esse filme, mas achei tão bobo e genérico. Pegue até o Fim dos Tempos, do M. Night Shyamalan, e teremos um exemplo melhor de filme pós-apocalíptico do que este dirigido por John Krasinski, que foi elevado ao patamar de novo mestre do terror da noite para o dia. Shyamalan pode ter seus defeitos, mas é inegável que sabe filmar e aproveitar melhor o material que tem nas mãos. Apesar de nitidamente a sua seleção ter sido embasada nos números das bilheterias, pelo menos se trata de um filme de terror, que sempre foi um gênero excluído da cerimônia.

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Emily Blunt em cena de Um Lugar Silencioso (pic by Columbia Pictures)

Contudo, a grande discussão que podemos abordar aqui é: O que realmente está em análise para a escolha de um filme? Se for apenas por qualidade fílmica, as escolhas estão bem medianas. Se for considerar o sucesso comercial, indo na onda do suspenso Oscar de Filme Popular, está melhor balanceado com Pantera Negra (o recordista entre os indicados com 1.3 bilhão de dólares arrecadados), Bohemian Rhapsody (cerca de 700 milhões), Nasce uma Estrela (cerca de 380 milhões) e Podres de Ricos (cerca de 240 milhões), faltando Vingadores: Guerra Infinita (mais de 2 bilhões).

Porém o que parece realmente importar para a comissão votante é a importância do filme no cenário politicamente correto. E nesse quesito, os maiores beneficiados foram Pantera Negra, que definitivamente foi um fenômeno cultural e foi motivo de orgulho de toda a raça negra), e Podres de Ricos, com seu elenco formado exclusivamente por asiáticos, que sempre foram coadjuvantes em produções americanas.

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Lupita Nyong’o, Chadwick Boseman e Danai Gurira em cena de Pantera Negra (pic by Marvel Studios)

Como estamos vivendo novos tempos de caça às bruxas na internet, preciso ressaltar que não crucifico esses filmes por serem direcionados de forma política, pois são um reflexo dos novos tempos, mas a pergunta que faço é: Se os analisarmos apenas como cinema, são realmente bons filmes? É como se tirássemos os óculos 3D de Avatar, o filme continua ótimo e memorável?

Deixando de lado a polêmica, a indicação de Pantera Negra recompensa os esforços descomunais do produtor Kevin Feige, o homem por trás de todo o incrível planejamento dos filmes da Marvel Studios, que completou 10 anos em 2018 com o lançamento do fenomenal Vingadores: Guerra Infinita.

Entre os excluídos, além de Se a Rua Beale Falasse, temos O Primeiro Homem (filme que despencou na temporada de premiações), Oitava Série, No Coração da Escuridão e Poderia Me Perdoar?.

Pra quem fica antenado em estatísticas, o PGA acertou 20 dos últimos 29. E a última vez que houve divergência foi quando o PGA premiou La La Land, e o Oscar preferiu Moonlight.

MELHOR PRODUÇÃO DE ANIMAÇÃO

  • O GRINCH (Dr. Seuss’ The Grinch)
    Produtores: Chris Meledandri, Janet Healy
  • OS INCRÍVEIS 2 (Incredibles 2)
    Produtores: John Walker, Nicole Grindle
  • ILHA DOS CACHORROS (Isle of Dogs)
    Produtores: Ainda não determinados*
  • WIFI RALPH: QUEBRANDO A INTERNET (Ralph Breaks the Internet)
    Produtor: Clark Spencer
  • HOMEM-ARANHA NO ARANHAVERSO (Spider-Man: Into the Spider-Verse)
    Produtores: Avi Arad, Phil Lord, Christopher Miller, Amy Pascal, Christina Steinberg

Pela categoria de animações, quatro dos cinco indicados estão presentes em praticamente todas as listas até o momento. A única variável é O Grinch, que já foi substituído pelo japonês Mirai em ocasiões anteriores.

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Homem-Aranha no Aranhaverso (pic by Sony Pictures)

Já entre os cinco, o que mais tem crescido nas últimas semanas é Homem-Aranha no Aranhaverso. Além de super bem recebido pela crítica especializada, apresenta inovações nas técnicas de animação, misturando vários estilos de traços, com o grand finale do bilheteria engordando a cada semana pelo mundo.

MELHOR PRODUÇÃO DE DOCUMENTÁRIO

  • THE DAWN WALL
    Produtores: Josh Lowell, Peter Mortimer, Philipp Manderla
  • FREE SOLO
    Produtores: Elizabeth Chai Vasarhelyi, Jimmy Chin, Evan Hayes, Shannon Dill
  • HAL
    Produtores: Christine Beebe, Jonathan Lynch, Brian Morrow
  • INTO THE OKAVANGO
    Produtor: Neil Gelinas
  • RBG
    Produtores: Betsy West, Julie Cohen
  • TRÊS ESTRANHOS IDÊNTICOS (Three Identical Strangers)
    Produtores: Becky Read, Grace Hughes-Hallett
  • WON’T YOU BE MY NEIGHBOR?
    Produtores: Morgan Neville, Nicholas Ma, Caryn Capotosto

Este ano, o PGA resolveu ser mais generoso na categoria de documentário, indicando sete filmes. Quatro deles: Free Solo, RBG, Três Estranhos Idênticos e Won’t You Be My Neighbor estão entre os mais citados nos prêmios anteriores. Talvez a ausência mais sentida aqui seja Minding the Gap.

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Imagens de arquivo do diretor Hal Ashby do documentário Hal (pic by Oscilloscope)

Curiosamente, Hal, que achei que era sobre a criação do personagem HAL 9000 de 2001: Uma Odisséia no Espaço, é um documentário sobre o cineasta americano Hal Ashby, responsável por pérolas do cinema alternativo como Ensina-me a Viver (1971), Shampoo (1975), Amargo Regresso (1978) e Muito Além do Jardim (1979).

***

Os vencedores do PGA serão anunciados já no dia 19 de janeiro no Hotel Beverly Hilton.

2018 começando com EDDIE AWARDS, PGA e WGA

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Corra!, de Jordan Peele, presente nas três listas citadas: Eddie, PGA e WGA (pic by imdb.com)

PRÊMIOS DE SINDICATO VÃO REVELANDO SEUS CANDIDATOS NUM ANO BEM DIVERSIFICADO

Hello, pessoal! Feliz Ano Novo! Espero que todos tenham passado bem a virada e que este ano de 2018 seja de recuperação econômica (que o termo “crise” fique no passado) e que a eleição de novembro passe a limpo esta tão corrupta política brasileira.

Como de costume, o primeiro post do ano serve para revelar os indicados ao Eddie Awards, que é o prêmio do sindicato de montadores, mas com o PGA (Producers Guild of America) se antecipando, e o Writers Guild na cola, matarei TRÊS coelhos com uma só cajadada.

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EDDIE AWARDS

Como já citei aqui em outras ocasiões, a montagem costuma ser mais valorizada em filmes de ação como Mad Max: Estrada da Fúria, ou em narrativas não-lineares como o vencedor do ano passado A Chegada.

Assim como no Globo de Ouro, o Eddie tem duas categorias: Drama e Comédia ou Musical. Na teoria, essa divisão possibilita que as comédias não caiam no esquecimento da temporada de premiações, mas na prática, montagem de qualidade não tem gêneros. Particularmente, considero essa divisão muito prejudicial para os filmes de terror, que têm a obrigação de apresentar uma boa montagem, pois não são comédias ou musicais, e têm dificuldade de bater os dramas.

Enfim, neste ano, a categoria de drama tem como destaque Blade Runner 2049, montado pelo último vencedor Joe Walker, e Dunkirk que tem como méritos as sequências de bombardeio e o fato de ser o primeiro filme de Christopher Nolan com duração abaixo de duas horas desde Insônia (2002). Ambos competem com as montagens de The Post: A Guerra Secreta, A Grande Jogada e A Forma da Água.

Já pela categoria de comédia, a surpresa ficou por conta da inclusão de Três Anúncios Para um Crime, que vinha competindo como drama em outras premiações, inclusive no Globo de Ouro. Claro que, para quem conhece a filmografia, o diretor Martin McDonagh tem um forte apelo para comédias de humor negro, por isso seu trabalho pode ser interpretado de formas diferentes nessa questão de gênero.

Porém, o favorito desta categoria continua sendo Eu, Tonya, que tem colecionado prêmios e indicações importantes, seguido bem de perto por Em Ritmo de Fuga e Corra!, uma vez que apresentam boas cenas de ação e tensão. Curiosamente, Lady Bird, o mais legítimo representante da verve da comédia corre por fora.

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Margot Robbie em cena de Eu, Tonya, que concorre como montagem – comédia ou musical (pic by imdb.com)

Em animação, o novo trabalho da Pixar, Viva: A Vida é uma Festa deve ser premiado, enquanto na ala dos documentários, já que um dos favoritos Faces Places (Visages, Villages) da Agnès Varda não está na lista, talvez o filme sobre protestos de Los Angeles, LA 92, fature o prêmio.

Pelas categorias televisivas, destaque para Better Call Saul e Fargo em Drama, e Curb Your Enthusiasm em Comédia.

INDICADOS AO EDDIE AWARDS:

MELHOR MONTAGEM – DRAMA
* Joe Walker (Blade Runner 2049)
* Lee Smith (Dunkirk)
* Alan Baumgarten, Josh Schaeffer, Elliot Graham (A Grande Jogada)
* Michael Kahn, Sarah Broshar (The Post: A Guerra Secreta)
* Sidney Wolinsky (A Forma da Água)

MELHOR MONTAGEM – COMÉDIA OU MUSICAL
* Jonathan Amos, Paul Machliss (Em Ritmo de Fuga)
* Gregory Plotkin (Corra!)
* Tatiana S. Riegel (Eu, Tonya)
* Nick Houy (Lady Bird: É Hora de Voar)
* Jon Gregory (Três Anúncios Para um Crime)

MELHOR MONTAGEM – ANIMAÇÃO
* Steve Bloom (Viva: A Vida é uma Festa)
* Clair Dodgson (Meu Malvado Favorito 3)
* David Burrows, Matt Villa, John Venzon (LEGO Batman: O Filme)

MELHOR MONTAGEM – DOCUMENTÁRIO
* Aaron I. Butler (Cries From Syria)
* Joe Beshenkovsky, Will Znidaric, Brett Morgen (Jane)
* Ann Collins (Joan Didion: The Center Will Not Hold)
* TJ Martin, Scott Stevenson, Dan Lindsay (LA 92)

 

MELHOR MONTAGEM – DOCUMENTÁRIO DE TV
* Lasse Järvi, Doug Pray (The Defiant Ones — Ep: Part 1)
* Will Znidaric (Five Came Back — Ep: The Price of Victory)
* Inbal Lessner (The Nineties” — Ep: Can We All Get Along?)
* Ben Sozanski, ACE, Geeta Gandbhir; Andy Grieve (Rolling Stone: Stories from the Edge — Ep: 01)

Best Edited Comedy Series for Commercial Television
* John Peter Bernardo, Jamie Pedroza (Black-ish — Ep: Lemons)
* Kabir Akhtar, Kyla Plewes (Crazy Ex-Girlfriend — Ep: Josh’s Ex-Girlfriend Wants Revenge)
* Heather Capps, Ali Greer, Jordan Kim (Portlandia — Ep: Amore)
* Peter Beyt (Will & Grace — Ep: Grandpa Jack)

Best Edited Comedy Series for Non-Commercial Television
MELHOR MONTAGEM DE SÉRIES DE COMÉDIA DE EPISÓDIOS DE MEIA-HORA

* Steven Rasch (Curb Your Enthusiasm — Ep: Fatwa!)
* Jonathan Corn (Curb Your Enthusiasm — Ep: The Shucker)
* William Turro (Glow — Ep: Pilot)
* Roger Nygard, Gennady Fridman (Veep — Ep: Chicklet)

MELHOR MONTAGEM DE SÉRIES DRAMÁTICAS DE EPISÓDIOS DE UMA HORA – COM COMERCIAL
* Skip Macdonald (Better Call Saul — Ep: Chicanery)
* Kelley Dixon, Skip Macdonald (Better Call Saul — Ep: Witness)
* Henk Van Eeghen (Fargo — Ep: Aporia)
* Andrew Seklir (Fargo — Ep: Who Rules the Land of Denial)

MELHOR MONTAGEM DE SÉRIES DRAMÁTICAS DE EPISÓDIOS DE UMA HORA – SEM COMERCIAL
* David Berman (Big Little Lies — Ep: You Get What You Need)
* Tim Porter (Game of Thrones — Ep: Beyond the Wall)
* Julian Clarke, Wendy Hallam Martin (The Handmaid’s Tale — Ep: Offred)
* Kevin D. Ross (Stranger Things — Ep: The Gate)

MELHOR MONTAGEM DE MINISSÉRIES OU FILMES PARA TV
* Adam Penn, Ken Ramos (Feud — Ep: Pilot)
* James D. Wilcox (Genius: Einstein — Ep: Chapter One)
* Ron Patane (The Wizard of Lies)

MELHOR MONTAGEM – SÉRIES NÃO-ROTEIRIZADAS
* Rob Butler, Ben Bulatao (Deadliest Catch — Ep: Lost at Sea)
* Reggie Spangler, Ben Simoff, Kevin Hibbard, Vince Oresman (Leah Remini: Scientology and the Aftermath — Ep: The Perfect Scientology Family)
* Tim Clancy, Cameron Dennis, John Chimples, Denny Thomas (VICE News Tonight — Ep: Charlottesville: Race & Terror)

A cerimônia do Eddie Awards acontece no dia 26 de janeiro.

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PGA

PRODUCERS GUILD OF AMERICA (PGA)

Normalmente o filme que está na lista do PGA já tem um pé na categoria de Melhor Filme no Oscar, mas obviamente um ou outro filme deve ficar de fora. Ano passado, dos 10 indicados ao PGA, apenas Deadpool não conseguiu chegar ao tapete vermelho. Não que Deadpool precise de indicações ao Oscar, mas seria bacana ver um trabalho mais ousado e para adultos como candidato.

Seguindo a lógica e tradição, dessa nova lista, aliás, de ONZE filmes, Mulher-Maravilha deve ser o excluído da vez, mesmo num ano considerado das mulheres após os escândalos sexuais de Hollywood. Particularmente, não gosto do filme da Patty Jenkins e considero todos esses elogios e prêmios “overlooked”, mas de novo: Mulher-Maravilha não precisa de indicação ao Oscar, ainda mais depois desse sucesso estrondoso nas bilheterias.

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Chris Pine, Gal Gadot e Lucy Davis em cena de Mulher-Maravilha (pic by imdb.com)

Bom, antes de analisar à fundo, melhor revelar os onze candidatos primeiro. Aqui vão:

MELHOR PRODUÇÃO FÍLMICA:

DOENTES DE AMOR (The Big Sick)
Produtores: Judd Apatow, Barry Mendel

ME CHAME PELO SEU NOME (Call Me By Your Name)
Produtores: Peter Spears, Luca Guadagnino, Emilie Georges, Marco Morabito

DUNKIRK (Dunkirk)
Produtores: Emma Thomas, Christopher Nolan

CORRA! (Get Out)
Produtores: Sean McKittrick, Edward H. Hamm Jr., Jason Blum, Jordan Peele

EU, TONYA (I, Tonya)
Produtores: Bryan Unkeless, Steven Rogers, Margot Robbie, Tom Ackerley

LADY BIRD: É HORA DE VOAR (Lady Bird)
Produtores: Scott Rudin, Eli Bush, Evelyn O’Neill

A GRANDE JOGADA (Molly’s Game)
Producers: Mark Gordon, Amy Pascal, Matt Jackson

THE POST: A GUERRA SECRETA (The Post)
Produtores: Amy Pascal, Steven Spielberg, Kristie Macosko Krieger

A FORMA DA ÁGUA (The Shape Of Water)
Produtores: Guillermo del Toro, J. Miles Dale

TRÊS ANÚNCIOS PARA UM CRIME (Three Billboards Outside Ebbing, Missouri)
Produtores: Graham Broadbent, Pete Czernin, Martin McDonagh

MULHER-MARAVILHA (Wonder Woman)
Produtores: Charles Roven, Richard Suckle, Zack Snyder e Deborah Snyder

OK, vamos falar mal! Não, já falei de Mulher-Maravilha… haha
Bom, a lista não tem lá grandes surpresas. Temos os filmes que não podiam faltar devido ao seu bom histórico na temporada de premiações como The Post, A Forma da Água, Três Anúncios Para um Crime, Dunkirk, Lady Bird e Corra!.

Em termos de surpresas esperadas estão a inclusão de Me Chame Pelo Seu Nome e Doentes de Amor. O primeiro por duas questões: primeiro, o filme tem decaído um pouco desde seu início arrasador com os prêmios dos críticos de Los Angeles e do Independent Spirit Awards, e segundo porque ainda é um filme LGBT que precisa quebrar a barreira do conservadorismo desses prêmios. Já o segundo teve seu melhor momento quando foi lembrado em categorias principais no Critics’ Choice Awards, mas falhou miseravelmente para estar entre os indicados a Melhor Filme – Comédia ou Musical no Globo de Ouro.

Agora, de surpresa-surpresa mesmo foi a inclusão de A Grande Jogada, que vinha sendo lembrado apenas por sua atriz Jessica Chastain e um ou outro prêmio de roteiro, que foi escrito por um dos mestres do fast dialogue Aaron Sorkin. Se esse feito se repetir no Oscar, Chastain terá grandes chances de conquistar sua terceira indicação, mesmo tendo fortes candidatas pela frente como Meryl Streep, Frances McDormand, Saoirse Ronan e Sally Hawkins. E, claro, o já citado Mulher-Maravilha, cuja inclusão mais me soa como uma atitude de “fazer a média”, ainda mais por ser o 11º filme da lista ou plus one.

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Kevin Costner contracena com Jessica Chastain em A Grande Jogada (pic by imdb.com)

DOS EXCLUÍDOS

que mais senti falta foi Projeto Flórida, de Sean Baker. Tudo bem que o filme não é uma unanimidade como os favoritos, mas não li nenhuma crítica negativa que pudesse desqualificá-lo… E se formos levar em conta o contexto atual, o filme dialoga com a questão das minorias e imigrantes. Não dava pra entrar nessa lista?

Tem outro filme que supostamente era pra estar aqui, porque parece que filmes de guerra são feitos pra ganhar prêmios, que é O Destino de uma Nação. Antes de começar a temporada, todo mundo falava que esse filme ganharia o Oscar e daria finalmente o Oscar para Gary Oldman. Quando começaram os prêmios da crítica, o filme sumiu do radar, e aí as pessoas se questionavam: “Será que nem o Oscar pro Gary, vai??”. Eu sei que o ator merece há tempos uma estatueta, mas começo a ter minhas dúvidas também se ele tem mesmo toda essa chance.

E também vale citar o Mudbound, que de mais relevante conquistou uma indicação ao SAG de Melhor Elenco. Tem elementos da questão racial que estão no topic trend de Hollywood, e dirigido por uma mulher negra. Pode ser o filme a roubar a cadeira de Mulher-Maravilha no Oscar.

MELHOR PRODUÇÃO DE ANIMAÇÃO:

O PODEROSO CHEFINHO (The Boss Baby)
Producer: Ramsey Naito

VIVA: A VIDA É UMA FESTA (Coco)
Producer: Darla K. Anderson

MEU MALVADO FAVORITO 3 (Despicable Me 3)
Producers: Chris Meledandri, Janet Healy

O TOURO FERDINANDO (Ferdinand)
Producers: Lori Forte, Bruce Anderson

LEGO BATMAN: O FILME (The Lego Batman Movie)
Producers: Dan Lin, Phil Lord e Christopher Miller

Na categoria de animação, não tem muito o que falar. A Pixar deve conquistar mais um PGA com este belo exemplar de inclusão de imigrantes que é Viva: A Vida é uma Festa. Sem um possível estraga-festa que poderia ser Com Amor, Van Gogh, o caminho parece bem livre para o estúdio da Disney rumo a mais um PGA.

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Viva: A Vida é uma Festa concorre no PGA (pic by imdb.com)

MELHOR PRODUÇÃO DE DOCUMENTÁRIO:

CHASING CORAL

CITY OF GHOSTS

CRIES FROM SYRIA

EARTH: ONE AMAZING DAY

JANE

JOSHUA: TEENAGER VS. SUPERPOWER

THE NEWSPAPERMAN: THE LIFE AND TIMES OF BEN BRADLEE

Entre os documentários, o mais frequente nas premiações tem sido o novo filme de Agnès Varda, Visage, Villages, mas com ele ausente aqui, Jane, o filme sobre a especialista em primatas Jane Goodall pode se sobressair.

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Imagem de arquivo do documentário Jane, estrelado por Jane Goodall (pic by imdb.com)

Os vencedores serão anunciados no próximo dia 20 no Hotel Beverly Hilton.

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WRITERS GUILD AWARDS (WGA)

De todos esses prêmios de sindicatos, o mais chato, rígido e insignificante é o dos roteiristas. Além de ter uma série de regras desqualificatórias que acabam eliminando todos os anos importantes concorrentes, não aceitam roteiros de animações na competição. Sim, como se os roteiros de animações fossem coisa de criança.

Não à toa, roteiristas consagrados como Quentin Tarantino torcem o nariz, não é membro desse sindicato e mesmo assim, consegue ser indicado e ganhar Oscar como o fez em 2013 por Django Livre. Bom, claro que cada sindicato com seus estatutos, mas acho que poderiam pelo menos incluir uma categoria para animações. Se até o Oscar criou um prêmio para os longas de animação desde 2002, por que não o Writers Guild também?

Este ano, talvez o roteiro mais premiado até o momento foi um dos desclassificados: Três Anúncios Para um Crime, de Martin McDonagh. Com isso, teria menos chances no Oscar? Não. Além do já citado Tarantino, em 2015, o roteiro de Birdman venceu como Original depois de ter sido inelegível pelo WGA.

Felizmente, a safra de roteiros originais de 2017 pode suprir a ausência de Três Anúncios. O roteiro de Jordan Peele por Corra! compete com fortes concorrentes como Lady Bird, de Greta Gerwig, A Forma da Água, de Guillermo del Toro e Vanessa Taylor, além de Doentes de Amor, de Kumail Nanjiani, e Eu, Tonya, de Steven Rogers. Ainda dá pra citar o roteiro de Trama Fantasma, de Paul Thomas Anderson, que vinha recebendo prêmios, mas foi preterido aqui.

Já na categoria de Adaptações, curiosamente, roteiros que eram considerados certos como The Post: A Guerra Secreta e até Extraordinário ficaram de fora por motivo de escolha mesmo. Como no ano passado, quando o roteiro de Deadpool concorreu, temos outro roteiro adaptado dos quadrinhos dos X-Men na lista: Logan, escrito por Scott Frank, James Mangold e Michael Green. Não tem a originalidade e ousadia de seu antecessor, mas vale a lembrança de outro bem-sucedido filme para o público mais adulto.

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Dafne Keen, Patrick Stewart e Hugh Jackman em cena de Logan, que concorre como Roteiro Adaptado no WGA (pic by imdb.com)

Entre as adaptações, os favoritos O Artista do Desastre, de Scott Neustadter e Michael H. Weber, e A Grande Jogada, de Aaron Sorkin estão concorrendo com Me Chame Pelo Seu Nome, de James Ivory (que aos 89 anos conquista sua primeira indicação ao WGA), Mudbound, de Virgil Williams e Dee Rees, além do já citado Logan.

Na categoria de documentários, temos o veterano Alex Gibney concorrendo com No Stone Unturned, além de Jane, citado nos parágrafos de PGA acima, que está pré-selecionado para o Oscar.

ROTEIRO ORIGINAL
* Emily V. Gordon & Kumail Nanjiani (Doentes de Amor)
* Jordan Peele (Corra!)
* Steven Rogers (Eu, Tonya)
* Greta Gerwig (Lady Bird)
* Guillermo del Toro e Vanessa Taylor (A Forma da Água)

ROTEIRO ADAPTADO
* James Ivory; Baseado no romance de André Aciman (Me Chame Pelo Seu Nome)
* Scott Neustadter e Michael H. Weber; Baseado no livro “The Disaster Artist: My Life Inside the Room, the Greatest Bad Movie Ever Made” de Greg Sestero e Tom Bissell (O Artista do Desastre)
* Scott Frank, James Mangold e Michael Green; Baseado nos personagens dos quadrinhos de X-Men (Logan)
* Aaron Sorkin; Baseado no livro de Molly Bloom (A Grande Jogada)
* Virgil Williams e Dee Rees; Baseado no romance de Hillary Jordan (Mudbound)

ROTEIRO DE DOCUMENTÁRIO
* Theodore Braun (Betting on Zero)
* Brett Morgen (Jane)
* Alex Gibney (No Stone Unturned)
* Barak Goodman (Oklahoma City)

A 70ª edição do WGA está marcada para o dia 11 de fevereiro.

‘Birdman’ e ‘O Grande Hotel Budapeste’ lideram indicações ao Oscar 2015!

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OS NÚMEROS DO OSCAR 2015

Os recordistas em indicações desta 87ª edição do Oscar são Birdman e O Grande Hotel Budapeste, ambos com nove cada. Ao contrário do que vinha acontecendo nos anos anteriores em que a Academia indicava 9 produções, este ano decidiu preencher apenas 8 vagas das 10 disponíveis. Curiosamente, o filme sobre Direitos Civis, Selma, conquistou apenas a indicação de Filme e de Canção Original. Por outro lado, o mega-ascendente Sniper Americano coletou um total de 6 indicações, mas seu diretor Clint Eastwood não foi incluso na categoria de Direção, enfraquecendo bastante as chances de vitória da produção como Melhor Filme. Enquanto que Foxcatcher conseguiu a proeza de resgatar Bennett Miller pra Melhor Diretor (pra muitos ele já era considerado carta fora do baralho), mas falhou na indicação a Melhor Filme! Pô, não poderiam ter indicado o filme também e ocupado a nona vaga?

Michael Keaton e Emma Stone em cena de Birdman: ambos foram indicados para ator e atriz coadjuvante. (photo by outnow.ch)

Michael Keaton e Emma Stone em cena de Birdman: ambos foram indicados para ator e atriz coadjuvante. (photo by outnow.ch)

Apesar de contar apenas com 6 indicações, Boyhood ainda permanece como um dos grandes favoritos a conquistar o Oscar de Filme e Direção. Também não dá pra descartar as oito indicações de O Jogo da Imitação, ainda mais que seu diretor Morten Tyldum foi indicado a Diretor.

Vale sempre ressaltar que Meryl Streep está de volta! Ela é a super-recordista em termos de indicações no Oscar das categorias de atuação, pois esta é sua 19ª indicação. Ela concorre como coadjuvante por Caminhos da Floresta, mas não é a favorita.

Meryl Streep (Caminhos da Floresta) - photo by elfilm.com

19ª indicação ao Oscar: só pode ser Meryl Streep (Caminhos da Floresta) – photo by elfilm.com

ANÚNCIO DOS INDICADOS

Pra quem não conseguiu acompanhar ao vivo, segue link do YouTube do canal oficial do Oscar:

Pela primeira vez, o anúncio abrangeu todas as 24 categorias e por isso, foi dividido em duas partes. Enquanto os diretores Alfonso Cuarón e J.J. Abrams se encarregaram das categorias mais técnicas, o ator Chris Pine e a presidente da Academia, Cheryl Boone Isaacs, encarregaram-se das categorias principais.

SURPRESAS

Com a ascensão de Sniper Americano, não seria uma mega-surpresa ver o nome de Bradley Cooper na categoria de Ator. Sinceramente, acho que fiquei mais surpreso ao ver a exclusão de Clint Eastwood como Diretor do que a inclusão de Cooper como Ator. Bom, a Academia adora Bradley, tanto que esta é sua terceira indicação consecutiva! Ele concorreu por O Lado Bom da Vida e Trapaça, ambos sob direção de David O. Russell. Muitos críticos afirmam que este é seu melhor trabalho, pois foi o papel que mais exigiu transformação física e psicológica por parte do ator.

Novo filme de Clint Eastwood, Sniper Americano, consegue adentrar na festa da PGA (photo by outnow.ch)

Bradley Cooper por Sniper Americano (photo by outnow.ch)

Fiquei bastante feliz pela inclusão de Marion Cotillard como Melhor Atriz. Ela recebe sua segunda indicação, e a primeira depois de sua vitória em 2008 por Piaf – Um Hino ao Amor, sob direção dos irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne, figuras frequentes no Festival de Cannes. Havia forte possibilidade também de ela ser indicada pela interpretação em O Imigrante, de James Gray. A sua inclusão também me agradou pela consequente exclusão de Jennifer Aniston (Cake: Uma Razão Para Viver), que vinha sendo indicada para os principais prêmios como SAG e Globo de Ouro.

Marion Cotillard (Dois Dias, Uma Noite) - photo by outnow.ch

Marion Cotillard (Dois Dias, Uma Noite) – photo by outnow.ch

Apesar de ainda não ter conferido O Ano Mais Violento, novo trabalho da atriz Jessica Chastain, não gostei da sua exclusão para dar lugar à Laura Dern (Livre). Assisti a Livre na última Mostra de Cinema de SP e achei seu papel muito ralo e de importância mais simbólica para a protagonista vivida por Reese Whitherspoon. Havia possibilidade de Rene Russo ser indicada como coadjuvante também, o que me agradaria mais do que Dern, mas a Academia preferiu a formação de dupla indicação para as atrizes de Livre, talvez pelo sucesso de Clube de Compras Dallas do mesmo diretor Jean-Marc Vallée.

Como já citado anteriormente, a inclusão de Bennett Miller foi uma surpresa também, pois depois que ele ganhou o prêmio de Direção no último Festival de Cannes, em maio de 2014, ele pouco frequentou as listas de Melhor Diretor da temporada. Esta é sua segunda indicação ao Oscar – foi indicado por Capote em 2006 – mas como seu filme, Foxcatcher, não foi indicado a Melhor Filme, tem poucas chances de conquistar a estatueta, talvez até menores do que o mais desconhecido norueguês Morten Tyldum, pois O Jogo da Imitação está entre os Melhores Filmes.

Bennett Miller (Foxcatcher)

Bennett Miller (Foxcatcher)

Bacana também lembrar que o documentário sobre o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, O Sal da Terra, foi indicado. Dirigido pelo veterano Wim Wenders com a colaboração do filho de Sebastião, Juliano Ribeiro Salgado, o documentário terá forte concorrência com o favorito CitizenFour (sobre Edward Snowden) e A Fotografia Oculta de Vivian Maier.

Wim Wenders com o fotógrafo Sebastião Salgado (photo by outnow.ch)

Wim Wenders com o fotógrafo Sebastião Salgado (photo by outnow.ch)

Não que se trate exatamente de uma surpresa, mas adorei a indicação do argentino Relatos Selvagens como Melhor Filme em Língua Estrangeira. Apesar do franco-favoritismo do polonês Ida e do russo Leviatã, a presença do argentino representa o cinema latino, e muito bem. Para quem ainda não viu, Relatos Selvagens permanece em cartaz em algumas salas aqui em São Paulo. Imperdível. Particularmente, entre os indicados, considero o russo Leviatã o melhor filme por melhor captar o espírito da Rússia atual de Vladimir Putin de forma inteligente.

Também cito aqui a dupla indicação merecida de Alexandre Desplat na categoria de Trilha Musical Original. Ele concorre por O Grande Hotel Budapeste e O Jogo da Imitação. Estas são suas sétima e oitava indicações ao Oscar sem vitória até o momento. Será que finalmente vai chegar a vez de Desplat? A última vez que um compositor foi indicado por dois filmes no mesmo ano foi em 2006, com John Williams concorrendo por Memórias de uma Gueixa e Munique. Ele perdeu para Gustavo Santaolalla por O Segredo de Brokeback Mountain, ou seja, não é garantia de nada…

AUSÊNCIAS

Acho que se fosse para nomear apenas uma ausência marcante, esta seria a de Jake Gyllenhaal por O Abutre. Tudo bem que o filme é sombrio demais para alguns membros votantes da Academia mais conservadores, mas é inegável o esforço do ator para se transformar nesse paparazzi de tragédias. Como atores que perdem peso costumam ser indicados e até ganhar o Oscar (vide Matthew McConaughey ano passado), acreditava-se que Jake iria tirar de letra esta sua segunda indicação. Felizmente, como prêmio de consolo, seu diretor Dan Gilroy, recebeu sua indicação para Melhor Roteiro Original, mas acho muito pouco para um dos filmes mais comentados de 2014.

Jake Gyllenhaal (O Abutre) - photo by outnow.ch

Jake Gyllenhaal (O Abutre) – photo by outnow.ch

A animação Uma Aventura Lego estava ganhando quase todos os prêmios, exceto o Globo de Ouro, que acabou nas mãos de Como Treinar o seu Dragão 2, então era praticamente certeza sua indicação na categoria. Não foi o que aconteceu e o filme ficou apenas com uma indicação para Melhor Canção Original. Para minha alegria e dos amantes do cinema 2D e nipônico, O Conto da Princesa Kaguya conseguiu seu lugar ao sol, comprovando que a categoria tem forte influência internacional desde seu segundo ano, quando A Viagem de Chihiro ganhou o Oscar. Inconformado com a exclusão de Uma Aventura lego, o diretor Phil Lord postou em seu twitter:

A quase total ausência de Selma pode ser considerada uma surpresa, pois apesar de não terem entregue as cópias para os sindicatos, os responsáveis pela campanha não se esqueceram dos membros da Academia. Contudo, há uma polêmica envolvendo erros históricos envolvendo o então presidente Lyndon B. Johnson, que certamente prejudicou a escalada do filme no Oscar. Resultado final: 2 indicações – Filme e Canção Original. Campanha pífia. Sua diretora Ava DuVernay, que tinha chances de ser tornar a primeira mulher negra na categoria, e o ator David Oyelowo foram ignorados no anúncio dos indicados. Acredito que Selma só conseguiu a indicação de Melhor Filme pela força e influência de Oprah Winfrey, que é produtora do longa.

Mal as indicações saíram do forno e já estou vendo algumas manifestações na internet de racismo e falta de diversidade por parte da Academia, como as de Brent Lang (http://variety.com/2015/film/news/oscar-nomination-selma-snub-diversity-1201405804/). Só porque os membros decidiram não votar para a diretora Ava DuVernay, muita gente já acredita que se trata de racismo. Peraí! Vamos com calma. Se até Clint Eastwood, que é um dos melhores diretores da atualidade não está na lista, por que DuVernay não pode ficar de fora também? Eu tinha postado aqui anteriormente que achava que a Academia não perderia a oportunidade de fazer história ao indicar a primeira afro-americana na categoria de Direção, mas se não foi desta vez, e ela manter o bom trabalho, tenho certeza de que ela será reconhecida dentro de poucos anos. O fato de David Oyelowo não estar na lista também não indica racismo; talvez os votantes não gostaram da atuação dele e do sotaque britânico-americanizado dele para viver o líder Martin Luther King. E daí que não houve negros indicados? Não teve nenhum asiático (como o Miyavi por exemplo, por Invencível) e não estou aqui reclamando da minha “cota asiática”. A Academia tem uma história bonita com a raça negra. Como George Clooney ressaltou em seu discurso de agradecimento por Syriana – A Indústria do Petróleo em 2006, a Academia deu o Oscar para Hattie McDaniel por …E o Vento Levou em 1940, quando negros se sentavam nos fundos dos cinemas! Enfim… acho muita tempestade em copo d’água, ainda mais em se tratando de uma Arte, que não enxerga raça, cor, sexo e religião. Aliás, a exclusão de Angelina Jolie (Invencível) como diretora no Oscar caminha na mesma direção. Poxa, é apenas o segundo filme dirigido por ela! Vamos com calma que ela tem muito a evoluir também. Não dá pra ignorar também que Angelina tem muitos críticos como o produtor Scott Rudin que a chamou de “minimamente talentosa” naqueles e-mails vazados da Sony por hackers.

Confira os indicados ao Oscar 2015:

MELHOR FILME
* Sniper Americano (American Sniper)
* Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (Birdman)
* Boyhood: Da Infância à Juventude (Boyhood)
* O Grande Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel)
* O Jogo da Imitação (The Imitation Game)
* Selma (Selma)
* A Teoria de Tudo (The Theory of Everything)
* Whiplash: Em Busca da Perfeição (Whiplash)

MELHOR DIRETOR
* Wes Anderson (O Grande Hotel Budapeste)
* Alejandro González Iñárritu (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância))
* Richard Linklater (Boyhood: Da Infância à Juventude)
* Bennett Miller (Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo)
* Morten Tyldum (O Jogo da Imitação)

MELHOR ATOR
* Steve Carell (Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo)
* Bradley Cooper (Sniper Americano)
* Benedict Cumberbatch (O Jogo da Imitação)
* Michael Keaton (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância))
* Eddie Redmayne (A Teoria de Tudo)

MELHOR ATRIZ
* Marion Cotillard (Dois Dias, Uma Noite)
* Felicity Jones (A Teoria de Tudo)
* Julianne Moore (Para Sempre Alice)
* Rosamund Pike (Garota Exemplar)
* Reese Witherspoon (Livre)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
* Robert Duvall (O Juiz)
* Ethan Hawke (Boyhood: Da Infância à Juventude)
* Edward Norton (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância))
* Mark Ruffalo (Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo)
* J.K. Simmons (Whiplash: Em Busca da Perfeição)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
* Patricia Arquette (Boyhood: Da Infância à Juventude)
* Laura Dern (Livre)
* Keira Knightley (O Jogo da Imitação)
* Emma Stone (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância))
* Meryl Streep (Caminhos da Floresta)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
* Alejandro González Iñárritu, Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris, Armando Bo (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância))
* Richard Linklater (Boyhood: Da Infância à Juventude)
* E. Max Frye, Dan Futterman (Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo)
* Wes Anderson, Hugo Guinness (O Grande Hotel Budapeste)
* Dan Gilroy (O Abutre)

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
* Jason Hall (Sniper Americano)
* Paul Thomas Anderson (Vício Inerente)
* Graham Moore (O Jogo da Imitação)
* Anthony McCarten (A Teoria de Tudo)
* Damien Chazelle (Whiplash: Em Busca da Perfeição)

MELHOR FOTOGRAFIA
* Emmanuel Lubezki (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância))
* Robert D. Yeoman (O Grande Hotel Budapeste)
* Lukasz Zal, Ryszard Lenczewski (Ida)
* Dick Pope (Sr. Turner)
* Roger Deakins (Invencível)

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
* Adam Stockhausen e Anna Pinnock (O Grande Hotel Budapeste)
* Maria Djurkovic e Tatiana Macdonald (O Jogo da Imitação)
* Nathan Crowley e Gary Fettis (Interestelar)
* Dennis Gassner e Anna Pinnock (Caminhos da Floresta)
* Suzie Davies e Charlotte Watts (Sr. Turner)

MELHOR MONTAGEM
* Joel Cox e Gary D. Roach (Sniper Americano)
* Sandra Adair (Boyhood: Da Infância à Juventude)
* William Goldenberg (O Jogo da Imitação)
* Barney Pilling (O Grande Hotel Budapeste)
* Tom Cross (Whiplash: Em Busca da Perfeição)

MELHOR FIGURINO
* Milena Canonero (O Grande Hotel Budapeste)
* Mark Bridges (Vício Inerente)
* Colleen Atwood (Caminhos da Floresta)
* Anna B. Sheppard (Malévola)
* Jacqueline Durran (Sr. Turner)

MELHOR MAQUIAGEM E CABELO
* Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo
* O Grande Hotel Budapeste
* Guardiões da Galáxia

MELHOR TRILHA MUSICAL ORIGINAL
* Alexandre Desplat (O Grande Hotel Budapeste)
* Alexandre Desplat (O Jogo da Imitação)
* Jóhann Jóhannsson (A Teoria de Tudo)
* Gary Yershon (Sr. Turner)
* Hans Zimmer (Interestelar)

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
* “Everything is Awesome”, de Shawn Patterson (Uma Aventura Lego)
* “Glory”, de John Stephens e Lonnie Lynn (Selma)
* “Grateful”, de Diane Warren (Beyond the Lights)
* “I’m Not Gonna Miss You”, de Glen Campbell e Julian Raymond (Glen Campbell… I’ll Be Me)
* “Lost Stars”, de Gregg Alexander e Danielle Brisebois (Mesmo Se Nada Der Certo)

MELHOR SOM
* John Reitz, Gregg Rudloff e Walt Martin (Sniper Americano)
* Jon Taylor, Frank A. Montaño e Thomas Varga (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)
* Gary A. Rizzo, Gregg Landaker e Mark Weingarten (Interestelar)
* Jon Taylor, Frank A. Montaño e David Lee (Invencível)
* Craig Mann, Ben Wilkins e Thomas Curley (Whiplash: Em Busca da Perfeição)

MELHORES EFEITOS SONOROS
* Alan Robert Murray e Bub Asman (Sniper Americano)
* Martin Hernández e Aaron Glascock (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância))
* Brent Burge e Jason Canovas (O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos)
* Richard King (Interestelar)
* Becky Sullivan e Andrew DeCristofaro (Invencível)

MELHORES EFEITOS VISUAIS
* Capitão América: O Soldado Invernal
* Planeta dos Macacos: O Confronto
* Guardiões da Galáxia
* Interestelar
* X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
* Ida, de Pawel Pawlikowski (POLÔNIA)
* Leviatã, de Andrey Zvyagintsev (RÚSSIA)
* Tangerines, de Zaza Urushadze (ESTÔNIA)
* Timbuktu, de Abderrahmane Sissako (MAURITÂNIA)
* Relatos Selvagens, de Damián Szifrón (ARGENTINA)

MELHOR ANIMAÇÃO
* Operação Big Hero
* Os Boxtrolls
* Como Treinar o seu Dragão 2
* The Song of the Sea
* O Conto da Princesa Kaguya

MELHOR DOCUMENTÁRIO
* CitizenFour
* A Fotografia Oculta de Vivian Maier
* Last Days in Vietnam
* O Sal da Terra
* Virunga

MELHOR DOCUMENTÁRIO-CURTA
* Crisis Hotline: Veterans Press 1
* Joanna
* Our Curse
* The Reaper (La Parka)
* White Earth

MELHOR CURTA-METRAGEM
* Aya
* Boogaloo and Graham
* Butter Lamp (La Lampe au Beurre de Yak)
* Parvaneh
* The Phone Call

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO
* The Bigger Picture
* The Dam Keeper
* O Banquete (Feast)
* Me and My Moulton
* A Single Life

A cerimônia do Oscar 2015 acontece no dia 22 de fevereiro, com transmissão ao vivo pelo canal pago TNT.

‘O Grande Hotel Budapeste’ lidera as indicações ao BAFTA 2015

BAFTA: British Academy of Film and Television Arts

BAFTA: British Academy of Film and Television Arts

FILME DE WES ANDERSON DOMINA AS CATEGORIAS, MAS VÊ CONCORRENTES BEM PRÓXIMOS

A Academia Britânica divulgou a lista dos indicados à 68ª edição do prêmio, e o novo filme de Wes Anderson, O Grande Hotel Budapeste, surpreendeu a todos com sua liderança de 11 indicações, enquanto Birdman segue logo atrás com 10 indicações, e O Jogo da Imitação e A Teoria de Tudo com 9 cada. Por se tratar de um filme mais contemporâneo, Boyhood ficou apenas com 5 indicações, mas curiosamente ficou de fora da competição por Montagem, pela qual vinha colecionando alguns prêmios.

Wes Anderson já havia sido indicado ao BAFTA em outras três oportunidades: Em 2002 pelo roteiro de Os Excêntricos Tennenbaums, em 2010 pela animação O Fantástico Sr. Raposo, e em 2013 pelo roteiro de Moonrise Kingdom, mas nunca levou o prêmio. Este ano, pela primeira vez, recebeu dupla indicação pelo roteiro e direção, o mesmo feito que conseguiu no Globo de Ouro e pode vir a conseguir no Oscar. Este reconhecimento vem em boa hora para Anderson, pois seus filmes possuem um rigor visual e estético único e em evolução. Nesse sentido, muitas vezes é comparado ao diretor Tim Burton, pois é impossível desassociar seus filmes de seu apelo visual baseado na direção de arte, figurino, maquiagem e fotografia, contudo, na minha humilde opinião, Wes Anderson trabalha melhor os roteiros e a montagem, que acentuam o humor muitas vezes incidental.

Confira o anúncio das indicações pelo vídeo abaixo:


Stephen Fry e Sam Clflin anunciam os indicados

Como de costume, o BAFTA tem o prêmio de Melhor Filme Britânico com intenção de impulsionar a campanha do filme rumo ao Oscar e também valorizar a indústria cinematográfica do país. O Jogo da Imitação e A Teoria de Tudo, que competem como Melhor Filme, também disputam mais este prêmio, que ainda conta com Pride, que recebeu sua única indicação como Melhor Filme – Comédia ou Musical no Globo de Ouro, e ficção científica alternativa Sob a Pele, que ainda compete por Melhor Trilha Musical merecidamente.

A bela e misteriosa Scarlett Johansson em Sob a Pele (photo by outnow.ch)

A bela e misteriosa Scarlett Johansson em Sob a Pele (photo by outnow.ch)

Além disso, a Academia Britânica costuma puxar uma sardinha pro lado dos atores britânicos. Na categoria de ator, por exemplo, são três britânicos (Benedict Cumberbatch, Eddie Redmayne e Ralph Fiennes) contra dois americanos (Jake Gyllenhaal e Michael Keaton). Embora a atuação de Fiennes tenha sido bem elogiada pela crítica, não tem conquistado tanto espaço na temporada, tanto que sua presença na categoria pode ser explicada pela alteração de Steve Carell para a categoria de coadjuvante por Foxcatcher, e a exclusão de Selma, que certamente prejudicou a possível indicação de David Oyelowo. Aparentemente, o filme sobre Martin Luther King sofreu com a estréia tardia em 2014 e pelo deslize no envio dos “screeners” (cópias) para os sindicatos. Talvez o Oscar queira compensar sua ausência na reta final.

Agora, confesso que fiquei bastante surpreso com as duas indicações para o filme-família As Aventuras de Paddington. OK, eu estou ciente da importância cultural do personagem em terras londrinas, mas imagino que haja produções mais instigantes para se reconhecer como Melhor Filme Britânico do ano…

Sally Hawkins com o urso Paddington em As Aventuras de Paddington (photo by outnow.ch)

Sally Hawkins com o urso Paddington em As Aventuras de Paddington (photo by outnow.ch)

Entre os atores que ficaram de fora, Timothy Spall (Sr. Turner), que ganhou o prêmio de Ator no último Festival de Cannes, e Meryl Streep (Caminhos da Floresta), que estava em quase todas as listas de coadjuvante, são os nomes mais chamativos. Entre os coadjuvantes, as ausências de Robert Duval (O Juiz) e Jessica Chastain (O Ano Mais Violento) também foram lembradas.

Enquanto algumas produções foram beneficiadas pelo BAFTA como O Grande Hotel Budapeste e os menores Whiplash: Em Busca da Perfeição (5 indicações, incluindo Melhor Diretor) e O Abutre (4 indicações, incluindo atriz coadjuvante para Rene Russo), houve prejudicados como Selma e o novo filme de Angelina Jolie, Invencível, uma vez que ambos não receberam uma indicação sequer. E se Sniper Americano vinha de uma ascendente depois das indicações ao ADG, Eddie, PGA e WGA, perdeu alguns pontos com sua quase ausência total do BAFTA. O novo filme de Clint Eastwood conquistou apenas duas indicações nas categorias de Roteiro Adaptado e Melhor Som.

Se o representante brasileiro, Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, morreu na praia, o novo filme de Stephen Daldry, Trash: A Esperança Vem do Lixo, foi lembrada pelo BAFTA. Falado em português e inglês, o longa se passa no Rio de Janeiro, contando com as atuações dos brasileiros no auge Wagner Moura e Selton Mello, juntamente com as estrelas hollywoodianas Martin Sheen e Rooney Mara.

Stephen Daldry (Trash - A Esperança Vem do Lixo)

Stephen Daldry conversa com Martin Sheen e Rooney Mara em set (Trash – A Esperança Vem do Lixo)

Seguem os indicados ao 68th Annual BAFTA Awards:

MELHOR FILME
BIRDMAN OU (A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA), Alejandro G. Inarritu, John Lesher, James W. Skotchdopole
BOYHOOD: DA INFÂNCIA À JUVENTUDE, Richard Linklater, Cathleen Sutherland
O GRANDE HOTEL BUDAPESTE, Wes Anderson, Scott Rudin, Steven Rales, Jeremy Dawson
O JOGO DA IMITAÇÃO, Nora Grossman, Ido Ostrowsky, Teddy Schwarzman
A TEORIA DE TUDO, Tim Bevan, Eric Fellner, Lisa Bruce, Anthony Mccarten

MELHOR FILME BRITÂNICO
’71, Yann Demange, Angus Lamont, Robin Gutch, Gregory Burke
O JOGO DA IMITAÇÃO, Morten Tyldum, Nora Grossman, Ido Ostrowsky, Teddy Schwarzman, Graham Moore
AS AVENTURAS DE PADDINGTON, Paul King, David Heyman
PRIDE, Matthew Warchus, David Livingstone, Stephen Beresford
A TEORIA DE TUDO, James Marsh, Tim Bevan, Eric Fellner, Lisa Bruce, Anthony Mccarten
SOB A PELE, Jonathan Glazer, James Wilson, Nick Wechsler, Walter Campbell

ESTRÉIA DE UM ESCRITOR, DIRETOR OU PRODUTOR BRITÂNICO
Elaine Constantine (Writer/Director), NORTHERN SOUL
Gregory Burke (Writer), Yann Demange (Director), ’71
Hong Khaou (Writer/Director), LILTING
Paul Katis (Director/Producer), Andrew De Lotbiniere (Producer), KAJAKI
Stephen Beresford (Writer), David Livingstone (Producer), PRIDE

FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
IDA, Pawel Pawlikowski, Eric Abraham, Piotr Dzieciol, Ewa Puszczynska
LEVIATÃ, Andrey Zvyagintsev, Alexander Rodnyansky, Sergey Melkumov
THE LUNCHBOX, Ritesh Batra, Arun Rangachari, Anurag Kashyap, Guneet Monga
TRASH: A ESPERANÇA VEM DO LIXO, Stephen Daldry, Tim Bevan, Eric Fellner, Kris Thykier
DOIS DIAS, UMA NOITE, Jean-Pierre Dardenne, Luc Dardenne, Denis Freyd

DOCUMENTÁRIO
A UM PASSO DO ESTRELATO, Morgan Neville, Caitrin Rogers, Gil Friesen
20.000 DIAS NA TERRA, Iain Forsyth, Jane Pollard
CITIZENFOUR, Laura Poitras
A FOTOGRAFIA OCULTA DE VIVIAN MAIER, John Maloof, Charlie Siskel
VIRUNGA, Orlando Von Einsiedel, Joanna Natasegara

ANIMAÇÃO
OPERAÇÃO BIG HERO, Don Hall, Chris Williams
OS BOXTROLLS, Anthony Stacchi, Graham Annable
UMA AVENTURA LEGO, Phil Lord, Christopher Miller

DIRETOR
BIRDMAN OU (A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA), Alejandro G. Inarritu
BOYHOOD: DA INFÂNCIA À JUVENTUDE, Richard Linklater
O GRANDE HOTEL BUDAPESTE, Wes Anderson
A TEORIA DE TUDO, James Marsh
WHIPLASH: EM BUSCA DA PERFEIÇÃO, Damien Chazelle

ROTEIRO ORIGINAL
BIRDMAN OU (A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA), Alejandro G. Inarritu, Nicolas Giacobone, Alexander Dinelaris Jr, Armando Bo
BOYHOOD: DA INFÂNCIA À JUVENTUDE, Richard Linklater
O GRANDE HOTEL BUDAPESTE, Wes Anderson
O ABUTRE, Dan Gilroy
WHIPLASH: EM BUSCA DA PERFEIÇÃO, Damien Chazelle

ROTEIRO ADAPTADO
SNIPER AMERICANO, Jason Hall
GAROTA EXEMPLAR, Gillian Flynn
O JOGO DA IMITAÇÃO, Graham Moore
AS AVENTURAS DE PADDINGTON, Paul King
A TEORIA DE TUDO, Anthony Mccarten

ATOR
Benedict Cumberbatch, O JOGO DA IMITAÇÃO
Eddie Redmayne, A TEORIA DE TUDO
Jake Gyllenhaal, O ABUTRE
Michael Keaton, BIRDMAN OU (A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA)
Ralph Fiennes, O GRANDE HOTEL BUDAPESTE

ATRIZ
Amy Adams, GRANDES OLHOS
Felicity Jones, A TEORIA DE TUDO
Julianne Moore, PARA SEMPRE ALICE
Reese Witherspoon, LIVRE
Rosamund Pike, GAROTA EXEMPLAR

ATOR COADJUVANTE
Edward Norton, BIRDMAN OU (A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA)
Ethan Hawke, BOYHOOD: DA INFÂNCIA À JUVENTUDE
J.K. Simmons, WHIPLASH: EM BUSCA DA PERFEIÇÃO
Mark Ruffalo, FOXCATCHER: UMA HISTÓRIA QUE CHOCOU O MUNDO
Steve Carell, FOXCATCHER: UMA HISTÓRIA QUE CHOCOU O MUNDO

ATRIZ COADJUVANTE
Emma Stone, BIRDMAN OU (A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA)
Imelda Staunton, PRIDE
Keira Knightley, O JOGO DA IMITAÇÃO
Patricia Arquette, BOYHOOD: DA INFÂNCIA À JUVENTUDE
Rene Russo, O ABUTRE

TRILHA MUSICAL ORIGINAL
BIRDMAN OU (A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA), Antonio Sanchez
O GRANDE HOTEL BUDAPESTE, Alexandre Desplat
INTERESTELAR, Hans Zimmer
A TEORIA DE TUDO, Johann Johannsson
SOB A PELE, Mica Levi

FOTOGRAFIA
BIRDMAN OU (A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA), Emmanuel Lubezki
O GRANDE HOTEL BUDAPESTE, Robert Yeoman
IDA, Lukasz Zal, Ryzsard Lenczewski
INTERESTELAR, Hoyte Van Hoytema
SR. TURNER, Dick Pope

MONTAGEM
(Due to a tie in voting in this category, there are six nominations)
BIRDMAN OU (A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA), Douglas Crise, Stephen Mirrione
O GRANDE HOTEL BUDAPESTE, Barney Pilling
O JOGO DA IMITAÇÃO, William Goldenberg
O ABUTRE, John Gilroy
A TEORIA DE TUDO, Jinx Godfrey
WHIPLASH: EM BUSCA DA PERFEIÇÃO, Tom Cross

DIREÇÃO DE ARTE
GRANDES OLHOS, Rick Heinrichs, Shane Vieau
O GRANDE HOTEL BUDAPESTE, Adam Stockhausen, Anna Pinnock
O JOGO DA IMITAÇÃO, Maria Djurkovic, Tatiana Macdonald
INTERESTELAR, Nathan Crowley, Gary Fettis
SR. TURNER, Suzie Davies, Charlotte Watts

FIGURINO
O GRANDE HOTEL BUDAPESTE, Milena Canonero
O JOGO DA IMITAÇÃO, Sammy Sheldon Differ
CAMINHOS DA FLORESTA, Colleen Atwood
SR. TURNER, Jacqueline Durran
A TEORIA DE TUDO, Steven Noble

MAQUIAGEM E CABELO
O GRANDE HOTEL BUDAPESTE, Frances Hannon
GUARDIÕES DA GALÁXIA, Elizabeth Yianni-Georgiou, David White
CAMINHOS DA FLORESTA, Peter Swords King, J. Roy Helland
SR. TURNER, Christine Blundell, Lesa Warrener
A TEORIA DE TUDO, Jan Sewell

SOM
SNIPER AMERICANO, Walt Martin, John Reitz, Gregg Rudloff, Alan Robert Murray, Bub Asman
BIRDMAN OU (A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA), Thomas Varga, Martin Hernandez, Aaron Glascock, Jon Taylor, Frank A. Montaño
O GRANDE HOTEL BUDAPESTE, Wayne Lemmer, Christopher Scarabosio, Pawel Wdowczak
O JOGO DA IMITAÇÃO, John Midgley, Lee Walpole, Stuart Hilliker, Martin Jensen
WHIPLASH: EM BUSCA DA PERFEIÇÃO, Thomas Curley, Ben Wilkins, Craig Mann

EFEITOS VISUAIS
PLANETA DOS MACACOS: O CONFRONTO, Joe Letteri, Dan Lemmon, Erik Winquist, Daniel Barrett
GUARDIÕES DA GALÁXIA, Stephane Ceretti, Paul Corbould, Jonathan Fawkner, Nicolas Aithadi
O HOBBIT: A BATALHA DOS CINCO EXÉRCITOS, Joe Letteri, Eric Saindon, David Clayton, R. Christopher White
INTERESTELAR, Paul Franklin, Scott Fisher, Andrew Lockley
X-MEN: DIAS DE UM FUTURO ESQUECIDO, Richard Stammers, Anders Langlands, Tim Crosbie, Cameron Waldbauer

CURTA-METRAGEM BRITÂNICO DE ANIMAÇÃO
THE BIGGER PICTURE, Chris Hees, Daisy Jacobs, Jennifer Majka
MONKEY LOVE EXPERIMENTS, Ainslie Henderson, Cam Fraser, Will Anderson
MY DAD, Marcus Armitage

CURTA-METRAGEM BRITÂNICO
BOOGALOO AND GRAHAM, Brian J. Falconer, Michael Lennox, Ronan Blaney
EMOTIONAL FUSEBOX, Michael Berliner, Rachel Tunnard
THE KARMAN LINE, Campbell Beaton, Dawn King, Tiernan Hanby, Oscar Sharp
SLAP, Islay Bell-Webb, Michelangelo Fano, Nick Rowland
THREE BROTHERS, Aleem Khan, Matthieu De Braconier, Stephanie Paeplow

THE EE RISING STAR AWARD (VOTO DO PÚBLICO)
Gugu Mbatha-Raw
Jack O’Connell
Margot Robbie
Miles Teller
Shailene Woodley

O 68º BAFTA acontece no dia 08 de fevereiro no Royal Opera House em Londres.

‘Boyhood’ domina LAFCA Awards 2014 com 4 prêmios

Da esquerda para a direita: Lorelei Linklater, Ethan Hawke e Ellar Coltrane em Boyhood: Da Infância à Juventude (photo by elfilm.com)

Da esquerda para a direita: Lorelei Linklater, Ethan Hawke e Ellar Coltrane em Boyhood: Da Infância à Juventude (photo by elfilm.com)

BOYHOOD VENCE MAIS UM PRÊMIO IMPORTANTE. O GRANDE HOTEL BUDAPESTE E BIRDMAN SEGUEM NA COLA

Havia uma expectativa de que os críticos de Los Angeles elegeriam Birdman ou Jogo da Imitação como Melhor Filme, equilibrando assim as forças das campanhas do Oscar 2015, mas a preferência deles foi para o projeto de 12 anos de Boyhood: Da Infância à Juventude que, após ser ignorado pelo National Board of Review, retoma seu posto de favorito do ano, conquistado por sua vitória no NYFCC e pelas indicações no Independent Spirit Awards.

Pelo LAFCA, o filme de Richard Linklater levou também Melhor Diretor, Melhor Montagem e curiosamente, Melhor Atriz para Patricia Arquette, que vinha competindo até então como coadjuvante. Apesar da importância do papel materno de Arquette, o filme é protagonizado por Ellar Coltrane, então as chances de haver divisão de votos em categorias diferentes como houve com Kate Winslet por O Leitor, por exemplo, são bastante improváveis.

Embora esteja cedo pra decretar vitória, o fato de Boyhood ter cravado sua bandeira no Independent Spirit, NYFCC e LAFCA já garante seu lugar nas indicações, mas o grande diferencial da campanha rumo ao Oscar é justamente toda a história por trás do filme. Trata-se de um projeto feito à base de amor e confiança dos artistas envolvidos, pois não havia contratos. Toda a equipe se reunia por alguns dias uma vez por ano por 12 anos. O filme estava bem vulnerável ao fracasso. Qualquer um dos atores poderia morrer nesse período, tanto que houve uma promessa de que se Linklater viesse a falecer, Ethan Hawke assumiria a direção do projeto.

Apesar de ser a Academia, com membros igualmente acadêmicos, há uma esperança de que um filme como Boyhood possa triunfar sobre os demais concorrentes com tramas históricas como O Jogo da Imitação ou filmes biográficos como A Teoria de Tudo.

Entre as grandes surpresas do LAFCA estão as vitórias de Tom Hardy por Locke como Melhor Ator, e Agata Kulesza como Coadjuvante por Ida. Como críticos, eles também buscam destacar performances que muitas vezes passam desapercebidas pelo grande público. Ao premiar Kulesza, eles retiram o filme polonês Ida da monotonia da categoria de Filme Estrangeiro, ao mesmo tempo em que respeitam uma tradição de coroar artistas estrangeiros sempre que possível. Ano passado, a francesa Adèle Exarchopoulos foi a estrangeira da vez por Azul é a Cor Mais Quente.

Tom Hardy no filme britânico Locke (photo by outnow.ch)

Tom Hardy no filme britânico Locke (photo by outnow.ch)

Agata Kulesza em Ida (photo by outnow.ch)

Agata Kulesza em Ida (photo by outnow.ch)

Entre os demais vencedores do LAFCA, houve confirmações de favoritismo como a vitória de J.K. Simmons como Ator Coadjuvante por Whiplash: Em Busca da Perfeição, e até da ascensão do documentário sobre Edward Snowden e o mundo sob vigilância, Citizenfour.

Por mais que Boyhood tenha vencido, O Grande Hotel Budapeste, lançado no início de 2014, ainda foi bem lembrado e reconhecido devidamente nas categorias de Direção de Arte e Roteiro, ficando ainda com o posto de 2º lugar em categorias importantes como Filme e Diretor. O que pode enfraquecer a campanha do filme de Wes Anderson é a possível ausência de indicações nas categorias de atuação, pois não há perspectivas positivas de Ralph Fiennes como Melhor Ator até o momento.

Birdman corre justamente pelo lado oposto. Michael Keaton e Edward Norton ficaram em 2º lugar nas categorias de Ator e Ator Coadjuvante, respectivamente, podendo ainda conquistar espaço para Emma Stone como Coadjuvante, mesmo tendo forte concorrência como Meryl Streep, Patricia Arquette e Keira Knightley. Birdman pode e deve conquistar número elevado de indicações no Oscar, mas acredito que seu maior (e talvez único) feito seja a possível vitória de Michael Keaton como Melhor Ator. Seria uma conquista bastante pertinente, pois seu personagem também procura um retorno triunfal depois de anos no ostracismo.

E gostaria ainda de destacar a vitória da belíssima animação japonesa O Conto da Princesa Kaguya. Em meio às produções milionárias de Disney e grandes estúdios como Operação Big Hero 6, Uma Aventura Lego e Como Treinar Seu Dragão 2, é no mínimo singelo ver uma produção artística em 2D repleto de vida ser coroada a melhor do ano. Conhecido pela animação de partir o coração, Túmulo dos Vagalumes, o diretor Isao Takahata pode atingir um novo ápice com esta fantasia.

Cena do belo O Conto da Princesa Kaguya, de Isao Takahata (photo by outnow.ch)

Cena do belo O Conto da Princesa Kaguya, de Isao Takahata (photo by outnow.ch)

VENCEDORES DO LAFCA AWARDS 2014:

MELHOR FILME: Boyhood: Da Infância à Juventude (Boyhood)
2º Lugar: O Grande Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel)

MELHOR DIRETOR: Richard Linklater (Boyhood: Da Infância à Juventude)
2º Lugar: Wes Anderson (O Grande Hotel Budapeste)

MELHOR ATOR: Tom Hardy (Locke)
2º Lugar: Michael Keaton (Birdman)

MELHOR ATRIZ: Patricia Arquette (Boyhood: Da Infância à Juventude)
2º Lugar: Julianne Moore (Still Alice)

MELHOR ATOR COADJUVANTE: J.K. Simmons (Whiplash: Em Busca da Perfeição)
2º Lugar: Edward Norton (Birdman)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Agata Kulesza (Ida)
2º Lugar: Rene Russo (O Abutre)

MELHOR ROTEIRO: Wes Anderson (O Grande Hotel Budapeste)
2º Lugar: Alejandro González Iñárritu; Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris Jr., Armando Bo (Birdman)

MELHOR FOTOGRAFIA: Emmanuel Lubezki (Birdman)
2º Lugar: Dick Pope (Sr. Turner)

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA: Ida, de Pawel Pawlikowski (Polônia)
2º Lugar: Winter Sleep, de Nuri Bilge Ceylan (Turquia)

MELHOR TRILHA MUSICAL (Empate): Jonny Greenwood (Vício Inerente) & Mica Levi (Sob a Pele)

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE: Adam Stockhausen (O Grande Hotel Budapeste)
2º Lugar: Ondrej Nekvasil (Expresso do Amanhã)

MELHOR MONTAGEM: Sandra Adair (Boyhood: Da Infância à Juventude)
2º Lugar: Barney Pilling (O Grande Hotel Budapeste)

MELHOR ANIMAÇÃO: O Conto da Princesa Kaguya, de Isao Takahata
2º Lugar: Uma Aventura Lego, de Phil Lord e Christopher Miller

PRÊMIO NEW GENERATION: Ava DuVernay (Selma)

MELHOR DOCUMENTÁRIO: Citizenfour, de Laura Poitras
2º Lugar: Life Itself, de Steve James

PRÊMIO DOUGLAS EDWARDS EXPERIMENTAL/FILME INDEPENDENTE/VÍDEO: Walter Reuben (The David Whiting Story)

PRÊMIO PELO CONJUNTO DA OBRA: Gena Rowlands

O belo trabalho de Adam Stockhausen em O Grande Hotel Budapeste (photo by elfilm.com)

O belo trabalho de Adam Stockhausen em O Grande Hotel Budapeste (photo by elfilm.com)

National Board of Review 2014 surpreende e coloca ‘A Most Violent Year’ no mapa

Cena de A Most Violent Year, com Jessica Chastain e Oscar Isaac

Cena de A Most Violent Year, com Jessica Chastain e Oscar Isaac: ambos vencedores dos prêmios de atuação

FILME SOBRE VIOLENTO ANO DE 1981 DE NOVA YORK BATE FORTE CONCORRÊNCIA 

Se em anos anteriores, havia um papo de que não havia favoritos, este ano então a competição está mais do que nivelada. Semana passada, o Hollywood Film Awards premiou Garota Exemplar como Melhor Filme, mas foi O Jogo da Imitação que levou mais prêmios, incluindo Melhor Diretor e Ator (Benedict Cumberbatch). Na mesma semana, Birdman foi o recordista de indicações no 30º Independent Spirit Awards. Aí, na segunda-feira passada, o NYFCC elegeu Boyhood: Da Infância à Juventude como melhor filme de 2014, com seu diretor Richard Linklater premiado. Os especialistas estavam com expectativas de que Birdman ou O Jogo da Imitação retomariam a frente com o NBR, mas eles resolveram ousar e apostar no novo filme do promissor J.C. Chandor (dos elogiados Margin Call – Um Dia Antes do Fim e Até o Fim).

A presidente da organização, Annie Schulhof, argumentou em entrevista à Variety que como National Board of Review não tem histórico de servir necessariamente de parâmetro para o Oscar, teria maior liberdade de escolha. “Acho que o que podemos fazer é destacar um filme e uma performance porque anunciamos cedo. Quando você tem um filme como ‘A Most Violent Year’, nós colocamos os holofotes sobre ele. Não nos vemos como um guia. Vejo-nos dando uma ascensão para outros filmes e performances que podem não estar no bolo agora”, defendeu Annie.

Em relação à escolha, ela continua: “Isto é o que o grupo sentiu que era o melhor filme. Alguns anos atrás, J.C. Chandor venceu nosso prêmio de diretor estreante com ‘Margin Call – Um Dia Antes do Fim’. Tem uma história atrativa. Tem um estilo cinemático elegante”.

A organização formada por 126 cinéfilos de Nova York também premiou seus atores: Oscar Isaac (Melhor Ator) e Jessica Chastain (Atriz Coadjuvante), mas o prêmio de direção foi para o veterano Clint Eastwood por Sniper Americano, demonstrando que ainda está longe de ser carta fora do baralho. Julianne Moore vem confirmando seu favoritismo para Melhor Atriz com Still Alice, no qual interpreta uma mulher com Mal de Alzheimer; Michael Keaton por Birdman, que divide o prêmio de  Melhor Ator com Oscar Isaac; e Edward Norton como coadjuvante também por Birdman voltam a ser reconhecidos.

À esquerda, Bradley Cooper conversa com o diretor Clint Eastwood em set de Sniper Americano (photo by outnow.ch)

À esquerda, Bradley Cooper conversa com o diretor Clint Eastwood em set de Sniper Americano (photo by outnow.ch)

Vale citar aqui que o filme que mais tem perdido espaço até o momento é Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo. O filme recebeu o prêmio de Direção no Festival de Cannes para Bennett Miller no longínquo mês de maio, mas nas últimas semanas, só tem ganhado prêmios especiais pelo elenco para o trio formado por Channing Tatum, Steve Carell e Mark Ruffalo. Os últimos dois são considerados praticamente indicados pela Academia, mas se não houver uma sobrevida nas indicações ao Globo de Ouro, será difícil recuperar-se a tempo. Não conseguiram nem ganhar Melhor Elenco aqui no NBR, conquistado pelo elenco de Corações de Ferro!

Como a presidente do NBR disse, esses prêmios de críticos não têm o papel ou função de servir como prévia de Oscar e Globo de Ouro. Eles funcionam de forma independente e aparentemente sem nenhum interesse secundário senão o de reconhecer os melhores trabalhos sem ajuda de lobby de distribuidoras. Se vão ou não ser indicados, são “outros quinhentos”, mas tenho certeza de que esses críticos adorariam ver seus eleitos na lista de indicados da Academia. Seria uma espécie de recompensa gratificante pela lembrança nesse início da temporada de premiações, como se eles fossem responsáveis por suas descobertas artísticas.

O bacana da lista do NBR são os TOPs para Filme, Filme Estrangeiro, Documentário e Filme Independente. Todos são vencedores, pois não tem uma ordem de qualidade, ao mesmo tempo em que consegue abranger mais produções que dificilmente faturariam um prêmio oficial como Expresso do Amanhã e The Skeleton Twins.

Já o vencedor de Filme em Língua Estrangeira foi para o argentino Relatos Selvagens, de Damián Szifrón. Uma ótima reunião de histórias curtas que têm em comum situações extremas e personagens vingativos, mas sem ser piegas ou dramático, provando mais uma vez que o cinema hermano está anos luz à frente do brasileiro, que atualmente vive das comédias de tônicas dos anos 80 com cara de novelas da Globo. Quem ainda não teve a oportunidade de conferir, vá até o cinema e divirta-se. Está firme e forte em cartaz nas salas de São Paulo após mais de um mês!

Cena inicial de Relatos Selvagens: uma história para conquistar qualquer espectador (photo by elfilm.com)

Cena inicial de Relatos Selvagens: uma história para conquistar qualquer espectador (photo by elfilm.com)

Como cinéfilo e acompanhante das escolhas dos críticos, confesso que são os prêmios que mais gosto de saber o resultado pela pureza das escolhas. E entre os três principais (NBR, NYFCC e LAFCA), o que mais gosto é o LAFCA, Los Angeles Film Critics Association, por seu histórico de filmes de qualidade bem reconhecidos. Claro que é impossível agradar 100%, mas do meu ponto de vista, é a organização que “menos erra”. O anúncio do LAFCA será no próximo dia 07. Já a cerimônia de entrega do NBR será no dia 06 de janeiro em Nova York.

Confira lista completa dos vencedores do National Board of Review 2014:

FILME: A Most Violent Year, de J.C. Chandor

DIRETOR: Clint Eastwood (Sniper Americano)

ATOR (Empate): Oscar Isaac (A Most Violent Year) e Michael Keaton (Birdman)

ATRIZ: Julianne Moore (Still Alice)

Julianne Moore como Dra. Alice Howland em Still Alice (photo by elfilm.com)

Julianne Moore como Dra. Alice Howland em Still Alice (photo by elfilm.com)

ATOR COADJUVANTE: Edward Norton (Birdman)

ATRIZ COADJUVANTE: Jessica Chastain (A Most Violent Year)

ROTEIRO ORIGINAL: Phil Lord e Christopher Miller (Uma Aventura Lego)

ROTEIRO ADAPTADO: Paul Thomas Anderson (Vício Inerente)

ANIMAÇÃO: Como Treinar Seu Dragão 2, de Dean DeBlois

PERFORMANCE REVELAÇÃO: Jack O’Connell (Starred Up e Invencível)

ESTRÉIA NA DIREÇÃO: Gillian Robespierre (Obvious Child)

FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA: Relatos Selvagens (Relatos Salvajes), de Damián Szifrón – ARGENTINA

DOCUMENTÁRIO: Life Itself – A Vida de Roger Ebert (Life Itself), de Steve James

PRÊMIO WILLIAM K. EVERSON FILM HISTORY: Scott Eyman

ELENCO: Corações de Ferro (Fury)

PRÊMIO SPOTLIGHT: Chris Rock por escrever, dirigir e estrelar Top Five

PRÊMIO NBR Freedom of Expression: Rosewater

PRÊMIO NBR Freedom of Expression: Selma

Gael García Bernal em cena de Rosewater, filme de estréia de Jon Stewart, apresentador do The Daily Show (photo by outnow.ch)

Gael García Bernal em cena de Rosewater, filme de estréia de Jon Stewart, apresentador do The Daily Show (photo by outnow.ch)

TOP 10 FILMES
Sniper Americano (American Sniper)
Birdman
Boyhood: Da Infância à Juventude (Boyhood)
Corações de Ferro (Fury)
Garota Exemplar (Gone Girl)
O Jogo da Imitação (The Imitation Game)
Vício Inerente (Inherent Vice)
Uma Aventura Lego (The Lego Movie)
O Abutre (Nightcrawler)
Invencível (Unbroken)

Cena de Invencível, segundo filme de Angelina Jolie como diretora (photo by elfilm.com)

Cena de Invencível, segundo filme de Angelina Jolie como diretora (photo by elfilm.com)

TOP 5 FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
Força Maior (Force Majeure) – SUÉCIA
Gett: The Trial of Vivian Amsalem – ISRAEL
Leviatã (Leviafan) – RÚSSIA
Dois Dias, Uma Noite (Deux Jours, Une Nuit) – BÉLGICA
Nós Somos as Melhores! (Vi är bäst!) – SUÉCIA

Vencedor do prêmio de roteiro em Cannes, o russo Leviatã é um dos melhores filmes de 2014 (photo by outnow.ch)

Vencedor do prêmio de roteiro em Cannes, o russo Leviatã é um dos melhores filmes de 2014 (photo by outnow.ch)

TOP 5 DOCUMENTÁRIOS
Art and Craft
Duna de Jodorowsky (Jodorowsky’s Dune)
Keep On Keepin’ On
The Kill Team
Last Days in Vietnam

TOP 10 FILMES INDEPENDENTES
Blue Ruin
Locke
O Homem Mais Procurado (A Most Wanted Man)
Sr. Turner (Mr. Turner)
Obvious Child
The Skeleton Twins
Expresso do Amanhã (Snowpiercer)
Stand Clear of the Closing Doors
Starred Up
Still Alice

Cena do independente Obvious Child, reconhecida entre os 10 melhores (photo by elfilm.com)

Cena do independente Obvious Child, reconhecida entre os 10 melhores (photo by elfilm.com)

‘Boyhood: Da Infância à Juventude’ é o Melhor Filme segundo o NYFCC 2014

Patricia Arquette com o pequeno Ellar Coltrane em cena de Boyhood: Da Infância à Juventude

Patricia Arquette com o pequeno Ellar Coltrane em cena de Boyhood: Da Infância à Juventude

O círculo de críticos de Nova York anunciou nesta segunda-feira, dia 1º, sua lista de melhores do ano no Cinema. A aposta deste ano foi para o estudo do tempo de Boyhood: Da Infância à Juventude, o que fortalece a campanha do filme para o Oscar 2015. Nas últimas 10 edições, o NYFCC (New York Film Critics Circle) teve como Melhores Filmes: Trapaça (2013), A Hora Mais Escura (2012), O Artista (2011), A Rede Social (2010), Guerra ao Terror (2009), Milk – A Voz da Igualdade (2008), Onde os Fracos Não Têm Vez (2007), Vôo United 93 (2006), O Segredo de Brokeback Mountain (2005) e Sideways – Entre umas e outras (2004).

Como dá pra perceber, as estatísticas dos nova-iorquinos em relação ao Oscar estão em baixa: três acertos em dez, mas dos mesmos dez, nove estavam entre os indicados a Melhor Filme na cerimônia do Oscar. Confira a lista dos vencedores:
MELHOR FILME
* Boyhood: Da Infância à Juventude (Boyhood), de Richard Linklater

MELHOR DIRETOR
* Richard Linklater (Boyhood: Da Infância à Juventude)

A escalada do filme começou no último Festival de Berlim, em fevereiro, de onde saiu com o Urso de Prata de direção para Linklater. A produção bastante incomum levou 12 anos para ser concluída, de 2002 a 2014, contando com a confiança dos atores e da equipe técnica para se encontrar todos os anos sem mesmo contar com um contrato, pois a legislação americana não permite contratos tão longos assim. Boyhood apresenta todas as características de um projeto despretensioso e que muito se deve ao improviso, mas foi feito de forma tão cuidadosa, que acabou ganhando proporções maiores em termos de análise dos personagens em processo de amadurecimento e da própria vida, que é refém do tão cruel tempo.

Recentemente, li algumas críticas de pessoas que viram o filme e temem que a valorização do filme se deva apenas à produção e não ao seu conteúdo. Olha, respeito a opinião, mas para essa crítica se encaixaria um Avatar, por exemplo, no qual o 3D foi o grande protagonista. Se tirássemos o 3D de Avatar, sobraria uma história batida sem muito a acrescentar. Sendo um pouco mais radical, encaixaria até o Gravidade, que rapelou 8 Oscars este ano, do qual muito se falou dos efeitos e da tecnologia aplicada, mas apresentou história rala com personagens superficiais. Boyhood passa longe dessa análise, salvo personagens terciários.

MELHOR ATOR
* Timothy Spall (Sr. Turner)

Timothy Spall (Mr. Turner) - photo by outnow.ch

Timothy Spall (Sr. Turner) – photo by outnow.ch

É muito difícil não se impressionar com o trabalho dos atores sob a direção do britânico Mike Leigh. Ele tem toda uma escola de atuação que faz uma baita diferença no resultado final, pois sabe valorizar uma cena supostamente banal para boa parte dos atores através de nuances e minúcias que fazem o espectador adentrar à cena. Não é à toa que muitos dos atores com quem trabalhou ganharam importantes prêmios como em Cannes: Brenda Blethyn (Segredos e Mentiras), David Thewlis (Nu) e agora Timothy Spall. Contudo, a última performance indicada ao Oscar sob direção de Leigh foi em 2005, quando Imelda Staunton concorria por O Segredo de Vera Drake; e pra piorar, nenhum dos indicados ganhou até agora.

MELHOR ATRIZ
* Marion Cotillard (Era Uma Vez em Nova York/ Dois Dias, Uma Noite)

Marion Cotillard (Dois Dias, Uma Noite) - photo by outnow.ch

Marion Cotillard (Dois Dias, Uma Noite) – photo by outnow.ch

Quase todo ano (culpem a indústria machista, talvez?), a corrida para Melhor Atriz anda fraca. Se não é uma Meryl Streep ou uma Judi Dench pra salvar, o que seria desta categoria? Ao contrário da ala masculina, não existem favoritas, e isso pode favorecer a francesa Marion Cotillard, que venceu por duas performances: uma sob a direção de James Gray, e a outra dos irmãos Dardenne. Trata-se de uma atriz bastante versátil que tem evoluído nas escolhas de papéis e nos sotaques em outros idiomas. Estava bastante cotada para vencer o prêmio de atriz em Cannes, mas foi preterida. Este é seu primeiro grande prêmio da temporada.

MELHOR ATOR COADJUVANTE
* J.K. Simmons (Whiplash: Em Busca da Perfeição)

J.K. Simmons em Whiplash: Em Busca da Perfeição (photo by elfilm.com)

J.K. Simmons em Whiplash: Em Busca da Perfeição (photo by elfilm.com)

Para a grande maioria do público, J.K. Simmons continua sendo o chefe de Peter Parker, na trilogia do Homem-Aranha de Sam Raimi: J.J. Jameson. Mas tem firmado uma colaboração forte com o diretor Jason Reitman, valorizando papéis menores em Obrigado por Fumar, Juno e Amor Sem Escalas, assim como nos filmes dos irmãos Coen: Matadores de Velhinhas e Queime Depois de Ler. Sua atuação como instrutor de bateria em Whiplash: Em Busca da Perfeição é uma das mais elogiadas do ano e é a indicação mais garantida até o momento. Na semana passada, recebeu uma indicação para o Independent Spirit Awards também.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
* Patricia Arquette (Boyhood: Da Infância à Juventude)

Patricia Arquette em Boyhood: Da Infância à Juventude (photo by elfilm.com)

Patricia Arquette em Boyhood: Da Infância à Juventude (photo by elfilm.com)

Embora as performances de Ellar Coltrane e Ethan Hawke sejam boas, a performance de Patricia Arquette é o grande coração da história de Boyhood. Ela faz a mãe, que enfrenta todas as adversidades de criar seus filhos solteira e depois fica indignada ao se despedir do filho que entra na faculdade. Só pela coragem de assumir um papel de 12 anos, pelo qual se comprometeu a não fazer modificação alguma no rosto devido à idade, já vale sua primeira indicação ao Oscar. Pode ser uma ótima oportunidade de alavancar a carreira de uma atriz que atuou em filmes cults como Ed Wood, Estrada Perdida e Amor à Queima Roupa.

MELHOR ROTEIRO
* Wes Anderson e Hugo Guinness (O Grande Hotel Budapeste)

Dono de um estilo próprio como diretor, Wes Anderson tem como principais atributos a sua direção de arte refinada e seus roteiros repletos de personagens excêntricos e situações inusitadas. Há tempos vem merecendo um prêmio de maior expressividade na categoria, e com O Grande Hotel Budapeste, os louros finalmente podem vir.

À esquerda, Ralph Fiennes como o concierge Gustave com o seu leal lobby boy Zero, interpretado por Tony Revolori (photo by outnow.ch)

À esquerda, Ralph Fiennes como o concierge Gustave com o seu leal lobby boy Zero, interpretado por Tony Revolori em O Grande Hotel Budapeste (photo by outnow.ch)

MELHOR FOTOGRAFIA
* Darius Khondji (Era Uma Vez em Nova York)

Fotografia de Darius Khondji em Era Uma Vez em Nova York (photo by elfilm.com)

Fotografia de Darius Khondji em Era Uma Vez em Nova York (photo by elfilm.com)

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
* Ida, de Pawel Pawlikowski – POLÔNIA

Olha, o filme pode até ser ótimo, mas só o fato de ser sobre judeus e nazismo, já me causa um bocejo do tipo: “De novo?”. Pra dar uma incrementada maior ainda, Ida é um filme preto-e-branco polonês. É figura garantida entre os cinco indicados a Melhor Filme em Língua Estrangeira no Oscar.

O polonês Ida, de Pawel Pawlikowski. Temática judia leva vantagem automática. (photo by outnow.ch)

O polonês Ida, de Pawel Pawlikowski. Temática judia leva vantagem automática. (photo by outnow.ch)

MELHOR ANIMAÇÃO
* Uma Aventura Lego, de Phil Lord e Christopher Miller

Misturebas no Lego em Uma Aventura Lego (photo by outnow.ch)

Misturebas no Lego em Uma Aventura Lego (photo by outnow.ch)

A dupla de responsável pela animação Tá Chovendo Hambúrguer e pelos dois Anjos da Lei recebeu inúmeras críticas positivas por este novo trabalho de animação que usa o brinquedo Lego como base. Vale pela mistura de universos como o de Batman com o das Tartarugas Ninja, por exemplo, mas é mais para o público infantil, pois não tem a mais sutileza da trilogia Toy Story.

MELHOR DOCUMENTÁRIO
* Citizenfour, de Laura Poitras

O documentário já apresenta um tema polêmico ainda em pauta: Edward Snowden, o ex-agente da CIA e NSA, que tornou público os programas de vigilância global da agência, e que por isso, permanece refugiado em território russo. A documentarista fez uma série de entrevistas com Snowden, enquanto tenta dissecar a questão da segurança e privacidade no mundo após os atentados terroristas de 11 de setembro. Alguns estão aclamando como um dos melhores documentários para entendermos este início do século XXI, o que não pode ser diminuído caso seja eliminado da corrida ao Oscar por causa do conservadorismo dos membros da Academia.

MELHOR FILME DE ESTRÉIA
* The Babadook, de Jennifer Kent

The Babadook (photo by outnow.ch)

Cena de The Babadook (photo by outnow.ch)

O prêmio para a estreante Jennifer Kent não deixa de ser um destaque merecido, já que se trata de um filme de terror. Sim, um filme de terror, gênero mal visto por boa parte da crítica, e dirigido por uma mulher! Em tempos de ausência de mestres do terror como John Carpenter ou excesso de terror na linha “gore”, um terror psicológico na linha do sugestivo está cada vez mais raro e merece ser tal honraria para conquistar mais público. Jennifer Kent vem trazer sobrevida ao gênero, que está se desgastando ao depender só de talentos como os de James Wan (Sobrenatural e Invocação do Mal).


Trailer de The Babadook

PRÊMIO ESPECIAL
* Adrienne Mancia

—–

Algumas das ausências mais sentidas são a de Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo, Birdman e O Jogo da Imitação, que recentemente levou 4 prêmios do Hollywood Awards. Especialistas estão apostando que Birdman será compensando pelos críticos de Los Angeles (LAFCA), cujos vencedores serão anunciados no próximo dia 07.

20 Animações concorrem ao Oscar 2015

Princesa Kaguya (photo by outnow.CH)

Do JAPÃO: O Conto da Princesa Kaguya (Kaguyahime no monogatari), de Isao Takahata (photo by outnow.CH)

Ok, as coisas começam a se afunilar no universo cinematográfico para o Oscar 2015. Nesta terça-feira, dia 04, a Academia definiu as 20 animações que concorrerão às cinco disputadas vagas da categoria.

Operação Big Hero 6 (Big Hero 6), de Dan Hall e Chris Williams
• Festa no Céu (The Book of Life), de Jorge R. Gutierrez
• Os Boxtrolls (The Boxtrolls), de Graham Annable e Anthony Stacchi
 Cheatin’, de Bill Plympton
• Giovanni’s Island (Jobanni no Shima), de Mizuho Nishikubo
 Henry and Me, de Barrett Esposito
• The Hero of Color City, de Frank Gladstone
• Como Treinar Seu Dragão 2 (How to Train Your Dragon 2), de Dean DeBlois
• Jack and the Cuckoo-Clock Heart (Jack et la Mécanique du Coeur), de Stéphane Berlan e Mathias Malzieu
• A Lenda de Oz (Legends of Oz: Dorothy’s Return), de Will Finn e Dan St. Pierre
• Uma Aventura LEGO (The Lego Movie), de Phil Lord e Christopher Miller
• Minuscule – Valley of the Lost Ants (Minuscule – La Vallée des Fourmis Perdues), de Hélène Giraud e Thomas Szabo
• As Aventuras de Peabody & Sherman (Mr. Peabody & Sherman), de Rob Minkoff
• Os Pinguins de Madagascar (Penguins of Madagascar), de Eric Darnell e Simon J. Smith
• Tinker Bell: Fadas e Piratas (The Pirate Fairy), de Peggy Holmes
• Aviões 2: Heróis do Fogo ao Resgate (Planes: Fire and Rescue), de Roberts Gannaway
• Rio 2 (Rio 2), de Carlos Saldanha
• Rocks in My Pockets, de Signe Baumane
• Song of the Sea, de Tomm Moore
• O Conto da Princesa Kaguya (Kaguyahime no monogatari), de Isao Takahata

Cheatin', de Bill Plympton (photo by cine.gr)

Cheatin’, de Bill Plympton (photo by cine.gr)

De acordo com as regras da categoria, se houver de oito a quinze inscritos, haverão apenas 3 indicados. A partir de 16, serão 5 indicados. Os cinco finalistas serão conhecidos apenas no dia 15 de janeiro, quando as indicações serão divulgadas.

É importante destacar a maior presença de produções estrangeiras na categoria este ano. Entre os países estão a França, Irlanda, Japão, Reino Unido e até da Letônia! Com o aumento significativo de inscrições para a categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira (são 83 este ano), a disputa está mais do que acirrada por uma indicação, então nada mais natural que mais animações estrangeiras busquem seu lugar ao sol na categoria de animação.

No Oscar deste ano, as indicações da animação japonesa Vidas ao Vento, de Hayao Miyazaki, e da francesa Ernest & Celestine, de Stéphane Aubier, Vincent Patar e Benjamin Renner, denotam a ascensão das produções estrangeiras nesse gênero atualmente dominado pela técnica 3D no cinema americano. Mesmo a pioneira do 2D, Disney, ganhou o último Oscar de Animação por um trabalho em 3D, Frozen: Uma Aventura Congelante.

La Mecanique du Coeur

Da FRANÇA e BÉLGICA: Jack and the Cuckoo-Clock Heart (Jack et la Mécanique du Coeur), de Stéphane Berlan e Mathias Malzieu (photo by elfilm.com)

Com a Pixar fora do páreo este ano, as cinco vagas aparentemente estão abertas. Sucesso comercial no começo do ano, Uma Aventura LEGO deve conquistar uma vaga por seus números nas bilheterias e também pela criatividade no roteiro envolvendo brinquedos da marca conhecida mundialmente. Praticamente no mesmo patamar comercial, a sequência Como Treinar Seu Dragão 2 agradou o público e a crítica, e como a primeira parte foi indicada e perdeu em 2010 para Toy Story 3, pode haver uma segunda chance de ganhar a estatueta.

Minuscule

Da FRANÇA e BÉLGICA: Minuscule – Valley of the Lost Ants (Minuscule – La Vallée des Fournis Perdues), de Hélène Giraud e Thomas Szabo

Existe uma forte expectativa das animações Operação Big Hero 6 (da Disney) e Os Pinguins de Madagascar (da Dreamworks) se tornarem novas marcas nas bilheterias e assim, ajudar na campanha por uma indicação. Particularmente, acredito que o novo trabalho da Disney já está garantido no Oscar pelo pedigree e pela história de relacionamento entre um rapaz e um robô diferente.

Os Pinguins de Madagascar não devem surtir efeito nos membros da Academia. Se nenhum dos três filmes da série Madagascar foi indicado anteriormente, que dirá a aventura solo dos coadjuvantes pinguins? Além disso, o fato dos mesmos personagens já terem  estrelado seu próprio desenho animado na TV acaba enfraquecendo a campanha do longa.

Rocks in my Pockets, de

Dos EUA e LETÔNIA: Rocks in my Pockets, de Signe Baumane (photo by cine.gr)

Seguindo essa linha de aposta, três vagas já estariam preenchidas pelos grandes estúdios. As outras duas iriam para produções estrangeiras de acordo com a tendência dos últimos anos da categoria. E como o Japão é o país mais presente no Oscar, nada mais natural uma nova indicação vinda do Studio Ghibli de Hayao Miyazaki, mas desta vez, sob direção de outro mestre nipônico: Isao Takahata. Ele foi responsável por uma das animações mais cruéis e cortantes da História do Cinema: Túmulo dos Vagalumes (1988). Ele retorna com um bonito conto sobre uma pequenina princesa que nasce de um broto de bambu e é adotada por uma família de camponeses.

Já a última das 5 vagas, gostaria de acreditar que a Academia dará uma oportunidade de reconhecer um trabalho diferente. A animação em 2D, co-produzido pelos EUA e pela Letônia, Rocks in my Pockets, apresenta um tom surreal digno do clássico Submarino Amarelo (1968) que muitas vezes falta numa festa deste porte. Trata-se de um filme que busca abordar a depressão do ponto de vista de 5 mulheres da mesma família. Claro que ainda devemos analisar a narrativa e a qualidade do roteiro e trilha musical, por exemplo, mas só o fato de criar uma animação mais filosófica já é digno de nota.

Vale lembrar que o brasileiro Carlos Saldanha pode voltar a concorrer ao Oscar por Rio 2. Ele foi previamente indicado pelo curta Gone Nutty em 2004. E o primeiro Rio chegou a ser indicado na categoria Melhor Canção em 2012, mas perdeu para Os Muppets.

As indicações serão divulgadas no dia 15 de janeiro, e a 87ª cerimônia do Oscar será no dia 22 de fevereiro.

Os Boxtrolls (The Boxtrolls), de

Os Boxtrolls (The Boxtrolls), de Graham Annable e Anthony Stacchi (photo by outnow.ch)