Com presença de CLOONEY, ARONOFSKY e PAYNE, Festivais de VENEZA e TORONTO se consolidam como REDUTOS PRÉ-OSCAR

Suburbicon

Cena de Suburbicon, novo filme dirigido por George Clooney, com Julianne Moore e Matt Damon (pic by cine.gr)

PRÉ-CANDIDATOS AO OSCAR BUSCAM OS HOLOFOTES INTERNACIONAIS PARA ABRIR A TEMPORADA DE PREMIAÇÕES

Houve um tempo em que os filmes selecionados pelo Festival de Veneza, o mais antigo do mundo, tinham um distância quilométrica do Oscar. Era extremamente raro que um filme presente no evento italiano também estivesse no prêmio da Academia. Claro que todos os grandes festivais hoje tiveram uma aproximação com o Oscar por causa da projeção internacional, mas Veneza se tornou palco do “esquenta”.

Pra isso, Veneza convidou artistas hollywoodianos que certamente atrairão mais olhares para o evento e ao mesmo tempo se beneficiarão com a abertura de temporada de premiações. Assim, teremos os novos trabalhos de George Clooney, Darren Aronofsky, Alexander Payne e Guillermo del Toro. Se vão ganhar prêmios são outros quinhentos, mas somente a presença no festival já os consolida como fortes candidatos ao Oscar. Vale sempre ressaltar que Veneza teve recordistas de indicações ao Oscar nos últimos 4 anos: Gravidade (2013), Birdman (2014) e La La Land (2016).

Particularmente, já dou como certas as indicações para Clooney e Payne, que costumam ter uma forte afinidade com os gostos da Academia. Curiosamente, ambos os filmes foram protagonizados por Matt Damon, que pode ter até dupla indicação na categoria de Ator – Comédia ou Musical no próximo Globo de Ouro.

Já os filmes de Aronofsky e del Toro ainda tenho minhas dúvidas por apresentarem elementos do gênero terror, mas acredito que devem obter sucesso em categorias técnicas. Contudo, ambos podem ter ótimas chances com suas atrizes: Jennifer Lawrence e Sally Hawkins, respectivamente, em Mother! e The Shape of Water.

shape of water

Sally Hawkins interage com um experimento do governo em The Shape of Water, de Guillermo del Toro

Particularmente, tenho boas expectativas em relação a três diretores:

Martin McDonagh
Mais conhecido pelas ótimas comédias Na Mira do Chefe e Sete Psicopatas e um Shih Tzu, o diretor britânico chega com Three Billboards Outside Ebbing, Missouri. Aqui temos a atriz Frances McDormand como uma mãe que desafia o chefe da polícia da cidade depois que sua filha foi assassinada e não houve nenhum preso. É curiosa a capacidade de McDonagh de conseguir extrair humor de temas bastante pesados, algo que apenas os irmãos Coen conseguiam fazer com maestria até alguns anos atrás. E engana-se quem pensa que se trata de apenas uma comédia. O filme critica a baixa eficiência policial (imagina se a personagem vivesse no Brasil…) e a prisão e tortura de negros, que continua recorrente nos EUA. Veja trailer abaixo:

Andrew Haigh
Admito que a trama de Lean on Pete, adaptação homônima do romance, sobre um jovem que busca sua tia perdida acompanhado por um cavalo de corrida não me animou muito, mas pra quem amou seu filme anterior, 45 Anos, é impossível não criar expectativas. No elenco, o diretor conta com os experientes Steve Buscemi e Chloë Sevigny. É esperar pra ver…

Abdellatif Kechiche
Esse diretor tunisiano conquistou Cannes e o mundo com seu filme anterior: Azul é a Cor Mais Quente, mas pra quem conferiu seus outros trabalhos como O Segredo do Grão e Vênus Negra, sabe que estamos diante de um diretor extremamente cuidadoso esteticamente e que não abre mão de seu olhar minucioso do comportamento humano. Ele traz Mektoub, My Love: Canto Uno que aborda a difícil decisão de um roteirista entre seu amor e sua carreira, curiosamente, um tema bastante parecido com o musical La La Land.

FORA DE COMPETIÇÃO

Embora não estejam competindo pelo Leão de Ouro, algumas produções também podem conseguir seu lugar ao sol na temporada de premiações. O novo filme de Stephen Frears, Victoria and Abdul, sobre a história verídica da amizade entre a rainha Victoria e um serviçal indiano, aparentemente se assemelha ao A Rainha (2006), que rendeu o Oscar para Helen Mirren. Honestamente, com exceção do ótimo Philomena (2014), os últimos trabalhos de Frears me desagradam um pouco por apresentarem formato e linguagem de TV, mas o diretor britânico tem seu talento inquestionável na direção de atores. E curiosamente Judi Dench volta a interpretar a rainha Victoria depois de Sua Majestade Mrs. Brown (1997), filme pelo qual foi indicada ao Oscar e perdeu injustamente para Helen Hunt.

Achei interessante o documentário que William Friedkin trouxe a Veneza: The Devil and Father Amorth (em tradução livre: “O Diabo e o Padre Amorth”), que captura imagens do nono exorcismo praticado pelo padre na Itália. Mesmo após mais de quatro décadas do clássico O Exorcista (1973), o diretor americano continua muito vinculado ao exorcismo, portanto, esse documentário pode de alguma forma “exorcizá-lo” dessa ligação e ao mesmo tempo, alimentar a sede de seus incontáveis fãs de como ele tratará desse tema novamente.

DISPUTA POR NOVOS FILMES

Por se tratar de um festival que acontece em setembro, existem desvantagens também, pois as atenções se dividem com o festival canadense de Toronto. Embora não tenha o mesmo prestígio do italiano, tem servido de vitrine para os filmes americanos, os vencedores do People’s Choice Awards costumam ser indicados a Melhor Filme (vide os recentes O Quarto de Jack, O Jogo da Imitação, 12 Anos de Escravidão e O Lado Bom da Vida), sem contar que o país é vizinho dos EUA e o mesmo idioma.

Em entrevista, o diretor do Festival de Veneza, Alberto Barbera, se disse “97% satisfeito” com sua seleção, já que houve apenas dois ou três filmes que ele queria exibir, mas não pôde porque já estavam comprometidos com outros festivais, provavelmente Toronto.

Contudo, se formos analisar os filmes exibidos em Veneza, temos muitos que também estarão presentes em Toronto. A única diferença é que o festival italiano exibirá alguns dias antes. Entre algumas exclusividades estão o novo filme de Angelina Jolie como diretora, First They Killed My Father, um drama pesado sobre o genocídio no Camboja feito para a Netflix; a nova produção de Joe Wright, Darkest Hour, que promete gerar a segunda indicação ao Oscar para Gary Oldman, interpretando um impecável Winston  Churchill; o drama verídico Film Stars Don’t Die in Liverpool sobre um romance da atriz Gloria Grahame com um jovem traz Annette Bening como a protagonista (será que ela ganha o Oscar desta vez?); e Stronger, um drama que recria o atentado da Maratona de Boston e uma vítima que perdeu as pernas com a explosão da bomba. Jake Gyllenhaal promete arrancar lágrimas do público.

Estou bastante curioso pra conferir o novo filme da dupla Jonathan Dayton e Valerie Faris, que se consagraram com Pequena Miss Sunshine (2006): Battle of the Sexes, que recria uma disputa de tênis bastante curiosa ocorrida em 1973 entre Billie Jean King (Emma Stone) e o ex-campeão Bobby Riggs (Steve Carell). Além de toda a caracterização de época (Emma Stone está quase irreconhecível com aqueles óculos fundo de garrafa), será curioso ver o quanto de atual ainda temos sobre essa discussão de igualdade entre gêneros.

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Emma Stone e Steve Carell fazem dupla de tenistas em 1973 em Battle of the Sexes (pic by moviepilot.de)

E também bastante interessado em assistir ao francês 120 Battements par Minute (BPM (Beats per Minute), de Robin Campillo, que foi bem ovacionado em Cannes. Trata-se da luta de um portador de Aids contra a indiferença no início dos anos 90. Embora os filmes representantes para o Oscar de Filme Estrangeiro ainda não tenham sido definidas, muito provavelmente este será o candidato da França e com fortes chances de ganhar a estatueta, que o país não ganha desde 1993 com Indochina.

toronto-international-film-festival-website

SELEÇÃO DO FESTIVAL INTERNACIONAL DE TORONTO

GALAS
Breathe
The Catcher Was A Spy
Darkest Hour
Film Stars Don’t Die in Liverpool
Kings
Long Time Running
Mary Shelley
The Mountain Between Us
Mudbound
Stronger
The Wife
Woman Walks Ahead

APRESENTAÇÕES ESPECIAIS
Battle of the Sexes
BPM (Beats Per Minute)
The Brawler
The Breadwinner
Call Me By Your Name
Catch the Wind
The Current War

The Children Act
Disobedience
Downsizing
A Fantastic Woman
First They Killed My Father
The Guardians
Hostiles
The Hungry
I, Tonya
mother!
Novitiate
Omerta
Plonger
The Price of Success
Professor Marston & the Wonder Women
The Rider
A Season in France
The Shape of Water
Sheikh Jackson
The Square
Submergence
Suburbicon
Thelma
Three Billboards Outside Ebbing, Missouri
Untitled Bryan Cranston/Kevin Hart Film

Victoria and Abdul

 

Festival-de-Cinema-de-Veneza-em-2017

INDICADOS AO LEÃO DE OURO 2017

  • Human Flow
    Dir: Ai Weiwei (Alemanha, EUA)
  • Mother!
    Dir: Darren Aronofsky (EUA)
  • Suburbicon
    Dir: George Clooney (EUA)
  • The Shape Of Water
    Dir: Guillermo Del Toro (EUA)
  • L’Insulte
    Dir: Ziad Doueiri (França, Líbano)
  • La Villa
    Dir: Robert Guediguian (França)
  • Lean on Pete
    Dir: Andrew Haigh (Reino Unido)
  • Mektoub, My Love: Canto Uno
    Dir: Abdellatif Kechiche (França)
  • The Third Murder
    Dir: Hirkazu Koreeda (Japão)
  • Jusqu’a La Garde
    Dir: Xavier Legrand (França)
  • Amore e Malavita
    Dir: Manetto Bros. (Itália)
  • Three Billboards Outside Ebbing, Missouri
    Dir: Martin McDonagh (Reino Unido)
  • Hannah
    Dir: Andrea Pallaoro (Itália, Bélgica, França)
  • Downsizing
    Dir: Alexander Payne (EUA)
  • Angels Wear White
    Dir: Vivian Qu (China, França)
  • Una Famiglia
    Dir: Sebastiano Risio (Itália)
  • First Reformed
    Dir: Paul Schrader (EUA)
  • Sweet Country
    Dir: Warwick Thornton (Austrália)
  • The Leisure Seeker
    Dir: Paolo Virzì (Itália)
  • Ex Libris – The New York Public Library
    Dir: Frederick Wiseman (EUA)

FORA DE COMPETIÇÃO

Eventos Especiais

  • Casa D’Altri
    Dir: Gianni Amelio (Itália)
  • Michael Jackson’s ‘Thriller’ 3D
    Dir: John Landis (EUA)
  • Making of Michael Jackson’s ‘Thriller’
    Dir: Jerry Kramer (EUA)

FICÇÃO

  • Our Souls at Night
    Dir: Ritesh Batra (EUA)
  • Il Signor Rotopeter
    Dir: Antonietta De Lillo (Itália)
  • Victoria and Abdul
    Dir: Stephen Frears (Reino Unido)
  • La Melodie
    Dir: Rachid Hami (França)
  • Outrage Coda
    Dir: Takeshi Kitano (Japão)
  • Loving Pablo
    Dir: Fernando Leon De Aranoa (Espanha)
  • Zama
    Dir: Lucrecia Martel (Argentina, Brasil)
  • Wormwood
    Dir: Errol Morris (EUA)
  • Diva!
    Dir: Francesco Patierno (Itália)
  • La Fidele
    Dir: Michael R. Roskam (Bélgica, França, Holanda)
  • The Private Life of a Modern Woman
    Dir: James Toback (EUA)
  • Brawl in Cell Block 99
    Dir: S. Craig Zahler (EUA)

NÃO-FICÇÃO

  • Cuba and the Cameraman
    Dir: Jon Albert (EUA)
  • My Generation
    Dir: David Batty (Reino Unido)
  • The Devil and Father Amorth
    Dir: William Friedkin (EUA)
  • This Is Congo
    Dir: Daniel McCabe (Congo)
  • Ryuichi Sakamoto: Coda
    Dir: Stephen Nomura Schible (EUA, Japão)
  • Jim & Andy: The Great Beyond. The Story of Jim Carrey, Andy Kaufman, and Tony Clifton
    Dir: Chris Smith (EUA)
  • Happy Winter
    Dir: Giovanni Totaro (Itália)

HORIZONTES

  • Disappearance
    Dir: Ali Asgari (Irã, Catar)
  • Especes Menaces
    Dir: Gilles Bourdos (França, Bélgica)
  • The Rape of Recy Taylor
    Dir: Nancy Buirski (EUA)
  • Caniba
    Dir: Lucian Castaing-Taylor, Verena Paravel (França)
  • Les Bienheureux
    Dir: Sofia Djama (França, Bélgica)
  • Marvin
    Dir: Anne Fontaine (França)
  • Invisibile
    Dir: Pablo Giorgelli (Argentina, Brasil, Uruguai, Alemanha)
  • Brutti e Cattivi
    Dir: Cosimo Gomez (Itália, França)
  • The Cousin
    Dir: Tzahi Grad (Israel)
  • Reparer les vivants
    Dir: Katell Quillevere (França, Bélgica)
  • The Testament
    Dir: Amichai Greenberg (Israel, Áustria)
  • No Date, No Signature
    Dir: Vahid Jalilvand (Irã)
  • Los Versos Del Olvido
    Dir: Alireza Khatami (França, Alemanha, Holanda, Chile)
  • Nico, 1988
    Dir: Susanna Nicchiarelli (Itália)
  • Krieg
    Dir: Rick Ostermann, Barbara Auer (Alemanha)
  • West of Sunshine
    Dir: Jason Raftopoulos (Austrália)
  • Gotta Cenerentola
    Dir: Alessandro Rak, Ivan Cappiello, Marino Guarnieri, Dario Sansone (Itália)
  • Under The Tree
    Dir: Hafsteinn Gunnar Sigurdsson (Islândia, Dinamarca, Polônia, Alemanha)
  • La Vita in Comune
    Dir: Edoardo Winspeare (Itália)

CINEMA IN THE GARDEN

  • Manuel
    Dir: Dario Albertini (Itália)
  • Controfigura
    Dir: Ra Di Martino (Itália, França, Marrocos, Suíça)
  • Woodstock
    Dir: Kate Mulleavy, Laura Mulleavy (EUA)
  • Nato A Casal Di Principe
    Dir: Bruno Oliviero (Itália, Espanha)
  • Suburra — The Series
    Dir: Michele Placido, Andrea Molaioli, Giuseppe Capotondi (Itália)
  • Tuers
    Dir: Francois Truokens, Jean-Francois Hensgens (Bélgica, França)

VENEZA REALIDADE VIRTUAL

  • Melita
    Dir: Nicolas Alcala (EUA)
  • La Camera Insabbiata
    Dir: Laurie Anderson, Huang Sin-Chien (EUA)
  • The Last Goodbye
    Dir: Gabo Arora (EUA)
  • My Name Is Peter Stillman
    Dir: Lysander Ashton, Leo Warner (Reino Unido)
  • Alice, The Virtual Reality Play
    Dir: Mathias Chelebourg (França)
  • Arden’s Wake Expanded
    Dir: Eugene YK Chung (EUA)
  • Greenland Melting
    Dir: Nonny De La Pena (EUA)
  • Bloodless
    Dir: Gina Kim (EUA)
  • Nothing Happens
    Dir: Uri Kranot, Michelle Kranot (Dinamarca, França)
  • The Dream Collector
    Dir: Mi Li (China)
  • Snatch VR Heist Experience
    Dir: Rafael Pavon, Nicolas Alcala (EUA)
  • Nefertiti
    Dir: Richard Mills, Kim-Leigh Pontin (Reino Unido)
  • Proxima
    Dir: Mathieu Pradat (França)
  • In The Pictures
    Dir: Qing Shao (China)
  • Dispatch
    Dir: Edward Robles (EUA, Reino Unido)
  • The Argos File
    Dir: Josema Roig (EUA)
  • Gomorra VR – We Own The Streets
    Dir: Enrico Roast (Itália)
  • Draw Me Close, Chapters 1-2
    Dir: Jordan Tannahill (Canadá, Reino Unido)
  • The Deserted
    Dir: Tsai Ming-Liang (Taiwan)
  • I Saw The Future
    Dir: Francois Vautier (França)
  • Separate Silences
    Dir: David Wedel (Dinamarca)
  • Free Whale
    Dir: Zhang Peibin (China)

***

O Festival de Veneza começa dia 30 de agosto e encerra dia 09 de setembro.

Já o Festival Internacional de Toronto tem início em 07 de setembro e vai até o dia 17.

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Retrospectiva 2014: Meu ano com os filmes


O host do Oscar 2015, Neil Patrick Harris, em sua mensagem de fim de ano

Primeiramente, gostaria de agradecer ao pessoal que visita o blog, acompanha os posts com paciência e comenta. Trata-se do melhor incentivo que recebo, uma vez que escrevo aqui puramente por paixão ao ofício e à Arte do Cinema. O post de hoje é o último do ano de 2014. Achei uma boa idéia fazer uma espécie de retrospectiva do ano em relação aos principais acontecimentos e aos filmes vistos. Gostaria também de convidar a todos pra escrever sobre os seus favoritos (ou piores) de 2014.

OSCAR 2014

A Academia fez história ao premiar 12 Anos de Escravidão como Melhor Filme. Trata-se do primeiro produzido e dirigido por um negro (Steve McQueen), assim como escrito por um roteirista negro (John Ridley) a ganhar o Oscar. Curiosamente, esse fato ocorre no mesmo ano em que há uma crise nos conflitos raciais nos EUA, originada por morte de negros por policiais brancos, prova de que o racismo está longe de ter fim, mesmo em pleno século XXI. Não sei se a escolha da Academia teve maior embasamento político, mas meu voto iria para O Lobo de Wall Street. Depois que Martin Scorsese ganhou finalmente seu Oscar em 2007, ele se libertou das amarras do academicismo e passou a alçar vôos mais ambiciosos. De lá pra cá, ele dirigiu o ousado terror noir de A Ilha do Medo, a carta de amor ao Cinema de A Invenção de Hugo Cabret e este libertino O Lobo de Wall Street, pelo qual ele teve finalmente sua recompensa em apostar em Leonardo DiCaprio. É um raríssimo caso em que o Oscar continuou iluminando a carreira já vitoriosa de um vencedor.

Quanto aos resultados, eu tiraria o Oscar de montagem de Gravidade e daria para Capitão Philips, por conseguir manter a tensão do início ao fim claustrofóbico. O Oscar de maquigem também teria outro dono na minha opinião, pois Clube de Compras Dallas tem mais do esforço dos atores do que maquiagem propriamente dita. E gostaria que o Oscar de coadjuvante fosse para a graciosa June Squibb por Nebraska. Pode parecer que estou preferindo Squibb a Lupita Nyong’o simplesmente pela idade, mas eu realmente considero sua interpretação mais consistente. Ela é o ponto de equilíbrio entre os personagens do filho (Will Forte) e o pai (Bruce Dern) sem deixar de perder o senso de humor e a ternura. Eu também gostaria que Judi Dench vencesse seu segundo Oscar por Philomena, mas Cate Blanchett estava tão imbatível em Blue Jasmine que parecia missão impossível.

June Squibb em cena de Nebraska (photo by cinemagia.ro)

June Squibb em cena de Nebraska (photo by cinemagia.ro)

MARATONA JAMES BOND

Fui introduzido ao universo de James Bond pelo meu pai, que assistia aos filmes de Sean Connery nos cinemas. Na adolescência, cheguei a juntar minha mesada pra comprar a coleção de VHS que saiu nas bancas e fui conhecendo filme por filme. Como comprei a coleção em blu-ray no final do ano passado, achei uma ótima oportunidade pra fazer uma maratona James Bond neste ano e em ordem cronológica de lançamento.

Claro que os melhores filmes permanecem aqueles estrelados por Sean Connery. Meu pai e meu irmão gostam de Moscou Contra 007. Já eu prefiro 007 Contra o Satânico Dr. No pelo frescor na espionagem ou 007 Contra Goldfinger por ser bem icônico na saga, mas confesso que se eu pudesse eleger apenas um, meu favorito hoje seria 007 – Cassino Royale. Gosto da estrutura do filme, que segue as pistas até chegar aos peixes grandes. Os personagens estão bem definidos: dos vilões Mollaka, que pratica le parkour no início do filme, Le Chiffre, que conta com a força da presença de Mads Mikkelsen, a incógnita Vesper Lynd feita pela igualmente misteriosa Eva Green, e o que dizer de Daniel Craig? Admito que quando soube da escolha dele como 6º Bond, tive minhas dúvidas, mas que logo se dissiparam nos primeiros minutos do filme. Meu pai, fã de Connery, não gosta de Craig: “Ele é muito burucutu, sem charme”. Sim, no filme ele é meio sem noção, mas temos que lembrar que se trata de um reboot na franquia. O personagem icônico está em sua primeira missão como agente com permissão para matar e seus deslizes são mais do que comuns e perdoáveis. Daniel Craig tornou o personagem palpável, com direito a cometer erros, vulnerável e humano. É ali também que descobrimos por que ele se tornou tão desconfiado em relação às mulheres.

Indubitavelmente, depois de sua inserção no universo de Bond, a saga do espião nos cinemas definitivamente subiu de nível. Deixou de ser aquelas aventuras que só tinham o intuito de mostrar belas mulheres e locações para acrescentar à cultura mundial. Infelizmente, sofreu com a greve de roteiristas em 007 – Quantum of Solace, mas com 007 – Operação Skyfall, com a colaboração do diretor Sam Mendes, o diretor de fotografia Roger Deakins e o diretor de arte Dennis Gassner, a parte técnica foi para patamares nunca explorados, tanto que o filme recebeu indicações ao Oscar de fotografia, e o ganhou o BAFTA de Melhor Filme Britânico.

Um fato curioso é que este ano, três atores que viveram vilões na saga James Bond partiram: Richard Kiel, que interpretou Jaws, o vilão que virou mocinho (007 – O Espião que Me Amava e 007 Contra o Foguete da Morte). Gottfried John, o frio Coronel Ourumov (007 Contra GondenEye). E Geoffrey Holder, o imortal Barão Samedi (Com 007 Viva e Deixe Morrer).

Do topo da esquerda em sentido horário:  Sean Connery, George Lazenby, Roger Moore, Daniel Craig, Pierce Brosnan e Timothy Dalton (photo by thekliqnation.com)

Do topo da esquerda em sentido horário: Sean Connery, George Lazenby, Roger Moore, Daniel Craig, Pierce Brosnan e Timothy Dalton (photo by thekliqnation.com)

MARVEL NAS MÃOS CERTAS E ERRADAS

Como fã declarado da Marvel Comics do tipo que colecionava quadrinhos do Homem-Aranha e X-Men, vou aos cinemas ver as adaptações com um sorriso enorme no rosto, pois na época em que acompanhava as histórias, pensava que esse dia jamais chegaria. Este ano, o maior prazer foi assistir à sequência Capitão América: O Soldado Invernal, tanto que fui duas vezes ao cinema. A grande fórmula do sucesso do produtor Kevin Feige tem sido o acerto na hora de contratar os diretores, roteiristas e atores. Nada de ficar cedendo às pressões dos executivos dos estúdios para chamar celebridades ou diretores com pedigree. Os diretores Anthony Russo e Joe Russo também acertaram ao abordar o resgate do Capitão América ao século XXI como um grande filme de espionagem dos anos 70 como Três Dias de Condor.

Robert Redford e Chris Evans em cena de Capitão América: O Soldado Invernal (photo by cinemagia.ro)

Robert Redford e Chris Evans em cena de Capitão América: O Soldado Invernal (photo by cinemagia.ro)

Inteligentemente, a Marvel Studios não vive apenas de sequências para não ver a fonte de renda secar. Para isso, ela fez uma aposta de alto risco com a adaptação de Guardiões da Galáxia, pois são personagens considerados de segunda linha da editora, e por isso, tinham tudo para ser um possível fracasso comercial. A aposta se estendeu até na escolha do protagonista: o jovem Chris Pratt, que até então era ator de segundo escalão e coadjuvante da série de comédia Parks & Recreation, felizmente deu bastante certo como Peter Quill, vulgo Star Lord. Após tamanho sucesso nas bilheterias, a sequência já está confirmada para 2017, e Pratt ainda conseguiu papel de protagonista no próximo Jurassic World.

Integrantes excêntricos do grupo Guardiões da Galáxia. (photo by outnow.ch)

Integrantes excêntricos do grupo Guardiões da Galáxia. (photo by outnow.ch)

Infelizmente (mesmo!), como a Marvel Comics faliu nos anos 90, ela se viu obrigada a vender os direitos autorais de seus personagens para grandes estúdios como Fox e Sony, o que impossibilita os tão aguardados crossovers nas telas e geram incontáveis novas adaptações de qualidade duvidosa. Digamos que a Marvel Studios, que originou sucessos como a trilogia do Homem de Ferro e Os Vingadores, cria os filmes com planejamento e respeito ao público e aos milhares de fãs mundo afora. Já a Sony e Fox estão mais interessadas em pegar carona na alta dos super-heróis, tanto que fizeram reboots do Homem-Aranha apenas 5 anos depois de Homem-Aranha 3 (estrelado por Tobey Maguire) e dos mutantes X-Men com X-Men: Primeira Classe, retratando a juventude dos personagens nos anos 60 e, agora com X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, praticamente apagaram toda a história passada nos filmes anteriores por causa das viagens no tempo.

Para o grande público, talvez quem produz o filme não faça diferença, mas os números nas bilheterias são mais uma prova de que quando as adaptações são bem pensadas, bem filmadas e bem finalizadas, o sucesso é mera consequência e os filmes entram para a História do Cinema.

NETFLIX E OUTRAS ALTERNATIVAS

Depois da dificuldade que passei ano passado em encontrar títulos no mercado legal (precisava assistir a A Hora Mais Escura pra escrever um artigo antes do Oscar), tive que recorrer a outros meios “não tão legais assim”. Este ano, descobri um bom site chamado Toca dos Cinéfilos, que dispõe de um ótimo acervo de filmes em streaming. De lá, assisti finalmente ao filme romeno vencedor da Palma de Ouro, 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias, que estava procurando há tempos. Claro que não apresenta a melhor qualidade de imagem de áudio e vídeo, mas na atual conjuntura, “é o que tem pra hoje”. Não recomendo aos cinéfilos assistir aos filmes nesses sites por se tratar de um crime previsto em lei, mas com a péssima distribuição de filmes e os altos impostos cobrados em mídias digitais como DVDs e Blu-Rays aqui no Brasil, não tem como desestimular as pessoas a procurar outras alternativas.

Hoje em dia, um ingresso de cinema não sai por menos de 25 reais nos shoppings, sem contar o estacionamento e aqueles combos de pipoca de ouro. Enquanto isso, o filme polonês favorito ao Oscar de Filme em Língua Estrangeira, Ida, está disponível nesse site. Claro que em qualidade inferior e dublado num francês meio sofrível, mas quem não tem cão..

4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias (photo by outnow.ch)
4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias (photo by outnow.ch)

Já no Netflix, confesso que mais revi do que assisti novos filmes. Um Príncipe em Nova York, Um Tira no Jardim de Infância e Os Garotos Perdidos foram alguns desses títulos, que não via há um bom tempo. Mas a maior surpresa ficou por conta de um achado: O Destino Mudou sua Vida, de Michael Apted. Como sempre fui atrás dos filmes que ganharam o Oscar, procurei por este que rendeu a estatueta de Melhor Atriz para Sissy Spacek por vários anos, mas nunca tinha visto cópia em VHS ou DVD. A performance de Spacek é digna de nota, pois ela abrange a personagem real Loretta Lynn da adolescência até a idade adulta no auge da carreira de cantora country, além de cantar com sua própria voz. A atriz bateu outros nomes de peso como Gena Rowlands, Ellen Burstyn e Mary Tyler Moore naquele ano de 1981. E curiosamente, Tommy Lee Jones faz o marido Doolittle Lynn; mesmo bem mais novo, já tinha aquela cara de carrancudo!

Tommy Lee Jones e Sissy Spacek em O Destino Mudou Sua Vida (photo by outnow.ch)

Tommy Lee Jones e Sissy Spacek em O Destino Mudou Sua Vida (photo by outnow.ch)

CRÍTICAS POSITIVAS E NEGATIVAS

Pra não dizer que só fui na base da ilegalidade, comprei o DVD da ficção científica Sob a Pele, de Jonathan Glazer, mesmo este disponível em streaming. Provavelmente é o filme mais estranho que vi este ano. Por mais que tenha sentido falta de uma coerência ou até mesmo uma questão de unidade, foi um dos filmes que mais se destacaram pelo frescor de suas imagens, aliadas a uma trilha igualmente bizonha com direito a tema de sedução. Acredito que são esses filmes que almejam inovações que fazem do cinema uma Arte que atravessa as décadas e se mantém no topo, porque se dependesse de produtores atuais que só pensam em números de bilheteria, o Cinema seria um entretenimento acéfalo do tipo “Pão e Circo”.

Cena de Sob a Pele (photo by cinemagia.ro)

Cena de Sob a Pele (photo by cinemagia.ro)

Apesar de não bater muito bem da cabeça, os filmes de Lars von Trier seguem na mesma linha de inovação, do tipo “ame ou odeie”. Este ano, vi os dois volumes do filme Ninfomaníaca. Assim como os filmes de Kill Bill, de Tarantino, a divisão tornou o primeiro volume em algo mais episódico e de humor mais acertivo, já o segundo é mais sóbrio com a busca pelo prazer ultrapassando os limites físicos e psicológicos que lembram o néo-clássico de Nagisa Oshima, O Império dos Sentidos (1976). Como o diretor dinamarquês iniciou sua carreira com filmes esteticamente perfeitos como Elemento de um Crime (1984) e Europa (1991), e depois pegou carona no Movimento Dogma 95 que não permitia recursos técnicos básicos como iluminação, resultando em Os Idiotas (1998) e Dançando no Escuro (2000), ele teve uma interessante experiência na mistura da estética com a narrativa. Seus últimos filmes são provas concretas desse aprendizado: Dogville (2003), Anticristo (2009), Melancolia (2011) e esses dois Ninfomaníaca. Em 2011, foi banido do Festival de Cannes quando declarou que “entendia Hitler” e se dizia anti-semita, mas independente de suas posições políticas, seus filmes já podem ser considerados eventos.

Cena de Ninfomaníaca Vol. 2 - Versão do Diretor (photo by outnow.ch)

Cena de Ninfomaníaca Vol. 2 – Versão do Diretor (photo by outnow.ch)

Já em relação aos filmes mais mainstream, meu voto de melhor do ano vai para Boyhood: Da Infância à Juventude. Gosto de praticamente tudo: do projeto de 12 anos, da paixão dos profissionais envolvidos por tanto tempo, do roteiro “sem história”, dos personagens centrais em constante transformação, da expectativa da mãe sobre a vida: “É isso? Eu esperava mais…”. É um filme intimista que explora a relação que temos com o tempo e com as pessoas que amamos. A gente fica tão ligado em histórias e tramas mirabolantes, que esquecemos o poder de um olhar tão atento aos detalhes como o de Richard Linklater. Não vi todos os possíveis concorrentes, mas espero que Boyhood consiga suas indicações e até ganhe o Oscar de Melhor Filme.

Da esquerda para a direita: Lorelei Linklater, Ethan Hawke e Ellar Coltrane em Boyhood: Da Infância à Juventude (photo by elfilm.com)

Da esquerda para a direita: Lorelei Linklater, Ethan Hawke e Ellar Coltrane em Boyhood: Da Infância à Juventude (photo by elfilm.com)

Quanto às bombas do ano, meu voto vai para o novo Godzilla. Quando se erra no tom, nem trazendo Tom Cruise, Brad Pitt, Julia Roberts, Meryl Streep… quer dizer, Meryl Streep não. Ela é à prova de fracassos! Não sou fanático por filmes de monstros, mas gostei do sul-coreano O Hospedeiro (2006) e achei interessante o Cloverfield: Monstro (2008), por exemplo, mas essa nova versão do monstro nuclear nipônico não acrescenta em nada na história originada nos anos 50. Quanto ao tom, se fosse mantido o mesmo do início do filme em que Juliette Binoche e Bryan Cranston realmente vivem personagens envolvidos numa tragédia, certamente o filme seria outro. Se tem uma receita certa para filmes de monstros, é que se deve valorizar muito mais os personagens do que o monstro em si. E fiquei com pena da Sally Hawkins, que por mais que tenha ganhado seu salário, não passou de uma tradutora de japonês de Ken Watanabe: um desperdício de talento.

Godzilla: Enquanto Bryan Cranston esteve na tela, o filme era "assistível". Depois eu queria meu dinheiro de volta! (photo by outnow.ch)

Godzilla: Enquanto Bryan Cranston esteve na tela, o filme era “assistível”. Depois eu queria meu dinheiro de volta! (photo by outnow.ch)

Gostaria de aproveitar pra fazer um comentário à parte em relação ao filme Garota Exemplar. Quando soube que o livro seria adaptado para o cinema pelas mãos de David Fincher, não hesitei em comprar o livro e ler, afinal, ele é o melhor diretor pra cuidar de personagens psicóticos (Seven: Os Sete Crimes Capitais, Clube da Luta e Zodíaco), mas fiquei um pouco desapontado com o resultado final. Desde o sucesso de A Rede Social (2010), o estilo visual de Fincher não mudou quase nada nos filmes seguintes: Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres (2011) e agora Garota Exemplar. Mesmo não se tratando de um trilogia, o diretor realizou uma espécie de “pasteurização” em todos os departamentos: fotografia com cores frias, direção de arte, trilha musical com poucas notas e uma montagem frenética que beira o automático. Embora Garota Exemplar seja uma boa adaptação do best-seller de Gillian Flynn, o diretor poderia rever seus conceitos para o próximo projeto antes que se torne repetitivo demais.

FILMES NA 38ª MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA DE SÃO PAULO

Toda vez que a Mostra de Cinema vai vender pacotes de filmes, estou fora da cidade! Felizmente, desde o ano passado, o evento passou a contar com a evolução das vendas de ingresso pela internet. Pra quem trabalha o dia todo e não tem como ficar trocando ingressos durante o dia, a internet é uma mão na roda. Depois de muita análise da programação, consegui pegar algumas sessões interessantes como a de Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo. O novo filme de Bennett Miller foi indicado à Palma de Ouro em Cannes e saiu com o prêmio de Direção. O trio de atores está excepcional: Steve Carell impressiona por sua frieza nas expressões e em sua movimentação lenta, como se estivesse num transe; Channing Tatum como uma força incontrolável e sem direção, com olhar misterioso e perdido; e Mark Ruffalo consegue cativar como o irmão mais velho de Tatum com carisma e seriedade sem fazer muito esforço, já que tem um talento natural para se transformar nos personagens.

Channing Tatum e Mark Ruffallo trabalham no novo filme de Bennett Miller (photo by outnow.ch)

Channing Tatum e Mark Ruffallo trabalham no novo filme de Bennett Miller, Foxcatcher (photo by outnow.ch)

Também destaco o filme russo Leviatã, que faz uma ótima metáfora religiosa da história de Jó com uma leitura política da Rússia de hoje, sem abrir mão do humor ácido e politicamente incorreto. Adoraria ver a reação do presidente Vladimir Putin ao ver esse filme! É um belo tapa na cara da república ditatorial que ele vem criando. Gostaria que houvesse mais filmes assim aqui no Brasil, pois já que os políticos são intocáveis, nada melhor do que um tapa bem dado em quem governa e rouba este país. Por Leviatã, o diretor Andrey Zvyagintsev foi merecidamente premiado pelo roteiro em Cannes, e está concorrendo ao Globo de Ouro de Filme Estrangeiro.

Cena de A Pequena Morte (photo by outnow.ch)

Cena de A Pequena Morte (photo by outnow.ch)

Já na repescagem da Mostra, apostei no filme australiano A Pequena Morte e me surpreendi bastante. Já que o título se refere à pequena morte do orgasmo, o filme conta com várias histórias de casais com problemas sexuais que habitam o mesmo bairro. Como num filme de Robert Altman, os personagens cruzam entre si durante suas jornadas particulares, formando um mosaico irresistível de humor refinado, que nunca vi antes numa comédia americana. Aliás, vi o filme no CineSesc da rua Augusta e nessa noite, estava caindo um temporal dos infernos. Como a sala não tinha gerador, a projeção foi interrompida umas cinco vezes! O público só ficou mesmo porque o filme valia a pena. Não deve ter previsão de estréia por aqui, pra variar, então o jeito é vasculhar na internet…

ATOS SELVAGENS NO CINEMA

Enquanto o filme começava na sala do shopping Bourbon, um casal chegou atrasado e segundo relatos da minha prima, que sentou ao lado, não parava de fazer comentários do tipo: “Ah isso é típico de argentino!”. Fato que irritou também o casal de idosos que estava sentado logo na fileira de trás, que passou a dar uns “chutes amigáveis” na poltrona na mulher falastrona pra ver se se toca, mas o nível de ignorância foi tamanha, que a mulher passou a gritar com palavras de baixo calão para a senhora, que ficou perplexa. A discussão durou cerca de 2 minutos, e nesse momento, o público ficou mais interessado no relato selvagem da realidade do que do próprio filme que trata de personagens em situação limite.

Relatos Selvagens é formado por seis segmentos não-interligados entre si, mas que possuem personagens à beira de um ataque de nervos em comum, então são muitas situações envolvendo vingança e momentos críticos. Como é um tema universal, fica muito fácil de se identificar com as histórias. Em especial, a história denominada “Bombita”, estrelada por Ricardo Darín, ele tem seu carro guinchado por ter estacionado em local proibido mal sinalizado. Indignado com a lei má aplicada, ele enfrenta a burocracia a seu modo. Tenho certeza de que todo brasileiro se identificou e torceu pelo personagem.

Cena da última história do argentino Relatos Selvagens (photo by cine.gr)

Cena da última história do argentino Relatos Selvagens (photo by cine.gr)

Quanto à barbarie dentro das salas de cinema, tive outra experiência negativa ao assistir o terror Annabelle. Eu já sabia que encararia público mais mal comportado e “aborrecente”, por isso mesmo, meus amigos e eu decidimos pegar a última sessão de uma segunda-feira. Eu até pensei em deixar pra ver em casa, mas além de terror ser um gênero propício para cinema, o filme estava batendo recordes de bilheteria no Brasil, sendo o mais visto no gênero da História! Depois que o filme terminou, vi o quão baixo está o nível mínimo de exigência do público brasileiro. Que filme ruim! Roteiro fraquíssimo com personagens fúteis em cenas que não avançam a história e sequer assustam. Como se não bastasse o horror do filme, tinha o horror da sala de cinema pra aturar. Havia dois casais do tipo início de relacionamento, em que o macho quer impressionar a fêmea explicando os acontecimentos com narração à la Galvão Bueno. Felizmente, meu amigo é mais cri-cri do que eu, ele conseguiu impôr silêncio a um dos casais com um pedido educado, mas o outro não quis nem saber. Achava que estava na sala da casa deles, e nem quis saber!

Quando eu reclamo bastante aqui que o público não sabe se comportar na sala de cinema, não é exagero da minha parte. Tem muita gente que acha que tem o direito de conversar, falar alto, deixar o celular ligado e atender (!), comer alimentos impróprios para uma sala fechada como McDonald’s (a sala inteira passa a cheirar queijo) e, se abordada por outro espectador incomodado, ainda se defende dizendo que está pagando para ver o filme! Teve momentos na minha vida, em que eu era mais revoltado e chegava a discutir ou pelo menos lançar um sucinto “Shhh”, mas depois de tanto presenciar reações ignorantes e até agressivas, passei a deixar de lado. Procuro me concentrar no filme ao máximo, e caso o papagaio seja incansável, procuro um outra poltrona livre para me mudar.

‘A ENTREVISTA’ ENTRE EUA, HOLLYWOOD E CORÉIA DO NORTE

A saga do filme A Entrevista começou alguns meses atrás, mas como continua tendo desdobramentos, preferi aguardar algum desfecho para me pronunciar aqui. Resumidamente, o estúdio Sony sofreu um ataque de hackers em novembro, causando desdobramentos desagradáveis. Primeiramente, e-mails entre executivos foram expostos, revelando orçamentos de produções, salários de artistas e expondo conversas pessoais contendo críticas e ofensas a algumas celebridades como Angelina Jolie. O produtor Scott Rudin teria classificado a atriz e diretora como “mimada e pouco talentosa” numa troca de e-mails com a produtora Amy Pascal.

Cena de A Entrevista com James Franco (centro) e Seth Rogen (à direita). Photo by outnow.ch

Cena de A Entrevista com James Franco (centro) e Seth Rogen (à direita). Photo by outnow.ch

Até aí, tudo bem. Não houve consequências desastrosas, mas apenas situações embaraçosas. Contudo, o vazamento ganhou proporções colossais quando o grupo por trás do ataque passou a ameaçar os EUA se a Sony resolvesse lançar o filme de comédia A Entrevista: “Mostraremos claramente que os locais de exibição de ‘A Entrevista’ no dia da estréia terão um destino amargo… O mundo verá em breve que filme ruim fez a Sony Pictures. O mundo estará repleto de medo. Lembrem-se do 11 de setembro de 2001. Recomendamos que fiquem longe dos cinemas”. Aí o negócio ficou feio e a Sony decidiu cancelar o lançamento previsto para o Natal. A decisão não agradou o presidente Barack Obama, que em seu discurso, diz que não negocia com terroristas e que baixar a cabeça é abrir mão da liberdade de expressão que tanto o país lutou para conquistar. Houve um disse-que-me-disse entre a Sony e os exibidores. O estúdio alegou que os cinemas abortaram a exibição, enquanto os cinemas defendem que a Sony que cancelou o lançamento.

A bem da verdade é que não dá pra arriscar vidas inocentes, ainda mais depois do 11 de setembro, mas também não podemos ferir a liberdade que nos é tão essencial hoje. Em minha humilde opinião, adiaria o lançamento por umas duas semanas até conseguir rastrear o sinal dos hackers; e não simplesmente cancelar. Muito se falou que o governo norte-coreano estaria por trás do ataque e das ameaças, mas nada foi realmente provado. Acho inadmissível o governo da maior potência do mundo não conseguir identificar a origem das ameaças. Se o ex-funcionário da NSA, Edward Snowden, nos ensinou é que todos podem ser vigiados pela Inteligência norte-americana. Onde estão os responsáveis? Meu palpite é que são um bando de nerds hackers gordinhos escondidos numa casa num estado americano.

Ativistas? ONG? Teorias conspiratórias republicanas que almejam uma guerra entre EUA e Coréia do Norte para vender mais armamento bélico? Depois do fascínio pelo personagem anárquico do Coringa em Batman: O Cavaleiro das Trevas, não duvido nem um pouco que se tratam de pessoas que querem ver apenas o circo pegar fogo.

Por enquanto, o resultado final é feliz. O filme foi lançado em salas selecionadas e está faturando alto, até mesmo pela curiosidade do público depois das notícias. Apesar de ter faturado 3 milhões de dólares nas salas, está rendendo mais de 15 milhões em serviços online. Engraçado que depois de um incidente desses, se os resultados melhorarem ainda mais, os executivos podem lançar mais filmes online.

DESPEDIDAS

No Oscar 2015, a homenagem In Memorian deverá tomar mais tempo. Foram tantos artistas e profissionais que nos deixaram este ano, que a lista é extensa. Remanescentes e lendas da era de ouro do Cinema como Lauren Bacall, Shirley Temple e Mickey Rooney se foram, assim como grandes nomes indicados ao Oscar como James Garner, Bob Hoskins, Ruby Dee, Juanita Moore, e o diretor Paul Mazursky. Entre os vencedores do prêmio da Academia, perdemos o grande diretor Mike Nichols (vencedor por A Primeira Noite de um Homem em 1968), o diretor Richard Attenborough (vencedor por Gandhi) e que curiosamente, é mais conhecido por ter vivido o criador do parque dos dinossauros, o Dr. Hammond em Jurassic Park, e a perda precoce do documentarista Malik Bendjelloul, vencedor de Melhor Documentário por Procurando Sugar Man em 2013, aos 36 anos por suicídio.

Aliás, infelizmente, o suicídio foi pauta nas mortes dos atores Robin Williams e Philip Seymour Hoffman. Enquanto o primeiro sofria de um quadro de depressão, o segundo estava lutando contra as drogas, mas ambos estavam necessitando de ajuda urgentemente. A morte de Robin Williams acabou chamando mais a atenção da mídia pela disparidade, tanto que muitos se perguntavam: “Como um ator e comediante que vivia fazendo papéis cômicos se enforca por depressão?”. Se olharmos com atenção a escolha de papéis dele, só tem tristeza: o pediatra de crianças especiais de Patch Adams – O Amor é Contagioso, o mendigo de O Pescador de Ilusões, o pai que não consegue ficar com os filhos em Uma Babá Quase Perfeita, e o que dizer do médico que morre para resgatar sua esposa do inferno em Amor Além da Vida!? Já dá pra ficar deprê só de ver os filmes, imagine vivenciar esses personagens por meses?

A morte de Philip Seymour Hoffman me lembrou a perda de Heath Ledger. Dois talentos recentemente descobertos que logo partiram deixando um legado que muitos batalham a carreira toda e não conseguem. O mais triste foi ler no jornal: “Ator de ‘Jogos Vorazes’ morre aos 46 anos”. O cara estrela Boogie Nights – Prazer Sem Limites, O Grande Lebowski, Magnólia, O Talentoso Ripley, A Última Noite, A Família Savage, Jogos do Poder, Sinédoque Nova York, Dúvida, O Mestre e vence o Oscar por Capote, e termina como ator de Jogos Vorazes. Que triste…

Philip Seymour Hoffman com seu Oscar por Capote (photo by post-gazette.com)

Philip Seymour Hoffman com seu Oscar por Capote (photo by post-gazette.com)

Também gostaria de citar o ator e diretor Harold Ramis, que ficou mais conhecido como Egon dos Caça-Fantasmas e diretor de Feitiço do Tempo; e do grande Eli Wallach, que viveu o inesquecível Tuco do grande western spaghetti Três Homens em Conflito, de Sergio Leone. E hoje foi anunciada a morte da atriz Luise Rainer aos 104 anos. Ela ganhou dois Oscars consecutivos de Melhor Atriz por Ziegfeld – O Criador de Estrelas e Terra dos Deuses na década de 30.

FELIZ 2015!

Gostaria de desejar um próspero ano novo para todos os cinéfilos mundo afora. Que em 2015, haja mais compreensão e menos corrupção. Não defendo nenhum partido, mas só nesse escândalo da Petrobrás, foram roubados 10 bilhões de reais. Imaginem o que esse dinheiro poderia fazer para a educação do nosso país? Recentemente, assisti ao Noites de Cabíria, de Federico Fellini. Nele, a personagem de Giulietta Masina vive uma prostituta que sofre o filme todo, mas sempre mantém a esperança de uma vida melhor. E é esse filme que recomendo para aqueles que acreditam que o futuro pode ser, sim, melhor! Forte abraço a todos e Feliz 2015!

Giulietta Masina como a personagem Cabiria (photo by cineyteatro.es)

Giulietta Masina como a personagem Cabiria (photo by cineyteatro.es)

 

Onde e Quando acompanhar os Indicados ao Oscar 2014

O ator Chris Hemsworth e a presidente da Academia, Cheryl Boone Isaac, divulgam as indicadas a Melhor Atriz (photo by cnikky.com)

O ator Chris Hemsworth e a presidente da Academia, Cheryl Boone Isaac, divulgam as indicadas a Melhor Atriz (photo by cnikky.com)

COM A CERIMÔNIA DO OSCAR 2014 SÓ NO DIA 02 DE MARÇO, A MAIORIA DOS INDICADOS JÁ ESTARÁ DISPONÍVEL EM BREVE PARA O PÚBLICO

Num mundo ideal, o público poderia conferir TODOS os indicados antes da cerimônia do Oscar. Sim, incluindo os curtas, documentários e filmes estrangeiros. Mas na realidade, se apenas os indicados a Melhor Filme estrearem antes (nem que seja na sexta-feira que antecede o evento), o público brasileiro já teria que se dar como satisfeito. Todo ano, eu estipulo como meta pelo menos assistir a todos os indicados a Melhor Filme, mas nem sempre foi possível como aconteceu em 2010, quando o drama Um Sonho Possível estreou mais de uma semana depois do Oscar de Melhor Atriz ter sido concedido a Sandra Bullock.

Este ano, como a cerimônia só será no dia 02 de Março devido às Olimpíadas de Inverno na Rússia, as distribuidoras daqui estão concentrando os maiores lançamentos da temporada para o mês de fevereiro. Contudo, poderiam fazer um esforço para lançar 12 Anos de Escravidão antes do dia 28 de fevereiro, né? Poxa, assistir ao favorito ao Oscar no fim de semana da cerimônia? Caso não haja empecilhos legais, acho uma baita sacanagem com o público. Claro que, pelo menos aqui em São Paulo, existem as pré-estréias. Nesta semana, já estão rolando algumas de filmes indicados ao Oscar como Trapaça e Philomena. Não é o ideal, mas já é um quebra-galho.

Vale ressaltar aqui que, devido à péssima campanha de Até o Fim e Walt nos Bastidores de Mary Poppins no Oscar, suas datas de estréia foram adiadas para só depois da cerimônia, como uma espécie de protesto das distribuidoras pela indicação única para cada filme: Efeitos Sonoros e Trilha Musical Original, respectivamente. Enquanto existia uma esperança de que Robert Redford fosse indicado como Melhor Ator pelo primeiro, esperavam que Emma Thompson e Tom Hanks pudessem conquistar indicações como Atriz e Ator Coadjuvante a fim de alavancar as bilheterias, mas a Academia praticamente descartou ambas as produções.

Este ano, pela primeira vez, estou colocando a situação “Disponível no Netflix” (não, não estou ganhando um mísero centavo pra divulgar. Droga!). Pra quem não conhece, o Netflix é o futuro da locadora. Se aquela locadora que você amava fechou (como é o meu caso), recorra ao Netflix! Ao assinar (se não me engano o valor da assinatura é de R$16,90), vc tem acesso livre a vários títulos através de streaming, inclusive de séries de TV antiga e recente. Claro que ainda carece de mais produções recentes em seu acervo, mas segundo usuários, já houve uma melhora significativa de um ano pra cá. Acho uma ótima opção para quem não quer ficar refém da programação da TV à cabo. Só fiquem atentos para adesão através de cartão de crédito, pois já tive amigos que tiveram problema com clonagem de cartão! (Agora que não vou ganhar nada da Netflix!).

A Netflix está disponibilizando o documentário The Square, ainda inédito nas telas brasileiras. Trata-se da primeira produção a ser distribuída pela Netflix a concorrer ao Oscar. A empresa já ganhou o Globo de Ouro e o Emmy através da série House of Cards, e tem sido reconhecida pelas séries Orange is the New Black e Arrested Development. É mera questão de tempo para que a Netflix se expanda, conquiste o mercado e modifique radicalmente os meios de comunicação como a TV. Confira o acervo completo no site: http://www.netflix.com

Netflix (brasilblog.netflix.com)

Netflix (brasilblog.netflix.com)

DISPONÍVEIS EM BLU-RAY/DVD

Além da Escuridão: Star Trek (Star Trek Into Darkness)
1 indicação: Efeitos Visuais

Antes da Meia-Noite (Before Midnight)
1 indicação: Roteiro Adaptado

Blue Jasmine (Blue Jasmine)
3 indicações: Atriz (Cate Blanchett), Atriz Coadjuvante (Sally Hawkins) e Roteiro Original

A Caça (Jagten)
1 indicação: Filme em Língua Estrangeira

O Cavaleiro Solitário (The Lone Ranger)
2 indicações: Maquiagem e Efeitos Visuais

Os Croods (The Croods)
1 indicação: Animação

O Grande Gatsby (The Great Gatsby)
2 indicações: Direção de Arte e Figurino

Homem de Ferro 3 (Iron Man 3)
1 indicação: Efeitos Visuais

Meu Malvado Favorito 2 (Despicable Me 2)
2 indicações: Canção Original (“Happy”) e Animação

A animação Meu Malvado Favorito 2 desbancou Universidade Monstros, da Pixar (photo by outnow.ch)

A animação Meu Malvado Favorito 2 desbancou Universidade Monstros, da Pixar (photo by outnow.ch)

DISPONÍVEL NO NETFLIX

Antes da Meia-Noite (Before Midnight)
1 indicação: Roteiro Adaptado

Os Croods (The Croods)
1 indicação: Animação

The Square
1 indicação: Documentário

Direto do Netflix, o documentário The Square (photo by emptykingdom.com)

Direto do Netflix, o documentário The Square (photo by emptykingdom.com)

FILMES EM CARTAZ NOS CINEMAS – com base na programação de São Paulo

12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave)
9 indicações: Filme, Diretor, Ator (Chiwetel Ejiofor), Ator Coadjuvante (Michael Fassbender), Atriz Coadjuvante (Lupita Nyong’o), Roteiro Adaptado, Montagem, Direção de Arte e Figurino

Alabama Monroe (The Broken Circle Breakdown)
1 indicação: Filme em Língua Estrangeira

Álbum de Família (August: Osage County)
2 indicações: Atriz (Meryl Streep) e Atriz Coadjuvante (Julia Roberts)

Capitão Phillips (Captain Phillips)
6 indicações: Filme, Ator Coadjuvante (Barkhad Abdi), Roteiro Adaptado, Montagem, Som e Efeitos Sonoros

Clube de Compras Dallas (Dallas Buyers Club)
6 indicações: Filme, Ator (Matthew McConaughey), Ator Coadjuvante (Jared Leto), Roteiro Original, Montagem e Maquiagem

Ela (Her)
5 indicações: Filme, Roteiro Original, Direção de Arte, Trilha Musical Original e Canção Original (“The Moon Song”)

Frozen: Uma Aventura Congelante (Frozen)
2 indicações: Canção Original (“Let it go”) e Animação

A Grande Beleza (La Grande Bellezza)
1 indicação: Filme em Língua Estrangeira

Gravidade (Gravity)
10 indicações: Filme, Diretor, Atriz (Sandra Bullock), Fotografia, Montagem, Direção de Arte, Trilha Musical Original, Som, Efeitos Sonoros e Efeitos Visuais

O Hobbit: A Desolação de Smaug (The Hobbit: The Desolation of Smaug)
3 indicações: Som, Efeitos Sonoros e Efeitos Visuais

A Imagem que Falta (L’Image Manquante)
1 indicação: Filme em Língua Estrangeira

Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum (Inside Llewyn Davis)
2 indicações: Fotografia e Som

O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street)
5 indicações: Filme, Diretor, Ator (Leonardo DiCaprio), Ator Coadjuvante (Jonah Hill) e Roteiro Adaptado

A Menina que Roubava Livros (The Book Thief)
1 indicação: Trilha Musical Original

Nebraska
6 indicações: Filme, Diretor, Ator (Bruce Dern), Atriz Coadjuvante (June Squibb), Roteiro Original e Fotografia

Philomena
4 indicações: Filme, Atriz (Judi Dench), Roteiro Adaptado e Trilha Musical Original

Trapaça (American Hustle)
10 indicações: Filme, Diretor, Ator (Christian Bale), Atriz (Amy Adams), Ator Coadjuvante (Bradley Cooper), Atriz Coadjuvante (Jennifer Lawrence), Roteiro Adaptado, Montagem, Direção de Arte e Figurino

Vidas ao Vento (Kaze Tachinu)
1 indicação: Animação

Leonardo DiCaprio volta a ser indicado ao Oscar com a ajuda de Martin Scorsese em O Lobo de Wall Street (photo by outnow.ch)

Leonardo DiCaprio volta a ser indicado ao Oscar com a ajuda de Martin Scorsese em O Lobo de Wall Street (photo by outnow.ch)

PREVISÃO DE ESTRÉIA – Datas previstas para São Paulo, que podem sofrer alterações de acordo com as distribuidoras

07/03: Até o Fim (All is Lost)
1 indicação: Efeitos Sonoros

07/03: Walt nos Bastidores de Mary Poppins (Saving Mr. Banks)
1 indicação: Trilha Musical Original

Indicado a apenas Efeitos Sonoros, Até o Fim ficou pra depois do Oscar (photo by outnow.ch)

Indicado a apenas Efeitos Sonoros, Até o Fim ficou pra depois do Oscar (photo by outnow.ch)

FORA DE CARTAZ E AGUARDANDO LANÇAMENTO EM BLU-RAY/DVD

Jackass Apresenta: Vovô Sem Vergonha (Jackass Presents: Bad Grandpa)
1 indicação: Maquiagem

Os Suspeitos (Prisoners)
1 indicação: Fotografia

Keller Dover (Hugh Jackman) enquadra Alex Jones (Paul Dano) em Os Suspeitos (photo by www.outnow.ch)

Cena de Os Suspeitos: 1 única indicação para ótima Fotografia de Roger Deakins (photo by http://www.outnow.ch)

SEM PREVISÃO DE ESTRÉIA (*caham!* Mas pra isso existe a internet…)

A Um Passo do Estrelato (20 Feet from Stardom)
1 indicação: Documentário

O Ato de Matar (The Act of Killing)
1 indicação: Documentário

Cutie and the Boxer
1 indicação: Documentário

Ernest & Celestine (Ernest et Celéstine)
1 indicação: Animação

O Grande Herói (Lone Survivor)
2 indicações: Som e Efeitos Sonoros

O Grande Mestre (Yi Dai Zong Shi)
2 indicações: Fotografia e Figurino

Guerras Sujas (Dirty Wars)
1 indicação: Documentário

The Invisible Woman
1 indicação: Figurino

Mandela: Long Walk to Freedom
1 indicação: Canção Original (“Ordinary Love”)

Omar
1 indicação: Filme em Língua Estrangeira

Cena de Ernest & Celestine, indicado ao Oscar de Animação (photo by outnow.ch)

Cena de Ernest & Celestine, indicado ao Oscar de Animação (photo by outnow.ch)

‘Gravidade’ e ‘Trapaça’ lideram as indicações ao Oscar 2014

the-oscars

COM TODAS AS CATEGORIAS BEM PREENCHIDAS, HOUVE POUCO ESPAÇO PARA SURPRESAS, SEJAM AGRADÁVEIS OU INDESEJÁVEIS

OK. Depois de vários anos convidando atrizes para anunciar as indicações ao Oscar, as indicadas finalmente tiveram o prazer de terem seus nomes pronunciados pelo sotaque australiano de Chris Hemsworth. E pelo visto, o tom mais cômico e informal do ano passado criado pela dupla Seth MacFarlane e Emma Stone não deve ter agradado a todos. A presidente da Academia, Cheryl Boone Isaacs, retoma a presença da comissão oficial ao palanque. E a ordem alfabética dos indicados foi reestabelecida.

NÚMEROS DO OSCAR 2014

Os grandes recordistas de indicações este ano são Gravidade e Trapaça com 10 indicações. Logo atrás, 12 Anos de Escravidão vem com 9 indicações. Os três estão competindo nas principais categorias, entre elas: Melhor Filme e Diretor.

Nos últimos anos, o recorde de indicações no ano não tem significado garantia de Oscar de Melhor Filme. No ano passado, por exemplo, Lincoln teve 12 indicações e acabou chupando os dedos com apenas dois Oscars, enquanto Argo se tornou Melhor Filme com 7 indicações.

Com 6 indicações, temos Nebraska e Capitão Phillips. Com 5: O Lobo de Wall Street, Ela e Clube de Compras Dallas, seguidos por Philomena com 4.

SURPRESAS OU PEQUENAS ALTERAÇÕES NOS INDICADOS?

Apesar deste ano haver pouca chance para surpresas pelo elevada quantidade de competidores de alto nível, algumas trocas chegaram a surpreender. Contrariando o mais parelho de todos os prêmios, o DGA, Alexander Payne (Nebraska) substituiu Paul Greengrass (Capitão Phillips), denotando um prestígio colossal de Payne em Hollywood. Esta é sua 3ª indicação como diretor (foi indicado por Sideways e Os Descendentes), e já ganhou 2 vezes como roteirista (Sideways e Os Descendentes). Nebraska totaliza seis indicações e pode render o Oscar para o veterano Bruce Dern.

À direita, Alexander Payne dirige o veterano Bruce Dern em set de Nebraska. Ele conseguiu sua 3ª indicação como diretor (photo by www.collider.com)

À direita, Alexander Payne dirige o veterano Bruce Dern em set de Nebraska. Ele conseguiu sua 3ª indicação como diretor (photo by http://www.collider.com)

Aliás, em sua categoria de Mehor Ator, Tom Hanks (Capitão Phillips) foi cortado de última hora. Embora não tenha vencido nenhum prêmio expressivo por essa atuação, ele vinha figurando em quase todas as listas dos melhores de 2013. Hanks também fica de fora da categoria de coadjuvante pelo filme Walt nos Bastidores de Mary Poppins. Recém-vitorioso no Globo de Ouro, Leonardo DiCaprio conseguiu sua 4ª indicação após ser ignorado pela Academia no ano passado por Django Livre.

Havia um certo hype para indicarem o galã veterano Robert Redford por Até o Fim, mas não se concretizou. Apesar de ser conhecido como ator, ele ganhou seu único Oscar como diretor em 1981 pelo drama Gente Como a Gente. Até o Fim (All is Lost) venceu o Globo de Ouro de Melhor Triha Musical, mas teve que se contentar com a única indicação para Melhores Efeitos Sonoros.

Já na ala feminina, a vencedora do Globo de Ouro, Amy Adams (Trapaça) finalmente obteve sua primeira indicação como Melhor Atriz. Suas quatro indicações anteriores foram sempre como Atriz Coadjuvante. Num ano em que teve três trabalhos em destaque (além de Trapaça, houve Ela e O Homem de Aço), sua indicação comprova essa extrema ascensão em Hollywood. Ela não é bem do tipo que se transforma fisicamente e sequer usa maquiagem para ficar mais feia (sim, ela sempre tem esse rostinho lindo de patricinha), mas ela sabe encarnar bem personagens bem distintos. Já foi garçonete, princesa, cozinheira e freira. Podia talvez ter modificado um pouco sua aparência para O Mestre, mas ela consegue entregar uma performance diferente num papel ameaçador que merecia mais tempo no filme de Paul Thomas Anderson.

Amy Adams em personagem no filme Trapaça. 1ª indicação como atriz principal (photo by www.collider.com)

Amy Adams em personagem no filme Trapaça. 1ª indicação como atriz principal (photo by http://www.collider.com)

E temos mais um novo recorde para Meryl Streep. 18ª indicação ao Oscar! Apesar de ter vencido há 2 anos por A Dama de Ferro, Meryl é sempre uma forte candidata mesmo quando sua personagem em Álbum de Família é grossa e amarga. Ela perdeu o Globo de Ouro para Amy Adams, mas consegue a vaga que poderia ter sido da britânica Emma Thompson (por Walt nos Bastidores de Mary Poppins). Aliás, o filme sobre a autora e criadora de Mary Poppins só não ficou totalmente de fora do Oscar 2014, porque a trilha musical de Thomas Newman salvou o filme do esquecimento.

Continuando nos atores, vale destacar a segunda indicação para o jovem Jonah Hill por O Lobo de Wall Street. Ele havia sido indicado anteriormente por O Homem que Mudou o Jogo na mesma categoria. Seu reconhecimento comprova o prestígio que Scorsese tem na direção de atores, pois se dependesse do currículo de comédias, dificilmente Hill teria chances no Oscar. Particularmente, adoro Jonah Hill em Superbad – É Hoje (2007), e me surpreendi com o amadurecimento do ator em tão pouco tempo. Sem 2012 ele tirou Albert Brooks da categoria, este ano ele tirou a boa atuação de Daniel Brühl (Rush: No Limite da Emoção), que vinha aparecendo em todas as listas de coadjuvante.

Jonah Hill conquista sua segunda indicação com apenas 30 anos (photo by movies.yahoo.com)

Jonah Hill conquista sua segunda indicação com apenas 30 anos (photo by movies.yahoo.com)

Entre as mulheres, havia uma forte pressão para que a Academia indicasse a estrela maior da TV americana, Oprah Winfrey por O Mordomo da Casa Branca, pois ela traria peso ao tapete vermelho do Oscar. Felizmente, os membros votantes não se intimidaram com a figura de Oprah e indicaram a britânica Sally Hawkins, por uma performance e personagens mais consistentes em Blue Jasmine.

Minha maior alegria foi ver duas produções estrangeiras concorrendo no Oscar de Melhor Animação: o japonês Vidas ao Vento, de Hayao Miyazaki, e o francês Ernest & Celestine, de Benjamin Renner e Didier Brunner, comprovando a força da escola francesa de animação. Apesar de admirar os filmes da Pixar, acho que ultimamente eles não têm acertado na escolha dos projetos. Fazer sequências nem sempre é o melhor negócio. Universidade Monstros não concorre ao Oscar. Não sei se a vitória será de um dos estrangeiros, mas se tiver de ser americana, torço por Os Croods.

Ernest & Celestine (França) e Vidas ao Vento (Japão) fazem uma mini briga de filme estrangeiro na categoria de Animação pela primeira vez (www.cartoonbrew.com)

Ernest & Celestine (França) e Vidas ao Vento (Japão) fazem uma mini briga de filme estrangeiro na categoria de Animação pela primeira vez (www.cartoonbrew.com)

O musical dos irmãos Coen, Inside Llewyn Davis, teve de se contentar com as indicações para Melhor Fotografia para Bruno Delbonnel e Melhor Som. Esperava-se que haveria pelo menos uma indicação para Melhor Canção Original, mas também ficou de fora. O filme teve boa aceitação da crítica, mas o público não abraçou o novo filme dos Coen. Em 2011, Bravura Indômita concorreu em 10 categorias, mas não ganhou nada.

Já a inclusão da comédia Jackass Apresenta: Vovô Sem Vergonha na categoria Maquiagem foi uma surpresa. Tudo bem que já haviam indicado Norbit na mesma categoria alguns anos atrás, mas o tipo de humor pornográfico e escatológico dificilmente adentra as categorias do Oscar. Com certeza, a hostess Ellen DeGeneres fará alguma piada em cima disso…

À direita, Johnny Knoxville transformado no vovô politicamente incorreto de Jackass Apresenta: Vovô Sem Vergonha (photo by www.geeksofdoom.com)

À direita, Johnny Knoxville transformado no vovô politicamente incorreto de Jackass Apresenta: Vovô Sem Vergonha (photo by http://www.geeksofdoom.com)

Se o Oscar pode indicar um filme desses, por que não perdoar e acolher o fracasso comercial O Cavaleiro Solitário? Repleto de altas expectativas, o filme estreou no verão americano, mas não obteve boa resposta nas bilhererias. A Academia deu uma nova chance ao filme de Gore Verbinski arrecadar dinheiro, reconhecendo-o nas categorias de Maquiagem e Efeitos Visuais. Aliás, ele roubou a vaga dos efeitos digitais dos ótimos monstros de Círculo de Fogo.

Gostei também da indicação para William Butler e Owen Pallett para Trilha Musical Original por Ela. Trata-se de um importante reconhecimento para a música e a canção “The Moon Song” do mesmo filme. Essa aliança, que se repete depois de Onde Vivem os Monstros, reforça o prestígio que o diretor Spike Jonze tem com os artistas musicais Karen O e a banda Arcade Fire.

Na categoria de Filme Estrangeiro, na ausência do francês Azul é a Cor Mais Quente (desqualificado pelas regras da Academia), a briga deve ficar acirrada entre o dinamarquês A Caça e o italiano A Grande Beleza, que venceu o Globo de Ouro no último domingo. Contudo, o representante belga The Broken Circle Breakdown pode surpreender em caso de empate de votos. A indicação de The Missing Picture entra para a História como a primeira do Camboja. O filme ganhou o prêmio Un Certain Regard em Cannes em 2013.

Toni Servillo em cena de A Grande Beleza (photo by www.outnow.ch)

Toni Servillo em cena de A Grande Beleza (photo by http://www.outnow.ch)

A grande surpresa aqui é a exclusão de O Grande Mestre, de Wong Kar-Wai (Hong Kong), mesmo tendo conquistado indicações nas categorias técnicas de Fotografia e Figurino. É uma pena que Kar-Wai não tenha sido indicado, pois seria uma oportunidade rara de reconhecer um dos cineastas mais ousados das últimas duas décadas. Em sua filmografia, constam títulos como Amores Expressos, Feliz Juntos, Amor à Flor da Pele e 2046 – Os Segredos do Amor.

Tudo bem que a fotografia e o figurino são os campos em destaque de O Grande Mestre, mas e a indicação para Filme Estrangeiro? (photo by themovieblog.com)

Tudo bem que a fotografia e o figurino são os campos em destaque de O Grande Mestre, mas e a indicação para Filme Estrangeiro? (photo by themovieblog.com)

Na categoria de Documentário, a ausência de Histórias que Contamos (Stories We Tell), de Sarah Polley, foi a mais surpreendente, afinal venceu três grandes prêmios da crítica americana: National Board of Review, Los Angeles Film Critics Association e New York Film Critics Circle. Se alguém souber de um motivo oficial, por favor comente abaixo! O prêmio deve ficar entre O Ato de Matar e A Um Passo do Estrelato.

Pra quem perdeu ao vivo, confira o vídeo do anúncio dos indicados:

MELHOR FILME
Trapaça (American Hustle)
Capitão Phillips (Captain Phillips)
Clube de Compras Dallas (Dallas Buyers Club)
Gravidade (Gravity)
Ela (Her)
Nebraska
Philomena
12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave)
O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street)

MELHOR DIRETOR
Alfonso Cuarón (Gravidade)
Steve McQueen (12 Anos de Escravidão)
Alexander Payne (Nebraska)
David O. Russell (Trapaça)
Martin Scorsese (O Lobo de Wall Street)

MELHOR ATOR
Christian Bale (Trapaça)
Bruce Dern (Nebraska)
Leonardo DiCaprio (O Lobo de Wall Street)
Chiwetel Ejiofor (12 Anos de Escravidão)
Matthew McConaughey (Clube de Compras Dallas)

MELHOR ATRIZ
Amy Adams (Trapaça)
Cate Blanchett (Blue Jasmine)
Sandra Bullock (Gravidade)
Judi Dench (Philomena)
Meryl Streep (Álbum de Família)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Barkhad Abdi (Capitão Phillips)
Bradley Cooper (Trapaça)
Michael Fassbender (12 Anos de Escravidão)
Jonah Hill (O Lobo de Wall Street)
Jared Leto (Clube de Compras Dallas)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Sally Hawkins (Bue Jasmine)
Jennifer Lawrence (Trapaça)
Lupita Nyong’o (12 Anos de Escravidão)
Julia Roberts (Álbum de Família)
June Squibb (Nebraska)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Eric Warren Singer, David O. Russell (Trapaça)
Woody Allen (Blue Jasmine)
Craig Borten, Melisa Wallack (Clube de Compras Dallas)
Spike Jonze (Ela)
Bob Nelson (Nebraska)

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Richard Linklater, Julie Delpy, Ethan Hawke (Antes da Meia-Noite)
Billy Ray (Capitão Phillips)
Steve Coogan, Jeff Pope (Philomena)
John Ridley (12 Anos de Escravidão)
Terence Winter (O Lobo de Wall Street)

MELHOR FOTOGRAFIA
Philippe Le Sourd (O Grande Mestre)
Emmanuel Lubezki (Gravidade)
Bruno Delbonnel (Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum)
Phedon Papamichael (Nebraska)
Roger Deakins (Os Suspeitos)

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
Judy Becker, Heather Loeffler (Trapaça)
Andy Nicholson, Rosie Goodwin (Gravidade)
Catherine Martin, Beverley Dunn (O Grande Gatsby)
K.K. Barrett, Gene Serdena (Ela)
Adam Stockhausen, Alice Baker (12 Anos de Escravidão)

MELHOR MONTAGEM
Alan Baumgarten, Jay Cassidy, Crispin Struthers (Trapaça)
Christopher Rouse (Capitão Phillips)
John Mac McMurphy, Martin Pensa (Clube de Compras Dallas)
Alfonso Cuarón, Mark Sanger (Gravidade)
Joe Walker (12 Anos de Escravidão)

MELHOR FIGURINO
Michael Wilkinson (Trapaça)
William Chang Suk Ping (O Grande Mestre)
Catherine Martin (O Grande Gatsby)
Michael O’Connor (The Invisible Woman)
Patricia Norris (12 Anos de Escravidão)

MELHOR MAQUIAGEM
Adruitha Lee, Robin Mathews (Clube de Compras Dallas)
Steve Prouty (Jackass Apresenta: Vovô Sem Vergonha)
Joel Harlow, Gloria Pasqua Casny (O Cavaleiro Solitário)

MELHOR TRILHA MUSICAL ORIGINAL
John Williams (A Menina que Roubava Livros)
Steven Price (Gravidade)
William Butler e Owen Pallett (Ela)
Thomas Newman (Walt nos Bastidores de Mary Poppins)
Alexandre Desplat (Philomena)

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“Happy” – Pharrell Williams (Meu Malvado Favorito 2)
“Let It Go” – Robert Lopez, Kristen Anderson-Lopez (Frozen: Uma Aventura Congelante)
“Ordinary Love” – Bono, Adam Clayton, The Edge, Larry Mullen Jr. (Mandela: Long Walk to Freedom)
“The Moon Song” – Karen O, Spike Jonze (Ela)
“Alone Yet Not Alone” – Bruce Broughton, Dennis Spiegel (Alone Yet Not Alone)

MELHOR SOM
– Chris Burdon, Mark Taylor, Mike Prestwood Smith, Chris Munro (Capitão Phillips)
– Skip Lievsay, Niv Adiri, Christopher Benstead, Chris Munro (Gravidade)
– Christopher Boyes, Michael Hedges, Michael Semanick, Tony Johnson (O Hobbit: A Desolação de Smaug)
– Skip Lievsay, Greg Orloff, Peter F. Kurland (Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum)
– Andy Koyama, Beau Borders, David Bronlow (O Grande Herói)

MELHORES EFEITOS SONOROS
– Steve Boeddeker, Richard Hymns (Até o Fim)
– Oliver Tarney (Capitão Phillips)
– Glenn Freemantle (Gravidade)
– Brent Burge (O Hobbit: A Desolação de Smaug)
– Wylie Stateman (O Grande Herói)

MELHORES EFEITOS VISUAIS
– Timothy Webber, Chris Lawrence, David Shirk, Neil Corbould (Gravidade)
– Joe Letteri, Eric Saindon, David Clayton, Eric Reynolds (O Hobbit: A Desolação de Smaug)
– Christopher Townsend, Guy Williams, Erik Nash, Daniel Sudick (Homem de Ferro 3)
– Tim Alexander, Gary Brozenich, Edson Williams, John Frazier (O Cavaleiro Solitário)
– Roger Guyett, Pat Tubach, Ben Grossmann, Burt Dalton (Além da Escuridão – Star Trek)

MELHOR ANIMAÇÃO
– Os Croods (The Croods)
– Meu Malvado Favorito (Despicable Me 2)
– Ernest & Celestine (idem)
– Frozen: Uma Aventura Congelante (Frozen)
– Vidas ao Vento (The Wind Rises)

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
– The Broken Circle Breakdown (Bélgica)
– A Grande Beleza (Itália)
– A Caça (Dinamarca)
– The Missing Picture (Camboja)
– Omar (Palestina)

MELHOR DOCUMENTÁRIO
– O Ato de Matar (The Act of Killing), de Joshua Oppenheimer, Signe Byrge Sørensen
– Cutie and the Boxer, de Zachary Heinzerling, Lydia Dean Pilcher
– Guerras Sujas (Dirty Wars), de Rick Rowley, Jeremy Scahill
– The Square (Al Midan), de Jehane Noujaim, Karim Amer
– A Um Passo do Estrelato (20 Feet from Stardom), de Morgan Neville

MELHOR DOCUMENTÁRIO-CURTA
– CaveDigger, de Jeffrey Karoff
– Facing Fear, de Jason Cohen
– Karama Has No Walls, de Sara Ishaq
– The Lady in Number 6: Music Saved My Life, de Malcolm Clarke, Carl Freed
– Prison Terminal: The Last Days of Private Jack Hall, de Edgar Barens

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO
– Feral, de Daniel Sousa, Dan Golden
– É Hora de Viajar, de Lauren MacMullan, Dorothy McKim
– Mr. Hublot, de Laurent Witz, Alexandre Espigares
– Possessions, de Shuhei Morita
– Room on the Broom, de Max Lang, Jan Lachauer

MELHOR CURTA-METRAGEM
– Aquel No Era Yo (That Wasn’t Me), de Esteban Crespo
– Avant Que De Tout Perdre (Just Before Losing Everything), de Xavier Legrand
– Helium, de Anders Walter
– Do I Have to Take Care of Everything?, de Selma Vilhunen
– The Voorman Problem, de Mark Gill

‘Gravidade’ lidera competição acirrada no BAFTA com 11 indicações

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FICÇÃO CIENTÍFICA QUE VINHA PERDENDO ESPAÇO CRESCE NA HORA CERTA

Depois do predomínio de Trapaça e 12 Anos de Escravidão nas últimas premiações, chegou a vez de Gravidade se destacar, liderando com 11 indicações ao BAFTA. E essa ascensão não poderia vir em melhor hora, afinal, estamos às vésperas das indicações ao Oscar, o que pode influenciar os membros da Academia. Além disso, ao contrário do Globo de Ouro e SAG, o BAFTA possui quase todas as mesmas categorias técnicas do Oscar, servindo como melhor parâmetro.

A ficção científica de Alfonso Cuarón conquistou vaga nas categorias de Fotografia, Montagem, Direção de Arte, Som e Efeitos Visuais, fato que deve se repetir no Oscar. Assim como Titanic, Avatar e O Senhor dos Anéis, o filme apresenta inovações em diversos campos de produção fílmica. Os efeitos vistos na tela foram considerados “infilmáveis” há poucos anos. Ajuda bastante o fato do filme contar com a performance de Sandra Bullock, que traz um toque humano à história do acidente espacial.

Sandra Bullock em cena de Gravidade (photo by www.elfilm.com)

Sandra Bullock em cena de Gravidade (photo by http://www.elfilm.com)

Como previsto, logo atrás de Gravidade, 12 Anos de Escravidão e Trapaça obtiveram 10 indicações cada, e Capitão Phillips com 9, o que já deve assegurar suas vagas entre os indicados a Melhor Filme no Oscar. Outra produção que deu importante passo foi Philomena, de Stephen Frears, ao ser indicado para Filme, Roteiro Adaptado, Atriz (Judi Dench) e, obviamente, Melhor Filme Britânico.

Matt Damon com jeitão de paquito em Behind the Candelabra: indicação ao BAFTA (photo by www.outnow.ch)

Matt Damon com jeitão de paquito em Minha Vida com Liberace: indicação ao BAFTA (photo by http://www.outnow.ch)

Talvez a maior surpresa tenha sido as 5 indicações para o filme feito para a TV Minha Vida com Liberace (Behind the Candelabra), de Steven Soderbergh. Indicado à Palma de Ouro, ao Globo de Ouro, e vencedor do último Emmy, a produção da HBO conseguiu um espaço considerável, principalmente se levarmos em consideração a inclusão de Matt Damon como coadjuvante, pois tira um dos nomes mais fortes da categoria: Jared Leto.

Aliás, o Clube de Compras Dallas perdeu alguns pontos por sua total ausência no BAFTA. Apesar de terem sido indicados ao SAG e Globo de Ouro, a campanha dos atores Matthew McConaughey e Jared Leto pode sofrer turbulências para o prêmio da Academia.

Até poucos anos atrás, eu não dava muito valor ao BAFTA. “Um genérico do Oscar que serve de consolo”, pensava eu. Nada disso. Eu estava fazendo um levantamento das coincidências (sim, eu gasto algumas horas nesse negócio) e os números são impressionantes. Em 2013, de 19 categorias, houve 14 acertos iguais ao Oscar. Já em 2012, houve 13; e em 2011, 10 acertos, ou seja, estão dando uma bela polida nessa bola de cristal britânica.

O Lobo de Wall Street: Será que os velhinhos vão gostar? (photo by www.elfilm.com)

O Lobo de Wall Street: Será que os velhinhos vão gostar? (photo by http://www.elfilm.com)

A Academia Britânica também não se importou com as supostas polêmicas do novo filme de Martin Scorsese, O Lobo de Wall Street. Recebeu 4 indicações: Diretor, Ator (Leonardo DiCaprio), Roteiro Adaptado e Montagem. Mesmo assim, ainda acredito que os velhinhos da Academia (americana) vão encrencar com a “putaria” do filme e tirar tanto Scorsese quanto DiCaprio da jogada.

Bom, por mais justo que o BAFTA procure ser, é inevitável que puxem a sardinha pro lado deles e dêem um pouco mais de preferência aos conterrâneos. Assim, Judi Dench, Emma Thompson e Sally Hawkins podem ter se beneficiado nesse ano tão concorrido.

O BAFTA anunciará seus vencedores no dia 16 de fevereiro. Stephen Fry será o host da noite.

Veja o vídeo do anúncio dos indicados (apresentado pelos atores Helen McCrory e Luke Evans) e confira a lista completa em seguida:


FILME

12 ANOS DE ESCRAVIDÃO Anthony Katagas, Brad Pitt, Dede Gardner, Jeremy Kleiner, Steve McQueen
TRAPAÇA Charles Roven, Richard Suckle, Megan Ellison, Jonathan Gordon
CAPITÃO PHILLIPS Scott Rudin, Dana Brunetti, Michael De Luca
GRAVIDADE Alfonso Cuaron, David Heyman
PHILOMENA Gabrielle Tana, Steve Coogan, Tracey Seaward

DIRETOR
12 ANOS DE ESCRAVIDÃO Steve McQueen
TRAPAÇA David O. Russell
CAPITÃO PHILLIPS Paul Greengrass
GRAVIDADE Alfonso Cuarón
O LOBO DE WALL STREET Martin Scorsese

ROTEIRO ORIGINAL
TRAPAÇA Eric Warren Singer, David O. Russell
BLUE JASMINE Woody Allen
GRAVIDADE Alfonso Cuarón, Jonás Cuarón
INSIDE LLEWYN DAVIS Joel Coen, Ethan Coen
NEBRASKA Bob Nelson

ROTEIRO ADAPTADO
12 ANOS DE ESCRAVIDÃO John Ridley
MINHA VIDA COM LIBERACE Richard LaGravenese
CAPITÃO PHILLIPS Billy Ray
PHILOMENA Steve Coogan, Jeff Pope
O LOBO DE WALL STREET Terence Winter

ATOR
BRUCE DERN Nebraska
CHIWETEL EJIOFOR 12 Anos de Escravidão
CHRISTIAN BALE Trapaça
LEONARDO DICAPRIO O Lobo de Wall Street
TOM HANKS Capitão Phillips

ATRIZ
AMY ADAMS Trapaça
CATE BLANCHETT Blue Jasmine
EMMA THOMPSON Walt nos Bastidores de Mary Poppins
JUDI DENCH Philomena
SANDRA BULLOCK Gravidade

ATOR COADJUVANTE
BARKHAD ABDI Capitão Phillips
BRADLEY COOPER Trapaça
DANIEL BRÜHL Rush: No Limite da Emoção
MATT DAMON Minha Vida com Liberace
MICHAEL FASSBENDER 12 Anos de Escravidão

ATRIZ COADJUVANTE
JENNIFER LAWRENCE Trapaça
JULIA ROBERTS Álbum de Família
LUPITA NYONG’O 12 Anos de Escravidão
OPRAH WINFREY O Mordomo da Casa Branca
SALLY HAWKINS Blue Jasmine

TRILHA MUSICAL ORIGINAL
12 ANOS DE ESCRAVIDÃO Hans Zimmer
A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS John Williams
CAPITÃO PHILLIPS Henry Jackman
GRAVIDADE Steven Price
WALT NOS BASTIDORES DE MARY POPPINS Thomas Newman

FOTOGRAFIA
12 ANOS DE ESCRAVIDÃO Sean Bobbitt
CAPITÃO PHILLIPS Barry Ackroyd
GRAVIDADE Emmanuel Lubezki
INSIDE LLEWYN DAVIS Bruno Delbonnel
NEBRASKA Phedon Papamichael

MONTAGEM
12 ANOS DE ESCRAVIDÃO Joe Walker
CAPITÃO PHILLIPS Christopher Rouse
GRAVIDADE Alfonso Cuarón, Mark Sanger
RUSH: NO LIMITE DA EMOÇÃO Dan Hanley, Mike Hill
O LOBO DE WALL STREET Thelma Schoonmaker

DIREÇÃO DE ARTE
12 ANOS DE ESCRAVIDÃO Adam Stockhausen, Alice Baker
TRAPAÇA Judy Becker, Heather Loeffler
MINHA VIDA COM LIBERACE Howard Cummings
GRAVIDADE Andy Nicholson, Rosie Goodwin, Joanne Woodlard
O GRANDE GATSBY Catherine Martin, Beverley Dunn

FIGURINO
TRAPAÇA Michael Wilkinson
MIDA VIDA COM LIBERACE Ellen Mirojnick
O GRANDE GATSBY Catherine Martin
THE INVISIBLE WOMAN Michael O’Connor
WALT NOS BASTIDORES DE MARY POPPINS Daniel Orlandi

MAQUIAGEM E CABELO
TRAPAÇA Evelyne Noraz, Lori McCoy-Bell
MINHA VIDA COM LIBERACE Kate Biscoe, Marie Larkin
O MORDOMO DA CASA BRANCA Debra Denson, Beverly Jo Pryor, Candace Neal
O GRANDE GATSBY Maurizio Silvi, Kerry Warn
O HOBBIT: A DESOLAÇÃO DE SMAUG Peter Swords King, Richard Taylor, Rick Findlater

SOM
ALL IS LOST Richard Hymns, Steve Boeddeker, Brandon Proctor, Micah Bloomberg, Gillian Arthur
CAPITÃO PHILLIPS Chris Burdon, Mark Taylor, Mike Prestwood Smith, Chris Munro, Oliver Tarney
GRAVIDADE Glenn Freemantle, Skip Lievsay, Christopher Benstead, Niv Adiri, Chris Munro
INSIDE LLEWYN DAVIS Peter F. Kurland, Skip Lievsay, Greg Orloff
RUSH: NO LIMITE DA EMOÇÃO Danny Hambrook, Martin Steyer, Stefan Korte, Markus Stemler, Frank Kruse

EFEITOS VISUAIS
GRAVIDADE Tim Webber, Chris Lawrence, David Shirk, Neil Corbould, Nikki Penny
O HOBBIT: A DESOLAÇÃO DE SMAUG Joe Letteri, Eric Saindon, David Clayton, Eric Reynolds
HOMEM DE FERRO 3 Bryan Grill, Christopher Townsend, Guy Williams, Dan Sudick
CÍRCULO DE FOGO Hal Hickel, John Knoll, Lindy De Quattro, Nigel Sumner
ALÉM DA ESCURIDÃO: STAR TREK Ben Grossmann, Burt Dalton, Patrick Tubach, Roger Guyett

FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
O ATO DE MATAR Joshua Oppenheimer, Signe Byrge Sorensen
AZUL É A COR MAIS QUENTE Abdellatif Kechiche, Brahim Chioua, Vincent Maraval
A GRANDE BELEZA Paolo Sorrentino, Nicola Giuliano, Francesca Cima
METRO MANILA Sean Ellis, Mathilde Charpentier
O SONHO DE WADJDA Haifaa Al-Mansour, Gerhard Meixner, Roman Paul

DOCUMENTÁRIO
O ATO DE MATAR Joshua Oppenheimer
THE ARMSTRONG LIE Alex Gibney
BLACKFISH: FÚRIA ANIMAL Gabriela Cowperthwaite
TIM’S VERMEER Teller, Penn Jillette, Farley Ziegler
WE STEAL SECRETS: THE STORY OF WIKILEAKS Alex Gibney

ANIMAÇÃO
MEU MALVADO FAVORITO 2 Chris Renaud, Pierre Coffin
FROZEN: UMA AVENTURA CONGELANTE Chris Buck, Jennifer Lee
UNIVERSIDADE MONSTROS Dan Scanlon

FILME BRITÂNICO
GRAVIDADE Alfonso Cuaron, David Heyman, Jonas Cuaron
MANDELA: LONG WALK TO FREEDOM Justin Chadwick, Anant Singh, David M. Thompson, William Nicholson
PHILOMENA Stephen Frears, Gabrielle Tana, Steve Coogan, Tracey Seaward, Jeff Pope
RUSH: NO LIMITE DA EMOÇÃO Ron Howard, Andrew Eaton, Peter Morgan
WALT NOS BASTIDORES DE MARY POPPINS John Lee Hancock, Alison Owen, Ian Collie, Philip Steuer, Kelly Marcel, Sue Smith
THE SELFISH GIANT: Clio Barnard, Tracy O’Riordan

ESTRÉIA DE UM ESCRITOR, DIRETOR OU PRODUTOR BRITÂNICO
COLIN CARBERRY (Roteirista), GLENN PATTERSON (Roteirista) Good Vibrations
KELLY MARCEL (Roteirista) Walt nos Bastidores de Mary Poppins
KIERAN EVANS (Diretor/Roteirista) Kelly + Victor
PAUL WRIGHT (Diretor/Roteirista), POLLY STOKES (Produtor) For Those in Peril
SCOTT GRAHAM (Diretor/Roteirista) Shell

CURTA DE ANIMAÇÃO BRITÂNICO
EVERYTHING I CAN SEE FROM HERE Bjorn-Erik Aschim, Friederike Nicolaus, Sam Taylor
I AM TOM MOODY Ainslie Henderson
SLEEPING WITH THE FISHES James Walker, Sarah Woolner, Yousif Al-Khalifa

CURTA-METRAGEM BRITÂNICO
ISLAND QUEEN Ben Mallaby, Nat Luurtsema
KEEPING UP WITH THE JONESES Megan Rubens, Michael Pearce, Selina Lim
ORBIT EVER AFTER Chee-Lan Chan, Jamie Stone, Len Rowles
ROOM 8 James W. Griffiths, Sophie Venner
SEA VIEW Anna Duffield, Jane Linfoot

Começando bem 2014: indicados ao DGA, PGA e WGA

Que tal menos filmes em 3D em 2014? (photo by

Que tal menos filmes em 3D em 2014? (photo by http://www.dailyfinance.com)

Ooooiii, pessoal! Feliz Ano Novo pra todos! Chego de volta a São Paulo e vejo uma caixa de entrada de e-mail abarrotada de mensagens de premiações e indicações louquinhas pra serem abertas e discutidas. Ao contrário do que fiz em outros anos, vou juntar tudo em apenas um post, porque estou no espírito de férias ainda! Não, não… brincadeirinha! Com uma safra tão rica de produções, é interessante ver as escolhas de três sindicatos que apontam os grandes favoritos ao Oscar.

DGA images

Dentre eles, o mais acertivo continua sendo o DGA (Directors Guild of America). Em apenas sete (!) vezes, o vencedor não coincidiu com o vencedor do Oscar de direção. Até o ano passado, quando Ben Affleck ficou estranhamente de fora da categoria, o último vencedor do DGA que não repetiu a façanha no Oscar foi Rob Marshall (Chicago) em 2003! Este ano, o páreo estava duríssimo. Não tinha como não deixar de lado alguns nomes consagrados. Assim, Alexander Payne (Nebraska), Spike Jonze (Ela) e Joel e Ethan Coen (Inside Llewyn Davis) foram eliminados por um nariz de diferença. Confira os selecionados:

DIRECTORS GUILD AWARDS

AlfonsoCuaron.ashxAlfonso Cuarón (Gravidade)
O diretor mexicano é um ótimo exemplo de como um profissional estrangeiro consegue atingir maturidade na indústria americana. Cuarón sempre primou por sua marca imagética. Seja um filme poético como A Princesinha, um blockbuster (Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban), um road movie pós-moderno (E Sua Mãe Também) ou criando um novo marco tecnológico (Gravidade), o diretor de fotografia e colaborador assíduo, Emmanuel Lubezki, foi sempre fundamental em sua escrita. Seria uma grata surpresa uma dupla vitória neste Oscar: direção para Cuarón e o merecidíssimo de fotografia para Lubezki.

Paul Greengrass (Capitão Phillips)PaulGreengrass.ashx
Descoberto pelo ótimo drama Domingo Sangrento, que lhe rendeu o Urso de Ouro em 2002, o britânico Greengrass criou um nicho no cinema contemporâneo no qual ele pode trabalhar a linguagem documental numa ficção, gerando uma veracidade que espanta e emociona o público. Ele conseguiu essa proeza em Vôo United 93 na recriação do atentado terrorista do 11 de setembro e nesse episódio de pirataria moderna de Capitão Phillips, criando uma tensão interminável. Também emprestou seu estilo à série de ação e espionagem de Jason Bourne em A Supremacia Bourne e O Ultimato Bourne, que obrigou os produtores de James Bond a repensar a criação de Ian Fleming.

Steve McQueen (12 Anos de Escravidão)SteveMcQueen.ashx
Artista plástico premiado, este diretor britânico, que compartilha o mesmo nome artístico do ator Steve McQueen, está em extrema ascensão em apenas seu terceiro longa. Como bom entendedor do poder da imagem para uma história, ele busca aqueles enquadramentos que possam dizer algo sobre o filme que vemos. Em Shame, por exemplo, ele usa e abusa das linhas urbanas do cenário para contar um pouco mais sobre o personagem viciado em sexo numa cidade que ostenta a civilidade. Sendo um negro e com um filme sobre escravidão na manga, Steve McQueen corre na frente, afinal, eles adorariam a manchete: “O primeiro diretor afro-americano a ganhar um Oscar”. Sinceramente, espero que ele ganhe por méritos profissionais, e não raciais, pois trata-se de uma voz singular no cinema contemporâneo.

David O. Russell (Trapaça)DavidORussell.ashx
“Há um parafuso faltando aqui”, pensava eu ao falar de David O. Russell, na época em que vi Três Reis (1999) e Huckabees: A Vida é uma Comédia (2004). Não que isso seja ruim. Muito pelo contrário! Ele tinha um senso de humor bastante incomum que me atraía, mas eu sentia que ele não conseguiria decolar em Hollywood apenas com aquilo. Felizmente, nosso David O. Russell amadureceu seu cinema e nos entregou ótimos filmes como os recentes O Vencedor (2010) e O Lado Bom da Vida (2012). De longe, concordo, são filmes que você não dá nada. Não tem uma grandiosidade de um gladiador ou um grande navio afundando, mas ele explora tão bem a humanidade das histórias simples que fica impossível não lhe dar crédito. Além disso, tem se tornado um dos melhores diretores de atores dos últimos anos. Já conquistou sete indicações e três Oscars de atuação de seus elencos: Melissa Leo, Christian Bale e Jennifer Lawrence. Tem tudo pra conquistar mais com Trapaça e pode se tornar a grande surpresa da categoria.

scorsesewolf.ashxMartin Scorsese (O Lobo de Wall Street)
O que dizer de Marty? Nem posso dizer que ele é como vinho, que fica melhor a cada ano, pois também dirigiu obras-primas como Taxi Driver (1976) e Touro Indomável (1980) no passado. Mas definitivamente não existe diretor mais apaixonado por Cinema do que Scorsese. Isso já estava provado nas incontáveis entrevistas e no apoio às restaurações de películas antigas e perdidas no tempo. Ele comprovou essa paixão numa tocante homenagem à Sétima Arte e a Georges Méliès em A Invenção de Hugo Cabret. Talvez a polêmica sobre sexo e drogas de O Lobo de Wall Street atrapalhe na conquista de mais uma indicação ao Oscar, mas se ele está nesta lista, não acredito que seja favorecimento nenhum. Martin Scorsese cria filmes atemporais.

Ainda está cedo para previsões de vitória, mas até o momento, Alfonso Cuarón e Steve McQueen dividem a ponta, com David O. Russell cheirando o cangote deles logo atrás. E o vencedor tem 99% de vitória no Oscar, pois não creio em duas exceções consecutivas na história do DGA.

PGA headerJá o sindicato de Produtores teve uma tarefa mais fácil. Ou pelo menos, menos árdua do que o DGA, afinal poderiam selecionar 10 produções. Contudo, com uma grande variedade de candidatos de boa qualidade, dez vagas também não deram conta de tudo.

Vale destacar a importante marca para a produtora Megan Ellison (da Annapurna Pictures). Ela foi a única a conquistar duas indicações com Trapaça e Ela. Megan poderia ter conquistado três, mas Foxcatcher foi adiado para 2014. No ano passado, ela produziu dois filmes de qualidade e que ainda geraram discussão acalorada na mídia e na temporada de premiações: O Mestre e A Hora Mais Escura. Numa Hollywood dominada por produtores covardes e que só pensam em lucro, a presença de Megan Ellison me enche de esperança. Claro que ninguém é de ferro. Ela vai produzir o reboot de uma nova trilogia de O Exterminador do Futuro, que começa em 2015. Mas mesmo assim, acredito que ela não fará apenas pelas bilheterias. Guardem o nome dela, pois mais conquistas importantes estão por vir.

A produtora Megan Ellison (à dir) ao lado da diretora Kathryn Bigelow e da bela atriz Jessica Chastain na festa do Globo de Ouro 2013. (photo by www.vanityfair.com)

A produtora Megan Ellison (à dir) ao lado da diretora Kathryn Bigelow e da bela atriz Jessica Chastain na festa do Globo de Ouro 2013. (photo by http://www.vanityfair.com)

MELHORES PRODUTORES – LONGAS-METRAGENS

Trapaça (American Hustle)
Blue Jasmine (idem)
Capitão Phillips (Captain Phillips)
Clube de Compras Dallas (Dallas Buyers Club)
Gravidade (Gravity)
Ela (Her)
Nebraska
Walt nos Bastidores de Mary Poppins (Saving Mr. Banks)
12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave)
O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street)

Em 2011, o PGA decidiu estender seus indicados para 10 fixos, o que não ocorre no Oscar, onde pode haver de 5 a 10. Vale ressaltar também o alto índice de acertos de vencedores em relação à Academia. Em seus 24 aninhos de existência, o PGA elegeu 17 vezes o vencedor de Melhor Filme no Oscar, incluindo os recentes Argo e O Artista. A última divergência ocorreu em 2007, quando Pequena Miss Sunshine perdeu para Os Infiltrados.

Para a edição de 2014, as ausências mais sentidas foram Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum e Fruitvale Station: A Última Parada pela alta participação nas últimas listas de críticos. Mas vale citar também Álbum de Família, All is Lost e Philomena, que conseguiu uma indicação ao Globo de Ouro.

Dentre os 10 candidatos, Trapaça, 12 Anos de Escravidão e Gravidade largam na frente, mas Ela pode roubar o show sem grandes dificuldades por ser querido pela crítica. Por outro lado, se pensarmos em bilheteria, Gravidade tem todas as cartas por ter faturado mais de 600 milhões de dólares mundo afora, muito longe dos 208 milhões do segundo lugar Capitão Phillips. No Oscar, eu ainda acho que Gravidade deverá se concentrar nos prêmios mais técnicos como fotografia, montagem e som.

Gravidade: no páreo para o DGA e PGA (photo by www.beyondhollywood.com)

Gravidade: no páreo para o DGA e PGA (photo by http://www.beyondhollywood.com)

MELHORES PRODUTORES – ANIMAÇÕES

Os Croods (The Croods)
Meu Malvado Favorito 2 (Despicable Me 2)
Reino Escondido (Epic)
Frozen: Uma Aventura Congelante (Frozen)
Universidade Monstros (Monsters University)

Sem um dos grandes favoritos fora do páreo por não pertencer ao sindicato americano, a animação japonesa Vidas ao Vento, de Hayao Miyazaki, a categoria conta apenas com produções de grandes estúdios como Disney, Pixar, Dreamworks e Universal. Porém, essa ausência não deve reduzir as chances de Miyazaki conseguir sua segunda estatueta do Oscar. Ainda não conferi Frozen, mas premiaria Os Croods pela alta abrangência de público-alvo de sua história de uma família das cavernas se adaptando às mudanças na Terra.

Os Croods: caminho mais livre para o PGA (photo by www.beyondhollywood.com)

Os Croods: caminho mais livre para o PGA (photo by http://www.beyondhollywood.com)

MELHORES PRODUTORES – DOCUMENTÁRIOS

A Place at the Table
Far Out Isn’t Far Enough
Life According to Sam
We Steal Secrets: The Story of WikiLeaks
Which Way is the Front Line From Here? The Life and Time of Tim Hetherington

Com o documentário História que Contamos, de Sarah Polley, fora da competição, o grande favorito fica sendo We Steal Secrets, que aborda a história do WikiLeaks do exilado Julian Assange. Conta muito a favor ter o diretor Alex Gibney, de Um Táxi Para a Escuridão, que ganhou o Oscar em 2008. Infelizmente, não há previsão de estréia no Brasil para a maioria dos documentários, o que dificulta a análise dessa categoria.

Julian Assange no documentário de Alex Gibney (photo by www.elfilm.com)

Julian Assange no documentário de Alex Gibney (photo by http://www.elfilm.com)

Dos três sindicatos, o WGA é o menos badalado. Mas não porque se trataria de um prêmio menor, mas suas regras inviabilizam indicações de trabalhos pertinentes. Como os demais prêmios, ele exige a filiação do profissional ao sindicato, mas também a exigência da produção do filme sob a sua jurisdição, o que implica em mais regras que eliminam bons candidatos.

Desse modo, as estatísticas de acerto são bem menores. Os excluídos pela regra deste ano incluem: John Ridley (12 Anos de Escravidão), Steve Coogan e Jeff Pope (Philomena), Ryan Coogler (Fruitvale Station: A Última Parada), Peter Morgan (Rush: No Limite da Emoção) e Abdellatif Kechiche e Ghalia Lacroix (Azul é a Cor Mais Quente). Já os trabalhos originais incluem: Alfonso Cuarón e Jonas Cuarón (Gravidade), Joel e Ethan Coen (Inside Llewyn Davis), Kelly Marcel e Sue Smith (Walt nos Bastidores de Mary Poppins) e Jason Reitman (Refém da Paixão).

Claro que se levarmos em consideração que a Academia também premia roteiros desclassificados pela WGA, essas exclusões não pesariam tanto na temporada. Só para citar um exemplo, o roteiro de Quentin Tarantino para Django Livre foi cortado da WGA, mas ganhou o Oscar.

ROTEIRO ORIGINAL

Eric Singer, David O. Russell (Trapaça)
Woody Allen (Blue Jasmine)
Craig Borten, Melisa Wallack (Clube de Compras Dallas)
Spike Jonze (Ela)
Bob Nelson (Nebraska)

ROTEIRO ADAPTADO

Tracy Letts (Álbum de Família)
Richard Linklater, Ethan Hawke, Julie Delpy (Antes da Meia-Noite)
Billy Ray (Capitão Phillips)
Peter Berg (O Grande Herói)
Terence Winter (O Lobo de Wall Street)

O diretor e roteirista Richard Linklater entre os atores e roteiristas Julie Delpy e Ethan Hawke no set de Antes da Meia-Noite (photo by www.elfilm.com)

O diretor e roteirista Richard Linklater entre os atores e roteiristas Julie Delpy e Ethan Hawke no set de Antes da Meia-Noite (photo by http://www.elfilm.com)

ROTEIRO DE DOCUMENTÁRIO

David Riker, Jeremy Scahill (Guerras Sujas)
Sara Lukinson, Michael Stevens (Herblock: The Black & the White)
Janet Tobias, Paul Laikin (No Place on Earth)
Sarah Polley (Histórias que Contamos)
Alex Gibney (We Steal Secrets: The Story of WikiLeaks)

Indicados ao BAFTA Rising Star de 2014 (photo by www.empireonline.com)

Indicados ao BAFTA Rising Star de 2014, do topo da esquerda à direita: Dane DeHaan, Lupita Nyong’o, Léa Seydoux, Will Poulter e George MacKay (photo by http://www.empireonline.com)

Também gostaria de aproveitar o post para divulgar os indicados ao Rising Star do BAFTA, concedido a um ator ou atriz revelação que se destacou no ano. Vencedores recentes incluem Juno Temple, Tom Hardy e Kristen Stewart. Porém, vale lembrar que os vencedores são eleitos pelo público, o que quase sempre resulta em vitória injusta. Talentos como Michael Fassbender, Carey Mulligan e Alicia Vikander já concorreram, mas perderam em edições anteriores. Particularmente, tenho certa aversão às escolhas do público como no MTV Movie Awards. Se dependesse dos votos na internet, os melhores filmes de todos os tempos seriam Star Wars e O Senhor dos Anéis para toda a eternidade…

Dane DeHaan
George MacKay
Lupita Nyong’o
Will Poulter
Léa Seydoux

* Fique atento às datas: O PGA divulga seus vencedores no dia 19 de janeiro. O DGA no dia 25, enquanto o WGA fica para o dia 1º de fevereiro.

Breve balanço de 2013 e Feliz Natal e Ano Novo!

Um dos logos do Oscar 2014: Here We Go! (photo by www.myfilm.gr)

Um dos logos do Oscar 2014: Here We Go! (photo by http://www.myfilm.gr)

Queridos leitores e amigos do Cinema, Oscar e Afins, este é meu último post de 2013. Retornarei às atividades a partir do dia 06 de janeiro. Gostaria de agradecer a vocês que acompanham o blog e sempre comentam os posts como o Hugo e a Layane. Espero que em 2014, eu consiga melhorar ainda mais as matérias e gerar ainda mais discussões, sempre com muito respeito, sobre os filmes que tanto amamos (e odiamos).

A temporada de premiação de 2014, assim como o Oscar, promete uma competição muito acirrada e rica. Há tempos não via um ano tão repleto de produções dignas de reconhecimento. Além dos favoritos 12 Years a Slave e Trapaça, que dominaram as indicações ao Globo de Ouro, SAG e Critics’ Choice Awards, temos Nebraska, Gravidade, Inside Llewyn Davis, Ela, Dallas Buyers Club, Philomena, Álbum de Família, Blue Jasmine, Capitão Phillips, Walt nos Bastidores de Mary Poppins e O Lobo de Wall Street.

Aliás, parece que logo depois da sessão de O Lobo de Wall Street para o Oscar, repleta de membros idosos da Academia, um roteirista teria insultado o diretor Martin Scorsese e o ator Leonardo DiCaprio quando eles se preparavam para as entrevistas pós-filme. A atriz Hope Holiday, membro da Academia, estava presente e atualizou em seu facebook:

“Ontem à noite foi tortura na Academia. O Lobo de Wall Street foi três horas de tortura. Mesma merda nojenta toda hora – depois do filme, tiveram uma discussão que muitos de nós não ficamos pra ver.”

“A porta do elevador se abriu e Leonardo DiCaprio e Martin Scorsese e alguns outros saíram. Então um roteirista correu até eles e começou a gritar: ‘Que vergonha. Nojento.’ (‘Shame on you’. Disgusting).”

A atriz Katarina Cas já desperta muitas coisas, inclusive a ira da 3ª idade (photo by www.elfilm.com)

A atriz Katarina Cas já desperta muitas coisas, inclusive a ira da 3ª idade (photo by http://www.elfilm.com)

As críticas teriam origem no conteúdo do filme, repleto de sexo e drogas. Se existia alguma chance de Oscar de Melhor Filme para O Lobo de Wall Street, agora não existe mais. Por outro lado, esse tipo de polêmica costuma alavancar as bilheterias do filme devido à curiosidade do público. Olha, os velhinhos e velhinhas que me perdoem, mas só essa cena da foto já me desperta a vontade de ver o filme.

Não se trata da primeira polêmica em relação aos filmes de Marty. Ele já enfrentou duras críticas com A Última Tentação de Cristo (1988), por motivos óbvios de religiosos xiitas, e pela suposta violência de Cassino (1995). Realmente existem cenas fortes como a da morte de dois personagens à pauladas e um enterrado vivo, mas trata-se do universo da história e não algo gratuito.

Podem Joaquin Phoenix e os demais atores salvar The Master do esquecimento? (foto por BeyondHollywood.com)

Indicado ao Oscar: Joaquin Phoenix em O Mestre (foto por BeyondHollywood.com)

Já a respeito dos filmes que vi em 2013, da temporada de premiações do começo do ano, gostei bastante de O Mestre, de Paul Thomas Anderson. Falaram muito sobre a crítica à Cientologia, mas procurei prestar mais atenção à linguagem que o diretor aplicou. Anderson sabe trabalhar com perfeição a união da fotografia com a direção de arte para criar um clima pertinente à história de mestre e pupilo. É curioso ver a relação dos dois personagens centrais através das atuações excepcionais de Joaquin Phoenix e Philip Seymour Hoffman, ambos indicados ao Oscar. Aliás, por mim, Phoenix teria levado o prêmio. Ele criou um personagem tão confuso, mas fisicamente forte e com energia tão pulsante que é difícil não se apegar. Ao lado da atuação contida de Hoffman, as performances geram um extremo contraste entre si. Só achei que a personagem de Amy Adams merecia mais tempo de tela.

Pôster original de Depois de Lúcia, de Michel Franco

Pôster original de Depois de Lúcia, de Michel Franco

Também recomendo o mexicano Depois de Lúcia, de Michel Franco. É uma bela análise da decadência do sistema educacional mexicano e do terceiro mundo. Apesar de ser apenas o segundo longa do diretor, ele conseguiu entregar um trabalho econômico na linguagem, mas rico em discussão. Assim como em seu filme de estréia, Daniel & Ana (2009), ele não abriu mão da violência para causar um choque no espectador, porém necessário à sua mensagem de alerta para os perigos do futuro dessa sociedade atual intolerante.

(photo by www.cine.gr)

María Renée Prudencio, Lucio Gimenéz Cacho e Danae Reynaud formam um belo trio em Club Sándwich (photo by http://www.cine.gr)

Mas o melhor filme que vi foi Club Sándwich, de Fernando Eimbcke. Conferi essa produção mexicana na Mostra de Cinema de São Paulo porque já havia gostado de um trabalho anterior do diretor chamado Temporada de Patos (2004). Com uma linguagem muito simples e com personagens quase mudos, que lembram os filmes do diretor Kim Ki-duk, Club Sándwich é sobre uma mãe e filho pré-adolescente que se hospedam num clube vazio por ser fora de temporada. Lá, eles passam o tempo e fazem tudo juntos, até o surgimento de uma menina que desperta o interesse do filho, causando a inveja materna. O filme faturou o prêmio de Melhor Diretor no Festival Internacional de San Sebástian, na Espanha, mas infelizmente, não há previsão de estréia no Brasil.

Vencedor da Palma de Ouro e do prêmio do NYFCC, Azul é a Cor Mais Quente está fora da corrida pelo Oscar de Filme Estrangeiro. Porém a bela Adèle Exarchopoulos pode ser uma surpresa (photo by www.elfilm.com)

Vencedor da Palma de Ouro e do prêmio do NYFCC, Azul é a Cor Mais Quente está fora da corrida pelo Oscar de Filme Estrangeiro. Porém a bela Adèle Exarchopoulos pode ser uma surpresa (photo by http://www.elfilm.com)

Também gostei do vencedor da Palma de Ouro, Azul é a Cor Mais Quente, de Abdellatif Kechiche. Baseado na história em quadrinhos de jovem Julie Maroh (ela tinha apenas 19 anos na época da publicação!), o filme acompanha o amadurecimento da jovem Adèle (Adèle Exarchopoulos) em relação à sua sexualidade. Nos cabelos azuis de Emma (Léa Seydoux), ela se encontra tão apaixonada que ousa desafiar sua família, amigos e sociedade a fim de consumar esse sentimento tão intenso. Considerado perfeccionista pelos atores com quem trabalhou, Kechiche sofreu algumas críticas das atrizes, especialmente em relação às cenas de sexo, que duraram cerca de 10 dias. Em resposta à postura de Seydoux, o diretor retrucou numa entrevista que a atriz cuspiu no prato, mas fez questão de colher os frutos do trabalho como as altas publicidades das capas de revistas de moda. Discussões à parte, Azul é a Cor Mais Quente é um dos melhores filmes de 2013 e mereceu o prêmio máximo de Cannes. Ainda pode vencer o Globo de Ouro, mas por desrespeito às regras da Academia, não pode concorrer ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Uma lástima e tanto.

Lili Taylor em cena de Invocação do Mal, de James Wan, representando uma nova onda de cinema de terror (photo by www.elfilm.com)

Lili Taylor em cena de Invocação do Mal, de James Wan, representando uma nova onda de cinema de terror (photo by http://www.elfilm.com)

E não posso deixar de citar o terror Invocação do Mal. O filme em si poderia conter mais momentos de terror/susto, mas o diretor James Wan criou uma atmosfera tão perfeita de tensão, que fica difícil não incluí-lo na lista. Produto da escola do terror mais psicológico, o filme resgata cenas que exploram o invisível e o desconhecido, evitando também o desgaste dos efeitos gerados em computação gráfica. James Wan consegue agregar o terror moderno do estilo documental ao terror clássico mimeticamente pensado e planejado. Criador da série Jogos Mortais e dos filmes Sobrenatural (2010) e Sobrenatural: Capítulo 2 (2013), ele tem desfrutado do sucesso de público e de crítica, tanto que é considerado membro do “Splat Pack”, termo criado pelo historiador Alan Jones na revista Total Film para os diretores da onda moderna de filmes brutalmente violentos de terror. Outros membros incluem os diretores Alexandre Aja, Darren Lynn Bousman, Neil Marshall, Greg Mclean, Eli Roth, Leigh Whannell e Rob Zombie.

Kevin Costner como Jonathan Kent, servindo como base humanista para o protagonista e para o filme O Homem de Aço (photo by www.elfilm.com)

Kevin Costner como Jonathan Kent, servindo como base humanista para o protagonista e para o filme O Homem de Aço (photo by http://www.elfilm.com)

Quanto às decepções, a maior delas foi O Homem de Aço. Não que eu estivesse aguardando a melhor adaptação dos quadrinhos do Super-Homem, mas vi apenas uma tentativa de modernizar a saga do alienígena que se torna herói na Terra. Henry Cavill, Amy Adams, Laurence Fishburne, Russell Crowe e Michael Shannon não tiveram o carisma necessário para seus personagens ficarem interessantes. Os melhores atores com as melhores sequências foram dos pais de Clark, Jonathan e Martha Kent, intepretados por Kevin Costner e Diane Lane. Eles oferecem o fator humanista da história que torna esse universo mais palpável, mesmo para essa geração hi-tech de hoje. Às vezes soa saudosismo demais da minha parte, mas os filmes estrelados por Christopher Reeve ainda são melhores em tudo: direção, atores e, apesar dos defeitos técnicos da época, muito mais empolgante, e tinha um ar de ingenuidade que falta hoje.

Embora tenha gostado do resultado final de Além da Escuridão – Star Trek, confesso que esperei muito depois que vi o trailer em 3D no final do ano passado. Quero dizer, a sequência dirigida por J.J. Abrams é impecavelmente bem realizada, mas essas tramas mirabolantes de vilão mega-gênio e anárquico que tem tudo planejado, inclusive de se deixar prender pelos mocinhos, já tá saturado depois que o Coringa fez o mesmo em Batman – O Cavaleiro das Trevas (2008).

Para aqueles que gostam de acompanhar as premiações, eis o calendário para 2014:

08/01: Indicações ao BAFTA
12/01: Globo de Ouro 2014
16/01: Indicações ao Oscar 2014
16/01: Critics’ Choice Awards 2014
18/01: SAG (Screen Actors Guild) Awards 2014
19/01: PGA (Producers Guild) Awards 2014
25/01: DGA (Directors Guild) Awards 2014
01/02: WGA (Writers Guild) Awards 2014
16/02: BAFTA Awards 2014
01/03: Independent Spirit Awards 2014
02/03: Oscar 2014

Vale lembrar que a hostess do Oscar será pela segunda vez a apresentadora, atriz e comediante Ellen DeGeneres. Enquanto a cerimônia não chega, confira o trailer promocional do Oscar:

Desejo a todos Feliz Natal e um 2014 repleto de bons filmes e menos espectadores atendendo celular nas salas!

Com 13 indicações cada, ’12 Years a Slave’ e ‘Trapaça’ também lideram Critics’ Choice Awards 2014

Critics' Choice Awards 2014 (art by clevver.com)

Critics’ Choice Awards 2014 (art by clevver.com)

Enquanto o Globo de Ouro foi perdendo seu posto de parâmetro para o Oscar na última década, o Critics’ Choice Awards tem conquistado mais acertos do que erros em relação ao prêmio da Academia. Além disso, ao contrário do Globo de Ouro, o Critics’ também premia Melhor Fotografia, Montagem, Figurino e outras categorias mais técnicas, servindo como melhor termômetro. E vale lembrar que se trata de um prêmio praticamente recém-nascido, em seu 19º ano.

Só para exemplificar, nos últimos quatro anos, o Critics’ Choice acertou três vencedores de Melhor Filme: Argo, O Artista e Guerra ao Terror, além de atores como Daniel Day-Lewis, Colin Firth, Natalie Portman, Jeff Bridges e Sandra Bullock.

Embora seja apenas um festival sem prêmios competitivos, seria injustiça não mencionar o canadense Toronto International Film Festival (TIFF), cujo People’s Choice Award vem reconhecendo e fortalecendo os candidatos a Melhor Filme no Oscar. Nos últimos anos, O Discurso do Rei e Quem Quer Ser um Milionário? coincidiram as láureas com a Academia, sendo que ano passado, Argo estava entre os três finalistas.

Para quem não conhece o Critics’ Choice Awards, trata-se de um reconhecimento extremamente abrangente. Premiam os usuais Filme, Diretor, Ator, Atriz, Filme Estrangeiro… tem Melhor Elenco (marca do SAG Awards), Filme de Ação, Filme de Comédia (Globo de Ouro), Filme de Terror ou Ficção Científica (MTV Movie Award?) e ainda, Ator/Atriz em Filme de Ação e Ator/Atriz em Filme de Comédia. Só faltou Melhor Animal em Filme! Ainda bem que o prêmio não é feito de ouro, senão faltaria na reserva mundial.

Jennifer Lawrence recebendo uma das duas estatuetas que ganhou este ano por O Lado Bom da Vida e Jogos Vorazes (photo by http://fotosnoticiasartistasmuitomais.blogspot.com.br/2013/02/com-oscar-jennifer-lawrence-encerra.html)

Jennifer Lawrence recebendo uma das duas estatuetas que ganhou este ano por O Lado Bom da Vida e Jogos Vorazes (photo by http://fotosnoticiasartistasmuitomais.blogspot.com.br/2013/02/com-oscar-jennifer-lawrence-encerra.html)

Este ano, os recordistas com 13 indicações cada foram 12 Years a Slave e Trapaça, repetindo a façanha conquistada no Globo de Ouro com 7 para cada. Logo em seguida, Gravidade abocanhou 10 indicações e deve ganhar pelo menos Melhor Filme de Terror/Ficção Científica como consolo.

Outro fato curioso sobre o Critics é que eles indicam seis trabalhos nas categorias principais, tornando mais difícil aquele candidato esquecido. Especificamente nesta edição, as seis vagas estão muito bem preenchidas, principalmente entre os atores. Robert Redford e Christian Bale (ignorados pelo SAG), Brie Larson (apesar de ignorada por SAG e Globo de Ouro, concorre pelo Independent Spirit!), Bradley Cooper (ignorado pelo SAG) e até o póstumo James Gandolfini (ignorado pelo Globo). Vale ressaltar a indicação da voz de Scarlett Johansson em Ela como atriz coadjuvante. Será que tem chances no Oscar?

A bela Scarlett Johansson no último Festival de Roma, de onde saiu com o prêmio de Atriz por Ela

A bela Scarlett Johansson no último Festival de Roma, de onde saiu com o prêmio de Atriz por Ela

Mesmo assim, há um ou outro deixado de lado: Joaquin Phoenix (Ela), Tom Hanks (Walt nos Bastidores de Mary Poppins), Michael B. Jordan e Octavia Spencer (Fruitvale Station: A Última Parada). Ei! São 6 indicados, não 10.

Confira as 500 categorias do Critics’ Choice:

MELHOR FILME
Trapaça (American Hustle)
Capitão Phillips (Captain Phillips)
Dallas Buyers Club
Gravidade (Gravity)
Ela (Her)
Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum (Inside Llewyn Davis)
Nebraska
Walt nos Bastidores de Mary Poppins (Saving Mr. Banks)
12 Years a Slave
O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street)

MELHOR ATOR
Christian Bale (Trapaça)
Bruce Dern (Nebraska)
Chiwetel Ejiofor (12 Years a Slave)
Tom Hanks (Capitão Phillips)
Matthew McConaughey (Dallas Buyers Club)
Robert Redford (All Is Lost)

MELHOR ATRIZ
Cate Blanchett (Blue Jasmine)
Sandra Bullock (Gravidade)
Judi Dench (Philomena)
Brie Larson (Short Term 12)
Meryl Streep (Álbum de Família)
Emma Thompson (Walt nos Bastidores de Mary Poppins)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Barkhad Abdi (Capitão Phillips)
Daniel Bruhl (Rush: No Limite da Emoção)
Bradley Cooper (Trapaça)
Michael Fassbender (12 Years a Slave)
James Gandolfini (À Procura do Amor)
Jared Leto (Dallas Buyers Club)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Scarlett Johansson (Ela)
Jennifer Lawrence (Trapaça)
Lupita Nyong’o (12 Years a Slave)
Julia Roberts (Álbum de Família)
June Squibb (Nebraska)
Oprah Winfrey (O Mordomo da Casa Branca)

MELHOR ATOR/ATRIZ JOVEM
Asa Butterfield (Ender’s Game – O Jogo do Exterminador)
Adèle Exarchopoulos (Azul é a Cor Mais Quente)
Liam James (O Verão da Minha Vida)
Sophie Nelisse (A Menina que Roubava Livros)
Tye Sheridan (Amor Bandido)

O jovem talento Tye Sheridan concorre por Amor Bandido (photo by www.cine.gr)

O jovem talento Tye Sheridan concorre por Amor Bandido (photo by http://www.cine.gr)

MELHOR ELENCO
Trapaça
Álbum de Família
O Mordomo da Casa Branca
Nebraska
12 Years a Slave
O Lobo de Wall Street

MELHOR DIRETOR
Alfonso Cuaron (Gravidade)
Paul Greengrass (Capitão Phillips)
Spike Jonze (Ela)
Steve McQueen (12 Years a Slave)
David O. Russell (Trapaça)
Martin Scorsese (O Lobo de Wall Street)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Eric Singer, David O. Russell (Trapaça)
Woody Allen (Blue Jasmine)
Spike Jonze (Ela)
Joel Coen, Ethan Coen (Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum)
Bob Nelson (Nebraska)

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Tracy Letts (Álbum de Família)
Richard Linklater, Julie Delpy, Ethan Hawke (Antes da Meia-Noite)
Billy Ray (Capitão Phillips)
Steve Coogan, Jeff Pope (Philomena)
John Ridley (12 Years a Slave)
Terence Winter (O Lobo de Wall Street)

MELHOR FOTOGRAFIA
Emmanuel Lubezki (Gravidade)
Bruno Delbonnel (Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum)
Phedon Papamichael (Nebraska)
Roger Deakins (Os Suspeitos)
Sean Bobbitt (12 Years a Slave)

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
Andy Nicholson, Rosie Goodwin (Gravidade)
Catherine Martin, Beverley Dunn (O Grande Gatsby)
K.K. Barrett, Gene Serdena (Ela)
Dan Hennah, Ra Vincent (O Hobbit: A Desolação de Smaug)
Adam Stockhausen, Alice Baker (12 Years a Slave)

MELHOR MONTAGEM
Alan Baumgarten, Jay Cassidy, Crispin Struthers (Trapaça)
Christopher Rouse (Capitão Phillips)
Alfonso Cuarón, Mark Sanger (Gravidade)
Daniel P. Hanley, Mike Hill (Rush: No Limite da Emoção)
Joe Walker (12 Years a Slave)
Thelma Schoonmaker (O Lobo de Wall Street)

MELHOR FIGURINO
Michael Wilkinson (Trapaça)
Catherine Martin (O Grande Gatsby)
Bob Buck, Lesley Burkes-Harding, Ann Maskrey, Richard Taylor (O Hobbit: A Desolação de Smaug)
Daniel Orlandi (Walt nos Bastidores de Mary Poppins)
Patricia Norris (12 Years a Slave)

MELHOR MAQUIAGEM
Trapaça
O Hobbit: A Desolação de Smaug
O Mordomo da Casa Branca
Rush: No Limite da Emoção
12 Years a Slave

MELHORES EFEITOS VISUAIS
Gravidade
OHobbit: A Desolação de Smaug
Homem de Ferro 3
Círculo de Fogo
Além da Escuridão – Star Trek

MELHOR ANIMAÇÃO
Os Croods (The Croods)
Meu Malvado Favorito (Despicable Me 2)
Frozen: Uma Aventura Congelante (Frozen)
Universidade Monstros (Monsters University)
Vidas ao Vento (The Wind Rises)

A animação Os Croods deve conquistar uma das cinco vagas do Oscar (photo by www.elfilm.com)

A animação Os Croods deve conquistar uma das cinco vagas do Oscar (photo by http://www.elfilm.com)

MELHOR FILME DE AÇÃO
Jogos Vorazes: Em Chamas (The Hunger Games: Catching Fire)
Homem de Ferro 3 (Iron Man 3)
Lone Survivor
Rush: No Limite da Emoção (Rush)
Além da Escuridão – Star Trek (Star Trek Into Darkness)

MELHOR ATOR EM FILME DE AÇÃO
Henry Cavill (Homem de Aço)
Robert Downey Jr. (Homem de Ferro 3)
Brad Pitt (Guerra Mundial Z)
Mark Wahlberg (Lone Survivor)

MELHOR ATRIZ EM FILME DE AÇÃO
Sandra Bullock (Gravidade)
Jennifer Lawrence (Jogos Vorazes: Em Chamas)
Evangeline Lilly (O Hobbit: A Desolação de Smaug)
Gwyneth Paltrow (Homem de Ferro 3)

MELHOR COMÉDIA
Trapaça (American Hustle)
À Procura do Amor (Enough Said)
As Bem-Armadas (The Heat)
É o Fim (This Is the End)
O Verão da Minha Vida (The Way Way Back)
Heróis de Ressaca (The World’s End)

MELHOR ATOR EM COMÉDIA
Christian Bale (Trapaça)
Leonardo DiCaprio (O Lobo de Wall Street)
James Gandolfini (À Procura do Amor)
Simon Pegg (Heróis de Ressaca)
Sam Rockwell (O Verão da Minha Vida)

MELHOR ATRIZ EM COMÉDIA
Amy Adams (Trapaça)
Sandra Bullock (As Bem-Armadas)
Greta Gerwig (Frances Ha)
Julia Louis-Dreyfus (À Procura do Amor)
Melissa McCarthy (As Bem-Armadas)

Melissa McCarthy e Sandra Bullock disputam o prêmio de Atriz em Comédia por As Bem-Armadas (photo by ww.outnow.ch)

Melissa McCarthy e Sandra Bullock disputam o prêmio de Atriz em Comédia por As Bem-Armadas (photo by ww.outnow.ch)

MELHOR FILME DE FICÇÃO CIENTÍFICA/TERROR
Invocação do Mal (The Conjuring)
Gravidade (Gravity)
Além da Escuridão – Star Trek (Star Trek into Darkness)
Guerra Mundial Z (World War Z)

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Azul é a Cor Mais Quente (La Vie d’Adèle)
A Grande Beleza (La Grande Bellezza)
A Caça (Jagten)
The Past (Le Passé)
O Sonho de Wadjda (Wadjda)

Cena de O Sonho de Wadjda, que concorre como Filme Estrangeiro pela Arábia Saudita (photo by www.outnow.ch)

Cena de O Sonho de Wadjda, que concorre como Filme Estrangeiro pela Arábia Saudita (photo by http://www.outnow.ch)

MELHOR DOCUMENTÁRIO
O Ato de Matar (The Act of Killing)
Blackfish
Stories We Tell
Tim’s Vermeer
20 Feet from Stardom

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“Atlas” – Coldplay (Jogos Vorazes: Em Chamas)
“Happy” – Pharrell Williams (Meu Malvado Favorito 2)
“Let It Go” – Robert Lopez, Kristen Anderson-Lopez (Frozen: Uma Aventura Congelante)
“Ordinary Love” – U2 (Mandela: Long Walk to Freedom)
“Please Mr. Kennedy” – Justin Timberlake/Oscar Isaac/Adam Driver (Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum)
“Young and Beautiful” – Lana Del Rey (O Grande Gatsby)

MELHOR TRILHA MUSICAL ORIGINAL
Steven Price (Gravidade)
Arcade Fire (Ela)
Thomas Newman (Walt nos Bastidores de Mary Poppins)
Hans Zimmer (12 Years a Slave)

Os vencedores serão anunciados no dia 16 de janeiro de 2014. Quatro dias após o anúncio dos indicados ao Oscar.

* A animação de Hayao Miyazaki, The Wind Rises, estava com o título brasileiro O Vento Está Soprando, mas a distribuidora que adquiriu os direitos de exibição resolveu alterar para Vidas ao Vento.

Vidas ao Vento, de Hayao Miyazaki, ganhou novo título nacional e concorre como melhor Animação (photo by www.elfilm.com)

Vidas ao Vento, de Hayao Miyazaki, ganhou novo título nacional e concorre como melhor Animação (photo by http://www.elfilm.com)

114 Trilhas Musicais na disputa pelo Oscar 2014

Trilha musical tenebrosa de Joseph Bishara para Invocação do Mal está na disputa (photo by www.outnow.ch)

Trilha musical tenebrosa de Joseph Bishara para Invocação do Mal está na disputa (photo by http://www.outnow.ch)

Se tem ator e atriz reclamando da alta competitividade deste ano, os compositores deveriam tomar um uísque e relaxar. Competir com 113 trabalhos é pior que passar em medicina na FUVEST.

Embora nem todas as trilhas mereçam uma indicação ao Oscar, a trilha musical é uma arma valiosíssima nas mãos do diretor, pois pode valorizar muito a mensagem que o filme passa, gerar catarse naqueles filmes mais chorosos, e em alguns casos, dar uma bela disfarçada na “ruindade” do filme.

Hans Zimmer (photo by www.zimbio.com)

Hans Zimmer (photo by http://www.zimbio.com)

Na lista, é natural alguns nomes se repetirem como é o caso do alemão Hans Zimmer. Vencedor do Oscar pela trilha de O Rei Leão em 1995, ele concorre por três trabalhos bastante distintos entre si. Apesar de ser responsável pelas músicas do blockbuster O Homem de Aço e do filme de fórmula 1 Rush: No Limite da Emoção, Zimmer deve receber a indicação pelo drama 12 Years a Slave. Com o total de nove indicações e uma vitória, ele tem turbinado suas chances nos últimos anos depois que fez parceria com o diretor Christopher Nolan em Batman: O Cavaleiro das Trevas A Origem, e está trabalhando também em Interstellar, que deve estrear em novembro de 2014.

Há nomes que sempre figuram entre os indicados, mas nunca levam o prêmio. São os casos de Thomas Newman (11 indicações sem vitória), que disputa por Terapia de Risco e Walt nos Bastidores de Mary Poppins; e Danny Elfman (4 indicações sem vitória), que conta com seus trabalhos na animação Reino Escondido e no blockbuster Oz: Mágico e Poderoso. Provavelmente por motivos técnicos, ele não está competindo também por Trapaça

É muito difícil fazer previsão de indicados nessa categoria, mas alguns nomes como o de Zimmer são praticamente garantidos. Outro nome de peso que quase nunca falta é o do mestre John Williams. Super-mega recordista de indicações com “apenas” 48, tendo vencido em 5 oportunidades: Um Violinista no Telhado, Tubarão, Star Wars, E.T. o Extraterrestre e A Lista de Schindler. Ele volta este ano com a trilha da adaptação do best-seller A Menina que Roubava Livros, pelo qual já recebeu uma indicação ao Globo de Ouro.

O maestro e compositor John Williams (photo by www.jwfan.com)

O maestro e compositor John Williams (photo by http://www.jwfan.com)

Os demais concorrentes ao Globo de Ouro são Alex Ebert (All is Lost), Alex Heffes (Mandela: Long Walk to Freedom), Steven Price (Gravidade) e Zimmer que, por isso, já saem na frente das demais 109 composições.

Reconhecido pela crítica de Los Angeles, William Butler e Owen Pallett (Ela),  podem surpreender na reta final dependendo da distribuição das indicações. Já T-Bone Burnett (Inside Llewyn Davis) não teve a mesma sorte, pois suas composições devem conter música pré-existente, o que desqualifica para as exigências da Academia.

O compositor Joseph Bishara (photo by www.zimbio.com)

O compositor Joseph Bishara (photo by http://www.zimbio.com)

Particularmente, adoraria ver Joseph Bishara no tapete vermelho do Oscar. Ele foi responsável pelas ótimas trilhas de Invocação do Mal e Sobrenatural: Capítulo 2. Sem sua música, a excelente atmosfera não teria o mesmo impacto. Pena que a Academia não costuma premiar filmes de terror. Até onde me recordo, apenas A Profecia ganhou o Oscar em 1977, que contou também com a credibilidade de Jerry Goldsmith, falecido em 2004.

Segue a lista das 114 composições em ordem alfabética dos títulos originais em inglês:

A Seleção (Admission), de Stephen Trask
Ain’t Them Bodies Saints, de Daniel Hart
All Is Lost, de Alex Ebert
Alone Yet Not Alone, de William Ross
American Seagull, de Evgeny Shchukin
The Armstrong Lie, de David Kahne
Arthur Newman, de Nick Urata
At Any Price, de Dickon Hinchliffe
Austenland, de Ilan Eshkeri
Antes da Meia-Noite (Before Midnight), de Graham Reynolds
The Best Man Holiday, de Stanley Clarke
A Menina que Roubava Livros (The Book Thief), de John Williams
The Butterfly’s Dream (Kelebegin Ruyasi), de Rahman Altin
Chamada de Emergência (The Call), de John Debney
Capitão Phillips (Captain Phillips), de Henry Jackman
Closed Circuit, de Joby Talbot
Sem Proteção (The Company You Keep), de Cliff Martinez
Invocação do Mal (The Conjuring), de Joseph Bishara
Copperhead, de Laurent Eyquem
O Conselheiro do Crime (The Counselor), de Daniel Pemberton
Os Croods (The Croods), de Alan Silvestri
Meu Malvado Favorito 2 (Despicable Me 2), de Heitor Pereira
Elysium, Ryan Amon
Ender’s Game – O Jogo do Exterminador (Ender’s Game), de Steve Jablonsky
À Procura do Amor (Enough Said), de Marcelo Zarvos
Reino Escondido (Epic), de Danny Elfman
Ernest & Celestine, de Vincent Courtois
A Fuga do Planeta Terra (Escape from Planet Earth), de Aaron Zigman
Escape from Tomorrow, de Abel Korzeniowski
A Morte do Demônio (Evil Dead), de Roque Baños
47 Ronins (47 Ronin), de Ilan Eshkeri
42: A História de uma Lenda (42), de Mark Isham
Bons de Bico (Free Birds), de Dominic Lewis
Free China: The Courage to Believe, de Tony Chen
Fruitvale Station: A Última Parada (Fruitvale Station), de Ludwig Goransson
G.I. Joe: Retaliação (G.I. Joe: Retaliation), de Henry Jackman
Caça aos Gângsteres (Gangster Squad), de Steve Jablonsky
Gravidade (Gravity), de Steven Price
O Grande Gatsby (The Great Gatsby), de Craig Armstrong
Se Beber, Não Case! Parte III (The Hangover Part III), de Christophe Beck
João e Maria: Caçadores de Bruxas (Hansel & Gretel Witch Hunters), de Atli Örvarsson
Os Sabores do Palácio (Haute Cuisine), de Gabriel Yared
Ela (Her), de William Butler and Owen Pallett
O Hobbit: A Desolação de Smaug (The Hobbit: The Desolation of Smaug), de Howard Shore
Hours, de Benjamin Wallfisch
How Sweet It Is, de Matt Dahan
Jogos Vorazes: Em Chamas (The Hunger Games: Catching Fire), de James Newton Howard
Uma Ladra Sem Limites (Identity Thief), de Christopher Lennertz
O Incrível Mágico Burt Wonderstone (The Incredible Burt Wonderstone), de Lyle Workman
Sobrenatural: Capítulo 2 (Insidious: Chapter 2), de Joseph Bishara
Instructions Not Included (No se Aceptan Devoluciones), de Carlo Siliotto
Os Estagiários (The Internship), de Christophe Beck
The Invisible Woman, de Ilan Eshkeri
Homem de Ferro 3 (Iron Man 3), de Brian Tyler
Jack, o Caçador de Gigantes (Jack the Giant Slayer), de John Ottman
Jobs, de John Debney
Kamasutra 3D, de Sreejith Edavana e Saachin Raj Chelory
Refém da Paixão (Labor Day), de Rolfe Kent
O Mordomo da Casa Branca (Lee Daniels’ The Butler), de Rodrigo Leão
Live at the Foxes Den, de Jack Holmes
Amor é Tudo o Que Você Precisa (Love Is All You Need), de Johan Söderqvist
Mama, de Fernando Velázquez
Homem de Aço (Man of Steel), de Hans Zimmer
Mandela: Long Walk to Freedom, de Alex Heffes
The Missing Picture (L’image manquante), de Marc Marder
Universidade Monstros (Monsters University), de Randy Newman
Os Instrumentos Mortais: Cidade dos Ossos (The Mortal Instruments: City of Bones), de Atli Örvarsson
Amor Bandido (Mud), de David Wingo
Murph: The Protector, de Chris Irwin e Jeff Widenhofer
Truque de Mestre (Now You See Me), de Brian Tyler
Oblivion, de Anthony Gonzalez e Joseph Trapanese
Oldboy – Dias de Vingança (Oldboy), de Roque Baños
Invasão à Casa Branca (Olympus Has Fallen), de Trevor Morris
Oz: Mágico e Poderoso (Oz The Great and Powerful), de Danny Elfman
Círculo de Fogo (Pacific Rim), de Ramin Djawadi
Sem Dor, Sem Ganho (Pain & Gain), de Steve Jablonsky
Percy Jackson e o Mar de Monstros (Percy Jackson: Sea of Monsters), de Andrew Lockington
Philomena, de Alexandre Desplat
O Lugar Onde Tudo Termina (The Place beyond the Pines), de Mike Patton
Aviões (Planes), de Mark Mancina
Os Suspeitos (Prisoners), de Jóhann Jóhannsson
R.I.P.D. – Agentes do Além (R.I.P.D.), de Christophe Beck
Flores Raras (Reaching for the Moon), de Marcelo Zarvos
Romeu e Julieta (Romeo & Juliet), de Abel Korzeniowski
Aposta Máxima (Runner Runner), de Christophe Beck
Rush: No Limite da Emoção (Rush), de Hans Zimmer
Um Porto Seguro (Safe Haven), de Deborah Lurie
Salinger, de Lorne Balfe
Walt nos Bastidores de Mary Poppins (Saving Mr. Banks), de Thomas Newman
A Vida Secreta de Walter Mitty (The Secret Life of Walter Mitty), de Theodore Shapiro
Short Term 12, de Joel P. West
Terapia de Risco (Side Effects), de Thomas Newman
Os Smurfs 2 (The Smurfs 2), deHeitor Pereira
The Spectacular Now, de Rob Simonsen
Além da Escuridão: Star Trek (Star Trek Into Darkness), de Michael Giacchino
Segredos de Sangue (Stoker), de Clint Mansell
Thor: O Mundo Sombrio (Thor: The Dark World), de Brian Tyler
Tim’s Vermeer, de Conrad Pope
Em Transe (Trance), de Rick Smith
Turbo, de Henry Jackman
12 Years a Slave, de Hans Zimmer
Dose Dupla (2 Guns), de Clinton Shorter
The Ultimate Life, de Mark McKenzie
Canção Para Marion (Unfinished Song), de Laura Rossi
O Sonho de Wadjda (Wadjda), de Max Richter
Caminhando com Dinossauros (Walking with Dinosaurs), de Paul Leonard-Morgan
Meu Namorado é um Zumbi (Warm Bodies), de Marco Beltrami e Buck Sanders
We Steal Secrets: The Story of WikiLeaks, de Will Bates
Família do Bagulho (We’re the Millers), de Theodore Shapiro e Ludwig Goransson
Pelos Olhos de Maisie (What Maisie Knew), de Nick Urata
Why We Ride, de Steven Gutheinz
O Vento Está Soprando (The Wind Rises), de Joe Hisaishi
Winnie Mandela, de Laurent Eyquem
Wolverine – Imortal (The Wolverine), de Marco Beltrami

‘Trapaça’ e ’12 Years a Slave’ lideram as indicações ao Globo de Ouro 2014

Christian Bale, Amy Adams e Bradley Cooper superaram as ausência no SAG e chegaram ao Globo de Ouro 2014 por Trapça (photo by www.outnow.ch)

Christian Bale, Amy Adams e Bradley Cooper superaram as ausência no SAG e chegaram ao Globo de Ouro 2014 por Trapaça (photo by http://www.outnow.ch)

GLOBO DE OURO CONFIRMA FAVORITISMO DE 12 YEARS A SLAVE E ALAVANCA AS CHANCES DE TRAPAÇA

Normalmente, assim que as indicações ao Globo de Ouro saem, começa aquela enxurrada de matérias apontando os incontáveis erros e trabalhos ignorados. Não desta vez. Com a importante ajuda da safra bem servida de filmes de qualidade, as categorias foram devidamente preenchidas por profissionais que vinham agradando a crítica americana. Assim, nomes premiados por NYFCC, National Board of Review e LAFCA estão todos presentes na lista do Globo de Ouro 2014. Claro que uma ou outra exceção se faz notar, mas nada que tire o crédito dos membros votantes da Hollywood Foreign Press Association (HPFA).

De longe, as maiores surpresas são as presenças de Philomena e Rush: No Limite da Emoção na categoria Melhor Filme – Drama. Apesar de se tratarem de bons filmes, não havia uma forte campanha que indicasse resultado tão favorável. Bastante elogiado no último Festival de Veneza, Philomena, dirigido por Stephen Frears, tinha boas chnces de faturar o Leão de Ouro e o prêmio de atriz para Judi Dench, mas saiu apenas com Melhor Roteiro. Já Rush: No Limite da Emoção recebeu boas avaliações de modo geral, mas nada exagerado a ponto de conquistar uma indicação de Melhor Filme. Apesar do reconhecimento do Globo de Ouro, ainda acredito que o filme sobre a rivalidade na fórmula 1 de Ron Howard só deverá conquistar indicações para Ator Coadjuvante, Maquiagem e Efeitos Sonoros no Oscar.

3 indicações para Philomena, de Stephen Frears... (photo by www.outnow.ch)

Steve Coogan e Dame Judi Dench: 3 indicações para Philomena, de Stephen Frears… (photo by http://www.outnow.ch)

2 indicações para Rush: No Limite da Emoção. Pouco ou muito para um candidato surpresa? (photo by www.elfilm.com)

… e 2 indicações para Rush: No Limite da Emoção. Pouco ou muito para um candidato surpresa? (photo by http://www.elfilm.com)

Ambos os filmes tomaram os lugares de Nebraska e Trapaça, que, embora sejam mais dramas do que comédias, migraram para a categoria vizinha de Melhor Filme – Comédia/Musical, criando o grupo da morte do Globo de Ouro 2014, que ainda tem: O Lobo de Wall Street, de Martin Scorsese, Inside Llewyn Davis, dos irmãos Coen, e Ela, de Spike Jonze. Apesar do Globo de Ouro não servir mais como parâmetro para o Oscar, o filme que vencer nesta categoria certamente terá maiores chances na Academia.

Cientes de que havia uma grande quantidade de produções concorrentes que merecia reconhecimento, os votantes se esforçaram para agradar a todos. Deslocaram filmes de categorias e até evitaram duplas indicações como poderia ter acontecido com Tom Hanks, que tinha chances como Coadjuvante (Walt nos Bastidores de Hollywood) e Ator (Capitão Phillips), pelo qual acabou sendo indicado. Contudo, mesmo com todo esse trabalho, seria impossível não deixar uns filmes no escuro.

Os indicados Barkhad Abdi e Tom Hanks representam a metade das 4 indicações de Capitão Phillips (photo by www.elfilm.com)

Os indicados Barkhad Abdi e Tom Hanks representam a metade das 4 indicações de Capitão Phillips (photo by http://www.elfilm.com)

Provavelmente, os casos mais claros são as totais ausências de Fruitvale Station: A Última Parada e O Mordomo da Casa Branca. Se ainda houvesse aquele prêmio do Most Promising Newcomer (Novato mais Promissor), o Globo de Ouro certamente o daria ao jovem Michael B. Jordan por Fruitvale Station. Como a concorrência estava muito acirrada na categoria Ator – Drama, ele acabou cortado juntamente com Forest Whitaker, que apesar do esforço e talento, não melhora muito O Mordomo da Casa Branca. Fiquei feliz que o pessoal do Globo de Ouro não foi na onda do “indiquem Oprah Winfrey pra dar audiência no tapete vermelho”.

Outra ausência mais sentida foi a da animação japonesa de Hayao Miyazaki, O Vento Está Soprando. Numa manobra que claramente favorece os grandes estúdios (leiam-se Disney: Frozen – Uma Aventura Congelante, Dreamworks: Os Croods e Universal: Meu Malvado Favorito 2), deslocaram o grande favorito da categoria para outra possível: Melhor Filme em Língua Estrangeira. Embora ainda tenha chances claras, a disputa é nitidamente mais complicada ao lado do francês Azul é a Cor Mais Quente, o dinamarquês A Caça e o italiano La Grande Bellezza.

Particularmente, gostei da primeira indicação da jovem atriz americana Greta Gerwig por Frances Ha. Até uns anos atrás, ela só atuava em papéis secundários em filmes banais como Sexo Sem Compromisso e na refilmagem de Arthur, o Milionário Irresistível, até o dia em que o diretor Noah Baumbach ofereceu uma oportunidade como protagonista e ela não desperdiçou. Espero que esta indicação (infelizmente o páreo está duríssimo com Meryl Streep, Julie Delpy e Amy Adams) possa lhe render melhores projetos com diretores mais consagrados.

Greta Gerwig conquista uma indicação para Frances Ha (photo by www.elfilm.com)

Greta Gerwig conquista uma indicação para Frances Ha (photo by http://www.elfilm.com)

Embora não seja favorito este ano, também adorei a indicação do diretor Alexander Payne e seu Nebraska. Vencedor de 2 Globos de Ouro de Melhor Filme (Comédia por Sideways – Entre Umas e Outras, e Drama por Os Descendentes), Payne é muito querido pelos membros da HFPA, e comprova mais uma vez que sabe escolher e dirigir bons atores: Bruce Dern e June Squibb receberam indicações como Ator – Comédia/Musical e Atriz Coadjuvante.

Bruce Dern e June Squibb confirmam talento de Alexander Payne ao receberem indicações por Nebraska (photo by www.elfilm.com)

Bruce Dern e June Squibb confirmam talento de Alexander Payne ao receberem indicações por Nebraska (photo by http://www.elfilm.com)

Apesar de ter conseguido apenas 2 indicações no SAG, as sete indicações de Trapaça no Globo de Ouro devem impulsionar o filme de David O. Russell para o Oscar 2014. Nos últimos anos, os filmes do diretor têm obtido bom êxito com a Academia. O Vencedor venceu os Oscars de Ator Coadjuvante (Christian Bale) e Atriz Coadjuvante (Melissa Leo), enquanto O Lado Bom da Vida conquistou o Oscar de Atriz (Jennifer Lawrence). Embora o favoritismo ainda esteja do lado de 12 Years a Slave, dependendo da estratégia de propaganda, Trapaça pode fazer a ultrapassagem na reta final.

Seguem as indicações ao Globo de Ouro:

MELHOR FILME – DRAMA
12 Years a Slave
– Capitão Phillips (Captain Phillips)
– Gravidade (Gravity)
Philomena
– Rush: No Limite da Emoção (Rush)

MELHOR FILME – COMÉDIA OU MUSICAL
Trapaça (American Hustle)
– Ela (Her)

– Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum (Inside Llewyn Davis)
 Nebraska
– O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street)

MELHOR DIRETOR
– Alfonso Cuarón (Gravidade)
– Paul Greengrass (Capitão Phillips)
– Steve McQueen (12 Years a Slave)
– Alexander Payne (Nebraska)
– David O. Russell (Trapaça)

MELHOR ATOR – DRAMA
– Chiwetel Ejiofor (12 Years a Slave)
– Idris Elba (Mandela: Long Walk to Freedom)
– Matthew McConaughey (Dallas Buyers Club)
– Tom Hanks (Capitão Phillips)
– Robert Redford (All is Lost)

MELHOR ATRIZ – DRAMA
– Cate Blanchett (Blue Jasmine)
– Sandra Bullock (Gravidade)
– Judi Dench (Philomena)
– Emma Thompson (Walt nos Bastidores de Mary Poppins)
– Kate Winslet (Refém da Paixão)

MELHOR ATOR – COMÉDIA OU MUSICAL
– Christian Bale (Trapaça)
– Bruce Dern (Nebraska)
– Leonardo DiCaprio (O Lobo de Wall Street)
– Oscar Isaac (Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum)
– Joaquin Phoenix (Ela)

MELHOR ATRIZ – COMÉDIA OU MUSICAL
– Amy Adams (Trapaça)
– Julie Delpy (Antes da Meia-Noite)
– Julia Louis-Dreyfus (À Procura do Amor)
– Greta Gerwig (Frances Ha)
– Meryl Streep (Álbum de Família)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
– Barkhad Abdi (Capitão Phillips)
– Daniel Brühl (Rush: No Limite da Emoção)
– Bradley Cooper (Trapaça)
– Michael Fassbender (12 Years a Slave)
– Jared Leto (Dallas Buyers Club)

Pra quem pensava que Jennifer Lawrence iria desacelerar depois do Oscar por O Lado Bom da Vida, eis a bela novamente (photo by www.outnow.ch)

Pra quem pensava que Jennifer Lawrence iria desacelerar depois do Oscar por O Lado Bom da Vida, eis a bela novamente (photo by http://www.outnow.ch)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
– Sally Hawkins (Blue Jasmine)
– Jennifer Lawrence (Trapaça)
– Lupita N’Yongo (12 Years a Slave)
– Julia Roberts (Álbum de Família)
– June Squibb (Nebraska)

MELHOR ROTEIRO
– John Ridley (12 Years a Slave)
– Steve Coogan, Jeff Pope (Philomena)
– Spike Jonze (Ela)
– Bob Nelson (Nebraska)
– Eric Singer, David O. Russell (Trapaça)

MELHOR TRILHA MUSICAL ORIGINAL
– Hans Zimmer (12 Years a Slave)
– Alex Ebert (All is Lost)
– John Williams (A Menina que Roubava Livros)
– Steven Price (Gravidade)
– Alex Heffes (Mandela: Long Walk to Freedom)

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“Atlas”, de Guy Berryman, Jonny Buckland, Will Champion e Chris Martin (Jogos Vorazes: Em Chamas)
“Please Mr. Kennedy”, de Ed Rush, George Cromarty, T-Bone Burnnett, Justin Timberlake, Joel Coen, Ethan Coen (Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum)
“Let it Go”, de Robert Lopez e Kristen Anderson-Lopez (Frozen: Uma Aventura Congelante)
“Ordinary Love”, de U2 (Mandela: Long Walk to Freedom)
“Sweeter than Fiction”, de Jack Antonoff e Taylor Swift (One Chance)

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Azul é a Cor Mais Quente, de Abdellatif Kechiche (França)
A Caça, de Thomas Vinterberg (Dinamarca)
The Great Beauty, de Paolo Sorrentino (Itália)
The Past, de Asghar Farhadi (França/Itália)
O Vento Está Soprando, de Hayao Miyazaki (Japão)

MELHOR ANIMAÇÃO
Os Croods, de Kirk De Micco e Chris Sanders
Frozen: Uma Aventura Congelante, de Chris Buck e Jennifer Lee
Meu Malvado Favorito 2, de Pierre Coffin, Chris Renaud

Já na ala televisiva, destaco o crescimento das séries produzidas pela Netflix (não, não estou sendo pago para fazer propaganda). Além de House of Cards e Arrested Development, que já haviam sido reconhecidos pelo Emmy, Taylor Schilling foi indicada como Melhor Atriz de Série – Drama pela nova série da Netflix, Orange is the New Black, denotando uma curiosa tendência de criação de séries sem ficar refém de grades de programação televisiva.

Taylor Schilling em Orange is the New Black confirma crescimento das produções da Netflix (photo by www.elfilm.com)

Taylor Schilling em Orange is the New Black confirma crescimento das produções da Netflix (photo by http://www.elfilm.com)

Também vale destacar que alguns atores foram agraciados por indicações pelo trabalho em cinema e TV: Julia Louis-Dreyfus (À Procura do Amor e a série de comédia Veep), além de Chiwetel Ejiofor (filme 12 Years a Slave e série Dancing on the Edge) e Idris Elba (Mandela: Long Walk to Freedom e minissérie Luther), que repetem a disputa da categoria Melhor Ator – Drama.

MELHOR SÉRIE – DRAMA
Breaking Bad
Downton Abbey
The Good Wife
House Of Cards
Masters Of Sex

MELHOR ATRIZ DE SÉRIE – DRAMA
Julianna Margulies (The Good Wife)
Tatiana Maslany (Orphan Black)
Taylor Schilling (Orange Is The New Black)
Kerry Washington (Scandal)
Robin Wright (House Of Cards)

MELHOR ATOR DE SÉRIE – DRAMA
Bryan Cranston (Breaking Bad)
Liev Schreiber (Ray Donovan)
Michael Sheen (Masters of Sex)
Kevin Spacey (House of Cards)
James Spader (The Blacklist)

MELHOR SÉRIE – COMÉDIA OU MUSICAL
The Big Bang Theory
Brooklyn Nine-Nine
Girls
Modern Family
Parks & Recreation

MELHOR ATRIZ DE SÉRIE – COMÉDIA OU MUSICAL
Zooey Deschanel (New Girl)
Lena Dunham (Girls)
Edie Falco (Nurse Jackie)
Julia Louis-Dreyfus (Veep)
Amy Poehler (Parks & Recreation)

MELHOR ATOR DE SÉRIE – COMÉDIA OU MUSICAL
Jason Bateman (Arrested Development)
Don Cheadle (House of Lies)
Michael J. Fox (The Michael J. Fox Show)
Jim Parsons (The Big Bang Theory)
Andy Samberg (Brooklyn Nine-Nine)

MELHOR MINISSÉRIE OU FILME PARA TV
American Horror Story: Coven
Behind The Candelabra
Dancing on the Edge
Top of the Lake
White Queen

MELHOR ATRIZ EM MINISSÉRIE OU FILME PARA TV
Helena Bonham Carter (Burton and Taylor)
Rebecca Ferguson (White Queen)
Jessica Lange (American Horror Story: Coven)
Helen Mirren (Phil Spector)
Elisabeth Moss (Top of the Lake)

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM MINISSÉRIE OU FILME PARA TV
Josh Charles (The Good Wife)
Rob Lowe (Behind the Candelabra)
Aaron Paul (Breaking Bad)
Corey Stoll (House of Cards)
Jon Voight (Ray Donovan)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE, MINISSÉRIE OU FILME PARA TV
Jacqueline Bisset (Dancing on the Edge)
Janet McTeer (The White Queen)
Hayden Panettiere (Nashville)
Monica Potter (Parenthood)
Sofía Vergara (Modern Family)

MELHOR ATOR EM SÉRIE, MINISSÉRIE OU FILME PARA TV
Matt Damon (Behind the Candelabra)
Michael Douglas (Behind the Candelabra)
Chiwetel Ejiofor (Dancing on the Edge)
Idris Elba (Luther)
Al Pacino (Phil Spector)

A cerimônia do Globo de Ouro 2014 será transmitida ao vivo no dia 12 de janeiro. As atrizes Tina Fey e Amey Poehler serão as hostesses da noite mais uma vez. E o diretor/roteirista/ator Woody Allen será homenageado pelo Cecil B. DeMille Award, mas dizem as más línguas que ele não virá mesmo assim, e que sua colaboradora Diane Keaton aceiará o prêmio em seu nome.

Woody Allen e Diane Keaton (www.filmmakeriq.com)

Woody Allen e Diane Keaton (www.filmmakeriq.com)